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Numero do processo: 11080.011717/2007-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RS-RG.
A contribuição social não cumulativa para o PIS não incide sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno.
NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.
Os gastos com materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento sobre as respectivas despesas de depreciação, não ensejam o creditamento como insumo.
Bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros não se subsumem no conceito de insumo para fim de creditamento da contribuição social não cumulativa, e as respectivas aquisições não admitem a tomada de crédito.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES PARA ENTREGA DE BENS EM EXECUÇÃO DE GARANTIA. IMPOSSIBILIDADE.
Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados a pessoas jurídicas para entrega de bens em execução de garantia não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa.
CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE.
A tomada de crédito por aluguéis pagos restringe-se a prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, quedando não autorizada no caso de aluguel de veículos automotores, ainda que usados na atividade-fim.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de excluir da base de cálculo o valor das receitas provenientes da cessão de créditos do ICMS. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que deram provimento também quanto ao direito de tomar crédito sobre aluguel de veículos, fretes referentes a operação de garantia e quanto à preclusão da documentação relativa à venda para entrega futura. Vencida a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro quanto à preclusão da juntada da documentação relativa à venda para entrega futura. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves Oliveira, OAB/DF 15.791.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Alexandre Kern
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, as provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. A contribuição social não cumulativa para o PIS não incide sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 17 17 /2 00 7- 35 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 2 atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas e equipamentos, itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento sobre as respectivas despesas de depreciação, não ensejam o creditamento como insumo. Bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros não se subsumem no conceito de insumo para fim de creditamento da contribuição social não cumulativa, e as respectivas aquisições não admitem a tomada de crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES PARA ENTREGA DE BENS EM EXECUÇÃO DE GARANTIA. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados a pessoas jurídicas para entrega de bens em execução de garantia não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. A tomada de crédito por aluguéis pagos restringese a prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, quedando não autorizada no caso de aluguel de veículos automotores, ainda que usados na atividadefim. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de excluir da base de cálculo o valor das receitas provenientes da cessão de créditos do ICMS. Vencidos os Conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que deram provimento também quanto ao direito de tomar crédito sobre aluguel de veículos, fretes referentes a operação de garantia e quanto à preclusão da documentação relativa à venda para entrega futura. Vencida a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro quanto à preclusão da juntada da documentação relativa à venda para entrega futura. Esteve presente ao julgamento a Dra. Camila Gonçalves Oliveira, OAB/DF 15.791. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 278 3 Relatório CIBER EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS LTDA. formulou pedido de ressarcimento de créditos da contribuição ao PIS, apurada sob o regime de não cumulatividade, acumulados no terceiro trimestre de 2005 como decorrência do desempenho de atividade exportadora. A DRF/Porto AlegreRS averiguou a existência e a extensão dos direitos afirmados pelo requerente, descrevendo irregularidades cometidas na determinação seja dos custos e despesas que ensejam o direito de crédito, seja da própria base de cálculo da exação, nos períodos de apuração considerados. Daí porque reconheceu apenas parcialmente o crédito pretendido (Informação Fiscal, fls. 92 a 989, Despacho Decisório nº 080/2008, fls. 100). Em manifestação de inconformidade (fls. 136 a 156), controverteu os seguintes aspectos: Direito ao ressarcimento do creditamento de valores referentes à aquisições de materiais para consumo próprio, que alega se tratar de materiais de manutenção e reposição de máquinas; materiais para manutenção de prédio; fretes de produtos em garantia; locação de veículos e lançamentos de compras para recebimento futuro; Direito à exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas decorrente de cessão de créditos de ICMS; Direito à exclusão da base de cálculo dos valores ingressados a título de recuperação de despesa, que não incorporariam qualquer novo valor ao seu; patrimônio; Improcedência da adição à base de cálculo da contribuição das receitas de vendas de bens do Ativo Permanente, já que originalmente já compunham a base de cálculo; A 2ª Turma da DRJ/POA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1016.364, de 12 de junho de 2008, fls. 203 a 212, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Ementa: Há incidência de Pis e Cofins na cessão de créditos de ICMS, dada a existência de uma alienação de direitos classificados no ativo circulante. Integram o faturamento, base de cálculo do Pis e da Cofins dos períodos lançados, os valores que constam na contabilidade da interessada como recuperação de despesas. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Solicitação Indeferida Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 214 a 232, após síntese dos fatos relacionados com a lide, Ciber controverteu as seguintes matérias no recurso voluntário: (a) créditos glosados: (a1) valores lançados à conta de "materiais de consumo próprio"(35120099 e 35520099); (a2) despesas incorridas com a contratação de serviço de "frete garantia"; (a3) importâncias incorridas com a "manutenção de prédios" (35120025 e 35520025); (a4) valores correspondentes a "compras para recebimentos futuros" (CFOP 1.116 e 2.116); e (b) ilícitos quanto à determinação da base de cálculo da exação: (b1) nãoinclusão das contraprestações pela cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b2) nãoinclusão de valores correspondentes a "recuperações de despesas". O julgamento do recurso foi então convertido em diligência pela antiga 4ª Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, a fim de que fosse providências adicionais de caráter instrutório, tudo nos termos da Resolução nº 20400.695, de 5 de fevereiro de 2009, fls. 253 a 255. (i) valores lançados à conta de "materiais de consumo próprio": aferir a natureza e a destinação dos bens cuja aquisição a recorrente escriturou, no período, na referida conta, verificando, mediante cotejo entre os lançamentos contábeis e os documentos que lhes deram suporte, se os bens adquiridos constituem, de fato, peças de reposição ou materiais de manutenção de máquinas e identificar a espécie e, se possível, a função do maquinário de que referidos itens constituem peça ou item de manutenção. (ii) importâncias incorridas com a "manutenção de prédios": verificar, mediante cotejo entre os lançamentos contábeis e os documentos que lhes deram suporte, que natureza de despesa a recorrente escriturou, no período, na mencionada conta e, feito isso, identificar a destinação do(s) prédio(s) ao(s) qual(is) as despesas estão vinculadas, descrevendo as atividades que nele(s) se desenvolvem. (iii) nãoinclusão de valores correspondentes a "recuperações de despesas": via exame da escrituração contábil do período e, se necessário, pelo suporte documental que lhe serve, identificar a origem e a natureza dos valores lançados na conta. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 279 5 A DRF/POA produziu então o TERMO DE COMUNICAÇÃO E CIÊNCIA, fls. 268, abaixo transcrito na íntegra: TERMO DE COMUNICAÇÃO E CIÊNCIA Nos termos da resolução da 4ªa Câmara/ Segundo Conselho de Contribuintes CARF, o contribuinte apresentou o Razão com os lançamentos das contas referentes a "recuperação de despesas" (contas do balancete: 38405004, 38405005, 38405006). Tais valores se referem a reembolso devido a estorno de material requisitado, entre outros. A interessada também apresentou o Razão com os lançamentos e documentação comprobatória das contas referentes a "manutenção de prédios" (contas 35120025 e 35520025) e os "materiais para consumo próprio" (contas 35120099 e 35520099). As contas 35120025 e 35520025 (cópia de algumas notas fiscais fls. 223 a 232) se referem a bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros, entre outros. As contas 35120099 e 35520099 se referem a materiais empregados na manutenção. E, para constar e surtir todos os efeitos legais que lhe são próprios, lavramos o presente Termo em três vias de igual forma e teor, as quais vão assinadas pelo AuditorFiscal da Receita Federal e pelo representante legal do contribuinte que, neste ato, recebe uma das vias. Em caso de se manifestar em relação ao presente Termo, deverá ser observado o prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência e encaminhado ao(s) Auditor(es) Fiscal(ais) signatário(s) na DRF Porto Alegre Serviço de Fiscalização, situada na Rua Loureiro da Silva, 445, CENTRO, Porto Alegre/RS. Intimada desse Termo, em 28/12/2011, a recorrente nada opôs. Em sessão realizada em 28 de novembro de 2012, este Colegiado resolveu sobrestar o julgamento, em atenção ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, já que, dentre os valores que, no entender da auditoria fiscal, teriam sido irregularmente suprimidos pela recorrente da base de cálculo do tributo no período, estão ingressos resultantes da transferência a terceiros de créditos de ICMS acumulados na sua escrita fiscal (Resolução nº 3403000.409, fls. 270 a 272. Com a revogação dos §§ 1° e 2° do art. 62A do RICARF, operada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013 (D.O.U. de 20 de novembro de 2013), o curso do julgamento foi retomado. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 214 a 232 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1016.364, de 12 de junho de 2008. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA Dos créditos de ICMS transferidos para terceiros/fornecedores A discussão sobre a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep já foi enfrentada por esta Turma Recursal. Adoto, nesse sentido, como razão de decidir, o voto proferido pelo ínclito Conselheiro Rosaldo Trevisan, que sempre me surpreende com sua erudição. Eis as palavras do Conselheiro Rosaldo: A discussão sobre a inclusão ou não da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep é frequente neste CARF. Contudo, não se pode afirmar que esteja assentado o posicionamento sobre a matéria. A recorrente aponta normas relativas ao Imposto de Renda (Decretolei no 1.598/77, art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda e IN SRF no 51/78) como supedâneos para a conclusão de que a expressão “receita bruta” não abarca o crédito de ICMS registrados em seu ativo circulante. Adiciona acórdãos da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que afirmam não incidir “PIS e COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial”, corroborados por acórdãos da segunda e da quarta câmaras do mesmo conselho. Adiciona ainda um julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tratando de COFINS1. Analisandose julgados mais recentes (anos de 2011 e 2012) deste CARF, tribunal que substituiu o antigo Conselho de Contribuintes, encontramse tanto posicionamentos alinhados com a citada decisão da CSRF2, quanto em sentido diverso3, pela incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS sobre o resultado da cessão de créditos de ICMS a terceiros. Também judicialmente a matéria é controversa, tanto que foi reconhecida sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal em 1/7/2010, no RE no 606.107/RS: 1 Acórdão no 02/03783, Rel Cons. Maria Tereza Martinez López, unânime, Sessão de 11.fev.2009. 2 Acórdãos no 3202000.498 e 499, ambos relatados pela Cons. Irene Souza da Trindade Torres (vencida), maioria, sessão de 23.mai.2012; e Acórdãos no 3801001.041 a 043, todos relatados pelo Cons. Jose Luiz Bordignon, unânime, sessão de 22.mar.2012. 3 Acórdãos no 3301001.373 a 376, todos relatados pelo Cons. Antonio Lisboa Cardoso (vencido), qualidade, sessão de 22.mar.2012; Acórdãos no 3801001.343 a 353, todos relatados pela Cons. Andrea Medrado Darze (vencida), qualidade, sessão de 15.fev.2012; Acórdãos no 3301000.916 a 920, todos relatados pelo Cons. José Adão Vitorino de Morais, unânime, sessão de 2.mai.2011; e Acórdão no 3402000.988, Cons. Júlio Cesar Alves Ramos, unânime, sessão de 3.fev.2011. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 280 7 “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. VALORES DA TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. 1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS nãocumulativas apresenta relevância tanto jurídica como econômica. 2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária. 3. As contribuições em questão são das que apresentam mais expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir uma definição quanto ao ponto. 4. Repercussão geral reconhecida4.(grifo nosso) Reconhecida a repercussão geral, a suprema corte vem determinando a devolução dos autos à origem, sobrestandoos (v.g. RE no 650.767/RS, RE no 641.035/RS, RE no 605.195/RS, RE no 631.574/DF, RE no 600.384/RS, e RE no 614.307/RS). Por isso, ocorreu o sobrestamento do julgamento, por determinação desta turma, conforme a Resolução no 3403000.414. Contudo, dois eventos posteriores possibilitam (em verdade, obrigam) o retorno da análise, agora de forma definitiva, por este CARF. O primeiro é a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que permitia o sobrestamento administrativo dos processos sobre as matérias com repercussão geral reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Permaneceu vigente no referido art. 62A somente o comando do caput: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) O segundo evento é exatamente a decisão definitiva, pelo STF, em relação à matéria. Em 22/05/2013 (com publicação em 25/11/2013) o pleno da corte julgou o RE no 606.107/RS, acordando, por maioria de votos (vencido o Min. Dias Toffoli), que: “EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência 4 RE no 606.107/RS, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 1.jul.2010, public. Em 20/8/2010. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 8 maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 281 9 econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifo nosso) Em consulta ao sítio web do STF, atestase que tal acórdão transitou em julgado ainda em dezembro de 2013. Aplicável, assim, o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo esta corte administrativa reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Procedente, então, nesse tópico, o recurso voluntário. O recurso, portanto, deve ser provido para o efeito de se excluir da base de cálculo da contribuição social não cumulativa o valor das cessões de ICMS. Da recuperação de despesas e receitas eventuais Pretende a contribuinte a exclusão da base de cálculo de valores escriturados a título de “recuperação de despesas”. Entende a Recorrente que não há amparo para a tributação de PIS/COFINS sobre os valores decorrentes da recuperação de despesas. A base de cálculo da CS é o faturamento, compreendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta de venda de bens e de prestação de serviços, nas operações de conta própria ou alheia, e todas as demais receitas auferidas pela PJ. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 10 A diligência empreendida atestou que os lançamentos das contas referentes a "recuperação de despesas" (contas do balancete: 38405004, 38405005, 38405006) referemse a reembolso devido a estorno de material requisitado, entre outros. Os valores escriturados na conta “recuperação de despesas" integram a receita bruta operacional, a teor do disposto no art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Assim, constituindose em receita e não estando abrangida pelos numerus clausus do § 3º do art. 1° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, os saldos das contas 38405004, 38405005, 38405006 devem integrar a base de cálculo da Contribuição. Da venda de bens do ativo permanente A Fiscalização, após exame de balancete e o DACON, identificou a exclusão indevida das receitas oriundas de venda de bens do ativo permanente, nos meses de julho e outubro de 2004 e abril de 2005, sob a justificativa de que tais receitas haviam sido incluídas nas receitas totais que serviram de base de cálculo das contribuições. A MI, para rechaçar a glosa, traz memória de cálculo, rejeitada pela decisão recorrida porque não se fez acompanhada de documentação contábil capaz de contrastar a análise da Fiscalização. Já o recorrente reafirmou a improcedência da glosa e insistiu no poder probante da planilha juntada à MI. Desta feita, busca respaldála com cópias das Fichas do DACON. Ora, o DACON do período (e o balancete de verificação) foi justamente o documento sobre o qual se baseou a Fiscalização para acusar a infração. Assim, à míngua de prova de que as receitas de vendas de bens do ativo permanente compuseram a base de cálculo original, justificando sua posterior exclusão, mantenhase a glosa procedida pela Fiscalização. DO CREDITAMENTO DE DESPESAS QUE NÃO PODEM SER CARACTERIZADAS COMO INSUMOS Esta 3ª TO vem de há muito adotando o entendimento de que o conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo de prestação do serviço ou de fabricação do produto final. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 282 11 Ilustro: Acórdão nº 3403002.783, de 25 de fevereiro de 2014, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS .NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art.62 A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO.CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. Por outro lado, não constituem insumos os combustíveis utilizados em veículos da empresa que transportam funcionários. Acórdão nº 3403002.656, de 28 de novembro de 2013, Cons. Rosaldo Trevisan: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.SÚMULA CARF N. 2. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 12 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. A Ciber fabrica máquinas aplicadas à execução de todos os processos de construção rodoviária, como a produção de asfalto, pavimentação, fresagem e reciclagem. Aquisições de materiais para consumo próprio A alegação recursal rechaça a glosa sob o argumento de que os materiais descritos pela autoridade fiscalizadora referemse, na verdade, aos materiais de manutenção e peças de reposição de máquinas e equipamentos. A autoridade diligenciante atestou que “as contas 35120099 e 35520099 [associadas aos materiais para consumo próprio] se referem a materiais empregados na manutenção”. Máquinas e equipamentos são itens de ativação obrigatória, já contemplados com a possibilidade de creditamento com base nas despesas de depreciação. Deferir o creditamento a título de insumo, como pretende a recorrente, significaria beneficiamento dúplice, o que não se admite. Este Colegiado examinou, por ocasião da prolação do Acórdão nº 3403 002.536 (Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim), a subsistência das glosas listadas pela Fiscalização correspondentes a aquisições de itens cujas conclusões se aplicam à hipótese ora em julgamento: “ Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3°, II, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação ao custo de aquisição dos insumos, com base no art. 3°, II, da Lei nº 10.637/2002, mas não se desincumbiu do ônus de provar que cada um Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 283 13 daqueles bens que foram glosados se enquadra nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame da planilha de glosa revela que a maioria dos bens listados pela fiscalização pode ser considerado como passível de ativação obrigatória, seja em razão dos prazos de vida útil (art. 301, §2° do RIR/99), seja em razão de serem utilizados em conjunto com vários bens da mesma natureza (art. 301, §1°, do RIR/99). Exemplo disso são as vestimentas de proteção dos empregados, os coturnos de segurança e os utensílios utilizados em laboratório. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto a sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas na planilha de fls. 335 a 379” . Mantenhamse as glosas procedidas a este título. Aquisições de materiais para manutenção de prédios A autoridade diligenciante, após análise do Razão com os lançamentos e documentação comprobatória das contas referentes a "manutenção de prédios" (contas 35120025 e 35520025, cópia de algumas notas fiscais fls. 223 a 232), atestou que esses gastos referemse a bancos para jardins com pés de cimento, placas para estacionamento, etiquetas de identificação de material, desobstrução de esgotos, serviço de demarcação, vasos com fícus, inseticida spray, tela desodorizante, janelas, assento almofadado, assento plástico para WC, divisórias e acessórios para vidros, entre outros. Tais bens, à toda prova, não estão relacionados com o processo fabril da recorrente e escapam do conceito de insumo aqui adotado. Mantenhamse portanto as glosas. Frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país, para a entrega posterior de peças em garantia O direito à tomada de créditos sobre os fretes pagos nas operações de venda foi incluído no rol do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com norma de extensão no art. 15 da mesma Lei. Nada obstante, o argumento recursal é no sentido de esgaçar o processo produtivo de forma a alcançar a eventual execução por parte de seus clientes de garantias dadas na comercialização de seus produtos. Liminarmente, afasto qualquer cogitação de que se possa considerar frete como insumo ao processo fabril de máquinas aplicadas à execução de todos os processos de construção rodoviária. Tal gasto não tem a relação de pertinência e essencialidade requerida pelo conceito que aqui se adota. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 14 Mantenhase a glosa. Locação de Veículos No que concerne ao ponto em questão, a Fiscalização vedou o aproveitamento de créditos sobre o valor de aluguéis de veículos, que não se enquadram no conceito de máquina e equipamento", tendo em vista que quando ocorre a locação de veículos, únicos bens cujo aluguel admite a tomada de crédito. A recorrente argumenta que a locadora aufere receita em face do pagamento do valor do aluguel pela empresa locatária ensejando, assim, a incidência da contribuição social não cumulativa, emergindo o direito ao crédito. Ouso discordar. Subscrevendo integralmente o entendimento da Fiscalização e da decisão recorrida, não há previsão legal para a tomada de créditos sobre o aluguel de veículos. A leitura do art. 3º, inciso IV, das leis de regência da não cumulatividade das contribuições sociais não permite estender esse direito para outros bens que não sejam prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Não se olvide que, em se tratando de normas que criam direitos em matéria tributária devem ser interpretadas de forma restritiva, porquanto tais direitos implicam, em última análise, em renúncia fiscal a favor de uns em detrimento do interesse público da arrecadação de tributos. Assim, ao intérprete/aplicador das normas não é dado o direito de ampliar o alcance dos benefícios criados pelo legislador ordinário, sob pena de estendêlos a quem ele não quis alcançar, mormente quando se trata de decisão administrativa. Apoiome na melhor doutrina: 402 – III. O rigor é maior em se tratando de disposição excepcional, de isenções ou abrandamentos de ônus em proveito de indivíduos ou corporações. Não se presume o intuito de abrir mão de direitos inerentes à autoridade suprema. A outorga deve ser feita em termos claros, irretorquíveis; ficar provada até a evidência, e se não estender além das hipóteses figuradas no texto; jamais será inferida de fatos que não indiquem irresistivelmente a existência de concessão ou de um contrato que a envolva. No caso, não tem cabimento o brocardo célebre; na dúvida, se decide contra as isenções totais ou parciais, e a favor do fisco; ou melhor, presumese não haver o Estado aberto mão da sua autoridade para exigir tributos. 5 Nada a reparar na decisão recorrida quanto à glosa dos crédito por despesas com o aluguel de veículos Lançamento de compra para recebimento futuro. Especificamente, com relação às glosas de compras para recebimento futuro, a Fiscalização apontou que as mesmas foram efetuadas em função de sua não inclusão como "compra para industrialização originada de encomenda para recebimento futuro (CFOPs 1116 e 2116)". Por sua vez, o interessado limitouse a argumentar sobre a emissão antecipada da fatura e o pagamento das contribuições antes da efetiva entrega da mercadoria, contudo, em momento algum procurou demonstrar a quais tipos de insumos se referiam tais aquisições e se de fato se tratariam de compras para industrização. 5 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. Rio de Janeiro: Forense. 9ª ed. 1980. p. 3334. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 284 15 No entendimento da recorrente, a glosa em tela não merece prosperar, pois em que pese não tenha recebido a mercadoria comprada, a expedição da fatura e o conseqüente pagamento foi realizado antes da entrega do produto. Como a base de cálculo do PIS/COFINS é o faturamento, no momento em que o fornecedor emite a respectiva fatura pode o contribuinte tomar o crédito relativo ao PIS/COFINS incidentes na operação. A comprovar suas as alegações, diz instruir o recurso com cópia das Notas Fiscais. A arguição já não merecera acolhimento por parte da decisão recorrida por estar desacompanhada de qualquer comprovação de que as referidas compras diziam respeito a bens para revenda ou insumos. O recorrente pretende produzir a prova requerida neste momento processual. Para tanto, instrui a peça recursal com a cópia de três notas fiscais (fls. 235 a 237), emitidas em 22/08/2005, por Sampaio Ferro e Aço Ltda. A possibilidade de conhecimento e apreciação desses novos documentos não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 16 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).’ De acordo com as normas processuais, com aplicação analógica determinada pelo § 2º do art. 35 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, é no momento processual da reclamação que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López6 asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed. Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto: ‘O termo latino é muito feliz para indicar que a preclusão significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a porta do tempo está fechada, quer porque o recinto onde esse direito poderia exercerse também está fechado. O titular do direito achase impedido de exercer o seu direito, assim como alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está fechada.’ Na página seguinte, o mesmo autor, reportandose aos órgãos julgadores de segunda instância, completa: ‘Se o tribunal acolher tal espécie de recurso estará, na realidade, omitindo uma instância, já que o julgador singular não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’ Cintra, Grinover e Dinamarco, no livro Teoria Geral do Processo, assim se posicionam sobre a preclusão: ‘o instituto da preclusão ligase ao princípio do impulso processual. Objetivamente entendida, a preclusão consiste em um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da relação processual e a obstar o seu recuo para as fases anteriores do procedimento. Subjetivamente, a preclusão representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito processual; as causas dessa perda correspondem às diversas espécies de preclusão[..]’ Ensinam, também, estes doutrinadores que: ‘A preclusão não é sanção. Não provém de ilícito, mas de incompatibilidade do poder, faculdade ou direito com o desenvolvimento do processo, ou da consumação de um interesse. Seus efeitos confinamse à relação processual e exauremse no processo.’ As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto 6 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11080.011717/200735 Acórdão n.º 3403003.350 S3C4T3 Fl. 285 17 porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. De acordo com o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, supratranscrito, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: 1) relativas a direito superveniente; 2) competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou 3) por expressa autorização legal. O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. No caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF., que justifique a apresentação tardia de documentos. CONCLUSÕES Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da contribuição o valor das receitas provenientes da cessão de créditos de ICMS. Sala de sessões, em 16 de outubro de 2014 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN 18 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 15940.720062/2011-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 21/01/2008, 18/04/2008
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADO DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. REPERCUSSÃO.
Nos termos e condições do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995), o Estado Parte importador poderá determinar abertura de investigação para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, sendo imprescindível notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador. A notificação também é requisito exigido no encerramento da investigação.
O fundamento de validade para exigência da diferença dos tributos, que à época do desembaraço aduaneiro foram recolhidos com os benefícios da preferência tarifária em razão da origem e que passam a ser devidos em face da desqualificação do certificado de origem, deve ser a demonstração de que os fundamentos que levaram o Estado Parte importador a desqualificar genericamente o certificado de origem estão presentes especificamente no certificado de origem apresentado pelo contribuinte na importação objetivada pela fiscalização.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE MATERIAL.
Inexistente a notificação e/ou a comunicação do importador no trâmite do procedimento de investigação instaurado pelo Estado Parte Importador para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, nos termos dos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995); bem como, ausente a exata correlação entre os fundamentos da desqualificação de certificado de origem e a revisão de preferência tarifária específica da importação que se pretende exigir as diferenças de tributos devidas em face da desconsideração da origem, constata-se cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, por absoluto desconhecimento do contribuinte da razão de ser da exigência, o que implica o reconhecimento da nulidade material do processo do processo administrativo fiscal.
Processo Anulado
Numero da decisão: 3101-001.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Henrique Pinheiro Torres. Redator designado Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral a Dra. Marina Vieira de Figueiredo, OAB/SP 257.056, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Luiz Roberto Domingo Redator Designado
EDITADO EM: 08/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADO DE ORIGEM. PRESSUPOSTOS. REPERCUSSÃO. Nos termos e condições do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995), o Estado Parte importador poderá determinar abertura de investigação para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, sendo imprescindível notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador. A notificação também é requisito exigido no encerramento da investigação. O fundamento de validade para exigência da diferença dos tributos, que à época do desembaraço aduaneiro foram recolhidos com os benefícios da preferência tarifária em razão da origem e que passam a ser devidos em face da desqualificação do certificado de origem, deve ser a demonstração de que os fundamentos que levaram o Estado Parte importador a desqualificar genericamente o certificado de origem estão presentes especificamente no certificado de origem apresentado pelo contribuinte na importação objetivada pela fiscalização. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. NULIDADE MATERIAL. Inexistente a notificação e/ou a comunicação do importador no trâmite do procedimento de investigação instaurado pelo Estado Parte Importador para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas, nos termos dos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995); bem como, ausente a exata correlação entre os fundamentos da desqualificação de certificado de origem e a revisão de preferência tarifária específica da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 62 /2 01 1- 50 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 2 importação que se pretende exigir as diferenças de tributos devidas em face da desconsideração da origem, constatase cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório, por absoluto desconhecimento do contribuinte da razão de ser da exigência, o que implica o reconhecimento da nulidade material do processo do processo administrativo fiscal. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Henrique Pinheiro Torres. Redator designado Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral a Dra. Marina Vieira de Figueiredo, OAB/SP 257.056, advogada do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. Luiz Roberto Domingo – Redator Designado EDITADO EM: 08/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase : Trata de impugnação ao auto de infração lavrado perante o contribuinte em epigrafe em razão da desqualificação dos Certificados de Origem que conferiram ingresso de mercadorias estrangeiras provenientes do Mercosul com o usufruto de preferência tarifária, nos termos constantes de Relatório Fiscal conforme reproduzse a seguir: O importador JBS S/A submeteu a despacho 16.520Kg da mercadoria especificada como “postas de cação congelada”, na condição de venda de US$2,030 por Kg, por meio da DI (Declaração de Importação) 08/01008420 Adição 001, registrada em 21/01/2008, bem assim 3.000Kg de mercadoria especificada como “cação azul congelada em postas sem pele”, na condição de venda de US$ 2,28 por Kg, através da DI (Declaração de Importação) 08/05731134 – Adição 001, com registro em 18/04/2008, mercadorias estas com classificação fiscal no código Fl. 223DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 223 3 0303.75.14 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM, tendo como origem o Uruguai. Para se beneficiar com a redução de alíquota do Imposto de Importação (II) das citadas mercadorias para zero no âmbito do Acordo de Complementação Econômica número 18, sendo que, para tanto, foram firmados diversos Protocolos Adicionais e Atas de Retificação, o importador apresentou os seguintes Certificados de Origem: Com relação a DI 08/01008420, o Certificado de Origem 90972, de 09/01/2008, tendo como exportadora a Pecoa S/A, com sede no Uruguai, e Entidade certificadora a Câmara de Productos Del País, também do Uruguai. Com relação a DI 08/05731134, o Certificado de Origem 92422, de 10/04/2008, tendo como exportadora a Siete Mares SRL, com sede no Uruguai, e Entidade certificadora a Câmara de Productos Del Pais, também do Uruguai. Contudo, ocorre que os Certificados de Origem, relacionados à mercadoria tubarão azul em postas conhecida também como cação em postas, classificada nos códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, importada do Uruguai e tendo, entre outros, como exportadores a Pecoa S/A e a Siete Mares SRL, foram desqualificados como documento instrutivo de despacho de importação, em virtude de conclusão do processo aduaneiro de investigação de origem da citada mercadoria importada do Uruguai, aberto pelo ADE Coana 05/2010, de 12/03/2010, e encerrado pelo ADE Coana 10/2010, de 30/06/2010, tendo por base o Relatório Fiscal 2010/02, de 30/07/2010. Sendo assim, com relação à DI 08/01008420 – Adição 001 e 08/05731134, Adição 001, cobrase da empresa acima qualificada o valor do Imposto de Importação respectivo, somado aos acréscimos legais devidos, além da multa de ofício pelo não recolhimento. As mesmas circunstâncias que levaram ao lançamento do Imposto de Importação, conforme narrado, também ensejaram a constituição de valores referentes à COFINSImportação e ao PIS/PASEPImportação decorrentes da incidência do Imposto de Importação, totalizando o Auto de Infração em R$ 17.108,12 (dezessete mil, cento e oito reais e doze centavos). Cientificado do lançamento em 09/09/2011, o contribuinte interpôs impugnação em 10/10/2011, na qual alega, em síntese que: O contribuinte não teve acesso aos motivos pelos quais os certificados de origem foram desqualificados, pelo que não tem como exercer o direito ao contraditório e a ampla defesa em relação ao mérito, uma vez que tais razões não são explicitadas nem nos atos declaratórios e nem no auto de infração; O ato administrativo que declarou desqualificados os certificados de origem não podem ter efeitos retroativos e prejudicar terceiro de boafé. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 As importações ocorreram em 2008, enquanto o ato de desqualificação foi proferido em 2010, determinando a retroação dos efeitos, inclusive a fatos ocorridos em 2008. Ocorre que a impugnante não tinha condições, à época, de prever irregularidades que seriam apontadas posteriormente pelo Fisco. No período em que as operações foram realizadas, ressaltese, tais empresas encontravamse regulares. Ao fim, requer julgada nula ou improcedente a autuação, em sua totalidade, bem como sejam intimações e publicações realizadas exclusivamente em nome de Fabio Augusto Chilo, advogado da impugnante, e destinadas ao seu endereço profissional. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, em sessão realizada em 13 de setembro de 2013, acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento efetuado. O Acórdão 08026.659 foi assim ementado: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 21/01/2008, 18/04/2008 Desqualificado o Certificado de Origem apresentado pelo importador, em razão da inidoneidade do documento, tornase exigível o Imposto de Importação, bem como a CofinsImportação o PIS/PasepImportação complementares, que deixaram de ser pagos, por aplicação indevida de preferência tarifária prevista em acordo internacional, todos acrescidos de juros de mora e multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Fortaleza, interpôs o Recurso Voluntário, onde reprisa as alegações trazidas na impugnação. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria em litígio referese à desqualificação dos Certificados de Origem emitidos pela “Camara de Productos Del Pais”, do Uruguai, como documento instrutivo do despacho aduaneiro de importação das mercadorias vinculadas às Declarações de Importação 08/01008420 e 08/05731134, e o lançamento dos tributos incidentes na importação pela não aplicação da preferência tarifária de mercadorias provenientes do Mercosul, juntamente com a aplicação da multa de ofício e juros. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 224 5 Os Certificados de Origem desqualificados, referemse à mercadoria tubarão azul em postas, conhecida também como cação em postas, classificada nos códigos NCM 0303.7513, 0303.7514 e 0303.7519, foram desqualificados em razão da conclusão do processo aduaneiro de investigação de origem da citada mercadoria importada do Uruguai, aberto pelo ADE Coana nº 05/2010, e encerrado pelo ADE Coana nº 13/2010, de 30/06/2010. Ato Declaratório Executivo Coana nº 5, de 12 de março de 2010 Art. 1º Fica aberto o Processo Aduaneiro de Investigação de Origem nos termos abaixo especificados: I – Descrição da mercadoria : Tubarão azul (Prionace glauca); II – Códigos Tarifários (NCM) 0303.75.13, 0303.75.14, 0303.75.19 e 0304.29.70; III – Exportadores/Nacionalidade: Marplatense S.A, Pecoa S.A, Siete Mares SRL, Oro Azul S.A e Dalkan S.A (Uruguai); IV – Produtor ou Fabricante: Marplatense S.A, Pecoa S.A, Siete Mares SRL, Oro Azul S.A e Dalkan S.A (Uruguai); V – Entidade: Camara Mercantil de Productos del Pais VI – Prazo previsto para conclusão da investigação: 90 (noventa) dias, prorrogáveis por igual período. Ato Declaratório Executivo Coana nº 13, de 30 de junho de 2013 Art.1º Fica encerrado, com base no Relatório Fiscal 2010/02, de 30 de julho de 2010, o procedimento de investigação de origem da mercadoria Tubarão Azul (Prionace glauca), códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14, 0303.75.19 e 0304.29.70, iniciado por meio do ADE Coana 2010/05, de 12 de março de 2010, tendo sido desqualificada a origem para a mercadoria “Tubarão Azul em Postas”, códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores uruguaios Maplatense S.A., Pecoa S.A., Siete Mares SRL, Oro Azul S. e Dalkan S.A., no que se refere a certificados de origem que amparam importações nos anos de 2008, 2009 e 2010. Art. 2º Tendo sido comprovada, durante o procedimento de investigação mencionado no art. 1º, a ligação entre os exportadores Dalkan S.A. e Siete Mares SRL e as empresas Tiderman S.A. e Garditown S.A. , respectivamente, fica também desqualificada a origem da mercadoria “Tubarão Azul em postas”, código NCM 0303.75.14, exportado, nos anos de 2009 e 2010, pelas empresas uruguaias Tiderman S.A. e Garditown S.A. Art. 3º Fica suspensa a concessão de tratamento tarifário preferencial para novas operações referentes às mesmas mercadorias, NCM Fl. 226DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 6 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores mencionados nos artigos 1º e 2º. Com relação a DI 08/01008420, foi apresentado o Certificado de Origem 90972, de 09/01/2008, emitido pela Cámara de Productos Del País (Uruguai), tendo como exportadora a empresa uruguaia Pecoa S/A; Com relação a DI 08/05731134, foi apresentado o Certificado de Origem 92422, de 10/04/2008, emitido pela Cámara de Productos Del País (Uruguai), tendo como exportadora a empresa uruguaia Siete Mares SRL. Para aplicação das alíquotas preferenciais, no âmbito do Mercosul, há que se comprovar a origem das mercadorias. O VIII Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18, introduzido em nossa legislação pelo Decreto n° 1.568, de 21 de julho de 1995, trouxe, em seu Anexo I, o Regulamento de Origem das Mercadorias no Mercado Comum do Sul. O Regulamento de Origem foi disciplinado no País pela Portaria Interministerial MF/MICT/MRE nº 11/1997, pela Instrução Normativa SRF nº 149/2002. Por sua vez, o Decreto n° 5.455/05 incorporou ao ordenamento jurídico pátrio o 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18, protocolo este que, em seu Anexo, consolidou as regras relacionadas ao regime de origem relacionadas ao citado acordo, estabelecendo então o “Regime de Origem MERCOSUL”. Dessa forma, o Regime de Origem Mercosul, definiu que o documento comprobatório da origem da mercadoria é o Certificado de Origem do Mercosul, emitido pelas repartições oficiais ou organismos ou entidades por elas credenciadas. Neste sentido o artigo 14, do Anexo, do 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18: Artigo 14 O certificado de origem é o documento que permite a comprovação da origem das mercadorias, devendo acompanhar as mesmas em todos os casos sujeitos à aplicação do Regime de Origem do MERCOSUL. Esse certificado deverá satisfazer aos seguintes requisitos: ... (Grifos acrescidos) No Brasil coube à Secretaria da Receita Federal a tarefa de realizar o controle da origem, no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização posterior. Artigo 2° da Instrução Normativa SRF nº 149/02: Art. 2º O controle da origem será realizado, pela Secretaria da Receita Federal (SRF), no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização após o despacho aduaneiro. ... (Grifos acrescidos) No despacho de importação o Certificado de Origem deve ser apresentado juntamente com os demais documentos instrutivos da Declaração de Importação, no modelo padrão aprovado, conforme definido no artigo 3° da Instrução Normativa SRF nº 149/02: Art. 3º O importador deverá comprovar a origem da mercadoria mediante apresentação à autoridade aduaneira do Certificado de Origem do Mercosul, modelo padrão, instituído pelo XIV Protocolo Fl. 227DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 225 7 Adicional ao ACE nº 18, e modificado pelo XXIV Protocolo Adicional ao ACE nº 18, em sua versão original, em qualquer momento em que seja solicitada, juntamente com os demais documentos instrutivos da respectiva declaração de importação. O procedimento aduaneiro de investigação da origem, que foi aberto pelo Ato Declaratório Executivo Coana nº 5, de 12 de março de 2010, culminando na desqualificação da origem da mercadoria “Tubarão Azul em Postas”, códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores uruguaios Pecoa S.A. e Siete Mares SRL, dentre outras, no que se refere a certificados de origem que amparam importações nos anos de 2008, 2009 e 2010, possui rito próprio e especificidades, conforme disposto nos seguintes artigos da Instrução Normativa SRF n° 149/02: Art. 13. O processo aduaneiro de investigação de origem é o procedimento mediante o qual a autoridade aduaneira verifica o cumprimento das regras de origem para determinada mercadoria, quando houver suspeitas de irregularidade relacionada à veracidade ou observância das disposições do Regime de Origem do Mercosul, visando apurar ocorrências envolvendo o produtor ou o exportador da mercadoria importada. ... Art. 19. O processo aduaneiro de investigação de origem será encerrado com a lavratura de relatório conclusivo a respeito do cumprimento ou não das normas de origem. § 1o A Coana emitirá ADE com base no relatório conclusivo do processo aduaneiro de investigação de origem. § 2o Publicado o ADE que declarar o não cumprimento das normas de origem, as mercadorias idênticas produzidas pelo produtor/exportador investigado receberão o tratamento tributário aplicável às importações de mercadorias de terceiros países. § 3o A Coana encaminhará notificação da emissão do ADE ao Ministério das Relações Exteriores para fins de comunicação à CCM. Art. 20. A investigação será dada por concluída com a desqualificação da origem e conseqüente exclusão do tratamento tarifário preferencial, quando: I existirem elementos de prova suficientes para formar juízo da qualificação da origem da mercadoria de modo diverso do que consta no Certificado de Origem; II a informação ou documentação requerida às autoridades competentes do EstadoParte exportador não for fornecida no prazo estipulado; III a resposta não contiver elementos suficientes para comprovar a veracidade do Certificado de Origem que ampara a importação da mercadoria sob investigação; ou Fl. 228DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 8 IV os produtores ou fabricantes não concordarem com a realização de visita de verificação. Art. 21. Na hipótese de haver decisão, proferida pela CCM, determinando a manutenção da qualificação da origem declarada, a Coana revogará o ADE de que trata o § 2o do art. 19. (Grifos acrescidos) A desqualificação dos certificados de origem, efetuadas pelo Ato Declaratório Executivo Coana nº 13, de 30 de junho de 2013, foi decorrente de processo específico de investigação de origem, dentro da competência atribuída ao CoordenadorGeral de Administração Aduaneira, conforme atribuição prevista no artigo 129, inciso IV, da Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo em vista o disposto nos art. 32, Anexo, do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, internalizado por meio do Decreto nº 5.455, de 02 de junho de 2005, e no artigo 20, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 149 de 27 de março de 2002. O lançamento efetuado em procedimento de Revisão Aduaneira, conforme previsto no art. 638 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009, com base no art. 54 do DecretoLei nº 37/1966, foi efetuado a partir da desqualificação do critério de origem da mercadoria invocado no certificado de origem questionado, sendo apurado os tributos devidos como se nenhuma preferência tarifária existisse no ato da importação. Neste sentido o artigo 32 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 assim determina: Artigo 32 Concluída a investigação com a desqualificação do critério de origem da mercadoria invocado no certificado de origem questionado, executarseão os tributos incidentes sobre a mercadoria como se ela fosse importada de terceirospaíses e aplicarseão as sanções previstas na normativa MERCOSUL e/ou as correspondentes na legislação vigente em cada Estado Parte. ...(Grifos acrescidos) Qualquer alegação acerca da improcedência da desqualificação do certificado de origem não e cabível no presente processo, que trata apenas do lançamento dos tributos devidos na importação pela não aplicação da preferência tarifária. A fiscalização fundamentou seu lançamento no Ato Declaratório Executivo Coana nº 13, de 30 de junho de 2013, decorrente de um processo específico de investigação de origem, dentro da competência da autoridade constituída para tanto, conforme previsto nas normas do Mercosul aplicáveis ao caso. Pelo exposto, voto por dar negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente o crédito tributário lançado. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 226 9 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Designado Como bem relatado pelo Ilustre Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, o presente feito trata de exigência das diferenças de tributos incidentes na importação de mercadorias desembaraçadas com preferência tarifária, em face de ato administrativo exarado pela Receita Federal que desqualificou os certificados de origem “ para a mercadoria “Tubarão Azul em Postas”, códigos NCM 0303.75.13, 0303.75.14 e 0303.75.19, dos exportadores uruguaios Maplatense S.A., Pecoa S.A., Siete Mares SRL, Oro Azul S. e Dalkan S.A., no que se refere a certificados de origem que amparam importações nos anos de 2008, 2009 e 2010”, desqualificação esta que o Fisco entende ser aplicável às importações em referência. Ouso descordar da interpretação dada pelo Ilustre Relator com relação ao regramento estabelecido no Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica nº 18 – Certificação de Origem, do qual o Brasil é signatário e cujas disposições foram integradas no sistema de direito positivo pátrio pelo Decreto nº 1.568/1995. Senão Vejamos. Além de dar regramentos e disciplinar condutas no meio social, qualquer sistema jurídico busca oferecer à sociedade elemento essencial à legitimação do sistema e previsibilidade de comportamentos, qual seja s SEGURANÇA JURÍDICA. Por onde analisemos os sistemas de direito positivo nacional, percebese que qualquer norma jurídica está alicerçada em fundamentos de certeza e previsibilidade. O art. 5o da Constituição Federal de 1988 é pródigo nos exemplos indicativos de que não se espera nada mais do cidadão do que o cumprimento de norma previamente e regularmente publicadas, garantindo ainda que as condutas havidas antes do regramento legal não serão atingidas: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”, “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”, “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”, “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”, “não haverá juízo ou tribunal de exceção”, “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”, “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”, “nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido”, “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”, “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Ora, todos esses exemplos demonstram que a última coisa que o ordenamento pretende – e que a sociedade espera – é a surpresa e o descasamento entre a conduta e repercussão jurídica que fora previamente prevista em lei. Faço essa introdução porque a segurança jurídica é princípio comezinho de direito, sem a qual nenhuma sociedade consegue se estruturar e progredir. Como corolário da segurança jurídica estão princípios como o direito à manifestação, o direito de petição com ampla defesa e contraditório. Esses pressupostos do Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 10 devido processo legal não é exclusividade da legislação nacional. Permeia todos os acordos internacionais que o Brasil é signatário e todas as relações jurídicas públicas e privadas. Tudo que foi dito até aqui não é novidade. Mas uma análise mais aprofundada das relações e repercussões jurídicas descritas e aplicadas no presente processo demonstram que tais princípios não foram verificados quando da exigência dos tributos incidentes sobre a importação, decorrentes da desqualificação do certificado de origem. É de notarse que em momento algum a administração informou à Recorrente sobre os “porquês” da conclusão exarada no Ato Declaratório Executivo COANA nº 13/2010, que desqualificou o certificado de origem. Há aqui uma completa desconexão entre a conclusão genérica do Ato Declaratório Executivo e as duas operações de importação, individualmente consideradas, ou seja, não se identifica do enunciado prescritivo do ato administrativo qualquer elemento que pudesse destituir de validade os procedimentos de nacionalização das mercadorias na forma como requerida pela Recorrente e levado a efeito pela autoridade aduaneira. Nem mesmo há indicação ou conexão entre os fatos que levaram a autoridade administrativa desqualificar os certificados de origem e os atos e condutas praticadas pela contribuinte e que pudessem, de alguma forma, ser passíveis de verificação ou conferência por parte dos interessados. Temse apenas um ato de autoridade que, decorrente de procedimento administrativo, do qual os Interessados não fizeram parte ou dele tomaram conhecimento ou foram comunicados, ao ser o único fundamento de fato para exigência dos tributos torna o lançamento ato autoritário. Ora, o direito ao contraditório e à ampla defesa de terceiro interessado – digo terceiro interessado porque a investigação para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas (artigo 21 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18) referese à procedimento que o Estado Parte importador tem o direito de implementar, mas que uma vez que desqualificado o certificado de origem, implica o direito de exigir os tributos sem a preferência tarifaria – não é elemento facultativo do Estado Parte importador, mas requisito de validade do procedimento de investigação conforme prevê o artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995): Artigo 23 A autoridade competente do Estado Parte importador deverá notificar imediatamente o início da investigação de origem ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador, acionando os procedimentos previstos no Artigo 24. ... Artigo 29 A autoridade competente do Estado Parte importador comunicará ao importador e à autoridade competente do Estado Parte exportador o encerramento da investigação e a medida adotada em relação à origem da mercadoria, expondo os motivos que determinaram a decisão. (Grifos acrescidos) Tenho interpretação de que o ACE nº 18 não trata da aplicação retroativa da desqualificação de certificados de origem, pois todos os dispositivos indicam que os questionamentos para verificar a autenticidade do certificado de origem e a veracidade das informações nele contidas ocorrem no momento da solicitação da nacionalização e não em procedimento de revisão aduaneiro. Tanto é assim que os prazos de suspensão do despacho e Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15940.720062/201150 Acórdão n.º 3101001.703 S3C1T1 Fl. 227 11 de liberação condicional das mercadorias estão de acordo com os demais disposições aduaneiras internacionais que visam a celeridade na liberação de mercadorias em procedimento de fiscalização. Contudo, não obstante esse meu posicionamento, é certo que no presente caso não houve qualquer comunicação à Recorrente da instauração do procedimento de investigação ou do encerramento do procedimento de investigação que culminou com a desqualificação dos certificados de origem de forma retroativa, o que, além de frontal desobediência aos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995), constitui cerceamento ao direito de ampla defesa e ao contraditório. Portanto, é de escoimarse a surpresa indesejada, fruto da insegurança jurídica, decorrentes das irregularidades que constatadas nos atos perpetrados pela administração: (i) descumprimento dos artigos 23 e 29 do Anexo ao 44° Protocolo Adicional ao ACE n° 18 (Decreto nº 1.568/1995); (ii) cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório em razão da não revelação dos motivos que levaram a administração a desqualificar o certificado de origem especificamente nas importações objeto do lançamento; Tais elementos são motivação bastante e suficiente para declarar a nulidade material do lançamento, uma vez que o ato não se reveste dos requisitos essenciais de validade. Notese que afastado o Ato Declaratório Executivo por irregularidade procedimental de instauração e encerramento da investigação e constatada a ausência de nexo causal entre a desqualificação genérica e desconsideração específica da certificação nos procedimento de importação que foram objeto do lançamento, fica esvaziada a razão de ser da atividade da autoridade aduaneira, não restando fundamento de fato ou de direito para validar o lançamento. Diante do exposto, voto por ANULAR O LANÇAMENTO, por conta do cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. Luiz Roberto Domingo – Relator Designado Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 08/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979185/2009-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/09/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 85 /2 00 9- 19 Fl. 27DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979185/200919 Acórdão n.º 3801004.557 S3TE01 Fl. 4 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de PIS/PASEP cód. 8109, no montante de R$ 31,61, ocorrido em 15/09/2005, com débito próprio de PIS cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 16/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciarias. Portanto os valores recebidos a título de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2o da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 19314. 42556.I4I105.I.2. 04~8843, relativo ao período de apuração ago/2005. Nesse período, Fl. 28DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979185/200919 Acórdão n.º 3801004.557 S3TE01 Fl. 5 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 4.863, 68,, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/09/2005 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, solicitando ainda que o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente. É o Relatório. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979185/200919 Acórdão n.º 3801004.557 S3TE01 Fl. 6 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins que teriam sido pagos a maior. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na inclusão na base de cálculo de PIS e COFINS de valores recebidos a título de pedágio pela Requerente mas que por força do artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001 não é considerado como receita operacional ou rendimento tributável da empresa, não constituindo base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. De fato, o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral, previa a exclusão da receita bruta das empresas transportadoras de carga do valor recebido a título de ValePedágio instituído pela Lei nº 10.209, de 2001, in verbis: Art. 34. As empresas transportadoras de carga, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido a título de ValePedágio, quando destacado em campo específico no documento comprobatório do transporte (Lei nº 10.209, de 23 de março de 2001, art. 2º , alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.561, de 13 de novembro de 2002). Parágrafo único. As empresas devem manter em boa guarda, à disposição da SRF, os comprovantes de pagamento dos pedágios cujos valores foram excluídos da base de cálculo. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito ou mesmo cópia dos conhecimentos de transporte, nos quais estivessem destacados os Fl. 30DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.979185/200919 Acórdão n.º 3801004.557 S3TE01 Fl. 7 5 valores recebidos do ValePedágio, conforme prevê o artigo 2° da Lei n.° 10.209/2001. Se limitou, tãosomente, a apresentar uma planilha na qual estaria a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados, porém sem nenhum documento que a embasasse. Apesar da prevalência do princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo, o pedido de diligência da requerente deveria estar acompanhado dos elementos que pudéssemos considerar como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência dos argumentos apresentados, o que não se verifica no caso em tela. A mera inércia da requerente não pode ser suprida por diligência. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 31DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000184/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/09/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 30/09/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/09/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 84 /2 00 9- 82 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000184/200982 Acórdão n.º 2402004.418 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000290/2006-76
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS EM RAZÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INOBSERVÂNCIA PELA AUTORIDADE AUTUADORA DOS LIMITES PREVISTOS NO ART.42, §3o, II, DA LEI 9.430/96, REDAÇÃO DADA PELO ART.4o DA LEI 9481/97. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO.
Não havendo depósitos bancários individualmente superiores a R$ 12.000,00 ou de somatório superior a R$ 80.000,00, não pode subsistir a autuação por omissão de rendimentos em razão de depósitos bancários de origem não comprovada nos termos da legislação supracitada.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 61.
Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.708
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 13/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS EM RAZÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INOBSERVÂNCIA PELA AUTORIDADE AUTUADORA DOS LIMITES PREVISTOS NO ART.42, §3o, II, DA LEI 9.430/96, REDAÇÃO DADA PELO ART.4o DA LEI 9481/97. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO. Não havendo depósitos bancários individualmente superiores a R$ 12.000,00 ou de somatório superior a R$ 80.000,00, não pode subsistir a autuação por omissão de rendimentos em razão de depósitos bancários de origem não comprovada nos termos da legislação supracitada. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 61. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Recurso provido.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS EM RAZÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INOBSERVÂNCIA PELA AUTORIDADE AUTUADORA DOS LIMITES PREVISTOS NO ART.42, §3o, II, DA LEI 9.430/96, REDAÇÃO DADA PELO ART.4o DA LEI 9481/97. LANÇAMENTO DESCONSTITUÍDO. Não havendo depósitos bancários individualmente superiores a R$ 12.000,00 ou de somatório superior a R$ 80.000,00, não pode subsistir a autuação por omissão de rendimentos em razão de depósitos bancários de origem não comprovada nos termos da legislação supracitada. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 61. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Recurso provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 02 90 /2 00 6- 76 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 13/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 76/85), relativo ao IRPF, exercício de 2002, em razão de suposta omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Irresignada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 95/104, aos seguintes fundamentos: 1) Citando doutrina e jurisprudências administrativas e judiciais, afirma que, no tocante à pessoa física, a presunção legal estribada nos depósitos bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada na experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; a impossibilidade de o contribuinte produzir a prova necessária e de tal ônus sobre ele recair; 2) Solicita que o Fisco lhe forneça informações as quais seriam úteis para os esclarecimentos, inclusive o dossiê que motivou tal fiscalização. Argüiu o desrespeito ao seu direito constitucional de acesso às informações concernentes a sua situação fiscal, alegando inclusive a ilegalidade em face do que dispõe o Decreto 3.724/2001. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10245.000290/200676 Acórdão n.º 2802002.708 S2TE02 Fl. 298 3 3) O auto de Infração tem como base os depósitos bancários efetuados nas contas correntes da impugnante junto ao Banco do Brasil e Sudameris, tendo como esteio legal a Lei 9.430/96, art. 42, § 1°ao 6°, o que não pode prosperar, ora pela ilegalidade da referida e inaplicável lei, que contraria o entendimento dos Tribunais Superiores, o que também se contrapõe aos próprios julgados administrativos, ora por ignorar legislação que certamente fulmina de nulidade o modo em que se calcou o auto em tela, como o próprio RIR; 4) Invoca o art. 849 do RIR/99, argüindo que, do exame desse texto legal observase a flagrante ilegalidade da apuração, na maioria absoluta, das bases de cálculo contidas à fl. 61. tanto com relação ao Banco do Brasil, como ao Sudameris; 5) Depósitos no Banco SUDAMERIS. Ao analisar os 20 (vinte) depósitos bancários efetuados junto a esse Banco, cuja soma total é de R$ 53.405,97 (cinqüenta e três mil, quatrocentos e cinco reais e noventa e sete centavos), verificase que dezenove deles, individualmente, não ultrapassaram o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais), nem na totalidade o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) anual, devendo assim, não serem considerados, conforme preceitua o inciso II do § 2° do art. 849 do RIR/99, traduzindose em verdadeiro ato ilegal. Existe um depósito cujo valor é superior a RS 12.000,00 (doze mil reais), mais precisamente R$ 29.329,12. Entretanto, tratase tal valor de transferência de crédito, efetuada no dia 17/04/2001, fls. 110/111. Diz respeito a um empréstimo feito pelo esposo da recorrente, indicando as provas de tal fato; 6) Depósitos no Banco do Brasil. Nenhum depósito supera os R$ 12.000,00 (doze mil reais), ou na sua totalidade supera os R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), logo também está eivada de ilegalidade a tributação dos mesmos. O depósito feito na conta corrente da lmpugnante no dia 22/02/2001, no valor de R$ 3.153,14 (três mil, cento e cinqüenta e três reais e quatorze centavos) tem como origem o pagamento feito pelo Tribunal de Contas do Estado de Roraima a titulo de remuneração à Recorrente, fls. 113/115; 7) Finalmente a Recorrente requer o cancelamento ou anulação do débito fiscal reclamado. Em julgamento, a 2ª Turma da DRJ/BEL, em sessão realizada no dia 02/06/2008, decidiu à unanimidade, manter o lançamento em parte aos seguintes fundamentos: que o artigo 142 do CTN e o Regimento Interno do CARF vedam que a instância administrativa, natureza do presente processo, perquira da constitucionalidade ou legalidade de normas jurídica vigentes que dão fundamento ao lançamento; que a jurisprudência colhida pelo contribuinte não vincula o julgamento dos presentes autos, não se constituindo, em fonte de direito tributário ou administrativo; que não há nos autos vício que comprometa de nulidade o lançamento, tendo sido observada fielmente a legislação de regência; que não procede alegação de cerceamento de defesa pelo não atendimento a requerimentos apresentados pelo contribuinte em fase de fiscalização, quando ainda não instaurado o litígio, que somente se inaugura com o lançamento e a respectiva impugnação; que é ônus do contribuinte provar a origem de depósitos bancários de origem não comprovada, historiando a evolução da legislação e demais normas que regeram e regem a matéria; que a tributação não recai sobre os depósitos bancários, mas sobre a omissão de rendimentos que os mesmos revelam, com base em presunção fundada Fl. 304DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 na lei; que, sendo assim, meras alegações, desacompanhadas de documentos que provem a origem dos valores depositados, não tem o condão de elidir a ilegalidade imputada ao contribuinte; que não tem aplicação a Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, editada com base em legislação pretérita e sob a égide de Constituição anterior à que hoje vige, não dizendo respeito ao ordenamento que incide sobre o caso vertente; que considera, contudo, legítimos e idôneos a fazer prova em favor da contribuinte os documentos que enumera ao final de fl.134. Intimada da supramencionada decisão, conforme fl. 139, interpôs tempestivamente o recurso de fl.144, alegando que a DRJ não apreciou a alegação da contribuinte em sua impugnação de não caracterização de omissão de rendimentos se os depósitos bancários não ultrapassam individualmente o montante de R$12.000,00 ou de R$ 80.000,00 ao ano, nos termos do RIR/99, o que macula de nulidade o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, na impugnação da autuação por omissão de rendimentos em razão de depósitos em contas bancárias de origem não comprovada. Observese que a decisão da d. DRJ considerou legítimos e idôneos a fazerem prova em favor da contribuinte os documentos de fls.107108; 110111 e 113115. Tais documentos legitimas o origem de depósitos no Banco Sudameris no montante de R$ 29.329,12 e no Banco do Brasil, no valor de R$ 3.135,14. Nos termos do auto de infração os valores de origem supostamente não comprovada eram os seguintes: Banco Sudameris, R$ 53.405,97 e Banco do Brasil, R$ 8.537,10 (fl.89 do termo de verificação fiscal que integra o auto de infração). Como resultado do julgado pela DRJ, que embora somente indique o imposto que ainda considerou devido, mas indica claramente a fls.134 os documentos que considerou legítimos a provar a origem dos valores acima estipulados, temse que persistem como valores ainda considerados pelo Fisco de origem supostamente não comprovada os seguintes: Banco Sudameris, R$ 24.076,85 e Banco do Brasil, R$ 5.401,96. Nesse passo, convém observar que nem o termo de verificação fiscal ao individualizar os depósitos que considerou de origem não comprovada, remete explicitamente à relação de fls.6163. Não havendo nenhuma referência quer no auto de infração que no termo de verificação fiscal no sentido de que tenham sido observados os limites previstos no art.42, §3o, II, da Lei 9.430/96, redação dada pelo art.4o da Lei 9481/97, é de se verificar se os depósitos ali constantes ultrapassam individualmente ou em conjunto os referidos limites, depósitos individuais superiores a R$ 12.000,00 ou de somatório superior a R$ 80.000,00 no ano calendário. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10245.000290/200676 Acórdão n.º 2802002.708 S2TE02 Fl. 299 5 Neste mesmo sentido, é a súmula CARF nº 61, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Do exame de fls.6163, verificase que já não subsistem valores a esta altura considerados pelo Fisco de origem não comprovada superiores aos limites em questão. Isto posto, sou pelo provimento do recurso para desconstituir na sua totalidade o lançamento de que trata o presente administrativo. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10983.720459/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Ementa:
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 Ementa: IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Alice Grecchi, que dava provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 04 59 /2 01 0- 41 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 07/11, apurandose o crédito tributário no valor de R$5.103,45 (cinco mil, cento e três reais e quarenta e cinco centavos), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008, correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas. Da descrição dos fatos e do enquadramento legal, o auditor fiscal assim sintetizou os fundamentos do lançamento: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$10.020,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas com a fisioterapeuta Thalita Esgalha Sartori no valor de R$6.020,00 e R$4.000,00 ao Centro de Psicologia Cognitiva, a contribuinte declarou haver pago em reais, não apresentando nenhum documento dentre os solicitados na intimação. Glosa dos valores por não atendimento da intimação. Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 02, por meio da qual alegou que: “(...) foi solicitado através da notificação 2009/831905001199412, os comprovantes de despesas médicas, e não a forma de pagamento e, que foi atendida em tempo hábil. Outrossim gostaria de contestar a Intimação Malha Pessoa Física, nº 158/2010, tendo em vista que assim que foi solicitado verbalmente, pela Sra. Katia Prestes Vicente, foi apresentado o comprovante de pagamento, conforme solicitação. Porém, a Sra. Auditora Iara Loeser Miola enviou, uma intimação de nº 158/2010, após o envio do comprovante, quer dizer enquanto dava todas as explicações exigidas, já veio a notificação, sem que fosse solicitado outro qualquer tipo de comprovação, não dando a oportunidade de defesa. Sendo assim peço encarecidamente que reconsidere o ato e cancele a Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física 2009/853129063074382”. Na análise de suas alegações, os integrantes da 5ª Turma da DRJ em Florianópolis decidiram, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10983.720459/201041 Acórdão n.º 2102003.135 S2C1T2 Fl. 62 3 mantendose integralmente a exigência do imposto suplementar com multa de ofício, pelas razões assim expostas no voto condutor do julgado: “(...) Como visto, a autoridade solicitou a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, tendo requerido a apresentação de através do fornecimento de cópias de cheques nominais (frente e verso), transferências bancárias, comprovantes de depósitos e/ou extratos bancários dos valores de R$4.000,00 declarados como pagos a Centro de Psicologia Cognitiva e R$6.020,00 declarados como pagos a Thalita Esgalha Sartori. A contribuinte limitouse a declarar que os valores foram pagos em espécie, sem atender o requerido na intimação, portanto, não restou comprovado o pagamento. Não obstante não ter comprovado o efetivo pagamento, vejo que os recibos apresentados como despesas para com a profissional Thalita Esgalha Sartori, no valor total de R$6.020,00, não preenchem os requisitos formais da legislação, dentre os quais o endereço do emitente, não trazendo sequer o nome do paciente submetido ao tratamento, pelo que não pode ser acolhido, mantendose a glosa levada a efeito pela autoridade fiscal. Tocante a despesa no valor de R$4.000,00, declarados como pagos a Centro de Psicologia Cognitiva, não obstante não comprovado o efetivo pagamento, entendo que, além de não constar o nome do paciente submetido ao tratamento, a Nota Fiscal nº 0120, com data de emissão de 28/11/2008 (fl. 32), não consta estar quitada, como se observa na parte inferior do documento (...) Uma vez não provada a regularidade da dedução, é de se manter a glosa levada a efeito pela autoridade lançadora”. A Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 48, por meio do qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda que: “(...) Desta forma e facultado pela intimação retorno requerimento de reconsideração da penalização com relação aos pagamentos de despesas médicas não contendo o devido preenchimento onde vejo não de minha obrigação o contestado, pois a obrigação do pagador está em exigir o comprovante da despesa, onde o preenchimento compete ao emitente do documento e não ao consumidor. Justo seria proceder a verificação do recebedor quanto ao recolhimento dos tributos, mesmo agradecendo esses profissionais a forma carinhosa em que me atenderem, por vezes sem o devido pagamento ou então o pagamento em pequenos valores em moeda corrente, em muitas vezes efetuados com sacrifício e por vezes ainda com empréstimos de colegas de trabalho”. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Por fim, a Contribuinte postula pela reconsideração da decisão, com o acolhimento do recurso apresentado, cancelandose integralmente o respectivo lançamento fiscal exigido. Desta forma, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 13.01.2012, como atesta o AR de fls. 47. O Recurso Voluntário foi interposto em 10.02.2012 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento decorrente da glosa de despesas médicas declaradas pela Recorrente com a profissional Thalita Esgalha Sartori (R$ 6.020,00), e com o Centro de Psicologia Cognitiva (R$ 4.000,00). O que motivou o lançamento foi a falta de apresentação da documentação comprobatória das despesas. Com efeito, a legislação vigente prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10983.720459/201041 Acórdão n.º 2102003.135 S2C1T2 Fl. 63 5 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Em resumo, o contribuinte deve provar: a) que ele ou um de seus dependentes efetivamente tenha utilizado os serviços médicos cuja dedução pleiteou; e b) que efetivamente pagou pelos serviços prestados. Por isso a autoridade lançadora pode e deve exigir a comprovação do pagamento das despesas cuja dedução pleiteia o contribuinte em sua DIRPF. Esta comprovação pode ser exigida quando faltarem outros dados de comprovação da efetividade das despesas, e/ou ainda quando a documentação apresentada pelo contribuinte for inidônea – sob pena de ser indeferido o direito à dedução pretendida. No caso em exame, as glosas foram justificadas pela autoridade lançadora pelo fato de não ter sido apresentado nenhum documento que as comprovasse. Em sede de Impugnação, o Recorrente trouxe aos autos os recibos de fls. 28/33. A decisão recorrida, ao analisar os documentos por ele apresentados, entendeu que: Como visto, a autoridade solicitou a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, tendo requerido a apresentação de através do fornecimento de cópias de cheques nominais (frente e verso), transferências bancárias, comprovantes de depósitos e/ou extratos bancários dos valores de R$ 4.000,00 declarados como pagos a Centro de Psicologia Cognitiva e R$ 6.020,00 declarados como pagos a Thalita Esgalha Sartori. A contribuinte limitouse a declarar que os valores foram pagos em espécie, sem atender o requerido na intimação, portanto, não restou comprovado o pagamento. Não obstante não ter comprovado o efetivo pagamento, vejo que os recibos apresentados como despesas para com a profissional Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Thalita Esgalha Sartori, no valor total de R$ 6.020,00, não preenchem os requisitos formais da legislação, dentre os quais o endereço do emitente, não trazendo sequer o nome do paciente submetido ao tratamento, pelo que não pode ser acolhido, mantendose a glosa levada a efeito pela autoridade fiscal. Tocante a despesa no valor de R$ 4.000,00, declarados como pagos a Centro de Psicologia Cognitiva, não obstante não comprovado o efetivo pagamento, entendo que, além de não constar o nome do paciente submetido ao tratamento, a Nota Fiscal nº 0120, com data de emissão de 28/11/2008 (fl. 32), não consta estar quitada, como se observa na parte inferior do documento, que abaixo reproduzo: Os profissionais para os quais o Recorrente pleiteou deduções que não foram aceitas em sua Declaração de Ajuste Anual foram os seguintes: profissional especialidade Valor Thalita Esgalha Sartori Fisioterapeuta R$ 6.020,00 Centro de Psicologia Cognitiva Psicologia R$ 4.000,00 Para comprovar a efetividade das despesas tidas com os referidos profissionais, a Recorrente trouxe aos autos somente os recibos acima referidos, limitandose a afirmar que o ônus de emitir recibos na forma requerida pela autoridade fiscal deveria ser dos prestadores de serviço e não dela, que era mera consumidora. Afirmou ter pago por todos os serviços em espécie. Estes são os únicos documentos e esclarecimentos trazidos pela Recorrente para demonstrar a efetividade dos serviços tomados. Em nenhum documento dos autos consta qualquer descrição dos serviços efetuados, ou mesmo laudos, prontuários, exames, e pedidos médicos que pudessem estar relacionados aos tratamentos contratados. Vale ressaltar, porém, que a decisão recorrida foi enfática no sentido de esclarecer à contribuinte que os documentos por ela apresentados não seriam aptos a comprovar as despesas cuja dedução pleiteou justamente pela falta de outros documentos que corroborassem suas alegações. Diante de tal situação, seu recurso não merece acolhida. Contribuem para a formação deste entendimento os seguintes fatores, que devem aqui ser levados em consideração pelo seu conjunto: os recibos emitidos pela profissional Thalita Esgalha Sartori não preenchem os requisitos da lei, pela falta do endereço da referida profissional; não foi feita a prova do pagamento dos valores a que se referem os recibos, sendo que os valores gastos são bastante consideráveis; e a Recorrente em nenhum momento descreveu quais foram os serviços prestados por tais profissionais e tampouco trouxe documentos, exames ou laudos que justificassem suas despesas com os mesmos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10983.720459/201041 Acórdão n.º 2102003.135 S2C1T2 Fl. 64 7 Ressaltese mais uma vez que a decisão recorrida esclareceu perfeitamente os motivos pelos quais as glosas deveriam ser mantidas, razão pela qual caberia à Recorrente ter contraditado tais argumentos e trazido novos documentos no intuito de demonstrar o seu bom direito. Não o tendo feito, devem ser mantidas as glosas em questão. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000627/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA DO CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário.
INÉRCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA. INOCORRÊNCIA.
Não resta caracterizada a inércia da autoridade fiscalizadora quando há comprovação do recebimento pelo contribuinte das intimações expedidas dentro do prazo de 60 dias, em observância ao disposto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72.
INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. SÚMULA DO CARF Nº 33.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na Lei Complementar nº 105/01, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29.
Deve ser excluída do lançamento a proporção dos depósitos de cada cotitular que não tenha sido intimado para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários.
Numero da decisão: 2201-002.558
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 3 do Auto de Infração (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada).
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: Nathália Mesquita Ceia
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA DO CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. INÉRCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA. INOCORRÊNCIA. Não resta caracterizada a inércia da autoridade fiscalizadora quando há comprovação do recebimento pelo contribuinte das intimações expedidas dentro do prazo de 60 dias, em observância ao disposto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. SÚMULA DO CARF Nº 33. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na Lei Complementar nº 105/01, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. Deve ser excluída do lançamento a proporção dos depósitos de cada cotitular que não tenha sido intimado para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários.
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DEPÓSITO BANCÁRIO. FATO GERADOR. SÚMULA DO CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. INÉRCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA. INOCORRÊNCIA. Não resta caracterizada a inércia da autoridade fiscalizadora quando há comprovação do recebimento pelo contribuinte das intimações expedidas dentro do prazo de 60 dias, em observância ao disposto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/72. INTIMAÇÃO POSTAL. VALIDADE. SÚMULA DO CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. DECLARAÇÃO ENTREGUE APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. SÚMULA DO CARF Nº 33. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na Lei Complementar nº 105/01, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 27 /2 00 6- 83 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO. COTITULARES. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. Deve ser excluída do lançamento a proporção dos depósitos de cada cotitular que não tenha sido intimado para prestar esclarecimentos acerca da origem dos depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o item 3 do Auto de Infração (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada). Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração, de fls. 260 e seguintes, lavrado em 11/07/2006 exigese do Contribuinte ROGÉRIO MARCONDES DE CARVALHO o montante de R$ 425.890,26 de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), R$ 273.869,06 de juros de mora e R$ 319.417,66 de multa de ofício, totalizando um crédito tributário de R$ 1.019.176,98 (atualizado até a data da autuação), referente aos anos calendário 2001 e 2002, decorrente de: (i) Omissão de Ganho de Capital na Alienação de Bens e Direitos Adquiridos em Moeda Estrangeira, (ii) Omissão de Ganhos líquidos no Mercado de Renda Variável, (iii) Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada e (iv) Omissão de Ganho de Capital na Alienação de Moeda Estrangeira Mantida em Espécie. Durante o processo de fiscalização, o Contribuinte foi intimado a apresentar uma série de documentações acerca dos depósitos bancários em suas contas correntes paras os anos calendário de 2001 e 2002 (Termo de Constatação Fiscal – fls. 324 e seguintes). Com fulcro no art. 6º da Lei Complementar n° 105/01, a Fiscalização requisitou, às instituições bancárias/financeiras em que o Contribuinte mantinha conta corrente e/ou aplicações Fl. 639DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.000627/200683 Acórdão n.º 2201002.558 S2C2T1 Fl. 3 3 financeiras, informações sobre a movimentação financeira do mesmo, nos anos calendário de 2001 e 2002. Por fim, a fiscalização efetuou o lançamento, considerando: 1) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, no anocalendário de 2002, com rendimentos auferidos originariamente em reais. 2) GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações na Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa, no ano calendário de 2002. 3) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas nos bancos Unibanco, Citibank e Safra, nos anoscalendário de 2001 e 2002, não tendo o Contribuinte comprovado, após ter sido regularmente intimado, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 4) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE MOEDA ESTRANGEIRA MANTIDA EM ESPÉCIE ganho de capital auferido na alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, no anocalendário de 2001. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 04/08/2006 (AR Postal fl. 277), tendo apresentado Impugnação, (de fls. 280) em 05/09/2006, na qual trouxe as seguintes alegações, conforme extraído do “Relatório” do Acórdão da DRJ: · o auto de infração teria sido lavrado em dissonância aos princípios constitucionais e legais vigentes,devendo ser anulado parte do citado auto. · teria ocorrido a decadência do direito de constituir o imposto relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/07/2001, nos termos do art. 150, § 4o , do CTN, e conforme entendimento jurisprudencial do Conselho de Contribuintes. · se a autoridade autuante estivesse em busca da verdade da mesma forma como afastou o sigilo bancário, também poderia solicitar aos bancos as provas de todos os depósitos, bem como dos cheques emitidos pelo Impugnante. · teria ocorrido a inépcia da autoridade fiscalizadora por mais de 60 dias, tendo o Interessado readquirido a espontaneidade prevista no §2°, do art. 7o, do Decreto n° 70.235, de 1972. · o Impugnante não se enquadraria em nenhuma das hipóteses estabelecidas no caput do art. 3º do Decreto n° 3.724/2001 e seus incisos, tendo o Fiscal Autuante indevidamente desconsiderado o patrimônio do Impugnante que no anocalendário de 1999 possuiria aplicações financeiras da ordem de R$ 156.382,10, R$ 430.918,00 e R$ 99.689,00 nos bancos Unibanco, Bank Boston e Citibank respectivamente, e mais R$ 587.000,00 em espécie. · o lançamento seria nulo em razão de ter sido constituído em desacordo com o preceito do § 4 o do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e do §3° do art. 849, do RIR/99, que determinaria que, em se tratando de pessoa física, o lançamento seja Fl. 640DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 efetuado com base nos depósitos/créditos apurados no mês de competência, utilizando a tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física. · toda origem da movimentação bancária teria sido fruto de patrimônio declarado em períodos anteriores e acumulado ao longo de anos de trabalho no Brasil e no exterior como funcionário do Banco Central e/ou como VicePresidente da Sul América e empréstimo em 30/05/2000, no valor de R$ 650.000,00 ao amigo e exdiretor da Sul América Zolfang Alfonso Guerreiro Nunez, conforme faria prova a cópia da escritura pública lavrada em 30/05/2000, relativa a um imóvel pago integralmente com cheques de emissão do Impugnante. · os depósitos bancários em questão teriam origem em dinheiro em espécie no valor de R$ 294.000,00 e R$ 288.200,00, referente ao crédito junto ao amigo Zolfang Alfonso Guerreiro Nunez, exdiretor da Sul América, tudo constante da declaração de bens do exercício 2001. E, que não teriam sido considerados depósitos e transferências bancárias justificadas, tais como restituições da CEDAE, nos valores de R$ 5.559,62 e três parcelas de R$ 1.853,20; transferências da empresa New Infinity Participação Ltda., de R$ 55.000,00, sacado contra o Banco Safra, e R$ 17.918,01, sacado contra o Unibanco, e também o recebimento de R$ 105.000,00 em dezembro de 2001 e R$ 420.000,00 recebidos em janeiro, março e maio de 2002 recebidos da Alphatrade Sociedade de Fomento Mercantil Ltda., por conta e ordem da Empresarial de Previdência Privada referente ao resgate de parte das contribuições previdenciárias do Contribuinte junto a esse instituição, no período de 1990 a 1999. · o Interessado nunca teria recebido, nem jamais teria se recusado a receber o Termo de Intimação lavrado em 27/09/2005, tendo o referido termo sido devolvido pelos correios. · em relação à omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, no anocalendário de 2002, não teria ocorrido omissão de rendimentos, pois a variação cambial teria sido declarada como rendimento isento e o imposto apurado na ação fiscal teria sido recolhido pelo Contribuinte. · o Fiscal Autuante teria cometido um erro ao apurar o resultado da venda do saldo de 3.000.000 ações da TELESP CL PA em 03/06/2002, sendo o resultado correto um prejuízo de R$ 7.190,00 e não um lucro de R$ 9.305,00, como equivocadamente apontado no Demonstrativo de Apuração de Ganhos Líquidos em Renda Variável, acarretando uma majoração de R$ 18.610,00 no ganho apurado que, na verdade, seria de R$ 23.011,67 e não de R$ 41.621,67, como calculado pelo Fisco. · com a correção do erro praticado pelo Fisco em relação à venda de ações da Telesp, a omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, obtidos em operações na Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa, não poderia prosperar, pois o imposto apurado no auto de infração seria inferior ao valor efetivamente recolhido pelo Impugnante, conforme fariam prova os Darfs anexados. · o ganho de capital auferido na alienação de moeda estrangeira mantida em espécie não poderia prosperar, em virtude de já ter sido informada ao Fisco por meio da resposta de 27/12/2005, tendo o Auditor ignorado que os valores apurados coincidiam com o demonstrativo de apuração dos ganhos de capital moeda estrangeira, bem como desconsiderado o valor original de R$ 35.551,35, relativo ao imposto calculado constante do Darf recolhido em 14/11/2005 no valor de R$ 64.927,43, já apresentado em 2006 pelo Interessado. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.000627/200683 Acórdão n.º 2201002.558 S2C2T1 Fl. 4 5 A 2ª Turma da DRJ/RJ2 na sessão de 22/12/2009 pelo Acórdão 1327.599, de fls. 535 e seguintes, julgou a Impugnação procedente em parte para considerar como imposto pago no exterior o valor de R$ 3.940,17, nos seguintes termos: NULIDADE Inexistindo, no procedimento fiscal e no auto de infração lavrado, qualquer ofensa a dispositivo constitucional ou descumprimento de requisitos legais, não há que se cogitar de nulidade. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. CIÊNCIA. Na intimação por via postal, é suficiente, para darse por cientificado o sujeito passivo, que a mesma seja encaminhada e recebida no domicílio fiscal eleito por ele, correspondente ao endereço constante dos cadastros da Receita Federal. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS E PAGAMENTOS POSTERIORES AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento de ofício exclui a espontaneidade do contribuinte quanto à matéria e períodos fiscalizados e enseja a cobrança de multa de ofício sobre as infrações apuradas do imposto de renda. Não se consideram espontâneos as declarações retificadoras e os pagamentos efetuados após o início do procedimento fiscal. GANHOS DE CAPITAL. ENTRADA DE VALORES EM MOEDA ESTRANGEIRA. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM REAIS. O ganho de capital nas internações de valores em moeda estrangeira oriundos de rendimentos auferidos originariamente em reais sujeitase a incidência do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS LÍQUIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. Incide o imposto de renda mensal sobre os ganhos líquidos auferidos na compra e venda de ações em Bolsa de Valores. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE MOEDA ESTRANGEIRA. Está sujeita ao pagamento de imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de moeda estrangeira mantida em espécie. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AJUSTE ANUAL. A partir da edição da Lei n° 8.134/1990, o imposto de renda pessoa física é devido mensalmente, à medida que os rendimentos são auferidos, devendo submeterse, ainda, ao ajuste anual. Em consonância com essa diretriz, reiterada por expressa disposição legal, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não justificados deve ser apurada no mês em que forem considerados recebidos, sem prejuízo do ajuste anual. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. É regular a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), quando o Contribuinte, regularmente intimado, não fornecer as informações sobre sua movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Contribuinte foi notificado do Acórdão através de AR de fls. 558 em 13/04/2011, vindo apresentar Recurso Voluntário em 13/05/2011, às fls. 559 e seguintes, renovando os mesmos argumentos já apresentados na Impugnação, inovando acerca da necessidade da correta identificação do sujeito passivo. O Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, aponta que as contas mantidas junto ao ItauUnibanco, ao Banco Safra, ao BankBoston e ao Citibank apresentam como cotitular a Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho, sendo que a conta do Citibank também apresenta como cotitular a Sra. Luciana Galiza Marcondes de Carvalho e que as cotitulares não foram intimadas para justificar a origem dos depósitos. Assim, entende que o lançamento, sob esse aspecto, deve ser anulado. Pela Resolução nº 2202000.387 de 21/11/2012 às fls. 625 a 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara da Segunda Seção do CARF decidiu sobrestar o Processo Administrativo Tributário com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no Supremo Tribunal Federal (STF) em face do Recurso Extraordinário n º 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, §3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente a Portaria MF nº 545/13 revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.000627/200683 Acórdão n.º 2201002.558 S2C2T1 Fl. 5 7 I. DAS PRELIMINARES I.1. Cerceamento de Defesa O Contribuinte entende que o Auto de Infração teria sido lavrado ao arrepio de dispositivos constitucionais e legais vigentes, defendendo, em virtude disso, sua anulação, pois restaria prejudicada a sua defesa. A intimação do Auto de Infração foi acompanhada das informações necessárias e razoáveis, à promoção da defesa perante a esfera administrativa tributária. A documentação lhe dá conhecimento da exigência tributária, da descrição dos fatos e dispositivos legais que delimitam a autuação. Tanto é assim, que o Contribuinte conseguiu se defender das acusações que lhe estão sendo imputadas. Diante do exposto não se verificam as violações apontadas pela Contribuinte. I.2. Decadência O Contribuinte alega que teria ocorrido a decadência do direito de constituir o imposto relativo aos fatos geradores ocorridos até 31/07/2001, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, e conforme entendimento jurisprudencial do Conselho de Contribuintes em relação ao lançamento do imposto com fundamento em omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não identificada. O imposto lançado em razão de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada é considerado antecipação do imposto de renda devido, cujo fato gerador se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano. O referido entendimento já se encontra pacificado na Súmula do CARF nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No caso em questão verificase que o primeiro período apurado no lançamento referese ao ano calendário de 2001 (01/01/2001 a 31/12/2001) e o Contribuinte pleiteia justamente a decadência dos períodos lançados anteriormente a 31/07/2001, por entender que o fato gerador do imposto de renda é mensal. Entendo que o pleito do Contribuinte em relação à preliminar de decadência do lançamento com fundamento na omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada deve ser rejeitada, pois o fato gerador do imposto de renda referente ao ano calendário de 2001 ocorreu em 31/12/2001. Logo, considerando a norma mais benéfica da decadência para o Contribuinte, que seria o art. 150, § 4º do CTN, o termo para contagem do prazo decadencial se inicia em 01/01/2002, em que contados 05 (cinco) anos, temse que o término do prazo decadencial se opera em 31/12/2007. Assim, como o Contribuinte foi cientificado do lançamento em 04/08/2007, não restou configurada a decadência. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Preliminar rejeitada. I.3. Espontaneidade O Contribuinte alega que teria ocorrido a inépcia da autoridade fiscalizadora por mais de 60 dias, tendo o mesmo readquirido a espontaneidade prevista no §2°, do art. 7º do Decreto n° 70.235/72. O Contribuinte complementa que nunca recebeu e jamais teria se recusado a receber o Termo de Intimação lavrado em 27/09/2005, tendo o referido termo sido devolvido pelos correios. Assim, tendo em vista que entendeu ter readquirido a espontaneidade, o Contribuinte efetuou a retificação de suas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física em 12/11/2005 e promoveu ao pagamento dos débitos constantes do lançamento com fundamento em (001) Omissão de Ganho de Capital na Alienação de Bens e Direitos Adquiridos em Moeda Estrangeira, (002) Omissão de Ganhos líquidos no Mercado de Renda Variável e (003) Omissão de Ganho de Capital na Alienação de Moeda Estrangeira Mantida em Espécie. Anexa os comprovantes de pagamento (DARF) acrescidos de multa de mora (20%) e juros de mora (taxa SELIC) até a data do pagamento. Compulsandose os autos, verificase que o Contribuinte recebeu um AR em 31/08/2005 (fl. 58) referente ao Termo de Intimação datado de 23/08/2005 (fl. 57). Posteriormente, foi enviado o Termo de Intimação datado de 27/09/2005 (fl. 67) que, de acordo com a fl. 68, os correios tentaram entregar o referido Termo em 30/09/2005, mas o Contribuinte restava ausente. A entrega foi concluída com êxito em 06/10/2005 (fl. 68) com o recebimento pelo Sr. Francisco Sinézio (da Mensageria) que também recebeu os demais Termos de Intimação, conforme se comprova das fls. 15 e 58. Desta forma, entendo que o Contribuinte recebeu o Termo de Intimação datado de 27/09/2005. Isso porque, mesmo que se alegue que não foi o próprio Contribuinte que recebeu o referido Termo, a legislação que rege o processo administrativo fiscal não faz exigência que seja o próprio contribuinte que receba a intimação com vistas a ser considerada como válida. Ademais, o terceiro que recebeu a intimação foi o mesmo que recebeu todas as outras intimações encaminhadas ao Contribuinte que foram devidamente atendidas. Assim, entendo que, no caso em questão, o AR firmado por funcionário do edifício do domicílio fiscal do Contribuinte, que já havia recebido demais intimações em nome do mesmo, produz efeitos de uma intimação válida, de acordo com o disposto no inciso II do § 2 o do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. O presente órgão julgador já pacificou esse tema pela Súmula do CARF nº 9: Súmula do CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Por fim, tendo em vista que a intimação datada de 27/09/2005 é válida, não se configura a espontaneidade do Contribuinte, devendo as retificações das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física e os pagamentos do imposto devido em razão dessas retificações serem considerados no presente processo administrativo fiscal, porquanto efetuados posteriormente à ciência do Contribuinte do início da fiscalização, em observância à inteligência do art. 138 do CTN. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.000627/200683 Acórdão n.º 2201002.558 S2C2T1 Fl. 6 9 A Súmula nº 33 do CARF já pacificou entendimento no sentido de a declaração entregue após iniciada a ação fiscal não produz efeitos no lançamento de ofício. Confirase: Súmula nº 33 do CARF: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Preliminar rejeitada. I.4. Quebra de Sigilo Bancário O Contribuinte também se insurge quanto ao fato de a sua movimentação bancária ter sido obtida por meio de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) diretamente junto à instituição financeira. Pondera que pode ter se tratado de um ato abusivo da fiscalização, questionando se a sua fiscalização ensejaria de fato a RMF, conforme os requisitos do Decreto nº 3.724/01. Cabe ressaltar que o Contribuinte, quando intimado a apresentar seus extratos bancários, afirmou não poder fazêlo, pois não guarda cópia de extratos bancários. Desta feita, não restou alternativa a autoridade fiscalizadora senão obtêlos por meio de RMF. A Autoridade Tributária não só pode, como deve, com base no art. 6º da LC nº 105/01, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal, não se tratando de ato discricionário ou abusivo. Preliminar rejeitada. II. DO MÉRITO II.1. Omissão de Ganho de Capital – Alienação de Bens e Direitos Adquiridos em Moeda Estrangeira – Item 001 O Contribuinte argumenta que em relação à omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira, no ano calendário de Fl. 646DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 2002, não teria ocorrido omissão de rendimentos, pois a variação cambial teria sido declarada como rendimento isento e o imposto apurado na ação fiscal teria sido recolhido pelo Contribuinte. Também alega que o imposto lançado no Auto de Infração foi recolhido. A variação cambial isenta para fins de IRPF é aquela originária da variação dos bens e direitos mantidos em moeda estrangeira pelo contribuinte. Isso porque em virtude de diferença entre as taxas de câmbio utilizadas em cada período (ano calendário), podese verificar um acréscimo patrimonial resultante da variação cambial. A variação cambial resultante da conversão para moeda nacional de bens e direitos mantidos no exterior é isenta para fins de imposto de renda, pois não representa efetivo ganho financeiro realizado, mas apenas a diferença entre as taxas cambiais utilizadas para reportar os bens e direitos na Declaração de Ajuste Anual, conforme disposto no § 1º do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 118/00. Por outro lado, o ganho de capital dos bens adquiridos em moeda estrangeira com recursos originários denominados em Reais, deve levar em conta a variação cambial referente à moeda nacional e a moeda cujo bem foi adquirido. Isto porque se entende que a pessoa física que compra bens no exterior com recursos originários em moeda nacional, além do ganho efetivo com a venda do bem, poderá também apresentar um ganho com a variação cambial (desvalorização da moeda nacional). Assim, a eventual variação cambial positiva representa um ganho que é considerado como evento tributável pela legislação fiscal brasileira, conforme disposto no art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 118/00. Assim, não procede alegação do Contribuinte que a variação cambial apurada quando da alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira é isenta, pois como o recurso originário para aquisição dos bens foi denominado em Real, a variação cambial integra o ganho tributável do contribuinte. No tocante ao recolhimento do imposto, conforme DARF apresentado, por ter ocorrido após o início da ação fiscal e pelo Contribuinte não ter readquirido a espontaneidade durante o processo de fiscalização, conforme já tratado no âmbito da preliminar, entendo que o lançamento deve ser mantido e eventual questão em relação ao pagamento do tributo deve ser tratada junto à autoridade fiscal quando da execução do crédito tributário. II.2. Omissão de Ganhos Líquidos de Renda Variável – Item 002 O Contribuinte alega que o Fiscal teria cometido um erro ao apurar o resultado da venda do saldo de 3.000.000 ações da TELESP CL PA em 03/06/2002, sendo o resultado correto um prejuízo de R$ 7.190,00 e não um lucro de R$ 9.305,00, como equivocadamente apontado no Demonstrativo de Apuração de Ganhos Líquidos em Renda Variável, acarretando uma majoração de R$ 18.610,00 no ganho apurado que, na verdade, seria de R$ 23.011,67 e não de R$ 41.621,67, como calculado pelo Fisco. Complementa que com a correção do erro praticado pelo Fisco em relação à venda de ações da Telesp, a omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, obtidos em operações na Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa, não poderia prosperar, pois o imposto apurado no Auto de Infração seria inferior ao valor efetivamente recolhido pelo Impugnante, conforme fariam prova os DARFs anexados. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.000627/200683 Acórdão n.º 2201002.558 S2C2T1 Fl. 7 11 A DRJ ao analisar a questão concorda que houve equívoco na apuração do ganho pela fiscalização. Confirase (fls. 545 e 546): Analisandose o demonstrativo de fl. 247, observase que assiste razão ao Impugnante no que tange ao custo de aquisição a ser considerado para as 3.000.000 de ações da TELESP CL PA vendidas em 03/06/2002. Efetivamente, o custo de aquisição é composto pelo somatório de duas parcelas: 1) 2.000.000 de ações a um preço de R$ 7,7250 por mil ações; 2) 1.000.000 ações por um preço de R$ 7,73000 por mil ações. Chegase, então, a um custo de aquisição de R$ 23.180,00, que supera o valor de venda de R$ 15.990,00. Não há, portanto, ganho líquido na operação em estudo de R$ 9.305,00, mas sim um prejuízo de R$ 7.190,00, exatamente como o Interessado havia calculado em sua impugnação. A DRJ aceita a retificação, porém alega que não há uma majoração no ganho líquido de R$ 18.610,00 no mês de junho de 2002, conforme alegado pelo Contribuinte, mas há sim uma majoração de R$ 16.495,00. Confirase extrato do Acórdão recorrido: Contudo, diferentemente do alegado pelo Autuado, não ocorreu uma majoração de R$ 18.610,00 no ganho líquido em renda variável no mês de junho de 2002 apurado no demonstrativo de fl. 247, mas sim um incremento de R$ 16.495,00, que corresponde ao ganho de R$ 9.305,00, incorretamente apurado pelo Fisco, somado ao prejuízo não computado de R$ 7.190,00. Isso posto, deve ser reduzido o montante de ganho líquido em renda variável no mês de junho de 2002 de R$ 41.621,67 para R$ 25.126,67. De fato, o entendimento da DRJ encontrase correto. O Contribuinte alega que há uma majoração do lançamento da ordem de R$ 18.610,00 que resulta do fato de a fiscalização ter considerado um ganho de R$ 9.305,00 ao invés de uma perda de R$ 7.190,00. Ao se confrontar o ganho apurado pela fiscalização e a perda alegada pelo Contribuinte e corroborada pela DRJ, temse a diferença de R$ 16.495,00 (R$ 9.305,00 – (R$ 7.190,00). Logo, o ganho líquido da competência de junho de 2002 deve ser reduzido de R$ 41.621,67 para R$ 25.126,67 (R$ 41.621,67 R$ 16.495,00), conforme já decidido pela DRJ. O Contribuinte argumenta que o valor apontado como imposto devido no Auto de Infração para o ganho líquido de renda variável da competência de junho de 2002 é inferior àquele já pago pelo Contribuinte, em 14/11/2005, conforme DARF (fl. 341). Em que pese à existência do DARF com o valor de imposto pago, este foi recolhido em data posterior ao início da fiscalização, e, também como já analisado em sede de preliminar nesse Voto, o Contribuinte não adquiriu a espontaneidade do recolhimento, pois não se configurou a inércia da fiscalização por mais de 60 dias. Assim, o lançamento permanece, devendo o Contribuinte quando da execução da execução do crédito tributário junto à autoridade fiscal demonstrar eventual parcela do crédito tributário que já foi quitada. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 II.3. Omissão de Rendimento em razão de Depósito Bancário de Origem não Comprovada – Item 003 O Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, aponta que as contas mantidas junto ao Unibanco, ao Banco Safra, ao BankBoston e ao Citibank apresentam como cotitular a Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho, sendo que a conta do Citibank também apresenta como cotitular a Sra. Luciana Galiza Marcondes de Carvalho e que as cotitulares não foram intimadas para justificar a origem dos depósitos. Assim, entende que o lançamento, sob esse aspecto, deve ser anulado. Inicialmente, cabe destacar que apesar de apenas ter trazido esse tema em sede de Recurso Voluntário ao se cotejar os autos, contatase que na documentação bancária utilizada pela fiscalização para lavratura do Auto de Infração já havia indicação de contas bancárias com cotitulares, conforme se verifica das fl. 160 (Citibank conta nº 65018788, cotitulares Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho e Sra. Luciana Galiza Marcondes de Carvalho), fl. 93 (Unibanco conta nº 1034931 Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho) e fl. 194 (Bank Boston – conta nº 19.1912.00 Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho). Em relação à conta bancária nº 036.3509 mantida junto ao Banco Safra, não foi identificada documentação apresentada durante o processo de fiscalização que indique a cotitularidade da Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho, conforme alega o Contribuinte. Entretanto, o mesmo juntou ao Recurso Voluntário cópia de cheque do Banco Safra, no qual há a Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho como cotitular (fl. 610). Pois bem. De fato, em face da prova juntada ao Recurso Voluntário acerca da cotitularidade da conta no Banco Safra, se verifica que a mesma apresenta como cotitular a Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho. Além disso, cotejando o número de CPF da Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho e a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física do Contribuinte anexadas aos autos (fls. 7 a 12), verificase que a mesma não consta na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física do Contribuinte como dependente. Apesar de a prova da cotitularidade do Banco Safra não ter sido produzida quando da fiscalização, entendo que a autoridade fiscal também não agiu com zelo com vistas a aferir se havia cotitularidade nas contas bancárias autuadas, tendo em vista que quando da expedição da Requisição de Movimentação Financeira (RMF) ao Banco Safra (fl. 171) foi solicitada a Ficha Cadastral do Contribuinte junto à instituição financeira e a mesma, apesar de ter sido indicada como apresentada pelo Banco Safra, presumese que não o foi, pois não consta dos autos, fato que deveria ter sido observado pela fiscalização, pois essa é a documentação que comprova eventual cotitularidade em conta corrente. Além disso, em três das quatro contas bancárias fiscalizadas, a cotitularidade havia sido informada à autoridade fiscal e a mesma se quedou inerte, sem promover a intimação das cotitulares, conforme disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Desta forma, apesar de a prova da cotitularidade do Banco Safra ter sido produzida pelo Contribuinte em sede de Recurso Voluntário, considerando a inércia da autoridade durante a fase de fiscalização, bem como o Princípio da Verdade Material, entendo que a referida prova deve ser aceita. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.000627/200683 Acórdão n.º 2201002.558 S2C2T1 Fl. 8 13 Cabe destacar que apesar da defesa do Contribuinte ter se insurgido quanto à tributação dos depósitos da conta bancária mantida junto ao Bank Boston, a mesma não teve seus depósitos autuados conforme se verifica do Termo de Constatação Fiscal (fls. 328 a 330). A Súmula nº 29 do CARF já pacificou o tema no seguinte sentido: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Logo, tendo em vista que não há intimação nos autos do presente processo para a Sra. Rosa Lucia Galiza Marcondes de Carvalho e Sra. Luciana Galiza Marcondes de Carvalho, cotitulares das contas bancárias do Contribuinte, essa parcela do crédito tributário deve ser considerada nula. Desta feita, em face da disposição expressa da Súmula nº 29 do CARF, bem como pela comprovação da ausência da intimação dos cotitulares, o valor lançado no item 003 do Auto de Infração referente à omissão de rendimentos de origem não comprovada deve ser excluída. II.4. Ganho de Capital na Alienação de Moeda Estrangeira – Item 004 O Contribuinte alega que o ganho de capital auferido na alienação de moeda estrangeira mantida em espécie não poderia prosperar, em virtude de já ter sido informado à fiscalização por meio da resposta de 27/12/2005, tendo o Auditor ignorado que os valores apurados coincidiam com o demonstrativo de apuração dos ganhos de capital moeda estrangeira, bem como desconsiderado o valor original de R$ 35.551,35, relativo ao imposto calculado constante do DARF recolhido em 14/11/2005 no valor de R$ 64.927,43, já apresentado em 2006 pelo Contribuinte. Em que pese haver a apresentação do DARF com o recolhimento do referido imposto lançado, o recolhimento ocorreu posteriormente ao início da ação fiscal, tendo o Contribuinte perdido sua espontaneidade, conforme já enfrentado nesse Voto como matéria preliminar. Em relação ao Aviso de Cobrança para pagamento do imposto, o mesmo se originou em razão das Declarações Retificadoras entregues pelo Contribuinte, também, entregues em data posterior ao início da ação fiscal. Como não restou reconhecida, em sede preliminar, a espontaneidade do Contribuinte, pois não restou comprovada a inércia da fiscalização por mais de 60 dias, tanto as declarações retificadoras (entregues em 12/11/2005) quanto os DARFs pagos em 14/11/2005 não devem ser considerados para fins da presente análise. Tal questão deverá ser enfrentada pelo Contribuinte junto à autoridade tributária quando da execução do crédito tributário. Conclusão Fl. 650DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial para excluir o item 003 do Auto de Infração referente à omissão de rendimentos de origem não comprovada. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 651DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/10/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909605/2012-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 96 05 /2 01 2- 81 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909605/201281 Acórdão n.º 3801002.756 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909605/201281 Acórdão n.º 3801002.756 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909605/201281 Acórdão n.º 3801002.756 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909605/201281 Acórdão n.º 3801002.756 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909605/201281 Acórdão n.º 3801002.756 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909605/201281 Acórdão n.º 3801002.756 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909605/201281 Acórdão n.º 3801002.756 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.904888/2012-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/09/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/09/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 88 /2 01 2- 79 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904888/201279 Acórdão n.º 3801003.693 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904888/201279 Acórdão n.º 3801003.693 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904888/201279 Acórdão n.º 3801003.693 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904888/201279 Acórdão n.º 3801003.693 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904888/201279 Acórdão n.º 3801003.693 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904888/201279 Acórdão n.º 3801003.693 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16682.720726/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
ÔNUS DA PROVA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
É ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos.
CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Em processos que envolvem constituição ou compensação de tributos as garantias do contraditório e da ampla defesa são exercidas no âmbito do processo tributário administrativo e as diversas normas neste sentido estão regulamentadas no Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido.
No caso, pagou-se, em 27/10/2006, Imposto de Renda Retido da Fonte - IRRF incidente sobre rendimentos auferidos no ano-calendário de 1999, caracterizando-se o indébito.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. SALDO NEGATIVO. NATUREZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
O pedido de compensação de saldo negativo deve ser analisado como um pedido de compensação de pagamento indevido se for esta a verdadeira natureza do direito creditório tratado. E, de forma inversa, o pedido de compensação apresentado como pagamento indevido também deve ser analisado como um pedido de compensação de saldo negativo se esta for a verdadeira natureza do crédito envolvido. E se, nesta última hipótese, chegar-se a conclusão de que a obrigação tributária não foi plenamente honrada, não há saldo negativo a repetir.
Numero da decisão: 1102-001.186
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio (relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Evande Carvalho Araujo.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Documento assinado digitalmente.
José Evande Carvalho Araujo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FORMAÇÃO DO CRÉDITO. Nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendoo por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECAÍDO. PAGAMENTO VOLUNTÁRIO. INDÉBITO CARACTERIZADO. Apesar de o CTN ter adotado a teoria dualista da obrigação, segundo a qual a obrigação tributária (Haftung) não se confunde com o crédito tributário (Schuld), determinou que a obrigação principal se extinguisse juntamente com o crédito dela decorrente (art. 113, § 1º). Assim, como a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário é causa de sua extinção (art. 156, inciso V), extinta também está a obrigação tributária correspondente, e o pagamento do tributo respectivo é indevido, passível de repetição. No caso, pagouse, em 27/10/2006, Imposto de Renda Retido da Fonte IRRF incidente sobre rendimentos auferidos no anocalendário de 1999, caracterizandose o indébito. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. SALDO NEGATIVO. NATUREZA DO DIREITO CREDITÓRIO. O pedido de compensação de saldo negativo deve ser analisado como um pedido de compensação de pagamento indevido se for esta a verdadeira natureza do direito creditório tratado. E, de forma inversa, o pedido de compensação apresentado como pagamento indevido também deve ser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 26 /2 01 1- 31 Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.735 2 analisado como um pedido de compensação de saldo negativo se esta for a verdadeira natureza do crédito envolvido. E se, nesta última hipótese, chegar se a conclusão de que a obrigação tributária não foi plenamente honrada, não há saldo negativo a repetir. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 ÔNUS DA PROVA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Em processos que envolvem constituição ou compensação de tributos as garantias do contraditório e da ampla defesa são exercidas no âmbito do processo tributário administrativo e as diversas normas neste sentido estão regulamentadas no Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio (relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Evande Carvalho Araujo. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Documento assinado digitalmente. José Evande Carvalho Araujo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.736 3 Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por FMC TECHNOLOGIES LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela improcedência de declarações de compensação de débitos com supostos créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRRF, efetuados em 27/10/2006, nos valores de R$ 3.565.002,73 e R$ 3.906.700,18. Tais pagamentos foram efetuados depois do trânsito em julgado de decisão denegatória em mandado de segurança que pretendia afastar o recolhimento do IRRF incidente sobre rendimentos auferidos no anocalendário de 1999 em operações de swap. A Demac/RJ, mediante Despacho Decisório (fls. 930 a 937), não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada pelos seguintes fundamentos: Erro de determinação da origem do indébito. Preliminarmente, cumpre esclarecer que a contribuinte equivocouse ao elaborar as declarações de compensação, solicitando a repetição de indébitos de IRRF pago a maior pela FMC Technologies do Brasil Ltda, uma vez que o correto seria requerer a parcela do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 da sucedida Jetways Systems Participações Ltda, que teria surgido com o recolhimento de Fonte determinado judicialmente, como a própria empresa explica em sua resposta ao termo de intimação fiscal. Inclusive é importante salientar que, tal como declarada, a compensação apresentada pela FMC afronta diretamente a decisão judicial que lhe foi desfavorável e que determinou a incidência do IRRF sobre os rendimentos de operação “SWAP” realizados pela Jetways Systems. É possível, tendo em vista a data de apresentação da DCOMP, 02/01/2007, que a contribuinte tenha apresentado o pagamento indevido de IRRF como origem do crédito, para não suscitar a argüição de decadência do seu direito de solicitar a restituição do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1999. Contudo, o referido subterfúgio, se for o caso, não procede, pois: a) como já dito, desrespeita a sentença judicial proferida; b) impede o conhecimento da verdadeira origem do indébito tributário pleiteado, bem como a análise das concernentes questões preliminares e de mérito; e c) faz com que a empresa se aproveite indevidamente dos juros ocorridos entre a data de retenção e 31/12/1999. Assim, somente este erro, já seria suficiente para indeferir a restituição pleiteada e não homologar as correspondentes compensações. Entretanto, verificase que a requerente não teria melhor sorte no mérito da questão, mesmo se tivesse apontado como origem do seu direito creditório o saldo negativo de IRPJ apurado em 1999 na empresa sucedida. Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.737 4 Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 1999. Inicialmente, devese ressaltar que a apuração do IRPJ devido constante na DIPJ/1999 (fls. 489/500) apresentada pela Jetways Systems Participações Ltda, referente ao período de janeiro a outubro de 1999, não se encontra correta. Aplicandose as alíquotas determinadas na legislação sobre o Lucro Real declarado pela própria empresa, R$ 21.160.998,33, o IRPJ devido é R$ 5.270.249,58 e não R$ 3.683.174,70, como constou na declaração de rendimentos. As deduções efetuadas pela Jetways Systems para apurar o saldo negativo também necessitam de correções. No que diz respeito às antecipações efetuadas a título de IRRF, a legislação dispõe que o IR Fonte poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar se atender a duas condições: Primeira, a comprovação da efetiva retenção; Segunda, atender ao disposto no inciso III do §4º do art. 2º da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996, o qual estabelece que a dedução do IR a pagar com o IRRF é permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidas à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto. Nesse sentido, compulsandose o resumo das DIRF apresentadas (fl. 501/503), é possível confirmar a retenção somente R$ 886.234,01. No tocante à necessária escrituração e tributação dos rendimentos correlatos ao IRRF informados em DIRF, verificase que a empresa declarou R$ 11.657.281,52 a título de receitas financeiras oriundas de aplicações de renda fixa (linha 23 ficha 07) e zero a título de operações de “swap” (linha 21 – ficha 07). Já nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF (fls. 501/503) entregues pelas fontes pagadoras, encontramse registrados receitas de renda fixa no valor de R$ 23.751.546,34 e rendimentos auferidos em operações de “swap” de R$ 3.875.807,13. A divergência existente entre as receitas financeiras declaradas (R$ 11.657.281,52) e as informadas como origem do IRRF (R$ 27.638.073,72) denota a existência de omissão de receitas. A divergência poderia encontrar justificativa no fato de a DIPJ ser elaborada segundo o regime de competência e a DIRF ser feita de acordo com o regime de caixa. Contudo, nas DIPJ relativas aos anos calendário de 1998 e 1997 (fls.507/511), a empresa informou receitas financeiras respectivamente de R$ 1.852.545,67 e de R$ 527,16. Ou seja, nos anos de 1998 e 1997, não foram declaradas receitas capazes de justificar a diferença encontrada entre a DIPJ e DIRF do ano calendário de 1999. Desta forma, considerase que, em 1999, a Jetways Systems deixou de oferecer à tributação a quantia de R$ 14.127.719,37. O mesmo problema ocorre com os rendimentos de operação “swap” sobre os quais incidiu os pagamentos de IRRF questionados na Justiça pela empresa sucedida. Conforme instrução de preenchimento da DIPJ (fls. 517/518), na linha 07 da ficha 21 (sic) devem ser informados os rendimentos auferidos em operações “swap”, entretanto o referido campo encontrase zerado na DIPJ do período. Ou seja, as receitas das operações de swap auferidas pela Jetways Systems não foram oferecidas a tributação. Nesse sentido, cabe frisar que, por intermédio do Livro Diário de março de 1999 (ver documentos anexados aos esclarecimentos da contribuinte), verificase a existência, somente neste mês, de liquidação de vários contratos de swap, a seguir listados: Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.738 5 Data Contrato Rendimento (R$) IRRF (R$) 17/03/1999 Swap 001098 BankBoston 19.533.500,94 3.906.700,18 17/03/1999 Swap 614257 BankBoston 3.868.515,58 773.703,12 17/03/1999 Swap de 18/09/98 17.825.013,67 3.565.002,73 17/03/1999 Swap de 23/02/99 2.218.499,99 443.699,99 17/03/1999 Swap de 26/02/99 2.968.500,32 593.700,06 17/03/1999 Swap de 05/03/99 1.963.500,22 392.700,04 Dos rendimentos relacionados, o único que constou em DIRF foi o contrato de swap n.° 614257. Desta forma, ao Lucro Real da Jetways Systems deve ser adicionado também os rendimentos auferidos nas citadas operações de swap, no montante de R$ 44.509.015,14. O saldo de IRPJ do ano calendário de 1999 a pagar é então o seguinte: Calculo do IRPJ Ano Calendário 1999 – jan a out (R$) DIPJ/1999 DEMAC Lucro Real declarado 21.160.998,33 21.160.998,33 Receitas omitidas DIRF 14.127.719,37 Receitas omitidas Diário 44.509.015,14 Base de cálculo do IRPJ 21.160.998,33 79.797.732,84 Imposto sobre o Lucro Real À alíquota de 15% 3.174.149,75 11.969.659,93 Adicional 2.096.099,83 7.959.773,28 Total 5.270.249,58* 19.929.433,21 Deduções () IRRF 3.238.968,22 () IRRF DIRF 886.234,01 () IRRF pg p/ determ. Jud. 7.471.702,91 () Estimativa 3.013.031,54 3.076.393,82 Imposto de Renda a Pagar (981.750,18) 8.495.102,47 *valor recalculado Sobre a base de cálculo apurada pela empresa sucedida, ora analisada, ainda poderseia questionar a dedutibilidade de suas despesas, pois de acordo com as Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.739 6 informações de suas declarações de rendimentos não houve contrapartida de receitas que pudesse justificar seus dispêndios. Em síntese, em uma apreciação mais profunda, a interessada deveria comprovar a necessidade de suas despesas para a manutenção de suas atividades. Noutro giro, foi realizada pesquisa nos sistemas da Receita Federal a fim de se verificar a existência de lançamentos e/ou outras decisões capazes de alterar o saldo de IRPJ a pagar referente ao ano calendário de 1999 ou a utilização do alegado direito creditório em outras compensações. Nesse sentido, constatase a existência do processo administrativo n.º 10830.007140/0027, cujo objeto são pedidos de restituição e de compensação que utilizam o saldo negativo de IRPJ declarado em 1999 pela Jetways Systems, no valor original de R$ 2.634.122,33 (fls. 513/516). Portanto, ainda se ainda que a empresa sucedida possuísse algum montante a título de saldo negativo de IRPJ, o referido valor deveria ser utilizado inicialmente nas compensações solicitadas no citado processo. Considerando a análise realizada, resta determinado o saldo positivo de IRPJ a pagar da empresa Jetways Systems – Participações Ltda referente ao ano calendário de 1999, no valor de R$ 8.495.102,47. Enfim, mesmo que a contribuinte tivesse formalizado corretamente suas declarações de compensação, solicitando direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ (AC 1999) da empresa sucedida, verificase que também não lhe é favorável o mérito da questão, visto a inexistência do referido direito creditório. CONCLUSÃO Considerando: i) o erro de determinação da origem do indébito, erroneamente classificado como pagamento indevido de IRRF, quando o correto seria requerer saldo negativo de IRPJ; ii) o erro de cálculo do IRPJ devido existente na DIPJ da empresa Jetways Systems Participações Ltda (Ano calendário 1999); iii) a não confirmação em DIRF dos valores deduzidos na DIPJ a título de IRRF; iv) a omissão de receitas apurada de ofício; e v) a existência anterior de pedido de restituição/compensação, utilizando o saldo negativo de IRPJ de 1999 da empresa incorporada, Cabe não homologar as compensações constantes nas DCOMP (...) Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 972 a 992) na qual reuniu os seguintes argumentos (conforme relatados pela decisão recorrida): Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.740 7 . que o artigo 74, § 11, da Lei n° 9.430/96 e o artigo 151, inciso III, do CTN suspendem a exigibilidade do crédito tributário em discussão. . que, nos termos do art. 142 do CTN e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, o crédito tributário só pode ser constituído por meio de um auto de infração ou de notificação de lançamento; que a presente cobrança é nula e deve ser cancelada, uma vez que o Despacho Decisório não é a via competente para se formalizar um crédito; cita jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes. . que as alegações que levaram a não homologação das compensações são infundadas. Isto porque (i) o pagamento do IRRF incidente nos contratos de swap foram efetuados apenas após o trânsito em julgado do mandado de segurança em que se discutia a incidência do tributo nessas operações e que, por isso, não mais era possível retificar a DCTF e a DIRF do anocalendário de 1999, de forma a refletir o recolhimento desses valores; (ii) não houve prescrição do direito de requerer a restituição do indébito; (iii) já decaiu o direito do Fisco de revisão dos valores recolhidos a título de IRPJ e IRRF no anocalendário de 1999; e (iv) o pedido de restituição/compensação já existente trata de saldo negativo de IRPJ diverso do agora compensado pela Requerente. . que, quando do recolhimento, em 27.10.2006, do IRRF incidente na liquidação dos contratos de "swap" celebrados pela Incorporada, no anocalendário de 1999, já havia transcorrido os 5 (cinco) anos que a Requerente possui para retificar a sua DIPJ e DIRF referente ao anocalendário de 1999. Ou seja, o saldo negativo de IRPJ apurado no mencionado período já havia sido homologado tacitamente pela Receita Federal e não mais podia ser alterado, seja por vontade da Requerente ou da própria fiscalização. . que tanto isso é verdade que a própria Requerente tentou incluir o IRRF recolhido em 2006 no saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, com a sua posterior compensação. Todavia, o próprio software fornecido pela Receita Federal impediu tal compensação; que não restou à Requerente outra alternativa, senão considerar o IRRF recolhido em 2006 como originário de pagamento indevido ou a maior, uma vez que incluílo no saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 não era mais possível. . que inocorreu prescrição do direito ao crédito, já que recolheu o imposto em 27.10.2006, e, diante disso, o direito de compensar os valores recolhidos expiraria em 27.10.2011, uma vez que o prazo para requerer a restituição do indébito é de 5 anos contatos a partir da data em que for extinto o crédito tributário, conforme previsto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional ("CTN"), fato esse que ocorre na data do efetivo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN. . que não há dúvidas de que o direito à restituição do crédito tributário nasceu a partir do pagamento indevido ou a maior; que, como apresentou o presente pedido de restituição em 2.1.2007, é certo que o seu direito à restituição dos valores recolhidos não prescreveu. . que a alegação do D. Auditor Fiscal de que há incorreções no saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 não merece guarida; que em momento algum a D. Fiscalização obrou demonstrar as incorreções na DIPJ e na DIRF. . que não pode acatar a argumentação de que teriam havido erros nessas declarações, porque o D. Auditor Fiscal não forneceu elementos para propiciar o Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.741 8 exercício à ampla defesa e ao contraditório também assegurados pela Constituição Federal na instância administrativa. . que, como se isso não bastasse, o artigo 173, inciso I, do CTN determina que o prazo para que as DD. Autoridades Fiscais possam analisar a regularidade das informações fiscais prestadas pelo contribuinte e constituir eventual débito remanescente se extingue após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. . que, dessa forma, tendo em vista que as supostas incorreções apuradas são referentes ao anocalendário de 1999, exercício de 2000, e que as incorreções apontadas foram feitas em 2011, resta plenamente demonstrado que já transcorreu, há muito, o prazo de 5 (cinco) anos para a Fiscalização analisar as informações existentes nos presentes autos. . que, nesse sentido, as informações contidas na DIPJ e na DIRF apresentadas merecem ser tidas como verdadeiras, independentemente das supostas incorreções não indicadas no Despacho Decisório, haja vista que os lançamentos nelas contidos foram tacitamente homologados em 2005, não podendo agora serem revistos, já que se operou a decadência. . que as restituições pleiteadas no Processo Administrativo n° 10830.007140/0027 são referentes aos pagamentos a maior de IRPJ e CSLL realizados no próprio anocalendário de 1999 e não em 2006, como é o caso do IRRF incidente nos ganhos auferidos quando da liquidação dos contratos de swap, para fins de hedge, restando comprovado que o Processo Administrativo n° 10830.007140/0027 em nada altera o direito creditório da Requerente. . que o pedido de restituição/compensação tratado no Processo Administrativo n° 10830.007140/0027 não interfere no direito creditório pleiteado nos autos do presente processo administrativo. . que a não homologação das compensações pretendida pela Fiscalização não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN. . que, para que haja a exigência de multa e juros de mora, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento do crédito tributário, o que não se verificou. . que a compensação realizada é legal e válida, e implicou a quitação do valor objeto do Despacho Decisório, supostamente devido pela Requerente; que, desse modo, não há multa ou juros de mora a serem cobrados. . que a penalidade aplicada neste caso, multa de 20%, revestese de finalidade arrecadadora, na forma de confisco, o que é vedado pela Constituição Federal, no artigo 150, inciso IV. . que, quanto aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. Cita decisão proferida pelo E. Superior Tribunal de Justiça. . que, não obstante a posição sumulada pelo extinto E. Primeiro Conselho de Contribuintes, e tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, a Requerente Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.742 9 contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. . que a origem do crédito tributário utilizado pela Requerente na compensação foi devidamente comprovada para o D. Auditor Fiscal, e, sendo assim, requer a reforma do Despacho Decisório, com a imediata homologação das compensações realizadas, e o cancelamento das penalidades aplicadas. . protesta pela juntada posterior de documentos, e, na remotíssima hipótese de discussão das incorreções do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, pela realização de perícia contábil. A 8ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu, então, o Acórdão nº 1244.552 (fls. 1132 a 1147), de 16 de março de 2012, por meio do qual não reconheceu o direito creditório e, por isso, não homologou a compensação pleiteada. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/10/2006 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PERÍCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a perícia que, além de não preencher os requisitos formais previstos no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, já que a documentação contida nos autos é suficiente para formar a convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 27/10/2006 ALTERAÇÃO DE PEDIDO NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. A manifestação de inconformidade é recurso que o interessado dispõe para questionar o indeferimento do crédito pleiteado na DCOMP e a não homologação dos débitos compensados, sendo vedado que se utilize da manifestação de inconformidade para alterar pedido formulado na DCOMP, por falta de previsão legal. DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.743 10 Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez que não restou comprovado que o pagamento foi efetuado indevidamente ou a maior, concluise que tal pagamento não constitui direito creditório passível de restituição ou compensação, não devendo ser homologadas as compensações. DÉBITOS DECLARADOS NAS DCOMPs. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA. Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, cabe a cobrança dos débitos compensados indevidamente nas declarações de compensação (DCOMPs), já que os mesmos estão confessados. MULTA MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA PELO FISCO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Não homologadas as compensações, há previsão de acréscimo de multa de mora sobre os débitos confessados e não pagos. MULTA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, conforme previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. A exigência de multa de mora de 20% (vinte por cento), prevista na legislação vigente, não é confisco, e deve ser aplicada. JUROS DE MORA JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que estabelecem a aplicação de juros moratórios com base na taxa Selic para os débitos tributários não pagos até o vencimento, estão plenamente em vigor no ordenamento jurídico, devendo, portanto, ser aplicados. Súmula CARF nº 4: JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 741 a 765) onde, essencialmente, repete os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade. Destaquese, entretanto, que acrescenta um tópico para demonstrar a existência de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2006 e que o IRRF em questão também não teria sido deduzido na apuração deste anocalendário. Essa inclusão foi efetuada porque a DRJ entendeu que o crédito pleiteado não poderia ser considerado como um pagamento indevido ou a maior Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.744 11 para fins de compensação. No final desse tópico, conclui que a existência de saldos negativos em 1999 e 2006 é patente e corrobora a certeza e liquidez do seu crédito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A unidade de origem afirma que a recorrente equivocouse ao elaborar as declarações de compensação solicitando a repetição de indébitos pago a maior, quando, na verdade, deveria requerer a parcela do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 que teria surgido com o recolhimento de fonte determinado judicialmente. Nada obstante, procedeuse à verificação da apuração efetuada naquele ano calendário para aferir sua exatidão. Não foi o que se constatou. Muito pelo contrário. Em lugar de uma apuração que pudesse deixar dúvidas apenas em relação à inclusão das receitas e correspondentes retenções na fonte dos valores auferidos nas operações de swap questionadas judicialmente, foram encontrados outros problemas, os quais restaram claramente enunciados no Parecer Conclusivo que fundamentou o Despacho Decisório que, por sua vez, não reconheceu a legitimidade do crédito pleiteado. Neste sentido, foram apontadas as seguintes inconsistências: erro na aplicação das alíquotas sobre o lucro real declarado; com isso, ao invés de se obter um imposto devido no valor de R$ 5.270.249,58, foi declarado o valor de R$ 3.683.174,70; as DIRF entregues pelas fontes pagadoras totalizaram receitas financeiras no valor de R$ 27.638.073,72, enquanto que foram declaradas receitas financeiras no valor de R$ 11.657.281,52, configurandose, assim, uma omissão no valor de R$ 14.127.719,37; os rendimentos das operações de swap informados no Livro Diário de março de 1999 não foram oferecidos à tributação; dentre estes, apenas um constava em DIRF, configurandose, assim, uma omissão adicional no valor de R$ 44.509.015,14. Esses problemas, contudo, não foram enfrentados, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário. A empresa preferiu apegarse ao argumento de que o Fisco não teria direito de rever a apuração efetuada no anocalendário de 1999 em razão da decadência. Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.745 12 De fato, costumase argumentar que a apuração efetuada pelo contribuinte teria que ser aceita sem qualquer contestação por parte do Fisco porque ela só poderia ser recomposta por meio de um lançamento. A verificação do Fisco só seria admissível no nível dos pagamentos (retenções na fonte e estimativas mensais) que eventualmente tivessem reduzido o tributo devido. Segundo os defensores dessa tese, a negativa da restituição/compensação fundamentada em erros no nível da apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL seria uma forma disfarçada de lançamento. Entretanto, não há que se confundir a impossibilidade da constituição do crédito tributário por haver decaído o direito de lançar com a possibilidade de verificação das circunstâncias que influenciaram na apuração de um direito creditório pleiteado, ainda que tais elementos estejam vinculados a períodos cujo direito de lançar tenha sido atingido pela decadência. Nesse sentido, por demais esclarecedor, reproduzo trecho de voto já pronunciado neste mesmo Colegiado: Quando se trata de compensação, não se está a tratar de lançamento, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, o prazo decadencial apropriado à espécie a ser considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente. Uma vez formalizada em tempo hábil a compensação, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao Fisco verificar a consistência das informações necessárias ao procedimento de homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir à lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, e sob as condições e garantias que a própria lei vier a estipular. Assim, é somente a partir da formalização da compensação que há sentido em se falar em prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito alegado. Neste sentido, cumpre observar que o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, veio a suprir lacuna antes existente na legislação, no sentido de que não havia um prazo estabelecido em lei para a análise do pleito. E o prazo que foi estabelecido pela lei para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96). (Acórdão nº 110200.432, Relator: João Otávio Oppermann Thomé, Proferido na Sessão de 25/05/11) Portanto, o prazo de decadência para se constituir o crédito tributário mediante lançamento é estabelecido no CTN. E isso vale tanto para a hipótese do artigo 150, § 4º (a apuração do crédito tributário estará homologada, como penso, ou o pagamento do crédito tributário estará homologado, como o STJ decidiu em sede de recurso repetitivo no REsp nº 973.333SC), quanto para a hipótese do artigo 173 (constituição do crédito tributário de ofício pela Fazenda Pública). É de se notar que nessas hipóteses o objeto da norma restringese Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.746 13 sempre ao conceito de “crédito tributário”. Ou seja, tratase de apuração, pagamento ou lançamento de “crédito tributário”. Por outro lado, o prazo para se verificar a liquidez e certeza do direito creditório invocado num pedido de restituição/compensação está conformado no artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. Aqui o objeto é outro. A norma trata do prazo de decadência para a homologação da “compensação declarada”. São prazos independentes que não se comunicam mesmo nas situações em que o Fisco realiza a correta apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL para fins de verificação do direito creditório consubstanciado por um saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Nem se diga que o Fisco não poderia proceder dessa forma sem a lavratura de auto de infração por causa da alteração legislativa que foi introduzida no PAF (Decreto nº 70.235/72), no § 4º do artigo 9º, pela Lei nº 11.941/09, verbis: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A modificação legislativa teve apenas o condão de criar uma previsão legal para a autuação das infrações que não resultam em exigência de crédito tributário. Seu objetivo foi bem esclarecido no item 13 da Exposição de Motivos Interministerial nº 161/2008 – MF/MP/MAPA/AGU – apresentada para a Medida Provisória nº 449/2008, que lhe deu origem: 13. O art. 23, por sua vez, altera o Decreto nº 70.235, de 1972, sendo que a alteração do art. 9º do referido Decreto visa possibilitar à Fazenda Nacional, nas hipóteses em que não resulte lançamento de crédito tributário, a formalização de infrações que ensejem a redução de valores a restituir, a compensar ou a deduzir de tributos e a glosa de créditos de tributos não cumulativos, permitindo ao contribuinte exercer plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.747 14 Tratouse, então, de garantir o contraditório e a ampla defesa nas hipóteses em que são constatadas as referidas infrações. Portanto, a finalidade dessa norma deve ser colhida em absoluta consonância com a ideia de se garantir o contencioso administrativo e, sobretudo, com a exigência probatória contida no caput do mesmo artigo, qual seja, todos os elementos indispensáveis à comprovação do ilícito. Desde que tais premissas sejam atendidas, não vejo necessidade de se exigir a lavratura de um auto de infração se o mesmo objetivo pode ser atingido com um despacho decisório que pode ser contestado pela via da manifestação de inconformidade. Ademais, existe ainda uma questão de ordem pragmática que me parece relevante nessa discussão. Vamos admitir que o contribuinte faça uma retificação de sua apuração, para aumentar seu saldo negativo, e submeta a correspondente declaração de compensação quando decorridos quatro anos e onze meses da ocorrência do fato gerador. Se o Fisco tivesse só um mês para conferir a apuração, é bem possível que isso abriria espaço para a “criação” de créditos fictícios que, uma vez multiplicados, poderiam trazer consequências nefastas para o Erário. Nesse caso, os defensores da tese da “homologação tácita independentemente da apuração de crédito tributário” propugnam por uma solução jurisprudencial que permita a reabertura do prazo decadencial por causa da retificadora apresentada ao Fisco. Nada obstante, além da falta de previsão legal, em nome da coerência lógica do sistema, haveria que se estender tal entendimento para as situações em que, ao invés de aumento do saldo negativo, a retificadora fosse apresentada no sentido de reduzir o saldo positivo, ou seja, de reduzir o crédito tributário anteriormente constituído. Então, se o pagamento ainda não tivesse sido efetuado, os defensores daquela tese admitiriam também a reabertura do prazo para o Fisco lançar o crédito tributário indevidamente reduzido? Não creio que chegassem a tanto! Por conseguinte, nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendoo por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. É claro que a soma desses prazos (de repetição e de homologação) acabará consolidando em dez anos uma determinada apuração de saldo negativo. Assim, por exemplo, se a apuração originalmente efetuada pelo contribuinte no anocalendário de 2009 resultar em saldo negativo, este poderá ser objeto do direito creditório em uma declaração de compensação até o final do anocalendário de 2014. O Fisco, por sua vez, terá até o final do anocalendário de 2019 para confirmar ou recompor a apuração original. Mesmo que esta apuração original tenha deduzido estimativas pagas mediante compensação com crédito referente a saldo negativo anterior (apurado no anocalendário de 2008, por exemplo), o Fisco não mais poderá visitar a apuração que o acarretou. Isso porque tal compensação já terá sido alcançada pela homologação tácita (que teria ocorrido no final do anocalendário de 2013). A possibilidade de o Fisco exigir a comprovação do elementos formadores do crédito indicado na compensação é confirmada pela aplicação da exegese contida no artigo 37 da Lei nº 9.430/96: Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.748 15 Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Com efeito, pleiteada a compensação, esta constitui um fato permutativo entre elementos do patrimônio da pessoa jurídica. Mesmo sujeito à posterior homologação, a teoria contábil exige o lançamento deste fato administrativo quando de sua constituição. Enquanto não decair o direito de o Fisco lançar os créditos tributários referentes ao exercício financeiro em que ocorreu ou deveria ter ocorrido o mencionado lançamento, a pessoa jurídica tem o dever de manter os comprovantes da escrituração dos elementos que repercutiram na criação do crédito alegado na compensação. Então, uma vez que foi verificado que não existe saldo negativo quando refeita a apuração do anocalendário a que se refere o imposto retido na fonte objeto do presente processo, é de se concluir que não há direito creditório passível de compensação. A recorrente, ademais, pretende desvincular sua repetição de indébito do ano calendário de 1999 e qualificála como mero pagamento indevido efetuado em 27/10/2006. Argumenta que a receita proveniente das operações de swap havia sido oferecida à tributação na apuração do ajuste daquele anocalendário sem, contudo, ter havido a dedução do imposto retido na fonte. Outrossim, não teria realizado essa dedução no anocalendário de 2006. Por isso, teria o direito agora de qualificálo como pagamento indevido. Essa argumentação cai por terra quando se vê que a unidade de origem constatou que os rendimentos das operações de swap registrados no próprio Livro Diário da empresa incorporada não foram oferecidos à tributação. Com efeito, os rendimentos de R$ 19.533.500,94 e R$ 17.825.013,67, correspondentes aos IRRF de R$ 3.906.700,18 e R$ 3.565.002,73 (objetos do presente processo), não foram incluídos no campo apropriado da DIPJ (linha 21 da ficha 07). Neste campo, o valor informado encontrase “zerado”. Aliás, se somados, superariam em muito a receita financeira que foi declarada no valor de R$ 11.657.281,52. Além disso, se é verdade que o Fisco deveria ter lançado o imposto devido decorrente dos rendimentos das operações de swap não oferecidas à tributação, com o intuito de prevenir a decadência, é também verdade que a obrigação tributária, uma vez nascida, não deixou de existir pelo simples fato de o correspondente crédito tributário não haver sido constituído. É que o CTN adotou a teoria dualista da obrigação, segundo a qual a obrigação tributária (Haftung) não se confunde com o crédito tributário (Schuld). Mesmo que a dívida não possa ser executada porque não existe o crédito tributário, ela não perde relevância jurídica e seu eventual pagamento não pode ser considerado enriquecimento ilícito do credor. Assim, se o devedor, voluntariamente, paga a dívida, não terá direito à repetição porque de indébito não se trata (Cf. Luís Eduardo Schoueri, Direito Tributário, 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011, pp 473 e 474). Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.749 16 Ademais, de modo semelhante ao que essa Turma já se pronunciou quando decidiu pela possibilidade de um pedido de compensação de saldo negativo ser analisado como um pedido de compensação de pagamento indevido por ser esta a verdadeira natureza do direito creditório que se tratava (Cf. Acórdãos nº 1102001.124 e 1102001.125, sessão de 04/06/2014, Relator Conselheiro José Evande Carvalho Araujo), entendo que a situação inversa deve ser também contemplada. Ou seja, um pedido de compensação apresentado como pagamento indevido deve ser analisado como um pedido de compensação de saldo negativo se esta for a verdadeira natureza do crédito envolvido. E se, nesta hipótese, chegarse a conclusão de que a obrigação tributária não foi plenamente honrada, não há saldo negativo a repetir. A recorrente também alega que a autoridade fiscal não forneceu elementos para propiciar a ampla defesa e o contraditório. Não lhe assiste razão. Nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos, é ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir. Diante da recusa da Administração, é que exsurge o que dispõem os §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, verbis: § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Portanto, as garantias do contraditório e da ampla defesa são exercidas no âmbito do processo tributário administrativo e as diversas normas neste sentido estão regulamentadas no Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a recorrente exerceu esses direitos depois de ser regulamente notificada do Despacho Decisório que decidiu pela não homologação das compensações declaradas ao apresentar sua tempestiva manifestação de inconformidade e, subsequentemente, ao interpor o recurso voluntário. No entanto, em nenhuma dessas oportunidades incumbiuse de trazer contraprova aos graves problemas apresentados pela autoridade fiscal. Quanto às demais alegações invocadas na manifestação de inconformidade, considerando que não foram deduzidos novos argumentos no recurso voluntário, reportome às razões de decidir proferidas no voto condutor da decisão recorrida, as quais, peço vênia para reproduzir: Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.750 17 Da juntada posterior de documentos Com relação ao protesto do interessado para juntada posterior de documentos, devese esclarecer que o art. 15 c/c o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972 dispõe que a prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do § 4º do art. 16 (alínea a: impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; alínea b: refirase a fato ou direito superveniente; alínea c: destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Devese registrar que, no caso concreto, até o presente momento, não consta que o interessado tenha juntado qualquer documentação em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade. Se tivesse juntado, teria o ônus de comprovar a ocorrência de uma das condições referidas nas alíneas a, b e c do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, que poderiam justificar a apresentação de documentos a posteriori, conforme o disposto no art 16, § 5º do referido diploma legal. Da perícia O interessado solicita perícia. Contudo, não preencheu os requisitos formais previstos no art. 16, inciso IV, e § 1º, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993. Ademais, uma perícia só se justifica, quando haja controvérsia que demande um exame técnico especializado, o que, data venia, não é o caso do presente processo. Além disso, devese registrar que a documentação contida nos autos é suficiente para formar a convicção do julgador administrativo (art. 29 do Decreto 70.235/1972). Sendo assim, indefiro a perícia, por desnecessária, nos termos do disposto no art. 18 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/1993. Da suspensão do crédito tributário O interessado requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão, tendo em vista o disposto no artigo 74, § 11, da Lei n° 9.430/96 e no artigo 151, inciso III, do CTN. Quanto a esta questão, cabe reproduzir o art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ..... III – as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;” Portanto, a exigibilidade do crédito tributário estará suspensa, enquanto não houver decisão definitiva. Das preliminares Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.751 18 da constituição do credito tributário por meio de auto de infração ou notificação de lançamento O interessado alega que, nos termos do art. 142 do CTN e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, o crédito tributário só poderia ser constituído por meio de um auto de infração ou de notificação de lançamento; que a presente cobrança seria nula e deveria ser cancelada, uma vez que o Despacho Decisório não seria a via competente para se formalizar um crédito; cita jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes. Tal alegação não tem fundamento. (...) Impende frisar que o presente processo não se trata de constituição de crédito tributário, formalizada por auto de infração ou notificação de lançamento. In casu, tratase de confissão de dívida, já que, de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 com redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória nº 135 de 30/10/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, “a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados”. Portanto, os débitos foram confessados pelo interessado na data da apresentação das DCOMPs, não sendo hipótese de lançamento de ofício, não sendo cabível auto de infração ou notificação de lançamento. (...) Da multa de mora A afirmação do interessado, de que não deveria ser cobrada multa de mora, já que os débitos não se encontravam em atraso, não se coaduna com os fatos. Isto porque, em sua maioria, os débitos declarados nas DCOMPs se referem a períodos de apuração de 2006, mas as DCOMPs só foram apresentadas em 02/01/2007. Ou seja, os débitos estavam em atraso. Ademais, as compensações não foram homologadas. Por sua vez, a alegação de que a aplicação da multa de 20% seria confisco não tem fundamento. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, conforme previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988, restringese ao valor do tributo, e não à multa. Ademais, a aplicação da multa de mora de 20%, para débitos declarados e confessados em DCOMP, mas não pagos, está expressamente prevista em lei. A seguir, citase o art. 61 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.752 19 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Portanto, é cabível a aplicação de multa de mora de 20% (vinte por cento). Dos juros de mora – Taxa Selic O interessado argumenta que a jurisprudência teria reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que a taxa não foi criada por lei para fins tributários. Entende que, não obstante a posição sumulada pelo extinto E. Primeiro Conselho de Contribuintes, e tendo em vista a possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. Tais alegações não procedem. Cabe, inicialmente, citar decisão do STJ que reconhece a legalidade da aplicação da taxa Selic, a qual foi extraída do Código Tributário Nacional à luz da jurisprudência – do TRF da 1º Região, 2004, Brasília (CTN Completo – Internet PDF). “Ementa: ... II. O art. 161 do CTN, ao estipular que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalva, expressamente ‘se a lei não dispuser de modo diverso`, de modo que, estando a Selic prevista em lei, inexiste ilegalidade na sua aplicação... (STJ. RESp 267788/PR. Rel. Min. João Otávio de Noronha – 2ª Turma – Decisão 01/04/03 DJ de 16/06/03 p. 274)” Ademais, é importante ressaltar a Posição do STJ a respeito da legalidade da Taxa Selic, extraída do Regulamento do Imposto de Renda 2002 – Anotado e Comentado – Fiscosoft Editora. p. 2.348. “Posição do STJ 1 – APLICAÇÃO DA SELIC – 1. Esta Corte pacificou entendimento quanto à legalidade da Taxa Selic, a qual contabiliza correção monetária e juros moratórios (precedentes múltiplos. [...] PROCESSO: 2003/00417242 DECISÃO: 04/11/2003 Publicado DJ – 15/12/2003)”. (grifei) O art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, determina que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento. O julgador administrativo está vinculado às leis vigentes no ordenamento jurídico, não podendo delas nunca se afastar (art. 142, § único, CTN). Citase, por fim, Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.753 20 Portanto, é cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Voto Vencedor Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Redator Designado Na sessão de julgamento deste processo, ousei divergir do posicionamento do Ilustre Relator no tocante à possibilidade de recolhimento de crédito tributário decaído ser considerado como pagamento indevido, entendimento que prevaleceu pela maioria dos votos da Turma. Observese que os demais fundamentos do voto vencido não serão abordados por este voto vencedor, pois a matéria em discussão é suficiente, por si só, para dar provimento ao recurso voluntário. Verificase que o contribuinte pretende repetir pagamentos de Imposto de Renda Retido da Fonte IRRF incidente sobre rendimentos auferidos no anocalendário de 1999 em operações de swap, recolhidos em 27/10/2006. Acrescentese que, apesar de o contribuinte ter discutido a tributação no Judiciário, o Fisco não efetuou lançamento para prevenir a decadência. Ora, mesmo se utilizando da regra de decadência do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, que inicia a contagem do prazo quinquenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e se considerando que a restituição se refere ao IRPJ do ano de 1999, com fato gerador em 31/12/1999, o prazo decadencial se iniciaria em 1º/1/2001 e terminaria em 31/12/2005. Dessa forma, na data dos pagamentos, em 27/10/2006, o crédito tributário já estaria decaído. O voto vencido entendeu que o pagamento de dívida decaída não poderia ser repetido, pois, mesmo sem a possibilidade de exigência do crédito, a obrigação tributária não deixaria de existir. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO Processo nº 16682.720726/201131 Acórdão n.º 1102001.186 S1C1T2 Fl. 1.754 21 Contudo, respeitosamente, penso que tal raciocínio, válido no âmbito do Direito Civil, não se aplica ao Direito Tributário. O inciso V do art. 156 do CTN inclui a decadência como uma das formas de extinção do crédito tributário. E o art. 113, § 1º, do mesmo Código determina que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, e se extingue juntamente com o crédito dela decorrente. Isto é, apesar de o Código ter adotado a separação entre obrigação e crédito, determinou que a primeira também se extinguisse junto com o crédito dela decorrente. Dessa forma, com a extinção do crédito tributário pela decadência, extinguiu se, também, a obrigação tributária a ele relativa. Nesse sentido, no presente caso, não ocorreu o simples pagamento de dívida não exigível, como entendeu o Relator, mas sim de dívida inexistente. Tratase, assim, de pagamento indevido, restituível nos termos do inciso I, do art. 165, do CTN. Desse modo, deve ser homologado o pedido de compensação em análise, pois está lastreado em crédito decorrente de pagamento de tributo depois de extinto o direito de a Fazenda Pública constituílo. Foram essas as razões porque a Turma Julgadora, por maioria de votos, entendeu por dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. José Evande Carvalho Araujo Redator Designado Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 10/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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