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Numero do processo: 10725.900852/2009-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2005
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1002-000.396
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 08 52 /2 00 9- 23 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 84 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau do contencioso administrativo fiscal, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 37/40) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 27/32), proferida em sessão de 14 de setembro de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1240.411, da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ/RJ1), que, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/05) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/03/2009 (efl. 06), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 21721.93041.071005.1.3.049530, transmitido em 07/10/2005, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/04/2005 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF 600/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 85 3 Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de DCOMP Eletrônica n.º 21721.93041.071005.1.3.049530, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito — Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL Data de Arrecadação: 29/04/2005 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 139,93 Crédito Original da Data da Transmissão: R$ 139,93 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 33,23 O crédito teria origem no DARF recolhido em 29/04/2005, de CSLL (código 2484), no valor de R$ 1.095,66. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 05 [efl. 06], n.º de rastreamento 825040577, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 139,93. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período." Enquadramento Legal: art. 165 e 170 do CTN, art. 10 da IN SRF n.º 600/2005, art. 74 da Lei n.º 9.430/96. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 02/04/2009, fls. 19 [efl. 21]. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 29/04/2009, fls. 04 [efl. 02], alegando: transcreve os artigos que motivaram a não homologação das compensações. transcreve o artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, que disciplina o recolhimento por estimativa do IRPJ. conforme DIPJ/2006, no cálculo do IRPJ e CSLL por estimativa, a forma de determinação da Base de Cálculo foi com base em levantamento de Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, e não com base na Receita Bruta. a opção de tributação não foi o pagamento por estimativa com base na receita bruta que trata o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005 e artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 139,93, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 86 4 informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, razão pela qual não se homologou a compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/03/2005 2484 R$ 1.095,66 29/04/2005 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2009 Principal: R$ 28,40 Multa: R$ 5,68 Juros: R$ 14,37 A tese de defesa não foi acolhida por maioria de votos pela DRJ, mantendo se o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Pela presente DCOMP, pretende a interessada utilizar crédito de pagamento a maior, relativo à estimativa de CSLL do mês de março/2005. No entanto, o não reconhecimento do direito creditório teve como fundamento o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, de 28 de dezembro de 2005, que assim determina: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Com base no artigo citado, qualquer recolhimento a título de estimativa, mesmo que em valor superior ao devido, deve ser utilizado para redução do IRPJ/CSLL devido no final do período, ou para composição do saldo negativo. Em sua defesa, a interessa alega que não fez pagamento por estimativa previsto no artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96, mas sim com base no balanço, não cabendo a restrição do artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005. Para melhor compreensão acerca dos recolhimentos por estimativa, trago a legislação que rege o lucro real, lembrando que as regras também se aplicam à contribuição social, por força do artigo 28 da Lei n.º 9.430/96. Assim determina o artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96: (...) Da leitura do dispositivo, concluise que, no caso de lucro real com apuração anual, o fato gerador ocorre em 31 de dezembro. Tanto é assim que o acerto de contas, previsto no § 3.º, ocorre nesta data, determinandose o imposto/contribuição Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 87 5 devido, e confrontado com todos os recolhimentos mensais. Em outras palavras, os pagamentos mensais são estimativas daquilo que será devido na data da ocorrência do fato gerador, possuindo natureza de antecipações do imposto/contribuição devido. No caso de os recolhimentos a título de estimativa superarem o imposto/contribuição devido, apurase o saldo negativo, passível de restituição ou compensação. Ainda acerca destes recolhimentos mensais, o artigo 35 da Lei n.º 8.981/95, assim dispõe: (...) Neste ponto, cabe destacar os seguintes artigos da Instrução Normativa SRF n.º 93/97: (...) Ou seja, o contribuinte que apurar o imposto/contribuição com base no lucro real, apuração anual, tem a opção de recolher a estimativa devida calculada por meio de balanços ou balancetes, e não tendo como base a receita bruta. Para tanto, deve o contribuinte determinar o imposto/contribuição devido até o mês em questão, levantando o balanço observando às leis comerciais e fiscais. Do confronto do imposto/contribuição apurado e o somatório das estimativas já recolhidas, será determinado se há necessidade ou não de pagamento no mês que fez o balanço. No entanto, em que pese a opção de levantar o balanço ou balancete em determinado mês, o pagamento por ventura efetuado não deixa de ter natureza de estimativa. O fato gerador continua sendo no dia 31 de dezembro, e qualquer recolhimento de imposto/contribuição de renda durante o anocalendário, seja calculado com base na receita bruta (artigo 2.º da Lei n.º 9.430/96) ou com base no balanço ou balancete (artigo 35 da Lei n.º 8.981/95), tem natureza de antecipação, considerado como estimativa do imposto/contribuição devido no final do período. Portanto, o artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, quando se refere aos recolhimentos por estimativa, se aplica a todos os pagamentos de IRPJ ou CSLL efetuados durante o ano calendário, não importando sua forma de apuração. Todos são antecipações do imposto/contribuição devido, devendo seus valores serem considerados no final do período, no confronto com o imposto/contribuição apurado. Mas não é só. Dos documentos apresentados nos autos, a interessada não comprovou que teria transcrito no Livro Diário, até a data fixada para pagamento da contribuição, o balancete ou balanço, de forma a permitir o recolhimento da estimativa de acordo com o que alega em sua defesa. Por todo acima exposto, com fundamento no artigo 10 da IN SRF n.º 600/2005, voto pelo não reconhecimento do direito creditório e pela não homologação da compensação. No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte, pessoa jurídica tributada pelo lucro real, reitera os termos da impugnação. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 88 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 19/10/2011, quartafeira, efls. 33/34, e protocolo em 17/11/2011, efl. 37), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, observo nulidade no acórdão vergastado, inclusive seguindo os precedentes constantes dos Acórdãos ns.º 1302002.855 e 1302002.866, ambos de 13/06/2018, bem como o Precedente deste Colegiado da 2.ª Turma Extraordinária, da sessão de 09 de agosto de 2018, Acórdão n.º 1002000.359. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 89 7 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 90 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." O enunciado sumular acima transcrito foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese, de igual modo, a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 91 9 compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a CoordenaçãoGeral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10725.900852/200923 Acórdão n.º 1002000.396 S1C0T2 Fl. 92 10 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida, de modo que, efetivamente, não houve uma efetiva análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004502/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INTEGRAÇÃO
Conhece-se dos embargos interpostos em face de omissão no julgado para fins de integração em relação ao dispositivo do Acórdão.
Numero da decisão: 2201-004.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201-004.455, de 05 de abril de 2018, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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OMISSÃO. INTEGRAÇÃO Conhecese dos embargos interpostos em face de omissão no julgado para fins de integração em relação ao dispositivo do Acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para sanar o vício apontado no Acórdão nº 2201004.455, de 05 de abril de 2018, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 45 02 /2 00 3- 99 Fl. 630DF CARF MF 2 1 Adoto como relatório o da decisão de admissibilidade dos embargos de declaração da PGFN às fls. 626/628, por bem relatar os fatos ora questionados. " Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2201004.455, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 602 e ss), cuja ementa abaixo se transcreve: DECADÊNCIA. APLICAÇÃO SÚMULA 38 DO CARF E ART. 173 § 1º DO CTN No caso de omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada a contagem do prazo decadencial iniciase a partir do exercício seguinte com a aplicação do art. 173, I do CTN, mormente quando não há recolhimento de nenhum imposto. OMISSÃO COM BASE EM LANÇAMENTOS COM BASE EMDEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei9.430/96 autoriza o lançamento com base em depósitos bancários quando a origem dos recursos utilizados não forem devidamente comprovada pelo sujeito passivo, cabendo a exclusão dos valores correspondentes a os denominados “cheques devolvidos. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DEOFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o“crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo. (...) Omissis DA ANÁLISE Alega a embargante o seguinte: No acórdão 2201004.455 o dispositivo do acórdão restou assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitara preliminar arguida e, no mérito, em dar Fl. 631DF CARF MF Processo nº 19515.004502/200399 Acórdão n.º 2201004.736 S2C2T1 Fl. 631 3 provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo. Observase que o dispositivo parece ter ficado incompleto, não sendo possível extrair de seu texto os limites da decisão. Compulsando os autos verificase que no corpo do voto condutor restaram claras as parcelas excluídas da base de cálculo do tributo: (...) É o breve relato. Passo ao exame. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Do dispositivo transcrito observase que os embargos de declaração são cabíveis apenas nas hipóteses em que ocorra na decisão atacada as seguintes hipóteses: a) omissão no enfrentamento de ponto que a turma deveria se pronunciar; b) obscuridade, que se caracteriza pela impossibilidade de se compreender o raciocínio desenvolvido para fundamentar a decisão e/ou o que efetivamente restou decidido pelo órgão de julgamento; e c) contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. Apesar de não constar no resultado exarado, a fundamentação do r. acórdão elenca as parcelas que devem ser excluídas. Vejamos. 13 – Utilizando o mesmo raciocínio da decisão de piso, verifico que houve a falta de exclusão dos seguintes cheques, indicados no Recurso Voluntário abaixo na tabela: Fls do processo digital data Valor 184 04/01/1998 R$ 1.200,00 181 21/12/1998 R$ 1.200,00 236 27/07/2000 R$ 1.800,00 Total R$ 4.200,00 Fl. 632DF CARF MF 4 ... 15 – Portanto, pelo exposto dou provimento parcial ao recurso para que seja excluído da autuação os valores constantes da tabela indicada acima em relação ao total de R$4.200,00. ... Conclusão 28 – Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação o valor de R$ 4.200,00 conforme fundamentação. Do que posto, resta comprovada a necessidade de ajustar o resultado do julgamento ao que efetivamente decidido. 2 – Portanto, os embargos de fls. 622/623 foram opostos para sanar omissão no V. Acórdão de minha relatoria, recebidos através da decisão da Presidência dessa C. Turma às fls. 626/628 indicado alhures. 3 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 Com razão o embargante quanto a omissão e dou provimento aos embargos para que passe a integrar no dispositivo do V. Acórdão de nº 2201004.455 o seguinte: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo o valor de R$ 4.200,00. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 19515.004502/200399 Acórdão n.º 2201004.736 S2C2T1 Fl. 632 5 Conclusão 6 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS para reconhecendo a omissão existente, integrar na forma da fundamentação acima o V. Acórdão nº 2201004.455. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.721754/2011-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-007.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS FORMAIS PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que a situação enfrentada no acórdão apresentado como paradigma é diferente da situação enfrentada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 17 54 /2 01 1- 82 Fl. 255DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração para cobrança de imposto de renda haja vista a constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos, acumuladamente, de pessoa jurídica em virtude de processo judicial trabalhista. Fato gerador relativo ao anocalendário 2007. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do imposto com base no regime de competência e, com base no entendimento do STJ no REsp nº 1.227.133, sob rito do artigo 543C do CPC, afastar a tributação sobre os valores relativos ao juros de mora. O acórdão nº 2401004.146 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. JUROS DE MORA DECORRENTE DE RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide imposto sobre a renda sobre juros de mora percebidos em reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp 1.227.133/RS. Artigo 62 do RICARF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O cálculo do imposto sobre a renda devido sobre valores recebidos acumuladamente deve ser cálculo com base na tabela progressiva multiplicado pelos meses referentes ao período constante da reclamatória. RE STF 614406/RS. Recurso Voluntário Provido em Parte. Tempestivamente, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial. Citando como paradigma o acórdão 9202004.246, a recorrente devolve a este Colegiado a discussão acerca da incidência do IRPF sobre os juros moratório relacionados ao recebimento de verba trabalhista reconhecida judicialmente. A divergência foi assim resumida: Porém, DIVERGINDO FRONTALMENTE deste entendimento, temos o seguinte PARADIGMA da Colenda 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que analisando questão semelhante a dos presentes autos, assentou o mesmo escólio do voto vencido do v. acórdão ora recorrido, a saber, que o imposto de renda SOMENTE NÃO INCIDE sobre os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10950.721754/201182 Acórdão n.º 9202007.115 CSRFT2 Fl. 257 3 trabalhista, QUANDO AS VERBAS TIVEREM CARÁTER INDENIZATÓRIO. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e aquele citado como paradigma e no mérito pugna pela manutenção da decisão por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Antes de analisarmos o mérito se faz necessário revisarmos os critérios de admissibilidade do recurso. Conforme exposto no relatório estamos diante de lançamento para cobrança de Imposto de Renda complementar haja vista omissão de rendimentos. Citados rendimentos são decorrentes do recebimento de verbas trabalhistas reconhecidas como devidas ao Recorrente a partir de reclamatória trabalhista proposta em juízo competente. Quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual os valores pertinentes ao FGTS e juros de mora foram classificados como rendimentos isentos/não tributáveis. Neste contexto, verbas decorrentes de ação de extinção de contrato de trabalho, o Colegiado a quo, aplicando o art. 62 do RICARF, entendeu: Nesse sentido a decisão do Superior Tribunal de Justiça, consubstanciada no EDcl no REsp 1.227.133RS, julgado nos termos dos procedimentos previstos para os recursos repetitivos, e portanto de observância obrigatória por este Conselho, explicita que o pagamento de juros moratórios decorrentes de atraso no cumprimento de obrigações trabalhistas não é passível de incidência de imposto sobre a renda, uma vez que de renda não se trata em razão da inocorrência da acréscimo patrimonial. Assim decidiu o STJ: "Não é possível a incidência de imposto de renda sobre os juros e mora decorrentes do atraso no pagamento de verbas de natureza trabalhista reconhecidas por decisão judicial, visto que os valores que deles decorrem não representam renda tributável, tratandose de hipótese de não incidência tributária, não importando a natureza da verba principal, pois, abrangendo os juros moratórios eventuais danos materiais e, ou apenas, imateriais, não podem ser entendidos como acréscimo Fl. 257DF CARF MF 4 patrimonial, já que se destinam à recomposição do patrimônio lesado, não se enquadrando na norma do artigo 43 do CTN." De outro lado, no colegiado paradigmático a discussão acerca da incidência do IRPF sobre os juros estava vinculada a verbas principais recebidas por contribuintes em contexto distinto, qual seja, parcela recebida como forma de compensação pela perda do plano econômico URV. Os magistrados da Bahia receberam do estado, de forma acumulada, parcela de verba principal acompanhada dos respectivos juros de mora. Vale destacar que no relatório do acórdão paradigma a ilustre Conselheira Relatora, após narrar o resultado da decisão objeto do então recurso, esclarece: O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 14/06/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 19/06/2012, Embargos de Declaração alegando que o acórdão embargado incidiu em omissão e obscuridade ao afastar a incidência do IR sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie, tendo em vista que, no presente caso, a verba recebida pelo autuado não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho, sendo que, no julgamento do Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Tais embargos foram rejeitados por meio do despacho de fls. 154/155. No caso do acórdão paradigma foi mantida a aplicação da tributação dos juros por duas razões: primeiro concluise pela não aplicação do entendimento exarado no Resp 1.227.133/RS, pois não se tratava de verba trabalhista oriundas de condenação judicial e segundo porque a verba principal não era isenta do imposto. Vejamos os trechos mais relevantes do acórdão: DELIMITAÇÃO DA LIDE Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão sobre a tributação dos juros de mora recebidos pelo contribuinte quando do pagamento das diferenças de URV. IR SOBRE JUROS DE MORA Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiram o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo apenas em relação as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: ... Considerando que a verba principal constitui acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, e seguindo a linha da referida decisão do STJ, por não se tratar de recebimento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10950.721754/201182 Acórdão n.º 9202007.115 CSRFT2 Fl. 258 5 oriundas de condenação judicial, correto o lançamento que fez incidir imposto de renda sobre os juros. Fazendo uma análise mais crítica da decisão podemos concluir que, embora a discussão envolva aspectos semelhantes, as especificidades das situações fáticas analisadas pelos Colegiados (juros recebidos no contexto da extinção do contrato de trabalho x juros decorrente de reajuste de verba principal) são de extrema relevância para conclusão acerca do conhecimento do recurso haja vista os contornos enfrentados pelo Superior Tribunal de Justiça quando da definição do entendimento adotado pelo acórdão recorrido por força do art. 62 do RICARF. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.922752/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA
Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora (art. 166, CTN), sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente.
Numero da decisão: 1302-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, votando pelas conclusões do relator os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora (art. 166, CTN), sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, votando pelas conclusões do relator os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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RETENÇÕES INDEVIDAS. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS DE CONTRIBUINTES ISENTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Recorrente GERDAU AÇOS LONGOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora (art. 166, CTN), sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, votando pelas conclusões do relator os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 27 52 /2 00 9- 07 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1229.737, de 08/04/2010, da 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacamse os seguintes pontos do relatório da DRJ: Tratase de DCOMP Eletrônica n° 19339.79336.140306.1.3045824, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de CSRF Data de Arrecadação : 15/02/2006 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 2.064,79 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 2.064,79 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 2.064,79 A interessada informa que o crédito decorre de DARF recolhido em 15/02/2006, no valor de R$ 875.777,72. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 09, n° de rastreamento 831670427, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.064,79. Valor do crédito original reconhecido: 531,96. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Segundo o despacho, o crédito já teria sido utilizado anteriormente na quitação do débito de CSRF, código 5259, PA 31/01/2006, no valor de R$ 875.245,76. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 29/04/2009, fls. 08. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 27/05/2009, fls. 11/15, alegando: • Pagou e informou na DCTF um DARF relativo ao mês de janeiro de 2006, código 595202, no valor de R$ 875.777,72. • Declarou em DCTF o débito no valor de R$ 875.245,76, gerando um crédito de R$ 531,96. • Verificouse que o valor correto do débito seria R$ 869.563,45, sendo providenciada a retificação da DCTF em 06/05/2009, gerando um crédito de R$ 6.214,27. • Utilizou o crédito da seguinte forma: DCOMP CRÉDITO 19339.79336.140306.1.3.045824 2.064,79 21564.24595.290606.1.3.049870 2.427,77 22245.50681.260307.1.3.048478 1.721,71 TOTAL 6.214,27 A recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ, em 14/05/2010 (fl. 87). Interpôs recurso voluntário, em 15/06/2010 (fl. 89). Sustenta que os créditos compensados em questão, decorrem de pagamentos indevidos ou a maior de CSRF, conforme detalhamento a seguir sintetizado: PER/DCOMP n° 19339.79336.140306.1.3.045824 de 14/03/2006, houve compensação do valor R$ 2.064,79 declarado na DCTF n° 14.39.24.57.9382, referente a fevereiro de 2006, conforme resta comprovado a seguir, em decorrência de: a) retenção e pagamento indevido da Contribuição Social retina na fonte do fornecedor Centro São Paulo Desing CSPD, CNPJ n° 05.105.112/000120, que possui o beneficio de isenção, por se tratar de uma Associação sem fins lucrativos, conforme disposto no artigo 150 em seu inciso VI alínea C da Constituição Federativa do Brasil 1988. Para comprovar, acosta os documentos numerados 1, 2 e 3 referente a cópia das notas fiscais e ao Comprovante de Isenção; b) retenção e pagamento em duplicidade da Contribuição Social retida na fonte, referente ao fornecedor Turbo Tech Engenharia Ltda, CNPJ n° 16.294.175/000199, para comprovar, acosta os documentos numerados 4, 5 e 6 referente a cópia da nota fiscal e aos documentos contábeis e financeiros; Fl. 206DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 5 4 PER/DCOMP n° 21564.24595.290606.1.3.049870 de 29/06/2006 houve compensação do valor de R$ 2.427,77 declarado na DCTF de recibo n° 37.45.22.87.8469 referente a junho de 2006, em decorrência de: a) retenção e pagamento indevido da Contribuição Social retida na fonte do fornecedor Leonardo de Moraes ME, CNPJ n° 62.869.896/000105, que à época estava enquadrado no regime de apuração do SIMPLES, para comprovar, acosta os documentos numerados 7 e 8 referente a cópia da nota fiscal e a Consulta da situação de Opção pelo Simples (arts. 30 e 32, inc. III, Lei nº 10.833, de 29/12/2003); PER/DCOMP n° 22245.50681.260307.1.3.048478 de 26/03/2007 houve compensação do valor de R$ 1.721,71 declarado na DCTF de recibo n° 17.22.31.51.6235 referente a março de 2007, em decorrência de: a) retenção e pagamento indevido de Contribuição Social retida na fonte para o fornecedor Essencis Soluções Ambientais, CNPJ n° 04.627.574/000307. A relação comercial deste fornecedor com a Gerdau é de cessão de espaço para aterro de resíduo industrial e de toda a infraestrutura e licenciamento necessários para a destinação final do resíduo, sendo portanto, uma atividade não prevista na legislação de retenção da Contribuição Social retida na fonte, para comprovar, acosta os documentos numerados 9 e 10 referente a cópia da nota fiscal e ao pedido de compra. Essas informações foram apresentadas pela recorrente, somente em sede de recurso voluntário, com o objetivo de demonstrar o motivo pelo qual promoveu a retificação da DCTF. Já que a decisão recorrida concluiu que não haveria justificativa para a retificação que indicou o crédito em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário e tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Conheço o recurso. O Acórdão recorrido ressalta os seguintes fatos e fundamentos: 2 A interessada argumenta que teria informado débito de CSRF, do mês de janeiro de 2006 com equívoco, tendo providenciado sua retificação em 26/05/2009, reduzindo o seu valor de R$ 875.245,76 para R$ 869.563,45, dando origem ao crédito pleiteado no valor total de R$ 6.214,27. 3 Verificase que a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório. Ora, a simples retificação da DCTF, desacompanhada das provas e documentos que demonstrem que houve um erro de fato, não tem o condão de comprovar as suas alegações, e nem de formar a convicção do julgador. 4 E o que ocorre no presente caso. Não há qualquer comprovação de que o débito correto de CSRF, do mês de janeiro de 2006, código 5259, seria de R$ 869.563,45. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 6 5 5 Logo, por não estar comprovado o erro no preenchimento da DCTF, não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório ora combatido. (...). 7 Por todo acima exposto, concluo que não estão presentes os requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, previsto no artigo 170 do CTN, quais sejam, a certeza e liquidez do crédito. 8 Logo, voto por não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações. Verificase, portanto, que a DRJ fundamentou sua decisão no fato de que a recorrente não teria comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos que seria devida a retificação da DCTF. Dessa forma concluiu que não haveria crédito devido à recorrente. De todo modo, verificase que houve o processamento das declarações de compensação e, portanto, assegurouse à recorrente o direito à restituição de valores pagos a maior ou indevidamente, independentemente de comprovação. Com relação a apresentação, somente em sede de recurso voluntário, de notas fiscais e documentos com o intuito de demonstrar o motivo pelo qual houve a referida retificação da DCTF, entendo que, em homenagem ao princípio da verdade material, é devido o recebimento dos documentos e informações para exame nesta oportunidade. Todavia, em que pese os documentos e informações que acompanham o recurso voluntário, observaas ponto fundamental para o caso: a recorrente não comprovou nos autos que teria ressarcido às empresas, em relação as quais alega que teria havido retenção indevida ou a maior de CSRF, os respectivos valores retidos e recolhidos. Sem essa comprovação, não haveria razão para a recorrente utilizar os respectivos valores em compensações em seu favor. Pois, sendo as empresas prestadoras as retidas indevidamente, cabe somente a essas o direito a restituição ou compensação. Dessa forma, não há como acolher os pedidos de homologação de DCOMPs da recorrente. Pois, em conformidade com o art. 166 do CTN, Art. 166, "a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla". Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 208DF CARF MF Processo nº 15374.922752/200907 Acórdão n.º 1302003.018 S1C3T2 Fl. 7 6 Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.900166/2010-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS DESONERADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ).
Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF
INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matéria-prima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não-cumulatividade. (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.143
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS DESONERADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. “A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade.” (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 01 66 /2 01 0- 77 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10735.900166/201077 Acórdão n.º 3201004.143 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação parcial da compensação de créditos do IPI, decisão essa lastreada no fato de que o crédito reconhecido fora insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado a nulidade do despacho decisório por não atender aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972 e requerido, com base no princípio da não cumulatividade, o reconhecimento do direito à apropriação de crédito em aquisições de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 e apoiado em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF RE nº 212.484/RS) e do 2º Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 20172.942), aplicandose a alíquota de 15% sobre o valor das aquisições. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 10048.768, afastou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito de crédito nas aquisições de produtos isentos. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.142, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10735.900167/201011, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.142): O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. O presente Contribuinte tem diversos casos idênticos nesse CARF. Em julgamento de Recurso paradigma no Acórdão 3302005.216, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, da 3ª Seção de Julgamento da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, nos termos do art. 47, §2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10735.900166/201077 Acórdão n.º 3201004.143 S3C2T1 Fl. 4 3 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Nesse sentido, conforme dicção do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, reproduzo o Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, vejamos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da nãocumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da não cumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10735.900166/201077 Acórdão n.º 3201004.143 S3C2T1 Fl. 5 4 aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Diante do fato do caso em debate se amoldar ao caso do Recurso Repetitivo, adoto os mesmo fundamentos do Recurso Especial. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.010484/2005-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO DE CONTRIBUINTE. DÉBITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA.
Segundo dispõe o art. 9º, inc. XV, da Lei 9.317/96, a existência
de débito inscrito em dívida ativa sem exigibilidade suspensa
impede a manutenção do contribuinte no SIMPLES ou sua inscrição, independentemente de o referido débito ter natureza tributária ou não.
Numero da decisão: 1201-000.446
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM
NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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ementa_s : SIMPLES. EXCLUSÃO DE CONTRIBUINTE. DÉBITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Segundo dispõe o art. 9º, inc. XV, da Lei 9.317/96, a existência de débito inscrito em dívida ativa sem exigibilidade suspensa impede a manutenção do contribuinte no SIMPLES ou sua inscrição, independentemente de o referido débito ter natureza tributária ou não.
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EXCLUSÃO DE CONTRIBUINTE. DÉBITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. Segundo dispõe o art. 9º, inc. XV, da Lei 9.317/96, a existência de débito inscrito em dívida ativa sem exigibilidade suspensa impede a manutenção do contribuinte no SIMPLES ou sua inscrição, independentemente de o referido débito ter natureza tributária ou não. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (processo assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente (processo assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares De Queiroz. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 04/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10980.010484/200585 Acórdão n.º 1201000.446 S1C2T1 Fl. 2 2 Relatório O contribuinte apresentou pedido de reinclusão no SIMPLES em 31.05.2004, no qual informou que desde 1997 vem pagando seus tributos e entregando suas obrigações acessórias como contribuinte desta sistemática. Que, não obstante, quando da entrega de sua DIPJ anual simplificada do exercício 2003/2004, em 31.03.2004, verificou que sua condição constava como não optante pelo SIMPLES. Alega desconhecer o fato de haver sido excluído do sistema em qualquer oportunidade. Relata que seu pedido de reinclusão com data retroativa a foi indeferido pelo Ofício 147/Secat, ao argumento de existência de débito com o INSS inscrito em dívida ativa, no forma do art. 9o, inc. XV, da Lei 9.317/96, que dispõe: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Relata, ainda, que esteve na procuradoria do INSS onde obteve informação de inexistência de débito inscrito em dívida ativa e anexou aos autos um extrato fornecido pela Procuradoria do INSS como prova. A fls. 9 e 10 encontrase um extrato de devedor da dívida ativa do INSS emitido em 22.09.2005, em que não consta nenhum débito em nome da recorrente. Não obstante, a fls. 23 há outro extrato, este emitido em 15.08.2005, onde consta que a recorrente teve um débito não tributário inscrito em dívida ativa em 18.09.1996, que na data da extração do documento se encontrava em situação “não ajuizável”, em virtude do parcelamento da Lei 10.684/2003, tendo a recorrente optado pelo pagamento no PAES em 30.07.2003. No extrato da Consulta de fls. 24 constatase que a recorrente foi excluída do SIMPLES em 01.03.1999, em virtude desta irregularidade que, entretanto, foi denominada de “pendência fiscal” apesar de sua natureza não tributária. Pela r. decisão de fls. 33 a DRJ deu parcial provimento à manifestação de inconformidade para acatar o reingresso da interessada no SIMPLES a partir de 01.01.2005. O recurso voluntário repisa os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 04/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10980.010484/200585 Acórdão n.º 1201000.446 S1C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a recorrente foi excluída do SIMPLES em 01.03.1999 em virtude da existência de débito com a Fazenda Nacional de natureza não tributária. Realmente, ao contrário do afirmado pela r. decisão a quo, a recorrente jamais teve débito com o INSS inscrito em dívida ativa, fato confirmado pelo extrato que ela juntou aos autos. Entretanto, o extrato de fls. 23 comprova que a recorrente teve débito não tributário inscrito em dívida ativa; e a suspensão de sua exigibilidade somente ocorreu depois de sua exclusão do SIMPLES (que se deu em 01.03.1999), com a sua adesão ao parcelamento PROEX em 30.07.2003. Mas a lei vedava o ingresso no SIMPLES de pessoa jurídica que apresentasse débito inscrito em dívida ativa da União, sem fazer nenhuma qualificação deste débito, que podia ou não ter natureza tributária, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; A atual Lei Complementar 123/2006 manteve a mesma dicção, apenas incluindo as fazendas estaduais e municipais na restrição. O fato de a decisão administrativa que negou seu pedido de reinclusão retroativa ter feito equivocada referência à existência de débitos com o INSS – quando na verdade o débito não era tributário –, é um fato posterior que não macula o anterior ato de sua exclusão do SIMPLES nem tem o alcance de permitir sua automática reinclusão retroativa. Por fim, constato que por lapsus calami este relator registrou o presente processo como contendo também remessa oficial – ou recurso de ofício – quando na verdade não há, uma vez que não ocorreu exoneração de crédito tributário. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (processo assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Conselheiro Relator Fl. 66DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 04/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10980.010484/200585 Acórdão n.º 1201000.446 S1C2T1 Fl. 4 4 Fl. 67DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, 04/07/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10425.902748/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.
Numero da decisão: 1201-002.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 90 27 48 /2 00 9- 58 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10425.902748/200958 Acórdão n.º 1201002.438 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação DCOMP de fls., por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ com débitos de sua responsabilidade. O crédito informado seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 2º trimestre do anocalendário 2002. Através do despacho, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal DRF em Campina Grande identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que retificou sua Declaração de Informações DIPJ para demonstrar os créditos, porém não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ajustando os débitos. Argui que o erro nesse procedimento não invalida a existência dos créditos, já que houve pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para que o Fisco aceite a existência dos créditos. Requereu, ao final, a homologação da compensação. Decisão da DRJ Em decisão de 26/09/2011 a 3° Turma da DRJ/REC julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado ern DCTF. Recurso Voluntário Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica os termos de sua Impugnação. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10425.902748/200958 Acórdão n.º 1201002.438 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.433, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10425.901491/2009 17, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.433): "Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, portanto, merece ser apreciado. Mérito Dada a inexistência de novos argumentos trazidos pelas Recorrente em sede de Recurso Voluntário e o total alinhamento do presente Conselheiro à decisão da DRJ, faço aqui uso do disposto no Art. 57, § 3°do Regimento Interno deste CARF que assim dispõe: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10425.902748/200958 Acórdão n.º 1201002.438 S1C2T1 Fl. 5 4 Desta forma, faço abaixo a transcrição integral do voto vencedor da decisão da DRJ: 4. A manifestação de inconformidade é tempestiva (fl. 30) e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. 5. Como se observa nos autos, a interessada efetuou, em 30/10/2001, pagamento de DARF no valor de R$ 3.810,48 , relativo ao IRPJ apurado no 3° trimestre de 2001. Por entender que o tributo era indevido ou a maior, transmitiu a DCOMP ora em exame, por via da qual utilizou o referido valor para compensar débitos por ela apurados. 6. A DRF/Campina Grande constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito do IRPJ apurado no 3° trimestre de 2001, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Assim, restou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. 7. Alega a inconformada que o valor correto do débito é o informado na DIPJ, e não o constante da DCTF, arguindo que a retificação desta não constitui obrigação legal e que não impede o reconhecimento do crédito. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 014, de 14 de fevereiro de 2000), a DIPJ tem caráter apenas informativo, enquanto a DCTF constitui instrumento de confissão de divida quanto aos débitos nela declarados. 9. No caso concreto, verifiquei, no banco de dados da Receita Federal, que a empresa efetivamente apresentou DCTF em que fez constar haver apurado débito do IRPJ no 30 trimestre de 2001 no valor de R$ 11.431,44, com pagamento em 3 quotas de R$ 3.810,48, o exato valor do recolhimento efetuado. 10. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo liquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). 11. Destaquese que, além de não retificar a DCTF, que constituía obrigação sua (Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, e seguintes), não trouxe a interessada prova alguma do tanto alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10425.902748/200958 Acórdão n.º 1201002.438 S1C2T1 Fl. 6 5 12. Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.002474/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2002 a 30/04/2007
EMBARGOS INOMINADOS.
O conhecimento de Recurso Voluntário quando o crédito tributário nele constante era objeto de parcelamento não era possível, configurando-se inexatidão material devido a lapso manifesto.
Numero da decisão: 2301-005.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301- 002.898, 20/06/2012, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 30/04/2007 EMBARGOS INOMINADOS. O conhecimento de Recurso Voluntário quando o crédito tributário nele constante era objeto de parcelamento não era possível, configurando-se inexatidão material devido a lapso manifesto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301- 002.898, 20/06/2012, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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O conhecimento de Recurso Voluntário quando o crédito tributário nele constante era objeto de parcelamento não era possível, configurandose inexatidão material devido a lapso manifesto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 002.898, 20/06/2012, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 24 74 /2 00 7- 17 Fl. 795DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos da Unidade Preparadora (fls. 789) opostos pela Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal de Vitória da Conquista informando que: “O município de Ribeirão do Largo em 20/12/2012 protocolou pedido de parcelamento previsto no art. 1º da MP 589/2012, além de requerimento de desistência de discussão administrativa/judicial de débitos passíveis de ser incluídos no referido parcelamento, vide fls. 784 a 788, conforme anexos I, II ,III e IV da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 09/2012, situação que se enquadra os débitos constante do Debcad nº 37.091.088 5, objeto do presente processo, uma vez que o pleito do contribuinte é deferido, desde que o sujeito passivo apresente, na data de formalização do pedido, os documentos elencados no art. 5º da referida portaria, conforme define art. 6º da mesma portaria. Diante do exposto acima, devolvo o processo ao CARF de modo a se manifestar em relação ao julgado do recurso voluntário prolatado no Acordão nº 2301003.632, de 17/07/2013, uma vez que o mesmo ocorreu após a opção do contribuinte pelo parcelamento da MP 589/2012 e desistência da discussão administrativa do processo em tela, fato ocorrido em 20/12/2012, conforme consta às fls. 784 a 788. Ressaltamos que não foi providenciado na época a inclusão do pedido de parcelamento do art. 1º da MP 589/2012 no presente processo, uma vez que o mesmo já se encontrava no CARF aguardando julgamento, desta forma o julgado ocorreu sem a informação da opção do contribuinte pelo parcelamento”. O termo de desistência do processo administrativo foi protocolado perante a Receita Federal em 20 de dezembro de 2012 e consta na fls. 786. Em que pese tal desistência, o referido processo foi julgado pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF por meio do Acórdão n. 2301003.632 (fls. 705 e ss), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2002 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE SUBSÍDIO DE EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO ANTES DO ADVENTO DA LEI N. 10.887/04 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF NO RE Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10540.002474/200717 Acórdão n.º 2301005.560 S2C3T1 Fl. 3 3 351.717 E SUSPENSA EXECUÇÃO DE LEI PELA RESOLUÇÃO 26/2005 DO SENADO FEDERAL. Não incide sobre o subsídio dos exercentes de mandato abrangidos pela alínea “h” do inc. I do art. 12 da Lei n. 8.212/91, introduzida pela Lei n. 9.506/97, § 1º do art. 13, IV, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, sendo devidas apenas as contribuições dos períodos abrangidos pela Lei n. 10.887/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 se essa for mais benéfica ao contribuinte, em homenagem ao artigo 106 do CTN. Em face do exposto, requer a Seção de Arrecadação e Cobrança da Delegacia da Receita Federal de Vitória da Conquista que o CARF se manifeste sobre o assunto. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos inominados está disciplinado em seu art. 66, nos seguintes termos: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 797DF CARF MF 4 § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Dessa forma, o artigo 66 do RICARF determina que cabem embargos quando o acórdão contiver inexatidão material devido a lapso manifesto. A partir da leitura do Acórdão n. 2301003.632 (fls. 705 e ss), notase que não foi analisada a questão de inclusão dos débitos discutidos no parcelamento, em que pese o débito já tivesse sido parcelado conforme termo de desistência do processo administrativo, que foi protocolado perante a Receita Federal em 20 de dezembro de 2012 e que consta na fls. 786. Dispõe o § 3° do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015 (Ricarf), que no caso de desistência ou de pedido de parcelamento, entre outros, fica configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão que lhe tenha sido favorável. Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis (Ricarf, Anexo II, art. 78, § 5º). Diante de todo o exposto, há lapso manifesto a ser sanado, uma vez que não foi verificado que já havia sido pedido parcelamento do débito tributário. Voto, portanto, por voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 002.898, 20/06/2012, não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 798DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.022318/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA.
O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo descumprimento do prazo para o proferimento de decisão administrativa, pela administração tributária, tampouco, estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados.
NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADE PENDENTE DE JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 14)
OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO COM BASE NAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E LIVROS FISCAIS DO ICMS/ISS. VALIDADE.
A simples emissão das notas fiscais e o seu registro nos livros fiscais do ICMS e ISS, nos quais se espelha o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica. Trata-se de prova direta, de valor indiscutível. Sua desconstituição por parte da fiscalizada, dependeria da comprovação do cancelamento da operação ou da devolução total ou parcial das mercadorias ou da não aceitação dos serviços vendidos pelos clientes.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA X REGIME DE CAIXA.
A regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, incumbindo ao sujeito passivo que optou pela tributação pelo regime de caixa, nos casos permitidos pela legislação. Quando o contribuinte deixa de apresentar os livros onde deveriam estar escrituradas suas receitas, nem demonstra que foram oferecidas à tributação, correta a apuração efetuada pelo Fisco pelo regime de competência.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. INTUITO DOLOSO CARACTERIZADO. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64.
O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto delas que revela a prática e o intuito de suprimir ou de reduzir tributo.
Há que se diferenciar a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias e/ou pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrá-lo.
No caso concreto, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte, ante a reiterada prática de oferecer à tributação em suas declarações de rendimentos valores significativamente inferiores às receitas efetivamente auferidas.
DECADÊNCIA. PRAZO APLICÁVEL. INTUITO DOLOSO.
Comprovada a existência do intuito doloso de sonegar tributos, ainda que existente pagamento parcial, o prazo decadencial é deslocado para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN, conforme assentada pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. INAPLICABILIDADE.
Não tendo ocorrido o trânsito em julgado do RE º 574.706, que reconhece a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez pendente de apreciação o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal, ainda não se tornou definitiva aquela decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelando-se inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO COMPROVADO. EXCLUSÃO.
Não tendo a fiscalização aportado ao autos elementos que pudessem comprovar a ocorrência de interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, que justificariam o enquadramento no art. 124, inc. I do CTN, a imputação de responsabilidade deve ser cancelada.
Numero da decisão: 1302-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO Recorrentes R H CARDOSO E CIA. LTDA E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo descumprimento do prazo para o proferimento de decisão administrativa, pela administração tributária, tampouco, estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados. NULIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO APÓS ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. ADE PENDENTE DE JULGAMENTO. INOCORRÊNCIA. A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Súmula CARF nº 14) OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO COM BASE NAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS E LIVROS FISCAIS DO ICMS/ISS. VALIDADE. A simples emissão das notas fiscais e o seu registro nos livros fiscais do ICMS e ISS, nos quais se espelha o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica. Tratase de prova direta, de valor indiscutível. Sua desconstituição por parte da fiscalizada, dependeria da comprovação do cancelamento da operação ou da devolução total ou parcial das mercadorias ou da não aceitação dos serviços vendidos pelos clientes. OMISSÃO DE RECEITAS. RECONHECIMENTO. REGIME DE COMPETÊNCIA X REGIME DE CAIXA. A regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, incumbindo ao sujeito passivo que optou pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 23 18 /2 00 8- 11 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 443 2 tributação pelo regime de caixa, nos casos permitidos pela legislação. Quando o contribuinte deixa de apresentar os livros onde deveriam estar escrituradas suas receitas, nem demonstra que foram oferecidas à tributação, correta a apuração efetuada pelo Fisco pelo regime de competência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. INTUITO DOLOSO CARACTERIZADO. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. O ato omissivo ou comissivo do agente nem sempre se exterioriza ou se identifica por uma única ação, mas por um conjunto delas que revela a prática e o intuito de suprimir ou de reduzir tributo. Há que se diferenciar a possibilidade de ocorrência de mero erro fortuito do erro intencional. Este último se exterioriza pelas características, pelas circunstâncias e/ou pela prática reiterada. Em geral, o cuidado em tentar ocultar o erro ou a omissão, é revelador do intuito doloso. Incumbe ao Fisco trazer aos autos os elementos que possam demonstrálo. No caso concreto, os elementos trazidos aos autos pela autoridade fiscal convergem no sentido de caracterizar o intuito sonegatório da contribuinte, ante a reiterada prática de oferecer à tributação em suas declarações de rendimentos valores significativamente inferiores às receitas efetivamente auferidas. DECADÊNCIA. PRAZO APLICÁVEL. INTUITO DOLOSO. Comprovada a existência do intuito doloso de sonegar tributos, ainda que existente pagamento parcial, o prazo decadencial é deslocado para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN, conforme assentada pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. INAPLICABILIDADE. Não tendo ocorrido o trânsito em julgado do RE º 574.706, que reconhece a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins, uma vez pendente de apreciação o pedido de modulação de efeitos elaborado peal União Federal, ainda não se tornou definitiva aquela decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelandose inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO COMPROVADO. EXCLUSÃO. Não tendo a fiscalização aportado ao autos elementos que pudessem comprovar a ocorrência de interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, que justificariam o enquadramento no art. 124, inc. I do CTN, a imputação de responsabilidade deve ser cancelada. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 444 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 445 4 Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão nº 0228.747 da 4ª turma da DRT/BHE, proferido em 23 de setembro de 2010, que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas pelo contribuinte e responsável solidário arrolado, em face das exigências de tributos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, do ano calendário 2004, objeto deste processo; da exclusão do Simples a partir do anocalendário 2005, objeto do Processo Administrativo nº 15504.022315/200870, e da exigência de tributos apurados com base em arbitramento de lucros, relativos ao anocalendário 2005, objeto do PA nº 15504.011137/201076, os dois últimos objeto de apensação a estes autos. A decisão proferida está sintetizada na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência considerado prescindível. NULIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal federal, existem apenas duas hipóteses de nulidade: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. É legítima a lavratura de auto de infração para exigência dos tributos e contribuições apurados a partir das receitas de venda e serviços escrituradas nos livros de apuração do ICMS e ISS, mas omitidas na declaração do Simples, mormente quando as notas fiscais emitidas comprovam o efetivo auferimento da receita. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 446 5 BASE DE CÁLCULO DO SIMPLES. COMPOSIÇÃO. ISS. ICMS. O ISS e o ICMS incidentes sobre vendas e serviços compõem a base de cálculo do Simples. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, aplicase multa de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica, na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). A exclusão, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica, darseá de ofício e surtirá efeitos a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Cancelase o termo de sujeição passiva solidária quando não comprovada, de forma inequívoca, a interposição fraudulenta que motivou sua lavratura. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LANÇAMENTO DECORRENTE DE EXCLUSÃO NÃO DEFINITIVA DO SIMPLES. Declarada a exclusão do Simples, nada impede a imediata lavratura de auto de infração para exigência do crédito tributário devido, ainda que não decidido o recurso administrativo interposto contra o ato de exclusão. OMISSÃO DE RECEITAS. É legítima a lavratura de auto de infração para exigência dos tributos e contribuições, não declarados nem pagos, apurados a partir das receitas de venda e serviços escrituradas nos livros de apuração do ICMS e ISS, mormente quando as notas fiscais emitidas comprovam o efetivo auferimento da receita. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 447 6 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, será aplicada multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. DEDUÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES PAGOS NA FORMA DO SIMPLES. Na hipótese de exclusão de ofício do Simples, da exigência apurada mediante a forma de tributação adotada pela fiscalização serão deduzidos os valores dos impostos e contribuições pagos na forma do Simples, observados os respectivos percentuais indicados no art. 23 da Lei nº 9.317, de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Por bem retratar os fatos ocorridos no processo até o julgamento da impugnação, transcrevo os principais pontos do relatório da decisão recorrida, verbis: Tratase dos seguintes processos, juntados em 07/07/2010 (fls. 334), que serão adiante relatados separadamente: 1) nº 15504.022318/200811, de exigência de crédito tributário sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004; 2) nº 15504.022315/200870, de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005; 3) nº 15504.011137/201076, de exigência de crédito tributário sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. Registrese que a Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, dispõe, em seu art. 1º, III, que serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente. E, em seu art. 3º, determina que os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Processo nº 15504.022318/200811 Os autos de infração objeto deste processo, lavrados em 19/12/2008, formalizam, em relação à interessada, a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 1.898.854,09, conforme demonstrativo que se segue: [...] Fl. 447DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 448 7 Do termo de verificação lavrado pela autoridade lançadora às fls. 69/71, consta, em resumo, que: I) Em procedimento de fiscalização iniciado em 12/08/2008, a interessada foi intimada a apresentar uma série de documentos e livros fiscais. A intimação foi atendida apenas parcialmente. Não foram entregues os livros Diário, Razão, Lalur e Caixa, este último obrigatório para optantes pelo Simples. II) Por meio de instrumento público, o sócio Valdenir Rocha de Paulo, transferiu todo o gerenciamento administrativo e comercial da empresa a Ronaldo Eustáquio Cardoso, CPF 518.310.90600, que foi de fato a pessoa que administrava e gerenciava a empresa e praticou os fatos relatados no termo de verificação. III) Relativamente aos anoscalendários de 2004 e 2005, a empresa apurou os impostos e contribuições na forma do Simples, apresentando as respectivas declarações anuais simplificadas. IV) A autoridade lançadora apurou – a partir do exame dos livros Registro de Apuração do ISS e Registro de Apuração do ICMS (fls. 82/95) e das notas fiscais emitidas (fls. 96/120) – que os valores das receitas mensais auferidas no ano calendário de 2004 (total de R$ 8.210.205,99) eram superiores aos informados na respectiva declaração do Simples de fls. 121/138 (total de R$ 116.433,36), conforme tabelas I, II e III de fls. 72/80. V) Questionado a respeito das divergências, o preposto e administrador da empresa, Ronaldo Eustáquio Cardoso, alegou apenas que os livros poderiam ter sido escriturados com alguns erros, pois determinadas vendas apontadas nos livros não se realizaram de fato, tendo a mercadoria retornado para ser direcionada a outro estabelecimento da empresa compradora, sem a devida emissão da nota fiscal de devolução de venda. No entanto, ele não apresentou documentação hábil e idônea para comprovar suas alegações. A ação fiscal foi encerrada parcialmente, tendo sido objeto de lançamento os valores dos impostos e contribuições que deixaram de ser recolhidos na forma do Simples relativamente ao anocalendário de 2004, acrescidos de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Também foi lançada a multa de que trata o art. 21 da Lei nº 9.317, de 1996, relativa à falta de comunicação obrigatória da exclusão do Simples, por auferimento de receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 no anocalendário de 2004. Para fins de exclusão da interessada do Simples a partir do anocalendário de 2005, a autoridade lançadora formalizou a representação fiscal objeto do processo administrativo de nº 15504.022315/200870 (fls. 152). Notificada do lançamento, por intimação pessoal, em 26/12/2008 (sexta feira), a interessada, em 27/01/2009, apresentou impugnação às fls. 157/179, instruída com os documentos de fls. 180/331. Às fls. 149 e 154, constam instrumentos de procuração. Suscita, em resumo, as seguintes razões de defesa: a) Como a autuação se baseia em causa de exclusão da pessoa jurídica do Simples, deveria ter sido precedida (no mínimo acompanhada) do respectivo ato declaratório executivo e, não o tendo sido, incorre em nulidade, nos termos da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. b) A autuação é inválida por ter havido deslocamento ilegal do ônus da prova. Consta do termo de verificação que o administrador da impugnante “não apresentou Fl. 448DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 449 8 nenhuma documentação hábil e idônea para comprovar suas alegações”. O fisco atribuiu à impugnante o dever de comprovar a inexistência de receitas, enquanto cabia a ele comprovar sua efetiva existência. Ainda que se admitisse o deslocamento do ônus da prova, deveria ser este expressamente previsto na legislação relativa ao Simples. Inexistindo tal previsão, impossível ao fisco fazêlo. c) A autuação é inválida por não ter sido comprovada a receita efetivamente auferida. As informações contidas nos livros Registro de Apuração do ISS e Registro de Apuração do ICMS não fazem prova de auferimento de receita, mas apenas fazem prova da realização das operações que constituem o fato gerador daqueles impostos, quais sejam, a saída de mercadorias e a prestação de serviços. Pode muito bem acontecer de uma mercadoria ser vendida ou um serviço ser prestado, e o cliente não realizar o respectivo pagamento ao vendedor/prestador. A formalização da ocorrência dos fatos geradores do ICMS e do ISSQN consiste em meros indícios de receita auferida, demandando a colheita de provas cabais por parte da fiscalização, o que não ocorreu no presente caso. As provas poderiam ter sido feitas pela demonstração de sinais exteriores de riqueza, ou seja, como a suposta receita foi utilizada pela impugnante em suas atividades. d) A autuação é inválida por ter sido utilizada prova emprestada, contrariando o art. 199 do CTN. O primeiro vício consiste na falta de lei ou convênio possibilitando o uso, pelo fisco federal, de informações próprias de impostos estaduais e municipais para efetuar lançamento do Simples. Além disso, não pode o fisco reportarse à prova emprestada como único meio de convencimento. A fiscalização não se ocupou em reunir outros elementos que comprovassem a receita. Os livros de ICMS e ISS podem conter irregularidades a serem corrigidas pela fiscalização estadual e municipal, o que poderia inclusive beneficiar o contribuinte. Não se tributa a escrituração, e sim o fato gerador efetivamente ocorrido na realidade. É ilegal o lançamento fundado em prova emprestada e despida de certeza. e) Sucessivamente, caso admitida a exclusão do Simples, a autuação é inválida, dada a impossibilidade de utilização da receita bruta como base de cálculo da contribuição para a seguridade social (INSS). A receita bruta é elemento totalmente estranho à apuração dessa contribuição, que tem como base a folha de pagamentos. A tomada da receita bruta como base de cálculo da contribuição é excessiva, verdadeira pena contra a impugnante. O tributo não pode consistir em sanção de ato ilícito, com ofensa ao conceito de tributo posto no art. 3º do CTN. E a Constituição Federal veda a utilização de tributo com efeito de confisco. No mínimo, e sucessivamente, deve o crédito tributário ser reduzido pela utilização da base de cálculo prevista no art. 22, I, da Lei 8.212, de 1991. f) Ainda sucessivamente, devem ser excluídos da base de cálculo do Simples, consistente na receita, os valores destacados nas notas fiscais da impugnante relativamente ao ICMS, pois não constituem receita da impugnante, mas sim do Estado de Minas Gerais. g) Em último caso, devese, no mínimo, reduzir a multa de 75%, já que confiscatória, contrariando totalmente o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, nos termos de farta jurisprudência pátria. Requer perícia, formulando os seguintes quesitos: 1) Qual o valor das remunerações pagas pela Impugnante em remuneração a trabalhos e serviços a ela prestados no ano de 2004?; 2) Considerando a resposta supra, qual seria o valor devido a título de contribuição para a seguridade social nos termos do art. 22, inciso I, da Lei 8.212/91?; e 3) Quais são os valores do ICMS destacados nas notas fiscais emitidas pela Impugnante no ano de 2004?. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 450 9 Processo nº 15504.022315/200870 Tendo em vista o despacho decisório do Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte de fls. 20/23 – que acolheu a representação formalizada, conforme já relatado, pela autoridade lançadora (fls. 01) –, a Delegada da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 52/2009, de 31/03/2009 (fls. 24), declarou a exclusão da interessada do Simples, por incorrer em situação de vedação, ao auferir, no anocalendário de 2004, receita bruta anual superior ao limite permitido, nos termos do art. 9º, II, da Lei nº 9.317, de 1996. Declarou ainda que a exclusão surtiria efeitos a partir de 01/01/2005, nos termos do art. 14, I, e art. 15, IV e §3º, da Lei nº 9.317, de 1996. A ciência do ADE deuse, por via postal, em 07/04/2009, conforme aviso de recebimento de fls. 24 – verso. Em 07/05/2009, a interessada apresentou a impugnação de fls. 25/42, instruída com os documentos de fls. 43/60, suscitando, em resumo, as seguintes razões de defesa: a) O ADE é inválido por não ter sido comprovada a receita efetivamente auferida e por ter sido utilizada prova emprestada despida de certeza, contrariamente ao princípio da legalidade tributária e ao disposto nos arts. 142 e 199 do CTN. b) O ADE é inválido também por não ter sido apurada de forma correta a receita, incluindose nela valores que não foram auferidos pela interessada, notadamente os valores destacados nas notas fiscais relativamente ao ICMS e ISS. Processo nº 15504.011137/201076 Os autos de infração objeto desse processo, lavrados em 24/06/2010, formalizam, em relação à interessada, a exigência de crédito tributário no valor total de R$ 2.882.831,23, conforme demonstrativo que se segue: Tais lançamentos resultaram do mesmo procedimento fiscal que havia sido encerrado parcialmente em relação ao anocalendário de 2004, e que, após a exclusão de ofício da interessada do Simples a partir de 01/01/2005 (fls. 61), teve continuidade em relação ao anocalendário de 2005. Consta do termo de verificação de fls. 37/41, em resumo, que: I) Novamente a interessada foi pessoalmente intimada a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais do anocalendário de 2005, bem como a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desse ano, com a apuração dos impostos e contribuições pelo lucro real (fls. 54). Como aconteceu em relação à apuração dos impostos e contribuições de 2004, não foram entregues os livros Diário, Razão e Lalur, tampouco o livro Caixa. Foram entregues apenas os livros Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Apuração do ICMS, bem como notas fiscais de vendas de serviços e mercadorias. II) A autoridade lançadora elaborou as tabelas I e II (fls. 42/49), relacionando todas as notas fiscais de vendas de serviços e de mercadorias e as respectivas receitas de vendas, bem como as devoluções/cancelamentos de vendas. Todas as notas fiscais relacionadas foram escrituradas no livro Registro de Saídas nº 6 e serviram de base para a apuração do ICMS devido no livro Registro de Apuração do ICMS nº 6 (fls. 84/87). A interessada foi novamente intimada, em 27/05/2010, a entregar os livros com a contabilização da receita auferida, bem como a se manifestar sobre as tabelas, mas não houve resposta (fls. 55). Fl. 450DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 451 10 III) Em virtude da não entrega dos livros Diário e Razão ou, opcionalmente, no caso de apuração pelo lucro presumido, do livro Caixa, a autoridade lançadora apurou os impostos e contribuições pelo lucro arbitrado, como previsto no art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. IV) Realizouse circularização, por amostragem, junto aos principais clientes apontados nas notas fiscais, que confirmaram os respectivos pagamentos, juntando a documentação comprobatória que deu origem ao Anexo I. A amostragem representou um total de 117 notas fiscais no valor de R$ 5.817.342,76, correspondendo a 14,9% do total das notas fiscais e 43,3% do valor das operações, e está sumarizada na tabela III (fls. 50). V) A tabela IV (fls. 51) demonstra a receita de venda de serviços e mercadorias apurada com base nas notas fiscais apresentadas, de cujo total (R$ 13.474.829,21), para fins de apuração dos impostos e contribuições, não deve ser descontada a parcela informada na declaração do Simples anteriormente apresentada (R$ 239.347,95), uma vez que a opção para o anocalendário de 2005 foi indevida. VI) A adoção pela interessada, durante os 24 meses do período fiscalizado (anoscalendários de 2004 e 2005), da prática dolosa, usual, frequente e rotineira da não apuração e do não pagamento dos impostos e contribuições devidos em seus valores integrais, mediante a informação na declaração do Simples de receitas em montantes significativamente inferiores àqueles escriturados nos livros Registro de Apuração do ICMS, sem uma justificativa plausível, bem como a constituição da empresa de forma fraudulenta em nome de “laranja” para resguardar a pessoa que era seu sócioproprietário de fato ensejam a qualificação da multa de ofício. Em 29/06/2010, Ronaldo Eustáquio Cardoso teve ciência pessoal dos autos de infração, bem como do termo de sujeição passiva solidária de fls. 56/57, que lhe atribui responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN, pelo crédito tributário objeto dos processos de ns. 15504.022318/200811 e 15504.011137/2010 76, uma vez que “a empresa fiscalizada, embora registrada no nome de Valdenir Rocha de Paulo, CPF 046.237.55606, era administrada e gerenciada por Ronaldo Eustáquio Cardoso, seu verdadeiro dono, e que dela se utilizava e se beneficiava de seus resultados”. Em 26/07/2010, a interessada apresentou as impugnações de fls. 101/129, 222/247, 290/318 e 415/437, instruídas, respectivamente, com os documentos de fls. 130/219, 248/289, 319/412 e 438/479. Nessa mesma data, Ronaldo Eustáquio Cardoso apresentou contra o termo de sujeição passiva solidária a impugnação de fls. 480/491, instruída com os documentos de fls. 492/528. A seguir, são resumidas e consolidadas as razões de defesa suscitadas nas referidas peças impugnatórias, todas subscritas pelo mesmo advogado: a) Os lançamentos são nulos por ausência de certeza quanto à exclusão do Simples para o ano de 2005. Apenas com o final do processo administrativo nº 15504.022315/200870, em caso de rejeição da impugnação e recursos apresentados pela impugnante, é que se terá um ato de exclusão provido de relativa certeza. b) Não houve prova, pelo fisco, do auferimento das receitas utilizadas para o lançamento dos tributos. As informações contidas nos livros destinados à fiscalização do ISSQN e do ICMS não fazem prova do auferimento de receita, apenas fazem prova da realização das operações que constituem o fato gerador daqueles tributos, quais sejam, a saída de mercadorias e a prestação de serviços. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 452 11 c) O fisco federal só poderia ter acesso a tais informações com autorização de lei ou convênio, nos termos do art. 199 do CTN. A utilização desses livros constitui uso de prova emprestada. Não pode o fisco reportarse à prova emprestada como único meio de convencimento, como ocorreu no presente caso, pois a fiscalização não se ocupou em reunir outros elementos que comprovassem a receita, tais como os sinais exteriores de uso dessa receita. Os livros de ICMS e ISS podem conter irregularidades a serem corrigidas pela fiscalização estadual e municipal, carecendo assim da certeza necessária a se comprovar o auferimento das receitas. d) Não pode o fisco inverter o ônus da prova para o contribuinte, o que faz ao alegar que não houve manifestação da empresa quando intimada a confirmar as operações indicadas nas notas fiscais, bem como a informar se a receita de alguma daquelas operações não tenha sido de fato recebida. Também não se pode exigir do contribuinte prova negativa. e) Qual o motivo que permite que se presuma que todas as operações foram realizadas, a partir da confirmação de apenas 14,9% delas? A quais critérios estatísticos se refere a fiscalização? Nenhum, pois não foram demonstrados. Estáse diante de uma presunção simples, sem previsão na legislação, que não pode validamente suportar o lançamento, em razão do princípio da legalidade. f) O § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que alargou a base de cálculo do PIS e da Cofins para alcançar a receita bruta, foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, pois o texto constitucional mencionava somente faturamento e não totalidade das receitas. A Emenda Constitucional nº 20, de 1998, alterou o art. 195 para fazer nele constar a possibilidade de tributação da receita. Com base nessa alteração, foram editadas a Lei nº 10.637, de 2002 (PIS), e a Lei nº 10.833, de 2003 (Cofins), trazendo novamente a previsão da receita bruta como base de cálculo das contribuições. Entretanto, o regime dessas leis não se aplica à impugnante, uma vez que elas são expressas na exclusão das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro arbitrado. Na hipótese de prevalecer o desenquadramento do Simples, a única base de cálculo válida para a exigência do PIS e da Cofins é o faturamento. g) Apenas podem ser validamente tributadas as receitas que comprovadamente ingressaram no patrimônio da impugnante de forma definitiva, acrescendolhe a expressão de forma positiva. Como apenas 43,3% dos valores foram confirmados e provados, apenas esse percentual pode validamente compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Da mesma forma, deve sofrer redução de 56,7% a receita considerada para fins de arbitramento do lucro tributável (IRPJ e CSLL). h) Há ilegalidade na aplicação da multa qualificada de 150%. A divergência entre as declarações do contribuinte e os valores escriturados no livro de Registro de Apuração de ICMS sequer configuram omissão de receita. Ainda que se entenda que a situação configura uma omissão de receita, a divergência apurada demonstra tão somente uma falta de recolhimento, um inadimplemento da obrigação tributária, que não justificam a multa qualificada. É o que se vê da Súmula nº 14 aprovada pelo Pleno do Primeiro Conselho de Contribuintes na sessão de 20.06.2006. Além disso, a maior parte das receitas supostamente omitidas não foram objeto de comprovação cabal. A exasperação da multa só tem sentido nos casos de documentos ideologicamente falsos, materialmente falsos ou adulterados. i) Inexiste constituição da empresa de forma fraudulenta em nome de laranja, o que afasta a multa qualificada de 150%. Não houve nenhuma fraude na conduta do Sr. Valdenir em outorgar a procuração, como autoriza o contrato social da empresa, e nem do Sr. Ronaldo em recebêla e exercer os poderes ali conferidos. Tanto o meio Fl. 452DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 453 12 quanto a finalidade são lícitos. Segue em anexo declaração do próprio Sr. Valdenir, no qual o mesmo reafirma sua qualidade de sócio e justifica a nomeação do Sr. Ronaldo como procurador e administrador da sociedade (doc. 03), bem como a DIRPF do Sr. Valdenir, no qual resta declarado seu vínculo com a sociedade (doc. 04). A procuração foi outorgada por instrumento público. Não há nenhuma simulação, nenhum ato encoberto, nenhum laranja. A procuração outorgada afasta toda e qualquer alegação de que os atos praticados objetivaram afastar ou transferir a suposta responsabilidade tributária para prejudicar os interesses da Fazenda Pública, uma vez que o Sr. Ronaldo passou a ter poderes de gerência, possibilitando sua responsabilização, no caso de ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. j) Não há dever legal de que o sócio esteja presente no estabelecimento da empresa. Os supostos questionamentos a outros funcionários não podem ser utilizados como provas, pois não há indícios seguros de que tenham sido efetivamente realizados. Nenhum desses questionamentos foi reduzido por escrito, a fiscalização não identificou quem seriam esses funcionários e nem qual a posição que ocupam na empresa. Não há termo de intimação apontando em qual dos incisos do art. 197 do CTN estaria enquadrado o dever de tais funcionários prestar informações. h) O crédito tributário referente aos períodos de janeiro a junho de 2005 já se encontrava extinto pela decadência quando da notificação do lançamento aqui combatido, pois esta se deu apenas em 24/06/2010, uma vez que houve pagamento antecipado a menor (doc. 05 – fls. 146/170), sem dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Do processo nº 15504.022318/200811, verificase que, diante da mesma situação de fato, a fiscalização limitouse a lançar o valor do Simples com a multa de ofício de 75%. Ora, por que agora, diante dos mesmos elementos, conclui a fiscalização pela existência de fraude, aplicando a multa qualificada? A resposta é evidente: tenta a fiscalização deslocar o prazo decadencial para a regra do art. 173, I, do CTN e furtarse da incidência do art. 150, § 4º, do CTN. j) Os valores recolhidos no ano de 2005 pelo regime do Simples devem ser deduzidos do lançamento na proporção do art. 23 da Lei n° 9.317, de 1996, sob pena de duplicidade de exigência, intolerável bis in idem e ofensa direta à letra expressa do art. 150, §§ 2º e 3º, do CTN (doc. 05 – fls. 146/170). k) O valor de ICMS e de ISSQN destacados nas notas fiscais não podem integrar a base de cálculo do PIS nem a da Cofins, por constituírem receitas de terceiros (do Estado e Município), que não podem ser equiparadas a receita própria que ingressa de forma positiva e efetiva no patrimônio do contribuinte (doc. 06 – fls. 171/219). l) A responsabilização solidária do Sr. Ronaldo Eustáquio, com fundamento no art. 124 do CTN, é nula por ausência de motivação e equívoco no fundamento legal da responsabilidade. A responsabilidade tributária deve se fundar em uma das situações previstas nos arts. 128 a 135 do CTN, e apenas sua graduação em solidária é regulada pelo art. 124 do CTN. Ainda que se admitisse que a responsabilidade poderia se fundar exclusivamente no art. 124 do CTN, a imputação de solidariedade pretendida é nula por falta de motivação. A fiscalização não descreveu em nenhum momento onde residiria o interesse comum dos envolvidos na situação que configura o fato gerador dos tributos exigidos, nem apontou nenhum dispositivo de lei que designasse expressamente a responsabilidade pretendida. A responsabilidade do administrador depende da existência e prova, pela Fazenda Pública, de uma das Fl. 453DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 454 13 situações previstas no art. 135 do CTN. Nos termos da Súmula 430 do STJ, o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Demonstrado que a qualidade de sócio do Sr. Valdenir e de procurador do Sr. Ronaldo não implicam nenhuma fraude ou simulação, nenhuma acusação há no presente processo administrativo que não o inadimplemento da obrigação tributária pela não exclusão do Simples. Logo, não há prova de que o Sr. Ronaldo tenha agido culposamente no cometimento de alguma das condutas do art. 135 do CTN, motivo pelo qual é inválida a sua responsabilização. m) O termo de sujeição passiva solidária tem natureza de lançamento, sendo cabível impugnação nos termos do art. 145, I, do CTN. O ano de 2004 já foi objeto de lançamento em processo anterior, no qual se identificou como sujeito passivo apenas a empresa contribuinte, de sorte que adicionar àquele lançamento um novo sujeito passivo, qual seja o Sr. Ronaldo, implica alterar o lançamento fora das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Ademais, como a ciência desse termo se deu apenas em junho de 2010, o crédito tributário constituído contra o Sr. Ronaldo referente ao período de 2004 já estava totalmente extinto pela decadência, nos termos do art. 156, V, do CTN. A interessada requer perícia, formulando os seguintes quesitos: 1) Considerando apenas a receita bruta cujo efetivo recebimento foi comprovado pela fiscalização mediante informações colhidas junto aos clientes da impugnante, qual seria a expressão da base de cálculo da Cofins (e PIS/IRPJ/CSLL) aqui lançada?; 2) Qual o valor do ICMS e do ISSQN destacado nas notas fiscais utilizadas na apuração da base de cálculo da Cofins (e PIS)?; e 3) Já considerando a receita apurada na resposta ao quesito nº 1, poderia o sr. perito informar qual seria a base de cálculo da Cofins (e PIS) com a exclusão dos valores de ICMS e ISSQN apurados na resposta ao quesito nº 2?. Em síntese o colegiado da DRJ/BHE decidiu, verbis: a) Relativamente ao processo de nº 15504.022318/200811, julgar improcedente a impugnação, para indeferir o pedido de realização de perícia, rejeitar as arguições de nulidade e manter integralmente o crédito tributário exigido. b) Relativamente ao processo de nº 15504.022315/200870, julgar improcedente a impugnação, para rejeitar as arguições de nulidade e manter o ato de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005. c) Relativamente ao processo de nº 15504.011137/201076, julgar parcialmente procedentes as impugnações para: c.1) indeferir o pedido de realização de perícia e rejeitar as arguições de nulidade; c.2) cancelar o termo de sujeição passiva solidária lavrado em nome de Ronaldo Eustáquio Cardoso; c.3) manter os percentuais da multa de ofício e o cálculo dos juros tal como foram lançados; c.4) manter parcialmente a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, reduzindo os seus valores nos termos indicados na conclusão do voto do relator. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 455 14 Em face da exclusão da responsabilidade do responsável solidário arrolado, a DRJ/BHE interpôs recurso de ofício. Cientificado em 05/01/2011 (AR, fls. 403), a contribuinte principal apresentou recurso voluntário em 31/01/2011, no qual repete as razões de impugnação e refuta as conclusões da decisão de primeiro grau, alegando em síntese: a) a decadência do direito de confirmar o auto de infração do SIMPLES (Processo 15504022318/200811) e o ADE 052/2009 (Processo 15504.022315I200870) e a conseqüente invalidade do Processo 15504.011137I201076, tendo em vista que as impugnações referente aos dois primeiros processos foram apresentadas em 27/01/2009 e 07/05/2009, respectivamente e só foram apreciadas em 23/09/2010, quando foi proferido o acórdão recorrido; b) que, de acordo com o disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/07, o Fisco dispunha do prazo de 360 dias para proferir a decisão confirmando o lançamento relativo ao ano de 2004 e a consequente exclusão do Simples; c) que a referida lei estabelece um prazo para que a Fazenda Pública se pronuncie sobre a pretensão do contribuinte de ver anulado o ato administrativo e que o silêncio da Administração Pública consistente na nãoapreciação da impugnação no prazo acarreta o atendimento ao pleito do contribuinte, conforme doutrina de Hugo de Brito Machado e Celso Antonio Bandeira de Melo, que cita; d) que tendo expirado o prazo de 360 dias sem que tenha sido proferida nenhuma decisão no Processo 15504022318/200811, está decaído o direito da Fazenda Pública de confirmar o auto de infração do SIMPLES, extinguindose o crédito tributário; e) e que, como também se perdeu o prazo para confirmar a exclusão do SIMPLES, operada pelo ADE 052/2009 (Processo 15504.022315/200870), deve ser anulado também os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados no Processo 15504011137/201076. f) Que é nulo o auto de infração lavrado no Processo 15504.022318/200811 por ausência de prévio Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES, pois se os tributos são exigidos na suposta receita auferida e não declarada, e se este fato enseja a exclusão do SIMPLES, a certeza necessária a sua formalização passa pela prévia edição do ato declaratório. g) Que são nulos dos autos de infração lavrados nos Processos 15504.022318/200811 e 15504.011137/201076 em razão da ausência de pronunciamento definitivo sobre o ato declaratório. h) Que são inválidos os autos de infração e o ADE por ausência de prova quanto à receita auferida, sendo insuficiente a mera emissão da nota fiscal ou o registro nos livros de apuração de ICMS e ISSQN, incumbindo ao Fisco demonstrar a sua efetiva entrada dos recursos na pessoa jurídica; i) que pode ocorrer de uma mercadoria ser vendida, ou um serviço ser prestado, e o cliente não realizar respectivo o pagamento ao vendedor/prestador e, embora a operação seja registrada nos livros, a receita não será auferida por inadimplência do comprador ou tomador; Fl. 455DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 456 15 j) que não se admite a utilização de prova emprestada do Fisco Estadual, sendo esta somente possível mediante lei ou convênio possibilitando seu uso; k) que admitir que as notas fiscais sirvam como prova do auferimento da receita é inverter o ônus da prova ao contribuinte, exigindolhe prova negativa o que é rechaçado pela doutrina e jurisprudência que cita; l) que, em consequência de não ter havido prova cabal da receita auferida, deve ser declarada a: a) Processo 15504.022315/200870: invalidade do ADE 052/2009, pois fundamenta a exclusão no auferimento de receita em montante superior ao limite para manutenção no SIMPLES, o que automaticamente leva à invalidade dos autos de infração lavrados nos outros dois processos, pois decorrem da referida exclusão; b) Processo 15504022318/200811: invalidade do auto de infração de SIMPLES, pois não comprovada a receita auferida que serviu de base de cálculo da autuação; c) Processo 15504011137/201076: necessidade de redução do crédito tributário, para considerar como receita para fins de composição da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas 43,3% do total utilizado no lançamento, pois apenas essa porcentagem foi comprovada como receita efetivamente auferida. m) que é incabível a aplicação da multa qualificada, pois não restou comprovado o intuito doloso e que a acusação de prática reiterada não o caracteriza e que foi afastada pelo acórdão recorrido a acusação de interposição de pessoa no quadro social da recorrente; n) que não houve sonegação, pois ausente o intuito de impedir o conhecimento do Fisco, mas mero erro, uma vez que todas as operações foram registradas nos documentos fiscais relativos ao ICMS e ISSQN, incidindo no disposto na Súmula nº 14 do 1ºCC. o) Que afastandose a multa qualificada por ausência de dolo, há que ser reconhecida a decadência parcial do lançamento relativo ao anocalendário 2005, pela aplicação do disposto no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve o pagamento antecipado dos tributos lançados por meio do sistema Simples. p) Que o ICMS e o ISS não podem integrar a base de cálculo do Simples, PIS e Cofins, por constituírem receitas de terceiros (do Estado e Municipio), que não pode ser equiparada a receita própria que ingressa de forma positiva e efetiva no patrimônio do contribuinte, conforme doutrina e jurisprudência que cita. Ao final, requer que seja dado provimento ao recurso voluntário, para: a) reformar o acórdão para invalidar os lançamentos e o ADE 052/2009, pelos fundamentos acima expostos; b) subsidiariamente determinar a redução do crédito tributário no Processo 15504.011137/201076 de forma a considerar como receita auferida para fins da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas os 43,3% efetivamente comprovados; Fl. 456DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 457 16 c) ainda subsidiariamente, para excluir o ICMS e o lSSQn da base de cálculo do SIMPLES, PIS e COFINS nos Processos 15504.022315/200870 e 15504011137/201076. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 458 17 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Tratase de recurso voluntário e de ofício a serem apreciados. Recurso Voluntário O recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo principal é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. 1. Das alegações preliminares A recorrente suscita diversas preliminares que se acolhidas invalidariam o lançamento. Inicialmente, alega a decadência do direito de confirmar o auto de infração do SIMPLES (Processo 15504022318/200811) e o ADE 052/2009 (Processo 15504.022315I200870) e a conseqüente invalidade do Processo 15504.011137I201076, tendo em vista que as impugnações referente aos dois primeiros processos foram apresentadas em 27/01/2009 e 07/05/2009, respectivamente e só foram apreciadas em 23/09/2010, quando foi proferido o acórdão recorrido. Suscita a aplicação do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, sustentando o entendimento de que tal norma fixa um prazo para a administração se pronunciar sobre sua impugnação, findo o qual, sem manifestação, decairia o direito da Fazenda Pública de confirmar o lançamento. O referido dispositivo da Lei nº 11.457/2007, assim dispõe: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. A referida regra, conquanto estabeleça um prazo para o proferimento de decisões administrativas, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo seu descumprimento pela administração tributária, muito menos estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados. Verificase que o Poder Judiciário tem extraído alguns efeitos concretos da referida norma nos casos em que os pedidos de restituição/ressarcimento apresentados pelo sujeito passivo não tenham sido apreciados no prazo de 360 dias de seu protocolo, determinando a aplicação de correção monetária sobre créditos escriturais do contribuinte a partir desta data. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 459 18 É o que se constata na jurisprudência do STJ, verbis: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 460 19 § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Recurso Especial Nº 1.138.206 RS Rel. Ministro Luiz Fux 09/08/2010) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APROVEITAMENTO OBSTACULIZADO PELO FISCO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC/73, firmou entendimento no sentido de que o crédito presumido de IPI enseja correção monetária quando o gozo do creditamento é obstaculizado pelo fisco. 2. Nos termos do art. 24 da Lei nº 11.457/07, a administração deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os Fl. 460DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 461 20 pedidos de ressarcimento, conforme sedimentado no julgamento do Resp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73; sendo que "a correção monetária de ressarcimento de créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo" (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015). Precedentes: AgInt no Resp 1581330/SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, Dje 21/8/2017; AgInt no REsp 1585275/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/10/2016, DJe 14/10/2016. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1194811 / RS Relator Ministro Sergio Kukina 20/02/2018) TRIBUTÁRIO. IPI. PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. 1. Nos termos do art. 24 da Lei nº 11.457/07, a Administração deve observar o prazo de 360 dias para decidir os pedidos de ressarcimento, conforme sedimentado no julgamento do Resp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73. 2. A correção monetária de ressarcimento dos créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo de ressarcimento. Precedentes: ERESP 1.461.607/SC, Primeira Seção, Rel. para o acórdão Min. Sérgio Kukina, julgado em 22/2/2018, pendente de publicação; AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015; AgInt no ARESP 1.194.811/RS. Primeira Turma. Rel. Min. Sérgio Kukina. DJe 2/4/2018; AgInt no ARESP 1.659.494/RS. Primeira Turma. Rel. Min. Sérgio Kukina. DJe 27/3/2018; AgInt no REsp 1.581.33 0/SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 21/8/2017; AgInt no REsp 1.585.275/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/10/2016, DJe 14/10/2016. 3. Agravo interno provido para negar provimento ao recurso especial. (AgInt no REsp 1229108 / SC Ministro Benedito Gonçalves 17/04/2018) Não há, pois, como extrair da norma em debate os efeitos postulados pela recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar esta alegação. A recorrente alega, na sequência, que é nulo o auto de infração lavrado no Processo 15504.022318/200811 por ausência de prévio Ato Declaratório de Exclusão do Simples, pois se os tributos são exigidos na suposta receita auferida e não declarada, e se este fato enseja a exclusão do Simples, a certeza necessária a sua formalização passa pela prévia edição do ato declaratório. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 462 21 Desta feita, a recorrente quer estabelecer um rito prévio, inexistente em lei, para o lançamento da omissão de receitas apuradas pelo regime do Simples, que consistiria na emissão e apreciação de um Ato Declaratório de Exclusão prévio ao lançamento das ditas receitas omitidas, que por sua vez ensejariam a própria exclusão. O silogismo da recorrente, além de carente de suporte na lei, não se sustenta na sua própria lógica, tendo o mesmo efeito do cão correndo atrás do próprio rabo, ou seja, por ele não se chega a lugar algum. No caso, o lançamento de omissão de receitas é o pressuposto para a emissão do ADE para exclusão do Simples, tendo em vista a constatação de excesso em relação ao limite de receitas auferidas para permanência no regime especial de apuração. Ante ao exposto, voto por rejeitar a alegação. A recorrente alega ainda que seriam nulos dos autos de infração lavrados nos Processos 15504.022318/200811 e 15504.011137/201076 em razão da ausência de pronunciamento definitivo sobre o ato declaratório discutido no PA nº. 15504.022315/200870. Como já salientado acima, o lançamento de omissão de receitas, do ano calendário 2004, constante do PA nº 15504.022318/200811 é quem deu suporte à emissão do ADE discutido no PA nº. 15504.022315/200870, não dependendo deste, portanto, para a realização do lançamento. Com relação ao lançamento efetuado com base em arbitramento de lucros do anocalendário 2005, este sim decorre do Ato Declaratório de Exclusão nº 52/2009. Não obstante a sua vinculação ao lançamento do anocalendário 2004, o lançamento dos tributos devidos em face da exclusão do regime do Simples, independem da decisão definitiva quanto ao ADE, nos termos da Súmula CARF nº 77, verbis5 Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Ante ao exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade dos lançamentos ora discutidos. A recorrente alega, ainda, a ocorrência de decadência parcial do lançamento com relação ao anocalendário 2010, ao pressuposto de que seria aplicável o disposto no art. 150, § 4ºdo CTN quanto ao prazo decadencial, uma vez ausente o intuito doloso de sonegar e a existência de pagamento antecipado pelo regime do Simples. Como tal análise depende da discussão quanto à multa qualificada aplicada pela autoridade fiscal, reservo para o final do voto a sua conclusão. 2. Do mérito No mérito, a recorrente alega que não são válidos os autos de infração e o ADE por ausência de prova quanto à receita auferida, sendo insuficiente a mera emissão da Fl. 462DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 463 22 nota fiscal ou o registro nos livros de apuração de ICMS e ISSQN, incumbindo ao Fisco demonstrar a efetiva entrada dos recursos na pessoa jurídica. Sustenta que pode ocorrer de uma mercadoria ser vendida, ou um serviço ser prestado, e o cliente não realizar respectivo o pagamento ao vendedor/prestador e, embora a operação seja registrada nos livros, a receita não será auferida por inadimplência do comprador ou tomador. Ressalta que não se admite a utilização de prova emprestada do Fisco Estadual, sendo esta somente possível mediante lei ou convênio possibilitando seu uso. Alega que admitir que as notas fiscais sirvam como prova do auferimento da receita é inverter o ônus da prova ao contribuinte, exigindolhe prova negativa o que é rechaçado pela doutrina e jurisprudência . O acórdão recorrido enfrentou bem estas questões, verbis: 1.2 – Omissão de receitas De acordo com a interessada, a autuação seria inválida por não ter sido comprovada a receita efetivamente auferida, por utilização de prova emprestada despida de certeza, por ausência de lei ou convênio nos termos do art. 199 do CTN e por deslocamento ilegal do ônus da prova. Não lhe assiste razão. Com efeito, as tabelas de fls. 72/79 identificam, uma a uma, as notas fiscais cujos valores compuseram o montante da receita apurada pela autoridade lançadora. Na “Tabela I – Notas fiscais de serviços e receitas de vendas de serviços” estão discriminados, relativamente a cada uma das notas fiscais de serviços, o número da nota, a data de emissão, a série, o cliente, e o valor total da nota. Estão ali identificadas, ainda, as notas canceladas, cujos valores foram desconsiderados na apuração do montante da receita. Na “Tabela II – Receitas de venda de bens e mercadorias” estão discriminados, relativamente a cada uma das notas fiscais, o número da nota, a data de emissão, o código fiscal de operação e prestações, o cliente, o valor total da nota e a situação (“venda” ou “devolução de venda” ou “venda de sucata” ou “venda para entrega futura”). Os valores das notas de devolução foram deduzidos do montante da receita apurada. Na “Tabela III – Receitas apuradas, declaradas e nãodeclaradas” são somados o valor da receita de venda de serviços (R$ 17.205,40 – tabela I) e o da receita de venda de mercadorias (R$ 8.193.000,59 – tabela II), obtendose o total da receita de vendas (R$ 8.210.205,99). Desse total é deduzido o valor da receita declarada (R$ 116.433,36), obtendose o da receita não declarada (R$ 8.093.772,63). Tais valores referemse todos ao total anual. E cópias das notas fiscais de valores mais expressivos foram anexadas às fls. 98/120. Assim, a receita auferida está, sim, efetivamente comprovada por meio das notas fiscais emitidas e apresentadas ao fisco pela própria interessada. Não se trata, pois, de prova emprestada, como se alega. Aliás, nem se tem notícia nestes autos de Fl. 463DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 464 23 que o fisco estadual ou o municipal tenham autuado a interessada por omissão de receitas, ou mesmo que tenham levado a efeito algum outro procedimento com base em tais provas. Nem há necessidade de lei ou convênio para que o fisco federal se utilize de informações constantes dos livros fiscais que lhe são apresentados pelo próprio contribuinte, ainda que tais livros sejam relativos à apuração do ICMS ou ISS. A lei ou o convênio a que se refere o art. 199 do CTN são instrumentos que regulam a forma em que os entes federativos prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, o que não ocorreu no caso. Confirase: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Quanto ao argumento de que uma mercadoria pode ser vendida ou um serviço ser prestado, e o cliente não realizar o respectivo pagamento, cabe ponderar que o art. 5º da Lei 9.317, de 1997, dispõe que o valor devido mensalmente pelo contribuinte inscrito no Simples será determinado mediante a aplicação dos percentuais ali previstos sobre a receita bruta mensal auferida, ou seja, basta que a receita tenha sido auferida, independentemente de recebimento: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: E não houve nenhum deslocamento do ônus da prova, ou mesmo exigência de prova negativa. Como visto, a autoridade lançadora, tendo em vista os dados constantes das notas fiscais e livros que lhe foram apresentados, apurou a receita auferida. Se as informações contidas em tais documentos não correspondem à realidade, incumbe à interessada tal comprovação. Nos termos do art. 226 da Lei nº 10.406, de 2002, tais livros fazem prova contra si, cabendolhe, se for o caso, ilidila pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. Penso que os fundamentos lançados no acórdão recorrido já são suficientes para refutar as alegações da recorrente. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 465 24 A se aduzir apenas que a regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, de modo que a simples emissão das notas fiscais, que espelham o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica. Tratase de prova direta, de valor indiscutível. Sua desconstituição por parte da fiscalizada, dependeria da comprovação do cancelamento da operação ou da devolução total ou parcial das mercadorias ou da não aceitação dos serviços vendidos pelos clientes. No tocante à validade da nota fiscal para fins de comprovação da receita, a legislação estadual regula sua emissão, mas no âmbito federal a sua emissão também é obrigatória, tanto que a legislação prevê que a falta de sua emissão ou sua emissão em desacordo com a legislação caracteriza omissão de receitas, conforme dispõe o art. 283 do RIR/1999, verbis: Art. 283. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação (Lei nº 8.846, de 1994, art. 2º). A questão relacionada ao efetivo recebimento só ganharia relevo se a empresa autuada, ora recorrente, tivesse optado pelo reconhecimento da receita pelo regime de caixa, o que é expressamente facultado pela IN. SRF. Nº 355/2003, verbis: Art. 4º Considerase receita bruta, para os fins de que trata esta Instrução Normativa, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. § 1º Ressalvado o disposto no caput, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, de que trata esta Instrução Normativa. § 2º Para fins de determinação da receita bruta auferida, poderá ser considerado o regime de competência ou de caixa, mantido o critério para todo o anocalendário. Ocorre que, no presente caso, a contribuinte, ora recorrente, sequer apresentou à fiscalização o livro caixa escriturado que pudesse demonstrar que optou pela tributação das receitas pelo regime de caixa nos anoscalendário 2004 e 2005. Aliás, também não trouxe aos autos quaisquer elementos no sentido de demonstrar que as receitas decorrentes das notas fiscais por ela emitidas não foram recebidas ou o foram em outro período de apuração e nem sequer demonstrou quais as receitas Fl. 465DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 466 25 efetivamente teria oferecido à tributação, o que o fez por valores muito inferiores à receita espelhadas nas notas fiscais emitidas e registrada em seus livros fiscais. Ante ao exposto, não há reparos ao procedimento fiscal no que tange à apuração das receitas efetivamente apuradas, tendo trazido aos autos todos os elementos necessários à sua identificação. Como já ressaltado, diante dos elementos coligidos pela fiscalização nos próprios livros e documentos fiscais da recorrente, caberia a esta trazer aos autos elementos capazes de desconstituílos. Não o tendo feito, suas alegações revelam mero inconformismo com a autação. Assim, deve ser mantida a atuação relativa ao anocalendário de 2004, objeto formalizado neste processo e, em consequência, configurado que o contribuinte auferiu receitas que ultrapassaram naquele ano o limite permitido para permanência no Simples, nos termos do art. 9º, inc. II da Lei nº 9.317/1996, também deve ser confirmado o ADE DRF/BHE nº 052/2009. de 31 de março de 2009, que determinou a exclusão do contribuinte do Simples a partir de 01/01/2005. Com relação à exigência relativa ao anocalendário 2005, a recorrente além de contestar o lançamento pelo lucro arbitrado realizado em face da sua exclusão do Simples, o que já foi devidamente apreciado, apresenta as mesmas razões de irresignação quanto à utilização, pela autoridade fiscal, das notas fiscais e de sua escrita fiscal para apuração da receita auferida a ser tributada. Tais alegações também já foram devidamente apreciadas e afastadas, de modo que seu pedido subsidiário no sentido de que seja determinada a redução do crédito tributário no Processo 15504.011137/201076, considerando como receita auferida para fins da base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apenas os 43,3%, cujos recebimentos foram efetivamente comprovados pela fiscalização, também não pode ser acatado. Como acima analisado, a regra geral para o reconhecimento das receitas pelas pessoas jurídicas é o regime de competência, de modo que a simples emissão das notas fiscais, que espelham o faturamento da empresa, é por si só um elemento seguro para identificar a receita da pessoa jurídica e, também com relação ao anocalendário 2005, o contribuinte não apresentou livro Caixa escriturado identificando quais receitas teriam sido oferecidas a tributação pelo regime de caixa. Além disso, como bem destacou a autoridade fiscal em seu TVF, no lucro arbitrado não existe a hipótese de tributação das receitas auferidas pelo regime de caixa. Conforme estabelecia a, então vigente, IN.SRF. nº 93/1997, em seu art. 41, § 2º o lucro arbitrado será determinado pelo período de competência. Desta feita, deve ser mantido o valor principal do lançamento dos tributos apurados com base no lucro arbitrado no anocalendário 2005. Pelo exposto, voto no sentido de manter integralmente o mérito das exigências dos anoscalendário 2004 e 2005, nos termos ajustados pelo acórdão recorrido, e pela manutenção do Ato Declaratório de Exclusão do Simples a partir de 01/01/2005. 4. Da multa qualificada Fl. 466DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 467 26 A recorrente alega que é incabível a aplicação da multa qualificada, pois não restou comprovado o intuito doloso e que a acusação de prática reiterada não o caracteriza e que foi afastada pelo acórdão recorrido a acusação de interposição de pessoa no quadro social da recorrente; Assevera que não houve sonegação, pois ausente o intuito de impedir o conhecimento do Fisco, mas mero erro, uma vez que todas as operações foram registradas nos documentos fiscais relativos ao ICMS e ISSQN, incidindo no disposto na Súmula nº 14 do 1ºCC. A multa qualificada somente foi aplicada com relação ao anocalendário 2005, tendo a autoridade fiscal assim justificado sua aplicação no Termo de Verificação Fiscal: 26. Destacamos que a conduta do contribuinte neste caso, comprovada no curso da ação fiscal, na qual, durante todos os 24 meses do periodo fiscalizado (AC 2004 e 2005), este adotou a prática dolosa usual fregüente e rotineira, da não apuração e do não pagamento dos impostos e contribuições devidos em seus valores integrais, mediante a declaração, na DIPJ Simplificada, de valores de receitas em montantes significativamente inferiores àqueles escriturados nos livros Registro de Apuração do ICMS, sem uma justificativa plausível, bem como a constituição da empresa de forma fraudulenta em nome de “laranja” para resguardar a pessoa que era seu sócioproprietário de fato ensejam a qualificação da multa de oficio como prevista no art. 44 l combinado com o parágrafo 1º da lei 9.430/96, com a redação dada pela lei 11.488/2007. O acórdão recorrido assim se pronunciou para manter a multa qualificada aplicada sobre as exigências do anocalendário 2005: A aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, relativamente aos fatos geradores ocorridos entre 01/01/1997 e 21/01/2007, estava prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, em sua redação original: [...] Por sua vez, os arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, dispõem que: [...] Conforme já exposto no item 3.1, não se comprovou a existência de interposição, um dos fundamentos para a qualifição (sic) da multa aplicada. Entretanto, estando caracterizada a omissão de receita (ver item 3.4), cumpre verificar se ficou efetivamente demonstrada a ocorrência de algum dos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, como asseverou a autoridade lançadora. Não há dúvida de que, no caso dos autos, não se trata de simples omissão de receita ou de declaração inexata, por erro de fato no preenchimento da declaração, ou com caráter isolado ou eventual. De fato, temse, na espécie, a prática reiterada de omitir receita, mês a mês, durante todo o período fiscalizado, tendo sido declarado, de forma sistemática, valores muito abaixo dos reais – em média, menos de 2% das receitas eram declaradas mensalmente, consoante a seguir demonstrado: Fl. 467DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 468 27 Anocalendário 2004 Receitas Apuradas (R$) Receitas Declaradas (R$) Percentual Declarado Janeiro 677.272,20 9.618,28 1,42% Fevereiro 339.903,04 8.972,80 2,64% Março 471.253,38 9.153,45 1,94% Abril 357.906,04 9.943,00 2,78% Maio 94.136,70 9.377,50 9,96% Junho 143.264,00 9.218,00 6,43% Julho 658.615,75 10.107,78 1,53% Agosto 934.529,90 10.086,30 1,08% Setembro 231.383,86 9.875,90 4,27% Outubro 466.669,69 9.472,35 2,03% Novembro 520.686,07 9.788,00 1,88% Dezembro 3.314.585,36 10.820,00 0,33% Total 8.210.205,99 116.433,36 1,42% Anocalendário 2005 Receitas Apuradas (R$) Receitas Declaradas (R$) Percentual Declarado Janeiro 1.850.160,17 9.745,80 0,53% Fevereiro 2.481.486,42 9.514,50 0,38% Março 933.550,28 10.150,00 1,09% Abril 386.489,38 10.350,00 2,68% Maio 848.009,30 9.937,40 1,17% Junho 1.038.529,08 18.754,25 1,81% Julho 631.328,39 19.325,00 3,06% Agosto 390.426,32 19.215,00 4,92% Setembro 1.391.045,48 19.440,00 1,40% Outubro 622.464,24 20.876,00 3,35% Novembro 741.450,86 21.540,00 2,91% Dezembro 2.159.889,29 70.500,00 3,26% Total 13.474.829,21 239.347,95 1,78% Evidenciase aqui, de forma inequívoca, a consciência e a vontade de impedir que o fisco tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, a fim de evitar o pagamento do tributo devido, o que se manifesta de forma objetiva na realização distorcida dos deveres instrumentais, configurandose, assim, a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, a impor que seja mantida a multa no percentual de 150%, de que trata o inciso II do caput do art. 44 da Lei 9.430, de 1996, em sua redação original. Aliás, a multa de 150% também poderia ter sido aplicada no caso do lançamento relativo ao anocalendário de 2004, dado que a hipótese prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, da mesma forma ali se configurou. Ora, o fato de a autoridade lançadora não o têlo feito, por óbvio, não autoriza a conclusão, a que se chega na impugnação, de que seria incabível a qualificação da multa no caso do lançamento relativo ao anocalendário de 2005. Os fundamentos da manutenção da multa qualificada no acórdão recorrido estão em linha com a acusação fiscal, não havendo qualquer reparo às suas conclusões. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 469 28 A recorrente, no entanto, suscita que todas as operações foram registradas nos livros fiscais do ICMS e ISSQN, de sorte que caberia ser observada a Súmula CARF nº 14, que dispõe, verbis: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No entanto, a jurisprudência consolidada deste conselho traz entendimento no sentido de que configurada a prática reiterada de ocultar receitas na declaração de rendimentos apresentada ao Fisco Federal, em detrimento das reais receitas declaradas ao Fisco Estadual ou Municipal, revela o intuito doloso de sonegar tributos, como se observa dos seguintes arestos: Acórdão 9101000.986 24/05/2011 MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO INEXATA. A apresentação, reiterada durante vários exercícios, de declarações de rendimentos (IRPJ) e de tributos devidos (DCTF) com valores zerados e a ausência dos recolhimentos das contribuições devidas não podem ser consideradas como meras declarações inexatas, pois denotam a conduta dolosa do contribuinte de retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, restando configurada a prática de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, pelo que se impõe a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Acórdão 9101001.029 25/05/2011 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Tal conduta se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Acórdão 9101001.856 28/01/2014 MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas caracteriza a conduta dolosa, justificando a penalidade agravada. MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da Fl. 469DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 470 29 obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Recurso a que se dá provimento. Acórdão 9303005.058 15/05/2017 MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Acórdão nº 1302002.722 11/04/2018 MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Ante ao exposto, voto no sentido de manter a multa qualificada aplicada no anocalendário 2005. 5. Da alegação de decadência parcial do anocalendário 2005 A recorrente alega que afastandose a multa qualificada por ausência de dolo, há que ser reconhecida a decadência parcial do lançamento relativo ao anocalendário 2005, pela aplicação do disposto no art. 150, § 4º do CTN, uma vez que houve o pagamento antecipado dos tributos lançados por meio do sistema Simples. O argumento da recorrente cai por terra quando se comprova a existência do intuito doloso de sonegar tributos, o que desloca o prazo decadencial para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art. 173, inc. I do CTN, conforme assentada pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC, julgado no rito dos recursos repetitivos estabelecido no art. 543C do antigo CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 470DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 471 30 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREs p 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 471DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 472 31 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta feita, considerandose que o lançamento se refere ao anocalendário 2005 e tendo sido devidamente cientificado à contribuinte, ora recorrente, em 29/06/2010, há que se rejeitar a alegação de decadência. Assim, voto no sentido de afastar a alegação de decadência. 6. Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do Simples, do PIS e da Cofins Por fim, a recorrente alega que o ICMS e o ISS não podem integrar a base de cálculo do Simples, PIS e Cofins, por constituírem receitas de terceiros (do Estado e Municipio), que não pode ser equiparada a receita própria que ingressa de forma positiva e efetiva no patrimônio do contribuinte. Com efeito, durante o julgamento do RE nº 574.706 com Repercussão Geral reconhecida sob o tema 691, o Supremo Tribunal Federal STF analisou o conceito constitucional de faturamento e receita para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, decidindo pela inconstitucionalidade da inclusão dos valores destacados a título de ICMS na base de cálculo daquelas contribuições. Veja ementa do Acórdão, publicado em 02/10/2017: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Fl. 472DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 473 32 Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29 092017 PUBLIC 02102017) O Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, parágrafo 2º do Anexo II1, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática dos arts. 1036 a 1041 do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF. Não obstante, no caso sob exame, até a data em que foi proferido o presente acórdão, não houve o trânsito em julgado do RE nº 574.706, tendo em vista o pedido de modulação de efeitos elaborado pela União Federal. Desta feita, não sendo ainda definitiva a decisão, ao menos quanto a sua extensão temporal, revelase inviável a aplicação do precedente, de forma precária, aos fatos pretéritos. De outra parte, impõese observar que a recorrente não alega, nem tampouco comprova ser autora de ação judicial, em caráter individual ou coletivo, com trânsito em julgado favorável, nos termos suscitados em seu recurso. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação. 7. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, por negar provimento aos recursos voluntários interpostos: a) no processo administrativo nº 15504.022318/200811 (principal), para manter a exigência relativa ao anocalendário 2004; b) no processo administrativo nº 15504.022315/200870 (apenso), para manter o ato de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005; e, c) no processo administrativo nº 15504.011137/201076 (apenso), para manter a exigência relativa ao anocalendário 2005. Recurso de Ofício Tendo em vista que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo solidário Ronaldo Eustáquio Cardoso do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), nos termos do artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a DRJ/BHE interpôs o competente recurso de ofício. 1 Art. 61. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 473DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 474 33 O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A exoneração do sujeito passivo solidário quanto aos créditos constituídos nestes autos, foi decidida pelo colegiado a quo nos seguintes termos: 3.1 – Termo de sujeição passiva solidária Convém, inicialmente, transcrever os seguintes excertos extraídos tanto do termo de verificação de fls. 37/41, como do termo de sujeição passiva solidária de fls. 56/57: TERMO DE VERIFICAÇÃO (...) 3. Também verificamos que, por meio do instrumento público (...) firmado pelo sócio Valdenir Rocha de Paulo (doc de fl 96), este transferiu todo o gerenciamento administrativo e comercial da empresa a Ronaldo Eustáquio Cardoso, CPF 518.310.906 00, que foi de fato, a pessoa que administrava e gerenciava a empresa e praticou os fatos que serão relatados abaixo. (...) 6. Questionamos pessoalmente o preposto e administrador da empresa, sr. Ronaldo E. Cardoso, a respeito das divergências entre as receitas brutas de vendas acima (DIPJ e ISS/ICMS), tendo o mesmo nada esclarecido a respeito e, com isso, confirmando a ocorrência da existência de receitas escrituradas mas não declaradas. 7. Alegou apenas a seu favor que os livros Registro de Saídas, Registro de Entradas e, por conseguinte, o livro Registro de apuração do ICMS poderiam ter sido escriturados com alguns erros (...) 8. No entanto, o mesmo não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea para comprovar estas suas alegações. 27. Em todas as ocasiões que comparecemos à empresa fomos recebidos pelo sr. Ronaldo; nunca esteve presente o sr. Valdenir. Questionamos certa ocasião outros funcionários, que disseram desconhecer esta pessoa, afirmando que o dono da empresa era o sr. Ronaldo. (...) TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (...) A partir da análise do contrato social e suas alterações, verificamos que a empresa, por ocasião do período fiscalizado, tinha como sócios Valdenir Rocha de Paulo, CPF 046.237.556 06 (299 cotas) e Marli Miranda de Oliveira, CPF 036.149.796 28 (001 cota), sendo a administração da sociedade exercida pelo sócio Valdenir. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 475 34 Verificamos também que em 21/07/2000, no Serviço Notarial do 10º Ofício da Comarca de Belo Horizonte, o sr. Valdenir na qualidade de sócio gerente da empresa fiscalizada, lavrou instrumento de procuração em que concedia poderes a Ronaldo Eustáquio Cardoso, CPF 518.310.90600 para a administração da empresa, incluindose todos os atos para representação e gestão, judicial e extrajudicial; nomeação de procurador; representação em juízo; representação em face da Administração Pública Municipal, Estadual e Federal; representação perante as Fazendas Públicas Municipal, Estadual e Federal; atuação junto a entidades financeiras, podendo contrair empréstimos, aplicar dividendos, comprar e vender ações; poderá dispor do patrimônio da empresa, comprar e/ou vender bens móveis e/ou imóveis, enfim, praticar todos os atos como se proprietário fosse. De tudo o que foi verificado por esta fiscalização, consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal de 24/06/2010, em particular dos contatos e entrevistas mantidos na empresa, bem como da documentação apresentada, depreendese que a empresa fiscalizada, embora registrada no nome de Valdenir Rocha de Paulo, CPF 046.237.55606, era administrada e gerenciada por Ronaldo Eustáquio Cardoso, seu verdadeiro dono, e que dela se utilizava e se beneficiava de seus resultados. Portanto, a partir de todos os indícios apontados, ficou evidenciada a situação em que se tentava manter a identidade do real sujeito passivo ou do seu responsável encoberta pela figura de um terceiro, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido, caracterizandose, portanto, numa interposição fraudulenta, isto é, cuidavase, no fundo, simular situação de transferência de responsabilidade para terceiro que, ou não tem relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou não é o verdadeiro beneficiário econômico da respectiva atividade empresarial ou profissional. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) (...) (grifo no original) De acordo com as impugnações, não haveria nenhuma fraude na conduta do sócio Valdenir Rocha de Paulo em outorgar a procuração, como lhe autorizaria o contrato social da empresa, e nem na conduta de Ronaldo Eustáquio Cardoso em recebêla e exercer os poderes ali conferidos. Anexouse documento – datado de 16/07/2010 e assinado por Valdenir Rocha de Paulo, com firma reconhecida – em que este declara que, de livre e espontânea vontade, celebrou contrato de sociedade com Marli Miranda de Oliveira, nomeando Ronaldo Eustáquio Cardoso como administrador e procurador da RH Cardoso & Cia Ltda, “tendo em vista sua experiência e notoriedade no mercado de atuação da empresa” (fls. 138). Vêse que a autoridade lançadora declarou a sujeição passiva solidária de Ronaldo Eustáquio Cardoso em virtude de ter sido constatada, com base nos seguintes elementos, a ocorrência de interposição fraudulenta: a) Em todas as ocasiões em que compareceu à empresa, a autoridade lançadora foi recebida por Ronaldo Eustáquio Cardoso; nunca esteve presente o sócio Valdenir Rocha de Paulo; Fl. 475DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 476 35 b) Outros funcionários disseram desconhecer o sócio Valdenir Rocha de Paulo, afirmando que o dono da empresa era Ronaldo Eustáquio Cardoso; c) Valdenir Rocha de Paulo, na qualidade de sóciogerente, por instrumento público de procuração, concedeu a Ronaldo Eustáquio Cardoso os mais amplos poderes para a administração da empresa, podendo inclusive “dispor do patrimônio da empresa, comprar e/ou vender bens móveis e/ou imóveis, enfim, praticar todos os atos como se proprietário fosse” (fls. 96); d) Ronaldo Eustáquio Cardoso se utilizava da empresa e se beneficiava dos seus resultados. Todavia, as declarações prestadas pelos funcionários não foram reduzidas a termo ou registradas por outro meio qualquer, impossibilitando, portanto, sua utilização como prova. Também não há nos autos comprovação de que Ronaldo Eustáquio Cardoso se beneficiava dos resultados da sociedade. Efetivamente demonstrada está apenas a outorga do mandato, conferindolhe ilimitados poderes de administração. Temse aqui apenas indícios, que não autorizam concluir, com segurança ou certeza, pela ocorrência de interposição fraudulenta. Pelo exposto, e não tendo sido indicados outros fatos e fundamentos jurídicos, além dos relativos à interposição fraudulenta, a motivar a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário a Ronaldo Eustáquio Cardoso, cumpre cancelar o termo de sujeição passiva solidária de fls. 56/57, lavrado em seu nome, por insuficiência de provas. Não tenho reparos ás conclusões do acórdão recorrido. Com efeito, a fiscalização não trouxe ao autos elementos que pudessem comprovar a ocorrência de interposição de pessoas no quadro social da empresa autuada, que justificariam o enquadramento no art. 124, inc. I do CTN. Mesmo os indícios por ela apontados, carecem de comprovação. Verifico que, constatado o evidente intuito de sonegação, conforme analisado no recurso voluntário, o mandatário, Sr. Ronaldo Eustáquio Cardoso, que detinha plenos poderes para a administração da sociedade, poderia ter sido arrolado como responsável solidário com base no art. 135, inc. III do CTN, pelos atos praticados com infração à lei tributária. Não obstante, não sendo esta a acusação fiscal, da qual se defendeu o responsável solidário arrolado, falece competência ao julgador para indicar novo fundamento à imputação, sob pena de violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. O acórdão recorrido exonerou, ainda, parcialmente a exigência ao admitir a dedução dos valores recolhidos a título de Simples do montante autuado, verbis: 3.7 Dedução dos valores recolhidos a título de Simples Procede, sim, a pretensão de que da exigência, apurada mediante regime de tributação diverso (lucro arbitrado), sejam deduzidos os valores dos impostos e contribuições pagos na forma do Simples, observados os respectivos percentuais indicados no art. 23 da Lei n° 9.317, de 1996. Calha transcrever o seguinte excerto da Solução de Consulta Interna n° 23, de 21 de dezembro de 2006, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit): Fl. 476DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 477 36 EMENTA. (..) “ A autoridade fiscal deve considerar os valores de IRPJ e CSLL referentes ao período de apuração fiscalizado, apurados pelo sujeito passivo, mediante adoção deforma de tributação diversa daquela aplicada pela autoridade fiscal no curso da fiscalização, lançando apenas a diferença de imposto ou contribuição apurado. (..) 2. FUNDAMENTA ÇÃO LEGAL (...) 12. Igualmente deve ser o tratamento na hipótese de exclusão de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte (Simples), deduzindo do valor apurado mediante a forma de tributação adotada pela fiscalização, as parcelas de IRPJ e CSLL recolhidas a título de Simples. No caso em exame, todos os 12 DARFSimples apresentados " por meio dos quais foram efetuados os pagamentos relativos aos períodos de' apuração de janeiro a dezembro do anocalendário de 2005 indicam ser de 5,4% o percentual aplicado sobre a receita bruta mensal para determinação do valor do Simples devido. Relativamente aos fatos geradores ocorridos até 31/12/2005, a Lei n° 9.317, de 1996, assim estabelecia: [...] A seguir, estão demonstrados os valores recolhidos a título de Simples relativamente aos perídos de apuração de janeiro a dezembro do anocalendário de 2005, bem como as parcelas correspondentes ao IRPJ, PIS, CSLL e Cofins: (tabela omitida) Já nos demonstrativos que se seguem estão indicadas as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins mantidas neste voto, após serem deduzidos dos valores lançados os já recolhidos por meio dos DARFSimples acima relacionados: (tabela omitida) Não tenho reparos aos fundamentos da decisão recorrida que corretamente mandou excluir da exigência os valores recolhidos pela sistemática do Simples. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO GERAL Por todo o exposto, voto no sentido de: 1) rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas e, no mérito, por negar provimento aos recursos voluntários interpostos: Fl. 477DF CARF MF Processo nº 15504.022318/200811 Acórdão n.º 1302002.977 S1C3T2 Fl. 478 37 a) no processo administrativo nº 15504.022318/200811 (principal), para manter a exigência relativa ao anocalendário 2004; b) no processo administrativo nº 15504.022315/200870 (apenso), para manter o ato de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005; e, c) no processo administrativo nº 15504.011137/201076 (apenso), para manter a exigência relativa ao anocalendário 2005; e, ainda, 2) de negar provimento ao recurso de ofício (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 478DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.728915/2017-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 383/398) em face do Acórdão n. 04 44.699 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) DRJ/CGE (efls. 90/96), que julgou improcedente a impugnação de efls. 03/04 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 13/06/2017 (efl. 65) mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2016/054580268694405 Exercício 2016 no valor total de R$ 605.787,50 sendo R$ 449.897,89 de imposto (Cód. Receita 0211); R$ 89.979,57 de multa de mora não passível de redução; e R$ 65.910,04 de juros de mora calculados até 30/06//2017 (efls. 33/36), com fulcro em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 28 91 5/ 20 17 -2 5 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10880.728915/201725 Resolução nº 2402000.687 S2C4T2 Fl. 3 2 Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou a impugnação de e fls. 03/04, julgada improcedente pela DRJ/CGE, nos termos do Acórdão n. 0444.699 (efls. 90/96), de cujo teor tomou ciência em 16/01/2010 (efl. 101), havendo interposto recurso voluntário na data de 15/02/2018 (efl. 112). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (fls. 383/398) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. O cerne da presente lide concentrase em compensação indevida de imposto de renda retido na fonte (IRRF), vez que, no entendimento do Recorrente, o fundamento da autuação (ausência de pagamento de DARF no Código de Receita 0561) estaria superado pelas compensações, mediante Per/Dcomp, efetuadas pela fonte pagadora e que comprovariam a liquidação do IRRF objeto de glosa. É oportuno ressaltar que no Recurso Voluntário (efls. 383/398) o Recorrente não aduz novas razões de defesa. Muito bem. Para uma melhor contextualização da análise em curso, é oportuno resgatar que o Recorrente apresentou a DIRPF/2016 ND 08/65.643.605 Data de Entrega: 25/04/2016 informando rendimentos tributáveis de R$ 2.988.827,31 e IRRF total de R$ 622.015,22, configuração que lhe conferia imposto a pagar de R$ 74.990,47. Todavia, em razão da glosa de IRRF R$ 449.897,89 vinculado à fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197 decorrente do trabalho de Malha Fiscal, resultou um lançamento com fulcro em compensação indevida de IRRF de R$ 605.787,50, conforme discriminado na Notificação de Lançamento IRPF n. 2016/054580268694405 (efls. 33/36). Em conformidade com a descrição dos fatos consignada na Notificação de Lançamento IRPF n. 2016/054580268694405 (efls. 33/36), o Recorrente é diretor estatutário e, portanto, recebe pro labore da fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197 que declarou em DIRF IRRF no valor total de R$ 624.995,86 (e fl. 95) sendo objeto de glosa pela Fiscalização da RFB o valor de R$ 449.897,89 vinculado ao Recorrente e se encontra na Malha DIRF x DARF, sem que tenha sido apresentado DCTF nem comprovantes de pagamento do IRRF. Assim, na condição de diretor estatutário, o Recorrente é responsável solidário com a empresa pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IRRF (art. 8°. do DecretoLei n. 1.736/1979 e art. 723 do RIR/99), o que condiciona a compensação do IRRF em seu desfavor do imposto devido apurado na declaração de ajuste anual, à comprovação do Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10880.728915/201725 Resolução nº 2402000.687 S2C4T2 Fl. 4 3 devido recolhimento do valor retido (no caso concreto, R$ 449.897,89), não sendo prova bastante a DIRF emitida pela fonte pagadora, nem muito menos o comprovante de rendimentos pagos e de IRRF, quando desacompanhadas do referido comprovante de recolhimento. É oportuno ressaltar que o Recorrente, na peça recursal de efls. 383/398, ou em qualquer outro momento processual, não ilide a condição de diretor estatutário fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197. Entretanto, o Recorrente reclama pela liquidação do IRRF pela fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197 referente ao AC 2015 que inclui o valor que lhe foi descontado mediante compensações, consubstanciadas em Per/Dcomp, conforme confessado em DCTF AC 2015 (efls. 130/382), havendo, inclusive, a decisão recorrida registrado tais fatos, salientando, todavia, que não consta pagamento de DARF no Código de Receita 0561, verbis: [...] Além do mais a empresa Votorantim Participações S/A apresentou as DCTF de fls. 41 em diante, no qual informa valores de IRRF superiores ao retido do contribuinte. Ocorre porém que não consta pagamento de DARF no código 0561 para o período em questão, razão pela qual o pleito do contribuinte não deve ser atendido pelas razões anteriormente apontadas. [...] (grifei) Assim, verificase, no caso concreto, razoável dúvida quanto ao efetivo recolhimento, ainda que parcial, do IRRF objeto da glosa, que impõe a necessidade de diligências junto à Unidade de Origem com o fito de apurar junto aos sistemas da RFB a ocorrência de liquidação por qualquer meio previsto no art. 156 do CTN do IRRF vinculado ao Recorrente no valor de R$ 449.897,89 e declarado pela fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 383/398) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à Unidade de Origem, para verificar nos sistemas da RFB a ocorrência de liquidação por qualquer meio previsto no art. 156 do CTN do IRRF vinculado ao Recorrente no valor de R$ 449.897,89 declarado pela fonte pagadora Votorantim Participações S/A CNPJ 61.082.582/000197, considerando, inclusive, as informações consignadas nas DCTF e Per/Dcomp acostadas às e fls. 130/382 , observandose que após a diligência ora solicitada, deverá a Unidade de Origem consolidar em Informação Fiscal o resultado das verificações que proceder, cientificando o Recorrente do seu teor e concedendo prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência, para que, querendo, apresente contrarrazões. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 403DF CARF MF
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