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Numero do processo: 13888.003875/2007-51
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA. A exclusão do Simples Federal somente pode surtir efeitos a partir de períodos não alcançados pelo prazo decadencial previsto no art. 150, IV do CTN, uma vez que aos tributos recolhidos sob a sistemática simplificada encontram-se definitivamente constituídos pela homologação tácita da atividade praticada pela pessoa jurídica. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. SUPORTE TÉCNICO Uma vez que as vedações e restrições impostas pela Lei n º 9.317, de 1996, recaem sobre a atividade praticada pela pessoa jurídica e tendo a Lei n º 10.964, de 28 de outubro de 2004, excluído das vedações as atividades de prestação de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, ainda que tais serviços sejam praticados por programador ou analista de sistemas, não mais estão abrangidos pela restrição mencionada.
Numero da decisão: 1801-001.137
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA. A exclusão do Simples Federal somente pode surtir efeitos a partir de períodos não alcançados pelo prazo decadencial previsto no art. 150, IV do CTN, uma vez que aos tributos recolhidos sob a sistemática simplificada encontramse definitivamente constituídos pela homologação tácita da atividade praticada pela pessoa jurídica. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. SUPORTE TÉCNICO Uma vez que as vedações e restrições impostas pela Lei n º 9.317, de 1996, recaem sobre a atividade praticada pela pessoa jurídica e tendo a Lei n º 10.964, de 28 de outubro de 2004, excluído das vedações as atividades de prestação de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, ainda que tais serviços sejam praticados por programador ou analista de sistemas, não mais estão abrangidos pela restrição mencionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Recorre a interessada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – contra decisão da 6a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato declaratório que a excluiu do Simples Federal com efeitos retroativos a 01/01/2002. Por bem descrever os fatos aproveito do relatório da DRJ em Ribeirão Preto/SP: Trata o processo de exclusão da contribuinte acima identificada, do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, a partir de 01/01/2002, conforme Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/PiracicabaSP n º 22, de 28 de abril de 2009 (fl. 30), e Despacho Decisório DRF/PCA n º 523 (fls. 24/29), tendo em vista o exercício de atividade vedada: "serviços de instalação, suporte e manutenção de aplicativos", por caracterizarem a prestação de serviços de programador e analista de sistemas, atividade vedada consoante o disposto na Lei n° 9.317, de 1996, art. 9°, XIII. A exclusão foi efetuada com base na IN SRF n° 608, de 2006, arts. 22, 23, 24, inciso II. Ciente do ADE e do referido despacho em 29/05/2009, a contribuinte ingressou em 19/06/2009 com a manifestação de inconformidade de fls. 25/36, mediante a qual solicita que se verifique a improcedência do ato de exclusão e sua manutenção no regime do Simples. Para tanto, alegou em suma: • Em 1999 a atividade de treinamento foi extinta, sendo efetuada alteração contratual excluindo essa atividade. Foi pleiteada a inclusão no Simples a partir de janeiro de 2000, tendo em vista que a empresa passou a se dedicar somente à atividade de manutenção e instalação de microcomputadores. • Solicitou espontaneamente a exclusão do Simples em 2004, apesar de a empresa não possuir nenhum profissional de engenharia, analista de sistemas programadores e assemelhados, ou de qualquer outra profissão que dependesse de habilitação profissional. Em outubro de 2004 foi sancionada a Lei n° 10.964, que facultava a inscrição no Simples de diversas atividades, entre elas os serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, o Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.003875/200751 Acórdão n.º 180101.137 S1TE01 Fl. 87 3 que é exatamente a nossa atividade empresarial. Além disso, a referida lei assegurou a permanência das empresas no Simples com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2004. Por esse motivo, solicitamos o nosso reenquadramento retroativo. • Como já havíamos pago os tributos e contribuições previdenciárias de janeiro a novembro de 2004, com base no lucro presumido, efetuamos a compensação dos impostos federais (PER/DECOMP) e ingressamos com processo administrativo junto ao extinto INSS solicitando o reembolso dos valores pagos indevidamente, o qual foi deferido pelo despacho decisório n° 0675/2009 no processo 35368/000747/200687. • Consta do despacho decisório da DRF/PCA n° 523, em sua primeira página: "os serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de informática permitem a inscrição no Simples, por outro lado os serviços de instalação, SUPORTE e manutenção de aplicativos impedem a opção por esse regime de tributação por caracterizar a prestação de serviços de programador e analista de sistemas". • Nossa atividade é exatamente a descrita inicialmente e que permite a inscrição no Simples. Considerar essa atividade como manutenção de aplicativos seria um paradoxo em relação ao inciso IV do art. 4o da citada Lei n º 10.964. de 2004. • Não possuímos programadores nem analistas de sistemas em nosso quadro de funcionários e não desenvolvemos nem prestamos suporte a programas de computadores. Nossos técnicos estão classificados na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) com o código 313220 (técnico em manutenção de equipamentos de informática). Já, os analistas de sistemas, classificados na CBO com o código 2124 20, desenvolvem e implantam sistemas informatizados e prestam suporte a eles, atividade essa que nunca foi exercida por esta empresa. • O fato que serviu de base para a exclusão foi a utilização do termo "suporte técnico" que é utilizado, comercialmente, como sinônimo de "manutenção". Esse termo pode ser encontrado em quase todos os ramos de atividades econômicas, desde defensivos agrícolas até produtos de informática. Em praticamente todos os sites da internet de fabricantes de informática encontrase a opção "Suporte Técnico" onde existem informações sobre instalação e reparação dos mesmos, inclusive com a disponibilização dos drivers que permitem a comunicação do sistema operacional com o referido equipamento. É nesse contexto que utilizamos o termo "Suporte Técnico". • Fomos surpreendidos com a exclusão, pois temos a consciência de ter cumprido sempre todas as obrigações fiscais e tributárias. Por mais difíceis que sejam, e se nos enquadramos e reenquadramos no Simples é porque a legislação assim permitiu e permite. Na apreciação do litígio a 6a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP considerou que os serviços de “suporte técnico”, descritos nas notas fiscais constantes dos autos seriam atribuição de “programadores de sistemas de informação” e do “profissional de análise de sistemas”, especialidades que dependeriam de habilitação profissional legalmente exigida inserindose, assim, no rol de vedações estabelecido no inciso XIII do art. 9 º da Lei n º 9.317, de 1996 e não abrangidos pela permissão concedida pela Lei n º 10.964, de 2004. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Notificada da decisão, em 23/08/2010 (AR fl. 60, verso), apresentou a interessada, em 21/09/2010, o recurso voluntário de fls. 61/64, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Decadência A exclusão do Simples Federal acarreta para a empresa excluída a obrigatoriedade de cumprir as determinações legais dirigidas a todas as demais pessoas jurídicas em geral, dentre essas a apresentação de declarações – IRPJ, com opção pelo Lucro Real, Presumido ou Arbitrado, DCTF, DACON, dentre outras tantas. Com isso a empresa também é obrigada a proceder a apuração e pagamento dos tributos com base nas regras das demais pessoas jurídicas, observandose, ainda, por relevante, que a DCTF é uma forma de constituição de crédito tributário. Entendo, entretanto, que no que se refere aos anoscalendário 2002 e 2003, operouse a decadência do direito do Fisco de revisar os procedimentos adotados pela empresa e excluíla da sistemática do Simples com o objetivo de compelila a efetuar nova constituição de crédito tributário a favor da Fazenda Nacional, com base em regime de apuração diferente (lucro presumido, real ou arbitrado) daquele anteriormente adotado (Simples) relativamente a fatos geradores e períodos já alcançados pela decadência, unicamente como decorrência de sua exclusão da sistemática do Simples Federal. Ademais, todos os tributos devidos na modalidade do Simples Federal e apurados nos anoscalendário 2002, 2003 e de janeiro a abril de 2004 encontramse definitivamente constituídos, face à homologação tácita dos pagamentos pelo decurso do prazo e não podem ser mais revistos e/ou alterados pelo Fisco Federal. Assim, em face da ciência do ato declaratório de exclusão do Simples Federal DRF/PCA n º 22/2009 em 29/05/2009 – em relação aos anoscalendário 2002, 2003 e no período de janeiro a abril de 2004, entendo que a recorrente não pode mais ser excluída da sistemática do Simples Federal com a finalidade de ser compelida a constituir crédito tributário de tributos já alcançados pelo prazo decadencial. Mérito No mérito considero igualmente indevida a exclusão da empresa do Simples Federal. A exclusão de uma empresa da sistemática do Simples Federal pela prática de atividade vedada pressupõe a existência de indícios ou provas que evidenciem que a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.003875/200751 Acórdão n.º 180101.137 S1TE01 Fl. 88 5 pessoa jurídica tenha de fato auferido receitas oriundas da atividade vedada e não há, nos autos, provas de que a recorrente tenha auferido receitas de prestação de serviços de “consultoria, assessoria, treinamento e desenvolvimento em informática; importação, exportação e comércio de software, suprimentos e equipamentos de informática; representação comercial por conta de terceiros a base de comissões” como constou da representação n º 065/2007 (fl. 01), sobre a qual motivouse o ato declaratório de exclusão. Assim, uma vez que, (i) o ato declaratório de exclusão teve por motivação a representação n º 065/2007, de fl. 01; (ii) que a representação n º 065/2007 denuncia a prática de atividades de consultoria, assessoria, treinamento e desenvolvimento em informática; importação, exportação e comércio de software, suprimentos e equipamentos de informática; representação comercial por conta de terceiros a base de comissões” (iii) que não há nos autos prova da prática de nenhuma das atividades descritas na representação, tais elementos, de per si, seriam suficientes para se considerar indevido o ato de exclusão. Mas, há mais. O contrato social de fls. 02/05, datado de 10/05/1995, que previa a prática das atividades relacionadas na representação n º 065/2007 (fl. 30), já havia sido modificado em 19/04/2005, pela alteração e consolidação de contrato social às fls. 06/11. A partir dessa data o objeto social da empresa passou a ser o “comércio de equipamentos eletrônicos em geral, instalação e manutenção de equipamentos de informática”. Portanto, a partir de abril de 2005, mais de dois anos antes da formalização da representação n º 065, datada de novembro de 2007, a empresa já não poderia praticar as atividades impeditivas descritas na própria representação, por ausência expressa de tais atividades em seu objeto social. No que toca ao anocalendário 2004, ano imediatamente anterior àquele em que foi promovida a modificação do objeto social, as notas fiscais acostadas às fls. 16/20, datadas de fevereiro a julho de 2004, denunciam a prestação dos serviços de “suporte técnico”, conforme coluna “discriminação do serviço prestado”. Nesse contexto aduz a Turma Julgadora de 1a. instância que tal atividade praticada pela empresa também seria vedada pois, deduziu aquela autoridade, que o “suporte técnico” seria atribuição de “programadores de sistemas de informação” e do “profissional de análise de sistemas”, especialidades que, ao seu turno, dependem de habilitação profissional legalmente exigida, inserindose, assim, tal atividade, no rol de vedações estabelecido no inciso XIII do art. 9 º da Lei n º 9.317, de 1996: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: ... XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (*) destaquei Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Entretanto, a partir do anocalendário 2004, com a promulgação da Lei n º 10.964, de 28 de outubro de 2004, as atividades relacionadas a instalação, manutenção e reparos de máquinas de informática, deixaram de ser vedadas para ingresso e/ou permanência na sistemática do Simples Federal: Art. 4º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: ... IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; ... § 1º Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2º As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. ... Cumpre assinalar, uma vez mais, que as vedações e restrições impostas pela Lei n º 9.317, de 1996, recaem sobre a atividade praticada pela pessoa jurídica. Assim, tendo a Lei n º 10.964, de 28 de outubro de 2004, excluído das vedações as atividades de prestação de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, ainda que tais serviços sejam praticados por programador ou analista de sistemas, não mais estão abrangidos pela restrição mencionada. Dito de outra forma: No presente caso, ainda que os serviços de “suporte técnico” tivessem sido prestados por programador ou analista de sistemas, o que se admite a título meramente argumentativo, já que disso não há prova nos autos, ainda assim não estaria a empresa praticando atividade vedada. Ademais, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 35, de 29 de dezembro de 2004, que dada a sua natureza jurídica de interpretar dispositivo legal tem seus efeitos retroagidos à data do fato interpretado, dispõe: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, declara: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.003875/200751 Acórdão n.º 180101.137 S1TE01 Fl. 89 7 Artigo único. Pode optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a pessoa jurídica que exerce atividade de instalação de programas de computador desenvolvidos por terceiros, desde que não demande conhecimentos de analista de sistemas ou programador e observados os demais requisitos legais. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10830.001177/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo, e não para produzir provas de responsabilidade das partes.
SERVIÇO NOTARIAL. RECEITAS. ESCRITURAÇÃO. Os titulares dos serviços notariais e de registro são obrigados a escriturar em livro-caixa as receitas e despesas da sua atividade, cujos registros devem ser comprovados mediante documentação hábil e idônea. Os valores escriturados em livro-caixa, elaborado pelo contribuinte, devem servir de base para a apuração do resultado tributável, salvo demonstração inequívoca de erro, a cargo do contribuinte, ou de infração à legislação tributária, a cargo do Fisco.
DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis as despesas escrituradas em livro-caixa necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, sejam devidamente comprovadas com documentos hábeis e idôneos.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-001.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 05 de março de 2013
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo, e não para produzir provas de responsabilidade das partes. SERVIÇO NOTARIAL. RECEITAS. ESCRITURAÇÃO. Os titulares dos serviços notariais e de registro são obrigados a escriturar em livrocaixa as receitas e despesas da sua atividade, cujos registros devem ser comprovados mediante documentação hábil e idônea. Os valores escriturados em livro caixa, elaborado pelo contribuinte, devem servir de base para a apuração do resultado tributável, salvo demonstração inequívoca de erro, a cargo do contribuinte, ou de infração à legislação tributária, a cargo do Fisco. DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis as despesas escrituradas em livrocaixa necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, sejam devidamente comprovadas com documentos hábeis e idôneos. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 11 77 /2 00 7- 99 Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 05 de março de 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório JOÃO BATISTA DE ALMEIDA ASSIS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 1.647) que julgou PROCEDENTE EM PARTE lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls.04/12 e demonstrativo de fls. 13/19, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2003 e 2004, no valor de R$ 653.994,69, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.487.671,54. As infrações que ensejaram a autuação estão assim descritas no auto de infração: 1) RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNELEÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS 0 contribuinte omitiu rendimentos recebidos de pessoas físicas ou jurídicas, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício, auferidos em função de sua atividade no 5° Tabelião de Notas da Comarca de Campinas. Os referidos rendimentos deveriam ter sido informados nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física e estariam sujeitos ao pagamento mensal Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001177/200799 Acórdão n.º 2201001.994 S2C2T1 Fl. 3 3 do imposto de renda (carnê leão). As omissões de rendimentos, abaixo elencadas, foram apuradas conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal lavrado nesta data e que faz parte integrante deste Auto. 2) DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA 0 contribuinte deduziu indevidamente da base de calculo do imposto de renda valores de despesas consideradas indedutíveis ou não comprovadas, escrituradas em livro caixa, decorrentes de sua atividade no 5 ° Tabelião de Notas da Comarca de Campinas. As glosas das despesas foram efetuadas conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal lavrado nesta data e que faz parte integrante deste Auto. 3) DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (CARN2LEÃO). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA Efetuamos a glosa de despesas indedutiveis ou não comprovadas, escrituradas nos livros caixa, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste Auto. Os valores glosados, abaixo relacionados, compõem em conjunto com os rendimentos omitidos, a base de cálculo do carnêledo devido, sendo este, base de cálculo para a multa de oficio exigida isoladamente. 4) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARNELEÃO 0 contribuinte omitiu rendimentos mensais recebidos de pessoas físicas ou jurídicas, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício, auferidos em função de sua atividade no 5° Tabelião de Notas da Comarca de Campinas; bem como deduziu indevidamente da base de cálculo do imposto de renda valores de despesas consideradas indedutíveis ou não comprovadas, escrituradas em livro caixa, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Neste sentido, restou caracterizada a falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de carnê leão. Abaixo são relacionados os valores das multas a serem lançadas isoladamente, em decorrência da falta de recolhimento desses valores. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o “retrato” fidedigno das receitas auferidas pelo Cartório figura nos denominados "relatórios de movimentos diários", em que consta a soma de todas as receitas do mês, uma vez que, de acordo com a legislação específica que rege a atividade de cartórios, é compulsória a elaboração desses relatórios, para que se demonstre com absoluta exatidão o montante relativo aos valores repassados ao Estado, através das guias de recolhimento (GARE); que a adoção pura e simples das informações do livrocaixa, sem o devido atrelamento aos relatórios de movimentos diários pode conduzir à conclusão precipitada e equivocada; que, a título de exemplo, nos meses de janeiro e fevereiro de 2002, dos valores lançados no relatório de repasses ao Estado consta, respectivamente, R$ 229.625,82 e R$ 211.305,79 de receitas, e no livrocaixa do mesmo período consta o valor de R$ 229.687,01 e R$ 212.054,01 de receitas, pequenas diferenças a maior no livrocaixa; que o mesmo ocorre em relação a quase todos os períodos dos anoscalendários fiscalizados; que em 2002 foi registrado no livrocaixa um total Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 de R$ 3.683.718,18, já pelo controle da soma dos repasses via GARE ao Estado, a quantia que se obtém é de R$ 3.606.783,24, ou seja, R$ 76.934,94 a maior no livrocaixa; que em 2003, enquanto foi registrado no livrocaixa um total de R$ 3.734.348,65, e pelo controle da soma dos repasses via GARE ao Estado, a quantia que se obtém é de R$ 3.053.796,83, ou seja, no livrocaixa consta um montante de R$ 680.551,82. Daí conclui o Impugnante, quanto a este ponto, que a suposta omissão de receitas foi equivocadamente presumida, uma vez que a Fiscalização não considerou o relatório de movimentos diários, onde constam exatamente todos os ingressos diários no cartório de notas. E defende que, para que se apure corretamente o valor da receita, que se proceda a uma perícia contábil na documentação na sua documentação fiscal, o que requer. Sobre as glosas das despesas consideradas indedutíveis, o Impugnante defende que tais despesas, diferentemente do que concluiu a autoridade lançadora, são dedutíveis, uma vez que diretamente atreladas às atividades do Cartório; que a despesa incorrida em "honorários de terceiros" são valores pagos a experts jurídicos do ramo notarial pela assessoria e consultoria para que o contribuinte possa melhor desempenhar a vastíssima variedade de atos por ele diariamente registrados. Argumenta que se uma indústria, um comércio ou um prestador de serviços pode deduzir despesas de honorários advocatícios incorridos na sua atividade, um cartório também poderia; que devido á forte concorrência entre os vários titulares dessa concessão, uma boa assessoria é indispensável para o melhor desempenho da atividade, sobressaindose em relação aos demais. Sobre as despesas com leasing, afirma o Impugnante que estas foram assumidas mediante a assunção de encargos por contratos de leasing, para o uso de mesas, cadeiras, computadores e aparelhos de informática, sem os quais não seria possível desempenhar a atividade de Cartório de Notas; que havia a possibilidade de o contribuinte celebrar dois tipos de contrato, o de leasing e o de compra e venda, e optou pela primeira. Interpreta que o Fisco partiu de equivocada premissa de que o contribuinte abusou do direito ao planejamento tributário, na medida em que se atribuiu os efeitos de uma compra e venda e procederam ao lançamento como se efetivamente compra e venda fosse, de modo a considerar a despesa como aplicação de capital e, portanto, não dedutível. Argumenta também que o Fisco não está autorizado a desconsiderar atos e negócios jurídicos. Relativamente à glosa das despesas do livrocaixa classificadas como “Guia de Arrecadação Estadual (GARE) e Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis) O Impugnante argumenta que a sua atividade revestese de particularidades muito específicas, com obrigações e responsabilidades especiais, cuja legislação é bastante intrincada, prevendo o recolhimento de inúmeros tipos de custas e emolumentos, próprios e de terceiros, compreendendo uma vastíssima gama de documentos, que não foram analisados com profundidade e detalhamento pela fiscalização, fazendose necessária, para se aferir com toda a segurança quais são efetivamente as guias lançadas como despesas nos livroscaixa, que se proceda a uma perícia contábil em toda a farta documentação fiscal do contribuinte, referente a todas as despesas registradas pelo contribuinte e equivocadamente glosadas, o que requer. Sobre as despesas denominadas "Sindicato dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo" defende que estas são atreladas à atividade do impugnante, por serem obrigatórias; que tais valores não compõem as receitas auferidas pelo Cartório e repassadas a terceiros, sendo, por isso, legalmente dedutíveis. O impugnante pede o aproveitamento de despesas que excederam às receitas em alguns meses dos anoscalendários fiscalizados. Cita como fundamento do pedido o art. 6º, § 3º da Lei n° 8.134/1990. Observa que os auditoresfiscais, ao procederem às glosas das despesas que julgaram indedutíveis, efetuaram o creditamento do excedente de despesas, preservando, portanto, o direito do requerente de apropriarse legitimamente desse montante. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001177/200799 Acórdão n.º 2201001.994 S2C2T1 Fl. 4 5 O Contribuinte aponta erro no lançamento que, relativamente a novembro de 2002, considerou como carnêleão pago o valor de R$ 331,17, quando o valor efetivamente pago foi de R$ 3.254,95. Pede, portanto, que lhe seja creditada a diferença. Por fim, o Impugnante insurgese contra a aplicação da multa isolada do carnêleão em concomitância com a multa de ofício. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o valor da multa isolada, correspondente ao mês de dezembro de 2002, de R$ 4.198,94 para R$ 2.737,05, mantendo “integralmente todos os demais créditos lançados”, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSÃO PAULO/SP II observa que os titulares dos serviços notariais e de registro são obrigados a escriturar em livrocaixa as receitas e despesas da sua atividade, cujos registros devem ser comprovados mediante documentação hábil e idônea; que tal obrigação decorre da Lei nº 8.134, de 1990, especialmente o § 2º do art. 6º; que no livro caixa devem ser registradas apenas as receitas e despesas do próprio contribuinte, e não de terceiros; que, no presente caso, não há nenhuma prova, e nem mesmo indício, de que o contribuinte tenha, por erro, informado no livrocaixa as receitas por ele meramente repassadas a outras entidades; que o próprio contribuinte reconhece no Termo de Abertura do Livro Caixa que registrou ali apenas suas próprias receitas e despesas; que, portanto, sendo o livrocaixa um documento elaborado pelo próprio contribuinte, a alegação de erro no seu preenchimento somente poderia ser aceita mediante a apresentação de provas inequívocas, o que não ocorreu no caso; que se levarmos em consideração as retificações manuscritas ou datilografadas feitas nos relatórios de movimentos diários, relativos ao GARE, verificase que os valores da coluna “Ao cartório” coincidem exatamente com os valores escriturados no livrocaixa, na rubrica “Rend. PF nãoassalariado”, o que demonstra que no livrocaixa foram escrituradas tão somente as receitas pertencentes ao próprio Cartório; que as receitas de outras entidades informadas nos relatórios de movimentos diários (Colunas: “Ao Estado”, “Ao Ipesp”, “Registro Civil” e “Apamagis”) não foram escrituradas no livrocaixa como receitas. Daí conclui a DRJ: “não há nenhuma razão para desqualificar os valores das receitas lançados no livrocaixa, o qual, repitase, foi escriturado pelo próprio impugnante.”, Tendo a Fiscalização agido corretamente ao considerar como omissão de rendimentos a diferença positiva entre os valores informados no livrocaixa e os valores declarados na DIRPF 2003. Relativamente ao anocalendário de 2003 a DRJ conclui, da mesma forma, que não há nenhuma prova ou indício de que o contribuinte tenha, por erro, informado no livro caixa rendimentos pertencentes ao Estado; que pelo contrário o próprio contribuinte afirma, no Termo de Abertura do livrocaixa que registrou ali apenas suas próprias receitas e despesas. Daí concluiu correto o procedimento fiscal também quanto ao anocalendário de 2003. Sobre as glosas das despesas registra a DRJSÃO PAULO/SP II, relativamente ao anocalendário de 2002 que devido a diferença entre o valor das despesas informadas no livrocaixa e o valor declarado, o efeito da glosa da despesa, na apuração do resultado final da tributação é bem menor. Feita essa observação a DRJ analisa as despesas glosadas e conclui pelo acerto da autuação. Sobre os valores escriturados como despesas e que, de fato, são meros repasses, a DRJ observou que já concluíra no início do voto que o Cartório não escriturou os mesmos valores como receitas e, portanto, não poderia registrálos como despesas. Quanto à despesa com o sindicato “Apamagis”, no valor de R$ 31.081,83, observa que constam dos autos apenas dois comprovantes de recolhimento, um de R$ 493,29, e outro Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 de R$ 329,66, e neste não há a menção de que os recolhimentos à Apamagis decorrem do art. 1° da Lei n° 3.724, apesar de o impugnante nada ter esclarecido a esse respeito, nem durante a fase de fiscalização nem em sua impugnação, mas que verificou que, diferentemente do que afirma o Contribuinte, com base na referida lei verificase que, ai também os valores referem se a meros repasses, e, portanto, assim como no caso analisado anteriormente, não são dedutíveis. E acrescenta: “mesmo que os valores escriturados como Apamagis fossem despesas do próprio impugnante (o que não é o caso), nem assim seriam essas despesas dedutíveis, já que não se enquadram em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade previstas no caput do art. 6° da Lei n° 8.134/1990. Relativamente ao anocalendário de 2003, a DRJ registra que parte das glosas não foi contestada. Quanto à parte contestada, referente a pagamentos feitos a título de honorários, correspondentes, segundo o Impugnante, a valores pagos a especialistas do ramo notarial pela assessoria e consultoria jurídica, a DRJ registra que a comparação que pretende o Impugnante de sua atividade com o de uma pessoa jurídica não prevalece, pelo simples fato de que a atividade notarial é tributada pelo imposto de renda na forma de tributação própria das pessoas físicas, o que implica em critérios específicos de apuração do resultado tributável. Observa que as deduções permitidas, no caso de cartórios são aquelas úteis e necessária á manutenção da fonte produtora, e que, a consultoria, embora possa ser considerada útil, não pode ser tida como necessária, pois o conhecimento jurídico para o exercício da atividade é condição necessária ao exercício da função, aferida, inclusive, por meio de concurso público. Quanto às despesas com leasing, registra a DRJ que o motivo da glosa não tem nenhuma relação com a indedutibilidade das despesas com bens de capital; que a fiscalização justificou a glosa no fato de existir disposição legal expressa vedando essa dedução0. Sobre a multa isolada, a DRJ sustenta que, diferentemente do que defende o Impugnante, a legislação prevê a incidência concomitante das duas penalidades e que os dispositivos de lei não podem ser afastados. Como já referido acima, a DRJ deu razão ao Contribuinte quanto ao valor a menor considerado como carnêleão pago em novembro de 2002. Finalmente, a DRJ indeferiu o pedido de perícia por considerar a providência desnecessária, ressaltando que tal juízo cabe á autoridade julgadora. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 13/02/2012 (fls. 1675) e, em 06/3/2012 (fls. 1677), interpôs o recurso voluntário de fls. 1678/1696, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Acrescenta argüição de nulidade da decisão de primeira instância por alegado cerceamento de direito de defesa caracterizado pelo indeferimento do pedido de perícia. Por fim, o Recorrente formula pedido nos seguintes termos: Pelo todo exposto, em conformidade com a argumentação aduzida no presente recurso voluntário, fazse de rigor o acolhimento do pleito, para: a) Acolher a preliminar de nulidade do acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento – São Paulo, uma vez que caracterizado o cerceamento de defesa em virtude do indeferimento da realização de perícia; b) No mérito, reformar o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – SP, para ANULAR (i) o Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001177/200799 Acórdão n.º 2201001.994 S2C2T1 Fl. 5 7 lançamento a título de omissões de receitas dos movimentos diários, haja vista que ausente face à constatação dos relatórios de movimentos diários; (ii) a glosa das despesas dedutíveis “Lobo Orlandi”, Leasing” e “Sindicato dos Notários e Registros”, uma vez que estão diretamente atreladas ás atividades do Recorrente; c) Ainda no mérito, reformar o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – SP, para reduzir do montante de despesas a título de “fare”, “apanagis” e sindicato dos notários e registros glosados como indedutíveis e apropriar o saldo credor de imposto de renda pago em carnê leão ás competência subseqüentes dos anoscalendários 2002 2003; d) Por fim, reformar o r. acórdão para cancelar e anular a multa isolada, haja vista que não podem coexistir duas penalidades para um mesmo fato imponível de acordo com a legislação em regência. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a argüição de nulidade da decisão de primeira instância. Afirma o Recorrente que a DRJSÃO PAULO/SP II incorreu em cerceamento de direito de defesa ao indeferir o pedido de perícia. A alegação não procede. É que, no processo administrativo fiscal compete à autoridade julgadora decidir sobre a necessidade e conveniência de se realizar procedimentos de diligência ou perícia, e se é assim, não se cogita de nulidade da decisão pelo fato de o julgador ter decidido dessa ou daquela forma uma determinada matéria. A Matéria está disciplinada no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, a saber: Art. 18. A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.(sublinhei) Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Quanto ao pedido de perícia, reiterado no recurso, de fato, neste caso as provas que o Contribuinte sugere que seriam obtidas com o procedimento são de sua responsabilidade. Portanto, caberia ao próprio Contribuinte diligenciar para buscálas. Não se deve esquecer que é ônus do Contribuinte apresentar os elementos de prova de suas razões de defesa. Assim, concordando com a posição esposada na decisão de primeira instância, não vislumbro a necessidade da realização da perícia, razão pela qual não há falar em nulidade da decisão de primeira indefiro o pedido. Quanto ao mérito, como se colhe do relatório, o lançamento decorre da apuração de omissão de rendimentos de pessoa física, especificamente, de titular de cartório, e da glosa de despesas de livro caixa, tendo sido exigida também multa isolada felá falta de recolhimento do carnê –leão. Sobre a omissão de rendimentos, a autoridade lançadora tomou por base valor informado pelo próprio contribuinte no livrocaixa, em montantes maiores do que os utilizados com base de cálculo do imposto, valores estes coincidentes com aqueles informados nos relatórios diários repassados pelo Cartório ao GARE. O Contribuinte sustenta em sua defesa que o valor verdadeiro de sua receita é aquela informada ao GARE nos tais relatórios diários e sugere que poderia ter havido erro no preenchimento do livrocaixa. A alegação da defesa, todavia, não procede. A um, porque, diferentemente do que afirma, o LivroCaixa é o instrumento próprio para se registrar as receitas e despesas do Cartório e, com base nesses dados, apurar o resultado tributável. Ademais, neste caso, conforme referido acima, os valores lançado no livrocaixa batem com os relatórios apresentados ao GARE. Quanto a eventual erro de fato no preenchimento do livrocaixa, era ônus do contribuinte comprovar tais erros, o que não faz. O Contribuinte limitase a referirse a discr4epâncias entre os valores declarados, sem, contudo, indicar onde estariam os possíveis erros. Assim, o certo é que a autoridade lançadora, baseandose em informações fornecidas pelo próprio Contribuinte, apurou a omissão de rendimentos e, corretamente, procedeu ao lançamento. Correta, portanto, a autuação quanto a este ponto. Sobre as glosas de despesas, estas podem ser divididas em duas categorias: uma, de despesas não dedutíveis, outra de despesas não comprovadas. Nas primeiras categorias estão valores referentes a verbas em relação às quais o Contribuinte é mero repassador. Isto é, a valores recebidos pelo Cartório em nome de terceiros e imediatamente repassados a estes. Não são, portanto, receitas ou despesas do próprio Cartório. Como já observado acima, tais valores não foram escriturados como receitas e, portanto, não poderiam ser classificados como despesas. Correta, portanto, a autuação. Quanto à despesa com o sindicato “Apamagis”, no valor de R$ 31.081,83, como ressaltado pela decisão de primeira instância, constam dos autos apenas dois comprovantes de recolhimento, um de R$ 493,29, e outro de R$ 329,66, e neste não há a menção de que os recolhimentos decorrem do art. 1° da Lei n° 3.724, apesar de o impugnante nada ter esclarecido a esse respeito, nem durante a fase de fiscalização nem em sua impugnação, e diferentemente do que afirma o Contribuinte, com base na referida lei verifica se que, ai também, os valores referemse a meros repasses, e, portanto, assim como no caso analisado anteriormente, não são dedutíveis. E, mesmo que fossem, nem assim seriam essas despesas dedutíveis, já que não se enquadram em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade previstas no caput do art. 6° da Lei n° 8.134/1990. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001177/200799 Acórdão n.º 2201001.994 S2C2T1 Fl. 6 9 Quanto aos pagamentos feitos a título de honorários, correspondentes, segundo o Impugnante, a valores pagos a especialistas do ramo notarial pela assessoria e consultoria jurídica, a comparação que pretende o Impugnante de sua atividade com o de uma pessoa jurídica não é pertinente, pelo simples fato de que a atividade notarial é tributada pelo imposto de renda na forma de tributação própria das pessoas físicas, o que implica em critérios específicos de apuração do resultado tributável. As deduções permitidas, no caso de cartórios são aquelas úteis e necessárias à manutenção da fonte produtora, e a consultoria, embora possa ser considerada útil, não pode ser tida como necessária, pois o conhecimento jurídico para o exercício da atividade é condição necessária ao exercício da função, aferida, inclusive, por meio de concurso público. Quanto às despesas com leasing, o motivo da glosa há disposição legal expressa vedando essa dedução. Tratase do artigo 6º, § 1º, “a”, da Lei nº 8.134, de 1990, com redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995, a saber: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: [...] § 1º O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; [...] Quando às despesas não comprovadas, também na fase recursal o Contribuinte não as comprovou com documentos hábeis e idôneos, devendo prevalecer, portanto, as referidas glosas. Finalmente, cumpre examinar a multa exigida isoladamente. O Recorrente insurgese contra a cobrança da multa isolada, contestando a sua aplicação cumulativamente com a multa de ofício. Penso que assiste razão ao Recorrente quanto a este ponto. A possibilidade da exigência simultânea da multa isolada com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base, já foi rejeitada por este Conselho. Como exemplo vejase a seguinte decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/0104.987, de 15/06/2004) Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 É como penso. Entendo que a questão se resolve na natureza da multa isolada. E, para tanto, é conveniente examinarmos o que dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, que previu a hipótese de sua incidência (na redação anterior à mudança introduzida pela medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007), a saber: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I –de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º. As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) III – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixarmos de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; (...). É dizer, o § 1º do art. 44, acima transcrito, não institui uma penalidade nova, mas apenas a forma de sua incidência, juntamente com o tributo, na hipótese do inciso I, e isoladamente, nas hipóteses dos demais incisos. O dispositivo que institui a penalidade é o caput do artigo e seus incisos. É aí que a lei especifica o fato típico, enseja dor da penalidade: a falta de pagamento ou recolhimento etc. Pelo simples fato de não ter havido o pagamento do imposto devido a título de carnêleão não há previsão de incidência de outra penalidade senão a dos incisos I e II do caput art. 44, conforme o caso. Sendo assim, não se pode conferir ao art. 43 e aos incisos do parágrafo 1º, inovações da Lei nº. 9.430, interpretação que implique em incidência de gravame inexistente antes da vigência dos referidos dispositivos. É o que ocorre quando se aplica a penalidade duplamente, sobre a mesma base, na exigência da multa isolada, pelo não pagamento da antecipação, e na exigência do imposto quando do ajuste anual. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001177/200799 Acórdão n.º 2201001.994 S2C2T1 Fl. 7 11 Ora, a incidência da multa isolada, como no caso específico tratado neste processo, por falta de recolhimento do carnêleão, não tem outro objetivo senão o de evitar a formalização de exigência de imposto devido como antecipação do ajuste anual e que, logo em seguida, seria compensado quando do lançamento do imposto apurado no ajuste. Com a multa isolada, essa dificuldade foi superada, exigindose apenas a multa pelo não pagamento da antecipação, deixandose para formalizar a exigência do tributo apenas na apuração do imposto devido no ajuste anual. Nesse segundo momento, contudo, a base de cálculo da multa isolada não deveria compor a base de cálculo da multa de ofício exigida conjuntamente com o imposto. Em nenhum momento os contribuintes deviam o imposto duas vezes, antecipadamente e quando do ajuste anual. É que, ao pagar o primeiro, necessariamente teria direito a compensar o que pagou quando do ajuste anual. Assim, não há falar em dupla hipótese de incidência das multas, pelo não pagamento da antecipação e pelo não pagamento do imposto devido quando do ajuste anual. Ora, é certo que a Lei nº 11.488, de 2007, que, entre outros pontos, alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, instituiu a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnêleão. Porém, este dispositivo aplicase apenas aos fatos geradores ocorridos após sua vigência. É que, como ressaltado acima, se antes não havia a possibilidade de incidência simultânea da penalidade pelo não recolhimento do carnêleão, em concomitância com a multa de ofício sobre os rendimentos omitidos apurados no ajuste anual, sobre a mesma base, a nova legislação, que introduziu esta possibilidade, não é mais benéfica ao contribuinte e, portanto, não poderia ser aplicada em relação aos fatos pretéritos. Concluo, pois, pela exclusão da multa isolada. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa exigida isoladamente. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10830.001177/200799 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.994. Brasília/DF, 05 de março de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.001177/200799 Acórdão n.º 2201001.994 S2C2T1 Fl. 8 13 Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 05/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10825.902092/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA PARA REVISÃO DA ESCRITURAÇÃO DA DIPJ. PROCEDIMENTO PARA AFERIÇÃO DOS REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Não se reconhece a decadência ao se verificar que a revisão dos valores lançados na DIPJ se deu ao fundamento de aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, não resultando qualquer lançamento de ofício.
Numero da decisão: 1301-000.883
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA PARA REVISÃO DA ESCRITURAÇÃO DA DIPJ. PROCEDIMENTO PARA AFERIÇÃO DOS REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Não se reconhece a decadência ao se verificar que a revisão dos valores lançados na DIPJ se deu ao fundamento de aferir a certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, não resultando qualquer lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 04/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo administrativo acerca de Pedido de Restituição (fls. 01 04) e Declaração de Compensação (fls. 05 – 08), apresentados pela recorrente com indicação de saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário 2003. Observase que o Pedido de Restituição foi indeferido e compensação não foi homologada nos termos do Despacho Decisório de folhas 97 a 105, por não se constatar a presença dos requisitos de certeza e liquidez do crédito indicado. Segundo entendimento do Despacho Decisório em comento, a recorrente não teria efetuado as informações de ajuste relativas ao reconhecimento das variações monetárias quando da liquidação da operação, conforme permitido pelo artigo 30 da Medida Provisória nº 1.85810/99 reeditada sob o nº 215835/2001, assentandose que de acordo com a DIPJ/2004, a recorrente adicionou valores referentes às variações cambiais passivas escrituradas pelo regime de competência, bem como não adicionou os valores atinentes às variações cambiais ativas, relativamente às operações liquidadas no período. Seguiuse afirmando eu foi excluído determinado valor a título de variações cambiais, e que este, conforme orientação do programa, deveria corresponder ao valor informado na linha 06ª/20 da DIPJ, porém o valor informado na DIPJ seria muito superior ao valor excluído. Acrescentouse que de acordo com a ficha 21 (cálculo do PIS não cumulativo), a recorrente teria informado na linha 07 (receitas de variações cambiais – operações liquidadas) o valor de R$ 2.032.762,27, contudo, não teria adicionado valor algum a esse título na linha 09 da ficha 17 (cálculo da CSLL). Devidamente cientificada (fl. 107) a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 108 112), alegando em síntese que o indeferimento do seu pedido de compensação foi efetuado com base em revisão de sua declaração realizada de maneira incompleta, porquanto deixouse de apontar os novos valores resultantes e, de acordo com o artigo 149 do CTN, a dita revisão somente seria admitida enquanto não estivesse extinto o direito de lançamento, situação que não se configuraria no caso dos autos. Argumentou ainda, que não se poderia basear em indício, devendose identificar os exatos efeitos das inconsistências detectadas sobre os valores do resultado do período e da contribuição devida ou do saldo negativo a restituir, uma vez que as informações da DIPJ gozariam de presunção de veracidade. A 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 121 a 126, indeferiu a solicitação da recorrente, afastando de início a alegação de decadência para revisão dos valores lançados na DIPJ da recorrente, esclarecendo que apesar Fl. 141DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 04/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10825.902092/200961 Acórdão n.º 130100.883 S1C3T1 Fl. 2 3 de se ter apurado inexistência de saldo negativo de CSLL no anocalendário 2003, o Fisco não deduziu qualquer pretensão de cobrança, de sorte que a revisão serviu apenas para dar cumprimento à verificação de certeza e liquidez, assentandose que para tal procedimento não há limite temporal ao poder de investigação do Fisco, de sorte que o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa, podendo esta investigar a origem do alegado crédito. Quanto à alegação da recorrente de que não teriam sido identificados os exatos efeitos da inconsistência encontrada, entendeu a decisão recorrida que o despacho decisório citou a ficha e a linha em que foram identificadas divergências, elaborando planilha para demonstrar o valor, destacandose que recompondo os valores na ficha 17 (fl. 25), verificavase que caso fossem informados os valores corretos das variações cambiais, não haveria saldo negativo e sim, CSLL a pagar, frisandose, no entanto, que a contribuição referida somente não seria lançado por conta da decadência. Por fim, destacou que as estimativas não foram confirmadas conforme atestam os extratos de folhas 119 e 120, destacandose que em relação à compensação da Bse de Cálculo Negativa, teria sido utilizado o mesmo valor informado na DIPJ de 2003, porquanto o saldo a compensar existente foi totalmente utilizado em 2004 e 2005, não restando valores a serem utilizados. Cientificada da decisão desfavorável, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, insistindo que ao não homologar as compensações declaradas resultouse em ofensa ao instituto da decadência, pugnando por provimento do seu recurso. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 04/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Verificase que o inconformismo da recorrente se dirige unicamente ao não reconhecimento, pela decisão recorrida, da sustentada decadência, porquanto alega que a constituição das bases negativas indicadas como crédito, não seriam mais passíveis de revisão, impondose a homologação das compensações declaradas. Segundo sustenta a recorrente “... dizer que não prazo para o Fisco examinar os créditos declarados na DIPJ, bastando que do procedimento não resulte exigência direta de crédito tributário corresponde a uma alegação falaciosa, porque seja direta ou indireta a exigência, como ocorre no caso presente, estarseá valendo de meio oblíquo para o resgate de valores alcançados pela decadência, não contramão do instituto cuja finalidade é precisamente apaziguar as relações impedindo a perenização das disputas...” Na esteira do que argumenta a recorrente, para visualizar a total improcedência de suas razões e a consequente manutenção da decisão recorrida, cumpre salientar que se está em sede de Processo Administrativo formulado a partir de Pedido de Restituição (fls. 01 04) e Declaração de Compensação (fls. 05 – 08), apresentados pela recorrente com indicação de base negativa de CSLL apurada no anocalendário 2003. Tendo a recorrente, formulado declaração de compensação, tal procedimento, para homologação, está adstrito ao cumprimento dos requisitos constantes do artigo 170 do Código Tributário Nacional, resumidos na verificação de certeza e liquidez do crédito apontado. O que se deu no caso concreto foi que em análise dos tais requisitos (certeza e liquidez), a autoridade administrativa verificou uma série de incongruências na escrituração da DIPJ relativa ao período de apuração que se teria as Bases Negativas tal como minudenciado no relatório acima, a revelar que o crédito indicado, não gozava dos elementos capazes de irradiar a homologação da compensação. O Despacho Decisório, chancelado pela decisão ora recorrida, não se prestou, portanto, a exigir qualquer valor decorrente da equivocada escrituração da mencionada DIPJ, contrário disso, aferiu unicamente não estarem presentes os requisitos de certeza e liquidez na formulação do crédito (in casu base negativa de CSLL), situação que afasta qualquer alegação de decadência, sabidamente oponível ao direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento. Tratássemos aqui de auto de infração decorrente das mesmas constatações, se poderia cogitar alguma razão à recorrente, porém, no intuito de aferir os elementos condicionantes da homologação de compensações, deve subsistir o entendimento da decisão recorrida. Por fim, convém registrar que a recorrente sequer refutou a materialidade das constatações da Autoridade Administrativa, razão pela qual, encaminho meu voto no sentido de afastar qualquer alegação de decadência, assentandose a ausência de certeza e liquidez do crédito indicado para compensação, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 04/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10825.902092/200961 Acórdão n.º 130100.883 S1C3T1 Fl. 3 5 Sala das sessões 11 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 04/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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Numero do processo: 10830.007798/2002-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO ANTECIPADAMENTE. OPÇÃO IRRETRATÁVEL.
Não constitui indébito tributário, passível de restituição/compensação, o pagamento do IRPJ sobre a realização do saldo do lucro inflacionário de forma antecipada, opção exercida pelo contribuinte manifestada pelo pagamento da 1ª, ou parcela única, por ser a opção irretratável, ainda que a pessoa jurídica apure, ao final do ano-calendário, prejuízo fiscal (art. 62 da MP nº 2.113-32/01, c/c o art. 9º, §2º, da Lei nº 9.532/97).
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:)
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO ANTECIPADAMENTE. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. Não constitui indébito tributário, passível de restituição/compensação, o pagamento do IRPJ sobre a realização do saldo do lucro inflacionário de forma antecipada, opção exercida pelo contribuinte manifestada pelo pagamento da 1ª, ou parcela única, por ser a opção irretratável, ainda que a pessoa jurídica apure, ao final do anocalendário, prejuízo fiscal (art. 62 da MP nº 2.11332/01, c/c o art. 9º, §2º, da Lei nº 9.532/97). INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 77 98 /2 00 2- 71 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0521.949/08 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP, fls. 213 a 217, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como homologar em parte as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase dos pedidos de fls. 01/02, protocolizados em 15/08/2002 solicitando à fl. 01 a restituição no valor de R$ 270.616,18, referente a valor de IRPJ pago indevidamente sobre a realização do lucro inflacionário existente em 2001 (art. 62 da MP n° 2.11332), e à fl, 02 a compensação dos débitos de COFINS e PIS, apurados em julho/2002, nos valores respectivos de R$ 200.281,44 e RS 43.394,31, e do débito de IPI apurado em agosto/2002, no valor de R$ 26.940,43, devidamente cadastrados no sistema PROFISC conforme extrato emitido em 21/10/2002 à fl. 109. No pedido de restituição foi consignado o seguinte "motivo do pedido": Os pagamentos foram considerados indevidos visto que o saldo do lucro inflacionário foi totalmente realizado até a data da edição da referida medida provisória, quando, em verdade, a base de cálculo para a referida realização, segundo apurouse através de declaração de rendimentos do anocalendário de 2001, estava maior que a devida, observadas as disposições legais pertinentes à matéria. Às fls. 03/05 foram juntadas cópias de DARF de recolhimentos feitos entre junho e novembro/2001, no código de arrecadação 3320, referente à realização incentivada do lucro inflacionário, nos valores adiante discriminados: [tabela] Em 15/03/2007 foi elaborado o Despacho Decisório do SEORT da DRF Campinas/SP, cientificado em 23/03/2007 (AR à fl. 167), no qual foi consignada a conversão do pedido de compensação de fl. 02 em declaração de compensação desde seu protocolo, nos termos do §4° do art. 74 da Lei n° 9.730/1996, propondo o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado e homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido na tabela "Direito Creditório" à fl. 162, conforme ementa adiante reproduzida: Assunto: Pedido de restituição/Pedido de compensação Ementa: A opção pela realização antecipada do lucro inflacionário é irretratável. Comprovado o saldo do lucro inflacionário na data da opção, o imposto de renda tornase devido a alíquota de 10%. Compensação homologada até o limite do crédito. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.007798/200271 Acórdão n.º 1801001.348 S1TE01 Fl. 3 3 Consigna a autoridade administrativa que a realização incentivada foi calculada sobre o lucro inflacionário acumulado em 31/12/2000, apurado nos autos no montante de RS 1.159,679,84, sob a seguinte justificativa: A vista das DIRPJ/DIPJ apuramos os valores do lucro inflacionário acumulado de 31/12/1995 até 31/12/2000, uma vez que o contribuinte optou pela realização antecipada do lucro inflacionário em 29/06/2001, tendo constatado os seguintes valores: [tabela] Observese que na data da opção, ocasião em que foi efetuado o primeiro pagamento, 29/06/2001, o contribuinte tinha um saldo de lucro inflacionário no montante de R$ 1.159.679,84 e tendo optado pela realização antecipada ficou sujeito ao imposto de renda devido à alíquota de 10% no valor de R$ 115.967,98. Assim, não é procedente a alegação de que o saldo do lucro inflacionário já havia sido integralmente realizado até a data da edição da medida provisória 2.11332, tanto ê que na DIPJ/2002, anocalendário 2001 (fl. 120), após ter optado pela realização integral a interessada informou na ficha 07, linha 14 "Lucro Inflacionário realizado" o montante de R$ 1.127.224,71. Considerando que o montante de R$ 115.967,98 podia ser pago em seis parcelas, demonstramos a seguir os valores devidos e aqueles passíveis de restituição em valores originais: DIREITO CREDITÓRIO Parcela Código V. Devido V. Recolhido Data Valor Indevido 1 3320 19.328,00 37.293,98 29/06/2001 17.965,98 2 3320 19.766,75 38.140,56 31/07/2001 18.373,81 3 3320 20.056,67 38.699,97 31/08/2001 18.643,30 4 3320 20.365,92 39.296,67 28/09/2001 18.930,75 5 3320 20.621,04 39.788,95 31/10/2001 19.167,91 6 3320 20.916,76 40.359,55 30/11/2001 19.442,79 TOTAL 121.055,14 233.579,68 112.524,54 [...] Com ciência da decisão em 23/03/2007 (AR à fl. 167), a peticionária protocolizou, em 24/04/2007, por meio de seus advogados e bastantes procuradores (procuração à fl. 187), a manifestação de inconformidade de fls. 168/186, (...) [...] Com a edição da MP n° 2.11332, de 26/06/2001, que estabelecia no art. 62 a opção de realizar antecipadamente o lucro inflacionário acumulado com alíquota reduzida, a empresa escolheu a realização incentivada em seis parcelas a partir de junho/2001, apurando o montante de R$223.763,90, que equivalia a 10% sobre a base de cálculo incorreta de RS 2.237.638,98. No entanto, ao final do ano 2001 realizou algumas retificações em DIPJ's de períodos anteriores constatando que os valores das parcelas recolhidas estavam equivocados. Justifica que por inexistir tributação de IRPJ no anocalendário de 2001, em que apurou prejuízo fiscal, procedeu a adição do total do lucro inflacionário acumulado em RS 1.127.224,71 ao lucro líquido do período, conforme demonstra as fichas '7' linha 14 (lucro inflacionário realizado) e '9A' da DIPJ/2002, formalizando em agosto/2002 o pedido de restituição dos valores antes recolhidos na realização incentivada. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Aponta erro no valor da realização constante do despacho decisório no ano de 1999, de R$ 983.307,27, referente ao saldo acumulado em 31/12/1998 (de R$ 2.142.987,11), quando na verdade foi realizado no período o total de R$ 1.015.373,91, somatória das linhas 'lucro inflacionário Plano Real', de R$ 945.847,91 e 'lucro inflacionário de R$ 69.526,00. Assim, o lucro inflacionário em 1999 fica reduzido de R$ 1.159.679,84 para R$ 1.127.224,71, o exato valor adicionado ao lucro líquido na DIPJ/2001, restando demonstrado, por ora, a diferença no valor de R$ 32.455,13, pelo que deve ser reconhecido o pagamento de IRPJ indevido de R$ 3.245,51 (à alíquota de 10%). Ressalta a manifestante que o argumento da autoridade administrativa de que a opção pela realização antecipada seria irretratável não merece subsistir, visto que posta à disposição do contribuinte caberia a ele fazer ou não uso da opção. Assim, independentemente do efeito que a legislação atribua à opção pela realização antecipada do lucro inflacionário, será esta irretratável ou vinculativa apenas se os recolhimentos efetuados estiverem em consonância com a situação contábil e fiscal da empresa. Caso contrário, ocorreria a tributação confiscatória, que não se sustenta frente ao que dispõe o artigo 150, inc, IV, da Carta Constitucional. Acrescente que da leitura do citado artigo 62 da MP nº 2.11332 nada se infere quanto aos efeitos vinculativos da opção para as partes, não cabendo pressupor a alegada irretratabilidade, vez que a matéria tributária se sujeita ao princípio da legalidade, previsto genericamente no art. 5o e inciso II da CF/88. [...] A manifestante assevera que ao adicionar ao lucro líquido apurado no ano de 2001 todo o lucro inflacionário acumulado, já ofertado à tributação incentivada, ensejou verdadeira incidência dúplice, ou melhor dizendo, no caso concreto, indevida diminuição de seu prejuízo, cabendolhe, portanto, a disponibilização de uma alternativa que permita reverter os prejuízos advindos de tal conduta. [...] VOTO [...] De plano consignese que o litígio referese à diferença do direito creditório entre o valor original pleiteado de R$ 233.579,68 (corrigido à fl. 01 em R$ 270.616,18) e a parcela reconhecida pelo despacho decisório recorrido de R$ 112.524,54, cabendo, pois, aferir no presente voto a liquidez e certeza de credito da manifestante junto à Fazenda Pública no total de R$ 121.055,14. [...] Do tópico acima se depreende dois fundamentos distintos para o alegado indébito: a desistência da opção pela realização incentivada ao apurar prejuízo fiscal em 31/12/2001 e a incorreção no saldo do lucro inflacionário em 31/12/2000 apurado pela autoridade administrativa. No que concerne à incorreção do lucro inflacionário acumulado em 31/12/2000 há que se esclarecer que inicialmente a própria contribuinte equivocouse no saldo a realizar em 2001, vez que apurou à alíquota de 10% o IRPJ devido no total de R$ 223.763,90, efetuando o recolhimento de junho a novembro/2001 em seis parcelas de R$ 37.293,98, ou seja, obteve o saldo a realizar de R$ 2.237.639,00, retificado pela autoridade administrativa para R$ 1.159.679,84. [...] Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.007798/200271 Acórdão n.º 1801001.348 S1TE01 Fl. 4 5 Nesse aspecto, cumpre elucidar que a realização no ano de 1999, considerada no despacho decisório no valor de R$983.307,27, foi extraída da DIPJ/2000 entregue pela contribuinte em 02/07/2000, e processada no sistema da Receita Federal pelo n° 1002281, conforme registro na linha 11 lucro inflacionário realizado, Ficha 10A Demonstração do Lucro Real, cópia à fl. 117verso. Todavia, tendo em conta que às fls. 145/147 foi juntada a Parte 'A' do Livro LALUR, onde resta confirmada a adição ao lucro líquido apurado em 31/12/1999, a título de lucro inflacionário realizado, de duas parcelas (R$ 945.847,91 e R$ 69.526,00), resta comprovada a realização no período do total de R$ 1.015.373,91. Refazendose a apuração constante à fl. 161verso do despacho decisório, partindo dos dados registrados no livro LALUR da empresa, fls. 130/157, obtémse o lucro inflacionário acumulado em 31/12/2000 no seguinte valor: [tabela] Por conseguinte, cabe acrescer ao indébito já reconhecido no despacho decisório, a diferença apontada pela manifestante de R$ 3.245,51, equivalente ao IRPJ à alíquota de 10% incidente sobre a diferença de R$ 32.455,13 (R$ 115.967,98 menos RS 112.722,47). [...] Por outro lado, no que se refere à caracterização do indébito no total de RS 233.579,68, motivada na adição ao lucro líquido do exercício, a título de realização, quando da apuração do lucro real em 31/12/2001, do lucro inflacionário acumulado em 31/12/2000, no valor de R$ 1.127.224,71, a título de esclarecimento, convém discorrer sobre a tributação do lucro inflacionário diferido desde 31/12/1995. Conforme muito bem consignado na manifestação de inconformidade, nos termos da legislação pertinente a tributação do lucro inflacionário, via de regra, é efetuada por meio de adição, ao final do período de apuração, ao lucro líquido do período de um percentual incidente sobre o montante diferido, que deve corresponder ao maior valor obtido entre a variação de realização dos bens do Ativo ou, no mínimo, 10% a cada ano. Assim, a realização do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, diferida por opção da contribuinte nos termos da legislação pertinente, deve ocorrer mediante a sua tributação, seja na apuração do lucro real na declaração de rendimentos, por meio da adição ao lucro líquido do período do percentual de realização exigido em lei, seja em face do recolhimento por DARF por opção da empresa pela realização incentivada concedida nos moldes das leis editadas durante o período de diferimento do referido saldo (de 1996 a 2005). Em 21/06/2001 foi editada a Medida Provisória n° 2.113, que em seu art. 62 tratou da liquidação antecipada do saldo diferido do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, cuja redação repetiuse na Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, nos seguintes termos [destaques acrescidos]: Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001 Art.62. A opção pela liquidação antecipada do saldo do lucro inflacionário, na forma prevista no art. 9º da Lei nº 9.532, de 1997, deverá ser formalizada até 30 de junho de 2001. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 §1º A liquidação de que trata o caput poderá ser efetuada em até seis parcelas mensais e sucessivas, vencendose a primeira em 30 de junho de 2001. §2° O valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SEL1C), para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data referida no §1° até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. §3º Na hipótese de pagamento parcelado, na forma do §1°, a opção será manifestada mediante o pagamento da primeira parcela. Imprescindível, pois, reproduzir adiante o art. 9o da Lei n° 9.532, de 1997, para identificação da forma que deveria ser concretizada a opção pela liquidação antecipada tratada na MP n° 2.15835, de 2001, conforme ressalva expressa no artigo 62 [destaques acrescidos]: Lei nº 9532, de 10/12/1997 Art. 9º À opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento. §1º Se a opção se referir a saldo de lucro inflacionário tributado na forma do art. 28 da Lei Nº 7.730, de 31 de janeiro de 1989, a alíquota a ser aplicada será de três por cento. §2 A opção a que se refere este artigo será irretratável e manifestada mediante o pagamento do imposto, em quota única, na data da opção. Por conseguinte, não assiste razão à manifestante ao afirmar que o art. 62 da MP n° 2.11332 nada menciona sobre a "irretratabilidade" da opção e que tal condição não poderia estar embasada na Lei n° 9.532, de 1997 por tratarse de diplomas legais diversos. Isto porque o dispositivo traz expressa previsão de que a opção pela liquidação antecipada do saldo do lucro inflacionário, a ser formalizada até 30/06/2001, ocorreria de conformidade com o previsto no art. 9a da Lei nº 9.532, de 1997, onde resta consignado ser irretratável a opção. Ressaltese, sobretudo, que a alíquota de 10% para a referida realização incentivada do lucro inflacionário encontrase quantificada exatamente no art. 9o da Lei n° 9.532, de 1997, nada dispondo a respeito a MP n° 2.11332 (e MP n° 2.15835), trazendo os dispositivos legais anteriores, acerca da referida tributação definitiva, percentuais variados. Portanto, é seguramente irretratável a opção formalizada no recolhimento feito no código 3320 em junho/2001, referente à 1a parcela do IRPJ devido no total de R$ 112.722,47, à alíquota reduzida de 10% sobre o lucro inflacionário acumulado em 31/12/2000, no valor de R$ 1.127.224,71, de conformidade com dispositivos legais regularmente inseridos no sistema tributário nacional. Assim, concluise por indevida a adição feita pela contribuinte ao lucro líquido apurado em 31/12/2001 do lucro inflacionário já realizado (R$ 1.127.224,71), na tentativa de tornar indevido o recolhimento de IRPJ realizado entre junho e Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.007798/200271 Acórdão n.º 1801001.348 S1TE01 Fl. 5 7 novembro/2001, posto tratarse de tributação definitiva a opção formalizada nos termos da lei. Com referência à conseqüente redução de prejuízo fiscal ocorrida no ano de 2001, importa consignar que os dados declarados pelas pessoas jurídicas à Receita Federal devem refletir a apuração contida na escrituração da empresa, sendo de sua responsabilidade retificar as informações que não espelham a realidade dos fatos. Dessa forma, há que se reconhecer nos autos apenas a diferença de indébito no valor de R$3.245,51, distribuído em seis parcelas de R$540,92, conforme recolhido pela contribuinte entre junho e novembro/2001.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 21/06/11, fls 238; Recurso – 20/07/11, efls. 262 e 263) o Recurso de efls. 264 a 286 reiterando os termos da defesa exordial, no concernente a fazer jus à restituição das parcelas integrais pagas a título de IRPJ sobre o saldo do lucro inflacionário realizado antecipadamente no anocalendário de 2001, recolhidas por equívoco, pois apurou prejuízo fiscal no período. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio está em decidir se os recolhimentos ocorridos a título de IRPJ sobre o lucro inflacionário realizado de forma incentivada, sob amparo da MP nº 2.113 32 c/c o artigo 9º, §2º, da Lei nº 9.532/97, são suscetíveis de repetição, para compensação, ou tratase de tributação irretratável e, reversamente, manifestarse sobre a adição ao lucro líquido do lucro inflacionário, no ano de 2001, uma vez que a recorrente desistiu da opção de recolher antecipadamente o saldo do lucro inflacionário. A recorrente escorase em três alicerces, consoante suas palavras: a) a MP nº 2.11332 facultou aos contribuintes uma opção de realizar antecipadamente o saldo do lucro inflacionário; b) a suposta irrevogabilidade da opção não implica considerarse a tributação definitiva, visto não haver disposição legal neste sentido; c) considerarse definitiva a opção exercida pelo contribuinte que, ao final do anocalendário, apurou prejuízo fiscal implica admitir tributação de patrimônio e não de rendalucro, sendo ilegal, uma vez o IRPJ incidir sobre a receita auferida pelas pessoas jurídicas. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A tese da recorrente não merece acolhida. A norma tributária que disciplinou a realização antecipada do lucro inflacionário é explícita e deve ser interpretada literalmente, pois institui um favor fiscal, nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Não custa reproduzir a norma que desonera em parte o ônus dos contribuintes: Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001 Art.62. A opção pela liquidação antecipada do saldo do lucro inflacionário, na forma prevista no art. 9º da Lei nº 9.532, de 1997, deverá ser formalizada até 30 de junho de 2001. §1º A liquidação de que trata o caput poderá ser efetuada em até seis parcelas mensais e sucessivas, vencendose a primeira em 30 de junho de 2001. [...] §3º Na hipótese de pagamento parcelado, na forma do §1°, a opção será manifestada mediante o pagamento da primeira parcela. Lei nº 9.532, de 10/12/1997 Art. 9 À opção da pessoa jurídica, o saldo do lucro inflacionário acumulado, existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, poderá ser considerado realizado integralmente e tributado à alíquota de dez por cento. [...] §2 A opção a que se refere este artigo será irretratável e manifestada mediante o pagamento do imposto, em quota única, na data da opção. A opção de irretratabilidade de opção prevista no § 2º do artigo 9º da lei nº 9.532/97 seguramente transposto para as disposições inseridas no art. 62 da MP nº 2.113 32/01, conforme salientado no acórdão recorrido, independe do resultado final do exercício financeiro. O risco apontado pela recorrente de usufruir do benefício fiscal e, ao final do exercício, apurar prejuízo fiscal e não IRPJ a pagar, está implícito na norma. Tanto é que o legislador estabeleceu uma data diversa para os contribuintes exercerem a opção da data de final de período (31/12). Se fosse tão manifesto o raciocínio da recorrente, não haveria, por certo, a disposição legal de que a opção seria irretratável. O termo tributação definitiva utilizado pela turma de julgamento a quo é neste sentido. Uma vez a opção realizada, o resultado (no caso, recolhimentos), tornase definitivo (ou irretratável). Quando o legislador impôs esta condição sine qua non para o gozo do favor fiscal estabeleceu que os recursos Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10830.007798/200271 Acórdão n.º 1801001.348 S1TE01 Fl. 6 9 disponibilizados à Fazenda Nacional não seriam passíveis de restituição. Afastou dos contribuintes o direito a arrependerse. Em várias outras normas tributárias, inclusive hipóteses de favores fiscais tais como os parcelamentos diferenciados, nas Declarações de Compensações, na opção pelo regime de apuração do lucro e tributação de IRPJ, a norma vem gravada com o instituto de irretratabilidade. A opção dos contribuintes independe da ocorrência de fatos e resultados futuros, ou mudança de vontade do sujeito passivo. Nem por esta razão estas normas tributárias são (ou foram) consideradas inconstitucionais. A apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício, tanto quanto a apuração do lucro real depende de diversos fatores (adições e exclusões registradas no Lalur) que não consistem na direta percepção de receitas pela pessoa jurídica, não sendo plausível a tese discorrida pela recorrente. Com a apuração de prejuízo fiscal a recorrente pode não pagar IRPJ no ajuste anual, mas com a adição do saldo do lucro inflacionário revertido, procedimento que a recorrente reconhece, a pessoa jurídica reduz o prejuízo fiscal apurado, o que implica sofrer tributação – ou seja, não recolher tributo no ajuste anual, não significa não ser tributado. Por oportuno, quanto à adição indevida do saldo do lucro inflacionário já realizado no período, independe de manifestação no litígio instaurado. A recorrente deve proceder aos estornos na sua contabilidade para excluir a adição ao lucro líquido do saldo do lucro inflacionário a realizar. Este procedimento, sim, foi realizado sem qualquer respaldo legal. A correção do erro deve observar as normas técnicas contábeis e é de responsabilidade exclusiva da recorrente, concordando neste voto que não compete à Administração Tributária corrigir, de ofício, a escrituração contábil dos contribuintes efetuada sem observância nas normas tributárias. Por derradeiro, no que respeita às argüições de inconstitucionalidade das normas tributárias em vigência, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula n. 02 recepcionada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, editada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em se tratando de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Voto, pelo exposto, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10920.003559/2006-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO.
O pagamento do valor total da exigência extingue o crédito tributário, nos termos do art. 156, I, do Código Tributário Nacional CTN, implicando, desta feita, na extinção do litígio administrativo por falta de objeto.
Numero da decisão: 2201-001.586
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencido o conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe que conhecia do recurso e negava-lhe provimento.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. O pagamento do valor total da exigência extingue o crédito tributário, nos termos do art. 156, I, do Código Tributário Nacional CTN, implicando, desta feita, na extinção do litígio administrativo por falta de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso. Vencido o conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe que conhecia do recurso e negavalhe provimento. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Relatório Fl. 28DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 06/10, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 14.851.01, calculados até 31/10/2006. A fiscalização apurou: Omissão de Rendimentos: Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, no valor de R$ 7.387,08, pagos a Dirceu Rossini, CPF nº 069.039.24949; Bradesco Vida e Previdência S/A, no valor de R$ 2.419,33, pagos ao próprio declarante; Joinville – Prefeitura Municipal, pagos a Luciana Rossini, CPF 559.081.87968. Omissão de Aluguéis Recebidos de Pessoas Físicas Anage Imóveis Ltda, no valor de R$ 8.512,00, pagos a Dirceu Rossini, CPF nº 069.039.24949. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Pelos fatos que foram incluídos como dependentes na minha declaração Sr. DIRCEU ROSSINI CPF 069.039.24949 e LUCIANI ROSSINI CPF 559.081.87968 no meu entendimento por pagar as despesas dos mesmos poderia colocar sem os seus rendimentos. Desta forma solicito novamente a retificação da declaração onde peço para excluir como dependente o Sr. DIRCEU ROSSINI e LUCIANI ROSSINI. Foram apresentadas declarações de ajuste anual do Sr. DIRCEU ROSSINI conforme recibo número 20.24.27.91.4760 e de LUCIANI ROSSINI conforme recibo número 27.80.79.11.88. A 5ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Ao incluir em sua declaração de ajuste dependentes que possuam rendimentos pessoais, o contribuinte deve incluir estes rendimentos somados aos seus próprios no campo relativo aos rendimentos tributáveis. DEPENDENTES. EXCLUSÃO. IMPEDIMENTO NORMATIVO Havendo impedimento normativo para que determinada pessoa figure como dependente do sujeito passivo, deve ser glosada a Fl. 29DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10920.003559/200667 Acórdão n.º 220101.586 S2C2T1 Fl. 2 3 despesa com dependentes relativa a esta pessoa, procedimento que implica também na exclusão dos rendimentos deste terceiro da declaração de ajuste, ainda que estes rendimentos tenham originalmente omitidos e ali incluídos pelo Fisco, sob pena de ofensa á legalidade da exigência. Impugnação Procedente em Parte Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 18), Emanuel Jose de Moura Junior apresenta Recurso Voluntário em 01/04/2011 (fl. 19), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: Não consigo entender porquê é negado realizar a declaração de rendimentos da Sr. Luciani Rossini de Moura em separado... Quanto ao valor dos juros cobrados gostaria também que o Conselho revisasse, pois em 6 anos o juros chegaram a quase 100% do valor principal. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Segundo se colhe dos autos pretende o recorrente que seja aceita a declaração retificadora entregue após o procedimento fiscal, com vista a excluir da relação de dependência sua esposa, Luciani Rossini de Moura. Além do mais, assevera o recorrente que “... em 6 anos o juros chegaram a quase 100% do valor principal. Quando comparamos com o juros pagos pela Receita, em suas restituições, verificamos que a mesma está cobrando bem mais do que paga ...”. Pois bem, a título de informação impende registrar que de acordo com o art. 832 do RIR/1999, Decreto n° 3.000/1999, o procedimento de retificação de declaração de rendimentos somente é permitido enquanto o sujeito passivo gozar de espontaneidade para isso, ou seja, antes do inicio de qualquer procedimento de oficio adotado pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil. Feita a consideração, passase à análise dos autos. Do exame dos autos verificase que o recorrente efetuou integralmente a quitação de seu débito fiscal (fl. 20). Esta informação também foi confirmada pelo próprio recorrente em sua peça recursal. Ora, se o pagamento extingue o crédito tributário lançado, não havendo, pois, nada mais a contestar em relação ao procedimento fiscal, segundo determina o art. 156, I, do Código Tributário Nacional, entendo, portanto, que se esgotou o objeto, em face da extinção do Crédito Tributário. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A jurisprudência deste conselho é firme no sentido de que o pagamento extingue o objeto. Apenas a título ilustrativo, transcrevese, a seguir, ementas neste sentido: PIS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. O pagamento do valor total da exigência extingue o crédito tributário, nos termos do art. 156, I, do Código Tributário Nacional CTN, implicando a extinção do litígio administrativo, por falta de objeto. Recurso não conhecido. (Acórdão 202 17240) EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO. PRECLUSÃO LÓGICA. O pagamento, é definido como a satisfação, pelo sujeito passivo, do débito do tributo em face do sujeito ativo da obrigação, sendo causa de extinção do crédito tributário, nos termos do inciso I, do art. 156 do Código Tributário Nacional, sendo incompatível com a admissão do Recurso Voluntário. Perda da faculdade de praticar o ato processual pela prática de outro ato com ele incompatível. Recurso não conhecido. (Acórdão 280200.163) EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPUGNAÇÃO. PERDA DE OBJETO. O pagamento extingue o crédito tributário, de sorte que a impugnação, porventura apresentada, perde o objeto e não merece ser conhecida. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 210200.402) Nessa conformidade, o recurso voluntário interposto não deve ser conhecido por faltarlhe objeto, em face da evidente extinção do crédito tributário pelo pagamento, a teor do art. 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ante ao exposto, voto por não conhecer do recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 31DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11060.000116/2010-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL A escrituração contábil faz prova contra a pessoa jurídica a que pertence quando não estiver lastreada por documentos hábeis e idôneos para provar as operações registradas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS A presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova. Por conta da força probante da escrituração contábil que deu causa ao lançamento do crédito tributário, somente a prova irrefutável do erro do registro contábil a cargo do sujeito passivo tem o poder de afastar essa presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS A falta de contabilização de notas fiscais de venda corresponde a omissão receitas da atividade da pessoa jurídica. CSLL. PIS. COFINS. SIMPLES. A solução acima se aplica a todos os lançamentos tratados nos autos.
Numero da decisão: 1802-001.356
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL A escrituração contábil faz prova contra a pessoa jurídica a que pertence quando não estiver lastreada por documentos hábeis e idôneos para provar as operações registradas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS A presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova. Por conta da força probante da escrituração contábil que deu causa ao lançamento do crédito tributário, somente a prova irrefutável do erro do registro contábil a cargo do sujeito passivo tem o poder de afastar essa presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS A falta de contabilização de notas fiscais de venda corresponde a omissão receitas da atividade da pessoa jurídica. CSLL. PIS. COFINS. SIMPLES. A solução acima se aplica a todos os lançamentos tratados nos autos.
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ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL A escrituração contábil faz prova contra a pessoa jurídica a que pertence quando não estiver lastreada por documentos hábeis e idôneos para provar as operações registradas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS A presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova. Por conta da força probante da escrituração contábil que deu causa ao lançamento do crédito tributário, somente a prova irrefutável do erro do registro contábil a cargo do sujeito passivo tem o poder de afastar essa presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS A falta de contabilização de notas fiscais de venda corresponde a omissão receitas da atividade da pessoa jurídica. CSLL. PIS. COFINS. SIMPLES. A solução acima se aplica a todos os lançamentos tratados nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 37 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte. Contra o contribuinte haviam sido lavrados os autos de infração: (i) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls 500/511); (ii) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 536/548); (iii) da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 524/535), e (iv) da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 512/523), em razão de infrações à legislação tributária praticadas nos anoscalendário de 2005 e 2006, quando tributou seus resultados com base no Lucro Presumido. Também foram lavrados autos de infração de (i) IRPJ (fls. 563/576); (ii) CSLL (fls. 584/591); (iii) COFINS (fls. 592/599); (iv) PIS (fls. 577/583), e (v) de Contribuição para a Seguridade Social – INSS – (fls. 600/607), em razão de infrações à legislação tributária praticadas no anocalendário de 2007, quando o contribuinte optou pela tributação com base no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Federal (Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996), abrangendo os meses de janeiro a junho de 2007, e pelo Simples Nacional (Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006), abrangendo os meses de julho a dezembro (AI IRPJ fls. 608; CSLL fls. 609; Cofins fls. 610; PIS fls. 611; CPP fls. 612), conforme demonstrado no Relatório de Fiscalização de folhas 627/628, utilizado em razão de não haver aplicativo para gerar autos de infração nos mesmos moldes disponíveis para os demais casos. O total do crédito tributário lançado atingiu o montante de R$ 153.080,19. Em relação às infrações cometidas nos anoscalendário de 2005 e 2006, segundo o Relatório de Fiscalização de folhas 549/560, o contribuinte: (i) não comprovou a origem dos depósitos bancários enumerados na planilha de folhas 492/495; (ii) não contabilizou as notas fiscais nºs 2800, 2804 e 2812, além da nota fiscal nº 2470, que alega ter cancelado, todavia a referida NF foi emitida no formulário nº 2491 e, posteriormente, no formulário nº 2492 (fls. 461/462); (iii) contabilização a débito de duplicatas a receber sem que os valores tenham transitados, em contrapartida, na conta de resultados, nos valores de R$ 5.698,00, R$ 3.788,38, R$ 28.255,24, R$ 192.600,00, R$ 1.022,12 e R$ 462,24 e R$ 46.122,12, cujos registros encontramse identificados nos Livros Diários às folhas. 474/479; (iv) saldo credor de caixa nos dias 06/02/2006, R$ 9.731,14; em 30/06/2006, R$ 4.435,80; em 06/04/2006, R$ 3.036,54; em 06/06/2006, R$ 3.783,69; em 17/12/2006, R$ 17.026,67, e em 19/12/2007, R$ 115.103,39, conforme se verifica no Livro Razão às folhas 468/473, sendo que foram tributados os valores de R$ 9.731,14 em fevereiro de 2006 e o valor de R$ 98.076,72, em dezembro de 2007, este valor pelo Simples Nacional; (v) pagamentos não contabilizados, caracterizados por depósitos bancários efetuados em conta corrente do Sr. Edílson Rudinei Alves Fagundes. Em relação às infrações cometidas no anocalendário de 2007, segundo o Relatório de Fiscalização de folhas 613/629, o contribuinte: (i) não comprovou a origem dos Fl. 852DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 39 4 depósitos bancários enumerados na planilha de folhas 492/495 (a planilha engloba os depósitos não comprovados dos anoscalendário de 2005 e 2006); (ii) não contabilizou a nota fiscal nº 3683 (fls. 467); (iii) contabilização a débito de duplicatas a receber sem que os valores tenham transitados, em contrapartida, na conta de resultados, no valor de R$ 46.122,12, cujo registro Encontrase identificado no Livro Diário às folhas. 474/479; (iv) saldo credor de caixa nos dias 06/02/2006, R$ 9.731,14; em 30/06/2006, R$ 4.435,80; em 06/04/2006, R$ 3.036,54; em 06/06/2006, R$ 3.783,69; em 17/12/2006, R$ 17.026,67, e em 19/12/2007, R$ 115.103,39, conforme se verifica no Livro Razão às folhas 468/473, sendo que foram tributados os valores de R$ 9.731,14 em fevereiro de 2006 e o valor de R$ 98.076,72, em dezembro de 2007, este valor pelo Simples Nacional; (v) pagamentos não contabilizados, caracterizados por depósitos bancários efetuados em conta corrente do Sr. Edílson Rudinei Alves Fagundes. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 634/635, alegando que, ao contratar profissional especializado para examinar o ocorrido, foi constatada verdadeira imperícia, beirando a negligência, por parte do profissional responsável pelos seus registros contábeis, que cometeu uma série de erros de escrita, que, uma vez sanados, fariam desaparecer as divergências encontradas. Alega que, conforme se constata no Livro Razão/2005, foram efetuados lançamentos em duplicidade na data de 01/01/2005, com a expressão “saldo balanço anterior”. Em vista do encerramento do exercício de 2004, os saldos foram transcritos automaticamente para as contas do Ativo/Passivo e Patrimonial, registrados como saldo anterior. Desnecessários, os novos lançamentos acabaram gerando outros lançamentos em 02/01/2005 com o histórico de “valor ref ajuste de contas”, o que gerou distorções no exercício de 2005, com reflexos nos exercícios de 2006 e 2007. O contribuinte demonstra os lançamentos que teriam sido efetuados indevidamente, indicando a folha do Livro Razão em que estão registrados, na peça impugnatória e no chamado “Anexo II” (fls. 702/739). Alega que os auditoresfiscais ignoraram os erros escriturais, que são por demais evidentes, mas aceitaram acriticamente os reflexos daí decorrentes, concluindo apressadamente pela omissão de receitas. Ao se analisar os lançamentos, é fácil constatar que todas as divergências apontadas no item 4.2.2 do relatório de fiscalização são o produto de erros na escrita contábil e não existiriam se esses erros fossem sanados. Em relação aos depósitos bancários, alega que, se corrigido os erros de escrita, o caixa teria saldo para os depósitos citados pela fiscalização. Em relação ao Simples Federal e ao Simples Nacional, alega que os depósitos bancários sem comprovação de origem correspondem a pagamentos não contabilizados constantes do subitem 4.2.4 do Relatório Fiscal. O contribuinte discorre sobre o princípio da legalidade e sobre as presunções legais e, ao final, requer a realização de diligência ou perícia, justificada pelo erros na escrita fiscal, formula para isso os quesitos e indica o correspondente perito, e, no mérito, requer a anulação do auto de infração combatido. A DRJ de Porto Alegre (RS) julgou parcialmente procedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: Fl. 853DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 40 5 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR. PEDIDO DE PERÍCIA Indeferese o pedido de perícia quando os quesitos formulados tratam de questões cujo conhecimento técnico do julgador permite formar a sua convicção e as alegações puderem ser demonstradas pela juntada de documentos na impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROVA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL A escrituração contábil faz prova contra a pessoa jurídica a que pertence quando não estiver lastreada por documentos hábeis e idôneos para provar as operações registradas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SALDO CREDOR DE CAIXA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS A presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova. Por conta da força probante da escrituração contábil que deu causa ao lançamento do crédito tributário, somente a prova irrefutável do erro do registro contábil a cargo do sujeito passivo tem o poder de afastar essa presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO SIMPLES A contabilização a débito de duplicatas a receber, tendo como contrapartida conta não representativa de resultado, caracteriza uma presunção simples de omissão de receitas. Nesse caso, diferentemente da presunção legal, cabe ao fisco afastar o estado de incerteza com provas da omissão de receitas, não o fazendo tornase improcedente esta presunção. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS A falta de contabilização de notas fiscais de venda corresponde a omissão receitas da atividade da pessoa jurídica. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 41 6 CSLL. PIS. COFINS. SIMPLES. A solução acima se aplica a todos os lançamentos tratados nos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 17/02/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/03/2012, onde argumenta a existência de erros contábeis que não foram levados em conta pelo fiscal e ao fim requer a anulação do auto de infração. Este é o Relatório. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 42 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo visa a manutenção pela Receita Federal e a desconstituição pela Recorrente, da autuação referente a omissão de receitas. A autoridade administrativa fez o lançamento com base em três grupos de infrações: a) omissão de receita por presunção legal, caracterizada por depósitos bancários sem comprovação da origem, saldo credor de caixa e pagamento não contabilizados, para os quais o ônus da prova é do sujeito passivo. Basicamente a defesa da Recorrente paira sobre esse ponto, alegando que não há indícios de omissão de receita, mas erros contábeis grosseiros. b) omissão direta, pois não foram contabilizadas notas fiscais de venda. Nesse caso, o contribuinte não apresentou defesa. c) presunção simples de omissão de receita, pois o contribuinte contabilizou duplicatas a receber sem que a contrapartida tenha sido efetuada em conta de resultado. Nesse caso, por ser presunção não prevista em lei, a prova da omissão deve ser do Fisco, pois os lançamentos contábeis podem ter sido efetuados para corrigir um lançamento incorreto efetuado anteriormente. Essa infração foi cancelada pela DRJ.. Tendo logrado êxito no julgamento da DRJ, o presente recurso basicamente foca na necessidade do Fisco comprovar os indícios de omissão de receitas. A esse respeito vale repisar alguns pontos do voto do relator da DRJ, aos quais a Recorrente não trouxe novos argumentos que pudessem ser agregados ao processo: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM Em relação aos depósitos bancários, o contribuinte alega que se forem corrigidos os erros de escrituração da Conta Caixa, esta conta teria saldo para justificar os depósitos citados pela fiscalização. O lançamento baseado na movimentação bancária, cuja natureza e origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, tem seu autorizativo do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo: Fl. 856DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 43 8 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Tratase de presunção legal de omissão de receitas. Quando os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira não tiverem sua origem comprovada com documentação hábil e idônea, o referido dispositivo considera que esses recursos provêm de uma receita não oferecida à tributação. A letra da Lei é clara. Todo o depósito que não tiver sua origem comprovada provém de uma omissão de receita. O contribuinte deve provar individualmente a origem de cada valor depositado em sua conta corrente. A comprovação da origem dos valores depositados deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Essa presunção legal, classificada pela doutrina como presunção relativa, tem a força de provocar a chamada “inversão do ônus da prova”. Isto é: transfere ao contribuinte o ônus de provar que os valores depositados não correspondem a receitas não oferecidas à tributação. Nesse sentido, nos ensina José Luiz Bulhões Pedreira in "Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas", JUSTEC RJ 1979, pág. 806: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Não basta a existência de saldo contábil na Conta Caixa para justificar o depósito bancário. Tanto os valores escriturados a débito da Conta Caixa, como os depósitos bancários devem estar vinculados à uma receita Fl. 857DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 44 9 oferecida à tributação, ou de outra fonte devidamente comprovada, e não se justificam entre si, a menos que haja o respective lançamento à crédito da referida conta e a débito da conta bancos, acompanhado do respective comprovante de depósito. No caso dos autos, embora os depósitos bancários tenham sido registrados contabilmente tendo como contrapartida a Conta Caixa, a quase totalidade deles tem como histórico “trasnf. on line”, “crd instr.” ,“dep. On line”, “ordem bancária”, que são lançamentos incompatíveis com a conta Caixa, pois inegavelmente os recursos financeiros não saíram desta conta, além disso, não foram apresentados os documentos que comprovariam que os depósitos foram efetuados pelo contribuinte com recursos oriundos dessa conta. Assim, deve ser mantido o lançamento em relação à essa infração. NOTAS FISCAIS DE VENDA NÃO CONTABILIZADAS O contribuinte não faz nenhuma alegação a respeito das notas fiscais apontadas como não contabilizadas no item 4.2.1 do Relatório de Fiscalização. Em razão desse fato, deve ser mantido o lançamento em relação à essa infração. (…) SALDO CREDOR DE CAIXA Diferentemente do caso tratado acima, a ocorrência de saldo credor de caixa é uma presunção legal de omissão de receita, cabendo ao contribuinte, nesse caso, a prova capaz de afastar a dita presunção. As alegações do contribuinte são no sentido de que o valor de R$ 9.731,14 não existiria caso não tivesse sido feito o registro do lançamento à crédito na conta Caixa em 30/06/2005, no valor de R$ 192.600,00, que alega ser sem sentido e que seria a soma de pagamentos não contabilizados. A escrituração da pessoa jurídica deve observar as leis comerciais e fiscais e abranger todas as suas operações, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos auferidos no exterior (art. 251 do RIR/99), e deverá estar respaldada em documentais hábeis e idôneos e sem Fl. 858DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 45 10 vícios extrínsecos ou intrínsecos. A escrituração assim mantida pela pessoa jurídica faz prova a seu favor dos fatos nela registrados, ao contrário fazem prova conta a pessoa a que pertence, conforme dispõe o art. 226 do Código Civil. De acordo com esse dispositivo, para ser utilizada a escrituração com força probante em favor do seu titular, ela deve cumprir todas as formalidades legais e estar lastreadas em documentos hábeis para provar a operação, os quais devem permanecer arquivados e guardados até que ocorra a prescrição e decadência de todos os atos ali inseridos, nos termos do art. 1.194 do Código Civil. As alegações apresentadas pelo impugnante não vieram acompanhadas dos elementos necessários e suficientes para provarem as incorreções e neutralizarem os efeitos tributários dos lançamentos contábeis. As alegações de que os saldos das contas do encerramento do anocalendário de 2004 foram transcritas automaticamente no Livro Razão de 2005 e depois lançados novamente com a expressão “saldo balanço anterior” é procedente. Tal erro de escrituração salta aos olhos. O mesmo não ocorre com os outros lançamentos. Para que fossem desconsiderados os efeitos tributários decorrentes dos referidos lançamentos o contribuinte deveria ter apresentado documentos que lhes deram origem, provando que os lançamentos estão incorretos, mas ficou apenas no apontamento de evidências das incorreções. Observase no caso do saldo credor da conta caixa que a transcrição em duplicidade do saldo de 31/12/2004 no dia 01/01/2005 aumentou o saldo daquela conta, traduzindo efeito contrário ao saldo credor de 06/06/2006. Isto é: ao invés de saldo credor de R$ 9.731,14, o saldo credor seria de R$ 13.932,46. Portanto, uma vez que não foram provadas as alegações de erros na escrita contábil, não podem ser anulados os efeitos tributários deles advindos, pois, como visto, neste caso o ônus de prova é do sujeito passivo. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS Igualmente ao caso tratado acima, a ocorrência a falta de contabilização de pagamento é uma presunção legal de omissão de receita, cuja prova da inocorrência é do Fl. 859DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11060.000116/201031 Acórdão n.º 1802001.356 S1TE02 Fl. 46 11 sujeito passivo. Não foram apresentadas provas, logo deve ser mantida a exigência”. Pela análise do processo concluise que a decisão da DRJ deve ser mantida, eis que só assistia razão a contribuinte no ponto referente a simples omissão de receita, lançamento esse que foi cancelado pela Delegacia. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 860DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10166.721888/2010-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS.
Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço
REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de Vale Transporte pagos em pecúnia, conforme Súmula nº 60, de 08/12/2011, da Advocacia Geral da União – AGU LANÇAMENTO. CLAREZA E PRECISÃO. REQUISITOS PARA O DEVIDO PROCESSO LEGAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO.
Clareza e precisão são requisitos indispensáveis para que os lançamentos tributários prevaleçam. A ausência desses requisitos, pelos vários motivos descritos no voto, no caso do pagamento do auxílio alimentação, acarreta o provimento do recurso, pela incerteza da ocorrência do fato gerador. Não há que arrecadar valor que não foi comprovado como Salário de Contribuição (SC)
JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.768
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do vale transporte, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de Vale Transporte pagos em pecúnia, conforme Súmula nº 60, de 08/12/2011, da Advocacia Geral da União – AGU LANÇAMENTO. CLAREZA E PRECISÃO. REQUISITOS PARA O DEVIDO PROCESSO LEGAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. Clareza e precisão são requisitos indispensáveis para que os lançamentos tributários prevaleçam. A ausência desses requisitos, pelos vários motivos descritos no voto, no caso do pagamento do auxílio alimentação, acarreta o provimento do recurso, pela incerteza da ocorrência do fato gerador. Não há que arrecadar valor que não foi comprovado como Salário de Contribuição (SC) JUROS E MULTA DE MORA Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34 e 35A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do vale transporte, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Marcelo Oliveira. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 25/08/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o inciso I, alínea “a”, do art. 30, da Lei 8.212/91, e art. 4, “caput”, da Lei 10.666/03, c/c o art. 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração, a autuada deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos segurados empregados que lhe prestaram serviços, incidentes sobre os auxílio alimentação e valetransporte pagos em pecúnia, conforme constatado por meio de análise das folhas e da escrituração contábil do Contribuinte, na qual foram identificados os registros de pagamentos de remuneração em diversas contas contábeis, bem como da documentação por ele apresentada. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0343.442, da 5a Turma da DRJ/BSB, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, reitera que o processo foi instruído ao arrepio do Decreto 70.235/72, pois tal norma não autoriza a utilização de meio virtual como prova para exigir tributos, o que, segundo entende, não prejudica somente a recorrente, mas também o próprio julgador, pois estarão tolhidos e cerceados de analisar trabalhos elaborados pela fiscalização. Alega falta de previsão legal e requer que o julgamento seja convertido em diligência para suprir a ausência de documentos impressos, de forma a permitir à autoridade julgadora analisar a documentação elaborada pela autoridade lançadora, com fé pública. Sustenta que a autoridade lançadora não comprovou suas alegações, mas apenas elaborou unilateralmente planilhas, cerceando o direito de defesa da recorrente, uma vez que impossibilitou o acesso aos documentos que supostamente escoraram os lançamentos. Reitera que não consta, do relatório fiscal, qualquer documento contábil e/ou folhas de pagamento, tampouco GFIP e arquivo em meio digital, mas somente planilhas diversas elaboradas somente pelo fiscal autuante. Requer que seja decretada a nulidade do lançamento e, caso isso não ocorra, que sejam os autos baixados em diligência para sanar os vícios apontados. No mérito, alega que não incide contribuições sobre o auxílio alimentação e vale transporte pagos em pecúnia, justo porque a Jurisprudência dominante e atual do CARF afasta o lançamento, diante do entendimento sobre a matéria perante o STF e STJ. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Assevera que o acórdão recorrido ignorou provas constantes dos autos, teses e argumentos trazidos pela ora recorrente, não enfrentando todos os pontos apresentados para análise contenciosa, cerceando o direito de defesa e agredindo o princípio do duplo grau de jurisdição, consagrado pelo PAF. Sustenta que as despesas com VT e VA não podem integrar o salário de contribuição, pois são eventuais, possuem natureza indenizatória e constituem instrumentos para o trabalho e não pelo trabalho. Refuta a acusação de que a empresa não teria preparado as folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, asseverando que as folhas de seus funcionários foram devidamente preparadas nos moldes da legislação de regência e reafirmando que o pagamento de transporte e alimentação não são salários. Ressalta que a cobrança de multas concomitantemente sobre o mesmo fato motivador é considerada abusiva, uma vez que ninguém poderá ser punido duas vezes pelo mesmo fato e reafirma que a recorrente não cometeu nenhum ato que se subsuma aos dispostos nos artigos eleitos pelo autuante. Traz recente decisão proferida pelo STF declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia É o relatório. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega que o processo foi instruído ao arrepio do Decreto 70.235/72, pois tal norma não autoriza a utilização de meio virtual como prova para exigir tributos, o que, segundo entende, não prejudica somente a recorrente, mas também o próprio julgador, pois estarão tolhidos e cerceados de analisar trabalhos elaborados pela fiscalização. Porém, o Decreto 70.235/72, citado pela recorrente, estabelece que: Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (...) Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. (...) Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Parágrafo único.Quando o ato for praticado por meio eletrônico, a administração tributária poderá atribuir o preparo do processo a unidade da administração tributária diversa da prevista no caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Dessa forma, verificase que, ao contrário do que afirma a recorrente, o processo foi instruído em conformidade com o que dispõe o Decreto 70.325/72, que prevê a apresentação em meio magnético dos atos processuais. Ademais, o mesmo Decreto supra citado estabelece que: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido, como todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. Da mesma forma, encontramse nos autos, mesmo que por meio eletrônico, toda a documentação elaborada pela autoridade lançadora, e com fé pública, já que o Governo Federal regulamentou as atividades de Certificação Digital, por meio da MP 2.2002/2001, garantindo, dessa forma, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica, bem como a realização de transações eletrônicas seguras. Como bem asseverou a Relatora do Acórdão recorrido, “O certificado digital da Infra Estrutura de Chaves Públicas Brasileira garante, por força da legislação atual, validade jurídica aos atos praticados com seu uso, de modo a proporcionar segurança nas transações eletrônicas e incentivar a adoção do processo eletrônico nos órgãos dos Poderes da União.” Portanto, todos os elementos necessários para a formação de convicção pela autoridade julgadora estão presentes nos autos. A recorrente protesta pela realização de diligência fiscal. Todavia, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem instruído e fundamentado O art. 18, do mencionado Dec. 70.235/72, estabelece: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Nesse sentido, as autoridades julgadoras de primeira instância, ao entenderem ser prescindível a produção de novas provas, indeferiram, com muita propriedade, o pedido de diligência. Assim, indeferese o pedido de diligência, por considerála prescindível e meramente protelatória, uma vez que, como amplamente exposto acima, não há necessidade de suprimento de documentos impressos. A recorrente ainda alega que não consta, do relatório fiscal, qualquer documento contábil e/ou folhas de pagamento, tampouco GFIP e arquivo em meio digital, mas somente planilhas diversas elaboradas somente pelo fiscal autuante. Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 4 7 Contudo, conforme restou claro no relato fiscal, as planilhas foram elaboradas a partir dos dados extraídos das folhas, GFIP e lançamentos contábeis. Cumpre observar que a autoridade autuante deixou claro, no Relatório Fiscal, que o próprio contribuinte apresentou arquivos digitais contendo os lançamentos contábeis, informações da folha de pagamento, além do valor do auxílio alimentação pago pela empresa, arquivos esses autenticados pelo contribuinte. Assim, não procede a alegação de cerceamento de defesa, uma vez que os valores utilizados pela autoridade lançadora foram obtidos por meio da documentação apresentada pela própria recorrente. Se a empresa entende que alguns dos valores constantes das citadas planilhas estão em desacordo com os dados por ela mesma fornecidos, caberia à ela comprovar o alegado, apresentando, nem que fosse por amostragem, cópias dos registros contábeis ou das folhas de pagamento ou das GFIPs que demonstrassem o erro. Porém, não o fez, se limitando a alegar cerceamento de defesa. Ademais, o auto objeto da discussão administrativa foi lavrado pelo fato de a recorrente não arrecadado, mediante desconto, as contribuições devidas pelos segurados empregados, incidentes sobre os pagamentos efetuados a título valetransporte e vale alimentação pagos em pecúnia, considerados remuneração pela auditoria fiscal. Pelo exposto, entendo que não procede a alegação de cerceamento de defesa, motivo pelo qual rejeito as preliminares suscitadas. A autuada assevera, ainda, que o acórdão recorrido ignorou provas constantes dos autos, teses e argumentos trazidos pela ora recorrente, não enfrentando todos os pontos apresentados para análise contenciosa, cerceando o direito de defesa e agredindo o princípio do duplo grau de jurisdição, consagrado pelo PAF. Porém, vale ressaltar que o órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido. REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.) Verificase que a decisão de primeira instância demonstra a convicção do julgador diante dos fatos e argumentos que lhe foram apresentados, seja pela auditoria fiscal, seja pela autuada. Ademais, a recorrente apenas alega, mas não aponta quais os tópicos não foram objeto de análise no Acórdão recorrido. Portanto, não se verifica a nulidade alegada pelo contribuinte. No mérito, constatase que a recorrente não nega que tenha fornecido vale transporte e vale alimentação em pecúnia a seus empregados e que tenha deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados incidentes sobre tais pagamentos. Ela apenas tenta demonstrar que a despesa com os referidos benefícios não integra o salário de contribuição por não possuir natureza remuneratória, pois os pagamentos são eventuais, possuem natureza indenizatória e constituem instrumentos para o trabalho e não pelo trabalho. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 5 9 A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Portanto, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. No presente caso, não resta dúvida que a verba intitulada “auxílio alimentação”, paga em pecúnia, não está incluída nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. De fato, a alínea “c”, do citado § 9º, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, exclui do salário de contribuição apenas a parcela “in natura” recebida de acordo com a Lei 6.321/76, o que não é o caso em tela, já que a fiscalização constatou que a empresa concedeu, em diversas ocasiões, o auxílioalimentação em pecúnia, o que contraria o referido diploma legal. Assim, está correto o procedimento fiscal ao lavrar o Auto de Infração por ter a empresa deixado de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados, incidentes sobre os valores pagos pela recorrente a título de auxílioalimentação, como também está correta a decisão recorrida em manter o auto em relação a tal rubrica;. Com relação aos argumentos de ausência de habitualidade, entendo que não estamos diante de um pagamento eventual, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. No caso sob análise, não há dúvida de que o pagamento em pecúnia realizado pela empresa a título de Auxílioalimentação, em favor de seus empregados, revestese de habitualidade, já que era de conhecimento de todos os empregados que, no caso da contratação ou afastamento, farão jus ao recebimento do valor ajustado de forma proporcional aos dias trabalhados. Assim, o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado se ocorrer o evento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de os valores percebidos pelos segurados empregados não serem rotineiros, e essa expectativa perdura até o final do vínculo empregatício. Essa expectativa criada, o costume e a certeza do pagamento gera a habitualidade e afasta por completo a eventualidade. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 A ampla divulgação da concessão do benefício e de suas condições faz com que integre o contrato de trabalho dos empregados, pois tratase de um pagamento ajustado com condição préfixada.. Portanto, o valor efetivamente pago pela autuada, em pecúnia, relativo a auxílioalimentação, integra o salário de contribuição e a pretensão da recorrente de se excluir os referidos valores da base de cálculo da contribuição previdenciária carece de amparo legal. Nesse sentido, o parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, cuja aprovação pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda ensejou a emissão do ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, traz, em seu bojo, excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº1.119.787SP, publicado no DJ em 13/05/2010, bem como outras decisões que expressam a pacífica e consolidada jurisprudência do STJ sobre a matéria, e conclui que “quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.” Dessa forma, não há amparo legal para a nãoincidência de contribuição previdenciária sobre o AuxílioAlimentação pago em pecúnia, devendo a empresa informar, em folha de pagamento, os valores pagos a esse título. Com relação ao ValeTransporte pago em pecúnia, foi editada a SÚMULA nº 60, em 08 /12 /2011, pela Advocacia Geral da União – AGU, que estabelece: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" . Considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que seja objeto de súmula da AGU, entendo que os valores relativos ao pagamento de ValeTransporte em pecúnia não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, estando a empresa desobrigada de informálos em folhas de pagamento. Contudo, a infração foi cometida, pois a empresa deixou de arrecadar a contribuição do segurado incidente sobre o pagamento do auxílio alimentação em pecúnia em folha de pagamento. A penalidade pela infração descrita acima é um valor que independe do montante que deixou de ser arrecadado. Basta a empresa deixar de arrecadar, a contribuição devida por um segurado a seu serviço e em uma competência para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. Dessa forma, tendo a verba paga a título de auxílioalimentação natureza salarial, já que foi pago em pecúnia, a não arrecadação, mediante desconto quando do seu pagamento aos segurados empregados da recorrente, das contribuições por eles devidas, constitui infração à legislação previdenciária. O art. 30, I, “a”, da Lei 8.212/91, determina que: Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 6 11 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Assim, houve infração à legislação previdenciária, já que a fiscalização constatou que a empresa remunerou seus empregados com verba intitulada Auxílio alimentação, pagas em descordo com a legislação específica que trata da matéria (paga em pecúnia), e deixou de arrecadar a contribuição dos segurados incidentes sobre esses valores. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Com relação ao argumento de que a cobrança de multas concomitantemente sobre o mesmo fato motivador é considerada abusiva e de que ninguém poderá ser punido duas vezes pelo mesmo fato, cumpre observar que a infração foi cometida, independentemente dos outros lançamentos lavrados na mesma ação fiscal. Cumpre lembrar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, não podendo ser atenuada ou relevada, tendo em vista a não ocorrência das circunstâncias atenuantes previstas no art. 292, inciso V, do Decreto 3.048/99, ou o preenchimento dos requisitos previstos no §1º, do art. 291, do mesmo normativo legal. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 7 13 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator Designado Com todo respeito à excelsa Conselheira, divirjo de suas conclusões quanto ao auxílio alimentação. Como muito bem relatado, a autuação possui, em tese, dois fatos geradores: a) Pagamento de vale transporte em pecúnia; e b) Pagamento de auxílio alimentação em pecúnia. Na análise dos autos verificamos que desde a impugnação, com ratificação no recurso, a recorrente afirma que nem todas as contas citadas referemse a pagamento desses benefícios e que os pagamentos em pecúnia dos dois benefícios não correspondem ao total pago, ou seja, não nega que paga, mesmo que de forma parcial, esses benefícios em dinheiro. A recorrente alega, sim, que esses pagamentos em dinheiro ocorrem de forma eventual, em casos, por exemplo, de demissão ou contratação, em que não há como pagar em cartão, vales ou tíquetes, pois esses funcionários não entram na relação que deve ser enviada no mês anterior à administradora desses cartões, vales, tíquetes. Ou seja, o acórdão de primeira instância equivocase quando afirma que todos os valores lançados foram confessados como pagos em pecúnia. Sem adentrar na análise sobre a duvidosa ocorrência de habitualidade desses pagamentos em contratações ou demissões reiteração ou continuidade de uma gratificação (ajuste mensal, semestral ou anual) ou mesmo uma prestação in natura, habitual (periódica e uniforme) pelas alegações da recorrente, desde a impugnação, formos verificar as provas dos autos. O Fisco afirma que retirou os dados dos documentos do contribuinte, folha e escrituração. No auxílio alimentação, encontramos as seguintes rubricas que serviram para o lançamento, oriundas da folha de pagamento: Rubrica Período Código Descrição P/D Início Fim 0110 Dif. Tiquete P 200701 200812 0190 Credito Vale Alimentação Retroativo P 200701 200812 0222 Dev. Desconto De Tiquete P 200701 200804 Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 0373 Vale Refeição Pago Em Dinheiro P 200701 200812 0425 Rest. Vale Refeição P 200701 200712 0446 Dif. Tiquete CCT P 200705 200812 0506 Dif de Tiquete SINDPDPE P 200701 200710 0550 Reposição VA Retroativo por Referencia P 200701 200812 0598 Devolução desconto a Maior ValeCard P 200710 200803 0223 Tiquete Refeição D 200701 200812 0276 Dev. Tiquete D 200701 200812 0277 Desc. Tiquete Especial D 200701 200706 0278 Desc.Tiquete Falta/Atestado D 200701 200812 0279 Desc. Tiquete Retroativo D 200801 200812 0286 Desc. Cartao Valecard D 200701 200805 0590 Desc. VR Por Referencia D 200706 200812 0622 Desc. cartão Vale Card Retroativo D 200803 200803 Na análise de todas essas rubricas, somente uma, e somente após contestação à empresa, poderia servir, com certeza à conceituação como vale refeição pago em dinheiro, a que possui esse nome. Em todas as demais há dúvidas, maiores ou menores, se referese a pagamento de auxílio alimentação em pecúnia, como no caso dos descontos, devoluções, faltas, atestados, etc. Portanto, não temos como, pela informação prestada no Relatório Fiscal (RF), ter certeza absoluta (requisito necessário a todo lançamento fiscal) de que esses valores devem integrar o Salário de Contribuição, por serem pagos em pecúnia. Ressaltamos, novamente, que a fiscalização poderia ter solicitado esclarecimentos sobre cada rubrica e, caso esclarecidos, motivar o lançamento, ou não esclarecidos, efetuar a aferição, como possibilita a legislação, mas esses procedimentos não ocorreram. Somase a esse fato que a fiscalização, também, utilizou o total lançado na contabilidade, na conta “Auxílio Alimentação”, como base de cálculo. Desde a impugnação, com reiteração no recurso, a recorrente afirma que os mesmos valores foram lançados duas vezes, devido as duas fontes (folha e contabilidade). Na análise do RF não encontramos justificativa para que as duas fontes fossem utilizadas na sua integralidade, fato não usual, já que na gigantesca maioria dos lançamentos que já analisamos o que se lança é a base de um e a diferença com o outro. Portanto, essa é mais uma incerteza presente no lançamento. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 8 15 Para concluir, há nos autos a alegação da recorrente que fornece o benefício por tíquetes e cartões, devido a contrato com a empresa Ticket Serviços S.A. Mesmo com essa forte documentação anexada, não houve o cuidado da fiscalização ou do órgão julgador de primeira instância em verificar a certeza dos fatos. Por todo exposto, devido a não comprovação, clara e precisa, da ocorrência do fato gerador, dou provimento ao recurso neste ponto. Ressalto, por fim, que equívocos semelhantes ocorreram na tributação do vale transporte, mas por concordar com a Relatora em sua decisão, deixo de proferir voto no mesmo sentido. Assim, considerando que não há valor a arrecadar quando não foi comprovado que este tem origem em como Salário de Contribuição (SC), a empresa está desobrigada desta arrecadação. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso, devido a decisão sobre a questão da não incidência de contribuição sobre as verbas referentes ao auxílio alimentação. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Declaração de Voto Damião Cordeiro de Moraes Conselheiro 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio, em conformidade ao exposto pelo douto redator, e dou provimento ao recurso voluntário, nos termos seguintes: Auxílio Alimentação 2. O meu posicionamento sobre o auxílio alimentação in natura pago aos empregados segurados é por todos conhecido nesse Conselho, sendo certo que entendo tais verbas não sofrem a incidência de contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 3. Nesse mesmo sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não sofre a incidência de contribuição previdenciária por não constituir natureza salarial, esteja o empregados inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. (Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 4. Ademais é oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando seu papel social ao fornecerem refeições e lanches a segurados a seu serviço, notadamente para aqueles de menor renda. Dessa forma, considero que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 5. Abaixo, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 9 17 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 6. Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente.Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) (g.n.) 7. Inclusive, cumpre ressaltar que a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 8. Digase, também, pelo que se indica nestes casos, que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 9. Não é inoportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. É dizer, cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 10 19 10. Ademais, salientase que se verifica que a fiscalização não demonstra o pagamento em pecúnia, apenas considera o fato da falta de inscrição da empresa no PAT, logo, tenho por certo que o lançamento fiscal não deve ser mantido nesse ponto. Do transporte 11. Diferente não é meu posicionamento no tocante ao vale transporte, pois tenho como certo que o fato de a empresa ter descontado valor sobre outras verbas além do salário base não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba, transformandoa em outro tipo de rendimento sujeito ao pagamento da contribuição previdenciária. 12. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. 13. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) 14. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 15. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 16. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 17. Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. 18. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721888/201069 Acórdão n.º 2301002.768 S2C3T1 Fl. 11 21 Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) 19. Dito isso, verificase que a exigência pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. Conclusão 20. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário apresentado, e no mérito DOULHE PROVIMENTO, para afastar a incidência das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de vale transporte e auxílio alimentação (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13204.000074/2004-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA.
As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina).
CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário.
Recurso Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação e quanto à tomada do crédito sobre o custo do serviço de remoção da lama vermelha. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não-cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. Recurso Provido em Parte.
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contestada especificamente na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. A base de calculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime não cumulativo engloba a totalidade das receitas da pessoa jurídica, sendo inaplicável a extensão administrativa dos efeitos da decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações monetárias ativas, inclusive para os sujeitos passivos que as reconheçam sob o regime de competência, somente constituem receita e, portanto, somente passam a integrar a base de cálculo das contribuições no regime não cumulativo, quando caracterizem direitos definitivamente incorporados ao patrimônio e, assim, insujeitos à reversão por condições futuras falíveis. Mutatis mutandis o mesmo entendimento se aplica às variações monetárias passivas, para fins de desconto de créditos como despesas financeiras, nas hipóteses admitidas em lei. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 74 /2 00 4- 33 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). CRÉDITOS. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo do serviço de manutenção de material refratário. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais somente quando da liquidação do contrato ou da obrigação e quanto à tomada do crédito sobre o custo do serviço de remoção da lama vermelha. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Rosaldo Trevisan. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Cofins nãocumulativa, protocolado em 17 de agosto de 2004, cumulado com as declarações de compensação anexadas aos autos. Por meio do despacho decisório exarado em 17/10/2008, foi reconhecido parcialmente o direito de crédito e homologada parcialmente a compensação declarada. Conforme se depreende do Relatório de Diligência e do Parecer SEORT, que lastreou o despacho da autoridade administrativa, a fiscalização efetuou os seguintes ajustes no crédito apurado pelo contribuinte: a) Glosa de IPI recuperável (art. 66, § 3.°, da IN SRF n.° 247/2002), incluído indevidamente na base de cálculo dos créditos, como parte integrante do valor de aquisição dos bens (item 2 do Relatório de Diligência Fiscal); b) Glosa de despesas de serviços de transporte de "lama vermelha" e "manutenção de refratários", conforme art. 66, § 5.°, I, "b", da IN SRF n.° 247/2002 e art. 346, § 2.°, do RIR/99 (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000074/200433 Acórdão n.º 3403001.964 S3C4T3 Fl. 6 3 c) Ajustes de base de cálculo de créditos que haviam sido computados por valores superiores aos constantes em memória de cálculo disponibilizada pelo contribuinte (item 3 do Relatório de Diligência Fiscal); d) Ajustes nos créditos referentes às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, retificados pela fiscalização com base nos percentuais aplicáveis aos mercados interno e externo (51% e 49%, respectivamente); (item 4 do Relatório de Diligência Fiscal) f) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de receitas financeiras, atinentes a transações realizadas com o exterior e com pessoa jurídica domiciliada no Brasil, tendo em vista o disposto no art. 10 da IN SRF n.° 247/2002 (item 5 do relatório de Diligência Fiscal); g) No mês de dezembro de 2004 foi retificado o crédito presumido da Cofins relativo ao estoque de abertura, obedecendose à regra de sua utilização, na proporção de 1/12, nos termos do art. 11, § 2.°, da Lei n.° 10.637/2002 e art. 12, § 2.°, da Lei n.° 10.833/2003 (item 6 do relatório de Diligência Fiscal); h) Alteração dos "ajustes positivos de créditos", em conformidade com os valores apontados em memória de cálculo disponibilizada pelo contribuinte (item 7 do relatório de Diligência Fiscal); i) Acréscimo às bases de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins de despesas financeiras decorrentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que haviam sido indevidamente subtraídas das receitas financeiras (item 8 do relatório de Diligência Fiscal); j) Inclusão, na base cálculo do PIS/Cofins, do crédito presumido de IPI, na modalidade de ressarcimento de PIS e de Cofins incidentes nas aquisições no mercado interno de insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação (item 9 do relatório de Diligência Fiscal); k) Ajustes visando a desconsideração dos débitos em contas de receitas, em função de mudanças de preços de produtos vendidos no mercado interno, devido a sua fixação em moeda estrangeira e/ou a desvios de características físicoquímicas, vez que se trata de despesas financeiras não decorrentes de empréstimos/financiamentos obtidos de pessoas jurídicas (item 10 do relatório de Diligência Fiscal). Regularmente notificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) é inconstitucional incluir os ganhos de variação cambial em empréstimos contraídos no exterior nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois o STF declarou inconstitucional o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Assim, não há que se admitir, para fins de composição da base de cálculo, que os ajustes contábeis relativos às perdas de operação de hedge (conta 4303), bem como nas transações das contas 430402 – VC –Cliente no exterior; 430405 – VC Mat. Aquis. Ext; 430423 – VC Itabira Rio Doce Co. Ltd.; 430427 – VC Hdro Aluminium AS; 430474 – Geral Metais S/A e 430478 – VC SWAP CDI/US$ apenas quando refletirem ganho devam ser considerados no lançamento da obrigação de recolher aquele tributo; c) é equivocado o entendimento da fiscalização quanto ao conceito de “insumos”, pois o PN CST nº 65/79 estabelece que a expressão “consumidos” no processo produtivo deve ser entendida em sentido amplo. Todos os produtos que forem empregados no processo de industrialização e não diretamente aplicados no produto final, são idôneos à geração de créditos. Assim, tanto a lama vermelha, quanto o material refratário participam e são essenciais à produção da alumina, não havendo relevância alguma o fato de Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 terem ou não contato físico com o produto em fabricação; e) requereu o acolhimento de suas razões para o fim de desconstituição das glosas e protestou pela produção de prova pericial. A DRJ – Belém julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Foi considerada não impugnada a matéria em relação à qual não houve contestação e considerado não formulado o pedido de perícia. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo, ficou decidido que no regime nãocumulativo a base de cálculo é a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Quanto aos insumos, ficou decidido que só geram direito a crédito insumos aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Quanto aos serviços, foi decidido que embora não haja a exigência de ação direta, é necessário para a geração do crédito que os serviços sejam aplicados ou consumidos diretamente na linha de produção do bem destinado à venda. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 04/04/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/05/2012, no qual alegou em síntese: a) inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, conforme decisão do STF no RE 346.084PR, que declarou inconstitucional o art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Essa declaração de inconstitucionalidade tem impacto no julgamento deste recurso voluntário, pois retira o fundamento de validade da exigência; b) o STJ tem inúmeros julgados no sentido de determinar a incidência sobre a variação final apurada na liquidação da operação de empréstimo e também no sentido da não incidência por força do art. 149, § 2º, I da CF/88; c) o regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins considera insumo todos os elementos imprescindíveis para a produção de mercadorias ou para a prestação de serviços; d) disse que o art. 6º §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03 autoriza, no caso de exportação, a tomada do crédito em relação a todos os custos e despesas que sejam vinculados à receita de exportação e não apenas aos insumos usados na produção da alumina; e) os gastos com serviços de transporte de lama vermelha devem gerar crédito da contribuição porque se tratam de rejeitos decorrentes do processo industrial da alumina exportada pela recorrente; f) quanto às glosas de créditos decorrentes da aquisição de bens do ativo imobilizado, alegou que as soluções de consulta exaradas pela Superintendência da 8ª Região reconheceram o direito à tomada do crédito em relação a bens empregados na manutenção de máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção de bens destinados à venda; g) a Lei nº 11.196/2005, o Decreto nº 5.789/2006 e o Decreto nº 5988/2006 criaram a opção de o contribuinte tomar o crédito sobre 1/12 em relação ao custo de aquisição dos equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas Exportadoras; h) não ocorrência de matérias não impugnadas, pois uma vez acolhidas as razões recursais relativas ao mérito, as alterações perpetradas pela fiscalização seriam irrelevantes; i) insurgiuse contra o acórdão recorrido na parte em que afirmou que não tinham valor as soluções de consulta e a jurisprudência, em virtude de não possuírem eficácia normativa; j) requereu o acolhimento do recurso voluntário para o fim de desconstituir as glosas do despacho decisório, possibilitando o aproveitamento integral do valor do crédito constante da declaração de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000074/200433 Acórdão n.º 3403001.964 S3C4T3 Fl. 7 5 O cotejo do relatório de diligência fiscal com a impugnação revela que o contribuinte deixou de manifestar sua inconformidade em relação a vários ajustes efetuados pela fiscalização. Entende o contribuinte que o provimento deste recurso “tornará irrelevantes” os demais ajustes efetuados. O art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 estabelece que a impugnação (ou no caso, a manifestação de inconformidade), deve ser específica e vir acompanhada dos documentos hábeis à comprovação das alegações de defesa. E o art. 17, do mesmo diploma, estabelece que se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Sendo assim, ao contrário do que entende o contribuinte, os ajustes efetuados pela fiscalização na apuração do crédito que não foram expressamente contestados, tornaram se definitivos na esfera administrativa e não poderão ser revertidos por este colegiado. O litígio só foi instaurado quanto à base de cálculo das contribuições e quanto às glosas dos serviços de remoção de rejeitos industriais e manutenção de refratários. As questões eventualmente levantadas no recurso voluntário que não foram objeto de glosa ou que não foram objeto de contestação específica na manifestação de inconformidade serão desconsideradas neste voto. Relativamente à questão das receitas financeiras, no item 8 do relatório de diligência a fiscalização consignou o seguinte: “(...) 8 Quanto às operações de "Hedge/Opções" identificadas sob as contas de receita 4303, bem como, as transações controladas nas contas de receita 430402 (VCCliente no Exterior), 430405 (VCMat.Aquis. Ext.), 430423 (VCltabira Rio Doce Co LTD), 430427 (VCHidro Aluminium A.S.), 430474 (Gerald Metals S.A.) e 430478 (VC SWAP CDI/US$), a empresa aproveitou indevidamente no DACON [PIS (FICHA 05 / LINHAS 09 e 24); COFINS (FICHA 07 / LINHAS 09 e 24)]os lançamentos a débito de tais contas. Ainda que corretamente não tenham sido considerados para fins de descontar créditos, por representarem despesas financeiras de contratos celebrados com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, conforme resposta do contribuinte ao Termo de Intimação e Solicitação de Esclarecimentos (em anexo), foram subtraídos das receitas financeiras, em afronta ao permissivo legal referente às deduções na base de cálculo das contribuições, admitidas de forma exaustiva, a teor do art. 1º , § 3º da Lei nº 10.637/02 e art. 1º , § 3º da Lei nº 10.833/03, verbis: (...) omissis. Por conseguinte, os lançamentos a débito de tais contas de receita foram acrescidos ao cálculo da contribuição (planilha em anexo), extraídos com base nos balancetes mensais disponibilizados pela empresa (em anexo). Em observância à base legal supracitada, tal procedimento foi também adotado pela fiscalização em relação às contas 430472 (VCFrete s/Transp. Bauxita) e 430467 (VCCessão P.Créd. Export. CVRD).” O contribuinte invocou a inconstitucionalidade da inclusão das aludidas receitas na base de cálculo das contribuições. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Cabe esclarecer que a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 só interfere na apuração da base de cálculo das contribuições ao PIS e à Cofins no regime cumulativo. O caso concreto versa sobre os créditos apurados no regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (Cofins). A base de cálculo dessas contribuições no regime nãocumulativo inclui a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, in verbis: Lei nº 10.833/03: “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Lei nº 10.637/02: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)” Tendo em vista que essas leis foram publicadas após a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, de 16 de dezembro de 1998, a ampliação do conceito de faturamento está amparada pela nova redação do art. 195, I, “b”, da CF/88, que passou a autorizar a incidência com base no faturamento ou na receita. Relativamente à jurisprudência do STJ invocada pelo contribuinte, verificase que no RESP 1.059.041/RS, o tribunal considerou que as variações cambiais positivas decorrentes da exportação de mercadorias estão imunes à incidência das contribuições, em razão do art. 149, § 2º, I da CF/88. Essa questão da imunidade das variações cambiais positivas obtidas nas operações de exportação de produtos é objeto de repercussão geral decretada no RE nº 627.815 (Tema 329) e poderia render ensejo ao sobrestamento do julgamento do recurso voluntário, caso o contribuinte tivesse trazido alguma prova de que as variações monetárias foram auferidas na exportação de seus produtos. O contribuinte limitouse a invocar a decisão do STJ sem comprovar que o caso concreto é semelhante ao precedente daquele tribunal. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000074/200433 Acórdão n.º 3403001.964 S3C4T3 Fl. 8 7 A leitura do excerto do relatório de diligência acima transcrito, revela que não foram tributadas variações cambiais decorrentes da exportação de produtos, mas basicamente receitas financeiras decorrentes de empréstimos contraídos com empresas no exterior, cujos valores estavam atrelados à variação da moeda estrangeira, e receitas financeiras decorrentes de operações de hedge/opções. O contribuinte não contestou em momento algum a natureza dessas receitas. Não há nenhuma alegação no sentido de que seriam decorrentes da exportação de produtos. Portanto, não há razão para se cogitar do sobrestamento deste recurso, sendo inaplicável o entendimento do RESP nº 1.059.041. Já quanto ao RESP nº 898.372, cuja ementa foi transcrita pela recorrente, verificase que o STJ entendeu que a incidência das contribuições sobre variações cambiais positivas decorrentes de contratos firmados em moeda estrangeira, ocorre no momento da liquidação da obrigação contraída, pois enquanto isso não ocorrer, o que se tem é mera expectativa de receita. Segundo o texto do item 8 do relatório de diligência, o contribuinte utilizou as despesas financeiras como dedução das receitas financeiras na apuração das contribuições. A descrição da fiscalização sugere que foi aplicado o entendimento costumeiro que a Administração vem dispensando a casos semelhantes, qual seja: tendo em vista que o contribuinte optou pelo regime de competência, foram incluídas nas bases de cálculo as variações monetárias positivas aferidas em cada período de apuração durante a vigência do contrato, desconsiderandose as variações negativas ocorridas no mesmo período, aplicandose de forma literal o art. 9º da Lei nº 9.718/98 combinado com o art. 30, § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Este colegiado, com outra composição, já enfrentou essa questão no Acórdão nº 340301.503, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no qual, por maioria de votos, foi firmado entendimento semelhante àquele do STJ, no sentido de que só pode ser considerado como receita o ingresso que se incorpore definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica. Considerando que a situação fática nestes autos se assemelha àquela que foi analisada na assentada do dia 21 de março de 2012, na parte em que as variações monetárias foram consideradas antes da liquidação dos contratos ou das obrigações, adoto os fundamentos lançados pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz no Acórdão 340301.503, quanto aos efeitos do regime de competência no reconhecimento das receitas (e despesas) provenientes de variações monetárias ativas e passivas, in verbis: “(...) 3. Efeitos do Regime de Competência. Da autuação originária, remanescem agora apenas os lançamentos efetuados a título de PIS para as competências 12/2002 a 07/2004. E, para estas, a autuação não terá melhor sorte, porque a opção pelo regime de competência na escrituração contábil não implica tributação das variações monetárias positivas independentemente de o sujeito passivo ter adquirido, em definitivo, o direito a elas. É que a sujeição – obrigatória ou por opção – ao regime de competência na escrituração contábil não quer significar que as variações cambiais positivas sobre os direitos e as obrigações da pessoa jurídica constituam receita passível de tributação pelo PIS independentemente de o sujeito passivo ter adquirido, em definitivo, o Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 direito a elas. Enquanto as oscilações positivas na paridade cambial não se incorporarem em caráter irreversível ao patrimônio do contribuinte, vale dizer, enquanto puderem ser neutralizadas por subseqüentes oscilações negativas, não se caracterizam como receita para o fim de constituírem, inclusive sob o regime de competência, base de cálculo da contribuição. Segundo se lê do artigo 178, §2º da Lei nº 6.404/76, o patrimônio líquido das sociedades anônimas compõese de “capital social, reservas de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e lucros ou prejuízos acumulados”. Os “lucros ou prejuízos acumulados”, de seu turno, correspondem à soma, a outras parcelas, do “lucro líquido do exercício” (art. 186, II). E, finalmente, a definir o “lucro líquido do exercício”, o artigo 187 do mesmo diploma, dispõe: “§1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.” Estes dispositivos têm permitido à doutrina conceituar “receita” como a percepção de ingressos aptos a influir positivamente sobre o patrimônio líquido de um sujeito de direitos. Nesse sentido, expõe Marco Aurélio Greco: “esse ingresso deve ter cunho patrimonial no sentido de corresponder (no momento em que ocorrido) a um evento que integra o conjunto de eventos positivos que inferem com o patrimônio da empresa, (...) ainda que, em sua totalidade ou individualmente, não implique um ganho, pois este poderá existir, ou não, conforme vier a ser aferido no final do período de apuração” (Cofins na Lei nº 9.718/98: variações cambiais e regime da alíquota acrescida. Revista dialética de direito tributário, SãoPaulo: SP, v. 50, p. 110/151 (130)). Em sentido análogo, leiase, respectivamente, em Ricardo Mariz de Oliveira e em Douglas Yamashita: “Ora, toda e qualquer receita é um ‘plus’ no patrimônio da pessoa jurídica, algo a mais que se acrescenta a ele.” (Repertório IOB de jurisprudência, nº 24/99, p. 704) “(...) do necessário exame do arquétipo constitucional de receita resulta que seja como produto da empresa e seja como aumento bruto de ativos (patrimônio) da empresa, todo ativo que não resulta da empresa ou não aumenta o patrimônio, está fora das fronteiras semânticas do arquétipo constitucional de receita e não pode ser definido pelo legislador infraconstitucional como receita.” (Repertório IOB de jurisprudência, nº 13/00, p. 328 e ss) Ocorre que o patrimônio – e aqui já ingressamos na seara do direito civil – não é senão a soma dos direitos e das obrigações dotados de valor economicamente apreciável, conforme define o artigo 91 do Código Civil em vigor. Por coerência, então, a obtenção de receitas, por induzir ao aumento do patrimônio, há de necessariamente se materializar, em termos jurídicos, através da aquisição de direitos novos ou, quando menos, da supressão das obrigações existentes. É necessário precisar, portanto, o momento a partir do qual um novo direito pode ser havido por adquirido, a fim de se considerar implementado o aumento Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000074/200433 Acórdão n.º 3403001.964 S3C4T3 Fl. 9 9 patrimonial e, enfim, recebida a respectiva receita. Novamente é no direito civil que se consegue a resposta. O artigo 121 do atual Código conceitua “condição” como a cláusula do negócio jurídico que, “derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto”. Complementao, em seguida, o artigo 125 para, no que interessa, prescrever que “subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa”. Significa que, na pendência de uma condição suspensiva, o direito por ela subordinado não estará ainda incorporado ao patrimônio do indivíduo a quem favorece até o seu implemento. É o que se dá com as variações monetárias positivas enquanto não vencido, segundo o contrato, o prazo para o fechamento do câmbio. Valorizandose o real em relação ao dólar, o devedor de obrigação contraída na moeda estrangeira não adquire, imediatamente, o direito de pagar menor montante em moeda nacional, o que caracterizaria a percepção de receita, mas, por ora, a mera expectativa de que, mantendose inalterada paridade cambial até o vencimento do prazo contratual, ter a possibilidade de despender menos reais quando liquidar a dívida. Numa palavra: as oscilações cambiais positivas só se agregam ao patrimônio de quem favorecem quando, em razão do disposto em contrato, se tornarem impassíveis de reversão. Até que isso ocorra, subordinamse à condição suspensiva. Por isso, explica Mariz de Oliveira, “o direito à receita de variação cambial, que se incorpora ao ativo a receber, somente é adquirido quando definitivo, não mais passível de fato ou condição falível. Vale dizer, isto somente ocorre na data do vencimento do período de apuração previsto no ato jurídico que dele decorre, porque antes desse momento nenhuma variação cambial positiva pode ser exigida da pessoa, não porque haja um prazo para pagamento, o que seria irrelevante para a aquisição do direito, mas, sim, porque o direito à receita de variação cambial está subordinado a que não haja reversão da taxa cambial, o que é fato futuro de realização incerta e independente da vontade das partes”. (Conceito de receita como hipótese de incidência das contribuições para a seguridade social (para efeitos da COFINS e da Contribuição ao PIS. 9º Simpósio nacional IOB de direito tributário, p. 3980 (50)). Dois preceitos encontráveis no Código Tributário Nacional induzem a semelhante conclusão. O primeiro deles é o artigo 116, inciso II, de acordo com o qual, definindo a lei como fato gerador da obrigação tributária uma “situação jurídica”, precisamente o que se dá com o fato gerador “receita”, considerase consumada a hipótese de incidência “desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável”. O segundo é o artigo 117, inciso I, onde se lê que, sendo suspensiva a condição que subordina a eficácia do direito, o fato gerador só ocorre com o implemento dela. Mais do que isso, até: sabese que os fatos suscetíveis de desencadearem o surgimento de obrigações tributárias devem revelar capacidade contributiva de quem os pratica. Imaginar, então, que a opção pelo regime de competência possa, por si só, expor a pessoa jurídica a exigências tributárias sobre variações cambiais não incorporadas ao seu patrimônio, representaria menoscabar o princípio. Evidentemente que, se no momento em que a obrigação se vencer, apurarse variação cambial positiva em relação à paridade existente na data da contratação, a pessoa jurídica beneficiada deverá oferecer a receita auferida à incidência do PIS, independentemente de qualquer movimento de caixa. Não é preciso haver pagamento, já o diz o artigo 187 da LSA, para que se caracterize, no regime de Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 competência, a percepção da receita. Por outro lado, friso, nada autoriza acreditar que a sujeição tributária seja possível antes da definitiva aquisição do direito. Sob esta perspectiva de análise, é muito menos ampla e significativa a modificação advinda ao trato da matéria com a MP nº 2.15835, artigo 30. A substituição do regime de competência pelo regime de caixa permite tão só diferir o reconhecimento da receita do átimo em que o crédito de variação cambial é adquirido para o momento em que é extinto (liquidação). Nada além disso. (...)” Desse modo, em relação às contas discriminadas no item 8 do relatório de diligência, a fiscalização só poderá considerar como receita financeira as variações monetárias positivas aferidas quando da liquidação do contrato ou da operação. E o contribuinte, por sua vez, só poderá considerar como despesa financeira as variações monetárias negativas aferidas na liquidação do contrato ou da operação. Relativamente aos insumos, segundo o item 3 do relatório de diligência fiscal, as glosas recaíram sobre o serviço de remoção de lama vermelha e sobre o serviço para substituição de revestimentos refratários em bens do ativo imobilizado. A motivação para a glosa do serviço de transporte de lama vermelha consistiu em que esse serviço não foi consumido ou aplicado no processo produtivo para a fabricação do produto destinado à venda, pois a lama é resíduo obtido por decantação da mistura bauxita/soda cáustica (polpa), oriunda de etapas anteriores do processo produtivo. Assim, pelo que se pode entender, o serviço de remoção de lama foi glosado porque é aplicado em algo que “sai” da linha de produção sem ser o produto final e não em algo que “entra” na linha para contribuir na formação do produto destinado a venda. No que tange aos bens e aos serviços aptos a gerarem créditos da contribuição, a discórdia entre a fiscalização e os contribuintes reside na conceituação do vocábulo “insumo” existente no art. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. A fiscalização atribui a esse vocábulo o mesmo conceito de produto intermediário fixado pelo PN CST nº 65/79 para o IPI, enquanto que os contribuintes almejam adotar todos os custos e despesas operacionais previstos pela legislação do imposto de renda. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação do IPI. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido nos arts. 3º , II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é de imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000074/200433 Acórdão n.º 3403001.964 S3C4T3 Fl. 10 11 PIS/Cofins, a técnica é de base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leia nº 10.637/02 e 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” no art. 3º, II, das referidas leis, o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito nas redações do art. 3º , II, das referidas leis, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, onde enumerouse de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Voltando ao caso concreto, a análise do processo produtivo empreendida pela fiscalização no relatório de diligência, revela que esse processo gera o rejeito denominado lama vermelha, que é umbilicalmente ligado ao processo produtivo, tendo em vista que esse rejeito se origina da decantação da polpa (mistura de bauxita com soda cáustica). Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto relativo a bem ou serviço que não contribuiu para a formação do bem ou serviço produzido ou que não foi “aplicado na linha de produção”. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo. E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será cozida, decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama também “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois “sai” da linha sob a forma de rejeito misturada à lama. Tratandose de rejeito inerente à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Relativamente aos serviços de colocação de materiais refratários, a glosa foi motivada no fato de que o contribuinte não tem direito à tomada do crédito diretamente sobre o custo do serviço, mas sim sobre despesa mensal de depreciação, pois o gasto é passível de ativação obrigatória. Segundo o relatório de diligência fiscal, não houve a ativação do gasto e o próprio contribuinte respondeu ao termo de intimação fiscal informando que a periodicidade do serviço é superior a um ano. O contribuinte não contestou o motivo da glosa, limitandose a alegar que a fiscalização só reconheceria o crédito se o refratário tivesse sido enquadrado como ativo Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13204.000074/200433 Acórdão n.º 3403001.964 S3C4T3 Fl. 11 13 imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Entende o contribuinte que pode optar por classificar o material refratário como insumo, pois a legislação não dispensa tratamento diferente, quer esse material seja tratado como insumo, quer seja tratado como ativo imobilizado. Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a glosa recaiu sobre os serviços de manutenção de materiais refratários, que o próprio contribuinte reconheceu terem durabilidade superior a um ano. Assim, a glosa não recaiu sobre o bem “material refratário”, mas sim sobre um serviço que é destinado à reparação do ativo imobilizado e que possui durabilidade superior a um ano. Sendo incontroverso nos autos que não houve a ativação do gasto que está sujeito à ativação obrigatória (art. 346 do RIR/99), foi correto o entendimento da fiscalização no sentido de glosar o crédito tomado diretamente sobre o custo de aquisição do serviço. A diversidade de tratamento, que a recorrente diz inexistir, está prevista no art. 3º, § 1º, III, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, combinado com o art. 346 do RIR/99. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo. Por fim, quanto à questão da eficácia das decisões em processos de consulta e da jurisprudência administrativa e judicial, tratase de matéria que não tem relevância para o deslinde deste processo, pois este julgado está de acordo com a jurisprudência majoritária do CARF, que vem adotando o custo de produção como critério para estabelecer o que é insumo para fins da geração de créditos das contribuições não cumulativas. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que: a) o reconhecimento contábil das receitas ou despesas financeiras decorrentes das variações monetárias, que integram o item 8 do relatório de diligência, ocorra somente quando da liquidação dos contratos ou das obrigações; e b) reconhecer o direito do contribuinte tomar o crédito em relação aos serviços de remoção de lama vermelha. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13811.002220/2006-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano-calendário: 1998
Ementa:
IRRF. DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por
homologação, o direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento de ofício extingue-se no prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Cientificado o contribuinte em 2006, de lançamento relativo ao ano-calendário de 1998, o mesmo foi atingido pelo instituto da decadência, qualquer que seja a regra do Código Tributário Nacional adotada para a contagem do termo inicial, seja a do §4º, do art. 150 ou a do inciso I, do art.
173.
Preliminar Acolhida.
Numero da decisão: 2201-001.547
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento de ofício extinguese no prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Cientificado o contribuinte em 2006, de lançamento relativo ao ano calendário de 1998, o mesmo foi atingido pelo instituto da decadência, qualquer que seja a regra do Código Tributário Nacional adotada para a contagem do termo inicial, seja a do §4º, do art. 150 ou a do inciso I, do art. 173. Preliminar Acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 20/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Fl. 270DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado em 17/06/2003, Auto de Infração de fls. 146/147, para exigir crédito tributário IRRF, no montante total de R$222.874,01, incluído os acréscimos legais. . Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal é decorrente de procedimento de revisão interna que constatou inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, no anocalendário de 1998, nos valores indicados nos demonstrativos que instruíram o Auto de Infração: Anexo 1a – Relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF (fls.148/157); e Anexo III – Demonstrativo do crédito tributário a pagar (fls. 158/160). O auto de infração foi enviado ao contribuinte e devolvido pelo motivo apresentado no “AR” de fls.175: “Mudouse”. Em 01/04/2006, foi emitido Termo de Comunicação – SIEF COBRANÇA – COMUNICAÇÃO DE REVISÃO INTERNA DO LANÇAMENTO E COBRANÇA (fls.42), contra a qual o contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/31, considerada tempestiva, nos termos do despacho de fls.164, datado de 23/06/2006, devido a impossibilidade de localização do “AR” físico. Conforme informação contida no despacho de fls.189 e 196, considerando as alegações apresentadas na impugnação, foi efetuado o recálculo do auto conforme Demonstrativos As fis.166 a 181, remanescendo o saldo demonstrado às fls.182 a 187, para os quais não constam nos sistemas os respectivos pagamentos. Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, acordaram, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE, para excluir a multa de ofício vinculada, nos termos do Acórdão DRJ/CPS n° 0521.416, de 10 de março de 2008, fls. 197/201, em decisão assim ementada: LANÇAMENTO. DILIGÊNCIA. Não se justifica sua realização quando as provas e os documentos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção e elaboração da decisão no processo administrativo. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia reservase ã elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde da questão controversa, desnecessária para a apreciação da presente lide. Além disso, não foram apresentados os quesitos exigidos pela legislação de regência. FALTA DE RECOLHIMENTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. Não comprovado o pagamento dos débitos exigidos, por meio da documentação apta e adequada, mantém se a exigência fiscal. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do • principio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Fl. 271DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13811.002220/200679 Acórdão n.º 220101.547 S2C2T1 Fl. 2 3 Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio, para débitos já declarados em DCTF. DECADÊNCIA. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. Insubsistente a alegação de decadência quando o crédito tributário resta previamente constituído em DCTF. PRESCRIÇÃO. A contagem do prazo a que se refere o art. 174 do CTN tem como ponto de partida a data da constituição definitiva do crédito tributário. Quando o sujeito passivo impugna o lançamento, e até seja proferida a decisão final, a Fazenda Nacional ainda não está investida da titularidade da ação de cobrança, não podendo, por via de conseqüência, ser considerada inerte. No caso presente, o prazo de prescrição sequer foi iniciado. PROVAS. APRESENTAÇÃO GUIAS DE ARRECADAÇÃO. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal, bem como os comprovantes dos lançamentos neles efetuados, inclusive de pagamentos efetuados, devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações que se refiram. Lançamento Procedente em Parte.” Cientificado da decisão de primeira instância em 26/03/2010 (“AR” fls.209 verso), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário Tempestivo, de fls.215/233, na data de 19/11/2008, argüindo em síntese a prescrição do lançamento devido a homologação tácita das DCTF´s apresentadas. O processo foi encaminhado a este colegiado, conforme despacho de fls. 252. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A autuação é decorrente de procedimento de auditoria interna nas DCTFs do anocalendário de 1998. A autuação se deu em 17 de junho de 2003, frustrada a primeira tentativa de intimação (fls.175), a ciência do contribuinte somente se deu após 01/04/2006, quando foi emitida Comunicação de Cobrança, pois “AR” físico não foi localizado, também não consta a data da Impugnação (fls. 01/31), considerada tempestiva pelo despacho de fls.164. Inicialmente cabe ressaltar que há uma discussão nessa Colenda Câmara quanto à validade de tal lançamento, após a edição do art. 18 da MP n. 135, publicada em 31 de outubro de 2003, convertida na Lei n. 10.833, de 2003, que dispõe: “Art.18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à Fl. 272DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Na análise da regra dessa norma, alguns entendem que a mesma por ser de caráter procedimental, tem efeito retroativo e se aplica a lançamentos passados. Dessa forma, os autos de infração que ainda se encontram em discussão processual, devem ser cancelados com o encaminhamento dos débitos para inscrição em dívida ativa, momento no qual, então, o contribuinte se defenderá. Não obstante essa interpretação, tenho me manifestado que o auto de infração lavrado sob a égide do artigo 90, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, era válido, in verbis: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal.” Sobre os efeitos dessa alteração na legislação, assim se manifestou a Coordenação Geral de Tributação, na Solução de Consulta Interna n.3 de 08 de janeiro de 2004: 12. A legislação tributária a que se refere o art. 18 evoluiu da forma a seguir. 13. O art. 5°. § 1°, do Decretolei n" 2.124. de 13 de junho de 1984, estabeleceu que o documento que formalizasse o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de credito tributário (declaração de débitos), constituirseia confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário. 14. Referido crédito tributário, evidentemente, somente seria exigido caso não tivesse sido extinto nem estivesse com sua exigibilidade suspensa, circunstância essa por vezes apurada pela autoridade fazendária somente após revisão do documento encaminhado pelo sujeito passivo à Secretaria da Receita Federal (SRF). 15. É com espeque no aludido dispositivo legal que a SRF poderia cobrar o débito confessado, inclusive encaminhálo à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, sem a necessidade de lançamento de ofício do crédito tributário. 16. Contudo, o art. 90 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 200, determinou que a SRF promovesse o lançamento de oficio de todas as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13811.002220/200679 Acórdão n.º 220101.547 S2C2T1 Fl. 3 5 exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pelo órgão. 17. Assim, não obstante o débito informado em documento encaminhado pelo sujeito passivo à SRF já estivesse por ele confessado o art. 90 da MP n" 2.15835, de 2001, não revogou o art. 5a do Decretolei n" 2.124, de 1984 , faziase necessário, para dar cumprimento ao disposto no art. 90 da MP n3 2.15835, de 2001, o lançamento de ofício do crédito tributário confessado pelo sujeito passivo em sua declaração encaminhada à SRF. 18. Esclareçase que o fato de um débito ter sido confessado não significa dizer que o mesmo não possa ser lançado de oficio; contudo, havendo referido lançamento, inclusive com a exigência da multa de lançamento de ofício, ficava sempre assegurado o direito de o sujeito passivo discutilo nas instâncias julgadoras administrativas previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 19. Tal sistemática perdurou até a edição da MP n° 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art.18 derrogou o art. 90 da MP n° 2 15835, de 2001, estabelecendo que o lançamento de ofício de que trata esse artigo, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 20. Assim, com a edição da MP nº 135, de 2003, restabeleceuse a sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (DCTF, DIRPF, etc.), sistemática essa que vinha sendo adotada, com espeque no art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, até a edição da MP nº 2.15835. de 2001. 21. Muito embora a MP nº 135, de 2003, dispense referido lançamento inclusive em relação aos documentos apresentados nesse período, os lançamentos que foram efetuados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram, elaborados, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas previstas para o processo administrativo fiscal. 22. Nesse julgamento, em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei n6 10.833, de 2003, ou seja, que as diferenças apuradas tenham decorrido de compensação indevida em virtude de o credito ou o debito não ser passível de compensação por Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que tenha ficado caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio.” Ademais, ainda, concluiu que “no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do ‘caput’ do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no ‘caput’ desse artigo”. Como bem esclarece solução de consulta acima referida, o lançamento do Auto de Infração é um ato jurídico perfeito, por ter sido lavrado nos termos da legislação vigente, e deve assim continuar a seguir seu devido processo legal, não podendo ser afastado por norma posterior não expressamente retroativa. Assim, considerando a necessidade de constituição do crédito mediante auto de infração, a formalização da exigência se sujeita ao prazo fatal de decadência, tendo o lançamento relativo ao anocalendário de 1998, ocorrido em 2003 e a efetiva intimação do contribuinte apenas em 2006, o mesmo foi atingido pelo instituto da decadência, qualquer que seja a regra do Código Tributário Nacional adotada para a contagem do termo inicial, isto é, seja a do § 4º, do art. 150, seja a do inciso I, do art. 173. Sendo portanto, desnecessário analisar se houve ou não pagamento. Nesse sentido já decidiu a jurisprudência dessa corte: “LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedidos de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada antes 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam lançamento de ofício. (Sumula CARF nº 52). DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento de ofício extinguese no prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Decadência argüida de ofício.” (Acórdão no 1301000.453 de 15/12/2010, Rel. Valmir Sandri) Isto posto, voto no sentido de acolher a preliminar de decadência para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13811.002220/200679 Acórdão n.º 220101.547 S2C2T1 Fl. 4 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 20/04/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em Exercício da 1a Turma Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10730.000190/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. GLOSA. COMPROVAÇÃO.
A comprovação, por documentação hábil e idônea, de valor deduzido a título de despesa médica na declaração de ajuste anual do contribuinte implica no restabelecimento da glosa efetuada pela Autoridade lançadora.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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GLOSA. COMPROVAÇÃO. A comprovação, por documentação hábil e idônea, de valor deduzido a título de despesa médica na declaração de ajuste anual do contribuinte implica no restabelecimento da glosa efetuada pela Autoridade lançadora. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 01 90 /2 00 8- 30 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10730.000190/200830 Acórdão n.º 2801002.952 S2TE01 Fl. 42 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 6.724,74, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificada, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2005, dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 11.550,00. Segundo a Autoridade lançadora a glosa de se deu por falta de comprovação das despesas médicas lançadas na declaração do contribuinte, uma vez que os recibos fornecidos não continham o endereço dos profissionais de saúde que os emitiram. O contribuinte apresentou a impugnação de fl. 2 deste processo digital, a qual anexou os recibos de fls. 4/6. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte. A decisão recorrida manteve a glosa referente ao recibo pertencente ao CPF 092.591.95780, no valor de R$ 5.000,00 (fl. 4 deste processo digital). Segundo os julgadores da instância a quo, “o único endereço aposto nesse recibo se refere ao campo de endereço do pagador dessa despesa, e não ao profissional emitente do recibo”. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/07/2011 (AR à fl. 33), o Interessado interpôs, em 12/08/2011, o recurso de fl. 35/37. Na peça recursal aduz, dentre outras alegações, que o endereço aposto no recibo emitido pela Doutora Marcelle Oliveira Campos representa o endereço do escritório da cirurgiãdentista, pois à época de sua emissão residia à Rua Noronha Torrezão nº 282. Ao fim, requer o recebimento e o provimento do presente recurso para cancelar a Notificação de Lançamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Os julgadores da instância de piso entenderam que o endereço aposto no recibo emitido pela cirurgiãdentista Marcelle Oliveira Campos (Rua Otávio Carneiro 89, sala 601) era o endereço do Recorrente, e não o endereço da profissional de saúde que o emitiu, e mantiveram a glosa da despesa de R$ 5.000,00. Não compartilho do entendimento exposto no acórdão recorrido, pelos seguintes motivos: O endereço do Recorrente, que consta de sua declaração de ajuste anual, é Rua Presidente Pedreira nº 156; Todas as intimações realizadas no curso deste processo administrativo foram feitas, ao contribuinte, no endereço Rua Noronha Torrezão 282; Fl. 42DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10730.000190/200830 Acórdão n.º 2801002.952 S2TE01 Fl. 43 3 Para comprovar que o endereço constante do recibo era do Interessado, bastava à Relatora do acórdão recorrido colacionar aos autos a tela CPF com o seu endereço, uma vez que dados cadastrais não estão protegidos pelo manto do sigilo fiscal. E isto não foi feito. Apesar de possível, não é crível supor que o Recorrente residia em uma sala. O endereço que consta do recibo é Rua Otávio Carneiro 89, sala 601. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer a glosa de R$ 5.000,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 43DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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