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Numero do processo: 10711.003262/2010-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/06/2008
ADUANEIRO. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INFORMAÇÕES INTEMPESTIVAS. MULTA REGULAMENTAR.
A prestação intempestiva de informações relativas à desconsolidação de cargas enseja a aplicação de multa regulamentar, consoante artigo 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/06/2008 ADUANEIRO. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INFORMAÇÕES INTEMPESTIVAS. MULTA REGULAMENTAR. A prestação intempestiva de informações relativas à desconsolidação de cargas enseja a aplicação de multa regulamentar, consoante artigo 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/66. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 ADUANEIRO. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INFORMAÇÕES INTEMPESTIVAS. MULTA REGULAMENTAR. A prestação intempestiva de informações relativas à desconsolidação de cargas enseja a aplicação de multa regulamentar, consoante artigo 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 32 62 /2 01 0- 43 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 1/13) para exigência de penalidade pecuniária prevista no artigo 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66 e no artigo 45, da IN/RFB n° 800/07, em razão da prestação intempestiva de informações relativas à desconsolidação de carga proveniente do exterior. Intimada, a recorrente o impugnou (fls. 31/40), alegando que: (a) o artigo 22 da IN/RFB no. 800/07 – no qual estão previstos os prazos máximos para transportadores e agentes de carga prestarem informações acerca dos volumes transportados e sujeitos a desconsolidação – teve sua redação alterada pela subseqüente IN/RFB no. 899/08, cuja vigência só teve início em 01.04.2009, de sorte que os limites temporais ali previstos não se aplicam à hipótese dos autos, cuja ocorrência antecede esta data; (b) solicitou retificação da informação originalmente prestada à RFB, e o prazo para esta retificação de 30 dias – teria sido rigorosamente cumprido, conforme artigo 44 do RA/02; (c) a multa em questão possui caráter arrecadatório e não educativo, de forma que a responsabilidade tributária, embora objetiva, merece atenuações interpretativas; e (d) eventualmente superados os argumentos anteriores, a sanção aplicável à infração seria não a imposta por meio do auto de infração impugnado, mas sim aquela prevista no artigo 729, inciso II, do Decreto nº 6.759/09 (novo RA). Em 21.10.2011, a DRJ/FlorianópolisSC desproveu a impugnação e manteve a autuação incólume sob os seguintes principais fundamentos (fls. 58/61): (i) tendo sido de fato cumprida a destempo a obrigação acessória, mais precisamente 14 dias após a datalimite para tanto, a imposição da penalidade é escorreita; (ii) a sanção prescrita pelo art. 729, II, do novo RA é genérica, não devendo substituir aquela específica aplicada in casu; e (iii) a penalidade pecuniária independe da intenção do agente, nos termos do art. 94, §2º, do DecretoLei nº 37/66. No voluntário de fls. 70/81, a recorrente reproduz, integralmente, a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10711.003262/201043 Acórdão n.º 3403001.834 S3C4T3 Fl. 5 3 A autuação decorre de informação intempestiva referente à desconsolidação de carga importada. Segundo consta do auto de infração, a embarcação transportadora atracou no Porto do Rio de Janeiro no dia 12.06.2008, às 3h05, enquanto o respectivo Conhecimento Eletrônico Mercante Agregado (HBL) foi gerado apenas no dia 26.06.2008, às 10h23, o que gerou a aplicação da multa prevista no artigo 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66. Eis o referido dispositivo legal: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" Contra esta breve cronologia fática, a recorrente não se manifestou. Não impugnou especificamente o fato gerador da imposição da multa regulamentar, qual seja, a entrega de informações sobre a desconsolidação de carga em data posterior àquela em que se deu a atracação do navio. A alegação para cancelamento da exigência restringese à impossibilidade de retroação do artigo 22, III, da IN/RFB nº 800/07, o qual disciplina o momento para prestação das informações, em razão do disposto no artigo 50, caput, da mesma IN, in verbis: "Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico." "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.(Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008)" A análise do inciso II, do parágrafo único, ao artigo 50 desta IN, contudo, me permite concluir pela improcedência do argumento da recorrente. Isto porque o dispositivo elucida que a postergação da eficácia do artigo 22, III está restrita ao prazo mínimo de antecedência, ou seja, ao prazo de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Vejase tal comando legal: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009.(Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País." Assim, a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação permanecia válida e eficaz à época dos fatos e, tendo sido descumprida, a aplicação da penalidade é legítima. Esta é a melhor interpretação do disposto no artigo 50, parágrafo único, II, da IN/RFB nº 800/07. A recorrente também argumenta que a retificação das informações intempestivamente prestadas ocorreu dentro do prazo legal de 30 dias, conforme artigo 25, III, da IN/RFB nº 800/07, sugerindo que esta retificação poderia corrigir o defeito original. Prazos para apresentação de informações e prazo para retificação de informações são completamente distintos. A intempestividade do primeiro não é superada pela tempestividade do segundo. Constatado que a intempestividade se refere às informações originalmente prestadas – e não às retificadas –, tal alegação é desinfluente quanto à validade da aplicação da multa aqui em debate. Por fim, o pleito de redução da multa para aquela constante do art. 729, II, do Decreto nº 6.759/09 também não procede, uma vez que, conforme bem apontado pela DRJ, esta se trata de penalidade genérica, inaplicável ao caso por haver multa específica ao ato praticado pela recorrente, nos termos do art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, o qual, inclusive, está reproduzido no artigo 728, IV, “e”, do Decreto nº 6.759/09. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 88DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 08/12/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720231/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO.
Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo
Numero da decisão: 3401-001.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar o provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 20/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César AlvesRamos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi GuerzoniFilho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo
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Segundo a Súmula nº. 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar o provimento ao Recurso Voluntário nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 20/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 02 31 /2 00 7- 08 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Em 15.9.2005 a contribuinte Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás protocolou Declaração de Compensação com o objetivo de aproveitar crédito proveniente de pagamento a maior de PIS no valor de R$3.728.783,26. Em 5.2.2010 a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária– RJ, através de Despacho Decisório (fl. 112.), reconheceu parcialmente o crédito pleiteado, no valor de R$1.636.126,08 e, consequentemente, homologou parcialmente a compensação declarada, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer Conclusivo (fls. 104/111),consta ,resumidamente,que: a) A contribuinte retificou a DCTF alterando o valor do PIS devido, código 8109, para o período em questão. Retificou também o valor da CIDE utilizado na quitação de parte do débito 8109. Apesar de o valor retificado em DCTF coincidir com o declarado na DIPJ, os códigos de retenção eram distintos. Constam recolhimentos nos valores de R$ 36.222.312,27 e R$13.842,15, sob o código 8109; b) O processo foi encaminhado à DEFIC para realização de diligência para apuração do valor efetivo devido ao PIS em cada órgão de retenção. Com base nas informações contábeis e extra contábeis fornecidas pela contribuinte, o órgão concluiu que persistiram divergências apuradas em relação à aplicação das alíquotas específicas de combustíveis e que o valor devido após a dedução da CIDE é de R$ 32.810.218,12. c) Na planilha anexada ao relatório fiscal, foi considerada a dedução indicada pela contribuinte referente a liminares, tanto para a receita de venda de gasolina, quanto para o óleo diesel. Entretanto, não há legislação de regência do PIS que autorize tal exclusão. Havendo discussão judicial sobre determinada receita, o procedimento apropriado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido e, na DCTF, especificar o montante discutido, que ficará com a exigibilidade suspensa até findar a lide. Sendo assim, foi retificada a planilha elaborada pela fiscalização, para incluir na base de cálculo do PIS sujeito a alíquotas diferenciadas o valor indevidamente excluído; d) Tais alterações impõem a retificação do restante da apuração do PIS devido, como demonstrado pela retificação da ficha 21 da DIPJ; e) O total devido após a dedução da CIDE é de R$ 34.600.028,34. Considerando os pagamentos no valor total de R$ 36.236.154,42, resta configurado o pagamento a maior de R$ 1.636.126,08. Em 25.2.2010, contribuinte é cientificada da decisão e em 24.3.10 apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 130/141), alegando, em síntese, que: a) O Parecer Conclusivo apresentou equívoco em sua linha de raciocínio, ao incluir o valor relativo à venda de combustível objeto de liminares na base de cálculo do PIS; b) Por força das liminares, os fatos geradores passaram a se comportar como fatos geradores condicionais. No caso dos autos, as ordens judiciais adicionaram aos atos jurídicos condição suspensiva, fazendo com que o tributo incidisse somente caso as liminares fossem afastadas por decisão judicial superior; Fl. 596DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10768.720231/200708 Acórdão n.º 3401001.750 S3C4T1 Fl. 596 3 c) Como a exigibilidade estava suspensa por força judicial, não poderia a requerente incluir tais valores na base de cálculo do PIS, já que tal inclusão representaria um reconhecimento de incidência do tributo sobre essas parcelas com liminares, tributo esse cuja existência foi obstada por força judicial, configurando uma contradição; d) O raciocínio exposto no Parecer Conclusivo também conduz a uma projeção dos efeitos do fato gerador para além dos comandos legais, já que os mesmos se encontravam afastados por ordens judiciais; e) No que se trata de gasolina e GLP, não foram utilizadas as alíquotas corretas no cálculo do PIS; f) Na base de cálculo da venda de gasolina foi incluída a venda de gasolina de aviação, na ordem de R$ 11.733.736,83, que deveria ser tributada à alíquota de 1,65%; g) No montante utilizado na base de cálculo do GLP foi incluído o produto 614 (propano/butano), cujas operações somam R$ 21.262.074,11, que somente passou a ser tributado como GLP a partir de março/2003 (IN SRF 247/2002). Em 19.1.2011 a 5ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, reconhecendo que o valor efetivamente pago a maior foi com base nos seguintes argumentos: a) Quanto à exclusão pretendida de R$ 44.735.132,25 (referente à gasolina) e R$ 26.096.935,23 (relativa ao óleo diesel) da base de cálculo do PIS, cumpre registrar que não há nos autos informações acerca das citadas liminares e das ações judiciais a elas correspondentes. A contribuinte também não demonstra como apurou os valores excluídos a este título e nem esclarece a que se refere à parcela da receita de venda de gasolina e óleo diesel que estaria sendo discutida na esfera judicial e que, no seu entender, não estaria sujeita, no período em análise, à incidência do PIS. b) O crédito tributário suspenso por decisão judicial não definitiva deve ser declarado à RFB nesta condição, não havendo autorização para a exclusão de tais receitas na composição da base de cálculo da contribuição devida. Sendo a decisão favorável ao contribuinte, o crédito tributário declarado como suspenso tornase extinto na forma do inciso X do artigo 156 do CTN e, somente a partir daí, os valores porventura recolhidos, correspondentes ao débito extinto, tornamse passíveis de restituição ou de utilização na forma de compensação. c) A gasolina de aviação foi excetuada da tributação pelo regime concentrado, permanecendo, portando, sujeita à incidência das alíquotas gerais aplicáveis ao PIS/Pasesp e à Cofins. De acerca com as cópias das notas fiscais do referido produto, emitidas em fevereiro de 2003 (fls. 187/224), verificase que a receita bruta da venda de gasolina de aviação, no período foi no montante de R$ 11.674.449,53, devendo este valor ser excluído da base de cálculo apurada em relação à venda de gasolina, e acrescentando à base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo. d) Quanto à tributação das receitas de venda de butano, não é cabível a exclusão pretendida pela contribuinte, já que tais produtos estavam sujeitos à aplicação do regime especial de tributação concentrada prevista no III do art. 4º da Lei nº 9.718/1998, com redação dada pela Lei n° 9.990/2000. Posteriormente, a IN SRF n° 219, de 10.10.2002, Fl. 597DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 esclareceu o alcance da expressão gás liquefeito de petróleo, contida no inciso VI do art. 2º da IN SRF n° 107 de 28/12/2001, que dispõe sobre a CIDE, incluindo os produtos classificados nos códigos 2711.12.10, 2711.12.90, 2711.13.00, 2711.14.00, 2711.19.10 e 2711.19.90 da Tipi. Especificamente em relação ao PIS/Pasep e à Cofins, a IN SRF 247, de 21/11/2002 dispôs no parágrafo único do artigo 53, no mesmo sentido da legislação relativa à CIDE, definindo que o gás liqüefeito de petróleo sujeito ao regime concentrado de tributação, abrange os mesmos códigos da Tipi já citados. Portanto, a receita de venda de GLP, inclusive a venda de butano, sujeitase à incidência do PIS mediante aplicação da alíquota de 2,56%, sendo indevida a exclusão pretendida pela contribuinte. e) Tendo sido comprovada a inclusão indevida da receita de venda de gasolina de aviação na base de cálculo do PIS sobre a venda de combustíveis, fazse necessário recalcular a contribuição total devida para fins de reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento a maior e na conseqüente homologação da compensação declarada pelo contribuinte na parcela correspondente ao crédito deferido. Para tanto, devese excluir o valor da contribuição indevidamente calculada pela aplicação da alíquota de 2,7% sobre a receita proveniente da venda de gasolina de aviação no cálculo do PIS combustível (código 6824) e adicionado o mesmo valor à base de cálculo do PIS apurado no regime de incidência não cumulativo, com incidência da alíquota de 1,65%. Em, 11.5.2011 a interessada é cientificada do parecer da 5ª Turma da DRJ/RJ2 e em 6.6.2011 apresenta Recurso Voluntário (fls.308/318), argumentando, em síntese, que: a) Em relação à gasolina de aviação, o valor de venda de R$ 11.674.449,53 reconhecido pela fiscalização se apresenta ligeiramente menor que aquele informado pela contribuinte, de R$ 11.733.736,83, devendo o cálculo envolvendo operações com tal produto ter como base o valor indicado na Manifestação de Inconformidade (R$ 11.733.736,83). b) Com relação ao butano, após edição da Instrução Normativa SRF nº 219 de 10/10/2002, a recorrente passou a tributar o propeno pela CIDE – Combustíveis, e por coerência, na mesma época, adotou alíquotas monofásicas/majoradas de GLP para PIS/Cofins sobre estes produtos classificados no NCM grupo “27.11.1”. O produto identificado no código 614 apesar de contabilizado na conta contábil do GLP, não pertence ao grupo acima citado, motivo pelo qual a tributação da Cofins é efetuada pela alíquota geral e não pela alíquota monofásica/majorada. c) No que diz respeito à inclusão, na base de cálculo apurada, de venda de produtos, cujos valores foram discutidos na esfera judicial, não é necessário à Recorrente prestar informação que já é de conhecimento da Fazenda. d) Como a exigibilidade de valores, que foram motivo de divergência no processo de apuração fiscal, estava suspensa por força de ordem judicial, não poderia a recorrente incluir tais valores na base de cálculo da Cofins, dado que tal inclusão representaria um reconhecimento da incidência do tributo sobre essas parcelas com liminares, tributo cuja incidência foi obstada por força judicial, configurando uma equivocada contradição. Por fim, a contribuinte requer que seja dada procedência ao seu Recurso Voluntário e, consequentemente, homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10768.720231/200708 Acórdão n.º 3401001.750 S3C4T1 Fl. 597 5 Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Em suma a contribuinte emitiu Declaração de Compensação devido ao pagamento a maior de COFINS, tendo obtido êxito parcial em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, onde defende seu pleito, tendo em vista a existência de liminares judiciais, bem como, de diferentes alíquotas. Neste caso não é possível dar provimento ao Recurso, devido a Súmula CARF nº 1, que diz o seguinte. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante no processo judicial” Neste caso não cabe à autoridade administrativa adentrar ao mérito dá questão, devendo ser obedecida à decisão judicial, uma vez que está esfera é superior à administrativa, não sendo possível a discussão da mesma matéria em ambas as instâncias. Assim não cabe a este conselho analisar pedidos de compensação embasados em liminar judicial, devendo aguardar o trânsito em julgado definitivo, cumprindo a decisão proferida.. Frente a todo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, tendo em vista a Súmula CARF nº. 1. É Como Voto! Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 2/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 16327.000154/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/11/2002
CPMF. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
A concessão de medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário não elide a aplicação da multa de ofício se já se encontrava em curso procedimento fiscal com vistas à apuração da correspondente falta de recolhimento.
Embargos Acolhidos em Parte
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator.
EDITADO EM: 04/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator. EDITADO EM: 04/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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DE SEGUROS GERAIS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/11/2002 OMISSÃO EM ACÓRDÃO. MATÉRIA NÃO ABRANGIDA POR AÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CABIMENTO. São cabíveis embargos declaratórios para suprir a omissão contida no acórdão que considerou, incorretamente, abrangida por ação judicial matéria que deveria ser apreciada administrativamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/11/2002 CPMF. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A concessão de medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário não elide a aplicação da multa de ofício se já se encontrava em curso procedimento fiscal com vistas à apuração da correspondente falta de recolhimento. Embargos Acolhidos em Parte Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 54 /2 00 7- 33 Fl. 278DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator. EDITADO EM: 04/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela contribuinte contra o Acórdão nº 330201.076, de 07/07/2011. Os embargos foram admitidos parcialmente pelo Despacho Decisório de fls. 275 e 276, parcialmente reproduzido abaixo: Ciente do referido acórdão em 19/10/2011, a empresa autuada ingressou, no dia 24/10/2011, com embargos de declaração alegando existência das seguintes omissões no julgado: 1) o acórdão não se referiu à sentença proferida no mandado de segurança nº 2007.61.00.0009631, que afastou a multa de mora; 2) o acórdão não apreciou o argumento da inaplicabilidade da multa de ofício porque os débitos estão suspensos por liminar e sentença proferida no mandado de segurança nº 2007.61.00.0009631. Quanto à multa de mora, conforme bem disse a decisão de primeiro grau, a lide estabelecida neste processo versa unicamente sobre a não aplicação do método de imputação proporcional aos pagamentos realizados. O não pagamento da multa moratória está sendo discutido no Mandado de Segurança nº 2007.61.00.0009631 e não foi objeto de impugnação. Portanto, não vejo necessidade de, na parte do voto condutor do acórdão embargado que trata da imputação proporcional, fazer referência à sentença proferida no mandado de segurança nº 2007.61.00.0009631, posto que a mesma não tratou da forma de efetuar a imputação, aos débitos, dos pagamentos realizados pela embargante. Quanto à alegação de falta de apreciação dos argumentos da inaplicabilidade da multa de ofício, especialmente porque os débitos estão suspensos por liminar e sentença proferida no Fl. 279DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000154/200733 Acórdão n.º 3302001.905 S3C3T2 Fl. 278 3 mandado de segurança nº 2007.61.00.0009631, entendo que assiste razão à embargante. De fato, o segundo objeto da lide deste processo é o lançamento da multa de ofício quando o Auto de Infração foi lavrado com suspensão da exigibilidade do crédito em face decisão judicial. Sobre este tema, a decisão embargada diz o seguinte: “No tocante a alegação de que, quando da lavratura do auto de infração, os valores cobrados estavam com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar, nos termos do artigo 151, inciso IV do Código Tributário Nacional, descabendo a aplicação da multa por falta de recolhimento, entendo que não se deve tomar conhecimento desta matéria, em atendimento a súmula CARF n° 1, in verbis:” Aqui, SMJ, ocorreu evidente equívoco porque esta matéria (multa de ofício) não está sendo discutida em nenhuma ação judicial impetrada pela embargante e não cabe a aplicação da Súmula CARF nº 1. Deveria, sim, esta matéria ser enfrentada no acórdão embargado. Isto posto, vejo que ocorreu omissão no julgado quanto ao lançamento da multa de ofício e, portanto, com base nos §§ 1o e 3o do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria MF no 256/2009, com a redação da Portaria MF no 586/2010) entendo procedentes as alegações da embargante quanto a este matéria e, consequentemente, dou seguimento ao presente embargos declaratórios neste parte e nego seguimento quanto à outra matéria objeto dos embargos. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco Conforme esclarecido no relatório, os embargos foram admitidos exclusivamente em relação às questões da multa de ofício e da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A interessada efetuou os pagamentos em 29 de novembro de 2002, relativamente a fatos geradores abrangidos pela período de junho de 1999 a outubro de 2002 (fl. 15). A relação constante da intimação de fl. 13 especifica os períodos para cada conta corrente. O auto de infração foi efetuado adotando como data do fato gerador a dos recolhimentos efetuados pela Interessada, à vista de efetuar uma imputação proporcional de pagamentos com essa data de valoração. A ação fiscal de que tratam os autos iniciouse em 21 de dezembro de 2005, tendo sido lavrado o auto de infração em 13 de fevereiro de 2007. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O segundo mandado de segurança foi apresentada em 15 de janeiro de 2007 (fl. 137) e a medida liminar foi concedida em 24 de janeiro de 2007, nos seguintes termos: Enfim, ante ao exposto, DEFIRO A LIMINAR REQUERIDA para que a autoridade impetrada reconheça a exclusão da multa moratória no caso de recolhimento da CPMF, em nome da parteimpetrante, no prazo de 30 dias, nas condições previstas no art. 63, § 2o, da Lei n° 9.430/1996, para tanto, contando tal prazo da data da publicação do acórdão dos embargos de declaração indicados às fls. 103/108 destes autos. A dispensa da exigência da multa abrange aquela decorrente da mora pertinente às obrigações tributárias cujos vencimentos de CPMF ocorreram desde a impetração do mandado de segurança noticiado nestes autos. A referida ação foi proposta à vista de um mandado de segurança impetrado anteriormente (1999.61.00.026966.6), visando à suspensão da exigibilidade da CPMF. A respeito de tal ação, a Fiscalização esclareceu o seguinte: (2 ) A referida medida judicial foi impetrada perante a 8a Vara Cível Federal de São Paulo, que concedeu em 17.06.1999 a Medida Liminar pretendida, confirmada pela Sentença proferida em 03.12.1999 ; (3 ) Foi interposto pela União Federal, perante o TRF, Recurso de Apelação, cujo feito foi recebido em seu regular efeito devolutivo ; (4 ) Submetido a julgamento o Recurso de Apelação interposto, o TRF opinou pela validade da EC n° 21/99 e afastou as arguições de inconstitucionalidade reformando integralmente a sentença proferida, conforme acórdão publicado em 18.04.2001; (5 ) O contribuinte interpôs Embargos de Declaração junto ao TRF alegando que a decisão proferida pecava pela falta de manifestação expressa quanto à aplicabilidade do art. 2° da LICC e do préquestionamento da matéria em discussão, culminando no não conhecimento do feito por aquele Pretório, conforme acórdão publicado em 11.11.2002; (6 ) Em decorrência, em 29.11.2002, o contribuinte procedeu ao recolhimento, sem o acréscimo da multa de mora, da CPMF no montante de R$ 16.606.055,48 (Principal = R$ 13.150.495,31 e SELIC = R$ 3.455.560,17), a qual se encontrava suspensa no período de 17.06.1999 a 12.11.2002 ; (7 ) Analisando o procedimento adotado, foi verificado que o contribuinte detinha o direito à dispensa de retenção da CPMF até 18.04.2001, ocasião em que foi publicado o Acórdão proferido pelo TRF revogando a sentença de 1º Grau e tornando exigível a Contribuição sob comento ; (8) Dali em diante iniciarseia a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para o recolhimento da CPMF que se encontrava sub judice sem o acréscimo da multa de mora, nos termos do £ 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96, que estabelece o quanto segue : Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000154/200733 Acórdão n.º 3302001.905 S3C3T2 Fl. 279 5 "Art. 63. “§2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. " (9 ) Entretanto, tal evento somente se consumou em 29.11.2002, fora, portanto, do prazo disposto no § 2° do Art. 63 da Lei n° 9.430/96; (10) Vale consignar, que os Embargos de Declaração interpostos face à decisão proferida em 21.02.2001 pelo TRF e publicada em 18.04.2001, não suspenderam ou fizeram cessar os efeitos da decisão emanada por aquela Corte, dado que a sistemática dos Embargos de Declaração, relativamente aos seus efeitos (art. 538 do CPC), são meramente interruptivas, ou seja, interrompem o prazo para a interposição de outros recursos por quaisquer das partes ; [...] (13) No curso da presente Ação Fiscal, foi interposto perante a 14a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo o Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0009631, pleiteando a suspensão da exigibilidade da multa moratória não incluída nos pagamentos efetuados em 29.11.2002, com a sustentação de que os Embargos de Declaração teriam, em tese, o condão de suspender os efeitos da decisão do acórdão publicado em 18.04.2001; (14) Aduziu, ainda, que o marco inicial para a contagem do prazo previsto no § 2° do art. 63 da Lei n° 9.430/96, iniciarseia a partir da data da decisão dos Embargos de Declaração; [...] Isto posto, procederseá, de oficio, à constituição do pertinente crédito tributário, através da lavratura do competente Auto de Infração de CPMF não recolhido no montante de R$ 1.727.977,96, conforme "Demonstrativo de Imputação de Débito" em anexo, com suspensão de sua exigibilidade a teor do disposto no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, do qual o presente "Termo" fará parte integrante juntamente com seus anexos, sendo que a complementação do enquadramento legal encontrarseá alinhavada nas respectivas "Folhas de Continuação do Auto de Infração". Apesar de haver reconhecido a suspensão da exigibilidade do crédito lançado à vista do MS n. 2007.61.00.0009631, a Fiscalização exigiu a multa de ofício proporcional de 75%. A respeito da matéria, a DRJ decidiu que “A concessão de medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário não elide a aplicação da multa de ofício se já se encontrava em curso procedimento fiscal com vistas à apuração da correspondente falta de recolhimento.” Fl. 282DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Devese reconhecer que o acórdão embargado foi obscuro em relação à matéria, ao considerar que estaria submetida ao Judiciário, pelas seguintes razões. De fato, a multa de ofício não foi submetida à apreciação do Judiciário, mas, sim, a multa de mora. Isso por que o art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, determinou o seguinte: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. As disposições acima reproduzidas determinam que, caso tenha havido “suspensão da exigibilidade do débito [...] antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo”, configurase a hipótese de “constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência” e, nesse caso, descabe a exigência da multa de ofício. Ademais, dispõe também que, nesse caso (e somente nesse caso), a concessão de medida judicial para suspender a exigibilidade do débito interrompe a incidência da multa de mora, até 30 dias após a data de publicação “da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição”. A primeira hipótese acima descrito diz respeito ao procedimento de ofício (fiscalização), enquanto que a segunda referese ao procedimento que deve ser adotado pelo contribuinte. No segundo mandado de segurança impetrado, a Interessada pretendeu obter uma interpretação favorável em relação à segunda hipótese, que trata da multa de mora, uma vez que entendeu que os embargos declaratórios apresentados na primeira ação judicial descaracterizariam a condição prevista no § 2º para a fluência da multa de mora, que é a existência de decisão judicial que considere devido o tributo ou contribuição. Nessa matéria, o contribuinte obteve medida liminar, reconhecendo o descabimento da multa de mora no prazo de trinta dias contados da publicação da decisão em embargos de declaração. Portanto, ou prazo do § 2º contase da data da publicação do acórdão original do Tribunal ou do acórdão em embargos de declaração, questão que foi submetida ao Judiciário no segundo mandado de segurança. A Fiscalização, por sua vez, claramente discordou, na fundamentação constante do auto de infração e descrita anteriormente neste voto, do entendimento da Fl. 283DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000154/200733 Acórdão n.º 3302001.905 S3C3T2 Fl. 280 7 embargante, tendo a Primeira Instância também adotado a mesma linha de raciocínio ao defender a inaplicabilidade do § 1º ao caso dos autos (fl. 172): Evidenciado está que, quando a autoridade apontada como coatora no Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0009631, impetrado em 15/01/2007, fls. 57/73, foi cientificada da decisão liminar, fls. 74/79, concedendo a suspensão da exigibilidade da multa de mora pretendida pelo fisco, há muito se encontrava a contribuinte sob procedimento fiscal com vistas à apuração relativa à insuficiência de recolhimento. Notese que o caput e o § 1º do art. 63 não exigem expressamente para a definição de “lançamento para prevenir a decadência” a vigência de medida judicial suspensiva de exigibilidade à época da lavratura do auto de infração. Entretanto, não faz o menor sentido admitir que, ainda que tenha sido revogada ou cassada a medida judicial suspensiva, considerese tratarse de “lançamento destinado a prevenir a decadência”, uma vez que, nesse caso, o crédito tributário é exigível. Não se olvide que o lançamento visa constituir o crédito tributário para ele possa ser exigido. Por isso, a definição de “lançamento destinado a prevenir a decadência” somente poderia referirse ao crédito tributário que não pode ser exigido, à vista de medida judicial que suspende sua exigibilidade. Portanto, o lançamento a que se refere o art. 63 é aquele realizado sob a vigência da suspensão de exigibilidade causada por medida judicial, que não é o caso dos autos, uma vez que, nas palavras da DRJ, “quando a autoridade apontada como coatora no Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0009631, impetrado em 15/01/2007, fls. 57/73, foi cientificada da decisão liminar, fls. 74/79, concedendo a suspensão da exigibilidade da multa de mora pretendida pelo fisco, há muito se encontrava a contribuinte sob procedimento fiscal com vistas à apuração relativa à insuficiência de recolhimento”. O que ocorre é que a Interessada, ao apresentar o segundo mandado de segurança, já estava sob ação fiscal e pretendeu consolidar o seu procedimento de efetuar os recolhimentos sem a multa de mora. Dessa forma, o presente lançamento não se caracteriza com o fim de “prevenir a decadência”, em relação ao primeiro mandado de segurança, porque não fazia parte desse mandado de segurança a questão da incidência ou não da multa de mora. Caracterizase como tal em relação ao segundo mandado de segurança, à vista da medida liminar obtida, mas sem a satisfação da condição prevista no §1º do art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996. Do que foi acima exposto, concluise que a exigência da multa de ofício, no caso dos autos, é plenamente cabível, independentemente da medida liminar obtida pela Interessada no segundo mandado de segurança, que suspendeu a exigibilidade do crédito lançado. Para esclarecimento, os efeitos de eventual decisão judicial transitada em julgado no segundo auto de infração favorável à Interessada implicará a improcedência integral do presente auto de infração. Caso contrário, o crédito tributário será devido com multa de Fl. 284DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 ofício e juros de mora, uma vez que a fiscalização iniciouse anteriormente à Interessada haver apresentado a segunda ação judicial. À vista do exposto, suprindo a omissão constante do acórdão embargado, voto por acolher os embargos na parte cujo seguimento foi deferido, para negar provimento ao recurso relativamente ao cabimento da multa de ofício, ratificando o acórdão embargado em relação às demais matérias. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 285DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.004154/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRA DE TICKETS ALIMENTAÇÃO. Se a atividade praticada, ainda que ilegal, ocasionou um aumento patrimonial, este se torna passível de tributação.
OMISSÃO DE RECEITAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ESCRITURAÇÃO DE LIVRO CAIXA. As empresas optantes pelo Simples devem manter suas escriturações em ordem e escriturar sua movimentação financeira obrigatoriamente em Livro Caixa. A ausência de transcrição das movimentações financeiras no Livro Caixa caracteriza-se como omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. A ausência da comprovação mediante documentos hábeis e idôneos da origem dos depósitos encontrados em contas correntes bancárias autoriza a presunção legal de omissão de receita de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/96.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A apresentação de declarações zeradas associada à omissão na apresentação das DCTFs caracteriza a intenção do contribuinte em descumprir a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeita-se o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1202-000.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Flho, Viviane Vidal Wagner, João Bellini Junior, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. COMPRA DE TICKETS ALIMENTAÇÃO. Se a atividade praticada, ainda que ilegal, ocasionou um aumento patrimonial, este se torna passível de tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ESCRITURAÇÃO DE LIVRO CAIXA. As empresas optantes pelo Simples devem manter suas escriturações em ordem e escriturar sua movimentação financeira obrigatoriamente em Livro Caixa. A ausência de transcrição das movimentações financeiras no Livro Caixa caracteriza-se como omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. A ausência da comprovação mediante documentos hábeis e idôneos da origem dos depósitos encontrados em contas correntes bancárias autoriza a presunção legal de omissão de receita de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A apresentação de declarações zeradas associada à omissão na apresentação das DCTFs caracteriza a intenção do contribuinte em descumprir a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeita-se o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%.
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COMPRA DE TICKETS ALIMENTAÇÃO. Se a atividade praticada, ainda que ilegal, ocasionou um aumento patrimonial, este se torna passível de tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ESCRITURAÇÃO DE LIVRO CAIXA. As empresas optantes pelo Simples devem manter suas escriturações em ordem e escriturar sua movimentação financeira obrigatoriamente em Livro Caixa. A ausência de transcrição das movimentações financeiras no Livro Caixa caracterizase como omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. A ausência da comprovação mediante documentos hábeis e idôneos da origem dos depósitos encontrados em contas correntes bancárias autoriza a presunção legal de omissão de receita de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações zeradas associada à omissão na apresentação das DCTFs caracteriza a intenção do contribuinte em descumprir a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 54 /2 01 0- 89 Fl. 673DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 12 2 (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Flho, Viviane Vidal Wagner, João Bellini Junior, André Almeida Blanco, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente processo de Autos de Infração (fls. 367/428) consubstanciados em lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, todos sob a modalidade do Simples, somados a multa de ofício qualificada de 150% e juros, referentes ao ano calendário de 2006. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 216/223), a Recorrente entregou no ano calendário de 2006 e no período de janeiro a junho de 2007, declaração simplificada da pessoa jurídica e de julho a dezembro de 2007 DIPJ como optante pelo lucro presumido. No entanto, as declarações foram entregues em branco (fls. 24/44) e não foram entregues as DCTFs, nem recolhidos quaisquer tributos nos referidos períodos. Os lançamentos decorreram de suposta omissão de receitas em decorrência de recebimento de valores por meio de tickets alimentação, os quais não foram escriturados ou tributados. Ademais, foi efetuado lançamento também como presunção de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. O montante da receita bruta apurada pela fiscalização para o ano de 2006 foi de R$ 7.560.343,74. Tendo em vista que a receita bruta apurada superou o limite previsto na legislação do Simples (R$ 2.400.000,00) foi elaborada representação fiscal para exclusão de ofício da Recorrente do Simples. Cientificada dos referidos lançamentos a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 301/338), alegando, em síntese, o que segue: (i) É uma Panificadora microempresa individual localizada em área carente da Zona Norte do Município de São Paulo, cujo objeto social consistia no comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios – minimercados, mercearias e armazéns; (ii) Informou que a movimentação financeira em suas contas correntes referiase ao reembolso de valores repassados pelas empresas de tickets, transitando de maneira cíclica na conta corrente, ou seja, a origem das movimentações financeiras em suas contas bancárias se deve à prática de compra de tickets de alimentação e refeição dos trabalhadores que a procuravam, mediante deságio do valor total; Fl. 674DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 13 3 (iii) Salienta que a origem das movimentações financeiras em suas duas contas bancárias se deve à prática de compra de tickets de alimentação e de refeição dos trabalhadores que a procuravam mediante deságio do valor total. A maior parte deste valor total que efetivamente ingressará, ao final do mês, na conta corrente da empresa, sem, no entanto, integrar seu faturamento, é repassado ao trabalhador no momento da operação que “vendeu seu vale”; (iii) Uma vez ocorrido o simples repasse do valor da mercadoria, não há que se falar em faturamento, uma vez que a Recorrente não revendia os tickets a ninguém, mas ao contrario, figurava como depositária em favor da administradora de tickets; (iv) A despeito de todos os fatos acima narrados, esclarece a Recorrente que o montante descrito nos Autos de Infração se figuram absolutamente irreais, para todos os efeitos. Na verdade, jamais em toda a sua vida conheceu estes valores, que considera impressionantes e, para sua realidade, incalculáveis; (v) Os valores movimentados nas contas correntes da Impugnante nada mais são do que receitas de terceiros, meros montantes financeiros que transitaram em suas contas bancárias, mas que não significaram aumento em seu patrimônio; (vi) A majoração de 150% da multa de ofício, ainda que fosse devida, incidiria exclusivamente sobre os valores recebidos supostamente a título de receita proveniente das empresas de tickets e jamais sobre a totalidade das movimentações financeiras; (vii) Quanto ao Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples, a Recorrente alega que o processo administrativo que lhe deu origem ainda está pendente de julgamento, que por si só, suspende todos os seus efeitos, tendo em vista que ainda não há decisão administrativa definitiva. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, a qual houve por bem julgar a Impugnação improcedente, nos exatos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Ementa: REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO PELO SIMPLES. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. Sobre o total da receita bruta, assim entendida, a receita total decorrente da atividade fim do empreendimento econômico a que se propôs o contribuinte, isto é, o montante referente aos produtos e refeições vendidos, ainda que por meio de tíquetes alimentação, incidem os impostos e contribuições arrecadados pela Receita Federal do Brasil. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. OPTANTE DO SIMPLES. LIVRO CAIXA. ESCRITURAÇÃO OBRIGATÓRIA. A lei tributária e comercial não exime da escrituração fiscal qualquer estabelecimento comercial, mesmo aquele optante do SIMPLES, ainda que este aufira pequena receita e diminuto ou nenhum lucro, devendo o contribuinte optante do SIMPLES Fl. 675DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 14 4 escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira, inclusive bancária, e guardar em boa ordem todos os documentos que serviram para esta escrituração. LIVROS FISCAIS. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Configura omissão de receita a falta de escrituração nos correspondentes livros comerciais/fiscais das receitas auferidas pelo contribuinte e verificadas em sua movimentação bancária. IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. Não interfere na ocorrência do fato gerador tributário o desconhecimento da legislação correspondente por parte da titular do estabelecimento comercial, pois a ninguém é permitido escusarse de cumprir a lei alegando seu desconhecimento DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA. A ausência de comprovação da origem de depósitos bancários não escriturados levam a presunção legal de omissão de receita, correspondendo esses valores à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo SIMPLES. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo não recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos tributários vencidos, e ainda não pagos, devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). LEGISLAÇÃO FEDERAL. ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. A instância administrativa é incompetente para julgar questões relativas à ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei, matérias reservadas ao Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. SIMPLES. LIMITE LEGAL. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO OBRIGATÓRIA. COMUNICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. O contribuinte optante pelo SIMPLES que ultrapassa o limite legal para permanecer neste sistema de tributação deve ser excluído de ofício do referido sistema a partir do anocalendário seguinte na hipótese de não comunicar voluntariamente sua exclusão. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 15 5 SUJEITO PASSIVO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INTIMAÇÃO. As intimações ao contribuinte são feitas somente no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo junto à Administração Tributária, cabendo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário se pautando, em síntese, nos mesmos fundamentos da Impugnação anteriormente apresentada. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise dos argumentos trazidos pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. Conforme relatado, o presente lançamento decorre de suposta omissão de receitas decorrente da falta de escrituração e recolhimento de tributos na sistemática do Simples, no ano calendário de 2006, assim como da existência de depósitos bancários nas contas correntes da Recorrente cujas origens não foram devidamente comprovadas. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal: (i) a Recorrente teria entregue Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES para o ano calendário 2006 e para o período de janeiro a junho 2007 em branco; (ii) teria entregue DIPJ como optante do Lucro Presumido para o período de julho a dezembro de 2007, também em branco; e (iii) não teria entregue nem recolhido quaisquer tributos nos referidos períodos; (iv) teriam sido encontrados créditos na conta corrente da Recorrente relacionados à venda, cujos recebimentos foram por meio de ticket alimentação, conforme declarações da própria fiscalizada, os quais não foram escriturados, nem tributados; (v) teriam sido encontrados créditos, depósitos, transferências nas contas correntes da Recorrente que também não foram escriturados nem tributados. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 16 6 Como justificativa dos valores encontrados em suas contas bancárias, a Recorrente alega que “compra” os tickets refeições de terceiros e depois as administradoras de referidos tickets pagam à Recorrente os valores correspondentes, ganhando um pequeno valor por conta disso. Para afirmar a inexistência da incidência tributária, a Recorrente contesta o conceito de “renda”, alegando que “receita é tão somente o ingresso que efetivamente se incorpora ao patrimônio do contribuinte, portanto, se a receita tiver como destino final não o caixa da empresa que emitiu a fatura, mas sim o de outra companhia, não poderá haver tributação, por ausência de conceito legal de receita, ou seja, resta caracterizada a impossibilidade de tributação das receitas de terceiros”. Em que pesem os argumentos pertinentes da Recorrente, com os quais concordo, no sentido de não serem caracterizados como receita os valores repassados a terceiros, este não é o caso dos autos e por isso, não devem prosperar. Isso porque, embora a mesma alegue que o valor recebido a título de venda de ticket alimentação não corresponde à venda de comidas e bebidas, mas sim à compra dos referidos tickets e posterior reembolso pela administradora dos cartões, o que ocorre para o direito tributário é a percepção de renda, através do depósito bancário que é feito pelas administradoras dos cartões de ticket, sob o pressuposto que a Recorrente teria efetuado vendas de alimentos, bebidas, etc. Conforme bem apontado na decisão recorrida, “o fato de ser ilegal a compra e venda dos ‘tickets’ de alimentação em razão de desvirtuamento de finalidade não impede a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos, conforme disposto no art. 118 do Código Tributário Nacional”. O artigo 118 do CTN, citado pela decisão recorrida, prevê o seguinte: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo se: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Tendo em vista o disposto no artigo acima transcrito, para efeitos tributários não importa se os atos praticados pela Recorrente são válidos ou não, o que importa é o resultado desses atos no que se refere ao ganho patrimonial. Se a atividade praticada mesmo sendo ilegal ocasionou um aumento patrimonial, este se torna passível de tributação. Dessa forma, a Recorrente deveria ter escriturado e recolhido os tributos devidos sobre a receita bruta auferida através dos valores creditados em sua conta corrente referentes aos pagamentos das administradoras dos tickets alimentação. Portanto, resta clara a ocorrência de omissão de receitas praticada pela Recorrente durante todo o ano calendário de 2006. Este também é o entendimento deste E. Conselho. Vejamos: IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Fornecedor Inexistente É procedente a tributação de receitas e outros ganhos que deveriam ser Fl. 678DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 17 7 levados às contas de resultado, porém indevidamente escriturados em conta patrimonial passiva, em nome de fornecedor inexistente. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Clientes Identificados Caracterizada por receitas comprovadamente oriundas de clientes da empresa, excluídas do resultado do exercício em virtude de escrituradas em conta patrimonial a crédito de sócio. Tributação procedente. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Comissões e Intermediações Comprovadamente oriundas de clientes da empresa, porém creditadas diretamente em conta corrente do sócio, não computadas em contas de resultado caracteriza omissão de receitas. Todas as receitas auferidas no curso do períodobase devem ser oferecidas à tributação, independentemente da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelo contribuinte, bem como do seu objeto ou dos seus efeitos. IRPJ (...).(Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10318474 do Processo 110800088599015, Data: 18/03/1997). (não grifado no original) Ademais, no curso de todo o procedimento fiscal a Recorrente demonstrou não ter cumprido nenhuma das obrigações tributárias às quais estão sujeitos os optantes pelo Simples. De acordo com o artigo 7º da lei 9.317/96, o contribuinte do Simples deve escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira, inclusive bancária. Ocorre que a Recorrente disse não ter conhecimento contábil suficiente para escriturar suas movimentações e que teria sido vitima de furtos em seu estabelecimento, e com isso foram perdidos vários documentos. Oportuno se faz transcrever os mandamentos do artigo 7º da lei 9.317/96: “Art. 7º A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 18 8 § 2º O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista.” (não grifado no original) Assim, resta claro que a Recorrente cometeu infrações tributárias, tanto em relação às obrigações principais como às acessórias, não havendo outra opção se não a sua tributação. IRPJ SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. LIVRO CAIXA. PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS. Inexistindo o registro na conta Caixa dos pagamentos realizados a fornecedores, conforme circularização realizada pelo fisco, caracterizase tal ausência como omissão de receitas. Não trazendo o contribuinte a prova da improcedência da presunção esta se confirma. SIMPLES INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A verificação de diferença na base de cálculo ou insuficiência de recolhimento do imposto pela sistemática do SIMPLES constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. (...) (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10809309 do Processo 11041000371200463, Data: 27/04/2007). (não grifado no original) Quanto aos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, a Recorrente alega a impossibilidade de presunção de omissão de receitas nesse caso. Porém, a legislação de regência do Simples em vigor na época (Lei nº 9.317/96) determina, em seu artigo 18, que às empresas optantes pelo Simples se aplicam “todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas”. Sendo assim, deve ser observado o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Referido artigo prevê expressamente a possibilidade de presunção de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Vejamos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” O antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, já se manifestou sobre a matéria. Vejamos: Fl. 680DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 19 9 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 1998 IRPJ E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96 DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE Os assentamentos contábeis dos contribuintes, mesmo que de forma simplificada, como a escrituração de Livro Caixa, deve se assentar em documentação adequada a comprovar os registros efetuados, especialmente a movimentação financeira da empresa. A ausência da comprovação da origem dos depósitos em contas correntes bancárias é indício que autoriza a presunção legal de omissão de receita de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/96, cumprindo à empresa elidila com a juntada de documentos hábeis e idôneos, que não meras alegações. Recurso Voluntário Negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10809563 do Processo 10215000610200301, Data: 06/03/2008). (não grifado no original) Portanto, resta confirmado que a Recorrente cometeu as infrações apontadas pelas D. Autoridades Fiscais de omissão de receitas ao deixar de escriturar valores creditados em suas contas correntes. No que consiste à multa aplicada, em que pesem os argumentos da Recorrente, entendo que a mesma deve ser mantida, tendo em vista que a apresentação de declaração do Simples em branco no período de 2006 já demonstra a clara intenção da Recorrente em burlar o Fisco. Conforme Termo de Verificação Fiscal, as declarações foram entregues zeradas ao passo que a receita bruta auferida no período de teria ultrapassado a quantia de R$ 6.000.000,00. Ora, não há como não caracterizar a ocorrência de uma das situações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 9430/96. Este também é o posicionamento deste E. Conselho: (...) MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A apresentação de declarações de informações com os campos em branco associada à omissão na apresentação das DCTF caracteriza a intenção do agente em descumprir, de forma deliberada, a obrigação tributária. Provado o evidente intuito de fraude, sujeitase o sujeito passivo aos lançamentos dos tributos devidos, acompanhados da multa qualificada de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora decorre de expressa previsão legal (Lei nº 9.065/95, art. 13), estando também em consonância com o disposto no CTN (art. 161, § 1º). Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10808477 do Processo 10670001502200299, Data: 12/09/2005). (não grifado no original) Fl. 681DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 19515.004154/201089 Acórdão n.º 1202000.911 S1C2T2 Fl. 20 10 Tendo sido entregue durante o ano calendário de 2006 declaração do Simples em branco e não tendo apresentado DCTF em relação aquele mesmo período, mantenho a aplicação da multa qualificada no presente caso. Tendo em vista a manutenção do lançamento por ocorrência de omissão de receitas, os argumentos da Recorrente quanto à improcedência do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples não prosperam, de modo que não há que se falar em seu cancelamento. Por fim, quanto à alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade na aplicação da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para Títulos Federais (“SELIC”) como índice de correção monetária do crédito tributário constituído na presente Fiscalização, vale destacar que este E. Conselho não possui a competência necessária para julgar o mérito da constitucionalidade de normas e dispositivos tributários. Referida competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme já exposto no enunciado da Súmula nº 2 do CARF: “Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, quanto à aplicação da Taxa SELIC, a regularidade da sua aplicação também é matéria sumulada, conforme abaixo transcrito: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Dessa forma, não procedem os argumentos da Recorrente quanto à impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC. Por todo quanto o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 682DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 15889.000319/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010
MÃO-DE-OBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA- REGULARIZAÇÃO
A empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária devida incidente sobre a mão-de-obra empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade.
TAXA SELIC -INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 2301-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MÃO-DE-OBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA- REGULARIZAÇÃO A empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária devida incidente sobre a mão-de-obra empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade. TAXA SELIC -INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente GB FIBRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/10/2010 MÃODEOBRA EMPREGADA EM CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA REGULARIZAÇÃO A empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária devida incidente sobre a mãodeobra empregada em obra de construção civil de sua responsabilidade. TAXA SELIC INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 19 /2 01 0- 44 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15889.000319/201044 Acórdão n.º 2301003.139 S2C3T1 Fl. 98 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, tendo como fato gerador a remuneração paga a empregados em obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica. Conforme Relatório Fiscal (fls. 08), são fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração de mão de obra utilizada em obras de construção civil, apurada por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, em conformidade com a IN 971/09, disciplinados nos artigos 322 a 394, sendo tal remuneração calculada via "Simulação de Regularização de Obras". A autoridade autuante informa que a empresa, embora intimada em várias oportunidades, não apresentou os documentos solicitados, ensejando o arbitramento do débito e a lavratura do AI por descumprimento da obrigação acessória. A autuada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1434.652, da 6a Turma da DRJ/RPO, (fls. 49), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 77), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Inicialmente, requer o afastamento da multa aplicada, asseverando que todas as exigências foram cumpridas. Reitera que necessita de mais prazo para atender as diversas solicitações de documentos e esclarecimentos da fiscalização, e reafirma que está enfrentando diversos problemas com a Receita Federal, haja vista problemas que teve com seu antigo contador e que, apesar de todas as dificuldades relatadas, a recorrente jamais deixou os termos de intimação sem resposta, ainda que o mesmo concedia pouco tempo hábil para a obtenção das solicitações. Entende que deveria ter sido concedido um prazo razoável para a apresentação de tais documentos, que não se constitui em prazo, mas sim em ordem a ser cumprida de imediato, sem qualquer oportunidade de se conferir, verificar, analisar a documentação a ser apresentada, por pura falta de tempo para tanto. Ressalta que a falta de apresentação, no prazo fixado, dos documentos mencionados no TIAD importa a lavratura de AI, entretanto, tal prazo pode ser dilatado a critério do fiscal. Insurgese ainda contra a multa e os juros aplicados, argumentando efeito de confisco e ilegalidade e inconstitucionalidade dos mesmos. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Constatase, do recurso apresentado, que a recorrente não questiona o procedimento de aferição indireta adotado pelo fisco, e nem insurgese contra a base de cálculo, ou o valor da contribuição lançada. Ela apenas alega que teve diversos problemas com seu antigo contador e que teve pouco tempo para apresentar a documentação solicitada. Contudo, conforme informado no Relatório Fiscal, e comprovado nos autos, a autoridade lançadora prorrogou, por diversas vezes, o prazo para apresentação de documentos. Segundo consta, a empresa foi intimada, por meio do TIF nº 11, a apresentar documentos, sendo que o contribuinte protocolizou declarações em 01/02/2010 solicitando dilação de prazo, concedida por 20 dias e; em 01/03/2010, requereu nova dilação, o que foi concedido por mais 20 dias. Em 19/03/2010, mais uma vez solicitou prorrogação, o que foi concedido de forma improrrogável por mais 20 dias, por intermédio do Termo de Reintimação Fiscal nº 16. Em 01/03/2010 foi emitido o TIF nº 15, e o contribuinte também protocolizou declaração em 16/03/2010 solicitando dilação de prazo. Em 23/03/2010 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal nº 17, concedendo 20 dias para atendimento do TIF 15. Foi então emitido Termo de Reintimagão Fiscal 16, com ciência em 31/03/2010, solicitando novamente os documentos arrolados no TIF 11 e, do Termo de Constatação Fiscal 17, ciência em 31/03/2010, concedeuse nova prorrogação por 20 dias para atendimento do TIF 15. Por meio do Termo de Constatação Fiscal 18, ciência em 12/05/2010, a fiscalização informou que, até aquela data, as intimações citadas nos itens 01 a 06 não haviam sido atendidas. Dessa forma , não há que se falar em “pouco tempo hábil’ para a obtenção das solicitações, ou que deveria ter sido concedido um prazo “razoável” para a apresentação de tais documentos, como também não procede a acusação de que “não se constitui em prazo, mas sim em ordem a ser cumprida de imediato”, uma vez que, conforme demonstrado nos autos, a fiscalização concedeu prazo mais que suficientes para que a empresa apresentasse a documentação solicitada, prorrogando por diversas vezes o prazo estipulado nos TIFs . Ademais, além de todas essas prorrogações de prazo, verificase, dos autos, que a autuada tomou ciência do AI em 16/12/2010, conforme AR de fls. 26, e da decisão de primeira instância em 06/09/2011 (AR fls. 74). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15889.000319/201044 Acórdão n.º 2301003.139 S2C3T1 Fl. 99 5 Ou seja, a recorrente teve quase 09 (nove) meses para a juntada de documentos que demonstrassem a improcedência do AI em tela. Todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada de documentos, conforme disposto no relatório IPC, ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Todavia, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho que demonstrassem a veracidade de suas afirmações. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados aos autos. Daí a necessidade de se juntar elementos comprobatórios dos fatos alegados. Dessa forma, entendo que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o Auto de Infração, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI, e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. No mérito, verificase um esforço da recorrente em tentar demonstrar que a que a aplicação da Taxa SELIC e da multa é ilegal e inconstitucional. No entanto, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. É oportuno salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, combinado com o art. 61 da Lei n. 9.430, de 27.12.96, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Portanto, não há que se falar em ilegalidade da multa e juros aplicados. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função Fl. 101DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio dos Enunciados 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse sentido CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 23/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10280.722251/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 3402-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ser intempestivo. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 51 /2 00 9- 40 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins Não Cumulativa, formulado pela contribuinte acima identificada, relativos ao 2º trimestre de 2007, no valor de R$ 26.699.060,14. Também constam dos autos declarações de compensações vinculadas aos créditos em tela. A unidade de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o Auto de Infração e relatório fiscal de fls. 279/285, seguido do despacho decisório de fl. 288 e novamente do parecer/despacho decisório de fls. 289/291, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado, no valor de R$ 25.931.310,76, homologando as compensações até o limite do mesmo. Foram os seguintes os fundamentos adotados pelas autoridades fiscais: a) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS ( Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referentes a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa acostado ao presente feito, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos, conforme já exposto acima. b) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA DE INSUMOS (OUTROS PARTES E PEÇAS): Foram glosadas as notas fiscais referentes a peças e partes de reposição por se tratarem de produtos não utilizados nas máquinas e equipamentos, para a fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, estando assim, em desacordo com o disposto no inciso II, do art. 3º, da Lei 10.833/2003. c) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4°, inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referentes a esses serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços. d) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo, denominadas: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 206 3 Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2007; Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005,(1/48 avos); Demonstrativo Ativo Imobilizado de jan/2006 a dez/2006, jan/2007 a dez/2007, (1/12 avos); Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), abril/2007, maio/2007 e junho/2007, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1º , § 2º, I, da IN 457/04, Lei nº 11.196/2005, Dec. 5.789/2006 e Dec. 5.988/2006, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6º da Lei 11.488/2007, acelerada incentivada (2 anos) 1/24 avos por mês. Cientificada do Auto de Infração em 13/06/2011 (AR à fl. 388) a interessada apresentou em 02/08/2011 a impugnação de fls. 317/385, na qual alega: a) Quanto aos créditos oriundos de bens utilizados como insumos, a Fiscalização entendera haver motivos para perpetrar glosas particularmente sobre: 1) refratários, aos reputálos como despesas que não se enquadram como de manutenção de consumo rápido, considerandose sua substituição em intervalos maiores que 1900 (mil e novecentos) dias e glosa dos desembolsos com transporte de refratários por haver recusado a estes últimos a qualidade de insumos; 2) glosa dos créditos advindos de compra de Insumos de janeiro de 2007 a março de 2007, mormente de peças e partes de reposição, conquanto fossem reconhecidamente aplicadas às máquinas aplicadas diretamente no processo produtivo, cujas notas fiscais estariam, pois, em descompasso com várias das normas aplicáveis; 3) Glosarase, outrossim, créditos gerados pelos serviços empregados como insumos alvo de glosas, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda, o que estaria em dissonância com o art. 8º, §4°, inciso II, da IN SRF 404/2004; e 4) Por derradeiro, glosara créditos relacionados a despesas e ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, Demonstrativo Ativo Imobilizado de maio/2004 a dez/2005, bem como de janeiro/2007 a dezembro/2007, e ainda oriundos da depreciação acelerada incentivada e respectivos produtos glosados, por suposta inadequação ao prescrito pelo art. 1º , § 2°, inc. I , da IN 457/2004, Lei 11.196/2005, Decreto 5789/2006, Decreto 5988/2006, e edificações e instalações alusivas a produtos somente alcançados pelo crédito apurado Fl. 582DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 207 4 desde janeiro de 2007, de conformidade ao art. 6º , da Lei 11.488/2007. b) Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e co processamento de RGC – rejeito gasto de cubas, que se cuida de um resíduo gasto, consumido, incorporado ao alumínio final produzido. Naturalmente, que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril do alumínio produzido e exportado por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte, são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O mesmo raciocínio há que ser aplicado aos custos dispendídos com o translado da Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Beneficiamento de Banho Eletrolítico, Processamento de Borra de Alumínio consideramos serviços aplicados/consumidos no processo produtivo. Tratase de produtos que somente tem utilidade direta no processo fabril do alumínio, aliás, são produtos específicos da indústria do alumínio fabricado pela impugnante e que, mais além, sofrem sim desgaste, consumo, e até mesmo contato físico com o alumínio em produção, conquanto não seja demais registrar que a legislação que veicula a nãocumulatividade prescinda de tais exigências para assegurar o direito ao desconto dos créditos. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. c) Aduzse no termo de Encerramento de Ação Fiscal, e razões anexas ao Auto de Infração, que os valores de aquisição dos produtos compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da não cumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito nãocumulativo de COFINS caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo. e a rigor, segundo a legislação regente da nãocumulatividade para o COFINS, não há diversidade de tratamento de vez que seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito não cumulativo. A propósito, de há muito nossa Corte Especial, o STJ vem considerando, embora não especificamente para o Fl. 583DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 208 5 regime da nãocumulatividade que o refratário gera direito ao creditamento, por se enquadrar como "material intermediário": d) Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito nãocumulativo de COFINS relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de COFINS nãocumulativas, até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Curioso, aliás, a Fiscalização aduzir que "o desgaste desses materiais está ligado às despesas com a manutenção do equipamento em perfeito funcionamento, constituindo um dos itens obrigatórios dos orçamentos das indústrias". Examinandose o arquétipo legal bem se vê que não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional. e) Constatase às claras que, ao longo de todo o processo produtivo que culmina com a produção do Alumínio, há íons de Alumínio dissolvidos no banho que vez por outra entram em contato com os ânodos. Tais íons dissolvidos desencadeiam o fenômeno designado por "back reaction", no qual parte do alumínio sofre reoxidação pelo C02, constituído na superfície do ânodo. Indiscutível, portanto, que o Ânodo como o coque calcinado de petróleo e as formas, filtros, refratários, o RGC, Borra/Banho/Alumínio Recuperado, Beneficiamento de Banho Eletrolítico, Processamento de Borra de Alumínio tem contato direto com o alumínio líquido, desencadeado por meio de sua reação físico química, e são aplicados diretamente/desgastados no processo produtivo. Logo, não há como, tecnicamente, recusar à impugnante o direito ao crédito de COFINS sobre os dispêndios com o transporte dos mesmos. f) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados Fl. 584DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 209 6 enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da Contribuição a COFINS, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. g) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. h) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10.833/2003. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, haver glosado não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, Fl. 585DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 210 7 como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Auto de Infração que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. i) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à COFINS, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da não cumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçando lhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 ao PIS/PASEP, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10.833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. Em outros termos, a nãocumulatividade tal como normatizada em nível infraconstitucional, nada obstante estar radicada ontologicamente na Constituição Federal, já é setorizada e parcial, atinge alguns nichos específicos da atividade econômica nacional e lhes faculta a apropriação de créditos sobre algumas específicas despesas inerentes à sua atividade produtiva, de sorte que o sistema tal como está posto já é restrito, hermético e de exegese clara. Não há como nem porque, seja à luz da Constituição, seja à luz da aludida lei ordinária, reduzir ainda mais sua amplitude, ainda mais com base em interpretações extraídas de outras normas ou decisões que são eminentemente interpretativas, e que como tais, não podem inovar nem positiva nem negativamente. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10.833, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, Fl. 586DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 211 8 conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. j) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Albrás do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. Cientificada do Parecer/Despacho Decisório nº 634/2011 em 08/08/2011 (AR à fl. 386/387) a interessada apresentou em 08/09/2011 a manifestação de inconformidade de fls. 389/443, na qual, em síntese, alega: a) Recebeu um DARF com valor principal de R$3.179.586,20 (três milhões, cento e setenta e nove mil, quinhentos e oitenta e seis reais e vinte centavos) e valor total de R$ 4.887.659,90 (quatro milhões, oitocentos e oitenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e noventa centavos). b) Não compreende o porquê do valor cobrado, uma vez que o valor principal não corresponde à diferença do crédito que não foi reconhecido, pois a empresa pediu R$ 26.699.060,14 vinte e seis milhões, seiscentos e noventa e nove mil, sessenta reais e catorze centavos) e obteve direito creditório de R$25.931.310,76 (vinte e cinco milhões, novecentos e trinta e um mil, trezentos e dez reais e setenta e seis centavos). c) Preliminarmente, é necessário atentar para a nulidade da cobrança e, consequentemente, do processo, visto que não foi dado ao contribuinte entender o valor cobrado no DARF que em muito supera a diferença entre o crédito pleiteado e o deferido, que é de apenas R$ 767.749.38 (setecentos e sessenta e sete mil, setecentos e quarenta e nove reais e trinta e oito centavos). Valor bem abaixo dos R$ 4.887.659,90 (quatro milhões, oitocentos e oitenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e noventa centavos) cobrados, o que configura, sem maiores discussões, cerceamento de defesa. d) A partir de análise atenta do DARF referente ao Parecer SEORT/DRF/BEL n. 634/2011 verificase que a Autoridade Fazendária ao exigir uma suposta diferença de créditos da ordem de R$ 4.887.659,90 (quatro milhões, oitocentos e oitenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e noventa centavos), deixou de esclarecer as razões de tão elevado valor, vez que a diferença entre o crédito pleiteado e o deferido seria de apenas R$ 767.749,38 (setecentos e sessenta e sete mil, setecentos e quarenta e nove reais e trinta e oito centavos). Cumprenos, portanto, enfatizar que a alegação de cerceamento de defesa no caso em espécie, não é meramente graciosa, ou artificial, porquanto se encontra de todo evidente a total impossibilidade Fl. 587DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 212 9 de defenderse a empresa recorrente com segurança face aos termos do Parecer SEORT/DRF/BEL n. 634 de 06/07/2011. e) Os Nobres Fiscais limitaramse a concluir pelo provimento parcial do direito creditório, em valor muitíssimo aproximado ao pleiteado, cobrando, porém, um saldo de crédito insuficiente estratosfericamente superior à essa diferença, sem explicar a razão de tal aritmética , tornando inviável o exercício de defesa por parte da contribuinte. f) Fazse mister compreender a razão jurídica e fática que motivou o valor cobrado de Ft$ 4.887.659,90 (quatro milhões, oitocentos e oitenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e noventa centavos) para que para cada argumentação e/ou prova, a contribuinte possa contradizer em sua defesa, e, desse modo, gozar plenamente do direito fundamental ao contraditório, contido na Constituição da República, em seu artigo 5º , inciso LV, como corolário do princípio do devido processo legal. g) Manifesto o cerceamento de defesa traduzido no parecer normativo SEORTE/DEL/BEL N° 634, de 06/07/2011. A vertente manifestação tem por objeto garantir que a inconformidade seja manifestada com o mínimo de segurança acerca dos valores que estão sendo negados pela Administração. h) Constituindose o contraditório na garantia processual de que o processo judicial e administrativamente são necessariamente bilaterais, no sentido de que a cada ato praticado por uma das partes, deverá suceder oportunidade para que a outra deste tome conhecimento, ou sobre o mesmo se manifeste tempestivamente, seu grau de importância sobrelevase na fase instrutória. i) No caso vertente, a ofensa ao princípio em questão, com o devido respeito, advém da noticiada impossibilidade em detrimento da contribuinte de identificar claramente o que gerou o valor cobrado pela autoridade fazendária. j) Não basta, portanto, que a empresa tome ciência do Parecer 634/2011 para configurarse a obediência ao princípio em comento, é absolutamente necessário que o conteúdo deste revele as fundamentações com que arrima a conclusão para que possam ser refutadas oportunamente. k) Nulo, portanto, o parecer SEORT/DRF/BEL n. 634/2011, ora discutido, demandando o reconhecimento da ilegitimidade da decisão de deferimento parcial do crédito de COFINS NÃO CUMULATIVO Exportação apurado no 2º trimestre de 2007, em vista da mais absoluta ausência de exposição dos motivos do Relatório de Diligência Fiscal que assim embasou Parecer SEFIS/DRF/BELÉM n. 322/2011 em relação ao valor cobrado no DARF em anexo. l) No mérito, por cautela, caso não se aceite as preliminares esposadas, o que não se acredita, cabe destacar que a empresa pressupõe que foi incluído no DARF valores de encargos de Fl. 588DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 213 10 atualização de débitos objeto das compensações que se presume possam ter sido considerados aplicados inadequadamente pela Requerente. m) Ocorre que se tomarmos por correta a presunção acima suscitada, permanecerão pelo menos dois problemas fundamentais: O primeiro seria a completa inexistência destas importâncias relativas a encargos sobre o valor dos débitos lançados nas DCOMP, o que torna impossível à Requerente formular justificativas, contestar razões ou se manifestar sobre valores considerados aquém ou além do devido, se estes valores simplesmente não foram explicitados pela Fiscalização. O segundo é que ainda que por hipótese, admitirse ter sido realmente diferença de encargos /atualização de débitos compensados o motivo que ensejou a soma constante do DARF que fora encaminhado à Impugnante o objeto declarado ilegítimo da Fiscalização não fora esse. Não se buscou exatamente por isso, e em momento algum a contribuinte fora indagada a este respeito, não se buscou examinar quais débitos teriam sido alcançados pelas compensações informadas/ nem muito menos eventuais explicações sobre divergências entre os valores apurados e os valores lançados nas DCOMP como compensáveis com crédito reconhecido. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 0123225, de 11 de outubro de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 IMPUGNAÇÃO. CONTESTAÇÃO INTEMPESTIVA. A petição contestatória apresentada intempestivamente não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a Fl. 589DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 214 11 legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda.. Descontente com o indeferimento de sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, repisando ipsis litteris os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, que peço vênia para não reproduzilos. Termina sua peça recursal requerendo integral provimento ao seu recurso para seja acolhidas as razões constantes no recurso voluntário, para o fim de desconstituir as glosas objeto do despacho decisório, objeto desta lide. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Compulsando os autos, notase que a deliberação repelida teve como razão de decidir: a intempestividade da peça impugnatória; a falta de comprovação da violação do contraditório e da ampla defesa e a correta aplicação da valoração dos créditos e débitos a serem compensados. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10280.722251/200940 Acórdão n.º 3402001.950 S3C4T2 Fl. 215 12 No recurso voluntário, o recorrente se manifesta apenas quanto as glosas efetuadas pela Autoridade Fiscal quando da análise de seu pedido de ressarcimento. Não tece uma única linha sobre a intempestividade, sobre o cerceamento do direito de defesa ou sobre a valoração dos débitos e créditos que pretendia compensar. Sabemos que o art. 17 do Decreto 70235/72 determinar a necessidade de que toda matéria objeto da lide tenha sido expressamente contestada pelo recorrente no recurso apropriado, caso contrário, considerarseá não recorrida, dando origem à preclusão consumativa e a consequente definitividade do conteúdo da decisão anterior. Portanto, matéria não contestada resta petrificada no âmbito administrativo. Esse axioma visa manter a paz social e dar segurança jurídica aos administrados. Partido desta premissa, compulsando o recurso voluntário com toda a atenção que sempre merece, identifico que a intempestividade da manifestação de inconformidade declarada pelo Órgão julgador não foi matéria daquela peça recursal. Logo, entendo que a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento se tornou definitiva na esfera administrativa. Reproduzindo a decisão de primeira instância, a ciência do indeferimento do pedido de ressarcimento se deu em 13/06/2011 e a manifestação de inconformidade foi protocolada em 02/08/2011, mais de trinta dias da ciência do despacho denegatório. Portanto é claro e evidente que o sujeito passivo perdeu seu direito de recorrer administrativamente pelo decurso do prazo legal. As outras matérias suscitadas no recurso voluntário encontramse prejudicadas pela inação do sujeito passivo junto à administração tributária tempestivamente. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso em face da intempestividade da manifestação de inconformidade que petrificou a decisão do despacho decisório. É como voto. Sala das Sessões, em 27/11/2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 591DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 5/01/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10950.006527/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/01/2007, 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/01/2008 a 31/08/2010
AUDITOR FISCAL. FORMAÇÃO EM CONTABILIDADE. INEXIGIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. LANÇAMENTO. FORMALIDADES. LANÇAMENTO DE CRÉDITO. RELAÇÃO DE SEGURADOS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC.
O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
O lançamento é um ato administrativo que, uma vez cumpridas as formalidades essenciais para a sua lavratura, implica a inexistência de violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório ou do devido processo legal.
É prescindível a juntada ao processo administrativo fiscal da relação dos segurados cujas remunerações serviram de base para cálculo das contribuições objeto do lançamento quando referidas remunerações foram colhidas de documentos pertencentes ao sujeito passivo e que estão em sua posse.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.901
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa aplicada. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que, até a competência 11/2008, seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996 somada a multa do art. 32-A, da Lei 8.212/91, se a soma for mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauro Jose Silva Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/01/2007, 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/01/2008 a 31/08/2010 AUDITOR FISCAL. FORMAÇÃO EM CONTABILIDADE. INEXIGIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. LANÇAMENTO. FORMALIDADES. LANÇAMENTO DE CRÉDITO. RELAÇÃO DE SEGURADOS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O lançamento é um ato administrativo que, uma vez cumpridas as formalidades essenciais para a sua lavratura, implica a inexistência de violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório ou do devido processo legal. É prescindível a juntada ao processo administrativo fiscal da relação dos segurados cujas remunerações serviram de base para cálculo das contribuições objeto do lançamento quando referidas remunerações foram colhidas de documentos pertencentes ao sujeito passivo e que estão em sua posse. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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FORMAÇÃO EM CONTABILIDADE. INEXIGIBILIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. LANÇAMENTO. FORMALIDADES. LANÇAMENTO DE CRÉDITO. RELAÇÃO DE SEGURADOS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O lançamento é um ato administrativo que, uma vez cumpridas as formalidades essenciais para a sua lavratura, implica a inexistência de violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório ou do devido processo legal. É prescindível a juntada ao processo administrativo fiscal da relação dos segurados cujas remunerações serviram de base para cálculo das contribuições objeto do lançamento quando referidas remunerações foram colhidas de documentos pertencentes ao sujeito passivo e que estão em sua posse. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 65 27 /2 01 0- 42 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa aplicada. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que, até a competência 11/2008, seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996 somada a multa do art. 32A, da Lei 8.212/91, se a soma for mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro Jose Silva – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 402DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 402 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela Associação Educacional São José, em face de Acórdão prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJCTA), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. 2. Conforme o relatório fiscal, o presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, no montante de R$ 640.213,20, foi lavrado em 09/12/2010, para constituição do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias (parte patronal, inclusive para o custeio das prestações decorrentes do acidente do trabalho ou do grau de incidência de incapacidade laborativa proveniente dos riscos ambientais do trabalho RAT), previstas no art. 22, I e II, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, não recolhidas e incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à empresa supra identificada, no período de 01/05/2006 a 30/06/2006, 01/08/2006 a 31/08/2006, 01/10/2006 a 31/01/2007, 01/03/2007 a 31/03/2007, 01/01/2008 a 31/08/2010. 3. O AIOP aponta, ainda, a constituição de crédito correspondente ao acréscimo legal da multa não recolhida juntamente com o principal pago em atraso nos meses identificados no Discriminativo do Débito (DD), no levantamento e anexo denominado Diferença de Acréscimos Legais (DAL). 4. O acórdão vergastado restou ementado nos termos que ora transcrevo abaixo: “AUDITOR FISCAL. FORMAÇÃO EM CONTABILIDADE E REGISTRO NO CRC. INEXIGIBILIDADE A atribuição da fiscalização tributária para analisar os documentos contábeis dos contribuintes decorre de lei e não exige formação técnico profissional especifica ou registro do auditor em órgão fiscalizador do exercício de profissão regulamentada. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE É vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. LANÇAMENTO. FORMALIDADES 0 lançamento é um ato administrativo que, uma vez cumpridas as formalidades essenciais para a sua lavratura, estando motivado com a descrição das razões de fato e de direito em relatórios específicos, em especial com a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, dos documentos que lhe dão suporte, das contribuições devidas e do período a que se refere, bem como cientificado o sujeito passivo e oferecida oportunidade para pronunciarse e produzir provas, implica a inexistência de violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório ou do devido processo legal. MULTA A multa pelo recolhimento em atraso da contribuição administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil tem caráter irrelevável, incide de Fl. 403DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 forma automática sobre o débito e obedece aos percentuais previstos na legislação aplicável. SELIC Para fatos geradores ocorridos partir de janeiro de 1995, é licita a incidência dos juros com base na taxa SELIC, nos termos da Lei 9.065/95. LANÇAMENTO DE CRÉDITO. RELAÇÃO DE SEGURADOS E prescindível a juntada ao processo administrativo fiscal da relação dos segurados cujas remunerações serviram de base para cálculo das contribuições objeto do lançamento quando referidas remunerações foram colhidas de documentos pertencentes ao sujeito passivo e que estão em sua perfeita posse. SAT E devida a contribuição ao seguro de acidentes do trabalho prevista no inciso II, do art. 22 da Lei 8.212/91, cobrada em complemento contribuição do inc. I, desse mesmo artigo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 5. Buscando reverter a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) nulidade do AIOP em face de ter sido lavrado por profissional não habilitado pelo Conselho Regional de Contabilidade; por não terem sido fornecidas ao impugnante cópias dos documentos referidos no processo, por falta de indicação dos dispositivos legais infringidos; e por ausência da relação de empregados, autônomos e administradores, omissão essa que acarretaria ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório; b) seja reconhecida a inconstitucionalidade do salárioeducação; a inexigibilidade ou inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA; a ilegalidade do SAT e SEBRAE, excluindose as contribuições e consequentemente os juros e a multa; c) ilegalidade da aplicação de multas e juros, diante da inexistência da obrigação tributária; d) exclusão ou redução da multa ao mínimo possível, ante o seu caráter confiscatório e afastamento da incidência da Taxa Selic. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 403 5 Voto Vencido Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Da improcedência da nulidade por falta de documentos 1. Alega o contribuinte que, embora o relatório fiscal remeta a documentos fiscais, somente recebeu cópia do relatório fiscal, e não de todos os documentos que o compõem, ficando caracterizado o cerceamento de defesa, porque não pode se defender plenamente sem o conhecimento dos documentos que a fiscalização deveria dar ciência. 2. Entretanto o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, TIPF (Termo de Início de Procedimento Fiscal), TIF (Termo de Intimação Fiscal n.º 1), TEPF (Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal), Relatórios de Lançamentos, dentre outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. 3. Dessa forma, rejeito a preliminar provocada pelo contribuinte, tendo em vista que os documentos suscitados pela recorrente como indispensáveis a sua defesa cumpriram os requisitos legais. Da validade do auto de infração lavrado por agente fiscal não habilitado como contador 4. Em sua defesa a recorrente alega ainda que o auto de infração seria nulo, tendo em vista que os levantamentos fiscais através de perícias e análises dos processos trabalhistas não foram realizados por profissional habilitado pelo Curso de Ciências Contábeis, ou seja, contador. 5. A Lei n.º 10.593/2002, a qual regulamenta as atribuições do Auditor Fiscal, não prevê como requisito específico para o exercício do cargo, formação acadêmica de contador, tampouco registro em órgão da categoria (CRC), ao contrário, assegura ao auditor fiscal “executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados”. 6. Apenas para delimitar a discussão do tema cito a legislação: “Lei nº 10.593, de 6 de Dezembro de 2002 Art. 2º Os cargos de Auditor Fiscal da Receita Federal, de Técnico da Receita Federal, de Auditor Fiscal da Previdência Social e de Auditor Fiscal do Trabalho são agrupados em classes, A, B e Fl. 405DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 Especial, compreendendo, a primeira, cinco padrões, e, as duas últimas, quatro padrões, na forma dos Anexos I e II. (grifei) Art. 3º O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) §1º O concurso referido no caput poderá ser realizado por áreas de especialização. (...) Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial; d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; (...).” (grifei) 7. Destaco que já houve, nesse Conselho, vários julgamentos sobre a questão levantada pela recorrente e todos reconhecem a competência do Auditor Fiscal, para lavratura de auto de infração independentemente de título de contador. Transcrevo, a seguir, ementa e trecho de julgamento recente do CARF que corroboram tal afirmativa. “ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e Fl. 406DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 404 7 origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. FATOS GERADORES APURADOS NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA. REPRODUÇÃO INTEGRAL NO RELATÓRIO FISCAL. DESNECESSIDADE. É despicienda a integral reprodução, no Relatório Fiscal, dos fatos geradores apurados diretamente nas folhas de pagamento, GFIP e escrita fiscal da empresa, eis que a responsabilidade pela sua elaboração e conteúdo é do próprio sujeito passivo, tendo este, já, o pleno conhecimento de toda a matéria tributável ali presente. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. Da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. (...) A julgar pelo entendimento do Recorrente, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federa do Brasil, além de ter formação acadêmica em contabilidade, teria concomitantemente que ter habilitação em Direito, pois interpreta e aplica leis, decretos, regulamentos, etc.; Formação em engenharia, pois analisa obras de construção civil, aplica o método CUB em aferição indireta, etc.; Formação em Tecnologia da Informação, pois opera com computadores, identifica, extrai e analisa dados essenciais armazenados em arquivos e mídias digitais; Formação em comércio exterior, dada às suas atribuições de controle aduaneiro e classificação de mercadorias; Formação em matemática, pois a realização de cálculos, equacionamentos e resolução de problemas aritméticos fazem para do seu cotidiano; Formação em letras, eis que a redação de relatórios, a solução de consultas e a lavra de decisões de natureza tributária constituemse prerrogativas do seu cargo; Formação em psicologia, para entender o animus de certas razões recursais, dentre outras. Por esses e tantos outros motivos, não assiste razão ao Recorrente quanto a sua alegação de ilegitimidade do Auditor Fiscal.” (grifei) Fl. 407DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 (Processo nº 17546.000827/200733, Recurso nº 258.362, Acórdão nº 230201.099 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Relator: Arlindo da Costa e Silva). 8. A jurisprudência atual do CARF não referenda os argumentos trazidos pelo contribuinte. O Órgão tem, inclusive, entendimento sumulado a respeito da legitimidade da conduta do auditor: “Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador”. Da ausência de especificação dos dispositivos legais 9. Ademais, a recorrente afirma que não houve alusão em momento algum aos dispositivos legais onde se funda a exigência, tornandose nulo o lançamento sem tal especificação. 10. Contudo, tal argumentação não condiz com a realidade fática encontrada nos autos. Com relação aos anexos, o item 16.1 do Relatório Fiscal explicativo do lançamento relaciona os documentos que comporiam as duas vias do Auto de Infração: IPC — Instruções para o Contribuinte, DD — Discriminativo do Débito, RDA — Relatório de Documentos Apresentados, RADA — Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, DAL — Diferença de Acréscimos legais, FLD — Fundamentos Legais do Débito — VÍNCULOS — Relatório de Vínculos, REFISC — Relatório Fiscal, TIPF — Termo de início de Procedimento Fiscal, TIF — Termo de Intimação Fiscal n° 01, TEPF — Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal e RL — Relatório de Lançamentos. Esses anexos, em duas vias, destinaramse, uma via, ao devedor e a outra via a integrar os autos. 11. O item 16.2 do Relatório Fiscal, por sua vez, relaciona anexos que comporão apenas o processo, os quais se constituem, essencialmente, de cópias extraídas de documentos que pertencem à própria empresa. 12. Bem como, encontrase nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) toda legislação que ampara a exigência contendo os fundamentos do fato gerador e das contribuições patronais e ao GILRAT, dos prazos que a empresa dispunha para efetuar o recolhimento espontâneo das mesmas, dos acréscimos legais incidentes sobre o recolhimento que se fizerem a destempo, além dos fundamentos da competência para fiscalizar, arrecadar e cobrar as contribuições devidas. 13. A decisão recorrida afastou a argumentação do contribuinte com propriedade: “mas não fosse só por isto, a própria impugnação, contrariando toda a sua argumentação, dar mostras de ter tido acesso a esses anexos, porquanto a certa altura reportase justamente ao conteúdo constante de documentos que compõem essa relação”. 14. Assim, o lançamento, como ato administrativo que é, tendo cumprido as formalidades essenciais para a sua lavratura, estando motivado com a descrição das razões de fato e de direito em relatórios específicos, em especial com a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, dos documentos que lhe dão suporte, das contribuições devidas e do período a que se refere, bem como cientificado o sujeito passivo e oferecida oportunidade para pronunciarse e produzir provas, implica a inexistência de violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório ou do devido processo legal. 15. Cumpre ressaltar que o decisum recorrido encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o Fl. 408DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 405 9 processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do acórdão vergastado. 16. Dessa forma, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos regimentais. DO LANÇAMENTO 17. A recorrente aduz a improcedência do AIOP em questão, diante da ausência de relação de empregados, avulsos, autônomos, entre outros, cujas remunerações integraram a base de cálculo das contribuições. 18. E afirma que: “A Zelosa Fiscalização exige a cobrança das contribuições previdenciárias. Porém, em momento algum juntou a relação das pessoas a fim de que a Impugnante, verificando seus nomes, pudesse apresentar a defesa plenamente, como lhe assegura o art. 50, LV da CF/88 (...) isto determina a improcedência da Notificação e a nulidade”. 19. Todavia, as contribuições aqui examinadas incidem sobre o montante total das remunerações pagas ou creditadas durante o mês aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período, de modo que a base de cálculo mensal do débito deve corresponder ao montante total da folha de pagamento respectiva. 20. No presente processo, o anexo Discriminativo do Débito (DD) apresenta mês a mês o montante das remunerações, como dito acima, as alíquotas aplicadas e o respectivo resultado dessa aplicação, que são as contribuições devidas. 21. Destacase que as folhas de pagamentos são documentos produzidos pela própria empresa e encontramse em sua plena posse, desse modo a conferência poderia ter ocorrido pela própria recorrente ao confrontar essas folhas com as GFIP e com os números constantes do DD e a partir daí, apontaria suposto erro praticado pela auditoria fiscal no montante da contribuição exigida. 22. Portanto, aqui se verifica totalmente prescindível relacionar os segurados cujas remunerações foram objeto do lançamento, pois não ocorreu nenhuma desconsideração de relação de trabalho entre a empresa e algum trabalhador. Assim, não merece prosperar tal alegação. Alegações inoportunas relativas ao salárioeducação e a contribuições a entidades e fundos 23. Há que se afastarem alegações postas como inconstitucionalidade do salárioeducação, inexigibilidade das empresas urbanas da contribuição ao INCRA e inexigibilidade da contribuição ao SEBRAE. 24. Isto porque, estes autos tratam de contribuições previdenciárias previstas na Lei 8.212, de 1991. Simplesmente, aqui, não foram apuradas contribuições destinadas às entidades mencionadas, cujo suporte legal encontrase na legislação que instituiu cada uma delas. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 25. Por isto, a alegação citada neste tópico não é cabível no processo em análise, pois são elas objeto de processo distinto. 26. Dessa forma, por total inoportunidade, deixo de apreciar alegações trazidas pela impugnação acerca dessas contribuições. GILRAT. Exigibilidade 27. Pugna o contribuinte ainda pela inexigibilidade da contribuição para custeio dos benefícios decorrentes do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, por suposta inconstitucionalidade, uma vez que a sua instituição deveria se dar por lei complementar. 28. Dessa feita, observase que tal argumento não merece prosperar, pois, a teor do que dispõe o art. 26A do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, exceto nos casos previstos no § 6º do mesmo dispositivo legal, a seguir transcrito, este órgão julgador, de cunho administrativo, não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de lei. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” 29. Segundo o caput do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, é vedado aos seus Conselheiros membros, sob fundamento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. 30. Ademais, a súmula n.º 2 do CARF preceitua o seguinte: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 410DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 406 11 31. Dessa forma, afastamse o conhecimento das alegações de inconstitucionalidade e de ilegalidade de defesa, pois os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições contidas no auto de infração em apreço, todos discriminados nos Fundamentos Legais do Débito, encontramse em plena vigência, não havendo até a presente data manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a inaplicabilidade dos mesmos. 32. Assim, rejeito as alegações do contribuinte de inconstitucionalidade dos atos normativos que embasam o lançamento. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 33. Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. 34. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 35. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste Conselho. 36. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (g.n.) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) Ausência de caráter confiscatório da multa 37. A alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada por ser indevida, abusiva e por vedação de confisco não se sustenta, considerando a existência de norma específica que determina a aplicação da multa em face de infração às regras instituídas pela legislação tributária. DA MULTA APLICADA 38. Neste tópico, pugna o contribuinte pela declaração de ilegalidade da aplicação de multas e juros, por suposta inexistência de infração tributária. Assim diz a recorrente: “Ocorre, porém, que o valor principal não é devido como acima demonstrado, razão pela qual, estas penalidades restam prejudicadas, por serem manifestamente acessórias (...)”. 49. Como visto anteriormente, não merecem prosperar as alegações do contribuinte no sentido da inexistência do débito, posto que constatadas as razões que o fundamentaram. 40. Contudo, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem pública. 41. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 407 13 42. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 43. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 44. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 45. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 46. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para aplicar a multa, se mais benéfica, prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinada com o art. 61, §2º da Lei n.º 9.430/96. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 408 15 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 415DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 416DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 409 17 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 417DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora Fl. 418DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10950.006527/201042 Acórdão n.º 2301002.901 S2C3T1 Fl. 410 19 no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 419DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digit almente em 03/12/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 15889.000008/2011-66
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.601
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 08 /2 01 1- 66 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000008/201166 Acórdão n.º 2403001.601 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1435.354 da 9ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização, em relação ao contribuinte acima identificado, incluindo os seguintes debcads: 1. Debcad nº 37.313.1348 – incluindo a contribuição devida pela empresa à Previdência Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), no montante de R$ 88.177,02, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes nas folhas de pagamento da empresa. 2. Debcad nº 37.313.1364 – incluindo a contribuição destinada aos terceiros (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESI e SENAI), no montante de R$39.485,31, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados constantes nas folhas de pagamento da empresa. De acordo com as informações constantes no relatório fiscal, a empresa declarou em GFIP, para o período de 01 a 12/2008, ser optante pelo Simples Nacional, não obstante ter sido excluída de ofício do referido regime pelo município de São Paulo a partir de 01/01/2008. Deixou, portanto, de informar e recolher a contribuição patronal devida, sendo a mesma objeto de lançamento de ofício no presente auto de infração. Apresenta o Relatório Fiscal que se efetuou comparativo entre as penalidades previstas à época dos fatos geradores e as previstas a partir da Lei 11.941 e prevaleceu a mais benéfica à recorrente. 9.5 Assim, em respeito ao artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, a fim de incidência da penalidade mais benéfica ao contribuinte, elaboramos os demonstrativos anexos, a fim de se estabelecer o confronto de valores, sendo certo que se aplica aos fatos geradores representados pelos seguintes levantamentos: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 FP (folha de pagamento dos segurados empregados) e Cl (contribuintes individuais). a) Demonstrativo I Cálculo da Multa por Omissão de Fatos Geradores art. 32, inc. IV, § 5o , da Lei 8.212/91 que trata da limitação de valores (limite máximo).. A multa corresponde a cem por cento (100%) do valor devido, relativo à contribuição não declarada (exceto as contribuições destinadas a terceiros), limitada aos valores previstos no inciso IV, § 4°, do mesmo diploma legal. Informase que para o calculo, a multa variável equivale a um multiplicador sobre o valor mínimo em função do número de segurados, conforme tabela de números de segurados, no caso, corresponderá toda competência a 2 vezes o valor mínimo, já que o número de segurados mensais é sempre inferior a 50 (2 x 1.523,57 = R$ 3.047,14). Destaquese que o valor mínimo de R$ 1.523,57 (um mil quinhentos e vinte e três reais e cinqüenta e sete centavos)), foi estabelecido na Portaria Interministerial MPS/MF n° 568, de 31 de dezembro de 2010, art. 8 o inciso V e publicado no DOU de 03/01/2011. b) DEMONSTRATIVO II QUADRO COMPARATIVO PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE Como se vê, para aplicação da multa, houve comparação entre a multa prevista na Lei 8.212/91 e Lei 11.941, sendo certo que resulta multa mensal mais benéfica em todas as competências (01/08 a 11/08) a prevista na Lei 11.941. 9.6 Assim e considerando que a multa aplicada e mais benéfica ao contribuinte foi a da Lei 11.941, informase que não houve lavratura de Al por descumprimento de obrigação acessória. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · A base de cálculo incluiu verbas indenizatórias, merecendo ser revista. · Requer perícia para excluir das bases de cálculo as verbas indenizatórias. · Questiona a multa aplicada, alegando que a multa de mora deveria ser rebaixada para 20% (multa de mora) e o caráter confiscatório da multa de ofício (75%). É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15889.000008/201166 Acórdão n.º 2403001.601 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator VERBAS INDENIZATÓRIAS As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento e incluem verbas como férias, 1/3 de férias e 13º salário, tudo conforme previsão legal. Não está demonstrada a incidência sobre verbas indenizatórias excluídas da base de cálculo pelo parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, como férias indenizadas, aviso prévio indenizado e indenizações rescisórias. Entendo portanto, corretas as bases de cálculo e desnecessária a perícia.. MULTAS Recorrente questiona a multa de mora e apresenta a tese do caráter confiscatório da multa de ofício. Observase no processo que a multa de ofício foi aplicada conforme a legislação. Quanto à multa de mora, esta teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 207DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005393/2008-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRRF. COMPENSAÇÃO.
Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual.é a fonte pagadora a responsável, enquadrando-se no crime de apropriação indébita e caracterizando-se como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública. Pode o beneficiário, neste caso, compensar o imposto retido.Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-001.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:22/11/2012
Participaram, do Presente Julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM:22/11/2012 Participaram, do Presente Julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
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COMPENSAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual.é a fonte pagadora a responsável, enquadrandose no crime de apropriação indébita e caracterizandose como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública. Pode o beneficiário, neste caso, compensar o imposto retido.Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:22/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 53 93 /2 00 8- 33 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram, do Presente Julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.117 a 124) interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela De1egacia da Receita Federal de Julgamento em Julgamento em Florianópolis (SC), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a glosa do valor declarado a título de imposto de renda retido na fonte pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda R$ 5.397,02 A 5º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Florianópolis (SC), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0724.349, de 06 de maio de 2011, que se encontra às fls. 53/57, considerando procedente o lançamento, sob o fundamento de que deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de imposto de renda retido na fonte pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda (R$ 5.397,02), visto que o interessado não comprovou seu efetivo recolhimento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 03/06/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 126). À vista da decisão, foi protocolizado, em 04/07/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. (fls. 117 a 124), no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reitera, os argumentos apresentados em primeira instância e ainda: · que a notificação de lançamento deve ter sua nulidade reconhecida; · apesar de ter feito prova inconteste de que era apenas um mero funcionário da empresa JCJ Têxtil Ind. e Com. Ltda, a sua impugnação foi julgada improcedente, sendo mantido o crédito tributário exigido; · conforme se comprova através de cópia autenticada de seu contrato de trabalho a título de experiência, foi admitido para laborar na empresa JCJ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, no dia 06/06/05, na função de gerente industrial tendo sido demitido sem justa causa em 11.09.2006, consoante se extrai da cópia do aviso prévio ". · o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte de fl. 22 comprova que os valores descontados do seu salário pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda, no ano de 2006, a título de imposto de renda retido na fonte, totalizaram o montante de R$ 5.397,02. · não pode ser prejudicado caso seja constatado que a fonte pagadora não repassou à União as quantias retidas de seu salário a título de IRRF. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.005393/200833 Acórdão n.º 2802001.535 S2TE02 Fl. 597 3 · Por fim, solicita o cancelamento da presente notificação de lançamento e o pagamento do imposto a restituir no valor de R$ 1.432,42 (num mil, quatrocentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos), acrescido de juros de mora e correção monetária Apresenta os seguintes documentos:a) cópia da identidade e CPF do Recorrente;cópia da carteira de trabalho comprovando o vínculo empregatício junto à empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; b)cópia contrato de trabalho e contrato trabalho a título de experiência; c) aviso prévio; d) folhas de pagamentos do ano de 2006, da empregadora do Recorrente, JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; e) comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte pagadora das empregadoras do Recorrente, ano calendário2006; f) termo de rescisão contrato trabalho empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; g)cópia termo de audiência ação trabalhista 01455/2006; h) cópia contrato social da empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; i) cópia da declaração de ajuste fiscal relativa ao exercício 2007, ano calendário 2006; j) cópia da notificação de lançamento 2007/609450133214036; k)cópia da impugnação levada a efeito; l) cópia da decisão de primeiro grau; m)cópia da ação judicial interposta É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite Relatora Tempestivo e interposto por parte legítima, é de se conhecer o presente recurso. O dissídio que chega a este Colegiado trata de lançamento, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), referente ao anocalendário 2006, exercício 2007 no montante de R$ 5.339,91, em face de haver sido constatada a dedução indevida de imposto sobre a renda retido na fonte (IRF). Em sede de Recurso Voluntário, o recorrente reafirma que apesar da função de gerente industrial na , empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA, na verdade era um mero empregado, sem poder algum de gestão na administração, recebeu somente valores líquidos dos seus salários e não brutos, portanto não tem como ser responsabilizado por pagamento algum, decorrente do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte, cabendo esta responsabilidade única e exclusivamente à sua empregadora JCJ TÊXTIL IND E COM. LTDA, pois foi esta a fonte que reteve os valores; Faz prova do alegado por meio de : a) cópia da carteira de trabalho comprovando o vínculo empregatício junto à empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; b)cópia contrato de trabalho e contrato trabalho a título de experiência; c) aviso prévio; d) folhas de pagamentos do ano de 2006, da empregadora do Recorrente, JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; e) comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte pagadora das empregadoras do Recorrente, ano calendário 2006; f) termo de rescisão contrato trabalho empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; g)cópia termo de audiência ação Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 trabalhista 01455/2006 O Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto n.º 3.000, de 1999), em seu artigo 624, prevê estarem sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620 do mesmo diploma, os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoas físicas ou jurídicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso I).). Em seu artigo 717, o mesmo ato regulamentar, fundamentado nos artigos 99 e 100 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943 e no artigo 7.º, § 1.º, da Lei n.º 7.713, de 1988, determina que compete è fonte pagadora reter o imposto na fonte, salvo disposição em contrário. A fonte pagadora fica ainda obrigada ao recolhimento do imposto, mesmo que não o tenha retido (Decreto n.º 3.000, de 1999, artigo 722, caput, cuja matriz legal é o artigo 103 do DecretoLei n.º5.844, de 1943). Isto significa afirmar que a fonte pagadora tem o dever de descontar o imposto de renda quando paga a renda ou provento. Por outro lado, o contribuinte tem o direito de receber da fonte o informe de rendimento e retenção, para que possa exercer os efeitos de direito daí derivados, no caso, o de compensar o imposto retido na fonte com o imposto que tiver que pagar na declaração de ajuste anual. No recurso o Contribuinte reafirma que o valor foi retido e que não pode ser responsabilizada por uma obrigação que é da fonte pagadora. Pois bem, às fls. 22 dos autos o Contribuinte apresenta Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, demonstrando que foi retido da recorrente, durante o ano calendário de 2006, o valor de R$ 5.339,91. A DRJ em FlorianópolisSC, entendeu que o contribuinte era gerente da fonte pagadora e. assim sendo, somente seria cabível a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte com o devido na Declaração de Ajuste Anual se houvesse a efetiva comprovação do recolhimento do valor retido, já que, por força do disposto no artigo 8o do Decretolei n° 1.736. de 20 de dezembro de 1979. e no artigo 723 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), são solidariamente responsáveis pelos débitos decorrentes do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No presente caso, em que os valores de imposto de renda na fonte foram retidos do beneficiário do rendimento, mas não foram recolhidos aos cofres públicos, aplicase o Parecer Normativo COSIT n.º 1, de 24 de setembro de 2002, que assim determina: Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadrase no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracterizase como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Ressaltese que a obrigação do contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. Concluise, da compreensão do texto acima transcrito, que, tendo a pessoa jurídica denominada JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA, retido o imposto de renda, é ela a responsável por seu recolhimento, podendo o Recorrente, na qualidade de beneficiário do pagamento, compensar o imposto retido, mesmo que não recolhido. Conclusão Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.005393/200833 Acórdão n.º 2802001.535 S2TE02 Fl. 598 5 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19311.000138/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO
Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário que não foi objeto de lançamento e, portanto, de litígio processual.
AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS.
Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de reter a contribuição previdenciária dos segurados empregados a seu serviço.
...........................................................................
Numero da decisão: 2301-003.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) na parte conhecida, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário que não foi objeto de lançamento e, portanto, de litígio processual. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de reter a contribuição previdenciária dos segurados empregados a seu serviço. ...........................................................................
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Segurados empregados Recorrente CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL PARA CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DAS VIAS PÚBLICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. CONHECIMENTO Não se conhece de matéria veiculada em recurso voluntário que não foi objeto de lançamento e, portanto, de litígio processual. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de reter a contribuição previdenciária dos segurados empregados a seu serviço. ........................................................................... Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer parcialmente do recurso, nos termos do voto do Relator; b) na parte conhecida, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 01 38 /2 01 0- 11 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.170.4332, o qual exige multa do sujeito passivo por ter deixado de arrecadar, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, relativo ao período 01/03/2007. Nesse sentido, descreve o Relatório Fiscal (fls. 61 a 63) que: “3 Analisando a documentação apresentada as Folhas de Pagamento as GFIPGuias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, ficou constatado que o Consórcio “pro Estrada” deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições a cargo dos segurados empregados, eventos constatados nas Folhas de Pagamento de março de 2007 e ocorreram nas remunerações dos seguintes segurados empregados: Adevano Ermeto de Sousa, PIS nº 12818917265, Anderson Martins dos Santos, PIS nº 1291962260, Cosme Rodrigues de Freitas, PIS nº 20418883135, Ivani Aparecida Machado, PIS nº 12861800242, José Milton Batista de Moura, PIS nº 12100986246, José Soares da Silva, PIS nº 12758953236, Maria Lopes de Souza, PIS nº 1247214860 9, Marcos Roberto de Souza, PIS nº 12552517910, Maurílio Antônio da Costa, PIS nº 12038463915 e Wellington Robson Honorato, PIS nº 20141055671. Para maior clareza nomes, identificação dos segurados, saláriosdecontribuição, valores não arrecadados ou diferenças não arrecadadas estão discriminados no anexo deste relatório.” Diante dessa autuação, o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando, em síntese: i) a ilegitimidade para ocupar o polo passivo da cobrança do tributo previdenciário objeto da autuação ora impugnada e ii) a ausência de dolo na falta da declaração do fato gerador da contribuição em comento, por se tratar de simples erro, não passível de multa. A 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Campinas julgou a impugnação improcedente, mantendo, assim, o crédito tributário. Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando basicamente os mesmos argumentos expedidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso há de ser conhecido em parte. Explico. Da análise do Auto de Infração nº 37.170.4332 (fls. 63), constatase claramente que a sua lavratura se deu em razão do sujeito passivo ter deixado de realizar a arrecadação das contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço, não efetuando o desconto sobre a remuneração paga a eles pela prestação de serviços laborativo, configurando, dessa forma, infração à regra prevista no inciso I, do artigo 30, da Lei nº 8.212/91, passível de multa nos termos do dispositivo 92 e 102 da Lei 8.212/91 e dos artigos 373 e 283, inciso I, alínea “g”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 e atualizada pela Portaria MP/MF nº 350, de 30/12/2009. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 19311.000138/201011 Acórdão n.º 2301003.000 S2C3T1 Fl. 3 3 Insurgindose contra a lavratura do referido auto de infração, o Recorrente interpôs recurso alegando que, por ser tomadora de serviços da prestadora de serviços COOPERCILL COOPERATIVA DE TRABALHADOR EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS, não poderia configurar no polo passivo da relação jurídica tributária, uma vez que os trabalhadores são empregados da cooperativa, motivo pela qual deveria ser reformada a r. decisão a quo para cancelar a autuação. Todavia, não é o que demonstra autuação. De acordo com o relatório fiscal, a multa ora questionada tem por origem a constatação de que o sujeito passivo deixou de efetuar o desconto da contribuição previdenciária dos seus empregados relacionados na sua folha de pagamento, conforme se depreende do trecho abaixo extraído do relatório fiscal: “3 Analisando a documentação apresentada as Folhas de Pagamento as GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, ficou constatado que o Consórcio “pro Estrada” deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições a cargo dos segurados empregados, eventos constatados nas Folhas de Pagamento de março de 2007 e ocorreram nas remunerações dos seguintes segurados empregados: Adevano Ermeto de Sousa, PIS nº 12818917265, Anderson Martins dos Santos, PIS nº 1291962260, Cosme Rodrigues de Freitas, PIS nº 20418883135, Ivani Aparecida Machado, PIS nº 12861800242, José Milton Batista de Moura, PIS nº 1210098624 6, José Soares da Silva, PIS nº 12758953236, Maria Lopes de Souza, PIS nº 12472148609, Marcos Roberto de Souza, PIS nº 12552517910, Maurílio Antônio da Costa, PIS nº 12038463915 e Wellington Robson Honorato, PIS nº 2014105567 1. Para maior clareza nomes, identificação dos segurados, saláriosde contribuição, valores não arrecadados ou diferenças não arrecadadas estão discriminados no anexo deste relatório.” Assim, considerando que se trata de multa aplicada por conta da falta de retenção dos valores relacionados a contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados, consoante apurada e comprado pela D. Fiscalização, não há que se falar, in casu, na hipótese de prestação de serviços terceirizado, como defende a Recorrente. Dolo Sustenta a recorrente que não teria agido com dolo em razão da ausência de declaração. Ocorre que a infração tributária ocorre independentemente da culpabilidade do agente, isto é, basta a ação ou omissão vedada pela norma para que seja aplicada a penalidade prevista. Logo, não merece prosperar esse argumento. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER O RECURSO EM PARTE, e , na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/12 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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