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Numero do processo: 19563.000015/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. AFERIÇÃO INDIRETA. INOCORRÊNCIA.
Não se qualifica como aferição indireta o procedimento fiscal de
dimensionamento quantitativo da base de cálculo no qual os valores correspondentes à base de incidência são colhidos diretamente das folhas de pagamento e das GFIP, documentos estes eleitos pela legislação previdenciária como os específicos para o registro dos fatos geradores de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.876
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta, não houve divergência.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. AFERIÇÃO INDIRETA. INOCORRÊNCIA. Não se qualifica como aferição indireta o procedimento fiscal de dimensionamento quantitativo da base de cálculo no qual os valores correspondentes à base de incidência são colhidos diretamente das folhas de pagamento e das GFIP, documentos estes eleitos pela legislação previdenciária como os específicos para o registro dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu, pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta, não houve divergência. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2006 Data da lavratura da NFLD: 26/05/2006. Data da Ciência da NFLD: 26/05/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias patronais destinadas ao custeio da seguridade social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, a saber, FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a seus segurados empregados, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 78/83. Informa a Autoridade Lançadora que o montante devido neste levantamento foi apurado pelo exame das GFIP apresentadas pela empresa durante a ação fiscal. As remunerações informadas nas GFIP estão de acordo com as remunerações observadas nos sistemas informatizados de arrecadação do INSS (PLENUS — AGUIA/CNISA) processadas pela DATAPREV. A partir das informações constantes da GFIP, contudo, em algumas competências, a empresa informou e recolheu no código errado. Desta forma, para o cálculo dos valores foram utilizados as bases informadas pelo contribuinte em GFIP e, onde as informações foram feitas de maneira incorreta, foram utilizadas as informações constantes na RAIS e nas folhas de pagamento. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 97/106. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 124/131, julgando procedente em parte o lançamento e retificando o crédito tributário na forma consignada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 132/150. Foram excluídos do lançamento o levantamento DAL, considerado nulo pela não emissão do respectivo relatório, assim como os fatos geradores que, embora aferidos diretamente pelo exame das GFIP e das folhas de pagamento, continham informação no DAD e no RL de terem sido efetuados com base na RAIS documento utilizado no caso de aferição Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000015/200713 Acórdão n.º 230201.876 S2C3T2 Fl. 201 3 indireta , pois comprometiam a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário, e poderiam caracterizar cerceamento do direito de defesa do contribuinte. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29/11/2010, conforme documento de Intimação e Recibo a fl. 172. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 179/188, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que não há motivação para a aferição indireta; • Decadência Parcial; • Que não houve inércia do fiscalizado, que apresentou documentação suficiente para a realização da fiscalização. Aduz ter havido ilegalidade na aferição indireta utilizada pelo fisco, o que implicaria a anulação do ato respectivo e a correção dos valores do débito, conforme documentação apresentada pela empresa. Ao fim, requer a anulação do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/11/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 28 de dezembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000015/200713 Acórdão n.º 230201.876 S2C3T2 Fl. 202 5 contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Com fulcro nos fundamentos expostos nessas breves digressões, deflui da análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência que, ao caso sub examine, operarseia a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados tenham sido contempladas com recolhimentos antecipados das respectivas contribuições previdenciárias aplicase o regime assentado no §4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Nessas condições, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 26 dias do mês de maio de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançaria, tão somente, as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência maio/2001, inclusive, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a maio/2001, exclusive, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Em razão do provimento relativo à decadência parcial do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário de que trata o presente processo, nos termos do item 2.1. supra, apenas será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias de fato e de direito referentes aos fatos geradores ainda não alcançados pelo decurso do prazo decadencial acima Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 referido. Em relação aos já caducos, consideraremos ter havido perda do interesse processual, razão pela qual não serão mais objeto de deliberação. Outrossim, cumpre assentar que também não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias decididas pelo órgão de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DA AFERIÇÃO INDIRETA Alega o Recorrente não haver motivação para a aferição indireta. Aduz que não houve inércia do fiscalizado, que apresentou documentação suficiente para a realização da fiscalização. Considera ter havido ilegalidade na aferição indireta utilizada pelo fisco, o que implicaria a anulação do ato respectivo e a correção dos valores do débito, conforme documentação apresentada pela empresa. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, há que se esclarecer que as bases de cálculo referentes aos fatos geradores apurados pela fiscalização no presente lançamento não foram dimensionadas mediante aferição indireta, como assim afirma o Recorrente, mas, sim, diretamente sobre as GPS, GFIP e folhas de pagamento apresentadas pela empresa à fiscalização. O levantamento DAL é composto pelas rubricas 36 juros sobre recolhimento e 37 – multa sobre recolhimento referentes a recolhimentos de contribuições previdenciárias realizados fora do prazo assinalado na lei e apurado diretamente das GPS apresentadas à fiscalização. O levantamento FA – FOLHA ANÁLISE ARQ DIGITAL referese a valores declarados pelo sujeito passivo em GFIP, mas não contemplados em suas GPS. Tratase de um levantamento decorrente do mero batimento GFIP vs GPS. Já o levantamento FP – FOLHA DE PAGAMENTO é constituído por fatos geradores apurados diretamente através do exame das folhas de pagamento apresentadas pela empresa, mas não por esta declarados nas GFIP correspondentes. É certo que parte do lançamento foi declarada nula pelo Órgão Julgador de 1ª Instância em razão de este ter vislumbrado não conter os relatórios fiscais integrantes do lançamento em foco todas as informações necessárias para que o sujeito passivo pudesse, de forma eficiente, exercer o seu direito ao contraditório. As razões da declaração da nulidade foram, de forma exemplar, explanadas pela Instância a quo da decisão vergastada, cujo item 16, a fls. 130/131, reproduzimos a seguir, para melhor compreensão de seus fundamentos. 16. Todavia, em respeito ao Principio do direito à ampla defesa e ao contraditório, um dos pilares que sustentam o Processo Administrativo Fiscal, que se traduz, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência da ação e de Fl. 214DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000015/200713 Acórdão n.º 230201.876 S2C3T2 Fl. 203 7 todos os atos do processo às partes, e de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhes forem desfavoráveis, passo a abordar os seguintes tópicos: 16.1 Respeitante à alegação referente às diferenças de acréscimos legais, de que a NFLD não traria informações necessárias à defesa, observo que não foi juntado ao presente o Relatório DAL Diferença de Acréscimos Legais, o qual informa quais as competências foram recolhidas com atraso e sem os acréscimos devidos, ficando realmente a notificada cerceada no seu direito de contraditório e ampla defesa, esculpido no inciso LV do art. 5° da Constituição Federal, uma vez que do levantamento DAL — Diferença de Ac. Legais, lançado para o período 06/2002 a 102005, constante do DAD — Discriminativo Analítico do Débito, de fls. 04/26, considera como competência a data do recolhimento da guia em atraso, sendo que as guias por competência que geraram esse levantamento constam apenas do Relatório DAL Diferença de Acréscimos Legais, que por sua vez não foi juntado ao presente processo e muito menos se encontra entre os anexos emitidos e listados no rosto da NFLD, como parte integrante do lançamento; 16.2 Referentemente às alegações de obscuridade da NFLD, quando é afirmado pela empresa, que o lançamento apresentaria um emaranhado de números e dados, o que levaria a impugnante a encontrar maior dificuldade em decifrálos, o que o viciaria de nulidade, observo que, embora o lançamento refirase ao cotejo GFIP/Folha de Pagamento/GPS, cujos salários de contribuição foram aferidos diretamente sobre documentos incontestes que oferecem a exata base de cálculo das contribuições previdenciárias, observo um erro de forma, quando foi informado no Relatório Fiscal de fls. 78/83, item 6, que nas GFIP's declaradas no código errado foram utilizadas as bases de cálculo da RAIS Relação Anual de Informações Sociais RAIS e das Folhas de Pagamento. Corroborando tal vicio consta também registrado no RL Relatório de Lançamentos de fls. 27/38, no campo observação, em algumas competências, a base de cálculo, como sendo obtida da RAIS, tanto no levantamento FA — FOLHA ANALISE ARQ DIGITAL (período 01/2001 a 13/2005), relativo a valores declarados em GFIP, quanto no FP — FOLHA DE PAGAMENTO (período 04/2001 a 01/2006), concernente a parte da folha de pagamento não declarada em GFIP; 16.3 Concluo que tal erro contribuiu para o alegado no subitem 3.2 e 3.3, cerceando o direito de defesa do contribuinte, porém, não com a intensidade pretendida, de forma a macular inteiramente a NFLD, e sim, apenas as bases de cálculo obtidas na RAIS, documento utilizado, entre outros, para aferição indireta, que é um procedimento de que dispõe a fiscalização para apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, quando ocorrer uma das hipóteses previstas no art. 33, §§ 3° a 6°, da Lei n° 8212/1991, nas quais não está amparado o presente lançamento. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 17. Dessa forma, os erros verificados atingem o ato em sua essência e impedem a execução normal da função do Estado, bem como cercearam o direito de defesa da empresa notificada, motivo pelo qual decido pela nulidade do levantamento DAL — Diferença de Ac. Legais (período 06/2002 a 102005), pela não emissão do Relatório DAL Diferença de Acréscimos Legais e pela nulidade dos lançamentos apurados com base na RAIS, por ser a mesma um documento utilizado eminentemente nos casos de aferição indireta. 18. O dever da administração rever seus atos, zelando pela sua legalidade, tem fundamento na Lei 9.784/99, Art. 53: "A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos". Os grifos não constam no original. Conforme se observa, o motivo da declaração da nulidade, no segundo caso, se deu em razão da errônea informação consignada no DAD e no RL de que as bases de cálculo teriam sido apuradas com base na RAIS, quando, em realidade, houveramse por colhidas diretamente das GFIP e das folhas de pagamento apresentadas pela empresa à fiscalização, documentos estes indicados pela legislação tributária como os específicos para o registro dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos do lançamento todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a maio/2001, exclusive. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 216DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000015/200713 Acórdão n.º 230201.876 S2C3T2 Fl. 204 9 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11330.001307/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2301-000.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado, : Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330001307200797 Resolução n.º 2301000.162 S2C3T1 Fl. 419 2 RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme relatório fiscal (fl. 23), as contribuições foram apuradas tendo em vista a constatação de diferenças entre valores apurados com base nas informações prestadas em GFIP e aqueles recolhidos em GPS e Comprovantes de Arrecadação Direta CAD do FNDE. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1218.967, da 10a Turma da DRJ/RJOI (fls. 333), julgou o lançamento procedente em parte, excluindo do débito os valores lançados depositados em juízo e lançados por meio de NFLD específica para prevenir decadência Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 343), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega que não merece prosperar a alegação contida na decisão de que, embora a Recorrente tenha retificado as GFIPs, os montantes retificados não poderiam ser aceitos, uma vez que não estariam amparados em escrituração contábil e demais documentos pertinentes e, sendo o ônus da prova da Recorrente, não estaria sendo afastado o principio da verdade material. Defende a impossibilidade de lançamento unicamente com base nas informações declaradas na GFIP, uma vez que tal declaração, por si só, não constitui fato gerador da contribuição previdenciária, sendo necessária um efetivo procedimento fiscal para realização do lançamento, sob pena de violação do artigo 142, do CTN. No mérito, sustenta que inexistem as diferenças apuradas, pois tais diferenças decorreram de erro no preenchimento da GFIP, como demonstram os documentos anexados na impugnação, sendo necessária a sua análise, tendo em vista o principio da verdade material. Com relação ao argumento da autoridade julgadora de que os valores apontados como inconsistentes pela recorrente em sua peça impugnatória seriam idênticos ao constante no "CNISA", salienta que a Recorrente não tem acesso ao referido sistema, sendo certo que a base de cálculo da contribuição previdenciária por ela devida é aquela informada na sua GFIP e não uma suposta base constante em um sistema ao qual não tem acesso. Ressalta que a notificada pode comprovar, por meio de documentos, o valor por ela informado em sua GFIP, o qual deveria ter sido utilizado pela fiscalização na apuração da suposta contribuição previdenciária por ela devida, cabendo à fiscalização comprovar que os valores constantes das GFIPs apresentadas estariam incorretos, uma vez que a recorrente não tem como se defender de algo que desconhece. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330001307200797 Resolução n.º 2301000.162 S2C3T1 Fl. 420 3 Assevera que os erros de preenchimento de GFIP estavam suportados e comprovados por vasta documentação, que foi desconsiderada pelas autoridades julgadoras por não estar lastreada por documentos contábeis,e ressalta que inexiste qualquer previsão legal no sentido de que apenas documentos contábeis serviriam para demonstrar a existência de erros no preenchimento de GFIP. Entende que não resta dúvida de que os documentos apresentados pela Recorrente possuem força probatória na busca da verdade material, inexistindo qualquer justificativa para a ausência de sua análise ou desconsideração, sendo certo ainda que inexiste determinação no sentido de que somente documentos contábeis devem ser considerados como provas válidas. Frisa que, caso tivessem sido analisados, as autoridades julgadora facilmente conseguiriam verificar a comprovação do erro no preenchimento das GFIPs e o correto recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente. Reproduz, a seguir, as explicações e comprovações dos erros que, segundo entende, foram cometidos pela fiscalização, para que sejam apreciadas por esta segunda instância, observando que, em razão da aplicação do principio da verdade material, a autoridade julgadora tem o dever de buscar a realidade dos fatos, pois esse é sempre norteador do processo administrativo tributário, haja vista que a autoridade administrativa não deve se limitar a presumir a ocorrência do fato gerador, devendo efetivamente buscar elementos que comprovem a sua ocorrência e apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, independentemente de qualquer fator externo. Reafirma que, no presente caso, a autoridade julgadora violou o principio da verdade material ao deixar de analisar os documentos apresentados pela Recorrente que suportam a existência de erros no preenchimento da GFIP e demonstram o correto recolhimento das suas contribuições previdenciárias,e, conseqüentemente, a inexistência das supostas diferenças apuradas pela fiscalização. Às fls. 374 a 410, junta documentação que, segundo entende, comprova suas alegações. È o relatório. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330001307200797 Resolução n.º 2301000.162 S2C3T1 Fl. 421 4 VOTO Bernadete de Oliveira Barros, Relatora Da análise dos autos, verificase que a fiscalização levantou o débito com base na divergência constatada entre valores apurados com base nas informações prestadas em GFIP e aqueles recolhidos em GPS. A recorrente, alegando que as diferenças constatadas pela fiscalização se devem a erros no preenchimento das GFIPs, procedeu suas retificações e juntou extensa documentação na tentativa de comprovar suas afirmações. A autoridade julgadora de primeira instância desconsiderou a documentação apensada ao argumento de que, por se tratar de crédito oriundo do batimento GFIP x GPS, os alegados erros de preenchimento teriam que possuir lastro na escrituração contábil, a qual sequer foi juntada, motivo pelo qual não considerou as retificações apresentadas após o término da auditoriafiscal. Contudo, verificase que, após a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou vasta documentação, incluindo cópias de escrituração contábil. Em que pese a afirmação do relator do acórdão combatido de que as provas trazidas pelo Recorrente não são suficientes sequer para colocar em dúvida a exatidão do levantamento, entendo que os documentos juntados na impugnação deixam dúvidas, sim, quanto à correção dos valores lançados, ou mesmo quanto à existência do crédito tributário. A recorrente pode não ter apresentado a escrituração contábil em sede de defesa por entender que os documentos juntados aos autos, como notas fiscais de serviços com o destaque da retenção de 11%, Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho e Folhas de Pagamento, entre outros, seriam suficientes para comprovar a incorreção dos valores lançados, uma vez que não só os registros na contabilidade fazem prova de que houve equívoco na elaboração da GFIP. Tanto é que, diante da recusa da autoridade julgadora em considerar a documentação anexada junto à impugnação por não estar acompanhada “da necessária prova contábil”, a recorrente juntou, ao recurso, cópias do Livro Contábil Auxiliar. Dessa forma, entendo que o processo deva retornar à origem em diligência para que a autoridade notificante se pronuncie quanto aos argumentos expendidos em sede recursal, analisando todos documentos juntados pela recorrente, e outros que achar pertinentes, e se manifestando quanto à suficiência da documentação apensada para a retificação do débito. E, ainda, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem prestados pela fiscalização, abrindo prazo para sua manifestação. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330001307200797 Resolução n.º 2301000.162 S2C3T1 Fl. 422 5 Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /03/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 15277.000132/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.215
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CONEXÃO COM OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Recorrente VIAÇÃO PRINCESA DO SUL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória – prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999 –, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, para as competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 14), a empresa deixou de declarar, ou registrou a menor, em GFIP’s os fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes aos segurados empregados e contribuintes individuais. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 117/118) informa que foi aplicada a multa no valor de R$127.227,19, com fundamento no art. 32, inciso IV e § 5°, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/10/2008 (fls. 01 e 137), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 140/654), alegando, em síntese, a correção das GFIP objeto da presente autuação, com anexação de cópias de GFIP retificadoras. E, informa que: “Apresentou em época própria as GFIP com todas as informações necessárias, todos os segurados empregados e autônomos e suas correspondentes remunerações, conforme se verifica nas cópias anexas, docs. 1 a 12, deixando no entanto de incluir os valores das retenções feitas pelos seus tomadores de serviços de que trata o art. 31 da Lei n° 9.711/98. (...) Dessa forma, ao contrário de nenhuma GFIP, foram entregues duas GFIPs, uma com o valor correto, com todos os segurados, e uma outra somente com o valor das retenções feitas pelos tomadores de serviços. Depois do procedimento fiscal, com a orientação do Auditor Fiscal, fez uma nova GFIP, constando então todas as informações unificadas, cópias anexas docs. 33 a42. Assim sendo, afirma que não houve máfé ou omissão em prestar informações, e sim a ocorrência de um engano de procedimento, entendendo não ser justo que seja penalizada por este valor aplicado. Requer o cancelamento do Auto de Infração.” Tendo em vista as alegações de correções da GFIP e cópias de documentos apresentados pela Impugnante, os autos foram baixados em diligência à fiscalização para verificação das GFIP retificadas, se corrigidas as irregularidades apontadas dentro do prazo de impugnação (fls. 658/659). Em resposta ao solicitado, a Auditoria Fiscal abstevese de manifestar sobre o mérito do processo administrativo fiscal, por se tratar, no seu entendimento, de competência da DRJ (fls. 660/665). Fl. 705DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15277.000132/200824 Resolução n.º 2402000.215 S2C4T2 Fl. 2 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG – por meio do Acórdão 0927.882 da 5a Turma da DRJ/JFA (fls. 668/674 – Volume IV) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 676/678), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Agência da Receita Federal do Brasil em Pouso Alegre/MG encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 693). É o relatório. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Analisandose as peças que compõem os autos, verifiquei a existência de dois fatos que influenciam o julgamento do recurso apresentado. Primeiro, a presente autuação referese ao descumprimento de obrigação acessória que consiste em a empresa deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, para as competências 01/2004 a 12/2004. Essas contribuições correspondentes a tais fatos geradores foram objetos de Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP’s) nos 37.151.1640 (período do lançamento 01/2004 a 11/2004), 37.151.1658 (período do lançamento 01/2004 a 11/2004), 37.151.1666 (período do lançamento 01/2004 a 12/2004), 37.151.1674 (período do lançamento 01/2004 a 12/2004) e 37.151.1682 (período do lançamento 01/2004 a 12/2004). Com isso, entendo que todos os lançamentos fiscais referentes ao crédito tributário proveniente da obrigação tributária principal, constituídos na mesma ação fiscal, devam ser julgados conjuntamente com o presente recurso – ou sejam julgados primeiro os lançamentos fiscais oriundos da obrigação tributária principal –, já que a relação jurídico tributário de seus respectivos fatos geradores é consubstanciada pela homogeneidade temporal e pela mesma hipótese fática de incidência tributária ou pela mesma hipótese fática na aplicação da multa decorrente do descumprimento da obrigação tributária acessória, qual seja: remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à Recorrente. De fato, há conexão ou continência entre o lançamento fiscal decorrente da obrigação tributária principal (AIOP’s nos 37.151.1640, 37.151.1658, 37.151.1666, 37.151.1674 e 37.151.1682) e o presente auto de infração, que é concernente ao descumprimento de obrigação tributária acessória. Assim, haverá a necessidade de se saber o destino desses AIOP’s. Isso está em consonância com os princípios da economia processual e da precaução do sistema processual em relação à existência de julgados contraditórios. Assim, entendo que os autos devem retornar à origem a fim de que seja informado se o lançamento fiscal referentes à obrigação tributária principal retromencionada já teve o seu trânsito em julgado administrativo; e se não, qual a situação desse lançamento. Registrase que, caso a unidade preparadora (unidade de origem) tenha os números de cada processo concernente aos autos de infrações lavrados na mesma ação fiscal, estes números também deverão ser informados no retorno da diligência. Asseverese que, caso o lançamento fiscal decorrente da obrigação tributária principal esteja pendente de julgamento na primeira instância, o presente auto de infração deverá ficar sobrestado na origem até o julgamento daquela, só retornando a este Conselho com a informação do destino de todos os lançamentos fiscais conexos. Além disso, ao reconhecer a prejudicialidade para o presente julgamento, faz necessária a oportunidade de manifestação do sujeito passivo, tendo em vista que a decisão Fl. 707DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15277.000132/200824 Resolução n.º 2402000.215 S2C4T2 Fl. 3 5 proferida no processo de obrigação principal será adotada neste processo de obrigação acessória. Segundo, dentro do contexto fático exposto nos autos, verificase que os elementos probatórios juntados aos autos pela Recorrente (fls. 140/654) – que noticiam o preenchimento correto das GFIP’s, sanando as irregularidades apontadas pelo Fisco – são cópias de documentos que deverão ser analisados pela AuditoriaFiscal (Fisco). Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos nas fls. 142/654. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Fl. 708DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que a Receita Federal do Brasil emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal (fls. 676/678) – inclusive deverá analisar a fidedignidade dos documentos de fls. 142/654. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a cópias de GFIP’s apresentadas (fls. 142/654), e se foram sanadas todas as irregularidades apontadas pelo Fisco. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001391/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.166
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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score : 1.0
Numero do processo: 10950.004009/2005-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM SUPOSIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA. INEXISTÊNCIA.
Não é possível se presumir que depósitos em conta-corrente do fiscalizado, devidamente identificados como realizados por seu filho, sejam tributados como rendimentos omitidos porque não foram apresentadas provas da origem alegada.
Caso a Fiscalização não estivesse convencida da explicação do contribuinte para os depósitos, deveria ter aprofundado as investigações e constatado qual sua verdadeira origem. Ao contrário, supôs que seria razoável se tratar de pagamentos ou comissões por serviços prestados a pessoas jurídicas, de contabilidade ou assessoria afim, e os tributou desse modo. Entretanto, a tributação por presunção somente poderia se dar se os depósitos fossem considerados como de origem não comprovada. A tributação por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica depende de prova inconteste do fato, não existindo autorização legal para se presumir a origem dos depósitos ao talante da autoridade fiscal.
RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS DIFERENTES DE NOTAS FISCAIS E DOCUMENTOS OFICIAIS. POSSIBILIDADE.
Discussão sobre a natureza da prova em tese, e não sobre o conteúdo específico das provas do processo, por se tratar de recurso de divergência, não sendo possível se conhecer de suposta contrariedade às provas dos autos na parte em que a decisão recorrida foi unânime.
Em tese, de acordo com a situação específica de cada processo, é possível se admitir a comprovação de receitas da atividade rural com documentos diversos daqueles usualmente utilizados para esse fim.
Isso porque não se pode perder de vista as peculiaridades da atividade rural, sendo conhecida a informalidade com que ocorrem os negócios rurais de pequena monta em nosso país, regidos muito mais pelos usos e costumes da região do que pelas regras contábeis formais, situação agravada pela baixa instrução das partes envolvidas e pelo afastamento dos centros urbanos.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.088
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM SUPOSIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA. INEXISTÊNCIA. Não é possível se presumir que depósitos em conta-corrente do fiscalizado, devidamente identificados como realizados por seu filho, sejam tributados como rendimentos omitidos porque não foram apresentadas provas da origem alegada. Caso a Fiscalização não estivesse convencida da explicação do contribuinte para os depósitos, deveria ter aprofundado as investigações e constatado qual sua verdadeira origem. Ao contrário, supôs que seria razoável se tratar de pagamentos ou comissões por serviços prestados a pessoas jurídicas, de contabilidade ou assessoria afim, e os tributou desse modo. Entretanto, a tributação por presunção somente poderia se dar se os depósitos fossem considerados como de origem não comprovada. A tributação por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica depende de prova inconteste do fato, não existindo autorização legal para se presumir a origem dos depósitos ao talante da autoridade fiscal. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS DIFERENTES DE NOTAS FISCAIS E DOCUMENTOS OFICIAIS. POSSIBILIDADE. Discussão sobre a natureza da prova em tese, e não sobre o conteúdo específico das provas do processo, por se tratar de recurso de divergência, não sendo possível se conhecer de suposta contrariedade às provas dos autos na parte em que a decisão recorrida foi unânime. Em tese, de acordo com a situação específica de cada processo, é possível se admitir a comprovação de receitas da atividade rural com documentos diversos daqueles usualmente utilizados para esse fim. Isso porque não se pode perder de vista as peculiaridades da atividade rural, sendo conhecida a informalidade com que ocorrem os negócios rurais de pequena monta em nosso país, regidos muito mais pelos usos e costumes da região do que pelas regras contábeis formais, situação agravada pela baixa instrução das partes envolvidas e pelo afastamento dos centros urbanos. Recurso especial negado.
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IMPOSSIBILIDADE. CONTRARIEDADE À EVIDÊNCIA DA PROVA. INEXISTÊNCIA. Não é possível se presumir que depósitos em contacorrente do fiscalizado, devidamente identificados como realizados por seu filho, sejam tributados como rendimentos omitidos porque não foram apresentadas provas da origem alegada. Caso a Fiscalização não estivesse convencida da explicação do contribuinte para os depósitos, deveria ter aprofundado as investigações e constatado qual sua verdadeira origem. Ao contrário, supôs que seria razoável se tratar de pagamentos ou comissões por serviços prestados a pessoas jurídicas, de contabilidade ou assessoria afim, e os tributou desse modo. Entretanto, a tributação por presunção somente poderia se dar se os depósitos fossem considerados como de origem não comprovada. A tributação por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica depende de prova inconteste do fato, não existindo autorização legal para se presumir a origem dos depósitos ao talante da autoridade fiscal. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTOS DIFERENTES DE NOTAS FISCAIS E DOCUMENTOS OFICIAIS. POSSIBILIDADE. Discussão sobre a natureza da prova em tese, e não sobre o conteúdo específico das provas do processo, por se tratar de recurso de divergência, não sendo possível se conhecer de suposta contrariedade às provas dos autos na parte em que a decisão recorrida foi unânime. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10950.004009/200527 Acórdão n.º 920202.088 CSRFT2 Fl. 831 2 Em tese, de acordo com a situação específica de cada processo, é possível se admitir a comprovação de receitas da atividade rural com documentos diversos daqueles usualmente utilizados para esse fim. Isso porque não se pode perder de vista as peculiaridades da atividade rural, sendo conhecida a informalidade com que ocorrem os negócios rurais de pequena monta em nosso país, regidos muito mais pelos usos e costumes da região do que pelas regras contábeis formais, situação agravada pela baixa instrução das partes envolvidas e pelo afastamento dos centros urbanos. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator FORMALIZADO EM: 22/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Júnior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10950.004009/200527 Acórdão n.º 920202.088 CSRFT2 Fl. 832 3 Relatório O Acórdão nº 10422.870, da 4a Câmara do 1o Conselho de contribuintes (fls. 766 a 783), julgado na sessão plenária de 05 de dezembro de 2007, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, por unanimidade de votos para excluir a infração de omissão de rendimentos da atividade rural, e por maioria de votos para excluir os valores de R$14.992,80 e R$8.702,45 da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, nos anoscalendário de 2001 e 2003. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGTÍCIO Não se conceituam como rendimentos omitidos valores de créditos recebidos por conta e ordem de terceiros, repassados ao sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação do efetivo dispêndio do contribuinte e, à luz do artigo 29, do Decreto 70.235, de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Cabível a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cuja prestação de serviços não foi comprovada. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS Cabe ao contribuinte comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em Livro Caixa, mediante documentação idônea, mantida à disposição da fiscalização enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. JUROS TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10950.004009/200527 Acórdão n.º 920202.088 CSRFT2 Fl. 833 4 Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1o CC n° 4). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1o CC n° 2). Recurso parcialmente provido. Cientificada dessa decisão em 08/10/2008 (fl. 784), a Fazenda Nacional manejou, no dia seguinte, recurso especial (fls. 787 a 799): a) por contrariedade à evidência das provas, por terem sido excluídos, das bases de cálculo do item 1 do auto de infração (omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica), os valores de R$14.992,80 e R$8.702,45, nos anoscalendários de 2001 e 2003, sob os seguintes argumentos: Em referência aos depósitos efetuados pelo filho Marcos Melo, os quais não tiveram comprovados pelo contribuinte os motivos ou a que título se deram, o fato de ser pessoa física não retira a possibilidade de referirse a rendimentos recebidos de pessoa jurídica; As provas dos autos confirmam a participação societária do filho na empresa Colorarte Engenharia e Contruções Ltda, que também fez depósitos não justificados, embasam a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que tais créditos bancários são a contrapartida pela prestação de serviços de contabilidade, atividade exercida pelo contribuinte. Não há reparos a esta conclusão, que em nenhum momento foi refutada com provas. Argúi a incoerência de se julgar depósitos efetuados pelo filho Marcos Melo, perfeitamente identificados, como sendo recebimentos de pessoas jurídicas pela prestação de serviços contábeis. Diz que não há autorização legislativa para esse procedimento e não há qualquer prova nos autos que o embasem. O mesmo se aplica aos lançamentos identificados como "Transfer. De Perdas", originados do Banco do Brasil e que se refeririam a créditos considerados irrecuperáveis. Não é trazida nenhuma prova nesse sentido, ficandose apenas no campo das ilações. Deve ser mantida, pois, a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Esses aspectos já tinham sido apontados na r. Decisão de 1a instância e o contribuinte não apresentou quaisquer evidências adicionais sobre esse ponto, como bem reconheceu o ilustre relator às fls. 777. Por conseguinte, à míngua de outros elementos, temos que a exclusão de valores da base de cálculo do item 1 do auto de infração se mostrou indevida, eis que contrária à evidência das provas. b) de divergência com relação à omissão de rendimentos da atividade rural, indicando o seguinte paradigma: Acórdão no 10610.956: (...) RECEITAS DE ATIVIDADE RURAL NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO A receita da atividade rural, decorrente da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10950.004009/200527 Acórdão n.º 920202.088 CSRFT2 Fl. 834 5 comercialização dos produtos, deve ser comprovada por meio de documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. Simples documentos emitidos entre particulares não são meios suficientes para comprovar receitas oriundas dessa atividade. (...) Assim, o acórdão recorrido, levando em conta as características da atividade rural, teria sido menos formal na comprovação das receitas oriundas desta atividade, admitindo, inclusive, declarações emitidas entre particulares, enquanto o paradigma consignou que a receita da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, deve ser comprovada por meio de documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. Os recursos especiais por contrariedade e de divergência foram admitidos por meio do despacho de fls. 801 a 804. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional (fl. 807), o contribuinte apresentou embargos de declaração (fls. 810 a 813), indicando omissão do acórdão de 2a instância, que teria fundamentado sua decisão relativa às despesas médicas em fatos inexistentes. Entretanto, os embargos foram rejeitados pelos despachos de fls. 815 a 817. Após a ciência da rejeição de seus embargos (fl. 820), o contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 821 a 828), onde defende a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Os recursos especiais por contrariedade e de divergência são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deles conheço. Inicio com a análise do recurso especial por contrariedade à evidência das provas. De acordo com o explicado no Relatório de Informação Fiscal (fls. 491 a 493), no ano de 2001, verificouse a existência de 2 depósitos, um de R$ 11.500,00 em 26/01/2001 e outro de R$3.492,80 em 23/03/2001, efetuados pelo filho do contribuinte em sua contacorrente do Banco Bradesco. Intimado a comprovar sua origem, o fiscalizado informou que o primeiro se referia a “empréstimo por esquecimento, deixado de lançar na declaração de Imposto de Renda", e o segundo, a transferência a título de Lucros Distribuídos. Como as explicações não foram comprovadas, a Fiscalização aventou a “possibilidade de que tais depósitos pudessem se referir a pagamentos ou comissões por Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10950.004009/200527 Acórdão n.º 920202.088 CSRFT2 Fl. 835 6 serviços prestados a pessoas jurídicas, de contabilidade ou assessoria afim”, e tributou os valores como rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O mesmo Relatório de Informação Fiscal (fl. 536) esclarece que, no ano de 2003, foi constatado que o contribuinte teve dois créditos na sua contacorrente do Banco do Brasil em 30/10/2003 com o histórico “Transfer Perdas”, que totalizaram R$ 8.702,45. A Fiscalização entendeu que a instituição financeira creditou esses valores por conta de possíveis transferências como perdas do correntista, em montante suficiente para honrar o saldo devedor da conta bancária, e que, por isso, deverseia tributar os valores como rendimentos recebidos de pessoa jurídica . De acordo com o relatório do acórdão de 1a instância (fl. 701), o contribuinte argúi a incoerência de se julgar depósitos efetuados pelo filho Marcos Melo, perfeitamente identificados, como sendo recebimentos de pessoas jurídicas pela prestação de serviços contábeis, dizendo não haver autorização legislativa para esse procedimento nem qualquer prova nos autos que o embasem. Acrescenta que o mesmo raciocínio se aplica aos lançamentos identificados como "Transfer. de Perdas", originados do Banco do Brasil e que se referem a créditos considerados irrecuperáveis. Entretanto, o julgador a quo não admitiu o argumento por falta de comprovação (fl. 705), chegando à mesma conclusão o relator do voto vencido do acórdão guerreado (fl. 777). Contudo, em 2a instância, prevaleceu o entendimento de que cabia ao Fisco comprovar que os depósitos se referiam a rendimentos omitidos, o que não aconteceu no caso. Transcrevo os fundamentos da decisão (fls. 782 e 783): O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de oficio que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, não havendo esta comprovação e pela inexistência da certeza que os créditos pertencem ao recorrente não pode prosperar a acusação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. É de se ressaltar, ainda, que o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10950.004009/200527 Acórdão n.º 920202.088 CSRFT2 Fl. 836 7 tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. A omissão de receitas ou rendimentos, baseada em certos indícios, há de repousar, comparativamente, em dado concretos, objetivos e coincidentes, sólidos em sua estruturação, devendo ser descartados as opções simplistas, baseadas em provas emprestadas, cujos dados levantados não são conclusivos. O Estado, porém, não pode e nem deve avançar sobre o cidadão, ao arrepio de leis que regem especificamente o assunto, já que tal situação redundará, por sem dúvidas, em nulidade processual junto ao poder judiciário. E, inúteis esforços administrativos, com o risco do mesmo Estado ser condenado à honorários de sucumbência e custas judiciais acaso a questão seja levada àquele Poder. Por essas razões, não vejo como imprimir um tratamento diferenciado neste processo, onde foi provado pelo suplicante que os valores não lhe pertenciam. Concordo com o argumento. De fato, caso a Fiscalização não estivesse convencida da explicação do contribuinte para os depósitos, deveria ter aprofundado as investigações e constatado qual sua verdadeira origem. Ao contrário, supôs que seria razoável se tratar de pagamentos ou comissões por serviços prestados a pessoas jurídicas, de contabilidade ou assessoria afim, e os tributou desse modo. Entretanto, a tributação por presunção somente poderia se dar se os depósitos fossem considerados como de origem não comprovada. Não existe autorização legal para se presumir a origem dos depósitos. A tributação por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica depende de prova inconteste do fato, o que, sem dúvida, não aconteceu nos autos. Dessa forma, nego provimento ao recurso especial por contrariedade à evidência das provas. Passo à análise do recurso especial de divergência. A recorrente alega que, com relação à omissão de rendimentos da atividade rural, o acórdão recorrido, levando em conta as características dessa ocupação, teria sido pouco formal na comprovação de suas receitas, admitindo, inclusive, declarações emitidas entre particulares. Contrapondose a esse entendimento, apresenta paradigma que consignou que a receita da atividade rural, decorrente da comercialização dos produtos, deve ser comprovada por meio de documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. Vejase como o acórdão recorrido decidiu essa matéria (fl. 776) Dos Rendimentos da Atividade Rural. No tocante a omissão de rendimentos rurais da atividade rural, o impugnante traz as declarações de fls. 632/633 e 635 para comprovar recebimentos ocorridos no exercício seguinte àquele considerado pela autoridade fiscal. Tendo em vista as Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10950.004009/200527 Acórdão n.º 920202.088 CSRFT2 Fl. 837 8 peculiaridades da atividade rural, é de se acolher os argumentos do recorrente nesta parte do lançamento. Não se identificou a luz dos elementos constantes nos autos circunstâncias que indiquem razões para suspeitas sobre o teor das referidas declarações. A diferença de datas alegada pela autoridade recorrida é plausível no contexto do regime de contabilização utilizado na atividade rural. Diante do exposto é de se afastar a exigência relativa ao item 2 do auto de infração (omissão de rendimentos da atividade rural). Há que se observar que a discussão que se trouxe a este colegiado foi sobre a natureza da prova em tese, e não sobre o conteúdo específico das provas dos autos. Isso porque, caso fosse possível se apreciar a prova dos autos e se concluir que seu conteúdo não servia para comprovar as receitas da atividade rural, estarseia diante de verdadeiro recurso especial por contrariedade à evidência da prova, o que não é possível, já que a decisão recorrida foi unânime nesse aspecto. Dessa forma, a discussão cingese a saber se, em tese, é possível se comprovar as receitas da atividade rural com documentos diferentes daqueles usualmente utilizados para esse fim, como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. Entendo que a resposta deve ser afirmativa. Não se pode perder de vista as peculiaridades da atividade rural, sendo conhecida a informalidade com que ocorrem os negócios rurais de pequena monta em nosso país, regidos muito mais pelos usos e costumes da região do que pelas regras contábeis formais, situação agravada pela baixa instrução das partes envolvidas e pelo afastamento dos centros urbanos. Assim, é possível, em tese, admitirse a comprovação com documentos diversos dos usualmente utilizados. Repitase, não se está valorando se o acórdão recorrido analisou corretamente as provas trazidas aos autos, pois não é esse o escopo do recurso, mas apenas sobre a possibilidade dessas provas servirem para essa comprovação. Dessa forma, nego também provimento ao recurso especial de divergência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento aos recursos especiais por contrariedade e de divergência do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10950.004009/200527 Acórdão n.º 920202.088 CSRFT2 Fl. 838 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.003925/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.275
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.003925/200258 Resolução n.º 220200.275 S2C2T2 Fl. 180 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentação financeira, obtidos através do sistema de fiscalização da arrecadação da CPMF, foram iniciados, em 27/08/2002, os trabalhos de fiscalização (Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.13.002002004135). O recorrente foi intimado, em 14/10/2002, a preencher formulário de demonstrativo de fluxo financeiro mensal, relativo ao ano calendário de 1997. Em resposta, o recorrente informou a dificuldade de prestar as informações devido ao extravio de documentos, solicitando prorrogação de prazo. Posteriormente, apresentou planilha demonstrativa da evolução patrimonial relativa ao ano base de 1997 (fl. 2224), sem, entretanto, apontar a evolução em valores mensais. Diante da insuficiência das informações prestadas pelo recorrente, o Fisco intimou os bancos Bradesco S/A e Itaú S/A mediante RMF’s (fls. 23, 24). Após receber os extratos demonstrando a movimentação bancária do recorrente ao longo do anocalendário, foi preenchida planilha de fluxo financeiro apurando omissão de rendimento (fl. 112115). Além disso, em Termo de Verificação (fl. 117118), a fiscalização aponta que, juntamente com a RPF, recebeu a representação fiscal n. 882/00 datada de 28/07/2000 (fl. 96), oriunda de trabalho efetuado por Grupo Especial de Fiscalização — Portaria COFIS 06/2000 na cidade de Foz do Iguaçu, tratando de investigação por evasão de divisas para o exterior — relativo a operações de 1997 — sendo que o mencionado trabalho constatou a existência de créditos efetuados pelo fiscalizado em três contas bancárias de terceiros, conforme especificado à fl. 118. Tais valores foram incluídos no fluxo financeiro mensal como aplicações realizadas pelo recorrente. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 18/12/2002, Auto de Infração (fls. 121123), com crédito tributário apurado de R$ 99.830,93, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%, imputando infração por acréscimo patrimonial a descoberto. O recorrente tomou ciência do auto em 18/12/2002. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls.126137), esgrimindo os seguintes argumentos: a) houve cerceamento de defesa, vez que o recorrente não recebeu cópia de todos os documentos que embasaram a ação fiscal; b) a quebra do sigilo bancário por meio de RMF’s invalida o auto de infração; c) os valores que transitaram na sua conta corrente não foram rendimentos, o que afasta a sua tributação. O contribuinte não pôde apresentar provas nesse sentido devido ao extravio dos documentos; d) a fiscalização procedeu com arbitramento de rendimentos em excesso; Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.003925/200258 Resolução n.º 220200.275 S2C2T2 Fl. 181 3 e) ao proceder com base na presunção legal, o fisco está se apegando à forma e não à verdade material, devendo ser respeitado o princípio do “in dubio pro reo”; f) a multa de ofício aplicada tem caráter confiscatório; e g) cabe à Fiscalização o ônus de comprovar a efetiva auferição de renda. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade, por sua improcedência (fls. 139154), mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos foram os seguintes: a) não houve nulidade por cerceamento ao direito de defesa uma vez que não houve circunstância que impedisse o recorrente de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitassem o exercício de sua defesa; b) a RMF encontra amparo legal, não implicando quebra de sigilo bancário, uma vez que resguardadas as informações pelo sigilo fiscal; c) a faculdade do recorrente de apresentar provas documentais em momentos posteriores à impugnação ao lançamento não impede que o processo administrativofiscal seja de pronto julgado; d) por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial; e e) a multa de ofício é de aplicação obrigatória, e encontra amparo legal. 5 Recurso Voluntário O contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 159173), repisando os argumentos da impugnação, aos quais acrescentou que: a) a pretensão do Fisco prescreveu, uma vez que a impugnação foi julgada somente 6 anos após sua apresentação; b) a decisão da DRJ não atacou frontalmente os argumentos expostos da impugnação, restringindose a uma análise genérica. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.003925/200258 Resolução n.º 220200.275 S2C2T2 Fl. 182 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento o acréscimo patrimonial a descoberto. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou requisição de movimentação financeira (RMF) (fls. 23, 24), após apresentação de documentação considerada insatisfatória. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.003925/200258 Resolução n.º 220200.275 S2C2T2 Fl. 183 5 consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.003925/200258 Resolução n.º 220200.275 S2C2T2 Fl. 184 6 fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10882.003925/200258 Resolução n.º 220200.275 S2C2T2 Fl. 185 7 (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 13161.720147/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos declaratórios quando demonstrado que no acórdão vergastado houve omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado de segundo grau, procedendo-se o devido saneamento.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO.
VISTORIA DO ÓRGÃO AMBIENTAL x LAUDO TÉCNICO.
As florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2o Código Florestal constituem áreas de preservação permanente, considerando-se, para fins de tributação, a área apurada em vistoria do órgão ambiental, ainda que menor que a área indicada em Laudo de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado.
Numero da decisão: 2202-001.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos interpostos pela autoridade executora para, sanando a omissão apontada, re-ratificar o Acórdão nº 2202-01.623, de 08/02/2012, para negar provimento ao recurso de ofício
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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OMISSÃO. Acolhem-se os embargos declaratórios quando demonstrado que no acórdão vergastado houve omissão de ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado de segundo grau, procedendo-se o devido saneamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. VISTORIA DO ÓRGÃO AMBIENTAL x LAUDO TÉCNICO. As florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2o Código Florestal constituem áreas de preservação permanente, considerando-se, para fins de tributação, a área apurada em vistoria do órgão ambiental, ainda que menor que a área indicada em Laudo de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos interpostos pela autoridade executora para, sanando a omissão apontada, re-ratificar o Acórdão nº 2202-01.623, de 08/02/2012, para negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 2 Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 13161.720147/2007-01 Acórdão n.º 2202-01.912 S2-C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em sessão plenária de 08/02/2012, foi julgado por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF o recurso no 921.521, proferindo-se a decisão consubstanciada no Acórdão no 2202-01.623 (fls. 137 a 148), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, conforme Súmula no 1 do Primeiro Conselho de Contribuintes. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO. Matéria não questionada na impugnação, momento em que se instaura o litígio, e somente suscitada na fase recursal constitui matéria preclusa e como tal não se conhece. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso tendo em vista a opção pela via judicial e em razão de matéria preclusa. DOS EMBARGOS Conforme despacho de fl. 149, foram os autos encaminhados à repartição de origem para as providências de sua alçada. Em 26/04/2012, por meio do despacho de fl. 150, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Dourados/MS, propôs o retorno do presente processo ao CARF para o julgamento do Recurso de Ofício, conforme anteriormente informado em despacho de fl. 123. DA DISTRIBUIÇÃO O despacho da autoridade executora foi recepcionado como Embargos de Declaração, nos termos do art. 65, §1o, inciso V, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), e Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 4 encaminhado a esta Conselheira para manifestação, tendo em vista o disposto no §2o do mesmo artigo, vindo digitalizado até à fl. 1501. Por meio da Informação em Embargos, de 20 de junho de 2012, foi proposto o acolhimento dos embargos para que o processo fosse novamente submetido à apreciação dos membros da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, o que foi acatado pelo Presidente daquele Colegiado, determinando sua inclusão em pauta para julgamento. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 13161.720147/2007-01 Acórdão n.º 2202-01.912 S2-C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Apreciação dos embargos De acordo com o art. 65 do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/ 06/2009): “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.” A autoridade executora alegou que o acórdão guerreado teria sido omisso quanto ao julgamento do recurso de ofício. Conforme consignado à fl. 98, a Presidente do Colegiado de Primeiro Grau, recorreu de ofício, nos termos do art. 34, do Decreto no 70.235, de 1972, e da Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008, em razão de o valor exonerado ter ultrapassado o limite de alçada. Observa-se que a relatora, ao delimitar o litígio submetido ao Colegiado de Segundo Grau, assim se pronunciou(fls. 143 e 144): Inicialmente, importa delimitar a matéria sujeita à apreciação deste Colegiado. Conforme relatado, o lançamento decorre de duas infrações: (a) glosa total da área de preservação permanente declarada, por falta de comprovação da isenção da área declarada, e (b) arbitramento do VTN, pela ausência de laudo técnico que ratificasse o valor declarado. A decisão recorrida acolheu em parte os argumentos da interessada, restabelecendo uma área de preservação permanente equivalente 1.115,30ha e, dessa forma, reduziu o imposto a pagar de R$845.487,90 para R$154.368,73. Como se sabe, contra as decisões de primeira instância cabem três tipos de recursos: • recurso voluntário do contribuinte, caso a decisão lhe seja parcial ou integralmente desfavorável, interposto junto Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (art. 33 do Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972 e art. 1 e 7o do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009); Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 6 • recurso de ofício, sempre que houver a exoneração de pagamento de tributo e multa de ofício em valor superior ao limite de alçada, que atualmente é de R$1.000.000,00, nos termos da Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008; • pedido de correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, requerido pela autoridade incumbida da execução do acórdão ou pelo sujeito passivo, devendo para tanto, ser proferido novo acórdão (art. 22, §1o, e art. 27 da Portaria MF no 58, de 17 de março de 2006). Visto que o valor exonerado pelo julgador a quo está abaixo do limite do recurso de ofício (imposto + multa), sobre esta parte do crédito tributário não cabe mais qualquer manifestação deste órgão. Do lançamento original, resta, portanto, a glosa parcial da área de preservação permanente (diferença entre a área declarada e a restabelecida pela decisão recorrida) e o arbitramento do VTN. (grifos nossos) De pronto verifica-se a existência de contradição nos fundamentos da decisão, uma vez que o valor do imposto exonerado (R$691.119,17 = R$845.487,90 - R$154.368,73), acrescido da multa de ofício de 75%, é superior ao limite de alçada estabelecido na Portaria MF no 3, de 2008, e, a decisão deveria ter se pronunciado também quanto ao recurso de ofício. Assim, resta demonstrada a omissão do julgado e, por conseguinte, com fulcro no art. 65 do RICARF, acolhem-se os presentes embargos, para sanar o vício apontado pelo embargante. Convém lembrar que o acolhimento dos presentes embargos não significa o reexame de matéria já devidamente apreciada pelo Colegiado de Segundo Grau, restringindo-se apenas à omissão em relação ao julgamento do recurso de ofício, mantendo-se a decisão embargada no que diz respeito ao recurso voluntário. 2 Recurso de Ofício Trata o recurso de ofício de glosa da área de preservação permanente declarada pela recorrente. Considera-se área de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação situadas nas regiões definidas no art. 2o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), assim como aquelas florestas e demais formas de vegetação natural previstas no art. 3o da mesma lei, para as quais exista ato do Poder Público declarando-as como de preservação permanente. As áreas de preservação permanentes descritas no art. 2o do Código Florestal podem ser comprovadas por meio de Laudo de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado ou documento de igual valor probatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 13161.720147/2007-01 Acórdão n.º 2202-01.912 S2-C2T2 Fl. 4 7 A isenção para fins de ITR das áreas de preservação permanente está condicionada, além da existência de tais áreas, a apresentação do ADA (art. 17-O, §1o, da Lei no 6.938, de 1981). As vistorias, perícias, avaliações e arbitramentos relativos a imóveis rurais são atividades de competência dos engenheiros agrônomos e florestais, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART para sua plena validade (Arts. 7o e 13 da Lei no 5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto na Resolução no 345, de 27 de junho de 1990, e na Resolução no 218, de 29 de junho de 1973, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA). De acordo com a Resolução CONFEA no 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, a vistoria consiste na “constatação de um fato, mediante o exame circunstanciado e descrição minuciosa dos elementos que o constituem” e o laudo “é a peça na qual o perito, profissional habitado, relata o que observou e dá as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentadamente”(art. 1o, alíneas “a” e “e”). Na elaboração dos Laudos Técnicos, os profissionais devem observar, ainda, os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT que regem a matéria (no caso da avaliação dos imóveis rurais, a NBR 14653-3). A partir dos requisitos previstos na NBR 14653-3 pode-se inferir que, no caso de Laudos de Constatação, cujo objetivo seja comprovar a existência das áreas de preservação permanente, a atividade de vistoria deve observar, principalmente, os aspectos físicos e condicionantes legais do imóvel na caracterização das terras, ou seja, não basta indicar apenas a extensão da área de preservação permanente, deve descrever e quantificar objetivamente as áreas de acordo com a classificação estabelecida no Código Florestal. Conforme consignado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido (fl. 46), a área de preservação permanente declarada pela contribuinte para o ano-calendário fiscalizado (2004) foi de 1.855,0 ha. Essa área foi integralmente glosada pois a fiscalização entendeu que o laudo técnico apresentado pela contribuinte (fls. 14 a 19) não demonstrava a área de preservação permanente existente em 1o de janeiro do exercício autuado, uma vez que o referido laudo fora emitido anteriormente, em 01/12/1997. Importa ressaltar que não existe litígio quanto à apresentação do Ato Declaratório Ambiente – ADA. Foi apresentado à fiscalização o ADA referente ao exercício 1997 (fl. 12), no qual a área de preservação permanente informada coincide com a área declarada pela contribuinte. O relator a quo, entretanto, restabeleceu apenas parte da área de preservação permanente (1.115,30ha), assim fundamentando sua decisão (fl. 88): Quanto à comprovação das áreas de preservação permanente, se o IBAMA efetuou a vistoria na área após a apresentação do ADA, a apresentação do termo de vistoria ou o ADA de oficio do IBAMA é suficiente para comprovação. Caso contrário, há necessidade de apresentação de um laudo que especifique cada área que é de preservação permanente e em qual artigo da legislação a área se enquadra, além do protocolo do ADA. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 8 Não obstante, o contribuinte trouxe aos autos um oficío do INCRA/SR- 16/T/GAB/208/2002(folha 22) de 28 de fevereiro de 2002, assinado por Nélson José Pauletto, Superintendente Regional Substituto, onde diz que: Com base no levantamento de dados realizado em 12 a 15/12/2001, no imóvel rural denominado Fazenda Santa Angélica, localizado no município de Rio Brilhante, cadastrado neste Órgão sob o no 911070.001058-1, com área levantada pelo INCRA com GPS topográfico de 4.362,3ha, a comissão criada pela Ordem de Serviço 150 de 11/12/2001, promoveu à atualização cadastral, "EX-OFICIO", do referido imóvel, retratando a sua real e atual situação, através das condições de exploração verificadas. Porém, não havida trazido a Declaração para Cadastro de Imóvel Rural DP, EX-OFÍCIO. Na impugnação, trouxe aos autos ofício do INCRA/SR- 16/T/GAB/1775/2004 (folha 57) de 16 de novembro de 2004, assinado por Luiz Carlos Bonelli, Superintendente Regional, onde diz que: Comunicamos que, com base no levantamento de dados realizado em 10 a 14/5/2004, no imóvel rural denominado Fazenda Santa Angélica, localizado no município de Rio Brilhante, cadastrado neste Órgão sob o no 911070.001058-1, com área total registrada de 4.536ha, foi efetuada a atualização cadastral, "EX-OFÍCIO", retratando a sua real e atual situação, através das condições de exploração verificadas. A interessada, desta vez, trouxe aos autos a Declaração para Cadastro de Imóvel Rural DP, EX-OFÍCIO, onde consta que a área de preservação permanente é de 1.115,3ha (folha 59-verso). A interessada diz que as áreas apontadas nas duas ocasiões são distintas. 1.217,3 na primeira vistoria e 1.115,3 na segunda vistoria, em razão de variações em virtude de secas ou enchentes. Porém, consta dos autos apenas a DP da segunda vistoria. Com os elementos constantes dos autos, DP associado ao ADA de 1997 (folha 12), é possível considerar a área de 1.115,3 como área de preservação permanente por conter ADA e vistoria do INCRA. Não obstante a contribuinte tenha apresentado Laudo Técnico (fls. 15 a 19), elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fl. 20), atestando a existência de uma área de preservação permanente de 1.855,0 ha, situada em toda a extensão do rio que margeia a fazenda, e também em locais que adentram pela propriedade em relação as suas margens, descrevendo com detalhes os limites dessa área, agiu com acerto o relator de primeira instância em reconhecer apenas parte desta área (1.115,3 ha), conforme vistoria do INCRA posterior ao referido laudo. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos opostos pela autoridade executora para, sanando a omissão apontada, re-ratificar o Acórdão no 2202-01.623, de 08/02/2012, para NEGAR provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO
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Numero do processo: 16327.001077/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. Uma vez que o contribuinte optou pelo regime do lucro real anual, o fato gerador do IRPJ e CSLL ocorre em 31/12 compreendendo todos fatos jurídico-tributários ocorridos no transcurso do ano, de 1 o/01 a 31/12 (fato gerador complexivo), ainda que a empresa tenha realizado apurações mensais para fins dos recolhimentos por estimativa (antecipações do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual). DECADÊNCIA. LUCROS AUFERIDOS MEDIANTE CONTROLADA NO EXTERIOR. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não nas datas das apurações dos lucros pela empresa controlada. LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO .EMPREGO DO VALOR- A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento por qualquer forma. INCIDÊNCIA DA CSLL SOBRE LUCROS NO EXTERIOR DISPONIBILIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA MP 1.858-6/99. Para os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, a hipótese de incidência da CSLL surge com a publicação do art. 19 da MP nº 2.158-6/99 que, interpretado sistematicamente com a legislação a que se reporta, define como fato gerador da CSLL, para esses casos, o momento da disponibilização
do lucro e não o momento da geração desse (Acórdão CSRF 910100468).
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONVERSÃO PARA REAIS.
TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Os lucros auferidos no exterior por
intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência da tributação dos lucros produzidos no exterior, anos de 1996 e 1997, disponibilizados após a vigência do art. 1º. da Lei 9.532/1997; considerar que a CSLL incide também sobre os lucros produzidos até 30/09/1999, disponibilizados após a vigência do art. 19 da MP nº. 1.858-6/99; e manter a tributação dos lucros auferidos junto à controlada no exterior, haja vista a ocorrência de “emprego do valor” ocorrido em 12/01/2001, em face da alienação da participação na aludida controlada; vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. 2) Por unanimidade de votos, determinar que os lucros auferidos no exterior sejam convertidos em reais pela taxa de câmbio para venda do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os referidos lucros. Tudo na forma do relatório e dos votos, vencido e vencedor, que passam a integrar o presente julgado.Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. Uma vez que o contribuinte optou pelo regime do lucro real anual, o fato gerador do IRPJ e CSLL ocorre em 31/12 compreendendo todos fatos jurídico-tributários ocorridos no transcurso do ano, de 1 o/01 a 31/12 (fato gerador complexivo), ainda que a empresa tenha realizado apurações mensais para fins dos recolhimentos por estimativa (antecipações do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual). DECADÊNCIA. LUCROS AUFERIDOS MEDIANTE CONTROLADA NO EXTERIOR. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não nas datas das apurações dos lucros pela empresa controlada. LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO .EMPREGO DO VALOR- A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento por qualquer forma. INCIDÊNCIA DA CSLL SOBRE LUCROS NO EXTERIOR DISPONIBILIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA MP 1.858-6/99. Para os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, a hipótese de incidência da CSLL surge com a publicação do art. 19 da MP nº 2.158-6/99 que, interpretado sistematicamente com a legislação a que se reporta, define como fato gerador da CSLL, para esses casos, o momento da disponibilização do lucro e não o momento da geração desse (Acórdão CSRF 910100468). LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONVERSÃO PARA REAIS. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência da tributação dos lucros produzidos no exterior, anos de 1996 e 1997, disponibilizados após a vigência do art. 1º. da Lei 9.532/1997; considerar que a CSLL incide também sobre os lucros produzidos até 30/09/1999, disponibilizados após a vigência do art. 19 da MP nº. 1.858-6/99; e manter a tributação dos lucros auferidos junto à controlada no exterior, haja vista a ocorrência de “emprego do valor” ocorrido em 12/01/2001, em face da alienação da participação na aludida controlada; vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. 2) Por unanimidade de votos, determinar que os lucros auferidos no exterior sejam convertidos em reais pela taxa de câmbio para venda do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os referidos lucros. Tudo na forma do relatório e dos votos, vencido e vencedor, que passam a integrar o presente julgado.Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4°, do CTN. Uma vez que o contribuinte optou pelo regime do lucro real anual, o fato gerador do IRPJ e CSLL ocorre em 31/12 compreendendo todos fatos jurídicotributários ocorridos no transcurso do ano, de 1o/01 a 31/12 (fato gerador complexivo), ainda que a empresa tenha realizado apurações mensais para fins dos recolhimentos por estimativa (antecipações do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual). DECADÊNCIA. LUCROS AUFERIDOS MEDIANTE CONTROLADA NO EXTERIOR. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não nas datas das apurações dos lucros pela empresa controlada. LUCROS NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO .EMPREGO DO VALOR A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2° da Lei n° 9.532/1997 foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento por qualquer forma. INCIDÊNCIA DA CSLL SOBRE LUCROS NO EXTERIOR DISPONIBILIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA MP 1.8586/99. Para os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, a hipótese de incidência da CSLL surge com a publicação do art. 19 da MP nº 2.1586/99 que, interpretado sistematicamente com a legislação a que se reporta, define Fl. 598DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 2 2 como fato gerador da CSLL, para esses casos, o momento da disponibilização do lucro e não o momento da geração desse (Acórdão CSRF 910100468). LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONVERSÃO PARA REAIS. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Pelo voto de qualidade, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência da tributação dos lucros produzidos no exterior, anos de 1996 e 1997, disponibilizados após a vigência do art. 1º. da Lei 9.532/1997; considerar que a CSLL incide também sobre os lucros produzidos até 30/09/1999, disponibilizados após a vigência do art. 19 da MP nº. 1.8586/99; e manter a tributação dos lucros auferidos junto à controlada no exterior, haja vista a ocorrência de “emprego do valor” ocorrido em 12/01/2001, em face da alienação da participação na aludida controlada; vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. 2) Por unanimidade de votos, determinar que os lucros auferidos no exterior sejam convertidos em reais pela taxa de câmbio para venda do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os referidos lucros. Tudo na forma do relatório e dos votos, vencido e vencedor, que passam a integrar o presente julgado.Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza – Redator Designado (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório GEOGLEN ADMINISTRAÇÃO PATRIMONIAL PATRIMONIAL LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela da 4ª Turma da DRJ/FortalezaCE em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 215/220) e de Contribuição Social sobre o Lucro (fls. 221/224), com valores totais do crédito tributário, incluindo multa e juros de mora calculados até 30/06/2006, respectivamente, de R$ 34.655.410,89 e de R$ 12.378.145,21. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 247/231, o fiscal autuante informa ter verificado os fatos abaixo relatados. Por bem descrevêlos passo à transcrição de excerto do aludido TVF: “(...) Preliminarmente é necessário que se faça o registro de que muitos elementos e informações arrolados neste processo, foram originados dos documentos colhidos quando da execução da fiscalização na empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes S/A (PSICR), CNPJ 50.221.019/000136, motivador do Auto de Infração que levou o número de processo 16.327.002112/2005/75, datado de 19/12/2005, relativo ao MPF 08.1.71.0020050001305. 1 IDENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE e DEMAIS INFORMAÇÕES SOCIETÁRIAS 1 A Geoglen Administração Patrimonial foi constituída em 10/12/79, sob o nome de Transportadora Schincariol Ltda, sendo sócios José Nelson Schincariol, Gilberto Schincariol, Alcides Vargas e Francisco Flora Neto.(fls. 07 a 13). 2 Já em 30/09/83 constavam como sócios a Schincariol Participação e Representação (SPR) e as pessoas físicas acima identificadas que foram mantidas com mais ou menos participações até 26/07/96, quando a Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes (PSICR/SP) decidiu aumentar o capital da empresa em R$ 10.000.000.00, ocasião em que o nome da empresa passou a ser Shincariol Administração Patrimonial (SAP). (fls. 14 a 52). È importante mencionar que a SPR subscreveu capital na PSICR através de cotas de capital da SAP. (50.336.084 cotas de capital). 3Em 29/08/96 a PSICR/SP, nesta ocasião proprietária majoritária das cotas de capital da SAP cedeu, via Instrumento Particular de compra e Venda de Cotas e outras Avencas, a sua parte total para a Primo Schincariol 'Internacional (PSI) e retirouse da sociedade (equivalente à época a 60.336.081 cotas capital da SAP), ficando a PSI majoritária e o restante das cotas distribuídas em nome das pessoas físicas já enunciadas no item 1. Na última ata de alteração de contrato social da SAP enviada, informa a PSI detinha 60.336.084 cotas de um total de 60.692.943 cotas. (fls. 53 a 70). Fl. 600DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 4 4 O Instrumento Particular de compra e Venda de Cotas e outras Avenças, datado de 29/08/1996, mencionado no tópico anterior, têm na qualidade de compradora/nu proprietária a PSI, como vendedora/ usufrutuária a PSICR/SP e como Objeto do contrato a SAP. (fls. 71 a 74). Tal instrumento, entre outras considerações, registrava que a Vendedora/usufrutuária vendia, reservando para si o usufruto da totalidade das cotas da SAP, à compradora/nu proprietária pelo preço certo de R$ 10.184.406,30, a ser pago em parte com a liquidação de contas a receber entre as partes no valor de R$ 9.914.040,58, e o restante em espécie na quantia de R$ 270.365,72. Citese ainda, que o usufruto da totalidade das cotas pertencerá a vendedora/ usufrutuária da data da celebração deste contrato até 31/12/2011, exercendo todos os direitos e deveres oriundo deste estado, nos termos dos artigos 713 e seguintes do Código Civil Brasileiro, notadamente o da administração das operações da "Objeto de contrato" e participação nos resultados. 5 Pela Ata de Reunião dos sócios Gerentes da SAP de 05/01/2001 foi feita a distribuição dos dividendos no valor de R$ 38.484.463,50, cabendo à PSICR o valor de R$ 38.258.184,69 (veja elenco de lançamentos feitos na PSICR relativo ao recebimento de tais dividendos). (fls. 75 a 82). Observese que os dividendos foram pagos com a cessão das cotas que a SAP detinha na empresa Village Serviços Internacionais (localizada na Ilha da Madeira) (vide lançamentos contábeis bem como resumo das contas de dividendos que foram arrolados no Lalur da PSICR). II DOS INVESTIMENTOS DA SAP EM OUTRAS EMPRESAS IIII11)) GGEERRAALL ((IINNFFOORRMMAAÇÇÕÕEESS RREETTIIRRAADDAASS DDAASS DDIIRRPPJJSS DDEE CCAADDAA AANNOOCCAALLEENNDDÁÁRRIIOO)) EMPRESAS CNPJ LOCAL 2000 2001 2002 2003 ANDRE OVERSEAS BVI 58,63% VILLAGE MADEIRA 100% S.TRANSPORTES 01.422.412 BRASIL 99,59% 99,59% 99,59% 99,59% PSICR 02.864.417 BRASIL 23,09%1 23,09% SICR 01.278.018 BRASIL 0,02% 0,02% II.2) INVESTIMENTOS NO EXTERIOR PERCENTUAL E VALORES fls.83) EMPRESAS LOCAL 1996 1997 1998 1999 2000 ANDRÉ OVERSEAS BVI 58,63% 58,63% 58,63% 58,63% 28.111.139,65 33.391.396,50 53.662.924,25 63.294.163,07 VILLAGE MADEIRA 100% 100% 100% 100% 100% 33.744.327,60 38.475.552,9 42.473.876,80 37.460.462,1 38.258.184,6 SOMA 33.744.327,60 66.586.692,5 75.865.273,30 91.121386,3 101.552.3 Obs. o saldo de 2000 destacado, demonstra o valor do investimento na Village pela SAP, que vem a ser o valor do dividendo transferido para a PSICR. II.3 ANDREE OVERSEAS Fl. 601DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 5 5 II.31 Pelo "Memorandurn of Association and Articles of Association of ANDREE OVERSIAS" datado de 12/04/1998, elaborado, registrado pelo representante Arias Fabrega & Fabrega Trust Co. BVI Limited, situada em Wickham's Cay, Road Town, Tortola, British Virgin Islands. (escritório da empresa no mesmo endereço do representante) foi constituída a Andree Overseas, com capital autorizado de USD 1.000.000,00.(fls. 84 a 96) II31 Dos Balanços vide anexo 1 deste relatório (fls. 97 a 110). Os balanços indicam que: a) o valor do capital original foi traduzido a reais pela aplicação da taxa de conversão do período de integração, sendo mantido até o último balanço enviado.(fls 102 a 110). b) No ano calendário de 1996 não foi informado a quantidade de dólares correspondente aos reais apontados, observandose, ainda, que os balanços de 1996 foram parciais (maio, novembro e dezembro) e que em cada um deles os lucros do período (ex. janeiro a maio/96), foram adicionados aos lucros acumulados no período subseqüente. (fls. 102 a 104). c) O valor de contas correntes entre a André Overseas e PSI, principalmente, são traduzidos para reais aplicandose a taxa de conversão do dólar para reais do último dia do exercício. O surpreendente, neste tópico é que apesar da empresa estar localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, onde a moeda é o dólar, tais variações cambiais são expressas nos balanços apenas em reais. Frisese que tais contas correntes são com empresa situada na Ilha da Madeira, onde até 2000 se praticava a moeda escudo e posteriormente euro. Abaixo demonstramos com exemplo tal procedimento (fl. 107). CONTAS DO ATIVO 1998 usd reais tx 31/12/98 1,208 reais tx 31/12/99 1,789 diferença em reais disponibilidades 517.440,49 625.430,32 925.701,04 300.270,72 PSI 46.604.534,0 56.330.900,25 83.375.511,33 27.044.611,0 SOMA 47.121.974,49 56.956.330,57 84.301.212,36 27.344.881,80 RREESSUULLTTAADDOO GGAANNHHOOSS DDEE VVAARRIIAAÇÇÃÃOO CCAAMMBBIIAALL 27.344.881,80 Os números das contas de ativos foram retiradas do balanço de 1998 (fl. 108), os valores em reais são calculados pela multiplicação dos valores em dólares pelas correspondentes taxas de conversão, e finalmente apontadas as diferenças entre os valores em reais, que são rigorosamente iguais ao valor apontado como "ganância de variação cambial" também encontrada nos resultados de balanço. Vale dizer que a correção mencionada compõem o lucro da empresa das Ilhas Virgens Britânicas, é retratada apenas em reais e é base de calculo da equivalência patrimonial, ou seja, deveria ser traduzida em dólares para compor o patrimônio líquido na moeda original. d) Os lucros acumulados e os lucros do exercício nos demonstram além da diferenças apontadas no tópico anterior, o procedimento de tradução dos resultados à medida temporal que eles acontecem, tendo em vista que ao aplicarmos a conversão Fl. 602DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 6 6 dólar/real notamos diferenças entre a taxa resultante e aquela taxa divulgada pelo Banco Central. (fls. 106 a 110) Diante do explanado constatase que deve ser tributado: DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS APURADOS NO EXTERIOR EM CONTROLADA E COLIGADA, EM VIRTUDE DE TRANSFERÊNCIA DE POSSE DAS COTAS= IRPJ E REFLEXOS. Do elenco de materiais coletados, destacamos o instrumento de compra e venda, datado de 12/01/2001 (fls. 119 e 120), entre a Schincariol Administração Patrimonial (SAP) vendedora e PSICR/RJ compradora, relacionado à empresa Andree Overseas Ltda. pelo valor de R$ 63.294.163,07, pago no dia 31/01/2001, aliado às cópias dos lançamentos efetuados no diário da Geoglem (SAP), que registra a baixa do investimento. Naquele momento, houve a disponibilização parcial dos lucros auferidos de 1996 a 2000, motivado pela transferência de quotas da controlada direta no exterior ao próprio controlador da GEOGLEN (SAP), pois configura emprego do valor em favor da beneficiária, caracterizando, por conseguinte, pagamento de lucro disponibilizado. Na prática, se o contribuinte disponibilizasse tal lucro, ocorreria pagamento de tributos quase que integralmente sobre esse lucro, tendo em vista o lucro real apurado pela fiscalizada. Nesta operação, considerando que a PSICR/RJ apresentava prejuízos na apuração do lucro real, redundaria em recolhimento de tributos com significativa diminuição ou mesmo sem pagamento de tributos. A fundamentação legal esta caracterizada no art. 25 parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95, art. 16 da Lei 9.430/96, art. 20, parágrafo 9º, da IN SRF nº 38/96; art. 1º, item 2, alínea b, item 4, da Lei nº 9.532/97; art. 207, inciso III e inciso I do parágrafo único, art. 249, inciso II, e art. 394, do RIR/99. Os lucros auferidos, que ora são disponibilizados são informados no quadro a seguir: (valores em escudos). Vale registrar que os valores em reais de ganhos de variação cambial apurados na relação de empréstimos entre Andree Overseas (Ilhas Virgens Britânicas) e Primo Schincariol Internacional (Ilha da Madeira) (fls. 97 a 101). PERÍODO LUCRO REAIS (A) YX CONVERSÃO (B) LUCRO USD (c) Folhas processo JAN/MAI/96 2.543.540,53 1,0394 2.447.123,85 104 MAI/NOV/96 3.355.486,41 1,0394 3.228.291,72 103 DEZ/96 588.647,30 1,0394 566.333,75 102 31/12/1997 7.499.149,31 1,1164 6.717.260,22 105 31/12/1998 9.006.066,60 1,2087 7.451.035,49 106 31/12/1999 34.575.350,08 1,789 19.326.635,04 107 31/12/2000 16.427.151,32 1,9554 8.400.916,09 108 SOMA 73.995.391,55 48.137.596,15 Observações: 1 a) valor dos resultados A (lucros em reais) obtidos dos balanços da Andrée Overseas, b) taxa de conversão de dólar para reais obtidas do site do Banco Central do Brasil e c) de 1996 dividindose a) por b), registrese que no ano calendário de 1997 quantidade de dólares na linha "resultado Del ejercicio" do balanço e nos anoscalendários de 1998 a 2000 foi obtido pela divisão de a) por b). Fl. 603DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 7 7 2 Registrese que 1997 o valor em reais divido pelo valor em dólar reproduz fielmente o valor da taxa de conversão do Banco Central do Brasil na linha resultados do exercício, a despeito de existir "diferencia de câmbio". Já com relação aos anoscalendário de 1998 a 2000 os valores tidos como "diferencia de câmbio (ganância) não tem representação em moeda dólar. Isto explica a necessidade de recompor o lucro em dólares daqueles períodos. 3 Em 1998 foi agregado ao resultado do exercício o valor de R$ 167.376,91, referente ao ajuste de exercício anterior. (ou seja, resultado do exercício = R$ 8.838.689,69 + resultado de exercícios anteriores = R$ 167.376,91, totalizando R$ 9.006.066,60). Constatase que o Mapa de cálculo da Equivalência Patrimonial elaborado pelo contribuinte leva em conta o resultado em reais, ou seja, compõem o resultado o valor da variação cambial aludida. (fls. 111 a 114) À folha 116 fica demonstrado o lançamento de venda no investimento na empresa controlada André Overseas para a Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro. Assim, composto a partir dos resultados acumulados até o anocalendário 2000 em moeda original dólares, apuramos os valores que devem ser tributados, calculando a quantidade de dólares convertidos à taxa da moeda válida para 12/01/2001, conforme site do Banco Central do Brasil. DATA VENDA VALOR EM DOLARES TAXA CONVERSÃO VALOR EM REAIS 12/01/2001 48.137.596,15 1,9508 93.906.822,57 PARTICIPAÇÃO 58,63% PARTE GEOGLEN 55.057.570,07 Considerando que o art. 25 da Lei nº 9.249/95, determina que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real, considerando determinação da Lei 9.532/97, que definiu, entre outras formas de disponibilização, o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior (art. 2º parágrafo 2º inciso, alínea d). A transferência da titularidade da GEOGLEN (SAP) para a PSICR/RJ, ocorrida em 12/01/2001, é, de fato, o fato gerador da disponibilidade, e deve ser oferecido à tributação. Considerando, que o parágrafo 8º da IN 38/96, manda consolidar os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada mantenha qualquer tipo de participação societária e que o parágrafo 9º determina que os lucros rendimentos e ganhos de capital serão adicionados ao lucro líquido da controladora ou nele computado, pelos seus valores antes de descontados o tributo pago no pais de origem, a tributação deve ocorrer sobre os resultados consolidados e pelo valor auferido antes da dedução do imposto local, se tiver. Considerando que o fato gerador é 12/01/2001, que é a data da disponibilização, aplicase o art. 143 do CTN, que determina "salvo disposição de lei em contrário, quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento farseá sua conversão em moeda nacional ao câmbio dia da ocorrência do fato gerador da obrigação, logo, aplicase a taxa de conversão de 12/01/01". Considerando que a Medida Provisória 18586, de 30/06/99 e demais edições, estabeleceram a cobrança da Contribuição Social sobre Lucro Real sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, e o Ato Declaratório 75 de Fl. 604DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 8 8 17/08/99 veio dirimir dúvidas a respeito do inicio da aplicabilidade temporal do tributo, logo, também incide a Contribuição Social sobre os valores acima apontados. Juntase ao presente processo, às folhas de nº 121 a 150, cópias do Livro de apuração do Lucro Real (Lalur), folhas de nº 151 a 198 as cópias dos balanços e nas folhas de nº 199 a 214 a cópia da Declaração de Imposto de Renda do ano calendário 2000. O presente termo é lavrado em três vias, de igual teor e forma, assinadas por nós e pelo representante legal do Contribuinte, que recebe uma via neste ato e que fará parte integrante e inseparável do auto de infração que acompanha o processo.” Os autos de IRPJ e CSLL foram lavrados com o seguinte enquadramento legal: IRPJ Art. 25, §§2º e 3º, da Lei nº 9.249/1995; Art. 16 da Lei nº 9.430/1996; Art. 1º, §1º, alínea “b”, da Lei nº 9.532/1997; Arts. 249, inciso II, e 394, do RIR/1999; Art. 3º da Medida Provisória nº 1.924/1999 e reedições convalidadas pela Lei n º 9.959/2000; e Art. 3º da Lei nº 9.959/2000. CSLL Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988; Art. 1º da Lei nº 9.316/1996 e art. 28 da Lei nº 9.430/1996; Art. 7º da Medida Provisória nº 1.807/1999 e reedições; e Art. 6º da Medida Provisória nº 1.858/1999 e reedições. O sujeito passivo foi cientificado em 27/07/2005, nos próprios Autos de Infração (fls. 219 e 223), e apresentou impugnação às fls. 239 a 254, em 25/08/2005. Nela alega o seguinte: “(....) PRELIMINAR DECADÊNCIA Consta do relatório do Fisco o seguinte: "Considerando que o art. 25 da Lei nº 9.249/95, determina que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real, considerando determinação da Lei 9.532/97, que definiu, entre outras formas de disponibilização, o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da filial, sucursal, controlada ou coligada, domiciliada no exterior (art. 2º, parágrafo 2º, inciso (sic), alínea d). A transferência da titularidade da GEOGLEN (SAP) para a PSICR/RJ, ocorrida em 12/01/2001, é, de fato, o fato gerador da disponibilidade, e deve ser oferecido à tributação.” Ora, tendo o fato tomado ocorrido em 12/01/2001, claro está que a sua exigência, diante da apuração mensal ocorrida, está alcançado pela decadência, ao amparo do disposto no CTN. O instituto da decadência faz parte dos ordenamentos jurídicos dos países civilizados, em busca da segurança jurídica fundamental para manter o convívio pacífico e harmonioso das pessoas no meio social. Implica assim, a decadência a extinção do direito de lança do Fisco, pelo não exercício de tal direito em tempo Fl. 605DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 9 9 determinado, que conforme o CTN, é de cinco anos a partir do fato gerador, art. 150, § 4º. Vejase a jurisprudência administrativa: Numero Recurso :142649 Câmara :PRIMEIRA CÂMARA Numero Processo :10120.0070441200317 Tipo do Recurso :VOLUNTÁRIO Matéria :CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente :COMIPE S.A. COMÉRCIO, INDÚSTRIA E PARTICIPAÇÕES Recorrida/interessado: 4ª TURMA/DRJ Brasília/DF Data da Sessão :21/10/2005 01:00:00 Relator :Sandra Maria Faroni Decisão :Acórdão 10195237 Resultado :OUTROS OUTROS Texto da Decisão: Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência suscitada. Vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias. Ementa :DECADÊNCIA. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA CSLL A decadência da CSLL se submete às regras do CTN. DO MÉRITO ERROS NA IDENTIFICAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL Considerou o autuante que os lucros disponibilizados foram os obtidos no período de janeiro de 1996 a 2000 nos seguintes valores: VALORES EM US$ PERIODO LUCRO EM REAIS CONVERSÃO LUCROS US$ FOLHAS DO PROCESSO 1996 6.487.674,24 1,0394 6.241.749,38 102/103/104 1997 7.499.149,31 1,1164 6.717.260,22 105 1998 9.006.066,60 1,2087 7.451.035,49 106 1999 34.575.350,08 1,789 19.326.635,04 107 2000 16.427.151,32 1,9554 6.400.916,09 108 Soma 73.427.151,32 48.137.596,15 Em seguida, converteu o total supra, de dólares para reais, utilizando a taxa de 12/01/2001, de 1,9508. E aplicou o percentual de participação, encontrando a importância ora atacada de R$ 55.057.570,07 (US$ 48.137.596,05 X R$ 1,9508 X 58,63%). Fl. 606DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 10 10 Contudo, tais valores não procedem. Primeiramente, é necessário examinar a evolução patrimonial da Andree Overseas, constante do quadro a seguir: 31/12/1995 31/12/1996 31/12/1997 31/12/1998 31/12/1999 31/12/2000 Capital Social 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 Resultados Acumulados 31.672.559,59 37.914.308,91 41.947.538,80 46.119.010,99 50.161.597,91 Ajustes Exercícios Anteriores (2.683.985,33) 138.476,80 Resultado do 31.672.559,59 6.241.749,32 6.717.260,22 4.032.950,39 4.042.586,92 4.047.182,90 Exercício Resultado do Exercício Ajustado 31.672.559,59 6.241.749,32 4.033.274,89 4.171.427,19 4.042.586,92 4.047.182,90 Patrimônio Líquido 32.672.559,59 38.914.308,91 40.263.598,47 47.119.010,99 51.161.597,91 55.208.780,81 Verificase que o Agente Fiscal está tributando o valor em dólares (US$ Verificase que o Agente Fiscal está tributando o valor em dólares (US$ 48.137.596,15), sendo que: PL EM DÓLARES EM 31.12.1995 32.672.559,59 PL EM dólares EM 31.12.2000 55.208.780,81 LUCRO DO PERÍODO 22.536.221,22 Conforme se verifica, os lucros auferidos pela Andree Overseas foram os seguintes: PERÍODO LUCRO EM REAIS CONVERSÃO LUCROS US$ 1996 1997 1998 6.487.674,24 4.502.748.08 5.042.004.04 1,0394 1.1164 1,2087 6.241.749,32 4.033.274,89 4.171.427,19 1999 7.232.188,00 1,7890 4.042.586,92 2000 7.913.861,44 1,9554 4.047.182,90 Soma 31.178.475,80 22.536.221,22 E, desse modo, terseia: VALOR TRIBUTÁVEL: R$ 31.178.475,80 X 58,6327% = R$ 18.280.782,18 Portanto, o autuante apurou valores totalmente incompatíveis com as demonstrações financeiras da sociedade Andree Overseas, levando a crer estar tributando variação cambial (anexo 1 do balanço). ERRO NA CONVERSÃO DOS VALORES PARA REAIS Considerou o autuante no Termo de verificação fiscal que: “Considerando que o fato gerador é 12/01/2001, que é a data da disponibilização, aplicase o artigo. 143, do CTN, que determina “salvo disposição de lei em contrário, quando o valor tributário esta expresso em moeda estrangeira, no lançamento farseá sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação, logo, aplicase a taxa de conversão de 12/01/01” que foi reais R$ 1,9508”. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 11 11 Ora o próprio Regulamento do Imposto de Renda e a legislação em vigor a época, determinam em seu artigo 399, § 7º, a forma de conversão, que é a seguinte: “Art. 394. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). §2º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados aos lucro líquido, para determinação do lucro real, quando disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º). § 3º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, § lº): I no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados, II no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 4º Para efeito do disposto no inciso II do parágrafo anterior, considerase (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, § 2º): § 5º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 4º): § 6º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 3º): § 7º Os lucros a que se referem os §§ 5º e 6º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada e coligada (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 4º).” Dessa forma, os lucros foram adicionados pelo Autuante por uma taxa de câmbio totalmente incorreta. Os valores em reais dos lucros auferidos no exterior no período foram: PERÍODO LUCRO EM REAIS XY CONVERSÃO LUCROS US$ 1996 6.487.674,24 1,0394 6.241.749,32 1997 4.502.748.08 1,1164 4.033.274,89 1998 5.042.004.04 1,2087 4.171.427,19 1999 7.232.188,00 1,7890 4.042.586,92 2000 7.913.861,44 1,9554 4.047.182,90 soma 31.178.475,80 22.536.221,22 VALOR TRIBUTÁVEL: (R$ 31.178.475,80 X 58,6327%) = R$ 18.280.782,18, ainda que devido fosse. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 12 12 Portanto, apresentase totalmente sem nexo o valor lançado a título de adicional pelo Fisco no montante de R$ 55.057.570,07. Tal diferença só poderia ter alguma justificativa se estivesse sendo reclamada a título de variação cambial. Mas esta, como se demonstrará a seguir, não é tributada. NÃO É TRIBUTÁVEL A VARIAÇÃO CAMBIAL DO INVESTIMENTO Não existe norma fiscal que obrigue a pessoa jurídica investidora a reconhecer a variação cambial de investimentos em controlada ou coligada no exterior. A CVM, por meio da Instrução nº 247/1996 (art. 16), dispôs que a diferença verificada, ao final de cada período, no valor do investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial deve ser apropriada pela investidora como receita ou despesa operacional, quando corresponder a: a) aumento ou diminuição do patrimônio líquido da coligada e controlada, em decorrência da apuração de lucro líquido ou prejuízo no período ou que corresponder a ganhos ou perdas efetivos em decorrência da existência de reservas de capital ou de ajustes de exercícios anteriores; e b) variação cambial de investimento em coligada e controlada no exterior, observandose, contudo, que aqui se trata de simples norma de procedimento contábil, o que, por óbvio, não implica tributação de tal variação. Hiromi Higuchi focaliza o tema no seu tradicional livro "Imposto de Renda das Empresas" (301 edição 2005, IR Publicações Ltda.) com a habitual pertinência: "A controvérsia gira em torno da contabilização da contrapartida do ajuste cambial dos investimentos no exterior, isto é, se compõe o resultado da equivalência patrimonial ou tratase de variação monetária ativa ou passiva, apesar de não existir lei que determine, em cada período de apuração, o ajuste cambial de investimento em coligada ou controlada no exterior. Se a empresa investidora no Brasil não fizer o ajuste cambial não há infração fiscal. O ajuste obrigatório é somente de créditos e obrigações, não estando incluídas as participações societárias. Se a investidora no Brasil fizer o ajuste cambial para todas as contas do patrimônio líquido da controlada ou coligada no exterior o ajuste deve preceder a equivalência patrimonial. Isso porque, para efetuar a equivalência patrimonial é necessário converter em moeda nacional os lucros ou prejuízos do ano. Como a equivalência patrimonial é aplicada sobre o total do patrimônio líquido, não é possível o lucro ou prejuízo ser convertido antes da equivalência e os demais valores do patrimônio líquido serem convertidos após a equivalência”[grifamos] O fato inatacável é que, em qualquer caso, a variação cambial do investimento, embutida na equivalência patrimonial ou contabilizada à parte, não é tributada, por absoluta inexistência de previsão legal. Isso já foi reconhecido pela própria SRF, conforme se verifica na Solução de Consulta nº 55/2003 da SRRF da 9ª Região Fiscal (DOU de 08.05.2003), assim ementada: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: A contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 13 13 Registrese que a mesma SRRF expediu a Solução de Consulta nº 54/2003 (DOU de 08.05.2003) declarando idêntica conclusão relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro ("A contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL”). A FRUSTRADA TENTATIVA DE TRIBUTAR A VARIAÇÃO CAMBIAL DE INVESTIMENTOS NO EXTERIOR Cabe aduzir que, em passado recente, pretendeuse tributar a variação cambial do investimento no exterior. Isso foi tentado por meio da Medida Provisória nº 232, de 30.12.2004, cujo art. 9º assim dispunha (para vigorar a partir de 11.01.2005): "Art. 9º A variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do período de apuração." Na Exposição de Motivos à MP nº 232 foi dito (item 8) que “o art. 9º estabelece a obrigatoriedade de as pessoas jurídicas com investimentos no exterior efetuarem o reconhecimento, como receita ou despesa financeira, da variação cambial do referido investimento, na apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido" A tentativa era, precisamente, de estabelecer a obrigatoriedade de tributação da variação cambial do investimento porquanto esta, de fato, não existe. E continua não existindo, porque o dispositivo citado foi expressamente revogado pelo art. 4º, I, da Medida Provisória nº 243, de 31.03.2005. O 1º Conselho de Contribuintes já decidiu nessa linha, no Acórdão 10194747/2004, assim ementado: “VARIAÇÃO CAMBIAL Tendo em vista as razões contidas na da mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido." Uma vez que a Lei nº 9.249/1995 dispõe, expressamente, que o resultado da equivalência patrimonial de investimento no exterior não é tributável e, de outro lado, não há norma que determine a tributação da variação cambial do investimento, é de se perguntar: o que poderia o autuante exigir a este título? E a resposta é óbvia: nada, por absoluta inexistência de matéria tributável! A ALIENAÇÃO DAS QUOTAS NÃO CONFIGURA DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. Conforme acima relatado, a tese adotada pelo Fisco para a autuação que a alienação das quotas em questão configura disponibilização de lucros. É a partir de tal conclusão que o Fisco encontrou, erroneamente, matéria tributável a todo rigor inexistente, como se verá. Anteriormente à Medida Provisória nº 2.15834/2001, o diploma legal que regulava a matéria em debate e, especialmente, definia o critério de disponibilização dos lucros auferidos no exterior como fato gerador do tributo é a Lei nº 9.532/1997, que, em seu art. 1º (com as alterações da Lei nº 9.959/2000), assim dispõe: Fl. 610DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 14 14 Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. c) na hipótese de contratação de operações de mútuo, se a mutuante, coligada ou controlada, possuir lucros ou reservas de lucros; d) na hipótese de adiantamento de recursos, efetuado pela coligada ou controlada, por conta de venda futura, cuja liquidação, pela remessa do bem ou serviço vendido, ocorra em prazo superior ao ciclo de produção do bem ou serviço. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior. b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária, 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior"[grifamos] Importa observar que as regras da Lei nº 9.532/1997 foram incorporadas ao art. 394 do RIR/1999 (§§ 2º a 4º). Aliás, o Fisco cita, expressamente, esse dispositivo do RIR/1999 em sua fundamentação. Mas adota critério não previsto na lei para considerar disponibilizado o lucro, qual seja, o da transferência de quotas. E o faz levando em conta dispositivo ilegal de Instrução Normativa. A ILEGALIDADE DA IN SRF Nº 38/1996. Em seu Termo de Verificação fiscal, o autuante cita o art. 2º, § 9º, da IN 38/1996. Esse dispositivo assim estabelece: "Art. 2º Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados. § 9º Na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior os lucros ainda não tributados no Fl. 611DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 15 15 Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil.” Mas, como dito anteriormente, os eventos legalmente definidos como disponibilização de lucros auferidos no exterior (fato gerador do tributo) constam expressamente da Lei nº 9.532/1997, art. 1º (com as alterações da Lei nº 9.959/2000) e estão incorporados ao art. 394 do RIR/1999. E, entre eles, não figura a transferência de quotas. Por isso, a IN citada é absolutamente ilegal, uma vez que extrapola os termos definidos na lei, criando, sem autorização legal, hipótese que desta não consta. Edmar Oliveira Andrade Filho, em seu livro “Imposto de Renda das Empresas" (Editora Atlas, 2ª Edição, 2005, pág. 243) assim comenta a indevida extensão trazida pela IN SRF nº 38/1996: "Não estavam contempladas na lei as seguintes hipóteses. (a) doação do valor dos lucros, pela empresa com sede no exterior, cujo valor não é tributado no Brasil, como já visto; e (b) a aquisição, pela empresa com sede no exterior, das próprias quotas ou ações, para cancelamento ou manutenção em tesouraria, quando a legislação permite ou não proíbe essa prática. Da mesma forma, não estavam contempladas entre as hipóteses que determinam a tributação do lucro as seguintes, anteriormente previstas no art. 2º da Instrução Normativa nº 38/96: (a) liquidação da empresa no Brasil; (b) cisão de controlada ou coligada, (c) absorção do patrimônio de empresa coligada ou controlada por empresa sediada no exterior; e (d) alienação da participação societária. Essas hipóteses não foram reproduzidas pela Lei nº 9.532/97, e nasceram e morreram sem base legal/."[grifamos] Em trabalho publicado in "Revista Dialética de Direito Tributário" nº 93, pág. 72, Pedro Anan Junior advogado , discorrendo sobre a ilegalidade da IN 38/96, registrou que: Podemos observar que a IN/SRF nº 38/96 procurou constitucionalizar a tributação dos lucros auferidos no exterior trazendo situações que não foram previstas na Lei nº 9.249/95. Contudo, a inovação trazida ela IN/SRF nº 38/96 não possui base constitucional, pois a Lei nº 9.249/95 não previa o conceito do que era lucro disponibilizado, não podendo uma mera Instrução Normativa pretender fazêlo, sob pena de ferir o artigo 150, I, da Constituição Federal. Desta forma, podemos concluir que, a partir de 1996, não havia base legal para tributar os lucros auferidos no exterior. Aliás, a citada IN representa mais uma daquelas que, a pretexto de explicitar a lei, como se tal fosse necessário, acaba por ampliála, o que resulta em sua nulidade. As Instruções Normativas SRF, fenômeno que não é novo, têm sido usadas como instrumento de mutilação dos direitos dos contribuintes, ao mesmo tempo em que alimentam a sanha arrecadatória fiscal. Tratase, a IN 38/96, de mais um exemplo deplorável de pretensão de tributação sem amparo em lei (no caso, Lei nº 9. 249/95). Além do já dito, embora aqui envolvendo a IN 38/97 (não a 38/96), mas incorporando o princípio, vejamse as seguintes ementas proferidas em processo administrativo tributário PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES sobre Fl. 612DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 16 16 o tema de exigência de obrigação sem base legal (Instrução Normativa que extrapola a simples regulamentação): (ver fls. 252). DO LANÇAMENTO REFLEXO CSLL Os argumentos de contestação expendidos quanto ao IRPJ envolvem, por uma relação de causa e efeito, o lançamento derrete da Contribuição Social sobre o Lucro. E inconteste que a decisão proferida no lançamento principal deve estenderse aos demais lançamentos reflexivos. Contudo, há uma outra questão específica a ser considerada quanto ao lançamento da CSLL. No próprio texto do Termo de Verificação Fiscal, o autuante diz que: "Considerando que a Medida Provisória 18586, de 30/06/99, e demais edições, estabeleceram a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Real sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, e o Ato Declaratório 75, de 17/08/99, veio dirimir dúvidas a respeito do inicio da aplicabilidade temporal do tributo, logo, também incide a Contribuição Social sobre os valores acima apontados" O mencionado Ato Declaratório tem a seguinte redação: “Ato Declaratório, SRF nº 075, de 17 de agosto de 1999 Dispõe sobre a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL segundo as normas de tributação universal. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 21 da Medida Provisória no 1. 99114, de 13 de janeiro de 2000, e no art. 1º da Lei nº 9.532/97, DECLARA: Artigo único. A incidência da CSLL, segundo as normas de tributação em bases universais, darseá em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, disponibilizados, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.532/97 a partir de 1º de outubro de 1999, e serão computados na base de cálculo dessa contribuição em 31 de dezembro do anocalendário da disponibilização, observadas as demais normas estabelecidas para o imposto de renda.” A Medida Provisória nº 18586, que criou a incidência da Contribuição Social sobre lucros auferidos no exterior, é de 30 de junho de 1999. Tendo em vista o princípio da anterioridade, somente começou a ter eficácia em relação aos lucros auferidos a partir de 01 de outubro de 1999. Portanto, a tributação dos lucros auferidos no exterior anteriores a 01 de outubro de 1999 é totalmente ilegal. Aliás, foi o próprio Ato Declaratório nº 75 que determinou a incidência somente a partir de 01 de outubro de 1999, não podendo prevalecer a pretensão do Fisco em tributar os lucros de 1996 até setembro de 1999. Vejase, em demonstração: PERÍODO LUCROS EM REAIS TOTAIS POR PERÍODOS 01.01 a 31.12.1996 6.487.674,24 01.01. a 31.12.1997 4.502.748,08 01.01. a 31.12.1998 5.042.004.04 21.453.619,16 01.01. a 31.12.1999 7.232.188,00 Fl. 613DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 17 17 01.01. a 31.12.2000 7.913.861,44 9.724.856,64 TOTAL GERAL 31.178.475,80 Ainda que devida fosse a pretensão quanto à CSLL, a base de cálculo seria de R$ 9.724.856,64. CONCLUSÃO Posto isto, quer pela preliminar, quer pelo mérito, merece ser provida a presente Impugnação para fins de declarar nulo de pleno direito o lançamento de ofício. A decisão recorrida está assim ementada: PRELIMINAR. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA: I Quanto ao Imposto de Renda, nos lançamentos de ofício com base no art. 149, o termo a quo para contagem do prazo decadencial de cinco anos é do inciso I do artigo 173, ambos dispositivos do CTN; II Quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL o prazo de decadência é de dez anos, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado (Lei nº 8.212/91, art. 45). ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. TRIBUTAÇÃO DE LUCROS. Na hipótese de alienação da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil. NORMAS JURÍDICAS. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera administrativa não cabe apreciar questões acerca de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência exclusiva do Poder Judiciário. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Inexistindo disposição de lei em contrário, a conversão para reais deve ser feita pela taxa de câmbio da data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, fato gerador da obrigação tributária. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. DISPONIBILIZAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 18 18 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência do IRPJ e CSLL, anocalendário de 2001, relativos a lucros auferidos por controladas no exterior. Passo à apreciação das alegações recursais. Preliminar de decadência Está consignado no voto condutor do Acórdão recorrido que: a Recorrente fez opção pela tributação com base na apuração de resultado anual, o que implicou pagamentos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica segundo as regras da estimativa, por períodos mensais; o entendimento assente na Turma Julgadora é no sentido de que, em se tratando de lançamento “ex officio”, tem aplicação o comando legal inserto no artigo 173, I, do CTN. Sem adentrar no mérito da questão que diz respeito à aplicação do disposto no artigo 173, I, do CTN, na hipótese de exigência de imposto sujeito a lançamento por homologação, só que constituída de ofício, o simples fato de a pessoa jurídica haver optado por pagar o imposto segundo as regras da estimativa, conforme jurisprudência emanada deste Conselho e da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, faz com que o termo de início da contagem do prazo decadencial seja deslocado da data da ocorrência do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º), para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Todavia, é entendimento assente neste Conselho que até o advento da Lei nº 9.532, de 1997, os lucros de empresas controladas e coligadas, com sede no exterior, se submetiam ao regime de tributação segundo o qual deverseia observar o momento em que tais lucros eram auferidos, realizados, inexistindo comando jurídico integrante da Lei nº 9.249, de 1995, capaz de considerar a disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência, o que implica concluir no sentido de que os lucros auferidos ao final dos anos calendário de 1996 e 1997, deveriam ter sido adicionados para efeito de tributação, na proporção da participação societária, pela pessoa jurídica controladora, não importando, no caso, quer o montante quer o momento “a posteriori” que tenha ocorrido a disponibilização. Em abono a esta tese, trazemos à colação os Acórdãos cujas ementas vão transcritas: “DECADÊNCIA LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 – LEI 9.249/95 – ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE Fl. 615DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 19 19 INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 – IMPOSSIBILIDADE – Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anoscalendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de ofício deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador, e se realizado após cinco anos, caduco estará o direito do fisco de constituir o crédito tributário. (...). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Correta a lavratura do auto de infração contra apenas um dos responsáveis solidários, sendo dada ciência do feito aos demais, pois o instituto da solidariedade permite que o crédito tributário seja exigido de um dos responsáveis solidários ou de todos, até o seu montante.” (Ac. nº 10195.476, de 2006). Ementa: DECADÊNCIA LUCROS NO EXTERIOR AUFERIDOS EM 1996 E 1997 – LEI 9.249/95 – ALTERAÇÃO DO ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA PELA IN SRF 38/96 – IMPOSSIBILIDADE – Antes do advento da Lei 9.532/97, o regime de tributação dos lucros de filiais, controladas e coligadas no exterior observava o momento em que tais lucros eram auferidos, não havendo na Lei 9.249/95 qualquer elemento que considerasse a efetiva disponibilização como componente temporal da hipótese de incidência. Os lucros auferidos durante os anoscalendário de 1996 e 1997 deveriam ser adicionados em 31 de dezembro de cada ano, na proporção da participação societária, e não pelo montante efetivamente disponibilizado a posteriori. O lançamento de ofício deve, portanto, reportarse a 31 de dezembro de cada ano como data do fato gerador, e se realizado após cinco anos, caduco estará o direito do fisco de constituir o crédito tributário. (Ac. nº 10195.500, de 2006). Portanto, acolho a preliminar suscitada, relativamente aos anos de 1996 e 1997, devendo ser excluídos da base de cálculo os valores de R$ 6.487.674,24 e R$ 7.499.149,31, respectivamente. Mérito Ainda na fase impugnativa a contribuinte sustentou que a autoridade lançadora considerou disponibilizados os lucros auferidos nos anos de: 1996..............................R$ 6.487.674,24 1997..............................R$ 7.499.149,31 1998...............................R$ 9.006.066,60 1999...............................R$ 34.575.350,08 2000...............................R$ 16.427.151,32 Cada um desses lucros foi convertido para a moeda norteamericana à taxa vigente em 31 de dezembro do correspondente ano (fls. 102/108), perfazendo o total de US$ 48.137.596,15. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 20 20 Com a adoção da taxa vigente no dia 12 de janeiro de 2001 (1,9508), data na qual entendeu haver ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, aquela autoridade promoveu a conversão dos lucros disponibilizados para o Real, encontrando o montante de R$ 93.906.822,56, que serviu de base para determinar o valor da participação atribuída a então impugnante (58,63%), que seria de R$ 55.057.570,07. Sustentou a pessoa jurídica que para a correta quantificação da base de cálculo do tributo, necessário se faz, em primeiro plano, examinar a evolução patrimonial da empresa Andree Overseas, com vistas a destacar os resultados obtidos em cada exercício social da variação cambial ocorrida nos mesmos períodos. Além do fato de haver sido agregado ao resultado alcançado no período a variação sofrida pela taxa de câmbio adotada para a conversão dos lucros, sustentou a contribuinte que a adoção da taxa de câmbio de 12 de janeiro de 2001 para a conversão dos lucros de dólar norteamericano para o real, contraria o disposto no artigo 25 da Lei nº 9.249, de 1995. O ilustre relator do voto condutor do Aresto atacado, relativamente à adoção da taxa de câmbio vigente em 12 de janeiro de 2001 para a conversão dos lucros da moeda estrangeira para o real, ressalta de pronto o comando jurídico inserto no artigo 143 do CTN para, em seguida, invocar a regra legal de que cuida o artigo 25, § 4º da Lei nº 9.249, de 1995. A invocação do citado artigo 143 do CTN, acompanhada da assertiva feita nestes termos: “... como não existe disposição de lei em contrário, a conversão para reais deve ser feita na data do fato gerador da obrigação tributária, isto é, na data da disponibilização dos lucros no exterior.” Leva à conclusão de que o ilustre relator ignorou o conteúdo jurídico do artigo 394 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado com o Decreto nº 3000, de 1999, cuja matriz legal é o artigo 25 da Lei nº 9.249, de 1995, “verbis”: Art. 394. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoa jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...) § 6º. Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração dos lucro real com observância do seguinte (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 3º): § 7º. Os lucros a que se referem os § § 5º e 6º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada e coligada (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, § 4º).” Como salientado pela recorrente, este Conselho já teve a oportunidade de se manifestar sobre a questão em exame, conforme Acórdão nº 10516.365, de 28 de março de 2007, da lavra do Eminente Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, a quem peço vênia para transcrever parte de seu brilhante voto: Fl. 617DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 21 21 “TAXA DE CÂMBIO Argumenta a recorrente que, no que diz respeito à taxa cambial aplicável à conversão do lucro auferido para reais, a afirmação da autoridade de primeiro grau no sentido de que o disposto no parágrafo 4º do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, estaria superado por legislação superveniente (IN SRF nº 38/96 e Lei nº 9.532/97), não tem a menor procedência, bastando que se constate que o RIR, que é de 1999, mantém expressamente, no parágrafo 7º do art. 394, a regra de conversão tal qual originariamente estatuída. Aduz que a própria IN SRF nº 213, de 2002, ao tratar da conversão das demonstrações financeiras das investidas no exterior reproduz a regra (do RIR/99) no parágrafo 3º do seu art. 6º; que seria um contrasenso converter o documento básico da apuração dos lucros (as demonstrações financeiras) pelo câmbio do dia do balanço sem poder utilizálo para fins de se promover à adição ao lucro líquido, na apuração do resultado tributável; que na resposta à pergunta 757 do PERGUNTAS E RESPOSTAS – IRPJ, edição 2006, editado pela Secretaria da Receita Federal, a orientação é no sentido da utilização da taxa de câmbio do dia do balanço da investida, cabendo notar que o fundamento adotado é o parágrafo 7º do art. 394 do RIR/99. Quanto a essa questão, qual seja, a taxa de câmbio aplicável na conversão, para reais, dos lucros auferidos no exterior, entendemos que as razões trazidas pela recorrente devem ser recepcionadas. Com efeito, consoante o disposto no parágrafo quarto do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, os lucros auferidos no exterior, seja por filiais, sucursais, controladas ou coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, devem ser convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados na respectiva filial, sucursal, controlada ou coligada. Lei nº 9.249, de 1995 Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. [...] § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. A nosso ver, não merece guarida a argumentação de que, no caso, seria aplicável a regra geral explicitada no art. 143 do Código Tributário Nacional, eis que, como bem argumentou a recorrente, o comando ali explicitado tem natureza de regra geral, aplicável nas situações em que não existe disposição de lei que dê tratamento diverso. Ademais, como também alegou a recorrente, não obstante o suposto surgimento de norma legal dispondo de forma diversa acerca do momento da ocorrência do fato gerador relativo aos lucros auferidos no exterior, a própria Secretaria da Receita Federal manifestase, reiteradamente, no sentido de que, tratandose de conversão para Reais, a norma aplicável é a preconizada pelo citado parágrafo quarto do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995. Nesse sentido, o referido órgão em seu PERGUNTAS E RESPOSTAS PESSOA JURÍDICA, edição de 2006, esclarece: Cuidam os autos de lançamento do IRPJ e CSLL para exigir crédito tributário cujo valor perfaz o montante de R$ 47.033.556,10 atinente ao fato gerador de 31/12/2001. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, Fl. 618DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 22 22 para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. Normativo: RIR/1999, art. 394, § 7º; e IN SRF nº 213, de 2002, art. 6º, § 3º. Nessa mesma linha, a Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002, norma complementar que dispõe sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil e que ainda se encontra em vigor, assim estabelece: Art. 6º As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. [...] § 3º A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, será efetuada tomandose por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do país onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada, na data do encerramento do período de apuração relativo à demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros dessa filial, sucursal, controlada ou coligada.” Outro não é o posicionamento da Colenda Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que decidiu, dentre outros, através do Acórdão nº 101 95.802, de 19 de outubro de 2006, pela adoção da taxa de câmbio segundo o que preceitua o § 4º do artigo 25 da Lei nº 9.249, de 1995, “verbis”: “CONVERSÃO CAMBIAL – A conversão dos lucros da coligada ou controlada para a moeda nacional, para fins de tributação no Brasil, obedece o disposto no § 4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95 e no § 3º do art. 6º da IN SRF 213/2002.” A sistemática adotada pela autoridade lançadora para cálculo dos lucros disponibilizados no exterior, como registrado pela recorrente, privilegia a majoração do investimento tendo em vista a variação da taxa de câmbio verificada no período, o que implica reconhecer que, na essência, estarseia tributando, juntamente com os lucros obtidos, o acréscimo resultante do reflexo da variação da taxa cambial sobre os investimentos. Cumpre consignar, por relevante, que em dezembro de 2004 foi editada a Media Provisória nº 232/2004, contendo artigo que contemplava a tributação da variação cambial resultante de investimentos existentes no exterior, avaliados segundo o metido da equivalência patrimonial, por considerada receita de natureza financeira. Como é sabido, no mês de março de 2005 restou editada a Media Provisória nº 243, que revogou, dentre outros dispositivos, aquele que submetia à tributação, a variação cambial obtida pelos investimentos no exterior. Através do já invocado Acórdão nº 10516.365, de 2007, restou decidido por esta Câmara que: Fl. 619DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 23 23 “(...). LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. VARIAÇÃO CAMBIAL Nos termos de manifestação advinda do Ministério da Fazenda no âmbito do veto parcial ao Projeto de Lei de Conversão nº 30, de 2003 (art. 46 da Medida Provisória nº 135/03), a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método da equivalência patrimonial exigirá que, antes, seja editada norma legal prevendo tal incidência.” Diante do exposto, há que considerar o valor do lucro, em cada exercício financeiro, pela conversão segundo a taxa de câmbio vigorante na data das respectivas demonstrações financeiras, quais sejam: 1996................................R$ 6.487.674,24 1997................................R$ 4.502.748,08 1998................................R$ 5.042.004,04 1999................................R$ 7.232.188,00 2000................................R$ 7.913.861,44 Como a recorrente tem participação de 58,6327% desses lucros, a base de cálculo do tributo deve ser fixada em R$ 18.280.782,18. A decisão recorrida, no particular, merece reforma. Os fatos concretamente acontecidos estão descritos no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – auto de infração” de fls. 227 a 231, como reproduzido: “Do elenco de materiais coletados, destacamos o instrumento de compra e venda, datado de 12/02/2001 (fls. 119 e 120), entre Schincariol administração Patrimonial (SAP) – vendedora e PSICR/RJ – compradora, relacionada à empresa Andree Overseas Ltd. pelo valor de R$ 63.294.163,07, pago no dia 13/01/2001, aliado às cópias dos lançamentos efetuados no diário da Geoglen (SAP), que registra a baixa do investimento. Naquele momento, houve a disponibilização parcial dos lucros auferido de 1996 a 2000, motivado pela transferência de quotas da controlada direta no exterior ao próprio controlador da GEOGLEN (SAP), pois configura emprego do valor em favor da beneficiária, caracterizando, por conseguinte, pagamento de lucro disponibilizado.” Ainda na fase impugnativa o sujeito passivo na presente relação jurídica tributária defendeu a tese de que a transferência de quota não foi elencada no artigo 1º da Lei nº 9.532, de 1997, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei nº 9.959, de 2000, do que resulta ser ilegal a introdução de exigência não legalmente prevista, pela IN SRF nº 38, de 1996. Invocando o conteúdo da Portaria do Ministro da Fazenda de nº 258, de 2001, o ilustre relator do voto condutor do Aresto recorrido limitouse a considerar corretamente aplicados os dispositivos legais contemplados na peça básica, deixando de emitir qualquer juízo de valor a propósito do assunto. A questão da disponibilização dos lucros auferidos no exterior, a propósito da transferência de investimentos em coligada, foi analisada no voto que integra o Acórdão nº 10195.232, de 20 de outubro de 2005, nestes termos: Fl. 620DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 24 24 “b) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Três os valores objeto da autuação fiscal procedida a este título: (...) tributados nos períodosbase de 1999 e 2000. Os dois primeiros referemse a parte dos lucros apurados pela Sucursal sediada na Colômbia, nos períodosbase de 1996 a 1999, em relação aos quais a recorrente não se insurge contra a exigência tributária deles decorrentes, havendo declarado, ainda na fase impugnativa, que procederá ao pagamento do imposto resultante dessas duas parcelas. Portanto, o litígio instaurado neste item referese, tão somente, a parcela de (...), a qual, por corresponder a lucros auferidos por Coligada sediada no exterior, submete se a regras distintas daquelas aplicáveis aos lucros auferidos por filiais e sucursais, consoante estabelecido na Lei nº 9.532, de 1997. Os valores dos resultados positivos obtidos na avaliação do investimento, no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, foram contabilizados pela Coligada (Autuada), nos anos de 1996, 1997 e 1998, a título de ajuste da participação societária e restaram excluídos do lucro real, em conformidade com a legislação de regência. Referido investimento foi transferido para (...) (empresa holding) em 30 de novembro de 1998, através de cisão ocorrida na Recorrente, tendo a Holding tributado estes resultados em dezembro de 2001 quando do aumento de capital. O Fisco, portanto, tributou tais resultados em função da transferência havida. Para equacionamento da questão importa levar em conta o pressuposto da legalidade objetiva, no qual se insere o princípio do fato gerador cerrado, nas hipóteses de exigência tributária. Isto é, o fisco deve exigir tudo o que se encontra legalmente autorizado, no limite da autorização legal. Em preliminar, importa observar que a legislação tributária produziu regras específicas acerca de cisões societárias. Citemse o tratamento de ágio por absorção de patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de cisão (Lei nº 9.532/97, art. 7º e 9.718/98, art. 10; RIR/99, art. 386); a compensação de prejuízos na sucessora ou não cindida (Decretolei nº 2.341/87, art. 33, RIR/99, art. 514); a realização do lucro Inflacionário, proporcionalmente à parcela vertida (Lei nº 9.065/95, art. 7º; RIR/99. art. 452); os casos de cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de Um a possuída por outra (Decretolei nº 1.598/77, art. 34). Citemse, ainda, as disposições ínsitas no art. 3º, § 8º, da Lei nº 8.849, de 1994 e art. 2º, da Lei nº 9.064, de 1995, ambos reproduzidos no artigo 658, § 7º, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado com o Decreto nº 3.000, de 1999: Lei nº 8.849/94: “Art. 3º. (...) § 8º. – As sociedades constituídas por cisão de outra, e a sociedade que absorver parcela de patrimônio da sociedade cindida sucedem a esta, sem interrupção de prazo, na restrição de que trata o § 4º.” Lei nº 9.064/95: “Art. 3º.(...) § 8º. – As sociedades constituídas por cisão de outra e a sociedade que absorver parcela de patrimônio da sociedade cindida sucedem a esta, sem interrupção de prazo, na restrição de que tratam os § 3º e 4º.” Fl. 621DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 25 25 Por oportuno, os parágrafos 3º e 4º, referenciados nos dispositivos legais antes reproduzidos, dizem respeito a restrições a aumentos/reduções vinculadas de capital. Do exposto, por sem dúvidas, nos casos específicos de fusão, incorporação ou cisão de pessoas jurídicas a legislação tributária transfere à sociedade resultante os mesmos encargos e responsabilidades afetos à sociedade então existente. No caso destes autos, afetos à cindida. O que se coaduna, inclusive com o disposto no artigo 128 do CTN, de vinculação de terceiro a fato gerador da respectiva obrigação tributária; ou, no 129 do mesmo código, acerca da responsabilidade sobre créditos tributários em curso de constituição. Ora, a legislação de regência da matéria, Lei nº 9.532 de 1997, art. 1º, e seus §§ 1º e 2º, fundamento da exação, assim determina: “Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil: § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea “b” do parágrafo anterior, considera se: a) creditado o lucro, quando ocorrer à transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1 – o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2 – a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3 – a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4 – o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada, domiciliada no exterior.” Tratandose de coligada ou controlada, a pendenga se equaciona ante o confronto entre as hipóteses legais de incidência prescritas no § 1º, b e § 2º, antes reproduzidos e a realidade factual. As hipóteses legais de incidência relacionamse a crédito do valor ou seu pagamento, mediante entrega, remessa ou emprego em favor da beneficiária. Ora, de um lado, a cisão da recorrente, da qual resultou a transferência do investimento para a empresa “holding”, por sem dúvidas não se enquadra no contexto de crédito em favor da beneficiária. Nem, menos, ainda, em seu pagamento mediante entrega, remessa ou emprego, igualmente em favor desta última. Porquanto, cisão implica em cisma, dissensão, separação. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 26 26 Assim, a transferência de valores de pessoa jurídica cindida para a resultante da cisão não implica em benefício daquela, a qual, ao contrário, como resultante da cisão tem, inclusive, reduzido seu patrimônio líquido. Outrossim, por pertinente, a alienação da participação societária pela investidora resultante da cisão, na exata situação factual dos autos, não figura dentre as hipóteses de incidência dos lucros auferidos no exterior, pelas controladas, enumeradas nas Leis nºs. 9.249, de 1995 e 9.532, de 1997, conforme acima demonstrado. Até porque, em ocorrendo à alienação do investimento, segundo a legislação do Imposto de Renda, seja em relação às operações realizadas no País ou no exterior, o que se tributa é o ganho de capital, se houver lucro. Ora, em se tratando de cisão a dissensão é vertida pelo patrimônio líquido. No caso, a alienação, mediante cisão, foi efetuada pelo valor pelo qual o investimento estava contabilizado, resulta que não ocorreu nem perda nem ganho de capital, passível de tributação. Fácil, pois, é concluir, carecer de previsão legal a exigência no ponto, transferência de investimento, inclusive lucros apropriados pela equivalência patrimonial, a terceira pessoa jurídica, como resultado da cisão da recorrente. Principalmente porque, no contexto, o ato não resultou em benefício desta. A situação implicou em transferência de responsabilidade tributária ante hipótese de incidência tributária em curso. Por oportuno, até a data da transferência, mediante cisão, da participação societária na (...) que pertencia a Recorrente para a (...) (Holding), ocorrida em 30 de novembro de 1998 não havia ocorrido a hipótese legal de incidência preconizada na legislação de regência, devendo, por isso mesmo ser excluída da tributação a importância de (...), lançada a título de lucros auferidos no exterior através de investimento em Coligada, no períodobase de 1998. Em síntese, recebendo a sociedade resultante da cisão valores a tributar, deverão estes sofrer a incidência respectiva uma vez concretizada qualquer das condições prescritas no artigo 1º, § 2º, da Lei nº 9.532, de 1997. Isto é, quando a sociedade resultante da cisão receber o crédito ou pagamento, mediante entrega, remessa ou emprego em seu benefício, dos lucros no exterior, embutidos no investimento recebido em decorrência da cisão. Correto, pois, o procedimento da sociedade holding, resultante da cisão, de submeter o valor litigado, (...), quando de sua utilização no aumento de capital, ocorrido em 2001. Porquanto, caracterizada, no caso, o emprego do valor, em favor da beneficiária, referenciado, como hipótese de incidência, no artigo 1º, § 2º, b, 4, da Lei nº 9.532, de 1997, antes reproduzido.” Por ocasião do julgamento do Recurso protocolizado sob o nº 139.390, em Sessão de 22 de agosto de 2004, foi proferido voto cujos fundamentos que se transcreve (Acórdão nº 10194.747): “A fiscalização, por sua, vez, ao examinar os lançamentos contábeis correspondentes às operações atestou não ter ocorrido a disponibilização de lucros a que se reporta o artigo 25 da Lei n° 9.532/97. Ora, tal disponibilização, exceto por transferência contábil do patrimônio da coligada no exterior para conta de exigível, prevista no art. 1°, § 2°, a, da Lei n° 9.532/97, somente se concretiza com a efetividade de sua disponibilidade financeira para a beneficiária, consoante dispõem os §§ 1° e 2° do mesmo dispositivo legal. A saber: Fl. 623DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 27 27 “Art. 1°. ............. § 1°. Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2°. Para efeito do disposto na alínea “b” do parágrafo anterior, considerase: creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa do passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior: pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior Ora, a clara evidência das hipóteses exaradas nos dispositivos legais em questão, estas não permitem a presunção ou ilação de situações distintas do que as em lei previstas. Mesmo porque, como necessário colorário do princípio da legalidade estrita e objetiva, CTN, art. 97, como fundamento de uma exação tributária, a tipificação cerrada do fato gerador imponível não deixa margem a quaisquer dúvidas. Portanto, não se pode presumir que o dispositivo ínsito no artigo 1°, § 2°, b, item 4, da Lei n° 9.532/97, seja “aberto” ou “fechado”, para lançamento tributário, ou sua sustentação. Haja vista o disposto no artigo 112 do CTN. Até porque, conforme ressaltado pela Recorrente, a entrega das ações ao sócio majoritário, que, em última análise, já era o titular absoluto das mesmas, vez que detinha 99,9% das quotas de capital da autuada, que por sua vez detinha 100% das ações das investidas no exterior não figura entre as hipóteses previstas no dispositivo fundamentador da exigência, especialmente, quando se atenta para o fato de que tal dação se fez a título de restituição de importâncias adiantadas pelo sócio para futuro aumento de capital que veio posteriormente a ser cancelado. E mais, considerando que os valores remetidos para constituição do capital das empresas sediadas no exterior, cujas ações foram entregues ao sócio, originaramse das importâncias por ele adiantadas à Autuada, concluise que todo montante movimentado naquelas empresas, sempre foram da titularidade do sócio que recebeu as ações a título de restituição. Assim, não há que se falar em qualquer ganho, seja por parte da Recorrente, seja por parte do sócio, principalmente em razão da dação ter se processado pelo valor contábil das ações, o que afasta qualquer discussão acerca da apuração de eventual ganho de capital pela Recorrente. Mesmo porque, conforme demonstrado acima, o que se restitui ao sócio não foi qualquer parte do lucro auferido pelas empresas no exterior, mas pura a Fl. 624DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 28 28 simplesmente as ações representativas do capital daquelas empresas. Ou seja, ocorreu simples dação em pagamento de 550.000.000 ações de participações societárias, adquiridas com os recursos originários do sócio, de posse e propriedade da recorrente. Isto é, não houve entrega de recursos. Sim, de direitos representativos das ações.” Entendo, assim, que a hipótese dos presentes autos, caracterizada pela alienação de investimento em coligada, não se subsume a nenhuma das elencadas ou descritas pela norma legal invocada no Ato Administrativo de Lançamento. Duplicidade do lançamento. Por último cumpre registrar, por relevante, aspecto que permaneceu quase que incógnito, até o momento em que a recorrente apresentou cópias das peças do processo administrativo nº 10730.004842/200562, com elementos que permitem concluir pela impossibilidade jurídica da exigência sob análise. No auto de infração lavrado contra a empresa PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES DO RIO DE JANEIRO S. A., em data de 23 de setembro de 2005, que deu causa ao processo administrativo nº 10730.004842/200562, a autoridade lançadora fez consignar: “Insuficiência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, dos rendimentos e/ou ganhos de capital auferidos no exterior, disponibilizados pela Empresa Controlada ANDREE OVERRSEAS (SIC) LTD., (...) conforme IN/SRF nº 164/99 (...).” A cópia de DIPJ entregue pela referida pessoa jurídica, para o anocalendário de 2001, ficha 09A, item 05 – “Lucros Disponibilizados no Exterior”, nos dá conta de que foi oferecida à tributação a quantia de R$ 36.166.313,61. A Colenda Segunda Turma da DRJ em Juiz de Fora – MG, através do Acórdão nº 0919.099, de 17 de janeiro de 2008, manteve a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativamente à matéria “ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL DO EXTERIOR”, sendo certo que a ilustre relatora do voto condutor daquele Aresto deixou consignado: “A Fiscalização exigiu da autuada o valor de R$ 24.539.865,72 referente aos dividendos disponibilizados no Balanço Patrimonial da empresa ANDREE OVERSEAS LTD. (...). Este valor foi apurado pela diferença entre o valor disponível no balanço da empresa estrangeira, para o contribuinte – R$ 60.706.179,33 (doc. fl. 29/31 e /38/36 do Anexo II) e o valor efetivamente adicionado ao Lucro Líquido – R$ 36.166.313,61 (fls. 34 do mesmo anexo). ............................................................................................... Durante a ação fiscal o contribuinte entregou ao fisco além do citado balanço um INSTRUMENTO PARTICULAR DE ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA datado de 12/01/2001, pelo qual e ele adquire 586.326 ações da citada empresa. (...). Fl. 625DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 29 29 A documentação comprobatória da exigência aponta no sentido de que o contribuinte, em 31/12/2001, era sócio beneficiário da distribuição de um lucro no valor de R$ 60.706.179,33, os quais não foram integralmente oferecidos à tributação. Daí a exigência da importância de R$ 24.539.865,72.” Como já anteriormente consignado, a autoridade lançadora, no caso sob exame, registra às fls. 229 que: “Do elenco de materiais coletados, destacamos o instrumento de compra e venda, datado de 12/02/2001 (fls. 119 e 120), entre Schincariol Administração Patrimonial (SAP) – vendedora e PSICR/RJ – compradora, relacionada à empresa Andree Overseas Ltd. pelo valor de R$ 63.294.163,07, pago no dia 13/01/2001, aliado às cópias dos lançamentos efetuados no diário da Geoglen (SAP), que registra a baixa do investimento. Naquele momento, houve a disponibilização parcial dos lucros auferido de 1996 a 2000, motivado pela transferência de quotas da controlada direta no exterior ao próprio controlador da GEOGLEN (SAP), (...).” Fácil é concluir, portanto, que há perfeita identidade entre os valores que serviram de base para o lançamento tributário efetuado contra a pessoa jurídica Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S. A., processo administrativo nº 10730.004842/200562, e aqueles levantados pela autoridade lançadora, constantes nos presentes autos. A jurisprudência assente em todos os Conselhos consagra o entendimento de que, em constatada a duplicidade de lançamento, o Ato Administrativo mais recentemente praticado não tem como subsistir, devendo ser declarado nulo, de pleno direito. Corroborando tal afirmativa, trazemos à colação ementas de inúmeros julgados, como reproduzidos: “DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. A duplicidade de lançamento deve ser alegada no processo com data de constituição do crédito tributário em questão mais recente. (...).” (Ac. nº 20401.623). “DUPLICIDADE DE PROCESSO ADMINISTRATIVOS SOBRE O MESMO OBJETO. SANEAMENTO. Comprovada a duplicidade de processo administrativo instaurados sobre o mesmo objeto, impõese o seu saneamento. Retificase o Acórdão nº 20212347, mantendo se integral o processo nº 10855.000528/9995 e anulase in totum, o processo administrativo nº 10855.001183/9951 RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO.” (Ac. nº 30236.684). “IRPJ LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE NULIDADE Quando comprovado que houve duplicidade de lançamento, obviamente, um dos dois é nulo.Recurso de ofício negado.” (Ac. nº 10515.047). “Normas gerais de direito tributário. Constituição do crédito tributário. Lançamento em duplicidade. Irreparável o acórdão de primeira instância que exonera o sujeito passivo de exigência de crédito tributário comprovadamente lançado em duplicidade. Recurso ex offício desprovido.” (Ac. nº 30332.775). “LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Restando comprovado que alguns débitos constantes do lançamento já estão sendo cobrados em processos outros, é de se Fl. 626DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 30 30 retirar da autuação tais valores a fim de que se evite cobrança em duplicidade. (...). Recurso de ofício negado.” (Ac. nº 20218.226). “I.R.P.J. – PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. PROVA. Auto de Infração lavrado após a concretização de outro lançamento tributário, envolvendo os mesmos fatos, não pode subsistir, devendo ser declarado nulo, de pleno direito.” (Ac. nº 10193.384). Não colheria aqui se cogitar do afastamento da nulidade do Ato Administrativo de Lançamento, sob o argumento consistente em que, naqueles autos, ocorreria erro na identificação do sujeito passivo, vez que a GEOGLEN figuraria, em primeiro plano, como beneficiária da disponibilização dos lucros: i) primeiro porque a empresa PSICR/’RJ se declarou, espontaneamente, como beneficiária e principal favorecida com a disponibilização dos lucros, tanto que os ofereceu, em parte, à incidência do IRPJ e da CSLL; e ii) segundo, porque, conforme jurisprudência firmada no âmbito deste Conselho, em face do instituto da solidariedade, o Auto de Infração pode ser lavrado contra todos ou apenas contra um dos responsáveis solidários. A mesma jurisprudência invocada para a decadência serve também para o presente caso: Número do Recurso: 144538 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 16327.003372/200304 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: BBA CREDITANSTALT FINANÇAS E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida/Interessado: 4ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão: 26/04/2006 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 10195476 Resultado: OUTROS OUTROS “(...). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Correta a lavratura do auto de infração contra apenas um dos responsáveis solidários, ... pois o instituto da solidariedade permite que o crédito tributário seja exigido de um dos responsáveis solidários ou de todos, até o seu montante. (...). Na esteira destas considerações, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência, bem como para que seja declarado nulo o lançamento em face da duplicidade de cobrança. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 627DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 31 31 Voto Vencedor Conselheiro Antonio José Praga de Souza – Redator Designado No julgamento em plenário do presente recurso, o ilustre Conselheiro Relator Leonardo Oliveira restou vencido e fui designado para redigir o voto vencedor nas seguintes matérias: Preliminar de nulidade do lançamento (rejeitada), Preliminar de decadência da tributação dos lucros produzidos no exterior, nos anos de 1996 e 1997, disponibilizados após a vigência do art. 1º. da Lei 9.532/1997 (rejeitada); Incidência da CSLL sobre os lucros produzidos até 30/09/1999, disponibilizados após a vigência do art. 19 da MP nº. 1.8586/99; Tributação dos lucros auferidos junto à controlada no exterior, haja vista a ocorrência de “emprego do valor” ocorrido em 12/01/2001, em face da alienação da participação na aludida controlada; Passo ao voto. I. PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO EM FACE DE DUPLICIDADE DA EXIGÊNCIA. Consoante relatado, a Fiscalização que a autuada, Geoglen (cuja denominação anterior eera Schincariol Administração Patrimonial) , deixou de adicionar na apuração do lucro real os lucros auferidos no exterior por controlada ou coligada (Termo de Verificação Fiscal às fls. 227/232). Dentre as provas relacionadas no aludido Termo de Verificação Fiscal, a Auditoria destaca o instrumento de compra e venda, datado de 12/01/2001 (fls. 119 e 120), entre a Schincariol Administração Patrimonial (SAP) vendedora e Companhia de Bebibas Primo Schincariol (PSICR/RJ) compradora, relacionado à empresa Andree Overseas Ltda. pelo valor de R$ 63.294.163,07, pago no dia 31/01/2001, aliado às cópias dos lançamentos efetuados no Diário da Geoglen (SAP), que registra a baixa do investimento. Concluiu o fisco que naquele momento, janeiro/2001, houve a disponibilização dos lucros auferidos até o dezembro/2000, motivado pela transferência de quotas da controlada direta no exterior ao próprio controlador da Geoglen(SAP), pois configura emprego do valor em favor da beneficiária, caracterizando, por conseguinte, pagamento de lucro disponibilizado nos termos do art. 25 parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 9.249/95, art. 16 da Lei Fl. 628DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 32 32 9.430/96, art. 20, parágrafo 9º, da IN SRF nº 38/96; art. 1º, item 2, alínea b, item 4, da Lei nº 9.532/97; art. 207, inciso III e inciso I do parágrafo único, art. 249, inciso II, e art. 394, do RIR/99. Ocorre que a empresa compradora, PSICR/RJ também foi sofreu ação fiscal relativa anocalendário de 2001, tendo sido lavrado auto de infração de que trata o processo 10730.004842/200562, cujo julgamento neste Colegiado foi realizado concomitantemente a este. Conforme abordado no Voto Vencido, em Dez/2001 a PSICR/RJ ofereceu a tributação os lucros auferidos com a Andree Overseas Ltda., sendo que naquele processo exigese diferenças que segundo o Fisco não teriam sido tributadas. Este Colegiado concluiu que a PSICR/RJ realmente incluiu os lucros auferidos com a Andree Overseas na apuração de seus resultados do anocalendário de 2001. Todavia, não se trata de lançamento em duplicidade, pois são duas pessoas jurídicas e sujeitos passivos distintos. Duplicidade ocorreria se a própria Geoglen(SAP) tivesse oferecido esses resultados à tributação, ou sofresse lavratura de auto de infração, seja em período anterior ou posterior à ocorrência do fato gerador. O Código Tributário Nacional – CTN, Lei 5.172 de 1966, estabelece: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (Grifei) Portanto, ainda que o contrato entre a Geoglen/SAP e a PSICR/RJ inclua a transferência dos lucros da Andrees Overseas, uma vez que a legislação estabelece que tais lucros devam ser tributados pela Geoglen/SAP, no momento do emprego do valor (adiante fundamentado), correto a lavratura do auto de infração contra a Geoglen/SAP, se considerado apenas esse aspecto. Outrossim, não é dado ao Fisco cobrar tributos em duplicidade, ainda que de contribuintes distintos. A toda evidência, os AuditoresFiscais responsáveis pela auditoria na PSICR/RJ, processo 10730.004842/200562, não atentaram a esta duplicidade, tampouco foram alertados sobre isso durante a fiscalização. É dado a perceber naquele processo que o Fisco concluiu que a tributação seria referente apenas aos resultados do ano de 2001, tanto assim que nas diferenças lá tributadas foram incluídos resultados anteriores a 1995, fatos esclarecidos no acórdão deste Conselho. É certo que, se tais fatos aflorassem no transcurso da auditoria do processo 10730.004842/200562, o Fisco não só teria deixado de lançar diferenças anteriores a 1995, como também teria excluído da base de cálculo o valor indevidamente tributado pela PSICR. Uma vez que, nos termos do art. 145 do CTN, o crédito tributário de que trata o auto de infração lavrado contra a PSICR no processo 10730.004842/200562 poderia ser alterado, haja vista que não estava definitivamente constituído, considerando também que se trata de ajuste na base de cálculo, não implicando em alteração dos fundamentos jurídicos daquele lançamento, bem como amparado no principio da verdade material, que deve nortear o Fl. 629DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 33 33 processo administrativo, o colegiado escoimou a duplicidade, excluindo da base de cálculo do lançamento de oficio daquele processo todo o resultado auferido pela Andrees Overseas até o encerramento do ano de 2000. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por duplicidade da exigência, reiterando que tal duplicidade foi corrigida no processo 10730.004842/200562, mediante acórdão 140200494 deste colegiado. II. PRELIMINARES DE DECADÊNCIA Quanto às alegações recursais de decadência, entendo que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, seja em relação à contagem do prazo decadencial para lançamento, que o contribuinte pleiteia seja indiciado em janeiro de 2001, sob o argumento que de apurava mensalmente seus resultados, seja em relação aos resultados obtidos com a controlada no exterior nos anos de 1996 e 1997. Registra a decisão recorrida que: O sujeito passivo alegou que quando da ciência da autuação em 19/12/2005, já teria decorrido prazo superior a cinco anos – tempo contado a partir do fato gerador ocorrido em 12/01/2001 , por se tratar o IRPJ de exação fiscal sujeita a lançamento por homologação (art. 150, § 4º, do CTN). No caso, a autuada optou pela apuração anual do IRPJ, procedendo pagamentos mensais por estimativa. (Grifei) À luz do art. 2o. da Lei 9.430/1996, uma vez que o contribuinte optou pelo regime do lucro real anual, o fato gerador do IRPJ e CSLL ocorre em 31/12 compreendendo todos fatos jurídicotributários ocorridos no transcurso do ano, de 1o/01 a 31/12 (fato gerador complexivo), ainda que a empresa tenha realizado apurações mensais para fins dos recolhimentos por estimativa (antecipações do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual). No presente caso, na contagem do prazo decadencial, aplicase o disposto no art. 150 parágrafo 4o. do CTN, nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça STJ. Cite como exemplo o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o Fl. 630DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 34 34 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Exigência do IRPJ e CSLL sobre lucros de 1996 e 1997 (antes da alteração da lei 9.532/1997). De igual forma, não há que falar em decadência no tocante à tributação dos lucros auferidos pela controlada no exterior nos anos de 1996 e 1997, pois, consoante fundamento a seguir, no tópico “V tributação dos lucros auferidos junto à controlada no exterior, haja vista a ocorrência de “emprego do valor” ocorrido em 12/01/2001, em face da alienação da participação na aludida controlada”, a disponibilização desses resultados à empresa Geoglen ocorreu somente na data da transferência de sua participação, ou seja, em 12/01/2001, contandose a partir daí o prazo decadencial. Diante do exposto, rejeito as preliminares de decadência argüidas pela Recorrente. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 35 35 III INCIDÊNCIA DA CSLL SOBRE OS LUCROS PRODUZIDOS ATÉ 30/09/1999 No que tange à matéria “exigência da CSLL sobre lucros auferidos no exterior até 1999, não disponibilizados antes de outubro/1999”, o entendimento que prevalece nesse conselho é no sentido de que antes de 1999 esses resultados quando disponibilizados, não sofriam a incidência da CSLL. Após 1999 tudo que foi apurado e não disponibilizado era tributado na data da disponibilização. Após 2001, tudo que não foi disponibilizado passou também a ser tributado (IRPJ e CSLL). Assim decidiu a egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais em 7/12/2009, acórdão nº 910100468, cuja ementa e voto condutor transcrevo abaixo. “Ementa: LUCROS NO EXTERIOR DISPONIBILIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA MP 1.8586/99. Para os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, a hipótese de incidência da CSLL surge com a publicação do art. 19 da MP nº 2.1586/99 que, interpretado sistematicamente com a legislação a que se reporta, define como fato gerador da CSLL, para esses casos, o momento da disponibilização do lucro e não o momento da geração desse. (...) No mérito, a questão posta em análise se resume a uma interpretação quanto à vigência do art. 19 da Medida Provisória nº 1.8586/99, que dispôs, verbis: Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1o da Lei no 9.532, de 1997. Parágrafo único. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição (Negritei) No caso em comento, são fatos incontroversos que a Recorrida deixou de adicionar, na apuração da base de cálculo da CSLL, nos valores de R$ 17.000.000,00 e R$ 14.930.935,29, apurados respectivamente nos balanços de 31/12/2001 e 31/12/2002, relativamente aos lucros auferidos de sua controlada sediada no Uruguai chamada “Silesia Sociedad Anônima”, ou seja, não se discute aqui o momento da disponibilização. Também não se discute o momento em que tais lucros foram gerados na subsidiária no exterior, o que ocorreu entre os anos de 1996 a setembro de 1999, conforme resposta dada à Fiscalização às fls. 430/435. Analisando essa situação posta, o voto vencedor da decisão recorrida entendeu que não poderiam ser tributados os lucros anteriores à referida MP, por ofensa ao art. 195, § 6º, da Constituição Federal. Reconheceu que o fato gerador se dá no período da disponibilização, mas concebeu que esse entendimento só pode ser adotado para os lucros formados a partir do momento para o qual já havia a previsão legal de tributação. No entanto, ouso discordar desse entendimento porque concebo que o fato gerador do tributo passa a ocorrer quando a lei determina a sua incidência. Ou seja, os fatos ocorrem no mundo fenomênico e, a partir do momento em que uma lei os inclui no campo da incidência de um tributo, temse a hipótese de incidência do tributo e, portanto, configurado o fato gerador. Ora, antes da vigência do citado art. 19 da MP nº 1.8586/99, poderseia dizer que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior estavam fora da incidência da CSLL. Assim, até a edição dessa MP, os lucros rendimentos e ganhos de capital Fl. 632DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 36 36 auferidos no exterior não tinham a aptidão de gerar CSLL devida, não faziam surgir a obrigação tributária relativa à CSLL, pois estavam no campo da nãoincidência, muito embora esses lucros, rendimentos e ganhos de capital tenham efetivamente ocorrido no exterior. A partir da vigência desse dispositivo legal, os sujeitos passivos que realizassem os fatos ali descritos, deviam observar as normas emanadas por meio dos artigos 25 a 27 da Lei nº 9.249/95, 15 a 17 da Lei nº 9.430/96, e 1º da Lei nº 9.532/97. Analisando, então, o que dispunham essas regras de tributação, temse: [...] Consta dos autos, à fl. 457, na peça impugnatória apresentada pela Contribuinte, que os R$ 17.000.000,00 foram disponibilizados em 28/12/2001, por meio de capitalização, e que R$ 14.930.935,29 foram disponibilizados em 31/12/2002, sob a forma de dividendos distribuídos a ora Recorrida. Por conseguinte, temse que: 1) Considerando o princípio da anterioridade nonagesimal tão bem tratado pelo voto recorrido, que homenageia a nãosurpresa da tributação, se a Medida Provisória nº 1.8586/1999 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 30 de junho de 1999, à luz do art. 195, § 6º, da Constituição Federal, sua vigência somente poderia ser considerada a partir de 1º de outubro de 1999. 2) Em relação à CSLL apurada a partir dessa data, não há que se falar em ofensa ao princípio da nãosupresa, pois desde junho de 1999, os contribuintes já conheciam a regra de tributação que lhes seria aplicada para esses casos, que estabelecia o momento para se considerar disponibilizado o lucro e sabiam que a CSLL passaria a incidir quando se pudesse subsumir os fatos ocorridos com aqueles descritos na norma. Aliás, por ocasião do Ato Declaratório SRF Nº 75/1999 a Secretaria da Receita Federal expressou seu posicionamento sobre o assunto, quando dispôs: Artigo único. A incidência da CSLL, segundo as normas de tributação em bases universais, darseá em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, disponibilizados, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997, a partir de 1º de outubro de 1999, e serão computados na base de cálculo dessa contribuição em 31 de dezembro do anocalendário da disponibilização, observadas as demais normais estabelecidas para o imposto de renda. 3) É ponto pacífico que as disponibilizações ocorreram após outubro de 1999. 4) Em janeiro de 2001, por meio da Lei Complementar nº 104/01, o art. 43 do CTN foi alterado, passando a vigorar com a seguinte redação: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para Fl. 633DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 37 37 fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (Negritei) E em agosto de 2001, a legislação sobre o assunto foi alterada, por meio da MP nº 2.158 35/2001, cujo art. 74 dispôs: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (...) Por oportuno, transcrevo jurisprudência deste Conselho neste sentido: CSLL De acordo com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, somente a partir de 01/10/1999 os lucros apurados por intermédio de controladas e coligadas no exterior sofrem incidência da CSLL, uma vez que essa incidência só foi instituída pela MP nº 1.8586/99. (Acórdão nº 10197.013, julgado em 12/11/2008) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CSLL IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA SOBRE LUCROS APURADOS ANTES DE 01/10/1999, POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL Até o advento da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, a CSLL não incidia sobre os lucros oriundos do exterior. Somente a partir de 01/10/1999 os lucros apurados no exterior passaram a integrar a base de cálculo da CSLL, em virtude de sua incidência ter sido instituída pela MP nº 1.8586/99 (Ato Declaratório SRF nº 075, de 17 de agosto de 1999). (Acórdão nº 10809.837, julgado em 5/2/2009). (Grifei) Portanto, deve ser mantida a exigência da CSLL sobre lucros auferidos no exterior antes de outubro de 1999, porém disponibilizados após a vigência do art. 19 da Medida Provisória nº 1.8586/99. A contribuinte tinha a prerrogativa de fazer a disponibilização antes, enquanto tais resultados estavam fora do campo de incidência da CSLL, fazendo depois, sujeitouse a tributação. IV – LUCROS DO EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO NA CONVERSÃO PARA REAIS. A fiscalização entendeu que o montante de lucros tributados deveria ser convertido em reais com base na taxa de câmbio vigente em 12/01/2001 e não com base nas taxas de câmbio vigente à data das demonstrações financeiras em que foram apurados os lucros pela controlada no exterior. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 38 38 O colegiado entendeu que cabe razão ao contribuinte pelo que não merece reparos nessa parte o voto vencido. Tal entendimento foi adotado por essa Turma nos acórdãos 140200213, 140200.388, ambos proferidos no ano de 2010, assim ementados: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR CONVERSÃO PARA REAIS Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. À medida que está sendo determinada a aplicação da taxa de câmbio vigente à data das demonstrações financeiras em que foram apurados os lucros, passam a ser inócua as alegações da contribuinte quanto a matéria “ variação cambial dos investimentos no exterior em empresas controladas, avaliados pelo método da equivalência patrimonial”. Isso porque, esses efeitos serão anulados, à medida que tal variação cambial deixa de existir. V TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS AUFERIDOS JUNTO À CONTROLADA NO EXTERIOR, HAJA VISTA A OCORRÊNCIA DE “EMPREGO DO VALOR” OCORRIDO EM 12/01/2001, EM FACE DA ALIENAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NA ALUDIDA CONTROLADA O tema em questão é recorrente neste Conselho, tendo sido objeto de dezenas de julgados tanto nos colegiados ordinários quanto na Primeira Turma da Câmara Superior. No julgamento do processo 16327.000286/200412, a colenda Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, manteve a tributação, mediante acórdão 101.95.305, de 8/12/2005, cujos fundamentos do voto condutor transcrevo a seguir. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, em 28/12/2001 a (...) S/A transferiu a totalidade de suas ações na (...), representativa de 87,86% do capital, para participar em aumento de capital da (...). Assim, nessa data, a contribuinte empregou o valor dos lucros auferidos pela controlada no exterior em seu favor. (...) Equivocase a Recorrente. A norma tributária em questão trata da tributação, pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dos rendimentos auferidos no exterior. É que, antes da publicação da Lei nº 9.249/95, os resultados auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil poderiam ser excluídos da apuração da base de cálculo do imposto de renda e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro – CSLL. O artigo 25 da Lei 9.249/95 alterou essa situação, ao determinar o cômputo, na apuração do lucro real, dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por pessoa jurídica em qualquer operação praticada no exterior. O art. 1º da Lei 9.532/97 introduziu regra quanto ao momento em que os lucros no exterior se consideram auferidos pela empresa brasileira. Portanto, a obrigação tributária, surge com o auferimento do lucro, e a norma invocada pela recorrente para sustentar não ter ocorrido o fato gerador cuida apenas de estabelecer presunção quanto ao momento de sua ocorrência. Assim, muito feliz a decisão de primeira instância ao se valer de lição de Paulo de Barros Carvalho e argumentar que: (a) “O verbo núcleo do Imposto de Renda não é “empregar”, mas sim “auferir”; (b) “O agente que pratica o verbo, ou seja, o núcleo do aspecto material, não é outro senão o contribuinte (no caso, o controlador). Não é um terceiro (a controlada), portanto”; e, (c) “os dispositivos que compõem o artigo 1° da Lei n° 9.532/97 definem o aspecto temporal, ou melhor, excepcionam o aspecto Fl. 635DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 39 39 temporal geral do imposto de renda, que é o próprio momento de aquisição de renda, do aumento de patrimônio.” Assim, não merecem prosperar as razões de bloqueio da recorrente. (Grifei) Nos termos do artigo 25 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior deveriam ser computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. A matéria foi disciplinada pela Instrução Normativa nº 38/96 que, dandolhe uma interpretação conforme a Constituição, estabeleceu no art. 2o§9º que “na hipótese de alienação do patrimônio da filial ou sucursal, ou da participação societária em controlada ou coligada, no exterior, os lucros ainda não tributados no Brasil deverão ser adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real da alienante no Brasil.” (Grifei) A meu, ver não há qualquer aspecto de ilegalidade ou inconstitucionalidade da IN 38/96, que não criou hipóteses de incidência tributária sem amparo legal. Tal Normativa deve ser entendida como norma de integração, que veio disciplinar a lei, numa interpretação “conforme” a Constituição Federal. O art. 1º e § 1º da Lei nº 9.532/97 reza que os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, considerandose os lucros disponibilizados para a empresa no Brasil, no caso de coligadas ou controladas, pelo pagamento ou crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior, conforme definido no art. 2º. Temse, assim, que na vigência da Lei 9.249/95, em relação aos lucros auferidos por intermédio de coligadas e controladas, o fato gerador ocorria com o pagamento ou crédito, conforme disciplinado pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 2º da Instrução Normativa SRF 38/96. Na vigência da Lei 9.532/97 a ocorrência do fato gerador permaneceu a mesma, por força do disposto no seu art. 1º e § 1º. Em relação a esta matéria, peço vênia para tambem adotar os fundamentos do voto proferido pela ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni no acórdão 10197070, a seguir transcritos. Como o artigo 43 do CTN estabelece, como fato gerador do imposto de renda, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica da renda, questionouse quanto à legalidade do art. 25 da Lei nº 9.249/95: teria ele nascido ilegal frente às disposições do CTN. O argumento do questionamento era que as entidades – investidor e investido possuem personalidades jurídicas distintas, e o lucro pertence à empresa que o gerou. Dessa forma, sua mera apuração pela coligada controlada no exterior não denotaria disponibilidade econômica ou jurídica para o investidor no Brasil que, quanto a eles, teria apenas uma expectativa de direito. Enquanto a sociedade que gerou os lucros não deliberasse sobre sua destinação, o investidor, do ponto de vista societário, não seria proprietário desses lucros. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 40 40 Para evitar os problemas que adviriam de um questionamento judicial, foi editada a Instrução Normativa nº 38, de 1996, que elencou situações condizentes com o conceito de disponibilidade econômica ou jurídica de renda como momento da tributação. A Instrução Normativa deu à lei uma interpretação conforme o CTN e a Constituição. Emergiram também discussões quanto a vício de forma da IN, e foi editada a Lei nº 9.532, de 1997, estabelecendo as mesmas situações elencadas na IN nº 38 como momento da tributação, como a seguir: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (...) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. (...) § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considera se: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. Dessa evolução da legislação transparece que a edição do art. 1º da Lei nº 9.532/97 foi motivada pela necessidade de compatibilizar a incidência do tributo com o conceito de disponibilização. Temse, assim, que na vigência das leis nº 9.249/95 e 9.532/97, em relação aos lucros auferidos por intermédio de coligadas e controladas, o fato gerador ocorria com o pagamento ou crédito, conforme disciplinado pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 38/96 e conforme o disposto no art. 1º e § 1º da Lei 9.532/97. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 41 41 Enquanto o fato gerador ficou representado pelo pagamento ou crédito (ainda que presumido, conforme IN nº 38/96 e conforme Lei nº 9.532/97), o rendimento objeto da tributação representava dividendos e, por determinação legal, qualquer que fosse a opção de pagamento do contribuinte (lucro real trimestral ou lucro real anual), consideravase ocorrido o fato gerador em dezembro do ano em que ocorreu a disponibilização. Ou seja, na forma daquela legislação, o que se tributa não são os lucros auferidos pela empresa no exterior (lucros apurados no balanço), mas sim a parte desses lucros disponibilizada para o investidor brasileiro. E a data de ocorrência do fato gerador é o dia 31 de dezembro do anocalendário correspondente ao período em que os lucros se consideram creditados ou pagos pela investida . A Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, incluiu dois parágrafos no art. 43 do CTN, sendo que o § 2º dispõe: § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Já com lastro na nova redação do CTN, foi editado o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15834/2001, reeditado na MP nº 2.15835, que dispõe: “Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único.Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor”. Na legislação precedente, a distribuição dos lucros (ainda que por presunção) era pressuposto para a ocorrência do fato gerador. A partir da MP 2.158, a tributação passou a incidir não mais sobre os lucros disponibilizados (dividendos), mas sobre os lucros apurados no balanço. Muito embora tanto a legislação precedente como a MP nº 2.15835 usem a expressão “serão considerados disponibilizados”, na legislação anterior essa expressão tem a conotação de presunção legal, enquanto na nova legislação a conotação é de ficção legal. Essa é uma diferença relevante porque, enquanto as presunções se baseiam no que ordinariamente acontece, a ficção se baseia naquilo que se sabe, com certeza, não ter acontecido. A alteração trazida com a MP é claramente evidenciada pela regulamentação baixada com a IN 213/2002, que no § 7º do art. 1º dispõe: § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. Pela legislação anterior, os valores tributados eram os pagos ou creditados. Embora não se tratasse, necessariamente, de pagamento ou crédito efetivo, somente os valores já líquidos do imposto pago no país de origem ou de Fl. 638DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 42 42 qualquer outra destinação estatutária ou legal poderiam ser utilizados nas situações definidas na lei como caracterizadoras do pagamento ou crédito. Daí se poder concluir que o que se tributavam eram realmente os dividendos (distribuídos ou atribuídos). (...) Em se tratando de investimentos relevantes e influentes, obrigatoriamente avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com o que dispõe a Lei nº 6.404/76, nos inciso II e III do artigo 248, sobre o valor do investimento, após a correção para manter a expressão do valor monetário, deve ser aplicado o percentual de participação da investidora na coligada ou controlada. A diferença positiva entre o valor assim obtido e o custo de aquisição atualizado poderá ser decorrente de lucros obtidos pela coligada ou controlada ou de reavaliação de bens efetuada pela coligada ou controlada. Se decorrente de lucros apurados pela coligada ou controlada, deve ser computada como receita no resultado do exercício. Essa a norma contábil. Portanto, o resultado de equivalência patrimonial apenas atesta a apuração de lucros por meio de controladas ou coligadas. A norma fiscal (art. 23 do DL 1.598/77) determinava que esse resultado não seria computado na apuração do lucro real. Uma vez que contabilmente já havia influenciado o lucro líquido do exercício, seria excluído para apuração do lucro real. Aqui é importante fazer um parênteses, para analisar o alcance do § 6º o art. 25 da lei que instituiu a tributação universal (Lei nº 9.249/95). O § 6º do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, ao dispor que os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, ressalvou que isso seria sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º do mesmo artigo. A sistemática prevista na legislação vigente (DL 1.598/77) é exclusão do lucro líquido, para fins de lucro real, da receita de equivalência patrimonial. Se a investida é empresa situada no Brasil, por ocasião da distribuição os lucros não são tributados na investidora, porque já o foram na empresa investida. Entretanto, se a investida não é empresa domiciliada no Brasil, essa tributação deverá se dar na disponibilização dos lucros. Ou seja, o que o § 6º explicitou foi que, quando decorrentes de investimento no exterior, os resultados da equivalência patrimonial, que afetam o lucro contábil, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, ou seja, continuarão a ser excluídos para fins de apuração do lucro real, “sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º ”, ou seja, sem prejuízo da tributação quando da disponibilização. (...) Em síntese temse que antes da MP 2.15835/2001, os lucros obtidos por intermédio das controladas ou coligadas no exterior eram tributáveis quando do pagamento ou crédito (ainda que presumidos, conforme definido na legislação), caracterizandose a tributação como incidindo sobre dividendos. A partir da MP 2.15835/2001, a tributação passou a incidir não sobre dividendos, mas sobre os lucros brutos apurados. (Grifei) Fl. 639DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 43 43 Ainda quanto a essa matéria destaco os seguintes julgados deste Conselho, que corroboram o entendimento deste julgador, tanto em relação ao “emprego do valor” quanto da tributação do resultado com a controlada no exterior nos anos de 1996 e 1997: Acórdão 110200.059 de 29/09/2009 de 2009 DECADÊNCIA A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não na data do auferimento dos lucros pela empresa controlada. DISPONIBILIZAÇÃO EMPREGO DO VALOR A finalidade da norma contida no item 4 da alínea "b" do § 2°, da Lei n° 9.532, de 1997, foi de caracterizar como disponibilização qualquer forma de realização dos lucros que não estivesse compreendida nas demais situações previstas no parágrafo, entre elas a alienação do investimento mediante conferência para integralização de capital de outras empresas. Acórdão CSRF 910100.420 de 3/09/2009 (decisão unânime) IRPJ. EMPREGO DE LUCROS DE CONTROLADA NO EXTERIOR. Conforme Lei n. 9532/97, os lucros auferidos por controlada no exterior serão considerados disponibilizados para sua controladora no Brasil quando ocorrer, dentre outras hipóteses previstas, o emprego do valor dos lucros em favor da contribuinte. Se a contribuinte opta por atribuir, às quotas que detinha na controlada estrangeira, o valor patrimonial destas, que inclui os valores de seus lucros acumulados, isto para fins de transferência de aludidas quotas como integralização de quotas em nova sociedade no Brasil, ocorre o emprego do valor dos lucros em favor da contribuinte. Na medida em que as quotas são integralizadas pelo valor patrimonial da controlada no exterior, os lucros acumulados desta já passam a produzir efeitos jurídicos e econômicos definitivos em favor da contribuinte, com reflexos na apuração de eventual ganho de capital ou perdas no novo investimento. (Grifei) Acórdão 120200.118 de 27/10/2009 (decisão unânime) DECADÊNCIA. DIES A QUO. LUCRO DISPONIBILIZADO POR EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. A fixação do termo inicial da contagem do prazo decadencial, na hipótese de lançamento sobre lucros disponibilizados por empresa controlada sediada no exterior, deve levar em consideração a data em que se considera ocorrida a disponibilização, e não na data do auferimento dos lucros pela empresa controlada. REDUÇÃO DE CAPITAL. LUCRO NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. EMPREGO. A expressão "o emprego do valor, em favor da beneficiária." contida no artigo 1O., § 2°, "b", item 4, da Lei n° 9.532/97, abrange os casos em que o emprego do valor foi feito pela própria beneficiária. A redução de capital da empresa controladora no país, com entrega aos seus sócios, pessoas físicas, da totalidade das ações representativas do capital investido na sociedade controlada, situada no exterior, caracteriza hipótese de emprego dos lucros acumulados na controlada em favor da controladora sujeita à incidência de IRPJ. Acórdão 10516.118 de 8/11/2007 (decisão unânime) LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR DISPONIBILIZAÇÃO LEGISLAÇÃO ANTERIOR Consoante o disposto no art. 1° da Lei n° 9.532 de 1997, para efeito de disponibilização de lucros de coligada/controlada sob a forma de pagamento, Fl. 640DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16327.001077/200658 Acórdão n.º 140200.493 S1C4T2 Fl. 44 44 considerase como tal o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça. No caso vertente, o emprego está caracterizado pela utilização da participação societária na empresa estrangeira que auferiu os lucros, para aporte de capital em outra. Portanto, em 12/01/2001, data em que a GeoglenSAP transferiu sua participação na Andree Overseas à PSCIR/RJ, configurouse a hipótese de incidência do IRPJ e CSLL sobre sua parcela dos lucros auferidos pela aludida controlado no exterior nos anos de 1996 a 2000, que corretamente foi objeto do auto de infração. Logo, a exigência fiscal deve mesmo ser mantida nessa parte. VI. CONCLUSÃO Isso posto, oriento meu voto no sentido de: 1) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de decadência, inclusive quanto a tributação dos lucros produzidos no exterior, nos anos de 1996 e 1997, disponibilizados após a vigência do art. 1º. da Lei 9.532/1997; 2) manter a incidência da CSLL sobre os lucros produzidos até 30/09/1999, disponibilizados após a vigência do art. 19 da MP nº. 1.8586/99, confirmar a tributação dos lucros auferidos junto à controlada no exterior, haja vista a ocorrência de “emprego do valor” ocorrido em 12/01/2001, em face da alienação da participação na aludida controlada; 3) determinar que os lucros auferidos no exterior sejam convertidos em reais pela taxa de câmbio para venda do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os referidos lucros, acolhendo o recurso da contribuinte tão somente quanto a essa matéria.. (assinado digitalmente) Antonio José Praga de Souza Fl. 641DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 16/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 13984.000634/00-70
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1994
DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. Por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, impõe-se a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplica-se o prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Comprovada a existência de pagamento antecipado no caso dos autos, observa-se o prazo de decadência previsto no art. 150 do CTN.
Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Negado.
Numero da decisão: 9900-000.271
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior. Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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AUTO DE INFRAÇÃO IRPF Recorrente PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Recorrida CLOVIS STEFEN DE ALBUQUERQUE ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1994 DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Comprovada a existência de pagamento antecipado no caso dos autos, observase o prazo de decadência previsto no art. 150 do CTN. Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 06 34 /0 0- 70 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/ 04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13984.000634/0070 Acórdão n.º 9900000.271 CSRFPL Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Júnior. Maria Teresa Martinez Lopez, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Fabiola Cassiano Keramidas. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/ 04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13984.000634/0070 Acórdão n.º 9900000.271 CSRFPL Fl. 4 3 Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, irresignada com o decidido no Acórdão CSRF/930400.008, proferido na sessão da CSRF de 2/03/2009, apresentou recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fulcro no artigo 9°. do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da aludida decisão. O recurso está sendo processado em observância ao art. 4°. da Portaria MF 256/2009, que aprovou o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e assim dispõe (redação dada pela Portaria MF 446/2009): “Art. 4º os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do regimento interno da câmara superior de recursos fiscais, aprovado pela portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do anexo ii desta portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele regimento. (NR)” A matéria recorrida referese à forma de contagem de prazo decadencial (termo de início), sendo que o acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa: IRPF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4" DO CTN. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.. A Recorrente pleiteia que o prazo decadencial seja sempre contado na forma do artigo 173, inciso I do CTN, conforme já decidido pela própria Câmara Superior no acórdão CSRF/0103.125 de 4/12/2000. O recurso foi admitido conforme despacho do então presidente da CSRF às fls.155, sendo que o contribuinte foi regularmente intimado a apresentar contrarrazões. É o que importa relatar. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/ 04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13984.000634/0070 Acórdão n.º 9900000.271 CSRFPL Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva, Relator. O recurso extraordinário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. De início cumpre lembrar que o escopo do Recurso Extraordinário (REX) ao Pleno da CSRF era dirimir divergências jurisprudencial no âmbito das turmas da própria CSRF, que deve ser comprovada pelo recorrente mediante apresentação de julgado de outra turma superior com decisão dispare. Logo, não se trata de mais uma instância administrativa, pelo descabe a apreciação de quaisquer outras matérias anteriormente tratadas no litígio, que não aquelas que ensejou o seguimento do REX. No presente caso, a matéria admitida referese à forma de contagem e o termo de inicio do prazo decadencial nos tributos lançados por homologação. Este Conselho tinha entendimento pacificado no sentido de que nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da realização (ou não) de pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte. Vejase, a título ilustrativo, ementa de v. acórdão proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: “ACÓRDÃO 910100.619 Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF 1a. Turma da 1a. Câmara. Matéria DECADÊNCIA DECADÊNCIA. O prazo decadencial deve ser computado a teor do previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, pois o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento do tributo.” (Processo no 10875.005130/200354, Sessão de 05 de julho de 2010;Recorrente FAZENDA NACIONAL, Interessado VALTRA DO BRASIL LTDA.) Contudo, em 21/12/2010, foi editada a Portaria n. 586/2010, pela qual foi alterado o regimento interno desta Corte Administrativa para, entre outras providências, determinar que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (RI/CARF, art. 62A). Em vista de referida regra regimental, impõese a observância in casu do entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, o qual estabelece que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado somente nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação. Verbis: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/ 04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13984.000634/0070 Acórdão n.º 9900000.271 CSRFPL Fl. 6 5 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC (2007/01769940), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 12/08/2009, DJe 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184). Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/ 04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 13984.000634/0070 Acórdão n.º 9900000.271 CSRFPL Fl. 7 6 No que interessa ao presente julgamento, o acórdão acima, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, pacificou o seguinte entendimento, verbis: (i) o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito; e No caso, há prova do recolhimento antecipado do IRPF, mediante retenção na fonte, fls. 6 e 20, relativo ao anocalendário correspondente à autuação (1994), sendo que o auto de infração foi lavrado e cientificado apenas no transcurso do ano de 2000. Portanto, consideradas (i) as disposições Regimentais do CARF; (ii) a data de ocorrência do fato gerador do tributo; (iii) a data de ciência do lançamento; e (iv) a existência de recolhimento antecipado do tributo, impõese o reconhecimento da decadência em observância ao art. 150, § 4º do CTN. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/ 04/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 12268.000166/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/2005
SALÁRIOEDUCAÇÃO.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS MÍNIMOS ESTABELECIDOS PELA LEI Nº 10.101/2000. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE
NORMA.
O Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão definitiva no sentido de que é constitucional a cobrança da contribuição ao salário educação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei nº 9424/96." (Súmula 732 do STF).
O fisco deixou de provar que os valores informados ao FNDE como ajuda de custo e participação nos lucros ou resultados da empresa na verdade correspondem à verbas de natureza salarial.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2003, anteriores a 03/2003, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/2005 SALÁRIOEDUCAÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS MÍNIMOS ESTABELECIDOS PELA LEI Nº 10.101/2000. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. O Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão definitiva no sentido de que é constitucional a cobrança da contribuição ao salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei nº 9424/96." (Súmula 732 do STF). O fisco deixou de provar que os valores informados ao FNDE como ajuda de custo e participação nos lucros ou resultados da empresa na verdade correspondem à verbas de natureza salarial. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2003, anteriores a 03/2003, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela STATOMAT MÁQUINAS ESPECIAIS LTDA., em face de Acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Porto Alegre (DRJPOA), que julgou procedente em parte o auto de lançamento (NFLD). 2. De acordo com o relatório fiscal cuidase de lançamento da retenção das contribuições sociais para o Salário Educação, referentes a rubricas de Ajuda de Custo e Participação nos Lucros, relativo às competências de 07/1998 a 12/1998, 02/1999 a 11/1999, 01/2000 a 05/2000, 07/2000 a 10/2003, 12/2003 a 02/2004, 04/2004 a 07/2005 (ff. 41 a 44). 3. A DRJ/POA julgou a impugnação apresentada (ff. 53 a 74), cuja ementa do acórdão de primeira instância do contencioso administrativo fiscal restou lavrada nos termos que abaixo se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/07/2005 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD no 37.146.9635 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12268.000166/200830 Acórdão n.º 2301002.524 S2C3T1 Fl. 262 3 1. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade de dispositivos legais são vinculadas para a Administração Pública. 2. DECADÊNCIA. As contribuições para terceiros estão sujeitas aos prazos decadenciais estabelecidos no Código Tributário Nacional. Decadência configurada. 3. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o salário decontribuição a totalidade da remuneração auferida no mês pelo segurado empregado, excetuandose, exclusivamente, as importâncias previstas no parágrafo 9° do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97. 4 ( ONUS DA PROVA. A empresa tem o ônus da prova em relação ao que alega. 5. MULTA E JUROS DE MORA. A inclusão de contribuições, previdenciárias e para terceiros, em NFLD da ensejo a incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic e multa de mora, ambos de caráter irrelevavel. 6. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTO. É de nenhum efeito o protesto genericamente formulado no tocante a produção de provas e, não comprovadas quaisquer das hipóteses para concessão de novo prazo para apresentação de documentos, descabe fazêla em momento diferente da impugnação. Lançamento Procedente em Parte” (f. 208). 5. Ante a prolação do Acórdão supracitado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário (ff. 230 a 247), alegando, em síntese: a) a decadência do crédito tributário com base no art. 150, § 4º, do CTN; b) a inexigibilidade da “contribuição ao salário educação sobre despesas com educação e treinamento de empregados, as quais não podem ser consideradas como salário in natura” (f. 235); c) o lançamento também seria indevido, vez que não há incidência do salário educação sobre a distribuição da participação nos lucros feita em conformidade com a legislação, ante a ausência do caráter salarial da verba; d) sustenta que há demonstrado o caráter confiscatório da penalidade aplicada; e e) por fim, batalha pela inaplicabilidade da taxa Selic sobre o débito levantado pelo fisco. 6. Após a interposição do recurso, houve a sua desistência parcial para fins de parcelamento, nos termos da Lei n. 11.941/2009 (ff. 251 e 252). 7. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço em parte do recurso, de acordo com a decisão de admissibilidade de f. 260, uma vez que houve a sua desistência parcial para fins de parcelamento (Lei n. 11.941/2009; ff. 251 e 252). DA DECADÊNCIA 2. Tendo em vista o período de apuração da exação objeto do presente recurso, se faz necessária a verificação da matéria nos termos do Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” Fl. 267DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12268.000166/200830 Acórdão n.º 2301002.524 S2C3T1 Fl. 263 5 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional (CTN), se aplica ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência do crédito tributário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está consolidada no seguinte sentido: “[...] 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “[...] 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 8. Compulsando os autos, não se verifica prova do recolhimento parcial do tributo. Dessa forma, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173 do CTN. 9. Acertada, assim, o acórdão recorrido da DRJ. Passo, portanto, a examinar as demais questões recursais. DO MÉRITO 10. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que: "É constitucional a cobrança da contribuição ao salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei nº 9424/96." (Súmula 732 do STF). Porém, como é cediço, a incidência de contribuição previdenciária sobre as bolsas de estudo concedidas pela empresa no caso ajuda de custo para estudo onera duas vezes aqueles contribuintes que já recolhem contribuição parafiscal do salárioeducação (art. 212, par. 5º CF/88 c/c DL 1422/75), cuja destinação é justamente a manutenção e desenvolvimento de ensino no país, de maneira que. 11. O Decreto 6.003/2006 (que revogou o Decreto 3.142/99), regulamentando o art. 15, da Lei 9.424/96, definiu o contribuinte do salárioeducação com foco no fim social desse instituto jurídico, para alcançar toda pessoa jurídica que, desenvolvendo atividade econômica, e, por conseguinte, tendo folha de salários ou remuneração, a qualquer título, seja vinculada ao Regime Geral de Previdência Social, verbis: "Art. 2o São contribuintes do salárioeducação as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social, entendendose como tais, para fins desta incidência, qualquer firma individual ou sociedade que assuma o risco de atividade econômica, urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem assim a sociedade de economia mista, a empresa pública e demais sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público, nos termos do art. 173, § 2o, da Constituição." 12. A base de cálculo do salárioeducação é o saláriodecontribuição, conforme prevê o art. 1º, caput e § 5º, do DL 1.422/75. Nesse sentido, já reconheceu o Superior Tribunal de Justiça: "A legislação do salárioeducação inclui em sua sujeição passiva todas as entidades (privadas ou públicas, ainda que sem fins lucrativos ou beneficentes) que admitam trabalhadores como empregados ou que simplesmente sejam vinculadas à Previdência Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12268.000166/200830 Acórdão n.º 2301002.524 S2C3T1 Fl. 264 7 Social, ainda que não se classifiquem como empresas em sentido estrito (comercial, industrial, agropecuária ou de serviços). A exação é calculada sobre a folha do salário de contribuição (art. 1º, caput e § 5º, do DL 1.422/75)." (Grifamos) (REsp 272.671/ES, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/02/2008, DJe 04/03/2009, REPDJe 25/08/2009) 13. Dessa forma, devese perquirir se as rubricas apontadas pela fiscalização correspondem à base de cálculo do salárioeducação (saláriodecontribuição) e, portanto, estariam sujeitas à tributação. 14. O recorrente alega a inexigibilidade do salário educação sobre despesas intituladas de “ajuda de custo” que, na verdade tratam de gastos com educação e treinamento de empregados. Nesse sentido, esclarece na peça de impugnação ao lançamento fiscal: “3.2 Temse, primeiramente, que a ajuda de custo objeto de parte do presente lançamento referese a pagamento de despesas com educação e treinamento dos funcionários da lmpugnante e que têm, por objetivo, não só o crescimento e o aprimoramento pessoal dos seus colaboradores, mas também o desenvolvimento da empresa. É que a lmpugnante produz máquinas especiais para indústrias de motores localizadas em diversos países. Tem relacionamento com empresas estrangeiras, tanto no que se refere a importações de partes e peças, quanto no tocante à exportação de seus produtos. Assim, necessita de técnicos extremamente capacitados para o atendimento do mercado internacional em que atua. Desta forma, para a ora lmpugnante, as despesas com educação não integram o salário do funcionário. É, sim, um investimento ao qual a ora lmpugnante está obrigada para manterse no mercado. 3.3 Temse, pois, como verdadeiro absurdo a exigência da contribuição ao salário educação sobre despesas com educação e treinamento de empregados, as quais não podem ser consideradas como salário in natura” (ff. 61 e 62) 15. O fisco deixou de provar que os valores informados ao FNDE como “ajuda de custo” na verdade correspondem à verbas de natureza salarial. O relatório fiscal (f. 44) foi raso a fazer menção às informações prestadas de ff. 45, 46 e 47. 16. Como se extrai do relatório da notificação fiscal de lançamento do débito, não foram especificadas a eventual natureza salarial da rubrica (ff. 41 a 44). A fiscalização se limitou a dizer que: “5. Do objeto do lançamento 5.1. Quando da fiscalização da empresa, foi levantado débitos referentes as rubricas de Ajuda de Custo e Participação nos Lucros, encaminhado ao FNDE, na forma de Informação Fiscal. 5.2. O FNDE, tendo verificado irregularidade no recolhimento do salário educação, formalizou representação administrativa a RFB, acompanhada de elementos de convicção” (f. 44) Fl. 270DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 17. Com efeito, a desconstituição dos atos empresariais para se configurar a natureza salarial da parcela – pressuposto de incidência da contribuição – depende da verificação de seus elementos ensejadores. 18. Quanto à incidência do salário educação sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados, sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), resta saber se, no caso concreto, os valores pagos pelo empregador a título de PLR tem natureza salarial ou não. 19. A Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” 20. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 21. Ocorre que a autoridade fiscal, assim como na parcela relativa aos gastos com educação e treinamento de empregados, deixou de fundamentar, no auto do lançamento fiscal a natureza da rubrica (ff. 41 a 44). 22. Levando em consideração que, em nenhum momento a autuação fiscal logrou êxito em provar a natureza remuneratória da rubrica, devese reconhecer a improcedência do lançamento. 23. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142, seja ela principal ou acessória. 24. Cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Nesse sentido, segue o dispositivo citado: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12268.000166/200830 Acórdão n.º 2301002.524 S2C3T1 Fl. 265 9 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; [...] § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito.” 25. Celso Antônio Bandeira de Mello, em sua obra intitulada ‘Curso de Direito Administrativo’ (2000, p. 433), traz argumentos de enorme valia acerca do princípio da motivação e sua aplicação, notadamente as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto, in verbis: “Princípio da motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciandose, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto. Ainda aqui se protegem os interesses do administrado, seja por convencêlo do acerto da providência tomada – o que é o mais rudimentar dever de uma Administração democrática , seja por deixar estampadas as razões do decidido, ensejando sua revisão judicial, se inconvincentes, desarrazoadas ou injurídicas. Aliás, confrontada com a obrigação de motivar corretamente, a Administração terá de coibirse em adotar providências (que de outra sorte poderia tomar) incapazes de serem devidamente justificadas, justamente por não coincidirem com o interesse público que está obrigada a buscar.” [g.n.] 26. Nessa esteira, registrase a importância de uma clara descrição dos fatos, como elemento motivador do lançamento fiscal, conforme nos relata em lapidar lição Leliana Pontes Vieira, em sua obra ‘Contencioso e Processo Fiscal’ (1996, p. 40), colacionamos: “c) Descrição dos fatos esta descrição deve ser bastante clara, de modo a permitir, de um lado, que o acusado, conhecendo o fato ilícito que lhe é imputado possa exercer o seu direito constitucional de ampla defesa. E, de outro, para que o julgador Fl. 272DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 nela encontre, conjugandoa com os demais elementos do processo, o necessário suporte para formar sua convicção.” 27. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. É cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 28. Sobre o ônus da prova, convém destacar importante contribuição do jurista Paulo Celso Bergstrom Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário”: “O vocábulo ônus provém do latim (onus) e conserva o significado de fardo, carga, peso ou imposição. Nessa acepção, o ônus de provar (onus probandi) consiste na necessidade de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento da autoridade julgadora. Bem de ver que a ideia de ônus da prova não significa a de obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar. Tratase de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível obter êxito na causa. São sujeitos da prova, assim, tanto o contribuinte quanto a Fazenda, com o intuito de convencer a autoridade julgadora da veracidade dos fundamentos de suas opostas pretensões. Esse direito de prova dos titulares da relação processual convive com o poder atribuído às autoridades (preparadora e julgadora) de complementar a prova.” 29. No caso sob exame, resta evidente que o lançamento carece de embasamento fático e jurídico para a sua constituição, vez que ausente a motivação necessária para fundamentar a lavratura do auto. Ante a inexistência de provas e a demonstração pormenorizada do pressuposto de incidência por parte do auditorfiscal temse por insubsistente a desconstituição do auxilio prestado pela recorrente. 30. Assim, podese concluir que os argumentos trazidos aos autos, é imperioso o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida e desconstituir o débito lançado CONCLUSÃO 31. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 273DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12268.000166/200830 Acórdão n.º 2301002.524 S2C3T1 Fl. 266 11 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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