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Numero do processo: 10283.903439/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.643
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 39 /2 01 2- 62 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903439/201262 Acórdão n.º 3402004.643 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903439/201262 Acórdão n.º 3402004.643 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903439/201262 Acórdão n.º 3402004.643 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.903439/201262 Acórdão n.º 3402004.643 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990678/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 06 78 /2 00 9- 18 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.990678/200918 Acórdão n.º 1201001.739 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.990678/200918 Acórdão n.º 1201001.739 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.990678/200918 Acórdão n.º 1201001.739 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.990678/200918 Acórdão n.º 1201001.739 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903142/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.415
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 42 /2 01 2- 41 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903142/201241 Acórdão n.º 3402004.415 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903142/201241 Acórdão n.º 3402004.415 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.678, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903142/201241 Acórdão n.º 3402004.415 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903142/201241 Acórdão n.º 3402004.415 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903142/201241 Acórdão n.º 3402004.415 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903142/201241 Acórdão n.º 3402004.415 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903142/201241 Acórdão n.º 3402004.415 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903142/201241 Acórdão n.º 3402004.415 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.907918/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0266.560, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 9 de setembro de 2015, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por maioria de votos, julgála improcedente, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 07 91 8/ 20 14 -8 1 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.907918/201481 Resolução nº 1301000.432 S1C3T1 Fl. 196 2 A interessada transmitiu, em 31 de outubro de 2011, a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) numerada 37576.34037.311011.1.2.022914, alegando dispor de direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ – Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – apurado no exercício de 2008 (1o de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2008). DESPACHO DECISÓRIO Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 079304448, de 3 de abril de 2014, nos seguintes termos (fl. 61): Às fls. 64 e 65, encontramse as “Informações Complementares da Análise de Crédito” relativas à DCOMP acima mencionada, dentre as quais se copiam as seguintes tabelas, correspondentes a parcelas de crédito não confirmadas: Ciente em 11 de abril de 2014, sextafeira (fl. 62), a interessada apresentou, em 13 de maio de 2014, a peça de defesa de fls. 3 a 16, alegando, resumidamente, o que segue. [...] 3.1 Da suposta não comprovação da retenção na fonte do imposto de renda no valor R$ 3.883.188.03 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.907918/201481 Resolução nº 1301000.432 S1C3T1 Fl. 197 3 [...] para comprovação da referida retenção a Impugnante junta o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Ano Calendário 2008" enviado pela Fonte Pagadora para a Impugnante, pessoa jurídica beneficiária dos rendimentos (doc. 09). Frisese que a Impugnante traz aos autos o referido informe de rendimentos, documento que comprova a retenção que, equivocadamente, não foi reconhecida pelo despacho decisório ora Impugnado. Ora douto Julgador, com esse documento hábil e idôneo fornecido pela Fonte Pagadora, está comprovada a retenção na fonte da parcela no valor de R$ 3.883.188,03 (três milhões, oitocentos e oitenta e três mil, cento e oitenta e oito reais e três centavos) a título de imposto de renda. Menciona e transcreve a Instrução Normativa SRF nº 119, de 28 de dezembro de 2000, o artigo 942 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999) e as Soluções de Consulta nº 15, de 24 de Fevereiro de 2011, e 357, de 28 de Setembro de 2007. Sob o título “3.2 Da não homologação da DCOMP da estimativa e da duplicidade da cobrança”, escreve que os débitos das estimativas mensais IRPJ em janeiro e fevereiro de 2008 haveriam sido extintos “por meio da transmissão” das DCOMP 07786.14397.220208.1.3.025108 e 41095.97519.260308.1.3.025261 e acrescenta: As referidas declarações de compensação objetivam compensar as estimativas de Janeiro e Fevereiro de 2008 com crédito apurado em período anterior, especificamente o Saldo Negativo do ano calendário 2005, que é objeto de averiguação no processo administrativo n° 10880924.005/201003, que aguarda julgamento da manifestação de inconformidade na Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto/SP, onde o processo está localizado desde 27/04/2013 (doc. 10). Assim, a desconsideração pelo despacho decisório ora combatido do Saldo Negativo de IRPJ 2005 que foi utilizado para compensação das estimativas antecipadas nos meses de janeiro e fevereiro de 2008, e que contribuíram para a formação do saldo negativo de IRPJ de 2008 ora pleiteado, gera a dupla cobrança dos débitos porque o crédito utilizado na compensação dessas estimativas (Saldo Negativo IRPJ 2005), caso não seja homologado, será objeto de cobrança no aludido processo administrativo n° 10880924.005/201003. Com efeito, se a decisão final no processo referente ao crédito utilizado pela Impugnante para compensar as estimativas de janeiro e fevereiro de 2008 for favorável, reconhecer o crédito de Saldo Negativo IRPJ 2005, consequência lógica será o cômputo dessas estimativas de janeiro e fevereiro de 2008 no saldo negativo do anocalendário de 2008 ora pleiteado. Por outro lado, se a decisão final a ser proferida no autos desse processo for pelo não reconhecimento do crédito, serão efetuadas as devidas cobranças dos débitos vinculados ao crédito em questão, inclusive as estimativas de janeiro e fevereiro de 2008, o que terá por efeito também o restabelecimento total desse parcela do crédito formadora de parte saldo negativo apurado ao final do anocalendário de 2008, objeto deste processo. Em outras palavras, é evidente que a desconsideração das estimativas de janeiro de fevereiro de 2008 antecipadas por meio das DCOMPs vinculadas ao processo 10880924.005/201003 configura cobrança em duplicidade, já que advém de crédito cuja confirmação se dará nos autos desse outro processo administrativo e mesmo no caso de ser proferida decisão desfavorável à Impugnante, decisão que não reconheça o Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.907918/201481 Resolução nº 1301000.432 S1C3T1 Fl. 198 4 crédito utilizado na pagamento dessas estimativas (Saldo Negativo IRPJ 2005), haverá a cobrança e o consequente pagamento que irá validar então a compensação dessas estimativas e a formação do Saldo Negativo 2008. Ademais, tendo em vista que os débitos de estimativas mensais de janeiro e fevereiro, de 2008 estão extintos pela compensação nos termos do artigo 156, II do CTN, padece de sentido a pretensão fiscal de obrigar a Impugnante a aguardar o deslinde da análise do crédito utilizado para compensar a antecipação das estimativas (processo 10880924.005/201003) a fim de que possa computálos na apuração do saldo negativo de 2008. Menciona a Solução de Consulta Interna nº 18 COSIT, de 13 de outubro de 2006. Em 5 de agosto de 2015, a interessada obteve liminar em mandado de segurança no curso do processo nº 001490766.2015.403.6100, a qual determina o julgamento da presente manifestação de inconformidade em trinta dias, contados de 14 de agosto de 2015. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza, cabendo ao sujeito passivo a apresentação de provas neste sentido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de representante regularmente constituído, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, por meio da PER/DCOMP n.º 37576.34037.311011.1.2.02 2914, o contribuinte informou a existência de crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2008, no valor de R$ 4.007.039,94, composto por retenções na fonte e Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.907918/201481 Resolução nº 1301000.432 S1C3T1 Fl. 199 5 estimativas compensadas de períodos anteriores. Após análise inicial, a autoridade que proferiu o despacho decisório glosou o valor de R$ 3.682.308,68, reconhecendo apenas o direito creditório na cifra de R$ 200.879,35. De acordo com o referido despacho, glosouse parcialmente os valores informados. A título de retenções, dos R$ 3.883.188,03, foi reconhecido apenas o valor de R$ 200.879,35, utilizandose como fundamento de que as retenções não foram comprovadas. Com referência à glosa de estimativas, elas foram integralmente glosadas, em face da vinculação e discussão pendente nos autos do processo 10880924.005/201003, nada sendo reconhecido. Irresignada, a recorrente apresenta manifestação de inconformidade, que ao ser analisada pela 4ª Turma da DRJ/BHE, foi julgada improcedente, mantendo os termos do despacho decisório. Assim, a lide diz respeito: (i) à glosa parcial dos valores informados a título de retenções, no valor de R$ 3.682.308,68, cujo fundamento reside na ausência de comprovação das retenções efetuadas; (ii) à glosa integral de estimativas quitadas mediante compensação de exercícios anteriores, no valor de R$ 123.851,91, em face da vinculação e discussão pendente nos autos do processo 10880924.005/201003. Em sede de recurso, sustenta a recorrente que o crédito pleiteado está amparado por documentação hábil e idônea; que comprova a retenção sofrida, por meio da DIPJ e por meio do comprovante emitido pela fonte pagadora, que demonstram o recebimento de Juros sobre Capital Próprio com retenção de IRPJ no valor de R$ 3.682.308,68; pelo CNPJ 06.914.179/000158; que o valor de R$ 123.851,91 é formado por antecipações de IRPJ, realizadas no anocalendário de 2008, e que tem como origem crédito de saldo negativo do anocalendário de 2005, cuja liquidez e certeza está sendo discutida em outro processo administrativo (Processo nº 10880924.005/201003), ainda pendente de julgamento, porém, alega que estas estimativas foram extintas por meio de DComp, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário Nacional, sob pena de gerar dupla cobrança de débitos. Antes de analisar os argumentos mencionados em sede recursal, impende apreciar a prejudicialidade consignada relativamente ao Processo Administrativo Fiscal nº 10880924.005/201003. Vêse, nos termos da decisão recorrida, que a parcela do direito creditório correspondente às estimativas relacionase com decisão definitiva que será tomada em outro processo administrativo, que discute exatamente a liquidez e certeza do crédito que foi utilizado pelo contribuinte para quitar estimativas do anocalendário de 2008. No caso, crédito oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2005, e débitos de estimativas referentes a janeiro e fevereiro de 2008. A própria decisão recorrida fez referência a este outro processo, quando analisou esta parcela do crédito, informando, inclusive, que aquele processo se encontrava pendente de julgamento na própria DRJ. Confirase parte da decisão recorrida a esse respeito: (...) Ora, isto é evidentemente falso. A simples hipótese de que a contribuinte possa, eventualmente, vir a ser vitoriosa no litígio condensado no processo de nº 10880 924.005/201003 não gera a liquidez e certeza de seu direito creditório contra a Fazenda da União. Por outro lado, a possibilidade de que um crédito tributário venha a ser Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.907918/201481 Resolução nº 1301000.432 S1C3T1 Fl. 200 6 exigido não o extingue automaticamente, uma vez que este ato não se encontra arrolado dentre as causas extintivas dos incisos I a XI do artigo 156 do CTN. Logo, uma estimativa de 2008 não extinta no atual momento processual não pode ser incluída no cálculo do saldo negativo do correspondente anocalendário para fins do deslinde do presente litígio. A contribuinte, ao computar o saldo negativo de IRPJ que daria suporte ao direito creditório invocado na DCOMP 37576.34037.311011.1.2.022914,valeuse das estimativas dos meses de janeiro e fevereiro de 2008, cujos débitos haveriam sido extintos por meio de sua compensação com créditos apurados,supostamente, em períodos base anteriores. A liquidez e certeza destes créditos prévios não foram confirmadas pelo Fisco da União, e, por conseguinte, não foram homologadas tais compensações, alegando a interessada haverse insurgido contra o despacho decisório lavrados no processo 10880924.005/201003. Tal manifestação ainda pende de julgamento por parte de equipe alheia a esta DRJ, como se verifica no demonstrativo abaixo, obtido a partir dos sistemas informatizados da RFB: (G.N) Entendo ser nítida a correlação entre aquele e o presente processo, pois o direito creditório pleiteado neste processo depende do que for decidido no processo administrativo nº 10880924.005/201003, que discute exatamente a liquidez e certeza de parcela do crédito almejado pelo contribuinte nestes autos. Realmente, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que for lá decidido, vez que os créditos lá tratados são responsáveis pela formação do direito creditório discutido nestes autos, impondose considerar o resultado do julgamento daquele processo ao caso em análise. O contribuinte discorda desta correlação e sustenta a desnecessidade de sobrestamento, aduzindo que a estimativa compensada será cobrada de qualquer forma e cita que tal entendimento é corroborado pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Não vejo como razoável reconhecerse indébito tributário sem que os componentes que formam o crédito possuam os atributos de certeza e liquidez. Se a mera possibilidade de cobrança de débito confessado fosse suficiente para reconhecer um determinado indébito, não haveria porque não se reconhecer direito creditório decorrente de débitos de estimativa, por exemplo, confessados em DCTF e que não foram adimplidos, pois, da mesma forma que ocorre no casos da DComp, o débito informado em DCTF configura confissão de dívida. Portanto, entendo necessário analisar o resultado do processo que trata da origem do crédito utilizado na compensação de estimativa do direito creditório em exame. Consultando o sítio do CARF, verificase que na data do presente julgamento o processo administrativo nº 10880924.005/201003 não se encontra neste Conselho. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos deste processo sejam sobrestados e sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva ou de mérito deste Conselho, nos autos do processo nº 10880924.005/201003, o que primeiro ocorrer, em conformidade com o que dispõe o art.6º, §4º do Anexo II, do Regimento Interno. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.907918/201481 Resolução nº 1301000.432 S1C3T1 Fl. 201 7 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão na instância administrativa do processo nº 10880924.005/201003, e se manifeste, conclusivamente, acerca da disponibilidade e suficiência do saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2005, na quitação das estimativas que compõem o crédito discutido nestes autos. Concluída a diligência, a recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.725079/2013-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011
CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO.
O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado.
SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI Nº 11.196/2005. POSSIBILIDADE.
Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN.
Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Igualmente, e sem prejuízo da primeira imputação, correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude.
Numero da decisão: 2201-003.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade solidária dos sócios e a qualificadora da multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI Nº 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTS. 124, I e 135 DO CTN. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas ou jurídicas, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Igualmente, e sem prejuízo da primeira imputação, correta a inclusão, como responsável tributário, à pessoa física que, agindo na condição de mandatário, preposto, diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado pratique condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 50 79 /2 01 3- 70 Fl. 8763DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.764 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade solidária dos sócios e a qualificadora da multa de ofício. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão administrativa de primeira instância proferida pela DRJ Recife que julgou improcedente a impugnação ofertada para desconstituir o lançamento tributário formalizado. Pela sua clareza e capacidade de elucidação dos fatos, adotase, em parte, o relatório da decisão de primeira instância: O processo administrativo fiscal é constituído dos seguintes autos de infração, relativos ao período de 01/2010 a 11/2011: AI 51.043.6641: para a exigência de contribuições patronais (empresa e SAT/RAT). Valor R$ R$ 3.492.164,25; AI 51.043.6650: para a exigência de contribuições destinadas a terceiros. Valor R$ 964.502,52; AI 51.043.667 6: para a exigência de contribuições não descontadas dos segurados. Valor R$ 945.023,82. Consoante relatório fiscal (fls. 23/86), a remuneração dos trabalhadores foi aferida indiretamente, uma vez que restaram evidenciados os elementos caracterizadores da relação de emprego. As remunerações foram aferidas com base nas notas fiscais de serviços emitidas pelas prestadoras para a Autuada, registradas na sua contabilidade na conta "serviços prestados". O Fisco relata que a empresa exibiu uma planilha de fluxo financeiro identificando os valores pagos aos técnicos à disposição da IBROWSE, relacionandoos às empresas prestadoras de serviços, os gerentes responsáveis e os projetos, corroboradas com informações constantes da contabilidade da Autuada. Embora intimada, a empresa apresentou apenas parcialmente os contratos de prestação de serviços contabilizados na conta contábil "serviços prestados" e os comprovantes de créditos bancários efetuados para pagamento das notas fiscais de tomada de serviços. Em relação ao técnicos e aos serviços tomados de pessoas jurídicas, a auditoria observou que: Fl. 8764DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.765 3 Os contratos da IBROWSE celebrados com a administração pública deixam explícita a responsabilidade da empresa pelos empregados e prestação de serviços; O exame dos documentos de caixa revela a existência de trabalhadores investidos em cargos técnicos e administrativos da IBROWSE, recebendo suas remunerações através de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; Todos os segurados prestadores de serviços estão à disposição da empresa IBROWSE, sendo a força de trabalho necessária para a empresa atingir seus objetivos sociais; Todos os trabalhadores apresentam características comuns no seu trabalho: pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação; Os trabalhadores estavam subordinados à IBROWSE, estando vinculados à atividade fim da empresa tomadora, que detém o comando de direção e assume o risco da atividade econômica. Assim, a auditoria constatou todos os pressupostos indispensáveis à caracterização do vínculo empregatício previstos na legislação previdenciária, e considerou como segurados empregados os trabalhadores relacionados nas planilhas constantes dos itens 4.8 e 4.8.3 do relatório fiscal. Com base nos arts. 124, I e 135 do CTN, restou comprovada a sujeição passiva solidária dos sócios e administradores da empresa IBROWSE, visto que suas condutas evidenciam o intuito de fraude, tendente a reduzir o montante do tributo e precarizar os direitos trabalhistas. Pessoalmente cientificado do crédito tributário em 25/03/2014, o sujeito passivo apresentou impugnações de igual teor (fls. 4918/4943, 5001/5026 e 5085/5110), em 24/04/2014, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: Do quadro de caracterização de empregados elaborado pelo Fisco, 19 dos 27 trabalhadores não ajuizaram ação judicial nenhuma, e o auditor está se inserindo da competência do autor da ação; Somente uma ação teve trânsito em julgado, e as conseqüências tributárias foram quitadas perante a própria Justiça do Trabalho, e a autuação representa bis in idem; O auditor examinou 22 empresas e descaracterizou a relação de prestação de serviços de mais 63 outras, sem qualquer análise, totalizando 85 empresas, fazendoo por mera amostragem; O auditor se imiscuiu em atividade que é inerente ao Juiz do Trabalho, estando seu relatório eivado de traslados de petições em reclamatórias trabalhistas e uma sentença; A própria Justiça homologou vários acordos sem o reconhecimento do vínculo empregatício; Não é da petição inicial que se deduz a razão ao autor, bem como o fato de as partes se comporem não é o reconhecimento do mérito do processo; Fl. 8765DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.766 4 Como informado pelo contador da IBROWSE, não há centros de custo na contabilidade da empresa, decorrendo que as informações que o auditor pinçou não são confiáveis; O fato de as fornecedoras de serviços prestarem informações precárias aos órgãos de fiscalização ou serem inadimplentes não é motivo para punir a IBROWSE; A Msystems não tinha atividade paralisada e o sócio, Rafael, era consultor, por definição um serviço temporário, especializado e esporádico; Reembolso de viagem não configura prova de vínculo laboral; Não houve descumprimento da intimação para apresentar os contratos, porque não há norma legal que imponha o contrato escrito para a prestação de serviços; Não há precarização de direitos, visto tratarse de profissionais altamente especializados e remunerados; A IBROWSE sempre pagou as contribuições em dia e obteve CND, e o valor retido nas suas notas fiscais sempre é maior que o valor devido; Inexiste constância nos serviços prestados, porque dentre as 85 empresas suscitadas somente 4 prestaram serviços ao longo de todo o período de fiscalização, evidenciando a ausência de dependência econômica; A utilização de email corporativo da IBROWSE pelos prestadores de serviços visa manter na empresa as informações privativas e sigilosas; A informação de que Alan é diretor consta do seu currículo, como auto valorização pessoal, não havendo qualquer documento da empresa que comprove este fato; Luciane recebe um excelente salário, a afastar alusões de precariedade, e as notas fiscais da LS eram referentes a direitos intelectuais; Equívoco ao afirmar que atendeu parcialmente a intimação, visto que a fiscalização é do período 2010 e 2011, e a pretensão em período de 2012 que não é objeto da fiscalização; Quanto aos contratos administrativos, são raros os que vedam a subcontratação; A inserção dos sócios como sujeitos passivos solidários se apresenta abusiva e sem fundamentação legal, visto não comprovada a máfé e que os sócios não são solidários pelos débitos da sociedade; A norma do art. 124, I, do CTN, não se aplica aos sócios de sociedade porque não comprovado o interesse jurídico e, quanto ao art. 135, indispensável a demonstração de ato violador da lei. Com a impugnação, adunou cópias dos seguintes documentos: procuração e identificação (fls. 4944/4946); peças de processos judiciais (fls. 4947/4973, 4982/4996); GPS Fl. 8766DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.767 5 cod rec 2909 (fls. 4974/4981); Planilha NF por empresa por mês (fls. 4997/5000). Idênticos documentos foram juntados às demais impugnações (fls. 5027/5084 e 5111/5168). Em 02/10/2014, o sujeito passivo atravessou petição (fls. 5186/5215) requerendo: A juntada dos documentos em anexo. Argumenta que os documentos não foram apresentados quando requeridos pelos agentes fiscalizadores, nem com a impugnação, porque de fato não foram encontrados; Sejam conhecidos os argumentos trazidos nesta peça, por prestígio do princípio da ampla defesa; Seja deferida a produção de prova testemunhal, designandose oportunidade para se ouvir as pessoas anteriormente arroladas; Reitera o pedido de anulação das autuações. Com a petição, apresentou cópias dos seguintes documentos: identificação do procurador (f. 5216); folhas de pagamentos 07/2012 a 12/2012 e 07/2013 a 12/2013 (fls. 5217/7043); declarações dos segurados (fls. 7044/7046); notas fiscais emitidas por PF a partir de 06/2013 (fls. 7047/7058); identificação e procuração (fls. 7059/7061); contrato de prestação de serviços (fls. 7062/7085); folhas de pagamentos 01/2012 a 06/2012 e 01/2013 a 06/2013 (fls. 7086/8688). A DRJ Recife julgou improcedente a impugnação, cuja decisão restou consubstanciada na seguinte ementa: SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. Se o AuditorFiscal constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições legais, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, exigindo as contribuições respectivas. DOCUMENTAÇÃO. RECUSA. ARBITRAMENTO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 8705/87/55) em 23/02/2014, em face da decisão da qual foi cientificado em 30/01/2015, alegando, em síntese, que: Com supedâneo no princípio da verdade material, requer a apreciação de todos os documentos no presente recurso, os quais não foram apreciados pela decisão de primeira instância por ter sido considerado intempestivo; Fl. 8767DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.768 6 Não houve a necessária caracterização do vínculo empregatício por parte da Fiscalização. De acordo com a tabela de fl. 4923, ficou comprovado que os contratos de prestação de serviços correspondiam apenas a 6,5 % da força de trabalho da recorrente, um número bastante insignificante frente ao número de empregados e bastante insignificante se o interesse fosse sonegar tributos. Não se conseguiu comprovar a não eventualidade. Inferese da tabela anexada aos autos que, oito empresas que o Fisco considerou que possuíam vínculo empregatício só prestaram serviços por um único mês. E outras sete empresas só prestaram serviços por dois meses. Não houve subordinação. A única ordem dada pela recorrente diz respeito ao resultado final do contrato. Em relação aos pontos considerados pela Fiscalização: 1) emissão de notas fiscais seqüenciais: aduz que o fato de algumas empresas prestarem serviços com exclusividade, por si só, não torna a relação como de emprego. 2) os prestadores de serviços descumpriam de forma contumaz as obrigações previdenciárias, acessórias e previdenciárias, evidenciando que se tratavam de empresas sem uma estrura mínima capaz de cumprir as obrigações tributárias: alega que não cabe à recorrente fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias dos funcionários das empresas contratadas. 3) pagamento de plano de saúde a segurados empregados e a seus dependentes. Os valores eram contabilizados como custo com pessoal: afirma que a inclusão de um único prestador de serviço não é relevante para a caracterização do vínculo de emprego. 4) Registros contábeis da IBROWSE no centro de custos da PRODEMGE e ausência de empregados declarados em GFIP para esse prestador de serviço: argumenta que não faz a sua contabilidade por centro de custos e que a planilha encontrada era de controle interno, não podendo a recorrente fazer prova negativa de que não possuía contabilidade por centro de custos. 5) Os serviços executados pelos empregados se inserem na área de tecnologia, desempenhado as atividades normais da empresa, evidenciando o caráter não eventual da prestação de serviços: essa premissa é equivocada, vez que não há nexo de causalidade entre a eventualidade e a natureza do serviço prestado. Oito empresas apresentaram serviços por apenas um mês, enquanto que outras sete empresas prestaram serviços por apenas dois meses. 6) pagamentos de ticket aos segurados caracterizados empregados e a escrituração como despesas com pessoal: aduz que esse fato não comprova absolutamente nada, vez que esse tipo de despesa deve ser caracterizada como despesa com pessoal, independentemente da existência de vínculo empregatício. 7) Na análise dos contratos celebrados com a Administração Pública, verificase a responsabilidade do autuado na execução dos contratos: alega que a Fl. 8768DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.769 7 responsabilidade é pelo resultado final dos projetos e não pelo meio, não estando impedida de subcontratar. Não há subordinação em relação aos contratados. 8) Existência de diversas reclamatórias trabalhistas pleiteando o reconhecimento de vínculo de emprego com a autuada: argumenta que há uma generalização perniciosa. Dos 85 contratos em que houve a caracterização do vínculo de emprego, existiram apenas 8 reclamatórias trabalhistas. Dessas, 4 foram encerradas com acordo sem reconhecimento de vínculo empregatício, 3 aguardam decisão judicial e apenas 1 teve o vínculo de emprego reconhecido. Ou seja, é um indício muito fraco para que se coloque em xeque todos os contratos celebrados pela atuada. 9) Os valores constantes das notas fiscais eram coincidentes com os valores dos salários dos prestadores de serviços que buscaram a Justiça do Trabalho: mais uma vez, esse fato não comprova nada, na medida em que não foram analisados os 85 contratos celebrados. 10) A Fiscalização não considerou apenas a existência de reclamatórias trabalhistas, mas um conjunto de fatores que levaram a desconsiderar os contratos celebrados: há uma contradição, eis que foram levadas em conta situações específicas para alguns contratos, como o pagamento de planos de saúde e estendida a todos os 85 contratos, sem uma análise. Houve uma extensão indevida de presunção à totalidade dos contratos, os quais não foram analisados em sua integralidade. Inexistiu a simulação alegada pela Fiscalização. Não existiu proveito econômico, eis que a partir de dezembro de 2011, com o advento da Lei nº 12.546/2011, a tributação passou a incidir sobre o faturamento e não mais sobre a folha de salários. Não pode persistir a responsabilidade solidária aos sócios, eis que não restou comprovado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Alfim, requer a nulidade do presente lançamento e, subsidiariamente, que sejam desconsiderados apenas os 22 contratos analisados e não os 85 contratos celebrados. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Preliminarmente Sustenta a recorrente a nulidade do presente processo administrativo fiscal pelo fato de a decisão de primeira instância ter deixado de apreciar documentação carreada aos autos, após a apresentação da impugnação. Fl. 8769DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.770 8 A decisão recorrida fundamentou a não valoração dos documentos com supedâneo no disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993.) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). (Grifouse). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 8770DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.771 9 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se vê, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 determina o momento processual para juntada de prova documental, sob pena de ocorrer a preclusão. A autoridade julgadora de primeira instância fundamentou adequadamente a não valoração da prova com base em dispositivo de lei. Em sede recursal, pretende a contribuinte a revisão do lançamento através de um pedido de análise de documentos por este Colegiado, que supostamente comprovariam as suas alegações, o que faz com fulcro no princípio da verdade material. Todavia, entendo que analisar a prova documental carreada aos autos no presente recurso consistiria em uma inegável ofensa às normas adjetivas que norteiam o processo administrativo fiscal. Com isso, não estou a dizer que a regra inserta no o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 é absoluta. O julgador, que é um intérprete da lei, esta na acepção lato sensu deve aplicar o ordenamento jurídico. Assim, a mencionada regra processual deverá ser sopesada com o princípio da verdade material, que deve basilar o julgador ao dirimir as lides tributárias, quando possível. No caso que se cuida, não houve nenhuma justificativa apresentada para a não exibição de documentos no momento da impugnação, nem havia no momento do proferimento da decisão de piso, qualquer indício probatório, por menor que fosse, para amparar as alegações do sujeito passivo. Assim, não merece reparo a decisão recorrida, não procedendo, pois, a alegativa de nulidade. Do mérito Após o advento da Lei nº 11.196/2005, que introduziu no ordenamento jurídico brasileiro a norma insculpida em seu art. 129, passou a ser comum a prática adotada pelas empresas empregadoras, de contratação de pessoas jurídicas, muitas das vezes com o objetivo de substituir a mão de obra assalariada, pensando estarem abalizadas por um dispositivo legal permissivo. Todavia, a referida norma não foi inaugurada para precarizar as relações de trabalho. Muito pelo contrário, o objetivo foi regular situações em que verdadeiras pessoas jurídicas prestam serviços intelectuais em caráter personalíssimo, ou não, a um tomador de serviço, sem que se submetam ao poder diretivo desse. Reza o art. 129, da Lei nº 11.196/2005: Fl. 8771DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.772 10 Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Qualquer relação jurídica que se proteja sob o manto do dispositivo legal supra citado, mas que se revista das características de uma relação de emprego, deve ser rechaçada, para se adequar à realidade fática encontrada, devendo prevalecer o principia da primazia da realidade, que encontra suas raízes no Direito do Trabalho, mas que se irradia para todo o direito, que é uno. A divisão em ramos do direito só se justifica para fins didáticos e acadêmicos. Assim sendo, deparandose a Fiscalização tributária com uma situação que constitua fato gerador da contribuição social previdenciária, tem o poderdever, de acordo com o balizamento definido no art. 142, do CTN, de lançar o crédito tributário correspondente. Deverá prevalecer a realidade da relação jurídica de emprego sobre a forma, a contratação de pessoas jurídicas para a realização de trabalhos intelectuais. No caso que se cuida, poucas vezes me deparei com um relatório fiscal, que se consubstancia na motivação do ato administrativo de lançamento, de tamanha completude, que esmiúça com riqueza de detalhes toda a situação fática encontrada e a tentativa do sujeito passivo de efetuar um planejamento tributário ilícito, objetivando não recolher os tributos devidos e reduzir e não adimplir com os direitos trabalhistas dos prestadores de serviços disfarçados de pessoa jurídica. A Fiscalização, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do vínculo de emprego. Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999, que no § 2.° do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) A autoridade fiscal empreendeu minucioso trabalho para comprovar que os prestadores de serviços contratados eram, na verdade, segurados empregados da autuada. Eis os principais aspectos delineados na acusação fiscal: Fl. 8772DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.773 11 O Sr. Marcos José da Silveira propôs reclamatória trabalhista contra a IBROWSE na Justiça do Trabalho de Canoas, RS, através do processo 0000196 84.2012.5.04.0204. A função exercida pelo prestador de serviços, a qual consistia basicamente em definição, acompanhamento e ajuste do processos da fábrica de software em todas suas etapas, era essencial para o funcionamento da IBROWSE e estava inserida no seu contexto produtivo não podendo esta prescindir da mão de obra do Autor, sendo sua prestação laboral atividade fim da autuada. Registra o contratado, por oportuno, em que pese no Contrato de Prestação de Serviço, por determinação da Ré conste como contratada a empresa do Autor MSYSTEM INFORMÁTICA LTDA., salienta o Reclamante que sempre laborou de FORMA PESSOAL, sendo que a composição societária da referida empresa é composta pelo Autor e seu Pai, o qual nunca trabalhou e inclusive é analfabeto. Durante o andamento do processo, também foram apresentadas as provas em relação ao plano de saúde custeado pela IBROWSE para o Sr. Marcos José da Silveira e os seus dependentes. Analisando a contabilidade da IBROWSE, constatamos que ela registra as notas fiscais emitidas pela MSYSTEM na conta “SERVIÇOS PRESTADOS". Evidenciase nessa tabela, que as notas fiscais foram emitidas sequencialmente, demonstrando exclusividade na prestação de serviços. Em relação aos contratos de prestação de serviços celebrados com outras pessoas jurídicas, apesar de intimada e reintimada, conforme termos apensados ao processo, a empresa IBROWSE apresentou pouquíssimos, não estando entre eles o da MSYSTEM. Os atos constitutivos da MSYSTEM foram obtidos junto a Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul JUCERGS, os quais corroboram as informações contidas na petição inicial do processo de reclamatória trabalhista proposta pela Sr. Marcos José da Silveira, sendo ele o sócio majoritário e administrador da empresa. O Sr. Emir José Vieira da Silveira, seu pai, também é sócio da empresa e, segundo informações contidas no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, ele se encontra recebendo benefício previdenciário desde o ano de 1996. As GFIP entregues pela empresa MSYSTEM apresentam somente informações do segurado Marcos José da Silveira, conforme amostragem realizada, sendo que a última declaração entregue foi a da competência 05/2010. A empresa MSYSTEM apresentou as suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2010 e 2011 na opção de inativas. O Sr. Vinícius Tompsen de Lima também propôs reclamatória trabalhista contra a IBROWSE na Justiça do Trabalho de Canoas, através do processo 0001645 74.2012.5.04.0205, apresentando os seguintes fatos extraídos da sua petição inicial, os quais se assemelham aos descritos no item 4.7.1 pelo Sr. Marcos José da Silveira, sendo que o processo continua em andamento, aguardando a sentença. Fl. 8773DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.774 12 No que tange ao contrato de prestação de serviço acima mencionado e assinado em 10/08/2009, a fraude está escancarada, pois a época a empresa que consta como contratada, TWV SISTEMAS, supostamente representada pelo Autor, sequer existia, o que permite concluir que o Reclamante iniciou o trabalho para a Reclamada antes da constituição formal de sua empresa, assim a celebração de contrato de prestação de serviço teve o intuito de mascarar a relação de emprego. As notas fiscais foram emitidas de forma seqüencial. A análise do conjunto das obrigações acessórias da MSYSTEM e TWV Sistemas revela precariedade nas informações prestadas em suas declarações, muitas delas deixando de ser entregues, situação característica de empresas com atividades paralisadas, corroborando as afirmações descritas nas reclamatórias trabalhistas propostas pelos Srs. Marcos José da Silveira e Vinícius Tompsen de Lima. Respondendo a intimação fiscal sobre questionamento a respeito do centro de custo “IBROWSEFÁBRICA", a empresa informa, conforme documento apensado ao processo: “A empresa não possui centro de custo. Foi iniciado um trabalho para tentar fazer a contabilidade por centro de custo e depois abortado, ficando as informações de códigos de centro de custo indevidamente na contabilidade." Constatou que durante o período sob exame, além do centro de custo “IBROWSEFÁBRICA", a contabilidade da empresa também apresenta valores registrados em vários outros, como, por exemplo: “IBROWSEADM", “IBROWSECOMERCIAL", “PRODEMGE MG", “BANRISULRS", “IBGERJ" e “CAIXARS" os quatro últimos centros de custos são identificados pelos nomes dos licitantes dos serviços prestados pela IBROWSE. Analisou mais uma reclamatória trabalhista proposta contra a IBROWSE. A Sra. Luciana Del Papa Moreira ingressou na Justiça do Trabalho de Belo Horizonte, MG, através do processo 000181197.2011.5.03.0002, com a sentença transitando em julgado, reconhecendo o vínculo empregatício. A amostragem, além de demonstrar que as notas fiscais foram alocadas ao mesmo tomador de serviços, evidencia também que elas foram emitidas seqüencialmente, uma característica comum encontrada na análise dos históricos registrados na conta “SERVIÇOS PRESTADOS’’. Desde a sua constituição em 09/09/2003, a empresa LS nunca entregou nenhuma GFIP. As DIPJ entregues relacionam somente as receitas oriundas da IBROWSE. As notas fiscais são emitidas seqüencialmente pela empresa LS, conforme amostragem extraída dos registros efetuados na contabilidade da IBROWSE, demonstrando exclusividade na prestação de serviços. A empresa BCJ Tecnologia da Informação Ltda também consta relacionada nas planilhas dos prestadores de serviços, estando associada ao nome do TÉCNICO Carlos Júlio Becker, que é seu sócio. Fl. 8774DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.775 13 O Sr. Carlos Júlio Becker é empregado da IBROWSE. Ele é o Consultor no tomador de serviços CAIXA RS, conforme amostragem abaixo extraída das folhas de pagamento e GFIP da IBROWSE. Todos esses fatos demonstram que simulando dessa forma, a IBROWSE, além de precarizar os direitos dos trabalhadores a sua disposição e evadir tributos, acaba também promovendo um desequilíbrio a seu favor na disputa realizada através da licitação, uma vez que reduzindo o seu custo com a sonegação de tributos, ela consegue oferecer uma proposta mais vantajosa que as dos seus concorrentes pela prestação de serviços. As amostras realizadas nos documentos de caixa da IBROWSE também evidenciaram a existência de pagamentos de notas fiscais através de crédito bancário realizado em nome de pessoas físicas, identificado com os seus CPF, sendo algumas delas sócias das empresas que as emitiram e outras não, conforme documentos apensados ao processo e discriminamos na tabela abaixo, com os respectivos registros contábeis. Os trabalhadores discriminados nas planilhas apensadas nos itens 4.8 e 4.8.3 estavam subordinados a IBROWSE, seja no aspecto econômico, técnico ou hierárquico, estando vinculados à atividade fim dela, que participando de licitações públicas, celebra contratos de prestação de serviços a serem executados sob a sua responsabilidade, cabendo a ela, inclusive, caso haja solicitação dos contratantes, a substituição do técnico prestador de serviço. A empresa IBROWSE detém o comando de direção e assume os riscos da atividade econômica. Os trabalhos executados por esses prestadores de serviços estão desprovidos de caráter ocasional, pois estão essencialmente ligados à existência da IBROWSE, ao seu objeto social, à sua atividade fim. A pessoalidade é discriminada pela própria empresa nas planilhas apresentadas, com personalização dos seus nomes e períodos trabalhados, estando a onerosidade materializada nos registros efetuados na contabilidade da IBROWSE, cujos valores decorrem do exercício dos conhecimentos acumulados adquiridos por cada um deles ao longo do tempo. Como se vê das constatações acima, a recorrente utilizavase de um mesmo modus operandi para contratar empregados disfarçados de uma relação jurídica de direito civil. As situações eram semelhantes. Tanto assim, que as inúmeras reclamatórias trabalhistas propostas em desvafor da empresa buscavam o reconhecimento do vínculo empregatício, possuindo a mesma causa de pedir. Diante desse arcabouço fático e jurídico e dos documentos e elementos contábeis apresentados à Fiscalização pela própria recorrente, que contabilizava planos de saúde e tickets aos supostos prestadores de serviços como custo com pessoal, é que a Fiscalização concluiu que todos os contratos idênticos celebrados se prestavam para disfarçar a verdadeira relação de emprego. O trabalho fiscal não foi desenvolvido por amostragem, mas com base em elementos extraídos da contabilidade da empresa, o que é plenamente possível, dado que as situações encontradas nos vários contratados celebrados se assemelhavam. É imperioso destacar que a própria recorrente deu causa à apuração da base cálculo por aferição indireta, ao não apresentar todos os contratos de prestação de serviços celebrados com diversos segurados caracterizados empregados, o que ensejou, inclusive, o lançamento de crédito tributário decorrente de multa por descumprimento de obrigação acessória, julgado anteriormente, consubstanciada no processo nº 11065.725080/201302. Fl. 8775DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.776 14 O fato de a recorrente possuir outros empregados, que não os prestadores de serviços caracterizados; de forma alguma, tem o condão de afastar as constatações perpetradas pela autoridade fiscal, no sentido de afastar o ato com a roupagem de negócio jurídico. Por todas as razões expostas, não há que se falar em propósito negocial como pretende a recorrente. Cumpre ressaltar, ainda, que não assiste razão à recorrente ao afirmar que não se conseguiu comprovar a não eventualidade. Alega que oito empresas em que o Fisco considerou que possuíam vínculo empregatício só prestaram serviços por um único mês. E outras sete empresas só prestaram serviços por dois meses. Tal afirmação, além de não comprovada nos autos, não se presta para afastar a constatação de não eventualidade, uma vez que um empregado pode trabalhar um ou dois meses para um empregador e essa relação se dá de maneira não eventual. Não é a quantidade de meses que é fator determinante para a configuração do requisito da não eventualidade, mas sim o tempo que o empregado permanece à disposição do empregador em determinado período de tempo. As notas fiscais emitidas seqüencialmente denotam o caráter de exclusividade na prestação dos serviços. Sustenta a recorrente que a exclusividade na prestação dos serviços não caracteriza a relação de emprego. Todavia, a autoridade fiscal não fez tal assertiva. Em verdade, a exclusividade é apenas um dos elementos indiciários para se concluir acerca da verdadeira relação de emprego, acobertada de prestação de serviços por intermédio de pessoas jurídicas. A existência de indícios vários e concordantes fazem prova da caracterização de segurados empregados e a existência da exclusividade, com a emissão de notas fiscais sequenciais, é mais um aspecto na rica construção da Fiscalização para desconsiderar o negócio jurídico apenas formal celebrado pela recorrente e os seus supostos prestadores de serviços. Em razão do quadro probatório coligido, entendeu a autoridade autuante que a empresa fiscalizada contratou profissionais pessoas físicas por meio de PJ, sendo que estas emitiam ao final de cada mês notas fiscais de serviço para justificar o recebimento de remunerações daquelas, mascarando a verdadeira relação jurídica existente entre ambos, de um lado, profissionais pessoas físicas como empregados de fato e, de outro, a IBROWSE como empregador, dada a existência dos pressupostos fáticojurídicos da relação de emprego, definidos nos artigos 2° e 3° da CLT e, bem assim, no inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, quais sejam: pessoalidade, não eventualidade, subordinação e remuneração. E não poderia ser outra a solução adotada pela Fiscalização. Diante da vasta narração fática, evidenciaramse presentes com robustez os requisitos da relação de emprego. É de clareza solar a ocorrência da pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Todos esses requisitos foram reconhecidos pela Justiça do Trabalho. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já enfrentou caso análogo ao dos autos, como se infere do voto da eminente Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido através do acórdão nº 9202004.641 2a Turma da CSRF, cujos excertos relacionados ao tema transcrevemos abaixo: Primeiramente, entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários na empresa notificada, que encontravase, na verdade na condição de empregadora. Fl. 8776DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.777 15 A Auditoria Fiscal, tendo inegavelmente a atribuição de aplicar a legislação previdenciária, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do liame de emprego. Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999, que no § 2.° do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas pagas aos empregados é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.° 11.457/2007: “Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Assim, de pronto, afasto qualquer alegação de incompetência da autoridade fiscal para caracterização de vínculo, e que essa competência seria adstrita ao poder Judiciário. Passo agora a identificar os pontos trazidos pelo contribuinte em seu recurso especial aos quais deuse seguimento ao recurso. Item (a): art. 12, I da Lei n° 8.212/91 e dos requisitos para a configuração do seguradoempregado (existência de processos trabalhista no bojo do qual foi reconhecida a inexistência de vínculo empregatício entre as mesmas partes do presente caso. Conforme descrito acima, entendo encontrarse dentro da competência da autoridade fiscal a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários, desde que devidamente demonstrado por meio dos elementos identificados durante a fiscalização que esclarecem como se dava efetivamente a contratação dos serviços. Notese que um dos princípios norteadores do direito quanto a formação de vínculo de emprego é o da "primazia da realidade", Fl. 8777DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.778 16 ou seja, atribuise maior relevância a realizados dos fatos, ou como no caso concreto, como se dava a prestação de serviço do que os contratos formalmente apresentados. Contudo, ao contrário do argumentado, a improcedência de reclamatórias trabalhistas não afasta o vínculo configurado para efeito previdenciários, tendo em vista a autonomia da autoridade fiscal, prevista na legislação. Da leitura do dispositivo normativo descrito acima, não se identifica o condicionamento da formação dos vínculos de emprego à existência de reclamatórias trabalhistas procedentes,. No presente caso, a utilização indevida de contratação de pessoas jurídicas foi também suscitada pela autoridade fiscal do ministério do trabalho, que inclusive comunicou a situação à Receita Federal, ensejando o presente lançamento. Quanto a impossibilidade de formação de vínculo por força do disposto na lei 11.196/05, entendo que razão não assiste ao recorrente. A suposta incompatibilidade entre o § 2.° do art. 229 do RPS e o art. 129 da Lei n.° 11.196/2005 pode ser resolvida mediante interpretação sistemática das normas aplicáveis à espécie. Eis o dispositivo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Dos termos legais acima, percebese que o dispositivo é aplicável às prestações de serviço intelectuais realizados por pessoas jurídicas, mesmo que esse serviço deva ser obrigatoriamente prestado pelo sócio ou qualquer empregado e independentemente de haver designação de obrigações aos trabalhadores. Todavia, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego (conforme descrito no item anterior) não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.° 11.196/2005, mas do art. 9.° da CLT, in verbis: Art. 9° Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Ou seja, se a Auditoria observa que a execução de um contrato, formalmente firmado entre pessoas jurídicas, na verdade busca desvirtuar uma relação de emprego, esse negócio jurídico há de ser afastado de modo que se preservem os direitos dos empregados consagrados pela Carta Magna. Vejamos trecho do relatório fiscal: Fl. 8778DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.779 17 Observese que tal procedimento não implica em desconsideração da personalidade jurídica da empresa, que permanece incólume, mas apenas de caracterização do liame empregatício, privilegiando a realidade verificada durante o procedimento fiscal, em detrimento da aparência formal de que se revestem determinados contratos. Um argumento que nos parece muito válido para chancelar a caracterização de segurado empregado nesses casos diz respeito às considerações lançadas para vetar o parágrafo único do mencionado artigo, que fora assim redigido: Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica quando configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. São ponderações, conforme veremos, que chamam atenção para a necessidade de se preservar a competência da fiscalização para lançar os tributos correspondentes sempre que verificada a existência de trabalho prestado mediante relação de emprego travestido de avenca entre empresas. Eis os termos lançados nas razões do veto do parágrafo único do art. 129 da Lei n. 11.196/2005: “Razões do veto O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e previdenciária, para incidirem sobre o fato gerador cominado em lei, independem da existência de relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do serviço. Ademais, a condicionante da ocorrência do fato gerador à existência de sentença judicial trabalhista definitiva não atende ao princípio da razoabilidade ” (grifamos) A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho corrobora o entendimento de que o artigo 129 da Lei 11.196/2005 não teve o condão de legalizar toda e qualquer prestação de serviço por meio de pessoa jurídica, ficando a salvo a relação de emprego. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1.VÍNCULO DE EMPREGO CONFIGURADO. PROFISSIONAL CONTRATADO MEDIANTE PEJOTIZAÇÃO(LEI N° 11.196/2005, ART. 129). ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO EVIDENCIADOS. PREVALÊNCIA DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. A relação empregatícia é a principal fórmula de conexão de trabalhadores ao sistema socioeconômico existente, sendo, desse modo, presumida sua existência, desde que incontroversa a prestação de serviços (Súmula 212, TST). A Constituição da República, a propósito, elogia e estimula a relação empregatícia, ao reportar a ela, direta ou indiretamente, várias dezenas de princípios, regras e institutos jurídicos. Em conseqüência, possuem caráter manifestamente excetivo Fl. 8779DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.780 18 fórmulas alternativas de prestação de serviços a alguém por pessoas naturais, como, ilustrativamente, contratos de estágio, vínculos autônomos ou eventuais, relações cooperativadas, além da fórmula apelidada de pejotização. Em qualquer desses casos além de outros , estando presentes os elementos da relação de emprego, esta prepondera, impõese e deve ser cumprida. No caso da fórmula do art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, somente prevalecerá se o profissional pejotizado tratarse de efetivo trabalhador autônomo ou eventual, não prevalecendo a figura jurídica como mero simulacro ou artifício para impedir a aplicação da Constituição da República, do Direito do Trabalho e dos direitos sociais e individuais fundamentais trabalhistas. Trabalhando a Obreira cotidianamente no estabelecimento empresarial e em viagens a serviço, com todos os elementos fático jurídicos da relação empregatícia, deve o vínculo de emprego ser reconhecido (art. 2°, caput, e 3°, caput, CLT), com todos os seus consectários pertinentes. Notese que o TRT deixa claro, a propósito, a presença da subordinação jurídica em todas as suas três dimensões (uma só já bastaria, como se sabe), ou seja, a tradicional, a objetiva e a estrutural. 2. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO EM JUÍZO. FÉRIAS EM DOBRO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. É devido o pagamento em dobro das férias vencidas, ainda que o vínculo de emprego somente tenha sido reconhecido em Juízo (exegese do art. 137 da CLT). Precedentes. Sendo assim, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 63935.2010.5.02.0083, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 19/06/2013, 3a Turma, Data de Publicação: 21/06/2013)(grifamos) Há um outro precedente também do TST que não poderíamos deixar de citar, posto que vem bem nessa linha de entendimento de que a norma do art. 129 da Lei 11.196/05 não autoriza a prestação de serviços com as típicas características da relação de emprego por meio da interposição de pessoas jurídicas. Vejamos: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1) NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 2) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. MULTA. 3) VERBAS RESCISÓRIAS. 4) RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. TRABALHO EMPREGATÍCIO DISSIMULADO EM PESSOA JURÍDICA. FENÔMENO DA PEJOTIZAÇÃO. PREVALÊNCIA DO IMPÉRIO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (ART. 7°, CF/88). MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 126/TST. A Constituição da República busca garantir, como pilar estruturante do Estado Democrático de Direito, a pessoa humana e sua dignidade (art. Fl. 8780DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.781 19 1°, caput e III, CF), fazendoo, entre outros meios, mediante a valorização do trabalho e do emprego (art. 1°, IV, in fine; Capítulo II do Título II; art. 170, caput e VIII; art. 193), da subordinação da propriedade à sua função social (art. 5°, XXIII) e da busca do bem estar e da justiça sociais (Preâmbulo; art. 3°, I, III e IV, ab initio; art. 170, caput; art. 193). Com sabedoria, incentiva a generalização da relação empregatícia no meio socioeconômico, por reconhecer ser esta modalidade de vínculo o patamar mais alto e seguro de contratação do trabalho 16 humano na competitiva sociedade capitalista, referindose sugestivamente a trabalhadores urbanos e rurais quando normatiza direitos tipicamente empregatícios (art. 7°, caput e seus 34 incisos). Nessa medida incorporou a Constituição os clássicos incentivos e presunção trabalhistas atávicos ao Direito do Trabalho e que tornam excetivos modelos e fórmulas não empregatícias de contratação do labor pelas empresas (Súmula 212, TST). São excepcionais, portanto, fórmulas que tangenciem a relação de emprego, solapem a fruição de direitos sociais fundamentais e se anteponham ao império do Texto Máximo da República Brasileira. Sejam criativas ou toscas, tais fórmulas têm de ser suficientemente provadas, não podendo prevalecer caso não estampem, na substância, a real ausência dos elementos da relação de emprego (caput dos artigos 2° e 3° da CLT). A criação de pessoa jurídica, desse modo (usualmente apelidada de pejotização), seja por meio da fórmula do art. 593 do Código Civil, seja por meio da fórmula do art. 129 da Lei Tributária n° 11.196/2005, não produz qualquer repercussão na área trabalhista, caso não envolva efetivo, real e indubitável trabalhador autônomo. Configurada a subordinação do prestador de serviços, em qualquer de suas dimensões (a tradicional, pela intensidade de ordens; a objetiva, pela vinculação do labor aos fins empresariais; ou a subordinação estrutural, pela inserção significativa do obreiro na estrutura e dinâmica da entidade tomadora de serviços), reconhecese o vínculo empregatício com o empregador dissimulado, restaurandose o império da Constituição da República e do Direito do Trabalho. Por tais fundamentos, que se somam aos bem lançados pelo consistente acórdão regional, não há como se alterar a decisão recorrida. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 98161.2010.5.10.0006, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 29/10/2012, 3a Turma, Data de Publicação: 31/10/2012)(destacamos) Assim, mesmo após a edição da Lei n.° 11.196/2005 é perfeitamente aplicável os preceitos do § 2.° do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária, uma vez que a norma citada não pode ser utilizada como PEJOTIZAÇÃO. PREVALÊNCIA DO IMPÉRIO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (ART. 7°, CF/88). Fl. 8781DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.782 20 MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 126/TST. A Constituição da República busca garantir, como pilar estruturante do Estado Democrático de Direito, a pessoa humana e sua dignidade (art. 1°, caput e III, CF), fazendoo, entre outros meios, mediante a valorização do trabalho e do emprego (art. 1°, IV, in fine; Capítulo II do Título II; art. 170, caput e VIII; art. 193), da subordinação da propriedade à sua função social (art. 5°, XXIII) e da busca do bem estar e da justiça sociais (Preâmbulo; art. 3°, I, III e IV, ab initio; art. 170, caput; art. 193). Com sabedoria, incentiva a generalização da relação empregatícia no meio socioeconômico, por reconhecer ser esta modalidade de vínculo o patamar mais alto e seguro de contratação do trabalho 16 humano na competitiva sociedade capitalista, referindose sugestivamente a trabalhadores urbanos e rurais quando normatiza direitos tipicamente empregatícios (art. 7°, caput e seus 34 incisos). Nessa medida incorporou a Constituição os clássicos incentivos e presunção trabalhistas atávicos ao Direito do Trabalho e que tornam excetivos modelos e fórmulas não empregatícias de contratação do labor pelas empresas (Súmula 212, TST). São excepcionais, portanto, fórmulas que tangenciem a relação de emprego, solapem a fruição de direitos sociais fundamentais e se anteponham ao império do Texto Máximo da República Brasileira. Sejam criativas ou toscas, tais fórmulas têm de ser suficientemente provadas, não podendo prevalecer caso não estampem, na substância, a real ausência dos elementos da relação de emprego (caput dos artigos 2° e 3° da CLT). A criação de pessoa jurídica, desse modo (usualmente apelidada de pejotização), seja por meio da fórmula do art. 593 do Código Civil, seja por meio da fórmula do art. 129 da Lei Tributária n° 11.196/2005, não produz qualquer repercussão na área trabalhista, caso não envolva efetivo, real e indubitável trabalhador autônomo. Configurada a subordinação do prestador de serviços, em qualquer de suas dimensões (a tradicional, pela intensidade de ordens; a objetiva, pela vinculação do labor aos fins empresariais; ou a subordinação estrutural, pela inserção significativa do obreiro na estrutura e dinâmica da entidade tomadora de serviços), reconhecese o vínculo empregatício com o empregador dissimulado, restaurandose o império da Constituição da República e do Direito do Trabalho. Por tais fundamentos, que se somam aos bem lançados pelo consistente acórdão regional, não há como se alterar a decisão recorrida. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 98161.2010.5.10.0006, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 29/10/2012, 3a Turma, Data de Publicação: 31/10/2012)(destacamos) Assim, mesmo após a edição da Lei n.° 11.196/2005 é perfeitamente aplicável os preceitos do § 2.° do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária, uma vez que a norma Fl. 8782DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.783 21 citada não pode ser utilizada como escudo para proteger situações de clara afronta aos princípios dos Direitos Previdenciário e Trabalhista. Na situação posta em julgamento não existe dúvida quanto à verdadeira relação jurídica dos sócios das pessoas jurídicas contratadas para atingir os objetivos sociais da empresa, que exerciam a atividade fim da recorrente, com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, requisitos da relação de emprego que restaram sobejamente comprovado nos autos. Salientese que a legislação da desoneração da folha de pagamento citada pela recorrente, sob o argumento de que o Fisco não se preocupa com os direitos sociais dos trabalhadores, mas visa tão somente arrecadar, não tem qualquer consistência, nem liame lógico com o objeto do presente processo administrativo fiscal, razão pela qual não merece maiores digressões, que não seja a declaração taxativa da impertinência da alegativa. Desse modo, não procedem tais alegações recursais. Das ações trabalhistas O sujeito passivo argumenta que até o presente apenas um vínculo de emprego foi reconhecido pela Justiça do Trabalho. Contudo, cumpre ressaltar que essa instância administrativa não se vincula às decisões tomadas no âmbito da Justiça do Trabalho, que se limitam a pôr termo a um conflito de interesse privado, enquanto que este Tribunal Administrativo está julgando em sede de recurso o processo administrativo fiscal. Não há vinculação entre a esfera privada (relação trabalhista) e o lançamento do crédito tributário (relação jurídicotributária). Assim, não obstante a possibilidade de o julgador administrativo formar o seu convencimento balizado em questões tratadas na querela trabalhista, não há obrigatoriedade de seguir os julgados trabalhistas, sendo certo que pode o Fisco caracterizar a relação de emprego para fins fiscais, ainda que a Justiça do Trabalho tenha declarado a inexistência do vínculo empregatício ou viceversa. Dessa forma, não há como ser atendido o pleito recursal. Responsabilidade Solidária O recorrente contesta a responsabilização solidária efetuada pelo Fisco, argumentando que não obstante a exclusão da responsabilidade pessoal do art. 135, da Lei n° 5.172, de 1966 CTN pela decisão de piso, também, não deve subsistir a responsabilidade solidária do art. 124, I, do CTN. A responsabilização dos sócios está amparada nos arts. 124, inciso I e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 – CTN. Eis os dispositivos legais apontados pelo Fisco: Fl. 8783DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.784 22 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico. Diante dos documentos constantes do processo, dos fatos apurados pelo fisco no curso da ação fiscal e os dispositivos legais acima transcritos, utilizados pelo fisco na responsabilização questionada, não há como ser mantida a responsabilidade solidária dos sócios da empresa recorrente. A Fiscalização não comprovou, incontestavelmente, que os sócios beneficiaramse das transferências financeiras efetuadas pela autuada, de forma continuada, de modo que restasse configurando o seu interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Destarte, o inconformismo recursal quanto à exclusão da responsabilidade solidária dos sóciosadministradores do recorrente merece acolhimento. A resposabilização solidária não pode ser efetuada por meio de simples ilação. Se assim fosse, todos os lançamentos tributários efetuados em face de pessoas jurídicas teriam os sócios administradores incluídos no polo passivo da lide tributária, em uma verdadeira mitigação ao instituto de direito empresarial da responsabilidade limitada. Diante de toda a narrativa fática constante da acusação fiscal, não restou demonstrada alegada conduta de burla à legislação com ato volitivo dos sóciosadministradores no sentido de reduzir o pagamento de tributos da empresa e, com isso, otimizar os seus lucros, fato que se amoldaria ao requisito estabelecido pelo art. 124, I, do CTN, tendo os sócios interesse comum na situação que constitui o respectivo fato gerador, o que entendo, não ocorreu no caso dos autos. Assim sendo, o recurso volntário merece provimento no que tange à exclusão da responsabização solidária atribuída aos sóciosadministradores da recorrente. Da multa qualificada A multa qualificada não deve ser mantida. Não obstante ter se constatado à exaustão, que a recorrente agiu com o claro propósito de esconder a ocorrência do fato gerador e se esquivar da tributação devida. Frisese que não é razoável que uma empresa do porte da recorrente não tivesse o conhecimento de que não poderia contratar a maior parte dos colaboradores da executar os serviços relacionados a sua atividade fim por intermédio de pessoas jurídicas interpostas, utilizadas com o claro propósito de gerar uma economia ilícita de tributos. Fl. 8784DF CARF MF Processo nº 11065.725079/201370 Acórdão n.º 2201003.719 S2C2T1 Fl. 8.785 23 Apesar de tudo isso, a multa qualificada não merece ser mantida, uma vez que não foi aplicada regularmente de acordo com o disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a caracterização das hipóteses definidas pelo art. 72 da Lei nº 4.502/1964. A acusação fiscal em nenhum momento justificou a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. A autoridade fiscal aponta uma simulação da recorrente, mas sem que essa afirmação seja suficiente para fundamentar a qualificação da multa de ofício. Isto posto, a multa de ofício qualificada resta afastada, devendo ser mantida a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Conclusão Diante de todo o exposto, voto conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir a responsabilidade solidária dos sócios administradores, bem como a multa de ofício qualificada, reduzindoa para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento). (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 8785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905759/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 59 /2 01 2- 85 Fl. 315DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 27.377,59. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.471, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13603.905759/201285 Acórdão n.º 3401003.922 S3C4T1 Fl. 304 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 317DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13603.905759/201285 Acórdão n.º 3401003.922 S3C4T1 Fl. 305 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 319DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13603.905759/201285 Acórdão n.º 3401003.922 S3C4T1 Fl. 306 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 321DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.000414/2006-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
JUNTADA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ALÍNEAS DO §4º, DO ARTIGO 16.
Não é possível a juntada de documentos adicionais após o julgamento de recurso voluntário, ou recurso de ofício, quando não demonstradas as situações das alíneas a, b ou c, do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 9101-002.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 JUNTADA DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ALÍNEAS DO §4º, DO ARTIGO 16. Não é possível a juntada de documentos adicionais após o julgamento de recurso voluntário, ou recurso de ofício, quando não demonstradas as situações das alíneas a, b ou c, do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 14 /2 00 6- 51 Fl. 1452DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte em epígrafe, contra acórdão de embargos de declaração que não analisou provas juntadas em petição de embargos, haja vista haverem novas razões trazidas na decisão embargada, nos termos do artigo 16, §4º, “c”, do Decreto 70.235/72. Objetivase com o Recurso a nulidade dos acórdãos de embargos e a análise das provas juntadas pela Turma a quo. Na origem, tratase de Autos de Infração lavrados para cobrança de PIS, COFINS e IRRF, bem como ajuste do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL. O auto de infração de ajuste da base do IRPJ e da CSLL decorrem de acusação de redução indevida de receita e da glosa de custos e despesas não comprovados. As demais cobranças são reflexas. A cobrança de IRRF decorreu da acusação de ter havido pagamento sem causa. Em relação a autuação, o que importa ao presente julgamento tratase apenas da parcela levada a termo sob a rubrica "Redução de Receita", da ordem de R$ 36.093.095,95, resultado da soma dos valores de estorno de provisões de receitas de DETRAF (R$ 33.333.804,87) (recebimento por utilização de sua rede por outras operadoras), Comissão de Vendas ou Dealers (R$ 1.985.393,12) e chamadas Não Faturadas (R$ 773.897,86), que se deu porque a empresa supostamente não teria comprovado os motivos para a o estorno de receitas. Em 1ª instância administrativa, a impugnação apresentada pelo Contribuinte foi julgada parcialmente procedente, de modo a (i) afastar a cobrança de IRRF e multa de ofício sobre sucessora; e (ii) manter em parte os ajustes de prejuízo fiscal e base negativa, bem como cobranças de PIS e COFINS. Apresentado Recurso Voluntário e de Ofício a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara julgou ambos parcialmente procedentes. O Recurso de Ofício foi provido quanto a restauração da multa de ofício quanto à sucessora, apenas. Já na análise do Recurso Voluntário mantevese a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre omissão de receitas relativas ao estorno de vendas. Vale a transcrição da ementa do julgado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 9101002.812 CSRFT1 Fl. 1.453 3 IRPJ e reflexos. DETRAF. A declaração de tráfego é documento hábil a demonstrar as despesas das empresas de telecomunicações que remuneram suas congêneres pela utilização de suas redes de transmissão. Sucessão. Multa de oficio. Deve ser restaurada a multa de oficio aplicada sucessora, exonerada em 1 a. Instância, quando demonstrado que há controle comum da sucedida e sucessora, que permite que a sucessora tenha conhecimento dos fatos que levaram ao lançamento. Receitas excluídas. Exclusões de receitas que tinham sido reconhecidas, sob o argumento de que foram reconhecidas em outro momento necessário que o contribuinte demonstre em que momento reconheceu tal receita, indicando seu lançamento contábil. IRRF. Demonstrado que o pagamento foi realizado, seu beneficiário e sua causa, não cabe o lançamento do IRRF. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio no que se refere ao IRRF e por maioria dar provimento ao recurso de oficio no que se refere à multa de oficio, vencidos os Conselheiros Paulo Jacinto do Nascimento e Irineu Bianchi e quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial, nos termos do voto do relator.” (g.n.) Cientificado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, opôs Embargos de Declaração, alegando que especificamente no que tange ao "item omissão de receitas — estorno de vendas", composto pelo questionamento de 03 lançamentos contábeis, o acórdão foi omisso em relação aos lançamentos nos valores de R$ 1.958.3939,12 (comissão de vendas Dealers) e R$ 773.897,86 (Interface). Além disso, no que tange ao lançamento da ordem de R$ 33.333.804,97 (Detraf), o acórdão restou contraditório, pois, a despeito de reconhecer que a exclusão da receita se deu em virtude do estorno de uma provisão, manteve o lançamento ao argumento de que não foi demonstrado que a receita real foi reconhecida em outro lançamento contábil, alterando substancialmente o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa responsável pelo lançamento, o que é vedado nos termos do artigo 146, do CTN. Em suas razões de embargos o Contribuinte alega que no curso do processo restou comprovando que referidos valores autuados referemse a estornos de provisões de receitas de DETRAF (R$ 33.333.804,87), Comissão de Vendas ou Dealers (R$ 1.985.393,12) e chamadas Não Faturadas (R$ 773.897,86), as quais não geraram qualquer impacto tributário. Em relação à exclusão da receita relativa ao DETRAF alega que o acórdão altera o critério jurídico da autuação, na medida em que exige a comprovação de posterior Fl. 1454DF CARF MF 4 reconhecimento da receita. Diante disso, traz aos autos diversos documentos para comprovar o reconhecimento da referida receita em momento posterior, nos seguintes termos: Conforme comprovam os Livros Razão no 42, 43 e 44 (DOC 01), referentes, respectivamente, aos meses de março, abril e maio de 2002, o valor de R$ 33.333.804,97, lançado a débito na conta contábil de receita n° 4112151101, no dia 01.04.2002, sob a rubrica "Provisão Detraf mar/2002" (lançamento 100126732), e que foi objeto da autuação, nada mais é que o estorno da provisão constituída nesta mesma conta contábil, no dia 31.03.2002, sob a mesma rubrica "Provisão Detraf mar/2002" (lançamento n° 100126731). A tributação da receita real de DETRAF do mês de março é objeto dos lançamentos n° 100127476 e 100127481, nos valores respectivamente de R$ 3.214.692,93 e R$ 29.850.410,44 (total R$ 33.065.103,37), ambos realizados no dia 26.04.2002, conforme livro Razão n° 43. A composição do Livro Razão e respectiva Tributação das receitas reais de DETRAF podem ser facilmente verificadas nos • Balancetes de março e abril de 2002 ora apresentados (DOC. 02). Quanto aos outros dois valores, comissão de vendas e vendas não faturadas, o Contribuinte também junta documentação contábil demonstrando o reconhecimento da receita, posteriormente à reversão da provisão de receita. (a partir das fls. 1.116) No julgamento dos embargos a Turma a quo rejeitou a existência de contradição em relação ao quanto decidido sobre a tributação da receita relativa à DETRF; reconheceu a omissão quanto aos efeitos fiscais da reversão das receitas chamadas comissão de vendas e vendas não faturadas, negando provimento ao recurso também em relação aos valores de R$ 1.985.393,12 e R$ 773.897,86, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRP,I Exercício: 2003 Ementa: Não demonstrada a contradição alegada, rejeitamse os embargos quanto esta alegação e corrigese a omissão constatada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, rejeitar a existência de contradição e solucionar a omissão alegada, negando provimento ao recurso também em relação aos valores de R$ 1.985.393,12 e R$ 773.897,86.” Dessa decisão foram opostos novos embargos de declaração pelo Contribuinte (fls. 1239) alegando as seguintes omissões no acórdão: (i) ausência de análise e manifestação acerca dos documentos acostados às fls. 1166/1216, os quais comprovam cabalmente o reconhecimento posterior da receita de Detraf e Interface que foram estornadas e sua respectiva tributação, lembrando que os mesmos foram acostados aos autos em momento oportuno; e Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 9101002.812 CSRFT1 Fl. 1.454 5 (ii) ausência de manifestação acerca da alegação relacionada à receita de "Dealers", de que sequer haveria necessidade de demonstração da tributação da respectiva receita real. Isto porque a contrapartida da provisão constituída e posteriormente estornada são contas de despesa, como se verifica do livro diário juntado ás folhas 505 a 508. No julgamento destes embargos a Turma deles não conheceu, assim se manifestando: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO NA APRECIAÇÃO DE MATÉRIA EMBARGADA. ELEMENTOS DE PROVA. Não se conhecem de embargos que visam unicamente ao reexame do conjunto probatório sob a alegação de contradição ou omissão de exame da matéria em sede de primeiros embargos interpostos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Cientificado dessa decisão, tempestivamente, o Contribuinte apresentou Recurso Especial, visando a nulidade do acórdão que não analisou documentação trazida aos autos ao amparo do artigo 16, § 4º, “c”, do Decreto 70.235/72. Alega divergência em relação ao Acórdão 10709.301, onde se admitiu a análise de provas em sede de embargos de declaração. Em suas razões recursais alega o Contribuinte que providenciou toda documentação apta a comprovar posterior reconhecimento e tributação das receitas que foram inicialmente estornadas. Alega ainda que a prova documental foi trazida aos autos em momento oportuno, tão logo surgiu o questionamento do Colegiado sobre a tributação real das receitas estornadas, nos termos do artigo 16, §4º, “c”, do Decreto 70.235/72. Alega, por fim, que a Turma de julgamento deixou de analisar os documentos juntados, equivocadamente, ao argumento de que haveria falta de prova sobre o reconhecimento posterior da receita. Argumenta que nesse contexto impõese a análise dos documentos, sob pena de ofensa aos princípios mais comezinhos do direito, em especial os princípios da oficialidade e da verdade material que regem o processo administrativo. Assim sendo, o Contribuinte pede o reconhecimento da divergência e a nulidade dos acórdãos anteriores, determinandose o retorno dos autos para análise das provas colacionadas aos autos. Fl. 1456DF CARF MF 6 A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “Da acurada leitura dos acórdãos recorridos e do dito paradigma, observo que em ambos os casos: a) há apresentação de prova substancial (chamada essencial, no paradigma) capaz de ilidir a autuação fiscal; no presente caso, o oferecimento da receita à tributação, considerada omitida, em outro momento, quando efetivamente auferida e no valor efetivo (regime de competência versus caixa); b) as referidas provas foram acostadas aos autos em momentos posteriores à interposição do Recurso Voluntário, sendo temperado o preceito esculpido no artigo 16 do PAF com o princípio da verdade material dos fatos; c) em ambos casos, os documentos de prova juntados pela recorrente não foram conhecidos e sequer explicitado o motivo de não terem sido analisados (ausência de fundamentação legal para deixar de serem apreciados); no presente caso, tratase do Acórdão nº 1302000.740, que ao tratar da matéria embargada não fez menção aos lançamentos contábeis acostados aos Embargos de Declaração, que ao dizer da embargante comprovariam a insubsistência dos lançamentos tributários. Pelo exposto, vêse que há divergência de interpretação à norma processual dada por Turmas de Julgamento deste Conselho. O Recurso Especial não se presta ao reexame das provas dos autos. No presente caso, o objeto do Recurso Especial é analisar se o Acórdão nº 1302000.740, ao apreciar os Embargos de Declaração, deveriam conhecer e se manifestar sobre os documentos comprobatórios apresentados pela Embargante às efls. 1129 a 1177 (registros contábeis). Desta forma e nestas condições, deve ser dado seguimento ao Recurso Especial.” (g.n.) A fazenda Nacional apresentou regularmente as contrarrazões ao Recurso do Contribuinte, argumentando, em suma: ü Que há impossibilidade legal de conhecimento de documentos novos apresentados pela contribuinte após o prazo de impugnação, tendo em vista a ocorrência de preclusão temporal; ü No caso presente, verificase a configuração inarredável do fenômeno da preclusão temporal, posto que já há muito ultrapassado, in casu, o momento adequado para a apresentação da prova documental, qual seja, a fase da impugnação ao auto de infração; ü O contribuinte não comprovou, ou sequer aduziu, a impossibilidade de apresentação oportuna da documentação acostada intempestivamente, o que impede seu conhecimento, a teor do disposto no art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 9101002.812 CSRFT1 Fl. 1.455 7 ü Nenhum dos motivos excepcionais previstos nas alíneas foi invocado pelo contribuinte para justificar a juntada de documentos após a fase impugnatória inicial. Portanto, incabível a juntada posterior de documentos; ü Nesse contexto, requer a FAZENDA NACIONAL seja desprovido o RECURSO ESPECIAL do contribuinte, mantendose incólume a decisão atacada. Subsidiariamente, requer seja a conclusão do acórdão pela devolução dos autos à Egrégia Turma para a análise dos documentos e reanálise do mérito do recurso, sob pena de supressão de instância. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Tendo em vista que não há questionamento sobre a admissibilidade do Recurso pela Fazenda Nacional, não há reparos a se fazer na análise da admissibilidade do presente Recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Assim, passo à análise do mérito da questão. Como visto, a questão a ser aqui debatida resumese à possibilidade de apresentação de provas pelo Contribuinte, posteriormente à fase de impugnação administrativa. Debateremos, portanto, regras de processo administrativo tributário. Em nosso ordenamento, o Decreto 70.235/1972 trata especificamente do processo administrativo fiscal federal. O processo administrativo, tal como o processo judicial, pode ser dividido em fases. Para James Marins o PAF repartese em quatro fases sucessivas, a saber: (i) fase de instauração; (ii) fase de preparação e instrução; (iii) fase de julgamento; e (iv) fase de recurso. (Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicia); 7ª Edição; Dialética; pg. 269). Para Fabiana Del Padre Tomé, as fases de instauração e instrução se mesclam, na medida em que as provas devem ser apresentadas juntamente com a defesa. (A Prova no Direito Tributário; 3ª edição; Noeses; pg. 354) De fato, é o que se pode observar do artigo 16, III, do decreto 70.235/1972, que exige apresentação das provas juntamente com a Impugnação, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 1458DF CARF MF 8 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Há, assim, legal limitação temporal à realização da produção probatória, que se confunde com o momento da apresentação da impugnação. Exceções a essa regra são as situações previstas no §4º, do artigo 16 em questão, que assim dispõe: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Conforme leciona Fabiana Del Padre Tomé, o ordenamento jurídico fixa termos dentro dos quais as atividades processuais devem ser realizadas, pois inadmite a instabilidade das relações jurídicas. (A Prova no Direito Tributário; 3ª edição; Noeses; pg. 356) Para referida autora, a distinção feita pela doutrina entre verdade material e verdade formal e a forma de aplicação da primeira ao processo administrativo fiscal – admitindose a apresentação de provas a qualquer momento do processo – não procede. Vale aqui a transcrição de trecho de sua obra que trata da questão: Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, seja administrativo ou judicial, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes. (A Prova no Direito Tributário; 3ª edição; Noeses; pg. 26) Penso de forma semelhante. Em minha opinião as regras do processo administrativos não podem deixar de ser observadas, exceto nas hipóteses e na forma previstas na própria regra. No presente caso, está muita clara a incidência do artigo 16, §4º, “c”, do Decreto 70.235/72, na medida em que com a manifestação da turma a quo de que haveria a necessidade de se comprovar o posterior reconhecimento de provisão de receita estornada, como condição para se legitimar a exclusão de receita realizada. Não há dúvida de que se trata de nova razão trazida aos autos pelo julgador. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 9101002.812 CSRFT1 Fl. 1.456 9 Nesse contexto, voto DAR provimento ao recurso do Contribuinte, com retorno dos autos para que a Turma a quo analise os documentos juntados em sede de embargos. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia, divirjo do entendimento do Ilustre Relator no caso destes autos. Consigno, inicialmente, que a minha interpretação a respeito da possibilidade de prova no curso do processo administrativo é até mais flexível que a do Relator, em observância à verdade material e formalidade moderada. Nesse sentido, é o voto proferido nos autos do processo administrativo nº 14098.000308/200974 (acórdão nº 9101.002.781). Não obstante isso, no caso destes autos não há que se adotar o entendimento manifestado em precedentes, como o acórdão acima citado (9101002.781), eis que desde a autuação fiscal o contribuinte tinha pleno conhecimento da acusação de redução indevida de receita e da glosa de custos e despesas não comprovados pela Fiscalização e, assim, poderia fazer prova do seu direito tanto em impugnação administrativa, recurso voluntário, ou até mesmo após o prazo de recurso, mas desde que anteriormente ao julgamento deste recurso voluntário pela Turma a quo. Ocorre que apenas com a apresentação de embargos de declaração foram apresentados documentos necessários à prova do alegado, como menciona o Ilustre Relator, não se justificando a aplicação das alíneas do §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972 ao caso. O recurso voluntário do contribuinte foi julgado pela Turma a quo da forma seguinte, conforme voto condutor: Passo a análise do recurso voluntário. Em relação ao item glosa de despesas a recorrente não se manifestou sobre os valores de R$ 364.146,65, R$ 600.000,00, R$ 127.423,55 e R$ 393.477,48, apenas protestando por entrega posterior de documentos, se forem encontrados. Não há nos autos demonstração de que tais documentos tenham sido juntados. Diante do exposto, diante da falta de manifestação direta As infrações e da falta de documentos que provem a regularidade das despesas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste item. Fl. 1460DF CARF MF 10 O item omissão de receitas — estorno de vendas não comprovadas, foi justificado o lançamento pela autoridade fiscal: "Em relação à provisão Detraf mar/02 e dez/02, nos valores de R$ 33.333.804,97 e R$ 7.453.993,27, lançados a débito da conta de receita, 4112151101 — Interconexão, e custo, 3113999101 — Rede móvel, em 01/04/2002 e 31/12/2002, respectivamente, em que apenas foi apresentada à fiscalização demonstrativo, desacompanhado de documentação que lhe dê suporte, constando uma relação de empresas de telefonia supostamente beneficiarias de recursos a titulo de roaming. Este demonstrativo não comprova a efetividade desses custos operacionais, nem que tais receitas/recursos foram efetivamente transferidos as empresas de telefonia ali elencados. A documentação não foi apresentada, apesar da comprovação de tais transferências terem sido solicitadas em Termo de 27/09/2005." A DRJ manifestouse sobre a matéria: Relativamente à glosa das reduções de receita, as alegações apresentadas, apesar de estarem acompanhadas apenas de copias de controles mantidos em sistemas de informática e cópias de folhas do Diário que não se prestam para comprovar tais reduções, explicam o mecanismo contábil empregado no registro das receitas que, caso fosse um pouco mais bem explicado, poderia me convencer de que as receitas não foram, de fato, auferidas. Desse modo, opto por manter a glosa e, assim, obrigar a interessada a explicar e quiçá até provar de um modo mais convincente à segunda instancia administrativa ou ao Judiciário que as reduções de receitas correspondem a fatos que ocorrem nos seus negócios ou que ocorreram nos da sucedida, sob pena de ver definitivamente reduzidos o seu prejuízo fiscal acumulado e a base de cálculo negativa da CSLL, e constituídos os créditos tributários relativos às contribuições sociais. A fls. 302 da impugnação a recorrente já trazia justificativas sobre as reduções de receita acima citadas. Reproduzo literalmente: "Com respeito ao valor de R$ 33.333.804,97, lançado a débito na conta de receita (4112151101), em abril de 2002, em verdade, decorre de cancelamento da receita de DETRAF a receber de outras operadoras lançada a crédito naquela mesma conta (4112151101) no mês anterior, em março de 2002, consoante comprovam as planilhas gerenciais do sistema SAP e as cópias do Diário da impugnante (DOC número 14) e quando foi devidamente incluído no Lucro real a na base de cálculo da CSLL, do PIS e da COFINS. Quanto ao lançamento de valor de R$ 1.958.393,12 se refere a comissão de vendas (Dealers) e foi estbrnado dentro do próprio mês de abril de 2002, sem qualquer impacto fiscal, consoante comprovam as planilhas gerenciais do sistema SAP e as cópias do Diário da impugnante (doc. 15). Por fim, o Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 9101002.812 CSRFT1 Fl. 1.457 11 lançamento de valor de R$ 773.897,86 em abril de 2004, representa o cancelamento de receitas diferidas contabilizadas pela impugnante no mês anterior (doc. 16), como estimativa de serviços que serão faturados apenas no mês subseqüente. Portanto, por constituir mero cancelamento de receita, falece ao auto de infração fundamento jurídico no particular, para exigência do ajuste da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como a cobrança de crédito tributário para o PIS e COFINS." "Em relação à provisão Detraf mar/02 e dez/02, nos valores de R$ 33.333.804,97 e R$ 7.453.993,27 lançados a débito da conta de recita, 4112151101 — Interconexão, e custo, 3113999101 — Rede móvel, em 01/04/2002 e 31/12/2002, respectivamente, em que apenas foi apresentada à fiscalização demonstrativo, desacompanhado de documentação que lhe dê suporte, constando uma relação de empresas de telefonia supostamente beneficiarias de recursos a titulo de roaming. Este demonstrativo não comprova a efetividade desses custos operacionais, nem que tais receitas/recursos foram efetivamente transferidos as empresas de telefonia ali elencados. A documentação não foi apresentada, apesar da comprovação de tais transferências terem sido solicitadas em Termo de 27/09/2005." Analisando os documentos apresentados com a impugnação, em especial páginas do diário de fls. 502/503, verifico que a recorrente lança o valor de R$ 33.333.804,97 a credito da conta de receita 4112151101 e em abril, lança o mesmo valor a débito da mesma conta, anulando a receita. No entanto, observo a fls. 130, que a contribuinte justifica tal procedimento afirmando que referese a reversão da provisão de receita feita em março/2002, pelos recebimentos em abril/2002 também terem sido lançados à receita. 0 que se observa no diário, entretanto, não é isso. Há um lançamento em março reconhecendo a receita e em abril, no mesmo valor, estornando tal receita, sem que se demonstre que a receita foi reconhecida em outro lançamento. Diferentemente do que afirma a recorrente, entendo o que explana no plano teórico. Ela pode fazer uma "provisão" no mês, atendendo o regime de competência, sem ainda ter o valor definitivo de sua receita no mês. No mês seguinte, se houver receita menor, poderia estornar parte da receita que foi reconhecida e submetida a tributação ou tributar a diferença se reconheceu receita menor que a real. 0 que não pode é anular totalmente a receita, exceto se houvesse situação de nada ter auferido de receita. Não é o caso dos autos, conforme reconhece a própria recorrente nos autos (fls.130). Caso tivesse ocorrido o afirmado, bastaria a recorrente identificar quais são os lançamentos que reconhecem a receita. Fl. 1462DF CARF MF 12 O mesmo problema constato em relação ao valor de R$ 7.453.993,27, onde, embora a recorrente descreva como teria agido, não demonstra que tenha reconhecido em outro momento a receita que foi totalmente excluída e nem qual seria a razão para a exclusão. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste item. Posteriormente, apresentando embargos de declaração, o contribuinte trouxe aos autos elementos adicionais de prova, no qual sustenta, conforme relatório do acórdão que julgou tais aclaratórios (acórdão 130200.740): Argumenta a embargante: Em relação ao item omissão de receitas – estorno de vendas, composto pelo questionamento de 03 lançamentos contábeis, o acórdão foi omisso em relação aos lançamentos nos valores de R$ 1.958.393,12 (comissão de vendas – Dealers) e R$ 773.897,86 (Interface). No que tange ao lançamento de R$ 33.333.804,97 (Detraf), o acórdão restou contraditório, pois a despeito de reconhecer que a exclusão da receita se deu em virtude do estorno de uma provisão, manteve o lançamento ao argumento de que não foi demonstrado que a receita real foi reconhecida em outro lançamento contábil, alterando o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa responsável pelo lançamento Destaco trecho do voto condutor do acórdão em julgamento destes primeiros embargos de declaração: Em relação à contradição alegada pela embargante quanto ao valor de R$ 33.333.804,97, não vislumbro tal defeito. Reproduzo o trecho do acórdão que trata do tema: (...) Fica evidente que não houve dúvida sobre a sistemática alegada, mas sim falta de prova sobre o reconhecimento posterior da receita que foi estornada. Não demonstrada a contradição alegada, rejeito os embargos sobre esta matéria. Quanto ao valores de R$ 1.958.393,12 (comissão de vendas – Dealers) e R$ 773.897,86 (Interface), assiste razão à embargante quanto à omissão. Passo a analisar a matéria. (...) Da mesma forma que no valor de R$ 33.333.804,95, a recorrente afirma que teria feito um lançamento em um mês (ou no mesmo mês) por estimativa e depois estornaria o valor quando fazia o lançamento real. No entanto, novamente não demonstra que tenha feito o novo lançamento (real) Diante do exposto, voto por conhecer dos embargos, rejeitar a existência de contradição e solucionar a omissão alegada, Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 9101002.812 CSRFT1 Fl. 1.458 13 negando provimento ao recurso também em relação ao valores de R$ 1.985.393,12 e R$ 773.897,86. (grifo nosso) Em novos embargos de declaração, o contribuinte alega que não foram analisadas provas dos autos. Estes novos embargos não foram conhecidos pela Turma a quo, em julgamento do qual participei (acórdão 1302001.133): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO NA APRECIAÇÃO DE MATÉRIA EMBARGADA. ELEMENTOS DE PROVA. Não se conhecem de embargos que visam unicamente ao reexame do conjunto probatório sob a alegação de contradição ou omissão de exame da matéria em sede de primeiros embargos interpostos. À ocasião, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado explicitou que não são cabíveis embargos de declaração para reexame do conjunto probatório: Como se vê do acórdão embargado, a decisão reconheceu a omissão e analisou o mérito das alegações, negando provimento ao recurso voluntário. Não há que se falar em omissão, especialmente quanto à análise das provas dos autos, pois os embargos não se prestam ao reexame do conjunto probatório, devidamente analisados pelo acórdão recorrido. Assim, os embargos também não podem ser conhecidos quanto às matérias acima suscitadas, por não haver qualquer omissão a ser sanada. De fato, a alegação de estorno de receita é tratada pelo contribuinte desde a impugnação administrativa (fls. 302 e seguintes dos autos), sem demonstração do reconhecimento posterior da receita que foi estornada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rechaçou o argumento relacionado a tal tema por falta de prova, nos seguintes termos: Relativamente à glosa das reduções de receita, as alegações apresentadas, apesar de estarem acompanhadas apenas de cópias de controles mantidos em sistemas de informática e cópias de folhas do Diário que não se prestam para comprovar tais reduções, explicam o mecanismo contábil empregado no registro das receitas que, caso fosse um pouco mais bem explicado, poderia me convencer de que as receitas não foram, de fato, auferidas. Desse modo, opto por manter a glosa e, assim, obrigar a interessada a explicar e quiçá até provar de um modo mais convincente segunda instância administrativa ou ao Judiciário Fl. 1464DF CARF MF 14 que as reduções de receitas correspondem a fatos que ocorrem nos seus negócios ou que ocorreram nos da sucedida, sob pena de ver definitivamente reduzidos o seu prejuízo fiscal acumulado e a base de cálculo negativa da CSLL, e constituídos os créditos tributários relativos ás contribuições sociais. Diante disso, não é caso de aplicação das exceções tratadas pelo artigo 16, §4º, verbis: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ora, o caso dos autos não é de força maior que tenha impossibilitado a apresentação de documentos anteriormente (como prevê a alínea a, do §4º, do artigo 16), não há fato ou direito superveniente (como prescreve a alínea b) e tampouco caso de contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (tratada pela alínea c). Acrescento que a via de embargos de declaração após julgamento do recurso voluntário está restrita às hipóteses de omissão, obscuridade, contradição ou erro material, situações não vislumbradas no caso dos autos como consta do acórdão 1302001.133, em julgamento dos segundos embargos declaratórios, cujas razões de decidir adoto. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900249/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.675
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 49 /2 01 3- 21 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900249/201321 Acórdão n.º 3301003.675 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.708, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900249/201321 Acórdão n.º 3301003.675 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900249/201321 Acórdão n.º 3301003.675 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900249/201321 Acórdão n.º 3301003.675 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900249/201321 Acórdão n.º 3301003.675 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900249/201321 Acórdão n.º 3301003.675 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900249/201321 Acórdão n.º 3301003.675 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900249/201321 Acórdão n.º 3301003.675 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.003658/2010-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ERRO NA INDICAÇÃO DA DATA DA SESSÃO DE JULGAMENTO. CABIMENTO.
A existência de equívoco no registro da data da sessão de julgamento justifica o acolhimento de embargos inominados nos termos do art. 66 do RICARF.
Numero da decisão: 9202-005.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.318, corrigir a data da sessão de julgamento para 29/03/2017.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.318, corrigir a data da sessão de julgamento para 29/03/2017. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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Numero do processo: 10708.000263/97-20
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1997
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS.
Uma vez reconhecida a homologação tácita, a conseqüência que se
impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do
crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da
declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo
art. 74, § 5 da lei 9.430/1996.
Numero da decisão: 1802-000.788
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. Uma vez reconhecida a homologação tácita, a conseqüência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo art. 74, § 5 da lei 9.430/1996.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DE DÉBITOS. Uma vez reconhecida a homologação tácita, a conseqüência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo art. 74, § 5 da lei 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, Henrique Magalhaes de Oliveira e Gilberto Baptista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Ocupamonos de processo administrativo no qual se trata de pedido de restituição (fl. 01), protocolado em 14 de novembro de 1997, e de pedido de compensação de (fl. 31), protocolado em 05 de junho de 1997. Aludidos pedidos têm como objeto o mesmo crédito, no valor de R$ 110.346,60, referente a pagamento indevido ou a maior feito, sob o código 2362 (estimativas de IR) referentes ao ano de 1996. Consta dos autos que tendo sido solicitada, em 14 de janeiro de 1998, a confirmação da liquidez e certeza do crédito pretendido (fl. 35), foi realizada diligência cujo relatório conclusivo, juntado às folhas 43 e 44, ratifica a existência de indébito no total de R$ 99.315,35. Tendo em vista o referido relatório, foi emitido em 04 de setembro de 2008 o despacho decisório de folhas 85 a 87, no qual se consignou que a recorrente fundamentou seus pedidos de compensação em pagamento de imposto de renda que teria sido feito a maior do que o devido no ano de 1996, entretanto, pelo teor de sua declaração de rendimentos de 1997, verificouse na ficha 08 (fls. 15) que o valor pleiteado correspondia ao saldo negativo apurado na linha 18, a título de imposto de renda a pagar e por isso, considerou que a recorrente, no preenchimento de seu pedido, cometeu um erro de fato, ao indicar o crédito pleiteado como pagamento indevido e não como saldo negativo de imposto de renda, tratandoo dessa maneira, bem como conferindo ao pedido de compensação as inovações trazidas para o procedimento. Salientouse, no mérito, que de conformidade como que consta na ficha 08 da declaração de rendimentos de 1997, o saldo negativo de imposto de renda pagar, no montante de R$ 110.346,60, foi apurado, no encerramento do anocalendário 1996, a partir da dedução do imposto calculado (alíquota 15%), no valor de R$ 61.551,68 mais o adicional, (R$ 17.034,45), deduzidos do imposto de renda na fonte sobre operações com a Prefeitura de Angra dos Reis (R$ 18.480,06) e do imposto de renda mensal por estimativa, no valor de R$ 153.144,76 do imposto sobre o lucro real. Sendo assim, destacou a autoridade administrativa que conforme se verificaria no termo de diligência elaborado no âmbito da DRF em Nova Iguaçu, a recorrente considerou o valor de DARF pago em dezembro de 1996 como R$ 15.785,73 e o valor, comprovado (DARF) era de R$ 5.444,08 e por consequência a recorrente faria jus ao valor de R$ 99.315,35, em conformidade com o Termo de Diligência de folhas 43 a 45. Após essas claras e autoexplicativas conclusões, a Autoridade Administrativa afirmou expressamente que em nada obstante as considerações feitas acima, as Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180200.788 S1TE02 Fl. 184 3 compensações se encontravam homologadas tacitamente pelo decurso do prazo de 5 anos, com base no artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 e que, portanto, os débitos nela relacionados estavam extintos conforme disposto no artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. Surpreendentemente, a parte dispositiva do Despacho Decisório fez constar a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido. Cientificada (fl. 113), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 125 – 126), reiterando seus argumentos e pugnando pelo reconhecimento do direito creditório. Verificase que consta na ementa da decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ (fls. 143 – 148) o “status” de compensação homologada, consignandose que uma vez reconhecida a homologação tácita, a conseqüência que se impõe, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, é a extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo artigo 74, § 5º, da lei 9.430/1996. Registrou a decisão da DRJ, nessa toada, que da análise do despacho decisório depreendese que já se havia reconhecido a homologação tácita da declaração de compensação de folha 31, tendo, porém, sido atribuído a tal fato efeitos equivocados. Sublinhouse, portanto, que de conformidade com o comando do próprio ato decisório e demonstrativo de folhas 107 a 108, a extinção dos débitos que constam da declaração homologada foi operada, tão somente, até o limite do direito creditório então reconhecido e que nos termos do artigo 74, § 2° da Lei 9.430/1996, a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, operando efeito o ato sob condição resolutória após o seu implemento, uma vez reconhecida a homologação tácita, se imporia, independentemente da liquidez, certeza e quantificação do crédito pleiteado, o reconhecimento da extinção dos débitos que foram objeto da declaração atingida pelo prazo máximo de cinco anos estipulado pelo artigo 74, § 5º da mesma lei 9.430/1996. Concluiuse, destarte, pela extinção integral dos débitos que foram objeto da declaração de compensação de folhas 31. No intuito de manifestarse sobre os pontos abordados na Manifestação de Inconformidade, que surpreendentemente nada tratou acerca dos efeitos equivocados emprestados ao despacho decisório, a DRJ afirmou que de fato não existiria nenhum direito creditório além daquele já reconhecido, mas nada refletindo, por isso, na conclusão de homologarse tacitamente as compensações declaradas. Em vista dessas circunstâncias, a DRF devolveu o processo à DRJ para adequarse o julgamento, que modificou (fl. 160) o resultado do julgamento de favorável ao interessado para desfavorável ao interessado. Devidamente cientificada da decisão proferida pela DRJ (fl. 163), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 164 – 170), insistindo na existência integral do crédito, nada tratando acerca dos efeitos da já reconhecida homologação tácita. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Admito o presente Recurso unicamente para assegurar efetividade à homologação das compensações declaradas à folha 31 e para desfazer o imbróglio criado diante de tão simples conclusões a que chegaram tanto a DRF de origem como a DRJ. É pacífico no presente processo, que desde que foi proferido o Despacho Decisório as compensações declaradas pela recorrente no presente processo, foram integralmente homologadas pelo decurso do tempo. Quando ambas as decisões se manifestaram pela inexistência de parte do crédito, não o fizeram para atrelharlhe às homologações das compensações, mas sim, para fundamentar, alternativamente, suas razões de decidir. A propósito, a ementa da decisão recorrida prescinde de qualquer esforço hermenêutico, estatuindo que se homologavam as compensações, tacitamente, a independer da certeza e liquidez do crédito indicado. Portanto, não há mais controvérsia nos autos, as compensações foram homologadas tacitamente no mesmo valor do credito pleiteado, extintos os débitos indicados pela contribuinte, não havendo mais crédito a ser reconhecido. Isto posto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 10708.000263/9720 Acórdão n.º 180200.788 S1TE02 Fl. 185 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
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