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Numero do processo: 10945.002728/2005-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2007
EXCLUSÃO DO SIMPLES
Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que realize operações relativas à administração de imóveis ou que preste serviços profissionais de administrador ou assemelhado. Fundamentação legal: art. 9º,incisoXII, "b" e inciso XIII, art 13, inciso II, "a", art. 14, inciso I, art. 15, inciso II e art. 16 da Lei 9317/96. Art. 24, parágrafo 1º, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 608/2006.
Numero da decisão: 1802-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que realize operações relativas à administração de imóveis ou que preste serviços profissionais de administrador ou assemelhado. Fundamentação legal: art. 9º,incisoXII, "b" e inciso XIII, art 13, inciso II, "a", art. 14, inciso I, art. 15, inciso II e art. 16 da Lei 9317/96. Art. 24, parágrafo 1º, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 608/2006.
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Fundamentação legal: art. 9º,incisoXII, "b" e inciso XIII, art 13, inciso II, "a", art. 14, inciso I, art. 15, inciso II e art. 16 da Lei 9317/96. Art. 24, parágrafo 1º, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 608/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 27 28 /2 00 5- 82 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.002728/200582 Acórdão n.º 1802002.172 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Adoto o Relatório de fls. 56 dos autos, constante da Informação Fiscal da Delegacia da Receita Federal de Foz do Iguassú, PR, por retratar fielmente os fatos contidos no presente feito. Trata o presente processo de solicitação de revisão de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. A contribuinte foi excluída de ofício do Simples mediante o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/FOZ n° 527.023/2004 (fl. 02), por exercício de atividade econômica vedada, com base no código CNAE informado no cadastro CNPJ, relativo a atividades de apoio à administração pública (75140/00). A interessada apresentou solicitação de revisão da exclusão (fl. 01), alegando que o código CNAE informado no cadastro CNPJ referese a uma das atividades que constam em seu contrato social, mas que nunca fora exercida. Informou que a atividade da empresa é a administração de terminais rodoviários e que o código CNAE correto seria 63215/01 Operação em terminais rodoviários e serviços. A solicitação de revisão foi indeferida pela DRF/FOZ, com fundamento no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, considerando a atividade que a contribuinte declarou exercer, a qual seria vedada no regime simplificado, por ser atividade assemelhada à de administrador (fl. 15). Na sequência, a interessada apresentou impugnação à DRJ/CTA, com a alegação de que a atividade de apoio à administração pública que motivou a sua exclusão do Simples nada mais é do que a logística do terminal, não configurando a administração direta proibida pela legislação. A contribuinte também se manifestou contra os efeitos retroativos do ato de exclusão do Simples. No julgamento, a 2ª Turma da DRJ/CTA declarou nulo o ato de exclusão da interessada do Simples, considerando que o ADE DRF/FOZ n° 527.023/2004 não indicou com precisão qual dispositivo da Lei n° 9.317/96 foi infringido e que motivou a exclusão da contribuinte do regime simplificado (fls. 37/38). No entanto, foi ressalvado o direito de a administração pública emitir novo ato de exclusão, com o enquadramento legal explícito, caso entendesse cabível. Ato contínuo, a Delegacia da Receita Federal de Foz do Iguassú houve por bem emitir ato declaratório executivo excluindo a contribuinte do Simples, dessa vez fazendoo de forma motivada. Contra a exclusão foi apresentado recurso em 13/08/2011. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.002728/200582 Acórdão n.º 1802002.172 S1TE02 Fl. 4 3 Voto Conselheiro: Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento Entendo ser caso de improvimento do recurso, por estar formal e materialmente correto o ato de exclusão perpetrado pela DRF de Foz do Iguassú encartado às fls. 56 dos autos. A peça recursal traz como argumentos para a reinclusão da contribuinte recorrente o fato dela exercer atividade de suporte à administração, que seria permitida pela legislação que rege a matéria, posto trazer prova aos autos de que gestiona dois terminais rodoviários no Estado do Paraná – de Foz do Iguassú e de Campo Mourão. Aduz o recurso também que, se a decisão for mesmo pela exclusão da contribuinte do regime do Simples, que o seja a partir da prolação da citada decisão, e não desde 2002, como decidiu a DRF Foz. Entendo que não assiste razão nenhuma à contribuinte recorrente e adoto integralmente as razões de decidir da citada DRF competente, senão vejamos. Em consulta ao sistema CNPJ, verificouse que a interessada optou pelo Simples a partir de 01/01/1997, permanecendo no regime até 30/06/2007, quando foi excluída administrativamente. A atividade econômica da contribuinte informada no cadastro CNPJ era inicialmente "atividades de apoio à administração pública", código CNAE 75140/00. Com a transposição dos códigos CNAEFiscal 1. 1 para a versão CNAE 2.0, a denominação do código CNAE correspondente (84116/00) passou a ser "administração pública em geral" (fl. 47). Em 29/05/2001, a interessada constituiu uma filial no Município de Campo Mourão, CNPJ 82.682.337/000271, com o código CNAE 70327/00 "administração de imóveis por conta de terceiros", que com a transposição para a versão CNAE 2.0 passou a ser 68218/02 "corretagem no aluguel de imóveis" (fls. 48/49). Constam ainda no cadastro CNPJ da filial, as seguintes atividades econômicas secundárias: 68226/00 "gestão e administração da propriedade imobiliária" e 81117/00 "serviços combinados para apoio a edifícios, exceto condomínios prediais". O objeto da empresa, conforme descrito na 12ª alteração do Contrato Social, registrada em 23/11/2004 (fls. 27/33), é "administração de terminais rodoviários de cargas e passageiros, logística, guarda e transporte de mercadorias, atividades de apoio à administração pública, serviços auxiliares do transporte rodoviário e infraestrutura rodoviária, transporte municipal, intermunicipal, interestadual e internacional de cargas e passageiros, agenciamento Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.002728/200582 Acórdão n.º 1802002.172 S1TE02 Fl. 5 4 de cargas, administração de parques de estacionamento, administração de imóveis públicos e privados, administração hoteleira". A Fiscalização identificou, também, que no site da empresa na internet (www.aterfi.com.br), a contribuinte divulga que é responsável pela administração dos terminais rodoviários dos municípios de Foz do Iguaçu e de Campo Mourão (fls. 50/51). Por sua vez, o parágrafo único, do art. 1o, da Lei n° 2.940/2004, do Município de Foz do Iguassú revela que a interessada possuía a concessão da exploração dos serviços nas dependências e áreas do Terminal Rodoviário Internacional de Foz do Iguassú, de acordo com contrato firmado em 02/04/1992, alterado em 07/04/1999 e com possibilidade de prorrogação (fl. 52). Ora, a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, dispõe no art. 9º , inciso XII, alínea b, que não pode optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que realize operações relativas a administração de imóveis. Em adição, o inciso XIII do mesmo artigo estabelece que não pode ingressar no regime simplificado a microempresa ou empresa de pequeno porte que preste serviços profissionais de administrador ou assemelhado. Confirase: “Art. 9º : Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: b) locação ou administração de imóveis: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; .. . (grifouse) Se a interessada é responsável pela administração de terminais rodoviários, é evidente que exerce a atividade de administração de imóveis ou presta serviços assemelhados ao de administrador, sendo portanto vedada a sua opção pelo Simples. Desse modo, impõese a exclusão da contribuinte, de ofício, do regime simplificado, nos termos do artigo 14, inciso I, da Lei n° 9.317/1996, posto nunca ter tido a mesma o direito de lá permanecer. Restaria, pois, definir a data a partir da qual operamse os efeitos desse ato que, à toda prova, é declaratório e não constitutivo negativo (desconstitutivo) do direito da contribuinte recorrente. Rege a legislação que a exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: II obrigatoriamente, quando: Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.002728/200582 Acórdão n.º 1802002.172 S1TE02 Fl. 6 5 a) incorrerem qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9ª desta Lei; Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O art. 15, inciso II, da Lei n° 9.317/96 determina que para esta hipótese de vedação, a exclusão do Simples produz efeitos a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente. No caso concreto, o contrato de concessão remunerada de exploração dos serviços, dependências e áreas do Terminal Rodoviário Internacional de Foz do Iguaçu foi firmado em 02/04/1992 (fl. 52). Ou seja, a contribuinte já exercia a atividade considerada vedada antes mesmo de entrar em vigor o regime simplificado e, assim, deveria ser excluída de ofício a partir de 01/01/1997. No entanto, a Instrução Normativa SRF n° 608, de 2006, que regulamenta o regime tributário simplificado, dispõe no art. 24, § 12, inciso II, que no caso de empresas que tenham optado pelo Simples até 27/07/2001, o efeito da exclusão darseá a partir de 01/01/2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31/12/2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Ou seja, por ser o ato de exclusão meramente declaratório, posto ter considerado, com acerto, que a contribuinte recorrente jamais tivera o direito ao regime, deveriam seus efeitos operarse desde o início da irregularidade. Uma benesse da legislação, no entanto, remete a exclusão para o primeiro dia de janeiro de 2002. Por fim, e apenas a título ilustrativo, cabe observar que, em 02/07/2007, a interessada solicitou a opção pelo regime de tributação instituído pela Lei Complementar n° 123/2006, Simples Nacional. No entanto, o seu pedido foi indeferido por atividade econômica vedada, com base nos códigos CNAE constantes do cadastro CNPJ (fls. 54/55). Pelo exposto, voto pelo não provimento do recurso.. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10945.002728/200582 Acórdão n.º 1802002.172 S1TE02 Fl. 7 6 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 21/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por E STER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18050.003949/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/12/1998
AFERIÇÃO INDIRETA
A constatação de que a contabilidade não registra o movimento real do faturamento, do lucro e de remuneração dos segurados a serviço da empresa, enseja a aferição indireta das contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
O valor da remuneração da mão-de-obra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo.
ERROS CONTABILIDADE POSTERIOR AO LANÇAMENTO.
Não pode a autuação ser baseada em ofício do Ministério Público do Trabalho de uma localidade, extensivo a demais filiais, mormente em sendo erro pontual e, sobretudo, em data posterior ao lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-003.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido aos equívocos na contabilidade terem ocorrido em período posterior ao da aferição, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Redator: Wilson Antônio de Souza Correa.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Correa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo. ERROS CONTABILIDADE POSTERIOR AO LANÇAMENTO. Não pode a autuação ser baseada em ofício do Ministério Público do Trabalho de uma localidade, extensivo a demais filiais, mormente em sendo erro pontual e, sobretudo, em data posterior ao lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido aos equívocos na contabilidade terem ocorrido em período posterior ao da aferição, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Redator: Wilson Antônio de Souza Correa. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 39 49 /2 00 8- 05 Fl. 987DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003949/200805 Acórdão n.º 2301003.951 S2C3T1 Fl. 474 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 110), o crédito constante do lançamento foi obtido com base no valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, por aferição indireta, de acordo com os percentuais mínimos estabelecidos no item VII, 51, da OS 209/99, c/c artigos 53, 54 e 55, da IN 18/2000. A autoridade notificante informa que a empresa paga horas extras a seus empregados “por fora” da folha de pagamento, e não registra tais pagamentos em sua contabilidade, deixando de lançar, por tanto, em títulos próprios de sua contabilidade, o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o art. 32, II, da Lei 8.212/91 e o art. 225, II, parágrafo 13, do Decreto 3.048/99. A notificada apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, nos termos do Despacho de fls. 261, resultando na emissão do Relatório Fiscal Complementar de fls. 296, por meio do qual a autoridade fiscal discute cada argumento trazido na impugnação, e conclui por acatar parte das razões trazidas pela notificada e por retificar o débito. Por meio DecisãoNotificação nº 04401.4/818/2002 o INSS julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização e a recorrente, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls.327), alegando, em síntese, o que se segue. Insurgese contra o procedimento de aferição indireta adotado na apuração do débito, alegando que a fiscalização preferiu desconsiderar todos os livros e documentos disponibilizados e simplesmente somar todas as notas fiscais de serviço, abatendo as guias pagas, tendo sido apenas este o trabalho da fiscalização, que culminou na lavratura de 13 notificações, em diversos Estados da Federação. Questiona que fato tão grave teria acontecido para que as autoridades autuantes desprezassem a contabilidade da notificada e preferissem o extremo caminho do arbitramento e aponta como motivo para tanto o ofício remetido pelo Ministério Público do Trabalho do Paraná, de onde os autuantes retiraram alguns fatos que foram decisivos para que ao final optassem pelo arbitramento, quais sejam, a existência de recibos paralelos do pagamento de horas extras e cartões de ponto sem o registro das horas extras realizadas. Estranha o fato de que tenha sido apenas essa motivação, envolvendo apenas o período de 04/1999 e 01/2000, que levou a fiscalização a optar por um arbitramento de todos os empregados da notificada, incluindo mais outros 05 municípios, e abrangendo um período muito superior ao das apontadas irregularidades, ao invés de simplesmente cobrar da notificada as eventuais contribuições que não teriam sido pagas. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Entende que notificação não pode subsistir, visto que é totalmente ilegal e injusta, entestando inclusive com a orientação solidificada do próprio INSS, conforme se verifica da IN no 70/2002, art. 58, § 2°, refletida em reiteradas decisões de primeira e segunda instâncias, sem falar da copiosa jurisprudência dos Tribunais a respeito do Tema. Transcreve afirmação feita pelos agentes autuantes nos autos do AI 35.159.1087, no sentido de que a autuada recolheu e declarou em GFIP, antes do início da ação fiscal em curso, os valores referentes às horas extras pagas e informa que junta aos autos, para que se possa avaliar a injustiça do arbitramento, cópias de várias inspeções do Ministério do Trabalho em seu estabelecimento matriz, em Salvador, onde nenhuma irregularidade foi encontrada. Registra que o próprio Procurador do Trabalho, que liderou a inspeção de Curitiba, informou que o procedimento investigatório limitase àquela filial, o que torna flagrante o excesso cometido pelos autuantes, que resolveram estender as conclusões da fiscalização em Curitiba para os outros estabelecimentos, mesmo sabendo que em nenhum deles foi constatada qualquer irregularidade. Sustenta que não ocorrera nenhuma das hipóteses que autorizam o arbitramento, contidas no art. 148 do CTN e que, de acordo com a ON 02/95, que uniformizou o conteúdo do Relatório Fiscal integrante das NFLD, em seu item 4.4.8, quando se refere à aferição indireta (arbitramento), determina que o FCP "deverá apresentar, de forma pormenorizada, a justificativa da aferição, com caracterização da ausência dos elementos solicitados, da insuficiência ou da não aceitação dos apresentados". Ressalta que, no caso sob exame, não houve "ausência dos elementos solicitados" ou mesmo "insuficiência" ou "não aceitação dos apresentados", pois tudo foi apresentado à fiscalização do INSS e, mesmo as apontadas irregularidades encontradas pela inspeção da Procuradoria do Trabalho, no Paraná, já estavam regularizadas quando da fiscalização do INSS. Aponta alguns equívocos materiais que, segundo entende, foram cometidos na apuração do débito, discordando da forma utilizada para a aferição, argumentando que a IN 18/2000 citada no relatório fiscal é aplicável exclusivamente para obra de construção civil, o que não é o caso dos serviços prestados pela recorrente, que é uma "fornecedora de serviços de implantação, instalação, montagem e reparos no sistema de telecomunicações”, conforme comprova o próprio CNPJ da notificada, que faz constar o código da atividade econômica principal como sendo o de n° 64.203/06, correspondente a "Serviço de Manutenção de Redes de Telecomunicações”. Assevera que houve inúmeros equívocos nos lançamentos das NFLDs, com valores equivocados das notas fiscais e guias de recolhimentos, e a notificada, para comprovar, elencou, um a um, os apontados equívocos do lançamento, separandoos por NFLD, sendo que neste ponto teve a sua defesa acolhida pela instancia anterior, que reduziu o débito em algumas das NFLDs, mantendo, no entanto, o vergonhoso arbitramento, injustificadamente. Reitera que não se justificaria a adoção do temerário arbitramento, que é uma medida extrema, a ser utilizada em último caso, quando forem "omissos ou não mereçam fé as declarações ou esclarecimentos prestados, ou os documentos expendidos pelo sujeito passivo" , nos exatos termos do art. 148 do CTN. Colaciona alguns julgados administrativos e judiciais sobre o tema, afirmando ser importante essa avaliação pois, se a notificada não obtiver êxito na instância Fl. 990DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003949/200805 Acórdão n.º 2301003.951 S2C3T1 Fl. 475 5 administrativa, recorrerá ao judiciário, onde é certa sua vitória, o que acarretará a condenação do INSS a pagar os honorários de sucumbência, sendo que os julgadores deverão levar em conta este fato, uma vez que poderão serem responsabilizados no futuro. Cita a IN 70/2002 que, em seu art. 58, § 2o, dispõe que "somente será aferida indiretamente a base de cálculo de contribuição referente ao período no qual ocorreu qualquer das hipóteses previstas nos incisos I a II e IV", sendo, portanto, ilegal a ampliação do tempo, como acabou ocorrendo. Finaliza requerendo que seja acolhida a irresignação, para afastar o ilegal, injusto e temerário arbitramento, por violar os mais básicos direitos da defendente. O INSS, por meio do ContraRazões de fls. 380, manteve a decisão recorrida e a 2a CAJ do CRPS, por meio do Acórdão 390 (fls. 386), decidiu, por unanimidade, anular a decisão de primeira instância, para que fosse dada ciência, ao contribuinte, do resultado da diligência realizada após a impugnação. Devidamente cientificada do Acórdão do CRPS e do pronunciamento da fiscalização, a recorrente se manifestou às fls. 398 e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio DecisãoNotificação nº 04401.4/0058/2006 (fls. 413), julgou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD procedente em parte, mantendo a retificação feita anteriormente. Inconformada com a nova decisão, a notificada apresentou recurso (fls.431), repetindo basicamente as alegações já trazidas em suas manifestações anteriores. Na tentativa de comprovar a ilegalidade do lançamento, destaca que a NFLD 35.159.1060, lavrada na mesma ação fiscal, foi julgada nula pelo então CRPS, que entendeu, na ocasião, que a aferição indireta realizada feriu frontalmente o art. 148, do CTN, e os arts 33 e 37, da Lei 8.212/91. Requer que seja aplicado o mesmo entendimento ao presente caso, no qual se verifica situação idêntica àquela julgada anteriormente, e que seja julgada nula a NFLD 35.159.0951, para afastar o ilegal arbitramento. É o relatório. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente tenta demonstrar que o procedimento de aferição indireta realizado pela fiscalização é descabido, e que a notificação é ilegal e injusta, não podendo subsistir. Porém, a fiscalização constatou que a empresa remunerava segurados empregados com o pagamento de horas extras e não registrava, em sua contabilidade, tais pagamentos. Portanto, foi constatado, do exame da Escrituração Contábil da empresa, que a notificada não registrou o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço e da receita, nos Livros Contábeis de 1999 e 2000, ensejando, dessa forma, o arbitramento do débito, com base nas notas fiscais de serviço, e a aferição indireta em conformidade com o artigo 33, §§ 3o , 4o, e 6o, da Lei 8.212/91. A notificada alega que recolheu e declarou em GFIP, antes do início da ação fiscal em curso, os valores referentes às horas extras pagas e informa que junta aos autos, para que se possa avaliar a injustiça do arbitramento, cópias de várias inspeções do Ministério do Trabalho em seu estabelecimento matriz, em Salvador, onde nenhuma irregularidade foi encontrada. Ocorre que o débito não foi arbitrado pelo fato de a empresa não ter pago ou informado as contribuições devidas incidentes sobre as horas extras em GFIP, mas sim por não terem esses pagamentos sido registrados nos Livros Contábeis da recorrente, o que prova que a contabilidade não espelha a realidade econômicofinanceira ou o valor real da mão de obra a serviço da notificada. A recorrente estranha o fato de que, apesar de as irregularidades constatadas envolverem apenas o período de 04/1999 e 01/2000 e apenas a filial de Curitiba, a fiscalização optou por um arbitramento de todos os empregados da notificada, incluindo mais outros 05 municípios, e abrangendo um período muito superior ao das apontadas irregularidades, ao invés de simplesmente cobrar da notificada as eventuais contribuições que não teriam sido pagas. Todavia, conforme esclarecido na decisão recorrida, a contabilidade da empresa é centralizada, não estando segregada por CNPJ, e a existência de pagamentos de remuneração realizados nos exercícios fiscais de 1999 e 2000 e não contabilizados nos Livros Diários dos respectivos exercícios demonstra que a contabilidade da empresa não merece fé, já que os lançamentos não atendem aos princípios contábeis, não havendo que se falar em limitação temporal ou espacial, o que justifica a utilização do lançamento arbitrado, nos termos do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91. A recorrente sustenta que não ocorrera nenhuma das hipóteses que autorizam o arbitramento, contidas no art. 148 do CTN e que não foi observado o disposto na ON 02/95, Fl. 992DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003949/200805 Acórdão n.º 2301003.951 S2C3T1 Fl. 476 7 que determina que o FCP "deverá apresentar, de forma pormenorizada, a justificativa da aferição, com caracterização da ausência dos elementos solicitados, da insuficiência ou da não aceitação dos apresentados", ressaltando que, no caso sob exame, não houve "ausência dos elementos solicitados" ou mesmo "insuficiência" ou "não aceitação dos apresentados", pois tudo foi apresentado à fiscalização do INSS e, mesmo as apontadas irregularidades encontradas pela inspeção da Procuradoria do Trabalho, no Paraná, já estavam regularizadas quando da fiscalização do INSS. Contudo, no caso das contribuições previdenciárias, a base de cálculo é a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, ou seja, é o valor da mão de obra. O art. 148, do CTN, tantas vezes utilizados na argumentação da recorrente, estabelece que “Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” No caso dos autos, o fato de a empresa não declarar, em sua contabilidade, todo o valor da mão de obra utilizada na prestação dos serviços, demonstra que não merecem fé os seus Livros contábeis, que são documentos expedidos pelo sujeito passivo. E o AFPS, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e apurou corretamente o débito por aferição indireta, mediante a aplicação dos percentuais previstos na legislação, sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços. Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, observase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Assim, ao apresentar documentos que não registram o movimento real de remuneração, a recorrente não deu outra alternativa à auditoria fiscal a não ser arbitrar o débito, conforme determina o § 3º, art. 33, da Lei 8.212/91, aplicando os percentuais previstos na legislação vigente à época. Cumpre observar que os percentuais utilizados pela fiscalização para apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária são aqueles estabelecidos nos Fl. 993DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 normativos vigentes à época, quais sejam, OS 51/92, OS 83/93, confirmados posteriormente pelas OS 203/99 e 209/99, qual seja, 40% sobre o valor total da nota fiscal de serviços. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, o agente fiscal, ao constatar tal situação, agiu corretamente arbitrando o débito e lavrando a presente NFLD, em estrita observância aos ditames legais. Ademais, segundo nos ensina Hely Lopes Meirelles: “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular, significa ‘pode fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’.” (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991. 16ª ed. Atual. Pela Constituição de 1988, 2ª tiragem, p. 78). Assim, o Fiscal notificante aferiu o débito, consoante normativos legais vigentes à época do lançamento. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 994DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18050.003949/200805 Acórdão n.º 2301003.951 S2C3T1 Fl. 477 9 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Antonio de Souza Correa, Redator Designado Peço vênia à perfulgente Relatora, em que pese sua notória sapiência, mas dela divirjo no presente voto, conforme exposto abaixo. ERROS NA CONTABILIDADE POSTERIOR À AFERIÇÃO O lançamento foi apurado e realizado por meio de aferição indireta, com base no valor bruto das notas fiscais de serviço, implicando em desconsiderar todos os livros e documentos disponibilizados pela Recorrente. O arbitramento foi realizado, segundo informa a fiscalização em razão de que durante a ação fiscal na empresa foi examinado um ofício exarado e emitido pelo Ministério Público do Paraná, onde constatou a fiscalização a existência de recibos paralelos de pagamento de horas extraordinárias, e cartões de ponto sem o registro de horas extras realizadas, bem como cópias de recibos de horas extras sem a incidência de encargos sociais, mas apenas na filial do Paraná, no período de abril de 1999 e janeiro de 2000. Vejo como incorreto está o procedimento fiscal, eis que a autoridade fiscal motivou o lançamento extensivo as demais filiais, com fulcro num ofício do MPT do Paraná, onde houve a averiguação de um erro contábil pontual, dito como excepcional, em período posterior ao do lançamento. CONCLUSÃO Concluo, portanto, que estando regular o Remédio Recursivo, dele conheço para no mérito DARLHE PROVIMENTO, eis que os equívocos na contabilidade cometidos pela Recorrente não podem fulcrar o lançamento em razão de os mesmos serem posteriores ao lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa – Redator Fl. 995DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720126/2009-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
A decisão proferida por autoridade competente que traz em seu bojo as razões de decidir, permitindo ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa, manifestando sua inconformidade com argumentos claros e lógicos na instância recursal, não padece de nulidade, posto que não apontadas as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A decisão proferida por autoridade competente que traz em seu bojo as razões de decidir, permitindo ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa, manifestando sua inconformidade com argumentos claros e lógicos na instância recursal, não padece de nulidade, posto que não apontadas as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte
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OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRÍCULA DE REGISTRO DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Ato constitutivo da reserva e requisito formal para reconhecimento do direito à isenção da área, a averbação deve ser feita em data anterior ao fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A decisão proferida por autoridade competente que traz em seu bojo as razões de decidir, permitindo ao contribuinte o pleno exercício de seu direito de defesa, manifestando sua inconformidade com argumentos claros e lógicos na instância recursal, não padece de nulidade, posto que não apontadas as hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 01 26 /2 00 9- 13 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720126/200913 Acórdão n.º 2801003.499 S2TE01 Fl. 98 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1a.Turma da DRJ/CGE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (f. 01/04), mediante a qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural ITR, Exercício 2006, no valor total de R$ 111.769,89, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 5.113.6252, .localizado no município de Canelinha SC. Na descrição dos fatos, o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa das áreas informadas como de preservação permanente e de reserva legal, além da alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo e do valor devido do tributo. A interessada apresentou a impugnação de f. 16/24. Preliminarmente,alega nulidade do lançamento. No mérito, argumenta, em síntese, que repetiu, na DITR, as informações que vinham sendo prestadas anteriormente pelo seu falecido marido. Defende que há 27 anos as informações são prestadas desta forma, sendo que nunca houve questionamento. Aduz que tem direito adquirido ao reconhecimento da veracidade das informações. Alega, que a matrícula do imóvel dá conta da existência de bacia hidrográfica de captação de água para abastecimento do município, fato que por si só indica que a área é recoberta por grande fração de área de preservação permanente. Com relação ao valor da terra nua, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720126/200913 Acórdão n.º 2801003.499 S2TE01 Fl. 99 3 afirma que os valores atribuídos ao imóvel, além de absurdamente altos, são desproporcionais e completamente fora da realidade comercial da região. Manifesta interesse em entregar, pelo valor de avaliação, o imóvel para que seja destinado ao programa de reforma agrária. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de ( fls.70/75numeração digital), assim ementado a seguir: Assunto: Imposto sobre Propriedade Territorial Rural IRT Exercício: 2006 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. AVERBAÇÃO. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal eve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro e Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão da DRJ restabeleceu 67,40 m2 de área de preservação permanente, declarada, tendo em vista a sua comprovação documental por meio do ADA( fl.68). Cientificado da decisão de 1a instância em 20.10.2011(fl.75numeração digital),a contribuinte, representado por seu advogado (fl.40), apresentou recurso em 21.11.2011às ( fls.79/84numeração digital). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte Apresentou DITR/2005, repetindo os dados lançados nos exercícios anteriores. Alega que toda área do imóvel 100%, está coberta com mata nativa e Mata Altantica. Diz que contratou Engenheiro Agrônomo e Florestal para proceder, eventual retificações do registro do imóvel. Aduz que a área registra de 413,50 há, não existe, pois atualmente as confrontações respeitados pelo lindeiros confere a área de 281,8311 há. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720126/200913 Acórdão n.º 2801003.499 S2TE01 Fl. 100 4 Argumenta que o levantamento feito apresentou o seguinte área:Área APP 67,40 ha e 214,43 há de Mata Atlantic. Cita o Decreto 759/1993, revogado pelo Decreto 6600/2008. Ao final pede a cancelamento do Auto de infração e do lançamento de ofício seja acolhida parcialmente as razões expostas. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator A Contribuinte foi intimado no dia 20.10.2011 (sexta feira), o prazo iniciou se no 1o dia útil, ou seja no dia 23.10.2009 (segunda feira), seu término se deu no dia 22.11.2011, portanto tempestivo. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser reconhecido. PRELIMINAR A recorrente argui a nulidade do auto de infração, quanto ao pedido, penso que não haja razão de ser. A decisão, proferida por autoridade competente e que explana claramente suas razões, permitindo ao contribuinte que, discordando, apresente seu recurso voluntário, é válida e não há que se levantar vício de nulidade, posto que não foi apontado nenhum motivo dos elencados no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Considerando a decisão proferida pela DRJ que deu parcial provimento a impugnação apresentada pela Recorrente, a matéria que restou em discussão no presente processo diz respeito a (i) área de reserva legal e (ii) VTN – valor da terra nua. DA AVERBAÇÃO DA RESERVA LEGAL NA MATRÍCULA DO IMÓVEL Para fazer jus à redução o sujeito passivo deverá proceder a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720126/200913 Acórdão n.º 2801003.499 S2TE01 Fl. 101 5 no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Portanto, entendo que a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior ao inicio do procedimento fiscal. A Recorrente apresentou Laudo Técnico às (fls.58/64), com a impugnação a DRJ entendeu não é apto a comprovar o VTN, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 146533 da ABNT, para enquadramento os graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco), nadata do fato gerador do ITR. Portanto, a decisão de piso considerou o valor por hectare para o Município do imóvel em 2005, em R$ 2.474,95, “VTNDITR” médio por Aptidão Agrícola (fl.69). Inicialmente, é importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720126/200913 Acórdão n.º 2801003.499 S2TE01 Fl. 102 6 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720126/200913 Acórdão n.º 2801003.499 S2TE01 Fl. 103 7 §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001 Ante à legislação supramencionada, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Convém destacar que o art. 8o , parágrafo 2o, da Lei n. 9.393/96, estabelece que o Valor da Terra Nua – VTN deve refletir necessariamente o preço de mercado do imóvel, apurado no 1o de janeiro do ano que se referir o DIAT. Ocorre que, no presente caso, o VTN extraído do SIPT para o exercício em análise e o município de localização do imóvel não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitase ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta a tela SIPT, (fls. 69). Assim, tal valor não permite a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento, portanto inadmissível o VTN por aptidão agrícola. Registro por fim, que não existe nos autos nenhum documento que evidencie que a área apontada pela contribuinte é mata atlântica. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado, Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13971.720126/200913 Acórdão n.º 2801003.499 S2TE01 Fl. 104 8 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10660.902202/2012-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 22 02 /2 01 2- 10 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902202/201210 Acórdão n.º 3803006.014 S3TE03 Fl. 154 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 336.655,64. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem deferiu apenas em parte a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido parcialmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902202/201210 Acórdão n.º 3803006.014 S3TE03 Fl. 155 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902202/201210 Acórdão n.º 3803006.014 S3TE03 Fl. 156 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.902202/201210 Acórdão n.º 3803006.014 S3TE03 Fl. 157 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005420/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A falta de pagamento ou antecipação do IRRF impõe a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, conforme dispõe o Recurso Especial nº 973.733/SC julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF), contando-se o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RECURSOS ENTREGUES A SÓCIOS OU A TERCEIROS. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do IRRF, exclusivamente na fonte, os recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa.
DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIFICADORA APRESENTADA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DOS SEUS REGULARES EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 33.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA.
Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2201-002.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Mario Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140.284.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2005 IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A falta de pagamento ou antecipação do IRRF impõe a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, conforme dispõe o Recurso Especial nº 973.733/SC julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF), contando-se o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RECURSOS ENTREGUES A SÓCIOS OU A TERCEIROS. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. INCIDÊNCIA. Sujeitam-se à incidência do IRRF, exclusivamente na fonte, os recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIFICADORA APRESENTADA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DOS SEUS REGULARES EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 33. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Mario Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140.284. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2005 IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A falta de pagamento ou antecipação do IRRF impõe a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, conforme dispõe o Recurso Especial nº 973.733/SC julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF), contandose o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RECURSOS ENTREGUES A SÓCIOS OU A TERCEIROS. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do IRRF, exclusivamente na fonte, os recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou sua causa. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIFICADORA APRESENTADA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DOS SEUS REGULARES EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 33. “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 54 20 /2 00 9- 57 Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) e ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Mario Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140.284. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), sobre pagamentos efetuados em 02/04/2004 e 26/04/2004, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 718/722, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 50.092.316,64, calculado até 30/11/2009. A fiscalização apurou falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa realizados em favor de seus sócios, na forma do §1º do art. 674 do RIR/1999. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício qualificada de 150%. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: PRELIMINARMENTE 1 A decadência nos termos do art. 150, §4º, do CTN. O lançamento somente se materializou em 04 de dezembro de 2009, com a ciência expressa do contribuinte, todos os valores relativos a fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos, contados regressivamente a essa data, como os do presente caso já teriam sido alcançados pela decadência. MÉRITO 2 A origem dos lucros destinados pela São Rafael à conta de dividendos a pagar. Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 3 3 Os pagamentos efetuados aos sócios da impugnante seriam dividendos que em 1998 teriam sido escriturados pela empresa São Rafael em conta de “dividendos a pagar”, assim os lucros distribuídos, no montante de R$ 29.295.057,15, teriam origem devidamente comprovada. 2.1 Da equivalência patrimonial. A fiscalização teria argumentado, para sustentar uma suposta ausência de comprovação de origem dos lucros distribuídos, que os resultados de equivalência patrimonial não seriam tributados e, consequentemente, não seriam passíveis de distribuição e que as investidas da São Rafael teriam destinado os lucros acumulados de 1997 para aumento de capital ou ainda que se trataria de prejuízo. O fato de referido resultado não se sujeitar à tributação na São Rafael não prejudicaria de forma alguma a possibilidade de destinar o lucro formado com tais ganhos à distribuição de dividendos. Quanto ao entendimento da d. autoridade fiscal de que os lucros acumulados de 1997 das investidas destinarseiam a aumento de capital ou que se tratariam de prejuízo e que, portanto, não se sustentaria a destinação do lucro da São Rafael à conta de dividendos a pagar, é imprescindível que se esclareça que se trata do lucro da São Rafael do anocalendário 1996, e não 1997, e que o lucro da investidora, ainda que sofresse impactos de MEP, i.e. dos lucros de suas investidas, com estes não se confundiriam. 2.2 Dos lucros de 1996. (...) No entanto, a despeito de que a decisão pela distribuição de lucros terseia dado em 1997, estes consistiriam em lucros do ano de 1996 que estariam contabilizados em contas de "Reserva de Lucros a Realizar" e "Reserva Legal" (Doc. 08), tanto que o lançamento a crédito em conta de dividendos a pagar teria tido como contrapartida débitos nas contas citadas; que teriam recebido os lucros de 1996. (...) 2.3 Dos valores reconhecidos nas DIPJ Outro entendimento do fiscal para sustentar o lançamento referirseia ao fato de as que as DIPJ da São Rafael e de suas investidas não reconheceriam os resultados mencionados. As DIPJ dos períodos em questão possuiriam equívocos de preenchimento, o que não seria o bastante para afastar o direito da Impugnante de efetuar a distribuição de lucros. Por ocasião de incorporação da parcela cindida da São Rafael; tendo o impugnante recebido saldo de dividendos a pagar (docs. 03 e 04), cuja origem estaria devidamente amparada em Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 documentos contábeis da São Rafael e de suas investidas (Docs. 05, 06, 07, 08 e 09), seria seu dever efetuar a distribuição de tais dividendos, ainda que porventura as DIPJ destas não refletissem a origem dos lucros a serem distribuídos. 3 A transferência do saldo residual de dividendos a pagar. Em 31/12/2003, a São Rafael passou por processo de cisão, sendo a parcela cindida incorporada pela SRH, a impugnante, em 31/12/2003, que foi constituída nesta mesma data. O saldo na conta de dividendos a pagar no montante de R$ 29.295.057,15, foi vertido à impugnante. Afirmar como o fez a fiscalização que em decorrência de tais atos a Impugnante não poderia efetuar a distribuição dos lucros registrados na conta de dividendos a pagar a ela vertida por ocasião da cisão da São Rafael seria negar o instituto da incorporação, por meio do qual a incorporadora assume todos os direitos e obrigações da incorporada ... não apenas poderia a Impugnante ter efetuado a distribuição dos dividendos, como era sua obrigação fazêlo em razão da incorporação do saldo da conta de "Dividendos a Pagar" no montante de R$ 29.295.057,12. 4 A titularidade das ações da São Rafael e da Impugnante. A renúncia ao usufruto das ações de emissão da São Rafael encontrarseia devidamente averbada no Livro de Registro de Ações Nominativas, nos termos do artigo. 40 e 100, inciso I, alínea f, da Lei n° 6.404/76 (doc. 17), sendo este documento suficiente para que referido ato jurídico produza efeitos contra terceiros, não restaria dúvida que a renúncia do usufruto realizada pelo Sr. Isaac Sverner produz efeitos contra terceiros, restando comprovado o direito dos Srs. Roberto Eduardo, Susan e Beatriz Sverner aos lucros. (...) 5. O descabimento da multa qualificada. Ao considerar indevidamente o instrumento particular de renúncia de 02/04/04 como documento falso, a fiscalização teria concluído que a Impugnante cometera crime contra ordem tributária, que justificaria a aplicação da multa de Ofício qualificada de 150%, nos termos do art. 44 §1°, da Lei n°9.430/96 e artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, no entanto com demonstrado acima, não se sustentaria a alegação de que o documento apresentado seria falso. (...) Os membros da 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI decidiram converter o julgamento em diligência, para maiores esclarecimentos (fls. 1109/1110). Vejase: No decorrer do exame dos autos, especificamente no tópico relacionado titularidade das ações da São Rafael Comércio e Incorporações S/A (São Rafael), surgiu dúvida que mostra a conveniência da realização da diligência. (...) Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 4 5 Argumenta o impugnante que a renúncia ao usufruto das ações de emissão da São Rafael encontrase devidamente averbada no Livro de Registro de Ações Nominativas, nos termos do artigo 40 e 100, inciso I, alínea "f”, da Lei n° 6.404, de 1976 (Doc. 17, de fls. 1040 a 1047), sendo este documento suficiente para que o referido ato jurídico produza efeitos contra terceiros. (...) Diante da apresentação na peça impugnatória de cópias de trechos do Livro Registro de Ações Nominativas (Doc. 17, de fls. 1.040 a 1.047), proponho a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972 com alterações, para que seja: a) realizado exame de autenticidade dos trechos do livro Registro de Ações Nominativas apresentados na forma de cópia; b) verificado se o livro de Registro de Ações Nominativas, fonte das cópias dos documentos apresentados, está revestido das formalidades legais previstas no art. 100 da Lei n° 6.404, de 1976. Ante o exposto, proponho o envio do presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo para as providências de realização da diligência. Cumprida a diligência, a autoridade lançadora lavrou o Termo de Encerramento de Diligência, fls. 1426/1430, como se segue: (...) Informação Fiscal No que tange à solicitação relativa ao "Item A" do despacho exarado a folha 1052, informamos que: as folhas anexadas ao processo a folhas 1040 a 1047 são cópias idênticas àquelas constantes do livro n° 01 do "Registro de Ações Nominativas", da empresa "São Rafael Comércio e Incorporações. S/A" (CNPJ 61.420.949/000135), registrado na JUCESP sob n° 138963 em 30/12/1982 (folha n° 1060), apresentado pelo contribuinte em resposta ao "Termo, de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos" lavrado em 05/09/2010 (folha 1058). No que tange à solicitação relativa ao "Item B" do despacho exarado a folha 1052, informamos que: no citado livro n° 01 do "Registro de Ações Nominativas", da empresa "São Rafael Comércio e Incorporações S/A" não nos foi possível localizar a assinatura das partes envolvidas, conforme previsto no inciso II do artigo 104 da Lei 4.404/76, abaixo transcrito: (...) Considerações Gerais Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Ainda com relação ao despacho exarado a folha 1052, e considerando que o contribuinte acrescenta novas informações em sua impugnação e após a analise dos elementos apresentados pelo mesmo em resposta aos termos lavrados, nos curso dos trabalhos inerentes ao presente MPF, verificamos o que segue: A) Verificase junto à impugnação apresentada pelo contribuinte (folhas 746 a 778) que o mesmo enfatiza que o lançamento efetuado em 04/12/2009 (processo n° 19515.015420/20095) baseiase em um único documento considerado falso pela fiscalização que é o da "Renuncia do Usufruto, datado de 02/04/04"; tal afirmativa não é verdadeira, considerando que os beneficiários dos recursos (que serviram de base de calculo para o lançamento) encontravamse sob ação fiscal desde 17/12/2007; B) Ressalvese que mesmo sob ação fiscal e após a apresentação de inúmeros documentos, os beneficiários dos recursos não apresentaram nenhum documento que comprovasse à origem dos recursos, registrados (em órgãos públicos) e/ou com firma reconhecida, com data anterior à intimação lavrada 08/04/2008, conforme citado no "Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 04/12/2009" (folhas 698 a 717). C) Foi citada a data de 08/04/2008, pois, nesta data os beneficiários dos recursos foram intimados a comprovar a origem dos "Rendimentos Isentos e/ou Não Tributáveis", declarados em suas "Declaração de Ajuste Anual 2005 (Ano base 2004), conforme citado no "Item 01 do Termo de Intimação Fiscal N° 002"; junto as seguintes ações fiscais; sendo que o presente crédito tributário só foi constituído em 04/12/2009: (...) D) Neste interregno (08/04/2008 a 04/12/2009) os beneficiários dos recursos além de dificultarem e postergaram a entrega dos documentos e demais informações requeridas nos termos lavrados, adulteraram inúmeros documentos no intuito de comprovar a origem dos recursos declarados por eles como "Rendimentos Isentos e/ou Não Tributáveis" em sua "Declaração de Ajuste Anual 2005 (Anobase 2004), conforme inicialmente citado no "Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 04/12/2009" (folhas 698 a 717) e abaixo completado: D.l Verificase que os beneficiários declararam que: os recursos recebidos correspondiam efetivamente a dividendos distribuídos em 2004 pela empresa "SRH Participações Ind. E Com. Ltda" e que estes eram decorrentes de lucros auferidos pela empresa "São Rafael Comércio e Incorporação" a ela vertida por ocasião da cisão desta e da sua constituição (folhas 419, 477, 534 e 591); ' D.2 Considerando que tal alegação não encontrava respaldo nos valores declarados na DIPJ EX 2005/AC 2004 entregue em 30/06/2005 (folhas 172 a 177) e no intuito de comprovar o alegado pelos sócios, em 13/07/2009 o contribuinte retificou sua DIPJ EX 2005 / AC 2004 (folhas 249 a 255); conforme se verifica nas folhas 176 e 253; Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 5 7 D.3 Considerando que, nos termos da legislação, vigente, a DIPJ declarada com base no "Lucro Real" (que é o presente caso), deve possuir escrita contábil regular e visando comprovar os valores declarados na DIPJ EX 2005/AC 2004 retificadora, o contribuinte teve de retificar também a escrita dos livros Diário e Razão, conforme se verifica nos documentos de folhas 298 a 306 e 1114 a. 1134, mais especificamente junto aos documentos abaixo relacionados que comprovam que os livros "Diário Geral n°1 e 2" foram autenticados posteriormente à intimação dos beneficiários: Folha 1114 Diário Geral n°1 (de 2004) Autenticado na JUCESP em 05/02/2009. Folha 302 Diário Geral n°2 (de 2005) Autenticado na JUCESP em 05/02/2009 E — Com relação ao documento "Instrumento, Particular de Renúncia de Usufruto", datado de 02/04/2004 (folhas 1036 a 1038), considerado falso pelos elementos descritos no "Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 04/12/2009" (folhas 698 a 717) e os dados apurados no curso dos trabalhos relativos ao presente MPF, deixamos consignado que: E.1 Consta do "Item 6" do citado "Termo de Constatação Fiscal" que, todos os "Instrumentos Particulares de Doação" apresentados foram levados a registro, cumprindo as formalidades exigidas na legislação vigente; E.2 Consta do "Item 7" do citado "Termo de Constatação Fiscal" que, com exceção do "Instrumento Particular de Renúncia de Usufruto" (datado de 02/04/2004), todos os demais "Instrumentos Particulares de Renuncia de Usufruto", tiveram firma reconhecida de todos às pessoas que assinaram em data compatível com a lavratura e não foram levados a registro; E.3 — Consta do "Item 7" do citado "Termo de Constatação Fiscal" que o "Instrumento Particular de, Renúncia de Usufruto" (datado de 02/04/2004), não teve o reconhecimento de firma de nenhuma das pessoas que assinaram e também não foi levado a registro; E.4 Conforme informa o contribuinte (folha 1154) a testemunha Lúcia Aires. Ribeiro do "Instrumento Particular de Renúncia de Usufruto" (datado de 02/04/2004), não era funcionária da "Grupo CCE" em 02/04/2004; E.5 Conforme informa o contribuinte (folha 1154), a testemunha Lúcia Alves Ribeiro do "Instrumento Particular de Renúncia de Usufruto" (datado de 02/04/2004), prestava serviços para o "Grupo CCE" em 02/04/2004, desde o seu desligamento em 1998 até 2005, por meio da empresa "GIAN Escrituração Fiscal Ltda. da qual era sócia; E.6 Verificamos junto aos sistemas da RFB (sistema D1RF) que a empresa "GIAN Escrituração Fiscal Ltda" não sofreu nenhuma Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 retenção de IRFFonte sobre trabalhos prestados a Pessoas Jurídicas no ano de 2004; E.7 Verificamos junto aos sistemas da RFB (sistema DIRF) que a testemunha Lúcia Aires Ribeiro era funcionária do citado "Grupo CCE" no período em que a fiscalização dos beneficiários encontravase em curso; F Com relação ao alegado pelo contribuinte no "Item 2.1.1 Da Equivalência Patrimonial" de sua Impugnação (folhas 755 a 760) parecenos que ocorreu um entendimento equivocado ou distorcido acerca dos elementos constantes do "Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 04/12/2009" (folhas 698 a 717); considerando que, ao afirmar que o resultado positivo da equivalência patrimonial não é passível de distribuição estava me referindo a sistemática utilizada pelo contribuinte à época dos trabalhos de fiscalização em curso junto aos beneficiários dos recursos, considerando que: F.l A distribuição de lucros com base na equivalência patrimonial implica na movimentação de recursos, da investida para o investidor (ou algo equivalente), por conseguinte a necessidade de redução do valor do investimento, fato este que o contribuinte não comprovou; F.2 Verificamos a época dos trabalhos de fiscalização realizados junto aos beneficiários dos recursos que a empresa "SRH Participações" não dispunha de recursos para efetuar o pagamento alegado; F.3 Verificamos a época dos trabalhos de fiscalização realizados junto aos beneficiários dos recursos que estes foram movimentados diretamente da conta corrente da investida (folhas 416 e 417) para a conta dos sócios da investidora, sem transitar, pela conta corrente da investidora, corroborado com a informação fornecida pelo contribuinte a folha 1070; G Com relação à comprovação da origem dos recursos pagos aos beneficiários em 2004, conforme alega o contribuinte diversas vezes e em específico na sua impugnação (folha 754 e 755), verificase que: G.l A origem dos mesmos é o resultado da equivalência patrimonial, contabilizada pela empresa "São Rafael" relativa aos lucros auferidos pelas investidas em 1996; G.2 Em 31/07/1998 houve o lançamento contábil transferindo o montante de R$ 49.295.057,15 da conta do "Patrimônio Liquido Reserva de Lucros" para o "Passivo Dividendos a Pagar”; G.3 Em 15/12/1998 e 31/12/1998 foram pagas duas parcelas em:valor idênticos de R$10.000.000,00 aos acionistas, restando um saldo na conta "Dividendos a Pagar" de R$ 29.295.057,15; G.4 – O saldo da conta "Dividendos a Pagar" no valor de R$ 29.295.057,15, foi pago em 2004 aos acionistas num total de R$ 28.733.811,52; Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 6 9 H — Em face das alegações constantes do Item G deste termo, mas especificamente em relação ao "Item G.3" acima, verificamos que: H.l Os referidos acionistas são na verdade o contribuinte Isaac Server, conforme se verifica na informação a folhas 1071 e nos documentos a folhas 1140 e 1141; H.2 O pagamento das duas parcelas de R$ 10.000.000,00 foram efetuados pela empresa "CCE Componentes" diretamente ao acionista Isaac Server; H.3 Os recursos utilizados para efetuar os citados pagamentos forma obtidos por meio de mutuo entre a "CCE Componentes" e a "São Rafael"; H.4 Tal justificativa é no mínimo inusitada, considerando que o contribuinte afirma resumidamente que possuía lucros a serem distribuídos em 1998 >>> estes lucros foram efetivamente distribuídos em 1998 >>> estes lucros são originários da equivalência patrimonial >>> equivalência esta correspondente a em 1996 >>> os lucros foram distribuídos aos sócios (no caso um) sem baixa de investimento >>> os lucros foram distribuídos com recursos captados através de mutuo. I – Verificamos também junto a análise da origem dos citados lucros, na DIPJ 1999 – AC 1998 da empresa “São Rafael Comércio e Incorporações Ltda” (CNPJ 61.420.949/000135) o que se segue: I.1 – A empresa “São Rafael” apresentou em 28/10/1999 sua DIPJ 1999 – AC 1998 (folhas 1238 a 1234) com valores zerados para quase todas as “Fichas”, com exceção das “Fichas 25 (Ativo) e 26 (Passivo)” cujos valores foram idênticos para os períodos base e ano anterior; I.2 – Em 07/10/2003 (perto da decadência) a empresa “São Rafael” retificou sua DIPJ 1999 (folhas 1305 a 1373) porém apurou em 2007 um valor de equivalência patrimonial negativo muito superior aos lucros acumulados do início do período; I.3 – A empresa “São Rafael” também não declarou na DIPJ 1999 (original ou retificadora) a distribuição de lucros que alega ter efetuado em 15/12/1998 e 31/12/1998; I.4 – Tal procedimento se assemelha ao adotado pela empresa “SRH” ao efetuar a alegada distribuição de Lucros/Dividendos em 2004; Cientificado, por via postal, em 01/02/2012, AR de fl. 1425, a autuada apresentou, em 23/12/2012, Manifestação, alegando, em síntese: Os pagamentos considerados sem causa pela fiscalização seriam tão somente dividendos pagos aos sócios, que com base no disposto no art. 10 da Lei nº 9.249/95, seriam isentos do imposto de renda. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 A fiscalização entendeu que inexistiriam lucros a distribuir no período e ainda que houvesse, o real beneficiário dos dividendos seria o Sr. Isaac Sverner, haja vista a existência de usufruto vitalício das quotas da Requerente em favor desse. (...) A própria autoridade fiscal reconheceria que as cópias anexadas aos autos do livro de “Registro de Ações Nominativas” da empresa “São Rafael Comércio e Incorporações S/A” seriam fidedignas. Por outro lado, a autoridade fiscal teria alegado que o Livro Registro de Ações Nominativas da empresa São Rafael estaria irregular por carecer de assinaturas das partes envolvidas. No entanto, a autoridade teria se confundido acerca dos livros se referindo ao Livro de Transferência de Ações, quando a diligência teria solicitado a verificação das formalidades do Livro de Registro de Ações Nominativas. (...) Apesar do inesgotável processo de a que o contribuinte foi submetido, não haveria qualquer documento que sustentasse as alegações de falsidade do Instrumento de Renúncia em se baseou os autos. O fato do Instrumento Particular de Renúncia não ter sido levado a registro público não permitiria qualquer alegação acerca de sua irregularidade uma vez que todos os interessados na renúncia em questão teriam tomado conhecimento de seu teor e o teriam assinado. As suposições da d. autoridade fiscal acerca da relação empregatícia das testemunhas da celebração do referido documento não se prestaria a afastar a sua incontestável legitimidade e regularidade. (...) A retificação de DIPJ não seria motivo para que a origem dos pagamentos feitos pela Requerente fosse desconsiderada. O fato de que a Requerente teria recorrido ao mútuo para efetivar o pagamento dos dividendos aos acionistas não significaria que a Requerente não teria lucros a distribuir, pois seria cediço que resultado e lucro não se confundem com disponibilidade de caixa, de forma que uma empresa poderia apurar lucro sem ter disponibilidade financeira para realizar a sua distribuição aos quotistas ou acionistas. (...) A 2ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento sujeito a homologação do pagamento é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 7 11 fato gerador. Para que se opere este prazo decadencial mister que o contribuinte tenha efetuado recolhimento, ainda que parcial, do tributo e, ainda, não tenha agido com dolo, fraude ou simulação. Caso contrário, contase o lustro do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. PAGAMENTO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA. TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Estão sujeitos à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não restar comprovada a operação ou a sua causa, nos termos do § 1º do art. 674 do RIR/99. Ao fisco compete demonstrar a existência de pagamento ou entrega de recursos, e ao contribuinte, provar a efetividade da operação ou a sua causa. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 25/02/2013 (fl. 1491pdf), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 25/03/2013 (fls. 1492/1534pdf), portanto, tempestivamente, sustentando, em linhas gerais, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, cuida o presente lançamento de falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa, com aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. Antes de se entrar no mérito, cumpre examinar, de antemão, a preliminar de decadência suscitada pela recorrente. Alega a suplicante, em linhas gerais, que em razão da ausência de fraude, o lançamento por homologação materializado em 04/09/2009, já havia sido atingido pela decadência. Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 12 De início, cumpre registrar que o lançamento do IRRF incidente sobre pagamentos sem causa ou operação não comprovada, conforme disposto no art. 674 do RIR/1999, se enquadra no denominado lançamento por homologação, consoante comanda o art. 150 do CTN, cujo imposto é devido no dia do pagamento, conforme § 2° do art. 674 do RIR/1999. Contudo, na hipótese de não haver pagamento ou constatandose a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme ressalva expressa no § 4° do art. 150, a contagem do prazo decadencial deslocase para o inciso I do art. 173 do CTN, que dizer, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. No caso destes autos, independentemente da análise da ocorrência ou não do dolo, a falta de pagamento ou antecipação do IRRF impõe a aplicação do inciso I do art. 173, conforme dispõe o Recurso Especial nº 973.733/SC julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF), contandose o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, como o fato gerador relativo ao pagamento sem causa ocorreu em 02/04/2004 e 26/04/2004, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2005 e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2009. Desse modo, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 04/12/2009 (fl. 721), o crédito tributário não havia ainda sido atingido pela decadência. No mérito, cingese a controvérsia aos valores pagos aos sócios: Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Sverner que, na visão da recorrente, referese a lucros e/ou a dividendos passíveis de distribuição. Por sua vez, afirma a fiscalização que o valor de R$ 28.733.811,52, distribuídos aos sócios em 2004, não é originário de lucros e, dessa feita, considerou o referido montante como pagamento sem causa ou cuja operação não foi comprovada. De pronto, cumpre reproduzir as observações da autoridade fiscal, extraídas da análise dos resultados apurados nas DIPJ’s das empresas coligadas (Termo de Constatação Fiscal, fls.755/757pdf): A título meramente elucidativo e considerando que os citados contribuintes (Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Sverner) alegaram que os valores recebidos a título de lucros em 2004, tiveram sua origem nos lucros distribuídos em 1998 pela empresa "São Rafael Comércio e Incorporação S.A", a partir do cálculo da equivalência patrimonial, efetuamos o comparativo abaixo entre as "DIPJ 1999 (Ano Calendário 1998)", apresentadas pela mesma e pelas coligadas: Dados da DIPJ 99 (AC 98) da empresa São Rafael DIPJ EX/AC Data Entrega Luc/Prej Ano Ant. Luc/Prej Ano Atual Investimto. Ano Ant. Investimto. Ano Atual CNPJ Coligada %de Part. Valor da Particip. Valor da Equival. 9998 07.10.03 73.553 606 97.941.666 684.802.903 598.611.719 2.048.951 99.99% 0 9998 07.10.03 4.169.843 99.99% 237.755.720 9998 07.10.03 61.345.096 99,99% 360.855.999 Total 598.611.719 86.191.184 Dados das DIPJ 99 (AC 98) das empresas Coligadas CNPJ Coligada DIPJ EX/AC Data Entrega Patr. Liqui. Ano Ant. Patr. Liqui. Ano Atual Diferença %de Part Valor de Equival. Lucro / Preju Ano Anterior Lucro / Preju Ano Atual 2.048.951 9998 30 06.00 24.351.150 1.422 537 25.773.685 99,99% 25.771.108 24.251.147 25.773.685 4.169.843 9998 29.10.99 304.727.657 289.945.904 14.781.753 99.99% 14.780.275 2.902.714 16.475.830 61.345.096 9998 09.11.99 410575.076 360.756.135 49.818.941 99.99% 49 808.978 2583.136 52.402 077 Total 739.653.883 649.279.502 90 374.379 Total 90.360.360 24.570.725 94.651.592 Ressalvese que: Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 8 13 A somatória do valor da equivalência patrimonial, calculado a partir do valor dos PL consignados nas DIPJ das coligadas, é diferente do valor declarado na DIPJ da “São Rafael Comércio e Incorporação S.A.”; O valor dos “Patrimônio Líquido” das coligadas é diferente do valor dos investimentos da “São Rafael Comércio e Incorporação SA.”; A somatória dos “Lucros e/ou Prejuízos” das coligadas é diferente dos “Lucros e/ou Prejuízos” da “São Rafael Comércio e Incorporação SA.”; Outrossim, verificase: Junto a "Linha 28 (Reservas de Lucros) da Ficha 26 (Passivo Balanço Patrimonial) da DIPJ 1999 (Anocalendário 1998)”, da empresa “São Rafael Comércio e Incorporação SA.”, na coluna “Último Balanço do ano Imediatamente Anterior” o valor de R$ 73.553.606,08 correspondente ao saldo de lucros acumulados em 31/12/1997; Junto a “Linha 33 (Prejuízos Acumulados) da Ficha 26 (Passivo Balanço Patrimonial) da DIPJ 1999 (Anocalendário 1998)”, da empresa “São Rafael Comércio e Incorporação SA.”, na coluna “Ultimo Balanço do ano — Da Declaração” o valor de RS 97.941.666,44, correspondente ao saldo de Prejuízos Acumulados em 31/12/1998; Junto as “Linhas 05 a 10 (Receitas Operacionais), da Ficha 07 (Demonstração do Resultado), da DIPJ 1999 (Anocalendário 1998)”, da empresa “São Rafael Comércio e Incorporação SA.”, que esta declarou não ter auferido nenhuma receita operacional. Junto as “Linhas 29 (Despesas Operacionais), da Ficha 07 (Demonstração do Resultado), da DIPJ 1999 (Anocalendário 1998)” as seguintes despesas: 1º Trimestre RS 922.800,16; 2° Trimestre RS 2.269.479,64; 3º Trimestre RS 1.479.039,50; 4º Trimestre RS 7.082.163,62; Total do ano RS 11.750.482,92. Junto a “Linha 34 (Resultado Negativo em Participações Societárias), da Ficha 07 (Demonstração do Resultado), da DIPJ 1999 (Anocalendário 1998)”, da empresa “São Rafael Comércio e Incorporação S.A.”, que esta declarou um prejuízo no ano de RS 86.191.183,52 (no 4° Trimestre); Ressalvamos que: A DIPJ 1999 (original,) foi entregue em 28/10/1999 e preenchida deliberadamente de forma errada; pois de um total de 67 folhas, foram preenchidas somente as "Fichas 01" (Dados Iniciais e Cadastrais), "Ficha 02" (Dados do Representante e do Responsável pelo Preenchimento ", "Ficha 25 " (Ativo Balanço Patrimonial) e "Ficha 26" (Passivo Balanço Patrimonial); mesmo assim foi repetido os dados de 1997 para o ano 1998 no Balanço Patrimonial, tanto no Ativo como no Passivo; Somente em 07/10/2003 (ou seja, quatro anos depois) foi apresentada a DIPJ 1999 (retificadora) desta feita alem de outras informações consta o valor de RS 29.295.057,15, na "Ficha 26" (Passivo Balanço Patrimonial), “Linha 05” (Dividendos Propostos ou Lucros a Creditados); A partir das explicações dadas pelos citados contribuintes (Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Sverner), acerca da distribuição dos "supostos lucros"; elaboramos os dois quadros abaixo, que demonstram sem qualquer sombra dúvida que o a empresa São Rafael, apesar de não ter comprovado a existência do lucro (declarado em Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 14 31/12/1997), nem que levantou um "Balanço Intermediário", efetivamente comprovou que reconheceu contabilmente a distribuição dos "suposto lucros em 1998", como segue: Lançamentos contábeis em 1998 (conforme alegado pelo contribuinte) CONTAS Debito Crédito Reserva de Lucro a Real. 46.830.304,22 Reserva Legal 2.464.752,85 Lucros Creditados 49.295.057,07 Lucros Acumulados 24.258.549,99 O Aumento Capital 24.258.549,99 Lucros Creditados 20.000.000,00 Créditos Pessoa Lig. 20.000.000,00 Composição do Prejuízo de 1998 (conforme alegado pelo contribuinte) CONTAS Resultado 1998 Reserva Lucros em 31.12.97 73.553.606,08 Reserva de Lucro a Realizar 46.830.304,22 Reserva Lega 2.464.752,85 Lucros Acumulados 24.258.549,99 Despesas de 1998 11.750.482,92 Equivalencia Patrimonial 86.191.183,52 Prejuízo 97.941.667,42 Pelo que se vê, na visão da autoridade fiscal, a recorrente não possuía lucros passíveis de distribuição e, consequentemente, não poderia distribuir qualquer valor a esse título. Nesse passo, analisando detidamente a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anocalendário de 2004, entregue em 30/06/2005, fls. 103/177, verificase que no quadro de “Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados”, a recorrente não informou qualquer valor (fl. 174). Posteriormente à intimação, a contribuinte retificou o livro Diário e Razão, conforme se observa da autenticação na JUCESP, fls. 298/306 e 1114/1134, além de proceder também a retificação da DIPJ EX 2005/AC 2004, fls. 178/255, de forma a demonstrar que possuía lucros a distribuir isentos do pagamento do imposto de renda. No que tange à retificação da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, a Súmula CARF nº 33 é clara quando dispõe que a declaração entregue no curso do contencioso administrativo não produz seus regulares efeitos, não podendo interferir na apuração do imposto procedida pela autoridade fiscal. Vejase: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. De qualquer forma, ainda que houvesse lucros a distribuir, o real beneficiário da distribuição seria o Sr. Isaac Sverner, haja vista a existência de usufruto vitalício das quotas da empresa, conforme consta do Instrumento Particular de Doação Registrado em 26/08/1982 no Cartório de Titulo e Documentos 4° Ofício, sob n° 1035306. Embora alegue a suplicante que o Instrumento Particular de Renúncia a Usufruto, datado de 31/05/2002, fls. 1076/1093pdf, renuncia a titularidade sobre várias ações da CCE Indústria e Comércio, da São Rafael e das ações nominativas de emissão da São Rafael, verificase que o citado documento, apesar de ser entregue com firma reconhecida, não foi levado a registro público, de forma semelhante ao Instrumento Particular de Doação, Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 9 15 Registrado em 26/08/1982 no Cartório de Titulo e Documentos do 4° Ofício, sob n° 1035306. Sobre o assunto, cumpre reproduzir o art. 221 do Código Civil: Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. (grifei) A professora Maria Helena Diniz em sua obra “Código Civil Comentado. 8ª edição. 2012. Ed. Saraiva” explica o citado dispositivo: Instrumento particular: O instrumento particular é o realizado somente com a assinatura dos próprios interessados, desde que estejam na livre disposição e administração de seus bens, não mais se exigindo que seja subscrito por duas testemunhas. Prova a obrigação convencional (contrato ou declaração unilateral de vontade), de qualquer valor, sem ter efeito perante terceiros, antes de assentado no Registro Público (RT, 802:383, 758:252, 463/177 e 500/125). O reconhecimento de firmas representaria tão somente a autenticação do ato realizada por tabelião (Lei n. 6.015/73, art. 221, II). Função probatória: O instrumento particular, além de dar existência ao ato negocial, servelhe de prova. Possui, portanto, força probante do contrato entre as partes (RT, 726:258), sendo que, para valer contra terceiro que do ato não participou, deverá ser registrado no Cartório de Títulos e Documentos, que autentica seu conteúdo. (grifei) Em seu apelo, defende a contribuinte a desnecessidade de se levar a registro o citado documento. Polêmicas à parte, penso que para se conferir a validade pretendida ao instrumento, deveria a suplicante levar ao conhecimento da autoridade de registro público. Com o fito de comprovar, mais uma vez, a renúncia do usufruto em favor dos nusproprietários, na proporção de suas respectivas participações no capital Social da SRH, à totalidade dos direitos sobre o recebimento dos dividendos das ações da empresa, no valor de 29.295.957,15, junta a recorrente aos autos novo Instrumento Particular de Renúncia, dessa vez datado de 02/04/2004 (fls. 1094/1095pdf). Relativamente ao documento entregue pela recorrente, cabe reproduzir, novamente, as observações da autoridade fiscal, consignadas no Termo de Constatação Fiscal (fls. 761): Ressalvamos que: (1) não há provas de que o citado documento tenha realmente sido lavrado em 02/04/2004; (2) Não consta no citado documento o reconhecimento da firma, de nenhuma das pessoas que o assinaram; nem mesmo do renunciante; (3) A única data que se comprova é a da autenticação do documento (19/08/2008); ou seja, posterior ao inicio da Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 16 fiscalização junto aos citados contribuintes (Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Sverner); (4) Verificase que este documento foi elaborado com tamanho desleixo que sequer levou em conta que, "em tese" os citados contribuintes (Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Sverner), em 2004 não seriam mais "nus proprietários" (como foram identificados); isto é, se por ventura os termos anteriores de renúncia de usufruto tivessem sido elaborados nos termos da legislação vigente; (5) Se de fato este documento já existisse antes do inicio das fiscalizações junto aos citados contribuintes (Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Sverner) estes já o teriam apresentado, em resposta ao "Item 01" dos "Termos de Intimação Fiscal nº 0002" (lavrados em 08/04/2008); junto ao qual se verifica que os mesmos foram intimados a justificar a origem dos recursos declarados com "Rendimentos Isentos e/ou não tributáveis" na Declaração de Ajuste Anual —2005" (Anobase 2004); (6) Verificase que não constam nas "Declaração de Bens e Direitos", das "DIPF 2001 a 2005 (respectivamente anos calendário 2000 a 2004)", do Sr. Isaac Sverner o valor de R$ 29.295.957,15, correspondentes a valores a receber da São Rafael; (7) Verificase na DIPF 2005 (ano calendário 2004) do Sr. Isaac Sverner, que o mesmo não declarou a doação do valor de R$ 29.295.957,15, aos citados contribuintes (Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Sverner); (8) Verificase nas DIPF 2005 (ano calendário 2004) dos citados contribuintes (Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Sverner), que os mesmos não declararam terem recebido em doação do Sr. Isaac Sverner, o valar de R$ 29.295.957,15. Não obstante alegue a contribuinte a existência de um instrumento de renúncia ao usufruto, quando se tenta cotejar a informação prestada pela recorrente com Declaração de Bens e Direitos de 2005, entregue por Roberto Sverner, um dos favorecidos pela suposta distribuição de lucros, verificase que o próprio beneficiário declarou a existência de um usufruto das ações em favor de seu pai, o Sr. Isaac Sverner, conforme Instrumento Particular de Doação nº 107.995, datado de 22/12/1982 (fl. 560pdf): São Rafael Comercio e Incorp. S/A 14.101.820 Ações Preferenciais Gravadas C/ Clausula de Incomunicabilidade Usufruto em Beneficio de meu pai Isaac Sverner CPF 00484385887, Conf. Instr. Part. Doação N.107.995 De 22.12.82 Cisão SRH 31/12/2003 Brasil No que tange à prova produzida pela recorrente, penso que não há como considerála, já que foi ancorada, essencialmente, no Instrumento Particular de Renúncia, fls. 1036/1038, datado de 02/04/2004, autenticado em 19/08/2008 (após o inicio da fiscalização), sem firma reconhecida à época da assinatura, sem registro em cartório e que não foi confirmado pelas Declarações de Ajuste de nenhum dos envolvidos. A despeito do Instrumento Particular de Renúncia constar do Livro de Registro de Ações Nominativas da São Rafael (art. 100 da Lei n° 6.404, de 1976), entendo que a informação prestada, por si só, não se presta a Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 10 17 justificar a distribuição de lucros, sem o pagamento do imposto de renda correspondente, aos citados contribuintes. Pelo que se vê, repisese, mesmo que houvesse lucros a distribuir, penso que o legítimo beneficiário dessa distribuição seria o Sr. Isaac Sverner, consoante se depreende da informação prestada pelo próprio favorecido em sua Declaração de Bens e Direitos de 2005 (fl. 560pdf). Quanto à alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal errou ao afirmar que o resultado positivo da equivalência patrimonial não é passível de distribuição, cumpre reproduzir trecho do Termo de Encerramento de Diligência elaborado pela autoridade lançadora (fls. 1426/1430): F Com relação ao alegado pelo contribuinte no "Item 2.1.1 Da Equivalência Patrimonial" de sua Impugnação (folhas 755 a 760) parecenos que ocorreu um entendimento equivocado ou distorcido acerca dos elementos constantes do "Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 04/12/2009" (folhas 698 a 717); considerando que, ao afirmar que o resultado positivo da equivalência patrimonial não é passível de distribuição estava me referindo a sistemática utilizada pelo contribuinte à época dos trabalhos de fiscalização em curso junto aos beneficiários dos recursos, considerando que: F.l A distribuição de lucros com base na equivalência patrimonial implica na movimentação de recursos, da investida para o investidor (ou algo equivalente), por conseguinte a necessidade de redução do valor do investimento, fato este que o contribuinte não comprovou; F.2 Verificamos a época dos trabalhos de fiscalização realizados junto aos beneficiários dos recursos que a empresa "SRH Participações" não dispunha de recursos para efetuar o pagamento alegado; F.3 Verificamos a época dos trabalhos de fiscalização realizados junto aos beneficiários dos recursos que estes foram movimentados diretamente da conta corrente da investida (folhas 416 e 417) para a conta dos sócios da investidora, sem transitar, pela conta corrente da investidora, corroborado com a informação fornecida pelo contribuinte a folha 1070; Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a exigência tributária, neste ponto, deve ser mantida. Quanto à imposição da multa de oficio no percentual de 150%, reproduzo, de pronto, os fundamentos utilizados pela autoridade lançadora para qualificar a exigência (Termo de Constatação Fiscal fl. 767pdf): Foi elaborado e apresentado à fiscalização, tanto pelo citados contribuintes (Susan, Eduardo, Roberto e Beatriz Svemer), como pela empresa "SRH Participações, Industria e Comércio Ltda.", o documento falso (abaixo relacionado), o que implica em crime Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 18 contra a ordem tributaria e agravamento da multa, nos termos da legislação vigente: Instrumento Particular de Renuncia, datado de 02/04/2004; entretanto lavrado em data desconhecida, junto ao qual foi consignado que o Sr. Isaac Sverner, renuncia em favor dos nus proprietários abaixo qualificados, na proporção de suas respectivas participações no capital Social da SRH, à totalidade dos direitos sobre o recebimento dos dividendos das ações da empresa, no valor de R$ 29.295.957,15 (vinte e nove milhões, duzentos e noventa e cinco mil, cinqüenta e sete reais e quinze centavos), conforme balanço do exercício findo da São Rafael, levantado em 31.12.2003, nos termo acima mencionados. Do exposto, verificase que o pressuposto da qualificadora foi a imputação de falsificação de documento aos beneficiários dos rendimentos. Contudo, embora tenha a fiscalização lançado dúvidas acerca da autenticidade do documento, a autoridade fiscal não coligiu aos autos prova dessa ocorrência (queixa crime na Polícia, por exemplo). Como visto neste voto, penso que o Instrumento Particular de Renúncia juntado não se presta a comprovar os fatos alegados pela recorrente, entretanto, no momento em que se atribui falsidade ao documento, deveria a fiscalização carrear aos autos provas que materializassem o crime perpetrado. Portanto, inaplicável a exasperação da penalidade. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.005420/200957 Acórdão n.º 2201002.443 S2C2T1 Fl. 11 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19515.005420/200957 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.443. Brasília/DF, 16 de julho de 2014 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 20 Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16327.000553/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DCPMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO.
A falta ou atraso na entrega da Declaração da CPMF após o prazo regulamentar, enseja a aplicação de multa, incidente por mês ou fração de mês em atraso, nos termos da legislação de regência.
Numero da decisão: 3202-001.206
Decisão: Recurso voluntário negado.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DCPMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A falta ou atraso na entrega da Declaração da CPMF após o prazo regulamentar, enseja a aplicação de multa, incidente por mês ou fração de mês em atraso, nos termos da legislação de regência. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 53 /2 00 8- 85 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000553/200885 Acórdão n.º 3202001.206 S3C2T2 Fl. 228 2 Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas, que manteve o auto de infração: Tratase de auto de infração de fls. 8 a 15, com lançamento de crédito tributário referente a multa por atraso na entrega das declarações da CPMF do primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2006. O auto de infração foi lavrado em 16/04/2008, com valor de crédito tributário apurado de R$ 740.000,00 referente a multa regulamentar, e dele foi dada ciência ao contribuinte em 18/04/08. (...) Em 15/05/2008 o contribuinte apresentou a impugnação de fls 64 a 69, cujo teor é, em resumo, o que segue. O contribuinte foi intimado pela DEINFSP, em 03/03/2008, a entregar, no prazo de sete dias, as declarações da CPMF dos quatro trimestres de 2006, que ainda não havia entregado. Alegando motivos alheios a sua vontade, entregou as declarações após o prazo exigido pela DEINFSP, em 19/03/2008. Diz o contribuinte na impugnação: Em decorrência desta infração de obrigação acessória, de cunho meramente formal, (...), foi lavrado o presente auto de infração (...) onde está sendo exigida a draconiana multa no importe total de R$.740.000,00. Em que pese o notável saber tributário do nobre auditor fiscal que lavrou a exigência, este equivocouse quanto ao cálculo do montante "debeatur", senão vejamos: (...) o não cumprimento das obrigações previstas nos artigos 11 e 19 da Lei n° 9311, de 1996, sujeita as pessoas jurídicas (...) às multas de R$.10.000,00 (dez mil reais) ao mêscalendário ou fração, ......., se o formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período determinado. Por este dispositivo se depreende com evidente clareza que a multa é uma só para infração na não apresentação do formulário ou outro meio de informação, no caso 4(quatro) declarações trimestrais e não aplicada mês a mês, pelo período em que a obrigação acessória durou para ser cumprida, mesmo porque ela foi cumprida quando intimada a tal, embora em prazo maior (...) (...) (...) infração causada pela falta de entrega da Declaração de C.P.M.F. (...) ocorreu de uma só vez para cada trimestre, portanto, a falta de cumprimento da obrigação acessória foi única para cada declaração trimestral, sendo que a penalidade de cunho formal, não estabelece que a multa deve ser aplicada mensalmente até a data de entrega da Declaração,(...) Aliás, em nenhum Regulamento relacionado à cobrança e imposição de multas na esfera da fiscalização federal existe a aplicação de multas mensais, cumulativas, enquanto não cumprida a obrigação acessória (...) Acaba por pedir que a multa aplicada seja reduzida a R$ 10.000,00 por cada DCPMF entregue em atraso. A decisão de fls. 125 e seguintes, proferida pela DRJ de Campinas, foi assim ementada: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000553/200885 Acórdão n.º 3202001.206 S3C2T2 Fl. 229 3 DCPMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A falta ou atraso na entrega da Declaração da CPMF após o prazo regulamentar, enseja a aplicação de multa, incidente por mês ou fração de mês em atraso, nos termos da legislação de regência. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando os termos anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior O Recurso ora analisado é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. A questão central da lide envolve a aplicação de multa pela por atraso na entrega das declarações da CPMF do primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2006. Conforme previsto no artigo 46 da M. P. n° 2.15833, de 2001 e suas reedições: Art. 46. O nãocumprimento das obrigações previstas nos arts. 11 e 19 da Lei nº 9.311, de 1996, sujeita as pessoas jurídicas referidas no art. 44 às multas de: (...) II R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, se o formulário ou outro meio de informação padronizado for apresentado fora do período determinado. Parágrafo único. Apresentada a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas serão reduzidas à metade. Entendo, portanto, correta a decisão recorrida está correta, na medida em que “O contribuinte, por ser instituição financeira, nos termos da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996 e demais legislações de regência, estava obrigado à entrega das Declarações da CPMF do primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2006, nas datas de 28/04/2006, 31/07/2006, 31/10/2006 e 31/01/2007, respectivamente”. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.000553/200885 Acórdão n.º 3202001.206 S3C2T2 Fl. 230 4 Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela Recorrente. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902336/2012-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 23 36 /2 01 2- 41 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902336/201241 Acórdão n.º 3803006.244 S3TE03 Fl. 91 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 20 de janeiro de 2012, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de IPI, no valor de R$ 61.464,23, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/01/2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 7 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 1º de novembro do mesmo ano e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902336/201241 Acórdão n.º 3803006.244 S3TE03 Fl. 92 3 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902336/201241 Acórdão n.º 3803006.244 S3TE03 Fl. 93 4 De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902336/201241 Acórdão n.º 3803006.244 S3TE03 Fl. 94 5 ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11020.002054/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados.
EMPRESA QUE SE ENQUADRA INDEVIDAMENTE COMO ISENTA. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGEMENTO PARA A COTA PATRONAL.
Não se considera antecipação de pagamento o recolhimento pela empresa indevidamente enquadrada como isenta da contribuição dos segurados, devendo-se contar a decadência das contribuições patronais pela regra do inciso I do art. 173 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Na definição da base de cálculo da contribuição incidente sobre as faturas emitidas por cooperativa de trabalho, o fisco aferiu corretamente a base tributável, a qual correspondeu ao valor da remuneração dos cooperados destacado no documento fiscal.
Numero da decisão: 2401-003.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) Por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 150, § 4º do CTN. III) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGRAS DE ISENÇÃO. ART. 14 DO CTN. Não se aplicam às contribuições sociais as regras de isenção previstas no art. 14 do Código Tributário Nacional. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PERDA DA ISENÇÃO. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Durante a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, para as entidades que haviam perdido o direito à isenção mediante Ato Cancelatório, havia a necessidade de pedido à Administração Tributária visando ao reconhecimento do benefício fiscal. CONTRIBUIÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO DISCRIMINADA NA NOTA FISCAL. PROCEDÊNCIA. Na definição da base de cálculo da contribuição incidente sobre as faturas emitidas por cooperativa de trabalho, o fisco aferiu corretamente a base tributável, a qual correspondeu ao valor da remuneração dos cooperados destacado no documento fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 54 /2 00 9- 34 Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 EMPRESA QUE SE ENQUADRA INDEVIDAMENTE COMO ISENTA. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGEMENTO PARA A COTA PATRONAL. Não se considera antecipação de pagamento o recolhimento pela empresa indevidamente enquadrada como isenta da contribuição dos segurados, devendose contar a decadência das contribuições patronais pela regra do inciso I do art. 173 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. II) Por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 150, § 4º do CTN. III) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002054/200934 Acórdão n.º 2401003.416 S2C4T1 Fl. 2.356 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 24.969 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.218.7722. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social e, consoante o relatório fiscal, os fatos geradores das contribuições sociais lançadas decorreram das remunerações pagas a segurados empregados e a contribuintes individuais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007, inclusive 13. salários, discriminadas nas folhas de pagamento do sujeito passivo e pagamentos efetuados a Cooperativas de Trabalho Médico — UNIMED´s, no mesmo período. Afirmase que o sujeito passivo, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, declarouse indevidamente como entidade beneficente de assistência social em gozo da isenção da cota patronal, deixando de recolher as contribuições devidas. Acerca da perda da isenção, o fisco assim se pronunciou: “3. Da perda da isenção patronal: 3.1. Da ação fiscal desenvolvida no Círculo Operário Caxiense em 2005, resultou na Informação Fiscal n° 35249.00029312005 10, para fins de cancelamento de isenção. Emitida a Decisão Notificação DN n° 19.422.4/001/2007, determinando o cancelamento da isenção patronal a partir de 01/01/1995, o que foi feito através do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 19.422.1/001/2007, de 16/02/2007. Da decisão, o Círculo Operário Caxiense não apresentou recurso na esfera administrativa. Ajuizou Ação Ordinária n° 2008.71.07.0004642/RS, pretendendo a anulação do referido Ato (Liminar/Antecipação da Tutela indeferido em 17/06/2008) e Agravo de Instrumento n° 2008.04.00.0237710/RS, contra a decisão da ação ordinária que indeferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela (convertido em agravo retido, em 09/07/2008), tudo conforme cópias em anexo.” Cientificado do lançamento em 19/06/2009, a autuada apresentou impugnação, cujas razões não foram acolhidas pelo órgão de primeira instância. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual em apertada síntese apresentou os pontos abaixo. Afirma que cumpre integralmente com seus objetivos estatutários, mencionando todas as atividades assistenciais e de promoção à saúde que desenvolve. Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Apresenta títulos e registros que lhe foram outorgados em razão das suas ações na área de assistência social, quais sejam: a) Registro no Conselho Nacional de Assistência Social, conforme Processo n. 00000.044804/195200, sessão de 03/10/1952; b) Primeiro Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (atual Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social), processo n.° 00000.061883/196300, concedido em 20/08/1963; c) Atestado de Registro no Conselho Municipal de Assistência Social, sob o n. 015/2009; d) Declaração de Utilidade Pública Federal, pelo Decreto n. 64.309, de 07/04/1969, publicado no Diário Oficial da ' União de 09/04/1069; e) Declaração de Utilidade Pública Estadual, Decreto n° 13.558/62, de 09 de maio de 1962; f) Declaração de Utilidade Pública Municipal, Lei n. 973, de 17/06/1960; g) Registro no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente sob o n° 119/99. Ressalta que, desde 1963, o Círculo Operário Caxiense teve continuamente deferidos os seus pedidos de renovação do CEBAS, sendo o último com validade até 31/12/2009. Diante de todos esses elementos, afirma não se sustentar o argumento do fisco de que as contribuições seriam devidas em razão do cancelamento do seu direito à isenção, decorrente do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n. 19.422.1/001/2004, de 16/02/2007. Nesse sentido, assevera que atende a todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN, além ter demonstrado nos autos que preenche integralmente os requisitos constitucionais e infraconstitucionais necessários para que se revista da característica de imune ao recolhimento das contribuições sociais. Apresenta jurisprudência que militaria em seu favor. Sustenta que não poderia ser afastada pela turma julgadora a preliminar de nulidade do AI pelo incorreto enquadramento da recorrente no “FPAS 515”, distinto daquele ao qual deveria ser enquadrada – “FPAS 639”. Isso porque o único fundamento em que se sustenta o acórdão recorrido é o Ato Cancelatório, que não tem força necessária a desconstituir a condição de entidade de utilidade pública, a qual foi concedida à recorrente mediante minucioso processo administrativo voltado à escorreita análise do cumprimento dos requisitos legais aplicáveis. Suscita que ocorreu decadência parcial do crédito, uma vez que foi constituído em 16/07/2009, quando já havia transcorrido para algumas competências o prazo decadencial estabelecido no § 4. do art. 150 do CTN. Acerca da contribuição incidente sobre as notas fiscais emitidas pela Cooperativa de Trabalho UNIMED, menciona que o acórdão recorrido atevese apenas ao disposto no contrato de prestação de serviços, deixando de analisar a efetiva operação existente entre o autuado e a cooperativa prestadora, a qual compreende não apenas honorários médicos, Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002054/200934 Acórdão n.º 2401003.416 S2C4T1 Fl. 2.357 5 mas, também o fornecimento de materiais. Assim, a base de cálculo nesse levantamento ficou superestimada, chocandose o procedimento adotado pelo fisco com as normas constantes no art. 291 da IN MPS/SRP n. 03/2005. Alega que a multa foi aplicada incorretamente, posto que não foi observada a retroatividade benéfica da nova legislação, a qual conduziria à imposição da multa no patamar fixado no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, ou seja, no máximo, 20% das contribuições devidas. Ao final pede o cancelamento do AI, ou a sua retificação de modo que sejam saneadas as irregularidades ocorridas na apuração fiscal. É o relatório. Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Isenção das contribuições No período do lançamento 01/2004 a 12/2007, bem como na data da ciência da lavratura pelo sujeito passivo estavam em vigor as disposições do hoje revogado art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, as quais regulavam a imunidade/isenção das contribuições sociais, prevista no § 7. do art. 195 da Constituição Federal. Eis a norma: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002054/200934 Acórdão n.º 2401003.416 S2C4T1 Fl. 2.358 7 § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. O texto legal transcrito nos indica que as entidades, ressalvados os casos de direito adquirido, deveriam requerer ao INSS a isenção das contribuições patronais previdenciárias. No caso sob apreciação, percebese a entidade autuada teve o seu direito ao gozo da isenção cancelado com efeitos retroativos a 01/1995. Contra esse Ato foi ofertada impugnação, a qual não foi acolhida pelo órgão de julgamento. Desistindo do processo administrativo, a autuada buscou a via judicial para afastar os efeitos do Ato Cancelatório de Isenção. O processo em questão Mandado de Segurança 2007.71.07.0040976/RS, foi extinto sem julgamento de mérito. Não tendo sucesso no mencionado Mandado de Segurança, apresentou questionamento no Poder Judiciário através da Ação Ordinária nº 2008.71.07.0004642 pedindo Antecipação de Tutela, que foi indeferida em 19/06/2008. Assim, não há dúvida que para readquirir a condição de entidade imune/isenta, a recorrente teria que novamente requerer o benefício à Administração Tributária, demonstrando que atendia a todos os requisitos da legislação vigente, in casu, o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991. Quanto às questões discutidas no processo relativo ao Ato Cancelatório de Isenção não nos cabe apreciálas por dois motivos. Primeiro, o julgamento de primeira instância transitou em julgado na esfera administrativa, posto que a entidade dele não recorreu. Em segundo lugar, ao recorrer ao Judiciário para afastar os efeitos do Ato, a autuada renunciou à discussão administrativa, conforme previsto em súmula do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O fato da entidade apresentar vasto rol de atividades assistenciais, bem como de comprovar a posse de títulos, certificações e registros necessários ao gozo do benefício fiscal não altera a sua situação. É que, conforme visto acima, nos termos do § 1. do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, havia a necessidade da empresa fazer o requerimento ao INSS e apresentar toda a documentação exigida na Lei, portanto, somente a posse dos documentos e o cumprimento de outros requisitos não eram suficientes a garantir a isenção/imunidade. Diante dessas evidências, forçoso concluir que não deve prevalecer a tese da nulidade do AI em razão do incorreto enquadramento efetuado pelo fisco no “FPAS 515”, haja vista que a empresa não era reconhecida pela Administração Tributária como entidade beneficente de assistência social isenta/imune do recolhimento das contribuições sociais. Aplicação do art. 150, VI da CF e art. 14 do CTN A invocada imunidade da recorrente com base no art. 150, VI, da Constituição Federal não se sustenta. Vejamos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. (...) Como se pode ver do comando constitucional, a imunidade ali traçada diz respeito apenas aos impostos, que é espécie tributária diferente de contribuição, exação tratada no presente AI. Na verdade, o desdobramento infraconstitucional do inciso IV do art. 150 da Lei Maior encontrase na alínea “c” do inciso IV do art. 9.º e no art. 14, ambos do CTN, assim redigidos: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002054/200934 Acórdão n.º 2401003.416 S2C4T1 Fl. 2.359 9 c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) (...) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. (...) Como se pode ver, esses dispositivos do CTN tem aplicação restrita à imunidade/isenção relacionada aos impostos. Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7.º do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade/isenção, dispositivo esse que foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 e hoje é tem regramento ordinário na Lei n.º 12.101/2009. Decadência Tendo entendido que de fato a empresa não era detentora da imunidade/isenção quanto ao recolhimento da cota patronal previdenciária, agora já posso tratar da alegada decadência. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 ........................................................................................... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Considerandose que a empresa se declarava indevidamente como entidade isenta do recolhimento das contribuições lançadas, não há o que se falar em antecipação do pagamento, haja vista que havia apenas o recolhimento da contribuição descontada dos segurados. Assim, a contagem do prazo decadencial deve ser efetuada com base na regra constante no inciso I do art. 173 do CTN. Tendose em conta que a cientificação da lavratura ocorreu em 19/06/2009 e o período do crédito é de 01/2004 a 12/2007, não há o que se falar em transcurso do prazo decadencial, devendo ser afastada essa alegação recursal. Base de cálculo da contribuição sobre as faturas emitidas por cooperativa de trabalho Acerca da suposta majoração indevida da base de cálculo da contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, vale a pena inicialmente transcrever as considerações do órgão recorrido sobre a questão: “Contrariamente ao alegado na impugnação, o Relatório fiscal (fls. 663) afirma que as bases de cálculo utilizadas foram as destacadas nas faturas emitidas pelas cooperativas de prestação de serviços médicos (UNIMEDs), o que se confirma com o exame das planilhas "demonstrativas das bases de cálculo destacadas nas faturas emitidas pelas cooperativas de prestação de serviços médicos", às fls. 1323/1341, corroborado pelas NFs acostadas às fls. 1342/1928. As bases de cálculo utilizadas são exatamente as destacadas pelas prestadoras em suas Notas Fiscais, como o seguinte texto: "a base de cálculo para contribuição ao INSS de acordo com o art. 1 ° da Lei 9876 que altera o item IV do Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002054/200934 Acórdão n.º 2401003.416 S2C4T1 Fl. 2.360 11 art. 22 da Lei n° 8212, relativo aos serviços prestados por cooperados corresponde a R$... " Tenho assim, como infundada a alegação, em especial porque a impugnante não identifica sequer uma nota fiscal em que tenha sido apurada base de cálculo neste lançamento, diferente da destacada nas NFs emitidas pelas cooperativas.” No recurso a autuada limitase a repetir os termos da defesa, afirmando que foram observados apenas os contratos, não se atendo o fisco, nem a Turma Julgadora, às notas fiscais emitidas. Ora, conforme transcrição do voto condutor do acórdão recorrido, na definição da base de cálculo da contribuição incidente sobre as faturas emitidas pela Cooperativa de Trabalho Médico, foram considerados exatamente os valores destacados nos documentos fiscais. Observo que a entidade, como já havia procedido na impugnação, não trouxe um caso sequer que pudesse demonstrar a incorreção no procedimento de apuração levado a efeito pela Autoridade Lançadora. Ao descrever o lançamento onde foram abrigados os fatos geradores em questão, o fisco mencionou: “9.4. CÓDIGO DE LEVANTAMENTO "COO": DEMONSTRATIVO DAS BASES DE CÁLCULO DESTACADAS NAS FATURAS EMITIDAS PELAS COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS (UNIMED), NÃO DECLARADAS EM GFIP. 9.4.1. Em anexo ao demonstrativo supracitado, cópias das faturas emitidas pelas cooperativas de prestação de serviços médicos relativas ao período de 01/2004 a 12/2007.” Por outro lado, quando se vai analisar as notas fiscais emitidas, deparase com dados complementares lançados nos documentos que não deixam dúvida de que as bases de cálculo adotadas pelo fisco foram exatamente aquelas destacadas nas notas fiscais, as quais não contemplam materiais, como afirma a recorrente. Não custa reproduzir os termos lançados nos dados complementares nas notas emitidas pelas três cooperativas contratadas pela autuada, colacionadas às fls. 1342/1928 (processo papel): “DADOS COMPLEMENTARES A base de calculo para contribuição ao INSS de acordo com o art . 1 da Lei 9.876 que altera o item IV do art . 22 da Lei 6212, relativo soe serviços prestados por cooperado corresponde a R$ 167,79” Nesse contexto, não devo dar razão ao inconformismo do sujeito passivo quanto à base tributável do levantamento "COO — UNIMED BASE CALCULO. FATURAS”. Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Multa Sobre as contribuições lançadas foi aplicada multa no patamar de 24%, conforme o art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Requer o sujeito passivo que a multa seja imposta observandose a nova redação dada ao dispositivo em questão pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que trouxe ao art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O referido art. 61 da Lei n. 9.430/1996 assim prescreve: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ocorre que a aplicação retroativa a que se refere dispositivo acima somente tem lugar quando se está diante de pagamento espontâneo, ou seja, não objeto de lançamento de ofício. Às situações em que o sujeito passivo deixou de declarar os fatos geradores e recolher as contribuições, levando o fisco a constituir o crédito tributário, a regra da novel legislação é o art. 44, I, da Lei n. 9.430/2006, conforme previsão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzida pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2008: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11020.002054/200934 Acórdão n.º 2401003.416 S2C4T1 Fl. 2.361 13 Portanto, não há de se acatar o requerimento da empresa, posto que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, impõe multa mais gravosa (75% do tributo não recolhido) que aquela prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, devese manter a multa aplicada no lançamento, posto que a aplicação retroativa da nova legislação conduziria a um valor mais gravoso ao sujeito passivo. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento e a decadência e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10283.003158/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003
RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. REQUISITOS.
A renuncia à via administrativa somente é possível quando há coincidência de pedido e de causa de pedir, com o fim de assegurar que o direito pleiteado não seja obtido nas duas esferas ou para que não haja a sobreposição divergente de decisões.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS E/OU DOCUMENTOS.
A falta de apreciação de argumento essencial e/ou documentos juntados à impugnação, caracteriza cerceamento do direito de defesa e dá causa a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à instância a quo para que seja proferida nova decisão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3101-001.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, afastando a renúncia a via administrativa, com a devolução dos autos ao órgão julgador de primeira instância administrativa para apreciar as demais questões trazidas na peça inaugural.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 26/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2003 RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. REQUISITOS. A renuncia à via administrativa somente é possível quando há coincidência de pedido e de causa de pedir, com o fim de assegurar que o direito pleiteado não seja obtido nas duas esferas ou para que não haja a sobreposição divergente de decisões. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS E/OU DOCUMENTOS. A falta de apreciação de argumento essencial e/ou documentos juntados à impugnação, caracteriza cerceamento do direito de defesa e dá causa a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à instância a quo para que seja proferida nova decisão. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, afastando a renúncia a via administrativa, com a devolução dos autos ao órgão julgador de primeira instância administrativa para apreciar as demais questões trazidas na peça inaugural. Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 26/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. REQUISITOS. A renuncia à via administrativa somente é possível quando há coincidência de pedido e de causa de pedir, com o fim de assegurar que o direito pleiteado não seja obtido nas duas esferas ou para que não haja a sobreposição divergente de decisões. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS E/OU DOCUMENTOS. A falta de apreciação de argumento essencial e/ou documentos juntados à impugnação, caracteriza cerceamento do direito de defesa e dá causa a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à instância a quo para que seja proferida nova decisão. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, afastando a renúncia a via administrativa, com a devolução dos autos ao órgão julgador de primeira instância administrativa para apreciar as demais questões trazidas na peça inaugural. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 31 58 /2 00 9- 11 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 EDITADO EM: 26/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório O presente processo é derivado da lavratura de Auto de Infração eletrônico devido a suposta falta de recolhimento da multa de mora e dos juros da CIDE, nos períodos de apuração 11/2003 e 12/2003. Os valores foram tratados nos processo n° 10283.002133/2007 20. Segundo explanação da Recorrente, em 31 de março de 2004 foi recolhido os valores devidos a titulo de CIDE incidente sobre serviços técnicos profissionais, relativo as competências de novembro e dezembro de 2003, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada ao nãorecolhimento dos referidos tributos, juntamente com o pagamento dos juros de mora. Por entender que a denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, exclui a responsabilidade pela infração correspondente ao recolhimento intempestivo de tributos e, conseqüentemente, da multa de mora, a Recorrente não recolheu a multa moratória e impetrou, perante a 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Amazonas, o Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427, visando a afastar a cobrança, pelo Delegado da Receita Federal em Manaus (AM), da multa de mora em relação a estes e outros recolhimentos extemporâneos que havia realizado. O valor da multa de mora nãorecolhida foi depositada judicialmente em seu montante integral. Na decisão de primeira instância, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, no acórdão 0113.918, considerou improcedente o lançamento dos juros de mora, cancelando o crédito tributário a eles relativo; não conheceu a Impugnação, no que se refere ao lançamento da multa de mora, considerando o crédito tributário a ela relativo definitivamente constituído, pela opção do interessado pela via judicial; e determinou o prosseguimento da cobrança do crédito tributário relativo à multa de mora. Com a decisão oriunda da (DRJ/Belém), foi efetuada a transferência dos valores a titulo de multa de mora para o presente processo. Após a ciência da decisão em epigrafe, o interessado apresentou Recurso Voluntário, onde alega não haver coincidência entre a matéria versada no Mandado Segurança n° 2004.32.00.0023427 e a matéria vertida na Impugnação, requerendo: (a) nos termos do parágrafo 3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, julgar integralmente insubsistente o Auto de Infração; ou, sucessivamente, Fl. 372DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10283.003158/200911 Acórdão n.º 3101001.651 S3C1T1 Fl. 4 3 (b) nos termos do inciso II do caput do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, declarar a nulidade do r. Acórdão DRJ/BEL n° 0113.918 e determinar o retorno do presente Processo Administrativo para a DRJ/BEL, a fim de que esta examine a Impugnação apresentada pela Recorrente, também no que diz respeito ao nãocabimento do lançamento dos valores relativos à multa de mora alegadamente devidos, na medida em que tais valores encontram depositados em Juizo; e, em qualquer caso; (c) seja reformado o r. Acórdão DRJ/BEL n° 01.13.918, pelo menos no que determina o prosseguimento da cobrança do suposto crédito tributário objeto do presente Processo Administrativo, uma vez que o mesmo se encontra suspenso, nos termos do inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional, em virtude do depósito de seu montante, realizado no Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427, sendo determinada a suspensão de qualquer procedimento administrativo ou judicial tendente a sua cobrança, até a decisão definitiva a ser proferida no citado Mandado de Segurança. Esta turma de julgamento, em sessão realizada em 25 de setembro de 2013, converteu o julgamento em diligência, para o retorno dos autos à unidade de origem para anexar aos presentes autos, de forma digitalizada, o inteiro teor do processo administrativo fiscal nº 10283.002133/200720, com a finalidade de conhecer os objetos das discussões administrativa e judicial, para o deslinde da questão. Em atendimento à Resolução 3101000.296, foi apensado o processo nº 10283.002133/200720 e dado ciência ao contribuinte. Após a conclusão da diligência, a unidade de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O referido recurso ataca o não conhecimento da Impugnação pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, no julgamento de 1ª instância administrativa, em decorrência da ação judicial impetrada pela Recorrente, considerando que o crédito tributário estaria definitivamente constituído na esfera administrativa. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 A Recorrente alega que não se trata de concomitância, visto que o objeto da Impugnação apresentada, no que diz respeito à multa de mora, não guardaria qualquer relação com o Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427, por ela impetrado, cuja discussão limitavase à possibilidade de se cobrar a multa de mora nos casos de denúncia espontânea, matéria essa estranha à Impugnação. Não havendo coincidência entre a matéria versada no Mandado Segurança n° 2004.32.00.0023427 e a matéria vertida na Impugnação, o prévio ajuizamento daquele em nada prejudica o conhecimento desta. Assiste razão a recorrente quanto à não coincidência entre as matérias versadas na Impugnação administrativa e aquela objeto do Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427, ainda que ambas orbitam em torno da incidência da Multa de Mora. A Recorrente apresentou Impugnação contra o Auto de Infração sustentando: (a) o nãocabimento do lançamento de valores objeto de depósito judicial; (b) o nãocabimento da aplicação dos juros de mora; (c) a impossibilidade de se aplicar a Taxa SELIC como taxa de juros no âmbito do Direito Tributário. Requereu, ainda, que fosse determinada a suspensão da exigibilidade do credito tributário a ele relativo, até o julgamento final do Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427, tendo em vista que os valores objeto do Auto de Infração encontravamse depositados em Juízo naquele processo. Já o Mandado de Segurança n° 2004.32.00.0023427 versava sobre o direito da Impetrante de não se ver obrigada a recolher a multa de mora nos pagamentos e compensações de tributos que efetuou nos casos de denuncia espontânea, matéria estranha à Impugnação. Não há a configuração de identidade entre a impugnação administrativa e a medida judicial, pois aquela referiase a questionamentos relacionados a aspectos formais do lançamento. O objeto da Impugnação não tratou do mérito do cabimento da multa de mora em sede de denúncia espontânea, matéria por ela versada no Mandado de Segurança, limitandose a alegação da existência de óbice formal à existência válida do lançamento. A Súmula CARF nº 1 determina a renúncia às instâncias administrativas pela propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No presente caso, cabe ao órgão de julgamento administrativo a análise da questão formal do lançamento efetuado, não a apreciação da possibilidade de se cobrar a multa de mora nos casos de denúncia espontânea. Para essa matéria, administrativamente a questão está superada, pela renúncia às instâncias administrativas a partir da propositura da medida judicial. Para aquela (alegação de nãocabimento do lançamento de valores relativos à multa de mora objeto de depósito judicial), não. Não havendo o r. Acórdão DRJ/BEL n° 0113.918 conhecido e examinado a Impugnação apresentada pela Recorrente, no tocante à questão formal do lançamento efetuado, evidenciase o prejuízo à defesa desta, que se viu irregularmente privada de seu direito de ver sua irresignação apreciada na esfera administrativa e decidida de forma devidamente fundamentada no que tange à matéria relativa ao nãocabimento do lançamento de crédito tributário objeto de depósito judicial. Caracterizando a preterição do direito de defesa da Recorrente, padece de nulidade o r. Acórdão DRJ/BEL n° 0113.918, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10283.003158/200911 Acórdão n.º 3101001.651 S3C1T1 Fl. 5 5 Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do r. Acórdão DRJ/BEL n° 0113.918, determinando o retorno do presente Processo Administrativo à primeira instância administrativa, a fim de que esta aprecie todos os argumentos trazidos pela defesa, proferindo nova decisão. Sala das sessões, em 27 de maio de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11309.000071/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, não representando cerceamento ao direito de defesa do administrado a negativa de requerimento neste sentido, desde que motivada pelo órgão julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Apresentar a GFIP sem a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL.
Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, deve-se cotejar a soma das multas por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) e por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 2401-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de perícia; b)afastar a preliminar de nulidade do lançamento; c) por reconhecer a decadência até a competência 11/1999. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído do cálculo da multa o levantamento "FP2 Manutenção de Veículos" e para que a multa seja limitada a 75% da contribuição não declarada menos a multa aplicada sobre as contribuições previdenciárias no AI relativo à exigência da obrigação principal (processo n. 11309.000971/2008-77). Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão, aplicando para o cálculo da multa o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma das multas por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) e por descumprimento da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 30 9. 00 00 71 /2 01 0- 44 Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, não representando cerceamento ao direito de defesa do administrado a negativa de requerimento neste sentido, desde que motivada pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de perícia; b)afastar a preliminar de nulidade do lançamento; c) por reconhecer a decadência até a competência 11/1999. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído do cálculo da multa o levantamento "FP2 Manutenção de Veículos" e para que a multa seja limitada a 75% da contribuição não declarada menos a multa aplicada sobre as contribuições previdenciárias no AI relativo à exigência da obrigação principal (processo n. 11309.000971/200877). Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão, aplicando para o cálculo da multa o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000071/201044 Acórdão n.º 2401003.516 S2C4T1 Fl. 1.248 3 Relatório Por força de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 1915 05.2013.4.01.3803 (1.ª Vara Federal em Uberlândia), em 21/10/2013, o processo retorna ao CARF para emissão de novo acórdão. Na referida ação judicial, o sujeito passivo postulou a nulidade de todos os atos processuais realizados após a decisão da DRF Uberlândia que determinou o seguimento do recurso administrativo, que anteriormente havia sido declarado deserto pela ausência do depósito prévio no valor de 30% da exigência fiscal. O fundamento da decisão proferida no bojo do referido MS residiu na falta de intimação ao sujeito passivo do despacho que admitiu o seguimento do recurso. Passo, então, a relatar o andamento processual do feito administrativo consubstanciado no Auto de Infração – AI n. 35.278.9415. Tratase de lavratura visando à aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. O valor da penalidade foi R$ 1.976.935,68 (um milhão, novecentos e setenta e seis mil, novecentos e trinta e cinco reais e sessenta e oito centavos). Nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 04., os fatos geradores não declarados foram as quantias pagas aos segurados empregados a título de “Ajuda de Custo”, “Manutenção de Veículos” e “Diárias em valor excedente a 50% da remuneração”. Foram acostadas planilhas discriminando os valores que deixaram de ser declarados, apresentandose também o cálculo da penalidade fixada em 100% da contribuição não declarada, limitada ao teto previsto no § 4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. A empresa apresentou impugnação, fls. 602 e segs. Nas suas alegações, pede o cancelamento do crédito em razão de erro no cálculo da penalidade. O processo foi baixado em diligência, tendo o fisco mantido o entendimento quanto à procedência do crédito, todavia, retificando valores que motivaram incorreção na contribuição dos segurados. Foi exarado Despacho Decisório, 789 e segs., para retificação do valor da multa, determinandose a reabertura de prazo para a defesa, o qual transcorreu in albis. Na sequência, foi exarada Decisão Notificação, fls. 796 e segs. declarando procedente o lançamento. Asseverou o órgão de primeira instância que a multa foi imposta respeitando os ditames normativos, não havendo o que se questionar quanto a sua legalidade. Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 806 e segs., no qual, após exposição dos fatos, em apertada síntese, alegou que: Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a) não praticou a infração que lhe é imputada uma vez que os fatos geradores que supostamente deixaram de ser declarados não ocorreram; b) afirma que a NFLD que lhe é correlata é nula por falta de motivação e pelo posterior indeferimento da seu pedido para produção de prova pericial; c) alega ainda a prescrição (sic!); Ao final, requer a declaração de improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000071/201044 Acórdão n.º 2401003.516 S2C4T1 Fl. 1.249 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Por aplicação do art. 173, I, do CTN, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia declarou decadentes as competências de 01/1999 a 11/1999, conforme o Termo de Análise de Decadência/Prescrição – Súmula Vinculante n.º 08 – STF, fls. 849 e segs. Todavia, devo verificar o acerto desse procedimento. É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. O caso sob apreciação, de fato, requer a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN para definição do marco decadencial, haja vista que se trata de aplicação de multa por descumprimento de dever instrumental. Assim, não merece censura a revisão promovida de ofício pela Receita Federal, a qual declarou a decadência para o período de 01 a 11/1999. Conexão com o processo de exigência da obrigação principal O AI sob cuidado guarda conexão com o processo n. 11309.000971/200877, que diz respeito à exigência das contribuições patronais incidentes sobre as remunerações que deixaram de ser declaradas na GFIP. O entendimento unânime dessa Turma de Julgamento é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições têm sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000071/201044 Acórdão n.º 2401003.516 S2C4T1 Fl. 1.250 7 Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Tendose em conta que o processo conexo foi julgado a pouco, decidindose pela exclusão do levantamento “FP2 —Manutenção de Veículos”, os valores expurgados devem também ser excluídos do cálculo da multa do AI sob apreciação. Todavia, quanto aos demais levantamentos a multa deve prevalecer uma vez que julgamos que os fatos geradores ali tratados ocorreram e a autuada deixou de declarálos na guia informativa. Aplicação da multa mais benéfica Com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Em razão dessa modificação no cálculo da multa, devese atentar para o disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, que determina a aplicação retroativa da penalidade que seja mais favorável que aquela vigente na data da ocorrência do fato gerador. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o contribuinte ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Deve, então, o órgão responsável pela liquidação do acórdão aplicar a multa mais benéfica ao sujeito passivo, a qual terá como teto o percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996 subtraído da multa imposta no AI relativo à exigência da obrigação principal (processo n. 11309.000971/200877). Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem que se tenha as informações necessárias a boa compreensão do lançamento, sendo despicienda a realização de perícia nesse caso específico. Conclusão Voto por indeferir o pedido de perícia, por afastar a preliminar de nulidade do lançamento, por reconhecer a decadência até a competência 11/1999 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído do cálculo da multa o levantamento “FP2 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11309.000071/201044 Acórdão n.º 2401003.516 S2C4T1 Fl. 1.251 9 —Manutenção de Veículos” e para que a multa seja limitada a 75% da contribuição não declarada menos a multa aplicada sobre as contribuições previdenciárias no AI relativo à exigência da obrigação principal (processo n. 11309.000971/200877). Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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