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Numero do processo: 10283.905337/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras.
PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.938
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é passível conhecimento pelas instâncias julgadoras apenas a preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pelo sujeito passivo, porém, se referida preliminar não for superada, como ocorreu nos presentes, não se toma conhecimento das questões meritórias suscitadas em sede de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A apresentação da manifestação de inconformidade fora do prazo de 30 (trinta dias), ainda que seja apenas 1 (um) dias, não instaura a fase litigiosa do processo e impede o conhecimento da matéria litigiosa pelas instâncias julgadoras. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE SUSCITADA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO PELAS INSTÂNCIAS JULGADORAS. NÃO COMPROVADO O CUMPRIMENTO DO PRAZO. CONHECIMENTO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. 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(assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 37 /2 01 2- 81 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10283.905337/201281 Acórdão n.º 3302004.938 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Contra o contribuinte acima identificado foi emitido o Despacho Decisório pela unidade de origem que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega em síntese que: • Sua manifestação de inconformidade era tempestiva e afirmou que recebeu a Intimação da Exigência em 23/01/2013 e apresentou a manifestação em 22/02/2013. • Ressalta, que “ainda que o recurso seja intempestivo, o que se admite apenas para fins de argumentação, a autoridade local encarregada da administração do tributo (Delegacia da Receita Federal em Manaus) não é competente para julgar a tempestividade do recurso, devendo este seguir para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, órgão competente para julgar tal fato, conforme previsão do art. 35 do Decreto nº 70.235/72.” • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10283.905337/201281 Acórdão n.º 3302004.938 S3C3T2 Fl. 4 3 • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo de energia elétrica prevista no inciso III, conforme DACONs retificadoras para pagamento das contribuições vencidas no período; • “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. 17ª TURMA ACÓRDÃO N° 1246124 de 10 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em face das evidências de erro na apuração e recolhimento do tributo, e não se verificando outros impedimentos ao reconhecimento do direito creditório alegado, cumpre admitir a compensação promovida até o limite do crédito informado na DCOMP. 3ª TURMA ACÓRDÃO N° 1638673 de 11 de Maio de 2012 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO. SALDO UTILIZÁVEL. Verificado erro no despacho decisório, o qual afirmara equivocadamente ter sido o valor pago indevidamente totalmente utilizado em momento anterior, restabelecese o direito ao crédito contra o Fisco a ser utilizado nas compensações constantes da DCOMP. Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 • “é fato que a Declaração entregue à Receita Federal do Brasil pela Manifestante não nega seu direito à compensação e, mais, comprova a legitimidade de seu comportamento idôneo.” • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo e homologar integralmente a PER/DCOMP constante nos autos. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08 033.517. O fundamento adotado foi o de que a manifestação de inconformidade havia sido apresentada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal, considerandose, portanto, intempestiva. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10283.905337/201281 Acórdão n.º 3302004.938 S3C3T2 Fl. 5 4 Cientificada, a requerente protocolou o recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em sede de preliminar, a recorrente alegou que a decisão do órgão julgador de primeiro grau de não analisar o mérito em razão da apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não merecia prosperar, pelas seguintes razões: a) a manifestação da inconformidade fora apresentada com apenas 1 (um) dia de atraso, porque não fora possível protocolar no dia 21/1/2015, mas somente no dia seguinte, por “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.”; e b) não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.”; e c) a autoridade julgadora desconsiderou os princípios basilares do processo administrativo, a saber, os Princípios da Verdade Material, da Moralidade e do Informalismo Moderado É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.936, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10283.905335/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.936): "O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese à preliminar de intempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade, que foi apreciada no julgamento de primeiro grau, por força do que dispõe o art. 56, § 2º, do Decreto 7.574/2011, a seguir transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no70.235, de 1972, arts. 14e15). [...] Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10283.905337/201281 Acórdão n.º 3302004.938 S3C3T2 Fl. 6 5 §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. [...] (grifos não originais) Não há controvérsia nos autos quanto ao descumprimento do prazo de apresentação da manifestação de inconformidade. Nas próprias peças defensivas colacionadas aos autos, a recorrente, expressamente, reconhecera que a peça instauradora do litígio fora apresentada no dia seguinte ao vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, fixado no art. 15 do Decreto 70.235/1972. Diante dessa constatação, não remanesce qualquer dúvida que, como não foi instaurado o litígio em relação ao mérito, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/1972, induvidosamente, este Colegiado não poderá se manifestar sobre as questões meritórias alegadas pela recorrente no recurso em apreço. Portanto, a presente análise limitarseá à preliminar de tempestividade da manifestação de inconformidade suscitada pela recorrente. E em relação a essa questão, no recurso em apreço, a recorrente alegou que a manifestação da inconformidade não fora apresentada dentro prazo legal, porque “questões impeditivas do próprio Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC em Manaus/AM.” Acontece que a recorrente não trouxe à colação dos autos nenhum elemento probatório que confirmasse o alegado. Assim, em razão dessa omissão, por razão óbvia, não há ser acatada tal alegação. A recorrente alegou que não era razoável que o mérito da manifestação de inconformidade fosse vilipendiado em razão de um fato totalmente alheio à vontade do contribuinte, “sendo uma afronta, inclusive aos Princípios da Razoabilidade, Ampla Defesa e do Contraditório.” No âmbito do processo administrativo fiscal, por disposição expressa do caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado ao julgador afastar aplicação ou deixar de observar preceito legal dotado de plena vigência e eficácia, inclusive, em situações que, em tese, possa configurar conflito com os princípios constitucionais explícitos ou implícitos. Assim, ainda que se possa vislumbrar, no caso em tela, algum conflito com os princípios da razoabilidade, ampla defesa e do contraditório, há de prevalecer o disposto no art. 14, combinado com o disposto no art. 15, ambos do Decreto 70.235/1972. Portanto, não há como acatar a presente alegação suscitada pela recorrente. Com base no mesmo fundamento, também não merece acolhimento a alegação da recorrente de que a autoridade julgadora desconsiderou princípios basilares do processo administrativo, tais como os princípios da verdade material, da moralidade e do informalismo moderado. Aliás, no caso, não houve desconsideração dos referidos princípios no julgamento de primeiro grau, haja vista que as autoridades julgadoras Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10283.905337/201281 Acórdão n.º 3302004.938 S3C3T2 Fl. 7 6 não apreciaram as questões meritórias, por estrito cumprimento do disposto nos referidos preceitos legais. Com base nessas considerações, resta demonstrado que a decisão de primeiro foi proferida com estrita observância das normas legais que regem o processo administrativo fiscal, portanto, não há qualquer reparo a ser feito. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo restou configurada a intempestividade da Manifestação de Inconformidade, não trazendo a recorrente à colação dos autos nenhum elemento probatório que infirmasse a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.931364/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.338
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.931364/201351 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.338 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de março de 2018 Assunto COFINS Recorrente HOSPICARE COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 31 36 4/ 20 13 -5 1 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.931364/201351 Resolução nº 3402001.338 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10880.931364/201351 Resolução nº 3402001.338 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.931364/201351 Resolução nº 3402001.338 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.907087/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.983
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 87 /2 01 1- 61 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3302004.983 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06054.108. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3302004.983 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3302004.983 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3302004.983 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3302004.983 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3302004.983 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10930.907087/201161 Acórdão n.º 3302004.983 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720387/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.627
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 20 38 7/ 20 12 -7 2 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11516.720387/201272 Resolução nº 2401000.627 S2C4T1 Fl. 578 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0731.666, de 13/06/2013, cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 541/554): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. TRIBUTAÇÃO. Tributa se, mensalmente, o ganho de capital auferido com a alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. Considerase ganho a diferença positiva entre o valor da venda e o respectivo custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. DECADÊNCIA. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda realizar o lançamento relativo ao ganho de capital na alienação de bens e direitos, o sujeito passivo é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição dos bens e direitos alienados. CORREÇÃO MONETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Não será atribuída qualquer atualização monetária ao custo dos bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As afirmações apresentadas pelo contribuinte, para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade Fiscal, demandam elementos probatórios sem os quais mostram se como meras alegações, processualmente inacatáveis. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 417/428, que o processo administrativo é, na origem, composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2007 a 2009, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, incidente sobre omissão de ganho de capital na alienação dos seguintes imóveis: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 11516.720387/201272 Resolução nº 2401000.627 S2C4T1 Fl. 579 3 (i) casa localizada na Rua dos Bonitos, esquina com a Rua das Manjubas, em Jurerê Internacional, na cidade de Florianópolis (SC); (ii) casa localizada no Condomínio Vila Nova Granja Vianna, na cidade de Cotia (SP); e (iii) terreno designado por lote 20 da quadra 16I do Loteamento Praia de Jurerê, 6ª etapa B, cidade de Florianópolis (SC). 2.1 Segundo a acusação fiscal, os três imóveis alienados são bens comuns do casal Ademir Henrique Pereira e Lisiane de Oliveira Maldonado, que vivem em regime de união estável, cabendo a exigência de 50% do imposto sobre a renda devido em nome de cada uma das pessoas físicas, relativamente aos ganhos de capital obtidos nas transações efetuadas nos anoscalendário de 2007 a 2009. O Auto de Infração lavrado encontrase juntado às fls. 429/436. 2.2 O lançamento em nome da Srª Lisiane de Oliveira Maldonado, equivalente a 50% do ganho de capital, faz parte do Processo nº 11516.720389/201261, incluído nesta mesma pauta de julgamento. 3. A ciência do auto de infração aconteceu em 03/05/2012, tendo o sujeito passivo impugnado, no dia 01/06/2012, a exigência fiscal (fls. 440 e 446/458). 4. Intimado em 19/07/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 555/557, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 14/08/2013, o qual contém, em síntese, os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 559/571): Casa na Rua dos Bonitos (i) em que pese apresentado os comprovantes do custo na construção da residência, o qual alcançou a cifra de R$ 1.114.212,80, alguns não foram considerados pela fiscalização e também na decisão de piso. A respectiva documentação foi entregue ao agente fazendário no curso do procedimento fiscal; (ii) a autoridade fiscal não poderia mais exigir os documentos relativos ao ano de 2006, por ultrapassar o lapso temporal de cinco anos; (iii) o contribuinte deixou de considerar, na apuração espontânea do ganho de capital, efetuada em 30/06/2008, o montante de R$ 87.600,00 como despesa realizada com o corretor/imobiliária necessário à venda do imóvel. Pleiteia, desse modo, a devolução do excedente do imposto pago, igual a R$ 13.140,00, corrigido pela taxa de juros do governo federal; Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11516.720387/201272 Resolução nº 2401000.627 S2C4T1 Fl. 580 4 (iv) para comprovar o custo da obra, acostou na impugnação um laudo técnico elaborado por empresa de engenharia idônea, que estimou um custo total de construção equivalente a R$ 1.140.000,00 (fls. 491/514); Casa no Condomínio Vila Nova Granja Vianna (v) o fiscalizado vendeu a sua residência em Cotia (SP), no dia 29/04/2008, para comprar outro imóvel residencial em Jurerê (SC), adquirido em 26/07/2008, portanto uma operação que foi efetivada dentro do prazo de cento e oitenta dias a que alude o benefício de isenção previsto no art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; Terreno no Loteamento da Praia de Jurerê (vi) foi entregue à fiscalização as despesas com imposto de transmissão, registro e certidões que não foram consideradas; e (vii) no caso do ganho de capital, equivale à diferença positiva entre o valor da venda e o custo de aquisição, corrigido monetariamente. Todavia, o lançamento deixou de aplicar a atualização monetária sobre o capital investido no imóvel. É o relatório. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11516.720387/201272 Resolução nº 2401000.627 S2C4T1 Fl. 581 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 5. Em cognição não exauriente, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. 6. Na Declaração de Ajuste Anual, no campo "Bens e Direitos", o contribuinte indicou a realização de dispêndios com a construção da casa localizada na Rua dos Bonitos, Praia de Jurerê Internacional, equivalente a R$ 195.115,30 e R$ 874.221,00, respectivamente, nos anos de 2006 e 2007, alem das despesas com a aquisição do próprio terreno onde foi construída a moradia, igual a R$ 44.876,50, o que alcança a importância total de R$ 1.114.212,80 (fls. 07/08 e 564). O recorrente afirma que toda a documentação comprobatória foi entregue à fiscalização. 7. De outra parte, no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade tributária confirma que a pessoa física, após intimada a comprovar o custo de construção do imóvel, apresentou em torno de 1.000 (mil) documentos, tais como notas fiscais, recibos, orçamentos e pedidos, os quais foram analisados individualmente e aceitos, em parte, para a finalidade de comprovação dos custos incorridos (fls. 106/371 e 420/422). 7.1 Com relação aos documentos recusados pela fiscalização, o casal foi intimado a apresentar novos elementos de convicção da vinculação com a obra. Depois de respondida a intimação pelo fiscalizado e efetuadas diligências em alguns estabelecimentos selecionados, o agente fazendário reconheceu outros valores como comprovadamente aplicados na obra de construção civil executada na Rua dos Bonitos (fls. 372/375, 384/389 e 421/424). 8. Pois bem. Para fins de inclusão no custo de aquisição, os dispêndios devem estar comprovados com documentação hábil e idônea. A falta de emissão do correspondente documento fiscal pelos fornecedores de materiais e serviços, embora implique descumprimento das suas obrigações tributárias, não constitui, por si só, impedimento ao acolhimento das despesas realizadas, desde que o conjunto de elementos apresentados pelo contribuinte ateste a vinculação com a obra de construção do imóvel. 9. Ocorre que nem o agente lançador, tampouco o recorrente tiveram a iniciativa de adicionar aos autos do processo administrativo os documentos apresentados no curso do procedimento fiscal que deixaram de ser acatados como comprobatórios de custos incorridos no imóvel. Na ausência de tais elementos de provas, fica inviável uma melhor avaliação sobre a questão controvertida. 10. Buscando uma aproximação com a verdade material relacionada à matéria de fato, e levando em consideração o presumível interesse da parte autuada em colaborar na comprovação das despesas que pretende fazer prevalecer para fins do custo do imóvel construído, a conversão do julgamento em diligência é medida adequada. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11516.720387/201272 Resolução nº 2401000.627 S2C4T1 Fl. 582 6 11. Nesse passo, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com o propósito de que a unidade preparadora da RFB proceda à intimação do recorrente, Sr. Ademir Henrique Pereira, para que providencie a juntada no processo administrativo dos seguintes elementos: (i) organizados cronologicamente, cópias dos documentos apresentados à fiscalização que não foram aceitos no cômputo do custo de aquisição da casa localizada na Rua dos Bonitos, esquina com a Rua das Manjubas, em Jurerê Internacional, na cidade de Florianópolis (SC); (ii) planilha com a relação dos documentos anexados, classificada por data, contendo o nome do fornecedor, a descrição do material adquirido/serviço prestado e o valor pago pela mercadoria/serviço; e (iii) planilha com a relação dos documentos anexados, classificada por nome do fornecedor, contendo a data, a descrição do material adquirido/serviço prestado e o valor pago pela mercadoria/serviço. 12. Atendida a diligência pelo recorrente, a fiscalização da RFB poderá manifestar se, caso entenda necessário, sobre os documentos e/ou esclarecimentos apresentados pelo contribuinte. 13. Por fim, após as providências acima elencadas, retornese os autos para julgamento no âmbito deste Conselho Administrativo. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.723996/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Não deve ser conhecido o recurso apresentado após o prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 3301-004.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recuso voluntário, por intespestividade.
Jose Henrique Mauri - Presidente Substituto
Marcelo Costa Marques d'Oliveira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Ari Vendramini.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso apresentado após o prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recuso voluntário, por intespestividade. Jose Henrique Mauri - Presidente Substituto Marcelo Costa Marques d'Oliveira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Ari Vendramini.
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NÃO CONHECIMENTO Não deve ser conhecido o recurso apresentado após o prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recuso voluntário, por intespestividade. Jose Henrique Mauri Presidente Substituto Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 39 96 /2 01 5- 16 Fl. 210704DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.705 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, pertinente à insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS nos períodos de janeiro de 2011 a dezembro de 2011 conforme elementos acostados às fls. 210.371 a 210.376, no valor de R$ 55.306.727,84, incluindo principal e juros de mora calculados até 01/2016. Às fls. 210.377 a 210.382, consta o Auto de Infração correspondente à insuficiência de recolhimento da Cofins, nos períodos de janeiro de 2011 a dezembro de 2011, no valor de R$ 255.261.821,37. Na Descrição dos Fatos do respectivo lançamento, a Autoridade Fiscal que procedeu aos trabalhos de fiscalização esclarece que o valor foi apurado de acordo com o contido em Relatório Fiscal. Neste, às fls. 210.343 a 210.370, consta em resumo que: O sujeito passivo é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de “sociedade por ações”, que tem por objeto social, em resumo, a intermediação e a operação de pacotes de viagens e turismo, bem como a prática de todas as atividades inerentes às operações de turismo. Após ter sido intimada, a fiscalizada prestou esclarecimentos sobre a Conta Contábil 112010001 (Recursos em Trânsito de Terceiros), as receitas advindas da intermediação de viagens e excursões, contabilização das receitas, notas fiscais dos fornecedores de aéreo, marítimo e hoteleiro. O sujeito passivo, após ter sido intimado, também apresentou contratos com as companhias aéreas TAM e Gol, documentos de vendas a clientes/passageiros versus os lançamentos contábeis. Vendas da CVC no portal 1. Em consulta ao sítio da CVC no endereço http://www.cvc.com.br/passagensaereas/index.aspx, verificouse a possibilidade de vendas de pacotes turísticos, passagens aéreas, hotéis e resorts. No caso das vendas de passagens aéreas de vôos comerciais regulares, o site, após preenchimento de origem, destino, ida ou ida/volta e datas, apresenta os preços das tarifas e taxas, e os horários de cada Cia Aérea para compras e reservas de livre escolha do cliente/passageiro. 2. Este caso representa, em verdade, a venda da parte aérea de um pacote turístico. 3. A pessoa jurídica antecessora no uso comercial CVC declarou em sua impugnação nos autos do processo administrativo nº 10805.721926/2013, que as vendas de passagens, cruzeiros, hotéis, etc de livre escolha dos clientes/passageiros, significaram de janeiro a novembro de 2009 52,2% do volume de operações do ano. E que esta teria acrescentado que: Fl. 210705DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.706 3 “Resumindo, nas vendas de livre escolha, que não são pacotes de viagem, a CVC compra os bilhetes para os turistas conforme a sua demanda e repassa os valores para a Companhia Aérea no ato da reserva dos assentos dos vôos regulares.” 4. Anexou a transcrição, obtida no sítio do sujeito passivo, do item 4 das Condições Gerais para aquisição de viagens, que versa sobre a alteração, rescisão e não comparecimento. No curso do procedimento fiscal foi constatado que em todo o ano calendário de 2011 a fiscalizada – CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens S/A procedeu a vendas de produtos e serviços turísticos, através de lojas próprias, franqueadas ou terceirizadas, com a emissão de recibos contendo os valores totais dos serviços contratados pelo cliente/passageiro na data da reserva. As lojas próprias, também chamadas de filiais, na verdade se tratam de pessoa jurídica “ligada” (sic) CVC Serviços Agência de Viagens Ltda, CNPJ nº 10.848.145/0001 09, que recebe comissão pelas vendas que efetua. Segundo esclarecimentos da fiscalizada, a contabilização dos valores dos produtos e serviços contratados pelos clientes/passageiros nos recibos foi escriturada na conta patrimonial de Ativo “112010001 – RECURSOS EM TRÂNSITO DE TERCEIROS”. Através do sistema SPED, foram extraídos os valores mensais de todos os débitos lançados na conta acima referida, que totalizaram R$ 4.518.270.485,53. A fiscalizada é detentora da renomada operadora de turismo CVC, que segundo informações de seu portal de negócios, foi pioneira no fretamento de aeronaves inteiras para a formatação de pacotes para viagens de lazer (1989), a única e maior rede de varejo de turismo da América Latina (07/2010). Não se trata de apenas uma agência de viagens, que tem como principal objetivo receber comissão pela intermediação na venda de passagens, estadias, ou cruzeiros. Tratase de operadora de turismo que oferece serviços diferenciados em todos os produtos vendidos, e que os faz em seu nome, de acordo com o contido em seu portal na internet: "A CVC faz tudo por uma boa viagem. Por isso trabalha para transformar essa experiência na melhor conquista de sua vida, através de novas tendências e ampla rede de produtos e serviços turísticos. E essa forma de pensar que estabelece a CVC como a maior operadora de turismo da América Latina.” Pelos documentos apresentados, o papel da agência de viagens, estrito senso, que recebe comissões pela intermediação das vendas, é feito para a CVC por terceiros, lojas franqueadas ou agentes, e pelas lojas que ela chama de filiais, mas que se tratam de pessoa jurídica ligada (sic) CVC Serviços Agência de Viagens Ltda, CNPJ nº 10.848.145/000109. A empresa apresentou dois contratos celebrados com a TAM e a GOL. Um de fretamento (GOL), onde restou clara a condição que a companhia aérea alugou a aeronave com tripulação, e o serviço é prestado ao passageiro, por conta e risco da CVC. O outro contrato tratavase de compra de passagens para pacotes turísticos. Neste, as condições de preço e trecho devem constar no “Anexo A”, que não foi apresentado à fiscalização, mas restou clara a condição de que não se referia a passagens aéreas de livre escolha em vôos comerciais regulares da companhia aérea. Fl. 210706DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.707 4 Não foram apresentados documentos ou esclarecimentos que comprovassem a venda de livre escolha de passagens de vôos regulares, estadias em hotéis, vendas de cabines em cruzeiros ou quaisquer outros produtos independentes, efetuada pela CVC BRASIL OPERADORA E AGÊNCIA DE VIAGENS S/A, que não fossem vendas de produtos em seu nome e por sua conta. Quanto à rede hoteleira, não foram apresentados documentos correspondentes a acordos comerciais entre a CVC operadora e aquela, nem as notas fiscais emitidas pelos hotéis. As notas de hospedagens são emitidas pelos hotéis em nome da CVC, que os casos apresentados de Contratos de Intermediação de Serviços de Turismo incluem a observação “NO SHOW IRREVOGÁVEL”. O cliente/passageiro ou as agências de viagem (terceiros) contratam estes serviços da CVC Operadora, que os adquire com a rede hoteleira, em regime diferenciado de negociação. Constatouse que a fiscalizada compra os recursos necessários (passagens aéreas, marítimas, hospedagens) através de acordos comerciais, ou freta os meios de transporte para elaboração d seus pacotes de viagens ou cruzeiros marítimos. Possui acordos com a rede hoteleira que lhe garante preços diferenciados nas transações. Para os clientes/passageiros que compram com a CVC, consta nas condições de aquisição que estariam contratando diretamente com a fiscalizada, pelo preço total dos serviços turísticos contratados, inclusive quanto a multas e penalidades, que salvo arrependimento em sete dias, não prevê a possibilidade de devolução integral da compra. Cita decisão do CARF, da DRJ/FNS e a Solução de Divergência Cosit nº 3, de 2012, para corroborar o entendimento de que incide Pis e Cofins sobre a totalidade dos valores auferidos pela fiscalizada. Ressalta que o dispositivo legal que fundamenta a Solução de Divergência Cosit nº 03, de 2012, o Acórdão 0737081 da 4ª Turma da DRJ/FNS e o Acórdão nº 3101001.747CARF1ª Câmara/1ª Turma Ordinária é o mesmo art. 27, §§ 1º, 2º e 3º, da Lei nº 11.771/2008, adotado pelo sujeito passivo para fundamentar a sua interpretação de “receita de vendas e serviços” da pessoa jurídica. A interpretação pretendida pela operadora turística CVC é a do art. 46 da Lei nº 11.771/2008, objeto de veto presidencial, abaixo transcrito: MENSAGEM Nº686. DE 17DE SETEMBRO DE2008. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 3.118, de 2008 (no 114/08 no Senado Federal), que "Dispõe sobre a Política Nacional de Turismo, define as atribuições do Governo Federal no planejamento, desenvolvimento e estímulo ao setor turístico; revoga a Lei no 6.505, de 13 de dezembro de 1977, o DecretoLei no 2.294, de 21 de novembro de 1986, e dispositivos da Lei no 8.181, de 28 de março de 1991; e dá outras providências". Fl. 210707DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.708 5 O Ministério da Fazenda opinou também pelo veto ao seguinte dispositivo: Art 46 "Art. 46. Para efeito de interpretação do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, do inciso I do caput do art 25 e do inciso I do caput do art 29 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, do art 31 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e do art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, considera se receita bruta dos serviços de intermediação o preço da comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo destes fornecedores." Razões do veto "Com esta medida deformase tanto o conceito do lucro como o de faturamento/receita bruta, prejudicando todo o sistema de tributação presente na legislação. Isto porque esses tributos não devem incidir sobre o valor agregado. como pretende o artigo, mas sim sobre os preços e valores recebidos. Por fim, por determinação do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, todas as propostas que incluam renúncias fiscais devem vir acompanhadas de estudo de impacto nas fínanças públicas, bem como da respectiva previsão orçamentária, (grifo nosso) As alterações propostas sugerem um aumento da complexidade do sistema tributário e, por conseguinte, não se coadunam ao principio da simplicidade administrativa, que constitui uma das características internacionalmente aceitas para fundamentar um sistema de tributação. Dessa forma, o art 46 contraria o interesse público, uma vez que não cumpre os requisitos da Lei de Responsabilidade Fiscal.” Observouse que: a) A agência de turismo (estrito senso), ou seja, as lojas CVC próprias ou de terceiros, recebem apenas comissão sobre o valor da venda, que mesmo em caso de rescisão de contrato celebrado, este valor é devido, de acordo com as condições gerais de aquisição. b) A operadora turística, ora fiscalizada, contrata e recebe do cliente/passageiro o total do preço dos serviços turísticos, e adquire junto a fornecedores os recursos necessários para a execução de viagens, pacotes, roteiros, cruzeiros, locações, produtos e serviços turísticos diferenciados, decidindo ela própria em cada operação, a margem de lucro pretendida diante dos custos e despesas para sua execução. Os débitos lançados na conta “112010001 – RECURSOS EM TRÂNSITO DE TERCEIROS” são os valores dos contratos de vendas de produtos e serviços turísticos que a CVC Brasil, na qualidade de operadora de turismo, vendeu a seus clientes nas respectivas datas de lançamentos, em seu nome, por sua conta e risco, configurandose como receita bruta a totalidade dos valores auferidos dos clientes. A receita bruta da venda de produtos e serviços, apurada com base nos contratos de vendas de serviços de turismo, escriturados como débitos na conta “112010001 – RECURSOS EM TRÂNSITO DE TERCEIROS”, na escrituração contábil digital entregue através do SPED Contábil, não foi integralmente incluída nas bases de cálculo das Contribuições para o Pis e Cofins. Foi efetuado o lançamento de Pis e Cofins sobre a receita bruta não contabilizada. Fl. 210708DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.709 6 Cientificada do lançamento em 08.01.2016 (fls. 210386), a interessada apresentou impugnação em 05.02.2016 (fls. 210393), onde, em síntese, alegou que: A não incidência de Pis/Cofins sobre os valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos e comissões repassadas às lojas. A sua atividade compreende a intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a reserva de programas, roteiros e itinerários no Brasil e no exterior. E que na condição de intermediadora de serviços turísticos, está sujeita ao recolhimento do ISS, e a sua atividade está prevista no item 9 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº 116/2003. Mantém uma rede de contatos e acordos com os fornecedores dos serviços turísticos, realizando a organização, a estruturação e o oferecimento dos serviços turísticos prestados por tais fornecedores aos clientes/passageiros tomadores dos serviços. Atua por intermédio de agências filiais (lojas filiais) ou agências terceirizadas (lojas terceirizadas), com as quais firmou contrato de franquia empresarial, responsáveis pelo oferecimento dos serviços turísticos por ela intermediados. A sua atividade é limitada à intermediação entre os fornecedores e os consumidores de serviços turísticos, de modo que as únicas receitas que aufere correspondem à sua própria comissão pela intermediação realizada. A natureza e a abrangência do serviço de intermediação por ela realizado são definidas no art. 27 da Lei nº 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo). O §3º do art. 27 da Lei nº 11.771/2008 esclarece que as atividades de intermediação das agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a comercialização dos serviços turísticos fornecidos por terceiros aos consumidores. A agência de turismo que fornece diretamente os serviços turísticos aos clientes é aquela que disponibiliza e comercializa os serviços em seu próprio nome, ou seja, ela própria é responsável pelo fornecimento/realização/execução dos serviços turísticos aos clientes/passageiros. São exemplos do fornecimento direto de serviços turísticos: (i) serviços de "assessoria de embarque/desembarque", serviço prestado na origem, no local de destino e/ou nas escalas de viagens, com o objetivo de recepcionar, instruir, informar e auxiliar os clientes/passageiros em relação às suas viagens, serviço normalmente prestado por funcionários das próprias agências (ou seja, diretamente por elas); e (ii) serviços de "guias turísticos" no destino, que em algumas localidades são prestados por funcionários das próprias agências de viagens locais (ou seja, e mais uma vez, diretamente por elas). A Lei n° 12.974, de 15.5.2014, ao regulamentar as atividades do setor, estabeleceu dois diferentes tipos de agências de turismo, a saber: (i) Agência de Viagens, que realiza tão somente a intermediação comissionada ou a intermediação na comercialização de serviços turísticos; e (ii) Agência de Viagens e Turismo, que, por sua vez, além de realizar a venda comissionada ou a intermediação de serviços turísticos, também realiza de forma privativa o assessoramento, planejamento e organização das atividades relacionadas às viagens e/ou a organização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens (inclusive educacionais ou culturais) e intermediação remunerada na sua execução e comercialização". Fl. 210709DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.710 7 O 2º do art. 5º da Lei nº 12.974/2014 estabelece que a Agência de Viagens e Turismo que realiza o assessoramento, planejamento e organização de atividades associadas às viagens e/ou a organização e comercialização de programas, serviços, roteiros e itinerários de viagens poderá denominarse “Operadora Turística”. A previsão legal acima mencionada apenas reflete a prática já adotada no mercado e igualmente refletida na legislação anterior que tratava da matéria. Na linguagem comum e na sistemática legal até então em vigor, a Agência de Viagens Operadora é e sempre foi aquela que organiza e intermedeia os serviços turísticos com o objetivo de que sejam oferecidos aos turistas, enquanto a Agência de Viagens, em regra, não organiza ou intermedeia estes serviços em favor dos clientes/passageiros junto aos fornecedores, mas apenas os oferece nos pontos de atendimento ou pela internet. O fato de determinado contribuinte caracterizarse como Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística não significa que tal empresa oferece os serviços turísticos diretamente aos clientes/passageiros. O mínimo conhecimento do mercado de que ora se cuida demonstra que as Agências de Viagens e Turismo/Operadoras Turísticas, na esmagadora maioria de suas operações, realizam a intermediação entre os fornecedores e passageiros, ainda que ofereça os serviços turísticos, individuais ou em pacotes turísticos, por meio de outras Agências. Se a Agência de Viagens ou a Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística prestar determinados serviços de forma direta (e não por intermédio dos terceiros fornecedores), não restará configurada a atividade de intermediação. Por outro lado, se a Agência de Viagens ou a Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística tiver como propósito a organização e oferecimento de serviços turísticos prestados por terceiros aos clientes/passageiros (passagens áreas, hospedagem etc), estará realizando a atividade de intermediação de que trata a legislação do setor. É uma Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística que realiza a intermediação entre fornecedores e passageiros, por meio da estruturação e disponibilização/comercialização, pelas lojas filiais ou lojas terceirizadas, de serviços turísticos prestados por terceiros. Não presta serviços turísticos diretamente, caso contrário estaria listada entre as companhias aéreas ou redes hoteleiras e não somente entre agências de viagem. A premissa adotada pela fiscalização de que os valores referentes aos repasses aos fornecedores e as comissões às lojas seriam custos da Requerente e não receita de terceiros está em desconformidade com a legislação do Turismo. A denominação “operadora” não significa que a agência presta/oferece ela própria serviços turísticos em seu nome. Apenas reserva e intermedeia os serviços turísticos junto aos fornecedores e, na maior parte das vezes, os organiza/estrutura na forma de pacotes para facilitar as viagens dos clientes/passageiros, disponibilizandoos por intermédio das lojas (filiais ou terceirizadas). Não presta ela própria os serviços turísticos aos clientes/passageiros. Ante a afirmação da fiscalização de que o serviço aéreo, no caso de contrato de fretamento, é prestado ao passageiro por conta e risco da CVC, é de se esclarecer que quem presta o serviço é a companhia aérea. É irreal afirmar que inexiste relação entre a companhia aérea e o passageiro. Fl. 210710DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.711 8 Realiza a intermediação, mesmo no caso de fretamento de aeronaves, não assumindo qualquer obrigação de prestar “em seu nome”, o serviço de transporte aéreo. Não presta/oferece ela própria serviços turísticos “em seu nome”. Ao alegar que somente as lojas realizariam a intermediação, a fiscalização impossibilita que uma Agência Operadora (Agência de Viagens e Turismo) possa realizar a intermediação remunerada de serviços turísticos, o que contraria o texto do art. 4º da Lei nº 12.974/2014. A fiscalização tenta equiparar os serviços a mercadorias, ao alegar que a própria realizaria a compra e revenda de serviços turísticos. Um serviço não pode ser objeto de compra e revenda, pois a sua prestação envolve uma obrigação de fazer, certamente intangível, não podendo ser comercializado. Apenas os valores que modificam o patrimônio líquido da empresa, de forma a incrementálo, e que ingressam nas contas da empresa de forma definitiva e sem restrições, como resultado das atividades sociais empreendidas pela empresa, devem ser considerados receita para fins de cômputo da base das contribuições. Os meros ingressos não compõem receita, pois não se incorporam de maneira positiva e definitiva ao patrimônio da empresa e não resultam de uma atividade desenvolvida pela empresa. As receitas de terceiros não podem integrar a base de cálculo do PIS/COFINS. Cita a Doutrina, posicionamento do CARF e o Pronunciamento Contábil nº 30, reaprovado em 19.10.2012, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis e as Normas Internacionais de Contabilidade (IFRS) que dispõem neste sentido. A Lei nº 12.973/2014 adotou de forma definitiva a contabilidade internacional no nosso ordenamento, devendo prevalecer os preceitos extraídos da contabilidade internacional (normas IFRS), que claramente afastam a caracterização como receitas daqueles valores pertencentes a terceiros que apenas transitam pela contabilidade. O seu procedimento de reconhecimento de receitas foi validado por auditoria da CVM. É certo que as receitas transferidas a terceiros não podem ser caracterizadas juridicamente como "receita", uma vez que não representam acréscimo patrimonial efetivo e definitivo e não resultam de uma atividade desenvolvida pela empresa. Contesta a alegação de que o veto ao art. 46 da Lei nº 11.771/2008, autorizaria a tributação. O STF já reconheceu que as razões de veto correspondem a ato de natureza política, não podendo servir como parâmetro interpretativo das normas de direito tributário e, consequentemente, incapaz de justificar qualquer incidência tributária. Na condição de Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística, a receita auferida pela Requerente para fins de tributação pelo PIS/COFINS corresponde tão somente à sua remuneração pela atividade de intermediação de serviços turísticos, não sendo possível exigir a tributação sobre os valores que são Fl. 210711DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.712 9 por ela recebidos e posteriormente repassados aos efetivos fornecedores de tais serviços. Cita o §2º do art. 27 da Lei nº 11.771/2008, que entende esclarecer qual é a receita ("preço do serviço") auferida pela Agência de Turismo: Sustenta a diferença entre compra e venda e a intermediação. A intermediação de serviços turísticos está prevista no item 9.01 da Lista Anexa à LC 116/2003. Não há como questionar que a atividade desenvolvida pela Requerente envolve a efetiva prestação de serviço de intermediação, na medida em que a CVC não adquire passagens e hospedagens e as revende em seu nome próprio, como alega o Auditor Fiscal, mas sim organiza, reserva e intermedeia os serviços turísticos prestados pelos fornecedores e os oferece e comercializa aos clientes/passageiros, que de fato usufruem de tais serviços. Não vende quartos em hotéis. A CVC realiza a intermediação entre o hotel e o passageiro a fim de garantir ao último a reserva a determinado tipo de quarto, em determinado período. A definição de qual quarto será atribuído a qual passageiro/turista é realizada exclusivamente pelo hotel, no momento do "checkin". De forma similar, no caso do transporte aéreo, os bilhetes são emitidos nominalmente aos passageiros pelas companhias aéreas, inclusive nos vôos fretados, o que evidencia a inexistência de aquisição por parte da Requerente. Os serviços turísticos não são passíveis de compra e revenda. É absolutamente incorreta e jurídica e faticamente impossível a premissa adotada pelo Auditor Fiscal de que a Requerente realizaria a compra e venda de serviços turísticos. Os valores repassados aos fornecedores de serviços turísticos não podem ser caracterizados como "custos" da CVC, na medida em que é evidente que não compra e revende serviços turísticos, mas atua na intermediação entre fornecedores e clientes/passageiros. Os valores dos repasses, por constituírem receita dos efetivos fornecedores dos serviços turísticos, já são objeto de tributação pelos verdadeiros titulares. Assim, ao exigir PlS/COFINS sobre os valores repassados pela Requerente, quando tais valores já foram tributados pelas contribuições pelos terceiros prestadores dos serviços turísticos, é evidente que a presente autuação, também deve ser cancelada por implicar clara hipótese de bitributação. A irrelevância do destinatário indicado nas Notas Fiscais/Faturas Comerciais e da formalização da contratação dos serviços junto à Requerente para determinar a natureza das operações e a caracterização da receita tributável As companhias não emitem Notas Fiscais contra os passageiros por expressa determinação legal, na medida em que os Bilhetes Aéreos as substituem e são considerados, para todos os efeitos legais, como documentos fiscais válidos. O fato de a formalização da contratação dos serviços ser realizada junto à Requerente, com indicação das "Condições Gerais para a aquisição de Viagens" e pelo "Preço total dos serviços turísticos contratados", tampouco altera a natureza de intermediação da atividade desempenhada. A receita auferida pela Requerente não inclui a totalidade dos valores pagos pelos clientes/passageiros na aquisição dos serviços turísticos, mas tão somente as Fl. 210712DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.713 10 comissões a que a faz jus, apuradas mediante a diferença entre os valores recebidos e os valores então repassados a terceiros (fornecedores e lojas). A correção dos procedimentos adotados com base na Solução de Divergência editada pela Receita Federal do Brasil e na jurisprudência administrativa e em outras Soluções de Consulta. O entendimento contido na parte final da Solução de Divergência n° 3/2012, no sentido de que a "sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes (...)", se aplica exclusivamente nos casos em que a agência de viagens prestar/executar ela própria os serviços aos clientes/passageiros (e.g., realizar o serviço de assessoramento de embarque/desembarque, proceder ao transporte de passageiros etc), o que não é o caso da autuada. Na mesma linha o Auditor Fiscal menciona o Acórdão n° 3101001.747 proferido pelo CARF para sustentar sua tese. Valese exclusivamente da parte final da ementa para fundamentar a sua exigência fiscal; contudo, como já visto, da mesma forma que a Solução de Divergência n° 3/2012, a parte final da ementa acima se refere à hipótese fática distinta daquela verificada no presente caso, que não envolve prestação de serviços turísticos pela própria autuada. O Auditor Fiscal deturpa a orientação da RFB e do CARF a seu favor, ignorando totalmente a essência da atividade de intermediação desenvolvida pela interessada. Contesta a Decisão 0737081 da DRJ/FNS citada pela fiscalização. Cita a jurisprudência no sentido da não tributação das receitas de terceiros relacionadas às Agências de Turismo. Violação aos Princípios da Capacidade Contributiva e vedação ao Confisco. Impossibilidade de incidência de Juros Selic sobre a multa de oficio. Ao final requer que o acolhimento integral da Impugnação e o imediato cancelamento da autuação e o arquivamento do presente processo." A impugnação foi julgada improcedente e o Acórdão n° 1283.213 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Fl. 210713DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.714 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO. VEDAÇÃO AO CONFISCO E À CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Arguições de inconstitucionalidade somente podem ser opostas perante o Poder Judiciário em observância ao Princípio da Unidade de Jurisdição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O contribuinte interpôs recurso voluntário, em que sustenta a tempestividade do recurso voluntário, rigorosamente apresentado após o prazo legal, e repisa os argumentos contidos na impugnação. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou contrarazões. Requer o não conhecimento do recurso, por ser intempestivo. No mérito, ratifica os argumentos da fiscalização e decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 210714DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.715 12 Voto ADMISSIBILIDADE Consta nos autos que, no dia 04/08/16, o contribuinte recebeu mensagem de que havia documentos em sua caixa postal (fl. 210.558). Que, no dia 05/08/16, tomou ciência da decisão de primeira instância, pela abertura da mensagem (fl. 210.559). E que, em 08/08/2016 (fl. 210.560), abriu os correspondentes arquivos eletrônicos. Reproduzo: "PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10805.723996/201516 INTERESSADO: 10760260000119 CVC BRASIL OPERADORA E AGENCIA DE VIAGENS S.A. TERMO DE REGISTRO DE MENSAGEM DE ATO OFICIAL NA CAIXA POSTAL DTE O destinatário recebeu mensagem com acesso aos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 04/08/2016 14:35:06. Termo de Intimação Fiscal Número 331/2016 Acórdão de Impugnação A data da ciência, para fins de prazos processuais, será a data em que o destinatário efetuar consulta à mensagem na sua Caixa Postal ou, não o fazendo, o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada. DATA DE EMISSÃO : 04/08/2016PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10805.723996/201516 INTERESSADO: 10760260000119 CVC BRASIL OPERADORA E AGENCIA DE VIAGENS S.A. " (g.n.) "TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 05/08/2016 10:51:14, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Data do registro do documento na Caixa Postal: 04/08/2016 14:35:06 Termo de Intimação Fiscal Número 331/2016 Acórdão de Impugnação Fl. 210715DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.716 13 DATA DE EMISSÃO : 06/08/2016" (g.n.) "TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 08/08/2016 11:51h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos, os quais já se encontravam disponibilizados desde 04/08/2016 na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico. Termo de Intimação Fiscal Número 331/2016 Acórdão de Impugnação Contribuinte: 10.760.260/000119 CVC BRASIL OPERADORA E AGENCIA DE VIAGENS S.A. (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 08/08/2016" (g.n.) O dia 19 de setembro de 2016 (fls. 210.561) consta como data da juntada do recurso voluntário, isto é, em princípio, após o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Não foi lavrado Termo de Perempção. Não obstante, o seguinte foi consignado no despacho de encaminhamento do processo ao CARF (fl. 210.647): "(. . .) Conquanto se possa inferir ter sido o referido Recurso apresentado após o prazo regulamentar, conforme consulta termos às fls. 210.558 a 210.560, juntados pelo sistema eProcesso, o contribuinte solicita seja considerada tempestiva sua manifestação em função dos argumentos que expõe. Atualizado o sistema SIEFProcessos (extrato às fls. 210.643 a 210.646) e tendo em vista o disposto no Decreto 70.235/1972, art. 35, proponho o encaminhamento dos autos ao CARFMFDF, equipe SERETCEGAPCARF MF, para prosseguimento. (. . .)" (g.n.) O primeiro tópico da peça de defesa dispõe sobre a tempestividade da apresentação do recurso. A recorrente sustenta que o recurso foi tempestivamente apresentado, com as seguintes justificativas: i) Em 14/09/16, teria verificado no banco de dados da Receita Federal do Brasil (RFB) que havia débito pendente (doc. 01 do recurso voluntário). Como, naquela data, a impugnação estava pendente de julgamento, não compreendeu o fato de não constar como "débito suspenso". Fl. 210716DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.717 14 ii) Do dia 14/09/16 e até a data da juntada do recurso, teria diversas vezes tentado acessar o processo, porém sem êxito, em razão de problemas técnicos no processo de geração dos arquivos eletrônicos (ex: houve ocasiões em que na tela do computador figurava a informação de que ocorrera "erro inesperado no download"). Foram juntadas cópias das telas (docs. 2 ao 11). iii) Em 19/09/16, para comprovar a impossibilidade de tomar conhecimento dos autos do processo, requereu a lavratura de Instrumento Público de Ata Notarial, do qual extraio trechos (fls. 210.631 a 210.636): "(. . .) E, pela empresa identificada como tal, conforme os documentos que apresentou do que dou fé, por sua representante, foi solicitado que eu Escrevente preposta',. capturasse imagens no sistema de internet: ECAC, com o intuito de comprovar a indisponibilidade de acesso no processo n° 10805.72.3996/201516, através do certificado digital da empresa supra mencionada ou de outros certificados digitais. Ao na empresa solicitante acima mencionada, fui recebida pela funcionária Jessica acima qualificada, e nos dirigimos ao terceiro andar (3°) onde o funcionário Jakcson Nunes nos atendeu acessando o sistema eCAC através da internet, no site: httos://cav.receita.fazenda.00v.br/eCAC/pubiico/logín.asbx, 1° com o certificado digital da CVC, foi feita a tentativa de consulta do "Termo de Intimação Fiscal n° 331/2016" do processo n° 10805.72.3996/201516, que ao clicar no "Download" a informação é: Ocorreu um erro inesperado no Download. Não foi possível recuperar o(s) documento(s). Ainda conectado com o certificado digital da CVC, foi acessado outro n° de processo, somente com o intuito de comprovar a conclusão do download sem "erros". Após foi desconectado do certificado digital da CVC e conectado com o certificado digital de SERGIO LUIS RIBEIRO, também com a intenção de comprovar o erro acima mencionado ao tentar fazer o download do "Termo de Intimação Fiscal n° 331/2016" somente no processo n° 10805.72.3996/201516. Tudo conforme as imagens abaixo, capturadas e salvas no Pen Drive desta Escrevente Preposta. (. . .)" (g.n.) iv) Ainda sem acesso aos autos, obteve em uma das telas do ECAC a informação de que a ciência eletrônica da decisão recorrida se dera em 05/08/16 (doc. 19). v) Não lhe restando alternativa, em 19/09/16, dirigiuse à DRF em Santo André, onde obteve cópias do processo. vi) De todo o exposto, pleiteia: vi a) a decretação de nulidade da intimação datada de 05/08/16, "uma vez que não teve acesso efetivo à r. decisão de 1ª instância até 19.9.2016, em nítida violação ao seu direito à ampla defesa e ao contraditório constitucionalmente previsto no artigo 5º, LV, da Constituição Federal de 1988"; vi b) que "SEJA REALIZADA NOVA INTIMAÇÃO ELETRÔNICA da r. decisão e que SEJA REABERTO o prazo de 30 dias para apresentação do Recurso Voluntário ao E. CARF, contados a partir da nova e regular intimação dos termos da decisão de 1ª instância"; vi c) que, se não forem aceitos os pedidos anteriores, que o termo inicial do prazo seja o 15° dia, contado da intimação eletrônica (05/08/16), nos termos da alínea "b" do inciso III do art. 23 do Decreto n° 70.235/72. Neste caso, "o termo inicial do prazo de 30 dias Fl. 210717DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.718 15 para apresentação do presente Recurso Voluntário se iniciaria em 22.8.2016, terminando em 20.9.2016, o que culmina com a tempestividade do presente Recurso Voluntário." Antes de adentrar nas contrarrazões da PGFN (fls. 210.650 a 210.681), sobre a alegação da recorrente mencionada no subtópico "i" acima em 14/09/16, a impugnação ainda não teria sido julgada, motivo pelo qual surpreendeuse com o fato de o débito do processo não figurar como suspenso no banco de dados da RFB , cumpre informar que o julgamento da impugnação ocorreu em sessão do dia 29/07/16 (fl. 210.536) e que, logo após a última folha do Acórdão (fl. 210.552), em "Página de Autenticação", consta que a decisão foi assinada e juntada aos autos em 01/08/16. A PGFN, por seu turno, requer que o recurso não seja conhecido, por ser intempestivo, com base nos seguintes argumentos: i) Inicia, destacando as datas em que o contribuinte recebeu mensagem em sua caixa postal (04/08/16), tomou ciência da decisão recorrida, pela abertura da mensagem (05/08/16) e abriu os arquivos eletrônicos (08/08/16). E, naturalmente, a data em que foi interposto o recurso voluntário (19/09/16), após o prazo legal. ii) A intimação eletrônica está prevista no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, com expressa previsão em seu § 5º que o endereço eletrônico "(...) somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção." iii) "A fiscalizada, por sua vez, limitouse a argumentar eventual 'falha no sistema' para embasar sua pretensão de admissibilidade do recurso, sem ao menos indicar qual seria essa falha. Ora, tamanha vaguidão e fragilidade argumentativa não tem o condão de justificar a intempestividade para o fim de admissão de seu recurso voluntário, sob pena de manifesta violação legal das regras estatuídas no processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/72) e, por conseguinte, do princípio do Devido Processo Legal." iv) "(. . .) recorrente junta ao presente recurso Instrumento Público de Ata Notarial (doc. nº 12 a 18). Todavia, merece crítica a atuação da defesa. Isso porque, se o prazo recursal iniciouse em 05/08/2016, expirandose em 06/09/2016, por que razão essa diligência ter sido realizada somente aos 19 dias do mês de setembro de 2016 quando já findo há 13 dias o trigésimo dia recursal???? Por que razão aguardaria tantos dias após findo o prazo recursal para demonstrar a suposta falha do sistema??? Inferese dessa articulação que, em verdade, a recorrente percebeuse do transcurso do prazo recursal tardiamente e, agora, busca desesperadamente reverter as consequências de sua desídia processual." v) A diligência promovida, cujo resultado foi a lavratura de Ata Notarial, não evidencia tentativa frustrada de download, porém tão somente que houve falha no download do Termo de Intimação Fiscal nº 331/2016. Reproduz trecho da Ata Notarial. vi) "A diligência foi realizada no computador da escrevente por meio do certificado digital da fiscalizada. Ora, não podemos sequer afirmar se houve alguma falha do sistema (Eprocesso) ou da máquina empregada (CPU), seja aquela localizada nas dependências da recorrente, seja aquela situada no Cartório Notarial." vii) "A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconhece que a tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso, Fl. 210718DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.719 16 o qual não admite ponderações a respeito sob pena de infringência ao princípio da isonomia e à paridade de armas entre as partes." Menciona os Acórdãos n° 2101001.881, 1802002.544 e 1102001.179. viii) "Desse modo e diante da inexorável, repito, Presunção de Legitimidade dos Atos Administrativos diante do controle processual realizado pelo sistema Eprocesso e da certidão que atesta a intimação processual, resta manifesta a intempestividade do recurso ora interposto somente em 19/09/2016, quando o prazo recursal já havia expirado em 06/09/2016, razão pela qual deve ser inadmitido de plano." Não assiste razão à recorrente. Dispõe o art. 23 do Decreto n° 70235/72 que: "Art. 23. Farseá a intimação: (. . .) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (. . .) § 2° Considerase feita a intimação: III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (. . .) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 210719DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.720 17 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)" (g.n.) O recebimento de intimações por meio eletrônico foi opção do contribuinte. Como nada foi trazido aos autos que nos impeça de aplicar a norma acima reproduzida, o registro de que acessou a caixa de mensagens em 05/08/16, definitivamente, não pode ser descartado. Em seguida, assumamos como verdade absoluta que não era possível o acesso ao Termo de Intimação e à decisão recorrida. O que, objetivamente, deveria ter feito o contribuinte? Naturalmente, dirigidose à DRF, para obtenção de cópias do processo. O que, de fato, o fez. Contudo, somente em 19/09/16, isto é, 45 dias após ter tomado ciência do Termo de Intimação n° 213/2016. Não podemos, em hipótese alguma, considerar a alegação de que apenas soube de que a decisão de primeira instância lhe havia sido desfavorável, no dia 14/09/16, pois estaríamos, sem qualquer motivo concreto, desprezando o acima reproduzido art. 23 do Decreto n° 70.235/72. A ciência, inapelavelmente, deuse em 05/08/16. E, repetindo: se a recorrente não conseguiu fazer o "download" dos arquivos, por que não se dirigiu, imediatamente, à DRF? Por que esperou até o dia 19/09/16? Com efeito, cabe registrar que, no dia 19/09/16, obteve cópia do processo na DRF e, por conseguinte, tomou ciência do teor da decisão recorrida, providenciou a diligência que resultou na Ata Notarial constante dos autos e, por fim, protocolizou o recurso voluntário. Não tenho dúvida de que a recorrente não foi rigorosa no trato da questão. De todo o exposto, não encontro alternativa que não a de propor à turma que não conheçamos do recurso voluntário, por ser intempestivo. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 210720DF CARF MF Processo nº 10805.723996/201516 Acórdão n.º 3301004.356 S3C3T1 Fl. 210.721 18 Fl. 210721DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721643/2013-97
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
OPÇÃO. INDEFERIMENTO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 12) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débitos com a Secretaria da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 16 43 /2 01 3- 97 Fl. 34DF CARF MF 2 Receita Federal, de natureza previdenciária, com exigibilidade não suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 20/23) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender: 8.1. Consoante consultas realizadas aos sistemas informatizados à disposição da RFB, os débitos apontados como gênese do indeferimento da pretendida inclusão do contribuinte no Simples Nacional, de fato, não se encontravam com a exigibilidade suspensa no prazo limite previsto para a regularização das pendências, vez que os respectivos parcelamentos, em fase de procuradoria, foram firmados, somente, em 27/07/2013. 8.2. Insta repisar que as análises em tela dizem respeito à opção atinente ao ano de 2013. Adicionalmente, cumpre observar que os documentos acostados aos autos com o intuito de comprovar a solicitação de parcelamento dos apontamentos impeditivos à inclusão no Simples Nacional (fls. 04/08 e 13), não dizem respeito aos débitos que, alfim, impediram a indigitada inclusão (399891510 e 399891536), conforme apontado no despacho de fls. 17. Por fim, no tocante ao débito 399891501, não se verificou, até o momento das consultas realizadas, existência de parcelamento, permanecendo indigitado débito, em fase de procuradoria, como PREINSCRICAO DE CREDITO DE LDCG/DCG, desde 25/01/2012. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/10/2013 (efl. 25) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 01/11/2013 (efl. 27), em que aduz, em resumo, que não lhe foi informado que os débitos estavam na PGFN, cujo parcelamento não estava disponível em meio eletrônico, somente digital; que embora tardiamente, os débitos foram regularizados: Fl. 35DF CARF MF Processo nº 11080.721643/201397 Acórdão n.º 1001000.374 S1C0T1 Fl. 35 3 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 12) para o ano calendário 2013. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Prescreve o § 2º do art. 6º citado que, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Com os números apostos no Termo de Indeferimento é possível em qualquer Centro de Atendimento, conforme extratos de efls. 14/16, saber o montante, a Fl. 36DF CARF MF 4 natureza e a fase em que se encontra o débito (se em cobrança administrativa, judicial...). A propósito destes demonstrativos, é possível afirmar que naquela data (02/04/2013) nenhum dos três débitos estava pago ou parcelado, o que só reforça a conclusão de que não houve a devida diligência do contribuinte. O fato de o débito estar em trânsito (o débito foi recebido na PGFN em 25/01/2012) demonstra o cumprimento de um dever legal, no intuito de impedir a prescrição destes débitos. Por fim, argumentos sobre eventual inconstitucionalidade do legislador ordinário somente podem ser aferidos pelo Poder Judiciário, a quem compete a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900832/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 32 /2 01 1- 86 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13227.900832/201186 Acórdão n.º 3301004.244 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.130. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13227.900832/201186 Acórdão n.º 3301004.244 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.900832/201186 Acórdão n.º 3301004.244 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.005082/2003-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
DÉBITO PAGO.
Descabe a exigência de ofício de débito cujo valor foi extinto mediante pagamento.
Numero da decisão: 1201-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Descabe a exigência de ofício de débito cujo valor foi extinto mediante pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente, Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Leonam Rocha de Medeiros; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 50 82 /2 00 3- 95 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19679.005082/200395 Acórdão n.º 1201001.945 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Auto de Infração, págs. 7/16, resultante de Auditoria Interna de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do 2º e 4º trim/1998, em que se constatou falta de recolhimento cód. 2089 nos valores de R$8.905,12 referente ao 2º trimestre, e R$11.711,86 referente ao 4º trimestre, exigidos com multa de ofício de 75% e juros de mora. 2. O contribuinte apresentou impugnação, págs. 2/6; a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SP1, julgou o lançamento procedente em parte, págs. 60/69, reduzindo a multa de ofício aplicada de 75% para 20%. 3. Cientificado em 12/12/2011, pág 73, o contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo de págs. 74/79, anexando os documentos de págs. 80/110. 4. A 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF emitiu a Resolução nº 1803000.091, de 03 de junho de 2014, convertendo o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Consta no processo o Darf. fl. 88. referente ao suposto pagamento do débito tributário objeto do lançamento e consequente extinção do crédito tributário. Em assim sucedendo e com observância do disposto no ait 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente intime a Recorrente a apresentar os registros fiscais e contábeis dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais que corroborem sua alegação de defesa de forma inequívoca, explícita clara e congruente com os valores e as respectivas descrições conjugadamente com as memórias detalhadas de cálculos devidamente escrituradas que demonstrem o eito na DCTF e que de fato o correto é: CÓDIGO PER. AP. VENCTO VL. DÉBITO DT. PAGTO 2089 30/03/1998 30/04/1998 8.905,12 30/04/98 A Recorrente alega: Portanto, houve o recolhimento do IRPJ referente ao 2° trimestre de 1998. o que toRNa esta cobrança injusta e ilegal. Para tanto, a ora Recorrente anexa a DARF no valor de R$8.905,12 (oito mil, novecentos e cinco reais e doze centavos), devidamente recolhida em 30/04/98. Ainda deve ser verificado se o Darf, fl. 88, referente ao suposto pagamento do débito tributário objeto do lançamento extingue o crédito tributário. 5. Às págs. 124/202, documentos relativos à diligência e às págs. 203/205, Despacho EREV/DICAT de 10 de abril de 2015, com as seguintes conclusões: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19679.005082/200395 Acórdão n.º 1201001.945 S1C2T1 Fl. 4 3 9. Da análise da documentação anexada, notase que o interessado apurou, para o 2o trimestre/1998, débito de IRPJ no valor de R$ 8.828.03. Considerando dedução de IRRF de RS 2.758.73. confirmada em Dirf. fls. 186/195. chegase a IRPJ a pagar de R$ 6.069.30. Consulta de fl. 196 aponta recolhimento realizado em 31/07/1998, no valor de RS 6.069.30. Contudo, o citado pagamento se encontra completamente alocado ao débito de IRPJ do 3o trimestre, informado em DCTF. fls. 197/198. no valor de R$ 6.069.30. Isto posto, cabe análise mais detalhada com relação aos débitos de IRPJ relativos aos 2o e 3o trimestres/1998. 10. Segundo registros contábeis, fls. 169 e 177. o interessado apurou débito de IRPJ paia o 3o Trimestre/1998 no valor de RS 8.083.01 (R$ 5.557.09 (matriz) e R$ 2.173.43 (filial)) e realizou recolhimentos de IRPJ relativos ao 3o trimestres nos valores de RS 5.557,09. fls. 199/201. e RS 2.173,43 (pagamento realizado pela filial, vide consulta de fl. 202, totalmente disponível), sendo estes suficientes para a quitação da totalidade do débito. Com isso. constatase que o Darf de valor RS 6.069,30. relativo ao 2o Trim/1998. foi alocado ao débito do 3o Trim/1998 devido a erro quando do preenchimento da DCTF do 3o trimestre. 11. Dessa forma, os débitos e pagamentos da IRPJ paia os 2o e 3o trimestres 1998 foram revisados, segundo quadro abaixo: Quadro 01. revisão IRPJ 2º e 3º Trimestres/1998 CBPJ nº 71.729.271/000120 (R$) PA (trimestral) Débito () Deduções IRPJ a pagar Pagamentos Saldo IRPJ a pagar 02/1998 8.828,03 2.758,73 6.069.30 6.069,30 0,00 03/1998 7.730,52 7.730.52 5.557,09 + 2.173.43 7.730,52 0,00 6. O contribuinte foi cientificado do Despacho supra e apresentou manifestação, tempestiva, págs. 230/231, concordando com o mesmo. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 7. O Despacho EREV/DICAT, resumiu que a diligência evidenciou não mais restarem saldos a exigir referentes ao presente processo. Conclusão. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19679.005082/200395 Acórdão n.º 1201001.945 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661486/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.105
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 14 86 /2 01 2- 94 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10880.661486/201294 Acórdão n.º 3302005.105 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.496. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10880.661486/201294 Acórdão n.º 3302005.105 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10880.661486/201294 Acórdão n.º 3302005.105 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10880.661486/201294 Acórdão n.º 3302005.105 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.661486/201294 Acórdão n.º 3302005.105 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002581/2005-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE.
A autoridade competente para a emissão do despacho decisório e do auto de infração é a da circunscrição da contribuinte, nos termos das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal.
DESISTÊNCIA.
É despicienda a análise quanto ao pedido de desistência, uma vez as Dcomps anteriores não terem relevância no que se refere ao lançamento das multas isoladas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade do auto de infração ou da decisão de primeira instância se todos os dispositivos legais foram indicados no auto de infração, não se cogitando, pois, de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE. CONFUSÃO PROCESSUAL.
Não se verifica a confusão processual, mesmo após a reunião de processos, se a recorrente pode se defender adequadamente de cada um dos autos de infração autuados sob os processos reunidos.
ADESÃO A PARCELAMENTO. MP 303/2006.
A MP nº 306/2006 não foi convertida em lei e dispositivo que não constava dela originariamente não teve eficácia para fins de caracterizar a desistência quanto a compensações declaradas.
ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. MULTAS.
O princípio da anterioridade nonagesimal não é aplicável às leis instituidoras de multas tributárias.
IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO.
Devem ser afastadas as multas aplicadas com base em legislação posterior à data da entrega das declarações de compensação.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. QUALIFICAÇÃO. APLICAÇÃO.
A prestação de informação falsa no preenchimento de Declaração de Compensação Eletrônica, com o fim de forçar sua transmissão e respectiva compensação, caracteriza situação prevista nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, o que enseja a aplicação da multa de ofício isolada qualificada no percentual definido no § 1º do inciso I do 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sobre o débito indevidamente compensado.
RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. EFEITOS.
Permanecendo inalterada a penalidade caracterizada no auto de infração, mesmo após as alterações promovidas na legislação de regência, é plenamente aplicável a multa imputada.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO.
Não há que se falar em cumulação entre multa isolada por prestação de informação falsa em PER/DCOMP e multa de ofício em face de débitos declarados indicados para compensação.
Numero da decisão: 1201-001.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE. A autoridade competente para a emissão do despacho decisório e do auto de infração é a da circunscrição da contribuinte, nos termos das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. DESISTÊNCIA. É despicienda a análise quanto ao pedido de desistência, uma vez as Dcomps anteriores não terem relevância no que se refere ao lançamento das multas isoladas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do auto de infração ou da decisão de primeira instância se todos os dispositivos legais foram indicados no auto de infração, não se cogitando, pois, de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. CONFUSÃO PROCESSUAL. Não se verifica a confusão processual, mesmo após a reunião de processos, se a recorrente pode se defender adequadamente de cada um dos autos de infração autuados sob os processos reunidos. ADESÃO A PARCELAMENTO. MP 303/2006. A MP nº 306/2006 não foi convertida em lei e dispositivo que não constava dela originariamente não teve eficácia para fins de caracterizar a desistência quanto a compensações declaradas. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. MULTAS. O princípio da anterioridade nonagesimal não é aplicável às leis instituidoras de multas tributárias. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. Devem ser afastadas as multas aplicadas com base em legislação posterior à data da entrega das declarações de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. QUALIFICAÇÃO. APLICAÇÃO. A prestação de informação falsa no preenchimento de Declaração de Compensação Eletrônica, com o fim de forçar sua transmissão e respectiva compensação, caracteriza situação prevista nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, o que enseja a aplicação da multa de ofício isolada qualificada no percentual definido no § 1º do inciso I do 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sobre o débito indevidamente compensado. RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. EFEITOS. Permanecendo inalterada a penalidade caracterizada no auto de infração, mesmo após as alterações promovidas na legislação de regência, é plenamente aplicável a multa imputada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO. Não há que se falar em cumulação entre multa isolada por prestação de informação falsa em PER/DCOMP e multa de ofício em face de débitos declarados indicados para compensação.
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TRANSPORTES COLETIVOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE. A autoridade competente para a emissão do despacho decisório e do auto de infração é a da circunscrição da contribuinte, nos termos das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. DESISTÊNCIA. É despicienda a análise quanto ao pedido de desistência, uma vez as Dcomps anteriores não terem relevância no que se refere ao lançamento das multas isoladas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade do auto de infração ou da decisão de primeira instância se todos os dispositivos legais foram indicados no auto de infração, não se cogitando, pois, de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. CONFUSÃO PROCESSUAL. Não se verifica a confusão processual, mesmo após a reunião de processos, se a recorrente pode se defender adequadamente de cada um dos autos de infração autuados sob os processos reunidos. ADESÃO A PARCELAMENTO. MP 303/2006. A MP nº 306/2006 não foi convertida em lei e dispositivo que não constava dela originariamente não teve eficácia para fins de caracterizar a desistência quanto a compensações declaradas. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. MULTAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 25 81 /2 00 5- 69 Fl. 4926DF CARF MF 2 O princípio da anterioridade nonagesimal não é aplicável às leis instituidoras de multas tributárias. IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. Devem ser afastadas as multas aplicadas com base em legislação posterior à data da entrega das declarações de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. QUALIFICAÇÃO. APLICAÇÃO. A prestação de informação falsa no preenchimento de Declaração de Compensação Eletrônica, com o fim de forçar sua transmissão e respectiva compensação, caracteriza situação prevista nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, o que enseja a aplicação da multa de ofício isolada qualificada no percentual definido no § 1º do inciso I do 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, sobre o débito indevidamente compensado. RETROATIVIDADE BENIGNA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. EFEITOS. Permanecendo inalterada a penalidade caracterizada no auto de infração, mesmo após as alterações promovidas na legislação de regência, é plenamente aplicável a multa imputada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CUMULAÇÃO. Não há que se falar em cumulação entre multa isolada por prestação de informação falsa em PER/DCOMP e multa de ofício em face de débitos declarados indicados para compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Fl. 4927DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 3 3 Adotase o relatório da Resolução nº 3402000.746 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, de 27 de janeiro de 2016, com os complementos necessários: Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o auto de infração de fls 60 a 138, cujo objeto é a aplicação de multa isolada em razão de compensações (PERD/COMPS) de COFINS. O processo é longo, pois além de ter sido nestes autos juntado o Processo Administrativo (“PA”) n. 10925.002585/200547 (representação para fins penais), também os Processos n. 10925.002582/200511 (multa isolada por compensação indevida de PIS) e n. 10925.002583/200558 (multa isolada por compensação indevida de IRRF) foram anexados, nos termos da Portaria SRF n. 6129 de 02/12/2005, haja vista serem exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes às multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada (fls. 1403 e 1405). Ainda, o processo foi indevidamente distribuído ao Segundo Conselho de Contribuintes, que em 19/09/2007 declinou da competência, tendo sido redirecionados os autos ao Terceiro Conselho de Contribuintes. Já perante a autoridade julgadora supostamente competente, o processo foi baixado em diligência duas vezes, para dirimir questões referentes aos atos praticados pelo Contribuinte, inclusive pela juntada de documentos. Diante desse cenário, bem como dos numerosos fatos e provas trazidos aos autos, todos importantes para o deslinde do julgamento, proponho a seguinte resumo do caso, de acordo com os principais atos praticados no decorrer do processo: Auto de infração O auto de infração em apreço diz respeito a cobrança de multa exigida isoladamente, no valor de R$ 19.946.449, 62, cuja lavratura ocorreu em 30/11/2005 e a ciência do contribuinte em 12/12/2005. A multa isolada foi cobrada em razão de compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, com datas de 30/06/2004, 28/02/2005, 31/07/2005, 31/08/2005 e 31/10/2005, com base no artigo 18 da Lei 10.833, e sua redação dada pelo artigo 25 da Lei n. 11.051/2004. Tal multa foi aplicada com a alíquota qualificada de 150%, haja vista que a autoridade fiscal entendeu que as condutas praticadas pelo contribuinte eram fraudulentas. No Relatório de atividade fiscal (fls 78), já transcrito diversas vezes neste processo, podese encontrar com riqueza de detalhes o histórico dos atos praticados pelo contribuinte, relativamente a tentativas de compensação de tributos federais. Constatase que, num primeiro momento, foram feitas PERD/COMPs pelo Contribuinte, ora Recorrente, pelo site da Receita Federal. Tais compensações foram analisadas nos processos 10925.000973/200593, 10925.000974/200538, 10925.000976/200527 e 10925.000978/200516. Fl. 4928DF CARF MF 4 Porém, antes do início da revisão das declarações de compensação, o contribuinte apresentou declarações retificadoras, para incluir multa e juros nos débitos compensados (fls 88). Os créditos utilizados encontramse descritos nas tabelas de fls 94. Então a fiscalização passa a apontar os elementos que caracterizariam a fraude praticada pelo Contribuinte (fls 98) nesta primeira tentativa de compensação via “ativação de créditos pagos”. Valhome das palavras da Delegacia da Receita Federal, em resposta à diligência solicitada por este Conselho de fls 4733 a 4736, sobre esse ponto: Destes fatos, os quais, realço desde já, nunca foram atacados pelo Contribuinte, a fiscalização conclui no relatório de atividade fiscal, que (fls 116): Muito embora o Contribuinte não tenha em nenhum momento desmentido tais fatos, desde o início da fiscalização afirmou que efetuara pedidos de cancelamento/desistência destas compensações no dia 09/03/2005, os quais teriam sido recepcionados em papel por servidora da Agência da Receita Federal de Caçador/SC. Tal pedido de desistência tornouse o ponto nevrálgico do deslinde de presente controvérsia, como se demonstrará mais a frente. Na visão da autoridade fiscal, a afirmação da desistência das compensações em 09/03/2005 – nunca recepcionado pelos órgãos internos competentes da DRF constitui tentativa do contribuinte se eximir da responsabilidade (fls 121). Afirma então que o contribuinte foi intimado do início da Revisão de Declaração e Compensação em 31/03/2005, tendo enviado seu pedido de cancelamento de declaração de Compensação PERD/COMP somente em 06/04/2005 (fls 121). Assim não estava mais aberta a possibilidade de denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (“CTN”), e mesmo que estivesse, não houve recolhimento do tributo devido e dos juros de mora. Fl. 4929DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 4 5 Pois bem. Posteriormente foi feita pelo Contribuinte a apresentação de novos pedidos eletrônicos de compensação, através de PERD/COMP, datados a partir de 25/07/2005, em relação aos débitos das declarações anteriormente “canceladas” (na visão do contribuinte) ou “consideradas não declaradas” (na visão da Receita Federal), dentre outros créditos e débitos. Ademais, a Fiscalização aponta que nessas novas compensações buscavase utilizar: i) débitos que já haviam sido enviados para Procuradoria da Fazenda Nacional (”PFN”) inscritos em dívida ativa; ii) débitos parcelados no PAES; iii) débitos não homologados nas compensações anteriores; iv) créditos de terceiros, que não se referem a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal; Estas compensações também foram consideradas não declaradas pela Receita Federal em suas decisões, com base no artigo 74, §3º, incisos III, IV, V e VI; §12, “a” e “c” da Lei 9430/96. Com relação ao item iv a autoridade fiscal aponta fraude (artigo 72 da Lei n. 4.502/64) do contribuinte (fls 129). Isto porque, muito embora tenha havido informação nas declarações do contribuinte que os créditos que possuía eram decorrentes de pagamento a maior ou indevido em processo administrativo n. 13807.0006828/200470, ele não consta como parte desse processo. Ao não colocar na declaração de compensação que o crédito era oriundo de decisão judicial, porque assim o sistema não rejeitaria automaticamente seu pedido (ele pede a data do trânsito em julgado da decisão), teria incidido em fraude. Outrossim, o contribuinte não está no polo ativo da citada ação judicial. Tudo de forma contrária ao que determinava a IN/SRF 517/2005 em seu artigo 3º. Conclui a autoridade fiscal então que o contribuinte apresentou informações falsas ao fisco, à medida que a divergência entre o conteúdo declarado e a situação fática efetivamente ocorrida configura fraude (quando a divergência for proposital, e acarreta a evasão de tributo (fls 159). Assim, aplica a multa agravada do artigo 44, inciso II da Lei n. 9430/96, vale dizer, de 150% por haver evidente intuito de fraude. Razões da Impugnação (fls 1372) Basta que reste brevemente consignadas as alegações do Contribuinte em suas Impugnações, uma vez que todas foram novamente trazidas em sede de Recurso Voluntário, com alguns ajustes, e serão, portanto, devidamente analisadas mais a frente. Pois bem, com relação às primeiras declarações de compensação, o então impugnante afirmou que foram canceladas em 03/09/2005, portanto antes do início do procedimento de fiscalização. Assim, teria havido denúncia espontânea da infração, a qual não pode ser desconfigurada pelo fato de não ter havido concomitante pagamento da dívida, pois não há comando normativo nesse sentido. Já no que tange às segundas compensações, alega que i) os débitos que se pretendia compensar não estavam inscritos em dívida ativa, uma vez que tais inscrições tinham sido canceladas; ii) os débitos que encontravamse no bojo do PAES só lá estavam por erro da Receita Federal; iii) não se pode falar em débitos oriundos de compensações não homologadas, pois as compensações anteriores foram canceladas; iv) o crédito em questão não é de terceiro, mas sim próprio, uma Fl. 4930DF CARF MF 6 vez que o contribuinte configura, ao lado da empresa P&P Porciúncula Participações Ltda. como parte do processo administrativo indicado na declaração de compensação; v) os créditos utilizados na compensação (sobretaxa do Fundo Nacional de Telecomunicação) são “receitas da União” e há legislação que permite concluir pela sua restituição no âmbito da Receita Federal. Alega ainda a incompetência da autoridade que imputou a multa isolada (DRF São Paulo), que não é a mesma daquela que proferiu os despachos decisórios e competente para a apreciação das manifestações de inconformidade (DRF Joaçaba). Acórdão da DRJ n. 078.562 Em 8 de setembro de 2006, a DRJ julgou a impugnação, refutando todos os argumentos apresentados pelo contribuinte. A decisão encontrase estampada na seguinte ementa: Razões do Recurso voluntário Tendo sido integralmente mantida a multa isolada pela DRJ, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho, sob os argumentos “preliminares” de: i) Incompetência da autoridade que proferiu os despachos decisórios referentes às compensações em questão (DRF de Joaçaba/SC) e lavrou o presente auto de infração para cominação de multa isolada. Isto porque, muito embora a empresa esteja sob a jurisdição da Agência de Caçador, o Processo principal, que é o de restituição, é de São Paulo e encontrase ativo, jurisdição essa competente para todas as questões atreladas às compensações; ii) Impossibilidade de aplicação da multa isolada frente aos princípios constitucionais da irretroatividade de norma tributária e da anterioridade nonagesimal (artigo 150, inciso I e III, alíneas “a” e “b” e §6º e artigo 195 da Constituição); iii) Necessidade de aplicação de retroatividade benigna, constante do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, ao caso; iv) Da validade dos pedidos de compensação por força da aplicação do disposto no §7º, do artigo 1º, da Medida Provisória n. 303/2006; v) Da confusão processual, que levou a afronta ao direito à ampla defesa e ao contraditório; Com relação ao mérito, a Recorrente aduz que: vi) Relativamente às primeiras compensações, o pedido de desistência em papel de 03/09/2005 (sic) é válido, já que não é necessário o acompanhamento de Fl. 4931DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 5 7 pagamento para que se aperfeiçoe a denúncia espontânea nesse caso, e foi feito antes do início do procedimento de fiscalização, que tornaria nulo todo este processo administrativo; vii) Não há que se falar que as segundas compensações foram feitas com débitos inscritos em dívida ativa, pois, na realidade, tais inscrições haviam sido anuladas. Cita documentos de fls 946 e 846 que comprovariam suas alegações. viii) Tampouco é verdade que as segundas compensações dizem respeito a anteriores pedidos não homologados pela Receita Federal, haja vista que as primeiras compensações foram canceladas por desistência tempestiva; ix) Com relação às compensações serem consideradas não declaradas porque os débitos constavam do PAES, a Recorrente simplesmente afiança que a Empresa aderiu ao parcelamento, como lhe era de direito, não sendo possível aferir qualquer indício de fraude desse ato; x) No que diz respeito aos créditos das compensações serem de terceiros, afirma ser detentora dos créditos, o que se verifica por ser ela parte integrante do PA de restituição n. 13807.006828/200470, declarado na compensação como originário dos créditos próprios. Traz aos autos atestado do DERAT nesse sentido. Ainda, garante que não houve declaração no sentido dos créditos serem oriundos de ação judicial, mas sim do citado Pedido de Restituição Administrativa. xi) Sobre terem sido efetuadas compensações com crédito não oriundo de tributos administrados pela Receita Federal, repete os argumentos da impugnação; xii) Informa que aderiu ao PAEX para pagamento dos débitos que pretendia quitar com as compensações, por isso entende que há cumulação indevida de multa isolada e multa de ofício in casu; Finalmente, ressalto que a Recorrente trouxe aos autos, em 25/04/2007, parecer jurídico encomendado aos ilustres juristas Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo sobre algumas das questões atinentes ao processo, juntado aos autos em fls 4653 a 4673. O parecer acima referenciado analisa as seguintes questões: a) "É válida a aplicação da penalidade prevista no art. 18, da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 10.051/2004, no caso em que o contribuinte formulou desistência da compensação antes de ser esta apreciada pela autoridade?" b) "Qual o efeito, relativamente à multa isolada aplicada à consulente, da pretensão dela de compensar aquele mesmo débito com outro crédito (FNT)?" c) "Qual a repercussão da MP 303, de 2006, em relação à apontada penalidade?" Por meio da referida resolução, foi suscitado o conflito de competência entre a Primeira e a Terceira Seções do CARF, dirimido pelo Senhor Presidente do CARF, no sentido de que a análise da contenda é da competência da Primeira Seção de Julgamento (fls. 4.907 a 4.910). Em 26 de janeiro de 2016, foi protocolado o expediente de fls. 4.890 a 4.899, pelo qual a recorrente veicula "razões adicionais devido a fatos supervenientes (Sentença Fl. 4932DF CARF MF 8 Judicial Penal) bem como destaques de matéria de defesa, aplicável na espécie, e, que fazem parte integrante das razões do Recurso em análise". Consta desse documento, em síntese: [...] Ínclitos Conselheiros, ocorre que na data da Autuação, a legislação que fundamenta o auto de infração, Lei 10.833/03, já se encontrava revogado pela Lei 11.196 de 21 de novembro de 2.005, em seu artigo 117, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei 10.833/2003. Portanto, com a máxima data vênia, o AUTO DE INFRAÇÃO É NULO DE PLENO DIREITO, PORQUANTO, SUSTENTADO POR LEGISLAÇÃO REVOGADA A ÉPOCA DO LANÇAMENTO. O equívoco na aplicação da Legislação ocorre novamente quando do julgamento da DRJ, inova, e aplica a Lei 11.051 de 29 de dezembro de 2.004. Legislação essa sem referencia no Auto de Infração guerreado. [...] Desta forma, a Decisão da DRJ também é nula de pleno direito, por inovar na caracterização da infração, com fundamentação diversa daquela que consta do auto de infração. [...] Quando da autuação a Lei 11.196 de 21 de novembro de 2.005, remetia ao inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1.996, no percentual de 75%, quando as compensações foram ditas por não declaradas, ou seja, somente compensação com crédito de terceiros, com crédito prêmio de IPI, com créditos oriundos de títulos públicos, com crédito decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado ou ainda compensações que não se refiram a tributos administrados pela SRF. Assim, a aplicação correta da legislação não abrangeria todos os itens autuados, restando, pois as multas impostas em excesso, ferindo frontalmente dispositivo legal aplicável na espécie. Equívoco maior ainda, é a constatação que não é cabível a multa agravada de 150%, uma vez que não restou comprovada qualquer evidente intuito de fraude definidos nos artigos 71,72, e 73 da Lei 4.502/64. Eis que a fraude ali definida não se aplica às hipóteses de compensação, posto que possui pertinência ao fato gerador ou as condições pessoais do contribuinte. Tanto que a Legislação vigente introduzida pela Lei 11.488 de 15 de junho de 2.007, retirou o evidente intuito de fraude, previsto dos artigos 71;72 e 73 da Lei 4.502/64. [...] Fl. 4933DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 6 9 Em data de 09 de março de 2.005, a Recorrente protocolizou pedido de cancelamento das declarações de compensações junto a Agência da Receita Federal de Caçador, SC. Pedido realizado em papel. Tal pedido fora denegado pela DRJ quando do julgamento. Entretanto, por orientação da própria autoridade coatora, efetuou em 06 de abril de 2.005, os pedidos de cancelamento das declarações de compensações por meio eletrônico. Como inexistiu qualquer outro ato escrito que indicasse o procedimento fiscal dando continuidade a Ação Fiscal até o indeferimento dos pedidos de compensação decorreu mais de 60 (sessenta) dias, em 30 de agosto de 2.005, o novo pedido (eletrônico) tornouse espontâneo nos termos do art. 70 § 2º do Decreto 70.235/72. O que implica dizer que o cancelamento das primeiras PER/DCOMPs foram espontâneos. Não produzindo quaisquer efeitos contra a Empresa Reunidas. [...] Como cediço, a Sentença Penal Transitada em Julgada, faz coisa julgada no Cível e Tributário. [...] Ínclitos Julgadores, a Recorrente em face do todo narrado nestes autos, sofreu Ação Penal, proposta pelo Ministério Público Federal, Processo 500052205.2011.404.7211/SC, donde se extrai da V. Sentença: "A Denúncia baseiase na suposta elaboração e utilização de documentos inverídicos quanto a data neles anotadas. Ressalta, também, o protocolo de recebimento igualmente com data supostamente inexata." A par disso, os depoimentos reduzidos a termo no corpo do IPL, ..... Apontam, em suma, a apresentação tempestiva dos pedidos de cancelamentos das Dcomp's, com protocolos contemporâneos aos recebimentos." Ante o Exposto, REJEITO a denúncia apresentada, na forma do art. 395, III do CPP. o Processo Transitou em Julgado em data de 19 de dezembro de 2011. É o relatório. Voto Fl. 4934DF CARF MF 10 Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Preliminares. Nulidade. Auto de Infração. Decisão de primeira instância. Em documento protocolado posteriormente ao recurso voluntário, a recorrente aduz serem nulos o auto de infração e a decisão de primeira instância. O auto de infração por se sustentar em legislação revogada e a decisão por inovar aplicando legislação sem referência no lançamento: Ínclitos Conselheiros, ocorre que na data da Autuação, a legislação que fundamenta o auto de infração, Lei 10.833/03, já se encontrava revogado pela Lei 11.196 de 21 de novembro de 2.005, em seu artigo 117, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei 10.833/2003. Portanto, com a máxima data vênia, o AUTO DE INFRAÇÃO É NULO DE PLENO DIREITO, PORQUANTO, SUSTENTADO POR LEGISLAÇÃO REVOGADA A ÉPOCA DO LANÇAMENTO. O equívoco na aplicação da Legislação ocorre novamente quando do julgamento da DRJ, inova, e aplica a Lei 11.051 de 29 de dezembro de 2.004. Legislação essa sem referencia no Auto de Infração guerreado. [...] Desta forma, a Decisão da DRJ também é nula de pleno direito, por inovar na caracterização da infração, com fundamentação diversa daquela que consta do auto de infração. Por primeiro, cumpre esclarecer que o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 não foi revogado pelo artigo 117 da Lei nº 11.196/2005 que apenas deu nova redação ao § 4º e incluiu o § 5º do dispositivo legal em referência. E também não há qualquer equívoco na decisão de primeira instância ao mencionar a Lei nº 11.051/2005. Como pode ser visto nos autos de infração (fls. 62, 1.422 e 2.729), em todos eles, na parte relativa à fundamentação legal, há menção ao artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 e também à Lei nº 11.051/2005. Rejeitase, pois, essa preliminar. Incompetência da autoridade. Despachos decisórios e autos de infração. Alega a recorrente a "incompetência da autoridade que proferiu os despachos decisórios referentes às compensações em questão (DRF de Joaçaba/SC) e lavrou o presente auto de infração para cominação de multa isolada". Fl. 4935DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 7 11 Essa alegação foi abordada com proficiência pela decisão de piso, pelo que se adotam os correspondentes fundamentos como razões de decidir: Em outra questão preliminar a interessada questiona a competência da autoridade que proferiu os Despachos Decisórios pelos quais as Compensações foram consideradas Não Homologadas. A seu ver o processo principal está sob a jurisdição de São Paulo — SP, e atrelado ao mesmo encontramse suas Declarações de Compensação. Além disso, a autoridade examinadora não teria obedecido ao disposto no art. 24 do Decreto n° 70.235/72 e no art. 41 e seguintes da Instrução Normativa SRF n° 46012004. Ainda afirma neste tópico: • Não houve "avocação formal" pela DRF de Joaçaba, já que a competência, nestes casos é irrenunciável, conforme o art. 11 e § 1° do art. 14 da Lei n° 9.784/99; • O fato de a interessada estar sob a jurisdição da Agência de Caçador não faz presunção de competência; • Pede a remessa do processo para a autoridade examinadora do processo de restituição n° 13.807.006.828/200470. Não procede a solicitação da interessada, pois a competência para a homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à SRF é da DRF que tenha jurisdição sobre o domicilio tributário do sujeito passivo, no caso a DRF de Joaçaba, conforme determina o art. 47 da IN SRF n° 460/2004, transcrito abaixo, cujo conteúdo e numeração foram mantidos na IN SRF n° 600/2005, que passou a regrar essa matéria. Art. 47. A homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à SRF será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (Grifei) Ressalto haver perfeita consonância entre as decisões proferidas pela DRF de Joaçaba, que têm amparo no art. 47 transcrito acima, com o disposto no art. 41 da mesma IN SRF n° 460/2004 e o disposto no art. 24 do Decreto n° 70.235/72. Ademais, conforme já dito neste voto, os despachos denegatórios não estão em questão nos presentes autos, o que se discute é apenas a correção ou não da aplicação da multa isolada. Apenas a titulo de esclarecimento, acrescento que o processo de restituição n° 13807.006828/200470 mencionado tem como interessada a empresa P&P Porciúncula Participações Ltda, CNPJ n° 04.888.139/000174 e corre em outra jurisdição (DERATSP), circunstância que demonstra a falta de razoabilidade do pedido. Esse entendimento também é aplicável à lavratura dos autos de infração para a exigência da multa isolada, que é decorrência do Despacho Decisório proferido, tendose em vista ainda o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Afronta à ampla defesa e ao contraditório. Aduz a recorrente que ocorreu uma "confusão" processual, fato que leva à afronta ao direito de defesa e ao contraditório. Fl. 4936DF CARF MF 12 Cita a existência no processo de documentos de outra empresa, que foram mencionados nos despachos decisórios (fls. 886, 891, 901 e 906). Também, que no documento de consolidação do débito, após a decisão de primeira instância, o valor cobrado é de aproximadamente R$ 25 milhões, mas nas primeiras folhas do processo esse valor é da ordem de R$ 19 milhões, assim como nos DARFs que acompanharam a intimação. Quanto aos despachos decisórios relativos a Dcomps de outro contribuinte (Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas S/A), eles constam juntados ao processo porque, como visto, o crédito relativo às Dcomps que deram origem às multas controladas neste processo eram decorrentes de um pedido de restituição protocolado por P&P Porciúncula Participações Ltda., que também foi base para Dcomps protocoladas por outras pessoas jurídicas, dentre as quais a citada. Para a verificação quanto a isso, basta a análise dos documentos de efls. 1.282 a 1.364 que dizem respeito ao processo de representação fiscal para fins penais. Contudo, para fins de lançamento, não foram considerados quaisquer valores estranhos à própria recorrente. Para essa verificação, é só se proceder ao confronto entre os autos de infração com os respectivos Relatórios de Atividade Fiscal. No que tange à alegada divergência de valores, ocorre que o processo original, antes das anexações, era relativo à multa pela compensação indevida de Cofins. Essa multa tem o valor (original) de R$ 19.946.449,62 (fl. 54). Contudo, foram anexados a estes autos aqueles dos processos nº 10925.002582/200511 e nº 10925.002583/200558, relativos às multas por compensação indevida de contribuição para o PIS/Pasep e IRRF, respectivamente. Os valores desses processos são: a) 10925.002582/200511: R$ 5.302.603,73 (fl. 1.418); b) 10925.002583/200558: R$ 30.473,44 (fl. 2.725). No total, está controlado neste processo o valor de R$ 25.279.526,79. E isso foi muito bem explicado quando da decisão de primeira instância, conforme excerto abaixo (fl. 3.791 e 3.807): Tratase de autos de infração por meio dos quais exigese Multa de Oficio Isolada, no percentual de 150%, pelo fato de a interessada ter efetuado compensação indevida de valores em declaração prestada em PER/DCOMP, apresentadas nos anos calendário 2004 e 2005, cujos valores constam no quadro abaixo: [...] Impugnação A interessada apresentou uma peça de impugnação para cada auto de infração, que constam nas fls. 921 a 933, 1895 a 1907 e 2867 a 2879, todas idênticas, instruídas com cópia de escritura pública de sua constituição; cópia de documentos de identificação de seu representante legal; cópia de expediente endereçado à Agência da Receita Federal em Caçador — SC, com protocolo de 07/05/2004 [...] Não se verifica afronta à ampla defesa e ao contraditório. Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 8 13 Adesão a parcelamento. Medida Provisória nº 303/2006. No recurso há um item denominado "Da aplicação do disposto no § 7º, do artigo 1°, da Medida Provisória n° 303, de 2006", tendo sido alegado que "em agosto de 2006, a Recorrente ingressou com o pedido de parcelamento especial instituído pela referida MP, incluindo todo o seu passivo fiscal perante a Receita Federal, inclusive os oriundos das compensações que foram alvo das multas isoladas". É aduzido ainda: A opção dada ao contribuinte para inclusão do débito corresponde a uma verdadeira reabertura dos prazos previstos na legislação tributária para que o mesmo renuncie à pretensão de compensar. Com a reabertura do prazo e com a opção exercida pela requerente, a compensação então efetuada perdeu validade, desde a sua origem, o que significa dizer que é como se não houvesse sido feita a compensação. O invocado § 7º foi redigido da seguinte forma: § 7º Relativamente aos pedidos de compensação apresentados pelo contribuinte até 29 de junho de 2006 pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, os débitos que deixarem de ser compensados em decorrência do indeferimento, total ou parcial, do pedido, poderão ser, no prazo de 30 (trinta) dias, a critério do contribuinte, liquidados mediante pagamento ou incluídos no parcelamento de que trata esta Lei e parcelados pelo número de prestações que então remanescer, observadas as disposições dos arts. 1o, 8o e 9o desta Lei para determinação do número de parcelas remanescentes. Ocorre que esse dispositivo não constava do texto original da MP 303/2006. Ele veio apenas com a redação final do Projeto de Lei de Conversão. No entanto, a referida Medida Provisória não foi convertida em lei e teve vigência somente até 27 de outubro de 2006, conforme Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 57, de 2006. Assim, tal dispositivo nunca teve aplicação. Além disso, a recorrente não trouxe aos autos nenhum documento que comprovasse a inclusão dos alegados débitos ao programa de parcelamento excepcional. Irretroatividade e anterioridade da lei tributária. Argumenta a recorrente sobre a impossibilidade de aplicação da multa isolada frente aos princípios da irretroatividade e da anterioridade nonagesimal. Em primeiro lugar, quanto à alegada necessidade de observância do princípio da anterioridade nonagesimal, dispõe o artigo 150, inciso III e § 1º, da Constituição Federal: Fl. 4938DF CARF MF 14 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) [...] § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Temse, pois, que tal princípio só é aplicável a leis instituidoras ou que majorem tributos e, mesmo assim, comportando exceções, mas não nos casos de estipulação de penalidades. No que tange ao princípio da irretroatividade, a recorrente assim se expressou: O Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento — DRJ, aponta para aplicação, de modo retroativo, da legislação tributária, quando, em seu primeiro parágrafo, remete a fatos ocorridos que ensejaram à aplicação da multa de ofício isolada: "Tratase de autos de infração por meio dos quais exigese Multa de Oficio Isolada, no percentual de 150%, pelo fato de a interessada ter efetuado compensação indevida de valores em declaração prestada em PER/DECOMP, apresentadas nos anos calendários de 2004 e 2005, (...) (...). A exigência foi embasada no disposto no art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004." (Grifouse) Desnecessário tergiversar a respeito, eis que a própria autoridade aponta a aplicação retroativa da legislação tributária. Ou seja, a autoridade fiscal aplicou legislação editada em 29 de dezembro de 2004 — Lei n° 11.051, a fatos ocorridos antes de sua vigência. Nessa quadra, fazse necessária a análise quanto ao efetivo objeto da lide. Fl. 4939DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 9 15 Como relatado, após a anexação de outros processos, passouse a tratar nestes autos, no conjunto, de lançamentos de ofício relativos a multas isoladas pela compensação indevida de Cofins (fls. 54 a 62), contribuição para o PIS/Pasep (fls. 1.418 a 1.422) e IRRF (fls. 2.727 a 2.735). Na parte final dos Relatórios de Atividade Fiscal (respectivamente fls. 77 a 168, 1.429 a 1.495 e 2.745 a 2.839), integrantes dos autos de infração, vêse que os lançamentos foram efetuados tendo como bases as seguintes Dcomps: a) 05440.91500.250705.1.3.043835, protocolo em 25 de julho de 2005 (fls. 1.101 a 1.146); b) 24729.98061.241005.1.3.040402, protocolo em 24 de outubro de 2005 (fls. 1.175 a 1.198); c) 24604.81966.220805.1.3.040988, protocolo em 22 de agosto de 2005 (fls. 1.213 a 1.226); d) 15069.42440.140205.1.3.047900, protocolo em 14 de fevereiro de 2005 (fls. 1.259 a 1.265); e) em formulário (papel), protocolo em 25 de outubro de 2002 (fl. 1.276); f) em formulário (papel), protocolo em 25 de outubro de 2002 (fl. 1.278); g) em formulário (papel), protocolo em 19 de dezembro de 2003 (fl. 1.283); h) em formulário (papel), protocolo em 13 de fevereiro de 2004 (fl. 1.284); i) em formulário (papel), protocolo em 15 de janeiro de 2004 (fl. 1.285) e j) em formulário (papel), protocolo em 30 de setembro de 2003 (fl. 1.286). Segundo consta nos autos de infração, eles se referem a períodos dos anos de 2004 e 2005, como pode ser visto nas fls. 62, 1.422 e 2.729. Nessas mesmas folhas, verificase que as normas invocadas são: o artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, na redação original e, ainda, esse mesmo artigo, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Vejase o excerto do Auto de Infração (fl. 62): Fl. 4940DF CARF MF 16 Essas datas são as de emissão dos despachos decisórios pela unidade da Receita Federal em que foram analisadas as declarações de compensação. Ocorre que, independentemente de quando foi efetuada a análise da compensação declarada, com vistas à sua homologação, para fins de aplicação da multa pela compensação indevida há que se levar em conta a data do protocolo da declaração. Assim, de plano, verificase que não poderiam ter sido incluídas nos lançamentos as Dcomps protocoladas anteriormente a 29 de dezembro de 2003, data da vigência da Lei nº 10.833/2003, pelo que se impõe a exclusão dos valores considerados para fins do lançamento da multa isolada, aqueles dos débitos das Dcomps apresentadas em formulário nas datas de 25 de outubro de 2002, 30 de setembro de 2003 e 19 de dezembro de 2003. Quanto às demais, não há que se falar em aplicação retroativa da lei, uma vez terem sido apresentadas em data posterior a 29 de dezembro de 2003. Retroatividade benigna. Alega a recorrente que há a necessidade de aplicação da retroatividade benigna, conforme dispõe o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, para fins de redução da penalidade do percentual de 150% para 50%, em face da nova redação dada ao inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, pela MP nº 303/2006. Esse assunto também é abordado no parecer dos juristas Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo. A conclusão do referido parecer foi a seguinte: A MP 303/2006, além de dispor sobre forma especial de parcelamento (PAEX), veiculou algumas alterações na legislação tributária federal. Entre elas está a redução da "multa isolada", prevista no art. 44, II, da Lei 9.430/96, e aplicada sobre a consulente. A multa passou de 150% para 50%. Assim, se no caso presente fosse cabível a aplicação à consulente da multa a que alude o art. 18 da Lei 10.833/2003, o que demonstramos não ter ocorrido, a penalidade que lhe poderia ser exigida seria de 50% dos valores que teria pretendido compensar, e não de 150%, como lhe exige a autoridade. Consoante discriminado nos autos de infração, a multa isolada foi fundamentada no artigo 18 da Lei n.º 10.833/2003, na redação original e com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004. Abaixo, a redação desses dispositivos segundo os períodos correspondentes: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (redação original): Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 4941DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 10 17 [...] § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. [...] Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (na redação dada pela Lei nº 11.051/2004): Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) A Lei nº 11.196 deu nova redação ao § 4º: Lei nº 10.833/2003: Art. 18 [...] [...] § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades Fl. 4942DF CARF MF 18 administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação da MP 303/2006): Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Posteriormente, os citados dispositivos foram novamente alterados, dessa vez pela Lei nº 11.488/2007. Essa é a redação em vigor atualmente, verbis: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, Fl. 4943DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 11 19 e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Muito embora possa ter havido uma alteração quanto à numeração dos dispositivos legais, o que se verifica é que, apesar das modificações promovidas, a penalidade da infração definida no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, caso dos autos, permaneceu inalterada, estando em pleno vigor atualmente nos mesmos percentuais que vigiam desde o início, ou seja, desde que editadas as leis, conforme transcrições supra. Assim, as condutas consideradas ilícitas, conforme definição contida nos dispositivos legais, não deixaram de ser tipificadas como infrações em momento algum, ou seja, a ilicitude não foi afastada do mundo jurídico, nem tampouco houve a modificação quanto aos percentuais da multa. Fl. 4944DF CARF MF 20 Ocorreu, apenas, a transferência da penalidade decorrente da prática da tipificada infração do anterior inciso II para o inciso I combinado com o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. A recorrente ainda aduz ilegalidade pela aplicação da multa em excesso. No documento protocolado em 26 de janeiro de 2016, foi feita a seguinte argumentação (fl. 4.894): Quando da autuação a Lei 11.196 de 21 de novembro de 2.005, remetia ao inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1.996, no percentual de 75%, quando as compensações foram ditas por não declaradas, ou seja, somente compensação com crédito de terceiros, com crédito prêmio de IPI, com créditos oriundos de títulos públicos, com crédito decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado ou ainda compensações que não se refiram a tributos administrados pela SRF. Assim, a aplicação correta da legislação não abrangeria todos os itens autuados, restando, pois as multas impostas em excesso, ferindo frontalmente dispositivo legal aplicável na espécie. O § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, quando da autuação, tinha o seguinte teor: Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. [...] § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. [...] § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades Fl. 4945DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 12 21 administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Já o artigo § 12 do artigo 74 da Lei nº 9.430 tinha a seguinte redação: Lei nº 9.430/1996: Art. 74. [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Assim, o percentual de 150% está previsto na legislação e é aplicável aos casos de compensação indevida e compensação não declarada (inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/1996), não havendo, em face do aspecto da legalidade, nenhum reparo a ser efetuado. A sua utilização para fins do cálculo da multa será analisado em tópico próprio infra. Mérito. Preâmbulo. No recurso voluntário não há nenhuma alegação específica quanto às Dcomps apresentadas em formulário, cujo crédito é decorrente de um pedido de restituição relativo a créditos de "Obrigação ao Portador do empréstimo compulsório à Eletrobras". Tal pedido foi autuado com o número 11831.003440/200311, e tem como interessada a pessoa jurídica P&P Porciuncula Participações Ltda. Em face disso, aplicase o disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. Contudo, serão adotadas as conclusões das análises relativas às matérias comuns às razões recursais relativas às demais Dcomps, fazendose menção a isso nos respectivos tópicos abaixo. Fl. 4946DF CARF MF 22 Pedido de desistência. Débitos inscritos em Dívida Ativa, informados em Dcomps anteriores não homologadas ou incluídos em programa de parcelamento especial. A recorrente afirma com veemência que é válido o pedido de desistência de compensações em papel, protocolado em 9 de março de 2005, antes portanto do início do procedimento de fiscalização: a) por não ser necessário o acompanhamento do pagamento para que se aperfeiçoe a denúncia espontânea; b) mesmo que o documento tenha sido fornecido via "facsímile" ou cópia simples, houve inquérito administrativo para a averiguação da sua existência e, nesse processo, foi anexada cópia autenticada; c) uma vez que "a empresa em ato contínuo a desistência, encaminhou o pagamento, via compensação eletrônica, das competências que ficaram em aberto, o que evidencia a figura da denúncia espontânea". Em documento protocolado em 26 de janeiro de 2016 (fls. 4.890 a 4.899), a recorrente destaca "razões adicionais devido a fatos supervenientes (Sentença Judicial Penal)", informando que foi rejeitada a denúncia oferecida em face da utilização de "documentos inverídicos quanto à data neles anotada". Tal documento seria o pedido de desistência em tela. Cópia do referido pedido de desistência consta às fls. 1.396 a 1.398. Nele está consignado: Após o texto acima transcrito vem um quadro com a relação das Dcomps. Esse ponto também foi objeto do parecer encomendado aos juristas Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo. Consta na parte relativa às respostas desse parecer: 6.1. É válida a aplicação da penalidade prevista no art. 18, da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 10.051/2004, no caso em que o contribuinte formulou desistência da compensação antes de ser esta apreciada pela autoridade? Não. Se o contribuinte desiste da compensação antes mesmo de ser ela apreciada pela autoridade, desaparece o fato que poderia configurar a infração. A penalidade, aliás, só pode ser aplicada se a autoridade, ao apreciar a comunicação do contribuinte, Fl. 4947DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 13 23 constata a ausência do direito à compensação. Assim, a desistência anterior à apreciação torna impossível o exame pela autoridade e o indeferimento da homologação, que seria o momento para a aplicação da penalidade. 6.2. Qual o efeito, relativamente à multa isolada aplicada à consulente, da pretensão dela de compensar aquele mesmo débito com outro crédito (FNT)? Nenhum. Sem entrar aqui no mérito da validade da compensação pretendida (que nos parece correta), a aplicação de uma penalidade não pode ter fundamento na suposta prática de outra infração, diversa da imputada pelo auto de infração, e ocorrida posteriormente. Ocorre que, muito embora nos Relatórios de Atividade Fiscal, partes integrantes dos autos de infração, tenha havido menção às primeiras Dcomps, a multa não foi aplicada tendo como único motivo a irregularidade dos créditos ou dos débitos informados nelas e que, segundo argumenta a recorrente, foram objeto da desistência por meio do documento em relevo neste tópico. Como visto supra, as Dcomps que fundamentaram a aplicação das multas são (já excluídas aquelas protocoladas antes da vigência da lei que instituiu a penalidade): a) 05440.91500.250705.1.3.043835 (fls. 1.101 a 1.146); b) 24729.98061.241005.1.3.040402 (fls. 1.175 a 1.198); c) 24604.81966.220805.1.3.040988 (fls. 1.213 a 1.226); d) 15069.42440.140205.1.3.047900 (fls. 1.259 a 1.265); e) em formulário (papel), protocolo em 13 de fevereiro de 2004 (fl. 1.284) e; f) em formulário (papel), protocolo em 15 de janeiro de 2004 (fl. 1.285). Nos despachos decisórios relativos às Dcomps eletrônicas, com exceção da de nº 15069.42440.140205.1.3.047900, há referência às compensações mencionadas no documento de desistência em tela. Todavia, muito embora a menção a elas, não foram a única motivação para que as primeiras fossem consideradas como não declaradas. Vejase o despacho decisório relativo à Dcomp nº 05440.91500.250705.1.3.043835 (fl. 1.169 e 1.170), cujo texto consta também nos despachos decisórios relativos às Dcomps nº 24729.98061.241005.1.3.040402 (fls. 1.207 a 1.211) e nº 24604.81966.220805.1.3.040988 (fls. 1.253 a 1.257): Foram juntadas cópias dos Despachos Decisórios de indeferimento de pedido de restituição, bem assim da não declaração de compensação em relação aos processos fiscais de n° 10.925000.027/200547, 10.925000.973/200593, 10.925 000.934/200538, 10.925000.937/200527 e 10.925000.978/200516 (fls. 320/327). [...] Fl. 4948DF CARF MF 24 Com efeito, preliminarmente verificase que a grande maioria dos débitos que pretende compensar foram objeto de pedidos de restituição/compensação anteriores que foram totalmente indeferidos, dada a ausência de créditos, consoante resta expresso dos Despachos Decisórios respectivos, relativos aos processos fiscais n° 10.925000.973/200593, 10.925000.934/200538, 10.925000.937/200527 e 10.925000.978/200516 (fls. 320/324). No mesmo sentido observase que em relação aos débitos do processo fiscal n° 10.925000.027/200547, eis que já haviam sido objeto de inscrição junto a Procuradoria da Fazenda Nacional em Santa Catarina, anteriormente — vide Despacho de fls. 325/327. Em tais casos cabe a aplicação do art. 74, § 3º, VI e § 12, I da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pelas Leis n° 10.637/2002, 10.833/20,03 e 11.051/2004, abaixo transcrito, "verbis": Ocorre que os dispositivos citados são fundamentos para se considerar como não declarada a compensação, como de fato ocorreu, mas não para a aplicação da multa isolada prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003. Esta só pode ser aplicada se a compensação for considerada como não declarada com fundamento no artigo 74, § 12, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, motivação exposta nesses mesmos despachos decisórios conforme abaixo (fl. 1.171): De outra banda, se não fosse pelos aspectos acima abordados, não teria como seguir o presente pedido de restituição cumulado com Declaração de Compensação, uma vez que envolve crédito de terceiros, e ainda que o fossem, o que somente se admite para efeitos de argumentar, ainda assim não se tratam de tributos administrados pela SRF. [...] Ora, tratase, portanto de créditos de terceiros, oriundos de ação judicial em que se discute direito a restituição relativo a sobretarifa que teria sido administrada, inicialmente, pela Telebrás, não se tratando, portanto de tributo ou contribuição administrado pela SRF, resultando, ferido, portanto, o disposto no art. 74 da mencionada Lei n° 9.430/1996. [...] Cabe acrescentar que o art. 74, § 12, II , alíneas "a" e "e" também estabelece que será considerada como não declarada a compensação cujo crédito não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, hipótese também aplicável ao presente caso. No que se refere à Dcomp nº 15069.42440.140205.1.3.047900, no despacho decisório correspondente (fls. 1.267 a 1,271) não há nenhuma alusão às Dcomps anteriores objeto do pedido de desistência multicitado. Nesse despacho está assentado que o crédito informado seria decorrente de um pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep, não localizado nos sistemas da Receita Federal. Quanto às Dcomps apresentadas em formulário, protocoladas em 13 de fevereiro de 2004 (fl. 1.284) e em 15 de janeiro de 2004 (fl. 1.285), elas indicam como crédito um pedido de restituição que foi autuado com o nº 11831.003440/200311, cujo titular era a pessoa jurídica P&P Porciuncula Participações Ltda. Esse pedido foi indeferido por se tratar de crédito decorrente de títulos da Eletrobrás (fls. 1.288 a 1.293). Assim, também quanto a essas Dcomps, a multa não foi aplicada em face daquelas que, segundo a recorrente, foram canceladas pelo pedido em destaque. Fl. 4949DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 14 25 A recorrente também alega que não há que se falar que as segundas compensações foram feitas com débitos inscritos em dívida ativa, pois, na realidade, tais inscrições haviam sido anuladas. Cita documentos de fls 946 e 846 que comprovariam suas alegações. Nas referidas folhas trazidas pela recorrente (efls. 4.364 e 4.365) há um extrato de consulta à inscrição e uma primeira parte de um despacho/informação, ambos relativos ao processo nº 10925.002750/200480. Há ainda a argumentação de que as segundas compensações não dizem respeito a anteriores pedidos não homologados pela Receita Federal, haja vista que as primeiras compensações foram canceladas por desistência tempestiva. Com relação a débitos constantes no PAES, a recorrente simplesmente afiança que aderiu ao parcelamento, como lhe era de direito, não sendo possível aferir qualquer indício de fraude desse ato. Mais uma vez reiterase que, muito embora nos Relatórios de Atividade Fiscal, partes integrantes dos autos de infração, tenha havido menção a débitos inscritos em Dívida Ativa, relativos às primeiras Dcomps "não homologadas" e que foram incluídos no PAES, todos indicados para compensação, a multa não foi aplicada tendo como únicos motivos essas irregularidades. Como visto acima, esses fatos ensejariam que as Dcomps fossem consideradas como não declaradas, mas não dariam causa ao lançamento das multas isoladas. Todavia, houve a indicação de outras irregularidades que ensejariam tal lançamento: créditos de terceiros e não oriundos de tributos administrados pela Receita Federal. Em face do exposto, quanto ao pedido de desistência, é despicienda a análise, uma vez as Dcomps anteriores não terem relevância no que se refere ao lançamento das multas isoladas. No que tange às demais alegações, apesar do acerto delas, também não são suficientes para o afastamento das exações. Como já explanado supra, havia outros motivos para a autuação. As demais motivações do lançamento serão analisadas em tópicos abaixo. Créditos de terceiros. No que diz respeito aos créditos das compensações serem de terceiros, afirma a recorrente ser detentora dos créditos, o que se verifica por ser ela parte integrante do processo administrativo de restituição nº 13807.006828/200470, que foi informado nas Dcomps como a origem dos créditos próprios. Para comprovar o alegado, traz aos autos documento que denomina atestado da DERAT/SP. Ainda, informa que não houve declaração no sentido de os créditos serem oriundos de ação judicial, porque a origem é o citado pedido de restituição, conforme processo administrativo citado. Mais uma vez, salientase que os lançamentos das multas isoladas deramse em face das seguintes Dcomps: Fl. 4950DF CARF MF 26 a) 05440.91500.250705.1.3.043835 (fls. 1.101 a 1.146); b) 24729.98061.241005.1.3.040402 (fls. 1.175 a 1.198); c) 24604.81966.220805.1.3.040988 (fls. 1.213 a 1.226); d) 15069.42440.140205.1.3.047900 (fls. 1.259 a 1.265); e) em formulário (papel), protocolo em 13 de fevereiro de 2004 (fl. 1.284) e; f) em formulário (papel), protocolo em 15 de janeiro de 2004 (fl. 1.285). Nas três primeiras foi informado como origem do crédito o processo nº 13807.006828/200470. Na Dcomp nº 15069.42440.140205.1.3.047900 o crédito informado é decorrente de pagamento a maior ou indevido, cujo registro não foi localizado nos bancos de dados da Receita Federal. Nas duas últimas, o crédito seria decorrente do processo nº 11831.003440/200311. Nos Relatórios de Atividade Fiscal (fls. 77 a 168, 1.429 a 1.495 e 2.745 a 2.839), o autuante menciona os dois processos de restituição. No recurso voluntário, a recorrente se limita a alegar que seria a detentora dos créditos por ser ela parte integrante do processo administrativo de restituição nº 13807.006828/200470. Não há nenhuma menção ao processo nº 11831.003440/200311. Muito embora essa omissão, que enseja considerarse a matéria como não impugnada, o fato é que ambos os processos tinham como titular a pessoa jurídica P&P Porciuncula Participações Ltda. Em face disso, a conclusão ao final deste tópico é aplicável a ambos os casos: três primeiras Dcomps eletrônicas (crédito processo nº 13807.006828/2004 70) e duas últimas Dcomps em formulário (crédito processo nº 11831.003440/200311). O "atestado" a que se refere a recorrente é uma anotação manuscrita em requerimento em que se vê um carimbo aposto por uma unidade da Receita Federal (fl. 4.577): Fl. 4951DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 15 27 Relativamente à matéria, muito bem se posicionou o relator do voto condutor da decisão de piso, cujos fundamentos se adotam como razões de decidir: Como se vê, a interessada não se insurge contra o fato de que a utilização de créditos de terceiro para fins de compensação no âmbito da SRF seja vedado, e também reconhece ter se valido de crédito objeto de pedido de restituição cujo solicitante é a empresa P&P Porciúncula Participações Ltda. A divergência reside apenas no fato de que, a seu ver, não se trata de créditos de terceiros, pois ela seria parte integrante no mencionado pedido de restituição. Os únicos documentos existentes nos autos que poderiam levar a crer que a interessada é parte no pedido de restituição tratado no processo n° 13807.006828/200470 seriam a sentença judicial n° 632/90, da Justiça Federal de Primeira Instância do Rio de Janeiro — RJ, que trata da legalidade da cobrança de sobretaxa do Fundo Nacional de Telecomunicações — FNT e a Escritura Pública pela qual teriam sido cedidos direitos relativos àqueles direitos creditórios. Na cópia da sentença n° 632/90, datada de 19/09/90, que se inicia na fl. 17601, verificase foi impetrada ação ordinária por Mário Alves e Outros (pessoas fisicas), "postulando a restituição das importâncias recolhidas a título de sobretaxa (FNT) aos cofres públicos federais, na qualidade de usuário(s) dos serviços de telefonia, ao argumento de que a sobretarifa é ilegal e inconstitucional". O julgamento é favorável e está limitado à análise do direito, não havendo menção a valores. A cópia da Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios consta nas fls. 2656 a 26592, e é datada de 21/07/05. Como cedente figura a empresa P&P Porciúncula Participações Ltda., que teria adquirido possuiria direito creditório correspondente a R$25.720.350,07, adquiridos por cessão de direitos creditórios, que na ocasião cedeu e transferiu direitos correspondentes a R$8.729.017,15 para a empresa Reunidas S/A Transportes Coletivos e outros R$16.991.332,92 para Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas S/A. Pelos elementos citados, verificase que a interessada nunca integrou a demanda judicial relativa aos pretensos créditos relacionados ao extinto FNT. Ao que parece, pode têlos obtido após sucessivas transações, pois adquiriuos de pessoa jurídica, que não integrou lide original, que, por sua vez, foi beneficiária em cessão de direito creditório anteriormente firmada. O conceito de créditos próprios ou de terceiros utilizado pela legislação tributária diz respeito a créditos decorrentes de recolhimentos feitos pelo próprio contribuinte, ou aqueles objeto de decisão judicial em que tenha integrado o pólo ativo. Apenas quando há a interação Fisco x Contribuinte ocorre a relação direta, e os eventuais créditos daí decorrentes podem ser ditos próprios. A transferência destes a terceiros (ato que não encontra respaldo na legislação tributária), seja a que título for, não confere ao adquirente o status de contribuinte, já que nunca esteve vinculado ao fato gerador da obrigação tributária e nem mesmo promoveu o recolhimento indevido ou a maior que o devido aos cofres públicos. Ainda que estivessem em discussão créditos referentes a tributos ou contribuições administrados pela SRF, o que não é o caso, apenas ao sujeito passivo da relação tributária seria permitido requerer eventual restituição ou a compensação, pois a legislação tributária restringe a aplicação desses institutos aos casos em que se trate de créditos próprios. 1 efl. 2.419 2 efls 3.525 a 3.528 Fl. 4952DF CARF MF 28 No caso dos autos está claro que a interessada não teve relação direta com a atividade que teria gerado o suposto crédito, o pagamento de sobretaxa em favor do extinto FNT. Em verdade, está muito distante disso, pois teria adquirido tais direitos creditórios de terceiro, e nem mesmo esse teria qualquer vínculo com aqueles pagamentos ou com a ação judicial na qual teria sido reconhecido o direito creditório. Aduz a recorrente ainda que não foi indicado que o crédito seria oriundo de ação judicial, mas de um pedido de restituição anterior: processo nº 13807.006828/200470. Como já visto, o interessado nesse processo não é a recorrente, mas a pessoa jurídica P&P Porciuncula Participações Ltda. Demais disso, a informação de que o crédito era decorrente de um processo de restituição anterior (cujo interessado não é a recorrente, repitase) indica, de forma inequívoca, a intenção da recorrente de ocultar detalhes importantes relativos a esse crédito, inclusive que ele era decorrente de ação judicial. Créditos não oriundos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil Quanto a esse item, assim se manifestou a recorrente (fl. 3.894): No que tange a alegação de ser o crédito não oriundo de tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal, cumpre salientar ao Julgador que a própria IN 460/2004, prevê, no seu artigo 15 a possibilidade de receita da União, mesmo não estando o mesmo a cargo da SRF, e mais, no artigo 18, VI da Lei n°: 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional está impedida de promover inscrição ou execução acerca do crédito utilizado nesta compensação (FNT), tal a certeza de sua exigibilidade por parte da empresa recorrente, além do fato de ter sido declarado, pelo STF, como inconstitucional a sua cobrança e lhe tendo sido atribuído, inclusive, status de tributo. O próprio Conselho de Contribuintes, especificamente a sua Terceira Câmara, através de sua competência residual, já julgou solicitações similares como por exemplo, o Recurso Voluntário n°: 134043. Razão pela qual, também, neste particular não procede, in totum, as razões expostas na decisão recorrida. Cumpre ressaltar, novamente, que no recurso voluntário não há nenhuma menção aos créditos decorrentes das "Obrigação ao Portador do empréstimo compulsório à Eletrobras", cujo pedido de restituição foi autuado no processo nº 11831.003440/200311, motivo do lançamento de ofício em face das Dcomps apresentadas em formulário. Nesse ponto, muito embora também essa omissão por parte da recorrente, devem ser aplicadas as conclusões abaixo, em face da similitude quanto à natureza dos créditos pleiteados (sobretarifa do FNT e Obrigações da Eletrobrás) que, segundo a recorrente, lhe dariam direito à restituição. E, quanto à restituição de quantias recolhidas ao Fundo Nacional de Telecomunicações FNT, utilizase como razão de decidir, novamente, por ser aplicável sem necessidade de adendos, fundamento do voto condutor da decisão de primeira instância: A interessada ainda rejeita o entendimento de que os pretensos créditos obtidos por meio de cessão de direitos não seriam oriundos de tributos ou contribuições administrados pela SRF. Invoca o art. 15 da IN SRF n° 460/2004 para dizer que a SRF seria responsável pela restituição de "receita da União" mesmo não estando sob sua administração. Também alega que a PFN está impedida de promover a inscrição ou a execução acerca do crédito utilizado na compensação Fl. 4953DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 16 29 (FNT), por força do art. 18, VI, da Lei n° 10.522/02. Ainda afirma que o STF declarou a inconstitucional a exigência do crédito, e que a 3' Câmara do Conselho de Contribuintes, por força de competência residual, julgou solicitações similares, citando como exemplo o Recurso Voluntário n° 134043. Inicialmente é oportuno lembrar que a compensação tributária segue determinação contida no art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] (Grifei) Como se vê pela transcrição acima, o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/1996 é claro ao limitar a compensação a créditos apurados pelo sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, que poderão ser utilizados para compensação de débitos desse mesmo sujeito passivo. Os atos normativos expedidos para regulamentar essa faculdade estão em harmonia com o dispositivo legal citado. Uma simples leitura do art. 1º da IN SRF n° 460/04, é suficiente para esclarecer que os procedimentos de restituição e de compensação estão limitados aos recolhimentos a título de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, como se vê abaixo: Art. 1º A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. (Grifei) Cabe apenas registrar que a Instrução Normativa SRF n.° 460/2004 estabelece, no § 2.° de seu artigo 2.° a única exceção à restituição de créditos vinculados a exações que não estejam sob administração da SRF. Essa exceção recebe tratamento no art. 15 da IN citada como segue: Art. 2° Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; Fl. 4954DF CARF MF 30 III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela SRF, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 2º A SRF promoverá a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. [...] Art. 15. O pedido de restituição de receita da União, arrecadada mediante Darf, cuja administração não esteja a cargo da SRF, deverá ser apresentado à unidade da SRF competente para promover sua restituição, que o encaminhará ao órgão ou entidade responsável pela administração da receita a fim de que este se manifeste quanto à pertinência do pedido. § 1º Reconhecido o direito creditório, o processo será devolvido à unidade da SRF competente para efetuar a restituição, que a promoverá no montante e com os acréscimos legais previstos na decisão proferida pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita, ou sem acréscimos legais quando a decisão não os previr. § 2º Previamente à restituição de receita tributária não administrada pelo SRF, a unidade da SRF competente para efetuar a restituição deverá observar o disposto nos arts. 34 a 38. Como se percebe, a regra limita a restituição a valores relativos a exações administradas pela SRF. Fora disso, apenas podem ser alcançados pleitos repetitórios de receitas recolhidas por DARF (o que não é o caso aqui tratado, pois os valores foram recolhidos via conta de telefone) e, além disso, tenham tido o direito creditório expressamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita (o que também não ocorre no presente processo). Ou seja, as únicas atribuições da SRF relativas a tais pleitos são a recepção do pedido e a implementação da restituição, única e exclusivamente por terem sido arrecadadas mediante DARF. Registrese que o fato de a Lei n° 10.522/2002, art. 18, VI, dispensar a constituição de créditos, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento de ação de execução fiscal, bem como autorizar o cancelamento dos lançamentos referentes à sobretarifa ao Fundo Nacional de Telecomunicações — FNT, não exerce nenhum efeito sobre as regras de compensação tributária. Caso fosse intenção do legislador, teria sido promovida alteração na Lei n° 9.430/1996, que rege a matéria. No que tange ao recurso indicado, a recorrente não traz nenhuma ementa ou excerto pelos quais se poderia averiguar o fundamento da alegação. Além disso, as decisões anteriores deste CARF não são vinculantes quanto às posteriores sobre o mesmo assunto. Multa qualificada. Evidente intuito de fraude. Fl. 4955DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 17 31 No documento protocolado em 26 de janeiro de 2016, a recorrente assim se pronunciou: Equívoco maior ainda, é a constatação que não é cabível a multa agravada de 150%, uma vez que não restou comprovada qualquer evidente intuito de fraude definidos nos artigos 71, 72, e 73 da Lei 4.502/64. Eis que a fraude ali definida não se aplica às hipóteses de compensação, posto que possui pertinência ao fato gerador ou as condições pessoais do contribuinte. Tanto que a Legislação vigente introduzida pela Lei 11.488 de 15 de junho de 2.007, retirou o evidente intuito de fraude, previsto dos artigos 71;72 e 73 da Lei 4.502/64. A alegação é extemporânea, o que indica a preclusão quanto à matéria. Em que pese essa extemporaneidade, procederseá à análise quanto a essa questão, prestigiandose os princípios da ampla defesa, contraditório e verdade material. Pelo entendimento do autuante, a indicação dos créditos nas Dcomps que geraram o auto de infração tratouse de procedimento intencional, uma vez tal ato afrontar dispositivos literais de lei e, ainda, porque nas referidas declarações há informações inverídicas, tudo com o objetivo de beneficiar a contribuinte de imediato. Conforme consta no Despacho Decisório (fls. 111 a 115) a contribuinte apresentou diversas Dcomps nas quais informa como créditos, pagamentos a maior ou indevidos pleiteados em outro processo administrativo (nº 13807.006828/200470), para compensação com débitos de PIS e COFINS relativos ao período de apuração outubro e novembro de 2005. Como se constata nos autos (fl. 9), no processo administrativo citado (n° 13807.006828/200470), o crédito era de terceiros e referiase a pedido de restituição formulado pela pessoa jurídica P & P Porciúncula Participações Ltda. (CNPJ n° 04.888.139/00174): 3 Ao consultar os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal, verificamos que consta como interessado no processo n° 13807.006828/200470 a empresa P & P Porciúncula Participações Ltda. 4 O crédito originalmente informado no processo acima deriva de sentença judicial da Justiça Federal do Rio de Janeiro, o qual, por Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios, foi inicialmente cedido e transferido de Nova República Empreendimentos e Participações S/C Ltda para Ademir Wiebbelling AJ — Administração e Participações Ltda e P & P Porciúncula Participações Ltda e, posteriormente, da P & P Porciúncula Participações Ltda para Reunidas S/A Transportes Coletivos e Reunidas Transportadora Rodoviária de Cargas S/A. O objeto da referida ação judicial era a legalidade da cobrança de sobretaxa do extinto Fundo Nacional de Telecomunicações FNT. Os direitos derivados dessa ação Fl. 4956DF CARF MF 32 teriam sido transferidos à recorrente mediante a lavratura de Escritura Pública de Cessão de Direitos creditórios. Em face disso, as compensações (especificamente as Dcomps nº 05440.91500.250705.1.3.043835, nº 24729.98061.241005.1.3.040402 e nº 24604.81966.220805.1.3.040988) foram consideradas "não declaradas". Ressaltese que a própria recorrente reconheceu a impossibilidade de compensação de seus débitos com o crédito indicado (pagamento de sobretaxa da FNT) adquirido de terceiros, quando do pedido de cancelamento das Dcomps indicou como motivo “Total inexistência do crédito” (fls. 172, 173, 188 e 189). Considerou pois o autuante que esse fato, juntamente com outros indicados no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 8 a 17), comprovam que a contribuinte ao compensar indevidamente os valores de débitos declarados, realizou ação que se caracteriza como fraude (art. 72, Lei n° 4.502/64), com a consequente aplicação da multa prevista no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, no percentual de 150%. Consta desse relatório: 9 — O inciso II, § 4°, art. 18, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, exige a aplicação do percentual de 150%, previsto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, conforme definição dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; [...]. 11 — No que tange à compensação com o fim de extinguir o crédito tributário, a legislação impõe o dever instrumental aos sujeitos passivos da obrigação tributária (contribuintes ou responsáveis) de informar ao Fisco os dados dos créditos próprios, mediante entrega da declaração de compensação, para a homologação do feito no prazo qüinqüenal. Como é com base no conteúdo dessas declarações prestadas pelos contribuintes e responsáveis que são verificadas as regularidades dos créditos contrapostos para a compensação, a divergência entre o conteúdo da declaração e a situação fática efetivamente ocorrida configura fraude (quando a divergência for proposital) e acarreta a evasão de um tributo. A falsidade de uma declaração consiste na deliberada inclusão de situação fática inverídica em seu conteúdo informativo, simulando a ocorrência de um fato ou de suas características (falsidade ideológica, art. 299 do Código Penal). 12 Ao ter enviado uma Declaração de Compensação à Secretaria da Receita Federal informando que o crédito não foi oriundo de ação judicial e não foi oriundo de terceiros, quando sabia ser, não há outra conclusão possível que não a de que a ausência desta informação tenha sido intencional. Quando o agente presta informações em desacordo com a realidade dos fatos e, com isso, reduz ou suprime o pagamento do tributo, tipificada está a conduta do art. 2°, inciso I, da Lei n° 8.137/90: (grifos acrescidos) Pelo que se verifica nos excertos do relatório acima transcritos, ficou caracterizada a fraude, uma vez que a ação da contribuinte excluiu ou modificou as características essenciais dos fatos geradores, relativamente aos tributos compensados, pela Fl. 4957DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 18 33 redução do montante devido, além de ter evitado ou diferido o pagamento na parte indevidamente compensada, conforme definição contida no artigo 72 da Lei n° 4.502/64: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (Grifo acrescido) Abaixo, ementa de decisão da Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, nesse sentido: Acórdão nº 10709.007 Sessão de 26 de abril de 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE Somente o crédito apurado pelo sujeito passivo, inclusive quando haja decisão judicial com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, ou seja, crédito de natureza tributária, poderá ser utilizado para compensar débitos tributários próprios com este órgão, não tendo esse condão crédito de natureza trabalhista. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO A prestação de informação falsa no preenchimento do formulário eletrônico PER/DCOMP, com o fim de forçar sua transmissão, caracteriza evidente intuito de fraude, ensejando a aplicação da multa isolada no percentual previsto no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96 sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Lançamento Procedente Essas conclusões, como explicitado acima, também são aplicáveis às Dcomps apresentadas em formulário, em face de os créditos (Obrigações da Eletrobrás) não serem oriundos de tributos administrados pela Receita Federal. Inobstante toda essa explanação, quanto à Dcomp nº 15069.42440.140205.1.3.047900, a conclusão do despacho decisório está assim redigida (fl. 1.271): No uso da competência atribuída, indefiro o pedido de restituição e em consequência considero não declarada a compensação nos termos da legislação de regência. Como pode ser visto à fl. 1.267, o crédito era decorrente de um pagamento indevido ou a maior de contribuição para o PIS/Pasep do período de apuração dezembro de 2003. No entanto, tal pagamento não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Fl. 4958DF CARF MF 34 Em face disso, considerou a autoridade administrativa ter havido fraude por prestação de informação falsa por parte da interessada na compensação. Ocorre que as hipóteses do artigo 74, § 12, da Lei nº 9.430/1996 (de natureza objetiva), que autorizam seja a compensação considerada como não declarada, não contemplam o fato apontado como motivador para tal consideração. Vêse pois que, formalmente, a multa não poderia ter sido aplicada. A uma, porque o caput do artigo 18 da Lei nº 10.833, na redação da Lei nº 11.051/2004, prevê a aplicação caso a compensação seja não homologada. A duas, porque não havia motivo para considerarse a compensação como não declarada. No despacho decisório há longo arrazoado sobre a prestação de informação falsa e ocultação de informação relevante, conforme abaixo (fl. 1.268): A contribuinte promoveu as compensações acima relacionadas. Nesta linha, portanto, não há como se homologar as compensações em questão, mesmo porque os créditos que dariam suporte a dita compensação foram criados artificialmente, ficticiamente, fraudulentamente, consoante se demonstrará adiante. De fato, resta caracterizada a participação da pessoa jurídica na tentativa de fraude engendrada. Neste sentido, mesmo diante das justificativas apresentadas, consideramos que a contribuinte prestou informação falsa nas declarações eletrônicas de compensação e, desse modo, ocultou informação relevante da autoridade administrativa. De vero, a interessada criou "ficticiamente" um crédito, uma vez que não se localizou no sistema de registro de pagamentos, o crédito apontado com as características indicadas de data de pagamento, valor pago, tributo e data de vencimento, devendose, refutálo (sic) como fictício: Neste passo, consoante comprovado — vide tela do sistema sinal às fls.13 inexiste o alegado pagamento indevido ou a maior como informado, inexistindo, portanto crédito em igual montante (1ª falsidade). Em suma, a contribuinte não é credora da fazenda nacional, mas devedora do valor em causa. Nos Perdcomp, todavia, com o intuito de burlar os sistemas eletrônicos de controle da SRF informou a existência de crédito gerado ficticiamente mediante a utilização de artifícios (2ª falsidade). [...] No que tange à compensação com fins à extinção do crédito tributário, a legislação impõe o dever instrumental aos sujeitos passivos da obrigação tributária (contribuintes ou responsáveis) de informar ao Fisco os dados dos créditos próprios, mediante entrega da declaração de compensação, para a homologação do feito no prazo qüinqüenal. Como é com base no conteúdo dessas declarações prestadas pelos contribuintes e responsáveis que são verificadas as regularidades dos créditos contrapostos para a compensação, a divergência entre o conteúdo da declaração e a situação fática efetivamente ocorrida configura fraude (quando a divergência for proposital) e acarreta a evasão de um tributo. A falsidade de uma declaração consiste na deliberada inclusão de situação fática inverídica em seu conteúdo informativo, simulando a ocorrência de um fato ou de suas características (falsidade ideológica,. art. 299 do Código Penal). Fl. 4959DF CARF MF Processo nº 10925.002581/200569 Acórdão n.º 1201001.947 S1C2T1 Fl. 19 35 Posto isso, ao informar que, em 14/02/2005 (data da transmissão dos Perdcomp), a existência de um crédito inexistente correspondente, a contribuinte burlou a norma contido no art. 74 da Lei 9430/1996 na nova redação que lhe foi dada (Lei n° 10.833/2003). Tal conduta amoldase à hipótese de fraude dada pelo art. 72 da lei n° 4.502/1964, abaixo transcrito: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Desta forma, uma vez tendo sido a compensação efetuada com crédito "fictício" de natureza não tributária, concluise ter sido irregular o procedimento adotado pela interessada. Assim sendo, cabe a aplicação de multa isolada conforme previsão contida no art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o qual assim dispõe: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No presente caso cabe o lançamento da multa isolada sobre os valores compensados indevidamente, nos termos do art. 44, II da Lei n° 9.430/1996 em razão da fraude acima referida. Neste sentido, portanto impõese, ainda, considerar como não declarada a compensação face a existência de lei específica (art.156, inciso I, do CTN), ou seja o crédito informado inexiste pois liquidaram débitos devidamente formalizados, quitados mediante pagamentos em DARFs próprios, com ofensa ao estatuído no "caput" do § 3º do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei n° 10.833/2003, combinado com o disposto no § 12, alínea "e" do mencionado art. 74 da Lei n° 9430/1996, na redação dada pela Lei 11.051/2004. Mais uma vez, ressaltase que o caso não se subsume ao contido no disposto no artigo 74, § 12, inciso II, alínea "e", da Lei nº 9.430/1996: Art. 74 [...] [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: [...] Fl. 4960DF CARF MF 36 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. E, muito embora todo o arrazoado, o fato de não existir o pagamento indicado como crédito não caracteriza, por si só, uma falsidade, não havendo comprovação da prática de fraude. Cumulação de multa isolada e de ofício. A recorrente informa que aderiu ao PAEX para pagamento dos débitos que pretendia quitar com as compensações e, por isso, entende que há cumulação indevida de multa isolada e multa de ofício. Os débitos indicados para compensação são de vários períodos de apuração, como pode ser visto nos Relatórios de Atividade Fiscal. Pelo histórico do processo, foi visto que os débitos haviam sido informados em DCTFs, pelo que a multa aplicável para o pagamento em atraso é a de mora. Ademais, a multa isolada é aquela decorrente de prestação de informação falsa no preenchimento do formulário DCOMP. Também, a recorrente traz sua alegação de forma genérica sem indicar quais débitos inseridos no programa excepcional de parcelamento teriam sofrido incidência de multa de ofício. Não há, pois, como se acatar a alegação. Conclusão. Em face do exposto, conheço do recurso para DARLHE provimento parcial, exonerando as multas isoladas em face da Dcomp nº 15069.42440.140205.1.3.047900 e das Dcomps apresentadas em formulário e protocoladas em 25 de outubro de 2002, 30 de setembro de 2003 e 19 de dezembro de 2003. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 4961DF CARF MF
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