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Numero do processo: 15758.000009/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006, 2007
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/1972.
O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário.
MULTA EM DUPLICIDADE. CARÊNCIA PROBATÓRIA.
Nenhuma prova se tem nos autos da incidência de multa de ofício nas transferências de mercadorias entre a matriz e a filial da empresa.
Numero da decisão: 3401-005.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/1972. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. MULTA EM DUPLICIDADE. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Nenhuma prova se tem nos autos da incidência de multa de ofício nas transferências de mercadorias entre a matriz e a filial da empresa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/1972. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. MULTA EM DUPLICIDADE. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Nenhuma prova se tem nos autos da incidência de multa de ofício nas transferências de mercadorias entre a matriz e a filial da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 00 09 /2 01 1- 04 Fl. 858DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 859 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 681 a 699, lavrado em razão da falta de recolhimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de produtos tributados de estabelecimento equiparado a industrial, referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2006 e 31/12/2007, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 3.608.542,60. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 671 a 680, narra a autoridade fiscal que o procedimento constatou que o estabelecimento em destaque é distribuidor/comercializador de produtos transferidos da matriz, que, por seu turno, é importadora de produtos de procedência estrangeira, sendo o estabelecimento filial equiparado a estabelecimento industrial, conforme artigo 9°, inciso III, do Decreto n° 4.544/2002 e, dessa forma, também contribuinte do IPI por ocasião da posterior saída dessas mercadorias do seu estabelecimento (art. 24, inciso III, do Decreto n° 4.544/2002). No entanto, apesar de ser contribuinte do imposto, não destacou o IPI devido em nenhuma de suas notas fiscais de saída emitidas durante os anosbase de 2006 e 2007, conforme os documentos que apresentou e também conforme várias declarações prestadas, por se considerar contribuinte monofásico. 3. A contribuinte apresentou impugnação na qual argumentou, em síntese: (i) o direito de que seja excluído do valor da operação, para fins de cálculo do imposto devido, o valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro e que se encontra incluído no preço de venda dos produtos; (ii) a necessidade de ser cancelada a multa calculada sobre o valor do imposto não destacado nas notas fiscais ou, ao menos, deduzido o valor já lançado, a esse mesmo título, no auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federa do Brasil em Brasília; e (iii) que fosse recalculada a multa de lançamento de ofício, em razão da alteração da base de cálculo do imposto devido, tal como requerido no item (i). 4. Em 2010, a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 000010460.2010.4.01.3400/DF, visando impedir novas autuações em relação às operações realizadas a partir de 2008, tendo por fundamento jurídico a impossibilidade legal de nova incidência de IPI sobre produtos importados, quando da revenda no mercado interno sob o argumento de que tais produtos não foram submetidos, no Brasil, após o regular desembaraço aduaneiro, a qualquer das operações definidas na legislação do IPI como industrialização e que, sem nova operação de industrialização não há novo fato gerador do imposto. 5. Em 08/10/2015, foi juntado aos autos Memorando contendo cópias do mandado de citação/intimação, petição inicial e decisão em tutela antecipada concedida pelo Fl. 859DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 860 3 MM. Juiz Federal da 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, nos autos da Ação Ordinária nº 5694769.2015.4.01.3400 proposta pela empresa em Ação Anulatória de Débito Fiscal, com o intuito de obter provimento jurisdicional para determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário cobrado no presente processo até decisão final dos autos judiciais, tendo sido a tutela antecipada nos seguintes termos: "Forte em tais razões, DEFIRO a antecipação dos efeitos da tutela jurídica para determinar a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários cobrados a título de IPI da autora, nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 15758.000009/201104, incidente na saída dos produtos importados do seu estabelecimento filial para comercialização/revenda, até o julgamento final desta ação. Intimese a ré, com urgência, para ciência desta decisão, devendo comprovar nos autos o seu imediato cumprimento ou expor os motivos que a impediram de cumprir, no prazo de 05 dias, sob pena de multa". 6. Referida ação foi distribuída por dependência à Ação Ordinária nº 00330130.2015.4.01.3400, que tramita perante a 3ª Vara Federal de Brasília e que questiona o crédito tributário de IPI decorrente do auto de infração (PA 10166.722457/200986) referente à matriz no qual o imposto é exigido sobre operações de comercialização, no mercado interno, de produtos de procedência estrangeira, regularmente importados e revendidos, sem que tivessem sido submetidos, no Brasil, a qualquer das operações de industrialização definidas na legislação do IPI, sendo incontroverso que o objeto e a causa de pedir de ambas ações são idênticos, conforme se recorta da petição inicial: "declarar a inexistência de relação jurídica que obrigue a requerente a pagar IPI sobre revenda de mercadorias regularmente importadas, haja vista que, depois do desembaraço aduaneiro, tais mercadorias não se submeteram, no Brasil, a nenhuma operação de industrialização, o IPI devido na importação foi regularmente pago no desembaraço aduaneiro". 7. Em 10/05/2016, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1460.488, situado às fls. 799 a 818, de relatoria da AuditoraFiscal Marcela Cheffer Bianchini, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações Fl. 860DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 861 4 imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. MULTA EM DUPLICIDADE. Nenhuma prova se tem nos autos da incidência de multa de ofício nas transferências de mercadorias entre a matriz e a filial da empresa. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, da questão de mérito submetida ao Poder Judiciário, as quais ficam vinculadas ao teor do provimento judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 8. A contribuinte foi intimada via postal em 29/09/2016, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 846 e, em 17/10/2016, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 847, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 848 a 855, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 9. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 10. Em primeiro lugar, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 ensejadoras de nulidade, ou tampouco descumprimento ao requisito do inciso IV do art. 10 do diploma normativo. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 862 5 11. De um lado, porque no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” situado às fls. 683 a 685 do auto de infração, verificase satisfatoriamente demonstrada a infração imputada à recorrente: "Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) de produtos tributados de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial" e, conseqüentemente, falta de declaração/pagamento do imposto devido, bem como os dispositivos infringidos, tais como o Decreto nº 4.544, de 2002, arts. 9º, I a X; 24, I e III; 34, II; 122; 123, I, “b” e II, “c”; 127; 131, I, “b”; II, 199 e parágrafo único, 200, IV, 2002, III, que tem como matriz legal a Lei nº 4.502, de 1964. Também as penalidades aplicadas foram indicadas, multa de ofício e multa regulamentar, bem como o fundamento legal de suas exigências, art. 80, I, da Lei 4.502, de 30/11/1964. 12. Por outro lado, apesar de os dispositivos da Lei n°4.502/1964, não estarem indicados no campo do auto de infração denominado "enquadramento legal", eles são expressamente citados no TVF, que também é parte integrante do auto de infração. Ademais, no Regulamento do IPI (RIPI/2002), a redação dos seus dispositivos normativos indica, ao final, a respectiva matriz legal, a exemplo não só do supracitado art. 9° do Decreto n° 4.544, de 2002, mas também de todos os dispositivos relacionados no auto de infração em apreço, tanto no campo denominado "enquadramento legal" quanto no relatório de verificação fiscal. 13. De fato, todos os elementos integrantes do auto de infração, incluindose o relatório de verificação fiscal e seu anexo, envidam esforços para esclarecer as "circunstâncias, cálculos, parâmetros, constatações e conclusões, tanto no âmbito fático quanto jurídico, que deram ensejo ao lançamento de oficio pela Fazenda Pública (...) exatamente para que não houvesse cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo". Nesse contexto, verificase que nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do aludido Decreto no 70.235/1972, com a redação da Lei n° 8.748/1993, estão configuradas. 14. Em segundo lugar, quanto ao mérito, três são as questões devolvidas ao conhecimento deste colegiado: (i) não incidência do IPI nas vendas internas de produtos importados cujo imposto foi pago no desembaraço aduaneiro, alegando que a venda de produto que não sofreu qualquer processo de industrialização disposto na lei não pode ser fato gerador do IPI; (ii) a exclusão do valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro da base de cálculo do imposto lançado de ofício; e (iii) a duplicidade de multas de ofício. 15. Observase, no entanto, que as mesmas questões estão sendo questionadas nos autos da Ação Ordinária nº 00330130.2015.4.01.3400 e da Ação Ordinária nº 5694769.2015.4.01.3400: 1. PRODUTO IMPORTADO. IPI. FATO GERADOR. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. REVENDA NO MERCADO INTERNO. INOCORRÊNCIA DE NOVA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA Não incide IPI nas vendas internas de produtos importados cujo imposto foi pago no desembaraço aduaneiro, pois o produto não sofreu qualquer um dos processos de industrialização dispostos na lei, não podendo se constituir fato gerador do IPI; 2. PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE: EXCLUSÃO DO IPI DA PRÓPRIA BASE DE CÁLCULO – solicita a exclusão do valor do IPI pago no desembaraço aduaneiro da base de cálculo do Fl. 862DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 863 6 imposto lançado nos autos e · MULTA POR FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO NAS NOTAS FISCAIS. 3. APLICAÇÃO DUAS VEZES SOBRE UMA MESMA BASE DE CALCULO – alega a existência de duplicidade de multas de ofício. 16. Neste sentido, correta a apreciação do julgador a quo nos seguintes termos: "Assim, pelas alegações da empresa tanto nos autos administrativos como judiciais, resta evidente que a matéria tratada no processo administrativo (possibilidade de tributação do IPI sobre as vendas internas de produtos importados cujo imposto foi pago no desembaraço aduaneiro, exclusão do IPI pago na importação da base de cálculo e lançamento da multa de ofício) está contida na aludida ação judicial e que o contribuinte busca concomitantemente perante o Poder Judiciário e à Administração Tributária a análise da mesma matéria. Há que se asseverar que a propositura pelo interessado de ação judicial versando sobre matéria tributável relacionada ao lançamento efetuado, mesmo após a lavratura dos autos, importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto, conforme estabelece o Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º, § 2º. Também, a Lei n.º 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38, parágrafo único, estabeleceu que a propositura de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida de depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos, importa, igualmente, em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Tal sistemática se justifica, pois não faz sentido a administração julgar matéria sub judice já que a sua decisão não tem nenhum valor perante decisão final do Poder Judiciário. A via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988, art. 5º, XXXV, declara que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Porém, o ordenamento jurídico brasileiro não contempla o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial. Somente ao Poder Judiciário é dada a capacidade de examinar as questões a ele submetidas de forma definitiva, com efeito de coisa julgada. Fl. 863DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 864 7 Consagrase, assim, o monopólio da jurisdição ao Poder Judiciário e o direito de invocar a atividade jurisdicional como direito público subjetivo" (seleção e grifos nossos). 17. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 18. Em terceiro lugar, por fim, que, quando da transferência das mercadorias da matriz para a filial, não destacou o IPI nas notas fiscais e que, por essa suposta infração, foi aplicada multa por falta de destaque. E, agora, por ocasião da venda das mercadorias, pela filial, também aplicou a mesma multa por falta de destaque do imposto nas notas fiscais de venda. Conquanto o IPI seja apurado por estabelecimento, a atividade econômica realizada foi uma só, em que pese em duas etapas, uma intermediária e uma final, sem que qualquer delas configure processo de industrialização. Assim, aplicar a multa por falta de destaque do imposto, em duas operações da mesma natureza, acaba por transformar uma multa de 75% em multa de 150%, sem que a lei a tanto autorize 19. Tampouco aqui assiste razão à contribuinte recorrente, que tampouco faz prova do quanto alegado, pois, quanto à alegada multa, o Termo de Verificação Fiscal, apurou única e exclusivamente as operações de saídas tributadas (vendas) da Matriz, tomando o cuidado de especificar, ademais, que em relação à apuração dos débitos de IPI incidentes sobre as saídas de mercadorias foram excluídas as notas fiscais referentes às transferências de mercadorias da matriz para a filial: "Dessa maneira, com base nos valores totais das notas fiscais de saídas escrituradas nos Livros de Registro de Saídas, diminuídos dos valores lançados a título de "ICMS Substituição", assim como também nas alíquotas aplicadas aos produtos constantes em cada nota fiscal emitida, foi elaborado um demonstrativo de apuração do IPI incidente sobre as vendas realizadas pela contribuinte durante os anosbase de 2005, 2006 e 2007. Esse demonstrativo, constante do Anexo I do presente Relatório de Verificação Fiscal, consolidou, por mês e por classificação fiscal da mercadoria, o valor total da base de cálculo e do débito do IPI incidente sobre os produtos vendidos pelo estabelecimento matriz importador durante o período fiscalizado. (...) Ainda em relação à apuração dos débitos do IPI incidente sobre as saídas de mercadorias do estabelecimento matriz Fl. 864DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 865 8 importador (equiparado a industrial), convém ressaltar os seguintes pontos: • Não foram escrituradas, nos Livros de Registro de Saídas do IPI dos anosbase de 2005 e 2006, as notas fiscais de saída de números 4829 (R$ 347.724,54) e 5161 (R$ 392.160,68), emitidas, respectivamente, em 28/12/2005 e em 14/06/2006. Essas duas notas fiscais referemse a transferências de mercadorias da matriz para a filial da pessoa jurídica. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n" 002, o sujeito passivo confirmou a não escrituração dessas duas notas fiscais em seus Livros de Registro de Saídas do IPI da matriz. (...) Sobre o valor do imposto que deixou de ser destacado nas notas fiscais de saída emitidas pela contribuinte durante os anosbase de 2005, 2006 e 2007 foi aplicada a multa de ofício de 75% prevista no art. 80 da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. É importante esclarecer que essa multa é aplicável sempre que ficar caracterizada a falta de lançamento do imposto na respectiva nota fiscal de saída. Dai imporse a cobrança da penalidade sobre o valor total do imposto não destacado naquelas notas, independentemente de estar ele, em determinado período de apuração, coberto (total ou parcialmente) por eventuais créditos. Para fins de aplicação da multa de ofício, o que importa é a infração cometida pelo sujeito passivo, qual seja, a falta de lançamento do imposto devido em suas notas fiscais de saída. Logo, a base de cálculo da aludida multa é o valor do imposto que deixou de ser destacado nas notas fiscais, ainda que existam créditos suficientes para amortizar esse valor do imposto. (...) Era face de todo o anteriormente exposto, efetuase o presente lançamento, mediante Auto de Infração, do IPI devido durante os anosbase.de 2005, 2006 e 2007, em virtude do não lançamento do imposto nas notas fiscais de saída emitidas no respectivo período. Também está sendo objeto de lançamento, no presente Auto de Infração, a multa de oficio incidente sobre o valor do IPI não destacado/lançado nas mencionadas notas fiscais com cobertura de crédito" (seleção e grifos nossos). 20. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 15758.000009/201104 Acórdão n.º 3401005.364 S3C4T1 Fl. 866 9 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 866DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.900721/2008-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2003
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento.
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. PRELIMINAR. CABIMENTO.
Há conexão entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos (inc. I, do §1º, do art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015).
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2003
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. CRÉDITO INEXISTENTE.
Procedente a homologação parcial da compensação com valor a maior inferior ao pleiteado, se o crédito informado como suporte para a compensação declarada não foi confirmado.
Numero da decisão: 1001-000.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar parcialmente a preliminar de pedido de conexão com os processos nº 10935.900697/2008-99 e 10935.900727/2008-67, não cabendo o mesmo para o processo nº 10935900741/2008-61, pois está arquivado. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso. Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. PRELIMINAR. CABIMENTO. Há conexão entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos (inc. I, do §1º, do art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. CRÉDITO INEXISTENTE. Procedente a homologação parcial da compensação com valor a maior inferior ao pleiteado, se o crédito informado como suporte para a compensação declarada não foi confirmado.
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M. INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. No denominado lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, descabe falar em denúncia espontânea de infração na circunstância em que os valores foram declarados e recolhidos fora do vencimento. JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS. PRELIMINAR. CABIMENTO. Há conexão entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos (inc. I, do §1º, do art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. CRÉDITO INEXISTENTE. Procedente a homologação parcial da compensação com valor a maior inferior ao pleiteado, se o crédito informado como suporte para a compensação declarada não foi confirmado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar parcialmente a preliminar de pedido de conexão com os processos nº 10935.900697/200899 e 10935.900727/200867, não cabendo o mesmo para o processo nº 10935900741/200861, pois está AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 07 21 /2 00 8- 90 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 80 2 arquivado. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao Recurso. Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR mediante o Acórdão nº 0629.903, de 14/01/2011 (efls. 38/42), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (destaques no original) Trata o processo da Declaração de CompensaçãoPer/Dcomp original n° 23713.95436.070704.1.3.011960, fls. 29/33, relativa à compensação de débito(s) 5625 IRPJ LUCRO ARBITRADO, referente ao período de apuração 4º trimestre/2003, com utilização do direito creditório pagamento indevido ou a maior de 2372 CSLL PJ optante pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado, do 41 trimestre 2004, recolhido em 30/03/2004, no valor original de R$ 715,77. 2. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório proferido em 09/05/2008, n° de rastreamento 759952442 (fls. 24/28), não homologou a compensação declarada porque, tendo sido localizado o pagamento, foi utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível; apurou o saldo devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/05/2008, no valor do principal de R$ 748,98, acrescido de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificada por via postal (AR recebido em 23/05/2008), a contribuinte apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 1/18, acompanhada dos documentos de fls. 19/24. 4. Destaca que o valor do crédito na data da transmissão da Dcomp era de R$748,98, recolhidos indevidamente. 5. Que recolheu via Darf, espontaneamente, antes o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, em 30/03/2004, o valor de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 81 3 R$ 7.230,02 de 2372 CSLL PJ optante pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado, do 4° trimestre 2003, adicionado de R$ 715,77 de multa de mora, a qual há tempo vem sendo contestada com base no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966; a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF trimestral correspondente foi entregue em 14/11/2003; portanto, restou caracterizada a denúncia espontânea, na qual descabe a multa de mora; transcreve acórdão do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda — CCMF e julgados da Câmara Superior de Recursos Ficais — CSRF e Superior Tribunal de Justiça — STJ. 6. Destacando que somente a lei pode estabelecer penalidades tributárias e ser obedecida pelo Fisco, disserta sobre as multas moratória e punitiva; argumenta, em síntese, ser impossível a exigência de multa moratória sobre débitos tributários pagos espontaneamente, defende que a multa de mora tem o caráter de sanção, que o pagamento do tributo antes de qualquer ato da administração pública configura o instituto da denúncia espontânea, conforme o art. 138 do CTN, e aduz que os valores recolhidos indevidamente devem ser corrigidos monetariamente através da aplicação da juros equivalentes à taxa Selic. 7. Ao final, solicita: o acolhimento da manifestação com efeito suspensivo para a decisão atacada; a reforma da decisão a quo, deferindose o ressarcimento ou restituição dos valores recolhidos indevidamente ou a maior, com a conseqüente homologação da compensação efetuada, a incidência dos juros equivalentes à Taxa Selic, acumulada mensalmente, sobre os valores pagos indevidamente, e a intimação da pauta de julgamento e das decisões deste processo na pessoa do procurador para fins de sustentação oral. O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2003 MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO COM ATRASO. É devida a multa de mora no recolhimento de impostos e contribuições com atraso, mesmo se espontâneo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. CRÉDITO INEXISTENTE. Procedente a homologação parcial da compensação com valor a maior inferior ao pleiteado, se o crédito informado como suporte para a compensação declarada não foi confirmado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 03/02/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 45, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 28/02/2011 (efls. 49/60), conforme carimbo aposto na fls. 49. É o Relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 82 4 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Da preliminar Como preliminar, a recorrente suscita a reunião de 03 (três) processos, abaixo relacionados, para que tramitem conjuntamente com o presente, por trataremse de matéria conexa, com base no art. 47 do RICARF. PAF Período de Apuração 10935.900741/200861 CSLL PJ 4° Trimestre/2003 10935.900727/200867 CSLL PJ 3º Trimestre/2003 10935.900721/200890 CSLL PJ 4° Trimestre/2004 O artigo art. 47 do RICARF, citado pela recorrente, trata exclusivamente da forma de distribuição, com menção de que os processos conexos devem ser encaminhados ao mesmo relator. Vejamos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observando a competência e a tramitação prevista no art. 46. (grifei) Conforme pesquisa aos processos citados, todos eles se referem a PER/DCOMP de períodos de apuração de 2003 e 2004 e tratam de matéria conexa, cujas lides se referem a incidência ou não da multa de mora em denúncia espontânea para tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte. Considerando que 2 (dois) processos, os de nºs 10935.900727/200867 e 10935.900721/200890, encontravamse no CARF e ainda não tinham sido distribuídos, na qualidade de Conselheiro prevento e com base no Art. 6º, do Anexo II, do RICARF/2015, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, os mesmos foram distribuídos para este mesmo relator após solicitação. Quanto ao processo de nº 10935.900741/200861, cumpre informar que o mesmo foi arquivado e, assim, não cabe o pedido da recorrente. Neste sentido, voto por ACATAR A PRELIMINAR de pedido de conexão do processo, para tramitação conjunta apenas com os processos de nºs 10935.900727/200867 e 10935.900721/200890, não cabendo o mesmo para o processo de nº 10935.900741/200861, conforme as razões esposadas acima. Do mérito No recurso interposto, a recorrente repete todos os argumentos apresentados em sede de primeira instância, na verdade, apenas altera o primeiro parágrafo quando se dirige ao órgão julgador, agora o CARF. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 83 5 Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Por concordar com todos os seus termos e conclusões, peço vênia para transcrever os excertos a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completantoo ao final: (grifos não constam no original) 8. A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, defende um valor maior de crédito de pagamento indevido ou a maior argumentando sobre a impossibilidade de exigência de multa de mora sobre débitos tributários pagos espontaneamente e o crédito pleiteado na Dcomp diz respeito à multa de mora incidente sobre débito que recolheu com atraso, espontaneamente; argumenta que referida a multa de mora tem o caráter de multa punitiva e que o pagamento do tributo antes de qualquer ato da administração pública configura o instituto da denúncia espontânea, conforme o art. 138, do CTN. 9. Primeiramente, o art. 161, do CTN dispõe que o crédito não integralmente pago no vencimento deverá ser acrescido dos juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Inserese no rol das penalidades a multa de mora; o próprio CTN, no art. 134, parágrafo único, adota esse entendimento, ao dispor, nos casos em que especifica, em matéria de penalidades, a aplicação tãosomente das de caráter moratório. 10. Assim, constituindo o CTN um conjunto de normas gerais, visando, de modo precípuo, o legislador ordinário e não ao sujeito passivo, admitir a literal aplicação do art. 138 ao caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada; além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária que cuida de sua aplicação. 11. Ademais, o referido dispositivo do CTN dispõe que, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 12. Uma leitura mais atenta do art. 138 evidencia que o seu conteúdo encontrase adstrito à exclusão da penalidade de cunho punitivo. 13. Já a multa de mora não se destina a imputar falta ao sujeito passivo, mas diversamente, a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no recebimento de receita previamente determinada, portanto é de natureza exclusivamente indenizatória. 14. Ademais, por se tratar de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 84 6 intempestivamente, como no presente caso em que o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo. 15. Tal entendimento, aliás, já foi pacificado inclusive no âmbito do Superior Tribunal de Justiça — STJ; é o que se extrai da Súmula n° 360, a seguir transcrita: O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. 16. A relevância da multa moratória foi inclusive reafirmada pelo legislador, quando estipulou sua incidência no caso de recolhimento em atraso de tributos e contribuições, nos seguintes termos do art. 61 da Lei n° 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 ° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Grifouse) §1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não são do original) 17. Com efeito, estando a multa de mora expressamente prevista na legislação e submetendose a administração tributária ao princípio constitucional da legalidade, princípio basilar e norteador de toda a administração pública, não tem a autoridade tributária competência para afastar os efeitos de lei inquestionavelmente em vigor. 18. Desse modo, com esteio nas normas legais pertinentes podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher o tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruções da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. 19. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora recolhida quando do pagamento com atraso. 20. A questão da aplicação da Taxa Selic fica prejudicada em virtude da impossibilidade do reconhecimento do direito ao crédito. 21. Por fim, o pedido para que o procurador seja intimado da pauta de julgamento e das decisões para o fim de realizar a sustentação oral da defesa deve ser indeferido, em virtude da inexistência de previsão legal para a realização de 18 sustentação oral Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10935.900721/200890 Acórdão n.º 1001000.814 S1C0T1 Fl. 85 7 durante o julgamento administrativo de primeira instância, realizado nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DRJ. Conclusão. À vista do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a exigência de R$ 748,98, acrescida de multa e juros de mora. Neste sentido, voto por ACATAR PARCIALMENTE a PRELIMINAR de pedido de conexão do processo, para tramitação conjunta com os processos de nºs 10935.900727/200867 e 10935.900697/200899, não cabendo o mesmo para o processo de nº 10935.900741/200861, pois está arquivado e, no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901224/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 12 24 /2 00 9- 72 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 3 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 1635.202, da 5ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 27/07/2007 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF, que presumese líquido e certo, e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DERAT/São Paulo, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. Na manifestação de inconformidade, foi alegado que o crédito existe pelo fato de o contribuinte ter recolhido, de forma indevida, valor maior de IRPJ apurado no 2º trimestre de 2007, conforme demonstra a DIPJ/2008, os comprovantes de pagamento e a DCTF apresentada. O acórdão da DRJ/SP1 não acatou as alegações, pois o DARF indicado como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado da DCTF, inexistindo, a principio, pagamento indevido. A DIPJ/2008 e a DCTF retificadora, esta última apresentada após a ciência da decisão da DERAT/São Paulo, não seriam suficientes para comprovação do recolhimento a maior. Da análise das declarações, verificouse que, na DIPJ/2008, a base de cálculo do tributo foi apurado com a aplicação do percentual de 8%, enquanto que na DCTF original foi aplicado o percentual de 32%. Entretanto, não foi apresentado nenhuma documentação que pudesse demonstrar a natureza das atividades da empresa, sendo que em seu contrato social constam, como objeto social, as seguintes atividades: (1) administração de bens próprios, (2) participação em empreendimentos imobiliários e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A ciência do Acórdão da DRJ ocorreu em 03/02/2012, e o recurso voluntário foi apresentado em 01/03/2012, com as seguintes alegações: afirma que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade demonstram e esclarecem a atividade por ela exercida, de empreendimentos imobiliários, e os motivos que a levaram ao cálculo da base de cálculo do tributo, adotando o percentual de 8% em vez de 32 %. pelo Princípio da Verdade Material, é oportuno esclarecer que a recorrente atua no ramo de empreendimentos imobiliários e tem sua tributação na forma do Lucro Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 4 3 Presumido, aplicando sobre as receitas tributáveis decorrentes das vendas de imóveis próprios o percentual de 8% para apurar a base de cálculo dos tributos. em 2007 obteve receitas oriundas exclusivamente da venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%, nos termos do artigo 15, caput, c/c §4º da Lei nº 9.249/95, bem como do artigo 3º, §7º da IN SRF n° 93/97. houve erro de fato no cálculo de IRPJ da recorrente no período de 2007, com a utilização de alíquota de 32%, que acabou interferindo diretamente no valor final do tributo, resultando em recolhimento a maior. andou mal a decisão recorrida quando da avaliação do contrato social, pois não se trata da simples leitura para deduzir a atividade da recorrente como colocado, mas sim da leitura aliada à atividade e cálculos do tributo, devidamente demonstrado na DIPJ. demonstrada a atividade exercida pela recorrente, não se pode utilizar de presunção para tributar o sujeito passivo, nos termos do artigo 118, caput, c/c inciso II do CTN. agiu de boa fé, fornecendo todos os elementos para análise e devida homologação da compensação, inclusive cuidando de retificar a DCTF para que não pairassem dúvidas quanto aos valores corretos dos tributos. a DCTF, como instrumento de confissão de dívida, comporta prova em contrário, sob pena de a Administração Pública locupletarse à custa do sujeito passivo. o artigo 16 da Lei nº 9.779/99 delega à SRF a competência para dispor sobre obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições, tendo por finalidade amenizar o rigor da norma invocada, haja vista as inúmeras situações que podem levar o contribuinte a ter o seu débito declarado de maneira incorreta, em virtude de erro de fato que, via de conseqüência, pode acarretar indevida confissão de débito tributário por erro na declaração. não pode prevalecer o entendimento de que a DCTF apresentada, com erro, constitui confissão absoluta de dívida. restou demonstrado que houve erro de fato na DCTF original, com o preenchimento de IRPJ com valor superior ao que de fato e de direito era devido, ao aplicar a alíquota de 32% em vez de 8%. a MP nº 2.18849/2001, em seu artigo 18, permite a retificação das declarações dos tributos administrados pela SRF, nas hipóteses permitidas, possuindo a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. ao tempo da publicação do Despacho Decisório denegatório, estava vigente IN SRF nº 974/2009, que dispunha em seu artigo 9º, § 3º, sobre a possibilidade de retificação de DCTF nos casos em que houvesse prova inequívoca do erro de fato da DCTF. nestes termos, não há como subsistir o entendimento posto no acórdão recorrido no sentido de que a DCTF apresentada após o início de qualquer procedimento fiscal não produz efeitos. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 5 4 a decisão recorrida incorreu em contradição quando afirmou que débito espontaneamente confessado em DCTF tem presunção de liquidez e certeza, mas que poderia ser desconstituído se apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. ocorre que as provas foram apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, mas que a turma da DRJ/SP1, ausente o Princípio da Razoabilidade, entendeu que não surtiram seus efeitos jurídicos característicos e válidas, razão pela qual deve ser reformado acórdão recorrido. consta no acórdão recorrido que, nos termos do artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade, fato que ocorreu com a apresentação da DIPJ/2008, DCTF e pagamentos, que dão suporte ao direito creditório a que faz jus, sempre agindo de boafé, não podendo ser penalizada tendo indeferido seu pedido de compensação. Junto com o recurso voluntário, a recorrente apresentou o Livro Diário e o Laudo de Avaliação de Créditos. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.057, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.681715/2009 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.057): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim dele eu conheço. A lide neste processo se concentra na questão da prova da atividade exercida pela recorrente. Isto porque não há dúvidas que, no caso do Lucro Presumido, a alíquota a ser aplicada para determinação da base de cálculo dos tributos é de 8% quando a receita financeira decorre da exploração de atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (artigo 15, §4º da Lei nº 9.249/95, incluído pela Lei nº 11.196/2005) A recorrente afirma que incorreu em erro de fato no preenchimento da DCTF original quando aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinar o lucro presumido, base de cálculo dos tributos. Aduz que sua receita decorre exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%. E entende que a comprovação do erro de fato se deu com a apresentação, junto com a manifestação de inconformidade, da DIPJ/2008, das DCTF retificadas e dos pagamentos. Aduz que faltou razoabilidade por parte da 5ª Turma da DRJ quando da análise dos citados documentos. Na apresentação do recurso voluntário, além das declarações já mencionadas, a recorrente apresentou cópia do Livro Diário Geral de Contabilidade e Laudo de Avaliação de Créditos. Passo a me pronunciar. Discordo da recorrente quando alega que faltou razoabilidade quando análise dos documentos. Como bem ressaltou o voto condutor da decisão recorrida, não há qualquer explicação quanto aos valores discrepantes informados entre a Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 7 6 DCTF original e a DIPJ/2008. E esta explicação era devida, já que, de acordo com o contrato social, a recorrente exerce 3 (três) atividades econômicas, sendo que nem todas permitem a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. De fato, as atividades que constam no contrato social seriam: (1) a administração de bens próprios; (2) a participação em empreendimentos imobiliários; e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A recorrente informa, na DIPJ/2008, como Código da Atividade Econômica (CNAE fiscal) o 64.620/00 Holdings de Instituições não financeiras. Para tessas atividades econômicas o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, para determinação da base de cálculo dos tributos, é de 32%. A exceção poderia ser, talvez, a participação em empreendimentos imobiliários, para a qual a recorrente deveria comprovar a venda de imóveis próprios. As declarações fiscais apresentadas DIPJ/2008 e DCTF retificadas, são suficientes para comprovar que as receitas decorrem exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios ? Entendo que não, uma vez que as declarações são preenchidas pela própria recorrente, que é parte interessada na presente demanda, fato enfraquece a força probante dos documentos. É preciso esclarecer que as declarações devem refletir a escrituração do contribuinte, seus registros contábeis e resultados apurados. O artigo 923 do RIR/99 dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. E é com base neste artigo que devemos analisar se o Livro Diário Geral e o Laudo de Avaliação de Créditos, apresentados juntamente com o recurso voluntário, seriam suficientes para comprovar que a totalidade da receita auferida no anocalendário de 2007 seria exclusivamente decorrente de venda de imóveis próprios. O Laudo de Avaliação de Crédito tão somente descreve as atividades da recorrente, afirmando que, de acordo com sua operação de administração e vendas de bens próprios, tem a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Consta a afirmação de que a empresa utilizou indevidamente o coeficiente de 32%. Ao final, elabora uma tabela com os valores que teria a compensar: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.901224/200972 Acórdão n.º 1302003.068 S1C3T2 Fl. 8 7 Ocorre que, ainda que o laudo tenha sido elaborado por contador, a afirmação sem a devida comprovação não faz prova a favor do pleito. Estão ausentes os documentos que comprovem que as receitas são decorrentes exclusivamente da venda de imóveis próprios. O mesmo raciocínio se aplica ao Livro Diário Geral. Em pese a tentativa de demonstrar que as receitas seriam todas decorrentes de vendas, considerando os históricos dos lançamentos contábeis "venda de unidades" em destaque, faltou a comprovação com documentação hábil, requisito necessário nos termos do artigo 923 do RIR/99. É preciso lembrar que a aplicação do percentual de 8% será sobre a comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato (§4º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95). Na ausência destes elementos, entendo que não houve a prova de que a receita teria origem exclusivamente na venda de imóveis próprios, não sendo possível afirmar que a alíquota a ser aplicada, para determinação da base tributável dos tributos, seria de 8%. Nestes termos, não é possível reconhecer o direito creditório pela ausência de certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do CTN, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser mantido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001844/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/10/2006
CONHECIMENTO DO RECURSO. MATÉRIA SUBMETIDA A APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O auto de infração e a notificação de lançamento são instrumentos igualmente hábeis para a constituição do crédito tributário. O uso de um ou de outro meio não está relacionado à matéria fática, mas à conveniência da administração tributária.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
JUROS E MULTA DE MORA. CRITÉRIOS A SEREM ANALISADOS QUANDO DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da da pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-005.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.062, de 15/05/2014, rerratificar o acórdão embargado e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/10/2006 CONHECIMENTO DO RECURSO. MATÉRIA SUBMETIDA A APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. O auto de infração e a notificação de lançamento são instrumentos igualmente hábeis para a constituição do crédito tributário. O uso de um ou de outro meio não está relacionado à matéria fática, mas à conveniência da administração tributária. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS E MULTA DE MORA. CRITÉRIOS A SEREM ANALISADOS QUANDO DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da da pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.062, de 15/05/2014, rerratificar o acórdão embargado e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/10/2006 CONHECIMENTO DO RECURSO. MATÉRIA SUBMETIDA A APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. O auto de infração e a notificação de lançamento são instrumentos igualmente hábeis para a constituição do crédito tributário. O uso de um ou de outro meio não está relacionado à matéria fática, mas à conveniência da administração tributária. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS E MULTA DE MORA. CRITÉRIOS A SEREM ANALISADOS QUANDO DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 44 /2 00 8- 91 Fl. 418DF CARF MF 2 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da da pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301 004.062, de 15/05/2014, rerratificar o acórdão embargado e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Tratamse de embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo em face do Acórdão nº 2301004.062, de 15 de maio de 2014. O embargante alega omissão do colegiado que, sob o argumento que deveria ser aplicada Súmula Carf nº 1 por haver concomitância entre as esferas administrativa e judicial, deixou de apreciar matéria impugnada e que constou do acórdão recorrido e do recurso. Segundo o embargante, a alegação de que não caberia a utilização de auto de infração para a constituição do crédito tributário não foi abordada no acórdão embargado. O presidente desta turma corroborou o entendimento do embargante e acolheu os embargos. É o relatório suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16327.001844/200891 Acórdão n.º 2301005.563 S2C3T1 Fl. 419 3 Verifico a omissão apontada e passo, então, a analisar a matéria que não constou do acórdão embargado. O recorrente alegou que o lançamento é nulo porque deveria ter sido consubstanciado em notificação de lançamento, ao invés de auto de infração. Sustentou que a utilização de auto de infração só se justifica quando da necessidade de aplicação de penalidades e, por estarem com a exigibilidade suspensa, os créditos tributários deveriam ter sido objeto de notificação de lançamento, pois o contribuinte não teria cometido nenhuma falta. De fato, como explicado pelo recorrente, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em seu art. 9º, estabelece que a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, o § 4º daquele artigo determina a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento inclusive quando, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Os arts. 10 e 11 relacionam os requisitos obrigatórios do auto de infração e da notificação de lançamento, respectivamente. Talvez o recorrente não tenha se atentado para os detalhes do auto de infração, mas ali consta claramente que, ao pagar o abono único aos seus empregados sem a incidência da contribuição previdenciária, o sujeito passivo teria infringido os seguintes dispositivos da legislação tributária (efl. 22): 400 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A TERCEIROS SALÁRIO EDUCAÇÃO _ 400.05 Competências : 10/2005 a 11/2005 Constituição Federal, art. 212, parágrafo 5., combinado com o art. 34, caput, das Disposições Constitucionais Transitórias; Lei n. 9.424, de 26.12.96, art. 15, caput; MP n. 1.565, de 09.01.97 e reedições ate a MP n. 1.607, de 11.12.97, e reedições ate a MP n. 1.607›24, de 19.11.98, convertidas na Lei n. 9.766, de 16.12.98; Lei n. 9.601, de 21.01 .98, art. 2; Decreto n. 3.142, de 16.08.99, art. 1., 2., 6., inciso II parágrafo 1.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3., posteriormente convertida na Lei n. 11.098, de 13.01.2005, artigo 3., Decreto n. 87.043, de 22.03.82, artigos 1., 2., 3., I, parágrafos 1., 2., 4., 5. e art. 13; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I. A PARTIR DE 01.01.2007: Constituição Federal, art. 212, parágrafo 5., combinado com o art .34. caput, das Disposições Constitucionais Transitórias; Lei n. 9.424, de 26.12.96, art. 15, caput; Lei n. 9.766, de 18..12.98, art. 1.; Decreto n. 6003, de 28.12.06, artigo 1., parágrafo 1. e artigos 10 e 11. 405 TERCEIROS INCRA 405.04 Competências : 10/2005 a 11/2005 Lei n. 2.613, de 23.09.55, art. 6., parágrafo 4., art. 35, parágrafo 2., VIII (com as alterações da Lei n. 4.863, de 29.11.65); Decretolei n. 1.146, de 31.12.70, art. 1., I, item 2, artigos 3. e 4.; Lei complementar n. 11, de 25.05.71, art. 15, II; Decretolei n. 2.318, de 30.12.86, art. 3.; MP n. 222, de 04.10.2004, art. 3.; Decreto n. 5.256, de 27.10.2004, art. 18, I. Por conta disso, além da contribuição devida, foi também lançada a multa, nos termos da legislação seguinte (efls. 22 e 23): Fl. 420DF CARF MF 4 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, I1, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, 111, a , b e c , parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242 , parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265 , de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NÃO INCLUÍDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação ; 14%, no mês seguinte ; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUÍDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificação;40% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa , sendo ambos tempestivos , ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto nao inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CRÉDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcela mento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERÁ A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). Ora, a Autoridade Lançadora entendeu ter havido a infração à legislação tributária e, como determina o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, lavrou o auto de infração para a constituição do crédito tributário correspondente, composto do tributo e da penalidade pecuniária. E o auto de infração lavrado contém todos os elementos previstos no art. 10 da norma processual tributária. Ao contrário do que afirma o recorrente, os dois instrumentos, auto de infração e notificação de lançamento, se equivalem. Essencialmente, eles se diferenciam quanto à autoridade que os expede. O auto de infração é lavrado pelo servidor competente que, no caso, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. A notificação de lançamento, que possui menos requisitos do que o auto de infração, pode ser expedida pelo órgão que administra o tributo, é instrumento muito utilizado para infrações mais singelas, apuradas em grandes lotes, nas quais os elementos de fato e de direito, bem como as provas, são comuns e, por essa razão, prescindem até mesmo de assinatura quando emitidas por processamento eletrônico. A definição de qual modo será utilizado não está relacionado às questões fáticas que geraram a infração. Os artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, são normas instrumentais, dirigidas à administração tributária, que estabelecem alternativas à forma de constituição do crédito tributário e devem ser aplicadas de acordo com a conveniência e a oportunidade do poder público, no exercício do poder discricionário, observados os princípios da primazia do interesse público, da razoabilidade e da legalidade. Cabe, pois, à administração Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16327.001844/200891 Acórdão n.º 2301005.563 S2C3T1 Fl. 420 5 tributária escolher o meio para consubstanciar o lançamento, sendo ambos equivalentes, desde que obedecidos os requisitos dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. Confesso que procurei, procurei, procurei e não consegui descobrir de onde o recorrente teria extraído a exótica, criativa e pitoresca tese de que não se aplica auto de infração para a constituição de crédito tributário, ainda que não houvesse penalidade, o que nem é o caso, porquanto houve a aplicação de multa de ofício. Voto, pois, por acatar os embargos, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto à inadequação do meio utilizado, mantendo as decisões do acórdão embargado nas demais matérias. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003720/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante o complemento dos fundamentos para a exclusão da multa de mora incidente sobre a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte depositado em juízo.
Numero da decisão: 2401-005.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, mediante o complemento das razões para a exclusão da multa de mora sobre o imposto retido na fonte depositado em juízo.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. Acolhem-se os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante o complemento dos fundamentos para a exclusão da multa de mora incidente sobre a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte depositado em juízo.
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OMISSÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. Acolhemse os embargos de declaração para sanar a omissão no acórdão embargado, mediante o complemento dos fundamentos para a exclusão da multa de mora incidente sobre a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte depositado em juízo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado no acórdão embargado, mediante o complemento das razões para a exclusão da multa de mora sobre o imposto retido na fonte depositado em juízo. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 37 20 /2 00 8- 71 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11543.003720/200871 Acórdão n.º 2401005.744 S2C4T1 Fl. 57 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, conforme fls. 49/50, contra o Acórdão nº 2102003.087, de 09/09/2014, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 43/47. Alega a embargante a existência de contradição/omissão no acórdão que excluiu a multa de mora lançada pela fiscalização, tendo em conta que a fundamentação referiuse à multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional ainda registra que o colegiado não abordou a tempestividade do depósito judicial, ou seja, se foi realizado até a data do vencimento da obrigação tributária. Os autos foram recepcionados pela Procuradoria da Fazenda Nacional em 24/10/2014, que interpôs os embargos de declaração em 07/11/2014 (fls. 48 e 50). Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção. Os aclaratórios foram admitidos por despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento, exclusivamente com relação ao alegado defeito de fundamentação para o cancelamento da multa de mora, determinando a inclusão do processo em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas ao saneamento do vício apontado pela Fazenda Nacional (fls. 53/55). É o relatório Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Cingese a análise dos embargos opostos pela Fazenda Nacional à alegação de omissão/contradição no julgado quanto à fundamentação para exclusão da multa de mora, na medida em que o prequestionamento pela embargante quanto à tempestividade do depósito judicial foi rejeitado, em caráter definitivo, pelo Presidente da 2ª Seção de Julgamento (fls. 53/55). Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11543.003720/200871 Acórdão n.º 2401005.744 S2C4T1 Fl. 58 3 Na parte devolvida a exame do colegiado, uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 Pois bem. Tratase, na origem, de notificação de lançamento decorrente de compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, acrescido de juros e multa de mora (fls. 05/09). A fonte pagadora não recolheu o imposto retido da contribuinte, mas sim depositou em juízo nos autos do Processo nº 2000.00.0064454. Em que pese mantida a decisão de piso no que diz respeito à impossibilidade de aproveitamento do imposto de renda depositado em juízo na declaração de ajuste anual da pessoa física, o acórdão embargado excluiu do lançamento a multa de mora, com a seguinte justificativa (fls. 46): (...) No entanto, o recurso merece ser conhecido em parte, apenas para que se exclua do lançamento a exigência da multa de mora a ele aplicada, em obediência ao que determina o Enunciado nº 17 da Súmula deste CARF: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (...) Com efeito, assiste razão à embargante, pois o acórdão deu provimento parcial para excluir a multa de mora, conquanto fez referência ao enunciado da Súmula nº 17 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que diz respeito à exigência da multa de ofício, sem explicar o motivo pelo qual o caso concreto se amolda aos fundamentos do enunciado de súmula. Assim sendo, cabe a integração da decisão recorrida, mediante a complementação das razões para a exclusão da multa de mora. Ao longo do tempo sempre houve controvérsias a respeito da natureza da multa moratória na seara tributária, tendo o acórdão embargado assumido que a multa de mora, assim como a multa de ofício, são dotadas de um caráter de sanção ao contribuinte. No caso da multa de mora, uma sanção pelo atraso no cumprimento da obrigação tributária principal. Na mesma linha de compreensão da multa de ofício, não se poderá exigir a multa de mora, em prejuízo do contribuinte, quando estiver amparado por decisão judicial válida que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, proferida antes do início do procedimento fiscal. Eis porque o votocondutor do acórdão embargado utilizou a analogia com o verbete sumulado nº 17. 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11543.003720/200871 Acórdão n.º 2401005.744 S2C4T1 Fl. 59 4 É de se assinalar que a fonte pagadora efetuava o depósito judicial de 100% do imposto de renda retido mensalmente dos proventos da contribuinte, valores glosados pelo agente fazendário (fls. 40). Por sua vez, o depósito do montante do imposto retido pela fonte pagadora até a data do vencimento do tributo não se revestiu de matéria controvertida nos autos, sequer foi cogitado tal debate pelo agente fiscal. Os dados constantes do processo administrativo indicam que o Poder Judiciário deferiu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em 21/03/2000, antes da data de vencimento do imposto retido, relativamente ao anocalendário de 2005, não havendo que se falar, por esse motivo, em atraso no recolhimento do tributo na hipótese de depósito judicial tempestivo do imposto de renda (fls. 07). O depósito judicial tempestivo satisfaz integralmente o crédito tributário até o valor por ele coberto, quando é repassado à Conta Única do Tesouro Nacional, ficando disponível para o credor enquanto perdurar a ação judicial, pelo que não é razoável configurar a mora nessa hipótese (Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998). Logo, também sob tal ótica de raciocínio, a exigência de multa de mora se mostrou indevida, no presente lançamento fiscal. Em suma, então, cumpre acolher os declaratórios com função integrativa, para completar a lacuna existente na decisão recorrida, na forma acima mencionada, contudo sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, que afastou a multa de mora do lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos, na parte admitida pelo despacho do Presidente da 2ª Seção de Julgamento e, no mérito, ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar o vício apontado pela Fazenda Nacional no Acórdão nº 2102003.087, de 09/09/2014, mediante o complemento das razões para a exclusão da multa de mora sobre o imposto retido na fonte depositado em juízo. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.003523/00-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa.
CUSTOS. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a efetividade da operação, mediante a apresentação de cópia autenticada da nota fiscal correspondente, constitui-se
dedulível o valor de seu custo.
BAIXA DE ESTOQUE. ESTORNO.
Reputa-se válido o estorno a débito de conta de resultado, quando resta demonstrada a contabilização original correspondente.
VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. ESTORNO DE RECEITAS.
Nas situações em que o sujeito passivo promove o estorno das variações monetárias ativas em decorrência de obediência a mandamento legal que determina o expurgo inflacionário dos valores representados pela atualização monetária dos pagamentos efetuados com atraso pela administração pública, prevalece a norma específica em detrimento do disposto no art. 320 do RIR/94, ainda que a quitação e a extinção de dívidas ocorra por meio do instituto da compensação, uma vez que o estorno c a única forma contábil de se atender à referida lei.
PROVISÃO PARA FÉRIAS E ENCARGOS. DEDUTIBILIDADE.
Considera-se inválida a glosa de despesa quando o valor adicionado no LALUR e declarado em DIRPJ supera o montante de despesa provisionada, a qual consiste na diferença entre o saldo final e o saldo inicial da correspondente conta de provisão, cm determinado ano-calendário.
PROVISÃO DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS.
Os valores contabilizados em contas de provisão não autorizadas, quando não acompanhados de documentação que comprove tratar-se
de custos 165 DRJ/BSB Fls. 2.361 incorridos, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real.
PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. CABIMENTO.
A correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüentes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa de correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição, sendo, pois, dedutível para efeito de tributação, como exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real.
RETENÇÕES A PAGAR. PASSIVO.
Demonstrada que a natureza da conta é de obrigação, uma vez que representa uma garantia da empresa de reter o pagamento aos empreiteiros ou fornecedores de bens e somente efetuá-lo
no término da obra ou na entrega do bem, não há que se falar em glosa de despesas para constituição de provisão.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRECLUSÃO
Matéria não impugnada não pode ser conhecida em sede de recurso
voluntário.
Numero da decisão: 1302-000.830
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa. CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetividade da operação, mediante a apresentação de cópia autenticada da nota fiscal correspondente, constitui-se dedulível o valor de seu custo. BAIXA DE ESTOQUE. ESTORNO. Reputa-se válido o estorno a débito de conta de resultado, quando resta demonstrada a contabilização original correspondente. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. ESTORNO DE RECEITAS. Nas situações em que o sujeito passivo promove o estorno das variações monetárias ativas em decorrência de obediência a mandamento legal que determina o expurgo inflacionário dos valores representados pela atualização monetária dos pagamentos efetuados com atraso pela administração pública, prevalece a norma específica em detrimento do disposto no art. 320 do RIR/94, ainda que a quitação e a extinção de dívidas ocorra por meio do instituto da compensação, uma vez que o estorno c a única forma contábil de se atender à referida lei. PROVISÃO PARA FÉRIAS E ENCARGOS. DEDUTIBILIDADE. Considera-se inválida a glosa de despesa quando o valor adicionado no LALUR e declarado em DIRPJ supera o montante de despesa provisionada, a qual consiste na diferença entre o saldo final e o saldo inicial da correspondente conta de provisão, cm determinado ano-calendário. PROVISÃO DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Os valores contabilizados em contas de provisão não autorizadas, quando não acompanhados de documentação que comprove tratar-se de custos 165 DRJ/BSB Fls. 2.361 incorridos, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. CABIMENTO. A correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüentes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa de correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição, sendo, pois, dedutível para efeito de tributação, como exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real. RETENÇÕES A PAGAR. PASSIVO. Demonstrada que a natureza da conta é de obrigação, uma vez que representa uma garantia da empresa de reter o pagamento aos empreiteiros ou fornecedores de bens e somente efetuá-lo no término da obra ou na entrega do bem, não há que se falar em glosa de despesas para constituição de provisão. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRECLUSÃO Matéria não impugnada não pode ser conhecida em sede de recurso voluntário.
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CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetividade da operação, mediante a apresentação de cópia autenticada da nota fiscal correspondente, constituise dedulível o valor de seu custo. BAIXA DE ESTOQUE. ESTORNO. Reputase válido o estorno a débito de conta de resultado, quando resta demonstrada a contabilização original correspondente. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. ESTORNO DE RECEITAS. Nas situações em que o sujeito passivo promove o estorno das variações monetárias ativas em decorrência de obediência a mandamento legal que determina o expurgo inflacionário dos valores representados pela atualização monetária dos pagamentos efetuados com atraso pela administração pública, prevalece a norma específica em detrimento do disposto no art. 320 do RIR/94, ainda que a quitação e a extinção dc dívidas ocorra por meio do instituto da compensação, uma vez que o estorno c a única forma contábil de se atender à referida lei. PROVISÃO PARA FÉRIAS E ENCARGOS. DEDUTIBILIDADE. Considerase inválida a glosa de despesa quando o valor adicionado no LALUR e declarado em DIRPJ supera o montante de despesa provisionada, a qual consiste na diferença entre o saldo final e o saldo inicial da correspondente conta de provisão, cm determinado anocalendário. PROVISÃO DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Os valores contabilizados em contas de provisão não autorizadas, quando não acompanhados de documentação que comprove tratarse de custos 165 DRJ/BSB Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Fls. 2.361 incorridos, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. CABIMENTO. A correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüentes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa de correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição, sendo, pois, dedutível para efeito de tributação, como exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real. RETENÇÕES A PAGAR. PASSIVO. Demonstrada que a natureza da conta é de obrigação, uma vez que representa uma garantia da empresa de reter o pagamento aos empreiteiros ou fornecedores de bens e somente efetuálo no término da obra ou na entrega do bem, não há que se falar em glosa de despesas para constituição de provisão. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. PRECLUSÃO Matéria não impugnada não pode ser conhecida em sede de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório Tratam os autos de recursos de ofício e voluntário em relação ao acórdão DRJ de fls. 2360 e seguintes, que manteve parcialmente o lançamento tributário lavrado em função das seguintes infrações : Dedução de custos não comprovados; Dedução de custos para os quais não foram apresentados documentos originais ou autenticados; Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 2 3 Dedução de custos para os quais não houve comprovação da destinação dos materiais, sua qualificação ou quantificação; Falta de adição de despesas relativas à constituição de provisões não autorizadas pela legislação; Dedução indevida de provisões referentes a 13º salário, férias e encargos, haja vista que não foi apresentado individualmente a quantificação e qualificação de cada provisão, e tampouco a comprovação da observância às limitações legais; Estorno indevido de variações monetárias ativas. A DRJ decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica I R P J Anocalendário: 1995 MPF. EMISSÃO POR AUTORIDADE COMPETENTE. Reputase válido o MPF assinado por chefe de divisão de fiscalização, quando existente o documento de delegação correspondente. CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Comprovada a efetividade da operação, mediante a apresentação de cópia autenticada da nota fiscal correspondente, constituise dedulível o valor de seu custo. BAIXA DE ESTOQUE. ESTORNO. Reputase válido o estorno a débito de conta de resultado, quando resta demonstrada a contabilização original correspondente. VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. ESTORNO DE RECEITAS. Nas situações em que o sujeito passivo promove o estorno das variações monetárias ativas em decorrência de obediência a mandamento legal que determina o expurgo inflacionário dos valores representados pela atualização monetária dos pagamentos efetuados com atraso pela administração pública, prevalece a norma específica em detrimento do disposto no art. 320 do RIR/94, ainda que a quitação e a extinção dc dívidas ocorra por meio do instituto da compensação, uma vez que o estorno c a única forma contábil de se atender à referida lei. PROVISÃO PARA FÉRIAS E ENCARGOS. DEDUTIBILIDADE. Considerase inválida a glosa de despesa quando o valor adicionado no LALUR e declarado em DIRPJ supera o montante de despesa provisionada, a qual consiste na diferença entre o saldo final e o saldo inicial da correspondente conta de provisão, cm determinado anocalendário. PROVISÃO DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Os valores contabilizados em contas de provisão não autorizadas, quando não acompanhados de documentação que comprove tratarse de custos 165 DRJ/BSB Fls. 2.361 incorridos, devem ser adicionados ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real. Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. CORREÇÃO MONETÁRIA DE PROVISÃO INDEDUTÍVEL. CABIMENTO. A correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüentes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa de correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição, sendo, pois, dedutível para efeito de tributação, como exclusão do lucro líquido para apuração do lucro real. RETENÇÕES A PAGAR. PASSIVO. Demonstrada que a natureza da conta é de obrigação, uma vez que representa uma garantia da empresa de reter o pagamento aos empreiteiros ou fornecedores de bens e somente efetuálo no término da obra ou na entrega do bem, não há que se falar em glosa de despesas para constituição de provisão. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar argüições de ilegalidade ou inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a taxa de juros Selic sobre os valores de tributos devidos e não pagos no vencimento, em conformidade com a legislação vigente. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO C S L L Anocalendário: 1995 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS / PASEP Anocalendário: 1995 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE I R R F Anocalendário: 1995 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 3 5 Destacase no voto condutor do acórdão: GLOSA DE CUSTOS. Do exposto, vêse que, em relação às Notas Fiscais n° 0086, 0026 e 00221, assiste razão à requerente, uma vez que, além de restar comprovada a efetividade da operação, tais despesas são usuais e necessárias, devendo ser consideradas dedutíveis. No que concerne à Nota Fiscal 2027, entretanto, há que se registrar que, conforme consta do recibo de honorários médicos à 11. 636, tratase de serviços médicos prestados pelai equipe neurocirúrgica do Dr. Flávio Settani ao Sr. José Jaime Cláudio Rabeya Sanchez internado no Hospital São Luiz no período de 11 a 21 de janeiro de 1995. O RIR/94 sinaliza, por meio de seu art. 242, §2°, que as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Já as despesas médicas, odontológicas, farmacêuticas e sociais são consideradas despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real, desde que destinadas indistintamente a todos os funcionários da pessoa jurídica, consoante estiplta o art. 300 do RIR/94. Porém, o que se verifica no caso em tela é que a impugnante não trouxe nenhuma informação a esse respeito, nem relativa à identificação do vínculo empregacional com o paciente, e tampouco relativa ao oferecimento de tais serviços a todos os seus funcionários. Destarte, não há como acolher a argumentação da requerente, no que se refere a essa Nota Fiscal, em específico. Quanto à Nota Fiscal da Plastireal, cumpre observar que, embora a autuação e a impugnação façam referência ao número 02182, foi anexada aos autos cópia autenticada da NF n° 02181, que, não obstante, tem como emitente a Plastireal Indústria c Comércio de Plásticos Ltda e como valor total a importância de R$ 15.548,00. Além disso, consta à fl. 620, a ordem de compra correspondente, o que autoriza a conclusão de que se trata de mero erro de fato, e que a despesa contabilizada referese, em verdade, à Nota Fiscal n° 02181, cuja cópia autenticada foi apresentada como elemento comprobatório da despesa. BAIXA DE ESTOQUE. Relata a Fiscalização que a empresa promoveu, em 31/12/95, a baixa da conta estoque (10108001001611), Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 creditando esta e debitando a conta material de consumo/custo (50304001004000), cujo histórico apresentado é: Reclas. Estoq. Encer. 12/95, no valor de R$ 184.943,80, sem, contudo, comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a destinação dos materiais. Afirma, ainda, que sequer houve a apresentação de qualquer documento ou, ao menos, controles internos qualificando e quantificando tais materiais de consumo. Por conseguinte, procedeu à glosa de (ai valor, como custo não comprovado devidamente. A autuada, em sua defesa, assevera que, em 31/05/95, tal valor foi debitado a conta de estoque e creditado a conta de resultado e que, posteriormente, percebeu que esse ingresso de materiais em "estoques" de fato não existiu, razão pela qual procedeu ao estorno, em 31/12/95. Acrescenta que o mencionado estorno pode ser verificado pelas cópias do Livro Diário em que tais lançamentos contábeis foram registrados. Tais cópias, , autenticadas, constam das fls. 595 a 599. Acerca dessa matéria, o RIR/94, em seu art. 214, dispõe que: " Art. 214. A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente., nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens (Decretolei n."486/69, art. 2"). §1º É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, desde que estes constem de livro próprio, revestido das formalidades estabelecidas em lei (Decretolei n."486/69, art. 2º§1º) § 2º Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação (Decretolei n." 486/69, art. 2", • §2"). Logo, comprovado o erro, deve este ser corrigido por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação. No presente caso, o que houve foi o estorno de uma contabilização efetuada inicialmente a débito de materiais e crédito de receita (sobressalentes e acessórios), em 31/05/95, conforme cópias autenticadas no Livro Diário às fls. 595 e 599. Apesar de a interessada limitarse a afirmar que "esse ingresso de materiais em estoque de fato não existiu", sem detalhar o motivo pelo qual ocorreu o erro, houve a comprovação de que o estorno se refere a uma contabilização anterior incorreta. Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 4 7 Assim, não houve uma redução indevida da receita, como deduzido inicialmente pela Fiscalização. Destarte, há que se acolher a alegação da impugnante neste ponto. DESPESAS COM ESTORNO DE RECEITAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. Tratase de contrato de longo prazo firmado entre a empresa e entidade governamental, a CESP Cia. Energética de São Paulo, que prevê a correção monetária por atraso de pagamento. Conforme relata a Fiscalização, em 1994, a empresa apropriouse de variação monetária ativa, a título de correção monetária sobre o valor dos serviços prestados, faturados e não pagos nos respectivos vencimentos, conforme cópia de documento emitido pela fiscalizada à CESP, cm 26/09/95, escrituração da conta clientes (11002100000620) no Livro Razão de 1994. Em 30/09/95, promoveu a baixa de clientes, creditando a conta (10103001001620 houve mudança no plano de contas) e debitando a conta Variação monetária ativa (50506004002002), a título de Est.V.M. p/Atraso Pagto. Fat. Acrescenta o Fisco, ainda, que a receita de variação monetária foi auferida pela fiscalizada pro rata tempore, considerando o tempo de atraso dos respectivos pagamentos pela CESP. Dessa forma, sob o entendimento de que, independente do efetivo recebimento da receita, a empresa adquiriu a capacidade econômica, a Fiscalização procedeu à autuação correspondente. Afirma, nesse sentido, que a fiscalizada abstevese de percorrer os caminhos legais para a efetivação da receita e que a retificação de lançamento é um processo técnico de correção e um registro realizado com erro na escrituração contábil das entidades, o qual, de, deve ser corrigido por meio de lançamentos de estorno A impugnante contradita essa exigência alegando que teria agido em atenção a dispositivos legais e contratuais, os quais lhe garantiam a dedutibilidade. Nesse sentido, afirma que, por força do disposto no art. 23 da Lei n° 9.069/95, que dispunha sobre a repactuação dos contratos cm razão da expectativa inflacionária neles embutida, houve a necessidade de se recalcular os valores devidos por uma e outra. Logo após, considerando que ambas eram credoras e devedoras recíprocas, decidiram pela compensação. de suas dívidas, a qual ficou Fl. 2510DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 formalizada na Ata de Reunião EE/002/96 e no1 , "Instrumento Particular de Quitação de Dívida, Outras Avenças e Dação em Pagamento". Apresenta os seguintes esclarecimentos sobre os fatos: Nos anos de 1994 e 1995, tornouse devedora da CESP, no montante de R$ 1.917.406,33, devido a expurgo monetário/financeiro apurado em contrato celebrado entre as partes, por força do disposto no art. 23 da Lei n"9.069/95. Essa dívida correspondia a 330.091,78 UFESPS. No ano de 1994, a CESP atrasou o pagamento de faturas emitidas pela Impugnante, causando um direito a receber "para TECHINT" de correção monetária atualizada pela UFESP. (...) Essa correção é de R$ 1.080.806,00. [•••]O departamento contábil comparou a dívida que a Impugnante tinha com a CESP, que no caso correspondia a 330.091,78 UFESP com os direitos a receber em função dos atrasos no pagamento de ^ faturas que incorria em 215.729,74 UFESPS. Observouse que a dívida que a Impugnante tinha com a CESP na época era superior aos créditos a receber dessa empresa por atraso no pagamento de faturas. Sendo assim, a Impugnante estornou o valor a receber no ano de 1995 (R$ 1.080.806,00), que já tinha sido tributado com base no regime de competência no anobase de 1994, pois esse valor já havia sido indiretamente recebido e oferecido à tributação, já que a dívida decorrente do expurgo financeiro anteriormente citada é proveniente de expectativa de inflação incorporada ao contrato original que não se consumou em função do "Plano Real". [...]No dia 1" de abril de 1997 as empresas contratantes resolveram acertar seus débitos/créditos. Nesse período, a Impugnante já possuía um direito: de receber da CESP no valor de R$ 3.604.006,25 correspondente a,w .mi i 1 i 454.477 UFESP por atraso no pagamento de faturas. A CESP por sua vez possuía crédito (...), que correspondia às 330.091,78 UFESP anteriormente mencionadas, que naquele momento representavam • R$ 2.617.627,81. A diferença a favor da Impugnante foi então paga pela CESP, em um total de RS 983.463,00, mediante entrega de Debêntures no valor de R$ 983.463,00, bem como de dinheiro o valor de R$ 2.915,44. A Lei 8.880, de 1994, assim preconizava: Fl. 2511DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 5 9 Art. 15 Os contratos para aquisição ou produção de bens para entrega futura, execução de obras, prestação de serviços, locação, uso e arrendamento, vigentes em 1" de abril de 1994, em que forem contratantes órgãos e entidades da Administração Pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, seus fundos especiais, autarquias, inclusive as especiais, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista e. demais entidades por ela controladas direta ou indiretamente, serão repactuados e terão seus valores convertidos em URV, nos termos estabelecidos neste artigo, observado o disposto nos arts. 11, 12 e 16. § 5º Na conversão para URV dos contratos que não contiverem cláusula de atualização monetária entre a data final do período de adimplemento da obrigação e a data da exigibilidade do pagamento, adicionalmente ao previsto no § 2" deste artigo, será expurgada a expectativa de inflação considerada explícita ou implicitamente no contrato relativamente a este prazo, devendo, quando o contrato não mencionar explicitamente a expectativa inf acionária, ser adotada para o expurgo a variação do índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGP/DI, da Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês de apresentação da proposta ou do orçamento a que esta se referir, aplicado pro rata relativamente ao prazo previsto para o pagamento. § 6º Nos casos em que houver cláusula de atualização monetária decorrente de atraso de pagamento, corrigido também o período decorrido entre a data do adimplemento da obrigação e de exigibilidade do pagamento, aplicase a este período o expurgo referido no parágrafo anterior, segundo os critérios nele estabelecidos. § 7º É facultada ao contratado a não repactuação prevista neste artigo, podendo nesta hipótese, a Administração Pública rescindir ou modificar unilateralmente o contrato nos termos dos arts. . 58, inciso I e § 2", 78, inciso XII, e 79, inciso I e §2" da Lei n"8.666, de 21 de junho de 1993. § 8º As alterações contratuais decorrentes da aplicação desta Lei serão formalizadas por intermédio de termo aditivo ao contrato original, retroagindo seus efeitos financeiros a 1" de abril de 1994, inclusive às parcelas não quitadas até aquela data relativas a março de 1994 c meses anteriores se, neste último caso, os contratos originais previrem cláusula de atualização monetária. Assim, de fato, a empresa agiu em atenção a dispositivos legais e contratuais, uma vez que o art. 15 da referida lei determinou o Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 expurgo, causa do estorno não aceito, e estabeleceu como termo inicial o dia 1704/1994. Porém, entendeu a Fiscalização que o estorno efetuado a débito de receita no exercício seguinte, no valor de R$ 1.080.806,00, contrariou o RIR/94, em seu art. 320, o qual estabelece que: Art. 320. Na determinação do lucro operacional deverão ser incluídas, de acordo com o regime de competência, as contrapartidas das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual, dos direitos de crédito do contribuinte, assim como os ganhos cambiais e monetários realizados no pagamento de obrigações (Decretolei n." 1.598/77, art. I8). Da leitura de tal dispositivo, depreendese que a atualização dos créditos por ocasião do encerramento do períodobase não é uma faculdade do contribuinte, mas uma obrigação, pois o art. 320 acima transcrito usa a expressão "deverão ser incluídas". 0 art. 323 do RI R/94, por sua vez, preconiza que o disposto no art. 320 se aplica também nas situações em que há compensação ou dação em pagamento, verbis: Art. 323. Compreendemse nas disposições dos arts.' 320 e 321 as variações monetárias apuradas mediante: 1 compra ou venda de moeda ou valores expressos em moeda estrangeira, desde que efetuada de acordo com a legislação sobre câmbio; II conversão do crédito ou da obrigação para moeda nacional, ou novação dessa obrigação, ou sua extinção, total ou parcial, em virtude de capitalização, dação em pagamento, compensação, ou qualquer outro modo, desde que observadas as condições fixadas pelo Banco Central do Brasil; III atualização dos créditos ou obrigações em moeda estrangeira, registrada em qualquer data e apurada no encerramento do períodobase em função da taxa vigente. No presente caso, conforme demonstrativos dc apuração acostados aos autos, às fls. 513 e 514, e o Instrumento Particular de Quitação de Dívidas, à lis. 515 a 524, o que ocorreu foi um encontro de contas, uma vez que CESP era devedora da TECH1NT no importe de R$ 3.604.006,25 e a TECHINT devedora da CESP no montante de R$ 2.617.627,81. O instrumento de quitação, portanto, viabilizou a extinção de tais dívidas mediante os institutos da compensação, da dação em pagamento, por meio de debêntures, e do pagamento do valor residual. Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 6 11 Dessa forma, em princípio, o ato praticado enquadrarseia no disposto no inciso II do art. 323, o que acarretaria a necessidade de obediência ao estabelecido no art. 320, o qual determina que a contrapartida das variações monetárias ativas devem ser computadas na determinação do lucro operacional. Entretanto, o disposto nos arts. 320 e 323 acima transcritos aplicase a uma situação geral, em que há deliberação entre as partes de compensar ou efetuar a dação em pagamento para a quitação de dívidas existentes entre si, com a conseqüente liquidação dos débitos. No caso concreto, o que se constata é a existência de um cenário muito particular, em que a autoridade pública decidiu pela extinção dos efeitos da expectativa inflacionária e pela publicação de lei nesse sentido, determinando a exclusão dessa expectativa em todos os contratos firmados com a administração pública, o que incluía aqueles que continham cláusula de atualização monetária decorrente de atraso de pagamento, que é o caso da impugnante. Tal lei, publicada posteriormente à matriz legal dos referidos artigos do RIR, veio regular uma situação bem específica, no intuito de conter o persistente processo inflacionário. A requerente, frente ao contexto, agiu em estrita observância ao disposto no mandamento legal: procedeu ao expurgo mediante a assinatura do documento legal explicitado e promoveu o respectivo estorno do lançamento, que é a única forma contábil de se excluir o valor correspondente ao expurgo inflacionário de sua escrituração. O que se vislumbra, no caso em tela, é um aparente conflito de normas, visto que a observância da disposição legal relativa ao expurgo inflacionário implica o descumprimento do estabelecido no RIR. Contudo, tal aparente antinomia pode ser resolvida mediante o critério da especialidade, o qual preconiza que, havendo norma geral e especial sobre a mesma matéria, prevalece a especial. Dessa forma, considerando que a aludida lei consistiu em uma norma especial, concebida para regular um momento histórico determinado, com vistas ao controle do processo inflacionário, há de se aplicála ao caso concreto, em detrimento do disposto na norma geral, constante do RIR. Por conseguinte, é de se reformar o lançamento neste aspecto. Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE PROVISÃO DE 13º SALÁRIO, FÉRIAS E ENCARGOS. O lançamento foi efetuado com base nos arts. 195, 1, 197, parágrafo único, 242, e, mais especificamente, nos arts. 276, 279 e 281, do RIR/94, abaixo reproduzidos: Art. 276. Na determinação do lucro real somente serão dedutíveis as provisões expressamente autorizadas neste Regulamento (Decretolei nº 1.730/79, art. 3"). Parágrafo único. O Ministro da Fazenda poderá autorizar a dedutibilidade de outras provisões, para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (Decretolei n." 2.341/87, art. 31). Art. 279. O contribuinte poderá deduzir, como custo ou despesa operacional, em cada períodobase, importância destinada a constituir provisão para pagamento de remuneração correspondente a férias de seus empregados (Decretolei n." 1.730/79, art. 4"). § 1º O limite do saldo da provisão será determinado com base na remuneração mensal do empregado e no número de dias de férias a (pie já tiver direito na época do balanço (Decretolei nº 1.730/79, art. 4º) § 2º As importâncias pagas serão debitadas à provisão, até o limite do valor provisionado (Decretolei n."1.730/79, art. 4", §2º). § 3º A provisão a que se refere este artigo contempla a inclusão dos gastos incorridos com a remuneração de férias proporcionais e dos encargos sociais, cujo ônus cabe à empresa. Art. 281. O contribuinte poderá deduzir, como custo ou despesa operacional, em cada períodobase de apuração mensal, importância destinada a constituir provisão para pagamento de remuneração correspondente ao 13º salário de seus empregados. Parágrafo único. O valor a ser provisionado corresponderá a 1/12 da remuneração, acrescido dos encargos sociais cujo ônus cabe à empresa. Assim, a legislação fiscal permite a dedução da formação tanto da provisão para as férias quanto para o 13" salário, inclusive considerando a parcela proporcional dc férias, o terço constitucional e os encargos sociais correspondentes. No que tange a tal contabilização, efetuada em obediência ao princípio de competência, cumpre registrar que o montante da provisão para pagamento de remuneração de férias e dos encargos sociais incidentes sobre referida Fl. 2515DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 7 13 remuneração é debitado em conta de custos ou despesas operacionais no momento de sua constituição. Se a provisão se referir a empregados vinculados à produção de mercadorias ou serviços, a provisão é debitada à conta de custos. Caso se refira a empregados da área administrativa, é debitado à conta de despesa operacional. No período seguinte, a conta de provisão, classificada no passivo circulante, é debitada, até o limite provisionado, pelos valores pagos a qualquer beneficiário cujas férias ali tenham sido incluídas. Caso não haja saldo suficiente na conta de provisão, o excedente é debitado diretamente a custos ou despesas operacionais. No final do exercício, deve ser efetuada a reversão do saldo remanescente, se houver, e constituída nova provisão. Ou, alternativamente, esse valor pode apenas ser complementado. No caso em tela, a impugnante esclarece que não havia apresentado o detalhamento da conta à fiscalização por estarem as informações em relatórios extracontábeis, o que dificultou sua localização. Além disso, do exame desses relatórios, concluise que a empresa somente procedeu à contabilização de provisão para férias. Os relatórios extracontábeis anexados às fls. 391 a 458, intitulados "Resumo Geral Provisão Férias Dezembro/95", serviram de base para a elaboração da seguinte planilha de cálculo resumida (fl. 390): Fl. 2516DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 Fl. 2517DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 8 15 Do exame dos autos, verificase que, de fato, os valores listados na coluna "Saldo em 31/12/94" coincidem com as quantias constantes das contas "Prov.Enc.Sociais" constantes do Balancete Geral em 31/01/95 (fl. 180), o que autoriza a conclusão de que o saldo no final de 1994 era realmente R$ 894.208,00. Assim, considerando que o saldo da provisão era dc R$ 2.218.962,00 em 31/12/95 e R$ 894.208,00, no final de 2004, o valor provisionado no ano foi, de fato, a diferença entre tais quantias: R$ 1.324.754,00. De outro lado, conforme ressalva a Fiscalização, a empresa procedeu à adição, na DIRPJ/96, de parcelas não dedutíveis relativas a encargos sociais, no montante de R$1.590.257,00, conforme segue Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 16 Destarte, como a recorrente logrou êxito em demonstrar que o saldo inicial era de R$ 894.208,00 e considerando a adição acima mencionada de R$ 1.590.257,00, é de se concluir que o valor adicionado superou o montante provisionado (R$ 1.324.754,00), motivo pelo qual há que se proceder à alteração no lançamento. Quanto ao reconhecimento do crédito pleiteado pela contribuinte, cumpre esclarecer que não é possível a inovação em sede de contencioso. De acordo com os cálculos apresentados pela requerente, e reproduzidos anteriormente, o montante de despesa relativa a férias, nesse período, deveria ser R$ 1.495.656,00. Porém, os cálculos efetuados e apresentados em planilha elaborada pela própria empresa, desacompanhada da documentação comprobatória correspondente, não devem ser aceitos como hábeis e idôneos. Além disso, no demonstrativo apresentado pela impugnante, para apurar o valor da despesa dedutível, ela deduziu o saldo de 1994 (R$ 894.208,00) do montante da despesa calculada extracontabilmente (R$ 1.495.656,31), quando deveria ter deduzido do montante do saldo da conta em 31/12/95 (R$ 2.218.962,16). Neste ponto, cumpre destacar que, em 23/02/2011, a impugnante requereu a juntada de cópias dos livros contendo a Relação Anual de Informações Sociais RAIS (11.811 e seguintes), referentes ao anocalendário dc 1995, no intuito de demonstrar a quantificação e individualização das despesas com a constituição de provisão a título de 13° Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 9 17 salário, férias e demais encargos trabalhistas de cada funcionário e dos valores correspondentes. Entretanto, o art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72, estabelece que as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da apresentação da impugnação. Caso as provas não sejam apresentadas nessa ocasião, essa faculdade processual fica preclusa. As únicas exceções admitidas ocorrem nos casos em que o contribuinte demonstra, irrefutavelmente, a impossibilidade de apresentação das provas por ocasião da impugnação, por motivo de força maior, ou por se referir a fato ou a direito superveniente, ou ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Caberia, portanto, ao sujeito passivo, demonstrar a ocorrência de qualquer uma das hipóteses descritas acima, para justificar a não apresentação de provas na ocasião da entrega da impugnação. Da análise dos autos, constatase que a requerente não comprovou nenhum dos motivos previstos na legislação que impediriam a apresentação de quaisquer provas, quando da apresentação da peça impugnatória do lançamento fiscal. Por conseguinte, em relação a novas juntadas de provas na primeira instância de julgamento, entendese que já ocorreu a preclusão processual, nos termos do art.16, §4°, do PAF. Isso não obstante, é de se ressaltar que a análise de tal documentação é prescindível à solução da lide, uma vez que o cômputo do saldo inicial da conta já é suficiente para elidir a glosa efetuada pela Fiscalização. Por fim, cumpre registrar que, apesar de a Fiscalização fazer constar do Termo de Verificação Fiscal a necessidade de glosa de R$ 628.705,16 (fl. 29), ao fazer a transcrição para o Valor Tributável (fl. 30), comete um erro material, pois cita o valor dc R$ 692.803,81, valor este que foi utilizado para os cálculos no auto de infração correspondente. Isso posto, concluise que assiste razão à autuada relativamente ao assunto, devendo o lançamento ser reformado neste ponto. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE "PROVISÃO" DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Destaca a Fiscalização que somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas pela legislação e que Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 18 as Provisões de CustosFornecedores e Custos Subcontratos não estão entre estas. Assim, considerando que os valores adicionados na apuração do lucro real não contemplaram as despesas das respectivas provisões, foram computadas, no lucro líquido, as parcelas não adicionadas referentes às despesas geradas cm 1995 com provisões constituídas e não revertidas. Alega a interessada que, embora as contas glosadas tenham sido registradas no passivo da sociedade sob a rubrica "provisão de custos fornecedores" c "provisão dc custos subcontratos", ao se fazer uma análise aprofundada da natureza dessas contas, verificase que se trata dc "contas a pagar", representativas de despesas dedutíveis, uma vez que se constituem em despesas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa. No tocante à contabilização, explica que, em atenção aos princípios contábeis, à medida que o engenheiro fornecia os gastos incorridos na obra, estes eram registrados no passivo da empresa, como "contas a pagar", na rubrica "provisões". Nesse sentido, aduz que a contrapartida no resultado era um débito cm despesa incorrida e não paga. Cita, ainda, o Parecer Normativo CST n" 347/70, para justificar a correção do procedimento contábil adotado. Como suporte às suas alegações, acosta planilha, à fl. 480, nos seguintes termos: Como visto, assevera a impugnante que tais registros referemse a contas a pagar e que eram computados no passivo da empresa, na rubrica "provisões" à medida que os custos eram considerados incorridos, pelo engenheiro. Ocorre que, no que tange a contratos de longo prazo, existem dois critérios de apropriação de receitas, conforme Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 10 19 dispõe a Instrução Normativa n" 21, de 13 de março de 1979: a) segundo a percentagem que a execução física, avaliada em laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais, com ou sem vínculo empregatício com a empresa, habilitados na área específica de conhecimento, representar sobre a execução contratada; b) segundo a percentagem que o custo incorrido no períodobase representar sobre o custo total orçado ou estimado, reajustado. A opção pelo critério de avaliação de andamento é exercida em relação a cada contraio, mas o critério escolhido deve ser praticado uniformemente durante tda a execução do contrato. No caso em tela, como declarado pela interessada, houve a opção pelo segundo critério, uma vez que os custos incorridos eram acompanhados por engenheiro. Entretanto, não foi apresentado nenhum documento assinado por qualquer engenheiro ou profissional habilitado, que comprovasse que tais contas constituem obrigações já definidas e suportadas por documentação que explicita seu valor c a data de pagamento. Como prova, foram apresentadas apenas cópias autenticadas do Livro Razão, demonstrativos elaborados pela própria requerente, bem como outros documentos não autenticados, os quais não estão claramente correlacionados com a movimentação ocorrida cm tais contas, e tampouco estão respaldados por documentação que comprove tratarse de contas a pagar. Ressaltese, em relação ao Livro Razão, que o histórico das citadas movimentações cita apenas a "transferência entre contas". Em relação à cópia de contrato de câmbio acostado às fls. 487 a 488, cumpre ressaltar que, além de não estar evidenciado a que conta ele se refere, seu * 'cancelamento (fls. 499 c 500) enseja a conclusão que não há pagamento a ele relacionado. Constatase, portanto, que a empresa, embora alegue tratarse de contas a pagar, não apresentou os documentos que suportam esse passivo, como os contratos firmados e as notas fiscais relativas aos gastos incorridos na obra. Assim, é dc se concluir pela manutenção da classificação de tais contas como de provisão, conforme o plano de contas da contribuinte e a autuação fiscal. Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 20 Entretanto, no tocante à conta 2.01.02.001.003.620, relativa à ORD/620, a interessada apresentou cópia autenticada do Livro Razão (fl. 504), em que consta o saldo inicial no importe de R$ 955.106,33 e a movimentação a débito, cm 19/01/1996, na quantia dc R$ 233.142,01. Conforme documentação constante das fls. 506 a 510, esse valor debitado referese aos serviços executados pela Mendes Júnior Engenharia SA, no mês de dezembro dc 1995, conforme medição n" 086 e subcontrato C072/90, faturados em 16/01/96 c pagos em janeiro de 1996. Ou seja, especificamente em relação a esse valor, há que se reconhecer que se tratava de contas a pagar, o que implica a necessidade de rever o lançamento correspondente. Sob outro prisma, defende que, em não sendo acolhidas as alegações anteriores, há que se dar o tratamento da postergação do pagamento de tributos, conforme estabelecido pelo Parecer Normativo CST n" 2/96, uma vez que o resultado auferido com o estorno dessas contas foi oferecido à tributação no anobasc dc 1996. Nesse sentido, aduz que aufere o seu resultado pela avaliação do andamento das obras com base nos custos incorridos, consoante previsto no item " 9 " da IN SRF n" 21/79, e que tal fórmula implica o seguinte resultado: se os custos incorridos no períodobase diminuírem, o valor do resultado tributável diminui na mesma proporção. Ou seja, se aplicado o entendimento da fiscalização, teria havido uma antecipação de receita, com o oferecimento de lucro maior à tributação. Entretanto, o que não está provado é justamente que tal contabilização referese a contas a pagar. E dizer, tratandose de provisão, as despesas com sua constituição foram contabilizadas no ano anterior e as movimentações ocorridas no ano seguinte apenas refletem o pagamento da despesa já computada. De concluirse, portanto, que deve ser mantido o lançamento neste aspecto, à exceção do valor dc R$ 233.142,01 relativo à obra 620, o qual deve ser exonerado. GLOSA DE DESPESAS COM ATUALIZAÇÃO DA CONTA DE PROVISÃO PARA CONTINGÊNCIAS. As despesas geradas em 1995 com provisões para contingências constituídas e não revertidas foram glosadas pela Fiscalização, com a fundamentação de que somente são dedutíveis na apuração do lucro real as provisões expressamente autorizadas pela legislação, as quais não incluem a formação de provisão para contingências. Destaquese que, conforme Balanço Geral consolidado à fl. Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 11 21 184, tais valores referemse a movimentações na conta de"provisão para causas em juízo (INPS/FGTS Adic. Transf. Pessoal e IOFImp.Operações Financeiras). A interessada contradita a exigência afirmando que os valores glosados referemse a despesas com a variação monetária do saldo existente em 31/12/91 e que, relativamente ao assunto, o Parecer Normativo CST n° 7/85 já teria definido que a despesa com atualização, no períodobase seguinte, de provisão indedutível é despesa dedutível, uma vez que no períodobase de constituição dessa provisão, o patrimônio da empresa ficou reduzido no mesmo valor. Com efeito, a provisão indedutível, no ano em que constituída, reduz o patrimônio líquido, base da correção monetária de balanço, não porém o lucro tributável, em face da respectiva adição ao lucro líquido para apuração do lucro real. Dessa forma, a correção monetária de provisão indedutível, nos períodos de apuração subseqüntes à sua constituição, neutraliza os efeitos da falta de despesa dc correção monetária do patrimônio líquido, decorrente de sua constituição. Analisando os efeitos da correção monetária da Provisão para Perdas Prováveis na Realização dc Investimentos, a Secretaria da Receita Federal, por meio do Parecer Normativo CST n 2 7, de 1985, manifesta o entendimento de que "a pessoa jurídica que constituir provisão para perdas prováveis na realização de investimentos, indedutível para efeitos do lucro real, somente poderá deduzir sua correção monetária a partir do períodobase subseqüente àquele em que a mesma for constituída". Tal entendimento, embora se refira à provisão para perdas prováveis na realização de investimentos, tem como fundamento a diminuição do patrimônio líquido, sendo, pois, válido para qualquer caso de provisão indedutível. Diante disso, não c razoável a cobrança dc imposto de renda sobre a correção monetária, calculada no Lalur no ano subseqüente, sobre a provisão indedutível constituída no encerramento do períodobase anterior, tendo em vista que, ao proceder ao registro contábil desta, o patrimônio líquido fica reduzido por idêntico valor e, cm conseqüência, também se reduz a despesa de correção monetária das demonstrações financeiras, no mesmo valor daquele que se pretende excluir na apuração do lucro real (Lalur). Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 22 Portanto, considerando que os valores relativos à movimentação da conta Provisão para Contingência são decorrentes de sua atualização monetária c que tais valores, consoante Parecer Normativo CST n" 7/85, são considerados como dedutíveis, há que se reformar o lançamento quanto ao presente item. RETENÇÕES A PAGAR. Relata a Fiscalização que somente são dedutíveis as provisões:expressamente autorizadas pela legislação e que as provisões relativas a Retenções a Pagar não estão entre estas. Assim, considerando que os valores adicionados na apuração do lucro real não contemplaram as despesas das respectivas provisões, foram computadas, no lucro líquido, as parcelas não adicionadas referentes às despesas geradas em 1995 com provisões constituídas e não revertidas. Afirma a impugnante, em contraposição, que os registros em Retenções a Pagar originamse do fato de que, ao assinar contrato com fornecedor ou subcontratado, obrigandose ao pagamento de um preço pelo serviço ou material fornecido, é pactuada uma cláusula denominada cláusula de retenção, mediante a qual parte do valor a ser pago é retido a título de garantia para a execução futura da obra. Esclarece que, após a execução do serviço ou entrega de mercadorias, este valor retido é entregue ao prestador ou fornecedor e que, isso não obstante, o valor é deduzido como despesa incorrida (totalmente dedutível, por ser necessária, usual e normal) antes do pagamento efetivo. Aduz, por fim, que, quando do pagamento, ocorre o débito dessa conta do passivo tendo como contrapartida um crédito em disponibilidades, sem transitar por resultado. Com efeito, consoante cópias autenticadas do Balancete Geral em 31/12/95 c do Livro Razão, às fls. 602 a 604, tais valores estão classificados na Conta "Dívidas Comerciais — Fornecedor". Além disso, da análise dos demais documentos apresentados pela requerente, tais como notas fiscais e boletins dc medição, vêse que tal é a prática adotada pela empresa. Sendo assim, assiste razão à recorrente, motivo pelo qual se faz necessária a reforma do lançamento neste ponto. :Tendo sido o valor exonerado superior a R$ 1.000.000,00 a DRJ recorreu de ofício de sua decisão. Cientificada do acórdão DRJ em 19/08/2011, a recorrente apresentou recurso em 19/09/2011. Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 12 23 Em seu recurso alega: Despesas com a constituição de provisão de custos – fornecedores e subcontratos: que a recorrente é empresa que se dedica à atividade de construção civil, direcionada para a execução de grandes obras de infraestrutura, tais como a construção de gasodutos, usinas hidroelétricas, estradas, pontes e rodovias; que as despesas despendidas com as obras são incorridas na proporção em que estas obras vão sendo realizadas e a recorrente realiza uma estimativa dos custos e despesas nos quais incorrerá durante a obra, como forma de observar adequadamente as regras da boa prática contábil, e especificamente o regime de competência, como aquele mediante o qual “as receitas e despesas são apropriadas em função da ocorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente de seus reflexos no caixa.”; o resultado do orçamento realizado por um engenheiro contratado, é apresentado em um documento “Boletim de Medição”, no qual são descritas todas as despesas que, segundo cálculo do engenheiro são necessárias para a execução e conclusão da obra; que o referido documento possui a função de apurar o montante de despesas que deve ser reconhecido com base no regime de competência e na proporção em que a obra vai se realizando, possibilitando o confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis em que elas se verificam; que as despesas por ela incorridas eram registradas contabilmente em conta com a rubrica “Provisões” e somente após a realização da obra é que eram transferidas para a conta de rubrica “contas a pagar”; que a turma julgadora entendeu que a conta “Provisão Custos/Fornecedor” não teria a natureza de contas a pagar, já que, supostamente, a Recorrente não teria apresentado os documentos que suportam o passivo de contas a pagar; que, muito embora registrados em conta contábil que possui a rubrica provisão, os valores registrados possuem a natureza de contas a pagar, representativa das despesas totalmente dedutíveis, por serem necessárias, usuais e normais às atividades da Recorrente; Apresenta quadro da movimentação da cona de provisão: Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 24 Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 13 25 Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 26 que o procedimento acima descrito evidencia que a recorrente registra na conta de provisão valores que representam um contas a pagar, motivo pelo qual, são estornados em momento oportuno para que seja feita a retificação decorrente da apropriação no correto período de competência; que incorrida uma despesa, independentemente de seu pagamento esta deveria ser registrada na contabilidade da sociedade e foi isso que fez a recorrente, à medida em que o engenheiro ia fornecendo os gastos incorridos na obra, era registrado em seu passivo este “contas a pagar”, sob a rubrica de provisões; Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 14 27 Finaliza: Ad argumentandum, afirma que se considere irregular o procedimento adotado, os lançamentos seriam nulos por não considerarem o efeito de postergação de pagamento. Da dedutibilidade da despesa relativa à NF 2027. entende que a despesa comprovada com a citada nota fiscal é dedutível pois o gasto com despesa médica de seus funcionários é um investimento essencial para a manutenção de sua força produtiva. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Que não há previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício. Voto O valor exonerado é superior a R$ 1.000.000,00 devendo ser conhecido o recurso de ofício. O recurso voluntário é tempestivo e também deve ser conhecido. Inicio pela análise do recurso de ofício. GLOSA DE CUSTOS. Afirma o voto condutor do acórdão recorrido sobre a matéria: Do exposto, vêse que, em relação às Notas Fiscais n° 0086, 0026 e 00221, assiste razão à requerente, uma vez que, além de restar comprovada a efetividade da operação, tais despesas são usuais e necessárias, devendo ser consideradas dedutíveis. Não há reparo a fazer ao decidido, pois no termo de verificação fiscal de fls. 26 a fiscalização afirma que tendo sido intimada a apresentar os documentos comprobatórios que deram suporta à escrituração, conta 50401002001000, a título de custos com subcontratos, a fiscalizada apresentou apenas cópias de notas fiscais emitidas pela Empresa Cenpla, motivo Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 28 pelo qual os valores constantes nas NF nº 0701, 0706 e 0717 foram glosados como custo sem comprovação. Na impugnação a recorrente informa que teve dificuldades para acessar as citadas notas fiscais por terem sido recebidas por filiais, mas que todas foram encontradas, bem como os contratos de subempreitada e os correspondentes boletins de medição que deram origem a elas. Também foram anexadas cópias dos cheques e comprovantes de pagamentos a elas relacionadas. Diante da comprovação acima citada, a DRJ deu provimento parcial à impugnação apresentada, decisão que entendo não merecer qualquer reparo. Provada pela apresentação das notas fiscais, contratos e comprovantes de pagamento a existência dos custos e não tendo sido questionada sua necessidade e usualidade, entendo que não pode ser mantida a glosa, devendo ser mantida a decisão DRJ. Baixa de estoque. Afirma o voto condutor do acórdão recorrido sobre a matéria Relata a Fiscalização que a empresa promoveu, em 31/12/95, a baixa da conta estoque (10108001001611), creditando esta e debitando a conta material de consumo/custo (50304001004000), cujo histórico apresentado é: Reclas. Estoq. Encer. 12/95, no valor de R$ 184.943,80, sem, contudo, comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a destinação dos materiais. Afirma, ainda, que sequer houve a apresentação de qualquer documento ou, ao menos, controles internos qualificando e quantificando tais materiais de consumo. Por conseguinte, procedeu à glosa de (ai valor, como custo não comprovado devidamente. A autuada, em sua defesa, assevera que, em 31/05/95, tal valor foi debitado a conta de estoque e creditado a conta de resultado e que, posteriormente, percebeu 'que esse ingresso de materiais em "estoques" de fato não existiu, razão pela qual procedeu ao estorno, em 31/12/95. Acrescenta que o mencionado estorno pode ser verificado pelas cópias do Livro Diário em que tais lançamentos contábeis foram registrados. Tais cópias, autenticadas, constam das fls. 595 a 599. Acerca dessa matéria, o RIR/94, em seu art. 214, dispõe que: " Art. 214. A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente., nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano,sem intervalos em branco, nem entrelinhas,borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens (Decretolei n.º486/69, art. 2º). § 1º É permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, desde que estes constem de livro próprio, revestido das formalidades estabelecidas em lei (Decretolei n.º 486/69, art. 2º) § 2" Os erros cometidos serão corrigidos por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação (Decretolei n.º 486/69, art. 2º, §2º). Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 15 29 Logo, comprovado o erro, deve este ser corrigido por meio de lançamento de estorno, transferência ou complementação. No presente caso, o que houve foi o estorno de uma contabilização efetuada inicialmente a débito de materiais e crédito de receita (sobressalentes e acessórios), em 31/05/95, conforme cópias autenticadas no Livro Diário às fls. 595 e 599. Apesar de a interessada limitarse a afirmar que "esse ingresso de materiais em estoque de fato não existiu", sem detalhar o motivo pelo qual ocorreu o erro, houve a comprovação de que o estorno se refere a uma contabilização anterior incorreta. Assim, não houve uma redução indevida da receita, como deduzido inicialmente pela Fiscalização. Destarte, há que se acolher a alegação da impugnante neste ponto. Entendo não merecer reparo a decisão recorrida também em relação a esta matéria. Tempestivamente a interessada retificou sua escrita através de lançamento de estorno, conforme lhe permitia a legislação de regência acima reproduzida, sendo permitido à fiscalização, se entendesse necessário prosseguir na investigação fiscal para apurar se havia falsidade dessa retificação de lançamento.. Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofíio também nesta matéria. Despesas com estorno de receitas de variações monetárias ativas. Sobre a matéria manifestou a DRJ: No presente caso, conforme demonstrativos dc apuração acostados aos autos, às fls. 513 e 514, e o Instrumento Particular de Quitação de Dívidas, à lis. 515 a 524, o que ocorreu foi um encontro de contas, uma vez que CESP era deveora da TECH1NT no importe de R$ 3.604.006,25 e a TECHINT devedora da CESP no montante de R$ 2.617.627,81. O instrumento de quitação, portanto, viabilizou a extinção de tais dívidas mediante os institutos da compensação, da dação em pagamento, por meio de debêntures, e do pagamento do valor residual. Dessa forma, em princípio, o ato praticado enquadrarseia no disposto no inciso II do art. 323, o que acarretaria a necessidade de obediência ao estabelecido no art. 320, o qual determina que a contrapartida das variações monetárias ativas devem ser computadas na determinação do lucro operacional. Entretanto, o disposto nos arts. 320 e 323 acima transcritos aplicase a uma situação geral, em que há deliberação entre as partes de compensar ou efetuar a dação em pagamento para a Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 30 quitação de dívidas existentes entre si, com a conseqüente liquidação dos débitos. No caso concreto, o que se constata é a existência de um cenário muito particular, em que a autoridade pública decidiu pela extinção dos efeitos da expectativa inflacionária e pela publicação de lei nesse sentido, determinando a exclusão dessa expectativa em todos os contratos firmados com a administração pública, o que incluía aqueles que continham cláusula de atualização monetária decorrente de atraso de pagamento, que é o caso da impugnante. Tal lei, publicada posteriormente à matriz legal dos referidos artigos do RIR, veio regular uma situação bem específica, no intuito de conter o persistente processo inflacionário. A requerente, frente ao contexto, agiu em estrita observância ao disposto no mandamento legal: procedeu ao expurgo mediante a assinatura do documento legal explicitado e promoveu o respectivo estorno do lançamento, que é a única forma contábil de se excluir o valor correspondente ao expurgo inflacionário de sua escrituração. O que se vislumbra, no caso em tela, é um aparente conflito de normas, visto que a observância da disposição legal relativa ao expurgo inflacionário implica o descumprimento do estabelecido no RIR. Contudo, tal aparente antinomia pode ser resolvida mediante o critério da especialidade, o qual preconiza que, havendo norma geral e especial sobre a mesma matéria, prevalece a especial. Dessa forma, considerando que a aludida lei consistiu em uma norma especial, concebida para regular um momento histórico determinado, com vistas ao controle do processo inflacionário, há de se aplicála ao caso concreto, em detrimento do disposto na norma geral, constante do RIR. Por conseguinte, é de se reformar o lançamento neste aspecto. Também nesta matéria não tenho reparo a fazer ao decido em 1ª instância.. A legislação que introduziu o Plano Real, com a finalidade de controlar a inflação, excepcionou a legislação vigente em diversas áreas e não apenas a financeira. Concordo com a posição exposta pelo DRJ de que também a legislação tributária foi excepcionada, o que se verifica no caso destes autos. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso de ofício interposto. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE PROVISÃO DE 13º SALÁRIO, FÉRIAS E ENCARGOS. Afirma a decisão recorrida: Do exame dos autos, verificase que, de fato, os valores listados na coluna "Saldo em 31/12/94" coincidem com as quantias constantes das contas "Prov.Enc.Sociais" constantes do Balancete Geral em 31/01/95 (fl. 180), o que autoriza a conclusão de que o saldo no final de 1994 era realmente R$ 894.208,00. Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 16 31 Assim, considerando que o saldo da provisão era dc R$ 2.218.962,00 em 31/12/95 e R$ 894.208,00, no final de 2004, o valor provisionado no ano foi, de fato, a diferença entre tais quantias: R$ 1.324.754,00. De outro lado, conforme ressalva a Fiscalização, a empresa procedeu à adição, na DIRPJ/96, de parcelas não dedutíveis relativas a encargos sociais, no montante de R$1.590.257,00, conforme segue Destarte, como a recorrente logrou êxito em demonstrar que o saldo inicial era de R$ 894.208,00 e considerando a adição acima mencionada de R$ 1.590.257,00, é de se concluir que o valor adicionado superou o montante provisionado (R$ 1.324.754,00), motivo pelo qual há que se proceder à alteração no lançamento. Isso posto, concluise que assiste razão à autuada relativamente ao assunto, devendo o lançamento ser reformado neste ponto. Independentemente do fato de documentos que a então impugnante trouxe aos autos, após a apresentação da impugnação, não terem sido aceitos pela decisão recorrida, o voto condutor do acórdão concluiu que o lançamento deveria ser exonerado tendo em vista que o valor adicionado superou o valor provisionado, sendo incabível o lançamento. Não tenho reparo a fazer ao decidido em 1ª instância, pois, mesmo que não tenha sido demonstrado devidamente os valores de férias e 13º, isso se tornou irrelevante em função do erro praticado pela recorrente e utilizado pela fiscalização para realizar o lançamento. Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 32 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício também em relação a esta matéria. Valor de R$ 233.142,01 Sobre a matéria dispôs a DRJ: Entretanto, no tocante à conta 2.01.02.001.003.620, relativa à ORD/620, a interessada apresentou cópia autenticada do Livro Razão (fl. 504), em que consta o saldo inicial no importe de R$ 955.106,33 e a movimentação a débito, cm 19/01/1996, na quantia dc R$ 233.142,01. Conforme documentação constante das fls. 506 a 510, esse valor debitado referese aos serviços executados pela Mendes Júnior Engenharia S.A, no mês de dezembro dc 1995, conforme medição nº 086 e subcontrato C 072/90, faturados em 16/01/96 c pagos em janeiro de 1996. Ou seja, especificamente em relação a esse valor, há que se reconhecer que se tratava de contas a pagar, o que implica a necessidade de rever o lançamento correspondente. Demonstrada a ocorrência da despesa e não tendo sido contestada sua necessidade e usualidade, correta a decisão DRJ. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Passo a análise do recurso voluntário. Afirma a decisão recorrida: Nota fiscal 2027 – Despesa Médica No que concerne à Nota Fiscal 2027, entretanto, há que se registrar que,conforme consta do recibo de honorários médicos à fls. 636, tratase de serviços médicos prestados pela equipe neurocirúrgica do Dr. Flávio Settani ao Sr. José Jaime Cláudio Rabeya Sanchez internado no Hospital São Luiz no período de 11 a 21 de janeiro de 1995. O RIR/94 sinaliza, por meio de seu art. 242, §2°, que as despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Já as despesas médicas, odontológicas, farmacêuticas e sociais são consideradas despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real, desde que destinadas indistintamente a todos os funcionários da pessoa jurídica, consoante estipula o art. 300 do RIR/94. Porém, o que se verifica no caso em tela é que a impugnante não trouxe nenhuma informação a esse respeito, nem relativa à identificação do vínculo empregacional com o paciente, e tampouco relativa ao oferecimento de tais serviços a todos os seus funcionários. A recorrente não traz, mesmo em sede de recurso, qualquer indício de que o citado paciente tenha sido empregado da mesma. Mesmo que se considere que o art. 242, § 2º Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 17 33 do RIR/94 não possuía fundamento legal, que apenas foi introduzido com o art. 13, inciso V da Lei 9.249 de 1995, ainda não vigente à época dos fatos, a recorrente teria, ao menos de demonstrar o vínculo do paciente com a empresa, o que não o fez. Assim sendo, tal despesa deve ser considerada desnecessária ao auferimento das receitas e, assim sendo, indedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta matéria. DESPESAS COM A CONSTITUIÇÃO DE "PROVISÃO" DE CUSTOS FORNECEDORES E SUBCONTRATOS. Destaca a Fiscalização que somente são dedutíveis as provisões expressamente autorizadas pela legislação e que as Provisões de CustosFornecedores e CustosSubcontratos não estão entre estas. Assim, considerando que os valores adicionados na apuração do lucro real não contemplaram as despesas das respectivas provisões, foram computadas, no lucro líquido, as parcelas não adicionadas referentes às despesas geradas cm 1995 com provisões constituídas e não revertidas. Alega a interessada que, embora as contas glosadas tenham sido registradas no passivo da sociedade sob a rubrica "provisão de custos fornecedores" e "provisão de custos subcontratos", ao se fazer uma análise aprofundada da natureza dessas contas, verificase que se trata de "contas a pagar", representativas de despesas dedutíveis, uma vez que se constituem em despesas necessárias, usuais e normais à atividade da empresa. No tocante à contabilização, explica que, em atenção aos princípios contábeis, à medida que o engenheiro fornecia os gastos incorridos na obra, estes eram registrados no passivo da empresa, como "contas a pagar", na rubrica "provisões". Nesse sentido, aduz que a contrapartida no resultado era um débito cm despesa incorrida e não paga. Cita, ainda, o Parecer Normativo CST n" 347/70, para justificar a correção do procedimento contábil adotado. Afirma a decisão recorrida: Como visto, assevera a impugnante que tais registros referemse a contas a pagar e que eram computados no passivo da empresa, na rubrica "provisões" à medida que os custos eram considerados incorridos, pelo engenheiro. Ocorre que, no que tange a contratos de longo prazo, existem dois critérios de apropriação de receitas, conforme dispõe a Instrução Normativa n" 21, de 13 de março de 1979: a) segundo a percentagem que a execução física, avaliada em laudo técnico de medição subscrito por um ou mais profissionais, com ou sem vínculo empregatício com a empresa, habilitados na área específica de conhecimento, representar sobre a execução contratada; b) segundo a percentagem que o custo incorrido no períodobase representar sobre o custo total orçado ou estimado, reajustado. Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 34 A opção pelo critério de avaliação de andamento é exercida em relação a cada contraio, mas o critério escolhido deve ser praticado uniformemente durante toda a execução do contrato. No caso em tela, como declarado pela interessada, houve a opção pelo segundo critério, uma vez que os custos incorridos eram acompanhados por engenheiro. Entretanto, não foi apresentado nenhum documento assinado por qualquer engenheiro ou profissional habilitado, que comprovasse que tais contas constituem obrigações já definidas e suportadas por documentação que explicita seu valor c a data de pagamento. Como prova, foram apresentadas apenas cópias autenticadas do Livro Razão, demonstrativos elaborados pela própria requerente, bem como outros documentos não autenticados, os quais não estão claramente correlacionados com a movimentação ocorrida cm tais contas, e tampouco estão respaldados por documentação que comprove tratarse de contas a pagar. Ressaltese, em relação ao Livro Razão, que o histórico das citadas movimentações cita apenas a "transferência entre contas". Em relação à cópia de contrato de câmbio acostado às fls. 487 a 488, cumpre ressaltar que, além de não estar evidenciado a que conta ele se refere, seu cancelamento (fls. 499 e 500) enseja a conclusão que não há pagamento a ele relacionado. Constatase, portanto, que a empresa, embora alegue tratarse de contas a pagar, não apresentou os documentos que suportam esse passivo, como os contratos firmados e as notas fiscais relativas aos gastos incorridos na obra. Assim, é de se concluir pela manutenção da classificação de tais contas como de provisão, conforme o plano de contas da contribuinte e a autuação fiscal. Sob outro prisma, defende que, em não sendo acolhidas as alegações anteriores, há que se dar o tratamento da postergação do pagamento de tributos, conforme estabelecido pelo Parecer Normativo CST n" 2/96, uma vez que o resultado auferido com o estorno dessas contas foi oferecido à tributação no anobase dc 1996. Nesse sentido, aduz que aufere o seu resultado pela avaliação do andamento das obras com base nos custos incorridos, consoante previsto no item " 9 " da IN SRF n" 21/79, e que tal fórmula implica o seguinte resultado: se os custos incorridos no período base diminuírem, o valor do resultado tributável diminui na mesma proporção. Ou seja, se aplicado o entendimento da fiscalização, teria havido uma antecipação de receita, com o oferecimento de lucro maior à tributação. Entretanto, o que não está provado é justamente que tal contabilização referese a contas a pagar. E dizer, tratandose de provisão, as despesas com sua constituição foram contabilizadas no ano anterior e as movimentações ocorridas no Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 18 35 ano seguinte apenas refletem o pagamento da despesa já computada. Já a recorrente afirma: Já em sede de impugnação, afirmou a contribuinte: A Impugnante, conforme já se falou, é pessoa jurídica que se dedica à atividade de construção civil. Antes mesmo de iniciar uma obra, ou durante o curso da execução desta, a Impugnante faz um orçamento das despesas que serão incorridas para conclusão desta obra. Tal orçamento é sempre feito por um engenheiro (engenheiro responsável pela obra) que envia à Impugnante um documento chamado Boletim de Medição (doc. anexo), no qual descrevemse todas as despesas que, segundo o cálculo do engenheiro, serão incorridas pela Impugnante para a realização da obra. Com base neste Boletim de Medição, para respeitar o princípio da competência dos exercícios, vez que se tratam de despesas que são incorridas em um exercício, mas que podem eventualmente ser pagas em exercício posterior, imediatamente após o recebimento deste a Impugnante registra em seu passivo este "contas a pagar", sob a rubrica de "provisões". Em outro momento da impugnação: Por sua vez, no anobase de 1996, novos foram preparados e o mesmo procedimento adotado. Boletins de Medição. Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 36 Desde a impugnação a contribuinte embasa sua defesa na existência de boletins de medição, onde estariam registradas as despesas, que segundo cálculo de engenheiro, serão incorridas pela recorrente para a realização da obra. No entanto, não traz nenhum documento em sua impugnação que possa ser semelhante ao descrito documento. A DRJ ressalta esse fato: Entretanto, não foi apresentado nenhum documento assinado por qualquer engenheiro ou profissional habilitado, que comprovasse que tais contas constituem obrigações já definidas e suportadas por documentação que explicita seu valor c a data de pagamento. Mesmo alertado pela DRJ, a recorrente afirma em seu recurso: Poderia nesse momento, mesmo que isso pudesse ser contestado, identificar onde estava esse documento nos autos, mas não o fez. Entendo que não o fez, porque não seria possível, pois não há esse documento nos autos. Percorri toda a impugnação, em especial as fls. 488 a 511, onde a recorrente informe estarem os documentos referentes a esta matéria e não há qualquer documento emitido por engenheiro ou outro profissional que possa ser entendido com boletim de medição. Diante do exposto, pela ausência de prova do afirmado pela recorrente, voto por negar provimento ao recurso. Quanto à alegação de que deveria ser dado o tratamento de postergação ao caso, acompanho integralmente o decidido pela DRJ sobre a matéria: Sob outro prisma, defende que, em não sendo acolhidas as alegações anteriores, há que se dar o tratamento da postergação do pagamento de tributos, conforme estabelecido pelo Parecer Normativo CST n" 2/96, uma vez que o resultado auferido com o estorno dessas contas foi oferecido à tributação no anobase de 1996. Nesse sentido, aduz que aufere o seu resultado pela avaliação do andamento das obras com base nos custos incorridos, consoante previsto no item " 9 " da IN SRF n" 21/79, e que tal fórmula implica o seguinte resultado: se os custos incorridos no período base diminuírem, o valor do resultado tributável diminui na mesma proporção. Ou seja, se aplicado o entendimento da fiscalização, teria havido uma antecipação de receita, com o oferecimento de lucro maior à tributação. Entretanto, o que não está provado é justamente que tal contabilização referese a contas a pagar. E dizer, tratandose de provisão, as despesas com sua constituição foram contabilizadas no ano anterior e as movimentações ocorridas no Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13808.003523/0065 Acórdão n.º 130200.830 S1C3T2 Fl. 19 37 ano seguinte apenas refletem o pagamento da despesa já computada. Quanto ao contrato de câmbio apresentado em sede de impugnação a fls.487 a 498, embora não tenha sido confirmado seu cancelamento, não ficou evidenciado a que conta contábil se referem e, portanto, se interferiram no valor lançado neste processo. A recorrente afirma referirse à obra 692, mas tanto na impugnação como no recurso, não há nenhuma evidência que confirme tal assertiva e, por conseqüência, não há vínculo entre o contrato de câmbio e referidas invoices e notas fiscais com o custo glosado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste item do lançamento. Quanto à utilização da taxa selic aplicada sobre a multa de ofício, observo que houve alteração do pedido em relação à impugnação, tratandose, portanto, de matéria não impugnada, que também não pode ser conhecida em sede de recurso, pois não se trata de matéria de ordem pública. Diante de todo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e também negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 18471.001807/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003
Ementa:
DESPESAS OPERACIONAIS COMUNS. RATEIO. RECEITA BRUTA.
PROCEDÊNCIA.
A identificação nos autos de elementos capazes de demonstrar a apropriação de dispêndios que contribuíram para a formação do resultado de mais de uma pessoa jurídica, autoriza a efetivação, de ofício, do rateio correspondente, devendo-se considerar como não necessários os gastos que não beneficiaram, diretamente, a empresa fiscalizada. No caso vertente, em que se observa ausência de utilização de qualquer método de rateio por parte da contribuinte e em que sessenta e quatro empresas encontram-se ocupando um espaço de mil e quinhentos metros quadrados, a utilização do faturamento como critério para determinação da parcela de dispêndios que deveria ter sido apropriada por cada uma das beneficiárias dos gastos comuns, revela-se razoável e racional.
Numero da decisão: 1302-000.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Sustentação oral pelo Dr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/RJ 78.656.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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RATEIO. RECEITA BRUTA. PROCEDÊNCIA. A identificação nos autos de elementos capazes de demonstrar a apropriação de dispêndios que contribuíram para a formação do resultado de mais de uma pessoa jurídica, autoriza a efetivação, de ofício, do rateio correspondente, devendo-se considerar como não necessários os gastos que não beneficiaram, diretamente, a empresa fiscalizada. No caso vertente, em que se observa ausência de utilização de qualquer método de rateio por parte da contribuinte e em que sessenta e quatro empresas encontram-se ocupando um espaço de mil e quinhentos metros quadrados, a utilização do faturamento como critério para determinação da parcela de dispêndios que deveria ter sido apropriada por cada uma das beneficiárias dos gastos comuns, revela-se razoável e racional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Sustentação oral pelo Dr. Gabriel Lacerda Troianelli, OAB/RJ 78.656. Marcos Rodrigues de Mello - Presidente. Wilson Fernandes Guimarães - Relator. EDITADO EM: Fl. 644DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 645DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 2 3 Relatório A 2ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído em desfavor de OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano-calendário de 2002, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) dedução indevida de despesas operacionais não necessárias; b) falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, de despesas tidas como indedutíveis. Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio do acórdão nº. 12-23.750, de 16 de abril de 2009, julgou parcialmente procedente os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado foi assim ementado: GLOSA DE DESPESAS OPERACIONAIS. PROVA DA DESNECESSIDADE DOS GASTOS. A prova da desnecessidade do gasto compete à fiscalização. Em havendo gastos que poderiam ser rateados com outras empresas, a fiscalização deve indicar cada um, promovendo a divisão mediante critério adequado à natureza dos valores. DESPESAS DE DECORAÇÕES E ORNAMENTAÇÕES. INFRAÇÃO CONFESSADA. Diante da confissão da infração, mantém-se o lançamento. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos ou argumentos novos, aplica-se ao lançamento reflexo o decidido em relação ao lançamento principal. Por relevante, transcrevo, abaixo, excerto do voto condutor da decisão em referência. ... 7- Despesas operacionais não necessárias. 8- As disposições do art. 299 do RIR/1999, que tratam de despesas necessárias, não dão margens a presunções por parte da fiscalização. O ato administrativo de lançamento da glosa das despesas por desnecessidade requer a produção da prova inequívoca da subsunção do fato à norma jurídica. A fundamentação da glosa de despesas operacionais realizadas e Fl. 646DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 contabilizadas pelo interessado há que ser acompanhada de elemento probatório, produzido pela fiscalização, de que os gastos não são necessários à atividade ou manutenção da fonte produtora. 9- No caso, a fiscalização arrola valores que seriam provenientes de outras despesas operacionais, salários/benefícios e aluguel/condomínio, que totalizam R$ 3.467.584,29, para rateá-los entre as empresas que possuem o mesmo endereço do interessado, tendo como fator a receita bruta de cada empresa. 10- Primeiro, não se sabe de onde vieram os valores arrolados. De que se compõe cada rubrica indicada? Segundo, não foi analisado se cada uma das empresas obteve algum proveito com as despesas. Terceiro, o critério de rateio não é razoável. Qual a relação da receita bruta de cada empresa com as rubricas? No que se refere ao aluguel/condomínio o razoável seria o rateio proporcional ao espaço ocupado. É o Relatório. Fl. 647DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano-calendário de 2002, formalizadas em virtude da imputação das seguintes infrações: a) apropriação de despesas não necessárias, no montante de R$ 3.215.812,47; e b) falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro do real, de despesas indedutíveis no montante de R$ 5.002,62. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 472/473), relativamente às despesas tidas como não necessárias, a autoridade fiscal, a partir da constatação de que no domicílio fiscal da fiscalizada encontravam-se instaladas também outras sessenta e três empresas, a intimou a prestar esclarecimentos acerca do critério utilizado para rateio das despesas que, a seu ver, eram comuns. Diante da ausência de resposta, a referida autoridade promoveu o rateio tomando por base as receitas declaradas por cada uma das ocupantes do domicílio da fiscalizada. Nessa linha, foram objeto de rateio os seguintes dispêndios 1 (planilha de fls. 515) : Registradas como OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS na DIPJ: Despesas com Energia 161.328,60 Despesas de Comunicações Postais 23.507,72 Despesas de Comunicações Gerais 186.127,41 Despesas de Comunicações - Telefones 307.554,56 Reparos, Conservação e Limpeza 167.904,96 Material de Expediente 70.278,51 Material de Limpeza e Higiene 23.626,68 Despesas com Vale-Transporte 38.534,27 1 Valores em R$. Fl. 648DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Manutenção de Sistemas 60.139,62 Licença de uso de Sistemas 2.892,12 Autenticações, Reproduções e Cópias 11.174,07 Despesas com Grafias 14.849,55 Despesas de Condução 29.485,44 Viagem Pessoal Adm. 15.380,94 Assinaturas de Jornais e Revistas 11.199,35 Despesas de Copa e Cozinha 118.478,99 Mensalidade Sindical 214,00 Emolumentos Judiciais e Cartorários 2.139,02 Despesas de Lanches e Refeições 724,15 Despesas de Cont. P/Associações de Classe 344,13 Livros e Boletins Legislativos 1.613,33 Despesas de Armazenagem 642,96 TOTAL 1.248.140,38 Gastos com MÃO DE OBRA Salários 715.501,14 Encargos Sociais 305.565,82 Despesas com Alimentação 150.109,76 Assistência Médica 159.029,10 Provisão P/Férias e 13º Salário 158.081,98 TOTAL 1.488.287,80 Aluguéis Aluguel 582.808,21 Condomínio 148.347,90 TOTAL 731.156,11 A partir de tais montantes, a autoridade fiscal, levando em consideração a receita declarada pelas pessoas jurídicas que ocupavam o mesmo domicílio da autuada, determinou a matéria tributável, conforme demonstrativo abaixo (vide planilha de fls. 474). Fl. 649DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 4 7 DISPÊNDIOS SUBMETIDOS AO RATEIO ESPECIFICAÇÃO PARCELA DEDUTÍVEL PARCELA INDEDUTÍVEL (MATÉRIA TRIBUTÁVEL) OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS (1.248.140,38) 90.624,06 1.157.516,32 MÃO DE OBRA (1.488.287,80) 108.060,51 1.380.227,29 ALUGUÉIS (731.156,11) 53.087,25 678.068,86 TOTAL 3.215.812,47 VALORES EM R$ Em sede de impugnação, a contribuinte apresentou contestação, fundamentada, basicamente, nos seguintes aspectos: 1. ausência de comprovação, pela autoridade fiscal, de que as despesas rateadas não estariam relacionadas com as suas atividades, correspondendo, pois, a gastos de outras empresas; 2. utilização de critério equivocado para o rateio das despesas; e 3. necessidade de reconhecimento do direito das empresas que sublocavam o espaço à dedutibilidade das despesas rateadas. A contribuinte não ofereceu contestação quanto à falta de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro do real, de despesas indedutíveis no montante de R$ 5.002,62. A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu pela improcedência dos lançamentos. Nessa linha, resta consignado no voto condutor da referida decisão: ... 10- Primeiro, não se sabe de onde vieram os valores arrolados. De que se compõe cada rubrica indicada? Segundo, não foi analisado se cada uma das empresas obteve algum proveito com as despesas. Terceiro, o critério de rateio não é razoável. Qual a relação da receita bruta de cada empresa com as rubricas? No que se refere ao aluguel/condomínio o razoável seria o rateio proporcional ao espaço ocupado. 11- O lançamento, no entender de Aliomar Balleeiro (Direito Tributário Brasileiro. Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, p. 786 e 788), é: Fl. 650DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 "... um ato jurídico de aplicação da lei ao caso concreto, norma individual e pessoal de realização do Direito cujo conteúdo se manifesta na constatação, formalmente declarada, da ocorrência do fato jurídico, como tal aquele fato acontecido no tempo e no espaço, do qual se forma um conceito individual que se subsume ao conceito abstrato e genérico da hipótese normativa tributária, descrita em lei; O lançamento, como ato da Administração, configura o acertamento da pretensão fazendária, apto a torná-lo, certo e exigível." (destaquei) 12- A contrário senso do texto acima, o lançamento realizado não foi acertado, tornando-o inapto e incerto, ocasionando, portanto, sua inexigibilidade. Com o devido respeito, não vejo da mesma forma. Com efeito, a própria descrição dos fatos apurados pela autoridade autuante já oferece resposta ao primeiro quesito apontado na instância a quo, eis que, como se viu, os “valores arrolados” derivam de despesas apropriadas no resultado contábil apurado pela fiscalizada que, no entendimento da autoridade fiscal, parte pertenciam a outras empresas. Cuidou a autoridade fiscal de apontar cada uma das rubricas glosadas, esclarecendo, inclusive, que os valores correspondentes foram extraídos da declaração de informações (DIPJ) apresentada pela contribuinte à Receita Federal. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 472/473) e as planilhas de fls. 474 e 515, revelam, de forma clara, a origem e o montante de cada glosa efetuada, tanto que, quanto a isso, nenhuma reclamação foi feita por parte da contribuinte autuada. Antes de apreciar as demais questões trazidas pela autoridade julgadora de primeira instância, creio que seja oportuno analisar se, considerado os elementos carreados aos autos, encontram-se presentes circunstâncias que autorizem concluir que, de fato, a contribuinte fiscalizada suportou gastos que não contribuíram para a formação do seu resultado. Como já visto, na visão da Fiscalização, considerada a Declaração de Informações (DIPJ) apresentada à Receita Federal, parcela significativa dos dispêndios registrados em OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, nas linhas correspondentes a gastos com MÃO DE OBRA (salários, encargos sociais, despesas com alimentação, assistência médica, provisão para férias e décimo terceiro salário) e a ALUGUÉIS, deveriam ter sido objeto de rateio, visto que pertencentes ao conjunto de empresas ocupantes do espaço comum. Perscrutando os autos, não identifico, de fato, qualquer indicação, ainda que indireta, de que os gastos efetuados com PESSOAL tenha contemplado obrigação de pessoa jurídica diversa da fiscalizada. Diante de tal lacuna, entendo, na mesma linha da autoridade julgadora de primeiro grau, que a Fiscalização serviu-se de presunção para glosar as despesas apropriadas pela contribuinte. Não obstante, no que diz respeito a determinados gastos registrados em OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS e aos relacionados aos aluguéis, creio existir elementos nos autos capazes de dar suporte à imputação feita pela Fiscalização, senão vejamos: Fl. 651DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 5 9 - o domicílio da contribuinte (Av. Presidente Wilson nº. 231, 28º andar, PARTE), em conformidade com o documento de fls. 67/69, está representado por salões comerciais, cuja a área total alcança 1.511,57 metros quadrados; - de acordo ainda com o documento de fls. 67/69, o aluguel mensal devido pela contribuinte foi fixado em R$ 54.416,52, correspondendo a R$ 36,00 por metro quadrado; - às fls. 76, consta relação das empresas com sede no mesmo endereço da fiscalizada (sessenta e três empresas); - dos contratos de sublocação juntados ao processo (fls. 78/307), releva evidenciar os seguintes aspectos: em praticamente todos, inexiste indicação da área objeto de sublocação (em regra, a referida área é indicada como FRAÇÃO do imóvel); a sublocação abrangeu toda a estrutura existente, especialmente, telefone, divisórias, ar condicionado, estrutura elétrica e rede de computadores; os preços dos aluguéis podem ser considerados simbólicos (em média, R$ 100,00); a sublocadora (a fiscalizada) ficou obrigada a pagar as taxas de condomínio, de luz e de limpeza pública, ficando a sublocatária obrigada a reembolsar tais despesas juntamente com o aluguel; - a fiscalizada, livremente, abriu mão de receber os valores que lhe seriam devidos em razão das sublocações acima referenciadas, bem como do direito de propositura de qualquer ação judicial de cobrança, conforme documentos de fls. 308/366. Creio, pois, em divergência com o decidido na instância a quo, que encontram-se reunidos no presente processo elementos caracterizadores de gastos, apropriados pela empresa fiscalizada, que, por representarem despesas comuns às empresas que, juntamente com ela, ocupavam idêntico espaço, deveriam ter sido objeto de rateio. Nesse diapasão, identifico como de natureza comum as despesas relativas aos ALUGUÉIS PAGOS e, no que tange às registradas na DIPJ no item OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, as correspondentes aos gastos com ENERGIA; TELEFONES; REPAROS, CONSERVAÇÃO E LIMPEZA, MATERIAL DE LIMPEZA E HIGIENE; MANUTENÇÃO DE SISTEMAS; e LICENÇA DE USO DE SISTEMAS. Sustenta a autoridade julgadora de primeira instância que não foi analisado se cada uma das empresas obteve algum proveito com as despesas. Creio que a resposta a essa questão só poderia ser dada se os gastos comuns tivessem sido apropriados pelo denominado método direto de rateio, isto é, se tivesse sido possível mensurar quanto cada unidade monetária despendida concorreu, efetivamente, para a formação do resultado de cada uma dessas empresas. Não tendo sido elaborado pela contribuinte rateio de qualquer espécie, pois, apesar de intimada (fls. 469), nada foi apresentado, restou à autoridade fiscalizadora eleger um critério para determinar o montante que caberia a cada uma das empresas beneficiárias dos serviços custeados, na íntegra, pela OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA. Tendo a autoridade fiscal adotado como critério a receita bruta declarada, sustenta a decisão de primeira instância que tal critério não é razoável. Nessa linha, indaga qual a relação da receita bruta de cada empresa com as rubricas. Adita que, em relação ao aluguel e ao condomínio, o razoável seria fazer o rateio proporcional ao espaço ocupado. Fl. 652DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Pedindo licença mais uma vez, acredito que a utilização do espaço ocupado por cada uma das empresas, ao contrário do sustentado, revelaria critério absolutamente impróprio, vez que, ainda que se desconsidere o fato de que esse dado não estava disponível (como já foi dito, a quase totalidade dos contratos de sublocação não indica a área ocupada pelos sublocatários), a instalação de sessenta e quatro empresas em uma área de mil e quinhentos metros quadrados deixa clara a utilização de um mesmo espaço por mais de uma dessas empresas. Esse fato, inclusive, qual seja, uma área de mil e quinhentos metros quadrados servindo de sede para sessenta e quatro empresas, constitui elemento adicional de comprovação da utilização de serviços comuns. Tratando-se de despesas operacionais normais e usuais (aluguéis, energia, telefone, etc.), resta fora de dúvida a sua indissociabilidade com as fontes produtoras de rendimentos das empresas envolvidas, sendo imprópria, portanto, a indagação feita pela autoridade julgadora de primeira instância. Quanto ao critério utilizado (receita bruta), na mesma linha do discorrido pela contribuinte autuada em sua peça de defesa, é cediço que, inexistentes meios que possibilite promover o rateio pelo critério direto, deve-se buscar alternativas que possibilitem mensurar o ônus efetivo de cada uma das empresas envolvidas. Releva destacar que a utilização do faturamento como meio para imputação e repartição de gastos comuns, constitui método usualmente aplicado, sendo, inclusive, reiteradamente mencionado na literatura autorizada. Com efeito, Edmar Oliveira Andrade Filho 2 , abordando a matéria, esclarece: ... É comum que empresas de um mesmo grupo ou conglomerado econômico compartilhem bens e serviços adquiridos de terceiros. Em tais circunstâncias uma empresa, normalmente uma sociedade holding, adquire bens e serviços que beneficiam a si e a outras empresas, de modo que estas efetuam o ressarcimento do valor suportado por aquela. Em tais circunstâncias, as despesas, se necessárias, normais e usuais, são perfeitamente dedutíveis, desde que o critério de rateio seja razoável. Esses critérios de rateio podem ser feitos de forma direta, isto é, com base em tempo de utilização de recursos humanos e materiais etc., e podem levar em conta critérios indiretos, como o faturamento, o patrimônio líquido etc. (GRIFEI) Alberto Xavier 3 , por sua vez, indica, como métodos de rateio, os seguintes: ... a) O método da repartição de custos, que consiste na imputação e repartição dos custos entre as empresas associadas com base numa estimativa das vantagens decorrentes, para cada uma, de tais despesas; 2 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das Empresas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 161. 3 XAVIER, Alberto Pinheiro. Aspectos Fiscais de "coast-sharing agreement". Revista Dialética de Direito Tributário, nº 23, p. 8, ago. 1997. Fl. 653DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18471.001807/2007-63 Acórdão n.º 1302-00.436 S1-C3T2 Fl. 6 11 b) O método de financiamento do custo ou da fórmula fixa de repartição, que consiste na imputação e repartição dos custos entre as empresas associadas com base num elemento de natureza geral de atividade das empresas interessadas, via de regra, o volume de negócios ou faturamento; c) O método da margem de lucro consistente em aplicar uma margem de lucro, quem inclua as despesas centrais, ao preço dos produtos vendidos pela Sociedade-Mãe às afiliadas. (GRIFEI) Nas circunstâncias retratadas nos autos, em que se observa ausência de utilização de qualquer método de rateio por parte da empresa fiscalizada e em que sessenta e quatro empresas encontram-se ocupando um espaço de mil e quinhentos metros quadrados, a utilização do faturamento como critério para determinação da parcela de dispêndios que deveria ter sido apropriada por cada uma das beneficiárias dos gastos comuns, revela-se, a meu ver, razoável e racional. Cabe notar, ainda, que a autuação aqui tratada teve por objeto glosa de despesas que, por terem sido consideradas como de natureza comum, isto é, por terem beneficiado, além da empresa fiscalizada, outras sessenta e três empresas, deveriam ter sido rateadas com todos os que delas se aproveitaram. Nessa linha, definido, de ofício, o critério de rateio e quantificados os valores que efetivamente a empresa fiscalizada poderia apropriar na apuração do seu resultado, as diferenças (representativas das glosas efetuadas pela autoridade fiscal) revelam-se, indubitavelmente, despesas não necessárias, cuja dedutibilidade é vedada pela legislação tributária. Nesse diapasão, descabe discutir, ao menos no presente processo, a eventual dedução, por parte das demais empresas, das despesas operacionais glosadas. Assim, servindo-me, por meio de proporção, dos percentuais de faturamento indicados na planilha de fls. 474, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para manter os lançamentos tributários sobre as parcelas abaixo descritas, devendo-se promover, para a apuração dos montantes devidos, a compensação de eventuais saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa. R$ 670.919,07 – OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS R$ 678.068,86 – ALUGUÉIS Wilson Fernandes Guimarães - Relator Fl. 654DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Fl. 655DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10023.CBOS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011 14:55:26. Documento autenticado digitalmente por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 06/01/2011 e WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.10023.CBOS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 00DE6B152E0F8F118D137C2ECD9EC03079F97952 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18471.001807/2007-63. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10435.720949/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITOS DE IPI EM DEVOLUÇÃO E RETORNO DE PRODUTOS TRIBUTADOS. CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de devolução e retorno de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002)
Numero da decisão: 3301-004.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira- Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira- Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de devolução e retorno de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 09 49 /2 01 0- 53 Fl. 285DF CARF MF 2 Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Adoto, por bem narrados os fatos, o relatório do Acórdão nº 1439.327, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RIBEIRÃO PRETO, objeto do Recurso Voluntário : Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente reconheceu o direito creditório apresentado, em razão da reclassificação dos créditos relativos a operações de devoluções ou retorno como não ressarcíveis. A manifestante, invocando a legislação e julgados, alega, basicamente, que tais créditos seriam ressarcíveis, mormente por serem, apenas, a recomposição de créditos decorrentes de matérias primas, produtos intermediários e embalagem. 2. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/RPO : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. RESSARCIMENTO NÃO ADMITIDO PARA OS CRÉDITOS CONCERNENTES A DEVOLUÇÕES DE VENDAS. São insuscetíveis de ressarcimento, ou seja, não ressarcíveis, os créditos do imposto destacado em notas fiscais com CFOP correspondente a devoluções de vendas, vale dizer, uma situação que não implica o emprego de insumos na industrialização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 12/12/2012 conforme Histórico de Objeto postado, ás fls. 282 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 16/01/2013,conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 236 dos autos digitais, onde alega, após narrar os fatos envolvendo a transmissão do Pedido de Ressarcimento (PER) e as Declarações de Compensação (DCOMPs) e as glosas efetuadas pela Fiscalização da DRF/SOROCABA : I – Dos fatos : mesmo glosando parte das compensações realizadas, a informação fiscal reconhece que os valores utilizados para realizar as compensações são, de fato e de direito créditos de IPI, no entanto, classificaos como não ressarcíveis, por referiremse a devoluções de produtos, transferências para comercialização e retorno de mercadoria justificando seu entendimento por suposta “falta de previsão legal”. Necessário verificar que os créditos são, na realidade, a recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem logo, passíveis de ressarcimento. Ou seja, se houve uma devolução ou estorno qualquer, antes ocorreu um débito do imposto que reduziu o saldo credor, Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 286 3 ou seja, com a anulação da operação que o ensejou, recompõese o mesmo saldo anterior, nos moldes do inciso I do § 3º do artigo 21 do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010) sendo que tais créditos, por legalmente previstos, pode se objeto de utilização no Programa PER/DCOMP, conforme estabelece o artigo 21 da IN RFB nº 900/2008; o Acórdão DRJ/RPO equivocouse em abandonar a verdade de que os créditos em questão são a recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem, logo possíveis de ressarcimento; II – Das preliminares : II.A – Tempestividade do Recurso Voluntário : discorre a recorrente que foi cientificada do Acórdão DRJ/RPO em 12/12/2012 e apresentou o se Recurso Voluntário em prazo inferior aos trinta dias previsto no Decreto nº 70.235/1972. II.B : Da suspensão da exigibilidade dos valores compensados não homologados : requer a imediata paralisação de qualquer procedimento tendente a cobrança dos débitos albergados no presente processo, em função da expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados. III – Mérito III.A – Operações de devolução e retorno diversos, passíveis de ressarcimento por se tratarem de recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem : alega que tais devoluções e retornos, como o próprio nome da natureza da operação propõe, são nada mais nada menos do que recomposição de saldo credor decorrente exatamente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem, sendo passíveis de ressarcimento, por ter havido cancelamento da operação anterior, ou seja, a de venda, por conseguinte o crédito anterior é recomposto. III.B – Da existência de previsão legal para apresentação de PER/DCOMP de ressarcimento dos créditos de IPI referentes á transferência, devolução e retorno de mercadorias entre estabelecimentos de uma mesma empresa : entende ser infundada a reclassificação feita pela Fiscalização com relação ás Notas Fiscais de saída referentes á devolução e retorno de mercadoria, pois teria visto a permissão legal contida nos artigos 229, 231, 233 e 234 do RIPI/2010. Verificase, portanto, que os valores utilizados pela recorrente, para compensação, são créditos de IPI adquiridos em operações de devolução e retorno de mercadorias, não sendo senão recomposição de saldo credor de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, sendo, portanto, possível seu ressarcimento e sua utilização para compensação IV – Do pedido : requer, ao final, em sede preliminar que seja determinada a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes á cobrança dos débitos albergados no presente processo de restituição, face á determinação de suspensão dos créditos referenciados nas DCOMP de nºs 34531.15120 e 08038.93557; no mérito, requer sejam considerados ressarcíveis os créditos de IPI utilizados, que haja homologação integral das compensações, para que seja afastada a glosa no valor de R$ 127.385,96 e que, os créditos e suas respectivas compensações sejam homologadas em sua totalidade. 4. O processo veio a mim distribuído para relatar. Fl. 287DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 5. O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do Acórdão DRJ/RPO em 12/12/2012, conforme Histórico de Objeto postado, ás fls. 282 dos autos digitais, apresentação do Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 16/01/2013, conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 236 dos autos digitais), atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 6. Passemos a analisar as razões recursais. 7. Em atenção ás razões preliminares, restam elas atendidas por expressa disposição legal, pois o § 11 do artigo 74 da lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, assim determina : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão ( Redação dada pela Lei nr. 10.637, de 2002).. …………………………... § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do HYPERLINK ""Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nª 10.833, de 2003) 8. O Decreto nº 70.235/1972 dispõe sobre o processo administrativo fiscal e o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966) determina que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladores do processo tributário administrativo. 9. Assim, reconhecida a tempestividade da apresentação do Recurso Voluntário e estando os débitos objeto de compensação, por DCOMP transmitida pelo Programa PER/DCOMP, com sua exigibilidade suspensa, em razão da discussão administrativa, atendidas as preliminares suscitadas. 10. Passemos as razões de mérito apresentadas. 11. Preliminarmente, esclareçase que o Regulamento do IPI vigente á época da transmissão do PER – Pedido Eletrônico de Ressarcimento era o RIPI / 2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, o qual será a base para esse relatório e voto, e não o Decreto nº 7.212/2010 ( RIPI/2010) citado pelo recorrente. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 287 5 12. A Informação Fiscal de fls. 147/149 nos traz a seguinte notícia, ás fls. 148 que originou a glosa de créditos, para os quais foi solicitado o ressarcimento (PER) e ao qual foram vinculadas compensações de débitos (DCOMPs) : e) é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art.ll da Lei no 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art.2° da IN/SRF n° 033, de 04/03/1999 asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, o referido crédito de IPI atinente aos CFOP's 1201, 1912, 1913, 1949, 2201, 2913 e 2949 demonstrados na seguinte tabela não pode ser ressarcido, devendo ser, pois, reclassificado como crédito não ressarcível: MÊS CFO P DESCRIÇÃO DO CFOP VALOR DO IPI CREDITADO JULHO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 2.174,90 JULHO 1912 Entrada de mercadoria ou bem recebido para demonstração R$ 100,00 JULHO 1913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 40,67 JULHO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 238,14 JULHO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 8.671,70 JULHO 2949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 431,76 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado) – JULHO R$ 11.657,17 AGOSTO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 68.748,57 AGOSTO 1913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 1.946,22 AGOSTO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 161,13 AGOSTO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 8.981,13 AGOSTO 2913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 296,47 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado) AGOSTO R$ 80.133,52 SETEMBRO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 20.882,46 SETEMBRO 1913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 994,82 SETEMBRO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 2.281,08 SETEMBRO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 10.941,23 SETEMBRO 2949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 495,68 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado)SETEMBRO R$ 35.595,27 VALOR DO IPI creditado (a ser reclassificado) 3º TRIM. DE 2007 R$ 127.385,96 Considerando o acima exposto, a empresa, relativamente ao 3° trimestre de 2007, através da PERD/COMP 10046.95469.280410.1.5.016299, faz jus somente ao ressarcimento de IPI no valor de R$ 94.575,55: Fl. 289DF CARF MF 6 Valor utilizado no PER/DCOMP Valor reclassificado Valor deferido R$ R$ R$ 221.961,51 127.385,96 94.575,55 13. A não cumulatividade adotada para o IPI está claramente expressa nos seguintes dispositivos : Constituição Federal / 1988 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1972) Imposto sobre Produtos Industrializados Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 288 7 II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: I o preço normal, como definido no inciso II do artigo 20, acrescido do montante: a) do imposto sobre a importação; b) das taxas exigidas para entrada do produto no País; c) dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; III no caso do inciso III do artigo anterior, o preço da arrematação. Art. 48. O imposto é seletivo em função da essencialidade dos produtos. Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes. Regulamento do IPI / 2002 (Decreto nº 4.544/2002) (vigente á época da transmissão do Pedido Eletrônico de Ressarcimento) CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Fl. 291DF CARF MF 8 Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178. 14. Dos excertos citados, está claro que o sistema de não cumulatividade adotado para o IPI é a chamada não cumulatividade clássica, onde a sistemática adotada é de abatimento/compensação do imposto devido referente aos produtos que derem saída do estabelecimento industrial dos valores de imposto pago nos insumos que entrarem no estabelecimento, ou seja, nos temos do estabelecido no Regulamento do IPI, a não cumulatividade (para o IPI) é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. 15. Portanto, o sistema de não cumulatividade adotado para o IPI é de imposto contra imposto, sendo que o imposto pago na entrada de insumos gera valores de créditos, a serem acumulados, gerando um saldo credor acumulado, em determinado período para, ao final deste período, ser utilizado para abatimento / compensação com o imposto devido na saída de produtos do estabelecimento industrial. 16. O Regulamento do IPI de 2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, vigente á época da transmissão do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), especifica os créditos básicos, nos seus artigos 164 e 165, admitindo, ainda, como crédito básico, o crédito relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno parcial ou total, entretanto, para os créditos relativos a devolução ou estorno, existem requisitos a serem cumpridos, para que tais créditos possam ser aproveitados como componente do saldo credor a ser abatido do imposto devido ao final do período de apuração. 17. Ainda se mencionam os créditos básicos oriundos de incentivos fiscais, como os incentivos relativos á ADENE (área de desenvolvimento do Nordeste) e á ADA (área de desenvolvimento da Amazônia) (RIPI/2002, artigo 174), os créditos oriundos de aquisições de insumos adquiridos da Amazônia Ocidental (RIPI /2002, artigo 175), os créditos oriundos de insumos adquiridos para industrialização de produtos destinados á exportação, saídos com imunidade (RIPI/2002, artigo 176), os créditos oriundos da aquisição de insumos adquiridos para industrialização de produtos saídos com suspensão do imposto em casos especificados (RIPI /2002, artigo 177), créditos oriundos de cancelamento da nota fiscal antes da saída do produto, no caso de imposto já escriturado (RIPI/2002, artigo 178, I) e créditos oriundos da diferença de imposto em virtude de redução de alíquota nos casos especificados (RIPI/2002, artigo 178, II ). Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 289 9 18. Como se percebe, os créditos, obedecendo ao sistema da não cumulatividade, somente podem ser aproveitados para abatimento do imposto devido, ao final do período de apuração. 19. Existem, entretanto, exceções á regra, e, como exceções, caracterizamse como verdadeiro benefício fiscal, pois, ao não estarem sujeitas á regra da não cumulatividade adotada, precisam de autorização legal para serem aproveitadas. 20. Nesse diapasão, o artigo 74 da Lei nº 9.430 / 1996, assim dispõe : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 21. O próprio texto legal é claro ao especificar que apenas os créditos passíveis de restituição ou ressarcimento é que podem ser objeto de compensação. Claro fica que apenas os créditos que receberam a chancela de ressarcível, pela legislação, é que podem ser objeto tanto de ressarcimento, por óbvio, e objeto de compensação com outros tributos. 22. Bem disse o julgador, no Acórdão DRJ/RPO, no excerto que reproduzimos, por não merecer reparos : É importante também esclarecer que a legislação do IPI não permite o ressarcimento de todos os créditos lançados na escrita do contribuinte, mas apenas daqueles para os quais essa modalidade (ressarcimento) é expressamente autorizada, como é o caso, por exemplo, do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, abaixo transcrito, e do crédito presumido de IPI para ressarcimento das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS, na forma prevista nas Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima,produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda”. (g.m.) Os créditos não passíveis de ressarcimento de IPI, aqueles decorrentes de outras aquisições/entradas do estabelecimento detentor de crédito, distintas daquelas que dão direito a créditos passíveis de ressarcimento, em que pese não poderem ser ressarcidos/compensados, na forma do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 Fl. 293DF CARF MF 10 de dezembro de 1996, podem ser mantidos na escrita fiscal do IPI, para dedução dos débitos pelas saídas futuras. Incluemse nessa condição, por exemplo, as seguintes situações: aquisição de mercadorias para revenda tributada, devolução e retorno de mercadorias, crédito presumido previsto nas Leis nº 9.363, de 1996, e 10.276, de 2001e recebido em transferência da matriz pelos estabelecimentos filiais. São considerados também como créditos não ressarcíveis os saldos credores ressarcíveis acumulados em trimestrescalendários anteriores mantidos na escrita. 23. A título de informação, além do citado artigo 11 da Lei nº 9.779/ 1999, que dispõe sobre o aproveitamento de certos créditos básicos, a Lei nº 9.363/ 1996 , dispõe sobre a instituição de crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor da PIS/PASEP e da COFINS nos casos que especifica, e a Lei nº 10.276/2001 dispõe sobre o ressarcimento das Contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados á exportação. 24. Estes dispositivos foram incorporados ao Regulamento do IPI de 2002, nos artigos 179 a 186. 25. Ainda podem ser citados, como ressarcíveis, os créditos de IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/1989 (6. O estabelecimento industrial que der saída para filial atacadista, com, suspensão do imposto (RIPI/82, artigo 36 inc. XVII), a produtos incluídos no regime previsto nos artigos 1º e 3º da Lei nº 7.798/89, poderá transferir para a mesma o crédito do tributo relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização desses produtos transferidos, desde que tenha condições de demonstrar a equivalência entre a quantidade desses produtos remetidos e o valor do crédito correspondente aos insumos adquiridos, empregados na industrialização dos produtos assim remetidos. 6.1. Na transferência do crédito o estabelecimento industrial emitirá notafiscal, com indicação deste ato e da expressão "SEM VALOR PARA ACOMPANHAR O PRODUTO". ) e os créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o artigo 1º da Portaria MF nº 134/1992. 26. Claro está que, apenas os créditos admitidos como ressarcíveis, pela legislação, poderão ser objeto de Pedido Eletrônico de Ressarcimento e de Declaração de Compensação, nos termos do artigo 74 da lei nº 9.430/1996. 27. Disciplinando a operacionalização de tais ressarcimentos, a Secretaria da Receita Federal expediu Instruções Normativas, á época da transmissão do Pedido de Ressarcimento estava em vigor a IN SRF nº 600 / 2005. 28. A IN SRF nº 600/2005, vigente á época da transmissão do PER, objeto destes autos, assim disciplinava o ressarcimento de créditos do IPI : Ressarcimento de créditos do IPI Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 290 11 mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I créditos presumidos do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item "6" da Instrução Normativa SRF nº 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 3º O pedido de ressarcimento e a compensação previstos no § 2º serão efetuados mediante utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 4º Somente são passíveis de ressarcimento: I os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1º, escriturados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz; II os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário; e III os créditos presumidos do IPI de que trata o art. 2º da Lei nº 6.542, de 28 de junho de 1978, escriturados no trimestrecalendário. § 5º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem como serem utilizados na forma prevista no art. 26, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de apuração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou II Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de apuração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002. § 6º O disposto no § 2º não se aplica aos créditos do IPI existentes na escrituração fiscal do estabelecimento em 31 de dezembro de 1998, para os quais não havia previsão de manutenção e utilização na legislação vigente àquela data. 29. Todos os outros créditos, que não tiverem seu ressarcimento autorizado por dispositivo legal, enquadramse na regra geral da não cumulatividade do IPI, de abatimento do saldo credor do imposto contra o valor do imposto devido ao final do período de apuração. Fl. 295DF CARF MF 12 30. É o caso dos créditos referentes á devolução e retorno de produtos, caso do PER objeto destes autos, apesar de garantido o crédito pelo artigo 167 do RIPI/2002 ( “ Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 30), tal crédito não está elencado entre os créditos ressarcíveis, não podendo, portanto, ser objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. 31. Como bem colocado pelo Auditor Fiscal responsável pelas informações que subsidiaram o Despacho Decisório da DRF/SOROCABA/SP : e) é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art.ll da Lei no 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art.2° da IN/SRF n° 033, de 04/03/1999, asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, o referido crédito de IPI atinente aos CFOP's 1201, 1912, 1913, 1949, 2201, 2913 e 2949 demonstrados na seguinte tabela não pode ser ressarcido, devendo ser, pois, reclassificado como crédito não ressarcível. 32. Quanto as alegações da recorrente, de que os créditos referentes á devolução e retorno são mera recomposição do saldo credor do IPI, enganase o recorrente pois os insumos que deram origem ao produto devolvido ou objeto de retorno já geraram, individualmente, o crédito a compor o saldo credor, o produto devolvido não mais se decomporá para que tais créditos sejam recompostos, por tal motivo, novo crédito é gerado na devolução do produto ou no seu retorno ao estabelecimento produtor. São créditos distintos que, juntos, comporão o saldo credor do IPI a ser apurado ao final do período para abatimento do saldo devedor do imposto. 33. Por todo o exposto, corretos o Despacho Decisório da DRF/Sorocaba/SP e o Acórdão DRJ/Ribeirão Preto/SP, os quais mantenho na íntegra. Conclusão 34. Concluise, portanto, que, por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de vendas de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002). 35. Voto, diante das razões descritas, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo as glosas dos créditos de ressarcimento de IPI, no valor total de R$ 127.385,96, conforme demonstrativo anexo á informação fiscal, por se classificarem como não ressarcíveis. É o meu voto. Assinado digitalmente Conselheiro Ari Vendramini Relator Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10435.720949/201053 Acórdão n.º 3301004.784 S3C3T1 Fl. 291 13 Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000312/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 12 /2 00 9- 69 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10046.559, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16349.000312/200969 Acórdão n.º 3401004.884 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.936641/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
QUITAÇÃO DE ESTIMATIVAS POR MEIO DE COMPENSAÇÃO.
Quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, o Fisco deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação. Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Caso eventualmente a compensação das estimativas não seja homologada, o respectivo débito será objeto de cobrança imediata eis que confessado.
Numero da decisão: 1401-002.915
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes, dando parcial provimento ao recurso voluntário, de forma a reconhecer a homologação das compensações efetuadas para quitação das estimativas de fevereiro, março e abril de 2005.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 QUITAÇÃO DE ESTIMATIVAS POR MEIO DE COMPENSAÇÃO. Quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, o Fisco deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação. Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Caso eventualmente a compensação das estimativas não seja homologada, o respectivo débito será objeto de cobrança imediata eis que confessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes, dando parcial provimento ao recurso voluntário, de forma a reconhecer a homologação das compensações efetuadas para quitação das estimativas de fevereiro, março e abril de 2005. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 66 41 /2 01 0- 70 Fl. 665DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração tempestivamente interpostos e recebidos nos termos do art. 64, inciso I, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF. O Embargante alega omissão e contradição, em face do Acórdão nº 1401 001.988, de 25 de julho de 2017, proferido por este Colegiado, sob os seguintes fundamentos: a) no último ponto analisado no acórdão embargando, tocante às “estimativas com compensações não homologadas”, verifica se que a turma julgadora incorreu em contradição, ao não conhecer do recurso por suposta preclusão da matéria; b) a matéria acerca das estimativas compensadas que foram desconsideradas no cômputo do crédito foi, sim, devidamente levada à discussão na manifestação de inconformidade; c) tanto é verdade que a DRJ, no relatório do acórdão proferido nestes autos [...], ratificou que o Embargante defendeu o ponto das estimativas compensadas não homologadas em sede de manifestação de inconformidade; d) mostrase imprescindível o pronunciamento dessa Turma Julgadora sobre a necessidade da baixa do presente processo em diligência, para aguardar o julgamento definitivo dos PA nº 10880.904121/200964 [...] e 10880.904120/200910; e) havendo o reconhecimento do crédito discutido naqueles autos, os valores por certo deverão compor o saldo negativo em apreço; e f) o sobrestamento do processo, em situação como a presente, é admitida pelo CARF, o que pode ser verificado em seu próprio Regimento Interno. O despacho de admissibilidade de fls. 660663, de 2 de fevereiro de 2018, admitiu os embargos nos seguintes termos: (...) Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10880.936641/201070 Acórdão n.º 1401002.915 S1C4T1 Fl. 666 3 4. A decisão embargada assim se manifestou a respeito (destaques do original): Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face da homologação PARCIAL das compensações solicitadas no presente processo, todas fundadas no suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005 (valor pleiteado de R$ 134.102.309,14). A homologação parcial das compensações mencionadas no parágrafo precedente (R$ 86.339.926,19) fundouse, em síntese, nas seguintes constatações deduzidas no Despacho Decisório exarado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SPO (fl. 108/110): [...]. • Utilização de saldo negativo de exercícios anteriores cujas DCOMP não foram homologadas integralmente. Inconformada com a decisão da Autoridade Administrativa, da qual tomou ciência em 16/06/2010 (fl. 111), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/09/2010 (fls.112/117), com as seguintes alegações: [...]. • A Manifestante acosta aos autos farta e robusta documentação comprobatória da liquidez e certeza do saldo negativo de IRPJ e CSLL — anocalendário 2004, no importe de R$ 71.776.004,44 (IRPJ) e R$ 10.305.647,34 (CSLL), utilizado para compensar as estimativas ora desconsideradas pelo decisum combatido (doc. 09); [...]. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 398406) por considerar, em relação ao IRRF e ao IR pago no exterior, que os elementos probatórios carreados pela defesa não comprovam as suas alegações e, em relação às estimativas, que estas foram objeto de compensações não homologadas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 409 a 418, em que basicamente reiterou as razões de defesa apresentadas na impugnação com mais minúcias, conforme abaixo reproduzimos: [...] e) estimativas objeto de compensação não homologadas Na hipótese de não homologação, as estimativas são cobradas. Fl. 667DF CARF MF 4 [...]. Estimativas com compensações não homologadas No recurso voluntário, o contribuinte questiona as estimativas que foram desconsideradas para a aferição do saldo negativo em razão da compensação não homologada a que estavam sujeitas. Nada obstante, esse ponto não fez parte da manifestação de inconformidade e, portanto, não foi tratada pela DRJ. Tratase, pois, de matéria preclusa, que não deve ser conhecida por este colegiado. 5. Como visto, entendeu a decisão embargada que, no recurso voluntário, o contribuinte questiona as estimativas que foram desconsideradas para a aferição do saldo negativo em razão da compensação não homologada a que estavam sujeitas. E que esse ponto não fez parte da manifestação de inconformidade e, portanto, não foi tratada pela DRJ. 6. Sucede, porém, que, embora não tenha empregado especificamente o argumento de que “na hipótese de não homologação, as estimativas são cobradas”, a matéria relativa a “estimativas com compensações não homologadas” foi devidamente impugnada, ao argumento de que existentes os saldos negativos de IRPJ e CSLL utilizados para compensar as estimativas não homologadas, como consta do próprio relatório da decisão embargada (grifei): Inconformada com a decisão da Autoridade Administrativa, da qual tomou ciência em 16/06/2010 (fl. 111), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/09/2010 (fls. 112/117), com as seguintes alegações: [...]. • A Manifestante acosta aos autos farta e robusta documentação comprobatória da liquidez e certeza do saldo negativo de IRPJ e CSLL — anocalendário 2004, no importe de R$ 71.776.004,44 (IRPJ) e R$ 10.305.647,34 (CSLL), utilizado para compensar as estimativas ora desconsideradas pelo decisum combatido (doc. 09); 7. Esse argumento, aliás, foi objeto de exame pela decisão de primeiro grau, conforme consta do próprio relatório da decisão embargada (sublinhei): A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 398406) por considerar, em relação ao IRRF e ao IR pago no exterior, que os elementos probatórios carreados pela defesa não comprovam as suas alegações e, em relação às estimativas, que estas foram objeto de compensações não homologadas. 8. Portanto, parece natural que a Embargante contrapusesse a essa razão da decisão de primeiro grau — de que as estimativas teriam sido objeto de compensações não homologadas —, que, “na hipótese de não homologação, as estimativas são cobradas”. Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10880.936641/201070 Acórdão n.º 1401002.915 S1C4T1 Fl. 667 5 Recebi o processo em distribuição realizada em 25 de julho de 2018. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Sobre a matéria embargada (estimativas compensadas não homologadas), a contribuinte alegou, em seu recurso voluntário: (...) Fl. 669DF CARF MF 6 Como bem ressaltou o despacho de admissibilidade, a matéria foi devidamente questionada, tendo assim constando da manifestação de inconformidade (fl. 116): A.2) DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CREDITO DECORRENTE DAS ESTIMATIVAS COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE ANOS ANTERIORES Verificouse que a Autoridade Fiscal logrou glosar também as estimativas mensais outrora extintas por meio de compensação com crédito de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL de anos anteriores — anocalendário 2004 (R$ 607.041,17 — janeiro/05; R$ 447.088,76 — fevereiro/05; e R$ 568.647,28 — março/OS), sob o argumento de que a "DCOMP" não foi homologada. Contudo, esclarece o Manifestante que até o presente momento não foi cientificado de que referidas compensações foram indeferidas. Ademais e sem prejuízo disso, o Manifestante acosta aos autos farta e robusta documentação comprobatória da liquidez e certeza do o saldo negativo de IRPJ e CSLL — anocalendário 2004, no importe de R$ 71.776.004,44 (IRPJ) e R$ 10.305.647,34 (CSLL), utilizado para compensar as estimativas ora desconsideradas pelo decisum combatido (doc 09). O que demonstra, inarredavelmente, o desacerto da Despacho Decisório vergastado, sendo de rigor a sua integral reforma. Neste sentido, é de se reconhecer a contradição do acórdão embargado quando este afirma que houve preclusão sobre a matéria. Passo, assim, a analisála. Este CARF já reconheceu que o débito de estimativa, uma vez confessado pelo contribuinte, caracteriza crédito tributário imediatamente exigível, tanto que, por meio da Súmula CARF n. 84, declara que "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação". É verdade que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional tem entendimento diverso, expressado por meio do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014. A análise dessa questão foi cuidadosamente realizada pelo Conselheiro Claudio de Andrade Camerano, desta Turma, em voto cujo trecho me permito transcrever abaixo (acórdão 1401002.876 processo 10880.938664/201612 julgado em 16 de agosto de 2018): Um breve resumo da evolução desta discussão fazse necessária, para podermos compreender, pelo menos, como anda este imbróglio. Vejo que esta discussão provocada neste Parecer tem suas origens em consulta formulada pela Receita Federal (Nota Técnica Cosit nº15/2011), para fins de consolidação de débitos (de estimativas) em parcelamento do REFIS, ocasião em que a PGFN proferiu o Parecer PGFN/CAT 1.658/2011, onde, em apertada síntese, entendeu que as estimativas de IRPJ e de CSLL não recolhidas ou oriundas de compensação não homologada, não podem ser inscritas em dívida ativa. E também lá consta que "ainda que a Dcomp se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário." Novamente, em face deste parecer, a RFB promoveu nova consulta, por meio da Nota Técnica Cosit nº 34, de 2012, questionando tais entendimentos, pois ensejaria "a necessidade de alteração, pela SRFB, de vários entendimentos e rotinas na compensação, no parcelamento, na cobrança e no julgamento de compensação..." Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10880.936641/201070 Acórdão n.º 1401002.915 S1C4T1 Fl. 668 7 Como resposta, a PGFN proferiu o Parecer PGFN/CAT 193/2013, onde ratificou os termos do Parecer PGFN/CAT 1.658/2011. Por meio de outra nota, agora a Nota Técnica Cosit 31, de 20/11/2013, a SRFB solicitou novos esclarecimentos, onde "a RFB propugna pela revisão do entendimento exarado nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658, de 2011 e nº 193, de 2013..." Por fim, veio a tona o Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, transcrito em parte na decisão recorrida, a qual dele se utilizou para detonar as estimativas (de janeiro de 2012) cuja compensação não fora homologada, não reconhecendo a sua inclusão no saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2012. Reproduzo o entendimento deste Parecer, em sua parte final: O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Submeto à apreciação superior. COORDENAÇÃOGERAL DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS, em 22 de janeiro de 2014. ÊNIO ALEXANDRE GOMES BEZERRA Procurador da Fazenda Nacional Fl. 671DF CARF MF 8 De acordo. À consideração do Senhor ProcuradorGeral Adjunto da Fazenda Nacional. COORDENAÇÃOGERAL DE ASSUNTOS TRIBUTÁRIOS, em 23 de janeiro de 2014. RONALDO AFFONSO NUNES LOPES BAPTISTA CoordenadorGeral de Assuntos Tributários Aprovo. Encaminhese este parecer à Secretaria da Receita Federal do Brasil. PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, em 23 de janeiro de 2014. FABRÍCIO DA SOLLER Sem participar desta discussão, que, entendo, não cabe a este Colegiado enfrentar/discutir as questões trazidas de ambos os órgãos, pelo menos neste estágio, não se pode ignorar que há uma divergência de interpretação na questão tratada. Entretanto, ao meu sentir, pelas tratativas entre os órgãos supra, o tratamento até então dado ao tema em debate permanece o mesmo que já vem sendo observado nas instâncias administrativas julgadoras, ou seja, pela legitimidade de cobrança de valores que foram objeto de compensação não homologada oriundos de estimativa. (...) Assim, este Colegiado tem entendido que o disposto no § 6º do artigo 74 da Lei 9.430/1996, segundo o qual a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos indevidamente compensados, é plenamente aplicável também às estimativas, é dizer, os débitos de estimativa cuja compensação não seja homologada em processo anterior podem ser de pronto exigidos pelas autoridades fiscais, eis que confessados. Nesses termos, quando o contribuinte promove compensação para extinção de sua obrigação de pagar estimativas, a fiscalização deve se limitar à confirmação de que foi promovida a regular declaração no montante e prazos devidos, bem como que se trata de créditos passíveis de compensação (ou seja, créditos não vedados expressamente por lei). Feitas tais verificações e confirmada a extinção do crédito tributário das estimativas via compensação (art. 156, II, do CTN), o valor quitado forma o saldo negativo do período, passível de ser compensado. Se porventura a compensação das estimativas não for homologada, o respectivo débito poderá ser objeto de cobrança imediata com base naquelas DCOMPs, porque já confessado. Por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. No caso em questão, é certo que os valores não reconhecidos como saldo negativo no anocalendário de 2004 correspondem a débitos de estimativa que foram objeto de compensação, bem como que tais compensações foram regularmente apresentadas. Dessa forma, é de se concluir pela regularidade do saldo negativo pleiteado, devendo ser homologadas as compensações efetuadas para quitação das estimativas de fevereiro, março e abril de 2005. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10880.936641/201070 Acórdão n.º 1401002.915 S1C4T1 Fl. 669 9 Dispositivo Desse modo, voto por acolher os embargos com efeitos infringentes, dando parcial provimento ao recurso voluntário, de forma a reconhecer a homologação das compensações efetuadas para quitação das estimativas de fevereiro, março e abril de 2005. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 673DF CARF MF
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