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Numero do processo: 10980.724000/2015-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 19/10/2009
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-005.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente BRUNO LACOMBE MIRAGLIA Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 19/10/2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 40 00 /2 01 5- 51 Fl. 2072DF CARF MF 2 Trata o presente processo de auto de infração AI de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, às efls. 1358 a 1366, cientificado ao contribuinte em 13/12/2011 (efls. 1400). O procedimento fiscal em apreço, originariamente, estava formado no processo nº 10980.726419/201113. Após admissão do recurso especial de divergência do contribuinte, a partir de 17/11/2015, passou a tramitar sob o presente número, conforme informação da equipe de cobrança da DRF em Curitiba, à efl. 02. O lançamento visou à constituição de créditos em face de: (i) omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, com fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008; (ii) omissão de valores recebidos de terceiros e de créditos cedidos por pessoas físicas e jurídicas, com fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008; e (iii) glosa de rendimentos declarados como isentos por distribuição de lucros, reclassificados para rendimentos tributáveis com fato gerador em 31/12/2008. Tais infrações se encontram detalhadas no termo de encerramento de ação fiscal às efls. 1436 a 1391. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 41.439.997,82, já calculado com multa de ofício e juros de mora até 30/11/2011. O auto de infração foi impugnado, às efls. 1404 a 1443, em 12/01/2012. Havendo o encaminhamento da impugnação à DRJ/CTA, essa Delegacia solicitou diligência (efl. 1699) à DRF em Curitiba a fim de que fossem juntados alguns demonstrativos e mais uma planilha que deveriam acompanhar o processo e nele não se encontravam, com a devida comprovação de que o contribuinte os haveria igualmente recebido. Atendendo a solicitação, a DRF de origem entregou relatório de diligência (efls. 1714 a 1716), apresentando os documentos e informou que o contribuinte deles tivera ciência oportunamente. Esse relatório foi cientificado ao contribuinte que sobre ele se manifestou, às efls. 1724 a 1728. A 5ª Turma da DRJ/CTA, no acórdão nº 0638.412, prolatado em 12/11/2012, às efls. 1731 a 1763, considerou procedente em parte a impugnação, afastando alguns valores de depósitos bancários que considerou nela comprovados, mantendo, também em parte, o crédito tributário exigido. Inconformado, em 21/12/2012, o contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 1769 a 1818, cujo resumo dos argumentos abaixo expostos se extrai do relatório do acórdão do recurso voluntário que a seguir se abordará: Preliminarmente da nulidade do auto de infração pela violação do princípio do contraditório e da ampla defesa; Ocorre que a autoridade recorrida não demonstrou, muito menos comprovou a existência de créditos, tendo se limitados a afirmar que tal cessão não foi objeto de fiscalização e que o Recorrente poderia se defender na impugnação; Que a autoridade simplesmente constituiu o crédito tributário sem nenhum embasamento legal e documental; Que a autoridade fiscal fiscalizou a pessoa jurídica da Tibagi Engenharia e Construções Ltda e apurando supostas irregularidades fiscais naquela empresa, imputou as infrações a pessoa física do recorrente; Do crédito cedido pela Tibagi Engenharia Construção e Mineração Ltda, no valor de R$. 22.360.722,06, que teria Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 10980.724000/201551 Acórdão n.º 9202005.629 CSRFT2 Fl. 1.441 3 origem em contratos mútuos firmados com a Tibagi Desenvolvimento e Participações Ltda. Não tendo transferidos os seus créditos de forma gratuita tal como entende a fiscalização; Do crédito cedido pela Sra. Lineia Maria Steinthaler no valor de R$.240.753,21. Situação na qual embora o recorrente tenha passado a ser credor da Sra Linéia este passou a ser devedor da TE no exato momento, em decorrência do contrato de mútuo; Do crédito cedido pela Tibagi Engenharia Construção e Mineração Ltda no valor de R$ 12 milhões, que teria origem em contrato de mútuo; Da distribuição do lucros no valor de R$ 23.597.100,00, que a autoridade fiscal pretendeu afastar a natureza de rendimentos isentos recebidos pelo recorrente, alegando que os mesmos tratam de lucros e dividendos, pois, supostamente, a TD não teria apurado lucros a distribuir em 2008; No entendimento da fiscalização, devido a um suposto equivoco contábil cometido pela TD, relativo as escrituração da operação de cessão de credito de R$ 45 milhões para a TE em 2006, uma vez que o valor da cessão deveria ter sido baixado para contas de resultados, e não permanecido no ativo realizável a longo prazo. Partindo desse fato a autoridade reapurou simplificadamente o lucro e prejuízos acumulados; Indica que os referidos pagamentos que não foram entendidos como distribuição de lucros, deveriam ser tratados como pagamentos sem causa tributados exclusivamente na fonte; (...) No que se refere aos outros rendimentos lançados no auto de infração, os mesmo não foram questionados ao recorrente no processo de fiscalização, entretanto os recorrente apresentou para o mesmo toda a documentação que respalda o lançamento. (...) Dos valores lançados como depósitos de origem não comprovada, aponta que não pode utilizar como prova extratos bancários obtidos sem autorização judicial; Como resultado da fiscalização, a qual teve por base exatamente a mesma situação fática e jurídica tratada nos presente auto, a Receita Federal do Brasil concluiu pela existência e validade dos contratos de mútuo – nem poderia ser diferente em face da TE para a exigência do IOF. Entretanto ao apreciar as operações de mútuo realizadas pela TE, a RFB já conclui pela sua existência. Questiona que em um momento considera e em outro não considera; Da impossibilidade de autuação baseada em depósitos bancários. Alega a autoridade fiscal que os contratos de mútuo seriam irregulares, pois ao TE não teria informados os números dos Fl. 2074DF CARF MF 4 contratos de mútuo nos registros contábeis, muito embora os contratos estivessem devidamente numerados; Da inexistência de dolo, fraude ou simulação que justifique a qualificação da multa; Da não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Destaques do original.) O recurso voluntário foi apreciado, em 13/05/2014, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 2202002.650, às e fls. 1881 a 1913, que tem a seguinte ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E/OU FÍSICAS DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS Incluise como rendimentos tributáveis, proveniente do trabalho sem vínculo empregatício, os valores recebidos de pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, não declarados espontaneamente pelo contribuinte, e detectados de ofício pela autoridade lançadora cuja origem não for justificada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, se tratarem de rendimentos já tributados, isentos, ou não tributáveis. Assim, são tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa jurídica cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 10980.724000/201551 Acórdão n.º 9202005.629 CSRFT2 Fl. 1.442 5 LUCROS DISTRIBUÍDOS. DISTRIBUIÇÃO EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO.ISENÇÃO.CONDIÇÕES. Somente pode ser distribuído, com isenção do imposto de renda, valor maior que o lucro presumido do período quando se comprovar que o lucro contábil excedeu o presumido, mediante levantamento dos demonstrativos contábeis com observância da legislaçãocomercial. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). Recurso voluntário provido em parte O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior que acolhiam a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. NO MÉRITO QUANTO AO ITEM 1 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 378.718,59 e R$ 785.747,73, relativos aos anos calendários 2007 e 2008, respectivamente, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindoa do percentual de 150% para 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que provia em menor extensão, mantendo a qualificação da multa de ofício. QUANTO AO ITEM 2 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt que proviam nesta parte. QUANTO AO ITEM 3 DO AUTO DO INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt que proviam parcialmente o recurso para excluir das omissões apuradas o valor de R$ 22.600.772,06 e R$ 12.000.000,00, relativos aos anos calendários 2006 e 2008, respectivamente. QUANTO AO JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt que proviam nesta parte.Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Frederico Min Stern, OAB/PA 394.404. Embargos do contribuinte Intimado do acórdão e dos débitos dele resultante (Intimação nº 635/2014, às efls. 1922 a 1924, em 15/07/2014 (efl. 1925), o contribuinte apresentou, em 21/07/2014, os embargos de declaração de efls. 1927 a 1932, rejeitados conforme o despacho em embargos Fl. 2076DF CARF MF 6 do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, às efls. 1939 a 1942, datado de 05/02/2015. Recurso especial do contribuinte Por meio da Intimação nº 205/2015 (efl. 1950), o contribuinte foi cientificado do despacho que não admitiu os embargos, em 13/03/2015 (efl. 1955), e interpôs recurso especial de divergência, às efls. 1959 a 1990, no qual, em suma, pretende demonstrar divergência quanto a cinco matérias: i) nulidade do acórdão recorrido em face de omissões na apreciação de fundamentos do contribuinte em seu recurso voluntário, baseado em acórdãos paradigmas de nº 2202002.875, nº 2301004.244, nº 2402004.494 e nº 1301001.386, apresentados nessa ordem; ii) não admissão, pelo recorrido, da nulidade do auto de infração com violação dos princípios do contraditório e ampla defesa, por não estar claramente apresentada ao contribuinte o demonstrativo das receitas omitidas, com base no paradigma nº 1302001.531; iii) nulidade do auto de infração por erro na eleição do sujeito passivo, pois a inexistência de lucros a serem distribuídos resultaria em pagamento sem causa a ser tributado exclusivamente na fonte, utilizando o paradigma nº 9202002.987; iv) nulidade do lançamento com base em depósitos bancários, sem a devida autorização judicial, por utilização de prova ilícita, com base nos acórdão divergente nº 0105.763; e v) incidência de juros de mora sobre as multas de ofício, que, em situação semelhante, não foi admitida pelos acórdãos paradigmas nº 910100.722 e nº 9202002.600. Por fim, pleiteia a admissão de seu recurso especial de divergência para que se declare a nulidade do recorrido, determinandose novo julgamento ou alternativamente para que seja o acórdão recorrido reformado para que se conheça das nulidades do auto de infração no tocante aos itens i), ii) e iii), acima citados e, caso nada disso seja acatado, que se afaste a a incidência dos juros moratórios conforme disposto na divergência v). O recurso especial interposto pela contribuinte foi apreciado pela Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, por meio do despacho de efls. 2045 a 2056, em 31/07/2015. Nele foi dado seguimento ao recurso para que seja rediscutida apenas a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, item v). O item i) não foi aceito, pois o primeiro paradigma informado foi prolatado pelo mesmo colegiado do recorrido e o segundo não demonstrava ser sobre situação fática semelhante e dizer respeito à reavaliação de provas; os demais não foram considerados pelas limitações regimentais (§ 7º, do art. 67, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e §§ 4º e 5º, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009). No item ii) também se encontrou situação fática diversa, pois o recorrido contém todos os elementos suficientes para sua defesa Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 10980.724000/201551 Acórdão n.º 9202005.629 CSRFT2 Fl. 1.443 7 Também, em relação ao item iii), não se estabeleceu divergência, porque a eleição do sujeito passivo tinha base fática distinta entre paradigma e recorrido, neste a ausência de lucros a serem distribuídos implicou a tributação junto à pessoa física que declarou tais recebimentos como isentos, naquele, houve extinção da empresa incorporada previamente ao lançamento. Uma vez mais, para o item iv) não ficou demonstrada a divergência, pois no recorrido houve intimação para o contribuinte apresentar as suas movimentações financeiras enquanto no paradigma tal intimação foi diretamente às instituições financeiras, sem observar todos os requisitos normativos para tal. Por fim, foi constada a divergência para o item v), levando ao conhecimento do recurso nessa matéria. Houve reexame do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, na mesma data, às efls. 2057 e 2058, com a manutenção das conclusões daquele despacho. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência do recurso especial da contribuinte e do despacho de admissibilidade do recurso especial, em 20/11/2015 (efl. 2062), apresentando contrarrazões em 04/12/2015, às efls. 2063 a 2070. Argumenta, em síntese, que o crédito tributário não pago no vencimento está sujeito a juros de mora, à luz do art. 161 da Lei nº 5.172/1966 CTN. Além disso, também com base no mesmo Código, a inobservância da obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária e o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Esses dispositivos de lei complementar, inclusive à luz de interpretações judiciais e doutrinárias, levariam ao entendimento de que há correta aplicação de juros de mora sobre as penalidades de ofício. Encerra, pedindo pela denegação de provimento ao recurso especial interposto para manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conhecido o Recurso, passo a seu mérito, relativamente à matéria para a qual lhe foi dado seguimento (ou seja, sobre juros de mora incidentes sobre a multa de ofício). Quanto ao art. 61, § 3º. da Lei nº 9.430, de 1996, utilizado pela autoridade lançadora para fins de caracterização da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, Fl. 2078DF CARF MF 8 entendo assistir razão à Fazenda quanto à interpretação do mesmo abranger, à luz do caput do mesmo, não só o valor dos tributos em si, mas também a multa de ofício, visto que: (a) decorre, sim, a referida multa de ofício dos referidos tributos ou contribuições quando lançados pela autoridade tributária e, ainda, (b) a multa de ofício integra, ainda, a obrigação tributária principal, com fulcro no art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional, bem como o conceito de crédito tributário, cabível assim a incidência de juros de mora sobre seu valor, com fulcro no art. 161 do CTN. Acerca desta última consideração, entendo decorrer tal abrangência da multa de ofício no conceito de crédito tributário diretamente do disposto nos arts. 142 e 161 do CTN, na forma brilhantemente disposta no voto de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão 9202002.600, o qual adoto aqui como razões de decidir, in verbis: “(...) Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possuir natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa,como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento e manter o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 10980.724000/201551 Acórdão n.º 9202005.629 CSRFT2 Fl. 1.444 9 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2080DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001350/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 - DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.255
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.121.2103, tem por objeto as contribuições patronais decorrentes de pagamentos a segurados que prestaram serviços na condição de membros da Administração (Diretoria e Conselho de Administração) a título de participações nos lucros, porém Estatutárias, aos administradores, segurados contribuintes individuais nas competências 04/2004, 04/2005 e 04/2006. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 20 a 28, na auditoria fiscal realizada, foi constatado o pagamento de remuneração aos diretores não empregados a titulo de "participação nos lucros" nos termos do art. 152, § 1 0, da Lei n° 6.404/76. Descreve de forma detalhada, o auditor, todos os fundamentos jurídicos relacionandoos com a situação fática encontrada na empresa. Vejamos trechos do relatório: Segundo ele , com base no dispositivo acima (art. 28, III da Lei 8212/91, seria um pressuposto falso afirmar que existe uma lei especifica regulamentando a participação nos lucros ou resultados para cada categoria de segurado, excluindo ambas as categorias da contribuição previdenciária , ou seja:Quando a participação nos lucros ou resultados é paga a diretores estatutários, aplicase a Lei n° 6.404/76; Quando a participação nos lucros ou resultados é paga a empregados, aplicase a Lei n° 10.101/00. Destaca que a lei especifica que trata da participação nos lucros ou resultados da empresa, que prevê a isenção previdenciária, é apenas a Lei n° 10.101/00. Essa norma legal teve a sua origem na MP 794, de 29/12/94, e sucessivas reedições, regulamentando a CF (art. 7°, inciso XI), a Lei n° 8.212/91 (art. 28, § 9 0, alínea j) e o Decreto n° 3.048/99 (art.214, § 9°, inciso X). A MP n° 794/94, convertida na Lei n° 10.101/00, desvinculou da remuneração, não integrando o salário de contribuição, a participação nos lucros ou resultados recebida somente pelos segurados empregados. Sendo assim, sobre a participação paga a diretores não empregados (segurado contribuinte individual) incide contribuição previdenciária. A Lei n° 6.404/76, em seu art. 152, § 1°, apenas estabelece os parâmetros para que a empresa, facultativamente, efetue o pagamento da referida verba aos administradores. A seguir explicitaremos esse posicionamento. Pela leitura dos direitos dos trabalhadores que estão listados no art. 7°, notamos que os mesmos pertencem somente aos segurados empregados, pois o segurado contribuinte individual, por exemplo, não possui os direitos dos incisos citados acima. Logo, o constituinte, ao utilizar o termo "trabalhadores", no caput do art. 7°, referiuse A espécie empregado. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 O art. 218, § 4°, ratifica esse entendimento, especialmente em relação A participação nos lucros ou resultados, deixando claro que o constituinte, no art. 7°, ao falar em trabalhador, referiuse a espécie empregado: "Art.218 § 40 A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao Pais, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho." Ainda segundo a autoridade fiscal esses dispositivos (art. 28, § 9°, j da Lei 8212/91 e 214, § 9° Decreto 3048/99), reproduzem a previsão constitucional de que a participação nos lucros ou resultados da empresa é desvinculada de caráter remuneratório, desde que paga na forma da lei especifica que vier a regulamentála. E mais, o disposto no Decreto ratifica o entendimento do constituinte de que os direitos sociais previstos no art. 7° destinamse aos trabalhadores empregados. Através do art. 145, notamos que a Lei 6.404/76 trata os conselheiros e os diretores como administradores: "Art.145 As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicamse a conselheiros e diretores." De acordo com o art.146, os administradores poderão ser acionistas ou não: "Art.146 Poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no Pais, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei 10.194/01)". O art. 152 da lei 6404 apenas faculta a Companhia que estabelecer em seu estatuto dividendo obrigatório de no mínimo 25% do lucro liquido e o atribuir aos acionistas pagar participação nos lucros aos administradores, desde que observado o limite. Não desvincula da remuneração tal verba e não cita que sobre ela não haverá incidência de contribuição previdenciária, pois não é o diploma legal que regulamentou a CF/88 e a Lei n° 8.212/91. Utilizandose dessa faculdade a empresa pagou participação nos lucros diretores não empregados, denominados administradores pela Lei das S/A. Não se pode confundir participação nos lucros com dividendos, tendo em vista que os administradores da S/A podem ser acionistas ou não. Sendo acionista, além dos dividendos que todo empresário tem direito, poderá receber participação nos lucros em função do seu desempenho na gestão da companhia. Os dividendos ou distribuição de lucros é a remuneração do capital investido na empresa pelo sócio, não sendo necessária a execução de qualquer trabalho para auferilo. Logo, não há o que se falar em contribuição previdenciária incidente sobre dividendos. Já a participação nos lucros é paga em retribuição aos serviços prestados. Sendo assim, ao contrário dos dividendos, a participação nos lucros é considerada base de cálculo pelos motivos expostos acima. Pela leitura do art. 152, § 2°, da Lei n° 6.404/76, não resta dúvida que essas verbas possuem naturezas distintas. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 3 5 Dessa forma, o pagamento de participação nos lucros somente estará desvinculado da remuneração e, consequentemente, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, quando pago de acordo com os termos e requisitos da MP n° 794/94 convertida na Lei n° 10.101/2000. Conclui que a participação nos lucros paga aos diretores não empregados integra o salário de contribuição, ficando, pois, sujeita A incidência de contribuição previdenciária. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/09/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 22/09/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 70 a 88. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 124 a 136 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2006 Documento: AI n° 37.121.2103, de 22/09/2008 Ementa: CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃOEMPREGADO. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo no decorrer do mês. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS: Integra a remuneração a parcela recebida a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei especifica. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. A isenção está condicionada ao fato de a origem dos valores pagos ser o lucro ou resultado da empresa, de a participação estar desvinculada da remuneração e ser efetivada de acordo com lei especifica. MATÉRIA INCONTROVERSA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 141 a 158 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 1. A exigência do crédito tributário formalizado na presente autuação carece de amparo legal, além de ofender o artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal. 2. Estando desvinculados da remuneração os valores destinados aos empregados sob a rubrica de PLR, inegavelmente, não possuem natureza salarial, não sofrendo a incidência de nenhum encargo, notadamente o de compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. A norma constitucional ao utilizar a expressão "trabalhadores" é genérica, não fazendo qualquer distinção quanto aos trabalhadores não empregados, tampouco estando adstrita aos empregados. 4. Ao utilizar referida restrição, distinguindo os trabalhadores entre empregados e não empregados, a D. Autoridade Fiscal acaba por contrariar o entendimento da própria Administração Pública, o qual toma por base uma interpretação ampliativa dos conceitos de empregado e empregador. 5. A própria jurisprudência possui entendimento de que a expressão "empregadores" deve ser utilizada em uma acepção mais ampla, inclusive o Egrégio Superior Tribunal de Justiça. 6. Se para o termo empregador a Administração Pública apregoa que o mesmo deve abranger toda e qualquer empresa, por trabalhador devese, utilizando o mesmo raciocínio, compreender não só aquelas pessoas que tem vinculo empregatício, mas toda e qualquer vinculada à empresa, como é o caso dos diretores estatutários. 7. Diante do comando auto aplicável da norma vertida do artigo 7°, inciso XI, do texto constitucional, mesmo que não houvesse a edição da Medida Provisória n° 794/94, convertida na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, os pagamentos efetuados pela empresa a titulo de PLR estariam .desvinculados da remuneração, razão pela qual sequer sofreriam a incidência de contribuição previdenciária. Inexiste suporte constitucional para a presente Notificação. Equivocouse a fiscalização, eis que restou amplamente comprovada a inexistência da aludida diferenciação, sendo certo que a PLR não se inclui no conceito de remuneração quando paga a diretores estatutários, haja vista a ausência de expressa previsão legal para tanto. 8. Ao implementar requisito inexistente na legislação, qual seja conferir imunidade, no que tange a incidência de contribuição previdenciária sobre a Participação nos Lucros, somente aos empregados, fere o principio da legalidade, posto que a legislação utiliza a expressão trabalhadores sem fazer qualquer distinção entre eles (com ou sem vinculo empregatício). 9. Em suma, as quantias derivadas da participação nos lucros, percebidas pelos diretores estatutários da Recorrente, não integram o salário, haja vista a expressa dicção constitucional que as desvinculam da remuneração (artigo 7 0, inciso XI, da Constituição Federal), razão pela qual se afigura manifestamente ilegítima e despida de validade a pretensão da D. Autoridade Fiscal de exigir a contribuição previdenciária a cargo do empregador. 10. Ao pretender incidir contribuição previdenciária sobre verbas legalmente excluídas de tal incidência, a fiscalização está conferindo a este fato uma interpretação econômica que se afigura como procedimento rechaçado pelo ordenamento pátrio, razão pela qual não pode prosperar a presente autuação. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 4 7 11. Requer o recorrente o conhecimento do recurso, para que a ela seja dado provimento, com a consequente desconstituição dos respectivos créditos tributários, tendo em vista não se tratar de pagamento com natureza salarial. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 184. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DO MÉRITO No mérito, o argumento principal trazido pelo recorrente é de que os pagamentos a titulo de participações estatutárias, por sua natureza não contraprestativa encontrame excluídos do conceito de remuneração, além de constarem expressamente previstos no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, que retira do campo de incidência previdenciária as verbas lá elencadas, entre elas a participação paga de acordo com a legislação especifica, no caso, a Lei 10.101/2000, cujas determinações foram todas atendidas nos termos do art. 7 da CF/88. Outro ponto trazido pelo recorrente é que as participações estatutárias não constituem fato gerador de contribuição previdenciária seja pelo cumprimento da lei 6.404/1976, seja pelo disposto na lei 10.101/2000. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Como o lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais fazse conveniente apreciar primeiramente o conceito de salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Quanto a contribuição patronal às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 5 9 acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 6 11 e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do benefício, assumiu o recorrente o ônus de ter os valores da remuneração destinada ao trabalhador integrando o conceito de salário de contribuição, já que pago em desacordo com as respectivas leis. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. Como destacado de forma minuciosa pelo auditor fiscal, a Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A participação nos Lucros e Resultados PLR somente foi regulamentada após a Constituição Federal de 1988, donde devese observar os ditames legais, para que dito pagamento seja excluído do conceito de salário de contribuição. Diversamente do argumento trazido pelo recorrente quanto ao pagamento de acordo com a lei 6.404, a verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 pelos diretores. Destaco que no relatório fiscal, tomou o auditor o cuidado de fazer um paralelo entre toda a legislação que engloba a matéria, destacando quando deve ser aplicado os dispositivos legais que excluem a verba PLR do conceito do salário de contribuição. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho o que pelo natureza também poderia excluir o valor do conceito de salário de contribuição. Entendo que a autoridade julgadora bem enfrentou a questão, quando esclareceu que o pagamentos realizados aconteceram em relação a prestação de serviços, denominada, “participação estatutária”, ou seja, diferente a participação recebida em função do capital investido nos moldes da Lei 6.404/76. Notese que nenhum argumento novo foi trazido pelo recorrente após as considerações apresentadas pela Decisão de 1 instância, tendo reproduzido os mesmos argumentos da impugnação. Senão vejamos, trecho da Decisão:, Ante todo o exposto, considerando que o diretor não empregado, para a Previdência Social, enquadrase na categoria de Contribuinte Individual, são devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações a ele pagas a qualquer titulo, no caso, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, não podendo prevalecer o entendimento da defesa de que inexiste suporte constitucional para o presente AI ou que a legislação utiliza a expressão trabalhadores sem fazer qualquer distinção entre eles (com ou sem vinculo empregatício).Os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõe claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o saláriodecontribuição caso sejam pagos de forma habitual. A presente verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Segundo ensina Fabio Ulhoa Coelho o conceito de "administradores", em uma sociedade anônima, "abrange os membros de dois órgãos da estrutura societária: a diretoria e o conselho de administração, os quais, cm decorrência, são definidos como órgãos da administração" (Curso de direito comercial, volume 2 — 5. ed. rev, e atual. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA Sao Paulo: Saraiva, 2002. p. 236). A participação dos administradores/diretores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei n° 6.404/1976, não se confunde com a participação nos lucros ou resultados da empresa prevista na Lei n° 10.101/2000 e no artigo 70, inciso XI, da Constituição Federal. Além de ser disciplinada em outro diploma legal, a participação prevista no § 1°, do artigo 152 da Lei n° 6.404/1976, é restrita aos administradores das sociedades anônimas, enquanto que a participação prevista na Lei no 10.101/2000 e no artigo 70, inciso XI, da Constituição Federal, é devida pelas empresas a todos os seus empregados. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 7 13 A empresa em sua impugnação não procedeu prova contraria ao fato constatado pela fiscalização de que os valores apurados em folha de pagamento na conta 211150001 Part Nos Lucros a Pagar e na DIPJ informada pelo Contribuinte tratamse na realidade de remuneração creditada a contribuintes individuais, nos termos do dispositivo legal supracitado. Assim, ainda que os lucros sejam distribuídos aos administradores (diretores não empregados) dentro dos limites e • previsões legais e estatutárias da empresa, incide contribuições previdenciárias sobre estas verbas, por ausência legal de hipótese de exclusão e em conformidade com as exigências do artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91. Não se trata, portanto de remuneração proveniente do Capital, pois esta se configura como distribuição de lucros, ou dividendos c ocorre posteriormente a apuração do lucro liquido, sendo distribuído proporcionalmente à participação de cada acionista. Para a distribuição de lucro decorrente do Capital da sociedade, não ha que se falar em incidência de contribuição previdenciária, não sendo, entretanto, o caso em discussão. Desta forma, foi correto o procedimento da fiscalização em reconhecer os pagamentos efetuados a titulo de participação de resultados como fato gerador de contribuição previdenciária, pois estes foram feitos cm retribuição pelo trabalho prestado pelos contribuintes individuais (diretores não empregados), cujos valores foram inclusos em folha de pagamento da empresa. Outro ponto trazido pelo recorrente é de que o lançamento afronta o art. 7, XI da CF/88, na medida que a constituição afastou a natureza salarial da PLR, sendo que o conceito abarca a nomenclatura “trabalhadores” e não apenas empregados. Porém ao contrário do que afirma a recorrente, primeiramente no meu entender a Participação nos Lucros e Resultados PLR é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 02, do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 03 de maio de 1996, , aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, bem esclarece dita questão, conforme descrito: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo o seguinte teor, verbis: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 8 15 perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Ou seja, normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Dessa forma, não há de se afastar a natureza salarial da PLR por si só, devendo ser observada as condições de seu pagamento, para que só então seja possível excluir ditos valores do conceito de remuneração e por consequência da base de cálculo de contribuições previdenciárias. APLICAÇÃO DA LEI 10.101/2000 NO PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 16 Vale de pronto afastar também, os argumentos do recorrente que que o dispositivo constitucional, por si só , já afastaria para todo e qualquer trabalhador a “participação nos Lucros e resultados” do conceito de remuneração. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 9 17 § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Notese, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias”. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, as verbas salariais. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. O empregado tem que obter parcela de seu rendimento associado ao resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral, pois este último terá, obviamente, natureza salarial. Não serve também como argumento o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 18 trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10850.000565/89-07
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 202-01.289
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Sebastião Borges Taquary
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Numero do processo: 10715.001878/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 08/05/2002 a 07/10/2002
II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornam-se exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação.
MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL
O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
Numero da decisão: 3201-003.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 18 78 /2 00 5- 82 Fl. 520DF CARF MF 2 Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 6.519,05 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multas de ofício, multas por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, multas por faturas comerciais em desacordo com as exigências regulamentares e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada submeteu a despacho de importação diversas mercadorias amparadas pelas Declarações de Importação respectivas. Analisadas amostras das mercadorias importadas foram expedidos laudos, pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, cujas conclusões determinaram a reclassificação fiscal das mercadorias e, nos casos específicos, o lançamento das diferenças de impostos e multas de ofício, bem como multa pela classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul. Também foram lançadas duas multas por fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares, e juros de mora. Na Declaração de Importação n° 02/04748601, registrada em 28/05/2002, a mercadoria foi descrita como "fir balsam abs" e classificada no código NCM 3301.29.90. O Laudo de Análise n°20.169/02 concluiu que a mercadoria "Tratase de Fir Balsamo". A fiscalização reclassificou a mercadoria para o código NCM 1301.90.00 e lançou as diferenças de imposto de importação, bem como multa de ofício sobre ele incidente e multa por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Na Declaração de Importação n° 02/04261036, adição 002, registrada em 14/05/2002, a mercadoria foi descrita como "Dihydro Myrcenol Rect" Tec. Name: 2,6Dimethyl7Octen2 olPO4500146858/02" e classificada no código NCM 2905.22.30. O Laudo de Análise n° 20.151/02 concluiu que "Tratase de mistura de substâncias odoríferas, do tipo utilizado para indústria de perfumaria". A fiscalização reclassificou a mercadoria para o código NCM 3302.90.19 e lançou as diferenças de imposto de importação e sobre produtos industrializados, bem como multas de ofício sobre eles incidentes Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10715.001878/200582 Acórdão n.º 3201003.062 S3C2T1 Fl. 3 3 e multa por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Na Declaração de Importação n° 02/08919982, adição 001, registrada em 07/10/2002, a mercadoria foi descrita como "7907 Pseudo Linalyl Acetate PÓ 4500198440 Lote #SM/2041090. Technical Name: Myrcenylacetates (Mixture)" e classificada no código NCM 2915.39.99. O Laudo de Análise n° 20.282/02 concluiu que "Tratase de mistura de substâncias odoríferas, do tipo utilizado para indústria de perfumaria". A fiscalização reclassificou a mercadoria para o código NCM 3302.90.19 e lançou as diferenças de imposto de importação e sobre produtos industrializados, bem como multas de ofício sobre eles incidentes e multa por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Nas Declarações de Importação n° 02/05235543, n° 02/06839060 e n° 02/07391801 as mercadorias por elas amparadas, foram reclassificadas para códigos NCM diferentes dos declarados, embasados nos resultados de análises laboratoriais. Assim, foram lançadas as respectivas multas por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. As Declarações de Importação n° 02/04261036 e n° 02/08919982 foram instruídas com faturas comerciais que estavam em desacordo com as exigências estabelecidas no artigo 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Assim, foram lançadas as multas respectivas, previstas no inciso V do artigo 106 do Decretolei n° 37/66. Regularmente cientificada das exigências, por via postal (AR fls. 102) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 106 a 119, com os documentos de folhas 120 a 151 anexados. Inicialmente a impugnante informa que realizou o pagamento referente às exigências relacionadas às Declarações de Importação n° 02/05235543, n° 02/06839060 e n° 02/0739180 1, bem como das multas enquadradas no inciso V do artigo 106 do Decretolei n° 37/66. Esses pagamentos foram confirmados pela unidade preparadora (v. fls. 159). Com relação à Declaração de Importação n° 02/04748601, a impugnante informa que importou o produto denominado "Fir Balsam abs." e o classificou no código NCM 3301.29.90 equivalente a "outros óleos essenciais" e a fiscalização o reclassificou para o código NCM 1301.90.00. Discorda da reclassificação fiscal alegando que o produto se trata de um óleo essencial de bálsamo, enquadrável no Capítulo 3301, conforme descrição deste capítulo, não podendo ser classificado no Capítulo 13 conforme exclusão expressa das notas explicativas deste último. Fl. 522DF CARF MF 4 Com relação aos produtos importados ao amparo das Declarações de Importação n° 02/04261036 e n° 02/08919982, descritos respectivamente como "Dihydro Myrcenol Rect" e "Pseudo Linalyl Acetate" informa que a controvérsia consiste em determinar se os produtos são classificados como uma mistura odorífera, enquadrável no Capítulo 33 da TEC, como sustentado pelo Labor ou como um composto de constituição química definida, enquadrável no Capítulo 29, defendida pela impugnante. Traça considerações sobre o conceito de "composto de constituição química definida", referido no Capítulo 29 da TIPI/TAB. Defende que o produto "Dihydro Myrcenol Rect" se classifica no código 2905.22.30, específico para o produto "Diidromircenol 26dimetil7octen2ol", cujo "processo de obtenção pode gerar uma série de isômeros, provenientes do mesmo material de partida. A purificação total do material resultante é inviável em termos econômicos. Logo, as impurezas restantes na composição do produto que nada mais são que isômeros resultantes da reação são de difícil ou quase eliminação, aceitos nos termos das normas de classificação, de sorte que não servem, de forma alguma, para descaracterizar o produto do Capítulo 29." Alega que o produto "Pseudo Linalyl Acetate" "é resultante de um processo de reação de Myrceno (uma mistura terpênica) com Ácido Acético, utilizandose como catalisador ácido, em temperatura controlada. O produto bruto é fracionado por destilação à vácuo, resultando em uma concentração do seu componente principal, Acetato de Myrcenila, sendo o restante composto de acetatos e isômeros diversos, não separados durante a destilação por impossibilidade técnica industrial." Defende que o produto é um composto de constituição química definida, Acetato de Myrcenila, pois as outras susbtâncias são impurezas, no sentido técnico da palavra. Contesta a exigência da multa de 75% sobre os impostos, alegando que não há diferença de impostos devidos. E ainda que houvesse, a multa é descabida porque não praticou nenhuma das irregularidades descritas nos dispositivos enquadrados, tanto em relação ao II quanto ao IPI. A própria administração entende que a multa não é devida quando houver simples classificação errônea da mercadoria, nos termos do Ato Declaratório NOrmativo Cosit n° 10/97. Defende como indevida multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.5835/2001, pelas razões antes expostas. Requer a realização de perícia técnica e, para tanto, indica seu assistente técnico e apresenta quesitos a serem respondidos. Atendendo à solicitação da impugnante foi determinada diligência para análise de contraprovas de amostras e complementação dos laudos de análise. Da diligência resultaram os Parecer Técnico 015/2010 referente à mercadoria "Dihidromircenol" (fls. 180 a 182) e o Parecer Técnico 016/2010 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10715.001878/200582 Acórdão n.º 3201003.062 S3C2T1 Fl. 4 5 referente á mercadoria "Pseudo Linalyl Acetate" (fls. 183 a 185), ambos do Laboratório de Análises Falcão Bauer. Cientificada do resultado da diligência, a impugnante apresentou o aditivo à impugnação inicial, de folhas 198 a 210, na qual reitera as alegações apresentadas inicialmente e contesta os pareceres técnicos alegando que carecem de fundamentação. Discorda das respostas apresentadas aos quesitos, defendendo que "soa absurdo" o fato de o analista apresentar conclusões sobre os produtos se declara não conhecer o processo de produção e não sabe quais os componentes normais do material. Defende que não se poderia concluir que o produto é uma mistura se não se sabe se oproduto resultante foi deliberadamente adicionado ou se decorreria de seu processo de fabricação (sendo nesse caso isômeros e/ou impurezas). Requer, caso restem dúvidas sobre os produtos, a realização de eventual laudo adicional pelo Laboratório de Química da UFRJ. Requer seja declarado insubsistente o auto de infração, como inicialmente pleiteado." A decisão recorrida apresenta o seguinte excerto: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/05/2002 a 07/10/2002 EMENTA DISPENSADA. Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n° 1.364 de 10/11/2004. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário mantido em Parte" Foi dado parcial provimento à impugnação, para afastar a exigência fiscal referente ao produto "Fir Balsam", com a exoneração do crédito tributário no valor de R$ 2.026,82 referente à Declaração de Importação n° 02/04748601. O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, as mesmas alegações produzidas em primeira instância, com a defesa da tese de que (i) os laudos elaborados e os pareceres técnicos apresentados não apresentam qualquer tipo de fundamentação que corrobore o entendimento adotado pelo Fisco para a classificação dos produtos em questão; (ii) que classificou corretamente os produtos uma vez que não se tratam de misturas de substâncias odoríferas; (iii) que os produtos importados (Dihydro Myrcenol Rect e Pseudo Linalyl Acetate) são um composto de composição química definida, classificados no Capítulo 29 da TIPI (Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados) / TAB (Tarifa Aduaneira do Brasil); (iv) que a pretensão do Fisco é o enquadramento de tais produtos no Capítulo 33 da TIPI/TAN com alíquotas de II e de IPI muito maiores; (v) que o composto de composição química definida está previsto na NESH Nota Explicativa sobre o Sistema Harmonizado; (vi) tece considerações individualizadas sobre os produtos importados, no intuito de demonstrar que a classificação adotada está correta e (vii) que são indevidas as Fl. 524DF CARF MF 6 multas de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada com fundamento no art. 44, inc. I da Lei 9.430/96 e de 1% da Medida Provisória n°2.158/2001. Pugna a recorrente ao final, o provimento do recurso voluntário interposto para que seja julgado improcedente o lançamento fiscal, na parte mantida e, alternativamente, caso se entenda como errônea a classificação fiscal adotada sejam afastadas as multas aplicadas. Requer, ainda, caso se entenda necessário seja produzido novo laudo a ser confeccionado pelo laboratório de química da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Cingese o presente recurso sobre se a classificação adotada pela recorrente para as mercadorias denominadas Dihydro Myrcenol Rect e Pseudo Linalyl Acetate são um composto de composição química definida, classificados no Capítulo 29 da TIPI (Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados) / TAB (Tarifa Aduaneira do Brasil). Prefacialmente, entendo que não há necessidade da produção de nova prova técnicopericial, como requerido pela recorrente ao final de sua peça recursal. Os elementos probatórios trazidos aos autos são suficientes para se dirimir a questão em sede recursal, não sendo este conselho obrigado a converter o julgamento em diligência. Neste sentido trago decisão proferida por este colegiado, de relatoria do Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima: " Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 02/09/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeos (excipiente), destinado à fabricação de ração animal, classificase na posição NCM 2309.90.90. CERCEAMENTO DE DEFESA Sendo suficientes as provas apresentadas aos autos, o conselho não tem a obrigação de converter o julgamento em diligência.Recurso Voluntário Negado" (Processo 10907.001603/200419; Acórdão 3201002.164; Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; Sessão de 17/05/2016) Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10715.001878/200582 Acórdão n.º 3201003.062 S3C2T1 Fl. 5 7 Muito embora a recorrente alegue que a classificação por si adotada na importação dos produtos "Dihydro myrcenol Rect" e "Pseudo Linalyl Acetate" está correta, não trouxe aos autos nenhum elemento técnico que ateste a correção de seu procedimento. Existem laudos técnicos colacionados ao processo antes da prolação da decisão recorrida que confirmam que as classificações adotadas pela recorrente estão equivocadas. Os pareceres técnicos n°'s 015/2010 e 016/2010 elaborados pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer concluem que os produtos "dyhidro myrcenol" e "pseudo linalyl acetate" não podem ser considerados como compostos orgânicos de constituição química definida contendo impurezas decorrentes do processo de fabricação. Não logrou êxito a recorrente em comprovar suas alegações de modo a opor tecnicamente que os produtos "dyhidro myrcenol" e "pseudo linalyl acetate" são compostos orgânicos de constituição química definida. Tem aplicação o disposto no art. 30 do Decreto 70.235/72, assim redigido: "Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres." Acrescentese, ainda, que no processo 10711.004148/200735 envolvendo a recorrente, esta reconheceu como correta a classificação do produto "DYHIDRO MYRCENOL", como enquadrável na posição 3302.90.19, conforme excerto a seguir transcrito e extraído da peça de impugnação anexada ao processo referido: "Com relação ao produto constante na Adição 10, acima descrito, cumpre à Impugnante informar ao Fisco que concorda com o seu lançamento e, portanto, promoverá o imediato pagamento dos valores neles consubstanciados a fim de extinguir definitivamente os créditos tributários deles provenientes, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional." O tópico da impugnação referida está assim ementado: "III DO PRODUTO DIHYDRO MYRCEBNOL 26 DIMETIL7 OCTENO2OL EQUÍVOCO DA IMPUGNANTE QUANTO A SUA CLASSIFICAÇÃO Importante frisar, que no processo ora em análise, a recorrente em sua impugnação anota que o produto "dyhidro myrcenol rect" é o 2,6dimetil7octenol ou diidromircenol (2,6dimetil7octenol). Muito embora, existam diversas grafias para o produto, entendo que é o mesmo tratado em ambos os processos, sendo que no processo de número 10711.004148/2007 35, a recorrente reconheceu que cometeu equívoco na classificação, curvandose ao entendimento fazendário. Fl. 526DF CARF MF 8 Assim, diante dos elementos encartados nos autos entendo que a classificação adotada pela Receita Federal para o produtos, com aplicação das Regras Gerais de Interpretação (RGI) e Regra Geral Complementar (RGC) do Sistema Harmonizado está correta. Diante do exposto, não há outra solução a ser dada ao processo que não seja a manutenção da decisão de primeira instância em relação a exigência fiscal consignada em relação a diferença do II e do IPI recolhidos a menor. No que tange as multas aplicadas (i) de ofício no percentual de 75% e (ii) de incorreta classificação fiscal de 1% entendo que em decorrência do equívoco cometido pela recorrente devem ser mantidas em sua integralidade. Neste sentido é a jurisprudência deste colegiado: "Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 13/06/2000, 27/09/2000, 28/09/2000, 18/10/2000, 08/11/2000, 28/11/2000, 13/12/2000, 11/01/2001, 20/03/2001, 13/06/2001 II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ADUANEIRA. A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplicase ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria.Recurso voluntário negado." (Processo 10508.000118/200412; Acórdão 3202001.400; Relator Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 12/11/2014) "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 16/06/2003 a 11/08/2004 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Comprovado o equívoco na classificação fiscal da mercadoria, é exigível o Imposto de Importação, juntamente com os acréscimos legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINS Importação. CERTIFICADO DE ORIGEM. São desqualificados os certificados de origem obtidos com indicação de errônea classificação fiscal, cuja alteração (da classificação) implique concomitantemente em modificação do requisito de origem. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. INAPLICABILIDADE. Aplicase a multa por falta e Licença de Importação nas importações, em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10715.001878/200582 Acórdão n.º 3201003.062 S3C2T1 Fl. 6 9 pleiteado. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158 35/2001. Recurso voluntário negado." (Processo 11444.000314/200875; Acórdão 3202000.518; Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 27/06/2012) Destaco, ainda, que em outro processo envolvendo a recorrente, este órgão colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo as multas aplicadas, conforme ementa adiante transcrita: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/12/2004 PROVA PERICIAL, INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. NULIDADE DA DECISÃO. INAPLICÁVEL. A decisão acerca da necessidade da realização de prova pericial depende do livre convencimento da autoridade julgadora. No caso, os integrantes do órgão julgador de primeiro grau entenderam que era prescindível a produção da referida prova, uma vez que existiam nos autos elementos probatórios suficientes para o julgamento da controvérsia. ASSUNTO: CLASSIFICAVA0 DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/12/2004 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. PRODUTOS DENOMINADOS ZENOLIDE E PECONIA. O produto denominado "Zenolide", que constitui uma dilactona, classificase no código NCM 2932.29.90, 0 produto denominado "Peconia" tratase de uma mistura de substancias odoríferas para indústria de perfumaria, classificado no código. NCM 3302.90.19. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2004 Fl. 528DF CARF MF 10 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO. LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. APLICABILIDADE. Pata a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que o produto esteja sujeito a licenciamento, automático ou não. No presente caso, os produtos reclassificados para o código NCM 330190.19 estavam sujeitos ao licenciamento não automático, que não foi providenciado, restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. APLICABILIDADE. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou máfé do importador. MULTA DE OFICIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE, A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acarretando ou não a incorreta classificação fiscal do produto na NCM, subsumese à hipótese da infração por declaração inexata descrita no inciso I do art, 44 da Lei n° 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou máfé do importador. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10711.04110/200762; Acórdão 310200.806; Conselheiro JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO; Sessão de 28/10/2010) Diante do exposto, conheço o recurso voluntário interposto e negolhe provimento pelas razões antes expendidas. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 529DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903160/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.433
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 60 /2 01 2- 23 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903160/201223 Acórdão n.º 3402004.433 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903160/201223 Acórdão n.º 3402004.433 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.696, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903160/201223 Acórdão n.º 3402004.433 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903160/201223 Acórdão n.º 3402004.433 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903160/201223 Acórdão n.º 3402004.433 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903160/201223 Acórdão n.º 3402004.433 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903160/201223 Acórdão n.º 3402004.433 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903160/201223 Acórdão n.º 3402004.433 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.721174/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
CONVERSOR EM BLOCO DE BAIXO RUÍDO COM ALIMENTADOR HORN (LNBF). DUAS FUNÇÕES ESSENCIAIS. CÓDIGO DA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Classificam-se no código NCM 8543.70.99 os equipamentos denominados conversores em bloco de baixo ruído com alimentador horn, conhecido como Low Noise Block Converter Feedhorn (LNBF) e usados em antenas destinadas à recepção de TV via satélite, que amplificam os sinais de entrada, introduzindo baixo ruído, e convertem a banda de freqüências de entrada numa banda de freqüências mais baixas na saída.
TUBOS OCOS FLEXÍVEIS DE LATÃO REVESTIDOS DE PRATA. DESCRITOS NA DI COMO GUIAS DE ONDAS FLEXÍVEIS. MATÉRIA-PRIMA DO PRODUTO ACABADO. CÓDIGO DA NCM.
Os tubos ocos flexíveis de latão revestidos de prata, descritos equivocadamente nas DI como guias de ondas flexíveis, classificam-se no código NCM 7107.00.00.
BICO ROCTEC LONG LIFE. PRODUTO ESPECÍFICO PARA MÁQUINAS DE CORTE DE JATO D'ÁGUA. CÓDIGO DA NCM.
Os equipamentos denominados Bico Roctec Long Life, específicos para máquinas de corte de jato d'água, feitos de carbeto de tungstênio, classificam-se no código NCM 8466.93.19.
CONECTOR PARA CABO COAXIAL. MATERIAL UTILIZADO PARA O TRANSPORTE DE SINAIS DE RADIOFREQÜÊNCIA OU MICROONDAS. CLASSIFICAÇÃO COMO PARTE DE APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARA RADIODIFUSÃO OU TELEVISÃO.
Os equipamentos denominados conectores para cabo coaxial, que tem por finalidade o transporte de sinais de radiofrequência e microondas em antenas e sistemas de equipamentos de transmissores e/ou receptores de radiofrequência em microondas, classificam-se no no código NCM 8529.90.19, como parte reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos transmissores (emissores) para radiodifusão ou televisão.
COLA OU BORRACHA DE SILICONE. USO ESPECÍFICO. VEDAÇÃO E IMPERMEABILIZAÇÃO. FUNÇÃO DE ASSEGURAR A ESTANQUEIDADE. CÓDIGO DA NCM.
Os produtos descritos como cola ou borracha de silicone são na verdade uma mástique, que tem função de assegurar a vedação e impermeabilização, impedindo a passagem da água e umidade, além de assegurar a estanqueidade, e como tal classificam-se no código NCM 3214.10.10.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ADMINISTRATIVA. COMPROVAÇÃO DO DOLO OU MÁ-FÉ. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade por infração a legislação tributária ou aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTA. POSSIBILIDADE.
Aplica-se a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria no caso de classificada incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURADA DIFERENÇA DE TRIBUTO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ou ainda, no caso do IPI, na falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto.
JUROS MORATÓRIOS. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. NATUREZA JURÍDICA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O ato de desembaraço aduaneiro põe termo a fase de conferencia aduaneiro do despacho de importação e tem o efeito de autorizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, portanto, não tem a natureza ato de homologação expressa do lançamento por homologação nem de lançamento ofício, por não atender os requisitos dos arts. 142 e 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento parcial para afastar o lançamento relativo às importações descritas como CONECTOR PARA CABO COAXIAL RG-6 no subitem 2.4 do TVF colacionado aos autos, inclusive a multa por erro de classificação, vencido o Conselheiro Cássio Schappo que convertia o julgamento em diligência para realização de um terceiro laudo para classificar o produto LNBF (Low Noise Block Downconverter Feedhorn).
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 CONVERSOR EM BLOCO DE BAIXO RUÍDO COM ALIMENTADOR HORN (LNBF). DUAS FUNÇÕES ESSENCIAIS. CÓDIGO DA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Classificamse no código NCM 8543.70.99 os equipamentos denominados conversores em bloco de baixo ruído com alimentador horn, conhecido como Low Noise Block Converter Feedhorn (LNBF) e usados em antenas destinadas à recepção de TV via satélite, que amplificam os sinais de entrada, introduzindo baixo ruído, e convertem a banda de freqüências de entrada numa banda de freqüências mais baixas na saída. TUBOS OCOS FLEXÍVEIS DE LATÃO REVESTIDOS DE PRATA. DESCRITOS NA DI COMO GUIAS DE ONDAS FLEXÍVEIS. MATÉRIA PRIMA DO PRODUTO ACABADO. CÓDIGO DA NCM. Os tubos ocos flexíveis de latão revestidos de prata, descritos equivocadamente nas DI como guias de ondas flexíveis, classificamse no código NCM 7107.00.00. BICO ROCTEC LONG LIFE. PRODUTO ESPECÍFICO PARA MÁQUINAS DE CORTE DE JATO D'ÁGUA. CÓDIGO DA NCM. Os equipamentos denominados Bico Roctec Long Life, específicos para máquinas de corte de jato d'água, feitos de carbeto de tungstênio, classificam se no código NCM 8466.93.19. CONECTOR PARA CABO COAXIAL. MATERIAL UTILIZADO PARA O TRANSPORTE DE SINAIS DE RADIOFREQÜÊNCIA OU MICROONDAS. CLASSIFICAÇÃO COMO PARTE DE APARELHOS TRANSMISSORES (EMISSORES) PARA RADIODIFUSÃO OU TELEVISÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 11 74 /2 01 4- 16 Fl. 2144DF CARF MF 2 Os equipamentos denominados conectores para cabo coaxial, que tem por finalidade o transporte de sinais de radiofrequência e microondas em antenas e sistemas de equipamentos de transmissores e/ou receptores de radiofrequência em microondas, classificamse no no código NCM 8529.90.19, como parte reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos transmissores (emissores) para radiodifusão ou televisão. COLA OU BORRACHA DE SILICONE. USO ESPECÍFICO. VEDAÇÃO E IMPERMEABILIZAÇÃO. FUNÇÃO DE ASSEGURAR A ESTANQUEIDADE. CÓDIGO DA NCM. Os produtos descritos como cola ou borracha de silicone são na verdade uma mástique, que tem função de assegurar a vedação e impermeabilização, impedindo a passagem da água e umidade, além de assegurar a estanqueidade, e como tal classificamse no código NCM 3214.10.10. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ADMINISTRATIVA. COMPROVAÇÃO DO DOLO OU MÁFÉ. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade por infração a legislação tributária ou aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTA. POSSIBILIDADE. Aplicase a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria no caso de classificada incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURADA DIFERENÇA DE TRIBUTO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ou ainda, no caso do IPI, na falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto. JUROS MORATÓRIOS. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula Carf nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. NATUREZA JURÍDICA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.145 3 O ato de desembaraço aduaneiro põe termo a fase de conferencia aduaneiro do despacho de importação e tem o efeito de autorizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, portanto, não tem a natureza ato de homologação expressa do lançamento por homologação nem de lançamento ofício, por não atender os requisitos dos arts. 142 e 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento parcial para afastar o lançamento relativo às importações descritas como “CONECTOR PARA CABO COAXIAL RG6” no subitem 2.4 do TVF colacionado aos autos, inclusive a multa por erro de classificação, vencido o Conselheiro Cássio Schappo que convertia o julgamento em diligência para realização de um terceiro laudo para classificar o produto LNBF (Low Noise Block Downconverter Feedhorn). (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que seque transcrito: Dos lançamentos Cuidam os autos da exigência de crédito da União, relativos à cobrança do Imposto de Importação/II (R$ 15.743.082,80), do Imposto sobre Produtos Industrializados/IPI (R$ 1.527.397,58), da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social/Cofins Importação (R$ 764.580,58), da Contribuição para o Programa de Integração Social/PIS/PASEPImportação (R$ 36.042,42), e de multa isolada (R$ 752.739,44), em desfavor de BRASILSAT HARALD S/A, doravante tratada apenas como BRASILSAT, em decorrência da falta do recolhimento no momento do registro das Declarações de Importação (DI), conforme Auto de Infração, às fls. 297926, a seguir explanado, de forma sintética, a fim de se obter uma fiel compreensão dos fatos mencionados: Fl. 2146DF CARF MF 4 A ação fiscal foi executada abrangendo o período de 07/2009 a 07/2013 e o Termo de Início de Ação Fiscal e a Intimação nº 01 (fls. 02/04) foram entregues em 24/09/2013, solicitando esclarecimentos e documentação. A estes, seguiramse os Termos de intimação de nºs 02 (fls. 08/09), 03 (fls. 13/32), 04 (fls. 52) e 05 (fls. 54/62). Da análise das Declarações de Importação, em confronto com a documentação apresentada pelo sujeito passivo, verificouse que alguns produtos importados foram classificados erroneamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), bem como foram descritos incorretamente. Foram importados produtos descritos nas Adições como LNA amplificadores de radiofrequência para recepção de sinais de microondas de baixo ruído, mas na verdade são LNBF (Low Noise Block Downconverter Feedhorn) – Conversor em Bloco de Baixo Ruído com Alimentador Horn, conforme descrição existente nas tabelas constantes do Termo de Verificação Fiscal (fls. 299 a 315). Que para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições e das notas de Seção e Capítulo da Nomenclatura do Sistema Harmonizado podem ser utilizadas fontes subsidiárias, destacando as NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado), aprovadas pelo Decreto nº 435/92, DOU 28/01/1992, e atualizadas pela IN/SRF nº 157/2002, DOU 01/07/2002, e posteriores, que permitem a avaliação e interpretação do conteúdo e alcance das Posições e Subposições. Como se pode constatar nos catálogos do sujeito passivo (fls. 162/178), bem como nos documentos apresentados em atenção aos Termo de Intimação (fls. 7 e 35/41), os equipamentos sob análise são o que comercialmente se denomina LNBF, que são produtos utilizados em telecomunicações via satélite. São amplificadores de baixo ruído com conversor de sinais para antenas, que têm por finalidade receber o sinal enviado pelo satélite já concentrado no alimentador pelo refletor parabólico, amplificálo introduzindo o menor ruído possível e convertêlo para uma frequência intermediária (FI) menor que a frequência de recepção, embora o sujeito passivo denomine os aparelhos como LNA. Inquirido especificamente sobre a função de conversão dos aparelhos (fls. 08/09), o contribuinte afirmou que os aparelhos são chamados de LNA ou LNB ou LNBF, os quais têm como função primordial, ou cerne, sua capacidade de amplificar sinais com baixíssimo acréscimo de ruído e que os aparelhos importados contêm um pequeno conversor básico de um estágio apenas. A classificação adotada pela fiscalização é a mesma adotada pela RFB nas seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta Coana nº 5, de 25 de julho de 2002; Soluções de Consulta SRRF09/Diana nºs 77, de 01 de setembro de 2011 e 86, de 18 de outubro de 2013; Soluções de Consulta SRRF07/Diana Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.146 5 nºs 09 e 10, de 19 de abril de 2011; e Solução de Consulta SRRF06/Diana nº 43, de 12 de dezembro de 2013. O cerne da divergência entre o enquadramento esposado pela RFB e o pretendido pelo sujeito passivo reside na análise dos desdobramentos regionais e consequente enquadramento dos produtos a nível de item e subitem, sendo a classificação fiscal da Receita Federal para estes produtos a 8543.70.99 e a apresentada pelo contribuinte a 8543.70.12. Para esse enquadramento, o ponto central a ser esclarecido é se, nesse aparelho, com a função e uso a que se destina, a função de amplificar e a função de converter são igualmente importantes, como entende esta fiscalização, ou se a função de amplificar é mais importante que a função de converter, como alega o sujeito passivo. A fiscalização solicitou Laudo Pericial (fls. 106/108) para descrever as funções, características, funcionamento, aplicação, uso e emprego dos aparelhos importados pelo sujeito passivo, bem como para esclarecer se neles as funções de conversão e de amplificação são ou não igualmente importantes. O Laudo Pericial (fls. 109/120) esclareceu que os aparelhos importados pelo sujeito passivo são LNBF e não LNA como consta das descrições das Adições e da planilha do sujeito passivo e que ambas as funções, de conversão e de amplificação, são igualmente importantes. São três as diferenças básicas entre LNA, LNB e LNBF, segundo o Laudo Pericial (fls. 114/115), caracterizadas por suas funções de ampliação e/ou conversão de sinais. O LNA amplifica sinais introduzindo baixo ruído, ou seja, só amplifica os sinais de entrada; o LNB amplifica sinais introduzindo baixo ruído e converte a banda de frequências de entrada em uma banda de frequências mais baixas na saída, ou seja, amplifica e converte os sinais de entrada; o LNBF amplifica sinais introduzindo baixo ruído, converte a banda de frequências de entrada em uma banda de frequências mais baixas na saída, ou seja, amplifica e converte os sinais de entrada, recebendo os sinais de entrada através de um alimentador Horn. Em resposta ao quesito 5 (fls. 115), o perito informou no laudo técnico que todos os aparelhos contidos na listagem da tabela de produtos a periciar são LNBF. Em resposta ao quesito 7 (fls. 115) informou que é correto afirmar que nos LNB e/ou LNBF, as funções de amplificação e de conversão são igualmente importantes e imprescindíveis para o cumprimento de sua finalidade. Após receber o resultado do Laudo Pericial o sujeito passivo apresentou um estudo técnico por ele contratado (fls. 123/125), denominado Parecer Técnico, que responde um a um os quesitos formulados por esta fiscalização no Termo de Solicitação de Fl. 2148DF CARF MF 6 Perícia de fls. 16/108. Apresentou, também, os currículos dos dois profissionais que assinam o Parecer Técnico (fls. 126/161). Segundo o Parecer Técnico (fls. 123/124), um LNA é um amplificador de baixo ruído, essencial para permitir a correta recepção de sinais em sistemas de comunicação via satélite, enquanto que um LNB é um LNA ao qual é acoplado um conversor de frequências e um LNBF é um LNA com conversor de frequências acoplado ao alimentador da antena. Em resposta ao quesito 5 (fls. 124) o Parecer Técnico, da mesma forma que o Laudo Pericial, informa que todos os produtos analisados são LNBF, mas em resposta ao quesito 7 (fls. 124), informa que a amplificação é a função principal destes dispositivos, não sendo igualmente importantes as duas funções, sendo a função de conversão apenas complementar, conforme resposta ao quesito 9 (fls. 124). O ponto central da divergência entre o enquadramento esposado pela RFB e o pretendido pelo sujeito passivo reside em se estabelecer se a função de amplificar e a função de converter são igualmente importantes, como entende a fiscalização, ou se a função de amplificar é mais importante que a função de converter, como alega o sujeito passivo. Quando se trata de classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é importante ter em mente qual a aplicação e uso a que se destinam essas mercadorias, bem como todo o funcionamento do Sistema Harmonizado. No caso, os LNBF são para uso doméstico, sendo usados em antenas destinadas à recepção de TV via satélite, conforme o Laudo Pericial (fls. 114) ou para aplicações domésticas ou semiprofissionais, conforme o Parecer Técnico do sujeito passivo (fls. 124). O próprio Parecer Técnico do sujeito passivo é inequívoco ao afirmar que nos LNBF a função de conversão permite “a utilização de cabos coaxiais de baixo custo na interconexão com os demais equipamentos de recepção” (fls. 124). Diz também que “outras soluções seriam possíveis para viabilizar a recepção sem o acoplamento do conversor ao LNA”, deixando muito claro que o conversor viabiliza a recepção pelos equipamentos e que sem ele outras soluções deveriam necessariamente ser implementadas. Somente após o sinal ter sido convertido é que ele será recepcionado pelo receptor de sinais por satélite (SetTopBox) e sem o conversor acoplado ao aparelho outras soluções deveriam necessariamente ser implementadas, significando que para o modo como todo o sistema de recepção de sinais via satélite para uso doméstico está construído atualmente é necessária a conversão do sinal. Ou seja, para o uso a que se destinam os LNBF a conversão dos sinais é de fundamental importância. A absoluta necessidade do conversor para viabilizar a recepção no uso doméstico (ou semiprofissional) foi sobejamente demonstrada, tanto no Laudo Pericial solicitado por esta fiscalização, quanto no Parecer Técnico apresentado Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.147 7 pelo sujeito passivo. Assim, como anteriormente explicado e de acordo com o Laudo Pericial (fls. 109/120), os produtos em pauta têm duas funções de igual importância: amplificar e converter o sinal recebido por uma antena parabólica. O Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Aduanas (OMA), emitiu parecer de classificação para mercadoria similar à do presente processo, classificando na subposição 8543.70 o produto “transformadorredutor a baixo nível de ruído (LNB)”, enquanto que a Solução de Consulta nº 5, de 25 de julho de 2002, classifica o LNB como 8543.70.99. Outras soluções de consulta classificam este equipamento na mesma posição, com destaque para a Solução de Consulta nº 77, de 01 de setembro de 2011, que classificou o LNBF no código 8543.70.99. Em relação ao produto “guias de ondas flexíveis” (FTXX CORE1830 S), o catálogo em inglês que acompanha a tabela/resposta do sujeito passivo (fls.07 e 294/295), denominado Waveguide Construction, e as informações constantes dessa mesma tabela, dão conta que se trata de tubos de latão, com liga à base de cobrezinco, com predominância do cobre, retangulares, chapeados de prata. Tratase de tubos ocos flexíveis de latão, com ranhuras, chapeados com prata e para se transformarem no artefato denominado guia de onda flexível, que será usado em conjunto com uma antena, esses tubos ainda sofrerão todo um processo de industrialização, descrito no catálogo já citado, inclusive o chapeamento de prata, que é utilizado para minimizar perdas. O sujeito passivo classificou esses produtos no código 8529.90.19, como parte de aparelhos das posições 85.25 a 85.28, entretanto, os produtos importados são simples tubos de latão chapeados de prata, que para se transformarem em partes dos aparelhos a que vão servir ainda serão cortados, adicionados de flanges nas extremidades e recobertos de borracha de silicone (documento fls. 07 e 294/295) e não poderiam ser incluídos na posição de “parte”. Em relação ao produto “bico roctec long life”, na tabela/resposta do sujeito passivo (fls.07 e 296) esses produtos são descritos como “Bicos acoplados ao cabeçote da máquina de corte jato d´água que direcionam o fluído para o corte por abrasão de chapas metálicas” e de sua função dizse que são “Bicos específicos para máquina de corte de jato d'água”, feitos de carbeto de tungstênio. O sujeito passivo classificou esses produtos no código 8543.70.12, onde se inserem os amplificadores de radiofrequência “para recepção de sinais de microondas de baixo ruído (LNA) na banda de 3.600 a 4.200 MHz, com temperatura menor ou igual a 55 Kelvin, para telecomunicações via satélite”. Entretanto, como já se viu, tratase de bicos feitos Fl. 2150DF CARF MF 8 de carbeto de tungstênio, próprios para máquinas de corte de jato d'água. De acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e na Regra Geral Complementar da Nomenclatura do Mercosul da Tarifa Externa Comum, aprovada pela Resolução Camex n.º 43, de 2006, e com base em subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008, e n.º 1.072, de 2010, os bicos próprios para máquinas de corte de jato d'água analisados devem ser classificados no código 8466.93.19. Quanto ao produto “conector para cabo coaxial RG6”, trata se de artefatos que têm a função de realizar emendas e conexões em cabos coaxiais. Em resposta ao item 06, do Termo de Intimação 05 (fls. 79), o sujeito passivo diz que sua função é proporcionar a interface de conexão padrão entre aparelhos de transmissão/recepção e a antena de transmissão/recepção de sinais de televisão. No documento de resposta (fls. 67/105) também se encontram figuras, desenhos e especificações técnicas que, juntamente com as informações acima e resposta ao Termo de Intimação 05 (fls. 63/66), permitem constatar que se trata de artefatos que têm a função de realizar emendas e conexões em cabos coaxiais e que devem suportar uma tensão de até 1.500V corrente contínua. Os conectores para cabos coaxiais RG6 foram classificados, quando de sua importação, na posição “8529 PARTES RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS APARELHOS DAS POSIÇÕES 85.25 A 85.28”, no código “8529.90.19 – OUTRAS”. Explicando a classificação utilizada (fls. 64), o sujeito passivo disse que adotou a classificação NCM 8529.90.19, por se tratar de partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos da posição 85.25, pois o produto descrito tem aplicação relacionada a aparelhos transmissores e receptores, fazendo parte da linha coaxial que proporciona a interface necessária entre esses aparelhos. As informações prestadas dão conta que o produto em questão proporciona a interface necessária entre os aparelhos transmissores e receptores. Assim, não é parte nem de aparelhos transmissores da posição 85.25, como quer o sujeito passivo, nem de aparelhos receptores da posição 85.27. Com efeito, os conectores para cabos coaxiais em questão não são “parte” de alguma máquina, mas são artefatos com função de realizar emendas e conexões em cabos coaxiais e têm classificação própria. Os presentes conectores, por serem aparelhos para conexão de circuitos elétricos que devem suportar uma tensão de até 1.500V corrente contínua, estão classificados na posição 85.35, segundo o texto desta posição. Como os conectores não correspondem aos textos das subposições 8535.10 a 8535.4, eles são classificados na subposição residual 8535.90.00 “Outros”. Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.148 9 O produto “cola de silicone” é utilizado para vedar e impermeabilizar, impedindo a passagem da água, logo não é uma cola, mas um mástique. Em sua resposta (fls. 63/67), o sujeito passivo informa que a função do produto é “Aderir sobre superfícies metálicas pintadas e sobre paredes ou lajes, com o fim de impedir a passagem de água no local onde é aplicada” (fls. 64). Também informa que a cola ou borracha de silicone é “Usada para impermeabilizar a região onde foram feitos furos para fixação da base da antena de recepção de TV via satélite em banda Ku”. Foi também informado (fls. 64) que a função do produto é “Aderir sobre superfícies metálicas pintadas e sobre paredes ou lajes, com o fim de impedir a passagem de água ou umidade no local onde é aplicada.” Ainda segundo a resposta, o produto deve “aderir na base do pedestal da antena e na parede ou laje para impedir a penetração de água ou umidade na região onde foram feitos furos na parede ou laje”. Os produtos denominados pelo sujeito passivo de cola ou borracha de silicone, relacionados no item 2.5 deste termo, foram classificados pelo sujeito passivo na NCM 3506.10.90, que compreende as colas e adesivos. Como se viu na identificação do produto, ele é usado para impedir a passagem de água e umidade, sendo aplicado na base do pedestal da antena e na parede ou laje. Apesar de ter sido classificado como cola, o produto tem as características e propriedades de uso dos mástiques, os quais, segundo as NESH da posição 32.14, têm composição muito variável e se caracterizam essencialmente pela sua utilização, que é de “obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou aderência de peças. Importante salientar que a posição 35.06, pretendida pelo sujeito passivo, é expressamente vedada para produtos que têm características de mástique, pelas NESH desta posição. Assim, a denominada cola ou borracha de silicone importada pelo sujeito passivo deve classificada na posição 32.14, que engloba, entre outros produtos, os mástiques. No âmbito da posição 32.14, deve ser compreendida na subposição 3214.10, que engloba o mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques, no item 3214.10.10 – “Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques”. No que diz respeito à descrição incorreta, os LNBF objeto desta ação fiscal não foram corretamente descritos quando de sua importação, conforme se pode comprovar nas descrições constantes da relação inserida no presente termo (fls. 299 a 315), as quais são cópias das descrições originais das Adições. Todos os produtos foram descritos como “AMPLIFICADORES DE RADIOFREQUÊNCIA PARA RECEPÇÃO DE SINAIS DE Fl. 2152DF CARF MF 10 MICROONDAS DE BAIXO RUÍDO” e todos foram identificados nas descrições como LNA, com exceção do produto constante da DI nº 11/2458390.6001.01, que foi identificado como “LNS”, claramente um lapsus calami. Como ficou esclarecido no Laudo Pericial solicitado por esta fiscalização e também no Parecer Técnico apresentado pelo sujeito passivo, existe uma grande diferença entre um LNA e um LNBF e não se trata do mesmo produto. Os LNA têm a função de amplificar o sinal com baixo ruído, enquanto que os LNBF têm a função de amplificar o sinal com baixo ruído e convertêlo para frequências mais baixas. Segundo o próprio parecer do sujeito passivo, “O LNBF corresponde a um LNA acoplado a um conversor de frequências e ao alimentados da antena”. Quando se observam as fotos dos dispositivos abertos, que estão no Laudo Pericial, se constata que “acoplado a um conversor de frequências” significa dizer que o amplificador e o conversor fazem parte do mesmo aparelho e ambos ficam localizados dentro do mesmo invólucro mecânico. Os produtos em análise não são LNA, como descrito nas importações, e sim LNBF, como são mundialmente conhecidos e como consta no catálogo do sujeito passivo (fls. 163/178). A inserção do nome LNA ao invés de LNBF, juntamente com a descrição de que se trata de amplificadores de radiofrequência, é ponto de fundamental importância na identificação dos produtos e induz a erro na sua identificação e classificação. No que diz respeito aos produtos com erro na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), algumas importações do sujeito passivo, no período analisado, mostraram possíveis distorções nas NVE informadas, pelo que ele foi intimado a justificálas (fls. 13/32). Em sua resposta (fls. 42/51) apresentou uma tabela com as justificativas, onde reconhece erro na NVE de 18 produtos (fls.344 a 346). O sujeito passivo cometeu as seguintes infrações: classificação incorreta dos produtos LNBF, guias de ondas flexíveis, bico roctec long life, conector para cabo coaxial e cola de silicone; classificação incorreta na NVE dos produtos relacionados na tabela de fls. 344 a 346, e descrição incorreta dos LNBF. A nova classificação na NCM dos produtos importados denominados LNBF, relacionados no Termo de Verificação (fls. 299 a 315), implicou a alteração das alíquotas dos impostos devidos na importação, conforme tabela de fls. 347, e consequente apuração de diferenças de impostos e contribuições devidos, que estão sendo lançadas acrescidas de juros de mora e multa de ofício, conforme demonstrativos de apuração anexados aos autos de infração (fls. 297/926). A classificação incorreta na NCM e na NVE, bem como a descrição inexata das mercadorias, implica aplicação da multa prevista no artigo 711 do Regulamento Aduaneiro. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.149 11 Por ter classificado incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) as mercadorias importadas através das Declarações de Importação listadas no Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo fica sujeito à multa correspondente a um por cento do valor aduaneiro dessas mercadorias, de acordo com o disposto na Medida Provisória Nº 2.15835, de 2001, artigo 84 e do Decreto 4.543, de 2002 (artigo 711, inciso I, do Regulamento Aduaneiro). Por ter classificado incorretamente na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE) as mercadorias discriminadas no item 4 deste Termo de Verificação, o sujeito passivo fica sujeito à multa de 1% sobre seu o valor aduaneiro, conforme previsto no art. 711, inciso I do Regulamento Aduaneiro (RA 2009). Por ter descrito de forma inexata os LNBF quando de sua importação, o sujeito passivo ficaria sujeito à multa de 1% sobre seu valor aduaneiro, prevista no artigo 711, inciso III, parágrafo 1º, inciso III. Entretanto, essas mesmas mercadorias estão sendo objeto da multa por classificação incorreta prevista no inciso I do mesmo artigo e, devido ao previsto em seu parágrafo 3º, a multa prevista no caput será aplicada somente uma vez. Das impugnações A pessoa jurídica BRASILSAT HARALD S/A, ora impugnante, foi cientificada do lançamento em 15/05/2014 (fls. 929/930), e irresignada com a penalidade que lhe foi infligida, apresentou Peças Impugnativas, em 18/06/2014, contendo, em síntese, as alegações a seguir: O presente auto de infração é oriundo do Mandado de Procedimento Fiscal n. 09152002013004797, iniciado no dia 24/09/2013 no qual a Requerente foi intimada a apresentar documentos a subsidiar o trabalho de auditoria referente à verificação de regularidade da classificação fiscal de produtos importados. as premissas utilizadas pelo Órgão Fiscalizador foram equivocadas, contaminando a análise da douta auditora e toda a cadeia de conclusões que levaram à autuação do Requerente, razão pela qual a presente impugnação objetiva esclarecer tais pontos. A posição da i. Auditora insiste que o produto importado apresenta duas funções com equivalência de importâncias (amplificação e conversão), tese rebatida pelo parecer técnico apresentado pela Requerente, pois avalia a funcionalidade técnica essencial do equipamento, ficando cristalina a preponderância da amplificação sobre qualquer outra função. A análise da falha de interpretação da i. Auditora vai trabalhar com a hipótese da suposta existência de duas funções com equivalência de importância no funcionamento do produto, apesar que tal fato é devidamente rechaçado por meio de Fl. 2154DF CARF MF 12 manifestação acadêmica nos autos, por meio do Parecer técnico juntado pela Requerente, conforme será explanado. Assim, vamos partir de uma premissa equivocada da Receita, considerando que, supostamente houvessem duas funções equivalentes no mesmo produto, amplificar e converter. Para enquadramento do equipamento nos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul é necessário o emprego das Regras Gerais Interpretativas do Sistema Harmonizado, bem como das Regras Gerais Complementares. Apesar da importância da sua concepção para o desenvolvimento do comércio internacional, a mesma apresenta dificuldades, pois a atualização da tabela do SH não é feita com agilidade suficiente para acompanhar a evolução tecnológica, de maneira que muitos produtos não estão nela textualmente citados, demandando, por conseguinte, esforço interpretativo de classificação, levando em conta as regras gerais do SH. Pelo que se vê das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, a classificação deve se basear na descrição de todas as informações contidas nas posições e nas notas de Seção e no Capítulo, aplicandose as demais regras interpretativas apenas quando não colidirem com os textos das posições e notas. Na análise da classificação fiscal a i. Auditora, já utilizando a tese do "Laudo pericial" elaborado por um engenheiro elétrico, o texto contido na posição 8543 abarca a característica prevista no nível de subposição, no caso a subposição residual 8543.70 Outras máquinas e aparelhos, o que é consenso entre o Contribuinte e o Fisco. O Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), de fato emitiu parecer de classificação para equipamento semelhante aos autos (Anexo Único da Instrução Normativa RFB n2 873, de 26 de agosto de 2008), no qual indicou a mesma subposição utilizada na classificação dos equipamentos da Requerente (Código: 8543.70). Como já mencionado, as regras interpretativas do Sistema Harmonizado (SH) só serão aplicadas quando não colidirem com as notas dos capítulos e seções, pelo que deve ser afastada a aplicação da regra interpretativa supra mencionada no caso dos autos, considerando que as considerações técnicas apontam que a função de amplificação é essencial no equipamento. Assim, consoante as regras de interpretação, quando se possa identificar uma função como exclusiva ou principalmente destinada a uma máquina determinada, as partes classificamse na posição correspondente a esta mesma máquina. Na verdade, o equívoco ocorre na interpretação do texto contido na posição 8543, mais especificamente na classificação do item e do subitem, que pode ser verificado com base nos próprios fundamentos apresentados no termo de verificação (fls. 329 330). Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.150 13 A falha interpretativa é clara, pois a própria conclusão da i. Auditora, que utiliza como fundamento a RGI/SH 3, item "c", remete a uma premissa equivocada quando afirma que "por falta de subitem mais específico, a mercadoria classificase no subitem 8543.70.99 ‘outros’". Ora, se a tese apoiada pela fiscal é que existem duas funções específicas (amplificar e converter), ambas sendo equivalentes em grau de importância para o produto, poderíamos afirmar que, com base na posição 8543, existe um subitem específico para a função de amplificador (subitem 8543.70.12), ao contrário da função de converter que não apresenta subitem específico. Se nesta remota hipótese, da existência de funções (amplificar e converter) equivalentemente importantes ao produto, for ultrapassada a aplicação da Nota 3 da Seção XVI da NCM, seriam, consecutivamente, aplicáveis as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH) como fonte de resolução interpretativa, mas especificamente na Nota 3 da Seção XVI, em seu item "a". Conforme normativo seria necessário um subitem específico da função conversor para, somado ao subitem da função amplificador (subitem 8543.70.12), se configurar como duas posições específicas. Portanto, inobstante a suposta existência de duas funções em um mesmo produto só temos uma posição específica, que seria a função de amplificador (subitem 8543.70.12), motivo pelo qual ela prevalece sobre as posições genéricas, como "Outros". No caso apenas uma das funções apresenta posição específica, não podendo ser ignorada, pois o critério de classificação de mercadorias respeita o princípio da especificidade, ou seja, o produto se enquadra no código que mais especificamente o descreva. Para a aplicação do "Outros", quando tratarse de um artigo composto, deverá haver duas posições, cada uma delas se referindo a uma parte do produto. Resumindo, precisaria existir a posição "Conversor" e a posição "Amplificador" para que este aparelho, por ter as duas funções, não se enquadrasse em nenhuma delas em específico e fosse jogado para o "outros". Se não há uma posição específica para o conversor de sinais é evidente que não podemos considerar a posição amplificador de sinais e "outros" como igualmente específicas, pois a regra diz que cada uma delas deve se referir claramente a uma parte ou função do produto. Enfim, a regra é clara e deve ser utilizada a posição mais específica. A interpretação é literal, portanto a regra foi equivocadamente interpretada pela Nobre Auditora, devendo o Auto de Infração ser cancelado. Dos equipamentos importados em apreço (LNA, LNB ou LNBf), todos poderiam ser classificados no item 8543.70.1 Amplificadores de radiofrequência, mais adequado, dada a Fl. 2156DF CARF MF 14 especificidade da posição, seria a classificação com equipamento similar no tocante ao subitem 8543.70.12. Outrossim, com o devido respeito, a i. Auditora e o Engenheiro Elétrico que respondeu os quesitos nos autos desconhecem que o equipamento LNB, tendo em vista ser uma evolução do LNA, ou seja, no amplificador de radiofrequência, no decorrer do tempo, acresceu outras funcionalidades, dentre elas, a conversão em estágio mais simplificado. Como será demonstrado, é tecnicamente inadequado considerar a função de conversão como essencial no equipamento que prevê a amplificador de radiofrequência, tendo em vista se tratar de função acessória e independente da função principal. A interpretação da classificação fiscal deve sempre buscar a identificação do produto que tenha mais similaridade, evitando o lançamento em códigos residuais que não contribuem para o papel estatístico da NCM. Com relação às duas Soluções de Consultas abordadas no Termo de Verificação, cabe registrar que é facilmente perceptível o equívoco nas premissas técnicas utilizadas para resolução do caso, tendo em vista que as duas funções são colocadas num mesmo patamar, perpetuando o mesmo erro na solução do caso. Dessa forma, as referidas soluções de consulta não podem produzir os efeitos almejados pela autoridade fiscal ao presente caso ante a inexatidão dos elementos necessários à sua solução, além de versarem sobre matéria estranha à legislação tributária e aduaneira. Ressaltese ainda que as já citadas soluções de consulta equivocadamente traduzem os LNB e LNBf como "Equipamento conversor de frequências e amplificador de sinais...", quando deveriam traduzilos como "Equipamento amplificador de sinais de baixo ruído para comunicações por satélite...", dentro da 8543.70.12, a qual é a única classificação que pode ser encontrada junto à NCM que tem aderência à funcionalidade primordial do LNA/LNB/LNBf. Do conteúdo técnico fica cristalino que a função amplificador é a função principal dos equipamentos LNB e LNBF. Nunca é demais repetir que a função conversor não pode ser considerada principal ou equivalente a função de amplificação, pois sua natureza é secundária, de função acessória, tendo em vista que a retirada do conversor não inviabiliza as comunicações satelitais, não afeta a função de amplificador, pois esta pode ocorrer em qualquer ponto da cadeia de equipamentos, desde que ocorra após a amplificação com baixo ruído. Ao contrário, se retirarmos o estágio amplificador, por consequência, o sinal do satélite de baixíssimo ruído que é recebido pela parábola da antena não será amplificado dentro do LNA/LNB/LNBf, assim, as comunicações satelitais se Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.151 15 inviabilizam completamente e o conversor sequer é acionado, ou melhor dizendo, o produto deixa de funcionar. A função de amplificar e converter não são alternativas ou equivalentes, pois o conversor não opera sem o funcionamento do amplificador e não são complementares, pois o amplificador funciona independentemente do acionamento do conversor. No termo de verificação fiscal podemos observar que a Auditora responsável aponta que houve aplicação equivocada da nomenclatura no registro do equipamento de amplificação de radiofrequência de baixo ruído. Segundo a i. Auditora, os produtos identificados nas DI's em análise são comercialmente denominados de LNBF. Com intuito de elucidar a questão, a Requerente esclareceu que os equipamentos de amplificação de radiofrequência baixo ruído são os aparelhos "chamados de LNA ou LNB ou LNBF, os quais têm como função primordial, ou cerne, sua capacidade de amplificar sinais com baixíssimo acréscimo de ruído e que esses aparelhos contém um pequeno conversor básico de um estágio apenas. (...)", ou seja, a principal funcionalidade do equipamento é a amplificação do sinal. Todas as afirmações explanadas pela i. Auditora foram subsidiadas por premissas sem fundamento técnicocientífico, com fontes originadas da internet, ou com fontes de caráter geral, de nível superficial de conhecimento com relação a especialidade do técnico responsável (laudo emitido por engenheiro eletricista), cujo trabalho foi pautado pela conjugação de manifestações esparsas disponíveis na internet com a posição do Engenheiro elétrico, consolidando uma simples avaliação lógica de tais informações, sem cunho acadêmico hábil a embasar seguramente a funcionalidade e a constituição do equipamento em análise. Inobstante um laudo que na verdade apenas responde aos quesitos da i. Auditora, é fato que a manifestação de um engenheiro elétrico não possui o mesmo grau de complexidade de uma manifestação conduzida por professores especialistas do Centro de Estudos em Telecomunicações da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC/Rio, o que reforça a propriedade dos apontamentos trazidos pela Requerente. Com relação ao documento intitulado de "A Televisão Via Satélite" é oportuno ressaltar que se trata de um trabalho de licenciatura com 23 laudas, produzido por acadêmicos em fase final de formação técnica, assim, deve ser levado em conta o estágio de aprendizado acadêmico, não podendo ser considerando ou utilizado como uma fonte científica primária de consulta. Embora o documento aponte acertadamente que o ponto "crucial" é a amplificação de baixo ruído, erroneamente pode ser inferido, diante da ordem dos parágrafos em comento, que o Fl. 2158DF CARF MF 16 LNBf faz a conversão de frequência antes da amplificação, o que é uma falsa premissa. Todos os equipamentos LNB e LNBf do mundo amplificam com baixo ruído antes de realizar qualquer outro tratamento de sinal. Sem o primeiro estágio de amplificação com baixo ruído, é impossível realizar qualquer filtragem ou conversão de frequência que seja. Outrossim, em função da enorme distância entre o satélite e a Terra (da ordem de 36.000Km), o nível de sinal proveniente do satélite chega à Terra muito fraco, com potência abaixo de 0,0000000000001W. Este nível de sinal é praticamente o mesmo nível de potência encontrado para o ruído existente no meio ambiente. A comunicação via radiofrequência somente é possível caso o sinal útil esteja acima do ruído, (caso contrario o sinal útil ficaria afetado pelo ruído e não poderia ser demodulado reconstituído), assim, a viabilidade das comunicações por satélite reside exatamente no fato de utilizarmos equipamentos capazes de amplificar este sinal útil de baixíssima potência com baixíssima adição ruído. Somente após o processo de amplificação do sinal com baixa adição de ruído, aumentando o nível deste sinal para valores que garantam a sua imunidade, é que os demais tratamentos de sinais, de forma acessória são passíveis de execução, tais como as conversões de frequência, filtragens, decodíficações e outros. Assim, após a amplificação do sinal por mais de 200.000 vezes, os LNB fazem um simples processo de conversão de frequência, no qual a frequência recebida do satélite é diminuída da ordem de apenas 4 a 10 vezes, sendo que a única finalidade da conversão é viabilizar a utilização de cabos coaxiais mais baratos para a interconexão entre o LNBf instalado na antena e os demais equipamentos que se encontram dentro da sala de equipamentos e/ou casa do usuário. Cabe salientar que o transporte do sinal entre um LNA ou LNB ou LNBf, até os equipamentos que se encontram na sala de equipamentos e/ou casa do usuário, pode ocorrer através do cabo coaxial, independentemente de ser LNA, LNB ou LNBf. Registrese que a finalidade da conversão de frequência ocorrida nos LNB e LNBF apenas possibilita o uso de cabos coaxiais de baixo custo se compararmos os cabos necessários no equipamento LNA. Desta forma, fica patente que a principal finalidade de um equipamento responsável pela integração via satélite não é o procedimento de conversão, mas a amplificação de baixo ruído (LNA) do sinal recebido dentro dos equipamentos LNA, LNB ou LNBf. Mesmo que se retire o conversor de dentro do LNB ou LNBf, as comunicações satelitais ainda serão possíveis, pois a conversão que ocorre dentro do LNB/LNBf, pode ocorrer em qualquer Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.152 17 ponto da cadeia de equipamentos, desde que ocorra após a amplificação com baixo ruído. A função conversor não pode ser considerada principal ou equivalente a função de amplificação, pois sua natureza é secundária, de função acessória a principal, tendo em vista que a retirada do conversor não inviabiliza as comunicações satelitais, pois esta pode ocorrer em qualquer ponto da cadeia de equipamentos, desde que ocorra após a amplificação com baixo ruído. Ao contrário, se retirarmos o estágio amplificador, por consequência, o sinal do satélite de baixíssimo ruído que recebido pela parábola da antena não será amplificado dentro do LNA/LNB/LNBf, assim, as comunicações satelitais se inviabilizam completamente. Outro ponto que merece abordagem é quanto ao Laudo pericial utilizado pela i. Auditora, cujo material foi essencial para definição das premissas sobre o funcionamento dos produtos importados. Apesar de o material ter sido rotulado como "Laudo Pericial" é importante lembrar que o termo perito apresenta como principal característica a sua especialidade técnica, expertise no assunto, todavia, o perito, Engenheiro eletricista, escolhido pela i. Auditora não pode ser considerado um Engenheiro de Telecomunicações, ou seja, com experiência na área de telecomunicações, mais especificamente no que se refere a comunicações por satélite. Inobstante a ausência de juntada de currículo, o próprio conteúdo do Laudo pericial demonstra que o conhecimento do ilustre colega é superficial, ou utilizado um termo mais claro, na mesma condição de um leigo, tendo em vista que em momento algum o "laudo" apresentou cálculos quantitativos, aptos a aferir as assertivas extraídas da publicação EARTH STATION TECHNOLOGY, juntada aos autos, que chega a conclusão que a contribuição de ruído gerada pelo conversor, no cálculo do ruído total do sistema é negligível. Nunca é demais reiterar que a amplificação de baixo ruído está 100% localizada dentro do LNBf, e implementado em um circuito específico; ao contrário da funcionalidade de conversão, a qual está dividida no LNBf e no receptor, sendo que apenas uma pequena conversão é realizada dentro do LNBf, sendo as demais principais conversões são implementadas no receptor (STB SetTop_Box) que fica dentro da residência do usuário do sistema, e não no LNBf. Ao contrário, se retirarmos o amplificador de baixo ruído de dentro do LNBf, o conversor interno ao LNBf não irá funcionar, assim como nada irá funcionar ou nenhum outro equipamento de telecomunicações irá conseguir converter ou demodular nenhum sinal, ou seja, sem a presença do amplificador de ruído dentro do LNBf, toda a comunicação se inviabiliza. Fl. 2160DF CARF MF 18 Se tivesse que fazer uma analogia entre um automóvel e um sistema de recepção de TV via satélite, diríamos que a antena corresponde ao chassi do automóvel, diria que a parte da amplificação de baixo ruído é o motor, e o conversor a transmissão. Podemos até tirar a transmissão que o carro ainda mantém sua característica de locomoção, mas o mesmo não acontece com a retirada do motor. Com intuito de trazer esclarecimentos técnicos ao processo administrativo, a Requerente providenciou uma Parecer técnico, por professores especialistas do Centro de Estudos em Telecomunicações da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro PUC/Rio (fls. 123). Insta consignar, conforme currículos já presentes aos autos, que se trata da manifestação de professores do Centro de Estudos de Telecomunicações da Pontifícia Universidade Católica do RJ, os quais são referencias nacionais e internacionais para o assunto de modelo de canal de comunicação via satélite, ruído e cálculo e dimensionamento de enlaces de telecomunicações via satélite, os quais respondem de forma isenta, clara e inequívoca sobre a supremacia da importância da parte amplificadora de baixo ruído sobre a parte conversora de frequência. A título exemplificativo, se computarmos o percentual do custo ou do peso dos componentes que compõem a parte amplificadora de baixo ruído contra o percentual do custo da parte conversora, identificaremos que a parcela responsável pela amplificação de baixo ruído significa mais de 70% do custo contra menos que 30% da parte conversora, o que comprova sua relevância superior. Assim, colocadas as verdadeiras premissas técnicas sobre as funcionalidades do equipamento de amplificação de radiofrequência de baixo ruído, fica patente que o fator amplificação é a essência do produto e o fator conversão apenas mais um dispositivo acessório ao principal. Do exposto requer seja deferido o pedido da Requerente, no que tange à classificação fiscal de mercadorias no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), quanto da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) para considerar correta a classificação do equipamento na posição 8543.70.12 da NCM – Outras máquinas e aparelhos para recepção de sinais de microondas de baixo ruído (LNA) na banda de 3.600 a 4.200 MHz, com temperatura menor ou igual a 55 Kelvin, para telecomunicações via satélite, considerando sua especificidade. Outro questionamento do procedimento fiscal referese às Declarações de importação do equipamento GUIAS DE ONDA FLEXÍVEIS. Segundo o mandado de procedimento fiscal, houve falha na classificação da mercadoria, tendo em vista se tratarem de "simples tubos de latão chapeado de prata". No caso em comento, novamente o desconhecimento técnico científico da i. Autoridade fiscal gerou uma classificação equivocada com relação as características da mercadoria. Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.153 19 Importante destacar que as premissas e as conclusões utilizadas para emissão do termo de verificação do procedimento fiscal é fruto da simples verificação de "descrições e ilustrações", ou seja, inobstante o louvável e árduo trabalho desempenhado pela Auditora Fiscal, na elucidação e resolução das classificações fiscais, a ausência de conhecimento técnico da servidora, principalmente na área da tecnologia, cria distorções nefastas ao processo de importação da Requerente. Ocorre que o material importado ("guias de ondas") são utilizados especificamente para transportar sinais de micro ondas em antenas e sistemas de equipamentos transmissores e/ou receptores radiofrequência em microondas. Devido às características das ondas eletromagnéticas em frequências elevadas, (como são as frequências de microondas utilizadas em comunicações satelitais ou em comunicações terrestres de alta capacidade de tráfego), os sinais podem ser transportados em estruturas cilíndricas denominadas guia de onda. Dada a criticidade desta função (transporte de sinais eletromagnéticos de microondas em guia de onda) e a necessidade de se interconectar guias de onda provenientes de quaisquer fabricantes equipamentos transmissores, receptores e de antenas proveniente de qualquer pais, estas estruturas atendem normas rígidas e internacionais próprias, como a IEC 60636 (Flexible waveguide assembly) e a IEC 60153 (Hollow Metallic Waveguides) dentre outras normas. Assim, não existe no mercado nenhum tubo comercial que tenha as dimensões padronizadas pelas normas, ou seja, estas guias de onda tem dimensões muito particulares, próprias para o transporte do sinal de microondas. Importante ressaltar que a mercadoria não é encontrada junto a fornecedores de tubos, sendo somente fabricada e fornecida por empresas especializadas na fabricação de artigos para microondas e antenas, as quais também não fabricam tubos ordinários de mercado como são os tubos sugeridos no Termo de Verificação Fiscal que são ordinariamente classificados nas posições 71.06 e 71.07. Ou seja, a mercadoria objeto da importação não tem outra finalidade a não ser utilização para o transporte de sinais de microondas. Do mesmo modo, este tipo de guia não tem função estrutural, logo, não tem resistência mecânica de um tubo de mesma dimensão com função estrutural, não podendo ser utilizado em qualquer outra aplicação fora de sistemas de microondas, em função de seu elevado custo. Portanto, podemos constatar claramente que, diferente do visualizado pela verificação fiscal, a mercadoria importada não pode ser enquadrada numa posição residual, e sim numa posição Fl. 2162DF CARF MF 20 específica, considerando a sua finalidade exclusiva acima abordada. A classificação deve se basear na descrição das posições e nas notas de Seção e de Capítulo, aplicandose as demais regras interpretativas apenas quando não colidirem com os textos das posições e notas. Considerando que a mercadoria importada é de natureza exclusiva, conforme esclarecimentos técnicos acima, podemos dizer que a classificação deve buscar uma posição equivalente. Tendo em vista que se trata de um produto com finalidade específica para os aparelhos das posições 85.25 a 85.28 seria demasiadamente equivocada a reclassificação para "Metais comuns folheados". Consoante às regras de interpretação, a posição escolhida pela Requerente é a que mais se ajusta a classificação da mercadoria. O critério de classificação de mercadorias deve respeitar o princípio da especificidade, ou seja, o produto se enquadra no código que mais especificamente o descreva. Desta forma, a interpretação da classificação fiscal deve sempre buscar a identificação do produto que tenha mais similaridade, evitando o lançamento em códigos residuais que não contribuem para o papel estatístico da NCM. Importante registrar que a NCM, utilizada na aquisição destes guias pela Requerente é exatamente a mesma utilizada por outros fabricantes de antenas nos EUA, na Inglaterra, dentre outros países. O bico ROCTEC é um composto de metal duro à base de tungstênio que utiliza o processo ROC (Compactação Rápida Omnidirecional) na sua formação, permitindo a combinação materiais cerâmicos avançados sem a necessidade de um ligante de metal mole. Como bem apontado por este Órgão de Fiscalização, os bicos roctec long life destinamse para máquinas de corte de jato d'água ou a jato de águaabrasiva, próprias para cortar matérias com maior precisão dimensional e capacidade de realizar cortes mais longos, sem interrupções. Segundo manifestação errônea do Fisco, inscrita no termo de verificação, a contribuinte teria supostamente classificado tais produtos no código 8543.70.12, correspondente aos amplificadores de radiofrequência para recepção de sinais de microondas de baixo ruído (LNA) na banda de 3.600 a 4.200 MHz, com temperatura menor ou igual a 55º Kelvin, para telecomunicações via satélite. Todavia, a afirmação é totalmente equivocada. Referida classificação foi feita na NCM 85439090 "Máquinas e aparelhos elétricos com função própria, não Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.154 21 especificados nem compreendidos em outras posições do presente Capítulo", decorreu da busca do enquadramento mais próximo, face a dificuldade do seu enquadramento, dada a especificidade deste tipo de máquina que não é usual, o que dificultou a compreensão do setor administrativo encarregado pela classificação. De mais a mais, aquiescemos que a reclassificação está correta, correspondente à posição 84.66.93.19, que inclui as "partes e acessórios reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados a máquinas das posições 84.56 a 84.65.", motivo pelo qual irá recolher a diferença dos tributos remanescentes. Todavia, não houve máfé por parte da Contribuinte quando da classificação errônea dos já citados produtos. Tanto é que a Requerente não obteve nenhuma vantagem econômica com a classificação, tendo em vista que a diferença de tributos é mínima, ou quase inexistente. Não há qualquer evidência que indique ter a Requerente agido com dolo específico em lesar o erário ou ainda que mera tentativa de burlar o controle aduaneiro. Tratase, portanto, de erro escusável da Contribuinte, considerando que não se trata de erro grosseiro, o que de acordo com o entendimento jurisprudencial, suficiente a justificar o afastamento da aplicabilidade das multas impostas. Diante disso, pugna pelo recolhimento das diferenças de tributos com a consequente inaplicabilidade das multas impostas em razão classificação equivocada dos produtos, uma vez que a contribuinte sempre agiu de boafé sem qualquer interesse em lesar o Fisco, hipótese que, de acordo com os julgados apresentados (fls. 1.637), afastam as penalidades impostas. Segundo o mandado de procedimento fiscal, houve falha na classificação da mercadoria CONECTOR PARA CABO COAXIAL RG6, tendo em vista se tratar de item de classificação 8536.90.90 Conectores coaxiais para a ligação de cabos, circuitos elétricos, rádios e antenas, tipos macho e fêmea, 90º, reto, "crimp" e prensacabo, apresentados em vários modelos. No caso em comento, novamente o desconhecimento técnico científico da i. Autoridade fiscal gerou uma classificação equivocada com relação as características da mercadoria. Ocorre que o produto em comento tratase de "conector coaxial para radiofrequência do tipo F" cuja finalidade abarca especificamente o transporte de sinais de radiofrequência e microondas em antenas e sistemas de equipamentos transmissores e/ou receptores radiofrequência em microondas. Fl. 2164DF CARF MF 22 Devido às características das ondas eletromagnéticas em frequências elevadas, (como são as frequências de microondas utilizadas em comunicações satelitais ou em comunicações terrestres de alta capacidade de tráfego), os sinais podem ser transportados em estruturas cilíndricas denominadas guia de onda, ou cabos coaxiais, guias de onda coaxiais (ou conectores coaxiais) como é o caso em questão. Assim, estes conectores não têm outra finalidade a não ser utilização em equipamentos e antenas de radiofrequência e microondas. Tratase de um componente (conector coaxial de RF) usualmente aplicado a um cabo coaxial para unir eletricamente partes de linhas de transmissão coaxiais para guiar ondas eletromagnéticas. A utilização da classificação NCM 8529.90.19 foi utilizada tendo em vista que tais conectores coaxiais são exatamente encontrados nos aparelhos transmissores e receptores de radiofrequências, ou seja, são partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos da posição 85.25, sendo assim, o produto descrito tem aplicação relacionada a aparelhos transmissores e receptores, fazendo parte da linha coaxial que proporciona a interface necessária entre estes aparelhos. A classificação indicada na posição 85.35 é equivocada, pois enquadra artigos para conexão de circuitos elétricos, destinados a quadros e equipamentos de distribuição de energia elétrica, que não tem qualquer relação com equipamentos de radiofrequência, que estão concentrados em outras classes como 8517, 8525, 8526, 8527, 8528, 8529 e 8530. A classificação apresenta enquadramento inadequado inclusive na ótica de profissionais da área, como engenheiros eletrônicos de telecomunicações, tendo em vista a destinação do conector coaxial de radiofrequência em qualquer das subclasses abaixo da 8535, (ou mesmo em outras destinadas a artigos para eletricidade como 8536, 8537, 8538 e 8539). Portanto a classificação indicada pelo fisco, na ótica técnica é inadequada quando enquadra seus artigos de conexões e distribuições de natureza exclusivamente elétrica, não havendo qualquer similaridade com os produtos para radiofrequência. Desta forma, a posição 8529.90.19, é a única classificação coerente com a funcionalidade do produto e identificada junto à NCM, cujo emprego é utilizado exclusivamente em sistemas de radiofrequência. Ou seja, a mercadoria objeto da importação não tem outra finalidade a não ser utilização em sistemas de radiofrequência. Portanto, podemos constatar claramente que, diferente do visualizado pela verificação fiscal, a mercadoria importada não pode ser enquadrada numa posição residual, e sim numa posição específica, considerando a sua finalidade exclusiva acima abordada. Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.155 23 Considerando que a mercadoria importada é de natureza exclusiva para em sistemas de radiofreqüência, podemos dizer que a classificação deve buscar uma posição equivalente, tendo em vista que não sua finalidade não é associada a condução elétrica. Tendo em vista que se trata de um produto com finalidade específica para os aparelhos das posições 85.25 a 85.28 seria demasiadamente equivocada a reclassificação para produtos de conexão elétrica. Desta forma, como já mencionado, as regras interpretativas do Sistema Harmonizado (SH) só serão aplicadas quando os "textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições", considerando que a ausência de posição expressa com relação cabos coaxiais em questão, aplicase a regra de interpretação nº. 4. Assim, consoante às regras de interpretação, a posição escolhida pela Requerente é a que mais se ajusta a classificação da mercadoria, pois o critério de classificação de mercadorias deve respeitar o princípio da especificidade, ou seja, o produto se enquadra no código que mais especificamente o descreva. Desta forma, a interpretação da classificação fiscal deve sempre buscar a identificação do produto que tenha mais similaridade, evitando o lançamento em códigos residuais que não contribuem para o papel estatístico da NCM. Do exposto, requer seja deferido pedido, no que tange à classificação fiscal de mercadorias, para considerar correta a classificação do equipamento na posição 8529 PARTES RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS APARELHOS DAS POSIÇÕES 85.25 A 85.28", no código "8529.90.19 OUTRAS, considerando ser a única classificação aderente à funcionalidade do produto, dada sua especificidade. Com relação a classificação do produto denominado Cola de silicone, relacionados no item 2.5 do termo de verificação, foram classificados na NCM 3506.10.90, que compreende as colas e adesivos. Vale registrar que a contribuinte classificou os produtos na NCM 3506.10.90 por entender que seria a classificação mais apta a definir as características do produto. Observese que, tomandose o próprio conceito do produto, o enquadramento pela contribuinte realizado se mostra coerente. De mais a mais, devese destacar que não há qualquer circunstância evidenciando máfé na conduta do contribuinte que caracterize o ânimo de fraudar o Fisco. Notese que jamais teria classificado o produto de forma errônea se a realidade fosse do seu pleno conhecimento. Fl. 2166DF CARF MF 24 No presente caso, não houve qualquer redução considerável da exação em relação ao montante do tributo devido, um vez que o Imposto de Importação recolhido foi 2% maior que o encontrado na classificação indicada pela i. Auditora, o que demonstra a boa fé da Requerente quando da classificação dos já citados produtos. O erro a justificar a imposição de penalidade pressupõe o dolo específico de executar o ato e de produzir um determinado resultado, diferentemente do caso em tela, em que a classificação equivocada não se deu para o fim de lograr o Fisco. Como dito alhures, não houve máfé por parte da contribuinte quando da classificação errônea dos já citados produtos. Tanto é que a contribuinte não obteve nenhuma vantagem com o erro ocorrido na Declaração de Importação, pois a diferença de tributos é mínima, quase inexistente. Tratase, igualmente, de erro escusável da contribuinte considerando que não se trata de erro grosseiro, o que de acordo com o entendimento jurisprudencial afasta a incidência das multas impostas. Diante do exposto, pugna pelo recolhimento das diferenças de tributos com a consequente inaplicabilidade das multas impostas em razão classificação equivocada dos produtos, uma vez que a contribuinte sempre agiu de boafé sem qualquer interesse em lesar o fisco, hipótese que de acordo com o enunciado jurisprudencial acima afasta as penalidades impostas. Da revisão fiscal e da modificação do critério jurídico Consoante acima relatado, a Receita Federal no procedimento fiscal em referência, entendeu por revisar as operações de importação da Requerente no período de Janeiro/2009 a Julho/2013 e, ao final, determinou a reclassificação das mercadorias, com a consequente intimação para recolhimento dos tributos incidentes, além de imputar multa pela classificação indevida. O ponto central das divergências que ensejaram a reclassificação das mercadorias revolve diretamente o conhecimento técnicocientífico na área de tecnologia, ou seja, não se trata de uma verificação pura e simples a ser elucidada sem correr o risco de cometer erro patente no seu enquadramento, ou seja, a questão aborda matéria extremamente complexa consoante esclarecimentos dispostos na presente impugnação. Em todos os casos, as normas de interpretação foram necessárias a identificação da classificação fiscal mais exata, tendo em vista a ausência de posição expressa, e conforme acima pontuado, os equívocos na classificação do fisco decorrem de ausência de conhecimento técnicocientífico mais aprofundado da autoridade fiscal responsável. Ocorre que os equipamentos que foram objeto de despacho aduaneiro nos últimos anos e que foram citados no presente Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.156 25 procedimento fiscal tiveram uma modificação de critério jurídico, na medida em que o Fisco, após diversos desembaraços, busca a revisão aduaneira ao trazer nova interpretação sobre os equipamentos importados pela Requerente. A Revisão Aduaneira, numa análise mais abrangente da norma tributária, deve ser analisada conjuntamente com o Código Tributário Nacional. É fato que todas as declarações de importação em análise nestes autos passaram pelo desembaraço aduaneiro da Receita Federal, momento no qual foi realizada a conferência da classificação fiscal da mercadoria e o prévio pagamento dos tributos, todavia, não houve qualquer irresignação da Autoridade Fiscal contra a classificação apresentada pela Requerente. As mercadorias já desembaraçadas pela aduana criaram uma expectativa de direito da Requerente, levando a mesma a acreditar que sua classificação estaria alinhada com a posição do Fisco, como ocorreu em relação ao Bico Roctec Long Life. Ainda mais importante com relação ao Amplificador de baixa frequência que possui conversor (LNB) e com a Guia de Onda Flexível, pois neste caso claramente houve erro na reclassificação dos equipamentos pela Autoridade responsável. Caber reiterar que a fiscalização não registrou em nenhum momento que a Requerente tenha agido com dolo, fraude ou simulação. Sendo assim, a revisão das DI's significa revisão de lançamento por erro e, no caso, erro de direito. Isso fica mais evidente quando observarmos a Autoridade fiscal proceder com a reclassificação anos após considerar o equipamento adequado, com patente mudança de entendimento. Vale registrar que tais mercadorias por diversas vezes passaram pela parametrização do canal vermelho da Aduana, ou seja, foram fisicamente verificados e desembaraçados sem qualquer óbice, para tanto comprovamos com a juntada de algumas Declarações de Importação (fls. 1.668 a 1.683). Desta forma, decorre a impossibilidade de realizar revisão aduaneira nas DI em comento, as quais já tinham o despacho aduaneiro encerrado. A jurisprudência há muito impede a revisão aduaneira nesta última hipótese. Tal procedimento é uma clara mudança de critério jurídico, que ameaça violar o princípio da boafé do contribuinte, além de implicar em violação do princípio da segurança jurídica. O novo critério interpretativo só pode ser aplicado para o futuro, jamais para o passado, conforme dispõe o art. 146 do CTN. Fl. 2168DF CARF MF 26 Na prática, a norma do art. 146 do CTN está a afirmar que a fiscalização de determinado contribuinte, sob a égide de um critério interpretativo então vigente, impossibilita a Autoridade Aduaneira de revisar período já fiscalizado a pretexto de que houve alteração no critério jurídico de interpretação. Portanto, nos termos da jurisprudência consolidada, os autos de infração lavrados, após o desembaraço aduaneiro, com revisão de lançamento, devem ser anulados seja em razão da mudança de critério jurídico seja diante da inaplicabilidade da multa em questão, sob pena de ameaçar os princípios da segurança jurídica. Na remota hipótese de ser entendida legal a revisão da classificação com modificação do critério jurídico, teríamos mais um ponto a ser questionado no novo lançamento, no caso a ausência de razoabilidade na aplicação de multa sobre o valor aduaneiro por classificação incorreta. se a Autoridade fiscal aceitou a classificação tarifária atribuída pela Requerente no momento do desembaraço aduaneiro das mercadorias, incabível seria a revisão posterior do lançamento motivado por erro de direito ou mudança de critério de classificação, conforme acima demonstrado. No caso concreto, a classificação da Nomenclatura Comum ao Mercosul, apresentou item equivalente/específico aos produtos importados, mas diante da inovação da Autoridade fiscalizadora na sua interpretação foi necessária a aplicação da regras interpretativas. Ao verificar os autos, podemos observar que não há qualquer menção nas autuações ou no termo de verificação que demonstrem alguma conduta dolosa da Requerente que tenha como objetivo fraude contra o Fisco. Ao contrário, a boafé da Empresa foi demonstrada em todo processo administrativo, onde a Requerente contribuiu para esclarecer tecnicamente à Receita sobre todas as características técnicas dos equipamentos de forma justificar a classificação fiscal indicada. Tanto é verdade, que o próprio termo de verificação foi confeccionado com material e respostas fornecidas pela Requerente. Inclusive, em alguns casos, foi praticamente inexistente a tributação da classificação adotada pela Requerente. Como foi a classificação fiscal do Bico Roctec Long Life. Assim, diante de tais evidências não há como se falar em máfé da Requerente, observando o disposto no artigo 112 do CTN. Do consolidado, a Requerente requer a reconsideração para afastar a aplicação da multa em razão da boafé do contribuinte, ainda mais se considerarmos a complexidade da classificação, a colaboração da Requerente no procedimento fiscal e a ausência de dolo na classificação fiscal. Requer ainda que seja anulada a reclassificação fiscal para considerar correta a classificação das Declarações de importação do Amplificador de radiofrequência com conversor (LNB/LNBf) na posição 8543.70.12 da NCM Para recepção de Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.157 27 sinais de microondas de baixo ruído (LNA) na banda de 3.600 a 4.200 MHz, com temperatura menor ou igual a 55 Kelvin, para telecomunicações via satélite, considerando sua especificidade; Requer também que seja anulada a reclassificação fiscal para considerar correta a classificação das Declarações de importação dos Guias de Onde Flexível na posição 8529.90.19 da NCM 8529 PARTES RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS APARELHOS DAS POSIÇÕES 85.25 A 85.28., considerando ser a única classificação aderente à funcionalidade do produto, dada sua especificidade. Requer que seja anulada a reclassificação fiscal para considerar correta a classificação das Declarações de importação das mercadorias conector de cabo coaxial RG6, no que tange à classificação fiscal de mercadorias, para considerar correta a classificação do equipamento na posição 8529 PARTES RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS APARELHOS DAS POSIÇÕES 85.25 A 85.28", no código "8529.90.19 OUTRAS, considerando ser a única classificação aderente à funcionalidade do produto, dada sua especificidade. Requer que seja anulado todos os novos lançamentos fiscais da Contribuinte nos autos, tendo em vista a mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo ordenamento jurídico tributário; Requer que seja afastada a cobrança sobre as Declarações de importação do Amplificador de radiofreqüência com conversor (LNB/LNBf) e dos Guias de Onde Flexível, tendo em vista que a classificação fiscal foi correta; Pugna pelo recolhimento das diferenças de tributos com relação as Declarações de importação das mercadorias Bico Roctec Long Life e cola de silicone, uma vez que a classificação errônea não teve máfé, sem qualquer interesse em lesar o Fisco. Pugna pelo recolhimento das diferenças de tributos com relação as Declarações de importação das mercadorias conector de cabo coaxial RG6, no que tange à classificação fiscal de mercadorias, para considerar correta a classificação do equipamento na posição 8529 PARTES RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS APARELHOS DAS POSIÇÕES 85.25 A 85.28", no código "8529.90.19 OUTRAS, considerando ser a única classificação aderente à funcionalidade do produto, dada sua especificidade. Requer que seja afastada a multa em razão da boafé da contribuinte, considerando a complexidade da classificação fiscal, a colaboração da Requerente no procedimento fiscal e a ausência de dolo na classificação fiscal. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1686/1726), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário lançado Fl. 2170DF CARF MF 28 mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 REVISÃO ADUANEIRA. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A autuação em sede de revisão aduaneira não configura mudança no critério jurídico adotado pelo Fisco no exercício do lançamento, uma vez que é justamente nesse momento que tal prerrogativa é exercida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 CONVERSOR EM BLOCO DE BAIXO RUÍDO COM ALIMENTADOR HORN. FUNÇÕES DIVERSAS. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAR UMA ÚNICA FUNÇÃO PRINCIPAL. À luz das Regras de classificação fiscal, inferese que os equipamentos denominados conversores em bloco de baixo ruído com alimentador horn (LNBF) classificamse no código 8543.70.99 da Nomenclatura Comum do MercosulNCM e não no código 8543.70.12. GUIAS DE ONDAS FLEXÍVEIS. DESCRIÇÃO INCORRETA. MATÉRIAPRIMA DO PRODUTO ACABADO. TUBOS OCOS FLEXÍVEIS DE LATÃO REVESTIDOS DE PRATA. À luz das Regras de classificação fiscal, inferese que os equipamentos descritos pelo importador como guias de ondas flexíveis são na verdade tubos ocos flexíveis de latão revestidos de prata e classificamse no código 7107.00.00 da Nomenclatura Comum do MercosulNCM e não no código 8529.90.19. BICO ROCTEC LONG LIFE. PRODUTO ESPECÍFICO PARA MÁQUINAS DE CORTE DE JATO D'ÁGUA. À luz das Regras de classificação fiscal, inferese que os equipamentos denominados bico roctec long life, específicos para máquinas de corte de jato d'água, feitos de carbeto de tungstênio, classificamse no código 8466.93.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM e não no código 8543.70.12. CONECTOR PARA CABO COAXIAL. MATERIAL PARA LIGAÇÃO ELÉTRICA DE DOIS EQUIPAMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CLASSIFICAÇÃO COMO PARTE DE QUALQUER UM DOS EQUIPAMENTOS. USO GENÉRICO. À luz das Regras de classificação fiscal, inferese que os equipamentos denominados conectores para cabo coaxial não possuem função específica e não podem ser classificados como parte ou peça dos equipamentos que fará a ligação elétrica, Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.158 29 classificandose no código 8535.90.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM e não no código 8529.90.19. COLA DE SILICONE. USO ESPECÍFICO. VEDAÇÃO E IMPERMEABILIZAÇÃO. FUNÇÃO DE ASSEGURAR A ESTANQUEIDADE. À luz das Regras de classificação fiscal, inferese que os produtos descritos como cola de silicone são na verdade um mástique, que tem função de assegurar a vedação, impermeabilização, além de assegurar a estanqueidade, e como tal classificamse no código 3214.10.10 da Nomenclatura Comum do MercosulNCM e não no código 3506.10.90. CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MULTAS. A insuficiência de pagamento de tributos e contribuições incidentes na importação, em decorrência de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento das diferenças que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e multas no percentual de setenta e cinco por cento. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE E COM DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul ou em nomenclaturas complementares e descrita de forma incompleta na Declaração de Importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 16/12/2014, a recorrente foi cientificada da decisão primeira. Inconformada, em 9/1/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 1732/1810, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 2172DF CARF MF 30 A controvérsia cingese a questões preliminares e de mérito. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade do lançamento por mudança de critério jurídico. No mérito, alegou cobrança indevida das diferenças dos tributos lançados por reclassificação fiscal dos produtos importados e aplicação indevida da multa por erro de classificação fiscal dos produtos na NCM. I Da Preliminar de Nulidade da Autuação por Mudança de Critério Jurídico A recorrente alegou que, por configurar mudança de critério jurídico, era vedada a revisão aduaneira após o regular desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, inclusive, algumas delas após parametrização para o canal vermelho. Para a recorrente, o desembaraço aduaneiro das mercadorias havia criado um expectativa de direito, levando a acreditar que a classificação adotada estava alinhada com a posição do Fisco. A restrição da realização do lançamento de ofício, por mudança de critério jurídico, encontrase prevista no art. 146 do CTN, que tem o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifos não originais) De acordo com o referido preceito legal, verificase que, para a configuração da mudança do critério jurídico, três condições cumulativas devem estar presentes: a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de ofício, em que a autoridade administrativa tenha fixado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anterior seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de ofício) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiramse a um mesmo sujeito passivo. A primeira condição é imprescindível, para fim de configuração da alteração no critério jurídico. Sem o prévio ato de lançamento de ofício, a análise das demais condições, obviamente, revelase dispensável. E o lançamento de ofício é aquele realizado pela autoridade administrativa, segundo os procedimentos estabelecidos no art. 142 do CTN e desde que presentes as situações elencadas no art. 149 do CTN. No caso em tela, não há notícia de que tenha havido lançamento ofício, mas lançamento por homologação (ou autolançamento, segundo parte relevante da doutrina), conforme previsto no art. 150 do CTN, uma vez que a autuada foi quem apurou e recolheu antecipadamente o valor dos tributos informados nas respectivas DI, documento base do despacho aduaneiro de importação, que é o procedimento realizado com o objetivo de liberar (ou desembaraçar) a mercadoria importada e, simultaneamente, a apurar o crédito tributário devido na operação de importação. Tratase de procedimento de natureza mista, destinado à verificação do cumprimento das normas de controle aduaneiro e tributárias, incidentes sobre a operação de importação. O despacho aduaneiro processase em duas etapas sequenciais: a Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.159 31 primeira é denominada de fase de conferência aduaneira e a segunda de fase de revisão aduaneira. A fase de conferência aduaneira iniciase com o registro da DI e se encerra com o ato de desembaraço aduaneiro (liberação da mercadoria), proferido pela autoridade fiscal. Nessa fase é feita (i) a identificação do importador, (ii) a verificação da mercadoria e da correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e valor, e (iii) a confirmação o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. Por sua vez, a fase de revisão aduaneira iniciase com o ato de desembaraço aduaneiro e se encerra (i) com ato de ciência do autuado da exigência do crédito tributário lançado, ou (ii) com o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da DI. Nesta fase e feita apuração da regularidade do pagamento dos tributos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A principal justificativa para adoção das referidas fases no âmbito do procedimento de despacho aduaneiro de importação está relacionada com a premente necessidade de celeridade dos atos de liberação da imensa quantidade de mercadorias importadas e que são estocadas, diariamente, nos diversos recintos alfandegados brasileiros, situação que, certamente, impossibilita a fiscalização aduaneira de, na fase de conferência aduaneira do despacho, realizar um exame minucioso de todos os aspectos do controle aduaneiro e tributário atinentes aos inúmeros e diversificados despachos aduaneiros de importação que ingressam e se processam todos os dias nas inúmeras unidades aduaneiras da RFB. Dada essa circunstância, o processamento do despacho aduaneiro em duas fases tem por objetivo, de um lado, evitar ônus financeiro adicional aos importadores, em decorrência da demora na liberação das mercadoria, e de outro, permitir que a fiscalização aduaneira, após a liberação da mercadoria e enquanto não concluído o prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário e/ou aplicar penalidades pecuniárias, proceda análise pormenorizada das informações prestadas pelo importador, com o objetivo de verificar se as obrigações aduaneiras e tributárias foram corretamente cumpridas. Com base nessa breve explicação, fica evidenciado que o ato de desembaraço aduaneiro, que põe termo à fase de conferência aduaneira, não tem natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do autolançamento, por não atender os requisitos fixados no art. 150 do CTN. O referido o ato, enfatizase novamente, tem o efeito jurídico de autorizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decretolei 37/1966. E como todas as informações sobre a operação de importação consignadas na DI foram prestadas pelo próprio importador, previamente ao início do despacho aduaneiro, se algum critério jurídico foi definido até o ato de desembaraço aduaneiro, certamente, essa definição deve ser atribuída ao importador e não a autoridade fiscal, que, até então, limitouse apenas em liberar a mercadoria, sem ou com superficial análise dos dados e informações declarados importador. Não se pode olvidar, que, por expressa determinação constitucional (art. 146, III, “b”, da CF/1988), somente a lei complementar tem a função de especificar qual o ato administrativo tem o efeito de extinguir o crédito tributário. E o ato de desembaraço aduaneiro, inequivocamente, não se encontra mencionado no rol taxativo dos atos extintivos do crédito tributário, elencados no art. 156 do CTN. Fl. 2174DF CARF MF 32 Em razão dessas características, em consonância com o disposto no art. 1491, I, do CTN, há expressa previsão no art. 542 do Decretolei 37/1966, que a assegura a revisão do despacho aduaneiro de importação. No Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), o procedimento estava disciplinado no art. 570. No vigente RA/2009, o procedimento encontra se regulamentado no art. 638, que tem o seguinte teor: Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2º; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Assim, fica demonstrado que, diferentemente do alegado pelos recorrentes, o procedimento de revisão aduaneiro em apreço tinha expressa previsão legal e foi realizado em conformidade com os preceitos normativos que disciplinam o assunto, portanto, não merece qualquer reparo. Entretanto, ainda que não houvesse expresso amparo legal para a realização do procedimento de revisão aduaneira, ou que tivesse havido prévio ato de lançamento de ofício ou homologação expressa do autolançamento, o que se admite apenas para a argumentar, ainda assim, no caso em tela, a realização dos questionados lançamentos poderiam ser efetuados com respaldo no art. 1493, IV e VII, do CTN, uma vez que, ao contrário do alegado 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; [...]. 2 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 3 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; [...]. Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.160 33 pelos recorrentes, encontrase cabalmente comprovado nos autos tanto a falsidade ideológica das faturas comerciais apresentadas, quanto a fraude do valor aduaneiro declarado nas respectivas DI. Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência da alegação de que havia vedação à realização do procedimento de revisão aduaneira que culminou com a lavratura dos presentes autos de infração. II Das Questões de Mérito No mérito, o litígio cingese (i) a cobrança das diferenças dos tributos lançados em decorrência da alteração da alíquota por alteração da classificação fiscal dos produtos importados e (ii) a aplicação da multa regulamentar por erro de classificação fiscal dos produtos na NCM. II.1 Do Lançamento das Diferença de Tributos Segundo o Termo de Verificação Fiscal (fls. 298/350), a classificação correta dos produtos importados na NCM implicaram alteração das alíquotas dos tributos devidos na importação, que resultou na apuração das diferenças dos tributos lançados nas presentes autuações. Os produtos importados pela recorrente e reclassificados pela fiscalização foram os seguintes: a) LNBF AMPLIFICADOR/CONVERSOR DE BAIXO RUÍDO, COM ALIMENTADOR HORN, PARA ANTENAS; b) GUIAS DE ONDA FLEXÍVEIS, c) BICO ROCTEC LONG LIFE; d) CONECTOR PARA CABO COAXIAL RG6; e e) COLA DE SILICONE. Com o objetivo de facilitar e conferir objetividade, a análise da classificação fiscal dos referidos produtos na NCM será feita na mesma ordem apresentada no Termo de Verificação Fiscal e no recurso voluntário em apreço. Da classificação do LNBF (Low Noise Block Downconverter Feedhorn) Nas DI relacionadas na Tabela de fls. 299/315, o referido produto foi descrito como amplificadores de radiofrequência para recepção de sinais de microondas de baixo ruído (LNA) e classificado no código NCM 8543.70.12, enquanto que a fiscalização, com base nos catálogos, documentos apresentados pela recorrente e no laudo técnico de fls. 109/120, concluiu que se tratava de um “Conversor em Bloco de Baixo Ruído com Alimentador Horn (LNBF)” e o enquadrou no código NCM 8543.70.99. A divergência quanto à correta classificação fiscal do referido produto na NCM, a nível de item e subitem (desmembramento regional) ocorreu em razão da sua função ou do seu uso. Não há controvérsia quanto ao fato de que o referido produto desempenha, simultaneamente, duas funções: amplificar os sinais de entrada, introduzindo baixo ruído (amplificador de sinais), e converter a banda de frequências de entrada numa banda de freqüências mais baixas na saída (conversor de frequência). Fl. 2176DF CARF MF 34 Para a autuada, o citado produto tinha como função principal amplificar o sinal recebido do satélite. A conversão de frequência era função residual e menos importante no processo, podendo até mesmo ser realizado por outro equipamento. Por sua vez, com base no referido laudo técnico, a fiscalização inferiu que as funções de amplificar e de converter do referido equipamento eram igualmente importante. Para a fiscalização a função do equipamento é capturar o sinal enviado pelo satélite, amplificá lo com o menor ruído e posteriormente convertêlo em frequências intermediárias. Dessa forma, resta evidenciado que o ponto fulcral da divergência reside em saber se a função de amplificar e a função de converter são igualmente importantes para o desempenho do produto, como concluiu a fiscalização; ou se a função de amplificar é mais importante do que a função de converter, como alegou o sujeito passivo. Não é demais lembrar que o procedimento de classificação fiscal de mercadoria na NCM compreende duas fases distintas, a saber: a fase técnica e a fase jurídica. A primeira consiste na identificação física do produto, mediante a especificação de todos os seus aspectos técnicos relevantes para o enquadramento do produto em um dos códigos da NCM. A segunda diz respeito as normas sobre o enquadramento tarifário do produto na NCM, realizada em consonância com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGISH) e a Regra Geral Complementar (RGC1) da NCM, vigentes na data da ocorrência do fato gerador, com subsídio nos esclarecimentos contidos nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Dada essa configuração, a perfeita identificação do produto, com todos os elementos relevantes para o enquadramento tarifário, é condição indispensável para determinação do seu correto enquadramento em um dos códigos da NCM. Tratase do aspecto técnico do procedimento classificatório, para o qual se exige conhecimento especializado, função atribuída aos peritos e aos órgãos de assistência técnica credenciados perante as Unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em conformidade com o disposto no caput do art. 30 do Decreto 70.235/1972. Assim, caracterizada a necessidade de quantificação ou identificação de mercadoria importada, com respaldo no art. 5694 do Decreto 6.759/2009 (RA/2009), a fiscalização aduaneira ou o próprio importador, solicitará assistência técnica especializada, observado o disposto no art. 813 do RA/2009, a seguir transcrito: Art. 813. A perícia para identificação e quantificação de mercadoria importada ou a exportar, bem como a avaliação de equipamentos de segurança e sistemas informatizados, e a emissão de laudos periciais sobre o estado e o valor residual de bens, será proporcionada: I pelos laboratórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil; II por órgãos ou entidades da administração pública; ou III por entidades privadas e técnicos, especializados, previamente credenciados. 4 "Art. 569. Na quantificação ou identificação da mercadoria, a fiscalização aduaneira poderá solicitar perícia, observado o disposto no art. 813 e na legislação específica." Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.161 35 Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá ato normativo em que: I regulará o processo de credenciamento dos órgãos, das entidades e dos técnicos a que se referem os incisos II e III do caput; e II estabelecerá o responsável, o valor e a forma de retribuição pelos serviços prestados. (grifos não originais) Em conformidade com o disposto no citado art. 813 do RA/2009, o Secretario da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB 1020/2010. No art. 15 foram mencionadas as pessoas habilitadas a solicitar perícia técnica e nos arts. 31 e 32 foram estabelecidos os requisitos dos laudos periciais. Os citados preceitos normativos, seguem transcritos, para facilitar a compreensão: Art. 15. A perícia será solicitada por: I AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), no exercício da atividade fiscal; ou II importador, exportador, transportador ou depositário. § 1º Quando a perícia for solicitada por um dos intervenientes referidos no inciso II, caberá ao chefe da unidade local: I decidir quanto à sua conveniência e oportunidade, inclusive nos casos de instrução ou decisão em processo; e II designar órgão, entidade ou perito encarregado de sua execução. § 2º Quando a mercadoria a ser periciada se encontrar em local sob jurisdição de unidade da RFB distinta daquela interessada no procedimento fiscal, o chefe dessa unidade poderá solicitar à unidade com jurisdição sobre o local onde se encontra o bem a designação de órgão, entidade ou perito, para realização da perícia. § 3º Na solicitação de perícia, os quesitos considerados essenciais à identificação da mercadoria deverão ser formulados de maneira clara e concisa. [...] Art. 31. Os laudos periciais destinados a identificar e a quantificar mercadoria importada ou a exportar deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: I explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; II exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente à quantificação de mercadoria a granel; e Fl. 2178DF CARF MF 36 III indicação das fontes, referências bibliográficas e normas nacionais e internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial. § 1º Os laudos não poderão conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). § 2º Os laudos emitidos por órgãos ou por entidades da Administração Pública deverão ser assinados pelo perito responsável e por pessoa regimentalmente competente ou, na ausência de previsão regimental, pelo responsável por esses órgãos ou entidades, com indicação do ato que lhe confere os pertinentes poderes. § 3º Os laudos emitidos por peritos vinculados deverão ser assinados pelo responsável técnico e pelo representante legal da entidade privada. § 4º Os laudos deverão ser emitidos no prazo mínimo necessário, pelo menos em 2 (duas) vias de igual teor, sendo uma via para a RFB e outra para o interveniente, devendo, caso solicitado pela fiscalização, estar acompanhados do respectivo comprovante de registro de ART. § 5º Para os efeitos do § 4º, o prazo de apresentação dos laudos ou certificados de quantificação será de até 5 (cinco) dias úteis, contados da desatracação ou desfundeio da embarcação, conforme registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex Carga), salvo em casos devidamente justificados, a critério do chefe da unidade local da RFB. Art. 32. Os laudos periciais que não atenderem aos requisitos previstos no art. 31 somente serão aceitos se sanadas suas falhas ou omissões, no prazo de 5 (cinco) dias úteis da ciência da intimação da autoridade fiscal da unidade local da RFB, da Divisão de Administração Aduaneira (Diana) ou da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), conforme o caso. (grifos não originais) Nos autos, há dois laudos técnicos com conclusões dissonantes. O Laudo Técnico de fls. 109/120, solicitado pela fiscalização e elaborado por Engenheiro Elétrico credenciado perante a RFB, apresenta a conclusão, que a função de amplificação do sinal e a de conversão de frequência são imprescindíveis para o funcionamento do equipamento e possuem o mesmo grau de importância técnica para o correto funcionamento do equipamento. Enquanto que Parecer Técnico de fls. 123/125, elaborado a pedido da autuada, apresenta a conclusão de que a função de amplificação era primordial e a função de conversão era complementar. Por atender os requisitos determinados nos preceitos normativos anteriormente mencionados, aqui será levada em conta a conclusão apresentada no laudo técnico elaborado pelo Engenheiro Elétrico credenciado pela RFB, ou seja, que o produto em destaque tem duas funções principais de amplificar e converter o sinal de satélite recebido por uma antena parabólica. Assim, ficam rejeitadas todas as alegações suscitadas pela recorrente sobre a correta indicação do equipamento em destaque, em especial, a que trata de preponderância da função de amplificação do sinal. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.162 37 E uma vez definida a identificação do produto passase a analisar a sua correta classificação na NCM, a partir do item e subitem da subposição residual 8543.70, haja vista que não há controvérsia de que o produto pertence a referida subposição, que tem a seguinte subdivisão: 8543.70 Outras máquinas e aparelhos 8543.70.1 Amplificadores de radiofrequência 8543.70.11 Para transmissão de sinais de microondas de alta potência (HPA), a válvula TWT do tipo Phase Combiner, com potência de saída superior a 2,7kW 8543.70.12 Para recepção de sinais de microondas de baixo ruído (LNA) na banda de 3.600 a 4.200 MHz, com temperatura menor ou igual a 55 Kelvin, para telecomunicações via satélite 8543.70.13 Para distribuição de sinais de televisão 8543.70.14 Outros para recepção de sinais de microondas 8543.70.15 Outros para transmissão de sinais de microondas 8543.70.19 Outros 8543.70.20 Aparelhos para eletrocutar insetos 8543.70.3 Máquinas e aparelhos auxiliares para vídeo 8543.70.40 Transcodificadores ou conversores de padrões de televisão 8543.70.50 Simulador de antenas para transmissores com potência igual ou superior a 25kW (carga fantasma) 8543.70.9 Outros 8543.70.91 Terminais de texto que operem com código de transmissão Baudot, providos de teclado alfanumérico e visor, para acoplamento exclusivamente acústico a telefone 8543.70.92 Eletrificadores de cercas 8543.70.99 Outros (grifos não originais) Como se trata de máquina concebida para executar duas funções complementares, a Nota 3 da Seção XVI dispõe que a classificação deve ser feita de acordo com a função principal que caracterize o conjunto: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. (grifos não originais) Fl. 2180DF CARF MF 38 Assim, se a função principal do equipamento fosse a amplificação dos sinais, o equipamento pertenceria ao item 8543.70.1 “Amplificadores de radiofrequência”; porém, se fosse definido que a função principal era conversão de frequência, por falta de item mais específico, o aparelho enquadrarseia no item residual 8543.70.9 – “Outros” aparelhos. Porém, como o equipamento não tem uma função principal, conforme esclarecido no citado laudo pericial, porque ambas as funções de ampliar sinais e converter frequência são igualmente importantes e imprescindíveis para o funcionamento adequado do equipamento, ou seja, ambas as funções são importantes e imprescindíveis para a aplicação e uso a que se destina o produtos: uso doméstico, para ser aplicado em antenas destinadas a recepção de TV via satélite. Diante dessa constatação, recorrese aos esclarecimento das NESH relativas à Nota 3 da Seção XVI e nelas encontrase a seguinte orientação: Nos casos em que não é possível determinar a função principal e na ausência de disposições em contrário estipuladas no texto da Nota 3 da Seção XVI, aplicase a Regra Geral Interpretativa 3 c); é o que ocorre, por exemplo, a máquinas com funções múltiplas suscetíveis de se incluírem indiferentemente em várias das posições 84.25 a 84.30, em várias das posições 84.58 a 84.63 ou ainda em várias das posições 84.69 a 84.72. (grifos não originais) Dessa forma, nos casos em que não é possível determinar a função principal do equipamento, a referida explicação remete direto para o critério de classificação estabelecido na RGI nº 3´”c”, que dispõe o seguinte: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2"b" ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3"a", classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3"a" e 3"b" não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. (grifos não originais) E de acordo com a Regra Geral Complementar (RGC1), em relação ao desdobramento regional, aplicase as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.163 39 aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Assim, não sendo possível determinar a função principal do equipamento, ele deve ser classificado no item situado em último lugar na ordem numérica, dentre os suscetíveis de validamente se tomarem em consideração no referida subposição, que é o item 8543.70.9. E no âmbito deste item, por falta de subitem mais específico, a mercadoria deve ser classificada no subitem residual 8543.70.99 “Outros”, que corresponde ao código NCM atribuído ao produto pela fiscalização. Em suma, com base na Regra Geral Complementar da Nomenclatura do Mercosul RGC/NCM 1 combinada com a RGI/SH 3“c” (texto do item 8543.70.9 e do subitem 8543.70.99) da Tarifa Externa Comum, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, bem como nos esclarecimentos extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto 435/1992, e atualizadas pelas Instruções Normativas RFB 807/2008 e 1.072/2010, chegase a conclusão de que o equipamento analisado (LNBF) classificase no código NCM 8543.70.99. Para fim de reforçar a conclusão aqui apresentada, cabe consignar que a classificação do produto aqui analisado ou de seu similar já foi feita pelo Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), e pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana) e suas projeções regionais, conforme noticiado nos excertos extraídos do TVF, que seguem transcritos: O Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), emitiu parecer de classificação para mercadoria similar à do presente processo, conforme consta do Anexo Único da Instrução Normativa RFB nº 873, de 26 de agosto de 2008, e que se reproduz a seguir. Este Ato Normativo aprova a tradução dos pareceres de classificação expedidos pela OMA atualizados até julho de 2008 e adota como vinculativas as classificações das mercadorias neles contidas, assim como adota os mesmos pareceres de classificação como elemento subsidiário fundamental para a classificação de mercadorias com características similares às neles contidas. Código: 8543.70 2. Transformadorredutor a baixo nível de ruído (LNB), para ser montado em antena de sistema para recepção de emissões retransmitidas por satélite e servindo para amplificar os sinais de baixa intensidade e converter freqüências extremamente elevadas em freqüências da faixa VHF ou UHF. Em conformidade com a classificação emitida pela OMA, acima mencionada, que já havia sido publicada através da Instrução Normativa SRF nº 99/99, de 10 de agosto de 1999, a CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira – Coana classificou produto similar aos da presente ação fiscal por meio da Solução de Consulta Coana nº 5, de 25 de julho de 2002, conforme ementa a seguir transcrita: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 5 de 25 de Julho de 2002 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Fl. 2182DF CARF MF 40 Equipamento conversor de freqüências e amplificador de sinais, próprio para ser montado em antena de sistema de recepção de sinais de satélite, comercialmente denominado "LNB (Low Noise Blockconverter)" , classificase no código 8543.89.99 da NCM. De acordo com a Tabela de Correlação entre as edições de 2002 e 2007 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), elaborada pelo Comitê Técnico nº 1 do Mercosul, os produtos do código 8543.89.99 (2002) passaram a se classificar no código 8543.70.99 (2007). SH 2002 SH 2007 8543.89.99 8543.70.99 No mesmo sentido da solução de consulta COANA citada, temse as seguintes decisões em soluções de consulta, cujos fundamentos técnicos para classificação são adotados nesta fiscalização: Soluções de Consulta SRRF09/Diana nºs 77, de 01 de setembro de 2011 e 86, de 18 de outubro de 2013; Soluções de Consulta SRRF07/Diana nºs 09 e 10, de 19 de abril de 2011; Solução de Consulta SRRF06/Diana nº 43, de 12 de dezembro de 2013. Ilustrando o parágrafo anterior, a seguir encontrase a ementa da Solução de Consulta SRRF09/Diana nº 77, de 01 de setembro de 2011. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 77 de 01 de Setembro de 2011 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TEC 8543.70.99 Mercadoria: Equipamento conversor de freqüências e amplificador de sinais, com alimentador (feed), próprio para ser montado em antena de sistema de recepção de sinais de satélite, comercialmente denominado LNBF (Low Noise Blockconverter Feedhorn). Com base nessas considerações, ficam afastadas as alegações suscitadas pela recorrente sobre a interpretação do regramento sobre classificação fiscal e, em decorrência, deve ser mantida a classificação fiscal determinada pela autoridade fiscal. Da classificação das Guias de Onda Flexíveis Com base no catálogo, tabelas e esclarecimentos fornecidos pela autuada (fls. 07 e 294/295), o produto foi assim descrito no TVF pela autoridade fiscal: Como se vê nas descrições e ilustrações, tratase de tubos ocos flexíveis de latão, com ranhuras, chapeados com prata. Para se transformarem no artefato denominado guia de onda flexível que será usado em conjunto com uma antena esses tubos ainda sofrerão todo um processo de industrialização, descrito no catálogo já citado. O chapeamento de prata é utilizado para minimizar perdas. Por sua vez, a autuada, classificou esse produto no código NCM 8529.90.19, como outras partes de aparelhos das posições 85.25 a 85.28. Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.164 41 Como os produtos importados eram simples tubos de latão chapeados de prata, que para se transformarem em partes dos aparelhos a que vão servir ainda seriam cortados, adicionados de flanges nas extremidades e recobertos de borracha de silicone, concluiu a autoridade fiscal que eles não poderiam ainda ser incluídos na NCM de parte do referidos aparelhos, mas no código NCM 7107.00.00, que compreende os “metais comuns folheados ou chapeados (plaquê) de prata, em formas brutas ou subfaturadas”. De fato, com base na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI/SH 1 (texto das posição 71.07 e notas 1b, 4 e 7 do capítulo 71) e nos subsídios extraídos das NESH, aprovadas pelo Decreto 435/1992, e atualizadas pelas Instrução Normativa RFB 807/2008 e 1.072/2010, o referido produto classificase no código NCM 7107.00.00, conforme enquadramento dado pela fiscalização, e não no código NCM 8529.90.19, defendido pela recorrente. Para que não reste dúvida a respeito, seguem transcritos os textos das notas 1b, 4 e 7 da posição 71.07 e dos respectivos esclarecimentos da NESH: Notas da posição 71.07: 1. Ressalvado o disposto na alínea a) da Nota 1 da Seção VI e as exceções a seguir referidas, classificamse no presente Capítulo os artefatos, compostos total ou parcialmente: [...] b) De metais preciosos ou de metais folheados ou chapeados de metais preciosos (plaquê). [...] 4. A) Consideramse "metais preciosos" a prata, o ouro e a platina. [...] 7. Na Nomenclatura, consideramse "metais folheados ou chapeados de metais preciosos (plaquê)" os artefatos com um suporte de metal que apresentem uma ou mais faces recobertas de metais preciosos, por soldadura, laminagem a quente ou por processo mecânico semelhante. Salvo disposição em contrário, os artefatos de metais comuns incrustados de metais preciosos, consideramse folheados ou chapeados de metais preciosos (plaquê). NESH da posição 71.07: 71.07 Metais comuns folheados ou chapeados (plaquê) de prata, em formas brutas ou semimanufaturadas. (Altd. pela Instr. Norm. RFB 1.260/12, conforme texto aprovado pela Instr. Norm. RFB 1.202/11) Para a definição de folheados ou chapeados de metais preciosos, bem como para a assimilação desse conceito aos folheados ou chapeados de metais comuns, incrustados de metais preciosos, Fl. 2184DF CARF MF 42 deve reportarse à Nota 7 e às Considerações Gerais, deste Capítulo. O folheado de prata aplicase sobre ligas de estanho, de níquel, de zinco ou, sobretudo, de cobre; às vezes, aplicase sobre cobre puro ou sobre aço. Utilizase na fabricação de peças de ourivesaria (baixelas, objetos para ornamentação de interiores, etc.), de tubagem ou de recipientes ou de aparelhos para as indústrias química ou alimentar. As formas habituais incluídas nesta posição consistem em barras, varetas, perfis, fios, placas, chapas, folhas, tiras, lâminas ou tubos. Neste aspecto, as disposições da Nota Explicativa da posição 71.06 aplicamse, mutatis mutandis, a este caso. 71.06 Prata (incluindo a prata dourada ou platinada), em formas brutas ou semimanufaturadas, ou em pó. (Altd. pela Instr. Norm. RFB 1.260/12, conforme texto aprovado pela Instr. Norm. RFB 1.202/11) [...] Esta posição compreende a prata e respectivas ligas, nas seguintes formas: [...] IV) Em tubos, mesmo constituindo serpentinas, desde que não tenham sido transformados em partes ou órgãos de aparelhos. (Altd. pela Instr. Norm. RFB 1.260/12, conforme texto aprovado pela Instr. Norm. RFB 1.202/11) Em relação a esse ponto, sobre identificação do produto, sem amparo em prova técnica, a recorrente limitouse em apresentar alegações genéricas sobre as características do produto e a mencionar que a autoridade fiscal não tinha conhecimento técnico na área de tecnologia, o que não merece qualquer consideração a respeito, porque irrelevante para o deslinde da controvérsia. Quanto à classificação aplicável ao produto, alegou a recorrente que deveria ser aplicado o princípio da especificidade, ou seja, o produto deveria ser enquadrado no código que mais especificamente o descreva. A aplicação desse inusitado argumento, implicaria desconsideração de todo regramento sobre classificação fiscal acima mencionado, o que se revela totalmente descabido. Por todas essas razões, mantémse a classificação determinada pela autoridade fiscal, porque realizada em conformidade com a RGI/SH 1 (texto das posição 71.07 e notas 1b, 4 e 7 do capítulo 71) e nos esclarecimentos das NESH da referida posição, aprovadas pelo Decreto 435/1992, e atualizadas pelas Instrução Normativa RFB 807/2008 e 1.072/2010. Da classificação do Bico Roctec Long Life Segundo o TVF, com base na tabela/resposta do sujeito passivo (fls. 07 e 296), apurou a autoridade fiscal que os referidos produtos foram descritos como “Bicos acoplados ao cabeçote da maquina de corte jato d´água que direcionam o fluído para o corte Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.165 43 por abrasão de chapas metalicas”, feitos de carbeto de tungstênio e utilizados como “Bicos específicos para maquina de corte de jato d'água”, que se classificam no código NCM 8466.93.19. O autuada classificou os citados produtos no código NCM 8543.70.12, onde se inserem os amplificadores de radiofrequência “para recepção de sinais de microondas de baixo ruído (LNA) na banda de 3.600 a 4.200 MHz, com temperatura menor ou igual a 55 Kelvin, para telecomunicações via satélite”. Com base nas RGI/SH 1 (texto da posição 84.66) e 6 (textos da subposição 8466.93) e na RGC/NCM 1 (texto do item 8466.93.1 e do subitem 8466.93.19) da Tarifa Externa Comum, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, no teor da nota 2b da Seção XVI e nos esclarecimentos das NESH da posição 84.56, chegase a conclusão que os bicos próprios para máquinas de corte de jato d'água classificamse no código NCM 8466.93.19, conforme determinado pela autoridade fiscal. De fato, a posição 84.66 compreende as máquinas de corte a jato de água, que se classificam no código NCM 8466.93.19. Senão veja os texto da posição 84.66 e do código residual 8466.93.19, que seguem transcritos: 84.66 Partes e acessórios reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas das posições 84.56 a 84.65, incluindo os portapeças e portaferramentas, as fieiras de abertura automática, os dispositivos divisores e outros dispositivos especiais, para estas máquinas; portaferramentas para ferramentas manuais de todos os tipos. 8466.10.00 Portaferramentas e fieiras de abertura automática 8466.20 Portapeças 8466.20.10 Para tornos 8466.20.90 Outros 8466.30.00 Dispositivos divisores e outros dispositivos especiais, para máquinas 8466.9 Outros: 8466.91.00 Para máquinas da posição 84.64 8466.92.00 Para máquinas da posição 84.65 8466.93 Para máquinas das posições 84.56 a 84.61 8466.93.1 Para máquinas da posição 84.56 8466.93.11Para máquinas da subposição 8456.20 8466.93.19 Outras (grifos não originais) E na nota 2b da Seção XVI e nos esclarecimentos das NESH da posição 84.56 obtémse as informações que confirmam o acerto do enquadramento do referido produto no código NCM 8466.93.19, a seguir transcritas: Fl. 2186DF CARF MF 44 Nota 2b da Seção XVI: 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: [...] b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; NESH da posição 84.56: As máquinasferramentas desta posição são máquinas que servem para a fabricação de peças de qualquer matéria ou para trabalhar a sua superfície. Devem satisfazer três condições essenciais: 1º) trabalhar por eliminação da matéria; 2º) realizar um trabalho da natureza dos executados pelas máquinasferramentas equipadas com uma ferramenta convencional; 3º) utilizar um dos seguintes sete processos: laser ou outro feixe de luz ou de fótons, ultrasom, eletroerosão, processos eletroquímicos, feixes de elétrons, feixes iônicos ou jato de plasma. Esta posição compreende igualmente as máquinas de corte a jato de água descritas na parte H abaixo. (Acrescido pela Instr. Norm. RFB 1.260/12) [...] H. MÁQUINAS DE CORTE A JATO DE ÁGUA (Acrescido pela Instr. Norm. RFB 1.260/12) Este grupo inclui as máquinas de corte a jato de água ou a jato de águaabrasiva. São máquinas próprias para cortar matérias por um processo que utiliza um jato de água ou de água misturada com partículas abrasivas muito finas, normalmente a uma velocidade que pode alcançar de duas a três vezes a velocidade do som. Funcionam sob pressões incluídas entre 3.000 e 4.000 bars e podem efetuar uma vasta gama de cortes de precisão em uma grande variedade de matérias. As máquinas de corte a jato de água são normalmente utilizadas para cortar matérias macias (espuma, borracha flexível, matérias para juntas, folhas finas de metal, etc.). As que operam a jato de águaabrasiva são principalmente utilizadas para cortar Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.166 45 matérias mais duras (aço para ferramentas, borracha endurecida, materiais compostos, pedra, alumínio, aço inoxidável, etc.). PARTES E ACESSÓRIOS Ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção), as partes e acessórios das máquinas desta posição incluemse na posição 84.66. (grifos não originais) Em relação a esse enquadramento, a recorrente limitouse em alegar que se tratava de erro escusável e que não houve máfé da sua parte, haja vista que a diferença de tributos apurada fora mínima. Em relação a esse ponto, a recorrente pugnou apenas inaplicabilidade da multa por erro de classificação fiscal, questão que será analisada em seguida. Da classificação do Conector para Cabo Coaxial RG6 Com base no documento de resposta de fls. 67/105, que contém figuras, desenhos e especificações técnicas, juntamente com as informações prestadas pela autuada e na resposta ao Termo de Intimação 05 (fls. 63/66), a autoridade fiscal chegou a conclusão que o referido produto tratavase de artefatos que tinham a função de realizar emendas e conexões em cabos coaxiais e que suportavam uma tensão de até 1.500Vc.c. (corrente contínua), o que o enquadraria no código NCM 8535.90.00, que a seguinte descrição: 85.35 Aparelhos para interrupção, seccionamento, proteção, derivação, ligação ou conexão de circuitos elétricos (por exemplo, interruptores, comutadores, cortacircuitos, pararaios, limitadores de tensão, supressores de picos de tensão (eliminadores de onda), tomadas de corrente e outros conectores, caixas de junção), para uma tensão superior a 1.000V. 8535.10.00 Fusíveis e cortacircuitos de fusíveis 8535.2 Disjuntores: [...] 8535.30 Seccionadores e interruptores [...] 8535.40 Pararaios, limitadores de tensão e supressores de picos de tensão (eliminadores de onda) [...] 8535.90.00 Outros (grifos não originais) Nas DI, o citado produto foi classificado no código residual NCM 8529.90.19 “OUTRAS”, da posição “8529 PARTES RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADAS AOS APARELHOS DAS POSIÇÕES 85.25 A 85.28”. Fl. 2188DF CARF MF 46 Em outras palavras, a autuada considerou o referido produto como partes dos citados aparelhos e não como aparelho autônomo, como fez a autoridade fiscal. Assim, resta demonstrado que cerne da presente controvérsia gira em torno da condição do referido produto, ou seja, se ele é “parte reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”, como alegado pela recorrente, ou se ele deve ser considerado como aparelho autônomo e, portanto, não integrante exclusivo ou principalmente destinado aos equipamentos das posições 85.25 a 85.28. Precisamente, nas palavras da autoridade fiscal, “os conectores para cabos coaxiais em questão não são ‘parte’ de alguma máquina, mas são artefatos com função de realizar emendas e conexões em cabos coaxiais e têm classificação própria.” No presente recurso, alegou a recorrente que o produto em destaque tem por finalidade o transporte de sinais de radiofrequência e microondas em antenas e sistemas de equipamentos de transmissores e/ou receptores de radiofrequência em microondas. Esclareceu a recorrente que, devido às características das ondas eletromagnéticas em frequências elevadas, “os sinais podem ser transportados em estruturas cilíndricas denominadas guia de onda, ou cabo coaxiais, guias de onda coaxiais (ou conectores coaxiais) como é o caso em questão.” Assiste razão à recorrente. De fato, se os conectores são aplicados nos cabos coaxiais, uma espécie de cabo condutor usado para a transmissão de sinais, geralmente, usados em múltiplas aplicações desde áudio até as linhas de transmissão de frequências da ordem dos gigahertz, tais artefatos, inequivocamente, não são considerados “aparelhos para interrupção, seccionamento, proteção, derivação, ligação ou conexão de circuitos elétricos”. Assim, por não serem aparelhos de conexão de circuitos elétricos, os conectores para cabo coaxial RG6 não pertencem a posição 85.35 e tampouco ao código NCM 8535.90.00. E como não há posição ou código específico na NCM para o referido produto, induvidosamente, os referidos artefatos incluemse na posição 85.29 e no código residual da NCM 8529.90.19, por serem “parte reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28”. Com base nessa considerações, fica demonstrado que o produto denominado conector para cabo coaxial RG6 classificase no código NCM 8529.90.19, determinado pela fiscalização. Da classificação da Cola de Silicone Os produtos denominados pelo sujeito passivo de cola ou borracha de silicone, relacionados no item 2.5 deste termo, foram por ele classificados na NCM 3506.10.90, que compreende as colas e adesivos. Com base nas informações prestadas pela recorrente (fl. 64), a autoridade fiscal concluiu que o produto tinha as características e propriedades de uso dos mástiques, os quais tinham composição muito variável e se caracterizavam, essencialmente, pela sua utilização, que era de “obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou aderência de peças”, o que estava de acordo com a informação prestada pela recorrente de que o citado produto era “usado para impedir a passagem de água e umidade, sendo aplicado na base do pedestal da antena e na parede ou laje.” Para a autoridade fiscal, o citado produto devia ser classificado no código NCM 3214.10.10. Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.167 47 Com base nas RGI/SH 1 (texto da posição 84.66) e 6 (textos da subposição 8466.93) e na RGC/NCM 1 (texto do item 8466.93.1 e do subitem 8466.93.19) da Tarifa Externa Comum, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, e nos esclarecimentos das NESH das posições 32.14 e 35.06, chegase a conclusão que o referido classificase no código NCM 3214.10.10, conforme determinado pela autoridade fiscal. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, reproduzse a seguir os pertinentes esclarecimentos extraídos das NESH das posiçóes 32.14 e 3506, a primeira no sentido de justificar a inclusão do referido produto na posição e a segunda no sentido de excluí lo da posição (adotada pela recorrente) e remetêlo para a posição 32.14: NESH da posição 32.14: Os mástiques e indutos da presente posição são preparações de composição muito variável, que se caracterizam essencialmente pela sua utilização. Estas preparações apresentamse freqüentemente sob forma mais ou menos pastosa, endurecendo, geralmente, após sua aplicação. Algumas delas apresentamse sob forma sólida ou pulverulenta, e são tornadas pastosas no momento da aplicação, quer por tratamento térmico (fusão, por exemplo), quer por adição de um líquido (água, por exemplo). Em geral, os mástiques e indutos aplicamse por meio de pistola, de espátula, de trolha, de desempenadeira ou de ferramentas semelhantes. I. MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO (MASSA DE VIDRACEIRO), CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MÁSTIQUES Os mástiques utilizamse especialmente para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade e, em alguns casos, para assegurar a fixação ou a aderência de peças. Diferem das colas e de outros adesivos porque se aplicam em camadas espessas. Convém todavia notar que este grupo de produtos abrange igualmente os mástiques utilizados sobre a pele dos pacientes em volta dos estomas e das fístulas. Este grupo compreende, entre outros: [...] 9) Os mástiques à base de plásticos (por exemplo, resinas poliésteres, poliuretanos, silicones e epóxidas) mesmo adicionados de elevada proporção (até 80%) de matérias de carga muito variadas, tais como argila, areia e outros silicatos, dióxido de titânio e pós metálicos. Alguns deste mástiques empregamse depois da adição de um endurecedor. Alguns não endurecem e mantêmse macios e aderentes após aplicação (um selante acústico, por exemplo). Outros endurecem por evaporação de solventes, no arrefecimento (mástiques termofusíveis), por reação após contato com a atmosfera ou por reação de diferentes compostos misturados simultaneamente (mástiques multielementos). Os produtos deste tipo permanecem nesta posição apenas quando são inteiramente formulados para ser utilizados como mástiques. Os mástiques podem ser utilizados para assegurar a estanqueidade de certas juntas na Fl. 2190DF CARF MF 48 construção ou efetuar reparações domésticas; para assegurar a estanqueidade ou a reparação de artigos em vidro, em metal ou em porcelana; como mástique para trabalhos de carroçarias ou no caso dos selantes adesivos, para fixar várias peças ao mesmo tempo. (altd. conf. Instr. Norm. RFB 1.072/10) [...] II. INDUTOS UTILIZADOS EM PINTURA; INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA... Esta posição não compreende: a) A resina natural, denominada em alguns países, mástique, gomamástique ou resinamástique (posição 13.01). b) O gesso, a cal e os cimentos (posições 25.20, 25.22 e 25.23). c) Os mástiques de asfalto e outros mástiques betuminosos (posição 27.15). d) Os cimentos e outros produtos para obturação dentária (posição 30.06). e) O breu (pez) para a indústria de cerveja e os outros produtos da posição 38.07. f) Os cimentos e argamassas refratárias (posição 38.16). g) Os aglutinantes preparados para moldes e núcleos de fundição (posição 38.24). [...] NESH da posição 35.06: Esta posição compreende: [...] Também se excluem da presente posição os produtos que tenham características de mástiques ou indutos da posição 32.14. No mesmo sentido, o entendimento exarado nas Soluções de Consulta SRRF08/Diana nº 32/2000 e SRRF10/Diana nº 123/2003, cujos enunciados das ementas seguem transcritos: DECISÃO Nº 32 de 10 de Marco de 2000: ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TIPI: Mercadoria: 3214.10.10 Mástique à base de Polissiloxano (Elastômero de Silicone), contendo cargas minerais, na forma de pasta, acondicionada em embalagem pronta para venda a retalho, denominado comercialmente “Brascoved Super Transparente Borracha de Silicone”. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 123 de 25 de Julho de 2003: Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.168 49 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI Mercadoria 3214.10.10 Mástique à base de plásticos (silicones), próprio para vedação de vidros, perfis de alumínio, cerâmicas etc., apresentado em bisnagas, comercialmente denominado “Vedador de silicone RTV 1000”, código “SS1000”. Em relação a esse enquadramento, a recorrente limitouse em alegar que se tratava de erro escusável e que não houve máfé da sua parte, haja vista que a diferença de tributos apurada fora mínima. Em relação a esse ponto, a recorrente pugnou apenas inaplicabilidade da multa por erro de classificação fiscal, questão que será analisada em seguida. II.2 Da Aplicação da Multa por Erro de Classificação Segundo a autoridade fiscal, a classificação incorreta dos produtos na NCM e na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), bem como a descrição inexata das mercadorias, implicava aplicação da multa prevista no art. 711 RA/2009, cujos excertos pertinentes seguem transcritos: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei no 10.833, de 2003, art. 69, § 1º): I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1º As informações referidas no inciso III do caput , sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei n o 10.833, de 2003, art. 69, § 2º): [...] III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; [...] § 2º O valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior, observado o disposto nos §§ 3º a 5º (Medida Provisória n o Fl. 2192DF CARF MF 50 2.15835, de 2001, art. 84, § 1º ; e Lei n o 10.833, de 2003, art. 69, caput ). § 3º Na ocorrência de mais de uma das condutas descritas nos incisos do caput , para a mesma mercadoria, aplicase a multa somente uma vez. § 4º Na ocorrência de uma ou mais das condutas descritas nos incisos do caput, em relação a mercadorias distintas, para as quais a correta classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul seja idêntica, a multa referida neste artigo será aplicada somente uma vez, e corresponderá a: I um por cento, aplicado sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias, quando resultar em valor superior a R$ 500,00 (quinhentos reais); ou II R$ 500,00 (quinhentos reais), quando da aplicação de um por cento sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias resultar valor igual ou inferior a R$ 500,00 (quinhentos reais). [...]. Segundo a autoridade fiscal, foram consideradas classificadas incorretamente na NCM e na NVE as mercadorias importadas por meio das DI listadas no item 2 e as mercadorias discriminadas no item 4 do referido TVF, conduta tipificada no art. 711, I, do RA/2009. Com exceção das mercadorias descritas como “CONECTOR PARA CABO COAXIAL RG6” no subitem 2.4 do TVF, resta devidamente comprovado nos autos a conduta imputada à recorrente. Em relação a esse ponto da lide, a recorrente alegou que era ilegal e ilegítima a aplicação da referida multa, porque não restou demonstrada conduta dolosa com objetivo de fraude da recorrente, inclusive, em alguns casos foi praticamente inexistente à tributação. No caso, tratase de infração a legislação aduaneira, cuja configuração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelecido no art. 94, § 2º, do Decretolei 37/1966, que segue transcrito: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 15165.721174/201416 Acórdão n.º 3302004.767 S3C3T2 Fl. 2.169 51 Assim, resta demonstrado que, diferentemente do alegado, a comprovação de conduta dolosa ou máfé do auto ilícito, com intuito fraudulento, é irrelevante para configuração da infração em apreço. II.3 Do Afastamento da Multa de Ofício e dos Juros Moratórios A recorrente ainda pediu a reforma da decisão recorrida, com vistas afastar a aplicação da multa de ofício e dos juros moratórios, sob argumento de que agira de boa fé. No caso, a multa de ofício foi aplicada com respaldo no art. Art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, em relação ao II, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, e no art. no art. 80, caput, da Lei 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/2007, a seguir transcritos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifos não originais) E a configuração da infração tipificada nos referidos preceitos legais, sabidamente, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelecido no art. 136 do CTN. Portanto, irrelevante se a recorrente agiu ou não com boa fé. A mesma conclusão se aplica a cobrança dos juros moratórios com base na taxa Selic, previsto no art. 161 do CTN, combinado com o disposto no art. 61, § 4º, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 2194DF CARF MF 52 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não originais) Por essas razões, com exceção da diferença dos tributos cobrados sobre a importação das mercadorias descritas como “CONECTOR PARA CABO COAXIAL RG6” no subitem 2.4 do TVF, deve ser mantida a cobrança da multa de ofício e dos juros moratórios sobre o crédito tributário mantido no presente julgamento. III Da Conclusão Por todo o exposto, votase pelo conhecimento do presente recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração por mudança de critério jurídico e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a tributação dos valores das importações descritas coAmo “CONECTOR PARA CABO COAXIAL RG6” no subitem 2.4 do TVF colacionado aos autos e acréscimos legais, incluindo a multa por erro de classificação fiscal. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000007/2004-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano calendário: 2003
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de
declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado
Numero da decisão: 1802-001.167
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2003 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores). O acórdão embargado, nº 180200.770 de 25/02/2011, foi recepcionado pela empresa em 19/09/2011 (Aviso de Recebimento – AR), e, os embargos foram protocolizados em 26/09/2011. A embargante alega que o voto condutor do acórdão embargado, não está consentâneo com a matéria do presente processo, eis que não logrou, em seus argumentos e disposições legais aludidas, comprovar a indispensável legalidade de uma definição onde reste determinado que permuta de bens deva ser considerada como receita bruta para fins de tributação pelo lucro presumido, em especial, ao estabelecido pelo RIR/1999, art. 224. Aduz que a conselheira relatora invoca dispositivos da Lei n.° 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro), onde não há quaisquer alusões quanto aos aspectos tributários em operações de permuta e que, entre outras impropriedades, cita a IN SRF n.° 93/1997, art. 36, § 3.°, sem sequer comentar a sua aplicação no tema ora tratado. A Embargante alega que há contradição no voto condutor do acórdão embargado quando a conselheira em seu próprio voto, assim se manifesta à fl. 680, do processo: "Entendo que as pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, poderão considerar como receita bruta o montante recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas. " E logo após a manifestação acima reproduzida, ao aludir que as pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias, ao adotar o REGIME DE CAIXA de que trata a IN SRF n.° 104/1998, devem considerar como recebimento do preço os valores recebidos, a qualquer título, nos termos do § 3.°, art. 1.° da mencionada Instrução Normativa, deixa de esmiuçar com a necessária clareza e pertinência para sustentação de seu voto, a razão pela qual a permuta possa ser enquadrada como valor recebido a qualquer título. Enfim conclui que as expressões adotadas no voto condutor do acórdão embargado, nada mais são do que meras alegações, sem fundamento expresso na legislação, para induzir a pretensa tributação sobre as operações de permuta de bens. Traz à colação excertos da "Declaração de Voto" do Conselheiro, João Francisco Bianco e reproduz textos de lavra do eminente Pontes de Miranda (fls.3 e 4). A Embargante sustenta que de conformidade com a legislação aplicável (IN SRF n.° 104/1998, art. 1.°), na condição de optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, adotou o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de imóveis na medida do recebimento de cada parcela. A seguir transcreve o inciso II, art. 1.°, da IN SRF n.° 104/1998: Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.000007/200437 Acórdão n.º 1802001.167 S1TE02 Fl. 2 3 (...) II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. Sobre a IN SRF acima afirma que, mencionado ato normativo ao determinar que seja indicado no livro Caixa, cada recebimento, resta cristalino que esse registro deva se referir a dinheiro ou equivalente (cheque, ou outro documento conversível em espécie). Assim, afastase, de pleno, qualquer hipótese de que a permuta seja recepcionada no REGIME DE CAIXA adotado pela Embargante. Diz que, o Autuante, acompanhado pelo Julgador da Instância Singular e, surpreendentemente, fortalecido pela decisão de 2.a Instância, com a decisão de pretender tributar a permuta de imóveis, institui uma FICÇÃO, ou seja, um imaginário para penalizar a Embargante. Destaca que, o denominado REGIME DE CAIXA representa um método contábil no qual os recebimentos e pagamentos são reconhecidos unicamente quando se recebe ou se paga mediante dinheiro ou equivalente, não se admitindo, até por falta de previsão legal, que a expressão "equivalente" possa representar bens que, em razão da sua liquidez, não possam ser imediatamente convertidos em moeda. Por fim a Embargante requer sejam acolhidos os embargos com efeitos infrigentes no sentido de que o acórdão embargado seja reformulado e, por conseqüência, seja determinado o cancelamento do crédito tributário a que se reporta. É o relatório. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 26/09/2011, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos, deles conheço. A Recorrente no recurso voluntário alegara em seu prol que as unidades imobiliárias recebidas decorrem da permuta de imóveis no ano calendário de 2003 e por haver adotado o regime de caixa somente será tributada a receita efetivamente recebida em dinheiro ou cheque. A Embargante alega que há contradição no voto condutor do acórdão embargado quando a conselheira relatora em seu próprio voto, à fl. 680, admite que as pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, poderão considerar como receita bruta o montante recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas. Entretanto devem considerar como recebimento do preço os valores recebidos, a qualquer título. É óbvio e ululante que adotar o regime de caixa não significa que os valores recebidos em bens (que não sejam dinheiro) pela venda de unidades imobiliárias, deixam de ter a natureza de receitas, eis a razão do § 3.°, art. 1.° da Instrução Normativa nº 104/98 a seguir transcrito: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: (...) II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. (...) § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer titulo do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. Na linha desse entendimento, destacouse no acórdão embargado as Soluções de Consulta nº 142/2005 e nº 68/2009, proferidas pela Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª Região Fiscal que concluem de modo claro que: Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pela CSLL com base no lucro presumido, dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta. Consta do voto condutor do acórdão embargado que: Fl. 778DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.000007/200437 Acórdão n.º 1802001.167 S1TE02 Fl. 3 5 a) A Instrução Normativa SRF nº 107/1988 disciplina a apuração de resultados, assim como a determinação dos valores de baixa e de aquisição de bens, nas operações de permuta de unidades imobiliárias, realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoas jurídicas e pessoas físicas. b) A permuta deve constar de escritura pública e, não constam dos autos documentos desse quilate, logo não há que se falar de permuta ou dação em pagamento e sim, troca de bens. c) As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados a venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda ao adotar o regime de caixa de que trata a Instrução Normativa nº 104/98, deve considerar como recebimento do preço os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços, nos exatos termos do § 3º do art.1º da mencionada Instrução Normativa a acima transcrita. Conforme relatado a Embargante alega que o voto condutor do acórdão embargado não está consentâneo com a matéria do presente processo, eis que não logrou, em seus argumentos e disposições legais, comprovar a indispensável legalidade de uma definição onde reste determinado que permuta de bens deva ser considerada como receita bruta para fins de tributação pelo lucro presumido, em especial, ao estabelecido pelo RIR/1999, art. 224. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. RECEITA BRUTA. DAÇÃO EM PAGAMENTO/PERMUTA OU TROCA DE IMÓVEIS. Para fins do disposto no artigo do 224 do RIR/99, as pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados a venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, tributadas com base no lucro presumido deverão considerar como receita bruta o montante recebido, a qualquer título, relativo às unidades imobiliárias vendidas. No regime do lucro presumido tributase a receita bruta sem dedução de custos e despesas. Não é possível à empresa optante pelo lucro presumido adotar procedimento com as vantagens a que teria direito pelo lucro real, mesclando os regimes de apuração. A sistemática do lucro presumido tem como base uma presunção de lucro, calculada pela aplicação de um percentual sobre a receita. Assim, devese entender que a receita bruta a ser considerada para fins de tributação com base no lucro presumido é a soma do preço do imóvel recebido a qualquer título (dinheiro, cheque, dação em pagamento, permuta ou troca de imóveis etc) com o eventual valor em dinheiro recebido. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Indubitavelmente a Embargante apurou o IRPJ no ano calendário de 2003 com base no lucro presumido, e o conceito de receita bruta para fins de apuração do lucro presumido ou real, compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (RIR/1999, art. 224). Na receita bruta se inclui o ICMS e deverão ser excluídas: as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador, dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, como é o caso do IPI incidente sobre as vendas e do ICMS devido por substituição tributária (RIR/1999, art. 224, parágrafo único; IN SRF no 93, de 1997, art. 36, § 3o). A IN SRF nº 93, de 1997 bem como o artigo 224 do RIR/99 tem supedâneo no artigo 31 da Lei nº 8981, de 1995. A Embargante alega que a relatora deixa de esmiuçar com a necessária clareza e pertinência para sustentação de seu voto, a razão pela qual a permuta possa ser enquadrada como valor recebido a qualquer título. E que, a conselheira relatora invoca dispositivos da Lei n.° 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro), onde não há quaisquer alusões quanto aos aspectos tributários em operações de permuta. Conforme dito acima, a permuta deve constar de escritura pública e, não constam dos autos documentos desse quilate, logo não há que se falar de permuta ou dação em pagamento e sim, troca de bens. Ora, a citação do artigo 533 da Lei no 10.406, de 10 de Janeiro de 2002 ( Código Civil Brasileiro)a que alude a Embargante é no sentido de esclarecer que à troca aplicamse as disposições referentes à compra e venda. Por óbvio os aspectos tributários encontramse situados na legislação tributária em que se fundamenta o acórdão embargado. Não há previsão legal para a pessoa jurídica que tem como atividade a venda de imóveis, tributada com base no lucro presumido, excluir da receita bruta de que trata o artigo 31 da Lei nº 8981, de 1995, a parte da venda que fora recebida em bens que não seja “dinheiro”, como pretende a embargante. Conforme explicado no acórdão embargado, no sistema do lucro real tributase apenas o valor da torna, e, mesmo assim, a permuta que se beneficiar da torna pode deduzir dessa receita a parcela do custo da unidade dada em permuta que corresponder à torna recebida ou a receber. Nessa sistemática do lucro real, no caso de permuta sem pagamento de torna a permutante não tem resultado a apurar, uma vez que deverá atribuir ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração. Também restou explicitado no acórdão embargado que no regime do lucro presumido se tributa a receita bruta sem dedução de custos e despesas. A sistemática do lucro presumido é diferente da sistemática do lucro real, pois, tem como base uma presunção legal de lucro, calculada pela aplicação de um percentual sobre a receita. E, como é sabido, não se pode mesclar os regimes de apuração, de sorte a deduzir do valor da venda o imóvel recebido. Toda a fundamentação do acórdão embargado e conclusão também constante da ementa é que a receita bruta a ser considerada para fins de tributação com base no lucro presumido é a soma do preço do imóvel recebido a qualquer título (dinheiro, cheque, dação em pagamento, permuta ou troca de imóveis etc) com o eventual valor em dinheiro recebido. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.000007/200437 Acórdão n.º 1802001.167 S1TE02 Fl. 4 7 A Embargante faz alegações mas não demonstra a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos no que restam improcedentes as alegações suscitadas pela Embargante Essencialmente, a Embargante pretende rediscutir a matéria litigada insistindo em que deva ser considerada como receita bruta para fins de tributação pelo lucro presumido apenas os valores recebidos em dinheiro, afastando aqueles representados por imóveis recebidos. Nos termos do art. 65 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21.12.2010, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 781DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001912/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOA FÍSICA.
Não há que se falar em tributação na Pessoa Jurídica dos rendimentos recebidos pela pessoa física, sob o amparo de mútuos desconsiderados pela Autoridade Lançadora.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA. TRIBUTAÇÃO.
Identificada a origem de recursos depositados em conta bancária, a autuação por omissão de rendimentos não tem amparo em presunção legal.
BITRIBUTAÇÃO. ORIGEM COMPROVADA.
Não importa em bitributação o lançamento fiscal faz incidir tributo sobre valores que, por sua natureza, não foram tributados na fonte pagadora.
SIMULAÇÃO. INTENÇÃO. MULTA AGRAVADA.
Verificada a intenção do sujeito passivo em simular ato com vistas a impedir o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador, é devida a qualificação da multa relativa ao lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PESSOA FÍSICA. Não há que se falar em tributação na Pessoa Jurídica dos rendimentos recebidos pela pessoa física, sob o amparo de mútuos desconsiderados pela Autoridade Lançadora. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA. TRIBUTAÇÃO. Identificada a origem de recursos depositados em conta bancária, a autuação por omissão de rendimentos não tem amparo em presunção legal. BITRIBUTAÇÃO. ORIGEM COMPROVADA. Não importa em bitributação o lançamento fiscal faz incidir tributo sobre valores que, por sua natureza, não foram tributados na fonte pagadora. SIMULAÇÃO. INTENÇÃO. MULTA AGRAVADA. Verificada a intenção do sujeito passivo em simular ato com vistas a impedir o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador, é devida a qualificação da multa relativa ao lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 12 /2 00 7- 10 Fl. 757DF CARF MF 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 18/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente da Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo ao exercício de 2007, fl. 445 a 455, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário, consolidado, em 31 de julho de 2007, no valor de R$ 913.172,72, incluindo multa por lançamento de ofício qualificada, no percentual de 150%. No Termo de Constatação Fiscal de fl 433 a 443 é possível identificar os motivos em que se baseou a Autoridade Lançadora para promover o lançamento, dentre os quais merecem destaque: que a fiscalização teve início em 10 de abril de 2006, com a ciência dada ao fiscalizado to termo de início da fiscalização; (fl. 435) que em resposta ao requerido no Termo de Início, o contribuinte apresentou documentos, dentre eles faturaS emitidas por três operadoras de cartão de crédito, que evidenciaram um gasto total no período de R$ 469.391,75; que intimado a apresentar extratos bancários e comprovação da origem dos recursos utilizados para pagamento dos cartões, o fiscalizado informou exercer função de sócio administrador da empresa ANH Comércio Importação e Exportação Ltda, o que lhe exige viagens regulares para compras de mercadorias e desenvolvimento de novas tendências, e que as despesas de viagens são reembolsadas pela ANH. Afirma, ainda, que parte dos valores decorrem de distribuição de lucros, mas não apresenta qualquer documento que comprove os reembolsos; que a análise dos valores informados na DIRPF 2004 evidencia rendimento tributável recebido de pessoa física de R$ 16.680,00, rendimentos isentos e não tributáveis de R$ 40.000,00 e dívidas e ônus reais superiores a R$ 200.000,00 (estes relativos a um financiamento imobiliário); (fl. 437) que a análise dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte apontam para a recepção, mediante depósitos ou créditos em contascorrentes, do valor de R$ 1.135.838,77; que intimado, em 19 de janeiro de 2007, a comprovar a origem dos recursos depositados ou creditados em sua conta, o contribuinte afirmou trataremse de empréstimos obtidos junto à ANH, apresentando, como elementos de prova, livros Diário e Razão somente registrado na JUCESP em 10 de maio de 2007 (fl. 308); Apresentou, ainda, cópia de contratos de mútuo (fl. 252 a 274) e extrato de contacorrente mantida pela ANH no BankBoston (fl. 284 a 306); Fl. 758DF CARF MF Processo nº 19515.001912/200710 Acórdão n.º 2201003.765 S2C2T1 Fl. 758 3 que os elementos de prova apresentados estão eivados de vícios que os tornam imprestáveis aos fins a que se propõe e que a análise sistêmica de tais documentos com as declarações apresentadas à RFB força a conclusão de que estes empréstimos não existem; (f. 439) que a DIPJ apresentada pela ANH para o ano calendário de 2003 apresentou valor zero de contas a receber, a despeito da relevância dos valores envolvidos em comparação com a receita, ativo e patrimônio líquido; que o Livro Diário somente teria sido levado a registro em 10 de maio de 2007, quando o sócio majoritário da empresa já estava sobe procedimento fiscal; que reforça a conclusão de inexistência dos empréstimos o fato de DIRPF apresentada pelo fiscalizado não conter nenhuma informação relativa a tais operações, o que se repetiu nos exercícios posteriores; que a escrituração apresentada está embasada em contratos de mútuo cuja inexistência já ficou evidenciada acima, permitindose afirmar que tais contratos são atos simulados (conceitua simulação), celebrados com a finalidade exclusiva de eximir o fiscalizado do cumprimento de suas obrigações tributárias; (fl. 441) que a nulidade dos supostos contratos de mútuo resta caracterizada pelo descompasso dos valores com receita auferida pela ANH (R$ 406.938,50), restando, portando, evidenciada a natureza tributável dos valores transferidos. Ciente do lançamento em 11 de agosto de 2007, fl. 457, inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 475/511, onde apresentou os argumentos que entendia lastrear o pleito de improcedência da autuação, reconhecendo que os valores movimentados são recurso provenientes do trabalho desempenhado pela ANH. Requerendo, ainda, o reconhecimento da ocorrência de bitributação e da ausência de dolo a justificar a multa qualificada. No julgamento de 1ª Instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP II julgou procedente o lançamento, fl. 645/673, lastreada nas convicções abaixo resumidas: que restou comprovado que os valores tributados de ofício constituem rendimentos percebidos pelo contribuinte da empresa ANH ou de terceiros, cabendo afastar a pretensão de efetuar a tributação na pessoa jurídica; fl. 665 que não se observa nos autos qualquer ato de ofensa ao princípio da estrita legalidade e/ou verdade material. Tampouco, cerceamento do direito de defesa; fl. 665 que a autuação não teve fundamento em depósitos de origem não comprovada, importando em falta de objeto os argumentos da defesa; fl 667 que não ocorreu a alegada bitributação, já os valores transferidos não foram oferecidos à tributação pela ANH; fl. 669 Fl. 759DF CARF MF 4 que há nos autos elementos suficientes para a determinação da atitude dolosa do contribuinte e que não há conflito com a jurisprudência administrativa reproduzida; fl. 671 que eventuais elementos de prova deveriam ser juntados aos autos com a impugnação. Ciente do Acórdão da DRJ em 18 de maio de 2009, fl. 676, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 683/747, no qual reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais serão tratados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Alega o recorrente que, em razão de sua atividade, constantemente e pessoalmente, realizava viagens internacionais para aquisição de mercadorias e para acompanhamento das tendências do ramo e que, objetivando melhor organização, constituiu a empresa ANH Importação e Exportação Ltda, da qual é sócio administrador. Sustenta que incidiu em erros comuns entre empresários inexperientes, dentre os quais a movimentação de parte dos recursos da empresa em contacorrente pessoal, tendo em vista o crédito que detinha junto ao mercado. Afirma que pagava despesas como cartões de crédito e era, posteriormente, reembolsado pela empresa e que a relação entre esta e o seu sócio gerava "verdadeira confusão" na utilização das contas bancárias, bem como no pagamento de despesas e recebimentos de valores, o que se confirma com a constatação de que parte dos recursos considerados omitidos pela fiscalização decorre de movimentações da conta da empresa ANH ( R$ 223.700,00) sendo os demais valores identificados oriundos da contacaixa da mesma empresa. Aduz que a contabilidade da empresa era feita extemporaneamente, o que levou à solução provisória de formalizar empréstimos ao sócio até que se apurasse definitivamente o lucro a ser distribuído, momento em que seriam regularizados tanto a contabilidade quando o recolhimento dos tributos. Contudo, antes de providenciada a regularização, iniciouse a Ação Fiscal que resultou no Auto de Infração em tela. Alega que tomou conhecimento dos erros e de sua não regularização durante o procedimento fiscal, o que o levou a substituir a empresa responsável pela sua contabilidade, iniciando a regularização, cuja finalidade seria a apuração da totalidade da receita recebida na jurídica e recebida na pessoa física. Afirma que não houve intenção do recorrente ou da empresa ANH em fraudar ou causar dano ao erário. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 19515.001912/200710 Acórdão n.º 2201003.765 S2C2T1 Fl. 759 5 Entende que, apesar de ter pleno conhecimento dos fatos, o AuditorFiscal promoveu o lançamento como se o rendimento fosse da pessoa física e ainda com a multa qualificada, por identificar intuito fraudulento nos contratos de mútuo considerados simulados. Ressalta que a decisão recorrida está eivada de nulidades e contradições nas argumentações e fundamentos que justificam a sua reforma, tudo conforme será demonstrado nos tópicos a seguir: DOS RENDIMENTOS DECORRENTES DA ATIVIDADE EMPRESARIAL DA NECESSIDADE DE TRIBUTAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA Afirmando que a ANH estaria desobrigada da manutenção de escrita contábil rigorosa e que sua conta caixa, por se revestir até mesmo de precariedade, assemelhase ao próprio bolso do empresário. Alega que, amparado em assessoria contábil que não observou os cuidados necessários, acabou por registrar como mútuos firmados com o sócio valores que seriam decorrentes de reembolso de despesas ou distribuição de lucros. Classifica como absolutamente irrelevante o fato de tais valores terem sido movimentados na contacorrente da pessoa física do sócio, vez que possuem como origem o exercício da atividade profissional, motivo pelo qual a imputação fiscal, se devida, deveria ser realizada em face da ANH. Sustenta que não restam dúvidas de que os rendimentos decorrem de sua atividade empresarial, o que teria sido, inclusive, reconhecido pelo Agente Fiscal ao afirmar que seria "...provável que a quase totalidade da movimentação financeira tenha transitado pela conta corrente da ANH..." ou pela própria decisão recorrida conforme excertos citados. Questiona a omissão da DRJ ao negar a equiparação à PJ sem apresentar justificativas plausíveis para tal posicionamento, concluindo que o Agente Fiscal deveria, ao tomar conhecimento que o autuado é proprietário de Pessoa Jurídica e os valores em tela teriam transitado pela conta da empresa, promover a autuação da empresa. Afirma o recorrente que a DRJ, mesmo reconhecendo a origem da movimentação na PJ, contradizse ao negar o pedido de diligência para levantamento dos valores devidos a título de tributação da ANH sob a alegação de que restou inequívoco que os rendimentos são da pessoa física. Alega que, havendo como comprovar a que título foram pagos os valores recebidos pelo recorrente e não tendo o Auditor intimado as emitentes dos cheques, deveriam ser considerados como verdadeiros os fatos narrados pela recorrente, sob pena de nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa. E que somente como prova em sentido contrário é que poderiam as Autoridade Lançadora e Julgadora de 1ª Instância afastar a presunção de verdade do alegado pelo recorrente. O recorrente, diante de sua longa argumentação, tenta imputar ao Fisco a obrigação ou contradição que os autos demonstram serem suas. Imaginemos, pois, um sócio que atue efetivamente nas atividades da empresa. Naturalmente, além da participação nos lucros auferidos pela PJ, receberia rendimentos em Fl. 761DF CARF MF 6 contrapartida ao seu trabalho. Quanto àqueles, obedecidos os limites legais, isentos de tributação na pessoa física, Já estes tributáveis por configurar rendimento do trabalho assalariado, tudo conforme arts. 43 e 662 do Decreto 3.000/1999 (RIR 99). Assim, não há qualquer contradição nas conclusões da DRJ ou do Agente Fiscal ao reconhecerem que os valores em tela têm origem na empresa ANH. O fato de ter transitado pela empresa, por si só, não exclui o rendimento, ainda que recebido por seu sócio, do campo de incidência do tributo. Aparentemente, a contradição se mostra presente entre os argumentos recursais, as provas dos autos e a conduta do próprio contribuinte. Inicialmente, temos que a fiscalização buscou verificar o lastro financeiro para elevados gastos com pagamentos de cartões de crédito, já que o contribuinte apresentou faturas pagas em valores absolutamente incompatíveis com os rendimentos declarados (Termo de Inicio de Fiscalização de fl. 12 e Termo de Intimação de fl. 21/22). Em resposta, fl. 28, o contribuinte apresenta seus extratos bancários e alega que os gastos com cartões de crédito se justificam por despesas reembolsadas pela empresa ou por distribuição de lucros. Em fl. 242 a Autoridade Lançadora intima o sujeito passivo a comprovar a origem de uma série de 60 depósitos em conta (planilha de fl. 244/246). Em resposta, fl. 250, o contribuinte apresenta uma sequência de contratos de mútuo firmados mensalmente com a PJ, os quais alcançam todos os meses e todos os ingressos em suas contascorrentes (fl. 252 a 274). Posteriormente, em sede de impugnação, o contribuinte, alegando que não teve intenção de fraudar ou causar dano ao erário público, alega que os contratos de mútuo tiveram origem em erro do qual só tomou conhecimento no curso do procedimento fiscal. Afirma que tais contratos foram fruto de sugestão de determinado escritório de contabilidade e que tinha como objetivo, em momento futuro, permitir a regularização de tudo, mediante o pagamento dos tributos devidos e a compensação do que seria devido ao recorrente a título de distribuição nos lucros. Ainda no curso da impugnação, o contribuinte alega que, tratandose de dinheiro de empresa que estava sendo movimentado na conta corrente do seu sócio, legitima a formalização de contrato de mútuo enquanto não regularizada a contabilização e tributação na empresa, sob pena de não haver quaisquer documentos a dar respaldo à operação entabulada temporariamente. Ora, os mútuos decorrem de erros cometidos pela contabilidade ou são instrumentos legítimos? Se são legítimos, o que falar dos alegados e não comprovados reembolsos? Será que nem mesmo os reembolsos poderiam ser contabilizados como despesas da ANH? E se existiram tais reembolsos, por que até estes teriam sido objeto dos contratos de mútuo? As respostas às perguntas acima não poderiam ser dadas pela autoridade fiscal, mas apenas pelo próprio contribuinte, a quem competiria comprovar seus argumentos e não apenas atribuir tal responsabilidade ao fisco. O que se nota pelo teor do processo, é que há recursos com origem na empresa ou em terceiros ingressando nas contas pessoais do recorrente, o que leva à conclusão de que, sim, houve a percepção de rendimentos e sem apresentação de elementos que evidenciem a não incidência tributária sobre os mesmos, com a ressalva de que a tributação é a Fl. 762DF CARF MF Processo nº 19515.001912/200710 Acórdão n.º 2201003.765 S2C2T1 Fl. 760 7 regra e a isenção é exceção que deve ser provada por quem dela se aproveita, neste caso, o recorrente. Tampouco há que se classificar como irrelevante o fato dos valores terem transitados nas contas da empresa ou dos sócios e que a tributação deveria recair sobre a pessoa jurídica da qual é sócio. Ora, ao contrário do que afirma o recorrente, não há nos autos nenhuma prova de que a movimentação dos recursos se confundam com a atividade desenvolvida pela empresa. Há sim evidências de que estes têm origem na empresa, mas como meros benefícios pagos ao sócio, que nada têm a ver com distribuição nos lucros, pois não há registro de lucros no exercício passíveis de distribuição, conforme Demonstração de Resultado de fl. 310. Assim, entendo que, neste tema, não merecem quaisquer reparos a decisão recorrida ou o lançamento fiscal. DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAR OS DEPÓSITOS COMO RENDA AUFERIDA Sustenta o contribuinte que o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários afronta o Código Tributário Nacional e são rechaçados por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após considerações sobre a legislação correlata, entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, o recorrente afirma que se, no caso presente, não estaria comprovada renda nova ou acréscimo patrimonial. Mais uma vez afirma que os valores depositados em conta bancária foram utilizados para operacionalização de sua atividade empresarial e que é notório que pessoas físicas ou jurídicas tem despesas fíxas e variáveis e, ainda, podem movimentar valores que não sejam de sua propriedade. Alega que, no caso em comento, ocorre presunção de riqueza, sem comprovar gastos incompatíveis ou renda consumida e que o Agente Fiscal não encontrou nenhum acréscimo patrimonial a descoberto, já que inexiste aquisição de bens. Diante de tais argumentos pleiteia o cancelamento da autuação ou a conversão do mesmo em diligência para que seja refeito em conformidade com o ordenamento jurídico. São absolutamente desarrazoadas as colocações recursais. Não estamos diante de um lançamento fundado exclusivamente em depósitos bancários e tampouco deixou se de vislumbrar consumo de renda. Ora, não nos esqueçamos de que a autuação sob análise teve, em seu início, o claro propósito de verificar a compatibilidade de gastos efetuados com cartões de crédito com os rendimentos declarados pelo contribuinte. A partir daí, identificouse o ingresso de valores significativos nas contas bancárias do recorrente, os quais, em boa medida, teriam origem na empresa da qual este é sócio majoritário. Fl. 763DF CARF MF 8 Como já bem pontuado, além das meras alegações do sujeito passivo, este não apresentou nenhuma comprovação de que tais valores teriam sido depositados em suas contas bancárias como forma de reembolso das despesas de titularidade da ANH. O lançamento guerreado foi elaborado por agente competente e sem preterição do direito de defesa do contribuinte, que teve a oportunidade de se manifestar e de ter seus argumentos avaliados em duas instâncias julgadoras. O fato é que foram cumpridas todas as formalidades legais e observados todos os requisitos de validade do ato administrativo no momento da constituição do crédito tributário em litígio. As constatações da Autoridade Fiscal têm lastro nos documentos juntados ao presente processo, não havendo motivos que justifiquem sua conversão em diligência para novo lançamento. Portanto, neste tema, não merecem quaisquer reparos a decisão recorrida ou o lançamento fiscal. DA NECESSÁRIA EXCLUSÃO DOS VALORES TRANSFERIDOS DA CONTA CORRENTE DA PESSOA JURÍDICA O recorrente entende que deveriam ser excluídos do presente lançamento os valores que tiveram origem na contacorrente da ANH, sob pena de evidente bitributação. Sobre o tema, como já dito alhures, o fato de ter transitado pela empresa, por si só, não exclui o rendimento, ainda que recebido por seu sócio, do campo de incidência do tributo. Ademais, não há que se falar em bitributação, em particular neste caso em que há claras evidências de que os valores não foram oferecidos à tributação pela PJ. Caso o fossem na condição de participação nos lucros, não haveria que se falar em tributação na Pessoa Física. Mas como não há registros contábeis de lucros para lastrear os pagamentos efetuados ao sócio, forçosamente temos que os valores tenham sido pagos a título de prólabore, o que reafirma sua natureza tributável. DA NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DOS VALORES CONTIDOS NO ART. 42, § 3º, II DA LEI 9.430/96. Requer o contribuinte que não sejam considerados como omissão os valores individuais inferiores a R$ 12.000,00, cujo somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse a R$ 80.000,00. Apresenta lógica argumentativa e precedentes administrativos para fazer valer seu entendimento sobre a pertinência de tal providência. O citado art. 42 da lei 9.430/96 preceitua que se considera omissão de rendimentos os créditos ou depósitos em conta bancária em relação aos quais, intimado, o titular não comprove a origem dos recursos. Tanto no Acórdão recorrido quanto no curso do presente voto já se afirmou que a autuação em questão não decorre de tal presunção legal de omissão de rendimentos, mas da efetiva constatação de valores, de sua origem, da desconsideração dos alegados mútuos e da certeza que não se tratam de participações nos lucros. Assim, não merece acolhida o pleito recursal. DA NECESSIDADE DA REDUÇÃO DA MULTA Fl. 764DF CARF MF Processo nº 19515.001912/200710 Acórdão n.º 2201003.765 S2C2T1 Fl. 761 9 Inicia sua argumentação neste tema transcrevendo o texto legal do art. 44 da lei 9.430/96, o qual, em seu inciso II prevê o percentual de multa de ofício de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos no art.71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A seguir, afirma que a aplicação de tal multa é inconstitucional e ilegal, devendo a mesma ser reduzida a 75%. Insurgese contra o lançamento atestando que o Auditor aplicou a penalidade qualificada com amparo em meras conjecturas e que sua inocência é presumida, nos termos da Constituição Federal, até que o fisco apresente prova cabal em sentido contrário. Alega que, em nenhum momento furtouse a apresentar do documentos requeridos, cujo intuito foi sempre de colaborar com a Fiscalização, devendo tal posicionamento ser levado em consideração para fixação da multa. Entende que, tratandose de tributo não declarado e não pago, a penalidade de ofício deveria recair sobre o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Ademais, ressalta que, ainda que objeto de mútuo, os recursos são passíveis de tributação na pessoa jurídica, o que demonstra que o sujeito passivo teria informado fatos cuja consequência nunca poderia ser causar dano ao erário. Sustenta que, mesmo no caso de simulação, não há que se falar em qualificação da penalidade, citando precedente neste sentido exarado em decisão deste CARF. Conclui afirmando que houve, de fato, infrações à legislação tributária pela empresa, passíveis de autuação e pleiteando a redução da multa de ofício para 75%. O § 1º do art. 44, da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê que o percentual de multa de que trata o inciso I do caput, 75%, será duplicado nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, não há que se falar em ilegalidade da qualificação da multa de ofício. Não obstante, em relação à inconstitucionalidade suscitada pela recorrente, tratase de questão sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, uniforme e reiteradamente, tendo sido editada Súmula, de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do RICARF, cujo teor destaco abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É correta a conclusão do contribuinte sobre o fato de que, por si só, uma simulação não poderia justificar a qualificação da penalidade de ofício, sendo necessário que se identifique o intuito de fraude, sonegação e conluio. Vejamos o que prevê a Lei 4.502/64 prescreve: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 765DF CARF MF 10 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Assim, é necessário que a conduta do contribuinte seja dolosa e objetive impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Diante de tal previsão legal e dos elementos presentes nos autos, não há como acatar a versão do contribuinte de que não teria havido intenção de fraudar ou causar prejuízo ao erário. O que salta dos autos é que, no curso do procedimento fiscal, pelas próprias palavras do contribuinte, constatouse que os motivos que levaram à opção equivocada pela formalização dos mútuos ainda não haviam sido corrigidos e, mesmo assim, optouse pela via que poderia ser a mais econômica, a de tentar lastrear a operação em documentos mais formais (registro de livros na Jucesp) e, quem sabe, dificultar a visão do fisco, mantendo longe do campo de incidência o rendimento passível de tributação. Poderia o contribuinte, já no momento da resposta à primeira intimação, ter informado a ocorrência de erros contábeis relacionados à escrita da ANH, mas não, optou por pedir mais tempo e concluir a clara tentativa de impedir o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador. Neste sentido, em nada adianta a chamada colaboração com o fisco se o que se apresenta não corresponde, em sua essência, aos fatos efetivamente ocorridos. Portanto, no caso em tela, não há dúvidas de que houve sim um ato consciente e simulado, já que a vontade declarada (contrato de mútuos) não se compatibiliza com a vontade interna do contribuinte (receber rendimentos sem submetêlos à tributação), que, por fim, pretendia impedir/driblar a incidência tributária sobre os valores recebidos. Desta forma, improcedentes o pleito recursal. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento, devendose manter a exigência em sua integralidade. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 766DF CARF MF Processo nº 19515.001912/200710 Acórdão n.º 2201003.765 S2C2T1 Fl. 762 11 Fl. 767DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001623/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO.
Constando-se que há antecipação do pagamento através de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte para o mesmo ano-calendário, aplica-se a regra de contagem do prazo decadencial estabelecida pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2201-003.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. Constandose que há antecipação do pagamento através de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte para o mesmo anocalendário, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial estabelecida pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 23 /2 00 3- 89 Fl. 755DF CARF MF Processo nº 19515.001623/200389 Acórdão n.º 2201003.764 S2C2T1 Fl. 751 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 28/04/2:003, o Auto de Infração de fls. 555 a 560, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1998 (ano calendário 1997), por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 152.100,00, dos quais R$ 56.250,00 correspondem a imposto, R$ 42.187,50 relativos à multa proporcional e R$ 53.662,50, a juros de mora, calculados até 31703/2.003. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 550 a 554) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 558), o procedimento teve origem na apuração da seguinte infração: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas ém instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Anocalendário Valor Tributável Multa (%) 1997 R$ 225.000,00 75,00 Enquadramento legal: Arts. 3o e 11 da Lei n° 9.250/95; art. 42, da Lei n° 9.430/1.996;.art. 4o da. lei n° 9.481/1.997. Cientificado do Auto de Infração em 29/04/2.003 (fl. 561), o contribuinte, por • intermédio de seus representantes legais (fl. 565), apresentou, em 29/05/2.003, a impugnação de fls. 568 a 597, alegando, em síntese, que: PRELIMINAR DECADÊNCIA. Caracterizandose o lançamento do Imposto de Renda como homologação, os valores objeto de autuação fiscal em exame não podem mais ser exigidos, por já terem sido atingidos pelo decurso do prazo decadencial. O valor do imposto exigido no Auto de Infração, lavrado referese ao fato gerador ocorrido em 31.12.97 e, neste caso, o direito de o Fisco efetuar o lançamento expirouse em 31.12.2002. Tendo o Auto de Infração sido lavrado somente em 29.04.2003,'não há dúvida de que o valor lançado encontrase atingido pela decadência, por ter sido formalizado após já extinto o diréito de o sujeito ativo constituir o pretenso crédito tributário. Transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais e cita. ainda o Parecer da Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Parecer COSIT n° 577 de 24.08.2000) para embasar suas alegações acerca do instituto da decadência. MÉRITO. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 19515.001623/200389 Acórdão n.º 2201003.764 S2C2T1 Fl. 752 3 Evidenciase no procedimento fiscal lavrado a bitributação dos mesmos valores já declarados pelo contribuinte, referindose eles ao valor de R$ 180.000,00 auferidos junto à empresa Assefisco Assessores Associados S/C Ltda, correspondentes a depósitos mensais de R$ 15.000,00 em sua conta corrente no Banco Itaú. Tais.valores foram considerados pela Fiscalização, conforme se observa no item I do Termo.de Verificação Fiscal, como sendo auferidos integralmente no mês de dezembro de 1997. Alega ainda que apresentava cópias dos recibos pelos quais demonstrava que os depósitos foram realizados nas seguintes datas: Data Valor (R$) 02.01.97 15.000,00 06.03.97 15.000,00 06.05.97 15.000,00 06.06.97 45.000,00 08.07.97 15.000,00 19.08.97 15.000,00 04.09.97 15.000,00 09.10.97 15.000,00 07.11.97 15.000,00 10.12.97 15.000,00 Total 180.000,00 A única divergência constatada então referese aos R$ 45.000,00, cujo crédito ocorreu em fevereiro de 1997 e que corresponde a parte do recebimento do valor total de R$ 55.000,00 em função da venda do veículo BMW, informado na declaração de ajuste do anocalendário 1996. A alienação do bem comprovase pela baixa do bem na Declaração de ajuste do ano calendário 1996, pelo documento de Autorização para transferência de veículo, onde se comprova o valor da venda por R$ 55.000,00 a Antonio Jesus Martins e com a apuração do ganho de capital no Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital, anexo à.declaração de ajuste anual. Assim, o valor de R$ 45.000,00 está em plena coerência com o valor da venda e com o período em que ocorreu a alienação do bem. Ainda que assim não fosse, não pode o Fisco exigir da pessoa física o mesmo rigor na comprovação como se exige das pessoas Fl. 757DF CARF MF Processo nº 19515.001623/200389 Acórdão n.º 2201003.764 S2C2T1 Fl. 753 4 jurídicas, obrigadas à escrituração, ainda mais depois de decorridos mais de 5 anos da ocorrência do fato gerador. Não seria crível considerar quê a empresa Assefisco Assessores Associados S/C Ltda efetuasse o pagamento dos R$ 180.000,00 de uma única vez como considerou a fiscalização: Cita jurisprudência (Recurso Especial n° 193.681, DJ de 20.03.2000, p.65 do STJ) na qual foi considerada ilegal e inconstitucional a utilização da taxa SELIC pra fins de correção de débitos fiscais em atraso. A lei manda aplicar a taxa SELIC sem nenhum percentual, delegando indevidamente seu cálculo a ato governamental, que segue as naturais oscilações do mercado financeiro, com interferência do Banco Central. A exigência de juros moratórios excessivos decorrentes de utilização dá taxa SELIC é totalmente descabida, não podendo prevalecer. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 199/205), nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1997 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A instauração de procedimento de ofício pelo Fisco, no prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, consistente na intimação do contribuinte para apresentar esclarecimentos e/ou comprovações acerca das matérias objetos do futuro lançamento, afasta a inércia da Fazenda" Pública e a possibilidade da homologação' tácita do lançamento, consubstanciando a figura do lançamento de ofício, cujo termo inicial.para a contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida PEDIDO DE VISTA AOS AUTOS FORA DA REPARTIÇÃO. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 19515.001623/200389 Acórdão n.º 2201003.764 S2C2T1 Fl. 754 5 No âmbito do contencioso administrativo, não há previsão legal para que o processo seja retirado da repartição para vistas aos autos pelo contribuinte ou seu representante legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do acórdão da DRJ em 20/01/2010, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/02/2010 (fls. 706/725), onde alega, em síntese, que: Ocorreu a decadência do direito de lançar o crédito tributário, tendo em vista que os fatos geradores ocorreram de janeiro a dezembro de 1997 e o auto de infração fora lavrado em 28/04/2003, depois dos 5 anos previstos no artigo 150, §4º do CTN. O lançamento não deve ser mantido, tendo em vista que utilizou apenas os depósitos bancários e as informações das movimentações financeiras do contribuinte, sendo tais informações insuficientes para comprovar o efetivo auferimento de renda. Não foi comprovada a prática de nenhuma infração capaz de ensejar a multa de 75%, além da inconstitucionalidade da referida multa, uma vez que caracteriza o caráter confiscatório rechaçado pela Constituição Federal no artigo 150, IV. A multa deve ser cancela ou reduzida, já que o contribuinte não agiu com fraude, dolo ou simulação ou qualquer outro ato ilícito. A taxa SELIC não pode ser aplicada, haja vista que o STJ declarou inconstitucional o parágrafo 4º, do artigo 39, da Lei 9.250/95 que estipulava a aplicação da taxa referida taxa. Alegou ainda, a prescrição intercorrente do Processo Administrativo Fiscal. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Decadência O recorrente alega a decadência de constituição do crédito tributário, pois considera a data do fato gerador o dia em que ocorre o acréscimo patrimonial. O STJ assim se pronunciou sobre a data do fato gerador do Imposto de Renda: Fl. 759DF CARF MF Processo nº 19515.001623/200389 Acórdão n.º 2201003.764 S2C2T1 Fl. 755 6 TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PAGAMENTO A MENOR INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN FATO GERADOR COMPLEXIVO DECADÊNCIA AFASTADA. 1. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte constitui o crédito, mas efetua pagamento parcial, sem constatação de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é o momento do fato gerador. Aplicase exclusivamente o art. 150, § 4º, do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173, I, do mesmo diploma (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009, submetido ao regime do art. 543C do CPC). 2. O imposto de renda é tributo cujo fato gerador tem natureza complexiva. Assim, a completa materialização da hipótese de incidência de referido tributo ocorre apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário. 3. Hipótese em que a renda auferida ocorreu em fevereiro de 1993 e o lançamento complementar se efetivou em 25/03/1998, o seja, dentro do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, uma vez que este se findava apenas em 31/12/1998. Decadência afastada. 4. Agravo regimental não provido. (destaquei). (STJ AgRg no AgRg no Ag: 1395402 SC 2011/00133466, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 15/10/2013, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 24/10/2013) O referido entendimento encontrase previsto na súmula 38 do CARF: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No caso em apreço, o fato gerador foi concretizado no dia 31/12/1997 e o prazo para homologação pelo fisco findaria no dia 31/12/2002. Analisando a DIRPF do anocalendário vertente, constatase que há Imposto de Renda Retido na Fonte, o que configura antecipação do pagamento, razão pela qual deve ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial estabelecida pelo art. 150, § 4°, do CTN. Ocorrido o fato gerador em 31/12/1997, iniciase a contagem do prazo decadencial (art. 150, § 4º, do CTN) a partir da sua ocorrência, findando em 31/12/2002. O documento acostado à fl. 568 comprova que o lançamento se deu no dia 29/04/2003, data da ciência do Auto de Infração. Assim sendo, imperioso reconhecer que se operou a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Conclusão Fl. 760DF CARF MF Processo nº 19515.001623/200389 Acórdão n.º 2201003.764 S2C2T1 Fl. 756 7 Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para darlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 761DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.900932/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, determinando-se o retorno dos autos à unidade de origem para que: (i) aguarde a decisão definitiva no processo administrativo 10923.000032/2010-37 e, após execução do julgado, informe se as estimativas compensadas nos presentes autos foram ou não extintas; (ii) vincule o presente processo ao de número 13819.904061/2010-55 para que, apresentado recurso voluntário naqueles autos, ambos sejam julgados em conjunto por este Colegiado. Os presentes autos somente deverão retornar ao CARF após cumpridas ambas as determinações.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, determinandose o retorno dos autos à unidade de origem para que: (i) aguarde a decisão definitiva no processo administrativo 10923.000032/201037 e, após execução do julgado, informe se as estimativas compensadas nos presentes autos foram ou não extintas; (ii) vincule o presente processo ao de número 13819.904061/201055 para que, apresentado recurso voluntário naqueles autos, ambos sejam julgados em conjunto por este Colegiado. Os presentes autos somente deverão retornar ao CARF após cumpridas ambas as determinações. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rotschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .9 00 93 2/ 20 13 -1 2 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13819.900932/201312 Resolução nº 1301000.448 S1C3T1 Fl. 267 2 Tratase de recurso interposto por VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1457.852 (fls. 215 a 230), da 15ª Turma da DRJRibeirão Preto, que deu provimento apenas parcial à manifestação de inconformidade da recorrente contra o despacho decisório da DRFSão Bernardo do Campo. Os fatos, de maneira sucinta, podem ser assim descritos: A recorrente apresentou pedido eletrônio de restituição de saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 26.846.417,01, por meio do perdcomp nº 01439.13324.250209.1.6.02 2351. Posteriormente foram transmitidas quatro dcomps, utilizando parcelas daquele crédito para compensar débitos de outros tributos. O direito creditório foi examinado pela DRF SBC, que, na Decisão nº 162/2013 (fls. 86 a 89), reconheceu parcialmente o crédito. Foi glosada no saldo negativo a parcela correspondente às estimativas cujas compensações não foram homologadas, como se constata do trecho abaixo transcrito: a estimativa apurada em março/2007 foi extinta sob condição resolutoria através da compensação declarada sob n° 40714.69733.270407.1.3.025017, em 27/04/2007, no montante de R$ 8.247.847,88. Entretanto, consulta às análises administrativas realizadas para tal compensação revelou que jaz não homologada em decisão administrativa definitiva; a estimativa apurada em abril/2007 foi extinta sob condição resolutoria através de duas compensações: a declarada sob n° 24592.53682.220507.1.3.029058, em 22/05/2007, no montante de R$ 6.046.806.83. Contudo, consulta às análises administrativas realizadas para tal compensação revelou que jaz não homologada em decisão administrativa definitiva; a declarada sob n° 28279.43486.220507.1.3.021950, em 22/05/2007, no montante de R$ 1.931.623,30. Contudo, consulta às análises administrativas realizadas para tal compensação revelou que foi homologada parcialmente em decisão administrativa definitiva, autorizandose o uso do valor de R$ 401.112.49. (g.n.) (fls. 87 e 88) A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a que a DRJ RPO deu parcial provimento, para reconhecer em favor do contribuinte, a par do direito já admitido, o valor de R$ 69.510,57, conforme Acórdão nº 1457.852, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13819.900932/201312 Resolução nº 1301000.448 S1C3T1 Fl. 268 3 Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Apenas a cobrança do débito deverá aguardar o pronunciamento principal, se demonstrada a ocorrência de uma das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÃO. A estimativa é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovada a sua extinção mediante pagamento e/ou compensação. Os débitos de estimativa que tenham sido confessados e extintos sob condição resolutória serão glosados na composição do saldo negativo, quando a respectiva declaração de compensação restar não homologada, diante da falta de certeza e liquidez. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Reconhecido em parte o direito creditório em litígio, homologamse as compensações declaradas, até o limite de tal direito. No voto condutor da decisão recorrida, o Relator se manifestou da seguinte forma: 38. E por ainda não terem sido implementados os ajustes cabíveis, estabelecidos no próprio Parecer, para a cobrança das estimativas (consideradas convertidas em tributo no ajuste anual) cuja compensação não restou homologada, cumpre manter as glosas das parcelas referidas à estimativa de IRPJ dos meses de março e abril do anocalendário de 2007, com a ressalva de que o reconhecimento de direito creditório adicional por meio do processo administrativo número 13819.904061/201055 (Acórdão número 1449.565, desta 15a Turma de Julgamento) mostrouse suficiente para a homologação do montante de R$ 69.510,57, referido à parte da estimativa de abril de 2007, conforme exposto anteriormente. 39. Portanto, reconhecese um direito creditório adicional na importância de R$ 69.510,57 e homologase parte das compensações declaradas, até o limite de tal direito. (g.n.) (fl. 230) Não resignada, a recorrente interpôs recurso, alegando que o acórdão recorrido ignorou o posicionamento firmado pela própria Receita Federal, na Solução de Consulta Interna SCI nº 18/2006, além de contrariar o Código de Processo de Civil, que se aplicaria subsidiariamente ao processo administrativo. A recorrente, com base no art. 105 do Código Tributário Nacional CTN, defendeu a aplicação do entendimento exarado na SCI 18/2006, à qual a DRJ estava vinculada. Assim, estando o órgão de primeira instância vinculado à SCI, sua inobservância é causa de reforma da decisão. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13819.900932/201312 Resolução nº 1301000.448 S1C3T1 Fl. 269 4 Ressaltou que, no mesmo sentido da referida SCI, está o Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, que reconhece a possibilidade de cobrança, como débitos autônomos, de estimativas indevidamente compensadas mediante dcomp. Aduziu, por fim, a impossibilidade de prosseguir o exame deste processo enquanto pendente de decisão final a validade e eficácia das compensações de que cuidam os processos administrativos 10923.000032/201037 e 13819.904061/201055. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação das compensações e, subsidiariamente, pelo sobrestamento do processo até que decisão final venha a ser proferida acerca das compensações de estimativas de abril e março de 2007, objetos dos processos administraivos 10923.000032/201037 e 13819.904061/201055. É o relatório. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. De início, é preciso deixar clara a ideia de que a SCI nº 18/2006, não obstante a propriedade de seus fundamentos, não vincula o CARF. E esta 1ª Turma Ordinária vem decidindo em sentido contrário ao entendimento acolhido naquele ato administrativo. Ora, se a referida SCI não vincula o CARF, não se pode pretender que este Colegiado anule decisão da DRJ por não ter adotado um critério jurídico que o próprio CARF (e, em especial, esta 1ª TO), não observa, e ao qual não está vinculado. Por outro lado, a alegada relação de prejudicialidade existente entre a matéria objeto deste processo e a dos processos que examinam as compensações das estimativas de março e abril de 2007 não impede que se prossiga o julgamento, até porque em relação ao processo nº 10923.000032/201037 já existe decisão final na esfera admnistrativa. A controvérsia gira em torno da compensação das estimativas de março e abril de 2007, conforme indicado no quadro abaixo: VALOR DA ESTIMATIVA Nº DA DCOMP PROCESSO 8.247.847,88 40714.69733.270407.1.3.025017 10923.000032/201037 6.046.806,83 24592.53682.220507.1.3.029058 10923.000032/201037 1.931.632,30 28279.43486.220507.1.3.021950 13819.904061/201055 VALOR DA ESTIMATIVA Nº DA DCOMP DECISÃO DA DRF SBC DECISÃO DA DRJ 8.247.847,88 40714.69733.270407.1.3.025017 INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO 6.046.806,83 24592.53682.220507.1.3.029058 INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO 1.931.632,30 28279.43486.220507.1.3.021950 401.112,49 69.510,57 Como se percebe, dos quadros acima, as compensações não homologadas envolvem três dcomps. As duas primeiras (40714.69733.270407.1.3.025017 e Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13819.900932/201312 Resolução nº 1301000.448 S1C3T1 Fl. 270 5 24592.53682.220507.1.3.029058) foram tratadas no processo administrativo nº 10923.000032/201037, em que se concluiu pela inexistência do crédito em favor da recorrente, em decisão final na esfera administrativa, consubstanciada no Acórdão nº 1402 002.385. A recorrente interpôs embargos de declaração que foram rejeitados em caráter definitivo. Portanto, na esfera administrativa, o espaço para se discutir a glosa de R$ 8.247.847,88 e R$ 6.046.806,83 é apenas na via estreita do recurso especial. No que tange à terceira dcomp (28279.43486.220507.1.3.021950), parte da compensação foi homologada pela própria DRF SBC e outra parte pela DRJ, remanescendo a controvérsia sobre R$ 1.461.009,24. É certo que decisão pode ser alterada, mas o fato de a DRF SBC e a DRJ terem concordado acerca da inexistência do crédito utilizado para compensar a estimativa de abril de 2007 já indica a falta de certeza e de liquidez do crédito. Tais circunstâncias, por si mesmas, já seriam suficientes para respaldar decisão denegatória do direito à compensação. Todavia, tem prevalecido neste Colegiado o entendimento segundo o qual, existindo a possibilidade, ainda que remota, de as compensações das estimativas serem homologadas (em outro processo), o processo em que se examina a existência do crédito de saldo negativo deve ser sobrestado, para evitarse o risco de exigência em duplicidade do mesmo débito. Fiel a esse entendimento, a mesma solução deve ser encaminhada no presente feito. Conclusão Pelo exposto, voto por sobrestar o julgamento do recurso, determinandose o retorno dos autos à unidade de origem para: a) aguardar a decisão definitiva no processo administrativo 10923.000032/2010 37 e, após execução do julgado, informar se as estimativas compensadas nos presentes autos foram ou não extintas; b) vincular o presente processo ao de número 13819.904061/201055 para que, apresentado recurso voluntário naqueles autos, ambos sejam julgados em conjunto por este Colegiado. Os autos deste processo somente deverão retornar ao CARF após cumpridas ambas as determinações. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
