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Numero do processo: 19515.003294/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO.
O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 2401-004.785
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer coisa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 94 /2 00 9- 04 Fl. 737DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 19515.003294/200904 Acórdão n.º 2401004.785 S2C4T1 Fl. 738 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 107/143) interposto em face do Acórdão nº. 1626.542 (fls. 96/102) que julgou improcedente a impugnação da recorrente, conforme a ementa abaixo reproduzida: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS, INCLUSIVE PERÍCIA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções constantes no § 4o do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 e a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do mesmo dispositivo legal. SUSTENTAÇÃO ORAL EM SESSÃO DE JULGAMENTO E/OU APRESENTAÇÃO DE MEMORIAIS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO QUE REGE O PROCESSO ADMINISTRATIVO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa, bem como o pedido de apresentação de memoriais, tendo em vista a falta de previsão na legislação pertinente, em especial o Decreto n° 70.235/72 e a Portaria MF n° 58/2006. Tratase o presente PAF de Auto de Infração (DEBCAD nº. 37.228.8970) em virtude do descumprimento da obrigação prevista no art. 32, I, da Lei nº. 8.212/91, combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS (Decreto 3.048/99), em seu artigo 225, I, § 9º, por ter a empresa deixado de elaborar folhas de pagamento (competências 01/2005 a 12/2005), segundo os padrões e normas estabelecidos pela RFB, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 02. Segundo o relatório fiscal de aplicação da multa (fl. 03) informa que o valor da multa aplicável à infração tipificada está amparada nos artigos 92 a a 102 da Lei nº. 8.212/91 e nos artigos 283, I, a, e 373 do Decreto 3.048/99, perfazendo o total de R$ 1.254, 89. Intimado do referido acórdão, a contribuinte apresentou o seu recurso voluntário (fls. 107/143), onde alega, em síntese: Fl. 739DF CARF MF 4 a) nulidade do acórdão da DRJ pela presença de apenas três julgadores no julgamento do acórdão recorrido, por infração aos artigos 212 da Portaria MF nº. 125/2009 e 2º, 4º e 14 da Portaria MF nº. 58/2006, quando o quorum mínimo seriam cinco; b) alega que princípios e normas constitucionais foram violados na lavratura do auto de infração ora combatido, ante a negativa da realização de perícia; c) ainda, alega que entregou as folhas de pagamento de forma correta e que em virtude da ausência de planilhas que indiquem os supostos erros de preenchimento que ensejaram a multa, estaria inviabilizado o seu exercício à ampla defesa e contraditório. Incluído em pauta de julgamento do dia 07 de outubro de 2014, o mesmo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº. 2401000.417 (fls. 170/172): Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que baixem os autos e seja informado: (i) Quais são os processos administrativos relativos aos lançamentos principais correlatos ao presente Auto de Infração; (ii) individualizadamente onde se encontram cada um dos processos administrativos indicados em resposta ao item (i) da presente resolução; (iii) esclarecer qual o resultado dos julgamentos de cada um dos processos em primeira instância, e, se for o caso, dos recursos nele impetrados, fazendo juntar cópias dos acórdãos respectivos; Na sequência, em razão da referida determinação, foi realizada a informação fiscal resultado da diligência requerida às fls 726/727, respondendose os quesitos formulados e informando o andamento de cada um dos processos administrativos fiscais relacionados ao presente lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória. Além das informações, foram juntadas as cópias de todos os processos nela mencionados. Assim, após intimação da recorrente, sem manifestação desta, retornaram os autos a este Conselho e foram distribuídos a este relator. É o relatório. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 19515.003294/200904 Acórdão n.º 2401004.785 S2C4T1 Fl. 739 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Juízo de admissibilidade Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Contudo, este pressuposto de admissibilidade – tempestividade – não se faz presente e o recurso voluntário não deve ser conhecido. O contribuinte foi intimado do Acórdão nº. 1626.542 (fls. 96/102) em 24/03/2011, quintafeira, conforme Aviso de Recebimento de fls. 105. O prazo recursal de 30 dias iniciouse no primeiro dia útil seguinte, 25/03/2011, sextafeira, encerrandose em 25/04/2011, segundafeira, conforme determina o art. 5º do Decreto 70.235/72: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte foi protocolado em 26/04/2011, conforme carimbo de recebimento à fl. 107. Ainda, o contribuinte não informa e, consequentemente, não prova a ocorrência de qualquer justa causa que o tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 183 do Código de Processo Civil: Art. 183. Decorrido o prazo, extinguese, independentemente de declaração judicial, o direito de praticar o ato, ficando salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa. § 1o Reputase justa causa o evento imprevisto, alheio à vontade da parte, e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. Fl. 741DF CARF MF 6 Portanto, considerando o não cumprimento do requisito previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 para interposição do recurso voluntário, tampouco apresentada qualquer justa causa que demonstrasse a impossibilidade de cumprimento do prazo legal, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900625/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 25 /2 01 2- 94 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900625/201294 Acórdão n.º 1302002.156 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900625/201294 Acórdão n.º 1302002.156 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900625/201294 Acórdão n.º 1302002.156 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904093/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 93 /2 01 4- 11 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10875.904093/201411 Acórdão n.º 1301002.463 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de CSLL, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10875.904093/201411 Acórdão n.º 1301002.463 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10875.904093/201411 Acórdão n.º 1301002.463 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10875.904093/201411 Acórdão n.º 1301002.463 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10875.904093/201411 Acórdão n.º 1301002.463 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001581/2002-57
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO.
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO: À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - não ocorrência ao caso, face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação, também, do Decreto nº 92.698/86 e Decreto-lei nº 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos, princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nº 1110/95 e suas reedições, especificamente a Medida Provisória n° 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art. 77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto nO20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e
das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados, compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art 4° e Lei nº 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da
decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal
de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos
acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de
cálculo, etc
Numero da decisão: 301-30.973
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio
Fonseca Soares votaram pela conclusão.
Nome do relator: Jose Lence Carluci
1.0 = *:*
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ementa_s : FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO DIREITO: À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - não ocorrência ao caso, face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN. Não aplicação, também, do Decreto nº 92.698/86 e Decreto-lei nº 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos, princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nº 1110/95 e suas reedições, especificamente a Medida Provisória n° 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art. 77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto nO20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados, compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art 4° e Lei nº 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio Fonseca Soares votaram pela conclusão.
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".' ~~.J "Jf ,. (~ .' PROCESSO N° SESSÃO DE ACÓRDÃO N° RECURSO N° RECORRENTE RECORRIDA M/I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA 10660.001581/2002-57 03 de dezembro de 2003 301-30.973 126.501 MADEIREIRA PARAGUAÇU LTDA. DRJ/JUIZ DE FORA/MG FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de co.nstitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO .DIREITO: À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - não ocorrência ao caso, face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN '. Não aplicação, também, do Decreto nO 92.698/86 e Decreto-lei nO 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos, princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nO 1110/95 e suas reedições, especificamente a Medida Provisória n° 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, S 2°, culminando na Lei n° 10.522/02, do art. 77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto n° 2.194/97 e da IN SRF n° 31/97, do Decreto nO20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes. COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua ap~icação uniforme pelos órgãos subordinados, compete aos Conselhos de Cóntribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nO8.429/92, art 4° e Lei nO 9.784/99, art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISE DO MÉRITO - Mastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA .. RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio Fonseca Soares votaram pela conclusão. 110 MAR ?OO/t.,. Brasília-DF, em 03 de dezembro de 2003 ---~""'~-- ."~...---........ ....::>c MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente SÉ LENCE CARLUCI Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉe ROOSEVELT BALDOMIR SOSA. , ,,- - . MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR 126.501 301-30.973 MADEIREIRA PARAGUAÇU LTDA. DRJ/JUIZ DE FORA/MG JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO A contribuinte acima identificada requereu à fl. 01, com juntada de documentos de fls. 02/44, a restituição de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o FINSOCIAL (alíquota acima de 0,5%), com base nas Leis 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90 julgadas inconstitucionais pelo STF. O Despacho Decisório SAORT/DRFN AR de fls. 46/48, exarado pela Delegacia da Receita Federal em Varginha IMG em 10/04/2002, indeferiu a solicitação da interessada, em síntese, com base no decurso do prazo decadencial previsto no art. 168 da Lei nO5.1172/ 1966 (CTN) e no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999. A interessada manifestou sua inconformidade às fls. 51/53, argumentando, em resumo que: • tratando-se de tributo cujo lançamento é feito por homologação, o prazo de cinco anos para decadência do direito de pleitear a restituição começa a fluir com a ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco. anos da data em que se deu a homologação tácita do lançamento, conforme definido no 9 4° do art. 150 do CTN. Para reforçar seu entendimento transcreveu trechos retirados de decisões do Superior Tribunal de Justiça; • outro aspecto é que, conforme recente acórdão prolatado no Segundo Conselho de Contribuintes, somente nasceria o direito de pleitear, junto a esfera administrativa, a restituição de tributo após a declaração de inconstitucionalidade da lei, pelo STF, após a suspensão da lei pelo Senado Federal ou de um -ato administrativo que reconheça a ilegalidade da cobrança. No caso específico do FINSOCIAL, q~e teve sua inconstitucionalidade reconhecida pela SRF atrãv~s da IN nO 31, de abril de 1997, o prazo para pleitear a r~.stituição de todos os valores pagos a maior só se esgotaria em abril de 2002. Tal possibilidade permite a busca de valores anteriormente tidos como prescritos pelo judiciário.-' 2 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 A DRJ/Juiz de Fora indeferiu a solicitação da contribuinte, sob alegação de que "O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. " Inconformada a contribuinte, tempestivamente, impetrou recurso a este Conselho alegando em síntese que: • os lançamentos referentes ao FINSOCIAL excedentes à alíquota de 0,5% deveriam ser revistos de oficio caso os mesmos fossem EXPRESSAMENTE HOMOLOGADOS e, consequentemente, alterados parcialmente no ato da homologação; • não havendo homologação expressa, a revisão do lançamento ocorreria no momento da HOMO~OGAÇÃO TÁCIT A, iniciando-se, nesta data o direito do contribuinte à restituição dos valores recolhidos a maior, direito este que poderá ser exercido no prazo de 5 anos, a contar da data da homologação tácita, conforme já claramente demonstrado .nas razões expostas no recurso ao Delegado da Receita Federal de Julgamento. • Ratificando, portanto, as razões já apresentadas requer seja reconsiderado o indeferimento proferido pela Terceira Turma de Julgamento, reconhecendo-se o direito ao~ crédito correspondente aos recolhimentos à maior efetuados, restabelecendo-se, assim, a justiça. É o relatório. 3 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 VOTO • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. . Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) o Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; lI. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA '. RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 VOTO A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutr:inária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica. global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar jl;lrroicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a re~tituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. . Superada que seja essa questão que coloco em sede de' preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face d(!.'legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos .tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERACÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) O Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o cont(ibuinte terá direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: . I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; 11. Cobrança ou pagamento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; III. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição :prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista no inciso I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; lI. Nas hipóteses previstas nos incisos lI, III e IV do' art. 201, da data da extinção do crédito; 1II. Na hipótese prevista no inciso V do art. 201, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; IV. Na hipótese prevista no inciso VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência aos artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: .. "446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, .item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também erga omnes, sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no 6 , \ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 feito, isto é, por quem haja ingressado em juizo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos. os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afiora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, séndo nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas cons.iderações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática. Discorrendo sobre o assunto, eis como se manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sidó partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna p~la força do decreto judiciário, irrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 42). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado' jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "conseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nós, incumbir' ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados. apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robu~to.'argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos. efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a:. execução, 7 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 redundante ou inútil seria a provlsao do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir,' máxime em, se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente .a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qual, em. bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim ~e. externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", ..quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato q~e vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REPARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45 ) Acresce que o ato senàtorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a su.s;pensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. 11 - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso. declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributári0 Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do (ato gerador efetivamente ocorrido; 11. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 8 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 IlI. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária prineipal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva;• c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, cOl~tados: I. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e II do art. 1)0, da data da extinção do crédito tributário; lI. Na hipótese prevista na alínea III do art. 130, da dàta em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; 1II. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspensiva ou o implemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, ~ Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dós arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de 'Iei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. 'r. O Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I á IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 9 I \ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 n° I) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a :hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 nO'I). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos' não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente aquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o sistema do vigente decreto n° 20.910 de 1932, fixandó, respecti~amente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do. exerCÍcio' do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetÍvar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) .• ' No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo .em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco ano,s, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1° do Decreto' nO20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que 'a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfàndegas (interpretado pelo decreto nO20.230 de 1931), reduzido porém o prazo,'em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei nO5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos ex nunc. A mens legislatori dá lugar à mens legis. As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira .. Dessas considerações acima conclui-se que: . 10 MINIsTÉRIO DA FAZENDA . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 126.501 301-30.973 a Comissão do Código Tributário Nacional recoóhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso 11 do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto nO 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exerCÍcio desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e.qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • Esse direito, in casu se originou da dec~~ração de inconstitucionalidade. • O Código Tributário Nacional vigente, passou então, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. 11- PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4°: da Lei nO 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hie~arquia são obrigados a velar pela estrita observância dos prinCÍpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e publicidade np trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) , E reafirmado no art. 2° da Lei nO9.784/99, aplicável aos processos administrativos de qualquer natureza, in verbis: . "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre :Qutros, aos princípios da legalidade, finalidade, m~~ivação, félzoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 11 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos' Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Àcórdão nO CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes .do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal'baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1- CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário. I Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender -liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela de~laração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público nO2/93, pp. 267/276). . 12 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 ..• • Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por c~nsiderá-Ia inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido .. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. (Do Controle da Constitucionalidade, ed. Forense, Rio, 1966, p. 180) E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." " ~.- . E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de', uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam con~ra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário nO 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público nO26, pp.70/72) 2- PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há - de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 - p. 143) Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas jurídicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais 13 0. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 • diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. . . Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores. Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico, há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que. convivem sem atritos. . Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que., se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo: no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (...)". (grifei) .. ,, "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 pp. 171/172). 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) 14 .. MINIslÉRlO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário '~e torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se.exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever 'que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade. o administrador não pode, sob qualquer pretexto. deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justificà a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). ' . \ Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). ( O valor juridico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o. que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. Ó seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta ativida~~. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento 4e qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de'.não lhe ser reconhecida validade. A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. . " 15 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 A Constituição, sensível aos VIClOS identificados pelà Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatóri~ tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus "artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público é,' como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa 's~'impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: . "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte: .... " ~.: A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua atuação p~la ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). .' A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de 9010. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos adm.inistrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos ~efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atenc;limento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados co.m violação a esse princípio. (grifei). Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não-moralidade. (grifei). 16 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a deteJ:minar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência: da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de', moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juízes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e dC?legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser 'exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito,' ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo .e que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legaL além de trazer beneficios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucionaL resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 pp. 209/222) 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público, 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 A existência de um princIpIo jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se ao;Sparâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o princIpIO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. O princípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não)' Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas 'possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquda conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). O conteúdo jurídico da princípio da moralidade públi«a resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse publico e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências:' de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença ap0Il;tada pai Renato Alessi 18 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃON° 126.501 301-30.973 '. ", entre interesse público primário e interesse secundário, difundidaentre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhuIji interesse público se configura como conveniência egoística da Administração .'Pública. O chamado interesse secundário (Alessi) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do,termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possu~ interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a ~atureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais,.particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realiza~ão do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a senJidãodo Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações, ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estàiia, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o minimo de recursos e abarrotar-se' deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 63 ed., Malheiros, 1995, p. 22).(grifei). . O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública 'consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado~~O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. Exclui. '.também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não~éconduta, : 19 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. o princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas- intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos. os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade ~e intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei 'tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável 'éGm ela. ' .. '. -(, Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A..' tributação implica intromissão do governo nas atividades dos ~articulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a seguran~a jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. O Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-lá não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do ~xto legal, buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade pnblica. Não permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não está' legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoral, uma lei. (grifei)." (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público nO11/95 pp. 45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribyinte a título 20 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 e tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que. legitimamente lhe pertence, revelando-se um eJ;lfiquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade aclininistrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais;:..' visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado"; recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argüi a inconstitucionalidade m FAZENDÁRIO INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE o interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse publico e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucjonais dos contribuintes. . No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: 21 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURsaN° ACÓRDÃaN° 126.501 301-30.973 " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa design~damente a insegurança jurídica". Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extrajurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos .do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurançajurídica. As garantias constitucionais, limitam o poder de tributar: e sancionar. a propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, .num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. ..~ Afinal, predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja' qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional: É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista 'Trimestral: de Direito Público n° 13/96, p. 16) a interesse público, no caso, é a realização do Direito"€:t da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. b interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente r~stituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente. sob a forma .de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, et~. Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer n° 877/03, aprovado e publicado no D.a.v. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer' a "relação ,!ributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). " IV- NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL'''. 22 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. O renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN nO1238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torrés, que ensiQa; . "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado d<t.decisão do STF proferida em ação direta ou da pub"licação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão. proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de"Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p 169). . Neste sentido é o Acórdão n° 1999.03.99.074347, do TRF 33 Região 63 T. e o Acórdão nOAMS 95.03.056070-5, da 43 T. do TRF 33 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional aeverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado -ho DJU de 02/04/93, devendo a partir desta data ter inicio o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que ~ inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da. prescrição. (Acórdão nO 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região- 63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do .STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. 11 - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. 111 - Pr.escrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto n° 160 t, de 23 de 23 .'. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 agosto de 1995 e da Medida Provisória n° 1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 - A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de jane.ir.o de 1997, nos termos do art. 39 da Lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da ~ompensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 ~..da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reedições; com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo' qüinqüênio p~escricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à r~etição do indébito permanece acionável com fulclo no art. 174, iftc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac un ,da 4° T do TRF da 33 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fec.l. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes: Trancham S/A Ind. e Com. E União Federal/Fazenda Nacional; Apdos.: os mesmos_ Dm 02/10101 p. 159 - ementa oficial" , Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passandô. a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele dt!>sistema do Decreto n° 20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. nO 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. 1° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). . O art. 146, inciso IH, alínea "b", da C.F. estabelece qU,e'cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com status de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas', apesar de o montante 24 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 indevidamente pago com a declaração de inconstitucionali~ade passar a. configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data 'da Medida Provisória nO 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 33 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de prod"uzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, peIJiendo-a se. não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelci Congresso, concretizada na Lei nO 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas. A partir da edição da MP. nO 1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido:: "9 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição "ex officio" de quantias pagas. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. : A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.79383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/OI-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei n° 2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 ..•. É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto - lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porqU,e, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data d~entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do;Decreto-lei n° 2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional ; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01103/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da : promulgação da Constituição). o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o <Já decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição. v- COMPETÊNCIA PARA INTERPRETAR A LEGISLAÇÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. T' inciso 11, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da' União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de nO111,"verbis": "111- fixar a interpretação da Constituição, das leis, do.s tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado - Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ MP -06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. ;. 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 07/05/99). 126.501 301-30.973 Há também o Parecer AGU nO02/99, no mesmo sentido (D.O.U. de Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI- ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar nO73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria - Geral da Fazenda Nacional como órgão .'da direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso IIr e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99, • Parecer PGFN/CAT nO550/99 - termo "a quo" nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento "indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF la Região que é a da publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. • Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei nO20910/32). • Conclui pela atenuação ex tune de leis declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. •. ". 2- Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF439/96 • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/C~ nO439/96, incluindo também as DRJ, além dos c.c., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstit4cionais. 27 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 126.501 301-30.973 , Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva". constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: 1) decisão do STF, ainda que única, em ADIN; 2) idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; 3) a decisão plenária, transitado em julgado, ainda ql.;leúnica e por maioria de votos, se nele foi expressamente €bnhecido e julgado o mérito da questão em tela. ..- 3 - Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionaJidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a exeçução pelo Senado Federal. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). • A coisa julgada é imutável, intangível. (salvo em caso de ação rescisória). • O Senado não conferiu a eficácia erga omnes à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. • • O Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e' também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. • Os efeitos erga omnes no caso, só fazem coisa julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou desfavorável 'às partes envolvidas. 28 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 .. • O Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto expo~o nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito 40 problema de prescrição e decadência. Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas d.etisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes '.não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer" da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9784/99, aplicável subsidiariamente, que, em seus arts. 2°, parágrafo único, inciso I prescreve: "Art. 2° : . Parágrafo único_Nos processos administrativos serão "observados, entre outros, os critérios de: 11- Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art: 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. Vll- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS~~ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRATIVOS DE PRIMEIRA E .SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF nO96/99. Além disso, o Dec. nO 2346/98 em seu artAO apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos :tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com , base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal:~ue declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo q~: 29 ."o,. ,; MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 I. não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; 11. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; 111. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; N. sejam formuladas desistências de ações de execuçã~ fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário :da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o ~êterminado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos:' . 1- âmbito de suas competências; 2- base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discrióonariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria MP n° 227/98 (revogada), artigos 1° e 190, e pela Portaria MP n° 259/01, artigos l° e 209. Por elas, vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comand.o das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo l°, inciso V e artigo 2"09, incisos XXVII e XXVIII, da Portaria MP 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação aQ SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante à restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes,. que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recursaiS. 30 . ".. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 Ainda na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT n° 58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF nO 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. vm- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto d~ Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas ~e~isões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve qüe compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso II, da Constituição Federal. A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida erga omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150, II, da C.F.) 't. Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade de lei foi confirmado pela Lei nO9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito,do S IOdo art. 102 da Constituição Federal. Senão vejamos. 31 :MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato; normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei nO9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei nO 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia cotlstitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição. o ~3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do ~ l° do art. 102 da C.F. terá eficácia contra tódos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declar~a pelo StF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento' de preceito fundamental da C.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade,"moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I -Tributos Lançados por homologação No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributár.io; com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o presérito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo l° do Decreto n° 20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se .tratar de pleito fundado em lei. declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. II - Necessidade de Lei Complementar A, Após o advento da Constituição Federal de 1988, as nqrmas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146, lII, "b"). 32 o.' MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.501 301-30.973 A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, inciso m. . o FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei nO' 2.049/83, regulamentado pelo Decreto nO92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 '(dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da"v.igência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o "status"de lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadenciaVprescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei n° 2.049/83 e Decreto nO92.698/86. III - Lei Declarada Inconstitucional . { Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de' alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP nO1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. nO1621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 . CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo -solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam. sua fiel observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada' que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma' autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos o efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos de apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc. .' Co Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2003 33 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034
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Numero do processo: 15374.001204/2001-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
GLOSA DE DESPESAS
Uma vez não comprovadas as despesas glosadas pela autoridade fiscal, o lançamento deve ser mantido.
Numero da decisão: 1401-001.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da peça de fls. 778 a 781 e os documentos a ela juntados, apresentados extemporaneamente. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin; e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso..
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da peça de fls. 778 a 781 e os documentos a ela juntados, apresentados extemporaneamente. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin; e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer da peça de fls. 778 a 781 e os documentos a ela juntados, apresentados extemporaneamente. Vencida a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin; e, na parte conhecida, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 12 04 /2 00 1- 86 Fl. 953DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvome do relatório da autoridade a quo: Em 10/04/2001, foram lavrados Autos de Infração do IRPJ e reflexo (CSLL) atinentes ao anocalendário 1997, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 6.844.009,53, assim discriminado por exação fiscal: (...) Infrações imputadas: 1) CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS DESPESAS GLOSADAS. Lançamento do IRPJ e reflexo (CSLL) Consta do Termo de Verificação Fiscal à fl. 179 que o sujeito passivo foi intimado e reintimado a comprovar, com documentação de suporte, a necessidade e normalidade das despesas escrituradas em sua contabilidade, porém não o fez. Por isso, foram glosadas as despesas abaixo discriminadas: Data Conta Descrição Valor (R$) 31/03/1997 311308002785 Desp. c/ Prev. Social 137.513,29 12/12/1997 311501019007 Desp c/ bolet. cancelamento 14.173,99 18/11/1997 311501019007 Desp. c/ bolet. cancelamento 15.300,61 31/03/1997 311802003174 IPTU 19.754,72 30/04/1997 311802003174 IPTU 19.754,72 31/01/1997 311907002313 31 Automóveis 14.611,10 31/07/1997 311907002313 31 Automóveis 13.473,97 04/02/1997 312101019260 Desp. Bancárias Cartão Nac. 153.199,00 31/12/1997 311501018952 Desp. c/ PDD Cartão 932.741,12 31/01/1997 311601006237 Desp. c/ Cartão Brasil Assistência 22.637,15 Consoante Termo de Verificação Fiscal à fl. 179, as despesas abaixo foram glosadas, pois o sujeito passivo foi intimado e reintimado a comprovar a necessidade e normalidade das despesas lançadas em sua contabilidade, porém apresentou somente relatórios em língua inglesa, desacompanhados de documentação que pudesse comprovar as despesas. Por isso, as despesas abaixo foram, também, glosadas: Data Conta Descrição Valor (R$) 21/02/1997 311501018916 Transações Internacionais VISA 19.988,79 17/02/1997 311501018916 Transações Internacionais VISA 4.624,08 15/04/1997 311501018916 Transações Internacionais VISA 4.249,68 19/05/1997 311501018916 Transações Internacionais VISA 23.505,31 10/07/1997 311501018916 Transações Internacionais VISA 11.146,61 28/08/1997 311501018916 Transações Internacionais VISA 12.250,06 14/11/1997 311501018916 Transações Internacionais VISA 20.188,48 Fundamentação legal: RIR/94, arts. 195, I, 197 e parágrafo único, 243 e 247. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 15374.001204/200186 Acórdão n.º 1401001.815 S1C4T1 Fl. 954 3 2)CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS GLOSA DE DESPESAS. Lançamento do IRPJ e reflexo (CSLL) Conforme descrição dos fatos constante do Termo de Verificação Fiscal à fl. 179, o contribuinte lançou como despesa valores, cujas notas fiscais emitidas por indústrias gráficas tinham como destinatário o Banco Itaú S/A; que, por conseguinte, a documentação apresentada não comprovou os requisitos para dedutibilidade das despesas. Por isso, as despesas abaixo foram glosadas: Data Conta Descrição Valor (R$) 31/10/1997 31 1601006255 Despesa c/ Cartão Outras 70.443,21 28/11/1997 311601006291 Despesa c/Matercard Outras 52.440,00 Fundamento legal: RIR/94, arts. 195, I, 197 e parágrafo único, 242, 243 e 247. Obs: valor total dos custos ou despesas glosados (infrações 1 e 2) corresponde a R$ 1.561.995,98 (valor tributável). 3) COMPENSAÇÃO INDEVIDA: Fato gerador 31/12/1997 Finalmente, consta do Termo de Verificação Fiscal à fl. 180 que o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar demonstrativo da composição do valor das compensações declaradas na DIRPJ 1998, anocalendário 1997 (ficha 08, item 22, demais compensações outras), no valor de R$ 2.161.470,03 (fl 39); porém, não o fez. Por isso, a compensação, no citado valor, foi considerada compensação indevida. IRPJ lançado de oficio R$ 2.161.470,03. Fundamentação legal: RIIU94, art. 943; Lei 9.069/95, art. 58; Lei 9.250/95, art. 39; Lei 9.430/96, arts. 73 e 74. 4) DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PESSOA JURÍDICA FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇAO DO IRPJ: multa por omissão/atraso na entrega da declaração. Valor da multa regulamentar: R$ 25.519,69. Fundamento legal; Lei 8.981/95, art. 88, I; Lei 9.532/97, art. 27. II Auto de Infração da CSLL (fls. 186/189): a) CSLL, R$ 281.159,27; b) Juros de mora (calculados até 30/03/2001), R$ 184.637,29; c) Multa de oficio proporcional (75%), R$ 210.869,45. Total do crédito tributário do Auto de Infração da CSLL, R$ 676.666,01. Infrações reflexas glosa de custos ou despesas (já descritas acima): Valor tributável R$ 1.561.995,98. Fl. 955DF CARF MF 4 Fundamento legal: Lei 7.689/89, art. 2° e §§; Lei 9.316/96, arts. 1° e 2°; Lei 9.430/96, art. 28. O sujeito passivo tomou ciência dos Autos de Infração do IRPJ e reflexo (CSLL) e do Termo de Verificação Fiscal, pessoalmente, por intermédio de seu representante legal, em 11/04/2001 (fls. 180, 181 e 186); apresentou impugnação em 09/05/01 às fls. 195/2l9,:juntando, ainda, os documentos às fls. 220/446. Extraise da impugnação do sujeito passivo, em síntese: l) Quanto à despesa c/ previdência social: glosa de R$ 137.513,29 conta 311308002785. Que em face da liquidação extrajudicial do Banco BANERJ e do leilão marcado na época privatização do Banco BANERJ , os copatrocinadores da Caixa de Previdência dos Funcionários do Sistema BANERJ PREVI/BANERJ, ou seja, o Banco BANERJ, a BANERJ Seguros e a BANERJ Corretora de Seguros e Administradora de Bens deixaram de ser copatrocinadores, conforme autorização do Conselho de Gestão da Prev. Complementar Resolução n° 30, de 12 de dezembro de 1996 (fls. 246/247); que, não obstante, o montante da despesa glosada, valor citado acima, referese a obrigação liquida e certa da impugnante com o Banco BANERJ em liquidação extrajudicial, e que deveria ser pago aos participantes da Caixa de Prev. dos Funcionários do Sistema Banerj PREVIBANERJ; que tal obrigação líquida e certa se deu ex vi do art. 4°, § 2°, da Resolução do Conselho de Gestão da Prev. Complementar n° 30/96 (fls. 246/247) e do Termo de Retirada celebrado entre a impugnante, o Banco Banerj e a PREVI/BANERJ (fls. 249/251); que tal obrigação líquida e certa representa compromisso mínimo a ser suportado pela impugnante; que o citado valor foi levantado ou apurado pela MERCER MW LTDA (fls. 253/281); que o valor levantado pela MERCER é o valor da obrigação líquida e certa da impugnante com o Banco Banerj em liquidação extrajudicial, a ser liquidado (pago) junto aos participantes da PREVI/BANERJ; que o citado valor (glosado) foi liquidado conforme demonstram os recibos firmados pelos referidos participantes, e respectivo recolhimento do IRFonte (fls. 283/287); que se trata de despesa incorrida no ano calendário 1997, não porque o valor da despesa tenha sido pago em 1997 (regime de caixa), mas pelo fato de o Termo de Retirada terse aperfeiçoado no referido ano; que a dívida obrigação existia e já era incorrida no anocalendário 1996 em relação ao Banco BANERJ em liquidação extrajudicial, por força do art. 4°, § 1°, da Resolução CGPC n° 30, de 12/12/1996; que, todavia, pela celebração do Temo de Retirada, entre a instituição (o Banco) e a impugnante, houve a assunção de' adimplemento da referida obrigação pela impugnante, tomando se, portanto, dívida própria em 12/03/97; que, dessa forma, no anocalendário 1997, o citado valor (glosado) tomarase despesa incorrida da impugnante, segundo o regime de competência; que a dívida é da impugnante, pois referese a participantes da PREVIBANERJ, os quais são empregados da impugnante; que, em se tratando de encargos econômicos referentes a participantes empregados da impugnante, a despesa é perfeitamente justificável, quanto necessária; que se trata de Fl. 956DF CARF MF Processo nº 15374.001204/200186 Acórdão n.º 1401001.815 S1C4T1 Fl. 955 5 despesa conectada ao vínculo laboral que os participantes têm com a impugnante e, portanto, despesa necessária ao desenvolvimento de sua atividade operacional; que, por fim, a dedutibilidade da despesa por ser despesa necessária está amparada no art. 47 da Lei 4.506/64 e art. 13, V, da Lei 9.349/95. 2) Glosa do IRRF: R$ 37.953,04; que o IRRF não incidiu sobre rendimentos do trabalho assalariado (código 0561), conforme consta do DARF de recolhimento (fl. 287), mas sim sobre o valor do resgate de rendimentos de previdência complementar (código 3223); que esse erro da impugnante é facilmente detectável pelos recibos e planilhas constantes dos autos; que, por conseguinte, a pretensão fiscal não pode prosperar, pois o IRRF, no caso, pertence à conta de resultado “DESP C/ PREV SOCIAL. 3) Glosa de despesas (conta 312101019260): despesas bancárias cartão nacional R$ 153.199,00 (04/O2/97): que, dentre as atividades da impugnante, consta do objeto social a atividade de administradora de cartões de crédito; que como administradora de cartões de crédito pode contrair empréstimos com uma instituição financeira; que, no caso, o citado montante referese à contrapartida dos juros pagos e incorridos relativos aos empréstimos feitos junto à instituição financeira Banco BANERJ, conforme demonstrativo de movimentação mensal juros (fl. 289); que é incabível a glosa de tal despesa. 4) Glosa de despesas: (conta 311601006255) Despesa c/ Cartão Outras valor R$ 70.443,21 (31/10/1997) e (conta 311601006291) Despesa c/Matercard Outras Valor R$ 52.440,00 (28/11/1997): que essas despesas foram glosadas, pois as notas fiscais respectivas tinham corno destinatário o Banco Itaú S/A, e não a impugnante; que houve erro por parte dos emitentes das Notas Fiscais, respectivamente, a Pancrom Ind. Gráfica Ltda e a Geoprint Envelopes e Artes Gráficas Ltda; que o erro perpetrado pelas contratadas é facilmente constatável pela análise de dois elementos: a) a mercadoria vendida e b) os lançamentos contábeis da impugnante (fls. 296/327); que é de hiliana clareza que, pelo conteúdo das mercadorias vendidas, v o destinatário das notas fiscais só poderia ser a impugnante; por outro lado, a impugnante alegou que a autoridade fiscal laborou em equívoco quanto aos valores glosados: que o valor de R$ 70.443,21 lançado na conta "311601006255 Despesa c/Cartão Outras” foi objeto de reclassificação para as contas “31 1601006291” Despesa c/ Mastercard Outras” (R$ 52.440,00) e “311601006282 Despesas c/Mastercard Pancrom (R$ 18.003,21); que isso se deu da seguinte forma: no dia 31/10/1997, houve o lançamento a crédito no passivo conta “21.150l001371 BANERJ CARTÃO” no valor de R$ 70.443,21 contra o lançamento a débito na conta “Despesa c/cartão Outras”; que, posteriormente, no dia 28/11/1998, procedeuse ao lançamento a crédito nesta última conta (“Despesa c/cartão Outras”) no valor de R$ 52.400,00 contra o lançamento a débito na conta “Despesa C/Mastercard Fl. 957DF CARF MF 6 Outras”; que, nesse mesmo dia, processouse o lançamento a crédito na conta “Despesas c/cartão Outras” no valor R$ 18.003,21 contra o lançamento a débito na conta “Despesas C/Mastercard Pancrom”, tudo conforme lançamentos às fls. 296/327); que o valor total das notas fiscais ou das despesas foi de R$ 70.443,21, sendo que R$ 52.440,00 são da conta Despesa c/ Mastercard ¬ Outras e R$ 18.003,21 da conta Despesas c/ Mastercard Pancrom; que o passivo gerado pela aquisição das mercadorias, conforme demonstrado às fls. 296/327 foi pago pela impugnante`(lançamento a crédito na conta “1.1.1.20.10.00051 conta corrente”, contra o lançamento a débito na conta do Passivo “2.1.1.50.10.0137l BANERJ CARTÃO; que as mercadorias foram destinadas à impugnante (envelopes para remessa de cartões de crédito, encarte para proposta de cartão de crédito e fotolitos para cartão de crédito); que é indubitável que as despesas com tais materiais caracterizam despesas necessárias da impugnante, nos termos do art. 47 da Lei 4.506/64; que, assim, improcede a glosa dessas despesas. 5) Despesa c/PDD Cartão, no valor de R$ 932.741,12' conta “311501018952”: glosa de despesa; que a glosa é improcedente, por duas razões: que o lançamento questionado é o lançamento a crédito na conta de resultado “31 1501018952 DESP c/ PDD Cartão' (fls. 329/333); que, conforme consta do Livro Diário, a contrapartida do lançamento na conta “31 1501018952 Desp. c/ PDD Cartão” é o lançamento a débito na conta patrimonial “11320101023 2 ~ () Prov. P/Devedores Duvidosos”, ou seja, redução da conta redutora (fls 329/333 e 335/339); que, nesse passo, no mesmo dia 31/12/97, após o referido lançamento contábil, houve a consecução de outro lançamento fiscal (fls. 336/339): lançamento a débito na conta de resultado “311501018952 Desp. c/PDD Cartão” no valor de R$ 932.741,12 contra o lançamento a crédito na conta patrimonial redutora “1 13201010232 () Prov. P/ Deved. Duvidosos; que, em outras palavras, houve o estrno; que os valores lançados na conta de resultado “DESP c/ PDD Cartão” foram adicionados ao lucro líquido, fato comprovado pela: a) parte parte A do LALUR; b) ficha 07 da DIRPJ; c) pelos saldos dessa conta figurada no balancete de 31/12/97; que todos esses dados se encontram às fls. 367/373); que só haveria razão para glosa se o lançamento contábil não houvesse ou houvesse adicionado a menor o valor das despesas (provisões) indedutíveis, o que não ocorreu no caso, afirma a impugnante; que, em função disso, a glosa é improcedente. 6) Das compensações declaradas na DIRPJ 1998. ano calendário 1997: glosa de R$ 2.161.470 03: Exigência de imposto no mesmo valor: que a referida compensação se deu em conformidade com a IN SRF 21/97; que se trata da utilização de crédito da Contribuição para o PIS Decretoslei'2.445/88 e 2.449/88 de terceiros (Banco Itaú S/A), ou seja, valor compensado com débito do IRPJ da impugnante do ano calendário 1997; que a compensação apoiouse no art. 15 da IN SRF 21/97, revogada pela IN SRF 41/00; a comprovação da regularidade da compensação se dá com o Pedido de Compensação de Crédito com débito de terceiros (fls. 376/378); que o citado pedido na data da impugnação deste lançamento Fl. 958DF CARF MF Processo nº 15374.001204/200186 Acórdão n.º 1401001.815 S1C4T1 Fl. 956 7 fiscal ainda não havia sido apreciado; que ex vi do art. 9°, V III, da IN SRF 80/97 o procedimento compensatório adotado pela impugnante encontrase revestido de regularidade (em face da ausência de apreciação); que, evidentemente, se, ao final, esse pedido for indeferido e esgotados os meios de recursos, a impugnante recolherá o valor compensado indevidamente, com os acréscimos legais; que a documentação referente às compensações em causa, inclusive, foram entregues e recebidos pela autoridade fiscal (fls. 380/391). 7) Das despesas “Transações Internacionais VISA” e “Desp. c/ Bolet. Cancelamento”: que a impugnante como membro associado da VISA Internacional ostenta uma série de direitos, v. g., uso da marca ou bandeira VISA, e uma série de obrigações; que pela simples possibilidade de um titular de cartão administrado pela impugnante poder utilizálo em país diverso do Pais aprovado (Brasil), a impugnante é obrigada a manter uma conta internacional para a liquidação das transações, que implica. pagamento de taxas e despesas administrativas; que a impugnante realiza uma série de pagamentos (despesas) à VISA pela obrigações como membro associado da VISA; que a VISA Internacional Service emite relatórios desses pagamentos em inglês; que o lançamento a débito do dia 17/02/97, na conta “3115010189l6 Transações Internacionais Visa”, referese a despesa do Grupo 5010 Extrato Integrado de Débitos Visa; .que essa despesa representa o custo rateado entre os membros associados, de operação de autorização de Boletim e Proteção; que esse custo configura o valor cobrado pela Visa, por conceder à administradora a autorização para inserir clientes inadimplentes e cartões roubados ou fraudados em relatório que deverá ser disponibilizado a todos os membros associados da Visa, visando não autorizar as transações dos clientes envolvidos; que, nesse contexto, o relatório em inglês da Visa às fls. 395/396 representa despesa cobrada pela Visa da impugante no valor de US$ 4.268,92 que, convertido em reais, representa a quantia de R8 4.624,08 (despesa glosada); que as outras despesas pagas à VISA, também glosadas pelo Fisco, dos Grupos 5040, 5010, 0240, 0110, 0100 (R$ 19.988,79 + R$ 4.249,68 + R$ 11.146,61 + R$ 12.250,06 + R$ 20.188,48) referemse a despesas da impugnante com a Visa, conforme relatório em inglês às fls. 398/425). Quanto às Desp. c/ Bolet. Cancelamento (R$ 15.300,61 e R$ 14.173,00) referemse a despesas do Grupo 0240 (custo rateado) Desembolso de Fundos de Transações (fls. 423/425). Após a juntada da peça de impugnação em 09/05/2001, a impugnante desistiu parcialmente da impugnação (renunciou à lide acerca de algumas glosas de despesas ou custos), conforme petição, do dia 28/11/2002, juntada aos autos à fl. 452. Ainda, informou que efetuou o recolhimento em DARF do IRPJ e da CSLL correspondentes (fls. 453/466). Despesas ou custos que a impugnante deixou de discutir (desistiu do litígio): (...) Fl. 959DF CARF MF 8 Competência para julgamento do i/ litígio dada à DRJ/Brasília, consoante Portaria SRF n° 1.515, de 23 de outubro de 2003 (fl. 471). Em face das alegações do sujeito, mormente em relação à compensação, os autos do processo foram baixados para realização de diligência fiscal, conforme despacho de 18/05/2005 (fl. 472). Realizada a diligência fiscal, dada ciência à contribuinte do seu resultado, e juntada a manifestação do sujeito passivo, os autos do processo retornaram, para julgamento pela DRJ/Brasília, acrescidos dos documentos às fls. 473/540. Tendo em vista que os autos do processo retomaram sem manifestação conclusiva quanto ao Pedido de Compensação protocolado pela contribuinte antes do inicio da ação fiscal (matéria prejudicial ao julgamento da lide), nova diligência fiscal foi requerida para juntada da decisão quanto ao pedido de compensação, conforme despacho às fls. 541/543. Cumprida a diligência fiscal, retornaram os autos do processo, para julgamento da lide por esta DRJ/Brasília, acrescidos dos documentos às fls. 544/574. Da decisão de primeiro grau A decisão recorrida (fls. 635 a 644) registrou a exoneração parcial por revisão do lançamento de ofício e deu provimento parcial à impugnação nos seguintes termos: 1) A própria autoridade lançadora reconheceu a procedência da compensação e revisou de ofício o lançamento; 2) Consignou a desistência da impugnação quanto a algumas glosas de custos e despesas, bem como a ausência de contestação relativamente à multa regulamentar; 3) No tocante à matéria sob litígio, manteve a glosa da "despesa de previdência social", conta 311308002785, valor R$ 137.513,29, ao adotar as razões aduzidas pela autoridade diligenciante abaixo reproduzidas: DESP C/ PRE V SOCIAL no valor de 137.513,29; o contribuinte, em sua impugnação, argumenta que tais valores referemse a obrigações líquidas e certas do impugnante com o Banco do Estado do Rio de Janeiro S/A e que deveriam ser pagas aos participantes da Caixa de Previdência dos Funcionários do Sistema Banerj PREV1BANERJ. Para comprovar a despesa apresenta cópia da Resolução n° 30 de 12/12/96 do Conselho de Gestão da Previdência Complementar (fls. 246/247), sendo 0 artigo 4° "No caso de retirada do copatrocinio da Banetj Seguros e Baneij Corretora, o patrocinadorinstituidor da entidade, Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A., garantirá o compromisso de quitar todas as obrigações relativas aos participantes e pensionistas que delas se desligam, na opção por eles escolhida, conforme apurado em avaliação atuarial da PRE V1/BANERJ, que conterá registro das reservas calculadas individualmente, conforme ditames da Resolução MPAS/CPC/Nº Fl. 960DF CARF MF Processo nº 15374.001204/200186 Acórdão n.º 1401001.815 S1C4T1 Fl. 957 9 06/88". No §2° do mesmo artigo temos: "As despesas administrativas decorrentes da retirada do copatrocinio de que trata o caput deste artigo serão pagas pela Banerj Seguros e Banerj Corretora respectivamente. "Apresenta cópia do Termo de Retirada da CoPatrocinadora BANERJ Corretora de Seguros e Administração de Bens S/A., da Caixa de Previdência dos Funcionários do Sistema Banerj PREVIBANERJ, estabelecida no artigo 3° da Resolução n° 30 acima citada, que traz "Do Custeio e do Pagamento do Compromisso Minimo A CoPatrocinadora que se retira será responsável pelo custeio da totalidade do Compromisso Mínimo e efetuará o pagamento diretamente aos participantes, em nome da Instituição. " Os valores foram pagos diretamente aos participantes conforme consta as fs. 283 a 286. A Resolução supracitada define no art. 2° "As copatrocinadoras ficam obrigadas a apresentar à Secretaria da Previdência Complementar SPC, no prazo de 90 dias, contados a partir da data de publicação da presente Resolução, os documentos previstos nas normas reguladoras dos procedimentos a serem adotados no âmbito das entidades fechadas de previdência provada ocasião da retirada de , por patrocinadoras, insertos no item 2 do Anexo 1 da Resolução MPAS/CPC/No 06/88, para efeito de juntada aos respectivos autos dos processos de retirada, ressalvandose aqueles documentos expressamente aqui excepcionados."O artigo 5° dispõe que: "O não cumprimento do disposto no art. 2° desta Resolução . implicará ineficácia dos termos desta Resolução em relação à copatrocinadora inadimplente". O contribuinte não comprovou o cumprimento do disposto no artigo 2”. (nosso destaque) 4) Quanto à "Glosa da despesa pagamento do IRRF: R$ 37.953,04", também incorpora as razões da autoridade diligenciante, que reitera o não cumprimento do acima citado art. 2º da Resolução 30, do Conselho de Gestão da Previdência Complementar. Ademais, aduz que o IRRF não é despesa da impugnante, pois o ônus é suportado pelo beneficiário. 5) Com relação à glosa de despesas (conta 312101019260), despesas bancárias cartão nacional R$ 153.199,00, manteve a glosa por entender que não foram juntados documentos que comprovassem a operação (contrato de mútuo ou empréstimo), nem a inadimplência dos titulares dos cartões a justificar o empréstimo. Também incorpora as raões da autoridade diligenciante, a qual, em breve síntese, também aduz que a impugnante não comprovou os valores. 6) Também mantém a glosa de despesas (conta 311601006255) Despesa c/ Cartão Outras valor R$ 70.443,21 (31/10/1997); e (conta 311601006291) Despesa c/Matercard Outras Valor R$ 52.440,00 (28/11/1997). Não acatou o argumento da impugnante de que as notas fiscais relativas a essas despesas foram equivocadamente registradas em nome de outra pessoa, pois não solicitou aos fornecedores a sua retificação. essas despesas. 7) Julgou improcedente a glosa de Despesa c/PDD Cartão, no valor de R$ 932.741,12 conta “311501018952”, cujas razões deixo de reproduzir pela inexistência de recurso de ofício. Fl. 961DF CARF MF 10 8) Manteve a glosa das despesas “Transações Internacionais VISA” e “Desp. c/ Bolet. Cancelamento” com o seguinte fundamento: (...) não constituem prova para afastar as glosas das despesas os relatórios em língua inglesa (informando mero valor de despesa), sem tradução para o Português e sem os documentos de suporte dessas despesas (como notas fiscais, faturas discriminadas, contratos de prestação de serviços de assunção dessas despesas, comprovante de pagamento das despesas). Do recurso voluntário O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 655 a 669. Na referida peça, atacou todos os itens mantidos pela decisão recorrida, exceto a glosa de pagamento de IRRF. Nada obstante, sua peça de defesa é uma cópia literal da impugnação, sem dedicar uma só linha a contestar diretamente a decisão de primeiro grau. Repete, palavra a palavra, sem absolutamente nada acrescentar, os termos da impugnação, substituindo apenas o vocábulo "impugnante" por "recorrente". Da petição posterior Posteriormente, em 27/04/2016, o contribuinte apresentou o pedido de fls. 778 a 781, mediante o qual requer o que se segue. Apresenta documentação suplementar nos seguintes termos: 1) Quanto à glosa de despesa com Previdência Social, junta documentação de que teria cumprido o disposto no art. 2º da Resolução nº 30/1996; 2) No tocante à glosa de despesas com cartão, aduziu que (....) conforme ata de assembléia geral extraordinária do dia 14.07.1997 (doc. 11), restou consignado que em 26 de junho daquele ano, em decorrência de leilão público realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, o Banco Itaú S.A. adquiriu 99,97% do capital social do Banco Banerj S.A., ocasião em lhe foi transferido o controle acionário daquela empresa e de suas controladas. Das contrarazões da Procuradoria Em razão da petição acima referida, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as contrarazões de fls. 947 a 949, mediante as quais requer o não conhecimento da petição em razão da preclusão temporal. Aduz que o contribuinte não apresentou, quanto mais comprovou, a impossibilidade da apresentação tempestiva. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 15374.001204/200186 Acórdão n.º 1401001.815 S1C4T1 Fl. 958 11 É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Preliminar Antes de nos debruçar sobre o mérito do recurso, devemos decidir acerca do conhecimento ou não da petição apresentada quando já expirado o prazo para a apresentação do recurso voluntário. Na verdade, uns bons anos depois, como afirmado nas contrarazões da PFN. De um lado, o processo administrativo não possui amarras formais tão estritas como o processo judicial. Por outro lado, porém, não deixa de ser um processo que impõe o seu impulso para a frente com o fim de obter uma solução final ao litígio ao menos, no âmbito administrativo. Para tal, os prazos preclusivos são fundamentais. Nesse equilíbrio entre os rigores do processo e as informalidades a favor do contribuinte próprias do regime jurídico administrativo, esses prazos não são sacramentais, mas também não podem ser totalmente flexibilizados, sob pena de deixarem de se caracterizar até como prazos. Essas flexibilizações são dadas pelo próprio diploma normativo que disciplina o processo administrativo fiscal. Segundo o Decreto nº 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 963DF CARF MF 12 Pois bem, quanto à hipótese prevista na alínea "a", a defesa não demonstra a impossibilidade de a apresentação ter sido feita no prazo processual por razão de força maior. Na verdade, nem sequer alega tal hipótese. Não é possível, pois, nela se enquadrar o pedido. Quanto à hipótese da alínea "b", também não há direito ou fato posterior sequer alegado. Por fim, poderíamos enquadrar o pedido na hipótese da alínea "b", mas apenas se os documentos tivessem sido apresentadas no prazo para o recurso. Nesse caso, poderíamos até considerar que elas dizem respeito a razões das quais a defesa só teve conhecimento com a ciência da decisão recorrida. Assim, sua finalidade poderia ser a de "dialogar" com a decisão o que justificaria a sua apresentação apenas por oportunidade da apresentação do recuso e não já desde a impugnação. Nada obstante, esses elementos foram apresentados muito tempo depois vencido o prazo recursal e sem qualquer justificativa para a sua intempestividade. Ademais, a peça não inova apenas quanto à apresentação de documentos. Ela visa ainda aditar as razões recursais, o que não se pode admitir. Poderíamos ainda considerar a hipótese de aceitar a documentação caso fosse relativa à análise de questões de ordem pública, as quais devem ser conhecidas até se o contribuinte não as alegasse. Todavia, não é o caso. Desse modo, voto por não conhecer da peça de fls. 778 a 781 e os documentos com ela juntados. Mérito Quanto ao mérito, não podemos deixar de registrar uma vez mais, como já havíamos feito no relatório, que o recurso é cópia praticamente fiel da impugnação. Só houve a troca do vocábulo "impugnação" e suas derivações por "recurso" e suas derivações correspondentes. No mais, a defesa não trouxe nenhuma linha para combater as razões apresentadas na decisão de primeiro grau. Ora, o recurso visa atacar a decisão e, desse modo, a contraditar os seus fundamentos. Deve apontar objetiva e diretamente quais foram os pontos supostamente equivocados na decisão recorrida. Apesar de não precisar e nem dever perder referência na acusação fiscal, seu foco deve ser a decisão. É a decisão que deve ser contraditada. O recurso não é uma nova oportunidade de impugnação, muito menos, uma nova oportunidade para pedir a sua apreciação a uma outra autoridade julgadora. Por essas razões, há aqueles que nem sequer conheceriam de razões "recursais" quando não diretamente atacam a decisão de instância inferior. Não chegaremos a tanto. Todavia, uma vez que a defesa não contestou as razões apresentadas pela instância inferior, estas serão adotadas como nossa razão de decidir sempre que com elas concordarmos. Passamos a cada um dos pontos da lide. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 15374.001204/200186 Acórdão n.º 1401001.815 S1C4T1 Fl. 959 13 Despesa de previdência social, conta 311308002785, valor R$ 137.513,29 A DRJ adotou, como razão de decidir, as considerações aduzidas pela autoridade diligenciante abaixo reproduzidas: DESP C/ PRE V SOCIAL no valor de 137.513,29; o contribuinte, em sua impugnação, argumenta que tais valores referemse a obrigações líquidas e certas do impugnante com o Banco do Estado do Rio de Janeiro S/A e que deveriam ser pagas aos participantes da Caixa de Previdência dos Funcionários do Sistema Banerj PREV1BANERJ. Para comprovar a despesa apresenta cópia da Resolução n° 30 de 12/12/96 do Conselho de Gestão da Previdência Complementar (fls. 246/247), sendo 0 artigo 4° "No caso de retirada do copatrocinio da Banetj Seguros e Baneij Corretora, o patrocinadorinstituidor da entidade, Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A., garantirá o compromisso de quitar todas as obrigações relativas aos participantes e pensionistas que delas se desligam, na opção por eles escolhida, conforme apurado em avaliação atuarial da PRE V1/BANERJ, que conterá registro das reservas calculadas individualmente, conforme ditames da Resolução MPAS/CPC/Nº 06/88". No §2° do mesmo artigo temos: "As despesas administrativas decorrentes da retirada do copatrocinio de que trata o caput deste artigo serão pagas pela Banerj Seguros e Banerj Corretora respectivamente. "Apresenta cópia do Termo de Retirada da CoPatrocinadora BANERJ Corretora de Seguros e Administração de Bens S/A., da Caixa de Previdência dos Funcionários do Sistema Banerj PREVIBANERJ, estabelecida no artigo 3° da Resolução n° 30 acima citada, que traz "Do Custeio e do Pagamento do Compromisso Minimo A CoPatrocinadora que se retira será responsável pelo custeio da totalidade do Compromisso Mínimo e efetuará o pagamento diretamente aos participantes, em nome da Instituição. " Os valores foram pagos diretamente aos participantes conforme consta as fs. 283 a 286. A Resolução supracitada define no art. 2° "As copatrocinadoras ficam obrigadas a apresentar à Secretaria da Previdência Complementar SPC, no prazo de 90 dias, contados a partir da data de publicação da presente Resolução, os documentos previstos nas normas reguladoras dos procedimentos a serem adotados no âmbito das entidades fechadas de previdência provada ocasião da retirada de , por patrocinadoras, insertos no item 2 do Anexo 1 da Resolução MPAS/CPC/No 06/88, para efeito de juntada aos respectivos autos dos processos de retirada, ressalvandose aqueles documentos expressamente aqui excepcionados."O artigo 5° dispõe que: "O não cumprimento do disposto no art. 2° desta Resolução . implicará ineficácia dos termos desta Resolução em relação à copatrocinadora inadimplente". O contribuinte não comprovou o cumprimento do disposto no artigo 2”. (nosso destaque) Fl. 965DF CARF MF 14 Uma vez que o recorrente não contestou a razão posta na decisão recorrida para manter a autuação (não comprovação do cumprimento do art. 2º da Resolução MPAS/CPC/Nº 06/88), a decisão deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Glosa de despesas (conta 312101019260): despesas bancárias cartão nacional R$ 153.199,00 Esse item de glosa foi mantido por ausência da apresentação de documentos que comprovassem as operações e a inadimplência dos detentores dos cartões de crédito que justificariam o empréstimo contraído. No recurso, a documentação referida também não foi apresentada. A decisão, pois, deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Glosa de despesas (conta 311601006255) Despesa c/ Cartão Outras valor R$ 70.443,21 (31/10/1997); e (conta 311601006291) Despesa c/Matercard Outras Valor R$ 52.440,00 (28/11/1997) Esses itens de autuação foram mantidos, porque as notas fiscais apresentadas consignam como destinatário outra pessoa (Banco Itaú S/A) e a recorrente não solicitou a retificação dos documentos aos fornecedores. A defesa também não acrescenta nada, no seu recurso voluntário, quanto a essa questão. Deve ser mantida a decisão pelos seus próprios fundamentos. Glosa das despesas “Transações Internacionais VISA” e “Desp. c/ Bolet. Cancelamento” A decisão de primeiro grau manteve a autuação com os fundamentos abaixo transcritos: As alegações do sujeito passivo não procedem, pois não juntou provas aos autos, que pudessem justificar a dedutibilidade dessas despesas. Persiste a impugnante,«apenas, fazendo a juntada de relatórios lavrados em língua inglesa, sem documentação de suporte dessas despesas. Além disso, valem, aqui, as conclusões constantes do Termo de Verificação Fiscal as fls 489, 490 e 491, elaborado após conclusão da diligência fiscal, verbis: (...) O contribuinte em sua impugnação item 7 Das despesas "Transações Internacionais VISA " e ”Desp c/ Bolet. Cancelamento " explana que é obrigado a manter uma conta internacional para a liquidação das transações, e que nesse propósito as Circulares BACEN 1.533, 1566, 1.936, 2.494 e 2.792/91 regulam os procedimentos a serem adotados nas transferências internacionais feitas por Fl. 966DF CARF MF Processo nº 15374.001204/200186 Acórdão n.º 1401001.815 S1C4T1 Fl. 960 15 administradoras de cartões brasileiras. O contribuinte não fez prova de atendimento ao disposto nas Circulares BA CEN citadas. Constam no item 2 do Termo de Verificação as glosas das seguintes despesas: TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS VISA no valor de R$ 19.988,79; o contribuinte alega que a despesa referese ao grupo 5040 à Débito ou Taxas de Miscellaneous Diversas. Tratase de despesa paga pela utilização dos sistemas de informática da VISA. O valor cobrado encontrase no relatório de fls. 399, em língua inglesa. TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS VISA no valor de R$ 4.624,08; o contribuinte alega que a despesa referese ao grupo 5010 Extrato Integrado de Débitos Visa. Essa despesa representa o custo rateado, entre os membros associados, de operação de Boletim de Proteção. Esse custo configura o valor cobrado pela VISA, por conceder à administradora a autorização para inserir clientes inadimplentes e cartões roubados ou fraudados, em relatório que deverá ser disponibilizado a todos os membros associados da VISA, visando não autorizar as transações dos clientes envolvidos. Apresenta relatório às fls. 396, em língua inglesa. TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS VISA no valor de R$ 4.249,68; o contribuinte alega que a despesa referese ao grupo 5010 Extrato Integrado de Débitos Visa e do grupo 0130 Taxa pela Emissão de Relatórios com Cartões Perdidos ou Roubados. A despesa relativa ao grupo 0130 representa o valor cobrado pela VISA, pela emissão dos relatórios supracitados, que são utilizados para providências da administradora, como a não autorização de compra com um cartão que tenha sido roubado ou perdido. Apresenta relatório asƒls. 402 e 403 em língua inglesa. (...) TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS VISA no valor de R$ 11.146,61, o contribuinte alega que a despesa referese ao grupo 0240 Desembolso de Fundos de Transações, e de Requisições de Cópias. Esse custo constitui o. valor pago à,VISA pela manutenção dos plásticos emitidos pela administradora, que já estão em Boletim de Proteção, e contempla os valores pagos à VISA pelas cópias de comprovantes de vendas, por força de contestação do cliente, para verificação de casos de cobrança em duplicidade na fatura, de transações não reconhecidas pelo associado, ou para comprovação de fraudes, e que equivocadamente lançou tais despesas na conta 311501018916 Transações Internacionais VISA quando o correto era 311501019007 Despesas com Bolet. Cancelamento. Apresenta relatório(/ls.406 a 409) na lingua Fl. 967DF CARF MF 16 inglesa, mas informa na sua impugnação que os valores são em Reais. TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS VISA no: valor de R$ 12.250,06, mesma situação descrita no item anterior. Relatório (fls. 412 a 417) na língua inglesa e informa que os valores são em Reais. TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS VISA no valor de R$ 20.188,48, o contribuinte alega que a despesa referese ao grupo 0100 Débitos de Telecomunicação, do grupo 0110 Taxas de Autotelex, e do grupo 5040 Débito ou Taxas de Miscellaneous Diversas. Gastos incorridos pela VISA com telex, autotelex, fax ou telefone e repassados e cobrados do membro associado (administradora de cartões). Apresenta relatório (fls. 420/421) na língua inglesa. (...) (...) DESP C/ BOLET. CANCELAMENTO no valor de 15.300,61; o contribuinte alega que tais despesas são do grupo 0240 Desembolso de Fundos de Transações. Custos rateados, entre os membros associados, da geração do Boletim de Proteção. Alega que esses custos constituem os valores pagos à VISA pela manutenção dos plásticos emitidos pela administradora, que já estão em Boletim de Proteção. Para a despesa de R$ 15.300,61 apresenta relatório (ƒls. 424/425) na língua inglesa, mas informa na sua impugnação que os valores são em Reais. Portanto, não constituem prova para afastar as glosas das despesas os relatórios em língua inglesa (informando mero valor de despesa), sem tradução para o Português e sem os documentos de suporte dessas despesas (como notas fiscais, faturas discriminadas, contratos de prestação de serviços de assunção dessas despesas, comprovante de pagamento das despesas). Glosas mantidas integralmente. Mais uma vez a documentação apresentada não dá azo à comprovação do alegado. Deve a decisão ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Voto, pois, para não conhecer a peça de fls. 778 a 781 e os documentos a ela juntados, apresentados intempestivamente; na parte conhecida, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 968DF CARF MF Processo nº 15374.001204/200186 Acórdão n.º 1401001.815 S1C4T1 Fl. 961 17 Fl. 969DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.000027/2010-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2006 a 24/02/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2006 a 24/02/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.000027/201080 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.154 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2017 Matéria Aduaneiro Recorrente UNITED AIRLINES INC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 24/02/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 00 27 /2 01 0- 80 Fl. 327DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 2 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3402004.154 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Fl. 329DF CARF MF 4 Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10715.000027/201080 Acórdão n.º 3402004.154 S3C4T2 Fl. 4 5 Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberiav se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 331DF CARF MF 6 Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.723299/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A fase litigiosa se instaura com a impugnação. Não se conhece de matéria não impugnada na primeira instância.
MULTA DE OFÍCIO. ESPONTANEIDADE.
A multa de ofício não pode ser afastada, porque a confissão de dívida foi posterior ao Termo de Início de Fiscalização, não existindo espontaneidade, conforme art. 7º do Decreto 70.235/72 e art. 138, § único, do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente substituto), José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A fase litigiosa se instaura com a impugnação. Não se conhece de matéria não impugnada na primeira instância. MULTA DE OFÍCIO. ESPONTANEIDADE. A multa de ofício não pode ser afastada, porque a confissão de dívida foi posterior ao Termo de Início de Fiscalização, não existindo espontaneidade, conforme art. 7º do Decreto 70.235/72 e art. 138, § único, do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso, e na parte conhecida, em negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente substituto), José Luiz Feistauer de Oliveira, Tatiana Josefovicz Belisário, Mércia Helena Trajano Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 32 99 /2 01 3- 38 Fl. 1911DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Pasep, no valor total original de R$ 1.229.487,74. Informa o aututante que, com base em documentação recolhida, constatou insuficiência de recolhimento de Pasep no período de 2008 a 2011. A base de cálculo foram os valores escriturados nas contas 1.0.00.00.00 – Receitas Correntes e 2.4.00.00.00 – Transferência de Capital. Em relação a 2008, por não ter conseguido a documentação pertinente da Prefeitura, arbitrou a base de cálculo com base em critérios proporcionais conforme fls. 11 e ss. Informa também que majorou a multa de ofício em 50%, com base no art. 44, §2º, da Lei 9.430/96, porque o contribuinte não teria colaborado com a fiscalização, deixando de responder a algumas intimações e deixando de apresentar diversos documentos e esclarecimentos solicitados. Alguns dos documentos contábeis foram obtidos junto ao Tribunal de Contas do Estado do Maranhão. Cientificado da exigência, o contribuinte impugna o lançamento, argumentando: Que o lançamento deveria ser declarado nulo, porque já teriam sido parcelados diversos dos períodos considerados; No mérito, faz críticas quanto ao impedimento das instâncias administrativas afastarem a legislação por consideração de inconstitucionalidade; Pede para anular o lançamento ou considerar os valores parcelados. A DRJ/Rio de Janeiro/RJ, por meio do acórdão 1270.214, de 12/11/2014, reforma parcialmente o lançamento, para excluir a exigência relativa ao ano de 2008, ao fundamento de que não existiria base legal para arbitramento de Pasep; quanto ao demais, mantém o lançamento. Transcrevo a respectiva ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 PASEP APURAÇÃO POR ARBITRAMENTO AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL IMPOSSIBILIDADE Não cabe a apuração da base de cálculo do Pasep por meio de arbitramento, por qualquer critério, por ausência de previsão legal para tanto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2011 Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10320.723299/201338 Acórdão n.º 3201002.814 S3C2T1 Fl. 1.912 3 PARCELAMENTO CONFISSÃO DE DÍVIDA – IMPOSSIBILIDADE DE CONTESTAÇÃO Os valores informados em pedido de parcelamento caracterizamse como confissão de dívida, não cabendo sua contestação por meio de impugnação. VALORES CONFESSADOS APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos praticados anteriormente, cabendo, portanto, a manutenção do lançamento e das penalidades decorrentes da infração apurada, na hipótese de confissão de dívida feita após aquela data. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA AUSÊNCIA DE LITÍGIO Não se caracteriza o litígio quando a matéria não seja expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não havendo o que ser apreciado pelo órgão julgador Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” Sobrevém finalmente o Recurso Voluntário, no qual se requer: Que se afaste a majoração da multa de ofício, alegando que houvera prestado esclarecimentos à fiscalização, quando solicitado; Que sejam considerados os valores parcelados para fins de incidência da multa de ofício, especialmente, a multa majorada. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovain Vieira, Relator Tempestividade do Recurso Voluntário Conforme documentos de folhas 1.908 e 1.910, a DRF de origem informa que não se conseguiu atestar a data de ciência do acórdão recorrido. Desse modo, o Recurso Voluntário deve ser considerado tempestivo. Majoração da multa de ofício Esta matéria não foi arguida na impugnação e não instarouse como litigiosa, encontrandose preclusa, e como tal, não deve ser conhecida, conforme artigos 14 e 17 do Decreto 70.235/72: Fl. 1913DF CARF MF 4 Art. 14 A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (…) Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Confirase, nesse sentido, trecho do acórdão recorrido (fl. 1902): “A autoridade fiscal também faz menção, em seu relatório, à imposição da multa qualificada [sic] ao presente lançamento, no percentual de 112,5%, com base no disposto no artigo 44, § 2º, da Lei nº 9.430/96, em razão de não ter sido atendida, pelo contribuinte, intimação a ele encaminhada pela Fiscalização, relativamente aos esclarecimentos solicitados, tendo sido apresentada apenas parte da documentação requerida. Relativamente a tal imposição, o contribuinte nada alega em sua impugnação, razão pela qual não há o que ser apreciado por esta DRJ/RJO, por ausência de contraditório, relativamente a tal questão.” Valores parcelados O contribuinte informa que havia parcelamento de valores lançados, todavia, conforme esclarece a decisão recorrida, o pedido de parcelamento foi feito posteriormente ao Termo de Início de Fiscalização, não cabendo afastar qualquer multa, nos termos do art. 7º do PAF – Decreto 70.235/72 e 138 do CTN. Novamente, transcrevo trecho da decisão recorrida a tratar dessa matéria (fl. 1.900): Relativamente aos períodos de apuração 01/2009 a 12/2011, o contribuinte informa ter incluído os valores devidos de Pasep no parcelamento previsto na Lei nº 12.810/2013, conforme documentação de fls. 1.880 a 1.889, informação ratificada pela unidade local (processo nº 13331.720080/201346). Consultandose o sistema eProcesso, vêse que o processo de parcelamento foi protocolado em 30/08/2013. A ciência do início do procedimento fiscal em análise se deu em 22/02/2013 (Anexo II) e a ciência do lançamento ocorreu em 25/11/2013. Desta forma, constatase que o contribuinte formalizou pedido de parcelamento posteriormente ao início do procedimento fiscal, e antes da ciência do lançamento. Como se vê, o início do procedimento fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte no termo de início de fiscalização, exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriormente praticados. Em conseqüência, ainda que o contribuinte tenha efetuado pedido de parcelamento antes do lançamento, não há como afastar sua responsabilidade em relação à infração apurada pela Fiscalização, ocorrida anteriormente, qual seja, insuficiência de pagamento do Pasep devido. Assim, devem ser mantidos o lançamento, assim como a imposição da multa de ofício e juros de mora apurados, devendo Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10320.723299/201338 Acórdão n.º 3201002.814 S3C2T1 Fl. 1.913 5 ser considerados, para efeito de cobrança, os valores parcelados no processo acima mencionado. Abaixo seguem os valores de Pasep objeto de lançamento e parcelamento, observandose, ainda, que o parcelamento corresponde a confissão de dívida, não mais cabendo questionamento dos valores parcelados no âmbito do contencioso administrativo: O Decreto nº 70.235/72, que rege o procedimento fiscal no âmbito da RFB, dispõe que: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (Grifouse)” Como se vê, o início do procedimento fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte no termo de início de fiscalização, exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriormente praticados. Em conseqüência, ainda que o contribuinte tenha efetuado pedido de parcelamento antes do lançamento, não há como afastar sua responsabilidade em relação à infração apurada pela Fiscalização, ocorrida anteriormente, qual seja, insuficiência de pagamento do Pasep devido. Assim, devem ser mantidos o lançamento, assim como a imposição da multa de ofício e juros de mora apurados, devendo ser considerados, para efeito de cobrança, os valores parcelados no processo acima mencionado. Abaixo seguem os valores de Pasep objeto de lançamento e parcelamento, observandose, ainda, que o parcelamento corresponde a confissão de dívida, não mais cabendo questionamento dos valores parcelados no âmbito do contencioso administrativo: Fl. 1915DF CARF MF 6 Ora, não havendo a espontaneidade, não se pode afastar a multa de ofício, ainda conforme o art. 138, § único, do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10320.723299/201338 Acórdão n.º 3201002.814 S3C2T1 Fl. 1.914 7 pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Desse modo, voto por não tomar conhecimento parcialmente do Recurso Voluntário, e na parte conhecida, por negar provimento. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira Relator. Fl. 1917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723589/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DESPESAS MÉDICAS. CLÍNICAS GERIÁTRICAS.
Despesas de internação em estabelecimento geriátrico somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 DESPESAS MÉDICAS. CLÍNICAS GERIÁTRICAS. Despesas de internação em estabelecimento geriátrico somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa Recurso Voluntário Provido
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CLÍNICAS GERIÁTRICAS. Despesas de internação em estabelecimento geriátrico somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. PROVAS APRESENTADAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 35 89 /2 01 4- 59 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13819.723589/201459 Acórdão n.º 2202003.806 S2C2T2 Fl. 218 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13819.723589/201459, em face do acórdão nº 1538.818, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), no qual os membros daquele colegiado entenderam julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, que assim relatou os fatos: Tratase de Notificação de Lançamento (NL), correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao anocalendário de 2011, reduzindo o valor a restituir de R$ 59.012,81, declarado pelo sujeito passivo, para R$ 8.911,11. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da Notificação de Lançamento (NL) e do contido nos autos eletrônicos, a redução do imposto de renda a restituir foi efetuada em razão de constatação de dedução indevida, de acordo com informações declaradas pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), por falta de comprovação, a título de despesas médicas, com glosa do valor de R$ 182.188,00, porque a prestadora de serviço declarada Clínica de Repouso Parque Julieta Ltda está enquadrada no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas como “Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química”, não estando inscrita no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. O contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento (NL) em 17/11/2014 e apresentou manifestação de inconformidade em 10/12/2014, alegando, em síntese, que o valor glosado se refere a despesas médicas e que a ausência do CNES não retira o caráter de estabelecimento de saúde. Foi peticionada a prioridade de tramitação processual de que trata o art. 71, § 3º, da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso) e art. 69A, inciso I, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. É o relatório. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 190/196. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13819.723589/201459 Acórdão n.º 2202003.806 S2C2T2 Fl. 219 3 Com a chegada dos autos ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2202 000.679 diante da incerteza quando a tempestividade do recurso, sendo determinado o seguinte: "(...) que Unidade da Receita Federal do Brasil de origem informe se o dia 9 de julho de 2015 foi feriado local (estadual ou municipal) e se não houve expediente normal na repartição, o que transferiria o prazo final de apresentação do recurso para 10 de julho de 2015". A diligência foi realizada pela unidade preparador, tendo retornado com o despacho de fl. 213, que possui o seguinte teor: "Em atendimento à Resolução 2202000.679 de 14/04/2016 do CARF , informo que na elaboração do despacho de encaminhamento não foi considerado o feriado de 09 de Julho de 2015, portanto o recurso voluntário é tempestivo." (grifou se) É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. Tempestividade O recurso voluntário de fls. 190/196 foi apresentado em 10/07/2015, conforme se verifica pelo protocolo de fl. 190. No presente caso, a ciência se deu por via postal comprovada por aviso de recebimento –AR com data de 09/06/2015, conforme fl. 188. Assim, considerandose que a contribuinte tomou ciência do resultado do acórdão ora recorrido em 09/06/2015 (terçafeira), iniciase o prazo recursal em 10/06/2015 (quartafeira), tendo por término 09/07/2015 (quintafeira). Não sendo feriado nacional em nenhuma das datas referidas, temse que o recurso voluntário apresentado em 10/07/2015 seria intempestivo e, portanto, não deveria ser conhecido. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13819.723589/201459 Acórdão n.º 2202003.806 S2C2T2 Fl. 220 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Todavia, ocorre que na data de 09/07/2015 é feriado no Estado de São Paulo (Feriado da Revolução Constitucionalista de 1932, conforme Lei Estadual (SP) nº 9.497/97) e a contribuinte é residente no Estado de São Paulo, na cidade de São Bernardo do Campo (fl. 188), tendo protocolizado o recurso voluntário em São PauloSP, no CAC de Santo Amaro (fl. 190). O despacho de encaminhamento de fl. 204 assim referiu: "Tendo em vista a apresentação de recurso voluntário, sendo ele perempto e estando devidamente formalizado, encaminho o presente processo ao CARF." grifouse. Assim, diante da incerteza quanto se houve ou não expediente normal na Unidade da Receita Federal do Brasil de origem (São Bernardo do Campo), foi necessária a conversão em diligência. Por sua vez, a diligência retornou com o despacho de fl. 213, que possui o seguinte teor: "Em atendimento à Resolução 2202000.679 de 14/04/2016 do CARF , informo que na elaboração do despacho de encaminhamento não foi considerado o feriado de 09 de Julho de 2015, portanto o recurso voluntário é tempestivo." (grifou se) Portanto, o recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Mérito Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, às fls. 197/201, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Consoante relatado, com a constatação de dedução indevida, de acordo com informações declaradas pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), por falta de comprovação, a título de despesas médicas, com glosa do valor de R$ 182.188,00, porque a prestadora de serviço declarada Clínica de Repouso Parque Julieta Ltda está enquadrada no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas como “Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química”, não estando inscrita no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. A DRJ de origem compreendeu por manter a glosa, consoante fundamentação abaixo: "Sem que se comprove que a clínica de repouso, além dos serviços de hospedagem e de alimentação, presta serviços do ramo médicohospitalar e não estando inscrita no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde não se pode enquadrar os serviços ao conceito de despesa médicohospitalar contido na Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13819.723589/201459 Acórdão n.º 2202003.806 S2C2T2 Fl. 221 5 norma que trata da dedutibilidade da despesa para fins de imposto de renda da pessoa física, na forma da alínea "a" do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Destarte, restam inadmissíveis as deduções se comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade." Assim, temse que a contribuinte foi autuada por não ter comprovado que a clínica geriátrica em que reside é qualificada como hospital, pois, conforme a autoridade lançadora, seria necessário cumprir tal condição para ser possível a dedutibilidade desta despesa como despesa médica. No tocante ao pagamento da alegada despesa médica, oportuno transcrever o art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (grifouse) Nesse mesmo sentido, o previsto no Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR – Regulamento do Imposto de Renda) aponta que: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). [...] §4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. (grifouse) A jurisprudência deste Conselho encontrase firmada entendendo que somente podem ser deduzidas as despesas com clínicas geriátricas se a mesma for qualificada como hospital, conforme ementa abaixo: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13819.723589/201459 Acórdão n.º 2202003.806 S2C2T2 Fl. 222 6 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis apenas as despesas médicas relativas ao contribuinte e seus dependentes, . DESPESAS MÉDICAS EM ESTABELECIMENTO GERIÁTRICO. NECESSIDADE DE PROVA DE SUA EQUIPARAÇÃO OU QUALIFICAÇÃO DE HOSPITAL As despesas de internação em casa geriátrica somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. A classe de atividade descrita no CNPJ da pessoa jurídica aos quais os pagamentos foram feitos é incompatível com tal qualificação. (Acórdão 2802001.102, julgado em 25 de outubro de 2011, Conselheiro Relator: Carlos André Ribas de Mello) Igualmente neste sentido foram também os acórdãos nº 2802002.325 (julgado na sessão de 15 de maio de 2013, de relatoria da Conselheira Dayse Fernandes Leite) e 2102002.300 (julgado na sessão de 19 de setembro de 2012, de relatoria da Conselheira Relatora Núbia Matos Moura). Por oportuno, saliento que esta colenda Turma já proferiu acórdão em igual sentido, cuja ementa transcrevo abaixo, cujo processo foi também de minha relatoria: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 MÉDICAS. CLÍNICAS GERIÁTRICAS. Despesas de internação em estabelecimento geriátrico somente são dedutíveis a título de hospitalização se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. (...) Recurso Voluntário Negado (Acórdão 2202003.596, sessão de 22 de setembro de 2016, Relator: Conselheiro Martin da Silva Gesto) Também foi esta a compreensão da 2a. Turma do Tribunal Regional Federal da 4a. Região, conforme ementa do julgado abaixo: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS. INTERNAÇÃO EM RESIDENCIAL GERIÁTRICO. 1. Nos termos do art. 7 do Decreto nº 3.000/99 as despesas médicas podem ser deduzidas do imposto de renda desde que devidamente comprovadas. 2. As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. (TRF4, AC 503557963.2010.404.7100, SEGUNDA TURMA, Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, juntado aos autos em 24/10/2013) No entanto, em recurso voluntário, a contribuinte demonstra que a Clínica de Repouso de Parque Julieta Ltda. (CNPJ nº 61.216.842/000170) está registrada na Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) sob o código 86.10101 (fl. 199), Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13819.723589/201459 Acórdão n.º 2202003.806 S2C2T2 Fl. 223 7 que engloba "atividades de atendimento hospitalar, exceto prontosocorro e unidades para atendimento a urgências", conforme documento emitido em 04/01/2010. Ressalvo que o ano calendário em questão é de 2011. Saliento que em consulta na data deste julgamento (06/04/2017), a CNAE principal da empresa é a de nº 87.20499, que se refere a "Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química não especificadas anteriormente", a mesma apurada pela fiscalização. Portanto, não há razões para considerar indevida a dedução de despesas médicas com a Clínica de Repouso de Parque Julieta Ltda. (CNPJ nº 61.216.842/000170) , no valor de R$ 182.188,00, consubstanciada na notificação de lançamento, devendo a mesma ser afastada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720155/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.720155/201214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.923 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 01 55 /2 01 2- 14 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11516.720155/201214 Acórdão n.º 3302003.923 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.092. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11516.720155/201214 Acórdão n.º 3302003.923 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.720155/201214 Acórdão n.º 3302003.923 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11516.720155/201214 Acórdão n.º 3302003.923 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.720155/201214 Acórdão n.º 3302003.923 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 244DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.010123/2008-98
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1803-001.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 01 23 /2 00 8- 98 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antônio Pires e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento Eletrônica de exigência de "Multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF 2006", no valor de R$ 75.988,83, referente ao mês de dezembro de 2006. Devidamente notificada do lançamento, a empresa recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que o auto de lançamento contém vicio insanável por descumprimento de requisito indispensável previsto no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente no que diz respeito ao inciso IV deste diploma legal eis que não contém a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, em consequência deve ser declarada a sua nulidade. Ainda, refere que o arbitramento da multa no percentual de 20%, incidente sobre o valor já pago a titulo de encargos tributários da empresa naquele período por descumprimento de obrigação acessória, ignora os princípios da razoabilidade e proporcionalidade que regem a Administração Pública, assumindo caráter confiscatório. Aduz que a pena aplicada decorre de critério de arbitramento previsto em lei, mas eivado de inconstitucionalidade e, por isto, deve ser revisto o lançamento para afastar a sanção aplicada ou, caso assim não seja entendido, que seja, ao menos, compatível com a infração praticada, atribuindoa no patamar mínimo previsto. Cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, bem como doutrina. Por fim, requer a empresa recorrente que seja declarada nula a presente notificação de lançamento em face do vício formal apontado e caso superada essa questão que 2 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 a sanção aplicada seja afastada ou reduzida pela inconstitucionalidade da base de cálculo prevista em lei e por atentar contra princípios da proporcionalidade e razoabilidade, norteadores da Administração Pública. Em ato contínuo, requer que em caso de subsistência, que seja arbitrada a sanção em consonância com a relevância cometida, reduzindoa ao valor mínimo previsto de R$500,00. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem de mandar a multa aplicada. Afere o julgador que descabe o postulado da empresa de que estaria nulo o auto de infração por falta de assinatura, vez que segundo determina o artigo 11, do Decreta 70.235/72, em seu parágrafo único, prescinde de assinatura a notificação de lançamento quando emitida por processo eletrônico. Finaliza repisando que notificação, ora em apreço, preenche in totum os requisitos legais preconizados em lei. Já no que diz respeito às alegações da empresa quanto à penalidade aplicada, de que a mesma viola os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e tem caráter confiscatório, afere a autoridade julgadora de primeiro grau que está alicerçada em diploma legal válido, eficaz, oponível erga omnes e que, em momento algum foi declarada, pelo órgão de controle repressivo de constitucionalidade, sua inadequação ou afronta à ordem constitucional pátria. Ainda, em apreciação do art. 7° da Lei 10.426/2002, penalidade aplicada na notificação em tela, o julgador a quo conclui que guarda estrita observância com as disposições legais. Assim a respeito da alegação da empresa recorrente de constituise a penalidade aplicada multa confiscatória, o julgador aduz que é dever de todo o contribuinte adimplir com suas obrigações perante o fisco, quer sejam elas de natureza principal ou acessória. Esclarece que possui a empresa recorrente duas obrigações com o fisco: uma obrigação denominada principal, que é a de verter os tributos devidos, outra denominada acessória, distinta da primeira, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos referidos tributos, é o que dispõe o art. 113 do CTN. Nesse caminho, frisa o julgador que o Estado tem o poderdever de estabelecer mecanismos de coação, a fim de proteger os interesses da sociedade, e o faz através da imposição de penalidades inibidoras das ações ilícitas. Preconiza que em matéria tributárias, esta se consubstancia na instituição de multas pecuniárias, visando a evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, a sobre a alegação de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que regem a matéria, a discussão está além das possibilidades de juízo deste órgão julgador. No âmbito do procedimento administrativo tributário cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a lei, sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram aquele ato. Atenta para o fato de que a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao poder Judiciário, sendo inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. 3 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Quanto ao pedido de redução da multa ao valor mínimo previsto no § 3° do art. 70 da Lei n° 10.426/2002, assevera o julgador a quo ser inaplicável ao presente caso, posto que os valores mínimos estabelecidos somente serão imputados às infrações cuja multa resulte em valor inferior ao mínimo o que, à evidência, não se amolda à situação verificada. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, postulando a nulidade do lançamento por falta da presença do agente administrativo quando do lançamento, já que se trata de lançamento eletrônico. Ainda, insurgese a empresa recorrente contra a impossibilidade dos órgãos administrativos de julgamento examinarem matéria constitucional e no mérito repete o já referido na manifestação de inconformidade ao salientar a nulidade da multa por descumprimento de obrigação acessória, quando da inexistência de prejuízo ao erário público. A empresa prossegue aduzindo a necessária proporção entre infração e pena, já que seria proibido o Bis In Iden. E por fim pede o cancelamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da razoabilidade e proporcionalidade, entre outros. Discussão de Constitucionalidade da Norma Primeiramente há que se atentar para o fato de que discussão referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado 4 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Discussão sobre a Nulidade do Auto de Infração Alega a empresa recorrente ser nulo o auto de infração por ser o mesmo eletrônico, ou seja, não ter sido emitido por agente da administração tal como preconizado pelas normas pátrias. Ocorre que discordo da arguição de nulidade do auto de infração arguido pela empresa recorrente, porquanto que não vislumbro o desrespeito a nenhum dos disciplinamentos dispostos no artigo 59 do Decreto 70.235/72, norma que dispõe sobre a nulidade do auto de infração, tema ora abordado. Neste contexto, cumpre referir que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada. O fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72, conforme já fora referido. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação, apenas por tratarse de auto de infração eletrônico, há muito já admitido dentro do ordenamento pátrio. Discussão de Mérito Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com atraso, de forma intempestiva, dezoito meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação e determinado a todos os contribuintes. A norma disciplinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao dispor: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, 5 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supra citado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. 6 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do 7 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Diante do exposto, voto do sentido de Negar Provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 8 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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