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Numero do processo: 10380.725916/2015-97
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 10680.916954/2012-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/09/2010
JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 29/09/2010
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Inexistindo prova capaz para infirmá-la, ainda que o contribuinte tenha sido provocado para tal providência pela decisão recorrida, mantém-se o que foi nesta foi decidido, em face da inexistência do crédito indicado no presente Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado.
Numero da decisão: 3001-000.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/09/2010 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 29/09/2010 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Inexistindo prova capaz para infirmá-la, ainda que o contribuinte tenha sido provocado para tal providência pela decisão recorrida, mantém-se o que foi nesta foi decidido, em face da inexistência do crédito indicado no presente Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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Somente devem ser observados os entendimentos jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/09/2010 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Inexistindo prova capaz para infirmála, ainda que o contribuinte tenha sido provocado para tal providência pela decisão recorrida, mantémse o que foi nesta foi decidido, em face da inexistência do crédito indicado no presente Per/Dcomp para acobertar débito nele confessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 69 54 /2 01 2- 20 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10680.916954/201220 Acórdão n.º 3001000.535 S3C0T1 Fl. 189 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0955.682, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA que, em sessão de julgamento realizada no dia 26.11.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 06642.36624.250711.1.3.048549. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 91 a 95), verbis: Relatório Trata o presente processo da DCOMP eletrônica nº 06642.36624.250711.1.3.048549, transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito no montante de R$ 18.934,55 proveniente de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativo a DARF no valor total de R$ 37.468,14 recolhido em 29/09/2010 e código de recolhimento 5856. A matéria foi objeto de análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado e, após as referidas verificações, foi proferida decisão por intermédio do Despacho Decisório eletrônico que concluiu: ... foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas contrarazões alegando: ... não há motivo para indeferimento da compensação pleiteada, vez que o que houve foi um erro meramente material, já corrigido por meio de retificação da DCTF. ... a MANIFESTANTE admite os erros que cometeu, tendo sido descumprido, de certa forma, o requisito previsto no § 1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Todavia, deve ser privilegiada, sempre que possível, a busca pela verdade material ..., uma vez que eventual preenchimento incorreto da PER/DCOMP ... ou da DCTF não retira, por si só, o direito de crédito ... Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10680.916954/201220 Acórdão n.º 3001000.535 S3C0T1 Fl. 190 3 É o relatório. Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/JFA, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/09/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A inexistência de direito creditório impede a homologação da compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/09/2010 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "TERMO DE CIÊNCIA E NOTIFICAÇÃO" (efls. 98/99) e Aviso de Recebimento AR (efls. 100/101), conheceu do teor do acórdão vergastado em 23.12.2014, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 23.01.2015, registra a apresentação do presente recurso voluntário, é o que expressa o "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 186). Do recurso voluntário Após ser cientificado da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do referido acórdão de manifestação de inconformidade. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10680.916954/201220 Acórdão n.º 3001000.535 S3C0T1 Fl. 191 4 No entanto, destaquese, faz uso deste expediente recursal para tão somente reprisar os argumentos já tecidos em sede de manifestação de inconformidade; apresentando, afora a cópia da decisão recorrida, idêntica documentação, por entender tratarse de elementos de prova suficiente para o êxito em seu pleito. Do encaminhamento Em razão disso, na mesma data, ou seja, em 23.01.2015, os presentes autos ascenderam ao Carf (efl. 187), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 23.01.2015, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 23.12.2014; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Da jurisprudência administrativa Cabe esclarecer que, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais indicados pelo recorrente, somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do artigo 100 do Código Tributário Nacional CTN. Porém, não obstante essa observação, cabe aqui evidenciar que é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente, entendimento este corroborado por robusta jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme exemplificam as seguintes ementas, verbis: DIREITO CREDITÓRIO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição e/ou compensação de tributo pago/retido a maior que o devido em face da legislação tributária ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Entretanto, deve comprovar com documentos hábeis e idôneos o indébito efetivamente apurado. Recurso Voluntário Procedente em Parte (1º CC, 1ª Câmara, Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10680.916954/201220 Acórdão n.º 3001000.535 S3C0T1 Fl. 192 5 Rec. Voluntário nº 160140, Proc. nº 10283.001953/9814, Rel. Valmir Sandri, Acórdão nº 10197098, Sessão de 19/12/2008) COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. A compensação de créditos tributários autorizada pela legislação fica condicionada à liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo com a Fazenda Pública. Ausência de prova cabal por parte do contribuinte da existência dos créditos compensados acarreta o indeferimento. Recurso provido em parte. (2º CC, 2ª Câmara, Rec. Voluntário nº 239449, Proc. nº 10580.012408/200436, Rel. Domingos de Sá Filho, Acórdão nº 20219119, Sessão de 02/07/2008") COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração contábil e fiscal e documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. (Acórdão 380302.491 3ª Turma Especial, Terceira Seção do CARF, processo administrativo 10467.902984/200988) Do mérito A 2ª Turma da DRJ/JFA proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando a PER/Dcomp 06642.36624.250711.1.3.048549. Sintetizando os argumentos do recorrente, temos que defende a tese segundo a qual a apresentação do "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e da "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF, ambas retificadoras constituise em elementos de prova suficiente para comprovar a existência do crédito pleiteado. Não assiste razão ao recorrente. De outro modo, da decisão recorrida emergem trechos que infirmam o entendimento manifestado na presente petição recursal. De início, didaticamente, a relatora do voto condutor da decisão a quo pontua que o "processo trata de suposto excesso de pagamento de crédito tributário constituído por declaração do próprio contribuinte: a DCTF". Esclarece que a "apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), declaração que constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5º, § 1º, do Decretolei nº 2.124, de 1984, (...)". Ainda, de forma professoral, adverte que além "de confessar o débito nos valores constantes da DCTF, o contribuinte tomou a iniciativa de quitálo via pagamento do montante integral". Sendo que, em tais circunstâncias, "é incontestável que, segundo informações constantes da DCTF apresentada até a data entrega do PER/DCOMP e até a ciência do Despacho Decisório, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação". Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10680.916954/201220 Acórdão n.º 3001000.535 S3C0T1 Fl. 193 6 Diante desta premissa, a nobre relatora, de maneira absolutamente clara, concluiu que caberia "ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido não é aquele declarado na DCTF", mas que, no entanto, nada "mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido". Finalizando sua apropriada linha de raciocínio, a relatora, em face das circunstâncias destes autos, assenta que "a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e também após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, que não foram trazidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise e que não há direito creditório a ser reconhecido para a compensação pretendida". Além disso, não bastasse tudo o que já delineado, a relatora fez questão de ressaltar "que tanto a DIPJ como a Dacon tem natureza meramente informativa, não possuindo atributo de confissão de dívida". Portanto, constatase no caso ora sob exame que o acórdão recorrido, analisando em sua completude o conteúdo da manifestação de inconformidade que tratava da não homologação da compensação declarada, fez questão de esclarecer que não bastava ao contribuinte, para fins de averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, a trazida aos autos do "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Retificador, referente ao mês/ano de apuração AGO/2010, recepcionado pelo Agente Receptor Serpro, em 13.06.2011, e da "Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais" Retificadora, também referente ao mês/ano de AGO/2010, recepcionado pelo Agente Receptor Serpro, em 30.11.2012, desacompanhado da escrituração contábil, dos documentos fiscais e/ou demais documentos hábeis e idôneos para comprovar o que constava registrado no Per/Dcomp 06642.36624.250711.1.3.048549. Neste contexto fático, faço absoluta questão de esclarecer que este Colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplacarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manterse fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua escrituração contábil fiscal, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10680.916954/201220 Acórdão n.º 3001000.535 S3C0T1 Fl. 194 7 Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. Estando o débito tributário formalmente constituído, para que se pudesse infirmálo seria necessária prova de sua inexatidão, pois, neste caso, o ônus da prova cabe ao interessado artigo 36 da Lei 9.784 de 31.01.1999 Lei de Procedimento Administrativo e inciso I do artigo 373 da Lei 13.105 de 16.032015 Código de Processo Civil CPC. Sem os devidos elementos de prova hábeis do direito creditório do recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN Lei 5.172 de 25.10.1966, mostrase impraticável desconstituir o que formalmente foi constituído, pelo próprio contribuinte, por meio da DCTF original e tempestivamente entregue. Dessa forma, entendo não haver qualquer reparo quanto à análise e consequente conclusão chegada pela instância a quo. Da conclusão Com estas considerações, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004787/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
Numero da decisão: 3302-005.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para reconhecer o direito ao creditamento sobre desenhos técnicos e projetos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Jr e Raphael Madeira Abad que davam provimento parcial para reconhecer o direito ao creditamento sobre desenhos técnicos e projetos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 47 87 /2 01 0- 41 Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.063 2 Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: "Tratam os autos de pedido de restituição e declaração de compensação formalizados em papel relativos a créditos de contribuições para o PIS e a Cofins retidos na fonte originários dos meses de abril, maio e junho (2º trimestre) de 2010, no valor total de R$ 1.640.497,45. A DRF de origem proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações com base nele efetuadas, conforme fls. 431/442 (a numeração em referência é sempre a da versão digitalizada dos autos). Em detalhada análise, a DRF de origem demonstrou que os valores pleiteados pela interessada não se revelam indevidos. Isso porque, do cotejo entre as informações das retenções constantes dos Dacon e Dirf, os valores passíveis de restituição evidenciaramse inferiores aos que foram indicados pela contribuinte em seu pedido. Além disso, analisandose as informações dos Dacon e DIPJ, constatouse que houve desconto indevido de créditos calculados em relação aos insumos. Cientificada desse despacho em 19/06/2012, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 16/07/2012 (fls. 448/431), alegando, em sua própria síntese: Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) O período de apuração indicado no DARF anexado à carta de cobrança (08.08.1980) é incompatível com o período de apuração dos débitos compensados e dos períodos de apuração dos créditos pleiteados. c) A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins relativas às operações correspondentes às atividades dos consórcios serão apuradas pelas pessoas jurídicas consorciadas proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento, observada a legislação específica. Os créditos referentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins não cumulativas, relativos aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas das operações do consórcio, serão computados nas pessoas jurídicas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento, observada a legislação específica. d) Nos pagamentos decorrentes das operações do consórcio sujeitos à retenção na fonte dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil na forma da legislação em vigor, a retenção, o recolhimento e o cumprimento das respectivas obrigações acessórias, devem ser efetuados em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.064 3 d) O contribuinte retificou as declarações DIPJ 2011 (ano calendário 2010) para sanar as inconsistências apuradas pela RFB. e) O contribuinte está efetuando revisão de todas as DACONs e efetuará as retificações pertinentes, se for o caso. f) O contribuinte está efetuando revisão de todas as DACONs e efetuará as retificações pertinentes, se for o caso. Também consta da Manifestação interposta o seguinte pedido: A forma utilizada pela interessada, ou seja, formulários aprovados pela IN 900/2008 para instruir seu pleito foi esclarecida pela interessada, conforme consta da "folha 720 tópico quadro 03 (continuação)", por esta razão a interessada solicita que seja acolhida sua pretensão quanto à forma de apresentação do pleito por ela utilizada inicialmente, pois posteriormente foram elaborados na forma exigida pela Receita Federal do Brasil, ou seja, Programa PERD/COMP, conforme segue: [...] Em 14/11/2012, a interessada interpôs a petição de fls. 642/643, nos seguintes termos: (...) A contribuinte apresentou em 16/07/2012 manifestação de inconformidade em razão da não homologação das compensações vinculadas ao crédito de PIS e Cofins retidos correspondente ao 2º trimestre de 2010. Naquela oportunidade, restou pendente de localização o livro comercial que evidencia os registros contábeis correspondentes aos créditos tomados (Livro Razão). Anexamos ainda planilha demonstrativa das linhas das DIPJ 2011 AC 2010 e a respectiva correlação com o livro contábil, a fim de justificar as contas que geraram desconto de créditos a título de PIS e Cofins. Vale destacar que não foi juntado anteriormente por se tratar de documento de demorada localização, já que a busca teve de ser realizada na contabilidade e arquivos da empresa. Assim, o acervo contábil e os informes de rendimentos juntados ao presente requerimento, são de indiscutível importância para o esclarecimento do direito creditório, motivo pelo qual as Turmas Julgadoras admitem seu posterior recebimento, em homenagem à verdade material, conquanto antes do respectivo julgamento. [...]Referidos documentos constam anexados aos autos às fls. 677/939. A Décima Quarta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1449.163, nos termos da seguinte ementa: Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.065 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O litígio administrativo se instaura com a apresentação de manifestação de inconformidade tempestiva. As matérias que não tenham sido especificamente contestadas consideramse definitivamente constituídas na esfera administrativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INSTAURAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O litígio administrativo se instaura com a apresentação de manifestação de inconformidade tempestiva. As matérias que não tenham sido especificamente contestadas consideramse definitivamente constituídas na esfera administrativa. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CONSIDERADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da nãocumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando o seguinte: 1. Refuta a decisão da DRJ em considerar não impugnada a divergência entre os valores apontados entre a DIRF e o DACON; 2. A aplicação do princípio da verdade material para se averiguar o que ocorreu no plano fático; 3. A efetiva e concreta impugnação dos valores de retenção, mediante a solicitação de retificação dos Dacon e apresentação de documentos hábeis e idôneos; 4. Que utilizou valores retidos de meses anteriores e utilizou tais valores para deduzir o PIS e Cofins devidos nos meses objeto do pedido e que não haveria questionamento Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.066 5 quanto à utilização de valores superiores aos declarados em DIRF. Para comprovar, anexou demonstrativos com a composição da retenção na fonte por mês e os razões contábeis; 5. Que a DRJ desconsiderou a detalhada análise da documentação que comprovaria a apuração dos créditos de PIS e Cofins, juntada antes do julgamento da manifestação de inconformidade; 6. Que a diferença entre o crédito apontado no Dacon e a DIPJ não se resume à linha 34 da ficha 04A da DIPJ; 7. Que o termo "insumos" deve abranger todas as despesas e custos necessários à consecução do objetivo social da recorrente; 8. Que os serviços tomados de terceiros, despesas de viagens e locomoção, de transportes de mercadorias, gastos postais, material de escritório, telefone, internet, créditos contabilizados no centro custo de administração, serviços que não executados, impossibilitariam a obtenção da receita tributável e que todas as despesas administrativas mencionadas são necessárias ao cumprimento de suas obrigações contratuais; 9. Que tomou crédito sobre serviços de engenharia, tecnologia, desenhos e projetos, consultoria em projetos e montagens; 10. Que os serviços alocados na conta de SERVIÇOS TERCEIROS PESSOA JURÍDICA se referem à Setal Engenharia relacionados com a atividade e projetos de exploração do objeto social da recorrente. 11. Que os serviços de apresentação de dados de DOCUMENTOS DE SEGURANÇA OPERACIONAL (DSO), auditoria e serviços especializados em geral são necessários à obtenção da receita; 12. A realização de diligência para comprovação do direito creditório, no caso de necessidade de eventual esclarecimento sobre as alegações deduzidas. Os autos foram baixados em diligência para que se juntasse o documento de ciência, tendo sido informado que a recorrente compareceu de forma espontânea e solicitou a juntada do recurso voluntário, data em que foi considerada intimada. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator.. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.067 6 Inicialmente, é necessário delimitar o litígio nos termos do artigo 16, III1 do Decreto nº 70.235/1972, ou seja, verificar as infrações apontadas e os pontos de discordância impugnados. O pedido da restituição efetuado pela recorrente detalhou os valores retidos (efls. 4), que demonstram que as retenções ocorreram no período de 09/04/2010 a 30/06/2010, ou seja, retenções ocorridas no segundo trimestre de 2010. A análise do Dacon e da DIPJ, para o PIS, resultou nas seguintes infrações: A primeira infração apurada pela autoridade fiscal foi a glosa da diferença a menor de R$ 36.342,06 de PIS e R$ 167.732,72 de Cofins, em razão da diferença os valores da DIRF e os valores utilizados no Dacon ser inferior ao pedido de restituição. Assim, os valores do Dacon foram considerados corretos e inferiores ao valores da DIRF. Porém, esta diferença é que deveria representar os valores das retenções não utilizadas e que é menor que os valores pedidos. A segunda infração diz respeito à limitação de tomada de créditos de "serviços utilizados como insumos", linha 3 da ficha 06A do DACON, que, para o segundo trimestre, cuja base totalizou R$ 15.498.832,43 (efls. 145, 173 e 201) ao passo que na linha 34 da ficha 04A da DIPJ (efl. 402) totalizou R$ 10.886.266,25. Assim, o custo de serviços prestados por PJ do segundo trimestre informado na DIPJ foi inferior ao serviços tomados como insumos, no mesmo período, no Dacon. Então, a autoridade fiscal limitou, mês a mês, os valores ao custo informado em DIPJ, de forma proporcional aos valores originalmente informados, resultando em glosa no trimestre de R$ 76.921,38. A terceira infração diz respeito ao transporte a maior dos valores de créditos remanescentes de um mês anterior para o mês seguinte. Neste sentido, o crédito remanescente do mês de março/2010 foi R$ 221.308,55, conforme linha14 da ficha 14 (efl. 121) deveria ser o inicial do mês de abril. Porém, em abril, o valor informado na linha 01 da ficha 14 foi de R$ 315.975,66 (efl. 149), havendo um transporte indevido de R$ 94.667,11. O mesmo ocorreu em maio e junho/2010, perfazendo um total indevido de R$ 174.430,46. Portanto, do total de PIS retido, pedido em restituição no valor de R$ 292.143,36, restariam apenas R$ 4.449,76, depois das glosas efetuadas pelas três infrações acima de R$ 287.693,90 (36.342,06+76.921,38+174.430,46). Entretanto, a autoridade fiscal argumentou que as receitas sujeitas à não cumulatividade perfizeram R$ 6.843.848,40 (soma das linhas 01 da ficha 07B dos Dacon), representando 8,876% do total de receitas auferidas, enquanto as receitas sujeitas à cumulatividade perfizeram R$ 70.265.242,41 (soma das linhas 04 da ficha 07B dos Dacon), representando 91,124% do total de receitas. Como a apuração de créditos comuns é proporcional ao rateio de receitas, aplicando este percentual ao valor de R$ 10.886.266,25, concluirseia que apenas 8,876% deste valor poderia gerar crédito. Assim, os outros 91,124% absorveriam o valor de serviços correspondente a R$ 4.449,76, ou seja, R$ 269.682,42 2,5% do total de serviços na DIPJ. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.068 7 A presunção adotada pela autoridade fiscal não destoaria da realidade, pois ao admitir a informação da Dacon como verdadeira, implicaria a conclusão de que todos os serviços adquiridos de PJ informados na DIPJ no valor de R$ 10.886.266,25 teriam sido utilizados na prestação de serviços sujeitos à nãocumulatividade de R$ 6.843.848,40, ao passo que nenhum valor teria sido utilizado na prestação de serviços sujeitos à cumulatividade de R$ 70.265.242,41. Assim, a presunção de que os serviços sejam comuns às duas receitas seria compatível com a realidade das receitas auferidas. Então, a quarta infração é a exclusão dos serviços utilizados como insumos, vinculados por rateio de receitas, às receitas cumulativas, cujo montante é muito superior ao crédito remanescente de PIS e Cofins, após as glosas relativas às três primeiras infrações. Esta metodologia e cálculos foram estendidos para a Cofins. Por sua vez, a recorrente impugnou o indeferimento do pedido de restituição, alegando: 1. Que o período de apuração nas cartas cobrança de 08/08/1908 seria incompatível com o período objeto do pedido de restituição; 2. Que poderia descontar dos valores das contribuições os créditos em relação aos bens para revenda e bens e serviços utilizados como insumos; 3. Que os serviços utilizados como insumos foram empregados exclusivamente na execução de serviços sujeitos à nãocumulatividade e que os créditos relativo ao fornecimento de mercadorias referiamse exclusivamente às mercadorias sujeitas à nãocumulatividade; 4.Que a contribuinte era integrante de consórcios para execução de empreendimentos e que poderia registrar créditos de PIS e Cofins permitidos em legislação; 5. Que, em recente revisão, constatou erro no preenchimento da DIPJ 2011 e providenciou sua revisão e que efetuaria as revisões do Dacon e emitiria as retificações; 6. Que a forma para apresentação está correta e solicita que seja acolhida sua pretensão; 7. Que a recorrente pode recuperar como crédito os valores retidos pelas fontes pagadoras, bem como se creditar dos bens adquiridos para revenda e bens e serviços utilizados como insumos; 8. Que as empresas integrantes dos consórcios respondem pelos tributos devidos proporcionais às suas participações nos empreendimentos, sendo que cada pessoa jurídica deverá apropriar suas receitas, custos e despesas incorridos, proporcionalmente à sua participação, o mesmo se aplicando às apurações das contribuições e às retenções; Anexou à manifestação de inconformidade, a DIPJ retificada, os comprovantes de rendimentos pagos e a retenção de imposto de renda, documentos da representação, mídia contendo o arquivo eletrônico da contestação e cópias das PER/DCOMPs e, ao final, pede o deferimento de seu pleito. Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.069 8 Posteriormente, em dezembro/2012 (aproximadamente cinco meses após o protocolo da manifestação de inconformidade) protocolou petição, juntando o Livro Razão das contas relativas aos créditos e planilha demonstrativa das linhas da DIPJ 2011/2010 e a respectiva correlação com o Livro Razão, a fim de justificar as contas que geraram desconto das contribuições. Já a DRJ considerou não impugnada a matéria relativa à primeira infração, considerando não haver provas de que as informações nas DIRFs estejam equivocadas. Porém, o colegiado a quo conheceu e apreciou a documentação juntada a posteriori, diferentemente do alegado pela recorrente, conforme excerto da decisão recorrida: "Não obstante, antes dos autos virem a julgamento, a interessada fez juntar documentos e planilhas que, segundo alega, referemse à comprovação dos créditos passíveis de desconto. Para que não se alegue cerceamento de direito de defesa, nem ofensa ao princípio da verdade material, conheço dos documentos apresentados como integrantes da manifestação originalmente interposta. Esclareçase apenas, no que tange à retificação da DIPJ procedida após a ciência da interessada do Despacho Decisório destes autos, bem como à eventual retificação que tenha a contribuinte efetuado em seus Dacon (posto que ela menciona apenas a possibilidade de proceder a outras retificações), que tais, por si só, não podem neste momento processual ser tomados como prova. Assim, na hipótese de informação incorreta na declaração anteriormente prestada, cumpre à interessada apresentar documentos com força probatória superior a mera declaração – o que parece ter ela pretendido mediante a documentação que anexou às fls. 677/939." Por sua vez, em recurso voluntário, a recorrente alegou a inexistência de falta de impugnação da matéria considerada preclusa e defendeu que as diferenças relativas às retenções decorrem da não utilização das retenções em períodos anteriores (4º trim/2008 e ano de 2009) e que o conceito de insumo abrange todas as despesas e custos necessários à obtenção da receita, pleiteando pela tomada dos créditos das contribuições sobre os serviços especificados na planilha de efls. 678/679. Analisando a manifestação de inconformidade, constatase que a recorrente não questionou os valores constantes da DIRF considerados pela autoridade fiscal nas efl. 434 e 438 (e nem poderia, já que correspondem aos comprovantes apresentados em impugnação nas efls. 534/540), nem abordou a diferença relativa à primeira infração, como alega em seu recurso voluntário. Apenas discorreu sobre a possibilidade jurídica de utilizar as retenções, o que, em momento algum, foi desconsiderado pela autoridade fiscal. A abordagem das disposições relativas à existência dos consórcios também não possui qualquer vínculo com as infrações detectadas e nem sequer foram reiteradas em recurso voluntário. Portanto, correta a preclusão processual declarada pela DRJ, considerando que a primeira infração não fora impugnada. Aliás, a alegação efetuada apenas em recurso voluntário quanto à utilização de retenções anteriores, inexistente na manifestação de inconformidade, reforça a conclusão do colegiado a quo. Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.070 9 Afasto, portanto, a preliminar arguida. Destacase, ainda, que a terceira infração, relativa ao transporte errôneo dos saldos de créditos remanescentes de um mês para o mês seguinte, nas fichas 14 dos Dacons, também não foi impugnada pela recorrente, nem na manifestação nem em recurso voluntário, razão pela qual tais valores serão considerados definitivos. Já a segunda infração foi efetivamente contestada na documentação juntada posteriormente à manifestação de inconformidade, mas antes do julgamento proferido pela DRJ, o que levou àquele colegiado a conhecer e apreciála, enquanto a quarta infração também foi contestada mediante a afirmação de que "os serviços utilizados como insumos foram empregados exclusivamente na execução de serviços sujeitos à alíquota de 1,65% PIS e 7,6% COFINS". Ocorre que em recurso voluntário, a recorrente não reiterou a alegação de que os serviços eram exclusivos das receitas nãocumulativas, mas apenas que eram necessários à obtenção das receitas da recorrente, restringindo o litígio ao conceito de insumos de PIS e Cofins, matéria de mérito que será a única a ser apreciada neste julgamento de recurso voluntário. Passo à análise da glosa dos créditos da nãocumulatividade. A autoridade fiscal glosou os créditos em razão da limitação dos mesmos aos serviços prestados por pessoa jurídica, informados como custos dos serviços prestados, na linha 34 da ficha 04A da DIPJ. Por sua vez, a recorrente alegou ter cometido erro de preenchimento na DIPJ, procedendo à sua retificação, além de explicitar a composição dos valores informados no Dacon e juntar cópias do Livro Razão, pugnando ainda pelo conceito amplo de insumo, equivalente a todos os custos e despesas necessários à obtenção da receita. Relativamente à definição de insumos, a nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.071 10 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.072 11 de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.073 12 XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.074 13 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. O STJ julgou a matéria, na sistemática de como recurso repetitivo, no REsp 1.221.170/PR, o qual restou decidido com a seguinte ementa: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.075 14 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, a pós o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (votovista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Embora publicado, tal acórdão ainda não transitou em julgado, sendo sua aplicação ainda não obrigatória. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.076 15 Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matérias Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.077 16 primas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.078 17 portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.079 18 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Considero, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que os custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem, em regra, gerar créditos, pois são aplicados aos produtos já acabados. Destarte, afasto a tese da recorrente de que todos os custos e despesas necessários à obtenção das receitas gerariam créditos das contribuições, o que equivaleria, em outros termos, à tese do IRPJ, ou seja, todos os custos e despesas operacionais dedutíveis para o IRPJ gerariam créditos da contribuições. Assim, despesas operacionais, como as administrativas, embora necessárias à recorrente para exercer suas atividades em geral, não se enquadram no normativo de que trata o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Então, passo a analisar as rubricas especificamente detalhadas pela recorrente às efls. 678/679. Ressalvase, de imediato, que os valores de 334204 SERV TERCEIRO PJ LINHA PERMANENTE , 334206 SERV TERCEIRO PJ GENERIC PERMANENTE e 334207 SERVICO TERCEIROS PESSOA JURÍDICA, informados na ficha 04A, linha 34, não foram objeto de glosa e correspondem ao valor de R$ 10.886.266,25, considerado pela autoridade fiscal. Em relação aos valores informados pertencentes à ficha 05, destacamse que estão informados como despesas operacionais e não custos. As descrições se referem a: materiais de escritório, material de proteção pessoal, material de informática, serviços de terceiros pessoa jurídica, serviços de terceiros consultoria, serviços terceiros linha, despesas de viagem, despesas de condução e locomoção, telefone, comunicações, despesas com reproduções, correio, malote, e gastos postais, material de consumo, serviços de informática, serviços terceiros pessoa física, serviços advocatícios e de auditoria, serviços com ocupação de imóvel, serviços de terceiros linha, leasing, despesas de depreciação, despesas com Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10768.004787/201041 Acórdão n.º 3302005.927 S3C3T2 Fl. 1.080 19 reproduções, manutenção. A informação de que se tratam de despesas, por si só, já exclui os valores do conceito de insumo, cujo pressuposto é estar inserido no custo de produção ou da prestação de serviços. Pela descrição contida em algumas contas, especialmente as denominadas 343101 SERV DE TERCEIROS PESSOA JURÍDICA, 343107/353108 SERV TERCEIROS PJ LINHA e 353101 SERV TERCEIROS PESSOA JUR indicam se tratar de pagamentos a consultorias, corretora de valores, reembolso de despesas, empresas de desenhos técnicos e consultorias, que se referirem a projetos, seriam despesas anteriores à serviços de construção, serviços diversos como consultoria, comunicação, processamento de dados, gestão da informação, medicina do trabalho etc, sem indicação da inserção destes serviços nos custos dos serviços prestados. Já os serviços relacionados como pertencentes à linha L43 Outros custos da ficha 04A da DIPJ, compõem os custos dos serviços prestados. Porém, as despesas relativas a licença de uso de software, despesas de viagem, telefones, telex, etc, material de escritório, reprodução, comunicação e gastos postais, seguros, em princípio, não geram créditos, pois não são inerentes à prestação de serviços de engenharia relacionados à exploração e refino de petróleo, construção, manutenção e operação de plataformas marítimas de petróleo e gás e comercialização de equipamento. Da descrição das contas, a única que se amoldaria, em tese, a insumo, seria a 333401 COMBUST, LUBRIFI, LAVAGEM, MANUTENÇÃO. Porém, não há descrição do serviço a que se refere, impossibilitando qualquer avaliação de modo a enquadrar na prestação de serviço constante do objeto social, uma vez que a única informação é de que se trata, aparentemente, de fornecedor de vidros. À míngua de qualquer outra informação, não há como vinculálo à prestação de serviço. Relativamente ao pedido de diligência, entendo que os documentos acostados indicam tratar os créditos pleiteados de despesas operacionais, cuja descrição contida no Razão contábil não se amolda ao conceito de insumo. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1080DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.720487/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .7 20 48 7/ 20 10 -2 2 Fl. 901DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 902 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1041.865, proferido pela 2 ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de análise de Pedido de Ressarcimento (PER) transmitido pela contribuinte em 10/10/2007, relativo a saldo credor de PIS nãocumulativo exportação do 3º trimestre de 2007, no montante de R$ 355.803,80, combinado com DCOMPs transmitidas entre 06/09/2007 e 06/11/2007. Anexados documentos, a Fiscalização produziu Relatório Fiscal onde analisou pedidos de ressarcimento/compensação relativos aos trimestres de 2007 e 2008 (PIS e COFINS mercados interno e externo), sendo pertinente transcreverse os seguintes excertos: Na análise do movimento de notas fiscais apresentadas em meio magnético, foram constatadas irregularidades com relação à apuração do saldo credor informado pela empresa, decorrentes da sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, (...). (...) a empresa informou valores extemporâneos nas Linhas 01 Bens para Revenda, 02 Bens utilizados como Insumos e 13 Outras Operações com direito a Crédito, nos meses de julho, setembro, outubro e novembro/2007, (...) No âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, exigese a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de ressarcimento segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de ressarcimento. (...) o § 2° do art. 28 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 determina que cada pedido de ressarcimento deverá (I) referirse a um único trimestrecalendário e (II) ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestrecalendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. (...) os valores demonstrados nas colunas "Base Cofins" e "Base PIS" da tabela acima são glosados pelo AFRFB em razão de se tratarem Fl. 902DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 903 3 de créditos extemporâneos, haja vista que se referem a créditos sobre aquisições feitas em períodos anteriores (desde 2002) aos períodos de apurações, conforme se verifica na resposta da empresa ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal, de 02/09/2011. Intimado, em 18/05/2012, a apresentar cópias das notas fiscais n° 20891 a 20899 (modelo 1, série 3 notas fiscais de revenda de adubos e fertilizantes), emitidas em 02/07/2007 e justificar o não oferecimento à tributação pelo PIS/Cofins do valor do frete relacionado nas referidas notas, o contribuinte apresentou as cópias solicitadas e informou que, no seu entendimento, o frete deve acompanhar a tributação dos produtos, ou seja, como o adubo e fertilizante tiveram suas alíquotas de PIS e Cofins reduzidas a zero pela Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, o frete deveria ter sua alíquota também reduzida a zero. Entretanto, inexiste, na legislação vigente, previsão para que o frete relativo ao transporte de mercadorias sujeita a alíquota zero de PIS/Cofins também tenha o mesmo tratamento tributário. Os créditos apurados pelo contribuinte nas operações de revenda de bens referemse a aquisições de outras mercadorias (em grande parte tabaco da posição 2401 da TIPI) para revenda no mercado interno tributado e para exportação. Desta forma, conforme prevê a legislação de regência, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Por se tratarem de aquisições geradoras de créditos comuns vinculados à revenda no mercado interno e à exportação, devem ser rateados proporcionalmente (...). O contribuinte informou na linha de Bens Utilizados como Insumos créditos vinculados à receita de venda no Mercado Interno Não Tributado. Entretanto, é sabido que o produto que a empresa vende tanto para o mercado interno como para exportação é o fumo e não existe previsão legal para venda de fumo não tributado no mercado interno. Os créditos informados nesta linha referemse exclusivamente a aquisições vinculadas a receitas de venda no Mercado Interno Tributado e Exportação. Desta forma, conforme prevê a legislação de regência, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Por se tratarem de aquisições geradoras de créditos comuns vinculados à venda no Mercado Interno Tributado e Exportação, devem ser rateados proporcionalmente a estes (...). Fl. 903DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 904 4 Em 22/06/2012 foi emitido Parecer com propositura de que fosse parcialmente reconhecido o direito creditório da contribuinte no valor de R$ 207.332,41. Posteriormente, através de Despacho Decisório, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, homologou parte das compensações declaradas (até o limite do crédito disponível), não homologou as demais compensações declaradas e indeferiu pedido de ressarcimento (PER/DCOMP nº 29322.25603.101007.1.5.08 7162). Cientificada e não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou a contribuinte sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: Ausência de fundamento legal • exceto a glosa de créditos extemporâneos, não há qualquer embasamento legal na conduta apontada como imprópria, havendo de ser declarada a nulidade do processo por falta de indicação no lançamento do artigo infringido. Há, também, o correspondente cerceamento de defesa que desta conduta emana (inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972). O procedimento fiscal é abusivo. Créditos extemporâneos • a glosa baseiase em duas suposições: ausência de elementos essenciais para análise dos créditos e necessidade de confinamento de apuração no mês correspondente; • a ausência de elementos essenciais para análise dos créditos não se sustenta, conforme consta no próprio Relatório e tabela produzidos pelo Fisco. Este não pode reclamar da ausência de elementos essenciais, se na planilha apresentada pela empresa há indicação, mês a mês, nas linhas lançadas (DACON), o valor e a origem do crédito realizado; • quanto à necessidade de confinamento como óbice do crédito extemporâneo, este argumento igualmente não se sustenta. As normas estabelecem expressamente que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes (§ 4° do art. 3o das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). O art. 3º destas Leis permite expressamente que o crédito de PIS e COFINS não apropriados em determinado mês, o sejam em períodos subseqüentes, observado o prazo estabelecido pela legislação tributária; • no caso da glosa efetuada, a fiscalização limitouse a alegar que os créditos passíveis de ressarcimento dependem de prévia confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, motivo pelo qual desconsiderou o direito creditório quanto aos créditos extemporâneos. Mas: a) a apropriação fiscal de créditos de PIS e COFINS extemporâneos encontra previsão expressa na legislação tributária; Fl. 904DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 905 5 b) a apropriação de créditos de PIS e COFINS em período subseqüente, ou seja, de forma extemporânea, além do que previsto na legislação fiscal, não traz qualquer prejuízo à RFB, vez que implica no recolhimento a maior de PIS e COFINS em período de apuração anterior ou em pedido de ressarcimento sem qualquer atualização em período posterior. • a Fiscalização não fez qualquer restrição quanto a natureza dos créditos extemporâneos realizados, ou seja, o tipo de crédito não foi óbice para glosa, nada havendo a ser discutido senão a ausência de elementos essenciais para análise dos créditos e o confinamento de apuração ao mês correspondente. Frete na revenda de bens • a empresa revende adubos e fertilizantes para produtores rurais, sendo que tais insumos agrícolas são comercializados com alíquota zero de PIS e COFINS (Lei n° 10.925, de 2004). Não há realização de fretes, os quais são executados por transportadores autônomos, sendo que o custo correspondente é suportado pelos produtores rurais. Estes fretes foram acrescidos pelo Fisco na base de cálculo do PIS e da COFINS, ante a argumentação de que não devem ter redução a zero da alíquota, como ocorre na comercialização de adubos e fertilizantes. Os fretes foram, portanto, considerados como receita; • a empresa não tem entre seus objetivos sociais a prestação de serviços de transporte, como comprova seu Estatuto Social. Repassou o custo do frete aos produtores (nota fiscal e conhecimento). Rateio na apropriação de créditos • junto ao Plantão Fiscal verificou que os percentuais calculados e apresentados no Relatório Fiscal, relativos ao mercado interno tributado e exportação, se deram em virtude de suposto equívoco de preenchimento do DACON (linhas 01 e 02). No entanto, informou naquelas linhas (Ficha 07A) em relação aos anoscalendário 2007 e 2008, na coluna Receita, o total da Receita Bruta auferida no período (Mercado Interno e Exportação), independentemente de ser tributada ou não pelo PIS e COFINS. O preenchimento do DACON se deu a partir da interpretação do ajuda do Programa DACONMensal 1.1, vigente à época. Na ajuda do Programa DACON MensalSemestral 2.5, vigente atualmente, entendese que devem ser informadas na Ficha 07A (linhas 01 e 02), somente as Receitas Tributadas. A orientação atual orientação diverge da ajuda anterior; • as informações apresentadas no DACON levaram ao cálculo equivocado e distorcido do percentual de receitas de exportação sobre a receita total (período abril de 2007 a dezembro de 2008), feito pelo Fisco; • a Fiscalização tinha o dever de ofício de cotejar a ajuda do DACON (atual e anterior). Mesmo que constatado equívoco da empresa no preenchimento, o Fisco detinha ferramentas e informações para corrigir as distorções, eis que as informações lhe foram disponibilizadas. Essas Fl. 905DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 906 6 informações, por evidente, levam a rateio diverso do constante no Relatório Fiscal. O rateio realizado pela empresa levou em conta a correta proporção dos mercados, embora o lançamento nas linhas possa ter gerado distorção. A opção do Fisco, de ter se baseado somente no DACON e não nas informações da empresa, mesmo que involuntária, levou a equivocado rateio. Rateio e apropriação de créditos. Mercado Interno NT Bens para revenda • a empresa, diversamente do que foi referido no Relatório Fiscal, lança em bens para revenda as mercadorias para revenda tributadas, que são os materiais agrícolas, e não tabacos como equivocadamente referido no Relatório. Estes são adquiridos para industrialização e são considerados insumos (lançados na linha 02); • no rateio para o Mercado Interno em bens para revenda, o Relatório Fiscal valeuse de proporcionalidade equivocada entre as receitas do mercado interno e exportação. Por conseguinte a aplicação dos percentuais encontrados naquela Tabela, trazem a ilação de que o mercado interno tributado e a exportação em abril de 2007, por exemplo, correspondiam a, respectivamente, 52,60% e 47,40%, quando na verdade era 9,67% e 90,33%. Rateio apropriação de créditos. Mercado Interno NT Insumos • a empresa sempre teve receita de exportação de aproximadamente 90%. A aquisição de tabacos para processamento industrial foi informada na Ficha 06A linha 02 do DACON, juntamente com os demais insumos (material de embalagem, manutenção industrial, combustíveis para máquinas industriais, etc.). A Lei nº 11.033, de 2004, não excepciona vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de PIS e COFINS para manutenção de créditos; • devem ser considerados todos os custos incorridos na fabricação (mesmo os custos comuns). Quanto às vendas, consideramse inclusive aquelas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência, ou seja, mercado interno tributado, não tributado e exportação; • a Fiscalização afirmou ser sabido que o produto que a empresa vende tanto para mercado interno como para exportação é o fumo. Porém, a venda de insumos (alíquota zero) no mercado interno, não foi considerada pela Fiscalização. O produto industrializado pela empresa, quando comercializado no mercado interno, se sujeita ao regime de apuração não cumulativa, o que determina a apuração de crédito nas aquisições de bens vinculadas à receita auferida nas operações de exportação. Diligência • se alguma dúvida pairar, protesta pela realização de diligência visando confirmar as alegações que fez. Aponta questões a serem investigadas em diligência; Fl. 906DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 907 7 • requer seja sua manifestação de inconformidade recebida e provida, tornandose sem efeito as compensações não homologadas e o indeferimento do ressarcimento pleiteado. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra a nãohomologação de compensação, não se estendendo a questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Restando clara a base legal utilizada, havendo a correta descrição dos fatos e a apreciação do pedido de ressarcimento ou compensação por autoridade competente, ficam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa. DECISÕES JUDICIAIS. ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Regra geral, as decisões judiciais e administrativas têm apenas eficácia interpartes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal, mas também em respeito às particularidades de cada litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRATAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, o ressarcimento/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos, devendo eles ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 908 8 Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da COFINS nãocumulativa é a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, excluídas as receitas decorrentes de saídas isentas da contribuição, sujeitas à alíquota zero e as receitas decorrentes da venda de bens do ativo imobilizado. REGIME NÃOCUMULATIVO. VALORES RECEBIDOS A DIVERSOS TÍTULOS. INCIDÊNCIA. A denominação dada a uma receita ou o tratamento contábil a ela dispensado não tem o condão de descaracterizála como faturamento ou excluíla do campo de incidência da contribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência posto na manifestação de inconformidade. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, basicamente: no que tomei como preliminares; cerceamento do direito de defesa quanto às alegações que colocou contra cobrança de créditos tributários cuja compensação não foi homologada; não analisar a ausência de fundamentação legal do procedimento autuatório; e cerceamento de defesa por falta de análise de argumentos e documentos referentes ao rateio mercado interno tributado e exportação; e, no mérito; legítimo direito ao aproveitamento dos créditos extemporâneos; vício na exigência das contribuições sobre fretes nas vendas de produtos tributados à alíquota zero. Ao final, repete pedido por diligência sobre o “rateio entre o mercado interno e externo”. Em 26/01/2016, esta Turma, na Resolução 3301000.219, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem esclareça "aparente discrepância entre a escrituração contábil do contribuinte, a Dacon e o Relatório Fiscal" e alegação da recorrente "de que as informações apresentadas no DACON levaram ao cálculo equivocado e distorcido do percentual de receitas de exportação sobre a receita total, feito pelo Fisco, e que tais informações foram prestadas em indução ao erro pelo sistema "ajuda" do preenchimento da Dacon". Em resposta, a delegacia de origem emitiu Relatório de Diligência Fiscal, sobre ele manifestandose a contribuinte. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. Fl. 908DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 909 9 É o relatório. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 910 10 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário foi dado por tempestivo na dita resolução1. Preliminares Ainda que o recurso em análise não tenha assim se estruturado, tomei os seguintes temas como preliminares, pela sua natureza. A recorrente alega ter havido cerceamento do direito de defesa quanto às alegações "contra cobrança de créditos tributários cuja compensação não homologada" (grifos do original). Diz que o acórdão recorrido não conheceu dessas "reclamações": Não trata o presente processo de qualquer espécie lançamento efetuado pelo Fisco. Conforme peças processuais, houve Cobrança (a empresa deveria efetuar o pagamento do débito não compensado, no prazo legal). Tal Cobrança representa uma conseqüência da nãohomologação de compensações, não sendo meio formal de constituição do crédito tributário, não traduzindo, autonomamente, qualquer relação jurídicotributária. Ela não instaura, pois, uma fase litigiosa nos termos do Decreto nº 7.574, de 2011 (antes Decreto nº 70.235, de 1972), eis que, como consabido, o processo administrativo fiscal previsto nesse diploma serve, precipuamente, para discussão de lançamentos de ofício consubstanciados em autos de infração ou notificações de lançamento. Nesse sentido, deve a autoridade julgadora (DRJ) desconhecer das reclamações contra a cobrança de créditos tributários cuja compensação não foi homologada. Como a recorrente não aponta em que momento ou documento tal cobrança, fora efetuada, busquei o que trazia o despacho decisório. Este coloca que "é facultada a apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu seu pedido de ressarcimento ou que não homologou a compensação"[...] "que obedecerá ao rito processual do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972" e somente em " não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva". Assim, errou o acórdão recorrido, mas vazia de fundamento da questão levantada pela recorrente 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 910DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 911 11 (também dele não encontrei substância na manifestação de inconformidade ao dito despacho decisório). A recorrente ainda aduz a ausência de fundamentação legal do procedimento exposto em relatório. Verifiquei que o Despacho Decisório em foco traz o seguinte enquadramento legal: "Lei n.º 10.833, de 2003. Art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB n.º 900, de 2008. Artigos 53 e 55 da Lei n.º 9.784, de 1999. E bem Complementa o acórdão recorrido: De outra banda, não pode a interessada alegar cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que apresentou clara contestação acerca do mérito do litígio, demonstrando conhecimento das razões apontadas para parcial existência dos valores a ressarcir, com a utilização da parte reconhecida para fins de compensação. A recorrente ainda argumenta ter havido cerceamento de defesa por falta de análise de argumentos e documentos referentes ao rateio mercado interno tributado e exportação. A Resolução anterior desta Turma não entendeu pelo cerceamento, mas por uma “discrepância entre a escrituração contábil do contribuinte, a Dacon e o Relatório Fiscal”, usando as palavrsa da recorrente, e decidiu por uma diligência sobre o tema. Mérito A recorrente aduz, nesse tema, que “a glosa chancelada pelo r. acórdão baseiase suposta (i) ausência de elementos essenciais para análise dos créditos e, na, (ii) necessidade de confinamento de apuração no mês correspondente”. Do relato, a fiscalização assim colocou: Na análise do movimento de notas fiscais apresentadas em meio magnético, foram constatadas irregularidades com relação à apuração do saldo credor informado pela empresa, decorrentes da sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, (...). (...) a empresa informou valores extemporâneos nas Linhas 01 Bens para Revenda, 02 Bens utilizados como Insumos e 13 Outras Operações com direito a Crédito, nos meses de julho, setembro, outubro e novembro/2007, (...) De fato, entendeu o acórdão recorrido por não permitir o aproveitamento de créditos extemporâneos, ao argumento de que: No tocante aos créditos extemporâneos, verificase que no âmbito dos tributos apurados pelo regime nãocumulativo (PIS e COFINS), exigese a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de repetição segundo requisitos que só Fl. 911DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 912 12 são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). [...] Verificados os §§ 1º dos arts. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, observase a determinação de que os créditos devem ser apurados por via da aplicação da alíquota sobre o valor dos bens adquiridos no mês ou sobre o valor das despesas incorridas no mês, ou seja, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos de apuração, e isto com o fim, como já se disse, de que a análise tanto da existência quanto da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro período específico de geração do crédito. Não por outra razão é que a IN SRF nº 600, de 2005 (vigente à data de transmissão do PER/DCOMP nº [...]), ao tratar, em seus art. 21 e 22, das formalidades associadas aos pedidos de ressarcimento e compensação de créditos vinculados ao PIS e à COFINS apurados no regime da não cumulatividade, expressamente condiciona a compensação à prévia apresentação do pedido de ressarcimento (§ 8º do art. 21 A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22) e, também de forma expressa, determina que cada pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestrecalendário (§ 3º do art. 22). Tal disposição restou mantida pela normatização seguinte (IN RFB nº 900, de 2008, e IN RFB nº 1.300, de 2012). Assim, a utilização do saldo de créditos de meses anteriores em um procedimento de ressarcimento/compensação era (e continua sendo) uma faculdade da contribuinte, não podendo a autoridade fiscal incluir tais créditos, de ofício, em um PER/DCOMP que versou unicamente a respeito dos créditos de um período de apuração específico, no caso o 3º trimestre de 2007. Entendese, pois, correta a glosa promovida pela DRF de origem em relação aos créditos extemporâneos inseridos pela contribuinte no PER/DCOMP citado. Contrapondose à necessidade de confinamento traz a recorrente o § 4º do art. 3º das Lei 10.637/02 e 10.833/03: “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”. Sobre os créditos que apresentou, diz a recorrente: Fl. 912DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 913 13 De fato, verifiquei que, na dita resposta à intimação fiscal citada, a contribuinte apresenta elementos que apontam para a existência dos alegados créditos. Assim, com base no § 4º do art. 3º das Lei 10.637/02 e 10.833/03 e seguindo jurisprudência da Casa (CARF, 3ª Turma, CSRF, Ac. 9303006.248, de 25/01/2018, rel. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), dou razão à recorrente nessa passagem, entendendo pela possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos em pauta, desde respeitado o prazo de cinco anos da aquisição do insumo. A Resolução anterior desta Turma entendeu, com base na busca pela verdade dos fatos, em diligenciar tão somente quanto a questão do “porcentual correto da relação entre os produtos vendidos no mercado interno e os produtos exportados”, afirmando ainda que “no presente processo, não há discussão acerca do conceito de insumos” e que “também não há discussão se os produtos em questão dão direito ao crédito do tributo”. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que a Delegacia de Origem, tomando por aproveitáveis os créditos dados por extemporâneos: 1) Verifique a liquidez e certeza dos créditos destes, com base nos elementos constantes dos autos; intimando a contribuinte a apresentar informações e documentos, se entender necessário; e 2) Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte se manifestar, finda a diligência, sobre o relatório dela decorrente, retornando os autos, em seguida, ao CARF para retomada do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 913DF CARF MF Processo nº 13005.720487/201022 Resolução nº 3301000.804 S3C3T1 Fl. 914 14 Fl. 914DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720059/2016-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
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(assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica– IRPJ (fls. 1164 a 1178) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1180 a 1192), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 47.478.933,73. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 05 9/ 20 16 -7 8 Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201678 Resolução nº 1401000.590 S1C4T1 Fl. 1.681 2 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1194 a 1235, o lançamento decorreu de dedução indevida de despesas (amortização de ágio) na apuração do lucro tributável. Qualificouse a multa (150%) Verificouse, o grupo Accor engendrara planejamento tributário, por meio de operações sem propósito comercial e com a utilização de empresa veículo (Sobraser Participações Ltda), dandolhes ares da situação prevista nos arts. 385 e 386 do RIR, de 1999, com o único propósito de transferir ágio oriundo de aquisições dantes efetuadas pela Accor Participações S.A. para a autuada, e dessa forma proporcionarlhe a dedução das respectivas amortizações na apuração do seu lucro tributável; o que efetivamente vem ocorrendo ao longo dos anos. Apresentouse impugnação, às fls. 1320 a 1368, contrapondose, em síntese: O "direito" à amortização do ágio teria nascido no momento da incorporação da Cia Sinal de Participações pela Accor Participações, antes da participação da Sobraser, que não se trataria de empresa veículo. A fruição do referido "direito" pela impugnante poderia ter sido alcançada de diferentes maneiras, "e não meramente pela incorporação da Sobraser" pela autuada (vide fls. 1339 e 1340). Teria havido propósito negocial na criação da Sobraser. Ainda que se admita ela fora utilizada com o único objetivo de permitir a amortização do ágio pela autuada, não haveria ilegalidade nisso. Inexistiria previsão legal de não dedutibilidade da amortização de ágio na apuração da base de cálculo da CSLL. A qualificação da multa teria sido descabida. Deverseia afastar a "incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício". Quando do julgamento na DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 INVESTIMENTO. ÁGIO. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Em regra, as contrapartidas da amortização do ágio de que trata o art. 385 do RIR, de 1999, não são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. A dedução só é possível, nos termos do inciso III do art. 386 do RIR, de 1999, quando há extinção do investimento adquirido com ágio, com fundamento econômico nos termos do inciso II do § 2º desse mesmo artigo, por meio de incorporação, fusão ou cisão. PLANEJAMENTO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. EFEITOS NÃO OPONÍVEIS À FAZENDA PUBLICA. Os efeitos de operações perpetradas no âmbito de planejamento tributário, em que não existe outra motivação senão a de criação artificial de condições para auferimento de vantagens tributárias, não são oponíveis à Fazenda Pública. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201678 Resolução nº 1401000.590 S1C4T1 Fl. 1.682 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 CSLL. NORMAS DE APURAÇÃO. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE DOLO. Os defeitos que maculam o planejamento tributário de antemão não se confundem com o motivo que enseja a qualificação da multa de ofício, qual seja a intenção de fraudar o fisco nos termos dos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964; não restando demonstrado dolo específico do contribuinte na prática das condutas previstas nesses artigos, descabe a qualificação. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA ALHEIA À LIDE. Dado que o lançamento não consubstancia crédito relativo a juros sobre multa, não compete a esta instância julgadora, neste momento, manifestarse sobre o assunto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão de primeira instância, interpôs a recorrente o competente recurso voluntário em que repisou basicamente os mesmos argumentos da impugnação, com exceção da multa qualificada que foi desonerada. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Em virtude da recente publicação da Lei 13.655, de 25 de abril de 2018, a Recorrente apresenta a este colegiado questão inédita, a qual deve ser admitida a discussão, tendo em vista ser relativa a fato ou direito superveniente. Referida lei incluiu o artigo 24 à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, de seguinte teor: Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201678 Resolução nº 1401000.590 S1C4T1 Fl. 1.683 4 Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Aduz a Recorrente que os fatos geradores ocorreram em 2012, quando era consolidada a jurisprudência administrativa permitindo o uso da "empresa veículo" em algumas situações nas operações de ágio, conforme exposto abaixo: Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 16561.720059/201678 Resolução nº 1401000.590 S1C4T1 Fl. 1.684 5 Por se tratar de questão nova apresentada nesta data, entendo que é prudente baixar o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 1.672 a 1.676, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 1684DF CARF MF
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Numero do processo: 19814.000299/2006-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/04/2006
Auto de Infração: Identidade de Sujeito Passivo, mas não dos fatos. Não Conhecimento do Recurso Voluntário. Declínio e devolução ao Conselheiro Relator original.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 3101-001.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, para declinar competência para a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF em devolução ao Conselheiro original Hélcio Lafetá Reis.
HENRIQUE PINHEIROS TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, José Maurício Carvalho Abreu e Demes Brito.
Nome do relator: Relator Valdete Aparecida Marinheiro
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, para declinar competência para a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF em devolução ao Conselheiro original Hélcio Lafetá Reis. HENRIQUE PINHEIROS TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, José Maurício Carvalho Abreu e Demes Brito.
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Não Conhecimento do Recurso Voluntário. Declínio e devolução ao Conselheiro Relator original. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, para declinar competência para a Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF em devolução ao Conselheiro original Hélcio Lafetá Reis. HENRIQUE PINHEIROS TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, José Maurício Carvalho Abreu e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 81 4. 00 02 99 /2 00 6- 50 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3101001.801 S3C1T1 Fl. 32 2 Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 251 e 252 do acordão proferido pela 3ª Turma Especial dessa Terceira Seção, em 16/12/2012, por meio do voto do relator Hélcio Lafetá Reis: Tratase de Recurso Voluntário (fls. 98 a 110) interposto em face de decisão da DRJ São Paulo II/SP (fls. 89 a 94) que julgou procedentes os autos de infração lavrados para se exigirem CofinsImportação (fls. 1 a 5) e PISImportação (fls. 6 a 11). Os lançamentos de ofício decorreram da classificação incorreta das mercadorias importadas pelo contribuinte na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Segundo a Fiscalização, tratarseia de aparelhos multifuncionais e não de impressoras, o que provocou a alteração da NCM de 8471 para 9009. Cientificado das autuações, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 46 a 55) e requereu, preliminarmente, a declaração de nulidade dos autos de infração, por preterição do direito de defesa, pelo fato de que, segundo ele, ter a Fiscalização o impedido de se defender de forma efetiva e abrangente. No mérito, argumentou o contribuinte que as mercadorias importadas eram impressoras HP, jato de tinta, que executam outras funções, sendo preponderante a função de imprimir. Segundo ele, a classificação adotada pela Fiscalização, qual seja, a NCM 9009.21.0, e refere a artefatos lógicos analógicos, que operam sem conexão com qualquer computador ou sistema de processamento de dados, o que não corresponde com as mercadorias por ele importadas. Por fim, solicitou a realização de perícia técnica, indicou assistente e formulou quesitos. A DRJ São Paulo II/SP julgou os lançamentos procedentes (fls. 89 a 94), tend o sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/04/2006 Importação de impressoras a jato de tinta colorida, modelo photosmart modelo 3110 AIOS, combinada com outras unidades, de entrada e saída com Classificação tarifária no código NCM 8471.60.30. Através do Ato Declaratório Interpretativo SRF No. 7 de, 26/07/2005, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 9009.21.00. A nova classificação fiscal se deveu ao argumento de que máquinas multifuncionais que realizam duas ou mais funções se classificam na posição NCM 9009. Lançamento Procedente Fl. 406DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3101001.801 S3C1T1 Fl. 33 3 A autoridade julgadora a quo indeferiu o pedido de perícia, por considerálo desnecessário, pelo fato de a mercadoria já se encontrar devidamente identificada nos autos. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 98 a 110) e requer a declaração de nulidade dos autos de infração ou de sua insubsistência, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescentada a preliminar de nulidade pelo indeferimento imotivado do pedido de perícia técnica. Levado a julgamento o citado Conselheiro proferiu o seguinte voto: Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Do mesmo fato e da mesma ação fiscal que ensejou o presente lançamento, resultaram também os lançamentos que constituíram os processos administrativos nº 19814.000261/200687, 19814.000262/200621 e 19814.000263/200676. Em sessão ocorrida em 29 de julho de 2010, a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção decidiu, no âmbito do julgamento do processo nº19814.000263/200676, por meio da Resolução nº 3101.00.107, converter o julgamento em diligência, a fim de que a Secretaria da Câmara trouxesse ao Relator os demais processos, sendo este um deles, para julgamento em conjunto, em atendimento ao que dispõe o art. 6º, caput, do Regulamento Interno do CARF: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Ante o exposto, declino da competência para julgamento do presente recurso voluntário à Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, pelo que voto POR NÃO CONHECER do recurso. É como voto. Hélcio Lafetá Reis – Relator É o relatório. Voto Conselheiro Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Conforme o relatado o presente processo já esteve nessa Seção do CARF na 3º Turma Especial que acordaram AC 380302.539 por declinar da competência para Fl. 407DF CARF MF Processo nº 19814.000299/200650 Acórdão n.º 3101001.801 S3C1T1 Fl. 34 4 julgamento do recurso voluntário à Primeira Turma Ordinária dessa Primeira Câmara da Terceira Seção. Ocorre que os demais processos que decorreram do mesmo fato não são os processos citados e distribuídos para o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, mas para outro conselheiro. Também, o Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, não pertence e nunca pertenceu a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção. Isto posto, declino e devolvo a competência para julgamento do presente recurso voluntário à Terceira Turma Especial da Terceira Seção, ao Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, como relator original para julgar o presente Recurso Voluntário, pelo que voto por não conhecer do recurso. É como voto28 de janeiro de 2015 Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000828/2004-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Ementa.
Simples.
O exercício de atividade de venda de passagens rodoviárias não impede a opção pelo simples.
Numero da decisão: 1302-000.651
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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O exercício de atividade de venda de passagens rodoviárias não impede a opção pelo simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu Bianchi Relatório A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo nº 22, às fls. 24, de 29/6/2006, emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Presidente Prudente, Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13830.000828/200479 Acórdão n.º 130200.651 S1C3T2 Fl. 132 2 foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), informando como causa do evento a atividade econômica, no caso, locação de mãodeobra . Fundamentouse na Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art. 9º, XII, f. Constou do ato declaratório que os efeitos da exclusão seria a partir de 01/01/2002 em obediência ao disposto na Medida Provisória nº 2.158, de 27/07/2001, e Instrução Normativa (IN) – SRF nº 355, de 29/08/2003. A exclusão do referido sistema foi motivada por Representação Fiscal do INSS, em anexo, encaminhada à Secretaria da Receita Federal em face da situação de vedação/exclusão à opção pelo SIMPLES, aos autos foram juntados cópia de representação fiscal, contrato social e alterações, notas fiscais e demais documentos. Cientificada do Ato Declaratório, a interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 26/28. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 LOCAÇÃO E/OU CESSÃO DE MÃODE OBRA. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce atividades que envolvem locação de mãode obra ou cessão de mãodeobra não pode optar pelo simples. O contribuinte tomou ciência do acórdão em 22/08/2007 e apresentou recurso em 13/09/2007. Em seu recurso alega que é uma pequena empresa que tem um guichê de vendas de passagens de ônibus e serviços de pequenas encomendas Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13830.000828/200479 Acórdão n.º 130200.651 S1C3T2 Fl. 133 3 Embora a acusação fiscal seja de que a empresa tem como atividade principal a locação de mão de obra, atividade que a proibiria de ser optante do simples, esta afirmação não encontra confirmação nos autos. A nota fiscal de fls. 06 corrobora o previsto em contrato social: Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator ad hoc Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13830.000828/200479 Acórdão n.º 130200.651 S1C3T2 Fl. 134 4 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/04 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.909627/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2002
BASE DE CÁLCULO DO PIS
Somente incluem-se no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98, as receitas derivadas das atividades fins do contribuinte. Portanto, não devem ser computadas as receitas com "juros recebidos" e "descontos obtidos".
Numero da decisão: 3301-005.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2002 BASE DE CÁLCULO DO PIS Somente incluem-se no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98, as receitas derivadas das atividades fins do contribuinte. Portanto, não devem ser computadas as receitas com "juros recebidos" e "descontos obtidos".
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Portanto, não devem ser computadas as receitas com "juros recebidos" e "descontos obtidos". Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da Resolução CARF n° 3301000.397, de 28/06/17: "Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito de PIS e COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 96 27 /2 01 1- 31 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Acórdão n.º 3301005.049 S3C3T1 Fl. 227 2 A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos;No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte e livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14042.504. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos; e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da não vinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e a cópia de parte do livro diário apresentada não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Acórdão n.º 3301005.049 S3C3T1 Fl. 228 3 Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. É o relatório." O colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.366, de 28 de junho de 2017, proferida no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.366): 'O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20(vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ.21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. Quanto ao mérito, resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS e da Cofins. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Acórdão n.º 3301005.049 S3C3T1 Fl. 229 4 O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF,aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Todavia, a autoridade administrativa não considerou os documentos juntados pela Recorrente planilha, o livro diário e o livro razão – uma vez que afastou a tese de mérito. Diante da compatibilidade do valor pleiteado pela Recorrente face à sua escrituração contábil, necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação do crédito pleiteado. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja determinada à unidade de origem que: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem: Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Acórdão n.º 3301005.049 S3C3T1 Fl. 230 5 a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e o relatório encontrase nos autos (fls. 217 a 221). Em suma, concluíram o seguinte sobre as duas contas contábeis ("descontos obtidos e juros recebidos") de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS: "Todas as receitas alegadas indevidamente tributadas são efetivamente “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”, e devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição." As partes não se manifestaram sobre o relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira De acordo com a Resolução n° 3301000.397, o julgamento deste processo deveria seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Contudo, o citado Acórdão n° 3301004.594 dispõe sobre matéria estranha ao presente processo incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , motivo pelo qual foi posteriormente desvinculado daquele processo e, por conseguinte, não adoto o Acórdão n° 3301004.594.. Passe ao exame das alegações da recorrente. Preliminares Reunião de processos Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Acórdão n.º 3301005.049 S3C3T1 Fl. 231 6 A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, ter seia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Acórdão n.º 3301005.049 S3C3T1 Fl. 232 7 b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 217 a 221) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos, quais sejam, bases de cálculo, razão e livro diário. Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de agosto de 2002 as seguintes contas contábeis (fl. 218): "JUROS RECEBIDOS CONTA 3.6.1.1.001: R$ 243,83 DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 0,22" E assim concluiu o trabalho (fl. 221): "Todas as receitas alegadas indevidamente tributadas são efetivamente “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”, e devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição." Concordo plenamente com a conclusão da diligência. As receitas com "juros recebidos" e "descontos obtidos" não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no caput art. 3° da Lei n° 9.718/98. Com efeito, o alcance do termo faturamento, abarcando tão somente as receitas oriundas da atividade empresarial típica, restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (posteriormente revogado pela Lei n° 11.941/09), reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF. E este colegiado está vinculado àquela decisão do STF, por força do inciso I do § 1° do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10850.909627/201131 Acórdão n.º 3301005.049 S3C3T1 Fl. 233 8 (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 233DF CARF MF
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Numero do processo: 15954.000097/2009-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 00 97 /2 00 9- 03 Fl. 196DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponiveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Em janeiro foram votados 2 outros processos desse mesmo contribuinte, nos mesmos termos do acordão de agora. Destacamos entendimento do Acórdão de Impugnação prolatada nos seguintes termos: É que, na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e o interessado não a faz – porque não pode ou porque não quer – é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo a responsabilidade pela comprovação e justificação das deduções por ele pleiteadas, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais. Independentemente de considerações a respeito da prestação dos serviços, no entender deste relator restaria ao impugnante apresentar a prova de que os pagamentos foram efetivamente realizados, ou seja, a prova da transferência dos recursos financeiros do notificado para as profissionais liberais prestadores dos serviços, nos exatos valores informados em sua declaração de rendimentos IRPF/2009. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: Fl. 197DF CARF MF Processo nº 15954.000097/200903 Acórdão n.º 2001000.569 S2C0T1 Fl. 3 3 Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, e os documentos apresentados: Fl. 198DF CARF MF 4 Contribuinte apresentou recibos, mais prontuários, fichas e declarações dos profissionais. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Fl. 199DF CARF MF Processo nº 15954.000097/200903 Acórdão n.º 2001000.569 S2C0T1 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Fl. 200DF CARF MF 6 Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 15954.000097/200903 Acórdão n.º 2001000.569 S2C0T1 Fl. 5 7 Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 19985.722226/2016-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. PAGAMENTO POR DESCONTO EM FOLHA. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DA COMPROVAÇÃO.
Pagamento de despesas médicas com comprovação mediante desconto em folha. Força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos comprovantes os torna válidos para atestar despesas médicas incorridas. Juntados comprovantes suplementares.
Numero da decisão: 2001-000.428
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. PAGAMENTO POR DESCONTO EM FOLHA. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DA COMPROVAÇÃO. Pagamento de despesas médicas com comprovação mediante desconto em folha. Força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos comprovantes os torna válidos para atestar despesas médicas incorridas. Juntados comprovantes suplementares. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 22 26 /2 01 6- 22 Fl. 107DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas, plano de saúde. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 3.575,68, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura do lançamento o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas, com a manutenção do Plano de Saúde. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos complementares para identificação dos gastos médicos com o Plano de Saúde da Contribuinte, como segue: Tratase de impugnação (fl. 4) à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) Nº 2013/734018970022430 (fls. 55 a 59), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) exercício 2013, anocalendário 2012, que alterou o valor do Imposto de Renda a restituir de R$ 5.138,64 para R$ 3.575,68, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 56 a 57), após análise da declaração apresentada pela contribuinte, foi constatada Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 5.683,52. Segundo a autoridade fiscal, em relação à "despesa referente a CENTRO MARIAN WEISS ORTOPEDIA LTDA, não foi apresentado recibo ou nota fiscal para comprovação da despesa médica. Foi apresentado apenas um comprovante de transferência bancária sem possibilitar aferição da causa subjacente ao pagamento". No tocante à "despesa com UNIMED CURITIBA – SOCIEDADE COOPERATIVA DE MÉDICOS foi apresentado comprovante apócrifo e sem correspondência em DMED". Cientificada do lançamento em 13/06/2016, conforme o documento "AR Digital" (fl. 26), a interessada ingressou com a impugnação de fl. 4, em 21/06/2016, alegando que: Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS CNPJ nº 66.773.862/000165 CENTRO MARIAN WEISS ORTOPEDIA LTDA. Valor da Infração: R$ 1.600,00 Concordo com essa infração Fl. 108DF CARF MF Processo nº 19985.722226/201622 Acórdão n.º 2001000.428 S2C0T1 Fl. 108 3 Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS CNPJ nº 75.055.772/000120 UNIMED CURITIBA SOCIEDADE COOPERATIVA DE MÉDICOS. Valor da Infração: R$ 4.083,52. Estou questionando o valor de R$ 4.083,52. O valor contestado referese a despesas médicas do próprio declarante. (...) Conforme relatado, a impugnante concorda com a glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 1.600,00, relativa ao Centro Marian Weiss Ortopedia Ltda. Sendo assim, informase que o presente julgamento versará exclusivamente sobre a parte controversa da glosa de dedução despesas médicas, no valor de R$ 4.083,52, referente à Unimed Curitiba Sociedade Cooperativa de Médicos. A autoridade fiscal glosou a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 4.083,52, referente à Unimed Curitiba Sociedade Cooperativa de Médicos, informando que afirma que "foi apresentado comprovante apócrifo e sem correspondência em DMED”. A Impugnante, em sua defesa, afirma que "o valor contestado refere se a despesas médicas do próprio declarante" e anexa à fl. 48 uma "Declaração" da Associação Beneficente Recreativa Tribunal de Contas, informando que a Sra. Heloísa M. S. de Almeida Bindo, teve "descontados em folha de pagamento a título de convênio médico, durante o ano de 2012", o valor de R$ 4.083,52, o qual foi repassado para a Unimed Sociedade Cooperativa de Serviços Médicos Hospitalares, CNPJ nº 75.055.772/82. (...) Conforme se observa na legislação acima transcrita, de fato, despesas com tratamento de saúde ou com planos de saúde são passíveis de dedução no Imposto de Renda, sendo que o comprovante de pagamento (recibo) que preencha as formalidades previstas na legislação tributária tem o condão de comprovar o pagamento dos serviços prestados, porém, considerando que na apreciação da prova a autoridade fiscal formará livremente sua convicção, a esta é autorizado exigir outros elementos de prova quando a documentação apresentada não constituir prova inequívoca dos pagamentos. (...) Destaquese que a mencionada declaração emitida pela "Associação Recreativa", CNPJ nº 75.954.214/000104, afirma que houve o desconto na folha de pagamento da Impugnante do valor de R$ R$ 4.083,52 para a Unimed Curitiba, porém, não foram carreados aos autos documentos emitidos pela fonte pagadora Tribunal de Contas do Estado do Paraná, CNPJ nº 77.996.312/000121, comprovando tal alegação. A Impugnante poderia ter trazido aos autos o comprovante anual, emitido pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná, no qual deveria constar a informação sobre tal desconto. Fl. 109DF CARF MF 4 Somase a essa constatação, a informação da autoridade fiscal quanto à ausência de declaração em DMED desse valor informado pela Impugnante em sua DAA, sendo que tal valor deveria constar das informações prestadas pela Unimed Sociedade Cooperativa de Serviços Médicos Hospitalares, CNPJ nº 75.055.772/82. (...) Logo as provas apresentadas não atendem na plenitude a exigência fiscal, sobretudo pela ausência da comprovação de efetivo desconto pela fonte pagadora de tais despesas com plano de saúde. Portanto, considerando que os argumentos da Impugnante e os elementos constantes nos autos não são suficientes para firmar a convicção desta autoridade julgadora quanto à possibilidade de dedução das despesas médicas ora sob foco, concluise pela manutenção da glosa efetuada nessa Notificação de Lançamento. Por todo o exposto, VOTO pela improcedência da impugnação parcial, mantendose o valor do Imposto de Renda a restituir em R$ 3.575,68, mais acréscimos legais, observandose eventual resgate. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento do imposto suplementar no valor de R$ 3.575,68, com os acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentos que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: HELOISA MONTE SERRAT DE ALMEIDA BINDO, CPF: 17134374904, não se conformando com a decisão do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), Intimação nº 1685/16, no que diz respeito à glosa de dedução de despesas médicas, no valor de R$ 4.083,52, referente a pagamento para UNIMED CuritibaSociedade Cooperativa de Médicos, recorro a este Conselho Administrativo de recursos Fiscais. Esclareço, que a declaração emitida pela Associação Recreativa do Tribunal de Contas do ParanáABRTC, afirmando que “houve desconto na minha folha de pagamento” é incorreta, sendo que tal desconto foi efetuado pelo sistema de débito automático, diretamente no banco, por mim autorizado. Portanto, anexo: 1 documento emitido por médico especializado que ateste a existência de deficiência física ou mental; 1 documento de Identidade do signatário; 1 comprovante da ABRTC, afirmando que possuo Plano de saúde UNIMED junto a ela; 1 autorização minha para que a ABRTC, possa efetuar descontos diretamente a minha conta bancária; e Fl. 110DF CARF MF Processo nº 19985.722226/201622 Acórdão n.º 2001000.428 S2C0T1 Fl. 109 5 10 extratos de minha conta bancária de onde foram efetuados os descontos abrangendo, também, os valores repassados para a UNIMED Curitiba, plano ao qual aderi a partir de abril de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. As despesas médicas com manutenção de plano de saúde são dedutíveis do imposto sobre a renda do contribuinte conforme dispões a legislação tributária em vigor. Contudo, a recusa na aceitação da dedução de parte do Fisco prende se ao fato do pagamento ter sido feito através de terceiros, no caso a Associação Beneficente Recreativa Tribunal de Contas, da qual faz parte a Recorrente. O pagamento é repassado pela Associação à UNIMED depois de realizado o respectivo desconto em folha de pagamento do órgão público, a título de convênio médico, mantido através da referida associação. Assim que o caso é de comprovação fática e a escolha do documento comprobatório mais adequado segundo entendimento da Autoridade Autuante. A divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia no processo é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Fl. 111DF CARF MF 6 (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) O apontamento da Autoridade Autuante diz da necessidade da prova, para efeitos fiscais, da apresentação do comprovante junto a UNIMED ou recibo correspondente ao repasse do valor para aquele prestador do serviço e mantenedor do convênio de assistência médica, fato que garantirá o reconhecimento do feito e o comprometimento da entidade contratualmente. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 19985.722226/201622 Acórdão n.º 2001000.428 S2C0T1 Fl. 110 7 Expõe o Agente Fiscal que os documentos apresentados pela Recorrente não foram suficientes para satisfazer a exigência fiscal para comprovação de despesa dedutível do imposto. Contudo, entendo justificada a despesa mediante comprovantes de repasse dos valores realizados entre as entidades envolvidas e declaração das entidades participantes ou interveniente do Plano de Saúde, seja pelo desconto em folha de pagamento ou repasse para a Associação que mantém o convênio de assistência médica com a prestadora do serviço médico, Unimed Sociedade Cooperativa de Serviços Médicos Hospitalares, CNPJ nº 75.055.772/82. Acrescentese que o fato da Autoridade Fiscal ter constatado a ausência de declaração em DMED, por falta de cumprimento de obrigação acessória de parte da Unimed não pode atingir prejudicialmente a beneficiária do plano no que se refere ao direito de dedução dos valore pagos a título de manutenção do plano de saúde. De considerar, também, que Recorrente fez juntar ao processo declaração da Associação Beneficente e Recreativa Tribunal de Contas em que informa o valor de R$ 4.083,52, repassado à UNIMED a título de convênio médico, fl. 88 do processo em julgamento. Em adição de elemento probante, a Recorrente junta aos autos declaração da Associação Beneficente e Recreativa Tribunal de Contas em que informa que Heloisa Monte Serrat de Almeida Bindo, matrícula 51.3598, faz parte do plano de saúde mantido por aquela entidade com a UNIMED, fl. 89. Da mesma forma que junta autorização para desconto em folha, para essa finalidade, por ela firmada em 28/02/2008, fl. 90. Acrescenta ainda extratos da conta corrente pela qual recebe a sua remuneração e onde consta o desconto mensal para a Associação (ABRTC) interveniente no Plano de Saúde que a tem como participante, fls. 91 a 100. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória da participação como beneficiária do Plano de Saúde, eliminando, por consequência, o motivo da glosa da dedução do imposto sobre a renda no anocalendário de 2012. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução da despesa médica em sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 113DF CARF MF
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