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Numero do processo: 15868.000001/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PRAZO PREVISTO NO ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. PRECLUSÃO EM DESFAVOR DO FISCO. INOCORRÊNCIA. O decurso do prazo fixado para decisão de defesas ou recursos administrativos não autoriza a extinção de crédito tributário lançado, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. As hipóteses de extinção do crédito tributário está definidas no Código Tributário Nacional e a Súmula CARF nº 11 reconhece que a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONSUMO DA RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). ATIVIDADE RURAL. As receitas omitidas devem ser tributadas segundo a sistemática a que se sujeita a contribuinte. Optando pelo Simples, os tributos devidos são calculados a partir da receita bruta, inexistindo qualquer previsão legal de sua redução em razão de atividade rural exercida por pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INTUITO DE FRAUDE NÃO DEMONSTRADO. A falta de escrituração de depósitos bancários e de comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de receitas, mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que por presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que sabia devidos. RECEITAS DE COMISSÃO. ATIVIDADE SECUNDÁRIA. ALEGAÇÃO DE ERRO. Demonstrada a menor representatividade das receitas auferidas, e presente a alegação de erro na falta de escrituração destas operações e de declaração da receita correspondente, não infirmada pelo Fisco, a dúvida impõe a redução da penalidade aplicada. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. Afastada a qualificação da penalidade, e presente declaração simplificada informando a apuração da contribuinte nos períodos fiscalizados, declara-se a homologação tácita desta nos períodos que distam mais de 5 (cinco) anos da ciência do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
Numero da decisão: 1101-001.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 3) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à arguição de decadência, votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sérgio Gomes e Joselaine Boeira Zatorre.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PRAZO PREVISTO NO ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. PRECLUSÃO EM DESFAVOR DO FISCO. INOCORRÊNCIA. O decurso do prazo fixado para decisão de defesas ou recursos administrativos não autoriza a extinção de crédito tributário lançado, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. As hipóteses de extinção do crédito tributário está definidas no Código Tributário Nacional e a Súmula CARF nº 11 reconhece que a prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONSUMO DA RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). ATIVIDADE RURAL. As receitas omitidas devem ser tributadas segundo a sistemática a que se sujeita a contribuinte. Optando pelo Simples, os tributos devidos são calculados a partir da receita bruta, inexistindo qualquer previsão legal de sua redução em razão de atividade rural exercida por pessoa jurídica. MULTA QUALIFICADA. REITERAÇÃO DE PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. INTUITO DE FRAUDE NÃO DEMONSTRADO. A falta de escrituração de depósitos bancários e de comprovação de sua origem autorizam a presunção de omissão de receitas, mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que por presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos que sabia devidos. RECEITAS DE COMISSÃO. ATIVIDADE SECUNDÁRIA. ALEGAÇÃO DE ERRO. Demonstrada a menor representatividade das receitas auferidas, e presente a alegação de erro na falta de escrituração destas operações e de declaração da receita correspondente, não infirmada pelo Fisco, a dúvida impõe a redução da penalidade aplicada. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da declaração prévia do débito, sujeita-se à homologação em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a informação prestada, pelo sujeito passivo, de que não apurou base tributável no período. Afastada a qualificação da penalidade, e presente declaração simplificada informando a apuração da contribuinte nos períodos fiscalizados, declara-se a homologação tácita desta nos períodos que distam mais de 5 (cinco) anos da ciência do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 3          2 MULTA  QUALIFICADA.  REITERAÇÃO  DE  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  INTUITO  DE  FRAUDE  NÃO  DEMONSTRADO.  A  falta  de  escrituração  de  depósitos  bancários  e  de  comprovação de  sua origem autorizam a presunção de omissão de  receitas,  mas o intuito de fraude somente é caracterizado se reunidas evidências de que  os créditos decorreriam de receitas de atividade, de modo a provar, ainda que  por presunção, a intenção do sujeito passivo de deixar de recolher os tributos  que  sabia  devidos.  RECEITAS  DE  COMISSÃO.  ATIVIDADE  SECUNDÁRIA.  ALEGAÇÃO  DE  ERRO.  Demonstrada  a  menor  representatividade  das  receitas  auferidas,  e  presente  a  alegação  de  erro  na  falta  de  escrituração  destas  operações  e  de  declaração  da  receita  correspondente,  não  infirmada  pelo  Fisco,  a  dúvida  impõe  a  redução  da  penalidade aplicada.   DECADÊNCIA.  MATÉRIA  DECIDIDA  NO  RITO  DOS  RECURSOS  REPETITIVOS.  OBSERVÂNCIA.  OBRIGATORIEDADE.  As  decisões  definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­C do Código de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do CARF. APLICAÇÃO DO ART.  150 DO CTN.  NECESSIDADE  DE  CONDUTA  A  SER  HOMOLOGADA.  O  fato  de  o  tributo  sujeitar­se  a  lançamento por homologação não é  suficiente para,  em  caso de ausência de dolo, fraude ou simulação,  tomar­se o encerramento do  período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial.  CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Além do pagamento antecipado e da  declaração  prévia  do  débito,  sujeita­se  à  homologação  em  5  (cinco)  anos  contados da ocorrência do  fato gerador,  a  informação prestada, pelo  sujeito  passivo,  de  que  não  apurou  base  tributável  no  período.  Afastada  a  qualificação da penalidade, e presente declaração simplificada informando a  apuração da contribuinte nos períodos fiscalizados, declara­se a homologação  tácita  desta  nos  períodos  que  distam mais  de  5  (cinco)  anos  da  ciência  do  lançamento.  MULTA  DE  OFÍCIO.  EFEITO  CONFISCATÓRIO.  ARGÜIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre a  inconstitucionalidade de  lei  tributária  (Súmula CARF nº  2)      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado  em:  1)  por  unanimidade  de  votos,  REJEITAR  as  arguições  de  nulidade  do  lançamento;  2)  por unanimidade  de votos, NEGAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 3) por maioria de  votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade,  divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 4) por unanimidade de votos, DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário  relativamente à arguição de decadência, votando pelas  conclusões  o  Presidente  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão;  e  5)  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação da multa de ofício no  percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  Fl. 5676DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 4          3    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  (presidente  da  turma),  Edeli  Pereira  Bessa, Marcos Vinícius  Barros Ottoni,  José Sérgio Gomes e Joselaine Boeira Zatorre.  Fl. 5677DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 5          4   Relatório  FRIGORÍFICO  ILHA SOLTEIRA LTDA,  já qualificada  nos  autos,  recorre  de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão  Preto/SP que, por unanimidade de votos,  julgou  IMPROCEDENTE a  impugnação  interposta  contra lançamento formalizado em 05/08/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$  803.570,25.  Consta da decisão recorrida o seguinte relato:  Em  procedimento  de  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  tributárias  pela  empresa acima citada,  foram constatadas as seguintes  infrações, relativas ao ano­ calendário (AC) de 2006:  1) Omissão de receitas de comissões auferidas e não escrituradas;  2) Omissão  de  receitas  provenientes  de  depósitos  bancários,  cuja  origem  não  foi  comprovada;  3) Diferença de base de cálculo;  4) Insuficiência de recolhimento, tendo em vista o disposto na Lei nº 9.317, de 1996,  art. 5º, c/c Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º e Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999,  (Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999), arts. 186 e 188.  Foram lavrados os seguintes autos de infração:  [...]  Consta no Termo de Constatação Fiscal (TCF) que a ação fiscal teve por objetivo o  cruzamento  de  informações  com  outros  fiscos  e  órgãos  congêneres  (vendas):  Simples,  relativamente  ao  ano­calendário  de  2006  e  IRPJ,  omissão  de  receitas,  relativamente ao AC de 2007.  Foi  expedido,  em  28/10/2009,  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização  (TIF),  no  qual  solicitou­se a apresentação do livro Caixa referente ao AC de 2006, os livros Diário  e Razão do AC de 2007, livro Registro de Saídas e de Apuração do ICMS, relativos  aos AC de 2006 e 2007.  Em  novembro  de  2009,  foram  apresentados  os  livros  Diário,  Razão,  Registro  de  Saídas e Apuração do ICMS, relativos aos AC de 2006 e 2007.   Foi solicitado, também, o livro Lalur relativo ao AC de 2007, o qual foi apresentado  em  06/01/2010.  Solicitou­se,  ainda,  à  Delegacia  Regional  Tributária,  cópia  das  Guias de Informação e Apuração de ICMS – Gias dos AC de 2006 e 2007, por meio  das quais verificou­se que a contribuinte omitiu à Receita Federal receita no valor  de R$ 13.263.226,40 no AC de 2007.  Sendo  solicitado,  a  contribuinte  apresentou CD contendo  arquivos magnéticos  do  livro Razão dos AC de 2006 e 2007 e os extratos bancários em papel do Bradesco  (ag. 2853, c/c 6620­6, período de 05/2007 a 12/2007; e c/c 4495­4, do período de  01/2006 a 12/2007) e do Banco do Brasil (ag. 2833­9, c/c 12825­4, do período de  01/2006 a 12/2007; e c/c 11448, do período de 01/2006 a 12/2007).  A  fiscalização constatou que a escrituração da contribuinte não contemplava  toda  sua movimentação bancária (escriturou apenas a movimentação do Banco do Brasil  e do Bradesco, deixando de registrar a movimentação do Banco Santander/Banespa  Fl. 5678DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 6          5 e da Nossa Caixa Nosso Banco). Foi expedida a Requisição de  Informação sobre  Movimentação  Financeira  (RMF)  e  fazendo  a  conciliação  entre  os  valores  das  diversas  contas  correntes  da  contribuinte  (excluindo­se  as  transferências  entre  as  contas, empréstimos, financiamentos e encargos de limite de crédito) e conciliando  com  os  valores  já  contabilizados,  apurou­se  o  valor  de  R$  26.145.792,22,  cuja  origem deveria ser comprovada.  Sendo  intimada,  a  contribuinte  afirmou  que,  além  da  atividade  principal  de  indústria frigorífica, exerce também secundariamente a atividade rural, no caso, a  intermediação de compra de gado em pé e a sua engorda, apresentando a Alteração  Contratual datada de 06/01/2011. Acrescentou que  fez parceria com o Frigorífico  CJ Ltda  de Presidente Prudente,  na  qual  compraria  por  sua  conta  e  ordem gado  magro e o  frigorífico  remeteria os  recursos, pagando ainda a comissão de 5% do  montante comprado, além do ressarcimento de mais 25% pela engorda e tratamento  dos  animais.  Apresentou  contrato  de  parceria  e  informou  que,  para  a  citada  parceria, arrendou uma propriedade rural próxima à cidade de Ilha Solteira.  Considerou  a  contribuinte  que,  dessa  forma,  a  movimentação  bancária  estaria  justificada pela  sua  receita,  pelas operações correspondentes à parceria  (mútuo e  cessão de crédito de terceiros) e depois das exclusões das transferências de mesma  titularidade,  liberação  de  cheques,  empréstimos  bancários,  limites  de  conta  corrente,  empréstimos de  terceiros.  Informou que  faria as  retificações necessárias  (DCTF e DIPJ) e solicitaria o parcelamento do crédito tributário.  A  contribuinte  foi  informada de  que  estava  sob  procedimento  de  ofício  e que não  seria possível fazer as retificações e solicitar parcelamento.  Sendo novamente intimada, a fiscalizada apresentou uma planilha acompanhada de  vários documentos, para justificar a origem dos depósitos efetuados em suas contas  correntes.   Depois das respostas da contribuinte foi apurada uma omissão de receitas total no  valor de R$ 5.584.650,83  (sendo R$ 2.315.436,97 em 2006 e R$ 3.269.213,86 em  2007).  Devido  à  forma  de  tributação  adotada  pela  contribuinte  (2006  Simples  e  2007  lucro real  trimestral), o crédito  tributário  foi constituído em dois processos:  para  o  AC  de  2006,  o  presente  processo;  e  para  2007  o  processo  nº  15868.000002/2011­37.  Foi  exigida  a  multa  de  150%  no  AC  de  2006,  sobre  a  omissão de receitas de comissões e sobre as provenientes de depósitos bancários de  origem não comprovada, uma vez que a contribuinte omitiu receita reiteradamente.  Notificada  da  autuação  a  contribuinte,  representada  pelo  sócio  João  Cortes,  ingressou com a impugnação de fls. 5054 a 5125, alegando:  ·  Falta  de  apresentação  concludente  de  exteriorização de  riqueza do  autuado em  razão  da  movimentação  bancária.  O  arbitramento  aplicado  baseado  em  movimentação  bancária  caracteriza  mera  presunção  e  não  é  suficiente  para  fundamentar o lançamento tributário;  · O lançamento fiscal deve ser motivado. A presente acusação baseada apenas em  extratos de movimentação bancária aponta apenas frágeis indícios de ocorrência do  fato  gerador,  que  não  podem  servir  de  alicerce  seguro  para  a  caracterização  do  crédito tributário;  · O processo deve conter as provas da infração cometida e estabelecer a relação de  causalidade entre a infração cometida, o fato gerador da obrigação e a constituição  do crédito tributário;  · Ao se basear exclusivamente no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fiscal  ignorou o disposto no art. 5º, § 4º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que diz  “Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas,  Fl. 5679DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 7          6 incorreções  ou  omissões,  ou  de  cometimento  de  ilícito  fiscal,  a  autoridade  interessada  poderá  requisitar  as  informações  e  os  documentos  de  que  necessitar,  bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos”.  O fiscal não levou em consideração o número reduzido de funcionários, os gastos  com  luz,  água,  transporte,  etc.,  e  invocou  o  citado  art.  42  para  concluir  pela  ocorrência  de  omissão  de  receita.  Esqueceu­se  o  fiscal  de  que  exerce  secundariamente a atividade rural, ignorou os contratos celebrados entre as partes,  não admitindo o que foi estipulado pelas partes, o que é ilegal;  ·  Tirar  a  liberdade  contratual  do  contribuinte  para  atribuir  preço  maior  de  seu  produto  ou  serviço  implica  em uma  tributação com efeito  de  confisco,  violando o  princípio estabelecido no art. 150, IV, da CF;  ·  Utilizou­se  licitamente  da  liberdade  contratual  para  celebrar  seus  contratos  de  mútuo para obter em regime de parceria a captação de valores necessários a sua  atividade  secundária  que  é  a  recria  e  engorda  de  gado  do  qual  se  discrimina,  separadamente, o que está sendo recebido/pago a título de autêntica “remuneração  da atividade”, que configura rendimentos tributáveis nos termos das Leis nº 9.249,  de 1995, Lei nº 9.250, de 1995 (art. 17), Lei nº 9.430, de 1996 (art.59), no RIR, de  1999 (art. 406) e na IN SRF nº 257, de 2002, e não na movimentação bancária como  quer fazer prevalecer o fiscal;  ·  Ilegalidade da autuação por  falta de autorização  judicial para quebra de  sigilo  bancário  solicitada  pelo  fisco.  O  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  ao  julgar  o  recurso extraordinário nº 389.808 sedimentou que não pode haver quebra do sigilo  bancário sem prévia autorização judicial;  ·  Nulidade  da  autuação.  O  auto  de  infração  deve  conter  os  exatos  e  precisos  ditames da lei específica, deve ser fundamentado, o que significa dizer que o fisco  tem  que  oferecer  prova  concludente  de  que  o  evento  ocorreu  na  estrita  conformidade  da  previsão  genérica  da  hipótese  normativa.  Os  princípios  da  legalidade,  da  moralidade,  da  finalidade  e  da  publicidade,  devem  estar  sempre  presentes, pois servem de fundamento da atividade administrativa;  · Ocorreu a decadência do direito de lançar o PIS, a Cofins e o INSS relativos ao  período de 01/2006 a 07/2006, pois o lançamento se deu em 01/08/2011;  ·  Impossibilidade  de  arbitrar  e  aferir  indiretamente  a  contribuição  do  INSS  pelo  exame baseado em extratos bancários. A contribuição ao INSS deve ser calculada  sobre a folha de pagamento, jamais sobre possível movimentação bancária;  ·  A  vultosa  movimentação  financeira  apontada  adveio  da  atividade  rural  configurando  rendimentos  tributáveis nos  termos da Lei nº 9.249, de 1995, Lei nº  9.250, de 1995 (art. 17), Lei nº 9.430, de 1996 (art.59), no RIR, de 1999 (art. 406) e  na IN SRF nº 257, de 2002. Com o fito de ajustar a sua situação depois de inúmeras  exigências de  impossível cumprimento,  o autuado achou por bem admitir ao  fisco  que efetuaria a chamada denúncia espontânea prevista no art. 47 da Lei nº 9.430,  de  1996,  com  nova  redação  da  Lei  nº  9.532,  de  1997,  art.  70.  Como  se  trata  de  movimentação  financeira  de  atividade  secundária,  deve  prevalecer  a  tributação  sobre esse negócio e não sobre a sua atividade frigorífica, haja visto as deduções e  benesses que a própria lei favorece;  ·  Deve  ser  aplicado  o  art.  112  do  CTN,  calculando  os  tributos  com  base  na  atividade rural, ou seja, o IRPJ: 20% da movimentação financeira x 32%= base de  cálculo  x  15%; CSLL:  20%  sobre  a movimentação  financeira  x  32% x  9%; PIS=  20%  da  movimentação  financeira  x  0,65%;Cofins=20%  da  movimentação  financeira x 3%;  Fl. 5680DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 8          7 · Em nome dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não­confisco a  multa deve ser reduzida;  ·  A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente intuito de fraude do sujeito passivo;  · Protesta pela produção de outras provas admitidas em Direito e solicitou que seu  representante legal seja intimado de todos os atos do presente recurso.  É o relatório.    A Turma julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado:  Assunto:  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ Simples   Ano­calendário: 2006   DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.  Evidencia  omissão  de  receita  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  mantida  em  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos recursos utilizados nessas operações.  PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.  A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo­o para a  contribuinte, que pode refutá­la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.  OMISSÃO DE RECEITAS. SIMPLES.  Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos apurados em  procedimento  de  ofício,  procede  a  cobrança  dos  impostos  e  contribuições  componentes do Simples calculados sobre a diferença não declarada.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Ano­calendário: 2006   DECADÊNCIA. DOLO. PIS. COFINS. INSS.  O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito  passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue­se no prazo de 5  (cinco)  anos,  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.  Válida  é  a  prova  consistente  em  informações  bancárias  requisitadas  em  absoluta  observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia  autorização judicial.  INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.  Às  instâncias  administrativas  não  compete  apreciar  vícios  de  ilegalidade  ou  de  inconstitucionalidade  das  normas  tributárias,  cabendo­lhes  apenas  dar  fiel  cumprimento à legislação vigente.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  Caracterizado  o  intuito  de  fraudar  o  Fisco,  correta  a  aplicação  da  multa  no  percentual de 150%.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal   Ano­calendário: 2006   Fl. 5681DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 9          8 NULIDADE.   Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos  previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.  MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Considera­se definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que  não tenha sido expressamente contestada.  JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.  A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei.  INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL.  Dada  a  existência  de  determinação  legal  expressa,  as  notificações  e  intimações  devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  02/03/2012  (fl.  5502),  a  contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 02/04/2012 (fls. 5503/5521), no  qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação.  Inicialmente  destaca  que  houve  inconveniente  e  censurável  arbitramento  tributário  na  apuração dos  tributos  exigidos  com base  em presunção de  omissão de  receitas,  com  aplicação  concomitante  da  descomedida  multa  de  75%  e  de  150%,  em  ofensa  aos  princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Relacionando as infrações imputadas entende  evidente a forma imprecisa de uma vultosa pretensão fiscal, em prejuízo à verdade material,  razoabilidade,  moralidade  e  legalidade,  ensejando  incomensurável  onerosidade  ao  contribuinte e “confiscando” sem justa causa seu patrimônio, haja vista a multa escorchante  que lhe foi aplicada.  Relaciona  as  exigências mensais,  associadas  às multas  aplicadas,  resultante  de aferição  indireta sobreposta,  lanhando o  teor aludido no art. 142 do CTN. Na seqüência,  diz que o lançamento se deu com desprezo da atividade secundária exercida pelo contribuinte,  dito de forma extenuante na fase preparatória dessa averiguação fiscal, quando deixou claro  que  além de  exercer  atividade  frigorífica,  exerce  também atividade  rural.  Entende que  essa  não  observância  em  tese  configura  em  arbitrariedade  por  parte  da  autoridade  fiscal,  e  conseqüentemente  a  ilegalidade  do  ato  administrativo,  a  teor  da  Súmula  CARF  nº  67,  expressão de ponderação mínima imprescindível, segundo depreende os ditames do parágrafo  1o  do  artigo  846  do  RIR/1999,  em  caso  de  não  comprovação  adequada  e  apropriada  para  tanto.  Aduz  que  a  presunção  do  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  “é  uma  presunção  relativa  passível  de  prova  em  contrário,  ou  seja,  está  condicionada  apenas  à  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  que  transitaram,  em  nome  do  contribuinte,  em  instituições bancárias”, visto que o  lançamento apenas com base em extratos bancários não  caracteriza a disponibilidade econômica de renda e proventos na forma do artigo 43 do CTN,  pois  só  existirá  acréscimo  patrimonial  se  ocorrer  a  incorporação  de  riqueza  nova  ao  patrimônio existente.  Invoca  os  princípios  da  legalidade  e  da  tipicidade  cerrada  asseverando  que  não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada  à  Lei,  não  podendo  se  satisfazer  apenas  com  a  existência  de  uma  probabilidade  (indício/presunção  fiscal).  Acrescenta  que  é  descabida  a  exigência  de  INSS  do  empregador  sobre a movimentação financeira, mormente tendo em conta que foram apresentados todos os  Fl. 5682DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 10          9 documentos hábeis a impedir sua aferição indireta na forma do art. 33, §3o da Lei nº 8.212/91,  consoante jurisprudência que cita.  Reitera a necessidade de prova do consumo de renda e transcreve ementas de  julgados administrativos contrários à presunção de omissão de rendimentos na ausência desta  demonstração.   Discorre  sobre  a  caracterização  do  lançamento  como  ato  administrativo  vinculado  e  a  observância  ao  princípio  da  estrita  legalidade.  Enuncia  os  princípios  constitucionais  que  protegem  o  contribuinte mediante  transcrição  de  doutrina,  defendendo  a  observância  da  regra­matriz  constitucional  do  tributo  que  está  sendo  exigido.  Conclui  que  julgar  ou  interpretar  contra os direitos  fundamentais do  contribuinte divorciado da verdade  real é como agredir aos preceitos basilares do ordenamento jurídico, até porque a autoridade  fiscal  deve  observar  as  obrigações  que  lhe  são  impostas  no  art.  142  do CTN,  além  de  estar  condicionada aos princípios constitucionais.  Reporta­se ao art. 2o da  Instrução Normativa SRF nº 257/2002 para afirmar  legal  a  exploração  de  atividade  rural  por  pessoa  jurídica  que  exerce  comercialização  de  produtos rurais de terceiros, devendo apenas segregar contabilmente as receitas, os custos e  as  despesas  referentes  à  atividade  rural  das  demais  atividades,  bem  como  demonstrar  separadamente,  o  lucro  ou  prejuízo  contábil  e  o  lucro  ou  prejuízo  fiscal  dessas  atividades,  podendo  optar  pela  tributação  com  base  no  lucro  presumido,  apurado  trimestralmente,  observando os procedimentos aplicáveis às demais pessoas  jurídicas, e para a determinação  do lucro presumido, sobre o valor da receita bruta proveniente da atividade rural aplica­se o  percentual de 8%.  E,  nos  termos  do  art.  24  da  Lei  nº  9.249/95,  a  autoridade  tributária  deve  determinar  o  imposto  devido  em  razão  de  omissão  de  receita  de  acordo  com  o  regime  de  tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica, e não, como no presente caso, a partir de  movimentação bancária, desmerecendo outros documentos exigidos, como contratos de mútuos  e cessão de direitos creditórios, onerando sobremaneira a exigência fiscal, pois demonstrando  essa  entrada  e  saída  de  capital,  resta  afastado  o  presumível  acréscimo  patrimonial  a  descoberto.  Cita  julgados  administrativos  neste  sentido,  diz  que  empregou  licitamente  a  liberdade contratual para celebrar seus contratos de mútuo para obter em regime de parceria  captação  de  valores  necessários  a  sua  atividade  secundária  e  entende  comprovado  que  a  movimentação  bancária  não  constitui,  por  si  só,  fato  gerador  de  imposto  de  renda,  por  não  caracterizar disponibilidade econômica de rendas ou proventos.  Observa que as sanções não podem ser desvirtuadas, sob pena de desvio de  finalidade, e assevera que as penalidades impostas pela fiscalização revela caráter abusivo e  confiscatório,  demonstrando que  o  critério  utilizado  desconsiderou  as  circunstâncias  acima,  bem como de qualquer outro parâmetro  razoável para balizar o  cálculo da penalidade. Diz  que não houve  sequer  fato  ilícito,  que o  tributo  não  pode  ser  utilizado  para  punir  e que  as  sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçado.  As multas se prestam a reparar o Estado pelo descumprimento de obrigação  tributária, quando é este o caso, e aqui, além de indevida, a multa é exorbitante e confiscatória.  A  liberdade  conferida  ao  administrador  pela  lei  também  lhe  atribui  o  encargo  de  adotar  a  providência  mais  adequada  em  cada  caso,  não  lhe  permitindo  agir  de  forma  subjetiva  ou  manipulando  a  regra  de  Direito  de  maneira  a  sacar  dela  efeitos  não  pretendidos  nem  Fl. 5683DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 11          10 assumidos pela lei. Conclui que a penalidade é inadequada para a finalidade perseguida porque  destrói o bem do qual o fruto é desejada.  Transcreve  ementas  de  julgados  administrativos  para  afirmar  que  a  fiscalização deve  instruir  com documentos que comprovem  inequivocamente a acusação que  sustenta  a  qualificação  da  penalidade.  E  finaliza  pedindo  a  redução  da  multa  aplicada  no  percentual de 150%.  Arremata  observando  que  não  foi  observado  o  prazo  de  360  (trezentos  e  sessenta)  dias  para  julgamento  da  impugnação,  na  forma  do  art.  24  da  Lei  nº  11.457/2007.  Entende  que  este  prazo  foi  estabelecido  para  a  Fazenda  Pública  realizar  o  lançamento  definitivo (constituição definitiva) do crédito tributário que julga ter a seu favor, passando a  ter  o  direito  de  exigir  do  contribuinte  o  respectivo  crédito.  Reproduz  doutrina  em  favor  da  caracterização  deste  prazo  como  decadencial,  diz  que  seu  desrespeito  implica  num  vício  FORMAL do lançamento efetuado, ensejando sua nulidade.   Observa que o procedimento fiscal somente foi concluído depois de 2 (dois)  anos  de  seu  início,  e  que  outros  2  (dois)  anos  transcorreram  até  a  decisão  de mérito  de  sua  defesa. Entende,  assim,  que o  crédito  tributário  está  extinto,  em  razão  da  anulação  tácita  do  lançamento, até porque não observado o art. 27, parágrafo único do Decreto nº 70.235/72.  Pede, assim: 1) o cálculo da tributação por critério menos oneroso, a partir da  atividade  rural  não  escriturada,  apresentando  cálculos  e  invocando  o  art.  112  do CTN;  2)  a  exclusão da exigência de  INSS empregador; 3) a  redução da multa de 150% por ausência de  prova  de  dolo  e  fraude;  4)  o  reconhecimento  de  que  foi  extrapolado  o  prazo  legal  para  constituição definitiva do crédito tributário; e 5) sustentação oral e produção de todas as provas  admitidas em Direito.             Fl. 5684DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 12          11 Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Inicialmente cumpre apreciar a argüição de nulidade do lançamento em razão  da inobservância do prazo assim previsto na Lei nº 11.457/2007:  Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo  de  360  (trezentos  e  sessenta)  dias  a  contar  do  protocolo  de  petições,  defesas  ou  recursos administrativos do contribuinte.  § 1o (VETADO)  § 2o (VETADO)  Como se vê, o dispositivo legal não estipulou a nulidade do lançamento como  conseqüência  da  inobservância  do  prazo  estabelecido.  E  as  razões  para  esta  omissão  estão  indicadas nas razões de veto dos §§ 1o e 2o originalmente constantes no art. 24 do projeto de lei  submetido à sanção presidencial:  Senhor Presidente do Senado Federal,  Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição,  decidi vetar parcialmente, por  inconstitucionalidade e contrariedade ao  interesse  público,  o  Projeto  de  Lei  no  6.272,  de  2005  (no  20/06  no  Senado  Federal),  que  “Dispõe sobre a Administração Tributária Federal; altera as Leis nos 10.593, de 6  de  dezembro  de  2002,  10.683,  de  28  de maio  de  2003,  8.212,  de  24  de  julho de  1991, 10.910, de 15 de  julho de 2004, o Decreto­Lei no  5.452, de 1o  de maio de  1943, e o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972; revoga dispositivos das Leis  nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 10.593, de 6 de dezembro de 2002, 10.910, de 15  de julho de 2004, 11.098, de 13 de janeiro de 2005, e 9.317, de 5 de dezembro de  1996; e dá outras providências”.  [...]  Os  Ministérios  da  Fazenda  e  da  Justiça  propuseram,  ainda,  veto  ao  seguinte  dispositivo:  §§ 1o e 2o do art. 24   “Art. 24. ..................................................................................................................   § 1o O prazo do  caput deste artigo poderá ser prorrogado uma única  vez,  desde  que motivadamente, pelo prazo máximo de 180 (cento oitenta) dias, por despacho  fundamentado no qual seja, pormenorizadamente, analisada a situação específica  do contribuinte e, motivadamente,   §  2o  Haverá  interrupção  do  prazo,  pelo  período  máximo  de  120  (cento  e  vinte)  dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser  realizada  no  máximo  em  igual  prazo,  sob  pena  de  seus  resultados  serem  presumidos favoráveis ao contribuinte.”  Razões do veto   “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no  art.  5o,  inciso  XXXV,  da  Constituição  Federal.  Não  obstante,  a  esfera  administrativa  tem  se  constituído  em  via  de  solução  de  conflitos  de  interesse,  Fl. 5685DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 13          12 desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  razão  pela  qual  a  análise  do  processo  requer  tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias  analisadas, especialmente as de natureza tributária.  Ademais, observa­se que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que  se  encontram  no  âmbito  do  contencioso  administrativo,  e  sim  sobre  todos  os  procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por  parte  da  administração,  obrigada  a  justificativas,  fundamentações  e  despachos  motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação.   Por  seu  lado,  deve­se  lembrar  que,  no  julgamento  de  processo  administrativo,  a  diligência  pode  ser  solicitada  tanto  pelo  contribuinte  como  pelo  julgador  para  firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os  resultados de diligência  serão  presumidos  favoráveis  ao  contribuinte  em  não  sendo  essa  realizada  no  prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por  parte  do  contribuinte,  o  que  poderá  fazer  com  que  o  órgão  julgador  deixe  de  deferir  ou  até  de  solicitar  diligência,  em  razão  das  conseqüências  de  sua  não  realização.  Ao  final,  o  prejudicado  poderá  ser  o  próprio  contribuinte,  pois  o  julgamento  poderá  ser  levado  a  efeito  sem  os  esclarecimentos  necessários  à  adequada apreciação da matéria.”  [...]  Essas, Senhor Presidente, as razões que me levaram a vetar os dispositivos acima  mencionados do projeto em causa, as quais ora submeto à elevada apreciação dos  Senhores Membros do Congresso Nacional. (negrejou­se)  Assim, orientado pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, e tendo  por  foco  a  verdade  material,  com  vistas  a  reduzir  os  litígios  perante  o  Poder  Judiciário,  o  processo  administrativo  fiscal  requer  tempo  razoável  de  duração,  sob  pena  de  o  litígio  ser  concluído  sem  os  esclarecimentos  necessários  à  adequada  apreciação  da  matéria.  Neste  contexto,  o  prazo  legal  de  360  (trezentos  e  sessenta)  dias  para  apreciação  de  defesas  ou  recursos administrativos presta­se, apenas, a conferir aos administrados o direito de exigir que  o  julgamento  dos  litígios  de  seu  interesse  sejam  priorizados,  e  não  fulmina  com  nulidade  o  lançamento, mormente tendo em conta que as hipóteses de extinção do crédito tributário estão  previstas, apenas, no Código Tributário Nacional:  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  I ­ o pagamento;  II ­ a compensação;  III ­ a transação;  IV ­ remissão;  V ­ a prescrição e a decadência;  VI ­ a conversão de depósito em renda;  VII  ­  o  pagamento  antecipado  e  a  homologação  do  lançamento  nos  termos  do  disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º;  VIII ­ a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164;  IX  ­  a  decisão administrativa  irreformável,  assim  entendida  a  definitiva na  órbita  administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória;  X ­ a decisão judicial passada em julgado.  Fl. 5686DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 14          13  XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas  em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001)  Parágrafo único. A  lei  disporá  quanto  aos  efeitos da  extinção  total  ou  parcial  do  crédito  sobre  a  ulterior  verificação  da  irregularidade  da  sua  constituição,  observado o disposto nos artigos 144 e 149.  Observe­se,  por  oportuno,  que  ao  se manifestar  acerca  do  dispositivo  legal  invocado,  o  Superior Tribunal  de  Justiça  apenas  reconheceu  ao  sujeito  passivo  o  direito  de,  uma vez ultrapassado o prazo  legal, ver  seus pedidos de  restituição/ressarcimento apreciados  prioritariamente,  sem  conferir­lhe  o  direito  ao  crédito,  à  semelhança  do  pretendido  pela  recorrente, com a extinção do crédito tributário lançado. A matéria foi discutida no âmbito do  REsp  nº  1.138.306,  decidido  no  rito  do  art.  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  e,  assim  ementado:  EMENTA  TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543C,  DO  CPC.  DURAÇÃO  RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL.  PEDIDO  ADMINISTRATIVO  DE  RESTITUIÇÃO.  PRAZO  PARA  DECISÃO  DA  ADMINISTRAÇÃO  PÚBLICA.  APLICAÇÃO  DA  LEI  9.784/99.  IMPOSSIBILIDADE.  NORMA  GERAL.  LEI  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  DECRETO  70.235/72.  ART.  24  DA  LEI  11.457/07.  NORMA  DE  NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO  IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART.  535  DO CPC NÃO CONFIGURADA. DF CARF MF Fl. 238  1.  A  duração  razoável  dos  processos  foi  erigida  como  cláusula  pétrea  e  direito  fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o  inciso LXXVIII, in verbis:   "a  todos,  no  âmbito  judicial  e  administrativo,  são  assegurados  a  razoável  duração  do  processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação."  2.  A  conclusão  de  processo  administrativo  em  prazo  razoável  é  corolário  dos  princípios  da  eficiência,  da  moralidade  e  da  razoabilidade.  (Precedentes:  MS  13.584/DF,  Rel.  Ministro  JORGE  MUSSI,  TERCEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON,  SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel.  Ministra MARIA  THEREZA DE ASSIS MOURA,  TERCEIRA  SEÇÃO,  julgado  em  29/10/2008,  DJe  07/11/2008;  REsp  690.819/RS,  Rel.  Ministro  JOSÉ  DELGADO,  PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005)  3.  O  processo  administrativo  tributário  encontra­se  regulado  pelo  Decreto  70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei  9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação  de  prazo  razoável  para  a  análise  e  decisão  das  petições,  defesas  e  recursos  administrativos do contribuinte.  4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse  possível  a  aplicação  analógica  em matéria  tributária,  caberia  incidir  à  espécie  o  próprio  Decreto  70.235/72,  cujo  art.  7º,  §  2º,  mais  se  aproxima  do  thema  judicandum, in verbis:  "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001)  I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o  sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;   II – a apreensão de mercadorias, documentos ou livros;   III – o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada.  Fl. 5687DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 15          14 § 1° O  início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação  aos  atos  anteriores  e,  independentemente  de  intimação  a  dos  demais  envolvidos  nas  infrações verificadas.   § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo  prazo  de  sessenta  dias,  prorrogável,  sucessivamente,  por  igual  período,  com  qualquer  outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos."  5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu  art.  24,  preceituou  a  obrigatoriedade  de  ser  proferida  decisão  administrativa  no  prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos,  litteris:  "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de  360  (trezentos e  sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou  recursos  administrativos do contribuinte."   6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de  ser  aplicado  imediatamente  aos  pedidos,  defesas  ou  recursos  administrativos  pendentes.  7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei  11.457/07,  quanto  aos  pedidos  protocolados  após  o  advento  do  referido  diploma  legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art.  24 da Lei 11.457/07).  8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente,  pronuncia­se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais,  o magistrado não está obrigado a  rebater,  um a um, os argumentos  trazidos pela  parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a  decisão.  9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo  de  360  dias  para  conclusão  do  procedimento  sub  judice.  Acórdão  submetido  ao  regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.  Acrescente­se, ainda, que nos termos da Súmula CARF nº 11 não se aplica a  prescrição  intercorrente  no  processo  administrativo  fiscal,  de  modo  que  mesmo  se  transcorridos 5 (cinco) anos desde a apresentação da defesa, o crédito tributário não perece.  E, quanto ao decurso do prazo de mais de 360 (trezentos e sessenta) dias para  conclusão  do  procedimento  fiscal,  cabe  apenas  complementar  que  a  Lei  nº  11.457/2007 não  fixa o referido prazo para formalização do lançamento.  Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento.  Oportuno  esclarecer,  também,  que  embora  a  contribuinte  não  renove,  em  recurso voluntário, sua oposição ao uso de informações bancárias obtidas por meio Requisições  de  Movimentação  Financeira  –  RMF,  sem  autorização  judicial,  referido  procedimento  tem  amparo  no  art.  6o  da  Lei  Complementar  nº  105/2001,  dispositivo  legal  objeto  do  Recurso  Extraordinário nº 601.314, que aguarda  julgamento no Supremo Tribunal Federal  em  rito de  repercussão geral, sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A decisão que reconheceu  a repercussão geral desta matéria foi assim ementada:  EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações  sobre  movimentação  bancária  de  contribuintes,  pelas  instituições  financeiras,  diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001).  Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários  Fl. 5688DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 16          15 referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão  constitucional. Existência de repercussão geral.  Todavia,  no  referido  recurso  extraordinário  ainda  não  foi  editada  decisão  definitiva de mérito que pudesse  impor a reprodução, pelos Conselheiros, no  julgamento dos  recursos  no  âmbito  do CARF,  do  entendimento manifestado  pelo Supremo Tribunal  Federal  em outros  casos  semelhantes,  como pretendem os  recorrentes. Nem mesmo o  sobrestamento  antes  previsto  nos  §§  do  art.  62­A  do  RICARF  prevalece,  dada  sua  recente  revogação  pela  Portaria MF nº 545/2013.  Por  sua  vez,  o  Decreto  nº  70.235/72  somente  autoriza  os  órgãos  administrativos  de  julgamento  a  afastar  a  aplicação  de  lei  que  tenha  sido  declarada  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal:  Art. 26­A. No âmbito do processo administrativo fiscal,  fica vedado aos órgãos de  julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009)  [...]  § 6o O disposto no  caput deste artigo não  se aplica aos  casos de  tratado, acordo  internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do  Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  II  –  que  fundamente  crédito  tributário  objeto  de:(Incluído  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do Procurador­Geral  da  Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de  2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar  no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  c) pareceres do Advogado­Geral da União aprovados pelo Presidente da República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar  no  73,  de  10  de  fevereiro  de  1993.  (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)  O  art.  6o  da  Lei  Complementar  nº  105/2001  foi  objeto  de  apreciação  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  caso  concreto  que  ali  chegou  por  meio  do  Recurso  Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa:  SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo  5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às  comunicações  telegráficas,  aos  dados  e  às  comunicações,  ficando a  exceção –  a  quebra  do  sigilo  –  submetida  ao  crivo  de  órgão  equidistante  –  o  Judiciário  –  e,  mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal.  SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta  da  República  norma  legal  atribuindo  à  Receita  Federal  –  parte  na  relação  jurídico­tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.  Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a  esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de  modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de  decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a  inconstitucionalidade  Fl. 5689DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 17          16 do dispositivo  legal  que  autoriza  o  procedimento  aqui  utilizado  para  reunião  das  provas  que  fundamentam a exigência.  Assim, também sob esta ótica, não há prejuízos à validade do lançamento.  No mérito, a contribuinte questiona o que denomina arbitramento tributário  e  tece  diversas  críticas  quanto  à  dimensão  da  exigência  e  à  conseqüente  ofensa  a  diversos  princípios constitucionais.  O  Termo  de  Verificação  Fiscal  às  fls.  4926/4936  noticia  que,  no  ano­ calendário 2006 aqui autuado, a contribuinte informou em sua declaração simplificada receitas  de  R$  1.197.075,94,  nada  declarou  ao  Fisco  Estadual,  mas  apresentou  movimentação  financeira  total  de R$ 10.086.970,04. Para  além disso,  fez  constar na declaração prestada ao  Fisco Federal que promoveu aquisições representativas apenas de compras, e no valor total de  R$ 319.848,07.  Intimada,  a  contribuinte  apresentou  somente  os  extratos  bancários  de  movimentação financeira mantida junto aos Bancos Bradesco e Brasil e, além de contabilizá­ las  parcialmente,  omitiu­se  em  relação  à  entrega  e  escrituração  dos  depósitos  bancários  verificados  junto  aos  Bancos  Santander/Banespa  e  Nossa  Caixa  Nosso  Banco.  Requerendo  diretamente  às  instituições  financeiras  os  extratos  bancários  não  apresentados,  a  autoridade  fiscal  excluiu  as  parcelas  referentes  a  simples  transferências  entre  contas,  empréstimos,  financiamentos, encargos de limite de crédito, etc, e ainda assim os créditos bancários no total  de  R$  10.086.970,04,  somados  aos  verificados  no  ano­calendário  2007  (R$  28.243.549,44),  foram  reduzidos  em  apenas  R$  12.184.727,26,  restando  R$  26.145.792,22  a  serem  comprovados.  Depois  de  promover  conciliações  entre  a  contabilidade  e  os  extratos  bancários,  a  autoridade  lançadora  produziu  as  planilhas  de  fls.  1805/1815  nas  quais  individualizou os depósitos bancários que, no ano­calendário 2006, deveriam ser  justificados  pela  contribuinte.  Transcorrido  o  prazo  inicial  de  10  (dez)  dias,  prorrogado  por  mais  65  (sessenta e cinco) dias, a contribuinte prestou os esclarecimentos de fls. 1855/1946, com vistas  a  demonstrar  as  operações  de  parceria  rural  realizadas  nos  anos­calendário  2006  e  2007,  remuneradas  por  meio  de  comissões,  acrescentando  que  estas  ocorrências  não  foram  cientificados  ao  escritório  de  contabilidade,  razão  pela  qual  estaria  providenciando  as  retificações  necessárias  com  o  fito  de  não  causar  prejuízo  ao  fisco  e  eliminar  as multas  de  ordem meramente punitivas.  A  autoridade  fiscal  esclareceu  à  contribuinte  que  ela  se  encontrava  com  a  espontaneidade  excluída,  constatou  que  as  retificações  não  foram  promovidas,  e  quanto  aos  contratos de parceria pecuária e de cessão de créditos, exigiu comprovação do recebimento das  comissões  vinculadas  aos  primeiros,  informou  que  dos  segundos  apenas  um  dos  créditos  apresentou  coincidência  de  valor  e  data  com  os  créditos  bancários,  e  exigiu  comprovação  complementar  destas  operações,  bem  como  dos  demais  créditos  bancários  que  não  foram  justificados (fls. 1950/1956). Os esclarecimentos prestados constam às fls. 1963/2526.  O  fiscal  autuante  demonstra  que  promoveu  diligências  junto  às  empresas  envolvidas  na  parceria  rural  alegada  e  examinando  os  documentos  apresentados  identificou  receitas de comissão omitidas no ano­calendário 2006 valor total de R$ 219.955,76, bem como  indicou  a  subsistência  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  equivalentes,  no  mesmo  período,  a  R$  2.095.481,21.  Reportou­se  ao  Demonstrativo  da  Situação  Fiscal  Fl. 5690DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 18          17 Apurada,  integrante  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  juntado  às  fls.  4937/4956,  no  qual  observa­se que diversos depósitos tiveram sua origem admitida como vinculada a contrato de  mútuo com Frigorífico C.J. Ltda, remanescendo depósitos acerca dos quais não foi apresentada  qualquer comprovação, ou que superavam o valor  informado nos contratos apresentados, ou,  então,  foram  justificados como de mesma  titularidade ou oriundos de empréstimos, mas sem  apresentação de documentação comprobatória.  O  trabalho  fiscal,  portanto,  foi  detalhadamente  exposto  à  contribuinte  e  resultou  do  exame  de  toda  a  documentação  apresentada  em  razão  das  intimações  a  ela  dirigidas.  Em  tais  condições,  cumpriria  à  interessada,  em  sua  defesa,  manifestar­se  pontualmente  contra  os  depósitos  cuja  comprovação  não  foi  admitida  pela  Fiscalização,  ou  apresentar prova da origem daqueles não justificados durante o procedimento fiscal. Porém, a  defesa veiculada em impugnação limitou­se a questionar o lastro do lançamento em presunção  legal  e  a  afirmar  a  falta  de  autorização  judicial  para  quebra  do  sigilo  bancário.  No mais,  a  impugnante  consignou  em  sua  defesa  extensa  abordagem doutrinária  acerca  de  seus  direitos  fundamentais, argüiu decadência com base em vasta  reprodução de  jurisprudência,  afirmou a  impossibilidade  de  aferir  indiretamente  a  contribuição  do  INSS  pelo  exame  baseado  em  extratos bancários e finalizou apresentando cálculos alternativos para a exigência, em razão da  atividade  rural  desenvolvida,  e  questionando  o  percentual  de  multa  aplicado.  Embora  reconhecendo  que  a  prova  documental  deve  ser  produzida  por  ocasião  da  impugnação  (fl.  5081), a contribuinte não fez qualquer referência à sua juntada no texto da defesa, limitando­se  a  relacionar  no  anexo  de  fl.  5126  os  documentos  apresentados,  os  quais,  em  sua  maioria  reproduzem aqueles entregues no curso do procedimento fiscal.  O  exame  dos  anexos  da  impugnação  revela  que  a  única  operação  ali  especificada diz respeito ao recebimento de R$ 21.534,23, verificado em 31/12/2006, em razão  de nota promissória emitida pela contribuinte em favor de Orlando Baltazar Jr. (fl. 5435/5436).  Todavia,  inexiste  qualquer  depósito  nesta  data,  ou  mesmo  em  data  próxima,  no  valor  mencionado,  conforme  se  verifica  no  demonstrativo  antes  referido,  e  também  juntado  por  ocasião  da  impugnação  (fl.  5331).  Ausente  qualquer  argumentação  acerca  do  conteúdo  da  referida  prova,  correta  se  mostra  a  conclusão  da  autoridade  julgadora  de  1a  instância,  nos  seguintes termos:  A comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente bancária deve  ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve  origem  em  valores  já  tributados  pela  empresa  ou  em  valores  não  tributáveis  ou  tributáveis exclusivamente na fonte.   No caso presente, a fiscalização efetuou a conciliação entre os valores das contas  bancárias  da  contribuinte  (excluindo  as  transferências  entre  contas,  empréstimos,  financiamentos,  encargos  de  limite  de  crédito,  etc.,)  e  com  os  valores  já  contabilizados  e  intimou  a  empresa  a  esclarecer  e  comprovar  adequadamente  a  origem dos recursos depositados em suas contas­correntes e a contribuinte deixou  de comprovar a totalidade dos valores questionados pelo fisco. Nem mesmo na fase  impugnatória  apresentou  qualquer  documento  que  comprovasse  a  origem  dos  depósitos bancários tributados.   Ao contrário do que afirma a contribuinte, foram considerados pela fiscalização os  contratos apresentados durante a ação  fiscal,  cabendo  ressaltar que,  se,  tal como  alega,  a  movimentação  financeira  é  proveniente  da  atividade  rural,  deveria  a  interessada  ter apresentado os documentos que comprovassem tal alegação, o que  não foi feito.  Fl. 5691DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 19          18 Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada essa origem durante a  ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou evidenciada.  Por ocasião do recurso voluntário, a contribuinte  juntou vários documentos,  mas  equivalentes,  em  sua  quase  totalidade,  àqueles  já  apresentados  e  apreciados  pela  autoridade  fiscal.  Aliás,  a  maior  parte  das  referências  são,  justamente,  aos  termos  e  demonstrativos  lavrados  em  razão  dos  elementos  apresentados  (fls.  5502/5662).  O  único  diferencial  constatado  nesta  segunda  oportunidade  de  defesa  são  os  documentos  de  fls.  5663/5673,  referentes  a  outros  contratos,  porém  na  primeira  parte  vinculados  a  operações  realizadas no ano­calendário 2007, que não são objeto da presente exigência. Na segunda parte,  os documentos se reportam a Contrato de Parceria Pecuária firmado com Frigorífico C.J. Ltda,  já apreciado e admitido pela Fiscalização, e a Contrato de Arrendamento de Propriedade Rural  e  Exploração  Pecuária  firmado  por  Estância  do  Bita  em  favor  da  autuada,  de  modo  a  demonstrar,  apenas,  os  valores  de  arrendamento  que  seriam  devidos  por  esta  a  partir  de  13/02/2005, e não se prestando a provar a origem dos depósitos bancários autuados.  Resta  evidente,  nestes  termos, que o  lançamento  reúne os  requisitos do  art.  142 do CTN; está validamente baseado em presunção legal de omissão de receitas, na medida  em  que  individualizados  os  depósitos  bancários  que  a  contribuinte,  intimada,  não  logrou  comprovar a origem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96; e observa a atividade secundária  exercida  pelo  contribuinte,  submetendo  à  tributação  apenas  a  comissão  dela  decorrente  e  admitindo comprovados os depósitos bancários que decorreriam dos aportes promovidos pela  parceira em tais atividades.   Não  há,  portanto,  inconveniente  e  censurável  arbitramento  tributário,  ou  mesmo aferição indireta sobreposta, mas apenas presunção legal de omissão de receitas, que  viabiliza o lançamento ainda que a conduta do sujeito passivo procure constituir um cenário de  imprecisão em prejuízo à verdade material, razoabilidade, moralidade e legalidade. A falta de  comprovação da origem dos depósitos bancários autoriza o Fisco a presumir que eles decorrem  de receitas omitidas, e em tais circunstâncias a tributação incide sobre faturamento revelado e o  lucro  presumido  em  razão  destas  atividades,  pois  mesmo  na  sistemática  simplificada  de  recolhimentos estão agregadas as alíquotas dos tributos incidentes sobre o lucro reduzidas em  razão  do  coeficiente  de  lucro  que  seria  aplicável  sobre  aquelas  receitas.  Imprópria,  assim,  a  alegação de confisco.  Assim,  não  há  tributação  sobre  movimentação  bancária,  mas  sim  sobre  as  receitas presumidamente omitidas em razão de a contribuinte não ter, justamente, demonstrado  a alegada entrada e saída de capital decorrente das operações de parceria rural, que afastariam  o  presumível  acréscimo  patrimonial  a  descoberto.  Nada  impede  que  o  sujeito  passivo  empregue licitamente a liberdade contratual para celebrar seus contratos de mútuo para obter  em  regime  de  parceria  captação  de  valores  necessários  a  sua  atividade  secundária,  mas  a  legislação  tributária, mesmo  no  âmbito  da  sistemática  simplificada  de  recolhimentos,  impõe  que  estes  fatos  estejam  devidamente  escriturados,  ao  menos  Livro  Caixa,  e  associados  à  correspondente  documentação  de  suporte,  especialmente  no  que  tange  à  movimentação  financeira daí decorrente, sob pena de se aplicar as presunções de omissão de receitas previstas  na legislação aplicável às demais pessoas jurídicas. Isto é o que consta da Lei nº 9.317/96:  Art.  7°  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte,  inscritas  no  SIMPLES  apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último  dia útil do mês de maio do ano­calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos  geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4° .  Fl. 5692DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 20          19  §  1°  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte  ficam  dispensadas  de  escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto  não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam  pertinentes:   a)  Livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua  movimentação  financeira, inclusive bancária;   b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques  existentes no término de cada ano­calendário;   c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração  dos livros referidos nas alíneas anteriores.   §  2°  O  disposto  neste  artigo  não  dispensa  o  cumprimento,  por  parte  da  microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na  legislação previdenciária e trabalhista.  [...]  Art.  18.  Aplicam­se  à  microempresa  e  à  empresa  de  pequeno  porte  todas  as  presunções  de  omissão  de  receita  existentes  nas  legislações  de  regência  dos  impostos e contribuições de que  trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos  livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas.  Tem razão a recorrente quando assevera que a presunção estabelecida no art.  42 da Lei nº 9.430/96 admite prova em contrário, mas a produção desta estava a seu encargo.  Assim, ausente qualquer comprovação nas defesas aqui apresentadas, a presunção de omissão  de receitas subsiste.   Quanto  à  necessidade  de  prova  do  consumo  revelado  pelos  depósitos  bancários, bastaria observar que a recorrente tem em conta a Súmula CARF nº 67, que regula  presunção distinta daquela aqui sob análise:  Súmula CARF nº 67. Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir  de  fluxo  de  caixa  que  confronta  origens  e  aplicações  de  recursos,  os  saques  ou  transferências  bancárias,  quando  não  comprovada  a  destinação,  efetividade  da  despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.  O  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  é  infração  que  tem  em  conta  as  receitas/rendimentos e despesas/aplicações promovidas por pessoa física ou jurídica (esta, em  regra,  tributada pelo  lucro presumido),  e  resulta na  tributação de  sinais exteriores de  riqueza  provados  pela  constatação  de  receitas/rendimentos  e  outras  origens  em  valor  inferior  às  aplicações de  recursos no período  (art. 846 do RIR/99). Em  tais condições, este Conselho  já  pacificou  o  entendimento  de  que  as  aplicações  de  recursos  devem  ser  efetivamente  demonstradas, não bastando, para isso, evidências de saques e transferências bancárias.  Em sentido oposto, no âmbito da presunção legal de omissão de receitas aqui  constituída, prevalece a Súmula CARF nº 26 que diz: A presunção estabelecida no art. 42 da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos bancários sem origem comprovada.  No presente caso, o Fisco demonstrou não só que os depósitos bancários não  estavam  contabilizados,  como  também  oportunizou  à  contribuinte  a  prova  de  sua  origem,  obtendo  apenas  parcial  demonstração  destes  valores. Em  tais  condições,  a presunção  legal  é  perfeitamente  aplicável,  e  uma  vez  apurada  receita  subtraída  à  tributação,  a  autoridade  Fl. 5693DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 21          20 lançadora deve promover a exigência segundo a  sistemática à qual se submete a contribuinte  (art. 24 da Lei nº 9.249/95), salvo se presente hipótese que impõe a sua desconsideração.  No  ano­calendário  2006,  a  contribuinte  era  optante  pelo  Simples  Federal  e  não  restou  configurada  hipótese  que  determinasse  sua  exclusão  com  efeitos  já  naquele  ano  calendário.  Em  tais  condições,  o  cálculo  dos  valores  devidos  deve  ser  promovido mediante  aplicação  das  alíquotas  agregadas  para  recolhimento  simplificado,  determinadas  segundo  a  nova receita bruta acumulada, sobre as receitas mensalmente apuradas, consoante demonstrado  às fls. 4971/4986. Por tais razões, inclusive, não merece acolhida a pretensão da recorrente de  ver a contribuição patronal do empregador, aqui  identificada sob a rubrica “INSS”, calculada  sobre  a  folha  de  salários.  Ao  optar  pela  sistemática  simplificada  de  recolhimento,  esta  contribuição é calculada mediante aplicação do percentual definido em lei sobre a receita bruta  do  período,  impedindo  a  pretendida  aferição  indireta  na  forma  do  art.  33,  §3o  da  Lei  nº  8.212/91, ainda que mais vantajosa ao sujeito passivo.  Por esta mesma razão, também, não tem lugar, aqui, o recálculo da exigência  para aplicação das benesses conferidas à atividade rural. A segregação de receitas e despesas  mencionadas pela recorrente com lastro na Instrução Normativa SRF nº 257/2002 somente se  faz necessária quando a pessoa jurídica, optante pelo lucro real, quer se valer das vantagens de  depreciação acelerada ou de compensação de prejuízos e bases negativas sem o limite legal de  30%.  Veja­se  que  o  próprio  ato  normativo  determina  em  seus  arts.  19  e  21  que  a  pessoa  jurídica  rural,  quando  sujeita  ao  lucro  presumido  ou  arbitrado,  deve  observar  as  mesmas  hipóteses e condições previstas para  recolhimento em face das demais pessoas  jurídicas. Por  sua vez, a  tributação de apenas 20% da receita bruta indicada nos cálculos da recorrente está  prevista,  somente,  em  face  de  contribuintes  pessoa  física,  na  forma  do  art.  5o  da  Lei  nº  8.023/90.  Aqui,  como  visto,  a  contribuinte  optou  pela  sistemática  simplificada  de  recolhimento, o que excepciona a apuração do IRPJ e da CSLL segundo as regras do lucro real,  mas implicitamente incorpora as regras do lucro presumido, inclusive com significativa isenção  nas alíquotas destinadas ao IRPJ, apenas que sem o pretendido redutor de 20%, inaplicável a  qualquer pessoa jurídica. Imprópria, assim, a defesa desenvolvida pela autuada.  Por todo o exposto, não há reparos ao principal exigido nestes autos, motivo  pelo qual, neste ponto, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário.  A  recorrente  também  aduz  que  a  aplicação  concomitante  da  descomedida  multa de 75% e de 150% ofenderia os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Mais à  frente diz que a exigência é abusiva e confiscatória; desconsiderou as circunstâncias específicas  decorrentes da parceria rural; e não teve em conta sequer fato ilícito. Aduz que o  tributo não  pode ser utilizado para punir e que as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de  arrecadação disfarçado.  As  exigências  decorrentes  de  diferença  de  base  de  cálculo  apurada  entre  a  escrituração e a declaração simplificada (R$ 213,20 em dezembro/2006) e de insuficiência de  recolhimento  resultante  das  novas  alíquotas  aplicáveis  às  receitas  declaradas  em  razão  da  recomposição da receita bruta acumulada foram acrescidas de multa de 75%. Já as parcelas que  deixaram  de  ser  recolhidas  em  razão  da  omissão  de  receitas  de  comissão  e  das  receitas  presumidamente  omitidas  em  decorrência  da  não  comprovação  da  origem  de  depósitos  bancários foram submetidas ao percentual qualificado de 150%.   Fl. 5694DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 22          21 A autoridade fiscal destaca que a partir dos fatos constatados resta claro que  o contribuinte fiscalizado omitiu receitas, utilizando­se de contas bancárias para movimentar  os  recursos,  não  contabilizados  e  nem  submetidos  à  tributação.  E,  além  da  constatação  de  infração tributária configurada como omissão de receitas, aduz que:  29.9  –  Tendo  em  vista:  que  o  contribuinte  elaborou  e  apresentou  à  fiscalização  escrituração  incorreta  e  viciada,  pois  não  identifica  corretamente  sua  movimentação  financeira,  e  inclusive  deixa  de  registrar  diversas  e  relevantes  operações  realizadas  pela  empresa  (comissões,  parcerias,  mútuos,  cessões  e  créditos,  empréstimos, etc); que o contribuinte apresentou sua DIPJ 2007 zerada;  que  em  22  (vinte  e  dois)  dos  24  (vinte  e  quatro) meses  objeto  da  fiscalização  foi  constatada  omissão  de  receita  caracterizada  por  depósitos  de  origem  não  comprovadas;  entendemos  que deve  ser aplicada a multa  de ofício  qualificada de  150%,  pois  ficou  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraudar  a  Fazenda  Pública  Federal,  inclusive havendo prática reiterada de infração à legislação tributária. A  legislação que trata do assunto, é a Lei nº 9.430 de 1996, inciso II, art. 44, alterada  pela lei nº 11.488, de 2007, que alterou a redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 –  processo administrativo nº 15868.000007/2011­60.  Inicialmente observe­se que a aplicação das penalidades não é concomitante.  A multa de 75% foi aplicada aos créditos tributários decorrentes de falta de recolhimento em  que não se verificou o evidente intuito de fraude, e apenas aos créditos tributários resultantes  de omissões com aquele agravante foi aplicada multa no percentual de 150%.   Quanto  aos  créditos  tributários  apurados  em  razão  de  receitas  presumidamente omitidas por falta de comprovação da origem de depósitos bancários, é certo  que a contribuinte não contabilizou integralmente sua movimentação financeira, assim como a  presunção  de  omissão  de  receitas  se  verificou  em  quase  todos  os  períodos  fiscalizados.  Todavia,  para  se  afirmar  que  os  depósitos  bancários  correspondem  a  receitas  da  atividade  é  necessário  que  a  Fiscalização  reúna  outras  evidências,  como  por  exemplo  o  creditamento  bancário  a  título  de  cobrança  ou  desconto,  ou  outras  evidências  que  vinculem  os  depósitos  bancários a clientes da contribuinte, de modo a evidenciar que o sujeito passivo, ao deixar de  escriturá­los e de comprovar sua origem no curso do procedimento fiscal, tinha a intenção de  deixar de recolher os tributos decorrentes daquelas bases de cálculo sabidamente tributáveis. A  presunção  legal permite que o Fisco promova a exigência ainda que o sujeito passivo não se  desincumba  de  seu  dever  de  escriturar,  porém  a  reiterada  constatação  de  receitas  presumidamente  omitidas  não  é  suficiente  para  qualificação  da  penalidade,  pois  não  permite  concluir que o sujeito passivo agiu ou se omitiu dolosamente para impedir ou retardar, total ou  parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária do fato gerador, ou mesmo  para  impedir ou  retardar usa ocorrência. Ainda  que por  indícios  esta  intenção deve  estar,  ao  menos,  presumida,  de  modo  que  sua  a  reiteração  a  ocorrência  conduza  à  caracterização  do  intuito de fraude presente nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, como exige o art. 44, inciso II da  Lei  nº  9.430/96,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007.  Se  a  presunção  de  omissão  de  receitas  não  está  associada  a  outros  elementos  que  a  vinculem  a  receitas  sabidamente  tributáveis, a jurisprudência deste Conselho já está consolidada no seguinte sentido:  Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.  Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos,  por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária  a  comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73.  Fl. 5695DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 23          22 Quanto  às  receitas  de  comissão  omitidas  pela  contribuinte,  houve  o  reconhecimento, no curso do procedimento fiscal, de que estes valores não foram declarados, e  nem mesmo escriturados, na medida em que os fatos não foram levados ao conhecimento do  responsável  pela  escrituração.  Em  conseqüência,  no  ano­calendário  2006  foram  declaradas  receitas no valor  total  de R$ 1.197.075,94,  ao passo que  as  receitas omitidas  totalizaram R$  219.955,76.   A menor representatividade das  receitas desta atividade secundária, e o  fato  de elas não constarem da escrituração operam em favor da alegação da contribuinte de que o  recolhimento  não  se  verificou  por  erro. Além  disso,  o  exame  dos  fatos  constatados  no  ano­ calendário subseqüente evidencia que as operações omitidas podem ter sido transitórias, dado  que não foram apuradas receitas de comissão a partir de abril/2007.     O Código Tributário Nacional, por sua vez, diz em seu art. 112 que a lei que  comina penalidades deve ser interpretada da maneira mais  favorável ao acusado, em caso de  dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do  fato, ou à natureza ou extensão  dos  seus  efeitos.  Assim,  considerando  que  os  elementos  dos  autos  não  permitem  excluir  a  possibilidade de que o contribuinte tenha errado ao deixar de recolher as parcelas exigidas, a  qualificação da penalidade não pode subsistir.  Recorde­se, porém, que embora não renovando a defesa em sede de recurso  voluntário, a contribuinte alegara, em impugnação, que as exigências apuradas nos períodos de  janeiro  a  julho/2006  já  estariam  alcançadas  pela  decadência,  em  razão  de  a  ciência  do  lançamento  somente  ter  se  verificado  em  agosto/2011.  Tratando­se  de  matéria  de  ordem  pública, uma vez afastada a qualificação da penalidade, impõe­se o reconhecimento de ofício  da decadência do direito de o Fisco constituir os créditos tributários pertinentes aos períodos de  janeiro  a  julho/2006,  até  porque  a  contribuinte  apresentou  declaração  simplificada  reconhecendo receitas e tributos devidos em todos os períodos do ano­calendário 2006, e não  houve  qualquer  objeção  fiscal  ao  caráter  constitutivo  desta  declaração  ou  à  inexistência  dos  recolhimentos  correspondentes.  A  declaração  simplificada  está  juntada  às  fls.  4500/4925  e  apresenta tributos devidos em todos os meses do ano­calendário 2006.  Esclareça­se que  esta matéria  tem seu  julgamento afetado pelas disposições  do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a  conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática prevista pelos artigos 543­ B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro  de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.   Isto porque, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art.  150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça decidido, na sistemática prevista pelo art. 543­C  do Código  de  Processo  Civil,  o  que  assim  foi  ementado  no  acórdão  proferido  nos  autos  do  REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO  DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO  Fl. 5696DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 24          23 173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento de ofício) conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006, DJ 10.04.2006;  e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado  em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra­se regulada por cinco regras  jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito  de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos  tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no  Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda que  se  trate de  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação,  revelando­se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos  nos  artigos  150,  §  4º,  e  173,  do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo sujeito a lançamento  por  homologação;  (ii)  a  obrigação  ex  lege  de  pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de  1994;  e  (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários  respectivos  deu­se  em  26.03.2001.  6. Destarte, revelam­se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o  decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento  de ofício substitutivo.  7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Extrai­se deste  julgado  que o  fato de o  tributo  sujeitar­se  a  lançamento  por  homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar­ se  o  encerramento  do  período  de  apuração  como  termo  inicial  da  contagem  do  prazo  decadencial de 5 (cinco) anos.  Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta  objetiva  a  ser homologada,  sob pena de a  contagem do prazo decadencial  ser orientada pelo  Fl. 5697DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.000001/2011­92  Acórdão n.º 1101­001.151  S1­C1T1  Fl. 25          24 disposto no art. 173 do CTN. E  tal  conduta, como  já se  infere a partir do  item 1 da  referida  ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito.  Relevante  notar,  porém,  que,  no  caso  apreciado  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  discussão  central  prendia­se  ao  argumento  da  recorrente  (Instituto  Nacional  de  Seguridade Social –  INSS) de que o prazo para constituição do crédito  tributário seria de 10  (dez)  anos,  contando­se  5  (cinco)  anos  a  partir  do  encerramento  do  prazo  de  homologação  previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão,  os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação  cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário,  ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal.  Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do  que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindo­se aqui a livre  convicção  acerca  de  sua  definição.  Considerando  que  a  contribuinte  apresentou  declaração  simplificada no ano­calendário 2006, confessando tributos devidos em todos os meses daquele  período,  conclui­se  que  em  05/08/2011  já  estava  homologada  tacitamente  a  apuração  da  contribuinte relativamente aos meses de janeiro a julho/2006.  Por tais razões, no que tange à qualificação da penalidade, o presente voto é  no sentido de DAR PROVIMENTO ao  recurso voluntário para  afastá­la e,  em conseqüência  declarar a decadência dos créditos tributários lançados de janeiro a julho/2006.  Com  referência  à  penalidade  subsistente,  no  percentual  de  75%,  ante  sua  previsão no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 para todas as hipóteses de falta de recolhimento  e  de  declaração,  os  argumentos  de  defesa  da  recorrente  são  rejeitados  com  base  na  Súmula  CARF nº 2, a qual declara que este órgão de julgamento não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Estas  as  razões,  portanto,  para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao  recurso  voluntário, excluindo as exigências alcançadas pela decadência e afastando a qualificação da  penalidade aplicada sobre os créditos tributários remanescentes.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                                Fl. 5698DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

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Numero do processo: 10783.724592/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 10/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator). Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento de COFINS não cumulativa relativa ao terceiro trimestre de 2006, e está relacionada a saldo de créditos de COFINS – exportação. O pedido está fundamentado no art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/03, e foi totalmente vinculado a três declarações de compensação. A decisão recorrida assim resumiu as glosas efetuadas: A – Bens utilizados como Insumos Foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que não tiveram ação direta sobre o produto fabricado (insumos indiretos) e os bens contabilmente registrados no ativo imobilizado, detalhado no anexo I. Em relação à conta 133020.502 Lenha, relativa ao suprimento lenha, as glosas referem-se a aquisições de pessoas físicas, que não geram crédito. Quanto ao corte de madeira, trata-se de serviços prestados na floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria. Essa prestação de serviços vincula-se apenas indiretamente com o processo de industrialização, não havendo previsão legal para obtenção de créditos. Quanto aos itens do Imobilizado há vedação expressa. B – Serviços utilizados como Insumos Foram desconsiderados os itens classificados como insumos que não foram aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou no caso da unidade prestadora de serviços, não tenham sido aplicados ou consumidos na prestação do serviço, conforme detalhados no Anexo II. Em relação a fretes cujos créditos foram glosados, estes se referem a deslocamentos entre unidades da própria empresa, do armazém para a fábrica. No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizam-se como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da Cofins. Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)", para as quais não foi possível identificar tratar-se de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8º, §4°, II, da IN SRF n° 404, de 2004, combinado com o art. 3º, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Os dados podem ser verificados no anexo II nas linhas com a identificação:“santos armaz". C – Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado A legislação permite a apropriação de créditos apurados sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado para a utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, adquiridos a partir de 01/05/2004, em 48 parcelas mensais. Em relação a depreciação de vagões (anexo III) não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços, operam fora da fábrica. D – Crédito Presumido Verificou-se que, do total do crédito presumido apurado relativo a produto in natura de origem vegetal (soja) adquirido de produtores rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas que efetuaram vendas com suspensão da Cofins, apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerandose a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte significativa do crédito presumido foi apurada (de acordo com informação do contribuinte) com base no preço médio da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação aos estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003). O que estabelece o art. 8º, §2°, da Lei n° 10.925, de 2004, é que "o direito ao crédito presumido" da Cofins "só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País (...)". Ou seja, na apuração do crédito presumido caberia ao contribuinte considerar o valor efetivo das aquisições efetuadas nas respectivas datas de emissão das notas fiscais pelos fornecedores. Desse modo seria possível efetuar diretamente as verificações relativas às aquisições, notadamente sua efetiva existência, os preços (se compatíveis com o praticado no mercado naquele momento) e a qualificação dos fornecedores, tópicos sensíveis à validação dos créditos presumidos na sistemática da não cumulatividade da Cofins, nos termos do art. 8 º da Lei n° 10.925, de 2004. Do modo esdrúxulo e extemporâneo como procedeu o contribuinte, sem previsão legal, tal verificação só seria possível com a análise da composição dos estoques armazenados ao longo do tempo e de sua dinâmica, considerando as entradas e saídas mensais, retroagindo o procedimento fiscal a períodos anteriores aos demonstrativos e aos pedidos de ressarcimento de referência, apresentados pelo próprio contribuinte; implicando, inclusive, em analisar novamente fatos jurídicos já objeto de verificações em procedimentos fiscais anteriores. Assim, o fato objetivo é que, sem amparo legal, impediu o contribuinte que a RFB promovesse as verificações necessárias e imprescindíveis à comprovação da procedência dos créditos e de sua eventual utilização na dedução das contribuições devidas nos respectivos períodos de apuração. E – Outras Operações com Direito a Crédito No Dacon relativo à competência 09/2006, na ficha 16A, linha 13, na rubrica “outras operações com direito a créditos", o contribuinte registrou valores relativos a recálculos de créditos da não cumulatividade da Cofins que não teriam sido apropriados em períodos anteriores. Os alegados créditos, de acordo com as planilhas apresentadas, vinculam-se a fretes contratados nas operações de compra, de venda, e nas transferências internas (planta/planta), no período de 02/2003 a 08/2006. Preliminarmente, cabe pontuar que a linha 13 da ficha 16A do Dacon destinase ao registro de outras operações com direito a crédito não contempladas nas linhas 1 a 12, para fatos jurídicos ocorridos no mês de referência do Dacon. Não se destina a registros de ajustes ou correções relativos a créditos eventualmente não apropriados em períodos pretéritos. Para esse objetivo há procedimentos específicos normatizados, de modo a garantir o equilíbrio entre o exercício do direito do contribuinte com o dever/função da Fazenda Pública de promover as verificações necessárias no sentido de validar a operação e promover, se for o caso, as respectivas homologações dos créditos. Assim a retificação no DACON relativas a informações prestadas em períodos anteriores, deve ser efetuada mediante a apresentação de declaração retificadora nos limites e prazos estabelecidos na legislação. Não foi o que fez o contribuinte. Ignorando as normas estabelecidas pela RFB, reuniu um grande volume de dados, abrangendo recálculos relativos a 43 (quarenta e três) meses, condensou tudo e, extemporaneamente, em 09/2006, lançou o somatório na linha 13, da ficha 16A, do Dacon, a título de outras operações com direito a crédito. No mês 09/2006, não se comprovou (através de documentos fiscais ou registros contábeis) a ocorrência de fatos jurídicos tributários que dessem suporte aos créditos apropriados pelo contribuinte a título de "outras operações com direito a crédito". Diante do acima exposto, o crédito pleiteado no valor de R$ 28.654.407,05 foi indeferido e as compensação declaradas não foram homologadas por meio do Despacho Decisório DRF/VIT/ES (fl. 41). Discordando das glosas efetuadas, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram assim resumidos pelo acórdão da DRJ: A nulidade do Despacho Decisório recorrido Não obstante as alegações contidas no Despacho Decisório, não foi demonstrado, de maneira clara, o método utilizado na valoração dos créditos considerados e dos créditos glosados, tendo apresentado apenas as tabelas constantes do Anexo V do Despacho Decisório, as quais não esclarecem, de forma pormenorizada, a composição dos valores dos créditos presumidos de COFINS, o que impediu a impugnante de apresentar razões de defesa visando ao deferimento integral de seu pedido de Ressarcimento. Tem-se, portanto, clara situação de cerceamento de defesa, com inobservância dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, ambos previstos no artigo 5o, LV da Constituição Federal. No presente caso, a razão que invalida o motivo do ato é a falta de provas que constituam os fatos, em outras palavras, que justifiquem e confirmem os valores apresentados pelas autoridades fiscais, o que caracteriza falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. Conceito de Insumos A impugnante entende que todos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e utilizados, direta ou indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos de PIS e COFINS. Foi esse o claro intuito do legislador ao criar o sistema de créditos e débitos dessas contribuições, sendo equivocada e ilegal ante a falta de embasamento em lei a utilização de conceitos próprios do IPI para tanto. E foi justamente nesse sentido que, infelizmente, andaram as autoridades fiscais, as quais entendem que somente poderiam ser considerados como insumos (i) os bens que tem ação direta sobre o produto fabricado e que "sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação"; e (ii) os serviços aplicados ou consumidos na fabricação de produto ou na prestação do serviço. É dentro desse cenário de discordância com relação ao conceito de insumo para fins da apuração de créditos de PIS e COFINS que a impugnante demonstra a impossibilidade de se adotar o conceito de insumos utilizado para fins de IPI, o qual é demasiadamente restritivo e, principalmente, não possui relação com o evento tributável pelas referidas contribuições. Acrescenta que a legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos e não faz referência à legislação do IPI, portanto, deve ser utilizado o conceito genérico de insumo. São insumos todos os elementos necessários à produção de um bem ou à prestação de serviços. Em outras palavras, todos os bens corpóreos ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens ou serviços são considerados como insumos. A leitura dos demais incisos do artigo 3º das Leis n.° 10.637/2002 e n.° 10.833/2003 evidencia, claramente, que a legislação do PIS e da COFINS admite créditos com relação a diversos elementos que certamente não seriam passíveis de crédito de IPI, como é o caso de serviços, combustíveis e lubrificantes. Ao estabelecer que o crédito proveniente da aquisição de insumos abrangeria gastos gerais na produção de bens e na prestação de serviços, demonstrase que a intenção do legislador ordinário foi a de afastar a legislação do PIS e da COFINS da legislação do IPI ou, no mínimo, de não tomála por base. O IPI incide sobre a saída de produtos industrializados. Assim, é compreensível que os créditos desse imposto, para garantir a sua nãocumulatividade, sejam calculados somente sobre os insumos aplicados diretamente na produção do bem sujeito ao IPI. Por outro lado, o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da pessoa jurídica, de forma que a nãocumulatividade dessas contribuições deve considerar os elementos físicos e funcionais que colaboram para a formação dessa receita, não se restringindo aos insumos aplicados diretamente e consumidos no curso do processo produtivo. A título de argumentação, vale ressaltar que a materialidade do PIS e da COFINS é muito mais próxima da do IRPJ do que da do IPI. Se fosse necessário buscar fundamento em legislação tributária anterior para definir os elementos geradores de créditos de PIS e COFINS (o que se admite para fins de argumentação), deverseia utilizar a legislação do IRPJ. A própria regulamentação da Receita Federal do Brasil (art. 27 da IN 900/2008) indica que custos, despesas e encargos geram créditos de PIS e COFINS passíveis de ressarcimento, sem que haja qualquer restrição aos bens aplicados e consumidos diretamente na produção de bens e serviços. A interessada cita acórdãos do CARF com entendimento de que o conceito de insumos na sistemática da não cumulatividade das contribuições deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa. 2.1 Fretes Apesar de o serviço não ser aplicado diretamente no processo de produção, é incontestável que ele é absolutamente necessário e intrínseco a essa atividade de produção. Aliás, se não há a transferência das matérias primas dos armazéns para a fábrica, a fase de produção não pode ser sequer iniciada. Serviços portuários A impugnante não pode concordar com a conclusão das autoridades fiscais, na medida em que os créditos glosados referemse a serviços prestados a terceiros. De fato, para garantir que os créditos de PIS e COFINS sejam apropriados somente com relação aos bens e serviços utilizados na prestação de serviços a terceiros, a impugnante utiliza dois métodos, dependendo da natureza dos custos ou despesas. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas do Estado de São Paulo ("CODESP") relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita a cada embarque. Assim, a impugnante realiza o levantamento da quantidade embarcada, verifica a proporção entre os produtos próprios e os produtos de terceiros e aplica a proporção com relação aos custos e despesas relacionados ao embarque. Então, somente a parte dos custos e despesas correspondente aos produtos de terceiros gera créditos de PIS e COFINS. Já para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tal como almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita com base no volume total movimentado por mês. Nesse cenário, a impugnante verifica o volume total movimentado na filial no mês, obtém a proporção entre o volume próprio e o volume de terceiros e aplica a proporção sobre os custos e despesas mencionados acima. Novamente, somente a parte dos custos e despesas associados à movimentação de produtos de terceiros gera crédito de PIS e COFINS. Ou seja, apesar de não ser possível uma vinculação exclusiva dos gastos cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados pelas autoridades fiscais aos serviços prestados a terceiros, é incontestável que essa vinculação existe, de forma que os créditos devem ser admitidos. – Depreciação de vagões O transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS. Devese ressaltar que o artigo 3o, inciso IX da Lei n.° 10.833/2004 prevêem a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. Crédito Presumido O artigo 8o da Lei n.° 10.925/2004 determina que as pessoas jurídicas produtoras de determinados produtos de origem animal e vegetal fazem jus a crédito presumido de PIS e de COFINS sobre aquisições de produtos in natura de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão dessas contribuições em suas operações. Considerando que adquire soja in natura para a produção de derivados, tais como óleo de soja e farelo de soja, a interessada registrou, com base no dispositivo legal acima, créditos presumidos de PIS e COFINS sobre as operações realizadas nas condições estabelecidas na legislação. Como demonstrado em sede preliminar, a impugnante não pode identificar o método utilizado pelas autoridades fiscais na valoração dos créditos considerados e dos créditos glosados, o que gera a nulidade do lançamento fiscal. Não obstante, o contribuinte não pode deixar de rechaçar, mesmo que em tese, o argumento acima, na medida em que o método utilizado pela contribuinte para o registro dos créditos presumidos de PIS e COFINS está em plena consonância com a legislação tributária e, acima de tudo, é coerente com sua operação. Com efeito, a operação de soja é realizada, essencialmente, em cinco fábricas (filiais) da contribuinte: Rondonópolis, Uberlândia, Campo Grande, Três Passos e Joaçaba. As fábricas de Três Passos e Joaçaba adquirem a soja in natura diretamente dos fornecedores. Já as fábricas de Rondonópolis, Uberlândia e Campo Grande, que são consideradas sedes regionais da empresa, recebem a soja in natura em transferência de outras filiais que adquirem o produto dos fornecedores. A primeira situação, em princípio, parece não ter sido questionada pelas autoridades fiscais e, por essa razão, não será objeto de comentários adicionais pela interessada. Caso haja a manifestação da autoridade fiscalizadora em sentido contrário, necessária reconhecerse a nulidade do d. Despacho Decisório e o direito da impugnante a nova Manifestação de Inconformidade. A interessada apresenta um sumário da Regional de Campo Grande. Afirma ainda que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Impugnante, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS. O valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja — que somente é determinado no encerramento do contrato, após a entrega total dos produtos — mas uma mera estimativa, uma vez que celebra contrato de compra e venda com preço a fixar. Ou seja, há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato. Diante disso, a interessada decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Os créditos presumidos de PIS e COFINS somente são apropriados pela Interessada no momento da transferência entre a filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento. Pela peculiaridade da operação, a metodologia não está prevista na legislação fiscal. Apresenta a apuração do preço médio acumulado da regional de Campo Grande de setembro de 2006 (DOC. 05). Outros créditos – Créditos extemporâneos A impugnante registrou em setembro de 2006, sob a rubrica de "Outros Créditos", créditos de PIS e COFINS relativos a períodos anteriores que, por equívocos em sua apuração, não haviam sido escriturados e registrados nos períodos pertinentes às operações que lhe deram origem. Esses créditos referemse a créditos relativos a fretes contratados em operações de compra, venda e em transferências internas (como já detalhado acima), a créditos presumidos de PIS e COFINS previstos na Lei n.° 10.925/2004 e a outros créditos dessas mesmas contribuições. Não obstante, a presente discussão certamente não versa sobre a natureza ou origem dos créditos extemporâneos registrados pela interessada, na medida em que as autoridades fiscais sequer chegaram a analisar esse assunto. A verificação da origem, valor, natureza e, portanto, existência e validade dos créditos extemporâneos de PIS e COFINS é absolutamente possível e poderia ter sido realizada pelas autoridades fiscais, principalmente se os documentos disponibilizados pela impugnante tivessem sido analisados. A interessada entende que a retificação dos livros e declarações fiscais seria uma alternativa para registrar créditos extemporâneos de PIS e COFINS. No entanto, não há como se concordar que essa seria a única forma possível de realizar tal procedimento, uma vez que o registro dos créditos extemporâneos de forma acumulada no momento de sua identificação é igualmente possível. De fato, não há na legislação nem mesmo naquela citada pelas autoridades fiscais qualquer previsão no sentido de que a retificação de declarações fiscais seria obrigatória para o reconhecimento de créditos extemporâneos. Da mesma forma, não há qualquer previsão legal proibindo o registro de créditos extemporâneos de forma acumulada. A existência dessas duas alternativas é reconhecida inclusive pela Receita Federal do Brasil ao esclarecer a forma de preenchimento da Escrituração Fiscal Digital para fins de PIS e COFINS. Confirase: "Operações extemporâneas 66. Como informar um crédito extemporâneo na EFD PIS/COFINS? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido ao prazo previsto na Instrução Normativa RFB n° 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (Cofins). " A interessada cita ainda a Solução de Consulta nº 215/2009 da 9ª Região Fiscal. No presente caso, como bem mencionaram as autoridades fiscais, os créditos extemporâneos referiam-se a 72 (setenta e dois) meses, de forma que a retificação das DACONs e DCTFs de todos esses períodos seria inviável na prática. Dessa forma, diante da ausência de previsão legal tornando obrigatória a retificação das declarações ou impedindo o registro acumulado do crédito extemporâneo, a interessada espera que seus créditos de PIS e COFINS sejam aceitos, por estarem em estrita consonância com a legislação fiscal de regência. Em vista do exposto acima, a impugnante requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório em vista do claro cerceamento de defesa decorrente da não indicação do critério utilizado na valoração dos créditos glosados e reconhecidos pelas autoridades fiscais No mérito, a impugnante requer a reforma parcial do Despacho Decisório recorrido para que seja reconhecido, integralmente, o crédito de COFINS relativo ao 3º trimestre de 2006 e, assim, homologadas as respectivas compensações. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julga-la improcedente, em acórdão que assim ficou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. RATEIO. DESPESAS COMUNS. Não há previsão legal para rateio de despesa, encargo ou custo comuns quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado apenas geram direito a crédito se esses bens forem diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda. Diante disso, os encargos de depreciação dos vagões utilizados no transporte de insumos, não são passíveis de gerar crédito da contribuição. CREDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR. A apuração do crédito presumido com base no preço médio da soja para cada filial comercial não encontra amparo legal. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON A apuração extemporânea de créditos só admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, que em termos gerais reprisa os argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 10/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator). Ausente, justificadamente, o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento de COFINS não cumulativa relativa ao terceiro trimestre de 2006, e está relacionada a saldo de créditos de COFINS – exportação. O pedido está fundamentado no art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/03, e foi totalmente vinculado a três declarações de compensação. A decisão recorrida assim resumiu as glosas efetuadas: A – Bens utilizados como Insumos Foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que não tiveram ação direta sobre o produto fabricado (insumos indiretos) e os bens contabilmente registrados no ativo imobilizado, detalhado no anexo I. Em relação à conta 133020.502 Lenha, relativa ao suprimento lenha, as glosas referem-se a aquisições de pessoas físicas, que não geram crédito. Quanto ao corte de madeira, trata-se de serviços prestados na floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria. Essa prestação de serviços vincula-se apenas indiretamente com o processo de industrialização, não havendo previsão legal para obtenção de créditos. Quanto aos itens do Imobilizado há vedação expressa. B – Serviços utilizados como Insumos Foram desconsiderados os itens classificados como insumos que não foram aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou no caso da unidade prestadora de serviços, não tenham sido aplicados ou consumidos na prestação do serviço, conforme detalhados no Anexo II. Em relação a fretes cujos créditos foram glosados, estes se referem a deslocamentos entre unidades da própria empresa, do armazém para a fábrica. No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizam-se como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da Cofins. Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como "condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)", para as quais não foi possível identificar tratar-se de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8º, §4°, II, da IN SRF n° 404, de 2004, combinado com o art. 3º, II, da Lei n° 10.833, de 2003. Os dados podem ser verificados no anexo II nas linhas com a identificação:“santos armaz". C – Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado A legislação permite a apropriação de créditos apurados sobre encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado para a utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, adquiridos a partir de 01/05/2004, em 48 parcelas mensais. Em relação a depreciação de vagões (anexo III) não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços, operam fora da fábrica. D – Crédito Presumido Verificou-se que, do total do crédito presumido apurado relativo a produto in natura de origem vegetal (soja) adquirido de produtores rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas que efetuaram vendas com suspensão da Cofins, apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerandose a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte significativa do crédito presumido foi apurada (de acordo com informação do contribuinte) com base no preço médio da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação aos estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003). O que estabelece o art. 8º, §2°, da Lei n° 10.925, de 2004, é que "o direito ao crédito presumido" da Cofins "só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País (...)". Ou seja, na apuração do crédito presumido caberia ao contribuinte considerar o valor efetivo das aquisições efetuadas nas respectivas datas de emissão das notas fiscais pelos fornecedores. Desse modo seria possível efetuar diretamente as verificações relativas às aquisições, notadamente sua efetiva existência, os preços (se compatíveis com o praticado no mercado naquele momento) e a qualificação dos fornecedores, tópicos sensíveis à validação dos créditos presumidos na sistemática da não cumulatividade da Cofins, nos termos do art. 8 º da Lei n° 10.925, de 2004. Do modo esdrúxulo e extemporâneo como procedeu o contribuinte, sem previsão legal, tal verificação só seria possível com a análise da composição dos estoques armazenados ao longo do tempo e de sua dinâmica, considerando as entradas e saídas mensais, retroagindo o procedimento fiscal a períodos anteriores aos demonstrativos e aos pedidos de ressarcimento de referência, apresentados pelo próprio contribuinte; implicando, inclusive, em analisar novamente fatos jurídicos já objeto de verificações em procedimentos fiscais anteriores. Assim, o fato objetivo é que, sem amparo legal, impediu o contribuinte que a RFB promovesse as verificações necessárias e imprescindíveis à comprovação da procedência dos créditos e de sua eventual utilização na dedução das contribuições devidas nos respectivos períodos de apuração. E – Outras Operações com Direito a Crédito No Dacon relativo à competência 09/2006, na ficha 16A, linha 13, na rubrica “outras operações com direito a créditos", o contribuinte registrou valores relativos a recálculos de créditos da não cumulatividade da Cofins que não teriam sido apropriados em períodos anteriores. Os alegados créditos, de acordo com as planilhas apresentadas, vinculam-se a fretes contratados nas operações de compra, de venda, e nas transferências internas (planta/planta), no período de 02/2003 a 08/2006. Preliminarmente, cabe pontuar que a linha 13 da ficha 16A do Dacon destinase ao registro de outras operações com direito a crédito não contempladas nas linhas 1 a 12, para fatos jurídicos ocorridos no mês de referência do Dacon. Não se destina a registros de ajustes ou correções relativos a créditos eventualmente não apropriados em períodos pretéritos. Para esse objetivo há procedimentos específicos normatizados, de modo a garantir o equilíbrio entre o exercício do direito do contribuinte com o dever/função da Fazenda Pública de promover as verificações necessárias no sentido de validar a operação e promover, se for o caso, as respectivas homologações dos créditos. Assim a retificação no DACON relativas a informações prestadas em períodos anteriores, deve ser efetuada mediante a apresentação de declaração retificadora nos limites e prazos estabelecidos na legislação. Não foi o que fez o contribuinte. Ignorando as normas estabelecidas pela RFB, reuniu um grande volume de dados, abrangendo recálculos relativos a 43 (quarenta e três) meses, condensou tudo e, extemporaneamente, em 09/2006, lançou o somatório na linha 13, da ficha 16A, do Dacon, a título de outras operações com direito a crédito. No mês 09/2006, não se comprovou (através de documentos fiscais ou registros contábeis) a ocorrência de fatos jurídicos tributários que dessem suporte aos créditos apropriados pelo contribuinte a título de "outras operações com direito a crédito". Diante do acima exposto, o crédito pleiteado no valor de R$ 28.654.407,05 foi indeferido e as compensação declaradas não foram homologadas por meio do Despacho Decisório DRF/VIT/ES (fl. 41). Discordando das glosas efetuadas, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram assim resumidos pelo acórdão da DRJ: A nulidade do Despacho Decisório recorrido Não obstante as alegações contidas no Despacho Decisório, não foi demonstrado, de maneira clara, o método utilizado na valoração dos créditos considerados e dos créditos glosados, tendo apresentado apenas as tabelas constantes do Anexo V do Despacho Decisório, as quais não esclarecem, de forma pormenorizada, a composição dos valores dos créditos presumidos de COFINS, o que impediu a impugnante de apresentar razões de defesa visando ao deferimento integral de seu pedido de Ressarcimento. Tem-se, portanto, clara situação de cerceamento de defesa, com inobservância dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, ambos previstos no artigo 5o, LV da Constituição Federal. No presente caso, a razão que invalida o motivo do ato é a falta de provas que constituam os fatos, em outras palavras, que justifiquem e confirmem os valores apresentados pelas autoridades fiscais, o que caracteriza falta ou vício de motivação, ambos passíveis de invalidação. Conceito de Insumos A impugnante entende que todos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e utilizados, direta ou indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos de PIS e COFINS. Foi esse o claro intuito do legislador ao criar o sistema de créditos e débitos dessas contribuições, sendo equivocada e ilegal ante a falta de embasamento em lei a utilização de conceitos próprios do IPI para tanto. E foi justamente nesse sentido que, infelizmente, andaram as autoridades fiscais, as quais entendem que somente poderiam ser considerados como insumos (i) os bens que tem ação direta sobre o produto fabricado e que "sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação"; e (ii) os serviços aplicados ou consumidos na fabricação de produto ou na prestação do serviço. É dentro desse cenário de discordância com relação ao conceito de insumo para fins da apuração de créditos de PIS e COFINS que a impugnante demonstra a impossibilidade de se adotar o conceito de insumos utilizado para fins de IPI, o qual é demasiadamente restritivo e, principalmente, não possui relação com o evento tributável pelas referidas contribuições. Acrescenta que a legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos e não faz referência à legislação do IPI, portanto, deve ser utilizado o conceito genérico de insumo. São insumos todos os elementos necessários à produção de um bem ou à prestação de serviços. Em outras palavras, todos os bens corpóreos ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens ou serviços são considerados como insumos. A leitura dos demais incisos do artigo 3º das Leis n.° 10.637/2002 e n.° 10.833/2003 evidencia, claramente, que a legislação do PIS e da COFINS admite créditos com relação a diversos elementos que certamente não seriam passíveis de crédito de IPI, como é o caso de serviços, combustíveis e lubrificantes. Ao estabelecer que o crédito proveniente da aquisição de insumos abrangeria gastos gerais na produção de bens e na prestação de serviços, demonstrase que a intenção do legislador ordinário foi a de afastar a legislação do PIS e da COFINS da legislação do IPI ou, no mínimo, de não tomála por base. O IPI incide sobre a saída de produtos industrializados. Assim, é compreensível que os créditos desse imposto, para garantir a sua nãocumulatividade, sejam calculados somente sobre os insumos aplicados diretamente na produção do bem sujeito ao IPI. Por outro lado, o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da pessoa jurídica, de forma que a nãocumulatividade dessas contribuições deve considerar os elementos físicos e funcionais que colaboram para a formação dessa receita, não se restringindo aos insumos aplicados diretamente e consumidos no curso do processo produtivo. A título de argumentação, vale ressaltar que a materialidade do PIS e da COFINS é muito mais próxima da do IRPJ do que da do IPI. Se fosse necessário buscar fundamento em legislação tributária anterior para definir os elementos geradores de créditos de PIS e COFINS (o que se admite para fins de argumentação), deverseia utilizar a legislação do IRPJ. A própria regulamentação da Receita Federal do Brasil (art. 27 da IN 900/2008) indica que custos, despesas e encargos geram créditos de PIS e COFINS passíveis de ressarcimento, sem que haja qualquer restrição aos bens aplicados e consumidos diretamente na produção de bens e serviços. A interessada cita acórdãos do CARF com entendimento de que o conceito de insumos na sistemática da não cumulatividade das contribuições deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa. 2.1 Fretes Apesar de o serviço não ser aplicado diretamente no processo de produção, é incontestável que ele é absolutamente necessário e intrínseco a essa atividade de produção. Aliás, se não há a transferência das matérias primas dos armazéns para a fábrica, a fase de produção não pode ser sequer iniciada. Serviços portuários A impugnante não pode concordar com a conclusão das autoridades fiscais, na medida em que os créditos glosados referemse a serviços prestados a terceiros. De fato, para garantir que os créditos de PIS e COFINS sejam apropriados somente com relação aos bens e serviços utilizados na prestação de serviços a terceiros, a impugnante utiliza dois métodos, dependendo da natureza dos custos ou despesas. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas do Estado de São Paulo ("CODESP") relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita a cada embarque. Assim, a impugnante realiza o levantamento da quantidade embarcada, verifica a proporção entre os produtos próprios e os produtos de terceiros e aplica a proporção com relação aos custos e despesas relacionados ao embarque. Então, somente a parte dos custos e despesas correspondente aos produtos de terceiros gera créditos de PIS e COFINS. Já para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tal como almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita com base no volume total movimentado por mês. Nesse cenário, a impugnante verifica o volume total movimentado na filial no mês, obtém a proporção entre o volume próprio e o volume de terceiros e aplica a proporção sobre os custos e despesas mencionados acima. Novamente, somente a parte dos custos e despesas associados à movimentação de produtos de terceiros gera crédito de PIS e COFINS. Ou seja, apesar de não ser possível uma vinculação exclusiva dos gastos cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados pelas autoridades fiscais aos serviços prestados a terceiros, é incontestável que essa vinculação existe, de forma que os créditos devem ser admitidos. – Depreciação de vagões O transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS. Devese ressaltar que o artigo 3o, inciso IX da Lei n.° 10.833/2004 prevêem a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. Crédito Presumido O artigo 8o da Lei n.° 10.925/2004 determina que as pessoas jurídicas produtoras de determinados produtos de origem animal e vegetal fazem jus a crédito presumido de PIS e de COFINS sobre aquisições de produtos in natura de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão dessas contribuições em suas operações. Considerando que adquire soja in natura para a produção de derivados, tais como óleo de soja e farelo de soja, a interessada registrou, com base no dispositivo legal acima, créditos presumidos de PIS e COFINS sobre as operações realizadas nas condições estabelecidas na legislação. Como demonstrado em sede preliminar, a impugnante não pode identificar o método utilizado pelas autoridades fiscais na valoração dos créditos considerados e dos créditos glosados, o que gera a nulidade do lançamento fiscal. Não obstante, o contribuinte não pode deixar de rechaçar, mesmo que em tese, o argumento acima, na medida em que o método utilizado pela contribuinte para o registro dos créditos presumidos de PIS e COFINS está em plena consonância com a legislação tributária e, acima de tudo, é coerente com sua operação. Com efeito, a operação de soja é realizada, essencialmente, em cinco fábricas (filiais) da contribuinte: Rondonópolis, Uberlândia, Campo Grande, Três Passos e Joaçaba. As fábricas de Três Passos e Joaçaba adquirem a soja in natura diretamente dos fornecedores. Já as fábricas de Rondonópolis, Uberlândia e Campo Grande, que são consideradas sedes regionais da empresa, recebem a soja in natura em transferência de outras filiais que adquirem o produto dos fornecedores. A primeira situação, em princípio, parece não ter sido questionada pelas autoridades fiscais e, por essa razão, não será objeto de comentários adicionais pela interessada. Caso haja a manifestação da autoridade fiscalizadora em sentido contrário, necessária reconhecerse a nulidade do d. Despacho Decisório e o direito da impugnante a nova Manifestação de Inconformidade. A interessada apresenta um sumário da Regional de Campo Grande. Afirma ainda que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Impugnante, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS. O valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja — que somente é determinado no encerramento do contrato, após a entrega total dos produtos — mas uma mera estimativa, uma vez que celebra contrato de compra e venda com preço a fixar. Ou seja, há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato. Diante disso, a interessada decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Os créditos presumidos de PIS e COFINS somente são apropriados pela Interessada no momento da transferência entre a filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento. Pela peculiaridade da operação, a metodologia não está prevista na legislação fiscal. Apresenta a apuração do preço médio acumulado da regional de Campo Grande de setembro de 2006 (DOC. 05). Outros créditos – Créditos extemporâneos A impugnante registrou em setembro de 2006, sob a rubrica de "Outros Créditos", créditos de PIS e COFINS relativos a períodos anteriores que, por equívocos em sua apuração, não haviam sido escriturados e registrados nos períodos pertinentes às operações que lhe deram origem. Esses créditos referemse a créditos relativos a fretes contratados em operações de compra, venda e em transferências internas (como já detalhado acima), a créditos presumidos de PIS e COFINS previstos na Lei n.° 10.925/2004 e a outros créditos dessas mesmas contribuições. Não obstante, a presente discussão certamente não versa sobre a natureza ou origem dos créditos extemporâneos registrados pela interessada, na medida em que as autoridades fiscais sequer chegaram a analisar esse assunto. A verificação da origem, valor, natureza e, portanto, existência e validade dos créditos extemporâneos de PIS e COFINS é absolutamente possível e poderia ter sido realizada pelas autoridades fiscais, principalmente se os documentos disponibilizados pela impugnante tivessem sido analisados. A interessada entende que a retificação dos livros e declarações fiscais seria uma alternativa para registrar créditos extemporâneos de PIS e COFINS. No entanto, não há como se concordar que essa seria a única forma possível de realizar tal procedimento, uma vez que o registro dos créditos extemporâneos de forma acumulada no momento de sua identificação é igualmente possível. De fato, não há na legislação nem mesmo naquela citada pelas autoridades fiscais qualquer previsão no sentido de que a retificação de declarações fiscais seria obrigatória para o reconhecimento de créditos extemporâneos. Da mesma forma, não há qualquer previsão legal proibindo o registro de créditos extemporâneos de forma acumulada. A existência dessas duas alternativas é reconhecida inclusive pela Receita Federal do Brasil ao esclarecer a forma de preenchimento da Escrituração Fiscal Digital para fins de PIS e COFINS. Confirase: "Operações extemporâneas 66. Como informar um crédito extemporâneo na EFD PIS/COFINS? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido ao prazo previsto na Instrução Normativa RFB n° 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (Cofins). " A interessada cita ainda a Solução de Consulta nº 215/2009 da 9ª Região Fiscal. No presente caso, como bem mencionaram as autoridades fiscais, os créditos extemporâneos referiam-se a 72 (setenta e dois) meses, de forma que a retificação das DACONs e DCTFs de todos esses períodos seria inviável na prática. Dessa forma, diante da ausência de previsão legal tornando obrigatória a retificação das declarações ou impedindo o registro acumulado do crédito extemporâneo, a interessada espera que seus créditos de PIS e COFINS sejam aceitos, por estarem em estrita consonância com a legislação fiscal de regência. Em vista do exposto acima, a impugnante requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório em vista do claro cerceamento de defesa decorrente da não indicação do critério utilizado na valoração dos créditos glosados e reconhecidos pelas autoridades fiscais No mérito, a impugnante requer a reforma parcial do Despacho Decisório recorrido para que seja reconhecido, integralmente, o crédito de COFINS relativo ao 3º trimestre de 2006 e, assim, homologadas as respectivas compensações. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julga-la improcedente, em acórdão que assim ficou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. RATEIO. DESPESAS COMUNS. Não há previsão legal para rateio de despesa, encargo ou custo comuns quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado apenas geram direito a crédito se esses bens forem diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda. Diante disso, os encargos de depreciação dos vagões utilizados no transporte de insumos, não são passíveis de gerar crédito da contribuição. CREDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR. A apuração do crédito presumido com base no preço médio da soja para cada filial comercial não encontra amparo legal. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON A apuração extemporânea de créditos só admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, que em termos gerais reprisa os argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 102          2 Relatório   O  presente  processo  versa  sobre  pedido  de  ressarcimento  de  COFINS  não  cumulativa  relativa  ao  terceiro  trimestre  de  2006,  e  está  relacionada  a  saldo  de  créditos  de  COFINS – exportação.  O pedido está fundamentado no art. 6º, § 1º da Lei nº 10.833/03, e foi totalmente  vinculado a três declarações de compensação.  A decisão recorrida assim resumiu as glosas efetuadas:  A – Bens utilizados como Insumos  Foram desconsiderados os  itens  classificados pelo contribuinte como  insumos  que  não  tiveram  ação  direta  sobre  o  produto  fabricado  (insumos  indiretos)  e  os  bens  contabilmente  registrados  no  ativo  imobilizado, detalhado no anexo I.  Em relação à conta 133020.502 Lenha, relativa ao suprimento lenha,  as  glosas  referem­se  a  aquisições  de  pessoas  físicas,  que  não  geram  crédito. Quanto ao corte de madeira, trata­se de serviços prestados na  floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria.  Essa  prestação  de  serviços  vincula­se  apenas  indiretamente  com  o  processo  de  industrialização,  não  havendo  previsão  legal  para  obtenção de créditos.  Quanto aos itens do Imobilizado há vedação expressa.  B – Serviços utilizados como Insumos   Foram desconsiderados  os  itens  classificados  como  insumos que não  foram aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto,  ou  no  caso  da  unidade  prestadora  de  serviços,  não  tenham  sido  aplicados ou consumidos na prestação do serviço, conforme detalhados  no Anexo II.  Em relação a fretes cujos créditos foram glosados, estes se referem a  deslocamentos entre unidades da própria empresa, do armazém para a  fábrica.  No  que  se  refere  aos  créditos  apropriados  em  relação  aos  serviços  utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, a unidade atua  na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio  exterior  e  atende  tanto  à  própria  ADM  quanto  a  terceiros  (outras  empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física  e de sua expertise).  Quando  atende  a  terceiros,  a  unidade  atua  efetivamente  como  prestadora  de  serviços. Quando  atende  à  própria ADM,  as  despesas  relativas  aos  serviços  portuários  caracterizam­se  como  despesas  vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal  para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da  Cofins.  Nesse  sentido,  foram  glosados  os  créditos  apurados  sobre  despesas  classificadas  como  "condomínio  portuário,  movimentação,  Fl. 525DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 103          3 classificação,  água  (CODESP)",  para  as  quais  não  foi  possível  identificar tratar­se de insumos diretos vinculados a serviços prestados  a terceiros, nos termos do art. 8º, §4°, II, da IN SRF n° 404, de 2004,  combinado  com  o  art.  3º,  II,  da  Lei  n°  10.833,  de  2003.  Os  dados  podem  ser  verificados  no  anexo  II  nas  linhas  com  a  identificação:“santos armaz".  C – Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado   A  legislação  permite  a  apropriação  de  créditos  apurados  sobre  encargos de depreciação de máquinas e equipamentos incorporados ao  ativo imobilizado para a utilização na produção de bens destinados à  venda ou na prestação de serviços, adquiridos a partir de 01/05/2004,  em 48 parcelas mensais.  Em relação a depreciação de vagões (anexo III) não são utilizados na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  a  prestação  de  serviços,  operam fora da fábrica.  D – Crédito Presumido   Verificou­se  que,  do  total  do  crédito  presumido  apurado  relativo  a  produto  in  natura  de  origem  vegetal  (soja)  adquirido  de  produtores  rurais pessoas físicas e de pessoas jurídicas que efetuaram vendas com  suspensão  da  Cofins,  apenas  parte  foi  relacionada  às  aquisições  realizadas nos respectivos períodos, considerandose a data de emissão  das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Parte  significativa  do  crédito  presumido  foi  apurada  (de  acordo  com  informação  do  contribuinte)  com  base  no  preço  médio  da  soja  estocada,  quando  de  sua  transferência  do  armazém para  a  indústria  (calculado  em  relação  aos  estoques  armazenados  decorrentes  de  aquisições pretéritas, que remontariam ao ano de 2003).  O que  estabelece  o art.  8º,  §2°,  da Lei n° 10.925, de 2004,  é que  "o  direito  ao  crédito  presumido"  da  Cofins  "só  se  aplica  aos  bens  adquiridos  ou  recebidos,  no mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física ou  jurídica residente ou domiciliada no País  (...)". Ou seja, na  apuração do  crédito  presumido  caberia  ao  contribuinte  considerar o  valor efetivo das aquisições efetuadas nas respectivas datas de emissão  das notas fiscais pelos fornecedores.  Desse modo seria possível efetuar diretamente as verificações relativas  às  aquisições,  notadamente  sua  efetiva  existência,  os  preços  (se  compatíveis  com  o  praticado  no  mercado  naquele  momento)  e  a  qualificação  dos  fornecedores,  tópicos  sensíveis  à  validação  dos  créditos presumidos na sistemática da não cumulatividade da Cofins,  nos termos do art. 8 º da Lei n° 10.925, de 2004. Do modo esdrúxulo e  extemporâneo  como  procedeu  o  contribuinte,  sem  previsão  legal,  tal  verificação só seria possível com a análise da composição dos estoques  armazenados ao  longo do  tempo e de  sua dinâmica, considerando as  entradas  e  saídas  mensais,  retroagindo  o  procedimento  fiscal  a  períodos anteriores aos demonstrativos e aos pedidos de ressarcimento  de  referência,  apresentados  pelo  próprio  contribuinte;  implicando,  inclusive,  em  analisar  novamente  fatos  jurídicos  já  objeto  de  verificações em procedimentos fiscais anteriores. Assim, o fato objetivo  é  que,  sem  amparo  legal,  impediu  o  contribuinte  que  a  RFB  Fl. 526DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 104          4 promovesse  as  verificações  necessárias  e  imprescindíveis  à  comprovação da procedência dos créditos e de sua eventual utilização  na  dedução  das  contribuições  devidas  nos  respectivos  períodos  de  apuração.  E – Outras Operações com Direito a Crédito   No Dacon relativo à competência 09/2006, na ficha 16A, linha 13, na  rubrica  “outras  operações  com  direito  a  créditos",  o  contribuinte  registrou  valores  relativos  a  recálculos  de  créditos  da  não  cumulatividade da Cofins que não teriam sido apropriados em períodos  anteriores.  Os  alegados  créditos,  de  acordo  com  as  planilhas  apresentadas,  vinculam­se a fretes contratados nas operações de compra, de venda, e  nas  transferências  internas  (planta/planta),  no  período  de  02/2003  a  08/2006.  Preliminarmente, cabe pontuar que a linha 13 da ficha 16A do Dacon  destinase  ao  registro  de  outras  operações  com  direito  a  crédito  não  contempladas nas linhas 1 a 12, para fatos jurídicos ocorridos no mês  de  referência  do  Dacon.  Não  se  destina  a  registros  de  ajustes  ou  correções  relativos  a  créditos  eventualmente  não  apropriados  em  períodos  pretéritos.  Para  esse  objetivo  há  procedimentos  específicos  normatizados,  de  modo  a  garantir  o  equilíbrio  entre  o  exercício  do  direito  do  contribuinte  com  o  dever/função  da  Fazenda  Pública  de  promover as verificações necessárias no sentido de validar a operação  e promover, se for o caso, as respectivas homologações dos créditos.  Assim a retificação no DACON relativas a informações prestadas em  períodos  anteriores,  deve  ser  efetuada  mediante  a  apresentação  de  declaração  retificadora  nos  limites  e  prazos  estabelecidos  na  legislação.  Não  foi  o  que  fez  o  contribuinte.  Ignorando as normas  estabelecidas  pela RFB, reuniu um grande volume de dados, abrangendo recálculos  relativos  a  43  (quarenta  e  três)  meses,  condensou  tudo  e,  extemporaneamente, em 09/2006,  lançou o somatório na  linha 13, da  ficha  16A,  do  Dacon,  a  título  de  outras  operações  com  direito  a  crédito.  No mês 09/2006, não se comprovou (através de documentos fiscais ou  registros  contábeis)  a  ocorrência  de  fatos  jurídicos  tributários  que  dessem suporte aos créditos apropriados pelo contribuinte a título de  "outras operações com direito a crédito".  Diante  do  acima  exposto,  o  crédito  pleiteado  no  valor  de  R$  28.654.407,05 foi  indeferido e as compensação declaradas não foram  homologadas por meio do Despacho Decisório DRF/VIT/ES (fl. 41).  Discordando  das  glosas  efetuadas,  a  Recorrente  apresentou  manifestação  de  inconformidade, cujos argumentos foram assim resumidos pelo acórdão da DRJ:  A nulidade do Despacho Decisório recorrido   Fl. 527DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 105          5 Não  obstante  as  alegações  contidas  no Despacho Decisório,  não  foi  demonstrado, de maneira clara, o método utilizado na valoração dos  créditos  considerados  e  dos  créditos  glosados,  tendo  apresentado  apenas as  tabelas  constantes do Anexo V do Despacho Decisório, as  quais  não  esclarecem,  de  forma  pormenorizada,  a  composição  dos  valores  dos  créditos  presumidos  de  COFINS,  o  que  impediu  a  impugnante  de  apresentar  razões  de  defesa  visando  ao  deferimento  integral de seu pedido de Ressarcimento.  Tem­se,  portanto,  clara  situação  de  cerceamento  de  defesa,  com  inobservância  dos  princípios  constitucionais  da  ampla  defesa  e  do  contraditório,  ambos  previstos  no  artigo  5o,  LV  da  Constituição  Federal.  No  presente  caso,  a  razão  que  invalida  o motivo  do  ato  é  a  falta  de  provas que constituam os fatos, em outras palavras, que justifiquem e  confirmem  os  valores  apresentados  pelas  autoridades  fiscais,  o  que  caracteriza  falta  ou  vício  de  motivação,  ambos  passíveis  de  invalidação.  Conceito de Insumos   A  impugnante  entende  que  todos  os  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Brasil  e  utilizados,  direta  ou  indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem  ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos  de  PIS  e  COFINS.  Foi  esse  o  claro  intuito  do  legislador  ao  criar  o  sistema de créditos e débitos dessas contribuições, sendo equivocada e  ilegal  ante  a  falta  de  embasamento  em  lei  a  utilização  de  conceitos  próprios do IPI para tanto.  E  foi  justamente  nesse  sentido  que,  infelizmente,  andaram  as  autoridades  fiscais,  as  quais  entendem  que  somente  poderiam  ser  considerados  como  insumos  (i)  os  bens  que  tem  ação  direta  sobre  o  produto  fabricado  e  que  "sofrem  alterações,  tais  como o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função da  ação  diretamente  exercida  sobre  o  produto  em  fabricação";  e  (ii)  os  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  de  produto  ou  na  prestação do serviço.  É  dentro  desse  cenário  de  discordância  com  relação  ao  conceito  de  insumo  para  fins  da  apuração  de  créditos  de  PIS  e  COFINS  que  a  impugnante  demonstra  a  impossibilidade  de  se  adotar  o  conceito  de  insumos utilizado para fins de IPI, o qual é demasiadamente restritivo  e,  principalmente,  não  possui  relação  com  o  evento  tributável  pelas  referidas contribuições.  Acrescenta que a legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de  insumos  e  não  faz  referência  à  legislação  do  IPI,  portanto,  deve  ser  utilizado o conceito genérico de insumo.  São insumos todos os elementos necessários à produção de um bem ou  à prestação de serviços. Em outras palavras, todos os bens corpóreos  ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens  ou serviços são considerados como insumos.  Fl. 528DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 106          6 A leitura dos demais incisos do artigo 3º das Leis n.° 10.637/2002 e n.°  10.833/2003  evidencia,  claramente,  que  a  legislação  do  PIS  e  da  COFINS  admite  créditos  com  relação  a  diversos  elementos  que  certamente não seriam passíveis de crédito de  IPI,  como é o caso de  serviços, combustíveis e lubrificantes.  Ao  estabelecer  que  o  crédito  proveniente  da  aquisição  de  insumos  abrangeria  gastos  gerais  na  produção  de  bens  e  na  prestação  de  serviços, demonstrase que a intenção do legislador ordinário foi a de  afastar a legislação do PIS e da COFINS da legislação do IPI ou, no  mínimo, de não tomála por base.  O  IPI  incide  sobre  a  saída  de  produtos  industrializados.  Assim,  é  compreensível  que  os  créditos  desse  imposto,  para  garantir  a  sua  nãocumulatividade,  sejam  calculados  somente  sobre  os  insumos  aplicados diretamente na produção do bem sujeito ao IPI.  Por outro lado, o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da pessoa  jurídica, de forma que a nãocumulatividade dessas contribuições deve  considerar  os  elementos  físicos  e  funcionais  que  colaboram  para  a  formação  dessa  receita,  não  se  restringindo  aos  insumos  aplicados  diretamente e consumidos no curso do processo produtivo.  A título de argumentação, vale ressaltar que a materialidade do PIS e  da COFINS  é muito mais  próxima  da  do  IRPJ do  que  da  do  IPI.  Se  fosse necessário buscar  fundamento em  legislação  tributária anterior  para definir os elementos geradores de créditos de PIS e COFINS (o  que  se  admite  para  fins  de  argumentação),  deverseia  utilizar  a  legislação do IRPJ.  A própria regulamentação da Receita Federal do Brasil (art. 27 da IN  900/2008)  indica  que  custos,  despesas  e  encargos  geram  créditos  de  PIS  e  COFINS  passíveis  de  ressarcimento,  sem  que  haja  qualquer  restrição aos bens aplicados e consumidos diretamente na produção de  bens e serviços.  A  interessada  cita  acórdãos  do  CARF  com  entendimento  de  que  o  conceito  de  insumos  na  sistemática  da  não  cumulatividade  das  contribuições  deve  ser  entendido  como  todo  e  qualquer  custo  ou  despesa necessária à atividade da empresa.  2.1 Fretes   Apesar  de  o  serviço  não  ser  aplicado  diretamente  no  processo  de  produção,  é  incontestável  que  ele  é  absolutamente  necessário  e  intrínseco a essa atividade de produção.  Aliás,  se  não  há  a  transferência  das  matérias  primas  dos  armazéns  para a fábrica, a fase de produção não pode ser sequer iniciada.  Serviços portuários   A  impugnante  não  pode  concordar  com a conclusão das autoridades  fiscais,  na medida  em  que  os  créditos  glosados  referemse  a  serviços  prestados a terceiros. De fato, para garantir que os créditos de PIS e  COFINS sejam apropriados somente com relação aos bens e serviços  Fl. 529DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 107          7 utilizados  na  prestação  de  serviços  a  terceiros,  a  impugnante  utiliza  dois métodos, dependendo da natureza dos custos ou despesas.  Para  os  serviços  de  classificação,  inspeção,  controle  de  qualidade,  lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas  do  Estado  de  São  Paulo  ("CODESP")  relacionados  à  quantidade  de  mercadoria  embarcada  no  porto  e  ao  tempo  em  que  o  navio  ficou  atracado no porto, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos  serviços prestados à própria interessada é feita a cada embarque.  Assim, a impugnante realiza o levantamento da quantidade embarcada,  verifica  a  proporção  entre  os  produtos  próprios  e  os  produtos  de  terceiros  e  aplica  a  proporção  com  relação  aos  custos  e  despesas  relacionados  ao  embarque.  Então,  somente  a  parte  dos  custos  e  despesas  correspondente  aos  produtos  de  terceiros  gera  créditos  de  PIS e COFINS.  Já  para  custos  e  despesas  não  diretamente  relacionados  aos  embarques, tal como almoxarifado, combustível, condomínio portuário,  manutenção e limpeza, a segregação dos serviços prestados a terceiros  dos  serviços  prestados  à  própria  interessada  é  feita  com  base  no  volume total movimentado por mês.  Nesse cenário, a  impugnante verifica o volume  total movimentado na  filial no mês, obtém a proporção entre o volume próprio e o volume de  terceiros e aplica a proporção sobre os custos e despesas mencionados  acima. Novamente, somente a parte dos custos e despesas associados à  movimentação de produtos de terceiros gera crédito de PIS e COFINS.  Ou  seja,  apesar  de  não  ser  possível  uma  vinculação  exclusiva  dos  gastos  cujos  créditos  de  PIS  e  COFINS  foram  glosados  pelas  autoridades  fiscais aos serviços prestados a terceiros, é  incontestável  que  essa  vinculação  existe,  de  forma  que  os  créditos  devem  ser  admitidos.  – Depreciação de vagões   O  transporte  dos  produtos  da  fábrica  para  o  porto  é  absolutamente  essencial  às  suas  atividades  fabris,  de  forma  que  a  depreciação  dos  vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS.  Devese  ressaltar  que  o  artigo  3o,  inciso  IX  da  Lei  n.°  10.833/2004  prevêem  a  geração  de  créditos  sobre  fretes  de  produtos  acabados.  Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não  há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente  a mesma função que um transportador terceirizado.  Crédito Presumido   O artigo 8o da Lei n.° 10.925/2004 determina que as pessoas jurídicas  produtoras de determinados produtos de origem animal e vegetal fazem  jus  a  crédito  presumido  de  PIS  e  de  COFINS  sobre  aquisições  de  produtos in natura de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas sujeitas à  suspensão dessas contribuições em suas operações.  Considerando  que  adquire  soja  in  natura  para  a  produção  de  derivados,  tais  como  óleo  de  soja  e  farelo  de  soja,  a  interessada  Fl. 530DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 108          8 registrou, com base no dispositivo legal acima, créditos presumidos de  PIS  e  COFINS  sobre  as  operações  realizadas  nas  condições  estabelecidas na legislação.  Como  demonstrado  em  sede  preliminar,  a  impugnante  não  pode  identificar  o método utilizado  pelas  autoridades  fiscais  na  valoração  dos  créditos  considerados  e  dos  créditos  glosados,  o  que  gera  a  nulidade do lançamento fiscal.  Não obstante, o contribuinte não pode deixar de rechaçar, mesmo que  em tese, o argumento acima, na medida em que o método utilizado pela  contribuinte para o registro dos créditos presumidos de PIS e COFINS  está  em  plena  consonância  com  a  legislação  tributária  e,  acima  de  tudo, é coerente com sua operação.  Com efeito, a operação de soja é realizada, essencialmente, em cinco  fábricas  (filiais)  da  contribuinte:  Rondonópolis,  Uberlândia,  Campo  Grande, Três Passos e Joaçaba. As fábricas de Três Passos e Joaçaba  adquirem  a  soja  in  natura  diretamente  dos  fornecedores.  Já  as  fábricas  de  Rondonópolis,  Uberlândia  e  Campo  Grande,  que  são  consideradas sedes regionais da empresa, recebem a soja in natura em  transferência  de  outras  filiais  que  adquirem  o  produto  dos  fornecedores.  A  primeira  situação,  em  princípio,  parece  não  ter  sido  questionada  pelas  autoridades  fiscais  e,  por  essa  razão,  não  será  objeto  de  comentários adicionais pela interessada. Caso haja a manifestação da  autoridade fiscalizadora em sentido contrário, necessária reconhecerse  a nulidade do d. Despacho Decisório e o direito da impugnante a nova  Manifestação de Inconformidade.  A interessada apresenta um sumário da Regional de Campo Grande.  Afirma ainda que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega  dos  produtos  adquiridos  pelas  filiais  comerciais  da  Impugnante,  por  não  refletir  o  efetivo  preço  de  aquisição  desses  produtos,  não  pode  servir  como base  para a apuração dos  créditos presumidos de PIS  e  COFINS.  O  valor  constante  das  Notas  Fiscais  emitidas  pelos  fornecedores  no  curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço  da  soja — que  somente  é determinado no encerramento do  contrato,  após a entrega total dos produtos — mas uma mera estimativa, uma vez  que celebra contrato de compra e venda com preço a fixar. Ou seja, há  diferença  temporal  entre o  recebimento da  soja  e a determinação do  preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato.  Diante  disso,  a  interessada  decidiu  adotar  como  base  para  a  determinação desses  créditos  o  preço médio  da  soja  para  cada  filial  comercial.  Os  créditos  presumidos  de  PIS  e  COFINS  somente  são  apropriados  pela  Interessada  no  momento  da  transferência  entre  a  filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento.  Pela  peculiaridade  da  operação,  a metodologia  não  está  prevista  na  legislação fiscal.  Fl. 531DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 109          9 Apresenta  a  apuração  do  preço  médio  acumulado  da  regional  de  Campo Grande de setembro de 2006 (DOC. 05).  Outros créditos – Créditos extemporâneos   A impugnante registrou em setembro de 2006, sob a rubrica de "Outros  Créditos",  créditos  de PIS  e COFINS  relativos  a períodos anteriores  que, por equívocos em sua apuração, não haviam sido escriturados e  registrados  nos  períodos  pertinentes  às  operações  que  lhe  deram  origem.  Esses  créditos  referemse  a  créditos  relativos a  fretes  contratados  em  operações  de  compra,  venda  e  em  transferências  internas  (como  já  detalhado acima), a créditos presumidos de PIS e COFINS previstos na  Lei n.° 10.925/2004 e a outros créditos dessas mesmas contribuições.  Não  obstante,  a  presente  discussão  certamente  não  versa  sobre  a  natureza  ou  origem  dos  créditos  extemporâneos  registrados  pela  interessada, na medida em que as autoridades fiscais sequer chegaram  a analisar esse assunto.  A  verificação  da  origem,  valor,  natureza  e,  portanto,  existência  e  validade  dos  créditos  extemporâneos  de  PIS  e  COFINS  é  absolutamente possível e poderia ter sido realizada pelas autoridades  fiscais,  principalmente  se  os  documentos  disponibilizados  pela  impugnante tivessem sido analisados.  A interessada entende que a retificação dos livros e declarações fiscais  seria uma alternativa para registrar créditos extemporâneos de PIS e  COFINS. No entanto, não há como se concordar que essa seria a única  forma possível de realizar tal procedimento, uma vez que o registro dos  créditos  extemporâneos  de  forma  acumulada  no  momento  de  sua  identificação é igualmente possível.  De  fato,  não  há  na  legislação  nem  mesmo  naquela  citada  pelas  autoridades  fiscais qualquer previsão no sentido de que a retificação  de  declarações  fiscais  seria  obrigatória  para  o  reconhecimento  de  créditos  extemporâneos. Da mesma  forma, não há qualquer previsão  legal  proibindo  o  registro  de  créditos  extemporâneos  de  forma  acumulada.  A  existência  dessas  duas  alternativas  é  reconhecida  inclusive  pela  Receita Federal do Brasil ao esclarecer a forma de preenchimento da  Escrituração Fiscal Digital para fins de PIS e COFINS. Confirase:  "Operações  extemporâneas  66.  Como  informar  um  crédito  extemporâneo na EFD PIS/COFINS?  O  crédito  extemporâneo  deverá  ser  informado,  preferencialmente,  mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito.  No entanto, se a retificação não for possível, devido ao prazo previsto  na Instrução Normativa RFB n° 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar  suas  operações  através  dos  registros  1100/1101  (PIS)  e  1500/1501  (Cofins). " A interessada cita ainda a Solução de Consulta nº 215/2009  da 9ª Região Fiscal.  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 110          10 No presente  caso,  como bem mencionaram as autoridades  fiscais,  os  créditos  extemporâneos  referiam­se  a  72  (setenta  e  dois)  meses,  de  forma que a retificação das DACONs e DCTFs de todos esses períodos  seria inviável na prática.  Dessa  forma,  diante  da  ausência  de  previsão  legal  tornando  obrigatória  a  retificação  das  declarações  ou  impedindo  o  registro  acumulado  do  crédito  extemporâneo,  a  interessada  espera  que  seus  créditos  de  PIS  e  COFINS  sejam  aceitos,  por  estarem  em  estrita  consonância com a legislação fiscal de regência.  Em vista do exposto acima, a impugnante requer, preliminarmente, o  reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório em vista do claro  cerceamento  de  defesa  decorrente  da  não  indicação  do  critério  utilizado  na  valoração  dos  créditos  glosados  e  reconhecidos  pelas  autoridades fiscais No mérito, a impugnante requer a reforma parcial  do  Despacho  Decisório  recorrido  para  que  seja  reconhecido,  integralmente, o crédito de COFINS relativo ao 3º trimestre de 2006 e,  assim, homologadas as respectivas compensações.  A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada,  a DRJ entendeu por bem julga­la improcedente, em acórdão que assim ficou ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS   Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006  NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o  despacho  decisório,  proferido  por  autoridade  competente,  contra  o  qual  o  contribuinte  pode  exercer  o  contraditório  e  a  ampla  defesa,  onde  constam  os  requisitos  exigidos  nas  normas  pertinentes  ao  processo administrativo fiscal.  INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE.  Na  definição  de  insumos  utilizados  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda  somente  serão  incluídos  quaisquer  serviços  e  bens  que  sofram  alterações, tais como:  consumo;  desgaste;  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que  está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado.  INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.  Os  serviços  caracterizados  como  insumos  são  aqueles  diretamente  aplicados  ou  consumidos  na  produção  ou  fabricação  do  produto.  Despesas  e  custos  indiretos,  embora  necessários  à  realização  das  atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins  de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade.  INSUMOS.  TRANSPORTE.  MOVIMENTAÇÃO  INTERNA  Os  gastos  com  transporte  do  produto,  acabado  ou  em  elaboração,  entre  estabelecimentos  industriais  ou  distribuidores  da  mesma  pessoa  jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 111          11 para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa, por  não se classificarem como insumos do produto.  RATEIO. DESPESAS COMUNS.  Não  há  previsão  legal  para  rateio  de  despesa,  encargo  ou  custo  comuns quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte  são despesas vinculadas à comercialização.  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE.  ALEGAÇÃO  SEM  PROVAS.  Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de  inconformidade  trazer  ao  julgado  todos  os  dados  e  documentos  que  entende comprovadores dos fatos que alega.  CRÉDITOS.  ENCARGOS  DE  DEPRECIAÇÃO.  BENS  DO  ATIVO  IMOBILIZADO.  Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado  apenas  geram  direito  a  crédito  se  esses  bens  forem  diretamente  utilizados  na  produção  de  bens  destinados  à  venda. Diante  disso,  os  encargos  de  depreciação  dos  vagões  utilizados  no  transporte  de  insumos, não são passíveis de gerar crédito da contribuição.  CREDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR.  A  apuração  do  crédito  presumido  com  base  no  preço médio  da  soja  para cada filial comercial não encontra amparo legal.  CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA  DACON A apuração extemporânea de  créditos  só admitida mediante  retificação  das  declarações  e  demonstrativos  correspondentes,  em  especial as DCTF e os Dacon.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido.  Contra esta decisão  foi  apresentado Recurso Voluntário, que em  termos gerais  reprisa os argumentos apresentados na Impugnação.  É o relatório.  VOTO  Conselheiro ALEXANDRE GOMES  O  presente Recurso Voluntário  é  tempestivo,  preenche  os  demais  requisitos  e  dele tomo conhecimento.  Inicialmente  convém  delimitar  as  matérias  que  serão  tratadas  no  presente  recurso, principalmente diante da complexidade e diversidade dos temas a serem analisados.  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 112          12 Existe preliminar de nulidade da decisão de primeira instância diante de alegada  ausência  de motivação,  uma  vez  que  a  referida  decisão  seria  constituída  de mera  citação  de  dispositivos  legais “sem qualquer análise dos  fatos e argumentos expostos na defesa” o que  acarretaria preterição do direito de defesa, chamando a aplicação do art. 59,  II do Decreto nº  70.235/72.  A Recorrente  também clama pela nulidade do despacho decisório por entender  que  os  critérios  utilizados  para  glosar  parte  dos  créditos  presumidos  (art.  8º  da  Lei  nº  10.925/04)  não  foram  suficientemente  claros,  o  que  impediu  a  análise  e  confronto  dos  documentos citados no anexo IV da decisão.   Sem razão a Recorrente em relação aos dois tópicos.  Os  motivos  que  determinaram  a  glosa  de  parte  dos  créditos  de  insumos  utilizados  pela Recorrente  estão  expostos,  ainda que  forma  sucinta,  na decisão  recorrida que  entendeu:  Assim, na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda  somente  serão  incluídos  quaisquer  serviços  e  bens  que  sofram  alterações,  tais  como:  consumo;  desgaste;  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente  exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto  que  está  sendo  fabricado.  Foram  também  excluídos  os  bens  que  estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica.  Para melhor  compreensão  da matéria  em  análise,  é  preciso  lembrar  que,  quando  o  legislador  admitiu  a  possibilidade  de  créditos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  a  serem  deduzidos  dos  valores apurados mensalmente dessas contribuições, nos casos em que  não  se  referem  a  insumos  consumidos  ou  aplicados  na  produção  de  bens e produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, ele o  fez de forma literal.  Em regra, somente os  insumos diretos de produção podem permitir o  desconto  de  créditos  da Contribuição  para  o PIS/Pasep  e da Cofins.  Tal  regra só é  rompida por determinação  legal,  como ocorre com os  combustíveis,  os  lubrificantes  e  a  energia  elétrica,  dentre  outros  insumos  indiretos  de  produção  que  a  despeito  disto  permitem  o  desconto de crédito.  Está  claro,  portanto  que  a  decisão  recorrida  considera  o  conceito  de  insumos  utilizado pelo IPI para pautar suas conclusões.   Em que pese discordar frontalmente de tal entendimento, não há que se falar em  ausência de fundamento capaz de macular de nulidade a decisão recorrida.  No  tocante  ao  segundo  tópico,  também  não  encontro  sustentação  para  o  afirmado  pelo  Recorrente,  uma  vez  que  o  critério  adotado  pela  autoridade  que  analisou  o  pedido foi claro. Do despacho decisório transcrevo:   Entretanto,  verificou­se que, do  total  do  credito presumido apurado,  apenas parte foi relacionada às aquisições realizadas nos respectivos  períodos,  considerando­se  a  data  da  emissão  das  notas  fiscais  pelos  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 113          13 fornecedores e os valores nela expressos.(...) E o que estabelece o art.  8º,  §  2º,  da  Lei  nº  10.925,  de  2004,  é  que  “o  direito  ao  crédito  presumido” da Cofins “só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos,  mo mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente  ou domiciliada no Pais(...)  No  anexo  IV,  que  acompanhou  o  despacho  decisório,  a  fiscalização  listou  as  notas fiscais glosadas.  A  diferença  existente  entre  os  créditos  apurados  pela  fiscalização  e  os  declarados  em  DACON  decorreu  da  sistemática  de  apuração  adotada  pela  Recorrente,  que  considerou o preço médio de aquisição da soja em determinado lapso temporal.  Assim, entendo por ausentes as nulidades apontadas.  Quanto  ao  mérito,  são  os  seguintes  pontos  a  serem  analisados:  (i)  créditos  relativos  a  bens  utilizados  como  insumos;  (ii)  créditos  relativos  a  serviços  utilizados  como  insumos;  (iii)  créditos  relativos  a  fretes  entre  estabelecimentos  da  recorrente;  (iv)  créditos  relativos às depreciações de vagões de transporte; (v) créditos presumidos na aquisição de soja;  (vi) créditos lançados extemporaneamente.   Antes  de  adentrarmos  na  análise  dos  itens  acima  listados,  é  importante  relembrar  que,  conforme  se  depreende  do  relatório  acima  apresentado,  o  presente  processo  versa  sobre  pedido  de  ressarcimento  do  saldo  de  créditos  da  COFINS  (exportação)  não  cumulativa nos termos do que dispõe o art. 6º da Lei nº 10.833/03, que diz:  Art.  6º  A  COFINS  não  incidirá  sobre  as  receitas  decorrentes  das  operações de:  §  1º  Na  hipótese  deste  artigo,  a  pessoa  jurídica  vendedora  poderá  utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de:  I ­ dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais  operações no mercado interno;  II  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.  § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil,  não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §  1º  poderá  solicitar  o  seu  ressarcimento  em  dinheiro,  observada  a  legislação específica aplicável à matéria.  § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplica­se somente aos créditos apurados  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º1.                                                              1 § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­cumulativa da COFINS, em relação apenas à  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados a essas receitas.  §  8º Observadas  as  normas  a  serem  editadas  pela  Secretaria  da Receita  Federal,  no  caso  de  custos,  despesas  e  encargos vinculados às  receitas  referidas no § 7ºe àquelas submetidas ao regime de  incidência cumulativa dessa  contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de:  Fl. 536DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 114          14 Da leitura do dispositivo acima transcrito verifico que os créditos decorrentes de  receitas  de  exportação  deverão  ter  apuração  própria,  separa  da  apuração  dos  créditos  decorrentes  de  operações  do  mercado  interno,  isto  porque  o  parágrafo  terceiro  determina  expressamente  que  esta  apuração  “aplica­se  somente  aos  créditos  apurados  em  relação  a  custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação”.  Assim  os  créditos  apurados  nestas  condições  poderão,  a  critério  do  contribuinte, ser utilizados para: (i) deduzir o saldo positivo da apuração do PIS e COFINS  decorrentes  de  operações  do  mercado  interno;  (ii)  compensar  débitos  próprios  relativos  a  outros  tributos  administrados  pela  Receita  Federal;  e,  (iii)  ressarcir  os  contribuintes  se  não  utilizados para deduzir e compensar tributos.  Outra  questão  que  se  extrai  do  texto  legal  acima  citado,  é  que,  diferente  da  apuração de créditos decorrentes de operações no mercado interno que, de maneira geral, estão  vinculados  ao  processo  produtivo,  o  crédito  decorrente  de  operações  de  exportação  tem  vinculação direta com a receita de exportação e não especificamente com o processo produtivo.  O § 3º é taxativo ao determinar que a apuração aplica­se somente aos créditos  apurados  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação,  determinando  ainda,  para  estes,  a  apuração  por  meio  de  apropriação  direta  ou  rateio  proporcional nos termos dos §§ 8º e 9º do art. 3º.  É com base nestas premissas que o pedido de ressarcimento proposto deveria ter  sido analisado.  Feitas  estas  considerações  iniciais,  passo  a  analisar  os  pontos  destacados  pelo  Recurso Voluntário.   A fiscalização negou o direito aos créditos da Recorrente por “desconsiderar os  itens classificados pelo contribuinte como insumo que não tiveram ação direta sobre o produto  fabricado (os insumos indiretos) e os bens contabilmente registrados no ativo imobilizado”.   Ora,  a  lei  10.637/02  que  dispõe  sobre  a  não­cumulatividade  na  cobrança  da  contribuição  para os Programas  de  Integração Social  (PIS)  e de Formação  do Patrimônio do  Servidor Público (Pasep), assim prescreve:  Art. 3º Do valor apurado na firma do art. 2º a pessoa jurídica poderá  descontar créditos calculados em relação a:  II ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e  na  produção ou  fabricação de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento  de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de três de julho de 2002, devido  pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação                                                                                                                                                                                           I ­ apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e  coordenada com a escrituração; ou  II ­ rateio proporcional, aplicando­se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a  receita bruta sujeita à incidência não­cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.  §  9º  O  método  eleito  pela  pessoa  jurídica  para  determinação  do  crédito,  na  forma  do  §  8º,  será  aplicado  consistentemente por todo o ano­calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição  para o PIS/PASEP não­cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.    Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 115          15 ou  entrega  dos  veículos  classificados  nas  posições  87.03  e  87.04  da  TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  IV  ­  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos,  pagos  a  pessoa  jurídica, utilizados nas atividades da empresa;  (...)  IX  ­  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação de  venda,  nos  casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.  (..)  § 3 O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I  ­  aos  bens  e  serviços adquiridos de pessoa  jurídica domiciliada no  País;  II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa  jurídica domiciliado no País;  III ­ aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a  partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei.  A  Lei  10.833/03,  que  tratou  da  não­cumulatividade  da  COFINS,  possui  o  mesmo dispositivo legal acima transcrito, tratando a matéria de forma igual.  Do  exame  atento  do  art.  3°  caput  e  parágrafo  1º  das  Leis  n°  10.637/02  e  10.833/03, verifica­se que estas leis adotaram uma sistemática em que as contribuições incidem  sobre a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica, com o desconto de créditos através  da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, relativamente aos custos, encargos e despesas  suportados pela empresa no decorrer de suas atividades.  Vale  destacar  que  a  chamada  “não  cumulatividade”  do PIS  e  da COFINS não  guarda qualquer simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS.  Assim, a primeira diferença que destacamos é de ordem jurídica: a sistemática  “não cumulativa” do PIS e COFINS, diferentemente da existente para o IPI e o ICMS, não vem  prevista na Constituição Federal e sim em lei ordinária.  Outra  diferença  tem  relação  com  o  método  da  “não  cumulatividade”  formalmente erigido pelo legislador ordinário para o PIS e COFINS.   Para essas contribuições, o Poder Executivo, ao editar as MPs 66/02 e 135/03,  optou, conforme exposição de motivos da lei, pelo chamado “Método Indireto Substantivo”,  como forma de garantir apenas neutralidade parcial do impacto tributário sobre os agentes da  cadeia de valor.  Ou seja, na sistemática do PIS e da COFINS não cumulativa o direito ao crédito  não leva em consideração o valor das contribuições pagas nas etapas anteriores, mas sim certas  bases  de  créditos  e  débitos  (valor  dos  bens  e  serviços)  desde que  sujeitos  a  tributação  nesta  etapa anterior.  Fl. 538DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 116          16 De  outro  lado,  no  caso  do  IPI,  temos  o  método  de  crédito  do  imposto  que  determina que o calculo do crédito a ser utilizado leva em consideração o valor destacado de  IPI na nota fiscal de aquisição dos insumos.  Porém  a  falta  de  melhor  definição  dos  termos  utilizados  na  Lei  10.637/02  e  10.833/03 acabou por permitir uma grande discussão a respeito do alcance da possibilidade de  utilização dos créditos para abatimento das contribuições devidas.  De  um  lado,  a  Receita  Federal  que  procura  restringir  o  direito  ao  crédito  igualando a sistemática de apuração à do IPI, ou seja, somente dariam direito ao creditamento  as aquisições de  insumos que se consumirem ou se desgastarem no processo produtivo, e de  outro, os contribuintes, buscando um alargamento deste conceito de insumo.  A respeito do tema vale destacar recente decisão do Conselho Administrativo de  Recurso Fiscal – CARF:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006  CRÉDITO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das  despesas  com  serviços  contratados  pela  pessoa  jurídica  e  com  as  aquisições de combustíveis e de  lubrificantes denota que o  legislador  não  quis  restringir  o  creditamento  do  PIS/Pasep  às  aquisições  de  matérias­primas, produtos intermediários e ou material de embalagens  (alcance de insumos na  legislação do IPI) utilizados, diretamente, na  produção  industrial,  ao  contrário,  ampliou  de  modo  a  considerar  insumos  como  sendo  os  gastos  gerais  que  a  pessoa  jurídica  precisa  incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso  negado. (CSRF. Resp 248.457. Relator Henrique Pinheiro Torres Data  Julgamento: 23/08/2010)  Do  voto  do  eminente  Relator  Henrique  Pinheiro  Torres  destaca­se  pela  relevância para o aqui discutido:  A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI  não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No  âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringe­se ao de matéria­ prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara  das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de  serviços,  o  que  demonstra  que  o  conceito  de  insumo  aplicado  na  legislação  do  IPI  não  tem  o  mesmo  alcance  do  aplicado  nessas  contribuições.  Neste  ponto,  socorro­me  dos  sempre  precisos  ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de  voto  referente  ao  Processo  nº  13974.000199/2003­61,  que,  com  as  honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo:  Destarte,  aplicada  a  legislação  do  IPI  ao  caso  concreto,  tudo  o  que  restaria seria a confirmação da decisão recorrida.  Isso  a  meu  ver,  porém,  não  basta.  É  que,  definitivamente,  não  considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável  ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção  de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem  Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 117          17 lá  prevista  para  o  estabelecimento  do  conceito  de  “insumos”  aqui  referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de  remissão àquela legislação na Lei 10.637.  Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava  o  legislador  do  PIS  ampliando  aquele  conceito,  tanto  que  aí  incluiu  “serviços”,  de  nenhum  modo  enquadráveis  como  matérias  primas,  produtos intermediários ou material de embalagem.  Após  analisar  o  tema  e  os  dispositivos  legais  relacionados,  assim  conclui  o  nobre relator:  Isso  denota  que  o  legislador  não  quis  restringir  o  creditamento  do  Pis/Pasep às aquisições de matérias­primas, produtos intermediários e  ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI)  utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou  de  modo  a  considerar  insumos  como  sendo  os  gastos  gerais  que  a  pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por  ela realizada.  Como vemos a jurisprudência administrativa do CARF caminha a passos largos  para  um  distanciamento  cada  vez maior  da  aplicação  dos  conceitos  do  IPI  na  apuração  dos  créditos de PIS e COFINS não cumulativo.  No mesmo norte, decidiu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção  do CARF, de  forma unânime, nos autos do processo 11020.001952/2006­22, de cuja ementa  destaca­se:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de Apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005  (...)  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  INSUMOS.  MATERIAIS  PARA  MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS.  O conceito de  insumo dentro da sistemática de apuração de  créditos  pela  não  cumulatividade  de PIS  e COFINS deve  ser  entendido  como  toda e qualquer despesa necessária à atividade da empresa, nos termos  da  legislação  do  IRPJ,  não  devendo  ser  utilizado  o  conceito  trazido  pela  legislação do  IPI. Uma vez que a materialidade de  tal  tributo é  distinta da materialidade das contribuições em apreço.  (...)  Recurso Voluntário provido em Parte.  No  judiciário  a matéria  também vem  sendo  amplamente  discutida, merecendo  destaque a posição firmada pela 1ª Turma do TRF 4ª Região, que por meio do acórdão de lavra  do eminente Relator Leandro Paulsen, assim passou a decidir:   TRIBUTÁRIO.  PIS.  COFINS.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  DISTINÇÃO. CONTEÚDO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003, ART.  3º, INCISO II. LISTA EXEMPLIFICATIVA.   Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 118          18 1. A técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS  e COFINS se dá por meio da apuração de uma série de créditos pelo  próprio contribuinte, para dedução do valor a ser recolhido a título de  PIS e de COFINS.   2. A coerência de um sistema de não cumulatividade de tributo direto  sobre  a  receita  exige  que  se  considere  o  universo  de  receitas  e  o  universo de despesas necessárias para obtê­las, considerados à luz da  finalidade  de  evitar  sobreposição  das  contribuições  e,  portanto,  de  eventuais  ônus  que  a  tal  título  já  tenham  sido  suportados  pelas  empresas com quem se contratou.   3.  Tratando­se  de  tributo  direto  que  incide  sobre  a  totalidade  das  receitas auferidas pela empresa, digam ou não respeito à atividade que  constitui  seu  objeto  social,  os  créditos  devem  ser  apurados  relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas  sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita.   4.  O  crédito,  em  matéria  de  PIS  e  COFINS,  não  é  um  crédito  meramente  físico,  que  pressuponha,  como  no  IPI,  a  integração  do  insumo  ao  produto  final  ou  seu  uso  ou  exaurimento  no  processo  produtivo.   5. O rol de despesas que enseja creditamento, nos termos do art. 3º das  Leis 10.637/02 e 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo.  Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas por lei.   6. O art. 111 do CTN não se aplica no caso, porquanto não se trata de  suspensão  ou  exclusão  do  crédito  tributário,  outorga  de  isenção  ou  dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (TRF4,  AC  0000007­25.2010.404.7200,  Primeira  Turma,  Relator  Leandro  Paulsen, D.E. 04/07/2012)  Do corpo do acórdão, vale destacar os seguintes trechos:  As contribuições PIS e COFINS não incidem sobre operações; incidem  sobre  a  receita,  que  é  apurada  mês  a  mês.  Não  há  destaque  a  transferência jurídica a cada operação.  A  solução  legislativa  adotada  para  consagrar  a  não­cumulatividade,  conforme mencionado anteriormente, é o estabelecimento da apuração  de  uma  série  de  créditos  pelo  próprio  contribuinte  para  dedução  do  valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS.  Mas  o  legislador  não  é  livre  para  definir  o  conteúdo  da  não­ cumulatividade.  Seja  com  suporte  direto  na  lei  ordinária  (não  havia  vedação a isso) ou no texto constitucional (passou a haver autorização  expressa),  certo  é  que  a  instituição  de  um  sistema  de  não­ cumulatividade deve guardar atenção a parâmetros mínimos de caráter  conceitual.  A  não­cumulatividade  pressupõe  uma  realidade  de  cumulação sobre a qual se aplica sistemática voltada a afastar os seus  efeitos. Lembre­se que,  forte na não­cumulatividade, as alíquotas das  contribuições foram mais do que dobradas (de 0,65% para 1,65%, de  3% para  7,6%),  de modo que  os mecanismos  compensatórios  tem de  ser efetivos.  Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 119          19 (...)  Pois  bem,  para  que  se  possa  falar  em  não­cumulatividade,  temos  de  pressupor mais de uma incidência. Apenas quando tivermos múltiplas  incidências é que se  justifica a  técnica destinada a evitar que elas se  sobreponham pura e simplesmente, onerando em cascata as atividades  econômicas.  Efetivamente,  só  se  pode  assegurar  a  apuração  de  créditos  relativamente  a  despesas  que,  configurando  receitas  de  outras  empresas,  tenham  implicado  pagamento  de  PIS  e  de  COFINS  anteriormente. E só podem apurar créditos aqueles que estão sujeitos  ao pagamento das contribuições PIS e COFINS não cumulativas.  De outro lado, contudo, tratando­se de tributo direto que incide sobre a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  empresa,  configurem  ou  não  faturamento, ou seja, digam ou não respeito à atividade que constitui  seu  objeto  social,  impõe­se  que  se  permita  a  apuração  de  créditos  relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas  sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. É que, em  matéria  de  PIS  e  de  COFINS  sobre  a  receita,  com  suporte  na  ampliação  da  base  econômica  ditada  pela  EC  20/98,  não  se  pode  trabalhar limitado à idéia de crédito físico.  (...)  A  coerência  de  um  sistema  de  não­cumulatividade  de  tributo  direto  sobre  a  receita  exige  que  se  considere  o  universo  de  receitas  e  o  universo de despesas necessárias para obtê­las, considerados à luz da  finalidade  de  evitar  sobreposição  das  contribuições  e,  portanto,  de  eventuais  ônus  que  a  tal  título  já  tenham  sido  suportados  pelas  empresas com quem se contratou.  (…)  Tenho que a solução está em atribuir ao rol de dispêndios ensejadores  de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 8.833/03  e  da  respectiva  regulamentação  (e.g.,  IN  404/04)  caráter meramente  exemplicativo. Restritivas são as vedações expressamente estabelecidas  por lei.  Como  se  vê  do  bem  estruturado  e  fundamentado  voto  acima  transcrito,  a  primeira  turma  do  TRF  da  4ª Região  passou  a  entender  que  o  direito  ao  crédito  tem  intima  relação  com  a  base  de  calculo  adotada  (Receita  Bruta),  e  que  para  garantia  da  não  cumulatividade preconizada na Constituição Federal, estes deveriam ser calculados sobre todas  as despesas necessárias para a obtenção da Receita Bruta.  Esta  interpretação,  contudo,  ainda  não  pode  prevalecer  no  âmbito  administrativo, pois envolve a declaração de inconstitucionalidade de diversos dispositivos das  leis e decretos que passaram a reger o PIS e COFINS não cumulativos, sendo tal prerrogativa  vedada ao julgador administrativo nos termos do art. 26 A do Decreto 70.235/72.  Seguindo  o  raciocínio  ditado  pelo  que  determinam  os  art.  3º  e  6º  da  Lei  10.833/03 e pelas decisões já citadas, o direito ao crédito de PIS e COFINS relacionados aos  Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 120          20 custos e despesas incorridos pelas empresas, deverá sempre respeitar sua indispensabilidade ao  processo produtivo e a vinculação à receita de exportação.  Tais características devem ser verificadas caso a caso.   Com  base  na  documentação  que  instrui  o  presente  processo,  não  é  possível  a  este  Relator  determinar  precisamente  quais  são  as  atividades  desenvolvidas  pela Recorrente,  quais  atividades  estão  relacionadas  ao  processo  produtivo,  quais  são  exatamente  os  serviços  que  a  Recorrente  presta  a  terceiros,  bem  como  quais  custos  despesas  e  encargos  estão  vinculados as suas receitas de exportação.  Compulsando  os  autos  somente  é  possível  vislumbrar  os  termos  de  intimação  efetuados  pela  autoridade  encarregada  da  análise  do  pedido  de  ressarcimento  efetuado.  As  respostas eventualmente apresentadas não estão  juntadas, embora sejam citadas esparsamente  durante o despacho decisório. Constam dos autos o parecer e seus anexos, porém ausentes às  fontes.  Os “insumos” glosados foram assim relacionados:      É certo que alguns destes itens são auto explicativos, porém outros não.  Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 121          21 Diante das particularidades e do processo produtivo de cada empresa e de cada  atividade industrial, é possível que determinados gastos ou serviços sejam imprescindíveis ao  processo produtivo de certas atividades e em relação outras não o sejam. Para que seja possível  determinar  a  participação  e  a  necessidade  destas  despesas  e  destes  serviços  é  necessário  determinar  detalhadamente  o processo produtivo  e do que  se  tratam cada uma das  contas de  despesas que o Recorrente entende passíveis de credito.  O  despacho  decisório  se  limita  a  dizer  que  a  atuação  da  Recorrente  “é  diversificada, operando de forma mais significativa no agronegócio, notadamente na produção  de fertilizantes e no processamento de produtos agrícolas, com destaque para a soja. Tem filiais  em  vários  estados  da  federação,  integrando  um  complexo  de  negócios  que  envolvem  silos,  fábricas,  unidades  comerciais  e  de  prestação  de  serviços,  operando  no  mercado  interno  e  externo”.(fls. 30)  A listagem de contas contábeis também não ajuda. O que seriam os materiais de  laboratório?  E  os  materiais  de  limpeza? Os  serviços  de  corte  de madeira  são  efetuados  por  terceiros em áreas de propriedade da Recorrente? As contas de ativo imobilizado representam  que despesas?  Conforme  já  exposto,  a  Recorrente  atua  também  como  prestadora  de  serviços  para  terceiros, principalmente  relacionados a  filial Santos Armazenadora. Neste  tópico foram  glosados os seguintes créditos:  Quando  atende  a  terceiros,  a  unidade  atua  efetivamente  como  prestadora  de  serviços. Quando  atende  à  própria ADM,  as  despesas  relativas  aos  serviços  portuários  caracterizam­se  como  despesas  vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal  para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade da  COFINS.  Neste  sentido  foram  glosados  créditos  apurados  sobre  despesas  classificadas  como  “condomínio  portuário,  movimentação,  classificação,  água  (CODESP)  para  os  quais  não  foi  possível  identificar­se  tratar­se  de  insumos  diretos  vinculados  a  serviços  prestados a terceiros (...).  Os  anexos  que  tratam  dos  insumos  dos  serviços  utilizados  sobre  insumos  (ANEXO III)  limitam­se a listar notas fiscais de frete (sobre transferências e planta a planta),  dockage expenses table I e II, switching charges e shiping costs.   Não  encontro,  nos  anexos, menção  as  outras  despesas  glosadas nos  termos do  trecho do despacho decisório acima transcrito.  Também foram glosadas as despesas de depreciação relacionadas aos vagões de  propriedade da Recorrente, que segundo a autoridade fiscal “são, portanto, úteis e necessários  às  atividades  da  empresa,  entretanto  operam  fora  da  fábrica,  não  sendo  propriamente  utilizados na produção de bens destinados a venda ou à prestação de serviços (...).  Não há menção específica quanto à utilização destes vagões, se utilizados para  transportar matérias primas entre as unidades estocadoras (silos) e as unidades industriais, ou  ainda, se utilizados para escoar a produção até o porto, quando destinadas à exportação.  Também  foram  glosados  parte  dos  créditos  presumidos  utilizados  pela  Recorrente para quitação das contribuições devidas sobre as operações do mercado interno.   Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 122          22 Embora não seja o momento adequado para esta análise, causa estranheza a este  relator o  fato de em um pedido de  ressarcimento de créditos de PIS e COFINS vinculados à  exportação estar­se analisando operações relativas ao mercado interno.   Porém,  como  se  faz  necessária  à  baixa  em  diligência  do  presente  processo,  vislumbro a necessidade de maior detalhamento da forma de cálculo adotada pela autoridade  fiscal.  Isto  porque,  diante  das  informações  prestadas  pela  Recorrente,  o  preço  dos  produtos  adquiridos  (soja em grão) sofre oscilações  temporais que são resolvidas, aparentemente, com  notas fiscais complementares e de devolução.   No anexo IV foi possível  identificar notas  fiscais de devolução, porém não foi  possível determinar a causa destas (produtos inadequados? Diferença de preço?), assim como  não foi possível verificar a existência de notas fiscais complementares.  Por  fim,  a  Recorrente  apropriou  em  sua  DACON  créditos  extemporâneos  decorrentes de fretes contratados para as operações de compra de matéria prima, de venda e de  transferências entre suas unidades no período de 02/2003 a 08/2006.  A autoridade fiscal, ao discordar do procedimento adotado, deixou de analisar a  existência e pertinência dos créditos informados nas planilhas apresentadas pela Recorrente.  Em  suma,  estas  são  as  principais  duvidas  e  questionamentos  que  levam  este  Relator a propor a realização de diligência para que a autoridade preparadora intime a empresa  Recorrente a:  a) efetuar descritivo minucioso do processo produtivo da Recorrente,  a  fim de  que  possa  ser  constatado  o  emprego dos  custos,  despesas  e  serviços  glosados  pelo  despacho  decisório;  b)  destacar  quais  as  despesas  vinculadas  a  cada  uma  das  contas  contábeis  glosadas e qual sua participação no processo produtivo;  c)  informar  se  os  serviços  de  corte de madeira  são  efetuados por  terceiros  em  áreas de propriedade da Recorrente, ou a madeira cortada é adquirida também de terceiros?;   d)  promover  a  descrição minuciosa  das  atividades  desenvolvidas  pela  unidade  Santos Armazenadora, tanto para a própria ADM como para terceiros, bem como as despesas  inerentes a esta;  e) discriminar, de forma detalhada, por meio de planilha, os créditos pleiteados e  os créditos glosados, relativos à unidade Santos Armazenadora, tanto em relação às atividades  próprias quanto às prestadas a terceiros;  f)  informar  detalhadamente,  quais  as  atividades  a  que  estão  envolvidos  os  vagões utilizados pela Recorrente;  g)  especificar  a  metodologia  adotada  para  cálculo  dos  créditos  presumidos  pleiteados, fazendo menção à existência de eventuais notas de ajuste de preço (complementares  ou de devolução);  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10783.724592/2011­11  Resolução nº  3302­000.377  S3­C3T2  Fl. 123          23 h)  demonstrar,  segregando  por  mês  de  competência,  o  crédito  extemporâneo  incluído em 09/2006 como “outros créditos”. O demonstrativo deve identificar o tipo de frete  (operações de compra, de venda ou transferência interna), o valor do frete, o valor do crédito, a  nota fiscal e o transportador; e,  i) apresentar, em 30 dias:  i.1)  planilha  de  cálculo  que  explicite  a metodologia  de  apuração  dos  créditos  presumidos por ela adotada;   i.2)  planilha  de  cálculo  que  explicite  a  metodologia  de  alocação  dos  custos  relacionados a serviços portuários prestados a terceiros. Para cada despesa objeto do rateio, a  planilha deve identificar, por período de apuração: o insumo (bem ou serviço), o valor total, a  nota  fiscal,  o  fornecedor,  o  valor  que  serviu  de  base  para  o  cálculo  do  crédito  e  o  valor  do  crédito pleiteado; e,  i.3) planilha, por período de apuração, com as receitas auferidas com a prestação  de serviços portuários.  A  autoridade  da  RFB  responsável  pela  realização  da  diligência  apresentará  relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros  elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo  Por  fim deve ser  intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente  sobre o resultado da presente diligência.  Após, retornem a este colegiado para continuidade do presente julgamento.  É como voto  (assinado digitalmente)  ALEXANDRE GOMES – Relator.    Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ALEXANDRE GOMES

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Numero do processo: 10880.962372/2008-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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Relatório  Trata­se de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado  pela  6ª  Turma  da  DRJ  de  São  Paulo,  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade apresentada pela interessada.  Em momento  prévio  à  análise  das motivações  recursais,  é  conveniente  que  sejam revisitados os atos e fases processuais já superados.  Por  bem  resumir  a  controvérsia  até  a  respectiva  fase  processual,  tomo  emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e  seguintes):    1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração  de  Compensação  n°  38335.89078.101104.1.3.04­4235  em  10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos  de  PIS,  com  créditos  de  PIS,  decorrentes  de  suposto  pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02.  2.  Por  meio  do  Despacho  Decisório  Eletrônico  de  fl.  01,  emitido  em  11/12/08,  a  compensação  pleiteada  não  foi  homologada,  sob  o  fundamento  de  que  a  partir  das  características do DARF por meio do qual teria ocorrido o  pagamento  a  maior  ou  indevido,  o  pagamento  foi  integralmente  utilizado  para  a  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.  3.  Cientificado  da  decisão  em  05101/09  (fls.  04/05),  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  (fls. 11/14) alegando, em síntese, que:  3.1  Como  se  pode  observar  no  demonstrativo  da  composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado  para sua compensação refere­se A parcela da contribuição  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962372/2008­82  Acórdão n.º 3802­002.256  S3­TE02  Fl. 184          3 indevidamente  paga  sobre  valores  relativos  As  saídas  gratuitas ("brindes") de seus produtos.  3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é  constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se  falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas  fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de  direito a correspondente receita ou faturamento.  3.3  Ao  compor  a  base  de  cálculo  das  contribuições,  cometeu  equivoco  de  incluir  valores  que  não  constituíam  sua  receita  ou  faturamento,  e  deveria  ter  apresentado  retificações de suas declarações para excluir destas bases  de cálculos do PIS e da COFINS estes valores.  3.4  Em  determinados  casos,  suas  declarações  não  foram  retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento  tendente A apresentação desta PER/DCOMP.  3.5  Tal  equivoco  não  macula  seu  direito  à  obtenção  dos  créditos,  de  fácil  apuração,  caso  a  autoridade  administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação  legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente,  como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005.  3.6  Não  procedendo  assim,  o  despacho  decisório  representa  ofensa  aos  princípios  da  moralidade  administrativa,  da  razoabilidade,  da  finalidade  e  da  oficialidade,  além de  ensejar  o  enriquecimento  sem  causa  da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e  os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99.  3.7  Requer  a  reforma  do  Despacho  Decisório,  reconhecendo  seu  direito  creditório  na  sua  totalidade  e  homologando a compensação do PER/DCOMP.  4. É o relatório.    Ao  analisar  a  reclamação,  a  6ª  Turma  da  DRJ/SPO  entendeu  pela  improcedência  da  Manifestação  de  Inconformidade,  mantendo  a  glosa  do  crédito  requerido  pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS  Ano­calendário: 2002  DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  existência  do  crédito  declarado,  para  Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade  administrativa.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO.  NÃO  COMPROVAÇÃO. EFEITO.  A  falta  de  comprovação  do  crédito  objeto  da  Declaração  de  Compensação  apresentada  impossibilita  a  homologação  das  compensações declaradas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    O  julgador  de  1ª  instância  entendeu  que  as  provas  apresentadas  pelo  contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito  creditório suscitado.   Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame,  o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do  indicado  na  decisão  recorrida,  a DRJ  não  deveria  ter  indeferido  de  plano  seu  pedido  ante  a  suposta  ausência  de  provas,  pois  cabe  a  ela  verificar  a materialidade  do  crédito  suscitado;  e  que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de  provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade,  cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações.  Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do  Recurso Voluntário  para  que  seja  reformada  a  decisão  de  1ª  instância  e,  consequentemente,  homologadas as compensações efetuadas.  Voto             Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator  O  presente  recurso  é  tempestivo  e,  ausentes  outras  questões  preliminares,  passo à análise de mérito.  Trata­se  de  processo  de  revisão  de  compensação,  em  que  o  contribuinte  embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e  COFINS diversas saídas de brindes.  No  caso  em  tela,  instado  pela  DRJ  a  apresentar  provas  cabais  da  materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente,  além  das  informações  do  balancete  que  apresentou  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido  e  uma  cópia  do  Livro  Registro  de  Saídas  do  ICMS,  que  indica  que  as  notas  fiscais  foram  efetivamente escrituradas.  Acontece  que  as  provas  apresentadas  ainda  não  são  suficientes  para  demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Veja­se.  Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962372/2008­82  Acórdão n.º 3802­002.256  S3­TE02  Fl. 185          5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas  contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito.  Além  do  balancete,  foi  acostado  um  relatório  indicando  as  notas  fiscais  de  CFOP  referente  a  tais  saídas.  No  entanto,  esse  relatório  não  indica  totalização  para  fins  de  conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado.  Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo  sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório.  Soma­se  a  isso  o  fato  de  que  não  há  cópia  de  sequer  uma  nota  fiscal  no  processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal.  Ora,  no  rito  do  processo  de  análise  de  pedidos  de  compensação  ou  ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em  tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe  assiste.   Nesse  sentido,  importante  destacar  que  o  julgador  não  pode  se  basear  em  planilhas internas apresentadas pelo contribuinte.  Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário,  em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as  razões pelas quais o  tributo  deve  ser  exigido),  no  pedido  de  ressarcimento  o  contribuinte  deve  demonstrar  cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado.  Em que pese a  juntada de planilhas,  tem­se que estas são nada além de um  arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova.  Prova  é  a  documentação,  oponível  ao  fisco,  que  redunde  em  demonstração  inequívoca  do  direito  de  crédito.  Sobre  essa  prova  é  que  deverão  ser  elaboradas  planilhas  resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova.  Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção  de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o  conjunto  fático­probatório  dos  autos  é  fundamental  para  se  assegurar  o  direito  de  crédito  suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo  o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja,  documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação.  Destarte,  oriento  meu  voto  no  sentido  de  que  seja  mantida  a  decisão  de  primeira  instância,  mantendo  a  glosa  das  compensações,  pois  o  Recorrente  não  demonstrou  cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados.  Conclusão  Isto  posto,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para  NEGAR­LHE  o  provimento.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     6                               Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 13771.000845/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-003.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 1.619          1 1.618  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13771.000845/2007­09  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­003.652  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de agosto de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  HIPER EXPORT TERMINAIS RETROPORTUARIOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998  FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO  FISCAL  EMITIDO  APÓS  A  IMPUGNAÇÃO.  INOBSERVÂNCIA  DOS  PRINCÍPIOS  DO  CONTRADITÓRIO  E  DA  AMPLA  DEFESA.  NULIDADE.  A omissão  em dar  ciência  ao  contribuinte de manifestações proferidas pelo  agente  notificante  após  a  impugnação  fere  os  princípios  constitucionais  do  Contraditório e da Ampla Defesa.  A  viabilidade  do  saneamento  do  vício  enseja  a  anulação  da  decisão  a  quo  para o correto transcurso do processo administrativo fiscal.  Decisão Recorrida Nula.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a  decisão de primeira instância.    Elias Sampaio Freire ­ Presidente      Kleber Ferreira de Araújo – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 00 08 45 /2 00 7- 09 Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     2    Participaram  do  presente  julgamento  o(a)s  Conselheiro(a)s  Elias  Sampaio  Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira,  Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13771.000845/2007­09  Acórdão n.º 2401­003.652  S2­C4T1  Fl. 1.620          3   Relatório    Trata­se de retorno de diligência, a qual foi determinada pela 4.ª Câmara de  Julgamento  do Conselho  de Recursos  da Previdência Social  – CRPS,  fls.  818/821  (processo  tipo  papel),  no  bojo  do  julgamento  de  recurso  da  empresa  contra  a  Decisão­Notificação  n.  07.401/0464/2002 da Gerência Executiva do  INSS em Vitória  (ES),  fls.  111/118, que  julgou  improcedente a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento  de Débito – NFLD n. 35.491.365­4.  Passamos a apresentar um resumo dos principais  fatos processuais ocorrido  no andamento do presente feito.  Originalmente foi lavrada a NFLD n. 32.811.406­5. De acordo com relatório  fiscal, fls. 57/58, os  fatos geradores presentes na apuração, relativos ao período de 04/1997 a  13/1998, foram:  a) remunerações de empregados, conforme folhas de pagamento, rescisões e  recibos de férias;  b)  contribuições  da  empresa  relativas  a  seguro  de  vida  em  benefício  dos  empregados;  c) pró­labore, obtido na contabilidade; e   d) remunerações pagas a trabalhadores autônomos constantes em recibos.  A empresa ofertou impugnação, fls. 79/94, na qual alegou que a NFLD deve  ser cancelada, posto que o agente  fiscal  não considerou que  as contribuições  lançadas  foram  objeto  de  compensação  com  créditos  decorrentes  de  recolhimento  indevido  sobre  a  remuneração  de  avulsos,  autônomos  e  administradores,  os  quais  foram  autorizados  judicialmente no bojo da Ação Ordinária n. 99.0003987­4, em tramitação na 2.ª Vara Federal  em Vitória (ES).  Na peça defensória foram lançados argumentos também contra a aplicação da  taxa Selic,  incidência  de  contribuição  sobre  o  seguro  de  vida,  contribuições  para  terceiros  e  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.  Às  fls.  96/97,  consta  parecer  da  Procuradoria  do  INSS,  que  atendendo  a  consulta  formulada  pela  autoridade  lançadora,  orientou  que  os  créditos  decorrentes  da  ação  judicial fossem compensados com os valores apurados nas NFLD 32.811.407­3; 32.211.412­0  e 32.811.406­5.  Continuando sugere que, ao ser alcançado o montante de créditos do sujeito  passivo, os valores remanescentes deveriam ser desmembrados da NFLD n. 32.811.406­5, para  prosseguimento do contencioso em relação as outras matérias impugnadas.  Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     4  O  fisco  juntou  à  fl.  100,  tabela  indicativa  dos  valores  da  NFLD  n.  32.811.406­5  que  teriam  sido  compensados,  a  seguir  foi  elaborado  demonstrativo  para  desmembramento do crédito.  À fls. 106/109 foi juntada informação fiscal em que a autoridade notificante  explica como foi realizado o aproveitamento dos créditos do contribuinte.  Foi  então  exarada  a  Decisão­Notificação  (DN)  n.  07.401.4/0464/2002,  fls.  111/118, esta já se reportando à NFLD n. 35.491.365­4, a qual decorreu do desmembramento  da NFLD de n. 32.811.406­5.  Na  DN  entendeu­se  que  não  caberia  enfrentar  as  alegações  relativas  à  compensação,  posto  que  o  desmembramento  do  débito  houvera  ocorrido  exatamente  para  atender ao pedido do sujeito passivo.  A seguir, foram afastados todos os outros argumentos constantes da defesa.  A empresa interpôs  recurso  tempestivo de fls. 126/133, no qual afirma que,  além dos créditos reconhecidos na Ação Judicial n. 9900003987­4, havia outros recolhimentos  indevidos,  cuja  compensação  não  houvera  sido  postulada  em  razão  dos  documentos  de  arrecadação estarem de posse do INSS, instruindo outro processo administrativo.  Afirma que seu crédito é bem superior ao que foi apurados nas NFLD, além  de que era detentor de provimento judicial para poder efetuar a compensação sem se sujeitar ao  limite de 30% da contribuição devida.  Pede a realização de diligência fiscal para apurar os créditos que a empresa é  detentora e que declare improcedente a NFLD.  O INSS apresentou contrarrazões à fl. 285.  Mediante  a  decisão  n.  04/00039/2003,  a  4.ª  CaJ  –  CRPS  decidiu,  por  unanimidade,  converte  o  julgamento  nos  termos  do  voto  da Relatora Vera Lúcia  Isac  Soria,  cuja parte dispositiva foi assim redigida:  “CONSIDERANDO que o recurso é tempestivo;  CONSIDERANDO  que  o  Instituto,  em  contra­razões,  não  se  manifestou  sobre  as  conclusões  argüidas  pela  empresa,  constantes no Recurso apresentado a este Conselho, às fls. 131,  itens a), b), c) e d).  Para que se proceda a um justo julgamento, necessário se faz a  baixa  dos  autos  em  diligência,  para  que  os  mesmos  sejam  remetidos à AFPS Notificante, a fim de que se manifeste sobre as  conclusões  argüidas  pela  empresa,  constantes  às  fls.  131,  itens  a), b), c) e d).”(grifos originais).  Com  o  retorno  ao  INSS  para  cumprimento  da  diligência,  o  processo  foi  novamente encaminhado à Procuradoria, que manifestou concordância com o sujeito passivo,  para afirmar que, além daqueles  reconhecidos na Ação Judicial n. 99.00003987­4, a empresa  seria detentora de outros créditos, estes de período diverso e contemplados na Ação Judicial n.  95.0000653­7 (ver fl. 293).  Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13771.000845/2007­09  Acórdão n.º 2401­003.652  S2­C4T1  Fl. 1.621          5 O  processo  retornou  à  fiscalização  para  que,  diante  do  pronunciamento  da  Procuradoria, verificasse a existência de créditos não compensados e, se fosse o caso, indicasse  os valores da NFLD a serem retificados.  Em arrazoada de 84 laudas, fls. 296/379, fisco apresenta considerações acerca  das razões apresentadas pelo sujeito passivo na defesa e no recurso, concluindo que a depender  do  critério  a  ser  utilizado  na  apuração  dos  créditos  do  contribuinte,  este  pode  ter  direito  a  compensação superior aquele apurado na NFLD.  Após  essa  manifestação,  o  autos  retornaram  ao  4.ª  CaJ  –  CRPS  para  apreciação do pronunciamento fiscal. A Câmara emitiu o Ato Decisório 41/2007, no qual, por  unanimidade  converte mais  uma  vez  o  julgamento  em  diligência,  desta  feita  para  que  fosse  emitida nova DN, conforme se percebe do voto do Relator:  “Desta forma,  foi determinada a realização de diligência, a fim de que fosse  elaborada  a  confrontação  dos  créditos  e  débitos  da  recorrente,  no  intuito  de  possibilitar  que  esta  Câmara  tivesse  os  subsídios  necessários  para  a  conclusão  do  presente julgamento.  Com efeito, foi apresentado novo Relatório Fiscal com quase 100 laudas, no  qual o i. Auditor Fiscal apresentou a seguinte conclusão:  “Isto  posto,  havendo  o  entendimento  de  que  o  acerto  vigente  deva ser totalmente substituído por esse proposto: período 09.89  a  01.95  e  realizado  com  base  na  análise  da  assunção  às  contribuições  originárias  de  direito  à  compensação,  a  conseqüência seria a NFLD 35.491.365­4 ser cancelada.  Contudo,  no  acerto  descrito  neste  despacho  os  valores  originários  de  compensação  devidamente  atualizados,  não  são  suficientes para alterar os valores lançados originalmente (SIC)  na NFLD DEBCAD n.° 32.81 1.406­ 5, da qual decorre a parte  lançada  os  valores  lançados  originariamente  na  NFLD  35.81  1.365­4 originária deste processo."  Ou  seja,  apesar  de  todas  as  evidências  constatadas  nos  presentes  autos,  a  determinação  constante  no  Acórdão  da  4a  CAJ  e  das  decisões  transitadas  em  julgado, o i. AFPS, insiste em afirmar que o valor consolidado na presente NFLD é  INFERIOR aos créditos apresentados não considerados no acerto anterior.  Tendo em vista que o novo Relatório Fiscal apresentado contém nova análise  dos  dados  e  enquadramento  distinto  daquele  contido  no Acórdão  de  fls.  287/290,  torna­se  necessária  a  remessa  dos  presentes  autos  à  Gerência  Executiva  em  Vitória/ES,  para  emissão  de  nova Decisão­Notificação,  sob  pena  de  supressão  de  instância.  Oportuno  destacar  que  o  próprio  Acórdão  emitido  por  esta  4.ª  CAJ  DETERMINOU que cumprida a diligência proposta, A D­N de fls. 111/118 deveria  ser reformada, o que não ocorreu.   Desta  forma,  deverá  o  contribuinte  ser  cientificado  do  inteiro  teor  das  informações trazidas pelo i. auditor fiscal, e ato continuo, com fulcro no art. 32 do  Regimento Interno do CRPS, deverá a autarquia se manifestar.    Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     6  CONCLUSÃO  Diante  do  exposto,  determino  a  conversão  em  diligencia,  conforme  fundamentação supra.  O  sujeito  passivo  manifestou  às  fls.  828/840,  para  afirmar  que  o  direito  à  compensação  já  lhe  fora  garantido  por  tutela  judicial,  além  de  que  obteve,  mediante  o  ajuizamento de ação cautelar, medida liminar suspendendo os efeitos das autuações, conforme  documentos acostados.  Sustenta  que  a  autoridade  fiscal,  ao  insistir  na  cobrança  dos  valores  indevidamente lançados incorre na conduta de descumprimento de ordem judicial.  O  processo  subiu  para  o  CARF,  na  situação  aguardando  julgamento  do  recurso.  É o relatório.  Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13771.000845/2007­09  Acórdão n.º 2401­003.652  S2­C4T1  Fl. 1.622          7   Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator  Admissibilidade  O  recurso  merece  conhecimento,  posto  que  preenche  os  requisitos  de  tempestividade e legitimidade.  Do cerceamento ao direito de defesa – nulidade da decisão recorrida  No  curso  da  instrução  do  processo,  após  o  oferecimento  da  impugnação,  o  feito foi remetido à Procuradoria do INSS, a qual determinou que a fiscalização procedesse ao  aproveitamento de créditos do contribuinte e efetuasse o desmembramento da parte controversa  do crédito.  Para  atender  à  determinação  da  Procuradoria,  a  autoridade  lançadora  fez  a  juntada de novos demonstrativos de compensação. A seguir foi exarada a decisão de primeira  instância, sem que o sujeito tomasse conhecimento dos novos fatos e documentos que vieram  ao processo após a manifestação do órgão de representação judicial do INSS.  Com efeito, os novos elementos acostados serviram de alicerce para o  livre  convencimento da autoridade judicante administrativa a quo e como fundamento da decisão de  1ª Instância.  Nesse panorama, verifica­se que  foi  proferida a Decisão Administrativa ora  guerreada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a  respeito dos novos fatos e provas acostados pelo fisco após a apresentação da defesa.  A privação do conhecimento das razões aduzidas pela Fiscalização, as quais  se prestaram na  fundamentação da Decisão discutida, configurou, ao meu sentir, hipótese de  cerceamento de defesa, pela efetiva exclusão do contraditório além de supressão de instância  eis que a contradita do sujeito passivo ficou reservada, tão somente, à instância recursal.  A  situação  fática  retratada  no  presente  caso,  consistente  na  usurpação  do  direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II,  in fine, do  art.  31  da Portaria MPS  n°  357/2002,  sob  cuja  égide  se  desenvolveram  os  fatos  processuais  aqui narrados e houve por lavrada a decisão vergastada.  Art. 28. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa;  III  ­  o  lançamento  com  ausência  de  fundamento  legal,  erro  na  identificação do  fato gerador, do período ou do sujeito passivo  ou não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal ­ MPF;  Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE     8  § 1º Nos casos dos incisos I e II, a nulidade de qualquer ato só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente  dependam  ou  sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  § 3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe a falta.  Art.  29.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  Art. 30. A nulidade será declarada pela autoridade competente  para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.  Saliente­se que as diretivas ora anunciadas não se atritam com as disposições  encartadas  no  Decreto  nº  70.235/72,  que  regem  os  Processos  Administrativos  Fiscais  nas  ordens  do  Ministério  da  Fazenda,  ao  qual,  hodiernamente,  também  se  submetem  os  procedimentos  fiscais  e  os  processos  administrativos  fiscais  de  determinação  e  exigência  de  créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias, sendo aquelas, destas, espelho.  Art. 59. São nulos:  I  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente;  II  os  despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam consequência.  §2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a  quem  aproveitaria  a  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  julgadora  não  a  pronunciará  nem  mandará  repetir  o  ato  ou  suprir­lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  Art.  61. A nulidade  será declarada pela autoridade competente  para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.  Nesse  contexto,  pautamos  pela  declaração  de  nulidade  da  Decisão­ Notificação n. 07.401/0464/2002, com fulcro no art. 28,  II da Portaria MPS nº 357/2002 c.c.  art.  59,  II  do Decreto  nº  70.235/72,  posto  que  exarada  em  claro  desrespeito  ao  princípio  do  contraditório.  Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13771.000845/2007­09  Acórdão n.º 2401­003.652  S2­C4T1  Fl. 1.623          9 Observe­se  que  a  emissão  de  nova  decisão  a  quo  já  havia  inclusive  sido  determinada pelo CRPS, consoante o que ficou decidido no Ato Decisório 41/2007 (transcrito  no relatório deste voto), onde é patente o reconhecimento do prejuízo ao direito de defesa do  sujeito passivo, além da ocorrência de supressão de  instância  relacionada à  juntada de novos  elementos pelo fisco após a defesa.  Conclusão  Voto  por  ANULAR  a  DECISÃO  de  primeira  instância,  devendo  ser  conferido à recorrente o direito de se manifestar acerca dos pronunciamento do fisco constante  às fls. 106/109.    Kleber Ferreira de Araújo.                              Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE

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Numero do processo: 11080.918970/2012-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 123          1 122  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.918970/2012­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3802­002.431  –  2ª Turma Especial   Sessão de  27 de fevereiro de 2014  Matéria  COFINS­COMPENSAÇÃO  Recorrente  CALIENDO METALURGIA E GRAVACOES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2011  MULTA  DE  MORA.  CONTROLE  DE  CONSTITUCIONALIDADE.  ÂMBITO  ADMINISTRATIVO.  IMPOSSIBILIDADE.  MATÉRIA  NÃO  CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.  De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para  declarar  a  inconstitucionalidade  de  atos  normativos  fora  das  hipóteses  previstas no art. 62 do Regimento Interno.   PRELIMINAR.  NULIDADE.  DESPACHO  DECISÓRIO.  AUSÊNCIA  DE  FUNDAMENTAÇÃO.  VIOLAÇÃO  AOS  PRINCÍPIOS  DO  CONTRADITÓRIO,  DA  AMPLA  DEFESA  E  DO  DEVIDO  PROCESSO  LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.  Não é nulo o despacho decisório que,  embora conciso,  contém a  exposição  das  razões  de  fato  e  de  direito  que  fundamentaram  a  não­homologação  da  compensação.  Não  há,  ademais,  qualquer  violação  aos  princípios  constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal,  porque  o  interessado  foi  devidamente  intimado do  despacho  decisório  e  da  decisão  recorrida,  apresentando  manifestação  de  inconformidade  e  interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de  nulidade afastada.  DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE  CONVENCIMENTO MOTIVADO.  No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou  do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29  do  Decreto  nº  70.235/1972,  a  liberdade  para  formar  a  sua  convicção,  deferindo  as  diligências  que  entender  necessárias  ou  indeferi­las,  quando  prescindíveis ou impraticáveis.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 70 /2 01 2- 89 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     2 PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  O  contribuinte  tem  direito  subjetivo  à  compensação,  desde  que  apresente  prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve  ser mantida a não­homologação da compensação.  MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.  A incidência de multa de mora encontra­se expressamente prevista no art. 61  da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  SOLON SEHN ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano  Damorim  (Presidente),  Francisco  José  Barroso  Rios,  Solon  Sehn,  Waldir  Navarro  Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  com  base  nos  fundamentos  resumidos na ementa seguinte:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2011  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  Na  falta de  comprovação do pagamento  indevido ou a maior,  não há que se falar de crédito passível de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918970/2012­89  Acórdão n.º 3802­002.431  S3­TE02  Fl. 124          3 O  interessado  apresentou  o  PER/Dcomp  (Pedido Eletrônico  de Restituição,  Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração  de Débitos  e Créditos  Tributários  Federais).  Tal  fato  fez  com  que  o  pagamento  continuasse  atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação.  O Recorrente, nas  razões  recursais de  fls. 73 e  ss.,  alega preliminarmente a  nulidade  do  despacho  decisório,  por  ausência  de  fundamentação  e  violação  aos  princípios  constitucionais  da  ampla  defesa,  do  contraditório  e  do  devido  processo  legal.  No  mérito,  sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário,  caberia  à  decisão  recorrida  demonstrar  a  ausência  de  liquidez  e  de  certeza  do  crédito,  nos  termos  do  art.  170  do  Código  Tributário  Nacional.  Aduz  que  deve  ser  possibilitado  ao  contribuinte,  inclusive  por  meio  de  diligência,  a  juntada  posterior  de  provas  do  direito  de  crédito.  Por  fim,  sustenta  a  ilegalidade  e  a  inconstitucionalidade  da  incidência  de  multa  de  mora  sobre  o  débito  confessado,  por  incompatibilidade  com  os  princípios  constitucionais  do  não­confisco,  da  razoabilidade  e  da  proporcionalidade.  Requer  o  provimento  do  recurso  voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Solon Sehn  O Recorrente teve ciência da decisão no dia 12/09/2013 (fls. 121), interpondo  recurso  tempestivo  em  03/10/2013  (fls.  73).  Assim,  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se  refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora.  Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  tem  competência  para  a  declaração  de  inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno:  Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal;  ou  II  ­  que  fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002;  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     4 b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar nº 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar nº 73, de 1993.  Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não  há  como  se  acolher  a  preliminar  de  nulidade.  Isso  porque,  ainda  que  conciso,  o  despacho  decisório encontra­se suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato  e  de  direito  da  não­homologação  da  compensação.  Não  há,  ademais,  qualquer  violação  aos  princípios  constitucionais  da  ampla  defesa,  do  contraditório  e  do  devido  processo  legal.  O  interessado,  afinal,  foi  devidamente  intimado  do  despacho  decisório  e  da  decisão  recorrida,  apresentando  manifestação  de  inconformidade  e  interpondo  recurso  voluntário,  na  forma  prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal.  No tocante à diligência, deve­se ter presente que, no processo administrativo  fiscal,  vigora  o  princípio  da  persuasão  racional  ou  do  livre  convencimento motivado,  o  que  garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para  formar  a  sua  convicção, deferindo  as diligências que entender necessárias ou  indeferindo­as,  quando prescindíveis ou impraticáveis:  “Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  “Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.”  No  presente  caso,  por  sua  vez,  é  prescindível  a  realização  da  diligência,  porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova.  Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a  Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que  fez  com  que  a mesma  continuasse  atrelada  à  quitação  do  débito  originário,  inviabilizando  a  homologação  da  compensação.  Em  casos  dessa  natureza,  a  Turma  tem  interpretado  que  o  contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação,  desde que apresente prova da existência do crédito compensado.  Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados:  “PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  APÓS  A  INSCRIÇÃO  DO  DÉBITO  EM  DÍVIDA  ATIVA  DA  UNIÃO.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf,  tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova  da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução  Normativa  SRF  nº.  583/2005,  vigente  à  época  da  transmissão  das  DCTF’s  retificadoras).  A  retificação,  porém,  não  produz  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918970/2012­89  Acórdão n.º 3802­002.431  S3­TE02  Fl. 125          5 efeitos quando o débito já foi enviado à Procuradoria­Geral da  Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.”  (Carf.  3ª  S.  2ª  T.E.Acórdão  nº  3802­01.078.  Rel.  Conselheiro  Solon Sehn. S. 27/07/2012).  “PROCESSO  DE  COMPENSAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA.  ENTREGA  APÓS  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  REDUÇÃO  DO  DÉBITO  ORIGINAL.  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.  Uma  vez  iniciado  o  processo  de  compensação,  a  redução  do  valor  débito  informada na DCTF  retificadora,  entregue  após  a  emissão  e  ciência  do  Despacho  Decisório,  somente  será  admitida,  para  fim  de  comprovação  da  origem  do  crédito  compensado,  se  ficar  provado  nos  autos,  por  meio  de  documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração  do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos.  [...]  Recurso Voluntário Negado.”  (Carf.  3ª  S.  2ª  T.E.  Acórdão  nº  3802­01.290.  Rel.  Conselheiro  José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012).     “COMPENSAÇÃO  COM  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  RETIFICAÇÃO  DE  DCTF  DEPOIS  DE  PROFERIDO  DESPACHO  DECISÓRIO  NÃO  HOMOLOGANDO  PER/DECOMP.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  ERRO  DE  FATO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  ORIGINAL.  INADMISSIBILIDADE  DA  COMPENSAÇÃO  EM  VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA  DO CRÉDITO ADUZIDO.  A  compensação,  hipótese  expressa  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do  CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos  ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a  teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.  Uma  vez  intimada  da  não  homologação  de  seu  pedido  de  compensação,  a  interessada  somente  poderá  reduzir  débito  declarado  em  DCTF  se  apresentar  prova  inequívoca  da  ocorrência de erro de fato no seu preenchimento.  A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado  impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública  mediante compensação.  Recurso a que se nega provimento.”  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM     6 (Carf.  3ª  S.  2ª T.E. Acórdão nº 3802­001.593. Rel. Conselheiro  Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013).    “PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  PROLAÇÃO  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  APRESENTAÇÃO  DA  PROVA  DO  CRÉDITO  APÓS  DECISÃO  DA  DRJ.  HIPÓTESE  PREVISTA  NO  ART.  16,  §  4º,  “C”,  DO  DECRETO  Nº  70.235/1972.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  COMPENSAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  A  prova  do  crédito  tributário  indébito,  quando  destinada  a  contrapor  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos,  pode  ser  apresentada após a decisão da DRJ, por  força do princípio da  verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto  nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve  ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf.  Recurso Voluntário Provido  Direito Creditório Reconhecido.”  (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802­01.005. Rel. Solon Sehn. S.  22/05/2012).     “PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  APÓS  O  DESPACHO  DECISÓRIO.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE  MATERIAL.  AUSÊNCIA  DE  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.  O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf,  tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova  contábil  da  existência  do  crédito  compensado.  A  simples  retificação  após  o  despacho  decisório  não  autoriza  a  homologação da compensação do crédito tributário.   Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.”  (Carf. S3­TE02. Acórdão nº 3802­01.112. Rel. Conselheiro Solon  Sehn. S. 27/07/2012).    “COMPENSAÇÃO.  REQUISITOS  FORMAIS.  AUSÊNCIA  DE  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  IMPOSSIBILIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  PELO  CONTRIBUINTE  APÓS  DECORRIDOS  CINCO  ANOS  DA  EXTINÇÃO  DO  CRÉDITO.  EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF.  A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte,  ao  efetuar  pedido  de  compensação  com  base  em  créditos  decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório  (DACON,  DIPJ,  dentre  outros).  Assim,  a  ausência  de  apresentação  da  DCTF  retificadora  é  causa  para  negação  do  crédito  pleiteado.  Todavia,  excepcionalmente  se  permite  a  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918970/2012­89  Acórdão n.º 3802­002.431  S3­TE02  Fl. 126          7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só  foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos  contados  da  extinção  do  crédito,  sendo  certo  que  a  negativa  importaria  em  situação  excepcional  de  restrição  formal  à  verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo  administrativo tributário.  Recurso voluntário provido.  Direito creditório reconhecido.”  (Carf.  S3­TE02.  Acórdão  nº  3802­001.642.  Rel.  Conselheiro  Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013)  No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e  da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque,  ao  contrário  do  sustentado  pelo  Recorrente,  cabe  ao  sujeito  passivo  o  ônus  da  prova  nos  pedidos de compensação.  Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento  da multa de mora. Esta  foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o  que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade.  Vota­se,  assim,  pelo  conhecimento  parcial  e  desprovimento  do  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator                                Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 19311.720478/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS NO LANÇAMENTO A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. FALTA DE EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. Comprovada a venda de mercadorias sem emissão de notas fiscais de venda e registro no Livro de Saídas, bem como não oferecida à tributação, impõe-se a exigência de ofício dos tributos correspondentes. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO. A ausência de apresentação de livros contábeis, livro caixa e documentos implica o arbitramento de lucros. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência em procedimento de ofício, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.
Numero da decisão: 1402-001.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 PENDÊNCIA DE DECISÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão (Súmula CARF nº 77). EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS NO LANÇAMENTO A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. FALTA DE EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. Comprovada a venda de mercadorias sem emissão de notas fiscais de venda e registro no Livro de Saídas, bem como não oferecida à tributação, impõe-se a exigência de ofício dos tributos correspondentes. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO. A ausência de apresentação de livros contábeis, livro caixa e documentos implica o arbitramento de lucros. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta de recolhimento ou mesmo a sua insuficiência em procedimento de ofício, aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Justifica-se a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.733          2 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. FALTA DE EMISSÃO DE  NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS.   Comprovada a venda de mercadorias sem emissão de notas fiscais de venda e  registro no Livro de Saídas, bem como não oferecida à tributação, impõe­se a  exigência de ofício dos tributos correspondentes.  AUSÊNCIA  DE  APRESENTAÇÃO  DE  LIVROS  E  DOCUMENTOS.  ARBITRAMENTO.  A  ausência  de  apresentação  de  livros  contábeis,  livro  caixa  e  documentos  implica o arbitramento de lucros.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS  A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica­se, no que couber,  aos  lançamentos  decorrentes,  quando  não  houver  fatos  ou  argumentos  a  ensejar decisão diversa.  DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.  A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte.  Tratando­se  da  comprovação  de  origem  de  depósitos  bancários,  a  prova  deveria  ser  produzida  pela  parte,  sendo  desnecessária  a  realização  de  diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao  disposto  no  inciso  IV  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/72,  competindo  à  autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.  MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, apurada falta  de  recolhimento  ou mesmo  a  sua  insuficiência  em  procedimento  de  ofício,  aplicável é a multa de 75% sobre o imposto apurado.  MULTA QUALIFICADA. DOLO.  Justifica­se  a  aplicação  da  multa  no  percentual  de  150%  quando  restar  demonstrado  que  o  contribuinte  agiu  de  forma  dolosa,  com  o  propósito  de  impedir  ou  retardar,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária,  da  ocorrência do fato gerador da obrigação tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e  voto que passam a integrar o presente julgado.   (assinado digitalmente)  LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Presidente  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO –     Fl. 2733DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.734          3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico  Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da  Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.  Fl. 2734DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.735          4   Relatório  INDÚSTRIA  MECÂNICA  BN  LTDA  –  EPP,  com  fulcro  no  art.  33  do  Decreto nº 70.235, de 1972, recorre a este Conselho objetivando reformar a decisão de primeira  instância que julgou improcedente a impugnação apresentada.  Por  bem  retratar  o  litígio  até  aquela  fase,  adoto  o  relatório  da  decisão  recorrida:  Trata­se  de  impugnação  aos  Autos  de  Infração  de  IRPJ(fls.2.372/2.390),  CSLL(2.391/2.405),  PIS(2.406/2.425),  e  Cofins  (2.426/2.445),  lavrados e cientificados em 08 de  janeiro de 2013, contra o  Interessado,  relativos aos  anos­calendário  de  2008  e  2009,  em  razão  de  haver  sido  apurado  as  seguintes  irregularidades:  1)  omissão  de  receitas  decorrente  da  venda  de  produtos  de  fabricação própria sem a emissão da correspondente nota fiscal;  2) omissão de receitas relativa a depósitos bancários de origem não  comprovada; e   3) recolhimento a menor dos tributos decorrente de sua exclusão do  Simples Nacional.  Como  as  infrações  apuradas  apresentam  reflexos  nos  valores  devidos  às  contribuições  sociais,  foram  lavrados  autos  de  infração  referentes  ao  Programa de Integração Social – PIS; Contribuição para Financiamento da Seguridade  Social – Cofins, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL.  Os  valores  tributáveis  relativos  aos  fatos  geradores  verificados  encontram­se indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os  enquadramentos  legais  respectivos,  atingindo  o  crédito  tributário  o  montante  de  R$  1.850.720,63 na data da  lavratura,  compreendendo os valores dos  tributos,  acrescidos  das multas de ofício de 150% no caso de omissão de receitas decorrente da venda de  produtos  de  fabricação  própria  e  de  75% para  os  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, mais juros de mora calculados até 30/11/2012, assim distribuídos:  IRPJ..................................................R$ 539.494,11  CSLL................................................R$ 300.668,80  PIS....................................................R$ 178.540,24  Cofins................................................R$ 832.017,48  No  Termo  de  Verificação  e  de  Encerramento  do  Procedimento  Fiscal(fls. 2.281 a 2.371), há a descrição do procedimento fiscal e das  irregularidades  apontadas  pelo  autuante  como  infrações  à  legislação  tributária,  que  motivaram  a  lavratura dos presentes autos de infração.  Fl. 2735DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.736          5 De  acordo  com  a  informação  fiscal,  contida  no  Termo  de  Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal, o Contribuinte  foi  submetido  ao  arbitramento do lucro por não ter apresentado os livros Diário e Razão, nos termos do  art. 530, III, do RIR/99.   Regularmente  cientificado,  ingressou  com  a  impugnação  de  fls.  2.172  a  2.195,  firmada  pelo  procurador  Dr.  Eduardo  Birkman,  constituído  pela  procuração de fl. 2.196, e pelo sócio Ademir Bernardes, onde em síntese alega:  1. Preliminares  1.1.  Invalidade  Administrativa  do  Procedimento  Fiscal.  Atividade Privativa de Contador  Alega  que  a  atividade  de  exame  detalhado  dos  livros  contábeis/fiscais  e  demais  elementos  contábeis  é  privativa  de  Contador  devidamente  registrado no Conselho Regional de Contabilidade/SP, e não sendo o Auditor Fiscal que  procedeu a auditoria contábil nos livros e documentos da autuada contador legalmente  habilitado pelo CRC/SP o Auto de Infração encontra­se eivado de nulidade absoluta.   1.2. Pendência de recurso. Efeito suspensivo. Nulidade  Alega  que  o  processo  administrativo  n°13839.723256/2012­20  Comunicação/Seort/n°376/2012 Ato Declaratório Executivo n° 64 de 30 de outubro de  2012,  CNPJ  44.706.596/0001­15  fundamenta  a  exclusão  do  impugnante  do  regime  simplificado  imputando ao mesmo a prática de: a)falta de escrituração do  livro caixa;  b)não  emissão  de  documentos  fiscais  de  venda;  e  c)omissão  de  receitas  de  forma  reiterada.  Aduz  que,  “em  que  pese  o  teor  da  fundamentação  apresentada  a  mesma não encontra respaldo técnico e fático para que possa resultar na exclusão do  SIMPLES e seus efeitos perante o presente auto de infração, pois excluiu­se do simples  antes  da  lavratura  do  AI,  fundamentando­se  nos  fatos  narrados  neste  para  sua  exclusão.”  Entende que houve uma inversão de procedimentos, pois a empresa  foi excluída do Simples em razão de auto de infração que não existia no momento de  sua  exclusão  e  ainda  o  presente  auto  se  deu  valendo­se  de  critérios  contábeis  de  empresa excluída do Simples. Pleiteia a nulidade de ambos procedimentos.  2. Mérito  2.1. Aferição indireta da receita tributável  Contesta  a  apuração  do  valor  tributável  por mera  presunção,  pois,  argúi  ser  imprescindível  que  a  apuração  a  ser  realizada  se  paute  pelas  normas  estipuladas pela legislação em vigor.   Após discorrer sobre os regimes de tributação a que estão sujeitos as  pessoas jurídicas com fins lucrativos, alega que “ existem hipóteses em que é impossível  aferir­se documentalmente a receita da empresa e ainda mais o seu lucro passível de  incidência fiscal, como ocorre no presente momento com a impugnante, com base nos  critérios adotados pela autuante.”.   Fl. 2736DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.737          6 Afirma: “necessário esclarecer que, no momento da  imputação de  ocorrência  de  omissão  de  receita  a  autoridade  administrativa  dispunha  de  todos  os  elementos  contábeis  e  livros  obrigatórios  conforme  aferível  pelo  teor  do  auto  de  infração”   Prossegue: “a única base para a alegação de omissão de receitas foi  a confrontação de notas  fiscais com quantidade de boletos de cobrança, sem nenhum  outro elemento de convicção dentro da realidade contábil da impugnante.”  (...)  Alega que a fiscalização não considerou que uma mesma nota fiscal  dá origem a diversos boletos, sem caracterizar a omissão de receitas ou cobrança sem  notas fiscais de origem.  Diz que a referida omissão de receita foi alvo de aferição de origem  da  receita  omitida  para  apuração  e  sua  repercussão  econômica,  resultando  negativo  qualquer elemento de omissão de receita.   Em  seguida  afirma:  “O  trabalho  de  fiscalização  se  deu  sem  a  apreciação  de  livros  contábeis  obrigatórios  em  razão  de  EXTRAVIO  DA  DOCUMENTAÇÃO  POR MOTIVOS DE  FORÇA MAIOR,  sendo  fundamentada  a  ausência  destes  com  a  apresentação  de  BOLETIM  DE  OCORRÊNCIA  lavrado  perante  a  autoridade  policial  de  Atibaia,  decorrente  de  ENCHENTE  NO  ESTABELECIMENTO, SITUAÇÃO PÚBLICA QUE OCORREU EM ATIBAIA.”.  Alega  que  não  oficiou  à RFB  o  extravio  dos  livros  e  documentos  contábeis e fiscais porque tal determinação não está no artigo 10º do Decreto­lei nº 486  de 1969.   “Desta  feita, ante a ausência de elementos contábeis passiveis de  aferição direta, ocorreu a apuração indireta da receita auferida e do eventual lucro  tributável,  independente  da  alegada  omissão  de  receitas  decorrente  de  apuração  indireta  de  movimentação  de  boletos  bancários,  visto  que,  isoladamente,  a  presente  apuração  não  é  capaz  de  gerar  nenhum  efeito,  em  que  pese  as  considerações  já  realizadas anteriormente,necessário se  faz apreciar a possibilidade fática da omissão  da  receita,  alternativa  outra  não  restou  que  não  a AFERIÇÃO DO  LUCRO  POR  ARBITRAMENTO com a ESTIMATIVA DE RECEITAS.”  2.2. Apuração da receita por estimativa. Art. 51 da Lei 9.981/95(sic)  O  contribuinte  insurgiu­se  contra  a  forma  de  apuração  da  base  tributável, que considerou ilegal e em desacordo com a legislação vigente.  Alega  que  a  apuração  da  receita  omitida  deveria  ser  feita  com  fundamento  no  art.  51  da  Lei  nº  8.981  de  1995,  através  de  qualquer  dos  incisos  legalmente  estabelecidos,  isto  em  detrimento  de  qualquer  outra  forma  utilizada  pela  autoridade  fiscal,  mesmo  a  presunção  de  omissão  de  receita  por  declaração  de  pagamento  de  imóvel  sem  origem  de  numerário,  especialmente  quando  negado  a  efetivação do pagamento.  2.3. A conclusão fiscal  Alega que a “contabilidade encontra­se plenamente correta entre as  entradas e saídas, inexistindo diferenças entre o saldo bancário apresentado.”.   Fl. 2737DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.738          7 Entende  que  a  questão  pendente  encontra­se  na  existência  de  quantidade de boletos em cobrança superiores ao número de notas fiscais.   Alega  que  a  fiscalização  não  demonstrou  que  a  quantidade  de  boletos apresentada seja representativa de notas diversas das que estão lançadas.  Aduz  que  a  movimentação  financeira  encontra­se  adequada  aos  valores  apresentados,  inexistindo  qualquer  divergência  entre  as  notas  fiscais  e  os  valores contabilizados, e que eventuais divergências de lançamentos são decorrentes de  vendas canceladas e devoluções, que não foram objetos da fiscalização.   2.4. Perícia e Provas a serem produzidas.  Propugna por perícia contábil/fiscal e protesta por todos os meios de  prova em direito admitidas, em especial a apuração do valor comercial dos produtos e a  aferição do estoque através de auditoria no livro Modelo 7.   2.5 Multa  Requer,  caso  seja  mantido  o  Auto  de  Infração,  a  redução  ou  cancelamento da multa em razão da ausência de dolo ou intenção do autuado.   A  decisão  recorrida  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo  integralmente a exigência do crédito tributário.  Intimada da decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário reafirmando  os termos da impugnação.  É o relatório.  Fl. 2738DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.739          8 Voto             Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  O  recurso é  tempestivo e preenche os demais  requisitos de admissibilidade.  Dele, portanto, tomo conhecimento.  1  PRELIMINARES  1.1  DA PRETENSA ATIVIDADE PRIVATIVA DE CONTADOR  Aduz  a  Recorrente  que  o  lançamento  seria  nulo  por  ter  sido  realizado  por  Auditor­Fiscal que não possui registro no Conselho Regional de Contabilidade (CRC).  A  decisão  recorrida  aborda  muito  bem  a  questão,  devendo  ser  confirmada  pelos seus próprios fundamentos, conforme possibilita o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999.  Além disso, a matéria  já se encontra pacificada no âmbito do CARF, sendo  objeto,  inclusive,  de  súmula  cuja  aplicação  é  cogente  aos  membros  deste  colegiado  –  cuja  redação reproduz­se a seguir:  Súmula  CARF  nº  8:  O  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  é  competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa  jurídica,  não  lhe  sendo  exigida  a  habilitação  profissional  de  contador.  1.2  EFEITO SUSPENSIVO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES  A Recorrente alega que houve violação ao devido processo  legal e à ampla  defesa,  uma vez  que  sua  exclusão  do Simples  somente poderia  ter  sido  levada  a  efeito  caso  houvesse sido comprovada a prática reiterada de infração à legislação tributária, o que levaria a  nulidade  de  tal  ato.  Por  consequência,  também  seriam  nulos  os  lançamentos  realizados  com  base  no  lucro  arbitrado,  uma  vez  que  formalizados  antes  do  julgamento  das  impugnações  referentes aos lançamentos realizados no regime do Simples.  Não assiste razão ao Recorrente. Em primeiro lugar porque não há qualquer  norma que veicule efeito suspensivo às manifestações de inconformidade contra exclusões do  Simples,  ou,  ainda,  decisão  definitiva  a  respeito  de  omissão  de  receita  pretérita  para  fins  de  cotejo com limite de receita bruta para opção ou manutenção no Simples Nacional. Aliás, como  bem  abordado  pela  decisão  recorrida,  as  normas  vigentes  indicam  o  contrário,  inclusive  possibilitando que a exclusão do Simples Nacional  se dê de forma retroativa. Nesse  cenário,  convém transcrever seus fundamentos, os quais adoto:    A partir do momento  em que o Fisco constata a ocorrência de uma  das  situações  previstas  em  lei  como  excludentes  do  Simples,  sem que  o Contribuinte  Fl. 2739DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.740          9 tenha  tomado a  iniciativa para  tal, cabe à Administração Pública efetuá­la de ofício,  mediante Ato Declaratório Executivo, conforme dispõe o art. 28, da Lei Complementar  n° 123, de 2006, assim redigido:  Da Exclusão do Simples Nacional  Art.  28.  A  exclusão  do  Simples  Nacional  será  feita  de  ofício ou mediante comunicação das empresas optantes.  Parágrafo  único.  As  regras  previstas  nesta  seção  e  o  modo de sua implementação serão regulamentados pelo  Comitê Gestor.  Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo  Simples Nacional dar­se­á quando:  I  ­  verificada  a  falta  de  comunicação  de  exclusão  obrigatória;  (...)  V ­ tiver sido constatada prática reiterada de infração ao  disposto nesta Lei Complementar;  (...)  VIII ­ houver falta de escrituração do livro­caixa ou não  permitir  a  identificação  da  movimentação  financeira,  inclusive bancária;  (...)  A Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007, que regulamentou  as regras previstas na LC nº 123 de 2006, tem a seguinte disposição:  Exclusão de ofício   Art. 4 º A competência para excluir de ofício ME ou EPP  do  Simples  Nacional  é  da  RFB  e  das  Secretarias  de  Fazenda  ou  de  Finanças  do  Estado  ou  do  Distrito  Federal,  segundo  a  localização  do  estabelecimento,  e,  tratando­se  de  prestação  de  serviços  incluídos  na  competência  tributária  municipal,  a  competência  será  também do respectivo Município.   §  1º  Será  expedido  termo  de  exclusão  do  Simples  Nacional pelo ente federativo que  iniciar o processo de  exclusão  de ofício.  (  Alterado pela Resolução CGSN nº  46, de 18 de novembro de 2008 )   § 3º­ Na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de  que trata o § 1º, este se tornará efetivo quando a decisão  definitiva  for  desfavorável  ao  contribuinte,  observando­ se, quanto aos efeitos da exclusão, o disposto no art. 6º. (  Incluído pela Resolução CGSN nº 46, de 18 de novembro  de 2008 )   Fl. 2740DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.741          10 § 4  º A exclusão de ofício  será registrada no Portal do  Simples Nacional na internet, pelo ente federativo que a  promoveu,  ficando  os  efeitos  dessa  exclusão  condicionados a esse registro.   § 5 º O contencioso administrativo relativo à exclusão de  ofício será de competência do ente federativo que efetuar  a  exclusão,  observados  os  dispositivos  legais  atinentes  aos processos administrativos fiscais desse ente.   Art. 5 º A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante  pelo Simples Nacional dar­se­á quando:   I  –  verificada  a  falta  de  comunicação  de  exclusão  obrigatória;   (...)  V  –  tiver  sido  constatada  prática  reiterada  de  infração  ao disposto na Lei Complementar n º 123, de 2006;   (...)   VIII – houver falta de escrituração do livro­caixa ou não  permitir  a  identificação  da  movimentação  financeira,  inclusive bancária;   (...)   XIII ­ não emitir documento fiscal de venda ou prestação  de serviço, observado o disposto no caput do art. 2° da  Resolução  CGSN  n°  10,  de  28  de  junho  de  2007;  (  Incluído pela Resolução CGSN n° 20, de 15 de agosto de  2007 )   (...)  Ao administrado, conforme visto, são assegurados o contraditório e a  ampla defesa, direitos os quais são exercidos a partir da instauração da fase litigiosa  do procedimento, que se inicia com a impugnação da exigência, nos termos do art. 14  do Decreto n° 70.235, de 1972.  As  situações  excludentes  constatadas  pelo  fisco  foram  a  prática  reiterada de infração à legislação tributária consubstanciada nos depósitos bancários  de origens não comprovadas, não escrituração do livro Caixa, falta de emissão de nota  fiscal previstas nos incisos V, VIII e XIII do artigo 29 da Lei Complementar n° 123 de  2006, a qual  se  consumou na medida em que, durante  todos os meses dos dois anos  calendário,  de  forma  habitual,  repetida,  continuada  e  sistemática,  à  toda  evidência,  infringiu a recorrente a legislação tributária.  De  se  observar  ainda  que  a  exigência  de  decisão  condenatória  definitiva,  no  âmbito  do  Simples  Nacional,  para  fins  de  determinar  a  exclusão  da  pessoa jurídica deste sistema, não está expressamente prevista na Lei Complementar nº  123 de 2006.  Fl. 2741DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.742          11 Da  mesma  forma,  não  há  previsão  legal  para  não  efetuar  o  lançamento  de  ofício  por  outra  forma  de  apuração  do  lucro  quando  a  empresa  é  excluída do Simples. Ao contrário, constatada a infração à legislação, deve o AFRFB  lavrar o auto de infração, pois, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  consoante  dispõe  o CTN. Além  disto, é evidente que, nestas circunstâncias, se impõe a lavratura do auto de infração,  pois não pode ficar a Fazenda à mercê do transcurso do prazo decadencial.  E  quanto  à  forma  de  tributação  adotada,  o  artigo  32  da  Lei  Complementar n° 123 de 2006 prevê o seguinte, verbis:  Art.  32.  As microempresas  ou  as  empresas  de  pequeno  porte  excluídas  do  Simples  Nacional  sujeitar­se­ão,  a  partir  do  período  em  que  se  processarem  os  efeitos  da  exclusão, às normas de  tributação aplicáveis às demais  pessoas jurídicas.  Uma vez que o impugnante, no curso do procedimento fiscalizatório,  expressamente reconheceu que não possuía condições de providenciar a escrituração  contábil  referente  aos  anos  calendários  de  2008  e  2009,  foi  submetida  de  ofício  ao  lucro arbitrado, conforme expressamente prevê o art. 47 da Lei n° 8.981 de 1995.  Considere­se  ainda  que  as  impugnações  apresentadas  suspenderam  os efeitos da exclusão, bem como a exigibilidade dos créditos tributários constituídos,  de sorte que não há, portanto, também nesta seara, qualquer prejuízo ao impugnante,  uma  vez  que  tanto  a  sua  exclusão  quanto  as  exigências  tributárias  somente  surtirão  efeito concreto após a decisão administrativa irrecorrível a ser proferida pela segunda  instância administrativa, caso opte por apresentar recurso àquela instância.  Portanto,  ao  contrário  do  que  alegou  o  impugnante,  teve  ela  plenamente assegurados os seus direitos ao contraditório, à ampla defesa, bem como  ao  devido  processo  legal,  motivo  pelo  qual  afastam­se  as  preliminares  de  nulidade  arguidas neste sentido.  Ademais, a Lei nº 9.784, de 1999, que se aplica subsidiariamente ao processo  administrativo fiscal (art. 69), em seu art. 61 dispõe que “Salvo disposição legal em contrário,  o  recurso  não  tem  efeito  suspensivo.”  Ora,  não  havendo  lei  prevendo  efeito  suspensivo  à  exclusão do Simples Nacional, correto o procedimento adotado pelo Fisco e corroborado pela  decisão recorrida.  Por fim, aplica­se ao caso o enunciado 77 da Súmula CARF, assim vazado:   A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório  Executivo  (ADE)  de  exclusão  do  Simples  não  impede  o  lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da  exclusão.  Fl. 2742DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.743          12 2  MÉRITO  2.1  AFERIÇÃO INDIRETA DA RECEITA TRIBUTÁVEL  Alega a Recorrente que a Fiscalização incorrera em erro ao desconsiderar sua  contabilidade e procedido ao arbitramento das receitas.  A esse respeito, veja­se o cenário narrado na decisão recorrida:  Da leitura dos autos, verifica­se que o Contribuinte foi intimado e re­ intimado diversas vezes para apresentar os  livros contábeis/fiscais e a documentação  que  lhe  desse  respaldo.  O  Contribuinte  informou  à  Fiscalização  que  os  livros  e  documentos  solicitados,  referentes  aos  anos  calendário  de  2008  e  2009,  teriam  se  extraviados  em  razão  de  enchente  ocorrida  no  município  de  Atibaia  em  2011.  Não  apresentou  nenhum  boletim  de  ocorrência,  nem  oficializou  aos  órgãos  estadual  e  federal sobre tal sinistro, conforme informação fiscal, verbis:   “Em 18/10/2011 o contribuinte apresentou manifestação  informando  que  os  Livros  Caixa,  Diário,  Razão  e  Registro de Duplicatas, e as notas  fiscais de entradas e  de  saídas  do  período  fiscalizado  foram  todos  deteriorados  pela  enchente  de  janeiro  de  2011.  Apresentou  argumentos  e  notícias  de  jornal  sobre  a  enchente. Informou que não possui extratos de Cobrança  de Duplicatas e de Duplicatas Descontadas. Apresentou  Livros de Entradas e de Saídas.  (...)  Constata­se  que  as  receitas  dos  anos  de  2008  e  2009  declaradas  em  DASN,  nos  valores  respectivamente  de  R$1.535.922,10  e  R$1.214.692,00  são  idênticas  aos  valores de  saídas  tributadas  escriturados  nos Livros de  Saídas.  Constata­se que os créditos de cobrança são superiores  às  receitas  de  declaradas  pelo  contribuinte  nos  anos  fiscalizados.”  À  vista  disso,  não  possuindo  o  Contribuinte  nenhum  livro  contábil/fiscal e nenhuma documentação que desse suporte aos valores declarados nas  DASN referentes aos anos­calendário de 2008 e 2009, e havendo discrepância entre as  receitas  declaradas  e  a  sua  movimentação  financeira/bancária,  a  Fiscalização  o  intimou a apresentar os extratos bancários de sua titularidade.   Com base na movimentação bancária a  fiscalização detectou vários  pagamentos  de  boletos  de  cobrança  nos  bancos  Bradesco  e  HSBC,  efetuando,  com  fulcro no art. 911 do RIR/99, diligências nas empresas que constavam como “sacado”  nos respectivos boletos.   Dessas  diligências  resultou  a  descoberta  de  valores  decorrentes  da  venda de produtos de fabricação própria sem a emissão das respectivas notas fiscais.   Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.744          13 Esses valores, que não estavam contabilizados no livro de Registro de  Saída,  e  não  foram  oferecidos  à  tributação,  é  que  formam  a  base  de  cálculo  da  exigência tributária, relativa ao item 001 do Auto de Infração.  Relativamente  a  venda  de  produtos  de  fabricação  própria  sem  a  emissão  das  respectivas  notas  fiscais,  o  autuante  fundamentou  a  exigência  fiscal  nos  arts. 532 e 537 do RIR/99.  Veja­se o teor desses artigos:  Base de Cálculo quando conhecida a Receita Bruta  Art.532.  O  lucro  arbitrado  das  pessoas  jurídicas,  observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida  a  receita bruta,  será determinado mediante a aplicação  dos  percentuais  fixados  no  art.  519  e  seus  parágrafos,  acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art.  16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I).  Art.537.  Verificada  omissão  de  receita,  o  montante  omitido  será  computado para  determinação da  base de  cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso,  no  período  de  apuração  correspondente,  observado  o  disposto no art. 532 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24).  Também  foram detectados  depósitos bancários nas  contas  correntes  de titularidade do Contribuinte, cuja origem ele não logrou comprovar.  No que se refere aos depósitos bancários sem a devida comprovação  de  sua  origem,  a  exigência  tributária  fundamentou­se  nos  arts.  27,  I,  e  42  da Lei  nº  9.430 de 1996.  Eis o que diz tais artigos:  Art.27.O  lucro  arbitrado  será  o  montante  determinado  pela soma das seguintes parcelas:  I­o valor resultante da aplicação dos percentuais de que  trata  o  art.  16  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro  de  1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei  nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período  de apuração de que trata o art. 1º desta Lei;  Art.42.Caracterizam­se também omissão de receita ou de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira, em relação aos quais o titular, pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações.   Como  se  vê,  a  apuração  indireta  efetuada  pela Fiscalização  deu­se  em razão de o Contribuinte não ter apresentado nenhum livro contábil/fiscal, exceção  Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.745          14 feita  aos  livros  de  Registro  de  Entradas  e  Saídas(ICMS),  e  tampouco  qualquer  documentação que embasasse sua contabilização.  Vê­se, assim, que o procedimento adotado pela Fiscalização encontra­se em  consonância com a legislação de regência, uma vez que, na ausência de apresentação dos livros  e documentos impõe­se o arbitramento de lucros.   A Recorrente  também foi acusada de omissão de  receita,  caracterizada pela  falta  de  comprovação  da  origem  dos  depósitos/créditos  efetuados  em  suas  contas  bancária,  tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe:  Art. 42. Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.   Tal  dispositivo  legal  estabeleceu  uma  presunção  de  omissão  de  receitas,  autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o  titular  da  conta  bancária,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  creditados  em  sua  conta  de  depósito ou de investimento.   A  inversão  legal  do  ônus  da  prova  é  perfeitamente  aceita  por  nosso  ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de  11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto  nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal:  Art. 334. Não dependem de prova os fatos:  (...)  IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou  de veracidade.  A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN), recepcionada  pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define,  em seus artigos 43, 44 e 45, o  fato gerador,  a base de cálculo e os contribuintes do  imposto  sobre a  renda  e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44,  a  tributação do  imposto  de  renda  não  se  dá  só  sobre  rendimentos  reais,  mas,  também,  sobre  rendimentos  arbitrados  ou  presumidos  por  sinais  indicativos  de  sua  existência  e montantes.  Esses  artigos  assim dispõem:  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:  I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;  Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.746          15 II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.  Art.  44.  A  base  de  cálculo  do  imposto  é  o  montante  real,  arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.  Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a  que  se  refere  o  artigo  43,  sem  prejuízo  de  atribuir  a  lei  essa  condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de  renda ou dos proventos tributáveis.  Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda  ou  dos  proventos  tributáveis  a  condição  de  responsável  pelo  imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.  A presunção em  favor do Fisco  transfere ao  contribuinte o ônus de elidir a  imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os  depósitos bancários. Trata­se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário.  É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas  de  depósito  ou  de  investimento  e  intimar  o  titular  da  conta  bancária  a  apresentar  os  documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão  de  receitas  de  que  trata  o  artigo  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996.  Contudo,  a  comprovação  da  origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte.  Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o  dever  de  considerar  os  valores  depositados  em  conta  bancária  como  receita,  efetuando  o  lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante  a  vinculação  legal  decorrente  do  princípio  da  legalidade  que  rege  a  Administração  Pública,  cabendo ao agente seguir a legislação.  Dessa  forma,  detectadas  irregularidades  que  conduzem  à  presunção  de  omissão  de  receita,  por  imposição  legal  e  por  ser  a  atividade  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do  Código  Tributário  Nacional,  cabe  à  fiscalização  efetuar  o  lançamento  de  acordo  com  a  legislação aplicável ao caso.  A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a  origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente.   Para  a  turma  julgadora  de  primeira  instância,  não  houve  comprovação  da  origem dos créditos em suas contas, uma vez que meras alegações não possuem o condão de  comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias.   Nesse  contexto,  impende  concluir  que  competia  ao  contribuinte  provar  a  veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal  que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem  prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para  a  instrução  e  do  disposto  no  artigo 37 desta Lei.    Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.747          16 No mesmo  sentido dispõe os  art.  333 da Lei no 5.869, de 11 de  janeiro de  1973 (CPC):  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  [...]  II  –  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor.      Corroborando  tal  tese,  convém  transcrever  jurisprudência  do  Superior  Tribunal de Justiça:  Allegare nihil  et  allegatum non probare paria  sunt  — nada alegar e não provar o alegado, são coisas  iguais.  (Habeas  Corpus  nº  1.171­0 —  RJ,  R.  Sup.  Trib. Just., Brasília, a. 4,  (39): 211­276, novembro  1992, p. 217)  Alegar  e  não  provar  significa,  juridicamente,  não  dizer  nada.(Intervenção  Federal  Nº  8­3 —  PR,  R.  Sup.  Trib.  Just.,  Brasília,  a.  7,  (66):  93­116,  fevereiro 1995. 99)  RECURSO  ORDINÁRIO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA  –  APOSENTADORIA  –  NEGATIVA  DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS  ADMINISTRATIVOS  NÃO  COMPROVADOS  –  ART.  333,  INCISO  II,  DO  CPC  –  PAGAMENTO  DOS  PROVENTOS  DE  NOVEMBRO/96  E  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO  DAQUELE  MESMO ANO –  IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS  269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da  prova  incumbe ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  direito  do  autor  (art.  333,  II,  do  Código  de  Processo  Civil).  Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda  a  demonstração  de  que  a  professora  havia  sido  notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ  –  ROMS  9685  –  RS  –  6ª  T.  –  Rel. Min.  Fernando  Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)   TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO  DE  RENDA  –  VERBAS  INDENIZATÓRIAS  –  FÉRIAS  E  LICENÇA­PRÊMIO  –  NÃO  INCIDÊNCIA  –  COMPENSAÇÃO  –  AJUSTE  ANUAL  –  ÔNUS  DA  PROVA  –  O  ônus  da  prova  incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu  direito  e  ao  réu  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  direito  do  autor.  Cabe  ao  contribuinte  comprovar  a  ocorrência  de  retenção  na  fonte  do  imposto  de  renda  incidente  sobre  verbas  indenizatórias  e  à  Fazenda  Nacional  incumbe  a  prova  de  eventual  compensação  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  no  ajuste  anual  da  declaração  de  rendimentos.  Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.748          17 Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T.  –  Rel. Min.  Garcia  Vieira  –  DJU  07.02.2000  –  p.  132)  PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO  FISCAL  –  EMBARGOS  DO  DEVEDOR  –  NOTIFICAÇÃO  DO  LANÇAMENTO  –  IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1.  Imprescindível a notificação regular ao contribuinte  do  imposto  devido.  2.  Incumbe  ao  embargado,  réu  no  processo  incidente  de  embargos  à  execução,  a  prova  do  fato  impeditivo, modificativo  ou  extintivo  do direito do autor  (CPC, art.  333,  II).  3. Recurso  especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009  –  (1999/0099660­7)  –  SP  –  2ª  T.  –  Rel.  Min.  Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p.  147)  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL  –  IRPF  –  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO  –  VERBAS  INDENIZATÓRIAS  –  RETENÇÃO  NA  FONTE  –  ÔNUS  DA  PROVA  –  VIOLAÇÃO  DE  LEI  FEDERAL  CONFIGURADA  –  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  NÃO  COMPROVADA  –  SÚMULA  13/STJ  ­  PRECEDENTES  –  Cabe  ao  autor  provar  que  houve  a  retenção  do  imposto  de  renda na  fonte,  por  isso  que  é  fato  constitutivo  do  seu  direito;  ao  réu  competia  a  prova  de  eventual  compensação  na  declaração  anual  de  rendimentos  dos  recorrentes,  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  fato  extintivo,  impeditivo  ou modificativo  do  direito  do  autor  –  Incidência  da  Súmula  13  STJ  –  Recurso  especial  conhecido pela  letra a  e provido.  (STJ  –  RESP  232729  –  DF  –  2ª  T.  –  Rel.  Min.  Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p.  00294)  De  acordo  com  o  parágrafo  único  do  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional,  a  autoridade  administrativa  encontra­se  submetida  ao  estrito  cumprimento  da  legislação  tributária,  estando  impedida  de  examinar  outras  questões  como  as  suscitadas  pelo  Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar  seu cumprimento.  O  princípio  da  legalidade,  assentado  no  art.  37,  caput,  da  Constituição  Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional,  vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional.  No  caso  concreto,  dado  que  a  administração  tributária  apenas  exerceu  o  poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação  infraconstitucional de regência da matéria.  Por  fim,  cabe  ressaltar que o  tema  já  foi  pacificado no âmbito do processo  administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção  Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.749          18 estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda  representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.”  A  respeito  da  Súmula  182  por  vezes  citadas  pelos  recorrentes,  convém  ressaltar,  primeiramente,  que  não  foi  expedida  por  qualquer  Tribunal Regional  Federal, mas  sim  pelo  extinto Tribunal  Federal  de Recursos. Ademais,  referia­se  à  legislação  já  revogada  (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96.   Também se apontou omissão de receitas baseadas em vendas efetuadas, sem  emissão de notas fiscais, e não escrituradas no Livro de Saídas.  Conhecida a receita bruta da Recorrente, no caso, quantificada com base nas  omissões  de  receitas  levantadas  pelo  Fisco,  com  fulcro  no  art.  532  do Decreto  nº  3.000,  de  1999, procedeu­se ao arbitramento de lucros, uma vez que a Recorrente,  intimada, deixou de  apresentar livros contábeis, livros caixa, livro registro de inventários e documentos.  Desse  modo,  equivocado  argumento  da  Recorrente  quanto  à  apuração  da  receita por estimativa, com base no art. 51 da Lei nº 8.981, de 1995, uma vez que somente se  utiliza de tais premissas para determinação do lucro arbitrado (e não das receitas), na hipótese  em que não é possível identificar a receita do contribuinte, hipótese distinta da ora tratada.  Na  ausência  de  novos  elementos  em  sede  de  recurso  voluntário,  não  vejo  reparos  a  se  fazer  ao  procedimento  fiscal  e  à  decisão  recorrida,  devendo  ser  mantida  a  exigência.  3  LANÇAMENTOS DECORRENTES    Os  lançamentos  do  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS,  da  Contribuição  para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido ­ CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada.  Assim,  mantido  o  lançamento  quanto  ao  IRPJ,  e  não  tendo  fatos  ou  argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter também essas exigências, ante a  íntima relação e causa e efeito.  Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de  cálculo  da CSLL,  PIS  e COFINS,  conforme  dispõe  o  §  2º  do  art.  24  da  Lei  nº  9.249/1995,  verbis:  Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados  de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a  pessoa jurídica no período­base a que corresponder a omissão.  (...)  §  2º.  O  valor  da  receita  omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento  da  contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a  seguridade  social  ­  COFINS  e  da  contribuição  para  os  Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.750          19 Programas de  Integração Social e de Formação do Patrimônio  do Servidor Público ­ PIS/PASEP.  Diante do exposto, os lançamentos reflexos devem ser mantidos.    4  DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA  O  interessado  requereu  em  sua  impugnação,  e  também em  sede  de  recurso  voluntário, a realização de perícia e diligência a fim de comprovar suas alegações. O pedido foi  indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada.  O recurso voluntário apresentado repete o pedido de diligência e perícia.  O  inciso  IV  do  art.  16  e  o  art.  18  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972  (com  a  redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem:  Art. 16 – A impugnação mencionará:  [...]  IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n°  8.748, de 09/12/93).  § 1° – Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV  do  art.  16.  (parágrafo  introduzido  pelo  art.  1°  da  Lei  n°  8.748, de 09/12/1993).  [...]  Art.  18  ­  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligência  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.  Assim,  tanto  a  perícia  quanto  a  diligência  objetivam  a  comprovação  de  elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos.  No  caso  ora  examinado  trata­se  da  exigência  de  tributos  sobre  suposta  omissão de receitas lastreada tanto em provas diretas quanto em presunção legal insculpida no  art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em  depósitos  bancários  bastaria  ao  recorrente  demonstrar  que  determinados  depósitos  possuíam  origem  em  operação  que  não  denotava  a  auferição  de  renda.  Em  relação  à  prova  direta  de  omissão  de  receitas,  deveria  o  contribuinte  carrear  aos  autos  provas  que  infirmassem  as  conclusões  do  Fisco.  Tanto  em  sua  impugnação,  quanto  em  sede  de  recurso  voluntário,  o  contribuinte não anexou um só documento que pudesse comprovar suas frágeis alegações.  Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.751          20 Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência e perícia, uma  vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade  julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.  Diante do exposto, indefiro o pedido de diligência e perícia, e, considerando  que a decisão recorrida também indeferiu tais pedidos, e de forma fundamentada, não há que se  falar em nulidade. Por conseguinte, rejeito também tal arguição.  5  DAS MULTAS DE OFÍCIO   A  autoridade  fiscal  autuante  cominou  penalidade  de  75%  para  os  tributos  incidentes sobre omissão de receitas relativa a créditos bancários de origem não comprovada e  de 150% em relação aos tributos decorrentes da saída de mercadorias sem a emissão de notas  fiscais.  As multas foram aplicadas com fundamento no artigo 44 da Lei nº 9.430 de  1996, assim vazado:  Multas de Lançamento de Ofício  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  [...]  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  No que tange à aplicação da penalidade de 75%, não há que se contestar, pois  tal penalidade é ínsita ao lançamento de ofício, e justamente nos casos em que não se constata a  ocorrência  de  sonegação,  fraude  ou  conluio.  Tal  qual  se mostram  as  infrações  baseadas  em  simples presunções legais, como a estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, objeto de parte  do lançamento ora guerreado. Trata­se, na realidade, de mera aplicação da lei.  Pois  bem,  a  multa  de  150%  sobre  o  imposto  de  renda  e  contribuições  apuradas  com  base  com  base  em  provas  diretas,  prevista  no  art.  44,  inciso  I,  §1º,  da  Lei  nº  9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, foi aplicada tendo  em vista a  intenção dolosa do contribuinte de  impedir o conhecimento da ocorrência do  fato  gerador (multa qualificada).   Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é  admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73  da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem:  Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.752          21 Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente;  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante  do  imposto  devido,  ou  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.  Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  artigos 71 e 72.  Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº  9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que  em procedimento fiscal constatar­se a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio.  Vê­se  que,  para  enquadrar  determinado  ilícito  fiscal  nos  dispositivos  dessa  lei, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência  e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou  seja,  a  vontade  de  praticar  a  conduta,  para  a  subsequente  obtenção  do  resultado. Deve  ficar  demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o  pagamento do tributo ou contribuições devidos.  Relembremos  que  a  infração  detectada  pela  autoridade  fiscal  refere­se  a  vendas sem emissão de notas fiscais, não escrituradas e não oferecidas à tributação de maneira  recorrente, por diversos períodos de apuração.  Esse procedimento configura, sem dúvida, a intenção dolosa na sua conduta  com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da  ocorrência do fato gerador, enquadrando­se na hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de  1964  (sonegação).  Esse  "animus",  vontade  de  querer  o  resultado,  ou  assumir  o  risco  de  produzi­lo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo ser considerado mero erro  de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito doloso, posto que não se trata de  atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em praticamente todos os meses  dos ano­calendário de 2007 e 2008, e em relação a inúmeras operações realizadas no mesmo  período.  A  intenção  de  sonegar,  ocultando  o  fato  gerador,  é  conclusão  imediata  e  inequívoca. Portanto,  em  relação a  tais  infrações,  correta  a posição do Fisco  em  exasperar  a  penalidade.  No  que  se  refere  às  citações  de  acórdãos  administrativos,  cumpre  destacar  que não se aplicam ao presente processo, a teor do art. 100,  II, do CTN, por inexistir  lei que  Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19311.720478/2012­16  Acórdão n.º 1402­001.749  S1­C4T2  Fl. 2.753          22 lhes atribua eficácia normativa; cabe ressaltar,  ainda, que no  tocante a decisões  judiciais, em  que a interessada não figura em qualquer dos polos da relação jurídica, as mesmas somente têm  efeito entre as partes componentes dos respectivos processos judiciais.    6  CONCLUSÃO  Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as arguições de nulidade e, no  mérito, negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Relator                                Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 10580.726532/2009-97
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: MARIA LÚCIA MONIZ DE ARAGÃ0 CALOMINO ASTORGA

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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10580.726532/2009-97 Resolução n.º 2202-00.205 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8, 9 e 11, pelo qual se exige a importância de R$57.511,68, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 7, na qual o autuante esclarece que o contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor - URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia no 8.730, de 08 de setembro de 2003. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 41 a 80, instruída com os documentos de fls. 81 a 83, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 93 e 94): O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra-se em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5° da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Público do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10580.726532/2009-97 Resolução n.º 2202-00.205 S2-C2T2 Fl. 3 3 f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa-fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado-se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa-fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado-Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 15-27.155 (fls. 92 a 97), de 18/05/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 27/07/2011 (vide AR de fl. 101), o contribuinte interpôs, em 10/08/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 102 a 140, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 82), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 13, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 1421. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10580.726532/2009-97 Resolução n.º 2202-00.205 S2-C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Importa registrar que este Colegiado, em outros processos em que foi apreciada a mesma matéria de fato, decidiu pelo sobrestamento do julgamento. Trata-se de lançamento de rendimentos recebidos acumuladamente, por pessoa física, em virtude de decisão judicial, a título de diferenças salariais recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, relativo aos anos-calendário 2004, 2005 e 2006, conforme consignado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 a 7. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento dos Recursos Especiais nos 614.232/RS e 614.406/RS, de 20/10/2010, em que o Superior Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A do Código de Processo Civil, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que trata dos rendimentos recebidos acumuladamente. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram- se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10580.726532/2009-97 Resolução n.º 2202-00.205 S2-C2T2 Fl. 5 5 Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 149DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA

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Numero do processo: 10935.902416/2012-19
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/10/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   2 (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano D’Amorim ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D'amorim  (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno  Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  O conselheiro Solon Sehn declarou­se impedido.  Relatório  O  contribuinte  JUMBO ALIMENTOS  LTDA.  interpôs  o  presente  Recurso  Voluntário contra o Acórdão nº 06­42.721, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da  DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo  em sede de manifestação de inconformidade, rejeitando­a.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da impugnação, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo:   “Trata  o  processo  de Despacho Decisório  emitido  pela DRF Cascavel/PR,  em 01/08/2012,  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  formulado  por meio  do Per/Dcomp nº  08164.31508.161107.1.2.04­7973, rastreamento nº 029225005, devido à inexistência de crédito  pleiteado de R$ 26.440,83, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período  de  30/09/2006,  efetuado  em  13/10/2006,  estaria  totalmente  utilizado  na  extinção,  por  pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador.  Cientificada  da  decisão  em  13/08/2012,  a  interessada  apresentou  Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do  PIS  e  da  Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo.  Diz  que  o  conceito  de  faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o  conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por  se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o  Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Dessa  forma,  solicita  que  os  créditos  sejam  restituídos,  acrescidos  de  juros  de  mora,  desde  seu  pagamento  indevido  até  a  data  da  restituição/compensação.  É o relatório.”  Indeferida  a manifestação  de  inconformidade  apresentada,  o  órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma  da ementa que segue:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 13/10/2006  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902416/2012­19  Acórdão n.º 3802­002.571  S3­TE02  Fl. 122          3 COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.  Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir  o pedido de restituição apresentado.  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  Cofins,  pois  aludido  valor  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando  for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.  Compete  à  autoridade  administrativa  de  julgamento  a  análise  da  conformidade da atividade de  lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em  âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a  interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados  em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS  A Recorrente  alega  que  possui  direito  de  crédito  amparada  no  fato  de  que  incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que  tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante  decorrente desse procedimento.  De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da  regra  (o  que  levaria  ao  não  conhecimento  do  presente  Recurso),  o  contribuinte  cerra  sua  discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo  STF  no  RE  346084,  no  qual  se  afastou  a  tributação  sobre  a  receita  bruta  e  se  limitou  ao  faturamento,  assim  entendido  como  as  receitas  decorrentes  de  vendas  de  mercadorias  e  prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento.  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   4 Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da  COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente  do  regime de  tributação,  tem­se  em verdade  dois  únicos  tributos,  PIS  e COFINS),  comungo  com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o  mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003.  A  Recorrente  fundamenta  seu  pleito  defendendo  que  o  ICMS  não  seria  receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação:    Para tanto, espelha­se em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS  não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo,  mas apenas receitas de terceiros.  A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato  de  que  as  normas  vigentes  –  às  quais  o  julgador  administrativo  está  adstrito  –  impõem  a  inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Assim dispôs a decisão recorrida:   “Pela manifestação de  inconformidade apresentada, vê­se, de pronto, que a  pretensão  da  contribuinte  implica  negar  efeito  a  disposição  expressa  de  lei.  Nesse  contexto,  cumpre  registrar  que  não  há  na  legislação  de  regência  revisão  para  a  exclusão  do  valor  do  ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda  a  interessada, é parte  integrante do preço das mercadorias e  serviços vendidos, exceção  feita  para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário,  consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998:  (...)”  Entendo  que  a  DRJ  está  correta  em  suas  considerações,  apesar  de  uma  pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e  COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa.  As normas de direito vigentes,  às quais o CARF está vinculado,  impõem a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  Nesse  sentido,  veja­se  o  que  dispõem  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  que  em matéria  de  ICMS  autorizam  a  dedução  somente no caso de exportação:  Lei 10.637/2002  “Art.  1o  A  contribuição  para  o  PIS/Pasep  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas:  Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902416/2012­19  Acórdão n.º 3802­002.571  S3­TE02  Fl. 123          5 VII ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Lei 10.833/2003  “Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica,  independentemente de sua  denominação ou classificação contábil.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas:  VI ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da  Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.”  Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente  já não merece acolhida em  seu pleito, ao menos no âmbito administrativo.  E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo  2o  do  artigo  1o  das  leis  10.637/2002  e10.833/2003,  permitiria  inferir  que  o  ICMS  incidente  sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata­ se  de  afastamento  legal  da  base  de  cálculo,  apenas  para  o  caso  excepcional  do  ICMS  da  exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações.  De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se  entenda que a dicção do  inciso VI do § 3o do art. 1o das  leis de  regência da  sistemática não  cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de  cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS.  Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o  ICMS compõe a própria  base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não  há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela  Recorrente,  condições  de  se  decompor  o  valor  da  operação  entre  itens  que  integrariam  sua  receita,  e  outros  (em  especial,  o  ICMS)  que  implicariam  receitas  de  terceiros.  É  o  que  se  verifica,  inclusive,  do  julgado  do  RE  em  tela,  no  qual  o  Ministro  Marco  Aurélio,  relator,  confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a  resposta:    Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   6 Esse  raciocínio  foi  acompanhado  pelo  STJ,  o  qual,  nos  Edcl  no  REsp  no  1.413.129­SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  RECEBIDOS  COMO  AGRAVO  REGIMENTAL.  FUNGIBILIDADE.  RECURSO ESPECIAL  PROVIDO.  PIS  E COFINS.  BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO DO  ICMS.  CONTRADIÇÃO  E  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  NÃO  OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO.  "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente  constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que  a  parcela  relativa  ao  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins  (Súmulas  68  e  94/STJ).  Precedentes  atuais:  AgRg  no  REsp  1.106.638/RO,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,  Segunda Turma, DJe  8/2/2013; AgRg no REsp  1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari  Pargendler,  Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin,  Segunda Turma, DJe 12/6/2013).  A propósito, valho­me do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual  serviu  como  paradigma  para  as  Súmulas  68  (que  consagra  a  inclusão  do  antigo  ICM  na  base  de  cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo  Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões:    Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902416/2012­19  Acórdão n.º 3802­002.571  S3­TE02  Fl. 124          7   Apesar  de  se  referir  ao  antigo  ICM,  a  discussão  travada  (assim  como  o  raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir.  Sem embargo, o  fato de o  ICMS ser  tributo de repercussão  jurídica não me  parece promover diferenças  relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é,  ao  fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política  econômica,  com o  fito de  evitar  a verticalização  da  cadeia produtiva. Assim  leciona Alcides  Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São  Paulo, 1978).  Entender que o  ICMS, por ser de  repercussão  jurídica, não significa  receita  própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável  admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além  da  inclusão do  ICMS na própria base de cálculo  (que  teria que ser  revista, pois perderia sua  razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse  considerado receita de terceiros.  Esses  reflexos,  que  podem  ser  suscitados  como  marginais  ao  PIS  e  à  COFINS,  em  verdade  guardam  íntima  relação  com  essas  contribuições.  Basta  ver  que,  se  o  contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos  contábeis  decorrentes  disso  –  inclusive  lançando  a  parcela  de  ICMS  do  seu  preço  em  conta  contábil própria, de receita de terceiros.  De  um  modo  ou  de  outro,  seja  do  ponto  de  vista  legal,  de  finalidade  das  normas,  ou mesmo  contábil,  as  próprias  raízes  do  ICMS  impedem que  ele  seja  considerado  receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob  pena de  instabilidade e insegurança  jurídica absoluta. Os conceitos devem ser  trabalhados de  maneira uniforme.  Por  isso mesmo,  no  que  toca  os  fundamentos  do  seu  pedido  de  restituição,  nego provimento ao Recurso Voluntário.  Da ausência de comprovação da materialidade do crédito  Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito  passivo também não resiste a uma análise mais acurada.  Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   8 Apesar  de  o  despacho  decisório  afirmar  que  o  crédito  argüido  pelo  sujeito  passivo  foi  integralmente  utilizado  para  pagamento  de  outros  débitos,  a  Recorrente  não  demonstrou,  por  meio  de  documentos  hábeis,  que  o  montante  pleiteado  refere­se  ao  ICMS  incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Isso  se verificou na manifestação de  inconformidade  e  também no presente  Recurso Voluntário.  Ora,  o  processo  administrativo  tributário  em  si  é  regido  pelo  princípio  da  verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a  revisão  administrativa.  Assim  é  que,  no  que  tange  ao  pedido  de  restituição,  é  de  responsabilidade  do  sujeito  passivo  demonstrar, mediante  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que  sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165  do CTN.  Neste espeque, a Recorrente, mesmo  instada a  tanto pela DRJ, não acostou  aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado  se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.  Reitere­se aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição,  o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito.  Vale  repisar  que,  diferentemente  do  processo  de  revisão  do  lançamento  tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas  quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as  razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado.  Assim  sendo,  não  há  nos  autos  fundamentos  que  legitimem  a  restituição  pleiteada  pela  Recorrente,  de  modo  que  deve  ser  negado  provimento  ao  presente  Recurso  Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido.  Conclusão  Ante  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  negar­lhe  provimento.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                                Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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Numero do processo: 11080.007410/2007-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVA. DIREITO A CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser considerados no cálculo dos créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa as aquisições de insumos comprovadas por documentos fiscais adequados. A nota fiscal é o documento hábil e idôneo para se comprovar tais as aquisições. Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I - Por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer que as cessões de créditos de ICMS não integram a base de cálculo da contribuição; II - Pelo voto de qualidade, negou-se provimento em relação ao direito de crédito da contribuição decorrente de pagamentos feitos à UBS Global, em relação à madeira extraída de hortos florestais. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento neste item. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani em relação a esta matéria. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2 (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani – Redator Designado    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira,  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.  Fl. 746DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.007410/2007­30  Acórdão n.º 3801­003.297  S3­TE01  Fl. 3          3 Relatório  Por  bem descrever  os  fatos  cito  o  relatório  da DRJ de Porto Alegre,  assim  expresso:  O contribuinte  supracitado  solicitou  ressarcimento de PIS não­ cumulativo, conforme consta do PER/DCOMP de fls. 01 a 04 e  94 a 101.  A Fiscalização da DRF de origem procedeu à análise do pleito  do contribuinte, elaborando o Relatório de Fiscalização, de  fls.  89 a 93. Neste, após análise detalhada de contratos e operações  do  contribuinte  com  outras  empresas,  pertinente  ao  uso  e  exploração  de  área  florestal,  conclui  pela  inexistência  de  transação de compra e venda de matéria­prima (madeira), mas  sim de amortização de direitos de uso e exploração de recursos  florestais,  evidenciada  pela  existência  de  nota  fiscal  de  transferência  da  madeira  da  área  florestal  para  a  industrialização pelo contribuinte com o CNPJ do contribuinte,  ao invés de nota fiscal de venda para o contribuinte. Logo, como  o  uso  e  a  exploração  de  florestas  somente  podem  ser  contabilizadas  como  bens  e  direitos  de  ativo  imobilizado  (recursos florestais) e a legislação da contribuição não admite a  utilização da exaustão e da amortização para fins de cálculo dos  direitos  de  crédito  da  contribuição,  não  existem  créditos  favoráveis  ao  contribuinte  destas  supostas  e  equivocadamente  consideradas  operações  de  compra  e  venda  de  matéria­prima  florestal. Da mesma  forma,  foram  apurados  débitos  tributários  decorrentes  da  não  inclusão  de  receitas  de  transferência  de  ICMS  para  terceiros,  diminuindo  o  valor  a  ser  recebido.  Além  disso, foram calculados e concedidos outros créditos solicitados,  conforme demonstrativos constantes do citado Relatório.  Diante  dos  fatos  contidos  no  Relatório  de  Fiscalização  acima  descrito,  foi deferida a parcialmente o ressarcimento pleiteado,  nos termos do Despacho Decisório de fl. 103.  Irresignado,  o  contribuinte  apresenta  manifestação  de  inconformidade, de fls. 139 a 165. Nesta, alega que se dedicada  às atividades de (a)  fabricação, aquisição, venda,  importação e  exportação de tábuas de madeira, compensado e outros produtos  derivados  de  árvores;  (b)  exploração  de  atividades  agrícolas,  inclusive extrativas vegetais e; (c) florestamento, reflorestamento  e  demais  atividades  relacionadas  à  sivicultura;  que  para  o  exercício  de  suas  atividades  compra  de  UBS  Timber  Investors  Brasil  Ltda.,  atualmente  denominada  Florestal  Guaíba  Ltda.  (UBS),  troncos  de  madeira  com  determinada  especificação,  denominados  Troncos  Classe  A  e  que  esses  troncos  são  a  principal  matéria­prima  para  produção  das  lâminas  e  compensados  industrializados  e  comercializados  pelo  contribuinte.  Fl. 747DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4 Na  seqüência,  discorre  sobre  os  negócios  jurídicos  celebrados  com  a  empresa UBS  e  a  empresa Kablin Riocell  (R  abin). Diz  que  a  aquisição  da matéria­prima  junto  a UBS  tem  origem  no  negócio  jurídico  firmado  em  21  de  fevereiro  de  2001.  Após  relato dos fatos referentes ao contrato retrocitado, explicitando­ o  sob  sua  ótica  de  interpretação,  faz  considerações  sobre  os  créditos  objeto  de  pedido  de  ressarcimento  e  da  decisão  denegatória alegando, de forma resumida que:  a)  administra  áreas  de  destocagem  –  a  hortos,  condição  assumida pelo interesse e obrigação que tem de adquirir da UBS  Toras  Classe  A,  que  são  extraídas  das  florestas  —  hortos  —  pertencentes à UBS;  b) adquiriu direitos referentes ao cultivo das florestas, mas não o  domínio  destas,  não  sendo  proprietária  dos  hortos;  segue  discorrendo sobre a forma como adquire da USB Toras Classe A  e como paga os valores correspondentes à esta aquisição;  c) o fato de ter inscrição como produtora rural não significa que  tenha propriedade  sobre  esses  hortos;  que  emite  nota  fiscal  de  transferência, pela necessidade de transportar as Toras Classe A  de um estabelecimento para outro, conforme preconiza o art. 43  da  Lei  Estadual  n"  8.820/89  (lei  do  ICMS  no  Estado  do  Rio  Grande do Sul);  d) o fato de emitir notas fiscais de transferência de mercadorias  de um estabelecimento seu a outro em nada afeta o seu direito ao  crédito  da  contribuição,  decorrente  da  aquisição  de  Toras  Classe  A  da  UBS,  e  que  o  fato  da UBS  não  emitir  nota  fiscal  relativamente  à  venda das Toras Classe A  para  a manifestante  em nada compromete a apropriação de créditos da contribuição;  e) correta a contabilização dos valores pagos à UBS a débito da  conta de  custo de produtos  vendidos  (CPV),  com contrapartida  na  conta  de  fornecedores,  bem  como  a  impossibilidade  de  contabilização como imobilizado;  f)  o  princípio  da  não  cumulatividade  do  PIS  e COFINS  incide  sobre os custos, despesas e encargos necessários e a produção e  que os valores pagos à UBS vêm sendo oferecidos à incidência  do PIS e da COFINS, conforme expressa afirmação da UBS;  g) mesmo que fosse considerada como correta a interpretação de  que  uso  e  exploração de  florestas  deve  ser  contabilizado  como  ativo imobilizado e sujeito à amortização, conforme art. 328 do  RIR/1999 e art. 183, §2º da Lei 6.404/1976, esta  (amortização)  seria  dedutível  como  custo  de  produção  e  passível  de  gerar  créditos de PIS e COFINS não­ cumulativos, nos termos do art.  3°,  §1°,  inciso  III,  das  Leis  10.637/2002  (PIS)  e  10.833/2003  (COFINS).  Além disso,  não  poderia  haver  o  lançamento  de  ofício  sobre  a  transferência de créditos de ICMS, de forma a diminuir o valor a  ser  ressarcido.  Em  primeiro  lugar,  não  poderia  ter  havido  a  diminuição  do  ressarcimento  devido  a  compensação de  débitos  que não foram lançados através de Auto de Infração, nos termos  do  art.  9°  do  Decreto  70.235/1972.  Em  segundo  lugar,  os  créditos de  ICMS transferidos a  terceiros não  são  receita, mas  Fl. 748DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.007410/2007­30  Acórdão n.º 3801­003.297  S3­TE01  Fl. 4          5 sim  mero  ressarcimento  de  custo,  referentes  à  atividade  exportadora,  nos  termos  da  legislação  tributária  e  da  jurisprudência.  A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na  seguinte ementa:  DIREITO DE USO E EXPLORAÇÃO DE FLORESTAS ­ ATIVO  IMOBILIZADO  ­  AMORTIZAÇÃO  ­  PAGAMENTO  DO  CONTRATO  ­  NÃO  CONFUSÃO  COM  COMPRA  DE  MATÉRIAS­PRIMAS ­ CARACTERIZAÇÃO PELO CONTRATO  DE CESSÃO DE DIREITOS E PELA NOTA FISCAL DE SAÍDA  E ENTRADA EM NOME DO CONTRIBUINTE.  A  aquisição  do  uso  e  exploração  de  florestas  deve  ser  classificada  no  Ativo  Imobilizado,  sofrendo  a  incidência  da  perda de valor no tempo pela amortização, tendo em vista que o  contrato  de  cessão  tem  prazo  determinado  e  valores  pré­ definidos,  que  prevê  hipótese  de  pagamento  independentemente  da quantidade das madeiras  colhidas,  em  respeito ao princípio  contábil  da  competência.  Por  isso,  o  pagamento  da  cessão  de  direitos  não  pode  ser  confundido  com  aquisição  de  matérias­ primas,  as  quais  já  estavam  incluídas  no  contrato  de  uso  e  exploração  de  florestas,  demonstrado  pela  operação  jurídica  e  pela emissão de nota fiscal de produtor, de saída das madeiras  das  florestas,  e  de  entrada  no  estabelecimento  industrial  em  nome e CNPJ do contribuinte.  PIS  E  COFINS  NÃO  CUMULATIVOS  ­  AMORTIZAÇÃO  DO  IMOBILIZADO  ­  CRÉDITO  ­  NECESSIDADE  DE  CONTABILIZAÇÃO CORRETA ­ RESTRIÇÃO.  O direito de crédito de PIS e COFINS, ambos não cumulativos,  de  bens  utilizados  na  produção  através  de  depreciação  e  amortização  estão  condicionados  a  correm  escrituração  e  contabilização  dos  bens  e  direitos,  obrigação  do  contribuinte.  Ademais, mesmo que corretamente contabilizada, a amortização  e  a  depreciação  de  bens  e  direitos  adquiridos  antes  de  01  de  maio  de  2004  somente  pode  ser  utilizada  para  aferição  de  crédito  das  contribuições  até,  31/07/2004,  nos  termos  da  legislação.  CESSÃO DE ICMS ­ INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS.  A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte,  sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e COFINS até a edição  dos  arts.  7°,  8°  e  9°  da  Medida  Provisória  451,  de  15  de  dezembro de 2008.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Apresenta  a  Recorrente  o  presente  Recurso  Voluntário  apontando,  em  resumo, os mesmos argumentos ante apresentados e requerendo que seja reformada a decisão  da DRJ para que sejam  incluídos na base de cálculo para crédito de PIS os valores glosados  Fl. 749DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     6 decorrentes da aquisição de Toras Classe A junto À UBS, reconhecendo assim a totalidade do  pedido de ressarcimento n.º 11080.007410/2007­30.  É o que importa relatar.  Fl. 750DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.007410/2007­30  Acórdão n.º 3801­003.297  S3­TE01  Fl. 5          7 Voto Vencido  Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator.  O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto  dele tomo conhecimento.  São duas as glosas a serem analisadas no presente processo, a primeira refere­ se à cessão de créditos do ICMS, a segunda, ao crédito tomada sobre os insumos florestais.  Quanto  ao primeiro ponto,  a  cessão do  crédito do  ICMS, o STF no RE n.º  606.107/RS,  que  teve  repercussão  geral,  decidiu  pela  não  incidência  de  PIS  e  COFINS  nas  cessões de ICMS.  Esse  entendimento,  inclusive,  tem  sido  há  muito  acompanhado  por  essa  turma que entende que a transferência do saldo credor de ICMS acumulado, classificado, em  regra, no ativo como tributo recuperável, não modifica esse ativo, há somente uma alteração da  classificação  contábil,  ou  seja,  esse  saldo  credor  transfere­se  para  uma outra  conta  do  ativo,  portanto essa operação não configura receita.  Entretanto, independentemente de qualquer questão, essa Turma é obrigada a  se  submeter  ao  entendimento do Supremo Tribunal Federal  e  atribuir  eficácia  em  relação ao  mérito.  Neste  sentido,  alterou­se  o  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  Fiscais  (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações  das  Portarias  446/2009  e  586/2010.  O  artigo  62­A  dispõe  que  os  Conselheiros  têm  que  reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Entendo, nesse sentido, indevida as glosas das cessões de ICMS.  Com  relação  à  glosa  das  madeiras  decorrentes  da  aquisição  de  recursos  florestais também é de conhecimento dessa Turma o meu entendimento.  Tenho  que  são  incabíveis  as  referidas  glosas  que  considero  insumo  nos  termos da Lei.  O que dispõe a Lei é o seguinte (os destaques são nossos):  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  Fl. 751DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     8 (…)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes…  Adoto,  apenas  para  fins  de  explanação  do meu  raciocínio  o  conceito  mais  restrito de insumo, que apesar de ultrapassado nesse Conselho é o mais restrito e mesmo a ele o  presente caso se coaduna: insumo como aquilo que é diretamente empregado no produto final,  de modo  que  não  haja,  no mínimo  neste  primeiro momento,  qualquer  divergência  quanto  a  isso.  A glosa foi  justificada pelo fato que esses  insumos são registrados no ativo  permanente da Recorrente e desse modo o custo ou encargo correspondente à diminuição de  recursos  florestais  mediante  quotas  de  exaustão  não  se  subsume  ao  conceito  de  insumo  estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e ainda que o direito do  crédito  da  contribuição  pelo  contribuinte  deveria  incidir  sobre  a  amortização  do  ativo  imobilizado,  desde  que  este  estivesse  devidamente  contabilizado,  seguindo  as  regras  de  escrituração comercial/fiscal e os princípios e normas contábeis.  Discordo de ambas.  Como se pode ver a Lei preceitua no seu artigo 1º que o PIS e a COFINS têm  como  fato  gerador o  faturamento mensal,  assim entendido o  total  das  receitas  auferidas pela  pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  Assim,  para  se  definir  a  alcance  da  norma  de  incidência  é  despicienda  a  denominação ou classificação contábil das  receitas. Este é o princípio norteador da  regra em  tela, que deve ser aplicado, por corolário lógico, unidade do sistema e igualdade, não apenas às  receitas, mas também aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito.  A  Recorrente  registra  as  florestas  próprias  no  ativo  imobilizado  e  as  submetem  a  quotas  de  exaustão,  à medida  da  respectiva  exploração.  Em outros  termos,  isto  significa que os dispêndios feitos com a sua formação e desenvolvimento (plantio, manutenção  etc.) compõem esse valor do ativo. Daí a dúvida quanto aos mesmos dispêndios poderem gerar  o  direito  ao  crédito  de PIS/COFINS  como  insumos  utilizados  na  produção  ou  fabricação  de  tábuas de madeira, compensados e outros produtos derivados de árvores.  Não vejo incompatibilidade da dedução no âmbito de PIS/COFINS.  São três os motivos para essa conclusão.  O primeiro motivo  já  foi exposto acima. A Lei de regência afasta o critério  contábil para definição da receita tributável.  Se a classificação contábil não é relevante para determinar o que seja receita  tributável, também não o é para delimitar o sentido de “insumo”, no âmbito da respectiva não­ cumulatividade.  Seria no mínimo  incoerente e  ilógico  (a  agredir  o mínimo de  racionalidade  que  deve  informar  o  ordenamento  positivo)  que  a  classificação  contábil  fosse,  ao  mesmo  tempo, irrelevante para definir os débitos e determinante para circunscrever os créditos.  Do  mesmo  modo  que  na  formação  da  base  de  cálculo  se  exige  uma  correlação lógica e direta com a hipótese de incidência do tributo — não sendo admissível, por  Fl. 752DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.007410/2007­30  Acórdão n.º 3801­003.297  S3­TE01  Fl. 6          9 ex., que a hipótese descreva a materialidade de imposto sobre a propriedade predial e territorial  urbana  e,  concomitantemente,  a  base  de  cálculo  escolha  grandeza  apta  para  medir  a  renda  auferida  pelo  proprietário  do  bem  imóvel, —  que  a  classificação  contábil  seja  determinante  para os créditos, se não o é para os débitos.  Não  há  dúvida  que  a  lei  pode  fazer  referências  a  conceitos  contábeis, mas  estes  serão  apenas  indicadores preliminares  e não definidores da  essência ou dos parâmetros  dos créditos a deduzir.  Portanto, não é o fato de um bem – para fins societários e de imposto sobre a  renda – estar classificado no “ativo imobilizado” da pessoa jurídica que, automaticamente, não  haverá direito ao respectivo crédito de PIS/COFINS calculado sobre o preço de sua aquisição.  Fundamental é examinar ­ em cada caso concreto ­ a natureza desses bens e  serviços à luz do processo de produção e fabricação desenvolvido pelo contribuinte.  No  caso  da  Recorrente,  os  insumos  utilizados  para  a  implantação  e  desenvolvimento das florestas são indispensáveis para a obtenção da madeira, pois dela advém  a essência do produto final colocado à venda (Tábuas, compensados, etc.), incorporando­se ao  mesmo.  Em segundo motivo, porque a própria norma mostra ter havido clara intenção  de  indicar que os dispêndios  realizados com as  florestas configuram verdadeiros  insumos no  processo de produção ou fabricação, abrangidos pela regra de dedução contida no inciso II do  seu artigo 3º.  É  importante  ressaltar  que  as  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003,  ao  disciplinarem  o  regime  de  créditos,  admitem  que  sejam  eles  calculados  sobre  o  valor  dos  encargos de depreciação e amortização, mas silenciam quanto às quotas de exaustão (aplicáveis  no caso de florestas à medida da sua exploração)  Essa  aparente  omissão  ou  esquecimento  quanto  às  quotas  de  exaustão,  na  verdade, demonstram essa intenção.  Explico:  Ao nos referirmos aos bens e direitos sujeitos a depreciação ou amortização a  diminuição do seu valor decorre do desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou  obsolescência normal. Mas, os bens transcendem ao processo, quer dizer, continuam a existir,  ou seja, os bens sujeitos a depreciação ou amortização tem diminuído o seu valor por conta do  efeito do tempo, mas não desaparecem ou cessam a sua fruição.  Nestas duas hipóteses, a fruição da utilidade que emana dos bens é continua.  Na exaustão, porém, como decorre do próprio conceito, a redução do valor se  dá a medida que os recursos minerais ou florestais vão se exaurindo. A exaustão se caracteriza  pela perda de valor que sofrem as imobilizações suscetíveis de exploração e que se esgotam no  decorrer do tempo.  Assim a exaustão tipifica­se “porque a perda de valor dos recursos minerais e  florestais não decorre de uso, ação da natureza ou obsolescência, mas da extração”  (Imposto  Fl. 753DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     10 sobre  a  Renda,  vol.  I,  JUSTEC  ­  Adcoas,  Rio  de  Janeiro,  1.979,  pág.  429);  vale  dizer,  é  encargo  cuja  causa  tem  origem  numa  fruição  instantânea  que  leva  ao  desaparecimento  do  próprio bem pela utilização na finalidade que lhe é própria.  Note­se  a  diferença:  enquanto  na  depreciação  os  bens  são  utilizados,  mas  suportam este uso – embora passem a ter um menor valor – na exaustão os bens simplesmente  desaparecem, posto que a utilização se dá na  fabricação de um novo produto  (caso  típico de  recursos florestais).  Qual a razão para a lei admitir a dedução de um crédito quando o bem apenas  perde seu valor, mas ainda continua existindo, e não prever o crédito quando o bem que pela  sua própria natureza desaparecerá por conta de sua utilização no processo produtivo?  Só  vejo  uma  razão:  porque  o  respectivo  dispêndio  já  gera  crédito  de  PIS/COFINS,  pois  o  bem  ou  serviço  estará  sendo  utilizado  como  insumo  do  processo  de  produção ou fabricação!  O terceiro motivo é porque as florestas criadas pela própria empresa têm um  único objetivo: fornecer matéria­prima ao processo de obtenção de seu produto final.  Estão  classificadas  no  ativo  permanente  por  transcenderem  mais  de  um  exercício e somente por conta disso estão no imobilizado. Mas são, por natureza, “estoque” de  matéria­prima.  Desta  óptica,  tem  sentido  a  falta  de  previsão  do  legislador  em  relação  aos  encargos de exaustão, pois, neste caso, não se trata de deduzir apenas a perda parcial do valor,  mas sim a totalidade do que for aplicado pela pessoa jurídica em bens e serviços necessários à  produção da matéria­prima indispensável a seu processo de industrialização.  Portanto,  o  fato  de  as  florestas  estarem  contabilmente  classificadas  como  itens  do  ativo  imobilizado  ou  como  compra  não  afasta  o  direito  ao  crédito  de  PIS/COFINS  relativo aos dispêndios com bens e serviços nelas aplicados.  Repito:  a  existência  do  direito  ao  crédito  de  PIS/COFINS  como  insumo  advém do atendimento aos requisitos da inerência e da relevância acima examinados e não da  classificação contábil adotada para outros fins ainda que societários ou tributários.  Evidentemente,  incorporam­se,  na  qualidade  de  matéria­prima  ao  produto  final, sendo despicienda a discussão do conceito de insumo dado pelo inciso II do artigo 3º da  Lei  n.º  10.637/2002  nesse  caso,  por  se  tratar  do mais  restrito  possível,  apesar  de  não  ser  o  conceito de insumo que pessoalmente adoto.  Quanto  a  esse  conceito,  por  citado  como  um  dos  elementos  que  deram  suporte  às  glosas  —  que  os  bens  utilizados  não  integram  o  produto  final  —  apesar  de  superados, peço vênia para apontar apenas uma observação.  Sendo  o  referencial  do  insumo,  para  fins  de  crédito  de  PIS  e  COFINS,  o  processo  de  produção  ou  fabricação  de bens  destinados  à  venda  a  relação  de  “inerência”  da  matéria­prima deve ser analisada na perspectiva dinâmica da sua incorporação ao produto final.  Isso quer dizer que não é somente a matéria­prima final que se incorpora ao  produto final, mas a matéria­prima da matéria­prima, também se incorpora porquanto, sem essa  matéria­prima da matéria­prima, não haveria produto final, ou seja, todas são matérias­primas  essenciais ao produto final e a ele se incorporam.  Fl. 754DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.007410/2007­30  Acórdão n.º 3801­003.297  S3­TE01  Fl. 7          11 Para finalizar, apenas chamo atenção para um termo constante na norma. O  inciso  II do artigo 3º  expressa que os créditos podem ser apurados  sobre os bens e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos destinados à venda.  Entendo,  novamente,  que  não  foi  por mero  acaso  que  o  legislador  usou  os  dois termos: produção e fabricação lado a lado.  Não entendo que o fez por redundância, simplesmente para enfatizar o termo,  nem como sinonímia, mas para destacar as suas diferenças.  Produção  tem sentido mais abrangente que  fabricação e  incorpora  tudo que  vem da natureza ou da atividade humana. Fabricação é termo mais restrito e implica na criação  de um objeto novo, com nova natureza, decorrente transformação dos elementos por meio de  máquinas e equipamentos voltados a proceder a tal modificação.  Por  isso,  as  próprias  leis  tantas  vezes  se  referem  a  “produção  in  natura”,  “produção  agropecuária”  ou  “produtos  de  origem  vegetal”.  etc., mas  a  estes  não  se  referem  como hipótese de “fabricação”.  Isto me leva a concluir que o dispositivo em análise refere­se a duas situações  distintas,  igualmente  abrangidas  pelo  direito  ao  crédito.  Não  apenas  os  contribuintes  que  exerçam  atividade  tipicamente  industrial  estarão  sujeitos  às  contribuições  e  terão  direito  aos  respectivos  créditos  no  âmbito  delimitado  pelas  mencionadas  leis;  mas  também  o  produtor  agrícola, o produtor no âmbito da pecuária etc. estão alcançados pelo preceito.  Esta conclusão da qual exala uma certa obviedade é de grande importância no  caso em exame.  A Recorrente desenvolve uma atividade complexa, que vai desde a produção  da madeira até a fabricação de tábuas de madeira, compensados e outros produtos derivados de  árvores.  A existência da integração econômica da fase rural de produção da madeira a  uma  industrial de  transformação é  reconhecida pela própria  legislação,  como algo possível  e  normal,  hipótese  em  que  a  primeira  assume  um  caráter  instrumental  em  relação  à  segunda,  como  se  lê  no  §  6°  do  artigo  22­A  da  Lei  n.º  8.212/1991  que  ­  depois  de  criar  um  regime  substitutivo de contribuição aplicável às agroindústrias determina:  § 6° ­ Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo  à  pessoa  jurídica  que,  relativamente  à  atividade  rural,  se  dedique  apenas  ao  florestamento  e  reflorestamento  como  fonte  de  matéria­prima  para  industrialização  própria  mediante  a  utilização  de  processo  industrial  que  modifique  a  natureza  química da madeira ou a transforme em pasta celulósica.  Independentemente da discussão  travada quanto  à constitucionalidade desse  artigo  o  legislador  reconhece  que  se  trata  de  produção  da  matéria­prima  necessária  ao  desenvolvimento da própria atividade industrial e que nesta encontra o seu sentido.  Desse  modo,  aquele  que  simplesmente  produzir  madeira  para  venda  terá  direito ao crédito sobre as sementes, adubos, fertilizantes, serviços de plantio, preparação etc.  Fl. 755DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     12 são todos bens e serviços indispensáveis à obtenção do bem – madeira – destinado à venda e  aquele que a comprasse para fabricação da tábuas de madeira, compensado e outros produtos  derivados de árvores poderia aproveitar esse crédito, o que é indubitável.  Daí  a  perplexidade.  Então  porque  numa  indústria  integrada  que,  ela  própria,  produz  a madeira  que  irá  utilizar  no  seu  estabelecimento  fabril  para  a  obtenção  de  tábuas de madeira, compensado e outros produtos delas derivados não haveria direito a crédito  pelos bens e serviços utilizados no desenvolvimento da floresta?  Parece­me no mínimo paradoxal impedir esse direito.  Estes  dispêndios,  ao  lado  de  outros  que  apresentem  a  mesma  relação  de  inerência e o mesmo grau de relevância para o processo de produção da madeira e das tábuas  de madeira, compensados e outros produtos dela resultantes, estão alcançados pelo conceito de  insumo explanados nas leis de regência dos PIS e da COFINS não cumulativas.   Nesse sentido, voto por dar provimento ao recurso voluntário.    Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado.  São  duas  as  questões  debatidas:  i)  direito  de  crédito  da  contribuição  ao  PIS/Pasep, decorrente de pagamentos feitos à UBS Global, em relação à madeira extraída de  hortos  florestais,  dos  quais  a  recorrente  detém  o  direito  de  uso  e  exploração;  ii)  cessão  de  créditos de ICMS a terceiros.  A  segunda  questão  se  resolve  pela  aplicação  do  art.  62­A  do Anexo  II  do  RICARF, devendo ser reproduzida no caso a decisão judicial citada pelo Conselheiro Relator.  Quanto à primeira questão, divirjo do seu entendimento.  Baseio­me  no  acórdão  3801­00.547,  PAF  11080.007399/2007­17,  relatado  pelo Conselheiro  José Luiz Bordignon, em que  se  julgou esta mesma questão em recurso da  mesma recorrente: Boise Cascado do Brasil (atual Aracruz Riograndense Ltda).  A matéria foi assim enfrentada pelo Conselheiro Bordignon:  “No que se  refere à glosa dos pagamentos referente a madeira  extraída, a fiscalização aduz que a operação se trata na verdade  de  aquisição  do  uso  de  exploração  de  área  florestal  e  não  da  compra de matéria­prima.  Por  seu  turno,  a  recorrente  defende  que  adquire  as  "Toras  Classe  A"  da  UBS,  que  é  mera  administradora  das  áreas  de  destocagem, condição esta assumida pelo interesse e obrigação  que tem de adquirir as referidas toras.  A operação que resultou na controvérsia acima relatada, consta  do  "Contrato  de  Compra  de  Destocagem  e  Administração",  firmado no  dia  21  de  fevereiro  de  2001  entre  a  recorrente  e  a  UBS Global, fls. 22 a 59.  Fl. 756DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.007410/2007­30  Acórdão n.º 3801­003.297  S3­TE01  Fl. 8          13 Analisando­se o  referido contrato, depreende­se que a empresa  UBS Global adquiriu da empresa Kablin Riocell o direito de uso  e exploração de área florestal em 21/02/2001, com vigência até  31/12/2014, pelo valor de US$ 32.000.000,00. Também, que na  mesma  data  o  direito  adquirido  pela  USB  Global  foi  cedido,  integralmente, para a recorrente.  Transcrevo, a seguir, excertos do contrato acima referido (fls. 22  e 34):  CONTRATO  DE  COMPRA  DE  DESTOCAGEM  E  ADMINISTRAÇÃO.  (...)  0 presente Contrato é celebrado no dia 21 de fevereiro de 2001  entre  a Boise Cascade  do Brasil  Ltda.,  sociedade  brasileira  de  responsabilidade  limitada  (doravante  denominada  "BCB")  e  a  Global  (Ex­US)  Timber  Investors  6  Limited,  sociedade  isenta  constituída  nas  Ilhas  Cayman  (doravante  denominada  "UBS  Global").  (...)  1  Cessão  do  Contrato  de  Compra  de  Madeixa  Bruta.  A  UBS  Global  concorda,  neste  ato,  em  vender  à  BCB  todas  as  Toras  Classe  A  colhidas  da  Area  de  Destocagem  de  acordo  com  os  termos  do  referido  Contrato  de  Compra  de  Madeira  Bruta  celebrado entre a UBS Global e a Klabin Riocell SA (doravante  denominada  "Riocell") na mesma data do presente  instrumento  (doravante  denominado  "CCM"),  apenso  ao  presente  instrumento  como Anexo  I,  o  qual,  por  esta  referencia,  é  parte  integrante  deste.  Para  o  cumprimento  dessa  venda,  a  UBS  Global cede neste ato à BCB todo o seu direito, titulo e interesse  no CCM.(grifei)  (...)  2.  Cessão  e  Transferência  do  Direito  ao  Pleno  Uso  dos  Recursos Florestais. A Riocell  cede  e  transfere  neste  ato UBS  Global,  e  esta  recebe  da  Riocell  o  direito  ao  pleno  uso  dos  recursos florestais na Área de Destocagem, incluindo o controle  de  árvores disponíveis  durante  a  vigência  do Contrato. Após  o  corte raso, a posse e controle exclusivo de cada Gleba voltarão  para o proprietário da terra, mas a UBS Global reterá o direito  de utilizar quaisquer estradas necessárias ou úteis em relação ao  acesso  a  quaisquer  Glebas,  que  continuarão  fazendo  parte  da  Área de Destocagem.  3.  Contraprestação.  Como  contraprestacão  total  atinente  ao  direito de utilizar os recursos florestais na Area de Destocagem  e  todos  os  outros  direitos  da  UBS  Global  de  acordo  com  o  presente Contrato, a UBS Global deverá pagar a Riocell o valor  em Reais equivalente a US$ 32.000.000 a Taxa de Cambio, da  forma  e  em  conformidade  com  os  termos  do  Contrato  de  Fechamento  e  Compra  de  Propriedades  celebrado  na  mesma  Fl. 757DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     14 data  do  presente  instrumento  entre  as  partes  contratantes  e  outras partes.  Não menos importante para a solução da lide é analisar a forma  como foram emitidas as notas fiscais da operação em trato.  Como  visto  anteriormente,  a  fiscalização  caracterizou  a  operação como aquisição de uso de exploração de área florestal  e  a  recorrente  como  uma  operação  de  compra  e  venda  (de  matéria­prima).  No  caso,  a  contribuinte  colhe  as  "Toras  Classe  A"  nos  locais  onde  estão  situadas  as  áreas  florestais  e  remete­as  para  seu  estabelecimento industrial. Para tanto, emite uma nota fiscal de  "SAÍDA",  de  produtor  rural,  cuja  natureza  da  operação  é  "transferência".  Ato  continuo,  registra a  entrada das  "Toras" na unidade  fabril  através de uma nota fiscal de "ENTRADA" com CFOP 1.151 1  (Transferência para industrialização ou produção rural).  Note­se que o emitente das notas fiscais (Saída da área florestal  e Entrada no • estabelecimento industrial) é a recorrente (CNPJ  03.145.127/0001­97).  Em nenhum momento da operação foi emitida uma nota fiscal de  venda de mercadoria da UBS para a recorrente.  Com  referência  a  esse  fato,  assim  se  reportou  a  recorrente  em  seu recurso, fls.706/707:  (...)  33. Com efeito, a  emissão dessas notas  fiscais de  transferência  não serve a Recorrente para que ela se credite de COFINS, até  porque  a  legislação  relativa  aos  créditos  do  tributo  não  condiciona o reconhecimento de tais créditos a emissão de notas  fiscais,  mas  única  e  exclusivamente  para  que  a  Recorrente  promova  a  regular  transferência  de  estoques,  de  um  estabelecimento  seu  para  outro,  bem  como  o  transporte  dessas  mercadorias, conforme prevê a legislação estadual.  34. Assim, o simples fato de a Requerente emitir notas fiscais de  transferência de mercadorias de um estabelecimento seu a outro  em nada afeta o seu direito ao credito de COFINS decorrente da  aquisição de Toras Classe A da UBS.  35.  Por  outro  lado,  o  fato  de  a  UBS  não  emitir  nota  fiscal  relativamente e venda das Toras Classe A para a Requerente em  nada  compromete  a  apropriação de  créditos  de COFINS,  pois,  em nenhum dispositivo  legal,  a  legislação vigente  condiciona a  apropriação  do  crédito  a  emissão  de  notas  fiscais,  mas  sim  a  aquisição de produtos utilizados como insumos na produção de  bens.  36. Nesse mesmo passo, temos que a UBS não precisava emitir  documento fiscal para respaldar a transferência fisica das Toras  Classe  A  para  a  Requerente,  pois,  ainda  que  não  tivesse  a  propriedade,  tinha  a  posse  dos  hortos  para  a  realização  das  Fl. 758DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.007410/2007­30  Acórdão n.º 3801­003.297  S3­TE01  Fl. 9          15 atividades  de  gerenciamento  assumidas  no  contrato  de  destocagem.  37. De qualquer sorte, ainda que fosse exigida a emissão de nota  fiscal pela UBS relativa a venda de Toras Classe A a Recorrente,  tal  exigência  seria  por  outros  motivos  que  não  relacionados  a  apropriação  de  créditos  de  COFINS,  sendo  que  o  descumprimento  dessa  obrigação  pela  UBS  não  afeta  nem  poderia  afetar  o  direito  aos  créditos  da  Recorrente,  haja  vista  não haver previsão legal que condicione os créditos de COFINS  et  emissão  de  documento  fiscal,  mas  sim  et  aquisição  de  bens  utilizados na produção de bens.  (...)"No  que  se  refere  as  alegações  acima  esposadas  pela  requerente,  é  de  se  dizer  que  a  nota  fiscal  é  o  documento  que  comprova a operação realizada e, no caso presente, a transação  refletida  pelas  notas  fiscais  carreadas  aos  autos  é  de  uma  operação de transferência de mercadoria de um estabelecimento  para outro,  da mesma pessoa  jurídica,  e não de uma operação  de aquisição de mercadoria (compra e venda).  Desse modo, uma vez não comprovado nos autos que os valores  pagos  a  UBS  referente  a  madeira  extraída  das  florestas  se  tratam de compra de matéria­prima, não podem os mesmos ser  considerados  no  cálculo  dos  créditos  na  apuração  da  Cofins  não­cumulativa.  Não  cabe,  nesse  aspecto,  fazer  qualquer  reparo  na  decisão  da  autoridade a quo.”  Acrescento trecho extraído do voto do Conselheiro Flávio de Castro Pontes,  no  acórdão  3801­00.721,  PAF  13004.000004/2003­54,  que,  apesar  de  tratar  de  crédito  presumido de IPI, apresenta considerações válidas também para o caso em exame:  “Como  se  nota,  a  controvérsia  cinge­se  em  verificar  se  os  valores  pagos  a  empresa UBS  Global  (atual  Florestal  Guaíba  Ltda.)  a  título  de  madeiras  extraídas  de  hortos  florestais  se  amoldam  a  operação  de  aquisição  de  insumos  estabelecida  na  Lei nº 10.276/2001, in verbis:  Art.  1º Alternativamente  ao  disposto  na  Lei  nº  9.363,  de  13  de  dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de  mercadorias  nacionais  para  o  exterior  poderá  determinar  o  valor  do  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  como  ressarcimento  relativo  às  contribuições  para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  (PIS/PASEP)  e  para  a  Seguridade  Social  (COFINS),  de  conformidade  com  o  disposto em regulamento.  §  1º  A  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  será  o  somatório  dos  seguintes custos,  sobre os quais  incidiram as contribuições  referidas no caput:  I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias­primas,  a  produtos  intermediários  e  a  materiais  de  embalagem,  bem  Fl. 759DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     16 assim  de  energia  elétrica  e  combustíveis,  adquiridos  no  mercado  interno  e  utilizados  no  processo  produtivo;  II  –  (..)  (grifouse)  Do  exame  dos  autos,  verifica­se  que  a  autoridade  fiscal  caracterizou  a  operação  como  exaustão  ou  amortização  dos  direitos  sobre  recursos  florestais,  portanto  não  incluiu  os  respectivos valores na base de cálculo do crédito presumido do  Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI).  Para  o deslinde  da  questão  é  fundamental  identificar  de  forma  precisa  a  natureza  jurídica  e  fiscal  da  operação.  A  recorrente  insiste na tese de que a fiscalização fazendária se enganou e que  no caso vertente a operação é de aquisição de insumos utilizados  na produção de mercadorias vendidas e exportadas.  Em  tese  a  requerente  adquiriu  os  direitos  de  uso  dos  recursos  florestais  junto  a  USB  Global  em  21/02/2001  e  efetua  o  pagamento por metro cúbico de madeira extraída, fls.104 e 105.  De  outra  parte,  as  mercadorias  (toras  de  madeira)  saem  da  floresta para o estabelecimento industrial através da emissão de  uma Nota Fiscal  de Produtor,  com  a  natureza  da  operação  de  transferência e não de venda ou compra, fls 187. Outrossim, na  entrada  do  produto  no  estabelecimento  industrial,  a  recorrente  emite uma Nota Fiscal de Entrada, fls. 186.  Nesta  nota  fiscal  a  natureza  da  operação  é  transferência  para  industrialização, CFOP 121.  Num primeiro momento foi celebrado entre a Klabin Riocell S.A.  e UBS Global um contrato intitulado de compra de madeira que  traz em seu preâmbulo a natureza da operação, qual seja Cessão  de  Transferência  do  Direito  de  Pleno  Uso  dos  Recursos  Florestais, fls. 127.  Por  seu  turno,  a  recorrente  celebrou  com  a  UBS  Global  um  outro  contrato  denominado  de  compra  de  destocagem  e  administração, fls. 148. Neste contrato a UBS Global concordou  em vender à recorrente (Boise Cascade do Brasil Ltda) todas as  toras classe A colhidas da área de destocagem de acordo com os  termos  do  referido  Contrato  de  Compra  de  Madeira  Bruta  celebrado entre a UBS Global e a Klabin Riocell S.A.  Da análise dos elementos deste processo, constata­se que não há  emissão  de  nota  fiscal  de  venda  por  parte  da  empresa  UBS  Global  em  relação  à  venda  de  toras  de  madeira  classe  A.  Embora a recorrente alegue que a UBS não precisava emitir este  documento fiscal para a transferência física das toras classe A, a  nota  fiscal  de  venda  do  produto  é  o  documento  fiscal  hábil  e  idôneo para comprovar a aquisição de matéria­prima.  Inexistindo este documento fiscal, não há como se reconhecer o  direito ao crédito presumido.  Além do mais, os contratos celebrados indicam que as operações  em comento são de exploração de recursos florestais, como bem  assentou  a  autoridade  fiscal,  sendo  que  eventuais  quotas  de  amortização ou de exaustão referente à exploração de recursos  Fl. 760DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.007410/2007­30  Acórdão n.º 3801­003.297  S3­TE01  Fl. 10          17 florestais  não  podem  ser  incluídas  na  base  de  cálculo  do  incentivo fiscal por falta de previsão legal.  Quanto  à  contribuição  para  o  PIS/Pasep  não  cumulativa  e  ao  direito  de  descontar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação  de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, o §3º do artigo 3º  da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, dispõe que o direito ao crédito só se aplica em relação aos  bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.  Também não dá direito a crédito aquisição de bens ou serviços não sujeitos  ao pagamento da contribuição, nos termo do parágrafo 2º do mesmo artigo.  Simples  transferência  de  mercadorias  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa não caracteriza aquisição e não sofre incidência da contribuição.  Não há nos autos notas fiscais que comprovem compra de toras de madeiras  ou outro insumo de pessoa jurídica que tenha se sujeitado ao pagamento da contribuição, logo,  não há provas de aquisição que pudesse ensejar o direito ao crédito.  Com  fundamento  nas  mesmas  razões  que  levaram  esta  Turma  Especial  às  decisões  veiculadas  pelos  acórdãos  nºs.  3801­00.547  e  3801­00.721,  em  especial,  a  não­ comprovação  da  aquisição  das  toras  de  madeira  em  operações  sujeitas  ao  pagamento  da  contribuição para o PIS/Pasep, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani                    Fl. 761DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digi talmente em 01/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 10314.005072/2001-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 06/10/1998 PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO. VALORAÇÃO ADUANEIRA. Apuração pela fiscalização que os valores de transação foram lançados incorretamente, com base no LINCE-FISCO. A fiscalização não pode desabonar o primeiro método de valoração aduaneira ao seu alvedrio. Isso só acontece quando houver fatos contundentes relacionados a aceitabilidade do preço. A fiscalização não trouxe elemento concreto e relevante para desabonar o I° método do Acordo de Valoração Aduaneira, por ter sido sua inferência pautada em dados incompletos.
Numero da decisão: 3403-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recuso de Ofício. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. LUIZ ROGÉRIO SAWAYA BATISTA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     2   Relatório  Trata­se de Recurso de Ofício em face da  improcedência do  lançamento do  Imposto de Importação e exigência de multa e juros, conforme Decisão da DRJ/São Paulo IIA  improcedência do lançamento e cancelamento do crédito tributário exigido, que determinou o  cancelamento do crédito tributário.  O  processo  em  epígrafe  trata  de  Auto  de  Infração  lavrado  em  26  de  Novembro  de  2001,  perante  o  contribuinte NABLE  IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE  TECIDOS S.A, dada a  exigência do  IMPOSTO DE  IMPORTAÇÃO e  seus  juros de mora e  multa proporcional no montante de R$ 4.592.804,66. Com base no que segue:  1­  Em  conformidade  com  as  Declarações  de  Importação  acostadas  no  auto  de  infração,  não  correspondem  os  valores das mercadorias comercializadas no exterior, não  se  aplicando  o  artigo  1º  do  Acordo  de  Valoração  Aduaneira, o  fisco utilizou­se do artigo 3º deste mesmo  acordo,  para  a  aplicação  do  valor  de  transação  para  mercadorias similares tomadas por referência as posições  NCM 5407.53.00, 6002.42.00 e 6002.43.00;  2­  o contribuinte  fora notificado por AR em 17 de  Janeiro  de  2002,  fls  41­verso,  assim  protocolizou  impugnação  através de seu procurador (fls 54), esta  tempestiva e em  conformidade ao artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 06  de fevereiro de 2002, de fls 42 a 53.   3­  Em  conformidade  ao  artigo  16  do  Decreto  70.235/72  alegou­se  o  que  segue:  (i)  os  valore  que  ora,  a  impugnante  pratica  são  os  do  exterior  e  obedecem  a  legislação. Não foram apresentadas a esta a metodologia  para apuração dos valores aduaneiros e assim exercer seu  direito  a  ampla  defesa,  ela  não  fora  intimada,  nem  conheceu  as  verdadeiras  razões  da  recusa  do  valor  da  transação;  tal  ação  contraria  o  §  59,  II  do  Decreto  70.235/72,  tornando­se  ATO  NULO;  (ii)  a  verdade  material não foi respeitada em conformidade ao artigo 2º  da Lei 9.784/99, pugna a nulidade e a  insubsistência do  Auto Infração.  A 1ª Turma da DRJ/SPOII  determinou  a  baixa dos  autos  em diligencia,  de  modo que a Fiscalização justificasse sobre os critérios utilizados na valorização aduaneira e os  fatos que motivaram o Auto de Infração que se transformou no processo administrativo fiscal  nº 1034.005072 /2001­52.  A autoridade preparadora informa que há divergência de valores na ordem de  50%  constante  no  sistema  LINCEFISCO,  estando  respaldada  pela  Convenção  Internacional  sobre  o  Sistema  Harmonizado  e  de  Codificação  de  Mercadorias;  o  segundo  método  de  valoração  aduaneira  não  foi  utilizado  pela  inconformidade  de  comparação  com mercadorias  idênticas.  Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10314.005072/2001­52  Acórdão n.º 3403­003.020  S3­C4T3  Fl. 6.143          3 Finalizou­se a instrução, intimou­se a contribuinte e aplicou­se o prazo de 10  dias  para  manifestação,  face  ao  princípio  do  contraditório,  sendo  que  o  contribuinte,  cientificado  por  Aviso  de  Recebimento  em  29  de  fevereiro  de  2008,  fls  50­  frente,  não  se  manifestou.   A DRJ fixou como pontos controvertidos o motivo que levou a Fiscalização a  desconsiderar  o  1º método  de  valoração  aduaneira  e  a  explicitação  da metodologia  utilizada  pela fiscalização para apuração do valor aduaneiro, de modo que a impugnante pudesse exercer  o seu direito à ampla defesa.  A DRJ entendeu que o auto de infração carece de fundamentação.  Segundo  a  DRJ  a  valoração  consiste  em  ato  de  arbitramento  da  base  de  cálculo do Imposto de Importação, com base no artigo 148 do CTN, em que deve demonstrar  que existiram razões para que a Fiscalização procedesse ao lançamento fiscal por arbitramento,  de modo a possibilitar o exercício do contraditório e da ampla defesa.  A  ausência de  adequada motivação  e  fundamentação  traria dois  ônus:  (i)  o  cerceamento do direito e o exercício do contraditório e da ampla defesa; (ii) impede a formação  da  convicção  do  julgador,  pois  este  ficaria  impedido  de  conhecer  quais  as  premissas  que  a  fiscalização se valeu para a autuação.  No  presente  processo  a  discussão  tem  como  ponto  de  partida  a  base  de  cálculo do Imposto de Importação que é o valor aduaneiro, determinado nos termos do Acordo  sobre  Implementação  do Artigo VII  do GATT. O AVA prevê  a  aplicação  sucessiva  de  seis  métodos de valoração aduaneira, observada a ordem sequencial nele estabelecida.  A  Fiscalização  não  pode,  portanto,  ao  seu  alvedrio,  desabonar  o  primeiro  método  de  valoração  aduaneira,  pois  tal  só  ocorre  quando  houver  fatos  contundentes  relacionados à aceitabilidade do preço.  Se  a Fiscalização  não  puder  aceitar o  valor  da  transação  sem  investigações  complementares  deverá  dar  ao  importador  uma  oportunidade  de  fornecer  informações  mais  detalhadas,  necessárias  para  examinar  as  circunstâncias  da  venda.  Assim,  de  acordo  com  a  DRJ,  chega­se  a  um  entrave,  de  um  lado  a  necessidade  de  a  fiscalização  apontar  um  fato  relevante para poder desabonar o primeiro método de valoração aduaneira, cabendo a ela esse  ônus. Se demonstrado, cabe a autuada se valer da impugnação para demonstrar que o preço foi  determinado  de  maneira  compatível  com  as  práticas  normais  de  fixação  de  preços  do  setor  industrial  em  questão,  ou  pela  mesma  maneira  que  o  vendedor  fixa  seus  preços  para  compradores não vinculados.  O  Auto  de  Infração  silencia  quanto  a  tal  ponto,  apenas  afirmando  que  os  preços  corretos  são  aqueles  constantes  do  seu  corpo,  dados  que  que  foram  exclusivamente  extraídos  de  mercadorias  similares,  tendo  por  base  o  LINCEFISCO,  sem  trazer  qualquer  elemento fático que desabone a operação em si.  Na  resposta  à  diligência,  a  fiscalização  informou  que  a  ordem  de  subfaturamento  foi  de 50%, mas não  revelou qual  foi  o universo pesquisado. Afirmou ainda  que  o  segundo  método  não  foi  utilizado  dada  a  impossibilidade  de  comparação  com  mercadorias idênticas.  Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     4 Dessa  forma,  a  DRJ  conclui  que  afirmar  simplesmente  que  os  preços  de  transação  estavam  errados,  tomando  por  base  apenas  e  tão­somente  “preços  de mercadorias  similares”, sem qualquer referência a dados inerentes à própria transação em si é desconsiderar  o primeiro método de valoração aduaneira sem critérios fáticos.  A fiscalização não trouxe, em seu cabedal, elementos concretos, relevantes e  válidos  para  desabonar  a  1º  método  do  Acordo  de  Valoração  Aduaneira,  devido  a  dados  incompletos  que  prejudicaram  o  exercício  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  bem  como  formação de convicção do julgador.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, relator  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  se toma conhecimento.  A decisão da DRJ/SP II é bastante completa ao apontar as falhas do Auto de  Infração, que prejudicam não apenas a parte, como também o próprio julgador, impossibilitado  de ter pleno conhecimento da divergência.  Analisando o Auto de Infração verifica­se o quão precisas são as palavras do  julgador de primeira instância, uma vez que se limitou a afirmar que os valores praticados pelo  importador não estariam em conformidade com as  regras de valoração aduaneira,  decidindo,  simplesmente, afastar a 1ª regra de valoração aduaneira, calcada no valor da transação.  A  Fiscalização  não  explicitou  devidamente  porque  o  valor  da  transação  praticado pelo importador não poderia ter sido aceito, mas tão­somente o comparou com preços  de mercadorias  similares,  constante  no  sistema  LINCEFISCO,  que  possui  base  heterogênea,  sujeitas a distorções.  Em suma, a Fiscalização não cumpriu o  seu papel, não  tendo demonstrado,  em  nenhum  momento,  de  forma  fundamentada,  que  o  valor  da  transação  praticado  pelo  importador  não  poderia  ser  adotado,  fulminando  de  vício  o  auto  de  infração,  e  impedindo  a  correta defesa por parte do importador, impugnante.  De  igual  modo,  o  procedimento  adotado  pela  Fiscalização  acabou  por  prejudicar o conhecimento da matéria no âmbito administrativo, pois ela não se desincumbiu  de  seu  ônus,  de  demonstrar  que  os  valores  praticados  pelo  importador  não  poderiam  ser  utilizadas, em conformidade com as regras de valoração aduaneira.  Ou seja, nada foi feito, limitando­se a Fiscalização a efetuar o lançamento do  Imposto de Importação, multa e juros, com base no novo valor por ela apontado, decidindo, ao  seu livre talante, e sem qualquer fundamentação, que aqueles montantes de valora da transação  efetivamente praticados pelo importador não poderiam ser aceitos.  Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10314.005072/2001­52  Acórdão n.º 3403­003.020  S3­C4T3  Fl. 6.144          5 Ante o exposto, negro provimento ao Recurso de Ofício, mantendo, pois,  a  improcedência do Auto de Infração.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Luiz Rogério Sawaya Batista                                    Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA

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