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Numero do processo: 10640.720138/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Ano-calendário: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Consideram-se preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor de reservatórios d'água artificiais.
ÁREAS ALAGADAS. SUMULA CARF 45
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.
Numero da decisão: 2201-003.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Consideramse preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao redor de reservatórios d'água artificiais. ÁREAS ALAGADAS. SUMULA CARF 45 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 24/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 01 38 /2 00 7- 21 Fl. 281DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata da Notificação da Lançamento nº 06104/00015/2017 (fl. 2 a 6), pela qual a autoridade administrativa lançou crédito tributário relativo a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural no valor originário de R$ 60.821,61, com Multa de Ofício de R$ 45.616,20 e juros de mora de R$ 17.048,29 (calculados até 31/10/2007), perfazendo o total apurado de R$ 123.486,10. O lançamento é relativo ao exercício de 2005 e o imóvel rural em questão está identificado na Receita Federal do Brasil pelo número 1.807.8958. Atesta a Fiscalização que, regulamente intimado, o contribuinte não comprovou o valor da terra nua declarado, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, o que ensejou o arbitramento com base nas informações do Sistema de Preços de Terra Sipt, fl. 03/04. O Demonstrativo de apuração do imposto devido acostado às fl. 05 é claro ao indicar que a única alteração promovida pela fiscalização foi no quadro destinado ao cálculo do valor da terra nua. Alterouse apenas o valor total do imóvel, que passou de R$ 7.448.453,63 para R$ 8.839.934,15, o que resultou, após excluídos os valores declarados de benfeitorias, culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas, a alteração do valor da terra nua, que passou de R$ 78.454,48 para R$ 1.469.935,00. Inconformado com a imputação fiscal, da qual tomou ciência em 07 de novembro de 2007, fl. 129/130, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 131 a 137, em 07 de dezembro de 2007, portanto, tempestivamente. Relatando a matéria, a Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Brasília/DF pontuou algumas considerações do contribuinte efetuadas em sede de impugnação, das quais entendo oportuno ressaltar, resumidamente, fl. 166: que discorda do arbitramento do VTN com base no Sipt, por não haver incidência de ITR em área rural utilizada como reservatório de água para produção de energia; que a área tributável é muito inferior à apurada pela fiscalização e à declarada pelo contribuinte; que inexiste domínio privado dos bens afetados às concessões de energia elétrica, elemento essencial da propriedade de da posse; que a água é um bem de domínio público, de uso comum do povo, logo a água represada nos reservatórios classificamse como bem público de uso especial, destinado à execução dos serviços públicos de energia elétrica; que os reservatórios das usinas hidrelétricas são bens de domínio público, de uso especial, inalienáveis, sobre os quais há afetação pública pelo regime de concessão. que não há que se falar em propriedade no sentido legal, excluída da posse civil por ausência de domínio útil, descabendolhe o pagamento de qualquer imposto e seus acessórios; que as terras submersas servem apenas para abrigar o reservatório, não sendo válido o arbitramento do VTN, já que não têm valor de mercado; Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10640.720138/200721 Acórdão n.º 2201003.883 S2C2T1 Fl. 282 3 que é improcedente a autuação, pois o imóvel não tem aptidão diversa daquela estritamente apontada no contrato de concessão de um serviço público essencial, o de geração de energia; ao fim, requer que seja julgada improcedente a notificação de lançamento, cancelandose o crédito tributário constituído e arquivandose o processo. Após apresentar seus fundamentos e razões de decidir, o relator do Acórdão de 1ª Instância conduziu seu voto chegando às seguintes conclusões: Da incidência do ITR (fl. 169) ... que as áreas contínuas do imóvel que abrigam usinas e reservatórios são tributadas, sujeitandose à apuração do ITR, excluídas apenas as áreas devidamente reconhecidas como de interesse ambiental; Do Grau de Utilização do Imóvel (fl. 169) Para aferição do grau de utilização do imóvel e aplicação da respectiva alíquota de cálculo, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393/1996 e Tabela de alíquotas anexa, o que importa é a efetiva utilização das áreas aproveitáveis do imóvel para atividades de natureza tipicamente rural (pecuária, agrícola, granjeira, aquícola ou florestal), sem levar em consideração, por absoluta falta de previsão legal, outros tipos de exploração econômica.(...) Assim, entendo que compete a esta turma de julgamento manter o grau de utilização do imóvel em 40,3%, apurado pela prórpria contribuinte na DITR/2005 (fl. 04), com aplicação da alíquota de cálculo de 6,00%. Do VTN Apurado (fl 170/171) Para a revisão desse VTN arbitrado, a impugnante deveria apresentar Laudo Técnico de Avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, de acordo com a norma NBR nº 14.6533 da ABNT, no teor da intimação inicial (fl. 09/10), que pudesse demonstrar de maneira inequívoca o cálculo do VTN tributado, a preços de 1º de janeiro de 2005. No entanto, não foi apresentado qualquer documento para justifica esse valor. (...) Logo, não se vislumbra qualquer ilegalidade do procedimento seguido pela autoridade fiscal, ao caracterizar a subavaliação do VTN do imóvel.(...) Dessa forma, entendo que deva ser mantida a tributação do imóvel, com base no VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto para que se julgue precedente o lançamento consubstanciado na notificação de lançamento/anexos de nº 06104/00015/2007 (fls. 01/05), mantendose o imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal, conforme demonstrado. Fl. 283DF CARF MF 4 A 1º Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, por unanimidade, acompanhou o voto do relator. Ciente do Acórdão da DRJ em 17 de junho de 2008, conforme AR de fl. 174, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 175/180, no qual, em síntese, reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais deixo de aqui reproduzilos por entender mais adequado fazêlo no curso do voto.. Já em sede de julgamento em 2ª Instância, a Primeira Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, fl. 200/203, sendo oportuno destacar os seguintes excertos do voto condutor: ... a Contribuinte alega não haver incidência do ITR em área rural utilizada como reservatório de água para produção de energia elétrica, conforme ocorre no presente caso, pois as terras submersas servem exclusivamente para abrigar reservatório, destinado à finalidade especial do interesse público, e assim o VTN arbitrado não é válido, eis que o imóvel não tem valor de mercado. No que diz respeito ao mérito da questão, não obstante o lançamento refirase a exercício anterior a vigência do art. 10, §1º, inciso II, alínea “f”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que, a partir do exercício 2009, exclui da área tributável as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, a matéria já se encontra pacificada por meio da Súmula CARF nº 45, segundo a qual “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas." Contudo, existem dúvidas no que diz respeito à delimitação da área alagada, pois a Contribuinte não juntou qualquer documento que a quantificasse, sem o qual não é possível fazer a exclusão pretendida. Dessa forma, a fim de que se possa formar convicção acerca da matéria em análise, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime a Contribuinte apresentar Laudo Técnico de Constatação (ou Vistoria), elaborado por profissional habilitado de acordo com as normas da ABNT, para comprovar a dimensão das áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas, descrevendoas e quantificandoas objetivamente de acordo com a classificação estabelecida no Código Florestal. Ciente das informações requeridas em sede de diligência em 19 de junho, fl. 206, o contribuinte apresentou a resposta de fl. 208/216, onde entra mais uma vez no mérito de suas razões para entender que o lançamento é inválido, mas, em relação ao objeto da diligência ( Laudo Técnico de Constatação ou Vistoria elaborado por profissional ou empresa habilitada), limitouse a apresentar planta do imóvel com georreferenciamento das áreas, fl. 216, onde, supostamente, seria possível identificar a dimensão das áreas o reservatório, áreas de estradas, área ocupada por benfeitorias, área de preservação permanente e área de interesse ecológico. Novamente submetido ao Colegiado de 2ª Instância, foi emitida a Resolução nº 2201000.236, fl. 225/230, que, por maioria de votos, converteu o julgamento em nova Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10640.720138/200721 Acórdão n.º 2201003.883 S2C2T1 Fl. 283 5 diligência reiterando a necessidade de que o contribuinte fosse intimado a apresentar laudo nos mesmos termos solicitados em diligência anterior. Ciente, conforme AR de fl. 233, o contribuinte junto ou laudo de fl. 238/274. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Sustenta o recorrente que foi autuado em 2005 por ter a fiscalização considerado todo o imóvel como sendo área tributável, sem fazer qualquer distinção em relação às áreas rurais utilizadas como reservatório de água para produção de energia; Afirma que a área tributável do imóvel é inferior à apurada pela fiscalização, já que o mesmo não estaria sujeito ao pagamento do ITR por se destinar à produção de energia elétrica mediante contrato com o poder público, o que resulta em inexistência de valor de mercado para fins de apuração do imposto rural. Aduz que as terras que compõe sua propriedade foram adquirias mediante compromisso firmado com o poder público, resultando em bem de uso restrito. Além disso, que os reservatórios das usinas são bens de domínio público, de uso especial, afetados a um objetivo e inalienáveis, sendo a União a legítima possuidora das terras submersas e a concessionária mera detentora, concluindo que não são passíveis de incidência do ITR as terras submersas utilizadas como reservatórios de usinas hidrelétricas. Reitera que o contribuinte está impedido de exercer direito idêntico ao daquele que detêm propriedade particular, já que a União é detentora do verdadeiro domínio útil da faixa de terras submersas. Alega que, da base de cálculo do ITR, devem ser excluídos os reservatórios de água, por não configurar fato gerador do Imposto, por não ser possível atribuir às áreas por estes ocupadas valor de mercado, já que são estão fora de comércio as áreas submersas, bem assim aquelas sobre as quais se assentam as demais instalações inerentes à prestação do serviço público de energia. Em fl. 208, ao responder à primeira diligência formalizada, o contribuinte reitera os temos da impugnação e do recurso e sustenta que as áreas adjacentes às áreas alagadas, as áreas de preservação permanente e as áreas de reserva legal também não devem sofrer tributação do ITR, citando as leis 4.771/65 e 12.651/2012 (Código Florestal). Em síntese, são estes os argumentos da defesa. A partir da inclusão da alínea "f" do inciso II, do art. 10, da lei 9.393/96, levada a termo pela Lei 11.727/2008, não há dúvidas sobre a possibilidade de exclusão das áreas ocupadas por tais reservatórios da área tributável do imóvel, não sendo tal permissivo Fl. 285DF CARF MF 6 legal oponível ao presente caso, já que o lançamento em discussão trata de fato gerador ocorrido em 1º de janeiro de 2005. Entretanto, a situação em tela é uma questão sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. A Súmula Carf nº 45 teve como um de seus paradigmas o Acórdão 3303 35.854, de relatoria da Conselheira Vanessa Albuquerque Valente e que tratava de ITR relativo ao ano de 2003. Naturalmente, como, em 2003, a isenção prevista na Lei 11.727/2008, citada alhures, ainda não emprestava seus efeitos à apuração do Fato Gerador do ITR, podese inferir que o espírito da Súmula Carf nº 45 está alinhado ao voto condutor. Assim, entendo oportuno destacar algumas conclusões daquele julgado, ainda que não fosse a recorrente interessada direta da lide então em discussão: Feitas essas considerações, concluo, diante de todas as questões postas no decorrer do voto que: a) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Fumas que constituem a Usina Hidrelétrica, pois após terem sido desapropriadas sobre tais áreas foi construída a referida Usina Hidrelétrica recebendo as águas represadas, que como trabalhado nessa peça, tais águas são bens da União. b) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Fumas que constituem a Usina Hidrelétrica, posto que a transferência da referida propriedade para a Recorrente foi pressuposto para que fosse construída a referida Usina, que após construída tornou público o bem, de tal modo que a propriedade da Recorrente é limitada aos aspectos de registros formais e contábeis, não podendo lhe ser atribuída qualquer das características ou elementos da propriedade, de tal modo que a Recorrente não se enquadra como sujeito passivo do ITR por não ter a propriedade, a posse ou o domínio útil das terras. c) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Fumas que constituem a Usina Hidrelétrica, pois as águas represadas que inundam as terras pertencem à União, que detém o domínio útil dessas terras, sendo, portanto, eventual sujeito passivo do imposto, que tem a sua incidência afastada pela imunidade recíproca. d) Não há incidência do ITR sobre as áreas do entorno do reservatório que forma a Usina Hidrelétrica por ser área de preservação permanente nos termos da legislação aplicável, e em conseqüência, excluída do campo da incidência do ITR. e) Não há incidência do ITR sobre as áreas de propriedade de Fumas que constituem a Usina Hidrelétrica, em vista da impossibilidade de ser atribuído, nos termos da legislação aplicável, o valor da terra nua. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10640.720138/200721 Acórdão n.º 2201003.883 S2C2T1 Fl. 284 7 Enfim, em vista da análise constitucional, legal e fática, entendo como impossível, frente ao ordenamento jurídico vigente a incidência do ITR sobre as terras submersas sobre as águas que compõem os reservatórios formadores de Usinas Hidroelétricas, bem como de toda a área que faz margem ao referido reservatório." Como se constata nos autos, embora o contribuinte tenha resistido em prestar as informações nos termos requeridos, finalmente juntou ao processo laudo de constatação de autoria dos Engenheiros Pedro Augusto Kruk e Luis Antosczyszen, acompanhado das devidas Anotações de Responsabilidade Técnica, fl. 238 a 278, em que são descritas de forma bastante detalhada as características do imóvel rural que compõe o NIRF 1.807.8958. Inicialmente, merece destaque para as conclusões acerca da área total do imóvel, que foi recalculada em 1.461,94 ha, com indicação dos motivos que levaram à divergência com o valor originalmente declarado. A composição da propriedade está resumida no quadro abaixo, com a ressalva de que integra a área identificada como de interesse ecológico uma área de 310ha averbada a título de Reserva legal (fl. 253): Como bem destacado no corpo do Relatório supra, a autuação fiscal se limitou a alterar o valor da terra nua declarado, o que levaria o presente julgamento, mantendo se nos limites do litígio instaurado com a impugnação, a não analisar matéria que fossem estranhas ao lançamento. Não obstante, identificase no caso em tela particularidades que ensejam avaliação mais cautelosa, seja por conta da especificidade da atividade de geração de energia elétrica mediante contrato de concessão com o poder público, seja em razão de que eventual imposição fiscal indevida resultaria em enriquecimento sem causa da União e maior oneração do usuário final do bem produzido, mediante o repasse inevitável ao preço cobrado pela energia. Desta forma, temse como indiscutível que parte da propriedade, 321,90ha, teria a tributação pelo imposto rural afastada pela aplicação da Súmula Carf 45, que conclui pela não incidência do tributo sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatórios de hidroelétricas. Considerando que, no período da aplicação do entendimento sumulado (anterior à vigência da alínea "f" do inciso II, do art. 10, da lei 9.393/96, com a redação dada pela Lei 11.727/2008) a exclusão de tais áreas, necessariamente, deve ocorrer independentemente de eventuais informações em DITR ou em Demonstrativo de Apuração do Fl. 287DF CARF MF 8 Imposto, sem quaisquer exigências periféricas como informação em Ato Declaratório Ambiental ou registro à margem da matrícula do imóvel e considerando, ainda, as conclusões do voto paradigma citado alhures, em particular sobre as limitações impostas ao direito de propriedade, é forçoso concluir que toda a área do imóvel em tela estaria fora do campo de incidência do tributo rural, seja por conta dos termos da Súmula Carf nº 45, seja por serem ocupadas por benfeitorias ou por Áreas de Preservação Permanente e de utilização limitada, impondose reconhecer a improcedência da exigência fiscal em tela. Por fim, fica o registro, a título de orientação à recorrente, já que mapeadas as áreas do imóvel, para que passe a observar com maior rigor os requisitos impostos pela legislação em particular a apresentação do ADA e preenchendo corretamente suas DITR, para que se evitem dispêndios de recursos particulares e públicos com demandas dessa natureza. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.004678/2001-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.797
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pelo Contribuinte acima identificado.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Jose Ricardo Moreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 04 67 8/ 20 01 -4 7 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13804.004678/200147 Resolução nº 2202000.797 S2C2T2 Fl. 157 2 RELATÓRIO Tratase de revisão da declaração de contribuições e tributos federais – DCTF, correspondente ao 1º trimestre do ano calendário de 1997, quando a empresa acima qualificada foi autuada e notificada por via postal a recolher o crédito tributário no valor de R$ 389.225,51, sendo R$ 142.477,47 a título de IRRF, R$ 106.858,10 a título de multa de ofício, R$ 139.889,94 a título de juros de mora calculados até a data da lavratura do AI (fls. 05/06). Conforme demonstrativos de fls. 07 a 11, o lançamento em tela decorre da não localização de pagamentos vinculados a débitos declarados. Inconformada com a exigência fiscal, a Contribuinte, por meio de seu representante legal, apresentou a impugnação de fl. 02, protocolizada em 27/12/2001, na qual alega que o IRRF exigido no item 4.1 do Auto de infração foi pago conforme comprovam os DARFs apresentados em anexo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou procedente em parte a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 PAGAMENTO NÃO LOCALIZADO. Diante da comprovação de que o pagamento do débito declarado em DCTF foi efetivado, não há que subsistir o lançamento decorrente, fundado na inexistência do recolhimento. Mantêmse o lançamento correspondente ao pagamento não comprovado. A DRJ entendeu que o saldo de R$ 10.267,55 não restou comprovado, pois 5 (cinco) DARFs, nos valores de R$ 1.735,70, R$ 1.886,43, R$ 1.684,80, R$ 1.614,80 e R$ 1.952,93, não constam dos arquivos eletrônicos da RFB e o Contribuinte não comprovou o recolhimento. O resultado da decisão da DRJ foi o seguinte: Cod. Rec PA Data de Vencimento EXIGIDO EXONERADO MANTIDO 0916 0101/1997 08/01/1997 8.520,01 8.520,01 0,00 0916 0201/1997 15/01/1997 13.497,41 13.497,41 0,00 0916 0301/1997 22/01/1997 12.702,23 12.702,23 0,00 0916 0401/1997 29/01/1997 11.815,52 11.815,52 0,00 0916 0102/1997 05/02/1997 12.506,92 12.506,92 0,00 0916 0202/1997 14/02/1997 22.319,42 12.051,87 10.267,55 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13804.004678/200147 Resolução nº 2202000.797 S2C2T2 Fl. 158 3 0916 0302/1997 19/02/1997 10.655,20 10.655,20 0,00 0916 0402/1997 26/02/1997 15.579,72 15.579,72 0,00 0916 0103/1997 05/03/1997 19.056,53 19.056,53 0,00 0916 0203/1997 12/03/1997 15.824,46 15.824,46 0,00 TOTAL 142.477,42 132.209,87 10.267,55 Cientificado dessa decisão em 22/04/2013 (fl. 128), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22/05/2013 (fls. 133/147), no qual alega que os pagamentos foram efetuados na época devida e que os valores foram lançados em duplicidade no Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF (fl. 9). Afirma que tais pagamentos foram recolhidos no CNPJ da filial 0003 e, após descoberto o erro, foi corrigido por meio de REDARF, passando para a filial 0005. Informa, ainda, não ter localizado apenas o pagamento de R$ 1.952,93 (02/1997), o qual já foi recolhido, conforme DARF anexo. É o relatório. VOTO O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de lançamento de ofício em função da revisão da declaração de contribuições e tributos federais – DCTF, correspondente ao 1º trimestre do ano calendário de 1997. Após a decisão de primeira instância resta em litígio o valor de R$ 10.267,55, referente ao PA 0202/1997, código de receita 0916. A Recorrente alega que os pagamentos foram recolhidos no CNPJ da filial 0003 e, após descoberto o erro, foi corrigido por meio de REDARF, passando para a filial 0005, reconhecendo apenas a falta do pagamento de R$ 1.952,93 (02/1997), o qual já foi recolhido, conforme DARF que apresentou em anexo. Diante dos argumentos apresentados pela Contribuinte e para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que é necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente analise as alegações da Recorrente e elabore um relatório conclusivo informando se os DARFs, nos valores de R$ 1.735,70, R$ 1.886,43, R$ 1.684,80 e R$ 1.614,80 foram pagos em duplicidade e se podem ser efetivamente alocados ao débito remanescente de R$ 10.267,55, relativo ao PA 0202/1997. Após, dêse vista ao Recorrente para manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13804.004678/200147 Resolução nº 2202000.797 S2C2T2 Fl. 159 4 É o meu voto. (assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720882/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. INTEMPESTIVIDADE DESCARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR.
Ao não tomar conhecimento do recurso voluntário, por uma errônea constatação de intempestividade, a decisão anterior proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão nº 1802-001.465, de 04/12/2012, ficou maculada pelo vício de nulidade, eis que incorreu em cerceamento de direito de defesa, e, por isso, deve ser anulada.
TURMAS ESPECIAIS. COMPETÊNCIA REGIMENTAL. LIMITE DE ALÇADA.
Se os processos a serem examinados conjuntamente pelo CARF (10580.720882/2010-83 e 10580.722802/2010-24) abrangem créditos tributários cujo montante supera o limite traçado para a definição de competência das Turmas Especiais, eles devem ser redistribuídos para uma das Turmas Ordinárias desta mesma Primeira Seção do CARF.
Numero da decisão: 1802-002.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em ANULAR a decisão anteriormente proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Acórdão nº 1802-001.465, de 04/12/2012, e DECLINAR da competência para o julgamento dos processos 10580.720882/2010-83 e 10580.722802/2010-24, em razão do limite de alçada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. INTEMPESTIVIDADE DESCARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR. Ao não tomar conhecimento do recurso voluntário, por uma errônea constatação de intempestividade, a decisão anterior proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão nº 1802-001.465, de 04/12/2012, ficou maculada pelo vício de nulidade, eis que incorreu em cerceamento de direito de defesa, e, por isso, deve ser anulada. TURMAS ESPECIAIS. COMPETÊNCIA REGIMENTAL. LIMITE DE ALÇADA. Se os processos a serem examinados conjuntamente pelo CARF (10580.720882/2010-83 e 10580.722802/2010-24) abrangem créditos tributários cujo montante supera o limite traçado para a definição de competência das Turmas Especiais, eles devem ser redistribuídos para uma das Turmas Ordinárias desta mesma Primeira Seção do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em ANULAR a decisão anteriormente proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Acórdão nº 1802-001.465, de 04/12/2012, e DECLINAR da competência para o julgamento dos processos 10580.720882/2010-83 e 10580.722802/2010-24, em razão do limite de alçada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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EXERCÍCIO DE DIREITO DE DEFESA. INTEMPESTIVIDADE DESCARACTERIZADA. NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR. Ao não tomar conhecimento do recurso voluntário, por uma errônea constatação de intempestividade, a decisão anterior proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão nº 1802 001.465, de 04/12/2012, ficou maculada pelo vício de nulidade, eis que incorreu em cerceamento de direito de defesa, e, por isso, deve ser anulada. TURMAS ESPECIAIS. COMPETÊNCIA REGIMENTAL. LIMITE DE ALÇADA. Se os processos a serem examinados conjuntamente pelo CARF (10580.720882/201083 e 10580.722802/201024) abrangem créditos tributários cujo montante supera o limite traçado para a definição de competência das Turmas Especiais, eles devem ser redistribuídos para uma das Turmas Ordinárias desta mesma Primeira Seção do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em ANULAR a decisão anteriormente proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Acórdão nº 1802001.465, de 04/12/2012, e DECLINAR da competência para o julgamento dos processos 10580.720882/201083 e 10580.722802/201024, em razão do limite de alçada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 08 82 /2 01 0- 83 Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo Contribuinte acima identificado, com o fito de ver reformada a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta visando à anulação do Ato Declaratório n° 11/2010, que decretou a suspensão da imunidade tributária da entidade em relação ao imposto de renda IRPJ e contribuições sociais, nos seguintes termos: INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. A imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal alcança somente as entidades que atendam aos requisitos previstos no art. 14 da Lei n° 5.172/1966, o não cumprimento de tais requisitos implica a suspensão, pela autoridade competente, da aplicação daquele "benefício". SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As instituições que gozam de imunidade tributária, na forma do art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal de 1988, são obrigadas a manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão. Constatada a não apresentação dos livros e documentos contábeis, é lícito ao Fisco proceder à suspensão da imunidade, no período em que ocorreram tais irregularidades. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESVIO DE FINALIDADE. A prática de atos de natureza econômicofinanceira por entidade beneficente de assistência social caracteriza desvio de seus objetivos essenciais, uma vez que estabelece concorrência com organizações que não gozam do mesmo tipo de favor, acarretando perda do direito de tratamento privilegiado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Para melhor entendimento da questão e por economia processual, transcrevo abaixo o resumo dos fatos contido no acórdão exarado na primeira instância administrativa: Trata o presente processo, de Manifestação de Inconformidade protocolada contra decisão da Delegada da Receita Federal do Brasil de Salvador, que através do Ato Declaratório Executivo n° 11, de 29 de março de 2010, publicado no Diário Oficial da União de 30 de março de 2010, suspendeu a imunidade tributária da entidade em epígrafe. Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 5 4 O procedimento fiscal decorreu de representação do Ministério Público Federal (MPF) através do ofício 058/2009/PR/BA/AR, onde a citada instituição encaminha relatório à Receita Federal do Brasil, mencionando a movimentação financeira atípica da Organização do Auxílio Fraterno (OAF) no período de 01/01/2006 a 26/03/2008, além de mencionar seu relacionamento financeiro com a EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A, alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Cesta do Povo) da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia. A movimentação de recursos no período citado pela OAF fora classificada, pelo Banco Central do Brasil (Carta Circular n° 2826), como incompatível com o patrimônio, atividade econômica ou com a ocupação profissional e a capacidade financeira presumida do cliente. 1 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA CASSAÇÃO DA IMUNIDADE E ISENÇÕES Através do Termo de fls. 02 a 15, a autoridade encarregada do procedimento fiscal propõe a suspensão da imunidade tributária da impugnante, com base nos seguintes argumentos: "O contribuinte fiscalizado é uma organização não governamental (ONG), imune para fins tributários, filantrópica, cadastrada na Receita Federal sob o CNAE n° 9430800 (atividades de associações de defesa de direitos sociais), cadastrada no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com autorização para efetuar operações no comércio exterior, estando, inclusive, habilitada no sistema SISCOMEX para tanto”; "No site da mencionada ONG (www.oaf.org.br) se informa sua fundação em outubro de 1958, quando a advogada católica Dalva Matos fundou um abrigo para crianças abandonadas e mães solteiras, quando o serviço oferecido pela instituição restringiase ao internato, onde crianças e mulheres conviviam e eram assistidas. Com o ingresso na instituição do padre jesuíta Clodoveo Piazza, em 1986, fora implantada uma pequena oficina que servia tanto como instrumento de aprendizagem para os jovens acolhidos pela entidade, quanto para o custeio da mesma. O objetivo apresentado no site é a educação de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social (Instituição de Educação e de Assistência Social)”; "A entidade atualmente conta apenas com a matriz, instalada no município de Salvador, mas já contou com quatro filiais, todas extintas por encerramento voluntário. A última ata de assembléia ocorreu em 30 de junho de 2008, quando foram eleitos como Diretor Presidente Francisco Javier Barturen López (CPF 040.230.56553), Maria Miguel Mendes como Diretora Secretária (CPF 674.550.26749), Maria Conceição Vieira Gonçalves para Diretora Social e de Educação (CPF 019.689.20587), todos com mandatos até 30/06/2012. No ano calendário 2006 eram os dirigentes da entidade a sra. Vanda Raymunda Pereira (CPF n° 050.379.80534), sra. Margarida Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 6 5 Neves de Almeida (CPF n° 094.125.14549); sr. Marcos Paiva Silva (CPF n° 441.812.99449) e sra. Célia Pereira dos Santos (CPF n° 205.958.97894). No anocalendário 2007 os dirigentes informados à Receita Federal na DIPJ 2008 eram os mesmos que no ano anterior”. "No que se refere à entrega da DIPJ 2007 (anocalendário 2006), o contribuinte de declarou como Entidade de Assistência Social, imune do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e desobrigada de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e equiparado a industrial por opção, com saldo devedor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos meses de agosto (RS 231.755,75) e dezembro de 2006 (R$ 195.440,90). A entidade declarou ter adquirido, no ano de 2006, diversos insumos/mercadorias (ficha 24 da DIPJ 2007) no valor total de R$ 840.696,99, e as destinou, conforme informou na ficha 26 da mesma declaração, à fabricação de móveis com predominância em madeira (classificação fiscal 9403.90.90), com saídas de produtos no valor de R& 4.710.554.80. O ativo total declarado da entidade em 2006 era de R$ 19.848.980,42. Do ponto de vista da origem e aplicação de recursos, a entidade declarou à RFB origens ("outros recursos") que somaram R$ 29.619.774,00 e aplicações ("impostos, taxas, contribuições e despesas de manutenção") de R$ 31.918.134,00, resultando no déficit anual de R$ 2.298.360,00”; "No que se refere à entrega da DIPJ 2008 (anocalendário 2007), o contribuinte se declarou como Entidade de Assistência Social, imune do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e desobrigada de apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), porém SEM INFORMAÇÕES DE IPI NO PERÍODO. A contradição registrada com as informações prestadas em DIPJ decorrem da entrega, pelo próprio contribuinte, de livro de registro de saídas e de IPI, contendo vendas de produtos industrializados para diversos estados, em 2007, conforme detalhado adiante. O ativo total declarado da entidade em 2007 foi de R$ 14.166.384,00. Do ponto de vista da origem e aplicação de recursos, a entidade declarou à RFB origens ("outros recursos") que somaram R$ 4.201.823,00 e aplicações ("despesas de manutenção e outras despesas") de R$ 9.567.448,00, resultando no déficit anual de R$ 5.365.625,00”; "Os livros contábeis do contribuinte, objeto do Termo de Início do Procedimento Fiscal (05/06/2009) e do Termo de Reintimação Fiscal n° 002 (22/09/2009) não foram entregues até a conclusão da fiscalização, registrandose apenas a entrega, em 01/10/2009 dos mesmos, impressas em folhas soltas, sem registro na Junta Comercial (JUCEB), sem assinatura de responsáveis legais e de contador, imprestável portanto à auditoria”. Quanto aos livros fiscais, de registro de entrada e de saída de mercadorias, também foram entregues em folhas soltas, sem assinatura e sem numeração de folhas. Porém, informações curiosas foram obtidas dos mencionados livros”; Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 7 6 1) Embora se tratando de entidade não governamental de educação e assistência social, o "livro de registro de saídas”(folhas soltas), denominado de livro 012, evidenciou vendas de mercadorias para a Bahia, São Paulo, Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Goiás, nos meses de janeiro a outubro de 2007. 2) No "livro de apuração do ICMS"(folhas soltas), para o mesmo período de janeiro a outubro de 2007 a entidade registrou operações de saída com CFOP (código fiscal de operações e de prestações) variado, listados a seguir: 5.101 (Venda de produção do estabelecimento), 5.102 (Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros), 5.949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), 6.101 (Venda de produção do estabelecimento), 6.124 (Industrialização efetuada para outra empresa), 6.949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado), 6.551 (Venda de bem do ativo imobilizado), 5.556 (Devolução de compra de material de uso ou consumo), 6.915 (Remessa de mercadoria ou bem para conserto ou reparo), 5.917 (Remessa de mercadoria em consignação mercantil ou industrial), 6.902 (Retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda), 5.910 (Remessa em bonificação, doação ou brinde), 5.916 (Retorno de mercadoria ou bem recebido para conserto ou reparo). Embora nem todas as operações constituam vendas, todas elas refletem a plena atividade comercial da entidade, incluindo operações de bens industrializados pela entidade, inclusive por encomenda”; "O início da ação fiscal se deu com a ciência (em 05/06/2009), via postal, com aviso de recebimento, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, anexo ao processo. Neste, o contribuinte é intimado a apresentar, em 20 (vinte) dias, para os anos de 2006 e 2007, seu estatuto social com respectivas alterações, livros contábeis e fiscais, atas de eleição do conselho diretor ou equivalente, comprovante de reconhecimento da condição de utilidade pública federal e estadual ou municipal; certificado como entidade beneficente de assistência social ou registro como entidade para fins filantrópicos; comprovante de isenção fornecido pelo INSS; comprovação de inscrição da entidade no Conselho Municipal de Assistência Social; extratos bancários de todas as contas correntes; contratos com fornecedores; folha de pagamento de todos os funcionários e informação quanto ao tipo de relação comercial mantida com a empresa EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A”; "Em 09/07/2009 o contribuinte se manifesta, apresentando apenas parte da documentação solicitada, sem fornecer ao fisco os livros fiscais e contábeis e os extratos bancários de todas as suas contas, esquivandose de fornecer aqueles das contas movimentadas no banco Unibanco, objeto de citação explícita no Termo de Início de Procedimento Fiscal. Nesta data informou que o "episódio EBAL" os conduziu a dificuldades em localizar os documentos exigidos”. Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 8 7 "Dentre os documentos fornecidos pela OAF a este fisco citam se o contrato de prestação de serviços de manutenção predial e de reparos gerais celebrado com a EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A. Referente ao processo n° 918/03 e seus anexos o objeto do contrato é a realização dos serviços citados, a serem realizados pela OAF na rede de lojas e mercados da EBAL. Os serviços incluíam a revisão e execução de instalações elétricas, hidrosanitárias, telefônicas, incêndio, ar condicionado, conservação de pisos, paredes, estruturas e fachadas; execução de pinturas em geral; paisagismo; revisão de cobertura; impermeabilizações, execução de esquadrias, pavimentação, dentre inúmeros outros serviços da área de engenharia. Através da cláusula 1.3 fica estabelecida a vedação à subcontratação, total ou parcial do objeto do contrato, condição esta que a OAF também parece ter desrespeitado, haja vista o grande número de empresas de construção civil contratadas no mesmo período, que possuía como escopo exatamente o mesmo de seu contrato com a EBAL. Tal fato está detalhado no item IV (Suspensão de Isenção ou Imunidade) deste relatório. O custo estimado mensal do contrato firmado era de R$ 100.323,04 (cem mil, trezentos e vinte e três reais e quatro centavos) por mês. Segundo o item 4.1 do contrato, a EBAL pagaria pelo execução dos serviços o valor correspondentes à soma dos custos arcados pela OAF com a aquisição de insumos, mãodeobra, encargos sociais, materiais, veículos, equipamentos, transportes e despesas indiretas, acrescidos de 5% a título de "taxa de programa educacional”; "Da diligência efetuada na EBAL obtevese as notas fiscais emitidas pela OAF contra aquela, nos anoscalendários 2006 e 2007, todas se referindo, na descrição do serviço, a contratos de manutenção firmados. O conteúdo de todas as notas obtidas foi digitado numa planilha denominada "Notas Fiscais Emitidas contra a EBAL". Embora as notas obtidas não sejam conclusivas quanto ao faturamento da OAF nos anos de 2006 e 2007, são provas objetivas da fuga do objeto social desta ONG quando do estabelecimento de relações comerciais com terceiros”; "Em virtude da falta de cumprimento pela fiscalizada do objeto do Termo de Reintimação Fiscal n° 002, pela não entrega dos livros contábeis e fiscais, este fisco lavrou Termo de Constatação Fiscal n° 003, no qual dá ciência ao contribuinte de que a falta do cumprimento do art. 14 do CTN poderia acarretar a suspensão da imunidade tributária concedida ao contribuinte, através de ATO DECLARATÓRIO expedido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil”; "Finalmente, dada à falta de dados para se apropriar as receitas auferidas pela entidade nos anos de 2006 e 2007, vez que o contribuinte não entregara seus livros contábeis e fiscais, nem forneceu a totalidade de suas contas bancárias, autorizado está o fisco federal de efetuar o afastamento do sigilo bancário do mesmo, conforme hipóteses previstas no art. 33 da lei n° 9.430/96 (embaraço à fiscalização caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 9 8 como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, quando intimado)”; "Analisando a documentação apresentada pela OAF no curso da ação fiscal, constatouse que, no ano de 2006, a mesma era detentora de registro no Conselho Nacional de Assistência Social, conforme processo 14.089/6300, deferido em 14/05/63; possuía certificado de entidade beneficente de assistência social junto ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (Conselho Nacional de Assistência Social CNAS); certidão de utilidade pública federal decretada pelo Ministério da justiça; comprovante de Inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social de Salvador (CMASS), com validade de 02/06/2006 a 30/05/2011, e atestado de funcionamento pelo Juízo da 1a Vara da Infância e da Juventude; registro no conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente e certidão negativa de débitos mobiliários da Prefeitura de Salvador, de débitos tributários com o fisco do estado da Bahia e certidão positiva com efeitos de negativa com a União e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Apresentou ainda certidão negativa de débito, válida em 2006, junto à Previdência Social e Ato Declaratório de reconhecimento de isenção de contribuições sociais, datada de 30/04/2007”; "No ato constitutivo da OAF consta a fundação de uma sociedade de amparo à mulher e à criança, representando a ação privada para amparo às mãessolteiras, mulheres e crianças abandonadas. O art. 3° do capítulo II do estatuto social de 22/11/2004 exibe como finalidade da OAF o planejamento e execução de programas de amparo, proteção sócioeducativas destinados a crianças, adolescentes e jovens em situação de grave dificuldade, desamparo, abandono e em risco pessoal e social, além de ministrar educação infantil e ensino fundamental: conceber programas de educação profissional, capacitando jovens e adultos para o exercício de atividades produtivas”; "O primeiro ato de desrespeito às condições estabelecidas pela legislação para o usufruto da imunidade constitucional do Imposto de Renda e da isenção para as contribuições sociais fora a não apresentação ao fisco dos livros contábeis (Diário e Razão), conforme determina o inciso III do art. 14 do Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pela Lei Complementar n° 104/2001”; "Intimado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal e reintimado através do Termo de Reintimação Fiscal n° 002, este específico para o tema, a apresentar os livros fiscais e contábeis, o contribuinte se limitou a entregar folhas soltas de uma pretensa contabilidade, sem assinatura de contador e responsável legal e sem registro na Junta Comercial. Da mesma forma entregou os livros de registro de entradas e saídas de mercadorias e de apuração do IPI: também em folhas soltas, não contendo todos os meses dos anos de 2006 e 2007, portanto imprestáveis para a auditoria, em desrespeito ao art. 12 da Lei Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 10 9 n° 9.532/97, que determina a manutenção da escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão”; "O segundo ato de desrespeito às condições impostas pela legislação para usufruto de seu benefício fiscal consistiu no pagamento, no anocalendário 2004, de rendimentos à Diretora Célia Pereira dos Santos (CPF n° 205.958.97894), em mandato na entidade no período de 30/12/2003 a 30/12/2007. Consulta à Dirf (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) entregue pela OAF, cuja síntese abaixo, revelou que essa entidade pagou à diretora rendimentos tributáveis (código de receita 0561) de R$ 557,19 naquele ano. Tal ato, independente de sua quantia, afronta o determinado pelo art. 12 da Lei n° 9.532/97, que veda a remuneração, por qualquer forma, dos dirigentes da entidade pelos serviços prestados, conforme art. 12 da Lei n° 9.532/97 e art 34 da Lei n° 10.637/2002”; "Finalmente, o terceiro ato de transgressão detectado por este fisco foi a prática reiterada de atividades completamente alheias ao seu objeto social. Através da diligência efetuada à EBAL Empresa Baiana de Alimentos S/A foram obtidas as notas fiscais emitidas pela OAF contra aquela, todas elas fazendo menção a serviços de manutenção predial, conforme contratos firmados, as quais estão anexas a este processo”; "Consulta aos contratos em questão revelaram que os serviços prestados pela OAF à EBAL incluíam a revisão e execução de instalações elétricas, hidrosanitárias, telefônicas, incêndio, ar condicionado, conservação de pisos, paredes, estruturas e fachadas; execução de pinturas em geral; paisagismo; revisão de cobertura; impermeabilizações, execução de esquadrias , pavimentação, dentre inúmeros outros serviços da área de engenharia, conforme exposto anteriormente. Do total das notas emitidas em 2006, somente contra a EBAL, constatase um faturamento de R$ 13.320.177,03; em 2007 este total fora de R$ 1.234.741,44”; "Pesquisa às declarações prestadas pela OAF quanto à retenção de imposto de renda e de contribuição social na fonte de pessoas jurídicas prestadoras de serviço, nos anos de 2006 e 2007, revelou a contratação de inúmeras empresas da área de construção civil, o que reforça a tese da atuação da entidade fora de seu objetivo social. Dentre as inúmeras contratadas podem ser citadas: SIPLAR SERVIÇOS DE RECUPERAÇÃO (CNPJ n° 00.972.960/000113, no valor de R$ 13.022,41, em 2006); a UBC INSTALAÇÕES ELÉTRICAS HIDRÁULICAS (CNPJ n° 02.062.220/000175, de R$ 137.209,34, em 2006); a ÊXITO PINTURAS (CNPJ n° 04.380.878/000150, de R$ 7.118,82, em 2006); DOS ANJOS SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA (CNPJ n° 05.913.720/000161, de R$ 19.534,00, em 2006); QUALITY ENGENHARIA E CONSULTORIA (CNPJ n° 34.306.019/000182, de R$ 15.004,64 em 2006); COMASA CONSTRUÇÕES LTDA (CNPJ n° 03.642.500/000115, de R$ 5.684.440,00 em 2006); PAULUS CONSTRUÇÕES e SERVIÇOS Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 11 10 (CNPJ n° 02.702.285/000138, em 2006); TREVO ENGENHARIA (CNPJ n° 06.131.637/000101, de R$ 2.230.178,99, em 2006), e novamente, em 2007, a UBC INSTALAÇÕES ELÉTRICAS HIDRÁULICAS, de R$ 45.703,12. Estes dados comprovam, de forma cabal e indiscutível, que a OAF estava contratada para executar obras de construção civil, conforme atestam os contratos firmados coma EBAL, assim como deles se depreende o "modus operandi" da entidade, que subcontratava os serviços de diversas empresas da área da construção civil”; "Outro convênio (n° 061/2006) estranho ao objeto da OAF fora aquele por ela firmado com a Prefeitura Municipal de Salvador, através da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social (SEDES), tendo como objeto social a capacitação de 400 servidores desta secretaria e de 200 "parceiros de sua rede sócio assistencial", tendo como contrapartida a captação de recursos. O período do convênio foi de outubro a dezembro/2006, num valor total de R$ 259.193,99. Não ficou evidente, em nenhum documento obtido, como a receita auferida pela entidade se reverteria em benefícios dos jovens em situação de risco”; "Diante do anteriormente disposto, foi expedido TERMO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL, encaminhado ao contribuinte via postal, com aviso de recebimento, contendo o relato dos fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando a data da ocorrência da infração e a informação sobre o prazo de 30 dias para a entidade apresentar provas e alegações em contrário, se assim desejar”; Por fim, o processo foi encaminhado ao "SEORT para manifestação quanto às eventuais alegações apresentadas pelo contribuinte, com propositura de expedição de ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE DE IMPOSTOS E DA ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS, para posterior lavratura do auto de infração dos tributos devidos, para os anoscalendário 2006 e 2007 e Representação Fiscal para Fins Penais". 2 DA NOTIFICAÇÃO AO CONTRIBUINTE DOS MOTIVOS QUE ESTARIAM DANDO CAUSA AO PEDIDO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE Em decorrência da constatação de que o contribuinte não estaria observando os requisitos legais para o gozo da imunidade prevista no art. 150 da Constituição Federal, em cumprimento ao § 1° do art. 32 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a Impugnante foi notificada dos fatos que estariam dando causa ao pedido de suspensão do citado benefício fiscal (fls. 16 a 25). Cientificado pessoalmente da notificação fiscal em 04/02/2010 (fl. 19), na data de 08/03/2010 (fls. 2.393 a 2.400) o contribuinte apresenta suas alegação sobre os fatos, informando resumidamente o seguinte: Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 12 11 "Instituição de assistência social, como a define a Constituição Federal (Art. 150, VI, in fine), a oponente é pessoa jurídica (Cód. Civ, arts. 40/52), associação, a união de pessoas que se organizem para fins não econômicos (Cód. Civ., arts. 53 definição usque 61). Pessoa jurídica sem fins econômicos, a associação, sobretudo nos moldes da oponente, dispensa capital social. Aos titulares dos órgãos de sua estrutura, é vedado estatutariamente auferir benefício ou vantagem patrimonial, qualquer o pretexto, modo ou forma. O que acaso foi auferido, à socapa e ao arrepio do estatuto, da lei e da Constituição, foi , reprimido incontinente, de sorte que não pode ser imputado à oponente”. "Responsabilidade não se presume. Resulta de lei ou de negócio jurídico. No caso, de lei. O autor, por ação ou omissão, de infração constitucional ou legal é que é o responsável por ela, recaindo sobre ele, autor, as cominações constitucionais e legais cabíveis, respondendo ele, outrossim, pelas demais seqüelas da ilicitude cometida”. "O responsável pela infração é sempre e necessariamente, a pessoa física ou jurídica que descumpriu a obrigação. A responsabilidade é incontroversa, em sé tratando de pessoa física, uma vez comprovados a autoria e a infração. Não por outra razão o Código Civil dispõe que quem, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito (Cód. Civ. art. 186), ficando sujeitos às sanções e conseqüências corolários legais do ilícito cometido. O Código Tributário Nacional, lei complementar de cunho constitucional, proíbe a Legislação Tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos, conceitos e formas do direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições do Estado, ou pelas Leis Orgânica do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competência tributárias (Art. 110). Quando todavia imputase a autoria de infração à Pessoa Jurídica, as coisas já não são tão simples assim. O responsável pela infração legalmente, é sempre e necessariamente quem o cometeu no mundo real, disciplinado juridicamente pelo Direito, mesmo que ele tente ocultála sob o simulacro da titularidade do órgão d'uma pessoa jurídica”. "Apesar de ainda não lhe haver a comprovação judicial, não obstante já esteja em curso o processo penal instaurado, a requerimento do Ministério Público do Estado da Bahia, sem nele figurar como o DiretorPresidente da oponente, o que lhe comprova a inexistência de responsabilidade, e pessoa jurídica não é ré em processo penal, é fato notório, dispensando prova, havendo sido objeto anteriormente de Comissão Parlamentar de Inquérito amplamente divulgada pela imprensa, que a oponente foi envolvida por um titular de órgão de sua estrutura (que não o DiretorPresidente, como dito neste parágrafo), num pacto sceleris, com um órgão público estadual, engendrado para lesar o Estado da Bahia, dele advindo a este prejuízo de monta, à revelia dela, que reagiu tãologo lhe teve ciência, assim como de Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 13 12 outra infração, implicando locupletamento do respectivo autor, lesões repelidas tãologo a oponente teve ciência delas”. "É igualmente notório, dispensando prova, outrossim, que Secretario de Combate à Pobreza do Estado da Bahia, Diretor Presidente da oponente, assoberbado pelos afazeres da Pasta, teve de deixar a administração da oponente com Marcos de Paiva Silva, também titular do órgão da estrutura da oponente, o verdadeiro e único responsável por sua administração, desde então, o que lhe propiciou envolvêla no pactum sceleris e em outras infrações, inclusive para beneficiar patrimonialmente outro titular de órgão de estrutura da oponente, que, ao saber dessas ocorrências, adotou prontamente as medidas legais cabíveis, tanto que eles há muito perderam a titularidade dos órgãos da estrutura dela”. "Induvidoso, pois, que, as haver ocorrido, a autoria da infração é imputável, tãosó e exclusivamente, a Marcos de Paiva Silva, e ao titular de órgão da estrutura da oponente que compactuou com ele, qualquer a infração, pretexto, modo ou forma, tanto que ele é réu na ação penal promovida pelo Ministério Público do Estado da Bahia”. As alegações do contribuinte, juntamente com a Representação Fiscal do fisco propondo a suspensão da isenção e imunidade foram submetidas ao SEORT/DRF/SDR, unidade da Receita Federal do Brasil encarregada da análise e emissão do parecer, que subsidiará a decisão da autoridade competente para decidir sobre a suspensão de benefícios fiscais, no caso a Delegada da Receita Federal do Brasil em Salvador. 3 DO DESPACHO DECISÓRIO DO SEORT/DRF/SDR Analisando a matéria, o SEORT/DRF/SDR emite o Despacho Decisório 0252/2010 (fls. 2.401 a 2.407), onde, em síntese afirma que: "Cumpre salientar que a defesa apresentada pelo procurador não refutou as irregularidades identificadas pela fiscalização. Apenas atribuiu a responsabilidade pelas infrações ao administrador que figurava no período fiscalizado”; "De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte é uma entidade imune para fins tributários, cadastrada na Receita Federal sob o CNAE n° 9.430800 (atividades de associações de defesa de direitos sociais), em cujo site consta informação de que a entidade havia sido fundada em outubro de 1958, com o objetivo de abrigar crianças abandonadas e mães solteiras, tendo como seu atual objeto a educação de crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social (Instituição de Educação e Assistência Social)”; "A fiscalização identificou atos de desrespeito às condições estabelecidas pela legislação para fruição da imunidade constitucional do Imposto de Renda e da isenção para as contribuições sociais, quais sejam”: Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 14 13 "Não apresentação ao fisco dos livros contábeis (Diário e Razão), conforme determina o inciso III, do art. 14, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/66)”; "Realização de pagamento a uma Diretora, no valor de R$ 557,19, no anocalendário 2004, em mandato na entidade, no período de 30/12/2003 a 30/12/2007, conforme consulta à DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte). Ato que afronta o determinado pelo art. 12, da Lei n° 9.532/97 e art. 34, da Lei 10.637/2002, que vedam a remuneração, por qualquer forma, dos dirigentes da entidade, pelos serviços prestados”; "Prática reiterada de atividades completamente alheias ao seu objeto social, identificadas por meio de uma diligência à Empresa Baiana de Alimentos S/A (EBAL), na qual foram obtidas notas fiscais emitidas pela OAF contra a EBAL, todas referentes a serviços de manutenção predial, conforme contratos firmados, as quais se encontram anexadas ao presente processo. Além disso, por meio de pesquisas às declarações prestadas pela OAF, quanto à retenção de imposto de renda e de contribuição social na fonte de pessoas jurídicas prestadoras de serviço, nos anos de 2006 e 2007, revelouse contratações de inúmeras empresas da área de construção civil, o que reforçaria a atuação da entidade fora do seu objeto social. Por fim, foi identificado um convênio com a Prefeitura Municipal de Salvador, que teria como objeto a capacitação de servidores de uma Secretaria Municipal e parceiros da rede sócio assistencial, com captação de recursos, sem documentação que comprove o benefício a jovens em situação de risco”; Citando ou transcrevendo toda a legislação aplicável aos tributos envolvidos na fiscalização, conclui o SEORT que "a defesa não refutou o cometimento das infrações, o que nos leva a aceitar os fatos como verdadeiros, uma vez que são verossímeis. · A nãoapresentação dos livros fiscais solicitados nas intimações demonstram violação à alínea "c", do § 2°, do art. 12, da Lei n° 9.532/97 e ao inciso III do art. 14 do CTN; · Realização de pagamento a uma Diretora, no valor de R$ 557,19, no anocalendário de 2004, em mandato na entidade, no período de 30/12/2003 a 30/12/2007; · As práticas reiteradas de atividades alheias ao objeto social da entidade, elencadas pela fiscalização, principalmente no contrato de manutenção predial, firmado com a EBAL, e nas subcontratações de empresas de engenharia, que nada possuem de cunho social, fato este que, inclusive, motivou rescisão unilateral do contrato, por parte da EBAL (fls.220/227), demonstram violação à alínea “b”, do art. 12, § 2a, da Lei n° 9.532/97 e ao inciso II do art. 14 do CTN, que determina a exigência da aplicação dos recursos na manutenção dos objetivos institucionais; Sobre as alegações da defesa, que buscou transferir da Pessoa Jurídica para Pessoa Física a responsabilidade pelos atos que Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 15 14 ocasionaram a Representação Fiscal pela cassação da imunidade da Impugnante, conclui a Autoridade Fiscal que "a legislação regulamentadora da responsabilidade tributária prevista no Capítulo V, do CTN, que leciona, de forma induvidosa, que a responsabilidade de terceiros somente se aplica às hipóteses previstas no art. 134. Este rol não prevê a hipótese da ação do administrador da empresa supracitada, uma vez que ali estabelece a responsabilidade de bens de terceiros, somente pelos tributos devidos por estes, circunstância que não ocorre nos presentes autos. Aqui não se discute insuficiência de recolhimento ou seu não recolhimento. O que se discute aqui é a configuração de irregularidades capazes de suspender o gozo da imunidade tributária”. "Devese destacar ainda a disciplina contida no art. 137, do CTN, quando estabelece, taxativamente, que a responsabilidade não é pessoal do agente quando praticado no exercício regular da administração, mandato, função, cargo ou emprego, que é a hipótese desses autos”. "Após análise dos papéis que formalizam o presente processo, penso ser inequívoco que o contribuinte transgrediu requisitos estabelecidos para a fruição do benefício da imunidade. Ele transgrediu o disposto nas alíneas "b" e "c" do § 2° do art. 12 da Lei 9.532/97 e nos incisos II e III do art. 14 do CTN (Lei n° 5.172/66), conforme antes especificado”. "Do exposto, submeto à apreciação da chefia do SEORT, com a recomendação de que a autoridade competente, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Salvador, determine a suspensão da imunidade a que alude o art. 150 VI alínea "c", Constituição Federal, relativamente aos anoscalendário 2006 e 2007, na forma da competente e regular Representação Fiscal”. 4 DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 11/2010 Com base no Despacho Decisório 0252/2010 do SEORT, o Delegado Adjunto da Receita Federal do Brasil de Salvador, emitiu em 29 de março de 2010, o Ato Declaratório Executivo n° 11, suspendendo a imunidade da impugnante na forma do art. 32 da Lei 9.430/96 (fl. 2.408/2.410), cuja ciência ao contribuinte ocorreu através de 02 AR dos Correios, sendo o 1° em 30/03/2010 (fl. 2.411) e o 2° em 01/04/2010 (fl. 2.412). Cabe esclarecer, que na mesma data da intimação do Ato Declaratório que suspendeu a sua imunidade, o contribuinte foi também intimado dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, matéria tratada em processo específico de n° 10580.722802/201024 que tramita apensado ao presente PAF, cujo mérito será analisado em momento subseqüente à análise do processo de suspensão da imunidade e das isenções. 5 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE AO ATO DECLARATÓRIO Fl. 3260DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 16 15 Regularmente intimada da suspensão da sua imunidade através do Ato Declaratório Executivo n° 11, em 29/04/2010 a interessada apresenta tempestivamente sua Manifestação de Inconformidade através de 02 petições (fls. 2.416/2.431 e 2.433/2.443), sendo a primeira relacionada aos lançamentos decorrentes da suspensão da imunidade (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) cujo mérito será analisado no processo n° 10580.722802/201024 que tramita apensado ao processo ora em análise, e a segunda vinculada ao Ato Declaratório n° 11, cuja matéria será a seguir analisada. Integra, ainda, o presente PAF, 04 pedidos de afastamento de responsabilização solidária e impugnações aos lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 2.446 a 2.553), protocolados por Vanda Raymunda Pereira, Margarida Neves de Almeida, Marcos de Paiva Silva e Célia Pereira dos Santos, matéria cujo mérito, será tratado no processo referente aos lançamentos (Processo n° 10580.722802/201024). Em sua defesa de fls. 2.433 a 2.444, a Impugnante apresenta as seguintes alegações: "O primeiro passo é delimitar a defesa ao Ato Declaratório Executivo que suspendeu, ou pretendeu suspender a imunidade da Recorrente, qual seja, ao imposto de renda da pessoa jurídica a que se refere, à Constituição Federal de 1988, no art. 150, VI, alínea "c" e a norma adjetiva esculpida o art. 32, da Lei 9.430, de 1996”; "Fixado os limites da lide, a alegação inicial e preliminar é de nulidade do ato declaratório executivo, nos termos seguintes. A Lei 9.430 de 1996, na parte de que trata da suspensão do benefício da imunidade, artigo 32, parágrafo 3°, traz a seguinte dicção”: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do beneficio, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. "O texto identifica a autoridade com competência legal para assinar e mandar publicar a decisão sobre o caso de suspensão de imunidade, que na espécie é uma Delegada, conforme indicação que consta do site da Receita Federal, cujo cargo é privativo de Auditor Fiscal”; "No entanto, a assinatura que consta do Ato Declaratório é de Servidor que não identifica o cargo, não diz a matrícula e nem informa se sua assinatura decorre de delegação de competência. Enfim, o ato é nulo pela falta de competência legal, sua Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 17 16 identificação, ou seja, não possui os requisitos essências de validade do ato administrativo”; "A segunda preliminar é em razão da ADIN.18023, cujo teor é o seguinte”: O Tribunal por unanimidade deferiu, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação, a vigência do § 1° e a alínea f do § 2 °, ambos do art. 12, do art. 13, caput e do art. 14, todos da Lei n° 9532, de 10/12/97, e indeferindoo com relação aos demais. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros Marco Aurélio, Sidney Sanches e Celso de Mello, Presidente. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Velloso, Vice Presidente. Plenário, 21/08/1998. "Como se verifica, a Suprema Corte, em sede de ação declaratória de inconstitucionalidade, mediante antecipação cautelar, suspendeu a vigência dos artigos de lei que menciona. Ao suspender a vigência do art. 14, a decisão antecipatória cautelar por questão de causa e efeito, suspendeu também todo o artigo 32, da Lei 9.430, que abaixo se reproduz parcialmente”; "Da representação fiscal e do despacho anexo ao ato declaratório expedido constam, expressamente os enunciados acima descritos, cuja vigência está suspensa por força de cautelar em sede de ação de inconstitucionalidade, Adin 1802 3”; "Suspensa a vigência do enunciado da lei, o efeito, sobretudo em matéria tributária, é sobrestar os lançamentos de constituição de créditos tributários já efetuados em data anterior à publicação da sentença e proibir qualquer procedimento preparatório ao lançamento, como o efetuado aqui, indevidamente. Tal proibição não decorre de mera interpretação da Recorrente. Ao invés, é por determinação da Lei 9.868, de 1999”. "Não é necessário ser expert para compreender que a medida cautelar deferida guarda efeito erga omnes, a partir da publicação da sentença (ex tunc). Sendo assim, não é difícil concluir que o crédito lançado e os pendentes de aperfeiçoamento em tramite no ambiente administrativo ficarão paralisados no aguardo da decisão judicial final”; "Quanto aos eventos que subsumem a hipótese de incidência não podem ser lançados uma vez que a lei autorizadora encontrase com sua vigência suspensa no aguardo de decisão final, sob pena de tornar letra morta a lei acima transcrita e a decisão da Suprema Corte”; "Por oportuno, vale ressaltar que a Delegacia de Salvador não apenas desobedeceu a Corte Suprema e lançou o crédito a partir de norma suspensa, como também avançou indevidamente, ao lançar multa de ofício, omitindo o sobrestamento do lançamento.Três ilegalidades, em um só ato”; Fl. 3262DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 18 17 "Com efeito, a autuação fiscal invocou a norma suspensa pela Suprema Corte como lançou multa de ofício, apesar de proibida por lei e incluiu no auto de infração as contribuições sociais, sem autorização, uma vez que não estas exações não constam do ato executivo”; "Por fim, quer a Recorrente que sejam considerados todos os termos e argumentos trazidos na manifestação inicial, datada de 05 de março de 2010, como se aqui estivessem escritos em razão da Delegacia de Salvador não ter considerado nem debatido qualquer dos pontos controvertidos nela (impugnação inicial da suspensão da imunidade), atentando contra os direitos e garantias fundamentais do devido processo legal, da ampla defesa, da prestação jurisdicional completa (também aplicável ao foro administrativo) e ninguém ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei Const. Fed., art. 5°, LIV, LV, XXXV e II)”; Em suas considerações finais alega que "a diretora Célia Pereira dos Santos jamais foi remunerada pela Impugnante no decorrer de seu mandato de diretora. Como ela era empregada, antes de ser eleita diretora pela Assembléia Geral, seu contrato de trabalho foi regularmente extinto, como prova a xerox do TERMO DÈ RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO devidamente homologado cuja juntada ao processo administrativo é requerida, sendo que a expressão pecuniária de seus direitos trabalhistas pecuniários decorrentes só lhe foram pagos quando ela, Célia Pereira dos Santos, já era diretora da Impugnante. Assim, não houve pagamento ilícito da Impugnante a Célia Pereira dos Santos, como supõe a autuação fiscal, em mais um equívoco, a ser corrigido ao ser provido o recurso”; "Uma instituição de assistência social obter renda ou receita, aplicada integralmente na assistência social, sua fina1idade social, como é o caso concreto mediante a prestação de serviços ou produção de bens que seriam mercantis, se prestados por empresa, não constitui infração das disposições constitucionais e legais às quais a instituição de assistência social está subordinada"; "Se o entendimento da autuação fiscal prevalecesse, não haveria instituição de assistência social que não tivesse a imunidade suspensa. Ao contrário, exatamente, o Supremo Tribunal Federal, a Corte Constitucional do país, na configuração constitucional do Poder Judiciário, há mais de década assentou a imunidade dos alugueis recebidos por Santa Casa de Misericórdia, pela locação de seus inúmeros imóveis, porque renda ou receita destinada a lhe prover a existência, assegurandolhe, destarte, o cumprimento de sua finalidade de assistência social. O caso, mutatis mutandi, da Impugnante, em seu contrato com uma entidade da administração estadual descentralizada. Se esta se houve mal, é matéria de economia interna do Estado da Bahia. A ingerência do fisco federal nessa questão atenta contra a autonomia federativa (Const: Fed., arts. 1° e 18). É irrelevante a instituição de assistência social prestar Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 19 18 serviços ou produzir bens próprios da atividade empresarial, obtendo renda ou receita que seria empresarial, não fosse prestada por ela, desde que a renda ou receita obtida com esses serviços ou produtos seja totalmente aplicada em sua finalidade social. Como é o caso concreto. Tanto que a autuação fiscal não suspendeu a imunidade porque a renda ou receita obtida com os serviços prestados e os bens produzidos pela Impugnante não teriam sido integralmente aplicados em sua finalidade social”; "Ante o exposto, a Recorrente requer o provimento do recurso, sendo o ato declaratório executivo anulado, ou cancelado vez que afronta as razões de fato e os fundamentos de direito apontados no recurso, assim resumidos: nulidade do ato devido à falta da assinatura da Delegada, ou, ainda, pela falta de identificação funcional do Servidor que o assinou e a não indicação da delegação; pela invocação, como se fundamentos, de normas com vigência suspensa em sede de medida cautelar com efeito contra todos ex nunc”. Conforme mencionado no início deste relatório, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório n° 11/2010, mantendo a suspensão da imunidade tributária da entidade em relação ao imposto de renda IRPJ e contribuições sociais. Em 11/04/2012, a pessoa jurídica apresentou o recurso voluntário de fls. 2853 a 2866, objetivando novamente reverter o ato de suspensão de imunidade. Em 04/12/2012, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF exarou o Acórdão nº 1802001.465, decidindo não tomar conhecimento do recurso voluntário por considerálo intempestivo, nos termos do seguinte voto: Admissibilidade do Recurso Voluntário O recorrente foi intimado da decisão da DRJ, por via postal (fls. 3214), no dia 08/03/2012 (dia útil) sendo certo que o Recurso Voluntário foi protocolado no dia 11/04/2012, ou seja, após o prazo estipulado no artigo 33 do Decreto n°. 70.235/72, que é de 30 dias contados após a intimação da decisão de primeira instância. Assim, o presente recurso é intempestivo, vez que protocolado fora do prazo previsto na legislação. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, mantendo a decisão da DRJ de Juiz de Fora. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator O processo foi enviado à Delegacia de origem para seguir o seu curso normal (para que fosse dada ciência da decisão do CARF à interessada, etc.), mas na seqüência os autos foram devolvidos ao CARF com o Despacho de fls. 3244: Fl. 3264DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 20 19 Tendo em vista que o recurso voluntário interposto no processo n° 10580.722802/201024, ora apensado a este, encontrase pendente de apreciação, retornamos os processos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise, observado o despacho de encaminhamento Secat n° 0701/2013 juntado àquele processo. O processo nº 10580.722802/201024, que está apensado ao presente, trata do lançamento realizado para a constituição de créditos tributários que surgiram em decorrência da suspensão da imunidade. A primeira observação feita pela Delegacia de origem foi no sentido de que o processo apensado, que trata das exigências fiscais decorrentes da suspensão da imunidade, também deveria ter sido julgado pelo CARF. Além disso, a Delegacia de origem chama a atenção para “o despacho de encaminhamento Secat n° 0701/2013 juntado àquele processo”, com o seguinte conteúdo: PROCESSO N°: 10580.722802/201024 INTERESSADO: ORGANIZAÇÃO DE AUXÍLIO FRATERNO DESPACHO SECAT N.° 0701/2013 Tendo em vista o aviso de recebimento AR , de fl. 3353, referente à ciência do Acórdão DRJ/SDR n° 1526.318, estar com a data de recebimento omitida e considerando o art. 23, §2°, inciso II do Decreto n° 70.235/72, consideramos feita a intimação, s.m.j., em 23/03/2012, considerando a data de expedição em 08/03/2012. Tendo em vista, ainda, o recurso voluntário interposto pelo contribuinte às fls. 2953/2997, encaminhamos o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este é o Relatório. Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 21 20 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Conforme relatado, este processo trata de Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade Tributária. Aos presentes autos está apensado o processo nº 10580.722802/201024, que trata do lançamento realizado para a constituição de créditos tributários que surgiram em decorrência da suspensão da imunidade. O recurso voluntário apresentado nestes autos foi objeto de uma decisão anterior exarada por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão nº 1802001.465, de 04/12/2012, ocasião em que o referido recurso foi considerado intempestivo. Não houve decisão para o processo apensado, e os autos foram encaminhados à Delegacia de origem. Na seqüência, a Delegacia de origem devolveu os autos ao CARF, chamando a atenção para a falta de julgamento do processo apensado, e também destacando informação que descaracteriza a intempestividade declarada por este colegiado. O “despacho de encaminhamento Secat n° 0701/2013” contido no processo nº 10580.722802/201024 (apensado ao presente) evidencia que a ciência das decisões de primeira instância administrativa (nos dois processos) ocorreu em 23/03/2012, e não em 08/03/2012, que seria a data de expedição das correspondências que comunicavam tais decisões. Importante destacar que o AR mencionado no despacho de encaminhamento do processo 10580.722802/201024 ao CARF possui exatamente as mesmas características do AR que embasou a decisão de intempestividade proferida por este colegiado no processo sob exame. É que as ciências das decisões de primeira instância administrativa exaradas tanto no processo que trata da suspensão de imunidade (agora sob exame), quanto no processo que trata dos créditos tributários decorrentes dessa suspensão (processo apensado), foram dadas conjuntamente, encaminhadas pelo mesmo emissário e recebidas pela mesma pessoa do mesmo modo, ou seja, sem aposição da data de recebimento da correspondência. Considerado o dia 23/03/2012 como sendo a data de ciência das decisões de primeira instância administrativa, nos termos da regra contida no art. 23, § 2°, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, fica afastada a intempestividade do recurso voluntário objeto dos presentes autos. Nesses termos, a decisão anterior proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, Acórdão nº 1802001.465, de 04/12/2012, padece do vício de nulidade, eis que ao não tomar conhecimento do recurso voluntário, por uma errônea Fl. 3266DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 22 21 constatação de intempestividade, incorreu em cerceamento de direito de defesa, e, por isso, deve ser anulada. Conforme já mencionado, este colegiado, após exarar o referido Acórdão nº 1802001.465, em 04/12/2012, encaminhou os autos à Delegacia de origem sem julgar o recurso voluntário contido no processo 10580.722802/201024 (apensado ao presente), o que também motivou o retorno dos autos ao CARF. A apensação daquele outro processo (que trata das exigências fiscais propriamente ditas) a este se deu justamente para que eles fossem julgados conjuntamente, principalmente porque há fatos e matérias que servem de fundamento tanto para a suspensão da imunidade, quanto para o lançamento dos créditos tributários que dela decorreram. É o caso p/ ex. da falta de apresentação de livros, que implicou tanto na suspensão da imunidade quanto no arbitramento dos lucros; e da constatação do exercício de atividades estranhas ao objeto social, que implicou tanto na suspensão da imunidade quanto na qualificação da multa dos autos de infração. Além disso, as questões jurídicas suscitadas abrangem igualmente as duas situações suspensão de imunidade e exigência dos tributos, de modo que após a anulação da decisão anterior proferida por este colegiado, cabe realizar um novo julgamento, desta vez para os dois processos. Ocorre que a controvérsia no processo 10580.722802/201024 abrange créditos tributários no montante de R$ 16.330.907,92 (rubrica principal e multa). O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, limita a competência das Turmas Especiais em razão dos valores discutidos no processo: Art. 2° Ficam criadas no CARF 21 (vinte e uma) turmas especiais temporárias § 1° As turmas especiais de que trata o caput serão instaladas no ato de designação dos respectivos conselheiros. § 2° A competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância. Este limite atualmente é dado pela Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, que define os valores sujeitos a recurso de ofício pelas Delegacias de Julgamento: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 10580.720882/201083 Acórdão n.º 1802002.376 S1TE02 Fl. 23 22 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Nesses termos, como os créditos tributários a serem examinados superam o limite acima referido, os dois processos em questão devem ser redistribuídos para uma das Turmas Ordinárias desta mesma Primeira Seção do CARF. Diante do exposto, voto no sentido de ANULAR a decisão anteriormente proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Acórdão nº 1802001.465, de 04/12/2012, que concluiu indevidamente pela intempestividade do recurso voluntário apresentado no presente processo, e declinar da competência para o julgamento dos processos em questão (10580.720882/201083 e 10580.722802/201024), que devem ser redistribuídos para uma das Turmas Ordinárias desta mesma Primeira Seção do CARF, em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 3268DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.724559/2014-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS.
A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora.
No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação.
Tratando-se de prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. Inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 111/2014.
Numero da decisão: 1301-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Tratando-se de prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. Inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 111/2014.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Tratandose de prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. Inteligência da Solução de Consulta Cosit nº 111/2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 45 59 /2 01 4- 39 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 405 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 406 3 Relatório CONSTRUTORA BARBOSA MELLO SA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1459.114 da 5ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 7.033.231,37, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 2.531.963,30, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 9.565.194,67(fl. 02), em razão de adição ao lucro líquido do período relativo a glosa de receita não dedutível na determinação do lucro real, relativa à perda no recebimento de créditos sem garantia. Conforme Termo de Verificação Fiscal, relata a fiscalização que através de Termo de Início de ação Fiscal foi solicitada documentação contábil/fiscal relativa à conta contábil "11202003950 Obra 193 UTG Petrobrás", como contrato de prestação de serviço, planilhas de medições e Notas Fiscais emitidas, inclusive canceladas. A fiscalizada atendeu apresentando as notas fiscais e respectivas medições, cópia do razão da conta contábil referida e cópia do Contrato de Prestação de Serviços entre Alusa Engenharia Ltda e Construtora Barbosa Mello S/A. Em síntese, a fiscalização constatou que houve contrato prévio de prestação de serviço, estando presente o vínculo obrigacional, com a efetiva prestação de serviço, conforme a própria empresa declarou. Aduz que conforme cláusula 2.2 do contrato de serviço, está previsto que a Nota Fiscal só poderia ser emitida após o aceite da medição indicando que o serviço foi prestado e de maneira correta. Que a fiscalizada ao concordar com o tomador de serviço em cancelar as Notas Fiscais, acabou por cancelar suas duplicatas e desistiu da cobrança dos títulos de crédito preferindo não prosseguir com o protesto e eventual ação de execução que lhe era de direito. Intimada a informar se houve tentativa de cobrança destes serviços prestados e se houve alguma contestação da não aprovação dos boletins de medições, a mesma declarou que não iniciou nem manteve nenhum procedimento judicial para o recebimento. Reproduz a declaração do contribuinte de que os custos nos boletins de medição 08, 09, 10 e 11 efetivamente foram prestados e incorridos e que houve várias tentativas amigáveis de aceitação das medições, sendo que o cliente não acatou a medição e solicitou cancelamento das notas. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 407 4 A autoridade autuante informa também que correspondência da tomadora Alusa Engenharia informa apenas a devolução das notas fiscais para cancelamento e nova emissão. Entretanto, a "nova emissão" não ocorreu. Relata que os prejuízos operacionais existentes em 2011 foram compensados na autuação, bem como base de cálculo negativa e do ajuste no Lalur parte B. Finaliza informando que os lançamentos de baixa dos créditos constantes das NF/Faturas n° 442, 443, 444 e 445, em contrapartida de estorno na conta 31101010101 "Obras" Grupo Receitas Operacionais não é admitida na apuração do Lucro Real, por determinação expressa do art. 9° da Lei 9.430/96, sendo que a fiscalizada não efetuou a devida adição ao Lucro Líquido nos termos do DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°, § 2°. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou em 07/07/2014, impugnação ao lançamento, alegando em síntese, que: PRELIMINAR Em preliminar que o "contribuinte nunca, jamais fez lançamento de provisão para perdas no recebimento de créditos, MAS ESTORNO DA CONTA DE RECEITAS OPERACIONAIS, a débito da conta 31101010101, como cancelamento de serviços prestados". Não corresponde o procedimento com a hipótese legal prevista na lei de regência, ressaltandose que vendas canceladas correspondem a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços (redução da receita), e não a despesas incorridas como pretendeu a fiscalização, que considerou absurdamente o cancelamento da receita como despesa não dedutível. NO MÉRITO Da regularidade do cancelamento dos Serviços. O cliente Alusa Engenharia não deu aceite nas notas fiscais/faturas. Em correspondência de 06/01/2011 deixa claro a recusa das notas fiscais, por falta de boletim de medição aprovado. Em 16/03/2011, a Alusa peremptoriamente, afirma que "estou encaminhando as notas fiscais abaixo relacionadas para cancelamento", restando claro que o cliente nunca anuiu com o aceite das faturas/duplicatas e solicitou o cancelamento das notas fiscais. Conforme o item 1.2 do contrato de prestação de serviços firmado com a ALUSA a Impugnante "disponibilizará para as atividades de gestão, pessoal técnico, equipamentos e ferramentas, em comum acordo com a ALUSA para a fiel execução deste contrato". Entretanto, a mera disponibilização de pessoal, equipamentos e ferramentas (que geraram as despesas incorridas), foi insuficiente para gerar "a fiel execução" das medições, objeto das notas fiscais canceladas. O Cliente Alusa não aceitou e muito menos as assinou pelo simples fato de discordar com as medições que deram origem às mesmas. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 408 5 Conforme item 4.1 da da Instrução Normativa SRF 51, de 03 de novembro de 1978 "eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais". Cita Solução de Consulta Cosit n° 111, de 26/05/2014. O crédito contra o cliente não restou consolidado e constituído, eis que faltou sua anuência na medição e não outorgou aceite nas duplicatas emitidas, motivo pelo qual o procedimento correto efetuado pelo contribuinte foi aquele de estornar das receitas o valor dos serviços cancelados, tudo em perfeita sintonia com a doutrina citada no auto de infração e com o entendimento consubstanciado na Solução de Consulta COSIT n° 111 , de 26/05/2014. Aduz que no cumprimento de seu dever fiscalizatório seria imprescindível a autoridade fiscal intimar a ALUSA para prestar todos os esclarecimentos necessários à elucidação dos fatos por ele contextualizados no Auto de Infração, ora impugnado. Requer por fim, em preliminar a declaração de nulidade do Auto de infração por errônea capitulação legal ou acolhimento das razões de mérito. Analisando a impugnação apresentada o colegiado a quo julgoua improcedente, considerando que os valores em discussão referiamse a perdas no recebimento de crédito e, que, portanto, para sua dedução na apuração do lucro real seria necessário o cumprimento do disposto nos artigos 9º e 10 da Lei nº 9.430/96. A Interessada foi intimada da decisão em 02 de setembro de 2015 (fl. 336), apresentando em 24 de setembro de 2015 (fl. 337) recurso voluntário de fls. 338347. A Recorrente reafirma os termos de sua impugnação, trazendo argumentos também em relação à suposta nulidade da decisão de primeira instância. Em apertado resumo, argui a nulidade do lançamento em razão de jamais ter efetuado o registro de perda no recebimento de créditos mas sim de estorno da conta de receitas operacionais (cancelamento de receitas indevidamente contabilizadas). No mérito, argui que o procedimento adotado está em total sintonia com a melhor técnica contábil, contando inclusive com pronunciamento da RFB na Solução de Consulta Cosit nº 111/2014 nos exatos termos levados a efeito pela Recorrente. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 409 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO 2.1 PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente argui a Recorrente a nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância, sob a alegação de que jamais fez lançamento de provisão para perdas no recebimento de créditos, mas estorno de receita operacional por cancelamento de serviços prestados, o que geraria a incorreta capitulação legal. Entendo que matéria levantada pela Recorrente diz respeito ao mérito da exigência, sendo analisada na sequência de meu voto. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. 2.2 MÉRITO Para a decisão recorrida, o serviço a que se referem as notas canceladas foi efetivamente prestado e Conforme Termo de Verificação Fiscal, relata a fiscalização que através de Termo de Início de ação Fiscal foi solicitada documentação contábil/fiscal relativa à conta contábil "11202003950 Obra 193 UTG Petrobrás", como contrato de prestação de serviço, planilhas de medições e Notas Fiscais emitidas, inclusive canceladas. A fiscalizada atendeu apresentando as notas fiscais e respectivas medições, cópia do razão da conta contábil referida e cópia do Contrato de Prestação de Serviços entre Alusa Engenharia Ltda e Construtora Barbosa Mello S/A. Observase que o Contrato de Prestação de Serviços entre a tomadora e a prestadora, comprova o vínculo obrigacional entre ambas, tendo como objeto a parceria com a empresa Alusa Engenharia na execução das obras no município de Anchieta ES referentes ao Contrato da UTG Sul Capixaba n° 0801.0036398.07.2, firmado pela Alusa com a Petrobrás. [...] Fl. 409DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 410 7 De posse dos boletins de medição, a fiscalização intimou através do Termo de Intimação Fiscal n° 04, de 16/04/2014, fls. 94, a contribuinte a informar quanto às medições ali descritas, se os custos listados e serviços descritos foram realmente prestados e incorridos. Intimou também a informar se a Construtora Barbosa tentou a cobrança destes serviços prestados e se houve alguma contestação da não aprovação dos boletins de medições, seja amigavelmente, extrajudicialmente, por via de arbitragem ou judicialmente. Em resposta a fiscalizada informou que: No presente caso além de não ficar demonstrado o motivo da recusa, outro elemento caracterizador da relação e vínculo obrigacional entre as empresas, são as Notas Fiscais n°s 2010/150 a 154, 189 e 239, as quais decorreram do mesmo contrato e não foram canceladas. Ademais, a impugnante admitiu que os custos foram incorridos e efetivamente prestados, portanto as despesas dedutíveis, concorreram na apuração do Resultado Fiscal. [...] Prestado o serviço objeto de comprovado vínculo obrigacional consubstanciado no contrato entre as partes, o contribuinte adquiriu disponibilidade jurídica sobre o rendimento tributável. Destaquese que na correspondência da Alusa, da data de 19/01/2011, a tomadora devolve as Notas para serem canceladas, e para "nova emissão", que segundo a fiscalização não ocorreu. Fato que também corrobora a ocorrência da prestação dos serviços. Também a impugnante declara que houve várias tentativas amigáveis de aceitação das medições, sendo que o cliente não acatou as medições e solicitou o cancelamento das notas. Observase que a recusa e tentativa ocorreu por várias vezes, fato que demonstra a convicção da qualidade de credora da Construtora Barbosa. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 411 8 Pois bem, conforme se observa, o litígio se resume a classificar valores deduzidos na determinação do lucro real como estorno de receita por cancelamento dos serviços (nos termos realizados pela Recorrente), ou por perda no recebimento de créditos, entendimento firmado pela autoridade fiscal autuante e confirmada pela decisão de primeira instância. Entendo que se faz necessária uma breve análise sobre o reconhecimento de receitas na prestação de serviços para verificar se os fatos em questão enquadramse ou não no conceito de “cancelamento de vendas/serviços”, e, em caso contrário, se tais deduções na apuração do lucro real seriam consideradas perdas no recebimento de créditos, dedutíveis somente nas hipóteses contidas nos artigos 9º e 10 da Lei nº 9.430/96. A esse respeito, transcrevo os itens do Pronunciamento Técnico CPC 30 (R1)1, cujo objetivo é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos (destaques não contidos no original): Prestação de serviços 20. Quando o desfecho de transação que envolva a prestação de serviços puder ser confiavelmente estimado, a receita associada à transação deve ser reconhecida tomando por base a proporção dos serviços prestados até a data do balanço. O desfecho de uma transação pode ser confiavelmente estimado quando todas as seguintes condições forem satisfeitas: (a) o valor da receita puder ser confiavelmente mensurado; (b) for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade; (c) a proporção dos serviços executados até a data do balanço puder ser confiavelmente mensurada; e (d) as despesas incorridas com a transação assim como as despesas para concluíla possam ser confiavelmente mensuradas. 21. O reconhecimento da receita com referência à proporção dos serviços executados relativos a uma transação é usualmente denominado método da percentagem completada. Por esse método, a receita é reconhecida nos períodos contábeis em que os serviços forem prestados. O reconhecimento da receita nessa base proporciona informação útil sobre a extensão da atividade e o desempenho dos serviços prestados durante o período. O Pronunciamento Técnico CPC 17 – Contratos de Construção também exige o reconhecimento da receita nessa mesma base. As exigências naquele Pronunciamento são geralmente aplicáveis ao reconhecimento da receita e aos gastos associados a uma transação que envolva a prestação de serviços. 22. A receita somente é reconhecida quando for provável que os benefícios econômicos associados à transação fluirão para a entidade. Porém, quando surja uma incerteza acerca da realização de valor já incluído na receita, o valor incobrável, ou o valor com respeito ao qual a recuperação tenha deixado de ser provável, é reconhecido como despesa, e não como ajuste (dedução) do valor da receita originalmente reconhecida. 23. A entidade geralmente é capaz de fazer estimativas confiáveis após ter concordado com os outros parceiros da transação a respeito do seguinte: 1 Nos termos da Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 02 de outubro de 2012) Fl. 411DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 412 9 (a) os direitos que cada uma das partes está habilitada a receber quanto ao serviço a ser prestado e recebido pelas partes; (b) a contraprestação a ser trocada; e (c) o modo e os termos da liquidação da operação. É também importante que a entidade tenha um sistema interno eficaz de orçamento e de relatórios financeiros. Tomando ambos por base, a entidade poderá revisar e, quando necessário, alterar as estimativas de receita à medida que os serviços estão sendo executados. A necessidade de tais revisões não é indício de que o término da transação não possa ser estimado confiavelmente. 24. A fase de conclusão da transação pode ser determinada por diversos métodos. A entidade dever escolher um que mensure confiavelmente os serviços executados. Dependendo da natureza da transação, os métodos podem incluir: (a) levantamento ou medição do trabalho executado; (b) serviços executados até a data, indicados como um percentual do total dos serviços a serem executados; ou (c) a proporção entre os custos incorridos até a data e os custos totais estimados da transação. Somente os custos que efetivamente possam ser identificados relativamente aos serviços executados devem ser incluídos nos custos incorridos até a data de mensuração. Da mesma forma, somente os custos que reflitam serviços executados ou a serem executados devem ser incluídos nos custos totais estimados da transação. Para efeitos de reconhecimento das receitas de prestação de serviços, os pagamentos parcelados e os adiantamentos recebidos de clientes não correspondem, necessariamente, aos serviços executados. 25. Para fins práticos, quando os serviços prestados correspondam a um número indeterminado de etapas, durante um período específico de tempo, a receita deve ser reconhecida linearmente durante tal período, a menos que haja evidências de que outro método represente melhor a fase da execução do serviço. Quando uma determinada etapa for muito mais significativa do que quaisquer outras, o reconhecimento da receita deve ser adiado até que essa etapa seja executada. 26. Quando a conclusão da transação que envolva a prestação de serviços não puder ser estimada confiavelmente, a receita somente deve ser reconhecida na proporção dos gastos recuperáveis. 27. Durante as primeiras fases da transação, é frequente ocorrer que a conclusão da transação não possa ser confiavelmente estimada. Contudo, pode ser provável que a entidade recupere os custos incorridos até aquela data. Dessa forma, a receita deve ser reconhecida somente na medida em que haja indícios consistentes de recuperação dos custos incorridos. Quando a conclusão da transação não puder ser confiavelmente estimada, não deve ser reconhecido qualquer lucro. 28. Quando a conclusão da transação não puder ser confiavelmente estimada e não for provável que os custos incorridos sejam recuperados, a receita não deve ser reconhecida e os custos incorridos devem ser reconhecidos como despesa. Quando deixarem de existir tais incertezas, a receita deve ser reconhecida de acordo com o item 20 e não de acordo com o item 26. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 413 10 Portanto, conforme se observa, tratandose de receita de prestação de serviços é necessário não só que haja medição dos serviços prestados, mas também que haja anuência do outro parceiro da transação, observandose o consignado em contrato. No mesmo sentido concluiu a Solução de Consulta Cosit nº 111, de 22 de abril de 2014, cuja ementa recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. REGIME DE COMPETÊNCIA. CANCELAMENTO DE NOTAS FISCAIS. NÃO REALIZAÇÃO DE RECEITAS. NÃO AUFERIMENTO DE RECEITA. VENDAS CANCELADAS. O fato gerador da Cofins no regime de apuração não cumulativa é o auferimento de receitas pelas pessoas jurídicas, o que ocorre quando as receitas são consideradas realizadas. A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Não integram a base de cálculo da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, as receitas referentes a vendas canceladas. No que diz respeito à prestação de serviços, vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado (no todo ou em parte), seja porque os serviços não foram prestados de acordo com o contrato, seja porque os serviços prestados, sem a sua anuência, não foram contratados, ou seja porque o valor cobrado não tem previsão contratual. Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (no todo ou em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não se consideram como receitas realizadas e, por conseguinte, como receitas auferidas. [grifos nossos] No regime de competência, o cancelamento de notas fiscais, seja no mês da prestação de serviço ou em outro mês qualquer, por si só, não afeta a ocorrência do fato gerador ou a apuração da base de cálculo da Cofins. Todavia, se as causas que motivarem tal cancelamento, configurarem vendas canceladas, o correspondente valor, registrado como receita de serviços, é passível de exclusão da base de cálculo dessa Contribuição no mês da devolução. DISPOSITIVOS LEGAIS: Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, arts. 3º e 4º, caput, e § 1º; Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, § 1º, “a” e “b”; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.1; Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 414 11 Vêse, claramente, que a própria Receita Federal entende que, em relação à prestação de serviços, "vendas" canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de serviços, fato que ocorre quando o contratante não concorda com o valor cobrado. A respeito desse pronunciamento da Cosit, argumentou o redator do voto condutor do aresto guerreado que se tratava de consulta referente à Cofins, não aplicável, portanto, aos aspectos ligados à aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de que trata o art. 43 do CTN para fins de ocorrência de fato gerador do IRPJ. Com a devida vênia, discordo de tal entendimento, pois se a base de cálculo do IRPJ, no caso concreto, é o lucro real, que tem como ponto de partida o lucro líquido contábil, apurado em Demonstração de Resultado de Exercício a partir da Receita de Vendas e/ou Prestação de Serviços, a ser registrada nos termos da legislação comercial, ora, não há como desatrelar o resultado da consulta exarada pela Cosit, que trata do registro de receitas, ao lucro real do contribuinte. Ressaltase, inclusive, que a própria RFB citou como dispositivo “legal” a justificar sua decisão a Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas (com a redação dada pela Resolução CFC nº 1.412, de 2, de outubro de 2012), item 21. Nessa mesma linha de raciocínio, nos fundamentos jurídicos de tal Solução de Consulta fazse menção à necessidade de observância da legislação comercial no que diz respeito à apuração do lucro real. Vejase: 9. Para solucionar essa consulta, tornase necessário definir o alcance do conceito “vendas canceladas”. De acordo com o item 4.1 da Instrução Normativa SRF nº 51, de 3 de novembro de 1978, que disciplina procedimentos de apuração da receita de vendas e serviços, para tributação de pessoas jurídicas, “vendas canceladas correspondem à anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços”. 10. De acordo com essa definição, valores que, em um dado momento foram registrados como receita mas que, em momento posterior, não forem assim reconhecidos, devem ter seus registros anulados. 11. Pois bem, tratandose de empresas tributadas com base no lucro real, como é o caso da consulente, a legislação tributária determina, na apuração do lucro líquido, a observância da legislação comercial e das disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, independentemente da forma societária adotada pela pessoa jurídica – arts. 247, § 1º, 248, 251 e 274, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (arts. 7º e 67, inciso XI, do DecretoLei nº 1.598, de 1977). O caput do art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, prescreve que a escrituração será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. O § 1º do art. 187, abaixo transcrito, explicita esse regime, ao afirmar que na determinação do resultado do exercício serão computadas as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda: Art. 187 . (...) (...) § 1º. Na determinação do resultado do exercício serão computados: Fl. 414DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 415 12 a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. (grifouse) Observese que, de acordo com o “Princípio da Competência” os efeitos das transações e outros eventos devem ser reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento, e pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas, consoante a Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, na redação dada pela Resolução CFC nº 1.282, de 28 de maio de 2010. Abro aqui um parêntese: as Soluções de Consulta, no âmbito da Receita Federal, possuem efeito vinculante desde a edição da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 20132. É certo que tal entendimento não possui qualquer efeito vinculante em relação a esta Corte Administrativa. Contudo, se o próprio ente tributante emite ato normativo interna corporis no mesmo sentido do entendimento da Recorrente, entendo que cabe ao órgão julgador somente homologar tal composição, pondo fim à lide. Obviamente, há se de analisar se os fatos tratados nos autos amoldamse à norma abstrata emitida pela RFB. Retornamse ao cerne do debate, em relação ao cancelamento de vendas, em consonância com o aqui já exposto, explanou a RFB por meio da Solução de Consulta Cosit nº 111/2014 que [...] pode ocorrer de o contratante não realizar o pagamento, seja porque tenha problemas financeiros, seja porque simplesmente não queira pagar o valor contratado. Mas o fato é que, independentemente desse percalço financeiro, nesse caso, a receita deve ser reconhecida e seu registro deve ser realizado. Ressaltese que o reconhecimento de receitas prescinde de que a quitação se efetive. 16. Ademais, observese que, nesse caso, se a empresa é tributada pelo regime de competência, terá ocorrido, inclusive, o fato gerador da Cofins. Na tributação por esse regime o pagamento não é elemento essencial para a ocorrência do fato gerador; uma vez prestado o serviço, com a anuência do tomador e o compromisso contratual (seja escrito ou verbal) deste de pagar o preço acertado, aperfeiçoase o negócio jurídico e o prestador passa a ter o direito de receber o seu pagamento. Em outras palavras, a receita é considerada auferida. De acordo com tal entendimento, resta claro que, se a receita for considerada auferida, o não recebimento não será considerado como cancelamento de venda/serviços. Nessa hipótese, em relação aos valores deduzidos pela Recorrente, estaria correto o entendimento da Fiscalização quanto à característica de “perda no recebimento de créditos”. Contudo, a própria RFB esclarece ser distinta a situação quando o valor não é pago porque o contratante não aceita o serviço: 17. Situação diferente dessa (contratante inadimplente) ocorre quando o contratante não paga o valor cobrado pelo contratado porque não aceita o serviço 2 Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1434, de 30 de dezembro de 2013) Fl. 415DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 416 13 (seja porque o serviço não foi contratado, seja porque o serviço não foi executado conforme previsão contratual). Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (seja no todo, seja em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não podem ser considerados como receitas realizadas. Por essa razão esses valores registrados devem ser anulados e considerados como vendas canceladas, nos termos do item 4.1 da Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978. A propósito, em situação idêntica, assim já se manifestara a Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 20 de janeiro de 2004: Artigo único. Os valores glosados pela auditoria médica dos convênios e planos de saúde, nas faturas emitidas em razão da prestação de serviços e de fornecimento de materiais aos seus conveniados, devem ser considerados vendas canceladas para fins de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Resta, portanto, analisar o instrumento contratual a que se referem as notas objeto de cancelamento, a fim de se verificar se a forma adotada pela Recorrente em cancelar as notas fiscais de prestação de serviço estão com consonância com o contrato firmado. Em primeiro lugar, há de se ressaltar que o art. 597 do Código Civil dispõe, em regra, que a retribuição pagarseá depois de prestado o serviço. No contrato em questão, há cláusula específica que determina em que situações será realizado o pagamento pela prestação de serviço, e, mais especificamente, em que hipótese esse será considerado efetivamente prestado. Por oportuno, reproduzo a Claúsula 2ª do contrato em questão ("Da Remuneração e Forma de Pagamento"), com os destaques por mim apostos: Conforme se observa não bastaria tão somente o “boletim de medição” para que a fatura fosse emitida, havendo previsão contratual expressa no sentido de que a fatura somente poderia ser emitida após a aprovação de tal medição por parte da contratante (“ALUSA”). Por consequência, se a Recorrente já havia emitido a nota fiscal referente à prestação de serviços, escriturando as receitas correspondentes, em razão da desaprovação por Fl. 416DF CARF MF Processo nº 15504.724559/201439 Acórdão n.º 1301002.509 S1C3T1 Fl. 417 14 parte da contratante, mostrase absolutamente correto o procedimento adotado pela Interessada ao cancelar as receitas correspondentes, implicando, assim, a exoneração total do crédito tributário constituído, aplicandose à CSLL o mesmo entendimento aqui firmado, uma vez que o ponto de partida de sua apuração, no lucro real, é o lucro líquido apurado nos termos da legislação comercial. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 417DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728610/2012-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2008
IPI. FILIAL ATACADISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INEXIGIBILIDADE.
As saídas para filiais atacadistas como também para todos os estabelecimentos equiparados à industrial pela aplicação do artigo 9º, inciso III, do RIPI/2002, não se sujeitam ao valor tributável mínimo, por força no disposto no item 4 da IN SRF nº 87/89.
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: 9303-005.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 IPI. FILIAL ATACADISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INEXIGIBILIDADE. As saídas para filiais atacadistas como também para todos os estabelecimentos equiparados à industrial pela aplicação do artigo 9º, inciso III, do RIPI/2002, não se sujeitam ao valor tributável mínimo, por força no disposto no item 4 da IN SRF nº 87/89. Recurso Especial do Contribuinte Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 86 10 /2 01 2- 43 Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 9303005.437 CSRFT3 Fl. 1.023 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3201001.540, de 29/01/2014, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte que interessa ao presente exame: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Todos os fatos observados pelo Fisco foram cuidadosamente relatados no Termo de Verificação Fiscal construído como parte integrante do auto de infração do qual tomou ciência a autuada por meio de sua procuradora. IPI. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Eventual direito à compensação de IPI deve ser apreciado em procedimento administrativo próprio, não sendo possível a compensação de ofício por meio de Auto de Infração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. OBRIGATORIEDADE. A partir da alteração do artigo 74 da Lei 9.430/96 pelo artigo 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002 a compensação somente se efetua mediante a entrega, pelo sujeito passivo, da Declaração de Compensação DCOMP, na qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. IPI. FILIAL ATACADISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INEXIGIBILIDADE PARA DETERMINADOS PRODUTOS. À exceção dos produtos classificados na posição NCM 3401, as saídas para filiais atacadistas como também para todos os estabelecimentos equiparados não se sujeitam ao valor tributável mínimo por força no disposto no item 4 da IN SRF nº 87/89. RO Provido em Parte e RV Negado A matéria de fundo trazida nos autos referese a auto de infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado, para a exigência do crédito tributário relativo ao imposto sobre produto industrializado nas saídas de mercadorias de estabelecimento filial, Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 9303005.437 CSRFT3 Fl. 1.024 3 equiparado a industrial, pela aplicação do Valor Tributável Mínimo (VTM), na forma do art. 136, inciso II, do Decreto 4.544/2002 (RIPI/2002). A turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso de ofício para reformar parcialmente a decisão de primeira instância, mantendo a cobrança do IPI nas operações de transferência entre a filial autuada e a matriz da Recorrente, apenas em relação aos produtos classificados na posição NCM 3401, por entender que a estes produtos não se aplicaria o disposto no item 4 da IN SRF 87/1989; e por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário para manter as cobranças do IPI relativas às operações de transferência entre a filial autuada e as demais filiais varejistas da Recorrente. O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência quanto à inaplicabilidade do Valor Tributável Mínimo nas saídas de produto da filial para a matriz e quanto à possibilidade de abatimento (compensação) no auto de infração de valores indevidamente recolhidos. O Recurso Especial foi parcialmente admitido apenas quanto à matéria relativa à aplicabilidade do Valor Tributável Mínimo nas saídas do produto classificado na posição NCM 3401, do estabelecimento filial para a matriz, conforme despacho de admissibilidade às fls. 977 a 981, ratificado pelo despacho de reexame às fls. 982/983. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 985 a 990. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi parcialmente admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF e ratificado pelo Presidente da CSRF. Conforme relatado, o Sujeito Passivo apresentou seu recurso especial em 13/5/2015, suscitando divergência quanto às seguintes matérias: (i) inaplicabilidade do Valor Tributável Mínimo nas saídas de produto da filial equiparada a industrial para a matriz, por força do item 4 da IN SRF 87/1989; e (ii) possibilidade de abatimento (compensação) no auto de infração de valores indevidamente recolhidos. Apenas a primeira matéria foi admitida. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que o valor tributável mínimo VTM, seria aplicável ao produto classificado na posição NCM 3401, remetido pela filial equiparada à industrial ao estabelecimento matriz, em razão de não se encontrar relacionado na lista do Anexo III, a que se refere o art. 7º da Lei nº 7.798/1989, no acórdão paradigma o colegiado entendeu que a equiparação à estabelecimento industrial seria suficiente para o contribuinte desobrigarse da aplicação do VTM. A segunda matéria foi inadmitida pela constatação de que os acórdãos paradigmas (Acórdãos 340300.522 e CSRF/0304.745) tratavam de situações fáticas e Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 9303005.437 CSRFT3 Fl. 1.025 4 jurídicas diferentes daquela analisada no acórdão recorrido, o que impossibilitou concluir pela existência de divergência jurisprudencial. Diante da comprovação parcial do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço parcialmente do recurso, apenas quanto à matéria relativa à aplicabilidade do Valor Tributável Mínimo nas saídas do produto classificado na posição NCM 3401, do estabelecimento filial para a matriz. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso de ofício para manter o lançamento efetuado referente aos produtos classificados na posição NCM 3401, por entender que sobre tais produtos não se aplicaria o item 4 da Instrução Normativa SRF nº 87, de 1989, que assim dispõe: 4. A equiparação a contribuinte do imposto, decorrente da aplicação ou não do disposto no artigo 7º da Lei nº 7.798/89, desobriga o estabelecimento industrial remetente dos produtos a atender os limites mínimos estabelecidos no artigo 68, I "a" do RIPI/82, cujo valor tributável será o preço da operação de que decorrer o fato gerador, salvo quanto aos produtos incluídos no regime de que tratam os artigos 1º e 3º da referida Lei nº 7.798/89. Assim dispõe o artigo 7º da Lei nº 7.798/89: Art. 7º. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III, de estabelecimentos industriais ou dos seguintes estabelecimentos equiparados a industrial: I estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira; II filiais e demais estabelecimentos que exerçam o comércio de produtos importados ou industrializados por outro estabelecimento da mesma firma; III estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante a remessa, por eles efetuadas, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; e IV estabelecimentos comerciais de produtos do capítulo 22 da TIPI, cuja industrialização tenha sido encomendada a estabelecimento industrial, sob marca ou nome de fantasia de propriedade do encomendante, de terceiro ou do próprio executor da encomenda. Entendeu a turma a quo que tal situação abrangeria apenas os produtos relacionados no Anexo III da Lei nº 7.798, de 1989: 2106.90.01, 2202, 2203, 2204, 2205, 2206, 2208, 3301.90.03, 3303, 3304, 3305, 3306, 3307, 4011, 4012, 4013, 9612 (exceto 9612.20) e 9613. Como, no caso concreto, os produtos transacionados entre a filial autuada e a matriz foram classificados nas posições NCM 3303, 3304, 3305, 3307 e 3401, excetuariase da Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 9303005.437 CSRFT3 Fl. 1.026 5 previsão legal os produtos classificados na posição 3401, devendo ser observado o Valor Tributável Mínimo na saída de tais produtos entre a filial autuada e sua matriz. A recorrente alega que as operações de transferência entre a filial autuada e a matriz não se sujeitavam à aplicação do Valor Tributável Mínimo pela aplicação do disposto no item 4 da IN SRF 87/89, visto que a matriz era atacadista equiparada por força do artigo 9º, inciso III, do RIPI/2002, não pelo artigo 7º da Lei nº 7.798/89. Vejamos o disposto no inciso III, do artigo 9º do RIPI/2002: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: [...] III as filiais e demais estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte, salvo se aqueles operarem exclusivamente na venda a varejo e não estiverem enquadrados na hipótese do inciso II (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso II, e § 2º, Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª, e Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 37, inciso I); Assiste razão à recorrente. É fato incontroverso que a matriz é equiparada a industrial. Entretanto, sua equiparação deuse por força do artigo 9º, inciso III, do RIPI/2002, não do 7º da Lei nº 7.798/89, que estabelecia a equiparação aos produtos classificados posições NCM 2106.90.01, 2202, 2203, 2204, 2205, 2206, 2208, 3301.90.03, 3303, 3304, 3305, 3306, 3307, 4011, 4012, 4013, 9612 (exceto 9612.20) e 9613. No caso da recorrente não havia restrição à produtos em sua equiparação, não devendo ser aplicada a restrição à posição 3401 imposta na decisão recorrida. Entretanto, para a aplicação do disposto no item 4 da Instrução Normativa SRF nº 87/89, que expressamente determina que a equiparação a contribuinte do imposto desobriga o estabelecimento industrial remetente dos produtos a observar o Valor Tributável Mínimo, estabelece uma exceção: produtos incluídos no regime de que tratam os artigos 1º e 3º da Lei nº 7.798/89. Assim dispõe os referidos artigos: Art. 1º. Os produtos relacionados no Anexo I desta Lei estarão sujeitos, por unidade, ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI fixado em Bônus do Tesouro Nacional BTN, conforme as classe constantes do Anexo II. [...] Art. 3º O Poder Executivo poderá, em relação a outros produtos dos capítulos 21 e 22 da TIPI, aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988, estabelecer classes de valores correspondentes ao IPI a ser pago. E quais produtos seriam estes? Aqueles relacionados no Anexo I da Lei nº 7.798/89, que estavam sujeitos à incidência do IPI por unidade. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 12448.728610/201243 Acórdão n.º 9303005.437 CSRFT3 Fl. 1.027 6 Como os produtos transacionados entre a filial autuada e a matriz foram aqueles classificados nas posições NCM 3303, 3304, 3305, 3307 e 3401, não se aplica a exceção determinada pelo item 4 da Instrução Normativa SRF nº 87/89, permanecendo a previsão de não observação do Valor Tributável Mínimo nas remessas de produtos para contribuinte equiparado à industrial, como é o caso analisando no presente julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1027DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.720072/2007-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 27/09/2006, assim, muito antes do início da ação fiscal, ocorrido em 31/07/2007. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 27/09/2006, assim, muito antes do início da ação fiscal, ocorrido em 31/07/2007. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 00 72 /2 00 7- 45 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 173 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2101002.391, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 18 de fevereiro de 2014 (efls. 126 a 131). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). Por se tratar de áreas que independem do reconhecimento do Poder Público para a exclusão da base tributável, desnecessária a apresentação de ADA para o reconhecimento de APP declarada em DITR. Recurso Voluntário Provido Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a Área de Preservação Permanente de 183,8 hectares, nos termos do voto do relator. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 26/03/2014 (efl. 132), esta apresentou, em 29/04/2014 (efl. 151), Recurso Especial (efls. 133 a 142 e anexos), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 153 a 155. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 39100.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 39100.037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 174 3 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso Quanto à matéria em litígio, apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão de área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, se alega: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; b) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; c) A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. /2000. Os artigos 17 da IN/SRF nº 73/2000 e da IN/ SRF nº 60/2001, bem como o § 3º do art. 9º da IN/SRF nº 256/2002, ratificaram tal obrigação; Assim, defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 175 4 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; f) No caso concreto, o contribuinte não apresentou ADA ou o seu requerimento protocolados tempestivamente junto ao IBAMA, não atendendo, portanto, às exigências da legislação do ITR. Requer, assim, que seja conhecido o recurso, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 20/04/15 (efl. 159), esta ofereceu contrarrazões de efls. 161 a 168, onde: a) Defende que, ao contrário da tese recursal advogada pela Fazenda Pública, o Ato Declaratório Ambiental ADA, expedido pelo IBAMA, fazse prescindível para que seja reconhecido o direito à isenção do tributo para a área respectiva. A exigência perpetrada pelo fisco de apresentação do Ato Declaratório do IBAMA para reconhecimento da área de preservação permanente tem como alicerce normas secundárias emanadas da própria administração pública, que contrariam dispositivo da própria Lei n.° 9.393, de 1996, que regulamenta a exação lançada, que isenta o proprietário do imóvel do referido procedimento, bastando para que seja excluída a APP da base de apuração do ITR a simples declaração por parte do contribuinte. Isto porque, a Medida Provisória n.° 2.16667, de 2001, acrescentou o § 7o ao art. 10 da referida Lei n.° 9.393, de 1996, dispensando, a partir de então, o contribuinte da apresentação do ADA, emitido pelo IBAMA, para o fim de excluir da base de cálculo do ITR as chamadasÁrea de Preservação Permanente APP e Área de Reserva Legal Florestal. Entende que, a partir do advento da MP n.° 2.16667, o contribuinte está desobrigado da apresentação do ADA para fins de exclusão da área declarada como de preservação permanente da taxação pelo ITR; b) A tese advogada pelo fisco, na busca pela prevalência do lançamento, de que a MP n.° 2.16667, de 2001 teria dispensado o contribuinte apenas da comprovação da veracidade das declarações prestadas, mas não da apresentação do ADA é contraditória e não possui qualquer nexo, pois, tratase o ADA de ato administrativo cuja função consiste não só em reconhecer, mas, comprovar a existência da área de preservação permanente e de reserva legal declarados pelo contribuinte. Assim sendo, uma vez exonerados de comprovação, encontramse automaticamente dispensados por lei da apresentação do Ato Declaratorio expedido pelo IBMA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de apuração do ITR; c) Outrossim, sobre a aplicação do § 1o, do art. 17O, da lei n.° 6.938, de 1981, ressaltese que está tacitamente revogado, pelo § 7o, do art. 10, da Lei n.° 9.393, de 1996, inserido pela MP n.° 2.16667, de 2001, por versarem sobre a mesma matéria de forma antagônica, a teor do disposto no § 2o, do art. 2o, do DecretoLei n.° 4.657, de 1942, ou caso assim não entendam, resta no mínimo afastado pelo citado artigo da Lei n.° 9.393, de 1996, em razão do critério da especialidade, não se aplicando in casu; d) A exigência do ADA como condição para que se considere uma área como de preservação ambiental consiste em uma obrigação imposta pela administração ao arrepio de qualquer respaldo legal, pelo que teve sua ilegalidade reconhecida pela Corte Superior de Justiça, que reiteradamente vem ratificando em suas decisões a desnecessidade de apresentação de ato declaratório do IBAMA para exclusão da área de preservação da incidência do ITR. Pelo Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 176 5 art. 2o do Código Florestal, para que a área seja de preservação permanente basta que se enquadre nos requisitos previstos no dispositivo, independentemente de declaração do proprietário ou de reconhecimento do Poder Público; e) Atente ainda que o recorrido, malgrado estivesse desobrigado de comprovar a existência da área de preservação declarada, trouxe aos autos deste processo administrativo uma série de provas da APP, sendo averiguado, inclusive, em vistoria realizada por engenheiro agrônomo competente (laudo acostado na impugnação ao lançamento) a existência de uma área de preservação permanente maior do que a originariamente declarada. Dessa forma, existente a área de preservação permanente e assim declarada pelo contribuinte, não pode a simples inexistência do ADA gerar para o contribuinte a incidência do ITR sobre a área. Seria admitir que a simples inexistência do cumprimento do dever formal transforme a realidade fática da propriedade rural, que preserva permanentemente suas áreas ambientalmente importantes, não podendo estas serem tributadas; Requer, assim, que seja o recurso especial interposto impróvido em todos os seus termos, mantendose, na íntegra, o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 31/07/2007 consoante efl. 5; b) ADA/2006 efl. 40, contendo a área de Preservação Permanente em litígio de 183,8 ha., protocolizado em 27/09/2006; c) Laudo Técnico efls. 79 a 82 e ss. Limitado o litígio assim, à possibilidade de exclusão dos 183,8 ha. a título de área de preservação permanente (consoante demonstrativo de efl. 53), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 177 6 Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 178 7 da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte em 27/09/06 (e fl. 40), assim, posteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/05, consoante Instrução Normativa SRF no. 435, de 2004), mas anteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 31/07/07 (efl. 05). Quanto ao momento de entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 179 8 Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 180 9 que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10783.720072/200745 Acórdão n.º 9202005.694 CSRFT2 Fl. 181 10 Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA, contemplando a área de preservação permanente glosada de 183,8 ha. em litígio, foi entregue em 27/09/06 (e fl. 40), o requisito restou cumprido, assim, anteriormente ao início da ação fiscal (iniciada em 31/07/07, conforme efl. 5), sendo de se rechaçar a glosa da área de preservação permanente perpretada pela autoridade fiscal. De se manter, destarte, o reconhecimento da referida área como exclusão, na forma decidida pelo Colegiado a quo. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.721140/2015-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012, 2013
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA DE SIMULAÇÃO.
Não restando suficientemente comprovada a existência de simulação, permanece como válida alienação de imóvel rural tal como atestada pelas provas carreadas nos autos.
Numero da decisão: 2402-005.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA DE SIMULAÇÃO. Não restando suficientemente comprovada a existência de simulação, permanece como válida alienação de imóvel rural tal como atestada pelas provas carreadas nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 11 40 /2 01 5- 89 Fl. 493DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13830.721140/201589 Acórdão n.º 2402005.973 S2C4T2 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos exercícios 2013 e 2014 (fls. 338/353), face à apuração de omissão de ganhos de capital na alienação de imóveis. O relatório fiscal (fls. 345 e ss) descreve os fatos constatados, cabendo reproduzilo, no essencial: 2.2 FAZENDA ESTRELA DO SUL – 50% 2.2.1 Imóvel adquirido em 08/04/2010 de ITA AGROPECUARIA LTDA, CNPJ: 43.274.968/000119, pelo valor de R$ 9.063.000,00, sendo 9,65% (R$ 874.579,50) correspondente à terra nua e 90,35% (R$8.188.420,50) correspondente à pastagens e benfeitorias, conforme Contrato Particular de Compromisso de Venda e Compra, cuja Escritura Pública de Compra e Venda foi lavrada em 10/01/2011 pelo 4° Serviço Notarial e Registral de Títulos e Documentos da Comarca de Três Lagoas/MS – Livro 79, Fls. 33/40. 2.2.2 Em sua resposta o sujeito passivo alega que o imóvel foi vendido em 18/11/2011, pelo valor de R$ 12.400.000,00, para suas filhas Kelly Casagrande, Kenia Casagrande e Karol Casagrande Crepaldi e para seus sobrinhos Cláudio Luiz Casagrande Junior e Cassiano Casagrande, filhos de Cláudio Luiz Casagrande, proprietário de 50% do referido imóvel. Para comprovar sua alegação apresenta Contrato Particular de Compromisso de Venda e Compra datado de 18/11/2011, Escritura Pública lavrada em 17/02/2012 e comprovantes de recebimentos ocorridos entre 17/04/2012 a 02/09/2013. Alega ainda, não ter ocorrido ganho de capital uma vez que o imóvel foi adquirido antes da apresentação do DIAT 2010 e vendido após a apresentação do DIAT 2011, sendo que em ambos foram declarados valores idênticos. 2.2.3 Quanto aos recebimentos, verificamos tanto no contrato particular, quanto na escritura pública a previsão de que o valor de R$ 12.400.000,00 será pago em parcelas, da seguinte forma: a) R$ 3.250.000,00 a ser pago no dia 08/01/2013; b) R$ 3.000.000,00 a ser pago no dia 20/01/2014; c) R$ 3.100.000,00 a ser pago no dia 20/01/2015; d) R$ 3.050.000,00 a ser pago no dia 20/01/2016. 2.2.4 Para comprovar os recebimentos, o sujeito passivo juntou comprovantes relativos ao período de 17/04/2012 a 02/09/2013, sobre os quais tecemos os seguintes comentários: a) os comprovantes de pagamentos efetuados em 17/04/2012 (R$ 1.000.000,00), 20/07/2012 (R$ 1.000.000,00), 09/11/2012 (R$ 320.000,00), 26/11/2012 (R$ 414.054,14) e 02/09/2013 (R$ 1.500.000,00), tratamse de depósitos Fl. 495DF CARF MF 4 efetuados na conta bancária de Cláudio Luiz Casagrande, sócio do sujeito passivo, nos quais consta como depositante “o próprio favorecido”; b) os comprovantes de pagamentos efetuados em 22/08/2012 (R$ 1.000.000,00) e em 17/09/2012 (R$ 182.796,00) não demonstram o efetivo desembolso por parte dos compradores (filhos) e não são documentos hábeis para comprovar o efetivo pagamento; c) os comprovantes de 14/11/2012, no valor de R$ 2.520.000,00 referemse a doação feita pelo sujeito passivo para suas filhas, de crédito decorrente da alienação do imóvel adquirido pelas próprias filhas; d) os comprovantes de 07/12/2012, no valor de R$ 2.520.000,00 referemse a doação feita por Cláudio Luiz Casagrande, proprietário de 50% do imóvel Fazenda Estrela do Sul, para seus filhos, doação essa de crédito decorrente da alienação do referido imóvel, adquirido pelos próprios filhos. e) devemos destacar que o primeiro pagamento estava previsto somente para 08/01/2013, e o sujeito passivo tenta justificar o recebimento antecipado, com comprovantes que não se constituem em documentos hábeis para comprovar o pagamento feito pelos supostos compradores (filhos). 2.2.5 Na escritura pública lavrada em 09/10/2012 consta que a alienação feita pelos filhos dos proprietários, interpostos como adquirentes do imóvel rural, ocorreu em 16/08/2012, conforme Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra. Cabe observar que a venda foi efetuada por R$ 10.782.600,00, valor inferior ao de aquisição que foi de R$12.400.000,00. 2.2.6 Tanto no contrato particular de 18/11/2011, quanto na escritura pública lavrada em 17/02/2012, os compradores (filhos) autorizam os vendedores (pais) a fazer uso das pastagens do imóvel objeto da venda, até a data de 08/02/2013, ou seja, os filhos declararam aquisição por R$12.400.000,00 e ainda deixaram de explorar o imóvel por mais de um ano e ainda alegam pagamento antecipado da compra. 2.3 FAZENDA ESTRELA DO SUL II – 50% 2.3.1 Imóvel adquirido em 08/04/2010 de JOSE FRANCISCO DENALDI, CPF: 037.281.70844, pelo valor de R$1.007.000,00, sendo 77,96% (R$785.057,20) correspondente à terra nua e 22,04% (R$221.942,80) correspondente à pastagens e benfeitorias, conforme Contrato Particular de Compromisso de Compra e Venda, cuja Escritura Pública de Compra e Venda foi lavrada em 10/01/2011 pelo 4° Serviço Notarial e Registral de Títulos e Documentos da Comarca de Três Lagoas/MS – Livro 79, Fls. 27/32v°. 2.3.2 Em sua resposta o sujeito passivo alega que o imóvel foi vendido em 18/11/2011, pelo valor de R$1.400.000,00, para suas filhas Kelly Casagrande, Kenia Casagrande e Karol Casagrande Crepaldi e para seus sobrinhos Cláudio Luiz Casagrande Junior e Cassiano Casagrande, filhos de Cláudio Luiz Casagrande, proprietário de 50% do referido imóvel. Para comprovar sua alegação apresenta Contrato Particular de Compromisso de Venda e Compra datado de 18/11/2011, Escritura Pública lavrada em 17/02/2012 e comprovantes de recebimentos. Alega ainda não ter ocorrido ganho de capital uma vez que o imóvel foi adquirido antes da apresentação do DIAT 2010 e vendido após a apresentação do DIAT 2011, sendo que em ambos foram declarados valores idênticos. 2.3.3 Quanto aos recebimentos, verificamos tanto no contrato particular, quanto na escritura pública a previsão de que o valor de R$1.400.000,00 será pago em parcelas, da seguinte forma: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13830.721140/201589 Acórdão n.º 2402005.973 S2C4T2 Fl. 603 5 a) R$360.000,00 a ser pago no dia 08/01/2013; b) R$340.000,00 a ser pago no dia 20/01/2014; c) R$350.000,00 a ser pago no dia 20/01/2015; d) R$350.000,00 a ser pago no dia 20/01/2016. 2.3.4 Quanto aos comprovantes apresentados pelo sujeito passivo para justificar os recebimentos relativos à operação de venda, verificamos o seguinte: a) o valor de R$120.000,00 em 07/12/2012 referese a depósitos efetuados na conta bancária de Cláudio Luiz Casagrande, sócio do sujeito passivo, nos quais consta como depositante “o próprio favorecido”; b) os comprovantes de 20/12/2012 e de 21/12/2012, no valor total de R$900.000,00, que equivale a 64,28% do valor da venda, referese a doação feita pelo sujeito passivo e por seu sócio, para seus filhos, doação essa de crédito decorrente da alienação do referido imóvel, adquirido pelos próprios filhos. 2.3.5 Na escritura pública lavrada em 09/10/2012 consta que a alienação feita pelos filhos dos proprietários, interpostos como adquirentes do imóvel rural, ocorreu em 16/08/2012, conforme Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra. Cabe observar que a venda foi efetuada por R$1.217.400,00, valor inferior ao de aquisição que foi de R$1.400.000,00. 2.3.6 Tanto no contrato particular de 18/11/2011, quanto na escritura pública lavrada em 17/02/2012, os compradores (filhos) autorizam os vendedores (pais) a fazer uso das pastagens do imóvel objeto da venda, até a data de 08/02/2013, ou seja, os filhos adquiriram um imóvel por R$1.400.000,00 e ainda autorizaram os vendedores a continuar usufruindo do imóvel por mais de um ano, sem qualquer ônus, e ainda alegam pagamento antecipado da compra. 2.4 Por todo o exposto, constatamos que as vendas das FAZENDAS ESTRELA DO SUL E ESTRELA DO SUL II, feitas pelo sujeito passivo e seu sócio aos seus filhos caracterizamse como simulação, promovendo a interposição de pessoas nos negócios praticados objetivando impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, eximindose, portanto, da apuração e pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Física incidente sobre os ganhos de capital auferidos nas vendas das citadas propriedades rurais. 2.5 Os atos praticados pelo sujeito passivo objetivaram afastar a incidência tributária sobre os ganhos de capital auferidos pelas vendas das propriedades rurais, para tanto, simulou a venda dos imóveis aos seus filhos, fazendo coincidir as datas de aquisição, antes da entrega do DIAT e de alienação após sua entrega, assim, não ocorrendo o ganho de capital, por se tratar de Valor da Terra Nua – VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. (...) 2.7 Assim, excluindo as interpostas pessoas dos negócios realizados concluí se que os imóveis rurais FAZENDA ESTRELA DO SUL E FAZENDA ESTRELA DO SUL II foram alienados pelo sujeito passivo e por seu sócio em 16/08/2012 diretamente para o adquirente ROMILTON FERREIRA LIMA, pelo valor de R$10.782.600,00 e R$1.217.400,00 respectivamente, sujeitandose, portanto, à apuração do IRPF incidente sobre Ganhos de Capital. Fl. 497DF CARF MF 6 Na sequência, a autoridade lançadora estendese em explicações sobre a apuração dos cálculos dos ganhos de capital, e detalha suas conclusões acerca da simulação que considera ter ocorrido, concluindo: 5.4 Por todo o exposto, entendemos evidente a intenção dolosa do sujeito passivo de evitar a incidência tributária, simulando a venda dos imóveis aos seus filhos, fazendo coincidir as datas de aquisição, antes da entrega do DIAT e alienação após sua entrega, não ocorrendo o ganho de capital, por se tratar de Valor da Terra Nua – VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. Por outro lado, a tributação também não alcançará seus filhos, interpostos nos negócios, que vendem os imóveis com valores inferiores aos da compra. 5.5 A prática fictícia de ato jurídico configura simulação e evidencia a intenção dolosa do sujeito passivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, cabendo ao Fisco desconsiderar os efeitos dos atos simulados, apurar os tributos devidos e aplicar a multa de ofício qualificada de 150%. O lançamento foi impugnado (fls. 368/424), havendo juntada de documentos adicionais, porém a exigência foi mantida em sua quase integralidade pela decisão de primeira instância (fls. 427/463), a qual apenas acolheu o cômputo dos custos de transação relativos à venda do imóvel na apuração do ganho de capital. O recurso voluntário foi interposto em 15/7/2016 (fls. 469/491), sendo então arguído que: o fato de a venda a seus herdeiros ter se dado após a data de entrega da DIAT 2011 não se configura descumprimento de lei, ainda que tenha resultado em eventual economia tributária; os documentos colacionados atestam que efetivamente ocorreram as operações conforme sua versão; o depositante constar como o próprio favorecido é tão somente reflexo do grau de confiança mútua existente entre as partes envolvidas, sendo que não se verificam as condições para caracterizar simulação; houve elevado recolhimento de ITCMD nas doações efetuadas, o que não faria sentido se a operação fosse simulada, e, a entenderse como simuladas as vendas a data de alienação teria de ser considerada como ocorrida em 18/11/2011, data das operações entre o recorrente, seu irmão e seus filhos; não se tratando de simulação, com todas as operações realizadas às claras não há falar em qualificação de multa, dada a ausência de dolo, e a comprovação amparada em documentos públicos, considerando, ainda, que devam ser observadas as decisões administrativas; Ao final, demanda a anulação do auto de infração. É o relatório. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 13830.721140/201589 Acórdão n.º 2402005.973 S2C4T2 Fl. 604 7 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Observese que, confundindose as alegações de nulidade com matéria de mérito, como tal serão abordadas. Isso posto, temse que, conforme bem sintetizado pela instância de piso, a fiscalização entendeu ter havido nas alienações das fazendas Estrela do Sul e Estrela do Sul II para suas filhas Kelly Casagrande, Kenia Casagrande e Karol Casagrande Crepaldi, e para seus sobrinhos Cláudio Luiz Casagrande Junior e Cassiano Casagrande, filhos de Cláudio Luiz Casagrande, seu irmão e condômino, proprietário de 50% dos referidos imóveis, a intenção de evitar a incidência tributária sobre o ganho de capital fazendo coincidir as datas de aquisição antes da entrega do DIAT e de alienação após a sua entrega, assim, não ocorrendo o ganho de capital, por se tratar de valor da terra nua VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. Supostamente esta alienação teria ocorrido por um preço elevado para que as vendas posteriores fossem efetuadas pelos seus filhos por valores reais e inferiores aos de compra, gerando prejuízos e por conseguinte nenhuma tributação do imposto de renda. Para a fazenda Estrela do Sul, podese assim resumir a sequência de eventos, tal como constante nos documentos colacionados aos autos: adquirida pelo recorrente e seu irmão em 8/4/2010 por R$ 9.063.000,00 de Ita Agropecuária Ltda. (fls. 84/107), foi ela alienada em 18/11/2011 para seus filhos e sobrinhos por R$ 12.400.000,00 (fls. 51/83), e por estes vendida em 16/8/2012 para Romilton Ferreira Lima por R$ 10.782.600,00 (fls. 321 e ss). Por sua vez, a Fazenda Estrela do Sul II foi adquirida pelo recorrente e seu irmão em 8/4/2010 por R$ 1.007.000,00 de José Francisco Dinaldi (fls. 176/193), foi alienada em 18/11/2011 para seus filhos e sobrinhos por R$ 1.400.000,00 (fls. 162/175), e por estes vendida em para 16/8/2012 para Romilton Ferreira Lima por R$ 1.217.400,00 (fls. 321 e ss). As operações documentadas não acarretaram ganho de capital para o contribuinte, haja vista as prescrições das normas de regência: Lei nº 9.393/96: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Fl. 499DF CARF MF 8 Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação.(grifei) IN SRF nº 84/01 Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 1o No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2o Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. Tal como comprovado pelos documentos e por ele defendido, o autuado não teria auferido ganho de capital nas operações em tela, pois os VTN declarados nas DITR dos ano de compra (2010) e de venda (2011) são iguais para ambos os imóveis, R$ 4.366.800,00 no tocante à Estrela do Sul (fls. 108/120), e R$ 1.224.750,00 para a Estrela do Sul II (fls. 194/204). Já a fiscalização parte do entendimento de que a alienação ocorrida em 18/11/2011 teria sido apenas formal, e que a verdadeira venda dos imóveis aconteceu em 16/8/2012, com a sua alienação para Romilton Ferreira Lima. Primeiramente, cabe discordar de certas considerações da autoridade lançadora, bem como presentes no acórdão contestado, no que se refere à eficácia probatória dos documentos juntados. De modo mais específico: os comprovantes de pagamentos efetuados em 17/4/2012 (total R$ 1 milhão), 20/7/2012 (total R$ 1 milhão), 9/11/2012 (total R$ 320 mil); 26/11/2012 (total R$ 414.054,12) e 2/9/2012 (total R$ 1.500 mil) tratamse de depósitos em dinheiro efetuados na conta bancário do irmão do recorrente, e covendedor dos imóveis em apreço, em relação aos quais, embora constasse como depositante "o próprio favorecido", foi devidamente esclarecido consoante admitido pela decisão a quo que se tratam de valores que efetivamente saíram das contas dos adquirentes e depositados na conta em evidência, conforme cheques juntados à impugnação. A não coincidência entre os pagamentos e datas desses depósitos com os previstos no instrumento de alienação não é suficiente para macular sua eficácia como prova, Fl. 500DF CARF MF Processo nº 13830.721140/201589 Acórdão n.º 2402005.973 S2C4T2 Fl. 605 9 pois não se nega a correspondência entre os montantes totais devidos e pagos, sendo compreensível a divergência apontada estandose diante de pessoas ligadas por estreitos vínculos familiares, não sendo inconcebível a antecipação de valores nesse contexto. há comprovação hábil e idônea atestando a realização de doações realizadas pelos alienantes aos compradores em 14/11/2012 e 7/12/2012, alcançando a cifra total de R$ 5.040,000,00, dos créditos decorrentes da alienação dos imóveis, e atestado o recolhimento dos tributos devidos. Inexiste impedimento legal para tal proceder, e as operações foram devidamente registradas e sujeitas ao recolhimento dos encargos tributários devidos. Ainda que pudessem ter sido doadas as terras diretamente, como alega a DRJ/REC, esse raciocínio seria aplicável apenas a esse montante doado, não ao conjunto da alienação, que envolveu efetiva transferência de numerário. quanto aos recibos referentes a pagamentos efetuados em 22/8/2012 (R$ 1 milhão) e em 17/09/2012 (R$ 182.796,00), foram eles emitidos pelo recorrente e seu sócio e irmão dando quitação aos seus filhos, de parte da parcela com vencimento em 08/01/2013 em virtude das transferências de valores que supostamente ocorreram na conta do Banco Itaú da Ita Mercantil Ltda. Reconhecese que tal recibo não comprova, de modo satisfatório, as operações a que aludem. Impende ressaltar, contudo e quanto a esse ponto a decisão recorrida não atenta que eles aludem a pagamentos que o comprador último do imóvel, Romilton Ferreira Lima, faz diretamente ao vendedor original do imóvel, a Ita Mercantil Ltda, para fins de quitação das dívidas recíprocas, relativa as alienações em referência, firmadas em cadeia: o autuado e seu irmão tinham dívidas para com a Ita Mercantil Ltda. e eram credores de seus filhos; estes, por sua vez, passaram com a venda do imóvel em ago/2002 a ser credores de Romilton, dando ensejo a que este pagasse diretamente à Ita Mercantil os montantes envolvidos, de modo a quitar as obrigações pendentes consequentes às sucessivas alienações. Tendo sido os documentos bancários discriminados no recibo emitidos por Romilton Ferreira Lima, e recebidos pela Ita Mercantil Ltda, é fato que o autuado não teria acesso aos extratos bancários consignando tais operações, por serem de terceiros, o que dificulta a produção de prova de sua parte. E, já que considerava as operações suspeitas, poderia perfeitamente o Fisco demandar aos terceiros em questão a apresentação dos documentos correspondentes, ao menos para aprofundar a instrução probatória, necessária para a desconsideração do teor dos documentos. Acrescentese que Romilton Ferreira Lima é também signatário do recibo, o que implicaria em participação do referido em produção de documento falso, caso assim se constatasse, de modo conclusivo. As razões acima expendidas referemse especificamente à propriedade Estrela do Sul, mas são aplicáveis à alienação da Estrela do Sul II, para as quais foi comprovada a transferência de numerário na alienação, por parte dos compradores, e doação documentada de R$ 900 mil, correspondente a 64,28% do valor da operação. Diante desse quadro, temse como satisfatórios os elementos que apontam para a efetividade das operações analisadas, sob o aspecto formal. Fl. 501DF CARF MF 10 Sem embargo, poderiam elas ser consideradas ineficazes ou mesmo "inoponíveis" ao Fisco, caso comprovado terem sido artificialmente engendradas com o fim precípuo de economia tributária. Mais uma vez, contudo, não se apresentam provas a contento para suportar conclusão nesse sentido. De pronto, notase que as operações sob exame não se conformam ao esquema clássico das "step by step transactions", visto que elas se deram em lapso temporal suficientemente largo e adequado aos seus objetivos formais: o recorrente e seu irmão adquiriram os imóveis em 8/4/2010, em novembro do ano seguinte, 2011, os alienaram a seus filhos, e estes somente em agosto de 2012 os venderam a terceiros. Há certa singularidade na venda dos imóveis de pais para filhos, não sendo negócio usual, mas não há evidências que tal negócio tenha se dado por preço fora dos padrões do mercado, sendo atestado pela Prefeitura Municipal de Miranda/MS que o valor atribuído aos bens para efeito de ITBI é o mesmo que o da alienação (R$ 12,4 milhões). A venda posterior do imóvel a terceiro por cerca de 10,78 milhões, deve ser admitido, também não foge muito desse parâmetro de preço. E a venda, pelos filhos e sobrinhos, do imóvel por preço inferior ao de aquisição não causa tanta espécie no caso concreto, pois parte bastante significativa do montante necessário expendido na aquisição ingressou no patrimônio por doação, não sendo decorrente assim do labor ou poupança daqueles. Quanto à economia tributária, notese que o imposto devido apurado de ofício, já com a reforma promovida pelo acórdão de origem, foi de R$ 207.788,86. Porém os encargos tributários relativos às doações promovidas pelo recorrente aos alienantes foram de 2% sobre o montante doado e não contestado pela autoridade lançadora, R$ 2.520.000,00 atinente à Estrela do Sul. Para a Estrela do Sul II, foi apontado pelo Fisco o montante de R$ 900 mil doados, então supondose que metade foi doado pelo recorrente (o valor específico não consta do relato fiscal), chegaríamos a um total de R$ 2.970.000,00 por ele doados, com o imposto recolhido sobre a transmissão alcançando R$ 59.400,00. Ou seja, ainda que se tenha como fato a economia tributária, ela ao final seria 25% menor do que a constatada pela fiscalização, descontandose os substanciais encargos tributários do ITCMD. Por fim, e talvez mais importante, é inegável que as partes envolvidas possuam interdependência, tratandose de pais e filhos, mas para a consecução das operações tal como efetivamente levadas a efeito era imprescindível a participação de terceiros, notadamente do adquirente final das propriedades, Romilton Ferreira de Lima. Em outros termos, para reputar a alienação ocorrida em 18/11/2011 como meramente formal ou mesmo artificial, realizada para fins de evadirse do recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital, é preciso inferir que, necessariamente, iria ocorrer a venda posterior a um terceiro antes da entrega da DITR do ano de alienação (2012) o que costuma acontecer entre final de agosto e setembro de modo a "forçar", face à ausência de VTN declarado para aquele ano, que o cálculo do ganho de capital se desse pelo cotejo do valor de alienação e custo de aquisição efetivos, como prescreve o § 2º do art. 10º da IN SRF nº 84/01. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 13830.721140/201589 Acórdão n.º 2402005.973 S2C4T2 Fl. 606 11 E não há qualquer indício de prova de que tal situação já estivesse em condições de ser prevista em novembro de 2011, além de, inequivocamente, tal raciocínio ter por pressuposto a participação ativa de Romilton Ferreira de Lima no estratagema, o que implicaria conluio nos termos legais, imputação não realizada pela autoridade lançadora. Ademais, não se vislumbra, e tampouco a fiscalização elucida, qual seria a vantagem para o referido terceiro adquirente em comprar bem por valor que em tese seria abaixo do mercado, estipulado unicamente para "livrar" os alienantes do imposto de renda, pois lhe seria, justo pelo contrário, de interesse majorar seu custo de aquisição para fins de, em eventual posterior alienação do imóvel, apurar menor ganho de capital. Ainda: poderiam o recorrente e seu irmão caso efetivamente cientes já em 2011, do interesse de Romilton na propriedade, como parece cogitar a autuação não ter realizado a venda a seus filhos, mas sim a efetuado diretamente a Romilton, só que posteriormente à data de entrega da DITR 2012, utilizandose do mesmo VTN declarado em 2010 e 2011. Teriase então o mesmo resultado ganho de capital "zero", sem a necessidade de buscar artifícios mais complexos, tais como os aventados pela fiscalização. Bastaria esperar apenas alguns dias para realizar o negócio jurídico, pois a venda final a Romilton ocorreu em 16/8/2012, e o prazo para entrega DITR 2012 começou em 20/8/2012. Em suma, os elementos que apontam para a artificialidade das operações questionadas pelo Fisco são circunstanciais e insuficientes para corroborar a versão de que teria havido simulação no caso concreto, não servindo de amparo sólido ao lançamento contestado, o qual, dessa maneira, não deve prosperar. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002523/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF.
Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratando-se de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência.
Numero da decisão: 2402-005.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Al oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratandose de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 23 /2 00 9- 65 Fl. 155DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 19515.002523/200965 Acórdão n.º 2402005.684 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n.° 37.117.5941 lavrado, em 30/06/2009, pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 09, e planilhas anexas às fls. 26 a 35, ela apresentou, para os estabelecimentos 63.054.266/000137 (Matriz), 63.054.266/000307 (Filial Fortaleza/CE), 63.054.266/000480 (Filial Fernandópolis/SP), 63.054.266/000560 (Filial Salvador/BA) e 63.054.266/000641 (Filial Descalvado/SP), GFIP”s (Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social) de competências entre 01/2004 e 13/2007 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com aplicação de multa no valor originário de R$ 3.128.183,14 (três milhões, cento e vinte e oito mil e cento e oitenta e três reais e quatorze centavos). O Relatório Fiscal da Infração, de fls. 09, informa, ainda, que: foi aplicada a multa em seu valor integral, por não ter a empresa corrigido a infração até o encerramento da ação fiscal; no Termo de Antecedentes, emitido em 02/10/2008, consta emissão de Auto de Infração com código de fundamentação legal 68, mas que tal AI não produz efeitos no valor desta multa. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 10, por sua vez, informa que: a empresa foi notificada a apresentar os documentos citados no Relatório Fiscal da Infração, através do Termo de Início da Ação Fiscal TIAF e Termo de Intimação Fiscal TIF; foi aplicada a multa prevista na Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, artigo 32, parágrafo 5°, acrescentado pela Lei n.° 9.528, de 10/12/1997 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, artigo 284, inciso II e artigo 373, tendo sido considerada, ainda, a Portaria Interministerial MPS/MF n.° 48, de 12/02/2009, artigo 8°, inciso VI. E o Termo de Antecedentes, de 02/10/2008, às fls. 24 a 25, informa a existência de alguns Autos de Infração lavrados contra a empresa em ações fiscais anteriores DEBCAD, data de emissão, código de fundamentação legal, período da infração e data de pagamento, revelia ou decisão irrecorrível. Fl. 157DF CARF MF 4 Foram anexados, também, pela fiscalização: IPC Instruções para o Contribuinte; REPLEG Relatório de Representantes Legais; VÍNCULOS Relação de Vinculos; MPF Mandado de Procedimento Fiscal; TIAF Termo de Início da Ação Fiscal; Termos de Intimação Fiscal; Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal; TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal; e, planilhas demonstrativas do cálculo da multa e de apuração dos valores pagos na rubrica “Ajuda de Custo”. E, consta, às fls. 74, termo de juntada de processo, segundo o qual, em 30/06/2009, este processo foi apensado ao processo de n.° 19515.002529/200932. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada, pessoalmente, em 30/06/2009 (fls. 03), a empresa apresentou, em 29/07/2009, a impugnação de fls. 75 a 91, com documentos anexos às fls. 92 a 115 (Procuração, e cópias de documento de identificação do subscritor da impugnação, de Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 31/10/2007, e do Estatuto Social adaptado às Leis 10.406/2002 e 11.127/2005, aprovado pela Assembléia Geral Extraordinária de 1 1/01/2007), na qual deduz as alegações a seguir sintetizadas. Das considerações iniciais: Primeiramente, afirma a empresa estar apresentando impugnação á constituição do crédito previdenciário (multa) consignado no AI n.° 37.117.5941, datado de 30 de junho de 2009, no valor de R$ 3.128.183,14. Informa, então, que o relatório fiscal, de forma concisa, descreve que o lançamento se refere a contribuições previdenciárias devidas referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2008 não declaradas em GFIP e destacadamente reembolso de despesas, e que referida exigência não poderia prosperar. Do cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa: Segundo a impugnante, a afirmação de forma unilateral e genérica de que teria deixado de recolher valores devidos à Previdência Social, sem, contudo, demonstrar a origem e a natureza da contribuição e os segurados beneficiários da previdência social, impediria a perfeita identificação da obrigação inadimplida, sendo que o obscurantismo do ato administrativo o inquinaria de nulidade. Sustenta que todo ato administrativo, além da obrigação de possuir fundamentação legal, sob pena de violar os princípios da legalidade e da motivação, celebrados pelos artigos 37 e 150, inciso I da Constituição Federal de 1988, e artigos 97, inciso I, e 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, deve possuir descrição correta, ou seja, identificar com clareza o ato praticado, permitindo ao administrado a prática de ampla defesa administrativa de seus direitos, também constitucionalmente assegurados pelo inciso LV do aitigo 5° da Constituição Federal de 1988. Para ela, a infração cometida, a fundamentação jurídica e a base imponível deveriam estar indicadas de forma precisa, de modo a respaldar a validade da autuação, possibilitando, com sua identificação, 0 exercício da ampla defesa na esfera administrativa. Alega, então, que houve, no caso, violação aos artigos 2° e 50, inciso II da Lei n.° 9.784, de 29/01/1999, e conclui que padece de vício de nulidade a constituição do crédito sem a identificaçao dos segurados beneficiários, bem como dos fatos geradores. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 19515.002523/200965 Acórdão n.º 2402005.684 S2C4T2 Fl. 4 5 Da decadência e prescrição: Afirma a empresa que o lançamento das contribuições previdenciárias é denominado por homologação, aplicável aos tributos em que o contribuinte antecipa o pagamento sem prévio exame do Fisco, dispondo o INSS de cinco anos para homologar o pagamento, e que, findo este prazo sem que o Fisco tenha se manifestado, se operam os efeitos da decadência e se considera tacitainente homologado o pagamento antecipado, feito pelo sujeito passivo, extinguindose, conseqüentemente, o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional (CTN). Informa que, nesta modalidade de lanÇamento, o prazo contase a partir da ocorrência do fato gerador e não a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que se extinguiu o seu direito de rever e homologar o lançamento, como ocorre nas hipóteses de lançamento direto (art. 173, Ido CTN). Segundo ela, a jurisprudência do STJ teria se reorientado, corretamente neste sentido, citando 0 “Resp 180.879SP, STJ, 2” Turma, unânime, 1552001”, segundo o qual “havendo pagamento antecipado, contase 0 prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador”. Relata que a natureza tributária das contribuições dos artigos 149 e 195 da Constituição Federal foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e que a Lei Ordinária n.° 8.212/91, em seus artigos 45 e 46, teria fixado o prazo de 10 (dez) anos para a constituição dos créditos oriundos das contribuições sociais e para a sua cobrança, contrariando as regras contidas no CTN. Destaca que a Constituição de 1988 reservou à lei complementar a competência para disciplinar a matéria atinente à decadência tributária; e que a Lei n.° 5.172/66, recepcionada como lei complementar, estabelece o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir e cobrar o crédito tributário, sendo que as contribuições sociais são espécies de tributos. Alega que os dispositivos dos artigos 45 e 46 ferem o principio da competência legislativa, pois, se o Constituinte outorgou competência ao legislador complementar para regular normas gerais de direito tributário, dentre as quais a decadência, somente o legislador complementar poderia disciplinar tal matéria, sob pena de inconstitucionalidade por inobservância do quorum especial e qualificado. Faz menção, então, à Súmula Vinculante n.° 08, ressaltando os efeitos vinculantes introduzidos pela Emenda Constitucional n° 45 de 30/12/2004, ao acrescentar o artigo 103 A da Constituição Federal, regulamentada pela Lei n.° 11.417, de 19/12/2006. E conclui que, no seu entendimento, restariam prescritas as penas por descumprimento de obrigações acessórias do período de 01/2004 a 06/2004. Da penalidade mais benéfica: Destaca, aqui, a empresa, algumas modificações introduzidas na Lei n.° 8.212/91 pela Medida Provisória n.° 449/2008, já convertida em lei, transcrevendo os artigos 32A e 35, em sua nova redação, e infonna que o Código Tributario Nacional, em seu artigo 106, regulamenta os efeitos mais benéficos de forma retroativa. Fl. 159DF CARF MF 6 Segundo ela, a autoridade lançadora, no caso, teria deixado de cumprir o parágrafo primeiro do artigo 32A da Lei n.° 8.212/91, não fixando o termo inicial do prazo para a entrega da declaração. E afirma que restou cristalino que não houve aplicação da penalidade mais benéfica, até mesmo diante dos valores conflitantes consignados no relatório fiscal. Da multa confiscatória: Sustenta a impugnante que o valor atribuído da penalidade pelo descumprimento de obrigações acessórias extrapola todos os princípios constitucionais do não confisco e da razoabilidade em sede constitucional (art. 150, IV da CF/ 88). Entende que a sanção tributária teria por finalidade apenas dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que esteja sujeito e, assim, estimular o pagamento correto e pontual dos tributos, sob risco de sua oneração, e que a multa tributária não poderia ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado, não devendo qualquer atraso no pagamento dos tributos, ou ausência de declaração do mesmo, legitimar a previsão de multa exacerbada. Para ela, a multa aplicada feriria também o princípio da capacidade contributiva, indo o acréscimo pretendido muito além da simples tentativa de coibir infrações tributárias, importando em majoração de tributo para além da sua capacidade econômica. Afirma, ainda, que o Auto de Infraçao gerador da multa foi lavrado com base em seus próprios documentos, e que cooperou com a fiscalização, sendo que, em momento algum, teria sido indicada qualquer razão específica para a imposição de multa tão exacerbada. Do pedido: Para ela, assim, restaria demonstrada a necessidade de revisão do ato impugnado para declarar a sua nulidade. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS As CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do AI oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça O procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19515.002523/200965 Acórdão n.º 2402005.684 S2C4T2 Fl. 5 7 contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172/66). Tratandose de Auto de Infração lavrado em razão do descumprimento de obrigação acessória, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento foi realizado no prazo qüinqüenal previsto no CTN, não havendo que se falar em decadência. MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo É vinculado. APLICAÇÃO DE MULTA A MAIOR EM PARTE. COMPETÊNCIAS. RETIFICAÇÃO. Verificado erro no cálculo da multa aplicada, sendo constatada, no caso, aplicação de penalidade maior que a devida, em algumas competências, devese corrigila para adequála às normas legais. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O cálculo para aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito, comparandose a legislação vigente à época dos fatos geradores com os termos da Lei n.° 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instancia em 01/02/2011, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 143 e segs., em 28/02/2011, o recurso voluntário repisa os argumentos ja levantados em sede de impugnação em relação ao cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa e decadência e prescrição. Diante do exposto, requer seja decretada a nulidade do presente lançamento de débito. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF 8 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 01/02/2011, interpôs recurso voluntário no dia 28/02/2011, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. CERCEAMENTO AO DIREITO DO EXERCÍCIO DA AMPLA DEFESA Em linha com a decisão de primeira instancia, entendo que os Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa e os anexos do AI ofereceram as condições necessárias para que o contribuinte conhecesse o procedimento fiscal e apresentasse suas alegações de defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, não há que se falar em declaração de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO A Recorrente aduz em sede de Recurso Voluntário que, no seu entendimento, restariam prescritas as penas por descumprimento de obrigações acessórias do período de 01/2004 a 06/2004. Cabe observar, no caso, que a constituição do crédito, por meio de AI lavrado por descumprimento de obrigação acessória, se deu através de lançamento de oficio, nos termos do artigo 149, inciso VI do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n.° 5.172, de 25/10/1966. É de se ressaltar, aqui, que o presente Auto de Infração (AI), cientificado ao contribuinte em 30/06/2009, decorre de infração referente ao período de 01/2004 a 13/2007, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 09, e planilhas demonstrativas do cálculo da multa, de fls. 26 a 35. Tendo sido declarado inconstitucional, por meio de Súmula Vinculante, pelo STF, o artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, que previa o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito tributário, com o reconhecimento, pelos ministros do STF, de que apenas lei complementar pode dispor sobre normas gerais em matéria tributária como a decadência, nos termos do artigo 146, inciso III, alínea “b” da Constituição Federal, deve ser observado, agora pe1a Administração Pública se tratando de lançamento de oficio, o prazo qüinqüenal previsto no artigo 173 inciso I do CTN. Cabe destacar, aqui, que, no caso em análise, é inadequada a aplicação do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, para fins de cálculo do prazo de decadência, uma vez que o caput da referida norma de regência remete o intérprete à antecipação do pagamento, e que o descumprimento de obrigação tributária acessória não é instância procedimental que se equipare à antecipação do pagamento. Então, com base no prazo decadencial estabelecido no artigo 173, inciso I do CTN, e tendo em vista que a ciência da autuação pela empresa ocorreu em 30/06/2009, temse Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19515.002523/200965 Acórdão n.º 2402005.684 S2C4T2 Fl. 6 9 que poderiam ser exigidas, aqui, pela fiscalização, competências a partir de 12/2003 (o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponderia, no caso, a 01/01/2005, podendo o lançamento ser realizado até 31/12/2009, data posterior à constituição do presente crédito, que se deu em 30/06/2009). Deste modo, se constata que não há qualquer competência fulminada pela decadência em relação ao lançamento ora analisado. Tendo em vista todo o acima, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.721384/2013-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Ementa:
DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
Somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável.
BENS DO ATIVO PERMANENTE. REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO.
A contrapartida do aumento de valor de bem do ativo permanente, em virtude de nova avaliação nos termos da legislação empresarial, será computada no lucro real no período de apuração em que for alienado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano calendário:2008
ALCANCE ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS QUALQUER PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO INCIDÊNCIA.
Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada..
LANÇAMENTO REFLEXO - CSLL
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Assim, aplica-se à tributação reflexa - CSLL, a mesma solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1302-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
( assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Julio Lima Souza Martins. Ausentes justificadamente, os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Ementa: DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável. BENS DO ATIVO PERMANENTE. REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO. A contrapartida do aumento de valor de bem do ativo permanente, em virtude de nova avaliação nos termos da legislação empresarial, será computada no lucro real no período de apuração em que for alienado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2008 ALCANCE ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS QUALQUER PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada.. LANÇAMENTO REFLEXO - CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Assim, aplica-se à tributação reflexa - CSLL, a mesma solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
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Somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável. BENS DO ATIVO PERMANENTE. REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO. A contrapartida do aumento de valor de bem do ativo permanente, em virtude de nova avaliação nos termos da legislação empresarial, será computada no lucro real no período de apuração em que for alienado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2008 ALCANCE ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS QUALQUER PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada.. LANÇAMENTO REFLEXO CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Assim, aplicase à tributação reflexa CSLL, a mesma solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 13 84 /2 01 3- 57 Fl. 1256DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ( assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Julio Lima Souza Martins. Ausentes justificadamente, os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Trata o presente processo dos Autos de Infração do IRPJ (R$ 133.746.247,00), da CSLL (R$ 48.167.106,56) e do IRRF (R$ 56.930.805,69), efls.02/33, lavrados em 14/02/2013, relativos ao anocalendário de 2008, cada um deles acrescido dos juros de mora calculados até fevereiro/2013 e da multa de ofício de 75%. Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto parte do relatório da decisão recorrida (efls.1140/1148) que a seguir transcrevo: O procedimento fiscal apontou as seguintes irregularidades para configurar as exigências apuradas. • despesas não comprovadas deduzidas indevidamente do resultado do exercício, a título de serviços prestados, locações e fornecimentos de materiais, conforme circunstanciado no subitem 1.1 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 34/41; • despesas de combustíveis deduzidas indevidamente (subitem 1.2 do TVF); • despesas levadas ao Resultado do Exercício, a débito da conta nº 4.2.1.09.33 –OUTRAS DESPESAS ADMINISTRATIVAS, cuja dedutibilidade a empresa não justificou (subitem 2.1 do TVF); • despesas financeiras levadas ao Resultado do Exercício, a débito da conta nº 4.2.2.01.05 – JUROS E MULTAS DE MORA, cuja dedutibilidade a empresa não justificou (subitem 2.2 do TVF); • realização de Reserva de Reavaliação de bens do Ativo Permanente – Investimento (Títulos Públicos) pertencentes à empresa, os quais foram alienados em 26/09/2008, sem que Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 3 3 tenha havido a devida adição da reserva ao lucro líquido para a apuração do lucro real (item 3 do TVF); • pagamentos realizados pela empresa sem a devida comprovação das operações que lhe deram causa (apontados no item 1 do TVF), ensejando a tributação do imposto de renda na fonte à alíquota de 35%, conforme dispõe o art. 61, § 1º da Lei nº 8.981, de 1995 (item 4 o TVF). Cientificado em 15/02/2013, o Sujeito Passivo apresentou impugnação em 18/03/2013 (fls. 808/821), onde alega, em síntese, o seguinte: • Sobre a glosa de despesas de serviços prestados, locação, fornecimento de materiais e combustíveis afirma que sofreu arresto de documentos contábeis em operação policial e, apesar de já pleiteada a devolução dos referidos documentos, estes não foram devolvidos; aduz que a sua escrituração contábil se presta para demonstrar a veracidade das operações questionadas; • No que diz respeito à glosa de despesas financeiras relativas a juros e multas de mora (conta nº 4.2.2.01.05), alega que referem se ao ‘estorno de atualização INSS’, afirma que vem apresentar planilha detalhando os cálculos da referida atualização justificando a diferença em questão; • Quanto à glosa de despesas administrativas (conta nº 4.2.1.09.33) aduz que os lançamentos referemse a ajustes realizados na contabilidade e correspondem a cancelamento de notas fiscais; alega que notas fiscais emitidas no ano de 2000 teriam sido glosadas pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, dessa forma, a receita lançada em 2000 não seria recebida, e não mais seriam pagos os impostos. Alega gozar do benefício do diferimento previsto nos art. 407 a 409 do RIR/99. • Já quanto à realização da reserva de reavaliação alega que de fato ocorreu o aumento de capital mediante incorporação de reservas de reavaliação; alega também que somente a efetiva realização do bem reavaliado, mediante alienação ou baixa por perecimento, poderia conferir a realização passível de tributação; aduz que o termo contábil por ele utilizado nas contas de reavaliação está inadequado, afirma também que a maioria dos títulos públicos não estavam anteriormente registrados em seus assentamentos contábeis; • Ainda sobre a tributação da reserva de reavaliação afirma que apenas houve a atualização dos títulos, mediante a aplicação de índices oficiais, na forma dos laudos de avaliação emitidos por peritos especializados; afirma que não se pode falar em tributação de acréscimo patrimonial de algo que sequer estava anteriormente monetizado; Fl. 1258DF CARF MF 4 • Concluindo o arrazoado sobre a operação realizada com os títulos públicos, apresenta texto argumentativo sobre a utilização de títulos públicos para fins de compensação com tributos federais; • Por fim, sobre as operações que deram causa à tributação do imposto de renda na fonte sobre pagamentos de despesas não comprovadas, apenas afirma que os pagamentos foram efetivamente realizados, sendo as despesas necessárias à atividade da empresa. Ao concluir a impugnação o interessado requer a improcedência da autuação fiscal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) negou provimento à impugnação em decisão proferida no venerando, Acórdão nº 0825.975, de 17 de julho de 2013, assim ementado (fl. 1140): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2008 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável. BENS DO ATIVO PERMANENTE. REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO. A contrapartida do aumento de valor de bem do ativo permanente, em virtude de nova avaliação nos termos da legislação empresarial, será computada no lucro real no período de apuração em que for alienado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2008 PAGAMENTO SEM CAUSA. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada a operação que lhe deu causa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário:2008 LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 4 5 fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. A empresa tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento (AR), efl.1163/1164, em 08/08/2013 e, interpôs Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em 09/09/2013, efls.1221/1225. Em sua peça recursal, a Recorrente reproduz, no essencial, as mesmas razões aduzidas em sua impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer seja conhecido e provido o Recurso apresentado e julgados improcedentes os Autos de Infração. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado os Autos de Infração (efls.03/23) decorrem de infrações relacionadas às seguintes matérias: Despesas de prestação de serviço, locações, fornecimento de materiais não comprovadas; Despesas de combustíveis deduzidas indevidamente; Outras despesas administrativas não justificadas; Despesas financeiras não justificadas; Reavaliação de títulos utilizados para fins de aumento de capital, e, Pagamentos realizados pela empresa sem a devida comprovação das operações que lhe deram causa. Assim, serão analisadas na mesma ordem em que apresentadas. 1. PAGAMENTOS DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS 1.1 Prestação de Serviços, Locações e Fornecimento de Materiais Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: A partir dos assentamentos contábeis da fiscalizada, verificouse uma intensa movimentação da conta Caixa decorrente de expressivos saques bancários feitos em espécie. Esse fato ensejou de parte desta auditoria fiscal, um exame mais acurado sobre a regularidade das contrapartidas dadas à destinação desses recursos, mormente envolvendo contas de "Resultado". Com este foco, examinandose o rol de lançamentos escriturados no Livro Razão, a débito de contas de Despesas e a crédito, após trânsito em conta de fornecedores, na conta Fl. 1260DF CARF MF 6 Caixa, selecionamos, a partir dos dados registrados nos respectivos históricos desses lançamentos, as diversas empresas listadas no Termo de Intimação n° 01, as quais figuram como beneficiárias dos mencionados pagamentos, em contraprestação por serviços prestados, locações de veículos e equipamentos e fornecimento de material, conforme indicado pelas respectivas rubricas contábeis em que foram escriturados. O referido Termo de Intimação foi aplicado exigindose da fiscalizada a devida comprovação da efetividade das mencionadas despesas, tendo em conta a expressividade dos valores envolvidos que, a princípio, transpareciam incompatíveis com os portes operacionais das empresas beneficiárias, consoante informações colhidas dos sistemas internos da Receita Federal. Da lista de despesas arroladas no Termo de Intimação acima referido, a fiscalizada apresentou comprovação satisfatória apenas em relação a duas das empresas perquiridas,restando sem nenhuma comprovação os dispêndios ditos como efetuados em favor das demais empresas, a seguir relacionadas, conforme consta dos assentamentos contábeis da fiscalizada, cujos extratos das correspondentes folhas do Livro Razão integram o presente Termo de Verificação. Em Reais ... TOTAL 43.884.880,03 Com efeito, através de Termo próprio, que foi cientificado ao representante legal da fiscalizada na data de 23/04/2012, foi a mesma devidamente intimada a comprovar a efetividade das despesas ditas como pagas à diversas empresas citadas nos históricos dos respectivos lançamentos objeto da presente glosa, dentre as quais, as relacionadas no quadro acima. No referido Termo, exigiase a apresentação, no prazo de 20 dias, da documentação comprobatoria das despesas debitadas nas contas, datas e valores ali relacionadas, cujos lançamentos contábeis foram colhidos do Livro Razão, devendo a empresa apresentar notas fiscais, contratos, recibos, boletos bancários, cópias de cheques ou equivalentes, de forma a comprovar a efetividade dos pagamentos aos respectivos fornecedores, bem como a efetiva prestação dos correspondentes serviços ou a entrega dos materiais por parte dos mesmos. Esgotado o prazo estabelecido, sobreveio sucessivos pedidos de prorrogação por parte da fiscalizada, através de correspondências datadas de 09/05/2012, 31/05/2012, 21/06/2012 nas quais seu representante alega, em resumo, a necessidade de prazo adicional para atendimento da intimação em razão do grande volume de documentos a serem levantados e da escassez de mão de obra. Os pedidos de prorrogação prosseguiram ainda, através de novas correspondências datadas de 14/08/2012 e 16/10/2012, nas quais a empresa acrescenta aos argumentos já expostos anteriormente, o fato da mesma ter sofrido operação policial de busca e apreensão e ter sido alvo de ação cautelar fiscal, alegando que por essas razões, necessitava de mais prazo para apresentar a documentação solicitada. E assim, o prazo concedido na intimação inicial, vencido em 14/05/2012. estendeuse por conta das prorrogações acima citadas, até 16/11/2012. Entretanto, em que pese terse dado todas as oportunidades para atendimento, eis que todas as prorrogações foram concedidas, ao final, o representante legal da fiscalizada limitouse à apresentar a documentação comprobatória relacionada apenas às despesas realizadas junto às empresas Metalmecânica Maia Ltda e Auto Peças Brandão Ltda, sendo que em relação às demais (relacionadas no quadro acima) absolutamente nada nos foi apresentado. Ou seja: em relação a esses supostos fornecedores, não houve, por parte da fiscalizada, a apresentação de Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 5 7 nenhum documento que pudesse lastrear os correspondentes lançamentos contábeis a débito de despesa, nem muito menos, capaz de comprovar a efetividade desses gastos ou os correspondentes pagamentos ditos como feitos às empresas indicadas, na forma como consignado nos históricos dos respectivos lançamentos constantes do Livro Razão. A justificativa final, dada pela fiscalizada seis meses depois da nossa intimação e após os sucessivos pedidos de prorrogações, para a não comprovação das despesas em questão, consta de correspondência subscrita pelo representante da empresa, com data de 23/11/2012, onde é alegado, em síntese, incapacidade de levantar e recuperar toda a documentação requisitada, em razão da redução drástica de seu quadro de pessoal, por se encontrar em fase de recuperação judicial, ter sofrido ação cautelar com bloqueio dos seus bens e ainda ter sofrido uma ação de busca por parte da polícia federal. A resposta da empresa é evasiva. Primeiro porque o fato de encontrar se sob recuperação judicial ou ter seus bens bloqueados não são impeditivos para as comprovações requeridas, e, segundo, porque o fato de ter sofrido uma operação policial de busca, não implica que, necessariamente, todos os documentos relacionados às despesas aqui referenciadas, tenham sido subtraídos de seus arquivos. Aliás, é bom que se frise, não há em nenhuma das seis correspondências dirigidas pela empresa a esta fiscalização, qualquer afirmação de que a documentação necessária ao atendimento de nossa intimação tivesse sido objeto de apreensão por parte da Polícia Federal, tanto é que prometeu por diversas vezes a sua apresentação, conforme se infere dos seus reiterados pedidos de prorrogação de prazos acima mencionados. Importa ainda notar que a falta de comprovação das despesas em comento, dáse, por parte da fiscalizada, em caráter absoluto. Ou seja: embora constem na sua contabilidade, ao longo do ano de 2008, dezenas de registros de pagamentos ditos como feitos a todos esses supostos credores, simplesmente nenhum documento é apresentado ao Fisco, sendo inadmissível, desta forma, as justificativas apresentadas pela fiscalizada. No decorrer da ação fiscal, a empresa foi ainda intimada, através do item 5 do Termo de Intimação Fiscal n° 04, a comprovar a efetividade das despesas ditas como pagas as empresas a seguir relacionadas, citadas nos históricos dos respectivos lançamentos objeto da presente glosa, conforme constam dos assentamentos contábeis da fiscalizada, cujos extratos das correspondentes folhas do Livro Razão integram o presente Termo de Verificação. No referido Termo, exigiase a apresentação, no prazo de 20 dias, da documentação comprobatória das despesas debitadas nas contas, datas e valores ali relacionadas, cujos lançamentos contábeis foram colhidos do Livro Razão, devendo a empresa apresentar notas fiscais, contratos, recibos, boletos bancários, cópias de cheques ou equivalentes, de forma a comprovar a efetividade dos pagamentos aos respectivos fornecedores, bem como a efetiva prestação dos correspondentes serviços. Em Reais ... TOTAL 4.008.700,00 Fl. 1262DF CARF MF 8 Em sua resposta datada de 23/11/2012, a empresa informa que não localizou em seus arquivos as comprovações das despesas solicitadas. Assim sendo, dada a falta de comprovação da efetividade das despesas sob exame, procedese à glosa dos correspondentes valores, por indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do disposto no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Total Glosado neste subitem (43.884.880,03 + 4.008.700,00) R$ 47.893.580,03 Conforme transcrição acima do Termo de Verificação Fiscal, ação fiscal foi concluída com a lavratura dos autos de infração cientificados à empresa em 15/02/2013, portanto, desde abril/2012, o autuante insiste com a empresa (mediante intimação), a apresentar notas fiscais, contratos, recibos, boletos bancários, cópias de cheques ou equivalentes, de forma a comprovar a efetividade dos pagamentos aos respectivos fornecedores, bem como a efetiva prestação dos correspondentes serviços ou a entrega dos materiais por parte dos mesmos, de modo a comprovar a efetividade das despesas ditas como pagas à diversas empresas citadas nos históricos dos respectivos lançamentos objeto da glosa, exigindo a apresentação da documentação comprobatória das despesas debitadas nas contas discriminadas nos termos de intimação, datas e valores ali relacionadas, cujos lançamentos contábeis foram colhidos do Livro Razão. A Recorrente argúi que a fiscalização, desconsiderando as razões demonstradas pela Recorrente no curso da fiscalização, glosou o pagamento de diversas despesas a título de serviços prestados, locação, fornecimento de materiais, no montante de R$ 47.893.580,03, e de gastos com combustíveis (R$ 4.725.905,67), aplicando, ainda, os reflexos de referida glosa. Contudo, a Recorrente requer a revisão de tal posicionamento, haja vista que sofreu arresto de documentos contábeis em Operação Policial e, apesar de já pleiteada a devolução de referidos documentos, até o presente momento não foram devolvidos. Não bastasse a arrecadação de seus documentos, o que sobrou ficou completamente desordenado e incompleto, razão pela qual não foi possível apresentar mais do que já foi devidamente entregue durante o procedimento. Como bem lembrado na decisão recorrida (fl.1143), o autuante informa que houve comprovação, por parte do contribuinte, para a maioria das despesas que foram objeto de auditoria, restando incomprovadas apenas aquelas sobre as quais recaíram as glosas. Na peça de defesa inicial (impugnação), bem como no recurso voluntário a autuada persiste na alegação de que “sofreu arresto de documentos contábeis em Operação Policial e, apesar de já pleiteada a devolução de referidos documentos, até o presente momento não foram devolvidos”. Tal alegação já fora adotada pela autuada no decorrer da ação fiscal para finalmente justificar a falta de comprovação das despesas escrituradas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal: ... Entretanto, em que pese terse dado todas as oportunidades para atendimento, eis que todas as prorrogações foram concedidas, ao final, o representante legal da fiscalizada limitouse à apresentar a documentação comprobatória relacionada apenas às despesas Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 6 9 realizadas junto às empresas Metalmecânica Maia Ltda e Auto Peças Brandão Ltda, sendo que em relação às demais (relacionadas no quadro acima) absolutamente nada nos foi apresentado. Ou seja: em relação a esses supostos fornecedores, não houve, por parte da fiscalizada, a apresentação de nenhum documento que pudesse lastrear os correspondentes lançamentos contábeis a débito de despesa, nem muito menos, capaz de comprovar a efetividade desses gastos ou os correspondentes pagamentos ditos como feitos às empresas indicadas, na forma como consignado nos históricos dos respectivos lançamentos constantes do Livro Razão. A justificativa final, dada pela fiscalizada seis meses depois da nossa intimação e após os sucessivos pedidos de prorrogações, para a não comprovação das despesas em questão, consta de correspondência subscrita pelo representante da empresa, com data de 23/11/2012, onde é alegado, em síntese, incapacidade de levantar e recuperar toda a documentação requisitada, em razão da redução drástica de seu quadro de pessoal, por se encontrar em fase de recuperação judicial, ter sofrido ação cautelar com bloqueio dos seus bens e ainda ter sofrido uma ação de busca por parte da polícia federal. Aliás, é bom que se frise, não há em nenhuma das seis correspondências dirigidas pela empresa a esta fiscalização, qualquer afirmação de que a documentação necessária ao atendimento de nossa intimação tivesse sido objeto de apreensão por parte da Polícia Federal, tanto é que prometeu por diversas vezes a sua apresentação, conforme se infere dos seus reiterados pedidos de prorrogação de prazos acima mencionados. Importa ainda notar que a falta de comprovação das despesas em comento, dáse, por parte da fiscalizada, em caráter absoluto. Ou seja: embora constem na sua contabilidade, ao longo do ano de 2008, dezenas de registros de pagamentos ditos como feitos a todos esses supostos credores, simplesmente nenhum documento é apresentado ao Fisco, sendo inadmissível, desta forma, as justificativas apresentadas pela fiscalizada. ... Em sua resposta datada de 23/11/2012, a empresa informa que não localizou em seus arquivos as comprovações das despesas solicitadas. A alegação da defesa, de arresto de documentos, não serve para contraditar os argumentos e meios utilizados pela fiscalização para embasar os lançamentos, a uma porque, ainda que existente o tal arresto, o interessado conseguiu elementos para comprovar (no mesmo período de apuração) parte das despesas perquiridas pela fiscalização; a duas, porque, não ha comprovação de que os documentos solicitados pela fiscalização tenham sido objeto de apreensão por parte da Polícia Federal. É cediço que, a escrituração contábil da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, conforme prescreve o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo Fl. 1264DF CARF MF 10 sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art.9º, § 2º) Como visto acima, a empresa, ao longo da fiscalização empreendida, teve atendido diversos pedidos de prorrogação e, mesmo assim, não conseguiu justificar as despesas contabilizadas que lhe cabia comprovar que os fatos ocorreram na forma como diz. Não basta ao contribuinte justificar suas operações apenas de forma escritural, deve, pois, manter os documentos que instrumentam seus registros contábeis. À mingua da comprovação das operações com documentos hábeis, apenas a escrituração não se presta como suficiente para a dedutibilidade pretendida pelo interessado. Dessa forma, devem ser mantidas as glosas realizadas sobre despesas de prestação de serviços, locações e fornecimento de materiais. 1.2 Combustíveis No Recurso Voluntário, as glosas de combustíveis foram conjuntamente refutadas no mesmo tópico e pelos mesmos motivos dispostos pela autuada em relação a glosa relativa às despesas de prestação de serviços, locações e fornecimento de materiais. Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: A empresa foi igualmente intimada a comprovar a procedência das despesas contabilizadas a título de aquisição de combustíveis, feitos junto às empresas listadas no Termo de Intimação n° 02, sendo que, desta feita, houve por parte da fiscalizada, comprovação razoável para a maioria delas, exceto em relação às empresas apontadas a seguir: Em Reais Dallas Derivados de Petróleo Ltda4.1.1.02.01 Combustíveis e Lubrificantes1.695.775,41 Florida Distribuidora de Petróleo Ltda4.1.1.02.01 Combustíveis e Lubrificantes1.034.400,00 Iguatemi Derivados de Petróleo Ltda4.1.1.02.01 Combustíveis e Lubrificantes1.095.730,26 RM Petróleo Ltda4.1.1.02.01 Combustíveis e Lubrificantes 900.000,00 TOTAL 4.725.905,67 Em relação a essas empresas, não houve por parte da fiscalizada quaisquer comprovações para as supostas aquisições de combustíveis noticiadas nos seus assentamentos contábeis, em que pese os sucessivos pedidos de prorrogação que foram por ela formulados através das mesmas correspondências citadas no subitem precedente, cujas justificativas não merecem o acatamento desta fiscalização, porque o fato da empresa encontrarse sob recuperação judicial ou ter seus bens bloqueados não são impeditivos para as comprovações requeridas, como também o fato de ter sofrido uma operação policial de busca, não implica que, necessariamente, todos os documentos relacionados às despesas aqui referenciadas, tenham sido subtraídos de seus arquivos. Aliás, é bom que se frise, não há em nenhuma das seis correspondências dirigidas pela empresa a esta fiscalização, qualquer afirmação de que a documentação necessária ao atendimento de nossa intimação tivesse sido objeto de apreensão por parte da Polícia Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 7 11 Federal, tanto é que prometeu por diversas vezes a sua apresentação, conforme se infere dos seus reiterados pedidos de prorrogação de prazos acima mencionados. Importa notar que a falta de comprovação das despesas em comento, dáse por parte da fiscalizada, em caráter absoluto. Ou seja: embora constem na sua contabilidade, ao longo do ano de 2008, dezenas de registros de pagamentos ditos como feitos a todos esses supostos credores, simplesmente nenhum documento é apresentado ao Fisco, sendo inadmissível, desta forma, as justificativas apresentadas pela fiscalizada. Diante do exposto, dada a falta de comprovação da efetividade das despesas sob exame, procedese à glosa dos correspondentes valores, por indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do disposto no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Total Glosado neste subitem RS 4.725.905,67 Como se vê, tanto em relação ao subitem 1.1 Prestação de Serviços, Locações e Fornecimento de Materiais, quanto em relação ao subitem 1.2 Combustíveis, a autuação decorre de glosas de despesas escrituradas que não foram comprovadas pela empresa. Assim, adoto como razão de decidir em relação à glosa de "Combustíveis" os mesmos fundamentos legais acima que sustento para a manutenção da glosa de " Prestação de Serviços, Locações e Fornecimento de Materiais", no sentido de que, somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável. Dessa forma, apenas a escrituração não se presta como suficiente para a dedutibilidade pretendida pelo interessado. À mingua da comprovação das operações com documentos hábeis, devem ser mantidas as glosas realizadas sobre despesas de prestação de serviços, locações e fornecimento de materiais e combustíveis. 2. OUTRAS DESPESAS INDEDUTÍVEIS 2.1 Outras Despesas Administrativas Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: Através do item 1 do Termo de Intimação Fiscal n° 04 , a empresa foi intimada a comprovar a procedência de algumas das despesas contabilizadas na conta n° 4.2.1.09.33 Outras Despesas Administrativas, entretanto, não houve por parte da fiscalizada os devidos esclarecimentos e nem a apresentação da documentação comprobatória, acerca dos lançamentos contábeis apontados a seguir: Data HistóricoValor (R$) 31/01/2008 BxNF 405321/08/00291010 205.461,14 19/03/2008 NF 000348 cancelada 590900 4.000.000,00 18/11/2008 Cancelada NF 000274 de 04/06/07 590992 371.224,45 Subtotal 4.576.685,59 Fl. 1266DF CARF MF 12 A empresa em sua resposta datada de 23/11/2012, informa que tais lançamentos tratamse de ajustes realizados na contabilidade e que correspondem a cancelamento de notas fiscais, conforme documentação constituída por cópia das notas fiscais e de folhas do Razão das contas envolvidas na operação, que fez juntar à sua correspondência. Consoante resposta e documentos apresentados pela fiscalizada, verificase que os lançamentos em questão reduziram o lucro liquido a pretexto de que houvera cancelamento de notas fiscais de serviços emitidas pela fiscalizada em 21/08/2000, 29/12/2006 e 04/06/2007, nos valores de R$ 205.461,14; R$ 4.000.000,00 e R$ 371.224,45, respectivamente. Entretanto, a documentação apresentada pela empresa não é suficiente para justificar tais deduções, uma vez que a prova do cancelamento de nota fiscal se dá pela apresentação de todas as vias originais desses documentos e não de simples fotocópia de uma das vias, como fez a empresa. Ademais, importa registrar que o cancelamento de receitas pretendido pela empresa, se reporta a faturamentos de períodos bem anteriores a 2008 (as notas são datadas de 08/2000, 12/2006 e 06/2007) e com a agravante de se referirem a prestação de serviços, que não se pode devolver ou cancelar. Por outro lado, ainda que a transferência desses valores para conta de "Resultado" fosse decorrente de perdas em operações de crédito, a respectiva dedução deveria atender aos requisitos legais previstos no artigo 340 do Decreto 3.000/99, que, em função dos valores envolvidos, requereriam a implementação das correspondentes ações judiciais de cobrança, conforme estabelecido no § Io, inciso II, letra "c" e inciso III desse diploma legal, fato esse que não foi comprovado pela intimada. Por esses motivos, glosase essas despesas pelo montante lançado de R$ 4.576.685,59. Ainda no citado Termo de Intimação Fiscal n° 04, item 1, foi a empresa do mesmo modo intimada a apresentar a comprovação da despesa contabilizada na conta n° 4.2.1.09.33 Outras Despesas Administrativas, correspondente ao lançamento abaixo relacionado: Data Histórico Valor (R$) 22/12/2008 Juros de Mora Multa Auto 562.859,01 Com relação a esse lançamento, a empresa esclarece que o valor se refere a lançamento de juros e multa referente a um auto de infração de IOF, fazendo ajuntada de cópia desse Auto de Infração . De acordo com a cópia do auto de infração de IOF (processo n° 10380.019.679/200801) apresentada pela fiscalizada, que inclusive foi parcelado, o valor em causa corresponde ao somatório dos juros de mora e da multa de oficio lançada (com redução de 40%). Ou seja: conforme demonstrado abaixo, o total deduzido pela empresa envolve parcela correspondente a multa de ofício, que consoante disposto no art. 344 § 5o do Decreto n° 3.000/99, não é dedutível como custo ou despesa operacional. Portanto, nessa parte, impõe se a glosa, conforme segue: Juros de Mora até 12/2008 321.831,55 Multa de Oficio lançada (R$ 401.712,44) 241.027,46 Total contabilizado 562.859,01 Valor a ser glosado 241.027,46 Total Glosado neste subitem (4.576.685,59 + 241.027,46) R$ 4.817.713,05 Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 8 13 De início vale esclarecer que não há qualquer manifestação de Recorrente, em relação à glosa no valor de R$ 241.027,46 (Juros de Mora Auto). Portanto, matéria não impugnada. Sobre a glosa de despesas administrativas contabilizadas na conta nº 4.2.1.09.33 – Outras Despesas Administrativas, tanto no decorrer da ação fiscal quanto na impugnação e também em sede recursal, a autuada alega que os lançamentos referemse a “ajustes realizados na contabilidade da impugnante e correspondem a cancelamento de notas fiscais”. Também no Recurso Voluntário a Recorrente afirma que, o estorno na conta ocorreu porque as notas fiscais (NF) originárias do faturamento foram emitidas em 2000. No encerramento do balanço em 2008, a Recorrente teve informação da glosa pelo órgão (Prefeitura Municipal de Fortaleza). Dessa forma, a receita lançada em 2000 não seria recebida, e não seriam mais pagos os impostos, pois a Recorrente goza do benefício do diferimento, com fundamento legal nos arts. 407 a 409 do RIR/99 e art. 7o da Lei n° 9.718/98. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Assim, não há falar em registro de despesa na escrita contábil para configurar “receita não recebida”. Sobre a matéria, não merece reparo à decisão da DRJ, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir que a seguir transcrevo: Depreendese da explicação apresentada pelo sujeito passivo que as despesas teriam sido contabilizadas para registrar receita não recebida, mas contabilizada anos antes. Não se mostra razoável a justificativa trazida na impugnação. Em primeiro lugar, não cabe registro de despesa na escrita contábil para configurar “receita não recebida”. Em segundo lugar, as três notas fiscais apontadas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal referemse aos anos de 2000, 2006 e 2007 e devem produzir efeitos contábeis apenas naqueles anos. Aqui cabe esclarecer que o interessado não apresentou junto com a impugnação qualquer documento que justificasse a ligação entre o serviço prestado em anos pretéritos e a despesa contabilizada em 2008. Caberia ao defendente trazer elementos de prova que justificassem o alegado “ajuste”, à luz do que dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC) 2. Registrese que a impugnação produzida menciona tão somente a nota fiscal emitida no ano de 2000. No tocante aos contratos de longo prazo, devese ressaltar que, o artigo 4073 do RIR determina que sejam apropriados em cada período de apuração as parcelas do preço contratado correspondentes à parte executada em cada período de apuração (regra geral). Fl. 1268DF CARF MF 14 Quanto ao diferimento da tributação do lucro prevista no art. 4094, este se restringe à permissão da postergação do lucro já computado no período de apuração. Portanto, o mencionado artigo trata apenas do diferimento do lucro já contabilizado, não acobertando o alegado “estorno de receita não auferida”. Além do que foi dito, mesmo que se tratasse de situação de diferimento de lucro, o controle desse diferimento deveria ser feito no LALUR, e não na escrita contábil da empresa, conforme previsto no art. 409 do RIR acima mencionado. Dessa forma, cabível foi a glosa realizada sobre despesas administrativas contabilizadas na conta nº 4.2.1.09.33 – Outras Despesas Administrativas. 2.2 Despesas Financeiras Não Comprovadas Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: Através do item 1 do Termo de Intimação Fiscal n° 04, a empresa foi intimada a comprovar a procedência da despesa contabilizada na conta n° 4.2.2.01.05 Juros e Multas de Mora, no valor de R$ 4.988.000,00, cujo histórico tem a indicação de "Estorno de atualização INSS". Entretanto, não houve por parte da fiscalizada os devidos esclarecimentos e nem a apresentação da correspondente documentação comprobatória. Com efeito, na sua resposta, a empresa limitase a informar, que tal valor se refere a correção de atualização a maior referente a um crédito de INSS, ao tempo em que apresentou as cópias do livro Razão referentes as contas n° 1.2.1.02.01020001 INSS a compensar (Ação Judicial) e n° 4.2.2.01.05 Juros e Multas de Mora. Como visto, a resposta apresentada pela empresa, não demonstra de forma adequada a ocorrência do aludido erro de cálculo, eis que nenhuma planilha ou demonstrativo foi trazido com o detalhamento dos cálculos da referida atualização, que justificasse a diferença em questão. Por esta razão procedese à glosa do correspondente valor, para efeitos da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do disposto nos arts. 299 e 374 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99).. A Recorrente apenas repete que o autuante glosou as despesas financeiras relativas a juros e multa de mora, correspondente ao 'estorno de atualização INSS', no montante de R$ 4.988.000,00, ou seja, não se convenceu de que esse valor referese à correção de atualização efetuada a maior, referente a um crédito de INSS, mesmo com a entrega de cópias do Livro Razão, onde constam as contas n° 1.2.1.02.01020001 INSS a compensar (Ação Judicial) e 4.2.2.01.05 Juros e Multas de Mora. Como se vê a Recorrente reportase à autuação mas nada esclarece para que se vislumbre o caráter de necessidade da despesa, a teor do art.299 do RIR/99, e a possibilidade de dedutibilidade de supostas despesas financeiras, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, como bem expressa a DRJ em sua decisão que também acompanho como razão de decidir: ... Contudo, o defendente não explica o que vem a ser a correção de atualização que menciona, bem como não anexa a citada planilha à impugnação. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 9 15 Há de se concluir que o sujeito passivo não consegue, minimamente, apresentar justificativa para a manutenção da referida despesa na apuração de seu resultado. Portanto, mostrase correta a glosa realizada sobre a conta nº 4.2.2.01.05 Juros e Multas de Mora . 3. Realização da Reserva de Reavaliação Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: A fiscalizada deixou de adicionar ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, o valor de R$ 196.950.952,65, correspondente à Realização de Reserva de Reavaliação de bens do ativo permanente (investimentos), ocorrida mediante alienação dos respectivos ativos reavaliados, conforme registrado nos assentamentos contábeis da fiscalizada, lastreado em Instrumento Particular de Compra e Venda de Títulos Públicos datado de 26/09/2008, conforme circunstanciado a seguir: Com efeito, consta dos assentamentos contábeis da empresa, a realização de aumento de capital (conta n° 2.4.1.01.01 Capital Subscrito) com utilização de reservas de reavaliação (conta n° 2.4.3.05.01 Reavaliação de Bens em Controladas; conta n° 2.4.3.05.06 Reavaliação de Títulos e conta n° 2.4.3.05.07 Reavaliação de Apólice) no valor total de R$ 323.270.901,00 em 30/12/2008, conforme AGE de 30/12/2008. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 03, datado de 17/08/2012, foi a empresa intimada a apresentar os seguintes elementos: 1. Demonstrativo com a composição das referidas reservas de reavaliação, identificando as datas e valores de suas respectivas constituições e os bens reavaliados; 2. Informar por que as reservas de reavaliação em apreço não foram computadas no lucro liquido, para efeito de apuração do lucro real, por ocasião de suas realizações. Em sua resposta datada de 11/09/2012, a empresa, no que se refere ao item 1, apresenta a demonstração da composição da Reserva de Reavaliação e dos ativos reavaliados que deram origem ao aumento de capital, conforme planilha e cópias do razão, em anexo. Já com relação ao item 2, a empresa informa o seguinte: "A Reserva de Reavaliação em apreço não foi computada na apuração do Lucro Real, tendo em vista que, segundo o art. 4o da Lei n° 9.959, de 2000, a partir de 1o de janeiro de 2000, a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, mediante alienação, sob qualquer forma, depreciação, amortização ou baixa por perecimento". À vista do documentário trazido pela empresa, em particular, no demonstrativo intitulado "Composição Reservas de Reavaliação de Títulos. Públicos/Apólices Posição em 31/12/2007" e "Composição dos Títulos Públicos/Apólices Ativo Permanente/Realizável a Longo Prazo Posição em 31/12/2007", bem como no Instrumento Particular de Compra e Venda de Títulos Públicos entre a EIT e a empresa Hage Irrigação, Indústria e Comércio Ltda, datado de 26/09/2008, apresentado anteriormente a esta fiscalização, verificase que a fiscalizada vendeu os Títulos Públicos, que se encontram discriminados no referido demonstrativo, sob a denominação de "Obrigações do Reaparelhamento Econômico",' "Títulos BNDES", "Port of Pará", "Apólice da Dívida Pública" e "Título da Dívida Fl. 1270DF CARF MF 16 Pública", retratados no Ativo Permanente da empresa, nas rubricas contábeis a seguir discriminadas, ao custo total (aquisição + reavaliação) de R$ 197.207.960,65, como segue: N° Conta/Nome Saldo em 01/01/2008 1.3.1.01.01060001 Títulos da Divida Publica (Custo) 7,00 1.3.1.01.01060002 Títulos da Divida Publica (Reavaliação) 169.682.341,13 1.3.1.01.01060003 Apólice da Divida Publica (Custo) 256.001,00 1.3.1.01.01060004 Apólice da Divida Publica (Reavaliação) 27.268.611,52 Assim, sendo, considerando que parte das reservas capitalizadas pela empresa no ano de 2008, mantidas nas contas 2.4.3.05.06 Reserva de Reavaliação de Títulos e 2.4.3.05.07Reserva de Reavaliação de Apólice, no total de R$ 196.950.952,65, referiamse à reavaliação dos bens acima relacionados, os quais, naquele ano, haviam sido alienados, deve essas reservas serem consideradas como realizadas para os efeitos de inclusão no lucro, líquido do período, nos termos como estabelecido no art. 4o da Lei n° 9.959/2000. A Recorrente aduz que, a fiscalização considerou como realizada parcela da reserva de reavaliação de títulos públicos, no montante de R$ 196.950.952,65, lançado em conta de investimentos no ativo permanente da Recorrente, em face da suposta alienação dos respectivos ativos 'reavaliados', operação lastreada em Instrumento Particular de Compra e Venda de Títulos Públicos, celebrada entre a Recorrente e a empresa Hage Irrigação, Indústria e Comércio Ltda. (Hage), CNPJ n° 40.780.603/000178, em 26 de setembro de 2008. Destaca que, tanto a Recorrente, quanto a Hage, e seu sócio majoritário, Sr. Geraldo Cabral Rola Filho, CPF n° 074.340.57300, não tiveram qualquer disponibilidade econômica na operação, na forma do art. 43 do CTN, primeiro, porque o sócio majoritário assumiu a dívida da Hage com a Recorrente e, esta, por sua vez, cedeu seu crédito a seu novo sócio majoritário, aqui designado; segundo, porque os títulos públicos perderam totalmente seu valor com o decorrer do tempo, devendo ser baixados do capital da Hage, e da Recorrente, bem como da Declaração de Rendimentos do citado sócio. Ou seja, a atualização monetária pretendida, de fato, não se efetivou. Diz que: De fato, ocorreu o aumento de capital (conta n° 2.4.1.01.01) mediante incorporação de reservas de reavaliação (contas n° 2.4.3.05.01 Reavaliação de bens em controladas, n° 2.4.3.05.06 Reavaliação de títulos e n° 2.4.3.05.07 Reavaliação de apólice), no montante de R$ 323.270.901,00, conforme AGE de 30 de dezembro de 2008. Só que o mero aumento de capital, mediante incorporação de reserva de reavaliação de qualquer natureza, não é considerado realização para fins fiscais, em face dos ditames prescritos no art. 4o da Lei n° 9.959, de 2000. E que, "somente a efetiva realização de bem reavaliado, mediante alienação ou baixa por perecimento, poderia conferir à realização, passível de tributação, o que não é o caso". Argúi que, o termo contábil utilizado pela Recorrente nas contas ditas de reavaliação está inadequado, pois para haver reavaliação de algum bem suscetível de reavaliação, inclusive títulos públicos, seria necessário que estivesse registrado anteriormente nos assentamentos contábeis, o que não foi o caso, ao menos, em sua maioria. O procedimento que ocorreu, de fato, foi o de atualização monetária dos títulos públicos e não de reavaliação, o que pode ser perfeitamente comprovado pelos respectivos laudos emitidos por perito legalmente habilitado (vide laudos de atualização anexos). ... o que houve foi a devida atualização do valor dos títulos públicos pertencentes à Recorrente, por força de adaptação às Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 10 17 novas normas da lei das sociedades anônimas e da nova sistemática de contabilidade vigente no país, impostas pela Lei n° 11.638, de 2007. ... o que de fato ocorreu foi uma mera atualização dos títulos públicos, mediante aplicação de índices oficiais, na forma dos respectivos laudos de avaliação emitidos por peritos especializados. No tocante à realização da Reserva de Reavaliação vale tecer as seguintes considerações sobre a legislação que rege a matéria. Antes de 01/01/2000, data em que a Lei nº 9.959/00 (Conversão da MP nº 1.924/99) entrou em vigor, a incorporação da reserva de reavaliação de bens ao capital social enseja sua tributação, como regra, no período em que for efetivada, como prescrevem os artigos 434 e 435 do RIR/99. RIR/1999. Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. (grifos nossos) Com o advento das disposições trazidas pelo art. 4º, da Lei nº 9.959, de 2000, a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens que fossem classificados ou não no ativo imobilizado da entidade deve ser oferecida à tributação, pela adição ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, por ocasião da efetiva realização do bem que se dá no período em que ocorrer: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; e, c) baixa por perecimento. Assim, a partir de 01/01/2000, com a vigência da Lei nº 9.959/2000, a contrapartida da reavaliação somente pode ser oferecida à tributação quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, verbis: LEI Nº 9.959, DE 2000. Fl. 1272DF CARF MF 18 Art. 4º. A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. (...) Até a entrada em vigor da Lei nº 11.638/2007, ou seja até 31/12/2007, a legislação societária permitia a reavaliação dos bens de seu custo de aquisição para o valor de mercado, se este fosse superior. Até a mencionada data, eram classificadas como Reserva de Reavaliação as contrapartidas de aumento do valor de bens do antigo Ativo Permanente em virtude de constatação, com base em laudo especializado, de que possuíam valor de mercado superior ao custo contábil do bem. Conforme explicado na decisão de 1ª instância, a legislação empresarial, principalmente, a Lei nº 6.404, de 1976, nos seus arts. 8º e 182, § 3º, previa a possibilidade de constituição de reservas de reavaliação sobre os bens da empresa (o § 3º do art. 182 da Lei nº 6.404, de 1976, teve sua redação alterada pela Lei nº 11.638, de 2007; com essa alteração, a empresa não mais registra valores na conta de reserva de reavaliação; em seu lugar, foi criada a conta de “ajustes de avaliação patrimonial”). Enfim, a partir de 01.01.2008, a Reserva de Reavaliação foi extinta, por força da Lei 11.638/2007. E, serão classificadas como Ajustes de Avaliação Patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado. A Lei nº 11.941, de 27/05/2009 (conversão da MP nº 449/2008), alterou o § 3º do art. 182 da Lei nº 6.404, de 1976, que tinha sido alterado anteriormente pela Lei nº 11.638, de 2007, desaparecendo a figura da Reserva de Reavaliação, e, de acordo com o art.6º da mencionada Lei nº 11.638/2007 restou permitido que as sociedades que tivessem constituída a reserva a mantivessem até sua realização. Vejamos: Lei nº 11.638/2007 Art. 6o Os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social em que esta Lei entrar em vigor. Assim, os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social de 2008. Com efeito, a Recorrente não contesta a "reavaliação do ativo" em 2007, ainda que intitulando de "atualização monetária". Apenas exorta que de fato ocorreu o aumento de capital em 2008, e que, o mero aumento de capital, mediante incorporação de reserva de reavaliação de qualquer natureza, não é considerado realização para fins fiscais. Gizse que, a Recorrente em nenhum momento põe em dúvida o Instrumento Particular de Compra e Venda de Títulos Públicos, celebrado entre a Recorrente e a empresa Hage Irrigação, Indústria e Comércio Ltda. (Hage), CNPJ n° 40.780.603/000178, em 26 de setembro de 2008, (fls.713/716), que comprova a alienação dos respectivos ativos 'reavaliados', antes do dito aumento de capital conforme AGE de 30/12/2008. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 11 19 No caso em espécie, houve a efetiva realização dos bens reavaliados, conforme se constata pela leitura do contrato de compra e venda dos títulos públicos (fls.713/716), por meio do qual são alienados os citados títulos à empresa HAGE IRRIGAÇÃO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO. De fato, restou evidenciado, através das informações trazidas no Termo de Verificação Fiscal, que houve a alienação do bem reavaliado (títulos públicos) por parte da recorrente em 26/09/2008. A exigência fiscal, em relação à venda dos títulos pelo contribuinte, diz respeito à tributação do valor da Reserva de Reavaliação em decorrência de sua realização pela alienação do ativo, tal como prescreve o artigo 4º da Lei nº 9.959, de 2000. Não merece reparos à decisão da DRJ que assim conclui no voto condutor do acórdão: ... Como já se viu, no caso vertente, títulos públicos que estavam em poder do contribuinte foram reavaliados e, posteriormente, alienados para que os valores obtidos fossem utilizados pela empresa para aumento de capital social. Dessa forma, diferentemente do que alega o interessado, houve sim efeitos patrimoniais, haja vista a ocorrência de efetivo acréscimo no capital social da empresa, lastreado nos valores decorrentes da reavaliação empreendida. Portanto, à luz da legislação colacionada, resta claro que a quantia correspondente à reavaliação deveria ter sido incluída pelo sujeito passivo no lucro líquido para fins de apuração do lucro real, remanescendo, portanto, correta a exigência apurada na autuação. Destarte, tendo em vista a alienação em comento, a baixa efetuada na conta Reserva de Reavaliação constitui realização da reserva, sujeita à tributação, razão pela qual a decisão recorrida,também neste ponto,deve ser mantida. 4. IRRF Pagamentos realizados pela empresa sem a devida comprovação das operações que lhe deram causa. Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: Considerando que não houve, por parte da fiscalizada, a comprovação das operações que deram causa aos pagamentos das despesas arroladas no item 1 (Pagamentos de Despesas Não Comprovadas) do presente Termo, ditas como realizados em favor das empresas ali relacionadas, eis que, conforme já relatado, nenhum documento nos foi apresentado capaz de atestar a veracidade desses gastos nem os reais beneficiários dos recursos desembolsados, restou caracterizada a hipótese de tributação do imposto de renda na fonte à alíquota de 35% de que trata o art. 61, § I o da Lei 8.981/95. Essa tributação incide sobre os pagamentos desembolsados pela empresa tais quais registrados na sua contabilidade, a pretexto das despesas supracitadas, adotandose como base imponível os valores creditados na conta "Caixa", reajustados na forma do parágrafo 3o do artigo supracitado, conforme detalhadamente demonstrado em planilhas próprias Fl. 1274DF CARF MF 20 intituladas "Demonstrativo dos Pagamentos Referentes as Operações Não Comprovadas" que se encontram anexas ao presente Termo. A Recorrente aduz que a fiscalização fundamentou a incidência do IRRF na falta de comprovação das operações que deram causa ao pagamento das despesas anteriormente arroladas como "Pagamento de Despesas Não Comprovadas", aplicando a alíquota de 35% (trinta cinco por cento) sobre base reajustada, forma do disposto no art. 61, §§ Io e 3o, da Lei n° 8.981/95. Todavia, os pagamentos foram efetivamente realizados em favor daquelas empresas arroladas nas diversas contas objeto de questionamento da fiscalização, estando todos os documentos em boa forma, em cujas despesas necessárias à atividade da Recorrente, portanto, está perfeitamente demonstrada a veracidade desses gastos, comprovandose as operações e suas causas, bem como identificados os reais beneficiários dos recursos desembolsados, corretamente contabilizadas, motivo pelo qual deve ser afastada a referida incidência tributária. E, ao contrário do entendimento do ilustre Julgador, não existem provas suficientes nos autos a corroborar o fundamento adotado pela fiscalização no sentido de que se trataria de pagamentos efetuados a beneficiário desconhecido ou sem causa. Finalmente a Recorrente insurgese contra essa incidência do IRRF, requerendo sua exclusão do crédito tributário do processo em questão. Vejamos o que diz o art. 61, da Lei n° 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. GRIFEI Pela redação do § 1º do artigo percebese que o comando da norma é no sentido da comprovação da veracidade da operação e/ou de sua causa, mediante a documentação respectiva. Dai a irrelevância de estar ou não a mesma contabilizada. A jurisprudência é justamente nesse sentido, senão vejamos: Processo n° 15983.000320/200614 Recurso n° 162.191 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 130100.120— 3' Câmara / l' Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 12 21 Recorrentes: 4a TURMA / DRJ SÃO PAULO1 / SP e VIAÇÃO VALE DO RIBEIRA TRANSPORTE E TURISMO LTDA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar o beneficiário de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não é suficiente a identificação dos beneficiários dos pagamentos, pela apresentação de cópias dos cheques nominativos utilizados. Não restando dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos a terceiros, mediante cheques compensados ou sacados por outras pessoas físicas ou jurídicas "na boca do caixa", compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. No mesmo sentido, correta a decisão de primeira instância que exonerou a exigência incidente sobre pagamentos para os quais o contribuinte comprovou, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, as operações que deram causa a pagamentos por ele efetuados. Processo nº 10384.001021/200985 Recurso nº 510.779 Voluntário Acórdão nº 130200.490– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Recorrente LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL IRRF. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Havendo pagamento a terceiro, e não comprovada a operação ou sua causa, é correta a tributação exclusiva na fonte, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Ressaltase que os pagamentos sobre os quais houve a incidência do IRRF são aqueles discriminados no demonstrativo (anexo ao Termo de Verificação Fiscal, item 1 do TVF). Neste diapasão, o que a Recorrente deveria ter feito para que houvesse o reconhecimento da comprovação dos pagamentos e/ou identificação dos beneficiários de forma incontroversa, seria trazer ao processo os comprovantes relativos aos pagamentos constantes do aludido demonstrativo. De maneira oposta, a Recorrente apenas se limitou a declarar que os beneficiários e a causa das operações foram identificadas pela própria autoridade fiscal e por ele próprio, na medida em que, os pagamentos foram efetivamente realizados em favor Fl. 1276DF CARF MF 22 daquelas empresas arroladas nas diversas contas objeto de questionamento da fiscalização, estando todos os documentos em boa forma, em cujas despesas necessárias à atividade da Recorrente. Não é demais repetir, que bastava a recorrente trazer aos autos provas que demonstrassem a correlação com os pagamentos identificados no supracitado demonstrativo – com coincidência de data e valor para ver afastado o lançamento efetuado no presente processo. Todavia, a Recorrente apenas se limitou no recurso voluntário a reiterar as alegações já acostadas na impugnação, não trazendo elementos ou provas que pudessem afastar as conclusões do trabalho fiscal neste item. Assim, havendo pagamento a terceiros item 1 do TVF (demonstrativo anexo ao TVF) e não comprovada a operação ou sua causa, é correta a tributação exclusiva na fonte, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/95, devendo ser mantida exigência fiscal, na forma como realizado o lançamento. LANÇAMENTO REFLEXO – CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. ( assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 1277DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000471/2003-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF N° 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB.
CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF N° 35.
O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
Numero da decisão: 2201-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF N° 35. O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 71 /2 00 3- 05 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 194 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Antonio Rodrigues, acima identificado, foi autuado a recolher crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF no montante de R$ 155.186,56, sendo R$ 64.747,40 de imposto de renda, R$ 48.560,55 de multa de ofício de 75% e R$ 41.878,61 de juros de mora, calculados até 31/01/2003, conforme Auto de Infração, demonstrativos e termo de fls. 76/88. O lançamento ocorreu em razão da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações ocorridas no ano calendário 1998, no montante de RS 251.154,21 (fl. 84), conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 81/83) e demais documentos que instruem o lançamento. Fundamento legal: art. 42 da Lei n° 9.430/1996, art. 4o da Lei n° 9.481/1997, art. 21 da Lei n° 9.532/1997 (fl. 88). Fl. 194DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 195 3 Regularmente cientificado do lançamento em 12/02/2003 (fl. 86), o interessado, por intermédio de seu procurador legalmente constituído (fl. 93), ingressou com a impugnação de fls. 96/113, em 12/03/2003, argumentando, preliminarmente, que: a) o auto de infração é nulo porque se baseou em informação incorreta do Banco do Itaú, fruto de problemas na geração de arquivos magnéticos. Baseouse ainda em informações obtidas de forma inconstitucional, ante a flagrante inconstitucionalidade do § 2o do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, e do art. 1o da Lei n° 10.174/2001 (que deu nova redação ao § 3o do art. 11 da Lei n° 9.311/1996); b) houve a ofensa ao princípio da vedação da utilização de informações da CPMF para constituição de crédito tributário, à luz da redação originária do art. 11, § 3o, da Lei n° 9.311, de 24/10/1996. Quanto ao mérito, alegou, em síntese, que: a) ao elaborar o demonstrativo de fls. 81/83, o auditor fiscal considerou todos os depósitos efetuados em sua contacorrente, excluindo, apenas, as devoluções de cheques. Não considerou os saques em dinheiro e os cheques compensados, os quais deram origem àqueles créditos havidos; citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes, afirmou que o auditor fiscal agiu de forma simplista, optando por desconsiderar a verdade material, não obstante os esclarecimentos verbais que prestou; sendo aposentado por tempo de serviço e com parca pensão, viu se obrigado a realizar alguns pequenos negócios. Em 1989 vendeu o único imóvel que possuía por NCz$ 85.000,00, que em dezembro de 1997, equivalia a R$ 55.733,70. Passou a adquirir veículos usados e a recuperálos (já que sempre trabalhou como funileiro) para posterior venda; os valores depositados na contacorrente nada mais são do que os valores recebidos em pagamento de automóveis adquiridos anteriormente e por ele recuperados, com serviços de funilaria e pintura, ou apenas embelezados através de polimento. À guisa de demonstração, relata a aquisição de compra e venda de 4 caminhões; não obstante a inexistência de documentação que comprove todas as transações, tentou esclarecer a origem de alguns dos valores depositados em sua conta corrente, afirmando que decorriam de compra de veículos usados, sua recuperação e posterior venda, trazendo dez exemplos; há divergências entre o extrato retificado do Banco Itaú (fl. 46), que totaliza movimentação financeira de R$ 636.989,19 e CPMF de RS 1.272,82. A segunda via do extrato de conta universal ora juntada, consigna o total de R$ 710.453,23 como créditos e R$ Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 196 4 710.438,57 como débitos, demonstrando os erros dos arquivos magnéticos do banco; todo o saldo existente num dia na contacorrente era automaticamente investido, criandose, assim, um enorme volume de créditos e débitos que não geravam rendimento algum; quanto ao fato de ter declarado com isento, é porque é aposentado pelo INSS e o valor percebido em 1998 nãõ.alcançou o limite mínimo para a obrigatoriedade de apresentação da DIRPF, e os rendimentos financeiros, isentos, nãotributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, não alcançaram o montante de R$ 40.000,00. também não participou do quadro societário de empresa ou possuíabens, cujo montante excedesse R$ 80.000,00; os resultados auferidos com a compra e venda de veículos foram de pequena monta, pois tinha despesas com o embelezamento, conserto e melhoria do bem a ser vendido. Finalizou requerendo o cancelamento do auto de infração. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 160/172), nos termos da seguinte ementa: Preliminar de Nulidade. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras dá atividade de lançamento e, existentes no instrumento òs elementos necessários para que o contribuinte exerçao direito do contraditório e da ampla defesa, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. Nulidade. Quebra do sigilo bancário. O sigilo bancário não é oponível ao Fisco ante ao contido na Lei Complementar n° 105/2001. Preliminar de Ilegalidade e Inconstitucionalidade. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade de leis. Preliminar. Irretroatividade da Lei Tributária. Utilização de Informações Relativas a CPMF. É legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da Lei n° 10.174, de 2001. Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 197 5 A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. Cientificado do acórdão da DRJ em 02/10/2008, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/10/2008 (fls. 177/191), em que expressamente reitera os temos expendidos na peça impugnatória, para que seja acolhida a preliminar arguída, ou no mérito, seja declarada a improcedência da autuação. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Em preliminar, o recorrente alega nulidade do lançamento por ilegalidade na quebra do sigilo bancário com ofensa direta ao artigo 5°, XII, da Constituição Federal. Considera que a autoridade fiscal afrontou princípios constitucionais básicos ao quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial e contrariou posicionamento do Supremo Tribunal Federal pela impossibilidade de quebra e utilização pela Receita Federal dos extratos bancários, quando obtidos sem autorização judicial. A quebra de sigilo bancário é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras e, por fim, põe em risco a verdadeira segurança e integridade física da pessoa. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar n° 105, de 2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e, posteriormente sedimentada pela declaração de Repercussão Geral sobre o tema, pelo STF. Efetivamente, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral n° 225, daquela Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi julgada no “leading case” RE n° 601.314, no qual se definiu que: “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 198 6 Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, a despeito de polêmicas de cunho acadêmico no que se refere à adequação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 ao ordenamento pátrio, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE n° 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Dessa forma, não apenas a Súmula CARF n° 2 declara que este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade das leis tributárias, como inclusive o STF já consolidou a posição e confirmou que a Lei Complementar n° 105, de 2001 é efetivamente constitucional e, portanto, deve ser aplicada. Além disso, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF n° 35: ”O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. ” Ou seja, podese usar as informações da CPMF para constituições de créditos tributários relativos a outros tributos, no caso o IRPF, inclusive retroativamente, por se tratar de norma procedimental (§1° do artigo 144, do CTN). Assim, rejeito as preliminares de nulidade arguidas. Do Mérito Inicialmente, fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 199 7 prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do diploma legal. O recorrente afirma que a utilização dos depósitos bancários como rendimentos tributáveis é uma presunção que embora prevista em lei, só poderá subsistir quando não impugnada. É cediço que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos, conforme estabelece o art. 42 da Lei n° 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 200 8 De acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Verificase que o próprio recorrente reconhece que não dispõe de documentos para comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente. Segundo o seu entendimento, a mera justificativa já seria suficiente para afastar a presunção legal. Ainda assim, apresenta alguns recibos de vendas veículos no afã de comprovar a origem dos recursos. Contudo, além de não ter sido demonstrada a correspondência de forma individualizada entre os valores supostamente decorrentes de comercialização de veículos com os valores lançados, os referidos documentos não se prestam para comprovar a transação. É cediço que somente a Autorização para Transferência do Veículo com firma reconhecida do alienante em cartório é documento hábil para comprovar a comercialização de veículos. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de simples recibos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta corrente do sujeito passivo, não merece reforma a decisão recorrida. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguída, e no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 200DF CARF MF
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