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Numero do processo: 10860.720055/2008-29
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 05, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 213.288,82, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Herança Divina", com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 20 05 5/ 20 08 -2 9 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720055/200829 Resolução nº 2801000.083 S2TE01 Fl. 122 2 área de 930,5 ha, NIRF 0.795.2740, localizado no município de Ubatuba/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR do interessado incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado não apresentou os documentos solicitados que comprovassem as informações contidas em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal, tais como, Laudo Técnico e Ato Declaratório Ambiental, motivo pelo qual esse item foi glosado e constituído o lançamento suplementar nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393/1996. Cientificado do lançamento, por via postal, em 05/11/2008, conforme fl. 76, o interessado apresentou a impugnação de fls. 50 a 53, em 01/12/2008, alegando, em síntese, que: • Em 20 de agosto de 2008, protocolou na Receita Federal os documentos necessários para comprovar que o imóvel rural encontra se em área considerada de preservação permanente; • Os documentos apresentados foram expedidos pelo governo federal, de total credibilidade, não restando quaisquer dúvidas de que o imóvel está inserido em sua quase totalidade em área de preservação permanente, sendo corroborado pelo Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido em 27/09/2008; • Só tomou conhecimento da necessidade de elaborar o ADA, ao receber o Termo de Intimação Fiscal; • Anexa aos autos, Certidões expedidas pelo Instituto de Terras e do Governo do Estado de São Paulo, Planta, Relatório de Vistoria Técnica do Instituto Florestal Núcleo Picinguaba, Boletim de Ocorrência Ambiental, entre outros, que comprovam que a propriedade está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; • Está sem explorar o imóvel desde 1999, embora estando na posse do imóvel, pois ainda não recebeu indenização, razão pela qual não possui condições para arcar com o pagamento do imposto, juros e multa de ofício; • Não deve o valor do imposto suplementar, porque os imóveis de sua propriedade são totalmente inexploráveis por estarem inseridos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar; • Requer cancelamento da Notificação de Lançamento por erro no preenchimento da declaração e, se for o caso, solicita autorização do órgão para providenciar junto ao Ibama o ADA dos exercícios anteriores, por medida de justiça. Instruíram a impugnação os documentos de fls. 57 a 75.” Doravante, a Primeira Instância de Julgamento rejeitou a Impugnação do contribuinte, em decisão que restou assim ementada: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720055/200829 Resolução nº 2801000.083 S2TE01 Fl. 123 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003. Área de Preservação Permanente APP em Área de Proteção Ambiental APA São consideradas áreas de preservação permanente, além das previstas no art. 2o da lei n° 4.771/1965, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a, entre outros, proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico e asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, conforme disposto nas alíneas "e" e "f" da Lei n° 9.393/1996, quando assim declaradas pelo Poder Público em caráter específico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais. Para exclusão dessas áreas da incidência do ITR, além do ADA tempestivo, é necessária sua comprovação, mediante Laudo Técnico, emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, que as discrimine, quantifique e identifique seu enquadramento legal, acompanhado de Memorial Descritivo e Carta Planialtimétrica do imóvel contendo a representação gráfica da hidrografia, da vegetação e das curvas de nível. Aplicabilidade da Multa de Ofício e Taxa Selic. São cabíveis as cobranças da multa de ofício, por falta de recolhimento do tributo, apurada em procedimento de fiscalização, e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. A princípio, cingese a discussão, pois, em saber: (i) se o fato de determinado imóvel localizado integralmente em Área de Proteção Ambiental APA, declarada por ente da federação, isenta de ITR; e (ii) se a apresentação do ADA é elemento essencial e indispensável para que as áreas de preservação permanente e utilização limitada possam ser isentas de tributação. Entretanto, para a escorreita aplicação do direito em tela e para que não restem dúvidas de que as áreas declaradas pela Recorrente efetivamente configuramse como de Preservação Permanente, prestigiandose o princípio da verdade material que rege os Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720055/200829 Resolução nº 2801000.083 S2TE01 Fl. 124 4 procedimentos administrativos, é imperioso que o presente processo seja baixado em diligência para que o órgão ambiental em questão informe se a área do imóvel objeto do lançamento se encontra dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 37306.007225/2006-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
EMBARGOS - OMISSÃO - NÃO APRECIAÇÃO DE TERMO ADITIVO
Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado.
O acordão apresenta-se omisso quando não são apresentados ao colegiado, todas as argumentações trazidas pela recorrente, mesmo em seu tratando de termo aditivo. Os argumentos trazidos aos autos pelo recorrente deveriam ser, no mínimo, submetidos ao colegiado no intuito de que se verifique a pertinência e a oportunidade de sua apreciação.
Ao ser constatado que a base dos argumentos não apreciados refere-se a suposta nulidade pela ausência de caracterização da cessão de mão de obra (objeto desse embargo), e não tendo ditos argumentos sido apresentados nem na impugnação, nem no recurso interposto, entendo que o termo aditivo não merece ser conhecido.
Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa e no caso, presente avençadas, nem mesmo na peça recursal.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-002.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração; e II) Por maioria de votos, re-ratificar o acórdão nº 2401-01.430, sem alteração do resultado do julgamento. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 EMBARGOS - OMISSÃO - NÃO APRECIAÇÃO DE TERMO ADITIVO Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado. O acordão apresenta-se omisso quando não são apresentados ao colegiado, todas as argumentações trazidas pela recorrente, mesmo em seu tratando de termo aditivo. Os argumentos trazidos aos autos pelo recorrente deveriam ser, no mínimo, submetidos ao colegiado no intuito de que se verifique a pertinência e a oportunidade de sua apreciação. Ao ser constatado que a base dos argumentos não apreciados refere-se a suposta nulidade pela ausência de caracterização da cessão de mão de obra (objeto desse embargo), e não tendo ditos argumentos sido apresentados nem na impugnação, nem no recurso interposto, entendo que o termo aditivo não merece ser conhecido. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa e no caso, presente avençadas, nem mesmo na peça recursal. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração; e II) Por maioria de votos, re-ratificar o acórdão nº 2401-01.430, sem alteração do resultado do julgamento. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2407; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37306.007225/200666 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401002.914 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2013 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Embargante NF MOTTA CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 EMBARGOS OMISSÃO NÃO APRECIAÇÃO DE TERMO ADITIVO Com fulcro no art. 66 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita serão retificados mediante requerimento do titular da unidade da administração tributária encarregado da execução do julgado. O acordão apresentase omisso quando não são apresentados ao colegiado, todas as argumentações trazidas pela recorrente, mesmo em seu tratando de termo aditivo. Os argumentos trazidos aos autos pelo recorrente deveriam ser, no mínimo, submetidos ao colegiado no intuito de que se verifique a pertinência e a oportunidade de sua apreciação. Ao ser constatado que a base dos argumentos não apreciados referese a suposta nulidade pela ausência de caracterização da cessão de mão de obra (objeto desse embargo), e não tendo ditos argumentos sido apresentados nem na impugnação, nem no recurso interposto, entendo que o termo aditivo não merece ser conhecido. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa e no caso, presente avençadas, nem mesmo na peça recursal. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 6. 00 72 25 /2 00 6- 66 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração; e II) Por maioria de votos, reratificar o acórdão nº 240101.430, sem alteração do resultado do julgamento. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37306.007225/200666 Acórdão n.º 2401002.914 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 65 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração nos seguintes termos: Com fulcro nos art. 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, o Contribuinte, opõe Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240101.430 de 20 de outubro de 2010. Segundo o embargante, o Acordão padece de omissão quanto à argumentação quanto argumentação recursal aduzida pelo contribuinte, hábil a ensejar a reforma do acórdão combatido, culminando com a decretação de improcedência do lançamento tributário em comento. Nesse sentido, manifestase o embargante: Deveras, aduziu o contribuinte no evidenciado aditamento, preliminar de nulidade do lançamento tributário combatido, fundado na inconteste ausência de levantamento dos reais fatos, em completo descumprimento ao disposto no artigo 142 do CTN, que determina que para a constituição do crédito tributário o fisco deve inventariar e especificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável e identificar o sujeito passivo. No entanto, na própria descrição contida às fls. 70, há a cabal demonstração de que não se buscou levantar os fatos e a situação que ensejariam eventual tributação. Observese que o item 6, do relatório de fls. 70, menciona que a "solidariedade da notificada com a prestadora é com fulcro no art. 31 da Lei no 8.212/91, na sua redação original, vigente no período do débito". Denotase que o elemento fulcra l contido no texto legal é que haja a cessão de mãodeobra, isto 6, teria que ficar evidente que ocorrera a colocação de segurados à disposição do contratante, como se percebe da redação do § 20 do citado art. 31. Na verdade, o relatório da NFLD lançase numa contradição evidente. Não há como defender que a prestadora dos serviços fora contratada para "cessão de mãodeobra" e, ao mesmo tempo, para executar a parte da obra. Ou a contratada cede a mãodeobra ou executa a obra. Nesta senda, da análise ainda que perfunctória do r. I acórdão proferido, bem se constata a omissão quanto ao ponto encimado, que, frisese, tratase de preliminar hábil a ensejar a decretação de nulidade do lançamento tributário em evidência, e, no Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 entanto, não há no acórdão combatido qualquer I 1 análise acerca do ponto suscitado, devendo tal omissão ser sanada nestes declaratórios. Asseverou a embargante que, ao contrário do contido na NFLD, é patente que a então contratada da ora embargante executou obra de construção civil (e não cessão de mãodeobra), o que se constata ao examinar a descrição contida no item 8, do citado relatório da fiscalização (fls. 71). A subcontratada não promoveu nenhuma cessão de mãode obra, não colocou nenhum trabalhador ou segurado à disposição da ora embargante, mas cuidou da exata execução da obra com pessoal inteiramente sob seu comando. Em nenhum momento, a NFLD mostra evidência ou sequer suposição de que teria havido a colocação de mãodeobra 6 disposição da Recorrente. A contratada incumbiuse, como diz a NFLD, de executar parte especifica das obras. Não é cedente de mãodeobra. Por outro lado, analisando o contrato (fls. 46 a 51), firmado entre a ora Recorrente e a empresa Casa Nova Construções Montagens e Projetos Ltda., nenhuma dúvida persiste. Tratase de execução de serviços de construção civil, diretamente realizados pela contratada, sem qualquer colocação de mãode obra ao dispor da ora Recorrente. Assim, requer o embargante o conhecimento e provimento do presente recurso para fins de concluir e sanar as omissões apontadas. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Da análise dos elementos expostos, entendo que razão assiste ao embargante, tendo em vista que acórdão prolatado realmente encontrase omisso quanto a matéria trazida no aditivo ao recurso e não apreciada na forma devida. Notese que às fls. 157 a 179, o recorrente apresenta seu recurso, cujas alegações foram, no entender dessa relatora foram devidamente apreciadas no acordão ora embargado, recurso este protocolado em 22.12.2006. Contudo, conforme descrito nos embargos opostos, apresentou o recorrente aditivo ao recurso em 27/04/2009, donde destaca a aplicação da súmula vinculante n. 08, bem como inova quanto a nulidade da decisão de primeira instância, por agasalhar NFLD totalmente inepta, tendo em vista que os fundamentos para o lançamento reportamse ao art. 31 da lei 8212/91, sendo que não restou demonstrada a cessão de mão de obra descrita pela autoridade fiscal. Pelo contrário a descrição dos serviços prestados, em conjunto com a apreciação dos contratos denotam inexistir a referida cessão. Isso posto, ao final requer o acolhimento das razões ora expendidas, ratificandose o quanto já manifestado anteriormente, para o fim de que seja a) declarada a nulidade da decisão de primeira instância e da NFLD 35.684.1622, b) excluída a parcela já fulminada pela decadência e, C) quanto ao Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37306.007225/200666 Acórdão n.º 2401002.914 S2C4T1 Fl. 4 5 mérito, seja reformada a decisão anterior, para declarar inexistente e indevido o suposto crédito tributário, por ser medida de inteira Dessa forma, destaco que o acordão descreve propriamente em seu relatório os argumentos recursais apresentados pelo recorrente, no recurso apresentado dentro do prazo. Todavia, conforme dito pelo embargante, quando do julgamento no âmbito desse Conselho, o recorrente tem o direito de ter todos os seus elementos de prova submetidos ao julgador. Conforme o próprio embargante destaca, a submissão dos documentos trazidos pelo recorrente, podem, face o principio da verdade material, descrever elementos de convicção capazes de determinar a procedência ou improcedência do lançamento. Deve o julgador, de posse das petições ofertadas pelo recorrente decidir acerca dos pressupostos de sua admissibilidade e de seu conhecimento. Observase no caso em questão, que dito documento (termo aditivo), realmente não foi apreciado em sua totalidade, considerando que no relatório do acordão, consta a apresentação do mesmo, apenas destacando a aplicação da súmula vinculante n. 08, sem que no acordão fosse submetido ao colegiado sua pertinência ou mesmo conhecimento. Dessa forma, entendo que o acordão, neste ponto, apresentase omisso razão pela qual, devam ser acatados os embargos de forma, que seja novamente submetido ao colegiado o conhecimento e pertinência do referido documento. CONCLUSÃO Face o exposto, entendo que devem ser ACATADOS OS EMBARGOS PROPOSTOS, para que se corrija a omissão apontada em relação a não submissão de termo aditivo, apresentado em data anterior ao julgamento do recurso ao colegiado. Contudo para adentrar aos pontos trazidos pelo embargante, transcrevo abaixo o relatório do acordão proferido, que mantevese inalterado. Senão vejamos: Notese que a NFLD em questão é fruto do Desmembramento da NFLD 35.183.7795, nos termos descritos abaixo: A presente NFLD, foi lavrada em substituição a NFLD n. 35.183.7795 de 16.10.2000, uma vez que esta foi tomada NULA por decisão administrativa da 2' Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, consubstanciada no Acórdão N° 1.180 de 23.08.2004, cópia acostada; 2. Tratava a NFLD original, do lançamento de contribuições previdenciárias • devidas pela solidariedade da notificada, com várias empresas que lhe prestaram serviços por cessão de mão de obra, corno subcontratadas, nas diversas obras de construção civil, de responsabilidade da contratante, ora notificada, no Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 período de 01.1992 à 12.1998.Através da Decisão Notificação N°21.025.01019212000, de 27.122000 lançamento foi julgado procedente. A empresa recorreu da decisão ao CRPS, e após ao juntada de novos elementos por parte da recorrente, do cumprimento por parte da notificante de diligências solicitadas pela 2' CAJ, e o reconhecimento de parte do débito pela notificada, incluindoo em processo de parcelamento definido pela Lei N° 10.684/2003 (débito desmembrado para o processo N° 35.431.0798 em 24.12.2003), subsistiu o lançamento original, apenas para o débito relativo a empresa CASA NOVA CONSTRUÇÕES MONTAGENS E PROJETOS LTDA; FLS. )543 3. Não obstante, mesmo em relação a esta subempreiteira, a notificante em despacho de 2604.2004, entendeu assistir razão à notificada, em reduzir de 40% para 12%, o percentual aplicado ao valor dos serviços prestados com base nas Ordens de Serviço N° 51/92 e 165197, constantes nas notas fiscais de serviços daquela, para apuração do valor do salário de contribuição para incidência das contribuições previdenciárias, unta vez que no contrato entre as partes, justificou a notificante, alam do material a ser utilizado, estava prevista a utilização de maquinas e equipamentos. Acostamos cópia do referido despacho, e dos interlocutórios referidos no item 2; 4. No entanto , entendeu por fim a 2° CM, conter o lançamento vício insanável, decidindo pela sua NULIDADE posto não constar na NFLD ora substitutiva, nem em seus anexos, o fundamento legal utilizado para chegarse ao "quantum debeatur" , através do ARBITRAMENTO. Tal 'vício insanável não havia sido detectado anteriormente nas passagens do processo pela 2 CAJ , em 10.03.2003, em 25.06.2003, • e 25.102003, sendo que nas duas últimas, a análise do processo foi feita pelo mesmo relator que em 23.08.2004 decretou sua nulidade. Também não demoveu o mesmo relator e a 2a CAJ, o pedido de revisão de acórdão proposto pelo Serviço da Receita Previdenciária de Guarulhos, sob o argumento de que a empresa estava dente do arbitramento efetuado, tanto que solicitou redução das alíquotas aplicadas às faturas, e que a omissão do fundamento legal seria vício sanável, uma vez que foi citado no relatório fiscal a Lei 1f8.212/91 e o Regulamento da Previdência Social. Assim sendo, passados mais de cinco anos do lançamento original, outra alternativa não restou, a não ser a lavratura desta nova NFLD para substituir a anulada; 5. Portanto, trata a presente notificação do lançamento de contribuições previdenciárias, da parte da empresa e dos segurados empregados devidas ao FPAS, pela solidariedade da notificada, com a empresa CASA NOVA CONSTRUÇÕES MONTAGENS E PROJETOS LTDA, que lhe prestou serviços por CESSÃO DE MÃODEOBRA, no período de 01.92 à 03.93, 07.93, 12.93, 01.94, 03.94 à 11.94, 08.95, 04.96 à 12.96, e07.98, como subcontratada, para executar parte da obra de responsabilidade da tomadora, por força da Concorrência Pública N° 002/91 e do Contrato N° 17/91, Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37306.007225/200666 Acórdão n.º 2401002.914 S2C4T1 Fl. 5 7 firmado • com o SA.A.E. — Serviço Autônomo de Água e Esgoto do Município de Guarulhos, cópias acostadas. O lançamento é embasado na Lei N°8.212191, regulamentada pelo RPS — Regulamento da Previdência Social, com ultima redação do Decreto N°3048/99. 6. A solidariedade da notificada com a prestadora é com fulcro no artigo 31 da Lei N° 8.212/91, na sua redação original, vigente no período do débito , uma vez que a contratante não comprovou o recolhimento das contribuições previdenciárias por parte da contratada , incidentes sobre o salário de contribuição dos segurados empregados desta, envolvidos na cessão. Com efeito, conforme consulta ao banco de dados INSS/DATAPREV/CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais, a prestadora no período em questão manteve urna média de 2 a 3 empregados com vinculo formalizado, sendo que durante todo ano de 1993 teve apenas um empregado declarado, e para o ano de 1995 sequer entregou a RAIS — Relação Anual de Informações Sociais. Na consulta efetuada aos dados constantes do Sistema de Arrecadação— MPS/SRP/INSS/DATAPREV numa análise ao menos perfunctória, constatase que os valores recolhidos à previdência social, pela prestadora, são compatíveis com os salários dos trabalhadores declarados na RAIS, sendo que no ano de 1995, com exceção das competências 066 07 que tiveram recolhimentos de pouco mais de duzentos reais, nenhum valor foi recolhido. Conforme consulta ao CNAF —Cadastro Nacional de Ações Fiscais, a prestadora nunca foi fiscalizada pelo INSS. Além dessas consultas, acostamos cópia do contrato entre a prestadora e a notificada, onde se evidencia que pela natureza e dimensão dos serviços a serem prestados, a mão de obra informada na RAIS e as pífias contribuições à Previdência Social, sequer cobririam os segurados necessários a estrutura administrativa da prestadora; 7. Isto Posto, e uma vez que a notificada, da relação comercial que manteve com a prestadora, só nos apresentou, e à fiscalização que nos precedeu, o contrato da • prestação de serviços por cessão de mão de obra e as notas fiscais de serviço emitidas pela prestadora, outra alternativa não restou à falta de outros elementos objetivos ( tais como cópia da folha de pagamento da prestadora, declaração de escrita contábil regular dessa,etc), a não ser aferir o salário de contribuição das segurados envolvidos na cessão, com base nos valores grafados nas Faturas de Serviço emitidas contra a notificada, com fulcro no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei N° 8.212/91; (grfei) 8. O percentual aplicado às faturas de serviço para apuração do Balado de contribuição, é de 12% (doze por cento), como propôs a notificante do lançamento original (item 3 deste relatório) , com base na legislação vigente, Ordem de Serviço INSS/DARE N° 51 de 06.10.92, e Ordem de Serviço DAF N 165 de 11.07.97, uma vez que para a realização dos serviços descritos no contrato entre as partes, tais como, escavação de valas, demolição/remoção de pavimento, substituição de Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 solo/preparação do fundo de valas, construção de poços de visita e aterramento de valas com a devida compactação e remoção de sobras, é inerente a utilização de equipamentos; 9. Serviram de base ao lançamento, os valores já lançados na NFLD tomada nula, o contrato de prestação de serviços, e as Notas Fiscais de Serviços emitidas pela prestadora para a notificada no período do debito. Na competência 07.98, foi lançada somente contribuição relativa aos segurados empregados, uma vez que a prestadora, conforme consulta ao cadastro de contribuintes da Receita Federal (cópia acostada), foi optante do SIMPLES no período de 01.97 a 02.99; 10. Os fundamentos legais que alicerçam a exigibilidade do débito as alíquotas aplicadas, e os seus coresponsáveis , estão elencados nos anexos da NFLD relacionados no IPC— Informações para o Contribuinte, sendo que é facultado a quaisquer dos devedores solidários interpor defesa ao lançamento, na forma e nos prazos ali estabelecidos. No caso de pagamento parcial/total por um dos devedores, o débito se extingue parcial ou totalmente em relação ao outro co devedor, 11. A discriminação das faturas de serviço que embasaram o lançamento, relacionadas por número, competência, obra e valor, constitui o Relatório de Lançamentos, anexo da NFLD; 12. Ressalvadas as hipóteses de suspensão da exigibilidade e extinção do crédito, todos os devedores ficarão impedidos de obter CND — Certidão Negativa de Débito, ou CPDEN— Certidão Positiva de Débito com Efeito de Negativa, procedendose a inclusão destes no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal —CADIN; 13. Atendeu a fiscalização o sr. IVAN LOPES DA SILVA, sóciogerente da notificada, que tornou ciência do débito, do procedimento fiscal, e que ora recebe uma via • da NFLD e seus anexos. Outra via da NELD e seus anexos, está sendo remetida ao endereço residencial do sóciogerente da prestadora, sr. JOÃO RODRIGUES DE SOUZA, uma vez que esta última consta nos cadastros do INSS, como INATIVA desde o ano de 2001, e foram infrutíferas outras tentativas de localizála.As contribuições apuradas resultam de diferenças de contribuições, no período de 02/1995 a 12/1998, inclusive 13 salário. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 10/05/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo tomador do serviços ocorreu no mesmo dia. Já em relação a prestadora de serviços Empresa Casa Nova, a cientificação da NFLD deuse por edital afixado em 29/09/2006 e desafixado em 16/10/2006. Contudo, conforme descrito acima, tratase de NFLD lavrada em substituição a NFLD n. 35.183.7795 de 16.10.2000, uma vez que esta foi tomada NULA por decisão administrativa da 2' Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, consubstanciada no Acórdão N° 1.180 de 23.08.2004, pela falta de fundamento legal do arbitramento. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37306.007225/200666 Acórdão n.º 2401002.914 S2C4T1 Fl. 6 9 DEFESA Inconformado com a NFLD, a notificada N. F. MOTTA CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA — CNPJ n" 56.898.935/000191 apresentou defesa, conforme fls. 114 a 129. Em síntese argumentou a empresa tomadora: 1. Preliminarmente, é indiscutível que, numa eventual apresentação de defesa administrativa por parte da empresa contratada indicada no RF/NFLD, mesmo que por meio de seu sóciogerente (item 13, do RF/NFLD), impõese a cientificação do contribuinte ora manifestante, quanto aos correspondentes termos de tal ato defensivo. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 524 a 527. 2. Inexistência de atos fiscais hábeis. à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade. Existem decisões no âmbito do CRPS no sentido de que: “Ademais, o INSS deve obediência, sobretudo, ao principio constitucional da legalidade, o que não se coaduna com a ausência do procedimentos (normatizados, conhecidos e praticados uniformemente) para evitar a duplicidade de pagamentos em ações fiscais tendo por base a mesma divida, sob o fundamento de responsabilidade solidária.” 3. Portanto, há que ser confirmada, portanto, a existência de débitos na origem, POR MEIO DE VERIFICAÇÕES NA CORRESPONDENTE ESCRITA CONTÁBIL, SEM PREJUÍZO DA OBRIGAÇÃO DO FISCO PREVIDENCIÁRIO DE INVESTIGAR EM SEUS ARQUIVOS SISTEMATIZADOS A HIPÓTESE PREVIDENCIÁRIA DO CONTRIBUINTECONTRATADO, para • que seja validada a cobrança previdenciária junto ao correspondente contribuinte solidário. 4. DE EXTREMA IMPORTÂNCIA, TAMBÉM, JÁ QUE SE TRATA DE EMPRESA SUJEITA ÀS RETENÇÕES DE 11%, NO PERÍODO POSTERIOR À JAN/99, IDENTIFICAR NAS INVOCADAS INVESTIGAÇÕES FISCAIS, A EXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS DE "RESTITUIÇÃO" PROMOVIDOS PELA EMPRESA PRESTADORA, E, QUAL O SEU RESULTADO. AFINAL CASO TENHA OCORRIDO A RESTITUIÇÃO EM FAVOR DE TAL EMPRESA, BE/RA À CONVICÇÃO O DETALHE DE QUE NÃO OSTENTAVA PASSIVOS PREVIDENCIÁRIOS EM SEU DESFAVOR. 5. Devem, pois, ser realizadas diligências, fiscais tanto junto à escrita contábil do prestador, , quanto nos próprios sistemas informatizados da Previdência Social. 6. Na especifica contratação vinculada à esta NFLD, o percentual de 12% aplicado em todos os • volumes faturados e arrolados no relatório de lançamentos desta NFLD. Constatase que por volta de 75% dos serviços prestados são de terraplanagem, e sendo assim, a alíquota deveria ser de 0,4%. Reitera o contribuinte a necessidade de diligências em respeito ao princípio da verdade material. 7. Requereu por fim, a procedência da impugnação. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Foi exarada Decisão Notificação que determinou a procedência parcial do lançamento, 148 a 152. RECURSO VOLUNTÁRIO Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 157 a 179. Em síntese o recorrente traz as mesmas alegações já emanadas na impugnação. a) Inova na indicação de “OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA NAS COMPETÊNCIAS ANTERIORES A MAIO/1996. DA IMPOSSIBILIDADE DE INTERRUPÇÃO DO PRAZO • DECADENCIAL NOS CASOS DE ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO PREVIDENCIÁRIO.” b) Todavia, no caso em tela, o lançamento substitutivo do anteriormente anulado ocorreu em 10/05/2006, produzindo efeitos a partir desta data. Com isso, resta cristalino que este lançamento só pode albergar o período de até 10 anos anteriores, vez que, o período anterior já estaria fulminado pela decadência. Dessa forma, no caso em comento, o direito de a autarquia previdenciária lançar o débito previdenciário está restrito ao período posterior à 05/1996. c) É inevitável o reconhecimento do interesse da empresa contratada de se manifestar nestes autos, pois na eventualidade de o ora defendente optar por adimplir esta NFLD, nascerá o seu direito de regresso em desfavor de tal empresa, justificandose, posa observância à sua ampla defesa neste contencioso administrativo. d) É indiscutível que, numa eventual apresentação de defesa administrativa por parte da empresa contratada indicada no RF/NFLD, mesmo que por meio de seu sóciogerente (item 13, do RF/NFLD), impõese a cientificação do contribuinte ora manifestante, quanto aos correspondentes termos de tal ato defensivo. e) Inexistência de atos fiscais hábeis. à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade. Existem decisões no âmbito do CRPS no sentido de que: “Ademais, o INSS deve obediência, sobretudo, ao principio constitucional da legalidade, o que não se coaduna com a ausência do procedimentos (normatizados, conhecidos e praticados uniformemente) para evitar a duplicidade de pagamentos em ações fiscais tendo por base a mesma divida, sob o fundamento de responsabilidade solidária.” f) Portanto, há que ser confirmada, portanto, a existência de débitos na origem, POR MEIO DE VERIFICAÇÕES NA CORRESPONDENTE ESCRITA CONTÁBIL, SEM PREJUÍZO DA OBRIGAÇÃO DO FISCO PREVIDENCIÁRIO DE INVESTIGAR EM SEUS ARQUIVOS SISTEMATIZADOS A HIPÓTESE PREVIDENCIÁRIA DO CONTRIBUINTECONTRATADO, para • que seja validada a cobrança previdenciária junto ao correspondente contribuinte solidário. g) DE EXTREMA IMPORTÂNCIA, TAMBÉM, JÁ QUE SE TRATA DE EMPRESA SUJEITA ÀS RETENÇÕES DE 11%, NO PERÍODO POSTERIOR À JAN/99, IDENTIFICAR NAS INVOCADAS INVESTIGAÇÕES FISCAIS, A EXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS DE "RESTITUIÇÃO" PROMOVIDOS Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37306.007225/200666 Acórdão n.º 2401002.914 S2C4T1 Fl. 7 11 PELA EMPRESA PRESTADORA, E, QUAL O SEU RESULTADO. AFINAL CASO TENHA OCORRIDO A RESTITUIÇÃO EM FAVOR DE TAL EMPRESA, BE/RA À CONVICÇÃO O DETALHE DE QUE NÃO OSTENTAVA PASSIVOS PREVIDENCIÁRIOS EM SEU DESFAVOR. h) Devem, pois, ser realizadas diligências, fiscais tanto junto à escrita contábil do prestador, , quanto nos próprios sistemas informatizados da Previdência Social. i) Na especifica contratação vinculada à esta NFLD, o percentual de 12% aplicado em todos os • volumes faturados e arrolados no relatório de lançamentos desta NFLD. Constatase que por volta de 75% dos serviços prestados são de terraplanagem, e sendo assim, a alíquota deveria ser de 0,4%. Reitera o contribuinte a necessidade de diligências em respeito ao princípio da verdade material. j) Requer, por fim, o cancelamento da DN combatida além do reconhecimento da improcedência desta NFLD. Mas, mantendo a instância administrativa originária seu posicionamento, ou seja, insistindo em seu erro, e, em sendo processado o presente recurso, que o e. CRPS, ponderando nas razões recursais, reconheça a insubsistência da NFLD, extirpandoa em definitivo do mundo jurídico. A unidade descentralizada da SRP encaminhou o processo a este Conselho para Julgamento, com o oferecimento de contrarazões as fls. 187 a 189, nos seguintes termos: (...) Aditou o recorrente os termos do recurso para aplicação da Súmula Vinculante n. 08 do STF. É o relatório. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Analisando os embargos opostos pelo contribuinte, entendo que o acordão prolatado realmente padece de uma omissão, tendo em vista que procedeu esse colegiado ao julgamento, tendo esta relatora descrito no relatório do voto que o recurso aditivo referiase apenas a aplicação da súmula vinculante n. 08 do STF. Contudo, quando observamos os argumentos descritos na referida peça aditiva, temos que o cerne do embargo, referese a não apreciação da nulidade pela ausência caracterização da cessão de mão de obra. Assim, evidente está a omissão apontada, posto não ter sido apresentado ao colegiado, todas as argumentações trazidas pela recorrente. Entendo, que os documentos trazidos aos autos pelo recorrente deveriam ser, no mínimo submetidos ao colegiado no intuito de que se verifique a pertinência e a oportunidade de sua apreciação. Conforme já descrito no despacho deste embargo, entendo que todos os argumentos trazidos no recurso com pertinência ao lançamento, foram devidamente apreciados, no Acórdão nº 240101.430 de 20 de outubro de 2010. Destacase que o recurso fora protocolado em 22.12.2006. Entretanto, a base dos argumentos não apreciados referese a suposta nulidade pela ausência de caracterização da cessão de mão de obra (objeto desse embargo). Notese que da análise da impugnação e do recurso, não trouxe o recorrente qualquer argumento quanto a dita nulidade, inovando, no termo apresentado em 27/04/2009. Sendo assim, entendo que os argumentos do termo aditivo não merecem ser conhecidos. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido trazidas na peça de defesa e como no presente caso, nem mesmo na peça recursal. Isto posto, acolho os embargos, no sentido de tomar conhecimento das razões apresentadas pelo recorrente em seu termo aditivo, contudo, sem aprecialas, considerando a preclusão do direito do recorrente de apresentálas no momento oportuno. AFASTAR ALEGAÇÃO ACERCA DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL Embora, entenda pela preclusão do direito do recorrente face a inovação dos argumentos trazidos após a apresentação do recurso, apenas para afastar qualquer alegação de inobservância da busca da verdade material, apreciei novamente o relatório fiscal e o próprio contrato, sendo que não vislumbro a nulidade pretendida. O nome atribuído ao contrato já leva a uma interpretação acerca da possibilidade de ter existido cessão de mão de obra, senão vejamos: “CONTRATO PARTICULAR DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE SUB EMPREITADA DE SERVIÇOS Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37306.007225/200666 Acórdão n.º 2401002.914 S2C4T1 Fl. 8 13 DE EXTENSÃO DE REDE COLETORA DE ESGOTO SANITÁRIO, E LIGAÇÕES DOMICILIARES, COM O FORNECIMENTO DE MÃO DE OBRA, MATERIAIS E EQUIPAMENTOS. Acredito que ao apreciar as cláusulas do contrato, podemos concluir tanto tratarse de cessão de mão de obra (art. 31 da lei 8212/91), como interpretálo como empreitada de mão de obra. O que fez o auditor foi interpretar, como se a prestação dos serviços, pelo prazo de 180 dias, com a fiscalização dos mesmos pelo contratante, como uma espécie de cessão, o que entendo não seja uma conclusão equivocada da autoridade fiscal, que procedeu a interpretação e fundamentação devidas. Assim, entendo que mesmo que se apreciasse os argumentos não haveria nulidade a ser declarada. CONCLUSÃO Voto por ACOLHER OS EMBARGOS, para reratificar o acórdão nº 2401 01.430, sem alteração do resultado do julgamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.002904/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. RESGATE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade
de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGENS NÃO COMPROVADAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não
comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos
utilizados em tais operações.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E
DE JUROS DE MORA. Nos casos de lançamento de ofício, o imposto que deixou de ser recolhido deve ser exigido com acréscimo de multa de ofício e de juros de mora, por expressa previsão legal.
Preliminar rejeitada
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.793
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. RESGATE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGENS NÃO COMPROVADAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. Nos casos de lançamento de ofício, o imposto que deixou de ser recolhido deve ser exigido com acréscimo de multa de ofício e de juros de mora, por expressa previsão legal. Preliminar rejeitada Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório FABIO LUIZ ALVES COSTA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SPO II (fls. 277) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 161/172, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 102.204,62, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 215.365,57. As infrações que ensejaram a autuação foram: 1) Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuição de previdência privada e FAPI; 2) Omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários com origens não comprovadas; A descrição dos funtos e fundamentos legais da autuação estão detalhadamente demonstrados no auto de infração e seus anexos. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, preliminarmente, que a autuação não tem embasamento legal suficiente e que está lastreada em meras presunções, sem a devida investigação dos fatos. Acusa a autuação de incorrer em bitributação por não ter compensado o imposto pago pelo Contribuinte. Afirma que depósitos bancários não caracterizam renda e fato gerador do imposto; que não foram demonstrados sinais exteriores de riqueza. Se insurge contra o embaraço fiscal, pois afirma que não é obrigado a apresentar documentos que não possui. Sobre o resgate de providência privada diz que isto não é renda, mas o estorno do valor que foi pago e que, portanto, haveria dupla tributação. Referese ao encargo de 20% instituído pelo DecretoLei n° 1.025/69 que substituiria os honorários advocatícios que deveriam ser suprimidos. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002904/200782 Acórdão n.º 2201001.793 S2C2T1 Fl. 2 3 O Contribuinte insurgese sobre os juros moratórios e compensatórios, e sustenta serem cabíveis apenas os primeiros, no teto máximo de 1% ao mês, reprovando a utilização dos juros como forma indireta de indexação. Insurgese também contra a multa de ofício de 75% que afirma conduzir ao confisco e afrontar a capacidade contributiva. A DRJSÃO PAULO/SPO II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJ ressaltou a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários, que tem amparo no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que institui8 uma presunção legal. Destaca que é a própria lei que define que depósitos bancários com origens não comprovadas caracterizamse como rendimentos omitidos. Destaca que não se trata de confundir depósitos com renda, mas se presumir esta a partir dos depósitos de origens não comprovadas. Sobre a alegação de bitributação diz que, não tendo sido comprovadas as origens dos depósitos bancários, não há como se considerar que os mesmos, ainda que parcialmente, tenha origens nos rendimentos declarados e, portanto, tributados. Quanto à argüição de nulidade do lançamento a DRJ observa que o lançamento atende a todos os requisitos formais definidos pela legislação processual; que o auto de infração descreve os fatos e aponta os fundamentos legais; que após a autuação o Contribuinte teve acesso aos autos e tempo para exercer o contraditório; que, portanto, não identificou vícios que pudessem ensejar a nulidade do lançamento. Relativamente à alegação relativamente ao direito à preservação da intimidade, registra que o acesso dos agentes do Fisco a informações sobre as atividades econômicas e financeiras dos contribuintes tem respaldo legal na Lei Complementar nº 105, de 2001 e que, portanto, não há vício no procedimento fiscal ou no lançamento dele decorrente quanto a este aspecto. Sobre o embaraço fiscal, a DRJ anota que o termo de embaraço foi lavrado com respaldo no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; que a simples alegação de que o Contribuinte não dispunha dos documentos solicitados não afasta o embaraço. Quanto ao mérito, relativamente ao resgate de contribuição previdenciária privada, a DRJ destaca que com o advento da Lei nº 9.250, de 1995 somente o seguros recebidos de entidades de previdência privada, por morte ou invalidez permanente do participante, são isentos de imposto de renda; que, portanto, os argumentos apresentados pelo contribuinte não ilidem a tributação; que a pesquisa de fls. 07v e a constatação fiscal manifestada no item 5 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 166 comprovam a correção do lançamento quanto à incidência e ao valor do imposto; que ao não declarar os rendimentos recebidos, o Contribuinte incorreu em omissão de rendimentos. Finalmente, sobre a multa e os juros de mora, a DRJ destaca, em síntese, que se trata de exigências baseadas em disposições legais expressas às quais os órgãos julgadores administrativos não poderiam negar validade. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 21/12/2010 (fls. 294v) e, em 20/11/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 297/322, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, as arguições quanto à invalidade do lançamento por vício no procedimento e que ensejariam cerceamento do direito de defesa. O Recorrente acusa o lançamento de insuficiência no enquadramento legal que implicaria em cerceamento do direito de defesa. Compulsando os autos, todavia não vislumbro este o qualquer outro vício que pudesse ensejar a nulidade do lançamento, mormente cerceamento do direito de defesa. É fácil perceber que o auto de infração descreve com detalhes as imputações feitas ao Recorrente e indica as previsões legais dessas imputações. Fornece, enfim, todos os elementos de que o Contribuinte precisaria para bem articular suas razões de defesa, como fez. Sobre a alegada impossibilidade de lançamento com base em presunção legal a questão se confunde com o mérito e será examinada como tal. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, são duas as infrações: a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada e a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Sobre a primeira matéria, a incidência do imposto nestes casos está disciplinada no art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995, a saber: Art. 33 Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Assim, a alegação de que o resgate da previdência representa apenas uma recuperação de valor anteriormente pago e, portanto, não implica em acréscimo patrimonial não tem respaldo legal. E não é o caso de se negar validade à lei com base em juízo subjetivo sobre a conveniência e oportunidade da aplicação ou não da lei. Correto, portanto, o lançamento quanto a este aspecto. Sobre a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos cuidase, na espécie, de lançamento com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002904/200782 Acórdão n.º 2201001.793 S2C2T1 Fl. 3 5 Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito Fl. 357DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. Pois bem, o lançamento que ora se examina baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Sobre as origens dos depósitos propriamente ditas o que se verifica é que o Contribuinte sequer se manifestou sobre a questão O que se verifica no caso é que, embora o Contribuinte afirme algumas origens para os depósitos, o faz de forma genérica, apontando possíveis origens, mas sem demonstrar de forma individualizada de onde efetivamente saíram os recursos aportados em suas contas correntes. Para afastar a presunção de omissão de rendimentos, não basta afirmar, por exemplo, como faz o Recorrente, que parte dos depósitos tiveram origem na venda de mel de uma chácara, é preciso identificar com precisão a operação que deu origem aos depósitos, a identificação dos depositantes, etc. O mesmo vale para a alegada atividade de cobrança de títulos. Se como afirma o Contribuinte, exercia essa atividade, não deveria ter dificuldade em demonstrar objetivamente a realização das operações, com a identificação precisa das origens dos depósitos. O mesmo se aplica para as alegadas devoluções de cheques ou a devolução de recursos a uma terceira pessoa. Tratase em todos estes casos de alegadas movimentações financeiras que deveriam de demonstradas de forma individualizada, e não apenas com a referência genérica a sua possível ocorrência. O Contribuinte precisa comprovar, de forma individualizada, Nestas condições, penso que não restaram comprovadas as origens dos depósitos, devendo prevalecer a presunção de omissão de rendimentos. Vale ressaltar também que quando o contribuinte fala em bitributação não deixa claro como se daria essa bitributação, mas sugere que se trataria de recursos que circulariam pelas contas sendo depositado o “mesmo dinheiro” mais de uma vez, seguidamente. Ocorre que, ainda que tal ocorra, caberia ao Contribuinte comproválo. É dizer, a movimentação financeira, realizada da forma que for, deve ser comprovada, com a indicação das origens dos depósitos, para que se possa afastar a presunção de omissão de rendimentos. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002904/200782 Acórdão n.º 2201001.793 S2C2T1 Fl. 4 7 Não comprovadas as origens resta caracterizada a omissão de rendimentos, por presunção legal. Finalmente sobre a multa de ofício e os juros de mora, tratase de exigências baseadas em dispositivos legais que expressamente estabelecem a incidência desses encargos, e os órgãos julgadores administrativos não são competentes para afastar essas normas sob o fundamento de eventual afronta a norma ou princípio constitucional. Correto, portanto, o lançamento também quanto a este aspecto. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10510.720156/2007-99
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10,165, de 28/12/2000. Tratando-se de reserva legal, deve ser verificada a averbação no órgão de registro competente e a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores.Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-001.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández (relator) e Julianna Bandeira Toscano que davam provimento parcial. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Dayse Fernandes Leite.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Redator designado
EDITADO EM: 31/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Tratandose de reserva legal, deve ser verificada a averbação no órgão de registro competente e a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores.Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández (relator) e Julianna Bandeira Toscano que davam provimento parcial. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Dayse Fernandes Leite. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 01 56 /2 00 7- 99 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Dayse Fernandes Leite – Redator designado EDITADO EM: 31/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório A Recorrente recebeu a Notificação de Lançamento de fls. 02/11, por meio do qual se exige o pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, no valor de R$ 62.184,32 ano base 2003, decorrente da não comprovação da isenção de área de preservação permanente e área de utilização limitada. Pela ausência de pagamento, foi aplicada multa de ofício e respectivos juros de mora. Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 141/151 acompanhada dos documentos de fls. 152/214. Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente em parte para alterar a área total originariamente declarada de 891,1 ha, de modo a adequar a exigência a realidade fática do imóvel, de 868,1 ha, considerada essa alteração apenas para efeitos cadastrais, por não implicar em alteração do grau de utilização do imóvel, que permanecerá "zerado", com a aplicação da mesma alíquota de cálculo máxima (4,7%), além de não justificar uma possível alteração do VTN declarado, que deverá permanecer o mesmo. Ademais, foi mantida a glosa integral procedida pela fiscalização pela incidência do ITR, sobre a área de preservação permanente de 20,0 ha e a área de utilização limitada/reserva legal de 871,1 ha. Quanto à primeira, por falta de averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e a outra pela falta de informação de tais áreas, tanto a de preservação permanente quanto à de utilização limitada, no do ADA — Ato Declaratório Ambiental, protocolado tempestivamente junto ao MAMA. Nas razões de Voluntário, a Recorrente argumenta a não existência de qualquer determinação legal vigente à época do fato gerador do ITR/2003 (01/01/2003), que exigisse do contribuinte, para fins de exclusão da incidência do ITR sobre áreas de reserva legal e de preservação permanente, a anterior apresentação do ADA ao IBAMA e a averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel no Cartório de Registro Imobiliário, bastando para tanto efetuar a declaração de tais circunstancias, ficando sujeito ao imposto e suas penalidades caso posteriormente restasse comprovado pela RFB que tais informações não eram verdadeiras. Juntou ainda documento emitido pelo Ibama, no sentido de que a Fazenda Fonte Escondida encontrase com a maior parte de sua Área inserida dentro do Parque Nacional Serra de Itabaiana (fls. 368) Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10510.720156/200799 Acórdão n.º 2802001.513 S2TE02 Fl. 3 3 Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Passo à análise do argüido em sede recursal. O cerne do litígio versa sobre a interpretação a ser dada à legislação de regência a respeito do cumprimento das duas exigências para fins de acatar a exclusão das áreas ambientais declaradas da base de cálculo do ITR, quais sejam, a área de preservação permanente de 20,0 ha e a área de utilização limitada/reserva legal de 871,1 ha. A primeira consiste na averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e a outra seria a informação de tais áreas, tanto a de preservação permanente quanto a de utilização limitada, em ADA — Ato Declaratório Ambiental, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA. De acordo com a decisão recorrida: (...) averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente , de caráter especifico, encontrase prevista, originariamente, na Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei n° 7.803/1.989, e foi mantida nas alterações posteriores. Desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei n.° 9.393/1.996, aplicada ao exercício em questão, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal à efetivação da averbação. Tanto é verdade que tal obrigação foi expressamente inserida no art. 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF n.° 43/1997, com redação do art. 1º, inciso II, da IN/SRF n° 67/1997, ratificada nas Instruções Normativas aplicadas ao ITR de exercícios posteriores. Por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, enquanto o art. 1°, caput, da Lei n°. 9.393/1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1° de janeiro de cada ano. (...) Do exame da cópia da certidão de matricula do imóvel n° 9.414 (fls. 241), constase que a área de reserva legal de 868,14 ha foi averbada apenas em 10.11.2006, sendo tal providência, portanto, intempestiva para o exercício em questão, não cabendo a referida área ser excluída da tributação do ITR do exercício de 2003. (...) Além de não cumprida, em tempo hábil, essa exigência especifica, há que se falar ainda de uma segunda exigência, de caráter genérico, aplicada a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico Fl. 380DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 ou de Reserva Legal), e que diz respeito à necessidade de reconhecimento de tais áreas como de interesse ambiental, por intermédio do Ato Declaratório Ambiental — ADA, emitido pelo IBAMA ou, pelo menos, de protocolização tempestiva da sua solicitação. Essa exigência, que advém desde o ITR/1997 (art. 10, § 4°, da IN/SRF n° 043/1997, com redação dada pelo art. 1° da IN/SRF n° 67/1997), para o exercício de 2004, encontrase prevista na IN/SRF n° 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e subseqüentes), no Decreto n° 4.382/2002 — RITR (art. 10, § 3°, inciso I), tendo como fundamento o art. 170 da Lei n° 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1°, cuja atual redação foi dada pelo art. 10 da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000 (...) Portanto, resta demonstrado que a obrigatoriedade da exigência do Ato Declaratório Ambiental — ADA encontrase disposta por meio de dispositivo contido em lei, qual seja, o art. 170 da Lei n° 6.938/1981 e em especial o caput e parágrafo 1°, cuja atual redação foi dada pelo art. 10 da Lei n° 10.165/2000. Por se tratar de duas situações específicas e submetidas a distintos regimes jurídicos, passo a analisar, e, primeiro lugar, a exigência averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. O § 8º do artigo 16 da lei n. 4.771/65 (Código Florestal), com as alterações promovidas pela Medida Provisória n.º 2.16667, de 2001 é expresso no sentido de que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Por sua vez, o § 1º, inciso II, alínea “a” do artigo 10 da lei n. 9.393/96, ao definir a base de cálculo do ITR, remete expressamente à lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (e alterações), para fins de reconhecimento da base de cálculo do imposto, do que se presume que a área de reserva legal, por se tratar de limites mínimos de conservação previstos em lei (art. 16 e incisos da lei n. 4.771/65), somente opera efeitos redutores do critério quantitativo do ITR, se e somente se averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel à época da ocorrência do fato jurídico tributário. Logo, é de se concluir, nos termos da legislação de regência, que a prova da averbação da área de reserva legal não é pressuposto para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, dada a submissão ao regime jurídico do lançamento por homologação a que o ITR se submete. Entretanto, é pressuposto para fins de reconhecimento do benefício legal, ou melhor, a lei exige a determinação prévia da averbação e não da prévia comprovação para fins de fruição da redução da base de cálculo. Nesse sentido, Resp nº 1.027.051, 2ª Turma do STJ, a seguir: (...) 1. A controvérsia sob análise versa sobre a (im)prescindibilidade da averbação da reserva legal para fins de gozo da isenção fiscal prevista no art. 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 2. O único bônus individual resultante da imposição da reserva legal ao contribuinte é a isenção no ITR. Ao mesmo tempo, a averbação da reserva funciona como garantia do meio ambiente. 3. Desta forma, a imposição da averbação para fins de concessão do benefício fiscal deve funcionar a favor do meio Fl. 381DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10510.720156/200799 Acórdão n.º 2802001.513 S2TE02 Fl. 4 5 ambiente, ou seja, como mecanismo de incentivo à averbação e, via transversa, impedimento à degradação ambiental. Em outras palavras: condicionando a isenção à averbação atingirseia o escopo fundamental dos arts. 16, § 2º, do Código Florestal e 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 4. Esta linha de argumentação é corroborada pelo que determina o art. 111 do Código Tributário Nacional CTN (interpretação restritiva da outorga de isenção), em especial pelo fato de que o ITR, como imposto sujeito a lançamento por homologação, e em razão da parca arrecadação que proporciona (como se sabe, os valores referentes a todo o ITR arrecadado é substancialmente menor ao que o Município de São Paulo arrecada, por exemplo, a título de IPTU), vê a efetividade da fiscalização no combate da fraude tributária reduzida. 5. Apenas a determinação prévia da averbação (e não da prévia comprovação, friso e repito) seria útil aos fins da lei tributária e da lei ambiental. Caso contrário, a União e os Municípios não terão condições de bem auditar a declaração dos contribuintes e, indiretamente, de promover a preservação ambiental. 6. A redação do § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96 é inservível para afastar tais premissas, porque, tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta a prova da sua glosa no imposto de renda, por exemplo, junto com a declaração anual de ajuste, o contribuinte que alega ter tido despesas médicas, na entrega da declaração, não precisa juntar comprovante de despesa. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. 7. A prova da averbação da reserva legal é dispensada no momento da declaração tributária, mas não a existência da averbação em si. 8. Mais um argumento de reforço neste sentido: suponhase uma situação em que o contribuinte declare a existência de uma reserva legal que, em verdade, não existe (hipótese de área tributável declarada a menor); na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização, o que, a seu turno, dá origem a um lançamento de ofício (art. 14 da Lei n. 9.393/96). Qual será, neste caso, o objeto de exame por parte da Administração tributária? Obviamente será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal à época do períodobase, o tributo será lançado sobre toda a área do imóvel (admitindo inexistirem outros descontos legais). Perguntase: a mudança da modalidade de lançamento é suficiente para alterar os requisitos da isenção? Lógico que não. E se não é assim, em qualquer caso, será preciso a preexistência da averbação da reserva no registro. 9. É de afastar, ainda, argumento no sentido de que a averbação é ato meramente declaratório, e não constitutivo, da reserva legal. Sem dúvida, é assim: a existência da reserva legal não depende da averbação para os fins do Código Florestal e da Fl. 382DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 legislação ambiental. Mas isto nada tem a ver com o sistema tributário nacional. Para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. É de se ressaltar, contudo, que o entendimento acima conflita com acórdãos da 2ª Turma do STJ (ver REsp 969091/SC), a ensejar a admissão de embargos de divergência no Resp nº 1.027.051/SC, que atualmente se encontra aguardando julgamento pelo STJ. Situação diversa é o da exigência prévia de ADA – Ato Declaratório Ambiental para fins de reconhecimento da área de reserva legal e de preservação permanente. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido da desnecessidade de exigência de ADA para fins de reconhecimento da isenção parcial prevista em lei: Nos termos das decisões da 1ª Seção do STJ, a Medida Provisória no 2.166 67/2001, ao inserir o § 7 o ao artigo 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, dispensou a exigência prévia de ADA para fins de reconhecimento da isenção parcial do ITR, prevista na lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que inseriu o § 1o ao artigo 17O a lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, inclusive com efeitos retroativos a exercícios anteriores, dado o disposto no artigo 106, I do CTN: 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural – ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. (REsp 1.125.632/PR, Primeira Turma, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe 31/8/09) Como bem observado pela decisão recorrida, decorre do exame da cópia da certidão de matricula do imóvel n° 9.414 (fls. 241), que a área de reserva legal de 868,14 ha foi averbada apenas em 10.11.2006, sendo tal providência, portanto, intempestiva para o exercício glosado, de sorte a não permitir a sua exclusão da base de cálculo do ITR para o exercício de 2003. Melhor sorte assiste a área de preservação permanente, cujo reconhecimento para fins de isenção independe da prévia existência de ADA, nos termos da já citada jurisprudência do STJ. Diante da exaustiva discussão sobre o tema perante o Poder Judiciário e em face da jurisprudência reiterada do STJ sobre o tema, é de se admitir a exclusão da base de Fl. 383DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10510.720156/200799 Acórdão n.º 2802001.513 S2TE02 Fl. 5 7 cálculo da área de preservação permanente (20,0 ha) e a não exclusão da área de reserva legal (871,1 ha), pela ausência de prévia averbação à margem da matrícula do imóvel. Posto isso, conheço e dou parcial provimento ao recurso voluntário apenas para admitir a exclusão da base de cálculo da área de preservação permanente (20,0 ha). É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheira Dayse Fernandes Leite, Redator designado. Com o máximo respeito ao bem articulado voto do Conselheiro Relator, permito me dele dissentir, exclusivamente, quanto à exclusão da base de cálculo da área de preservação permanente (20,0 ha).para o imóvel em questão, pelas razões explicitadas neste voto. Área de preservação permanente Entendese que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Dispõe o art. 17 0, daquela Lei, "in verbis": " Art. 17O . Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria. (NR) “ § 1º A . A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA” (AC) “ § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) “. Por sua vez o Decreto nº. 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR em seu artigo 10, assim dispõe: Seção II Da Área Tributável Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº. 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): Fl. 384DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 I de preservação permanente (Lei nº. 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3, com a redação dada pela Lei nº. 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1); II de reserva legal (Lei nº. 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº. 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº. 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº. 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº. 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº. 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº. 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II, alínea "b"); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei nº. 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II, alínea "c"). § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº. 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº. 6.938, de 1981, art. 17O, § 5, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº. 10.165, de 2000). Fl. 385DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10510.720156/200799 Acórdão n.º 2802001.513 S2TE02 Fl. 6 9 Portanto, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal/utilização limitada, interesse ecológico e etc., a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida). Assim também, nos termos do art. 10, § 4º da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997 e, para o exercício em questão, encontra se prevista na IN/SRF nº. 256/2002, no Decreto nº. 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei 6.938/1981, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000, acima transcrito, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Para o exercício de 2004, o prazo se expirou em 30/09/2004, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR. Uma vez que a apresentação do ADA foi intempestiva e, no caso de área de preservação permanente, é documento fundamental para gozo da isenção, não vejo como se afastar a regra de exigência. Esse entendimento foi confirmado pela CSRF, entre outros, nos acórdãos nº. 9202001.909 , de 29 de novembro de 2011, Relator Conselheiro Marcelo Oliveira e nº 9202 00.987, de 17/08/2010, Relator Júlio César Vieira Gomes. Desta forma, meu voto é NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 13/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19839.006563/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 65 63 /2 00 8- 42 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19839.006563/200842 Acórdão n.º 2302002.350 S2C3T2 Fl. 257 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 18/11/2003, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 05/12/2003, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/1999 a 12/2002, todos os valores pagos ao segurados contribuintes individuais apurados nos livros Razão, na conta “Honorários Advocatícios”, e diferenças apuradas nas folhas de pagamento, conforme planilhas de fls. 05/11. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência, dizendo que entre as contribuições não declaradas em GFIP encontramse parte das que integram os lançamentos consubstanciados em NFLD’s lavradas na mesma ação fiscal e também objetos de diligências e que fosse informada qual a alíquota do SAT era devida na apuração da multa, já que o fisco informou 1% e a empresa informava em GFIP 2%; para esclarecer o motivo das divergências entre os recolhimentos efetuados pela autuada e os que foram apropriados no débito, para determinar a contribuição devida em cada rubrica e para se pronunciar quanto ao valor mínimo que embasou o cálculo da multa. Informação fiscal de fls. 80/89, diz que o valor mínimo para o cálculo da multa foi utilizado erroneamente e que em vista das divergências das alíquotas aplicadas e valores lançados, sugere a nulidade do Auto de Infração e das Notificações. Foi emitido Despacho Decisório de Retificação para excluir do Auto de Infração a multa referente às contribuições não declaradas e relativas às folhas de pagamento, por iliquidez e incerteza dos valores lançados e, quanto à parte referente à remuneração dos contribuintes individuais, “Honorários Advocatícios”, o erro apontado está no valor da multa, já que o valor limite foi calculado com base na PT n.º MPS 525, de 29/02/2002, R$ 827,86, quando já estava em vigor a PT MPS n.º 727, de 30/05/2003, onde o valor base para a autuação era de R$ 991,03. Assim, o Auto de Infração foi retificado para excluir parte da multa aplicada e recalcular a multa remanescente com base no valor vigente à época da autuação. A autuada foi cientificada do DespachoDecisório, aditou a impugnação e DecisãoNotificação de fls. 137/146, julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) o desrespeito ao artigo 142, do Código Tributário Nacional porque a multa aplicada não pode ser alterada; b) que a multa deve ser a vigente à época dos fatos geradores; Fl. 258DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 c) que a aplicação da multa assim como se deu fere o artigo 150,III, “a” da Constituição Federal, porque não pode haver cobrança de tributos antes da vigência da lei; d) o crédito tributário é ilíquido, incerto e o lançamento não pode ser alterado, havendo engano, deve ser anulado. Requer o acolhimento do recurso para declarar a inexigibilidade do crédito tributário por ser ilíquido e incerto. É o relatório. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19839.006563/200842 Acórdão n.º 2302002.350 S2C3T2 Fl. 258 5 Voto ConselheiraRelatora Liege Lacroix Thomasi O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente a tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Referese este auto de infração, após a retificação, ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, cujos pagamentos constavam da contabilidade da recorrente. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais a título de “Honorários Advocatícios”, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida, à época da autuação, no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fl. 260DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Conforme previsto no parágrafo 2º, do artigo 284, acima citado, o valor mínimo no qual se baseava a multa, era o vigente à época da lavratura do auto de infração, devendo, ainda, ser considerado o disposto pelo artigo 373, do mesmo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99 onde está explícito que os valores Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 19839.006563/200842 Acórdão n.º 2302002.350 S2C3T2 Fl. 259 7 expressos no Regulamento são reajustados nas mesmas épocas e índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portanto, quando da lavratura do auto de infração em 18/11/2003, vigia a PT MPS n.º 727, de 30/05/2003, e o valor mínimo a basear a multa aplicada era de R$ 991,03. Quanto à existência de NFLD onde está lançada a obrigação principal, de nada impede a procedência da presente autuação, porque restou demonstrado nos autos que a recorrente descumpriu obrigação acessória exposta em lei, ou seja, não informou em GFIP os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, conforme registrado em sua contabilidade. Ademais, a recorrente não se insurge quanto ao mérito da autuação, restringindose a atacar a multa aplicada. Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, com exceção das matérias que podem ser conhecidas independentemente de impugnação, como a decadência. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13116.000966/2004-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A
averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.346
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira que davam provimento. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 383 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Agropecuária Friboi Ltda. (atualmente denominada J&F Participações S.A.), CNPJ n° 00.350.763/000162, foi lavrado o auto de infração de fls. 0208, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2000, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de pastagens e, ainda, pela alteração do VTN, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Larga da Macaúba – Gleba A, situado no município de Posse (GO). Embora não tenha ocorrido alteração com relação à área de utilização limitada (pois o contribuinte não informou nada a esse título na DITR), a autoridade lançadora afirmou o seguinte (fls. 06): Falta de recolhimento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício de 2000, apurado após a alteração da declaração do contribuinte, conforme art. 14 da Lei 9393/96, por não terem sido comprovadas as informações nela contida, com respeito aos itens abaixo: (...) Área de utilização limitada: Não apresentação de documentação probatória da reserva em cartório de registro de imóveis, à margem da matrícula do imóvel, conforme art. 10, § l°, inciso II, letra 'a' da Lei 9393/96, e art. 16, §2° da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. 1° da Lei 7803/89), em data anterior à do fato gerador do ITR (01/01/2000), conforme art. 12 § 1° do Decreto 4.382/02, sendo desconsiderado o valor declarado; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 384 3 A ação fiscal teve início em 12/04/2004 (fls. 19), sendo que o contribuinte promoveu a averbação da área de reserva legal de 456,2963 hectares, onde está incluída uma área de preservação permanente de 26,3400 hectares, em 28/02/2000 (fls. 4748). A área de preservação permanente informada na DITR/2000 foi reduzida de 964,6 ha para 0,0 ha (fls. 02). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) considerou o lançamento procedente em parte (fls. 170189). Por sua vez, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 320100.023, que se encontra às fls. 303316, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO OBRIGATÓRIA DO ADA. A comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para efeito de sua exclusão da base de cálculo de ITR, não depende do seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR. RECURSO DE VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer 456,29 ha como área de reserva legal, vencidos os Conselheiros Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negaram provimento. Intimada do acórdão em 05/10/2009 (fls. 317), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à lei (fls. 321332), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Em síntese, o Acórdão ora recorrido, ao julgar o Recurso Voluntário do Contribuinte (fls. 197 a 204), dispensou como requisito para o gozo da isenção de ITR sobre área de reserva legal, a averbação na matrícula do imóvel em data anterior a do fato gerador; b) Da análise das alegações e da documentação radicada aos autos, com a finalidade de justificar as áreas reserva legal, resulta a constatação do Fl. 397DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 385 4 descumprimento pelo contribuinte da exigência da averbação tempestiva das respectivas áreas junto ao registro de imóveis; c) A Lei n° 9.393/96 prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR no artigo 10, inciso II. Considerando que esta regra trata da concessão de benefício fiscal, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o artigo 111 do CTN; d) No caso dos autos, constatase que as áreas declaradas de reserva legal não foram averbadas no Registro de Imóveis em data anterior à ocorrência do fato gerador, consoante determina a legislação; e) A Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, disciplinou o instituto da reserva legal e consagrou a exigência de sua averbação ou registro à margem da inscrição da matrícula do imóvel, vedada "a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área" (Art. 16 § 2°); f) Assim como acontece com as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal foram instituídas com a finalidade de atender aos princípios da função social da propriedade e da proteção ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; g) À luz desses princípios, o Código Florestal vem sofrendo, desde a sua edição, inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a dificuldade dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos setores interessados na questão, principalmente porque há uma preocupação constante de todos os setores em se preservar as áreas de interesse ambiental, criando, para tanto, instrumentos legais; h) Exatamente por isso, a fim de flexibilizar as exigências legais relativas às áreas de reserva legal e atender aos anseios do setor produtivo rural, assim como delimitar a função da reserva legal como verdadeira área de conservação da biodiversidade, é que a averbação à margem da matrícula do imóvel se fez necessária; i) Inconteste que a finalidade da averbação da reserva legal na matrícula do imóvel é a de lhe dar publicidade, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações. Mais ainda, visa a imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público; j) Uma vez definidos pela lei a área de reserva legal, os limites para sua exploração, e, finalmente, a obrigatoriedade de se averbar à margem da matrícula do imóvel, o legislador, buscando contrabalançar os interesses de toda a sociedade, permitiu que os proprietários de tais áreas, em contrapartida a tantas obrigações, tivessem algum tipo de benefício; k) Tal benefício é exatamente a possibilidade de exclusão, da incidência do ITR, das áreas caracterizadas como de reserva legal; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 386 5 l) É preciso ponderar que a necessidade do reconhecimento prévio do Poder Público, além de decorrer do comando legal segundo o qual o lançamento se reporta à data do fato gerador, objetiva assegurar a adequada aplicação do fim da norma, cerceando a ocorrência de fraudes e abusos, tanto mais que possibilita o seu controle, a um só tempo, pela sociedade e o Estado, dada a publicidade que decorre das exigências analisadas; m) Portanto, pela ausência de averbação tempestiva, haja vista que o lançamento se refere ao ITR decorrente de fato gerador ocorrido em 1° de janeiro de 2000 e a averbação ocorreu, apenas, em 28 de fevereiro de 2000 (fls. 17), merece ser reformada a decisão recorrida; n) Requer seja conhecido e provido o recurso, a fim de reformar o v. acórdão ora recorrido, restaurandose a r. decisão de primeira instância administrativa nos pontos aqui debatidos. Admitido o recurso através do despacho n° 21000141/2009 (fls. 339340), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 349 355, defendendo, basicamente, a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 387 6 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, para considerar 456,29 hectares como área de utilização limitada. A recorrente insurgiuse contra a exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal, suscitando que só faz jus a este benefício o contribuinte que tiver promovido a respectiva averbação à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não ocorre no caso em tela. Eis a matéria em litígio. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal vigente ao tempo dos fatos em apreço (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 388 7 Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e Fl. 401DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 389 8 V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as Fl. 402DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 390 9 mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância deve ser confirmada, pois o contribuinte atendeu a todas as exigências legais, na medida em que, embora após a ocorrência do fato gerador, que se deu em 01/01/2000, promoveu a averbação de área de utilização limitada de 456,2963 hectares em 28/02/2000 (fls. 4748). Sob minha ótica, a averbação da área de utilização limitada pode se dar em momento posterior à ocorrência do fato gerador. Conforme asseverou o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso voluntário n° 342.455, “...havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou termos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, não me parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 13116.000966/200423 Acórdão n.º 920202.346 CSRFT2 Fl. 391 10 Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.” Nesse sentido, ainda, trago à colação a ementa do seguinte julgado proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ITR. ISENÇÃO. LEI Nº 9.393/96. AVERBAÇÃO PRÉVIA DA RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965." (REsp nº 1.060.886/PR, Relator Ministro Luiz Fux, in DJe 18/12/2009). 2. Agravo regimental improvido. (STJ, Primeira Turma, AgRg no REsp n° 1.157.239/DF, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, DJE de 04/06/2010) Considerando a averbação da área de reserva legal de 456,2963 hectares, ainda que em momento posterior à ocorrência do fato gerador, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 10850.000004/2001-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:1995
IRPJ.CSLL. SALDO NEGATIVO. PROVA. OFERECIMENTO DE
RECEITAS FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO.
Constatada através de diligência que determinada receita escriturada foi oferecida à tributação desaparece a prejudicial ligada ao não aproveitamento dos IRRF vinculado a essa receita.
COMPENSAÇÃO. SALDOS PERÍODOS ANTERIORES. DUPLICIDADE.
É incabível o aproveitamento de parcelas de créditos de períodos anteriores já utilizados em outros processos.
Numero da decisão: 1401-000.688
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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SALDO NEGATIVO. PROVA. OFERECIMENTO DE RECEITAS FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO. Constatada através de diligência que determinada receita escriturada foi oferecida à tributação desaparece a prejudicial ligada ao não aproveitamento dos IRRF vinculado a essa receita. COMPENSAÇÃO. SALDOS PERÍODOS ANTERIORES. DUPLICIDADE. É incabível o aproveitamento de parcelas de créditos de períodos anteriores já utilizados em outros processos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 266 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 10.030, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em 26/12/2000 a interessada aviou pedido de restituição do valor de R$ 171.370,13 ao motivo de pagamento a maior de Imposto de RendaPessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos ao anocalendário de 1995, o qual se fez acompanhado de cópia da declaração de rendimentos (DIRPJ) apresentada em 30/04/98 e que dá pela apuração do lucro real anual, como também de cópia de comprovantes de rendimentos e retenções de imposto na fonte emitidos por Sucocítrico Cutrale Ltda. e Banco Bamerindus do Brasil S/A. Em maio de 2003 a Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto iniciou procedimento de diligência fiscal para fins de comprovação da certeza e liquidez dos créditos pretendidos, intimando a peticionária à apresentação de livros comerciais e fiscais, notas fiscais de prestação de serviços, balanços ou balancetes mensais e demonstração de resultado do exercício, fl. 83, vindo aos autos os documentos de fls. fls. 92/119. Adveio o despacho decisório de fls. 138/140 indeferindo o pedido da contribuinte ao fundamento, em síntese, que a diligência fiscal realizada em março de 2005, fls. 132/136, mostra o fato da contribuinte ter declarado receita a menor, na ordem de R$ 406.005,79, como também, que o valor do imposto de renda retido pelas fontes indicado na DIRPJ, na importância de R$ 158.935,90, é superior aos R$ 17.227,09 encontrados pelo Fisco e, ainda, que não se comprovou a quantia de R$ 10.284,72 declarada a título de imposto devido com base na receita bruta ou derivado de balanço de suspensão ou redução, ambas constantes na ficha 08 da DIRPJ à fl. 63. Em decorrência, apresenta quadro de recomposição dos valores, com os ajustes relatados, donde conclui que a contribuinte passa a condição inversa, qual seja, com imposto de renda e contribuição social a serem complementados. Fundamentou, ainda, com relação à escrituração, que houve desrespeito à legislação já que o livro LALUR não demonstra as adições e exclusões, não contém os registros da parte “B” e encontrase sem as assinaturas do representante legal da empresa e do contador. Quanto ao livro Diário, que só foi registrado em Cartório em 14/01/1998, contrariando as determinações da Instrução Normativa SRF nº 16, de 1984, que limita o prazo destes registros até a data fixada para entrega da Fl. 266DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 267 3 declaração, com a agravante de encontrarse desprovido da assinatura do representante legal da empresa. Cientificada dessa decisão, (..)a interessada argumenta, em síntese, que a constatação fiscal de falta de registro de receita apresenta erro de cálculo, pois não seriam os R$ 406.005,79 imputados na medida em que o Fisco apurou receita total na ordem de R$ 1.654.862,74 e a ficha nº 03 da DIRPJ indica R$ 1.243.338,64 sendo a diferença, então, de R$ 411.524,10. Todavia a diferença real entre as notas fiscais e o balanço é de R$ 415.647,80 e se refere às notas fiscais nºs. 182 a 190 do estabelecimento matriz e notas fiscais nºs. 200 a 208 do estabelecimento filial que, embora emitidas no mês de janeiro de 1995 foram escrituradas no ano de 1994, como receitas a realizar, conforme cópias do livro Diário nº 04 ora juntadas, assim procedendo porque as despesas relativas a estas receitas foram contabilizadas no ano de 1994. Frisa que o evento não pode impedir a restituição, pois, caso contrário, terá que ser refeita a contabilidade para apurar um valor maior a restituir no ano de 1994, embora menor no ano de 1995, o que é prejudicial ao Erário em face de maior atualização monetária a ser restituída. Quanto ao imposto de renda retido na fonte reconhece ser equivocada a cifra declarada (R$ 158.935,90), entendendo ser correta a importância indicada pelo Fisco, na ordem de R$ 17.227,09. Relativamente à dedução do valor de R$ 10.284,72, feito constar na linha destinada ao imposto pago com base na receita bruta diz, textualmente, que referese ao saldo acumulado de conta corrente de tributos a recuperar de nos anteriores, com base em recolhimentos feitos nos anos de 1993 e 1994, acrescidos da devida atualização monetária, conforme se vê dos balancetes juntados aos autos. Após insurgirse contra o demonstrativo fiscal que expressou situação de dívida para com os cofres públicos, ora por erros de cálculo, que diminuiria o valor do débito, ora pela necessidade de se levar em conta a antecipação de receitas, que restabeleceria sua condição de credora, argüi que não fez mensalmente a escrituração da parte “B” do livro LALUR porque desnecessária e quanto à sua parte “A” foi devidamente assinada pelo sócio da empresa e pelo contador nesta oportunidade, conforme cópia juntada, óbice superável porque a IN/SRF nº 28, de 1978, dispensa o registro e autenticação deste livro por órgão oficial, e no tocante ao livro Diário, de ver que em face da retificação da declaração do IRPJ o livro Diário também foi refeito, de sorte que não poderia ter sido registrado até a data fixada para entrega daquela, em 30/04/1996, importando que isso se deu anteriormente ao pedido de restituição, como também, que não há norma impeditiva da repetição quando constatado o registro extemporâneo deste livro no órgão próprio, sendo de observar, mais, que embora nele não Fl. 267DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 268 4 conste a assinatura do representante legal da empresa há assinatura do contador, profissional que responde pelas informações ali prestadas, a par da dispensabilidade do requisito, tanto que o Cartório fez o registro. Por fim, requereu que as novas intimações se operem no endereço profissional do procurador. Em decisão de fls. 137 a 142, a DRJRibeirão PretoSP, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa que se transcreve: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: A restituição de parcelas do imposto de renda retidas mensalmente por fontes pagadoras, em face de apontada apuração anual de base de cálculo (lucro) menor que aquelas tomadas para os recolhimentos, reclama contabilidade regular, de sorte a restar sobejamente comprovada realidade econômica diversa daquelas anteriormente tomadas em conta e que possa, como efeito, transmudar a receita pública na situação de indébito fiscal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1995 Ementa: A restituição de parcelas da contribuição social sobre o lucro, em face de apontada apuração anual de base de cálculo (lucro) menor que aquelas tomadas para as antecipações, reclama contabilidade regular, de sorte a restar sobejamente comprovada realidade econômica diversa daquelas anteriormente tomadas em conta e que possa, como efeito, transmudar a receita pública na situação de indébito fiscal.. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada, às fls. 231 a 237, interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, reafirmando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento o seguinte: em relação ao fato de ter apresentado DIRPJ pelo lucro real em branco, em 29/04/96 e a retificadora em 30/04/1998 (fl. 134), entende que “o registro é apenas informativo, mera curiosidade que não muda em nada seu direito de restituição”. Aduz ainda que a IN 166/99 afirma textualmente que a entrega da declaração retificadora substitui por completo a original e tem a mesma natureza da substituída; a diferença apontada pelo autuante no valor de R$ 406.005,79 está equivocada (erro de cálculo). Isto porque deduzindose do valor das notas fiscais emitidas pela empresa o valor informado na DIRPJ, ficha 03, linha 07, o valor da divergência é de R$ 411.524,10 (R$ 1.654.862,74 – R$ 1.243.338,64). No entanto, a diferença real entre as notas fiscais de prestação de serviço e o balanço é de R$ 415.647,80. Este valor referese às notas fiscais de prestação de serviços de n. 182 a 190, referente ao CNPJ 65.707.960/000131 (matriz) e notas fiscais de prestação de serviços de n. 200 a 208, relativas ao CNPJ 65.707.960/000212 (filial). Embora tais notas tenham sido emitidas no mês de janeiro de Fl. 268DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 269 5 1995, elas foram escrituradas no Diário nº 4 relativo ao anocalendário de 1994, às fls. 241 e 245, como receitas a realizar e oferecidas à tributação naquele ano de 2004, conforme se vê das cópias do livro ora juntadas (fls. 235 e seguintes); tal procedimento ocorreu porque os valores referentes às notas fiscais referemse a reembolso de encargos trabalhistas e previdenciários, bem como ao PIS, Cofins, ISS, Sindical e outros tributos, referentes ao mês de dezembro de 1994, tendo em vista o regime de competência. A receita foi antecipada porque as despesas correlatas foram lançadas no anobase de 1994. De outra forma, produziria um prejuízo fiscal artificial naquele ano, o que não corresponderia à realidade. Dessa forma, a diferença apontada não pode ser medida impeditiva da restituição nem muito menos obrigar o contribuinte a refazer sua contabilidade para obter um valor maior a restituir no anobase de 1994 e um valor menor no anobase de 1995, o que seria prejudicial ao Erário; quanto ao valor informado na Ficha 08, linha 14, admite que equivocouse, pois se refere ao “saldo acumulado” dos anos anteriores a restituir e não apenas ao ano de 1995, que é de R$ 17.227,09; Em relação à alegada não comprovação do valor informado na Ficha 9, Linha 15 (R$ 10.284,72), esclarece que se trata do saldo acumulado de conta corrente de tributos a recuperar de anos anteriores, com base em recolhimentos feitos nos anos de 1993 e 1994, acrescidos da devida atualização monetária, conforme se nota pelos balancetes juntados aos autos; o demonstrativo de fls. 139 (Despacho decisório) em que se recompõe a apuração do IRPJ e CSLL está equivocado: a uma, porque há erro de cálculo; o valor supostamente devido seria positivo, mas em menor monta. Ao invés de R$524.772,26, seria R$ 111.634,01. A duas, pois desconsidera a antecipação de receitas já demonstrada, fazendo com que tenha algo a restituir e não a pagar; a escrituração da parte “B” do LALUR não foi feita mensalmente, pois seria desnecessária, conforme orientação escrita fornecida pela empresa de consultoria Datadez, com base na IN SRF nº 98/1993; em relação à falta de assinaturas, a cópia do livro LALUR entregue continha a identificação (nome e documento) do contador e do representante legal da empresa, os quais, de acordo com a legislação vigente, respondem pelas informações ali prestadas. Porém, visando sanar tal irregularidade, meramente formal, o sócio da empresa e o contador assinaram o livro, conforme novas cópias ora juntadas, não havendo mais nenhum óbice para a devolução do indébito. Ademais, a IN SRF nº 28/1978 dispensa de registro ou autenticação por órgão oficial específico o livro LALUR, motivo pelo qual a assinatura extemporânea não muda em nada o direito material do contribuinte; Admite que os Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário não contém a assinatura do representante legal da empresa (fls. 97 e 104). Contudo, existe a assinatura do contador habilitado para responder pelas informações ali prestadas. E mais, tanto é dispensável a assinatura do sócio proprietário que o Cartório registrou o livro sem ela. De qualquer forma, esclarece que sanou as supostas irregularidades com a assinatura do sócio da empresa, conforme nova cópia juntada aos autos; Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 270 6 Em relação ao alegado registro extemporâneo do livro Diário, aduz que a DIRPJ do anocalendário de 1995 foi substituída por Declaração retificadora, sendo óbvio que o Livro Diário Anual também foi refeito. Assim, não poderia ter sido registrado até 30 de abril de 1996, data da entrega tempestiva da declaração “originária”, como pretendeu o autuante (fl. 139). Contudo, tal providência foi efetuada em 14 de janeiro de 1998, previamente ao Pedido de Restituição ou a qualquer procedimento de fiscalização da Secretaria da Receita Federal. Esta Quarta Câmara baixou o julgamento em diligência para verificar o alegado pela Recorrente; Às fls. 251/252, complementado pelo relatório de fls. 256, consta pronunciamento da Fiscalização em sentido favorável à Recorrente no que se refere ao que lhe foi solicitado, seja em relação à autenticidade das cópias do Diário, seja em relação ao oferecimento à tributação no ano anterior ao pedido de restituição o valor de R$ 415.647,80. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência concordando com a mesma (fls. 260/262). É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 271 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de restituição de créditos referentes a saldo negativo de imposto de renda e da contribuição social apurados no anocalendário de 1995. Delimitação da Lide O pedido final da recorrente tanto no Recurso voluntário quanto em suas contrarazões ao Resultado de Diligência no sentido de que a eventual restituição se faça pelo valor postulado se encontra prejudicado, uma vez que em que em suas razões de defesa ela mesma reconhece que se equivocou na indicação do imposto de renda retido na fonte ao longo do ano de 1995, lançando a cifra de R$ 158.935,90 quando, em verdade, as retenções somam apenas R$ 17.227,09. Eis os exatos termos pelos quais a Recorrente abdicou da referida diferença: Realmente, o valor informado na Ficha 08, linha 14, de R$ 158.935,90, está equivocado, pois se refere ao "saldo acumulado" dos anos anteriores a restituir e não apenas ao ano de 1995, que é de R$ 17.227,09 Tal diferença, inclusive já reconhecida nesses mesmos termos pela DRJ, considerase preclusa e não faz parte da lide. Pedido de Julgamento Conjunto A recorrente solicita a análise conjunta do presente processo juntamente com mais dois outros pedidos de restituição, referente ao anocalendário de 1993 (10850.000668/9911) e o relativo ao anocalendário de 1994 (10.850.000995/0025). Consultando o site do CARF concorrente com o Comprot do Ministério da Fazenda, verifico que os referidos processos já foram julgados, ambos desfavoráveis à Recorrente, e com decisões administrativa transitadas em julgado. Ambos processos já estão arquivados. Ademais, a diligência vem suprir o principal motivo pelo qual a Recorrente pediu o julgamento em conjunto que seria a análise do oferecimento à tributação da importância de R$ 415.647,80 no ano anterior ao pedido de restituição (1994). Portanto, prejudicado está o referido pedido de julgamento em conjunto. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 272 8 VALOR DE R$ 415.647,80 Dentre outras diferenças apresentadas pela fiscalização impeditivas ao total aproveitamento do pedido de restituição, a mais relevante é a diferença de R$ 415.647,80, considerada pela fiscalização escriturada e não oferecida à tributação no anocalendário de 1995. Em face disso, a interessada procura comprovar tal diferença ao fundamento de que referidas receitas foram oferecidas à tributação no ano anterior ao que o pedido se refere (1994), trazendo como prova cópias de seu livro Diário, fls. 174/183. Eis os precisos termos de sua defesa: “(...) No entanto, a diferença real entre as notas fiscais de prestação de serviço e o balanço é de R$ 415.647,80. Este valor referese às notas fiscais de prestação de serviços de n. 182 a 190, referente ao CNPJ 65.707.960/000131 (matriz) e notas fiscais de prestação de serviços de n. 200 a 208, relativas ao CNPJ 65.707.960/000212 (filial). Embora tais notas tenham sido emitidas no mês de janeiro de 1995, elas foram escrituradas no Diário nº 4 relativo ao anocalendário de 1994, às fls. 241 e 245, como receitas a realizar e oferecidas à tributação naquele ano de 2004, conforme se vê das cópias do livro ora juntadas (fls. 235 e seguintes); A decisão de piso, por sua vez, não considerou válido o argumento e as provas trazidas aos autos: Disse a peticionária, ainda, que referidas receitas foram oferecidas à tributação no ano de 1994, trazendo como prova cópias de seu livro diário, fls. 174/183. Examinandoas, apercebese ditos lançamentos o que não significa, porém, e por si só, que tenham sido ofertados à tributação. É que não há nos autos provas de que elas realmente tenham constado na declaração do ano anterior, de 1994. Ainda que se tenha em mente o princípio da verdade material que governa o processo administrativo, o qual obriga a autoridade administrativa a atentar para todas as provas e fatos de que tenha conhecimento, não há como inferir que as receitas foram efetivamente ofertadas no ano anterior já que a contribuinte apresentou deficitária escrituração contábilfiscal naquele exercício. E, especificamente no tocante à declaração, vêse no anexo 2 desta a inexistência de detalhamento das receitas mês a mês, que pudesse auxiliar na análise da tese trazida, e sim a concentração da receita anual no mês de dezembro daquele ano, impedindo de todo a comparação no tempo, tal qual procedido pelo trabalho fiscal de fls. 86/90. Entretanto, adotei na ocasião entendimento diverso, por considerar que nesse caso a contabilidade faria prova a favor do contribuinte, invertendose o ônus da prova, cabendo à fiscalização aprofundar e verificar se referidas receitas foram ou não oferecidas efetivamente á tributação no anocalendário anterior ao pedido (1994), conforme consta no Livro Diário e alegado pela recorrente. Nesse sentido, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e ante a apresentação de documentos pela Recorrente na fase impugnatória, em especial cópia do Diário contendo informação a respeito de possível Fl. 272DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 273 9 oferecimento à tributação de valor não considerado em seu pedido, converti anteriormente o julgamento em diligência, para que fossem adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: (a) atestar a autenticidade dos documento de fls. 174 a 183 (cópias do Livro Diário); (b) verificar a existência de regular oferecimento à tributação em sua Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1994, do referido valor de R$ 415.647,80. Após a análise da documentação e escrituração contábil, a fiscalização deu razão à Recorrente nos limites da presente lide e nos seguintes termos (fls. 251/252 e 256): Verificamos, numa análise preliminar, que conforme cópia do Livro Diário à fl. 182, o contribuinte registrou como receita operacional bruta o valor de R$ 4.667.507,71 (quatro milhões, seiscentos e sessenta e sete mil, quinhentos e sete reais e setenta e um centavos), que corresponde ao somatório dos seguintes valores: Receitas a realizar: 415.647,80 Receitas de Serviços: 4.251.859,91 Em consulta à Declaração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (DIRPJ), Exercício 1995, anocalendário 1994, Quadro 20, constatamos que o sujeito passivo declarou receita bruta no montante de R$ 4.667.504,61 (quatro milhões, seiscentos e sessenta e sete mil, quinhentos e quatro reais e sessenta e um centavos), valor este já convertido para reais conforme planilha à fl. 249, cujos dados foram obtidos dos extratos de fls. 246 a 248. Este valor, se cotejado com o registrado no Livro Diário à fl. 182, acusa uma diferença de R$ 3,10 (três reais e dez centavos), que reputamos irrelevante para o fim pretendido, qual seja, a verificação do oferecimento tributação do valor de R$ 415.647,80 (quatrocentos e quinze mil, seiscentos e quarenta e sete reais e oitenta centavos). (...) Constatamos a autenticidade das copias do referido livro e nelas registramos a expressão "CERTIFICO QUE O PRESENTE É CÓPIA FIEL DO ORIGINAL". Desse modo, quanto à questão da omissão no registro de receitas imputada pelo Fisco, o que prejudicaria qualquer restituição em face da exteriorização de lucro maior que aquele declarado não resta mais qualquer dúvida sobre o oferecimento à tributação da referida receita, devendose dar provimento em relação a essa parte, cujos reflexos constam das Tabelas I e II mais abaixo. Ultrapassada essa prejudicial, passemos a outra diferença que compõem a lide. DIFERENÇA DE R$ 10.284,72 na Ficha 8, Linha 15 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 274 10 A Recorrente a esse respeito faz ouvido de mercador às bem postas razões dadas pela DRJ, contentandose apenas em reiterar os mesmos termos da impugnação: Afirma o ilustre AFR que o valor de R$ 10.284,72 informado na Ficha 8, Linha 15, não foi comprovado pela fiscalização. Referido valor referese ao saldo acumulado de conta corrente de tributos a recuperar de anos anteriores, com base em recolhimentos feitos nos anos de 1993 e 1994, acrescidos da devida atualização monetária, conforme se vê dos balancetes juntados aos autos. A DRJ assim fulminou o seu pleito com razões não somente de ordem formal, mas material também: Além disso, também é impertinente deduzir do imposto apurado naquele períodobase a quantia de R$ 10.284,72, lançada na linha 15 da ficha 08, destinada a expressar a somatória dos valores mensais recolhidos por estimativa, já que não restou comprovado que ao longo do ano de 1995 a contribuinte tenha feito tais recolhimentos, embora a tanto obrigada pelo artigo 27 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. As razões apresentadas, no sentido de que essa cifra se refere ao saldo acumulado de conta corrente de tributos a recuperar de anos anteriores indica duplo equívoco: primeiro porque, como frisado, esse campo se destina à soma dos recolhimentos antecipados, não podendo ser confundido com eventuais indébitos de anos anteriores e em segundo porque a linha 16, dessa mesma ficha 08, sob o título "compensação", é a destinada para a hipótese aventada pela contribuinte. A propósito, nessa linha de "compensação" a recorrente fez lançar a importância de R$ 14.162,94. Ora, se, como diz, os R$ 10.284,72 dizem respeito a indébitos esta então seria a cifra a constar nesse campo, não os R$ 14.162,94 lançados. De qualquer sorte, não poderia a recorrente lançar valores a título de "compensação" de imposto de renda pago indevidamente ou a maior em períodos base anteriores, nem tampouco de contribuição social sobre o lucro, esta última feita na linha 20 da ficha n° 11, uma vez que tramitam pedidos de restituição destes tributos nos processos administrativos n°s. 10850.000668/9911 (IRPJ) e 10850.000995/0025 (IRPJ e CSLL) nos quais a peticionária declarou, expressamente, sob as penas da lei, e na forma do artigo 66 da Lei n° 8.383, de 1991, que não haveria de utilizar os créditos sob a forma de compensação com outros débitos. Em suma, pois, intentar a compensação na DIRPJ caracteriza patente duplicidade. Como se vê, as razões de ordem material são intransponíveis. A Recorrente no pleito atual de restituição além de fazer a indicação em campos inapropriados reservados a expressar os valores pagos a título de estimativas, pretende se utilizar em duplicidade de valores que foram objetos de outros pedidos de restituição, cujos resultados, digase de passagem, conforme já indicado alhures, lhe foram desfavoráveis. Portanto, nego provimento em relação a este item. Tabela I IRPJ IRPJ DECLARADOR$ AJUSTADORS Fl. 274DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10850.000004/200120 Acórdão n.º 1401000.688 S1C4T1 Fl. 275 11 Imposto 14.162,94 14.162,94 () Irfon 158.935,90 17.227,09 () Estimativas 10.284,72 0,00 () Compensação 14.162,94 0,00 A restituir 169.220,62 3.064,15 Tabela II CSLL CSLL DECLARADOR$ AJUSTADORS Contribuição 4.110,79 4.110,79 () Estimativas 858,80 858,80 () Compensação 5.401,56 0,00 A restituir/a pagar 2.149,57 3.251,99 Como se vê, mesmo tendo dado razão em parte à Recorrente na questão da registro de receitas, o valor da restituição do IRPJ mostrase muito aquém do peticionado (R$ 3.251,99), bem assim não há restituição alguma de CSLL, ao contrário, pelo contrário, haveria um quantum a pagar. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso em relação apenas à restituição do IRPJ, no valor de R$ 3.064,15 atualizado monetariamente nos termos da legislação de regência. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 275DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 11020.003576/2009-53
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA
O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar da Cofins não-cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço.
AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO
Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente.
APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS
Afasta-se a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Cofins, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo.
Numero da decisão: 3803-003.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar da Cofins não-cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afasta-se a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Cofins, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo.
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CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar da Cofins não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do Cofins, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 76 /2 00 9- 53 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 negou o creditamento relativamente aos gastos com manutenção de laboratórios e à aquisição de pallets. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Cuidase de pedido de ressarcimento e compensação de créditos de Cofins NãoCumulativa, correspondente ao segundo trimestre de 2007, também consta dos autos declarações de compensação vinculadas ao direito creditório em tela. Às fls. 73/81 consta o Relatório de Verificação Fiscal, por intermédio do qual o auditor fiscal propôs o reconhecido parcialmente o direito ao crédito e à fl. 81 consta Despacho Decisório contendo a seguinte decisão: Com base na informação retro; reconheço como legítimos os valores constantes da coluna "Valor Reconhecido" da tabela acima e autorizo o ressarcimento e/ou compensação dos valores pleiteados pelo contribuinte até o limite ora reconhecido. A decisão n.º 0121.026 – 3ª Turma da DRJ de Belém encontrase anexa às fls. 175/181, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II. do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Também descabe a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo e, ainda, quando a produção probatória invocada pelo sujeito passivo não necessita de qualquer conhecimento técnico especializado. COFINS NÃOCUMULATIVA.CRÉD1TOS. INSUMOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser computados créditos apurados sobre valores correspondentes a Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.003576/200953 Acórdão n.º 3803003.720 S3TE03 Fl. 185 3 insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUANTUM RECONHECIDO. A declaração de compensação, por vincularse à existência de determinado crédito, somente pode ser homologada na exata medida do direito creditório que tenha sua liquidez e certeza reconhecidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com a intenção de fornecer informações aos demais conselheiros, cumpre apontar que a Recorrente possui como objeto social a produção e venda de maçã para exportação e mercado interno e que com a incorporação da empresa Randon Agropecuária, a Interessada passou também a produzir e vender queijo, manteiga e nata para o mercado interno. Logo, a lide em discussão envolve tanto o processo produtivo de maças, como também o processo produtivo de leite e queijo. Conforme se retira da ementa acima colacionada, a DRJ glosou os créditos, com fundamento da redação da IN da SRF n.º 404/2004 e afastou o direito aos créditos referentes as seguintes despesas: 1) Despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): o contribuinte utiliza as empilhadeiras para atividades não relacionadas ao processo produtivo, ou seja: a) descarregamento da fruta vinda dos pomares; b) carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias; c) movimentação pelo pomar e d) carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento; 2) Despesas com aquisição de combustíveis e lubrificantes não utilizados na produção: grande parte dos combustíveis e lubrificantes é destinada a uso em tratores e estes tratores utiliza estes tratores tanto em pomares em produção, quanto em pomares ainda não produtivos. Além do que, constatouse que há gastos com combustíveis e lubrificantes em veículos próprios, mas para o transporte de maçã adquirida de terceiros, gastos na administração, na manutenção civil e elétrica, bem como em oficina de máquinas pesadas e nestes casos não constituem insumos; 3) Produtos sujeitos à alíquota zero: não gera crédito as aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero, por expressa vedação; 4) Bens diversos (partes, peças, bens destinados ao imobilizado, despesas diversas): a glosa ainda recaiu sobre os créditos registrados na rubrica “Outras Operações com Direito a Crédito” que consta nos DACONs. O agente fiscal informa que através da análise da memória de cálculo, constatouse que tais créditos provêm de despesas com serviços, partes e peças de manutenção de máquinas e equipamentos, entre outros. Glosou ainda outros valores lançados na rubrica “Outras Operações com Direito a Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Crédito”, tais como: fita para enxerlia bem que destinado ao imobilizado; telhado, areia, palitos, lonas, detergentes, sabonetes, medicamentos e sucos de uva — bens que não têm as características de insumo; 5) Materiais de transporte: o agente fazendário glosou também embalagens de transporte de maçã, por considerar que se trata de embalagem de mero transporte. A Fazenda Glosou ainda cantoneiras; palieis e seus acessórios, pregos e etiquetas; fitas e amarras. 6) Crédito sobre bens do imobilizado: a DRJ não considerou nenhum valor lançado a titulo de crédito referente a encargos de depreciação no período sob análise, sob o argumento de que o contribuinte não constitui prova de seu direito e ainda faz confusão quando registra os valores de créditos em seus DACONS. Alerta a fiscalização que nos meses de junho, julho e dezembro 2006 e depois nos meses de fevereiro, março e maio a dezembro de 2007 esta confusão continua. A fim de ilustrar o seu argumento, cita ainda que o lançamento ocorrido em junho de 2006, por meio do qual se percebe que na memória de cálculo onde discrimina os valores dos créditos aproveitados mensalmente o contribuinte não registra nenhum valor a título de imobilizado neste mês. Depois no lançamento ocorrido em julho de 2006, mesmo tendo o contribuinte lançado este valor na sua memória de cálculo, o mesmo não faz prova da origem destes valores. O fiscal aponta que o contribuinte só poderia apurar créditos no prazo de 48 meses sobre o valor das aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Nos demais casos deveria calcular os seus créditos mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem. Entretanto, o contribuinte apura créditos no prazo de 1/48 avos sobre outros bens que não máquinas e equipamentos. Em resumo, a DRJ acatou na íntegra as conclusões existentes no Relatório de Verificação Fiscal. A DRJ ainda entende que as decisões administrativas trazidas pelo contribuinte não possuem eficácia normativa e que por não ter indicado os quesitos e não se tratar de caso obscuro, a perícia foi indeferida, nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. Inconformado com o indeferimento, o contribuinte apresente recurso voluntário, por meio do qual rebate os argumentos da decisão “a quo”. Afirma que a decisão de primeiro grau parte do pressuposto equivocado de que o direito ao crédito se origina somente em relação aos produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Deste modo, destaca o Recorrente que a DRJ aplicou o critério do conceito do IPI para apurar os créditos. O contribuinte não concorda ainda com a indeferimento do crédito referente as aquisições de material de embalagem para transporte, pois no seu entender deve dar direito a crédito inclusive as aquisições de cantoneiras utilizadas para garantir a boa apresentação do produto e evitar que danifiquem no transporte, pois em seu entender, o processo produtivo encerrase somente com a venda do produto. Nesta mesma linha de defesa, pleiteia o reconhecimento de créditos em relação as aquisições de pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.003576/200953 Acórdão n.º 3803003.720 S3TE03 Fl. 186 5 Em relação aos créditos incidentes sobre os bens do imobilizado, o contribuinte afirma que a DRJ acolheu as conclusões do auditor fiscal, que simplesmente desconsiderou todos os créditos referentes as aquisições de imobilizados, por compreender que não gerava os referidos créditos, ora por não estarem de acordo com a DACON. Entretanto, o Recorrente afirma que as aquisições existem e foram contabilizadas pela empresa, ainda que isso tenha acontecido de maneira extemporânea. Por fim, o Recorrente colaciona diversos julgados administrativos, com a finalidade de demonstrar o seu direito, principalmente em relação ao critério adotado para apurar os créditos e ver afasta a redação da IN da SRF n.º 404/2004. Depois, requer a procedência do pedido e o reconhecimento do direito ao crédito e m exame. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Tratase de recurso voluntário tempestivo e por isso merece ser conhecido. O cerne da questão está em apurar o critério para definir o conceito de insumo, bem como definir onde inicia e conclui o processo produtivo de maçã. Conforme se extrai da decisão da DRJ citada no relatório, esta concluiu, com fundamento na IN da SRF n.º 404/2004, que: “no cálculo da contribuição nãocumulativa somente podem ser computados créditos apurados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços”. Entretanto, “data vênia”, a citada instrução normativa não oferece a melhor interpretação ao art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, fica a impressão de que a IN se utiliza da legislação do IPI para construir o conceito de insumo para a apuração do PIS/PASEP e da COFINS não cumulativos. Todavia, salvo engano, mostrase inadequado comparar materialidades distintas como ocorre entre o IPI, cujo critério material é a industrialização, com critério material da COFINS que é o auferimento de receita. Deste modo, creio que o conceito restrito de insumo não se concilia com a base econômica do PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção da receita com o produto ou serviço. Há quem defenda que o conceito de insumo aplicável ao PIS e COFINS deva ser o mesmo utilizado para o imposto de renda, visto que, para se auferir lucro, é necessário antes se obter receita. Aqueles que defendem esta tese argumentam no sentido de que o conceito de custos previsto na legislação do IRPJ, bem como o de despesas operacionais, é bem mais Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 próprio de ser aplicado ao PIS e COFINS não cumulativos do que o conceito previsto na legislação do IPI. Por outro enfoque, o conceito amplo e irrestrito de insumo também não parecer ser a melhor interpretação da legislação, pois este visa incluir toda e qualquer despesa da empresa na obtenção do crédito da COFINS e PIS, ainda que totalmente desapegada de seu processo produtivo. Em outras palavras, compreendo que o conceito de insumos mais adequado é aquele em que se aceita como créditos as despesas relacionadas inseparavelmente aos elementos produtivos que proporcionam a existência do produto ou serviço, ou seja, um conceito intermediário entre aquele adotado para o IR e o IPI. Empilhadeiras Em relação aos custos de aquisição de GLP e manutenção das empilhadeiras, o contribuinte tem razão. As despesas com os serviços de manutenção desses equipamentos, quando comprovados por notas fiscais, geram crédito em seu favor, pois é inegável que as empilhadeiras são utilizadas diretamente na produção de bens, pois sem empilhadeiras não há que se falar no produto final, ainda mais porque as maças não são colhidas diretamente pelo consumidor no pomar, mas sim adquiridos, quanto “in natura” nas prateleiras dos supermercados e feiras. Assim, como negar que as empilhadeiras tem função essencial para fazer chegar as frutas até o consumidor ? Deste modo, ainda que o fruto esteja formado no momento que é colhido, por outro lado, é verdade que o processo produtivo não encerra com a colheita, mas sim, com a venda. Logo, as despesas com a manutenção das empilhadeiras geram direito ao crédito, em razão deste equipamento contribuir com a produção da maça, pois auxilia no acondicionamento da fruta nos caminhões para transporte. Além do que, já manifestei este posicionamento no ao PAF n.º 13005.000077/200502, de minha relatoria, e por isso mantenho esta linha de pensamento. A mesma sorte ocorre com as despesas com gás liquefeito (GLP) utilizado como combustível para estas empilhadeiras. Com o propósito de fundamentar este entendimento, cito o Recurso n.º 507.948 no PAF n.º 10630.001,064/200588, julgado em 26.08.2010, na 3.ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 330100.653: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 (...) COFINS NÃO CUMULATIVA. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS, Os pagamentos referentes à aquisição de serviços de terraplanagem, topografia e outros, bem assim, a locação de máquinas, equipamentos e veículos conferem direito a créditos do PIS, porque esses serviços são aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens destinados à venda, em consonância com o disposto na Solução de Consulta SRRF I 0 Disit n° 04/07.(grifo) Lubrificantes e Combustíveis Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.003576/200953 Acórdão n.º 3803003.720 S3TE03 Fl. 187 7 Quanto a glosa referente aos lubrificantes e combustíveis, o auditor fiscal fundamenta o indeferimento do direito do contribuinte no argumento de que estes gastos são utilizados no transporte de maçã adquirida de terceiros, bem como na administração, manutenção civil e elétrica e na oficina de máquinas pesadas. Assim, considerando que o próprio contribuinte ilustra os autos com planilhas às fls. 51 e seguintes, por meio das quais discrimina os gastos com lubrificantes e combustíveis e neste documento informa de boafé que ocorreram gastos desses bens com manutenção civil e elétrica, oficina de máquinas pesadas e administração, deste modo, recomendo o não reconhecimento em relação aos gastos desta natureza, tendo em vista que não estão vinculados ao processo produtivo e não atendem o II do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003. Todavia, excluindo os gastos com lubrificantes e combustíveis relacionados a manutenção civil e elétrica, oficina de máquinas pesadas e administração, reconheço o direito ao creditamento em relação aos gastos especificamente vinculados a pomares e viveiros, já que esses estão relacionada ao processo produtivo. Na realidade, compulsando os autos, me parece que foi este o entendimento do agente fazendário quando comenta a respeito das despesas com combustível, fez constar no Termo de Verificação Fiscal o seguinte: Assim, de maneira análoga ao procedimento previsto no inciso II do parágrafo 8º do art. 3º das Leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, método este adotado pela contribuinte, consoante DACONs apresentados, aplicamos aos valores de aquisição de combustíveis e lubrificantes constantes da memória de cálculo apresentada os percentuais de combustíveis e lubrificantes destinados aos pomares em produção e à formação de mudas, conforme tabela abaixo. Os valores finais, referentes a combustíveis e lubrificantes, após a aplicação dos percentuais estão dispostos na forma do anexo I. É evidente que o combustível não mantém contato direito com a maçã, e, nem poderia, entretanto, o combustível é indispensável para que o produção da maça aconteça, caso contrário os frutos apodreceriam nos pomares e não poderiam ser transportados. Além do que, os tratores são úteis para trabalhar o solo que será plantado, logo é preciso ter a percepção de que, em se tratando da atividade agroindustrial, o processo produtivo inicia com o preparo do solo e somente se encerra com a venda da fruta em bom estado de conservação. Cito, Acórdão n.º 330200.176, prolatado pela 2ª Turma da 3ª Câmara em data de 18/09/2009, que por sua vez tratou de diversos temas com destaque para os assuntos: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITO. OUTRAS DESPESAS. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. (...) COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins naocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais. Publicado no DOU em: 22.07.2011 Alíquota Zero No tocante as aquisições de produtos com alíquotas zero, o contribuinte não tem razão, pois re reiterado é o entendimento da jurisprudência de que não se há falar em direito ao crédito de PIS e de COFINS relativo a operações de aquisição de produtos com alíquota zero, pois prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. Desta maneira, apenas os valores efetivamente pagos nas operações anteriores geram direito ao creditamento, quando não há pagamento, não falar em direito ao lançamento na escrita fiscal dos créditos em questão, pois a norma pressupõe a existência de cobrança na entrada produtos, o que não ocorre na hipótese de aquisição sujeita à alíquota zero. Bens Diversos Insurgese ainda quanto a glosa que recaiu sobre os créditos nas aquisições bens diversos, nos quais estão inseridos as despesas com a manutenção de máquinas, equipamentos, materiais de limpeza e higienização, manutenção de laboratório, ordenhadeira, medicamentos, cantoneiras usadas nas embalagens nas caixas de papelão, peças e serviços de manutenção de máquinas, tratores e pulverizadores, retroescavadeiras. Afirma que todos estes gastos são necessários a produção maçãs, queijos, e demais derivados do leite. Ressalta que inclusive promove a venda de animais. Argumenta que os produtos de higienização são aplicados nas ordenhas das vacas, onde sai o leite para produzir queijos e seus derivados, por isso reclama o crédito referente a aquisição de ordenhadeiras, medicamentos, remédios e despesas com laboratório, considerando que as vacas são as produtoras do leite e seus derivados que é o queijo, desta forma, todas as despesas no rebanho, é necessária e utilizada diretamente para a produção final do bem. Em relação as despesas de manutenção de máquinas e veículos, tratores, pulverizadores, assiste razão parcial ao contribuinte. Com efeito, não gera direito aos créditos as despesas com veículos de passeio, como, por exemplo, Gol, Meriva etc, pois estes são estão relacionados ao processo produtivo. Todavia, por outro lado, os gastos com manutenção de tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, ocorre de forma diversa, uma vez que estes maquinários Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11020.003576/200953 Acórdão n.º 3803003.720 S3TE03 Fl. 188 9 são utilizados na lavoura, seja para preparar o solo, seja para pulverizar as plantas e desta maneira estão vinculados ao processo produtivo. Conseqüentemente, os gastos com manutenção destes equipamentos geram direito aos créditos pleiteados. Compreendo que também não há que se falar em reconhecimento ao direito de crédito em relação as despesas com material de limpeza e higienização, tendo em vista que o contribuinte não constituiu prova de que essas despesas decorreram de exigência de legislação específica da Vigilância Sanitária. Igualmente a mesma sorte em relação as despesas de brincos bovinos, instalação de telas e cercas para rebanho. Já em relação as despesas com a conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes, penso que estão relacionados com o processo produtivo, principalmente quando se constata que se trata de empresa que tem por finalidade a produção e venda de animais e produção de frutas. Ora, deixar de considerar, por exemplo, que as despesas com a conservação de sêmen esteja vinculada com a produção animais, pareceme, “data vênia”, irrazoável e contrário ao que deseja a legislação. Material de Embalagem A mesma sorte ocorre em relação as aquisições relacionadas com material de embalagem para transporte, pois na Lei n.º 10.833/2003 não há restrição para o creditamento, pouco importa se a embalagem destinase a apresentação do produto, ou ao seu acondicionamento para transporte. Deste modo, o contribuinte tem direito aos créditos em relação as aquisições de insumos necessários para a elaboração dessas embalagens, como, por exemplo, as aquisições de pallets e seus acessórios, pregos, etiquetas, utilizados para o empilhamento de caixas para o armazenamento e transporte; fitas e amarras, utilizadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Inclusive as aquisições de cantoneiras, ao meu sentir, geram direito ao crédito, pois estas mostraramse indispensáveis para garantir a boa apresentação do produto e evitar que danifiquem no transporte, caso contrário, ausentes as cantoneiras as frutas seriam esmagadas e chegariam até o ponto de venda sem valor comercial. Imobilizado Em relação aos créditos incidentes sobre os bens do imobilizado, o contribuinte afirma que a DRJ acolheu as conclusões do auditor fiscal, que simplesmente desconsiderou todos os créditos referentes as aquisições de imobilizados, por compreender que não gerava os referidos créditos, ora por não estarem de acordo com a DACON. Contudo, a Recorrente afirma que as aquisições existem e foram contabilizadas., ainda que isso tenha acontecido de maneira extemporânea. Acontece que analisando os autos, compreendo que não assiste razão o contribuinte, pois a empresa comete vários equívocos que impossibilitam ao reconhecimento dos créditos sobre bens do imobilizado, a exemplo, cito que a Recorrente apurou efetivamente estes créditos em relação a bens que não são máquinas e nem equipamentos, ou seja, televisão, cadeira etc. Ante o exposto, dou provimento parcial para reconhecer o direito aos créditos em relação as despesas de GLP e manutenção de empilhadeiras; manutenção de tratores e pulverizadores e retroescavadeiras; lubrificantes e combustíveis gastos com viveiros e Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 10 pomares; conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13855.002412/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO
A cobrança de multa por atraso sobre valores lançados de ofício, no que excederem aos informados na declaração entregue a destempo, implica em interpretação extensiva do art. 88 da Lei nº 8.981/1995, o que é vedado pelos artigos 97, inciso V, e 112, ambos do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 24 12 /2 00 9- 11 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002412/200911 Acórdão n.º 2801002.884 S2TE01 Fl. 69 2 Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 43.393,05, decorrente de atraso na entrega da declaração de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF referente ao exercício de 2006. Informa a Autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 7/10 deste processo digital, que: O contribuinte procedeu à entrega em atraso da Declaração do IRPF referente anocalendário de 2005. Dispõe a legislação concernente ao tema que, nos casos de falta de apresentação da declaração ou sua entrega em atraso, será aplicada multa de 1% (um por cento) ao mês (ou fração) sobre o valor do imposto devido, limitado a 20% desse e respeitado o valor mínimo de R$165,74. No presente caso, o prazo final para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos era 28/04/2006. Como o contribuinte apresentou sua declaração em 27/02/2009, transcorreu mais de 20 meses da datalimite para a regular entrega, o que implicou em uma multa correspondente a 20% (vinte por cento) do valor do imposto devido, apurado e detalhado a seguir: (A) Imposto Devido: R$ 217.793,93 (B) Multa de Mora (20%): R$ 43.558,79 (C) Compensação MAED paga: R$165,74 (B) – (C) Saldo Multa Moratória a pagar: R$ 43.393,05 A impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 28/37) foi julgada improcedente, por intermédio do acórdão de fls. 41/48. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/08/2011 (fl. 51), o Interessado interpôs, em 22/09/2011, o recurso de fls. 52/61. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO O acórdão recorrido não apreciou a verdade material dos fatos. O correto era a aplicação da multa mínima, uma vez que não apurou imposto de renda a pagar, fato este comprovado pela emissão eletrônica da notificação da multa. O lançamento de rendimentos, considerados tributáveis por presunção, que alteraram o imposto de renda a pagar, não tem o condão de alterar a base de cálculo da multa pelo atraso na entrega. A ementa do acórdão recorrido não reflete a realidade dos fatos e as razões da impugnação, tendo em vista que inexiste dispositivo legal para aplicação de multa por atraso de entrega de declaração sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização, porquanto esta já foi utilizada para aplicação da multa de ofício. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002412/200911 Acórdão n.º 2801002.884 S2TE01 Fl. 70 3 A ementa do acórdão recorrido transcreve parcialmente dispositivo legal de aplicação da multa. Entretanto, por equívoco, não menciona que a base de cálculo é o “valor declarado de imposto devido”, antes da compensação do imposto retido. MÉRITO Quanto ao mérito, o Recorrente reitera todas as razões postas na peça impugnatória. Em síntese, são as seguintes: Não ocorreu apuração de imposto de renda pessoa física na declaração apresentada, tendo em vista que apurou prejuízo na sua atividade rural, ou seja, uma renda negativa. O imposto informado no auto de infração referese a valor lançado pela Autoridade fiscal, apurado por presunção de rendimentos, sobre o qual foi aplicada a multa de lançamento de ofício. Portanto, o Impugnante está recebendo dupla penalidade por um só ato presuntivo, ou seja, aplicação de multa de mora e de ofício sobre os mesmos fatos. O dispositivo legal para a aplicação da multa pela entrega intempestiva prevê sua aplicação sobre o valor do imposto de renda declarado, antes da compensação do imposto retido na fonte, ou seja, o valor do imposto apurado em ato de fiscalização está sujeito tão somente à aplicação da multa de ofício. Portanto, não há previsão legal para sua aplicação concomitante. PEDIDO Ao final, requer a apreciação de suas razões para dar provimento ao recurso e declarar improcedente o auto de infração. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Versa a presente controvérsia sobre o valor da multa por atraso na entrega da declaração do imposto de renda de pessoa física, quando o contribuinte foi alvo de lançamento de ofício (Processo nº 13855.002134/200901) em que se apurou imposto a pagar decorrente de depósito de origem não comprovada. Preceitua o art. 88 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002412/200911 Acórdão n.º 2801002.884 S2TE01 Fl. 71 4 § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, de sua vez, estabelece: Art.964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27); (...) II multa: a) de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30); (...) §2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, §1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; II de quatrocentos e quatorze reais e trinta e cinco centavos, para as pessoas jurídicas. (...) §5º A multa a que se refere a alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o §2º (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27) Depreendese, da leitura dos dispositivos transcritos, que a multa por atraso na entrega da declaração de pessoa física é de: a) 1% ao mês (ou fração) sobre o valor do imposto devido, limitado a 20% desse, respeitado o valor mínimo de R$165,74; ou b) R$ 165,74 no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Na espécie, não houve imposto devido (base de cálculo da multa) na declaração entregue em atraso pelo contribuinte (declaração às fls. 16/21). Nada obstante, a Autoridade lançadora imputou ao Recorrente uma multa correspondente a 20% do valor do imposto lançado de ofício no Processo n° 13855.002134/200901. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002412/200911 Acórdão n.º 2801002.884 S2TE01 Fl. 72 5 A cobrança de multa por atraso sobre valores lançados de ofício, no que excederem aos informados na declaração entregue a destempo, implica, a meu ver, em interpretação extensiva do art. 88 da Lei nº 8.981/1995, o que é vedado pelos artigos 97, inciso V, e 112, ambos do CTN. Assim, a multa a ser aplicada corresponde ao valor de R$ 165,74. O DARF de fl. 23 evidencia que o Interessado recolheu este valor em 02/03/2009, antes da lavratura do Auto de Infração, que ocorreu em 21/08/2009. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a multa por atraso na entrega da declaração do imposto de renda do Recorrente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10660.723456/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. ÁREAS ALAGADAS. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n.° 45).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Modesto Justino de Oliveira Neto, inscrito na OAB/MG sob o nº 115.931.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. ÁREAS ALAGADAS. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n.° 45). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Modesto Justino de Oliveira Neto, inscrito na OAB/MG sob o nº 115.931. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 34 56 /2 01 1- 92 Fl. 620DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, Notificação de Lançamento nº 06106/00002/2011 de fls. 04/08, emitida, em 08.08.2011, a contribuinte identificada no preâmbulo foi intimada a recolher o crédito tributário, no montante de R$2.501.831,92, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2007, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Usina Camargos”, cadastrado na RFB sob o nº 6.568.6802, com área declarada de 7.249,9 ha, localizado no Município de Itutinga/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2007 incidentes em malha valor, iniciou se com o Termo de Intimação Fiscal nº 06106/00011/2011 de fls. 09/10, para a contribuinte apresentar o seguinte documento de prova para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2007, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2007 no valor de R$: • Cultura/lavoura R$ 3.000,00; • Campos – R$2.000,00; • Pastagem/pecuária R$ 2.500,00; • Matas – R$800,00. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal, foi apresentada a correspondência de fls. 18, acompanhada dos documentos de fls. 19/25. Por não ter sido apresentado o documento de prova solicitado e procedendo se a análise e verificação dos dados constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$0,00, em face da ausência de avaliação, arbitrando o valor de R$5.799.920,00 (R$800,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, com consequente aumento do VTN tributável, e disto resultando o imposto suplementar de R$1.159.974,00, conforme demonstrado às fls. 07. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 05/06 e 08. Cientificada do lançamento, em 16.08.2011, às fls. 427, ingressou a contribuinte, em 14.09.2011, às fls. 37, com sua impugnação de fls. 37/97, instruída com os documentos de fls. 98/422, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: Fl. 621DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10660.723456/201192 Acórdão n.º 2202002.139 S2C2T2 Fl. 3 3 Considera que o lançamento está eivado de ilegalidade, por alargar hipótese de incidência estatuída em Lei, salientando sobre a nãoincidência do imposto sobre os terrenos alagados e submersos, afetados em atendimento à regra de resolubilidade patrimonial; argumenta que não são tributadas, pelo ITR, as áreas desapropriadas para prestação de serviço público; alega que as águas de reservatórios de hidrelétricas são bens da União e, desta forma, são imunes do ITR; sustenta que não há valor de mercado para apuração do VTN, por tratarse de bem do domínio público, fora do comércio; aduz, ainda, que se trata de áreas de preservação permanente, pelo simples efeito da Lei (Código Florestal); afirma, ainda, que as áreas do imóvel não são aptas a qualquer atividade rural; salienta que é inexigível o ADA para confirmação da “intributabilidade” dos bens afetos às Usinas Hidrelétricas; considera que teria caráter punitivo a multa aplicada, e que esta fere o princípio do não confisco, ferindo, também, os princípios da razoabilidade/proporcionalidade e= que seria inexigível juros SELIC; tece comentários sobre a Jurisprudência Administrativa, citando a Súmula CARF nº 45 e ementas de Acórdãos para referendar seus argumentos; requer seja acolhida a impugnação, julgandoa totalmente procedente, para o fim de nulificar a Notificação de Lançamento, declarando se extinto o crédito tributário, haja vista à inocorrência da propriedade privada, posse ou domínio útil dos bens que servem à prestação do serviço público de geração e transmissão de energia elétrica, sejam emersos ou submersos; solicita, em atendimento ao princípio da eventualidade, realização de diligência fiscal; Por fim requer que todas as intimações, nos termos do art. 23, inciso I, do Decreto nº 70.235/72 c/c subsidiariamente com o art. 236, § 1º, do CPC, sejam realizadas à pessoa da impugnante, bem como, à pessoa da procuradora Drª Roberta Espinho Corrêa (OAB/MG nº 50.342), com escritório profissional na Rua Bernardo Guimarães, nº 67, B. Funcionários, Belo Horizonte/MG, CEP 30.140080, inferindo pena de nulidade. A DRJ Brasília ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. TERRA ALAGADA AUSÊNCIA DE LEI PARA EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO Para efeitos do ITR, afora as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público, com previsão legal de 23 de junho de 2008, não há base legal para excluir da tributação terra submersa, seja pelo transborde do leito de rio, seja lago, ou outros tipos de Fl. 622DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 reservatório de água. Reservatórios de água de barragem não se confundem com potenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição da República. ISENÇÃO HERMENÊUTICA A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, observadas as suas características particulares. DA MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. DOS JUROS DE MORA (TAXA SELIC) A vedação ao confisco pela Constituição da República é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração do ITR ou subavaliação do VTN, cabe exigilo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Por expressa previsão legal, os juros de mora equivalem à Taxa SELIC. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destina se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão, insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação. Enfatizando a Súmula do CARF no. 45. É o relatório. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10660.723456/201192 Acórdão n.º 2202002.139 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Muito embora o lançamento trate de arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), verificase que a lide instalada desde o início do procedimento fiscal gira em torno da possibilidade de se exigir, ou não, ITR sobre terras alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. No recurso, assim como na impugnação, a contribuinte afirma que o imóvel em questão está em grande parte coberta de água, não se prestando a nenhum outro fim, que o de reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia e que as margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para a variações normais do nível d'água. E, em assim sendo,defende a tese de que áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas não se sujeitam à incidência do ITR. Por sua vez a autoridade recorrida defende o entendimento de que Áreas rurais desapropriadas em favor de empresa concessionária de serviços públicos de eletricidade, destinadas a reservatórios de usina hidrelétrica, integram o patrimônio dessa empresa, submetendose às regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. Ocorre que tal matéria já se encontra pacificada neste Conselho, conforme Súmula CARF n° 45, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. No presente caso, com os elementos presentes nos autos, e na inexistência de prova em contrário, concluise que o imóvel é utilizado como reservatório de usina hidrelétrica, estando suas áreas, portanto, submersas, de sorte que a exigência consubstanciada no lançamento não pode prosperar. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 624DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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