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Numero do processo: 11080.007885/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.892
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 07 88 5/ 20 09 -9 8 Fl. 767DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 769DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 772DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 773DF CARF MF Processo nº 11080.007885/200998 Resolução nº 3402001.892 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 774DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721478/2011-42
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas.
Mantém-se a glosa da dedução de despesas do livro-caixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas.
DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE. As despesas com locomoção e transporte não são dedutíveis da base de cálculo, exceto no caso de representante comercial autônomo, por expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2003-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
Wilderson Botto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livro-caixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Mantém-se a glosa da dedução de despesas do livro-caixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas. DEDUÇÃO. LIVRO-CAIXA. DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE. As despesas com locomoção e transporte não são dedutíveis da base de cálculo, exceto no caso de representante comercial autônomo, por expressa disposição legal.
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LIVROCAIXA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir da receita decorrente do exercício da atividade as despesas de custeio escrituradas em livrocaixa, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. Mantémse a glosa da dedução de despesas do livrocaixa quando o contribuinte não apresenta documentos hábeis e idôneos a fim de comprovar a veracidade e natureza das despesas declaradas. DEDUÇÃO. LIVROCAIXA. DESPESAS COM LOCOMOÇÃO E TRANSPORTE. As despesas com locomoção e transporte não são dedutíveis da base de cálculo, exceto no caso de representante comercial autônomo, por expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. Wilderson Botto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 14 78 /2 01 1- 42 Fl. 329DF CARF MF 2 Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2008, exercício de 2009, no valor de R$ 27.927,98, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme se depreende auto de infração constante dos autos (fls. 12/21). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 0654.820, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA (fls. 300/305), o qual transcrevo a seguir: Tratase de impugnação (fls. 2/3) à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) nº 2010/161845138615704, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, que apurou crédito tributário no valor de R$ 27.927,98, dos quais R$ 14.278,11 de imposto de renda suplementar, R$ 10.708,58 de multa de ofício e R$ 2.941,29 de juros de mora (calculados até 30/6/2011). A autoridade fiscal considerou indedutível parte da despesa declarada a título de livrocaixa, no valor de R$ 54.898,02, assim consignando na Descrição dos Fatos (fl. 14), que integra a Notificação de Lançamento impugnada: [...] As glosas foram motivadas pela falta de comprovação da despesa ou pela apresentação de recibos nos quais não constava a identificação clara do: a) cliente; b) emitente (CPF/CNPJ); c)serviço prestado para a comprovação da necessidade da despesa para a percepção e manutenção da fonte produtora dos rendimentos; ou d)do endereço do contribuinte. Também não foram aceitas as despesas com locomoção e transporte que só são permitidas aos Representantes Comerciais. Anexamos ao Dossiê as planilhas contendo as justificativas da glosa das despesas declaradas no livro caixa apresentado. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação alegando que: a) anexa todos os documentos devidamente enumerados, para que não restem dúvidas e que sejam aceitos no sentido de serem retificados os lançamentos, para mais nada dever; b) os recibos não estão com os CPFs das pessoas que prestaram serviços, pois estas estavam na categoria de aprendiz e não tinha inscrição no Cadastro de Pessoa Física, conforme autorizado na Constituição Federal no seu artigo 7º, inciso XXXIII. Acórdão de Primeira Instância Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13896.721478/201142 Acórdão n.º 2003000.078 S2C0T3 Fl. 330 3 Ao apreciar a impugnação, a DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, para alterar o imposto suplementar antes apurado para R$ 9.685,61, acrescido de multa de ofício e acréscimos legais. Registrou a DRJ/CTA, que do valor de R$ 54.898,02, inicialmente glosado, foi acatado como dedutível o valor de R$ 16.700,00. Por conseguinte, foram mantidas as glosas das despesas declaradas no valor total de R$ 38.198,02, porquanto não foram apresentados documentos capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 06/06/2016 (fls. 309), o contribuinte interpôs, em 04/07/2016, recurso voluntário (fls. 311/326) reiterando basicamente as alegações lançadas na impugnação e complementando com outros argumentos, a seguir sintetizados: em sede preliminar Recibos dos Entregadores: que os recibos assinados pelos colaboradores contêm todos os elementos necessários à sua identificação e podem ser facilmente confirmados pelo exame visual dos mesmos; que os recibos apresentados se referem a colaboradores maiores e menores, indistintamente, sem vínculo empregatício, mas amparados pela legislação do IR, ao teor da questão 415 do Manual de Perguntas e Respostas relativo ao IRPF; que quando mencionou que os menores eram aprendizes, não quis dize que eles trabalhavam na distribuição como aprendizes, mas sim, que eram aprendizes porque não tinham ou não apresentaram CPF na época; que o serviço de distribuição de revistas, folhetos e congêneres, é uma atividade basicamente informal, inconstante, sem regularidade, não permitindo ao distribuidor, qualquer movimento no sentido de sair da informalidade. Em razão dessa particularidade, as pessoas que trabalham nesse segmento o fazem de forma esporádica, casual, como um “bico”, sem qualquer vínculo empregatício; que nunca teve quadro fixo de colaboradores. A cada mês ou a cada nova distribuição, em novas pessoas que faziam o trabalho; que era impossível o Recorrente fazer toda a distribuição sozinho, por isso a necessidade de recorrer ao trabalho de colaboradores. Se assim não fosse, não seria possível a percepção dos rendimentos declarados; não havia como o Recorrente firmar “contrato de trabalho” com o seus colaboradores, adultos e menores, pois durante o período que a operação foi feita, trabalhavam cerca de 131 pessoas na distribuição, um número gigantesco, sem qualquer possibilidade financeira e econômica de admissão por parte do Recorrente; Fl. 331DF CARF MF 4 junta aos autos a relação das 85 pessoas (docs. 4,5 e 6) que trabalharam nos anos de 2007 a 2009, com os respectivos CPF, os quais já constam dos recibods anexados na Impugnação, bem como a relação dos 46 menores (docs. 7 e 8), que não tinham ou não apresentaram CPF na ocasião, totalizando 131 pessoas, conforme mencionado acima; Recibos de Elias Bezerra Cavalcante – (...).Elias Bezerra Cavalcante era motoristadistribuidor. Ele levava as revistas e trabalhava na distribuição, junto com os demais entregadores, não se justificando a manutenção da glosa sobre os valores pagos ao mesmo; Recibos da Associação SP2 – todos os recibos glosados têm os dados necessários à identificação do pagamento, exceto carimbo da Associação SP2, providência que não era usual naquele condomínio; Recibos da Telefônica – a conta glosada, de dezembro de 2008, no valor de R$ 221,68, foi paga pela internet e teve o comprovante de pagamento extraviado. A certeza que a conta foi paga são as contas dos meses subsequentes, devidamente quitadas e aceitas pela autoridade fiscal. (...); Recibos do Atacadão de Embalagens – A Nota Fiscal do Atacadão de Embalagens (Manoel dos Santos Embalagens), no valor de R$ 253,88, não foi juntada às demais na Impugnação, por ter sido extraviado, restando apenas o comprovante de pagamento anexado; Recibo de H. Valent Empreend. e Part. Ltda O Recorrente junta, neste ato, xerocópia de recibo assinado, com firma reconhecida, no valor de R$ 702,49, referente ao pagamento do aluguel de outubro de 2008 (doc. 9); Recibos Diversos – (...), se referem a gastos necessários ao funcionamento do escritório, sem o qual não seria possível a manutenção da fonte produtora. no mérito, registra que todos os recibos de colaboradores anexos à impugnação, contêm o valor pago, o nome e o CPF do pagador, o nome e assinatura do recebedor e o tipo de trabalho executado, bem como os demais documentos lançados no livrocaixa, os quais caracterizam despesas de custeio e a manutenção da fonte produtora, ao teor da legislação vigente: Manual de Perguntas e Respostas do IRPF, questão 403; art. 6º, I e III, da Lei nº 8.134/90; art. 75, I e III, do RIR/99; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 09/10/1970; e Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979; Ao final pugna pelo cancelamento do débito fiscal resmanescente mantido pela DRJ/CTA (fls. 316). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13896.721478/201142 Acórdão n.º 2003000.078 S2C0T3 Fl. 331 5 Voto Conselheiro Wilderson Botto Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo à sua análise. Preliminares As alegações tidas como preliminares, a bem da verdade se confundem e complementam as razões de mérito, razão pela qual com ele serão apreciadas. Mérito Da dedução das despesas lançadas no livrocaixa Insurgese, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/CTA, que manteve parcialmente a glosa das despesas declaradas a título de livrocaixa, no valor de R$ 38.198,02, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise dos documentos apresentados. Apreciando as alegações recursais, sobretudo no cotejo da prova documental juntada em sede de impugnação, entendo que os aludidos documentos não carecem ser novamente analisados. E, considerando que as alegações recusais apenas complementam e reforçam a impugnação – onde o contribuinte limitouse a escorrer sobre “a ausência de CPF nos recibos dos prestadores de serviços enquadrados na categoria de APRENDIZ” e a juntar os comprovantes que entendeu suficientes para justificar a regularidade de sua conduta fiscal – não trazendo aqui novas alegações hábeis a modificar o julgado de piso, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida (fls. 301/304), mediante transcrição dos excertos abaixo, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015– RICARF: Da Dedução de LivroCaixa Assim dispõe os artigos 75 e 76 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/96), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999: Art.75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de Fl. 333DF CARF MF 6 registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, eLei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §1º,e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art.76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §1º O excesso de deduções, porventura existente no final do ano calendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §3º). §2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, §2º). §3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. (sem grifos no original) Já o Manual de Perguntas e Respostas relativo ao IRPF, no que se refere às deduções a título de livrocaixa, assim orienta: 403 — O que se considera e qual é o limite mensal da despesa de custeio passível de dedução no livrocaixa? Considerase despesa de custeio aquela indispensável à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, como aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. O valor das despesas dedutíveis, escrituradas em livrocaixa, está limitado ao valor da receita mensal recebida de pessoa física ou jurídica. No caso de as despesas escrituradas no livrocaixa excederem as receitas recebidas por serviços prestados como autônomo a pessoa física e jurídica em determinado mês, o excesso pode ser somado às despesas dos meses subsequentes até dezembro do ano calendário. O excesso de despesas existente em dezembro não Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.721478/201142 Acórdão n.º 2003000.078 S2C0T3 Fl. 332 7 deve ser informado nesse mês nem transposto para o próximo anocalendário. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 –Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 76; Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29 de outubro de 2014, art. 104, § 3º) (...) 407 — Podem ser aceitos tíquetes de caixa, recibos não identificados e documentos semelhantes para comprovar despesas no livrocaixa? Não. Para que tais despesas sejam dedutíveis, o documento fiscal deve conter a perfeita identificação do adquirente e das despesas realizadas, sendo que estas devem ser necessárias e indispensáveis à manutenção da fonte produtora dos rendimentos. 408 — As despesas com transporte, locomoção, combustível, estacionamento e manutenção de veículo próprio são consideradas necessárias à percepção da receita e dedutíveis no livrocaixa? Referidas despesas não são dedutíveis, com exceção das efetuadas por representante comercial autônomo quando correrem por conta deste. (...) 415 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livrocaixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979) (sem grifos no original) Compulsando os autos verificase que às fls. 17 a 21 consta planilha “Valores Glosados”, elaborada pela autoridade fiscal, contendo a lista das despesas consideradas indedutíveis e os respectivos motivos das glosas. O contribuinte se insurge contra as glosas efetuadas e apresenta, junto a sua defesa, os documentos carreados às fls. 29 a 285 dos autos, com o intuito de atender as exigências apontadas na referida planilha. Notese que também foram apresentados Fl. 335DF CARF MF 8 documentos relativos a despesas que já haviam sido aceitas como dedutíveis no curso da ação fiscal. Pois bem, procedendo à análise e ao batimento entre os valores escriturados no livrocaixa, os valores glosados pela fiscalização e os respectivos documentos apresentados na impugnação, concluise que o contribuinte supriu as pendências apontadas pela fiscalização relativamente às seguintes despesas: (...) No tocante às despesas acima nomeadas como “Pagamento a terceiros ref entregas”, no que se refere à alegação da defesa de que os emitentes dos recibos se tratavam de aprendizes não obrigados a possuir CPF por serem menores, importa esclarecer que, conforme informação constante no site do Tribunal Superior do Trabalho, para que menores sejam contratados na condição de aprendizes exigise a observação de diversos requisitos, entre eles que seja firmado contrato de trabalho especial por escrito e por prazo determinado, regulamentado pelo Decreto nº 5.598/2005, no qual o empregador se compromete a assegurar ao aprendiz, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico profissional metódica. Não constam nos autos contratos firmados entre o contribuinte e os emitentes dos recibos, de forma que a relação existente entre eles e a natureza do serviço prestado não restou comprovada, impossibilitando a dedução de tais despesas da base de cálculo. Cabe também destacar, como transcrito na legislação antes colacionada, as despesas incorridas com locomoção e transporte não são passíveis de dedução a título de livrocaixa, sendo que a legislação excepcionou expressamente apenas as despesas dessa natureza suportadas pessoalmente pelo representante comercial autônomo, de forma que as glosas, no caso em análise, serão mantidas. Assim, do valor inicialmente glosado de R$ 45.898,02, acatase como dedutível, em sede de contencioso administrativo, o valor de R$ 16.700,00. Serão mantidas as glosas das demais despesas, não mencionadas na tabela acima, as quais totalizam R$ 38.198,02, conforme planilha de Valores Glosados de fls. 17 a 21, eis que não foram apresentados documentos capazes de afastar os pressupostos de fato do lançamento. Registrase, por oportuno, que em relação ao menor incluso na categoria de APRENDIZ (art. 428 da CLT) é permitido o exercício laboral, com algumas cautelas, sendo certo que o trabalho exercido nas ruas, praças ou logradouros públicos – como é o caso da atividade do Recorrente que promove a distribuição de revistas, folhetos e congêneres – depende de prévia autorização do Juiz da Infância e Juventude. Na mesma esteira, o art. 76, § 2º, do RIR/99 exige que a veracidade das receitas e das despesas escrituradas em livrocaixa seja comprovada mediante documentação idônea, o que não ocorreu no caso concreto, sobretudo em relação aos titulados aprendizes prestadores de serviço, ante a ausência da prova da autorização judicial a justificar o trabalho Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.721478/201142 Acórdão n.º 2003000.078 S2C0T3 Fl. 333 9 dos aludidos menores, nos exatos termos da legislação de regência, documento este, aliás, não constante dos autos o que, por si só, desabilita a dedução pretendida da despesa. Nada obstante, vale salientar que todas as deduções informadas na DAA estão sujeitas à comprovação ou justificação, por documentação hábil e idônea, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99, cabendo ao contribuinte apresentar em sua defesa todos os documentos necessários à confirmação de suas alegações, ao teor art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Tanto é assim que a impugnação apresentada foi provida parcialmente restando acatada as despesas alusivas aos pagamentos realizados à Ass. São Paulo II (R$ 500,00) e à Adriano Bedeschi (R$ 16.200,00), uma vez que foram supridas as pendências apontadas pela fiscalização sobre tais despesas (fls. 304). Em relação aos demais pontos “Recibos de Entregadores”, “Recibos de Elias Bezerra Cavalcante”, “Recibos da Telefônica”, “Recibos do Atacadão de Embalagens”, “Recibo de H. Valent Empreend. e Part. Ltda.”, e “Recibos Diversos” suscitados na peça recursal, nada a prover porquanto foram objeto de apreciação com consequente manutenção da glosa pela DRJ/CTA (fls. 303), quando procedeu a análise e batimento entre os valores escriturados no livrocaixa, os valores glosados pela fiscalização e os respectivos documentos juntados na impugnação. A propósito, me convencendo do acerto da decisão, mantenho a glosa no particular. Registrese, por fim que, ao decidir, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os argumentos apresentados pela parte, principalmente quando, no voto proferido, há fundamentos suficientes para legitimar a conclusão por ele adotada. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter a glosa remanescente das despesas declaradas no valor total de R$ 38.198,02, da base de cálculo do imposto de renda do anocalendário 2008, exercício 2009. É como voto (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 337DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720386/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007, 2008
PIS E COFINS. PROCESSOS REFLEXOS DE IRPJ. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA 1a SEÇÃO DE JULGAMENTO.
Nos termos do art. 2º, inciso IV do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, a 1a Seção deste Tribunal detém competência absoluta para o julgamento de processos de reflexos de IRPJ. Incompetência da 3a Seção reconhecida.
Recurso voluntário não conhecido em razão do declínio de competência para a 1a Seção.
Numero da decisão: 3402-004.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção de Julgamento.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2007, 2008 PIS E COFINS. PROCESSOS REFLEXOS DE IRPJ. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA 1a SEÇÃO DE JULGAMENTO. Nos termos do art. 2º, inciso IV do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, a 1a Seção deste Tribunal detém competência absoluta para o julgamento de processos de reflexos de IRPJ. Incompetência da 3a Seção reconhecida. Recurso voluntário não conhecido em razão do declínio de competência para a 1a Seção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção de Julgamento. Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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PROCESSOS REFLEXOS DE IRPJ. COMPETÊNCIA ABSOLUTA DA 1a SEÇÃO DE JULGAMENTO. Nos termos do art. 2º, inciso IV do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, a 1a Seção deste Tribunal detém competência absoluta para o julgamento de processos de reflexos de IRPJ. Incompetência da 3a Seção reconhecida. Recurso voluntário não conhecido em razão do declínio de competência para a 1a Seção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção de Julgamento. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 86 /2 01 1- 55 Fl. 463DF CARF MF 2 1. Por bem retratar o caso em tela emprego parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Ribeirão Preto e retratado no acórdão n. 1437.537 (fls. 407/415), o que passo a fazer nos seguintes termos: Contra a empresa em tela foram realizados lançamentos da Cofins no valor de R$ 1.265.781,55 e PIS no valor de R$ 257.622,81, em decorrência de omissões de receitas e divergências na escrituração contábil. Assim, a autoridade lançadora reconstituiu os períodos mensais a partir de 01/01/2007 a 31/12/2008. Conforme consta do Relatório Fiscal, foram constatadas as seguintes infrações: 1 omissão de receitas, no anocalendário de 2008, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada pelo confronto entre a escrituração contábil e fiscal; 2 omissão de receita, no 2º trimestre do anocalendário 2007, caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa; A fiscalização se iniciou com o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08123002010008164 e a contribuinte foi intimada, relativamente aos anoscalendários de 2007 e 2008, a apresentar os livros Diário, Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Apuração do IPI, Registro de Apuração do ISS, Registro de Apuração do Lucro Real, Demonstrativo com valores da vendas para 50 maiores clientes, comprovantes de receitas, custos e despesas, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras e arquivos digitais (contábeis e notas fiscais). Foram apresentados os livros de Registro de Entradas, de Saídas, de Apuração do ICMS e de IPI, os extratos de contas correntes nos Bancos: Unibanco, Bradesco, Safra, Itaú, Sofisa, Banco Indusval Multistock e Bic Banco, Lalur de 2007 e 2008. Conforme intimação de fl. 49, expedida em 27/04/2011, foi dada oportunidade ao contribuinte de esclarecer e se justificar da não existência de saldo credor de caixa. Contudo, nada foi esclarecido ou justificado. Desta feita, o autuante adotou como tributariamente irregulares os saldos credores existentes no final de cada mês. Assim é que os meses de abril e maio do ano calendário 2007 apresentaram saldos credores de R$ 491.963,80 e R$ 1.456.341,50, respectivamente. Analisando a movimentação financeira do anocalendário de 2007, concluiu o autuante que o valor líquido dos créditos (depois de feitas as conciliações e os expurgos) confrontados com os recursos disponíveis oriundos da escrituração contábil e fiscal demonstram a regularidade da contribuinte quanto a essa matéria. Foram intimados os clientes e fornecedores da contribuinte e, verificando as informações prestadas, o autuante concluiu, por meio de amostragem, que também estava regular a contribuinte. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19311.720386/201155 Acórdão n.º 3402004.874 S3C4T2 Fl. 464 3 Quanto ao anocalendário de 2008, relatou o autuante que, ao confrontar a escrituração fiscal com a escrituração contábil, verificou divergências, estando menor a escrituração contábil que se prestou para a apuração do lucro real anual. Foi elaborada uma planilha demonstradora de todos os meses do referido anocalendário. Foram lavrados os autos de infração para a exigência do PIS, Cofins, com aplicação da multa de 75%. A exigência do IRPJ, CSLL e IPI foi feita em outros processos e a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais se deu em razão da insuficiência de recolhimento do IPI lançado. (...) (grifos nosso). 2. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 233/267, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão atacado, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor na conta Caixa caracteriza omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OMISSÃO DE RECEITAS. As receitas auferidas, registradas nos livros fiscais, não informadas à RFB na apuração dos tributos, devem ser tributadas como receitas omitidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A ocorrência de saldo credor na conta Caixa caracteriza omissão de receitas. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 465DF CARF MF 4 As receitas auferidas, registradas nos livros fiscais, não informadas à RFB na apuração dos tributos, devem ser tributadas como receitas omitidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. DILIGÊNCIA. Incabível a diligência quando presentes nos autos todas as informações necessárias para formação de convicção. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Devidamente intimado acerca do teor da sobredita decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 424/449, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sua impugnação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. Da análise dos autos, é possível perceber que a presente exigência fiscal é reflexa de exigência de IRPJ e CSLL, a qual redundou no processo administrativo autuado sob o n. 19311.720385/201119, até então sob Relatoria do Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, da 1a Turma da 3a Câmara da 1a Seção de julgamento1, conforme se observa do extrato processual abaixo transcrito: 1 Tendo em vista o ftao do Relator não compor mais os quadros deste Tribunal, o caso encontrase pendente de distribuição neste órgão. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19311.720386/201155 Acórdão n.º 3402004.874 S3C4T2 Fl. 465 5 6. Inclusive, a resolução n. 1301000.072, veiculada no processo de competência da 1a Seção, deixa clara a relação existente entre aquele processo e o aqui tratado. É o que se observa dos seguintes trechos: (...). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa acima citada, foram constatadas as seguintes infrações: 1) omissão de receitas, no anocalendário (AC) de 2008, caracterizada pela falta ou insuficiência de contabilização, apurada pelo confronto entre a escrituração contábil e fiscal; 2) omissão de receita, no 2º trimestre do AC de 2007, caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa; 3) falta de pagamento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão ou redução, recalculadas em função das omissões de receitas. (...). Foram lavrados os autos de infração para a exigência do IRPJ e CSLL, com aplicação da multa de 75%. A exigência do PIS, Cofins e IPI foi feita em outros processos e a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais se deu em razão da insuficiência de recolhimento do IPI lançado. (...) (g.n.). 7. Assim, em situações como a aqui tratada, este colegiado tem decido pelo declínio da competência para a 1a Seção, nos termos do art. 2º, inciso IV do Anexo II do Fl. 467DF CARF MF 6 Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria n.º 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016); (grifei) (...). 8. Elucidando o tema, assim manifestouse a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, no âmbito das resoluções 3402000.836 e 3402000.837: Registro que a distribuição de competências efetuada pelo RICARF, via ato administrativo infralegal, deve ser observada da mesma forma que as normas cogentes de qualquer outra superior hierarquia legal (Constituição, leis em sentido estrito, etc), como adverte Cássio Scarpinella Bueno2 ao comentar o artigo 44 do NCPC3. Sendo então as competências das Seções do CARF absolutas, inclusive a competência da 1ª Seção para o julgamento de processos de PIS/COFINS reflexos de IRPJ, não são passíveis de modificação, devendo ser conhecida de ofício eventual incompetência, (mesmo que diminutos os ideais de economia e eficiência processual, como ocorre in casu, por ter sido o processo principal já anteriormente julgado). Assim ensinam os Professores Cândido Rangel Dinamarco, Ada Pellegrini Grinover e Antonio Carlos de Araújo Cintra:4 Nos casos de competência determinada segundo o interesse público (competência de jurisdição, hierárquica, de juízo, interna), em princípio o sistema jurídicoprocessual não tolera modificações nos critérios estabelecidos, e muito menos em virtude da vontade das partes. Tratase aí de competência absoluta, isto é, competência que não pode jamais ser modificada. Iniciado o processo perante o juiz incompetente, este pronunciará a incompetência ainda que nada aleguem as partes (CPC, art 113; CPP art. 109), enviando os autos ao juiz competente (...) Destaco que este Colegiado vem decidindo pelo declínio de competência em casos análogos ao presente (PIS/COFINS reflexos de processo de IRPJ já julgado por turma ordinária da 1ª Seção do CARF), como se verifica dos Acórdãos referentes aos Processos 13116.722753/201266 e 19515.722975/201262. 2 Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Saraiva, 2016, 2ª ed, p. 88. 3 "Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela Constituição Federal, a competência é determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas constituições dos Estados." 4 Teoria Geral do Processo. São Paulo: Malheiros, 2007, 23ª ed, p. 257. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19311.720386/201155 Acórdão n.º 3402004.874 S3C4T2 Fl. 466 7 Afinal, quando o artigo 2º, inciso V do RICARF avoca para a 1ª Seção a competência para o julgamento dos processos reflexos do IRPJ, o faz incondicionalmente, não sendo possível, dessarte, que o intérprete crie condição limitativa (pelo momento processual em que se encontram os processos) dessa competência. Por fim, com relação ao §5º do artigo 6º do RICARF,5 tratase de ordem que tem aplicação em maior escala a processos decorrentes e, no que tange aos processos reflexos, guiando situações em que, por exemplo, o processo reflexo que é de competência da 3ª Seção (PIS/COFINS) depende de solução a ser dada em processo principal pela 2ª Seção (Contribuição Previdenciária), a qual, diferentemente da 1ª Seção, não foi erguida pelo RICARF como competente para o julgamento de processos reflexos daqueles tributos que são da sua competência original. Foi assim decidido por este Colegiado no julgamento do Processo n. 13855.721609/201411. Ademais, vejase que, pretender aplicar o artigo 6º, §5º do RICARF a casos como o presente significaria esvaziar totalmente a avocação de competência da 1ª Seção, posta no artigo 2º, inciso IV de nosso Regimento Interno, pois sempre seria o caso de sobrestamento do julgamento do processo na Câmara aguardando o julgamento do processo principal, e nunca de declínio de competência em favor da 1ª Seção, a qual simplesmente deixaria de existir. Desse modo, voto pelo não conhecimento dos presentes recursos voluntário e de ofício, devendo o processo ser encaminhado à 1ª Seção, competente para o julgamento do Processo principal de n. 10380.729795/201391. (g.n.) 9. Ex positis, ante a incompetência desta Turma para o julgamento do presente processo, proponho seja declinada a competência para a 1ª Seção de Julgamento deste Conselho, a qual também é competente para o julgamento do processo principal n.º 19311.720385/201119. 10. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. 5 "§ 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal." Fl. 469DF CARF MF 8 Fl. 470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16175.000265/2005-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CONTAGEM. PAGAMENTO PARCIAL. FATO GERADOR.
No tocante aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual considera-se ocorrido o fato gerador do imposto sobre a renda em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não há que se falar em decadência no presente caso.
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Consideram-se não impugnadas as matérias que não foram contestadas pelo sujeito passivo em sede recursal, presumindo-se ausência de litígio no tocante aos pontos constantes da decisão da DRJ não recorridos.
GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO.
Não cabe o cancelamento da autuação quando esta se efetivou dentro dos estritos limites legais, tendo o contribuinte exercido seu direito de defesa de forma plena.
Numero da decisão: 2401-006.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CONTAGEM. PAGAMENTO PARCIAL. FATO GERADOR. No tocante aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual considera-se ocorrido o fato gerador do imposto sobre a renda em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não há que se falar em decadência no presente caso. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consideram-se não impugnadas as matérias que não foram contestadas pelo sujeito passivo em sede recursal, presumindo-se ausência de litígio no tocante aos pontos constantes da decisão da DRJ não recorridos. GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO. Não cabe o cancelamento da autuação quando esta se efetivou dentro dos estritos limites legais, tendo o contribuinte exercido seu direito de defesa de forma plena.
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RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CONTAGEM. PAGAMENTO PARCIAL. FATO GERADOR. No tocante aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual considerase ocorrido o fato gerador do imposto sobre a renda em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não há que se falar em decadência no presente caso. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consideramse não impugnadas as matérias que não foram contestadas pelo sujeito passivo em sede recursal, presumindose ausência de litígio no tocante aos pontos constantes da decisão da DRJ não recorridos. GANHO DE CAPITAL. LANÇAMENTO. Não cabe o cancelamento da autuação quando esta se efetivou dentro dos estritos limites legais, tendo o contribuinte exercido seu direito de defesa de forma plena. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 17 5. 00 02 65 /2 00 5- 69 Fl. 322DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II – SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1728.903 (fls. 253/275): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROVA DE ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. ESCRITURA PUBLICA. A escritura pública faz prova não só da formação do ato, mas, também, dos fatos que o tabelião declara que ocorreram em sua presença, sobrepondose a qualquer outro, salvo se comprovado, de maneira inequívoca, que os dados constantes na escritura não correspondam à efetiva operação. GLOSA DE DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Mantidas as glosas de despesas médicas, despesas com instrução e previdência privada, visto que o direito às suas deduções condicionase comprovação de sua existência e dos respectivos pagamentos. Lançamento Procedente O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 162/170), lavrado contra o Contribuinte em 01/11/2005, relativo aos anoscalendário 2000 e 2001, 2003, 2004 e 2005, decorrente da variação patrimonial a descoberto, não recolhimento de imposto sobre ganho de capital e deduções indevidas de despesas médicas, instrução e previdência privada, no qual é exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 151.310,42, Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 113.482,80 e Juros de Mora, calculados até Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16175.000265/200569 Acórdão n.º 2401006.166 S2C4T1 Fl. 3 3 10/2005, no valor de R$ 49.273,01, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 314.066,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 192/792): 1. GANHO DE CAPITAL: a) Venda de terreno na zona rural de Chapada Grande: Como o imóvel estava declarado por R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), situação em 31 de dezembro, ano de 1999, e o preço de venda escriturado é de R$ 74.000,00 (setenta e quatro mil reais), teria havido um ganho de capital no valor de R$ 29.000,00 (vinte e nove mil reais). Intimado, contribuinte não apresentou os DARFs de recolhimento de imposto sobre ganhos de capital. Assim, estamos lavrando auto de infração pelo não recolhimento do imposto sobre ganhos de capital no valor de R$ 29.585,75 (vinte e nove mil, quinhentos e oitenta e cinco reais e setenta e cinco centavos) em maio de 2001. b) Venda de imóvel na R. Carlos Bandeira Lins, 498 Guarujá: Em 07/07/2005 a empresa H.E. Empreendimentos e Participações Ltda forneceu a cópia da Escritura de ReRatificação de 23/12/2003, registrada no Livro 2587, Folhas 277/280, do 4° Tabelião de Notas da Comarca da Capital, Estado de São Paulo, que na alínea "b" declara que "o preço certo e ajustado para aquela promessa de venda foi de R$ 1.050.000,00 (um milhão e cinqüenta mil reais), para ser pago da seguinte forma: R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), em moeda corrente nacional e os restantes R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais), representados por 17 (dezessete) notas promissórias, que os vendedores receberam a título prósoluto, sendo a primeira no valor de R$ 88.000,00 (oitenta e oito mil reais) e as 16 (dezesseis) restantes no valor de R$ 44.500,00 (quarenta e quatro mil e quinhentos reais) cada uma, vencendose a primeira delas em 15 de fevereiro de 2004 e as demais em igual dia dos meses seguintes". Dessa forma, considerandose o quanto exposto acima, fica evidenciado que o contribuinte teve um ganho de capital no valor de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais), sujeito à tributação. Intimado o contribuinte não apresentou os DARFs de recolhimento de imposto sobre ganhos de capital. Com a extensão do período concedida, estamos lavrando auto de infração pelo não recolhimento imposto sobre ganhos de capital no valor de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais). 2. VARIAÇÃO PATRIMONIAL: Considerandose que o contribuinte não se manifestou apesar de regularmente intimado; considerandose que foi verificada uma variação patrimonial a descoberto no mês de maio de 2000 e no mês de janeiro de 2001, estamos lavrando auto de infração nos valores de R$ 17.335,97 (dezessete mil, trezentos e trinta Fl. 324DF CARF MF 4 e cinco reais e noventa e nove centavos) e R$ 67.674,06 (sessenta e sete mil e seiscentos e setenta e quatro reais e seis centavos), nos períodos de 2000 e 2001, respectivamente. 3. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MEDICAS: Na linha 3 do quadro 6 consta que o contribuinte efetuou pagamentos no valor total de R$ 2.102,04 (dois mil, cento e dois reais e quatro centavos) para a Amil Assistência Médica Internacional Ltda, CNPJ 29.309.127/0073 43. Como o contribuinte utilizouse da dedução com despesas médicas no valor indicado, porém, não apresentou a documentação hábil solicitada através de Termos de Intimação, estamos glosando a dedução no valor de R$ 2.102,04 (dois mil, cento e dois reais e quatro centavos). 4. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO: Nas linhas 1 e 2 do quadro 6 da DIRPF constam os pagamentos nos valores de R$ 3.654,00 (três mil seiscentos e cinqüenta e quatro reais) para o colégio Morumbi, CNPJ 56.578.719/000320, e R$ 2.145,00 (dois mil cento e quarenta e cinco reais) para Caramelo Escola de Educação Infantil e Sociedade Educacional Pedagógica Ltda, CNPJ 51.243.061/000110, respectivamente. Como o contribuinte utilizou se da dedução com despesas de instrução no valor de R$ 5.100,00 (cinco mil e cem reais), entretanto, não apresentou a documentação hábil solicitada através de Termos de Intimação, estamos glosando este valor. 5. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI: Na linha 4 do quadro 6 está declarado que o contribuinte efetuou pagamentos no valor de R$ 5.506,34 (cinco mil, quinhentos e seis reais e trinta e quatro centavos) para o Bradesco Vida e Previdência S.A., CNPJ 51.990.695/000137. Como o contribuinte utilizouse da dedução no valor indicado, entretanto, não apresentou a documentação hábil solicitada através de Termos de Intimação, estamos glosando a dedução com previdência privada no valor de R$ R$ 5.506,34 (cinco mil, quinhentos e seis reais e trinta e quatro centavos). O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração pessoalmente em 10/11/2005 (fl. 200) e, em 13/12/2005, apresentou sua Impugnação (de maneira tempestiva conforme doc. de fls. 251) de fls. 217/225, instruída com os documentos de fls. 227 a 249. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1728.903, em 25/11/2008 a 8ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio (AR fl. 295), em 30/07/2009 e, inconformado com a decisão prolatada, em 26/08/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 299/307, por meio da qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta que: 1. Não consta dos autos a evolução patrimonial do Contribuinte; Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16175.000265/200569 Acórdão n.º 2401006.166 S2C4T1 Fl. 4 5 2. Que foram alcançados pela decadência os saldos iniciais de 2000 posto que decorrentes dos saldos finais do ano de 1999; 3. No tocante à compra e venda do imóvel situado em Guarujá afirma que não tinha ciência da ReRatificação do negócio, posto que o mesmo se deu mediante procuração e que de fato vendeu e recebeu pelo imóvel apenas o valor de R$250.000,00. Alega ainda que por haver o Fisco deixado de consignar em seu relatório a escritura de venda e compra datada 22/04/2003 haveria a nulidade de todos os demais argumentos em desfavor do Recorrente. Finaliza seu RV requerendo que o Auto de Infração seja anulado em decorrência da não intimação do Procurador que realizou o negócio de compra e venda do imóvel para que prestasse os esclarecimentos devidos. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Decadência O contribuinte reitera ainda em sede recursal terse operado a decadência, tornandose, assim, impossível a constituição do crédito tributário em questão, uma vez que o lançamento do credito tributário, por meio do Auto de Infração, ocorreu apenas em 01 de novembro de 2005, entretanto afirma que o fisco utilizouse de valores apurados em 1999 para o cálculo do da variação patrimonial, em desobediência, portanto, ao art. 150, § 4º, do CTN. Inicialmente é de bom alvitre esclarecer que nos lançamentos de tributos submetidos ao regime de homologação como é o caso do IRPF para fins de cômputo do prazo decadencial é aplicado o que reza o art. 150, § 4º, do CTN o qual preceitua que: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 326DF CARF MF 6 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, em se tratando de hipótese de ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo ou mesmo da inexistência de pagamento parcial incidirá a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. Acerca disto é explícita a Súmula CARF nº 72 que reza o que se segue: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ainda a despeito deste assunto, por meio de relatoria do Ministro Luiz Fux, foi julgado em sede de Recurso Especial de número (REsp) nº 973.733/SC, o qual submeteuse em 12 de agosto de 2009 à sistemática de julgamento dos recursos repetitivos. Restou assim decidido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Constatase assim que o Tribunal Superior utilizou como critério para aplicar o artigo 173, inciso I, do CTN, a ausência de qualquer pagamento do tributo. A contrario sensu, depreendese que quando houver pagamento do tributo, ainda que parcial, devese aplicar a já citada regra decadencial do artigo 150, §4º do CTN. Confirase entendimento de um dos acórdãos paradigmáticos do STJ (AgRg no REsp 1.277.854): “deve ser aplicado o entendimento consagrado pela Primeira Seção, em recurso especial representativo da controvérsia, para a contagem do prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16175.000265/200569 Acórdão n.º 2401006.166 S2C4T1 Fl. 5 7 por homologação. O referido precedente considera apenas a existência, ou não, de pagamento antecipado, pois é esse o ato que está sujeito à homologação pela Fazenda Pública, nos termos do art. 150 e parágrafos do CTN. Assim, havendo pagamento, ainda que não seja integral, estará ele sujeito à homologação, daí porque deve ser aplicado para o lançamento suplementar o prazo previsto no §4º desse artigo (de cinco anos a contar do fato gerador). Todavia, não havendo pagamento algum, não há o que homologar, motivo porque deverá ser adotado o prazo previsto no art. 173, I do CTN” (STJ AgRg no REsp 1.277.854 SC 2011/01233190, Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 25/09/2012, T2 – SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/10/2012) (Grifei). Ainda no tocante ao pagamento parcial capaz de determinar a incidência da disciplina do §4º do artigo 150 do CTN acerca da contagem do prazo de decadência foi editada por este Conselho de Contribuintes a Súmula que se segue: Súmula CARF nº 123: Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Dito isto, passase à análise do caso em tela. Como se verifica da DIRPF apresentada pelo contribuinte, há de se concluir que, por ter procedido ao pagamento, ainda que parcial do tributo devido, incide sobre o caso a contagem de prazo prevista no §4º do artigo 150 do CTN. Entretanto, mesmo levandose em consideração referida contagem forçoso reconhecer a inocorrência da decadência apontada. Isto porque, de acordo com a legislação supracitada, o marco inicial para contagem do prazo decadencial seria a data de ocorrência do fato gerador do tributo, no caso em tela, portanto, em 31 de dezembro de 2000, não havendo, desta feita, transcorrido o lapso temporal de 5 anos entre o fato gerador e a lavratura do auto de infração. Ademais, há que se esclarecer que conforme se vislumbra do Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal, constantes das fls. 156/158, diferente do que alega o Recorrente, não há qualquer menção a fatos ocorridos no ano de 1999. Improcede, pois, o argumento trazido pelo Recorrente. Do mérito Inicialmente, cumpre esclarecer que em sede recursal o contribuinte limitase unicamente a contestar o ganho de capital decorrente da alienação de um imóvel situado em Guarujá. Não apresentou, portanto, qualquer inconformidade com o que fora julgado pela DRJ no tocante ao acréscimo patrimonial a descoberto e as glosas por deduções indevidas Fl. 328DF CARF MF 8 Configurase, portanto, matéria não impugnada sob a qual se operou a preclusão, razão pela qual acerca das matérias referidas não tratará o presente julgado. Do ganho de capital Desta feita, ante o que fora anteriormente explicitado, o Recorrente insurge se unicamente contra a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física sobre o ganho de capital ocorrido em operação de venda de imóvel situado em Guarujá. Segundo o contribuinte referido ganho não existiu, posto que alienou o imóvel em questão pelo exato preço declarado em sua DIRPF. Sobre o assunto esclarece que conferiu ao sr. Liu Kuo An procuração pública para realizar a transação de venda e compra do imóvel, a qual fora finalizada e consubstanciada na Escritura Pública (fls. 84/89) datada de 22/04/2003 em que consta o valor da venda do imóvel como sendo R$250.000,00, nos exatos termos declarados pelo contribuinte. Alega ainda que até o momento da fiscalização desconhecia a Escritura Pública de ReRatificação do negócio jurídico realizado (fls.96/98), a qual fora lavrada em extrapolação aos poderes conferidos ao sr. Liu Kuo An, por meio da procuração pública que lhe havia sido outorgada pelo Recorrente. Atesta assim que o constante da referida escritura não corresponde à realidade e que jamais recebeu a diferença dos valores ali constantes. Argumenta ainda que o Fisco não provou o efetivo recebimento dos valores, bem como desconsiderou a Escritura Pública datada de 22/04/2003, razões pelas quais não pode prosperar o lançamento consubstanciado auto de infração ora combatido. Acerca da tributação do ganho de capital cumpre demonstrar o que preceitua a legislação regulamentadora da matéria para em seguida analisarse o cerne da questão. Eis o que dispõem os arts. 3º, §2º, Lei n°7.713/88 e 21 da Lei nº 8.981/de 1995, in verbis: Lei nº 7.713/88 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90). (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. Lei nº 8.981/de 1995 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16175.000265/200569 Acórdão n.º 2401006.166 S2C4T1 Fl. 6 9 natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Vislumbrase, desta feita, que a legislação preceitua que o ganho de capital proveniente da alienação de bens e direitos independente da natureza adstringese à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento, considerandose aquele como a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. No caso presente, por se tratar de venda de bem imóvel, temse como meio de prova preferencial tanto da transação como do valor da mesma a escritura pública lavrada em cartório competente. Acerca do assunto cumpre trazer o que dispõe o Código Civil em seu arts. 108 e 1.245 e ss. que tratam da aquisição da propriedade de bem imóvel: Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. § 2o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boafé ou do título do terceiro adquirente. (Grifei) Ademais, há ainda que se colacionar o que também dispõe o Código Civil acerca do valor probante da escritura pública: Art. 215. A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. Fl. 330DF CARF MF 10 Percebese, portanto, que a escritura pública goza de presunção de que o ali fora narrado seja idôneo para os fins legais. Revestese, portanto, do atributo de presunção de veracidade competindo ao interessado demonstrar de maneira cabal que o ali disposto não corresponde à realidade. No presente caso, limitase o Recorrente a repetir o que já alegara em sua impugnação, que a Escritura de ReRatificação, a qual repisese é dotada de fé púbica, não corresponde à realidade dos fatos e que a procuração pública que concedeu ao sr. Liu Kuo An, teve seus limites extrapolados. Entretanto, em momento algum traz qualquer prova de suas alegações. Limitase a reverberar que veio a tomar conhecimento da reratificação apenas no momento da fiscalização, mas até o momento, passados mais de 14 anos de sua ciência, não apresentou qualquer indício de que sequer buscou a invalidação da Escritura que reputa falsa ou mesmo que a procuração pública concedida fora utilizada de maneira não autorizada. Meras afirmações desabastecidas de documentação hábil e idônea, não tem a capacidade de transmudar a exigência fiscal e não passam de argumentos vazios. É dever do Recorrente comprovar o alegado por meio de documentos condizentes, o que não o fez nem durante o procedimento fiscal, nem em sede de impugnação e muito menos em fase recursal. Dessa forma, resta incólume o lançamento e a decisão recorrida. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares alegadas e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.001574/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.
O lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 104 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
DCTF. SALDOS A PAGAR NULOS. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INEXISTENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABÍVEL.
Nem todos os valores informados em DCTF constituem-se em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio.
Entretanto, após o encerramento do ano-calendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas mensais não recolhidas. (Súmula CARF nº 82 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. EXIGÊNCIA DO TRIBUTO.
Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 52), exceto débitos de estimativa mensal após o encerramento do ano-calendário (Súmula CARF nº 82 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
MULTA ISOLADA. DÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL DO IRPJ.
Cabível a exigência de multa isolada por falta de pagamento da estimativa mensal do imposto.
MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR.
Cabível a redução da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento) por falta de pagamento de imposto estimativa mensal (Lei nº 11.488, de 2007, art. 14, que alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430, de 1996). Aplicação do princípio da retroatividade benigna, em cumprimento ao art. 106, inciso II, "c" do CTN.
Numero da decisão: 1301-003.807
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as multas isoladas de 75% para 50%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. O lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 104 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). DCTF. SALDOS A PAGAR NULOS. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INEXISTENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABÍVEL. Nem todos os valores informados em DCTF constituem-se em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio. Entretanto, após o encerramento do ano-calendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas mensais não recolhidas. (Súmula CARF nº 82 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. EXIGÊNCIA DO TRIBUTO. Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 52), exceto débitos de estimativa mensal após o encerramento do ano-calendário (Súmula CARF nº 82 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). MULTA ISOLADA. DÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL DO IRPJ. Cabível a exigência de multa isolada por falta de pagamento da estimativa mensal do imposto. MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR. Cabível a redução da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento) por falta de pagamento de imposto estimativa mensal (Lei nº 11.488, de 2007, art. 14, que alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430, de 1996). Aplicação do princípio da retroatividade benigna, em cumprimento ao art. 106, inciso II, "c" do CTN.
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PRELIMINAR REJEITADA. O lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 104 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). DCTF. SALDOS A PAGAR NULOS. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INEXISTENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABÍVEL. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio. Entretanto, após o encerramento do anocalendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas mensais não recolhidas. (Súmula CARF nº 82 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. EXIGÊNCIA DO TRIBUTO. Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 52), exceto débitos de estimativa mensal após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 15 74 /2 00 5- 18 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 417 2 encerramento do anocalendário (Súmula CARF nº 82 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). MULTA ISOLADA. DÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL DO IRPJ. Cabível a exigência de multa isolada por falta de pagamento da estimativa mensal do imposto. MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR. Cabível a redução da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento) por falta de pagamento de imposto estimativa mensal (Lei nº 11.488, de 2007, art. 14, que alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430, de 1996). Aplicação do princípio da retroatividade benigna, em cumprimento ao art. 106, inciso II, "c" do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as multas isoladas de 75% para 50%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 418 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 354/385) em face do Acórdão da 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 308/342) que julgou procedente em parte o lançamento fiscal: a) ao manter o Auto de Infração do IRPJ Multas Isoladas, nos valores de R$ 60.490,93 e R$ 133.175,82, relativas a fatos geradores ocorridos em 31/07/2001 e 31/03/2002, respectivamente; b) ao afastar a exigência Auto de Infração da CSLL Multa Isolada do PA 31/05/2000, por acolher a decadência. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 12/12/2006, a Fiscalização da DRF/Volta Redonda lavrou Auto de Infração do IRPJ Multa Isolada e Auto de Infração da CSLL Multa Isolada (efls. 105/125), quanto aos seguintes períodos de apuração: Auto de Infração do IRPJ Multa Isolada: (...) 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Conforme despacho decisório prolatado pela SAORT/DRF/VRA, fls. 02 a 14 do presente processo, constatouse NÃO haver saldo suficiente de créditos para compensar as estimativas não recolhidas o IRPJ, relativas aos P.A's 07/2001 e 03/2002. Portanto, de acordo com o inciso IV, do parágrafo 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430/96, cabe o lançamento de multa isolada de oficio, que foi calculada conforme abaixo: P.A DÉBITO REMANESCENTE % DA MULTA VALOR DA MULTA 07/2001 R$ 80.654,58 75% R$ 60.490,93 03/2002 R$ 177.567,77 75% R$ 133.175,82 (...) Data Valor Multa Isolada 31/07/2001 R$ 60.490,93 31/03/2002 R$ 133.175,82 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 419 4 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 222, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99 Art. 43, 44, parágrafo 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. (...) Auto de Infração da CSLL Multa Isolada: (...) 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Conforme despacho decisório prolatado pela SAORT/DRF/VRA, fls. 02 a 14 do presente processo, constatouse não haver saldo suficiente de créditos para compensar a estimativa não recolhida da CSLL, relativa ao P.A 05/2000. Portanto, de acordo com o inciso IV, do parágrafo 1 ° , do art. 44, da Lei n° 9.430/96, cabe o lançamento de multa isolada de oficio, que foi calculada conforme abaixo: P.A DEBITO REMANESCENTE % DA MULTA VALOR DA MULTA 05/2000 R$ 18.762,61 75% R$ 14.071,95 (...) Data Valor Multa Isolada 31/05/2000 R$ 14.071,95 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. (...) que integra o lançamento fiscal o Termo de Verificação Fiscal (efls. 103/104); que ciente do lançamento fiscal em 12/12/2006, por intermédio de seu Procurador cuja assinatura foi aposta no próprio auto de infração, o sujeito passivo apresentou Impugnação em 11/01/2007 (efls. 132/148) e (efls. 172/190), cujas razões, em síntese, estão assim resumidas no relatório da decisão recorrida e que transcrevo, in verbis: (...) Cientificada do lançamento em 12/12/2006 (fls. 53 e 59), a interessada apresentou em 11/01/2007, na pessoa de seu administrador (fls. 123/124), impugnações de fls. 66/74 (CSLL) e Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 420 5 fls. 86/95 (IRPJ), em que alega que os autos de infração têm sua base na suposta falta de recolhimento de parcela de estimativa de CSLL de R$ 18.762,61 (05/2000) e de IRPJ de 80.654,58 e R$ 177.567,77 (07/2001 e 03/2002), como detalhado a seguir. da CSLL por estimativa de 05/2000 (parcela não compensada de R$ 18.762,61): que indicou incorretamente na DCTF do 1° trim/2000 que o valor considerado para compensar a CSLL de 02/2000, de R$ 105.686,74, provinha do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1999. Na verdade, a compensação se deu da seguinte forma: para quitar a CSLL de 02/2000, foi utilizada parte do saldo negativo do anocalendário de 1999, de R$ 19.968,99, e parte do saldo negativo do anocalendário de 2000, de R$ 85.717,75. Tal situação já foi objeto de retificação de DCTF (anexos 3 e 4 — fls. 76,77,78,79); que, assim, o saldo devedor originado do anocalendário de 1999 foi suficiente para as compensações relativas ao ano calendário de 2000, não havendo, portanto, insuficiência de recolhimento da estimativa de CSLL de 05/2000, razão pela qual não procede a multa isolada (de R$ 14.071,95); faz histórico do instituto da compensação e diz que o erro de fato cometido no preenchimento da DCTF já teria sido sanado pela retificação da DCTF; que, ainda que não houvesse suficiência de créditos para a compensação da estimativa de CSLL de 05/2000, não caberia a multa isolada em razão de o saldo a pagar da CSLL ter sido negativo no anocalendário de 2000; transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes; do IRPJ por estimativa 07/2001 (parcela não compensada de R$ 80.654,58): o saldo negativo do IRPJ a pagar de R$ 1.947.862,25, apurado em 31/12/2000, foi suficiente para todas as compensações do anocalendário de 2001, inclusive a de 07/2001, conforme demonstrativo de fls. 88 e informado nas DCTFs apresentadas (anexos 3 a 12 — fls. 99/108), remanescendo, ainda, saldo para utilização em 2000; por esse motivo, não há falta de recolhimento de estimativa de 07/2001 a ensejar a multa isolada (de R$ 60.490,93); do IRPJ por estimativa 03/2002 (parcela não compensada de R$ 177.567,77): para compensação da estimativa de 03/2002, foram utilizados os saldos negativos do IRPJ a pagar do anocalendário de 2000 e de 2001, que foram suficientes para compensar o IRPJ por Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 421 6 estimativa dos meses de 01, 02 e 03/2002, razão pela qual não procede a multa isolada (de R$ 133.175,82; reitera histórico do instituto da compensação, discorre sobre erro de fato e transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e afirma não ser cabível a exigência de multa isolada na hipótese de verificação de saldo negativo do período; que, ainda que não houvesse suficiência de créditos para a compensação das estimativas de IRPJ de 07/2001 e 03/2002, não caberia a multa isolada em razão de o saldo a pagar do IRPJ ter sido negativo nos anoscalendário de 2001 e 2002; transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Conclui a interessada, em ambas impugnações, ser indevida a exigência da multa isolada, pelo que requer o cancelamento das exigências. (...) Na sessão de 18/09/2008, a 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou a Impugnação parcialmente procedente ao afastar a exigência do Auto de Infração da CSLL Multa Isolada (decadência) e manter a exigência do Auto de Infração do IRPJ Multa Isolada, conforme Acórdão (efls. 308/346), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para que o Fisco lance a multa exigida isoladamente quando a pessoa jurídica não antecipa o pagamento do IRPJ ou da CSLL estimados é de cinco anos contados na forma do art. 173, I, do CTN. MULTA ISOLADA. DÉBITO DE ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO INSUFICIENTE. Os débitos de estimativa de IRPJ e CSLL, declarados e compensados em DCTF, cuja compensação foi indeferida pela autoridade fiscal, estão sujeitos multa isolada, implicando isso a desconsideração dessa estimativa não antecipada na apuração do IRPJ e da CSLL devidos ao final do anocalendário. Lançamento Procedente em Parte (...) Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo, acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento desta Delegacia, julgar procedente em parte o lançamento, sendo que a votação das matérias ficou assim configurada: Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 422 7 i) quanto à decadência, a turma, por maioria, vencida a relatora, acompanhou os termos da declaração de voto do julgador Silvio de Oliveira Costa Júnior, declarando decadente apenas o fato gerador ocorrido em 31/05/2000 (estimativa de CSLL); e ii) no mérito, a turma, por maioria qualificada, vencidos a relatora original e o julgador Silvio de Oliveira Costa Júnior, que declarou o voto, acompanhou o voto do julgador Luis Mario Monteiro Teixeira, o qual foi designado a elaborar o voto vencedor. Dessa forma, foi decidido: a) cancelar a multa isolada no valor de R$ 14.071,95, relativa ao fato gerador ocorrido em 31/05/2000 (estimativa de CSLL); b) manter como lançadas as multas isoladas nos valores de R$ 60.490,93 e R$ 133.175,82, relativas a fatos geradores ocorridos em 31/07/2001 e 31/03/2002, respectivamente (estimativa de IRPJ). (...) Ciente desse decisum em 21/11/2008 (sextafeira) por via postal AR (efl. 352), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 22/12/2008 segundafeira (efls. 354/385), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) decadência: que as multas isoladas exigidas estão intrinsecamente vinculadas ao IRPJ e à CSLL, cujos tributos estão sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150 do CTN, e como tal incide a contagem de prazo decadencial a partir do fato gerador (CTN, art. 150, §4°); que, portanto, no tange à exigência da multa isolada do IRPJ, com período de apuração 07/2001, cuja ciência do lançamento deuse em 12/12/2006, restou configurada a decadência pelo art. 150, §4°, do CTN. b) disponibilidade dos créditos do IRPJ para quitação dos débitos de estimativa: a) da disponibilidade de créditos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (existência de saldo negativo do imposto) para as compensações: (i) débito estimativa mensal do imposto da competência PA 07/2001: existência de saldo negativo do IRPJ AC 2001, anocalendário 2000; (ii) débito da estimativa mensal do imposto da competência PA 03/2002: existência de saldo negativo do IRPJ AC 2002, anocalendário 2001. c) não cabimento do lançamento das multas isoladas: Ademais, transcrevo excertos constante das razões do recurso: Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 423 8 (...) 4.2. Do não cabimento do lançamento da multa isolada: Inicialmente cumpre esclarecer que tais estimativas foram formadas e compensadas sob a égide da redação original da Lei 9.430/96, da IN/SRF n° 21/97 e IN/SRF n° 16/2000, que determinava o encaminhamento dos débitos resultantes de compensações indevidas à Divida Ativa e não à incidência de multa isolada. Mesmo assim, resta evidenciado que o Auto de Infração em comento não merece prosperar, uma vez que a multa, objeto do mesmo não ocorreu, ou seja, a Contribuição Social e o Imposto de Renda realmente devidos na apuração anual, conforme se constata na DIPJ respectivas, já acostada aos autos, revelouse inferior aos valores já quitados (...). (...) O lançamento de Oficio não pode subsistir à vista de ter (...) recolhimentos a titulo de estimativa superiores aos saldos de CSLL e IRPJ, os quais superam largamente o saldo a pagar, apurado na DIPJ. 4.3. Do valor da multa: No que tange ao valor da multa aplicada a Recorrente a mesma foi reduzida de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento), em razão da nova redação da Lei 9.430/96, com redação nova dada pela Lei 11.488/2007, sendo o lançamento passível de reforma em razão da aplicação retroativa da Lei mais benéfica ao contribuinte, consoante determinação do art. 106, II "c" do Código Tributário Nacional — CTN. 4.4. Estimativas: Mister observar que as estimativas que deram ensejo as multas isoladas, ora exigidas, não foram objeto do processo 13727.000093/200380, (...). Assim, por afronta ao principio constitucional do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório o ato da autoridade impetrada mostrase ilegítimo, razão pela qual merece reparos. 4.5. Homologação das Compensações: Não podem ser consideradas como não homologadas, muito menos não compensadas, as estimativas compensadas em DCTF nos meses 05/2000, 07/2001 e 03/2002 uma vez que as mesmas foram realizadas sob à égide da redação original do art. 74 da Lei 9.430/96 (...). A solicitação de homologação passou a vigorar a partir de 01/10/2002, através do art. 74 da Lei 9.430/96 dada pelo art. 49 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 424 9 c/c art. 63, I da MP n° 66/2002, não havendo razões para prosperar a multa aplicada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL de 05/2000, 07/2001 e 03/2002, (...). É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 425 10 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, o Fisco lançou: a) CSLL Multa Isolada de 75%: PA 05/2000, valor da estimativa mensal da CSLL não quitada R$ 18.762,61. Valor da multa isolada R$ 14.071,95; b) IRPJ Multa Isolada de 75%: PA 07/2001, valor da estimativa mensal do IRPJ não quitada R$ 80.654,58. Valor da multa isolada R$ 60.490,93; PA 03/2002, valor da estimativa mensal do IRPJ não paga R$ 177.567,77. Valor da multa isolada R$ 133.175,82. Obs: (i) Antes da imposição das multas isoladas, esses débitos de estimativas mensais falta de recolhimento de estimativas mensais da CSLL (PA 05/2000), do IRPJ (PA 07/2001 e PA 03/2002) foram objeto de compensações diretas na escrita contábil/fiscal do sujeito passivo (sem processo), cujas compensações foram informadas nas respectivas DCTF. Entretanto, as compensações desses períodos não foram aceitas pela RFB, por inexistência do crédito utilizado (insuficiência ou inexistência dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL de anos anteriores). (ii) Após o encerramento do respectivo anocalendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas mensais não recolhidas (Súmula CARF nº 82 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). (iii) Por isso, os autos de infração, no caso, tratam apenas da exigência das multas isoladas. A decisão recorrida: a) afastou a exigência, exonerou o valor da Multa Isolada da CSLL do PA 05/2000, por acolher a decadência pelo art. 173,I, do CTN; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 426 11 b) manteve a exigência das Multas Isoladas do IRPJ dos PA 07/2001 e 03/2002. O sujeito passivo, nas razões do recurso, em suma: suscitou, novamente, preliminar de decadência; no mérito, argumentou: a) da disponibilidade de créditos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (existência ou suficiência de saldo negativo do imposto) para as compensações: (i) débito estimativa mensal do imposto da competência PA 07/2001: existência de saldo negativo do IRPJ AC 2001, anocalendário 2000; (ii) débito da estimativa mensal do imposto da competência PA 03/2002: existência de saldo negativo do IRPJ AC 2002, anocalendário 2001. b) do não cabimento do lançamento da multa isolada: que tais estimativas foram formadas e compensadas sob a égide da redação original da Lei 9.430/96, da IN/SRF n° 21/97 e IN/SRF n° 16/2000, que determinava o encaminhamento dos débitos resultantes de compensações indevidas à Divida Ativa e não à incidência de multa isolada; c) do valor da multa: que a multa aplicada deve ser reduzida de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento), em razão da nova redação da Lei 9.430/96, com redação nova dada pela Lei 11.488/2007, sendo o lançamento passível de reforma em razão da aplicação retroativa da Lei mais benéfica ao contribuinte, consoante determinação do art. 106, II "c" do Código Tributário Nacional — CTN; d) que as estimativas (débitos), que deram ensejo às multas isoladas ora exigidas, não foram objeto das compensações do Processo nº 13727.000093/200380; que a glosa da compensação direta e informada na DCTF foi efetuada, sem antes, a fiscalização intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos, o que lhe teria causado prejuízo. Violação da ampla defesa e do contraditório. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 427 12 Identificados os pontos controvertidos passo a enfrentálos. DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. A recorrente argumentou: que o termo inicial do prazo decadencial para lançamento da multa isolada por falta de pagamento de estimativa mensal de tributos sujeitos a lançamento por homologação deveria ser o art. 150,§ 4º, do CTN; que tomou ciência do lançamento fiscal em 12/12/2006; que, assim, a multa isolada do IRPJ do PA 07/2001 estaria decaída com fulcro no art. 150, §4º, do CTN. Não procede a irresignação da recorrente. Sem delongas, a questão do dies a quo, no caso de imposição de multa isolada, é matéria pacífica neste CARF, sendo inclusive matéria sumulada, conforme Súmula CARF nº 104, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 104 Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos é 01/01/2002. Logo, o Fisco tinha prazo para lançar a multa isolada até 31/12/2006. A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 12/12/2006, antes do prazo fatal. Portanto, rejeito a preliminar de decadência. COMPENSAÇÕES DIRETAS NA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL, SEM PROCESSO, E INFORMADAS NAS DCTF. CRÉDITO UTILIZADO INSUFICIENTE OU INEXISTENTE. Em 14/05/2003, a contribuinte utilizou saldos negativos do IRPJ e da CSLL dos anocalendário 2002, exercício 2003, em compensações de débitos próprios, conforme diversas DCOMP objeto do Processo nº 13727.000093/200380. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 428 13 O Fisco analisou a formação do crédito pleiteado naquele processo citado a partir do anocalendário 1999, quanto ao IRPJ. Nessa análise, restou apurado, consignado pelo Fisco, que o sujeito passivo, também, fizera várias compensações diretas na escrita contábil/fiscal, sem processo, informadas nas respectivas DCTF, nesses anoscalendário analisados, tendo utilizado saldo negativo do imposto. Em relação aos débitos de estimativa mensal do IRPJ PA 07/2001 e PA 03/2002, débitos objeto de compensação direta na escrita contábil/fiscal, sem processo, com informação em DCTF respectiva, restou apurado débito remanescente: a) PA 07/2001 = R$ 80.654,58 (insuficiência de saldo negativo do imposto do anocalendário 2000) b) PA 03/2002 = R$ 177.567,77 (insuficiência de saldo negativo do imposto do anocalendário 2001). Nesse sentido, consta dos presentes autos cópia do Despacho Decisório da DRF/Volta Redonda, de 07/12/2005, proferido nos autos do Processo nº 13727.000093/200380 (efls. 05/29), in verbis: (...) O interessado pleiteou às fls. 01 e 02, em 14/05/2003, a utilização de créditos decorrentes de saldos negativos de R$ 1.387.459,24 de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e de R$ 1.185.445,11 de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, ambos do exercício de 2003, anocalendário de 2002 para compensação com os seguintes débitos (...). (...) Constam também compensações declaradas através de PERDCOMP's eletrônicos como vinculadas a este processo, conforme fls. 331 a 346, as quais são as seguintes, com os valores em reais, todas elas informadas como compensadas contra o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro do exercício de 2003: (...) Para podermos examinar os saldos negativos pleiteados, fazse necessário remontar a exercício anteriores. 1 Imposto de Renda de Pessoa Jurídica 1.1 Exercício de 2000, anocalendário de 1999: (...) Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 429 14 1.2 Exercício de 2001, anocalendário de 2000: (...) Examinados os valores compensados e os pagos, verificase que o valor correto da linha 16 (Imposto de Renda Pago Mensal por Estimativa) é R$ 1.879.224,80 e que, portanto, o valor correto da linha 18 (Imposto de Renda a Pagar) é saldo negativo de R$ 1.837.620,03. (AC 2000) Tal saldo negativo foi utilizado em compensação sem processo, conforme fls. 250 a 252, 256 a 258 e 263, dos seguintes débitos de Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com os valores em reais: * O valor informado como compensado na DCTF, a fls. 263, é R$ 321.941,43 (fls. 141), mas, como se pode observar, o saldo negativo não foi suficiente para tal. Obs: Débito remanescente estimativa mensal do IRPJ PA 07/2001 = R$ 80.654,58 = (R$ 321.941,43 R$ 241.286,85). (...) 1.3 Exercício de 2002, anocalendário de 2001: (...) Inexistindo valores pagos e examinados os valores compensados, verificase que o valor correto da linha 16 (Imposto de Renda Pago Mensal por Estimativa) é R$ 1.919.817,72 e que, portanto, o valor correto da linha 18 (Imposto de Renda a Pagar) é saldo negativo de R$ 647.058,15. Tal saldo negativo foi utilizado totalmente em compensação sem processo, conforme fls. 289 a 291, dos seguintes débitos de Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com os valores em reais: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 430 15 * O valor informado como compensado na DCTF, a fls. 291, é R$ 252.795,73, mas, como se pode observar, o saldo negativo não foi suficiente para tal. Obs: Débito remanescente estimativa mensal do IRPJ PA 03/2002 = R$ 177.567,77 = (R$ 252.795,73 R$ 75.227,96). (...) 1.4— Exercício de 2003, anocalendário de 2002 (...) Como visto, os débitos remanescentes estimativas mensais do IRPJ: a) PA 07/2001 = R$ 80.654,58; b) PA 03/2002 = R$ 177.567,77. Sobre esses valores remanescentes débitos do IRPJ estimativa mensal o Fisco está exigindo nos presentes autos apenas a respectiva multa isolada. Assim, diversamente do alegado pelo sujeito passivo, restou sim apurado naquele processo insuficiência de direito creditório para saldar os citados débitos remanescentes de estimativas mensais do IRPJ dos citados PA. Vale dizer, diversamente do alegado pela recorrente, as compensações diretas na escrita contábil/fiscal e informadas nas respectivas DCTF foram objeto de análise juntamente com as DCOMP nos autos do Processo nº 13727.000093/200380 em face da análise da formação do crédito saldo negativo o IRPJ dos AC 1999 a 2002 e glosa das compensações com saldo insuficiente de crédito, como demonstrado. Não procede, por conseguinte, a alegação de necessidade de intimação, antes das glosas. Ora, é ônus do contribuinte como autor do pedido de crédito contra Fazenda Nacional a comprovação do crédito pleiteado nas compensações, cujas provas devem ser juntadas aos autos por ocasião da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC Lei nº 13.105/2015, art. 373, I, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal). Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 431 16 Logo, não há que se falar prejuízo à defesa, pois a glosa deuse nos autos do processo legal administrativo Processo nº º 13727.000093/200380 onde foi assegurado a ampla defesa e o contraditório. Ainda, não cabe revolver, rediscutir, nestes autos, o direito creditório alegado, matéria já decidida, de forma definitiva, nos autos do citado Processo nº 13727.000093/200380. Ou seja: como já demonstrado, o crédito alegado restou insuficiente para quitação dos débitos remanescentes de estimativas mensais do IRPJ dos citados PA, o que ensejou a imputação pelo Fisco das multas isoladas objeto dos presentes autos, pois naquele processo o Despacho Decisório tornouse definitivo, irreformável na órbita administrativa (matéria preclusa), uma vez que a contribuinte, embora regularmente intimada, deixou transcorrer o prazo in albis, deixou de apresentar Manifestação de Inconformidade naqueles autos. Quanto à preclusão máxima, que restou configurada naqueles autos onde os créditos foram pleiteados, analisados e compensações rejeitadas em parte (insuficiência de crédito), consta expressamente do relatório da decisão recorrida nestes autos (efls. 308/346), in verbis: (...) No mérito, o ponto de partida da presente exigência se situa no processo n° 13727.000093/200380, em que a interessada pleiteou o reconhecimento do direito creditório relativo a saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, para compensação com débitos dos anoscalendário de 2003 e 2005. Ao analisar o crédito alegado, relativo ao saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, a autoridade fiscal remeteu a auditoria ao anocalendário de 1999 (fls. 02/14), a partir de quando confrontou pagamentos, débitos e compensações. Nesse percurso, apurou que o crédito pretendido era inferior ao alegado por diversas razões, dentre as quais que era resultante de estimativas de IRPJ e CSLL não integralmente liquidadas. As estimativas em questão, de IRPJ de 07/2001 e 03/2002, e de CSLL de 05/2000, foram declaradas em DCTF como compensadas com créditos de saldos negativos anteriores, os quais a autoridade apurou serem insuficientes. Por esta razão, foi feita representação (fls. 23), em 20/04/2006, para que a Fiscalização procedesse ao lançamento da multa isolada então prevista no art. 44, § 1° da Lei n° 9.430/1996 sobre a parcela das estimativas não compensadas. (...) Ao iniciar a ação fiscal que deu origem ao presente lançamento (fls. 25), o autuante intimou a interessada a apresentar livros e documentos, e lhe deu ciência de que lhe estaria aplicando a multa isolada de 75% sobre os débitos de estimativa de CSLL (05/2000) e IRPJ (07/2001; 03/2002). Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 432 17 Às fls. 28/32, a interessada apresentou esclarecimentos quanto à compensação dos débitos de estimativa de CSLL (05/2000) e IRPJ (07/2001; 03/2002) feita em DCTF. Entretanto, na descrição dos fatos dos autos de infração (fls. 54 e 60), o autuante informou que não levou em conta tais esclarecimentos por entender haver precluído o direito da interessada de se manifestar a esse respeito, visto que esta não apresentou sua inconformidade no processo n° 13727.000093/200380. (...) Como visto, o direito creditório já foi discutido, enfrentado, no mérito, nos autos do processo nº 13727.000093/200380, no qual restou apurada insuficiência de saldo negativo do IRPJ para quitação dos débitos remanescentes do IRPJ estimativa mensal dos períodos de apuração já citados (objeto dos autos de infração multas isoladas deste processo). Assim, existindo decisão definitiva naqueles autos, não cabe revolver, rediscutir o direito creditório nestes autos (matéria preclusa), pois já há decisão definitiva, irreformável na órbita administrativa naqueles autos. Por fim, nas razões do recurso, o sujeito passivo alegou que os débitos de estimativas que deram ensejo à imputação das multas isoladas, ora exigidas, e respectivas compensações diretas na escrita contábil/fiscal (compensações sem processo) e informadas nas DCTF respectivas, não foram objeto do processo 13727.000093/200380. Data venia, não procede tal argumentação da recorrente. Como já restou sobejamente demonstrado acima, quando da análise do direito creditório reclamado no Processo nº 13727.000093/200380 saldo negativo do IRPJ 2002, o Fisco analisou a formação do crédito pleiteado desde anocalendário 1999, e constatou: a) a existência de compensações diretas efetuadas pela contribuinte na escrita contábil/fiscal, sem processo, informadas nas DCTF respectivas; b) insuficiência de crédito para a quitação de parte desses débitos de estimativas do imposto compensados diretamente na escrita contábil/fiscal, sem processo, e informados nas respectivas DCTF (restando débitos remanescentes das estimativas mensais dos PA objeto dos presentes autos, que implicaram a aplicação e exigência das multas isoladas em análise). Logo, diversamente do alegado pelo sujeito passivo, todas as compensações diretas na escrita contábil/fiscal sem processo (informadas nas respectivas DCTF) e as informadas nas DCOMP, que utilizaram saldo negativo do IRPJ anocalendário 2002 e de períodos anteriores a partir do anocalendário 1999), bem como o crédito pleiteado, foram analisadas, julgadas, no Processo n° 13727.000093/200380. Restou, destarte, sim apurado naquele processo insuficiência de direito creditório para saldar os citados débitos remanescentes das estimativas mensais do IRPJ dos citados PA, implicando a exigência da respectiva multa isolada, nestes autos. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 433 18 Portanto, não há que se falar em prejuízo à defesa, ao princípio do contraditório e do devido processo legal, pois as compensações diretas (sem processo) efetuadas na escrita fiscal/contábil e informadas nas respectivas DCTF, que utilizaram saldo negativo do IRPJ dos anoscalendário 2002, 2001, 2000 e 1999, foram objeto de análise de mérito juntamente com as DCOMP naquele processo, bem como o crédito utilizado e pleiteado, conforme já restou sobejamente demonstrado. COMPENSAÇÕES DIRETAS EFETUADAS NA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL, SEM PROCESSO, INFORMADAS EM DCTF. CONFISSÃO DE SALDO NULO A PAGAR. O sujeito passivo alegou o não cabimento do lançamento da multa isolada, pois as estimativas mensais do imposto (débitos) foram formados e compensados sob a égide da redação original da Lei 9.430/96, da IN/SRF n° 21/97 e IN/SRF n° 16/2000, que determinava o encaminhamento dos débitos resultantes de compensações indevidas à Divida Ativa da União. Não procede a irresignação da recorrente. Débitos confessados em DCTF: Compensação direta na escrituração contábil/fiscal (sem processo) informada em DCTF: Quanto às compensações diretas na escrituração contábil/fiscal, sem processo, e informada em DCTF, enquanto não transcorrido o prazo decadencial o Fisco tem o direito e dever legal de revisar essas compensações. Obs: No plano normativo, as compensações diretas na escrita contábil/fiscal passaram a ser vedadas, a partir de 01/10/2002, com a instituição da Declaração de Compensação, conforme IN SRF nº 210, de 30/09/2002 (art. 21) e IN SRF nº 323, de 24/04/2003 (art. 1º). Auditoria interna revisão da DCTF MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (art. 90): Art.90.Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Porém, a partir da edição da MP 135, de 30/10/2003 (convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, art.18), em relação aos débitos confessados em DCTF e não quitados, houve alteração do art. 90 da MP 2.158, de 24/08/2001, in verbis: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 434 19 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. Ocorre que, no caso, é inaplicável o art. 90 da MP 2.158, de 24/08/2001, bem como a MP 135, de 30/10/2003 (convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, art.18), pois débitos de estimativa mensal não podem ser exigidos após expirado o respectivo ano anocalendário e, ainda, há cominação legal de multa isolada específica, e não a citada no art. 18 transcrito acima. Ou seja, é aplicável a multa isolada (Lei 9.430/96, art. 44, § 1º, inciso IV). Assim, após expirado o anocalendário respectivo sem pagamento da estimativa mensal do imposto não cabe lançar de ofício débito de estimativa mensal; porém, cabe exigir apenas a multa isolada. Aqui, cabe esclarecer ainda: os débitos das estimativas mensais do IRPJ sequer foram confessados em DCTF, no caso. Mas, ainda que tivessem sido confessados em DCTF incabível a exigência débito de estimativa mensal após encerrado o anocalendário. Cabível a exigência apenas da mula isolada, apenas. Apenas para argumentar, quanto às compensações diretas na escrita contábil e fiscal (sem processo) informadas nas DCTF, houve apenas confissão de saldo nulo a pagar (não houve confissão de débitos). Nesse sentido são os precedentes deste CARF: DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS. SALDOS NULOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio. (Acórdão nº 20310.006, 3ª Câmara do 2º CC, sessão de 23/02/2005, Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2001,2002 DCTF. SALDOS A PAGAR NULOS. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INEXISTENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.CABÍVEL. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 435 20 dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio.(Acórdão nº 1301003.467– 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 16/10/2018, Relator Nelso Kichel). Ainda, quanto às compensações frustradas ou indevidas informadas em DCTF ou objeto de DCOMP até 31/10/2003, respectivos débitos são passíveis de lançamento de ofício, conforme verbete da Súmula CARFnº 52, exceto débitos de estimativa mensal após expirado o respectivo anocalendário, in verbis: Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Assim, confessado saldo zero, nulo, a pagar e afastada a compensação tributária informada na DCTF por compensação indevida, configura existência de débitos em aberto sujeitos a lançamento de ofício, via auto de infração, exceto os débitos de estimativa mensal. Multa isolada débito de estimativa mensal: Apurado pelo Fisco no Processo nº 13727.000093/200380 que os débitos de estimativa mensal do imposto foram objeto de compensação direta na escrita contábil e fiscal com créditos insuficientes, expirado o respectivo anocalendário com existência de débitos remanescentes em aberto, cabível apenas a exigência de multa isolada sobre os débitos remanescentes. Matéria pacífica, inclusive sumulada, conforme Súmula CARF nº 82, in verbis: Súmula CARF nº 82 Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Justificado está, então, o lançamento da multa isolada prevista especificamente para falta de quitação de estimativa mensal (compensação rejeitada ou indevida, por insuficiência de crédito, como no caso). Aplicação da multa isolada da Lei 9.430/96, art. 44, § 1º, inciso IV. Portanto, cabível, no caso, o lançamento da multa isolada por falta de quitação das estimativas mensais do imposto. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 436 21 Retroatividade da LEX MITIOR O sujeito passivo argumentou que, nas razões do recurso, que a multa isolada aplicada deve ser reduzida de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento), em razão da nova redação da Lei 9.430/96 (art. 44) dada pela Lei 11.488/2007 (art. 14), ou seja, que o lançamento é passível de reforma em razão da aplicação retroativa da Lei mais benéfica ao contribuinte, consoante determinação do art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional — CTN. Aqui, procede a irresignação da recorrente. Consta do Auto de Infração que a multa isolada aplicada de 75% (falta de pagamento de estimativa mensal) foi capitulada no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96. Ocorre que, como bem observou a recorrente, o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, reduziu a multa isolada de 75% para o patamar de 50%, cominada no art. 44 da Lei 9.430/96. Portanto, devem ser reduzidas as multas isoladas do IRPJ para 75%, pela aplicação do princípio da retroatividade benigna. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as multas isoladas de 75% para 50%. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001290/2004-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1989
DECLARAÇÃO IRPJ/1990. RESTITUIÇÃO DE CSLL. FORMULÁRIO.
A Notificação de Lançamento com valores a restituir (CSLL) em montantes inferiores aos pretendidos pela pessoa jurídica enseja a apresentação do formulário "Pedido de Restituição" - PR, respeitado o prazo previsto no art.168 do CTN.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989
DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. CSLL.
Se o pedido de restituição efetivou-se além dos cinco anos da data da extinção do crédito tributário, extinto o direito do sujeito passivo em pleitear a repetição do indébito.
Numero da decisão: 1401-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e José Roberto Adelino da Silva (Conselheiro convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1989 DECLARAÇÃO IRPJ/1990. RESTITUIÇÃO DE CSLL. FORMULÁRIO. A Notificação de Lançamento com valores a restituir (CSLL) em montantes inferiores aos pretendidos pela pessoa jurídica enseja a apresentação do formulário "Pedido de Restituição" - PR, respeitado o prazo previsto no art.168 do CTN. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. CSLL. Se o pedido de restituição efetivou-se além dos cinco anos da data da extinção do crédito tributário, extinto o direito do sujeito passivo em pleitear a repetição do indébito.
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CSLL Recorrente SCANIA LATIN AMÉRICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1989 DECLARAÇÃO IRPJ/1990. RESTITUIÇÃO DE CSLL. FORMULÁRIO. A Notificação de Lançamento com valores a restituir (CSLL) em montantes inferiores aos pretendidos pela pessoa jurídica enseja a apresentação do formulário "Pedido de Restituição" PR, respeitado o prazo previsto no art.168 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. CSLL. Se o pedido de restituição efetivouse além dos cinco anos da data da extinção do crédito tributário, extinto o direito do sujeito passivo em pleitear a repetição do indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 12 90 /2 00 4- 78 Fl. 187DF CARF MF 2 Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e José Roberto Adelino da Silva (Conselheiro convocado). Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de IRPJ/CSLL, relativo ao ano calendário de 1989, ocasião em que foi proferido o seguinte despacho pela DRF em São Bernardo do Campo: Despacho Decisório 137/2007 SEORT/EQRES Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 188 3 Fl. 189DF CARF MF 4 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DA DECISÃO DA DRJ/CPS DE 01 DE DEZEMBRO DE 2008 Em apertada síntese, a DRJ declarou nulo o Despacho Decisório: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 189 5 Em atendimento ao decidido pela DRJ, no novo DESPACHO DECISÓRIO de nº 142/10, consta que, em resumo: da DIPJ 1990, não há dados informados no quadro 19 Demonstrativo de Contribuição Social CSLL; não tendo havido nenhuma declaração retificadora, por isso não teria havido a restituição automática; indaga qual seria o motivo de a Interessada ter formulado "o pedido de restituição da CSLL 90 em 18/06/2004 através deste feito administrativo, isto é, há mais de 14 anos da apresentação da DIPJ 90 e quase 9 anos do recebimento da restituição do IRPJ"; que não se pode culpar o Fisco pela inércia do contribuinte em apresentar uma retificadora da DIPJ 90 e formular Pedido de Restituição conforme a INSRF nº 040/83, dentro do prazo legal; Conclusão DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Após descrever o caminho percorrido até aqui e suas peças decisórias, entende a Interessada que uma eventual falha no preenchimento da DIPJ não impede a restituição, que o que vale é a entrega tempestiva da DIPJ; que os valores da CSLL estão Fl. 191DF CARF MF 6 demonstrados no item 20/02 do Formulário 01, no montante de 1.267.084,40 BTN Fiscal; traz ementa de julgado do extinto CC, que entende semelhante à tese que defende. DA DECISÃO DA DRJ/CPS DE 25 DE MAIO DE 2010 Por meio do Acórdão nº 0528.916, da 2ª Turma de Julgamento, consta na conclusão do voto condutor: pelo não reconhecimento do direito creditório relativo às antecipações e duodécimos da CSLL informada na DIPJ/1990; pelo indeferimento do Pedido de Restituição, face o transcurso do prazo legal para a sua repetição e pelo não conhecimento do pedido de compensação com a utilização do referido direito creditório, porque não formalizado nos termos da legislação vigente. Eis alguns excertos da decisão de piso: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 190 7 [...] Fl. 193DF CARF MF 8 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 191 9 Fl. 195DF CARF MF 10 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 06 de outubro de 2010, ingressou a Interessada com recurso voluntário, onde repete as alegações já fartamente relatadas e comentadas desde o início do imbróglio, acrescentado, entretanto,o seguinte: a exigência de apresentação de "Pedido de Restituição" PR encontrase veiculada por mera instrução normativa IN SRF 40/83 não havendo tal obrigatoriedade nos textos legais que disciplinavam a restituição, as Leis 7.450/85 e 7.799/89); que não há como se admitir que uma norma inferior venha alterar ou restringir direitos estabelecidos em lei; Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto delo conheço. A Recorrente insiste em que bastava a apresentação da DIPJ / 1990 para ter assegurada a sua restituição de CSLL, e, inclusive, não estaria sujeita a pedido de restituição e nem sujeita a prazo extintivo de direito ao eventual indébito. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 192 11 Já fartamente demonstrado que a restituição de IRPJ e/ou de CSLL relativa à declaração DIPJ/1990 davase de maneira automática, assim como foi procedido em relação ao IRPJ a restituir da Recorrente. Agora, com relação à um eventual indébito de CSSL, devemos ver que tipo de informação deveria constar na DIPJ que permitisse, a exemplo do IRPJ, a devolução também automática do recolhimento a maior de CSLL. A DRJ nos informou que não houve o preenchimento na DIPJ/90 do campo 19 Formulário I, ao passo que a Recorrente aponta em seu recurso que os valores de CSLL estão demonstrados no item 20, o que, em seu entendimento, "de modo que todas as informações necessárias para que houvesse a restituição automática dos valores de CSLL estavam disponíveis ao Fisco na própria DIPJ." Na DIPJ/90, acostada às fls.79 a 91, de fato, não se encontra preenchido o campo 19 Demonstrativo da Contribuição Social, havendo, entretanto, as informações dos valores recolhidos de Contribuição Social, a título de antecipações/duodécimos, valores expressos em BTN Fiscal, da ordem de 1.267.084,40, campo 20 Antecipações de Duodécimos Recolhidos de Contribuição Social, conforme lembra a Recorrente. Se a restituição era automática, as informações então informadas na DIPJ/90, contrariamente ao alegado pela Recorrente, não permitia concluir pela existência de eventual saldo de CSLL passível de restituição automática. Vejase que desde o segundo Despacho Decisório 142/10 (fls.108), já se destacava as conseqüências da falta do preenchimento em questão: A DRJ ratificou a posição defendida no Despacho Decisório, acrescentado: De forma que não há reparos a fazer na decisão recorrida. Fl. 197DF CARF MF 12 Na situação da Interessada, não lhe bastava apenas ter apresentado a DIPJ/90, deveria ter solicitado o Pedido de Restituição PR, conforme orientação da IN SRF 51/85, citada na decisão da DRJ, e, ainda, não observou o prazo legal para solicitação de repetição de indébito. As citadas instruções normativas na decisão recorrida não tem o caráter que lhe atribuiu a Recorrente, de que estariam alterando e/ou modificando dispositivos estabelecidos em lei. Trataram elas de disciplinar procedimentos a serem adotados pelos contribuintes quando da impossibilidade de restituição automática de IRPJ e/ou de CSLL, nada além disso. Ainda, nem seria o caso de aplicação da Súmula CARF nº 91, uma vez que a solicitação da presente restituição foi feita em 18/12/2003, conforme destacado no Acórdão 05 24.297, da 4ª Turma da DRJ/CPS: Conclusão É o voto, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.000377/2003-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO.
Em relação à contagem de prazo de homologação tácita das compensações o início ocorre na data de apresentação do PER/DCOMP ou da retificação deste, se for o caso.
RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES INCORRETAS NA DIRF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO RECORRENTE.
Quando se alega que os comprovantes de rendimento apresentam informações incorretas, cabe ao contribuinte a demonstração do erro destas declarações e a apresentação de documentos a comprovar o efetivo valor que foi retido pelas fontes pagadoras.
Numero da decisão: 1401-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão somente para reconhecer a homologação tácita das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. Em relação à contagem de prazo de homologação tácita das compensações o início ocorre na data de apresentação do PER/DCOMP ou da retificação deste, se for o caso. RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES INCORRETAS NA DIRF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO RECORRENTE. Quando se alega que os comprovantes de rendimento apresentam informações incorretas, cabe ao contribuinte a demonstração do erro destas declarações e a apresentação de documentos a comprovar o efetivo valor que foi retido pelas fontes pagadoras.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. Em relação à contagem de prazo de homologação tácita das compensações o início ocorre na data de apresentação do PER/DCOMP ou da retificação deste, se for o caso. RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES INCORRETAS NA DIRF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO RECORRENTE. Quando se alega que os comprovantes de rendimento apresentam informações incorretas, cabe ao contribuinte a demonstração do erro destas declarações e a apresentação de documentos a comprovar o efetivo valor que foi retido pelas fontes pagadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão somente para reconhecer a homologação tácita das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 03 77 /2 00 3- 62 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 366 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório Inicio coma transcrição do breve relatório da decisão de Piso. Trata o processo de Declaração de Compensação e retificadoras de fls. 01/02, 13/18, 20/34 e 72/84, que solicitam compensação dos débitos nelas relacionados com o crédito de saldo negativo de imposto de renda, relativo ao anocalendário 2000, no valor de R$ 86.885,11, apurado na DIPJ (fl. 113). 0 contribuinte foi intimado (fl. 44/45) a esclarecer as divergências entre o valor declarado a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte para apuração do saldo negativo e aquele constante nas DIRF apresentadas a RFB pelas fontes pagadoras. Foi apresentada a resposta de fls. 50/71, na qual o contribuinte alega em síntese que: "Dentre o valor informado de R$ 86.885,11 na DIPJ, localizamos um erro de informação a maior na ficha 43 no valor de R$ 5.989,36, ou seja o crédito com a empresa Green Center Com. De Veículos Ltda foi digitado em duplicidade. Informes localizados até a presente data totalizam R$ 45.986,62 (anexo) de todo modo, o valor de R$ 77.895,26, correspondente a IRRF foi comprovado junto as fontes pagadoras." As fontes pagadoras preencheram erroneamente os Informes de Rendimento, no campo onde é informado o rendimento, foi informado o empréstimo conforme demonstrativo abaixo." A interessada foi cientificada do despacho decisório (fls. 215/218) que reconhece parcialmente o crédito pleiteado em 23/04/2008 (fl. 236) e apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 248/250) em 21/05/2008. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 367 3 A Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de entender que a DRF agiu corretamente ao desconsiderar a parte dos valores de retenção na fonte que correspondiam aos valores de receita financeira que não foram oferecidos à tributação pela empresa. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega que: 1 Homologação tácita. Alega que as compensações foram apresentadas em 14/02/2003 e o despacho decisório somente foi emitido em 05/03/2008, razão pela qual já teriam decorrido cinco anos e, assim, as compensações estariam tacitamente homologadas; 2 Prescrição. Alega que desde a prolação do despacho decisório até a ciência do acórdão recorrido decorreram mais de cinco anos e, assim, teria incidido a prescrição sobre a possibilidade de cobrança destes débitos. Alega que a jurisprudência do STJ acata a tese da prescrição e colaciona precedente. 3 Da suficiência do acervo probatório para a comprovação do crédito. Alega que as provas da existência do crédito já estão colacionadas no processo e que a alíquota a ser utilizada no cálculo das retenções é de 20% sobre o valor das receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Passemos a analisar os pontos de discordância apresentados pelo recorrente. 1. Da Homologação Tácita Com relação à homologação assiste parcial razão ao contribuinte. Apesar de o mesmo alegar que as compensações foram protocoladas em 14/02/03, esta não é uma verdade absoluta. A primeira compensação foi apresentada nesta data e posteriormente retificada. Inúmeras outras compensações foram apresentadas posteriormente indo até 15/02/2003, ou seja foram do prazo de homologação tácita. Além disso diversas declarações de compensação foram retificadas em setembro de 2003. Neste caso, havendo a retificação o prazo de homologação tácita passa a contar da data da retificação da compensação. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 368 4 Constatamos que a ciência da decisão da DRF ocorreu em 23/04/2008 e é a partir da ciência que se contam os cinco anos anteriores para fins de homologação tácita. Assim, tendo em vista este prazo, encontramse homologados tacitamente todas as compensações que foram apresentadas até 22/04/2003. Ressalvandose que, em relação às compensações que tenham sido retificadas o prazo de homologação deve ser contado a partir da data da retificação destas compensações, haja vista que a retificação configura nova compensação e reabre o prazo de contagem da homologação tácita, posto que sendo retificada a compensação tratase de compensação nova. Assim, neste ponto voto por dar parcial provimento ao recurso a fim de reconhecer a homologação tácita apenas das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação. 2. Da prescrição pelo decurso de mais de cinco anos entre a data de ciência do acórdão e nova decisão no processo. No que toca a este processo, o pedido do contribuinte, mesmo que não seja expresso neste sentido, trata da adoção da prescrição intercorrente no processo administrativo. Não existe norma jurídica na atual legislação a admitir esta hipótese de prescrição, assim, não pode o agente da administração reconhecer tal tipo de prescrição sem a existência de norma expressa neste sentido. Por estes motivos, ante a ausência de expressa determinação legal, voto por negar provimento ao pedido neste ponto. 3. Da suficiência do acervo probatório para a comprovação do crédito. Alega que as provas da existência do crédito já estão colacionadas no processo e que a alíquota a ser utilizada no cálculo das retenções é de 20% sobre o valor das receitas financeiras Alega novamente, em sede de recurso que os valores a serem considerados como retenção na fonte para fins de apuração do saldo negativo devem ser apurados a partir de aplicação de 20% sobre o total das receitas financeiras auferidas. Alega que o percentual de 5% utilizado pela fiscalização está equivocado No que toca a este ponto apenas às fls. 54/55, em resposta á intimação enviada pela fiscalização, a empresa alegou que o valor das receitas financeiras constantes dos informes de rendimentos estavam incorretos. Ocorre que a empresa não apresentou nenhuma comprovação do erro. Os comprovantes de rendimento acostados pela empresa às fls. 57/75 apresentam as mesmas informações enviadas pela empresa à RFB por meio de suas DIRF. Analisando os valores das retenções a partir dos comprovantes de rendimento apresentados pelo recorrente verificamos o seguinte: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 369 5 Retenções com erro de cálculo SADIVE DIST. DE VEÍCULOS cod 3426 fls. 62 IR de menos 1%errado SADIVE AUTOMOVEIS cod 3426 fls. 61 IR de 1% errado Retenções corretas BANCO REDE COD 1708 fls. 63 IR de 1,5% correto PROMOVERDI cód 1708 fls. 66 IR de 1,5% correto RODOBENS ADM E PROD cod. 1708 fls.67 IR de 1,5% correto CIRASA COM cod 1708 fls. 73 IR de 1,5% correto DAIHATSU cod 1708 fls. 75 IR de 1,5% correto O que ocorre em tais declarações de rendimento e que milita contra o entendimento do recorrente é que algumas empresas, no caso as duas empresas com o nome SADIVE informaram rendimentos de receitas financeiras, código 3426 e realizaram a retenção de IR apenas em percentuais inferiores a 1%, fazendo com que o percentual proporcional do valor do imposto incidente sobre as receitas financeiras ficasse reduzido ao apurado pela fiscalização. Ocorre, no entanto, que a recorrente não comprovou que havia efetivamente erro nas informações enviadas à RFB. Pelo contrário, o comprovante de rendimentos juntado pelo recorrente tem valores idênticos aos informados pelas empresas de nome SADIVE em suas DIRF. Assim, não há como reconhecer assistir razão ao recorrente posto não haver qualquer prova de que há algum erro nos comprovantes de rendimento ou nas informações prestadas pelas empresas que pagaram rendimentos ao recorrente. Por isso, não há reparos a fazer na apuração do crédito realizada pela delegacia de origem, posto que utilizou, no cálculo dos valores a serem considerados como retenção na fonte, o percentual de retenção aplicado em média pelas fontes pagadoras sobre a receita financeira oferecida à tributação no exercício. Por tais razões, neste ponto voto por negar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer a homologação tácita apenas das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 370 6 contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.911724/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13888.900876/2012-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13888.900876/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório O presente processo administrativo tratase de pedido de compensação transmitido pelo contribuinte CPA Prestação de Serviços Radiológicos Ltda., ora Recorrente, no qual pretende pagar débitos próprios com créditos de IRPJ, que foram objeto de anterior pedido de restituição formulado através de PER/DCOMP. Em despacho decisório proferido pela DRF de origem, a compensação pretendida não foi homologada, sob o fundamento de que " foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 11 72 4/ 20 11 -5 5 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 3 2 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Não concordando com a decisão proferida, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual demonstrou que o seu direito creditório decorreria do fato de ter considerado, na apuração da base de cálculo do lucro presumido, o equivocado percentual de 32% (trinta e dois por cento), "quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do benefício fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a consequente utilização de alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo". Para comprovar que o seu objeto social se enquadra no conceito de "serviços hospitalares", o Recorrente acostou aos autos farta documentação. Por outro lado, também demonstrou que, à época em que o pedido de restituição do indébito, promoveu a retificação de sua DIPJ, considerando aquele percentual de 8%, nos termos que determina a legislação. Contudo, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem negar provimento ao apelo do contribuinte. Em seu longo arrazoado, em um primeiro momento, aquela DRJ invocou uma suposta decadência do direito creditório do Recorrente. Ademais, mesmo tendo levantado a referida preliminar de ofício, os julgadores a quo, com base, em especial, em normativos internos da Receita Federal, consideraram que os serviços prestados pelo Recorrente não estariam englobados no conceito de "serviços hospitalares" definidos pela legislação, o que imporia no indeferimento do pleito do contribuinte. Vejase, neste sentido, a ementa do acórdão proferido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2000 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar nº 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender aos requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 4 3 2005 e sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o Recorrente apresentou Recuso Voluntário, no qual, em síntese, rebate todos os argumentos apresentados no acórdão recorrido, junta documentos para combater alegações daquela DRJ e, ao final, pede o reconhecimento do seu direito creditório, com a consequente homologação da compensação apresentada. Posteriormente, os autos foram distribuídos a este Conselheiro para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.735, de 17/04/2019, proferida no julgamento do Processo nº 13888.900876/201211, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.735): DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 18/10/2013, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 19/11/2013, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA LEVANTADA PELA DRJ. Antes de se enfrentar o mérito da discussão, importante demonstrar que não subsiste a preliminar de decadência levantada de ofício no acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto (SP). Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 5 4 Em seu longo arrazoado, após discorrer sobre o processo de compensação e os dispositivos legais que regulam o instituto, em especial os que determinam o ônus da prova para comprovar o direito creditório, aquela DRJ alega que " se esvai com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de recolhimento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido". Aliado a este entendimento, a DRJ, mesmo citando o precedente do STF (RE 566.621/RS) que afasta o caráter interpretativo da Lei Complementar 118/05 e aplica o prazo de 10 anos para os pedidos de restituição formulados antes da entrada em vigor da nova imposição legislativa, afirma que o precedente da mais alta Corte de Justiça no Brasil não se aplica aos pedidos administrativos de restituição do indébito tributário. Com base nestas premissas, a DRJ alega que o pedido de restituição do contribuinte foi formulado fora do prazo de 05 anos e, por isso, o direito creditório estaria fulminado pela decadência. Neste sentido, vejase a conclusão contida no acórdão recorrido: Portanto, tendo alegado direito creditório surgido em 31/7/2000 (data da extinção do crédito tributário do IRPJ), excluindose tal dia da contagem do prazo (dia de início da contagem), o prazo para se pedir restituição se extinguiu cinco anos após a data, ou seja, cinco anos após o pagamento dito indevido. Conseqüentemente, tendo a contribuinte apresentado o Pedido de Restituição em 23/10/2009, inferese que o seu direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório para fins de restituição ou de compensação estava extinto pelo decurso do prazo decadencial. Contudo, com toda vênia, é patente o equívoco da DRJ. Explicase. Como se observa da documentação acostada aos autos, no pedido de compensação apresentando pelo contribuinte (PER/Dcomp de nº 29018.44299.231009.1.3.040150 transmitida em 23/10/2009), este indica como direito creditório aquele objeto do pedido de restituição consubstanciado na PER/DComp de nº 07198.52146.130404.1.2.049632, que foi transmitido no dia 14/04/2004. Ora, se o direito creditório surgiu em 31/07/2000 (data de pagamento do indébito), como a própria DRJ afirma e pelo o (SIC) que se depreende da documentação em análise, e sendo o pedido de restituição formulado em 13/04/2004, não se tem dúvidas de que não se aplica, no presente caso, a decadência alegada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), uma vez que o pedido de restituição foi feito dentro do prazo de 05 anos. Não se rebaterá, neste voto, a afirmação do julgador a quo de que o entendimento do STF, consubstanciado no RE 566.621/RS, não se aplica aos pedidos administrativos de repetição do indébito feitos administrativamente pelos contribuintes, até mesmo porque o CARF já pacificou essa discussão, quando da edição da Súmula nº 91 que tem a seguinte redação: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 6 5 Como o pedido de restituição formulado pelo Recorrente (transmissão da PER/Dcomp em 14/04/2004, reiterese) foi realizado dentro do prazo de 05 anos, contados do pagamento indevido ao a maior (31/07/2000), o afastamento da decadência levantada pela DRJ é medida que se impõe ao presente caso. DO DIREITO CREDITÓRIO DO RECORRENTE. DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA O JULGAMENTO. Ao proferir o acórdão recorrido, a DRJ de Ribeirão Preto, em caráter subsidiário, uma vez que entendia pela decadência do direito creditório, alegou que o Recorrente não faria jus à aplicação do percentual de 8% na apuração da base de cálculo do lucro presumido, como determina a Lei nº 9.249/95. Para fundamentar a negativa, aquela Turma Julgadora argumenta que os normativos internos da Receita Federal do Brasil, que interpretaram o alcance do disposto no artigo 15, § 1º, III, a), da Lei nº 9.249/95, são todos no sentido de que "não são considerados serviços hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido, os serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica dos profissionais envolvidos". Prosseguindo, após citar diversos normativos internos da RFB e alegando que a "discussão sobre incompatibilidade de atos normativos expedidos no âmbito da RFB com demais dispositivos legais e/ou regulamentares, é matéria que extrapola a esfera de competência do julgador administrativo de 1ª instância", o julgador a quo elenca os requisitos que, ao seu sentir, devem ser cumpridos pelos contribuintes, para que possa aplicar o percentual de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Vejase quais seriam esses requisitos: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005, ou, no caso da atribuição “Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia”, exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa; b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil. d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto. Ocorre que, a par de toda a discussão acerca da legalidade dos normativos internos da Receita Federal e sua aplicação em detrimento do que determina a legislação, a discussão em comento ganhou novos contornos, quando chegou ao Poder Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 7 6 Judiciário, culminado em julgamento proferido pelo STJ, afetado pela sistemática dos Recursos Repetitivos. O denominado Tribunal da Cidadania entendeu, em síntese, que os serviços hospitalares "se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar". Vejase a ementa que recebeu o julgado proferido nos autos do RE nº 1.116.399/BA: anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 8 7 genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) (destacouse) E as decisões preferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive desta Turma de Julgamento, vão ao encontro, como não poderia deixar de ser, tendo em vista o caráter vinculante do precedente, do que decidiu o STJ. Confirase a ementa de dois julgados, sendo que um deles, proferido pela CSRF, tem como parte o próprio Recorrente: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399 BA. (Acórdão nº 9101003.329 CSRF Contribuinte CPA Prestação de Serviços Radiológicos Ltda. Julgamento em 17/01/2018). ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO. A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF. DELIMITAÇÃO DA LIDE Restringindose os fundamentos do não reconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES.Enquadrandose a Recorrente no conceito legal de Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 9 8 "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%. (Acórdão nº 1302002.979 2ª Turma, da 3ª Câmara, da 1ª Seção Julgamento em 26/07/2018) No que tange ao Recorrente em específico, não restam dúvidas, pelo conjunto probatório acostados aos autos, que ele cumpre os requisitos elencados pelo STJ para que possa se valer do percentual de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ no lucro presumido. Como relatado alhures, a sociedade é constituída na forma de "sociedade limitada", tendo como sócios médicos, devidamente inscritos no CRM. O objeto social, por sua vez, é o de "Prestação de serviços radiológicos em geral", sendo para a prestação dos serviços depende de qualificação, pessoal e maquinário especializado e de alto custo. Consta dos autos a comprovação dos CNAE's da Matriz e da Filial do Recorrente, em que se pode observar que ele presta serviços "de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante – exceto tomografia" (CNAE Principal 86.402 05) e “de tomografia” (CNAE Secundário nº 86.40204) e "radioterapia” (CNAE Secundário nº 86.40211). Ainda, o Recorrente apresentou alvará de autorização de funcionamento emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP), em que se depreende sua atividade econômica como sendo de "Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares". Como se não bastasse, o Recorrente também apresentou cópia do livro razão, que comprova a prestação de serviços, nos termos do seu objeto social. Ressaltase, neste ponto, que o STJ, no precedente acima citado, classifica como "serviços hospitalares" aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Quanto ao local de prestação, a Corte afirma que são prestados dentro dos hospitais, em regra, mas não necessariamente. Por fim, não se pode deixar de mencionar que o Recorrente retificou sua DIPJ (acostada aos autos) antes de ser proferido o despacho decisório combatido. E naquela retificação, o Recorrente apurou o IRPJ devido com base no percentual de 8%, como determina a legislação. Assim, é patente que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas e, por isso, deve apurar a base de cálculo do IRPJ no lucro presumido com base no percentual de 8%, nos termos autorizados pela Lei nº 9.249/95. Tendo em vista, contudo, a impossibilidade de confrontar a documentação acostada aos autos, em especial a DIPJ original e a retificadora, para se ter certeza de que os cálculos (redução do percentual de 32% para 8% para fins de mensuração da base de cálculo do lucro presumido) estão corretos, entendese pela conversão do julgamento em diligência. Há de se ressaltar que, ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, o contribuinte acabou por concorrer com para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa ausência de retificação, aliada ao fato de o Recorrente ter retificado sua DIPJ e, principalmente, pelo o que restou decidido pelo STJ, não pode lhe retirar o direito de ver restituídos os tributos pagos a maior ou indevidamente. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 10 9 Assim, a conversão do julgamento seria apenas e tão somente para confirmar (i) se os cálculos elaborados pelo contribuinte, quando da retificação da sua DIPJ, estão corretos e (ii) para se ter certeza que o direito creditório pleiteado não foi utilizado e consumido em outros pedidos de compensação eventualmente elaborados pelo próprio contribuinte. Para que se tenha certeza sobre esses pontos, entendese pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a juntar aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário objeto do pedido de restituição. Com base nestes elementos e com demais informações que entenda ser necessária verifique e informe: 1) a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ devido no pedido de restituição do indébito tributário, considerando o valor do saldo a pagar, após as deduções legais; 2) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, informando se os cálculos do lucro presumido, com base no percentual de 8%, estão corretos; 3) informe se o direito creditório invocado no presente processo administrativo já foi utilizado e consumido em outros pedido de compensação apresentados pelo contribuinte; 4) Sendo a resposta ao item anterior positiva, informe qual o saldo remanescente do direito creditório e se esse saldo é suficiente para quitar os débitos indicados na Per/Dcomp de compensação apresentada. 5) apresente relatório conclusivo sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo, em especial, o crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ e qual o seu valor; 6) cientifique o contribuinte do relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos a este colegiado, para prosseguimento do julgamento. É como encaminho o julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, entendese pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a juntar aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário objeto do pedido de restituição. Com base nestes elementos e com demais informações que entenda ser necessária verifique e informe: 1) a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ devido no pedido de restituição do indébito tributário, considerando o valor do saldo a pagar, após as deduções legais; 2) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, informando se os cálculos do lucro presumido, com base no percentual de 8%, estão corretos; 3) informe se o direito creditório invocado no presente processo administrativo já foi utilizado e consumido em outros pedido de compensação apresentados pelo contribuinte; Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 11 10 4) Sendo a resposta ao item anterior positiva, informe qual o saldo remanescente do direito creditório e se esse saldo é suficiente para quitar os débitos indicados na Per/Dcomp de compensação apresentada.; 5) apresente relatório conclusivo sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo, em especial, o crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ e qual o seu valor; 6) cientifique o contribuinte do relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos a este colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 361DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.905367/2015-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.503
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 67 /2 01 5- 03 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.508. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.900265/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13971.900250/2008-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13971.900250/200871, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 02 65 /2 00 8- 30 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o PER/DCOMP nº 17362.43220.180504.1.3.040318. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de COFINS no montante de R$ 1.841,54. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, no montante original na data de transmissão de R$ 999,34, decorrente de DARF (Cód. 5993) recolhido em 30/07/1999. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, concluiu que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que na DIPJ/2000 foi apurado saldo negativo de IRPJ e, portanto, o recolhimento do DARF, declarado no PER/DCOMP, a título de estimativa mensal de IRPJ foi indevido. No mais, a contribuinte afirma que se equivocou ao preencher o PER/DCOMP, tendo em vista que declarou seu crédito como pagamento indevido ou a maior, quando, na realidade, deveria ter declarado saldo negativo. Em sessão de 20 de abril, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0728.437. Em vista do disposto na Portaria SRF nº 1.364/2004, vigente à época, o acórdão ficou dispensado de conter ementa. A DRJ/FNS não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) diante das informações constantes da DIPJ, inferese que o crédito da interessada corresponde a saldo negativo de IRPJ, entretanto a apuração de prejuízo ao final do ano calendário não torna inexigíveis, retroativamente, os débitos de estimativa mensal de IRPJ; (ii) caberia à interessada apresentar regularmente uma nova DCOMP informando corretamente a natureza do crédito. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário e reforçou suas razões de defesa no sentido de que, como a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 1999 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 4 3 era negativa, não há imposto a pagar. Logo, o valor recolhido a título de estimativa mensal representa crédito de tributo em favor da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.824, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº13971.900250/200871, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.824): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte indicou a existência de saldo negativo de IRPJ. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 5 4 a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 6 5 Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado No presente caso, a Recorrente afirma ter apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1999 e que, portanto, os pagamentos efetuados a título de IRPJ ao longo do ano de 1999 seriam indevidos. Alega que se equivocou no preenchimento do PER/DCOMP ao declarar seu crédito como pagamento indevido ou a maior, quando se tratava de saldo negativo. A DRJ, por sua vez, apesar de ter constatado que houve apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL na DIPJ/2000, concluiu que a Recorrente deveria ter apresentado uma nova declaração de compensação informando corretamente a natureza do crédito. Contudo, entendo que tal conclusão não merece prosperar. Cumpre consignar que a questão sobre a possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 1999 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 1999, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante ao presente: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 8 7 de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017). Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 10 a 15 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 9 8 Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 76DF CARF MF
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