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Numero do processo: 10830.912069/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.783
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 69 /2 01 2- 19 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912069/201219 Acórdão n.º 3301003.783 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.810, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912069/201219 Acórdão n.º 3301003.783 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912069/201219 Acórdão n.º 3301003.783 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912069/201219 Acórdão n.º 3301003.783 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912069/201219 Acórdão n.º 3301003.783 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912069/201219 Acórdão n.º 3301003.783 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912069/201219 Acórdão n.º 3301003.783 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912069/201219 Acórdão n.º 3301003.783 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.902463/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 24 63 /2 00 9- 02 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 11040.902463/200902 Acórdão n.º 1402002.650 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 11040.902463/200902 Acórdão n.º 1402002.650 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11040.902463/200902 Acórdão n.º 1402002.650 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11040.902463/200902 Acórdão n.º 1402002.650 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720409/2015-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide ImpostodeRenda sobre osjurosmoratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidasemdecisão judicial" (Tema 470).
Numero da decisão: 2201-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide ImpostodeRenda sobre osjurosmoratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidasemdecisão judicial" (Tema 470).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide ImpostodeRenda sobre osjurosmoratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidasemdecisão judicial" (Tema 470). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 28 4. 72 04 09 /2 01 5- 02 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 372 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. A Notificação de Lançamento é relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2014, anocalendário 2013, a qual alterou o resultado da Declaração de saldo de imposto a restituir declarado de R$ 84.742,53 para saldo de imposto a restituir de R$ 68.589,48. A autuação consigna a seguinte infração (fls.60/68): Omissão de Rendimentos Recebidos Acumuladamente Tributação Exclusiva R$ 58.738,40 Cientificado do lançamento em 08/09/2015, ingressou o contribuinte, em 18/09/2015, com a impugnação de fls. 02/17, instruída com documentos de fls. 18/58, onde traz as alegações a seguir sintetizadas. Inicia sua defesa reproduzindo ementas de julgados da Justiça do Trabalho, acerca da natureza tributável dos juros de mora. No preenchimento de sua declaração, teria se baseado nessas normas, que reconheceriam os juros de mora como isentos de imposto de renda. Seria uma ofensa à segurança jurídica e à estabilidade das decisões judiciais a não observância desse entendimento no âmbito administrativo. Aponta os valores sobre os quais versa a lide, sendo montante total, de R$459.803,07, referente a 45 meses, e valores não tributáveis, de R$ 85.372,85. Acrescenta ainda os valores atinentes aos honorários advocatícios. Reproduz planilha de cálculos dos autos judiciais. Os valores informados em sua DIRPF estariam corretos, ensejando o pagamento do saldo de imposto a restituir apurado, com a devida correção pela taxa Selic. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 292/297), nos termos da seguinte ementa: AÇÃO TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. São tributáveis, na fonte e na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença e quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 373 3 Cientificado do acórdão da DRJ por via postal em 25/05/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 30/05/2016 (fls. 302/324), em que reitera os termos expendidos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito O recorrente concentra suas razões recursais na alegativa de que não incide Imposto sobre a Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecida por decisão judicial. Todavia, razão não lhe assiste. No julgamento do Recurso Especial (REsp) n° 1.227.133/RS, de 28/09/2011, na sistemática do recurso repetitivo, redator para o acórdão Ministro César Asfor Rocha, na qual se assentou que sobre os juros moratórios legais, vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, não há incidência do Imposto sobre a Renda. A ementa do julgado, após julgamento dos embargos de declaração, restou assim redigida: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Acontece que a decisão foi melhor explicitada no REsp n° 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, que levando em consideração o decidido no REsp n° 1.227.133/RS, aclarou e sintetizou a posição da 1.a Seção Fl. 373DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 374 4 do STJ quanto às regras de isenção dos juros moratórios. Seguem transcritos excertos da ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.° 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas Fl. 374DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 375 5 indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale ". (grifouse) No caso, temse juros de mora recebidos acumuladamente em reclamatória trabalhista. Todavia, não se tem notícia da perda do emprego pelo reclamante, ou seja, os juros não foram pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, pelo que não incide isenção prevista no art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. A prova pela perda do emprego deveria ter sido apresentada pelo contribuinte, pois é ônus que lhe incumbe. A verba principal recebida, sobre a qual incidiram os juros, tiveram a incidência do imposto de renda, conforme verificado pelo acórdão da DRJ. Logo, pela regra de que o acessório segue o principal, os juros devem submeterse à incidência do imposto de renda, por força da regra geral disposta no art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n° 4.506/64. É de bom alvitre reproduzir, no que concerne à tributação dos juros de mora incidentes sobre verbas recebidas judicialmente, os artigos 43, § 3°, e 55, XIV, do RIR/1999: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei n° 4.506, de 1964, art. 16, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3° § 4°, Lei n° 8.383, de 1991, art. 74, e Lei n° 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória n° 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1° e 2°): § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei n° 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único). (destaques da transcrição) Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 4°, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, § 2°, inciso IV, e 70, § 3°, inciso I) : (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ao tratar especificamente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o mesmo Regulamento, nos artigos 56 e 640, consolida a tributação dos juros e atualização monetária: Fl. 375DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 376 6 Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12).” Art. 640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12, e Lei n° 8.134, de 1990, art. 30).” A Nota PGFN/CRJ n° 1.582/2012, por sua vez, reconhecendo a jurisprudência do STJ contrária à tributação dos juros de mora, afastou a incidência do IRPF sobre os juros de mora decorrentes do recebimento em atraso de verbas trabalhistas, pagas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, nos seguintes termos: Em complementação à Nota PGFN/CRJ n° 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, com a finalidade de subsidiar a aplicação, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Parecer PGFN CDA n° 2025/2011, encaminhase a presente nota, correspondente ao Recurso Especial n° 1.089.720/RS, que teve a precípua finalidade de esclarecer o julgado no Resp n. 1.227.133/RS. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ n° 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA n° 2025/2011, procedese à delimitação do tema decidido no Recurso Especial acima mencionado. Estabeleceu o Superior Tribunal de Justiça, da conjugação do julgado no Resp n. 1.227.133/RS representativo de controvérsia com o Resp n. 1.089.720/RS, ambos julgados pela 1a Seção do Superior Tribunal de Justiça, que em regra incide IRPF sobre os juros de mora, excepcionalmente, o tributo será afastado quando: os juros de mora decorrem do recebimento em atraso de verbas trabalhistas decorrentes da perda do emprego , independentemente da natureza destas (se remuneratória ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, em reclamatória trabalhista ou não (art. 6, V, da Lei n. 7.713/88)ou; os juros de mora decorrem do recebimento de verbas principais que não acarretem acréscimo patrimonial ou que são isentas ou Fl. 376DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 377 7 não tributadas (em razão da regra de que o acessório segue o principal). Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão do Agravo Regimental nos Embargos de Divergência do Recurso Especial n° 1.089.720/RS, que fundamentou a Nota PGFN/CRJ n° 1.582/2012: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PARADIGMA DA QUARTA TURMA QUE NÃO TRATOU DA MESMA QUESTÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. EMBARGOS LIMINARMENTE INDEFERIDOS. DECISÃO MANTIDA EM SEUS PRÓPRIOS TERMOS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O acórdão embargado conheceu do recurso especial “quanto à discussão sobre a incidência do Imposto de Renda sobre osjuros de mora pagos em razão de reclamação trabalhista. ” Decidiu que, como regra, “incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal”. Anotou, no entanto, duas exceções: “O fator determinante para ocorrer a isenção do art 6o, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. ” E também “são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do ‘accessorium sequitur suum principale ’.” 2. O acórdão paradigma, por sua vez, passando ao largo da controvérsia destes autos, consignou o entendimento de que “Os juros de mora se destinam a reparar os danos emergentes, ou positivos, e a pena convencional é a prévia estipulação para reparar os lucros cessantes, que são os danos negativos, vale dizer, o lucro que a inadimplência não deixou que se auferisse, resultando na perda de um ganho esperável. Não estabelecida previamente a pena convencional, pode o juiz, a título de dano negativo, estipular um valor do que o credor razoavelmente deixou de lucrar. ” 3. A controvérsia do acórdão embargado, portanto, foi muito além daquela enfrentada pelo paradigma, razão pela qual não se abre a estreita via dos embargos de divergência. Desatendimento aos requisitos do art. 266, § 1.°, do RISTJ. Ausência de similitude fáticojurídica. 4. Agravo regimental desprovido. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 378 8 Destarte, não incide IRPF sobre os juros de mora apenas quando decorrentes do recebimento em atraso de verbas trabalhistas, nos casos da perda do emprego, independentemente da natureza destas (se remuneratória ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, o que não é o caso dos autos. Por todo o exposto, não é possível acolher o pleito recursal de exclusão dos juros e correção monetária da base de cálculo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado Em que pesem os argumentos e logicidade do voto do Conselheiro Relator, ouso dele discordar somente quanto a incidência do imposto sobre a renda da pessoa física sobre os juros moratórios pagos em decorrência de reclamatória trabalhista. Cediça a aplicação do entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça por meio da decisão proclamada no REsp n° 1.227.133/RS, de 28/09/2011, na sistemática do recurso repetitivo. Nesse sentido não divirjo do nobre Relator. Porém, entendo que tal decisão é clara em asseverar que os juros moratórios pagos por força do término do contrato de trabalho, seja em ação judicial específica, seja por meio de ajuste entre as partes, não sofre a incidência do tributo em análise, em face de seu caráter indenizatório em sentido específico, ou seja, em razão da ausência de acréscimo patrimonial do trabalhador por força da percepção da mencionada verba. Tal afirmação consta da decisão tomada como pacificadora da controvérsia no âmbito da Corte Superior de Justiça, vejamos trecho reproduzido pelo Relator: "Acontece que a decisão foi melhor explicitada no REsp n° 1.089.720/RS, julgado em 10/10/2012, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, que levando em consideração o decidido no REsp n° 1.227.133/RS, aclarou e sintetizou a posição da 1.a Seção do STJ quanto às regras de isenção dos juros moratórios. Seguem transcritos excertos da ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 379 9 RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.° 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). Nem todas as reclamatórias trabalhistas discutem verbas de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ali podem ser discutidas outras verbas ou haver o contexto de continuidade do vínculo empregatício. A discussão exclusiva de verbas dissociadas do fim do vínculo empregatício exclui a incidência do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88. O fator determinante para ocorrer a isenção do art. 6°, inciso V, da Lei n. 7.713/88 é haver a perda do emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros incidentes sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quanto os juros incidentes sobre as verbas não isentas. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale ". (destaques não constam de decisão judicial) Fl. 379DF CARF MF Processo nº 17284.720409/201502 Acórdão n.º 2201003.852 S2C2T1 Fl. 380 10 Ora, forçoso o entendimento de que havendo reclamatória trabalhista decorrente do fim do contrato de emprego, não se deve perquirir se a verba tem ou não natureza indenizatória, posto que, segundo o Tribunal Superior, a isenção abraça todas as verbas pagas, vez que a relação de trabalho tem proteção constitucional, ensejando, sua rescisão, dever de indenização. Tal interpretação encontra respaldo no próprio Superior Tribunal de Justiça, como se comprova pela redação do Tema 470, posto que assim se encontra explicitada a tese firmada (consulta em < http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp>, em 17 de agosto de 2017): "Não incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial" Do exposto, e considerando as determinações do parágrafo 2º do artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 08 de junho de 2015, forçoso reconhecer a não incidência do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física sobre os juros de mora percebidos em reclamatória trabalhista. Conclusão Com base nos fundamentos e argumentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o tributo incidente sobre os juros de mora percebidos na reclamatória trabalhista (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.901062/2014-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que deu provimento parcial à manifestação de inconformidade apresentada em contestação a Despacho Decisório que homologou parcialmente a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 06352.13121.161009.1.7.031069, e não homologou a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 07485.66872.240310.1.3.039370. Perante a autoridade julgadora da instância a quo, a recorrente alegou que houve retenções conforme quadro apresentado e cópias de notas fiscais juntadas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 01 06 2/ 20 14 -7 4 Fl. 742DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 743 2 Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de CSLL, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.” Ciência da decisão recorrida no dia 20/05/2015, à fl. 564. Recurso a este Colegiado às fls. 568/587, com entrada na repartição de origem no dia 19/06/2015. Nessa oportunidade, aduz que é pessoa jurídica de direito privado, submetida ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, e que apurou, no 2º trimestre de 2007, saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 126.277,44, oriundo de retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, conforme o indicado na DIPJ do exercício. Além disso, acrescenta o seguinte: 1) considerando aquele crédito, coubelhe transmitir, como de fato transmitiu, o PER/DCOMP n° 06352.13121.161009.1.7.031069, com objetivo de proceder ao encontro de contas necessário à extinção da dívida tributária; 2) não obstante a entrega regular do referido PER/DCOMP, tomou ciência de que o Despacho Decisório reconhecera parcialmente o crédito pleiteado, limitando o saldo negativo disponível de CSLL do 2º trimestre de 2007 ao valor de R$ 11.602,64; 3) irresignada com o citado Despacho Decisório, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade à primeira instância, perante a qual comprovou a efetiva existência do crédito informado no PER/DCOMP, mediante documentos hábeis e idôneos; 4) contudo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 87.551,17, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre a CSLL retida na fonte, provavelmente em decorrência de erro de preenchimento cometido pelas próprias fontes pagadoras das receitas que recebera; 5) a tal respeito, cabe frisar o decurso do prazo decadencial para a revisão dos valores apurados, referentes ao saldo negativo da DIPJ/2008 e lançados em DCTF, já que transcorrido o interregno superior a cinco anos do fato gerador (31/12/2007); 6) podese afirmar que a ocorrência da decadência fulminou, de plano, a pretensão da autoridade fiscal de glosar o crédito pleiteado, porquanto, na data de ciência do Despacho Decisório (13/03/2014), já havia passado o prazo para a contestação do crédito apurado pela recorrente, na DIPJ/2008; Fl. 743DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 744 3 7) ademais, caso se entenda que a decadência que afeta o caso em pauta reger seia pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, ainda assim terá sido superado o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública rever a apuração do ano calendário de 2007; 8) não bastasse tal impedimento, a autoridade fiscal não intimou a recorrente para justificar as diferenças e apresentar documentos hábeis à comprovação de seu direito creditório, em total violação ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário; 9) não fosse assim, a Receita Federal do Brasil não teria editado a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, a qual, ao definir procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação formalizadas mediante PER/DCOMP, determinou que, nas verificações de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito; 10) tal entendimento é corroborado pela jurisprudência administrativa, consoante o que se depreende do acórdão n° 1239.074, pelo qual a 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro anulou despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo n° 10725.900.095/200815, ao argumento de que a ausência de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação viola a Norma de Execução CODAC/COSIT/ COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 11) portanto, a expedição de Despacho Decisório sob o fundamento de que o crédito não seria suficiente, sem a prévia intimação ao contribuinte, ou mesmo a baixa dos autos para realização de diligência fiscal, incorre em nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal Federal reproduzido pelo art. 12, inciso II, do Decreto n° 7.574/11); 12) diante deste cenário, é preciso ressaltar que a autoridade fazendária deve obediência às regras positivadas, sejam elas estabelecidas por diplomas legais ou por atos normativos internos de conduta e execução, emanados dos órgãos da Administração Pública, como é o caso da Receita Federal do Brasil; 13) uma vez presentes os fatos acima expostos, não resta alternativa distinta da pronúncia de nulidade parcial da decisão recorrida e do despacho decisório, em face da violação aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa, afora o descumprimento da Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 14) outrossim, impende pôr em foco que, no caso em tela, houve a retenção da CSLL no montante de R$ 126.277,44, valor que, subtraído da CSLL devida (R$ 00,00), constituiu o saldo negativo de CSLL, para o 2º trimestre de 2007, grande parte derivada da retenções efetuadas por órgãos públicos federais, conforme documentos e informações acostados aos autos; 15) não bastassem os documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, a recorrente anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado; Fl. 744DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 745 4 16) à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário; 17) assim, a glosa de crédito com o pretenso suporte na não confirmação da CSLL/Fonte é um descompasso com a realidade, pois a CSLL lhe foi retida como forma de antecipação da contribuição social devida ao final do trimestre; 18) se as pessoas jurídicas tomadoras de serviço não apresentaram DIRF, as consequências dessa falta devem ser imputadas às fontes responsáveis pelos pagamentos efetuados em benefício da recorrente, jamais à beneficiária dos pagamentos; 19) desse modo, resta efetivamente comprovado, também, a importância de R$ 27.123,63, além daqueles valores já reconhecidos, de R$ 11.602,64 e R$ 87.551,17, relativos à CSLL do 2o trimestre de 2007; 20) o procedimento de compensação deve ser pautado pela imparcialidade, cabendo à autoridade julgadora buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independentemente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados; 21) por todo o exposto, a recorrente requer: a) seja admitido, processado e julgado o presente recurso voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, como a suspensão da exigibilidade de todos os créditos tributários objeto de compensação com crédito de saldo negativo de CSLL ora em lume, mormente aqueles do processo de cobrança n° 12448.901764/201458; b) seja reconhecido o decurso do prazo decadencial para a Fazenda Pública glosar o crédito de saldo negativo de CSLL do 2o trimestre de 2007, homologandose, em consequência, a compensação em exame e cancelada a exigência dos débitos compensados; c) seja reconhecida a nulidade parcial do acórdão ora recorrido, em razão da clara violação à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/CACAJ/ COTEC N° 6/ 2007; d) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de reconhecer o direito creditório ora discutido, homologandose integralmente a DCOMP n° 07485.66872.240310.1.3.039370, cancelandose os valores apontados como devidos no processo de cobrança n° 12448.901764/201458; e) caso se entenda pela impossibilidade de julgamento do mérito, seja determinado o retorno dos autos à primeira instância para a efetiva análise dos documentos juntados aos presentes autos; f) por fim, protesta a recorrente pela posterior produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, especialmente a prova documental suplementar, que ratificará a parcial improcedência do acórdão ora guerreado, bem como a eventual realização de diligência fiscal, caso necessário para formar a convicção sobre a matéria versada nestes autos. É o relatório. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 746 5 Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente recurso, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Em primeiro lugar, a recorrente defende o decurso do prazo decadencial para a revisão dos valores apurados, referentes ao saldo negativo da DIPJ/2008 e lançados em DCTF, uma vez transcorrido o interregno superior a cinco anos do fato gerador (31/12/2007). Para o deslinde da questão, mostrase necessário descortinar que o PER/DCOMP nº 06352.13121.161009.1.7.031069 foi transmitido pela recorrente no dia 16/10/2009 (fl. 505), em retificaçao ao PER/DCOMP nº 21970.43582.221208.1.3.035407, com vistas à compensação entre o alegado crédito decorrente do saldo negativo de CSLL do segundo trimestre do anocalendário de 2007, no valor de R$ 126.277,44, e o débito de Cofins (código 2172), de novembro de 2008, na importância de R$ 94.207,31. A diferença entre o crédito e o débito mencionados, de R$ 32.070,13 (R$ 126.277,44 – R$ 94.207,31), também foi objeto de compensação com débito de Cofins (código 2172), a teor das informações contidas no PER/DCOMP nº 07485.66872.240310.1.3.039370, às fls. 545/548. No demonstrativo denominado "Análise das Parcelas de Crédito", às fls. 520/522, a Fiscalização expõe, em planilhas, os resultados dos exames efetuados, quando da apreciação do PER/DCOMP nº 06352.13121.161009.1.7.031069: Fl. 746DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 747 6 Portanto, no primeiro momento, concluiuse, na delegacia de origem, que a recorrente apenas fazia jus ao crédito de R$ 11.602,64 (R$ 1.565,21 + R$ 10.037,43). Já a Fl. 747DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 748 7 instância julgadora a quo reconheceulhe o crédito adicional de R$ 87.551.17. Diante disso, é certo dizer que a recorrente já obteve o reconhecimento de um crédito total de R$ 99.153,81 (R$ 11.602,64 + R$ 87.551,17). Tomando como referência o montante lançado no PERD/DCOMP nº 06352.13121.161009.1.7.031069, a título de saldo negativo de CSLL do 2º trimestre de 2009, faltalhe o reconhecimento do crédito de R$ 27.123,63 (R$ 126.277,44 – R$ 99.153,81), agora requerido, na presente instância. O crédito total reconhecido na DRF e na DRJ, de R$ 99.153,81, foi oferecido pela recorrente para compensação com o débito declarado no PER/DCOMP nº 06352.13121.161009.1.7.031069, de R$ 94.207,31, correspondente à Cofins de novembro de 2008, daí remanescendo uma parcela de crédito já reconhecido, originária do saldo negativo de CSLL do 2º trimestre de 2007, de R$ 4.964,50 (R$ 99.153,81 – R$ 94.207,31), aplicada pela recorrente na compensação com o débito de Cofins de fevereiro de 2010, declarado no PER/DCOMP nº 07485.66872.240310.1.3.039370. A compensação, que é veiculada mediante PER/DCOMP, pode se tornar definitiva após o intervalo de cinco anos, contados da data da transmissão do documento que a veicula, na forma do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 74 ...... .................. 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Levandose em conta que o PER/DCOMP nº 06352.13121.161009.1.7.031069 fora transmitido no dia 16/10/2009, a homologação tácita da compensação por ele veiculada só poderia ocorrer em 16/10/2014. Entretanto, o Despacho Decisório, à fl. 07, data de 04/03/2014, cientificado à recorrente no dia 13/03/2014, à fl. 502. Nesses termos, revelase patente que não houve homologação tácita da compensação declarada, pois a autoridade fiscal agiu dentro do lapso temporal de que dispunha para revêla. E se podia revêla dentro desse interregno, podia averiguar a certeza e a liquidez do crédito oferecido ao encontro de contas. Porém, nada nos autos demonstra que autoridade fiscal tenha alterado a base de cálculo do tributo, efetuando adição de receitas omitidas ou de despesas ou custos indedutíveis, como também não há o que aponte a efetivação de recálculo do tributo devido, por ato de ofício, com a aplicação de alíquota ou coeficiente de apuração distinto daquele que fora empregado pela recorrente. Enfim, nada nos autos denota que houve lançamento tributário, como tal definido "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível", nos termos do artigo 142 do CTN. Distintamente, o que se vê nos autos é a atuação da autoridade fiscal em busca da comprovação dos créditos que a recorrente registrou como antecipação do tributo devido apurado na DIPJ. Por conseguinte, é descabida a afirmação de que a autoridade fiscal burlou a regra decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do artigo 173, inciso I, do mesmo Código, ao desconsiderar que as informações escrituradas na DIPJ/2008, aí incluindo o saldo negativo do anocalendário de 2007, tornaramse imutáveis após 31/12/2012. Tal argumento tem o objetivo de iludir o julgador, desviandoo para um tema que não diz respeito ao fenômeno jurídico ocorrido. Em face, pois, do exposto, proponho a rejeição da preliminar de decadência. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 749 8 A questão subsequente se refere à suposta violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. A Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 é mera norma interna corporis que disciplina, no âmbito do órgão fiscal, a atuação de vários agentes que intervêm no procedimento de compensação. De modo algum podese acolher a tese de que o eventual desrespeito a tal disciplina administrativa reflita possível violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. Como é cediço, no procedimento de compensação, o direito ao contraditório e à ampla defesa nasce apenas no momento em que a autoridade fiscal não homologa a compensação declarada pelo contribuinte, conforme § 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, verbis: “Art. 74 ....... § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) E mais: a teor do § 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cabe recurso ao CARF da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Já por força do § 11 do citado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, é lícito afirmar que o recurso voluntário ao CARF e a manifestação de inconformidade são espécies do recurso previsto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, além de se submeterem ao rigor do Decreto nº 70.235/1972, verbis: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) A linha diretiva que ressai dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 está espelhada no artigo 119, caput e §§, do Decreto nº 7.574/2011: “Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). § 1o Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17; Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Fl. 749DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 750 9 Como se vê, há um conjunto de regras jurídicas que instituiu, no plano legal, o esquema das garantias do contraditório e da ampla defesa plasmadas no texto constitucional, especificamente direcionadas à efetivação do diálogo entre o Estado Fiscal e o administrado, quando este manifesta que pretende compensar, na forma prevista em lei, débitos tributários e supostos créditos em face do mesmo Estado. Nesse esquema, o desenhista institucional estabeleceu que a decisão que não homologa, total ou parcialmente, a compensação declarada pode ser contestada, não os atos anteriores a ela. Portanto, é descabida a assertiva de que a ausência de intimação do contribuinte, destinada à comprovação da regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação, deve acarretar a pronúncia de invalidade da decisão recorrida, por cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, tendo em conta que, no esquema legal de defesas do contribuinte, o direito à manifestação de inconformidade não surge antes da emissão da decisão não homologatória da compensação. Tal é o juízo a ser proferido com suporte nos aludidos preceitos normativos, embora exista outra perspectiva que também acena para idêntica conclusão. Reparese: as disposições normativas do artigo 74, caput e §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996 permitem asselar que a transmissão do PER/DCOMP é um ato material pelo qual o contribuinte manifesta a vontade consciente de efetuar a compensação entre débitos e créditos tributários, desde logo concretizada, tal a simultaneidade da execução do ato (transmissão do PER/DCOMP) com os efeitos compensatórios imediatamente gerados, embora a definitividade de tais efeitos esteja condicionada à homologação da compensação pela autoridade fiscal, que dispõe do lapso temporal de cinco anos para realizála, sob pena de homologação tácita. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por sua vez, a homologação é um ato administrativo mediante o qual a autoridade estatal examina a legalidade de um ato anterior. Nesse cenário, a homologação não tácita da compensação tributária declarada não dispensa a certificação, pela autoridade homologante, da existência e da suficiência do crédito alegado. Essa certificação implica verificação dos supostos fatos geradores de créditos tributários, o que é executado ao longo de uma etapa logicamente antecedente à homologação. Como já foi dito, o direito ao contraditório e à ampla defesa surge apenas após a edição do ato administrativo que não homologa a compensação declarada. Logo, as verificações anteriores ao ato final da autoridade homologante, enquanto atos despidos de conteúdo decisório, não se submetem às Fl. 750DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 751 10 determinações legais que fixaram o contraditório e a ampla defesa. Em outras palavras, antes do despacho decisório da autoridade com atribuição para a homologação da compensação declarada, o trabalho fiscal percorre uma fase administrativa de índole inquisitória, indispensável ao exame da legalidade do declarado encontro de contas. Assim, não procede a tese defensiva que advoga a prática de ato atentatório às garantias do contraditório e da ampla defesa. No mérito, a recorrente pleiteia, nesta instância recursal, o reconhecimento do crédito de R$ R$ 27.123,63, embasando seu pedido nas provas documentais juntadas na impugnação e no recurso voluntário, sustentando que, à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto das notas fiscais acostadas aos autos, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário, afinal a retenção da CSLL na fonte é forma de antecipação da contribuição social devida ao final do trimestre. Nessas circunstâncias, assinala que as consequências da omissão das pessoas jurídicas tomadoras de serviço que não apresentaram DIRF devem ser imputadas às próprias fontes responsáveis pelos pagamentos efetuados em benefício da recorrente, jamais à beneficiária. Diante dos argumentos da recorrente, é necessário sublinhar os seguintes fatos, que devem ser levados em conta: 1) as cópias de notas fiscais reunidas na impugnação, às fls. 24/501, não estão acompanhadas dos respectivos lançamentos contábeis e de extratos bancários aptos a comprovar o recebimento do valor bruto do preço do serviço prestado, descontado da CSLL retida na fonte. Tal evidência afasta, por si só, a utilidade dessas notas fiscais para os fins esperados pela recorrente. Isso porque, ainda que as fontes pagadoras das receitas não tenham transmitido a DIRF, admitese a comprovação do tributo retido na fonte à vista dos registros contábeis acompanhados da nota fiscal (ou fatura) respectiva e do recebimento do valor líquido. Confirase: “RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora.” (Acórdão nº 1101000.988 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária – sessão de 10/10/2013, rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa) Ressaltase do julgado selecionado a exigência de comprovação da entrada de divisas, o que não se revela factível sem o lastro de terceira pessoa, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse”1; 2) já as cópias de notas fiscais inseridas nos autos no recurso voluntário, às fls. 616/728, não estão acompanhados dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente da CSLL retida na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da existência 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 752 11 do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação da CSLL na DIPJ. A CSLL retida na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui a CSLL retida na fonte), em relação à CSLL devida, apurada na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, da CSLL retida na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação da CSLL na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento da CSLL retida na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte à CSLL apurada na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a compensação de contribuição incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, em nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedandose a restituição de qualquer valor a título de CSLL excedente, se não restar comprovado que ocorreu a tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Tal entendimento está em sintonia com a Súmula Carf nº 80: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” Entretanto, tal pressuposto não constituiu fundamento do acórdão recorrido ou do despacho decisório. Nesses termos, para evitar a prolação de decisão com fundamentação surpreendente sobre matéria fática, de modo a excluir a impressão de que o Estado Administração, na dicção do direito a reger o caso concreto, atua como um prestidigitador que esconde uma carta nas mangas para iludir o administrado e, com isso, negarlhe direitos, proponho, com os olhos voltados para a construção democrática de uma decisão administrativa apta a repercutir na esfera jurídica da recorrente, a descida dos autos à delegacia de origem para que a autoridade fiscal verifique: a) se as receitas constantes das notas fiscais às fls. 24/501 e 616/728, estão contabilizadas e oferecidas à tributação do CSLL, na DIPJ do anocalendário de 2007; b) qual é o montante das receitas do item anterior; c) se a CSLL retida na fonte que incidiu sobre as receitas constantes das notas fiscais às fls. 24/501 e 616/728 está registrada na contabilidade; d) qual é o montante da CSLL retida na fonte da questão anterior; e) se a totalidade da CSLL retida na fonte da questão anterior consta no balanço de 30/06/2007. Fl. 752DF CARF MF Processo nº 12448.901062/201474 Resolução nº 1301000.438 S1C3T1 Fl. 753 12 Rogase à autoridade fiscal a elaboração de relatório circunstanciado, acrescentando considerações que julgar necessárias, dandose ciência à recorrente do relatório e dos demais dados que forem coligidos na diligência, abrindolhe o prazo de 30 dias para se manifestar. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 753DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002860/2004-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004
COFINS COMPENSAÇÃO
A utilização de eventual direito creditório para fins de compensação deve ser solicitada pelo Sujeito Passivo, por meio da Declaração de Compensação.
COFINS DENÚNCIA ESPONTÂNEA
A denúncia espontânea somente se caracteriza pela ação do contribuinte anteriormente a qualquer procedimento de oficio iniciado pela autoridade fiscal, cabendo ainda, no mesmo ato, se for o caso, o recolhimento da contribuição devida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.323
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 COFINS COMPENSAÇÃO A utilização de eventual direito creditório para fins de compensação deve ser solicitada pelo Sujeito Passivo, por meio da Declaração de Compensação. COFINS DENÚNCIA ESPONTÂNEA A denúncia espontânea somente se caracteriza pela ação do contribuinte anteriormente a qualquer procedimento de oficio iniciado pela autoridade fiscal, cabendo ainda, no mesmo ato, se for o caso, o recolhimento da contribuição devida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Jose Luiz Novo Rossari Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luiz Novo Rossari, Mara Cristina Sifuentes, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Wilson Sampaio Sahade Filho. Fl. 130DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.14165.BLX9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro II, a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão nº 1317.412, proferido em 10 de outubro de 2007. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, abrangendo os períodos de apuração 05/04 e 06/04 (fls. 28 a 31), no valor de R$ 7.296,59, com o acréscimo de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 5.472,43, e juros de mora, calculados até 29/10/2004, no valor de R$ 355,00, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 13.124,02, em decorrência de ação Fiscal levada a efeito pela Defic/SPO, conforme Termo de Início de Fiscalização às fls. 04. 2. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 25/26), o AFRF autuante informa, em resumo, que: No que se refere aos PA 05/04 e 06/04, verificouse que o contribuinte declarou em DCTF e/ou recolheu valor menor que o devido, apurado segundo a previsão legal; Desta forma, foram apuradas as bases de cálculo da COFINS, conforme balancetes mensais apresentados, dos quais foram destacadas as seguintes contas sintéticas: 5.1— Receita Líquida de Vendas e 5.2 — Receitas Financeiras; Foram, ainda, excluídos, conforme determinação legal, os valores lançados a crédito, e incluídos aqueles lançados a débito nas contas: Clientes P. Incorp.lmobiliária, Custo Diferido, Ajuste de Clientes por Incorp., Outras; Foram deduzidos da base, ainda, os valores correspondentes a distratos (vendas canceladas) e juros incorridos, mas não recebidos, que se referem a provisão de recebimentos futuros, ajustáveis na conta de clientes, conforme esclarecimento do contribuinte; Foram deduzidos, ainda, os créditos previstos na apuração da COFINS não cumulativa. 3. O enquadramento legal da autuação foi: artigos 1°, 3° e 5° da Lei n°10.833/03. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta às fls. 29. 4. Após tomar ciência da autuação em 29/11/2004 (fls. 30), a empresa autuada, inconformada, apresentou impugnação anexada às fls. 34 a 48 em 29/12/2004, com as alegações abaixo resumidas: 4.1. O agente autuante, ao identificar os valores devidos, em confronto com os pagos, constatou, em diversas oportunidades, a existência de recolhimentos em valores superiores ao devido, recusandose, contudo, a fazer o abatimento que seria de rigor; 4.2. Assim, nos meses de fevereiro e abril de 2004, foram recolhidos a maior R$24.423,21, que deveriam ter sido adequadamente corrigidos e abatidos pela Fiscalização quando da apuração das diferenças supostamente devidas; Fl. 131DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.14165.BLX9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002860/200448 Acórdão n.º 320200.323 S3C2T2 Fl. 125 3 4.3. A autuação não procedeu em conformidade com as regras legais aplicáveis, ao não deduzir das diferenças os valores pagos a maior pela impugnante, sendo que tal dedução é suficiente para a integral quitação das diferenças apuradas; 4.4. Tal dedução é fundamentada em jurisprudência do Conselho de Contribuintes, segundo a qual se deve efetuar a dedução do imposto apurado de valores a maior recolhidos pelo contribuinte, conforme citações; 4.5. Assim, ocorrendo a identificação de débitos e créditos da mesma exação, cabe à autoridade fiscal efetuar a compensação de oficio, abatendo os créditos do montante exigido; 4.6. As DRJ também têm acolhido tal entendimento para as mais diversas espécies de autuações, conforme ementa citada; 4.7. A compensação demonstrada afasta a incidência da multa de oficio, pois se trata de hipótese de denúncia espontânea, impondose a aplicação do artigo 138 do CTN, descaracterizandose a infração alegada; 4.8. A existência de saldo credor caracteriza denúncia espontânea da infração, pois a compensação ocorreu automaticamente no curso dos períodos de apuração, afastando a incidência das multas moratórias e isoladas, a teor do referido artigo 138, conforme doutrina citada; 4.9. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes entende pela aplicação da denúncia espontânea em casos informados pelo mesmo princípio, qual seja, a quitação espontânea do débito, que, no presente caso, ocorreu pela via da compensação. No voto condutor do acórdão recorrido a DRJ afirma que, em síntese: A principal alegação da impugnante diz respeito à existência de recolhimentos de COF1NS superiores àqueles considerados devidos pela autoridade fiscal, em períodos anteriores aos lançados, dos quais decorreria seu direito à compensação com a contribuição apurada, o que não foi feito por aquela autoridade. Conforme se vê pela análise da planilha de fls. 27, base do lançamento, a autoridade fiscal efetivamente apurou nos PA 02/04 a 04/04 valores de COFINS inferiores àqueles declarados pela empresa em DCTF e recolhidos por meio de DARF, razão pela qual tais períodos não integram a presente exigência. Tal fato não obriga aquela autoridade a efetuar de oficio a compensação de tais valores com as diferenças objeto do presente lançamento, decorrentes de declaração e recolhimento em valores inferiores àqueles apurados, uma vez que esta prerrogativa é do sujeito passivo, e não da autoridade fiscal. Na hipótese de eventual direito creditório favorável ao contribuinte, caberá a ele exercêlo no momento que melhor lhe convier, em obediência às normas que regem a matéria. A IN/SRF n° 460/04 somente prevê a compensação de oficio pela autoridade administrativa quando, após o deferimento de restituição ou ressarcimento requerido pelo sujeito passivo, e antes de sua efetivação, tenha sido verificada a existência de débito em nome deste, no âmbito da RFB ou da PGFN. Ressaltese que a "autoridade competente" citada na norma não se confunde com a autoridade responsável pelo procedimento de fiscalização, correspondendo àquela responsável por "promover a restituição", ou seja, responsável pela análise e implementação da restituição requerida pelo sujeito passivo. Fl. 132DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.14165.BLX9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Relativamente ao crédito tributário apurado está aquela autoridade obrigada à sua constituição, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por se tratar o lançamento de atividade vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. Quanto à jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes citada pela autuada, em que pese a eventual existência de entendimento contrário ao aqui esposado, tal fato não altera o presente voto, uma vez que tais julgados não possuem efeito vinculante em relação à 1º instância administrativa, devendo esta formar sua livre convicção acerca da questão analisada. Além disso, é interessante observar que boa parte da referida jurisprudência diz respeito à compensação de prejuízo fiscal na apuração do IRPJ, matéria totalmente diversa da presente. Da mesma forma, não restam claras, na maioria das ementas citadas, as condições em que se deram as compensações mencionadas, ou seja, se houve procedimento anterior de compensação por parte do sujeito passivo, ou não. A segunda alegação da autuada decorre da primeira, concluindo a empresa que, havendo a compensação, da qual decorreria a quitação integral do crédito ora exigido, estaria afastada a incidência da multa de ofício, em razão da caracterização da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, pois a compensação teria se dado de forma automática. O parágrafo único ressalva que tal ato deve ser anterior ao início de qualquer procedimento de oficio por parte da autoridade administrativa. Por fim, resta destacar que, ao contrário do que entende a autuada, a compensação em tela não ocorreu (ou teria ocorrido) "automaticamente". Tal procedimento, por certo, jamais poderia se dar de forma automática, uma vez que, necessariamente, depende da ação do contribuinte para se efetivar, por meio da declaração já mencionada, ou, no caso previsto na norma, da ação da autoridade administrativa competente. A mera existência de eventual direito creditório favorável ao contribuinte não se converte, por si só, em procedimento de compensação, devendo o referido direito ser efetivamente exercido para concretização da operação. Além disso, não se trata aqui da incidência de multa moratória ou multa isolada, como afirma a empresa, mas de multa de ofício, proporcional à diferença de contribuição apurada e vinculada à sua falta de recolhimento, conforme legislação devidamente citada no auto de infração (fls. 29). A empresa apresentou Recurso Voluntário, onde, em síntese, traz as seguintes alegações e pedidos: A recorrente foi autuada por supostas diferenças entre o valor escriturado nos períodos de 0204 a 0604 e o efetivamente recolhido, decorrente da alteração de apuração da COFINS que a partir de 2004 passou a ocorrer pela sistemática da não cumulatividade. Além dos recolhimentos insuficientes foram efetuados recolhimentos em valores superiores que deveriam ter sido apurados pelo fiscal e abatidos do montante devido. Não é aplicável a multa do art. 44, inciso I, da Lei nº 9430/96 por ter ocorrido denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.14165.BLX9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002860/200448 Acórdão n.º 320200.323 S3C2T2 Fl. 126 5 Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes. O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do mérito Da compensação de ofício. A recorrente argumenta que foi autuada por supostas diferenças entre o valor escriturado nos períodos de 0204 a 0604 e o efetivamente recolhido, decorrente da alteração de apuração da COFINS que a partir de 2004 passou a ocorrer pela sistemática da não cumulatividade. Conforme demonstrativo de cálculo constante do Termo de Verificação Fiscal, fl. 27, temos a seguinte situação: Meses apuração Diferença apurada (R$) fev/04 6.767,41 mar/04 8.139,53 abr/04 9.516,27 mai/04 6.308,81 jun/04 987,78 O Auto de Infração referese aos meses de maio e junho de 2004, e podese verificar que a autoridade fiscal apurou nos meses de fevereiro a abril de 2004 valores de COFINS inferiores àqueles declarados pela empresa em DCTF e recolhidos por meio de DARF, o que resultou nos valores negativos apresentados. A recorrente entende que a autoridade fiscal deveria ter efetuado a compensação de ofício já que existem valores apurados e recolhidos a maior (meses fevereiro a abril de 2004). Conforme alterações no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, trazidas pelas Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e 11.051, de 29 de dezembro de 2004, a compensação será requerida pelo sujeito passivo mediante a entrega de declaração de compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 134DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.14165.BLX9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. Fl. 135DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.14165.BLX9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002860/200448 Acórdão n.º 320200.323 S3C2T2 Fl. 127 7 § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (grifos meus) Temos que a compensação é uma prerrogativa do sujeito passivo, que poderá exercêla segundo seu juízo de conveniência e oportunidade, seguindo as normas legais, cabe a ele decidir que débitos serão compensados com seus créditos. Esta decisão é atinente as suas atribuições administrativas; cabe ao sujeito passivo decidir a melhor maneira de gerenciar sua empresa e planejar seus pagamentos. Este juízo não cabe a Administração Pública, se assim o fizesse estaria agindo em detrimento a um direito do contribuinte. Não cabe, portanto, a autoridade fiscal proceder a compensação de ofício, conforme argumenta a recorrente, entretanto, por força do disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN, está ela obrigada a efetuar o lançamento, por se tratar de atividade vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. Quanto aos acórdãos do CARF citados pela autuada, eles podem servir apenas de balizamento para o julgamento. Apesar de esses acórdãos apresentarem entendimento diverso do adotado, eles não possuem efeito vinculante, estando o julgador livre para formar sua convicção e decidir da maneira que melhor lhe convir. Também muitos dos julgados referemse à matéria diversa da ora analisada. Da multa de ofício. A recorrente insurgese também contra a multa de ofício aplicada, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] A recorrente alega que ocorrendo a compensação, da qual decorreria a quitação integral do crédito ora exigido, estaria afastada a incidência da multa de ofício, em razão da caracterização da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionado com a infração. Fl. 136DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.14165.BLX9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 A denúncia espontânea é possível desde que seja acompanhada do pagamento do tributo devido e ocorra antes do início de qualquer procedimento fiscal. É uma prerrogativa do contribuinte que permite a regularização de seus débitos para com a Fazenda Nacional, sem que seja sancionado por seu atraso no adimplemento das suas obrigações. No caso em exame não houve pedido de compensação nem tampouco pagamento do tributo devido, sendo, portanto, cabível a aplicação da penalidade pela autoridade fiscal, mais uma vez aqui, atividade vinculada e obrigatória, conforme comando legal existente no art. 44 da Lei nº 9430/96. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 137DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0917.14165.BLX9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARA CRISTINA SIFUENTES em 02/08/2011 16:51:43. Documento autenticado digitalmente por MARA CRISTINA SIFUENTES em 02/08/2011. Documento assinado digitalmente por: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI em 04/08/2011 e MARA CRISTINA SIFUENTES em 02/08/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/09/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0917.14165.BLX9 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6DE3082514A00F85BAC6720FFA6D8CE43147F32B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.002860/2004-48. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.721448/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. INOVAÇÃO NO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O não atendimento, por parte do contribuinte fiscalizado, em trazer ao conhecimento do Fisco os documentos comprobatórios da legitimidade de seus atos, não caracteriza inovação no critério jurídico do lançamento se a autoridade julgadora utilizar esta indiferença como fundamento para manter o lançamento fiscal, notadamente, quando a solicitação de tal documentação já está presente no Termo de Verificação Fiscal. Isto porque, além de ser ônus do contribuinte comprovar que agiu nos termos da lei, também é por meio da oportunidade aproveitada da ampla defesa e do contraditório que o pode fazer com maior segurança, além de tornar o processo administrativo mais eficiente.
NULIDADE. CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez que efetivou-se a conversão do julgamento em diligência, ocorrida na fase recursal, não há que se falar em nulidade por este motivo (ausência de diligência nas fases anteriores). Uma vez realizada a diligência nos termos da legislação processual administrativa, com emissão de relatório circunstanciado, correspondente intimação e manifestação do contribuinte a respeito, restou suprida eventual nulidade a esse respeito. Se o resultado da diligência é favorável ou não ao contribuinte, não há que se falar em nulidade processual mas sim, mérito.
NULIDADE. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS.
A contabilidade só faz prova em favor do contribuinte se os requisitos do art. 923, do RIR/99, forem atendidos. Ao se desincumbir de trazer aos autos os documentos idôneos que lastrearam os lançamentos contábeis realizados, mesmo após a conversão do julgamento em diligência, não pode se valer o contribuinte de tal presunção.
DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO PRECÁRIA. INDEDUTIBILIDADE.
Uma vez questionada pela fiscalização a efetividade das despesas excluídas pelo contribuinte fiscalizado da base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL, correto o posicionamento do Fisco em adicionar os valores devidos à base de cálculo destes tributos, posto que sem a demonstração da despesa alegada, não é possível averiguar a validade e eficácia de seu caráter necessário, bem como dos demais requisitos de dedutibilidade expressos em lei, restando, portanto, indedutível o valor correspondente a tais despesas.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESCONTOS CONCEDIDOS.
Constitui perda presumida, a perda no recebimento de crédito, prevista nos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/1996. Todavia, principalmente em se tratando de instituições financeiras, a concessão de desconto para solucionar a pendência financeira caracteriza-se como perda definitiva, enquadrando-se, portanto, como despesa dedutível, o que preconiza o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda.
MULTA DE OFÍCIO PARA A SUCESSORA. PRINCÍPIO DA NÃO SUCESSÃO DA PENALIDADE. NÃO APLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
O CTN, em seus artigos 129 e 132, revela o entendimento de que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos. Ademais, registre-se que, na atual legislação tributária federal a multa de lançamento de ofício de 75% corresponde à denominada responsabilidade objetiva, conforme se extrai do artigo 44, da Lei n°. 9.430 de 1996, com alterações posteriores. Tal responsabilidade independe de dolo ou culpa do agente, não tem, pois, o caráter subjetivo (personalíssimo) atinente à multa de 150%, do parágrafo 1°, do mesmo artigo.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa.
AUTOS REFLEXOS. CSLL.
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se aos demais tributos, no que couber.
Numero da decisão: 1402-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores de R$ 87.273.407,29 e R$ 38.939.785,40, correspondentes respectivamente às infrações 002 e 003 do auto de infração.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE. INOVAÇÃO NO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O não atendimento, por parte do contribuinte fiscalizado, em trazer ao conhecimento do Fisco os documentos comprobatórios da legitimidade de seus atos, não caracteriza inovação no critério jurídico do lançamento se a autoridade julgadora utilizar esta indiferença como fundamento para manter o lançamento fiscal, notadamente, quando a solicitação de tal documentação já está presente no Termo de Verificação Fiscal. Isto porque, além de ser ônus do contribuinte comprovar que agiu nos termos da lei, também é por meio da oportunidade aproveitada da ampla defesa e do contraditório que o pode fazer com maior segurança, além de tornar o processo administrativo mais eficiente. NULIDADE. CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez que efetivou-se a conversão do julgamento em diligência, ocorrida na fase recursal, não há que se falar em nulidade por este motivo (ausência de diligência nas fases anteriores). Uma vez realizada a diligência nos termos da legislação processual administrativa, com emissão de relatório circunstanciado, correspondente intimação e manifestação do contribuinte a respeito, restou suprida eventual nulidade a esse respeito. Se o resultado da diligência é favorável ou não ao contribuinte, não há que se falar em nulidade processual mas sim, mérito. NULIDADE. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A contabilidade só faz prova em favor do contribuinte se os requisitos do art. 923, do RIR/99, forem atendidos. Ao se desincumbir de trazer aos autos os documentos idôneos que lastrearam os lançamentos contábeis realizados, mesmo após a conversão do julgamento em diligência, não pode se valer o contribuinte de tal presunção. DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO PRECÁRIA. INDEDUTIBILIDADE. Uma vez questionada pela fiscalização a efetividade das despesas excluídas pelo contribuinte fiscalizado da base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL, correto o posicionamento do Fisco em adicionar os valores devidos à base de cálculo destes tributos, posto que sem a demonstração da despesa alegada, não é possível averiguar a validade e eficácia de seu caráter necessário, bem como dos demais requisitos de dedutibilidade expressos em lei, restando, portanto, indedutível o valor correspondente a tais despesas. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESCONTOS CONCEDIDOS. Constitui perda presumida, a perda no recebimento de crédito, prevista nos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/1996. Todavia, principalmente em se tratando de instituições financeiras, a concessão de desconto para solucionar a pendência financeira caracteriza-se como perda definitiva, enquadrando-se, portanto, como despesa dedutível, o que preconiza o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO PARA A SUCESSORA. PRINCÍPIO DA NÃO SUCESSÃO DA PENALIDADE. NÃO APLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O CTN, em seus artigos 129 e 132, revela o entendimento de que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos. Ademais, registre-se que, na atual legislação tributária federal a multa de lançamento de ofício de 75% corresponde à denominada responsabilidade objetiva, conforme se extrai do artigo 44, da Lei n°. 9.430 de 1996, com alterações posteriores. Tal responsabilidade independe de dolo ou culpa do agente, não tem, pois, o caráter subjetivo (personalíssimo) atinente à multa de 150%, do parágrafo 1°, do mesmo artigo. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. AUTOS REFLEXOS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se aos demais tributos, no que couber.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 NULIDADE. INOVAÇÃO NO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O não atendimento, por parte do contribuinte fiscalizado, em trazer ao conhecimento do Fisco os documentos comprobatórios da legitimidade de seus atos, não caracteriza inovação no critério jurídico do lançamento se a autoridade julgadora utilizar esta indiferença como fundamento para manter o lançamento fiscal, notadamente, quando a solicitação de tal documentação já está presente no Termo de Verificação Fiscal. Isto porque, além de ser ônus do contribuinte comprovar que agiu nos termos da lei, também é por meio da oportunidade aproveitada da ampla defesa e do contraditório que o pode fazer com maior segurança, além de tornar o processo administrativo mais eficiente. NULIDADE. CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez que efetivouse a conversão do julgamento em diligência, ocorrida na fase recursal, não há que se falar em nulidade por este motivo (ausência de diligência nas fases anteriores). Uma vez realizada a diligência nos termos da legislação processual administrativa, com emissão de relatório circunstanciado, correspondente intimação e manifestação do contribuinte a respeito, restou suprida eventual nulidade a esse respeito. Se o resultado da diligência é favorável ou não ao contribuinte, não há que se falar em nulidade processual mas sim, mérito. NULIDADE. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. A contabilidade só faz prova em favor do contribuinte se os requisitos do art. 923, do RIR/99, forem atendidos. Ao se desincumbir de trazer aos autos os documentos idôneos que lastrearam os lançamentos contábeis realizados, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 48 /2 01 2- 60 Fl. 494DF CARF MF 2 mesmo após a conversão do julgamento em diligência, não pode se valer o contribuinte de tal presunção. DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO PRECÁRIA. INDEDUTIBILIDADE. Uma vez questionada pela fiscalização a efetividade das despesas excluídas pelo contribuinte fiscalizado da base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL, correto o posicionamento do Fisco em adicionar os valores devidos à base de cálculo destes tributos, posto que sem a demonstração da despesa alegada, não é possível averiguar a validade e eficácia de seu caráter necessário, bem como dos demais requisitos de dedutibilidade expressos em lei, restando, portanto, indedutível o valor correspondente a tais despesas. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESCONTOS CONCEDIDOS. Constitui perda presumida, a perda no recebimento de crédito, prevista nos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/1996. Todavia, principalmente em se tratando de instituições financeiras, a concessão de desconto para solucionar a pendência financeira caracterizase como perda definitiva, enquadrandose, portanto, como despesa dedutível, o que preconiza o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO PARA A SUCESSORA. PRINCÍPIO DA NÃO SUCESSÃO DA PENALIDADE. NÃO APLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O CTN, em seus artigos 129 e 132, revela o entendimento de que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos. Ademais, registrese que, na atual legislação tributária federal a multa de lançamento de ofício de 75% corresponde à denominada responsabilidade objetiva, conforme se extrai do artigo 44, da Lei n°. 9.430 de 1996, com alterações posteriores. Tal responsabilidade independe de dolo ou culpa do agente, não tem, pois, o caráter subjetivo (personalíssimo) atinente à multa de 150%, do parágrafo 1°, do mesmo artigo. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à Taxa Selic. Registrese, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. AUTOS REFLEXOS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase aos demais tributos, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 495 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável os valores de R$ 87.273.407,29 e R$ 38.939.785,40, correspondentes respectivamente às infrações 002 e 003 do auto de infração. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 496DF CARF MF 4 Relatório Adoto a seguir, integralmente, o relatório da Resolução nº 1402000.364, emanada em 07 de junho de 2016, de minha relatoria. "Trata o processo de auto de infração para cobrança do IRPJ no valor de R$ 27.395.371,20, e da CSLL no valor de R$ 9.862.333,63, ambos com multa de ofício de 75% e juros de mora, relativos ao anocalendário de 2007. Por oportuno, transcrevo a descrição dos fatos relatada pela Delegacia de Julgamento, fls. 317/335, esclarecendo que o auto de infração aponta 03 (três) infrações, a saber: "Infração 1. Custos ou despesas não comprovadas; Infração 2. Perdas recebimento de créditos. Requisitos legais. Inobservância; Infração 3. Regime de escrituração. Inobservância. Antecipação de despesas. A respeito das infrações, consta no Termo de Constatação Fiscal: o procedimento fiscal ocorreu sobre o Banco ABN AMRO Real S/A (Banco ABN), da qual a Interessada é sucessora por incorporação. a Interessada foi intimada a detalhar o valor de OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS LINHA 30, FICHA 05B, da DIPJ2008, indicando o nome, código COSIF e os saldos das contas que compuseram este valor; em resposta, a Interessada apresentou demonstrativo analítico das contas que formaram o mencionado montante; dentre outros valores componentes deste montante estão as parcelas intituladas "DESCONTOS CONCEDIDOS", no total de R$317.159.022,85, conforme demonstrativo de fls.98; o Banco ABN informou que os lançamentos efetuados nestas contas "possuem características similares de abatimentos concedidos aos devedores na liquidação de operações de crédito". a Interessada foi intimada a identificar os descontos concedidos nas contas constantes no demonstrativo acima, de forma individualizada por devedor, título, valor, vencimento, informando para cada um deles o fundamento legal específico, nos termos do disposto nos artigos 9°. ao 12 da Lei n°.9.430/96; na ausência de resposta, foi reintimada, sem atendimento satisfatório; a Interessada foi intimada a tomar ciência da constatação pelo não atendimento das intimações anteriores e para que apresentasse os descontos concedidos de forma que pudessem ser verificados os requisitos de dedutibiilidade da Lei n°9.430/96; em resposta encaminhou a composição analítica das despesas de desconto concedido de forma individualizada por devedor, com os campos necessários para a classificação das perdas em operações de crédito do art. 9o da Lei n°.9.430/96; Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 496 5 da análise da composição analítica apresentada pela Interessada, constatou se que do total dos"DESCONTOS CONCEDIDOS" de R$317.159.022,85, a Interessada só apresentou informações referentes a R$304.013.422,93; assim, o valor de R$13.145.599,92 não foi comprovado com a apresentação de informações e documentação que justificasse o valor contabilizado, dando margem à autuação deste valor, (infração 0001); conforme Anexo "ANÁLISE DA COMPOSIÇÃO ANALÍTICA APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE" às fls.114, (última coluna), dentre os valores apresentados pela Interessada deduzidos em 2007, o valor de R$87.273.407,29 referese à total da despesa indedutível por não ter preenchido os requisitos previstos nas alíneas do artigo 9°., parágrafo 1°., da Lei n°.9.430, de 1996, e não adicionada ao Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL em 2007, (falta de procedimento judicial para o recebimento da perda, infração 0002); da mesma forma, com base no mesmo anexo de fls.114, constatouse a postergação de pagamento de IRPJ e CSLL, em decorrência da antecipação de despesas, na ordem de R$38.939.785,40, deduzidas em 2007, somente dedutíveis em 2008 pelos critérios de dedutibilidade da Lei n°9.430/96, (falta de decurso de prazo, infração 0003). A Interessada tomou ciência do lançamento em 21.12.2012, apresentando impugnação em 22012013, alegando, em síntese: inaplicabilidade dos requisitos estabelecidos pela Lei n°9.430/96 aos descontos concedidos, uma vez que trata o caso de perdas efetivas e não de perdas provisórias, sendo pacífico o entendimento da atual jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que os critérios prescritos no aludido diploma legal são aplicáveis apenas às perdas provisórias; a justificativa para a possibilidade de dedução imediata na hipótese prevista no parágrafo 1°., do inciso I, do artigo 9°. da Lei n°.9.430/96 é o fato de que a perda na qual já existe declaração de insolvência contra o devedor já se configurou como uma perda efetiva, não remanescendo qualquer possibilidade de recebimento do direito creditório; tanto assim é que, o mencionado artigo prevê, para outras situações nas quais ainda existe possibilidade de recebimento do direito creditório após o seu vencimento (perdas provisórias), meios de cobrança a serem comprovados como esgotados, a fim de que possa haver o registro como perda pelo credor; o segundo argumento capaz de comprovar que as prescrições contidas no artigo 9°., da Lei n°.9.430/96 se referem apenas às perdas provisórias diz respeito à impossibilidade de ingresso de ação judicial ou procedimento de cobrança administrativa para aqueles créditos cuja liquidação já foi realizada com desconto (perdas efetivas); tal conclusão tem base no fato de que, para o ingresso de qualquer tipo de ação judicial é necessária a comprovação das condições da ação, estabelecidas no artigo 3°., do Código de Processo Civil, CPC, representadas pelo interesse de agir, a legitimidade "ad causam" e a possibilidade jurídica do pedido, isso porque, a ausência de comprovação de tais requisitos implica na extinção do processo sem o seu julgamento de mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI, do CPC; Fl. 498DF CARF MF 6 nesse sentido, transpondo as disposições do CPC para o presente caso verificase a impossibilidade de se comprovar, por exemplo, a manutenção dos procedimentos judiciais para o recebimento dos direitos creditórios nos quais foram concedidos descontos para a sua liquidação, uma vez que para tais situações inexiste interesse de agir para ingresso ou manutenção de ação judicial; deveras, ao observar que a lide perdeu o seu objeto em razão da liquidação da operação de crédito, não haveria outra alternativa ao juiz senão a determinação de extinção do processo, motivo pelo qual se comprova mais uma vez que as condições estabelecidas no artigo 9° da Lei n° 9.430/96 se aplicam exclusivamente às perdas provisórias; a mesma lógica é aplicável para os casos onde se exige a comprovação da manutenção da cobrança administrativa para os casos onde ocorreu a liquidação da operação de crédito com descontos concedidos. Ora, a partir do momento em que ocorreu a liquidação da operação de crédito, na qual foi concedido um desconto em favor do devedor para que a obrigação fosse cumprida, é impossível exigir que a Impugnante mantenha a cobrança administrativa sobre esse mesmo devedor; de fato, seria totalmente incoerente da parte de qualquer pessoa jurídica manter os dados de seus clientes em cadastros de serviço de proteção ao crédito ou com títulos protestados em cartório sabendo que a operação já foi liquidada mediante a concessão de desconto; caso isso ocorresse, a Impugnante estaria causando aos seus clientes um dano moral, uma vez que prejudicaria a análise de crédito de seus antigos devedores com relação ao mercado de concessão de crédito, situação essa inadmissível; além disso, o CARF já se posicionou reiteradas vezes no sentido que os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na Lei n° 9.430/96 são aplicáveis apenas as perdas provisórias e não às perdas definitivas, decorrentes de descontos concedidos para a liquidação de operações de crédito; ainda que se admita que os requisitos estabelecidos pela Lei n° 9.430/96 sejam aplicáveis ao presente caso, a Fiscalização não considerou a dedutibilidade dos valores, cujos vencimentos ocorreram há mais de 5 anos, os quais estão listados às fls.143. Assim, tendo por base que a dedutibilidade dos créditos vencidos há mais de 5 anos é permitida conforme disposto no parágrafo 4°., do artigo 10, da Lei n° 9.430/96, não cabe a autuação; os descontos concedidos nos valores de R$13.145.599,92 e R$87.273.407,29, na liquidação de operações de crédito subsumemse, integralmente, ao objeto social de uma instituição financeira, conforme consta no artigo 4°. do seu contrato social, anexo, e transcrito às fls.144, sendo, portanto despesas necessárias nos termos da legislação; é preferível às instituições financeiras renegociar a dívida com os seus devedores, com o objetivo de agregar liquidez aos direito creditórios da instituição financeira, ao invés de arcar com altas despesas para a cobrança e recuperação de créditos inadimplidos; em outras palavras, a concessão de descontos para recebimento de dívidas vencidas, bem como a cessão de direitos creditórios, estão intimamente ligadas ao seu objeto social, motivo pelo qual os valores decorrentes do deságio sofrido em tais operações constituem despesas operacionais, dedutíveis nos termos do artigo 299 do RIR/99; além disto, para parte das despesas glosadas, no montante de R$2.199.650,04, foi comprovado o cumprimento dos requisitos previstos pelo artigo 9°., da Lei Fl. 499DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 497 7 n°.9.430/96, conforme faz prova a planilha ilustrativa de fls.149, de onde é possível extrair os nomes dos devedores, os valores originais das dívidas e dos descontos concedidos, bem como o ajuizamento das respectivas ações judiciais, conforme documento que anexa; tendo por base que restou comprovado que não se aplica as regras previstas no artigo 9°., da Lei n°.9.430/96, não poderia a Fiscalização alegar que os valores de até R$5.000,00, cujas perdas ocorreram a partir de julho de 2007, só poderiam ser deduzidos no anobase de 2008 e que, para os valores entre R$5.000,00 e R$30.000,00, cujas perdas se tornaram dedutíveis há mais de um ano, haveria uma parcela cuja dedutibilidade ocorreria apenas em 2008; portanto, não cabe a alegação da Fiscalização que teria havido antecipação de despesas para 2007, que seriam dedutíveis apenas em 2008, pois, não estava obrigada a seguir os critérios previstos na Lei n° 9.430/96; ainda que se admita a ocorrência de antecipação de despesas, os cálculos utilizados pela Fiscalização não são válidos, pois, constatase a inexistência no Termo de Verificação Fiscal, bem como nos autos de infração lavrados, de memória de cálculo capaz de comprovar claramente qual foi o critério utilizado para se apurar os montantes de R$9.734.946,35 e R$ 3.504.580,69, referentes, respectivamente, aos IRPJ e à CSLL recolhidos a maior no ano calendário de 2008, bem como os valores de R$7.444.326,95 e R$2.679.957,71, referentes aos IPRJ e a CSLL apurados como pagos no anocalendário de 2007; tal fato gerou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que todos os argumentos de defesa passaram a ser baseados em presunções a respeito de como a Fiscalização elaborou os cálculos da postergação do pagamento do IRPJ e da CSLL supostamente devidos; assim, quanto muito podese presumir que a Fiscalização imputou o suposto imposto pago a maior em 2008 com o montante supostamente devido no anocalendário de 2007, considerandose a multa de mora no percentual de 20%; ocorre que, caso tivesse ocorrido a antecipação de despesas, deveria a Fiscalização ter adicionado o seu montante ao lucro líquido do período de apuração em que houver ocorrida a dedução e excluílo do lucro líquido do período de competência, nos termos do Parecer Normativo COSIT n° 02/96; portanto, além da ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório, os créditos tributários supostamente devidos são ilíquidos e incertos; falta de previsão legal para atribuir à CSLL as mesmas regras de adições e exclusões previstas para o IRPJ quanto à dedutibilidade de despesas; impossibilidade de lançamento de multas na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão; é ilegal a cobrança de juros sobre a multa. A impugnação do contribuinte foi julgada IMPROCEDENTE, cuja ementa restou consignada nos termos seguintes: Fl. 500DF CARF MF 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Tendo por base que as despesas, perdas e exclusões têm o condão de reduzir o lucro líquido e, conseqüentemente, o crédito tributário, é ônus da contribuinte comproválas de forma irrefutável. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Documentos hábeis e idôneos são aqueles que contêm uma prova direta acerca do fato alegado cuja existência ali se materializa. Devem ter autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduzir à convicção da efetiva ocorrência do fato, devendo, preferencialmente, serem subscritos por terceiros que tenham participado das respectivas operações. DESCONTOS CONDICIONAIS. DEDUÇÃO. Descontos condicionais não encontram amparo legal para dedução por revelarem flagrante liberalidade. RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. PERDAS. DEDUTIBILIDADE. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica somente poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, se forem cumpridas as regras previstas no artigo 9°., da Lei n°.9.430, de 1996. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS. A apresentação de alegações visando desconstituir as provas apresentadas pela Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos. Art. 16, inciso III, do Decreto 70.235 de 1972. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO. CÁLCULO. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo o lançamento da CSLL de infração constatada na autuação do IRPJ, e negado provimento à impugnação referente ao lançamento deste, negase também em relação à impugnação daquela, em virtude da relação de causa e efeito que os une. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 498 9 A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Desta decisão o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos expostos na impugnação." Passo, agora, a complementar o relatório acima transcrito. Da análise do Recurso Voluntário restou decidido, na Resolução nº 1402 000.364 , por unanimidade de votos, pela conversão do julgamento do recurso em diligência, com base no seguinte raciocínio, por mim relatado naquele momento: “De duas alternativas para o caso, haverá uma: ou a) o fisco deixou de oportunizar ao contribuinte a oportunidade de fazer prova de seu alegado, ou seja, de que tais descontos efetivamente foram descontos concedidos para o recebimento de créditos, e neste caso o auto é insubsistente, ou; b) deve o presente processo baixar em diligencia para que o contribuinte tenha efetivamente a oportunidade de provar seu alegado e, caso este Conselho entenda por bem aplicar o precedente acima, reconheça os créditos efetivamente comprovados como sendo DESCONTOS CONCEDIDOS; Me parece, em atendimento ao Principio da busca da Verdade Material, mais razoável a segunda opção e é nesse sentido o meu voto. Assim sendo, proponho que o presente processo seja baixado em diligência para que a unidade preparadora: 1º) intime o contribuinte para apresentar demonstrativo relativo aos créditos cedidos a terceiros, compreendidos no presente processo, e toda a documentação, registros fiscais e contábeis, que comprovem a efetividade dos descontos concedidos por ele, demonstrando claramente os pagamentos, contratos e demais documentos hábeis para tanto. 2º) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora elaborar um relatório circunstanciado sobre os fatos analisados; 3º) cientifique o sujeito passivo do resultado da diligência para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011. Entendo que, uma vez concluída a diligência acima, será possível julgar definitivamente o recurso interposto.” Em 29/06/2016, o Relatório de Diligencia foi juntado aos autos, porém, no tocante ao seu conteúdo, restou comprometido sobre os fatos, já que não houve qualquer apresentação comprobatória por parte do contribuinte, mesmo lhe sendo concedida prorrogação de prazo para apresentação dos documentos que lhe foram solicitados. A justificativa da fiscalizada reside no fato de que não foi possível localizar os documentos cobrados devido a ao período envolvido (2007) e em virtude da incorporação do Banco ABN AMRO Real S/A pelo Banco Santander (Brasil) S.A. ter ocorrido apenas em 30/04/2009. Fl. 502DF CARF MF 10 Em sua resposta ao Relatório Diligencial, a fiscalizada ainda afirma que a "discussão objeto dos autos não versa sobre eventual documentação comprobatória, mas sim sobre as regras de dedução dos referidos montantes". Finaliza pedindo que todos os argumentos apresentados em seu Recurso Voluntário sejam ratificados. É o relatório. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 499 11 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo legal, e a sua representação é regular, e por isso dele conheço. Em síntese, a questão posta para julgamento cingese à comprovação, pelo contribuinte, que despesas no importe de R$ 317.159.022,85, caracterizadas na contabilidade do contribuinte como “Descontos Concedidos” e informadas, na DIPJ 2008, como “outras despesas operacionais – linha 30, Ficha 05B”, eram, de fato, operacionais e dedutíveis. Intimada a apresentar a comprovação, o contribuinte trouxe esclarecimentos sobre despesas no importe de R$ 304.013.422,93, restando um valor não esclarecido de R$ 13.145.599,92, o qual é retratado, na autuação, como “Infração 001”; do valor esclarecido, R$ 87.273.407,29 referese a despesas, consideradas indedutíveis, em razão de não atenderem ao disposto no art. 9º, § 1º, da Lei 9.430/96, o qual é retratado como “Infração 002”; por fim, o valor de R$ 38.939.785,40, deduzidos no anocalendário de 2007, pelos critérios de dedutibilidade da Lei nº 9.430/96, seriam dedutíveis apenas no anocalendário de 2008, resultando na “Infração 003”. Tendo em vista precedentes desta Turma, que vinha firmando entendimento que “descontos concedidos” para o recebimento de créditos equiparamse a “perdas definitivas” e o art. 9º, da Lei nº 9.430/96, trata de “perdas provisórias”, uma vez que ainda são passíveis de cobrança e, por essa razão, a antecipação dessas despesas tem uma regulação própria, inserida no citado art. 9º, concluiu este Julgador que de duas alternativas, haveria uma: ou a) o fisco, ao deixar de oportunizar ao contribuinte fazer plena prova de seu alegado, ou seja, de que tais descontos efetivamente foram descontos concedidos para o recebimento de créditos, e neste caso o auto é insubsistente, ou; b) deveria, como de fato foi, o presente processo baixar em diligência para que o contribuinte tivesse tal oportunidade e, caso este Conselho entenda por aplicar o precedente acima mencionado, reconheça os créditos efetivamente comprovados como sendo DESCONTOS CONCEDIDOS. Apesar da realização da diligência, o contribuinte não logrou apresentar novos elementos de prova acerca de suas alegações. O fiscal responsável pela diligência, por sua vez, à míngua de novos elementos, concluiu pelo comprometimento do relatório diligencial circunstanciado sobre os fatos. O contribuinte ainda se manifestou, mais uma vez, exercendo o contraditório, mediante reforço de seu posicionamento de que o caso não cingese à apresentação de novas provas em relação aos valores de R$ 87.273.407,29 (Infração 002) e R$ 38.939.785,40 (Infração 003), mas apenas e tão somente à questão de direito quanto à glosa de tais montantes pelo não atendimento dos requisitos do art. 9º da Lei nº 9.430/96 ou pela inaplicabilidade do citado artigo, reconhecendose a dedutibilidade imediata dos descontos concedidos pelo contribuinte, uma vez se tratar de instituição financeira e tais despesas serem operacionais. Fl. 504DF CARF MF 12 Feita essa digressão, passase ao julgamento efetivo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. PRELIMINARES A Recorrente aponta, inicialmente, que a Turma Julgadora de primeira instância teria inovado no processo, ao referirse não apenas ao art. 9º, da Lei nº 9.430/96, mas também ter fundamentado seu posicionamento em razão de não terem sido trazidos documentos relativos aos montantes discutidos. Dúvidas não há que, em relação aos montantes de R$ 87.273.407,29 (Infração 002) e R$ 38.939.785,40 (Infração 003), foram apresentados documentos e esclarecimentos. No entanto, em relação ao valor de R$ 13.145.599,92, desde o Termo de Verificação Fiscal, fls. 101 e seguintes, foi apontada a inexistência de documentos. E também, desde o TVF, já foi apontado que era dever do contribuinte, uma vez intimado a apresentar os documentos comprobatórios das despesas contabilizadas, fazêlo, sob pena de, a teor do art. 923, do RIR/99, a escrituração mantida não fazer prova em favor do contribuinte. Desta forma, afasto a preliminar, uma vez que, de fato, o contribuinte deixou de trazer documentos em relação à diferença apontada como não esclarecida. A segunda preliminar levantada aponta a necessidade de conversão do julgamento em diligência. Este Julgador, pelos motivos elencados em Resolução de fls. 437/445, converteu o julgamento em diligência e, mesmo assim, não foram trazidos aos autos novos elementos por parte da defesa ou feitas novas observações em relação aos documentos já apresentados pela fiscalização, de tal forma que resta prejudicada a análise desta preliminar levantada pelo contribuinte. Como terceira preliminar, volta o contribuinte a defender que a contabilidade faz prova em favor do contribuinte. Faz, de fato, desde que os requisitos do art. 923, do RIR/99, já citado acima, sejam atendidos. E, no presente caso, como já disposto na análise de primeira preliminar, a Recorrente não se desincumbiu de trazer aos autos os documentos idôneos que lastrearam os lançamentos contábeis realizados, mesmo após a conversão do julgamento em diligência. O ônus da prova, em relação aos fatos constitutivos do direito do contribuinte, é dele mesmo e, como não ocorreu a apresentação de documentos idôneos a lastrear o lançamento contábil de despesas consideradas por ele dedutíveis, no importe de R$ 13.145.599,92, correta a posição da fiscalização em adicionar tal valor à base de cálculo do IRPJ e CSLL. DO MÉRITO No mérito, a defesa do contribuinte baseiase na inaplicabilidade dos requisitos estabelecidos pelo art. 9º, da Lei nº 9.430/96 ao caso concreto, dividindo sua defesa nas três infrações apontadas na autuação: indedutibilidade de despesas na base de cálculo do IRPJ e Fl. 505DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 500 13 CSLL, no anocalendário de 2007, pois (i) a efetividade de tais despesas não teria sido comprovada, (ii) para serem dedutíveis deveriam ter obedecido aos critérios previstos pelo art. 9º da Lei nº9.430/96 e (iii) os descontos concedidos seriam mera liberalidade e, portanto, indedutíveis. Com relação ao item (i), defende a Recorrente que a fiscalização não teria questionado a efetividade das referidas despesas, reconhecendo, nos autos, que tais valores se referiam a descontos concedidos. Como já disposto acima, nas preliminares, não é verdade a afirmação da Recorrente, pois a fiscalização, por ocasião da formulação de seu Termo de Verificação Fiscal – TVF, nas fls. 100 e seguintes, traz de forma direta e textual que ocorreu falta de comprovação de despesas e que “sem a demonstração acerca da existência de uma determinada despesa, nem é possível fazer qualquer consideração à validade e eficácia, consagradas na trilogia operacional da necessidade, usualidade e normalidade (art. 299 do RIR), nem tampouco aos requisitos de dedutibilidade determinados pela Lei nº 9.430/96”. Desta forma, em relação às despesas não comprovadas, no importe de R$ 13.145.599,92, correta a posição da fiscalização em adicionar tal valor à base de cálculo do IRPJ e CSLL, bem como a r. decisão recorrida que manteve a autuação (Infração 001). Para tratar das denominadas “Infração 002” e “Infração 003”, passou a Recorrente a defender a inaplicabilidade do art. 9º, da Lei nº 9.430/96 e, por conseguinte, a aplicabilidade do art. 299, do RIR, ao caso concreto. Essa questão da dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos por instituição financeira não é nova no âmbito do CARF. Tanto que o tema chegou para uniformização na Câmara Superior de Recursos Fiscais através do processo administrativo nº 16327.000370/200789, no qual foi proferido o acórdão nº 9101002.717, em sessão de julgamento de 03 de abril de 2017. Transcrevese, abaixo, a ementa do referido acórdão: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DISPOSIÇÕES DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PERDA PRESUMIDA. DESCONTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESPESA. RIR/1999, ART. 299. A perda no recebimento de crédito, tratado pelos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/1996, é perda presumida; enquanto a concessão de desconto para solucionar a pendência financeira, notadamente nos casos de instituições financeiras, é perda definitiva e, assim, despesa dedutível, aplicandose o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). No caso em exame, ficou demonstrado, já no TVF, que o contribuinte apresentou documentos idôneos para comprovar as despesas no importe de R$ 87.273.407,29 (Infração 002) e R$ 38.939.785,40 (Infração 003) e a fiscalização, analisando os documentos Fl. 506DF CARF MF 14 apresentados, interpretou que o valor de R$ 87.273.407,29 (Infração 002) era indedutível em razão de não atender ao disposto no art. 9º, da Lei 9.430/96 e, em relação ao valor de R$ 38.939.785,40 (Infração 003), que as despesas eram dedutíveis, mas que foram antecipadas para o anocalendário de 2007, quando deviam ter sido deduzidas, pela questão temporal existente no citado art. 9º, apenas no anocalendário de 2008. O precedente acima apontado, de forma direta e objetiva, notadamente na situação em exame, uma vez que o contribuinte é instituição financeira, sustenta que “a dedutibilidade dos descontos concedidos não se subordina às regras do art. 9º da Lei nº 9.430/96, uma vez que os descontos são perdas definitivas, e o art. 9º da Lei nº 9.430/96 trata de perdas provisórias”, complementando que, “na hipótese de instituição financeira, o desconto concedido para o recebimento de crédito tem natureza definitiva, relacionado ás atividades da empresa, cumprindo requisitos de habitualidade e normalidade para enquadramento no art. 299, do RIR/99”. Desta forma, filiome ao entendimento emanado da Câmara Superior de Recursos Fiscais para dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, afastando a glosa das despesas vinculadas à “Infração 002” e à “Infração 003”, por serem necessárias e atenderem ao disposto no art. 299, do RIR/99 tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, mantendo a indedutibilidade das despesas vinculadas à “Infração 001” em razão de não terem sido comprovadas pelo contribuinte durante o processo de fiscalização, bem como por ocasião da conversão de julgamento em diligência no presente feito. MULTA DE OFÍCIO PARA A SUCESSORA Alega a Recorrente que não seria responsável pelas multas de ofício por atos praticados pela sucedida (ABN AMRO) em razão do proclamado principio da não sucessão da penalidade. Já me manifestei sobre isso em outros casos envolvendo este mesmo contribuinte, pelo que destaco o acórdão 1402.002.201, de minha relatoria, julgado na reunião de junho/2006, ocasião em que entendi que houve correta atribuição de responsabilidade do recorrente em virtude da operações advindas do ABN AMRO por meio de incorporação societária. Transcrevo aqui as razões lá expostas: "O interessado alega que não poderia ser responsabilizado pela multa de ofício imposta, pois os supostos fatos infracionais foram praticados pela empresa sucedida Banco ABN AMRO REAL S/A. Entende que, da análise do art. 132 do CTN, notase que o sucessor responde apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão. Com relação às multas, deverseia averiguar o momento em que tal penalidade foi constituída, para então atribuirse ou não a responsabilidade ao incorporador. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 501 15 Defende que a multa fiscal somente poderia ser transferida ao sucessor se ela tivesse sido lançada antes do ato sucessório, o que não foi o caso. Pontua que, mesmo que fosse aceita a possibilidade das multas lançadas posteriormente à sucessão fossem impostas à incorporadora, o que se admite apenas a título argumentativo, o fato é que mesmo assim tal imputação não poderia ocorrer, em decorrência do caráter personalíssimo das multas. Assevera que somente poderiam ser imputadas as multas, acaso as respectivas infrações tivessem sido cometidas por empresas incorporadas, cujos administradores fossem os mesmos que os seus, o que não é o caso, ou, ao menos, que as incorporadas pertencessem ao seu grupo econômico, como informa a Súmula CARF n° 47 ("cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico") que não é aplicável ao caso em concreto, já que as sociedades envolvidas não estavam sobre controle comum e nem pertenciam ao mesmo grupo econômico. Devese esclarecer que, o fato de a referida Súmula ter previsto a aplicação de multa de ofício à sucessora em determinada situação fática, não quer dizer que em outras situações verificadas a multa não deva ser aplicada. Entendo que a Súmula não deve ser interpretada a contrario sensu, como pretende o interessado. Na interpretação do interessado, se a Súmula previu uma hipótese de incidência, todas as demais, a contrario sensu, estão excluídas. Não me parece seja a melhor interpretação. Com a devida venia, entendo que a Súmula CARF n° 47 só deva ser invocada se ocorridas as hipóteses nela tipificadas; caso contrário, a referida Súmula simplesmente não é aplicável. No presente caso, como as sociedades não estavam sob controle comum e nem pertenciam ao mesmo grupo econômico, não é caso de incidência da referida Súmula. Determina o artigo 132, do CTN: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.". O fato de o art. 132 atribuir ao sucessor (incorporadora) a responsabilidade pelo pagamento do tributo devido pela sucedida (incorporada) não implica dispensa do pagamento da multa, uma vez que tal benefício deve estar expresso em lei. Em outras palavras, a isenção deveria ser literal, como determina o art. 111, II, do CTN, o que não ocorre. Ademais, o art. 132 está inserido na Seção que trata da responsabilidade dos sucessores inaugurado pelo artigo 129 do referido diploma legal, abaixo transcrito: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. O artigo 129 do CTN expressamente declara que os sucessores respondem não somente pelos créditos tributários (o que inclui a multa), definitivamente constituídos na data da sucessão, mas também pelos créditos tributários em curso de constituição na mesma data. Fl. 508DF CARF MF 16 Além disso, o referido dispositivo também declara os sucessores responsáveis pelos créditos tributários cuja constituição se iniciou posteriormente à data da sucessão, desde que relativos a fatos geradores das obrigações surgidas até a referida data. Claro está, portanto, que os sucessores respondem pelos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram anteriormente à data da sucessão, estejam eles constituídos, em constituição ou aptos a serem constituídos. In casu, os fatos geradores ocorreram no anocalendário de 2007, antes, portanto, do evento sucessório. Neste diapasão, o interessado deve responder pela multa de ofício. Além disto, deve ser registrado que, na atual legislação tributária federal a multa de lançamento de ofício de 75% corresponde à denominada responsabilidade objetiva, conforme se extrai do artigo 44, da Lei n°. 9.430 de 1996, com alterações posteriores. Tal responsabilidade independe de dolo ou culpa do agente, não tem, pois, o caráter subjetivo (personalíssimo) atinente à multa de 150%, do parágrafo 1°., do mesmo artigo. O sucessor responde, pois, pelo crédito tributário atinente à responsabilidade objetiva, diferentemente da responsabilidade por dolo ou culpa que é de índole pessoal, de caráter personalíssimo, não podendo passar do agente infrator, salvo se a multa qualificada foi aplicada antes do evento sucessório ou, se lançada após o evento, o sucessor é ou era integrante do mesmo grupo econômico." JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A respeito do tema, continuo curvandome ao entendimento da Câmara Superior de Recursos Ficais deste Conselho, refletido no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da então Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 502 17 O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Fl. 510DF CARF MF 18 Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg Fl. 511DF CARF MF Processo nº 16327.721448/201260 Acórdão n.º 1402002.613 S1C4T2 Fl. 503 19 nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Por esta razão, afasto a alegação da recorrente de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, ressaltando que tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Desta forma, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, excluindo da base tributável os valores de R$ 87.273.407,29 e R$ 38.939.785,40, relativos à “Infração 002” e à “Infração 003” respectivamente, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, mantendo a indedutibilidade das despesas vinculadas à “Infração 001” em razão de não terem sido comprovadas pelo contribuinte durante o processo de fiscalização, bem como por ocasião da conversão de julgamento em diligência no presente feito. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 512DF CARF MF 20 Fl. 513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722482/2013-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECEITAS PROVENIENTES DE OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DELIMITAÇÃO.
Nos termos do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, permanecem sujeitas ao regime cumulativo da Cofins as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, assim consideradas apenas aquelas que correspondam, efetivamente, à construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo.
Numero da decisão: 3302-004.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cássio Schappo e Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para aferir se os valores componentes do Dacon correspondem à base de cálculo adotada conforme a opção pelo regime de caixa com os valores informados no Anexo I da e-fls. 417 antes da fiscalização e para a recorrente apresentar os contratos de turnkey relativos à alguma execução parcial de obras.
O Conselheiro Walker Araújo se declarou impedido.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Charles Pereira Nunes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Cássio Schappo.
Nome do relator: CHARLES PEREIRA NUNES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECEITAS PROVENIENTES DE OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DELIMITAÇÃO. Nos termos do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, permanecem sujeitas ao regime cumulativo da Cofins as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, assim consideradas apenas aquelas que correspondam, efetivamente, à construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo.
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RECEITAS PROVENIENTES DE OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DELIMITAÇÃO. Nos termos do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, permanecem sujeitas ao regime cumulativo da Cofins as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, assim consideradas apenas aquelas que correspondam, efetivamente, à construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Cássio Schappo e Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para aferir se os valores componentes do Dacon correspondem à base de cálculo adotada conforme a opção pelo regime de caixa com os valores informados no Anexo I da efls. 417 antes da fiscalização e para a recorrente apresentar os contratos de turnkey relativos à alguma execução parcial de obras. O Conselheiro Walker Araújo se declarou impedido. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 24 82 /2 01 3- 90 Fl. 5837DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinatura digital) Charles Pereira Nunes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Cássio Schappo. Relatório Por ser suficiente para descrever os fatos adoto o relatório da decisão de piso, transcrito na integra: ”Tratase de autos de infração relativos ao período de apuração de 01/01/2009 a 31/12/2009, com exigência de ofício da Contribuição para o PIS/Pasep, no total de R$ 4.067.460,27, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no total de R$ 18.703.592,82, incluídos, em ambos os valores, principal, multa de ofício e juros demora, havendo, ainda, o lançamento de ofício de Multa Regulamentar no valor de R$ 24.000,00. Consta do Relatório Fiscal de fls. 29/38: a) A base de cálculo considerada para fins de levantamento da contribuição para o PIS e da COFINS foi o valor das notas fiscais/faturas emitidas em contratos específicos de prestação de serviços de engenharia, tais como projetos, fiscalização, supervisão, gerenciamento e acompanhamento de obras, serviços técnicos, engenharia ambiental etc. A empresa considerou que tais contratos encontravamse abrangidos pelo contido no inciso XX do art. 10 da Lei 10.833/2003. Todavia, a auditoria fiscal entendeu que os contratos deveriam ter sido considerados como abrangidos pela não cumulatividade e jamais pela cumulatividade, visto que, como a previsão legal é uma exceção à norma geral, ela deve ser interpretada estritamente. Assim, até 31 de dezembro de 2015, submeter seão ao regime cumulativo do PIS e da COFINS as receitas decorrentes das atividades que, cumulativamente, consistam na execução de obras de construção civil (o que exclui estudos de viabilidade técnicoeconômica, projetos, consultorias, contratos de fiscalização de obras de terceiros e outras atividades previstas na Resolução Confea nº 218, de 29 de junho de 1973), refiramse a obras de construção civil e sejam executadas por meio de administração, empreitada ou subempreitada. b) Consta do Anexo I dos esclarecimentos do TIF 17 e nos Anexos I e III dos esclarecimentos do TIF 18, prestados pela empresa, que as atividades em questão correspondem Fl. 5838DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 4 3 a: b.1) Estudos de viabilidade e demais estudos não ligados a obras (valor de R$ 20.000,00, o qual não foi objeto de levantamento, mas sim excluído da BC por já haver sido considerado pela empresa como não cumulativo); b.2) Gerenciamento (valor de R$ 92.601.033,50); b.3) Projeto ligado a obra (valor de R$ 67.479.138,13); b.4) Supervisão (valor de R$ 19.308.588,03); e b.5) Turn key serviços (valor de R$ 18.273.181,66). Quanto aos últimos contratos, os mesmos não correspondem a serviços realizados pelo sistema “turn key”, mas sim a contratos específicos para a prestação de serviços especializados, pois a Engevix foi contratada apenas para a realização de parte da execução da obra/serviços e/ou fornecimento e não para fazer toda a obra e todo o fornecimento, condição esta necessária e precípua para que fosse considerada como contrato na modalidade “turn key”. Tratase, outrossim, de diversos serviços especializados de engenharia. c) O valor de R$ 2.224.115,20, relativo ao contrato 1151, constante de anexo dos TIFs 17 e 18 não será considerado na base de cálculo do presente auto de infração, visto que se trata de contrato contemplado com o REIDI Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra estrutura. d) Os valores informados no ANEXO III dos esclarecimentos apresentados pela empresa, relativos ao TIF 18, especificamente o item "DIFERENÇAS", foi considerado como valor devido de contribuição para o PIS e para a COFINS. Todos os contratos para os quais houve levantamento de débito, estão devidamente relacionados no ANEXO do TIF 17 de 21/05/2013. O detalhamento dos valores das bases de cálculo, alíquotas, deduções, créditos, retenções na fonte etc constam do ANEXO III dos esclarecimentos do TIF 18, apresentado pela empresa. Do anexo III constam, separadamente, os valores que já haviam sido considerados pela empresa, tanto no que respeita a CUMULATIVIDADE como a NÃO CUMULATIVIDADE. Constam também, de forma destacada, os valores para os quais a auditoria fiscal entendeu de forma divergente da empresa, no que respeita à classificação das Receitas, isto é, a empresa entendeu que se tratava de receitas do regime CUMULATIVO, enquanto a auditoria fiscal entendeu que se tratava de receitas do regime NÃO CUMULATIVO. Esses valores estão destacadamente informados na folha 1, Regime Não Cumulativo, como Receitas Reclassif. RFB TIF 17, em negrito, e Diferenças de crédito a Apropriar, Na folha 2, Regime Cumulativo, como Receitas Reclassif. RFB TIF 17, em negrito. Esses valores já haviam sido declarados pela empresa, quando apuração das contribuições devidas ao PIS e à COFINS na CUMULATIVIDADE, inclusive Fl. 5839DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 5 4 com informações em DACON. Esses valores constam da fl. 2 da planilha como dedução dos valores devidos na CUMULATIVIDADE, porque, como já foi explicado, esses valores foram somados aos valores da NÃO CUMULATIVIDADE (fl. 1 do anexo III). e) Importante destacar que os valores que foram informados pela empresa na folha 1 do anexo III, adicionandoos à NÃO CUMULATIVIDADE, são EXATAMENTE os mesmos que constam da folha 2 do mesmo anexo III, deduzindoos da CUMULATIVIDADE. Na folha 2 do Anexo III, consta ainda o quadro Resumo Geral, onde são apresentados os valores devidos de contribuição para o PIS e para a COFINS, todas as retenções na fonte e pagamentos, restando assim as diferenças. O valor total das diferenças informado pela empresa na folha 2 do Anexo III, é o que foi considerado pela auditoria fiscal, para fins de levantamento de débito, valor originário, para cada mês informado. Destaquese, como já referido, que os valores considerados neste termo de débito foram considerados pela empresa como sendo abrangidos pelo regime da CUMULATIVIDADE. A empresa utiliza os regime de competência e de caixa, para apropriação de suas receitas. Os valores ora considerados, constantes do anexo do TIF 17, são os efetivamente recebidos em 2009, o que foi inclusive declarado pela empresa, quando dos esclarecimentos do TIF 18, subitem 2.2: “Declaramos que os valores da planilha são efetivamente os recebidos em 2009 (Anexos I e II)”. f) O valor da receita proveniente de contratos de CONSTRUÇÃO CIVIL, assim entendido aqueles cujo objeto contratual assim definia, inclusive aqueles que foram firmados na modalidade conhecida como “turn key”, foram considerados pela empresa como sendo do regime da CUMULATIVIDADE, para fins de contribuição para o PIS e para a COFINS, interpretação esta também esposada pela auditoria fiscal, com base no inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Cientificado em 25/11/2013 (fls. 03 e 38), o interessado apresentou, em 23/12/2013, a impugnação de fls. 4942/4984, da qual consta: a) A multa regulamentar lavrada em decorrência do atraso na transmissão da EDC foi quitada pela impugnante, conforme guia anexa no valor de R$ 24.000,00. b) O art. 10 da Lei n° 10.833/03 prevê que permanecem sujeitas às normas vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o ao 8o, “as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil”. c) Quando se fala em obra de construção civil estamos diante de imóveis e benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. Por sua vez, o conceito de obra de construção civil alcança o erguimento de edificações propriamente ditas e toda espécie de obra ou de trabalho, tendente a ampliar, modificar ou melhorar o prédio já Fl. 5840DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 6 5 construído ou edificado, ou a construílo inteiramente; e exprime toda espécie de obra, trabalho de arquitetura ou de pedreiro, mesmo que não se destine a edificar habitação. Obra de construção civil envolve, pois, todas as atividades necessárias a construir, desde a sua idealização com os estudos ambientais, estudos de viabilidade técnica, projetos, assim como seu acompanhamento, por intermédio dos gerenciamentos e fiscalizações até a sua conclusão, atestada por certificado de entrega ou habitese. A Lei nº 8.666/1993 (Lei de licitações e contratos da Administração Pública), a Lei nº 9.317/1996 (SIMPLES), o Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência) e a IN nº 971/2009 definem que “construção” se traduz na construção propriamente dita (edificação), assim como na demolição, na reforma, na ampliação de edifícios e mais tudo aquilo que se constitua uma benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. São obras de construção civil a construção de edifícios, obras de infraestrutura, construção de rodovias, obras de urbanização, construção de redes de distribuição de energia, de distribuição de energia elétrica, estações e redes de telecomunicações, construção de redes de transporte por dutos, perfuração) e construção de poços de água etc. Uma prova de que toda a fase de idealização da obra integra a execução desta, é a previsão legal expressa prevista no art. 48, §2° da Lei n° 4.591/1964, que trata das edificações em incorporação imobiliária, quando de forma expressa prevê que o projeto e o memorial descritivo das edificações farão parte integrante e complementar do contrato de construção de imóveis. Não há como dissociar obra de construção civil de atividades de estudos de viabilidade técnica, projetos, gerenciamento, fiscalização, consultorias, entre outras inúmeras atividades, todas imprescindíveis à execução da obra de construção civil. E é nesse sentido que a Receita Federal do Brasil vem se manifestando, nos termos do ADN COSIT nº 30/1999, que ao dispor sobre a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES reconheceu que dentre as atividades de construção civil estão serviços auxiliares. Em diversos contratos objeto do presente lançamento a impugnante prestou os serviços especificados no ADN COSIT n° 30/1999, os quais já foram reconhecidos pela própria Receita Federal como obra de construção civil. O mesmo entendimento consta de Soluções de Consulta, sendo também seguido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e, no mesmo sentido, caminha a jurisprudência do STJ. d) Quanto a contrato de construção de imóveis, a Lei nº 4.591/1964, ao tratar sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias, define que a construção de imóveis será contratada sob os regimes de “empreitada” ou “administração”, prevendo que farão parte integrante desse contrato o projeto e o memorial descritivo, deixando claro e inequívoco que as atividades exercidas pela impugnante são em verdade obras de construção civil. É inimaginável ter um contrato de prestação de serviço no contexto de uma obra de construção civil, porque o dono da obra não contrata de forma Fl. 5841DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 7 6 indefinida um serviço nesse âmbito. Contrata pintura de determinado imóvel, contrata um projeto certo e específico idealizado, por exemplo, de uma hidrelétrica, de uma rodovia, de uma indústria, de um estádio, de um poço, de uma planta petroquímica etc. Não contrata um estudo de viabilidade técnica sem que haja o objeto pretendido futuro de construir e executar algo. Sendo assim, os contratos de construção civil caracterizamse pela contratação de apenas uma empreitada ou de diversas empreitadas, ou por administração. Em qualquer dessas hipóteses enquadrase no art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003. e) Nesse contexto, os contratos de “turn key”, típicos da área de engenharia e utilizados em obras de grande complexidade, não exigem necessariamente que o contratado execute diretamente toda a obra de construção civil ou forneça todos os materiais. A autoridade fiscal confundiu os conceitos de “turn key” com empreitada global e confundiu ao entender que o regime de cumulatividade somente se aplicaria nessa modalidade contratual, pois a Lei nº 10.833/2003 não faz qualquer tipo de distinção ao tipo de empreitada. Para fins de definição do regime de cumulatividade o que importa saber é se as modalidades contratuais exigidas foram empregadas tendo como objeto uma obra civil. Refere decisão administrativa, concluindo que a Lei nº 10.833/2003 em momento algum classifica a modalidade contratual empreitada, sendo aplicável a regra da cumulatividade a qualquer uma das subclassificações, global, total e parcial. Logo, ainda que se admita que os contratos não são de “turn key”, serão necessariamente de empreitada. Nesse cenário a premissa fiscal mostrase insuficiente para sustentar o presente lançamento. A modalidade contratual “por administração” está regulada no direito civil há muitos anos. Desde 1964, quando a Lei n° 4.591/1964 passou a disciplinar sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias, essa modalidade contratual foi regulada, depreendendose características inerentes a estes contratos, como é o caso da vinculação do preço aos custos da obra. A segunda modalidade contratual definida na Lei n° 10.833/2003 como necessária para aplicação do regime cumulativo é a “empreitada”, definida no Código Civil nos arts. 610 a 626, os quais conduzem à conclusão de que este contrato caracterizase quando uma das partes (empreiteiro) obrigase a executar uma obra ou parte dela, mediante pagamento de preço que a outra parte, denominada dono da obra, pagará (a obrigação do empreiteiro é a entrega de obra proposta, obrigação de resultado). As empreitadas podem ser global, total ou parcial e a subempreitada é um contrato derivado do principal de empreitada, no qual o empreiteiro assume o papel de dono da obra e o subempreiteiro assume a posição do empreiteiro, logo seu objeto é idêntico ao principal. Fl. 5842DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 8 7 f) Para definir se o serviço objeto das contratações motivadoras do presente auto de infração foi prestado na execução de obra de construção civil, devese recorrer ao enquadramento previsto na legislação previdenciária, apresentadas atualmente no Anexo VII da IN n° 971/2009. Antes vale destacar que muitas das contratações tem como objeto partes contratantes organizadas por consórcios ou até mesmo a impugnante na posição de consorciada. E nesses negócios jurídicos a modalidade empreitada fica ainda mais clara. Isto porque os consórcios são criados para a execução de um empreendimento previamente definido, inclusive com prazo determinado de existência, o qual se traduz naquele necessário para a consecução do objetivo para o qual é criado. Sendo assim, as contratações realizadas no âmbito de obras realizadas por consórcios pela própria natureza do fato motivador do contrato são feitas mediante empreitada. Empreendese, na sequência, a análise dos contratos objeto do lançamento de ofício, conforme se vê às fls. 4964/4975, com a conclusão de que todos o noventa e nove contratos contestados pela fiscalização enquadramse no conceito de obra de construção civil. g) A base de cálculo e o cálculo do montante devido constituem elemento material intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de métodos que resultem em base de cálculo incerta e duvidosa constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade. Ainda que se admita que a impugnante não realizou obras de construção civil e que as receitas oriundas dos contratos elencados nos autos deveriam ter sido tributadas pelas contribuições calculadas pela sistemática nãocumulativa ao invés de cumulativa, ainda assim o auto de infração não pode prosperar. Ocorre que em um universo de 99 contratos reclassificados pelas autoridades administrativas, 61 são contratos firmados entre a impugnante e órgãos públicos, tendo a impugnante optado em tributar as receitas daí advindas pelo regime de caixa e não pelo regime de competência, tal como lhe permite a legislação de regência, especificamente o artigo 7o da Lei n° 9.718/98. O contribuinte tem a faculdade de oferecer as receitas decorrentes de contratos firmados com órgãos públicos à tributação do PIS e da COFINS apenas quando do efetivo recebimento do preço. Assim, a receita decorrente dos contratos celebrados com órgãos públicos, bem como os correspondentes custos, devem ser reconhecidos no resultado da Companhia nos períodos contábeis em que o trabalho for executado. No caso vertente, a autoridade fiscal simplesmente ignorou a opção da manifestante, apurando o valor daquelas de acordo com o regime de competência e não de caixa, gerando uma exorbitante diferença na base de cálculo das exações. Cita “exemplos práticos” que demonstrariam o equívoco em que laborou a autoridade administrativa, concluindo que tais exemplos demonstrariam, com clareza, que a autoridade fiscal Fl. 5843DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 9 8 adotou o regime de competência para toda e qualquer receita auferida, o que é comprovado “pela planilha e Livros Razões anexos”, em evidente desrespeito a sua opção e maculando de vício insanável o auto de infração. Subsidiariamente, caso não se entenda pelo cancelamento, deve ao menos ser reduzida a autuação, expurgando da base de cálculo os valores das receitas de órgãos públicos que não foram efetivamente recebidas no anocalendário de 2009. h) Na hipótese de se entender que os documentos acostados não são suficientes a comprovar a adoção correta do contribuinte pela sistemática da cumulatividade para a tributação dos contratos relativos à construção civil, conforme determina a Lei n° 10.833/03, em nome do princípio da verdade material e por se tratar de questão técnica do ramo de engenharia, pugna pela realização de diligência ou perícia, apta a demonstrar que todos os contratos reclassificados se enquadram como obra de construção civil e que a base de cálculo utilizada pela fiscalização contemplou valores relativos a contratos com órgão públicos, tributados pelo regime de caixa e que não foram efetivamente recebidos pela Impugnante. Formula quesitos e indica assistente. Conforme declarado pelo sujeito passivo, o valor relativo à multa regulamentar decorrente do atraso na transmissão da EDC haveria sido quitada. Inexiste, pois, qualquer litígio quanto a este aspecto do lançamento de ofício. É o relatório." O relator da decisão de primeira instância preliminarmente (i) rejeitou o pedido de Nulidade do Lançamento de Ofício onde a recorrente alega que a fiscalização não respeitou sua opção pelo regime de caixa na tributação (ii) elucidou as hipóteses em que as Decisões Judiciais e Administrativas poderiam ser aplicadas a situações semelhantes, que não se amoldam ao caso, e (iii) no mérito examinou o conceito de obra de construção civil para fins da Classificação dos Contratos e Receitas para fins de cumulatividade ou não das contribuições. Foi, ainda, indeferida a solicitação de diligência, consilderando que a recorrente teria a seu dispor todos os elementos eventualmente probatórios de sua alegações os quais deveriam ser apresentados junto com a impugnação. O Acórdão a quo manteve integralmente o crédito tributário com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. Fl. 5844DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 10 9 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS PROCESSUAL DA PROVA. Fazse incabível a realização de perícia ou diligência quando reputadas desnecessárias. A realização de diligência não se presta a suprir eventual inércia probatória do impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PIS NÃOCUMULATIVO. RECEITAS PROVENIENTES DE OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DELIMITAÇÃO. Nos termos dos arts. 10, XX, e 15 da Lei nº 10.833/2003, permanecem sujeitas ao regime cumulativo da contribuição para o PIS as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, assim consideradas apenas aquelas que correspondam, efetivamente, à construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COFINS NÃOCUMULATIVA. RECEITAS PROVENIENTES DE OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DELIMITAÇÃO. Nos termos do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, permanecem sujeitas ao regime cumulativo da Cofins as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, assim consideradas apenas aquelas que correspondam, efetivamente, à construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo Cientificado daquela decisão em 22/11/2014 a autuada apresentou recurso voluntário em 22/12/2014, onde repisa os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Pereira Nunes Fl. 5845DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 11 10 O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Preliminares 1. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ERRO NA BASE DE CÁLCULO A Recorrente alega que o lançamento das contribuições ignorou a opção da Recorrente, prevista no art. 7° da Lei n° 9.718/98, e apurou os montantes das exigências fiscais adotando regime de competência e não de caixa, gerando exorbitante diferença na base de cálculo das exações; maculando de vício insanável os autos de infração por afronta ao artigo 142 do Código Tributário Nacional Que os Demonstrativos de Créditos da Não Cumulatividade, esclarecimentos ao item 2 do TIF n° 17 e ao TIF nº 18, fls. 414/463, em especial o anexo III constante nas duas últimas folhas, todos elaborados pela Recorrente, deixam claro que as informações ali prestadas estavam unicamente sob a ótica da fiscalização e foram frutos da imposição fiscal. Ou seja, após ser intimada da reclassificação, a Recorrente foi obrigada a elaborar o demonstrativo apontando o cenário antes da fiscalização e sob a ótica fiscal. Não merecem prosperar tais alegações, pois conforme se verá (i) o regime de caixa foi informado pela própria Recorrente, nada havendo a corrigir, e (ii) o outro fator que influenciou nos cálculos, a ser examinado no mérito, foi a desclassificação dos contratos feita pela fiscalização, fazendo com que as respectivas receitas fossem tributadas pelo regime da não cumulatividade, ao contrário do que deseja a Recorrente. Em relação ao regime de caixa versus competência (item "i" acima), verifica se que por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 17 (fls. 409/411 e anexo de fls. 412/413) a Recorrente foi informada dos valores das receitas de contrato/projeto de 2009 desclassificados, bem como a apresentar demonstrativo de créditos decorrentes da não cumulatividade das contribuições, conforme o seguinte conteúdo (negritei): 1. ... Isto posto, para os contrato listados na planilha anexa a este termo será considerado, no que respeita ao PIS e COFINS, o princípio da NÃO CUMULATIVIDADE. 2. A empresa deverá apresentar o demonstrativo dos CRÉDITOS da não cumulatividade .... 3. Deverá ser apresentado em planilha excel cada crédito específico por contrato/projeto, respeitando o regime utilizado pela empresa, se caixa ou competência. 4. Na hipótese de algum valor apresentado na planilha anexa ter sido diferido, por conta do regime de caixa, a empresa deverá informar o contrato/projeto e o valor específico por fatura e a data do efetivo recebimento. (...) Mesmo sem concordar com a desclassificação dos contratos a Recorrente atendeu a intimação fiscal, fls. 415/418, reclassificando suas receitas e apurou os créditos e calculou as contribuições devidas conforme fossem sujeitas ao regime cumulativo ou não Fl. 5846DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 12 11 (planilhas dos anexos 1 e 2). Vêse, portanto, que neste momento a Recorrente já deverá ter levado em consideração também sua opção pelo regime de caixa ou competência, conforme alertada pela fiscalização. Ato contínuo a fiscalização emitiu o Termo de Intimação Fiscal nº 18 (fls. 421/424), de onde extraio os seguintes excertos: 2.1 As planilhas, anexos 1 e 2, deverão ser apresentadas em papel formato A4; 2.2 Declarar expressamente que os valores da planilha, no que respeita à BASE DE CÁLCULO, são os faturados e EFETIVAMENTE RECEBIDOS em 2009; 2.3 Idem em relação aos valores relativos aos créditos; 2.3.1 Caso haja divergência, deverá ser apontada, esclarecida e demonstrada. 3. Apresentar, se for o caso, planilha específica para os valores FATURADOS em 2008 e EFETIVAMENTE RECEBIDOS EM 2009 (adições), no que respeita aos contratos/projetos listados no anexo do TIF 17. Em resposta, a Recorrente apresentou os documentos de fls. 426/427 e 433, nos seguintes termos: Item 2.1. Proporcionamos as duas planilhas solicitadas em papel A4; 2.2. Declaramos que os valores da planilha são efetivamente os recebidos em 2009 (Anexos I e II) item 3. Apresentamos a relação de todos os valores recebidos em 2009 (Anexo I). Do que se viu até agora já é possível concluir que a Recorrente tinha perfeito conhecimento da possibilidade de ser tributada com base no regime de caixa ou no regime de competência, e informara explicita e repetidamente ter recebido os valores em 2009, tendo inclusive preparado as planilhas sem nenhum questionamento sob este aspecto, e assim sendo não vejo erro no procedimento fiscal. Noutro ponto, contrariamente ao informado pela Recorrente durante a Fiscalização, ela alega em sua defesa que houve erro naquelas informações e cálculos, conforme exemplos abaixo, dizendo inclusive que "esses valores não foram efetivamente recebidos pela Engevix". Fl. 5847DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 13 12 Nas palavras da Recorrente, "Os exemplos acima demonstram, com clareza, que a autoridade administrativa adotou o regime de competência para toda e qualquer receita auferida peia Recorrente, o que foi efetivamente comprovado através de planilha e livros anexos juntados aos autos juntamente com a impugnação, em evidente desrespeito a sua opção realizada em consonância com o artigo 7º da Lei n° 9.718/98, maculando de vício insanável os autos de infração por afronta ao artigo 142 do Código Tributário Nacional". Esta alegação foi exaustivamente refutada pela decisão de piso chegando à conclusão que são meras alegações sem provas. Efetivamente a Recorrente fez alegações e apontou documentação de forma genérica sem citar especificamente onde estaria a prova do seu equívoco ao prestar, repitase de forma reiterada e explícita, as informações à fiscalização. Ora, se a Recorrente tivesse estas alegadas provas, ela própria teria contratado a perícia técnicacontábil, com os documentos devidamente apontados e juntados à sua impugnação. Mesmo no recurso voluntário, ainda que sob o risco preclusão, tal laudo seria de muito maior valia do que insistir com a alegações genéricas e pedido de diligência para produção de provas que ela própria poderia apresentar desde logo. Outro ponto que diz respeito aos valores das receitas relativas aos contratos autuados é o esclarecimento da fiscalização afirmando não ter alterado tais valores nos cálculos elaborados pelo próprio contribuinte (fls. 428/429 e fls. 462/463 Anexo III), ainda que este estivesse insatisfeito com a reclassificação dos contratos. Pois bem, as informações fiscais abaixo deixam claro que a fiscalização apenas reclassificou alguns contratos transferindoos do regime cumulativo, anteriormente informado na contabilidade e DACON, para o regime não cumulativo e, consequentemente, permitindo a inclusão de deduções, créditos etc típicos deste regime que, entretanto, não se mostraram suficientes para compensar o aumento das alíquotas devido a mudança do regime, resultando, assim, em novo saldo a tributar. Vejamos as informações fiscais com destaque: “O detalhamento dos valores das bases de cálculo, alíquotas, deduções, créditos, retenções na fonte etc. constam do ANEXO III dos esclarecimentos do TIF 18, apresentado pela empresa, que faz parte integrante e inseparável deste termo de débito, sobre o qual passaremos a discorrer: Fl. 5848DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 14 13 Do anexo III constam, separadamente, os valores que já haviam sido considerados pela empresa, tanto no que respeita à CUMULATIVIDADE como à NÃO CUMULATIVIDADE; Constam também, de forma destacada, os valores para os quais a auditoria fiscal entendeu de forma divergente da empresa, no que respeita à classificação das Receitas, isto é, a empresa entendeu que se tratava de receitas do regime CUMULATIVO, enquanto a auditoria fiscal entendeu que se tratava de receitas do regime NÃO CUMULATIVO; Esses valores estão destacadamente informados, na folha 1, Regime não cumulativo, como: Receitas – Reclassif. DRF TIF 17, em negrito, e Diferenças de créditos a Apropriar; Na folha 2, Regime cumulativo, como: Receitas – Reclassif. RFB TIF 17, em negrito. Esses valores já haviam sido declarados pela empresa quando da apuração das contribuições devidas ao PIS e à Cofins na CUMULATIVIDADE, inclusive com informações em DACON;” – fl. 35. Finalmente, a Recorrente requereu que "se não se decidisse pelo cancelamento, ao menos reduzisse a autuação, expurgando da base de cálculo os valores das receitas de órgãos públicos que não foram efetivamente recebidas no anocalendário de 2009. Todavia, tal pleito foi negado sob o argumento de que: "não se mostra incabível, na medida em que as provas carreadas aos autos demonstram que a base de cálculo utilizada no lançamento de oficio .... é a efetivamente cabível à hipótese de incidência.'' Diante de todo o exposto, adoto as razões da decisão de piso e afasto a hipótese de nulidade do lançamento. Igualmente indeferese o expurgo da base de cálculo os valores as receitas de órgãos públicos que não foram efetivamente recebidas no anocalendário de 2009, uma vez que tal requerimento baseiase na possibilidade de opção pelo regime de caixa na qual não restou comprovado equívoco face as informações anteriormente prestadas pela Recorrente 2. DAS DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS neste tema os fundamentos da decisão de piso foram, segundo a recorrente, assim resumidos: (i) as decisões administrativas não são oponíveis à autoridade administrativa da DRJ, (ii) as soluções de consulta não podem ser estendidas genericamente a outras hipóteses e (iii) os entendimentos manifestados pelos tribunais não vinculam, de per si, o julgamento administrativo. A Recorrente se contrapõe ressaltando que é inerente à lide administrativa e consequentemente a exercício da ampla defesa e contraditório, a dialética calcada na apresentação de fatos e argumentos com vistas ao convencimento do julgador. E nesse cenário, decisões administrativas, soluções de consultas, e jurisprudências podem sim ser levadas a efeito para subsidiar os argumentos de defesa assim como fundamentos de decisões administrativas de primeira instância. Fl. 5849DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 15 14 A razão teórica encontrase em ambas as posições, entretanto para o caso presente a jurisprudência trazida pela Recorrente não encontrou guarida por não tratar de situação idêntica ou mesmo similar, deixando ao julgador a tarefa de interpretar a norma e buscar conceitos e limites que eventualmente possam ser necessários para o deslinde da matéria que tornase puramente de direito, já que dispensa a produção de provas Mérito 3. DO REGIME DA CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E A COFINS APLICÁVEL AOS CONTRATOS DE OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL RECLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS. No Relatório Fiscal, fls. 3132, vêse os cinco (5) grupos de contratos tipificados pela Recorrente cuja reclassificação fiscal para fins das contribuições a Recorrente não aceita, conforme abaixo transcritos, com destaque para o item 3.3.2.5 relativo à modalidade Turn key, com indicação dos contratos nos subitens seguintes. 3.3.2. Para corroborar o entendimento desta auditoria, podemos nos valer do que consta do Anexo II dos esclarecimentos do TIF 17 e nos Anexos I e III dos esclarecimentos do TIF 18 , onde a empresa declara que as atividades relativas aos valores considerados nos TIF's 17 e 18, valores estes que serão a BASE DE CÁLCULO das contribuições do PIS e da COFINS, regime NÃO CUMULATIVO, neste termo de débito, são as seguintes: 3.3.2.1. "Estudos de viabilidade e demais estudos não ligados a obras Valor de R$ 20.000,00. Esse item não foi objeto de levantamento, mas sim, foi excluído da BC por já ter sido considerado pela empresa como não cumulativo; 3.3.2.2. Gerenciamento Valor de R$ 92.601.033,50; 3.3.2.3. Projeto ligado a obra Valor de R$ 67.479.138,13; 3.3.2.4. Supervisão Valor de R$ 19.308.588,03; 3.3.2.5. Turn key serviços Valor de R$ 18.273.181,66. Em que pese a empresa informar que esses valores se refiram a contratos de "turn key" (comumente chamado de "chaves na mão"), quando da leitura do objeto contratual dos contratos ora em questão, constatase que NÃO se trata de serviços realizados pelo sistema "turn key", mas sim, de contratos ESPECÍFICOS para a prestação de serviços especializados, senão vejamos: 3.3.2.5.1. Contrato 1057 fornecimento de equipamentos, materiais e sistemas; 3.3.2.5.1.1. Neste contrato, temos no sub item 2.2: Não fazem parte do objeto deste contrato as seguintes atividades: 2.2.1 Toda e qualquer construção civil (destacamos). 3.3.2.5.2. Contrato 1137 serviços técnicos de engenharia do projeto executivo, gerenciamento do suprimento e apoio técnico; Fl. 5850DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 16 15 3.3.2.5.3. Contrato 1143 serviços técnicos de engenharia conceitual para a UTE Vitória; 3.3.2.5.4. Contrato 1145 serviços técnicos de engenharia para a supervisão, controle e apoio técnico da consolidação do projeto funcional ; 3.3.2.5.5. Contrato 1146 serviços técnicos especializados para apoio à fiscalização de obras de empreendimentos habitacionais da CDHU ; 3.3.2.5.6. Contrato 1152 apoio técnico na execução das obras emergenciais de recuperação e/ou reconstrução 3.3.2.5.7. Contrato 1153 serviços de engenharia para estudos de viabilidade técnica e econômica de uma unidade de processamento de gás natural 3.3.2.5.8. Contrato 1154 execução dos serviços de análise de consistência entre a documentação do projeto de prédetalhamento ; 3.3.2.5.9. Contrato 1157 serviços de engenharia especializada para execução de supervisão e controle das obras para a revitalização da via permanente e da rede aérea da malha ferroviária da CPTM; 3.3.2.5.10. Contrato 1162 Serviços de fiscalização e apoio às obras das eclusas de Tucuruí, no estado do Pará; 3.3.2.5.11. Contrato 8994 serviços de projeto executivo, gerenciamento das obras civis, gerenciamento do fornecimento, comissionamento, inspeção e diligenciamento necessários para implantação da Usina Térmica UTE Serra do Navio; 3.3.2.5.12. Conceito de "turn Key" (wikipédia) "Turn key (chave na mão, em tradução livre) é um tipo de operação empregue em processos licitatórios no qual a empresa contratada fica obrigada a entregar a obra em condições de pleno funcionamento. Tanto o preço do serviço quanto o prazo para entrega são definidos no próprio processo." 3.3.2.5.13. Isto posto, não há que se falar em execução de obras/serviços dentro do conceito de "turn key", pois a Engevix foi contratada apenas para a realização de parte da execução da obra/serviços e / ou fornecimento e não para fazer toda a obra e todo o fornecimento, condição esta necessária e precípua para que fosse considerada como contrato na modalidade "turn key". Tratase, outrossim, de diversos serviços especializados de engenharia e, assim sendo, o valor em questão de R$ 18.273.181,66, será considerado como BASE DE CÁLCULO, regime NÃO CUMULATIVO para fins de contribuição para o PIS e a COFINS. A Decisão de piso tomou o cuidado de listar todos os contratos objeto da autuação, conforme transcrição abaixo onde sublinhei mais alguns serviçosparâmetros : "No caso concreto, como se vê no Relatório Fiscal de fls. 29/38, nas cópias dos contratos juntados aos autos e conforme ratificado pela impugnação, às fls. Fl. 5851DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 17 16 4964/4975, os objetos dos contratos cujas receitas vieram a ser submetidas à nãocumulatividade pela autoridade fiscal dizem respeito às seguintes atividades: “Due diligence” técnica para projeto e construção; Serviços de detalhamento; Serviços de consolidação de projeto básico, análise técnica de propostas, emissão de folhas de especificações, estudos de tradeoff e elaboração de requisições técnicas; Serviços técnicos especializados para elaboração dos projetos, nas etapas de estudo preliminar e projeto básico, para reforma e modernização; Serviços técnicos profissionais especializados de apoio ao gerenciamento geral, elaboração e fiscalização da elaboração de projetos e fiscalização de obras; Serviços especializados de desenvolvimento de gerenciamento físico de empreendimento; Serviços técnicos profissionais especializados para gerenciamento e fiscalização de obras novas, ampliações, adequações, reformas e serviços de manutenção de prédios escolares; Serviços técnicos para elaboração do projeto básico para empreendimento; Serviços de consultoria para elaboração de projeto civil; Serviços técnicos especializados no gerenciamento das atividades de elaboração de projetos de arquitetura e engenharia da execução de obras e elaboração e implantação de projetos de desenvolvimento social e econômico sustentável; Serviços de consultoria e apoio à fiscalização e serviços de engenharia; Projeto civil, elétrico, instrumentação, ventilação e ar condicionado, detecção e combate à incêndio; Apoio técnico para elaboração, fiscalização de projetos e orçamentos, inclusive projetos; Acompanhamento e controle de qualidade da reforma, ampliação, construção de novas edificações e conclusão de obra; Serviços técnicos especializados para apoio à fiscalização de obras de empreendimentos habitacionais da CDHU do Estado de São Paulo; Serviços de análise de consistência entre a documentação do projeto de pré detalhamento e os projetos básicos; Assessoria de engenharia técnica para projetos executivos; Consultoria técnica nas áreas de cálculo mecânico, estrutural e de instrumentação e controle; Projetos de arquitetura e complementares de engenharia, serviços técnicos de gerenciamento de empreendimento habitacionais; Serviços técnicos de suporte, apoio, gerenciamento e acompanhamento na implementação de projetos de engenharia; Elaboração de projetos de engenharia civil, básico e detalhado, baseado em projeto preliminar de engenharia; Serviços de assessoria para fiscalização e supervisão das obras civis e de sistema fixo para implantação de Metrô, através do acompanhamento físico do contrato de obras, Serviços e fornecimento de bens envolvendo as áreas de obras civis e fornecimento e instalação de sistema de eletrificação, visando assegurar conformidade com os correspondentes projetos de engenharia e a qualidade dos serviços contratados; Supervisão de obras de implantação, compreendendo as atividades de revisão e adequação de projetos, supervisão das obras e serviços nas áreas de infraestrutura, superestrutura de via permanente e sistemas (sinalização e telecomunicações) de ferrovias, disponibilização de veículos e equipamentos de topografia e de geotecnia, disponibilização de instalações e alojamento de pessoal com mobiliário; Coordenação, supervisão, controle e subsídios à fiscalização de obras rodoviárias; Coordenação, supervisão, controle e subsídios à fiscalização de obras; Prestação de serviços técnicos especializados de supervisão das obras de recuperação de estradas vicinais do Estado de São Paulo; Serviços técnicos para elaboração de estudos de traçado, seleção de alternativa, otimização da alternativa selecionada, elementos para licitação das obras, projeto de engenharia, detalhamento executivo, serviços técnicos especializados de apoio e acompanhamento técnico a obras; Elaboração de estudos funcionais, projeto básico, projeto executivo e elaboração de estudo de impacto ambiental; Serviços de consultoria especializada para apoio à DERSA, no gerenciamento do Programa de Desenvolvimento do Sistema Viário Estratégico Metropolitano de São Paulo e às Prefeituras do Município de São Paulo e Mauá; Serviços de consultoria para supervisão das obras de implantação, restauração e pavimentação de rodovias; Serviços técnicos especializados para elaboração de Fl. 5852DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 18 17 Projetos Executivos para realização de melhorias e de serviços de recapeamento, de duplicação de rodovias, de implantação de acostamento e terceiras faixas em rampas ascendentes, de dispositivos em interseções, de obras de artes especiais, de baias de ônibus, de faixas de aceleração e desaceleração nas interseções, de implantação de guias, sarjetas e passeios, de recuperação e implantação de drenagem, de recuperação de taludes e de estudos e obtenção de licenças ambientais; Contratação de serviços técnicos e administrativos de apoio ao gerenciamento do Programa de ecuperação de Rodovias do Estado de São Paulo (Contrato 1112) 1 ; Serviços técnicos especializados para supervisão de projetos de engenharia civil de estações e vias permanentes; Serviços técnicos especializados de supervisão das obras do Programa de Melhorias e Recuperação de Rodovias Estaduais; Elaboração de projetos executivos de obras emergenciais para recuperação de deslizamento; Elaboração de projeto básico e executivo de engenharia para obras de restauração; Serviços de consultoria para elaboração de projeto básico de infraestrutura, de superestrutura e estudos operacionais; Serviços técnicos especializados para elaboração de projeto executivo de pavimentação e melhorias de pista e acostamento, de dispositivos em intersecções de implantação e recuperação de obras de artes especiais, de recuperação e implantação de drenagem, de recuperação de taludes e de estudos ambientais e autorizações específicas; Serviços técnicos especializados de elaboração de projetos básicos para ampliação de capacidade operacional; Serviços técnicos de engenharia para Supervisão, Controle e Apoio Técnico da Consolidação do Projeto Funcional ao Corredor Metropolitano Guarulhos em seus 3 trechos e Elaboração dos Projetos básico e executivo para implantação do Corredor Metropolitano Guarulhos São Paulo no Trecho 1; Serviços técnicos especializados para execução de supervisão e controle; Serviços técnicos para elaboração do projeto final/detalhamento construtivo e acompanhamento técnico; Estudos Preliminares e elaboração de projeto básico e Elaboração de estudos preliminares e projeto básico para implantação da Nova transposição da serra na SP99; Supervisão de obras de recuperação; Serviços técnicos especializados de suporte, consultoria, assessoramento, planejamento e apoio técnico ao DER/SP no gerenciamento, supervisão e acompanhamento das obras e serviços de toda a Conservação Rodoviária das rodovias sob jurisdição do DER/SP; Elaboração de projeto e supervisão das obras emergenciais de recuperação; Serviços de apoio e subsídios ao DEINFRA na elaboração de projetos de obras emergenciais; Serviços técnicos para elaboração de Parecer Estrutural sobre as condições de estabilidade e resistência das pontes sobre os rios Uruguai e Passo Fundo; Serviço de apoio técnico para os serviços de engenharia e assessoria técnica especializada para elaboração do projeto conceitual do Viaduto Elevado em Los Tramos (Estados Unidos do México); Projeto executivo (serviços especializados de engenharia); Gerenciamento ambiental e execução de parte dos programas previstos no projeto básico ambiental; Elaboração de projetos básicos de engenharia básico ambiental e executivos, Fornecimento de equipamentos, materiais, e sistemas especificados e atividades de documentação dos fabricantes, transporte dos sistemas eletromecânicos, supervisão de montagem e comissionamento; Estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental; Projeto Executivo Civil, eletromecânico e do Sistema de Proteção Controle e Supervisão (SPCS) relativo à ampliação de subestações; Estudos de viabilidade técnicoeconômica; Estudos e projetos de engenharia; Elaboração e desenvolvimento dos estudos de otimização a partir dos pareceres conclusivos da CELESC; Serviços complementares de engenharia 1 Embora o contribuinte tenha descrito em sua impugnação (fl. 4967) que o objeto do Contrato nº 1112 seria o de “Recuperação de Rodovias”, consta do referido Contrato, firmado com o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo, que o objeto em questão corresponde à “Contratação de serviços técnicos e administrativos de apoio ao gerenciamento do Programa de Recuperação de Rodovias do Estado de São Paulo” (fl. 3718). Fl. 5853DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 19 18 (acompanhamento, análise e recomendação para certificação do projeto executivo, e acompanhamento de obra); Acompanhamento e fiscalização das obras e serviços de construção civil e de montagem, e execução de controle tecnológico de produção de concreto e dos ensaios de laboratório; serviços técnicos de engenharia do projeto executivo, gerenciamento do suprimento e apoio técnico; Engenharia na elaboração de orçamento padrão Eletrobrás, visando embasar licitação e posterior contratação das obras civis e o fornecimento eletromecânico de empreendimentos; Serviços técnicos de engenharia conceitual; Confecção de projetos de arquitetura e complementares de engenharia para construção e/ou reforma; Elaboração de projetos executivos necessários à execução de obras complementares de modernização; Desenvolvimento da revisão do estudo de viabilidade do complexo energético Rio das Antas – CERAN (inclusive a preparação de relatório final e aprovação de estudos junto à ANEEL); Elaboração do relatório com avaliação dos custos de mão deobra, equipamentos e materiais, para a conclusão dos itens constantes dos relatórios “Punch List Status”, “Reporto f Incomplete Contract Works” e “Contract Works to be Compensated”, Serviços relacionados à preparação e participação de audiências públicas; Serviços de consultoria objetivando entregar à CME estudos referentes à previsão de Custo Marginal de Expansão de Energia; Serviços de Suporte Técnica, visando a avaliação de Usina (avaliação de documentação, análises e projeções de custos, despesas gerais etc.); Consultoria especializada para elaboração de estudo e avaliação da implantação de usinas termelétricas a carvão, com vistas a suprir a necessidade de energia elétrica do parque industrial do grupo Votorantim; Serviços para Furnas Centrais Elétricas S/A, sob o regime de empreitada por preço global, relativos à elaboração de parecer técnico sobre orçamento para execução de obras civis da UHE Batalha; Elaboração e desenvolvimento de estudos de otimização a partir de pareceres conclusivos emitidos pela CELESC e projeto básico preliminar e consolidado; Serviços de consultoria para apoio técnico para adequação de projeto básico da PCH Paracambi, considerando duas unidades hidrogeradoras; Serviço de engenharia envolvendo elaboração do projeto, assistência técnica no local da obra, administração e controle de qualidade dos serviços e execução de levantamentos de campo;Acompanhamento técnico e fiscalização da execução dos contratos de implantação; Estudos, coordenação, fiscalização e demais serviços de engenharia relativos a engenharia do proprietário na fase de construção para implantação, englobando assessoria técnica; Execução e desenvolvimento de Projeto Executivo; Elaboração de projeto executivo, gerenciamento das obras civis, gerenciamento do fornecimento, comissionamento, inspeção e diligenciamento; Elaboração de projeto nas áreas de geologia, engenharia civil, engenharia elétrica e engenharia mecânica; Serviços de elaboração de projeto básico e detalhamento; Serviços técnicos para elaborar proposta de enquadramento de referência preliminar; Gerenciamento de obras compreendendo a prestação de serviços de fiscalização, assessoria, assistência técnica e operação assistida de obras; Serviços de consultoria, elaboração de projetos básicos, de engenharia, executivos, estudos de impacto ambiental, supervisão de obras, entre outros; Serviços técnicos especializados para elaboração de projetos nas fases de estudos preliminares e projetos básicos; Serviços técnicos especializados para elaboração de projetos, nas etapas de estudo preliminar e projeto básico para reforma, ampliação e modernização da obra; Serviços técnicos profissionais para a elaboração de projetos; Elaboração de projetos de pavimentação asfáltica, capeamento asfáltico, recapeamento asfáltico, drenagem e terraplanagem em diversas ruas e projeto arquitetônico, elétrico, preventivo contra incêndio, hidráulico e sanitário e estrutural, nos prédios que serão utilizados pela Secretaria Distrital do Grande Garcia; Consultoria técnica e apoio a fiscalização da execução de obras e serviços de terraplanagem e pavimentação de pistas e terraplanagem do pátio de aeronaves; Serviços de engenharia para o desenvolvimento de projetos e atividades Fl. 5854DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 20 19 complementares; Serviços de engenharia para estudos de viabilidade técnica e econômica; Elaboração de projetos conceituais, básicos, executivos detalhados e assistências técnicas à construção e montagem e revisão de projetos de novas instalações ou de modificações em instalações existentes da Petrobrás, Transpetro, situados na sua regional DT/NNE; Estudos e projetos geotécnicos e de drenagem; Serviços de consultoria especializada para supervisão, acompanhamento técnico e controle tecnológico das obras civis de projeto executivo do fornecimento e montagem de equipamentos mecânicos e elétricos; Serviços técnicos especializados para execução e programas ambientais de operação; Serviços de consultoria especializada para elaboração de projeto executivo; Serviços de fiscalização e apoio técnico. Os tipos de serviços listados acima são bastante repetitivos nos 99 contratos reclassificados e nenhum destes, antecipase, corresponde efetivamente a "execução de obra de construção civil". A recorrente, contrariamente ao entendimento do RFB defende em síntese que: · na execução de obra de construção civil não só estão incluídos o ato de edificar, de demolir ou de ampliar. Ao contrário, incluise no conceitos todos os serviços prestados no âmbito de uma obra de construção civil, que contribuem para a construção, entendida como um processo de criação de algo novo, integra o universo da obra, desde a sua fase de idealização, quando se cria através dos projetos até a sua conclusão · para fins de definição do regime de tributação a ser aplicado no âmbito do PIS e da COFINS, deve ser considerada toda a atividade de construção civil, sob um ponto de vista abrangente, tendo o ramo econômico como gênero, permitindose a inclusão das atividades auxiliares e complementares à obras propriamente ditas. · desde 1999, o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 30 já garantia elasticidade do conceito, entendendo ser obra de construção civil também os serviços auxiliares e complementares prestados no âmbito desta; O ponto central da divergência entre a fiscalização e a Recorrente é o conceito de execução de obras de construção civil para fins de definição de regime de apuração sob a ótica do art. 10, XX e 15, V da Lei n. 10.833, de 2003, in verbis, Lei nº 10.833/2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Produção de efeito) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, até Fl. 5855DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 21 20 31 de dezembro de 2010; (Redação dada pela Medida Provisória nº 451, de 2008). Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O primeiro ponto que se observa é o art. 1º com uma regra geral de tributação nãocumulativa e o art. 10 com uma regra de exceção que como tal deve ser interpretada de forma restrita partindo da expressão "execução de obras de construção civil", uma vez que a forma contratual, se "por administração, empreitada ou subempreitada," perdeu relevância na solução do problema. A expressão da regra matriz possui três núcleos (i) "Execução ...de", (ii) " "obras de construção civil" e (iii) "por administração, empreitada ou subempreitada" No exame das normas adotadas pela RFB vê que o segundo núcleo, a obra física propriamente dita, tem conceito restrito, qual seja, Decreto no 3.048, de 1999 Art.257..... §13. Entendese como obra de construção civil a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo.(Revogado pelo Decreto nº 8.302, de 2014) Por sua vez, a IN RFB nº 971/2009 (que revogou a IN MPS/SRP nº 3/2005) prescreve em seu art. 322, I, que: “Art. 322. Considerase: I obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo VII” (destacouse) O Anexo VII da IN RFB nº 971/2009 que trata da obrigações previdenciárias, ao discriminar “obras de construção civil” de acordo com a CNAE (classificação nacional de atividades econômicas), delas exclui explicitamente os serviços especializados de arquitetura relacionados a projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos, bem como os serviços especializados de engenharia relacionados à concepção de projetos estruturais e de instalações, supervisão e gerenciamento de projetos de construção: 41204/00 CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS (OBRA) Esta Subclasse não compreende: os serviços especializados de arquitetura (projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos); (71111/00) Fl. 5856DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 22 21 os serviços especializados de engenharia (concepção de projetos estruturais e de instalações, supervisão e gerenciamento de projetos de construção) (7112 0/00). 42111/01 CONSTRUÇÃO DE RODOVIAS E FERROVIAS (OBRA) Esta Subclasse não compreende: os serviços especializados de arquitetura (projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos) (71111/00); os serviços especializados de engenharia (concepção de projetos estruturais e de instalações, supervisão e gerenciamento de projetos de construção) (7112 0/00). 42120/00 CONSTRUÇÃO DE OBRASDEARTE ESPECIAIS (OBRA) Esta Subclasse compreende: a construção e recuperação de pontes, viadutos, elevados, passarelas, etc; a construção de túneis (urbanos, em rodovias, ferrovias, metropolitanos). Esta Subclasse não compreende: os serviços especializados de arquitetura (projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos) (71111/00); os serviços especializados de engenharia (concepção de projetos estruturais e de instalações, supervisão e gerenciamento de projetos de construção) (7112 0/00); 42138/00 OBRAS DE URBANIZAÇÃO RUAS, PRAÇAS E CALÇADAS (OBRA) Esta Subclasse não compreende: os serviços especializados de arquitetura (projetos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos) (71111/00); os serviços especializados de engenharia (concepção de projetos estruturais e de instalações, supervisão e gerenciamento de projetos de construção) (7112 0/00); os serviços de paisagismo (81303/00). 42227/01 CONSTRUÇÃO DE REDES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA, COLETA DE ESGOTO E CONSTRUÇÕES CORRELATAS, EXCETO OBRAS DE IRRIGAÇÃO Esta Subclasse não compreende: Fl. 5857DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 23 22 os serviços especializados de engenharia (concepção de projetos estruturais e de instalações, supervisão e gerenciamento de projetos de construção) (7112 0/00). 42995/99 OUTRAS OBRAS DE ENGENHARIA CIVIL NÃO ESPECIFICADAS ANTERIORMENTE (OBRA) Esta Subclasse não compreende: os serviços especializados de engenharia (concepção de projetos estruturais e de instalações, supervisão e gerenciamento de projetos de construção) (7112 0/00). Completando o conceito de "obras de construção civil" citase os seguintes entendimentos no mesmo sentido. Ato Declaratório Normativo COSIT n° 30, de 1999 Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que a vedação ao exercício da opção pelo SIMPLES, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: 1. a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; 2. sondagens, fundações e escavações; 3. construção de estradas e logradouros públicos; 4. construção de pontes, viadutos e monumentos; 5. terraplenagem e pavimentação; 6. pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e 7. quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo Neste ponto percebese a tendência para maior abrangência do conceito de serviços na construção civil, porém sem renunciar à sua característica de serem obras também físicas agregadas ao solo, ou ao projeto principal que o auxiliam e complementam na execução. O SD abaixo faz uma interessante análise quanto à preponderância dos recursos materiais e humanos ligados à obra, e ainda, quanto à forma como se resolve o contrato individual. Essa análise leva a três tipos de tratativas (i) contrato compra e venda ou de aluguel onde prepondera o fornecimento de bens, máquinas, equipamentos e material em geral (ii) contrato de mera prestação de serviço intelectual onde prepondera o conhecimento técnico sem preocupação com fornecimento de material ou com conclusão da obra a exemplo dos projetos, assistência e consultoria técnica, apoio administrativo, etc (iii) contrato de execução de obras da construção civil que envolve necessária a responsabilidade pela execução da obra, inclusive serviços auxiliares e complementares, independente de como ocorra o fornecimento de material e emprego dos recursos humanos. Solução de Divergência nº 11 Cosi, de 2014 Fl. 5858DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 24 23 Para efeito de aplicação do disposto no inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, enquadramse, no conceito de obras de construção civil, as obras e os serviços auxiliares e complementares, tais como aqueles exemplificados no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, de 14 de outubro de 1999. 33. A LC nº 116, de 2003, ao legislar sobre as atividades sujeitas ao Imposto sobre Serviços (ISS), descreveu no item 7.02 do seu Anexo Único a abrangência atribuída ao mencionado ramo econômico, in verbis: Anexo Único Lista de Serviços – Item 7.02 7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos; 34. O Decreto nº 7.708, de 2012, ao instituir a Nomenclatura Brasileira de Serviços (NBS), denominou a atividade, em sua Seção I, de ‘Serviços de Construção’. Aqui, entre tantos serviços elencados, ressaltamse os seguintes: Seção I – Serviços de Construção2 NBS Descrição do Serviço 1.0101 Serviços de construção de edificações residenciais 1.0126 Serviços de instalação elétrica 1.0127 Serviços de tubulação para fornecimento e escoamento de águas 1.0128 Serviços de instalação de aquecimento, ventilação e ar condicionado 45. Portanto, para a correta aplicação do inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, nas hipóteses em que o contrato envolve fornecimento de bens, é necessário verificar a preponderância da relação econômica estabelecida. Caso se trate de prestação de serviço de “execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil”, com acessório fornecimento de bens, mostrase aplicável o citado dispositivo. De outra banda, caso de trate de fornecimento de bens, com acessória prestação de serviço de construção civil, não se pode aplicar tal preceptivo. 46. Ademais, quase desnecessário asseverar que não se podem aplicar as disposições do dispositivo em lume às receitas decorrentes da prestação de serviços que não caracterizam “execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil”, como os serviços de manutenção de máquinas, etc. 2 Os demais servços listados nesta seção da NBS obedecem ao princípio de fixação estrutural de materiais, assim devem ser amparados pela cumulatividade desde que haja a efetiva responsabilidade pela sua execução de tal obra e não caracterize mera venda, mero trabalho técnico intelectual ou mera cessão de mão de obra. Fl. 5859DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 25 24 Solução de Consulta nº 51 Cosit ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP RECEITAS EXCEPCIONADAS DA NÃO CUMULATIVIDADE. CASUÍSTICA. Prestação concomitante de diversas espécies de serviços. Necessidade de segregação individualizada das receitas sujeitas ao regime de apuração cumulativa das receitas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa. (...) 24. Contrato descrito pela consulente: (não foi considerado obra de construção civil) c) “contrato .... que tem como objeto prestação de serviços de suporte técnico, pessoal e equipamentos para execução dos projetos concernentes a estudos de planejamento urbano, informações urbanas, regularização fundiária, desenvolvimento sócio econômico e revitalização do desenvolvimento urbano” (...) 28. Contrato descrito pela consulente: (foi considerado obra de construção civil) d) “contrato ... que tem como objeto prestação de serviço de engenharia em próprios municipais, vias públicas e morros, obras, demolições, (não basta o local onde foi prestado o serviço, neste caso houve execução da obra) Solução de Consulta nº 4.008 SRRF04/Disit Conforme entendimento assente da CoordenaçãoGeral de Tributação, a atividade de construção civil deve ser considerada sob um ponto de vista abrangente, tendo o ramo econômico como gênero, permitindose a inclusão das atividades auxiliares e complementares às obras propriamente ditas, em razão da enorme diversidade de atividades e funcionalidades atreladas às modernas construções humanas sobre o solo. Destarte, o contrato de fornecimento de bens e serviços para implantação de infraestrutura elétrica de parque eólico, inclusive do respectivo sistema de transmissão e comunicação associado, com execução mediante o regime de empreitada por preço global, pode, em tese, subsumirse ao conceito de execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil previsto no inciso XX do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já que, em princípio, se enquadra na definição de obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, exemplificados no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 30, Fl. 5860DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 26 25 de 1999, desde que observadas todas as condições requeridas pela Solução de Divergência Cosit nº 11, de 2014. A própria recorrente trouxe aos autos estas normas e os Acórdãos abaixo, mas lhes confere interpretação divergente da RFB e deste relator sem reconhecer limites da ampliação desejada quanto ao conceito de obra de construção civil. (transcritos com negritos originais) Acórdão n° 1301000.456. proferido em 16.12.2010, nos autos do PAF n° 10480.013807/200108 "Essa definição permite que a construção de que trata o ADN COSIT n° 6/1997 seja tida em uma acepção mais ampla, não se atendo estritamente a um edifício ou prédio. Foi com esse fundamento que o próprio legislador, embora tendo por finalidade a regulação de assunto diverso No mesmo sentido acórdão0 110200.486, proferido em 01.07.2011, nos autos do PAF n° 10580.004222/200161. 24 (a possibilidade ou não de opção pelo SIMPLES), estendeu a abrangência do conceito para fins tributários, vejase o art. 9o, inciso V e §4°da Lei n° 9.317/1996 (grifo não consta do original): Ao esclarecer a aplicação desse artigo, a Administração Tributária introduziu o conceito de "obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil", nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT n0 30, de 14 de outubro de 1999 (D.O.U. de 18.10.1999): O conceito assim estendido de construção foi empregado e ratificado pela Administração Tributária no que toca à matéria aqui discutida percentual aplicável às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais, para fins de determinação do lucro presumido em diversas Soluções de Consulta, algumas das quais já referidas neste voto, proferidas anteriormente ao advento da IN SRF n° 480/2004. No entanto, um importante limite deve ser posto a essa ampliação. Mesmo fazendo incluir as instalações elétricas e hidráulicas (atividade societária da recorrente, vide Contrato Social à ff 65) no conceito de construção, não se pode nunca perder de vista que a construção deve ter por objeto "benfeitoria agregada ao solo ou subsolo". Melhor explicando, não ê qualquer instalação elétrica ou hidráulica que se pode haver por construção, mas apenas aquelas em que os materiais empregados venham a se incorporar de forma definitiva ao imóvel construído (aqui em sentido estrito), perdendo assim sua característica de bens móveis. A contrário senso, nas situações em que, mesmo havendo emprego e instalação de materiais, estes possam ser posteriormente removidos ou desinstalados sem qualquer prejuízo, dano ou descaracterização ao bem ao qual, Fl. 5861DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 27 26 supostamente, se teriam incorporado, não se pode entender tratarse de "construção". Na análise acima sobre o núcleo da regra matriz legal "obras de construção civil" restou evidente sua limitação em função da necessidade ser algo físico agregado ao solo ou a uma estrutura material fixa. Também perpassou pelos textos normativos a importante idéia do outro núcleo expresso como "execução de obra", ou construção propriamente dita, e que merece melhor apreciação. Um conceito simples e encontrado coletivamente na Wikipédia (consultada em 03/08/217), esclarece: Na engenharia e na arquitetura, a construção é a execução do projeto previamente elaborado, seja de uma edificação ou de uma obra de arte, que são obras de maior porte destinadas a infraestrutura como pontes, viadutos ou túneis. É a execução de todas as etapas do projeto, da fundação ao acabamento, consistindo em construir o que consta em projeto, respeitando as técnicas construtivas e as normas técnicas vigentes. Vêse que a idéia de "execução da obra ou execução do projeto" (regime cumulativo) difere da idéia de "projeto da obra, "planejamento da obra" ou "projeto de execução da obra" (regime não cumulativo). No projeto ou planejamento da obra prepondera o trabalho criativo ou serviço intelectual, onde os recursos materiais empregados são poucos e normalmente reaproveitáveis em curto prazo sem mudanças físicas e não incorporados à obra. Sua ligação com a obra é de forma mediata e indireta. Já na execução do projeto, ou na construção da obra propriamente dita, prepondera o trabalho ou serviço físico, manual ou mecânico com utilização de grande quantidade de material que ficam incorporados à obra e reaproveitáveis normalmente a longo prazo por reciclagem. Exige um contrato específico de execução, sua ligação com a obra é de forma imediata e direta. Reconhecese a pertinência ou mesmo a imprescindibilidade dos projetos, consultorias e outros trabalhos similares que possibilitam e norteam a execução da obra por terceiro, mas parece claro que a regramatriz quis excepcionar apenas as receitas decorrentes dos contratos de execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, deixando na regra geral da nãocumulatividade os serviços preponderantemente intelectuais e os que caracterizem mera cessão de mão de obra, compra e venda ou aluguel com suporte pessoal acessório, etc. É evidente que não basta estes projetos ou serviços similares estarem ligados ideologicamente a uma obra física, pois o objetivo final (mediato) destes trabalhos sempre será a execução da obra por alguém. Para o gozo da cumulatividade fazse necessário que o projetista, ou o contratado por outros motivos, seja responsável também pela execução da parte da obra projetada que consta no seu contrato. O projeto pode ser de uma pequena parte da obra, o importante é que essa parte constitua um contrato individualizado, tipo o projeto hidráulico, elétrico, sanitário, contraincêndio, condicionador de ar, pintura, gesso, etc. cuja entrega física esteja sob sua responsabilidade como executor. Fl. 5862DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 28 27 Uma particularidade ocorre com o que a Recorrente chama, a meu sentir de modo equivocado, de universalidade da obra. Dito de outra forma, pode acontecer de ela ser contratada para idealizar o projeto completo da obra com vários subprojetos e ela própria se responsabilizar por executálos completamente todos eles, ainda que terceirizando alguns serviços, nesta hipótese existirá de fato e de direito um só projeto executado por ela incluindo também o trabalho intelectual e o universo de serviços por ela contratados como tomadora, devendo, assim, prevalecer a cumulatividade. É o chamado regime turn key que a Recorrente diz ter feito em alguns contratos, mas que a fiscalização mostrou não ser verdade pois ela não teria executado toda a obra. Certamente que naqueles contratos relativos a partes da obra strito sensu que ela projetou e executou, ou apenas executou, foram imputadas receitas sujeitas ao regime cumulativo, tanto é certo que mesmo depois da reclassificação fiscal a totalidade da receita cumulativa da Recorrente continuou bem superior à não cumulativa e a Recorrente não foi capaz de mostrar especifica e pontualmente em qual contrato, dentre os separados e indicados pela fiscalização, ela executou a obra de construção civil, preferindo mostrar ao julgador todos os contratos sem nenhuma análise sob este aspecto da execução física, mas apenas indicando as obras onde tais serviços (projetos) estavam ligados por serem tais obras a razão de existir e o objetivo final dos projetos. Conceito de "obra como uma universalidade" equivocado para fins de enquadramento da regra matriz em comento. Finalizando, concluise que estão fora da cumulatividade, por exemplo, as receitas provenientes tão somente de serviços de engenharia consultiva ou especializada cujo fim é em si mesmo a entrega de estudos de viabilidade ou de conformidade às mais diversas normas técnicas, de elaboração de projetos básico ou executivos específicos, de fiscalização, supervisão, gerenciamento e de outras atividades auxiliares ou complementares que por sí só nada agregam fisicamente à estrutura da obra, ou seja, são não cumulativas todas as receitas provenientes dos serviços listados pela fiscalização, conforme reproduziu a decisão a quo. 4. DA DILIGÊNCIA OU PERÍCIA A Recorrente informa que em resposta ao pedido de realização de perícia a DRJ manifestouse pelo indeferimento, sob alegação de que: (i) inexiste fundamento e "causa justa e plausível" para tanto, (ii) nos autos se encontram presentes elementos suficientes ao deslinde da questão, e (iii) documentos e informações que se prestariam a ratificar as alegações suscitadas encontramse ao fácil e direto acesso do contribuinte. Alega que, todavia, como já dito em sede de impugnação e reiterado no recurso, a fiscalização utilizou conceito equivocado sobre obra de construção civil para reclassificar diversos contratos da Recorrente. e que tal diligência será apta a demonstrar que todos os contratos reclassificados foram executados no âmbito da execução de obra de construção civil, ou seja, foram adotados como atividades necessária para a construção, reforma ou acréscimo de um imóvel ou benfeitoria agregada ao solo ou subsolo, estando correto o procedimento adotado pela Recorrente no oferecimento à tributação das contribuições devidas ao PIS/PASEP e à COFINS. Indeferese o pedido de diligência, pois pelo que se viu das razões de decidir na preliminar e na questão de fundo, a diligência tornouse dispensável para o deslinde da questão, sem que isso represente qualquer cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, pois esta insistiu em tese que não exige outros elementos além dos já existentes no processo. Fl. 5863DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 29 28 5. CONDUTA RESPALDADA EM NORMAS COMPLEMENTARES ATRAÇÃO DA REGRA DE EXCLUSÃO DE PENALIDADES ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN3 A Recorrente alega que pautou sua conduta com base em conceito de obras de construção civil constante em atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, caracterizados como normas complementares das leis. Assim, na remota e improvável hipótese de serem mantidos os lançamentos, requer no mínimo que sejam afastadas as exigências de multa e juros, com base no art.100, parágrafo único do CTN. Não merece prosperar o pedido uma vez que a Recorrente verdadeira não observou as normas que tratam da matéria, mas as interpretou na forma que lhe conveio indo além do permissivo legal por sua conta e risco, uma vez que nem sequer formulou consulta à RFB como era de se esperar em caso de dúvida em busca da transparência fiscal Conclusão Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso e nego provimento. Charles Pereira Nunes Relator 3 CTN Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo Fl. 5864DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 3302004.781 S3C3T2 Fl. 30 29 Fl. 5865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.001155/2002-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO MOTIVO DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO DE VÍCIO FORMAL PARA VÍCIO MATERIAL. AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO DA RECORRENTE. REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE.
Por força do princípio da reformatio in pejus, o ordenamento jurídico brasileiro não permite agravamento da situação do recorrente. Assim, a situação da Fazenda Nacional não pode ser agravada, em sede de recurso de ofício, o que ocorre quando acórdão deste Conselho altera o motivo da nulidade da autuação de vício formal para vício material, retirando a possibilidade de a fiscalização realizar novo lançamento dentro do prazo fixado no art. 173, II, do CTN.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE.
Acata-se os embargos de declaração interpostos, com efeitos infringentes, quando demonstrado a existência dos alegados vício de omissão e contradição no julgado embargado, que uma vez suprida altera o resultado do julgado.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes e negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO MOTIVO DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO DE VÍCIO FORMAL PARA VÍCIO MATERIAL. AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO DA RECORRENTE. REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE. Por força do princípio da reformatio in pejus, o ordenamento jurídico brasileiro não permite agravamento da situação do recorrente. Assim, a situação da Fazenda Nacional não pode ser agravada, em sede de recurso de ofício, o que ocorre quando acórdão deste Conselho altera o motivo da nulidade da autuação de vício formal para vício material, retirando a possibilidade de a fiscalização realizar novo lançamento dentro do prazo fixado no art. 173, II, do CTN. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. POSSIBILIDADE. Acatase os embargos de declaração interpostos, com efeitos infringentes, quando demonstrado a existência dos alegados vício de omissão e contradição no julgado embargado, que uma vez suprida altera o resultado do julgado. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado com efeitos infringentes e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 11 55 /2 00 2- 07 Fl. 1466DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, tempestivamente opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo de suprir suposto vícios de omissão e contradição no acórdão nº 3202000.633, de 31 de janeiro de 2013. Por meio do referido recurso, a embargante alegou a existência de vício de omissão e contradição no citado acórdão, com base nos seguintes argumentos: a) embora os argumentos trazidos pelo Colegiado fossem no sentido de manter a decisão que anulou o lançamento por vício formal, a ementa e o dispositivo do “decisum” expressavam, contraditoriamente, a decisão de dar provimento ao recurso de ofício; e b) o Colegiado, ao julgar o Recurso de Ofício, fez um reenquadramento hermenêuticoprocessual que modificou substancialmente o resultado do processo em desfavor da embargante, ao entender que o vício do lançamento não seria formal, conforme restou assentado no julgamento de 1º instância, mas sim material. Tal fato impedia que a Fazenda Nacional utilizasse do disposto no art. 173, II, do CTN para constituir o crédito tributário, agravando a sua situação. Assim, entendia ser necessária manifestação da Turma Julgadora acerca da impossibilidade da “reformatio in pejus” em sede de recurso de ofício. Por meio do despacho de admissibilidade coligido aos autos, os embargos foram admitidos, porque existentes os dois vícios suscitados no acórdão embargado. Segundo o referido despacho, estava configurado: a) o vício de contradição, porque embora, no dispositivo do acórdão, constasse a manifestação pelo provimento do recurso de ofício, o que seria indicativo de reforma da decisão exarada pela DRJ, com a consequente declaração da validade do lançamento, a fundamentação constante no “decisum” era pela manutenção da nulidade do lançamento; e b) o vício de omissão, posto que, ao decidir pela anulação do lançamento por vício material, alterando o entendimento assentado pela DRJ, que declarou a nulidade do lançamento por vício formal, a situação da recorrente foi agravada, pois, foilhe retirada a possibilidade de refazer o lançamento, com respaldo no art. 173, II, do CTN, porém, a Turma julgadora não se manifestou acerca do cabimento da “reformatio in pejus” em sede de recurso de ofício, embora essa matéria fosse essencial para o deslinde da controvérsia jurídica em debate. Na Sessão de 26 de janeiro de 2017, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator, que submete a julgamento nesta Sessão. É o relatório. Voto Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10611.001155/200207 Acórdão n.º 3302004.815 S3C3T2 Fl. 1.467 3 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise dos alegados vício de omissão e contradição. Nos presentes embargos, a Fazenda Nacional alegou que o julgado embargado padecia dos vícios de contradição e omissão. Em relação ao vício de contradição, a embargante alegou que o julgado embargado, no dispositivo, decidira pelo provimento do recurso de ofício, o que seria indicativo de reforma da decisão exarada pela DRJ, com a consequente declaração da validade do lançamento, enquanto que, na fundamentação esposada no voto condutor do julgado, manifestarase pela manutenção da nulidade do lançamento, por vício material. Para melhor análise da questão, transcrevese a seguir o dispositivo do julgado embargado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício para declarar a nulidade do lançamento por vício material. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. (grifos não originais) E para fins de comparação, transcrevese o seguinte fragmento colhido do voto condutor do julgado embargado: Portanto, no caso em tela, em função do erro na apuração da base de cálculo restou configurado um “defeito” no enunciado da norma individual e concreta produzida pelo Fisco, mais precisamente em seu consequente – no aspecto quantitativo (base de cálculo), maculando o lançamento, devendo ser declarado nulo por vício material. (grifos não originais) A contradição suscitada é evidente e não apenas entre a fundamentação do julgado e o dispositivo do acórdão embargado, mas também entre a fundamentação do julgado e a conclusão do voto condutor do julgado. Entretanto, para que seja dirimida a referida contradição, previamente, precisa ser analisado o alegado vício de omissão, atinente à questão sobre o cabimento da reformatio in pejus em sede de recurso de ofício. Segundo Didier Júnior, ocorre a reformatio in pejus quando: [...] o órgão ad quem, no julgamento de um recurso, profere decisão mais desfavorável ao recorrente, sob o ponto de vista prático, do que aquela contra a qual se interpôs o recurso. Não se permite a reformatio in pejus em nosso sistema. Tratase de princípio recursal não expressamente previsto no ordenamento, mas aceito pela quase generalidade dos doutrinadores. 1 1 DIDIER JR., Freddie et DA CUNHA, Leonardo José Carneiro. Curso de Direito Processual Civil – Meio de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. 8 ed, Salvador. Jus Podvium: 2010, p. 78. Fl. 1468DF CARF MF 4 No caso, ao alterar fundamento da nulidade da autuação, consignado na decisão recorrida, de vício formal para vício material, a situação da Fazenda Nacional, na condição de recorrente, inequivocamente, foi agravada, posto que lhe foi retirada a possibilidade de refazer o lançamento, com respaldo no art. 173, II, do CTN. E o agravamento não era possível em sede recurso de ofício, em razão do que dispõe o instituto da reformatio in pejus. Com base nessa conclusão, esclarecese a contradição suscitada pela embargante com a negação de provimento ao recurso ofício, com vistas a manter incólume a decisão de primeira instância. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos presentes embargos declaratórios, para reconhecer os vícios de contradição e omissão e, com efeitos infringentes, retificar o acórdão embargado, para negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1469DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.728012/2013-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
CESSÃO DE CRÉDITOS. DESÁGIO.
Na aquisição de créditos mediante cessão feita por empresas que não exercem atividade de factoring ou securitização, o registro contábil pelo cessionário deve ser feito pelo valor de aquisição do título e o deságio na operação tem impacto tributário apenas para o cedente. Em relação ao cessionário, eventual ganho sujeito à tributação ocorreria em posterior repasse do crédito a terceiros por valor superior ao de aquisição.
PERDAS EM OPERAÇÕES DE SWAP. RECONHECIMENTO. LIQUIDAÇÃO DO CONTRATO.
Nos termos do art. 32, da Lei nº 11.051/2004, os resultados positivos ou negativos incorridos em operações de swap com fins específicos de hedge devem ser reconhecidos por ocasião da liquidação do contrato.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009
INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo
Numero da decisão: 1402-002.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à omissão de receita decorrente da cessão de créditos. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar também a exigência da multa isolada. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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DESÁGIO. Na aquisição de créditos mediante cessão feita por empresas que não exercem atividade de factoring ou securitização, o registro contábil pelo cessionário deve ser feito pelo valor de aquisição do título e o deságio na operação tem impacto tributário apenas para o cedente. Em relação ao cessionário, eventual ganho sujeito à tributação ocorreria em posterior repasse do crédito a terceiros por valor superior ao de aquisição. PERDAS EM OPERAÇÕES DE SWAP. RECONHECIMENTO. LIQUIDAÇÃO DO CONTRATO. Nos termos do art. 32, da Lei nº 11.051/2004, os resultados positivos ou negativos incorridos em operações de swap com fins específicos de hedge devem ser reconhecidos por ocasião da liquidação do contrato. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009 INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 80 12 /2 01 3- 55 Fl. 1344DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à omissão de receita decorrente da cessão de créditos. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar também a exigência da multa isolada. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 12448.728012/201355 Acórdão n.º 1402002.724 S1C4T2 Fl. 1.345 3 Relatório Trata o presente de autos de infração do IRPJ e da CSLL referentes ao ano calendário de 2009 nos valores respectivamente de R$ 28.803.191,00 e R$ 10.370.228,75; aí incluídos multa de ofício proporcional, juros de mora e multa de ofício isolada. De acordo com a autoridade fiscal, a interessada teria praticado duas irregularidades. A primeira delas foi a aquisição, com deságio, de créditos junto ao Banco Modal S/A, registrandoos na contabilidade pelo valor de compra, e não pelo valor de face dos títulos, sem reconhecer a receita correspondente ao deságio. A outra irregularidade referese ao reconhecimento de perdas em operações de swap pelo regime de competência, e não quando do encerramento dos contratos conforme estipulado pela legislação. O sujeito passivo apresentou impugnação alegando, em síntese, quanto à primeira irregularidade a impossibilidade legal de o Fisco desconsiderar os lançamentos efetuados pela recorrente e forçála a reconhecer os créditos adquiridos pelo valor de face o que implicaria na contabilidade refletir valores irreais e incertos. Ressalta que, mesmo na hipótese de o Fisco estar correto quanto ao modo de contabilização, a suposta receita teria sido neutralizada por despesa de igual montante quando da alienação posterior mas ainda dentro do mesmo período de apuração, desses mesmos créditos e pelos mesmos valores. Quanto ao reconhecimento das perdas com operações de swap, alega que os resultados dessas operações, por serem relacionados à variação cambial, estariam sujeitos à tributação nos termos do art. 30, da MP nº 2.15835/2001, que permite a opção pela tributação com base no regime de caixa ou competência, e não pelo art. 32, da Lei nº 11.051/04 conforme decidido pela Fiscalização. Acrescenta que o art. 32, da Lei nº 11.051/04 alcança os swaps ditos especulativos mas não aqueles que tenham por objeto a proteção de obrigações ou direitos do contribuinte (hedge), como os celebrados pela recorrente. Reclama que o Fisco não poderia ter glosado os resultados negativos sem considerar que, pelo regime de caixa, impactariam o resultado de períodos subseqüentes quando da liquidação dos contratos. Foi apresentada também contestação em relação à exigência de multa isolada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo prolatou o Acórdão 1662.049 considerando a impugnação parcialmente procedente. Foi deduzido do valor tributável da infração correspondente à perdas com operações de swap o valor de R$ 454.617,19 que já havia sido reconhecido como receita pela impugnante. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorreu a este colegiado ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. Em primeira apreciação, este colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência a fim de que fosse verificada a alegação do sujeito passivo no sentido de que os Fl. 1346DF CARF MF 4 contratos não encerrados em 2009, e que por isso não tiveram a perdas reconhecidas pela Fiscalização, o foram no anocalendário de 2010, não havendo prejuízo à Fazenda. Cumprida a solicitação, com manifestação do sujeito passivo, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 12448.728012/201355 Acórdão n.º 1402002.724 S1C4T2 Fl. 1.346 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso foi tempestivo e interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. 1) Receita decorrente da cessão de créditos: Nesse item a defesa sustenta a correção do procedimento por ela adotado para o registro dos créditos que recebeu em cessão, com base no fato de estarem vencidos ou com repactuação de prazo não honrada o que implicaria em grande dificuldade de recebimento. A principio, entenderia que tais circunstâncias não elidem a natureza da operação. A cessão de crédito é negócio jurídico abstrato e distinto da relação jurídica obrigacional da qual emerge o crédito cedido. Objetivamente, a natureza e as condições do crédito importam exclusivamente entre as partes na definição do valor da cessão, mas são irrelevantes na definição do eventual caráter tributável do montante recebido. Entretanto, é razoável supor que a interessada não pode ser comparada a uma empresa de fomento mercantil (factoring) que tem como atividade preponderante a aquisição de créditos com deságio nem tampouco à uma securitizadora. Em tais casos, pressupõese uma expectativa real e clara de recebimento dos créditos adquiridos, o que motivaria a aquisição e justificaria o cômputo do deságio como receita, nos termos estipulados na legislação. Não vislumbro as mesmas circunstâncias no situação sob exame. Ao que parece, a cessão não teve como escopo gerar qualquer ganho para a interessada mas sim melhorar a situação dos ativos da instituição financeira. O fato de o deságio representar uma despesa para a instituição financeira cedente não significa a necessária correspondência com uma receita na cessionária. Isso porque o crédito ora cedido foi, pelo regime de competência, anteriormente contabilizado como receita pela cedente, quando da realização da operação que lhe deu origem. Correto, destarte, o cômputo por ela do deságio como despesa correspondente à parcela do crédito não recebida. Em relação à cessionária (interessada) a operação reflete simplesmente uma aquisição de ativos que devem ser registrados pelo custo de aquisição, exatamente nos moldes realizados pela recorrente. Posteriormente, argumentandose em tese, caso o crédito correspondente seja recebido junto ao devedor, tratase de receita tributável. Sendo objeto de nova cessão, se em valor superior ao custo de aquisição o ganho de capital seria tributável, se em valor inferior o deságio seria indedutível. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso neste item. 2) Apropriação das perdas em operações de hedge: Nesse item, a recorrente sustenta a existência de norma específica representada pelo art. 30, da MP nº 2.15835/2001 que estabelece a opção pelo regime de caixa Fl. 1348DF CARF MF 6 ou competência para registro das variações monetárias dos direitos de crédito ou obrigações vinculadas à taxa de câmbio. Assim, tal dispositivo prevaleceria sobre a regra geral estabelecida no art. 32, da Lei nº 11.051/2004, base legal da exigência. Na linha da decisão recorrida, entendo em sentido exatamente contrário ao argumento de defesa. O art. 32, da Lei nº 11.051/2004 trata de questão específica qual seja o resultado incorrido em operações realizadas em mercados de liquidação futura enquanto o art. 30, da MP nº 215835/2001 faz referência a variações monetárias de direito de crédito. A jurisprudência trazida pela defesa não lhe favorece, pois não aborda a existência da norma hostilizada. Improcedente a alegação. Também não procede o argumento de que o art. 32, da Lei nº 11.051/2004 só se aplica às operações especulativas até porque, se assim o fosse, tal restrição deveria estar expressa no texto. Nesse ponto a linha de defesa traz um arrazoado teórico sobre o hedge para concluir pela impossibilidade de tributar as operações protegidas pelo regime de competência e os resultados do hedge pelo regime de caixa. Com todo o respeito que merece a recorrente, não vislumbrei a problemática suscitada. A própria legislação mencionada no recurso não lhe favorece. No caso do IRRF, por exemplo, a Lei estabelece a retenção no momento de liquidação do contrato. Exatamente nos termos aqui discutidos. Em relação ao argumento de que os contratos não encerrados em 2009 o foram em 2010 implicando em neutralidade tributária ou, no máximo, em postergação, a diligência esclareceu, após ressaltar divergências na escrituração da interessada no ano calendário de 2010, que não foi apurado imposto ou contribuição devida nesse período o que desqualifica a arguição de postergação. Manifestandose sobre o resultado da diligência, a interessada admite que apurou resultado negativo em 2010 mas teria auferido resultados positivos em anos subsequentes que consumiram os resultados negativos em 2009 e 2010. Traz o LALUR do anocalendário de 2015 como exemplo. Importa esclarecer nesse caso, que o entendimento da turma julgadora ao determinar a diligência foi estabelecer a obrigatoriedade à Fiscalização de verificar o impacto tributário dos contratos sob exame no ano em que venceram, pois é nesse período que a lei estabelece a contabilização dos resultados. Daí porque o argumento de que os alguns contratos venceram em 2010 mereceu averiguação específica. Confirmado que, em função da apuração de resultado negativo nesse anocalendário, não houve postergação descabe exigir da autoridade lançadora que perpetue a ação fiscal ao longo do tempo com vistas a constatar que um período de apuração distante foi impactado pelos resultados de 2009 e 2010. Chama atenção inclusive que, segundo a recorrente, tal fato ocorreu apenas em 2015. Considerando que o procedimento fiscal foi realizado em 2013, não se poderia exigir da Fiscalização o conhecimento premonitório. Do exposto, nenhum argumento de defesa merece guarida nesse item. 3) Exigência da multa isolada: Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 12448.728012/201355 Acórdão n.º 1402002.724 S1C4T2 Fl. 1.347 7 No que se refere à necessidade de auto de infração específico para exigência da multa isolada importa ressaltar que a jurisprudência administrativa recente desta Corte entende que, nos casos em que os lançamentos dependam dos mesmos elementos de prova, como é o caso, a aplicação do art. 9º, do Decreto nº 70.235/72 envolve a apuração da exigência de forma bem definida, a fim de permitir o pleno exercício de defesa, sem que para isso haja obrigatoriedade de autuação específica. AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS PARA TRIBUTOS DISTINTOS. MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. REUNIÃO EM UM ÚNICO PROCESSO.Correto o procedimento do Fisco de lavrar autos de infração distintos para exigências de tributos distintos. Desde que a comprovação dos ilícitos depende dos mesmos elementos de prova, também correta a reunião dos autos de infração em um único processo administrativo.(Acórdão 1301001.974, sessão de 05/04/2016). AUTOS DE INFRAÇÃO. IRPJ. CSLL. MESMO PROCESSO.A legislação determina que as exigências de crédito tributário serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição e, se formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Acórdão 1402 002.144, sessão de 05/04/2016) O próprio acórdão 1802001.467 trazido pela defesa caminha nesse sentido. Ao justificar a anulação do lançamento da multa isolada a decisão não estabelece a necessidade de auto de infração específico, mas sim da perfeita identificação da exigência: [...] Notase que de fato o direito de defesa da Recorrente foi claramente cerceado pela autoridade administrativa, eis que fez uma consolidação de seus lançamentos sem qualquer individualização de fatos geradores, tributos e metodologia de cálculo de apuração da multa isolada. Isto porque a fiscalização deveria efetuar um lançamento para a estimativa de IRPJ, respeitando os períodos de competência (ao invés de lançar tudo em dezembro/2003, ..... Tal irregularidade não ocorreu no presente caso. A demonstração da base de cálculo da multa isolada está perfeitamente identificada conforme Anexo ao Termo de Constatação Fiscal, o enquadramento legal devidamente mencionado e os valores mensais consolidados foram identificados nos lançamentos (item 003 dos autos de infração). Negase provimento ao recurso nesse ponto. Quanto à suposta violação do art. 97, V e 113 do CTN, na cobrança da multa isolada, o recurso não merece melhor sorte. Isso porque a incidência dessa multa tem previsão expressa em lei formal, cuja aplicação não pode ser afastada pelo julgador administrativo. Curioso que a defesa afirma não desejar a declaração de ilegalidade da norma mas sim da sua ilicitude. Este relator confessa não saber como fazer uma coisa sem a outra. Fl. 1350DF CARF MF 8 No mérito, Quanto ao mérito da multa, o pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 12448.728012/201355 Acórdão n.º 1402002.724 S1C4T2 Fl. 1.348 9 estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Fl. 1352DF CARF MF 10 Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 12448.728012/201355 Acórdão n.º 1402002.724 S1C4T2 Fl. 1.349 11 inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 1354DF CARF MF 12 Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual votaria por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À MP Nº 351/2007, eis que todas as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. 4) Juros de mora sobre a multa de ofício: No que se refere aos juros de mora sobre a multa de ofício, este relator poderia rebater as razões de defesa sob o embasamento teórico pertinente. Entretanto, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que os acórdãos apresentados contém entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). 6) Resumo: Em resumo do exposto, conduzo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência referente à omissão de receita decorrente da cessão de créditos. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 12448.728012/201355 Acórdão n.º 1402002.724 S1C4T2 Fl. 1.350 13 Fl. 1356DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.720013/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ABONO PERMANÊNCIA. INCIDÊNCIA IMPOSTO DE RENDA.
O Abono de permanência previsto no artigo 7º, combinado com o artigo 16, § 1º, ambos da Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, sujeita-se à incidência do imposto.
Numero da decisão: 2402-005.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ABONO PERMANÊNCIA. INCIDÊNCIA IMPOSTO DE RENDA. O Abono de permanência previsto no artigo 7º, combinado com o artigo 16, § 1º, ambos da Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, sujeitase à incidência do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 00 13 /2 01 4- 13 Fl. 116DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10855.720013/201413 Acórdão n.º 2402005.885 S2C4T2 Fl. 117 3 Relatório Após análise do mesmo, resolvemos adotar parte do relatório da decisão recorrida, vez que delineia adequadamente os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: 'Da Notificação A Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do ano calendário2009 ajustou o saldo do imposto a restituir, conforme demonstrativo abaixo: Após a revisão de sua Declaração de Ajuste Anual, foram apurados os seguintes valores: 1 Imposto a Restituir Apurado na Declaração após a Revisão ... 6.196,36 2 Imposto Já Restituído (*) 6.196,36 3 Saldo do Imposto a Restituir Ajustado (12) 0,00 (*) É o valor do imposto já restituído para o contribuinte relativamente ao exercício 2010, anocalendário de 2009. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o procedimento fiscal resultou na apuração das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 18.934,11 conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento SRL Houve uma SRL e esta foi indeferida em 09/12/2013, pelos seguintes motivos, conforme transcrito a seguir: Fl. 118DF CARF MF 4 O contribuinte alegou que a omissão parcial de R$ 18.934,11 da fonte pagadora Estado de Santa Catarina, referiase a Abono de Permanência, considerado isento por força de Decisão Judicial do Tribunal de Justiça de S. Catarina. Não obstante, não anexou planilha das verbas pagas demonstrando o valor do referido abono. Assim, acato os valores informes em DIRF pela fonte pagadora. Da Impugnação A Notificação de Lançamento foi lavrada em 04/11/2013. O contribuinte foi cientificado em 25/11/2013 e ingressou com impugnação em 23/12/2013, alegando, em síntese: Que os rendimentos subtraídos dos rendimentos tributáveis e lançados como isentos na declaração retificadora referemse a rendimentos do Abono de Permanência julgados como não tributáveis pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Solicita que considere os rendimentos referentes ao Abono de Permanência como não tributáveis. Assim, acatando a sentença do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que considerou os rendimentos do Abono como não tributáveis." Em seu Recurso Voluntário limitouse a reprisar sua alegação de serem os valores recebidos à título de abono de permanência isentos da incidência de imposto de renda em conformidade com o Resp nº 1287227 SC. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10855.720013/201413 Acórdão n.º 2402005.885 S2C4T2 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade dispostas no Decreto 70.235 de 06 de março de 1972, razão pela qual voto por conhecêlo. 2. Abono de permanência A Emenda Constitucional nº 41/03, alterou o Artigo 40 e seu §19 da Constituição de 1988, criando o abono de permanência: "Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) (...) § 19. O servidor de que trata este artigo que tenha completado as exigências para aposentadoria voluntária estabelecidas no § 1º, III, a, e que opte por permanecer em atividade fará jus a um abono de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária até completar as exigências para aposentadoria compulsória contidas no § 1º, II. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003)" Em seguida o instituto foi tratado no artigo 7º, combinado com o artigo 16, § 1º, ambos da Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, nos seguintes termos: "Art. 7º O servidor ocupante de cargo efetivo que tenha completado as exigências para aposentadoria voluntária estabelecidas na alínea a do inciso III do § 1o do art. 40 da Constituição Federal, no § 5o do art. 2o ou no § 1o do art. 3o da Emenda Constitucional no 41, de 19 de dezembro de 2003, e que opte por permanecer em atividade fará jus a abono de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária até completar as exigências para aposentadoria compulsória contidas no inciso II do § 1o do art. 40 da Constituição Federal. (...) Art. 16. As contribuições a que se referem os arts. 4o, 5o e 6o desta Lei serão exigíveis a partir de 20 de maio de 2004. Fl. 120DF CARF MF 6 §1º Decorrido o prazo estabelecido no caput deste artigo, os servidores abrangidos pela isenção de contribuição referida no § 1o do art. 3o e no § 5o do art. 8o da Emenda Constitucional no 20, de 15 de dezembro de 1998, passarão a recolher contribuição previdenciária correspondente, fazendo jus ao abono a que se refere o art. 7o desta Lei." O abono de permanência consiste em um adicional a remuneração paga ao funcionário que tenha completado as exigências para aposentadoria. Seu valor é equivalente ao valor de sua contribuição previdenciária. O funcionário público que optar pela permanência na ativa, fará jus ao pagamento do abono de permanência até que formalize seu pedido de aposentadoria voluntária, tenha de se aposentar por invalidez ou chegue a idade limite para a concessão da aposentadoria compulsória. Tal pagamento, segundo alguns julgados e doutrinadores, tem por objetivo incentivar a permanência na ativa de servidor apto a aposentadoria, bem como gerar economia ao erário público ao postergar a dupla despesa de pagar proventos a este e remuneração a outro que venha substituílo. Sua natureza jurídica vem sendo discutida, existindo teses que sustentam ter tais valores natureza indenizatória e outros reconhecendo como adicional de remuneração. Até 2010, o entendimento do STJ era pela não incidência de IR sobre o abono. A mudança jurisprudencial foi manifestada no julgamento do Recurso Especial 1.192.556, sob o rito dos recursos repetitivos. A partir da apreciação desse recurso, o STJ passou a admitir a incidência do IR sobre tais verbas. A contenda segue em discussão no Supremo Tribunal Federal, tema 677 RE 688001, e tinha como relator o Ministro Teori Zavascki. A repercussão geral não foi declarada. Isto posto, até a presente data, a Jurisprudência caminha no sentido de reconhecer como remuneratório o abono em questão, portanto, sujeito a incidência do Imposto de Renda, em conformidade com o entendimento adotado pela Administração Fazendária nos termos do disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 24/2004 já citado pelo relator da decisão recorrida. "Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 24, de 4 de outubro de 2004: Artigo único. Sujeitamse à incidência do imposto de renda, devendo ser tributados na fonte e na Declaração de Ajuste Anual, na Declaração de Saída Definitiva do País ou na Declaração Final de Espólio, os rendimentos recebidos a título de Vantagem Pecuniária Individual, instituída pela Lei nº 10.698, de 2 de julho de 2003, e de Abono de Permanência, a que se referem o § 19 do art. 40 da Constituição Federal, o § 5º do art. 2º e o § 1º do art. 3º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, e o art. 7º da Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004. (Destaques da transcrição)" Outrossim, analisando o instituto do abono de permanência percebese que tratase de pagamento habitual e está diretamente relacionado ao trabalho do beneficiário, sendo inclusive proporcional à sua remuneração. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10855.720013/201413 Acórdão n.º 2402005.885 S2C4T2 Fl. 119 7 Pelos argumentos expostos, é perceptível que a natureza jurídica de tal verba está num limiar entre indenizatória e remuneratória o que pode ser evidenciado pela mudança de posição jurisprudencial¸ ocorrida em 2010, no STJ. Em que pese serem razoáveis os posicionamentos que reconhecem a natureza indenizatória, não compactuamos com tal posicionamento, estando mais alinhados a atual posição majoritária da jurisprudência. O abono de permanência não advém de um dano a ser recomposto, mas da opção do funcionário público em permanecer na ativa recebendo um incentivo financeiro equivalente ao valor devido de contribuição previdenciária. Tal opção pela aposentadoria pode ser exercida a qualquer tempo, de maneira livre, sendo essa inclusive uma das condições para fazer cessar tal direito. Não havendo previsão legal de isenção que suporte a pretensão do Recorrente, tendo a jurisprudência majoritária se posicionado pela incidência do Imposto de Renda sobre tais verbas e estando convictos de sua natureza remuneratória da verba, entendemos que a decisão recorrida não merece reparo. Conclusão Por todo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 122DF CARF MF
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