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Numero do processo: 10166.724559/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
RECURSO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE REFORMA NO LANÇAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não havendo sido realizada reforma no lançamento no julgamento de primeiro grau, não cabe conhecer do recurso de ofício, por ausência de objeto.
APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO.
Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido.
IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA.
A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO.
Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
Numero da decisão: 2202-004.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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INEXISTÊNCIA DE REFORMA NO LANÇAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não havendo sido realizada reforma no lançamento no julgamento de primeiro grau, não cabe conhecer do recurso de ofício, por ausência de objeto. APRESENTAÇÃO DOCUMENTOS NOVOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO OU POSTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Ante o disposto no inciso III, c/c os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.23/72, não se admite a apresentação de documentos novos de caráter probatório em sede de recurso voluntário ou posteriormente a sua interposição, salvo situações excepcionais. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DA TRANSFERÊNCIA. A imobiliária é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre as comissões pagas aos corretores contribuintes individuais que lhe prestam serviço, sendo que eventual acerto para a transferência daquele ônus a terceiro não afeta sua responsabilidade tributária, ante o disposto no art. 123 do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. PRERROGATIVA LEGAL DA AUDITORIA FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 59 /2 01 4- 01 Fl. 3270DF CARF MF 2 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. PRESSUPOSTO AFASTADO TENDO EM VISTA ENTENDIMENTO JUDICIAL CONSOLIDADO. Não prospera a qualificação da multa de ofício quando fundamentada, principalmente, na consideração de ilegalidade da transferência ao adquirente da responsabilidade pelo pagamento da comissão do corretor na compra e venda de imóveis, tendo em vista decisão em sede de recurso repetitivo no REsp nº 1.599.511 pela validade de tal procedimento. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, em observância ao disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 9.430/96. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com amparo nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso de ofício, e, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Manifestou interesse de apresentar declaração de voto o conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia e Dilson Jatahy Fonseca Neto. Relatório Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.271 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedentes os autos de infração DEBCAD nº 51.040.9601 e nº 51.065.2824, referentes, respectivamente, à contribuição patronal de 20% sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais, e às contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais (11%), sendo os lançamentos atinentes às competências 01/2010 a 12/2011, e ao levantamento TE. Foram responsabilizados solidariamente a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. e a Tao Empreendimentos Imobiliários S/A., e os sócios da recorrente Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini. Passase a transcrever, na sequência, o bem elaborado resumo do procedimento fiscal e dos termos da impugnação, levado a efeito pela instância de piso: (...) 2. O Relatório Fiscal, fls. 29/91, descreve a ação fiscal realizada no Contribuinte; a apuração das contribuições previdenciárias do período fiscalizado, os fatos e justificativas do lançamento e da caracterização da responsabilidade solidária de terceiros (os sócios, empresa e pessoas físicas, bem como a incorporadora/construtora contratante da Autuada) frente ao crédito tributário constituído. Do referido relatório, destacamse as seguintes informações: 2.1. Em suma, constam informações dos elementos básicos dos créditos previdenciários lançados; relato dos procedimentos realizados, a documentação examinada, as diligências efetuadas, as conclusões e resultados advindos. Ressalta se que a atividade principal da Empresa é a intermediação ou comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas. 2.1.1. Nesse sentido, descreve o fluxo da operação imobiliária de vendas da então Fiscalizada; a documentação entregue e os esclarecimentos prestados, ambos considerados insatisfatórios para justificar a versão dos fatos dados pela Interessada, porém comprobatórios de serviços prestados por contribuintes individuais à Empresa, incluindose os comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas, bem como um discriminativo dos valores pagos (identificando Nome, CPF, NIT, CRECI e Competência) aos corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas. 2.2. A então Fiscalizada, em resposta às intimações, apresentou esclarecimentos, destacandose que: (i) as autorizações de corretagem eram informalmente outorgadas pelas incorporadoras à LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda e que não localizou contratos escritos nos seus arquivos; (ii) assevera que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes, mas que os corretores eram contratados e remunerados diretamente pelos clientes, os compradores dos imóveis; (iii) ao explicar suas atividades, afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado; (iv) reforça que o corretor independente é quem faz a intermediação da transação, associandose à LPS Brasília; (v) afirma que o comprador assume as seguintes obrigações distintas: de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. 2.2.1. Registrase que foram obtidos “instrumentos particulares de parceria comercial”, sendo a parceira empresa a LPS e o parceiro comercial o corretor Fl. 3272DF CARF MF 4 pessoa física, parcialmente transcritos pela Autoridade Fiscal, com destaque para as cláusulas consideradas abusivas e de caráter unilateral, contendo previsões de poucos direitos, inúmeras obrigações e punições, próprias de subordinação, revelando que o contrato de prestação de serviço firmado entres as partes (LPS e Corretor) tem a natureza de típico contrato de adesão. 2.3. Durante o procedimento a Empresa foi alertada de que a não apresentação da documentação acarretaria no arbitramento do valor da remuneração reputada devida, mediante procedimento de aferição indireta e sem a observância do limite máximo do salário de contribuição no cálculo da contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais, como, de fato, ocorreu, pois a então Fiscalizada apresentou parte dos documentos e os esclarecimentos foram insuficientes e/ou insatisfatórios, conforme consta do Relatório Fiscal. 2.4. Assim, tendo em vista que os documentos e esclarecimentos fornecidos pela Empresa foram considerados insuficientes para comprovar a veracidade de suas afirmações de que não contratou/remunerou contribuintes individuais para auxiliála na intermediação de negócios imobiliários, a Autoridade Fiscal realizou diligências fiscais em 27 pessoas jurídicas (incorporadoras/construtoras), sendo que inicialmente no dia 07/03/2014 a fiscalização emitiu 06 (seis) Termos de Início do Procedimento Fiscal Diligência e posteriormente no dia 29/05/14 foram emitidas outras 21 intimações, através das quais requereu e obteve esclarecimentos e documentos do modus operandi das transações imobiliárias, de seus atores, funções, etc 2.5. Dos documentos e esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis apurado que: (i) os imóveis foram adquiridos com a intermediação da LPS Brasília; (ii) os corretores pessoas físicas que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília (em geral usavam crachá, camiseta e/ou cartão de identificação da LPS Brasília); (iii) quando da venda o comprador emitia vários cheques para pagamentos diversos, relativos ao sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS) (apresentado e juntado ao processo a memória de cálculo da área financeira); (iv) as vendas eram realizadas nos estandes de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra e a conclusão do negócio, por vezes, na sede da LPS Brasília; (v) o valor do imóvel constante no contrato de compra e venda geralmente era inferior ao valor constante na proposta de compra e venda/tabela de preço, devido a não inclusão dos valores pagos a título de comissão/premiação aos intermediários. 2.6. Dos documentos e esclarecimentos prestados pelos coordenadores e diretores diligenciados, a fiscalização constatou a ocorrência de um procedimento de criação de sociedades simples e/ou individuais para prestação serviços, geralmente exclusivos, à empresa para quem já trabalhavam como pessoas físicas (Pjotização). 2.7. Os corretores corroboraram com as seguintes informações, acrescidas de documentação: (a) o corretor recepcionava toda a documentação e a LPS Brasília e/ou a incorporadora/construtora ficava com uma das vias da negociação e a outra era entregue ao comprador do imóvel; (b) toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador) a área financeira da Lopes Royal entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos; (c) as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Brasília; (d) prestavam serviços com exclusividade, geralmente em stands de vendas ou na sede Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.272 5 da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária, sob pena de desligamento do quadro das equipes de vendas. 2.8. O resultado obtido nas diligências fiscais realizadas junto às incorporadoras/construtoras, em especial revelou (a) a praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal da concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boafé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias; (b) a imobiliária prestava consultoria mercadológica à incorporadora, esta definia o preço do imóvel e o valor da corretagem, variando entre 3,5% a 5,0%; (c) a ligação incorporadora mercado é efetivada pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por corretores independentes; (d) esclarecem que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. 2.10. A Autoridade Fiscal identificou nos contratos celebrados entre a Fiscalizada e as incorporadoras cláusulas com as seguintes características, relevantes ao caso em apreço: (a) exclusividade na intermediação das unidades das incorporadoras pela contratada; (b) possibilidade de criação de campanhas de prêmios para estimular a comercialização das unidades, a serem pagos pelas incorporadoras à imobiliária (LPS Brasília) e aos profissionais que esta indicar (os corretores autônomos), cabendo à contratada a organização e distribuição dos prêmios; (c) previsão, em exceção à regra, de que os contratos de compra e venda determinem o pagamento das comissões diretamente à incorporadora, com o compromisso de repasse das comissões à imobiliária e aos profissionais participantes da intermediação da venda, indicados pela LPS. 2.11. Anotase que a Autoridade Fiscal registrou inúmeras empresas e corretores envolvidos, transcreveu trechos dos contratos e das informações obtidas quando das diligências, além de fazer referências aos anexos que contém a respectiva documentação e as planilhas que entabulam os dados obtidos. 2.12. Nas condições apuradas e, ainda, considerando os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, o AuditorFiscal conclui que a Empresa não só tinha o conhecimento como participava ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, desde o preenchimento da ficha cadastral, passando pela emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal; emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a finalização (assinatura) do contrato de compra e venda entre as partes. 2.13. Ademais, inferiu que a Fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, intencionalmente atua fragmentando as etapas da comercialização de imóveis (as denominadas “etapas da intermediação de operações imobiliárias”) por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de aparentar a vinculação direta dos corretores autônomos com os compradores de unidades imobiliárias. 2.13.1. O vínculo contratual entre corretor e imobiliária fica confirmado tanto pelo cumprimento do objeto pactuado com incorporadoras/construtoras para a comercialização de imóveis quanto pelos documentos e esclarecimentos prestados pelos compradores e corretores de imóveis diligenciados. Fl. 3274DF CARF MF 6 2.14. Assevera, apesar das afirmativas em sentido contrário da Fiscalizada, que todo o complexo processo de intermediação é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, sendo também responsável pela estrutura e material de apoio aos profissionais pessoas físicas para a prestação de serviço de atendimento aos clientes compradores. 2.15. Conclui que a conduta da LPS caracteriza ato ilícito, com finalidade de sonegação de tributos, especialmente das contribuições previdenciárias incidentes sobres as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos profissionais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária prestados. 2.16. Registra que a LPS foi submetida anteriormente a fiscalizações e que, apesar das decisões desfavoráveis, continua infringindo a legislação tributária e demais leis que versam sobre a matéria aqui abordada e acrescenta que seu entendimento está alicerçado em decisões judiciais. 2.17. Destaca a falta de transparência na conduta comercial pelo fato de não ser dado antecipadamente ao adquirente conhecimento de todos de seus direitos e obrigações para a formação do livre convencimento, em especial quanto ao pagamento destacado da comissão informando somente no momento da assinatura da proposta de compra e venda, entendendo que os procedimentos adotados (pela incorporadora e/ou imobiliária) ferem a legislação tributária e o Código de Defesa do Consumidor (CDC: Lei n° 8.078/90: art. 6°, inciso IV e V; art. 7°, § único; art. 39, inciso I; art. 42, § único e art. 51, inciso IV). 2.18. Em suma, apurado o procedimento ilícito e lesivo do sujeito passivo em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para esses adquirentes, com o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no tocante às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada. 2.19. Ainda, afirma que tal procedimento caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. 2.20. Nas condições, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, etc) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. 2.21. Esclarecido que em razão da falta de apresentação de todos os documentos solicitados e pelos esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não merecem fé, quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis, a Autoridade Fiscal, com fundamento no art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN), arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. 2.21.1. No presente processo, os valores aferidos como remunerações ficaram restritos ao lançamento Lev TE que dizem respeito às Comissões de venda pagas ou creditadas a corretores de imóveis, cujos valores foram aferidos com base em 100% Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.273 7 das comissões recebidas pela empresa auditada LPS Brasília e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas as intermediações imobiliárias realizadas para a empresa Tao Empreendimentos Imobiliários Ltda. 2.22. Para tanto, adotado o procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e por ela informados nas suas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Juntada respectiva planilha demonstrativa. 2.23. Ainda, considerada a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF) e, assim, a remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas teve o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa LPS registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na conta contábil mencionada. 2.24. Ressaltado que em razão dos valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não terem sido informados pela fiscalizada (nome, CPF, nº Creci e respectiva remuneração); não constarem das GFIP nem das folhas de pagamento, nem tampouco lançados em títulos próprios da contabilidade, o limite máximo do salário de contribuição não foi considerado no cálculo das contribuições dos segurados contribuintes individuais. O Relatório de Lançamentos RL, fls. 27/28, é no mesmo sentido de que a empresa não apresentou a relação individualizada dos corretores e demais membros da equipe. 2.25. O Relatório Fiscal informa toda a fundamentação legal dos créditos previdenciários, em reforço ao relatório específico, denominado Fundamentos Legais do Débito FLD, fls. 25/26. 2.25.1. Destacase que o enquadramento do contribuinte individual está previsto no art. 12, inciso V, alínea “g”, da Lei nº 8.212/91, enquanto que a hipótese de incidência se encontra disciplinada no inciso III do art. 28 da mesma lei e cita como obrigações da empresa aquelas previstas no art. 30, inciso I e § 4°, art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. 2.25.2. Ainda sobre este assunto, destacase que no Relatório Fiscal consta a justificativa do arbitramento por meio de aferição indireta de acordo com o art. 33, §§ 3°e 6°, da mesma lei e que, com relação ao desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas, aplicase o disposto no § 5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 4º da Lei nº 10.666/03. 2.25.3. Quanto à multa, informada a fundamentação legal com esclarecimento de que com a introdução do art 35A na Lei nº 8.212/91 pela MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, a partir da competência 12/2008 a multa de ofício do Auto de Infração passou a ser de 75% sobre o valor das contribuições previdenciárias apuradas e qualificada (150%) nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Mencionada, também, a previsão do crime de sonegação de contribuição previdenciária nos termos do art. 337A do Código Penal (DecretoLei n° 2848/40), com a redação dada pela Lei n° 9.983/00. 2.26. Além disso, no tocante à multa, a Autoridade Fiscal detalhou sua aplicação e discorreu sobre os fundamentos da qualificação no caso concreto. Neste aspecto, considerou que o Contribuinte agiu no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores em questão e também com a finalidade de impedir ou retardar o conhecimento da Fl. 3276DF CARF MF 8 sua condição pessoal de contribuinte, de modo a afetar sua obrigação tributária principal (deixou de pagar as contribuições previdenciárias). 2.26.1. Demonstrada, em tese, a ocorrência do crime de sonegação fiscal, tendo sido anotado pelo AuditorFiscal que a empresa LPS já incorreu no mesmo crime em fiscalizações realizadas anteriormente sobre o mesmo fato gerador dos créditos ora em questão. 2.26.2. Consequentemente, a multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada, 150%) sobre as contribuições previdenciárias apuradas nas competências 01/2010 a 12/2011, nos termos do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 2.27. Apesar do presente processo cuidar do lançamento relativo ao descumprimento de obrigações principais, o Relatório Fiscal informa, descreve e detalha, em adição, as obrigações acessórias descumpridas que deram origem à lavratura de três Autos de Infração (Debcad nºs. 51.065.2867; 51.065.2875 e 51.065.2883) integrantes do processo nº 10.166.727336/201498. 2.28. Quanto à sujeição passiva solidária, indicados os dispositivos legais, art. 124, I e art. 135, III do CTN; art. 30, IX da Lei 8.212/91. 2.29. Informa e demonstra que a LPS Brasil – Consultoria de Imóveis S/A (CNPJ 08.078.847/000109) é sócia majoritária da autuada (51% do seu capital social) e que também tem participação em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas, em vários Estados e no Distrito Federal, sendo, portanto, a fiscalizada LPS Brasília uma das integrantes desse grupo econômico. 2.30. Constatado que a principal atividade das empresas do referido grupo é a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, ou de direitos e obrigações a eles relativos. Em comum entre a LPS Brasil e a LPS Brasília aponta o controle acionário, os administradores comuns e a atividade econômica. Também, considera que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja, a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. 2.31. Quanto aos demais sujeitos passivos, os sócios pessoas físicas, indicados como coresponsáveis Wildemir Antonio Demartini, sócio da autuada desde o início de sua atividade na qualidade de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini, atuando sempre no cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação nas comissões de vendas destinadas a LPS Brasília, conforme apurado nas diligências realizadas junto aos corretores e coordenadores/diretores. 2.32. Assim, os sócios acima mencionados (empresa e pessoas físicas) foram arrolados como responsáveis solidários dos créditos tributários constituídos, pois participaram da administração da empresa LPS Brasília, inclusive quanto à ilegalidade e abusividade da transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos. 2.33. Ainda, indicada como responsável solidária a incorporadora/construtora contratante dos serviços da imobiliária LPS Brasília que no presente processo é a Tao Empreendimentos Imobiliários SA. 2.33.1. Destas, relatado objeto social, composição da sociedade e destacado, entre outras informações que foi constatado, por meio das informações mencionadas Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.274 9 no Relatório e objeto de planilhas, que “o valor da comissão é deduzido do valor global de venda ao preencher o contrato de compra e venda de cada imóvel negociado, numa clara demonstração de que quem suportou o ônus do pagamento da comissão aos corretores foi o comprador”. 2.33.2. Sendo assim, por participar da ilegalidade e abusividade na transferência para o comprador do imóvel da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, a Autoridade Fiscal considerou tal pessoa jurídica responsável solidária. (...) 3. Tempestivamente, a autuada LPS Brasilia apresentou impugnação (fls. 2089/2147) alegando, em suma: 3.1. Inicialmente apresenta um relato sobre os fatos, afirmando que a autuação decorre da conclusão da Autoridade Fiscal de que a Impugnante teria tomado serviços de contribuintes individuais (Corretores Independentes) e remunerado tais serviços, os quais constituem fatos geradores de obrigações previdenciárias, mas que não foram realizados os respectivos recolhimentos das contribuições previdenciárias (cota patronal e contribuição do segurado). 3.1.1. Ainda, que a falta de recolhimentos supostamente devidos à Previdência social foi considerada dolosa, razão da aplicação da penalidade agravada, de 150%, referenciada no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 3.2. Em seguida, passa a articular questões de mérito, iniciando pela apresentação de uma exposição sistematizada das “alegações e acusações” contidas no Relatório Fiscal, tendo em vista a estrutura repetitiva do referido documento. 3.2.1. Neste sentido, sua introdução registra e desenvolve os seguintes tópicos extraídos do Relatório Fiscal: a) fundamentos legais do Auto de Infração; b) teses centrais do Auto de Infração (tomada de serviços de contribuintes individuais, respectivo pagamento sem recolhimento das contribuições previdenciárias); c) justificativas da conclusão de que a impugnante teria realizado pagamentos de remunerações em benefício de corretores independentes; penalidade (multa de 150%); d) obrigações acessórias. 3.2.2. Em contrariedade à tese da Autoridade Fiscal, defende a ausência de prestação e tomada de serviços na relação jurídica estabelecida entre a Impugnante e Corretores Independentes, com fundamento no art. 6º da Lei nº 6.530/78 e art. 728 do Código Civil que formatam diversamente a interação entre imobiliárias (corretoras pessoas jurídicas) e corretores independentes (corretores pessoas físicas). 3.3. A fim de melhor expor seu entendimento explica a distinção entre corretagem e prestação de serviços em contraposição ao articulado no Relatório Fiscal. Para tanto retroage à figura do agente auxiliar do comércio previsto no derrogado Código Comercial, entende ser pertinente ao corretor, à luz do art. 722 do Código Civil, ressaltando a atuação independente e imparcial deste perante as partes visando obter condições para o vínculo contratual entre as partes e não atuação em nome (mandato) ou por conta e ordem (comissão mercantil), nem tampouco “simplesmente realizar determinados atos a pedido de uma delas (caso em que há prestação de serviços)”.., reforçando a inexistência de serviço, na corretagem. 3.3.1. Alega que o objeto da corretagem é um resultado, não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obtêlo, se o negócioalvo não se efetivar não fará jus a Fl. 3278DF CARF MF 10 nenhum recebimento, não se confundindo corretor com o “vendedor” preposto do empresário, portanto inócua a afirmação da Autoridade Lançadora de que a atividade dos corretores independentes se desenvolvia sob a orientação, coordenação, controle, supervisão e direção da Impugnante, ressaltando que os corretores independentes, cada um por si, como empresários, correm todos os riscos de sua atividade. 3.4. A fim de melhor expor, narra a evolução histórica dos diversos tipos de corretagem, iniciando da figura do “preposto” na corretagem em geral. 3.5. Partindo do contexto narrado sobre preposto, defende que os Corretores Independentes não são prepostos da Impugnante. Da análise da Lei nº 6.530/78 resulta que não existe previsão de preposição na intermediação imobiliária, ao contrário da legislação atinente a outros ramos de corretagem, ressaltando que na referida lei que regula a corretagem imobiliária a relação entre os tipos distintos de corretores (pessoas jurídicas e físicas) é horizontal. 3.5.1. Coerentemente, o Decreto nº 81.871/78 também não revela preposição, pelo contrário, confirma a relação horizontal. 3.5.2. Ainda, com amparo em doutrina reproduzida e supondo, hipoteticamente, a figura do preposto na intermediação imobiliária, a conduta seria de mero “instrumento” e como tal também não se encaixaria, pois a atuação perante o público é de corretor de imóveis e não de “instrumento”, preposto. 3.6. Esquadrinhando a relação associativa que se institui entre imobiliária e Corretores Independentes, destaca o art. 728 do Código Civil com a previsão de rateio da remuneração entre corretores que atuam em associação, expondo neste sentido a relação existente entre os profissionais liberais e as imobiliárias, reafirmando que a imobiliária “patrocinadora” não responde pelos atos do corretor independente e que estes assumem todos os riscos inerentes à sua atividade, ratificando que não se trata de mera prestação de serviços nem o corretor é preposto. 3.6.1. Defende a existência de associação nas atividades, ainda que complementares, da imobiliária “patrocinadora” e do corretor independente que “atende” ao público, não há coincidência de atuação que ocorreria se fosse mera prestação de serviços. Descreve a atividade distinta e complementar de cada um. E afirma que a estrutura física e logística da imobiliária não implica em exclusividade dos corretores autônomos. 3.7. Ainda, discorre sobre a diferença entre “coordenação” e “controle” visando esclarecer que a Impugnante orienta, compartilha e ambos – imobiliária e corretores – estão direcionados para os objetivos comuns. Retoma a questão de que os riscos são assumidos bilateralmente, assim como a perspectiva de lucro. A atuação é colaborativa, colateral. 3.8. Afirma que a Impugnante não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os Corretores Independentes. Discorda da imputação de que remunera os corretores, justificando que se trata de mero rateio (de acordo com o art. 728 do CC) dos valores pagos pelos beneficiários da intermediação. 3.8.1. Examina a materialidade do fato gerador que indica a exigência de que o tomador de serviços seja a fonte de pagamento da remuneração alega que o AuditorFiscal não afirmou nem comprovou neste sentido. 3.9. Adicionalmente refuta com os seguintes argumentos: 3.9.1. Do livre convencimento dos compradores. Discorda de que o cliente não tinha consciência, tanto que receberam os respectivos recibos (RPA), o além do Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.275 11 pagamento formaliza a relação de corretagem estabelecida, ressaltando que ainda que não fosse perfeitamente claro isto não implicaria em requalificação dos fatos ocorridos. Acrescenta que é incorreta a afirmação de que haveria dedução do valor venal do imóvel, pois os valores de corretagem são incluídos no custo do imóvel. 3.9.2. Quanto à formalização do contrato de corretagem, defendese no sentido de que nada impede que seja verbal, mas ainda que assim não fosse, seria passível apenas de sanção administrativa e não configuração de fato novo, o pagamento de remuneração a corretores independentes. 3.9.3. A questão da simulação abordada no Relatório Fiscal – aparente pagamento pelos compradores de imóveis encobrindo o negócio dissimulado dito como a Impugnante como efetiva pagadora das remunerações é combatida com a indicação de argumentação contraditória constante do mesmo Relatório, quanto à ilegal transferência de ônus de pagar a corretagem. A simulação requer conluio e não há prova da anuência dos clientes compradores, não fazendo sentido com outros argumentos da autoridade Fiscal. 3.9.4. Discorre sobre a “transferência” do ônus relacionado à corretagem afirmando, ao contrário da Autoridade Fiscal, que o entendimento judicial prevalente é no sentido de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador e o consequente pagamento da comissão por este. Reproduz julgado. 3.9.4.1. Reafirma que mesmo supondo a ilegalidade da prática comercial, isto não requalificaria os fatos de modo a caracterizar fato tributável, pagamento da corretagem pela imobiliária. 3.9.5. Combate a dita transferência da “sujeição passiva” afirmando, inclusive, falta de prova nos autos e de até antecedente lógico quanto à a realização de pagamentos pela Impugnante e da alegada simulação. 3.9.6. Seguindo o mesmo raciocínio trata da prova da realização de pagamentos pelos compradores e, assim demonstrado, afirma que inexiste suporte fático para a incidência das contribuições previdenciárias lançadas. 3.9.7. Relata e reproduz posição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Colaciona acórdãos favoráveis ao seu entendimento. 3.10. A conclusão sobre o mérito do Auto de Infração da Impugnante é de inocorrência dos fatos geradores e improcedência da autuação. 3.11. Ainda e por consequência, defende que não devem persistir as exigências das Obrigações Acessórias. 3. 12. Lado outro, a impugnante discorre, também sobre o que considera Questões Subsidiárias. 3.12.1. Assim, articula sobre o limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração; a falta de base legal e incertezas da circularização; a opinião guiada pela “aparência” dos compradores de imóveis; as Declarações de Corretores Independentes e de Incorporadoras que infirmam o Auto de Infração. 3.12.1.1. Afirma que são opiniões e, ainda, assim revigoram a natureza de parceria e afastam o cunho de prestação de serviços. Cita, quanto às incorporadoras a confirmação de contratos informais. Transcreve trechos dos depoimentos em sustentação à sua posição. Fl. 3280DF CARF MF 12 3.12.1.2. Quanto aos elementos probatórios colhidos mediante circularização, pretende o reconhecimento de que se tratam de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. 3.12.1.3. E, se assim não fosse, considerando hipoteticamente que o Auto de Infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidas pela Autoridade Fiscal, diversas declarações comprovam ao contrário da interpretação jurídica da Impugnante, afirmando ter sido inexplicavelmente ignoradas pelo Auditor Fiscal. 3.12.2. Em adição, também alega improcedência absoluta do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição. 3.12.3. Insurgese à não observância do limite do salário de contribuição na apuração da contribuição dos segurados, entende que no caso de falta de informações a Autoridade Fiscal pode valerse do arbitramento, observados os parâmetros legais, o que não a autoriza a descumprir o teto do salário de contribuição. 3.12.4. Contesta o fato da Autoridade Fiscal não ter calculado, com bases no número de operações registradas na contabilidade, o número de segurados, assim como do número médio que poderia ter sido obtido junto aos compradores diligenciados. 3.12.5. Acrescenta que neste momento não seria possível a revisão do lançamento, por força do art. 146 e 149 do CTN. 3.12.6. Assim, entende que foi desrespeitada a legalidade, o respectivo lançamento deveria ser cancelado. 3.13. Ademais, assevera ilegalidade do arbitramento por não ter sido observada a legislação de regência. Analisa o procedimento à luz do art. 148 do CTN, esquadrinha a aplicação, mencionando o § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 e § 3º do art. 201 do Decreto nº 3.048/99. 3.13.1. Corrobora seu raciocínio com julgado do CARF no qual figura como autuada a ora Impugnante. 3.13.2. Ainda, aponta que o parâmetro de divisão paritária do valor da comissão com base na tabela do CRECI reforça o equívoco do AuditorFiscal, pois a referida tabela trata de rateio e não de pagamento de remuneração entre Imobiliária e Corretores Independentes. 3.13.3. Nestas condições, a remissão à referida tabela reforça a improcedência do Auto de Infração assim como, ao menos, expõe a ilegalidade da base de cálculo. 3.14. Trata da Dedução de 9% do saláriodecontribuição (cota do segurado) e articula no sentido de que deve ser reduzida a alíquota das contribuições supostamente não retidas dos Corretores Independentes de 20% para 11%. 3.15. Argumenta, ainda, quanto ao descabimento do Agravamento da Multa Qualificada, aplicada com base na acusação de suposto evidente intuito de fraude por parte da Impugnante. 3.15.1. Discorre sobre os elementos objetivo e subjetivo do ilícito tributário: o ilícito tributário (elemento objetivo) e a intenção de fraudar, o dolo (elemento subjetivo). Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.276 13 3.15.2. Discursa sobre a vontade consciente do sujeito passivo em cometer o ilícito tributário – o dolo – introduzido pelos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64 na seara tributária. 3.15.3. Assevera a importância do correto entendimento do dolo tributário no lançamento de ofício, tendo em vista ser causa da majoração da multa de ofício, observando que não se pode confundir a ocorrência do ilícito com a intenção em praticálo. 3.15.4. Neste sentido, registra a forma de apreciação da multa majorada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que tem a posição de rejeitar sua aplicação quando não demonstrada a ocorrência do dolo associado ao ilícito tributário. Colaciona julgados. 3.15.5. Aduz que a adoção de procedimento fiscal indevido, caso praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados, consiste no chamado “erro de proibição”, situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo, apesar de ciente da sua obrigação com o fisco, age de forma consciente com o objetivo de não recolher tributo que entende ser devido. Adiciona ementas de acórdãos. 3.15.6. Para o caso concreto, quanto ao procedimento da Impugnante e o descabimento da multa qualificada, retoma a situação fática sob sua ótica, acima narrada, reiterando a mera associação com os corretores independentes; afirma que sempre buscou apurar os seus tributos corretamente, refuta a existência de fato oculto, documento falso e assevera a adoção de conduta pautada em raciocínio jurídico plausível. 3.15.7. Afirma que o modelo de negócio adotado pela Impugnante trata de um uso consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos Corretores Independentes, contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. 3.15.8. Nesse contexto, entende inaplicável a majoração e caso persista o lançamento, o que considera hipótese remota, a multa deverá ser restabelecida em 75%. 3.16. Por fim, cuida da impossibilidade de Cobrança de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício. 3.16.1. No caso de ser mantido em todo ou em parte a autuação, o que admite para fins de argumentação, combate os juros, calculados pela taxa Selic, sobre a multa lançada de ofício. 3.16.2. Questiona o sentido de “crédito tributário” no art. 161 do CTN discorre sobre o tema à luz do art. 139 do CTN e conclui que deve ser restrito tal vocábulo, ou seja, de descumprimento da obrigação tributária. Reproduz julgados administrativos. 3.16.3. Conclui pela impossibilidade de cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. 3.17. Em suas conclusões repassa todos os pontos anteriormente mencionados e acima sumariados e, ante o exposto, em seu pedido, requer que o Auto de Infração seja julgado integralmente improcedente, protestando, ainda, pela produção de provas. Fl. 3282DF CARF MF 14 3.17.1. Acrescenta, ao final, a pretensão de que todas as intimações e comunicações sejam encaminhadas à Impugnante, em seu endereço e adicionalmente aos seus advogados, no escritório destes. 3.18. Acompanham a impugnação (fls. 2148/2183) as cópias do documento de identificação de seu Patronos; procuração; alteração de contrato social da Impugnante; Recibos de Corretagem Autônoma. 4. Também impugnaram a Autuação os responsáveis solidários. Os sócios da Autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, fls. 1967/1986; Wildemir Antonio Demartini, fls. 2184/2203 e Marco Antonio Moura Demartini, fls. 2213/1121. Lado outro, não consta dos autos que a responsável solidária Tao Empreendimentos Imobiliários SA. tenha impugnado. 4.1. Observase que as respectivas peças impugnativas dos responsáveis solidários sócios da Autuada e acima identificados são advindas do mesmo escritório de advocacia e contém razões de fato e de direito basicamente coincidentes. A argumentação, comum aos três e a diferenciada (indicada quando o caso), resumese em: 4.2. Inicialmente, consta a exposição dos Fatos com a mesma visão da Autuada, destacandose a lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária que tem como fundamento legal o art. 124, I do CTN e art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 (LPS Brasil); art. 124, I e art. 135, III, ambos do CTN (Wildemir e Marco Antonio). 4.2.1. Acrescentam que o mérito do Auto de Infração e as razões pelas quais deve ser cancelado constam da impugnação da LPS Brasília, razões estas incorporadas a esta por referência, visando, em primeiro plano, a impugnação de cada um dos supostos coobrigados combater o Termo de Sujeição Passiva Solidária. 4.3. Quanto ao mérito, discorrem sobre a inaplicabilidade do art. 124, I do CTN, destacam o interesse comum e sua inexistência no presente caso. Citam legislação, doutrina e jurisprudência. 4.3.1. Argumentam que a Autoridade Fiscal não comprovou que a Autuada e as Solidárias possuíam direitos e deveres iguais comuns na relação jurídica que ensejou a suposta incidência tributária. Destacam que a solidariedade não se presume. 4.3.2. Afirmam que não foi demonstrado qualquer indício de confusão patrimonial e que a falta de prova da confusão patrimonial exclui a solidariedade. 4.3.3. Também alegam inexistência de comprovação de interesse que não seja meramente econômico na qualidade de sócias da LPS Brasília e desempenho de suas atividades. 4.3.4. Desta forma, não ter sido atendido o requisito de interesse jurídico comum no fato que constitui a hipótese de incidência tributária, como determina o art. 124, I do CTN. 4.3.5. O simples fato de figurarem no quadro societário da Autuada não ampara a imputação de solidariedade, por falta de previsão legal, reforçando que a Autoridade Fiscal não fez prova de qualquer das hipóteses de solidariedade. 4.3.6. Em decorrência, sem a presença dos requisitos previstos no art. 124, I do CTN, os Termos de Sujeição Passiva devem ser cancelados. 4.4. Ainda quanto ao mérito, a Impugnante LPS Brasil afirma a inaplicabilidade do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91. Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.277 15 4.4.1. Argumenta que para a aplicação do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 deve estar presente a unicidade de poder decisório e administração do dito grupo econômico, acrescida da centralização sobre a realização – ou não – dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como das obrigações tributárias. 4.4.2. Destaca que segundo o referido dispositivo, não basta pertencerem a um grupo econômico, sendo determinante o poder decisório determinante e concreto sobre os atos ligados ao fato gerador e ao cumprimento das obrigações tributárias. 4.4.3. No presente caso, afirma que a Autoridade Fiscal não comprovou a caracterização de situação nos moldes anteriormente mencionados, motivo pelo qual não subsiste o fundamento de solidariedade com fundamento no art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. 4.5. De outra banda, os sócios responsáveis solidários Wildemir e Marco Antonio, defenderam a inaplicabilidade do art. 135, III do CTN. 4.5.1. Argumentaram a incompatibilidade entre a acusação de responsabilidade solidária (art. 124, I do CTN) e a responsabilidade pessoal (art. 135, III do CTN) e também a ausência dos pressupostos de aplicação do art, 135 do CTN no caso em debate. 4.5.2. Afirmam inconsistência na simultânea responsabilização solidária e pessoal dos sócios pessoas físicas, considerando incompatível o art. 135, III do CTN com a responsabilidade da própria LPS Brasília. 4.5.3. Acrescentam que não constam provas de que os responsáveis solidários – sócios pessoas físicas – tivessem agido de forma ilegal ou com excesso de poderes ou de forma ao contrário social da LPS Brasília. 4.5.4. Reforçam que a Autoridade Fiscal pretendeu arrolar os sócios como responsáveis pelo crédito sem provar a ocorrência das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. 4.5.5. Portanto, a inexistência dos requisitos para aplicação do art. 124, I e do art. 135, III do CTN conduzem ao necessário cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária (dos sócios pessoas físicas). 4.6. A questão subsidiária trazida em comum pelas três solidárias impugnantes trata da impossibilidade de responsabilização por penalidades. 4.6.1. Refutam a imputação de devedora solidária da multa de ofício aplicada, vez que de acordo com o art. 124 do CTN a solidariedade alcança somente a obrigação tributária principal, com o que não inclui a multa. 4.6.2. Acrescentam que somente o agente infrator responde pela penalidade, sendo indispensável a comprovação da ocorrência de dolo específico, consoante art. 173 do CTN, situação não verificada no presente caso. 4.7. Por fim, nos moldes da impugnação da Autuada, apresentam suas conclusões onde repassam as questões acima mencionadas e, em seus pedidos, requerem a improcedência integral do Auto de Infração e protestam pela produção de provas. Fl. 3284DF CARF MF 16 4.7.1. Adicionalmente, pretendem que todas as intimações e comunicações sejam encaminhadas à (cada) Impugnante, em seu endereço, bem como aos seus advogados, no escritório destes. A exigência foi integralmente mantida no julgamento de primeira instância (fls. 2300/2354), importando destacar ter havido aparente erro material na prolação na redação do acórdão quanto à menção ao recurso de ofício interposto (fl. 2302), pois, ao contrário do que ocorreu nas demais autuações relativas ao procedimento fiscal em referência, com relação a esse lançamento não houve impugnação acolhida no que se refere à incorporadora, consoante dantes relatado. Ou seja, como o lançamento foi considerado totalmente procedente, e não nenhuma pessoa foi excluída da responsabilidade tributária, não há objeto caro ao recurso de ofício. A autuada interpôs recurso voluntário em 5/5/2016 (fls. 2356/2428), e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários respectivamente às fls. 2616/2637, 2544/2570, e 2785/2851. Nesses documentos, foram reprisadas, em linhas gerais, as aduções das peças impugnatórias mais acima minuciadas, bem como contestados certos pontos da argumentação da DRJ/SPO. Ademais, foram juntados parecer de jurista renomado, e dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria. Em 7/6/2017 apresentou a autuada petição (fls. 2938/2942) juntando documentos novos ao processo, e demandando a aplicação do decidido no RE [sic] 1.599.51/SP à controvérsia. É o relatório. Voto Do recurso de ofício Compulsando os autos, verificase que o lançamento foi integralmente mantido, não havendo tampouco qualquer exclusão de solidariedade, valendo salientar que não houve impugnação por parte da empresa incorporadora/construtora, no caso a Tao Empreendimentos Imobiliários SA. Assim sendo, ausentes as hipóteses autorizadoras previstas no art. 34 do Decreto nº 70.235/72, c/c a Portaria MF nº 03/08, não deve ser conhecido o recurso de ofício. Dos recursos voluntários Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço, cabendo ressalvar, contudo, não ser possível admitir a apreciação dos documentos intitulados "Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes", elaborado por empresa de consultoria, e "Laudo de Avaliação da LPS Brasília Auditores Independentes", ambos presentes nessas peças recursais. Tratase de material de nítido cunho probatório, restando precluso o momento processual para sua apresentação, ante o disposto no art. 16, inciso III e §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Evidentemente, caso se configurassem em documentos que por si só, apontassem de maneira segura e inquestionável a justa solução da lide posta, poderiam ser, em tese, Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.278 17 superadas tais vedações, face a outros princípios que regem o contencioso tributário; não se trata em absoluto, porém, de tal caso. Já no que concerne ao parecer jurídico juntado pelos recorrentes, veiculando tal texto tese jurídica de caráter eminentemente opinativo, não há vedação a seu conhecimento, para fins de, eventualmente, fornecer subsídios à formação de convencimento do julgador. Também os documentos juntados em petição posterior ao ingresso do recurso voluntário, pelas mesmas razões mais acima vertidas, não merecem acolhimento. E, quanto à alusão ao recurso repetitivo mencionado nessa mesma petição, será tal decisão oportunamente abordada, até mesmo face aos cogentes regramentos do art. 62 do Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF Portaria MF nº 343/15). Sublinhese, em decorrência do explanado, que as alegações recursais pautadas em sua essência nos referidos documentos inadmitidos serão, consequentemente, não apreciadas. Ainda a título preliminar, deve ser anotado que não merece guarida o pleito genérico voltado ao protesto por produção de todas as provas admitidas em direito, formulado nos recursos, por estar sendo formulado sem qualquer fundamentação consistente e em etapa descabida do rito processual, não observando o disposto no supracitado art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/1972. Nesse rumo, também é demandada a ciência pessoal do patrono dos recorrentes, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no RICARF. Do recurso voluntário da autuada As alegações da recorrente principiam por buscar diferenciar a corretagem da prestação de serviços, com foco no art. 722 do Código Civil, e salientar que os corretores independentes não são seus prepostos, sendo associativa a relação instituída entre eles e a imobiliária. Pois bem, reza o art. 11 da Lei nº 8.212/91 que a seguridade social é financiada, dentre outras fontes, por contribuições sociais das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, bem como dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriocontribuição. Já no inciso V do art. 12 é assinalado ser segurado obrigatório, como contribuinte individual: (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; h) a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não; Notese que a legislação previdenciária não alude à necessidade de existência de um contrato de prestação de serviços formalizado e restrito aos termos do art. 593 a 609 do Código Civil como pressuposto para a incidência das contribuições. Fl. 3286DF CARF MF 18 Ao contrário, os princípios constitucionais da solidariedade e da equidade na participação do custeio atraem, inafastavelmente, a conclusão de que a prestação de serviços referenciada na norma previdenciária não se limita àquele estrito conceito tipificado no diploma civilista, mas tem seu alcance amplificado tal como acontece nas relações de consumo, vide o art. 3ª, § 2º do Código de Defesa do Consumidor: § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Então, ainda que o art. 722 do Código Civil tenha distinguido o conceito de corretagem da simples prestação de serviços, objetivando denotar as especificidades desses contratos, para fins previdenciários deve ser observado o sentido largo da expressão 'prestação de serviços'. Vejase que o exercício da profissão de corretor de imóveis tem sua regulamentação específica na Lei nº 6.530/78, que prescreve no caput do seu art. 3º: Art 3º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária. (...) Inegável que a atividade do corretor de imóveis se exprime, em sua própria definição, na realização de uma prestação de serviços, qual seja, exercer a intermediação de operações imobiliárias, a aproximação das partes envolvidas na compra e venda de imóveis. E a qualidade de ser um contrato do tipo aleatório, no qual a remuneração percebida está vinculada a obtenção de um resultado útil, não desfigura o caráter de contraprestação de serviços da comissão paga pelo contratante/tomador ao corretor de imóveis. Ou seja, a despeito das peculiaridades da corretagem, para fins previdenciários ela se constitui sim, em prestação de serviços, devendo ser destacado que a interpretação das leis ordinárias deve ser sempre realizada sob o lume dos princípios constitucionais, com ênfase, no caso, nos já mencionados princípios da solidariedade e da equidade na participação do custeio (exvi dos arts. 3º, 194 e 195 da CF). Sob esse prisma, e analisando a atividade de corretagem no caso, de seguros o Ministro Herman Benjamim, como relator do voto condutor do REsp nº 519.260/RJ, em 9/4/2008 (1o qual deu origem à Súmula 458 do STJ), assim explicou: De outro lado, e como de conhecimento geral, toda e qualquer interpretação do direito infraconstitucional deve ser realizada à luz da Constituição da República. Não é por outra razão que a Seguridade Social é informada, e.g., pelo princípio do financiamento por toda sociedade (ou solidariedade), e pelo princípio da equidade na forma de participação no custeio, que traduzem sua feição transindividual. Vale dizer, as pessoas jurídicas podem ser chamadas ao custeio da seguridade social "independentemente de terem ou não relação direta com os segurados ou de serem ou não destinatárias de benefícios" (Leandro Paulsen, Contribuições Custeio da Seguridade Social, 2007, pág. 22). Assim, isentar de contribuição para a seguridade social os valores recebidos pelos corretores, em razão da intermediação que realizam, desequilibraria o sistema e negaria vigência aos princípios da solidariedade e da equidade na forma de participação no custeio (que, em última análise, configura desdobramento do 1 Súmula 458 do STJ: A contribuição prevideinciária incide sobre a comissão paga ao corretor de seguros. (DJe 8/9/2010) Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.279 19 princípio da isonomia), pois se criaria uma única categoria de profissionais cuja remuneração estaria isenta da incidência de contribuição previdenciária e excluída do financiamento da Seguridade Social. Noutro giro, temse que a contribuinte alega que não realiza pagamentos ou assume qualquer obrigação perante os corretores independentes, sendo a relação de corretagem estabelecida entre esses e os compradores dos imóveis. Seus clientes são, assevera, as empresas incorporadoras, não ditos compradores, conforme laudo de avaliação de composição patrimonial. Afirma, nesse passo, que o pagamento aos corretores é realizado pelos clientes adquirentes, como atestado pelos recibos colacionados. Também refere que parecerista contratado aduz que a maior parte das vendas não resulta do estande de vendas, mas sim de contrato prévio entre corretor e comprador, que integraria carteira de clientes daquele. Salientese, previamente, que as conclusões do indigitado parecerista, bem como da recorrente, amparamse em significativa medida em documento não conhecido pelo Colegiado Laudo Técnico Pesquisas respondidas pelo público de estandes visto que apresentado em momento extemporâneo do contencioso. E, ainda que fosse conhecido, é de se ressaltar que não teria sido submetido ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios. Feitas essas necessárias ressalvas, cumpre frisar que não constam elementos nos autos a corroborar a narrativa da autuada. As diligências realizadas pela fiscalização por amostragem junto aos compradores de imóveis (Anexo III), trazem dados consistentes no sentido de que os corretores identificavamse sempre como representantes da imobiliária, trajando uniforme e portando crachás e cartões de visita para assim serem identificados. A transação acontecia geralmente em estandes de venda junto ao local da obra visitada pelo interessado. Contrariamente ao que aventa a peça recursal, na maioria dos casos não há qualquer sinal de que havia contato prévio entre compradores e corretores, antes da visita dos primeiros aos referidos locais. Muito menos existe evidência nos autos de que tais compradores pertenciam a lista de clientes cadastrados junto aos corretores, ou que estes teriam sido por aqueles contratados, formal ou informalmente. Tais informações se coadunam com os depoimentos colhidos junto aos prestadores de serviço de intermediação imobiliária pessoas físicas (Anexo IV), de modo a permitir desvelar o procedimento usual de vendas, a saber, o cliente em potencial adentrava nos estandes ou plantões de vendas e era atendido pelo corretor autônomo "da vez", consoante escala de revezamento préestabelecida, não escolhendo assim quem lhe atenderia. Como bem pontuado pela decisão de piso, e malgrado o entendimento da recorrente em sentido diverso, os corretores presentes nesses plantões, a despeito de sua pretensa autonomia, se traduziam, aos olhos dos potenciais adquirentes, em vendedores representantes da empresa face a sua identificação e atuação apresentando o produto, tabela de preços e condições/detalhes do empreendimento. Daí, caso pactuado o negócio, era firmada proposta de compra pelo valor total, com pagamento de sinal. Em momento posterior, o comprador assinava o instrumento de Fl. 3288DF CARF MF 20 promessa de compra e venda propriamente dito, no qual o montante do negócio consta reduzido. Com efeito, o cliente era orientado a emitir diversos cheques no curso da quitação ou da entrada na compra, para a incorporadora, para a imobiliária e outros envolvidos na transação, sendo que um deles era destinado ao corretor que o havia atendido; do valor inicial acertado eram assim descontadas as quantias associadas a esses cheques, pagos a título de comissão. À evidência, encontrado afinal o imóvel que lhe agradava, o adquirente não se opunha a tal condição de pagamento. Eventual prejuízo em posterior alienação do bem quando de eventual apuração de ganho de capital, dada a corretagem não integrar o valor da aquisição, não prevalecia na realidade, provavelmente sequer era cogitado frente à satisfação auferida com a aquisição. Os cheques atinentes à negociação eram recolhidos à imobiliária, e, passado certo prazo, relativo ao prazo legal de desistência do negócio, o cheque referente ao corretor lhe era entregue. O fato é que os elementos dos autos, a experiência comum, bem como sucessivas decisões em sede judicial, reconhecem que nas vendas de imóveis em plantão o corretor que intermedia a transação, na ampla maioria dos casos, não realiza sua atividade em prol do comprador, mas sim opera tendo em vista aos interesse de seu contratante, a empresa imobiliária ou mesmo diretamente a incorporadora. A notoriedade dessa situação é atestada por uníssonos julgados, valendo transcrever a seguinte passagem do acórdão do REsp nº 1.599.511/SP, no qual o relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, após explicar que usualmente o incumbente no contrato de compra e venda de imóveis é o vendedor, passar a asseverar: Modernamente, a forma de atuação do corretor de imóveis tem sofrido modificações nos casos de venda de imóveis na planta, não ficando ele mais sediado em uma empresa de corretagem, mas, contratado pela incorporadora, em estandes situados no próprio local da construção do edifício de apartamentos. O cenário fático descrito nos processos afetados é uniforme no sentido de que o consumidor interessado se dirige a um estande de vendas com o objetivo de comprar uma unidade autônoma de um empreendimento imobiliário. No estande, o consumidor é atendido por um corretor previamente contratado pela incorporadora. Alcançado êxito na intermediação, a incorporadora, ao celebrar o contrato de promessa de compra e venda, transfere para o promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem diretamente ao corretor, seja mediante cláusula expressa no instrumento contratual, seja por pactuação verbal ou mediante a celebração de um contrato autônomo entre o consumidor e o corretor. (...) Esse quadro fático sintetiza a prática usual do mercado brasileiro da utilização da corretagem em benefício do vendedor, pois toda a atividade desenvolvida, desde a divulgação até a contratação, tem por objetivo angariar clientes para a incorporadora (promitentevendedora). Cabe chamar a atenção, contudo, que nesse julgamento, realizado em 24/8/2016, restou assentada a seguinte tese (Tema nº 938) em sede de recurso repetitivo (art. 1.040 do CPC): Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.280 21 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de compra e venda de unidade imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. Considerando os termos do art. 62 do RICARF, não subsistem as alegações da fiscalização, bem como da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a comissão de corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula contratual, visto que superadas por essa decisão do STJ, a qual afastou, inclusive, as arguições de que estaria a ocorrer venda casada. Por outra via, mister frisar que tal percepção não afeta a responsabilidade tributária do tomador dos serviços de corretagem, posto que o art. 123 do CTN dispõe que Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Então, ainda que o pagamento dos serviços tenha sido realizado por terceiro que não o contratante dessa prestação, tal feito não influi na incidência das contribuições previdenciárias, não sendo relevante a origem do fluxo financeiro notese que pode ser quitado certo salário ou prestação de serviços com cheques de terceiros, sem alterar a relação jurídica tributária. Importa lembrar que a recorrente alega, em apertada síntese, que desenvolve contrato de parceria ou associação com corretores autônomos para fins de viabilizar a comercialização de imóveis cuja venda lhe teria sido autorizada pelas incorporadoras. Oportuno reproduzir os termos dos arts. 3º e 5º do Decreto nº 81.871/78, que regulamenta profissão de corretor de imóveis: Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. (...) Art 5º Somente poderá anunciar publicamente o Corretor de Imóveis, pessoa física ou jurídica, que tiver contrato escrito de mediação ou autorização escrita para alienação do imóvel anunciado. De sua parte, os contratos firmados entre as incorporadoras e a autuada, conforme exemplos juntados aos autos, atribuem com exclusividade à recorrente a intermediação/mediação na venda dos imóveis construídos, sendo que alguns explicitam que tal incumbência de "corretagem imobiliária" se consubstancia em "serviços a serem prestados e desenvolvidos" de modo a ser auferida a devida remuneração pela contratada, a ser rateada Fl. 3290DF CARF MF 22 entre a esta e os corretores autônomos, que, conforme descrito, restam por ser pagos diretamente pelos adquirentes. Assim, resta claro que a LPS Consultoria, ainda que dentro de um "pacote" mais amplo que poderia englobar consultoria e promotoria de vendas, pactuava a prestação de serviços de corretagem/mediação com as incorporadoras, lhe sendo devida a comissão pertinente, o que aliás é compatível com o objeto social da empresa: "a atividade de prestação de serviços técnicos de planejamento, organização; compra e venda e administração de imóveis; intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis próprios". Tal prestação de serviços pois, como visto, para fins de incidência de contribuições previdenciárias a atividade de corretagem traduzse em modalidade de prestação de serviços era realizada mediante a contratação de corretores, em conformidade com o preceito contido no parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, linhas acima transcrito. A recorrente aduz que esses contratos firmam relação associativa ou de parceria, de comunhão de esforços com vistas a obtenção do resultado final, ou seja, a concretização da venda do imóvel e consequente divisão da comissão obtida, apresentando, inclusive, parecer nesse sentido. A tese é sedutora, porém o exame dos fatos não sustenta tal entendimento. Causa espécie a parceria em questão, na qual apenas um dos ditos parceiros estabelece todas as regras e disposições concernentes à atividade objeto da avença, disponibilizando a estrutura física mesmo que pertencente à incorporadora logística e de propaganda relacionadas com o negócio. Não há comprovação alguma de que as decisões administrativas e regramentos relativos à associação tenham tido, em algum momento, ingerência ainda que marginal dos corretores ditos autônomos. Nessa toada, as metas, as escalas de trabalho, os rateios de corretagem, eram aspectos essenciais das atividades desenvolvidas, e sobre os quais apenas uma das cogitadas 'parceiras', a imobiliária, tinha poder de disposição. Deve ser registrado que alguns depoentes confirmaram não ter relação de prestação de serviços com a autuada, mas sim de parceria comercial, o que por outro lado conflita com depoimentos em sentido diametralmente oposto, no sentido de que o vínculo tinha caráter de relação de emprego. Tais diferenças parecem residir, em substancial medida, no grau hierárquico da função desempenhada pelo corretor coordenador, diretor ou mero corretor autônomo individual dentro da empresa. Ou seja, quanto mais alto o cargo exercido, mais o diligenciado tende a dissociar seu trabalho de uma prestação de serviços, identificandoa como parceria, ou havendo mesmo constituído pessoa jurídica para efetivar tal relação. Por outra via, na maior parte dos casos os corretores autônomos sem função adicional na imobiliária trazem versão diversa, inclusive asseverando terem firmado contrato de prestação de serviço, sendo que sua via deste não lhe era fornecida pelo empresa, aliás; ainda, há corretor depoente que alude à natureza de sua relação como sendo empregatícia. Cabe anotar ser natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como escalas a serem seguidas, revezamento, preferências, uso de crachá, etc, bem como participação em treinamentos. Existe sim, o desempenho de uma atividade de coordenação por parte da Fl. 3291DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.281 23 empresa sobre a atividade dos corretores, visando padronizar os serviços prestados e transmitir credibilidade aos potenciais adquirentes. Porém o estabelecimento de sanções em caso de faltas, com a possibilidade de rescisão contratual, o regramento unilateral das condições da atividade por apenas um dos parceiros, sem a menor participação dos corretores, que meramente aderem às condições pré estabelecidas pela autuada, são características que revelam grau significativo de subordinação e controle dos corretores autônomos frente à imobiliária, grau esse o qual, ainda que não suficiente para atrair vínculo empregatício, afasta claramente a tese associativa ou de parceria dimensionada na peça recursal, remetendo claramente à realização de prestação de serviços. Reiterese que a prestação de serviços consistia, da parte da autora relativamente às incorporadoras, em envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, o que poderia ou não resultar em efetivo negócio. Face à obrigatoriedade, por força do parágrafo único do art. 3º do Decreto nº 81.871/78, de que o atendimento ao público comprador fosse realizado por corretores pessoas físicas, a empresa efetuava suas vendas por intermédio desses corretores contratados, que lhe prestavam parte dos serviços objeto do contrato com a imobiliária por exemplo, a divulgação do lançamento na mídia não era realizada por corretores, logicamente, mas sim diretamente pela imobiliária. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verificava pela consecução ou não da meta visada, a venda do imóvel. Em outros termos, a recorrente, para se desincumbir de seu dever de prestar o serviço de corretagem às incorporadoras comitentes, contratava corretores autônomos os quais poderiam realizar suas atividades como pessoa física ou jurídica, podendo ou não ter atribuições adicionais no âmbito da organização. Em regra, esses corretores atendiam aos potenciais adquirentes quando estes visitavam os plantões de vendas do empreendimento imobiliário. O pagamento do serviço prestado por esses corretores ao seu contratante direto, a imobiliária, era realizado não por essa tomadora imediata, mas pelos compradores de imóveis, mediante emissão de cheque à parte no nome daqueles, com a concordância dos envolvidos. Portanto, há que se concluir que a obrigação tributária da autuada, como contratante desses corretores, não resta modificada pelo acerto realizado quanto ao pagamento, forte no art. 123 do CTN; constatase então correta a imputação fiscal, no que se refere à aferição de infringência ao disposto nos arts. 22, III; 28, III, 30, inciso I, § 4º; 32, inciso IV e 33, §§ 3º a 6º da Lei nº 8.212/91. No tocante ao tópico recursal denominado "O limitado valor dos elementos colhidos mediante circularização e a indevida desconsideração de provas contrárias ao Auto de Infração", merece ser dito que a questão referente à circularização foi enfrentada à minúcia pela DRJ/SPO e, não se discordando das razões ali discorridas, pedese a devida vênia para que elas passem a integrar esta fundamentação: 8. O processo administrativo fiscal é composto por uma sequência de atos dentre os quais é possível identificarse duas fases distintas: a inquisitorial (preliminar) e a contraditória. 8.1. Na fase preliminar, investigativa, conhecida como oficiosa, ou não contenciosa, a Autoridade Fiscal coleta dados, examina documentos, procede à Fl. 3292DF CARF MF 24 auditoria contábilfiscal e verifica a subsunção dos fatos à regra matriz de incidência tributária. 8.2. Em tal fase, a indigitada Autoridade forma sua convicção com base nos elementos colhidos e análises efetuadas, não havendo, ainda, que se falar em processo nem, tampouco, em contraditório. 8.3. Efetuado o lançamento e, com isso, constituído o crédito tributário, nasce para o então sujeito passivo, após regular cientificação, a faculdade de provocar o início da segunda fase do procedimento – a fase contenciosa, litigiosa ou contraditória – por intermédio da sua insurgência (Impugnação) contra o ato concreto resultante da primeira fase (lançamento). 8.4. Destarte, ratifiquese, no procedimento fiscal, o exercício do contraditório somente ganha espaço após a formalização do lançamento regulamente cientificado ao contribuinte que, então, tem o direito de desafiálo com a interposição de defesa, com a exposição dos argumentos e provas que julgar pertinente para embasar suas alegações. 8.5. Assim, diante do sintetizado, as objetadas circularizações, consistentes em técnica de auditoria largamente utilizada, tratandose de coleta de dados e informações e, por corolário, abrangidas pela fase inquisitorial do procedimento, não estão sujeitas ao contraditório, haja vista que prévias ao atacado lançamento. 8.6. Lado outro, tendo sido levadas ao conhecimento do sujeito passivo, mediante relatório e termos acostados aos autos, sujeitas, por tanto, à contradita, referidas circularizações em nada se aproximam da ideia de provas obtidas ilicitamente, pois que não se desnudam contrárias à lei lato sensu, nem contrárias a procedimento. Ademais, há que se realçar que a ampla maioria dos depoimentos colhidos via circularização confirma de modo consistente as conclusões da fiscalização quanto aos fatos submetidos à investigação. Por exemplo, não se nega a possibilidade de que em determinadas circunstâncias, tenham havido contatos prévios entre corretores e compradores interessado, mas essas situações surgem, à toda vista, como exceção, não como regra. Também a maior parte dos corretores diligenciados corrobora a versão do Fisco de que prestavam serviços nos plantões de venda à autuada firmando inclusive contrato de prestação de serviços, do qual não lhes era fornecida cópia sob seu controle, orientação e regras fixadas unilateralmente, conforme abordado à saciedade, estando até mesmo sujeitos a sanções. E, como já referido, as alegações de parceria são ventiladas predominantemente por corretores que também tinham competências funcionais/gerenciais outras dentro da empresa, cabendo cautela na apreciação de seus depoimentos. E o que a recorrente rotula como mera "opinião", guiada pela "aparência", dos compradores de imóveis, é na realidade bastante compatível a realidade documental espelhada nos autos, valendo sublinhar, uma vez mais, que os tribunais pátrios vem reconhecendo reiteradamente que a prestação de serviços em situações tais como a analisada se dá em benefício primeiro do contratante pessoa jurídica, não sendo o serviço de corretagem prestado aos compradores, ao contrário do que insistentemente aduzido no recurso. Melhor sorte não favorece a recorrente, no que diz respeito ao arbitramento realizado pela fiscalização. Com esteio no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN, diante da apresentação deveras deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.282 25 fiscal lançou as quantias devidas, arbitrando a remuneração paga aos corretores, base de cálculo das contribuições. O procedimento de aferição deuse tomando como base 100% das comissões recebidas pela autuada e constantes na sua DIMOB de 2010 e 2011, relativas às intermediações imobiliárias realizadas para a empresa Tao Empreendimentos Imobiliários S/A. (LEV TE). A partir desses dados, foi então utilizada a tabela de honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região CRECI DF, segundo a qual a divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária ocorreria na razão de 50% para cada parte. Argui a autuada que deveriam ter sido utilizados critérios outros, que reputa serem mais adequados, aludindo explicitamente aos constantes do art. 201, § 3º do Decreto nº 3.048/99 (RPS Regulamento da Previdência Social). Vejase, não obstante, que tal dispositivo é destinado especificamente aos segurados de que tratam as alíneas 'e' a 'i' do inciso V do art. 9º desse decreto, ou seja, titular de firma, diretor não empregado, sócio e ou associado de cooperativa, situações em nada assemelhadas às ora examinadas. Acrescentese que a fiscalização logrou demonstrar, via quadro Demonstrativo (fls. 76/77), que o critério de aferição foi inclusive benéfico à recorrente, posto que nos casos particulares nos quais se pôde chegar a números mais concretos, o percentual da corretagem destinado aos corretores pessoa física superava o pagamento da corretagem à pessoa jurídica. E anotese também que, a despeito de alguns corretores haverem formalizado pessoas jurídicas para realizar suas atividades, restou evidenciado, conforme argumentação desenvolvida supra, e em concordância com o entendimento da fiscalização, que a natureza dos serviços constituíase materialmente em prestação de serviços por pessoa física, verificados inclusive os vínculos de subordinação, ainda que mitigados relativamente ao vínculo empregatício, a justificar a utilização das tabelas da CRECI na espécie. Constatase ser bastante proporcional e adequado o critério de aferição utilizado, portanto, e em consonância com as normas de regência. Quanto à suposta improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição, devese destacar que não foi possível à fiscalização, face à não colaboração da recorrente em apresentar os dados individualizados de pagamentos das comissões aos prestadores de serviços de corretagem, por operação de venda dados aos quais tinha decerto acesso, pois quedava com os cheques àqueles devidos, até a conclusão do negócio , discriminar por beneficiário a comissão a ele paga. Destarte, os valores lançados, por uma questão lógica, acabaram por superar o limite máximo de salário contribuição, pois estão vinculados ao conjunto das operações mensais realizadas para cada incorporadora no mês, não a um contribuinte individual determinado, situação na qual aí sim, o limite em questão não poderia ser ultrapassado. Para assim compreender, basta consultar o DD (Discriminativo do Débito) do lançamento. Também por essa via, então, não prosperam as alegações recursais. Fl. 3294DF CARF MF 26 A recorrente se insurge, ainda, contra a qualificação da multa de ofício. Partilhase, nesse particular, do ponto de vista expresso no voto do relator da decisão contestada, o qual restou vencido àquela ocasião. Explico. A fiscalização entendeu, ao justificar a qualificação questionada, que a autuada "atua no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...). Prossegue afirmando que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda para os compradores tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", com ênfase nas contribuições previdenciárias. Ora, a validade da precitada transferência de responsabilidade do pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária contratante para o comprador do imóvel era matéria acerca da qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, nesta última especialmente sob o enfoque consumerista. Não obstante, consoante anteriormente explicitado, quedou assentado em 2016 pelo STJ em recurso repetitivo a validade desse tipo de cláusula contratual, desde que previamente informado o preço do total da aquisição ao comprador, com destaque do valor da comissão. À luz dessa decisão, resta bastante difícil sustentar a tese vertida pela fiscalização, de que se tal proceder teria natureza simulatória voltada para a elisão fiscal. Ainda que possa ter se originado em prática voltada para tais fins, o fato reconhecido judicialmente é que se trata de prática amplamente disseminada no mercado imobiliário, e que restou admitida como harmônica perante o ordenamento jurídico. Quanto ao aspecto da informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser elucidada caso a caso, o que extrapola os limites da presente lide. Assim sendo, e em que pese a multicitada transferência de pagamento não ter a repercussão pretendida pela recorrente, ou seja, ela não traz consequências no que tange ao fato jurídico anterior que acarreta sua sujeição passiva como contribuinte dos tributos exigidos, temse que não há elementos adicionais suficientes circunstanciados no auto de infração aptos a respaldar a qualificação da multa de ofício, a qual deve ser exonerada do lançamento. Por fim, no que concerne aos juros sobre a multa de ofício, cabe lembrar o caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.283 27 Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Do recurso voluntário da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. Fl. 3296DF CARF MF 28 De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., por ser esta sóciamajoritária da autuada com 51% do seu capital social, integrando grupo econômico formado por cerca de 23 empresas coligadas/controladas atuante no ramo imobiliário, o que atrai a incidência do art. 124, inciso I do CTN e do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91. A atribuição de responsabilidade solidária com fulcro no interesse comum carece, entendese, de elementos adicionais outros que não a mera participação societária de uma pessoa jurídica em outra. Não obstante, é de ser salientado que a própria empresa tida como responsável admite no seu recurso fazer a autuada parte do grupo econômico por ela capitaneado. Diante de tal realidade, e a despeito das considerações vertidas pela recorrente, dado o princípio da legalidade aplicase de plano o disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 2º, § 2º da CLT: Lei nº 8212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) X as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; DecretoLei nº 5.452/43 Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Convém registrar que o inciso IX do art. 30 da Lei de Custeio não traz ressalva alguma sobre a exclusão das penalidades da sujeição passiva solidária. De qualquer maneira, a multa de ofício, penalidade que restou mantida após o presente julgamento, não prescinde do dolo específico referido pela recorrente,para sua aplicação, pois decorre do descumprimento objetivo do dever de pagar ou recolher a contribuição, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Havendo observado a autoridade fiscal a legislação supra explicitada, não prospera o recurso da pessoa jurídica responsável solidária. Dos recursos voluntários de Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.284 29 A atribuição de responsabilidade solidária aos epigrafados, amparada nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sóciominoritário Marco Antonio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Bom, conforme mencionado linhas acima, não se concebe que a mera participação no quadro societário de empresa ampare a imputação de solidariedade conforme previsto no art. 124, inciso I do CTN. Por outro lado, o que aparenta ser a justificativa para a aplicação do art. 135, inciso III do CTN atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos está contida na passagem acima 'participarem conjuntamente com a empresa autuada da iliegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos'. Ora, como dantes abordado, o próprio intérprete máximo da legislação infraconstitucional, em sede de recurso repetitivo, já firmou não haver ilegalidade, a princípio, nesse gênero de transferência. Adicionalmente, anotese que não restou apontada qualquer outra violação legal, contratual ou estatutária. Frente a tais constatações, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária aos referidos sócios da autuada. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, e de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para fins de excluir Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini da responsabilidade solidária, e de cancelar a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 3298DF CARF MF 30 Declaração de Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Parabenizo o i.Cons. Relator pelas bem expostas palavras, pormenorizada análise dos autos e fundamentada argumentação jurídica. A verdade, entretanto, é que divirjo na própria essência da causa, razão pela qual apresento a seguir os fundamentos do meu voto. Conforme o relatório apresentado, tratase de lançamento de Contribuições Previdenciárias em função de a Contribuinte ter tomado serviços de intermediação imobiliária de segurados contribuintes individuais, especificamente pelo pagamento de remuneração a título de comissão ou prêmio de vendas de imóveis. Em outras palavras, o "serviço" que a autoridade lançadora indica ter sido exercido pelos corretores pessoas físicas à Contribuinte foi a intermediação na venda/compra dos imóveis, i.e., na corretagem propriamente dita. Acontece que o contrato de corretagem, especificamente intermediação imobiliária identificada pela autoridade lançadora, é ato comercial autônomo do profissional perante as partes que almejam o contrato envolvendo o imóvel, seja vendedorcomprador, seja locadorlocatário, seja ainda permutantes ou contrato de qualquer outra natureza. Especificamente, observase que a Recorrente não é nenhuma desses, mas sim corretora, de forma que entre eles não houve sequer contrato de corretagem, mas sim outro, seja empregatício, seja associativo. Em qualquer deles, entretanto, certo é que não há prestação de serviços na intermediação imobiliária. Essa matéria não é nova nesse Conselho. O CARF já enfrentou o problema de definir se há ou não prestação de serviços em contrato de corretagem em inúmeras oportunidades, ora aceitando e ora negando a viabilidade dessa incidência. A título exemplificativo, convém apresentar precedentes em ambos os sentidos. A Favor: Acórdão CARF nº 2302003.573, de 20/01/2015: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.285 31 prestação de serviços, ainda que a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, devese verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). Contra: Acórdão CARF nº 2803003.816, de 05/11/2014: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização / julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores / consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil / Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores / consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação Fl. 3300DF CARF MF 32 de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 723 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Acontece que, se é fática a existência de contenda, a qual inclusive é válida do ponto de vista acadêmico, a questão encontrase respondida claramente pela Lei nº 10.406/2002, denominada Código Civil, que estabelece: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A Lei é clara: na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. Onde a Lei é expressa, desnecessárias maiores interpretações: não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil expressamente afirma que não tem essa natureza. É imperioso registrar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 110, estabelece que a Lei tributária não pode alterar a definição de institutos de direito privado. Se nem mesmo a "Lei tributária" pode alterar esses conceitos, com ainda mais razão é possível afirmar que não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em mera interpretação do aplicador do direito. Efetivamente, se a Lei tributária não poderia afirmar que o contrato de corretagem é prestação de serviço para fins de incidência da Contribuição Previdenciária porquanto estaria contradizendo o próprio CTN e o CC/2002 , com ainda mais razão se nega ao intérprete tal poder. Esse motivo é, por si só, suficiente para determinar o cancelamento do auto de infração, vez que imputase a corretagem como hipótese de prestação de serviço, o que a Lei expressamente definiu em contrário. Ainda assim, apenas a título subsidiário, caso se entendesse que este e.CARF pode deixar de aplicar a Lei o que é expressamente vedado , passo ao esclarecimento de ordem doutrináriajurídicalógica. A corretagem é o contrato pelo qual uma pessoa, o corretor, é contratado por outra, o incumbente, para encontrar um negócio. No contrato de corretagem, o corretor não atua como mandatário, não tendo poder para representar o incumbente nem para firmar contrato em nome dele. Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.286 33 Tampouco é locador de serviço; o corretor não está obrigado a realizar determinada prestação especifica, não sendo obrigado a comissivamente buscar o negócio, anunciar o imóvel nem a contatar potenciais compradores. Se o corretor, contratado sem nenhuma cláusula acessória, nada fizer, simplesmente aguardar que algum comprador o procure por sorte, não estará em mora. Em suma, no contrato de corretagem não se contrata determinada atividade, determinada prestação, mas sim para que seja alcançado determinado resultado, qual seja, a conclusão de um negócio. No contrato de corretagem, só há adimplemento da obrigação do corretor se este encontrar um negócio. Ainda que o corretor tenha realizado todos os esforços possíveis, ou nenhum, não terá feito a corretagem se não tiver encontrado um negócio. Exatamente por isso é que não se pode falar em prestação de serviços pela intermediação do corretor, inclusive imobiliário, independente de estar dias a fio à disposição do incumbente, buscando encontrar negócio, mas se pode falar em corretagem quando o corretor, sem comparecer única vez in loco, encontra um negócio para o incumbente. Diferente é a hipótese em que, ao contrato de corretagem, acrescentamse outras obrigações, acessórias ou mesmo principais, alterando a natureza do negócio jurídico. Efetivamente, como bem chama atenção SILVIO VENOSA, "A maior dificuldade em fixar a natureza jurídica desse contrato (de corretagem) devese ao fato de que raramente o corretor limitase à simples intermediação. Por isso, para a corretagem acorrem princípios do mandato, da locação de serviços, da comissão e da empreitada, entre outros. Quando um desses negócios desponta como atuante na corretagem, devem seus respectivos princípios de hermenêutica ser trazidos à baila. Para que seja considerada corretagem, a intermediação deve ser a atividade preponderante no contrato e na respectiva conduta contratual das partes." 2 Como esclarecido acima, o contrato de corretagem é o negócio pelo qual o incumbido se obriga a encontrar um negócio. Podem, entretanto, as partes (corretor e incumbente) acordar que ao contrato de corretagem serão acrescentadas outras obrigações. São exemplo: podem acordar que o corretor seja obrigado a anunciar o negócio (imóvel, no caso em tela) em determinado site ou outdoor; seja obrigado a contatar número mínimo de clientes por semana; seja obrigado a ficar em determinado estande de vendas por certo número de horas, a atender o telefone, a panfletar etc. Nesses casos, quando são acrescentadas apenas cláusulas ou obrigações acessórias, o contrato de corretagem alterase, podendo, ou não, perder a sua essência. Nessa senda, não custa relembrar a lição de PONTES DE MIRANDA que aponta as diversas correntes possíveis em relação à natureza do contrato de corretagem. In verbis: "O contrato de corretagem pode ser contrato unilateral (só o que outorga se faz devedor e obrigado), ou bilateral (outorgante e outorgado devem e são obrigados), ou plurilateral. Por êle, o outorgante fica vinculado a pagar ao corretor remuneração (dita comissão; melhor corretagem) pela comunicação de quando e de como pode concluir o contrato, ou de como por outorgar poder 2 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 682. Fl. 3302DF CARF MF 34 de intermediação, aí sem representação, ao corretor. O elemento de serviço ou de obra que entra no contrato de corretagem não lhe tira a característica, se criados o dever e a obrigação de desenvolver atividade e de comunicação, para se poder ter o ensejo de negociação: bilateralizase o contrato, quebrando a unilateralidade, ou ao lado dessa (C. E. RIESENFELD, Der Civilmakler. Gruchots Beiträge, 37, 277 e 847; W. REULING, Provisionsansprüche, 40, 193; E. RIEZLER, Der Werkvertrag, 91; H. SIBER, Der Rechtszwang, 48 s.). Pela bilateralidade, sempre, mesmo se não ocorre dever e obrigação por parte do corretor: C. CROME (Die partiarischen Rechtsgeschäfte, 45; System, II, 709), F. SCHOLLMEYER (Recht der Schuldverhältnisse, 113), PAUL OERTMANN (Das Recht der Schuldverhältnisse, 759 s.) e OTTO VON GIERKE (Deutsches Privatrecht, III, 709). Se o corretor não assume o dever de desenvolver atividade, a fim de poder informar o outorgante, a sua prestação de informar é que determina o direito a receber remuneração. Isso não quer dizer que, sendo unilateral o contrato, não fique vinculado, não pode praticar atos contrários aos interêsses do outorgante, tem dever de discrição, não pode, de má fé, com dano para o outorgante, suspender a atividade que voluntàriamente começou, nem pode usar essa atividade para informar a outrem, com dano para o outorgante. Se o corretor assume o dever de desenvolver atividade necessária à obtenção do informe e de informar, ou a prestar o informa que já tem, bilateralizase o contrato de corretagem. A opinião que sustenta desnaturarse, com a bilateralização, o contrato, tornandose, apenas, contrato de serviço, parte de que: a) o contrato ou é de corretagem ou é de serviço; b) não se pode pensar em incidirem as regras jurídicas sôbre corretagem e, subsidiàriamente, as regras jurídicas sôbre contrato de serviços." 3 Em suma, no contrato de corretagem per si, não há locação (prestação) de serviço, mas mera autorização para o corretor, que fica obrigado a anunciar que encontrou um negócio, e obrigação para o incumbente, que fica obrigado a pagar a corretagem em caso de resultado útil. Podem ser acrescentados ao contrato de corretagem, é verdade, outras obrigações, inclusive a de prestar determinados serviços (como a propaganda, a panfletagem etc.), os quais, entretanto, não são presumidos porquanto não fazem parte da essência do negócio. Ainda assim, é necessário distinguir a causa (antecedente jurídico) do pagamento ao corretor: se o pagamento é pela corretagem propriamente dita, ou seja, por ter encontrado um negócio, então as obrigações acessórias não são remuneradas; se, de outro lado, o pagamento é pelo adimplemento das obrigações acessórias descritas permanecer no stand de vendas, fazer ligações ou propaganda etc. , então sim é que o pagamento decorre da prestação de serviços. Neste caso, porém, o pagamento será devido independente de ter ou não encontrado o negócio. Nesse sentido, inclusive, com grande simplicidade, o incomparável PONTES DE MIRANDA: 3 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 427. Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.287 35 "O corretor é remunerador pelo resultado. O locador de obra ou de serviço, pela obra ou pelo serviço."4 Frisase: o corretor pode prestar serviços. São exemplos exatamente o "ficar à disposição do incumbente", o "panfletar", o "elaborar laudo de avaliação do imóvel" etc. Nestes casos o pagamento é pelo serviço prestado, e naturalmente está dissociado da conclusão de um negócio envolvendo o imóvel (venda, locação, permuta etc.). Esses serviços são inconfundíveis com o ato comercial de intermediação. Esclarecidas essas questões, voltando ao caso concreto, constatase que a autoridade lançadora afirmou que houve prestação de corretagem. Em que pese tenha identificado algumas obrigações acessórias, reconhece que a base de cálculo é composta pelos pagamentos efetuados a título de corretagem, e não como contraprestação por essas outras obrigações. Ainda que se pudesse configurar a corretagem como hipótese de prestação de serviço do corretor em prol do incumbente, o que já foi afastado acima, é necessário analisar ainda outra questão que, ab ovo, fere de morte o presente lançamento: qual a relação entre os contribuintes autônomos corretores pessoas físicas e a Recorrente? Concluiu a autoridade lançadora que, tendo a Contribuinte exercido atividade de intermediação, e não estando os corretores pessoas submetidos às regras da relação de trabalho, então estavam prestando serviços. Excluiu, contudo, a possibilidade de que os corretores pessoas físicas estivessem atuando em parceria com as corretoras pessoas jurídicas. A verdade é que o Código Civil estabeleceu que: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Percebese que a Lei estabeleceu a presunção de que o vínculo entre dois corretores é de parceria. Tratase de uma norma dispositiva: presumese existir parceria, mas esse vínculo pode ser afastado ou alterado, desde haja ajuste em contrário. Em outras palavras, não apenas é plenamente possível que dois ou mais corretores atuem em parceria como, na falta de provas de que as partes e não um terceiro, como é a autoridade lançadora estipularam em contrário, essa é a natureza da relação entre si. Mais uma vez, socorremonos da doutrina: "Na hipótese de ser a corretagem conjunta, ou seja, mais de um corretor intermediar a realização do negócio, o preço da mediação será dividido em partes iguais, pelo número de corretores participantes, salvo expressa disposição contratual em contrário." 5 E 4 F. C. PONTES DE MIRANDA, Tratado de direito privado, t. 43, atual. Cláudia Lima Marques e Bruno Miragem, São Paulo, Revista dos Tribunais, 2012, p. 430. 5 CORNETTI, Marcelo Tadeu, Direito comercial direito de empresa, São Paulo, Saraiva, 2009, p. 161 Fl. 3304DF CARF MF 36 "Se forem vários os corretores a participação da intermediação, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. É comum que negócios de grande e médio porte tenham participação de vários corretores. Divergindo eles sobre a partilha da comissão, cabe ao comitente consignála em juízo. No caso concreto, pode ser necessário averiguar a participação efetiva de cada corretor em cada intermediação e se não foi estabelecido percentual diverso para cada um." 6 Assim, não bastava demonstrar que os corretores pessoas físicas tinham algum vínculo com a Contribuinte; deveria a autoridade lançadora ter demonstrado que a Contribuinte atuava como tomadora do serviço, enquanto as pessoas físicas lhe prestavam serviços, eram suas subordinadas, jamais podendo estar alçadas ao patamar de parceiras. E, mais, que a remuneração era devida em função do serviço, e não pela corretagem. Ora, ainda que se entendesse que a corretagem é prestação de serviço e que houve tomada de serviço in casu o que passaria pela necessária análise da efetiva intermediação de negócios imobiliários pela Contribuinte , o que justifica a afirmação de que foi a Contribuinte quem tomou o serviço dos corretores pessoas físicas? O fato de que ela é uma empresa e eles pessoas físicas? Poderseia argumentar o inverso: que foram eles, pessoas físicas, quem tomaram serviço da Contribuinte, pessoa jurídica; que eles a remuneram, com parte da comissão recebida, pelo trabalho de prospectar incumbentes, de instalar e manter equipamentos, de fazer a panfletagem, de planejar a melhor estratégia de marketing etc. Pode se argumentar que se tratam de serviços que eles, pessoas físicas, tomaram dela, imobiliária, em prol da atividade deles, que é intermediar compra e venda de imóveis. Eles, corretores pessoas físicas, podem tomar esse serviço de qualquer imobiliária ou mesmo fazêlo por conta própria enquanto ela, Contribuinte, é quem dependeria deles, os corretores, na figura de seus clientes, para auferir receita. Podese argumentar que sem a comissão da venda efetuada pelos corretores pessoas físicas, a Contribuinte não sobreviveria. Para que não restem dúvidas: nas relações privadas em sentido amplo, tanto a pessoa física pode prestar serviços às pessoas jurídicas, como estas podem prestar aquelas. Assim, a empresa toma serviços do advogado, do contador, do pintor, mas também o hóspede toma serviço do hotel, o viajante da transportadora, a platéia do cinema etc. Ou seja, não se pode pular à conclusão de que é a pessoa jurídica que toma o serviço da pessoa física simplesmente porque serem, respectivamente, jurídica e física. É necessário buscar extrair quem exerce a atividade e quem remunera. No caso do corretor pessoa física e da imobiliária exatamente por ser um contrato de parceria é possível identificar que ambos exercem atividades: a pessoa física é quem conclui o negócio, com contata o cliente final etc.; a pessoa jurídica é quem encontra o negócio, quem organiza a propaganda, quem cuida das formalidades. Novamente: é plenamente admissível observar o negócio assim: o corretor pessoa física, profissional que é, precisa de um espaço físico, de estrutura de atendimento etc., mas, não desejando despender tempo nem dinheiro com esses investimentos, prefere remunerar uma imobiliária pelo direito de usar suas estrutura. Inclusive, o parecer jurídico anexado aos autos relata que, em pesquisa de mercado, foi identificado que a maior parte dos negócios não é concluído no stand de vendas, mas sim pela carteira de clientes privada do corretor. Ainda que compartilhe das ressalvas do relator em relação aos dados concretos alcançados, percebese que a experiência prática leva a conclusões dessa natureza: é comum em visitas a stand de vendas que os corretores ali 6 VENOSA, Sílvio, Código Civil interpretado, São Paulo, Atlas, 2010, p. 686. Fl. 3305DF CARF MF Processo nº 10166.724559/201401 Acórdão n.º 2202004.569 S2C2T2 Fl. 3.288 37 presentes busquem firmar um vínculo com o cliente, e que apresentem outros imóveis sempre que perceberem que aquele não é melhor negócio desejado pelo potencial comprador. Nessa senda, percebese que o corretor pessoa física é o principal beneficiário dos "serviços" prestados pela imobiliária, e não o inverso. Mais: ainda que se aceite que o ato de encontrar um negócio é um serviço, em favor de quem é prestado esse serviço? Da pessoa que deseja concluir o negócio, pessoa essa denominada incumbente (porque incumbe o corretor de encontrar o negócio). Quem é o incumbente no caso de compra e venda de imóveis? O comprador ou o vendedor do referido imóvel. Podese imaginar que outro corretor (pessoa física ou jurídica), enquanto corretor, seja incumbente? Não faz sentido, uma vez que esse outro corretor, stricto sensu, não tem poder de concluir o negócio, não representa as partes e nem tem mandato, de forma que somente o incumbente (vendedor ou comprador) é quem pode efetuar a venda ou a compra. Na dúvida, portanto, ainda que se concebesse que a corretagem prestada pelos contribuintes autônomos fosse considerada prestação de serviço, essa prestação não teria sido realizada em prol da Recorrente, verdadeiramente uma parceira, e sim das incumbentes (os proprietários dos imóveis ou dos compradores). Ora, reforçase a tese de que haveria parceria, no caso concreto, o fato de que, tal como descrito no transcrito art. 728, a remuneração (corretagem) era repartida entre os corretores e a Recorrente. Mais uma vez, enquadrase perfeitamente na hipótese do art. 728, i.e., parceria ou associação. Voltando assim à leitura da Lei, é perceptível que apesar da clareza solar dos arts. 722 e 728 do CC/2002 os aplicadores do direito continuaram extrair uma natureza prática do vínculo diversa daquela expressamente definida no CC/2002. Exatamente para eliminar quaisquer dúvidas, o legislador alterou a Lei nº 6.530/1978, que regulamenta especificamente a profissão do corretor de imóveis, amiudando a questão do vínculo entre o corretor pessoa física e a imobiliária (corretora pessoa jurídica). Nesta, observamse inúmeras previsões legais relevantes ao deslinde do litígio, principalmente: Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. (...) § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) (...) § 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Fl. 3306DF CARF MF 38 Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) Ora, a Lei especifica do corretor de imóveis ratifica o comando do Código Civil, explicitando ainda mais a norma. Não deixa dúvidas nem qualquer margem de interpretação quanto à natureza da relação entre o corretor de imóveis pessoa física e a imobiliária: ou há vínculo empregatício ou há associação. Melhor dizendo, se não for empregado hipótese em que fará jus a salário, não dependendo exclusivamente da corretagem , o corretor pessoa física será associado a uma imobiliária para fins de determinado empreendimento ou negociação. Configurase, portanto, contrato de associação, e não de prestação de serviços. Não há, nesta última hipótese, prestação de serviços de um a outro, nem pagamento ou remuneração. Configurase, verdadeiramente, a hipótese do art. 728 do CC/2002, na qual dois ou mais corretores atuam em conjunto para a conclusão do negócio. E, novamentem em conformidade com o art. 728 do CC/2002, tendo atuado em conjunto, os corretores (pessoas físicas e jurídicas) fazem jus ao compartilhamento da corretagem. Não à toa foi imputado aos corretores pessoas físicas parte das corretagens, e não a sua integralidade. Essa natureza associativa só será distorcido se for configurado um vínculo empregatício de um em relação ao outro, que depende dos requisitos do art. 3º da CLT. Em suma, corretagem não configura prestação de serviço. Ainda que assim não fosse, a Contribuinte não é a incumbente, e sim parceira dos corretores pessoas físicas, de forma que não é ela quem remunera eles, mas sim compartilha a remuneração paga pelo incumbente seja o comprador, seja o vendedor do imóvel. Concluise, portanto, que não há o fato gerador e, subsidiariamente, que é parte ilegítima para figurar no polo passivo da presente autuação. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Fl. 3307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720035/2016-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes. A apresentação de recibos médicos simples com valores incompatíveis com os títulos de crédito utilizados para pagamento não é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física
Numero da decisão: 2202-004.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Waltir de Carvalho e Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DESPESAS MÉDICAS. Recorrente ALICE FETTER TORRACA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A legislação tributária permite a dedução, na declaração de rendimentos, dos pagamentos efetuados pelo contribuinte a título de despesas médicas relacionada a tratamento próprio e de seus dependentes. A apresentação de recibos médicos simples com valores incompatíveis com os títulos de crédito utilizados para pagamento não é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Waltir de Carvalho e Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosy Adriane Silva Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 35 /2 01 6- 93 Fl. 72DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas no valor de R$16.000,00. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) Alega que as despesas médicas objeto do presente caso, cujo valor atinge o montante de R$16.000,00 (dezesseis mil reais) pagas ao odontólogo Jefferson Adão de Almeida Matos, destinadas a custear tratamento odontológico da própria declarante, ora Recorrente (fls. 03). b) Juntou documentação a fim de corroborar/fundamentar suas alegações, sendo ela composta por: cheques (fls. 05/08); somatória feita por contador (fls. 09), recibos simples (fls. 10/13) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) negou provimento à Impugnação (fls. 39), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa da dedução de despesas médicas não comprovadas devidamente. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 50/59), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) Declaração de recebimentos dos pagamentos do tratamento no valor de R$16.000,00; b) Relatório do tratamento; c) Exame clínico, previsão de honorários, tratamento executado, termo de consentimento para a realização de implantes dentários (Jeferson A. A Matos); d) Foto da radiografia dentária feita pela empresa CROPP radiologia odontológica. e) Intimação 132/2016. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10140.720035/201693 Acórdão n.º 2202004.473 S2C2T2 Fl. 65 3 É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com despesas médicas é tratada pelo art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, in verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Fl. 74DF CARF MF 4 V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifamos) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: "Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifamos). A decisão recorrida manteve a glosa das despesas médicas efetuadas com base nos seguintes fundamentos: Analisando os documentos de prova apresentados com a peça impugnatória, concluise que os recibos anexados (fls. 10/13) já haviam sido analisados em revisão efetuada pela equipe da malha fiscal conforme descrito no lançamento fiscal (fl. 29). Ressaltese que a motivação do lançamento fiscal foi, em síntese, a não comprovação do efetivo pagamento e a prestação do serviço. Os cheques cruzados (fls. 05/08), apresentados juntamente com a peça impugnatória, não são nominais ao profissional Jeferson Adão de Almeida Matos e não coincidem com os valores e datas dos recibos, não se prestando à prova do efetivo pagamento ao profissional. Também não foram apresentadas provas da efetiva prestação do serviço, tais como exames, radiografias, fichas técnicas do paciente, etc. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10140.720035/201693 Acórdão n.º 2202004.473 S2C2T2 Fl. 66 5 Dessa forma, entendese que não foram atendidos o art. 73 e o art. 80 "caput" e § 1°, incisos II e III, do Decreto n° 3.000/99 acima transcritos. Intimada da referida decisão, a Contribuinte, juntou, em fase recursal, os documentos de fls. 52/59 por meio dos quais procura corrigir as objeções apontadas no Recurso Voluntário. Na declaração de fls. 53 o cirurgião dentista Jeferson Adão de Almeida Matos atesta o recebimento dos valores declarados e informa que os cheques juntados à impugnação (fls. 05/08) foram por ele recebidos foram repassados à terceiros. Atesta, ainda, que tais valores foram informados em sua DIRPF. Além disso, às fls. 54/59 o referido profissionais discrimina os procedimentos aos quais a Recorrente foi submetida. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013) Fl. 76DF CARF MF 6 "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014). A documentação juntada ao Recurso Voluntário (fls. 53/59) é apta a comprovação da prestação de serviços, bem como do seu pagamento ao profissional de saúde. Ademais, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9202003.528, concluiu que a apresentação de recibos médicos, corroborados por laudos, fichas e exames sobre os quais não tenha sido apontado qualquer indício de falsidade são suficientes para autorizar a dedução mesmo que não tenha sido comprovada a efetividade dos pagamentos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial provido." De acordo com o voto do Conselheiro Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, a exigência da comprovação dos pagamentos é prevista como uma forma alternativa de comprovação. Vale dizer, quando o contribuinte não possuir os recibos, laudos, etc, a legislação confere a ele a faculdade de comprovar os gastos, nestes termos: Observese, que a exigência pretendida pela fiscalização, corroborada pelo Acórdão recorrido, qual seja, a existência de cheques nominativos e/ou extratos bancários é contemplada pela legislação de regência de maneira alternativa. Em outras Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10140.720035/201693 Acórdão n.º 2202004.473 S2C2T2 Fl. 67 7 palavras, estabeleceu o legislador que tais provas deverão ser exigidas na falta de documentação comprobatória da prestação e pagamento dos serviços médicos e/ou outros. Na hipótese dos autos, a contribuinte comprovou a efetividade e pagamento dos serviços médicos mediante apresentação dos recibos do profissional, não tendo a fiscalização declinado qualquer fato que pudesse macular a idoneidade de aludida documentação. Corroborou, ainda, os recibos ofertados com Laudos, fichas e Exames Médicos, de fls. 25/30, acostados aos autos junto à impugnação, confirmando a prestação do serviço e o recebimento do respectivo pagamento. (grifamos) No caso dos autos, não foi apontado qualquer indício de falsidade nos mencionados documentos juntados, motivo pelo devem ser aceitos para comprovação da despesa. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912280/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 80 /2 01 2- 18 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912280/201218 Acórdão n.º 3201003.808 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.653, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912280/201218 Acórdão n.º 3201003.808 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912280/201218 Acórdão n.º 3201003.808 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.912280/201218 Acórdão n.º 3201003.808 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720212/2014-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos aos autos, em especial os citados acima, bem como todos os demais que entender oportuno trazer aos autos, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo: (i) se todos os débitos listados no Termo de Indeferimento de Opção, e em especial os de nº 1321100101299 e nº 1361100211662, foram efetivamente incluídos em parcelamento; (ii) em qual a situação em que esses parcelamentos se encontram; e (iii) se há algum débito que foi listado no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que porventura não estava com a exigibilidade suspensa na data de 31/01/2014.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos aos autos, em especial os citados acima, bem como todos os demais que entender oportuno trazer aos autos, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo: (i) se todos os débitos listados no Termo de Indeferimento de Opção, e em especial os de nº 1321100101299 e nº 1361100211662, foram efetivamente incluídos em parcelamento; (ii) em qual a situação em que esses parcelamentos se encontram; e (iii) se há algum débito que foi listado no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que porventura não estava com a exigibilidade suspensa na data de 31/01/2014. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos aos autos, em especial os citados acima, bem como todos os demais que entender oportuno trazer aos autos, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo: (i) se todos os débitos listados no Termo de Indeferimento de Opção, e em especial os de nº 1321100101299 e nº 1361100211662, foram efetivamente incluídos em parcelamento; (ii) em qual a situação em que esses parcelamentos se encontram; e (iii) se há algum débito que foi listado no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que porventura não estava com a exigibilidade suspensa na data de 31/01/2014. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .7 20 21 2/ 20 14 -1 0 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13161.720212/201410 Resolução nº 1001000.059 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 59 a 90) interposto contra o Acórdão nº 04 37.671, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (fls. 54 a 55), que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO AO SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos perante a Fazenda Pública Federal e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode ingressar no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "A contribuinte acima qualificada teve o seu pedido de inclusão no Simples Nacional indeferido tendo em vista a existência de dois débitos, sendo um de Contribuição Social relativo à inscrição nº 1361100211662 e outro de IRPJ relativo à inscrição nº 1321100101299, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional com data de registro em 19/02/2014 (fls. 13). Apresentou manifestação de inconformidade em 21/02/2014 (fls. 0204), alegando, em síntese, que regularizou os débitos, tendo recolhido os débitos de PIS, Cofins, IRPJ e CSLL à vista, conforme DARFs anexos. Os débitos junto à PGFN foram parcelados com o pagamento da primeira parcela em 28/01/2014, conforme DARFs anexos. Por fim, solicitou o seu enquadramento no Simples Nacional. Juntou cópias de documentos de fls. 05 e seguintes." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, a Recorrente apresentou o presente Recurso alegando que todas os seus débitos se encontravam parcelados antes do termo final do prazo para a opção. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13161.720212/201410 Resolução nº 1001000.059 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, a opção da Recorrente pelo Simples foi obstada pela suposta existência de débitos sem exigibilidade suspensa no termo final do prazo para a realização da opção. Desde a sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente apresentou os documentos de fl. 19 e seguintes comprovando sua regular inscrição de débitos em parcelamento. Em que pese tais documentos trazidos pela Recorrente, a decisão de primeira instância se limitou a dizer que "(...) no extrato Diagnóstico Fiscal da PGFN de 28/01/2014 (fls. 45), constam tais processos como “encaminhados para ajuizamento” ". Os débitos a que se refere a decisão de piso são os de nº 1321100101299 e nº 1361100211662. Compulsando os autos vêse que os débitos supracitados, em que pese na informação de fl. 45 realmente estejam listados como encaminhados para ajuizamento, nos documentos de fls. 79 a 84 ambos constam como situação "ativa parcelada". Outrossim, nas fls. 85 e 86, existem guias de recolhimento referentes à esses débitos. Quer isto dizer que se faz imprescindível para o bom deslinde do presente caso obter a confirmação da real situação de tais débitos. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda à análise e ao cotejo de todos os documentos trazidos aos autos, em especial os citados acima, bem como todos os demais que entender oportuno trazer aos autos, e elabore relatório circunstanciado esclarecendo: (i) se todos os débitos listados no Termo de Indeferimento de Opção, e em especial os de nº 1321100101299 e nº 1361100211662, foram efetivamente incluídos em parcelamento; (ii) em qual a situação em que esses parcelamentos se encontram; e (iii) se há algum débito que foi listado no Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que porventura não estava com a exigibilidade suspensa na data de 31/01/2014. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915815/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como homologar declaração de compensação fundada em crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 15 /2 00 8- 46 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.915815/200846 Acórdão n.º 3302005.436 S3C3T2 Fl. 260 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SP1 assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o contribuinte transmitiu, em 30.06.2005, Declaração de Compensação DCOMP de nº 09689.90738.300605.1.7.040607, objetivando a compensação de suposto crédito por pagamento a maior de PIS não cumulativo do mês de março de 2003, no valor original de R$8.115,36, com débito de PIS não cumulativo do mês de abril de 2003, do mesmo valor original. Sobreveio, em 26.08.2008, Despacho Decisório cientificando o contribuinte da não homologação da compensação declarada, apontando como motivação que o pagamento indicado pelo contribuinte havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Em Manifestação de Inconformidade o sujeito passivo alegou, em síntese, que: a) A compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário, nos termo do art. 156, II, do CTN; b) Em verificação aos seus apontamentos contábeis identificou que o valor efetivamente devido a título de Contribuição ao PIS do mês de março de 2003 era de R$15.959,02, e não de R$24.046,77, como anteriormente declarado e recolhido, conferindolhe, portanto, um crédito decorrente de pagamento a maior no montante de R$8.087,75 (sic); c) A fiscalização entendeu insuficiente o crédito apontado na DCOMP porque o mesmo foi declarado integralmente como devido na DCTF relativa ao período de apuração de março de 2003; Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.915815/200846 Acórdão n.º 3302005.436 S3C3T2 Fl. 261 3 d) Em 15.09.2008, efetuou a retificação da DCTF para fazer constar o efetivo débito apurado e devido de PIS, no montante de R$15.959,02, demonstrando assim a certeza e liquidez do crédito utilizado; Anexou cópia da DCTF original e da DCTF retificadora, esta última transmitida após a ciência do Despacho Decisório. A DRJ/SP1 entendeu que a não homologação da compensação deveria ser mantida, vez que a simples transmissão de DCTF retificadora após a ciência do Despacho Decisório não tem o condão de fazer nascer o direito creditório. O Acórdão recorrido aduz ainda que o direito à compensação está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado, o que não restou demonstrado no presente processo, pois o manifestante não trouxe aos autos nenhum documento que comprove o erro no recolhimento e confiralhe o direito ao crédito por pagamento a maior. No Recurso Voluntário, o recorrente ratificou as alegações da Manifestação de Inconformidade e aduziu ainda: a) Que a DCTF foi retificada antes da Manifestação de Inconformidade, fazendo refletir exatamente as informações que constam de seus livros fiscais; b) Que o fisco dispunha, em seus sistemas, de todas as informações necessárias para confirmar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, tal como a DIPJ 2004; c) Que o fisco em nenhum momento buscou em seus sistemas as informações que confirmam o direito de crédito do contribuinte; d) Que segundo o princípio da verdade material, havendo crédito em montante suficiente para adimplir os débitos declarados, deve a compensação ser homologada, independente de maiores formalidades. Nesse sentido, cita doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello, e também acórdão da DRJ/RJ2, equivocadamente indicado como sendo do CARF (fls 74); e) Que caberia a fiscalização investigar o que realmente aconteceu, ou seja, buscar a verdade material. Pede a reforma da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e anexa cópia da DIPJ 2004, de documentos de habilitação do recorrente e de jurisprudência do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.915815/200846 Acórdão n.º 3302005.436 S3C3T2 Fl. 262 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.915815/200846 Acórdão n.º 3302005.436 S3C3T2 Fl. 263 5 transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em tela, a DCTF original enviada pelo contribuinte continha informações conflitantes com aquelas constantes da DCOMP, impedindo a homologação eletrônica da compensação pretendida. Instaurado o processo administrativo fiscal com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, não se faz suficiente a mera apresentação de cópias de declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ), devendo o conteúdo delas ser confirmado por outros meios de prova nos autos. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos na primeira oportunidade processual, que no caso em análise seria a Manifestação de Inconformidade. Excepcionalmente, em homenagem ao princípio da verdade material, admitir seia a produção de provas complementares em fase recursal, quando destinadas a comprovar fatos cujos indícios já tenham sido apresentados na oportunidade processual adequada. Ocorre, contudo, que até o presente momento o contribuinte não apresentou nenhum indício ou documento que comprove a existência de certeza e liquidez de seu direito creditório, tendo se limitado a fazer alegações e apresentar cópias das declarações transmitidas ao fisco (DCTF, DCOMP e DIPJ). Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Portanto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que deveria o fisco agir para investigar o que aconteceu, consultando em seus sistemas e produzindo ele mesmo as provas do direito creditório que interessa ao contribuinte. Isso porque, por ocasião da Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.915815/200846 Acórdão n.º 3302005.436 S3C3T2 Fl. 264 6 manifestação de inconformidade, o interessado sequer apontou o erro que teria cometido na apuração do tributo e que justificaria a redução do montante anteriormente declarado como devido, deixando ainda de trazer aos autos qualquer documento que ratificasse o contido na DIPJ, e na DCTF retificadora, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento, mantendo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910488/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita.
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelece-se como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerando-se pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Havendo despacho decisório antes de ultrapassado o lapso temporal da decadência, não há que se falar em homologação tácita. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 04 88 /2 01 0- 15 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10680.910488/201015 Acórdão n.º 1401002.439 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: Com vistas a evitar a decadência de seu crédito, apresentou, em 19/05/2005, pedido de restituição, para que não perdesse o direito a sua utilização e durante o prazo de cinco anos a Fazenda Pública não se manifestou a respeito do pedido de restituição, ocorrendo, desta forma, a sua homologação em 19/05/2010. Na data de 24/04/2001, recolheu indevidamente valores a título de CSLL relativos ao anocalendário de 1997. Neste contexto, em 2007, enviou DCOMP (retificada posteriormente), utilizando o crédito de CSLL, para quitar débitos. Ao final requereu a reforma do despacho decisório recorrido para que seja julgada a manifestação de inconformidade procedente, declarando a insubsistência da cobrança do débito constante na Declaração de Compensação não homologada. Após reconhecida a inexistência de decadência em relação ao pedido de restituição protocolado pelo contribuinte, quanto ao mérito, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, considerando as quantias recolhidas a título de tributo administrados Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.910488/201015 Acórdão n.º 1401002.439 S1C4T1 Fl. 4 3 pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de janeiro/1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10680.910488/201015 Acórdão n.º 1401002.439 S1C4T1 Fl. 5 4 Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10680.910488/201015 Acórdão n.º 1401002.439 S1C4T1 Fl. 6 5 CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720041/2015-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ART. 173, I DO CTN.
Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial submete-se à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA NEGADA.
Não há que se falar em preterição da defesa dos recorrentes quando ao ver do julgador os documentos e alegações dispostos nos autos são bastantes para formar sua convicção e seu posterior juízo, nos termos do que dispõe o art. 18 do mesmo Decreto nº 70.235/72.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS DE FATO.
É correta a caracterização da responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN e do art. 135, III do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram cabalmente que embora não integrassem formalmente o quadro societário da empresa autuada, seus representantes de fato tinham interesse comum e, além, eram os percussores da ocultação dos fatos geradores da obrigação tributária, atuando a margem da lei e beneficiando-se diretamente dos recursos não ofertados à tributação.
MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE.
Uma vez identificada a conduta eivada de sonegação, há que se falar na aplicação do art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9430/96, dispositivo em plena vigência e eficácia perante o pátrio ordenamento jurídico.
PRINCIPIO DA INSIGNIFCÂNCIA E INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INAPLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Uma vez definida a reponsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I do CTN, não há que se falar na individualização da pena, tampouco no princípio da insignificância, pois os responsáveis passam a responder pela totalidade do crédito tributário. Aqui são prevalecentes os institutos específicos previstos no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ART. 173, I DO CTN. Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial submete-se à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA NEGADA. Não há que se falar em preterição da defesa dos recorrentes quando ao ver do julgador os documentos e alegações dispostos nos autos são bastantes para formar sua convicção e seu posterior juízo, nos termos do que dispõe o art. 18 do mesmo Decreto nº 70.235/72. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS DE FATO. É correta a caracterização da responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN e do art. 135, III do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram cabalmente que embora não integrassem formalmente o quadro societário da empresa autuada, seus representantes de fato tinham interesse comum e, além, eram os percussores da ocultação dos fatos geradores da obrigação tributária, atuando a margem da lei e beneficiando-se diretamente dos recursos não ofertados à tributação. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Uma vez identificada a conduta eivada de sonegação, há que se falar na aplicação do art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9430/96, dispositivo em plena vigência e eficácia perante o pátrio ordenamento jurídico. PRINCIPIO DA INSIGNIFCÂNCIA E INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INAPLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Uma vez definida a reponsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I do CTN, não há que se falar na individualização da pena, tampouco no princípio da insignificância, pois os responsáveis passam a responder pela totalidade do crédito tributário. Aqui são prevalecentes os institutos específicos previstos no Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.720041/201543 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.254 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria IRPJ Recorrente STAR METAL'S INDUSTRIA E COMERCIO DE METAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. ART. 173, I DO CTN. Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA NEGADA. Não há que se falar em preterição da defesa dos recorrentes quando ao ver do julgador os documentos e alegações dispostos nos autos são bastantes para formar sua convicção e seu posterior juízo, nos termos do que dispõe o art. 18 do mesmo Decreto nº 70.235/72. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA E PESSOAL DOS SÓCIOS DE FATO. É correta a caracterização da responsabilidade solidária nos termos do art. 124, I, do CTN e do art. 135, III do CTN, visto que as provas trazidas aos autos demonstram cabalmente que embora não integrassem formalmente o quadro societário da empresa autuada, seus representantes de fato tinham interesse comum e, além, eram os percussores da ocultação dos fatos geradores da obrigação tributária, atuando a margem da lei e beneficiandose diretamente dos recursos não ofertados à tributação. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Uma vez identificada a conduta eivada de sonegação, há que se falar na aplicação do art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9430/96, dispositivo em plena vigência e eficácia perante o pátrio ordenamento jurídico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 41 /2 01 5- 43 Fl. 5013DF CARF MF 2 PRINCIPIO DA INSIGNIFCÂNCIA E INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INAPLICABILIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Uma vez definida a reponsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I do CTN, não há que se falar na individualização da pena, tampouco no princípio da insignificância, pois os responsáveis passam a responder pela totalidade do crédito tributário. Aqui são prevalecentes os institutos específicos previstos no Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, apurados pelo Lucro Real (2010) e pelo Lucro Arbitrado (2011), respectivamente nos montantes de R$ 56.275.438,51 e R$ 20.385.081,40, e de PIS e COFINS, apurados pelo regime nãocumulativo em 2010 e pelo regime cumulativo em 2011, respectivamente nos totais de R$ 3.949.521,71 e R$ 18.194.390,74, todos acrescidos dos correspondentes juros de mora e multa no percentual de 150%. A infração apurada norteia a comprovação inidônea de custos e omissão de receitas da atividade nos anoscalendário de 2010 e 2011. No curso da fiscalização constatouse “... que a autuada STAR METAL'S simulava ter comprado mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que Fl. 5014DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 3 3 atuavam como pseudofornecedoras, as chamadas "noteiras", que não possuíam existência de fato. Nessa acepção fática, a STAR METAL'S transacionou fictamente com as seguintes empresas inexistentes, totalizando mais de R$ 74 milhões no período de 2010 em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta, conforme mostrado em sua Contabilidade apresentada via SPED, e abaixo demonstrado”: Além disso, “A empresa, inexistente de fato, conforme diligência fiscal levada a efeito em seu endereço (DOCTO 26), movimentou em instituições financeiras recursos que juntos somam mais de R$ 124 milhões no período de 2009 a 2011, conforme dados extraídos das Declarações de Movimentações Financeiras DEMOF. Esta empresa centralizava sua movimentação financeira na conta corrente 477028 mantida na Agência 0559 SP/USPRadial Leste do Banco Bradesco S/A”. A contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2008 a 2010, sendo adotada a forma de tributação LUCRO REAL, entretanto, entregou tais declarações com valores zerados. Do Procedimento Fiscal Alguns pontos importantes do trabalho fiscal foram exaltados pela autoridade julgadora de primeira instância, de modo que peço vênia para, nessa oportunidade, reproduzi los em parte: Tendo em vista a não apresentação dos extratos bancários de contacorrente, de aplicações financeiras e de cadernetas de poupança, entre outros documentos, e considerando “... o indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato, emitiuse em 28/06/2013 a Solicitação de Emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira Fl. 5015DF CARF MF 4 (RMF) ao BANCO BRADESCO S/A...”, a qual foi emitida em 02/07/2013, com ciência em 10/07/2013. (...) Em 14/08/2013 o Banco Bradesco S/A encaminhou os documentos solicitados em RMF e declarou “... que não localizou instrumento de procuração e/ou autorizações para realização de transferências nos arquivos da referida conta (CARTA BRADESCO). Constam no cartão de assinaturas, as assinaturas de ANTONIO UBIRATÃ BIANCHI e ANDRÉ SORRENTINO (CARTÃO DE ASSINATURAS BRADESCO)”. (...) Em 12/02/2015 foi lavrado “... o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, via Edital n. 19/2015, publicado no Diário Oficial da União DOU em 18/02/2015 (TERMO DE 1202 2015), tendo sido o contribuinte cientificado, portanto, em 06/03/2015 (16° dia de publicação do Edital), onde /informamos que o contribuinte STAR METAL'S foi identificado na qualidade de destinatário de notas fiscais emitidas pelas empresas DOGMA, FUNDIÇÃO SIDERAL, KROMAL, MEGA METAL, FRAGA, POLIMET, MURION, ROTHAPLASMET e TEKNOYA, no período de apuração determinado para esta ação fiscal, conforme extração dos dados via Sistema Público de Escrituração Digital – Escrituração Contábil Digital — SPED/ECD, mostrado nas tabelas em anexo a este termo”: (...) Neste mesmo termo, foi informado à “... contribuinte que houve a constatação de indícios de irregularidades nestas empresas citadas tais como: a empresa não possuir registro de movimentação financeira, no entanto ter emitido notas fiscais eletrônicas; a empresa estar omissa em relação à entrega das declarações à Receita Federal; a arrecadação tributária e os vínculos empregatícios são nulos; a empresa ser inexistente de fato; os sócios da empresa possuírem perfil econômicofiscal incompatível com o volume supostamente transacionado por ela. Esses indícios motivaram a instauração do presente procedimento, visto que tais irregularidades refletem nas apurações dos tributos federais, razão pela qual informamos que serão necessárias verificações pontuais”. (...) Apesar de intimada, a contribuinte STAR METAL'S não apresentou elementos que pudessem dar validade ou comprovar a veracidade e a materialidade de suas aquisições de mercadorias dos fornecedores acima listados, conforme intimado, motivos pelos quais todas essas notas fiscais foram glosadas. (...) A STAR METAL'S simulava em sua contabilidade operações comerciais que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com objetivo de aumentar o passivo da conta Fl. 5016DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 4 5 de fornecedores, através de valores que não representavam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência da maioria das empresas fornecedoras, tanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas”. A simulação consistia na emissão de um determinado cheque para o pagamento de um título comercial que, contabilizado em sua escrita fiscal, transparecia aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal a efetiva realização da transação comercial que representava. O rastreamento dos recursos em nível de conta corrente bancária demonstrava a improcedência do lançamento, já que os recursos, em verdade, eram direcionados a terceiras pessoas, físicas e jurídicas, totalmente estranhas às operações que representavam, tudo isso obviamente à margem da escrita contábil e fiscal”. “Na análise da Contabilidade no formato da ECD, mais especificamente das contas contábeis relativas aos fornecedores, a débito, em contrapartida com a conta contábil 11.201 Bco.Bradesco S/A, a crédito, verificamos que em alguns casos a Contabilidade não espelhou a realidade. De acordo com a Contabilidade, os cheques detalhados a seguir foram utilizados para o pagamento de títulos/duplicatas de fornecedores X, Y ou Z. Na análise das fitas/detalhes de caixa apresentadas pelo Banco Bradesco, entretanto, constatamos que estes cheques liquidaram diversos pagamentos diferentes. De fato, foram encontrados vários cheques nesta mesma situação (...) (...) Para uma melhor visualização, a Fiscalização elaborou o seguinte quadro: (...) Fl. 5017DF CARF MF 6 Assim, tendo ficado prejudicado o valor probatório das notas fiscais e não tendo sido comprovada por outros meios a efetividade das respectivas operações de compra de matéria prima, a Autoridade Fiscal efetuou a glosa por apropriação indevida destes custos. (...) Relativamente ao anocalendário de 2010, foi realizada a glosa das compras simuladas para efeito de apuração do Lucro Real, com reflexos no IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assim, a base de cálculo das infrações apuradas foi calculada a partir das notas fiscais irregulares lançadas na contabilidade, nas contas dos fornecedores 20516 DOGMA IND E COM DE METAIS LTDA, 20278 FUND SIDERAL COM DE METAIS LTD, 20565 KROMAL IND.E COM.DE METAIS LTD, 20517 MEGA METAL IND E COM DE METAIS, 20275 FRAGA COM DE METAIS LTDA EPP, 20427 POLIMET IND COM DE ALUM META L, 20562 MURION COMERCIO DE METAIS LTDA, 20515 ROTHAPLASMET COM DE PLAST.META e 20474 TEKNOYA COM ATACAD DE METAIS. (...) Com relação ao anocalendário de 2011, a contribuinte, apesar de intimada, não apresentou a contabilidade do referido ano. Por esse motivo, a Fiscalização arbitrou o lucro nesse período, com base nas notas fiscais eletrônicas emitidas pela STAR METAL'S. (...) Aos lançamentos relativos ao anocalendário de 2010 foi aplicada a multa qualificada, em 150%, “... prevista no Art. 44, inciso I, parágrafo primeiro da lei 9.430/96, bem como a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais Processo n.10932.000003/201490, nos termos da portaria RFB 665 de 24/04/2008...”. Na qualificação da multa tributária, observouse, por determinação legal, o artigo 72 da n° 4.502/64, tendo em vista que a “... contribuinte em epígrafe escriturou em sua contabilidade, em 2010, compras de fornecedores adquiridas através de notas fiscais inidôneas, assim consideradas por terem sido emitidas por empresas que se apresentam com seus registros irregulares nos órgãos competentes, e por serem inexistentes de fato, conforme descrito anteriormente”. (...) Registrese também que restou caracterizado que a contribuinte infringiu os arts. 1 e 2 da Lei n. 8.137/90 e que houve, indiscutivelmente, a prática dolosa, “... reiterada e sistemática de contabilizar pagamentos e operações comerciais fictícias com empresas inidôneas e inexistentes, porquanto conforme um sistema de agir incompatível com as excludentes de negligência ou boafé”. Fl. 5018DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 5 7 (...) Por todo o exposto, a Fiscalização concluiu “... que os sócios realizaram a prática de atos ilícitos com intuito doloso de sonegação de tributos, condição na qual a Fazenda deve responsabilizálo solidariamente, nos termos do Artigo 135 combinado com o Artigo 124, inciso II da Lei n. 5172/66 – CTN”. Assim, um dos Termos de Responsabilidade Tributária tributária foi elaborado em nome do sócio responsável à época do fato gerador, Sr. ANTONIO UBIRATÃ BIANCHI (CPF: 270.014.528 31). No decorrer dos procedimentos fiscais realizados nas fornecedoras da STAR METAL'S, foi constatado que os recursos, após circularem entre as empresas participantes, retornavam às contas correntes daqueles que possuíam o chamado "domínio do fato'' de toda a operação. Nesse sentido, a Fiscalização destaca como mentor intelectual da fraude o Sr. João Natal Cerqueira (CPF: 652.867.82868) que é sócio das seguintes empresas: KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (...);EMPÓRIO DE METAIS LTDA (...);CIMEELI COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA (...);NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (...). De acordo com a Fiscalização, “Visando sempre se manter oculto sob os nomes das empresas do esquema, as empresas acima, que tinham como principal articulador JOÃO NATAL CERQUEIRA, realizavam investimentos que tinham como origem os recursos advindos das empresas "noteiras". Ao cumprirem seus respectivos papéis de abastecerem as empresas inidôneas com recursos necessários para a simulação de transações comerciais conforme já demonstrado, os recursos retornavam ao "caixa" da organização em forma de transferências bancárias e/ou depósitos” No prosseguindo do rastreamento dos recursos financeiros dessas empresas inidôneas, a Autoridade Fiscal verificou qual o modo de circulação dos recursos pelas empresas até alcançar os destinatários finais, reais beneficiários de toda a operação. Nesse sentido, “A base de operações da organização sediada no Estado de Minas Gerais tinha como principal protagonista o empresário JOÃO NATAL CERQUEIRA, sócio em várias empresas e investimentos que, nessas condições, abasteciam as contas correntes mantidas em instituições financeiras em nome das empresas inidônea e "noteiras", principalmente as contas mantidas na agência 0559SP/USP — Radial Leste do Banco Bradesco”. O quadro abaixo apresenta a interrelação de remessas de recursos financeiros entre as empresas que fazem parte do esquema fraudulento, demonstrando de que forma os recursos Fl. 5019DF CARF MF 8 econômicos circulavam entre as empresas e até atingir ao real beneficiário: Fl. 5020DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 6 9 Ao centro aparece a empresa Koprum (CNPJ: 08.759.416/0001 08), a qual, juntamente com a Empório dos Metais (CNPJ: 01.571.597/000197) e Cimeeli Comércio e Industria de Metais e Ligas Ltda (CNPJ: 01.134.263/000156), recebem através da empresa Perfíbrás Ind. E Comércio (CNPJ: 01.035.995/0001 82) os recursos financeiros do esquema fraudulento. Posteriormente, os recursos seguem aos destinatários finais e reais beneficiários do esquema: a Família Cerqueira. (...) restou caracterizada a sujeição passiva solidária dos contribuintes abaixo qualificados, por terem ficado configurados como reais beneficiários das operações da empresa e, portanto, pessoalmente responsáveis pelas infrações à lei cometidas nas operações em nome da empresa ora autuada”: João Natal Cerqueira (CPF 652.867.82868), (...); Rafael Escobar Cerqueira (CPF 070.444.78603), (...);Paulo Henrique Escobar Cerqueira (CPF 060.046.14670), (...); João André Escobar Cerqueira (CPF 078.463.27666), (...);Paulo Cesar Verly da Cruz (CPF 496.131.20700), (...). Impugnações A contribuinte STAR METAL'S INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA e o responsável solidário Antonio Ubiratã Bianchi não apresentaram impugnação. Fl. 5021DF CARF MF 10 Seguindo o relatório da 1ª Turma DRJ/CTA, são destacados os seguintes pontos, ressaltando a similitude das peças de defesa e a consequente identificação da autoria de cada argumento: “(...) Preliminar de Decadência (João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo César Verly) Argumentam os impugnantes que “... em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário extinguese no prazo de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, consoante regra encartada no artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional...”. (...) Salientam os impugnantes que “... a Autoridade Fiscal não logrou comprovar sequer a sua efetiva participação no suposto esquema fraudulento, muito menos qualquer ato pelo mesmo praticado com dolo, fraude ou simulação, razão pela qual resta totalmente afastada a possibilidade de aplicação da regra prevista no art. 173, I, CTN, pela qual o termo a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. (...) Preliminar de Nulidade Incompatibilidade na Fundamentação Legal da Sujeição Passiva Solidária (João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo César Verly) (...) No presente caso, segundo os impugnantes, o Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal é expresso ao fundamentar a sujeição passiva solidária imputada aos impugnantes “... nos artigos 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional”, “... como se dissessem respeito à mesma situação, quando, na verdade, estes dispositivos tratam de institutos essencialmente diferentes e que, na prática, implicam em situações excludentes”. (...) Preliminar de Nulidade Ilegal Quebra Do Sigilo Bancário (Paulo César Verly) (...) Conclui o interessado “... pela cabal nulidade dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, através dos Autos de Infração hostilizados, uma vez que baseados em provas ilícitas, as quais se tornam nulas e imprestáveis”. Fl. 5022DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 7 11 Ilegitimidade Passiva dos Impugnantes Ausência de interesse comum (João André Escobar Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira) Inicialmente, alegam os impugnantes não existe no Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal qualquer comprovação ou indício da existência de uma relação direta entre os impugnantes e a empresa autuada (STAR METAL'S). (...) Afirmam que o Fisco não demonstra qualquer remessa de valores da empresa autuada para os impugnantes, muito menos o inverso, “... não demonstrando objetivamente qualquer ligação direta entre eles, o que se revela imprescindível para a sua inclusão no rol dos responsáveis tributários solidários”. (...) Ausência de interesse comum (Rafael Escobar Cerqueira e João Natal Cerqueira) (...) Entretanto, “... para que haja solidariedade com supedâneo no art. 124, I, CTN é preciso que todos os devedores tenham um interesse focado exatamente na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Ainda que mais de uma pessoa tenha interesse em algum fato, para que haja a solidariedade tributária prevista no art. 124, I, CTN, é necessário que o objeto deste interesse recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação”. (...) “No presente caso, quando a empresa autuada fez circular, mesmo que ficticiamente, a mercadoria, ou quando auferiu renda, não se pode considerar que...” os Impugnantes teriam também realizado a materialidade tributária. Quem praticou estes atos foi apenas a pessoa jurídica. “A prática pessoal do fato gerador de forma conjunta é requisito intransponível para a caracterização do interesse jurídico comum, e sem haver o interesse comum, não há solidariedade com base no artigo 124, I, CTN”. Concluem afirmando que a imputação da sujeição passiva solidária aos impugnantes com base no art. 124, inciso I, do CTN, é equivocada e arbitrária, uma vez que os interessados jamais tiveram qualquer participação nos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2010 e 2011. Fl. 5023DF CARF MF 12 Inconsistência dos fatos na fundamentação da sujeição passiva (João André Escobar Cerqueira) (...) (...) compulsando o “... TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE AÇÃO FISCAL, verificase a inexistência de qualquer ato fraudulento imputado ao ora Impugnante, cujo nome sequer é mencionado no curso do trabalho fiscal, exceto ao final, no quadro constante à página 45, na exclusiva qualidade de sócio da pessoa jurídica ELECTA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES LTDA, a qual não possui qualquer envolvimento na suposta fraude fiscal e, em seguida, arbitrariamente, para indicálo como um dos responsáveis tributários solidários, sob o fundamento de que seria um dos reais beneficiários das operações fraudulentas narradas no trabalho fiscal”. (...) “... sempre figurou no quadro societário da empresa ELÉCTA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES LTDA como SÓCIO MERAMENTE QUOTISTA, sem qualquer poder de administração e gestão, não tendo sido nomeado como administrador no contrato social e alterações ou por Instrumento de Mandato”. “... embora a empresa ELECTA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES LTDA tenha figurado como sócia da empresa KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, no período de 13/10/2010 a 26/10/2011, a administração da empresa KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, era exercida por terceiras pessoas nomeadas em seu contrato social, saltando aos olhos que o Impugnante não pode ser responsabilizado solidariamente pelos supostos créditos tributários exigidos nos Autos de Infração impugnados”. “... todos os recursos indicados no item 9.5.2 como supostamente redirecionados à KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA o foram por meio de transferências ou depósitos de cheques realizados em período anterior à entrada da empresa ELÉCTA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES LTDA no seu quadro societário”. (...) “... resta comprovado no próprio trabalho fiscal que, a partir da Primeira Alteração Contratual da KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, então denominada COMÉRCIO DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 13/10/2010, através da qual houve a alteração do seu quadro societário, não houve mais qualquer redirecionamento dos recursos supostamente originários do esquema fraudulento investigado”. Fl. 5024DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 8 13 (...) Portanto, se, hipoteticamente, a Koprum Indústria e Comércio Ltda “... teria se beneficiado da suposta fraude fiscal, quem deveria ter figurado no rol dos devedores solidários era a mesma e jamais a pessoa física que é sócia da empresa que figurou em seu quadro societário e que sequer possui qualquer poder de gestão...”. (...) Outrossim, “... conforme se verifica no tópico 9.5.2 do TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE AÇÃO FISCAL, no imaginário ‘itinerário’ criado pelo Fisco, inexiste qualquer valor transferido ou depositado para pessoa física do Impugnante...”. Inconsistência dos fatos na fundamentação da sujeição passiva (Paulo Henrique Escobar Cerqueira) (...) Entretanto, compulsando o “... TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE AÇÃO FISCAL, verificase a inexistência de qualquer ato fraudulento imputado ao ora Impugnante, cujo nome apenas é citado no quadro constante à página 45, como sócio da pessoa jurídica ELECTA EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES LTDA e à página 32, como administrador não sócio da pessoa jurídica KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA”. Inconsistência dos fatos na fundamentação da sujeição passiva (Rafael Escobar Cerqueira) No referido termo, a Fiscalização tenta justificar a imputação de responsabilidade solidária ao interessado, quanto aos créditos tributários exigidos, com base em limitadas e infundadas alegações de que: (II) o impugnante é responsável pelo CNPJ da empresa Koprum Indústria e Comércio Ltda na Secretaria da Receita Federal do Brasil (folha 3630); (III) o interessado é sócio da pessoa jurídica Electa Empreendimentos Participações Ltda é administrador da pessoa jurídica Koprum Indústria e Comércio Ltda (folha 3643); (IV) o trabalho fiscal teria constatado a remessa de valores para conta corrente do impugnante que seria um dos reais beneficiários da suposta fraude fiscal investigada pela Fl. 5025DF CARF MF 14 "Operação Corrosão" e um dos reais detentores das riquezas auferidas. (...) Em nenhum momento a Fiscalização apresenta provas “... da efetiva ocorrência deste criativo ‘itinerário’ supostamente percorrido pelos recursos financeiros envolvidos na mencionada fraude fiscal, tampouco comprova que o ínfimo valor de R$ 531.485,90 (quinhentos e trinta e um mil, quatrocentos e oitenta e cinco reais e noventa centavos) recebidos pelo Impugnante de outras empresas teria sido anteriormente transferidos pela empresa Autuada”. Assim, caso o interessado “... tenha efetiva e comprovadamente se beneficiado de forma consciente do recebimento de recursos originários de práticas fiscais ilícitas por parte de terceiros (pessoas físicas ou jurídicas) o que se admite apenas por amor ao debate, é de se destacar que caberia, no máximo, a sua responsabilidade tributária solidária em relação aos eventuais débitos fiscais devidos exclusivamente por esta terceira pessoa jurídica, e desde que vinculados aos referidos recursos”. Além disso, ao imputar responsabilidade solidária ao impugnante “... o Fisco ilegalmente faz com que o Impugnante fique sujeito a ser responsabilizado repetidas vezes pelo mesmo fato, ou seja, pelo mesmo valor do qual teria se beneficiado, o que já está ocorrendo, tendo em vista estar o Impugnante sendo arbitrariamente arrolado como coobrigado nas autuações fiscais lavradas contra cada uma das empresas constantes deste itinerário, haja visto o inegável movimento circular destes mesmos recursos financeiros, nos termos reconhecidos pelo próprio Fisco à página 44 do TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE AÇÃO FISCAL, ao dispor que ‘os recursos econômicos circulavam entre as empresas até atingir ao real beneficiário’", assim sendo, “... em decorrência do suposto recebimento de um mesmo recurso financeiro, está sendo o Impugnante responsabilizado solidariamente pelos débitos fiscais tanto da empresa autuada, como da empresa STAR METAL'S INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA”. Inconsistência dos fatos na fundamentação da sujeição passiva (João Natal Cerqueira) Entretanto, compulsando o “...RELATÓRIO GERAL DE AUDITORIAS, parte integrante do presente processo administrativo, percebese claramente a ardil intenção fiscal de macular a imagem do Impugnante, com o patente objetivo de induzir o Julgador em seu convencimento, ao trazer à colação notícia veiculada há mais de 10 (dez) anos na mídia, de maneira totalmente sensacionalista e mentirosa, tanto que, mesmo após a sua irresponsável veiculação, nada de concreto foi apurado em desfavor do Impugnante, relacionado ao conteúdo da referida notícia, o que, para a infelicidade do Fisco, o impediu de trazer à colação dados concretos que efetivamente pudessem de alguma maneira desabonar a imagem do Impugnante. Percebese, ainda, que a própria notícia, em toda a sua ficção sensacionalista, cita Fl. 5026DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 9 15 tãosomente uma vez o nome do Impugnante, ao qual teria feito alusão um empresário paulista e nada mais”. (...) ITEM 1: Ausência de envolvimento da empresa Nature Empreendimentos e Participações Ltda Argumenta o impugnante que a fiscalização em momento algum demonstrou qualquer envolvimento da referida empresa com a suposta fraude fiscal, sendo totalmente descabida a pretensão fiscal de justificar a imputação de responsabilidade tributária solidária ao impugnante pelo fato de ser sócio desta empresa. (...) ITEM 2: Verdadeira relação do impugnante com a empresa Cimeeli Comércio e Indústria de Metais e Ligas Ltda “Conforme se comprova pela documentação anexa, até 10 de agosto de 2010, a empresa hoje denominada CIMEELI COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA não era uma SOCIEDADE LIMITADA, mas uma SOCIEDADE ANÔNIMA, regulada pela Lei n° 6.404/76, que tinha a denominação de ALCICLA INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, sendo o Impugnante mero ACIONISTA DA COMPANHIA, NÃO PERTENCENDO À SUA DIRETORIA E, PORTANTO, NÃO EXERCENDO A SUA ADMINISTRAÇÃO E GESTÃO”. (...) “Não bastasse, cediço é que a RESPONSABILIDADE DOS ACIONISTAS É SUBSIDIÁRIA e pressupõe, assim, o esgotamento do patrimônio social e a prática de abuso de personalidade, o que sequer foi aventado no presente trabalho fiscal”. (...) ITEM 3: Inexistência de participação societária da denominada "Família Cerqueira" na empresa Koprum Indústria e Comércio Ltda Primeiramente, esclarece o impugnante que “... sequer era sócio da referida empresa em todo o período fiscalizado, não participando de seu quadro societário e tampouco foi nomeado o seu administrador pelo contrato social da empresa e muito menos lhe foi outorgado qualquer instrumento de mandato com poderes gerenciais”. (...) “Cumpre observar, ainda, ser curioso que a empresa KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, contraditoriamente, não figura no rol dos responsáveis tributários solidários, apesar de ter a sua real existência de fato e de direito reconhecida no Fl. 5027DF CARF MF 16 trabalho fiscal, não se verificando qualquer das hipóteses legais de despersonalização da pessoa jurídica”. ITEM 4: Inexistência de participação societária do impugnante na empresa Empório de Metais Ltda desde o ano de 2002 “Mais uma vez, o trabalho fiscal incorre em MANIFESTO EQUÍVOCO, a demonstrar, no mínimo, a falta de zelo em sua elaboração: conforme faz prova a cópia anexa, através da Terceira Alteração Contratual, assinada em 26/03/2002, e formalizada perante a Junta Comercial do Estado do Amazonas em 15/04/2002, por sua cláusula segunda, o Impugnante se retirou TOTALMENTE da sociedade, cedendo a transferindo suas quotas ao novo quotista” (fls. 4292 a 4299). ITEM 5: Inverídica suposição fiscal de que o impugnante seria um dos reais beneficiários da suposta fraude fiscal e um dos detentores das riquezas auferidas “... compulsando o TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE AÇÃO FISCAL, verificase que a Autoridade Fiscal indica tão somente 05 (cinco) depósitos da Autuada que têm o Impugnante como beneficiário e que possui valor ínfimo de R$ 175.420,90 (cento e setenta e cinco mil reais, duzentos e vinte reais e noventa centavos) proporcionalmente ao montante do crédito tributário apurado e ao volume de operações da devedora principal”. (...) Entretanto, em nenhum momento a Fiscalização apresenta provas “... da efetiva ocorrência deste criativo ‘itinerário’ supostamente percorrido pelos recursos financeiros envolvidos na mencionada fraude fiscal, tampouco comprova que os ínfimos valores recebidos pelo Impugnante de outras empresas tenham sido anteriormente por esta transferidos àquela”. (...) (...), “... em decorrência do suposto recebimento de um mesmo recurso financeiro, novamente está sendo o Impugnante responsabilizado solidariamente pelos débitos fiscais tanto da empresa autuada, STAR METAL'S INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, como da empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA”. (...) Ausência de comprovação do suposto direcionamento dos recursos financeiros (João Natal Cerqueira) Argumenta o interessado que a lógica da fiscalização é falha “... ao trabalhar com suposições, não demonstrando o ‘modus operandi’ do suposto redirecionamento dos recursos financeiros hipoteticamente recebidos pelas empresas KOPRUM, CIMEELI e EMPÓRIO DE METAIS aos integrantes da ‘FAMÍLIA CERQUEIRA’”. Fl. 5028DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 10 17 Nesse sentido, a única tentativa de demonstrar como os recursos hipoteticamente chegavam aos reais beneficiários se encontra no quadro de folha 3643. Das três empresas mencionadas no quadro da folha 3643, “... o Fisco só faz alusão à empresa KOPRUM, donde forçoso concluir que a própria fiscalização reconhece a inexistência de redirecionamento dos supostos recursos financeiros recebidos pela CIMEELI e EMPÓRIO DE METAIS à ‘FAMÍLIA CERQUEIRA’”. “... é requisito inafastável para a imputação da sujeição passiva solidária à determinada pessoa, física ou jurídica, que sejam individualizados e comprovados os fundamentos que justificam a sua respectiva responsabilização, sendo certo que o Fisco jamais poderia atribuir a responsabilidade solidária indistintamente à 04 (quatro) pessoas físicas distintas, tratandoas como ‘FAMÍLIA CERQUEIRA’, sem qualquer individualização das condutas praticas por cada um, motivadoras da sujeição passiva solidária, o que demonstra o tamanho da arbitrariedade na condução do trabalho fiscal”. (...) Dúvida quanto à autoria da infração (João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo César Verly) (...) (...) os interessados alegam “... que não se compreende a aplicação de penalidade quando não há certeza e segurança da autoria e/ou materialidade do ilícito tributário, nos termos do artigo 112 do Código Tributário Nacional...” e também de acordo com a jurisprudência do CARF. (...) Impossibilidade de responsabilização do impugnante (Paulo César Verly) (...) (...)“O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA já reconheceu que o eventual interesse econômico de uma pessoa no fato gerador não é suficiente para caracterizar a solidariedade prevista no art. 124, I, CTN, sendo imprescindível a existência de um interesse jurídico, ou seja, que a pessoa a ser responsabilizada tenha realmente participado da situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária”. Lançamento com base em presunções (Paulo César Verly) (...) Fl. 5029DF CARF MF 18 Nesse sentido, verificase “... que no item 9.5 do TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE AÇÃO FISCAL, que aborda a ‘SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA’, não é feita menção à uma efetiva participação do Impugnante no suposto esquema fraudulento, muito ao contrário, a Autoridade Fiscal faz reiteradas alusões à família CERQUEIRA, sendo certo que o Impugnante não pertence à referida família”. Assim, “... em relação ao Impugnante, o TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO DE AÇÃO FISCAL, basicamente se limita a transcrever as mencionadas participações do Impugnante no quadro societário de outras pessoas jurídicas que sequer foram incluídas na autuação fiscal, nem mesmo na qualidade de coobrigadas” (vide folha 4323). (...) Sobre a empresa Empório De Metais Ltda: “... através da Terceira Alteração Contratual, assinada em 26/03/2002, e formalizada perante a Junta Comercial do Estado do Amazonas em 15/04/2002, por sua cláusula segunda, O IMPUGNANTE SE RETIROU TOTALMENTE DA SOCIEDADE, cedendo a transferindo suas quotas ao novo quotista”. (...) “Incorrendo em mais um de seus reiterados equívocos e arbitrariedades, cumpre observar que a Autoridade Fiscal, em que pese justificar a responsabilização solidária do Impugnante na inverídica afirmação de que este teria se beneficiado indiretamente dos recursos recebidos pela empresa EMPÓRIO DE METAIS LTDA, estranhamente, deixa de imputar à esta empresa, que seria, na tese fiscal, a BENEFICIÁRIA DIRETA de tais recursos, a responsabilidade tributária solidária, e não a inclui no rol dos devedores solidários dos Autos de Infração hostilizados”. Sobre a empresa Cimeeli Comércio e Indústria de Metais e Ligas Ltda: “Dessa forma, o Impugnante, até 10/08/2010, não era sócio, mas sim, ACIONISTA DA COMPANHIA, e, nessas circunstâncias, não poderia responder solidariamente pelos débitos tributários da empresa autuada, sendo que, conforme se comprova pela Ata da Assembleia Geral Ordinária realizada em 03/06/2008, o Impugnante não pertencia à sua Diretoria, não exercendo a sua administração e gestão”. (...) Nesse sentido, o interessado destaca “... que a Autoridade Fiscal só demonstra 01 (um) único depósito, no irrisório valor de R$ 17.500,00 (dezessete mil reais), que a empresa ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALUMÍNIO E METAIS LTDA CNPJ 10.403.279/000108, teria realizado em favor do Impugnante, em 11/03/2011”. Tal depósito “... não foi realizado Fl. 5030DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 11 19 pela devedora principal, STAR METAL'S INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e sim por empresa diversa, sendo certo que a Autoridade Fiscal não logrou comprovar que efetivamente o recurso enviado ao Impugnante já tenha anteriormente circulado na conta bancária da devedora principal, mas tãosomente assim supõe”. (...) Ausência de Individualização e Quantificação do Crédito Tributário (Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo César Verly) (...) Entendem os interessados que tais valores se mostram ínfimos em relação aos valores rastreados, fato este que apenas ratifica a impossibilidade de imputação de responsabilidade aos impugnantes e, por esse motivo, é imperiosa a aplicação do Princípio da Insignificância, pois, ainda que tenham sido depositados eventuais valores nas contas bancárias dos interessados, tais valores são ínfimos comparados com os bilhões envolvidos na suposta fraude fiscal. (...) Conforme os documentos apresentados pelos impugnantes, através de suas DIRPFs, podese constatar que suas variações patrimoniais são plenamente compatíveis com a renda declarada e justificada”, ou seja, a evolução patrimonial/financeira dos interessados está condizente com o patrimônio e a renda declarados, não existindo qualquer ato a configurar enriquecimento ilícito. Improcedência dos Lançamentos de IRPJ e CSLL (João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo César Verly) (...) Nesse sentido, “... o Fisco desconsiderou a contabilidade da empresa autuada, por considerar que ‘a STAR METAL'S simulava em sua contabilidade operações comerciais que não existiam’, ‘a Contabilidade não espelhou a realidade’; ‘A contabilização de tal cheque era, em verdade, uma simulação’, etc”. (...) Dessa forma, não resta outra conclusão senão a da “... nulidade dos lançamentos de IRPJ e CSLL, haja vista que, a despeito da alegada imprestabilidade da contabilidade da empresa autuada, o trabalho fiscal não adotou o arbitramento do lucro para a apuração dos supostos créditos tributários de IPRJ e CSLL em relação ao ano de 2010, culminando na tributação da receita como lucro, em franca ofensa aos princípios norteadores da determinação do lucro real”. Fl. 5031DF CARF MF 20 Improcedência dos Lançamentos de PIS e COFINS (João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo César Verly) (...) Com base no regime do Lucro Arbitrado, a apuração das referidas contribuições se daria pelo regime cumulativo. Entretanto, não foi o que ocorreu, pois, a apuração do PIS e da COFINS foi elaborada sob o regime do Lucro Real e, tal decisão acarretou “... a EQUIPARAÇÃO DE RECEITA E LUCRO, em decorrência da substancial glosa dos custos/despesas na sistemática da nãocumulatividade”. (...) Ilegitimidade da Multa Qualificada em Relação aos Impugnantes (João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira e João Natal Cerqueira) (...) Assim, mesmo na condição de responsáveis solidários, os impugnantes não poderiam jamais ser responsabilizados “... pelo pagamento de MULTA QUALIFICADA aplicada no ano de 2010, em face da suposta simulação contábil levada a efeito pela empresa autuada, por se tratar de pessoa estranha à contabilidade desta, que NUNCA TEVE ACESSO AOS DOCUMENTOS INIDÔNEOS ESCRITURADOS”. (...) Outrossim, “... o fato que enseja a qualificação da multa é situação personalíssima vinculada à pessoa jurídica autuada, que não se comunica com os responsáveis tributários solidários. Assim, estes não respondem por esta parcela do crédito tributário, em virtude do PRINCÍPIO DA PERSONALIZAÇÃO DA PENA, segundo o qual somente aquele que deu ensejo ao ilícito pode se sujeitar às suas sanções”, conforme “... o disposto no artigo 5º, inciso XLV, da Constituição Federal, NENHUMA PENA PASSARÁ DA PESSOA DO CONDENADO”. (...) Além disso, os impugnantes destacam “... que a multa qualificada aplicada no ano de 2010, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) padece de constitucionalidade, ao se apresentar superior ao próprio tributo exigido” (...) Da Prova Pericial (João André Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, João Natal Cerqueira e Paulo César Verly) Considerando que o pleno conhecimento da matéria ora tratada depende da realização de perícia contábil, cujos quesitos seguem Fl. 5032DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 12 21 às folhas 4057 a 4060, 4098 e 4212 os impugnantes indicam, desde já, como assistente técnico o Sr. Frederico Ferreira Pedrosa, CRC/MG nº 78.924. No caso do impugnante Paulo César Verly, foi indicado como assistente técnico o Sr. Luiz Tarcísio Pedrosa CRC/MG 28436, entretanto, o mesmo não apresentou quesitos. (...)” Acórdão nº 06054.657 1ª Turma da DRJ/CTA De início salientouse que a constituição do crédito tributário não foi rebatida por nenhum dos impugnantes que compareceram aos autos, os quais se restringiram a combater sua responsabilização, pleitear que o lançamento tivesse sido efetuado via arbitramento dos lucros e solicitar perícia contábil. Ainda aditouse que, em relação à autuada e ao responsável solidário Antonio Ubiratã Bianchi, que não se manifestaram nos autos, os fatos afirmados no relatório fiscal e no documento intitulado “Relatório Geral das Auditorias”, que deram origem ao crédito tributário lançado, bem como à imputação de responsabilidade, são matéria incontroversa no presente processo. Da Decadência Entendeuse, quanto a este ponto, que, no caso dos autos, a suposta alegação de decadência, em face do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, temse como descabida. Não seria esta a regra aplicável, haja vista o lançamento consubstanciado no auto de infração ter imputado que os impugnantes atuaram com dolo, razão pela qual fora aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, causa excludente da aplicação do citado dispositivo legal e da consequente incidência da regra estabelecida pelo caput do art 173, do CTN. Da Nulidade – Concomitância dos arts. 124 e 135 do CTN Constatouse não haver qualquer afronta ao art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Quanto à adequação do enquadramento utilizado para imputar a responsabilidade solidária (inciso I do artigo 124) e ao fato de ter sido mencionada outra hipótese (inciso III do artigo 135) entendeuse que se trata de matéria de prova a ser analisada no seu devido tempo. Da Nulidade – Quebra de Sigilo Bancário Reputouse que só restaria caracterizada a quebra de sigilo pela Autoridade Fiscal se ela divulgasse essas informações, sujeitandose por tal ato ilícito, todavia, às Fl. 5033DF CARF MF 22 penalidades funcionais, penais, e à reparação por perdas e danos causados ao contribuinte. Considerouse que todas as determinações, precauções e garantias exigidas pela aludida Lei Complementar nº 105/2001, com o intuito de garantir a mais perfeita inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários da defendente foram adotadas no curso do presente procedimento. Concluiuse, então, pela perfeita licitude da utilização dos extratos bancários na apuração do crédito tributário. Da Alegada Ilegitimidade Passiva dos Responsáveis Solidários No Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal, a fiscalização menciona expressamente que a hipótese aplicada como fundamentação para a imputação de responsabilidade (inciso I do artigo 124 do CTN) restaria combinada com a hipótese prevista no caput do artigo 135 do mesmo diploma legal. Coube destacar que a menção aos dois diplomas legais não conflita com aquilo que foi desenvolvido pela auditoria, à medida que, se verificou que os detentores de fato, do poder de gestão, teriam incidido na prática do que deve ser observado para a aplicação do dispositivo legal previsto no mencionado artigo 135 do CTN: i) a prática de atos de gestão, mesmo que utilizandose de “laranjas” e; ii) que o inadimplemento da obrigação tributária decorreu de atos contrários à lei. Em face do trabalho fiscal que demonstrou serem os sócios arrolados no contrato social e suas diversas alterações interpostas pessoas (“laranjas”), sem ingerência alguma na empresa, restou atribuir a responsabilidade aos seus administradores de fato. Entendeuse que sobre esses há indícios e provas que levaram à elaboração dos termos de responsabilização por crédito tributário. As razões de defesa insistem em tentar afastar o envolvimento dos impugnantes com a autuada, ao argumento de que, no período autuado, não possuíam qualquer participação societária na contribuinte. Entendeuse que isso se mostra redundante à medida que consta da conclusão das investigações, que a pessoa jurídica tinha como sócios, pessoas sem qualquer aporte financeiro e que, sequer existe de fato, posto não ter sido localizada no endereço informado nos cadastros da Receita Federal do Brasil. Demonstrou a autoridade julgadora que o fundamento para que estas pessoas fossem erigidas à condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário em discussão, não está amparada na hipótese de terem o real e efetivo controle do quadro societário da pessoa jurídica, muito embora, tal situação tenha restado comprovada durante as investigações feitas, mesmo que de forma transversa. Neste passo, mencionase que é solidária a pessoa, física ou jurídica, que realiza, conjuntamente com outra ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação, ou seja, todas as pessoas que tiram uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado, conforme nos ensina Rubens Gomes de Souza (in Compêndio de Legislação Tributária – 3ª edição, RJ, Ed Financeiras, 1964, pg 67). Para uma melhor visualização das situações constatadas, colacionaramse as esquematizações das operações e a demonstração da participação de cada responsável solidário: Fl. 5034DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 13 23 Pagamento das compras fictícias efetuado pela STAR METAL’S para a PERFIBRÁS IND. E COM. DE METAIS e posterior remessa de recursos desta para pessoa jurídica controlada pelos responsáveis solidários, conforme demonstrado ao lado: Pagamento das compras fictícias efetuado pela STAR METAL’S para a FRAGA COM.DE METAIS e posterior remessa de recursos desta para os responsáveis solidários ou pessoa jurídica de seu controle, conforme demonstrado ao lado: Pagamento das compras fictícias efetuado pela STAR METAL’S para a FRAGA COM.DE METAIS e posterior remessa de recursos desta para os responsáveis solidários ou pessoa jurídica de seu controle, conforme demonstrado ao lado: Fl. 5035DF CARF MF 24 Pagamento das compras fictícias efetuado pela STAR METAL’S para a INGAÍ ALUMÍNIO E METAIS e posterior remessa de recursos desta para os responsáveis solidários ou pessoa jurídica de seu controle, conforme demonstrado ao lado: Pagamento das compras fictícias efetuado pela STAR METAL’S para a ALUMIBRÁS IND. E COM. e posterior remessa de recursos desta para os responsáveis solidários ou pessoas jurídicas de seu controle, conforme demonstrado anteriormente: Fl. 5036DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 14 25 Pagamento das compras fictícias efetuado pela STAR METAL’S para a ANSESIL IND. E COM. e posterior remessa de recursos desta para os responsáveis solidários ou pessoa jurídica de seu controle, ou ainda, envio de recursos diretamente da STAR METAL’S para os responsáveis solidários ou pessoa jurídica de seu controle, conforme demonstrado anteriormente: Entendeu a autoridade julgadora que os quadros acima demonstram com clareza a participação dos responsáveis solidários e, portanto, não há que se falar em ilegitimidade passiva dos mesmos. Quanto à pretensa falta de robustez das provas angariadas aos autos, afirmou se que tal alegação não merece prosperar. Lança, assim, o seguinte questionamento: “se, o fato de as pessoas indicadas como responsáveis, bem como as pessoas jurídicas de cujo quadro social fazem parte, auferirem vantagem econômica advinda das operações fraudulentas aqui demonstradas, representadas pelos ingressos de valores nas contas pessoais e nas contas das empresas, tudo comprovado pelo extenso trabalho desenvolvido pelas autoridades fiscais envolvidas não constituir prova robusta, então que prova os impugnantes pretendem ver constituída?” Evidenciamse algumas movimentações financeiras que comprovariam a operação fraudulenta, contrastando os cheques emitidos e os extratos bancários obtidos. Por fim, ressaltouse que no curso da ação fiscal as autoridades já teriam deixado registrado que os responsáveis solidários não constam à frente de nenhuma das empresas noteiras, cuja existência se mostrou irregular, justamente para não serem associados ao esquema de fraudes que agora se analisa. E mais, também registraram que eles contavam com assessoramento jurídico contábil eficiente para mantêlos sempre à sombra dos acontecimentos. Fl. 5037DF CARF MF 26 Com relação à caracterização do interesse comum dos impugnantes, salientouse que os mesmos possuíam o chamado “domínio do fato” representado pelos membros do Clã Cerqueira citados neste processo, encabeçado por seu patriarca João Natal Cerqueira em conjunto com o Sr. Paulo César Verly da Cruz, bem como as empresas de direito e de fato do grupo econômico. Conforme o TVF, durante os procedimentos realizados nas fornecedoras da empresa Star Metal’s, bem como nas demais empresas fiscalizadas na “Operação Corrosão”, criadas mediante a interposição de pessoas, para promover a simulação de pagamentos de títulos a empresas inidôneas, partícipes das fraudes, através da emissão de cheques e notas fiscais, bem como a contabilização desses eventos, visando transparecer plena legalidade aos olhos dos Fiscos Estaduais e Federal, constatouse que os recursos, após circularem pelas empresas participantes, retornavam às contas correntes das pessoas que possuíam o chamado “domínio dos fatos”, sendo uma delas João Natal Cerqueira, que é sócio das empresas Koprum Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 08.759.416/000108, Empório de Metais Ltda, CNPJ 01.571.597/000197, Cimeeli Comércio e Indústria de Metais e Ligas Ltda, CNPJ 01.134.263/000156 e Nature Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ 07.775.829/0001 05. O trabalho fiscal compreendeu auditoria em 22 (vinte e duas) empresas nessas condições, que se interligavam, as quais devem ser vistas e compreendidas como células de uma entidade econômica única, pois as empresas foram criadas para favorecem um grupo único de pessoas, possuindo partícipes de primeiro, segundo e terceiros escalão, dentro desse grupo conforme consta de cada uma dessas autuações. Entendeuse que restou cabalmente demonstrado no processo a atuação da “Família Cerqueira” e a cumplicidade de todos os ora impugnantes no esquema montado, com a criação de empresas cuja existência não restou comprovada, tendo à frente das mesmas, pessoas sem qualquer suporte econômico, e a utilização de notas fiscais inidôneas para gerar créditos podres de IPI e ICMS, e justificar pagamentos que na realidade não tinham causa, mas que comprovadamente voltavam às contas dos beneficiários de fato, o que a contribuinte não logrou descaracterizar. Das Alegações Sobre a Aplicação do Princípio da Insignificância e da Individualização da Pena Fl. 5038DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 15 27 Por primeiro, coube salientar que os impugnantes estariam se apegando apenas e tão somente aos valores que eventualmente auferiram como pessoas físicas, sendo que há quem alegue não ter tido qualquer benefício pessoal. No entanto, reputouse que mesmo aqueles que não obtiveram proveito pessoal no caso sob análise, restaram beneficiados pelos valores que transitaram pelas empresas de que são sócios, salientandose que estas têm em seu quadro societário os impugnantes como responsáveis solidário. Ainda assim, entendeuse que é infundada a pretensão de aplicar o princípio da insignificância à espécie dos autos, porquanto está fora do âmbito penal. Da dicção legal do art. 136 do CTN, inferiuse que impera no Direito Tributário o princípio da responsabilidade objetiva, segundo o qual não é necessária a presença do aspecto volitivo para caracterizar a infração, a qual independe também da efetividade, natureza e extensão do resultado provocado pela conduta ilícita, ou seja, do grau de lesão ao bem jurídico tutelado. Na esteira desse raciocínio, ressaltouse que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição expressa do art. 142, parágrafo único, do CTN. Ademais, a pretensa aplicação do princípio da insignificância ao campo administrativotributário ensejaria verdadeira concessão de anistia ou remissão sem autorização legal, contrariando o art. 150, § 6º, da Constituição Federal de 1988, com redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/1993, o qual exige lei específica para essas finalidades. Cumpriu esclarecer, que pelas mesmas razões, o indeferimento do pedido de aplicação do princípio da individualização da pena, por também ser instituto de direito penal. Da Tributação Pelo Lucro Real (Anocalendário de 2010) Quanto ao anocalendário de 2010, teria restado prejudicado o valor probatório das notas fiscais, e incomprovada por outros meios a efetividade das respectivas operações de compra de matéria prima. Como consequência, foi realizada a glosa dos valores por apropriação indevida destes custos, para efeito de apuração do Lucro Real, com reflexos no IRPJ e na CSLL, assim como a glosa dos créditos de PIS e COFINS. Fl. 5039DF CARF MF 28 Ressaltouse que no anocalendário de 2011 a contribuinte, apesar de intimada, não apresentou sua escrituração contábil e, por esse motivo, em tal período foi adotado o Lucro Arbitrado. Já no anocalendário de 2010, tal situação não teria ocorrido, tendo em vista que a empresa apresentou a escrituração contábil desse período. Da Multa Qualificada Entendeuse que as alegações de ofensa aos princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, não podem ser oponíveis às autoridades administrativas, posto que estas se encontram totalmente vinculadas aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Da mesma forma, não seria possível a incidência de multa não prevista na legislação (100%), conforme pleiteia se. Da Juntada Posterior de Provas Constatouse que não restou demonstrada a ocorrência de qualquer condição prevista nas alíneas do §4º e tampouco o atendimento ao §5º, ambos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo possível atender ao pedido dos interessados. Dos Pedidos de Perícia Fora indeferido o pleito dos impugnantes, sob a justificativa de desnecessidade, uma vez entendendose que tanto as razões que levaram ao lançamento, quanto as provas da conduta delituosa dos envolvidos estavam ampla e perfeitamente delineadas nos autos. Qualquer exame seria totalmente prescindível. Conclusão De todo exposto, votouse por: Fl. 5040DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 16 29 a) declarar revéis a pessoa jurídica Star Metal’s Indústria e Comércio de Metais Ltda, bem como o relacionado como responsável solidário Antonio Ubiratã Bianchi, face não terem apresentado impugnação aos autos; b) julgar improcedentes as impugnações apresentadas para afastar a arguição de decadência e a preliminar de nulidade, mantendo na integra os autos de infração em sua totalidade e manter a imputação de responsabilidade solidária dos impugnantes João Natal Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira e Paulo César Verly da Cruz. Recursos Voluntários João Natal Cerqueira Em suma o recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação. Traz, no entanto, novo tópico arguindo o cerceamento de seu direito de defesa, diante do indeferimento da produção de prova pericial. Alega que os quesitos formulados oportunamente visavam justamente comprovar que este não foi beneficiado com o produto do suposto esquema fraudulento. Por fim, o recorrente traz outros apontamentos acerca da sua ilegitimidade passiva. Neste tópico inova sua argumentação trazendo alegações de que: i) o trabalho fiscal realizado na empresa ANSESIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPÉIS LTDA, defende que as remessas de valores realizadas pelas empresas PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ E ALUMIBRÁS para a conta bancária de uma das pessoas físicas beneficiárias ou para a conta bancária de uma das pessoas físicas beneficiárias ou para a conta bancária de uma das empresas por estas controladas têm origem nos recursos enviados àquelas pela ANSESIL e não pela STAR METAL; ii) a tabela reproduzida em fls. 4707, constante do “Relatório Geral de Auditoria”, contém erro grave que assola o trabalho fiscal, de modo que o recorrente a Fl. 5041DF CARF MF 30 reelabora, trazendo aos autos comprovação (documentos integrantes do “DOCTO. 183”) de que na verdade todas as operações financeiras indicadas na tabela como “transferências”, se tratam, na verdade, de remessa de valores da KOPRUM para a PERFIBRÁS, ao contrário do que sustenta o equivocado trabalho fiscal. Afirma, então, que tais valores saíram do caixa da KOPRUM, com lastro em operações comerciais bem como em devoluções de adiantamentos. No entanto, salienta que realizados os adiantamentos, a KOPRUM não consegui entregar as mercadorias, razão pela qual foi obrigada a devolver os recursos adiantados à PERFIBRÁS; iii) a KOPRUM realizou operações de aquisições de mercadorias da PERFIBRÁS, cujos pagamentos totalizaram R$ 1.002.848,00 (trazendo tabela e as respectivas Notas Fiscais em fls. 4727 a 4749); iv) a Autoridade Fiscal não informa a operação financeira através da qual supostamente houve as remessas dos recursos da INGAÍ para a CIMEELI, como também não identifica a fonte utilizada para a identificação de tais remessas. Paulo Cesar Verly da Cruz O recorrente reproduz exatamente os mesmos argumentos expendidos em sede de impugnação, aqui já delineados. Rafael Escobar Cerqueira/ João André Escobar Cerqueira/Paulo Henrique Escobar Cerqueira Os recorrentes também mantêm a maioria dos pontos consignados na peça de impugnação. Da mesma forma que João Natal Cerqueira, acrescentam um tópico, delineando os mesmos argumentos, vale dizer, quanto ao cerceamento de seu direito de defesa, diante do indeferimento do pleito concernente a realização de perícia. Ainda acrescentam que, visando exclusivamente garantir a sucessão familiar e por ser uma preocupação de seu pai, a fim de evitar conflitos familiares por ocasião de seu falecimento, fora constituída a pessoa jurídica ELECTA cujo quadro societário era composto Fl. 5042DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 17 31 pelos três recorrentes (irmãos). Deste modo, alegam não ser cabível a imputação de responsabilidade por serem tão somente sócios quotistas da referida entidade. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Nulidades Em total alinho ao entendimento exposto no v. acórdão recorrido, não devem prevalecer aqui quaisquer nulidades, uma vez que não há afronta aparente ao quanto disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Vejamos o que dispõe o referido artigo de lei, in verbis: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Parte dos recorrentes suscitam o cerceamento de seu direito de defesa diante do indeferimento da produção de prova pericial. Ora, as provas dispostas nos autos são suficientes para o convencimento deste julgador, do mesmo modo que o foram para a autoridade julgadora de primeira instância. Não há que se falar em preterição da defesa dos recorrentes quando ao ver do julgador os documentos e alegações dispostos nos autos são bastantes para formar sua convicção e seu posterior juízo, nos termos do que dispõe o art. 18 do mesmo Decreto nº 70.235/72. É, por óbvio, um conceito um pouco subjetivo, que pode apresentar inúmeras variantes, a depender de condições pessoais e naturais de cada indivíduo que se encontre nesta posição. No entanto, a partir do momento em que foram oportunizadas inúmeras formas do contribuinte provar o quanto alegado, seja durante o procedimento fiscal, seja por meio da impugnação ou até mesmo do recurso voluntário, se levarmos em consideração a Fl. 5043DF CARF MF 32 aplicação ferrenha o princípio da verdade material, não há como se cogitar a ofensa a ampla defesa e ao contraditório inerentes aos recorrentes. As provas essenciais e basilares para identificação de um esquema fraudulento e da responsabilização tributária atribuída aos recorrentes estão aqui presentes. Quaisquer outras provas contaminam os autos com fatos inverídicos e distorções prejudiciais à busca pela verdade e ao atingimento da justiça, ao menos aquela almejada por este julgador. Ademais, quanto ao pleito de nulidade pela cumulação dos arts. 124, inciso I do CTN e 135, inciso III do CTN, faço minhas as conclusões atingidas no v. acórdão, no sentido de que tal matéria traz em seu bojo um caráter meritório, que será oportunamente enfrentado a seguir. Não há como se cogitar, quanto a este ponto, que houve cerceamento do direito de defesa. Os recorrentes detêm a certeza de aplicação de tais dispositivos legais e podem a partir deste patente conhecimento da infração e da responsabilidade tributária atribuída, eventualmente enfrentálos e lançar argumentos e provas em sentido contrário. Foi exatamente o que fizeram, vale dizer. Portanto, os recorrentes tinham pleno conhecimento de todos os fatos lhes imputados. Não são percebidas quaisquer nulidades contaminando os atos da Administração, a qual a todo o custo evidenciou os pormenores da infração tributária identificada, bem como ofertou diversas chances ao contribuinte de se manifestar e de trazer provas que comprovassem seu eventual direito. Deste modo afasto as nulidades pleiteadas. Premissas Ao presente voto cumpre, inicialmente, traçar algumas premissas e pressupostos que em muito serão úteis para o entendimento da análise aprofundada da preliminar invocada e da autuação fiscal propriamente dita, aqui incluído, a própria infração e a consequente quantificação do crédito tributário, a responsabilidade tributária atribuída e as respectivas penalidades aplicadas. Esta potencial base ideológica elidese na investigação minuciosamente detalhada pelo procedimento fiscalizatório da “DRF São Bernardo do Campo SP”, mediante as constatações e conclusões atingidas tanto por meio do Termo de Verificação Fiscal (fls. 3599 a 3644) quanto pelo “Relatório Geral de Auditorias” (fls. 3753 a 3866) elaborado. Também são levadas em conta todas as provas e alegações trazidas aos autos pelos recorrentes, mas, adiantase, são prevalecentes aqui os fatos e assertivas firmados pela fiscalização. A empresa autuada (STAR METAL) recebeu uma série de notas fiscais, emitidas por entidades diversas, a saber: DOGMA, FUNDIÇÃO SIDERAL, KROMAL, MEGA METAL, FRAGA, POLIMET, MURION, ROTHAPLASMET e TEKNOYA, no período de 2010 e 2011. No total, foram emitidas notas fiscais para a autuada no montante de R$ 64.957.320,60. Apesar de intimada, a contribuinte não apresentou elementos que pudessem dar Fl. 5044DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 18 33 validade e que pudessem comprovar a veracidade e a materialidade de suas aquisições de mercadorias dos fornecedores. Entendeu a autuante que uma série de indícios de irregularidade motivaram, então, a instauração de procedimento fiscal, dentre eles: a empresa não possuir registro de movimentação financeira, no entanto ter emitido a documentação comercial de modo eletrônico; estar omissa em relação à entrega das declarações à Receita Federal; a arrecadação tributária e os vínculos empregatícios serem nulos; a empresa ser inexistente de fato; os sócios da entidade possuírem perfil econômicofiscal incompatível com o volume supostamente transacionado por ela. Portanto, concluiuse pela inidoneidade das notas fiscais. Os indícios compulsaram a instauração do procedimento fiscal e, durante os trabalhos promovidos, estes foram robustecidos e comprovados. Além do recorrente não apresentar provas em contrário, foram sendo juntados cada vez mais elementos de que houve patente simulação nesta operação. De fato, fora constatado neste procedimento que não só a autuada, mas várias das empresas fornecedoras se apresentavam em Situação Cadastral irregular, nunca apresentaram GFIP ou quaisquer declarações à RFB, não possuíam funcionários registrados e ainda não eram localizáveis nos respectivos endereços cadastrais (ou domicílio tributário). Revelouse, portanto, serem empresas de fachada. Estas conclusões foram fortalecidas de forma latente com as informações obtidas através do “Relatório Geral de Auditorias”, o qual, ao ver deste julgador, é a prova mais contundente destes autos. Este documento instrumentaliza uma operação de auditoria em 22 (vinte e duas) empresas que se interrelacionavam, simulando tanto operações de compra de produtos, como operações de vendas, sendo 18 delas sediadas no Estado de São Paulo e quatro delas no Estado do Rio de JaneiroRJ. Fora identificado, então, que a conduta do recorrente, aqui já delineada, na verdade, era a mesma de tantas outas empresas, e que estas tantas outras entidades também não revestiamse das formalidades legais, tão pouco exerciam qualquer atividade de fato. Ainda além, evidenciou o referido relatório a patente interposição de pessoas nestas firmas. Em que pese a inexistência de fato destas, apurouse que eram movimentadas mediante “laranjas”, já que os respectivos quadros sociais de direito eram compostos por pessoas cujo patrimônio declarado não apresentavam representatividades econômicas compatíveis com as vultuosas transferências financeiras que supostamente materializavam. Grande parte destes falsos representantes legais seriam cônscios e coniventes com o esquema, ostentando a falsa imagem de prósperos empresários, contrapondose às suas reais situações patrimoniais retratadas pelas humildes residências e pelas declarações de Imposto de Renda Pessoa Física sem lastro financeiro. No entanto foi mais além ainda a fiscalização, identificando aqui uma estrutura organizacional complexa, visando conjuntamente e, sob um comando oculto, o enriquecimento ilícito, ludibriando a atuação fiscal. Fl. 5045DF CARF MF 34 O modo como eram operadas as atividades das entidades deste grupo era tal que, ao final, visava a destinação, direta ou indiretamente, dos recursos favorecendo a algumas pessoas físicas pontuais, os reais beneficiários, quais sejam, JOÃO NATAL CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA (Família Cerqueira) e PAULO CESAR VERLY DA VRUZ. A interrelação de remessas de recursos financeiros entre as empresas que fazem parte do esquema fraudulento, demonstram de que forma os recursos econômicos circulavam entre as empresas até atingir aos reais beneficiários. O “modus operandi”, então, fora assim resumido pela DRFSão BernardoSP (fls. 3863/3865 – “Relatório Geral de Auditorias”): “(...) Conforme expostos de forma ampla neste relatório de auditorias, foram efetuados trabalhos de verificações em 22 (vinte e duas) empresas, em sua maioria inexistentes de fato, as chamadas “empresas de papel”, já que possuíam existência somente documental (de direito) e sob titularidades de quadros societários constituídos por interpostas pessoas, (laranjas) operando todas mediante o abuso da forma jurídica anômala, visando com isso ocultar os reais beneficiários das riquezas, que desde o ano de 2004 já eram denunciados pelos organismos de fiscalização de tributos Federal e Estaduais como mentores intelectuais da constituição de várias empresas nessa condições em vários estados da federação, simulando transações comerciais de compra e venda de mercadorias e/ou serviços, emitindo notas fiscais umas em favor das outras, como se fossem atividades comerciais que em verdade jamais existiam, tanto pela própria inexistência das empresas, tanto pela inexistências das operações subjacentes, falsas em suas essências, já que sucumbiram diante dos criteriosos exames empregados nas respectivas auditorias, detectando através das documentações bancárias, que essas operações, muito embora quando contabilizadas, pretendo dar aparência de legalidade, de fato não ocorriam, sendo que os cheques destinados a quitar esses falsos fornecedores, tinham finalidades outras, lastreando depósitos em contas correntes de terceiros de interesse da organização, com valores discrepantes dos que haviam sido inseridos nas contabilidades, visando com essa engenharia delituosa, a geração de créditos tributários de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e créditos do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, estadual e inter estaduais, já que entre essas 21 empresas examinadas, haviam empresas de São Paulo e Rio de Janeiro, com conotação em tantas outras, em vários estados da federação conforme ficou comprovado, denominandose tal atividade “operações de noteiras” que além da geração de créditos fiscais podres, serviam também par aquisição de “bens de raiz” em favor dos reais beneficiários, tais como veículos, imóveis, investimentos em outras sociedades, pagos com recursos dessas empresas inidôneas, à margem da tributação, já que foram detectadas pela auditoria, operações de compra de ativos em nome dos reais beneficiários, utilizandose de sociedades não personificadas, que denominavase “Sociedade em Conta de Participação – Fl. 5046DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 19 35 SCP” , composta de sócios ostensivos e sócios ocultos, sendo que os reais beneficiários se valiam de tal figura jurídica para adquirirem ativos e promoverem investimentos com terceiros interessados na condição de “sócios ocultos” , utilizandose de recursos das empresas inidôneas objeto das auditorias, por eles mantidas sorrateiramente em nome das interpostas pessoas (laranjas) grande parte partícipes coniventes com o esquema em troca de favores, fazendose passar por empresários prósperos, em que pese a miserabilidade dos respectivos patrimônios individuais, retratados por residências alugadas, protestos, antecedentes criminais, dependência financeira de cônjuge, genitor etc, sendo que auditoria comprovou também que uma parcela dessas interpostas pessoas tiveram também seus nomes utilizados indevidamente nas fraudes, já que alguns ostentavam a situação de “analfabetos” e outros tinham o Cadastro de Pessoas Físicas – CPF registrados na condição de “suspensos”, “isentos”, e outros, na condição de “idosos”, se sujeitavam a emprestar seus nomes para a constituição das empresas em troca de favores financeiros. A maior parte do volume de recursos que ingressavam nessas empresas para a geração de créditos tributários fictícios, se processavam através do Banco Bradesco S/A – Agência 0559 SP/USPRadial Leste, em face da facilidade encontrada pela organização criminosa para abertura das contas correntes bancárias, muito provavelmente em decorrência do aliciamento ao “esquema criminoso” de funcionários da referida agência bancária, haja vista que várias das empresas, algumas sediadas no Estado do Rio de Janeiro, possuíam contas na referida agência bancária, e os exames da numeração dessas contas revelavam que foram abertas simultaneamente, algumas com numeração seqüenciais, algumas contas correntes sequer possuíam cartões de autógrafos ou cadastros como ficou comprovado, tudo contrapondose a que a boa técnica bancária, aliada a percepção do “homus médius”, que exigiria, no mínimo, exames das declarações de impostos de renda das empresas e respectivos sócios, sendo que nos casos vertentes nunca existiram de fato, situação esta que vem alimentar ainda mais a percepção de facilitação por funcionários da referida agência bancária na movimentação dessas contas pela quadrilha. (...)” Portanto, a operação fraudulenta se perfectibilizava quando os recursos decorrentes das simulações procedidas em cada entidade (como a que se percebeu no caso da autuada), eram transferidos diretamente aos reais beneficiários, ou transferidos a outras entidades cujo quadro societário era ocupado por estes reais beneficiários, de modo indireto, portanto. Pois bem, da mesma forma que muitas outras empresas desta organização costumavam fazer, a ora autuada (STAR METAL), usava como contrapartida ao lançamento Fl. 5047DF CARF MF 36 de despesas, a conta de fornecedores, sem qualquer lastro documental da operação. Quando do pagamento das mercadorias, lançava a saída de caixa (através da emissão de cheques geralmente), à crédito, em contrapartida a satisfação da obrigação com fornecedores, à débito. Ocorre que a simulação consistia na emissão de um determinado cheque para o pagamento de um título comercial que, contabilizado na escrita fiscal, transparecia aos olhos do Fisco estadual e Federal a efetiva realização da transação que representava. O rastreamento dos recursos em nível de contacorrente bancária (apurado por meio do RMF e, consequentemente, da análise da fita detalhe do caixa e dos cheques emitidos) demonstrava a improcedência do lançamento, já que os recursos, em verdade, eram direcionados a terceiras pessoas, físicas ou jurídicas, totalmente estranhas às operações que representavam, tudo isso obviamente à margem da escrita contábil e fiscal. Em suma, portanto, a autuada registrava em sua contabilidade operações que não existiam, sendo que estas representavam meras simulações com o objetivo de aumentar o passivo da conta de fornecedores, através de valores que não perfaziam reais operações mercantis. Tal fato é corroborado tanto pela própria inexistência fática da maioria das empresas, quanto pela própria mecânica das operações mercantis fictas e a patente ausência de documentação contábil, fiscal ou comercial apta a respaldála. A referida conduta simulatória fora identificada por meio do trabalho fiscal desenvolvido especificamente em relação à STAR METAL, e ratificada cabalmente através da recorrência de tais operações na organização criminosa evidenciada no “Relatório Geral de Auditoria”. Ressaltese que essas empresas inidôneas movimentavam grande parte de seus ativos financeiros na mesma Agência 0559SPUSPRadial Leste do Banco Bradesco S/A, “em face evidentemente, da facilitação proporcionada pelos administradores da referida agência bancária na abertura e movimentação dessas contas, algumas sem possuir até mesmo cartões de autógrafos/assinaturas e outras contas correntes pertencentes às empresas sediadas no Estado do Rio de JaneiroRJ.” O elenco de empresas nessas condições, conjuntamente, conforme consta das respectivas Declarações de Movimentações Financeiras DIMOF, giraram recursos no montante de R$ 3.629.320.077,03 (três bilhões, seiscentos e vinte e nove milhões, trezentos e vinte mil, setenta e sete reais e três centavos) em valores nominais. Em suma, portanto, a simulação constatada na STAR METAL representava apenas uma manifestação fática e peculiar de um conjunto de outras simulações, todas visando a mesma finalidade. A finalidade aqui já evidenciada, qual seja, o enriquecimento ilícito dos representantes de fato das empresas, traz a motivação da atribuição de responsabilidade tributária para além do autuado (STAR METAL), alcançando, de forma exorbitante, estes reais beneficiários, os verdadeiros mentores, provedores ou gozadores desta operação fraudulenta. Concomitante ao fato dos recursos não serem oferecidos à tributação, estes eram remetidos direta ou indiretamente a “Família Cerqueira” e a Paulo Cesar Verly da Cruz. Há claramente aqui a tentativa conjunta de ocultação da ocorrência do fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, não devendo limitarse a autuação somente em direção a autuada, a qual é apenas uma ponta de todo um esquema estrategicamente engendrado, mas também àqueles que se beneficiaram desta fraude e, até por isso, foram os percussores de sua execução e planejamento. Fl. 5048DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 20 37 Sob o mesmo contexto fático, é aplicada a multa qualificada ao valor do crédito tributário. Diante de todo o exposto, há aqui o elemento doloso e simulatório capaz de nortear o enquadramento da conduta da autuada e dos respectivos responsáveis tributários nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9430/96. A responsabilidade atribuída de forma solidária aos reais beneficiários e a aplicação da multa qualificada, no entanto, são pontos que serão apropriadamente discutidos em tópicos específicos adiantes. Ficam aqui, então, apenas as premissas sob as quais partirão as conclusões dali extraídas de modo definitivo. No que cabe esse tópico, devese, finalmente, validar a mantença da tributação pelo Lucro Real no ano de 2010 e por meio de arbitramento em 2011, sem qualquer prejuízo à contribuinte, visto que a fiscalização apenas procedeu em consonância com os documentos fornecidos pela parte autuada. Ora, a base de cálculo das infrações apuradas no ano de 2010 foi calculada a partir das notas fiscais irregulares lançadas na Contabilidade, apesentadas via SPED Contábil, nas contas referentes aos fornecedores aqui já mencionados. A inidoneidade de sua documentação comercial não é suficiente para o arbitramento do lucro. Esta constatação foi possível, em parte, através do manejo da própria Contabilidade da empresa, que se mostrou maquiada e distorcida, visando a formalização da conduta simulatória. Portanto não há que se falar aqui na imprestabilidade de sua escrita: a documentação apresentada pela autuada dispunha de elementos suficientes para a identificação da real e efetiva da base de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Neste albor, foram apenas glosadas as despesas com fornecedores (compras), ou seja, aqueles montantes comprovadamente transferidos para terceiras pessoas, alheias e diversas daquelas identificadas nas notas fiscais. Inclusive devese destacar que os próprios recorrentes sequer se manifestaram quanto a operação simulatória em si, quedandose inertes quanto a uma possível comprovação adicional de que os valores foram efetivamente pagos aos fornecedores emitentes das notas fiscais. Ainda que enxergados os evidentes indícios de fraudes, não são percebidos erros, deficiência ou vícios que a tornem imprestável. Devem ser mantidos os lançamentos neste ponto. Quanto ao ano de 2011, no entanto, a contribuinte, apesar de intimada, não apresentou sua documentação contábil. Por esse motivo, o lucro fora arbitrado com base nas notas fiscais eletrônicas emitidas pela STAR METAL, considerando os valores ali encartados como a receita bruta na revenda de mercadorias. Sobre estes, para o cálculo do IRPJ, foi aplicado o coeficiente de 9,60%, e para a CSLL, o coeficiente de 12%. Portanto, aqui sim, há que se falar na imprestabilidade da escrita do recorrente para a determinação da efetiva base de cálculo dos tributos. A ausência de registros, formalizando a ocorrência dos fatos contábeis, compromete de forma providencial e essencial o trabalho de quantificação do crédito tributário. Fl. 5049DF CARF MF 38 Ainda que se tenham as respectivas notas fiscais, não há qualquer documentação que as respalde, bem como não podem ser identificadas quaisquer outras despesas ou receitas pela entidade incorridas, tornandose inane qualquer tentativa de composição da base de cálculo dos tributos. Assim, merece guarida a aplicação do art. 530 do RIR/99, in verbis: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º ): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” Ora, compulsando a contraposição do quanto disposto no supracitado artigo de lei com a conduta do recorrente, podese patentear que o contribuinte incorreu, quanto ao anocalendário de 2011, nas hipóteses previstas no dois incisos (I e II), uma vez que: não manteve a escrituração na forma das leis fiscais e não elaborou as demonstrações financeiras (I); e ainda, sob os inúmeros indícios de fraude, não trouxe escrituração capaz de validar as movimentações financeiras concernentes as supostas notas fiscais, tampouco aptas a determinar o próprio Lucro Real. Portanto, neste ponto também são procedentes os lançamentos e falecem quaisquer alegações em sentido contrário. Diante de todo o exposto, então, os pressupostos aqui prevalecentes devem ser os seguintes: (i) a infração tributária cometida pela autuada não restringese apenas a glosa de despesas, pela patente inidoneidade das notas fiscais, ainda que a presente esteja aqui limitada em termos quantitativos; (ii) comprovouse que a exorbitância desta simulação alcança uma estrutura organizacional fraudulenta e dolosa, a qual visava, reiteradamente, a ocultação da ocorrência do fato gerador de tributos federias e estaduais e a remessa efetiva dos valores àqueles que detinham seu “domínio de fato”, os reais beneficiários da operação. Decadência Diante de todo o exposto em tópico pretérito, não há outra alternativa senão a aplicação do art. 173, inciso I do CTN na concretude deste caso. Fl. 5050DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 21 39 É cediço que referido dispositivo propaga seus efeitos fáticos quando a conduta do contribuinte é eivada de fraude, dolo ou simulação. Vejamos o entendimento unânime do CARF neste sentido: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, da qual decorreu a qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, ou seja, flui a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. (Acórdão nº 1201001.855 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16/08/2017) IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FATO GERADOR TRIMESTRAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente ao imposto de renda, sujeito ao lançamento por homologação, extinguese em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN; já na hipótese da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do imposto regese pela regra do art. 173, inciso I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de cinco anos iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamentos efetuados cientificados antes destas datas não são alcançados pela decadência. (Acórdão nº 1402002.677 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25/07/2017) Demonstrouse, de forma inequívoca, que a autuada simulou o pagamento de fornecedores para ocultar o pagamento de recursos financeiros aos reais beneficiários de uma organização que visava a frustação da atuação fiscalizatória e o enriquecimento por meios e fins ilícitos. Não há como se esquivar do fato de ter a contribuinte praticado atos dolosos, cuja a intenção era claramente a de fraudar suas operações, na tentativa vã de ludibriar o Fisco através de reiteradas simulações. Há aqui o conjunto de elementos autorizadores da contagem do prazo decadencial por meio do art. 173, I do CTN. Eis a dicção legal da supracitada norma: Fl. 5051DF CARF MF 40 “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Baseado neste ordenamento temos os termos a quo do prazo decadencial em 01/01/2011 e 01/01/2012, respectivamente em relação aos períodos cobrados de 2010 e 2011. Por consequência lógica, os termos ad quem se concretizariam, respectivamente, em 01/01/2016 e 01/01/2017. A ciência do auto de infração fora vislumbrada em junho de 2015, portanto, dentro do prazo decadencial. Deste modo afasto a preliminar de decadência. Responsabilidade Tributária Apesar das premissas neste voto delineadas, os recorrentes trazem por meio de suas peças recursais, argumentos e provas inéditas que visam afastar suas respectivas responsabilidades solidárias pela satisfação do crédito tributário, tentando a todo custo se isentar do efetivo recebimento dos recursos remetidos pela autuada (STAR METAL). Destaquese, de início, que, apesar de apenas citado anteriormente, não fora adentrado o modo como os recursos eram remetidos indiretamente àqueles que tinham o domínio de fato da estrutura organizacional fraudulenta. Para o devido enfrentamento das alegações inovadoras dos recorrentes, tal operação deve ser aqui escancarada. Pois bem. Devemos dividir a operação em três escalões. Em um primeiro patamar vislumbramse a atividade das “noteiras”, entidades que simlam pagamentos de títulos inidôneos à pseudasfornecedoras, inexistentes de fato, visando com isso a geração de créditos na contabilidade, já que tal prática a princípio compreende a geração de créditos de ICMS e IPI, com repercussão nos demais tributos, além de ocultar a compra de ativos para favorecer pessoas físicas e jurídicas, que atuam nos bastidores das operações como reais beneficiários, à margem da tributação. É claramente a conduta levada a fio pela autuada. Especificamente quanto ao caso concreto, os recursos foram de fato remetidos às empresas PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ e ALUMIBRÁS, que ocupam um segundo escalão (mas que poderiam ocupar o primeiro pelas conclusões atingidas no “Relatório Geral de Auditorias”). Nos mesmos moldes das empresas “noteiras”, eram inexistentes de fato, sob situação cadastral irregular e interposição de pessoas em seus respectivos quadros societários. Fl. 5052DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 22 41 Os recursos financeiros, então, eram finalmente destinados aos sócios de fato das empresas KOPRUM, EMPÓRIO DE METAIS, CIMEELI e NATURE EMPREENDIMENTOS, quais sejam (direta ou indiretamente), as pessoas de JOAO NATAL CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA (“Família Cerqueira”) e PAULO CESAR VERLY DA VRUZ. Desta forma, após circularem pelas empresas participantes em primeiro e segundo escalão, os recursos eram remetidos às contas correntes daqueles que possuíam o chamado “domínio de fato”, em última instância. Percebese aqui a finalidade da organização, bem como os instrumentos necessários à sua concretização. No TVF fica clara esta distinção, que segrega exatamente os valores originários da empresa STAR METAL, enviados a estas empresas do segundo escalão, dos valores distribuídos direta ou indiretamente para os reais beneficiários (fls. 3631/3642). A autuação fiscal elenca então os recursos transferidos pela autuada e também a destinação destes para os reais beneficiários. Não há aqui a demonstração da correlação de valores, apenas a comprovação de que os recursos transferidos pelas empresas de segundo escalão eram destinadas, diretamente ou indiretamente, aos reais beneficiários. Firmadas estas considerações, o recorrente JOAO NATAL CERQUEIRA alega, primeiramente, que parte dos recursos transferidos às empresas de segundo escalão demonstrados nesta autuação fiscal são exatamente os mesmos expostos no procedimento levado a cabo contra a empresa ANSESIL. Ora, quanto a este ponto, devese salientar que não cumpriu a fiscalização o rastreamento exato do itinerário de todos os recursos. Trouxe a autoridade fiscal, tanto aqui quanto no caso da ANSESIL, apenas a demonstração de que os valores, ao invés de serem destinados ao pagamento dos fornecedores, eram transferidos para empresas que ordinariamente destinavam recursos diretamente ou indiretamente aqueles que tinham o domínio de fato da operação. Portanto como a STAR METAL e a ANSESIL transferiram recursos de modo simulatório para as mesmas empresas (PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ e ALUMIBRÁS), conforme apurado no trabalho fiscal, é natural que sejam expostos, nos dois casos, de modo idêntico, o modo como costumavam repassar estes recursos as entidades de segundo escalão, trazendo, assim, suas principais movimentações. O intuito é claramente o de demonstrar que as empresas para os quais a SATR METAL E ANSESIL transferiam os recursos ordinariamente os repassavam para os reais beneficiários da operação, de modo doloso. Do mesmo modo que são elencadas nesta oportunidade também o são naquela, por clara ligação em nível organizacional, pautada por uma intenção delituosa comum. Apenas é evidenciado, nos dois casos, que muitos dos recursos movimentados naquelas contas eram transferidos diretamente para as pessoas físicas (responsáveis) ou, em sua grande maioria, para a KOPRUM (com participação de 99,9% da XPTO, que por sua vez tinha 50% da participação da ELECTRA, que, por sua vez, era dividida pela participação equivalente dos três irmão: Paulo Henrique Escobar Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira e João André Fl. 5053DF CARF MF 42 Escobar Cerqueira), para a EMPORIO DE METAIS (quadro societário composto por João Natal Cerqueira e Paulo Cesar Verly da Cruz) e para a CIMEELI (quadro societário composto por João Natal Cerqueira e Paulo Cesar Verly da Cruz). Portanto, não há razão neste ponto o recorrente, pois o que o trabalho fiscal elucidou nestes dois casos foi apenas para onde iam os recursos simulados pelas autuadas em última instância. O que se provou foi que as empresas PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ e ALUMIBRÁS corriqueiramente transferiam recursos para os reais beneficiários do esquema fraudulento. Tal conclusão, atingida tanto aqui quanto lá, expõe o estratagema engendrado pelos aqui elencados como responsáveis, trazendo a elucidação de que as transações comerciais eram simuladas sob uma intenção obscura maior, que se concretizaria mediante etapas, para realmente despistar a atenção do Fisco. Não há como eximir o recorrente de responsabilidade por este fato. Primeiramente pois tais informações apenas reforçam a intenção dolosa do esquema e segundo pois confrontariam apenas uma parte dos recursos elencados no trabalho fiscal, abstendose de comprovar tantos outros recursos remetidos exclusivamente pela STAR METAL diretamente aos reais beneficiários, ou à própria empresa ANSESIL ou à empresa EMPÓRIO DE METAIS. Um recurso que seja, quando remetido com essa intenção dolosa seria suficiente para estender a responsabilidade pelo crédito tributário. Ora a responsabilidade aqui tratada é solidária, não subsidiária. Tal ponto, no entanto, será adentrado mais à frente. É cediço destacar ainda que, mesmo que se acate tal alegação, os recorrentes não lograram êxito em demonstrar que estes valores foram de fato transferidos pela ANSESIL e não pela recorrente. Não há nos autos qualquer comprovação hábil e idônea, apta a elucidar o quanto disposto pelo recorrente. Nestes autos não transpareceu que os valores transferidos pelas empresas PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ e ALUMIBRÁS foram, em primeira instância, remetidos pela ANSESIL e não pela STAR METAL. Portanto neste ponto falecem as alegações do recorrente. Em correlação com este ponto, destaca também o recorrente que as empresas PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ e ALUMIBRÁS também foram fiscalizadas, seguido da lavratura dos respectivos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, tendo sidos os sujeitos incluídos no rol dos responsáveis tributários solidários, em decorrência das mesmas remessas de recursos financeiros mencionadas no presente trabalho fiscal. Ocorre que, da mesma forma que a inidoneidade das notas fiscais impacta na determinação do lucro real, através da glosa de despesas em uma entidade (no caso a STAR METAL), há concomitantemente a apuração de omissão de receitas nas empresas que supostamente receberam os recursos, ou seja, o recebimento de recursos sem qualquer lastro documental. É certo que nos dois casos há o correspondente impacto no lucro real, conquanto ausente o respectivo registro contábil ou qualquer documentação comercial que o dê validade. Fl. 5054DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 23 43 Tanto a omissão de receitas quanto as despesas deduzidas indevidamente pendem de comprovação documental, mas, em contrapartida, tem aqui o respaldo em todo o esquema fraudulento vislumbrado pela fiscalização. Na autuada (STAR METAL) foram deduzidas despesas indevidamente, o que logicamente distorce o efetivo lucro auferido pela entidade. Tal fato compromete frontalmente o princípio da capacidade contributiva e deve ser apontado pela fiscalização. Também devem ser presumidas as consectárias receitas auferidas pelas receptoras destes recursos, mas sem qualquer lastro documental. Subsumese um signo de riqueza não tributado devidamente, o que deveras coloca em xeque, mais uma vez, o referido preceito fiscal. Da mesma forma se dá a próxima etapa do esquema identificado, ou seja, a empresa que recebeu os recursos os transfere de forma simulatória, sem qualquer comprovação contábil, fiscal ou comercial. Deste modo, passa a deduzir despesas indevidamente de seu lucro real, no mesmo passo em que a empresa beneficiária dos recursos não apresenta qualquer respaldo documental apto a justificálos, incorrendo em omissão de receitas. Não há que se falar aqui em duplicidade de cobrança sob os mesmos responsáveis. O fato é que os reais beneficiários perpetuaram um sistema fraudulento que gera efeito em cadeia e, assim, várias empresas deixaram de recolher tributo sobre um mesmo recurso. Diversas entidades auferiram renda ou deduziram despesas indevidamente, à épocas e circunstâncias diversas. O impacto fora percebido no lucro real individualmente de cada uma delas, de modo que este recurso representou uma participação peculiar na formação da base de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro e sobre o faturamento devidos por cada uma das empresas. Assim, cada qual a sua maneira, estes recursos obscuros e simulados impactaram no dever de pagamento do tributo e assim distorceram a capacidade contributiva de todas as entidades. As autuações fiscais lançadas a cada uma das empresas devem perseguir a ideia de que os efeitos do recebimento ou da transferência destes recursos financeiros são sentidos individualmente em cada uma das empresas e impactam de alguma forma no lucro real de todas elas. A discrepância identificada na presente autuação fiscal é aquele referente a dedução indevida de despesas (notas fiscais inidôneas), representando um decréscimo não comprovado no lucro real auferido pela empresa STAR METAL. As consequentes receitas omitidas ou despesas indevidamente deduzidas, que seguem o caminho dos recursos financeiros até os reais detentores destes montantes, também afetarão o lucro real das entidades e caso as respectivas não registrem tais operações (o que é o caso) e se isentem de representar a realidade econômica efetiva da empresa, devem ser alvo de autuações fiscais. Foi o que ocorreu com as empresas PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ e ALUMIBRÁS, por consequência lógica. Portanto o olhar aqui lançado deve nortear a hipótese de incidência dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e CFINS, a concretização efetiva de seus fatos geradores e, por fim, a percepção da capacidade contributiva de cada entidade. Fl. 5055DF CARF MF 44 O esquema engendrado trouxe à tona a distorção da capacidade contributiva de uma série de entidades. Todas elas, no entanto, conforme se demonstrou, buscavam esquivarse da tributação, até que as montas atingissem de forma despercebida os reais beneficiários da operação. Cada desvio e omissão perpetrado por cada uma das entidades tem como lastro um esquema fraudulento e a reiteração de condutas simulatórias encabeçadas pelos detentores do domínio de fato da operação. Portanto não há como os responsáveis sustentarem a duplicidade de cobrança sobre um mesmo recurso. O itinerário deste propagou efeitos sobre todas as empresas, que deixaram de recolher os correspondentes tributos, sob uma mesma justificativa, e assim afrontaram diretamente princípio basilar do pátrio ordenamento jurídico. Tal conduta fora identificada, apontada e rechaçada pela fiscalização em todas as oportunidades. Quanto a tal ponto se mostram irretocáveis os lançamentos, portanto. O recorrente JOAO NATAL CERQUEIRA prossegue trazendo alegações infundadas. Salienta que ocorreu um erro da Autoridade Fiscal no preenchimento da tabela constante às fls. 3858 (“Relatório Geral de Auditorias”), posto que o cheque nº 001480, no valor de R$70.000,00, foi emitido pela PERFIBRÁS em 21 de outubro de 2009 e não em 2014, trazendo aos autos cópia do referido cheque. Ora o erro aqui apontado foi nitidamente de digitação. A tabela mencionada segue uma ordem cronológica até certo ponto, de modo que se inicia com a identificação de um cheque emitido em 02/10/2009, logo após apontase outro cuja a emissão se deu em 21/10/2014 e, ato contínuo, são elencados cheques emitidos nas datas de 06/11/2009, 12/11/2009, 18/11/2009, 23/11/2009, 30/11/2009 e 07/12/2009. Claramente a fiscalização elencou uma série de cheques emitidos de modo sequencial, seguindo uma ordem de tempo crescente, que começa em 02/10/2009 e termina em 07/12/2009, para daí em diante não seguir qualquer lógica aparente. Seguindo este racional tornase patente que há um erro de digitação apenas quanto ao ano da data de 21 de outubro, que deveria ser o de 2009. As provas colacionas pela fiscalização naquela oportunidade e ratificadas no próprio recurso voluntário apresentado por João Natal Cerqueira deveras justificam tal lapso e retiram deste erro diminuto qualquer carga significativa capaz de afetar o direito de defesa do recorrente. A insignificância do erro é ainda reforçada pelo fato deste valor sequer ser mencionado nos trabalhos fiscais que culminaram na presente autuação, limitandose o apontamento no “Relatório Geral de Auditorias”, que aqui nos serve apenas como um apoio, uma vez que não se incumbe da quantificação e formalização deste crédito tributário. Diante da enorme monta que envolve esta infração tributária, incorrerse contra um claro erro de digitação, apenas um, que representa ínfima fração deste total, soa incabível. Alega o recorrente que a partir desta constatação, somada a outras tantas, seria possível comprovar de forma cabal que à época das remessas de valores da PERFIBRÁS para a KOPRUM, esta não estava “sob controle da Família Cerqueira”. Não há qualquer relação lógica entre estas alegações, qualquer inferência capaz de tornaremnas conexas, razão pela qual não devem serem levadas em consideração para a ratio decidendi. Fl. 5056DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 24 45 Superado este ponto, traz ainda o recorrente a menção de que todas as remessas de valores correspondentes às denominadas transferências bancárias tiveram como destinatária a empresa PERFIBRÁS e não a KOPRUM, ao contrário do indicado no “Relatório Geral de Auditorias” e replicado nas conclusões atingidas no presente procedimento fiscal. O recorrente, neste ponto, alega que foi estabelecido um acordo comercial entre as empresas KOPRUM e PERFIBRÁS, através do qual, esta última, nas datas previamente convencionadas entre as partes, realizaria adiantamentos de valores em espécie à KOPRUM, sendo, por outro lado, assegurado à PERFIBRÁS a garantia de preço, evitando perdas em razão da variação monetária. No entanto, apesar da coincidência de alguns valores constantes da tabela à fls. 3634 (“Recursos Enviados da Perfibrás”), com os cheques e comprovantes de depósito apresentados pelo recorrente (fls.4710/4726 – Recurso Voluntário), não há nos autos qualquer comprovação do acordo comercial firmado. Não consta dos autos qualquer registro contábil, fiscal ou comercial ratificando as alegações do recorrente, quanto a operação comercial intentada. Deste modo, não há qualquer lastro probante capaz de respaldar materialmente os efeitos destes adiantamentos, tanto na empresa KOPRUM quanto na empresa PERFIBRÁS, qualquer efeito positivo nos disponíveis da primeira ou negativo nos disponíveis da segunda (nos ativos não circulantes das entidades), qualquer movimentação financeira ou econômica concretizada nos respectivos livros contábeis e fiscais. Ressaltese que, ao final da suposta operação, segundo o recorrente, a KOPRUM não conseguiu promover as entregas de mercadoria, razão pela qual devolveu à PERFIBRÁS, com as devidas correções, todos os valores recebidos à título de adiantamentos. No entanto, também não existe qualquer comprovação contábil ou fiscal que ratifique esta devolução dos valores. Apenas constam os referidos comprovantes de depósitos da KOPRUM para a PERFIBRÁS, juntamente com os cheques, mas sem qualquer respaldo documental capaz de validálos, apto a identificálos como montantes pagos à título de devolução de adiantamentos. Separando a operação vislumbrada em etapas, podemos conceber que uma delas é o pagamento de montantes da PERFIBRÁS para a KOPRUM. O recorrente, através de sua contextualização, sugere que tais valores foram transferidos a título de adiantamento do pagamento de mercadorias adquiridas. A fiscalização e este julgador não têm à sua disposição documentação capaz de demonstrar a efetiva ocorrência desta operação comercial, razão pela qual presumese absolutamente que tais valores foram transferidos indiretamente (através da KOPRUM) aos reais beneficiários de todo o esquema fraudulento identificado. Assim, ainda que tenha havido o pagamento da KOPRUM para a PERFIBRÁS, não há comprovação cabal da operação que motivou tal transferência. Sem qualquer lastro probante, as alegações levitam sob o campo das presunções. Uma vez neste cenário, temos que falar nos indícios veementes e robustos levantados, em contrapartida, pela fiscalização, concernente a estrutura organizacional, sincrônica, dolosa e simulatória, da qual eram efetivos participantes ambas as empresas citadas (KOPRUM e PERFIBRÁS). Fl. 5057DF CARF MF 46 Neste ponto devemos considerar, apenas à título complementar, inclusive alguns dos argumentos trazidos pelo próprio recorrente: “(...) 171. Assim, “... a prova por indícios e por presunções, por não ser direta, demanda zelosa cautela, já que envolve uma maior possibilidade de erro que a chamada prova direta. Logo, um indício pode ser utilizado como meio de prova, dando origem a uma presunção, apenas quando o indício e a presunção geram a convicção de que não existe nenhuma outra alternativa razoável que não aquela indicada pelo indício. Qualquer outra hipótese, que não essa, não teria qualquer razoabilidade, sendo incapaz de gerar certeza, só suscitando dúvida”. (...)” Não havendo comprovação efetiva, surgem os precedentes fraudulentos identificados e patenteados pelo “Relatório Geral de Auditoria” e, assim, não há como se presumir que tais valores teriam sido alvos de um acordo comercial. Muito pelo contrário, a presunção deve ser dirigida no sentido de que de há uma simulação, promovida no afã de ludibriar o fisco, ocultando a verdade, mascarando e distorcendo o que estava realmente acontecendo. Tratase de situação que se molda nos exatos termos fáticos em que fora percebida a conduta fraudulenta. A incerteza quanto a operação comercial aqui instalada, diante da defasagem probante, remete a outras inúmeras incertezas quanto a outras tantas operações comerciais firmadas intra grupo. São diversos indícios idênticos apontando para uma mesma direção, robustecendo ainda mais a presunção e aproximandoa cada vez mais do absolutismo. Inclusive o posicionamento firmado no “Relatório Geral de Auditoria” apenas confirma o fato de que a própria PERFIBRÁS, além de pertencer ao segundo escalão do micro esquema aqui demonstrado, em relação especificamente à STAR METAL, também promovia simulações em suas transações comerciais: “(...) Foram identificadas, várias emissões de cheques provenientes da PERFIBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO e ALUMIBRÁS INDÚSTRIA E COMERCIO simulando transações comerciais, mas em verdade tratavamse de retorno de valores ao controle da organização. Vejamos abaixo: (DOCTO. 183) (...)” O próprio recorrente demonstra em sua peça de defesa a total hesitação quanto a operação comercial que ocasionou tais movimentações de recurso: Fl. 5058DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 25 47 Veja o recorrente adota o signo “provavelmente”, revelando sua integral insegurança quanto a operação que de fato se deu, evidenciando, deste modo, a ambiguidade de suas alegações. Portanto, a instabilidade que o recorrente pretende provocar não emerge, uma vez que não há qualquer lastro contábil, fiscal ou comercial capaz de validar suas afirmações por completo, bem como há, em sentido diametralmente oposto, uma série de indícios apontando para sua invalidação, mediante a identificação das reiteradas simulações e de toda a estrutura fraudulenta que envolve a atuação das empresas PERFIBRÀS e KOPRUM. Neste ponto também devem falecer as alegações do recorrente. Trazse ainda, por meio do recurso voluntário apresentado por JOAO NATAL CERQUEIRA, a alegação de que no período compreendido entre abril/2010 a junho/2010, a empresa KOPRUM realizou operações de aquisições de mercadorias da PERFIBRÁS, cujos pagamentos totalizaram o montante de R$ 1.002.848,00, conforme tabelas e notas fiscais acostadas. No entanto, não há qualquer relação entre tais montantes e os recursos financeiros movimentados pela referida entidade, conforme dispostos pela fiscalização no TVF. Ainda que houvesse, o recorrente não se esforçou em demonstrála, deixando de juntar aos autos qualquer documento que a respaldasse. Em verdade, o recorrente não deixa claro o que pretende com tais provas e alegações. Se a intenção era provar que as empresas costumavam realizar transações comerciais de fato, temos mais uma vez um indício frágil, pois não suportado pelo respectivo registro contábil e ainda diante de todos os indícios robustos indicando conclusões opostas. O fato é que tais informações em nada agregam para justificar ou validar a ocorrência de uma operação de venda de mercadorias, considerando que a simulação constantemente promovida pelo grupo consistia exatamente em mascarar a transferência e recebimento de remessas de recursos aos reais beneficiários através de imaginárias transações comerciais. O recorrente, ainda neste sentido, alega que não fora localizada qualquer comprovação de que efetivamente teriam sido realizadas as remessas de recursos da INGAÍ para a CIMELLI, conforme constante no TVF. De modo geral, todo o exposto pelo recorrente de modo inédito nesta peça recursal padece de comprovação documental. São lançadas simples alegações, quando muito com as respectivas notas fiscais, mas sem qualquer suporte contábil ou fiscal capaz de comprovar a efetiva ocorrência das transações comerciais. Ora, conforme exaustivamente demonstrado neste voto, o esquema fraudulento tinha como instrumento essencial principalmente a simulação de operações comerciais. Tais simulações foram identificadas quando compulsada a análise dos respectivos registros contábeis e fiscais (ou a ausência deles) das entidades participantes. Fl. 5059DF CARF MF 48 A insuficiência do registro ou a simples inexistência de qualquer outro documento que as comprovassem, portanto, remete exatamente a presunção de materialização da fraude. Assim é que as simples alegações, desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos, não são suficientes para elidir tal presunção. O recorrente teve a oportunidade de produzir as provas que julgasse necessárias durante todo o trabalho fiscal a até em sede de impugnação ou mesmo na ocasião do presente recurso voluntário, se lavado a fio o princípio da verdade material. Lançar argumentos infundados e injustificados neste momento processual parece uma última tentativa de escapar da devida tributação e da patente existência de um esquema fraudulento. Ademais, devese ressaltar que contam as empresas integrantes do grupo com assessoramento jurídico contábil eficiente para mantêlos sempre à sombra dos acontecimentos. O “Relatório Geral de Auditoria” comprova tal assertiva (fls. 3769): “(...) Tendo em vista o extenso volume de operações que se processavam diariamente através das contascorrentes bancárias, visando a produção de créditos podres dos tributos ICMS e IPI, com reflexos nas demais exações, contavam a organização criminosa, com a rigorosa assessoria de escritórios de contabilidade que tinham a função da abertura e controle das empresas inidôneas e empresa de processamento de dados que tinha a função também de controle, vários advogados e consultores que tinham a função de acompanhar eventuais fiscalizações por parte dos Fiscos Federal e Estadual nessas empresas, (...) (...)” Ora a expertise utilizada para ludibriar o fisco seria, com certeza, suficiente para o devido registro dos eventos contábeis da maneira correta, de acordo com os padrões esperados. O trabalho desenvolvido no “Relatório Geral de Auditorias”, somado à constatações reais da emissão de notas fiscais inidôneas por parte da autuada, culminam na presunção de participação da autuada no esquema fraudulento e, assim, na necessidade de extensão da responsabilidade tributária aos recorrentes. A ausência de qualquer comprovação escoltando suas alegações nos autos, então, apenas reforçam tal presunção e elencam a autuada e sua conduta como apenas mais uma das identificadas em um conjunto de empresas, todas visando uma mesma finalidade, fraudulenta, vale dizer. Há que se levar em consideração também a alegação inédita trazida pelos recorrentes Rafael Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira e Paulo Henrique Escobar Cerqueira. Acrescentam em seu recurso voluntário que, visando exclusivamente garantir a sucessão familiar, e por ser uma preocupação de seu pai, a fim de evitar conflitos familiares por ocasião de seu falecimento, fora constituída a pessoa jurídica ELECTA, cujo Fl. 5060DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 26 49 quadro societário era composto pelos três recorrentes (irmãos). Alegam não ser cabível a imputação de responsabilidade por serem tão somente sócios quotistas da referida entidade. A bem da verdade os recorrentes, aqui incluídos também as pessoas de João Natal Cerqueira e Paulo Cesar Verly da Cruz, buscam, a todo momento, invalidar a sua relação com quaisquer empresas aqui elencadas, sejam elas remetentes ou destinatárias dos recursos financeiros, por não terem qualquer participação societária efetiva à época da constatação dos fatos apurados (2010 e 2011). Veja, tais alegações devem cair por terra quando levada em consideração a interposição de pessoas nestas entidades e todo o esquema fraudulento que as permeiam. Independentemente de quem constava como sócio de direito das empresas à época dos fatos, os sujeitos que efetivamente geriamnas e se beneficiavam dos recursos dali advindos, direta ou indiretamente, eram aqueles que tinham o domínio de fato da operação. O fato de serem tão somente sócios quotistas da empresa ELECTRA, ou fato de serem elencados como sócios apenas para suceder a atividade de seu pai, tornamse alegações vagas e insubsistentes, incapazes de retirarlhes a reponsabilidade tributária, quando o que se comprova aqui é que estes aproveitavam, em última escala, recursos remetidos após seguidas simulações engendradas pelas entidades do grupo. A verdade é que as pessoas constantes do quadro societário da maioria das entidades eram “laranjas”, sujeitos sem qualquer atuação efetiva, alheios a real operação que visava a transferência de recursos especialmente para os sujeitos aqui caracterizados como responsáveis tributários, tudo à margem do conhecimento do fisco federal e estadual. O entendimento do v. acórdão ratifica tais afirmações: “(...) As razões de defesa insistem em tentar afastar o envolvimento dos impugnantes com a autuada, ao argumento de que, no período autuado, não possuíam qualquer participação societária na contribuinte. 283. Bem, isso se mostra redundante à medida que consta da conclusão das investigações, que a pessoa jurídica tinha como sócios, pessoas sem qualquer aporte financeiro e que, sequer existe de fato, posto não ter sido localizada no endereço infomado nos cadastros da Receita Federal do Brasil. 284. Conforme demonstrado, o fundamento para que estas pessoas fossem erigidas à condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário em discussão, não está amparada na hipótese de terem o real e efetivo controle do quadro societário da pessoa jurídica, muito embora, tal situação tenha restado comprovada durante as investigações feitas, mesmo que de forma transversa. 285. Portanto, é solidária a pessoa, física ou jurídica, que realiza, conjuntamente com outra ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação, ou seja, todas as pessoas que tiram Fl. 5061DF CARF MF 50 uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado, conforme nos ensina Rubens Gomes de Souza (in Compêndio de Legislação Tributária – 3ª edição, RJ, Ed Financeiras, 1964, pg 67). (...)” A identificação da interposição de pessoas nestes casos e a percepção do esquema fraudulento, no geral, são constatações prevalecentes, que sobrelevam e subjugam todas as eventuais alegações em sentido contrário. Sob este racional, quaisquer limitações temporais ou espaciais impostas devem ser aqui desconsideradas. Portanto não assistem razão os recorrentes nesta questão. De forma conclusiva, temos que os recorrentes trazem inúmeras alegações que remanescem e se limitam ao campo das suposições, sem demonstrar de fato se, por exemplo, os valores recebidos pelas empresas PERFIBRÁS não foram remetidos à KOPRUM, ou se os valores remetidos pela INGAÍ foram remetidos para a CIMEELI, ou se os valores transferidos das empresas PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ e ALUMIBRÁS não foram realmente enviados aos beneficiários do esquema fraudulento. A simples conduta da autuada, por outro lado, traz como lastro todo esse esquema fraudulento evidenciado no “Relatório Geral de Auditorias”. Fora promovido um trabalho fiscal extenso, realizado em 22 empresas, que apurou um esquema de sonegação bilionário e que valida a seguinte assertiva, de modo definitivo: os recursos, após circularem entre as empresas participantes, retornavam às contas correntes daqueles que possuíam o chamado "domínio do fato'' de toda a operação. Mesmo se os recorrentes lograssem êxito em comprovar todos esses pontos trazidos em sede de recurso voluntário, o que soa incabível, deixaram de se manifestar quanto a movimentação da grande maioria dos montantes, tanto em relação aos valores transferidos diretamente aos beneficiários (RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA e JOÃO NATAL CERQUEIRA) ou indiretamente, através das empresas ANSESIL e EMPORIO de METAIS, quanto àqueles remetidos posteriormente aos beneficiários através das empresas PERFIBRÁS, FRAGA, INGAÍ e ALUMIBRÁS, da qual se abstiveram os recorrentes de qualquer alegação ou comprovação. A reponsabilidade remanesceria neste caso e traria como respaldo, novamente, todas as conclusões atingidas pela fiscalização no “Relatório Geral de Auditorias”. Invocar, ainda, o princípio da insignificância ou o princípio da individualização da pena neste contexto é cabalmente atestar a própria responsabilidade tributária. Ora, ainda que os valores recebidos tenham sido irrisórios, a responsabilidade neste caso é solidária e não subsidiária. Como já salientado neste voto, há aqui o interesse comum dos recorrentes na ocultação da ocorrência do fato gerador. Como reais beneficiários e como mentores desta organização criminosa, gerenciavam a atuação das entidades de modo simulatório, sem que o fisco percebesse suas efetivas movimentações financeiras. Acabaram obscurecendo a real Fl. 5062DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 27 51 capacidade contributiva de todas as entidades, materializando, com isso, sua intenção fraudulenta. Neste diapasão, merece guarida aqui a aplicação do art. 124, I, do CTN, in verbis: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;” Neste caso, o fisco poderá eleger qualquer dos sujeitos passivos para proceder à arrecadação do tributo, sem benefício de ordem. Os responsáveis solidários assumem, simultaneamente, interesse comum na situação que dá origem ao fato gerador da obrigação principal, respondendo, cada um deles, pela totalidade da dívida. Portanto, mesmo que o valor recebido por determinado responsável tenha sido mínimo em relação ao total autuado, a concorrência de interesse na situação que constituiu o fato gerador traz a todos os reais beneficiários a responsabilidade pela integralidade do crédito tributário formado. É certo que o crédito tributário remete a uma monta de valor altíssimo, deveras significativo. Uma vez que cada responsável responde não só pelos valores supostamente recebidos, mas pelo total autuado, por força da solidariedade lhes imputada, não há que se falar aqui na aplicação do princípio da insignificância. Até porque a validação de referido preceito não representaria a realidade dos fatos. Comprovouse nos autos e diante de todo o aqui exposto, que não só as montas transferidas diretamente aos reais beneficiários foram por estes ostentadas, mas também aquelas transferidas indiretamente através do intermédio de empresas de fachada. Por consequência lógica, não há que se falar na necessidade de individualização das penas, quando cada um responde por toda a infração tributária e não especificamente e pontualmente quanto a uma determinada situação. Os institutos penais não devem prevalecer sobre as disposições especiais imantadas no Código Tributário Nacional. Referido documento legislativo traz de modo explícito que nos casos de interesse comum pelo fato gerador, há reponsabilidade tributária solidária. Independente da participação de cada responsável na gestão da operação fraudulenta ou no montante usufruído de forma ilícita, mantémse para cada qual a mesma obrigação tributária, o pagamento do todo. Ainda há que se falar na validade da cumulação do art. 135, inciso III do CTN. Tratase da responsabilidade pessoal do agente, que significa afastar da cobrança do crédito tributário o contribuinte originário. Vejamos: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 5063DF CARF MF 52 (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Pelo conteúdo da afirmação “pessoalmente responsáveis” verificamos que o contribuinte sairá da relação tributária, deixando apenas ao responsável o dever de recolher o tributo. Para tanto, deve ter havido um evento muito relevante e grave. Tais eventos vieram listados numerus clausus, no próprio caput, sendo eles “os atos praticados com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos”. Em suma o art. 135 responde aos casos de condutas essencialmente dolosas. Diante de todo o exposto neste voto, não há como supormos a inaplicabilidade de referido artigo na concretude deste caso. Os sócios e representantes de fato da empresa STAR METAL, assim como de todas as outras entidades da organização fraudulenta, são os aqui elencados como responsáveis tributários. E o são de maneira devida: sua conduta fora indubitavelmente dolosa, visando, de forma minuciosa, sorrateira e reiterada, o aproveitamento de recursos financeiros advindos de operações simuladas e, assim, um enriquecimento ilícito, à margem de qualquer impacto tributário. Tratase de patente infração à lei, uma conduta eivada de intenções sonegatórias. Portanto as pessoas de JOAO NATAL CERQUEIRA, PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA (“Família Cerqueira”) e PAULO CESAR VERLY DA VRUZ devem responder solidária e pessoalmente pelo pagamento do presente crédito tributário. Devese ressaltar, por último, que a decisão quanto a este ponto seguiu estritamente preceito essencial das ciências contábeis: o princípio da entidade. Referido princípio reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Todo o raciocínio aqui exposto busca elucidar exatamente se os recursos eram aproveitados para a atividade operacional das empresas envolvidas na organização, ou se eram transferidos para pessoas físicas que geriam as entidades com o único fito de enriquecimento ilícito. Esta segregação entre o patrimônio dos representantes de fato e o das entidades se mostrou primordial para que a fiscalização atingisse as conclusões que culminaram na identificação de uma organização criminosa. O princípio da entidade aqui foi seguido à risca e se mostrou instrumento imprescindível para transparecer a obrigação tributária da autuada e a conseqüente formalização do crédito tributário, com a cobrança estendida e dirigida exclusivamente para os reais beneficiários de todo o esquema fraudulento. Fl. 5064DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 28 53 Desta forma, devem ser mantidos os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e a respectiva cobrança do crédito tributário dirigida aos responsáveis fiscais aqui já mencionados. Multa Qualificada A penalidade aplicada é apenas uma consequência de todo o exposto neste voto. Não restou dúvidas de que a autuada e os responsáveis eram parte de um esquema fraudulento milionário que visava a sonegação fiscal e o enriquecimento ilícito de seus reais beneficiários. A fundamentação para a qualificação da multa encontra morada no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Dentre as hipóteses ali previstas, merece atenção especial o art.71 da Lei nº 4502/64, que prevê exatamente a sonegação: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Fl. 5065DF CARF MF 54 O modo como são simuladas as operações comerciais para a remessa de recursos àqueles que detinham o domínio de fato de toda o esquema fraudulento, acaba por ocultar do fisco o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária. Conforme fora amplamente demonstrado, a remessa despercebida de recursos acaba por impactar diretamente na apuração da real capacidade contributiva das entidades envolvidas na operação. Mascarar o registro desta remessa de recursos com o lançamento irreal e equivocado de uma despesa ou receita decorrente da compra/venda de mercadorias, distorce as circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador dos tributos aqui cobrados, impedindo seu real conhecimento por parte da autoridade tributária. Tal conduta fora promovida de forma dolosa e reiterada pela autuada, seguindo inúmeros precedentes idênticos promovidos por outras entidades da organização criminosa. Incorreu a autuada (e seus responsáveis) em conduta voltada para a sonegação fiscal, obscurecendo os reais fatos ao Fisco, no evidente intuito de desviar sua atuação e escapar do impacto tributário. Tal conduta deve ser rechaçada e por isso merece guarida a aplicação da penalidade em vultuosos montantes. Não há que se cogitar a aplicação do art. 112 do CTN, quando as conclusões atingidas nos autos são latentes e, ainda que amparadas por presunção próxima do absolutismo, são enviesadas por indícios fortes e robustos apontando para a mesma direção. Não há dúvida suficiente para decidirse a favor da autuada neste caso. Todos os fatos, alegações e provas juntadas aos autos culminam na percepção de uma conduta simulatória e sonegatória. Deve prevalecer, então, a aplicabilidade ferrenha do quanto disposto em lei sob plena vigência e eficácia (Lei nº 9.430/96), desconsiderando aqui o atendimento a preceitos basilares do ordenamento jurídico que a colocam em xeque e assim suscitam a análise de sua constitucionalidade, perante a qual não deve se manifestar este Conselho (Súmula nº2 do CARF). Mantémse, assim, a aplicação da multa qualificada, no patamar de 150%. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSOS VOLUNTÁRIOS para, no MÉRITO, NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 5066DF CARF MF Processo nº 10932.720041/201543 Acórdão n.º 1201002.254 S1C2T1 Fl. 29 55 Fl. 5067DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914207/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.848
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 07 /2 01 2- 72 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914207/201272 Acórdão n.º 3201003.848 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.915, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914207/201272 Acórdão n.º 3201003.848 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914207/201272 Acórdão n.º 3201003.848 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914207/201272 Acórdão n.º 3201003.848 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726100/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
Despesa. Glosa por Amostragem. Invalidade do Critério.
É inválida a glosa de despesa por amostragem, presumindo que o mesmo resultado percentual encontrado na amostra se repita para todo o período.
Despesa de Frete e Carreto. Falta de Apresentação do Documento Fiscal. Glosa. Cabimento.
É cabível a glosa de despesas de frete e carreto, quando o contribuinte, apesar de intimado, deixa de apresentar o documento fiscal previsto para esse tipo de prestação de serviço.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009
CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) dar provimento parcial ao recurso de ofício, restabelecendo a exigência de IRPJ em R$ 146.414,20 (valor principal); e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa da despesa de frete e carreto em R$ 180.777,87.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 Despesa. Glosa por Amostragem. Invalidade do Critério. É inválida a glosa de despesa por amostragem, presumindo que o mesmo resultado percentual encontrado na amostra se repita para todo o período. Despesa de Frete e Carreto. Falta de Apresentação do Documento Fiscal. Glosa. Cabimento. É cabível a glosa de despesas de frete e carreto, quando o contribuinte, apesar de intimado, deixa de apresentar o documento fiscal previsto para esse tipo de prestação de serviço. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008, 2009 CSLL e IRPJ. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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GLOSA POR AMOSTRAGEM. INVALIDADE DO CRITÉRIO. É inválida a glosa de despesa por amostragem, presumindo que o mesmo resultado percentual encontrado na amostra se repita para todo o período. DESPESA DE FRETE E CARRETO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO DOCUMENTO FISCAL. GLOSA. CABIMENTO. É cabível a glosa de despesas de frete e carreto, quando o contribuinte, apesar de intimado, deixa de apresentar o documento fiscal previsto para esse tipo de prestação de serviço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 CSLL E IRPJ. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (i) dar provimento parcial ao recurso de ofício, restabelecendo a exigência de IRPJ em R$ 146.414,20 (valor principal); e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa da despesa de frete e carreto em R$ 180.777,87. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 61 00 /2 01 3- 73 Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 10830.726100/201373 Acórdão n.º 1301003.220 S1C3T1 Fl. 3.614 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AMBEV BRASIL BEBIDAS S.A., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1535.295, da 1ª Turma da DRJ Salvador, que deu provimento parcial à impugnação apresentada pela recorrente. A Fiscalização apurou as seguintes infrações relativamente ao IRPJ e à CSLL: dedução de despesas não comprovadas, no ano base 2008; e falta de recolhimento de estimativa mensal em 2009, o que deu ensejo à aplicação de multa isolada. Além dessas infrações, apurou em relação ao IRPJ a insuficiência de recolhimento no ano base 2009. O lançamento foi impugnado, fazendo com que os autos subissem à DRJ Salvador, que deu à impugnação provimento parcial, em acórdão assim redigido: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos e no uso da competência atribuída pelo artigo 25, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Acordam os membros da 1a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte a impugnação apresentada para afastar a preliminar de nulidade, o pedido de perícia e de diligência e no mérito, para manter integralmente os lançamentos das multas isoladas por não recolhimento da estimativa mensal do IRPJ de valor original de R$ 123.106,21 e da CSLL de valor original de R$ 44.318,24, no IRPJ, manter o valor original de R$ 2.396.350,90, e exonerar o valor original de R$ 11.612.952,80; e na CSLL, manter o valor original de R$ 862.686,33, e exonerar o valor original de R$ 4.136.507,13, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, nos termos do relatório e voto que integram este julgado. Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 10830.726100/201373 Acórdão n.º 1301003.220 S1C3T1 Fl. 3.615 3 Quanto ao crédito exonerado, submetase a apreciação do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, de acordo com o art. 34 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF) e Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. (fl. 2.898) Não resignada, a AMBEV interpôs recurso. Relativamente às glosas de despesas de frete e carreto, que remanesceu depois da decisão da DRJ, a recorrente alegou ter trazido, com o recurso, documentação suficiente para comprovar a existência das despesas. Parte delas seria comprovada por notas fiscais e conhecimentos de transporte rodoviário de cargas (R$ 3.156.996,99); a outra parte, por comprovantes bancários de pagamentos (R$ 4.606.608,40); e a última, mediante extratos bancários (R$ 2.546.912,63). Quanto à multa isolada, pela falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL, afirmou ter feito denúncia espontânea. Depois de interposto o recurso, a recorrente comunicou a adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 (reaberto mais tarde pela Lei nº 12.996/2014), no qual foram incluídas as multas isoladas. Assim, como a própria recorrente admite, houve parcial desistência do recurso. Vindo os autos a julgamento, esta Turma, na Resolução nº 1301000.393 (fls. 3.407 a 3.423), determinou a realização de diligência, a fim de que fosse juntada a DIPJ retificadora, do ano base de 2009, que conste como definitiva nos sistemas da Receita Federal, relacionada ao CNPJ n° 73.626.293/000190 (Fratelli Vita Bebidas S.A.). Pedia a resolução também que fosse juntado documento que indicasse a data da entrega daquela DIPJ. Atendida a diligência, a recorrente foi intimada e se manifestou às fl. 3.570 e 3.571. Frisese, por fim, que os autos vieram ao CARF impulsionados não apenas pela recurso voluntário, mas também pela necessidade de reexame da parte da decisão a DRJ que excluiu parcela do crédito tributário É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Recurso de ofício O art. 1º da Portaria MF nº 63/2017 fixa em R$ 2.500.000,00 o valor de exoneração de crédito tributário a partir do qual o reexame, pelo CARF, da decisão da DRJ é obrigatório. No caso, o valor exonerado de IRPJ foi de R$ 11.612.952,80 e o de CSLL R$ 4.136.507,13, superando em muito o limite de alçada. Portanto, é de ser admitido o recurso de ofício. Fl. 3615DF CARF MF Processo nº 10830.726100/201373 Acórdão n.º 1301003.220 S1C3T1 Fl. 3.616 4 A DRJ SDR deu parcial provimento à impugnação, excluindo parte do crédito tributário relativo à glosa de despesas de frete e carreto. Para tanto, adotou os seguintes fundamentos: Quanto às glosas relativas às despesas com fretes e carretos no montante de R$ 55.546.594,02 (anocalendário de 2008), a Requerente alega que a Fiscalização não poderia ter utilizado critério de amostragem, calculando percentual mensal de despesas consideradas não comprovadas por documentação hábil e idônea sobre a amostra e, depois, aplicando tal percentual sobre todo quantitativo das despesas mensais, visto que isto contrariaria a legislação pátria, mais especificamente ao art. 142, do CTN, já que a autoridade fiscal deveria ter levado em conta despesa a despesa até exaurir a análise de todas as despesas com fretes e carretos escrituradas na contabilidade da Requerente, ou seja, não deveria ter apurado os referidos percentuais levando em conta, somente, as despesas presentes nas amostras mensais. Concordo com tal entendimento já que ao aplicar tal metodologia a autoridade fiscal expandiu artificialmente a abrangência da amostra utilizada na apuração, como se os percentuais mensais da amostra valessem para toda gama de despesas com fretes e carretos escrituradas na contabilidade da Contribuinte. Entretanto, não há como negar que é válido manter a glosa das despesas que restarem não comprovadas dentro da amostra definida pela autoridade fiscal já que com relação a esta, a autoridade fiscal utilizou critério compatível com o que determina o art 142 do CTN. A DRJ também restabeleceu algumas despesas cuja existência foi comprova mediante documentos vindos aos autos com a impugnação. A decisão é correta. A autoridade lançadora inferiu que, se em determinado período do ano de 2008, as despesas não comprovadas de frete e carreto atingiram o percentual de 60%, a mesma situação seria reproduzida em todo o ano base. Assim, firmado nessa suposição, glosou 60% das despesas de frete e carreto do ano base 2008. Ao estender, de forma linear, para todo o ano o resultado apurado na amostra selecionada, a Fiscalização lançou tributo com fulcro em presunção não prevista, nem autorizada em lei. Aliás, o procedimento adotado mal se enquadra como presunção comum, dada a ausência de vínculo entre o fato conhecido e o fato presumido. Igualmente correta é a decisão que restabelece a despesa de frete e carreto, comprovada mediante apresentação dos documentos fiscais que a legislação prevê como aptos a fazer prova dessa despesa. A decisão é aplicável tanto ao IRPJ, quanto à CSLL, tendo em vista a identidade da base fática. A segunda infração se refere à insuficiência de recolhimento de IRPJ do ano base 2009. Assim decidiu a DRJ: A autoridade fiscal apurou e lançou diferença de IRPJ do anocalendário de 2009 de valor original de R$ 146.655,20 (R$ 6.276.550,54 R$ 6.129.895,34), entre o valor informado na DIPJ daquele anocalendário e o valor recolhido ao erário federal. Fl. 3616DF CARF MF Processo nº 10830.726100/201373 Acórdão n.º 1301003.220 S1C3T1 Fl. 3.617 5 A Requerente afirma que transmitiu, muito antes do início da ação fiscal em epígrafe (11/10/2011 fls. 110 a 112), ou seja, em 22/12/2010 (fl. 2698), DIPJ retificadora relativa àquele anocalendário na qual informou "IRPJ a pagar" no valor original de R$ 4.680.379,51. Em suma, a Requerente afirma que não possui saldo a pagar do IRPJ do ano calendário de 2009. Observando o recibo de entrega da DIPJ daquele anocalendário (fl. 2698), concluise que ocorreu a tal retificação. De acordo com a consulta, de fl. 2853, ao sistema DIPJ administrado pela RFB, concluise que não houve mais retificações da referida DIPJ por parte da Requerente. Sendo assim, acato esta alegação da Contribuinte e exonero a parcela do lançamento do IRPJ do anocalendário de 2009 no valor original de R$ 146.655,20. (fl. 2.907) Aqui o lançamento deve ser restabelecido parcialmente. Para entender o problema, é preciso ter em mente que a infração que motivou o lançamento foi cometida por Fratelli Vita Bebidas S.A., da qual a recorrente é sucessora em face de posterior incorporação. A leitura do TVF deixa clara essa circunstância: 111. A empresa incorporada Fratelli Vita Bebidas Ltda, CNPJ 73.636.393/000190, entregou sua Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ/exercício 2010/ano calendário 2009, em 22/12/2010, tendo como Número da Declaração 0001431260 (Declaração Retificadora); 112. Por esta DIPJ, tem se demonstrado que a empresa optou pelo regime de apuração o Lucro Real anual, para apurar e recolher o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; (...) 116. No mesmo caminho, extraindo dos dados constantes da Planilha PLA1 IRPJ ESTIMATIVAS AC 2009, no ajuste anual (mês dezembro) foi apurado um Imposto de Renda Pessoa Jurídica de R$ 6.276.550,54 (seis milhões, duzentos e setenta e seis mil, quinhentos e cinqüenta reais e cinqüenta e quatro centavos). Conforme constante nos sistemas da Receita Federal RFB, foi recolhido um valor de R$ 6.129.895,34 (seis milhões, cento e vinte e nove mil, oitocentos e noventa e cinco reais e trinta e quatro centavos), faltando adimplir a diferença de R$ 146.655,20 (cento e quarenta e seis mil, seiscentos e cinqüenta e cinco reais e vinte centavos), valor este que será lançado de Ofício neste procedimento fiscal; (g.n.) (fls. 63 e 64) Fica claro que o crédito objeto do lançamento se vincula a fato tributário da Fratelli Vita, sendo que a responsabilidade foi transferida à recorrente por força do ato jurídico de incorporação. Não obstante, a DRJ tomou como valor devido o constante da declaração da recorrente (fl. 2.712), número 1524431 (fl. 2.853), quando deveria ter examinado a declaração Fl. 3617DF CARF MF Processo nº 10830.726100/201373 Acórdão n.º 1301003.220 S1C3T1 Fl. 3.618 6 da Fratelli Vita Bebidas S.A., número 1431260 (fl. 3.559), apresentada também pela Ambev, mas na condição de sucessora. É verdade que tal declaração só veio aos autos com a diligência determinada na Resolução nº 1301000.393, graças ao tirocínio do Conselheiro Flávio Franco Correa, então relator do processo. Na DIPJ nº 1431260 (fl. 3.559), que retrata a situação da Fratelli Vita em 2009, o valor do imposto devido é de R$ 6.276.309,54 (fl. 3.445). Para que não paire nenhuma dúvida, é importante confrontar os extratos de fls. 2.853 e 3.559. O primeiro traz as declarações da Ambev Brasil Bebidas S.A., CNPJ básico 73.082.158. O outro, as declarações da Fratelli Vita Bebidas S.A., CNPJ básico 73.626.293. Em suma, se o valor declarado como devido é de R$ 6.276.309,54 e o valor já recolhido R$ 6.129.895,34, o crédito tributário a ser exigido é a diferença, ou seja, R$ 146.414,20. Portanto, neste ponto, o recurso de ofício deve ser provido, para restabelecer o crédito tributário de IRPJ, do ano base 2009, ao valor de R$ 146.414,20, com o acréscimo proporcional de juros e multa. Recurso voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, na parte em que, por falta de comprovação, a glosa de despesas de frete e carreto foi mantida. Com o propósito de fazer prova dessas despesas, a recorrente apresentou conhecimentos de transporte rodoviário de carga, comprovantes de pagamento e extratos bancários. Antes de examinar qualquer documento, convém deixar assentada uma premissa: o que prova, para fins tributários, uma despesa com serviço de transporte rodoviário de carga é o documento fiscal denominado conhecimento de transporte rodoviário de carga CTRC, assim como o que prova o custo de aquisição de mercadorias para a revenda ou de insumos para a produção é a respectiva nota fiscal. Para a prova de despesas ou custos, o documento fiscal próprio (NF ou CTRC) é indispensável, salvo situações excepcionais, em que acontecimentos imprevisíveis e inevitáveis (tais como, inundações, terremotos etc) destroem documentos e livros, exigindo a reconstituição da escrita. No caso em tela, não há notícia de qualquer situação dessa natureza. Além disso, documentos como extratos bancários e comprovantes de pagamento revelam apenas a movimentação de recursos financeiros, sem evidenciar o negócio jurídico do qual tais recursos se originam. Portanto, a princípio, não servem de prova para respaldar a dedução de uma despesa. Ademais, quando uma empresa adquire produtos ou serviços, sem exigir o competente documento fiscal, ela abre caminho à sonegação de tributos. Dessa forma, a aceitação de tais documentos como prova de despesas dedutíveis deve ser tratada com cautela, e só admitida em situações excepcionais. Fl. 3618DF CARF MF Processo nº 10830.726100/201373 Acórdão n.º 1301003.220 S1C3T1 Fl. 3.619 7 No mais, entre o início da ação fiscal e a data da apresentação do recurso voluntário, transcorreu tempo suficiente para que fossem localizados os documentos fiscais, ou para que fossem obtidas cópias com os respectivos prestadores de serviços. Por essas razões, fica descartado como prova das despesas de frete qualquer documento que não seja aquele previsto pela legislação tributária. Portanto, a análise das provas apresentadas com o recurso voluntário fica restrita aos conhecimentos de transporte e notas fiscais de prestação de serviços. Examinando os documentos de fls. 3.079 a 3.141, constatase que a maioria deles não prova a existência, nem a regularidade das despesas glosadas pela Fiscalização. A maior parte deles está ilegível, não servindo como prova de qualquer despesa. Outros se referem a operações não incluídas entre as despesas glosadas (considerando o quadro constante no voto condutor da decisão da DRJ), dando a impressão de que tais documentos já haviam sido apresentados antes à Fiscalização e aceitos como prova da despesa, por isso não figurando no quadro da DRJ. Os documentos que podem ser admitidos como prova de despesas de frete, porque aparentemente válidos, do ponto de vista formal, e porque apresentam valores que coincidem com aqueles glosados pela autoridade lançadora, são os identificados no quadro abaixo: DOCUMENTO FISCAL FOLHA VALOR (R$) 3093 48,24 3095 17.414,95 3096 109,98 3097 470,33 3098 70.536,32 3099 7.738,46 3100 2.002,04 3125 5.549,34 3128 4.979,63 3129 71.928,58 TOTAL 180.777,87 Portanto, a par dos valores já restabelecidos pela DRJ, deve ser restabelecido como despesa de frete e carreto o montante de R$ 180.777,87. Por conseguinte, tal valor deve ser reduzido das bases de cálculos do IRPJ e da CSLL, relativamente à primeira infração, ou seja, despesas não comprovadas. Por último, cumpre registrar que, acerca da multa isolada, o recurso perdeu o objeto, dada a expressa desistência da recorrente. Fl. 3619DF CARF MF Processo nº 10830.726100/201373 Acórdão n.º 1301003.220 S1C3T1 Fl. 3.620 8 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer os recursos de ofício e voluntário, para no mérito: a) dar parcial provimento ao recurso de ofício, para reconhecer a procedência do lançamento do IRPJ relativamente à infração identificada como insuficiência de recolhimento, e assim fixar o valor do tributo em R$ 146.414,20, o qual se faz acompanhar de multa de ofício e juros de mora; e b) dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a glosa da despesa de frete e carreto em R$ 180.777,87, reduzindo assim as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 3620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.913961/2012-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Desatendido pressuposto de admissibilidade, não pode o recurso ser conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/01/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Desatendido pressuposto de admissibilidade, não pode o recurso ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 7.708,19, relativo ao período de apuração janeiro/2011, com débitos também de Cofins. Por meio de despacho decisório à fl. 2, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 39 61 /2 01 2- 90 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11065.913961/201290 Acórdão n.º 3002000.276 S3C0T2 Fl. 136 2 pagamento relativo ao Darf informado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 6 e 7), na qual informou ter havido equívoco no preenchimento da DCTF e do Dacon, o que teria levado ao entendimento de que não haveria crédito disponível para compensação. Efetuada a retificação das declarações após o Despacho Decisório, entende ter sanado a divergência. Juntou, a título de prova, ato de representação e constituição da empresa, Despacho Decisório e recibo da DCTF retificadora (fls. 8 a 33). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 55.543 (fls. 37 a 40), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a retificação da DCTF, por si só, não faz prova do direito e que o contribuinte não juntou aos autos documentação que demonstrasse a certeza e liquidez do crédito pleiteado. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 22/05/2014, conforme AR à fl. 44, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 26/06/2014, conforme Carimbo aposto à página inicial (fl. 47). Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega que tem direito ao crédito do pagamento a maior, o que pode ser constatado ao se confrontar a DIPJ com a DCTF retificadora. Entende que a DCTF foi atendeu ao previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010, segundo a qual a declaração retificadora tem a mesma natureza da originária (fls. 47 e 48). Junta, a título de prova, a DIPJ relativa ao anocalendário 2011, além dos atos de representação e de constituição da empresa (fls. 49 a 131). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11065.913961/201290 Acórdão n.º 3002000.276 S3C0T2 Fl. 137 3 O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância, conforme estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A recorrente tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 22/05/2014, conforme AR constante à fl. 44. Esta data foi inserida tanto manualmente, pela pessoa que recebeu o documento, quanto por meio de carimbo dos Correios. Logo, a data limite para recorrer foi em 23/06/2014, segundafeira, já que o prazo de 30 dias expirou no sábado. Entretanto, o Recurso Voluntário foi protocolizado em 26/06/2014, o que se constata do carimbo aposto ao documento original (fl. 47). A recorrente informa que teria recebido a cópia do Acórdão da DRJ em 27/05/2014, sem maiores explicações sobre a discrepância entre sua assertiva e a data que consta no processo e sem a juntada de qualquer documento que demonstre o que afirma, prevalecendo, desse modo, a data que consta no AR. Considerando que não houve feriado, nacional ou local, no início ou no fim da contagem do prazo, que justificasse o alargamento do período, concluise pela intempestividade do recurso, que é pressuposto para a sua admissibilidade. Pelo exposto, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 137DF CARF MF
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