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Numero do processo: 10540.000664/2005-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa:
SIMPLES - EXCLUSÃO INDEVIDA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE AUTOMÓVEIS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ART. 9º, INC. XIII, DA LEI Nº 9.317/96. Atividade permitida. Legislação superveniente que indicou expressamente a interpretação do cabimento da inclusão dessas atividades no regime SIMPLES. Lei nº 11.051/2004. Aplicação subsidiária do Ato Declaratório Executivo ADE SRF Nº 8 DE 18/01/2005 do Secretário da Receita Federal.
DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - OPÇÃO PELO SIMPLES - DECISÃO JUDICIAL - ENTREGA DA DCTF DISPENSADA EM LEI. As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, estão desobrigadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais - DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega.
Numero da decisão: 1002-000.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Ailton Neves da Silva, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO INDEVIDA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE AUTOMÓVEIS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ART. 9º, INC. XIII, DA LEI Nº 9.317/96. Atividade permitida. Legislação superveniente que indicou expressamente a interpretação do cabimento da inclusão dessas atividades no regime SIMPLES. Lei nº 11.051/2004. Aplicação subsidiária do Ato Declaratório Executivo ADE SRF Nº 8 DE 18/01/2005 do Secretário da Receita Federal. DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - OPÇÃO PELO SIMPLES - DECISÃO JUDICIAL - ENTREGA DA DCTF DISPENSADA EM LEI. As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, estão desobrigadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais - DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega.
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SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE AUTOMÓVEIS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ART. 9º, INC. XIII, DA LEI Nº 9.317/96. Atividade permitida. Legislação superveniente que indicou expressamente a interpretação do cabimento da inclusão dessas atividades no regime SIMPLES. Lei nº 11.051/2004. Aplicação subsidiária do Ato Declaratório Executivo ADE SRF Nº 8 DE 18/01/2005 do Secretário da Receita Federal. DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA OPÇÃO PELO SIMPLES DECISÃO JUDICIAL ENTREGA DA DCTF DISPENSADA EM LEI. As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, estão desobrigadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Ailton Neves da Silva, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 06 64 /2 00 5- 38 Fl. 103DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre do anocalendário de 2003, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) (efl. 3). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 2) reclamando a revisão do lançamento tendo em vista às dificuldades financeiras da pessoa jurídica. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 4ª Turma da DRJ/SDR proferise o Acórdão nº 1517.922 (efls. 80/81) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral das exigências. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 88), pedindo genericamente a revisão do lançamento e trazendo informações outras acerca de sua regularidade fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. Verifico que o pedido encartado em efl. 88 formalmente foi recebido como apelo a este Conselho, entretanto, lendo cuidadosamente o arrazoado de uma única folha, não é possível extrair quaisquer matérias de defesa capazes de contrapor a definitividade dos lançamentos. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10540.000664/200538 Acórdão n.º 1002000.014 S1C0T2 Fl. 56 3 Entendo que, em princípio, diante da ausência de dialeticidade, o caminho mais pertinente seria o não conhecimento do recurso voluntário. Todavia, compulsando melhor os autos, identifico questões que merecem ser esclarecidas em virtude do apreço à verdade material, uma vez há evidências que, muito embora não tenham sido levantadas, podem alterar o deslinde do processo tributário de cobrança. Constato, primeiramente que, de acordo com a fundamentação legal do Ato Declaratório Executivo nº 492.050 de 02 de agosto de 2004, o contribuinte foi excluído da sistemática do Simples mediante o enquadramento na vedação materializada no inc. XIII, do art. 9º, da Lei nº 9.317/96. Ainda, segundo consta, empreende a atividade econômica de "serviços de manutenção e reparação de automóveis". Em prol do adequado entendimento da lide, reproduzo o dispositivo aplicado: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; À época da expedição do ato administrativo que resultou no afastamento do regime simplificado com seus sucedâneos, a interpretação do fisco federal era que, mesmo não constando literalmente dentre as atividades elencadas pelo referido inciso, os serviços de oficina mecânica, tal qual o empregado pela contribuinte, eram considerados como decorrência de uma profissão que regulamentada. Diante disso, não houve dúvida quanto ao procedimento de exclusão. Em sentido coerente, os efeitos da medida também estão descritos na base legal do ADE nº 492.050 de 02 de agosto de 2004, por meio do inc. II, do art. 15, da já citada norma que regulamentava o Simples Nacional: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; Observando até este ponto, não verifiquei reparos, mormente pela constatação de que a exclusão deveria, como foi, ter seus efeitos retroativos a partir de novembro de 2000. Fl. 105DF CARF MF 4 No entanto, com uma leitura mais atenta, causa perplexidade o ato praticado pelo AuditorDelegado em sede de Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples SRS (e fls. 75/76). Digo isso por que, em descompasso com a fundamentação alinhada aos dizeres de "arquivese por cinco anos por perda de objeto da demanda, em face do ADE SRF nº 08/2005, publicado no DOU de 20/01/2005", tornouse totalmente incompatível a decisão chancelando a improcedência do pedido, tomada logo abaixo do documento. A imediata leitura do expediente veiculado pela Administração Tributária em nível nacional, que serviu de base à perda de objeto do pedido, exprime a desatenção no momento de determinar o rumo da questão controvertida: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 4º da Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, declara: Artigo único. Ficam cancelados os Atos Declaratórios Executivos, emitidos pelas unidades descentralizadas da Secretaria da Receita Federal em 2004, para a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em decorrência, exclusivamente, do disposto no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, das pessoas jurídicas que exerçam as seguintes atividades: I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. JORGE ANTONIO DEHER RACHID (grifei) Por estes termos já haveria certa segurança acerca da exclusão indevida perpetrada no caso em comento. Não obstante, de forma inexplicada, o processo administrativo seguiu seu curso, como se houvesse sido instaurado um verdadeiro contencioso administrativo. Observando por outra perspectiva, e indo mais adiante, ainda poderia até se perquirir a extensão e a finalidade do ato revogatório praticado em 18/01/2005. Em verdade, só pelo contexto descrito, mesmo assim, poderia se argumentar a existência de vedação legal em desfavor do contribuinte. A Lei nº 9.317/1996, de todo o modo, por sua força executiva, seria objetiva quanto aos casos de vedação, não podendo ser contrariada por atos que repousariam em um patamar inferior de determinação perante aos administrados. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10540.000664/200538 Acórdão n.º 1002000.014 S1C0T2 Fl. 57 5 Ocorre que foi desconsiderada questão crucial, não presente nos autos, que dirime definitivamente possíveis dúvidas. Trago, para tanto, o conhecimento do art. 4º da Lei nº 10.964 de 28 de outubro de 2004, com a redação atribuída pela Lei nº 11.051 de 29 de dezembro de 2004: Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores;(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2o deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal – SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) Fl. 107DF CARF MF 6 Com efeito, passa a fazer todo o sentido a edição de ADE SRF nº 08/2005 publicizado após a edição da Lei, mediante o qual só se fez imprimir mais materialidade ao direito positivado superior. Oportuno ainda ressaltar que, a Lei nº 11.051/2004 esclarece que, de forma retroativa, a pessoa jurídica que se enquadrar em tais casos será reincluída no regime simplificado, retornando ao status quo ante. Assim sendo, face a suficiência dos fundamentos de fato e de direito, voto por conhecer e dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720512/2016-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO.
A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do Decreto-Lei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea d, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal.
CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS.
Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2
Numero da decisão: 2401-005.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para afastar o ganho de capital sobre o lote de 4.655.628 ações, nos termos do voto do Relator. Com base no art. 58, § 5º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o conselheiro José Alfredo Duarte Filho não votou, dado que substituiu o conselheiro Virgílio Cansino Gil que, na reunião passada, deu provimento parcial para afastar o ganho de capital sobre um lote de 6.152.646 ações. O conselheiro Cleberson Alex Friess solicitou a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO. A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do Decreto-Lei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea d, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para afastar o ganho de capital sobre o lote de 4.655.628 ações, nos termos do voto do Relator. Com base no art. 58, § 5º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o conselheiro José Alfredo Duarte Filho não votou, dado que substituiu o conselheiro Virgílio Cansino Gil que, na reunião passada, deu provimento parcial para afastar o ganho de capital sobre um lote de 6.152.646 ações. O conselheiro Cleberson Alex Friess solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO No 1.510/76. APLICAÇÃO. A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação de referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 05 12 /2 01 6- 99 Fl. 845DF CARF MF 2 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para afastar o ganho de capital sobre o lote de 4.655.628 ações, nos termos do voto do Relator. Com base no art. 58, § 5º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o conselheiro José Alfredo Duarte Filho não votou, dado que substituiu o conselheiro Virgílio Cansino Gil que, na reunião passada, deu provimento parcial para afastar o ganho de capital sobre um lote de 6.152.646 ações. O conselheiro Cleberson Alex Friess solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal. Relatório Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13819.720512/201699 Acórdão n.º 2401005.250 S2C4T1 Fl. 3 3 YEDA KITANO CHERUBINI, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão nº 0836.532/2016, às fls. 750/798, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao exercício 2013, conforme peça inaugural do feito, às fls. 06/08, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 22/03/2016 (AR efl. 716), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS INFRAÇÃO: OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES. Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienações de ações ou quotas não negociadas em bolsa de valores, conforme relatório fiscal em anexo. b) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS INFRAÇÃO: APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES DL 1.510/76. Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de ações ou quotas não negociadas em bolsa de valores, conforme relatório fiscal em anexo Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 806/837, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após relato detalhado das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, pugnando preliminarmente pela nulidade do lançamento por erro na apuração da base de cálculo. Afirma, da análise do TVF que, caso a referida alienação estivesse sujeita à tributação do IR, o que não está, o agente fiscal promoveu cálculos esdrúxulos para excluir do custo de aquisição das ações alienadas, o valor correspondente a determinados aumentos do valor do capital da Yoki, realizados mediante a capitalização de reservas de correção monetária do capital, de reservas de capital, cuja origem não foi explicitada pelo agente fiscal. Destarte, como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral de situação legalmente prevista, e esta depende de diversos elementos dentre eles a BASE DE CÁLCULO impõese concluir que a falta de verificação integral e completa, por parte das autoridades administrativas, no cálculo do montante tributável afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento, elementos esses indispensáveis para que possa ele validamente prosperar, por estas razões, devendo ser declarado nulo. Quanto ao mérito, afirma ter direito adquirido à isenção do IR incidente sobre o ganho de capital auferido na alienação do lote de 6.152.646 ações por ela adquiridas antes de 1988 e alienadas em agosto de 2012. Esclarece que por disposição contida no artigo 4° alínea "d" do Decretolei nº 1.510/1976, que teve vigência até 31 de dezembro de 1988, os contribuintes que adquirissem Fl. 847DF CARF MF 4 ações, por óbvio dentro do período de vigência desse diploma legal deveriam mantêlas em seu poder por no mínimo 5 (cinco) anos, e, a partir do término desse período, fariam jus à isenção do IR incidente sobre o ganho de capital que viessem a auferir na sua alienação e, independentemente da data em que viessem a alienálas. Pois bem, se é assim e, tendo ocorrido, em julho de 2012, a alienação daquelas 6.152.646 ações de emissão da Yoki, detidas pela Recorrente e por ela adquiridas na vigência do Decretolei n. 1.570/1976, conforme descrito e atestado no TVF, parte em 1981 e parte em 1986, ou seja, exatos 31 e 26 anos após a sua aquisição, está esta alienação amparada pela norma isentiva revogada porquanto, quando da transferência dessas ações, a Impugnante já havia preenchido todas as condições para gozo do beneficio, pois: (i) adquiriu as ditas ações alienadas na vigência do Decretolei n. 1.510/1976; e (ii) manteveas sob sua titularidade por período superior ao prazo de 5 (cinco) anos previsto na norma legal vigente na oportunidade da aquisição. Aduz ser impossível à lei nova (Lei n. 7.713/1988) retrooperar, afetando situações jurídicas consolidadas na vigência de norma anterior e válida (Decretolei 1.510/1976). Assim, tendo as ações sido adquiridas sob a vigência do referido decretolei, na data em que restou completado o prazo legalmente fixado de 5 (cinco) anos estando elas ainda na posse da Impugnante, aperfeiçoouse a condição imposta no mencionado diploma legal, passando esta a fazer jus ao beneficio isencional, independentemente da data em que as ações viessem a ser alienadas e desde que tenham elas sido adquiridas durante a vigência do instrumento normativo concessivo da isenção, colacionando jurisprudência sobre o tema. Explicita também que conforme constou de maneira minuciosa no TVF, o valor do capital social da Yoki, neste período de quase 30 (trinta) anos, sofreu diversas majorações em razão da incorporação de reservas, tais como a de correção monetária do capital, enquanto vigente o sistema de atualização monetária e dos lucros acumulados. Todavia, conforme restou comprovado pela análise realizada pela fiscalização, nenhum desses aumentos resultou em emissão de novas ações as quais, vale ressaltar, nunca tiveram valor nominal. Contudo, não tendo sido emitidas novas ações em decorrência dos sucessivos aumentos de capital da Yoki, ocorridos ao longo de quase 30 anos, podese afirmar, com certeza, que todas as 6.152.646 ações que a Impugnante detinha até 1988 estavam, portanto, sujeitas à isenção do IR sobre o ganho de capital apurado na sua alienação, conforme previsto no já citado Decretolei n. 1.510, de 1976. Assim, não há qualquer sentido no raciocínio desenvolvido pelo agente fiscal e descrito no TVF, na direção de que, em 2012, as 6.152.646 ações da Yoki não representava o mesmo quinhão de capital que representava quando da aquisição dessas ações. O procedimento e as conclusões ali contidas são frontalmente contrárias à comprovação de que as 6.152.646 ações possuídas pela Impugnante, antes de 1988, são exatamente as mesmas 6.152.646 ações alienadas em 2012, assim, não sendo devido a incidência de imposto de renda. Alega que a extinta reserva de correção monetária do capital, só servia para o aumento do capital social, não gerando qualquer acréscimo para o sócio ou acionista da empresa, posto que naquela oportunidade e até quando existiu tal procedimento, as pessoas físicas tinham autorização legal para promover a atualização monetária dos seus bens e direitos. Afirma, da análise do TVF que, caso a referida alienação estivesse sujeita à tributação do IR, o que não está, o agente fiscal promoveu cálculos esdrúxulos para excluir do custo de aquisição das ações alienadas, o valor correspondente a determinados aumentos do valor do capital da Yoki, realizados mediante a capitalização de reservas de correção monetária do capital, de reservas de capital, cuja origem não foi explicitada pelo agente fiscal. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13819.720512/201699 Acórdão n.º 2401005.250 S2C4T1 Fl. 4 5 Insurgese ainda quanto a aplicação da multa de ofício no patamar de 75% por possuir nítido caráter CONFISCATÓRIO, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a nulidade do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 849DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS A recorrente pugna preliminarmente pela nulidade do lançamento por erro na apuração da base de cálculo. Afirma, da análise do TVF que, caso a referida alienação estivesse sujeita à tributação do IR, o que não está, o agente fiscal promoveu cálculos esdrúxulos para excluir do custo de aquisição das ações alienadas, o valor correspondente a determinados aumentos do valor do capital da Yoki, realizados mediante a capitalização de reservas de correção monetária do capital, de reservas de capital, cuja origem não foi explicitada pelo agente fiscal. Destarte, como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral de situação legalmente prevista, e esta depende de diversos elementos dentre eles a BASE DE CÁLCULO impõese concluir que a falta de verificação integral e completa, por parte das autoridades administrativas, no cálculo do montante tributável afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento, elementos esses indispensáveis para que possa ele validamente prosperar, por estas razões, devendo ser declarado nulo. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar a contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente do "Demonstrativo de Apuração Detalhado do Imposto", Termo de Verificação Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos dos lançamentos foram extraídos das diligências realizadas, bem como da documentação fornecida pelo próprio sujeito passivo, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13819.720512/201699 Acórdão n.º 2401005.250 S2C4T1 Fl. 5 7 Destarte, é direito da contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro na eleição da base de cálculo, custo de aquisição, se confunde com o mérito que iremos tratar posteriormente, não ensejando em nulidade Dito isto, afasto a preliminar suscitada. MÉRITO Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, em face da contribuinte fora lavrado Auto de Infração, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, incidente sobre Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos, em relação ao anocalendário 2012, conforme peça inaugural do feito, às fls. 06/08, e demais documentos que instruem o processo. Com mais especificidade, a Fiscalização apurou ganhos de capital decorrentes de duas operações distintas, vejamos: a) O ganho de capital apurado na venda do lote de 6.152.646, representando 10,92% do total das ações alienadas, sendo consideradas isentas pela contribuinte, posto que esse lote de ações foi adquirido na vigência do DecretoLei n° 1.510/76; b) O ganho de capital apurado na venda do lote de 50.177.843, representando 89,08% das ações alienadas, sendo incorreto o custo de aquisição adotado pela contribuinte. Dito isto, iremos analisar as razões recursais de maneira separadas. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DO LOTE DE 6.152.646 AÇÕES ISENÇÃO DECRETO LEI N° 1.510/76 O auditor fiscal, aduz não ser aplicável a isenção, pois, no seu entendimento, somente as ações adquiridas na vigência do DecretoLei n° 1.510/76 e alienadas até 31/12/1988, fariam jus a tal benefício. Ainda a respeito desse lote de ações, entendeu que mesmo se fosse aplicada a isenção, não seria possível reputar todo o lote, posto que, o capital da Yoki sofreu, ao longo dos anos, diversas majorações com reservas, não havendo como considerar, em seu entendimento, que o quinhão de capital representado pelas 6.152.642 ações era, quando da aquisição dessas ações, o mesmo que a recorrente alienou em 2012. Por sua vez, a contribuinte afirma ter direito adquirido à isenção do IR incidente sobre o ganho de capital auferido na alienação do lote de 6.152.646 ações por ela adquiridas antes de 1988 e alienadas em agosto de 2012. Esclarece que por disposição contida no artigo 4° alínea "d" do Decretolei nº 1.510/1976, que teve vigência até 31 de dezembro de 1988, os contribuintes que adquirissem ações, por óbvio dentro do período de vigência desse diploma legal deveriam mantêlas em seu poder por no mínimo 5 (cinco) anos, e, a partir do término desse período, fariam jus à isenção do IR incidente sobre o ganho de capital que viessem a auferir na sua alienação e, independentemente da data em que viessem a alienálas. Pois bem, se é assim e, tendo ocorrido, em julho de 2012, a alienação daquelas 6.152.646 ações de emissão da Yoki, detidas pela Recorrente e por ela adquiridas na vigência do Decretolei n. 1.570/1976, conforme Fl. 851DF CARF MF 8 descrito e atestado no TVF, parte em 1981 e parte em 1986, ou seja, exatos 31 e 26 anos após a sua aquisição, está esta alienação amparada pela norma isentiva revogada porquanto, quando da transferência dessas ações, a Impugnante já havia preenchido todas as condições para gozo do beneficio, pois: (i) adquiriu as ditas ações alienadas na vigência do Decretolei n. 1.510/1976; e (ii) manteveas sob sua titularidade por período superior ao prazo de 5 (cinco) anos previsto na norma legal vigente na oportunidade da aquisição. Aduz ser impossível à lei nova (Lei n. 7.713/1988) retrooperar, afetando situações jurídicas consolidadas na vigência de norma anterior e válida (Decretolei 1.510/1976). Assim, tendo as ações sido adquiridas sob a vigência do referido decretolei, na data em que restou completado o prazo legalmente fixado de 5 (cinco) anos estando elas ainda na posse da Impugnante, aperfeiçoouse a condição imposta no mencionado diploma legal, passando esta a fazer jus ao beneficio isencional, independentemente da data em que as ações viessem a ser alienadas e desde que tenham elas sido adquiridas durante a vigência do instrumento normativo concessivo da isenção, colacionando jurisprudência sobre o tema. Explicita também que conforme constou de maneira minuciosa no TVF, o valor do capital social da Yoki, neste período de quase 30 (trinta) anos, sofreu diversas majorações em razão da incorporação de reservas, tais como a de correção monetária do capital, enquanto vigente o sistema de atualização monetária e dos lucros acumulados. Todavia, conforme restou comprovado pela análise realizada pela fiscalização, nenhum desses aumentos resultou em emissão de novas ações as quais, vale ressaltar, nunca tiveram valor nominal. Contudo, não tendo sido emitidas novas ações em decorrência dos sucessivos aumentos de capital da Yoki, ocorridos ao longo de quase 30 anos, podese afirmar, com certeza, que todas as 6.152.646 ações que a recorrente detinha até 1988 estavam, portanto, sujeitas à isenção do IR sobre o ganho de capital apurado na sua alienação, conforme previsto no já citado Decretolei n. 1.510, de 1976. Assim, não há qualquer sentido no raciocínio desenvolvido pelo agente fiscal e descrito no TVF, na direção de que, em 2012, as 6.152.646 ações da Yoki não representava o mesmo quinhão de capital que representava quando da aquisição dessas ações. O procedimento e as conclusões ali contidas são frontalmente contrárias à comprovação de que as 6.152.646 ações possuídas pela Impugnante, antes de 1988, são exatamente as mesmas 6.152.646 ações alienadas em 2012, assim, não sendo devido a incidência de imposto de renda. Pois bem. Consoante se positiva dos autos, os argumentos da recorrente têm o condão de reformar o Acórdão atacado, bem como parte do Auto de Infração, por representar a melhor interpretação a propósito do tema, garantindo a segurança jurídica em homenagem ao direito adquirido à isenção de ganho de capital sobre a alienação de participação societária, posteriormente à vigência do DecretoLei nº 1.510/76, conquanto que tenha permanecido com a propriedade de sua participação por 05 (cinco) anos durante o período de validade de aludido Diploma Legal, impondo o acolhimento do pleito da contribuinte, com o fito de se restabelecer a ordem legal nesse sentido. Com efeito, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou em diversas ocasiões a respeito da matéria, oferecendo guarida ao requerimento do contribuinte, conforme se extrai do excerto do voto do ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do processo nº 10875.004768/0054, Acórdão nº 920200.102, de onde peço vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13819.720512/201699 Acórdão n.º 2401005.250 S2C4T1 Fl. 6 9 Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito à restituição do indébito tributário pleiteado. Segundo a recorrente, como a alienação ocorreu após a revogação da isenção prevista pelo Decretolei n° 1.510/76 e inexiste direito adquirido no caso, estão corretos os recolhimentos efetuados e não merece prosperar o pedido de restituição. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, que tratou, entre outros temas, da tributação de resultados obtidos na venda de participações societárias por pessoas físicas, estabeleceu o seguinte: Art. 4°. Não incidirá o imposto de que trata o art. 1°: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de 5 (cinco) anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Este benefício fiscal foi revogado pelo artigo 58 da Lei n° 7.713/88. No caso, é incontroverso que o contribuinte recebeu por doação participações societárias em 22/08/1979 e em 15/04/1983, tendo as alienado em 14/05/1996. Com isso, ele faz jus a tal benefício? Penso que sim, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Sob minha ótica, o benefício fiscal previsto no Decretolei n° 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Salvo melhor juízo, esta foi a intenção do legislador. Nesse sentido, não se pode olvidar que ao tempo da edição da Lei n° 7.713/88, o interessado já havia cumprido a exigência prevista no artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.510/76, pois era proprietário das ações da empresa Pardelli S.A. Indústria e Comércio desde 22/08/1979 e 15/04/1983, quando as recebeu por doação. Entendo que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre o ganho de capital apurado na alienação de participações societárias não se aplica quando tais ações foram adquiridas há Fl. 853DF CARF MF 10 mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei n° 7.713/88, como ocorre no caso em tela. Devese respeitar o direito adquirido, previsto no artigo 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal e no artigo 6° da Lei de Introdução ao Código Civil – LICC. Segundo De Plácido e Silva1,: ... direito adquirido quer significar o direito que já se incorporou ao patrimônio da pessoa, já é de sua propriedade, já constitui um bem, que deve ser judicialmente protegido contra qualquer ataque exterior, que ouse ofendêlo ou turbálo. (...) O direito adquirido tira a sua existência dos fatos jurídicos passados e definitivos, quando o seu titular os pode exercer. No entanto, não deixa de ser adquirido o direito, mesmo quando o seu exercício depende de um termo prefixado ou de uma condição preestabelecida, inalterável a arbítrio de outrem. Por isso, sob o ponto de vista da retroatividade das leis, não somente se consideram adquiridos os direitos aperfeiçoados ao tempo em que se promulga a lei nova, como os que estejam subordinados a condições ainda não verificadas, desde que não se indiquem alteráveis ao arbítrio de outrem. Sob minha ótica, a edição da Lei n° 7.713/88 não pode prejudicar o direito do contribuinte previsto no artigo 4°, alínea “d”, do Decretolei n° 1.512/76, apenas pelo fato de a alienação da participação societária não ter ocorrido anteriormente, ou seja, antes da revogação do benefício fiscal. A posição defendida por este julgador é corroborada pela jurisprudência amplamente majoritária do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – DIREITO ADQUIRIDO – DECRETOLEI 1.510/76 – Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do DecretoLei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº 7.713, em decorrência do direito adquirido. Recurso especial negado. (CSRF, Quarta Turma, Recurso n° 102134.080, Acórdão CSRF/0400.215, Relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, julgado em 14/03/2006) IRPF – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – AQUISIÇÃO SOBRE OS EFEITOS DA HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA PREVISTOS NO ART. 4º, ALÍNEA "d" DO DECRETOLEI 1.510/76 – DIREITO ADQUIRIDO A ALIENAÇÃO SEM TRIBUTAÇÃO MESMO NA VIGÊNCIA DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR ESTABELECENDO A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA (LEI 7.713/88) – Se a pessoa Física titular da Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13819.720512/201699 Acórdão n.º 2401005.250 S2C4T1 Fl. 7 11 participação societária, sob a égide do artigo 4º "d", do DecretoLei 1.510/76, subseqüentemente ao período de 5 (cinco) anos da aquisição da participação, alienoua, ainda que legislação posterior ao decurso do prazo de 5 (cinco) anos tenha transformado a hipótese de não incidência em hipótese de incidência, não torna aquela alienação tributável, prevalecendo, sob o manto constitucional do direito adquirido o regime tributário completado na vigência da legislação anterior que afastava qualquer hipótese de tributação. (CSRF, Primeira Turma, Recurso n° 106013.824, Acórdão CSRF/0103.725, Redator Designado Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, julgado em 18/02/2002) IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS ISENÇÃO Participações societárias com mais de cinco anos sob a titularidade de uma mesma pessoa, completados até 31.12.88, trazem a marca de bens exonerados do pagamento do imposto sobre ganho de capital, na forma do art. 4º letra d, do DL 1.510/76, sendo irrelevante que a alienação tenha ocorrido já na vigência da Lei nº. 7.713/88. IRPF PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS DIREITO ADQUIRIDO DECRETOLEI 1.510/76 Não incide imposto de renda na alienação de participações societárias integrantes do patrimônio do contribuinte há mais de cinco anos, nos termos do art. 4º, alínea d, do Decretolei 1.510/76 a época da publicação da Lei de nº. 7.713, em decorrência do direito adquirido. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. De ser afastada a alegação de que parte dos valores foram recebidos e posteriormente depositados em conta especial, sem permitir ao contribuinte a disponibilidade econômica e jurídica sobre o valor tributado, já que a estipulação efetuada entre as partes, comprador e vendedor das ações, não modificou a natureza da forma de pagamento. Recurso provido. (Primeiro Conselho, Segunda Câmara, Recurso Voluntário n° 158.393, Acórdão n° 10249.306, Relatora Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues, julgado em 08/10/2008) AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº. 1510, DE 1976 ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO DIREITO ADQUIRIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO A alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4°, alínea "d", do Decretolei nº. 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não constitui operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, tendo em vista o direito adquirido, constitucionalmente previsto. Implementada a condição antes da revogação da lei que concedia o benefício, os pagamentos porventura efetuados são indevidos, portanto passíveis de restituição. Fl. 855DF CARF MF 12 Recurso provido. (Primeiro Conselho, Quarta Câmara, Recurso Voluntário n° 147.557, Acórdão n° 10421.519, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgado em 26/04/2006) Entendo, portanto, que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.” Na hipótese dos autos, tendo a contribuinte permanecido com sua participação societária por mais de 05 (cinco) anos, durante a vigência do DecretoLei nº 1.510/1976, não há que se falar em expectativa de direito, mas, sim, em direito adquirido, tendo em vista o cumprimento dos pressupostos legais para fruição da isenção no decorrer do período regido pelo dispositivo legal retro. Neste diapasão, às ações adquiridas até 31/12/1983 fazem jus à isenção de que trata o Decreto encimado, portanto deve ser afastado o lançamento acerca das 4.655,628 ações adquiridas em 05/02/1979, 18/07/1979, 25/04/1980 e 28/04/1981. (TVF efls. 10) Destarte, o fato de a alienação de sua participação societária ter ocorrido sob o manto dos preceitos insculpidos na Lei nº 7.713/88, não tem o condão de rechaçar o seu direito adquirido. Como muito bem asseverou a recorrente há de se observar o princípio do tempus regit actum, implicando dizer que a contribuinte adquiriu o direito de gozar de aludida benesse fiscal no período em que vigia a norma isentiva, sendo defeso a alteração introduzida pela Lei nº 7.713/88 retroagir de maneira a alcançar fato jurídico perfeito e acabado. Não sendo o bastante a vasta fundamentação acima esposada, a Solução de Consulta Cosit n° 505, de 17 de outubro de 2017, aduz que a hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas por pessoa física após 1° de janeiro de 1989, data de revogação do benefício, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1° de janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13819.720512/201699 Acórdão n.º 2401005.250 S2C4T1 Fl. 8 13 nº 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Dispositivos Legais: art. 4º, alínea “d”, do Decreto Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976; art. 178 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Quanto a conclusão do julgado a quo que "não há qualquer razão legal para ratear as bonificações adquiridas posteriormente a 31/12/1983 na forma estabelecida pelo Decreto n. 1.510/1976 visto que no regramento tributário atual as bonificações/quotas distribuídas pela empresa mediante incorporação de lucros ou reservas são consideradas ações novas." O próprio TVF é claro ao dispor que não foi alterada a quantidade de ações, apenas havendo a elevação do capital social. Na esteira desse raciocínio, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de afastar a tributação sobre o ganho de capital auferido na alienação da participação societária acerca das 4.655,628 ações. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DO LOTE DE 50.177.843 CUSTO DE AQUISIÇÃO Esclarece ter ficado claro que o ganho de capital auferido na venda do referido lote foi todo tributado, existindo, nos autos, apenas, discussão a respeito do valor do custo de aquisição adotado pela recorrente. Afirma, da análise do TVF que, caso a referida alienação estivesse sujeita à tributação do IR, o que não está, o agente fiscal promoveu cálculos esdrúxulos para excluir do custo de aquisição das ações alienadas, o valor correspondente a determinados aumentos do valor do capital da Yoki, realizados mediante a capitalização de reservas de correção monetária do capital, de reservas de capital, cuja origem não foi explicitada pelo agente fiscal. Alega que a extinta reserva de correção monetária do capital, só servia para o aumento do capital social, não gerando qualquer acréscimo para o sócio ou acionista da empresa, posto que naquela oportunidade e até quando existiu tal procedimento, as pessoas físicas tinham autorização legal para promover a atualização monetária dos seus bens e direitos. Destarte, como a exigência de tributo está condicionada à realização fática integral de situação legalmente prevista, e esta depende de diversos elementos dentre eles a BASE DE CÁLCULO impõese concluir que a falta de verificação integral e completa, por parte das autoridades administrativas, no cálculo do montante tributável afeta, de forma absoluta, a LIQUIDEZ e CERTEZA do lançamento, elementos esses indispensáveis para que possa ele validamente prosperar, por estas razões, devendo ser declarado nulo. Fl. 857DF CARF MF 14 Por sua vez, o Auditor Fiscal entendeu que a capitalização procedida com recursos advindos da Reserva de Incentivos Fiscais e Reserva de Capital não integram aquelas que podem majorar o custo de aquisição das ações para efeito de ganho de capital da pessoa física. Não havendo base legal para que se proceda à majoração do custo de aquisição de ações com a capitalização de tais Reservas. Na hipótese dos autos, a querela se resume em definir se a capitalização procedida com os recursos advindos da Reserva de Incentivos Fiscais e Reserva de Capital, integram ou não o custo de aquisição das ações para efeito de ganho de capital. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (g.n) A seu turno, o Decreto 3.000/1999, que trata do Imposto de Renda, assim dispõe: Art.135.No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13819.720512/201699 Acórdão n.º 2401005.250 S2C4T1 Fl. 9 15 O art. 169 da Lei 6.404/76 versa o seguinte: Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. § 1º Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. § 2º Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3º As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindose o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação. É oportuno repisar que somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros possibilita o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida, em conformidade com o disposto no art. 16, § 3°. da Lei n. 7.713/88; no art. 10 da Lei n. 9.249/95 e no art. 135 do DecretoLei n. 3.000/99 (RIR/99). Conforme depreendese dos Autos, não estamos tratando de lucros e/ou reservas constituídas com esses lucros, mas sim de Reserva de Capital (correção monetária) e Reserva de Incentivos Fiscais, instrumentos e contas totalmente diversas das acima mencionadas. Notese, por fim, que tal conclusão de impossibilidade de aplicação do art. 16, §3° . da Lei n° 7.713, de 1988 no caso de capitalização de Reserva de Correção Monetária e de Incentivos Fiscais. Devese notar, também, que a Solução de Consulta mencionada pela recorrente referese à incorporação (capitalização) de lucros e reserva de lucros, como entendimento encimado, não havendo, ainda, qualquer tipo de vinculação deste Colegiado a julgamento anterior deste Conselho não sumulado ou a atos administrativos emanados da RFB que adotem posicionamento diferente do presente. Assim, rejeitase, que a capitalização da Reserva de Incentivos Fiscais e Capital devam necessariamente compor o custo de aquisição com fulcro na legislação fiscal e societária. MULTA DE OFÍCIO Fl. 859DF CARF MF 16 Insurgese ainda quanto a aplicação da multa de ofício no patamar de 75% por possuir nítido caráter CONFISCATÓRIO, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar o ganho de capital sobre o lote 4.655,628 ações, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 860DF CARF MF Processo nº 13819.720512/201699 Acórdão n.º 2401005.250 S2C4T1 Fl. 10 17 Declaração de Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess A alínea "d" do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, estabeleceu hipótese de não incidência do imposto sobre a renda nas alienações de participações societárias efetivadas após decorrido o período de 5 (cinco) anos contados da data da subscrição ou aquisição da participação. O dispositivo foi revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 1988, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 1989. Meu ponto de vista é que não se tratou de isenção concedida por prazo determinado, tampouco de caráter oneroso (ver, por exemplo, Acórdão nº 2401004.662, de 15 de março de 2017). Uma vez qualificada como isenção não onerosa e por prazo indeterminado, não há que se falar em direito adquirido ao benefício fiscal, podendo ser revogada a qualquer tempo pelo legislador, aplicandose a lei tributária vigente no momento da ocorrência do fato gerador, quando configurado o acréscimo patrimonial resultante da operação de alienação das participações societárias. A jurisprudência mais recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais também vem se posicionando no mesmo sentido (ver, por exemplo, Acórdão nº 9202004.507, de 25 de outubro de 2016): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Acontece que, recentemente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Solução de Consulta (SC) Cosit nº 505, de 17 de outubro de 2017, declarou que mesmo as alienações de participações societárias efetuadas após 1º de janeiro de 1989 podem gozar da hipótese desonerativa estabelecida na alínea "d" do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976. Senão vejamos a ementa da SC Cosit nº 505/2017: Fl. 861DF CARF MF 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI Nº 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A hipótese desonerativa prevista na alínea “d” do art. 4º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1° de janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei nº 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Dispositivos Legais: art. 4º, alínea “d”, do Decreto Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976; art. 178 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Em linhas gerais, a SC Cosit nº 505/2017 acolheu a orientação prevalente sobre o tema existente no Superior Tribunal de Justiça (STJ), assim como o encaminhamento dado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio da Portaria PGFN nº 502, de 12 de maio de 2016. As soluções de consulta emitidas pela CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB tem efeito vinculante no âmbito daquele órgão fazendário, inclusive no que tange às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento, representando a interpretação oficial da legislação tributária aplicável a fato determinado. Implica reconhecer, portanto, que os contribuintes em idêntica situação tributária, sob pena de inaceitável discriminação, devem ser tratados uniformemente pelo Poder Público. À vista dessas razões, com a ressalva do ponto de vista pessoal sobre a matéria, acompanho o voto do I. Relator no sentido de que as ações adquiridas pelo contribuinte até 31 de dezembro de 1983 fazem jus à isenção a que alude o DecretoLei nº 1.510, de 1976, mesmo que a alienação das participações societárias tenha se efetivado na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 862DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.720503/2013-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 05 03 /2 01 3- 20 Fl. 64DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0434.493 da 2ª Turma da DRJ/CGE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: A manifestação de inconformidade é tempestiva e dela conheço. A interessada argumentou que os débitos ensejadores de sua exclusão do Simples haviam sido parcelados, conforme os documentos juntados às fls. 0932. Porém, não trouxe certidão negativa ou positiva com efeitos de negativa relativa às contribuições previdenciárias e às de terceiros, o que comprovaria sua regularidade fiscal, vez que é o documento hábil para tanto, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN. A tentativa de obtêla via internet não surtiu efeito, vez que ali foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional por seus próprios fundamentos. É o meu voto. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A preliminar, apresentada pela Recorrente, em seu recurso, na verdade, trata se de descrição de fatos, analisados mais adiante. Alega a Recorrente, em Recurso Voluntário, que efetuou o parcelamento dos débitos, apontados no Termo de Indeferimento de Opção, e apresentou a documentação que comprova a sua adesão aos parcelamentos. A DRJ não questionou este argumento, entretanto, baseou a sua decisão, única e exclusivamente, no fato de a Recorrente não ter apresentado a certidão negativa de débitos (ou positiva com efeitos de negativa) e que, ainda, não a obteve porque foi certificado que a empresa possui pendências nos sistemas da Receita Federal. Portanto negou provimento a impugnação, baseada no artigo 205, do Código Tributário Nacional CTN, o qual reproduzo a seguir: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13005.720503/201320 Acórdão n.º 1001000.416 S1C0T1 Fl. 3 3 negativa, expedida à vista de requerimento do interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na repartição. Os débitos indicados no termo de indeferimento foram parcelados, consoante a documentação apresentada pelo Recorrente (fls 33 e 34). O art. 205, do CTN dispõe que "A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa,". No caso, nem a Lei Complementar 123/2006 e nem a Resolução CGSN 94/2011 impõem a apresentação da referida certidão como condição para o ingresso no Simples Nacional. Com efeito, o inciso V, ao artigo 17, da LC 123/2006, dispõe que a existência de débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com as Fazendas Federal, Estadual ou Municipal e para com a Previdência Social, impede a opção pelo Simples Nacional, o que não se provou existir, no caso da Recorrente. Portanto, dou provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.723091/2013-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2005
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS DOCUMENTOS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A impugnação e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2005
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Por consequência, sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-006.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2005 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS DOCUMENTOS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A impugnação e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na impugnação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2005 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Por consequência, sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 91 /2 01 3- 14 Fl. 33882DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.883 2 que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de recursos especiais de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL (fls. 1.929 a 1.941) e pela Contribuinte TERRA SANTA AGRO S.A. (fls. 33.715 a 33.738) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3403003.425 (fls. 1.911 a 1.927) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 13/11/2014, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, tão somente para cancelar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Ementa:ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. Cabe ao contribuinte demonstrar e comprovar a ocorrência das receitas informadas em Dacon como submetidas a alíquotas diferenciadas das contribuições. Fl. 33883DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.884 3 É ônus do contribuinte comprovar a existência do crédito descontado, em Dacon, da contribuição devida no período. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão de recurso voluntário foi confirmada pelo despacho (fls. 33.700 a 33.703) que rejeitou, em caráter definitivo, os embargos de declaração opostos pela Contribuinte (fls. 1.955 a 1.960), alegando os vícios de omissão e contradição ao manter a exigência fiscal e indeferir o pedido de diligência, pois, no seu entender, os documentos anexados aos autos comprovariam o seu direito quanto à composição do crédito e à apuração do débito de PIS e COFINS, sendo que a diligência não se destinaria à produção da prova, mas sim à confirmação da mesma. Para melhor elucidar o desenrolar do processo administrativo, pertinente a transcrição do relatório da decisão recorrida, com os devidos acréscimos, in verbis: [...] VANGUARDA AGRO S.A. teve lavrados contra si os autos de infração das fls. 113 a 116 e 133 a 135, para formalizar a determinação e a exigência de créditos tributários referentes à Contribuição para o Plano de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apuradas entre 31/01/2009 a 31/12/2009, no valor total de R$ 74.839.201.90. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 101 a Fl. 33884DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.885 4 111, a autoridade fiscal efetuou o cálculo das contribuições devidas no período desconsiderando: (i) os valores das vendas/saídas de mercadorias da fiscalizada informados em Dacon como beneficiados por cálculo específico, ou seja, vendas de produtos a preço fixo e específico por metro quadrado e; (ii) eventuais créditos passíveis de desconto das contribuições devidas. Em ambos os casos, tal desconsideração se deu ante a total falta de comprovação pela interessada da legitimidade e procedência de tais valores, os quais reduziram a contribuição devida do período, conforme informados em Dacon. A autoridade fiscal informa que as receitas foram apuradas a partir do item Saídas de mercadorias, sendo este o único na composição da receita conhecida da empresa, tomadas pelo somatório dos itens constantes do Livro Registro de Saídas de Mercadorias cujos CFOP configuramse determinantes para a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, totalizados mensalmente. Relata que as saídas de mercadorias tiveram sua análise prejudicada pela falta de atendimento das intimações fiscais. Explica que embora parte das vendas/saídas de mercadorias da fiscalizada tenha sido considerada por ela nos Dacon como produto beneficiado por cálculo específico, ou seja, a preço fixo e específico por metro quadrado e, portanto, beneficiado, tal condição não foi comprovada com documentação hábil para tal fim, já que as várias intimações fiscais emitidas nesse sentido não foram atendidas. Informa que, assim, não foram consideradas as declaradas e não demonstradas “saídas por unidade de medida de produto”, tendo o cálculo das contribuições devidas sido realizado com a aplicação das alíquotas padrão do sistema não cumulativo sobre os totais mensais apurados. Em relação a eventuais créditos passíveis de desconto da contribuição devida, informa que este foi um dos itens exaustivamente solicitados por diversas intimações nesse sentido, sem que se lograsse qualquer êxito; acrescenta que mesmo itens secundários de geração de créditos como depreciações, aluguéis, etc., sequer foram considerados em qualquer tentativa de resposta do contribuinte. Aduz que, por meio da Intimação n° 5, alertou explicitamente à fiscalizada, com expressões negritadas, quanto à glosa de créditos decorrentes do sistema não cumulativo e o consequente lançamento tributário decorrente dessa desconsideração, caso não fossem apresentados os documentos e elementos necessários à sua aferição. Ante o não atendimento desta intimação, a autoridade fiscal concluiu pela prevalência do que fora motivo de alerta e reiteradas intimações não atendidas, desconsiderando todo e qualquer crédito porventura passível de aproveitamento, em razão de o contribuinte não permitir sua aferição, se existentes. Em impugnação, fls. 161 a 184, em síntese, o autuado admite não ter logrado apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização, mas alega que os documentos que instruem a reclamação são os suficiente para a comprovar que está correta a apuração dos créditos e dos débitos das contribuições. Com isso, pretende que seja realizada diligência fiscal para que seja verificada a correção quanto à apuração do débito e do crédito para o anocalendário de 2009. Informa que já solicitou a elaboração de Fl. 33885DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.886 5 laudo por perito técnico, visando deixar ainda mais evidente a comprovação do seu direito, laudo que será juntado aos autos e auxiliará a diligência. Em relação à multa de ofício, a impugnante alega que demonstrou que agiu de boa fé, de forma que não seria justo atribuirlhe uma penalidade de 75% sobre o valor do suposto crédito tributário ora discutido, que ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade; pede que seja reduzida. No que se refere aos juros de mora, tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. Por fim, para assegurar que diante de um futuro resultado desfavorável à atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada, tece considerações no sentido de que a multa configura penalidade e não tem natureza tributária e que, assim sendo, não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor. Pleiteia que sejam consideradas as planilhas e os documentos anexados para a comprovação da correção dos cálculos elaborados por ela para o recolhimento das contribuições do anocalendário de 2009. Para tanto, requer a conversão do julgamento em diligência. E, por fim, protesta ainda pela juntada posterior de documentos. Em 25/02/2014, o autuado vem aos autos novamente, reiterando seu pedido de diligência e acostando o que chama de laudo elaborado peritos técnico, fls. 1.806 a 1.858. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente. O Acórdão n° 0734.663, de 23 de abril de 2014, fls. 1.865 a 1.876, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO Cabe ao contribuinte demonstrar e comprovar a ocorrência das receitas informadas em Dacon como submetidas a alíquotas diferenciadas das contribuições. DESCONTO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte comprovar a existência do crédito descontado, em Dacon, da contribuição devida no período. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência fiscal, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Fl. 33886DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.887 6 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício está prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, não podendo o julgador administrativo negar aplicação e a eficácia de ato legal vigente, regularmente editado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Os juros de mora devem ser calculados à taxa Selic, por força do Art. 61, § 3°, da lei n° 9.430/96, não podendo o órgão julgador administrativo negar aplicação e a eficácia de ato legal vigente, regularmente editado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.885 a 1.905, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, argúi, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida, por cercearlhe o direito de defesa ao não conhecer documentos trazidos aos autos, referindose a parecer técnicocontábil. Retoma o pedido de diligência para que se viabilize a análise desses documentos. No mérito, explica que, com base na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na Lei n° 11.116, de 18 de maio de 2005, no Decreto n° 5.297, de 6 de dezembro de 2004, e Decreto n° 6.606, de 21 de outubro de 2008, em 2009, (i) recolheu as contribuições ao PIS e à Cofins sobre a suas receitas à alíquota de 9,25% e sobre a receita de biodiesel ao preço de R$ 31,75 (PIS) e R$ 146,20 (COFINS) por metro cúbico; e (ii) apropriouse de créditos em relação a despesas e custos contemplados pelo texto legal que se resumia a (i) insumos adquiridos e que são consumidos no processo de produção do biodiesel (como, por exemplo, óleo de soja refinado ou degomado, metanol, óleo combustível); (ii) frete na aquisição dos insumos ou na venda; e (iii) energia elétrica. Acusa a Fiscalização de desconsiderar o fato de possuir regime de apuração especial para o PIS e Cofins na venda do biodiesel, previsto no art. 4° da Lei n° 11.116, de 2005, e regulamentado pelos decretos antes referidos. Alega que tal equívoco, contudo, apenas poderá ser comprovado mediante análise da prova documental anexada aos autos, notadamente por intermédio da realização de diligência, repisando mais uma vez o pedido. Na continuação, insiste no seu direito à tomada de créditos sobre despesas com energia elétrica, sobre a aquisição de óleos vegetais, utilizados como insumo na produção do biodiesel, bem como sobre o valor do frete incorrido na entrada dos insumos e na operação de venda. Acrescenta que o lauda pericial ratifica esse direito. Por fim, retoma a insurgência contra os consectários legais (multa e juros), já apresentados na impugnação. Fl. 33887DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.888 7 Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. [...] Sobreveio julgamento de parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do Acórdão nº 3403003.425 (fls. 1.911 a 1.927) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 13/11/2014, ora recorrido, tão somente para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, os mesmos foram rejeitados em caráter definitivo. Após intimada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência com relação ao afastamento dos juros de mora sobre a multa de ofício (fls. 1.929 a 1.941). Colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 910100.539 e CSRF/0400.651. Sustenta, em síntese, que os artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002 determinam a incidência da SELIC sobre os débitos de qualquer natureza. Por sua vez, a Contribuinte apresentou contrarrazões ao apelo da Fazenda Nacional (fls. 33.686 a 33.695) e, na mesma oportunidade, opôs embargos de declaração contra o acórdão de recurso voluntário (fls. 1.955 a 1.972). Com os aclaratórios, acostou vasta documentação visando comprovar o direito alegado nos autos. Os embargos de declaração foram rejeitados, consoante despacho de 03 de maio de 2016 (fls. 33.700 e ss.), pois ausentes os vícios apontados. Devidamente intimada, a Contribuinte apresentou recurso especial (fls. 33.715 a 33.738), alegando divergência jurisprudencial quanto ao indeferimento do pedido de diligência e à falta de comprovação documental até a fase de impugnação do direito alegado (preclusão do direito de apresentação de provas não juntadas quando da impugnação). Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas a resolução nº 1102 000.245 e os acórdãos nºs 3301002.283 e 280201.525. O recurso especial foi admitido parcialmente tão somente quanto à preclusão do direito de apresentação de provas não juntadas quando da impugnação, nos termos do despacho s/nº de fls. 33.795 a 33.799. No que tange ao pedido de diligência, foi negado seguimento ao recurso pois a comprovação de divergência jurisprudencial não pode ser feita por resolução. O exame de admissibilidade foi confirmado pelo despacho que rejeitou o agravo apresentado pelo Sujeito Passivo (fls. 33.862 a 33.863). Nas razões recursais, quanto à matéria admitida preclusão do direito de apresentação de provas, a Contribuinte sustenta, em síntese, que: [...] 27. Em casos como o dos autos, em que não foi possível à Recorrente demonstrar durante a fase de fiscalização a legitimidade dos créditos e a correta apuração do PIS e COFINS, a comprovação documental é a única Fl. 33888DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.889 8 forma de demonstrar a improcedência da autuação fiscal, que glosou a integralidade do crédito mesmo sabendo que a Recorrente é empresa industrial e certamente possui direito a diversos créditos nos termos do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. 28. Contudo, apesar da importância dos documentos juntados aos autos, estes não foram sequer considerados sob o argumento de que teria precluído o direito da Recorrente. Ou seja, as decisões proferidas até o momento negam à Recorrente o único meio de comprovação do direito que alega, o que resulta na completa e inadmissível inutilidade desta discussão administrativa. 29. Notese, ainda, que o Parecer Contábil apresentado pela Recorrente sequer foi citado pelos I. Julgadores de primeira instância administrativa. A Recorrente chamou atenção para esse fato em Recurso Voluntário o que, contudo, foi desconsiderado. Com efeito, o V. Acórdão enfatizou que a I. DRJ “fez bem” em não analisar o laudo em questão, visto que foi apresentado após a Impugnação. Entretanto, como demonstrado, o princípio da verdade material impõe a análise dos documentos apresentados no curso do processo administrativo, especialmente em situações como esta em que a documentação acompanhada do laudo contábil comprova o direito aos créditos e a correta apuração do PIS e COFINS. [...] 32. Ressaltese que no processo administrativo prevalece o princípio da verdade material pois, como visto no capítulo do dissídio jurisprudencial, ao contribuinte é assegurado o direito de apresentar novas provas a qualquer tempo e instância de julgamento, desde que antes da decisão administrativa final, a fim de demonstrar a improcedência da cobrança. A discricionariedade das decisões não pode se sobrepor ao direito de defesa, garantia fundamental prevista na Constituição Federal. 33. E nem queira se alegar, como sugere o V. Acórdão recorrido, que o fato de a Recorrente ter sido intimada a apresentar documentos na fase de fiscalização seria suficiente para demonstrar que seu direito de defesa já teria sido observado. O direito de produção de provas não preclui já na fase de fiscalização – até porque, se assim fosse, o processo administrativo tributário sequer faria sentido, tendo em vista que o contribuinte não poderia se defender adequadamente. 34. Frisese que a Recorrente juntou à sua Impugnação diversas planilhas que demonstram a composição dos créditos aproveitados (com indicação de notas fiscais e respectivas chaves de acesso) e a apuração do PIS e COFINS do período (também com menção às notas fiscais que compuseram a formação da receita tributável e respectivas chaves de acesso). Em seguida, a Recorrente juntou Parecer Contábil e, posteriormente, todos os documentos que embasaram esse laudo técnico. Ora, Excelências, toda a documentação comprobatória do direito da Recorrente está nos autos e, mesmo assim, as DD. Autoridades Julgadores se recusam a analisálas. Tratase de inequívoco cerceamento do direito de defesa do contribuinte. [...] Fl. 33889DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.890 9 No seu recurso especial, a Contribuinte discorre ainda sobre as diferenças entre os valores do crédito tributário apurados pela Fiscalização e aqueles apontados pelo Perito na elaboração do laudo, considerandose o regime específico de apuração do PIS/COFINS a que está sujeita a Recorrente, bem como sobre a natureza das despesas que originaram os créditos de PIS e COFINS glosados pela Autoridade Fiscal. Ao final, postula o integral provimento do recurso especial "[...] para que seja anulado o V. Acórdão nº 3403003.425, uma vez que restou demonstrado o direito da Recorrente à juntada da documentação na impugnação e também em momentos posteriores (desde que ainda não tenha sido proferida decisão administrativa final). Além disso, ocorreu cerceamento ao seu direito de defesa pelo fato de que tais documentos foram totalmente desconsiderados pelo V. Acórdão recorrido (e também pela r. decisão de primeira instância administrativa). Portanto, com sua anulação, devese determinar que a C. Turma Julgadora analise a documentação para fins de cancelamento da exigência fiscal e, caso entenda necessário, determine a conversão do julgamento em diligência." A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 33.865 a 33.873) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Em sede de julgamento, a Relatora foi vencida tão somente quanto ao recurso especial da Fazenda Nacional juros de mora sobre a multa de ofício, prevalecendo o seu voto quanto às demais matérias julgadas. Recurso especial da Fazenda Nacional O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, trata a controvérsia trazida pela Fazenda Nacional da possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No Direito Tributário, a referência aos juros remete à mora, constituindose em uma indenização pelo atraso no pagamento do débito tributário, ocasionando a privação da Fazenda Nacional de utilizar a importância não recebida na data programada, e que ficou em Fl. 33890DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.891 10 poder do Contribuinte. Os juros moratórios visam remunerar o ente público pelo retardo no pagamento, sendo os mesmos aplicados na forma que a lei dispuser. A Lei nº 9.430/96 estabelece, em seu art. 61, a disciplina referente à multa de mora e aos juros de mora incidentes sobre o débito tributário. A multa de ofício, por sua vez, é tratada no art. 44 do mesmo diploma legal. Depreendese da leitura dos artigos de lei que a multa de ofício será aplicável nos casos de lançamento de ofício sobre o tributo ou contribuição, caracterizandose como uma penalidade mais gravosa que a multa de mora, pois o Contribuinte já perdera a oportunidade de realizar o recolhimento espontaneamente. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, haverá a incidência de juros de mora sobre "os débitos a que se referem o artigo", compreendido neste conceito apenas o valor principal do tributo, não servindo de amparo legal à Administração Tributária para proceder à exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício ao cobrar o crédito tributário. Com relação ao art. 161 do Código Tributário Nacional, o mesmo também não é fundamento a autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Isso porque o termo "crédito" empregado na sua redação referese ao tributo, e nesse conceito não se enquadra a multa. Não por outra razão, o próprio artigo de lei faz uma ressalva em relação às penalidades, ao citar "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta lei ou em lei tributária". Assim, a multa, que é uma sanção, não se confunde com o tributo, não sendo cabível a sua atualização monetária pela aplicação de juros moratórios. Assim, por inexistir previsão legal, incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício no caso dos autos. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Recurso Especial da Contribuinte O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. A manifestação de inconformidade e/ou impugnação e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º do art. 771 da Instrução Normativa RFB nº 1300/2012, que reproduzem os termos dos §§ 4º e 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/2008. 1 Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido ou a não homologação da compensação. [...] § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 33891DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.892 11 No âmbito do processo administrativo fiscal, portanto, da mesma forma que a impugnação, a manifestação de inconformidade, instaura a sua fase litigiosa (art. 14, do Decreto nº 70.235/72) e constituise em meio de suspensão da exigibilidade do débito pela Fazenda Nacional, nos termos do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando o contribuinte omitese em combater algum item da exigência fiscal na impugnação ou deixa de juntar os documentos que comprovem o seu direito, caracterizarseá a sua concordância com aquela parte, considerandose como não impugnada, razão pela qual poderá a Autoridade Administrativa providenciar, em autos apartados, a cobrança da parcela não contestada. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode discutir no processo administrativo aquilo que o contribuinte se absteve de questionar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. [...] Fl. 33892DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.893 12 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por conseguinte, a não impugnação da matéria trará, efetivamente, a presunção de verdade das alegações, impedindo o julgador de adentrar nas discussões a ela pertinentes. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretentido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Sobre a preclusão, lecionam os ilustres doutrinadores Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "A preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Consiste em um fato impeditivo a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o recuo às fases anteriores do procedimento. Por força deste princípio, anulase uma faculdade ou o exercício de algum poder ou direito processual. Em processo fiscal, a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa às afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha. Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase da impugnação, não poderá mais contestá la no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior. Na sistemática do processo administrativo fiscal, as discordâncias recursais não devem ser opostas contra o lançamento em si, mas contra as questões processuais e de mérito decididas em primeiro grau. Tal qual no processo civil, o administrativo fiscal, pelas regras do Decreto nº 70.235/72, prevê a concentração dos atos processuais em momentos processuais preestabelecidos conforme se depreende do exame do seu artigo 16, a saber: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir." Fl. 33893DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.894 13 Nessa mesma linha, o artigo 17 do PAF considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo este dispositivo não é lícito inovar na produção recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Apenas os fatos ainda não ocorridos na fase impugnatória ou os de que o contribuinte não tinha conhecimento é que podem ser suscitados no recurso ou durante o seu processamento." Diferentemente seria a situação de apresentação de razões e documentos complementares à impugnação/manifestação de inconformidade, em momento anterior ao julgamento de primeira instância, na qual se admitiria a possibilidade de o julgador proceder à análise dos argumentos suscitados pelo sujeito passivo naquele momento processual em atenção aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Também com relação à produção de provas no âmbito do processo administrativo fiscal, admitese a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância, ainda mais quando alteram substancialmente a prova do fato constitutivo. A flexibilização está no próprio art. 16 do Decreto nº 70.235/72, ao prever hipóteses de juntada de provas em momento posterior à impugnação. Pertinente nesse aspecto, para que o posicionamento aqui defendido o seja de forma clara, transcrever uma vez mais lição dos ilustres Maria Teresa Martínez López e Marcos Vinícius Neder, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado: "Este tratamento, contudo, não tem sido levado às últimas consequências pela Fazenda nos casos de inovação de prova, mediante juntada aos autos de elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática. Nessa hipótese, por força do princípio da verdade material, impõese o exame dos fatos. Sobretudo, se os documentos alteram, substancialmente, a prova do fato constitutivo. [...] O direito da parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca de sua utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da Justiça. [...] O artigo 38 da Lei nº 9.784/99 flexibiliza o rigor do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e permite que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão administrativa. Nesse mesmo sentido, é o permissivo contido no art. 63, parágrafo 2º, da Lei nº 9.784/99 que admite a revisão pela Administração do ato ilegal mesmo não tendo sido conhecido o recurso desde que não operada a preclusão administrativa. Ainda nesta linha, o artigo 65, parágrafo único, da Lei nº 9.784/99 prescreve que poderão ser revistos, a qualquer tempo, os processos administrativos de que resultem sanções quando surgirem fatos novos ou Fl. 33894DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.895 14 circunstância relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada." Não é o que ocorre no caso dos autos. Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. No transcurso da ação fiscal, foi oportunizado ao Recorrente a juntada de documentos solicitados pela Fiscalização, conforme dá conta o Termo de Verificação Fiscal, sintetizado na decisão recorrida nos seguintes termos, in verbis: [...] O TVF, fls. 101 a 111, dá conta das inúmeras vezes em que intimou o contribuinte a apresentar informações relacionadas às receitas e aos créditos e dos livros e documentos da escrituração: 1. Termo de início da ação fiscal: ciência em 26/10/2012, com a solicitação das informações e documentos básicos, a qual não foi atendida; 2. 1ª intimação: lavrada em 08/05/2013 e ciência em 15/05/2013; foi reiterando o pedido no Termo de início da ação fiscal; 3. 2ª intimação: ciência em 03/06/2013 com prazo de 15 (quinze) dias para cumprimento, vencimento em 18/06/2013; foram pedidos nove documentos; em 28/06/2013 a empresa protocolou pedido, intempestivo, de dilação de prazo; o pedido foi atendido, com dilação de prazo de mais 30 (trinta) dias ali solicitada; novo prazo, portanto, 18/07/2013; em 31/07/2013, a empresa protocolou, intempestivamente, nova carta de acompanhamento de documentos, informando o atendimento de 8 dos 9 itens solicitados; em análise do conteúdo apresentado foi verificado o não atendimento dos três primeiros itens da intimação, embora listados pela interessada como tendo sido apresentados; 4. apresentação dos itens não apresentados por ocasião da intimação anterior, especialmente os balancetes mensais; o procurador da fiscalizada informou não possuir balancetes de verificação, mas somente os balanços anuais normais, os quais foram apresentados; foi solicitado que a informação fosse feita por escrito, o que foi feito através de correspondência datada de 18/09/2013, 18 dias após o vencimento do prazo dado na intimação; 5. 4ª intimação: ciência em 10/10/2013, com prazo de 10 dias, solicitando o atendimento dos demais itens (exceto balancetes) ainda não atendidos; em 21/10/2013, a contribuinte apresenta mídia eletrônica onde diz conter os demonstrativos analíticos das operações contidas no item 2 da Intimação 4 Fl. 33895DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.896 15 (créditos descontados) e solicita dilação de prazo de mais 10 (dez) dias para apresentação do restante; a dilação foi concedida, com novo prazo vencendo em 31/10/2013; a mídia eletrônica (CD) apresentada, entretanto, não trouxe os elementos descritos em seu protocolo nem nos termos solicitados, caracterizandose inepta aos trabalhos da fiscalização; 6. 5ª intimação: ciência em 25/11/2013, com prazo de cinco dias; reitera novamente a apresentação do item 2 da intimação 4 (créditos descontados), asseverando que o seu não atendimento implicará na desconsideração e glosa dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins decorrentes do sistema não cumulativo e o conseqüente lançamento tributário decorrente; vencido o prazo em 02/12/2013, a intimação não foi atendida; 7. 6ª intimação: ciência em 23/11/2013, com prazo de cinco dias, contendo nova reiteração das intimações 2 e 3, especialmente dos demonstrativos solicitados no item 4 da intimação 2 (provisões/reversões); vencido o prazo em 29/11/2013, a intimação não foi atendida; 8. 7ª intimação: ciência em 27/11/2013, com prazo de cinco dias, novamente reiterando os itens não atendidos das intimações anteriores e solicitando documentos e elementos “naturais e estáveis das operações da empresa”, numa última tentativa de realização de exames determinados pelo programa de fiscalização; vencido o prazo, a intimação não foi atendida; 9. em 06/12/2013 foi protocolado outro pedido de dilação de prazo de mais 5 (cinco) dias para atender o solicitado nas intimações 5 e 6, estas com prazos já vencidos, em 02/12/2013 e em 29/11/2013. Especificamente em relação à apuração da receita tributável, em 25/11/2013 foi lavrada a Intimação 7, com recepção em 27/11/2013, novamente reiterando os itens não atendidos das intimações anteriores e solicitando outros itens de fácil atendimento, numa última tentativa de realização de exames determinados pelo programa de fiscalização. Nesta, dentre outras informações, foi pedido que a empresa fornecesse planilha EXCEL com todas as saídas por vendas tributáveis pela alíquotas normais das contribuições e as saídas por alíquotas específicas (p/bçex. biodiesel). Tal relação deveria estar ordenada por ordem cronológica de ocorrência com as devidas totalizações mensais, identificando a qual filial se refere e deveriam conter todas as informações básicas das respectivas notas fiscais. Infelizmente, a intimação, não foi atendida e as saídas de mercadorias tiveram sua análise prejudicada pela falta de atendimento desta e de outras intimações fiscais anteriores. Conforme relata a autoridade fiscal, embora parte das vendas/saídas de mercadorias da fiscalizada tenha sido considerada por ela nos Dacon como produto beneficiado por cálculo específico, ou seja, a preço fixo e específico por metro quadrado e, portanto, beneficiado, tal condição não foi demonstrada à Fiscalização, porque documentos hábeis para tanto, não foram disponibilizados, apesar das várias intimações fiscais nesse sentido. Mesmo na impugnação, que, a teor do § 4° do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, é o momento derradeiro para a instrução processual, o autuado não produziu os documentos solicitados no curso da ação fiscal, limitandose a juntar cópias de Dacon, planilhas demonstrativas da apuração de créditos, das vendas e da apuração das contribuições, mas Fl. 33896DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.897 16 desacompanhadas de qualquer lastro na escrituração contábil ou fiscal, inábeis para o fim a que se propunham. Não pode agora, em sede de recurso, pretender subverter o andamento normal do processo, reiniciandoo. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da impugnação, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a impugnação e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados pelo julgador por insuficientes e solicitado pelo mesmo a realização de diligência, destinada ao seu convencimento. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. No caso dos autos, mesmo na impugnação, a Recorrente não produziu as provas solicitadas no curso da ação fiscal e que deixaram de ser apresentadas, limitandose a trazer Dacon, planilhas demonstrativas de apuração de créditos, das vendas e da apuração das contribuições, sem, no entanto, ter amparo em escrita contábil ou fiscal. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de impugnação, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 33897DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.898 17 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém discordo de suas conclusões a respeito da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, cuja matéria é tratada no recurso especial da Fazenda Nacional. Tanto a relatora quanto o acórdão recorrido e o contribuinte entendem que não existe previsão legal para a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 33898DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.899 18 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 33899DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.900 19 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por todo o exposto, a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Para reforçar este entendimento, transcrevo abaixo precedentes judiciais e administrativos elaborado pela assessoria jurídica do CARF em estudos internos a respeito da matéria. Julgamento da matéria nos Tribunais Superiores Em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº1.129.990 PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Fl. 33900DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.901 20 A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em 18 de maio de 2010, replicou este entendimento ao decidir o Recurso Especial nº 834.681MG, sob relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Também se tratava, neste caso, de legislação estadual. Em 04 de dezembro de 2012, a 1ª Turma manteve este posicionamento no julgamento de Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relatado pelo Ministro Benedito Gonçalves: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Neste caso, a multa de ofício fora lançada com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e o sujeito passivo alegava a inexistência, no referido dispositivo legal, de qualquer menção sobre a cobrança de juros de mora. Por fim, em 07 de junho de 2016, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça mais uma vez aplicou a jurisprudência pacífica do Tribunal, agora em face de Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 870.973MG, sob relatoria do Ministro Humberto Martins: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. REEXAME. COMPETÊNCIA DO STF. Fl. 33901DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.902 21 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC/73 quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. 3. Da leitura do acórdão recorrido, depreendese que a questão acerca da base de cálculo do ICM/ST foi debatida pelo Tribunal de origem com fundamento eminentemente constitucional, sendo a sua apreciação de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional Agravo interno improvido. A análise recaiu, assim, sobre legislação do Estado de Minas Gerais. O Superior Tribunal de Justiça, portanto, não apreciou as questões colocadas em face da redação do art. 61, caput e §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Ementas de acórdãos recentes da CSRF Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Acórdão nº 9202004.250, de 23 de junho de 2016, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado Fl. 33902DF CARF MF Processo nº 19515.723091/201314 Acórdão n.º 9303006.239 CSRFT3 Fl. 33.903 22 Acórdão nº 9303004.570, de 8 de dezembro de 2016, Redator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 33903DF CARF MF
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Numero do processo: 10215.721075/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
AÇÃO JUDICIAL. PERDA DA POSSE. IMISSÃO PROVISÓRIA DO PODER PÚBLICO.
É improcedente o lançamento fiscal quando comprovado nos autos a perda da posse do imóvel rural pela imissão provisória do Poder Público, no curso de processo judicial de desapropriação, ocorrida em data anterior ao fato gerador do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural.
Numero da decisão: 2401-005.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Recorrente PRESIDENTE DA 1ª TURMA DE JULGAMENTO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA (DF) Interessado AMAZÔNIA PROJETOS ECOLÓGICOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 AÇÃO JUDICIAL. PERDA DA POSSE. IMISSÃO PROVISÓRIA DO PODER PÚBLICO. É improcedente o lançamento fiscal quando comprovado nos autos a perda da posse do imóvel rural pela imissão provisória do Poder Público, no curso de processo judicial de desapropriação, ocorrida em data anterior ao fato gerador do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 10 75 /2 01 3- 99 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10215.721075/201399 Acórdão n.º 2401005.305 S2C4T1 Fl. 184 2 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), por meio do Acórdão nº 03064.594, de 12/11/2014, cujo dispositivo considerou procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário lançado (fls. 81/88): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 DA DESAPROPRIAÇÃO. DA IMISSÃO PRÉVIA OU PROVISÓRIA NA POSSE PELO PODER PÚBLICO Demonstrado nos autos, de maneira inequívoca, que houve, no curso do processo de desapropriação do imóvel, imissão provisória na posse a favor do Poder Público, em data anterior à do fato gerador do ITR/2009 (1º.01.2009, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393/96), não há como prosperar o crédito tributário lançado em nome do impugnante, posto que não há incidência do ITR. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 02102/00033/2013, relativa ao exercício de 2009, acostada às fls. 31/37, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). 2.1 A autoridade tributária considerou não comprovada a área declarada pelo sujeito passivo a título de interesse ecológico de 421.893,7 hectares (ha), no imóvel rural denominado "Seringal Mossoró", localizado no município de Altamira (PA), procedendo também ao arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), no montante de R$ 740,28/ha, com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT). 2.2 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração Anual, entregue em 26/09/2009, exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício (fls. 24/29). 3. O contribuinte foi cientificado da autuação por meio de edital, afixado e desafixado em área de livre acesso ao público na repartição fazendária, respectivamente, em 13/12/2013 e 30/12/2013, e impugnou a exigência fiscal no dia 28/01/2014 (fls. 39, 50/51 e 59/60). Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10215.721075/201399 Acórdão n.º 2401005.305 S2C4T1 Fl. 185 3 4. Ao apreciar o litígio instaurado, a instância julgadora inicial reputou inválida a declaração do contribuinte sobre a existência de área ambiental de interesse ecológico, por falta de apresentação de documentação hábil relacionada à comprovação do cumprimento de todos os requisitos estabelecidos na legislação. 4.1 No entanto, a decisão de piso reconheceu, com base nos documentos juntados ao processo administrativo, a imissão provisória na posse do imóvel rural pelo Poder Público, em data anterior àquela do fato gerador do imposto, afastando a sujeição passiva do contribuinte e, por conseguinte, tornando integralmente improcedente o crédito tributário lançado em nome da impugnante. 4.2 Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 5. Cientificada do Acórdão nº 03064.594, não consta manifestação por parte da autuada (fls. 91/95). 6. No âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Resolução nº 2401000.529, de 16/08/2016, o julgamento foi convertido em diligência, haja vista as dúvidas apontadas pelo Relator originário no que diz respeito ao efetivo uso e/ou ocupação da área do imóvel rural, assim como ao resultado das decisões judiciais proferidas no processo de desapropriação relativo à ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (fls. 109/112). 7. A diligência foi cumprida, tendo a autoridade responsável prestado os esclarecimentos de fls. 173/178. 7.1 Em síntese, o agente fazendário concluiu que as informações levantadas a partir dos dados disponíveis em cartórios e do andamento da ação civil pública eram insuficientes para sanar as dúvidas quanto à utilização da área do imóvel "Seringal Mossoró". A título de sugestão, recomendou aguardar a elaboração de laudo da perícia no Processo Judicial nº 2616255.2010.4.01.3900, que trata da ação civil pública, com tramitação perante a Justiça Federal de Altamira (PA). 7.2 Não localizei nos autos que a recorrente tomou ciência do relatório da diligência fiscal, para fins de manifestação. 8. Com o retorno da diligência, o processo foi sorteado e distribuído no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na medida em que a Relatora originária não fazia mais parte do colegiado. 9. Por fim, anoto que vieram os autos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10215.721075/201399 Acórdão n.º 2401005.305 S2C4T1 Fl. 186 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de Admissibilidade 10. O recurso de ofício, formalizado na própria decisão, foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 11. Recentemente, entretanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/02/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 11.1 Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). 12. Para fins de avaliação do juízo de admissibilidade do recurso de ofício, verifico que o valor desonerado do imposto e da multa de ofício pela decisão de piso é superior ao montante mínimo de R$ 2.500.000,00 (fls. 31/37). 13. Logo, conheço do recurso de ofício. Mérito 14. Levandose em consideração a extensa superfície da propriedade "Seringal Mossoró", a motivação principal para a determinação da realização de diligência fiscal consistiu na possibilidade de convivência da atividade extrativista com área destinada à constituição de reserva ecológica, bem como na existência de notícias na Internet acerca de uma possível continuidade da ocupação econômica pela empresa em outro local do referido imóvel, ainda dentro da propriedade rural, mesmo após o auto de desocupação datado de 20/09/2007. 15. Para o fiel cumprimento da diligência fiscal, a unidade da Receita Federal do Brasil procurou obter uma maior número de informações e dados com o propósito de subsidiar o julgamento do recurso de ofício, mediante a expedição de correspondências ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região e ao Cartório de Registro de Imóveis de Altamira (fls. 130/172). Contudo, ao final, a documentação obtida e os esclarecimentos não surtiram o efeito esperado, pois nada acrescentaram sobre a ocupação ou não da área do imóvel rural (fls. 173/178). Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10215.721075/201399 Acórdão n.º 2401005.305 S2C4T1 Fl. 187 5 16. De acordo com os elementos que instruem os autos, até o presente momento não passa de mera conjectura a notícia da ocupação pela empresa da área do "Seringal Mossoró", mesmo que uma presença parcial no imóvel, não havendo um único indício sério e convergente que tal fato tenha ocorrido. 17. Além da falta de evidências seguras de que a empresa tenha voltado a ocupar ao menos uma parte da área do imóvel rural, os autos do Processo Judicial nº 26162 55.2010.4.01.3900, com tramitação na Justiça Federal de Altamira (PA), estão instruídos com o Mandado de Desocupação nº 62/2007/SEPODCIV, de 04/07/2007, o Auto de Desocupação, de 20/09/2007, e a Certidão Circunstanciada, de 24/09/2007, em que o oficial de justiça atestou, com fé pública, a desocupação do "Seringal Mossoró", assim como asseverou que os demais seringais mantidos pela pessoa jurídica naquela região também não estavam mais ocupados (fls. 61/67). 17.1 Para melhor compreensão dos termos em que foi cumprida a ordem judicial, reproduz trecho da certidão emitida pelo oficial da Justiça Federal (fls. 67): (...) Ante o exposto, e em conformidade com o Auto de Desocupação em anexo, DESOCUPEI O SERINGAL MOSSORÓ (MONTE ALEGRE) retirando os prepostos da requerida do local e paralisando suas atividades e DEIXEI DE DESOCUPAR OS SERINGAIS BELO HORIZONTE, HUMAITÁ, FORTE VENEZA E CAXINGUBÁ, pela exiguidade de tempo para o deslocamento até o local e pelo fato de já estarem os mesmos desocupados e desmontados, pelo que devolvo os presente mandado a secretaria, sempre respeitoso e atento ao Vosso melhor juízo. (...) 18. Adiciono que o resultado da perícia prevista para o imóvel, para fins do processo judicial de desapropriação, não tem o nível de importância para o processo administrativo que se pretende dar ao evento. Existe uma forte probabilidade que a informação a ser fornecida pelo perito judicial ficará restrita à existência de presença atual ou não da área do imóvel, e não sobre a efetiva ocupação e exploração da propriedade pela empresa durante o ano de 2009, mais especificamente no dia 1º de janeiro de 2009, data da ocorrência do fato gerador do imposto objeto da Notificação de Lançamento. 19. Pelas razões acima, avalio como apropriado o entendimento do acórdão recorrido quando afirma que a documentação carreada aos autos pela empresa autuada, independentemente do trânsito em julgado do processo judicial, demonstra, de forma satisfatória, a perda da posse do imóvel rural, durante o ano de 2007, pela imissão provisória do Poder Público, portanto em data anterior àquela do fato gerador do Imposto sobre a Propriedade Rural. 20. Tal situação fática implica afastar a pessoa jurídica do polo passivo da relação tributária e, desse modo, declarar a improcedência do lançamento fiscal, com supedâneo nas disposições do § 1º do art. 1º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e do I do § 1º do art. 2º do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002: Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10215.721075/201399 Acórdão n.º 2401005.305 S2C4T1 Fl. 188 6 Lei nº 9.393, de 1996 Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Decreto nº 4.382, de 2002 Art. 2º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 1º). § 1º O ITR incide sobre a propriedade rural declarada de utilidade ou necessidade pública, ou interesse social, inclusive para fins de reforma agrária: I até a data da perda da posse pela imissão prévia do Poder Público na posse; (...) (GRIFEI) 21. Dessa feita, as conclusões do colegiado de primeira instância quanto à improcedência do lançamento fiscal, cuja decisão de exoneração do crédito tributário é alvo de recurso de ofício, devem ser confirmadas em grau recursal. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso de ofício e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.920355/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DCOMP. DÉBITO COBRADO EM DUPLICIDADE. Verificado que o débito objeto de compensação pelo contribuinte foi objeto de lançamento de oficio em outro processo, já quitado, cumpre cancelar a exigência feita a partir da DCOMP. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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DÉBITO COBRADO EM DUPLICIDADE. Verificado que o débito objeto de compensação pelo contribuinte foi objeto de lançamento de oficio em outro processo, já quitado, cumpre cancelar a exigência feita a partir da DCOMP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.920355/200810 Acórdão n.º 140200.809 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório INDUSTRIA DE BEBIDAS ERNA VON KNAPITSCH LTDA, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação DCOMP 21242.71865.070406.1.3.023046 (fl. 02/06) através da qual a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ relativa ao anocalendário de 2004 com débito de IRPJ – PJ optantes pelo lucro real / estimativa mensal – código de receita 599301 – período de apuração: 12/2005 no valor de R$ 25.006,68. De acordo com o Despacho Decisório nº 783769858 emitido em 26/08/2008 (fl. 08), não foi homologada a compensação declarada na DCOMP anteriormente citada, tendo em vista que: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCOMP, consta imposto a pagar. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 25.006,68; Valor do imposto a pagar na DIPJ: R$ 26.596,32” Cientificada do referido Despacho em 04/09/2008 (fl. 09), apresentou a interessada, em 01/10/2008, manifestação de inconformidade de fl. 11/12, juntamente com os documentos de fl. 13/26, na qual alega em síntese que: No anocalendário de 2004, Exercício de 2005, a empresa apurou na sua DIPJ imposto de renda a pagar, conforme consta na intimação no valor de R$ 26.596,32, pagos da seguinte forma: em 31/01/2005 – cód. 5993 – R$ 37.000,00 e em 28/02/2005 – cód. 5993 – R$ 14.603,00; portanto, houve pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 25.006,68; O PER/DCOMP não homologado deveria ter sido enviado como “pagamento indevido ou a maior” e não da forma com que foi enviado, como “saldo negativo de IRPJ” daquele exercício; Pelo demonstrativo acima, devidamente comprovado com os pagamentos dos DARF anexo, constatamos que o crédito pleiteado é um direito legítimo e certo, necessitando apenas de correção; Como não foi possível retificar o PER/DCOMP, em consulta ao Plantão Fiscal, fomos orientados que neste caso não cabia retificação e que o mesmo seria nulo de fato e de direito por não haver saldo negativo de IRPJ e sim valor a pagar, e, ainda, que deveria ser entregue outro pedido; Para solucionar o problema, em 15/05/2008, foi enviado novo PER/DCOMP nº 31081.25758.150508.1.7.044389, cópia anexa, utilizando parte do DARF de R$ 37.000,00, de 31/01/2005, para quitação do IRPJ a pagar no valor de R$ 26.596,32, restando, ainda, um saldo credor de R$ 10.403,68, que somado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.920355/200810 Acórdão n.º 140200.809 S1C4T2 Fl. 0 3 ao DARF de R$ 14.603,00, pago em 28/02/2005, perfazem o total de R$ 25.006,68 de crédito; Dessa forma, demonstrada a legitimidade do crédito, com os comprovantes dos DARF pagos e o novo PER/DCOMP nº 31081.25758.1.7.044389, solicitamos o cancelamento do PER/DCOMP nº 21242.71865.070406.1.3.02 3046, a manutenção do crédito de R$ 25.006,68 e a suspensão da referida cobrança. A decisão recorrida está assim ementada: PER/DCOMP. DESISTÊNCIA APÓS CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A desistência de Pedido de Compensação somente será deferido caso o referido Pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do requerimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que (verbis) INDÚSTRIA DE BEBIDAS ERNA VON KNAPITSCH LTDA., estabelecida na Rua Paul Underberg, 54 Tijuca Rio de Janeiro RJ, inscrita no CNPJ sob o n° 33.045.816/000190, notificada por Carta de Cobrança recebida em 12/01/10, acompanhada do Acórdão n° 1226.820 8 Turma da DRERJ1 Proc. n° 15.374 922.572/200836, informando da Conclusão de não homologação da compensação • declarada através da Per/Dcomp n° 21242.71865.070406.1.3.023046, e exigindo o recolhimento do débito de R$ 25.006,68, que fora compensado na Declaração de IRPJ ano calendário 2005, exercício 2006, acrescido da multa de R$ 5.001,33 e juros de R$ 11.570,59, perfazendo o total de R$ 41.578,60, entendendo não ser mais devedora de tal débito, vem por seu procurador infra assinado, discordar da cobrança pelos motivos que expõe: Em procedimento Fiscal realizado pela Receita Federal, referente ao ano calendário 2005 exercício de 2006, iniciado em 25/09/2008 e encerrado em 11/12/2008, (cópia anexa), o Termo de Verificação Fiscal, comprova o débito da Declaração de 1RPJ, no valor de R$ 271.834,88, os pagamentos com DARF's no valor de R$ 246.828,20, restando o saldo a pagar de R$ 25.006,68, liquidado da seguinte forma: R$ 10.403,68 compensado com o Per/Dcomp n° 31081.25758.150508.1.7.044389 e R$ 14.603,00, acrescido de multa e juros, pago em 30/01/2009, com DARF do Auto de Infração, Proc. 18471003.354/200891, (Cópia anexa). Notase que o Débito de R$ 25.006,68 ora exigido para o período 2005/2006 é o mesmo que já foi quitado no processo de fiscalização acima citado. Diante do exposto, requer a V. Sas., o cancelamento da cobrança e o arquivamento do Processo n° 15374.922.572/200836. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 15374.920355/200810 Acórdão n.º 140200.809 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Conforme relatado, o débito que seria objeto da compensação referese a estimativa mensal do IRPJ do mês de dezembro de 2005 (fl.4) no valor de R$ 25.006,68 (vencimento em 31/01/2006). Ocorre que no recurso voluntário o contribuinte trouxe fatos novos ao processo, esclarecendo que sofreu fiscalização (revisão interna) do IRPJ anocalendário de 2005, mediante processo 18.471.003354/200891, .fl 5871, que foi pago, conforme DARF de fls. 5960. Uma vez que no aludido auto de infração foi incluída a estimativa devida em dezembro/2005 (objeto da DCOMP deste processo), inclusive a multa de oficio pela falta de recolhimento, e já estando extinto o aludido debito pelo pagamento, cumpre cancelar a exigência feita a partir da DCOMP de que trata este processo. Diante do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso e cancelar o débito de que trata a DCOMP versada neste processo. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 19647.004401/2009-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1532; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.004401/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.243 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de fevereiro de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente ROSANA MIRANDA ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 44 01 /2 00 9- 16 Fl. 208DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 11 a 15, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, anocalendário de 2006, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 26.045,00 , por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário total no valor de R$14.061,12, incluindo juros de mora e multa de ofício, calculados até fevereiro de 2009. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação, juntando recibos e declarações médicas para evidenciar as prestações do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, cita jurisprudência vasta e doutrina para corroborar seus argumentos. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e declaração em anexo. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 19647.004401/200916 Acórdão n.º 2001000.243 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento de psicoterapia, odontologia, fisioterapia, psicologia contendo nome completo dos prestadores, com CPF/CNPJ dos prestadores, credenciamento profissional, valor pago pela contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. Acrescentese que juntou também declaração emitida por todos e cada um dos profissionais, contendo todos os detalhes do serviço prestado. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] 8. Ressaltese ainda que a legislação lista algumas formas para a contribuinte provar o seu direito ao mesmo tempo em que permite ao Fisco, a seu juízo, exigir outros meios de comprovação de maneira a firmar sua convicção frente aos fatos informado. 9. O que importa ao presente julgamento, conforme determina a lei, é que a impugnante apresente provas de que realmente arcou com tais despesas, tanto que permite que ela comprove de várias maneiras o seu direito de deduzir. Assim, se a contribuinte pretende deduzir tais despesas médicas deve agir comprovando a veracidade de suas afirmações. Ressaltese ainda que a dedução dessas despesas com saúde é uma faculdade da contribuinte, ou seja, ela não está obrigada a deduzilas, mas caso deseje aproveitálas, deve obedecer, se submeter aos ditames da lei. Fl. 210DF CARF MF 4 10. Destaquese também que a solicitação de documentos, por parte da Receita Federal, constitui uma obrigação acessória sob responsabilidade da contribuinte, que tem de manter em boa guarda a documentação comprobatória dos fatos atinentes à seara tributária, conforme podese extrair das disposições do art. 797 do RIR/99. Caso contrário, ou seja, se fosse adotado o entendimento do contribuinte, tal previsão legal seria letra morta, pois de que adiantaria exigir a apresentação da prova se o ônus fosse do Fisco? Assim, não procede a afirmação da impugnante. 11. Confirmando o entendimento acima, acrescentese ainda à presente discussão, que mesmo estando presentes todos os requisitos enumerados para os recibos, a legislação tributária não confere aos mesmos valor probante absoluto, pois a tônica do art. 80, §1º, inciso III, do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que a norma admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários. Entretanto, ressalte se que mesmo o cheque pode ser submetido à justificação, quando dúvidas razoáveis acudirem ao Fisco sobre a efetiva prestação do serviço, fato que se constitui no substrato material da dedução. 12. Continuando a presente análise, destaquese que à fiscalização é permitido exigir elementos adicionais de prova, a exemplo de cópias de cheques, comprovantes de transferências e extratos bancários. Como solução alternativa por oportunidade da impugnação, a interessada poderia demonstrar a realização do serviço através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento, extratos bancários ou outros documentos de natureza similar que servissem de sustentação ao conteúdo dos recibos. 13. Analisandose os autos, verificase que não prosperam as alegações da contribuinte pelas seguintes razões....... 14. Cumpre informar ainda que quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, a contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ela e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. Nesse contexto, o Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato....... 15. Fundamentando as citadas recusas, destaquese o art. 80, §1º, incisos II e III, do RIR/99, ao exigir a comprovação do efetivo pagamento e demais formalidades, conforme segue...... 16. Destarte, pelos citados motivos e com alicerce no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, gravado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, ratificase a glosa de despesas médicas no valor de R$ 26.045,00. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 19647.004401/200916 Acórdão n.º 2001000.243 S2C0T1 Fl. 4 5 17. Por todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação apresentada, para determinar a cobrança do Imposto de Renda Suplementar no valor de R$ 7.162,37 acrescido de Multa de Ofício de 75% e Juro de Mora, conforme legislação regente. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelos prestadores dos serviços, assinadas e datadas pelos mesmos, não foram suficientes para comprovar as despesas. Além disso, uma das maiores justificativas contidas na decisão da DRJ para não acatar a dedutibilidade das despesas médicas ora analisadas é a falta de indicação do beneficiário dos serviços. Esta informação foi absolutamente esclarecida em sede de Recurso Voluntário. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 212DF CARF MF 6 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção da contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido da Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 213DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.693433/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.368
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; (b) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (c) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (d) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (e) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(Assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(Assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cuja motivação é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 93 43 3/ 20 09 -3 7 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.693433/200937 Resolução nº 3401001.368 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que houve recolhimento indevido de PIS, decorrente da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições, que obtivera decisão judicial que limitava a incidência da PIS às receitas de faturamento, no conceito veiculado pela LC 70/91; que haveria nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa, uma vez não detalhadas as razões de não homologação da compensação; que o direito creditório é procedente e que a legislação de regência ampara a compensação realizada; e, que, na hipótese de manutenção do despacho reclamado, devem ser exonerados a multa e os juros moratórios. Foram juntadas cópias do DARF, PERDCOMP, DCTF e certidões de objeto e pé das ações judiciais respectivas. A DRJ São Paulo I/SP julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS FATOS. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade por descrição imprecisa dos fatos que ensejaram a não homologação da compensação quando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade evidenciam que a interessada entendeu perfeitamente a motivação do despacho decisório. PRODUÇÃO DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas devem ser apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto 7.574/2011. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previstos na legislação de processo administrativo fiscal. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A retificação da DCTF deve obedecer ao prazo e pressupostos legais firmados pela legislação aplicável. A DCTF retificadora apresentada extemporaneamente não produz efeitos legais para alterar crédito tributário que já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. COISA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE DE BENEFICIAR TERCEIROS. A sentença faz coisa julgada entre as partes interessadas, não beneficiando e nem prejudicando terceiros. BASE DE CÁLCULO. RECEITA NÃO DECORRENTE DE VENDAS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.693433/200937 Resolução nº 3401001.368 S3C4T1 Fl. 5 3 A alegação de que parte das receitas seria diversa daquelas oriundas do exercício das atividades empresariais deve estar lastreada por provas. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Inexiste pagamento indevido ou a maior quando este já foi utilizado para quitar crédito tributário apurado de acordo com as normas então vigentes. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. O tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais.” O recurso voluntário asseverou a impossibilidade de inclusão de receitas estranhas às operações de vendas e/ou prestação de serviços na apuração da PIS, sob a égide da Lei nº 9.718/98, conforme já decidido pelo STF; que era improcedente a alegação de retificação extemporânea da DCTF, sustentada pela decisão recorrida; que, na hipóteses de manutenção do despacho decisório, deveriam ser decotados a multa e os juros de mora; ou, alternativamente, a realização de diligência para certificação do crédito a repetir. Na oportunidade foram juntados demonstrativo de apuração do tributo e cópias do balancete. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.361, de 20 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.693376/200996, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.361: "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Como questão preliminar, cabe examinar a exigência de retificação da DCTF correspondente, como condição para repetição do indébito, consoante acentuado pela decisão recorrida. No caso vertente, nada obstante tratarse do período de apuração dezembro/1999, o recolhimento a maior ocorreu em 09/02/2004 enquanto a verificação dessa situação e a formulação do competente pedido de restituição se deu em 14/06/2006, de maneira que a repetição do indébito era tempestiva, porém, não mais a possibilidade de retificação da DCTF, que se extinguiu com o transcurso do qüinqüênio a partir do mês a que se referia o fato gerador. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10880.693433/200937 Resolução nº 3401001.368 S3C4T1 Fl. 6 4 A tese defendida pelo colegiado a quo é que o impedimento à alteração do valor declarado a título de Cofins, dezembro/1999, obstaria o direito à restituição do montante pago indevidamente, mesmo que não ocorrida a decadência desse direito, nos termos do art. 165, I do Código Tributário Nacional, por entender que o crédito tributário já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Todavia, ainda que o art. 150, § 4º do CTN disponha que a fluência do prazo de 05 (cinco) anos corporifica homologação tácita e transmuta o lançamento e respectivo pagamento em causa de extinção do crédito tributário, não se pode olvidar que o mencionado art. 165, I do mesmo diploma legal também garante o direito, independente de prévio protesto, à restituição do tributo pago em quantia maior que a devida, desde que observada a temporalidade do requerimento próprio (art. 168), o que se verificou nesse processo. Nestes autos, o decurso do prazo veda a constituição de crédito tributário complementar àquele declarado pelo sujeito passivo (art. 150, § 4º), entretanto, não obstaculiza a devolução do indébito, ao passo que feito o pedido dentro do prazo de 05 (cinco) anos do recolhimento(arts. 165, I e 168), mormente na situação sub examine, onde a quantia indevida corresponde justamente ao pagamento feito a destempo, acrescido de multa e juros de mora. Demais disso, esquadrinhando a IN SRF 600/05, vigente por ocasião da transmissão da PERDCOMP, não se localiza qualquer imposição de retificação da DCTF como requisito para processamento do pedido de restituição aviado, salvo na hipótese de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), segundo o art. 16, § 5º, II do ato normativo. Portanto, mostrase improcedente a questão vestibular erigida pela decisão recorrida como fundamento à denegação do recurso. Tocante ao mérito, observase que o motivo inicial à não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notase, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua utilização em outra finalidade. Em outra linha argumentativa exposta na decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração documental das razões arroladas pelo recorrente, o que não se verificou. Nesse passo, é certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, assim como sua ausência não serve de causa ao indeferimento de restituição, também não é suficiente ao seu deferimento. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.693433/200937 Resolução nº 3401001.368 S3C4T1 Fl. 7 5 Contudo, em recurso voluntário, o contribuinte trouxe demonstrativo de apuração e balancetes, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente a respeito do direito invocado (pagamento indevido de Cofins ante à inconstitucionalidade do conceito de faturamento veiculado pela Lei nº 9.718/98, decidida em repercussão geral no RE 585.235QO, de 10/09/2008). Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo,não se nega que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, eis que validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Demais disso, ao fato constitutivo do direito ao crédito tributário posto pela Administração tributária – vinculação do direito de crédito a outro débito de titularidade do sujeito passivo –, contrapõe o recorrente um fato modificativo desse mesmo direito – a existência de pagamento a maior e o pedido tempestivo de sua restituição, acompanhado de início de prova –, o que milita em favor da verificação de procedência dessa alegação. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10880.693433/200937 Resolução nº 3401001.368 S3C4T1 Fl. 8 6 · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.000694/2005-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
Ementa:
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. VALOR MÍNIMO TIPIFICADO PELA LEI. A despeito da trava de 20% que limita o montante da penalidade aplicada, prevalece a tipicidade mínima consignada no inc. II, § 3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984 e, posteriormente, na Lei nº 10.426/2002.
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1002-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. VALOR MÍNIMO TIPIFICADO PELA LEI. A despeito da trava de 20% que limita o montante da penalidade aplicada, prevalece a tipicidade mínima consignada no inc. II, § 3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decreto-lei nº. 2.124, de 13/06/1984 e, posteriormente, na Lei nº 10.426/2002. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. VALOR MÍNIMO TIPIFICADO PELA LEI. A despeito da trava de 20% que limita o montante da penalidade aplicada, prevalece a tipicidade mínima consignada no inc. II, § 3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega da DCTF a destempo, vez que a obrigatoriedade de apresentação da DCTF, bem como a aplicação de penalidade em razão do descumprimento de tal obrigação, regulamentadas pelas Instruções Normativas 73/96 e 126/1998, têm supedâneo legal no Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984 e, posteriormente, na Lei nº 10.426/2002. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 06 94 /2 00 5- 35 Fl. 42DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestre do anocalendário de 2003, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) (efl. 4). Diante da constituição dos lançamentos, protocolouse impugnação (efls. 2/3) alegando em síntese que a multa aplicada ao caso, fixada em R$ 500,00 (quinhentos reais) ao trimestre, desconsiderou que o inc. II do art. 7° da Lei n° 10.426/2002 impõe a multa de “dois por cento” ao mês calendário ou fração, limitada a vinte por cento. Além disso, segundo a recorrente, a quantificação adotada fugiria ao princípio da razoabilidade, de acordo com a capacidade contributiva do contribuinte. Ao fim, anota a necessidade de aplicação da Lei nº 10.426/2002, ainda que auto de infração tenha sido lavrado em 12/07/2005. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 2ª Turma da DRJ/JFA proferise o Acórdão nº 0919.327 (efls. 18/20) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral das exigências. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 24/31), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação, acrescentando mais duas questões: 1. A circunstância de as declarações do anocalendário 2003 terem sido entregues em atraso decorre exclusivamente de procedimento unilateral praticado pela Administração, na medida em que o Ato Declaratório de exclusão do simples com efeitos retroativos deflagrou a necessidade do cumprimento de obrigações acessórias até então dispensadas pela sistemática de tributação eleita (simples); 2. Ilegalidade das Instruções Normativas expedidas pela Administração tributária abordando a matéria, porquanto aparentemente serviram de fundamentação legal para a instituição das DCTF, bem como para a imputação de penalidade pela entrega em atraso. É o relatório. Voto Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13656.000694/200535 Acórdão n.º 1002000.016 S1C0T2 Fl. 56 3 Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. Primeiro ponto da abordagem gravita em torno de qual seria o limite do valor da multa pela entrega em atraso da DCTF. A requerente entende pela prevalência do percentual de 20 % (vinte por cento) sobre o valor do imposto devido. Entretanto, tal como já havia orientado a Delegacia de Julgamento, esse parâmetro fica condicionado ao valor mínimo determinado pela Lei nº 10.426/2002 que assim dispõe: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.(grifei) Ou seja, acima de qualquer outra hipótese, a Lei em comento não deixa dúvidas que os não optantes pelo simples serão penalizados pelo atraso na entrega da DCTF mediante um valor de, no mínimo, R$ 500,00 (quinhentos reais). Não há, portanto, retoques do ponto de vista da legalidade quanto a fixação do quantum a pagar. Do mesmo modo, fica explícita a legalidade da cobrança advinda do dispositivo retro apresentado. De fato, alheia a qualquer jurisprudência colacionada pela recorrente, a Corte Constitucional contém precedentes acerca da instrumentalidade e da legitimidade das Instruções Normativas, no sentido de regular o regime jurídico vinculado às DCTF's (e não de instituir penalidade): "A Primeira Turma desta Corte sedimentou entendimento no sentido de que a Instrução Normativa nº 129/86, alterada pela IN nº 126/98 e disciplinada pela IN SRF nº 73/96, não instituiu a penalidade por atraso na entrega da DCTF, penalidade que foi prevista no artigo 11 do Decretolei nº 2.065/83.” (REsp 602.641/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Fl. 44DF CARF MF 4 PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/10/2006, DJ 15/02/2007, p. 214)." "A instrução normativa 73/96 estabelece apenas os regramentos administrativos para a apresentação das DCTF's, revelandose perfeitamente legítima a exigibilidade da obrigação acessória, não havendo que se falar em violação ao princípio da legalidade.” (EDcl no AgRg no REsp 507.467/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/11/2003, DJ 09/12/2003, p. 225)." INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE (CF, ARTS. 5º, II; 150, I; CTN, ART. 97). “A expressão ‘legislação tributária’, contida no § 2º do art. 165, da Constituição Federal, tem sentido lato, abrangendo em seu conteúdo semântico não só a lei em sentido formal, mas qualquer ato normativo autorizado pelo princípio da legalidade a criar, majorar, alterar alíquota ou base de cálculo, extinguir tributo ou em relação a ele fixar isenções, anistia ou remissão.” (ADI 3949 MC, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 14/08/2008, DJe148 DIVULG 06082009 PUBLICADO 07082009 EMENTA VOL0236802 PP00248 RTJ VOL00212 PP00372) Não bastassem esses argumentos, também não procede a alegada transferência de responsabilidade para a Administração pelo fato de a exclusão da sistemática do Simples ter se operado retroativamente, de modo que a recorrente fora "surpreendida" com a necessidade de entrega das declarações em atraso. Com efeito, é inadequado imputar a Administração uma condição de ilicitude gerada pela própria recorrente. Na verdade, a lei positivada que imprimia as vedações à opção do simples cumpriu os requisitos de publicidade, de forma que, mesmo antes de 2003, era de conhecimento da recorrente o seu status jurídico que, de acordo com a lei, não permitia a continuidade no regime simplificado a partir daquele ano. Como não tomou providências espontaneamente, coube a Receita Federal do Brasil editar de ofício Ato Declaratório de exclusão. Nesse contexto, o surgimento da obrigação acessória cumprida a destempo aparece apenas como uma consequência do ilícito antes praticado e de modo algum coordena um comportamento desleal ou de má fé oriundo da Administração Pública. Por fim, possíveis argumentações assentadas no princípio da capacidade contributiva têm nitidamente cunho constitucional, o que acaba por atrair a aplicação do entendimento sumulado por este Conselho, cuja aplicação é obrigatória em todos os seus julgamentos. Almejando a transparência da decisão, reproduzo o verbete: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante ao enfretamento de todas as questões levantadas, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13656.000694/200535 Acórdão n.º 1002000.016 S1C0T2 Fl. 57 5 Fl. 46DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.912367/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/12/2001
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ.
Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste.
Numero da decisão: 1301-002.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/12/2001 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/12/2001 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. Inexiste falta de motivação ou violação de princípios constitucionais que maculem de nulidade a decisão recorrida em face do enfrentamento de todas as matérias suscitadas nas peças de defesa. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado, cabe a este afastar os motivos que levaram ao não reconhecimento do crédito pretendido, comprovando a existência deste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 23 67 /2 00 9- 29 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13896.912367/200929 Acórdão n.º 1301002.804 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada e, DCOMP nº 00182.18747.100806.1.3.042390, referente a alegado crédito de valor original na data transmissão de R$ 20.489,03, relativo a pagamento indevido ou a maior de código de receita nº 2362, DARF de valor total de R$ 21.938,05, período de apuração de 30/11/2001 e data de arrecadação de 18/12/2001. Segundo o Despacho Decisório de não homologação, o DARF informado na DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, conforme processo nº 13896.004119/200821, não restando assim crédito disponível para a compensação do(s) débito(s) informado(s) na DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade a interessada pediu a homologação da compensação. Para tanto, assim resumiu seus argumentos: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Excluir o lançamento referente à IRPJ código 2362, da DCTF do 4 trimestre/2001, constante na página 4, no valor de R$ 21.938,05, pois esse valor não é devido para o período Novembro/2001. A decisão da autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.796, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 13896.911728/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13896.912367/200929 Acórdão n.º 1301002.804 S1C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.796): O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. 1. Nulidade da decisão de 1a instancia por falta de motivação e inobservância ao principio da verdade material Alega a Recorrente que a decisão de primeira instancia violou os princípios constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal, pois entendeu não estar clara a motivação que levou o julgador às conclusões exportas na parte dispositiva do julgamento. Defende que o argumento ensejador do não provimento da manifestação de inconformidade se baseou em alegações de que a recorrente não trouxe aos autos sua escrituração contábil, sem sequer analisar os documentos juntados a manifestação de inconformidade. Compulsandose os autos verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4° trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 11.161,18, Despacho Decisório n°. 848664496 de 07/10/2009, CNPJ, Última Alteração Contratual Consolidada e documentos do representante legal. No entanto, em linha com a decisão de primeira instancia, tais documentos não são capazes de comprovar os argumentos da Recorrente de que o valor do DARF relativo a pagamento de Dezembro 2001 não seria deveras devido. Contrariamente ao alegado, o julgador de primeira instancia, buscando a verdade material dos fatos, buscou nos sistemas disponíveis a Receita Federal informações detalhadas sobre o crédito tributário perquirido. Solicitou, ainda, desarquivamento do processo relativo ao restabelecimento da DCTF relativa que havia sido cancelada pela Recorrente. Em resumo, não vejo qualquer razão nos argumentos apresentados pela Recorrente que possam dar ensejo a nulidade da decisão de primeira instancia. 2. Compensação Em relação a compensação, sabese que o art. 170 do CTN determina que os créditos tributários líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública podem ser objetos de compensação, na forma que a lei estipular. Como liquido e certo, entendese aquele crédito tributário cuja existência seja garantida e cujo valor seja mensurável. No caso em tela, temse que a interessada não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, conforme Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13896.912367/200929 Acórdão n.º 1301002.804 S1C3T1 Fl. 5 4 disposto no art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente os contábeis e fiscais, não sendo suficiente, por si só, como prova, a mera apresentação da DIPJ, que, ao contrário da DCTF, não se constitui em instrumento de confissão de dívida. Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. No presente caso verificase que a recorrente descreve como documentos anexados a DCTF 4 trimestre/2001, DIPJ Anocalendário 2001, DARF no valor de R$ 21.938,05, Despacho Decisório n°. 848664567 de 07/10/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 169DF CARF MF
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