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Numero do processo: 10875.900949/2014-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 24 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3201-003.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade de origem, para que se adotem as seguintes providências: (i) examinar os DACONs retificadores apresentados pelo Recorrente, verificando se as retificações promovidas afastam as divergências que fundamentaram o despacho decisório, (ii) analisar a EFDContribuições referente ao período, bem como os documentos fiscais apresentados em sede recursal, verificando sua correspondência ou não com os créditos objeto do pedido de ressarcimento, (iii) manifestar-se, de forma fundamentada, sobre a existência, liquidez e certeza dos créditos pleiteados, indicando, se for o caso, as glosas remanescentes e seus respectivos fundamentos de fato e de direito, (iv) elaborar relatório circunstanciado contemplando a análise dos documentos apresentados e das alegações deduzidas pelo Recorrente. Ao final, deverá ser facultado ao Recorrente o prazo de trinta dias para manifestação acerca do resultado da diligência, retornando os autos a este colegiado, na sequência, para prosseguimento.
Assinado Digitalmente
Flávia Sales Campos Vale - Relatora
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE
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SERVICOS AEROPORTUARIOS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade de origem, para que se adotem as seguintes providências: (i) examinar os DACONs retificadores apresentados pelo Recorrente, verificando se as retificações promovidas afastam as divergências que fundamentaram o despacho decisório, (ii) analisar a EFDContribuições referente ao período, bem como os documentos fiscais apresentados em sede recursal, verificando sua correspondência ou não com os créditos objeto do pedido de ressarcimento, (iii) manifestar-se, de forma fundamentada, sobre a existência, liquidez e certeza dos créditos pleiteados, indicando, se for o caso, as glosas remanescentes e seus respectivos fundamentos de fato e de direito, (iv) elaborar relatório circunstanciado contemplando a análise dos documentos apresentados e das alegações deduzidas pelo Recorrente. Ao final, deverá ser facultado ao Recorrente o prazo de trinta dias para manifestação acerca do resultado da diligência, retornando os autos a este colegiado, na sequência, para prosseguimento. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente). Fl. 632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3201-003.967 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.900949/2014-80 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento -DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e manteve o despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de créditos do PIS/PASEP não cumulativo vinculados às receitas de exportação, bem como não homologou as declarações de compensação dele decorrentes. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata-se de pedido de ressarcimento de PIS/PASEP Não-Cumulativo Exportação relativo ao 2º trimestre de 2012, no valor de R$ 25.785,23, cumulado com declaração de compensação. Por intermédio do despacho decisório de fl. 107, a unidade de origem não reconheceu a existência de qualquer direito creditório, deixando, pois, de homologar as compensações correlatas. As Informações complementares da análise do crédito (fls. 108/109) apontaram a inexistência, em DACON, do crédito pleiteado. Cientificado em 17/09/2014 (AR de fl. 115), o contribuinte apresentou, em 16/10/2014 (fl. 02), a manifestação de inconformidade de fls. 02/03, da qual consta: a) Quando da análise do direito creditório em questão, considerou-se que o mesmo não existia devido ao fato de que nas últimas DACONs apresentadas para o período, em suas fichas 06A, linhas 24 e colunas "Vinculados à Receita de Exportação" o valor declarado ter sido zero. Ocorre que houve erro de fato no preenchimento de tais declarações, sendo que não foi aplicada a distribuição proporcional dos créditos baseado na Receita Bruta, não deixando o direito creditório de existir, mas sim o mesmo ter sido informado pela empresa na coluna incorreta. b) Os valores de créditos totais apurados nos meses de Abril, Maio e Junho de 2012 foram, respectivamente, R$9.104,46, R$10.207,19 e R$6.473,57, como pode ser verificado nas linhas 24 das fichas 06A das DACONs anexas a essa manifestação. Como mencionado, houve erro de fato no preenchimento das DACONS, onde tais créditos deveriam ter sido divididos entre mercado interno e exportações proporcionalmente à receita bruta. Tais erros foram percebidos apenas após o recebimento do despacho decisório. Como forma de sanar o problema e corrigir as informações, até então errôneas, efetuamos a retificação das DACONs informando nos campos corretos os créditos a serem considerados. c) Com base no acima descrito, solicitamos a revisão da avaliação do caso e a conseqüente homologação de nosso pleito, tendo em vista que o entendimento Fl. 633DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3201-003.967 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.900949/2014-80 3 de ausência de direito creditório se deu apenas por um erro de preenchimento da declaração e não pela efetiva ausência desse direito. Solicitamos também a homologação das declarações de compensação vinculadas a tal pedido de ressarcimento, dando como recolhidos os tributos nelas descritos e sendo desconsiderados os valores de multa e juros gerados por essa não-homologação. d) As compensações vinculadas a esse Pedido de Ressarcimento foram feitas dentro dos prazos de recolhimento dos tributos, portanto, após homologação dos Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação, não havendo que se incorrer em necessidade de pagamento dos tributos e nem de multa ou juros sobre o valor dos mesmos. A decisão recorrida não reconheceu o direito creditório e conforme ementa do Acórdão nº 102-001.515 apresenta o seguinte resultado: ACÓRDÃO Nº 102-001.515 - 2ª TURMA DA DRJ02 DATA DA SESSÃO 26 DE ABRIL DE 2021 PROCESSO Nº 10875.900949/2014-80 INTERESSADO W.D.F SERVIÇOS AEROPORTUÁRIOS LTDA CNPJ/CPF 04.109.148/0001-10 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 RESSARCIMENTO. CONDIÇÕES NORMATIVAS. O ressarcimento de direito creditório vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária, devendo ser indeferido quando sua existência não reste comprovada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A homologação da declaração de compensação condiciona-se à comprovação da existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário. Requer a Recorrente o deferimento do pedido de ressarcimento e a homologação das compensações requeridas ou, subsidiariamente, anulação do acórdão da DRJ e remessa dos autos a origem para a análise e apreciação dos documentos juntados. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3201-003.967 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.900949/2014-80 4 VOTO Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento -DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e manteve o despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de créditos do PIS/PASEP não cumulativo vinculados às receitas de exportação, bem como não homologou as declarações de compensação dele decorrentes. O Despacho Decisório concluiu pela inexistência do direito creditório em razão da divergência entre os valores informados nos DACON referentes ao segundo trimestre de 2012 e aqueles considerados pela fiscalização. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente sustentou que a divergência decorria de erro no preenchimento dos DACON, apresentando as respectivas declarações retificadoras para demonstrar que a inconsistência apontada havia sido sanada. A DRJ, contudo, entendeu que a mera retificação dos DACON não era suficiente para comprovar o direito creditório, mantendo o indeferimento do pedido sob o fundamento de ausência de provas. No Recurso Voluntário, a Recorrente sustenta que a exigência de elementos probatórios adicionais somente surgiu com a decisão recorrida, uma vez que o despacho decisório limitou-se a apontar a inconsistência dos DACON. Em razão disso, requer a juntada da EFD- Contribuições do período, bem como dos documentos fiscais nela escriturados, argumentando que tais elementos demonstram a origem e a composição dos créditos pleiteados. Subsidiariamente, requer a conversão do julgamento em diligência. Passo ao exame da controvérsia. Da análise dos autos, verifica-se que de fato o Despacho Decisório fundamentou o indeferimento do pedido na divergência entre os valores informados nos DACON e aqueles considerados pela fiscalização, razão pela qual a Recorrente, em sua Manifestação de Inconformidade, limitou-se a demonstrar que a inconsistência decorria de erro no preenchimento das declarações, promovendo a respectiva retificação. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu que a retificação das declarações, desacompanhada de outros elementos de prova, não era suficiente para demonstrar o direito creditório, mantendo o indeferimento do pedido por ausência de comprovação dos créditos pleiteados. Foi somente a partir desse fundamento que surgiu para a Recorrente a necessidade de apresentar outros elementos probatórios destinados a demonstrar a efetiva constituição do Fl. 635DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3201-003.967 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.900949/2014-80 5 crédito, razão pela qual, em sede de Recurso Voluntário, requereu a juntada da EFD-Contribuições do período de apuração e dos documentos fiscais que lhe dão suporte. Nesse sentido, entendo que a situação se amolda à hipótese prevista no art. 16, § 4º, inciso "c", do Decreto nº 70.235, de 1972, segundo o qual admite-se a apresentação de prova documental após a impugnação quando destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. No caso, a exigência de comprovação mediante documentos diversos das DACON retificadoras somente foi explicitada na decisão recorrida, circunstância que justifica a apresentação superveniente da EFD-Contribuições e dos documentos fiscais correlatos. Todavia, tais elementos probatórios ainda não foram submetidos ao exame da autoridade fiscal, tampouco há manifestação técnica acerca de sua aptidão para comprovar os créditos pleiteados. Nesse contexto, a conversão do julgamento em diligência mostra-se a medida mais adequada para complementar a instrução processual, permitindo que a unidade de origem examine a EFD-Contribuições, os documentos fiscais apresentados e sua correspondência com as DACON retificadoras e com o pedido de ressarcimento, viabilizando o julgamento do mérito. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem adote as seguintes providências: i) examine as DACON retificadoras apresentadas pela Recorrente, verificando se as retificações promovidas afastam as divergências que fundamentaram o despacho decisório; ii) analise a EFD-Contribuições referente ao período, bem como os documentos fiscais apresentados em sede recursal, verificando sua correspondência com os créditos objeto do pedido de ressarcimento; iii) manifeste-se, de forma fundamentada, sobre a existência, liquidez e certeza dos créditos pleiteados, indicando, se for o caso, as glosas remanescentes e seus respectivos fundamentos de fato e de direito; iv) elabore relatório circunstanciado contemplando a análise dos documentos apresentados e das alegações deduzidas pela Recorrente. Ao final, deverá ser facultado à Recorrente o prazo de trinta dias para manifestação acerca do resultado da diligência. É como voto. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale Fl. 636DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3201-003.967 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10875.900949/2014-80 6 Fl. 637DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903561/2019-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 21/12/2018 a 31/12/2018
DCOMP. IRRF. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. DOCUMENTOS DIVERSOS. OUTROS MEIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Na esteira da jurisprudência administrativa, a comprovação do direito creditório pleiteado, que deu azo ao pedido de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte-IRRF, não se limita aos comprovantes de recolhimento/retenção por parte da fonte pagadora, impondo sejam acolhidos outros documentos que se prestam a tanto, limitando-se as compensações, no entanto, ao limite do crédito reconhecido. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na legislação de regência, notadamente artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, especialmente a comprovação da liquidez e certeza do crédito pretendido, lastro da declaração de compensação, o que não se vislumbra na hipótese dos autos relativamente à parte não reconhecida da pretensão da contribuinte.
Numero da decisão: 1101-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em razão de insuficiência probatória do direito creditório pleiteado, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Assinado Digitalmente
Efigênio de Freitas Junior - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Edmilson Borges Gomes, Jeferson Teodorovicz, Roney Sandro Freire Correa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 21/12/2018 a 31/12/2018 DCOMP. IRRF. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. DOCUMENTOS DIVERSOS. OUTROS MEIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Na esteira da jurisprudência administrativa, a comprovação do direito creditório pleiteado, que deu azo ao pedido de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte-IRRF, não se limita aos comprovantes de recolhimento/retenção por parte da fonte pagadora, impondo sejam acolhidos outros documentos que se prestam a tanto, limitando-se as compensações, no entanto, ao limite do crédito reconhecido. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na legislação de regência, notadamente artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, especialmente a comprovação da liquidez e certeza do crédito pretendido, lastro da declaração de compensação, o que não se vislumbra na hipótese dos autos relativamente à parte não reconhecida da pretensão da contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em razão de insuficiência probatória do direito creditório pleiteado, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Junior - Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Edmilson Borges Gomes, Jeferson Teodorovicz, Roney Sandro Freire Correa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente).
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 21/12/2018 a 31/12/2018 DCOMP. IRRF. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. DOCUMENTOS DIVERSOS. OUTROS MEIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Na esteira da jurisprudência administrativa, a comprovação do direito creditório pleiteado, que deu azo ao pedido de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte-IRRF, não se limita aos comprovantes de recolhimento/retenção por parte da fonte pagadora, impondo sejam acolhidos outros documentos que se prestam a tanto, limitando-se as compensações, no entanto, ao limite do crédito reconhecido. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na legislação de regência, notadamente artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, especialmente a comprovação da liquidez e certeza do crédito pretendido, lastro da declaração de compensação, o que não se vislumbra na hipótese dos autos relativamente à parte não reconhecida da pretensão da contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em razão de insuficiência probatória do direito creditório pleiteado, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Fl. 277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.903561/2019-56 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Edmilson Borges Gomes, Jeferson Teodorovicz, Roney Sandro Freire Correa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente). RELATÓRIO NAKATA AUTOMOTIVA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada no processo administrativo em epígrafe, apresentou DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, objeto da PER/DCOMP nº 36119.74728.250319.1.3.04-6978, de e-fls. 64/68, para fins de compensação de débitos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS (5856), com vencimento em 25/03/2019, no importe de R$ 93.968,32, com crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF (5706), ocorrido em 04/01/2019, no valor de R$ 92.588,75, conforme peça inaugural do feito e demais documentos que instruem o processo. Em Despacho Decisório Eletrônico, de e-fl. 16/27, da DRF em Osasco/SP, a autoridade fazendária reconheceu em parte o direito creditório pleiteado, homologando parcialmente, portanto, a compensação declarada, determinando, ainda, a cobrança dos respectivos débitos confessados remanescentes. Após regular processamento, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, às e-fls. 10/12, a qual fora julgada improcedente pela 6ª Turma da DRJ07 no Rio de Janeiro/RJ, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 107-026.165, de 17 de julho de 2024, de e-fls. 72/75, sintetizado na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 21/12/2018 a 31/12/2018 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Ao apresentar manifestação de inconformidade em face de despacho decisório que não reconheceu todo o direito creditório indicado e não homologou integralmente as compensações declaradas, o contribuinte deve juntar ao processo elementos comprobatórios hábeis e suficientes a fundamentar suas Fl. 278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.903561/2019-56 3 alegações. Na falta desses elementos, impõe-se a manutenção do decisum atacado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suma, entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que para fins de comprovação do crédito arguido, a contribuinte promoveu a retificação da DCTF, mas não apresentou outros elementos de prova, de forma a corroborar as informações ali prestadas. Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às e-fls. 87/91, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato dos fatos e fases ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o decisório combatido, explicitando a apuração dos Juros sobre o Capital Próprio – JCP, com as respectivas retenções/recolhimentos, concluindo que os documentos acostados aos autos se prestam a comprovar devidamente o crédito pretendido. Em defesa de sua pretensão, elabora planilhas contendo as informações dos valores apurados e recolhidos indevidamente, os quais foram objeto de DCTF retificadora, consoante se comprova da documentação juntada ao processo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados, reconhecendo os créditos pretendidos e homologando a compensação declarada. É o relatório. VOTO Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, pretende a recorrente a reforma do Acórdão atacado, o qual manteve o deferimento parcial do crédito pleiteado, na forma procedida pelo Despacho Decisório, não homologando, assim, a totalidade das compensações declaradas pela contribuinte, com base em crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido de IRRF, consoante peça inaugural do feito. Com mais especificidade, entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que para fins de comprovação do crédito arguido, a contribuinte promoveu a retificação da DCTF, mas não apresentou outros elementos de prova, de forma a corroborar as informações ali prestadas. Fl. 279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.903561/2019-56 4 Por sua vez, a contribuinte inconformada interpôs substancioso recurso voluntário, se insurgindo contra as conclusões das autoridades fazendárias pretéritas, aduzindo inúmeras alegações, corroboradas pela documentação colacionada aos autos, as quais passamos a contemplar. Após breve relato dos fatos e fases ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o decisório combatido, explicitando a apuração dos Juros sobre o Capital Próprio – JCP, com as respectivas retenções/recolhimentos, concluindo que os documentos acostados aos autos se prestam a comprovar devidamente o crédito pretendido. Em defesa de sua pretensão, elabora planilhas contendo as informações dos valores apurados e recolhidos indevidamente, os quais foram objeto de DCTF retificadora, consoante se comprova da documentação juntada ao processo. Como se observa, o cerne da questão posta em debate nestes autos se fixa basicamente nos elementos de prova tendentes a comprovar o direito creditório requerido pela contribuinte, notadamente o indébito de IRRF. De um lado, a autoridade julgadora recorrida, em que pese reconhecer a validade formal da retificação procedida pela contribuinte na DCTF, não acolheu a pretensão da empresa a pretexto da inexistência de outros documentos hábeis e idôneos para o fim pretendido. Em outra via, a recorrente se socorre da jurisprudência do CARF, a qual admite outros meios de prova para fins de comprovação do indébito alegado pela empresa, mormente quando escorado em DCTF retificada, mesmo após o Despacho Decisório, impondo a homologação da compensação declarada. Destarte, de conformidade com o artigo 156, inciso II, do Códex Tributário, de fato, a compensação levada a efeito pelo contribuinte, conquanto que observados os requisitos legais, é modalidade de extinção do crédito tributário, senão vejamos: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II – a compensação; [...]” Com mais especificidade, o artigo 170 do mesmo Diploma Legal, ao tratar da matéria, atribui à lei o poder de disciplinar referido procedimento, nos seguintes termos: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Fl. 280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.903561/2019-56 5 Em atendimento aos preceitos contidos no dispositivo legal encimado, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 contemplou a compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil, estabelecendo o regramento para tanto, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)(Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013)(Vide Lei nº 12.838, de 2013)(Vide Medida Provisória nº 1.176, de 2023) Observe-se, que as normas legais acima transcritas são bem claras, não deixando margem de dúvidas a respeito do tema. Com efeito, dentre outros requisitos a serem estabelecidos pela Receita Federal, é premissa básica que a compensação somente poderá ser levada a efeito quando devidamente comprovado o direito creditório que se funda a declaração de compensação. Em outras palavras, exige-se, portanto, que o direito creditório que a contribuinte teria utilizado para efetuar as compensações com débitos tributários seja líquido e certo, passível de aproveitamento. Não se pode partir de um pretenso crédito para se promover compensações, ainda que, em relação ao direito propriamente dito, o requerimento da contribuinte esteja devidamente amparado pela legislação ou mesmo por decisão judicial. Por sua vez, a jurisprudência administrativa consolidou entendimento mais amplo de matéria probatória, possibilitando seja comprovado o direito creditório arguido, in casu, atinente ao indébito do IRRF, por outros meios de prova, afora os comprovantes de recolhimentos/retenções, na esteira dos preceitos da Súmula CARF nº 143, com o seguinte enunciado: “A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” A propósito da matéria, convém registrar ser princípio comezinho do direito que o ônus da prova cabe a quem alega (artigo 373 do CPC), aforas as exceções legais (presunções legais, por exemplo), inscritas, portanto, na legislação de regência, o que não se vislumbra no caso sob análise, onde a contribuinte é quem argumenta possuir crédito e, nesta toada, deverá comprovar o seu direito. É bem verdade que o Fisco, sobretudo após a edição do Decreto nº 9.094/2017, não pode exigir do contribuinte documentos e/ou comprovantes que constam de sua base de dados, impondo sejam extraídos diretamente dos seus respectivos sistemas fazendários. Fl. 281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.903561/2019-56 6 Entrementes, na linha do assentado no recurso voluntário e acima ratificado, a jurisprudência administrativa vem admitindo outros meios de prova para comprovar o crédito pretendido. Na hipótese vertente, consoante restou reconhecido pela própria decisão recorrida, a contribuinte retificou sua DCTF, o que fora admitido como válido, e apresentou outros documentos, os quais, no entendimento do julgador de primeira instância, não teriam o condão de corroborar sua pretensão em sua integralidade, uma vez que a empresa não teria apresentado outros elementos de prova, de maneira a demonstrar o crédito pretendido, senão vejamos: “ [...] Passando-se à apreciação do mérito, cabe observar que o sujeito passivo que apura crédito relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou de ressarcimento, inclusive crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, pode utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, observando se o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430 de 1996 e demais normas que tratam da matéria. Podem ser utilizados, inclusive, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento, desde que o referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da Declaração de Compensação. A compensação, efetuada mediante a Declaração de Compensação gerada pelo Programa PER/DCOMP, extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Constatada pela RFB durante do prazo de cinco anos a compensação indevida de tributo, já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo é comunicado da não-homologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito ou apresentar manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias contado da ciência do despacho decisório. No caso em questão, a autoridade fiscal prolatora do Despacho Decisório homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 36119.74728. 250319.1.3.04-6978 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 05766.85374. 250419.1.3.04-8880, após concluir que o crédito reconhecido era insuficiente, segundo seu entendimento, para compensar integralmente os débitos informados pela interessada nos PER/DCOMP. A interessada alega possuir o direito creditório, argumentando ter transmitido DCTF retificadoras para o período de dezembro de 2018, com o fim de sanar incorreções detectadas após constatar que declarara indevidamente na DCTF original dois débitos de IRRF (cód. 5706; 3º dec. Dez/2018; vcto em 04/01/2019) no valor de R$ 92.588,85, com a inclusão de multa (em razão de atraso), e teria procedido aos seus recolhimentos. Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.903561/2019-56 7 Cabe assinalar que, após a ciência do despacho decisório, a mera retificação de DCTF, desacompanhada da comprovação do suposto erro que a fundamentaria, se revela insuficiente para a comprovação do crédito, recaindo sobre a interessada o ônus de demonstrar a correção de novos valores inseridos ou de valores excluídos nas retificadoras transmitidas. Contudo, ela não se desincumbiu desse ônus a contento, uma vez que não explicou o suposto erro nem apresentou documentação comprobatória dele. De fato, para comprovar a alegação de que os referidos valores teriam sido declarados indevidamente na DCTF, a interessada junta apenas cópias de folhas da DCTF original e das DCTF retificadoras, de comprovantes de arrecadação e dos PER/DCOMP, além de demonstrativos elaborados por ela (fls. 14 e 29/56). Tais documentos não são hábeis para, por si só, comprovar o direito creditório. Quanto ao ônus dos contribuintes de provar o fato constitutivo do seu direito, vale citar o art. 36 da Lei nº 9.784/1999 e o art. 16, inc. III, do Decreto nº 70.235/1972, reproduzido no art. 57, inc. III, do Decreto nº 7.574/2011, bem como o art. 373, inc. I, do Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 13.105/2015). Ante a falta de qualquer documentação que fundamente as retificações das DCTF levadas a efeito e comprove cabalmente a existência de qualquer valor adicional a título de direito creditório e sua suficiência para as compensações declaradas, cabe a manutenção, na íntegra, do Despacho Decisório. [...]” In casu, visando contrapor o Acórdão recorrido, a contribuinte simplesmente fez referência aos documentos colacionados junto à manifestação de inconformidade, os quais não se prestam a comprovar seu direito creditório, como restou devidamente assentado alhures. Isto porque, a DCTF já era de conhecimento das autoridades fiscais e a análise do processo já havia sido procedida com base neste documento, que, isoladamente, não comprovaria o seu crédito, consoante explicitado no decisum guerreado, sobretudo quando desassociada de outra documentação contábil, demonstrando o erro que teria incorrido inicialmente na apuração do imposto e objeto da retificação, o que impõe a manutenção da decisão. Mais a mais, repita-se, em sede de recurso voluntário, a contribuinte não apresentou novos documentos e/ou razões capazes de rechaçar o entendimento do julgador recorrido, se limitando a fazer referência aos documentos encimados e apresentá-los novamente, reiterar as razões da manifestação de inconformidade, além de se insurgir contra o Acórdão recorrido, sem um maior aprofundamento na matéria probatória. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.403 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.903561/2019-56 8 Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantida a homologação parcial da declaração de compensação sob análise, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base ao indeferimento em parte do seu pleito, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Assinado digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 284DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10183.908817/2016-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014
CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR.
CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.
É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado.
DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito.
FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS.
É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188.
FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231.
Numero da decisão: 3201-013.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de créditos nos seguintes termos: (i) por unanimidade de voto, em relação a (i.1) créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda), (i.2) protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt comprovadamente empregados no processo produtivo, (i.3) despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto, e (i.4) despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente; e, (ii) por maioria de votos, para manter as demais glosas de créditos, vencido o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que também revertia a glosa em relação à aquisição de clips para cabo de aço. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.655, de 21 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.908810/2016-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS. É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de créditos nos seguintes termos: (i) por unanimidade de voto, em relação a (i.1) créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda), (i.2) protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt comprovadamente empregados no processo produtivo, (i.3) despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto, e (i.4) despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente; e, (ii) por maioria de votos, para manter as demais glosas de créditos, vencido o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que também revertia a glosa em relação à aquisição de clips para cabo de aço. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-013.655, de 21 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.908810/2016-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar.
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PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade quando a decisão é proferida por autoridade competente, contém fundamentação suficiente e assegura o exercício do contraditório e da ampla defesa. Eventual discordância quanto à valoração das provas constitui matéria de mérito, não ensejando a invalidação do processo administrativo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 CRÉDITOS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O enquadramento de bens e serviços como insumos deve observar os critérios da essencialidade e da relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. É vedado o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins relativamente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nas hipóteses de alíquota zero, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Incumbe ao sujeito passivo comprovar a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. DESPESAS ADMINISTRATIVAS. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 2 Despesas vinculadas a atividades meramente administrativas, sem demonstração de integração ao processo produtivo, não geram direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL E FERRAMENTAS EMPREGADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Calças, camisas, protetores faciais, ferramentas e materiais correlatos utilizados diretamente no processo produtivo, quando demonstrada sua essencialidade ou relevância, enquadram-se no conceito de insumo e geram direito ao crédito. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. CRÉDITOS. É permitido o aproveitamento de créditos relativos a serviços de frete contratados de forma autônoma na aquisição de insumos, desde que observados os requisitos da Súmula CARF nº 188. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Geram direito ao crédito as despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração. Não geram crédito as despesas com frete relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, nos termos da Súmula CARF nº 217. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. NECESSIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos exige a apresentação das declarações retificadoras pertinentes, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 231. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a glosa de créditos nos seguintes termos: (i) por unanimidade de voto, em relação a (i.1) créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda), (i.2) protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos — tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt — comprovadamente empregados no processo produtivo, (i.3) despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação Fl. 384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 3 de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto, e (i.4) despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente; e, (ii) por maioria de votos, para manter as demais glosas de créditos, vencido o conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, que também revertia a glosa em relação à aquisição de clips para cabo de aço. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201- 013.655, de 21 de julho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10183.908810/2016-34, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas apenas aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. Fl. 385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 4 Os artigos 3º, parágrafo 2º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 estabelecem de forma expressa que é vedado desconto dos créditos sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. No regime de não- cumulatividade das contribuições PIS e COFINS, o aproveitamento de créditos está baseado na premissa da incidência dessas contribuições nas aquisições dos bens e serviços empregados no processo produtivo. FRETES. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS. CREDITAMENTO. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda e nem se referirem à operação de venda de mercadorias, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito à apuração de créditos. FRETES. COMPRAS DE INSUMOS. CREDITAMENTO Não há que se falar em creditamento em relação ao custo do serviço de transporte dos bens adquiridos, e sim analisar a possibilidade de creditamento em relação à aquisição dos bens cujos custos englobam os de transporte. Os dispêndios com transportes na aquisição de bens devem integrar o custo de aquisição de tais bens. A possibilidade de aproveitamento dessas despesas depende da correta apuração e contabilização, guardando estrita relação com a natureza dos insumos adquiridos. Está correta a glosa de fretes pagos na compra de insumos indevidamente incluídos na rubrica “armazenagem e frete nas operações de venda”, pois foram indevidamente apropriados e registrados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2014 a 30/09/2014 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Para o reconhecimento em favor do sujeito passivo, é necessário que restem plenamente caracterizados os atributos de certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Ou seja, o crédito pretendido deve ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, bem como pelos documentos que a respalde. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, requerendo o reconhecimento do direito creditório, a homologação das compensações vinculadas ao pedido de ressarcimento e a anulação dos débitos decorrentes das glosas efetuadas. Ao apreciar inicialmente o recurso, esta Turma, por meio de Resolução, converteu o julgamento em diligência, em razão da necessidade de reexaminar os créditos pleiteados à luz da orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que afastou o conceito restritivo de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, adotando os critérios da essencialidade e da relevância posteriormente sistematizados no Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17 de dezembro de 2018. Fl. 386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 5 Para tanto, determinou que a autoridade preparadora procedesse à análise conjunta da documentação constante destes autos e do e-Dossiê nº 10010.019402/0716-20, elaborando relatório detalhado acerca dos créditos relativos à aquisição de bens utilizados como insumos e às despesas com armazenagem e frete na operação de venda, com discriminação dos valores comprovados, das razões das glosas e da participação de cada item na atividade da empresa. Determinou, ainda, caso necessário, a intimação da contribuinte para apresentação de documentos ou esclarecimentos complementares, assegurando-lhe o exercício do contraditório antes do retorno dos autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento à diligência determinada pelo CARF, a autoridade fiscal procedeu à reanálise dos créditos relativos às aquisições de bens utilizados como insumos e às despesas com armazenagem e frete, elaborando relatório circunstanciado acerca dos valores comprovados e das razões para a manutenção ou o afastamento das glosas inicialmente efetuadas, após o que os autos retornaram a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em face de Despacho Decisório que deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, referente ao 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 160.182,80. O deferimento parcial decorreu da glosa de créditos cuja apuração não atendeu aos requisitos legais, especialmente em relação ao conceito de insumo, ao aproveitamento de créditos sobre aquisições não sujeitas à incidência das contribuições, ao creditamento de despesas com fretes e à insuficiência de comprovação do direito creditório. Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ manteve integralmente o Despacho Decisório, assentando, em síntese, que: (i) o conceito de insumo não abrange toda despesa necessária à atividade empresarial, mas apenas os bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (ii) é vedado o desconto de créditos relativos a aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições; (iii) despesas com fretes de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito; (iv) despesas com fretes na aquisição de insumos devem compor o custo de aquisição dos respectivos bens, não podendo ser apropriadas como despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; e (v) o Fl. 387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 6 reconhecimento do direito creditório exige prova da sua certeza e liquidez, mediante escrituração contábil e fiscal regularmente respaldada por documentação idônea. Em cumprimento à diligência determinada por este Conselho, a autoridade fiscal elaborou Informação Fiscal circunstanciada, reexaminando as glosas objeto da controvérsia à luz dos critérios estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR e do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, mantendo apenas aquelas consideradas indevidas segundo os novos parâmetros interpretativos. Cientificada da Informação Fiscal, a recorrente apresentou razões adicionais de recurso, esclarecendo que não impugna os créditos reconhecidos pela autoridade fiscal, restringindo sua irresignação às glosas remanescentes, cuja reforma pleiteia com fundamento na documentação constante dos autos e na legislação aplicável. De pronto, registro que acompanho as conclusões da Informação Fiscal quanto à reversão das glosas nela reconhecidas, por entender que se encontram em consonância com os parâmetros fixados pelo Superior Tribunal de Justiça e pela orientação administrativa vigente. Remanescem, contudo, pontos controvertidos, cuja análise passo a realizar. Da preliminar de nulidade Em suas razões recursais, a recorrente suscita, preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido, ao argumento de que a DRJ deixou de apreciar a integralidade da documentação comprobatória constante do e-Dossiê nº 10010.019402/0716- 20, especialmente quanto às despesas de frete, circunstância que teria comprometido o exame do direito creditório pleiteado. Sustenta que a decisão recorrida violou o dever de fundamentação, por não enfrentar todos os argumentos e documentos capazes de infirmar a conclusão adotada, em afronta ao art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, aos arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999, ao art. 93, IX, da Constituição Federal e ao art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil. Afirma, ainda, que a ausência de análise da documentação caracterizou cerceamento do direito de defesa, requerendo a decretação da nulidade do acórdão recorrido e do despacho decisório, com o reconhecimento integral dos créditos pleiteados. Não assiste razão a recorrente. Nos termos dos arts. 59 a 61 do Decreto nº 70.235/1972, a nulidade do procedimento ou da decisão administrativa somente se configura nas hipóteses expressamente previstas em lei, notadamente quando praticados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma dessas hipóteses se verifica no presente caso. Fl. 388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 7 A decisão recorrida foi proferida por autoridade competente e apresenta motivação suficiente para permitir a compreensão das razões de decidir e o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, tanto que a recorrente impugnou especificamente seus fundamentos por meio do presente Recurso Voluntário. A alegada deficiência de fundamentação igualmente não procede. O dever de motivação exige que o julgador exponha os fundamentos de fato e de direito que embasam sua conclusão, não lhe sendo imposto enfrentar individualmente todos os argumentos, documentos ou alegações deduzidos pelas partes quando já houver fundamentação suficiente para a solução da controvérsia. De todo modo, eventual insuficiência na análise da documentação restou superada pela diligência determinada por este Conselho, ocasião em que a autoridade fiscal reexaminou os documentos constantes destes autos e do e- Dossiê nº 10010.019402/0716-20 à luz dos critérios fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR e pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, elaborando Informação Fiscal circunstanciada. Após sua ciência, foi oportunizado à recorrente apresentar razões adicionais de recurso, as quais foram efetivamente apresentadas. Além disso, a recorrente confunde matéria preliminar com matéria de mérito. A alegação de que determinados documentos conduziriam ao reconhecimento do direito creditório ou à reversão de glosas remanescentes diz respeito à valoração da prova e ao exame da existência do direito alegado, questões que serão apreciadas no mérito do recurso, não constituindo vícios capazes de macular a validade do processo administrativo. Assim, ausentes as hipóteses de nulidade previstas no Decreto nº 70.235/1972, rejeito a preliminar suscitada. Mérito Conforme delimitado pela própria recorrente em suas razões adicionais de recurso, a controvérsia restringe-se às glosas remanescentes mantidas pela autoridade fiscal após a realização da diligência determinada por este Conselho, não havendo insurgência quanto aos créditos reconhecidos na Informação Fiscal. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, instituiu o regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep, aplicável às pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real. De acordo com o art. 3º da referida norma, é permitido ao contribuinte descontar, da contribuição devida no mês, créditos apurados em relação a determinados custos, despesas e encargos vinculados à sua atividade econômica. O caput do artigo estabelece a regra-matriz do direito ao crédito, enquanto os incisos disciplinam hipóteses específicas de creditamento. Entre essas hipóteses, destacam-se: a aquisição de bens para revenda (inciso I); a aquisição de bens e Fl. 389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 8 serviços utilizados como insumos na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (inciso II); o consumo de energia elétrica nos estabelecimentos da pessoa jurídica (inciso III); e os pagamentos de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa (inciso IV), entre outros. No que se refere ao inciso II, o conceito de “insumo” não foi expressamente definido pela legislação, o que gerou divergências interpretativas relevantes. Inicialmente, a Administração Tributária adotava entendimento mais restritivo, com base nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004. Esse posicionamento, no entanto, foi superado pelo julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que fixou como critério para o creditamento a demonstração da essencialidade ou relevância do bem ou serviço em relação à atividade econômica desenvolvida. Esse entendimento foi incorporado à atuação da Administração Pública Federal, conforme expresso na Nota SEI nº 63/2018 da PGFN, no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018 e na Instrução Normativa RFB nº 2.121, de 15 de dezembro de 2022, os quais reconhecem que, para fins de geração de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições, a caracterização de insumo deve observar esses dois critérios: essencialidade e relevância, considerados à luz do processo produtivo ou da prestação de serviços da pessoa jurídica. No mesmo sentido, a jurisprudência consolidada do CARF vem adotando tal critério interpretativo, reconhecendo o direito ao crédito quando demonstrada a vinculação direta entre o bem ou serviço e a atividade-fim do contribuinte. Ressalte-se que o CARF tem seguido um entendimento intermediário: não tão restritivo quanto aquele previsto nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, que foram declaradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça, tampouco tão amplo quanto o pretendido por parte dos contribuintes. Para este Conselho, a caracterização de um insumo está diretamente relacionada à pertinência ou necessidade da despesa dentro dos limites espaço-temporais do processo produtivo ou da prestação de serviços, sendo imprescindível a demonstração concreta do seu papel na dinâmica operacional da empresa. Dessa forma, a aferição do direito ao crédito no regime da não cumulatividade exige análise fático-probatória à luz do critério jurídico consolidado, segundo o qual apenas os bens e serviços essenciais ou relevantes ao processo produtivo ou à prestação de serviços da pessoa jurídica podem ser considerados insumos. Conforme já exposto, a aplicação dos parâmetros de essencialidade e relevância — consagrados pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhidos pela jurisprudência deste Conselho — demanda apreciação casuística, de modo a verificar se os itens questionados possuem, de fato, função indispensável ou significativa no desempenho da atividade econômica da contribuinte. Fl. 390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 9 Cumpre ressaltar, contudo, que o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, delimitou o conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, mediante a adoção dos critérios da essencialidade e relevância. Assim, tais parâmetros destinam-se à análise das hipóteses de creditamento fundamentadas no conceito jurídico de insumo, não afastando a necessidade de observância dos requisitos próprios estabelecidos pelo legislador para as demais modalidades de créditos previstas no regime da não cumulatividade. Portanto, a análise dos créditos objeto da presente controvérsia deve observar a natureza específica de cada dispêndio, verificando-se, em relação aos itens enquadrados como insumos, sua essencialidade ou relevância para o processo produtivo ou para a prestação de serviços desenvolvida pela pessoa jurídica. Glosa de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições Foram objeto de glosa os créditos relativos à aquisição de bens e serviços utilizados como insumos que, segundo a fiscalização, não estavam sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A glosa foi fundamentada no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, segundo o qual não dão direito a crédito as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das referidas contribuições. A recorrente alega que a glosa carece de fundamentação individualizada, porquanto a fiscalização não identificou os Códigos de Situação Tributária (CST) nem as Notas Fiscais eletrônicas que embasariam a conclusão de que as aquisições não estariam sujeitas ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Sustenta que as notas fiscais de aquisição foram regularmente escrituradas com o CST 53, correspondente a operações com direito a crédito, não sendo possível atribuir à adquirente eventual erro de classificação fiscal cometido pelos fornecedores. Invoca, para tanto, o princípio da verdade material e a Solução de Consulta COSIT nº 240/2023, segundo a qual erro na identificação do CST pelo fornecedor não impede, por si só, o aproveitamento dos créditos. Aduz, ainda, que as embalagens adquiridas não se enquadram nas hipóteses legais de alíquota zero, estando sujeitas à tributação ordinária, razão pela qual, uma vez caracterizadas como insumos, ensejam o direito ao creditamento. Ao final, afirma que a glosa se baseou em mera presunção, desacompanhada de demonstração fática e documental suficiente, requerendo seu afastamento. Não assiste razão à recorrente. A glosa foi efetuada com fundamento no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que veda expressamente o aproveitamento de Fl. 391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 10 créditos relativos à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Em igual sentido, a jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que não é permitido o desconto de créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados, ainda que empregados na produção de bens destinados à venda. A recorrente sustenta que a fiscalização não demonstrou adequadamente a ausência de tributação das aquisições, bem como que eventuais erros na identificação do CST pelos fornecedores não poderiam ensejar a glosa dos créditos. Todavia, tais alegações não se mostram suficientes para infirmar a conclusão fiscal. Conforme consignado na decisão recorrida, a documentação apresentada pela recorrente revela-se insuficiente para demonstrar, de forma individualizada, a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. Os documentos foram juntados sem qualquer organização por período de apuração ou por natureza da operação, abrangendo exercícios distintos, com expressivo volume de documentos estranhos à controvérsia, documentos em duplicidade e outros sem pertinência com os créditos discutidos, circunstância que inviabiliza a identificação objetiva das operações efetivamente relacionadas às glosas. Nessas condições, não se pode exigir da autoridade fiscal ou do órgão julgador que procedam ao exame indiscriminado de milhares de documentos para identificar aqueles que, em tese, poderiam amparar o direito alegado. O dever de demonstrar os fatos constitutivos do direito creditório pertence ao sujeito passivo, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972, do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011 e, subsidiariamente, do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil. A invocação do princípio da verdade material tampouco altera essa conclusão. Referido princípio não afasta o ônus probatório do contribuinte nem autoriza o reconhecimento de créditos quando os elementos constantes dos autos não permitem verificar, com segurança, o atendimento dos requisitos legais para o creditamento. Da mesma forma, eventual erro formal na classificação fiscal adotada pelo fornecedor somente teria relevância se a recorrente demonstrasse, de forma inequívoca, a efetiva tributação das operações e o preenchimento dos pressupostos legais para a constituição do crédito, o que não ocorreu. Ausente prova suficiente capaz de desconstituir a conclusão da fiscalização e diante da vedação expressa contida no art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, impõe-se a manutenção da glosa. Glosa de aquisição de insumos não enquadrados no conceito de insumo A recorrente sustenta que a fiscalização glosou indevidamente créditos relativos a itens classificados genericamente como despesas administrativas, ferramentas e vestuário, sem considerar sua efetiva utilização na atividade produtiva. Fl. 392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 11 Alega que diversos itens enquadrados como materiais de escritório, a exemplo de clips para cabo de aço, embalagens e protetor facial, são empregados diretamente nas operações da empresa ou constituem equipamentos de proteção individual (EPI), enquadrando-se no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade e relevância fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. Afirma, ainda, que as ferramentas e materiais correlatos glosados são utilizados na manutenção de máquinas, na operação dos equipamentos e na proteção dos trabalhadores, possuindo destinação produtiva, razão pela qual não poderiam ser excluídos do creditamento com fundamento apenas em sua classificação genérica. Por fim, sustenta que as calças e camisas adquiridas possuem natureza de equipamento de proteção individual, devendo igualmente ser reconhecidas como insumos para fins de creditamento. Em síntese, defende que a fiscalização adotou critério meramente formal para a glosa, deixando de analisar a efetiva essencialidade e relevância dos bens para o desenvolvimento da atividade econômica, requerendo o reconhecimento dos respectivos créditos. No ponto, assiste razão apenas em parte à recorrente. Quanto às despesas administrativas, deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Embora tais despesas possam contribuir para o regular funcionamento da empresa, as atividades administrativas e logísticas não integram, em regra, o processo produtivo propriamente dito, não se enquadrando, por si sós, no conceito de insumo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Ausente demonstração de que os bens glosados eram essenciais ou relevantes à produção dos bens destinados à venda, inexiste direito ao creditamento. Diversa, contudo, é a situação do protetor facial, das calças e camisas utilizadas como equipamentos de proteção individual e das ferramentas e materiais correlatos (como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco, transformador bivolt), empregados diretamente no processo produtivo. Nesses casos, a classificação contábil ou a denominação genérica do bem não são suficientes para afastar o direito ao crédito. O critério determinante é sua efetiva destinação e sua imprescindibilidade para o desenvolvimento da atividade econômica. Tratando-se de indústria do ramo alimentício, as vestimentas destinadas à proteção e higiene dos trabalhadores, quando exigidas pela legislação sanitária ou indispensáveis ao processo produtivo, revestem-se dos atributos de essencialidade e relevância estabelecidos pelo Superior Tribunal de Justiça. Da mesma forma, ferramentas e materiais utilizados diretamente na operação, manutenção e continuidade da produção constituem insumos aptos a gerar Fl. 393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 12 créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que comprovada sua vinculação ao processo produtivo. Assim, a glosa deve ser mantida em relação às despesas administrativas e afastada quanto aos protetores faciais, calças, camisas e ferramentas e materiais correlatos - como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco, transformador bivolt - comprovadamente empregadas no processo produtivo. Glosa decorrente de notas fiscais com inconsistências A recorrente também sustenta que devem ser afastadas as glosas relativas a notas fiscais supostamente incompatíveis com o CNPJ do emitente, por entender que eventual erro formal não impede o reconhecimento do direito ao crédito quando comprovada a efetividade da operação. Todavia, conforme se verifica da planilha "Reanalise_Bens_Insumo_2013.xlsx", elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho, as glosas remanescentes foram mantidas exclusivamente em razão da ausência de incidência das contribuições, da isenção da operação ou do não enquadramento dos bens no conceito de insumo. Não subsiste, portanto, glosa fundada em incompatibilidade entre o documento fiscal e o CNPJ do emitente. Dessa forma, a argumentação desenvolvida pela recorrente dissocia-se dos fundamentos efetivamente adotados pela autoridade fiscal na manutenção das glosas, razão pela qual os precedentes invocados acerca da irrelevância de vícios meramente formais em documentos fiscais não se mostram aplicáveis ao presente caso. Glosa de despesas com armazenagem e frete de bens que não se encaixariam no conceito de insumo A recorrente sustenta que a fiscalização glosou indevidamente créditos relativos a despesas de frete incidentes sobre a aquisição de determinados bens, sob o fundamento de que estes não se enquadrariam no conceito de insumo. Alega que tais fretes referem-se à aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos, materiais de embalagem e locação de empilhadeiras, bens e serviços que reputa essenciais ao desenvolvimento de sua atividade econômica. Invoca, para tanto, precedentes do CARF que admitem o creditamento de despesas relacionadas à manutenção de ativos produtivos e ao aluguel de equipamentos utilizados na atividade empresarial. A sistemática da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins exige que o enquadramento de determinado bem ou serviço como insumo seja aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância para o processo Fl. 394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 13 produtivo, conforme orientação firmada pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR. No caso dos autos, verifica-se que os bens e serviços em discussão apresentam vínculo direto com o processo produtivo, revelando-se essenciais ou relevantes para o desenvolvimento da atividade econômica da recorrente. Dessa forma, atendidos os requisitos legais para o creditamento, reverto as glosas efetuadas. Fretes de períodos anteriores A fiscalização manteve a glosa dos créditos extemporâneos por entender que a recorrente não observou os requisitos necessários ao seu aproveitamento, notadamente a retificação das obrigações acessórias correspondentes. Insurge-se a recorrente contra esse entendimento, sustentando que o § 4º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 autoriza expressamente o aproveitamento de créditos em períodos subsequentes, independentemente da retificação das declarações, afirmando que a glosa estaria fundada em excesso de formalismo e afrontaria o princípio da verdade material. A matéria encontra-se atualmente pacificada no âmbito deste Conselho por meio da Súmula CARF nº 231, segundo a qual: "O aproveitamento de créditos extemporâneos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes." Embora a legislação admita, em tese, o aproveitamento de créditos em períodos posteriores, esse direito está condicionado à adequada comprovação de sua origem e de sua existência, mediante a correspondente retificação das obrigações acessórias pertinentes. Tal exigência não constitui mero formalismo, mas instrumento indispensável à demonstração da certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado. Assim, nada a reparar na decisão recorrida. Fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte A fiscalização manteve a glosa dos créditos relativos a despesas de frete realizadas entre estabelecimentos da própria recorrente, por entender que tais operações não se enquadram nas hipóteses legais de creditamento. A recorrente sustenta que esses fretes constituem serviços essenciais à sua atividade econômica, por envolverem a movimentação de matérias-primas importadas, insumos e produtos acabados entre suas unidades, sendo Fl. 395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 14 indispensáveis ao processo produtivo e à logística operacional. Afirma que a jurisprudência administrativa admite o creditamento quando demonstrada a essencialidade da despesa, requerendo o reconhecimento dos créditos correspondentes. Não assiste razão à recorrente em sua integralidade. A sistemática da não cumulatividade exige a análise da natureza da mercadoria transportada e da finalidade do serviço de frete. No que se refere ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, entendo que assiste razão à recorrente. Tais deslocamentos constituem etapa integrante do processo produtivo, revelando-se essenciais ao desenvolvimento da atividade empresarial. Nesses casos, o serviço de transporte conserva sua vinculação direta com a produção, legitimando o aproveitamento dos créditos. Diversa, contudo, é a situação dos fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Sobre essa hipótese, a matéria encontra-se pacificada pela Súmula CARF nº 217, segundo a qual: "Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas." Assim, os créditos devem ser reconhecidos apenas em relação aos fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração, desde que devidamente comprovados, mantendo-se a glosa quanto às despesas relativas ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da recorrente, em observância ao entendimento consolidado neste Conselho. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar as glosas referentes: i) aos créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho; ii) aos protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos — tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt — comprovadamente empregados no processo produtivo; iii) às despesas com frete incidentes sobre a aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados; e Fl. 396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.660 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10183.908817/2016-56 15 iv) às despesas com frete vinculadas ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da recorrente. Mantêm-se, quanto aos demais pontos, as glosas efetuadas pela fiscalização. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar as glosas: em relação aos créditos reconhecidos pela autoridade fiscal na Informação Fiscal elaborada em cumprimento à diligência determinada por este Conselho (bens utilizados como insumos e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda); dos protetores faciais, calças, camisas, ferramentas e materiais correlatos - tais como cal virgem, chaves combinadas, espátula, mangote de couro, óculos de segurança, pano de saco e transformador bivolt - comprovadamente empregados no processo produtivo; de despesas com fretes na aquisição de peças de reposição de máquinas do ativo imobilizado, lubrificantes, graxas, aditivos e materiais de embalagem, bem como sobre a locação de empilhadeiras, desde que devidamente comprovados, observado o entendimento firmado na fundamentação do voto; e de despesas com fretes vinculados ao transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos do Recorrente. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 397DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11128.729776/2014-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 01 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Oct 08 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 07/05/2010
LAUDO LABORATORIAL. PRODUÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO DIFERIDO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
A produção de análise laboratorial durante a fiscalização, sem participação prévia do importador, não acarreta nulidade quando o resultado é integralmente disponibilizado com o lançamento e pode ser contraditado na impugnação e no recurso. A força probatória e a suficiência técnica do laudo, contudo, permanecem sujeitas à apreciação motivada do julgador.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO À BASE DE ÓLEO MINERAL BRANCO. CONTEÚDO SUPERIOR A 70% EM PESO. NCM 2710.19.91.
A posição 2710 abrange não apenas óleos minerais isolados, mas também preparações não especificadas em outras posições que contenham, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. Demonstrado que o produto importado é preparação à base de óleo mineral e que a ficha do fabricante indica 80% a 100% de petróleo branco, a presença de éster surfactante e manitol não autoriza sua transferência para a posição residual 3824. A mercadoria classifica-se no código NCM 2710.19.91.
POSIÇÃO 3824. CARÁTER RESIDUAL. INAPLICABILIDADE.
A posição 3824 somente alcança produtos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições. Comprovado o enquadramento objetivo na posição 2710, fica afastada a classificação residual adotada pela fiscalização.
TRIBUTOS VINCULADOS E PENALIDADES. CANCELAMENTO.
Reconhecida a classificação declarada, devem ser canceladas as diferenças de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, com os juros e as multas de ofício correspondentes, bem como a multa autônoma de 1% por erro de classificação. Esta última também não subsistiria diante da revogação superveniente do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pela Lei Complementar nº 227/2026, aplicável ao ato não definitivamente julgado nos termos do art. 106, II, do CTN.
Numero da decisão: 3001-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Leandro Wilhelm Wolff - Relator
Assinado Digitalmente
Marco Unaian Neves de Miranda - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carolina Oliveira Serra da Silveira, Leandro Wilhelm Wolff, Sergio Roberto Pereira Araujo, Marco Unaian Neves de Miranda (Presidente).
Nome do relator: LEANDRO WILHELM WOLFF
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 07/05/2010 LAUDO LABORATORIAL. PRODUÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO DIFERIDO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A produção de análise laboratorial durante a fiscalização, sem participação prévia do importador, não acarreta nulidade quando o resultado é integralmente disponibilizado com o lançamento e pode ser contraditado na impugnação e no recurso. A força probatória e a suficiência técnica do laudo, contudo, permanecem sujeitas à apreciação motivada do julgador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO À BASE DE ÓLEO MINERAL BRANCO. CONTEÚDO SUPERIOR A 70% EM PESO. NCM 2710.19.91. A posição 2710 abrange não apenas óleos minerais isolados, mas também preparações não especificadas em outras posições que contenham, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. Demonstrado que o produto importado é preparação à base de óleo mineral e que a ficha do fabricante indica 80% a 100% de petróleo branco, a presença de éster surfactante e manitol não autoriza sua transferência para a posição residual 3824. A mercadoria classifica-se no código NCM 2710.19.91. POSIÇÃO 3824. CARÁTER RESIDUAL. INAPLICABILIDADE. A posição 3824 somente alcança produtos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições. Comprovado o enquadramento objetivo na posição 2710, fica afastada a classificação residual adotada pela fiscalização. TRIBUTOS VINCULADOS E PENALIDADES. CANCELAMENTO. Reconhecida a classificação declarada, devem ser canceladas as diferenças de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, com os juros e as multas de ofício correspondentes, bem como a multa autônoma de 1% por erro de classificação. Esta última também não subsistiria diante da revogação superveniente do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pela Lei Complementar nº 227/2026, aplicável ao ato não definitivamente julgado nos termos do art. 106, II, do CTN.
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PRODUÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CONTRADITÓRIO DIFERIDO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A produção de análise laboratorial durante a fiscalização, sem participação prévia do importador, não acarreta nulidade quando o resultado é integralmente disponibilizado com o lançamento e pode ser contraditado na impugnação e no recurso. A força probatória e a suficiência técnica do laudo, contudo, permanecem sujeitas à apreciação motivada do julgador. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÃO À BASE DE ÓLEO MINERAL BRANCO. CONTEÚDO SUPERIOR A 70% EM PESO. NCM 2710.19.91. A posição 2710 abrange não apenas óleos minerais isolados, mas também preparações não especificadas em outras posições que contenham, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos. Demonstrado que o produto importado é preparação à base de óleo mineral e que a ficha do fabricante indica 80% a 100% de petróleo branco, a presença de éster surfactante e manitol não autoriza sua transferência para a posição residual 3824. A mercadoria classifica-se no código NCM 2710.19.91. POSIÇÃO 3824. CARÁTER RESIDUAL. INAPLICABILIDADE. A posição 3824 somente alcança produtos e preparações não especificados nem compreendidos em outras posições. Comprovado o enquadramento objetivo na posição 2710, fica afastada a classificação residual adotada pela fiscalização. TRIBUTOS VINCULADOS E PENALIDADES. CANCELAMENTO. Reconhecida a classificação declarada, devem ser canceladas as diferenças de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 2 com os juros e as multas de ofício correspondentes, bem como a multa autônoma de 1% por erro de classificação. Esta última também não subsistiria diante da revogação superveniente do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e do art. 69 da Lei nº 10.833/2003 pela Lei Complementar nº 227/2026, aplicável ao ato não definitivamente julgado nos termos do art. 106, II, do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Leandro Wilhelm Wolff – Relator Assinado Digitalmente Marco Unaian Neves de Miranda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carolina Oliveira Serra da Silveira, Leandro Wilhelm Wolff, Sergio Roberto Pereira Araujo, Marco Unaian Neves de Miranda (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 108-022.364, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento 08, que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito tributário constituído por erro de classificação fiscal. A autuação decorre da revisão da adição 001 da Declaração de Importação nº 10/0749398-6, registrada em 07/05/2010. Foram importados 14.000 kg do produto comercial MONTANIDE ISA 70M VG, lotes T00339, T00419 e T00619, descrito na declaração como óleos minerais brancos, óleos de vaselina ou de parafina, e classificado no código NCM 2710.19.91. Com a classificação declarada, foram aplicadas as alíquotas de 4% para o Imposto de Importação e de 0% para o IPI, além das alíquotas de 1,65% e 7,60% para PIS/Pasep- Importação e Cofins-Importação. O valor aduaneiro da adição foi de R$ 265.102,61. Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 3 Durante a conferência aduaneira foi coletada amostra do lote T00419, encaminhada mediante Pedido de Exame Laboratorial nº LAB/1441/2010-EQCOF. O Laudo de Análise nº 1738/2010-1, emitido em 24/06/2010, registrou: aspecto líquido amarelo pouco viscoso; identificação positiva para hidrocarboneto alifático, grupamento éster, grupamento hidroxilado e óleo mineral; característica para manitol; e teor de não voláteis de 88,4%. Sua conclusão descreveu a mercadoria como preparação de manitol e grupamento éster em óleo mineral, utilizada em formulações de diluentes para vacinas, acrescentando, em resposta aos quesitos, que não se trataria de óleo mineral puro. Com base nessa conclusão, a Fiscalização entendeu que a mercadoria deveria ser classificada no código NCM 3824.90.89, correspondente a outros produtos e preparações à base de compostos orgânicos não especificados nem compreendidos em outras posições. A alteração elevou as alíquotas do Imposto de Importação para 14% e do IPI para 10% e repercutiu nas bases do PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação. Foram lançadas as diferenças tributárias, multas de ofício de 75%, juros de mora e multa autônoma de 1% sobre o valor aduaneiro. Composição do crédito tributário no demonstrativo consolidado da autuação, em valores originários de novembro de 2014: Rubrica Principal (R$) Juros (R$) Multa (R$) Total (R$) IPI vinculado 30.221,69 12.593,37 22.666,27 65.481,33 Imposto de Importação 26.510,26 11.046,82 19.882,70 57.439,78 Multa autônoma de 1% — — 2.651,02 2.651,02 PIS/Pasep-Importação 226,43 94,35 169,82 490,60 Cofins-Importação 1.042,93 434,58 782,20 2.259,71 TOTAL — — — 128.322,43 Cientificada do lançamento em 18/11/2014, a então interessada apresentou impugnação em 17/12/2014. Sustentou, em síntese: impossibilidade de mudança de critério jurídico em relação a fiscalizações anteriores; nulidade do laudo por ter sido produzido sem sua participação; correção da NCM 2710.19.91; inaplicabilidade das multas de ofício e da multa autônoma; e suficiência da descrição constante da declaração de importação. Foram juntados, entre outros elementos, boletim técnico do fabricante que qualifica o produto como adjuvante à base de óleo mineral, produzido com óleo mineral injetável de alta qualidade e emulsificante refinado derivado de manitol e ácido oleico purificado, bem como ficha de dados de segurança que identifica a mercadoria como mistura e informa a presença de 80% a 100% de petróleo branco. Os documentos identificam o mesmo nome comercial e o mesmo código de produto objeto da importação. Em sessão de 18/10/2021, a DRJ afastou as nulidades e manteve a reclassificação para a NCM 3824.90.89. Considerou que o produto não seria óleo mineral, mas preparação de Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 4 manitol e éster em óleo mineral; concluiu, por isso, que a posição residual 3824 seria adequada. Também manteve a multa de ofício e a multa autônoma de 1%, ao fundamento de que a descrição declarada não conteria todos os elementos essenciais da mercadoria. A ciência do acórdão recorrido ocorreu em 16/11/2021. O Recurso Voluntário foi apresentado em 14/12/2021 pela sucessora por incorporação, acompanhado dos documentos de representação pertinentes. No recurso, a Recorrente alega, em síntese: a posição 2710 deve prevalecer pela aplicação da RGI 1, porque seu texto inclui preparações contendo 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo como constituintes básicos; a documentação técnica do fabricante comprova que o MONTANIDE ISA 70M VG contém de 80% a 100% de petróleo branco e que o óleo mineral constitui sua base; a posição 3824 é residual e não pode ser aplicada quando a mercadoria já se encontra compreendida na posição 2710; a descrição da declaração de importação, acrescida do nome comercial, do fabricante e dos lotes, permitiu a perfeita identificação da mercadoria, razão pela qual a multa de 1% deve ser afastada; e o laudo laboratorial não poderia fundamentar o lançamento, por ter sido produzido unilateralmente e sem prévio contraditório. Ao final, requer o provimento do recurso para reconhecer a classificação NCM 2710.19.91, cancelar integralmente a exigência, excluir a multa por erro de classificação e afastar o laudo laboratorial. É o relatório. VOTO Conselheiro Leandro Wilhelm Wolff, Relator 1. Admissibilidade A Recorrente foi cientificada do acórdão de primeira instância em 16/11/2021 e protocolou o Recurso Voluntário em 14/12/2021. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 5 2. Da alegada nulidade do laudo laboratorial A Recorrente pede o afastamento do Laudo de Análise nº 1738/2010-1 porque não teria participado de sua produção. A preliminar não procede. O exame foi realizado como ato instrutório da fiscalização e seu conteúdo foi incorporado ao lançamento. A partir da ciência do auto de infração, a Recorrente teve acesso ao documento, apresentou impugnação detalhada, juntou documentação técnica do fabricante e voltou a discutir suas conclusões no Recurso Voluntário. Não se identifica, portanto, preterição concreta do direito de defesa ou prejuízo processual capaz de atrair a nulidade prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Rejeitar a nulidade, contudo, não significa atribuir ao laudo valor absoluto. Cabe ao julgador confrontar seus dados analíticos com o texto da NCM e com as demais provas. É justamente nesse exame conjunto que a conclusão classificatória da autuação não se sustenta, conforme será visto a seguir. 3. Da classificação fiscal A classificação fiscal é determinada, em primeiro lugar, pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, nos termos da RGI 1. Somente depois de definida a posição aplicam-se, no mesmo nível, as regras pertinentes às subposições e aos desdobramentos nacionais. No caso, o texto da posição 2710, vigente na data do registro da declaração, alcançava os óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos, e também as preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições que contivessem, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, daqueles óleos. O código NCM 2710.19.91 identificava os óleos minerais brancos, também denominados óleos de vaselina ou de parafina. Essa redação é decisiva. A posição 2710 não está limitada ao óleo mineral puro. Ela expressamente compreende misturas e preparações nas quais o óleo de petróleo seja o constituinte básico e represente pelo menos 70% do peso. Assim, a presença de outros componentes não exclui, por si só, a posição 2710. A prova produzida pela própria Fiscalização confirma que a mercadoria é uma preparação em óleo mineral. O laudo identificou óleo mineral, hidrocarboneto alifático, manitol e grupamento éster e concluiu tratar-se de preparação de manitol e éster em óleo mineral. A resposta de que o produto ‘não se trata de óleo mineral’ apenas indica que não é substância pura; não responde à questão jurídica relevante, que é saber se se trata de preparação contendo 70% ou mais de óleo mineral como elemento básico. A documentação do fabricante supre precisamente essa lacuna quantitativa. O boletim técnico descreve o MONTANIDE ISA 70M VG como adjuvante à base de óleo mineral, composto por óleo mineral injetável de alta qualidade e emulsificante refinado derivado de Fl. 170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 6 manitol e ácido oleico. A ficha de dados de segurança o qualifica como mistura e informa teor de 80% a 100% de petróleo branco. A identidade comercial e o código do produto coincidem com os constantes da documentação de importação. Embora a ficha de segurança juntada tenha data posterior à importação, esse aspecto não afasta sua pertinência. O documento se refere ao mesmo produto comercial e ao mesmo código de produto; o laudo de 2010, realizado sobre amostra efetivamente colhida da adição, confirma a mesma estrutura material — óleo mineral associado a éster surfactante de manitol — e não existe nos autos elemento técnico que indique reformulação entre a importação e a emissão da ficha. A amostra analisada pertencia ao lote T00419, um dos três lotes declarados na adição. Foi a própria Fiscalização que tomou esse resultado como representativo da totalidade dos 14.000 kg importados. Não há prova de diferença de formulação entre os lotes T00339, T00419 e T00619, todos identificados pelo mesmo produto comercial. Por isso, o conjunto probatório pode ser utilizado, coerentemente, para decidir toda a adição. A DRJ reproduziu o texto da posição 2710, inclusive o limiar objetivo de 70%, mas não confrontou esse requisito com a informação de 80% a 100% de petróleo branco constante da documentação técnica. Limitou-se a afirmar que, por ser preparação, a mercadoria não seria óleo mineral. Essa premissa não é compatível com o próprio texto tarifário, que inclui preparações. A posição 3824, por sua vez, tem caráter residual: alcança produtos e preparações das indústrias químicas ou conexas não especificados nem compreendidos em outras posições. Uma vez demonstrado o enquadramento na posição 2710, não é juridicamente possível deslocar a mercadoria para a posição 3824 apenas porque contém manitol e grupamento éster. No nível do subitem, o constituinte básico identificado pelo fabricante é petróleo branco, e a declaração descreveu a mercadoria como óleo mineral branco de vaselina ou parafina. Esses elementos conduzem ao código NCM 2710.19.91. A utilização do produto como adjuvante veterinário não altera esse resultado, pois sua composição satisfaz diretamente o texto da posição e do subitem. O acervo probatório é suficiente para o julgamento. A realização de diligência para nova análise, mais de dezesseis anos após a importação, não é necessária. 4. Dos efeitos do reconhecimento da NCM 2710.19.91 A exigência foi constituída exclusivamente em razão da substituição da NCM 2710.19.91 pela NCM 3824.90.89. Reconhecida a classificação declarada, desaparece o suporte das diferenças de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação. Devem ser cancelados, por consequência, os juros incidentes sobre essas diferenças e as multas de ofício de 75% a elas vinculadas. Fl. 171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.272 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11128.729776/2014-07 7 Também deve ser cancelada a multa autônoma de 1% sobre o valor aduaneiro, porque não houve o erro de classificação que constituiu seu pressuposto. Ademais, durante a tramitação do processo, o art. 181, II e III, da Lei Complementar nº 227, de 13/01/2026, revogou o art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 e o art. 69 da Lei nº 10.833/2003, bases legais da penalidade. Por se tratar de ato ainda não definitivamente julgado, incide a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN. O provimento, portanto, alcança integralmente o crédito consolidado no processo. 5. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do Laudo de Análise nº 1738/2010-1 e, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer que o produto MONTANIDE ISA 70M VG, importado na adição 001 da DI nº 10/0749398-6, classifica-se no código NCM 2710.19.91; cancelar as diferenças lançadas de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, bem como os juros de mora e as multas de ofício de 75% correspondentes; e cancelar a multa autônoma de 1% sobre o valor aduaneiro. É como voto. Assinado Digitalmente Leandro Wilhelm Wolff Fl. 172DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900581/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3201-003.924
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade de origem para que a autoridade administrativa providencie o seguinte: (i) reanalisar os créditos de insumos pleiteados, tendo-se em conta a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 1.221.170/STJ e a Nota SEI/PGFN nº 63/2018, e, caso necessário, intimar o Recorrente para apresentar, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo técnico demonstrando a essencialidade e a relevância dos dispêndios que serviram de base à tomada de créditos, (ii) reanalisar os demais créditos pleiteados considerando-se os esclarecimentos prestados pelo Recorrente, bem como os dados e documentos presentes nos autos, sem prejuízo da realização de novas diligências que se mostrarem necessárias, (iii) elaborar novo Relatório Fiscal contendo os resultados da diligência, o qual deverá ser cientificado pelo Recorrente, assegurando-lhe o direito a se manifestar no prazo de 30 dias, sendo imperioso que se dê total transparência quanto aos créditos que permanecerem glosados , bem como àqueles que, eventualmente, vierem a serem reconhecidos, e, (iv) cumpridas as providências indicadas, devolver o processo a este CARF para prosseguimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.922, de 21 de julho de 2026, prolatada no julgamento do processo 10675.900579/2014-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade de origem para que a autoridade administrativa providencie o seguinte: (i) reanalisar os créditos de insumos pleiteados, tendo-se em conta a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 1.221.170/STJ e a Nota SEI/PGFN nº 63/2018, e, caso necessário, intimar o Recorrente para apresentar, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo técnico demonstrando a essencialidade e a relevância dos dispêndios que serviram de base à tomada de créditos, (ii) reanalisar os demais créditos pleiteados considerando- se os esclarecimentos prestados pelo Recorrente, bem como os dados e documentos presentes nos autos, sem prejuízo da realização de novas diligências que se mostrarem necessárias, (iii) elaborar novo Relatório Fiscal contendo os resultados da diligência, o qual deverá ser cientificado pelo Recorrente, assegurando-lhe o direito a se manifestar no prazo de 30 dias, sendo imperioso que se dê total transparência quanto aos créditos que permanecerem glosados , bem como àqueles que, eventualmente, vierem a serem reconhecidos, e, (iv) cumpridas as providências indicadas, devolver o processo a este CARF para prosseguimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201- 003.922, de 21 de julho de 2026, prolatada no julgamento do processo 10675.900579/2014-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flavia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis e Marcelo Enk de Aguiar. Fl. 948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3201-003.924 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10675.900581/2014-14 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, em virtude do não reconhecimento do pedido de ressarcimento solicitado no PER/DCOMP nº 15776.91142.310513.1.1.10-8519, PIS/Pasep Não Cumulativa Mercado Interno, 1º trimestre de 2013. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na primeira apreciação deste recurso por este Colegiado, entendeu-se pela conversão do julgamento em resolução, nos seguintes termos: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, de modo que a Autoridade Fiscal (i) esclareça se a Recorrente foi devidamente cientificada do Termo de Verificação Fiscal juntado aos autos, sendo-lhe oportunizado o complemento de sua defesa, (ii) em se confirmando que a Recorrente não foi intimada, esclareça o motivo, de modo justificado em não se proceder a tal intimação, (iii) esclareça se há processo de exigência fiscal (Auto de Infração) que se refira ao ressarcimento pleiteado e, em caso positivo, a sua identificação com o resumo do andamento processual e (iv) elabore relatório fiscal conclusivo quanto às matérias em questão, cientificando a Recorrente sobre os resultados da diligência, para que, se assim o desejar, apresente, no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação. Após, os presentes autos deverão retornar a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento ao deliberado por este Colegiado, foi elaborado o Relatório Fiscal, do qual o contribuinte foi cientificado, tendo apresentado manifestação acerca de seu conteúdo. Concluída a diligência determinada, os autos retornam a este Colegiado para julgamento do mérito. É o relatório. Fl. 949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3201-003.924 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10675.900581/2014-14 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Considerando que a tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida por este Colegiado quando da primeira apreciação dos autos, a presente análise restringe-se às questões remanescentes decorrentes do retorno do processo após o cumprimento da diligência determinada. Conforme já relatado, o PER/DCOMP não foi homologado em razão da ausência de comprovação do crédito pleiteado. Em primeira instância, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a DRJ acolhido a documentação apresentada pela Recorrente após a prolação do despacho decisório e reconhecido o direito creditório no montante de R$ 1.722.742,01, mantendo as glosas remanescentes. Contra essa decisão, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário. Embora a diligência anteriormente determinada por este Colegiado tenha sido regularmente cumprida, o Relatório Fiscal não analisou as glosas efetuadas antes do julgamento do REsp nº 1.221.170 e da edição da Nota COSIT nº 5 à luz dos critérios posteriormente firmados. Trata-se de questão relevante para o deslinde da controvérsia, cuja apreciação é indispensável ao julgamento do recurso. Desse modo, mostra-se necessária a conversão do julgamento em nova diligência, a fim de que a autoridade fiscal reexamine tais glosas à luz do entendimento consolidado no REsp nº 1.221.170 e das orientações constantes da Nota COSIT nº 5, suprindo a omissão verificada e viabilizando a completa apreciação da matéria por este Colegiado. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à unidade de origem para que a autoridade administrativa providencie o seguinte: (i) reanalisar os créditos de insumos pleiteados, tendo-se em conta a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP 1.221.170/STJ e a Nota SEI/PGFN nº 63/2018, e, caso necessário, intimar o Recorrente para apresentar, em prazo razoável, não inferior a 60 dias, laudo técnico demonstrando a essencialidade e a relevância dos dispêndios que serviram de Fl. 950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3201-003.924 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10675.900581/2014-14 4 base à tomada de créditos, (ii) reanalisar os demais créditos pleiteados considerando-se os esclarecimentos prestados pelo Recorrente, bem como os dados e documentos presentes nos autos, sem prejuízo da realização de novas diligências que se mostrarem necessárias, (iii) elaborar novo Relatório Fiscal contendo os resultados da diligência, o qual deverá ser cientificado pelo Recorrente, assegurando-lhe o direito a se manifestar no prazo de 30 dias, sendo imperioso que se dê total transparência quanto aos créditos que permanecerem glosados , bem como àqueles que, eventualmente, vierem a serem reconhecidos, e, (iv) cumpridas as providências indicadas, devolver o processo a este CARF para prosseguimento. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 951DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721840/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.OCORRÊNCIA.
As alegações de nulidade com base no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, devem estar fundamentadas em fatos concretos do processo, no caso concreto a falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade importam em cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3102-004.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário para no mérito dar-lhe provimento para reconhecer a Nulidade da Decisão de Primeira Instância, por falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade.
Sala de Sessões, em 21 de agosto de 2026.
Assinado Digitalmente
Jorge Luís Cabral - Relator
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel, Jorge Luis Cabral, Louise Lerina Fialho (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Anderson Italo Pereira.
Nome do relator: JORGE LUIS CABRAL
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.OCORRÊNCIA. As alegações de nulidade com base no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, devem estar fundamentadas em fatos concretos do processo, no caso concreto a falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade importam em cerceamento do direito de defesa. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário para no mérito dar-lhe provimento para reconhecer a Nulidade da Decisão de Primeira Instância, por falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade. Sala de Sessões, em 21 de agosto de 2026. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.401 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.721840/2010-31 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Fabio Kirzner Ejchel, Jorge Luis Cabral, Louise Lerina Fialho (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antonio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Anderson Italo Pereira. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 01-35.740, proferido pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém- DRJ/BEL, que por unanimidade de votos não conheceu da Manifestação de Inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Autoridade Julgadora de Primeira Instância: Trata-se da manifestação de inconformidade, fl. 2, protocolizada em 27 de abril de 2010, contestando o Despacho Decisório Eletrônico (DDE) No de Rastreamento 861816284, fl. 7, emitido em 19 de abril de 2010 pela DRF Belo Horizonte e cientificado, via postal, em 23 de abril de 2010, AR. fl. 36. O DDE objeto da inconformidade reconheceu o crédito demonstrado no Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento PER/DCOMP 08130.91487.280407.1.1.01-1488-3679, em que foi solicitado/utilizado, a título de ressarcimento do IPI, referente ao primeiro trimestre de 2007, o valor de R$ 44.393,07. Entretanto, segundo o mesmo DDE, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados e foi homologada parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 21758.88109.060709.1.7.01-0141, bem como não há valor a ser restituído no PER/DCOMP 08130.91487.280407.1.1.01-1488-3679. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega: Informamos neste manifesto de inconformidade que o saldo devedor apurado no Per/Dcomp: 21758.88109.060709.1.7.01.0141, está vinculado aos Per/Dcomp,s:42918.94135.240707.1.1.01-7380 e 38056.07726.240707.1.1.01-0660, de pedidos de ressarcimento que ainda encontram-se em análise no banco de dados da Receita Federal. De acordo com a ficha corrente em anexo, onde consta a origem dos créditos de R$ 91.182,77, é composto de R$ 26.749,01, julgado e acatado, R$ 48.517,56 Per/Dcomp: 42918.94135.240707.1.1.01-7380, em análise e R$ 15.916,20 Per/Dcomp: 38056.07726.240707.1.1.01.0660, em análise, o saldo restante deste processo, encontra-se no Per/Dcomp:04546.28637.060709.1.7.01.6608, no valor de R$ 12.216,63, que também encontra-se em análise. Por fim, requer: Diante do colocado acima pedimos a suspensão da cobrança até o parecer dos demais processos mencionados, onde a apuração constatará que não a débitos indevidamente compensados e sim processos conjuntos aguardando a análise para fechamento do ciclo compensatório. É o relatório. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância não conheceu da Manifestação de Inconformidade. A Recorrente tomou ciência da Decisão de Primeira Instância no dia 19 de outubro de 2018, e apresentou Recurso Voluntário no dia 30 de outubro de 2018. Em seu Recurso Voluntário alega o seguinte: I. Nulidade da Decisão de Primeira Instância por cerceamento do direito de defesa. Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.401 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.721840/2010-31 3 II. A DRJ não considerou os argumentos da Manifestação de Inconformidade, que diferente do que aduz a Decisão Recorrida, a defesa da Recorrente foi bem clara. Este é o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Luís Cabral, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. Nulidade A Autoridade Julgadora de Primeira Instância não conheceu da Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: No caso concreto, o sujeito passivo alega que o débito resultante da homologação parcial da compensação, foi extinto, em razão de novas compensações, ou seja, através dos PER/DCOMPS 42918.94135.240707.1.1.01-7380 e 38056.07726.240707.1.1.01-0660. Assim procedendo, dúvida não há de que a manifestante curvou-se à Decisão Administrativa. Com efeito, segundo verificado na peça contestatória apresentada, nenhuma linha foi tecida contra a homologação parcial da compensação do PER/DCOMP 21758.88109.060709.1.7.01-0141. Como não há inconformidade do contribuinte acerca da homologação parcial da compensação pleiteada, considera-se não impugnada a matéria, consoante dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. (...) Por sua vez, no que diz respeito ao cabimento ou não de eventual cobrança efetuada ao sujeito passivo, registre-se que as atividades relacionadas à cobrança de créditos tributários, nos termos do art. 270, caput, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, também se encontram no âmbito da competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil. Trata-se, igualmente, de matéria que não pode ser conhecida pela DRJ/BEL. Por último, registre-se que incumbe à própria unidade de origem manifestar-se quanto ao cabimento de dar seguimento ou não à cobrança do débito confessado em declaração de compensação, ante a verificação da concreta existência de anterior extinção do crédito levado a compensação, observada a legislação vigente e conforme indique o seu convencimento motivado. Assim, voto no sentido de julgar não conhecida a Manifestação de Inconformidade. O Despacho Decisório consta da e.fl. 7, e diz essencialmente que se refere ao PER/DCOMP 08130.91497.260407.1.1.01-1488, que reconhece e homologa o crédito pretendido, no valor de R$ 44.393,07, e que homologa parcialmente a DCOMP 21758.88109.060709.1.7.01- 0141. Desta homologação parcial decorreu um valor de principal não homologado no montante de R$ 52.217,13, do que se conclui que o valor original a ser compensado seria de R$ 96.610,20. Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.401 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.721840/2010-31 4 A Recorrente alega em Manifestação de Inconformidade a DCOMP que foi analisada (final 0141, acima referida) referia-se ao crédito em análise nos PER/DCOMP nº 42918.94135.240707.1.1.01-7380 e 38056.07726.240707.1.1.01-0660, nenhum destes documentos está referido no DDE, e nem se encontram no processo. O que há no processo é o demonstrativo de crédito do PER de final 1488, e a página 1, do pedido de PER/DCOMP, indicando o PER inicial para o ano de 2007, o de final 1488 objeto da análise do DDE em contencioso neste processo e o último PER/DCOMP, o de nº 42918.94135.240707.1.1.01-7380. Também aponta para a inconsistência de que o valor que estava sendo cobrado era superior ao valor do crédito pleiteado que fora inteiramente homologado. Este último documento, à e.fl. 14, também registra que o valor total do crédito disponível para ressarcimento seria de R$ 91.182,77, e que, naquele PER/DCOMP, o valor utilizado para compensação seria de R$ 78.966,14. Esta informação revela que há outras PER/DCOMP associadas ao ano calendário de 2007, e que não constam da análise do DDE. Em seu Recurso Voluntário esclarece o seguinte: O que se aduziu na Manifestação de Inconformidade é que o saldo de créditos de IPI (formalizado em PER), ao qual a DCOMP nº 21758.88109.060709.1.7.01-0141 deveria se vincular, estava lastreado em outros Pedidos de Ressarcimento. Veja-se que, na DCOMP em questão (fl. 14 do PAF): (i) Informou-se um saldo inicial de crédito de R$91.182,77; (ii) Compensou-se um débito de R$78.966,14. E, por ocasião da Manifestação de Inconformidade, o contribuinte esclareceu que o crédito de R$78.966,14 (remanescente de um saldo original de R$91.182,77) teria origem em outros PER’s (e não no PER nº 08130.91497.260407.1.1.01-1488 - 1º trimestre de 2007), quais sejam: 1) 42918.94135.240707.1.1.01-7380: R$ 48.517,56 (sendo que R$12.216,63 foram compensados em outra DCOMP); 2) 38056.07726.240707.1.1.01-0660: R$ 15.916,20 De fato, esta informação consta da Manifestação de Inconformidade, o que não consta daquele documento que daria início ao contencioso, é a informação de que a Recorrente teria equivocadamente preenchido a PER/DCOMP com erro material, indicando o PER de final nº 7380, como “último PER/DCOMP”, ao invés de informá-lo como “nº do PER/DCOMP Inicial”. Em que pese a Manifestação de Inconformidade carecer de maior dialeticidade, as afirmações do Recurso Voluntário são plausíveis e a base inicial para análise da DRJ já estavam presentes na inicial. Em que pese que a informação de erro material configurar-se potencialmente como inovação da defesa, entendo que as alegações da Autoridade de Primeira Instância para não conhecer da Manifestação de Inconformidade partem da premissa de que a Recorrente teria reconhecido o débito e que esta análise estaria fora de sua alçada. Tenho de discordar da Decisão de Primeira Instância, pois a Recorrente claramente insurge-se contra o DDE, informando que a compensação não homologada referir-se-ia a outros créditos diversos daquele que foi analisado e homologado, fato este que não foi apreciado pela DRJ. Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.401 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10680.721840/2010-31 5 Desta forma, dou razão à Recorrente para reconhecer a nulidade da Decisão de Primeira Instância. Conclusão Tendo em vista todo o acima exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito dar-lhe provimento para reconhecer a Nulidade da Decisão de Primeira Instância, por falta de apreciação dos argumentos da Manifestação de Inconformidade. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral Fl. 135DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720046/2018-55
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa de sócios a quem foi atribuída a responsabilidade solidária. A oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento e do Termo de sujeição passiva solidária, tendo a empresa autuada e os responsáveis solidários o prazo de 30 dias para interposição da impugnação.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS.
É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Ainda que presentes evidências que pudessem demonstrar a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, deve ser afastada a qualificação da penalidade se a autoridade lançadora não expõe motivação para aplicá-la.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. SÓCIO DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIAL DO CONTRIBUINTE.
Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, aqui evidenciado por sua substituição no quadro social por interpostas pessoas, mantendo-se como sócios de fato, sem a proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade.
LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS)
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados.
Numero da decisão: 1004-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários para reduzir a multa de ofício para 75%.
Assinado Digitalmente
Edeli Pereira Bessa - Relatora
Assinado Digitalmente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa de sócios a quem foi atribuída a responsabilidade solidária. A oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento e do Termo de sujeição passiva solidária, tendo a empresa autuada e os responsáveis solidários o prazo de 30 dias para interposição da impugnação. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Ainda que presentes evidências que pudessem demonstrar a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, deve ser afastada a qualificação da penalidade se a autoridade lançadora não expõe motivação para aplicá-la. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. SÓCIO DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIAL DO CONTRIBUINTE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, aqui evidenciado por sua substituição no quadro social por interpostas pessoas, mantendo-se como sócios de fato, sem a proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabida a arguição de cerceamento do direito de defesa de sócios a quem foi atribuída a responsabilidade solidária. A oportunidade de defesa se iniciou com a ciência do lançamento e do Termo de sujeição passiva solidária, tendo a empresa autuada e os responsáveis solidários o prazo de 30 dias para interposição da impugnação. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Ainda que presentes evidências que pudessem demonstrar a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, deve ser afastada a qualificação da penalidade se a autoridade lançadora não expõe motivação para aplicá-la. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Fl. 2547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARTIGO 124, I DO CTN. SÓCIO DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIAL DO CONTRIBUINTE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, aqui evidenciado por sua substituição no quadro social por interpostas pessoas, mantendo-se como sócios de fato, sem a proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, dar provimento parcial aos Recursos Voluntários para reduzir a multa de ofício para 75%. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa - Relatora Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 2548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 3 RELATÓRIO JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINÍCIUS ALMEIDA CAMARINHA, responsáveis tributários indicados no lançamento formalizado contra RÁDIO DIRCEU DE MARÍLIA LTDA (Contribuinte), já qualificados nos autos, recorrem de decisão proferida pela 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamento formalizado em 19/01/2016, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 351.187,27. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata-se de autos de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, do PIS e da COFINS, lavrados em 19/01/2016, contra a contribuinte em epígrafe, em decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelo TDPF-D nº 0811800-2017-00845, relativos a fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2013 a 31/12/2016, no arbitramento do Lucro, tendo em conta que a contribuinte, apesar de devidamente intimada a apresentar seus livros e documentos contábeis e fiscais, não o fez. Conforme TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL, foram apuradas infrações cujos créditos tributários autuados perfazem o montante de R$ 352.187,27, no qual se encontra incluída a multa de ofício qualificada e os juros de mora calculados até a lavratura dos autos. Do auto de infração lavrado em relação ao IRPJ apurado, consta a seguinte infração: Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2013, 06/2013, 09/2013, 12/2013, 03/2014, 06/2014, 09/2014, 12/2014, 03/2015, 06/2015, 09/2015, 12/2015, 03/2016, 06/2016, 09/2016 e 12/2016 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não possui escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso I, do RIR/99. RECEITAS DA ATIVIDADE INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL Valores apurados conforme “Relatório Fiscal do Período de 01/01/2013 a 31/12/2016” anexo ao presente auto de infração [...] Fl. 2549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 4 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre Entre 01/01/2013 e 31/12/2016: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Artigos 527, 530 inciso III e, 532 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Em seu Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal fez consignar o que adiante sintetizado. Tratam-se dos procedimentos fiscais, referentes ao período de janeiro/2013 a dezembro/2016), nas empresas abaixo relacionadas: · EDITORA DIÁRIO — CORREIO DE MARÍLIA LTDA. CNPJ 08.843.828/0001- 13, sob o TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) n° 08.1.18.00-2017- 00842- 1; · RADIO DIRCEU DE MARÍLIA LTDA. CNPJ 52.047.289/0001-06, sob o TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) n° 08.1.18.00-2017-00845-6; · RADIO DIÁRIO FM DE MARÍLIA LTDA. CNPJ 54.418.066/0001-25, sob o TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) n° 08.1.18.00-2017-00844-8; · CMN — CENTRAL MARÍLIA NOTÍCIAS LTDA. CNPJ 66.951.757/0001-79, sob o TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) n° 08.1.18.00-2017- 00843-0. DOS FATOS Os procedimentos iniciaram-se por solicitação do Ministério Público Federal, através do Oficio n° 1852/2017, de 06/07/2017. Juntamente ao referido ofício, foram encaminhados à fiscalização os elementos de prova que fazem parte do inquérito policial 0018677-68.2014.4.03.0000/SP. Preliminarmente à abertura da fiscalização foi efetuada diligência para verificação da existência de créditos tributários a serem lançados de oficio(EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA. CNPJ 08.843.828/0001-13 TDPF-D 0811800- 2017- 00714-0; CMN - CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA. CNPJ 66.951.757/0001-79 TDPF-D 0811800-2017-00715-8; RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA. CNPJ 54.418.066/0001-25 TDPF-D 0811800-2017-00716-6; RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA. CNPJ 52.047.289/0001-06 TDPF-D 0811800-2017-00717-4), na qual foi ouvido o contador responsável pelo período fiscalizado (jan/2013 a dez/2016), VALMIR JOSE DE SOUZA, CPF 001.967.338-80, CRC 1SP197407/0-4, cujas declarações foram reduzidas a termo. O contador informou que não foram elaboradas escriturações contábeis que determinem o lucro real das diligenciadas. Não foi efetuado opção pela tributação pelo lucro presumido, portanto, foi aplicada pela fiscalização a tributação pelo lucro arbitrado, nos termos do Artigo 530 do Decreto n° 3.000/99, conforme constou no Relatório de Diligência. Todas as fiscalizadas já foram objeto de fiscalização quanto ao período de janeiro/2009 a dezembro/2012, onde a fiscalização constatou serem reais proprietários das empresas fiscalizadas, a partir de 21/12/2011, JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20, e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85, conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012 e provas que fazem parte dos processos Fl. 2550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 5 13830.721788/2014-74 (EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA., CNPJ 08.843.828/0001-13), 13830.721792/2014-32 (CMN -CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA., CNPJ 66.951.757/0001-79), 13830.721785/2014-31 (RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001-25) e 13830.721790/2014-43 (RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001-06). O RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012 segue anexo ao presente RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 01/01/2013 A 31/12/2016 (do presente procedimento fiscal). Os elementos que ampararam o RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012 foram anexados aos processos: 13830.720040/2018-88 e 13830.720041/2018-22 (EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA., CNPJ 08.843.828/0001-13); 13830.720042/2018-77 e 13830.720043/2018-11(CMN - CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA., CNPJ 66.951.757/0001-79); 13830.720044/2018-66 e 13830.720045/2018-19 (RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001- 25); e 13830.720046/2018-55 e 13830.720047/2018-08 (RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001- 06), todos referentes ao presente procedimento fiscal. A fiscalização recebeu juntamente com o Ofício n° 1852/2017 provas não alcançadas pelos procedimentos fiscais anteriores citados, conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, quanto à real propriedade das empresas por JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85, sendo as principais: a) Transcrição do depoimento de colaboração de SANDRA MARA NORBIATO, CPF 082.638.758-62, confessando ser interposta pessoa dos reais proprietários, amparada em documentos (extratos bancários) comprovando que recebia salário para prestar o papel de sócia fictícia e detalha como foi contratada por seu ex- marido ANTONIO CELSO DOS SANTOS, CPF 961.031.918-15 e sua função fictícia nas empresas. Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, ouvida SANDRA MARA NORBIATO, a fiscalização conclui que ela era sócia fictícia (apesar de seu empenho em demonstrar que não era, conforme declarações reduzidas a termo) devido as divergências e lapsos relacionados pela fiscalização no relatório. b) Depoimento de intenção de colaboração de ANTONIO CELSO DOS SANTOS, CPF 961.031.918-15, na qual relata detalhes de sua responsabilidade ativa na contratação de sua ex-esposa SANDRA MARA NORBIATO, CPF 082.638.758-62. e seu irmão MARCEL AUGUSTO CERTAIN, CPF 147.974.938-95, como sócios fictícios das empresas, a serviço dos reais proprietários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85. Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, ouvido ANTONIO CELSO DOS SANTOS (declarações reduzidas a termo) este tentou figurar como mero ex-marido que ajudou sua ex-esposa SANDRA MARA NORBIATO a verificar a situação financeira e tributária das empresas(fiscalizadas) que havia adquirido, papel este também desqualificado pela fiscalização conforme evidências baseadas em divergências e lapsos relacionados pela fiscalização no relatório. Fl. 2551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 6 c) Depoimento de MARIA PAULA PRUDENTE DE MORAES ALMEIDA BERTOGNA, CPF 190.977.548-79, ex-esposa JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e mãe de VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85, na qual declara: - que no dia 22/12/2011 (transcrito errado “22/11/2011”) sacou R$ 350.000,00 da conta da empresa CPROS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. no BANCO SANTANDER e “correu” para o BANCO BRADESCO para entregar o dinheiro para JOSÉ DE SOUZA JUNIOR (pessoa indicada pelo sócio fictício MARCEL AUGUSTO CERTAIN como sendo o contratante de seu irmão ANTONIO CELSO DOS SANTOS para contratá-lo como sócio fictício juntamente com a outra sócia fictícia SANDRA MARA NORBIATO) . Declara que não questionou o destino do dinheiro; - que não se recorda de pessoalmente fazer o saque de R$ 109.900,00 na sua conta pessoal 15865 na agência 3316 do BANCO BRADESCO-PRIME em Marília/SP, no dia 23/12/2011 (transcrito errado “23/11/2011”) porém declarou “que era comum assinar os cheques, dar os cartões para outras pessoas, que também não ficava com os cartões do BRADESCO”. Declarou não saber informar o destino do dinheiro. Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, a fiscalização alcançou somente a operação efetuada em 23/12/2011 no BANCO BRADESCO AGÊNCIA PRIME em Marília/SP, visto que buscou apenas informações bancárias efetuadas no dia 23/12/2011 por pessoas ligadas aos reais proprietários, conforme informações do denunciante, conforme constou nº referido relatório. No dia 21/12/2011 houve a troca do quadro societário das fiscalizadas (houve a entrada dos sócios fictícios nas empresas fiscalizadas) e foi denunciado à fiscalização que houve operação bancária nas agências bancárias citadas, no dia 23/12/2011, para quitação de débitos tributários e pagamento dos antigos proprietários com recursos provenientes dos reais proprietários. d) Diversas correspondências eletrônicas (e-mail) trocadas entre a sócia fictícia SANDRA MARA NORBIATO, CPF 082.638.758-62 e: ANTONIO CELSO DOS SANTOS, CPF 961.031.918-15; MARCEL AUGUSTO CERTAIN, CPF 147.974.938-95 e JOSE DE SOUZA JUNIOR, CPF 202.708.908-07, tratando de assuntos relacionados com sua função fictícia na empresa (informa notificações recebidas, cobra salário atrasado e tenta intermediar contato com o outro sócio fictício MARCEL AUGUSTO CERTAIN com seu ex-marido ANTONIO CELSO DOS SANTOS). Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, os envolvidos na troca de correspondências eletrônicas, ouvidos e suas declarações tomadas a termo (exceto MARCEL AUGUSTO CERTAIN, que não foi procurado por ter paradeiro desconhecido), todos tentaram demonstrar que tinham apenas um relacionamento profissional técnico breve somente nº momento da aquisição das empresas (não nos aspectos administrativos), alegação também desqualificada pela fiscalização devido a divergências e lapsos relacionados pela fiscalização no relatório. e) Cópias de demandas na Justiça do Trabalho, na qual ex-empregados atribuem responsabilidade solidária a JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20, anexando cópias de mensagens eletrônicas com pessoa ligada a ele (CARLOS UMBERTO GARROSSINO, CPF 601.465.598-00) tratando de assuntos (veiculação de notícias) de interesse dele. Fl. 2552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 7 Conforme RELATÓRIO FISCAL DO PERÍODO DE 21/12/2011 A 31/12/2012, uma das evidências que os reais proprietários das empresas são JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85 era a presença constante de CARLOS UMBERTO GARROSSINO (pessoa notoriamente ligado a eles) nas empresas, conforme relacionado no referido relatório. Foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal para cada uma das empresas fiscalizadas, referentes ao período de janeiro/2013 a dezembro/2016, contendo os valores dos créditos tributários a serem lançados de oficio (caso nada fosse apresentado) valores estes calculados sobre as bases de cálculo informadas na Escrituração Fiscal Digital do PIS/PASEP e da COFINS – EFD-Contribuições comparados com as informações constantes nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, todas apresentadas pelas empresas fiscalizadas. A ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal para cada uma das fiscalizadas deu-se via edital, no dia 07/11/2017, pelo motivo do estabelecimento delas (todas no endereço Rua Cel Galdino de Almeida, 55, Centro - Marília/SP), estar fechado por determinação judicial e ausência de responsável legal (§ 1° do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72). Foi encaminhado o Termo de Início do Procedimento Fiscal de cada uma das fiscalizadas aos reais proprietários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, para eventual manifestação, pois ambos foram responsabilizados solidariamente (nos termos do artigo 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66) pelos créditos constituídos pelo presente procedimento fiscal. A fiscalização já havia constatado serem eles reais proprietários e lhes atribuído responsabilidade solidária, conforme documentos e provas constantes nos processos fiscais do procedimento anterior, conforme já citado. Os documentos e provas encaminhadas pelo Ministério Público Federal reforçaram de maneira inequívoca a conclusão da fiscalização. Vencido o prazo do Termo de Início do Procedimento Fiscal, houve manifestação dos reais proprietários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, que responderam em conjunto. Em síntese informam que tramitam ações judiciais perante o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL sob os números 0018677-68.2014.4.03.000 e 0001219-33.2017.4.03.000 que buscam justamente além de outras situações desvendar eventual propriedade das fiscalizadas, o que os requerentes negam peremptoriamente. Solicitam que os procedimentos fiscais sejam suspensos até o deslinde das referidas ações judiciais, pois qualquer definição no âmbito administrativo poderá colidir com a judicial. Informam que deixam de juntar qualquer documento solicitado. Os procedimentos fiscais não serão suspensos conforme solicitado, afinal o conjunto de provas, já coletado no procedimento fiscal anterior, combinado com as provas encaminhadas pelo Ministério Público Federal, não deixam dúvidas de que os requerentes são os reais proprietários. Ainda, numa possibilidade remota de serem apurados judicialmente outros proprietários como vislumbram os requerentes, a responsabilidade tributária solidária e as demais pendências judiciais podem ser redirecionados a eles também em sede de execução fiscal, a ser peticionada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Fl. 2553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 8 Não houve mais nenhuma manifestação quanto ao Termo de Início do Procedimento Fiscal das quatro empresas fiscalizadas. Na Junta Comercial do Estado de São Paulo foi verificado (Ficha Cadastral Completa) que MARCEL AUGUSTO CERTAIN retirou-se do quadro societário da EDITORA DIARIO-CORREIO DE MARILIA LTDA. CNPJ 08.843.828/0001-13 em 02/04/2013 e da CMN-CENTRAL MARILIA E NOTICIAS LTDA. CNPJ 66.951.757/0001- 79 em 15/05/2014, repassando suas quotas para SANDRA MARA NORBIATO, tornando-se ambas sociedades unipessoais. Quanto a RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001-25 e RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001-06, não consta na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Ficha Cadastral Completa) nem a entrada de SANDRA MARA NORBIATO e MARCEL AUGUSTO CERTAIN na sociedade. Porém a fiscalização no procedimento fiscal anterior arrecadou cópias do contrato social com a inclusão de ambos no quadro societário. Não foram localizados documentos de alteração contratual da saída de MARCEL AUGUSTO CERTAIN dessas duas empresas. DO LANÇAMENTO E SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foram lançados de ofício pela fiscalização os tributos e multas por descumprimento de obrigações acessórias, do período de 01/01/2013 a 31/12/2016, relacionados nos Anexos I (EDITORA DIARIO — CORREIO DE MARÍLIA LTDA., CNPJ 08.843.828/0001-13), II (RADIO DIRCEU DE MARÍLIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001- 06), III (RADIO DIÁRIO FM DE MARÍLIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001-25) e IV (CMN— CENTRAL MARÍLIA NOTÍCIAS LTDA., CNPJ 66.951.757/0001-79). Atribuímos sujeição passiva solidária aos reais proprietários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA nos termos do Artigo 124, Inciso I, da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), conforme o apurado pela fiscalização e provas encaminhadas pelo Ministério Público Federal, através do Ofício n° 1852/2017, de 06/07/2017, conforme anteriormente citado. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais nos termos da Portaria RFB n° 2.439/2010, objeto do processo n° 13830.720048/2018-44, pois a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário das fiscalizadas, em tese, configuram crime contra a ordem tributária definido pelo artigo 1°, incisos I e II, da Lei n° 8.137/90. DO ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS PARA GARANTIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Será procedida o arrolamento de bens e direitos para garantia do crédito tributário da fiscalizada EDITORA DIÁRIO - CORREIO DE MARILIA LTDA. CNPJ 08.843.828/0001-13, conforme Instrução Normativa RFB n° 1565/2015. Serão arrolados os bens e direitos em nome da fiscalizada EDITORA DIARIO -CORREIO DE MARILIA LTDA. (processo n° 13830.720068/2018-15) e dos responsáveis solidários JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA (processo n° 13830.720069/2018-60) e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA (processo n° 13830.720071/2018-39), após identificados os bens. A fiscalizada EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA. foi intimada a apresentar a relação de bens e direitos no Termo de Início do Procedimento Fiscal, porém nada apresentou. Fl. 2554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 9 Cientificados os sujeitos passivos (a contribuinte por edital afixado em 22/01/2018 e desafixado em 07/02/2018; o senhor José Abelardo Guimarães Camarinha em 02/02/2018 por meio de AR; e o senhor Vinícius Almeida Camarinha em 31/01/2018 também por AR) foram apresentadas as impugnações dos responsáveis solidários em 01/03/2018, por seus advogados e bastante procuradores. Em relação à contribuinte, fora lavrado termo de revelia em 09/03/2018, tendo em vista ter ela permanecido silente. Pela coincidência de argumentos trazidos pelos responsáveis solidários, o teor de suas impugnações será relatado conjuntamente. Após breve resumo dos fatos, os defendentes opõem-se à responsabilização solidária com base no artigo 124, inciso I do CTN, primeiramente porque não seriam os proprietários das empresas citadas. Em segundo lugar, por entenderem não haver previsão de responsabilidade solidária no referido artigo, pois a responsabilidade estaria atrelada ao fato gerador da obrigação em sua forma original e natural, e não à modificação da sujeição passiva decorrente de atos ilícitos. Assim, a responsabilidade solidária compreenderia uma forma extensiva da sujeição passiva, enquanto a responsabilidade tributária, prevista a partir do artigo 128 do CTN, seria uma forma de inclusão de terceiro a compor o consequente da obrigação tributária. Entendem, portanto, impossível revestirem-se da condição de sujeitos passivos da obrigação, posto que o IRPJ e demais tributos lançados são devidos pela pessoa jurídica, que não se confunde com as pessoas físicas. Defendem que tributos cujo contribuinte seria uma pessoa jurídica não poderiam ter como sujeito passivo pessoas físicas. Argúem a nulidade dos autos pela falta de intimação aos sujeitos passivos solidários como responsáveis, argumentando que somente teriam sido intimados como representantes da empresa, que se encontra lacrada por decisão judicial. Alegam que não lhes teria sido concedida oportunidade para apresentarem as documentações necessárias. Defendem que a empresa possuía escrituração regular, somente não tendo sido disponibilizada porque inacessível. Entendem que deveria ter sido dado tempo razoável para a apresentação dos documentos, mas que a solicitação para fazê-lo ocorreu juntamente com o TIPF, apesar de que o correto seria anteceder ao início do procedimento, por ser medida prévia. Segundo os responsáveis, a autoridade fiscal já teria plena convicção de que não seriam atendidas suas solicitações e teria ignorado o fato de que os documentos encontravam-se lacrados pela justiça. Questionam a aplicação da multa qualificada, afirmando que a empresa não teria se esquivado de apresentar suas declarações, uma vez que o próprio arbitramento teve por base sua EFD - Contribuições e DCTF. Aduzem que não Fl. 2555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 10 haveria qualquer justificativa pontual para a majoração, não sendo possível, portanto, como configurar dolo ou intuito de sonegar. Explicam que a fraude somente restaria configurada quando os lançamentos contábeis e fiscais da contribuinte estivessem eivados de vícios deliberadamente por ela postos. Fatos esses que deveriam ser provados, não se baseando exclusivamente em meros indícios, como entendem ter feito a fiscalização. Por fim, contrapõem-se à multa com efeito de confisco. (destaques do original) A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. O subterfúgio jurídico - utilização de terceiros como sócios de direito - nº intuito de fuga às responsabilidades societárias de sócios de fato, evidencia vontade, juridicamente oculta, e interesse direto nas atividades da pessoa jurídica. (124, I, do CTN). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos, juntamente à interposição de terceiras pessoas no contrato social como sócias da autuada, demonstram a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, o que impõe a exigência da multa de 150%. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Cientificada da decisão de primeira instância em 17 e 20/08/2018 (e-fl. 2465/2466), os responsáveis tributários apresentaram recursos voluntários idênticos, tempestivamente, em 14/09/2018 (e-fls. 2469/2544), nos quais reprisam os argumentos apresentados nas impugnações, com alguns acréscimos. Ao se oporem à responsabilização solidária com base no art. 124, I do CTN, para além de invocarem a definição de solidariedade expressa no art. 264 do Código Civil, adicionam: Fl. 2556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 11 Da mesma feita, não podemos perder de vista que o art. 110 do CTN, em total harmonia com o art. 109, também do CTN, impede que a lei tributária altere a definição e conceito previsto no direito privado, ou seja, em que pese o Código Civil não poder estabelecer os efeitos tributários para determinada situação, cristalino que o CTN igualmente não pode alterar os conceitos lá estabelecidos. Assim, o art. 264 do CC/2002, por tratar de definição de instituto jurídico, seu alcance atinge inclusive as práticas tributárias, enquanto definição de conceito, no caso conceito de solidariedade. Na passagem em que abordam o conceito de fato de gerador do imposto de renda da pessoa jurídica, aduzem que não concorrem com a pessoa jurídica em momento algum no que se refere a realização do fato gerador da obrigação tributária, fato este indispensável para a responsabilização nos moldes do art. 124, inciso I do CTN. Confrontam a decisão recorrida porque, mesmo reconhecendo a distinção entre as pessoas jurídica e física, discorda da tese apresentada, por entender que mesmo não sendo sujeitos passivos da obrigação tributária o simples fato de terem, em tese, agido com subterfúgio (interposição de pessoas) basta para a responsabilização prevista no art. 124, I do CTN. E argumentam: Vejam Nobres Conselheiros, no entender da Ilustre Julgadora da instância inaugural o interesse comum está configurado pela suposta prática de subterfúgio a fim de se esquivar do quadro societário da pessoa jurídica fiscalizada. Aí está o desacerto do entendimento da Nobre Julgadora. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN, como já explanado na Impugnação Administrativa e agora ratificado seus termos no presente Recurso Voluntário, trata-se da responsabilização de dois ou mais sujeitos passivos de um mesmo fato gerador, ou seja, ambos concorrem para a prática do fato Imponível previsto na norma legal. Como exemplo, podemos citar a prestação de serviços realizadas por mais de um prestador a um único tomador dos serviços, situação esta em que ambos responderão pelo encargo à título de ISS, visto que, possuem o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da exação municipal. Como bem explica MIRETTI1 : ... em relação ao próprio ISS, há situação que evidencia a solidariedade, consubstanciada na existência de uma ou mais pessoas na qualidade de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, ficando nítida nesse caso a presença de vários sujeitos passivos na mesma relação tributária, solidariamente obrigados em relação ao cumprimento da prestação tributária, (g.n.) 1 MIRETTI, Luiz Antonio Caldeira. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (coord.). Comentários ao Código Tributário Nacional. São Paulo: Saraiva, 1988, v. 2, p. 203. Fl. 2557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 12 Assim, o interesse comum disposto no art. 124, I do CTN não trata de interesse no resultado da atividade econômica da pessoa jurídica, tão pouco se houve ou não subterfúgios para ocultação de suposto sócio, mas sim, a efetividade da participação da pessoa que se pretende responsabilizar (seja ela física ou jurídica) na realização do fato gerador do tributo que pretende apurar. Nesse ponto mostra-se totalmente equivocado o entendimento apresentado no voto proferido no presente feito. O subterfúgio, mencionado pela Ilustre Relatora não guarda qualquer relação com a prática do fato gerador das exações ora questionadas. Não pode-se admitir o redirecionamento para a pessoa do Recorrente com base no art. 124, inciso I do CTN, vez que, por ser pessoa física, este não pode concorrer com a Empresa Autuada para a prática da infração, aqui tratada como fato imponível da exação. Para a configuração da responsabilidade solidária há que existir a direta participação, diga-se, como sujeito passivo, na hipótese prevista em lei (fato imponível), seja de obrigação principal ou acessória (dever instrumental). Ou seja, a participação direta na hipótese de incidência é requisito imprescindível para a responsabilização solidária, que nos dizeres de Marcos Vinícius Neder2: (...) o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim interesse jurídico que surge a partir da existência de direitos e deveres comuns entre as pessoas situadas no mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. (...) Por óbvio, os sócios e administradores têm interesse no lucro da empresa, mas como procuramos demonstrar ao longo deste estudo, não é esse interesse meramente tático que torna possível aplicar a norma de responsabilidade prevista no art. 124, inc. I do CTN. Conforme as premissas anteriormente firmadas, é indispensável ao órgão aplicador comprovar o Interesse na relação jurídica privada subjacente ao fato jurídico tributário. (g.n.) Esclarece, ainda, o jurista HARADA3: Esse Interesse comum a que alude o Inciso I. do art. 124. do CTN não se confunde com o Interesse econômico no resultado ou no proveito da situação, que constitui o fato gerador da obrigação principal. Trata-se de Interesse jurídico que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. É o caso, por exemplo, de coproprietários de determinado imóvel urbano. Eles são solidariamente responsáveis pelo pagamento do IPTU, nos precisos termos do art. 124,1, do CTN. (g.n.) 2 Solidariedade de direito e de fato – Reflexões acerca de seu conceito, in Responsabilidade Tributária, Dialética, 2007, São Paulo. 3 HARADA, Kiyoshi. IPTU: doutrina e prática. São Paulo: Atlas, 2012. Fl. 2558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 13 No mesmo sentido CALCINI4: ...a responsabilidade tributária, em virtude do interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação principal, demanda basicamente um interesse jurídico e não meramente fático, econômico, social, além de necessitar que as pessoas partícipes do fato jurídico tributário não estejam em situações oposta no ato, fato ou relação negocial, ou contrário, que se quedem em situação de comunhão, como, por exemplo, no caso de coproprietários e a incidência do IPTU ou na incidência de Impostos sobre a Renda e sua relação com os cônjuges. [...] (destaques do original) Ressaltam que a invocada decisão proferida no Acórdão nº 1801-001.943 está alinhada a manifestação do Superior Tribunal de Justiça em casos análogos, citando o REsp nº 834.044-RS. Com respeito à rejeição da arguição nulidade dos autos pela falta de intimação aos sujeitos passivos solidários como responsáveis, confrontam a decisão recorrida nos seguintes termos: Da análise do entendimento da Eminente Julgadora pode-se, apenas, constatar que, houve a ciência do Recorrente do início do procedimento fiscal, contudo, como bem elucidado na peça impugnatória e agora ratificado, a intimação em questão, cumpriu única e exclusivamente seu objetivo, qual seja, conferir ciência sobre o início do procedimento de fiscalização à empresa fiscalizada, na pessoa do apontado sócio. Evidente que o suposto prazo mencionado pela Relatora não pode ser computado, isso porque, o TIPF lavrado em face da empresa e direcionado ao Recorrente (tido como representante) não r possui o desiderato de intimar o "sócio" enquanto pessoa física para o cumprimento da obrigação acessória. Ora, parece-nos bem claro o fato de que se pretende penalizar os "sócios" pela não entrega de declarações, ou omissão de recolhimentos de tributos, a exemplo do que foi feito à Pessoa Jurídica, imprescindível a intimação para a apresentação da escrituração. Não se nega que de fato houve notificação do Recorrente sobre o presente feito, como já mencionado, contudo, tal notificação serviu, única e exclusivamente para conferir ciência sobre o início do processo de investigação, não havendo na mesma qualquer menção ou oportunidade para a regularização da escrituração, a exemplo do que feito à Pessoa Jurídica. (destaques do original) No âmbito da qualificação da penalidade, enfatiza não ter sido observado que o arbitramento de lucro foi efetuado justamente com base nas declarações entregues pela fiscalizada. Suprimem a afirmação de que o AFRF narra tão somente fatos indiciários da administração das empresas serem do Impugnante, o que se discorda, mas adicionam: 4 CALCINI, Fábio Pallaretti. Responsabilidade tributária e solidariedade. RDDT 167/36, ago. 2009. Fl. 2559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 14 Vejam Ilustres Conselheiros, no Auto de Infração ora impugnado verifica-se maiores indagações sobre a responsabilização do Recorrente (o que já demonstrado não procede) do que na apuração dos tributos, que foi facilmente quantificado com base nas declarações entregues pelas empresas fiscalizadas. Mas não é só, como ressaltado linhas acima, o processo de fiscalização teve como alvo outras empresas e como tal foram lavrados outros autos de infrações, merecendo melhor destaque nesse momento o auto de infração, processo nQ 13830-720.044/2018-66 que tramita em face da Rádio Diário FM de Marília Ltda., cuja situação fática é idêntica ao presente feito, vez que apuradas em decorrência do mesmo ofício do MPF. Contudo, o desfecho lá apresentado foi diverso da decisão que ora se recorre, no feito paradigma o Ilustre Relator Roberto William Gonçalves, quando do seu voto proferido no acórdão 12-99.740 da 2ª Turma da DRJ/RJO, acolhendo a tese da defesa afastou a multa qualificada, justamente por entender, como aqui defendido, que "a qualificação da penalidade impões a prova inequívoca da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, não se prestando a tal a presunção de qualquer dessas hipóteses", e mais, "a responsabilidade passiva solidária não constitui, per se, fundamento à imposição de penalidade qualificada; nem esta àquela". Ora, evidente que nos autos, a exemplo do feito na 13830.720.044/2018-66 não há qualquer prova que demonstre de forma inequívoca a ocorrência do dolo e sonegação. Vejamos parte do voto retro citado:. Quanto à qualificação da penalidade, importa observar que responsabilidade solidária e qualificação de penalidade são calcados em conceitos absolutamente distintos e não necessariamente justificadores um do outro. Nesse contexto: O Relatório fiscal acostado às autuações se desdobrou massivamente na configuração da responsabilidade passiva solidária, sem mencionar, em qualquer momento, a motivação da penalidade qualificada. Ora, sonegação, fraude ou conluio não se presumem. A comprovação de sócios de fato da pessoa jurídica não implica em suficiente fundamento à exacerbação da penalidade. Razão porque, reduzo a penalidade de ofício para 75%. Voto este acompanhado pelos demais Julgadores, restando nesta parte unânime a decisão. Percebe-se assim, que o defendido na peça impugnatória e no presente recurso vem na mesma linha de raciocínio do Eminente Relator Roberto Willian Gonçalves, que de forma cirúrgica pontuou a inexistência de provas nos autos que demonstre o dolo, restando evidente que a suposta existência de subterfúgio para ocultação de sócio de direito e fato, não são per se suficientes para a sustentação da multa qualificada. Finalizam o tópico com a mesma conclusão de que não há razão válida para o agravamento da multa, por absoluta falta de comprovação do dolo específico, condição essencial à imputação do Fl. 2560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 15 evidente intuito de fraude, reiteram a arguição de efeito confiscatório da penalidade aplicada e, pedem que, ao final seja concedido TOTAL PROVIMENTO, a fim de afastar a responsabilidade solidária do Recorrente no presente auto de infração constante no processo administrativo 13830.720046/2018-55, nos termos dos fatos e fundamentos acima transcritos e subsidiariamente a desqualificação da multa agravada, vez que ausente o dolo e/ou intenção de sonegar ou suprir tributos, por fim a declaração da inconstitucionalidade da multa nos moldes em que arbitrada, vez que, atinge patamares de evidente confisco. VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora Os recursos voluntários são tempestivos e dotados dos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual devem ser CONHECIDOS. Consoante relatado, do procedimento fiscal em tela resultaram vários processos administrativos, todos, com exceção do presente, já apreciados neste Conselho nas decisões a seguir referidas: 13830.720040/2018-88 e 13830.720041/2018-22 (EDITORA DIARIO - CORREIO DE MARILIA LTDA., CNPJ 08.843.828/0001-13): exigências integralmente mantidas nos Acórdãos nº 1301-005.708 e 1301-005.704, respectivamente; 13830.720042/2018-77 e 13830.720043/2018-11(CMN - CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA., CNPJ 66.951.757/0001-79): primeira exigência parcialmente mantida, com redução da multa qualificada a 100% no Acórdão nº 1202- 001.627 e segunda exigência integralmente mantida no Acórdão nº 1301- 05.705 (repetitivo do Acórdão nº 1301-005.704); 13830.720044/2018-66 e 13830.720045/2018-19 (RADIO DIARIO FM DE MARILIA LTDA., CNPJ 54.418.066/0001- 25): primeira exigência com exoneração da qualificação da penalidade em 1ª instância e manutenção do remanescente no Acórdão nº 1102-001.703 e segunda exigência integralmente mantida no Acórdão nº 1301-05.706 (repetitivo do Acórdão nº 1301-005.704) 13830.720047/2018-08 (RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA., CNPJ 52.047.289/0001-06): exigência integralmente mantida no Acórdão nº 1301- 05.707 (repetitivo do Acórdão nº 1301-005.704). O entendimento desta Conselheira se alinha, em maior parte, ao externado pelo Conselheiro Rafael Taranto Malheiros, relator do Acórdão nº 1301-005.708. A preliminar processual de nulidade por não intimação dos responsáveis solidários foi assim enfrentada: Fl. 2561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 16 PRELIMINAR PROCESSUAL: NULIDADE POR NÃO INTIMAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS 7. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca do assunto: “Quanto à nulidade arguida por meio das impugnações apresentadas, afirmam os impugnantes que não teriam sido intimados como responsáveis solidário, mas apenas como representantes da pessoa jurídica. Afirmam que do Termo de Início de Fiscalização somente constava que seria atribuída a responsabilidade, sem, contudo, efetuar intimações no decorrer da fiscalização que os configurasse efetivamente como tais, nem lhe sendo concedido prazo suficiente para produzir a prova solicitada. Ora, ao contrário do alegado, os responsáveis solidários tiveram ciência do início do procedimento fiscal em 25/10/2017, tendo-lhes sido concedido prazo mais que suficiente para a apresentação de quaisquer provas ou documentos que entendessem necessários. Ambos se manifestaram em conjunto, propondo, inclusive, a suspensão dos procedimentos fiscais ante ações judiciais nº. 0018677- 68.2014.4.03.000 e nº 0001219-22.2017.4.03.000. Já o auto de infração teve sua ciência em 02/02/2018, mais de 3 meses depois, portanto. E nada fora apresentado nesse interstício, apesar do prazo ser mais que suficiente para fazê-lo. E ainda, a citação e a formalização da responsabilidade fora efetuada regularmente quando da autuação. Pois veja o que consta do termo de Ciência do Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal- Responsabilidade Tributária: [e-fls. 2305/2307 e 2309/2311]. (...) De qualquer forma, cumpre esclarecer que o procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou, ainda, a relação jurídica processual, o que somente se concretiza com o ato de lançamento e a apresentação das correspondentes impugnações. A teor do disposto no art. 14 do referido Decreto nº 70.235, de 1972, ‘a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento’, momento em que o procedimento se torna processo, estabelecendo-se o conflito de interesses: de um lado o Fisco, que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebê-lo e, de outro, o contribuinte e responsáveis, que opõem resistência por meio da apresentação de suas impugnações. (...) Acentue-se, assim, a impropriedade da defesa ao aventar nulidade do lançamento por prejuízo ao contraditório. Consigne-se que a constituição do crédito tributário de ofício observa o estabelecido no art. 142 do CTN que estipula, como etapas do procedimento de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível. (...) Fl. 2562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 17 Além de tudo isso, de acordo com os §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, é facultado o fornecimento de cópia e a vista do processo ao sujeito passivo ou mandatário. Entretanto, inexiste previsão legal que determine a intimação de eventual responsável solidário durante todo o procedimento. (...) Note-se que o lançamento fora formalizado mediante lavratura de auto de infração, e sua constituição submete-se às prescrições do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF, o qual contém duas hipóteses de nulidade para o aludido ato, conforme artigo 59, adiante reproduzido: [...] Logo, não há que se falar de nulidade do lançamento uma vez que o ato foi realizado por servidor investido do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja competência para fiscalização de tributos federais e lavratura de autos de infração é atribuída por lei, como também a oportunidade de defesa foi regularmente oferecida aos autuados, viabilizando a instauração da fase litigiosa do processo, sendo plenamente exercida nas impugnações apresentadas e dando causa à presente análise no contencioso administrativo” (negritos do original; grifou-se). 8. A Recorrente, por seu turno, se manifestou nos seguintes termos, sinteticamente: “(...) Não se nega que de fato houve notificação do Recorrente sobre o presente feito, como já mencionado, contudo, tal notificação serviu, única e exclusivamente para conferir ciência sobre o início do processo de investigação, não havendo na mesma qualquer menção ou oportunidade para a regularização da escrituração, a exemplo do que feito à Pessoa Jurídica (...)”. 9. Compulsando-se o “Termo de Início do Procedimento Fiscal” (e-fls. 2132/2142), este foi assim vazado, a demonstrar que de tudo tinham ciência os responsabilizados e de que foram intimados nesta qualidade, no que importa à questão: “No exercício das atribuições do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, damos INÍCIO à fiscalização dos tributos e contribuições em relação ao sujeito passivo acima identificado, com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) e no art. 92, do Decreto n° 4.524/2002, ficando o sujeito passivo INTIMADO a apresentar, nos prazos respectivos, o que se discrimina abaixo: [apresentação de livros contábeis, elaboração e transmissão de declarações fiscais, relação de bens e direitos]. Procedimento fiscal aberto por demanda do Ministério Público Federal através do Ofício n° 1.852/2017 para constituição dos créditos tributários referentes aos anos- Fl. 2563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 18 calendário 2013 a 2016, em relação aos contribuintes JOSE ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85 quanto ao sujeito passivo fiscalizado. (...) Consequentemente, caso não sejam apresentados os itens solicitados que demonstram o lucro real do período fiscalizado, o lucro será arbitrado nos termos dos incisos I e II do artigo 530 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) e sobre ele calculado o IRPJ e CSLL. O lucro arbitrado será calculado sobre a receita bruta informada na EFD-Contribuições, conforme demonstrativo anexo ao presente termo. (...) Será atribuído responsabilidade solidária (nos termos do artigo 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66) dos eventuais créditos tributários constituídos pelo presente procedimento fiscal em nome do sujeito passivo aos contribuintes JOSE ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85, conforme constatação fiscal de procedimento anterior (processo 13830.721788/2014-74). (...) E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, assinado pelo(s) Auditor(es)-Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil. A ciência dar-se-á via edital, visto o estabelecimento do sujeito passivo estar fechado por determinação judicial e ausência de responsável legal (§ 1° do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72). Será encaminhada uma via aos contribuintes JOSE ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA, CPF 382.337.548-20 e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, CPF 285.367.778-85 para ciência, aos seus domicílios tributários, via postal mediante Aviso de Recebimento (AR)” (grifou-se). 10. Em resposta ao “Termo de Início do Procedimento Fiscal”, assim se manifestaram os responsabilizados (e-fls. 2143/2148): “JOSÉ ABELARDO GUIMARÃES CAMARINHA e VINICIUS ALMEIDA CAMARINHA, vem expor e requerer o quanto segue alinhado: 1 - Os ora requerentes foram notificados para apresentar diversos documentos referente a Editora Diário - Correio de Marília Ltda com CNPJ - 08.843.828/0001-13, conforme informação contida na notificação. (...)” 11. Como visto, ao contrário do que afirmam em razões de Impugnação e de Recurso Voluntário, os Interessados admitem que foram, sim, “[...] notificados para apresentar diversos documentos referente a Editora Diário - Correio de Marília Ltda”. Assim, para além de terem se manifestado em sede de contenciosos de 1ª e 2ª instâncias, trouxeram suas razões durante o procedimento fiscal, não se podendo falar em cerceamento de direito de defesa. 12. Quanto ao mais, não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, não se Fl. 2564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 19 vislumbra nulidade do lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN e 59 do Dec. nº 70.235, de 1972, pelo que não assiste razão às Recorrentes, ao pugnar pela “[...] nulidade processual pela ausência de intimação para manifestação nos autos, cerceando, assim o direito de defesa do Recorrente, restando totalmente nulo o procedimento administrativo no que tange a responsabilização solidária”. (destaques do original) As mesmas alegações foram deduzidas nestes autos e às e-fls. 2175/2185 consta o “Termo de Início do Procedimento Fiscal” com o mesmo conteúdo acima referido e acerca do qual os recorrentes apresentaram idêntica resposta constante às e-fls. 2186/2191. Assim, também aqui deve ser REJEITADA a preliminar de nulidade. Com respeito ao mérito da exigência, o Conselheiro Rafael Taranto Malheiros assim expôs no voto condutor do Acórdão nº 1301-005.708: MÉRITO Impossibilidade do cumprimento do Termo de Início do Procedimento Fiscal e do arbitramento de lucros 13. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca do arbitramento: “(...) Como relatado, após devidamente intimada a empresa, seu contador declarou não ser viável apurar o lucro real dos anos-calendário autuados, pois a contabilidade não teria sido encerrada, sendo que a escrituração relativa ao ano-calendário 2016 nem mesmo teria sido iniciada. Pois veja: c) a contabilidade referente aos anos-calendário 2013 a 2015 foram escrituradas, porém não foram encerradas por problemas de rompimento contratual com a fornecedora do sistema informatizado de escrituração contábil. Foi adotado novo sistema de informatizado de escrituração, porém também foi interrompido por falta de pagamento. A escrituração da contabilidade do ano-calendário 2016 sequer foi iniciada. Portanto não é possível apurar o lucro real dos anos-calendário 2013 a 2016; Com base em tais informações, verifica-se ter procedido a autoridade fiscal com total diligência, uma vez que não possuía outra forma para apurar os tributos devidos pela autuada. Prosseguiu ela na apuração dos tributos devidos com base em informações transmitidas à RFB pela própria contribuinte. Diante do relatado pela fiscalização, verifica-se que a contribuinte de forma reiterada deixou de escriturar, pagar e, além disso, não entregou as declarações de maior relevância para o Fisco Federal no que se refere ao IRPJ e à CSLL, aquelas em que os contribuintes informam suas atividades econômicas (DIPJ) bem como constituem o crédito tributário devido (DCTF). Não se verifica, aqui, ter a contribuinte simplesmente deixado de praticar obrigações acessórias, mas de omissão quanto à declaração e ao pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre a atividade de uma empresa em pleno funcionamento (quando da obrigação de entrega das declarações)” (negritou-se; grifos do original). Fl. 2565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 20 14. Ademais, quanto à afirmativa dos Recorrentes de que o arbitramento “[...] somente poderá ser aplicado após a intimação do interessado para apresentação da documentação”, diga-se que tal fato ocorreu, como visto no tópico precedente. 15. Quanto ao mais, não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, neste tópico, não assiste razão aos Recorrentes, ao aduzirem que a “empresa fiscalizada e os supostos ‘sócios’ [...]” não foram “[...] intimados para a regularização da contabilidade antes do início do procedimento fiscal, conforme entendimento do CARF”. Multa qualificada 16. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca da matéria: “Em síntese, a fiscalização apurou ter sido a contribuinte adquirida por Sandra Mara Norbiato e Marcel Augusto Certain, apesar de seus verdadeiros proprietários serem os Impugnantes José Abelardo Guimarães Camarinha e Vinícius Almeida Camarinha. Expõe a fiscalização que a senhora Sandra, em depoimento ao Ministério Público Federal, teria confirmado as informações iniciais prestadas pelo senhor Marcel Augusto Certain, através de denúncia efetuada junto ao Tabelionato de Notas, segundo a qual os senhores José Abelardo Guimarães Camarinha e Vinícius Almeida Camarinha seriam os reais proprietários das empresas EDITORA DIÁRIO - CORREIO DE MARILIA, CMN - CENTRAL MARILIA NOTICIAS LTDA., RADIO DIÁRIO FM DE MARILIA LTDA. e RADIO DIRCEU DE MARILIA LTDA. Ambos atestam que seriam interpostas pessoas e teriam recebido salário para figurarem como sócios fictícios. É o que se extrai: Depoimento Sandra [ao MPF, e-fls. 169/183]: QUE não lembra de datas específicas, mas QUE no fim de 2011, seu ex-marido, CELSO (ANTÔNIO CELSO), a procurou e disse ter sido procurado por uma outra pessoa, de nome ROBERTO, de Marília, o qual possuía relação com o DEPUTADO CAMARINHA e a família; QUE eles seriam os donos da CMN e das rádios e precisavam de alguém para figurar no quadro societário, porque os anteriores estariam saindo por desentendimentos entre eles, mas precisavam que as pessoas fossem de confiança, porque se tratava de políticos que não poderiam aparecer [...]; QUE lhe foi oferecido R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) para permanecer por 6 (seis) meses, que seria o tempo necessário para que adotassem as medidas necessárias para SE reorganizarem; QUE pensou tratar-se apenas uma empresa como tantas outras; QUE ANTÔNIO CELSO explicou que as pessoas que estavam lá tiveram desentendimentos e precisavam sair, que precisavam resolver essa situação com urgência [...]; QUE o ex-marido providenciou tudo, contatos e tudo mais; QUE alguns dias antes do natal [provavelmente no dia 19 de dezembro], ele disse que a DECLARANTE deveria ir a Marília e que ela seria incluída como sócia juntamente com MARCEL; QUE questionou a escolha de MARCEL, por ser uma pessoa difícil; QUE lhe respondeu que era porque o acordo era que ele Fl. 2566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 21 permanecesse por apenas 6 (seis) meses, porque podia controlar ele e para lhe dar um pouco de dinheiro (...)”. Depoimento Marcel: Então, pelo outorgante me foi declarado sob as penas da Lei, o seguinte: “que muito embora eu figure como sócio das empresas EDITORA DIÁRIO CORREIO DE MARÍLIA LTDA., inscrita no CNPJ n° 08.843.828/0001-13 e RÁDIO FM DIÁRIO e AM DIRCEU, na realidade nunca fui proprietário das referidas empresas; que somente emprestei o meu nome para figurar como um dos sócios de aludidas empresas; que a empresa Editora Diário Correio de Marília LTDA. fica na cidade de Marília e administra o Grupo CMN, este responsável pela Rádio Diário de Marília, Rádio Dirceu de Marília e Jornal Diário de Marília; que nunca residi na cidade de Marília; Estado de São Paulo, que negociei o empréstimo do meu nome para figurar como sócio nessas empresas com o senhor Antonio Celso dos Santos, contador e residente na Rua Angelo Vieira de Brito, nº 194, Vila Sonia, São Paulo-SP, cep 05639-130 e com o senhor José de Souza Júnior, assessores do Doutor Vinícius Camarinha, que Antonio Celso dos Santos estabeleceu contato com um escritório de advocacia e contabilidade da cidade de Marília que intermediou tudo com os políticos; que os verdadeiros proprietários e administradoras dessas empresas é Vinicius Camarinha e seu pai Abelardo Camarinha (...) No mesmo sentido, o depoimento concedido pelo senhor Antônio Celso [ao MPF, e- fls. 65/168]: QUE conheceu um advogado e contador de Marília, de nome ROBERTO, através de JOSÉ VALTER, da cidade de Oriente/SP; QUE conheceu ROBERTO devido à necessidade daquele de atuar em uma ‘junta’ recursal de tributos em São Paulo; QUE isso se deu por volta do ano 2000; QUE após longo tempo sem se falarem, em 2011 se reuniu com ROBERTO, ABELARDO CAMARINHA e VINÍCIUS CAMARINHA em um escritório da rua Frei Caneca, em São Paulo, onde lhe propuseram conseguir alguém para figurar como laranja na reaquisição das empresas do GRUPO CMN; QUE na ocasião VINÍCIUS compareceu ao local a bordo de um veículo da Assembleia Legislativa, uma vez que era deputado estadual; QUE não sabe ao certo o motivo pelo qual foi procurado, porém em tal ocasião, em que aceitou o trabalho, ficou acertado o valor de R$ 380.000,00; QUE o colaborador de imediato pensou na ex-esposa SANDRA MARA NORBIATO e no irmão MARCEL AUGUSTO CERTAIN para atender o interesse dos políticos e figurar no quadro social das empresas do GRUPO CMN pelo prazo de um ano; QUE para tanto ambos receberiam um valor mensal de aproximadamente R$ 1.000,00; QUE após acertarem a forma de contrato, pouco tempo depois houve uma reunião no escritório de ROBERTO, na cidade de Marília, onde foram formalizados os contratos com a presença dos políticos e todos os demais interessados, inclusive JOSÉ DE SOUZA JÚNIOR; QUE os valores pagos por ABELARDO e VINÍCIUS seriam repartidos entre o DECLARANTE e ROBERTO (aproximadamente R$ 140.000,00 cada), o antigo proprietário CARDOSO (valor incerto), SANDRA (aproximadamente R$ 80.000,00) e MARCEL (aproximadamente R$ 20.000); QUE possui planilha comprobatória da divisão, que pretende apresentar posteriormente; QUE se recorda que foi exigido de SANDRA a assinatura de diversos documentos, dentre os quais uma alteração de contrato social sem data; QUE os valores acordados não foram integralmente Fl. 2567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 22 pagos por ABELARDO CAMARINHA e VINÍCIUS CAMARINHA, sendo que os valores parciais pagos foram feitos em espécie; (...) E para comprovar os depoimentos prestados, foram apresentados diversos documentos, entre eles, extratos das transferências bancárias realizadas, e-mails demonstrando a ingerência do sr. Garrossino, pessoa notoriamente relacionada aos Camarinha, nas empresas do grupo, além de ações trabalhistas em que os impugnantes são apontados pelos autores, ex-funcionários das empresas, como reais proprietários. As circunstâncias postas tornam inaceitável a argumentação de que não haveria dolo. Ante a gravidade dos fatos narrados pela Fiscalização, os quais não foram desconstituídos pelos impugnantes, que se limitaram a afirmar não serem os proprietários das empresas, é forçosa a conclusão pela ocorrência da conduta prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1991” (grifou-se). 17. A Recorrente, em adição às razões de Impugnação, alegou o seguinte: “(...) Mas não é só, como ressaltado linhas acima, o processo de fiscalização teve como alvo outras empresas e como tal foram lavrados outros autos de infrações, merecendo melhor destaque nesse momento o auto de infração, processo nº 13830-720.044/2018-66 que tramita em face da Rádio Diário FM de Marília Ltda., cuja situação fática é idêntica ao presente feito, vez que apuradas em decorrência do mesmo ofício do MPF. Contudo, o desfecho lá apresentado foi diverso da decisão que ora se recorre, [...] acolhendo a tese da defesa afastou a multa qualificada, justamente por entender, como aqui defendido, que ‘a qualificação da penalidade impõe a prova inequívoca da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, não se prestando a tal a presunção de qualquer dessas hipóteses’, e mais, ‘a responsabilidade passiva solidária não constitui, per se, fundamento à imposição de penalidade qualificada; nem esta àquela’” (grifou-se). 18. Para além de esta relatoria concordar com a Autoridade Julgadora de piso, que se manifestou lastreada nos depoimentos supra transcritos e documentação apresentada (troca de e-mails entre os envolvidos, e-fls. 210/368; ações trabalhistas em que os Recorrentes são apontados pelos autores, ex-funcionários das empresas, como seus reais proprietários, e-fls. 596/1092) quanto à ocorrência das condutas previstas no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, diga-se que decisões de 1ª instância administrativa não vinculam os Conselheiros desta Corte. 19. Quanto ao mais, não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, no tocante à interposição de pessoas como sócias e à anteriormente abordada omissão reiterada de receitas, a caracterizar a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, por parte da autoridade fazendária, neste tópico, não assiste razão aos Recorrentes, ao aduzirem que “[...] não há razão válida para o Fl. 2568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 23 agravamento da multa, por absoluta falta de comprovação do dolo, específico, condição essencial à imputação do evidente intuito de fraude”. Aplicação da multa com efeito de confisco 20. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca da matéria: “Quanto ao caráter confiscatório da multa, cabe ressaltar que a apreciação dessa matéria escapa à competência desta Turma Julgadora. Com efeito, incumbe aos legisladores, detentores de mandato popular, valorarem as situações e editarem, em obediência aos preceitos constitucionais, as leis aplicáveis no País, inclusive no âmbito tributário. Aos julgadores administrativos incumbe aferir em que grau os atos da Administração se harmonizam àquelas leis, na forma como foram elaboradas. Não lhes compete apreciar eventual caráter confiscatório ou abusivo de qualquer preceito legal. Em assim sendo, as alegações da contribuinte não encontram condições de serem apreciadas por este Colegiado. Deve esta Turma limitar-se a declarar que restou constatado que tanto a multa, como os juros, foram aplicados em absoluta consonância com a previsão legal, discriminada nos autos de infração; por isso, devem ser mantidos. Ademais, este assunto já foi objeto de súmula no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (grifou-se). 21. Não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, neste tópico, não assiste razão aos Recorrentes, que chegam a com ela concordar em certo ponto de sua argumentação, ao afirmarem que “[...] não se diga que o contribuinte está alheio à tese defendida pelo fisco de que este cumpre o seu mister vinculado ao princípio da legalidade que embasa os procedimentos administrativo [...]”. (destaques do original) Importa esclarecer que desde o Termo de Início do Procedimento Fiscal a autoridade lançadora consignou que a Contribuinte apresentou, apenas, Escrituração Fiscal Digital do PIS/PASEP e da COFINS (EFD-Contribuições) e que em DCTF nada informou a título de IRPJ e CSLL. A escrituração contábil, como informado pelo contador da empresa, não foi finalizada, e as DIPJ também não foram entregues. E tal conduta está demonstrada aqui ao longo dos anos- calendário 2013 a 2016, cabendo recordar que a Contribuinte também fora autuada em 2014 por infrações verificadas entre os anos-calendário 2009 a 2012. Todavia, embora os fatos assim estruturados permitissem, de fato, a imposição de multa qualificada nos termos afirmados na transcrição supra, não se identifica no Relatório Fiscal, nem nos Autos de Infração, a necessária motivação para tanto. O Relatório Fiscal descreve os fatos, neles inserindo a justificativa para imputação de responsabilidade tributária aos recorrentes com fundamento no art. 124, I do CTN, mas nos tópicos seguintes apenas descreve genericamente o lançamento e a sujeição passiva solidária, mencionando o lançamento de multas sem qualquer Fl. 2569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 24 acréscimo acerca da qualificação aplicada, e refere a existência de representação fiscal para fins penais nos seguintes termos: Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais nos termos da Portaria RFB nº 2.439/2010, objeto do processo nº 13830.720048/2018-44, pois a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário das fiscalizadas, em tese, configuram crime contra a ordem tributária definido pelo artigo 1º, inciso I e II, da Lei nº 8.137/90. No mais, apenas há descrição do arrolamento de bens e direitos para garantia do crédito tributário. O art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 somente é citado no enquadramento legal do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora dos autos de infração. Ainda que seja possível inferir a razão pela qual a autoridade lançadora entendeu presente hipótese prevista nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, como demanda o §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, adere-se aqui à primeira parte do que teria sido decidido em 1ª instância nos autos do processo administrativo nº 13830.720.044/2018-66, como referido pelos recorrentes: Quanto à qualificação da penalidade, importa observar que responsabilidade solidária e qualificação de penalidade são calcados em conceitos absolutamente distintos e não necessariamente justificadores um do outro. Nesse contexto: O Relatório fiscal acostado às autuações se desdobrou massivamente na configuração da responsabilidade passiva solidária, sem mencionar, em qualquer momento, a motivação da penalidade qualificada. Ora, sonegação, fraude ou conluio não se presumem. A comprovação de sócios de fato da pessoa jurídica não implica em suficiente fundamento à exacerbação da penalidade. Razão porque, reduzo a penalidade de ofício para 75%. (destacou-se) Não se trata, portanto, de falta de prova que demonstre de forma inequívoca a ocorrência do dolo e sonegação, como alegam os recorrentes, nem de impossibilidade de se qualificar a penalidade diante da comprovação de interposição de pessoas no quadro social da Contribuinte, mas sim de carência de motivação no lançamento que não pode ser suprida em sede de julgamento sem prejuízo à defesa dos interessados. Note-se, ainda, que a qualificação da penalidade foi aplicada indistintamente a todos os tributos lançados, muito embora em relação à Contribuição ao PIS e à Cofins somente tenha sido constatada falta de recolhimento no mês de junho/2014, para além de um débito de R$ 2,00, a título de Contribuição ao PIS, em outubro/2013. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntário no mérito das exigências, para reduzir a penalidade aplicada a 75%. Por fim, quanto à alegação de impossibilidade da responsabilização solidária com base no art. 124, inc. I, do CTN, assim consignou o Conselheiro Rafael Taranto Malheiros no voto condutor do Acórdão nº 1301-005.708: Fl. 2570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 25 22. A Autoridade Julgadora de piso assim se manifestou acerca do assunto: “(...) Comprovado serem os impugnantes os reais proprietários da autuada, não há como negar seu interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores dos tributos lançados. O subterfúgio jurídico - utilização de terceiros como sócios de direito - no intuito de fuga às responsabilidades societárias de sócios de fato, evidencia vontade, juridicamente oculta, e interesse direto nas atividades da pessoa jurídica. (...) Insta esclarecer, que a responsabilidade, no caso da situação retratada no art. 124, inciso I, do CTN, é atribuída às ‘pessoas que tenham interesse comum’; não há distinção se é pessoa jurídica ou pessoa física, pode ainda ser sócio, acionista ou qualquer outra pessoa, desde que comprovado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador. (...) Por sua vez, no processo administrativo, admite-se a prova indiciária ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador. O RIR/1999, no § 1º do art. 845, faz alusão à adoção do indício veemente, legitimando-o como princípio: [...] (...) Os indícios da interposição de pessoas na tentativa de ocultar os verdadeiros sócios da pessoa jurídica foram confirmados pelos depoimentos e provas apresentados ao MPF e trazidos ao processo, restando comprovada a propriedade da autuada pelos senhores José Abelardo Guimarães Camarinha e Vinícius Almeida Camarinha. Assim, pode-se afirmar que os fatos retratados no Termo de Verificação Fiscal, devidamente documentados e já amplamente discutidos, atestam a responsabilização tributária de todos os implicados com base no art. 124, inciso I do CTN, uma vez evidenciado o interesse comum aludido na referida norma” (grifou- se). 23. A Recorrente, em adição às razões de Impugnação, alegou o seguinte, em síntese: “(...) [...] ainda que se admita, em hipótese, o fato de o Recorrente ser ‘sócio’ da fiscalizada, apenas em amor ao debate, o mesmo não poderia ser responsabilizado de forma solidária, conforme pretende o AFRFB, vez que as pessoas física e jurídica não podem se confundir, e como tal, o primeiro, não possui qualquer participação no fato gerador das obrigações principais tão pouco no dever instrumental de entregar as declarações”. 24. A condição essencial da caracterização do interesse comum do inc. I do art. 124 do CTN é que as partes interessadas estejam no mesmo pólo de uma determinada relação jurídica, condição de unidade de interesses, esforço Fl. 2571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 26 conjunto para se atingir o resultado tributável. Esta solidariedade, portanto, é de natureza jurídica, não econômica. 25. No caso, o conjunto probatório trazido aos autos, já referido (ex. decisões judiciais trabalhistas, de e-fls. 596/1092), evidencia tratarem-se os responsáveis passivos solidários de sócios ocultos, ou de fato, da pessoa jurídica; não sócios de direito. Mediante utilização de subterfúgio jurídico, “utilização de terceiros como sócios de direito”, os Recorrentes detinham, de direito e de fato, interesse direto nas atividades da pessoa jurídica, verificando-se a “[...] vontade [como referida no art. 265 do Código Civil], juridicamente oculta [...]” por parte dos responsabilizados. 26. Quanto ao mais, não sendo aduzidas novas razões para além daquelas sobre a qual se manifestou a Autoridade Julgadora de piso, às quais se acede, neste tópico, não assiste razão aos Interessados, ao aduzirem que é “[i]nfundada, assim a solidariedade do Recorrente no que tange a co-obrigação pelo recolhimento das exações apuradas no Auto de Infração”. (destaques do original) Ainda, tendo em conta a invocação, pelos recorrentes, de posição doutrinária de Marcos Vinícius Neder, cabe referir outro trecho da obra citada, no qual é tratada a situação presente nestes autos, e que consta do voto assim declarado por esta Conselheira no Acórdão nº 9101-006.631 para justificar o cabimento da responsabilidade tributária imputada a sócio de fato com fundamento no art. 124, I do CTN, sob a premissa de que tais sócios não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade: O contexto ampliado, portanto, contempla pessoa jurídica que manteve escrituração imprestável por diversos motivos, com confusão patrimonial inclusive entre as pessoas jurídicas do mesmo grupo econômico, o que obrigou a autoridade lançadora a expurgar diversas operações irreais entre elas, para além dos registros pautados em notas fiscais inidôneas, e assim aferir os créditos tributários não declarados e não recolhidos em razão das operações efetivamente realizadas pela Contribuinte. Em tais circunstâncias, a confissão de Irineu Peretto Junior no sentido de que, por estar sob risco de bloqueio judicial, teria realizado movimentações financeiras com intermediação de sua cônjuge, Marili Elisabete Mainardi Peretto, apenas reforça a validade da integração desta ao polo passivo da obrigação tributária aqui constituída, que não poderia ficar limitada ao patrimônio da pessoa jurídica autuada, corrompido que foi pela evidente inobservância do princípio da entidade, como bem exposto no voto condutor do acórdão recorrido. O presente caso, assim, se assemelha a outros nos quais este Colegiado já se manifestou reiteradas vezes em favor da responsabilização de sócios de fato que se ocultam sob a interposição de pessoas no quadro social da pessoa jurídica, conforme ementas de julgados a seguir transcritas: Fl. 2572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 27 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicando-se, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. (Acórdão nº 9101-002.349 - Sessão de 14 de junho de 2016). SOCIEDADE QUE SE COMPORTA COMO SOCIEDADE DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ILIMITADA PARA OS SÓCIOS DE FATO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (CTN, art. 124, I). Em condições normais, o sistema jurídico prevê apartação patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas que compõem o seu quadro societário (sócios de direito). Mas a utilização fraudulenta de pessoa jurídica afasta essa apartação patrimonial, e os sócios de fato respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações surgidas de sua empresa (negócio/ empreendimento). A sonegação de tributo perpetrada via utilização fraudulenta da pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas, faz com que a pessoa jurídica seja tratada de modo semelhante a uma sociedade de fato (porque se comporta como tal), situação em que as pessoas envolvidas, por se encontrarem na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, respondem solidária e ilimitadamente pelos débitos surgidos do negócio. PROCURADOR/ADMINISTRADOR DE SOCIEDADE EMPRESARIAL. PRÁTICA DE ILÍCITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Os mandatários e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (CTN, art. 135, II e III). CTN, ART. 124, I, E ART. 135, II E III. INCIDÊNCIA CONJUNTA. POSSIBILIDADE. No caso destes autos, as referidas regras de responsabilização tributária não são excludentes, elas coexistem. A mesma ilicitude (uso fraudulento de pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas) leva à responsabilização tributária. O vínculo obrigacional por uma regra surge em decorrência da condição de sócio de fato, Fl. 2573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 28 enquanto pela outra, da condição de procurador/ administrador da empresa. (Acórdão nº 9101-002.954 - Sessão de 3 de julho de 2017). SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Havendo a utilização de interposta pessoa para acobertar as operações e o efetivo auferimento de receitas, deve ser considerado como sujeito passivo o efetivo proprietário e administrador da empresa pelos débitos tributários desta. (Acórdão nº 9101-003.592 - Sessão de 9 de maio de 2018). É certo que o Código Civil confere personalidade jurídica às sociedades mediante as quais empreendedores exploram atividades econômicas, personalidade esta distinta de seus sócios, de modo que seus patrimônios e obrigações não se confundem, ainda que constituídos por intermédio de seus administradores: Art. 1.022. A sociedade adquire direitos, assume obrigações e procede judicialmente, por meio de administradores com poderes especiais, ou, não os havendo, por intermédio de qualquer administrador. Especificamente no que se refere à sociedade unipessoal, espécie à qual pertence a Contribuinte, a responsabilidade do sócio em relação às dívidas da sociedade está assim regulada no Código Civil: Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. § 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) Disto resulta a segregação do patrimônio dos sócios em relação ao patrimônio da sociedade. Apenas a parcela do patrimônio de cada sócio conferido ao capital social presta-se como garantia de terceiros ao contratar com a sociedade, e assim se sujeita ao risco do empreendimento. Em consequência, se os sócios empregam regularmente os recursos da sociedade, sem desvios, eles não podem ser chamados a responder por dívidas da sociedade. Aqui tem-se que a escrituração da Contribuinte foi considerada imprestável, para além da constatação que sua movimentação financeira transitou em favor da cônjuge do sócio, pelas razões antes expostas. Em tais circunstâncias, a autoridade fiscal tem competência para, na forma do art. 142 do CTN, constituir o crédito tributário pelo lançamento, identificando o sujeito passivo, conceito no qual está incluído não só o contribuinte, como também, nos termos do art. 121, parágrafo único, inciso II, o responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 2574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 29 E, neste sentido, o CTN traz preceitos expressos acerca da responsabilidade solidária pelo crédito tributário das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...) Impróprio afirmar que referido dispositivo não trata de responsabilidade de terceiro ou de inclusão de terceiro no polo passivo, referindo-se apenas à graduação de responsabilidade nos casos de pluralidade de sujeitos passivos. Apesar de localizado entre as normas gerais do capítulo de sujeição passiva, o citado dispositivo é uma espécie de responsabilidade tributária a ser compatibilizada com os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Neste sentido são as lições de Marcos Vinícius Neder, no artigo Solidariedade de Direito e de Fato – Reflexões acerca de seu Conceito5: Cumpre observar, nesse passo, que a norma de solidariedade albergada pelo artigo 124 do CTN é uma espécie de responsabilidade tributária, apesar de o dispositivo legal estar localizado topograficamente entre as normas gerais previstas no capítulo de Sujeição Passiva e, por conseguinte, fora do capítulo específico que regula a responsabilidade tributária. Decerto a organização dos dispositivos acerca de responsabilidade no Código segue uma orientação lógica, mas as reflexões sobre tal conjunto normativo devem considerar princípios constitucionais que atuam, especificamente, sobre o tema, como o da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. O artigo 145 da Constituição Federal estabelece que os impostos devam ser graduados segundo a manifestação de riqueza do fato jurídico, e o art. 150 veda utilizar tributo com efeito de confisco. O texto constitucional prescreve, assim, que os fatos colhidos no mundo social para construção da hipótese de incidência tributária evidenciem capacidade econômica, evitando-se, assim, uma tributação excessiva que comprometa a subsistência dos contribuintes e avance sobre o patrimônio privado além do estritamente necessário à manutenção das atividades estatais. Esses valores informam todo o sistema jurídico e, por conseguinte, não há interpretar o art. 124 sem compatibilizar a norma de responsabilidade tributária com tais limitações constitucionais ao poder de tributar. Para tornar mais transparente a correlação entre esses princípios e a exeqüibilidade da imposição de responsabilidade por solidariedade, vale o recurso a um exemplo hipotético, porém esclarecedor. Se determinada propriedade 5 in FERRAGUT, Maria Rita e NEDER, Marcos Vinícius (coords.). Responsabilidade Tributária, Dialética, São Paulo: 2007, p. 32-33) Fl. 2575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 30 pertencer a quatro irmãos em condição de igualdade, um dos co-proprietários pode ser chamado a responder por todo o débito anual do Imposto Territorial Rural sem guardar a proporcionalidade com sua fração ideal (25%). Assim, embora manifeste riqueza apenas por sua participação no bem imóvel (25%), poderá ser exigido pelo pagamento integral do tributo relativo à propriedade (100%). Consente a ordem jurídica essa imposição de responsabilidade tributária de forma desproporcional à capacidade contributiva em função da previsão legal de reembolso da quantia excedente paga em lugar dos demais devedores. De fato, cada co-proprietário se qualifica como contribuinte em relação ao tributo correspondente ao seu quinhão de interesse na propriedade e como responsável pelo pagamento do tributo excedente em relação ao que lhe cabe. Referido dispositivo legal, portanto, presta-se à inclusão de terceiro no polo passivo da obrigação tributária, mas desde que presente prova de sua atuação ao lado da pessoa jurídica, e fora de seu quadro social, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Neste sentido também, depois de abordar a hipótese de interposição de pessoas na prática de fatos jurídicos tributários, e ressaltar que a simulação dos atos constitutivos impõe o afastamento do sujeito passivo aparente para alcançar os reais titulares da renda, observa Marcos Vinícius Neder (Op. cit., p. 46): Outra situação completamente distinta é quando o ilícito é promovido por pessoa jurídica ativa e operacional, que, comprovadamente, tenha ocultado ou registrado indevidamente negócios jurídicos realizados em parcela com terceiros (sócios ocultos) para benefício comum. Nessa hipótese, não há falar em fictícia interposição de pessoas, mas em sociedade comum de fato, pois não é possível distinguir a sociedade de fato de seus integrantes (pessoas físicas e jurídicas). Diante dessas condições, é perfeitamente possível evidenciar solidariedade entre as pessoas que compõem a sociedade de fato, eis que, além do patrimônio comum amealhado em razão do ilícito, há interesse comum nos negócios jurídicos realizados em benefício dos envolvidos. Logo, o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E esta condição pode ser imputada aos sócios de fato ou que agem como tais, sem figurar no quadro social da pessoa jurídica, e assim não desfrutando da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Significa dizer que tais agentes, cuja ação nas atividades da pessoa jurídica se dá para ocultar o sócio de direito, figuram no polo passivo da obrigação tributária ao lado da pessoa jurídica, praticando conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sem benefício de ordem, e destituídos de qualquer garantia que somente o vínculo societário formal lhes conferiria. Neste contexto, a responsabilidade solidária pelo crédito tributário, atribuída à cônjuge do administrador do empreendimento e beneficiária dos recursos obtidos com a atividade desenvolvida em nome da empresa, mostra-se perfeitamente Fl. 2576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 31 compatível com os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. No mesmo sentido são as ponderações da ex-Conselheira Adriana Gomes Rêgo, no voto condutor do Acórdão nº 9101-002.349, decidido à unanimidade em desfavor dos responsáveis tributários, com voto pelas conclusões dos ex- Conselheiros Luiz Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Maria Teresa Martinez Lopez: Em relação ao art. 124, I, do CTN, que estabelece a imposição de responsabilidade tributária solidária àqueles que "tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", estou convencida de que os elementos fáticos colhidos pela Fiscalização são suficientes para demonstrar a ocorrência da situação descrita na norma. Embora entenda que a expressão "interesse comum" estampada nesse dispositivo não pode denotar o mero interesse econômico que todo o sócio tem nos resultados da empresa, sendo necessária uma relação de interesse mais direta com os fatos que deram ensejo à autuação fiscal, considero que a evidência de que os Recorrentes não apenas eram sócios de fato da Nutrilínea, mas estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta (LAÇO e SPASSO faziam a comercialização e armazenagem dos produtos da Nutrilínea), bem caracteriza a situação prevista na norma. O Sr Cláudio, representando a Spasso assinou um contrato de locação de 17 caminhões para a Nutrilínea; os próprios empréstimos bancários à Nutrilínea, que totalizavam mais de R$ 12 milhões, e que assinaram como devedores solidários também corrobora, enfim há um conjunto probatório robusto a reforçar o interesse comum. Discordo do entendimento trazido pelos sujeitos passivos ora recorrentes de que o art. 124, inciso I, só se aplica a contribuintes, pois o CTN não faz tal distinção. O que jurisprudência do STJ assinala é quanto à necessidade de ambos os solidários estarem no mesmo pólo de uma situação jurídica que tenha impacto na exação tributária (neste sentido, por exemplo, o REsp 884.845/SC, de 5/2/2009). No caso em comento, os recorrentes solidários, ao assinarem contratos, ao participarem como devedores solidários e fiéis depositários dos negócios da Nutrilínea, somando-se isso a todo o conjunto probatório, demonstram, sim, estarem no mesmo pólo jurídico da contribuinte, daí porque vislumbro a solidariedade por interesse comum. Também corroboram o entendimento aqui firmado as razões do ex-Conselheiro Rafael Vidal de Araújo expostas no Acórdão nº 9101-002.954 para, por maioria de votos, com a divergência dos ex-Conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra (ausente o Conselheiro Luís Flávio Neto), restabelecer a responsabilidade do sócio de fato apontado na acusação fiscal: Via de regra, a solidariedade previstas no art. 124, I, do CTN, não deve mesmo ser aplicada para imputar responsabilidade tributária aos sócios/administradores de empresa (pessoa jurídica) pelos débitos devidos por esta. Fl. 2577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 32 Isto porque, em condições normais, o sistema jurídico prevê apartação patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas que compõem o seu quadro societário (sócios de direito), assim como entre a pessoa jurídica e seus administradores. Conforme o acórdão recorrido, a regra do art. 124, I, do CTN é realmente mais adequada para estabelecer solidariedade tributária, por exemplo, entre os coproprietários de um mesmo imóvel sobre o qual incide o IPTU, situação em que os solidários estão na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, em que eles co-realizam o fato gerador. Ocorre que a sonegação de tributo perpetrada via utilização fraudulenta da pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas, modifica o quadro jurídico traçado acima, fazendo com que a pessoa jurídica seja tratada de modo semelhante a uma sociedade de fato (porque se comporta como tal), situação em que as pessoas envolvidas, por se encontrarem na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, respondem solidária e ilimitadamente pelos débitos surgidos do negócio. Na utilização fraudulenta de pessoa jurídica não há a mencionada apartação patrimonial, e os sócios de fato respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações surgidas de sua empresa (negócio/empreendimento). É esse contexto que justifica perfeitamente a aplicação do art. 124, I, do CTN ao caso sob exame. Além disso, restou caracterizado que Alberto Mucciolo podia dispor e administrar sozinho os recursos da empresa, que ele movimentava as contas bancárias, que assinava cheques e autorizações de transações bancárias, que tinha procuração para tanto, e que, desse modo, era quem administrava de fato a empresa, o que, dada a forma e o conteúdo de sua atuação como procurador/administrador, também enseja a aplicação do art. 135, II e III, do CTN. Do que se disse até aqui, já é possível verificar que as referidas regras não são excludentes. O vínculo obrigacional por uma regra surge em decorrência da condição de sócio de fato, enquanto pela outra, da condição de procurador/administrador. Quando uma pessoa participa de uma sociedade que se comporta como uma sociedade de fato, ela responde solidária e ilimitadamente pelos tributos decorrentes da atividade empresarial (art. 124, I, do CTN). Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO aos recursos voluntários quanto à imputação de responsabilidade a José Abelardo Guimarães Camarinha e Vinícius Almeida Camarinha, com fundamento no art. 124, I do CTN. Conclusão O presente voto, portanto, é por CONHECER dos recursos voluntários e DAR-LHES PARCIAL PROVIMENTO para reduzir a penalidade aplicada a 75%. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa Fl. 2578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.462 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13830.720046/2018-55 33 Fl. 2579DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13136.720634/2022-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/05/2018
INEXISTÊNCIA DE CAUSA DE NULIDADE.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal e a inexistência de cerceamento ao direito de defesa do interessado, não há como acatar a tese de nulidade do ato de exclusão do Simples Nacional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. PROVA DOCUMENTAL. SUSTENTAÇÃO ORAL.
Deve ser indeferido o requerimento de produção de provas quando presentes nos autos todos os documentos necessários ao seu correto entendimento.
Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 23/05/2018
SIMPLES NACIONAL. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS EMPRESAS. LIMITE GLOBAL DE RECEITA BRUTA. VEDAÇÃO DE PERMANÊNCIA NO SISTEMA.
Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123/2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular participe com mais de 10% do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite para permanência no sistema.
Numero da decisão: 1402-007.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Assinado Digitalmente
Alexandre Iabrudi Catunda - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Rafael Zedral, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Ricardo Piza Di Giovanni, Alexandre Iabrudi Catunda (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Marilia Matos Saraiva, o conselheiro(a) Sandro de Vargas Serpa.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-18T23:12:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-18T23:12:42Z; Last-Modified: 2026-09-18T23:12:42Z; dcterms:modified: 2026-09-18T23:12:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-18T23:12:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-18T23:12:42Z; meta:save-date: 2026-09-18T23:12:42Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-18T23:12:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-18T23:12:42Z; created: 2026-09-18T23:12:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; Creation-Date: 2026-09-18T23:12:42Z; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-18T23:12:42Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13136.720634/2022-11 ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 25 de agosto de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE PERSERVICE GESTÃO E SERVIÇOS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/05/2018 INEXISTÊNCIA DE CAUSA DE NULIDADE. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal e a inexistência de cerceamento ao direito de defesa do interessado, não há como acatar a tese de nulidade do ato de exclusão do Simples Nacional. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. PROVA DOCUMENTAL. SUSTENTAÇÃO ORAL. Deve ser indeferido o requerimento de produção de provas quando presentes nos autos todos os documentos necessários ao seu correto entendimento. Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 23/05/2018 SIMPLES NACIONAL. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS EMPRESAS. LIMITE GLOBAL DE RECEITA BRUTA. VEDAÇÃO DE PERMANÊNCIA NO SISTEMA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123/2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular participe com mais de 10% do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite para permanência no sistema. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça – Relatora Assinado Digitalmente Alexandre Iabrudi Catunda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Rafael Zedral, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca, Ricardo Piza Di Giovanni, Alexandre Iabrudi Catunda (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Marilia Matos Saraiva, o conselheiro(a) Sandro de Vargas Serpa. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em desfavor do Acórdão nº 108-042.083, pela 28ª Turma/DRJ08, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão da Recorrente do Simples Nacional. Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão de piso: “Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado em relação ao Ato Declaratório Executivo DRF/MCR nº 171, de 03 de novembro de 2022, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 23/05/2018, por ter a mesma ultrapassado nos anos de 2018, 2019 e 2020 o limite de que trata o inciso II do caput do artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, por força do artigo 3º, §4º, incisos III e IV da mesma norma legal. De acordo com os fatos constantes na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, os sócios da pessoa jurídica aqui tratada são ou foram sócios da empresa Perfinaca Indústria e Comércio Ltda, CNPJ nº 20.989.372/0001-08, entre outras empresas relacionadas nos demonstrativos de fls. 69, tendo a autoridade fiscal concluído pela existência de grupo econômico de fato entre as mesmas, as quais se encontram abaixo relacionadas: - Perfinaco Serviços Gerais em Aço Ltda. - Girafer Indústria e Comércio de Ferro e Aço Eireli - Perfinaco Indústria e Comércio Ltda. - Perloc Locações Ltda. - .Perservice Gestão e Serviços Ltda. Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 3 Às fls. 08 dos autos foi anexada planilha demonstrativa da identidade de endereços e números de telefone de vários estabelecimentos dessas empresas. Foi também apurado que vários segurados possuem ou possuíram vínculos com as diversas empresas do grupo com datas de admissão coincidentes ou não. Constatou-se a existência de reclamações trabalhistas nas quais, no mesmo processo, constavam como reclamados as empresas Perservice Gestão e Serviços Ltda e Perfinaco Indústria e Comércio Ltda. Observa que a remuneração total de segurados empregados e contribuintes individuais declarada pela empresa Perservice Gestão e Serviços Ltda. era incompatível com o valor da sua receita bruta nos anos de 2018 a 2020. Procedeu, assim, à soma das receitas brutas das diversas empresas integrantes do grupo econômico (fls. 49), concluindo que as mesmas ultrapassaram o limite da receita bruta para manutenção da opção pelo Simples Nacional. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Aduz, primeiramente, a tempestividade da impugnação apresentada. Afirma, em seguida, tratar-se de empresa prestadora de serviços de execução e gestão no mercado de corte e dobra de metais, vindo a tornar-se prestadora exclusiva da empresa Perfinaço Indústria e Comércio Ltda., situação que afirma ser corriqueira e estratégica no mercado em que atua. Aduz ter sido surpreendida com a sua exclusão do Simples Nacional devido ao reconhecimento de grupo econômico de fato com esta empresa e com outras empresas alheias, decisão esta que afirma não merecer prosperar, pelos argumentos que apresenta. Aduz a nulidade da Representação Fiscal por ausência de suporte fático, afirmando que os dados apresentados pela fiscalização para afirmar a incompatibilidade da massa salarial da empresa com a sua receita bruta não condizem com a realidade. Aponta às fls. 91 a receita bruta informada em DASN e apura a massa salarial nos percentuais de 103% para 2018, 94% para 2019 e 87% para 2020. Que não consta nos autos qualquer documento que corrobore a afirmação de que a diferença entre folha e receita alcançou até 1.798%, tratando-se de argumento falacioso. Entende, assim, pelo cancelamento da representação administrativa devido à falta de veracidade dos motivos apontados como fundamento. Aduz a nulidade da representação administrativa também por não constar nos autos provas que corroborem a afirmação fiscal de que foram encontradas reclamações trabalhistas pleiteando o reconhecimento de grupo econômico entre a impugnante e a empresa Perfinaço, para efeitos de reconhecimento de vínculo Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 4 trabalhista de empregados. Manifesta-se pela impossibilidade de saneamento do vício em questão. Aduz a existência de vício no processo de fiscalização que antecedeu à lavratura da presente representação fiscal, uma vez ter sido fundamentada unicamente em planilhas produzidas pela fiscalização, sem a apresentação de documentos comprovatórios, sem a realização de visitas in loco, oitiva de pessoas ou representantes legais. Aduz competir à fiscalização o ônus da prova acerca do ilícito gerador da autuação. Pugna pela nulidade da representação administrativa por afronta ao princípio da legalidade, da motivação do ato administrativo e com fundamento no artigo 373, I do Código de Processo Civil. Insurge-se contra planilha apresentada pela fiscalização na qual encontram- se relacionadas as empresas com as quais o Sr. Theodomiro Souza Neto teria vinculação. Afirma não manter nenhuma relação societária com as empresas Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda. (CNPJ nº 03.534.521/0001-17), Perfinaço Industria e Comercio Ltda. (CNPJ nº 20.989.372/0001-08) e com a E.M. Construções Metálicas e Calderaria Ltda.(21.683.636/0001-55). Em relação à empresa Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda, aduz que a mesma foi baixada por liquidação voluntária em 22/04/2019, tendo o sr. Theodomiro se desvinculado de seus quadros em 15/04/2019. Que pelo critério temporal, não há como se estabelecer a tese de um grupo econômico baseada exclusivamente na indicação de um sócio, no quadro societário de empresas que não existiram contemporaneamente. Que também não consta nos autos qualquer relação entre as empresas Perfinaço Serviços Gerais Ltda e as demais empresas que alega comporem grupo econômico. Que também não há um dado sequer que indique que a PERFINAÇO SERVIÇOS GERAIS EM AÇO LTDA. (CNPJ nº 03.534.521/0001-17) tivesse relação jurídica societária com a PERFINACO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. (CNPJ nº 20.989.372/0001-08) ou com mesmo a E.M. Construções Metálicas e Calderaria Ltda. (21.683.636/0001-55), como afirma a Fiscalização. Que a única relação entre elas é a coincidência dos nomes entre a primeira e a segunda empresa citadas, além da vocação à indústria do aço Afirma não haver relação de fato ou de direito entre nenhuma das empresas citadas diante do fato do sócio de uma ter figurado no quadro societário de outra. Quanto à participação societária da Sra. Artemis Lima de Souza Paiva, esclarece a impugnante: - Ter a mesma participado do quadro social da empresa Artlibra Ltda. (CNPJ nº 00.994.576/0001-11) por apenas um dia, sendo que essa empresa encerrou suas atividades em 21/10/1999, portanto, quase 20 anos antes do registro da impugnante na JUCEMG. - Participou por pouco menos de 3 meses do quadro social da CGP Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ nº 20.940.522/0001-80) Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 5 entre 08/2014 e 11/2014, quase 4 nos antes de seu ingresso na impugnante. - Em relação à sua participação na empresa Perfinaço Indústria e Comércio Ltda (CNPJ nº 20.989.372/0001-08), afirma que 3 meses não é indicativo de nada, considerando que o tempo médio para trâmites burocráticos necessários à abertura de uma nova empresa é de 30 a 45 dias, presume-se que a outra metade do tempo foi dispendida nos estudos mercadológicos. - Repete os mesmos argumentos quanto à empresa ARGEP Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ nº 26.474.388/0001-56) da qual a sócia Artêmis se retirou em 17/04/2018. Conclui que o mero fato de ter figurado entre os quadros societários de outras empresas em momento anterior à abertura da Impugnante, não é capaz de afastar o ato jurídico perfeito decorrente da sua retirada. Que o endereço mencionado pela autoridade fiscal (Rua Guimarães, 1155 – Belo Horizonte/MG) funciona o coworking denominado INCOL, motivo pelo qual qualquer empresa poderia estar estabelecida no mesmo endereço. E que o compartilhamento de um telefone central em um coworking configura prática bastante comum. Que a existência de segurados com vínculos em mais de uma empresa se deve à escassez de força de trabalho no nicho de mercado da empresa. E sustenta que nem todos os funcionários da impugnante são provenientes das empresas indicadas como formadoras do grupo econômico. Quanto à formação de grupo econômico, aduz que a autoridade fiscal não se desincumbiu do ônus probatório na demonstração da subordinação entre as empresas. Que também não foi demonstrado quais sócios compõem o quadro societário ou qual o valor extrapolado no limite legal de faturamento. Por entender pela presunção de validade dos atos não refutados pela Fiscalização, manifesta-se pela manutenção das receitas brutas declaradas pela própria Impugnante em PGDAS no período de 2018 a 2020, e não aquela que resulta da soma com as receitas de outras empresas. Diante dos argumentos apresentados, a impugnante requer o acolhimento da Impugnação para que seja declarada a nulidade da representação administrativa que culminou na exclusão da empresa do Simples Nacional. Caso não seja reconhecida a nulidade alegada, requer seja declarada insubsistente a representação administrativa, cancelando-se a exclusão da impugnante do Simples Nacional. Requer a produção de prova oral, consistente em depoimento dos sócios das empresas. A intimação da Receita Federal ou das Juntas Comerciais dos Estados sede das pessoas jurídicas mencionadas, a fim de se conhecer a íntegra Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 6 dos contratos sociais e averiguar a composição societária e a oitiva destes referidos sócios. Requer, ainda, a juntada de novos documentos. Requer o encaminhamento das intimações à autuada e também à sociedade de advogados que menciona e ao sócio daquela. Por sua vez, a 28ª Turma/DRJ08 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a exclusão da Recorrente do Simples Nacional, cuja decisão restou assim ementada: Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 23/05/2018 SIMPLES NACIONAL. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS EMPRESAS. LIMITE GLOBAL DE RECEITA BRUTA. VEDAÇÃO DE PERMANÊNCIA NO SISTEMA. Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123/2006, a pessoa jurídica cujo sócio ou titular participe com mais de 10% do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite para permanência no sistema. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/05/2018 INEXISTÊNCIA DE CAUSA DE NULIDADE. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal e a inexistência de cerceamento ao direito de defesa do interessado, não há como acatar a tese de nulidade do ato de exclusão do Simples Nacional. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. PROVA DOCUMENTAL. SUSTENTAÇÃO ORAL. Deve ser indeferido o requerimento de produção de provas quando presentes nos autos todos os documentos necessários ao seu correto entendimento. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. Inexiste fundamento legal a amparar o requerimento para produção de sustentação oral na primeira instância administrativa de julgamento. CIÊNCIA DE ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. REQUERIMENTO DE ENVIO AO PROCURADOR DA EMPRESA. INDEFERIMENTO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 7 Discordando da decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando, em síntese, que: “II. BREVE SÍNTESE FÁTICA Trata-se o caso de Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional movido em desfavor da empresa Perservice Gestão e Serviços Ltda., ora Recorrente, em razão de suposta superação do teto de faturamento previsto no art. 3º, inc. II c/c §4º, inc. III e IV, da Lei Complementar nº 123/06, em virtude de “constatação” da existência de grupo econômico de fato entre a Recorrente e outras empresas. A existência de grupo econômico de fato foi defendida pela Fiscalização, cuja narrativa permeia intricada teia de correlações entre sócios da Recorrente e outras empresas, além de outros elementos objetivos (como local da prestação de serviços e quadro de funcionários atrelado à Recorrente), entendendo – a despeito da apresentação de provas – que tais pontos são suficientes à tal constatação. Deste modo, a constatação do suposto “grupo econômico” deu ensejo ao pedido administrativo de exclusão do Simples Nacional, uma vez que, no somatório global das receitas anuais das “empresas componentes”, haveria superação do teto de BRL 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). A referida Representação Fiscal culminou no Ato Declaratório Executivo DRF/MCR nº 171/2022, o qual determinou a exclusão da Recorrente do referido regime de tributação, com efeitos retroativos a 23/05/2018. Em face do Ato Declaratório em testilha, foi apresentada Manifestação de Inconformidade, instaurando o Contencioso Administrativo, no intuito de reverter a equivocada conclusão chegada pela Fiscalização em relação suposto grupo econômico havido entre a Recorrente e outras empresas, mantendo, por consequência lógica, seu enquadramento do regime simplificado de tributação. Em suma, a Manifestação de Inconformidade foi apresentada tendo por escopo principal a inexistência de robusto acervo fático-probatório, necessário à fornecer sustentáculo às conclusões obtidas, apontando que, a todo momento, limitou-se a Fiscalização à indicações baseadas em meras ilações e suposições o que, como se sabe, não são suficientes à embasar atos administrativos em desfavor do Contribuinte. Em que pese todos os argumentos e elementos de prova apresentados pela RECORRENTE, a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, cuja decisão restou assim ementada: (...) Não obstante a chancela por parte da DRJ das equivocadas premissas adotadas pela Fiscalização, as conclusões obtidas vão de encontro à realidade fática, não havendo razões suficientes para manutenção da decisão ora vergastada, conforme se verá a seguir. Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 8 É o que se relata. III. PREJUDICIAIS DE MÉRITO III.1. Decisão não fundamentada - Ausência da motivação do ato administrativo – Nulidade – Inteligência do art. 50, inc. V, da Lei nº 9.784/99 e art. 37, caput da Constituição Federal de 1988 Observa-se que a decisão recorrida, quase que em sua integralidade, se limita à transcrição superficial da Manifestação de Inconformidade da Recorrente e à ratificação dos fundamentos constantes no Relatório e nas Informações Fiscais apresentadas pelo Auditor Fiscal em sua Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional. Por consequência, os fundamentos que levaram à improcedência da Impugnação mostraram-se extremamente superficiais e insuficientes para o fim pretendido, o que denota ausência de MOTIVAÇÃO do ato administrativo, em patente afronta ao art. 50, inc. V da Lei nº 9.784/99 c/c artigo 37, caput da Constituição Federal. In verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V - decidam recursos administrativos; E também: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) Diante disso, a Recorrente requer seja declarada a nulidade da decisão recorrida e, por conseguinte, seja determinado o retorno dos autos para que seja proferida nova decisão devidamente fundamentada. III.2. Indeferimento injustificado de diligências requeridas – Cerceamento de defesa – Art. 5º, inc. LV, da Constituição Federal de 1988 A decisão recorrida houve por bem indeferir a produção da prova oral requerida pela Recorrente, sob fundamentação de que já encontram-se nos autos todos os elementos de prova necessários ao devido deslinde do processo. Contudo, deixou a 28ª Turma da DRJ de observar que o artigo 18 do Decreto 70.235/72 autoriza a realização de diligências, não havendo vedação quanto à oitiva de pessoas: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 9 Considerando que a matéria em debate tem natureza fática, conclui-se que a prova oral requerida pela Recorrente teria grande valia na busca da verdade real, sobretudo porque raso e limitado acervo probatório juntado pela douta Fiscalização são absolutamente insubsistentes para os fins a que se destinam, sendo necessário perquirir outros elementos comprobatórios a fim de se chegar à verdade real. O deferimento da diligência em questão possibilitaria a oitiva dos sócios da empresa, a fim de provar a inexistência fática dos elementos da relação suspostamente havida entre esta e as demais arroladas como componentes do fantasioso grupo econômico. Deste modo, é imperioso destacar que o indeferimento de tais pedidos – especialmente no caso em testilha, onde os elementos de prova trazidos pela fiscalização não prestam, ainda que minimamente, ao propósito para os quais foram apresentados – reveste-se do mais absoluto cerceamento do direito de defesa da Recorrente, que deve submeter-se à julgamento administrativo levando-se em conta tal acervo documental. Sendo assim, é medida que se faz necessária a determinação do retorno dos autos à origem, para que seja colhida a prova oral requerida, o que desde já se requer. IV. DO MÉRITO IV.1. Da inexistência de acervo comprobatório pela Fiscalização – Ônus probatório que compete à Administração Fazendária – Do princípio in dubio pro contribuinte A priori, cumpre-nos destacar que, desde o princípio do presente Processo Administrativo, tem sido destacada a ausência de documentação comprobatória hábil aos fins a que se destina, por parte da d. Fiscalização. No contexto da legislação fiscal e tributária, a ausência de documentos e provas suficientes para embasar uma conclusão da fiscalização, especialmente quando se trata da exclusão de uma empresa do Simples Nacional, é um ponto crucial que merece atenção. É imperativo ressaltar que o ônus da prova recai sobre a Fazenda Pública, conforme princípios fundamentais do direito tributário. Nesse sentido, a argumenta-se que a falta de documentação adequada ou a insuficiência de provas não podem automaticamente justificar uma decisão desfavorável à empresa, uma vez que a carga probatória, no caso em tela, compete exclusivamente ao Fisco. Note-se, ainda, que quando tratamos da inserção de provas nos autos, estamos dizendo provas robustas e suficientes para formação do convencimento além da dúvida razoável. Notadamente, não admitimos que planilhas Excel elaboradas unilateralmente pelo Fisco, sem apresentação de outros elementos aptos à corroborar com a tese sustentada pelo Fisco (grupo econômico de fato), possam Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 10 ser consideradas provas robustas e suficientes a tais fins, salvo se pela conveniência da arrecadação. Não há certidões contendo o histórico de alterações contratuais, expedida pela Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (“JUCEMG”), algo básico e plenamente possível à Fiscalização. Não houve apresentação de ECF, ECD, DCTF, SPEDs de qualquer sorte, nem tampouco memórias de cálculo, como meio hábil à comprovação do citado “faturamento global”. Não houve juntada de DIRPFs dos “sócios” apontados, com fito de demonstrar pagamento de lucros e dividendos das referidas Pessoas Jurídicas em favor destes. Todos os documentos retro citados estão à disposição da Autoridade Fazendária, que com poucos cliques tem acesso à todas as informações transmitidas pelas empresas em comento. Ora, é essencial que qualquer decisão administrativa que afete os interesses da empresa seja fundamentada em provas robustas e consistentes, as quais devem ser apresentadas pela Fazenda Pública de forma clara e objetiva, o que não ocorreu in casu. Ressalta-se que a presunção de veracidade dos atos administrativos não pode ser utilizada de forma arbitrária, especialmente quando não há elementos suficientes para respaldar a conclusão da fiscalização. A exclusão do Simples Nacional pode acarretar sérias consequências para a empresa, afetando sua saúde financeira, sua competitividade no mercado e, muitas vezes, até mesmo sua própria sobrevivência. Quando os elementos de prova apresentados pela Fiscalização são superficiais e insuficientes para embasar uma conclusão desfavorável ao contribuinte, a aplicação do princípio "in dubio pro contribuinte", consagrado no artigo 112 do Código Tributário Nacional (“CTN”), torna-se imperativa, devendo- se decidir a favor do contribuinte. In verbis: (...) Dessa forma, diante da fragilidade probatória por parte da Fiscalização, é necessário que qualquer dúvida seja resolvida em benefício do contribuinte, assegurando-se a sua proteção contra possíveis abusos ou arbitrariedades por parte do Estado. Assim, a aplicação desse princípio se torna um elemento crucial para garantir a justiça e a equidade nas relações entre o Fisco e os contribuintes. Portanto, é essencial que a decisão administrativa seja pautada em critérios legais e que respeite os princípios do devido processo legal, com a exigência de provas reais, tantas quanto suficientes, garantindo assim a justiça e a segurança jurídica para todas as partes envolvidas. IV.2. Dos critérios para constatação de grupo econômico No tocante à formação do suposto grupo econômico, verifica-se que a DRJ optou por chancelar as premissas estabelecidas pela Fiscalização, ainda que extremamente superficiais, rasas e absolutamente incoerentes. Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 11 Ora, a d. Fiscalização valeu-se de teia de relações entre pessoas jurídicas, ao atropelo de premissas básicas – como critério temporal – que sequer foram consideradas pela DRJ ao julgar a Manifestação de Inconformidade. Nas participações societárias citadas pela Fiscalização (e chanceladas pela DRJ) é possível se verificar que ocorreram de forma absolutamente extemporânea, ou seja, não foram observadas participações simultâneas de vários dos sócios, cuja presença foi tida por fundamental à configuração do fantasioso grupo econômico. É o que se verifica, por exemplo, com o sr. Theodomiro Souza Neto e sra. Artemis Lima de Souza Santos Paiva. Portanto, pelo critério temporal, não há como se estabelecer a tese de um grupo econômico baseada exclusivamente na indicação de um sócio, no quadro societário de empresas que não existiram contemporaneamente. Note que a Fiscalização Tributária também não provou qualquer relação entre a empresa Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda. e as demais empresas que alega comporem um grupo econômico. Não há um organograma que estabeleça relação entre as empresas, suas controladas, coligadas, subsidiárias integrais. Repito: não há nada além de tabelas de Excel. Nada obstante, as ilações trazidas no bojo do Termo de Verificação Fiscal foram dadas por suficientes – a rigor do que se depreende do Acórdão proferido pela DRJ. Em seu julgamento, considerou ainda a juntada de quadros informando a estrutura societária das empresas e suas receitas, imputando por equivocada as alegações da Defesa, no tocante à escassez comprobatória trazida pela Fiscalização. Ora, repisa-se o que trazido em sede de Manifestação de Inconformidade, e novamente apontado no presente Recurso Voluntário: não há como se considerar por suficiente o acervo trazido pela fiscalização. Ressaltamos, ainda, que as alegações e planilhas juntadas pela Fiscalização são insuficientes à demonstração da affectio societatis entre as supostas empresas que formam um grupo econômico. Não se provou “o desejo, a vontade, a intenção de colaboração voluntária e ativa, interessada e igualitária”. Ademais, no tocante aos srs. Theodomiro e Artemis, o que se percebe é que o primeiro não mantém nenhuma relação societária com as empresas Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda., Perfinaço Industria e Comercio Ltda. e tampouco com a E.M. Construções Metálicas e Caldeiraria Ltda. Em outra perspectiva, não existe qualquer evidência que sugira uma conexão societária entre a Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda. e a Perfinaco Indústria e Comercio Ltda., nem mesmo com a E.M. Construções Metálicas e Caldeiraria Ltda., conforme alegado pela Fiscalização. Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 12 A presunção de que uma pessoa física não pode estabelecer mais de uma sociedade após a primeira, sob pena de serem posteriormente consideradas como um grupo econômico, está longe de servir como prova concreta da existência de grupo econômico. Tal premissa é incorreta e não deve ser utilizada como base para inferências sobre relações econômicas. Ressaltamos que o mero fato de, em algum momento, ter o Sr. Theodomiro figurado no quadro societário de uma outra sociedade aleatória, não pode, por si só, servir como prova da existência de um grupo econômico, porque tal argumento vai de encontro aos postulados da livre iniciativa e do livre exercício de atividade econômica. Os laços criados pela Fiscalização com objetivo de dar azo à pretensão desta simplesmente ignora os extensos lapsos temporais havidos nas participações societárias que aduz, valendo-se, até mesmo, de participação que se encerrou mais de 20 (vinte) anos antes de seu ingresso na Recorrente. Tais pontos foram admitidos em Acórdão, muito embora não haja qualquer elemento comprobatório relevante e suficiente para dar sustentação à tal conclusão. Em suma, a Fiscalização não provou nenhuma relação entre as empresas, não provou a existência de um grupo econômico de fato e por isso, não se desincumbiu de afastar a presunção de legitimidade e boa-fé de atos jurídicos legítimos, ônus que lhe incumbia. A rigor de tal inexistência comprobatória, deveria ter a DRJ cancelado o Ato Declaratório de Exclusão, ora combatido, uma vez que o denominado “grupo econômico”, compreendido como aquele em que a sua existência depende de ato formal (convenção) e do preenchimento dos requisitos necessários exigidos por Lei, não reúne as condições mínimas para que seu reconhecimento seja mantido. O direito societário brasileiro regulamenta expressamente apenas o grupo econômico convencional, também denominado grupo econômico de direito, formalmente constituído entre a sociedade controladora e as sociedades por ela controladas, por meio de convenção devidamente arquivada perante o registro do comércio, pela qual as convenentes se obriguem a combinar recursos e/ou esforços para a realização dos respectivos objetos sociais ou para participar de atividades ou empreendimentos em comum (art. 265 C.C/ art. 271 da Lei n° 6.404/1976). Grosso modo, para reconhecimento de relação entre empresas não formalmente ligadas, deve haver evidenciação da subordinação entre uma e outra. A fiscalização não se desincumbiu do seu ônus probatório. Além dos elementos identificadores mencionados anteriormente, é viável reconhecer o grupo econômico através da unidade de direção (controle) e da intercomunicação (confusão) patrimonial. O controle, um elemento crucial nos grupos econômicos, implica a capacidade de tomar decisões, seja na assembleia geral, seja exercendo influência Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 13 nos órgãos de administração, resultando em um poder sobre todas as empresas agregadas. Inobstante a ausência de comprovação dos pontos acima suscitados, também não foram apresentados os sócios que integram o quadro societário, nem foi indicado o valor que teria excedido o limite legal de faturamento. Neste aspecto, seria responsabilidade da autoridade administrativa comprovar a irregularidade, fundamentando a acusação fiscal com fatos e evidências em conformidade com a legislação aplicável, sob risco de nulidade da representação administrativa, conforme já foi alegado. Presumem-se, portanto, válidos os atos que não forem refutados de forma cabal pela Fiscalização, razão pela qual as receitas brutas do período de maio de 2018 a dezembro de 2020 devem ser aquelas declaradas pela própria Impugnante em PGDAS, e não aquela que resulta da indevida soma com as receitas de outras empresas alheias à Impugnante. Nesta toada, não havendo que se falar em grupo econômico, de igual modo não se fala em superação do teto de faturamento anual, em razão do somatório das empresas cuja vinculação busca ver reconhecida a Fiscalização, motivo pelo qual deve ser deve ser reformada a decisão da DRJ acerca da Manifestação de Inconformidade apresentada, determinando, por consequência lógica, o arquivamento do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional, uma vez que os supostos motivos que dariam azo a tal resultado não encontram respaldo fático, tampouco material, o que desde já se requer. V. CONCLUSÃO Desta maneira, certo do direito que lhe assiste e reiterando todos os pedidos apresentados no presente Recurso Voluntário acima, bem como na Impugnação primeva, como se aqui estivessem transcritos, vem a RECORRENTE perante este d. Conselho, deduzidos os fatos e esclarecidas as razões que lhes dão sustentação, requer seja reformada in totum o Acórdão proferido pela DRJ, julgando, por consequência lógica, o presente Ato Declaratório de Exclusão por insubsistente, determinando seu imediato arquivamento.” É o relatório. VOTO Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Juízo de Admissibilidade do Recurso Voluntário Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do artigo 43 da Portaria MF nº 1.634/2023 - Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”). Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 14 Como se denota dos autos, a Recorrente tomou ciência do Acórdão recorrido em 12/03/2024 (e-fls. 305) apresentando o Recurso Voluntário, ora analisado, no dia 09/04/2024 (e- fls. 307), ou seja, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 . Destarte, o recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Portanto, dele tomo conhecimento. Síntese dos Fatos Conforme já relatado, os autos circunscreve-se à discussão sobre a exclusão da Recorrente do SIMPLES NACIONAL por intermédio do Ato Declaratório Executivo DRF/MCR nº 171/2022, que determinou sua exclusão do Simples Nacional retroativa a 23/05/2018. A Receita Federal excluiu a Perservice do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 23/05/2018, após identificar a existência de grupo econômico de fato e extrapolação da receita bruta global (receita bruta global superior a R$ 4.800.000,00), situações que impedem a permanência no regime favorecido segundo os arts. 3º, §4º, III e IV da LC 123/2006. Vale repisar que a referida exclusão deu-se somente após procedimento fiscal instaurado em face da pessoa jurídica PERSERVICE GESTÃO E SERVIÇOS LTDA, ora Recorrente, CNPJ 30.534.199/0001‑07, estabelecida na Rua Guimarães, nº 1155, sala 11, Bairro São Francisco, Belo Horizonte/MG. Conforme verificado, a Recorrente foi constituída em 23/05/2018 e, desde sua abertura, aderiu ao regime tributário do Simples Nacional, nos termos do art. 12 da LC nº 123/2006. Segundo o relatório fiscal, a Recorrente declarou como atividade econômica principal o serviço de corte e dobra de metais (CNAE 2599‑3/02), tendo posteriormente incluído, mediante alteração contratual registrada em 08/10/2019, a atividade de serviços combinados de escritório e apoio administrativo (CNAE 8211‑3/00). Durante o período compreendido entre maio de 2018 e dezembro de 2020, transmitiu GFIPs e recolheu contribuições previdenciárias por meio de GPS, como previsto para optantes do regime especial. A fiscalização apurou relevante incompatibilidade entre a massa salarial informada em GFIP e a receita bruta declarada na DASN, referente aos anos‑calendário de 2018 a 2020. A massa salarial apresentava relação variando de 87% a 1.798% da receita bruta declarada, indicador considerado inconsistente com o porte da empresa e potencialmente configurador de subdeclaração de receitas, hipótese vedada pelo art. 29, inciso VIII, da LC nº 123/2006 (erro, omissão ou prática reiterada de irregularidade que implique redução indevida do tributo). Foram também analisadas informações financeiras obtidas mediante compartilhamento da e‑Financeira, indicando créditos bancários superiores às receitas formalmente declaradas. Embora a receita individual da Recorrente não tivesse excedido, Fl. 341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 15 isoladamente, o limite anual previsto no art. 3º, II, da LC nº 123/2006 (R$ 4.800.000,00 a partir de 2018), a fiscalização identificou indícios de que a pessoa jurídica poderia pertencer a grupo econômico de fato, situação que exige somatório da receita bruta global das empresas a ele pertencentes, conforme disciplina do art. 3º, §4º, incisos III, IV e V, da LC nº 123/2006. Para embasar tal conclusão, o relatório examinou a composição societária da empresa, registrando que os sócios Theodomiro Souza Santos Netto e Artemis Lima de Souza Santos Paiva constam como integrantes — atuais ou pretéritos — de outras pessoas jurídicas, algumas das quais atuantes no mesmo segmento econômico. A autoridade fiscal destacou, ainda, coincidências de endereço e telefone entre diversas empresas relacionadas, vínculos trabalhistas comuns entre funcionários das sociedades analisadas e a existência de processos trabalhistas em que PERSERVICE e PERFINAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA figuram conjuntamente no polo passivo. Tais elementos foram considerados indícios suficientes para caracterização de grupo econômico de fato, conforme definido no art. 494 da IN RFB nº 971/2009, que exige direção, controle ou administração comum entre as empresas. A partir da caracterização do suposto grupo econômico, procedeu-se ao somatório das receitas brutas das empresas relacionadas, o que, segundo a fiscalização, resultou na extrapolação do limite de receita bruta total admitido para fins de permanência no Simples Nacional, nos termos do art. 3º, II c/c §4º da LC nº 123/2006. Também foram citadas ementas de julgados administrativos que reconhecem a exclusão do regime quando constatado excesso de receita bruta global, ou quando identificada atuação mediante interpostas pessoas ou utilização indevida da forma societária para permanência no regime favorecido. Diante de todo o exposto, a autoridade fiscal concluiu pela exclusão da Recorrente do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 23/05/2018, fundamentando-se expressamente nas hipóteses de vedação previstas no art. 3º, §4º, incisos III e IV, da Lei Complementar nº 123/2006, e determinou a comunicação formal à contribuinte. Inconformada, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade sustentando, inicialmente, a existência de diversas nulidades no processo administrativo. Alegou que a fiscalização não apresentou provas suficientes para caracterizar a formação de grupo econômico, além de ter utilizado dados equivocados ao comparar a massa salarial com a receita bruta declarada. Argumentou ainda que não havia, nos autos, documentos que comprovassem a existência de reclamações trabalhistas capazes de indicar vínculo entre as empresas citadas. Segundo a impugnante, todo o procedimento fiscal teria sido conduzido com base apenas em planilhas internas da Receita Federal, sem a realização de diligências externas, o que revelaria ausência de motivação adequada e configuraria cerceamento de defesa. Fl. 342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 16 No campo do mérito, a Recorrente negou expressamente fazer parte de qualquer grupo econômico com as outras sociedades mencionadas pela fiscalização. Afirmou que eventuais participações societárias anteriores ou de curta duração não teriam o condão de estabelecer vínculo entre as empresas. Justificou também a coincidência de endereço mediante a explicação de que utilizava um espaço de coworking, situação comum e incapaz de caracterizar relação empresarial. Da mesma forma, rebateu a indicação de empregados com vínculos em empresas distintas, alegando que essa coincidência decorria apenas da dinâmica do mercado de trabalho e da escassez de mão de obra no setor. Além disso, afirmou não ter sido demonstrado, de forma adequada, o suposto excesso da receita bruta global que teria motivado a exclusão do Simples Nacional. Por fim, requereu a produção de provas adicionais, tanto orais quanto documentais, bem como solicitou que as intimações fossem encaminhadas também ao escritório de advocacia responsável pela sua representação. Ocorre que o acórdão de piso, afastou todas as alegações de nulidade, afirmando que os autos continham provas suficientes, que não houve qualquer violação ao direito de defesa e que as divergências apontadas diziam respeito ao mérito, não à validade do processo. No mérito, a exclusão do Simples Nacional foi mantida porque a DRJ entendeu que a da Recorrente: i. participava de grupo econômico de fato, com sócios e administradores comuns; ii. ultrapassou o limite de receita bruta global permitido pela LC 123/2006; iii. não comprovou nenhuma irregularidade que anulasse o procedimento fiscal; iv. não demonstrou erro nas informações usadas pela Receita Federal. Ocorre que no Recurso Voluntário, a Recorrente alegou falta de fundamentação da decisão da DRJ, alegando violação ao art. 50 da Lei 9.784/99 e ao art. 37 da CF/88, sustentando que o acórdão teria apenas reproduzido conclusões fiscais sem análise própria. Também aduziu suposto cerceamento de defesa, citando expressamente o art. 18 do Decreto 70.235/72 para justificar a necessidade de diligências e oitivas, além de defender a aplicação do princípio in dubio pro contribuinte diante da ausência de provas documentais robustas por parte da fiscalização. No mérito recursal, a Recorrente aprofundou as mesmas alegações da impugnação sobre a discussão sobre critérios legais para caracterização de grupo econômico, ausência de comprovação de faturamento global e inconsistências nas participações societárias apontadas. O recurso também repisou que a fiscalização não teria se desincumbido do ônus probatório, defendendo que as receitas consideradas deveriam ser aquelas declaradas pela própria empresa e pedindo a reforma integral do acórdão, com arquivamento do Ato Declaratório de Exclusão. Nesse contexto, não vejo fundamentos para reforma da decisão de piso, tanto preliminarmente, quanto no mérito. Explico. PRELIMINARMENTE Fl. 343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 17 A Recorrente sustentou que a decisão e piso seria nula porque careceria de fundamentação real. Alegou-se que a DRJ limitou-se a transcrever trechos superficiais da manifestação e a ratificar o relatório fiscal, violando o princípio da motivação das decisões administrativas. Argumentou, ainda, que houve cerceamento de defesa pelo indeferimento injustificado da produção de prova oral (oitiva dos sócios). De acordo com a Recorrente a prova testemunhal seria indispensável para demonstrar que não há relação de fato entre as empresas acusadas de formar o grupo econômico. Em que se pese seu esforço argumentativo, a nulidade suscitada não merece acolhida. Sobre o tema, importante destacar que as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal encontram-se relacionadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Conforme a referida norma, o reconhecimento de nulidade reserva-se unicamente aos atos emanados de autoridade incompetente ou quando reste categoricamente comprovada a preterição do direito de defesa do sujeito passivo. Qualquer outra desconformidade ou mera discordância de entendimento que não se enquadre nessas estritas hipóteses legais não possui o condão de invalidar a relação processual, devendo o feito ser saneado sempre que não houver efetivo prejuízo à defesa da contribuinte. Outras irregularidades, incorreções ou omissões diferentes destas acima elencadas não importam em nulidade, sendo cabível o saneamento quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio, conforme o disposto no artigo 60 do Decreto nº 70.235/72. Nesse panorama, revela-se insubsistente a preliminar de nulidade fundada na suposta ausência de motivação da decisão de primeira instância, sob o argumento de que teria havido mera ratificação do relatório fiscal e transcrição superficial da peça de defesa. A técnica de fundamentação aliunde ou per relationem, por meio da qual o órgão julgador adota expressamente as conclusões e os elementos de fato constantes do relatório da autoridade fiscalizadora para embasar seu convencimento, é amplamente aceita pela jurisprudência administrativa e judicial. Estando os fatos imputados (formação de grupo econômico de fato com sócios em comum) e os fundamentos jurídicos de exclusão (Art. 3º, § 4º, incisos III e IV da LC nº 123/2006) Fl. 344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 18 claramente individualizados nos autos, tem-se por plenamente satisfeito o dever constitucional e legal de fundamentação. Cumpre ressaltar que a insatisfação da Recorrente com o peso atribuído às provas documentais coligidas ou a alegação de que a acusação fiscal repousaria sobre planilhas unilaterais não se confunde com vício formal de fundamentação do julgado. A suficiência fática ou a fragilidade probatória do acervo trazido pelo Fisco constitui matéria eminentemente de mérito, devendo ser apreciada no momento processual oportuno, e não sob a rubrica de nulidade preliminar. O Ato Declaratório Executivo DRF/MCR nº 171, de 03 de novembro de 2022, explicitou de forma nítida os motivos que o ampararam, garantindo à contribuinte a exata compreensão das razões de sua desclassificação para o pleno exercício do contraditório. Outrossim, sob idêntica ótica, afasta-se a preliminar de cerceamento de defesa decorrente do indeferimento do pedido de produção de provas e diligências adicionais. O PAF caracteriza-se por sua natureza essencialmente documental, exigindo que a prova que contraponha a acusação seja apresentada de forma pré-constituída junto com a petição de impugnação ou, em casos excepcionais, por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Dessa forma, o indeferimento de novos pleitos probatórios não configura cerceamento de defesa, mas sim regular aplicação das regras processuais de preclusão, vedando-se a reabertura indefinida de prazos para produção de provas que deveriam ter sido oportunamente colacionadas pela contribuinte Especificamente quanto ao requerimento para produção de prova oral mediante a oitiva dos sócios das empresas envolvidas e realização de sustentações orais, constata-se a absoluta falta de previsão normativa para tais atos em primeira instância administrativa. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 confere ao julgador a prerrogativa de determinar, de ofício ou a pedido, a realização de diligências ou perícias unicamente quando estas forem consideradas estritamente necessárias para o esclarecimento da verdade material. Havendo nos autos elementos suficientes para o deslinde da controvérsia fática — como as fichas cadastrais detalhando as participações societárias concomitantes e dados de faturamento —, compete à autoridade julgadora rejeitar as providências meramente inúteis ou protelatórias, preservando-se a celeridade e a eficiência processual. Destarte, considerando que a Recorrente foi regularmente cientificada de todos os termos da representação fiscal, obteve livre acesso à totalidade dos autos e apresentou impugnação minuciosa combatendo cada uma das premissas apontadas pelo Fisco, resta cabalmente evidenciada a observância aos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa Portanto, restou comprovado que não houve cerceamento de defesa, pois todos os documentos necessários estavam nos autos. Outrossim, conforme já mencionado, as alegações de divergência de dados não constituem nulidade (mas sim discussão de mérito). E, nenhum dos Fl. 345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 19 argumentos da Recorrente se enquadrou das hipótese do art. 59 do Decreto 70.235/72, para que se justificasse nulidade aventada. O que se pode concluir é que a Recorrente está inconformada com a decisão administrativa no mérito, mas tal questão não dá azo à declaração de nulidade do ato administrativo e será apreciada à frente neste voto, devendo prevalecer o acórdão de piso, cujo excerto segue transcrito: Assim, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO Também não há razão para a reforma da decisão de piso no mérito. Explico. No mérito, a controvérsia reside na legalidade do ato administrativo de exclusão de ofício da contribuinte do regime do Simples Nacional, fundamentado na constatação de grupo econômico de fato e na consequente extrapolação do limite de faturamento anual global permitido pela legislação regente. De acordo com as diretrizes do artigo 3º, § 4º, incisos III e IV da Lei Complementar nº 123/2006, o tratamento diferenciado e favorecido não pode ser concedido à pessoa jurídica de cujo capital participe pessoa física que seja sócia de outra empresa enquadrada no regime, ou que participe com mais de 10% do capital de empresa não optante, desde que a receita bruta global das empresas envolvidas ultrapasse o teto legal. Desse modo, a sistemática simplificada visa a amparar genuínas microempresas e empresas de pequeno porte, vedando o gozo do benefício por arranjos corporativos que, de forma coligada ou sob controle comum, superem o patamar máximo de faturamento anual de R$ 4.800.000,00. Para o deslinde da lide, a autoridade fiscal procedeu à análise minuciosa do histórico do quadro societário da contribuinte, demonstrando que, no marco inicial da exclusão (23/05/2018), a empresa era estruturada por seis sócios, quais sejam: André Luiz Unsonst Café, Viviane Souza Santos Pedra, Paulo Henrique Souza Santos Paiva, Ernesto Del Maestro Café, Artemis Lima de Souza Santos Paiva e Theodomiro Souza S. Netto. Essa imagem societária inicial revela que, longe de se tratar de uma atuação empresarial autônoma e isolada, a constituição da Recorrente nasceu vinculada a uma rede de participações societárias concomitantes e cruzadas com outras pessoas jurídicas do mesmo setor econômico. Essa sobreposição estrutural contamina a pretendida independência jurídica da contribuinte, atraindo a incidência das vedações do regime simplificado Nesse sentido, a fiscalização individualizou o comportamento societário dos principais integrantes da sociedade, a começar pelo sócio administrador Theodomiro Souza Santos Netto. Restou documentalmente comprovado que, a partir de 23/05/2018, o referido sócio figurava de maneira simultânea e concomitante nos quadros sociais e na administração ativa tanto da contribuinte quanto da empresa Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda.. Fl. 346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 20 Essa constatação esvazia por completo a tese recursal de "incompatibilidade temporal" ou de que as participações societárias seriam pretéritas ou meramente burocráticas, visto que a contemporaneidade das funções de comando em ambas as entidades restou nitidamente caracterizada no período da autuação A mesma concomitância de comando e controle restou evidenciada em relação aos demais sócios fundadores da recorrente. A sócia Viviane Souza Santos Pedra mantinha, de forma concomitante ao ingresso na contribuinte em 23/05/2018, a condição de administradora ativa na empresa Perfinaço Indústria e Comércio Ltda. e na Perloc Locações Ltda.. De igual sorte, os sócios Ernesto Del Maestro Café e Paulo Henrique Souza Santos Paiva também detinham participações societárias simultâneas na Perfinaço Indústria e Comércio Ltda., sendo que Ernesto ainda figurava como elo comum junto à empresa Girafer Indústria e Comércio de Ferro e Aço. Essas coincidências de sócios administradores e gerentes comuns conduz inevitavelmente à caracterização do grupo econômico de fato, nos exatos termos do artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Segundo o referido dispositivo normativo, caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração comum de uma delas ou de seus gestores, independentemente de formalização contratual. A comunhão de comando por meio das mesmas pessoas físicas administrando simultaneamente as operações das várias pessoas jurídicas denota a existência de unidade de direção e de propósitos, o que afasta a presunção de autonomia de cada uma das empresas listadas Em verdade, os documentos comprovaram que a Recorrente compartilhava sócios e administradores, de forma contemporânea, com outras empresas do setor — Perfinaço Serviços Gerais em Aço, Perfinaço Indústria e Comércio, Girafer e Perloc — o que caracteriza grupo econômico conforme art. 494 da IN RFB 971/2009. Assim, havia, de fato, a formação de um grupo econômico entre a Perservice e outras empresas relacionadas. A análise dos documentos constantes nos autos revelou a presença simultânea de sócios em várias dessas sociedades, entre elas Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda., Perfinaço Indústria e Comércio Ltda., Girafer Indústria e Comércio de Ferro e Aço e Perloc Locações Ltda. Por conseguinte, cai por terra o argumento da Recorrente de que a legislação nacional somente admitiria o grupo econômico de direito ou convencional, isto é, aquele formalizado e arquivado perante o registro do comércio nos termos da Lei de Sociedades por Ações. Para fins tributários e previdenciários, a substância econômica e os fatos materiais sobrepõem-se às formalidades instrumentais. O reconhecimento do grupo econômico de fato prescinde de convenção registrada, exigindo tão somente a comprovação dos elementos de conexão intersubjetiva, gerência unificada Fl. 347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 21 e confusão operacional que foram exaustivamente descritos e comprovados pelos relatórios da fiscalização nos autos Essa coexistência de participações portanto, caracteriza exatamente as hipóteses de vedação previstas nos incisos III e IV do §4º do artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, impedindo a manutenção da empresa no regime favorecido quando a receita bruta global ultrapassa o limite legal. Outrossim, uma vez consolidada a existência do grupo econômico de fato decorrente da concomitância de sócios e da administração comum, impõe-se a somatória das receitas brutas de todas as empresas coligadas para aferição do limite de permanência no Simples Nacional. As planilhas demonstrativas encartadas nos autos atestam que o faturamento global do grupo atingiu os montantes de R$ 50.417.717,64 no ano de 2018, R$ 48.744.273,04 no ano de 2019 e R$ 3.576.824,70 em 2020. Esses valores superam de maneira estratosférica o teto legal de R$ 4.800.000,00 estabelecido pela Lei Complementar nº 123/2006, acarretando a imediata exclusão da contribuinte por força das vedações expressas do art. 3º, § 4º, incisos III e IV da mesma norma. Não merece prosperar, ademais a alegação de que o Fisco não teria apresentado provas robustas ou que teria se baseado apenas em planilhas unilaterais de Excel para apurar tais receitas e participações. O acervo probatório que lastreou o Ato Declaratório Executivo é composto por informações oficiais extraídas diretamente dos sistemas da Receita Federal e de declarações apresentadas pelos próprios contribuintes integrantes do grupo. Caberia à Recorrente, diante de sua proximidade com a prova contábil, trazer aos autos elementos concretos capazes de desconstituir os relatórios de faturamento e composição societária apresentados pela fiscalização, ônus do qual não se desincumbiu em nenhum momento da instrução processual. Diante da robustez da prova societária e do manifesto excesso de receita bruta global, perdem relevância jurídica todas as demais discussões secundárias travadas pela recorrente, tais como a justificativa sobre o endereço de coworking, a escassez de mão de obra setorial ou as reclamações trabalhistas. Ainda que o compartilhamento de endereço ou a transferência de funcionários pudessem encontrar explicações comerciais alternativas, a mera configuração da concomitância de sócios sob administração comum em empresas que, somadas, extrapolam o limite legal é, por si só, causa autônoma e suficiente para impor a exclusão do regime. Portanto, os argumentos recursais a restaram prejudicados, uma vez que a subsunção do fato às vedações da Lei Complementar nº 123/2006 é direta e inequívoca. Em Fl. 348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 22 verdade, a manutenção da Recorrente no Simples Nacional configuraria uma violação direta à igualdade concorrencial e aos objetivos protetivos da Lei Complementar nº 123/2006, ao permitir que um grupo econômico de grande porte usufruísse de benefícios tributários destinados exclusivamente a pequenos empreendedores. Sendo assim, considerando que a Recorrente apresentou recurso voluntário ratificando os argumentos delineados em sua impugnação, nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023) e por entender que a decisão recorrida examinou pormenorizadamente todas as questões pontuadas pela Recorrente, registro o seguinte trecho do acórdão-recorrido adotando suas razões de decidir como fundamento da presente decisão: “(...) Mérito Em relação ao mérito, insurge-se a impugnante contra a afirmação de que as empresas constituíam grupo econômico, alegando a inexistência de comprovação nos autos. Refuta um a um os argumentos trazidos pela fiscalização e analisa as participações societárias dos Srs. Theodomiro Souza Neto e Artemis Lima de Souza Paiva concluindo que participações societárias passadas não poderiam acarretar a exclusão da empresa do Simples Nacional. Antes de proceder à análise dos argumentos apresentados pela impugnante, faz-se necessário esclarecer as premissas sobre as quais se fundamentou a exclusão da empresa do Simples Nacional, as quais encontram-se especificadas no artigo 1º do Ato Declaratório Executivo de fls. 75: Art. 1º Fica excluída de ofício do Simples Nacional a Pessoa Jurídica acima qualificada, por formação de grupo econômico de fato, cuja receita bruta global ultrapassou, nos anos de 2018, 2019 e 2020, o limite de que trata o inciso II do caput do art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006, por força do art. 3º, § 4º, incisos III, IV da Lei Complementar nº 123/2006. Os dispositivos mencionados da LC 123/2006 possuem a seguinte redação: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: (...) II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano- calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro Fl. 349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 23 milhões e oitocentos mil reais). (Redação dada pela Lei Complementar nº 155, de 2016) Produção de efeito(...) § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: (...) III - de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; IV - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (grifo não consta no original). Depreende-se dos dispositivos supra ser vedada a opção ao Simples Nacional à pessoa jurídica: (1) de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento diferenciado nos termos da LC 123/2006 (2) cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa não beneficiada pela LC 123/2006, em ambos os casos desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de R$4.800.000,00. Assim é que foi apresentado pela autoridade fiscal no item 8.1 da Representação Administrativa o histórico do quadro societário da empresa em questão. Referido histórico demonstra que em 23/05/2018 a empresa era constituída por 6 sócios, a saber: - Andre Luiz Unsonst Café - Viviane Souza Santos Pedra - Paulo Henrique Souza Santos Paiva - Ernesto Del Maestro Café - Artemis Lima de Souza Santos Paiva - Theodomiro Souza S. Netto Tal situação se manteve inalterada até 03/12/2018, data em que, com a saída de diversos sócios, mantiveram-se na sociedade apenas os Srs. Theodomiro e Artemis com 50% cada um deles. Fl. 350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 24 Os itens 8.2 e 8.3 demonstram o histórico de participação societária desses dois sócios remanescentes, sendo apresentadas em destaque as seguintes empresas: - Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda. – CNPJ nº 03.534.521/0001-17 - Perfinaço Ind e Com Ltda – CNPJ nº 20.989.372/0001-08 - Perservice Gestão e Serviços Ltda – CNPJ 30.534.199/0001-07 (impugnante) A relação completa da composição societária das empresas acima encontra- se anexada às fls. 50 a 55 dos autos. As telas abaixo foram extraídas deste documento: O que se extrai das telas acima é que durante o período de 23/05/2018 até 03/12/2018 a impugnante possuía diversos sócios com participação societária concomitante. Theodomiro Santo Neto, por exemplo, a partir de 23/05/2018 encontrava- se incluído no quadro societário da impugnante e também da Perfinaço Serviços Gerais em Aço Ltda., em ambas as empresas possuía a qualidade de sócio administrador. Viviane Souza Santos Pedra, também a partir de 23/05/2018, participava dos quadros societários da impugnante e da Perfinaço Indústria e Comércio Ltda., sempre como administradora. Assim como Ernesto Del Mastro Café e Paulo Henrique Souza Santos Paiva, este último administrador em ambas as empresas. Outras duas empresas ainda se encontravam relacionadas à impugnante no período em que foi reconhecida a exclusão do Simples Nacional, Girafer Indústria e Comércio de Ferro e Aço e Perloc Locações Ltda : Fl. 351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 25 O quadro acima demonstra que Ernesto del Mastro Café constituía sócio em comum entre as empresas impugnante e Girafer Indústria e Comércio de Ferro e Aço e Viviane Souza Santos Pedra em relação à empresa Perloc Locações Ltda. Os dados apresentados permitem a plena e inequívoca identificação da constituição de um grupo econômico entre essas empresas, uma vez possuírem administração comum, nos exatos termos previstos no artigo 494 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 494. Caracteriza-se grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Porém, muito além de demonstrar a existência de grupo econômico, os fatos narrados demonstram a subsunção da situação aqui identificada à disposição contida no artigo 3º, § 4º, incisos III, IV da Lei Complementar nº 123/2006, já transcritos. Equivoca-se o contribuinte ao afirmar que não constam nos autos as informações relativas ao quadro societário e às receitas consideradas para a apuração do excesso de receita bruta. Como visto acima, foi analisada toda a composição societária das empresas envolvidas. Quanto à composição da receita bruta total apurada, encontra-se anexada às fls. 49 dos autos documento que demonstra quais empresas foram consideradas na referida apuração, assim como a receita bruta de cada uma delas e a totalização. Em relação a todos esses dados, nada trouxe a impugnante nos autos que pudesse demonstrar qualquer incorreção ou inexatidão a amparar a sua pretensão sobre o cancelamento do ADE (Ato Declaratório Executivo). Como visto, a imposição legal versa sobre a vedação de opção pelo Simples Nacional de empresas que possuem em seu quadro social pessoas físicas que integrem o quadro social de outra pessoa jurídica, optante ou não pelo Simples Nacional. desde que a receita bruta total ultrapasse os limites permitidos por lei. Assim é que a soma das receitas brutas dessas empresas para os anos de 2018, 2019 e 2020 perfizeram um montante de R$50.417.717,64, R$48.744.273,04 e R$3.576.824,70, com informações em DIMOF ainda superiores a estes. Considerando todos os fatos e fundamentos acima apresentados, o que se observa é a perda de relevância dos argumentos atinentes a questões afetas à identidade de endereço e telefone entre as empresas, à existência de reclamações trabalhistas, de funcionários com diversos vínculos e também quanto ao ônus da prova sobre a efetiva formação de grupo econômico, motivo pelo qual as mesmas não serão objeto de apreciação. Fl. 352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 26 A exclusão da empresa do Simples Nacional, no caso em análise, se observa a partir da efetiva composição social das empresas envolvidas. Assim, considerando que as empresas possuem em seus quadros sociais as mesmas pessoas físicas de maneira concomitante, a inobservância do limite fixado em lei para manutenção da opção ao Simples Nacional configura razão suficiente para a manutenção da decisão que determinou a exclusão da empresa do referido regime de tributação. Produção de provas Deve ser indeferido o requerimento formulado pela impugnante para produção das provas oral e documental, assim como a diligência solicitada junto à Junta Comercial para obtenção dos contratos sociais das empresas. Primeiramente, porque encontram-se nos autos todos os elementos necessários ao seu pleno entendimento, revelando-se desnecessária a produção de outras provas. Nesse sentido, observa-se que todos os dados relativos à composição societária das empresas encontram-se devidamente relacionadas nos relatórios processuais anexados aos autos. (...) Intimação do procurador Indefere-se, finalmente, o requerimento formulado pela impugnante para que as intimações e notificações sejam encaminhadas ao escritório de advocacia relacionado e ao seu sócio. Da análise da legislação que rege o processo administrativo fiscal, observa- se a ausência de disposição legal a autorizar a ciência do procurador, devendo a intimação via postal ser encaminhada diretamente ao domicílio tributário do sujeito passivo, nos moldes do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: “Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. (...) § 4º Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.877 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720634/2022-11 27 Sobre o tema, dispõe a Súmula 110 do CARF: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Por todos os fundamentos apresentados, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional impugnada.” Dispositivos Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 354DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721479/2019-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 01 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015
RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO.
A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, ocorrendo a preclusão processual para aqueles que não apresentarem impugnação no momento adequado, devendo o processo administrativo fiscal ser instaurado apenas em relação a quem apresentou impugnação e na medida da matéria impugnada.
INSTAURAÇÃO DO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. IMPUGNAÇÃO. SÚMULA CARF nº 162
O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento.
DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES. CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando se tratar de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício e sem autorização formal dos sócios.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÚMULA CARF nº 210
Resta caracterizada a existência de grupo econômico de fato quando demonstrada a ocorrência de um conjunto de situações específicas, tais como: unicidade de endereço, controle societário centralizado e confusão patrimonial. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza responderão solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. INTERESSE COMUM COMPROVADO.
Atribui-se responsabilidade tributária solidária aos sócios quando comprovado a participação e a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. NORMA MAIS BENÉFICA.
A multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário em razão de norma superveniente mais benéfica.
Numero da decisão: 2102-004.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso interposto pelo responsável solidário Márcio Hiroshi Ikeda. Quanto aos demais recursos voluntários, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito: (i) por unanimidade de votos, dar parcial provimento aos recursos voluntários para limitar a multa de ofício qualificada ao percentual de 100%, em face da legislação superveniente mais benéfica; (ii) por maioria de votos, negar provimento às demais matérias. Vencida a conselheira Thabitta de Souza Rocha, que deu provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica Ultralitho Centro Médico Ltda, a fim de excluir a responsabilidade solidária. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da Ultralitho Centro Médico Ltda, para limitar a responsabilidade solidária ao tributo, juros de mora e multa de ofício no percentual básico de 75%.
Assinado Digitalmente
Carlos Marne Dias Alves - Relator
Assinado Digitalmente
Cleberson Alex Friess - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Yendis Rodrigues Costa, Thabitta de Souza Rocha, Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: CARLOS MARNE DIAS ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, ocorrendo a preclusão processual para aqueles que não apresentarem impugnação no momento adequado, devendo o processo administrativo fiscal ser instaurado apenas em relação a quem apresentou impugnação e na medida da matéria impugnada. INSTAURAÇÃO DO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. IMPUGNAÇÃO. SÚMULA CARF nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES. CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando se tratar de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício e sem autorização formal dos sócios. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÚMULA CARF nº 210 Resta caracterizada a existência de grupo econômico de fato quando demonstrada a ocorrência de um conjunto de situações específicas, tais como: unicidade de endereço, controle societário centralizado e confusão patrimonial. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza responderão solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. INTERESSE COMUM COMPROVADO. Atribui-se responsabilidade tributária solidária aos sócios quando comprovado a participação e a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. NORMA MAIS BENÉFICA. A multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário em razão de norma superveniente mais benéfica.
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AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, ocorrendo a preclusão processual para aqueles que não apresentarem impugnação no momento adequado, devendo o processo administrativo fiscal ser instaurado apenas em relação a quem apresentou impugnação e na medida da matéria impugnada. INSTAURAÇÃO DO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. IMPUGNAÇÃO. SÚMULA CARF nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS. AUSÊNCIA DE FORMALIDADES. CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando se tratar de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício e sem autorização formal dos sócios. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÚMULA CARF nº 210 Resta caracterizada a existência de grupo econômico de fato quando demonstrada a ocorrência de um conjunto de situações específicas, tais como: unicidade de endereço, controle societário centralizado e confusão patrimonial. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza responderão solidariamente pelo cumprimento das obrigações Fl. 6467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 2 previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. INTERESSE COMUM COMPROVADO. Atribui-se responsabilidade tributária solidária aos sócios quando comprovado a participação e a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO. NORMA MAIS BENÉFICA. A multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário em razão de norma superveniente mais benéfica. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso interposto pelo responsável solidário Márcio Hiroshi Ikeda. Quanto aos demais recursos voluntários, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito: (i) por unanimidade de votos, dar parcial provimento aos recursos voluntários para limitar a multa de ofício qualificada ao percentual de 100%, em face da legislação superveniente mais benéfica; (ii) por maioria de votos, negar provimento às demais matérias. Vencida a conselheira Thabitta de Souza Rocha, que deu provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica Ultralitho Centro Médico Ltda, a fim de excluir a responsabilidade solidária. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que deu provimento parcial ao recurso voluntário da Ultralitho Centro Médico Ltda, para limitar a responsabilidade solidária ao tributo, juros de mora e multa de ofício no percentual básico de 75%. Assinado Digitalmente Carlos Marne Dias Alves – Relator Assinado Digitalmente Cleberson Alex Friess – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Yendis Rodrigues Costa, Thabitta de Souza Rocha, Cleberson Alex Friess (Presidente). Fl. 6468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 3 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão 14-104.717 - 12ª Turma da DRJ/RPO (Ribeirão Preto), de 11 de fevereiro de 2020, que julgou a Impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. O Auto de Infração (folhas 2 a 10) refere-se à exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de distribuição antecipada de lucros aos sócios da empresa ENDOVÍDEO – UROLOGISTAS ASSOCIADOS LTDA. Os referidos valores foram reenquadrados como remuneração decorrente do trabalho de contribuintes individuais (médicos). O procedimento fiscal instaurado na empresa ENDOVÍDEO deu origem a 09 (nove) Processos Administrativos Fiscais, em razão do fato de os sócios cotistas terem sido considerados responsáveis solidários de parcelas distintas do crédito tributário total. Neste PAF, as seguintes pessoas físicas e jurídicas foram arroladas como Responsáveis Solidários: 1) ULTRALITHO CENTRO MÉDICO LTDA - integrante de grupo econômico de fato; 2) MARCIO HIROSHI IKEDA – sócio administrador da ENDOVÍDEO, por atuação com excesso de poderes, infração à lei e ao contrato social; e 3) FLÁVIO JOSÉ FERNANDES LIMA – responsável solidário de fato, considerado beneficiário pessoal, direto e imediato das distribuições descaracterizadas (artigo 124, I, do CTN). De acordo com o Relatório Fiscal (folhas 13 a 109), a Fiscalização fundamentou o lançamento na ocorrência de "planejamento tributário abusivo" e simulação, por entender que a realidade formal da sociedade tinha por escopo de ocultar o fato gerador e reduzir indevidamente a carga tributária previdenciária. Quanto à Interposição de Sociedades, constatou-se que a empresa ULTRALITHO, clínica médica de referência, não mantinha vínculo empregatício ou remuneração formalizada com médicos de sua especialidade principal. A estrutura empresarial teria sido criada para que a ULTRALITHO contratasse a ENDOVÍDEO, sociedade constituída por médicos prestadores de serviços, que repassava os valores recebidos aos profissionais a título de "distribuição de lucros". Neste caso, não houve desconsideração da personalidade jurídica da ENDOVÍDEO, nem foi constatada a existência de vínculo empregatício entre a ULTRALITHO e os médicos da ENDOVÍDEO. Entendeu-se pela existência da formação de Grupo Econômico de Fato entre as referidas empresas e distribuição irregular de lucros aos médicos na ENDOVÌDEO. Segundo o Relatório Fiscal, os seguintes fatos descaracterizaram a distribuição de lucros: Fl. 6469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 4 a) Ausência de Apuração Prévia e Demonstrações de Resultados, pois não foram apresentadas Demonstrações de Resultado do Exercício (DRE) parciais ou prévias às antecipações; b) Inexistência de Deliberação Social: não foram registradas assembleias ou reuniões extraordinárias de sócios para autorizar as antecipações mensais, havendo apenas reuniões ordinárias anuais para convalidar os atos, mesmo assim 60 dias após o término do exercício; c) Inconsistência de Reservas Contábeis: em 27 de fevereiro de 2015 (data da assembleia para aprovar as contas de 2014), o quadro societário aprovou a destinação de R$ 270.623,19 para a conta de "Lucros a Distribuir". Todavia, a análise contábil revelou que a referida reserva já havia sido zerada no dia anterior (26 de fevereiro de 2015), com a transferência integral do saldo para a conta pessoal do sócio; d) Frequência Excessiva e Fracionada: foram identificadas 348 distribuições antecipadas, em 2014, e 338 distribuições, em 2015. Os pagamentos ocorriam rotineiramente em dias consecutivos. Tal periodicidade seria incompatível com a apuração de lucros, porém idêntica ao fluxo de remuneração por produtividade; e) Vinculação Direta ao Trabalho (Faturamento Individual): Os lucros eram distribuídos na íntegra do faturamento individual gerado pelo trabalho de cada médico. Se o sócio não trabalhasse em determinado período, nada recebia, violando os artigos 1.007 e 1.008 do Código Civil, que definem o lucro como retorno do capital investido e não do serviço individual prestado; f) Desproporcionalidade: o capital social individual de cada sócio era de R$ 2.000,00 (capital social total entre R$ 16.000,00 e R$ 18.000,00). No entanto, a sociedade distribuiu mais de R$ 3.000.000,00, em 2014 e 2015; g) Roupagem Formal do Pró-labore: todos os sócios recebiam pró-labore fixado exatamente em 1 salário-mínimo, utilizado meramente para simular conformidade legal, enquanto a remuneração real era vertida sob a falsa alcunha de lucros; e h) Distribuição com Saldo Negativo: a empresa efetuava distribuições de lucros mesmo operando com saldo bancário negativo, arcando com custos financeiros de IOF e juros, o que descaracteriza a existência de sobra financeira real disponível para distribuição. Ficou caracterizada a formação de Grupo Econômico de Fato entre as empresas ULTRALITHO e ENDOVÍDEO, visto que restou demonstrada confusão patrimonial das empresas pelos seguintes motivos: a) A ENDOVÍDEO funcionava no mesmo domicílio tributário e utilizava integralmente a estrutura física, equipamentos, materiais e pessoal de apoio da ULTRALITHO, sem qualquer formalização de contrato de aluguel, comodato ou rateio de despesas; Fl. 6470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 5 b) Os custos operacionais (água, energia, telefone) eram suportados exclusivamente pela ULTRALITHO, enquanto a ENDOVÍDEO arcava com despesas de reforma das instalações da ULTRALITHO; c) A ENDOVÍDEO mantinha apenas duas empregadas registradas, que anteriormente pertenciam à ULTRALITHO, e que eram dedicadas exclusivamente ao atendimento pessoal dos sócios da ENDOVÍDEO, enquanto todo o restante do serviço de apoio era executado por funcionários da ULTRALITHO; d) O faturamento de procedimentos médicos, exames e cirurgias era realizado de forma simultânea e conjunta pelas duas empresas, com a emissão de múltiplas notas fiscais para um mesmo cliente particular; e e) Havia total confusão de marcas perante o público: os anúncios pagos pela ENDOVÍDEO utilizavam a logomarca da ENDOVÍDEO, mas com endereço e telefone da ULTRALITHO, ou utilizavam a logomarca da ULTRALITHO com os serviços de plantão 24h da ENDOVÍDEO. Foi constada também irregularidade na constituição da empresa ENDOVÍDEO, que promoveu alteração contratual, na Junta Comercial, em 27/07/2012, e passou a se denominar "sociedade empresária", com o intuito de afastar a incidência do artigo 201, § 5º, II, do RPS. Contudo, a Fiscalização verificou que a empresa seria, na verdade, uma "sociedade simples", ou seja, uma sociedade de pessoas de caráter estritamente pessoal e profissional regulamentado, sem fatores de produção organizados de forma empresarial. O Sr. MARCIO HIROSHI IKEDA foi responsabilizado solidariamente, na condição de sócio administrador, por ter praticado atos com infração à lei e ao contrato social ao omitir os fatos geradores em GFIP, deixar de registrar a remuneração real na folha de pagamento e sonegar as informações ao escritório de contabilidade. O Sr. FLÁVIO JOSÉ FERNANDES LIMA foi responsabilizado solidariamente por ter restado comprovado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, visto que participou ativamente do planejamento abusivo, anuindo com o recebimento de pró-labore simulado e auferindo diretamente a remuneração do seu trabalho pessoal sem a devida retenção e recolhimento dos tributos previdenciários. A empresa ULTRALITHO foi incluída no polo passivo em decorrência de sua condição de líder administrativa e operacional do Grupo Econômico de Fato, sendo a ENDOVÍDEO mero instrumento para a consecução de seu objeto social e distribuição de remuneração disfarçada de lucros. Diante da imprestabilidade da escrita contábil para refletir a real natureza das operações, a Fiscalização aplicou o arbitramento com base no artigo 148 do CTN e artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/1991. Fl. 6471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 6 A Base de Cálculo foi composta pelo montante integral dos valores efetivamente pagos ou creditados mensalmente a cada profissional de medicina sob a rubrica de "lucros distribuídos/antecipados". Utilizou-se como elemento temporal o momento do pagamento ou crédito (saída do ativo, caixa ou banco). Diante do evidente intuito de fraude, conluio e sonegação fiscal (artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964), a multa de ofício foi qualificada no patamar de 150%, nos termos do artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Em cumprimento às normas vigentes, paralelamente, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. A autuada, ENDOVÍDEO (fls. 2278 a 2308), o sócio FLÁVIO JOSÉ FERNANDES LIMA (folhas 2212 a 2242) e a empresa ULTRALITHO (folhas 1911 a 1948) apresentaram Impugnação separadamente. O Sr. MARCIO HIROSHI IKEDA, sócio administrador da ENDOVÍDEO, não apresentou Impugnação e, consequentemente, foi lavrado Termo de Revelia (folha 2310). As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do Acórdão 14-104.717 - 12ª Turma da DRJ/RPO, de 11 de fevereiro de 2020, que teve a seguinte ementa (folhas 2313 a 2406): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS PARA SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. FORMALIDADES LEGAIS. É isento de imposto de renda o lucro distribuído a seus sócios pela pessoa jurídica, desde que cumpridas as formalidades e requisitos legais específicos, quanto à devida apuração contábil e deliberação social, sendo certo que, em caso de antecipação da distribuição, esta exige igualmente a prévia e formal apuração e respectiva autorização dos sócios. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. A caracterização da existência de grupo econômico de fato pressupõe a demonstração da ocorrência de situações específicas, como o controle societário centralizado e a confusão patrimonial, que devem devidamente demonstrados. Da constatação da existência de grupo econômico de fato resulta a responsabilização solidária tributária de seus membros. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. A responsabilidade tributária solidária dos sócios-administradores pressupõe necessariamente o enquadramento dos fatos nas hipóteses estabelecidas pelo CTN, que devem ser devidamente demonstradas pela Fiscalização. ARBITRAMENTO. PREMISSAS E REQUISITOS LEGAIS. Fl. 6472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 7 Cabe ao Auditor-Fiscal que promove o lançamento tributário demonstrar a ocorrência de fatos e circunstâncias que autorizem o arbitramento, em cumprimento das premissas legais, assim como expor os critérios adotados para determinação dos valores considerados, demonstrando, inclusive, a sua razoabilidade e pertinência com o contexto das apurações realizadas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A qualificação da multa de ofício pressupõe a demonstração da ocorrência das premissas legais que a autoriza. Demonstrada a ocorrência de tais premissas, impõe-se a penalização. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTEXTO. O cerceamento do direito de defesa está relacionado e condicionado aos trâmites do respectivo processo administrativo fiscal, que se opera de acordo com as regras do Decreto nº 70.235/1972 e não simplesmente com base em fatos e circunstâncias relacionados ao processamento da auditoria-fiscal, cujo desenrolar, não obstante ter caráter claramente inquisitório, não prescinde evidentemente do cumprimento das pertinentes formalidades legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após devidamente intimados do acórdão supracitado, a autuada, ENDOVÍDEO, interpôs Recurso Voluntário (folhas 5339 a 5379), reforçando os argumentos trazidos na Impugnação, alegando e requerendo: a) nulidade por cerceamento de defesa, por prolixidade, uso de premissas falsa, desconhecimento e imprecisão técnico-contábil, embasamento legal não aplicável à contribuinte, faltando nexo entre causa e efeito; b) reconhecer que a organização das empresas se dava no modelo de "centro médico", onde a ULTRALITHO reunia os meios necessários (autorizações, instalações, equipamentos e pessoal) para prestar serviços médicos, sem necessariamente ter médicos em sua estrutura. A ENDOVÍDEO atuava como prestadora de serviços aos clientes; c) Reconhecer a inexistência de Grupo Econômico de Fato, pois existia autonomia total entre as empresas, sem exclusividade, subordinação, dependência financeira ou operacional. Não havia unidade de operação ou direção. Não havia confusão patrimonial, nem dívidas entre as empresas e as contabilidades eram separadas e regulares; d) a desconsideração da personalidade jurídica somente poderia ser feita por decisão judicial; Fl. 6473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 8 e) reconhecer a validade dos lançamentos contábeis realizados, pois a antecipação de lucros mediante balanços intermediários (mensais, trimestrais) estava amparada por documentos contábeis oficiais; a) reconhecer a licitude e regularidade da distribuição de lucros realizada, que seguiu os critérios contratuais e não houve distribuição além do apurado contabilmente; f) nulidade do arbitramento por falta de amparo legal e com violação ao art. 148 do CTN, pois o auditor não intimou formalmente o contribuinte antes do encerramento do auto de infração, suprimindo fase essencial ao devido processo legal; g) Improcedência da aplicação de multa agravada de 150%, visto que não existe, nos autos, prova de dolo, fraude ou simulação. Tratou-se apenas de divergência de interpretação jurídica; h) não restou caracterizada a responsabilidade tributária dos sócios; e i) não imputação de responsabilidade solidária ao sócio administrador. A empresa responsável solidária, ULTRALITHO, em sede de Recurso Voluntário (folhas 2410 a 2451), reforça os argumentos da recorrente e tenta afastar a formação de Grupo Econômico alegando que: a) não existe relação de emprego entre a ULTRALITHO e os médicos considerados empregados da ENDOVÍDEO. A contratação de sociedade simples composta por médicos para prestação de serviços profissionais é legítima e afasta o vínculo empregatício; b) Inexistência de Grupo Econômico de Fato pela falta de interesse comum no fato gerador. Todas as supostas irregularidades apontadas deram-se internamente na sociedade ENDOVIDEO. A ULTRALITHO não teria se beneficiado, nem participado, de nenhum ato que levasse às consequências tributárias; c) a destinação dos recursos não sofreu nenhuma influência da ULTRALITHO, porque não há qualquer ingerência desta em relação à administração da ENDOVÍDEO, nem tampouco confusão patrimonial. A ULTRALITHO não pode ser responsabilizada por uma suposta ilegalidade na distribuição de lucros, se não tinha ingerência e nem benefício jurídico ou econômico sobre as formas de remunerações dos sócios da ENDOVÍDEO; d) na ULTRALITHO, do número total de atendimentos particulares (793), apenas 41,4% (328) foram realizados por sócios da ENDOVÍDEO. Do total de faturamento de atendimentos particulares da ULTRALITHO, somente 46,8% Fl. 6474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 9 foram derivados de atendimentos por sócios da ENDOVÍDEO, o que demonstra que, financeiramente, as sociedades não se confundem; e) O administrador da ULTRALITHO é Sérgio Rubem Porto, enquanto o da ENDOVÍDEO é Márcio Hiroshi Ikeda; f) as contabilidades da sociedade ULTRALITHO e da ENDOVÍDEO nunca se confundiram; g) o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário, não serve para responsabilização solidária O Sr. FLÁVIO JOSÉ FERNANDES LIMA, sócio responsável solidário, em Recurso Voluntário (folhas 2726 a 2766), reforça os argumentos da recorrente e, baseando-se na não formação de Grupo Econômico e ausência de dolo, tenta afastar a responsabilidade solidária e requer a não caracterização de responsabilidade tributária dos sócios e ao sócio administrador. O Sr. MARCIO HIROSHI IKEDA, sócio administrador da ENDOVÍDEO, que foi considerado revel em decisão de primeira instância, em sede de Recurso Voluntário (folhas 4050 a 4090), reforça os argumentos dos demais recorrentes, mas não contesta a decisão de piso que o considerou revel. É o Relatório. VOTO Conselheiro Carlos Marne Dias Alves, Relator Juízo de admissibilidade Uma vez constatado que os Recursos Voluntários são tempestivos e verificado o cumprimento dos demais requisitos de admissibilidade, passo a analisar o conhecimento da matéria dos Recursos Voluntários. Em sede de Impugnação, tanto a autuada, ENDOVÍDEO, quanto os responsáveis solidários, ULTRALITHO e FLÁVIO JOSÉ FERNANDES LIMA, apresentaram seus argumentos para contestar a autuação. No entanto, tal procedimento não foi observado por MARCIO HIROSHI IKEDA, sócio administrador da ENDOVÍDEO, que foi considerado revel. Todavia, o Sr. MARCIO apresentou Recurso Voluntário a este Colegiado, mas não contestou os motivos pelos quais a decisão de piso o tornou revel. Tendo em vista que a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, e ocorre a preclusão processual para os interessados que não apresentarem suas razões no momento apropriado. O processo fiscal será instaurado apenas com relação a quem apresentou impugnação e na medida da matéria impugnada. Esse é o entendimento firmado no âmbito da Câmara Superior: Fl. 6475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 10 Número do processo: 10925.000368/2008-65 Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão: 19/02/2025 Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal para o impugnante, ocorrendo a preclusão processual para os demais interessados que não apresentarem impugnação, salvo no caso de matéria de ordem pública. Além da matéria impugnada, a impugnação tem, como um de seus elementos caracterizadores, o próprio impugnante: isso significa que o processo fiscal será instaurado apenas com relação a quem apresentou impugnação e na medida da matéria impugnada. Nessa linha, se apenas o devedor principal apresentar impugnação, o processo administrativo será instaurado com relação apenas a ele, ocorrendo a preclusão processual quanto aos demais responsáveis solidários que não se manifestaram. Número da decisão: 9303-016.555 Dito isso, por preclusão processual, não conheço as alegações apresentadas por MARCIO HIROSHI IKEDA, sócio administrador, que foi considerado revel na decisão de piso e não contestou os motivos que o consideraram revel. Ante o exposto, passo a analisar os demais Recursos Voluntários. 1) Preliminares A recorrente alega nulidade por cerceamento de defesa, por prolixidade, uso de premissas falsa, desconhecimento e imprecisão técnico-contábil, embasamento legal não aplicável à contribuinte, faltando nexo entre causa e efeito. Também alega nulidade do arbitramento, pois o auditor não intimou formalmente o contribuinte antes do encerramento do auto de infração, suprimindo fase essencial ao devido processo legal. Pois bem. Neste caso, verifica-se que todas as ocorrências foram devidamente identificadas no Auto de Infração, sendo concedido prazo para apresentação de Impugnação e das provas que se entendessem necessárias. Houve o exato cumprimento do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que prevê que o auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura; a descrição do fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 6476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 11 O Relatório Fiscal encontra-se devidamente fundamentado e motivado, com as razões fáticas e jurídicas que resultaram na lavratura dos autos de infração, oferecendo todas as condições necessárias para o conhecimento do procedimento fiscal e apresentação das respectivas defesas. O Auto de Infração apresenta seus fundamentos legais discriminados no anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", e no Relatório Fiscal, indicando as contribuições exigidas por competência, especificando os documentos em que tiveram origem, os valores das multas, bem como os dispositivos legais aplicados no lançamento. Houve a identificação do sujeito passivo, dos responsáveis solidários e a discriminação clara e precisa dos fatos geradores das obrigações principais e acessórias, com a determinação da matéria tributável (contribuições previdenciárias), bem como da natureza das contribuições devidas. A documentação apresentada propiciou o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa constitucionalmente assegurados, tanto que as recorrentes apresentaram Impugnação e Recurso Voluntário tempestivamente. Não foram observadas ocorrências que pudessem tornar nulo o procedimento fiscal em questão, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, seriam nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A Fiscalização, no “Anexo I” do Relatório Fiscal, informou as razões de fato e de direito que orientaram a determinação das bases-de-cálculo consideradas, deixando claro que os fundamentos legais que deram suporte ao procedimento estão no CTN, artigo 148, e na Lei nº 8.212/1991, artigo 33, §§ 3º e 6º. Quanto à alegação de que o auditor não teria intimado formalmente o contribuinte antes do encerramento do auto de infração, suprimindo fase essencial ao devido processo legal, cabe destaca o posicionamento sumulado neste Conselho acerca do tema: Súmula CARF nº 162 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Acórdãos Precedentes: 2401-004.609, 2201-003.644, 1302-002.397, 1301- 002.664, 1301-002.911, 2401-005.917 e 1401004.061. Ante o exposto, entendo que não há motivos que façam o lançamento ser declarado nulo por carência de fundamentação, e que houve observância aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa. 2) Mérito Fl. 6477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 12 2.1) Da natureza dos pagamentos aos médicos. A recorrente alega regularidade dos pagamentos efetuados aos médicos e higidez do modelo de negócios adotado, diante da inequívoca ausência de vínculo empregatício. Assim, requer que seja reconhecida a licitude e a regularidade da distribuição de lucros realizada, que seguiu os critérios contratuais e não havendo distribuição além do apurado contabilmente. Pois bem. Não constitui fundamento do lançamento fiscal a possibilidade da distribuição de lucros em proporções diversas das participações societárias, pois, cumpridas as formalidades e exigências legais, especialmente a efetiva, regular e prévia apuração do lucro e atendidas às pactuações societárias, tal é admissível. O lançamento fiscal tem fundamento principalmente na falta de escrituração contábil regular. De acordo com o Relatório Fiscal (folhas 13 a 109), o contribuinte classificou contábil e tributariamente, na grande maioria das vezes, os valores pagos a seus sócios como sendo distribuição de lucros antecipada. O contribuinte distribuiu lucros na forma de antecipação mensal ou em períodos ainda menores, às vezes até mesmo em dias sequenciais. O Relatório Fiscal traz grande quantidade de fatos comprovando que as regras previstas na legislação não foram cumpridas pelo contribuinte, especialmente quanto à efetiva e regular apuração. Em 2014, registrou-se a ocorrência de 348 distribuições de lucros, e 338 distribuições, em 2015. Considerando-se que o quadro societário era composto por apenas 8 membros, foram realizadas, em média, mais de 40 distribuições antecipadas (quase 4 por mês, uma por semana). Dada a alta frequência de distribuições sem cumprimento das formalidades legais, considerou-se irregular o pagamento antecipado de lucros, pois, de acordo com a legislação, a periodicidade de apuração de lucros deve ser anual, ao final do exercício, ou, eventualmente, trimestral. Constatou-se também que a periodicidade dos pagamentos estava claramente relacionada com as prestações de serviços de cada sócio, o que levou a Fiscalização a entender que o pagamento se tratava de remuneração por serviços prestados. Para compatibilizar a periodicidade do pagamento do que seria lucro e a remuneração dos serviços prestados, a autuada adotou a solução de antecipação da distribuição de lucros, mas sem atentar para o cumprimento das devidas formalidades legais. Fl. 6478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 13 Claramente, houve a transferência para os sócios de receitas originárias dos serviços direta e individualmente por eles prestados, procurando adotar a alternativa tributária menos onerosa para a empresa e para o sócio. Além de distribuir supostos lucros a todo momento, sem apurá-los e sem verificar sua disponibilidade financeira, o contribuinte não conseguiu relacioná-los com suas receitas. A descaracterização da Distribuição de Lucros e incidência de contribuição Previdenciária Patronal decorreu da constatação da ausência de requisitos formais e elementares para antecipação de lucros. A exclusão das parcelas pagas aos sócios do campo de incidência do salário-de- contribuição reclama estrita observância à legislação do artigo 201, § 5º, II do Decreto nº 3.048/1999. Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: [...] § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999): I - a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II - os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratar- se de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003). [...]. É certo que o ordenamento jurídico-tributário admite a possibilidade legal distribuição de lucros desproporcional às cotas, mas sujeita sua realização ao cumprimento de formalidades legais, além da previsão contratual. Condiciona a desoneração dessas verbas à comprovação de sua origem, exigindo: a) efetiva discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (pró- labore) e aquela proveniente do capital social; e b) apuração prévia do resultado mediante a elaboração de balancetes contábeis mensais para amparar as antecipações ao longo do exercício. O contribuinte poderia distribuir lucros antecipadamente aos seus sócios antes do encerramento do exercício social, mas deveria levantar balanços intermediários comprovando a efetiva existência do lucro. Fl. 6479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 14 No presente caso, o contribuinte admitiu, em sede de Termo de Intimação Fiscal (TIF), a inexistência de balancetes contábeis intermediários nos anos de 2014 e 2015. Tanto nas sociedades tributadas com base no “lucro real”, quanto nas tributadas com base no “luro presumido”, o lucro haverá sempre de ser formalmente apurado e demonstrado, seja pela elaboração da contabilidade, seja pela apresentação do Livro-Caixa. Sob a perspectiva contábil e jurídica, a distribuição de lucros pressupõe a prévia certeza de sua existência. A ausência de apuração tempestiva transmuda os repasses mensais em adiantamento de resultado não apurado. Para que seja considerado lucro é essencial que tenha sido apurado no encerramento de período base. No caso de distribuições antecipadas, é obrigatória a apuração em relação ao período a que se refere. O fato de a escrituração anual consolidada apontar superávit ao fim do exercício não convalida as antecipações mensais desprovidas de suporte contábil idôneo na época do fato gerador. A formal aprovação, no final do período de apuração, de todos os valores distribuídos ao longo do ano, não supre a necessidade de que as distribuições antecipadas sejam previamente autorizadas por deliberações formais da maioria dos sócios, o que não houve no caso. Tratando-se de sociedade simples de prestação de serviços regulamentados, a ausência de balancetes mensais e da segregação do pró-labore atrai a subsunção imperativa ao art. 201, § 5º, II, do RPS, devendo incidir a alíquota de 20% (vinte por cento) sobre a totalidade das verbas pagas ou creditadas aos sócios, independentemente de sua denominação formal. A distribuição de lucros sem balancetes intermediários desobedece a regra essencial e converte as verbas em salário-de-contribuição. Embora o art. 1.007 do Código Civil admita a partilha desproporcional dos lucros, tal prerrogativa não confere liberdade irrestrita e informal aos administradores. No caso concreto, observa-se que não existe cláusula contratual prevendo o critério de distribuição assimétrica adotado, restando incontroverso que a divisão se dava de forma puramente subjetiva, por determinação unilateral da Diretoria e com base exclusivamente nas horas trabalhadas por cada médico. A distribuição antecipada foi realizada sem autorização dos sócios e sem apuração contábil formal e não foram formalizadas por deliberações sociais específicas, na forma prevista no contrato social. Na prática, houve a simples transferência para os sócios do resultado que cada um deles gerou ao prestar individual e pessoalmente os serviços médicos. Inclusive, nos autos, restou Fl. 6480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 15 demonstrado a contabilização de antecipações de lucros distribuídos nos exatos valores líquidos das faturas de serviços. Acrescenta-se o fato de que a estreita relação a ENDOVÍDEO e a ULTRALITHO permitiu distribuir os lucros, na medida em que os custos do negócio e as despesas, sejam ordinárias ou não, eram praticamente todas suportadas pela empresa controladora – a ULTRALITHO. Destarte, à míngua de previsão contratual e de deliberações em assembleia, impõe- se a aplicação da regra geral de proporcionalidade das quotas prevista no art. 1.007, evidenciando que os pagamentos efetuados de forma desproporcional, sem lastro societário, consubstanciam verdadeira contraprestação pelo trabalho, fato gerador tributário previdenciário, e não distribuição de lucros legítima. O repasse financeiro vinculava-se estritamente à execução de plantões, caracterizando rendimento do trabalho. Dito isso, diante dos fatos e circunstâncias narrados, foram considerados de natureza remuneratórios os pagamentos a título de distribuição de lucros realizados de forma irregular, sem autorização formal dos sócios e sem prévia apuração. Ante o exposto, não assiste razão à recorrente. 2.2) Da formação de Grupo Econômico e da Responsabilidade Solidária da ULTRALITHO As recorrentes alegam inexistência de Grupo Econômico de Fato pela falta de interesse comum no fato gerador. Todas as supostas irregularidades apontadas eram assustes internos da ENDOVIDEO. Além disso, a ULTRALITHO não teria se beneficiado, nem participado, de nenhum ato que levasse às consequências tributárias apontadas. Pois bem. De acordo com a decisão de piso, os seguintes argumentos confirmam a formação de grupo econômico de fato entre as empresas ULTRALITHO, ENDOVÍDEO e CLÍNICA DE VÍDEO- CIRURGIA: a) Controle Societário Único e Centralizado com Identidade de Sócios, pois SÉRGIO RUBEM PORTO e RICARDO BARATIERI, sócios da ULTRALITHO, eram os efetivos controladores das empresas "satélites" (ENDOVÍDEO e CLÍNICA DE VÍDEO-CIRURGIA), que foram criadas para abrigar médicos que prestam serviços nas dependências da ULTRALITHO, mas o controle final e a gestão financeira permaneceram com os sócios da empresa principal; b) Confusão Patrimonial, visto que as empresas não operavam com autonomia financeira. A ULTRALITHO custeava despesas essenciais das outras empresas (água, energia elétrica, telefone, internet e pessoal administrativo) sem a devida comprovação de repasse ou rateio de custos; Fl. 6481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 16 c) A ENDOVÍDEO realizou gastos significativos em reformas, mobiliário e infraestrutura (ar- condicionado, piso vinílico, pintura) nas dependências da ULTRALITHO, sem possuir contrato de aluguel ou garantia de permanência, tratando o espaço como se fosse próprio; d) A ULTRALITHO cedia espaços gratuitamente para a administração da ENDOVÍDEO, o que artificialmente aumentava o "lucro" desta última para fins de distribuição isenta aos sócios; e) Havia Interdependência Econômica e Operacional, pois as atividades das empresas eram totalmente integradas, funcionando como um departamento da empresa principal; f) Todas as empresas compartilham a mesma sede e domicílio tributário; g) O objetivo do grupo era único: prestação de serviços de urologia e gastroenterologia dentro da estrutura da ULTRALITHO; h) Os Pagamentos de clientes particulares eram particionados entre as empresas. Embora o cliente entendesse estar contratando apenas a ULTRALITHO, não foram encontrados casos de pagamentos à ENDOVÍDEO que não estivessem acompanhados de um pagamento concomitante à ULTRALITHO; i) A ENDOVÍDEO não possuía autonomia operacional, pois dependia da infraestrutura, do agendamento e até do pessoal de recepção da ULTRALITHO para funcionar; j) Havia uso Comum de Pessoal, pois os Funcionários da ULTRALITHO realizavam tarefas para a ENDOVÍDEO, como o agendamento de consultas e a emissão de documentos fiscais; k) O contrato de prestação de serviços conferia à ULTRALITHO o poder exclusivo de definir horários, dias e número de consultas da ENDOVÍDEO, o que na prática anula a cláusula de "inexistência de exclusividade"; l) Havia Unidade de Marca e Publicidade, visto que a fachada do prédio e os totens de identificação apresentavam o corpo médico de forma indistinta; m) A ENDOVÍDEO pagava por anúncios (em guias médicos e ônibus) que utilizam o logotipo, o telefone e o endereço da ULTRALITHO, promovendo a marca da "clínica principal" em vez de sua própria autonomia. Ante o exposto, a fiscalização concluiu que a fragmentação do empreendimento em diversas pessoas jurídicas foi um artifício para planejamento tributário abusivo. Ao concentrar as despesas na ULTRALITHO e as receitas (com custos reduzidos artificialmente) nas empresas satélites, o grupo buscava maximizar a distribuição de lucros isentos, configurando a responsabilidade solidária por interesse comum no fato gerador (Art. 124, I, do CTN). Após a exposição realizada no Relatório Fiscal propriamente dito, resta claro que o GRUPO ULTRALITHO primou sua conduta em prática visando dissimular o fato gerador da obrigação tributária. Foram criadas, em seu interesse, pessoas jurídicas para congregar a mão-de- Fl. 6482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 17 obra mais dispendiosa e absolutamente necessária à consecução do seu objeto social, sendo a ENDOVÍDEO justamente uma delas. De acordo com os autos, foi arquitetado um sistema visando para otimizar os valores a serem distribuídos como lucro, as despesas, mais óbvias e comuns, necessárias (essenciais) ao funcionamento da ENDOVÍDEO foram “apropriadas” pela ULTRALITHO, que as contabilizou, sem que ficasse demonstrado, de forma clara e minimamente convincente, no processo de transferência de valores referente ao pagamento à ENDOVÍDEO pelos serviços prestados. A caracterização de Grupo Econômico de Fato atrai a responsabilidade solidária de seus integrantes nos termos da Súmula nº 210 deste Conselho GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÚMULA CARF nº 210 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. Dito isso, não assiste razão às recorrentes. 2.3) Da Responsabilidade do sócio Quanto à sujeição passiva tributária por solidariedade de FLÁVIO JOSÉ FERNANDES LIMA, a responsabilidade do sócio foi atribuída com fundamento do inciso I do artigo 124 do CTN, tendo em vista ser beneficiário direto dos repasses de honorários pelos serviços pessoalmente prestados, transvestidos da condição de distribuição antecipada de lucros. Existia interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Os sócios da ENDOVÍDEO tornaram-se responsáveis solidários pelo crédito tributário objeto do presente lançamento, respeitados os quinhões diretamente relacionados a cada um deles. Constatou-se que existia a vontade deliberada do sócio em caracterizar recebimento de honorários como lucro, de forma a “alterar” a verdadeira natureza dos valores recebidos – colocando suas atuações em direta relação com a “ocorrência do fato gerador”. A Fiscalização formalizou tal vinculação nos termos do anexo “Demonstrativo de Responsáveis Tributários”, assim como no Relatório Fiscal, no item I.2, no qual referiu-se ao “responsável tributário específico”. As razões específicas estão detalhadas no item VIII.2 do Relatório Fiscal (folhas 93/99), com destaque: A sociedade foi pensada e estruturada como uma solução para a remuneração de todos os sócios dessa pessoa jurídica, com claro proveito econômico de todos eles advindo do planejamento tributário abusivo perpetrado. Cada sócio, no que se Fl. 6483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 18 refere ao seu quinhão, tem interesse hialino na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal: com efeito, este fato gerador ocorre justamente em razão de seu labor profissional. Ao não o considerar base de incidência da obrigação tributária, o sócio recebe aquilo que lhe é devido sem qualquer desconto que ocorreria caso aquela quantia fosse tratada como remuneração (seja de contribuição previdenciária, seja de imposto de renda incidente sobre verbas remuneratórias). O benefício de cada um com a situação que constitui o fato gerador é, pois, reluzente. Por conseguinte, e tomando-se emprestado os dizeres legais, a “situação que constitui o fato gerador” é indissociável, respeitados os quinhões, do labor de todo e qualquer sócio da ENDOVÍDEO. É oportuno mencionar que eles participaram ativamente do planejamento tributário sonegatório adotado, uma vez que todos recebem pró-labore de um salário-mínimo, como se isso remunerasse sua atividade executada através da pessoa jurídica auditada. O que é, indubitavelmente, uma falácia. Ao fazê-lo, cada um deles opta por segregar todo o restante do resultado de seu trabalho como verba indenizatória, anuindo expressamente com o modelo sonegatório perpetrado. Além disso, as atas de reunião apresentadas e assinadas por todos os sócios que auferiram valores a título de lucros no período trazem deliberações aprovadas frontalmente em conflito ao contrato social. Não assiste razão ao recorrente. 2.4) Multa aplicada A recorrente alega que, para a aplicação da multa qualificada, é indispensável a prova inequívoca de dolo ou intenção de lesar o fisco (conforme arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/66). A empresa teria adotado uma interpretação plausível da legislação civil e societária, não há que se falar em conduta fraudulenta. Caso mantida e aplicação da multa qualificada, requer a redução de 150% para 100%, com base no advento da Lei nº 14.689/2023. Pois bem. De acordo com os autos, restou caracterizada fraude à natureza societária, tendo em vista que, após análise do quadro social da autuada, a estrutura societária revelou-se desvirtuada para operar como mero contrato de adesão e de blindagem fiscal. Não houve a regular, devida e efetiva determinação dos lucros que justificariam a supressão dos tributos incidentes. A prática foi reiterada ao longo dos anos, evidenciando a habitualidade e o animus do agente em subtrair-se ao cumprimento da obrigação tributária. Resta demonstrada a sistematicidade do ilícito, o que afasta qualquer argumento de erro ou equívoco isolado. Fl. 6484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 19 Os argumentos que justificaram a aplicação da multa qualificada por sonegação e fraude constam do Relatório Fiscal (folhas 90 a 91): A sonegação e fraude estão perfeitamente delineadas pela não-declaração em GFIP (e em folha de pagamento), desses serviços prestados pelos médicos, recorrendo-se a estratagemas e subterfúgios com vistas a não possibilitar o conhecimento da situação de fato por parte da autoridade fazendária, ou ainda ocultando e/ou impedindo a ocorrência do fato gerador da obrigação principal demonstrada acima; O animus doloso em sonegar e fraudar resta presente, sem uma nesga de dúvida: há omissão reiterada, mês após mês, de todos os fatos geradores oriundos dos pagamentos aos profissionais de medicina eleitos formalmente à condição de sócios da ENDOVÍDEO, bem como a insistência em prestar informações incompatíveis com a realidade fática, mas que reforçavam e corroboravam com o modelo de sonegação adotado. Ou seja, a omissão desses valores de salário-de contribuição em GFIP, em folha de pagamento e à fiscalização foi intencional, já que se deu de forma reiterada; e insistiu-se em continuar tentar ocultando e/ou impedindo o conhecimento por parte da autoridade fiscal, prestando declarações consentâneas com o que foi omitido em GFIP (e em folha de pagamento). Restou caracterizada a formalização contábil distorcida empreendida pelo contribuinte, que, ao registrar de modo artificial as informações prestadas, dissimulou a real natureza jurídica dos pagamentos efetuados, em flagrante violação aos postulados da escrituração mercantil e às normas de regência. Não se trata de mera divergência de entendimento jurídico. A Fiscalização demonstrou a existência de um conjunto ordenado e complexo de providências — incluindo contabilização com indevida apropriação de despesas, visando figurar a apuração de maior volume dos valores distribuíveis a título de lucro —, empreendidas em conjunto pela empresa e pela prestadora de serviços, objetivando transferir, sob a forma de distribuição de lucros, os valores recebidos pelos médicos (sócios da prestadora) pelos serviços direta e pessoalmente prestados. Os recorrentes em sede de Impugnação e de Recurso Voluntário, não foram capazes de trazer e demonstrar fatos e argumentos capazes de modificar o entendimento já exarado. Ante o conjunto probatório constante dos autos, a manutenção da multa qualificada deve ser mantida em razão da finalidade subjacente aos atos praticados pelo contribuinte, os quais, à luz do princípio da primazia da realidade, revelam intuito deliberado de ocultar a verdadeira natureza das operações realizadas. Desse modo, diante do conjunto harmônico e convergente de elementos de convicção amealhados pela Fiscalização, restou configurada a finalidade fraudulenta dos atos praticados. Não assiste razão aos recorrentes. Fl. 6485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-004.549 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.721479/2019-46 20 Porém, cabe observar a Lei nº 14.689, de 2 de setembro de 2023, norma superveniente, que conferiu nova redação ao art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44 (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. (...) Deve ser aplicada de forma retroativa, aos atos não definitivamente julgados, a regra que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, por força do art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN). Destarte, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário em razão de norma superveniente mais benéfica. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente dos Recursos, deixando de conhecer o Recurso apresentado pelo Sr. MARCIO HIROSHI IKEDA por revelia. Na parte conhecida, rejeito as preliminares e, no mérito, DOU PROVIMENTO PARCIAL, reduzindo a multa qualificada ao patamar de 100%, em razão de norma superveniente mais benéfica. É o voto. Assinado Digitalmente Carlos Marne Dias Alves Fl. 6486DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720390/2020-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018
NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
A utilização de amostragem em procedimento fiscal não acarreta nulidade quando o lançamento contém fundamentação suficiente e não há demonstração de preterição do direito de defesa ou de prejuízo concreto ao sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. CRÉDITOS INDISPONÍVEIS EM PERÍODOS SUBSEQUENTES.
A realocação de créditos para os períodos em que deveriam ter sido aproveitados pode revelar insuficiência de recolhimento nos períodos subsequentes. Constatada declaração inexata em procedimento fiscal, aplica-se a multa de ofício, e não a multa de mora.
MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇAS ENTRE EFD-CONTRIBUIÇÕES E DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A declaração em EFD-Contribuições de valores superiores aos confessados em DCTF configura declaração inexata e insuficiência de recolhimento. A denúncia espontânea não se caracteriza sem o pagamento integral do tributo e dos juros antes do procedimento fiscal.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA INDIVIDUALIZADA.
A responsabilidade pessoal dos administradores exige demonstração individualizada de ato doloso praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A mera ocupação do cargo de direção e o inadimplemento da pessoa jurídica não autorizam a imputação.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO.
Afastada a qualificação da multa por inexistência de dolo, não subsiste a responsabilidade pessoal fundada no art. 135 do CTN quando assentada nos mesmos fatos e ausente demonstração de conduta dolosa própria dos administradores.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CULPA IN VIGILANDO. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
A culpa in vigilando não constitui fundamento suficiente para a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, que pressupõe atuação dolosa e individualizada.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO.
Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Exoneração inferior ao limite regulamentar.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018
PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO.
As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA.
A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO.
Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO.
A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE.
Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos.
PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO.
As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE.
Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem-se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição.
PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO.
Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018
PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO.
As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA.
A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO.
Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO.
A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE.
Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos.
PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO.
As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado.
PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE.
Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem-se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição.
PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO.
Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida.
Numero da decisão: 3401-015.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do Recurso Voluntário da Cinemark, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para (a) reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais; (b) reconhecer o direito ao crédito integral sobre os equipamentos de projeção e sonorização, no período autuado, comprovados pelas notas fiscais juntadas em sede recursal, a ser apurado em liquidação. Quantos aos Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários, conhecer e dar provimento para afastar a responsabilidade atribuída a Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Não conhecer do Recurso de Ofício por ser inferior ao limite de alçada.
Assinado Digitalmente
Laura Baptista Borges – Relatora
Assinado Digitalmente
Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Leandro Wilhelm Wolff (substituto[a] integral) e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LAURA BAPTISTA BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A utilização de amostragem em procedimento fiscal não acarreta nulidade quando o lançamento contém fundamentação suficiente e não há demonstração de preterição do direito de defesa ou de prejuízo concreto ao sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. CRÉDITOS INDISPONÍVEIS EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. A realocação de créditos para os períodos em que deveriam ter sido aproveitados pode revelar insuficiência de recolhimento nos períodos subsequentes. Constatada declaração inexata em procedimento fiscal, aplica-se a multa de ofício, e não a multa de mora. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇAS ENTRE EFD-CONTRIBUIÇÕES E DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A declaração em EFD-Contribuições de valores superiores aos confessados em DCTF configura declaração inexata e insuficiência de recolhimento. A denúncia espontânea não se caracteriza sem o pagamento integral do tributo e dos juros antes do procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA INDIVIDUALIZADA. A responsabilidade pessoal dos administradores exige demonstração individualizada de ato doloso praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A mera ocupação do cargo de direção e o inadimplemento da pessoa jurídica não autorizam a imputação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Afastada a qualificação da multa por inexistência de dolo, não subsiste a responsabilidade pessoal fundada no art. 135 do CTN quando assentada nos mesmos fatos e ausente demonstração de conduta dolosa própria dos administradores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CULPA IN VIGILANDO. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE. A culpa in vigilando não constitui fundamento suficiente para a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, que pressupõe atuação dolosa e individualizada. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Exoneração inferior ao limite regulamentar. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem-se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem-se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida.
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FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A utilização de amostragem em procedimento fiscal não acarreta nulidade quando o lançamento contém fundamentação suficiente e não há demonstração de preterição do direito de defesa ou de prejuízo concreto ao sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. CRÉDITOS INDISPONÍVEIS EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. A realocação de créditos para os períodos em que deveriam ter sido aproveitados pode revelar insuficiência de recolhimento nos períodos subsequentes. Constatada declaração inexata em procedimento fiscal, aplica-se a multa de ofício, e não a multa de mora. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇAS ENTRE EFD-CONTRIBUIÇÕES E DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A declaração em EFD-Contribuições de valores superiores aos confessados em DCTF configura declaração inexata e insuficiência de recolhimento. A denúncia espontânea não se caracteriza sem o pagamento integral do tributo e dos juros antes do procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA INDIVIDUALIZADA. A responsabilidade pessoal dos administradores exige demonstração individualizada de ato doloso praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A mera ocupação do cargo de direção e o inadimplemento da pessoa jurídica não autorizam a imputação. Fl. 18328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Afastada a qualificação da multa por inexistência de dolo, não subsiste a responsabilidade pessoal fundada no art. 135 do CTN quando assentada nos mesmos fatos e ausente demonstração de conduta dolosa própria dos administradores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CULPA IN VIGILANDO. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE. A culpa in vigilando não constitui fundamento suficiente para a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, que pressupõe atuação dolosa e individualizada. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Exoneração inferior ao limite regulamentar. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam Fl. 18329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 3 como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem- se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral Fl. 18330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 4 quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. Fl. 18331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 5 As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem- se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do Recurso Voluntário da Cinemark, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para (a) reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais; (b) reconhecer o direito ao crédito integral sobre os equipamentos de projeção e sonorização, no período autuado, comprovados pelas notas fiscais juntadas em sede recursal, a ser apurado em liquidação. Quantos aos Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários, conhecer e dar provimento para afastar a responsabilidade atribuída a Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Não conhecer do Recurso de Ofício por ser inferior ao limite de alçada. Fl. 18332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 6 Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Leandro Wilhelm Wolff (substituto[a] integral) e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 104-010.386, da 2ª Turma da DRJ04, que julgou parcialmente procedente a Impugnação oferecida contra auto de infração de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no regime não cumulativo, relativo aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2016 e seus reflexos em 2017 e 2018. O lançamento decorreu de ação fiscal que apurou, em síntese, o aproveitamento indevido de créditos sobre comissões de agenciamento, despesas condominiais e bens do ativo imobilizado, além de insuficiência de recolhimento verificada no cotejo entre EFD-Contribuições e DCTF, e créditos descontados indevidamente em decorrência do aproveitamento de ofício de saldo credor em períodos anteriores. Sobre parte das infrações foi aplicada a multa qualificada de 150%, e imputada responsabilidade solidária a quatro diretores com fundamento no art. 135 do CTN. A DRJ, após conversão do julgamento em diligência, reverteu a glosa das comissões de agenciamento, reconheceu o direito ao crédito sobre o ativo imobilizado na modalidade depreciação/amortização e reduziu a multa qualificada ao patamar de 75%, por afastar o dolo, mantendo, contudo, a responsabilidade dos diretores por voto de qualidade, as glosas de condomínio, a negativa de creditamento integral do ativo imobilizado, a multa sobre os créditos reflexos de 2017/2018 e a multa por insuficiência de recolhimento. Em razão da reversão das referidas glosas, foi interposto Recurso de Ofício. A Recorrente interpôs, assim, seu Recurso Voluntário, estruturado especialmente nos seguintes tópicos: DIREITO A CRÉDITOS DE SOBRE O ALUGUEL, INCLUINDO A PARCELA REFERENTE À TAXA DE CONDOMÍNIO: ART. 3º, INCISO IV, DASLEIS Nº 10.637/02 E 10.833/03; DIREITO A CRÉDITOS SOBRE CONDOMÍNIO COMO “INSUMO” DA ATIVIDADE DA RECORRENTE; Fl. 18333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 7 GLOSA DE CRÉDITOS “COD 10”: “EQUIPAMENTOS” DO ATIVO IMOBILIZADO NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE; PRELIMINAR: NULIDADE DA GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM; DIREITO A CREDITAMENTO INTEGRAL DE CRÉDITOS REFERENTES A “EQUIPAMENTOS” NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE; O CONCEITO DE EQUIPAMENTO PARA FINS DO ART. 3º, VI DAS LEIS Nº 10.637/02 E 10.833/03; O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE AS CONTAS CONTÁBEIS 13201004 – “INSTALAÇÕES” E 13201003 – “BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS”; O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE AS CONTAS CONTÁBEIS 13201005 – “MÁQUINAS, APARELHOS E EQUIPAMENTOS” E 13201006 – “MÓVEIS E UTENSÍLIOS”; O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE A CONTA CONTÁBIL 12301010 – “LICENÇA DE USO DE SOFTWARE”; SUBSIDIARIAMENTE: RECONHECIMENTO DO CRÉDITO INTEGRAL RELACIONADO AO ATIVO IMOBILIZADO POR MERA POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO; SUBSIDIARIAMENTE: ENQUADRAMENTO COMO “INSUMO” DOS ITENS REGISTRADOS NAS CONTAS CONTÁBEIS 13201004 – “INSTALAÇÕES”, 13201003 – “BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS”, 13201005 – “MÁQUINAS, APARELHOS E EQUIPAMENTOS” E 13201006 – “MÓVEIS E UTENSÍLIOS” E 12301010 – “LICENÇA DE USO DE SOFTWARE”; RECONHECIMENTO DO CRÉDITO INTEGRAL SOBRE EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO; CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE EM DECORRÊNCIA DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO EM PERÍODOS ANTERIORES; e INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Foram também interpostos Recursos Voluntários pelas pessoas físicas responsabilizadas tributariamente: FLS. 18092/18126 – RECURSO VOLUNTÁRIO DO RAPHAEL DENADAI SANCHEZ; FLS. 18129/18164 – RECURSO VOLUNTÁRIO DO JOSÉ BENTO DE ALENCAR JUNIOR; Fl. 18334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 8 FLS. 18167/18201 – RECURSO VOLUNTÁRIO DO MARCELO BERTINI DE REZENDE BARBOSA; e FLS. 18204/18239 – ANDREA PUPO S ENCARNAÇÃO SASAKI. É o relatório. VOTO Conselheira Laura Baptista Borges, Relatora. Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem todos os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual merecem ser conhecido. Passo a avaliar, primeiramente, o Recurso Voluntário da Recorrente Cinemark: 1 – PRELIMINAR: NULIDADE DA GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM. Em preliminar, a Recorrente sustenta a nulidade da glosa por vício no procedimento de apuração. Relata que a fiscalização se estendeu por aproximadamente dois anos, período em que respondeu a mais de trinta termos de intimação. Afirma que, em junho de 2020, diante do elevado número de lançamentos e do estado de calamidade decorrente da pandemia, a autoridade fiscal concordou em reduzir o escopo da documentação exigida, passando a admitir amostragem inferior à inicialmente solicitada. Acrescenta que, especificamente quanto aos bens do ativo imobilizado, foi expedido um único termo de intimação, sem posterior solicitação de documentos complementares, circunstância que a teria levado a concluir que a exigência havia sido integralmente atendida. Alega que, com base apenas na amostra examinada, a fiscalização promoveu a glosa da totalidade dos valores registrados nas respectivas contas, alcançando documentos que não foram analisados nem sequer solicitados. Sustenta que esse critério não encontra fundamento legal. Em apoio à sua tese, invoca os Acórdãos CARF nº 1301-004.410 e nº 1301-003.220, nos quais se teria reconhecido a inexistência de autorização legal para a glosa de despesas com base em amostragem. Critica, ainda, o acórdão recorrido por se apoiar em precedente de 2009, que considera superado pela evolução dos métodos de fiscalização. A preliminar não merece acolhimento. O art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 restringe a nulidade aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O art. 60, por sua vez, estabelece que as irregularidades, incorreções e omissões distintas dessas hipóteses não importam em nulidade, devendo ser sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa ou quando não influenciarem a solução do litígio. Fl. 18335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 9 No caso concreto, não se verifica nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no Decreto nº 70.235/1972. Não há alegação de incompetência da autoridade responsável pelos atos de fiscalização, tampouco se identifica preterição do direito de defesa. A Recorrente teve ciência dos fundamentos da glosa, apresentou impugnação e recurso e pôde produzir documentos e argumentos destinados a demonstrar o direito aos créditos pretendidos. Também não há impedimento legal à utilização da técnica de amostragem pela autoridade fiscal. Trata-se de método usual em procedimentos de auditoria e especialmente adequado às hipóteses em que o elevado volume de registros torna inviável o exame individualizado de todas as operações. No caso, a glosa não decorreu da mera extrapolação automática dos resultados obtidos na amostra. A fiscalização apresentou, para cada conta examinada, os fundamentos que afastariam o direito ao creditamento, relacionados à ausência de previsão legal ou à insuficiência de comprovação, seja pela falta de apresentação dos documentos, seja pela inaptidão dos elementos fornecidos para demonstrar o preenchimento dos requisitos legais. A própria Recorrente reconhece a dificuldade de localizar as aproximadamente 3.500 notas fiscais solicitadas, o que evidencia que o exame integral dos registros foi inviabilizado, ao menos em parte, pela impossibilidade de apresentação da documentação por ela própria. Além disso, a apuração foi realizada a partir de dados e registros fornecidos pela empresa. A Recorrente não indicou, de forma objetiva, quais operações ou parcelas da exigência teriam sido indevidamente alcançadas em razão de eventual distorção da amostra. Limitou-se a questionar, em termos genéricos, a inexistência de fundamento legal para o método empregado, sem demonstrar prejuízo concreto ao exercício de sua defesa. Por fim, as notas fiscais e a planilha de inventário apresentadas apenas com a impugnação foram submetidas à autoridade autuante em diligência, cujos resultados serão examinados nos subtópicos seguintes. Essa providência permitiu a análise dos elementos posteriormente apresentados e afasta, também sob esse aspecto, a alegação de prejuízo ao direito de defesa. Rejeito, portanto, a preliminar. 2 – DO DIREITO A CRÉDITOS DE SOBRE O ALUGUEL, INCLUINDO A PARCELA REFERENTE À TAXA DE CONDOMÍNIO: ART. 3º, INCISO IV, DASLEIS Nº 10.637/02 E 10.833/03. A Recorrente sustenta, neste tópico, que o crédito por ela apurado não decorre de despesas avulsas indevidamente escrituradas como se aluguéis fossem, mas de parcela inerente e obrigatória do próprio contrato de locação. Argumenta que os gastos com condomínio integram o valor global devido ao locador a título de aluguel, nos termos dos arts. 23, 25 e 44 da Lei nº 8.245/91, e invoca o art. 31, §1º da IN nº 1.500/14 para demonstrar que, como regra, tais despesas integram o próprio valor do aluguel quando o ônus é atribuído ao locatário. Fl. 18336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 10 Refuta expressamente a conclusão do acórdão recorrido de que as taxas condominiais seriam cobradas separadamente, sustentando que o oposto é o que se verifica dos contratos e faturas, nos quais a quitação do aluguel e do condomínio se dá de forma conjunta, na mesma fatura. Aponta, com base em excertos dos contratos firmados com diversos shoppings, que as despesas de condomínio ora integram o valor do aluguel mensal, ora são rateadas segundo percentual que se incorpora ao aluguel percentual. Invoca, ainda, o Acórdão CARF nº 3301- 007.117 e precedentes sobre o IPTU do locatário, para concluir que tais verbas compartilham a natureza jurídica do aluguel e geram crédito nos termos do art. 3º, IV das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Entendo que assiste razão à Recorrente. A matéria não é nova em minha análise. Compus a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção que, por unanimidade, no julgamento do Acórdão nº 3101-004.322 (processo 17227.720010/2022-27, sessão de 9 de dezembro de 2025), reverteu a glosa de despesas condominiais, IPTU e luz e força, e aderi àquela conclusão. Não vejo razão para dela divergir no presente caso, tanto por coerência decisória quanto porque a questão de direito é rigorosamente a mesma, e os fatos aqui são ainda mais favoráveis ao reconhecimento do crédito. Naquele precedente, cujos fundamentos adoto como razões de decidir na parte pertinente, consignou-se que as despesas periféricas relacionadas ao contrato de aluguel integram o custo de locação. Peço vênia, antes, para transcrever os arts. 22, 23 e 25 da Lei nº 8.245/91, para fins de melhor compreensão do raciocínio: “Art. 22. O locador é obrigado a: (...) VIII - pagar os impostos e taxas, e ainda o prêmio de seguro complementar contra fogo, que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel, salvo disposição expressa em contrário no contrato; (...) X - pagar as despesas extraordinárias de condomínio. (...) Art. 23. O locatário é obrigado a: I - pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quando outro local não tiver sido indicado no contrato; Fl. 18337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 11 (...) XII - pagar as despesas ordinárias de condomínio. (...) Art. 25. Atribuída ao locatário a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, encargos e despesas ordinárias de condomínio, o locador poderá cobrar tais verbas juntamente com o aluguel do mês a que se refiram.” Veja-se, assim, o voto do i. Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, proferido no Acórdão nº 3101-004.322: “Em breve síntese, cabe ao locatário o pagamento das despesas ordinárias de condomínio, podendo ainda ser atribuída a sua responsabilidade pelo pagamento dos tributos incidentes sobre o imóvel, desde que expressamente previsto no contrato de locação. Em tais casos, o IPTU, as taxas condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, sendo determinantes para a sua manutenção, uma vez que, nos termos do artigo 9º, inciso III, da Lei nº 8.245/91, a locação poderá ser desfeita em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos. Cumpre ressaltar que não se trata, propriamente, de pagamento do imposto para o munícipio e da taxa condominial ao condomínio (ainda que assim sejam efetuados), mas de receitas auferidas pelo locador em decorrência do contrato de locação, como se verifica do entendimento exarado na Solução de Consulta COSIT nº 38, de 19 de fevereiro de 2014: EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. RECEITA BRUTA. ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. DESPESAS CONDOMINIAIS. TAXAS E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE O IMÓVEL ADMINISTRADO. Consideram-se receitas auferidas pelas empresas de administração de imóveis próprios, decorrentes do exercício de sua atividade principal, além de aluguéis decorrentes de locação, valores recebidos também dos locatários referentes ao próprio imóvel administrado, independente da denominação utilizada, que se prestam a pagar despesas como o consumo de água, luz e gás, conservação, higiene e limpeza de aparelhos sanitários, de iluminação, ramais de encanamentos d’água, esgoto, gás, luz, pinturas, vidraças, ferragens, torneiras, pias, ralos, banheiros, registros, manutenção de elevadores, vigilâncias e demais acessórios em perfeito estado de conservação e funcionamento, bem como todos os impostos e taxas que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel locado, incluindo-se IPTU, Taxa de Lixo e apólice de seguro contra incêndio e danos de qualquer natureza à estrutura do imóvel. Fl. 18338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 12 Assim, tais valores devem integrar a base de cálculo sobre a qual se calcula o lucro presumido das pessoas jurídicas optantes por esta modalidade de tributação do IRPJ, de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Lei nº 9.249, de 1995, art. 15 e 25; Lei n° 5.172, de 1966, art. 123; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), arts. 299. Assim, as despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS.” Aplico o entendimento ao caso concreto, por convergir com as conclusões do i. Conselheiro. A Recorrente demonstrou, por meio dos contratos de locação firmados com diversos shoppings, que as despesas de condomínio ora integram o valor do aluguel mensal, ora são rateadas segundo percentual definido em cláusula contratual, entrando no cômputo do aluguel percentual e sujeitando-se às suas limitações. Demonstrou, ainda, que a cobrança do condomínio se dá na mesma fatura do aluguel, de modo que a quitação de uma implica a quitação do outro. Nesse ponto, ao contrário do que assentou o acórdão recorrido, não se sustenta a premissa de que as taxas condominiais teriam sido cobradas separadamente do aluguel e ostentariam natureza diversa. O que os documentos revelam é o oposto, a saber, que tais despesas são exigidas em conjunto com o aluguel, por força de disposição contratual, compartilhando a mesma natureza jurídica da remuneração devida pelo direito de uso do imóvel. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste tópico, para reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais. Prejudicado o pedido subsidiário quanto ao direito ao crédito como “insumo”. 3 – GLOSA DE CRÉDITOS “COD 10”: “EQUIPAMENTOS” DO ATIVO IMOBILIZADO NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE. Sob esta rubrica, a recorrente reúne o conjunto de insurgências contra a glosa dos créditos escriturados no registro F130 da EFD-Contribuições, sob o código Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, lançados nas contas de Instalações, Benfeitorias em Imóveis de Terceiros, Máquinas, Aparelhos e Equipamentos, Móveis e Utensílios e Licença de Uso de Software. Sustenta que a glosa deve ser cancelada por duas razões autônomas, a saber, a nulidade por vício no procedimento de apuração fiscal e, no mérito, o direito ao creditamento integral dos equipamentos no momento da aquisição. Fl. 18339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 13 Examino as questões nos subtópicos a seguir 3.1 – DIREITO A CREDITAMENTO INTEGRAL DE CRÉDITOS REFERENTES A “EQUIPAMENTOS” NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE. O CONCEITO DE EQUIPAMENTO PARA FINS DO ART. 3º, VI DAS LEIS Nº 10.637/02 E 10.833/03. A Recorrente sustenta que os bens escriturados nas contas COD 10 configuram equipamentos empregados em sua atividade e, por isso, admitem creditamento integral no momento da aquisição, nos termos do art. 3º, VI, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, combinado com o art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008. Defende interpretação ampla do conceito de equipamento, com apoio na etimologia do termo e na Solução de Consulta COSIT nº 317/2018, para abranger todos os bens necessários à estruturação da atividade empresarial. Nessa linha, afirma que os itens examinados correspondem a ferramentas indispensáveis à exibição das obras cinematográficas e à própria experiência oferecida ao público. Afasta, ainda, a aplicação do entendimento firmado no REsp nº 1.818.422, relativo a veículos. Argumenta que, naquele caso, a própria legislação distinguia expressamente veículos de máquinas e equipamentos, ao passo que os bens ora discutidos não possuem classificação legal específica, o que impediria a adoção da mesma interpretação restritiva. Não assiste razão à Recorrente quanto a essa questão geral. A apropriação imediata dos créditos deve observar os limites estabelecidos pela norma concessora, nos termos do art. 111 do CTN. O art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008 e o art. 174 da Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019 restringem essa possibilidade às máquinas e aos equipamentos novos destinados ao ativo imobilizado. Não estão abrangidos os demais bens incorporados ao ativo, as benfeitorias realizadas em imóveis de terceiros nem os ativos intangíveis. A legislação, portanto, não equipara todo bem necessário ao funcionamento da empresa a máquina ou equipamento. A distinção entre essas categorias é deliberada e foi reconhecida na Solução de Consulta COSIT nº 7/2015 e no REsp nº 1.818.422. Não há fundamento legal para ampliar o conceito de equipamento a ponto de abranger indistintamente toda a estrutura física dos complexos cinematográficos. Estabelecida essa premissa, passo ao exame individualizado de cada conta. 3.2 – O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE AS CONTAS CONTÁBEIS 13201004 – “INSTALAÇÕES” E 13201003 – “BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS”. Quanto a essas contas, a Recorrente alega que os lançamentos não correspondem a obras civis, como consignado no Termo de Verificação Fiscal, mas à aquisição e instalação de Fl. 18340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 14 equipamentos incorporados ao ativo imobilizado. Cita, entre outros itens, lâmpadas LED, detectores de fumaça, materiais e quadros elétricos, alarmes, cortinas, revestimentos acústicos, painéis elétricos, luminárias de emergência, aparelhos de ar-condicionado e respectivas tubulações. Sustenta que a denominação “Instalações” se refere à montagem desses bens em suas dependências, e não à realização de obras civis em imóveis de terceiros. Defende, assim, o aproveitamento integral dos créditos no momento da aquisição, com fundamento no art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008. Não assiste razão à Recorrente. A denominação atribuída à conta contábil não determina, por si só, a natureza dos bens nela registrados. Os itens relacionados compõem instalações e benfeitorias incorporadas à estrutura física dos complexos cinematográficos, enquadrando-se entre os demais bens incorporados ao ativo imobilizado, previstos no art. 173, I, da Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019. Não se trata, portanto, de máquinas e equipamentos novos abrangidos pelo art. 174 da mesma Instrução Normativa, aos quais o art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008 reserva a apropriação imediata dos créditos. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e os demais componentes das instalações, embora necessários ao funcionamento do estabelecimento, não se qualificam, apenas por essa circunstância, como equipamentos para fins do benefício. Mantém-se, assim, o creditamento mediante depreciação ou amortização, já reconhecido pela decisão recorrida, afastado o aproveitamento integral no momento da aquisição. 3.3 – O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE AS CONTAS CONTÁBEIS 13201005 – “MÁQUINAS, APARELHOS E EQUIPAMENTOS” E 13201006 – “MÓVEIS E UTENSÍLIOS”. Quanto a essas contas, a Recorrente sustenta que os serviços nelas registrados correspondem à instalação ou montagem de máquinas e equipamentos adquiridos e, por integrarem o custo de aquisição do ativo, nos termos do CPC 27 e do Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, não poderiam ser glosados apenas por terem sido contabilizados separadamente. Afirma, ainda, que a conta “Máquinas” compreende bens como sistemas de gerenciamento de energia, aparelhos de ar-condicionado, aquecedores e estufas, enquanto a conta “Móveis e Utensílios” registra, principalmente, poltronas de cinema, além de partes, peças, balcões e outros itens que considera essenciais ao funcionamento das salas. A pretensão não merece acolhimento. Fl. 18341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 15 Ainda que os serviços de instalação e montagem integrem o custo de aquisição do ativo, essa circunstância não define a modalidade de creditamento aplicável. O direito à apropriação imediata depende de que o bem instalado se qualifique como máquina ou equipamento novo, nos termos do art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008. No caso, os itens registrados nessas contas são, em sua maior parte, mobiliário ou outros bens incorporados ao ativo imobilizado, sujeitos ao creditamento mediante depreciação ou amortização, já reconhecido pela decisão recorrida. A essencialidade do bem ao funcionamento do estabelecimento não basta para enquadrá-lo como máquina ou equipamento para fins do benefício. Além disso, parte dos bens destina-se às atividades de venda de alimentos desenvolvidas no Snack Bar e no Movie Bistrô, distintas da prestação de serviços de exibição cinematográfica e, portanto, não abrangidas pelo benefício invocado. Mantém-se, assim, a glosa do aproveitamento integral, sem prejuízo do crédito calculado sobre a depreciação ou amortização. 3.4 – O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE A CONTA CONTÁBIL 12301010 – “LICENÇA DE USO DE SOFTWARE”. Quanto a essa conta, a Recorrente sustenta que os gastos com licenças de software correspondem a equipamentos empregados em sua atividade e, por isso, autorizariam a apropriação integral dos créditos, nos termos do art. 3º, VI, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Invoca o CPC 04 para afirmar que o software integrado ao funcionamento de determinado equipamento deve ser classificado como ativo imobilizado. Cita, como exemplo, o sistema Tracer, vinculado aos aparelhos de ar-condicionado. Não assiste razão à Recorrente. As licenças de uso de software classificam-se, em regra, como ativos intangíveis e submetem-se ao creditamento previsto no art. 3º, XI, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, calculado sobre os encargos de amortização. Não se lhes aplica, portanto, a apropriação imediata reservada às máquinas e aos equipamentos novos. A mera indicação de que determinado software opera de forma integrada a um equipamento não é suficiente para alterar a natureza de todos os valores registrados na conta, especialmente sem demonstração individualizada de que as respectivas licenças constituem parte indissociável do bem e foram contabilizadas como componente de seu custo. Mantém-se, assim, o crédito calculado sobre a amortização, já reconhecido pelo acórdão recorrido, afastado o aproveitamento integral no momento da aquisição. Fl. 18342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 16 3.5 – SUBSIDIARIAMENTE: RECONHECIMENTO DO CRÉDITO INTEGRAL RELACIONADO AO ATIVO IMOBILIZADO POR MERA POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. Subsidiariamente, a Recorrente sustenta que a DRJ, embora tenha reconhecido o direito ao crédito calculado sobre a depreciação ou amortização, considerou apenas os encargos apropriados no ano-calendário de 2016, sem computar aqueles relativos aos períodos subsequentes. Afirma que a apropriação antecipada teria resultado, quando muito, em mero deslocamento temporal do crédito, sem redução definitiva das contribuições devidas. Invoca a Solução de Consulta COSIT nº 24/2007 para defender que os créditos existentes devem ser reconhecidos de ofício, ainda que vinculados a períodos de apuração distintos. A alegação não demanda reforma adicional do acórdão recorrido. Reconhecido o direito ao creditamento pela depreciação ou amortização, os encargos apropriados nos períodos subsequentes, relativos aos bens adquiridos no período fiscalizado, deverão ser considerados na liquidação do julgado, observados os limites da lide e a comprovação dos valores pelo contribuinte. Essa conclusão, contudo, não autoriza o aproveitamento integral e antecipado dos créditos. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas, submetidas a critérios temporais próprios. Mantém-se, portanto, a rejeição do pedido de creditamento integral, sem prejuízo da consideração, na liquidação, dos encargos de depreciação ou amortização relativos aos períodos subsequentes. 3.6 – SUBSIDIARIAMENTE: ENQUADRAMENTO COMO “INSUMO” DOS ITENS REGISTRADOS NAS CONTAS CONTÁBEIS 13201004 – “INSTALAÇÕES”, 13201003 – “BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS”, 13201005 – “MÁQUINAS, APARELHOS E EQUIPAMENTOS” E 13201006 – “MÓVEIS E UTENSÍLIOS” E 12301010 – “LICENÇA DE USO DE SOFTWARE”. Ainda em caráter subsidiário, a Recorrente requer que os bens registrados nas contas de Instalações, Benfeitorias, Máquinas e Equipamentos, Móveis e Utensílios e Licenças de Uso de Software sejam enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Sustenta que esses bens são essenciais e relevantes à prestação de seus serviços, conforme os critérios fixados no REsp nº 1.221.170/PR, e invoca precedentes da CSRF relativos a gastos com iluminação, materiais de segurança, softwares e itens semelhantes. A pretensão não merece acolhimento. Os gastos examinados correspondem a bens incorporados ao ativo imobilizado ou ao ativo intangível, sujeitos à depreciação ou à amortização. Para essas hipóteses, os incisos VI, VII Fl. 18343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 17 e XI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 estabelecem modalidades específicas de creditamento, cuja aplicação afasta a regra geral prevista no inciso II, conforme esclarecido pelo Parecer Normativo COSIT nº 5/2018. Os critérios da essencialidade e da relevância destinam-se à identificação dos bens e serviços consumidos ou empregados na prestação do serviço. Não autorizam o enquadramento como insumo de bens duráveis que integram a estrutura física ou operacional da empresa e possuem disciplina legal própria de creditamento. Mantém-se, portanto, a glosa sob esse fundamento. 3.7 – RECONHECIMENTO DO CRÉDITO INTEGRAL SOBRE EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. Por fim, ainda quanto ao COD 10, a Recorrente requer, subsidiariamente, o reconhecimento do crédito integral relativo aos equipamentos de projeção e sonorização. Sustenta que o próprio acórdão recorrido reconheceu que esses bens constituem equipamentos empregados diretamente na exibição de obras cinematográficas. Para comprovar as aquisições, apresenta as respectivas notas fiscais, juntadas como Docs. 01 e 02 no Recurso Voluntário, com fundamento no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Ressalta que, durante a fiscalização, não foi intimada a apresentar documentação específica desses itens. Assiste razão à Recorrente. O acórdão recorrido reconheceu expressamente que os equipamentos de projeção e sonorização são empregados diretamente na exibição cinematográfica e se enquadram entre as máquinas e equipamentos sujeitos ao creditamento integral previsto no art. 174 da Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019. O indeferimento do pedido decorreu exclusivamente da impossibilidade de identificar, na planilha então disponível, os lançamentos correspondentes a esses equipamentos e, por consequência, os respectivos valores. Não houve, portanto, controvérsia quanto ao direito ao crédito, mas apenas insuficiência de elementos para sua quantificação. A Recorrente supriu essa deficiência ao apresentar, em sede recursal, as notas fiscais relativas à aquisição dos equipamentos de projeção e sonorização. A juntada encontra amparo no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972, pois a documentação se destina a contrapor fundamento adotado na decisão recorrida, que delimitou o enquadramento às referidas categorias sem que, no curso da fiscalização, tivesse sido exigida sua comprovação individualizada. Reconhecida a natureza dos bens pela própria decisão recorrida e apresentada a documentação necessária à identificação das aquisições, deve ser admitido o crédito integral correspondente, condicionado à verificação, na liquidação, das notas fiscais, dos valores e da vinculação ao período objeto da autuação. Fl. 18344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 18 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento nesse ponto, exclusivamente para reconhecer o direito ao crédito relativo aos equipamentos de projeção e sonorização cujas aquisições, no período abrangido pela autuação, sejam comprovadas pelos documentos juntados como Docs. 01 e 02, com apuração dos respectivos valores na liquidação do julgado. 4 – CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE EM DECORRÊNCIA DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO EM PERÍODOS ANTERIORES. A Recorrente contesta a multa de ofício de 75% incidente sobre as diferenças apuradas nos períodos de 2017 e 2018. Sustenta que os débitos de PIS e COFINS desses períodos haviam sido regularmente quitados mediante a utilização do saldo credor de dezembro de 2016 e que somente ficaram a descoberto em razão da recomposição promovida pela fiscalização. Alega que não praticou nenhuma das condutas previstas no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, pois não teria havido falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata. Afirma, ainda, que o deslocamento dos créditos decorreu de ato de ofício da autoridade fiscal, sem conduta comissiva de sua parte, razão pela qual seria cabível, quando muito, a multa de mora prevista no art. 61 da mesma lei. Não assiste razão à Recorrente. A utilização, pela fiscalização, de saldo credor disponível no período em que constatada a infração constitui procedimento vinculado, destinado à correta recomposição da apuração das contribuições. Ao realocar os créditos para os períodos em que efetivamente deveriam ter sido aproveitados, a autoridade fiscal constatou que os valores utilizados em 2017 e 2018 já não estavam disponíveis para extinguir os débitos então declarados. A extinção alegada pela Recorrente pressupunha, portanto, a existência e a disponibilidade dos créditos utilizados. Afastada essa premissa, remanesceram diferenças de PIS e COFINS não recolhidas nos períodos subsequentes. Configura-se, assim, a hipótese prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que alcança a falta ou insuficiência de pagamento decorrente de declaração inexata. A penalidade não decorre do ato de recomposição realizado pela fiscalização, mas da constatação de que os débitos declarados em 2017 e 2018 foram indevidamente reduzidos por créditos que, após a revisão da escrituração, mostraram-se indisponíveis. Também não se aplica a multa de mora. Essa penalidade incide nos casos de pagamento espontâneo realizado após o vencimento, antes do início do procedimento fiscal. Constatada a insuficiência de recolhimento em procedimento de ofício, é cabível a multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Alegações rejeitadas. Fl. 18345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 19 5 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Por fim, a Recorrente contesta a multa de ofício incidente sobre os valores lançados na Parte C do auto de infração, decorrentes das diferenças apuradas entre a EFD-Contribuições e as DCTF. Sustenta que declarou espontaneamente os valores corretos na escrituração fiscal e que, por essa razão, seria aplicável a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Não assiste razão à Recorrente. A penalidade não decorreu da ausência de declaração, mas da insuficiência dos valores confessados em DCTF e recolhidos, em confronto com aqueles apurados na EFD- Contribuições. Configura-se, portanto, declaração inexata e falta ou insuficiência de pagamento, hipóteses abrangidas pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Também não se aplica a denúncia espontânea. O benefício previsto no art. 138 do CTN exige que a comunicação da infração seja acompanhada, quando cabível, do pagamento integral do tributo e dos juros de mora. No caso, embora os valores tenham sido informados na EFD-Contribuições, não houve o recolhimento prévio das diferenças apuradas, requisito indispensável à exclusão da penalidade, conforme a Nota Técnica COSIT nº 19/2012. Nego provimento. 6 – DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Os responsáveis solidários Raphael Denadai Sanchez (fls. 18.092/18.126), José Bento de Alencar Junior (fls. 18.129/18.164), Marcelo Bertini de Rezende Barbosa (fls. 18.167/18.201) e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki (fls. 18.204/18.239), incluídos no Termo de Responsabilidade Tributária com fundamento no art. 135 do CTN, interpuseram Recursos Voluntários de idêntico teor, nos quais apresentam os mesmos fundamentos de fato e de direito para contestar sua sujeição passiva. Diante da identidade das razões recursais, os recursos serão examinados conjuntamente, em observância à economia processual e à uniformidade das decisões. As conclusões deste voto aplicam-se, portanto, indistintamente aos quatro Recorrentes. As matérias relativas ao lançamento já foram integralmente apreciadas nos tópicos anteriores, por ocasião do exame do Recurso Voluntário da contribuinte Cinemark Brasil S.A. Refiro-me à glosa das despesas condominiais, aos créditos relativos ao ativo imobilizado, identificados pelo COD 10, à multa incidente sobre as diferenças decorrentes do aproveitamento de ofício dos créditos e à multa por insuficiência de recolhimento. Como os responsáveis solidários aderem subsidiariamente às razões apresentadas pela contribuinte principal, resta examinar apenas a responsabilidade tributária pessoal que lhes foi imputada. Fl. 18346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 20 6.1 – DA LINHA ARGUMENTATIVA COMUM DOS RECORRENTES E DA ANÁLISE DA RESPONSABILIDSDE TRIBUTÁRIA. Sustentam os Recorrentes, em síntese, que a responsabilidade pessoal prevista no art. 135 do CTN exige a demonstração individualizada de conduta dolosa praticada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Afirmam que a mera ocupação de cargo de direção e o simples inadimplemento da obrigação tributária pela pessoa jurídica não são suficientes para justificar a imputação. Alegam que o Termo de Responsabilidade Tributária se limitou a reproduzir genericamente as hipóteses do caput do art. 135, sem indicar o inciso aplicável nem descrever qualquer ato concreto praticado pelas pessoas físicas. Segundo afirmam, a fiscalização atribuiu à empresa, apenas em tese, a inserção dolosa de créditos indevidos, sem individualizar a participação de cada responsável. Acrescentam que o art. 135 do CTN exige a efetiva comprovação do dolo do agente, não admitindo sua presunção. Invocam, para tanto, a distinção entre os arts. 134 e 135 do CTN, sustentando que o primeiro alcança condutas culposas, enquanto o segundo pressupõe atuação dolosa, conforme consignado no voto vencido proferido no acórdão recorrido. Citam, ainda, precedentes do CARF e do STJ, inclusive a Súmula STJ nº 430, segundo a qual o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade do sócio-gerente. Apontam, por fim, contradição no acórdão recorrido, que afastou, por unanimidade, a qualificação da multa em razão da ausência de dolo, mas manteve a responsabilidade pessoal com fundamento em suposta culpa in vigilando. Argumentam que, afastado o dolo, desaparece o próprio suporte da imputação fundada no art. 135 do CTN. Sustentam, ainda, que a responsabilização por culpa, além de não encontrar previsão nesse dispositivo, somente foi introduzida pela decisão de primeira instância, em indevida inovação dos fundamentos do Termo de Responsabilidade. Subsidiariamente, invocam o art. 137 do CTN para afastar a responsabilidade pelas penalidades e reiteram, por remissão, as razões apresentadas pela contribuinte quanto à improcedência do lançamento. Assiste razão aos recorrentes. A responsabilidade tributária pessoal de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, prevista no art. 135, III, do CTN, não decorre do simples exercício de cargo de direção, tampouco do mero inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade. Exige, ao contrário, a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, mediante conduta dolosa, individualizada e comprovada nos autos, com demonstração do nexo de causalidade entre a atuação do agente e a obrigação tributária dela decorrente. Fl. 18347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 21 Essa é a orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça, cristalizada na Súmula 430, segundo a qual o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente, e segundo a qual o redirecionamento somente é cabível quando demonstrada a atuação dolosa, com fraude ou excesso de poderes. No caso dos autos, o Termo de Responsabilidade Tributária limitou-se a reproduzir, de forma genérica, as hipóteses do caput do art. 135 do CTN, sem sequer indicar o inciso aplicável, e a imputar à pessoa jurídica, em tese, conduta dolosa continuada de inserção de créditos indevidos de PIS e Cofins. Não há, em momento algum, a descrição de ato concreto praticado por qualquer dos recorrentes no exercício de suas funções de direção, nem a demonstração de que tenham eles, pessoalmente e com dolo, determinado ou concorrido para a apropriação dos créditos glosados. A imputação assentou-se, em essência, na só condição de ocupantes de cargo de direção à época dos fatos, o que é insuficiente para atrair a responsabilidade do art. 135, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho. A esse vício soma-se uma circunstância decisiva, própria deste processo. A mesma turma julgadora de primeira instância que manteve a responsabilidade pessoal reconheceu, por unanimidade e em caráter definitivo, a inexistência de dolo na conduta da contribuinte, ao desqualificar a multa de 150% e reduzi-la a 75%. Consignou o acórdão recorrido que a adoção de interpretação jurídica diversa daquela defendida pela Secretaria da Receita Federal, desde que não implique simulação ou dissimulação dos fatos, não é passível de qualificação da multa de ofício, e que a suposta replicação de notas fiscais restou descaracterizada em diligência. Ora, se a própria conduta da empresa foi reconhecida como isenta de dolo, por traduzir mera divergência interpretativa em matéria notoriamente controvertida, não se sustenta a manutenção, contra os diretores, de responsabilidade que pressupõe precisamente o dolo que se afastou. A contradição é insuperável. No meu convencimento, a qualificação da multa e a responsabilização pessoal do art. 135 repousam sobre o mesmo pressuposto, a saber, a prática de atos dolosos. Afastado o dolo para fins de desqualificação da penalidade, por decisão unânime, o mesmo fundamento fático impõe o afastamento da responsabilidade solidária, sob pena de a decisão apoiar-se, a um só tempo, na existência e na inexistência de dolo. Não por acaso, a jurisprudência deste Conselho tem assentado que, uma vez afastada a multa qualificada por ausência de conduta dolosa, é medida que se impõe o consequente afastamento da responsabilidade tributária a ela vinculada. Essa foi, aliás, a percepção externada na declaração de voto vencida no acórdão recorrido, cujos fundamentos acolho, no sentido de que o art. 135 do CTN requer conduta dolosa, enquanto o art. 134 se contenta com a culpa, de modo que, descartado o dolo e não tendo sido sequer cogitada a culpa pela fiscalização, as pessoas físicas não podem ser responsabilizadas com Fl. 18348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 22 base naquele dispositivo. Com efeito, o fundamento da culpa in vigilando, invocado pelo voto vencedor de primeira instância, não encontra amparo no art. 135, que reclama atuação dolosa, e não a simples omissão no dever de vigilância. Se o legislador quisesse alcançar as condutas meramente culposas dos agentes ali arrolados, tê-lo-ia feito expressamente, como fez no art. 134 do CTN, não cabendo ao intérprete ampliar as hipóteses de responsabilização pessoal para além dos estritos limites em que fixadas. Não tendo a fiscalização demonstrado, quanto a qualquer dos Recorrentes, a prática de ato doloso individualizado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, e reconhecida nos próprios autos a ausência de dolo na conduta que deu origem à autuação, impõe-se a exclusão dos quatro responsáveis solidários do polo passivo. Fica prejudicado, por consequência, o exame das preliminares de nulidade suscitadas, bem como do fundamento subsidiário relativo à responsabilidade pelas penalidades, na medida em que a exclusão ora reconhecida atende integralmente à pretensão recursal, alcançando a totalidade da imputação. Afasto, assim, a responsabilidade atribuída aos Srs. Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Dou provimento. 7 – DO RECURSO DE OFÍCIO. A DRJ reverteu parcialmente algumas glosas, sendo certo que pode se verificar às fls. 17798/17799, o seguinte: “Das glosas revertidas e multa exonerada De todo o exposto, foram revertidas parcialmente, neste julgamento, as glosas efetuadas pela fiscalização, no montante de R$ 2.839.820,91 para a COFINS e R$ 616.540,08 para o PIS, conforme abaixo detalhado: (...) No que diz respeito às multas aplicadas, em razão deste voto foram exonerados os valores de R$ 2.138.094,64 e R$ 464.207,41 relativos às infrações da COFINS e do PIS, respectivamente. Destaco que a redução da multa qualificada ao patamar de 75% apenas implicou em efeitos na competência de dez/2016, único mês em que foi constituída a exigência no percentual de 150%. Detalhamento a seguir: (...)” A Portaria ME nº 02/2023 elevou de R$ 2,5 milhões para R$ 15 milhões o valor de alçada para a interposição de Recurso de Ofício ao CARF, devendo ser considerado na soma o montante do principal e da multa exonerada. A Súmula CARF nº 103 determina que para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 18349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 23 As Súmulas CARF são de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos do Regimento Interno do CARF e do Decreto nº 70.235/1972. Sendo assim, não conheço do Recurso de Ofício. 8 – DA CONCLUSÃO. Ante o todo exposto, conheço do Recurso Voluntário da Cinemark, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento para (i) reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais e (ii) reconhecer o direito ao crédito integral sobre os equipamentos de projeção e sonorização cujas aquisições, no período autuado, restem comprovadas pelas notas fiscais juntadas em sede recursal, a ser apurado em liquidação. Quantos aos Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários, deles conheço e dou provimento para afastar a responsabilidade atribuída aos Srs. Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Não conheço do Recurso de Ofício, eis que o valor exonerado pelo acordão recorrido é inferior ao limite de alçada. É como voto. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges Fl. 18350DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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