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Numero do processo: 11128.000579/2009-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/01/2009
AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE.
A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível.
Numero da decisão: 3001-000.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/01/2009 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/01/2009 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 05 79 /2 00 9- 37 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 146 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 125 a 139) interposto contra o Acórdão 1645.203, da 24ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, na sessão de julgamento realizada em 27.03.2013 (efls. 104 a 119), julgou procedente em parte a impugnação e, por consequência, manteve parcialmente o crédito tributário lançado de ofício. Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Relatório De acordo com a descrição dos fatos, a empresa autuada teria registrado a destempo, no sistema Siscomex, dados de embarque relativos a diversas Declarações de Exportação DDE, motivo pelo qual foi lavrado este auto de infração, para aplicação da penalidade prevista pelo Art. 107, Inciso IV, Alíneas “c” e “e”, do Decretolei n.º 37/66, cuja redação foi dada pelo Artigo 77 da Lei n.º 10.833/03, que apurou crédito tributário no valor de R$ 205.000,00. Tais ocorrências, verificadas na Alfândega do Porto de Santos/SP, foram identificadas através de auditoria realizada no sistema Siscomex Exportação, que apontou dados registrados fora do prazo legal, que seria de 07 (sete) dias, contados da data de embarque das mercadorias, conforme previsto pelo Artigo 37 da IN SRF 28/94, com a redação dada pela IN SRF 510/05. Afirmou ainda a fiscalização que nos despachos de exportação autuados a interessada figurou como transportadora, de acordo com o relatório de fls. 14 e 15 (eprocesso), que analisou 64 (sessenta e quatro) embarques realizados através de 41 (quarenta e um) navios, enumerados na tabela abaixo: N.º NAVIO DATA DE EMBARQUE Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 147 3 01 CAP ROCA VOY.EX01199 23.02.1999 02 CAP VERDE V.EX01599 15.03.1999 03 MONTEBELLO VOY.308N 19.03.1999 04 CAP ROCA VOY.EX02099 09.04.1999 05 CAP FINISTERRE V.EX03399 27.06.1999 06 ALIAN A EUROPA V.EX03599 05.07.1999 07 ALIAN A BRASIL V.EX00900 06.02.2000 08 MONTE ROSA VOY.NE01 11.12.2000 09 IYO VOY.19RA 16.10.2001 10 BARBAROSSA 05.10.2002 11 LOWLANDS PATRASCHE 01.12.2002 12 CAP POLONIO 26.12.2002 13 BARBAROSSA V.301K 29.12.2002 14 BARBAROSSA 20.03.2003 15 PATSY N VOY.308K 04.04.2003 16 BARBAROSSA VOY.310K 02.05.2003 17 CAP FINISTERRE V.213X 02.05.2003 18 MARWAN VOY.312K 29.05.2003 19 BARBAROSSA VOY.313K 12.06.2003 20 PATSY N 25.06.2003 21 MARWAN VOY.315K 10.07.2003 22 BARBAROSSA VOY.316K 24.07.2003 23 PATSY N VOY.317K 07.08.2003 24 ALIANCA BAHIA 27.08.2003 25 BARBAROSSA VOY.319K 05.09.2003 26 PATSY N VOY.320K 21.09.2003 27 ALIAN A BRASIL VOY.423X 27.09.2003 28 MARWAN VOY.321K 03.10.2003 29 MARWAN V.323K 01.11.2003 30 CSAV HONG KONG 06.11.2003 31 ZIM BUENOS AIRES V.43N3 15.11.2003 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 148 4 32 PATSY N VOY.324K 17.11.2003 33 CSAV YOKOHAMA 18.11.2003 34 CALAPALOS VOY.YP63 22.11.2003 35 CSAV MONTREAL V.14NA 02.12.2003 36 BE GAE BONG 04.03.2004 37 M/V SUNGREEN 15.03.2004 38 LAEMTHONG PRIDE 17.06.2004 39 LUCASTA 02.07.2004 40 STRANGE ATTRACTOR 31.07.2004 41 SANTA MARIA 25.10.2004 Cientificada do lançamento em 09.02.09 (fl. 19 do eprocesso), a interessada apresentou impugnação em 04.03.09 (fls. 20 a 97 do eprocesso). Alega que: 1. Não obstante a requerente não ser uma transportadora marítima, a fiscalização não anexou nenhum documento que comprove a infração apontada. Cita legislação. A não disponibilização dos documentos que levaram a autuação impossibilita o direito à ampla defesa assegurado constitucionalmente, o que determina a nulidade da autuação; 2. A fiscalização não anexou nenhum documento que comprove a infração apontada. Não se admite que a infração esteja desacompanhada dos elementos de prova, indispensáveis à comprovação do ilícito alegado. A não disponibilização dos documentos impossibilita o direito à ampla defesa, assegurado constitucionalmente. 3. Nos termos do § 4.º, do Art. 150, do Código Tributário Nacional CTN, se a lei não fixar prazo para a homologação, será ela de 05 (cinco) anos. Expirado esse prazo extinguese o crédito tributário a contar do fato gerador, no caso, a partir da data de embarque de cada navio, e não no dia em que a informação foi prestada. Por conseguinte, impõese a declaração de extinção do crédito tributário, na forma do Art. 156, V, do CTN, com relação as multas aplicadas aos navios embarcados antes de 09.02.04. Apresenta relação de embarques decadentes; 4. Assim, 35 (trinta e cinco) dos 41 (quarenta e um) navios embarcados devem ser excluídos de penalidade, o que reduziria a multa aplicada de R$ 205.0000,00 para R$ 30.000,00; 5. Consoante se observa nos autos de infração formalizados pelos processos administrativo n.º 11128.009347/200863 e 11128.10013/200832, esta mesma requerente já fora autuada Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 149 5 pelo atraso nas informações prestadas com relação a diversos navios, portanto, teria ocorrido autuação em duplicidade exatamente do mesmo fato imponível, o que, evidentemente, não se pode admitir. Apresenta a relação de embarques que supostamente teriam sido autuados em duplicidade; 6. Na qualidade de agente marítimo não responde pelas obrigações tributárias do seu representado, portanto, a requerente não é parte legítima para figura no pólo passivo da autuação. Logo, o entendimento adotado pela fiscalização é equivocado, uma vez que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária, e nem se equipara ao transportador. Cita legislação, julgados e súmula de tribunal federal; 7. Entendeu a fiscalização que a conduta da requerente caracteriza a infração descrita na Alínea “c”, Inciso IV, do Decretolei n.º 37/66, entretanto, não apontou qual foi embaraço ou impedimento causado, já que essa é a conduta descrita na norma para impor a penalidade ora combatida. O atraso eventualmente verificado, todavia, não quer dizer que a requerente tenha criado embaraço, dificultado ou impedido ação da fiscalização. A requerente não deixou de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, mas apenas o fez com atraso. Cita julgamento administrativo; 8. Afirma que a multa prevista pela Alínea “e”, Inciso IV, Art. 107, do Decretolei n.º 37/66, só pode ser aplicada à empresa de transporte internacional, à prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga, não há, na espécie, tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. A referida multa não pode ser aplicada ao agente marítimo, nem tampouco a este pode ser estendida a solidariedade passiva, por absoluta falta de previsão legal; 9. Como reconhecido pela fiscalização, as DDE mencionadas no auto de infração foram inseridas no Siscomex antes do início do procedimento fiscal, portanto, não se pode falar na aplicação de multa, já que a denúncia espontânea exclui o pagamento de qualquer penalidade, nos termos do Art. 138 do CTN; 10. A autuação em questão decorre de uma série de infrações da mesma natureza, por isso, devem ser consideradas como infração continuada para aplicação da penalidade cabível. Isto porque todas as infrações apontadas como cometidas pela requerente, na verdade, correspondem a uma só infração, praticada de forma continuada, que deve ser penalizada tão somente mediante aplicação de uma única multa no valor de R$ 5.000,00, e não pela aplicação de diversas multas isoladas oriundas do mesmo fato repetido. Cita o Artigo 71 do Código Penal, doutrina e julgados dos tribunais federais; 11. A inclusão no Siscomex dos dados de embarque pelo agente marítimo depende das informações prestadas pelo exportador. Na situação dos autos, é fácil constatar que a não Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 150 6 tempestividade se deu por fatos alheios à vontade da impugnante, já que inúmeras vezes os exportadores passam dados incorretos, o que exige a retificação destes, circunstância que vem a corroborar a boafé da recorrente, já que não houve nenhum prejuízo ao erário. Cita julgados dos tribunais federais e do Conselho de Contribuintes; 12. Ao final, requer o apensamento dos presentes autos aos processos administrativos n.º 11128.009347/200863 e 11128.010013/200832, para que as infrações autuadas em duplicidade sejam julgadas uma única vez, e que seja dado provimento a impugnação, declarandose a nulidade, improcedência ou a decadência do lançamento, cancelandose a multa aplicada. Caso assim não entenda os julgadores, que seja aplicada uma única multa, no valor de R$ 5.000,00, caso se observe a continuidade das infrações anotadas. Posteriormente, em 05.10.2010, de forma voluntária e intempestiva, a interessada apresentou as seguintes novas razões de impugnação (fls. 101 a 103 do eprocesso): A . O procedimento fiscal só foi iniciado após a requerente prestar as informações devidas, circunstância que caracteriza a denúncia espontânea; B. A Medida Provisória MP n.º 497, de 27.07.10, publicada no DOU n.º 143, edição de 28.07.10, alterou o § 2.º, do Art. 102, do Decretolei n.º 37/66. Cita legislação; C. Reconhece a nova lei que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Este dispositivo aplicase a todos os fatos pretéritos, é o que dispõe o Art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. Cita legislação; D. Portanto, o auto de infração ficou prejudicado, desta forma, ao teor do § 2.º, do Art 102, do Decretolei n.º 37/66, combinado com o Art. 106 do CTN, impõese que seja julgado improcedente o lançamento fiscal, seja determinada a baixa de sua cobrança, e o arquivamento deste processo administrativo. Da ementa da decisão de primeira instância Com a apresentação da manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 24ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/01/2009 Multa pelo registro extemporâneo de dados de embarque no sistema Siscomex. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria se deu após decorrido o prazo de 07 (sete) dias, contados a partir do embarque da carga, conforme previsto pelo Artigo 37 da IN Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 151 7 SRF 28/94, com a redação dada pela IN SRF 510/05, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo Artigo 107, Inciso IV, Alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo Artigo 77 da Lei 10.883/03. Agente marítimo atuando como representante do transportador estrangeiro. Responsabilidade por infração. Legitimidade passiva. Responde pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática, nos termos do previsto pelo Artigo 95, Inciso I, do Decretolei n.º 37/66. Decadência. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente de infrações à legislação aduaneira extinguese após cinco anos contados da data da infração, nos termos dos Artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/66. Denúncia espontânea. Nos termos do Artigo 102, § 1.º, do Decretolei n.º 37/66, não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, que no caso de exportação iniciase com o protocolo da respectiva declaração, de acordo com o disposto pelo Art. 10 da IN SRF 28/94, e encerrase com a averbação do embarque, que ocorre após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, conforme disposto pelo Artigo 46 da mesma Instrução Normativa. Infração continuada. Incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. No caso de embarques diferentes, há mera reiteração da conduta infracional. Apensação de Processos. Rejeitase pedido da interessada de apensação de processos, sob pretexto de duplicidade de autuação, visto que cada um deles deve seguir rito próprio. Não há que se falar em prejuízo da mesma, já que o julgador dispõe de meios para resolver eventuais conflitos, inclusive a conversão do julgamento em diligência, nos termos do que estabelece o Art. 35 do Decreto n.º 7.574/11. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do recurso voluntário Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 152 8 Inconformado com a decisão da 24ª Turma da DRJ/SP1, o contribuinte interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, trouxe à discussão os temas/pontos abaixo. II EXCLUSÃO DA PUNIBILIDADE FATO NOVO Denúncia Espontânea Retroatividade Benigna Lei 12.350/2010 alterou o parágrafo 2º, do art. 102, do DecretoLei 37/66 Alega que na espécie o procedimento fiscal só foi iniciado após a inserção das DDE/SDe no "Siscomex", circunstância que caracteriza, a seu ver, a denúncia espontânea que impôs a presente exigência fiscal. Nesse passo, com a vigência da Medida provisória 497 de 27.07.2010, transformada na Lei 12.350 de 2010, que alterou a redação do parágrafo 2º, do artigo 102, do Decretolei 37 de 1966, referida norma reconheceu que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente o caso sob apreço. Devendo, portanto, tal regramento, retroagir para alcançálo, de acordo co o disposto na alínea "a", do inciso II do artigo 106, do Código tributário Nacional, por tratarse de exclusão de punibilidade. Restando, por fim, prejudicado o presente Auto de Infração. III AUSÊNCIA DE TIPICIDADE LEGAL Assevera que a norma é extremamente clara e que o legislador excluiu o agente marítimo do rol daqueles imputáveis pela presente penalidade, pois, quando quis fazê lo, o fez expressamente, como observase do teor do artigo 32 Decretolei 37 de 1966, em relação à solidariedade ao pagamento do Imposto de Importação, situação distinta do presente processo, por tratarse de uma obrigação tributária acessória, não podendose ampliar o alcance da norma para albergar hipóteses que a lei não previu. Logo, "não há embasamento legal para sua autuação, tendo em vista que o dispositivo legal que serviu de base para a aplicação da multa em discussão só pode ser aplicado ao (i) transportador internacional, a (ii) prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta e/ou ao (iii) agente de carga". IV INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO AGENTE MARÍTIMO Aduz que a não responsabilização do agente marítimo, inclusive, é matéria já sumulada pelos tribunais, consoante proclamado pela Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. V INFRAÇÕES IDÊNTICAS APLICAÇÃO DA TEORIA DA INFRAÇÃO CONTINUADA Defende que, ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, a presente autuação decorre de infrações da mesma natureza, praticadas no período de abril a dezembro de 2004, devendo, por conseguinte, ser consideradas como infração continuada, para aplicação da penalidade cabível, correspondente, na verdade, a um só infração, praticada de forma continuada, devendo, portanto, ser penalizada tãosomente mediante a aplicação de uma única multa, limitada ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), posto que até na esfera do direito penal, a sequência de ações idênticas é considerado um único delito, cometido de forma continuada, conforme expressamente prevê o artigo 71 do Código penal. Aliás, é também neste sentido o entendimento da RFB, consubstanciado na Solução de Consulta SRFB Interna 8 de 14.02.2008, que trata das regras para aplicação do artigo 37 da IN/SRF 28 de 27.04.1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 153 9 Colaciona jurisprudências. Portanto, pede que seja reformada a decisão recorrida, julgandose improcedente o presente lançamento fiscal. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 10.09.2013 (efl. 113), que posteriormente foi distribuído para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, e na forma regimental, sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado na Alfândega do Porto de Santos em 07.05.2013, conforme depreendese da chancela gravada na "Folha de Rosto" da respectiva peça recursal, após ciência no dia 12.04.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efls. 123/124), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do litígio É ponto incontroverso que os dados de embarque em apreço foram inseridos no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) em prazo superior a sete dias, conforme planilha que acompanha o presente Auto de Infração data dos fatos geradores: 12.03.2004, 23.03.2004, 25.06.2004, 10.07.2004, 08.08.2004 e 02.11.2004. O litígio cingese, portanto, aos seguintes pontos: a1) ilegitimidade passiva do recorrente e, complementarmente, a2) impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal; b) excludente de responsabilidade, por denúncia espontânea da infração, notadamente em razão da alteração legal promovida pela Lei 12.350 de 2010; e c) adoção da tese infração continuada, por se tratar de infrações da mesma natureza. Da preliminar de ilegitimidade do agente marítimo Para o recorrente, o agente marítimo não é considerado responsável tributário, uma vez que não pode ser equiparado ao transportador para efeito da Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 154 10 responsabilização tributária, porque esta atribuição não se aplica à natureza de sua atividade de mandatária. Para tanto, cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que possui o seguinte verbete: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966, bem como outras jurisprudências. Em vista disso, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário para cancelamento do auto de infração. De plano, conforme se demonstrará a seguir, não lhe assiste razão neste tópico preliminar. Dispõe o artigo 32 do Decretolei 37 de 18.11.1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (grifei) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei 2.472 de 1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória 2.15835 de 24.08.2001. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 155 11 Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifei) Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) A respeito da legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro, citese a decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção do STJ, DJE de 14/12/2010, em sede de recurso repetitivo, que assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472 de 1988 (que alterou o artigo 32, do Decretolei 37 de 1966), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do Decretolei 2.472 de 1988 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Em decorrência do exposto, o Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Consignase, por fim, que para os dois primeiros argumentos tecidos pelo recorrente em seu voluntário, este E. Tribunal em inúmeros precedentes idênticos ao caso concreto já teve a oportunidade de se manifestar, mantendo as autuações, dentre outros, citese os acórdãos 3401003.883, 3401003.882, 3401003.881, 3401002.443, 3401002.442, 3401 002.441, 3401002.440, 3102001.988, 3401002.357, 3401002.379, 3302002.733, 3802 003.962, 3403003.252, 3802001.127 e 3302002.732. Por economia, cito apenas a primeira parte da ementa do acórdão 3301 002.972, cujo julgado ocorreu em 17.06.2016, verbis: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 156 12 Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. (...) Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado. É também nesse sentido o Acórdão 9303003.276, da 3ª Turma da Câmara Superior, cujo julgado ocorreu já em 05.02.2015, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Afastase, portanto, esta contestação preliminar, feita subliminarmente quando da argumentação da matéria tratada no tópico imediatamente a seguir. Da impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal Esclareçase, que embora o tema agora abordado ser concorrente ao tratado no tópico anterior ilegitimidade passiva do agente marítimo, em homenagem ao pleno direito de defesa, procederseá a breves considerações sobre referida temática. O enquadramento legal da infração praticada pelo recorrente é a alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, que assim dispõe, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 157 13 No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pelo recorrente, não sendo, portanto, objeto de contenda. Apenas em reforço, sabese que o agente marítimo, na qualidade de representante do transportador estrangeiro, no país, por força do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, responde pela infração consistente na prestação de informações sobre embarques de exportação, no SISCOMEX, fora do prazo, sendo legitimado sujeito passivo a figurar na presente exação fiscal. Conforme também já abordado no tópico anterior, a conduta do recorrente está enquadrada de forma correta, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração, logo, não acode o direito ao recorrente, haja vista que prevista a obrigação de informar em prazo definido os embarques de exportação no sistema próprio e não observada a temporalidade da informação plenamente cabível a infração prescrita na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, consoante o qual é aplicável a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), àquele que deixa de prestar informação sobre carga ou sobre as operações que execute, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga. Neste contexto, portanto, não há falar em inaplicabilidade da penalidade em comento, sob a equivocada alegação de falta de tipicidade legal, por suposta inimputabilidade dos agentes marítimos. Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, melhor sorte também não assiste ao recorrente, porque, como veremos, a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar o por quê de a penalidade ora objetada não comportar o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 158 14 Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 159 15 conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 160 16 LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 161 17 cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, é de relevo destacar que a presente situação envolve operações de exportação cujos dados foram obtidos junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO. O Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, conforme artigo 2º do Decreto 660 de 25.09.1992. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como um dos órgãos gestores do Siscomex é responsável pelas áreas aduaneira e tributária, assim, a fiscalização no âmbito de sua competência objete os dados junto ao referido sistema. Para contextualizar a situação fática, observese que toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada, está sujeita a despacho de exportação, com as exceções estabelecidas na legislação específica. (RA/2002, artigo 520) e (RA/2009, artigo 581). Em geral, o despacho de exportação será processado por meio de Declaração de Despacho de Exportação (DDE), registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), tendo a si vinculados um ou mais Registros de Exportação (RE). Assim, constatase da planilha elaborada pela autoridade lançadora, como fundamento a exação em discussão, que os dados obtidos pela fiscalização junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO foram prestados pelo próprio recorrente, já que é também, como interveniente, usuário do sistema e responsável pelos dados do embarque das mercadorias, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, contemplam as informações necessárias para a individualização dos dados referentes aos embarques remanescentes; ou seja, aqueles que não foram atingidos pelo decurso do prazo fatal, como corretamente abordado na decisão recorrida. Portanto, sabedores que tais processamentos de embarques são determinantes para propiciar o desembaraço aduaneiro das respectivas mercadorias e, por consequência, procede à conclusão dos despachos de exportação (DDE's), não há como prevalecer a hipótese do recorrente para adotarse a tese da denúncia espontânea da infração prevista no artigo 138 do CTN. Isto por que, como já salientado, em se tratando de penalidade aduaneira, a denúncia espontânea possui tratamento específico. Com efeito, reproduzse os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 162 18 no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o recorrente prestou extemporaneamente as informações exigidas e, por óbvio, antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias/cargas descritas nos respectivos despachos de exportação; isto porque tal procedimento desembaraço aduaneiro somente é passível de perfectibilizarse depois de prestadas as informações que estavam sob a responsabilidade do agente marítimo ora autuado. Da hipótese da tese da infração continuada Da adoção da decisão recorrida Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf vigente: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 163 19 I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Verificado que o recorrente não apresentou novas razões de defesa perante este Colegiado, com amparo no permissivo regimental acima reproduzido, valhome das razões de decidir contidas no acórdão recorrido, para dar início às contraargumentações aos questionamentos reapresentados, neste tópico, na peça recursal, cujo voto condutor reproduzo abaixo: Voto (...) Relativamente à alegação de que deverseia aplicar as penalidades em questão apenas uma única vez, tendo em conta uma interpretação análoga à figura do crime continuado, previsto no Art. 71 do Código Penal, a cautela recomenda que não se confunda uma ficção jurídica criada no direito penal brasileiro com a caracterização de uma infração administrativa. Não obstante, mesmo na esfera criminal doutrina e jurisprudência distinguem a figura do chamado “crime continuado” da mera reiteração delitiva, hipótese em que os crimes subseqüentes não resultam do aproveitamento das condições objetivas da prática dos delitos anteriores, a teor da exegese veiculada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal no HC 71.019/SP (Rel. Min. Paulo Brossard j. em 18.10.94 DJ de 19.12.94, p. 35182), verbis: ‘Habeas Corpus’. Pedido de unificação de penas relativas a doze condenações por delito de roubo. Indeferimento pelo Tribunal. Reexame pela via do "habeas corpus", HC 68.864 e HC 69.224. Caráter excepcional da unificação. Mera reiteração de pratica criminosa. Configuração que Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 164 20 não prescinde do concurso, necessário e essencial, de outros elementos e fatores, de ordem objetiva, referidos pela lei. Crimes subseqüentes que não resultavam do aproveitamento das condições objetivas da pratica dos delitos anteriores. Inexistência das condições objetivas: tempo, lugar e maneira de execução. Atos isolados, independentes, sem seqüência ou continuidade. Variação constante de comparsas. Ausência de homogeneidade ou uniformidade nas ações criminosas e nos desígnios do paciente. Continuidade não caracterizada, HC 68.124. Reiteração criminosa por quem faz do crime de roubo meio de vida. Descabe o beneficio da continuidade delitiva, em se tratando de pratica habitual e reiterada do crime: HC 68.626, HC 69.899, HC 69.059". Com efeito, no caso da infração administrativa em comento, a interessada não foi penalizada tendo em conta a quantidade de dados de embarque que deixaram de ser informados no carregamento de um determinado navio, pelo contrário, nos termos das conclusões firmadas pela Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/08, anteriormente reproduzida, foi aplicada uma única multa por embarque, no valor de cinco mil reais, independentemente do número de cargas que deixaram de ser informadas em cada um dos embarques autuados (continuidade). Já com relação aos embarques ocorridos ao longo do ano de 2004, não há que se cogitar a tese da infração continuada, mas reiteração da conduta infracional, observando tratarse de embarques distintos, ocorridos em diversas datas e realizados por diferentes navios. (...) Do prosseguimento da fundamentação Continuando a enfrentar as razões de recorrer do autuado, quanto a aplicação da "teoria da infração continuada", devese, de plano, asseverar que o direito tributário adota o critério objetivo previsto no artigo 136 do Código Tributário Nacional CTN e, portanto, a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. Logo, a gradação da penalidade, levando em conta a existência de infração continuada, presente no artigo 71 do Código Penal, não tem aplicabilidade na seara tributária. Demais disso, inexiste dispositivo semelhante no referido código CTN prevendo a possibilidade de unificação de multa em razão da continuidade da ilicitude cometida pelo contribuinte. Observase que nem mesmo a aplicação do Código Penal seria possível haja vista que as condutas de deixar de prestar informações, no prazo regulamentar, sobre os dados de embarques de mercadorias destinadas ao exterior são independentes e autônomas, tanto que o fato de o infrator deixar de cumprir a referida obrigação acessória no prazo legalmente estipulado para uma determinada embarcação não tem qualquer influência nos dados de embarque de outro, in casu, navio. Observese inclusive que, no caso sob exame, sequer o período da apuração é contínuo, uma vez que as lavraturas sob discussão referemse tão somente as operações realizadas relativamente aos dados de embarques e navios, cujos fatos geradores reportamse aos dias 12.03.2004, 23.03.2004, 25.06.2004, 10.07.2004, 08.08.2004 e 02.11.2004. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11128.000579/200937 Acórdão n.º 3001000.420 S3C0T1 Fl. 165 21 Assim, não resta dúvida de que a multa deve ser aplicada de forma individualizada, por navio, conforme assentado no auto de infração, em absoluta submissão ao previsto na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, que impõe a incidência de multa pecuniária no valor de cinco mil reais para quem, estando legalmente obrigado, "deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Da conclusão Dessa forma, evidenciada a legitimidade passiva do recorrente, demonstrada a infração praticada e a correta aplicação da penalidade ora objurgada, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, para rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721262/2013-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Segundo entendimento emanado do STJ em sede de recurso repetitivo, nos autos do Resp n.° 1140956, descabe o lançamento quando ocorrido o depósito em montante integral.
Numero da decisão: 2201-004.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO INTEGRAL. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Segundo entendimento emanado do STJ em sede de recurso repetitivo, nos autos do Resp n.° 1140956, descabe o lançamento quando ocorrido o depósito em montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negaram provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 62 /2 01 3- 91 Fl. 584DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 585 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 1451.838 10a Turma da DRJ/RPO, que julgou procedente em parte a sua impugnação. Adoto o relatório do acórdão recorrido por sua completude e capacidade de elucidação dos fatos: Tratase de ação fiscal desenvolvida no contribuinte acima identificado que redundou na lavratura do Auto de Infração AI/DEBCAD n° 51.011.1483, lavrado em 08/11/2013 no importe de R$ 3.106.379,16 (Três milhões, cento e seis mil, trezentos e setenta e nove reais e dezesseis centavos) e constitutivo da contribuição devida à Seguridade Social, quota patronal incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, para o custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientas do trabalho (SAT/RAT). Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal, tratase de constituir a diferença de contribuição relativa à alíquota aplicada decorrente do enquadramento e recolhimento formulado pelo contribuinte, que se considerou como atividade de risco leve (alíquota de 1%), para aquela prevista pela legislação de regência como sendo atividade de risco grave (alíquota de 3%). Ainda segundo reportado, existe processo judicial em que o contribuinte discute a majoração da alíquota referente ao grau de risco de acidente de trabalho e constatou se a existência de depósitos judiciais integrais efetuados pelo contribuinte, sucessivos e tempestivos, com relação aos fatos aqui apresentados. Isto posto o crédito foi constituído sem a incidência dos juros de mora e da multa de ofício, consignandose que sua executoriedade encontrase suspensa pelo depósito do montante integral da parte controversa, hipótese veiculada no inciso II do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Tece mais considerações típicas do feito. O Contribuinte, irresignado, impugna o lançamento fiscal sustentando que o lançamento seria dispensável, em face de que o crédito já se encontrar constituído pelo depósito judicial, citando a doutrina de Leandro Paulsen em apoio à sua tese e citando julgados; noutra linha, aduz que o lançamento tal qual feito viola os princípios da eficiência (uma vez que estaria fadado ao cancelamento) e da finalidade, uma vez que as circunstâncias fáticas não se coadunam com a aplicação da lavratura para prevenção da decadência, pela razão de que o crédito já havia sido constituído pelos depósitos judiciais existentes. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 586 3 Noutra linha argumentativa, reputa ilegal as alterações veiculadas pelo Decreto n° 6.042/2007, que alterou a alíquota da contribuição para o SAT, majorandoas, sem que fossem divulgados os elementos capazes de justificála, posto que não está calcada em fatos ou dados estatísticos fidedignos. Faz então breve digressão em torno da contribuição em testilha correlacionandoa com os benefícios previdenciários para concluir da importância da origem da causa incapacitante do trabalhador e a sua confluência com o princípio da referibilidade, uma vez que tal contribuição se configura como o seguro instituído para fazer frente a essas indenizações em razão de acidentes do trabalho. Menciona, também, o princípio do equilíbrio financeiro e atuarial, posto que é da natureza do seguro que aquele que concorre com maior risco de sinistro contribua mais no seu custeio, isso tudo para insurgirse frente a majoração havida de 1% para 3% promovida pelo Decreto acima mencionado, sem que houvesse a devida comprovação do aumento do número de acidentes do trabalho ocorridos no período. Acrescenta que as informações estatísticas fornecidas somente levam em conta o número de acidentes do trabalho ocorrido em cada atividade econômica (freqüência), sem trazer os índices do custo e da gravidade dessas ocorrências, dados que considera imprescindíveis, em atenção ao princípio suso mencionado. Noutro giro, mas no mesmo sentido de combater a majoração da alíquota, afirma que houve uma modificação na sistemática de imputação das ocorrências, posto que presumiuse a ocorrência infortunística pela introdução do conceito de nexo técnico epidemiológico, pela inclusão do § 3° ao art. 337 do Decreto n° 3.048/99, cuja averiguação independe da causa que originou o acidente. Por fim, reputa indevida a inclusão dos Diretores no Relatório de Vínculos, posto que a imputação de responsabilidade em relação a quitação de débitos não é imediata e depende da comprovação de determinados requisitos disciplinados pelo art. 135, III do CTN, inexistindo provas, nos autos, de que teriam incorrido em tais condutas. Posto nesses argumentos, requer o cancelamento do Auto de Infração combatido, bem como que conste expressamente no julgamento da Impugnação que não serão indicados, em eventual Certidão de Dívida Ativa, os nomes dos Diretores descritos nos relatórios de vínculos. É a síntese do necessário ao julgamento. A DRJ julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. POSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO. O depósito judicial do montante da contribuição devida não impede a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Fl. 586DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 587 4 AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O prazo decadencial corre célere, sem interrupções ou suspensões, de sorte que mesmo ao abrigo de causa suspensiva de sua exigibilidade é cabível o lançamento fiscal para constituição de crédito tributário, visando a prevenção da decadência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. As decisões judiciais e administrativas somente vinculam os julgadores de 1a instância nas situações expressamente previstas na legislação. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento com o mesmo objeto de demanda administrativa, importa em renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa. Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo este último terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal o Anexo ‘Relatório de Vínculos’, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. Cientificado do acórdão da DRJ em 26/09/2014, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 27/10/2014, reiterando os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 587DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 588 5 Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Depósito do montante integral desnecessidade do lançamento O ponto nodal da presente lide tributária diz respeito à necessidade de se efetuar o lançamento para prevenir a decadência, estando a exigibilidade do crédito tributário suspensa pelo depósito do montante integral perpetrado nos autos de ação judicial, em que se discute a diferença da alíquota do GILRAT. É fato incontroverso que não há diferença entre o valor depositado e o valor que o Fisco entende devido, tendo sido o lançamento efetuado com o fito único de se prevenir a decadência. O lançamento para prevenir decadência está disciplinado no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. não caberá lançamento de multa de ofício. § 1° O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Depreendese da leitura do dispositivo legal supra que só há remissão a duas das modalidades de modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário tratadas pelo art. 151 do CTN, que são a concessão de medida liminar em mandado de segurança e a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. Assim, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, esse lançamento é desnecessário, uma vez não há fluência do prazo decadencial. A doutrina e a jurisprudência do STJ acerca da matéria convergem para o entendimento da dispensa do crédito tributário para prevenir a decadência, nos casos de depósito do montante integral no exato valor do crédito tributário, ou seja, sem diferença apurada pelo Fisco. Esta Turma julgadora teve a oportunidade de se debruçar sobre o tema, através do voto da Conselheira Dione Jesabel Wasilewski, no acórdão nº 2201004.386 2a Câmara / Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 589 6 1a Turma Ordinária, que de forma didática traçou os contornos doutrinários e jurisprudenciais acerca da matéria, acrescentando Parecer da PGFN tratando do tema. O referido acórdão, cujos excertos abaixo utilizo como minha razão de decidir, se inicia com o artigo do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, Igor Rosado do Amaral, então julgador da DRJ Fortaleza, intitulado: possibilidade de dispensa do lançamento tributário para prevenir decadência nos casos de depósito do montante integral: Nesse sentido, transcrevo do texto intitulado "Possibilidade de dispensa do lançamento tributário para prevenir decadência nos casos de depósito do montante integral", de Igor Rosado do Amaral (<http://www.ambitojuridico.com.br/site/?n_link=revista_artigo s_leitura&artigo_id=16096> acesso em 07/12/2017): Predomina doutrinariamente o entendimento de que o lançamento para prevenir decadência, consubstanciado no art.63 da Lei n° 9.430/96, já apresentado, não se aplica à hipótese de existência do depósito integral, conforme explica Machado (2008, p. 187): “A interpretação literal do art. 151, inciso II, do Código Tributário Nacional nos leva a entender que o depósito é um meio para suspender a exigibilidade do crédito tributário, que pressupõe tenha havido o lançamento. Na verdade, porém, o depósito suspende também a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado dos tributos nos casos em que esse pagamento antecipado seja legalmente determinado, vale dizer, em relação aos tributos submetidos ao lançamento por homologação, disciplinado pelo art. 150 do Código Tributário Nacional. Assim, mesmo sem existir o crédito tributário cuja exigibilidade deva ser suspensa pelo depósito, este é possível e tem o efeito de suspender a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado. O depósito suspende a exigibilidade do dever jurídico de fazer o pagamento antecipado e assume o lugar deste para ensejar a homologação, expressa ou tácita, da atividade desenvolvida pelo sujeito passivo na apuração do respectivo montante. Feito o depósito, a autoridade geralmente é chamada a se manifestar sobre o mesmo, e, se concorda com o valor correspondente, essa concordância opera a homologação da atividade apuratória, consumandose, desta forma, o lançamento. Assim, não se cogitará mais de decadência. [...]Uma vez efetuado o depósito, em relação ao valor correspondente não se há de cogitar mais de decadência, nem de prescrição. É que o depósito enseja o lançamento pela simples homologação, expressa ou tácita. E torna inteiramente sem sentido a ação de execução, porque, se a decisão final na ação em cujo âmbito tenha sido realizado for favorável à Fazenda Pública, a conversão do depósito em renda desta extinguirá o crédito tributário respectivo.” (grifo nosso) Esta posição é corroborada, com base em análise jurisprudencial, por Schoueri (2012, p. 1.199), que acrescenta: Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 590 7 “Embora a sistemática do Código Tributário Nacional faça crer que sem o lançamento inexiste crédito tributário, a jurisprudência tem visto tal formalidade como desnecessária, afirmando que o débito declarado prescinde de um lançamento para que se efetue a cobrança. Ou seja: se o contribuinte declarou que deve um tributo, mas não o pagou no vencimento, a Administração pode inscrever o débito em dívida ativa e cobrá lo, inclusive em juízo, sem que precise, antes, efetuar um lançamento.” Ainda que o depósito do montante integral não seja pressuposto para a discussão da existência da obrigação tributária, ou da relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, este ocorre, geralmente, quando o contribuinte pretende declarar inconformidade, seja judicial, seja administrativa, em relação à exigência, diante do que se manifesta Coelho (2002, p. 85): “Em tais circunstâncias a cautela requerida ao juízo, garantindo com o depósito da quantia litigada, é sempre para que a Fazenda Pública se abstenha dos atos de lançamento ex officio enquanto durar a lide e até que seja resolvida pela prolação de um julgado irrecorrível. Na hipótese de a Fazenda sair vencedora, o depósito se converte em renda (art. 156, VI do CTN), extinguindose o crédito tributário pertinente, sem que tenha havido lançamento, evidentemente desnecessário, porquanto a juridicidade do crédito já foi declarada pelo Poder Judiciário, revisor da lei fiscal e dos atos tributários da Administração.” E, na mesma linha, Paulsen (2013, p. 2.475): “Em face de o depósito ficar vinculado, legalmente, à decisão final, estando, desde o início, vocacionado à conversão em caso de não restar o contribuinte vencedor, só será necessário o lançamento se o Fisco pretender montante superior ao que foi depositado. Não haverá que falar em decadência, pois o depósito supre a necessidade do lançamento. De fato, já tendo o contribuinte apurado o montante devido e o vinculado ao resultado da demanda mediante o depósito, não há que se exigir o lançamento, que nenhuma função teria. [...] No prazo decadencial, deve ser constituído o crédito tributário pelo lançamento ou ser o crédito formalizado de outro modo, dispensando a realização do lançamento: declaração do débito, confissão para fins de parcelamento, depósito do montante do crédito etc. (grifo nosso).” Este é também o entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça STJ retratado na seguinte ementa de relatoria do Ministro Herman Benjamin, no REsp 1637092/RS, julgado em 09/12/2016: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL DA DÍVIDA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, II, Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 591 8 DO CTN. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. DISPENSA DO ATO FORMAL DE LANÇAMENTO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. SUMULA 83/STJ. Tribunal a quo julgou improcedente a apelação e não reconheceu a decadência quanto aos depósitos efetuados para discutir a exigibilidade de tributo relativo ao período anterior a 23/04/2007. É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. O acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ: ”Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida.” 4. Recurso especial não provido. Os fundamentos para essa decisão podem ser extraídos do voto do Ministro Mauro Campbel Marques no Acórdão n° 1.008.788/CE: Quanto ao mérito, sem razão a recorrente, pois a jurisprudência deste STJ firmouse no sentido de que, nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão do crédito tributário, promoveu a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso, porque verificou a ocorrência do fato gerador, calculou o montante devido e, em vez de efetuar o pagamento, depositou a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário foi constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizandose com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Destarte, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, entendese que o crédito foi constituído pelo contribuinte quando do depósito da quantia apurada, não havendo necessidade, portanto, de ato formal de lançamento por parte da autoridade. Com efeito, para que seja suspensa a exigibilidade de um crédito é necessário que ele já esteja constituído. No caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a atividade de Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 592 9 pagamento pode ser substituída pelo depósito, que produzirá efeitos semelhantes, estando, contudo, sujeito a um evento futuro e incerto pelo qual o depósito realizado poderá ser convertido em pagamento definitivo ou ser restituído ao sujeito passivo. Também merece registro o Parecer PGFN/CAT/N0 941/2007, que revisou o Parecer CRJ n° 1.064/93, ao tratar da necessidade de lançamento na hipótese de depósito integral do valor em litígio: O posicionamento a ser revisado entendia que “colimandose o preceito do art. 151 do Código Tributário Nacional, em relação ao disposto no art. 62 do Decreto n° 70.235/72, resulta que a autoridade fiscal, diante de medida liminar em Mandado de Segurança, ou ante o depósito integral do montante em litígio, em procedimento cautelar, deve efetuar o lançamento tributário, abstendose, contudo, de qualquer medida, em relação ao sujeito passivo, que vise constrangêlo ao pagamento”. Com base nisso, os contribuintes vinham alegando que nos casos em que efetuavam o depósito do montante discutido, e ao final a Fazenda Nacional saía vitoriosa, não seria possível a conversão em renda da União se a autoridade tributária não tivesse lançado o tributo no prazo legal. Assim sendo, o entendimento do Parecer PGFN/CRJ n° 1.064/93 vinha prejudicando a argumentação defendida pela PGFN em juízo. A diferença básica entre o antigo parecer da PGFN e as recentes decisões do STJ é que nestas foi trazida para a discussão a situação peculiar dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Apesar de a lei ser expressa quanto à competência privativa da autoridade administrativa para o lançamento (art. 142 do CTN), há também os casos de lançamento por homologação onde essa mesma lei (art. 150 do CTN) ordena que o contribuinte apure o seu próprio débito, sob controle a posteriori daquela autoridade. Equiparase esta situação ao que ocorre no depósito do valor em litígio: o contribuinte apura a quantia, mas ao invés de pagar efetivamente o tributo, deposita a quantia correspondente. A administração ao tomar ciência do montante devido poderá fazer sua própria apuração e se o valor depositado for menor do que o apurado ocorrerá o lançamento expresso pela autoridade. No caso de depósito de valor idêntico ao apurado pelo Fisco, este poderá homologálo tacitamente. Na lição de Leandro Paulsen: “impõese considerar, entretanto, que só será necessário o lançamento se o fisco pretender montante superior ao que foi depositado. Do contrário, não fará sentido algum, eis que o depósito, por natureza, está vinculado ao resultado da demanda, de forma que, se improcedente, ocorre a conversão em renda da União” (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 2a ed. Porto Alegre: Livraria do advogado, 2000, p. 517). Neste sentido podemos citar trecho do Acórdão no Recurso Fl. 592DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 593 10 Especial n° 615.303/PR, onde o Ministro José Delgado esclarece: “os contribuintes ao disponibilizarem essaimportância ao Juízo, para garantir eventual insucesso no pleito formulado, induvidosamente tornaram explícito o quantum que não foi pago à Fazenda e, assim sendo, findaram por declarar e identificar a obrigação tributária pendente de solução judicial. Não havendo, portanto, como se desconhecer tal evidência jurídica, e reclamar da autoridade tributante a prática de ato expresso que consubstanciasse o lançamento do crédito objeto de controvérsia, isto porque se apresenta notório o direito à conversão do depósito em renda em favor do fisco”. Neste mesmo sentido, decidiu o Ministro Teori Albino Zavascki, quando ainda integrava o Tribunal Regional Federal da 4aRegião: “TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Transitada em julgado a sentença denegatória do pedido do contribuinte, cabível a conversão em renda dos depósitos judiciais correspondentes. Em se tratando de tributos sujeitos a autolançamento (ART 150 do CTN 66), a conversão pode ser feita desde logo, independentemente de prévio lançamento ex officio. ”(TRF 4aRegião, AG 9604323830 RS, 2a Turma, DJde 30/04/1997) Segundo o regimento do CARF, este conselho é obrigado a seguir os julgamentos proferidos em sede de recurso repetitivo. O STJ, ao julgar o Resp n.° 1140956, é claro ao dispor que, havendo depósito integral, não deve haver o lançamento, nestes termos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (Precedentes: REsp 885.246/ES, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 06/08/2010; Resp julgado em 06/08/2009, DJe 21/09/2009; AgRg nos EDcl no REsp 1108852/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/08/2009, DJe 10/09/2009; AgRg no REsp 774.180/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, DJe Fl. 593DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 594 11 29/06/2009; REsp 807.685/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2006, DJ 08/05/2006; REsp 789.920/MA, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 06/03/2006; REsp 601.432/CE, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/09/2005, DJ 28/11/2005; REsp 255.701/SP, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/04/2004, DJ 09/08/2004; REsp 174.000/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/05/2001, DJ 25/06/2001; REsp 62.767/PE, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/1997, DJ 28/04/1997; REsp 4.089/SP, Rel. Ministro GERALDO SOBRAL, Rel. p/ Acórdão MIN. JOSÉ DE JESUS FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/02/1991, DJ 29/04/1991; AgRg no Ag 4.664/CE, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/08/1990, DJ 24/09/1990) É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação ; a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a Fl. 594DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 595 12 propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27a ed., p. 205/206). In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: "A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora." A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: "O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8 In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do Fl. 595DF CARF MF Processo nº 16327.721262/201391 Acórdão n.º 2201004.562 S2C2T1 Fl. 596 13 executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Como se vê, é pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste; como resultado, tornase desnecessário o ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. ( Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 596DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005369/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
COFINS. CUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA. CONCESSIONÁRIA.
A COFINS, na sistemática da cumulatividade (anterior à vigência da Lei no 10.833/2003) incide sobre o faturamento resultante da cobrança de tarifa sobre água e esgoto, auferido por sociedade de economia mista municipal, ainda que a execução do serviço, mediante remuneração, por contrato de concessão, seja parcialmente conferida a terceiro, por conveniência do concedente, com intermediação de rede bancária.
Numero da decisão: 3401-005.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 COFINS. CUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA. CONCESSIONÁRIA. A COFINS, na sistemática da cumulatividade (anterior à vigência da Lei no 10.833/2003) incide sobre o faturamento resultante da cobrança de tarifa sobre água e esgoto, auferido por sociedade de economia mista municipal, ainda que a execução do serviço, mediante remuneração, por contrato de concessão, seja parcialmente conferida a terceiro, por conveniência do concedente, com intermediação de rede bancária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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ÁGUA E ESGOTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 COFINS. CUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA. CONCESSIONÁRIA. A COFINS, na sistemática da cumulatividade (anterior à vigência da Lei no 10.833/2003) incide sobre o faturamento resultante da cobrança de tarifa sobre água e esgoto, auferido por sociedade de economia mista municipal, ainda que a execução do serviço, mediante remuneração, por contrato de concessão, seja parcialmente conferida a terceiro, por conveniência do concedente, com intermediação de rede bancária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 53 69 /2 00 7- 82 Fl. 830DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 06/12/2007 (fls. 587 a 591, com ciência em 06/12/2007 fl. 587)1 para exigência de COFINS, de janeiro a dezembro de 2003, no valor original de R$ 615.143,63, em função de falta/insuficiência de recolhimento, detalhada no Termo de Verificação Fiscal (TVF), em relação à empresa “DAE S.A. Água e Esgoto” (CNPJ 03.582.243/000173 doravante “DAE”). No TVF de fls. 592 a 601, narra a fiscalização que: (a) a fiscalização , com propósito de verificar cumprimento de obrigações tributárias referentes a IRPJ, no ano calendário de 2003, foi objeto de mandado de procedimento fiscal complementar, alastrando a fiscalização a PIS e COFINS; (b) no final de 1999, a recorrente, por meio da Lei municipal no 5.307, deixou de ser uma autarquia vinculada à Prefeitura Municipal de Jundiaí, passando a ser uma sociedade de economia mista, com participação de cinco pessoas físicas, membros, à época, do Conselho de Administração da empresa, e que detêm, juntas, 0,05% do capital (o que equivale a R$ 100,00); (c) o IRPJ de 2003 foi apurado trimestralmente, com base no lucro real; (d) da apreciação dos registros no Livro Diário e balancetes, verificou a fiscalização expressivos repasses à “Companha de Saneamento de Jundiaí” (CNPJ 01.201.289/000170 – doravante “CSJ”); (e) intimada, a empresa apresentou contrato de concessão, datado de janeiro de 1996, com duração de 20 anos, que tem por objeto os serviços de tratamento e disposição final dos esgotos sanitários do Município de Jundiaí, sendo que a remuneração da concessionária (CSJ), denominada de tarifa, dependia do volume mensal de água consumido pelos usuários e do volume de cargas de esgoto industrial, cabendo ao “DAE” a arrecadação das tarifas junto aos usuários; (f) quanto à rubrica tratamento de esgoto, do total arrecadado, a maior parte ficava com a “CSJ”, cabendo à “DAE” 5% mais a diferença entre valor arrecadado e a pagar, conforme previsto contratualmente; (g) o valor que ficou com a “DAE” foi contabilizado em conta de resultado e sujeito à tributação, enquanto que o valor repassado à “CSJ” não transitou por conta de resultado, sendo contabilizado apenas em contas patrimoniais, sem refletir, portanto, em tributação (exemplo à fl. 596); (h) apesar de não ter sido adicionado às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, onde o impacto fiscal seria nulo, em função de o valor entrar também como dedução, no que concerne à apuração das contribuições (PIS e COFINS) deveria o valor ter integrado as respectivas bases de cálculo, enquanto perdurou o regime da cumulatividade (no caso do PIS, o impacto, segundo o autuante, também seria zero, em função da Lei no 10.637/2002); (i) a legislação que rege a COFINS (art. 2o da Lei Complementar no 70/1991) não prevê a exclusão de valores da base de cálculo da contribuição, mesmo que repassados a outras pessoas jurídicas; (j) com a edição da Lei no 9.718/1998, aplicável a partir de 01/02/1999, o faturamento passou a corresponder à totalidade das receitas auferidas, independente do tipo de atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, passando a prever expressamente (art. 3o, § 2o, III) a exclusão de valores transferidos a terceiros, desde que observada a regulamentação editada pelo Poder Executivo, tendo sido tal dispositivo revogado antes da regulamentação, ensejando a edição do Ato Declaratório SRF no 56, de 20/06/2000, para disciplinar situações pretéritas; e (k) o valor tributável foi apurado com base na escrituração da “DAE”, e nas notas fiscais emitidas pela “CSJ” (detalhamento na tabela de fl. 600). Em oposição à autuação, a empresa apresentou impugnação em 07/01/2008 (fls. 603 a 617), sustentando que: (a) a autuação é nula, pois está fundada apenas em dispositivos regulamentares (Decreto no 4.524/2002), violando o princípio da estrita legalidade; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 831DF CARF MF Processo nº 13839.005369/200782 Acórdão n.º 3401005.084 S3C4T1 Fl. 831 3 (b) a autuada, ente da Administração Pública, optou por conceder o serviço de tratamento de esgoto a terceira pessoa, estabelecendo as normas a serem atendidas pelo concessionário; (c) a conta enviada aos consumidores de forma conjunta resulta em arrecadação que é parcialmente destinada à “DAE” (pelos serviços por ela prestados) e parcialmente à concessionária, também em virtude dos serviços por tal empresa prestados (serviços de tratamento de esgotos); (d) as tarifas recebidas pela concessionária a título do serviço de tratamento de esgoto não representam receita ou faturamento da empresa concedente, pois não se trata de subcontratação de serviços (o que implicaria faturamento do total das receitas e repasse de valores à subcontratada), mas de concessão de serviço público, cujo único titular é a concessionária; e (e) portanto, não existem repasses, mas faturamentos separados, sendo a separação de tarifas efetuada na própria instituição bancária contratada para implementar o disposto contratualmente (sendo o boleto único enviado pela “DAE” mera opção para facilitar a cobrança das tarifas devidas de consumidores de serviços distintos). O julgamento de primeira instância administrativa ocorre em 05/10/2009 (fls. 681 a 696), acordando unanimemente a DRJ em manter o lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) as bases legais da autuação estão todas relacionadas no Termo de Verificação anexo à autuação, não havendo violação à legalidade, ou nulidade; (b) a autuada é pessoa jurídica de direito privado, ainda que sujeita a algumas regras do setor público, como a contratação por meio de licitação, o que resta claro por ter sido adotada uma tarifa/preço público, e não uma taxa; (c) a autuada tem como objeto social, entre outros, a prestação dos serviços de esgoto, que poderia efetuar de forma direta, tendo livremente optado por executar a tarefa pela via indireta, usando o consórcio “CSJ”; (d) toda a relação com o usuário ficava a cargo da “DAE”, inclusive medições, contas, cobrança de inadimplentes; (e) apenas o detentor da titularidade do serviço público, no caso, o Município, poderia conferilo a terceiros por meio de concessão; (f) os valores pagos pelos usuários dos serviços à “DAE” correspondem a faturamento e compõem a base de cálculo da COFINS, independentemente da validade ou não da ampliação do conceito de faturamento constante na Lei no 9.718/1998; e (g) o caso se assemelha a outro, apreciado e pacificado pelo STJ no REsp no 847.641/RS (locação de mão deobra). Ciente da decisão de piso em 13/11/2009 (AR à fl. 704), a empresa interpôs o recurso voluntário de fls. 722 a 744 (data inicialmente ilegível, mas, confirmada como 11/12/2009 após refazimento da digitalização, a nosso pedido), reiterando as razões de impugnação (à exceção da referente à nulidade por violação à legalidade estrita), e adicionando que: (a) os serviços foram executados pela concessionária (“CSJ”) e a esta diretamente pagos (depósito direto pela instituição financeira centralizadora, em conta bancária do consórcio “CSJ”, e que apenas o ingresso efetivo de recursos no patrimônio da recorrente é que pode ser objeto de tributação pela COFINS; (b) que houve derrogação expressa do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998; e (c) que a recorrente é sociedade anônima de economia mista, fazendo jus à imunidade intergovernamental recíproca (art. 150, VI “a” da CF/1988). Em 15/12/2009, a unidade preparadora da RFB enviou o processo ao CARF, por meio do despacho de fl. 825. Nenhum outro andamento processual consta nos autos, conforme peças no sistema eprocessos, cabendo destacar que o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em 30/11/2017. É o relatório. Fl. 832DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, e, portanto, dele se toma conhecimento. Caberia, de início, esclarecer o que resta de contencioso no presente processo. No entanto, preferimos, por razões metodológicas, destacar inicialmente o que já não faz parte do contencioso, para centrar, posteriormente, a discussão na efetiva divergência entre fisco e recorrente, que, a nosso ver, é pontual. Em relação à preliminar demandando nulidade do lançamento por estar restrito a norma infralegal, não reiterada no recurso voluntário, temos que a recorrente deve ter percebido e acolhido a escorreição da argumentação da decisão de piso, no sentido de que os fundamentos legais da autuação estavam todos no Termo de Verificação Fiscal, que a integra. Há, ainda duas alegações recursais inovadoras, ainda que ad argumentandum tantum, que pouco se relacionam com a matéria discutida no presente processo, a nosso ver: a derrogação expressa do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (que já havia sido, inclusive, tomada em conta na decisão de piso, não versando o presente processo, v.g., sobre receitas financeiras), e o entendimento de que a recorrente, sociedade anônima de economia mista, faria jus à imunidade intergovernamental recíproca (art. 150, VI “a” da CF/1988), visto que basta a simples leitura do texto constitucional para que se saiba que tal imunidade se refere a impostos (e aqui se está a tratar de COFINS, que é uma contribuição), não sendo a menção a doutrinadores capaz de alterar o texto explícito da Lei Maior. Também vemos pouca importância, no caso, em ser a “DAE” uma sociedade de economia mista, e na transcrição das atividades que constituem do objeto social da “DAE”, entre elas “operar, manter, conservar e explorar, diretamente ou indiretamente, os serviços de esgotos sanitários do Município de Jundiaí”. Como se vê, tais elementos, neutros, são incontroversos, e são utilizados tanto pela fiscalização quanto pela recorrente em suas alegações. Também não divergem fisco e recorrente sobre os termos dos contratos (que estão, inclusive reproduzidos nos autos – fls. 639 a 677), e igualmente se prestam à argumentação de ambos. Ninguém parece ter dúvidas de que a “DAE” tinha por objeto social os serviços de esgoto, mas que podia mantêlo/explorálo direta ou indiretamente, e que o fazia, indiretamente, por meio da “CSJ”, conforme estabelecido em contrato. A DRJ chega até a questionar a possibilidade jurídica do contrato, no que, francamente, excede as razões de autuação, o que importa desconsideração do argumento, ao menos neste foro. Eventual questionamento sobre a possibilidade jurídica do contrato deveria, se fosse o caso, ser feito aos órgãos competentes, e não no bojo do julgamento administrativo de exigência de crédito tributário, como razão de decidir, ainda mais se sequer suscitada pelo próprio autuante. No entanto, uma divergência flagrante (e que não parece ser de entendimento, mas fática), entre a fiscalização e a recorrente se refere a existirem ou não “repasses” da “DAE” à “CSJ”. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13839.005369/200782 Acórdão n.º 3401005.084 S3C4T1 Fl. 832 5 A fiscalização, no TVF, afirma que (fls. 594, 595 e 596): A recorrente, por seu turno, sustenta que (fls. 727, 730 e 731): Ao se analisar o contrato celebrado entre “DAE”, “CSJ” e o Banco do Estado de São Paulo (fls. 659 a 662), resta clara a função de cada um logo na segunda cláusula: Fl. 834DF CARF MF 6 A “DAE”, como visto, é quem detém competência para cobrar valores dos consumidores os serviços, por meio de contas mensais. Poderia, inclusive, cobrar tarifas e executar diretamente os serviços. Mas optou por cobrar tarifas e remunerar terceiro, contratado, criando conta bancária em instituição que reparte o montante arrecadado e divide entre contratante (concedente – “DAE”) e contratado (concessionário – “CSJ”). A origem do contrato com a instituição bancária estava prevista nas normas de concessão (fls. 639/640): As disposições das normas de concessão deixam clara a distinção entre “TARIFA” (valor total a ser cobrado do usuário, pela Concedente) e “REMUNERAÇÃO” (da Concessionária), às fls. 643/644: E, após estabelecer as parcelas da “TARIFA” que correspondem à “REMUNERAÇÃO” da Concessionária, o contrato estabelece (fls. 644/645) a forma de cobrança: Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13839.005369/200782 Acórdão n.º 3401005.084 S3C4T1 Fl. 833 7 Vejase que o “DAE” efetua a cobrança da “TARIFA”, ainda que por meio de instituição bancária, e “REMUNERA” e concessionária (“CSJ”) em relação a serviços de esgoto. Aliás, isso resta cristalino na cláusula 11 das normas de concessão (fl. 650): A sistemática de utilizar instituição bancária, como esclarece a própria recorrente, busca facilitar o rateio da tarifa no que se refere à parcela que constitui “REMUNERAÇÃO” da concessionária (“CSJ”). Voltando ao contrato de ambas (“DAE” e “CSJ”) com a instituição bancária (“CENTRALIZADOR”), percebese, pela cláusula 3 (fl. 659), que é exatamente esse o objetivo do contrato (regular a segregação da parcela da “TARIFA” que corresponde à “REMUNERAÇÃO” da concessionária, devendo ser compreendido que no contrato com a instituição bancária a palavra “remuneração” se refere ao que esta recebe – digase, da “DAE” para sua tarefa de segregação, cf. cláusula 14): Pelo que se pode compreender do contrato, a totalidade da “TARIFA” é cobrada pelo “DAE” (e nem poderia ser diferente, pelo que aqui já se expôs em relação à titularidade dos direitos de cobrança), que pode, inclusive, inicialmente, utilizar outra instituição bancária para a cobrança da totalidade da “TARIFA”. E é disso que se ocupam as cláusulas 4 e 5 do contrato (fl. 660): Fl. 836DF CARF MF 8 O que de fato acontece, então, no cenário descrito, é a arrecadação da tarifa pelo “DAE”, tarifa essa que serve para remunerar o “CSJ”, pelo serviço de esgoto, e a instituição bancária que reparte o valor da tarifa. Não é preciso, nesse cenário, muito esforço para compreender que a totalidade da tarifa é devida ao “DAE”, e que a dita remuneração ao “CSJ” é exatamente o repasse a que se refere a fiscalização. E tal repasse é inclusive registrado na contabilidade da “DAE” (embora não o seja em conta de resultado), como narra o fisco, e não contesta a empresa, que, no entanto, pede que não seja dado tanto valor ao que registra em sua contabilidade, em tópico do recurso voluntário intitulado “da inaplicabilidade dos lançamentos contábeis como fato gerador da COFINS” (fl. 736/738), concluindo que: Assim, parece entender a recorrente que os valores por ela cobrados a título de tarifa dos usuários (e registrados em sua contabilidade), poderiam estar fora do campo de incidência da COFINS cumulativa (anterior à Lei no 10.833/2003), pelo simples fato de celebrar contrato com instituição bancária para que esta separasse e entregasse a uma concessionária parte do valor da tarifa. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13839.005369/200782 Acórdão n.º 3401005.084 S3C4T1 Fl. 834 9 Aliás, retomese o exemplo já citado neste voto, pela fiscalização, com emissão de nota fiscal de serviços para repasse à “CSJ”, e não refutado especificamente pela recorrente: Não entendo que tenha havido pagamento, pelo usuário, diretamente à “CSJ”, mas sim pagamento à “DAE”, que, por liberalidade sua, celebrou contrato com instituição bancária para divisão de seus recursos arrecadados com a “CSJ”, e, com isso, alinhome ao argumento central da autuação, de que, à época do regime cumulativo (em que as alíquotas eram menores, justamente por incidir a contribuição de forma cumulativa), a contribuição incidia a cada etapa da cadeia de produção/prestação de serviços. Nas palavras da fiscalização, aqui endossadas (fl. 599): É claro que se a autuação se referisse a período já sobre o manto da não cumulatividade (posterior à Lei no 10.833/2003), a análise seria substancialmente diferente. Mas há que se julgar exatamente o tema controverso apresentado, à luz da legislação de regência vigente à época dos fatos narrados. E, em tal universo delimitado, entendemos procedente a alegação fiscal, e cabível a incidência de COFINS sobre as operações em análise. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 838DF CARF MF 10 Fl. 839DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18043.720047/2017-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO.
TRIBUTAÇÃO CONFORME ARTIGO 9º DA LEI 7.713/88.
Numero da decisão: 2002-000.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. TRIBUTAÇÃO CONFORME ARTIGO 9º DA LEI 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 04 3. 72 00 47 /2 01 7- 17 Fl. 89DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 76/77) contra decisão de primeira instância (fls.65/68), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Foi lavrado auto de infração por Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royaltes Recebidos de Pessoas Jurídicas. O contribuinte entregou Declaração de Ajuste Anual (DAA) de exercício 2013 (ano calendário 2012) com saldo de Imposto de Renda a pagar no valor de R$ 356,78 (fls 47). Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, requerendo a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Alega que os rendimentos recebidos de CEVA LOGISTICS, eram decorrentes de serviço de transportes de cargas como motorista autônomo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, negou provimento a impugnação, para manter o auto em sua integralidade. Inconformado, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente, que sobre o valor de R$ 68.335,74 (bruto), deve ser tributável apenas 40%, ou seja R$ 27.334,35. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Cuidase de Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Inicialmente, destaco que pelos documentos juntados aos autos (contrato de prestação de serviço fls 13/18; CNH do tipo D – fl.78; propriedade do veículo FIAT DUCATO – fl. 45), o recorrente atuava como transportador de carga autônomo, com o seu próprio veículo. Assim, aplicável ao contribuinte o disposto no artigo 9º, I, da Lei 7.713/88, com redação original, ou seja, antes da Lei nº 12.794/2013, que assim dizia: “Art. 9º Quando o contribuinte auferir rendimentos da prestação de serviços de transporte, em veículo próprio locado, ou adquirido com reservas de domínio ou alienação fiduciária, o imposto de renda incidirá sobre: I – quarenta por cento do rendimento bruto, decorrente do transporte de carga.”. Do cotejo entre o fato provado, qual seja, que o contribuinte recebeu da empresa CEVA LOGISTICS rendimentos decorrentes da prestação de serviços de transporte de carga em veículo próprio, e o previsto na legislação pertinente, dáse razão ao recorrente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 18043.720047/201717 Acórdão n.º 2002000.116 S2C0T2 Fl. 3 3 para reconhecer que é tributável apenas 40% do valor total recebido de R$ 68.335,74, que em número absoluto seria R$ 27.334,35. É bem de ver que o contribuinte informou a RFB que o valor de rendimento tributável seria de R$ 16.793,61, o que não é correto, assim como também não é correto o valor apontado pela RFB de R$ 68.335,74. Desta forma, determino o recalculo do imposto devido, tendo em vista que a omissão de rendimento foi de R$ 10.548,69 (R$ 27.334,30 – R$ 16.793,61). Registro, por relevante, que cabe à fonte pagadora efetuar a retenção e recolhimento do imposto de renda e enviar ao beneficiário o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido, podendo ser apenada pelo não envio desse comprovante, bem como por informação incorreta prestada, mas isso não elide a responsabilidade do contribuinte pelas informações prestadas em sua declaração de IR. Caso o contribuinte se sinta prejudicado com a informação incorreta prestada pela fonte pagadora, deve procurar a reparação de seu dano pelos meios próprios, não estando a RFB vinculada ao equivocado informe da fonte pagadora. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento, determinandose o recálculo do imposto devido, considerada a omissão de rendimento no valor de R$ 10.548,69. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727417/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização i) elabore planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentadas à Fiscalização, totalizando-as por mês, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contenham o regular destaque da retenção, assim como que tenham sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão ii) junte aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciem os valores apurados, retidos e compensados no mês correspondente; e iii) apresente manifestação acerca dos documentos produzidos
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini.
RELATÓRIO
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização i) elabore planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentadas à Fiscalização, totalizando-as por mês, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contenham o regular destaque da retenção, assim como que tenham sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão ii) junte aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciem os valores apurados, retidos e compensados no mês correspondente; e iii) apresente manifestação acerca dos documentos produzidos (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. RELATÓRIO
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Recorrente PLANALTO SERVICE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização i) elabore planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentadas à Fiscalização, totalizandoas por mês, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contenham o regular destaque da retenção, assim como que tenham sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão ii) junte aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciem os valores apurados, retidos e compensados no mês correspondente; e iii) apresente manifestação acerca dos documentos produzidos (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Denny Medeiros da Silveira e Renata Toratti Cassini. RELATÓRIO Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 27 41 7/ 20 15 -7 9 Fl. 6176DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 3 2 Contra o contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 17.09.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária e multas, em função das seguintes infrações levantadas: TRIBUTO: 1 Valores Indevidamente Compensados Glosa de Retenção (PRESTADOR) principal de R$ 9.122.561,73 período de 01/2012 a 12/2013 acrescido de multa de mora e juros legais Selic; MULTA ISOLADA: 2 Compensação com Falsidade de Declaração período de 01/2012 a 12/2013 multa isolada no valor de R$ 13.683.842,55; MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: 3 Falta de Destaque dos 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por empresa cedente de mãodeobra período de 25.08.2015 multa no valor de R$ 1.925,81; 4 Não exibição de documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.21291 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas período de 25.08.2015 multa no valor de R$ 19.257,83; e 5 Apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD) com informações incorretas ou omissas período de 28.08.2015 multa de R$ 12.362.780,49. Relatório Fiscal às fls. 20/184. Foram incluídos como responsáveis solidários as empresas abaixo, em função de comporem, como sustentado pelo Fisco, o mesmo grupo econômico de fato, que decorreria de mero exercício de poder de controle. MOVELARIA E MADEIREIRA MERCEDES LTDA ME CNPJ 72.573.165/000165; PLANALTO SERVIÇOS EMPRESARIAS LTDA ME CNPJ 32.906.349/000183; e PLANALTO EMPRESAS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA CNPJ 00.734.276/000101. Regularmente intimado, apresentou Impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 4980/5032, com a seguinte ementa: RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, Fl. 6177DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 4 3 com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Procedida a retificação do lançamento, sendo excluídos dos Autos de Infração os valores lançados a maior, pela fiscalização. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. Sujeitase à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mãodeobra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A alegação de que a multa não atende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 6178DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 5 4 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ’s) são incompetentes para se manifestar a respeito de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Em seu Recurso Voluntário às fls. 5068/5098 aduz, em breve síntese: Em preliminar: Que a recorrente, embora reconheça a receita na prestação de serviços pelo regime de competência, consoante dispõe a norma; utilizase do regime de caixa para a contabilização da retenção relativa àquelas mesmas receitas. Assim, uma vez que o recolhimento da contribuição sobre a folha dáse em momento anterior à utilização da retenção sofrida (por compensação), não haveria prejuízo ao erário, na medida em que estaria antecipando a receita ou diferindo o direito de aproveitamento da retenção. No mérito, passo a relatar, segundo a estrutura dos tópicos no recurso: IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DOS CRÉDITOS DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO CRÉDITO – NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Que o autuante não procedeu de maneira a comprovar a inexistência do crédito de retenção na fonte; Que no Relatório Fiscal haveria valores em planilhas em campos que consta como "não entregou" ou "não informou", que na realidade constam tanto na nota fiscal emitida, como na planilha do demonstrativo mensal. Que estaria juntando os razonetes das contas "bancos", "clientes" e "previdência social a recolher" SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APONTAMENTO DE RETENÇÕES A MENOR – IMPACTO NO VALOR FINAL A SER PAGO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Que o auditor suprimiu valores de contribuição previdenciária retida, seja de GPS não consideradas ou mesmo aquelas nas quais não foram computados os valores relativos à atualização monetária e juros. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – NECESSIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DOS VALORES A SEREM PAGOS PELA CONTRIBUINTE – APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Que o autuante desconsiderou os excedentes de retenção havidos nos meses de março, outubro e novembro de 2012, que deveriam ser utilizados em compensações de períodos posteriores. Fl. 6179DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 6 5 IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 89, §10º, DA LEI N. 8.212/91 – FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Que em momento algum se alegou ou comprovou que a Contribuinte teria se utilizado de artifícios fraudulentos para lesar o fisco. Ao contrário, ela mesmo, de boafé, expos à fiscalização a forma como realizava a contabilização dos créditos advindos da retenção em nota fiscal. Que a aplicação da multa de ofício isolada agravada resguardase para as hipóteses em que o contribuinte tenha realmente a intenção de fraudar o Fisco, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou qualquer ato doloso nesse sentido. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 – APRESENTAÇÃO DE ECD COM INEXATIDÃO Que o fato de a autuada contabilizar suas retenções pelo regime de caixa, fato esse inclusive noticiado pela Contribuinte no curso da fiscalização, não importa em inexatidão, incompletude ou omissão de informações na escrita fiscal, já que a empresa entendia por correta sua forma de reconhecer e mensurar os créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – BASE DE CÁLCULO DA MULTA MAJORADA – ERRO NO DIMENSIONAMENTO DA INFRAÇÃO Que interpretação adequada à dosimetria da pena é aquela que leva em consideração o valor das transações ou operações que contenham informações omitidas, inexatas ou incompletas, desde que não seja o valor final inferior à R$ 100,00. Entender pela base de cálculo como sendo o faturamento anual da empresa desvirtua o próprio sentido da norma, transmudando o seu texto e fazendo produzir efeitos que nem mesmo o legislador pensou. Que, nesse rumo, a base de cálculo da multa, na hipótese de manutenção do auto de infração neste ponto, o que se coloca apenas por apego ao debate, deve ser retificada, para que leve em consideração somente as glosas dos créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA SEGUNDO O TEXTO DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 DADO PELA LEI N. 12.766/12 – RETROATIVIDADE BENIGNA Que deve ser aplicada a retroatividade benigna, decorrente da redação dada pela Lei 12.873/13, ao artigo 57, III, "a" da MP 2.158/2001. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA POR AUSÊNCIA DE DESTAQUE DE RETENÇÃO EM ALGUMAS NOTAS FISCAIS Que o dever de retenção de contribuição previdenciária na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, desde fevereiro de 1999, é da empresa contratante, e não da empresa prestadora de serviços, conforme previsão contida no artigo 112 da IN n. 971/09. Fl. 6180DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 7 6 Que em não havendo destaque e retenção, não haverá também proveito de crédito de retenção. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE ALGUMAS NOTAS FISCAIS. Que não procedeu de forma como afirmado no relatório fiscal, na medida em que teria, sim, apresentado as notas fiscais questionadas pelo autuante. DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONÔMICO. Que a jurisprudência consolidada do E. Superior Tribunal de Justiça afasta a caracterização de responsabilidade tributária solidária, quando não haja realização conjunta do fato gerador. Que as empresas, de fato, não praticam atividades conjuntamente ou de alguma forma interligadas, o que, por si só, é mais que suficiente a evidenciar a ilegitimidade do respectivo arrolamento das sociedades como devedoras solidárias do presente crédito tributário. É o relatório. VOTO Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 21.03.2017 (fls. 5062) e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 19.04.2017. Preenchidos os demais requisitos, dele passo a conhecer. O demais solidários foram intimados por edital (fls. 5064), eis que improfícua as intimações pela via postal, e quedaramse inertes. Consoante informa a Fiscalização em seu Relatório Fiscal, o contribuinte teria sido intimado a demonstrar a apuração dos créditos decorrentes da retenção em Notas Fiscais e das compensações realizadas. Em resposta, teria apresentado planilhas dos anos 2012 e 2013 com relação das notas fiscais e percentual dos tributos descontados. Passo a inferir, com isso, que o crédito do contribuinte estaria lastreado em retenções sofridas nos anos de 2012 e 2013 e utilizadas nos respectivos meses. Assim sendo, envolveriam retenções utilizadas no próprio mês de emissão da nota fiscal ou fatura de serviços, para compensar o valor das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. Vale registrar que tal intimação decorreu da constatação de que os valores compensados com retenções do mês eram substancialmente maiores do que os recolhimentos identificados nos sistemas. Explico: com o destaque da retenção pelo prestador, o tomador deve efetuar seu recolhimento no CNPJ do prestador, informando na GPS, a data de referência (competência) como a da emissão da nota. Assim, ainda que o recolhimento da retenção se dê em momento posterior, a apropriação, pelo sistema, tomará a da data de referência (competência) informada na GPS, de Fl. 6181DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 8 7 forma que, se regularmente recolhidas pelo(s) tomador(es) passem a guardar relação com o valor informado pelo contribuinte em suas GFIP. Desta feita, o valor recolhido em GPS, na competência que lá aparece nos sistemas da RFB, deve, ou ao menos deveria, revelar as retenções sofridas pelo prestador naquele mês. Veja que, com isso, a auditoria fiscal passa, necessariamente, pela consulta a tal sistema. Uma vez verificada a significativa diferença, como no caso em tela, onde os recolhimentos mostraramse inferiores às retenções/compensações declaradas nas respectivas GFIP, há de se investigar sua causa, como por exemplo: se ausência de recolhimentos pelos tomadores; ou se aproveitamento pelo prestador sem lastro nos documentos fiscais; ou ainda, se erro de tomador ao informar a competência na GPS. Quanto à última hipótese acima, registrese que, com certa freqüência, alguns tomadores informam na GPS um período de referência posterior ao da emissão da nota fiscal, com vistas a furtarse ao recolhimento dos acréscimos legais. Nesse sentido, considerando que na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, artigo 31 da Lei 8.212/91 e §§ 4º, 9º e 10 do artigo 219 do Decreto 3.048/99, o prestador passa ter direito ao crédito, a rigor, já no ato da emissão da nota fiscal ou fatura de serviço com o devido destaque da retenção, faz imprescindível a apresentação das notas fiscais então emitidas no período. Art. 137. O lançamento da retenção na escrituração contábil, de que trata o art. 136, deverá discriminar: I o valor bruto dos serviços; II o valor da retenção; e III o valor líquido a receber. Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratante, a empresa contratada deverá manter em registros auxiliares a discriminação desses valores, por contratante, conforme disposto no inciso III do art. 134. Do dispositivo acima, temse que haverá um lançamento de 3ª fórmula1, no seguinte padrão, tomando por exemplo uma nota fiscal de serviços no valor de R$ 100.000,00: D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor Líquido a Receber R$ 89.000,00; D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor da Retenção R$ 11.000,00; e C CONTA DE RESULTADO RECEITA Valor Bruto dos Serviços R$ 100.000,00 Com isso, com a emissão da nota, o contribuinte já contará com seu crédito contabilizado em conta de Ativo. 1 É o registro do fato contábil envolvendo mais de uma conta devedora e apenas uma conta credora. http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/lancamcont.htm Fl. 6182DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 9 8 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei. Percebase da redação acima, que o recolhimento do valor retido darseá, como regra, até o dia 20 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura. Assim, ainda que o pagamento ao prestador se dê em um outro momento, bem a frente, por exemplo, o fato é que a retenção deve ser recolhida tomando por referência o dia da emissão da nota ou fatura de serviço, fazendo com que não haja substancial distanciamento entre o aproveitamento do crédito pelo prestador (data da emissão da nota) e o ingresso do respectivo valor aos cofres públicos (até o dia 20 do mês subseqüente). Efetuado o recolhimento após o prazo acima assinalado, serão devidos os acréscimos legais, que, por óbvio, não integrarão o valor do crédito do prestador. E mais, a teor do § 5º do artigo 33 da Lei 8.212/91, a empresa contratante dos serviços que deixou de reter os 11%, quando devida a retenção, fica diretamente responsável pelo pagamento do tributo não retido e não recolhido. Confirase o texto. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Vejamos, adiante, o que prescreve o artigo 219 do Decreto 3.048/99: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitadade mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do Fl. 6183DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 10 9 recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina,ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247. §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. Feitas as breves considerações acima, podese resumir o procedimento da seguinte forma: Cabe ao prestador observado o serviço prestado e legislação pertinente emitir a nota fiscal ou fatura de serviço com o destaque da contribuição a ser retida, o que autorizarlheá sua imediata compensação2 com o valor da contribuição devida sobre a folha naquele mesmo mês de emissão da nota. Somente na hipótese em que houver excesso de retenção em relação ao valor da contribuição devida no mês é que o contribuinte estará autorizado a ver restituído ou compensar esse excedente em períodos posteriores, na forma da lei. Se, por sua vez, não efetuar o destaque, além de se sujeitar a multa regulamentar, a utilização da retenção em compensações estará condicionada à comprovação de sua efetiva ocorrência. A seu turno, cabe ao tomador observado o serviço contratado e legislação pertinente efetuar a retenção e recolhimento da contribuição no prazo legal, independentemente de ter havido ou não seu destaque. Pois bem. A fiscalização efetuou o lançamento das divergências a seguir apontadas, levandose em conta o valor compensado na GFIP e os recolhimentos de retenção identificados no mesmo mês, promovidos por seus tomadores. Vejase: 2 ..ou por outro estabelecimento da mesma empresa. Fl. 6184DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 11 10 Todavia, consta às fls. 469/517, planilha aparentemente apresentada pelo autuado, na qual relaciona as notas fiscais emitidas no período de 2012 e 2013, com a discriminação dos valores totais e retenções destacadas nas mesmas. O procedimento adotado pelo Fisco foi motivado pela constatação de que nenhuma das retenções e tomadores informados na planilha "Valores Declarados em GFIP por tomador" (fls. 550/569) correspondia aos valores informados pelo recorrente na planilha de notas emitidas no período (2012/2013). Ou seja, desconsiderou todas notas fiscais emitidas no período, pelo fato de não terem sido informadas (as retenções) na GFIP. A não identificação direta na GFIP, ainda que possa coincidir um ou outro tomador, decorre do fato de o recorrente, como já dito alhures, declarar e contabilizar as retenções, observando o regime de caixa. É dizer, quando do recebimento pelo serviço prestado. Ademais, a afirmação no item 12 do relatório fiscal (fls. 192), no sentido de que "Nenhum, repito, nenhum desses valores de retenção declarados em GFIP corresponde aos valores informados pelo contribuinte na planilha “Demonstrativo mensal (IN RFB 9712009" merece ser melhor avaliada. Vejamos: Fl. 6185DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 12 11 Conforme se verifica da planilha de fls. 550 e seguintes, os valores de retenções informados nas GFIP apresentamse consolidados, mensalmente, por tomador, ao passo que naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), aparentemente detalhado por nota. Veja: Assim, se considerada a sistemática adotada pelo contribuinte e na hipótese de nota emitida e liquidada no mesmo mês, há a inafastável possibilidade de que referido documento, listado naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), esteja integrando o valor consolidado naquela planilha de fls 550, que retrataria, repito, as retenções informadas em GFIP. Reforça a tese, o comparativo efetuado pelo autuante no item 22 do relatório fiscal, que aparentemente considerou os débitos na conta contábil 2.1.1.3.01.0004 PREVIDÊNCIA SOCIAL A RECOLHER – 2012 e 2013 e as notas fiscais que integraram o sobredito demonstrativo mensal (IN RFB 9712009). Daquele comparativo, pôdese constatar que várias notas emitidas em determinado mês, tiveram suas retenções aproveitadas no próprio mês. Confirase, por amostragem: Fl. 6186DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 13 12 A partir dos totais mensais daquela planilha de notas emitidas (demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), chegouse ao comparativo adiante: RETENÇÃO DIFERENÇA PLANILHA GPS GFIP GFIP x GPS GFIP x PLANIL JANEIRO 1.543.120,48 1.545.525,61 1.763.534,82 218.009,21 220.414,34 FEVEREIRO 1.664.494,46 1.707.060,20 1.827.568,57 120.508,37 163.074,11 MARÇO ABRIL 1.622.309,25 1.602.097,18 1.779.703,62 177.606,44 157.394,37 MAIO 1.497.559,67 1.439.284,26 1.786.620,02 347.335,76 289.060,35 JUNHO 1.792.543,79 1.811.776,52 1.862.140,80 50.364,28 69.597,01 2012 JULHO 1.648.295,50 1.726.639,23 1.849.894,39 123.255,16 201.598,89 AGOSTO 1.539.195,40 1.570.523,63 1.907.135,47 336.611,84 367.940,07 SETEMBRO 1.662.119,23 1.553.039,49 1.874.264,31 321.224,82 212.145,08 OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 1.952.269,86 1.719.221,27 1.986.582,01 267.360,74 34.312,15 13 SAL 245.640,39 245.640,39 245.640,39 JANEIRO 1.091.593,98 1.053.300,11 1.883.388,32 830.088,21 791.794,34 FEVEREIRO 1.519.729,29 1.754.332,94 2.071.214,77 316.881,83 551.485,48 MARÇO 1.775.488,96 1.599.091,24 2.183.954,96 584.863,72 408.466,00 ABRIL 1.904.776,56 1.843.160,20 2.304.152,22 460.992,02 399.375,66 MAIO 2.350.557,34 1.966.822,79 2.416.145,53 449.322,74 65.588,19 JUNHO 1.860.748,11 1.706.051,62 2.335.786,66 629.735,04 475.038,55 2013 JULHO 2.203.469,15 2.365.742,54 2.422.603,31 56.860,77 219.134,16 AGOSTO 2.342.700,63 2.147.840,77 2.478.931,81 331.091,04 136.231,18 SETEMBRO 1.895.446,58 1.905.756,54 2.473.042,56 567.286,02 577.595,98 OUTUBRO 2.502.449,79 2.451.205,42 2.582.965,61 131.760,19 80.515,82 NOVEMBRO 2.461.014,71 2.379.649,45 2.527.744,88 148.095,43 66.730,17 DEZEMBRO 2.737.447,97 2.533.647,15 2.797.010,73 263.363,58 59.562,76 13 SAL 2.144.304,13 2.144.304,13 2.144.304,13 Às fls. 201, no item 21 do relatório fiscal, há uma planilha com relação de notas fiscais que não teriam sido apresentadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. Por outro lado, a partir de fls. 3924, há vários documentos fiscais acostados, intitulados como "apresentados durante fiscalização e relacionados pelo fiscal como não entregues". Dentre as apontados pelo autuante às fls. 201, podese notar que, de fato, há cópias de várias daquelas notas juntadas aos autos. Forte nas considerações acima, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência à unidade de origem, com vistas a que a Fiscalização: 1 Elabore planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentadas à Fiscalização, totalizandoas por mês, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contenham o regular destaque da retenção, assim como que tenham sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão, consoante determina o artigo 137 da IN RFB nº 971/2009; Fl. 6187DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Resolução nº 2402000.671 S2C4T2 Fl. 14 13 2 Junte aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciem os valores apurados, retidos e compensados no mês; e 3 Apresente manifestação (Informação Fiscal) acerca dos documentos produzidos. Cumprida a diligência, deverá ser dada vista ao recorrente para que, querendo e no prazo de 30 (trinta) dias, manifestese acerca da informação fiscal e documentos então anexados. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 6188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901880/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 18 80 /2 00 8- 26 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 67 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CANCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O cancelamento de declaração de compensação (Dcomp) está submetido a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 25.06.2004, DCOMP de nº 03411.50167.250604.1.3.041000, objetivando a compensação de suposto crédito de COFINS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 15.01.2001, relativo ao período de apuração encerrado em 31.12.2000, no valor original de R$972,591, com débito da mesma contribuição do período encerrado em 30.04.2004, no valor original de R$1.502,94. Sobreveio, em 19.07.2008, despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2172 referente ao período de Abril/2004, no valor de R$ 9.328,5, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. Os membros da 7ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento. 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 25.06.2004 era de R$1.575,98. (fl. 3) Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 68 3 Alegaram ainda os membros da 7ª Turma da DRJ/CPS, que não foi comprovada real base de cálculo da COFINS de abril/2004, não sendo possível afirmar que os débitos declarados na DCOMP não estejam incluídos nos confessados em DCTF. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 16.09.2015, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. Sustenta ainda que o pagamento é causa de extinção do crédito tributário, e que muito embora a DCOMP constitua confissão de dívida, tal preceito não pode ferir o art. 149, II e IV do CTN, no sentido de que seja promovida a revisão de ofício. Por fim, pede que em caso de não se entender pelo cancelamento da DCOMP, seja a DRF/São Bernardo do Campo oficiada para que não haja cobrança duplicada do débito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 69 4 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARF (fl. 13), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP 03411.50167.250604.1.3.041000. Assim, no que cinge ao suposto crédito de COFINS do mês 12/2000, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. A DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o contencioso administrativo não se presta ao pedido formulado pela contribuinte, havendo rito específico para o pedido de cancelamento, bem como que não foi comprovada a real base de cálculo da COFINS de abril/2004, não sendo possível afirmar que os débitos declarados na DCOMP não estejam incluídos nos confessados em DCTF. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação, sob pena de pagamento em duplicidade. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 70 5 Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa reconheceu a inexistência do direito creditório antes alegado e pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. Em processos de outro contribuinte, muito semelhantes à este, cuja relatoria foi também confiada ao presente relator, julgados em sessão de 22.05.2018 por esta turma2, foi proposta a solução adotada no acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, onde além de não conhecer do recurso, anulavase o acórdão recorrido e determinavase a recepção da manifestação de inconformidade como Pedido de Revisão de Ofício, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 08/2014, no que restei vencido. Naquela oportunidade, assim decidiu a turma, em voto vencedor da lavra do ilustre conselheiro Walker Araújo: Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. 2 Vide acórdãos de nºs: 3302005.427 a 3302005.434. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13819.901880/200826 Acórdão n.º 3302005.665 S3C3T2 Fl. 71 6 Assim, em homenagem à colegialidade, sigo a solução adotada pelos outros sete membros da turma naqueles autos, no sentido de não conhecer do recurso voluntário face à inexistência de litígio sobre matérias de competência deste colegiado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.720463/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/04/2004
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REBOCADORES.
A posição NCM 89.04 abrange barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades ou barcos concebidos para empurrar outras embarcações ou barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações, com características de construção náutica bem próprias, como determinam as NESH.
Estas também excluem da posição os barcos concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/04/2004 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REBOCADORES. A posição NCM 89.04 abrange barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades ou barcos concebidos para empurrar outras embarcações ou barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações, com características de construção náutica bem próprias, como determinam as NESH. Estas também excluem da posição os barcos concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Recurso Voluntário Negado
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REBOCADORES. A posição NCM 89.04 abrange barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades ou barcos concebidos para empurrar outras embarcações ou barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações, com características de construção náutica bem próprias, como determinam as NESH. Estas também excluem da posição os barcos concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 04 63 /2 00 8- 35 Fl. 2745DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 16072.431, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 28/11/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro (1% do V.A.), no valor de [...], em virtude dos fatos a seguir descritos. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO FAR SEA (Dl 04/02774749) A embarcação FAR SEA não pode ser classificada na posição 8904 por ser concebida para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades maritimas de produção e de perfuração, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de subposição de 2° nivel (8906.90.00) e de item e subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO FAR SAILOR A embarcação FAR SAILOR não pode ser classificada na posição 8904 por ser concebida para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades maritimas de produção e de perfuração, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de _subposição de 2o nivel (8906.90.00) e de item e subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO FAR SEA (DI 03/13051151) A embarcação FAR SEA não pode ser classificada na posição 8904 por ser concebida para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades maritimas de produção e de perfuração, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de subposição de 2° nivel (8906.90.00) e de item e Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.746 3 subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO FAR SÊNIOR A embarcação FAR SÊNIOR não pode ser classificada na posição 8904 por ser concebida para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades maritimas de produção e de perfuração, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de subposição de 2° nivel (8906.90.00) e de item e subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. · CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA EMBARCAÇÃO TOISA CONQUEROR A embarcação TOISA CONQUEROR não pode ser classificada na posição 8904, por não ser um rebocador, por ser concebida para o transporte de cargas, além da adequação para a atividade de engenharia submarina com uso de ROV, devendo ser classificada na posição 8906, que não possui desdobramentos a nivel de subposição de 2° nivel (8906.90.00) e de item e subitem (8906.90.00), com base na Regra 1 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 28/11/2008 (fls.8), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 29/12/2008, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 888 à 916, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: Os bens cujos processos de importação estarão sob a análise jurídica da autoridade administrativa julgadora desta impugnação são, a saber: a) embarcação FAR SEA, com duas importações distintas, relacionadas às DI 04/02774749 e DI 06/1305115/1; b) embarcação FAR SAILOR, com importação relacionada à DI 05/02819620; c) embarcação FAR SÊNIOR, com importação relacionada à DI 05/03009398; d) embarcação TOISA CONQUEROR, com importação relacionada à DI 08/07313852. A autuação é o resultado do Mandado de Procedimento Fiscal envolvendo toda a documentação da Impugnante relacionada às embarcações citadas, a qual, por determinação da Autoridade Impugnada, não se restringiram aos documentos relacionados a matérias da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, mas todos os documentos, desde as Fl. 2747DF CARF MF 4 autorizações expedidas pela Marinha Brasileira para operar em águas brasileiras, os contratos firmados com a tomadora dos serviços da Impugnante, os laudos de avaliação dos produtos, etc... Após o exame acurado de toda a documentação fornecida pela Impugnante a fim de atender às exigências do procedimento fiscal, a Autoridade Impugnante identificou com irregular a classificação atribuída às embarcações, que a seu juízo estão em desconformidade com o estabelecido nas Notas Explicativas do Sistema Harmoi ^ io de (sic) Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, cujo texto foi apr yad jela (sic) IN SRF 157, de 10 de maio de 2002. O Sistema Harmonizado, como de maneira sintetizada é chamado o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, é uma nomenclatura aduaneira, utilizada intemacionalmente como um sistema padronizado de codificação e classificação de produtos de importação e exportação, desenvolvido e mantido pela Organização Mundial de Alfândegas. No âmbito do Mercosul, o sistema de classificação harmonizado foi adotado a partir de 1995, pelos países membros, o qual toma por Harmonizado. O objetivo fundamental da harmonização do sistema de classificação é a facilitação dos trâmites comerciais internacionais, adequação de tarifas a partir da identificação dos produtos, apuração de estatísticas de comércio internacional, harmonização d s :,ddades aduaneiras dos diversos países signatários dos acordos, negociações e tr ddos internacionais e afins. Como mencionado, por força da IN SRF 157, de 10 de maio de 2002, o Bra x j ssou a adotar o Sistema Harmonizado como fonte de informação e class fic .ção sobre os produtos sujeitos ao comércio internacional. A análise dos fundamentos do auto de infração deixam evidente que a Autoridade Impugnada pretende exercer sua atividade fiscalizadora partindo do pressuposto de certeza e correção absoluta de sua interpretação a partir desta presunção aplicar a penalidade prevista na Medida Provisória 2158/2001, a despeito da inafastável possibilidade de subjetividade de interpretações plausíveis e, como maior agravante, de haver ocorrido a intervenção de diversos outros órgãos da esfera administrativa federal, inclusive, o que é mais importante, a conclusão do déspacho (sic)aduaneiro que homologou a classificação e procedeu o lançamento fiscal. De fato, além da flagrante controvérsia entre a Impugnante e a Autoridade v (sic) Impugnada, a lavratura do auto de infração com a imputação de conduta censurável da Impugnante possui como questão de fundo a atuação da própria administração pública federal que procedeu a classificação dos produtos importados sob o mesmo código agora reprovado pela Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Macaé. ⊙ UM PRESSUPOSTO FUNDAMENTAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Junta textos da doutrina de Maria Sylvia Zanella di Pietro: (Direito Administrativo, pag. 61/62, Ed. Atlas, 12a.). Fl. 2748DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.747 5 Junta textos da doutrina de Hely Lopes Meireles: ( Direito Administrativo Brasileiro, pág. 45). Entretanto, apesar desta realidade da atuação do Estado em relação aos particulares, no caso presente este princípio foi desrespeitado em sua inteireza, na medida em que a atuação dos órgãos da administração envolvidos no processo de importação dos bens a que se refere esta defesa mostraram está sendo colocado em cheque por seus pares da própria administração. ⊙ O PROCESSO DE LICENCIAMENTO DA IMPORTAÇÃO E O DESEMBARAÇO ADUANEIRO SP SAO PAULO DRJ Fl. 2624 Documento de 33 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0418.22089.3B0L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo 10725.720463/200835 Acórdão n.º 16072.431 DRJ/SPO Fls. 2.625 5 Em função de sua natureza, a importação de embarcações foi precedida da prévia concessão de licença de importação pelo DECEX, órgão federal competente para a análise dos pedidos e licenciamento. o processo de licenciamento prévio o DECEX faz o enquadramento do produto importado no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, enauadramento este que passa a ser imperativo em todo o processo de legalização do produto importado, inclusive no que se refere ao desembaraço aduaneiro pela Receita Federal do Brasil. Ressaltese que no processamento de obtenção de licença de importação cabe a apresentação e descrição do produto a ser importado, bem como a indicação do código de classificação tarifária que entende cabível. O DECEX por sua vez no exercício de sua atribuição institucional, detém a competência para determinar a geração da classificação apresentada pelo particular interessado na importação, de forma a se adequar ao critério de classificação que o órgão entende correto para o produto sujeito ao licenciamento. Não resta qualquer dúvida que no contesto jurídico institucional o licenciamento da importação e a classificação tarifária realizada pelo DECEX consubstancia o posicionamento do governo federal em relação ao produto, que desta forma deve e é acompanhado pelos demais órgãos da administração pública federal. A experiência vivida pela impugnante em relação a esta matéria é a prova concreta do poder de intervenção regulatória do DECEX sobre o processo de importação, visto que, a exemplo do que foi acima mencionado, a Impugnante solicitou a concessão de licença de importação de uma embarcação, em cujo requerimento classificou este produto sob um código que não foi aceito pelo órgão federal, que determinou a alteração para o código por outro que entendia correto. Fl. 2749DF CARF MF 6 Da sujeição da Impugnante ao código de classificação determinado pelo DECEX, que foi aceito pela Receita Federal quando da execução do despacho aduaneiro, momento em que foi realizado o lançamento fiscal, nasceu o direito fundamental de irreversibilidade do processo por razões outras que não o disposto no artigo 149 do CTN. ⊙ AS CARACTERÍSTICAS DAS EMBARCAÇÕES IMPORTADAS A Classificação das embarcações em conformidade com o Sistema Harmonizado deve levar em conta as características principais dos produtos, levando em conta sua natureza técnica. Nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, conforme Instrução Normativa RFB no. 807, de 11 de janeiro de 2008, localizase no Capítulo 89 os esclarecimentos necessários à classificação das embarcações. A seção que trata especificamente sobre as embarcações em questão é a 89.04 — Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações. Transcreve as notas explicativas sobre as embarcações a que se refere a seção 89.04. Em paralelo à implantação do Sistema Harmonizado, existem as entidades codifícadoras, de reconhecimento internacional, a quem cabe proceder a identificação da natureza dos produtos e emitir o respectivo certificado para utilização pelas diversas entidades privadas e públicas que venham a exercer suas funções institucionais em relação aos produtos. O desvio de poder evidenciado na atuação da Autoridade Impugnada se revela por diversos aspectos insertos na autuação. Em alguns destes aspectos a autoridade autuante se auto denuncia quando se refere às entidades classificadoras da seguinte forma: Certificado de classe emitido pela sociedade classificadora, que somente indicam o preenchimento de condições de adequação estabelecidas pela própria sociedade classificadora, não podendo ser oposto a terceiros. (ver pág. 03 do relatório de fiscalização) O objetivo da Autoridade Impugnante está mais do que claro. Ao negar valor à certificação realizada pelas entidades internacionais especializadas, retirase do ente privado o instrumento de fundamentação por ele utilizado como prova da natureza e característica da embarcação. Contudo, nasce desta conduta irregular da Autoridade Impugnante um intransponível contrasenso, difícil de ser resolvido no contexto da unidade da administração pública em seus diversos setores especializados. Isto por que o mesmo certificado utilizado pela Impugnante para a obtenção do licenciamento para operar no país foi entendido legítimo e regular pela Marinha do Brasil, pela Petrobrás, pela Alfândega do Brasil no momento do desembaraço. Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.748 7 Relaciona os certificados das embarcações utilizadas pela Impugnante. ⊙ A EMISSÃO DO AITEE PELA MARINHA DO BRASIL Na essência a Marinha do Brasil processa a análise da documentação referente à embarcação e oficializa a autorização para a mesma executar determinadas atividades específicas em águas da jurisdição nacional. As atividades executadas pela embarcação, em conformidade com o objeto do contrato de serviços firmado com a Petrobrás e de acordo com a autorização concedida pela Marinha do Brasil, não afasta a classificação da embarcação na forma do Sistema Harmonizado, até mesmo por que esta classificação é feita pelos aspectos principais do produto. O equívoco da Autoridade Impugnante está na base da análise da atribuição da Marinha do Brasil. Não cabe a ela a análise de classificação dos produtos. A verificação é da adequação da embarcação para a execução dos serviços, de modo possuir pleno controle das embarcações estrangeiras em atividade nas águas de jurisdição brasileira e a natureza destas atividades. ⊙ OS CONTRATOS COM A PETROBRÁS E AS ATIVIDADES DESEMPENHADAS Notese, por oportuno, que as embarcações classificadas sob o código 89.04 abrangem um campo amplo de atuação, como aliás se extrai das Notas Explicativas aprovadas pela IN RFB no. 807/2008, quando enquadra nesta seção “Os rebocadores próprios para levar ajuda aos navios em situação crítica também se classificam aqui” e ainda “os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Podem ser equipados, a título acessório, de instrumentos especiais de bombeamento, de combate a incêndios, de aqueçhnènto, etc....” No mesmo sentido a Petrobrás, enquanto empresa contratante, faz a verificação se o tipo de embarcação oferecida pela licitante para a execução do objeto do contrato está capacitada a fazêlo. No campo das atividades desempenhadas na execução dos serviços para a I,obrás, é fato incontroverso que a hnpugnante não faz transporte de passageiros e mercadorias, como erroneamente afirmado pela Autoridade Impugnada. Primeiramente, transporte de passageiros é um serviço específico de levar e trazer pessoas de um ponto a outro. O passageiro de forma alguma se confunde com a tripulação. O passageiro tem como objetivo ser levado ao ponto de destino de seu interesse e não tem qualquer atividade dentro da embarcação. Igual exclusão do enquadramento de passageiro se faz com o inspetor da Petrobrás que vai a bordo executar a tarefa de fiscalização da execução do contrato. Não está o indivíduo sendo transportado enquanto passageiro, mas sim está no exercício da função de fiscalização, porquanto seu interesse está Fl. 2751DF CARF MF 8 a bordo e não na chegada a um destino, o que o faz ser classificado como profissional em exercício de função não tripulante. A alegação da Autoridade Impugnada é de que a Impugnante executa transporte de passageiros e mercadorias, por que classifica estes fiscais como passageiros. No mesmo sentido negativo se encontra a alegação de transporte de mercadorias. Por mercadorias entendese por “1 aquilo que é objeto de comércio. Mercancia: 2 Aquilo que se comprou e expôs à venda;” A Impugnante jamais transportou mercadorias, na acepção correta da palavra., ou seja, produtos destinados ao comércio. O transporte feito é de bens, peças e equipamentos de propriedade da Petrobrás, para serem utilizados nas diversas unidades de produção da empresa, jamais para comercialização. Não se discute no âmbito do direito administrativo o direito da administração pública proceder a revisão de seus atos, sempre na perspectiva da procura da perfeição dos atos administrativos. Este poder revisional, entretanto, é regrado por princípios fundamentais que devem ser observados para a validade da decisão revisora, sob risco de nulidade absoluta. Dentre estes princípios se situa o princípio da hierarquia da autoridade revisora, o qual determina que a revisão de qualquer decisão administrativa deve ser realizada por autoridade hierarquicamente superior, o que reflete o fato de que autoridades administrativas do mesmo nível não detêm competência para reforma das decisões de seus pares. Junta textos da doutrina de Diógenes Gasparini. ⊙ O VÍCIO DE DESVIO DE FINALIDADE A NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA Por todos ângulos examinados chegase a conclusão de que atuação da Autoridade Impugnada está eivada de vícios, sejam vícios de caráter administrativo interno o desrespeito ao requisito da hierarquia para o exercício do poderdever revisional sejam vícios relacionados a própria atividade administrativa, v.g. a apücação de uma penalidade com base em critérios subjetivos de enquadramento de produtos na classificação tarifária. Como sabido, a aplicação de qualquer penalidade pela autoridade administrativa carece do requisito da reserva legal, bem como da existência de critérios objetivos definidores da conduta injurídica adotada pelo administrado. No caso em tela é evidente o campo da subjetividade em que trafegam os critérios construídos pela Autoridade Impugnada, com o fito de tentar mostrar alguma irregularidade praticada pela hnpugnante. Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.749 9 Basta a leitura do extenso Relatório da Fiscalização para se constatar que não há a materialização de uma conduta injurídica possível de ser imputada à hnpugnante. O relatório se mostra uma complexa exposição de fatos e disposições contratuais cuidadosamente montados para tentar moldar os fundamentos para a realização de uma censura e a aplicação de uma multa, porém sem qualquer verdade jurídica que lhe dê substância. Este tipo de comportamento da administração pública já há muito vem sendo estudado pela comunidade jurídica pátria e internacional, sempre no objetivo de proveremse meios de tutela da sociedade contra o administrador arbitrário/ínffator das regras da legalidade do exercício da administração. O vício do desvio de finalidade ou abuso de poder é dos mais preocupantes, pois afeitos aos estados totalitários, que comumente se utilizam dos instrumentos assegurados em lei para o alcance de objetivos desprovidos de legalidade. Junta textos da doutrina de Diogo de Figueiredo Moreira Neto. Desvio de finalidade ocorre quando a autoridade exerce seu poder fazendo uso dos instrumentos que lhe são colocados à disposição na lei, porém afastase do interesse público, que em última análise visa estabelecer a regularidade da conduta dos administrados. Junta textos da doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello. Evidentemente, sabese que nos regimes democráticos o controle da legalidade é exercido pelo poder judiciário, contudo o próprio poder executivo está munido de instrumentos próprios para exercer, intemamente, o controle dos atos pelos agentes da administração pública. O caso presente é um exemplo daqueles em que a própria administração deverá reprimir a prática da conduta abusiva, e restabelecer o elevado grau de segurança jurídica necessária à paz nas relações entre o administrados e o Estado. ⊙ A IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Como mencionado, ao encerrarse o desembaraço dos bens importados pela Impugnante houve a conclusão do ato administrativo e o lançamento tributário, ato que consolida a ação do ente privado e a aceitação, digase concordância, da administração pública com os critérios adotados. No presente caso, não demonstrou a Autoridade Impugnada que tenha ocorrido qualquer das situações previstas no artigo 149 do CTN a justificar a adoção de novos critérios a ensejar a revisão do lançamento anterior. Portanto, a classificação tarifária que foi aceita no ato do desembaraço se definitiva, e por isto não se sujeita a qualquer alteração posterior. Fl. 2753DF CARF MF 10 No caso em tela, apesar de inexistir impacto tributário em razão do regime especial do REPETRO, a revisão do lançamento pretendida pela Autoridade Impugnada traz como resultado a aplicação da pena prevista no artigo 84, I, da Medida Provisória 2158/2001. A revisão também nesta situação particular em decorrência do regime especial é igualmente proibida, visto que a vedação se encontra na alteração dos atos concluídos pela administração pública. Junta textos da doutrina de Alberto Xavier. Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nos reiterados julgados se tem evidenciada a intenção da Fazenda Nacional de assegurar o direito de processar o lançamento fiscal e, posteriormente, proceder à revisão do ato administrativo de sua autoria, sujeitando o administrado às conseqüências desta inconstância jurídica. Os ensinamentos jurídicos e a manifestação pretoriana evidenciam o total descabimento desta forma de agir da administração pública ante a flagrante ilegalidade. Não se pode deixar de fazer uma crítica severa à tendência da administração pública de transferir para o administrado a atividade que é de sua competência. ⊙ DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 84, I, DA MEDIDA PROVISÓRIA 2158/2001 A inconstitucionalidade do dispositivo da medida provisória é flagrante, na medida em que por meio desta norma de exceção o governo federal abdica de sua obrigação de estado e a transfere para o administrado, com isto rompendo com sua função constitucional, prevista no artigo 37 e seguintes da Carta Magna. A combinação do dispositivo legal sob comento (art. 84,1, MP 2158/01) com a constante tentativa da Fazenda Nacional de realizar a revisão de lançamento fiscal, tem criado o ambiente de insegurança jurídica atual, e que necessariamente precisa ser encerrado. ⊙ PROVAS A Impugnante protesta pela produção das seguintes provas no presente processo administrativo: 1. Prova documental mediante expedição de ofício à Petrobrás, requisitando informações sobre os serviços executados pela Impugnante, bem como se dentre estes serviços há o transporte de mercadorias e passageiros; 2. Prova documental Expedição de ofício à Organização Mundial de Alfândegas, solicitando informações sobre a uniformização do código de classificação das embarcações certificadas como FAR SAILOR, FAR SÊNIOR, FAR SEA e TOISA CONQUEROR, no âmbito do Sistema Harmonizado; 3. Prova documental documentos suplementares cuja apresentação se fez impossível no ato de oferecimento desta impugnação; Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.750 11 4. Prova técnica realização de perícia técnica por profissional especializado, a fim de examinar as embarcações e proceder a identificação do código de classificação tarifária das mesmas. ⊙ O PEDIDO Pelo exposto, desde já protestando pela produção das provas acima requeridas, a imgnante requer à autoridade julgadora da presente que acolha os fundamentos de sua Impugnação, para fins de declarar insubsistente o auto de infração emitido, com a consequente declaração de cancelamento da multa fixada no mesmo, por ser a expressão do melhor direito e distribuição da maior Justiça. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/04/2004 Embarcações importadas com classificação tributária no código NCM 8904.00.00 REBOCADORES E BARCOS CONCEBIDOS PARA EMPURRAR OUTRAS EMBARCAÇÕES. Consoante o texto das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado a posição 8904, os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. As embarcações permitem o transporte de peassoas (sic) e mercadorias. A lassificação (sic) como rebocador contraria a NESH, o que sujeita o importador à multa proporcional ao valor aduaneiro (1% do V.A.) por erro na classificação tributária. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, basicamente: em sede de preliminar; a incompetência da Receita Federal para revisar a classificação do DECEX; ter reiteradamente importado embarcações com as mesmas características; sua boafé; ter havido modificação de critérios jurídicos; a natureza tributária da multa aplicada; inexistir prejuízo ao controle aduaneiro ou ao Erário; a impossibilidade da cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória com base no valor do tributo ou da operação; a nulidade da decisão recorrida por ter ela rejeitado pedido de realização de prova técnica; e, no mérito, colocou argumentos em defesa da classificação fiscal que adotou. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 2755DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A classificação das mercadorias, mediante "a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul" (NCM) "será feita com observância das Regras Gerais para "Interpretação (RGIs), "das Regras Gerais Complementares" (RGCs) "e das Notas Complementares" (NCs) "e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), "da Organização Mundial das Aduanas" (NESH) (art. 94, parágrafo único do RA/09, com base no DecretoLei 1.154/71, art. 3º, caput). Preliminar Ainda que a recorrente assim não tenha estruturado sua peça, trouxe nesse capítulo as questões que entendi preliminares. Aduz a recorrente a incompetência da Receita Federal para revisar o ato de classificação realizado pelo DECEX (Departamento de Operações de Comércio Exterior). Explica que, no âmbito do Repetro, solicita a este a concessão da Licença de Importação". Ressalta que "o fundamento para a lavratura do auto de infração não foi a suposta divergência entre o descritivo das Declarações de Importação (DI`s) e as mercadorias desembaraçadas". Afirma que "é o DECEX que possui competência, esta sim privativa, para deferir e revisar os atos de classificação das mercadorias importadas" no SH" e que "o enquadramento feito pelo citado órgão passa a ser imperativo em todo o processo e legalização do produto importado, inclusive no que se refere ao desembaraço aduaneiro perante a Receita Federal". E complementa, com grifos: A competência da Receita Federal para revisar a classificação do bem no NCM, portanto, só surge quando presente um pressuposto: o erro/equívoco pelo importador na descrição do produto importado! Tratase, pois, de competência subsidiária. Não tem razão a recorrente. O Decreto 7.482/2011, art. 15, XIX, então vigente, atribui à Receita Federal, e não ao Decex, a competência para "dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomeclatura, classificação fiscal [...], inclusive representando o país em reuniões internacionais sobre a matéria". Também não é necessário um desacerto na descrição declarada em DI, conforme se depreende do texto da infração em foco, art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/ 01, I, "mercadoria" [...] "classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul" e não descrita incorretamente. Alega também a recorrente ter reiteradamente importado embarcações com as mesmas características, "nas quais indicou o mesmo NCM 8904, sem que, jamais, a RFB 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.751 13 tenha imposto qualquer óbice ou apresentado qualquer contestação ou revisão", o que lhe gerou "uma certeza da correção do seu procedimento", fazendo incidir, no seu entender o art. 100, III, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; [...] Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. (Grifos do original). Não assiste razão à contribuinte. Acórdão da Câmara Superior deste Conselho bem esclarece: NORMAS PROCESSUAIS. ART. 100 DO CTN. DISPENSA DE MULTA E JUROS DE MORA. REQUISITOS DA EXPRESSÃO "PRÁTICAS REITERADAS" O despacho aduaneiro como medida ainda sujeita a revisão por expressa disposição legal não se reveste do atributo de pronunciamento inequívoco da Administração necessário a caracterizar a prática reiterada de que trata o artigo 100 do CTN, ainda que tenha havido a conferência física e documental (canal vermelho) e de forma repetida. (CARF, 3ª Turma, CSRF, Ac. 9303004.154, de 09/06/2016, redator designado Conselheiro Júlio César Alves Ramos). A recorrente aduz ter agido de boafé e que "se o “equívoco” tivesse gerado diferença de tributo a pagar pela Recorrente, ressalvados os demais fundamentos expostas nesta peça recursal, ainda se admitiria sua cobrança, desde que extirpados os juros e multa sobre ele incidentes". Não se discute a boafé da contribuinte, posto que “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (CTN, art. 136). Continua argumentando pela impossibilidade de revisão do lançamento e cobrança retroativa com modificação de critérios jurídicos de interpretação, pela caracterização da revisão como hipótese de modificação jurídica e não fática e cita o Resp 1130545, sob o rito dos recursos repetitivos. Aduz a recorrente que " ao receber e deferir o registro da DI, com a conseqüente realização do lançamento tributário e autorização para implementação do desembaraço aduaneiro, a Receita Federal praticou um ato que somente se torna passível de revisão nos exatos limites dos arts. 145, 146 e 149 do CTN: [...]"; ainda que a Súmula 473 do STJ de fato autorize a Administração Pública a “anular seus próprios autos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais porque deles não se originam direitos”. Não assiste razão à contribuinte. Fl. 2757DF CARF MF 14 A homologação prevista art. 150 do CTN é do lançamento e não do despacho, inaplicáveis os artigos arrolados pela contribuinte. E só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso deste. É o que se conclui em artigo da autoria deste relator2: O art. 150 do CTN [...] define que “O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Tal dispositivo divide o instituto do lançamento por homologação em duas partes: a antecipação do pagamento e o lançamento operado por ato expresso da autoridade administrativa. É pacífico na doutrina e na jurisprudência ser o lançamento por homologação a modalidade adequada aos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior. No desembaraço, não há expressa homologação. Nem a norma a estabelece, nem a autoridade administrativa a declara. Ainda que se verifiquem a mercadoria e as respectivas informações, inclusive a classificação fiscal, não ocorre o requisito legal para que se opere esta modalidade de lançamento: a expressa homologação. Ao contrário, a lei prevê a possibilidade de revisão aduaneira, a fim de apurar as informações prestadas pelo importador, no prazo de cinco anos, mesmo as já verificadas. O parágrafo 4º do mesmo artigo afirma que a outra forma pela qual se opera o lançamento é pela via tácita: “Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação“. No caso dos tributos incidentes na importação, considerase ocorrido o fato gerador no momento do registro da Declaração de Importação (DI), como determina o art. 23, caput, do DecretoLei nº 37, de 1966, [...] e o prazo de cinco anos é evidentemente distante do desembaraço. Como não se opera o lançamento com o desembaraço, via de regra aquele se dá de forma tácita, no prazo quinquenal. [...] Em sentido estrito, só há lançamento no despacho aduaneiro, quando a autoridade administrativa lavra auto de infração no curso desse; o que ocorre, por exemplo, quando há exigência da autoridade administrativa, contra a qual se insurge o contribuinte, como previsto no art. 570, § 3º, do RA [...]. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) endossa essa posição, conforme se percebe no excerto transcrito a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/1999 2 CAVALCANTI FILHO, A. C. C. Reclassificação Fiscal em Sede de Revisão Aduaneira. Revista da Receita Federal: Estudos Tributários e Aduaneiros, BrasíliaDF, v.01, n.01, p. 260276, ago./dez. 2014. Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.752 15 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. O Auto de Infração não contém qualquer ilegalidade, não restando configurada ausência de fundamentação legal a ensejar a nulidade daquele. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. Não constitui homologação de lançamento o ato de desembaraço aduaneiro, salvo se a autoridade fiscal expressamente assim o declarar. REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO. A verificação da regularidade da importação, em sede de revisão aduaneira, pode ocorrer no prazo de cinco anos, contado da data de registro da declaração de importação. [...]. (..., grifo nosso). Também não há que se falar em mudança de critério jurídico em função do despacho, aplicável o instituto a situação diversa, como se depreende de trecho do mesmo artigo: E continua o doutrinador, esclarecendo que, se dá a mudança de critério jurídico quando a “autoridade administrativa [...] simplesmente substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”, ou ainda “quando em face da situação de fato sobre a qual incidiu a norma se atribua a esta um significado, quando outro podia ser atribuído” (MACHADO, 2005, p. 128 e 163)3. Sobre o assunto, cita Kelsen: “a interpretação de uma lei não deve necessariamente conduzir a uma única solução como sendo a única correta, mas possivelmente a várias soluções que na medida em que apenas são aferidas pela lei a aplicar têm igual valor, se bem que apenas uma delas se torne Direito positivo no acto do órgão aplicador” (1998 apud MACHADO, 2005, p. 128). Finalmente traz a lume o seguinte exemplo: No DecretoLei nº 406, de 1968, determinado artigo traz a expressão “valor do produto ...”, inicialmente interpretado como custo de produção. Depois como preço de venda do produto. Ambas as interpretações constaram de atos normativos expedidos por autoridades competentes (MACHADO, 2005, p. 171). Nesse tem decidido este CARF: DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. "REVISÃO ADUANEIRA". POSSIBILIDADE. É possível a "revisão aduaneira", não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita). 3 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, volume III. São Paulo: Atlas, 2005. Fl. 2759DF CARF MF 16 (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Ac. 3401003.199, de 23/08/2016, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan). A recorrente traz decisão do STJ em sede de recursos repetitivo em seu socorro. Desta, trago trechos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IPTU. RETIFICAÇÃO DOS DADOS CADASTRAIS DO IMÓVEL. FATO NÃO CONHECIDO POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR (DIFERENÇA DA METRAGEM DO IMÓVEL CONSTANTE DO CADASTRO). RECADASTRAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. [...] 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável,máxime em virtude do princípio da proteção àconfiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo oqual "a modificação introduzida, de ofício ou emconseqüência de decisão administrativa ou judicial, noscritérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo,quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". Tal decisão, no entanto, trata de revisão do lançamento, o que não houve no despacho aduaneiro no presente caso. Traz a recorrente outros julgados do STJ, mais específicos quanto a importação de mercadorias, aos quais este CARF não está adstrito. A recorrente prossegue aduzindo a natureza tributária da multa aplicada, que lhe faltae fundamento de aplicação. Alega inexistir também prejuízo ao controle aduaneiro ou ao Erário. Cita precedentes do STJ e DRJ afastando a penalidade nesses casos. Diz que é tratarse de multa de natureza pelo que dispõem o art. 11 da Exposição de Motivos da sua norma veiculadora, a Medida Provisória 2158/2001. Diz "que a prestação de informações para o registro da importação tem nítida natureza de obrigação tributária acessória, pois é com base nessas informações que é apurado o eventual tributo devido na operação", aplicandose o CTN art. 113, § 2º: A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos". Entende que "o descumprimento de qualquer norma instituidora de obrigação tributária acessória somente pode ensejar a aplicação de multa quando existente o prejuízo (i) à arrecadação ou (ii) à fiscalização tributária". Não entendo assim. A multa aplicada prescinde de demonstração de prejuízo ao Erário, por lhe faltar essa exigência na letra da Lei. Também porque a responsabilidade na esfera aduaneira tributária independe “da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, nos termos do art. 136 do CTN. Ainda assim, há de se destacar que especificamente na internação das mercadorias sob admissão temporária do Repetro, com tributos incidentes na operação suspensos, a alíquota do II constante da TEC relativa à classificação determinada pela fiscalização é de 5%, ao passo que aquela praticada pela recorrente é de 0%. Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.753 17 Além disso, há de se observar que o controle aduaneiro lastreiase, em larga escala, na classificação fiscal, tema aqui sob análise. Alega também a recorrente a impossibilidade da cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória com base no valor do tributo ou da operação, a ofensa aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa e sua natureza confiscatória. Tais questões desafiam a norma instituidora da penalidade, esta prevista em lei, descabendo tal discussão no âmbito deste Carf. Tem decido este Carf que "a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu (Ac. 1402002.199). A recorrente pugna pela nulidade da decisão recorrida por ter ela rejeitado pedido de realização de prova técnica. A decisão de base bem entendeu pela desnecessidade da prova pericial: Não foi apresentado qualquer fato, motivo ou justificativa relevante que propiciasse a realização da perícia, a luz do que já foi exposto, mesmo porque toda perícia tem por objetivo auxiliar o julgador na formação de sua melhor convicção racional e na busca da verdade material, ação que já se processou. Há de se considerar também que o julgador apreciará a prova constante dos autos conjugado todos os seus elementos (NCPC, artigos 371 e 489, § 3o), não estando adstrito à perícia. Assim, quanto às preliminares, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Mérito Relata a recorrente que as importações "foram regularmente desembaraçadas pela Receita Federal, não havendo se constatado qualquer irregularidade na classificação fiscal", mas que, em "procedimento de revisão", "o auditor fiscal [...] entendeu que estaria errado o critério jurídico de classificação fiscal das embarcações". Diz que "não obstante reconheça que inexistiu qualquer prejuízo ao Erário ou ao controle aduaneiro, o auditor fiscal lavrou o Auto de Infração em epígrafe para cobrança exclusivamente de multa por suposto descumprimento de obrigação acessória [...]". Sobre a classificação fiscal, assim sintetiza a recorrente os seus argumentos: As Embarcações FAR SEA, FAR SAILOR e FAR SENIOR foram concebidas para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio às unidades marítimas de produção e de perfuração. Pela RGI 1 do SH, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. O capítulo 89 da NCM trata de "Embarcações e estruturas flutuantes". Fl. 2761DF CARF MF 18 Na posição 89.04, pretendida pela contribuinte, a qual não se subdivide em subposições ou subitens, restando apenas a NCM 89.04.00.00, tem como descrição "Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações". Reproduzo o que a NESH estabelece para a posição 89;04: 89.04 Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações. A presente posição compreende: A. Os rebocadores, que são barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades. Podem ser do tipo que se utiliza no mar ou para navegação interior, e diferenciamse das outras embarcações pelo seu aspecto particular, seu casco reforçado de forma especial, suas possantes máquinas motoras e diversos equipamentos para movimentação e engate dos cabos, amarras, etc. B. Os barcos concebidos para empurrar outras embarcações, que são barcos especialmente concebidos para empurrar barcaças ou alijos, entre outros. Caracterizamse essencialmente pela sua proa achatada, concebida para empurrar, bem como pela posição particularmente elevada da cabina do timoneiro, que pode ser telescópica. Classificamse também nesta posição os barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações, assim como os barcos concebidos para empurrar outras embarcações, estes engenhos possuem uma proa chata e uma popa construída de modo a permitir a tração por meio de cabos. Os rebocadores próprios para levar ajuda aos navios em situação crítica também se classificam aqui. Os barcos da presente posição não são concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. Podem ser equipados, a título acessório, de instrumentos especiais de bombeamento, de combate a incêndios, de aquecimento, etc. Contudo, os barcosbombas classificamse na posição 89.05. O acórdão recorrido arrola determinadas características das embarcações referidas, determinantes da classificação, iniciando com a FAR SEA (DI n° 04/02774749): A embarcação FAR SEA, conforme fatos probatórios trazidos pelo Relatório de Procedimento Fiscal, possui características estruturais físicas e executa atividades diversas tais como: > O transporte de carga no convés, amarrada ou em container, ou a granel (liquida) para abastecimento das unidades marítimas da PETROBRAS e de outras empresas; > Transporte de óleo diesel e transporte de água potável; > Transporte de pessoas para as plataformas; Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.754 19 > Executa autêntica atividade de SUPRIMENTO E APOIO. Estas atividades e características técnicas são reveladas por: > Realização de atividade de CARGA (fonte AITEE); No contrato com a PETROBRAS: > destinação as operações de apoio as unidades marítimas (item 1.2); > operação da embarcação de acordo com as características descritas nos anexos III e IIIA (item 3.5); > a execução de fainas de manuseio e de movimentação de cargas para embarque e desembarque de cargas (item 3.6 e 3.11.5); > transporte de pessoas, inclusive com previsão de pagamento pela alimentação dos passageiros (item 3.9 e seguintes); > possibilidade de instalação de outros equipamentos (item 3.28); > ações para recolhimento de óleo derramado de acordo com as especificações da embarcação (OIL REC) (item 4.13); > atendimento dos requisitos técnicos da embarcação antes e durante a vigência do contrato (item 5.7 e seguintes); > requisitos gerais para a embarcação de reboque (ANEXO III), como a capacidade de transferência de óleo diesel e Agua potável e dotação de hidrômetro e oleômetro; > manuseio de âncoras e suprimento AHTS 7000 como a capacidade de transferência de óleo diesel e água potável e dotação de hidrômetro e oleometro (itens 1.9 a 1.15); > especificação em quadro próprio, da capacidade de carga para suprimento (água potável, óleo diesel, lama líquida, granel sólido e carga de convés; > acomodações para passageiros (ANEXO III); > mangueiras para a transferência de granéis sólidos e líquidos (ANEXO IV); > existência de código de conduta para a movimentação de cargas (APÊNDICE I); > procedimento para recolhimento de óleo derramado (ANEXO IX); Fl. 2763DF CARF MF 20 > lista de cheacgem (sic) para a transferência de óleo entre embarcações. Descrição da estrutura fisica da embarcação: No relatório de vistoria n° LD 001RJ/04 com diversos tanques para transporte de óleo diesel e água potável e outros produtos líquidos, além de suprimento, e identificação de convés de carga. As embarcações FAR SAILOR (DI 05/02819620), FAR SEA (DI 06/1305115/1) e FAR SÊNIOR (DI 05/03009398) apresentam características muito semelhantes, como pode ser verificado do acórdão recorrido (fls. 2644 a 2650). Quanto à TOISA CONQUEROR (DI 08/07313852) as características são um pouco distintas, conforme a mesma fonte: A embarcação TOISA CONQUEROR possui características estruturais fisicas e executa atividade diversa, sendo autorizada a operar com embarcação de suprimento e apoio a plataformas marítimas offshore, tendo como objeto principal o suporte a serviços de construção submarina com ROV. Estas atividades e características técnicas são reveladas por: > AITEE informativo do tipo da embarcação como SUPPLY;e > prestação de serviços de engenharia submarina. Para essas atividade s são necessários equipamentos muito específicos (tipos de ROV, etc); No contrato com a PETROBRAS: > objeto descrito como afretamento da embarcação RSV (ROY SUPPORT VESSEL); ênfase nas atividades de engenharia submaina (item 1.1); > estabelecimento de multas por pendências (item 9.1.5) sendo descritas diversas atividades relacionadas aos ROV; > equipamentos para movimentação de cargas (item 8); > mangueiras (item 90 para transferência de água potável, óleo combustível e água industrial; > diversos equipamentos específicos para engenharia submarina (itens 17 a 27), sem menção a um único equipamento relacionado com a atividade de reboque; Descrição da estrutura fisica da embarcação: No relatório de vistoria LD004RJ/08, são identificados diversos tanques para transporte e suprimento, equipamentos para manuseioi de carga e descarga de carga liquida e granéis. Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.755 21 A recorrente assim se sintetiza a classificação das embarcações: (1.1) Em relação às Embarcações FAR SEA, FAR SAILOR e FAR SENIOR, são todas elas do tipo AHTS (Anchor Handling Tug Supply), que, pela NORMAM01/DPC (Normas de Autoridade Marítima para Embarcações empregadas na Navegação em mar Aberto), citada como fundamento no próprio Auto de Infração, são definidas como “Embarcações caracterizadas pelo manuseio de âncoras e espias, reboque e suprimento das plataformas”. Ora, de acordo com a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 01, “para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo”. Logo, caracterizandose pela função de reboque, deve ser classificada na posição 8904 (Rebocadores e barcos concebidos para empurrar outras embarcações); (1.2) Já em relação à Embarcação TOISA CONQUEROR, embora não tenha em sua definição a função de Reboque, tal qual se verifica com as demais embarcações, originalmente foi classificada pela Recorrente na posição 8906 consoante se depreende da LI anexa (conjunto documental 04). O DECEX, órgão competente para o enquadramento na classificação aduaneira, contudo, determinou que fosse retificada a declaração para informar como NCM correto o 8904, sob pena de não deferimento da licença conforme destacado na Licença de Importação retificada (conjunto documental 05). Mostrase absurdo, portanto, penalizar o contribuinte por proceder da forma como determinado pela própria Administração Pública, frisese, pelo órgão competente para classificação aduaneira; Dos autos, verificase que as embarcações FAR SEA, FAR SAILOR e FAR SENIOR não cabem na descrição da posição 89.04 consoante o que sobre ela estabelecem as NESH, posto que estas excluem os barcos concebidos para o transporte de pessoas ou de mercadorias. O que se verifica é que: longe de serem "[...] barcos concebidos para empurrar outras embarcações", como consta textualmente da descrição da posição 89.04, ou ainda "barcos especialmente concebidos para tração de outras unidades" ou " barcos concebidos para empurrar outras embarcações" ou "barcos concebidos simultaneamente para empurrar e rebocar outras embarcações", com características de construção náutica bem próprias, como determuinam as NESH; são embarcações concebidas "para o transporte de cargas ou de pessoas, além da realização de outras atividade de apoio à unidades marítimas de produção" como registrado na autuação ou "Embarcações caracterizadas pelo manuseio de âncoras e espias, reboque e suprimento das plataformas". A recorrente ainda aduz que: 1.3) A restrição ao transporte de cargas e pessoas para classificação na posição 8904 somente se aplica quando a função da embarcação é de transporte e/ou de caráter comercial, mas não quando a função é outra (apoio marítimo) e, para seu exercício, são conduzidos pessoas (que não são passageiros) e materiais (que não se confundem com mercadorias pois não são destinados à venda), tal qual ocorre in casu, conforme Declaração expressa da tomadora dos serviços, a Petrobrás, acostada à fl. 1984, de que: Fl. 2765DF CARF MF 22 “as embarcações da BOS não executam serviços puro e simples de transportes de passageiros; “nas embarcações, envolvendo manuseio de âncoras com contratos; (...), os passageiros não tripulantes são fiscais da operação inspetores/fiscais nomeados por esta companhia”; e “as embarcações se limitam ao transporte de equipamentos, peças e bens de propriedade da PETROBRAS”. E questiona: o auditor fiscal e o julgador a quo tomaram como critério definidor da classificação exclusivamente a mera possibilidade de a embarcação transportar pessoas e mercadorias, sem atentar nem levar em consideração (i) se efetivamente houve esse transporte, e mais, (ii) a que título tais pessoas e mercadorias teriam sido transportadas. Entendo que, se as mercadorias ou carga (afinal de contas o SH trata da classificação de mercadorias, pois serve ao comércio internacional, e assim se refere às "coisas", do pátrio direito homônimo), assim com as pessoas são transportadas na embarcação em função da rebocagem, para a qual foram concebidos os barcos da posição 89.04, não fazem afastarse a classificação deste código. No entanto, pelo que consta dos autos, as embarcações se prestam, repiso, ao: > O transporte de carga no convés, amarrada ou em container, ou a granel (liquida) para abastecimento das unidades marítimas da PETROBRAS e de outras empresas; > Transporte de óleo diesel e transporte de água potável; > Transporte de pessoas para as plataformas; > Executa autêntica atividade de SUPRIMENTO E APOIO. Já no contrato com a PETROBRAS: > transporte de pessoas, inclusive com previsão de pagamento pela alimentação dos passageiros (item 3.9 e seguintes); > acomodações para passageiros (ANEXO III); Assim, as alegações da recorrente, nessa passagem, não fazem retornar as embarcações à posição 89.04. Não bastasse, a posição 89.04 destinase a "barcos concebidos para empurrar outras embarcações", este é o texto, e assim, depreendese não serem barcos concebidos parar excutar diversas funções, como "transporte de cargas ou de pessoas", "apoio as unidades marítimas de produção e de perfuração", e também "empurrar outras embarcações", o que pressupõem uma construção náutica bem específica, como se lê da NESH: casco reforçado de forma especial, suas possantes máquinas motoras e diversos equipamentos para movimentação e engate dos cabos, amarras, etc. Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 10725.720463/200835 Acórdão n.º 3301004.650 S3C3T1 Fl. 2.756 23 [...] posição particularmente elevada da cabina do timoneiro, que pode ser telescópica. [...] proa chata e uma popa construída de modo a permitir a tração por meio de cabos. Diz também a recorrente que "a acepção jurídica de transporte, como visto acima, pressupõe um serviço prestado para terceiro". Entendo, diversamente, que transportar consiste em deslocar fisicamente pessoas ou coisas, um serviço interno ou prestado por terceiros. Com relação à TOISA CONQUEROR, sequer contém em sua definição a função de reboque, é embarcação de prestação de serviços de engenharia submarina, que transporta cargas, afastandose de plano da posição 89.04. A questão da Licença de Importação em nada afeta a classificação fiscal, como já manifestado no presente voto, sendo da Receita Federal a competência para determinar a classificação fiscal de mercadorias. Ressaltese que não se está a aplicar a RGI 3, "b" que trata da "característica essencial", seja transporte de cargas ou pessoas, seja apoio à unidades marítimas de produção, seja rebocagem. A posição exige que sejam concebidos para reboque e não para outras funções, e excluiu o transporte de cargas e pessoas. Continuando com a classificação fiscal, As demais posições do capítulo trazem embarcações e estruturas outras nas quais não se enquadram aquelas sob análise: 8902 ("Barcos de pesca; naviosfábricas e outras embarcações para o tratamento ou conservação de produtos da"), 89.03 ("Iates e outros barcos e embarcações de recreio ou de esporte; barcos a remos e canoas "); 89.05 ("Barcosfaróis, barcosbombas, dragas, guindastes flutuantes e outras embarcações em que a navegação é acessória da função principal; docas flutuantes; plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis"); 89.07 ("Outras estruturas flutuantes (por exemplo, balsas, reservatórios, caixões, boias de amarração, boias de sinalização e semelhantes"); e 89.09 ("Embarcações e outras estruturas flutuantes, para desmantelar "). Já na posição 89.06 abarca "Outras embarcações", incluídos os "navios de guerra" e os "barcos salva vidas" excetuandose os "barcos a remo": Assim, pela RGI 1, está a posição indicada para a classificação das embarcações em pauta. Tal posição não se desdobra em subposições ou em itens e subitens, o que determina na NCM código 8906.90.00, ao contrário do que defende o recurso voluntário. Incorreta a classificação praticada pela recorrente, resta aplicável a multa de 1% sobre o valor aduaneiro das embarcações, nos termos do art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835/ 01. Assim, também no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 2767DF CARF MF 24 Conclusão Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 2768DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721164/2011-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial quando não demonstrada a similitude fática entre os acórdãos recorrido e os que foram ofertados como paradigmas.
Numero da decisão: 9101-003.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso apenas em relação ao primeiro paradigma.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial quando não demonstrada a similitude fática entre os acórdãos recorrido e os que foram ofertados como paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo, que conheceram do recurso apenas em relação ao primeiro paradigma. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 64 /2 01 1- 43 Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.506 2 Tratase de Recurso Especial fazendário interposto em face do acórdão nº 110200.1132, assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE. VÍCIO.DESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por vicio na descrição do fato quando a contribuinte consegue compreender fundamento e a infração tipificada, apresentando sua competente defesa. NULIDADE. ACÓRDÃO .RECORRIDO. INOCORRÊNCIA. Uma, vez que a autoridade' de primeiro grau fundamentou sua decisão, não há qualquer nulidade. Há, no máximo, erro quanto à aplicação do direito. Nesse caso, não se trata de preliminar de nulidade e, sim; questão de mérito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2007, 2008. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. INEXISTÊNCIA FATO. DESCONSIDERAÇÃO. Para a caracterização da sociedade por conta de participação, é necessária a existência de um sócio participante com investimento de recursos indispensável à realização da atividade social. MULTA. QUALIFICAÇÃO. DOLO. INEXISTÊNCIA. O art. 44§1º da Lei nº 9.430/96 determina as hipóteses taxativas de qualificação da multa, cabendo à fiscalização comprovar o dolo do sujeito, passivo da exação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos autos de infração reflexos as mesmas conclusões às quais se alcançou e em relação ao IRPJ." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, a Fiscalização não provou e existência do dolo exigível para fins de aplicação do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, o qual emprestara fundamento para a multa qualificada, já que a recorrida não deixou de atender às intimações. Também aduziuse a suposto erro da fiscalizada, verificável na assunção da transferência da execução de atividades extraordinárias ao negócio para sociedade em conta de participação, embora reputada inexistente, pela Turma a quo. Despacho de Encaminhamento à PGFN no dia 29/09/2015, à efl. 1.164. Despacho de Encaminhamento da PGFN ao CARF no dia 22/10/205, à efl. 11.85. Nessa oportunidade, alegouse divergência em relação aos acórdãos nº 2102002.135 e 9101000.528. No mérito, assinalouse que o caso sub examine é revelador de prática de simulação, "perpetrada pela conduta planejada consubstanciada na formalização de sociedades em conta de participação tão somente com o objetivo de se aproveitar dos benefícios da tributação pelo lucro presumido." Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.507 3 No arremate, destacouse que, ao simular a constituição de sociedades em conta de participação, a recorrida intentou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo. Ante o exposto, requereuse seja conhecido o presente recurso para, ao final, ser provido, reformandose o acórdão recorrido, mantendose a qualificação da multa. Não há prova da data da ciência da recorrida para apresentação de contrarrazões, que foram apresentadas no dia 14/03/2016, à efl. 1.196. Nessa oportunidade, alegouse que o acórdão combatido não mencionou que a recorrida adotara prática de simulação. No mesmo tom, explanouse que o acórdão recorrido rechaçou a acusação de que a recorrida atuara de forma fraudulenta, manifestandose claramente pela falta de comprovação do dolo exigível para tal imputação. Enfatizouse, ainda, que o primeiro acórdão ofertado como paradigma não expôs similitude fática, uma vez que a desconsideração das SCP de fato ocorrera no acórdão recorrido, não em função da constatação de simulação, mas em razão do entendimento expresso no voto condutor no sentido de que a participação do sócio investidor, com apenas 1% do capital social, não contribuía para a atividade social. Por isso, consignouse no acórdão recorrido que "as SCP inexistiram efetivamente, pois é necessário, para sua caracterização, a cumulação de recursos ou esforços para o exercício de uma atividade". Desse modo, sustentou se que o sócio oculto não concorria financeiramente para a atividade do sócio ostensivo. Por outro lado, anotouse que o paradigma reflete situação em que as SCP foram empregadas como veículos para o sujeito passivo operar em simulação. Na mesma linha, afirmouse que o segundo acórdão ofertado como paradigma também não serve para comprovar similitude fática em relação ao caso versado no acórdão recorrido, porquanto também este basearase na inexistência de fato das SCP e na circunstância segundo a qual a transparência e a verdade da recorrida afastam a descaracterização da simulação. Ao final, requereuse o desprovimento do apelo especial da PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo. No entanto, impõese o exame da existência de divergência interpretativa, atendendose ao pleito da recorrida. Com efeito, a PGFN trouxe à baila os acórdãos nº 2102002.135 e 9101 000.528 ao intento de demonstrar dissídio exegético em relação ao acórdão recorrido. No voto condutor do acórdão recorrido nº 2102002.135, mostrouse a seguinte situação fática: "Baseada em uma verdadeira engenharia jurídica, a RECORRENTE constituiu uma Sociedade em Conta de Participação, cujo objeto era a prestação de serviços médicos, com quase oitenta profissionais e pessoas jurídicas como sócios participantes, sendo ela a sócia ostensiva, prevendo que cada um deles (sócios Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.508 4 participantes) entregavam serviços como “contribuição à sociedade” e eram “remunerados” (através de lucros) proporcionalmente aos serviços que emprestavam como sócios (como se fosse possível aos sócios participantes de uma Sociedade em Conta de Participação exercerem diretamente a atividade prevista no objeto social). No caso, entendo presente o abuso de forma da RECORRENTE, ao batizar Sociedade em Conta de Participação a relação que detinha com pessoas físicas, quando essas em verdade lhe prestavam serviços, tentando assim dissimular o fato gerador da obrigação tributária para, concomitantemente, suprimir a retenção e o recolhimento do imposto que lhe era devido." Portanto, restou definido, nesse suposto paradigma, um suporte probatório de apoio à multa qualificada, com os seguintes contornos: a) a constituição de SCP prestadora de serviços médicos; b) o sócio ostensivo era a pessoa jurídica autuada, ao passo que os demais, no total de 80 pessoas físicas, constavam como sócios participantes; c) os sócios participantes concorriam com serviços prestados à pessoa jurídica, que os remunerava mediante distribuição de lucros; d) os serviços prestados pelos sócios ocultos eram os mesmos do objeto social da pessoa jurídica. Já no acórdão recorrido, o suporte probatório considerado influente na redução da multa de ofício ao percentual normal está assim tracejado: "No TVF, a autoridade lançadora desconsiderou a existência de fato das SCP's e, atribuindo a receita nelas alocadas à empresa (sócia ostensiva), procedeu ao lançamento de ofício. Para fundamentar essa desconsideração, apontou que: o sócio ostensivo participava com 99% do capital social, e o sócio oculto com apenas 1%; as SCPs tinham tempo indeterminado; as SCPs tinham como sede o próprio estabelecimento da Contribuinte; existia total interdependência entre a venda do veículo e o financiamento, portanto, era impossível atribuir tributariamente as receitas a outra sociedade que não àquela operacional. Ademais, acrescentou que nos registros contábeis as SCP's possuíam despesas restritas basicamente a funcionários, não contribuindo em nada para o desenvolvimento da atividade em si mesma ou para as despesas de manutenção do prédio, tais como: energia, água, etc. [...] Assim, considerando que a atividade será realizada em nome e na responsabilidade do sócio ostensivo, é necessário que a atividade a ser realizada seja aquela a qual esta pessoa física ou jurídica está mais capacitada a fazêla. Explico: se fosse criada uma SCP para a construção de um edifício, o natural seria que o sócio ostensivo fosse uma construtora ou incorporadora. Estranho seria Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.509 5 que o sócio oculto confiasse seus recursos a um indivíduo que não tem experiência ou costume na realização daquela atividade, como por exemplo um músico. Portanto, o fato de a concessionária Recreio Veículos Ltda ser sócia ostensiva na atividade de intermediação de financiamento, interdependente à atividade de venda de veículos, não é estranho e não acarreta a impossibilidade de se atribuir tributariamente as receitas a outra sociedade que não àquela operacional. Nesse caminho, em virtude de a sócia ostensiva precisar ter conhecimento da atividade, não prospera essa razão apontada pela fiscalização como indício de inexistência efetiva das SCP's. Ainda, contrariamente ao que foi sustentado pela DRJ, quanto à participação de pessoa ligada ao grupo econômico como sócio oculto, não há nenhum impedimento, desde que ele efetivamente contribua com recursos próprios. Já esclarecemos acima que a SCP tem por fundamento exatamente a captação de recursos do sócio oculto pelo sócio ostensivo para a realização da atividad'. Não se consegue visualizar como o sócio oculto, contribuindo com apenas R$ 10,00, financiou o exercício da atividade social. Não só o valor (R$ 10,00) é discrepante e incompatível com o financiamento da atividade, como o próprio percentual a que fazia jus o sócio oculto. Considerando que o sócio ostensivo participava com 99% do capital social e o sócio oculto com apenas 1%, esse indício é mais do que suficiente para descaracterizar a SCP. Ora, é da própria natureza das SCP's que estas sejam constituídas, como bem explicou o julgador de primeiro grau, quando o sócio ostensivo precisa de recursos que não dispõe por conta própria. Não se trata, entretanto, de analisar se o montante é expressivo pecuniariamente, mas sim de saber se o sócio oculto efetivamente contribui financeiramente para a atividade do sócio ostensivo. In casu, a Contribuinte admite que tinha todos os recursos necessários ao desenvolvimento da atividade por conta própria (as atividades eram realizadas em seus estabelecimentos e os encargos eram pagos por esses). Como consequência lógica, o sócio participante, ao compor o fundo social com R$ 10,00 (1% do capital social), não contribuiu em nada para o exercício da atividade social. Em suma, no presente caso, as SCP's inexistiam efetivamente, pois é necessário, para sua caracterização, a cumulação de recursos ou esforços para o exercício de uma atividade, demonstrando de forma inconteste que o sócio oculto contribuiu financeiramente para a atividade do sócio ostensivo, o que não ocorreu in casu. [...] Assim, deve a autoridade fiscalizadora identificar expressamente a ocorrência de uma dessas três hipóteses. In casu, entendeu tratarse de fraude com base na parte final do art. 72, que descreve como ilícita a ação ou omissão tendente a "modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". Acontece que o supratranscrito art. 72 exige que essa ação ou omissão seja dolosa. Não restou comprovado o dolo. Primeiro porque a Contribuinte registrou adequadamente todos os lançamentos contábeis e, ainda, ofereceuos à fiscalização quando solicitado, não deixando de atender qualquer intimação (fis. 8/14 do TVF), admitindo inclusive a Fiscalização, em determinado momento (fl. 9 do TVF), que a Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.510 6 documentação contábil era consistente. Segundo porque parece que a Contribuinte se equivocou acerca da natureza do instituto da SCP; Percebase, portanto, que o caso versado nos presentes autos tem os seguintes contornos, no que importa ao cotejo entre o acórdão recorrido e o acórdão ofertado como paradigma: a) a constituição de SCP que atua na intermediação de financiamento para os clientes da recorrida; b) o sócio ostensivo era a pessoa jurídica autuada, que também atuava na intermediação de financiamento, junto com o sócio contribuinte, para possibilitar a venda de seus automóveis ao consumidor final; c) a intermediação de financiamento não constitui atividade do objeto social da recorrida, embora necessária à realização deste; d) o sócio ostensivo participava com 99% do capital social da SCP; f) a recorrida registrou adequadamente todos os lançamentos contábeis ; g) a recorrida atendeu à Fiscalização em todos os momentos em que fora requisitada; h) a recorrida equivocouse acerca das SCP. Ora, o apelo da PGFN diz respeito à redução da multa qualificada. Devese ter em conta que o êxito da recorrida, em sede de Recurso Voluntário, decorreu da preponderância dos fatos descritos nas alíneas "f", "g" e "h", acima. Com efeito, a Turma a quo efetivamente entendeu que a SCP era inexistente, mas, a despeito disso, pronunciouse a favor da então recorrente, reduzindo a sanção punitiva, ao argumento de que o registro contábil das operações de intermediação de financiamento, o atendimento à Fiscalização e o equívoco da recorrida afastavam o dolo exigível para fins de aplicação da multa qualificada. Nessa toada, impõese estabelecer que o ponto nevrálgico da verificação da demonstração de dissídio interpretativo reside nos fatos que serviram de base à decisão que desclassificou a sanção aplicada. Isso porque o julgador, no instante do exame da existência de dissídio interpretativo, deve se situar sobre fatos similares em relação aos quais não se constata harmonia exegética, quando se confrontam o acórdão ofertado como paradigma e o acórdão recorrido. Anotese que, em ambos os acórdãos, deliberouse em desfavor da existência de SCP. No entanto, reduziuse a sanção punitiva ao percentual de 75% em decorrência de fatos narrados no acórdão recorrido não mencionados no acórdão paradigma ora cotejado. Sem dúvida, os acórdãos recorrido e ofertado como paradigma expõem similitude fática até certo ponto. Todavia, distanciamse no que é essencial: o acórdão recorrido descreve fatos de relevo para o descrédito da acusação de prática dolosa, enquanto o acórdão ofertado como paradigma não exibe narrativa sobre situação fática que guarde similitude com os motivos da desclassificação da multa de ofício, consideradas no acórdão aqui combatido. Esses motivos, como já dito, são os seguintes fatos: o registro contábil das operações de intermediação de Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.511 7 financiamento, o atendimento à Fiscalização e o equívoco da recorrida. Em face de tal omissão, não se pode admitir o acórdão nº 2102002.135 como paradigma. Agora, o acórdão nº 9101000.528, que a recorrente trouxe à baila com o fito de evidenciar a existência de dissídio interpretativo, cotejandoo com o acórdão recorrido. A PGFN alega que a Turma julgadora afastou a multa de ofício qualificada sobre conduta simulada, na decisão afirmada como paradigmática, distintamente da decisão tomada pela Turma a quo, que não deu relevância à simulação então verificada. Não se pode perder de vista que o confronto deve ser efetuado entre o acórdão ofertado como paradigma e o acórdão recorrido a partir de fatos similares, o que não se pode confundir com a eventual qualificação jurídica dos fatos descritos nos referidos acórdãos. Vale dizer que não se pode avançar na aferição da similitude fática apenas com base no argumento de que, nos dois acórdãos, tratouse de simulação, sem o cotejo dos respectivos suportes fáticos. Mas, caso se avance no exame dos fatos apurados no acórdão paradigma para cotejálos com os fatos do acórdão recorrido, constatase, ainda assim, que não há ponto de contacto por similitude. Reparese, a tal propósito, o trecho abaixo, reproduzido do voto vencedor do acórdão selecionado como representante da alegada divergência de interpretação: Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 16682.721164/201143 Acórdão n.º 9101003.672 CSRFT1 Fl. 1.512 8 Como se pode ver, não há nada no acórdão oferecido como paradigma que explicite situação fática relacionada ao emprego de SCP em negócios de apoio às atividades do sócio ostensivo, a exemplo do que foi mostrado no acórdão nº 2102002.135. Diante disso, devese reputar o acórdão nº 9101000.528 como inservível para demonstração de divergência. Considerando as razões já externadas, opino no sentido de não conhecer o Recurso Especial fazendário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722192/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.722192/201484 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.957 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria DACON MULTA POR ATRASO OU FALTA DE ENTREGA Recorrente ZENGLEIN & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 21 92 /2 01 4- 84 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.722192/201484 Acórdão n.º 3201003.957 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 076.158, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.722192/201484 Acórdão n.º 3201003.957 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.722192/201484 Acórdão n.º 3201003.957 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11065.722192/201484 Acórdão n.º 3201003.957 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934784/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 78 4/ 20 09 -8 5 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10980.934784/200985 Resolução nº 3301000.661 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.934784/200985 Resolução nº 3301000.661 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.934784/200985 Resolução nº 3301000.661 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
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