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Numero do processo: 11080.918885/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 88 85 /2 01 2- 11 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918885/201211 Acórdão n.º 3802002.416 S3TE02 Fl. 113 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 63 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 17/09/2013 (fls. 60), interpondo recurso tempestivo em 08/10/2013 (fls. 63). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918885/201211 Acórdão n.º 3802002.416 S3TE02 Fl. 114 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918885/201211 Acórdão n.º 3802002.416 S3TE02 Fl. 115 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13888.917247/2011-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2002
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2002 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 47 /2 01 1- 31 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917247/201131 Acórdão n.º 3801003.983 S3TE01 Fl. 51 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 51DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917247/201131 Acórdão n.º 3801003.983 S3TE01 Fl. 52 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917247/201131 Acórdão n.º 3801003.983 S3TE01 Fl. 53 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917247/201131 Acórdão n.º 3801003.983 S3TE01 Fl. 54 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917247/201131 Acórdão n.º 3801003.983 S3TE01 Fl. 55 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917247/201131 Acórdão n.º 3801003.983 S3TE01 Fl. 56 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902373/2012-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 23 73 /2 01 2- 71 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.679, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 30014.18760.161107.1.2.048644, rastreamento nº 029224614, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 8.918,54, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 2172), do período de 31/12/2003, efetuado em 15/01/2004, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902373/201271 Acórdão n.º 3802002.529 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/01/2004 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902373/201271 Acórdão n.º 3802002.529 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902373/201271 Acórdão n.º 3802002.529 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902373/201271 Acórdão n.º 3802002.529 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13819.900259/2012-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2004
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 59 /2 01 2- 21 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 36/39 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 656,89, referente ao mês de out/2004, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900259/201221 Acórdão n.º 3802003.613 S3TE02 Fl. 129 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 41). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 43/48, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 41). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 130DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900259/201221 Acórdão n.º 3802003.613 S3TE02 Fl. 130 5 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005367/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 1803-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da matéria tributável do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins os valores de R$ 331.597,28 (omissão de receitas da revenda de mercadorias) e R$ 23.882,13 (omissão de receitas de comissões recebidas), relativos ao mês de janeiro de 2005, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto e Ricardo Diefenthaeler. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. A retroatividade da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é possível, por se tratar, no caso, de procedimento de caráter meramente declaratório, e não desconstitutivo, conforme entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos, de observância obrigatória por este Colegiado (REsp nº 1.124.507/MG). EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EFEITOS. A prática reiterada de infração à legislação tributária autoriza a exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), surtindo efeitos a partir, inclusive, do mês de ocorrência dessa prática reiterada (mês subsequente ao primeiro mês de cometimento da infração). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de estar habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 53 67 /2 00 8- 13 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 284 2 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da matéria tributável do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins os valores de R$ 331.597,28 (“omissão de receitas da revenda de mercadorias”) e R$ 23.882,13 (“omissão de receitas de comissões recebidas”), relativos ao mês de janeiro de 2005, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto e Ricardo Diefenthaeler. Ausente justificadamente o Conselheiro Henrique Heiji Erbano. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 285 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 238 a 245): O litígio que se aprecia foi inaugurado por impugnação interposta em 14/10/2008 (fl. 213)1 contra Auto de Infração, cuja ciência pessoal se deu em 18/09/2008 (fl. 173/211). A ação fiscal, que se iniciou em 20/05/2008, teve como escopo a verificação fiscal do IRPJ e da CSLL relativos ao anocalendário de 2005. O lançamento de ofício constituiu créditos tributários relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição Social para a Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição para o PIS, além de multa proporcional de 75% e de juros moratórios (calculados até 17/09/2008). Os valores lançados constam do quadro a seguir (exceto juros moratórios, os quais serão recalculados por ocasião do pagamento ou parcelamento). Resumo – Valores Lançados (*) Valores em R$ TRIBUTO PRINCIPAL MULTA PROPORC. TOTAL IRPJ 101.833,59 76.375,18 178.208,77 CSLL 49.456,57 37.092,41 86.548,98 Cofins 137.379,35 103.034,47 240.413,82 PIS 29.765,48 22.324,06 52.089,54 TOTAL 318.434,99 238.826,12 557.261,11 (*) Exceto Juros Moratórios Segundo seu Contrato Social, a contribuinte fiscalizada atua na exploração do ramo de comércio varejista de motocicletas, partes peças e acessórios (fl. 25). No período fiscalizado, a empresa apresentou declaração de rendimentos como optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 208/211), a motivação para a ação fiscal foi o aparente descompasso entre uma elevada movimentação bancária e a ausência de receitas declaradas e de recolhimento de tributos. Nos termos da autoridade fiscal (fl. 208): Esta auditoria teve como objetivo principal a fiscalização do Simples relativo ao anocalendário de 2005, tendo em vista a elevada movimentação bancária de R$ 5.533.439,75 (Cinco Milhões, Quinhentos e Trinta e Três Mil, Quatrocentos e Trinta 1 As indicações de numeração das laudas introduzidas por este Acórdão referemse à numeração automaticamente atribuída na digitalização do Processo. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 286 4 e Nove Reais e Setenta e Cinco Centavos) em comparação com as ausências de receita declarada e de recolhimento (fls. 04/21). No início da ação fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar (i) livros fiscais e comerciais, (ii) contrato social e (iii) os extratos das contas correntes mantidas pela empresa. Atendeu parcialmente à intimação, não apresentando os livros fiscais e comerciais. Posteriormente, ao ser intimada a explicar e comprovar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes, a contribuinte teria se limitado a indicar aqueles que se refeririam à venda de motocicletas e os que se referiam ao recebimento de comissões pagas por instituições financeiras. Conforme a autoridade fiscal (fl. 209): Em 06/07/2008, o contribuinte foi intimado a comprovar/explicar a origem dos recursos utilizados nos depósitos havidos em suas contas correntes e relacionados em planilhas anexas ao termo, bem como a apresentar contratos, notas fiscais ou qualquer outro documento que ensejaram a obtenção das receitas (fls. 119/137). Após obter prorrogação do prazo inicialmente estipulado, a empresa apresentou resposta à intimação em 20/08/2008 (fls. 138/161). A fiscalizada, em sua resposta, aproveitou a planilha pela qual foi intimada e ao lado do histórico de alguns depósitos escreveu manualmente o nome dos adquirentes das motocicletas revendidas e, em relação a alguns outros créditos, não informou a origem. Apresentou, ainda, planilha na qual relaciona mensalmente as comissões recebidas de instituições financeiras (fls. 158/161). Com base nos elementos obtidos ao longo do procedimento fiscal, a autoridade fiscal entendeu ter se caracterizado, ao longo do anocalendário de 2005, omissão de receita, conforme preceituado no artigo 42 da Lei 9.430/1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em seu relato, a autoridade fiscal destaca o fato de, mesmo após intimada, a contribuinte não ter apresentado nenhuma prova documental da origem dos depósitos ou comprovantes da efetiva tributação daquelas receitas: A empresa, após intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes bancárias mantidas no REAL e no UNIBANCO, informou que alguns depósitos referemse a revenda de motocicletas, nomeando inclusive os adquirentes, outros referemse a comissões recebidas de instituições financeiras e, em relação a alguns outros, nada informou. Ressaltese que contrato, nota fiscal e nenhum documento comprobatório das afirmações foi apresentado. Desta forma, foi considerada omissão de receita, base de cálculo para o lançamento, o somatório dos depósitos efetuados nas contascorrentes durante o anocalendário 2005, discriminados pela origem, e as comissões recebidas foram tributadas como prestação de serviço, conforme planilha abaixo: A planilha elaborada pelo agente fiscal distribui mensalmente os depósitos nas contascorrentes mantidas nas entidades financeiras Unibanco e Real, distribuindo os entre revenda de mercadorias e recebimento de comissões. No total, apurase Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 287 5 receita omitida total de R$ 4.582.313,60, sendo que R$ 4.358.062,00 referentes à revenda de mercadorias e R$ 224.251,60, referentes ao recebimento de comissões. Para definir a matéria tributável, o autuante entendeu aplicável a regra de arbitramento – conforme previsto no art. 529 do RIR/1999 – em razão de a contribuinte não manter escrituração na forma da legislação comercial e fiscal e nem possuir e escriturar o Livro Caixa. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Ato contínuo à ciência do Auto de Infração, a contribuinte foi também cientificada do Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 18, de 12/09/2008, que a exclui do Simples a partir de 01/01/2005. Em sua Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples (fl. 164), a autuante relata que a contribuinte teria incorrido em duas hipóteses de exclusão do Simples: Primeiro, teria havido “prática reiterada de infração à legislação tributária”, situação a qual teria se caracterizado pelo seguinte (fl. 164). “A empresa não apresentou à fiscalização seus livros contábeis e fiscais, infringindo desse modo o artigo 32, inciso I da IN 355/03. O contribuinte auferiu receita de sua atividade em 2005 e não a escriturou, caracterizando, desse modo, a prática reiterada de infração à legislação tributária. Também caracteriza prática reiterada de infração à legislação tributária o não recolhimento de impostos e contribuições devidos, bem como a apresentação da declaração zerada. Isto é, a empresa incorreu em uma das hipóteses de exclusão de oficio do SIMPLES, nos termos do inciso V do art. 23 da citada IN (inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317/96).” Quanto a não entrega dos livros fiscais obrigatórios, é lembrado que, embora dispensada da escrituração comercial para fins fiscais, a contribuinte não teria escriturado o Livro Caixa, esse sim obrigatório para os optantes do Simples. Nesse caso, a exclusão produziria seus efeitos desde o momento em que se caracterizaram tais práticas, ou seja, desde 01/01/2005. Segundo, a contribuinte teria excedido o limite para o enquadramento como Empresa de Pequeno Porte. Assim consta na citada representação (fl. 165): Tendo em vista a não escrituração de sua movimentação, em 06 de julho de 2008, através do Termo de Intimação em anexo, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários relacionados nas planilhas que acompanham o Termo e justificou trataremse de créditos cujas origens foram a revenda de motocicletas e comissões (retornos) pagas por instituições financeiras. Segundo as planilhas contendo os valores creditados nas contascorrentes 115.3721, mantida junto ao UNIBANCO, agência 262, e 8.716.5974, mantida junto ao REAL, agência 0159, a fiscalizada, enquadrada na condição de microempresa, auferiu, no decorrer do anocalendário de 2005, receita bruta em montante acumulado de R$ 4.582.313,60, excedendo ao limite estabelecido para permanecer no SIMPLES que é de R$ 120.000,00. Nesse caso (excesso de receita), a exclusão produziria seus efeitos a partir do exercício seguinte àquele em que se verificou o excesso, ou seja, a partir 01/01/2006. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 288 6 Caracterizada a multiplicidade de hipóteses de exclusão do Simples, a autoridade fiscal entendeu aplicável ao caso concreto a norma cuja previsão de retroatividade dos efeitos da exclusão alcançasse exercício fiscal mais distante. Assim analisou a situação (fl. 166): Das hipóteses de exclusão em que incorreu o contribuinte, aquela cujos efeitos são anteriores, é a analisada no item I acima, ou seja, seus efeitos retroagem a janeiro de 2005. Pelo acima exposto, solicito ao Sr. Chefe da Seção de Fiscalização que encaminhe a presente Representação Fiscal ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em ITAJAÍ, com proposta de exclusão de ofício do contribuinte do SIMPLES, com efeitos retroativos a 01/01/2005, nos termos do inciso V do caput e do § 3º do art. 15 da Lei nº 9.317/96, com nova redação dada pela Lei nº 9.732/98. Foi, então, com base nesse teor da representação, que o Ato Declaratório, do qual a contribuinte teve ciência na mesma data da ciência do Auto de Infração, foi publicado. Inconformada com os lançamentos de ofício e com sua exclusão do Simples, a impugnante apresentou tempestiva impugnação, contestando os Autos de Infração e o Ato Declaratório de exclusão do Simples, conforme a seguir relatado. DA IMPUGNAÇÃO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO Inaplicabilidade do Arbitramento A impugnante alega ter a autoridade fiscal incorrido em vício procedimental, ao aplicar a regra de arbitramento para cálculo do IRPJ. Dada a natureza de excepcionalidade desse regime de tributação (lucro arbitrado), sua aplicação estaria restrita àqueles casos em que se prove “a falta de amparo documental para a receita escriturada, ou, ainda se impossível a apuração de ofício do quantum devido” (fl. 215). Porém, a situação fática não coincidiria com tais hipóteses, pois a autoridade administrativa logrou identificar e quantificar a receita supostamente omitida. Uma vez identificada e quantificada a receita, não caberia a aplicação das regras de arbitramento. Assim se expressou (fl. 216): 7. Ocorre que a autoridade administrativa, mesmo mediante identificação e quantificação da receita supostamente omitida, o onerosamente procedeu ao arbitramento do lucro tributável, o que tisna de irremediável vício de ilegalidade o respectivo lançamento fiscal de IRPJ e CSLL. 8. Com efeito, uma vez identificada e quantificada a receita omitida, não há causa determinante e justificadora do ARBITRAMENTO DO LUCRO, face ao disposto no artigo 47, inciso II, “a”, da Lei nº 8.981/95, como irrepreensivelmente já decidiu a Quinta Câmara do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES:” (...) Extratos Bancários como Base do Lançamento Adentrando o mérito, a reclamante expressa seu entendimento de que o fundamento para o lançamento não pode repousar unicamente sobre as informações contidas em extratos bancários apresentados pela contribuinte, uma vez que os depósitos ali contidos “não são elementos seguros de convicção ou começo de prova razoável, à medida que podem corresponder a meros ingressos financeiros (= entradas) que ingressaram a título precário e temporariamente no caixa da empresa, Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 289 7 sem trazerlhe qualquer incremento patrimonial” (fl. 213). Destaquese a seguinte passagem à folha 213: 9. Ainda que se faça vistas grossas para o inequívoco fato de que a ação fiscal foi patrocinada pela irregular quebra do sigilo bancário da empresaautuada, calha ressaltar que o lançamento efetuado tomou como “único” e “exclusivo” elemento de convicção as cópias dos extratos bancários apresentados ao Fisco, em cumprimento ao Termo de Intimação Fiscal que lhe fora apresentado. Cita, para ratificar seu entendimento, a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos que estabelece, verbis: “É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários”. Reforçando sua convicção, a impugnante rechaça a tese de inversão do ônus da prova, conforme adotada pela autoridade autuante, e assevera que, não logrando o fisco provar indubitavelmente a ocorrência do fato gerador, a exigência fiscal deve ser afastada. Nesse sentido assim se manifesta (fl. 218/21): 14. Sem embargo, não pode prosperar a pretensa inversão do ônus da prova nos moldes como pretendida pelo Fisco, porquanto, na condição de atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, artigos 30 e 142, parágrafo único), o lançamento requer prova segura da ocorrência da hipótese de incidência do IRPJ e tributação reflexiva (PIS, COFINS e CSLL). Em outros termos, na qualidade de ato administrativo plenamente vinculado, cumpre à fiscalização, e não ao contribuinte supostamente faltoso, o poderdever de realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza, indispensáveis à constituição do crédito tributário. 15. Em linguagem negativa: persistindo a dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência fiscal não pode prosperar, ex vi do disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional, in verbis: [...] 18. Em suma: não houve, por parte da autoridade administrativa competente, a imprescindível comprovação do nexo causal entre os depósitos e os fatos que traduzam a suscitada omissão de rendimentos, o que torna ilegítimo o lançamento dos tributos acima mencionados, já que não encontra esteio em elemento seguro de convicção ou prova inconteste e razoável. No intuito de esclarecer a diferença entre as “entradas” constantes dos extratos bancários e “receitas” correspondente a um ingresso que gera acréscimo patrimonial a impugnante cita doutrina e esclarece, com base em exemplo numérico, o modus operandi do contribuinte. 22. Eis que surge a peculiaridade do ato praticado pela IMPUGNANTE, qual seja, os valores creditados na conta de depósito bancário n° 115.3721, do Unibanco (Agência 262) e n° 8.716.5974, mantida junto ao Banco Real (Agência 0159), no ano de 2005, que ingressaram a título precário e temporariamente em seu caixa, sem trazerlhe qualquer incremento patrimonial (= mero ingresso financeiro), por não corresponder a um fato signo presuntivo de sua riqueza, isto é, capaz de servir de base dimensivel do IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e Contribuição para Seguridade Social (INSS), não foram escriturados nem tampouco declarados. 23. Significa dizer: meras entradas de caixa voltadas à recuperação de valores despendidos em nome de terceiros (proprietários que deixavam suas Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 290 8 motocicletas em sistema de consignação) não são “receitas”, ao revés, são valores que não implicam modificação no patrimônio de quem os recebe, de modo a não configurar, no altiplano do Sistema Tributário Nacional, qualquer “fato signo presuntivo de riqueza”. 24. Por oportuno, nunca é demais ressaltar que o contribuinteautuado dedicase, essencialmente, à exploração do ramo de comércio varejista de motocicletas. Em seu segmento comercial, é costumeiro o recebimento de motocicletas em sistema de consignação, para fins de intermediação da compra e venda. Ao concluir, a impugnante deixa claro sua divergência em relação à interpretação dos fatos dada pela autoridade fiscal, nos seguintes termos: 29. Eis que surge o vício do lançamento efetuado, pois, em boa verdade, não houve omissão (inexatidão) de escrituração de receitas, mas de meros ingressos financeiros que não traduzem “sinais exteriores de riqueza”, ou seja, que não se prestam a compor a base dimensível do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PELA EXCLUSÃO DO SIMPLES No que tange o Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 18, de 12/09/2008, que a exclui do Simples a partir de 01/01/2005, a contribuinte o considera improcedente, pois calcado em falsa premissa de excesso de receita bruta. Pelas mesmas razões apresentadas na impugnação aos lançamentos, entende que os valores entrados em suas contascorrentes não poderiam ser considerados como receita, como o fez a autoridade fiscal. Assim argumenta (fl. 225): 32. Ocorre que a autuada fora excluída de oficio do SIMPLES, com fulcro nos arts. 9°, II c/c art. 14, da Lei n° 9.317/96, e com efeito a partir de 1° janeiro de 2005, sob a premissa de que excedera o limite imposto para a receita bruta da EPP, considerandose a soma das receitas escrituradas/declarada com as receitas supostamente omitidas. 33. Eis que cresce de importância a diferença entre e “receita” e “ingresso financeiro”, para fins financeirotributário. É que todos os valores creditados na conta de depósito bancário n° 115.3721, do Unibanco (Agência 262) e n° 8.716.5974, mantida junto ao Banco Real (Agência 0159), no ano de 2005, que ingressaram a título precário e temporariamente em seu caixa, isto é, pertencentes aos proprietárioscomitentes de motocicletas deixadas em consignação para revenda, sem trazerlhe qualquer incremento patrimonial (= mero ingresso financeiro), por não corresponder a fato signo presuntivo de sua riqueza, isto é, capaz de servir de base dimensível do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, não foram escriturados, nem tampouco declarados, por não corresponderem a receitas tributáveis. 34. Significa dizer: meras entradas de caixa voltadas a repasse para terceiros (proprietárioscomitentes de motocicletas deixadas no estabelecimento comercial em regime de consignação) não são “receitas”, ao revés, são valores que não implicam modificação no patrimônio de quem os recebe, de modo a não configurar, no altiplano do Sistema Tributário Nacional, qualquer “fato signo presuntivo de riqueza”. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 291 9 Também manifesta sua inconformidade quanto à retroatividade dos efeitos da exclusão do Simples. Segundo seu entendimento, esses efeitos só poderiam surgir depois da ciência do ato administrativo excludente. Em suas palavras (fl. 226): 37. O art. 12 da Lei no 9.317/96 dispõe que “a exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio.” Ou seja, a exclusão ocorrerá no momento da opção da pessoa jurídica ou da ciência do ato administrativo excludente. 38. Desta forma, entendese que, enquanto não comunicada a pessoa jurídica, o ato declaratório executivo não tem o condão de produzir quaisquer efeitos, nem tampouco após tal cientificação o Ato Declaratório Executivo pode encampar efeito retrospectivo (retroativo), sob pena de violação aos princípios constitucionais da irretroatividade (CRFB/88, art. 150, III) e da segurança jurídica, bem como afronta ao art. 146 do Código Tributário Nacional. Por fim, requer o seguinte (fl. 227): “seja provida a presente IMPUGNAÇÃO, cancelandose os Autos de Infração relativos ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, bem como cancelado e/ou tornado sem efeito o Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ nº 18, de 12.09.2008, de forma a arquivarse o Processo Administrativo Fiscal (PAF)n° 10909.005367/2008 13.” 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 237 e 238): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA E RETROATIVIDADE DOS EFEITOS. A prática reiterada de infrações à legislação tributária autoriza a exclusão de ofício do Simples com os efeitos da exclusão operando desde o mês de observância dessas infrações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro, nos termos do inciso III, art. 530 do RIR /99. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 292 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 22/08/2013 (fls. 258 numeração digital ND), a tempo, em 28/08/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 259 a 281 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que o arbitramento, na condição de uma modalidade sui generis e extrema de lançamento de ofício, é cabível somente diante da falta de elementos indispensáveis à determinação do montante tributável ou da imprestabilidade de informações existentes e apresentadas à autoridade fiscal, não podendo ser adotado de chofre pela fiscalização; b) que não foi outorgado à empresafiscalizada o direito de opção pela forma de tributação que melhor lhe conviesse (real, presumido ou arbitrado); c) que a opção pelo lucro arbitrado foi unilateralmente imposta pelo agente fazendário, em contraposição ao direito de sua opção pelo lucro presumido, já que a empresafiscalizada não esbarra em qualquer impedimento legal aplicável à espécie; d) que a maioria das empresas comerciais e industriais faz a escrituração contábil dos Livros Diário e Razão mediante lançamentos globais mensais em relação às suas contas bancárias; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 293 11 e) que toda a movimentação financeira foi passível de identificação pela autoridade administrativa, já que, em cumprimento às solicitações fiscais, foramlhe entregues os extratos bancários do Banco Real e Unibanco; f) que, logo, não poderia a autoridade fazendária impor a tributação pelo lucro arbitrado, desde que, na falta de Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira, inclusive bancária, seja possível identificar a efetiva movimentação financeira e bancária da pessoa jurídica; g) que a opção indevida da autoridade lançadora pela tributação com base no lucro arbitrado, em vez da opção pelo lucro presumido, por exemplo, constitui fruto do arbítrio, não tolerável em matéria de lançamento, enquanto ato de “administração vinculada” ou “administração regrada”; e h) que salta aos olhos que, a partir do momento em que a legislação permite ao fisco proceder à apuração do montante devido mediante o emprego da presunção legal relativa de omissão de receita (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42), relativamente aos valores de depósitos bancários de origem não comprovada, o próprio sistema, pela via de contramão, acaba impondo a ilegitimidade do arbitramento do lucro, em subserviência à vertente da proibição do excesso, imposta pelo princípio da proporcionalidade em matéria tributária, razão pela qual a anulação do lançamento em testilha, em face do desvirtuamento da base de cálculo adotada, é medida que se impõe. Em mesa para julgamento. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 294 12 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Exclusão do Simples 4. Com relação à exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), a sua retroatividade é possível, por se tratar, no caso, de procedimento de caráter meramente declaratório, e não desconstitutivo, conforme entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos [art. 543C do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973)], de observância obrigatória por este Colegiado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...]. 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10 % de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo nº 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 295 13 excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque, em nosso ordenamento jurídico, não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...]. (REsp 1.124.507/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) 5. Não obstante, verificase que o fundamento legal dessa exclusão foi a “prática reiterada de infração à legislação tributária”, previsto no inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...]; V prática reiterada de infração à legislação tributária; 6. Em assim sendo, os efeitos da exclusão do Simples devem se fazer a partir, inclusive, do mês de ocorrência dessa prática reiterada (art. 15, inciso V, da Lei nº 9.317, de 1996): Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...]; Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 296 14 V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. 7. Ou seja, não de janeiro de 2005 (primeiro mês de cometimento da infração), mas de fevereiro de 2005, já que somente neste último mês houve novo cometimento de infração à legislação tributária (falta de escrituração de receitas, não recolhimento de impostos e contribuições devidos e apresentação de declaração zerada) a caracterizar “prática reiterada de infração à legislação tributária” (fls. 163). 8. Portanto, em janeiro de 2005, a empresa já incorreu na hipótese de infração à legislação tributária, e, no mês seguinte (fevereiro/2005), ao cometer novamente a mesma infração, incidiu na “prática reiterada da infração”. A partir desse mês, inclusive, surgem os efeitos da exclusão. 9. Dessa forma, devem ser excluídos da matéria tributável do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) os valores de R$ 331.597,28 (“omissão de receitas da revenda de mercadorias”) e R$ 23.882,13 (“omissão de receitas de comissões recebidas”), relativos ao mês de janeiro de 2005. Autos de infração 10. Afirma a Recorrente que a fiscalização teria logrado identificar e quantificar a receita supostamente omitida, oriunda de movimentação financeira. 11. Porém, uma vez identificada e quantificada essa receita, urge apurar o lucro correspondente, o qual pode ser o real, o presumido ou o arbitrado. 12. À falta de escrituração – ou, pelo menos, não apresentada esta, como no presente caso – não é possível a apuração do lucro pelas sistemáticas real e presumida, restando, unicamente, a arbitrada (Auto de Infração do IRPJ, fls. 177): Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2005 06/2005 09/2005 12/2005 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou o livro caixa, conforme Termo de Início de Fiscalização, deixou de fazêlo. 13. Nesse sentido a decisão recorrida (fls. 248 e 249, destaque do original): [...]. O equívoco do argumento apresentado na impugnação está em se supor que, a cognoscibilidade da receita da empresa afastaria de imediato a hipótese de arbitramento. Ocorre que um dos pressupostos jurídicos para a admissão das regras do lucro arbitrado corresponde à não apresentação dos livros obrigatórios segundo a legislação fiscal, a despeito da possibilidade de se conhecer, por outros meios, a receita auferida. Portanto, irretocável o procedimento administrativo utilizado para apuração da base de cálculo a ser tributada. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 297 15 14. Por outro lado, a só falta de apresentação do Livro Caixa à fiscalização é, sim, suficiente para deflagrar o procedimento de arbitramento, já que, se habilitada a pessoa jurídica à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, nesse livro deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária da empresa, não sendo suficiente, para esse fim, a mera apresentação de extratos bancários (Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, arts. 45 e 47, sublinhouse): Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: [...]; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; [...]. Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; [...]. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. 15. Especificamente quanto aos extratos ou depósitos bancários, se é verdade que podem corresponder “a meros ingressos financeiros (= entradas) que ingressaram a título precário e temporariamente no caixa da empresa, sem trazerlhe qualquer incremento patrimonial” (fls. 271 e 276 ND, subitens 3.3 e 3.15, respectivamente), cabe a prova desse fato unicamente à Recorrente, em face da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não incompatível com o procedimento de arbitramento de lucros e posterior à superada Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR): Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 16. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 26, que não dá qualquer margem à pretendida aplicação do art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 17. Correto, portanto, o procedimento fiscal nesse ponto. Demais exigências Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10909.005367/200813 Acórdão n.º 1803002.316 S1TE03 Fl. 298 16 18. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para excluir da matéria tributável do IRPJ, da CSLL, do Pis e da Cofins os valores de R$ 331.597,28 (“omissão de receitas da revenda de mercadorias”) e R$ 23.882,13 (“omissão de receitas de comissões recebidas”), relativos ao mês de janeiro de 2005. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10580.911783/2009-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2006
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 83 /2 00 9- 75 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 82DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911783/200975 Acórdão n.º 3802003.511 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 83DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10830.011820/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2004 a 31/12/2005
DIREITO À REDUÇÃO DE 50% DE IPI. REFRIGERANTES E REFRESCOS.APLICAÇÃO DE DECISÃO FORMULADA EM PROCESSO ESPECÍFICO
Reflete no lançamento a decisão proferida em processo específico acerca do direito da aplicação do benefício de redução de 50% do IPI incidente sobre refrigerantes e refrescos nos termos da Nota Complementar (22-1).
BENEFÍCIO DA LEI Nº 11.941/09. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DEFINITIVA DO CRÉDITO.
A desistência tácita do recurso, em face do pedido de parcelamento, benefício da Lei nº 11.941/09, implica o fim da lide e a constituição definitiva do crédito tributário relativamente à matéria sobre qual ela versa.
INEXISTÊNCIA DE PROVAS. DECISÃO JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO.
Cabível o lançamento de Ofício, inclusive com a penalidade legal, em face da contribuinte definida em lei, quando nos autos inexiste provas acerca de Decisões Judiciais impeditivas do destaque de IPI nas vendas à distribuidora, e cuja ausência do destaque do IPI deu-se por conta e risco da contribuinte.
TAXA SELIC. JUROS DE MORA.
É pacífico no CARF o entendimento acerca da aplicação da taxa SELIC no cálculo de juros de mora. Aplicação da Súmula CARF nº 4 e da decisão no RE 582.461, cuja idêntica matéria foi conhecida como de Repercussão Geral.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação tributária converte-se em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento.
RO Provido e RV Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira seção de julgamento, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao item 001 e não conhecer do item 003, ambos do recurso voluntário, e pelo voto de qualidade, negar provimento quanto ao item 004 do Recurso Voluntário, nos termos do voto da Redatora designada. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, negavam provimento ao recurso de ofício e davam provimento ao item 004 do recurso voluntário. Designada a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Redatora.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó..
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2004 a 31/12/2005 DIREITO À REDUÇÃO DE 50% DE IPI. REFRIGERANTES E REFRESCOS.APLICAÇÃO DE DECISÃO FORMULADA EM PROCESSO ESPECÍFICO Reflete no lançamento a decisão proferida em processo específico acerca do direito da aplicação do benefício de redução de 50% do IPI incidente sobre refrigerantes e refrescos nos termos da Nota Complementar (221). BENEFÍCIO DA LEI Nº 11.941/09. DESISTÊNCIA TÁCITA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DEFINITIVA DO CRÉDITO. A desistência tácita do recurso, em face do pedido de parcelamento, benefício da Lei nº 11.941/09, implica o fim da lide e a constituição definitiva do crédito tributário relativamente à matéria sobre qual ela versa. INEXISTÊNCIA DE PROVAS. DECISÃO JUDICIAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Cabível o lançamento de Ofício, inclusive com a penalidade legal, em face da contribuinte definida em lei, quando nos autos inexiste provas acerca de Decisões Judiciais impeditivas do destaque de IPI nas vendas à distribuidora, e cuja ausência do destaque do IPI deuse por conta e risco da contribuinte. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. É pacífico no CARF o entendimento acerca da aplicação da taxa SELIC no cálculo de juros de mora. Aplicação da Súmula CARF nº 4 e da decisão no RE 582.461, cuja idêntica matéria foi conhecida como de Repercussão Geral. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 18 20 /2 00 8- 73 Fl. 4324DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.068 2 A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação tributária convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento. RO Provido e RV Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao item 001 e não conhecer do item 003, ambos do recurso voluntário, e pelo voto de qualidade, negar provimento quanto ao item 004 do Recurso Voluntário, nos termos do voto da Redatora designada. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, negavam provimento ao recurso de ofício e davam provimento ao item 004 do recurso voluntário. Designada a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Redatora. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente); Fabíola Cassiano Keramidas, , Alexandre Gomes, Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.. Relatório Os autos foram objeto de análise preliminar prévia, através da qual requeri me fosse distribuído processo a ele relacionado para que pudesse realizar o julgamento conjunto dos casos. Desta feita, sirvome do relatório apresentado anteriormente, no Despacho em que solicitei a distribuição dos autos relacionados, para melhor descrição do objeto do presente, verbis: “Tratase de Auto de Infração (fl. 05/20), lavrado para constituição de créditos de IPI relativos ao período de 10/01/2004 a 31/12/2005. O lançamento dividese em 04 itens distintos, sendo eles: 001 – Constituição de créditos de IPI em razão de destaques a menor, do imposto, nas notas fiscais de saída de refrigerantes, por suposto descumprimento de requisito necessário ao gozo da redução de 50% do IPI, permitida pela Nota Complementar 221 da TIPI/02. Em relação a este item a fiscalização esclarece Fl. 4325DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.069 3 no Termo de Verificação Fiscal (fls. 38/69), que seria requisito exigido pela legislação para gozo da redução do IPI, em tela, a obtenção prévia de uma declaração da Receita Federal, reconhecendo que o produto atendia aos requisitos de gozo do benefício. Segundo informações do TVF o pedido efetuado pela Recorrente, para edição do referido Ato Declaratório foi indeferido, nos autos do processo administrativo nº 13009.000380/200486. O despacho proferido naqueles autos (fls. 147/148) negou o direito à redução, e a expedição do referido Ato Declaratório, por não ter a Recorrente comprovado sua regularidade fiscal, descumprindo, assim, o requisito estabelecido pelo artigo 60 da Lei nº 9.069/95. 002 – Constituição de crédito de IPI correspondente a créditos apurados pela Recorrente, em virtude do mandado de segurança nº 2003.61.05011469, por ela ajuizado para garantir o direito à apuração de créditos sobre aquisição de insumos tributados à alíquota zero, isentos e/ou não tributados. Segundo esclarecido no TVF, após decisão que negou a segurança, proferida pelo Tribunal Regional Federal, a fiscalização promoveu a glosa dos créditos que haviam sido apurados pela Recorrente (suportada em liminar e sentença favoráveis), por entender que os Recursos Especial e Extraordinários interpostos pela Recorrente não possuíam efeito suspensivo, o que autorizaria a glosa e constituição do crédito. 003 – Constituição de créditos de IPI relacionados à saídas sem destaque do imposto, com destino à distribuidoras das bebidas fabricadas pela Recorrente (empresa Bella Bebidas Litoral LTDA.). A distribuidora ajuizou medida judicial visando afastar a aplicação de pauta fiscal, na cobrança do IPI (ação ordinária nº 2002.50.01.0098979), obtendo tutela antecipada e sentença favorável, porém suspendendo a obrigação dos fornecedores de promover o destaque do IPI somente na tutela antecipada, não confirmada na sentença. 004 Constituição de créditos de IPI relacionados às saídas sem destaque do imposto, com destino à distribuidoras das bebidas fabricadas pela Recorrente (empresa Italian Comercial e Distribuidora LTDA), que ajuizou medida judicial visando à não aplicação da pauta fiscal em suas operações. Em sua Impugnação (fls. 1.354/1.399), a Recorrente alega, em síntese que: para aproveitamento da redução de 50% do IPI, questionada no item 001 da autuação, a ausência de prévia de declaração da RFB, reconhecendo seu direito, não impedia o gozo da redução do imposto, porque os efeitos de tal ato eram meramente declaratórios e não constitutivos de seu direito. Seu direito estaria garantido pelo cumprimento dos requisitos da redução, quais sejam, a classificação fiscal no item beneficiado e o atendimento a padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura. Assim, tendo aquele Ministério registrado os produtos da Recorrente, como o produto indicado na classificação beneficiada, constando no rótulo a qualificação do produto (refrigerante de suco de fruta natural e/ou de guaraná), faria jus ao benefício; Fl. 4326DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.070 4 requereu a realização de perícia técnica para comprovação do cumprimento dos requisitos dos produtos, para beneficiarse da redução do imposto, caso a autoridade fiscal assim entendesse necessário (indicando perito e quesitos); no que se refere à glosa dos créditos de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, apurados pela Recorrente com base no Mandado de Segurança nº 2003.61.05011469 – item 002 do lançamento – alega que há relação de prejudicialidade entre o auto de infração e a ação judicial e que, portanto, ainda que os recursos judiciais pendentes de julgamento não possuem efeito suspensivo quanto ao lançamento, deve ser sobrestado o presente feito até decisão final da esfera judicial sobre o caso; em relação aos itens 003 e 004 do lançamento a Recorrente alega que estava impedida por decisão judicial, proferida em processos dos quais sequer era parte, de promover o destaque do IPI nas saídas efetuadas para as duas distribuidoras mencionadas; quanto às remessas para a distribuidora Bella Bebidas Ltda. esclarece que embora o TRF tenha cassado a tutela antecipada que determinou que os fornecedores deixassem de destacar o IPI nas vendas para referida empresa – situação na qual se enquadrava a Recorrente – foi intimada da sentença concessiva da segurança em 19/12/2003, antes dos fatos geradores autuados. De todo modo, para ter certeza que diante da sentença deveria continuar sem destacar o IPI, questionou o Juízo sobre como proceder, e apenas em 20/01/2004 tomou ciência de despacho que esclareceu que deveria voltar a promover o destaque do IPI nas vendas para a Bella Bebidas. Tanto assim, que só há lançamento para os períodos de 10/01/2004 e 20/01/2004; no que se refere às operações realizadas com a Italian Comercial e Distribuidora Ltda. foi concedida tutela antecipada determinando que seus fornecedores se abstivessem de destacar o IPI nas vendas realizadas para tal empresa. A sentença confirmou a tutela, e o Recurso de Apelação da União foi recebido apenas no efeito devolutivo, o que confirma que a Recorrente está obrigada, por decisão judicial vigente, a não promover o destaque do IPI, objeto do lançamento; adicionalmente, em ambos os processos judiciais, restou claro nas decisões proferidas que os fornecedores das autoras não seriam responsabilizados pelo não do recolhimento do IPI, fundado nas respectivas decisões judiciais, de modo que, ainda que houvesse qualquer imposto a ser cobrado, deveria sêlo diretamente dos clientes da Recorrente e não dela própria, na medida em que, só deixou de promover o recolhimento amparada em decisão judicial que assim determinava. Ademais, sequer haveria meio de promover o destaque do imposto em notas fiscais que há muito foram emitidas, repitase, corretamente, sem o destaque, por conta de decisão judicial que assim determinava. Tratase de questão de preclusão e coisa julgada – na medida em que o Fisco não pode pretender responsabilizar a Recorrente, quando as decisões judiciais determinaram especificamente que assim não poderia proceder – e de segurança jurídica, pois a Recorrente não pode ser responsabilizada por imposto que deixou de destacar e recolher, por ordem judicial, em benefício de terceiros Fl. 4327DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.071 5 (autores das medidas judiciais), sob pena de ser ilegalmente responsabilizada por atos destes terceiros; finalmente alega ser ilegal a exigência de juros de mora e multa, na hipótese de mantida a autuação no que se refere à falta de destaque do IPI nas vendas para as distribuidoras (itens 003 e 004 do lançamento), pois a Recorrente jamais esteve em mora, mas sim cumprindo decisão judicial que lhe impedia promover o destaque e recolhimento do imposto; questiona, ainda, a aplicação da Taxa SELIC como índice de juros de mora. Sobreveio petição da Recorrente, em 31/03/2009 (fls. 2.921/2.923) na qual expressamente desiste da discussão a respeito dos valores lançado com base no item 002 do auto de infração, pois realizaria seu pagamento por meio de parcelamento.” A DRJ em sua decisão manteve parcialmente o lançamento (fls. 2.955/2.967 Volume 15), conforme ementa a seguir transcrita verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DESISTÊNCIA PARCIAL DE IMPUGNAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. A desistência parcial da impugnação, expressa pelo contribuinte, implica o fim da lide e a constituição definitiva do crédito tributário relativamente à matéria sobre qual ela versa. REDUÇÃO DO IPI. CONDIÇÃO. O gozo da redução de 50% do IPI, a que se refere a NC 221 da TIPI, depende de prévia declaração da Receita Federal do Brasil. PROCESSO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA DURANTE A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Comprovado que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa antes do início da ação Fiscal é forçoso concluir que se aplica ao caso o disposto no artigo 63 e parágrafos da Lei n° 9.430/96. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Lançamento Procedente em Parte” A DRJ reconheceu que o item 002 não faz mais parte da discussão, e que deveria ser cancelada a multa de ofício lançada sobre os valores que não Fl. 4328DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.072 6 foram destacados pela Recorrente nas vendas efetuadas para a ITALIAN COMERCIAL, pois havia decisão judicial determinando que a empresa assim procedesse. Contudo, entendeu possível o lançamento para evitar a decadência (cancelando, portanto, apenas a multa de ofício lançada sobre tais valores). Em virtude do valor exonerado, foi apresentado Recurso de Ofício. Em seu Recurso Voluntário (fls. 3.000/3.050 – Volume 16) a Recorrente reiterou os fundamentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que é ilegal a aplicação de juros sobre as multas lançadas, acrescidos nos cálculos decorrentes da decisão recorrida (matéria não tratada na impugnação, porque tais juros não foram aplicados sobre a multa no auto de infração), seja por ausência de previsão legal (o art. 61 da Lei nº 9430/96, ao fazer referência à atualização do débito referese apenas ao principal), seja porque só foram acrescidos após a decisão da DRJ (e não originariamente no auto de infração), o que ofenderia o princípio da revisão das decisões. Vieram me então, os autos para decisão.” Na ocasião solicitei a distribuição dos autos do Processo Administrativo n° 13009.000380/200486, pois referido processo cuidava da questão do aproveitamento do benefício fiscal de IPI objeto do item 001 da autuação ora sob análise. O Processo foi a mim distribuído, incluído na pauta de julgamento da sessão de maio de 2013 e julgado na sessão de junho de 2013 (acórdão 3302002.157), tendo sido a conclusão do julgamento pela manutenção do auto de infração por voto de qualidade. Em 28 de janeiro de 2014, a Recorrente peticionou informando ter aderido ao parcelamento da Lei nº 11.941/09, cujo prazo foi reaberto pelo artigo 17 da Lei nº 12.865/13, tendo incluído no referido parcelamento parte dos valores devidos, em síntese incluiu na anistia os valores referentes ao Item I do auto de infração e parte do Item III, no que se refere às saídas de produtos para a empresa Bella Bebidas Litoral Ltda. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora Os recursos atendem os pressupostos de admissibilidade razão pela qual deles conheço. Conforme relatado tratase de Recurso de Ofício, interposto pela autoridade administrativa competente em razão da desoneração da multa imputada à operação realizada com a empresa Italian Comercial e Distribuidora Ltda. (“Italian”); e de Recurso Voluntário apresentado em virtude da manutenção do restante do auto de infração. (A) RECURSO DE OFÍCIO Dos termos relatados constatase que o v. acórdão recorrido concluiu pelo cancelamento do auto de infração na parte em que se refere à multa de ofício (75%) incidente sobre o IPI não destacado nas operações realizadas com a empresa Italian. De acordo com a decisão recorrida, a medida judicial que impediu a Recorrente de realizar o destaque do IPI nas Fl. 4329DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.073 7 operações com a empresa Italian, à época dos fatos, estava válida, vigente e eficaz e, portanto, a ação do contribuinte estava respaldada em decisão judicial, o que justificou o cancelamento da multa instituída pelo auto de infração neste particular. Com razão a decisão recorrida. A decisão argumentou pelo cancelamento da multa com base no argumento de que seria caso de constituição de crédito tributário para fim de evitar a decadência, haja vista a decisão judicial. Na hipótese de o tributo poder ser constituído contra a Recorrente, premissa adotada pela decisão recorrida, dada a existência de decisão judicial válida e eficaz é exatamente esta a conseqüência esperada, a constituição do tributo para evitar a decadência do direito do Fisco. Logo, com razão a decisão recorrida. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício apresentado, mantendo a decisão recorrida neste particular. (B) RECURSO VOLUNTÁRIO Os autos de infração, na parte mantida, tratam de autuação de IPI fundada em diversos motivos distintos, razão pela qual, para melhor análise do caso, passo a considerar cada um dos itens da autuação separadamente (exceto o item 002, em relação ao qual já houve desistência expressa da discussão administrativa – fls. 2.921/2.923). ITEM 001 BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE 50% DO IPI De acordo com a autuação fiscal constatase que parcela do valor objeto do lançamento se refere a IPI que teria deixado de ser recolhido – indevidamente segundo a fiscalização – em virtude da aplicação da redução de 50% do valor do imposto, permitida pela Nota Complementar 221 da TIPI/02. O Fisco entende que a Recorrente teria de ter obtido prévia declaração da Receita Federal, o que a autorizaria a aplicar a redução; enquanto a Recorrente alega que tal declaração não é imprescindível para a utilização da redução pois não constitui seu direito, apenas o declara, reconhecendoo como existente. Esta distinção (efeito declaratório x efeito constitutivo) é o ponto fulcral da questão sob análise. Registrase que a análise do direito da Recorrente de aplicar ou não referido benefício fiscal foi objeto de outro processo administrativo, qual seja, o Processo Administrativo nº 13009.000380/200486. Neste sentido, é inócua a discussão nestes autos quanto ao direito da Recorrente de aproveitar o benefício fiscal, pois deve ser respeitada a decisão a ser proferida nos autos que cuida exclusivamente desta questão. Referido processo foi levado a julgamento por mim na sessão de maio de 2013 desta Turma. Na ocasião verificouse que a DRJ já havia reconhecido o direito da Recorrente à aplicação do benefício fiscal, restando apenas um ponto pendente de litígio, para ser solucionado por este Tribunal: a partir de quando a Recorrente faria jus à aplicação do benefício. A discussão era se a Recorrente já poderia aproveitar a redução do IPI desde o momento em que cumpriu os requisitos de gozo do benefício (verificados pelo Ministério da Agricultura – em 16/10/2001), ou se apenas a partir do momento em que protocolou perante a Receita Federal informação sobre seu direito (reconhecido pelo Ministério da Agricultura – em 28/05/2004). Fl. 4330DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.074 8 Neste ponto, de se destacar que foi objeto da autuação fiscal discutida nos autos do presente processo o período de 10/01/2004 a 31/12/2005. Portanto, não há dúvida – independentemente do resultado final proferido nos autos do Processo Administrativo n° 13009.000380/200486, que para o período de 28/05/2004 em diante, a Recorrente tinha direito ao beneficio fiscal, razão pela qual, é imperioso reconhecer a improcedência do lançamento tributário para o período após 28/05/2004, posto que se trata de matéria incontroversa. No tocante ao período controverso nestes autos – de 10/01/2004 a 28/05/2004 – me manifestei (nos autos do Processo Administrativo n° 13009.000380/200486, do qual também fui relatora) no sentido de reconhecer o direito do contribuinte aproveitar o benefício desde que regularmente cumpridos – e verificado o cumprimento – dos requisitos para o gozo da vantagem fiscal. Vale dizer, naqueles autos manifestei meu entendimento de que desde 16/10/2001, a Recorrente fazia jus ao aproveitamento do benefício fiscal em tela, razão pela qual votei pelo cancelamento integral do lançamento ora sob análise, na parte que se refere ao aproveitamento do benefício de redução de 50% do IPI – item 001 da autuação. No entanto, por voto de qualidade, meu voto naqueles autos tornouse vencido, tendo sido mantido o entendimento de que a Recorrente apenas faria jus ao aproveitamento do benefício a partir da data do protocolo perante a Receita Federal do Brasil, ou seja, a partir de 28/05/2004. Neste sentido, ressalvada minha posição pessoal (acima exposta), seria o caso de manutenção parcial do auto de infração, em razão da aplicação do benefício apenas a partir de 28/05/2004. Todavia, de acordo com petição protocolada em janeiro/14, não há mais litígio em relação a este período do auto de infração, uma vez que o contribuinte optou por incluílos no REFIS (Lei nº 11.941/09). Ante o exposto, aplico após o período de 28/05/2004, a decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 13009.000380/200486 e reconheço a inexistência de controvérsia no período anterior, mantendo o auto de infração neste particular em vista da adesão da Recorrente ao REFIS, ressaltando a suspensão da exigibilidade deste débito enquanto pendente o parcelamento. ITEM 003 – IPI NÃO DESTACADO VENDAS EFETUADAS PARA BELLA BEBIDAS – MEDIDA JUDICIAL Conforme relatado, este item está relacionado a processo judicial movido pela empresa Bella Bebidas (“Bella”), cliente da Recorrente, na qual esta requereu autorização judicial para que não lhe fosse retido o valor que seria devido a título de IPI. A discussão em relação a este item tornouse irrelevante porque a Recorrente incluiu os débitos aqui exigidos na anistia REFIS (Lei nº 11.941/09), o que tornou a matéria prejudicada. Logo, reconheço a inexistência de controvérsia em relação a este item, mantendo o auto de infração neste particular em vista da adesão da Recorrente ao REFIS, ressaltando a suspensão da exigibilidade deste débito enquanto pendente o parcelamento. ITEM 004 – IPI NÃO DESTACADO VENDAS EFETUADAS PARA ITALIAN – MEDIDA JUDICIAL Fl. 4331DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.075 9 Em relação a este item do auto de infração, tratase de lançamento de IPI referente a operações cujo imposto não foi recolhido em razão de medida judicial ajuizada pelo adquirente dos produtos, na qual foi proferida decisão que determinou que a Recorrente se abstivesse do destaque e pagamento do IPI nas operações ocorridas com a empresa Italian Comercial e Distribuidora Ltda. (“Italian”). Conforme se verifica dos autos, a empresa Italian propôs ação ordinária (fls. 2092/2122 – Vol XI) no 2002.50.01.0098943, por meio da qual requereu a declaração de inconstitucionalidade da exigência do IPI com base em pautas fiscais, tendo obtido decisão antecipatória favorável ao seu pleito em 19/12/02, verbis: Decisão Antecipação da Tutela fls. 2130/2133 (Vol XI) “Posto isto, DEFIRO, EM PARTE, A MEDIDA REQUERIDA, para determinar à União Federal que se abstenha de exigir da demandante o pagamento do IPI com base em valores pré determinados em "pautas fiscais". Quanto à extensão dos efeitos desta medida ao estabelecimento filial da autora, nos termos requeridos no pleito antecipatório, condicionoa à apresentação do respectivo CNPJ, tendo em vista que a personalidade jurídica é uma só, mas, para fins da legislação tributária federal, cada estabelecimento é um contribuinte autônomo. Oficiese às empresas fornecedoras declinadas no rol que acompanha a exordial para que observem o presente decisum nas relações que mantiverem com a demandante.” destaquei Por meio de ofício de mesma data – 19/12/02 – a Requerente foi intimada da decisão favorável, bem como de que estava proibida de proceder ao destaque do IPI na nota fiscal, a saber: “OFÍCIO N": 1332/2002 Ilustríssimo(a) Senhor(a), De ordem do Excelentíssimo Senhor, DOUTOR MACÁRIO RAMOS JÚDICE NETO, MM. Juiz Federal da 3' Vara da Seção Judiciária do Espírito Santo, remeto, em anexo, cópia da DECISÃO, concessiva de liminar, proferida no bojo dos autos do ptocesso n°. 2002.50.01.0098943 (ORDINÁRIA / TRIBUTÁRIA), Movido por(la) ITALIAN AUTO GÁS LTDA em face da UNIÃO FEDERAL, informando a Vossa Senhoria, que a mesma através de seu estabelecimento (matriz), está desobrigada de recolher o imposto sobre produtos Industrializados IPI, incidente sobre os produto que a mesma adquirir, estando vedado à União Federal/Fazenda Nacional, qualquer ato no sentido de serem exigidos os valores de IPI sobre as Compras a serem realizadas a partir da ciência do presente Ofício, devendo essa empresa fornecedora não destacar nas notas fiscais de venda o valor do IPI e fazer constar das mesmas a menção, ao presente Ofício, devendo, tão somente, informar, ao final de cada período de apuração, à autora, o valor do tributo que a mesma ficar desobrigada de suportar, ficando essa empresa Fl. 4332DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.076 10 fornecedora isenta de qualquer responsabilidade perante a Receita Federal sendo a mencionada autora a única responsável pelo tributo; caso venham a sucumbir na ação.” Nos autos do mencionado processo judicial, a Cervejaria BELCO apresentou petição (fls. 2172/2173 – Vol XI) tratando da ordem recebida versus a sua posição de substituta tributária, tendo o magistrado em 28/01/03, decidido os questionamentos da seguinte forma (fls. 2174/2178 – Vol XI): “Não obstante o teor da decisão por mim proferida ser absolutamente claro quanto ao entendimento dos Tribunais a propósito da invalidade Pauta Fiscal para efeito de tributação do IPI, tal qual se encontra atualmente prevista em lei, observo ser necessário disciplinar em que medida as empresas fornecedoras da autora, enquanto contribuintes de direito, respondem pela eventual dívida fiscal para a hipótese de a autora vir a sucumbir na presente demanda. (...) “No entanto, devese ter em conta que, não obstante os fornecedores das autoras, enquanto contribuintes de direito; no plano do direito material, respondam pela dívida fiscal em relação à etapa de incidência do IPI, "ora questionada tal responsabilidade somente prevalecerá para a hipótese de deliberada e voluntariamente não cumprirem o seu múnus, ou seja, o seu poder de destacar das notas fiscais de Venda o IPI. Já para a hipótese na qual tal destaque não se verifique em razão de uma ação judicial do contribuinte de fato, em cujo âmbito se pleiteia e obtém uma ordem dirigida ao fornecedor para que não destaque o tributo em virtude de haver o juízo vislumbrado ilegalidade na exação, tal qual alegado, por certo que a responsabilidade pela dívida fiscal fica, como ficará, afastada para os contribuintes de direito, vigendo, no plano processual, a responsabilidade objetiva do demandante pelo resultado da demanda (art 574, CPC), significando dizer que somente a autora responderá integralmente pela dívida tributária caso a tutela antecipada não venha a ser mantida até o juízo final. O art. 574 do CPC é elucidativo, porquanto a antecipação de tutela está mais para a execução do que para o plano do conhecimento ou cautelar, pois se cuida de execução para segurança e não segurança para execução, no dizer do saudoso Pontes de Miranda. Entre os prejuízos que o Fisco poderá cobrar está a divida tributária e seus consectários, não sendo justo e legítimo impor ao fornecedor a responsabilidade em razão do resultado da demanda incoada pelo contribuinte de fato, na medida em que a jurisprudência vem reconhecendo a legitimidade deste último para tanto, em virtude do princípio da repercussão. A meu sentir os contribuintes de direito, vale dizer, os respectivos fornecedores somente poderiam, ou poderão, ser responsabilizados em razão de eventual conduta omissiva sua, resultante do nãorecolhimento voluntário, parcial e/ou integral do tributo, no exercício do seu poder de destacar o IPI, mas jamais em razão de cumprirem uma decisão judicial, Fl. 4333DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.077 11 carreando a autora para sim toda a responsabilidade objetiva pelo resultado da demanda. Fica, pois, mantida a ressalva constante dos ofícios expedidos e dos que ainda o serão quanto ao fato de a autora ser a única responsável pelo resultado fiscal pelo fato da sucumbência eventual da demanda.” (destaquei) Mesmo raciocínio consta da sentença proferida em 16/12/2003 (fls. 2379 – Vol.XII a fls. 2408 – Vol.XIII), que da seguinte forma dispõe: Fls. 2383 “Não há dúvidas de que na hipótese de o nãorecolhimento do IPI se dar por ato exclusivamente imputável ao contribuinte de direito este responderá perante o Fisco. Mas caso eventual não pagamento do tributo ou pagamento em valor menor ao exigido pela Administração Tributária se dê em virtude de questionamento do contribuinte de fato, como as autoras, obtendo uma ordem judicial, por certo a responsabilidade tributária do contribuinte de direito fica afastada, não podendo a União, como na hipótese do IPI, acionar o contribuinte de direito, no futuro, diante de eventual insucesso na demanda incoada. Esse fenômeno se dá, não obstante a posição de devedor do contribuinte de direito, em razão do princípio da responsabilidade objetiva do demandante, prevista no art. 574 do CPC.” destaquei A Recorrente foi devidamente intimada da sentença por meio do OFÍCIO N° 00.0003.0001864/2004 – DS (fls. 2135 –Vol. XIII), O lançamento originalmente foi feito com cobrança de multa, devidamente cancelada pela DRJ em virtude do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do imposto – tendo sido mantido apenas para prevenir a decadência. Neste aspecto, percebese que a v. decisão recorrida reconheceu a existência da ação judicial, bem como os efeitos das decisões vigentes à época, consta dos autos (fls. 2540 – Vol. XIII; fls. 2622 – Vol. XIX) que o recurso de apelação da União Federal teria sido recebido sem efeito suspensivo, apenas em seu efeito devolutivo. Da análise dos fatos resta evidente que a Recorrente deixou de realizar a retenção do tributo por determinação judicial, em estrito cumprimento de ordem emanada pelo Judiciário. Se estivéssemos atuando no âmbito do direito penal, tratarseia da aplicação do princípio de inexigibilidade de conduta diversa, ante a total impossibilidade do Recorrente adotar outra conduta que não aquela que lhe foi determinada pelo judiciário. Inclusive, este é o ponto convergente entre Recorrente e decisão recorrida, na qual mantevese o auto de infração apenas para o fim de evitar a decadência. Uma vez que já neguei provimento ao Recurso de Ofício, resta analisar se, a despeito das decisões judiciais mencionadas, é possível a manutenção do auto de infração contra a Recorrente. Entendo que não. Explico. É fato que, em um primeiro momento, apenas a Recorrente poderia ser impelida ao pagamento do IPI sob análise, tendo em vista ser contribuinte de direito da exação Fl. 4334DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.078 12 em comento, responsável direto pela retenção do tributo. Vale dizer, o lançamento não poderia, a princípio, ser direcionado à Italian, a despeito desta ser contribuinte de fato do IPI. Aqui mister se faz analisar de forma mais detalhada as obrigações impostas ao contribuinte de fato e de direito da obrigação tributária em comento, em especial no que tange a sistemática de incidência e recolhimento do IPI. É indiscutível que a capacidade contributiva do imposto relacionase com o contribuinte de fato, que é quem suporta ônus tributário. É no patrimônio deste que o tributo repercute, por esta razão que é o legitimado à repetição do indébito, nos termos do art. 166 do CTN. Neste aspecto, sigo o entendimento do Professor Marco Aurélio Grecco, proferido no parecer apresentado pela Recorrente no presente julgamento, no sentido de que, no âmbito IPI, a relação jurídica tributária tem no contribuinte de fato o verdadeiro destinatário da norma legal de incidência1. O industrial – Recorrente – vinculase ao fato gerador do imposto (evento ligado ao produto industrializado) pessoal e diretamente, o que permite sua qualificação formal de contribuinte, mas sua posição é instrumental da arrecadação de um imposto que capta a capacidade contributiva manifestada pelo adquirente. Pareceme claro que ao contribuinte de direito é dado o papel de operacionalizar a cobrança do tributo, em princípio realizando o lançamento do imposto e, a seguir, exigindo dois valores do contribuinte de fato (a) o preço do produto e (b) o valor do imposto. O primeiro para si, o segundo para o Fisco. O contribuinte de direito, portanto, age como um agente arrecadador do imposto – age no interesse do Fisco, recolhendo o imposto que, de fato, é devido por seu cliente, a quem transfere o ônus do IPI. Não há dúvidas, por tudo que já se estudou e discutiu na doutrina e na jurisprudência, de que o valor do IPI, destacado no documento fiscal, não se configura receita do industrial (o próprio destaque na nota fiscal, com a exclusão do campo de incidência do PIS e da COFINS – incidentes, estes sim, sobre a receita – confirmam tal assertiva). Tratase, claramente, de imposto cujo ônus é do adquirente do produto. A dinâmica do recolhimento do IPI evidencia, portanto, que o industrial instrumentaliza a cobrança e recolhimento do imposto devido pelo contribuinte de fato, adquirente do produto. Claras estas premissas, necessário voltarmos o olhar para as obrigações propriamente ditas. De acordo com o defendido pelo Professor Marco Aurélio de forma clara e precisa, a obrigação jurídica imposta pela norma à Recorrente era de cobrar determinado montante de determinado adquirente, em razão de um determinado produto e no momento daquela aquisição. Diz ainda o doutrinador que o industrial tem um “poder jurídico de cobrar” exercido “no interesse e por conta do Fisco”. A conclusão do raciocínio é que esta obrigação tem que ser exercida com elementos definidos: (a) em relação a determinado contribuinte de fato; (b) em virtude de determinado produto e (c) no exato momento da venda do produto. A impossibilidade do 1 Aqui o doutrinador cita Hector Villegas in "Curso de Finanzas, Derecho Financiero y Tributario", Buenos Aires: Dapalma, 5a. edição, 1995, p. 276. Fl. 4335DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.079 13 cumprimento destes requisitos impediria, a seu ver, o cumprimento da norma em si, posta a total impossibilidade de substituição dos aspectos desta obrigação instrumental. A questão é relevante porque à época da ocorrência do fato gerador do tributo, existia decisão judicial expressamente impedindo a Recorrente de proceder à apuração, recolhimento e destaque do IPI devido pelo contribuinte de fato autor da medida judicial. A decisão judicial, para ser efetiva, obrigatoriamente teve que obstar a Recorrente do cumprimento de sua obrigação instrumental de promover a cobrança do crédito tributário. Assim, o Juízo proferiu uma decisão que atingiu – pela própria sistemática de recolhimento do tributo – tanto contribuinte de fato como contribuinte de direito. Neste aspecto questionase: a obrigação obstada pela determinação judicial poderia ser reinstituída a posteriori. Claro que não resta dúvida de que o tributo em si poderia ser lançado, ainda que posteriormente, mesmo que para o fim de evitar a decadência. A questão é se é possível exigir do contribuinte de direito a obrigação instrumental a que ela estava sujeita à época da ocorrência do fato gerador. Entendo que não. É cediço que a obrigação da Recorrente consiste em um poder de instrumentalizar a cobrança de um crédito de terceiro, no caso o Fisco. Concordo com o Professor Marco Aurélio quando diz que a instrumentalização da cobrança só pode ocorrer se estiverem presentes todos os componentes de sua formação, no sentido de que não existe adiamento ou prorrogação do exercício do poder. Não é possível exigir que o contribuinte de direito, à posteriori, retenha valores que há uma determinada época foram devidos pela Italian e que deixaram de ser recolhidos por decisão judicial ocasionada pela própria Itálian. A relação jurídica que originou a exigência não existe mais, assim como não há mais momento para a realização da retenção. Inclusive, à época dos fatos pode ate ser que a Recorrente não tivesse mais qualquer relação comercial com a Italian. Em decorrência da sistemática de apuração do IPI, o contribuinte de direito – industrial – só pode recuperar o tributo cujo ônus é do contribuinte de fato – adquirente – no momento em que promove o faturamento do produto tributado. O recolhimento é antecipado, mas o momento de recuperar este imposto – frente o verdadeiro contribuinte – é o momento do faturamento. Se por determinação judicial o industrial estava impedido de promover o recolhimento (e, por conseguinte, não havia quantia nenhuma a recuperar a cada faturamento que emitia contra o autor da medida judicial), na hipótese de reversão da decisão judicial que suspendeu a obrigação principal do contribuinte de fato/adquirente, não há meios de se reverter os efeitos que atingiram o industrial. A obrigação do industrial, de recolher antecipadamente o imposto e cobrálo do adquirente do produto, não poderia ser restabelecida – nem mesmo pelo Juízo da causa simplesmente porque ele (o industrial) não teria como recuperar esse tributo. Admitir outra opção seria converter o ônus tributário para o contribuinte de direito o que implicaria, por sua vez, em uma distorção da regra matriz tributária, segundo a qual é do adquirente do produto o ônus do IPI. Conseqüentemente, essa distorção transformaria o contribuinte de direito em contribuinte de fato o que ofende a legislação tributária que não prevê a incidência nestes termos. Ademais, o artigo 811 do Código de Processo Civil, na intenção de evitar situações semelhantes, determina que o autor da demanda judicial é responsável pelos Fl. 4336DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.080 14 prejuízos que a execução da medida liminar causar ao Réu, in casu, o Fisco. Exatamente nesta linha de raciocínio está a Solução de Divergência da COSIT no 27/02, que foi anexada aos autos no Recurso de Impugnação, na qual a Receita Federal posicionase pela impossibilidade de exigirse o tributo do terceiro – industrial – que não moveu a ação judicial. Entendo, portanto, quem em virtude das decisões judiciais proferidas no caso concreto, dos efeitos destas decisões e da estrutura e sistemática de apuração do IPI, seria impossível manter o lançamento sob análise, na medida em que ele modifica a própria regra matriz do IPI, na medida em que transforma o contribuinte de direito em contribuinte de fato. Tal conclusão se fundamenta, em especial, no fato de que o recolhimento deixou de ser promovido por expressa ordem judicial, a qual não pode, caso revertida, vir a prejudicar a Recorrente, que deixou de cumprir sua obrigação de recolhimento do imposto cujo ônus era do autor da medida judicial, em cumprimento ao que antes dispôs o Juízo da causa. Adicionalmente, pareceme que o procedimento que poderia, no limite, ser adotado pela autoridade fiscal, seria o cancelamento dos créditos dos insumos, contabilizados pela Recorrente. Jamais a constituição do crédito tributário supostamente devido na saída do produto, sob pena de ofensa à regra matriz e à condição do industrial de contribuinte de direito (mero instrumentalizador do cumprimento da obrigação principal, que cabe ao contribuinte de fato – adquirente dos produtos). No entanto, a fiscalização incorreu em equívoco ao promover a constituição do credito tributário contra a Recorrente, quando deveria apenas promover o cancelamento dos créditos escriturais contabilizados. Diante do exposto, conheço dos Recursos de OFÍCIO e VOLUNTÁRIO para o fim de (A) NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e, em relação ao (B) Recurso Voluntário, julgálo PARCIALMENTE PROCEDENTE para (i) em relação ao item 001, cancelar o lançamento dos valores relacionados a fatos geradores ocorridos após 28/05/2004, pois sem fundamento jurídico; (ii) em relação ao item 003, reconhecer que a adesão à anistia prejudicou a análise do recurso; (iii) em relação ao item 004, cancelar a autuação vez que entendo que houve a conversão do contribuinte de direito em contribuinte de fato, e que tal providência tornaria impossível a recuperação do ônus tributário envolvido. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora Voto Vencedor Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Como relatado, tratamse de Recurso de Ofício interposto pela 2ª Turma da DRJ/RPO no Acórdão 1423.296 e de Recurso Voluntário em face do mencionado Acórdão, naquilo em que foi mantido pela DRJ/RPO. Fl. 4337DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.081 15 O Recurso de Ofício foi interposto em face de a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa ter exonerado parcialmente o crédito tributário, referente à exclusão da Multa de Ofício de 75% constante do lançamento efetuado no item “004 IPI Não destacado – Vendas Efetuadas para Italian – Medida Judicial”, por ter aquela autoridade julgadora entendido que estava a empresa Italian Comercial e Distribuidora Ltda, acobertada por medida liminar impeditiva de exigência do pagamento de IPI e, em conseqüência, a Fazenda Pública, por força da decisão judicial, estaria proibida, naquela ocasião, de exigir o pagamento de IPI, bem como, de aplicar a multa de oficio punitiva à autuada. Excedido o limite de alçada, o acórdão submeteuse à remessa de oficio nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972, art. 34, 1, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 dezembro de 1997, art. 67, combinada com a Portaria MF n° 375, de 7 de dezembro de 2001, art. 2° e, portanto, deve ser objeto de análise deste colegiado. O Recurso Voluntário, por sua vez, é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em face da desistência parcial da impugnação, expressamente formulada pela contribuinte, antes de ser prolatada a decisão da DRJ, em relação à infração 02 do auto de infração atinente aos créditos indevidos de IPI, no período de julho de 2004 a dezembro de 2005, relativos à aquisição de materiais não tributados, tributados à alíquota zero ou isentos de IPI, cujo crédito tornouse definitivo, o recurso voluntário abrangeu inicialmente apenas as infrações constantes dos itens a seguir identificados: ITEM 001 BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE 50% DO IPI ITEM 003 – IPI NÃO DESTACADO VENDAS EFETUADAS PARA BELLA BEBIDAS – MEDIDA JUDICIAL ITEM 004 – IPI NÃO DESTACADO VENDAS EFETUADAS PARA ITALIAN – MEDIDA JUDICIAL Vejamos cada uma delas. ITEM 001 BENEFÍCIO DE REDUÇÃO DE 50% DO IPI No Termo de Verificação Fiscal, o autuante, acerca desse item de infração, efetua a seguinte ressalva: “XI) Apesar do contribuinte não ter apresentado qualquer documentação adicional, conforme explicado no item VIII), constatamos que o contribuinte protocolizou m 28/05/2004 (Folhas 147/154),o processo administrativo 13009.000380/2004 86 no qual pleiteou a redução da alíquota do IPI de que dispõe a Norma Complementar NC (221) da TIPI de 2002, mas teve o seu pedido indeferido (Folhas 147/148).” Contudo, conforme relatado acima pela Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas, a análise do direito da Recorrente de aplicar ou não o benefício fiscal de redução de 50% do IPI incidente sobre refrigerantes e refrescos nos termos da Nota Complementar (22 Fl. 4338DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.082 16 1), incluída na Tabela de Incidência do IPI pelo Decreto nº 84.637, de 16 de abril de 1980, objeto do Processo Administrativo nº 13009.000380/200486, foi julgado pela Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora – MG, por meio do Acórdão nº 0924.665, no qual reconheceu o direito à redução de alíquota pleiteada, à Londrina Bebidas Ltda., no período compreendido entre 28/05/2004 a 24/09/2008, nos termos do relatório e do voto que integrou aquele julgado. Em face da inconformidade da contribuinte com a decisão acerca do prazo inicial para o gozo de referida redução de 50%, a mesma interpôs recurso voluntário. Como ressalvado pela relatora, a discussão naquele processo era se a Recorrente já poderia aproveitar a redução do IPI desde o momento em que cumpriu os requisitos de gozo do benefício (verificados pelo Ministério da Agricultura – em 16/10/2001), ou se apenas a partir do momento em que protocolou perante a Receita Federal informação sobre seu direito (reconhecido pelo Ministério da Agricultura – em 28/05/2004). Naquele processo, fui designada redatora, e o voto vencedor proferido no Acórdão nº 3302002.157, de 25 de junho de 2013, foi no sentido de manter a decisão da Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora – MG acerca dessa questão, consoante se transcreve a seguir trecho retirado daquele acórdão: “Do Objeto e os Efeitos do Ato Declaratório Administrativo Quanto ao objeto e os efeitos do Ato Declaratório Administrativo temse a registrar que os atos declaratórios executivos atinentes aos pedidos de redução de IPI de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (222) da TIPI têm como objeto, de fato, declarar tal direito à redução pleiteada, quando o Ministério da Agricultura manifestarse positivamente quanto ao cumprimento dos requisitos previstos para a concessão da redução. Entretanto, diferentemente do entendimento proferido pela relatora, por toda a análise acima posta, é de se entender pela impossibilidade de se retroagir os efeitos do ato declaratório expedido pela unidade de origem à data de registro do refrigerante no Ministério da Agricultura. Desta forma, não há motivação para se alterar a decisão proferida no acórdão nº 0924.665 pela Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora – MG” Portanto, com razão a conselheira relatora, quando neste item de infração, decide pela manutenção parcial do auto de infração, excluindo do lançamento o período a partir de 28/05/2004 a 31/12/2005, em razão do direito da aplicação do benefício de redução de 50% do IPI incidente sobre refrigerantes e refrescos nos termos da Nota Complementar (221) a partir de 28/05/2004, consoante já decidido nos autos do Processo Administrativo nº 13009.000380/200486. Ressalvese que, de acordo com petição protocolada em janeiro/14, não há mais litígio em relação ao lançamento relativo ao período mantido neste item de infração, qual seja, 01/01/2004 a 27/05/2004, uma vez que a contribuinte, ora recorrente, optou por incluílos no parcelamento REFIS (Lei nº 11.941/09). Fl. 4339DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.083 17 ITEM 003 – IPI NÃO DESTACADO VENDAS EFETUADAS PARA BELLA BEBIDAS – MEDIDA JUDICIAL Tendo a contribuinte solicitado o parcelamento do débito deste item para aproveitar os benefícios previstos na Lei nº 11.941/09, cujo prazo foi reaberto pelo artigo 17 da Lei nº 12.865/13, há desistência tácita do recurso voluntário, nos termos previstos no § 4º do Art.14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 07, de 15 de outubro de 2013. Portanto, neste item de infração, concordo com a relatora acerca de que insubsiste controvérsia, haja vista o fato de a Recorrente ter incluindo os débitos aqui exigidos em pedido de parcelamento, conforme benefícios previstos no REFIS (Lei nº 11.941/09), o que tornou a análise da matéria prejudicada. Assim, voto por não conhecer do Recurso Voluntário neste item de infração, por não mais existir litígio, tornando definitiva a decisão da DRJ. ITEM 004 – IPI NÃO DESTACADO VENDAS EFETUADAS PARA ITALIAN – MEDIDA JUDICIAL No Termo de Verificação Fiscal, o autuante afirma: “XXXIV) O contribuinte, alegando estar amparado na tutela antecipada prolatada nos autos da Ação Ordinária 2002.50.01.0098943 (Folhas 751/936), deixou de destacar o IPI nas notas fiscais de saída para os estabelecimentos da empresa ITALIAN COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA de CNPJ 04.932.008/000570 conforme demonstrado no ‘Anexo III ao Termo de Verificação Fiscal’”. A contribuinte, em sua impugnação, alega que não pode ser responsabilizada pelo IPI não destacado em virtude de ações judiciais propostas por terceiros, os quais devem arcar com o ônus decorrente de eventual reversão das decisões, já que a impugnante não foi parte nesses processos judiciais. Salienta que esse é o entendimento manifestado pela COSIT através da Solução de Divergência n° 27/2002, Processo n° 10580.009660/200204. A 2ª Turma da DRJ/RPO no Acórdão 1423.296, pelos fundamentos apresentados, mantém o lançamento do principal, mas exonera a contribuinte da multa de 75%, motivo pelo o qual, recorre de ofício. No recurso voluntário, a contribuinte, ainda inconformada, reprisa seus argumentos, afirmando que agiu nos estritos limites da determinação judicial não havendo, assim, como exigir um imposto que estava impedida de reter, posto que, segunda afirma, as decisões judiciais obtidas pelos clientes isentavam de qualquer responsabilidade a recorrente perante a Receita Federal, e como nessa parte não foram objeto de recurso, houve preclusão e coisa julgada em relação ao tema. Sem razão a recorrente, pelos motivos a seguir dispostos: !) as sentenças, quer seja a antecipatória, ou não, foram proferidas na ação judicial impetrada pela ITALIAN COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA, no PROCESSO nº 2002.50.01.0098943, com o seguinte teor: Fl. 4340DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.084 18 Fl. 2133, Volume 11, Sentença de Antecipação de Tutela: “Posto isto, DEFIRO, EM PARTE, A MEDIDA REQUERIDA, para determinar à União Federal que se abstenha de exigir da demandante o pagamento do IPI com base em valores pré determinados em "pautas fiscais". Quanto à extensão dos efeitos desta medida ao estabelecimento filial da autora, nos termos requeridos no pleito antecipatório, condicionoa à apresentação do respectivo CNPJ, tendo em vista que a personalidade jurídica é uma só, mas, para fins da legislação tributária federal, cada estabelecimento é um contribuinte autônomo. Oficiese às empresas fornecedoras declinadas no rol que acompanha a exordial para que observem o presente decisum nas relações que mantiverem com a demandante.” FL 2407, Volume 13, SENTENÇA de mérito proferida, da qual se extrai: “ 5. Do dispositivo 'Posto isso, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, a 'fim de determinar à União Federal que se abstenha de exigir da demandante o pagamento do IPI com base nas disposições contidas nas Leis n° s 7.798/89 (art. 1º , 2° e 3º ) e 8.218/91 (art. 10), ou mesmo com . base na legislação pretérita sobre o tema. JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO RELATIVO À COMPENSAÇÃO QUANTO AO TRIBUTO OUTRORA RECOLHIDO UMA VEZ NÃO DEMONSTRADA A EXIGÊNCIA DO ART.166”. (Grifos do original). Vêse, pois, que a Sentença não impede a constituição do crédito tributário em face do sujeito passivo, mas tão somente, impõe que a União federal se abstenha de exigir da demandante, no caso, a ITALIAN COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA, o pagamento do IPI Aliás,como bem ressalvou a decisão recorrida, o lançamento do imposto é necessário para prevenir a decadência e constituir o crédito tributário a ser cobrado em caso de decisão final favorável à União. E, registrese, o lançamento deve ser efetuado em face do contribuinte de direito do tributo, que, por lei, é o fabricante, fornecedor da distribuidora. 2) Apenas nos ofícios expedidos pela Secretaria, em atendimento ao pleito posterior formulado pela demandante, consta a ressalva acerca da impossibilidade de o fornecedor destacar o IPI nas vendas à impetrante. Os ofícios foram expedidos apenas para os fornecedores nominalmente mencionados pela autora. Consoante consta da Petição de fls 2212 e 2213, a ITALIAN AUTO GÁS LTDA, antiga denominação da ITALIAN COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA, emenda a inicial, nominando e qualificando seus fornecedores, citando entre eles: Fl. 4341DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.085 19 “8) CERVEJARIAS CINTRA INDUSTRIA E COMERCIO LTbA, com endereço àRua João Finazzi, 55, Mogi MirimSP; CEP 13800 146, inscrita no CNPJ sob o n º 02.125.403/000192; 9) CERVEJARIAS CINTRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, com endereço à' Rodovia Presidente Dutra, BR, 116, KM 237, Primeiro nº 02.125.403/000354;” Desta forma, o Ofício nº 1332 de fl. 2157, Volume citado pela relatora não foi dirigido à recorrente. Também, depois de proferida a decisão judicial de 1ª instância. a impetrante, consoante se constata da petição de fl 2412 e 2413, requereu a notificação dos fornecedoras que nomeia, entre elas, a cervejaria Cintra, antiga denominação da LONDRINA BEBIDAS LTDA: 4. CERVEJARIAS CINTRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA (CNPJ n° 02.125.403/000192 matriz), com endereço à Rua João Finazzi, n° 55, Mogi Mirim SP, CEP 13.800146. 5. CERVEJARIA CINTRA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA"(CNPJ n° 02.125.403/0003 54) com endereço à Rodovia Presidente Dutra, BR 116RJ, s/n, KM 237, Primeiro Distrito, Pirai — RJ, CEP 21.175000. Portanto, constatase que em tais petições não foram mencionadas a autuada, ora recorrente: LONDRINA BEBIDAS LTDA., CNPJ:02.125.403/000516, nova denominação social da então CERVEJARIA CINTRA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA Registrese que à fl 2489, Volume 13 consta decisão do juiz negando pedido de novo ofício para outra fornecedora: “Entendo que tal pretensão não merece prosperar, pois já restou oportunizado à requerente, em mais de uma ocasião, o fornecimento da relação de seus fornecedores, inicialmente às fls. 313/314, reiterado às fls. 324/325, cujo rol foi estendido através da petição de fls. 328/329, com requerimento da expedição de novos ofícios às fls. 370/371, o que foi atendido às fls. 3771384.” E, à fl 2500 nos EMBARGOS interpostos pela Italian, esta ressalta sobre a necessidade de haver a comunicação judicial aos fornecedores, posto que somente ao poder judiciário é atribuído o exercício da jurisdição: “ Contudo, no intuito de fazer valer o comando constante do decisum, necessário se faz a comunicação pelo próprio representante do Poder Judiciário aos fornecedores da Agravante. Assim, mister se faz a atuação do estadojuiz de fazer valer o direito aplicado ao caso concreto, uma vez que somente ao Poder Judiciário é atribuído o exercício da jurisdição.” (grifos do original). Portanto, não consta nos autos prova de que a autuada (LONDRINA BEBIDAS LTDA. CNPJ:02.125.403/000516, estabelecimento autônomo, contribuinte do IPI) Fl. 4342DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.086 20 recebeu ofício judicial para não destacar o IPI nas Notas Fiscais por ela emitida para a Italian. Ela o fez por sua conta e risco. 3) O TVF, às fls 53 a do Volume 1, cita que a matriz da empresa Cervejarias Cintra Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 02.125.403/000192, que desde 18/02/2004, encontra se localizada no município de Pirai/RJ, pertencente à circunscrição da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Volta Redonda/RJ, impetrou Mandado de Segurança Preventivo 2005.51.04.0014546, em face do Delegado da Receita Federal de Volta Redonda/RJ, tendo em vista a possibilidade de vir a autoridade impetrada a lançar de ofício, por meio de lavratura de Auto de Infração, o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, que deixou de ser destacado e cobrado em notas fiscais, por força de decisões judiciais (Folhas 937/990). Não obstante seja outro CNPJ da empresa e outra a autoridade coatora, os fatos são os mesmos, merecendo transcrever trechos da sentença ali prolatada, tal qual o fez o autuante: “"Não obstante, esclarece a impetrante que diversas distribuidoras com as quais mantém relações comerciais ajuizaram ações com o objetivo de ver afastada a sistemática de cobrança do IPI com base em pautas fiscais, como seria exemplo a ação declarató ria proposta em 22 de julho de 1998 e autuada sob n° 98.00073302, na qual obtiveram antecipação de tutela confirmada pelo E. Tribunal Regional Federal da 2 0 Região (Agravo de Instrumento n° 75.150/ES). Semelhante situação teria se verificado nos autos do processo n° 2002.50.01.009897 9. Prossegue afirmando que, não obstante a obrigação legal de destaque e cobrança do IPI, em razão de referidas decisões judiciais, foi oficiada pelo Poder Judiciário, a fim de que não procedesse ao destaque e cobrança do valor do IPI, na medida em que as autoras de referidas ações (distribuidoras) estariam desobrigadas do recolhimento do tributo. Assim, conclui que o não destaque do valor do IPI foi decorrência de determinações judiciais nesse sentido, cujo descumprimento pela impetrante poderia acarretar até mesmo a configuração do crime de desobediência, não podendo agora ser penalizada com a cobrança do tributo que deixou de recolher por força de decisão judicial. (...). Desta sorte, vêse com absoluta clareza que as distribuidoras de bebidas não ostentam quer a qualidade de contribuintes de direito, quer a qualidade de contribuintes de fato, circunstância esta corretamente apontada pela autoridade impetrada ao alertar acerca da impossibilidade jurídica de constituição do crédito tributário em face das distribuidoras, que não detêm a qualidade de sujeitos passivos. De tal constatação decorre naturalmente a conclusão de que, não ostentando as distribuidoras de bebida a qualidade de sujeito passivo da relação jurídicotributária em questão, não Fl. 4343DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.087 21 teriam, sob a ótica da legitimação ordinária que vigora em nosso processo civil (art. 6° do CPC),legitimidade para propor ações judiciais com a finalidade de ver afastado o destaque em notas fiscais e respectivo recolhimento do IPI Não obstante tal conclusão, o fato é que concretamente ações judiciais como estas foram propostas e nelas houve a prolação de decisões judiciais determinando à impetrante a abstenção do destaque do IPI nas notas fiscais e de sua cobrança. Tal se deu, a título de exemplo, na ação autuada sob n° 98.00073302, que teve trâmite perante a 4a Vara Federal de Vitória, na ação autuada sob n° 2002.50.01.0098979, que teve trâmite perante a 3a Vara Federal de Vitória e, ainda, na ação autuada sob o n°2002.50.01.0098943, que teve trâmite perante a 3a Vara Federal de Vitória, cujos autos estão acostados em parte e por cópia, respectivamente, a fls. 30/404, a fls. 406/681 e a fls. 697/1108 dos autos suplementares. (.) Cabe indagar, portanto, se diante do quadro jurídico descrito, é possível, reformadas as decisões judiciais em questão, voltarse o fisco contra o contribuinte de direito (impetrante), para constituição e cobrança dos créditos tributários que deixaram de ser pagos nas épocas próprias. Em outras palavras, o cerne da discussão travada nestes autos reside na resposta à indagação inicial acerca da possibilidade de,. o fisco, por meio da autoridade coatora, proceder ao lançamento e cobrança do IPI que a impetrante, na qualidade de contribuinte de direito, deixou de destacar e recolher, por força de decisões judiciais proferidas em ações judiciais nas quais não foi parte, ações essas propostas pelas distribuidoras, que não ostentam a qualidade de contribuinte de direito ou de fato. 4r (.) Em síntese, entendo que a circunstância de ter havido decisões judiciais que, durante um certo período, impediram o recolhimento do tributo, pelo contribuinte de direito, não é óbice a que a União (sujeito ativo na relação jurídicotributário) busque, uma vez reformadas tais decisões, seu recebimento por meio de regular lançamento fiscal, em face do contribuinte de direito não configurando o resultado da consulta fiscal impedimento para tanto. O entendimento defendido pela impetrante teria por conseqüência conferir às decisões antecipatórias de tutela proferidas nos autos das ações movidas pelas distribuidoras um caráter de definitividade (e irreversibilidade) que não é compatível com a própria natureza de tais decisões e que, consoante entende a Fl. 4344DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.088 22 impetrante, impediria a cobrança, ao menos em face do contribuinte de direito — a impetrante — mesmo após reformadas as decisões. Assim, penso que inobstante proferidas decisões judiciais impedindo a impetrante de efetuar destaques do valor do IPI nas notas fiscais de saída, tal circunstância não tem o condão de excluir sua qualidade de contribuinte de direito do tributo, nem de excluir o direito de a União, enquanto sujeito ativo, proceder a seu lançamento e cobrança, mormente se tais decisões judiciais não mais vigoram, inclusive no tocante ao que nelas se dispunha acerca da atribuição de responsabilidade exclusiva às distribuidoras pelo pagamento do tributo, na hipótese de eventual insucesso das demandas. (.) Não é demais ressaltar que o IPI, na industrialização de bebidas, tem incidência monofásica (art. 4° da Lei 7.79889), como aliás mencionado pela própria impetrante em seu agravo de instrumento (fls. 140), não se tratando, portanto, de hipótese de retenção, de substituição tributária (circunstância esta também observada por ocasião da decisão proferida em sede de agravo —fls. 178) ou sequer de substituição tributária "para a frente", mas de pagamento de tributo próprio da fabricante (impetrante), cuja responsabilidade não poderia, por tal razão, ser excluída por decisão judicial proferida em processo ajuizado por terceiro, por absoluta falta de ilegitimidade. Destarte, por força das decisões judiciais, deixou a impetrante de recolher tributo próprio e não tributo devido pelos distribuidores. O acolhimento da pretensão da impetrante levaria ao impedimento de a União constituir o crédito tributário em face daquele que é seu efetivo contribuinte de direito na cadeia de produção ora em discussão, o que não se me afigura juridicamente possível. A Instrução Normativa SRF n° 104/2000 é inaplicável ao caso sob exame, na medida em que trata de situação jurídica absolutamente diversa, qual seja, a exoneração do responsável tributário por retenção, nas hipóteses em que o contribuinte de direito obtém decisão judicial que o libere do recolhimento do tributo, situação própria, por exemplo, do Imposto de Renda Retido na Fonte. Diversa é a situação aqui tratada, pois a impetrante não é responsável por retenção, mas contribuinte direto; as distribuidoras, por sua vez, não são contribuintes diretas. Vêse, portanto, que em última análise, o que faz a Instrução Normativa Fl. 4345DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.089 23 n° 104/00, é reafirmar a responsabilidade pelo pagamento do tributo pelo contribuinte de direito. Assim, convenceme o argumento trazido pela União de que as decisões judiciais anteriormente deferidas não modificam a qualidade e a responsabilidade dos sujeitos passivos envolvidos na relação tributária, em especial pelo caráter de provisoriedade de que se revestem os provimentos antecipatórios de tutela, o que não me parece fosse desconhecido da impetrante (.). Certo me parece também que, se o valor do IPI não foi, por força de tais decisões judiciais, incluído no valor das notas fiscais de saída das bebidas dos estabelecimentos da impetrante, a disponibilidade econômica dos valores em questão permaneceram em poder desta. Embora não tendo destacado nas notas fiscais o valor do IPI, tenha a impetrante deixado de recuperar das distribuidoras o respectivo valor nas operações de saída, suportandoo, tal circunstância também não tem o condão de afastar o direito de a União constituir o crédito tributário em face daquele que é seu contribuinte de direito, ou seja, daquele que juridicamente pela lei tem o ônus de suportálo, ainda que juridicamente autorizado a repassálo na cadeia produtiva. (..) É de todo ;importante, por fim, delimitar o âmbito de cognição da presente impetração. O que se discute nestes autos é a possibilidade de realização do lançamento fiscal, o que, nos estreitos limites da cognição do mandamus se responde afirmativamente. A higidez do lançamento fiscal que vier a ser realizado, por evidente, poderá ser objeto de discussão nas vias adequadas, consoante já mencionado, por meio de recursos administrativos ou mesmo judicialmente por via de ação anulatória ou embargos de devedor. Por todo o exposto, DENEGO A SEGURANÇA". (grifos nossos) Diante do que foi acima exposto, concluise pela correção do lançamento contra a contribuinte, ora recorrente, efetuado neste item de infração. DA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA A contribuinte, no recurso voluntário, ainda contesta a aplicação da taxa SELIC sobre o valor da multa de ofício, ressaltando que tal matéria só não foi objeto da impugnação porque tais juros não foram lançados no Auto de Infração, tendo a Recorrente tomado conhecimento da exigência somente quando da intimação da decisão de l ª instância. Acerca da incidência de juros de mora sobre o crédito tributário lançado, inclusive a título de multa de ofício, não há que se conferir razões à recorrente. O crédito tributário relativo a penalidade aplicada tem a mesma natureza da obrigação principal e, nos termos do § 3º do art. 113 c/c art. 161, ambos do CTN, e art. 61 da Fl. 4346DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.090 24 Lei nº 9.430/96, qualquer que seja o motivo da falta de pagamento do crédito tributário incide juros de mora. Sobre esta questão, já consta precedente desta turma, conforme se demonstra com a ementa a seguir transcrita: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A penalidade pecuniária aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação tributária convertese em obrigação principal e está sujeita, como tal, a incidência de juros de mora após o seu vencimento”.( Acórdão nº 1244.231 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, na apreciação do Processo nº 16682.720614/201181) DA IMPRESTABILIDADE DA SELIC PARA EFEITOS DE CÔMPUTO DOS JUROS DE MORA A contribuinte, também, contesta a aplicação da SELIC como juros de mora. Porém, com relação à utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: “Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. DO RECURSO DE OFÍCIO De acordo com o relatado, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa entendeu que medida judicial teria impedido a Recorrente de realizar o destaque do IPI nas operações com a empresa Italian, à época dos fatos, o que justificou o cancelamento da multa de Ofício de 75% instituída pelo auto de infração neste particular. Em seu recurso voluntário, a contribuinte, por sua vez destaca não ter a Recorrente praticado qualquer "falta" que pudesse ensejar a aplicação da multa de 75% tipificada no art. 80 da Lei 4.502/64, na atual redação, pois seu procedimento foi determinado por decisões judiciais, devendo de qualquer modo ser aplicado o art. 63 da Lei 9.430/96. Entrementes, pelas mesmas razões já mencionadas acima, quando da análise do recurso voluntário acerca da manutenção do lançamento do IPI nas vendas efetuadas, no período constante dos autos, à empresa ITALIAN COMERCIAL E DISTRIBUIDORA LTDA, Fl. 4347DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.011820/200873 Acórdão n.º 3302002.532 S3C3T2 Fl. 3.091 25 é de se dar provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a multa de ofício de 75%, tendo em vista que, conforme demonstrado, não consta dos autos prova de que a autuada (LONDRINA BEBIDAS LTDA. CNPJ:02.125.403/000516, estabelecimento autônomo, contribuinte do IPI) recebeu ofício judicial para não destacar o IPI nas Notas Fiscais por ela emitida para a Italian. Ela o fez por sua conta e risco. CONCLUSÃO Diante do que foi acima exposto, conduzo o meu voto no sentido de: 1) dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer a multa de ofício de 75%, exonerada na decisão recorrida; 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário, no que atine ao lançamento do Item 1 (Benefício de redução de 50% do IPI), apenas para excluir os valores referentes ao período de apuração a partir de 28/05/2004, consoante já decidido nos autos do Processo Administrativo nº 13009.000380/200486; 3) não conhecer do recurso voluntário atinente ao item 3 de infração (IPI não destacado Vendas Efetuadas para Bella Bebidas), tornando definitivo o lançamento, nos termos da decisão recorrida; 4) e, por fim, quanto ao lançamento do item 4 de infração, referente ao IPI não destacado nas vendas efetuadas para Italian, negar provimento ao recurso voluntário para manter integralmente o crédito tributário neste item. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Redatora Fl. 4348DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CAS SIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10768.901859/2006-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a data de transmissão da DCTF do 1º trimestre de 2003, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a data de transmissão da DCTF do 1º trimestre de 2003, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa informe a data de transmissão da DCTF do 1º trimestre de 2003, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de retorno dos autos de diligência à repartição de origem, em que este Colegiado solicitara a prestação de informações relativas à DCTF do 1º trimestre de 2003. O contribuinte havia apresentado, em 6 de junho de 2003, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que pretendia compensar débito do IRPJ, vencido em 30 de abril de 2003, com crédito no valor de R$ 39.426,19, decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS (fls. 2 a 6). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .9 01 85 9/ 20 06 -1 3 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901859/200613 Resolução nº 3803000.512 S3TE03 Fl. 370 2 Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação por considerar que o pagamento efetuado havia sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte (fl. 8). Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10 a 22) e requereu a homologação integral da compensação declarada. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ decidiu pelo deferimento integral do crédito pleiteado e pela homologação parcial da compensação (fls. 91 a 97), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÁO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO MAIOR QUE 0 DEVIDO. Na ausência de intimação ao contribuinte e comprovação do valor devido de contribuição por parte da Delegacia de Jurisdição, é de se acatar os valores declarados em DCTF e DIPJ, registrados nos sistemas da RFB, quando da ciência do Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. Os juros compensatórios e os acréscimos morat6rios deverão incidir sobre os créditos e os débitos, respectivamente, até a data da entrega da Declaração de Compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 0 instituto da denuncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN não afasta a exigência da multa de mora por pagamento em atraso de tributo. Rest/Ress. Deferido Comp. Homologada em Parte Aduziu o julgador a quo que, diante da inexistência de comprovação, por parte da Delegacia jurisdicionante, da correta apuração da base de cálculo da contribuição para o PIS, tendo em vista a desconsideração da DCTF retificadora entregue anteriormente à ciência do despacho decisório, não se poderia refutar os valores declarados pelo contribuinte, em razão do que o direito creditório alegado deveria ser acatado. Concluiu ao fim que, considerando que o débito necessariamente deveria ser atualizado com juros e multa de mora até a data da transmissão do PER/DCOMP, autorizouse a homologação da compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido. Cientificado da decisão em 10 de setembro de 2010, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 17 do mesmo mês e requereu a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação declarada, alegando (i) impossibilidade de protocolização do PER/DCOMP na data do vencimento do tributo, (ii) o envio da Declaração de Compensação foi que marcou a data da extinção do crédito tributário pela compensação, e Fl. 370DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901859/200613 Resolução nº 3803000.512 S3TE03 Fl. 371 3 não a data do débito extinto, total ou parcialmente, por um crédito que lhe precedia, (iii) necessidade de observância pela Administração Pública dos princípios da proporcionalidade e da moralidade que regem seus atos e (iv) necessidade de aplicação da denúncia espontânea. Em 25 de junho de 2013, por meio da Resolução nº 3803000.294, esta Turma, para fins de aplicação do entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp nº 962379, submetido à sistemática dos recursos repetitivos, converteu o julgamento em diligência à repartição de origem para que se informasse se havia sido entregue pelo Recorrente a DCTF relativa aos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2003, bem como, em caso positivo, a data de sua transmissão e a efetiva declaração do débito de IRPJ devido no mês de março de 2003. Em cumprimento à diligência, a repartição de origem juntou aos autos cópia de telas de consulta das DCTFs do 1º trimestre de 1999 e do 1º trimestre de 2003 (fls. 358 a 360). O contribuinte, devidamente intimado dos resultados da diligência, não se pronunciou, retornando os autos a este Colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Conforme acima relatado, a diligência fora determinada para que se obtivessem dados relativos à DCTF do 1º trimestre de 2003, que permitissem a este Colegiado a aplicação do entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp nº 962379, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. A compensação declarada pelo Recorrente havia sido parcialmente homologada, tendo sido reconhecida a totalidade do direito creditório declarado, que, contudo, mostrouse insuficiente para a quitação do débito de IRPJ de março de 2003, acrescido dos acréscimos moratórios, pelo fato de ter sido informado no PER/DCOMP após o seu vencimento. Como a decisão do STJ condiciona a aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) 1, relativamente aos débitos compensados após o vencimento, à inexistência de prévia declaração com força de constituição de dívida, tornouse necessário baixar os autos em diligência para se obterem os dados da DCTF do 1º trimestre de 2003. No entanto, a repartição de origem, na realização da diligência, juntou aos autos a parte da DCTF do 1º trimestre de 2003 em que consta o débito de IRPJ devido em março do mesmo ano, mas não informou a data de sua transmissão. 1 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901859/200613 Resolução nº 3803000.512 S3TE03 Fl. 372 4 A tela juntada aos autos em que constam datas de entrega de DCTFs se refere às declarações do 1º trimestre de 1999 e não do 1º trimestre de 2003, situação essa que inviabiliza a aferição da condição estipulada pelo STJ para se aplicar a denúncia espontânea. Transcrevese, aqui, excerto do referido Recurso Especial: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) VOTO (...) "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Como a repartição de origem não informou a data da transmissão da DCTF do 1º trimestre de 2003, este Colegiado não se encontra apto a decidir de acordo com o entendimento do STJ, cuja reprodução nos acórdãos do CARF é obrigatória, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF2. Diante do exposto, voto por mais uma vez converter o julgamento em diligência à repartição de origem, em virtude do atendimento apenas parcial da diligência anterior, para que a autoridade administrativa informe a este Colegiado a data da transmissão da DCTF relativa aos débitos devidos no primeiro trimestre de 2003, dentre os quais o IRPJ de março de 2003, abrangendo eventuais declarações original e retificadora(s), informação essa imprescindível ao deslinde da presente controvérsia. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901859/200613 Resolução nº 3803000.512 S3TE03 Fl. 373 5 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 373DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10980.011293/2004-50
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DESISTÊNCIA. PETIÇÃO.
Não se conhece de recurso voluntário quando este é seguido de desistência expressa por parte do interessado.
Numero da decisão: 1801-002.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da recorrente, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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PETIÇÃO. Não se conhece de recurso voluntário quando este é seguido de desistência expressa por parte do interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por desistência da recorrente, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 12 93 /2 00 4- 50 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.011293/200450 Acórdão n.º 1801002.073 S1TE01 Fl. 326 2 Relatório PLASTIPAR INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0620.54 (fl. 173), pela DRJ Curitiba, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de um auto de infração realizado para exigir crédito tributário de IRRF (fl. 74) relativo ao ano 2002, no valor de R$ 221.846,14, bem como juros de mora, no valor de R$ 90.324,86, e multa de ofício, no valor de R$ 166.384,59, totalizando R$ 478.555,59. Como reflexo, também foram lavrados autos de infração para realizar o ajuste da base de cálculo do IRPJ (fl. 80) e da CSLL (fl. 83). Conforme o relato contido no quadro “Descrição dos fatos” do auto de infração, o lançamento de IRRF foi realizado em razão da falta de apresentação dos comprovantes de despesas escriturados na contabilidade. O ajuste da base de cálculo do IRPJ e da CSLL deveramse à glosa das referidas despesas. O autuado apresentou impugnação, cujas razões foram assim resumidas, no relatório da decisão recorrida (fl. 176): Inadequação dos fatos constatados e narrados com os textos da Constituição e do RIR de 1999 7. Argúi que em momento algum negligenciou informações à fiscalização, mas, ao contrário, sempre franqueou às autoridades fiscalizadoras acesso a seus documentos fiscais para fins de averiguação; que inexiste, no presente caso, pagamento a beneficiário não identificado; que se admitir tal situação é flagrantemente ilógico frente às informações e elementos coletados pela própria fiscalização; que o beneficiário, tal como se encontra presente no próprio termo de verificação e na "descrição dos fatos e enquadramento legal" contido no auto de infração, é o Sr. Wolfgang Ernest Albert Patzlaff. 8. Alega que, uma vez fixado o beneficiário, sequer seria necessária a apresentação de demais argumentos, uma vez que o art. 674 do RIR de 1999 pressupõe a existência desta figura para que possa ser aperfeiçoada a incidência; que mesmo sob o prisma do parágrafo único desse dispositivo legal, exigemse dois requisitos que afastam sua aplicabilidade, quais sejam, a comprovação da operação e a causa. 9. Aduz que as operações encontramse absolutamente comprovadas, tanto é que as operações encontramse regularmente contabilizadas e foram claramente levantadas pela fiscalização; que se as operações não fossem comprovadas, estarseia autuando sob um "nada" jurídico, ou seja, sob presunções e suposições completamente incabíveis nesta situação; que, relativamente à causa das operações, já prestou todas as informações necessárias à apuração dos fatos, mas reitera que foram serviços prestados por Fl. 326DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.011293/200450 Acórdão n.º 1801002.073 S1TE01 Fl. 327 3 Wolfgang Patzlaff frente à direção da empresa durante o ano de 2002. Inocorrência do fato gerador do imposto de renda na fonte 10. Argumenta que a hipótese de incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza deverá guardar exata correspondência com a determinação mínima constitucional, ou seja, somente poderá incidir sobre o fato "auferir renda ou proventos de qualquer natureza"; que o CTN apresenta em seu art. 43 sua definição de renda para fins de incidência do imposto; que tanto a doutrina quanto a jurisprudência são unânimes em considerar que para fins de incidência do imposto de renda, necessariamente há que existir a figura do acréscimo patrimonial. 11. Assevera que fugindose deste aspecto fundamental, certamente se estará tributando fatos não abrangidos pela norma padrão de incidência prevista no art. 153, II, da Constituição Federal; que, no presente caso, não restou efetivamente comprovado o acréscimo patrimonial da empresa e que a própria tributação exclusiva na fonte não é passível de aceitação em nosso Sistema Tributário Nacional. Do caráter confiscatório da multa aplicada 12. Alega que a multa de oficio de 75% é nitidamente confiscatória; que além da razoabilidade e da justiça, também a proporcionalidade deve ser observada no caso de sanções tributárias, o que não ocorre com a multa ora em exame; que o parâmetro para fixação da multa é sempre o valor do imposto não pago, criandose uma relação de proporcionalidade e limitação da sanção tributária; que a multa de 75% acrescida do reajustamento da base de cálculo, é superior ao valor do tributo supostamente devido, fato que configura seu teor confiscatório, ofensivo à proteção constitucional do direito de propriedade (art. 5°, XXII, da C.F.); Cita julgados do STF que suspenderam a eficácia de dispositivos que estabeleceram multas confiscatórias. Ilegalidade da atualização da base de cálculo 13. Contesta o reajustamento da base de cálculo do IRRF previsto no § 10 do art. 20 da IN SRF n° 15, de 2001; que, no presente caso, tal reajustamento elevou a base de calculo em R$ 221.846,14, fato que inegavelmente leva ao aumento do tributo, bem como seus reflexos (multa e juros); argumenta que o art. 150, I, da Constituição Federal e o art. 9°, I, do CTN vedam a exigência ou Fl. 327DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.011293/200450 Acórdão n.º 1801002.073 S1TE01 Fl. 328 4 aumento de tributo sem lei que o estabeleça; que no presente caso, a fórmula utilizada para o reajuste da base de cálculo encontrase fixada por meio de mera Instrução Normativa (norma secundária), a qual pretende fazer as vezes de lei, acabando por aumentar a base de cálculo dos impostos sem o respectivo e necessário fundamento legal. 14. Alega que deixar nas mãos de mera instrução normativa a forma pela qual o cálculo do reajuste deverá ser efetivado significa deixar nas mãos do Secretário da Receita Federal o poder de aumentar ou diminuir, mesmo que de forma indireta, os tributos sujeitos a este tipo de reajuste; que, se admitirmos tal possibilidade, estaremos admitindo o aumento de tributo, sob a justificativa de "reajuste da base de calculo", por meio de mera instrução normativa; que se trata de flagrante violação ao principio da legalidade, o que é amplamente rechaçado pelos Tribunais pátrios, devendo ser afastada tal incidência. Da aplicação da taxa Selic 15. Aduz que a aplicação da Selic como índice de taxa de juros para créditos tributários contraria o entendimento atual da doutrina e da jurisprudência; que a Selic é um sistema administrado pelo Bacen e tem finalidade de efetuar o registro, por meio de equipamento eletrônico de teleprocessamento, das negociações de títulos públicos; que vislumbra a impropriedade dessa taxa servir de alicerce como índice de juros nos processos que tratam de créditos tributários. 16. Argúi que, ainda que a Lei n° 9.065, de 1995, em seu art. 13, autorize a utilização da taxa Selic como índice de juros a serem aplicados aos créditos tributários, tal menção é tão somente literária, conclusão a que se chega em virtude da não existência de diploma legal que consolide a forma de apuração do seu percentual; que o Bacen, como instituição regulamentadora e controladora, pode dirigir e manipular o seu resultado; que somente o Poder Legislativo tem prerrogativas de produzir atos, com caráter impessoal, cabendo à administração pública aplicar a lei de oficio, sujeitandose ao controle jurisdicional; que a Selic não possui características indenizatórias, a qual é própria dos juros moratórios, mas é apenas um meio de remuneração; 17. Que existindo legislação que trata do assunto, o art. 161, § 1°, do CTN, requer a de aplicação de juros de 1% ao mês; entende que o fato de o § 1° do art. 161 do CTN mencionar que "se a lei não dispuser de modo diverso" não dá legitimidade à cobrança dos juros pela taxa Selic, pois as leis que mandam aplicála não a criaram; que o disposto no § 30 do art. 192 da Constituição Federal limita os juros a 12% ao ano, sob pena de se estar cometendo crime de usura; que o índice de 1% ao mês é um patamar máximo de cobrança dessa modalidade de juros na Fl. 328DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.011293/200450 Acórdão n.º 1801002.073 S1TE01 Fl. 329 5 divida tributária, eis que a apuração dos juros de mora não está sujeita ao conhecimento de diversas variantes de mercado. A DRJ considerou a impugnação improcedente, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia quando a interessada protesta por ela, mas deixa de formular os quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU SEM CAUSA COMPROVADA. INCIDÊNCIA DO IRRF. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não restar comprovada a operação ou a sua causa. BASE DE CALCULO. HIPÓTESE DE REAJUSTAMENTO. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada liquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único, do RIR de 1999. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Anocalendário: 2002 GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Como a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea, contendo elementos suficientes Fl. 329DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.011293/200450 Acórdão n.º 1801002.073 S1TE01 Fl. 330 6 para demonstrar estarem tais gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, procedente é a glosa de despesas operacionais não comprovadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2002 GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Como a escrituração comercial deve estar lastreada em documentação hábil e idônea, contendo elementos suficientes para demonstrar estarem tais gastos em estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, procedente é a glosa de despesas operacionais não comprovadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 200 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Legitima a aplicação da multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada em procedimento de oficio, porquanto em conformidade com a legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora Cientificado dessa decisão em 24/01/2009, por via postal (fl. 187), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 219), em 19/02/2009, em que repisa os argumentos trazidos na impugnação. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e por pessoa com poderes para representar o contribuinte. Todavia, verifico que o recorrente ingressou, recentemente, com pedido formal de desistência do presente processo, conforme a petição juntada à fl. 311, da qual se extrai o seguinte excerto: Diante de todo o exposto, requer a desistência total do recurso voluntário interposto neste presente processo Declara, ainda, que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam os débitos exigidos neste processo. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.011293/200450 Acórdão n.º 1801002.073 S1TE01 Fl. 331 7 O artigo 78 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, faculta ao recorrente a desistência do recurso em tramitação, não importando a fase em que ele esteja. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. Destarte, entendo que deve ser dado prosseguimento à desistência apresentada e voto por não conhecer do recurso interposto. Em tempo, o contribuinte informa, na petição supracitada, que realizou o pagamento de todo o crédito tributário exigido. Assim, a unidade encarregada do controle do presente crédito tributário deverá averiguar a existência de tal pagamento a fim de verificar a existência de algum valor remanescente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 331DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.932853/2009-09
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1801-002.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator.
Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 132 1 131 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.932853/200909 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.082 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de agosto de 2014 Matéria DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 53 /2 00 9- 09 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.932853/200909 Acórdão n.º 1801002.082 S1TE01 Fl. 133 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S.A., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0226.056 (fl. 56), pela DRJ Belo Horizonte, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação de nº 39028.34461.240907.1.3.045001 (fl.41), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 30: Analisadas as Informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser e utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2, em que alega, em síntese, a regularidade da compensação e requer a preservação do prazo para eventual pedido de restituição. A DRJ Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA. As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.932853/200909 Acórdão n.º 1801002.082 S1TE01 Fl. 134 3 restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Cientificado dessa decisão em 07/05/2010, por meio de remessa postal (fl. 74), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 77), em 07/06/2010, em que alega: a) a nulidade do lançamento em virtude de alegada confusão acerca do período de ocorrência do fato gerador do tributo e erro de fundamentação; b) a regularidade da compensação efetuada; c) a norma que impedia a compensação de estimativas foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP na qual aponta indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL referente a janeiro de 2005. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual da contribuição. A decisão da DRJ Belo Horizonte manteve a decisão de não homologação, com fundamento no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005, que impedia a compensação de estimativas. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.932853/200909 Acórdão n.º 1801002.082 S1TE01 Fl. 135 4 materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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