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Numero do processo: 10840.000662/2010-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2006
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 06 62 /2 01 0- 21 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 100 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada o Auto de Infração à fl. 08, com a exigência do crédito tributário no valor de R$12.097,61 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 25.09.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.04.2006. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0107, com as alegações a seguir transcritas: Repisando, a Impugnante foi autuada por pretenso atraso na entrega da DCTF, o que daria azo à imposição de multa. No entanto, a fim de melhor aclarar o caso, convém traçar o resumo fático que culminou na sanção. Primeiramente, a Impugnante, quando de sua constituição, em meados de 2000, optou pelo recolhimento de suas obrigações tributárias pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, pois o faturamento auferido era inferior ao valor legalmente limitado R$ 2.400.000,00. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 101 3 Mediante denúncia espontânea procedida pela Impugnante, foi constatado erro na apuração na escrituração e apuração fiscal, que foi calculado erroneamente pelo SIMPLES, nos anos de 2004, 2005, 2006 e primeiro semestre de 2007, enquanto que o regime aplicável seria o do lucro presumido. Percebido o equívoco, cuidou a Impugnante prontamente de corrigir tais falhas, refazendo as declarações atinentes a cada período, contudo, à época da retificação, o sistema eletrônico disponibilizado pela autoridade administrativa na internet não dispunha de campo específico, tendo sido emitida a mensagem "Contribuinte Optante pelo Simples". Visto tal óbice, a Impetrante requereu à Receita Federal do Brasil, por meio do pedido protocolado em 07/08/2009 (doe. 01), que fosse excluída dos sistemas operacionais do órgão a informação que a empresa faz parte do regime de recolhimento regrado pela SIMPLES, e que dita exclusão fosse aplicada desde 30/06/2004. Frisase que dito procedimento foi feito por iniciativa da Impetrante, antes mesmo de qualquer ato fiscalizatório, denotando o verdadeiro intento de manter sua situação fiscal dentro da maior lisura, necessária à realização do seu objeto social. Analisado o pedido da Impugnante, sobreveio decisão proferida em 03/09/2009 por este órgão, deferindo o pedido de exclusão do regime SIMPLES com data retroativa, a partir de 01/01/2005, verbis: (...) "Depreendese na leitura e análise dos documentos e pesquisas que compõem os autos de fls. 02/251, que a empresa foi cadastrada no CNPJ em 05/06/2000 como empresa de pequeno porte EPP, foi optante pelo Simples Federal no período de 05/06/2000 a 31/12/2001 e reingressou na sistemática a partir de 01/01/2003 (fls. 251). Em consulta aos sistemas informatizados da RFB, constatei que o contribuinte transmitiu em 28/07/2009 a DSPJ/2005 retificadora, informando sua receita bruta acumulada no anoCalendário 2004 no valor total de R$2.658.965,16, conforme pesquisa anexa às fls. 250. De acordo com o inciso II do art. 9o da Lei n° 9.317/96, não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$1.200.000,00. Conforme disposto no inciso IV do art. 15 da mesma Lei, o efeito da exclusão darseá a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9o . Assim, não é possível a exclusão do Simples no próprio anocalendário em que foi ultrapassado o limite da receita bruta, por vedação expressa em Lei. Face ao exposto, proponho a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal a partir de 01/01/2005". Como sói poderia ocorrer, a partir da data da ciência da decisão supra, a Impugnante retificou todas as declarações dos exercícios em que foi deferida a exclusão do Simples (01/01/2005), que no caso, ocorreu em 25/09/2009, o que motivou a presente autuação. Contudo, imputar à Impugnante uma vultosa multa, em razão de ter procedido à regularização de sua situação fiscal, agravado pelo fato da aplicação do instituto da denúncia espontânea, foge da real interpretação da legislação de regência. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 102 4 É bem verdade que o entendimento do órgão julgador administrativo se inclina pela inaplicabilidade do instituto regrado no artigo 138 do CTN, aos casos de descumprimento de obrigação acessória, a exemplo do elevado número de julgados. Contudo, o caso em análise guarda particularidade específica, pois enquanto na linha de raciocínio da corte julgadora administrativa o entendimento vislumbra somente a desídia do contribuinte em entregar a DCTF, culminadolhe multa, no caso em apreço não há que falar em tal fato, pois a pretensa demora na entrega da declaração é atribuída somente pelo período em que o pedido de exclusão do sistema Simples ficou em tramitação perante a administração pública. Ora, sabidamente, a multa detém nítido caráter sancionador, para que aquele que haja com atitude ilícita seja punido pelo ferimento ao ordenamento legal. Nesse passo, não há como imputar sanção àquele que agiu dentre de escorreita postura fiscal, buscando sanar a irregularidade fiscal antes de qualquer ato de fiscalização. É dizer, deliberadamente, após a Impugnante aferir erro em sua contabilidade, de antemão, foi tomada a diligência pertinente a fim de que não houvesse qualquer prejuízo ao Fisco, porém, no interregno compreendido entre o pedido de exclusão do sistema Simples e o seu deferimento, justamente o considerado como faltoso pela autoridade administrativa, foi aplicada a multa, o que afigurase, no mínimo, inviável. Portanto, na espécie, o artigo 138 do CTN é plenamente aplicável, pois..."Tratandose ...de informação ou documento que se tenha fornecido ao Fisco com incorreção ou omissão, ou que não tenha sido entregue, o modo de sanar a infração (meramente formal, na medida em que não se tenha implicado falta ou insuficiência de recolhimento de tributo) será uma comunicação formal ao Fisco, em temos que reparem o dano (ainda que meramente potencial) que a infração pudesse trazer para o interesse do Fisco'". Analisandose o normativo, o legislador claramente teve a intenção de criar a denúncia espontânea como um estímulo aos contribuintes a se manterem regulares perante o Fisco. Antecipandose em relação à administração fazendária e realizando o pagamento da obrigação tributária que está em atraso, ou realizando a obrigação qual estava sujeito, a multa deve ser excluída, ante o seu caráter de penalidade. [...] Em síntese, com base nas alegações despendidas, não pode a Impugnante ser multada em razão da pretensa extemporaneidade na entrega da DCTF, pois, tal fato foi consequência do período em que o pedido de exclusão do SIMPLES estava pendente, portanto, ausente de culpa. Não obstante, a Impugnante realizou típico procedimento descrito no artigo 138 do Código Tributário Nacional, pois, se antecedendo a qualquer procedimento fiscal, ante a errônia contábil cometida, refez a correlata declaração, além de proceder ao recolhimento do tributo em exigência. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: De todo o exposto, requer a Impugnante seja julgada totalmente improcedente a presente autuação fiscal, face às razões anteriormente ventiladas. Termos em que, pede deferimento. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 103 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1436.727, de 17.02.2012, fls. 7577: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Notificada em 12.04.2012, fl. 80, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.04.2013, fls. 8187, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que antes de ser formalizada a exclusão do Simples com efeito retroativo não havia possibilidade do cumprimento da obrigação tributária acessória. Conclui 29.Diante do exposto, requer seja recebido e processado o presente Recurso Ordinário, remetendose os autos ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para, ao final, ser julgado TOTALMENTE PROCEDENTE o presente recurso. 30.Por derradeiro, requer sejam as intimações e/ou publicações realizadas em nome do advogado HALLEY HENARES NETO, inscrito na OAB/SP sob o n° 125.645, com endereço profissional na Rua Desembargador Eliseu Guilherme, 200 9o Andar Paraíso São Paulo SP, sob pena de nulidade. Termos em que, p. deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 104 6 Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB1. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos que instruem os autos foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional2. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem 1 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 105 7 existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal4. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 5, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. Em relação à exclusão do Simples, vale esclarecer que o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A pessoa jurídica que auferir, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal não pode optar pelo Simples. No caso de incorrida em situação excludente, a optante deve obrigatoriamente formalizar alteração cadastral, sob pena de ser excluída de ofício mediante ato declaratório da autoridade fiscal. Este ato surte efeito no anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite da receita bruta, termo a partir do qual fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso 4 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 106 8 especial repetitivo nº 1124507/MG, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16.06.20107 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, s atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. 7 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1124507/MG. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de abril de 2010. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=966764&sReg=200900296277&sData=20100 506&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 8 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e art. 62A do Regimento Interno do CARF. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 107 9 Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos9. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores10. Analisando a situação fática segundo o critério legal, verificase que não há permissivo na norma de regência da matéria que ampare afastar a exigência fiscal ao argumento de que antes de ser formalizada a exclusão do Simples com efeito retroativo não havia possibilidade do cumprimento da obrigação tributária acessória. 9 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 10 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.000662/201021 Acórdão n.º 1801001.761 S1TE01 Fl. 108 10 No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 25.09.2009 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2005, cujo prazo final era 07.04.2006. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16832.000009/2010-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
VALE-TRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a parcela relativa ao vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, conforme Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu por entender que somente a parcela in natura não integra o salário de contribuição, a teor do disposto pelo artigo 28, § 9º, alínea "c" da Lei n.º 8.212/91. A multa aplicada deve ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96).
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a parcela relativa ao vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, conforme Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu por entender que somente a parcela in natura não integra o salário de contribuição, a teor do disposto pelo artigo 28, § 9º, alínea "c" da Lei n.º 8.212/91. A multa aplicada deve ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidas na votação as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 00 09 /2 01 0- 48 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP 449/2008 (art. 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação da MP n.º 449/2008 c/c art. 61, da Lei n.º 9.430/96). (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16832.000009/201048 Acórdão n.º 2302002.749 S2C3T2 Fl. 216 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 117), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração (AI n° 37.256.2906), consolidado em 13/01/2010, no valor de R$ 8.133,08, acrescidos de juros e multa de oficio, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 50/58), referese às contribuições devidas pelos segurados empregados (não descontadas dos mesmos) destinadas à Seguridade Social decorrentes recebimento do vale transporte em espécie, bem como às contribuições de segurado contribuinte individual (autônomo) calculada sobre a remuneração obtida nos recibos de pagamento e na escrituração contábil. DA IMPUGNAÇÃO 2. A interessada interpôs impugnação parcial, referente ao levantamento "VT1" das competências de janeiro a dezembro de 2005, às fls. 62/78 (...) A 10ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 115/121). A recorrente foi intimada da decisão em 08/08/2012 (fls. 124), apresentado Recurso Voluntário em 06/09/2012 (fls. 129), no qual alega: * No que tange ao levantamento VT1, assevera que o auxílio transporte não implica em acréscimo de patrimônio, não podendo sofrer tributação, mesmo se pago em dinheiro, conforme precedentes do STJ e do STF, bem como Súmula n° 60 da Advocacia Geral da União; * Insurgese contra a proibição de produção de prova documental no decorrer do processo administrativo, em face do princípio da verdade material. Ao final, requer o recebimento, conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração lavrado. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Produção de Provas. Insurgese a recorrente contra suposta proibição de produção de prova documental no decorrer do processo administrativo, baseando seu inconformismo no princípio da verdade material. Primeiramente, devese ressaltar que a recorrente não indica qual prova documental pretenderia produzir. Portanto, a divagação mostrase meramente teórica, sem qualquer efeito prático, até porque nenhum documento foi carreado aos autos junto ou após a apresentação do Recurso Voluntário. Quanto ao acórdão a quo, o decisório restringiuse a ressaltar que a produção de provas documentais deve atender ao artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, que já contempla o princípio da verdade material, excepcionando as situações em que a prova documental deve ser apreciada, mesmo tendo sido apresentada após a impugnação. Sendo assim, seja porque a argumentação da recorrente está despida de qualquer repercussão concreta, seja porque o decisório, sem analisar qualquer situação fática, limitouse a apontar a regra jurídica aplicável à situação hipotética, o inconformismo da recorrente deve ser rechaçado. AuxílioTransporte. No que tange ao levantamento VT1, assevera a recorrente que o auxíliotransporte não implica em acréscimo de patrimônio, não podendo sofrer tributação, mesmo se pago em dinheiro, conforme precedentes do STJ e do STF. Razão assiste à recorrente. Estabelece a Súmula nº 60, da Advocacia Geral da União – AGU, que: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba . (de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32) Assim, sem maiores considerações sobre o acerto de tal entendimento, em cumprimento à referida Súmula, deve ser excluído do lançamento o levantamento VT1. Multas. Direito Intertemporal. Impõese a esta instância julgadora analisar questão de ordem pública, referente à retroatividade benigna da multa aplicada. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, na época dos fatos geradores, assim dispunha a respeito das multas de mora, aplicáveis, inclusive, nas hipóteses de lançamento de ofício: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16832.000009/201048 Acórdão n.º 2302002.749 S2C3T2 Fl. 217 5 incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaques nossos) Verificase dos trechos destacados que a multa prevista anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 era aplicável em diversas situações, inclusive no lançamento de ofício (“créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento”) e com percentuais que avançavam não só em relação ao tempo de mora como também em razão da fase processual ou procedimental (lançamento, inscrição em dívida ativa, ajuizamento da execução fiscal, etc.). Nesse sentido, concluise que, a despeito de ser intitulada de multa de mora, punia não só a prática do atraso, mas também a necessidade de movimentação do aparato estatal que cumpria o dever de ofício de se mobilizar para compelir o contribuinte ao recolhimento do tributo, agora, acompanhado da denominada multa de ofício. Ora, multa de mora pressupõe o recolhimento espontâneo pelo contribuinte e a multa de ofício tem como premissa básica a atuação estatal. Destarte, se o dispositivo reuniu duas hipóteses de naturezas jurídicas distintas, pouco importa a denominação utilizada pelo legislador (“multa de mora”), sendo de se reconhecer, conforme o caso, de que instituto jurídico efetivamente está se tratando. Isso importa no caso em comento porque os dispositivos legais que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias sofreram profundas alterações pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Podese afirmar, de pronto, que a legislação ora vigente faz distinção mais precisa entre multa de mora e multa de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16832.000009/201048 Acórdão n.º 2302002.749 S2C3T2 Fl. 218 7 ofício, não incidindo no equívoco terminológico da redação vigente à época dos fatos geradores. É sabido que em razão do que dispõe o art. 144 do CTN, vigora com intensidade no Direito Tributário o princípio geral de direito intertemporal do tempus regit actum, de sorte que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ocorre que, apesar do princípio de direito intertemporal citado, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, prevê a retroatividade benigna em matéria de infrações tributárias: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, é preciso reconhecer que aplicase a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador, exceto se nova legislação cominar penalidade menos severa. Importanos aqui, não a multa de mora, que continua prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 61 da Lei n° 9.430/96, mas a multa de ofício, hoje estabelecida no artigo 35A da Lei n° 8.212/91 c.c. artigo 44 da Lei n° 9.430/96: Lei n° 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto noart. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Se cotejarmos os percentuais de multa previstos no antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com o percentual de multa previsto no artigo 44, I, da Lei n° 9.430/96, concluiremos que, a princípio, a multa prevista na legislação pretérita, vigente à época dos fatos geradores, é menor e, portanto, mais benéfica que a multa estabelecida na novel legislação. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Sendo assim, entendese que deveria a autoridade fiscal lançadora ter comparado a multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 com a multa hoje prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Se tivesse efetuado tal comparativo, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91. Todavia, a autoridade fiscal, aplicando o Parecer PGFN CAT nº 443/2009, efetuou comparativo considerando, a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração em GFIP), como se ambas tivessem sido substituídas pela multa de ofício ora estipulada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91. Assim, foi levada ao equívoco de que a legislação superveniente seria mais benéfica (multa de ofício de 75%). Como a sanção por descumprimento de obrigação principal e a sanção por descumprimento de obrigação acessória têm natureza distintas, o comparativo sempre deve ser feito entre sanções decorrentes de infrações às obrigações principais ou entre sanções decorrentes de infrações às obrigações acessórias, nunca mesclando ou somando umas e outras. Como afirmado, se tivesse procedido na forma proposta, concluiria pela aplicação, a princípio, da multa prevista na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 para todas as competências. E afirmase “a princípio”, pois, em certas circunstâncias, ainda que eventuais e futuras, os percentuais antes previstos no artigo 35 podem se mostrar mais gravosos, na hipótese de crédito inscrito em dívida ativa, após o ajuizamento da ação fiscal (antigo artigo 35, III, alíneas c e d, da Lei n° 8.212/91). Portanto, apenas nestas situações específicas é que a aplicação da novel legislação deve prevalecer. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte pago em dinheiro (Súmula n.º 60 da AGU levantamento VT1). Quanto à multa pelo descumprimento de obrigação principal, devem ser aplicadas as disposições do art. 35, II, da Lei nº. 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. É como voto. André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 222DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 11/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10865.908854/2009-66
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A decisão recorrida que não enfrenta todas as matérias objeto da defesa do contribuinte, em especial preliminar de nulidade que reclama a existência de cerceamento ao direito de defesa, deve ser anulada.
Numero da decisão: 3803-004.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Hélcio Lafetá Reis que rejeitavam as preliminares e não conheciam do recurso.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A decisão recorrida que não enfrenta todas as matérias objeto da defesa do contribuinte, em especial preliminar de nulidade que reclama a existência de cerceamento ao direito de defesa, deve ser anulada. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para anular os atos processuais a partir da decisão recorrida inclusive. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Hélcio Lafetá Reis que rejeitavam as preliminares e não conheciam do recurso. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 54 /2 00 9- 66 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 25/04/2008, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de PIS/Pasep, período de apuração março de 2005, com débitos de COFINS de apuração dezembro de 2007, no valor total de R$ 23.089,15. Através de despacho decisório eletrônico, a DRF em Limeira/SP não homologou a compensação, sob o argumento de que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Abaixo reproduziremos a boa síntese feita pela DRJ de origem acerca do recurso administrativo interposto: Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitou se a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908854/200966 Acórdão n.º 3803004.254 S3TE03 Fl. 11 3 Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ em Ribeirão Preto/SP não conheceu a manifestação de inconformidade apresentada. Considerou que a matéria do processo não foi expressamente contestada, e, portanto, definitiva a exigência a ela relativa. Ementou nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário a esta turma, onde preliminarmente defende a nulidade do despacho decisório por violação ao principio da ampla defesa e, por conseguinte, também do principio do devido processo legal. No mérito volta a argumentar sobre o prazo decadencial, defendendo o prazo de 10 anos para lançamentos por homologação. Ao final traz os seguintes pedidos: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 “Por fim, o Poder Público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos (art. 37, "caput", CF), sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado até em órbita normativoadministrativa, de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela. Por outro lado, é de se reconhecer que a iminencia dc dano de difícil ou impossível reparação repousa na necessidade do contribuinte de exercer suas atividades, gesto inerentes à livre iniciativa, assegurada desde o plano constitucional, "ex vi" dos artigos 1 0, inciso IV, 5°, "caput", inciso XXII e 170, inciso II da CF, in exemplis. Assim, requerse que fique sobrestada a cobrança das compensações realizadas com os supostos créditos oriundos deste processo e que se encontram juntadas/apensadas a estes autos até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo, vedada a inserção de qualquer restrição ou qualquer ato tendente à cobrança, até que definitivamente julgadas as discussões. Destarte, reiterase todos os demais termos já aduzidos no pedido de restituição, razão pela qual o contribuinte inconformado requer o regular processamento, ulterior apreciação e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO. Requerse, preliminarmente, seja anulada a r. decisão monocrática de primeiro grau, nos termos da preliminar acima suscitada, pela violação aos princípios acima invocados. E caso este Conselho dos Contribuintes entenda por bem não anular, de plano, a r. decisão recorrida, e entenda que deve ser apreciado o mérito recursal, requerse que seja dado TOTAL PROVIMENTO ao presente recurso para que seja integralmente reformada a r. decisão monocritica, determinandose a definitiva e integral HOMOLOGACAO das compensações pleiteadas, nos exatos termos explanados na prefacial, por ser medida da mais lídima e cristalina justiça! positis, com base no farto conteúdo jurídico já citado, assim como reiterando todos os demais termos já aduzidos no pedido de restituição e na impugnação administrativa anteriormente manifestada, o contribuinterecorrente requer o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e provimento total ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar a r. decisão a quo, julgandose procedente (deferindose) o pedido de Restituição/Compensação formulado pelo contribuinte, culminando com o reconhecimento total do crédito pleiteado, comunicandose o que de necessário, por ser medida da mais lídima justiça!” Diante do acórdão da 4ª Turma da DRJ/RPO, que não conheceu da manifestação de inconformidade por considerar não impugnada a matéria, a SEORT em Limeira às fls. 73 a 75, negou seguimento ao Recurso Voluntário com fundamento no artigo 17 do Decreto 70.235/72, entendendo como definitiva a decisão na esfera administrativa. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908854/200966 Acórdão n.º 3803004.254 S3TE03 Fl. 12 5 Ciente de tal decisão, o contribuinte ajuizou Mandado de Segurança que foi distribuído para a 4a Vara Federal de Piracicaba – Seção de São Paulo, sob o nº 0002361 88.2011.403.6109, no qual obteve decisão favorável, em dispositivo conclusivo nos seguintes termos: “Face ao exposto, . concedo a segurança para determinar que a autoridade impetrada dê seguimento aos recursos administrativos interpostos 'pela re nos processos identificados As fls. 04 e 05 'dos autos, remetendoos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise; e declarar a suspensão dos créditos tributários declarados em virtude da pendência de recurso administrativo.” Grifamos. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, especialmente em obediência à segurança obtida através do provimento judicial no Mandado de Segurança nº 000236188.2011.403.6109 da 4a Vara Federal de PiracicabaSP, destacado ao final do relatório. O sujeito passivo argui, preliminarmente, em manifestação de inconformidade a nulidade do despacho decisório por violação ao principio da ampla defesa e, por conseguinte, também ao principio do devido processo legal. Passemos à leitura de trechos da impugnação mencionada: “...em seu apertadíssimo tópico que verte sobre a fundamentação e razões que ensejaram a não homologação da compensação colimada, a DRF de Limeira/SP simplesmente limitase a aduzir,de forma vaga e genérica, que não reconheceu como declaradas, ou transmitidas, as PERDCOMp' S acima especificadas. Ora, ao contrário do que lhe incumbia, a r. decisão recorrenda sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar, minuciosamente, o porque o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos, que se analisados, lhe permitia inferir de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar suas razões de decidir e darlhes minima sustentabilidade. Temse, pois, in concreto, que ao não adentrar no mérito propriamente dito das suas razões de decidir, conseqüentemente, a r. decisão combatida não possibilita ao contribuinte ora manifestante, condições ideais para combatêla, visto que não há como contra argumentar uma Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 decisão que se apresenta lacônica, e que beira as mias da inépcia(...) A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar a r. decisão ora recorrida, implicam na anulação da mesma pois ao não garantir o amplo direito de defesa A recorrente, a r. decisão que objeta a presente manifestação de inconformidade avilta também, conseqüentemente, o principio do devido processo legal.” Entendemos que a preliminar de nulidade antecede à análise do mérito, mesmo porque aquela pode ser prejudicial a esta, neste sentido, mostrase indispensável a superação da preliminar de nulidade para então o julgador adentrar no mérito da questão, a não ser que possa decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem interessaria a declaração de nulidade nos termos do artigo 59 § 3º do Decreto 70.235/72, o que não é o caso do presente processo. A DRJ/RPO se furtou a enfrentar a preliminar de nulidade em sua decisão, tanto que não dedicou uma linha sequer ao pedido do contribuinte (veja acórdão de fls. 36 a 40), partindo diretamente para o mérito da questão como se preliminar não houvesse, entendemos que ao agir desta forma a DRJ/RPO preteriu o direito de defesa do contribuinte não lhe permitindo uma defesa efetiva das razões de fato e de direito que se fundamentaram a sua decisão, ferindo assim o disposto no inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, senão vejamos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Negritamos Portanto, por mais cuidadosa e bem fundamentada que tenha sido a decisão recorrida, sob pena de supressão de instância e de cerceamento do direito de defesa, deve a mesma pronunciarse acerca da preliminar aludida, para que sob tal entendimento, ao ser proferida nova decisão, possa o interessado apresentar o recurso pertinente. Ressaltamos que a defesa do contribuinte deve aterse à matéria efetivamente controvertida nos autos, sob pena de não ser conhecida sua peça recursal. É sabido que a não homologação manifestada em Despacho Decisório Eletrônico se deu em razão do valor recolhido em DARF do PIS referente ao mês de janeiro de 2005 ter sido declarado em DCTF no exato valor que foi recolhido, daí a informação de que o valor recolhido fora integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e o DARF recolhido a liquidação do valor confessado, não é possível ao sistema de cruzamento eletrônico identificar crédito a favor do contribuinte quando o valor recolhido é exatamente igual ao valor confessado. Se a origem do crédito deuse em razão das inconstitucionalidades alegadas em defesa, cabe ao contribuinte carrear aos autos toda a documentação que comprove a apuração da nova base de cálculo e a consequente redução do quanto devido, isto deve ser feito através de planilhas demonstrativas, escrita fiscal, escrita contábil, documentos que suportaram a sua escrituração e que tenham pertinência com a pretensa redução da base de cálculo. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10865.908854/200966 Acórdão n.º 3803004.254 S3TE03 Fl. 13 7 Observase ainda que em momento alguma, o despacho decisório mencionou prescrição e decadência, não entendemos como ou porque a requerente chegou a tal conclusão fazendo extensa explanação sobre a matéria, porém, completamente estranha ao objeto da decisão recorrida. Pelo exposto voto no sentido de anular a decisão de primeira instância, qual seja, o acórdão 1430109 da 4ª Turma da DRJ/RPO, para que outra seja proferida em seu lugar, desta feita analisando o pedido preliminar do contribuinte e assim dê seguimento ao presente processo nos termos do Decreto 70.235/72, respeitando o provimento judicial obtido no Mandado de Segurança o nº 000236188.2011.403.6109 da 4a Vara Federal de Piracicaba SP. É como voto. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 09/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008377/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/11/2009
MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, após o desembaraço da mercadoria, mas, antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque.
Numero da decisão: 3803-004.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, após o desembaraço da mercadoria, mas, antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 83 77 /2 00 9- 51 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de auto de infração datado de 25/11/2009 (fls. 2 a 10), número de controle 0717700/00510/09, que apura infração prevista no art. 107, IV alínea “e”, do Decreto Lei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.83303 “por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada” referentes aos transportes internacionais realizados em outubro de 2005 no Aeroporto Internacional do Rio de JaneiroALF/GIG. Foram apuradas oito infrações, com multa prevista no valor original de R$ 5.000,00 cada, totalizando R$ 40.000,00. Irresignada a contribuinte apresentou impugnação (fls. 14 a 22) onde, resumidamente, argumenta que: a) não houve subsunção do fato acusado com a hipótese normativa prevista no art. 107, inciso IV da Lei n° 10.833, de 2003; b) ocorreu violação ao principio da razoabilidade; c) a exigência para que os dados de embarque sejam registrados no exato momento da saída da aeronave é exacerbada; d) há um excesso de punição, não pode ser considerado cada um dos vôos realizados como base para a aplicação da multa; e e) o registro intempestivo dos dados de embarque das mercadorias não se confunde com a falta de prestação de referidas informações. A DRJ em Florianópolis em seu extenso acórdão (fls. 46/61) rejeitou todos os argumentos do sujeito passivo alegando, em síntese, que o descumprimento da norma disposta no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, não mais constitui infração por embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, e sim infração por descumprimento da obrigação de registrar os dados de embarque relativos à mercadoria destinada à exportação. A responsabilidade pelo não cumprimento da obrigação tributária é objetiva. Não se questiona, portanto, o motivo pelo qual a obrigação não foi cumprida, apenas se constata o vinculo de causa e efeito relativo ao seu descumprimento. Considera a repetição de multas no auto de infração como oito fatos distintos, ocorridos em momentos distintos, apurados de forma distinta e, assim, sujeitos, cada um deles, separadamente a multa de R$ 5.000,00. Inconformada a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos trazidos em sede de Impugnação acrescentando novo tópico pugnando pela aplicação da retroatividade benigna em razão da alteração trazida pela IN 1.096/2010 que alterou o artigo 37 da IN 28/94 estabelecendo o prazo de 7(sete) dias para cumprimento da obrigação acessória. Ao final pede que esta turma julgue improcedente o auto de infração que deu origem ao presente processo. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10715.008377/200951 Acórdão n.º 3803004.322 S3TE03 Fl. 11 3 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, entretanto, dele tomarei parcial conhecimento pelas razões expostas a seguir. 1 Do Instituto da denúncia espontânea. Observase que a recorrente prestou todas as informações do embarque antes de qualquer medida de fiscalização denunciadora da infração, tanto que as informações relativas ao mês de outubro de 2005 foram prestadas até a data de 02/08/2006 (fl. 10) enquanto que o Auto de Infração foi lavrado em 25/11/2009 (fl. 3). Peço vênia para fazer uso de partes do voto extraído do processo 10907.002580/200885, provido em seção desta mesma turma especial em 27/02/2013 com acórdão registrado sob o número 3803.003959 de lavra do ilustre conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Observamos que o artigo 102 do DecretoLei nº 37/66, regula a aplicação da denúncia espontânea e se pronuncia nos seguintes termos: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37/66, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo a exceção apenas em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informação relativa a embarque de mercadoria. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN, que, por tratarse de norma cogente, de aplicação obrigatória, entendemos que não há como afastála, mesmo quando a recorrente não traz tal argumentação em sua defesa, vejamos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido1 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória sob comento. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase após o desembaraço da mercadoria e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, o que torna o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. 1 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 2. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 3 A súmula CARF, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção deste entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, o seu disciplinamento abrange as declarações periódicas a que os sujeitos passivos se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de contribuinte ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. 2 Conclusão. 2 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 3 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar as multas aplicadas. É como voto. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 07/ 10/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 19515.001879/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Ementa:GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidôneos, impressos com base em AIDFs inexistentes ou emitidos por pessoas jurídicas inexistentes de fato, e demonstrado que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. GLOSA DE DESPESA NA APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. INCIDÊNCIA DE IRPJ. COMPATIBILIDADE. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, impõe conseqüências à fonte pagadora de rendimentos que não se desincumbe de seu dever de identificar o beneficiário e a causa do pagamento, de modo a permitir a confirmação da regular tributação de eventual rendimento auferido por aquele beneficiário. Nada impede que este mesmo pagamento, quando contabilizado como despesa, seja também glosado na apuração do lucro tributável e resulte na exigência de imposto da mesma pessoa jurídica, mas na condição de contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. APURAÇÃO QUE DEVE PRECEDER A AUTUAÇÃO.
Não cabe a qualificação da multa de ofício se o Fisco não trouxer, até o momento da lavratura do auto de infração, provas cabais da subsunção dos fatos aos tipos penais dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. BALANÇOS DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO.
Descabe a multa isolada se há tributo exigido com multa de ofício pela mesma infração.
Numero da decisão: 1101-000.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, 1) relativamente às exigências principais de IRPJ e CSLL, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 2) relativamente às exigências principais de IRRF, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado nas conclusões pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, e designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 3) relativamente à qualificação da penalidade, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa que dava provimento parcial ao recurso voluntário e fará declaração de voto; 4) relativamente ao recurso de ofício, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro.
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
EDELI PREREIRA BESSA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidôneos, impressos com base em AIDF’s inexistentes ou emitidos por pessoas jurídicas inexistentes de fato, e demonstrado que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. GLOSA DE DESPESA NA APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. INCIDÊNCIA DE IRPJ. COMPATIBILIDADE. O art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, impõe conseqüências à fonte pagadora de rendimentos que não se desincumbe de seu dever de identificar o beneficiário e a causa do pagamento, de modo a permitir a confirmação da regular tributação de eventual rendimento auferido por aquele beneficiário. Nada impede que este mesmo pagamento, quando contabilizado como despesa, seja também glosado na apuração do lucro tributável e resulte na exigência de imposto da mesma pessoa jurídica, mas na condição de contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. APURAÇÃO QUE DEVE PRECEDER A AUTUAÇÃO. Não cabe a qualificação da multa de ofício se o Fisco não trouxer, até o momento da lavratura do auto de infração, provas cabais da subsunção dos fatos aos tipos penais dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. BALANÇOS DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. Descabe a multa isolada se há tributo exigido com multa de ofício pela mesma infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 79 /2 00 8- 09 Fl. 18715DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) relativamente às exigências principais de IRPJ e CSLL, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 2) relativamente às exigências principais de IRRF, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado nas conclusões pelo Conselheiro José Ricardo da Silva, e designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 3) relativamente à qualificação da penalidade, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa que dava provimento parcial ao recurso voluntário e fará declaração de voto; 4) relativamente ao recurso de ofício, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. EDELI PREREIRA BESSA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório A interessada (“QUALIX”) foi autuada, em 02.07.2008, para fins de exigência de valores de IRPJ, CSLL e IRRF, atinentes aos anosbase de 2004 a 2006, derivados da glosa de custos ou despesas não documentalmente comprovados. Os importes empregados na realização destes estipêndios foram sacados, pela própria autuada, junto a contas bancárias das quais esta era titular. Teria se caracterizado, então, hipótese de “pagamento sem causa ou a beneficiários não identificados”, resultando, disso, crédito tributário total (fls. 04/06) equivalente a R$ 64.157.554,79 (sessenta e quatro milhões, cento e cinquenta e sete mil, quinhentos e cinquenta e quatro reais e setenta e nove centavos), incluídos impostos, contribuição, multas qualificadas de 150% (cento e cinquenta por cento) e juros de mora calculados até 30.05.2008, além de multas isoladas relacionadas à Fl. 18716DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 3 3 falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL respeitantes ao período fiscalizado (fls. 01/489). O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 421/426 deu conta de que: i. a autuada realizou, nos anoscalendários de 2004 a 2006, saques em espécie, a seguir relacionados, procedentes de suas contascorrentes, administradas pelo Banco de Brasília (agência nº 0059, contacorrente nº 0590057197), pelo Banco Real ABN AMRO (agência nº 0961, conta corrente nº 8.005725) e pelo Banco Bradesco (agência nº 2153, conta corrente nº 00110736), conforme elementos probatórios apostos às fls. 187/419: Nº BANCO DATA Nº DOCUMENTO VALOR 1 BRADESCO 14/12/04 4814001 985.033,00 2 BRB 15/12/04 1066 667.000,00 3 BRB 10/01/05 1067 667.000,00 4 BRADESCO 10/01/05 4814001 884.586,00 5 BRB 03/02/05 1068 946.186,00 6 BRB 03/02/05 1069 667.000,00 7 BRB 03/03/05 1070 195.000,00 8 BRB 03/03/05 1072 536.324,63 9 BRB 03/03/05 1073 366.700,00 10 BRB 03/03/05 1074 667.000,00 11 BRB 21/03/05 1075 526.639,00 12 BRB 21/03/05 1076 456.391,00 13 BRB 21/03/05 1077 744.885,00 14 BRB 21/03/05 1078 545.085,00 15 BRB 06/04/05 1079 1.211.183,00 16 BRB 06/04/05 1080 732.633,00 17 BRB 07/06/05 1085 956.134,00 18 BRB 07/06/05 1086 939.760,00 19 BRB 08/07/05 1101 265.856,45 20 BRB 08/07/05 1102 216.294,00 21 BRB 08/07/05 1104 262.411,15 22 BRB 08/07/05 1111 207.032,45 23 BRB 08/08/05 1113 264.960,00 24 BRB 08/08/05 1112 72.395,00 25 BRB 08/08/05 1114 400.744,00 26 BRB 08/08/05 1115 216.294,00 27 BRB 08/08/05 1116 467.827,00 28 BRB 08/08/05 1117 318.630,00 29 BRB 08/08/05 1118 180.240,00 30 BRB 07/10/05 1168 496.496,00 31 BRB 07/10/05 1169 216.294,00 32 BRB 07/10/05 1170 249.054,00 33 BRB 07/10/05 1171 460.874,00 34 BRB 07/11/05 1172 322.786,00 35 BRB 07/11/05 1173 477.652,55 36 BRB 07/11/05 1174 221.976,00 37 BRB 07/11/05 1175 356.487,00 38 BRB 07/11/05 1176 926.815,45 Fl. 18717DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 39 BRB 07/12/05 1141 609.832,00 40 BRB 07/12/05 1177 538.060,00 41 BRB 07/12/05 1178 383.615,00 42 BRB 07/12/05 1179 419.509,00 43 BRB 07/12/05 1180 515.984,00 44 BRB 08/12/05 1142 557.880,00 45 BRB 08/12/05 1143 527.170,00 46 BRB 08/12/05 1144 438.793,00 47 BRB 10/01/06 1149 502.063,00 48 BRB 10/01/06 1150 216.294,00 49 BRB 10/01/06 1151 494.300,00 50 BRB 10/01/06 1145 94.900,00 51 BRB 10/01/06 1146 76.528,00 52 BRB 10/01/06 1147 25.597,00 53 BRB 10/01/06 1148 60.775,00 54 BRB 11/01/06 1152 40.400,00 55 BRB 18/01/06 1153 210.700,00 56 BRB 18/01/06 1154 171.548,00 57 BRB 18/01/06 1155 182.321,00 58 BRB 18/01/06 1156 230.931,00 59 BRB 06/02/06 1158 520.121,00 60 BRB 06/02/06 1160 186.046,00 61 BRB 06/02/06 1181 138.454,00 62 BRB 06/02/06 1159 455.497,00 63 BRB 06/02/06 1157 524.382,00 64 BRB 08/02/06 1182 122.866,00 65 BRB 08/02/06 1183 144.184,00 66 ABN AMRO 02/03/06 226287 100.000,00 67 BRB 08/03/06 1184 696.464,00 68 BRB 08/03/06 1185 687.350,00 69 BRB 08/03/06 1186 682.070,00 TOTAL 29.850.292,68 ii. os totais mensais destes saques foram os seguintes: Dez/2004 1.652.033,00 Ago/2005 1.921.090,00 Jan/2005 1.551.586,00 Out/2005 1.422.718,00 Fev/2005 1.613.186,00 Nov/2005 2.305.717,00 Mar/2005 4.038.024,63 Dez/2005 3.990.843,00 Abr/2005 1.943.816,00 Jan/2006 2.306.357,00 Jun/2005 1.895.894,00 Fev/2006 2.091.550,00 Jul/2005 951.594,05 Mar/2006 2.065.884,00 iii. a interessada, apesar de intimada e reintimada em 05.12.2006, 27.03.2008, 07.04.2008 e 22.04.2008, não apresentou quaisquer documentos hábeis e idôneos que comprovassem os lançamentos desses saques como custos necessários à manutenção de sua fonte produtora, nem explicou detalhadamente os respectivos históricos do livro Diário, como solicitado pelo Termo de Intimação Fiscal de 28.04.2008; iv. a contrapartida de todos os saques constava da conta de “Fornecedores”, conforme cópias do livro Diário Geral, apresentadas em resposta aos Termos Fl. 18718DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 4 5 de Intimação Fiscal e de Reintimação datados de 01.03.2007 e de 09.03.2007. Ditas contrapartidas configurariam despesas ou custos, de acordo com o demonstrativo elaborado pela autuada, autenticado por seu representante legal, baseado em seu livro Diário Auxiliar, fornecido pela peticionária em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 27.03.2008; v. as bases de cálculo do IRRF devem ser reajustadas, em obediência ao artigo 725 do RIR/1999, conforme quadro a seguir: Dez/2004 2.541.589,23 Ago/2005 2.955.523,08 Jan/2005 2.387.055,38 Out/2005 2.188.796,92 Fev/2005 2.481.824,62 Nov/2005 3.547.256,92 Mar/2005 6.212.345,58 Dez/2005 6.139.758,46 Abr/2005 2.990.486,15 Jan/2006 3.548.241,54 Jun/2005 2.916.760,00 Fev/2006 3.217.769,23 Jul/2005 1.463.990,85 Mar/2006 3.178.283,08 Os autos de infração lavrados (fls. 427/472), consequentes destas averiguações fiscais, trouxeram as seguintes bases legais: i. IRPJ: artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 300 e 304, todos do RIR/1999; ii. CSLL: artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/1988, artigo 1° da Lei n° 9.316/1996, artigo 28 da Lei n° 9.430/1996 e artigo 37 da Lei n° 10.637/2002; iii. IRRF: artigos 674 e 725 do RIR/1999; iv. MULTAS ISOLADAS: artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996. Constam, às fls. 473/488, os demonstrativos de compensação de prejuízos fiscais e os formulários FAPLI e FACS. As devidas alterações oficiosas foram incluídas no sistema SAPLI (fls. 8665/8675). A QUALIX apresentou impugnação, em 01.08.2008 (fls. 180/186), por meio de seu diretorpresidente (fls. 166/183 e 524/550), acompanhada dos documentos de fls. 712/8653, mediante a qual explicou que atuava no ramo de coleta de lixo, sob contrato com administrações públicas, e que a guarda de seus documentos havia sido terceirizada, de forma a Fl. 18719DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 que o trâmite para o desarquivamento e o transporte deles tivesse sido prejudicado. Por essa razão, fora impedida de apresentar os documentos necessários durante a ação fiscal – o que, por ora, fazia. Alegouse, então, em resumo, o que segue: QUANTO ÀS DEDUÇÕES GLOSADAS i. desconhecese a relação entre o artigo 304 do RIR/1999 e a autuação, embora se infira que a glosa concretizada se apóie na falta de documentos comprobatórios; ii. as despesas e os custos glosados são dedutíveis, pois a documentação ora apresentada – cópias de cheques; livros contábeis; requisições de serviços de manutenção de caminhões, atendidas por prepostos dos fornecedores; relatórios de serviços prestados, emitidos pelos fornecedores e recebidos pelos prepostos da QUALIX; notas fiscais de serviços (ligadas à atividadefim da autuada), cujos valores coincidem com os glosados; e recibos de quitação competentes – comprovariam o pagamento efetivo dos valores questionados. Estariam ratificadas, assim, não só a existência, mas, também, a necessidade da prestação, à autuada, destes serviços de manutenção de caminhões de lixo e de locação de tratores, máquinas e equipamentos pesados, utilizados em aterros sanitários; iii. havia contratos válidos e eficazes entre a interessada e os prestadores aludidos. As cópias dos contratos sociais dos prestadores foram apresentadas, para comprovar que eles tinham personalidade jurídica apta a praticar os negócios jurídicos em tela; iv. os prestadores e seus serviços eram, especificadamente, os seguintes: a. Comercial Star Ltda. (“COMERCIAL STAR”): manutenção de caminhões e acessórios; b. D&M Comercial Ltda. (“D&M”): manutenção de caminhões e acessórios; Fl. 18720DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 5 7 c. Mega Construções e Terraplanagem Ltda. (“MEGA”): conserto de equipamentos pesados e locação de máquinas e equipamentos de terraplanagem; d. Naves – Construções, Comércio e Representações Ltda. (“NAVES”): locação de máquinas e de equipamentos para terraplanagem; e e. Metro Construções e Serviços Ltda. (“METRO”): conserto de máquinas e de equipamentos pesados. v. os valores sacados foram utilizados para pagar todos esses fornecedores. O TVF faz prova a favor da QUALIX, pois mostrou ele que tais importâncias quitaram, de fato, obrigações com os fornecedores, conforme referências feitas à escrituração da autuada; QUANTO AO IRRF vi. não tendo sido apresentada a documentação necessária, durante a fiscalização, a i. AFRFB presumiu que se ocultavam os beneficiários, limitandose a indicar o motivo do reajuste da base de cálculo, citando que os pagamentos não tinham causa e fundamentando a cobrança no artigo 674 c/c artigo 725 do RIR/1999, que trata de pagamentos a beneficiários não identificados. A documentação ora apresentada, contudo, atesta a existência dos custos e mostra que os beneficiários foram identificados, não cabendo a cobrança do IRRF; QUANTO ÀS MULTAS QUALIFICADAS DE 150% vii. sem justificativa, a i. AFRFB aplicou multas de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre os valores lançados de IRPJ, CSLL e IRRF, equiparando a conduta de falha na apresentação de documentos, durante a ação fiscal, a um ato deliberado de sonegação fiscal. Ainda que se admita que os valores pagos não sejam comprovados, não cabe tal multa, pois o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 remete às condutas dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, cuja leitura mostra que a intenção tem que ser o não pagamento do tributo. Não se pode falar, aqui, em sonegação, fraude ou conluio, pois o elemento Fl. 18721DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 subjetivo (dolo) integra o tipo penal. Não há, portanto, amparo para a multa, conforme jurisprudência administrativa transcrita; viii. a i. AFRFB não apontou os motivos para a aplicação da multa, nem provou a intenção da prática das condutas ilícitas. Diante da falta de justificativa ou de comprovação da infração que levou à aplicação da penalidade, a QUALIX, mesmo sabendo que não participou de qualquer sonegação, fraude ou conluio, ficou impossibilitada de se defender, evidenciandose, pois, o cerceamento de seu direito de defesa; QUANTO ÀS MULTAS ISOLADAS ix. não caberia a multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre os valores supostamente devidos a título de estimativas de IRPJ (R$ 2.838.115,38) e de CSLL (R$ 1.031.081,54), eis que tal cobrança, em conjunto com a multa qualificada, implicaria dupla penalidade sobre o mesmo fato – o que exigiria autorização expressa da legislação, inexistente no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996; x. a base legal utilizada para a aplicação da multa isolada foi alterada pela Lei n° 11.488/2007, que alocou, no inciso II, alínea “b”, do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, o dispositivo que evidencia ser uma só a base de cálculo da multa isolada e da multa exigida com o tributo. Em outras palavras: ou se exige a multa isolada, ou se exige o tributo devido com a multa de oficio, conforme jurisprudência administrativa transcrita; xi. o artigo 70 do Código Penal dispõe que, se o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicase a maior das penas cabíveis, ou se iguais, apenas uma; xii. o cálculo das multas isoladas, por fim, traria 02 (dois) equívocos: a. os prejuízos fiscais de exercícios anteriores não foram utilizados na determinação das estimativas, apesar de a i. AFRFB, no cálculo dos montantes exigidos a título de principal, multa e juros, ter feito dita compensação; e Fl. 18722DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 6 9 b. as estimativas dos balanços de suspensão e de redução foram calculadas sem abatimento do montante a antecipar, tido como devido no mês anterior, o que superestima o valor exigível. O processo foi, ato contínuo, baixado em diligência pelo colegiado a quo, em 17.10.2008, a cargo da DIFIS/DRF/BSB, nos seguintes termos (fls. 8665/8667): “(...) A empresa apresentou impugnação, acompanhada de elementos (fls. 712 a 8.653), alegando, em resumo, dentre outros argumentos, que todas as despesas e custos glosados são referentes a serviços de manutenção de caminhões de lixo e de locação de tratores, máquinas e equipamentos pesados utilizados em aterros sanitários, sendo comprovados com base nas cópias da documentação fiscal, apresentadas na impugnação, a saber: cheque, Livros Contábeis, Requisições de Serviços de manutenção de caminhões atendidas por prepostos dos fornecedores, Relatórios de Serviços Prestados emitidos pelos fornecedores e recebidos pelos prepostos da impugnante, além das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, cujos valores coincidem com os glosados e Recibos de Quitação. (...) Eis o resumo das situações dessas empresas perante a RFB e alguns dados de suas Declarações, no período em tela: NOME 2004 2005 2006 Star INATIVA INATIVA SIMPLES D&M INATIVA INATIVA SEM DIPJ Mega INATIVA LUCRO PRESUMIDO (1) LUCRO PRESUMIDO (2) NavesNTP INATIVA INATIVA LUCRO PRESUMIDO (3) Metro SEM DIPJ SEM DIPJ SEM DIPJ TransPax INATIVA INATIVA LUCRO PRESUMIDO (3) Power INATIVA INATIVA INATIVA Obs.: (1) Receita de R$ 1.382,60 no 4º trimestre. (2) Receita de R$ 142.500,00 no 1º trimestre. (3) Receita de R$ 0,00 no 1° trimestre. Fl. 18723DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 A pessoa responsável pelo preenchimento de todas as Declarações foi o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, CPF n.° 227.447.54153, CRC n.° 7499, também sócio e responsável pela ‘Mega Construções e Terraplanagem Ltda.’, a cujo respeito foram pedidos esclarecimentos no curso da ação fiscal, sem resultado, conforme fls. 415 a 419. Essas empresas registraram os seguintes CNAE: 1 – ‘Comercial Star Ltda.’ (microempresa) e ‘D&M Comercial Ltda.’: CNAE 4751200 comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática; 2 – ‘Mega Construções e Terraplanagem Ltda.’ e ‘Naves Construções Comércio e Representações Ltda. – NTP’ (microempresa): CNAE 4120400 – construção de edifícios; 3 – ‘Metro Construções e Serviços Ltda.’: CNAE 4299599 outras obras de engenharia civil não especificadas anteriormente; 4 – ‘TransPax Transportadora Ltda.’: CNAE 4930202 transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional; 5 – ‘Power Teleinformática Ltda.’: CNAE 8130300 – atividades paisagísticas. O interessado não reteve o IRRF dessas empresas, no período em tela, muito embora tenha efetuado retenção referente a um rendimento de R$ 149.763,68 pago a Power Teleinformática Ltda., em dezembro de 2006, e portanto, posterior ao período autuado. De resto, todos os dados existentes nos sistemas da RFB sobre esses fornecedores capital social, número de empregados, compras, receitas, estoques, etc. – são incompatíveis com os serviços prestados à impugnante. Assim, há fortes indícios de que a documentação apresentada não retrata a realidade dos fatos e sendo os fornecedores sediados em BRASÍLIA/DF, proponho encaminhar o processo à DRF/BRASILIA/SEFIS para a realização de diligência cujo objetivo seja apurar a verdade material em relação aos fatos em tela, por meio de respostas objetivas aos seguintes quesitos, referentes ao período em questão: Fl. 18724DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 7 11 1 essas empresas existiam, de fato? 2 a confecção e emissão dessas Notas Fiscais foram regulares? 3 os recibos foram assinados pelos sócios ou procuradores autorizados? 4 essas empresas operavam regularmente e prestaram efetivamente os serviços indicados nas Notas Fiscais? (...)” (grifos no original) A DIFIS/DRF/BSB realizou a diligência (fls. 8669/9094) e apresentou, em 22.09.2009, diagrama de relações entre as pessoas e as empresas diligenciadas (fl. 9095), juntamente com a Informação Fiscal de fls. 9096/9109, cujo resumo é o seguinte: i. intimaramse as fornecedoras que, em tese, teriam prestado serviços à autuada; ii. em todas elas, havia grande divergência entre os valores declarados em DIPJ, os movimentados em contacorrente e os que são objeto de emissão de notas fiscais, conforme quadro de fl. 8786; iii. o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho era o contador, à época, de 06 (seis) dessas sociedades; iv. o endereço de funcionamento das 03 (três) prestadoras abaixo indicadas era o mesmo do escritório de contabilidade do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho (SRES A/ESP C/COML Bloco D, bairro Cruzeiro Velho, Brasília, CEP 70.640513): a. COMERCIAL STAR; b. D&M; Fl. 18725DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 c. NAVES; v. o telefone do escritório do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho consta como número de contato de alguns dos supostos sócios das fornecedoras, a saber: a. Sr. Evandro Gomes Maia (suposto sócio da D&M); b. Sra. Cláudia Regina Rodrigues de Souza (suposta sócia da D&M); e c. Sr. Márcio Roberto Vale França (suposto sócio da MEGA e ex sócio da COMERCIAL STAR); GRÁFICAS vi. a Gráfica Cassanelli, responsável pela confecção dos talões de notas fiscais de 04 (quatro) dessas sociedades COMERCIAL STAR, D&M, MEGA e METRO , devidamente intimada (fls. 8669/8870), declarou (fls. 8692/8706) que comprovava a confecção regular dos talonários, muito embora um sócio da METRO, Sr. Ricardo Euclides Horácio de Moura Lima, tenha declarado que jamais prestou serviços à autuada, acrescentando, de um lado, que a inscrição estadual da METRO estava cancelada desde 2003, e, de outro, que a empresa esteve inativa desde sua constituição (fl. 8749); vii. a Gráfica Celso Amorim, intimada a confirmar se confeccionou talonários de notas fiscais para a NAVES, declarou, por meio de seu sócio, Sr. Celso Ribeiro Amorim, que não os produziu, no período de 2000 a 2009; viii. tentouse localizar uma terceira gráfica, a JC Gráfica e Editora Ltda., responsável pela confecção de notas fiscais da METRO (que, conforme mencionou o sócio, estava inativa e jamais detivera autorização da SEFAZ/DF para a emissão de documentos fiscais). Esta gráfica, entretanto, não funciona no endereço informado à Receita Federal. Tentouse localizar seu único sócio, o Sr. Severino Alves de Figueiredo, por meio de telefone, mas só se obteve a informação de que o CNPJ da sociedade correspondia, em Fl. 18726DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 8 13 verdade, à S Alves de Figueiredo ME, madeireira que também vendia materiais de construção; ix. uma última gráfica – Tocantins & Gonçalves (nome empresarial “SM Despachante”) – foi também investigada, para apurar se houve ou não confecção legítima dos talonários das notas fiscais supostamente emitidas pela NAVES. O sócio daquela sociedade, Sr. Sérgio Araújo Mendes, residente em Goiânia, no bairro Jardim Vitória I, informou ter sido vítima de estelionato pelo Sr. Simonton, filho da Sra. Maria do Carmos Silva, outra sócia da Tocantins & Gonçalves. Segundo relato do Sr. Sérgio Araújo Mendes, a SM Despachante nunca foi gráfica; MEGA x. a MEGA, localizada na ADE Conjunto 18, S/N, Lote 29, Samambaia Sul, é um galpão com pequeno espaço coberto, que funciona como escritório e alojamento para o caseiro – estrutura incompatível com o faturamento de quase R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais), obtido nos anos de 2005 e 2006. Intimada a informar se havia prestado serviços à interessada, a apresentar as respectivas notas fiscais e a informar quem havia dado quitação nos recebimentos (fls. 8787/8788), declarou, por meio de seu representante, Sr. Marcos Teixeira Barbosa, incluído como sócio em 09.12.2008 (alteração contratual n° 03), que desconhecia a emissão de notas fiscais de serviços prestados à autuada, nos anos de 2004 a 2006 (fl. 8791). Muito embora recém admitido como sócio da MEGA, o Sr. Marcos Teixeira Barbosa já figurava como testemunha em pelo menos 03 (três) contratos sociais de sociedades das quais o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho era contador ou procurador; xi. a MEGA teve, como sócios, a Sra. Cláudia Cristina Xavier da Silva e o Sr. Manoel Pereira Varella, devidamente intimados. Os resultados dessas investigações são apresentados junto com aqueles da diligência à COMERCIAL STAR, da qual eles também eram sócios. Ressalvese que o Sr. Manoel Pereira Varella ainda figurou como sócio da D&M. Todos esses relacionamentos estão esquematizados no diagrama de relação de fl. 9091. Um último sócio, o Sr. Márcio Roberto Vale França (fls. 8796/8797), declarou (fls. 8800/8801) que apenas assinou o contrato social da MEGA para prestar um favor ao Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, a quem conhecia há 07 (sete) anos. Questionado se sabia que tipo de serviços prestava e qual o faturamento aproximado da MEGA, revelou que apenas “emprestou o nome” à constituição da sociedade, na qual jamais teve qualquer ingerência e cuja administração cabia integralmente ao Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho; Fl. 18727DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 xii. a SEFAZ/DF, intimada, informou que houve autorização para a confecção e a emissão de notas fiscais, em 2004 e 2006, para a MEGA (fl. 8749); METRO xiii. a segunda diligenciada foi a METRO (fls. 8812/8813), em cujo endereço – CLSW 102, BL. B S/N, loja 63 – funcionava um ateliê de costura. Seu atual endereço era QE 40, Rua 15, lote 2, Polo de Modas, 3° andar, sala 304, Guará II. O Sr. Ricardo Euclides Horácio de Moura Lima, um dos sócios, conforme contrato social (fl. 8818), afirmou, em resposta ao termo de intimação nº 022/2009, de 13.04.2009, que não prestou qualquer serviço à autuada ou a qualquer outra sociedade empresária, em 2004, 2005 e 2006, pois a METRO teve sua inscrição cancelada em 2003, mantendose inativa até 2009. A SEFAZ/DF informou, à fl. 8749, que o cancelamento da inscrição da referida sociedade se deu em 18.06.2003, e a última AIDF – Autorização para Impressão de Documentos Fiscais nº 1.540.01006/2002 – foi emitida em 04.10.2002, sendo irregulares quaisquer notas fiscais concernentes aos anos objeto desta diligência; TRANSPAX xiv. a terceira sociedade intimada (fls. 8823/8824) foi a TransPax Transportadora Ltda. (“TRANSPAX”), que, embora tivesse autorização para emitir notas fiscais – vez que a AIDF nº 1.221.00188/2005, de 03.09.2004, teria validade até 2006, conforme artigo 8º do Decreto nº 18.955/1997 –, declarou, por meio de seu sócio, Sr. João Gualberto Pinheiro dos Santos Junior, nunca ter prestado serviços de qualquer natureza à interessada (fl. 8826). Ressalvese que o Sr. João Gualberto Pinheiro dos Santos Junior é sócio do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho na sociedade NEWS RENT A CAR (CNPJ/MF nº 07.888.229/000153), localizada no mesmo edifício das sociedades NAVES, D&M, COMERCIAL STAR e do escritório de contabilidade do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, a TECCON Serviços Técnicos Contábeis; NAVES xv. a intimação da NAVES (fls. 8836/8837) revelou que ela não funcionava no endereço constante das bases da Receita Federal, qual seja: SRES A/ESP C/COML Bloco D 20, sala 321, Cruzeiro Velho. A Sra. Márcia Teresa Presto foi intimada a prestar esclarecimentos acerca da relação entre a NAVES e a autuada (fls. 8839/8840), mas não se manifestou. O outro sócio, Sr. José Fl. 18728DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 9 15 Naves Cardoso, intimado (fls. 8843 e 8844), informou que a empresa de que é sócio não exerce qualquer atividade desde 1999, e que passou, ao Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, procuração ampla para gerila e administrá la (fl. 8849). Desde então, não tem qualquer ingerência sobre a sociedade. O Sr. José Naves Cardoso ficou surpreso ao saber que muitas notas fiscais haviam sido emitidas, em valores bastante representativos, eis que, atualmente, seu sustento depende de seu filho. Homem humilde que é, declarou ter sido traído pelo Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, a quem conhece há muito tempo, e que agora entendia a origem da ascensão patrimonial (compra de veículos e terrenos) deste. À fl. 8845, o Sr. José Naves Cardoso declarou que todos os livros Diários e Razão, além dos talonários de notas fiscais de 2004 a 2006, sempre estiveram em poder do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho. Adicionou que não foi aberta qualquer contacorrente em nome da sociedade e que foram emitidas, até 1999, no máximo, 15 (quinze) notas fiscais, cujos valores individuais não ultrapassaram R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais); xvi. a SEFAZ/DF informou que a inscrição da NAVES estava cancelada desde 2001, sendo, portanto, irregulares quaisquer emissões de notas fiscais de 2004 a 2006; D&M xvii. a D&M não funciona no endereço constante dos sistemas da Receita Federal, e a tentativa de localizar um dos sócios, Sr. Evandro Gomes Maia, restou infrutífera, pois ele não mais reside no Setor Oeste, Quadra 06, lote 87, Gama. O telefone de contato em seu cadastro é o mesmo do escritório do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho. A Sra. Cláudia Regina Rodrigues de Souza, outra suposta sócia da D&M, depois de muitas pesquisas e contatos telefônicos, foi localizada. Ela se surpreendeu ao saber que era sócia de outra empresa que não a LS Boutique e Salão de Beleza (CNPJ/MF nº 01.938.085/000116), cuja baixa de inscrição na Junta Comercial requereu ao Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho – ato para o qual este pediu que ela assinasse alguns papéis. A depoente asseverou que jamais teve intenção de dar, ao último, procuração destinada a constituir nova sociedade (fl. 8861). O Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, em depoimento, afirmou que tinha procuração para representar a D&M, fornecida pela Sra. Cláudia Regina Rodrigues de Souza, mas não a apresentou, quando lhe foi dada a oportunidade; xviii. a D&M, conforme a SEFAZ/DF, obteve sua última AIDF (nº 1.531.0034/2002) em 18.06.2002 e, segundo o artigo 8º do Decreto nº 18.955/1997, estaria autorizada a emitir notas fiscais até 18.06.2004. Fl. 18729DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 Posteriormente a essa data, quaisquer emissões de notas fiscais seriam irregulares; COMERCIAL STAR xix. a COMERCIAL STAR também não funcionava no endereço informado à Receita Federal. Os atuais sócios, Sr. Edilberto Alto Pereira da Silva e Sra. Andréia Cristina da Silva, residentes à SMPW QD 04, Chácara 57, casa 24, foram intimados, mas os avisos de recebimento – AR (fls. 8856 a 8860) retornaram, apesar da indicação de que eles residiam no endereço constante das bases da Receita Federal. Em diligência ao local, constatouse que ambos não mais ali moravam, de fato. Os AR’s foram entregues, então, ao Sr. Denivan Viana Ramos, (R.G. nº 2019051 SSPDF), responsável pela Prefeitura SHA Amiqueiras, para quem os Correios deixavam as correspondências, a fim de que os moradores as retirassem posteriormente, face à irregularidade da área. Questionado se conhecia o Sr. Edilberto Alto Pereira da Silva e a Sra. Andréia Cristina da Silva, informou que eram pessoas simples, que tomavam conta de imóvel outrora em construção, pertencente ao Sr. João Evangelista Rodrigues Lima. Este, intimado, declarou, em depoimento, à fl. 8881, ter comprado o imóvel do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, em 23.07.2007, conforme termo de cessão de direitos juntado às fls. 8882/8887; xx. depois da análise do quadro societário da COMERCIAL STAR, percebeuse que, durante o período objeto da fiscalização, 06 (seis) pessoas figuraram como sócios, tendo todos sido diligenciados: a. Sr. Márcio Roberto França, incluído na sociedade em 17.02.2002, excluído em 02.06.2004, também sócio da MEGA, na qual foi incluído em 15.07.2005, responsável por revelar, em depoimento, que constituiu a COMERCIAL STAR, em março de 2003, para participar de licitações no Distrito Federal, atuando na venda de equipamentos eletrônicos e de informática. Sua sócia, Sra. Cristiane de Andrade Souza, não era do seu relacionamento e foi indicada, pelo Sr. Rubmaier Ferreira dos Santos, para compor o quadro societário. Afirmou que confiou na indicação do Sr. Rubmaier Ferreira dos Santos e que apenas assinava os contratos e os documentos para as licitações de que participava. Os demais assuntos, inclusive os contábeis e financeiros, corriam a cargo do Sr. Rubmaier Ferreira dos Santos. Questionado sobre o faturamento estimado da COMERCIAL STAR em 2004, ano em que foi sócio, o Sr. Márcio Roberto França não soube responder, mas garantiu que foi algo muito abaixo dos R$ 3.953.205,91 (três milhões, novecentos e cinquenta e três mil, duzentos e cinco reais e noventa e um centavos) que circularam nas contas correntes da COMERCIAL STAR; Fl. 18730DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 10 17 b. Sra. Cristiane de Andrade de Souza, sócia durante o mesmo período do Sr. Márcio Roberto França, deveria residir à OTR QSE 03, casa 51, Taguatinga, conforme os sistemas da Receita Federal. Entretanto, em diligência ao local, ela não foi encontrada. O atual proprietário do imóvel, Sr. Jarbas de Oliveira Costa, negou conhecer a Sra. Cristiane de Andrade de Souza e informou ter adquirido o imóvel do Sr. Rubmaier Ferreira dos Santos – o que é confirmado pela DIRPF do exercício de 2005 do Sr. Rubmaier Ferreira dos Santos, à fl. 9004. A Sra. Cristiane de Andrade de Souza, segundo o Sr. Márcio Roberto França, é pessoa do relacionamento do Sr. Rubmaier Ferreira dos Santos; c. Sr. Manoel Pereira Varella, incluído em 02.06.2004 e excluído em 23.12.2004, que deveria residir na OTR QN 05 C, conjunto 7, casa 22, Riacho Fundo II, Brasília, conforme os sistemas da Receita Federal. Todavia, a visita ao local revelou que ele não morava no imóvel, sendo o atual morador o Sr. Joanair Ferreira Mota, responsável por informar que a casa pertencia a um irmão já falecido e que a administração daquele e de outros imóveis cabia a outro irmão, o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho. O Sr. Manoel Pereira Varella figurou como sócio da MEGA, da qual o Sr. Rubmaier Ferreira dos Santos foi sócio, conforme cópia do contrato de constituição da sociedade, retida quando da diligência ao escritório deste último (fls. 8906/8907); d. Sra. Cláudia Cristina Xavier da Silva, que deveria residir na Quadra 55, Lote 06, Bloco 02, apto. 110, Setor Central, Gama. A diligência revelou que, no local, mora outra família, e tanto o porteiro como o síndico desconhecem que a Sra. Cláudia Cristina Xavier da Silva tenha ali residido; e. Sra. Edle Pereira de Souza, também não localizada. No endereço em que deveria residir, o morador, Sr. Isaias Medeiros, informou que a desconhecia, de um lado, e que ali habitava por gentileza do proprietário, o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho; e f. Sr. Reginaldo Pereira dos Santos, incluído em 23.12.2004 e excluído em 05.07.2007, que deveria residir no mesmo endereço da Sra. Cristiane de Andrade de Souza. O Sr. Jarbas de Oliveira Costa, que comprou o imóvel do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, também desconhecia o primeiro; Fl. 18731DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 xxi. os atuais sócios, Sr. Edilberto Alto Pereira da Silva e Sra. Andréia Cristina da Silva, também não encontrados nos endereços constantes das bases de dados da Receita Federal, guardam com os demais sócios características em comum, a saber: a. seus endereços residenciais têm sempre alguma relação com o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho; b. são pessoas simples, cujas DIRPF apresentam rendimentos tributáveis incompatíveis com os faturamentos e com as movimentações financeiras da sociedade que representam, denotando terem sido usados, como sócios, para representarem a COMERCIAL STAR; c. um exemplo que reforça essa conclusão, além do revelado pelo Sr. Denivan Viana Ramos, diz respeito à Sra. Edle Pereira de Souza, cujo último registro de trabalho foi na V Locação, Serviço, Construção Civil e Mineração Ltda. (CNPJ/MF nº 00.617.589/0001 71), da qual percebia remuneração mensal de R$ 392,39 (trezentos e noventa e dois reais e trinta e nove centavos), segundo a GFIP do anocalendário de 2005 (fl. 8916) – rendimento, obviamente, incompatível com o faturamento de cerca de R$ 5.200.000,00 (cinco milhões e duzentos mil reais) da COMERCIAL STAR; POWER xxii. a Power Teleinformática Ltda. (“POWER”) foi intimada (fl. 8923) e, em diligência ao local, constatouse que também não funcionava no endereço constante dos sistemas da Receita Federal, qual seja: C 11, lote 08, Q Central, S/N, sala 302, Taguatinga. Neste logradouro funciona uma pequena empresa de telemarketing, com 03 (três) funcionários. Os sócios da POWER, Sr. Welington Cesar Dias de Oliveira e seu pai, Sr. Otávio Dias de Oliveira, não foram encontrados no endereço que constava das bases de dados da Receita Federal; SR. RUBMAIER FERREIRA DE CARVALHO Fl. 18732DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 11 19 xxiii. intimouse o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho a apresentar o que constava no termo de intimação nº 017/2009, entranhado às fls. 8947/8949. Ele pediu prazo para responder, o que foi concedido. Foi firmado que, no dia 04.06.2009, ele compareceria à Delegacia da RFB em Brasília, pessoalmente, para apresentar os documentos pedidos. Nesse dia, entretanto, alegou impedimento e, por isso, pediu nova prorrogação, o que foi indeferido. Na mesma manhã, a Dra. Estela Cha Tominaga, sua advogada, solicitou igual prorrogação e obteve, também, negativa. No dia 15.06.2009, citada procuradora renunciou aos poderes de representação, alegando descumprimento do contrato com ele firmado, conforme fl. 8945. No dia seguinte, às 15h, o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho compareceu à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília, com o fito de prestar esclarecimentos, registrados às fls. 8957/8959; xxiv. o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, no bojo da noticiada oitiva, informou que: a. sua única fonte de renda atual provinha do escritório de contabilidade TECCON Serviços Técnicos Contábeis, que faturava cerca de R$ 100.000,00 (cem mil reais) por ano; b. era sócio da NEWS RENT A CAR, juntamente com o Sr. João Gualberto Pinheiro dos Santos Junior, sócio da TRANSPAX; c. não conhecia ninguém da autuada; d. era o atual contador das sociedades MEGA e TECCON Serviços Técnicos Contábeis; e. foi o contador, nos anoscalendário em tela, da COMERCIAL STAR, da D&M, da NAVES, da POWER e da TRANSPAX; xxv. questionado sobre o relacionamento com os sócios da COMERCIAL STAR, o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho informou não ter com eles mais contato. Indagado se sabia onde residiam, alegou desconhecimento. Perguntado se os endereços dos atuais sócios da COMERCIAL STAR eram de um imóvel que vendera ao Sr. João Evangelista Rodrigues Lima, conforme depoimento à fl. 8881, afirmou serem verdadeiras as informações; Fl. 18733DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 xxvi. com respeito à D&M, cuja suposta sócia declarou expressamente ter sido vítima de fraude, o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho negou a acusação, dizendo que não fora contratado para dar baixa em qualquer sociedade, mas, sim, para constituir uma nova. Declarou ter documentos que comprovariam o fato, mas não os apresentou, quando da resposta à intimação nº 068/2009 (fls. 8960/8962), recebida imediatamente depois de seu depoimento; xxvii. em relação à NAVES, alegou que não emitiu as notas fiscais, nem reconheceu a assinatura de quem havia dado o “recebido” nas referidas notas. Entretanto, como se pode comprovar pela procuração apresentada pelo Sr. José Naves Cardoso, o intimado dispunha de plenos poderes para gerir a sociedade; xxviii. instado a esclarecer como, no exercício de 2005, sua conta no Bank of Boston passou de R$ 500,31 (quinhentos reais e trinta e um centavos) a R$ 155.490,14 (cento e cinquenta e cinco mil, quatrocentos e noventa reais e quatorze centavos), informou tratarse de operações de compra e venda de 02 (dois) ou 03 (três) lotes em Amiqueiras. Na resposta ao termo de intimação n° 017/2009 (fls. 8951/8956), contudo, afirmou ser fruto de “mega valorização do terreno durante a ascensão daquela área urbana”; xxix. confirmou ser sócio da MEGA, prestadora de serviços de engenharia civil, e respondeu haver prestado serviços à autuada, cuja soma não ultrapassava R$ 100.000,00 (cem mil reais). Questionado sobre a movimentação financeira na conta corrente da MEGA, de cerca de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais), não soube, inicialmente, informar a fonte dos recursos. Apesar de a MEGA prestar serviços de terraplanagem, não soube informar quantos e de quais equipamentos dispunha e respondeu que o valor da hora cobrada por equipamentos como “motoscrapper” ou “motoniveladora” seria de cerca de R$ 300,00 (trezentos reais) a R$ 500,00 (quinhentos reais) – o que diverge muito dos preços praticados no mercado e das informações contidas nas notas fiscais alegadamente emitidas pela MEGA, indicativas do valor horário de R$ 85,00 (oitenta e cinco reais). Questionado sobre o que levaria uma pessoa a abandonar uma sociedade como a MEGA, que faturava R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) por ano, para ser sócio de outra, como a TECCON Serviços Técnicos Contábeis, que sequer fatura R$ 100.000,00 (cem mil reais) anuais, disse que não tinha tempo para ambas; xxx. questionado sobre a razão para alguém depositar cerca de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) na conta da MEGA, declarou ter visto lançamentos da autuada, mas não sabia quanto e nem o motivo pelo qual recebia. O próprio Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho informou, ainda, que Fl. 18734DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 12 21 não prestou serviços à autuada e que os recursos decorriam de cheques trazidos por um diretor dessa empresa, em Brasília, de quem não lembra o nome. Aduziu que tentou, inúmeras vezes, localizar o creditante, sem sucesso. Esse relacionamento escuso com a diretoria da recorrente, além de evidenciar o modus operandi das transações que lastreiam a impugnação oposta, colidiria com a informação anterior, segundo a qual o depoente não conhecia qualquer pessoa da peticionária; xxxi. depois desse depoimento, o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho recebeu o termo de intimação n° 068/2009 (fls. 8960/8962), cujo prazo para atendimento era de 10 (dez) dias. A resposta dada limitouse a repetir o que fora informado no atendimento ao termo de intimação nº 017/2009 (fls. 8951/8956), de um lado, e a apresentar contratos sociais da MEGA, da METRO, da D&M, da TRANSPAX, da NAVES, da POWER e da COMERCIAL STAR, das quais era contador ou procurador, de outro lado; O diligenciante concluiu, destarte, de todo o exposto, que a documentação apresentada era inidônea, dadas as incongruências avistadas, inexistindo qualquer comprovação dos custos glosados. Retornado o processo ao colegiado a quo, o processo foi encaminhado (fls. 9111/9112), em 11.11.2009, para que fosse dada ciência ao contribuinte, nos seguintes termos: “(...) A diligência foi realizada, conforme fls. 8.668 a 9.090, e a Informação Fiscal que a conclui consta às fls. 9.092 a 9.105... Assim, proponho encaminhar o processo à DERAT/SPO/EQCOB, para dar ciência da Informação Fiscal à impugnante, observando o prazo de 10 dias, para que esta se manifeste a respeito, nos termos do art. 44 da Lei n.° 9.784/992,devendo o processo, em seguida, retomar a esta DRJ para prosseguimento do julgamento. (...)” O processo, então, foi encaminhado à DERAT/SPO/EQCOB, em 17.12.2009 (fl. 9115), que deu ciência ao contribuinte, em 04.02.2010 (fls. 9116/9118 verso). Fl. 18735DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 22 O sujeito passivo se manifestou, em 17.02.2010 (fls. 9118/9133), por meio de seu diretorpresidente (fls. 9133/9159), contra as conclusões da diligência, alegando, em resumo, que: i. foi destacado que há participações sociais comuns entre os fornecedores, além do fato de o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho ser o contador de quase todas e procurador de uma ou de outra. Com base em circunstâncias, a Fiscalização imaginou uma teia formada para diminuir tributos. Os fatos, porém, são insuficientes, pois as investigações foram pautadas em 03 (três) critérios incompletos: a. depoimentos de responsáveis pelas gráficas onde foram confeccionadas as notas fiscais; b. autorizações fiscais para confecção/emissão de notas fiscais; e c. depoimentos pessoais dos sócios ou dos exsócios das prestadoras de serviços. ii. a Fiscalização direcionou o resultado da diligência, eis que: a. quando as informações eram favoráveis à QUALIX, mudava de assunto – por exemplo, quanto ao que concerne às confecções regulares de notas fiscais, pela Gráfica Cassanelli e pela JC Gráfica e Editora, em prol da COMERCIAL STAR, da D&M, da MEGA e da METRO. Quando as gráficas negaram as confecções de notas fiscais, quase todos os respectivos representantes teceram informações irrelevantes, como o Sr. Sérgio Araújo Mendes, da Tocantins e Gonçalves, que disse desconhecer as atividades da gráfica, por ter sofrido estelionato; b. quanto às autorizações para emissão de notas fiscais, foi destacado que, pouco antes do período em tela, expiraram as concedidas às sociedades D&M, NAVES e METRO. A despeito disso, foi breve o fiscal ao indicar que a TRANSPAX e a MEGA tinham autorização, e omitiu qualquer informação referente à COMERCIAL STAR e à POWER, uma vez que, certamente, a SEFAZ/DF prestou lhe informações “inoportunas”; Fl. 18736DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 13 23 c. quanto aos depoimentos, alguns foram colhidos de pessoas que nada têm a ver com as prestadoras, ou que se dizem desconhecedoras dos fatos, por conta de procuração outorgada ao Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho. Por exemplo: o Sr. Marcos Teixeira Barbosa, sobre a MEGA, na qual ingressou em 12.2008, afirmou desconhecer os serviços prestados. Ora, tratandose de serviços prestados entre 2004 e 2006, estranho seria se ele desse algum detalhe das operações; iii. diante de frágeis ou inadmissíveis indícios, a Fiscalização apóiase nas declarações do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, que disse não ter prestado os serviços, apesar de não ser sócio de qualquer das prestadoras. O informante telado, aliás, mencionou um diretor da QUALIX que não conhecia e de quem não lembrava o nome, ao mesmo tempo em que afirmou não conhecer qualquer representante da peticionária. Com base nessas informações, a Fiscalização presume a inexistência dos serviços e tenta ligar tais indícios à autuada, sem sucesso; iv. estranha a ausência de autorização para confecção/emissão de notas fiscais de 03 (três) dessas empresas fornecedoras. Isso, contudo, não prova as infrações; v. as informações deveriam ter sido colhidas dos responsáveis pela QUALIX à época dos fatos, e não de terceiros. vi. toda fiscalização que se baseia em indícios visa o ilícito a ser provado, para depois buscar provas que o alicercem. Assim, a diligência sofre de vício insanável, pois toma por verdade depoimentos de pessoas desinformadas sobre os fatos, sem confirmálos com as pessoas que por eles eram responsáveis à época; vii. não sendo possível checar os apontamentos fiscais com exdirigentes, resta à QUALIX rebater o resultado da diligência apenas sob o prisma jurídico; viii. os custos glosados são compatíveis, representativos de menos de 20% (vinte por cento) do faturamento bruto da autuada. Neste período, os gastos com a manutenção de caminhões e de equipamentos e com a locação de máquinas foram, respectivamente, de cerca de R$ 25.675.000,00 (vinte e cinco milhões, seiscentos e setenta e cinco mil reais) e de R$ 7.527.000,00 Fl. 18737DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 24 (sete milhões, quinhentos e vinte e sete mil reais), no total de R$ 33.202.000,00 (trinta e três milhões, duzentos e dois mil reais), enquanto as glosas foram de R$ 10.685.240,53 (dez milhões, seiscentos e oitenta e cinco mil, duzentos e quarenta reais e cinquenta e três centavos). Ou seja: a Fiscalização considerou que quase o total (sic) dos gastos com manutenção e locação não ocorrera. Com isso, parece concluir o Fisco que, por 03 (três) anos (sic), não necessitou a QUALIX locar máquinas e equipamentos, nem fazer manutenção de caminhões; ix. a manutenção de caminhões e de máquinas e a locação de equipamentos eram feitas por prestadores de serviços do Distrito Federal, cuja oferta, há 05 (cinco) anos, era (e ainda é) pequena. Os serviços são de baixa qualificação e em grandes volumes. Como a ininterrupta manutenção de caminhões, no estabelecimento ou fora dele, é essencial, é compreensível que não tivesse a QUALIX interesse no porte ou na localização do estabelecimento dos prestadores, desde que os caminhões funcionassem. Igual consideração vale para a locação de máquinas de terraplenagem. Os respectivos pagamentos desses serviços, com frequência, eram realizados em espécie, a pedido dos fornecedores, para se facilitar a remuneração da mãodeobra; x. a QUALIX foi mencionada apenas pelo Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, que atestou não conhecer ninguém da sociedade, contradizendose, em seguida, ao mencionar um diretor anônimo, em relação ao qual a Fiscalização não empreendeu nenhuma diligência; xi. não merece melhor sorte a cobrança do IRRF, calcada no artigo 674 do RIR/1999, pois: a. há perfeita identificação dos beneficiários, que são os prestadores dos serviços, em face das respectivas notas fiscais, ainda que algumas tenham sido emitidas sem autorização – fato que não é culpa da autuada, pois cabia às autoridades coibir essa prática; b. o fato de os pagamentos terem sido feitos em espécie, com frequência, justificase pelo perfil dos executores dos serviços prestados, geralmente pessoas simples, que recebem pagamentos diários; xii. ainda que se pretendesse manter a alegação de inidoneidade dos documentos fiscais, não há qualquer elemento, nos autos, a infirmar que os pagamentos não foram destinados aos emissores das notas fiscais. Mesmo se Fl. 18738DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 14 25 houvesse, a incidência do artigo 674 do RIR/1999 não poderia conviver com a glosa. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP I, ao analisar a impugnação protocolizada, houve por bem deferila em parte, a fim de exonerar os lançamentos de multas isoladas, forte em considerações assim ementadas: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVO PARA APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. Não é imprescindível para a aplicação da multa qualificada a exposição do motivo, quando os fatos apurados, no curso da ação fiscal falta de documentos de respaldo aos lançamentos contábeis associados aos muitos saques em dinheiro de vultosas quantias, apesar de sucessivas intimações, como neste caso remetem, de imediato, às hipóteses de fraude, conluio e sonegação. Essa imediata qualificação das infrações a tais hipóteses não configura cerceamento do direito de defesa, pois nada impede a impugnante de se defender tanto das infrações quanto das qualificações que lhe foram imputadas. Preliminar indeferida. DILIGÊNCIA. VÍCIO INSANÁVEL. Não há qualquer vício na diligência, pois os fatos apurados pelo diligenciante são, sim, tidos por verdadeiros, salvo prova em contrário. Mas não as declarações, que devem ser avaliadas em sua individualidade, embora dentro do contexto dos fatos e da situação do declarante em relação aos fatos apurados, de forma que nada impede a utilização dos elementos da diligência, juntamente com outros, para formar a livre convicção do julgador, sendo certo que este não é vinculado à conclusão do diligenciante. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 18739DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 26 GLOSA DE DESPESAS E/OU CUSTOS NÃO COMPROVADOS. As despesas e/ou custos não comprovados por meio de documentos idôneos são indedutíveis. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Correta a aplicação de multa qualificada quando os documentos que deveriam respaldar a escrituração evidenciam a prática de simulação, conluio, sonegação e fraude. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. BALANÇOS DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. Descabe a multa isolada se há tributo exigido com multa de ofício pela mesma infração. AUTO REFLEXO. CSLL. O voto referente ao IRPJ aplicase ao seu reflexo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PAGAMENTOS SEM CAUSA. Os saques em dinheiro associados a supostos pagamentos em dinheiro a empresas de "fachada" não permite identificar a causa do pagamento e nem o real beneficiário. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Correta a aplicação de multa qualificada quando os documentos que deveriam respaldar a escrituração evidenciam a prática de simulação, conluio, sonegação e fraude. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Cientificado desse aresto em 05.07.2010 (fl. 9215 verso), o contribuinte, inconformado com os lançamentos remanescentes, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 9236/9253, mediante o qual se aduziram ilações similares àquelas erigidas na seara impugnatória. Foi interposto, ainda, Recurso de Ofício, haja vista os cancelamentos determinados na instância inferior. Fl. 18740DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 15 27 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e, assim como o Recurso de Ofício, atende aos pressupostos legais para seu seguimento. De ambos, portanto, conheço. Com o escopo de tornar mais inteligível o voto, realizaremos a exposição de forma fragmentada, consoante segue: (i) Da glosa de despesas ou custos incomprovados. Dos lançamentos de IRPJ e de CSLL Os autos de infração exordiais se calcaram, fundamentalmente, na glosa, pelo Fisco, de custos de serviços deduzidos, pelo sujeito passivo, perante os lucros líquidos tangentes aos anoscalendários de 2004 a 2006. Antes de estudarmos o cerne dos lançamentos, fazse imprescindível uma breve retrospectiva do trabalho lançador. Como se relatou, o labor de fiscalização, depois das iniciais intimações de praxe, apurou, a partir de extratos bancários (fls. 227/260, 261/262 e 270/294) fornecidos pelo sujeito passivo, saques de cheques promovidos, por este, em benefício próprio, consignadores de quantias vultosas de pecúnia. Ditas retiradas, operadas junto ao Banco de Brasília – BRB, ao Banco Real ABN AMRO e ao Banco Bradesco, foram consolidadas pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 422/423), conforme relação acima transcrita. A Fazenda intimou (fls. 315/317) a QUALIX, então, em 27.03.2008, a: “(...) apresentar, no prazo de 10 (dez) dias a partir da ciência deste, demonstrativo do qual constem todos os lançamentos contábeis (partidas e contrapartidas) referentes aos seguintes cheques, sacados ao caixa dos bancos relacionados a seguir. Fl. 18741DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 28 A empresa deve informar o código e nomenclatura das contas contábeis de bancos, fornecedores, custos ou de despesas utilizadas para a contabilização dos saques e juntar o Razão dessas contas. Como o valor de cada cheque foi decomposto em valores menores, a empresa deverá fazer, primeiramente, um demonstrativo dessa decomposição para visualização imediata dos lançamentos contábeis no Razão. Juntar, outrossim, os documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que comprovem tais lançamentos, no caso de terem sido contabilizados como custos ou despesas. (...)” Em resposta, a autuada apresentou os demonstrativos de fls. 318/410, por meio dos quais buscou identificar supracitados saques, de um turno, a contrapartidas contábeis relativas à conta “Fornecedores”, de outro. Tais valores foram considerados custos de sua atividade, dedutíveis, em tese, dos lucros líquidos dos anosbase respectivos. Citado tratamento foi comprovado, ademais, da leitura das cópias do livro Diário Geral do contribuinte, entregues em atendimento às intimações datadas de 01.03.2007 e 09.03.2007. Partindo dessas informações, o i. agente autuante procedeu ao encaminhamento de novas intimações, datadas de 07.04.2008 (fl. 411) e 22.04.2008 (fl. 412), por via das quais se requereu a entrega de “documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que comprovem os custos contabilizados pela empresa, conforme demonstrativos apresentados, já solicitados no Termo de Intimação Fiscal datado de 27/03/2008”. Em reação, a QUALIX aviou a petição de fls. 413/414, solicitando dilação de prazo. Posteriormente, pois, a Fazenda procedeu a nova intimação (fls. 415/416), datada de 28.04.2008, destinada a requerer o que segue: “1) Esclarecer o motivo pelo qual, no Livro Diário Geral, os históricos dos lançamentos referentes aos cheques relacionados no Termo de Intimação de 27/03/2008 mencionam ‘MEGA Constr’, ‘NTP Constr’, ‘Com. Star’ e ‘D & M Coml’, ‘Serv. de Y – Caminhões’, ‘Serv. em Frota de Caminhões’, ‘Loc. de Equip.’, ‘Loc. de Equip. p/ Terraplanagem’, ‘Serviços mecânicos, eletr., pintura’, ‘Serv. Prest. TerceirosCaminhões’, ‘Serv. Mecânica’ e números de notas fiscais; 2) Indicar a operação ou a causa que deu origem aos pagamentos, através dos cheques nominais relacionados no mesmo Termo de Intimação Fiscal, às empresas Comercial Star Ltda., D & M Comercial Ltda., NTP Construção, Comércio e Representações Ltda. e Mega Construções e Terraplanagem Ltda.: Fl. 18742DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 16 29 (...) 3) Esclarecer quem é Rubmaier Ferreira de Carvalho e qual a relação dele com a fiscalizada.” Em atendimento a esse pleito, foi protocolizada, pela autuada, a peça de fls. 417/419. Nela, constaram, a respeito dos 03 (três) itens da requisição fazendária, ilações assim redigidas: “1) [...] Não temos como nos posicionar a respeito, uma vez que pelo fato de não estarmos localizando os documentos a que se referem estes lançamentos não temos condições de opinar a respeito. 2) [...] Não temos como nos posicionar a respeito, uma vez que pelo fato de não estarmos localizando os documentos a que se referem estes lançamentos não temos condições de opinar a respeito. 3) [...] A cerca do conteúdo acima descrito, esta pessoa jurídica desconhece a pessoa citada no item 3 da Intimação Fiscal, ou seja o Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho , pois o mesmo jamais trabalhou para esta empresa e não existe qualquer vínculo desta empresa com referido Senhor. Segue em anexo, documento assinado pelo diretor da empresa, respondendo este quesito.” Pois bem. Parecenos evidente que a recorrente, em um primeiro momento, não colaborou, de forma alguma, com a Fiscalização, a fim de demonstrar, por intermédio de documentos hábeis e idôneos, a realidade dos custos contabilizados e deduzidos de seus lucros – expensas estas que, reiterese, foram apuradas a partir da verificação de variados saques em espécie, promovidos pela autuada em suas próprias contascorrentes. Assim, inicialmente, bem agiu o Fisco ao realizar as glosas sob estudo. À falta de elucidação mínima da existência dos custos deduzidos – ônus que incumbia ao contribuinte –, não se poderia exigir outra conduta fazendária, senão aquela segundo a qual as deduções realizadas seriam ignoradas, de molde a se recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Fl. 18743DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 30 Sucede que, em sede de impugnação, a QUALIX trouxe documentos que, consoante afirmou, não pudera obter antes. O arcabouço probante juntado serviria a demonstrar, então, a rigor do que defende, a realidade e a necessidade dos custos apropriados. Compulsando os autos, é possível verificar que, dentre os documentos anexados, estão alguns instrumentos particulares de contrato de prestação de serviços, aventadamente firmados entre a autuada, de um lado, e os prestadores D&M (fls. 628/634), MEGA (fls. 635/641 e 642/647), NAVES (fls. 648/653), METRO (fls. 654/660) e COMERCIAL STAR (fls. 661/666), de outro. Afora isso, segregados por mês, encontramse conjuntos de outros elementos documentais específicos, formados, no todo ou em parte, por (i) notas fiscais de prestações de serviços, (ii) boletins de medição de serviços, emitidos pelos fornecedores, (iii) relatórios de revisão de equipamentos ou requisições de serviços, lavrados pela QUALIX, e (iv) recibos de pagamento fornecidos pelos prestadores. Tais “dossiês” mencionam, pisese, afora as supra referidas sociedades prestadoras, também a TRANSPAX e a POWER. Bem, como se sabe, recibos de pagamento, boletins de medição de serviços e relatórios de revisão de equipamentos consubstanciam, por sua natureza, documentos passíveis de serem produzidos a qualquer tempo, quer pela autuada, quer, eventualmente, por terceiros que com ela mantenham algum tipo de liame. Tomemos, como exemplo, o conjunto de documentos de fls. 1805/1822, supostamente apto a comprovar a contratação de serviços de “lanternagem e pintura em caminhões”, supostamente prestados pela D&M no mês de fevereiro de 2005, ao preço de R$ 57.866,65 (cinquenta e sete mil, oitocentos e sessenta e seis reais e sessenta e cinco centavos). Excluída a nota fiscal nº 0232 (fl. 1805), a respeito da qual tracejaremos considerações adiante, podese observar que a autuada apenas trouxe documentação que, per se, nada demonstraria, haja vista poder ser produzida livremente, sem lastro em negócios jurídicos efetivos. O recibo emitido pela D&M (fl. 1806) e os relatórios de vistoria de equipamentos abrolhados da QUALIX (fls. 1807/1822), neste sentido, são típicos elementos de organização interna, oponíveis entre as partes, mas incapazes de fazer prova junto ao Fisco. Não se prestam, assim, a contradizer as autuações. A despeito disso, poderseia, sim, aduzir que as notas fiscais colacionadas servem a fazer demonstração das operações, à medida que encerram presunção de validade e de veracidade. Afinal, documentos desta espécie consubstanciam, claramente, força probante muito maior. A entrega das competentes vias das notas fiscais é, usualmente, essencial para a comprovação de custos respeitantes a serviços tomados. Creio, em verdade, que, uma vez apresentadas, estresidas notas só podem ser desconsideradas, pela Fazenda, acaso se aprofunde a investigação, coletandose provas de sua inidoneidade. Ocorre que isso foi, exatamente, o que fez o Fisco, em atendimento à conversão do feito em diligência, determinada pelo colegiado recorrido (fls. 8665/8667). Embora já conste, do relatório supra, breve sumário das conclusões manifestadas pelo i. fiscal diligente (fls. 9096/9109), cremos ser pertinente a revisitação daquelas arguições, de molde a restarem bem caracterizadas as razões que nos levam a crer pela inidoneidade dos documentos apresentados pela peticionária. De início, é relevante destacar que alguns dos prestadores aduzidamente contratados – nomeadamente, a D&M, a NAVES, a METRO, a TRANSPAX e a POWER – sequer Fl. 18744DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 17 31 detinham, à época das operações, Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais validamente concedidas pela Fazenda do Distrito Federal. Didaticamente, transcrevase, em tal direção, parcela do “Quadro Resumo – Informações Fiscais” de fl. 8786: AUTORIZAÇÃO PARA EMISSÃO NOTAS FISCAIS FISCALIZADOS 2004 2005 2006 COMERCIAL STAR SIM SIM SIM D&M SIM* NÃO NÃO MEGA SIM SIM SIM NAVES NÃO NÃO NÃO METRO NÃO NÃO NÃO TRANSPAX NÃO SIM SIM POWER NÃO NÃO NÃO * “Considerando os 2 anos após a data de impressão das notas fiscais, conf. art. 80 Decreto 18.955/97” Outrossim, bastante clarificadora é a constatação de que as movimentações financeiras anuais das sociedades indicavam, por vezes, cifras superiores às declaradas, mas inferiores ao somatório das notas fiscais aventadamente emitidas em face da recorrente. Ora, tal circunstância representa forte indício de que os documentos possam ter sido fabricados, com o fito de dissimular a real destinação dos importes pecuniários sacados. Reportamonos, novamente, ao demonstrativo sinótico de fl. 8786: DIPJ MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NOTAS FISCAIS EMITIDAS FISCALIZADO S 2004 2005 2006 2004 2005 2006 2004 2005 2006 COMERCIAL STAR 4.222,40 3.953.205,91 3.894.043,30 2.265.942,97 423.333,00 5.190.248,08 1.735.131,00 D&M 1.440.472,99 1.575.552,98 234.149,92 195.000,00 3.320.132,20 1.659.861,00 MEGA 1.382,60 275.943,00 38.648,78 1.457.124,43 5.681.369,85 667.000,00 5.410.220,43 614.512,00 NAVES 890,00 371.849,35 3.657.053,32 3.932.918,01 366.700,00 4.457.184,58 530.714,00 METRO 128,94 2.433.572,25 1.923.573,00 TRANSPAX 9.312,41 318.784,64 1.964.984,76 750.666,20 POWER 72.395,00 Não se poderia argumentar que essas diferenças se justificassem, eventualmente, pela circunstância de as notas fiscais emitidas num ano terem sido quitadas em outro. A própria autuada, afinal, arguiu, em seu favor, que os pagamentos aos prestadores foram feitos, em numerário, diretamente aos prepostos que realizavam os serviços, dadas as peculiaridades do setor. É inviável supor, pois, que tamanha monta de dinheiro remanescesse em poder dos prestadores, sem que fossem, por muito tempo, depositada em contacorrente. De mais a mais, as vicissitudes constatadas pela Fiscalização, concernentes aos quadros societários das aludidas fornecedoras, dão certeza da irrealidade dos custos deduzidos. A investigação perpetrada foi inegavelmente minuciosa. Visitaramse as sedes das pessoas jurídicas, informadas pelo banco de dados da Receita Federal, e os supostos Fl. 18745DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 32 sócios e exsócios daquelas. As variadas circunstâncias verificadas, já sumarizadas alhures, deixam evidente, com efeito, que as notas fiscais apresentadas pela QUALIX, em sua impugnação, eram inidôneas, incapazes de arrimar qualquer insurgência contra os autos infracionais. Concordamos integralmente, portanto, com o arremate feito pelo i. fiscal diligente, aposto às fls. 9104/9105, in verbis: “Por todo o exposto, esta fiscalização não tem dúvidas em afirmar que as notas fiscais apresentadas pela QUALIX em sua impugnação são inidôneas, uma vez que ou não havia autorização para sua emissão ou, quando havia, os sócios das empresas emissoras declaram não ter prestado qualquer serviço à QUALIX. Outrossim, conforme afirma o próprio contador das sociedades, Sr. Rubmaier, e alguns sócios das investigadas (METRO, TRANSPAX, MEGA, COMERCIAL STAR) NAO HOUVE PRESTAÇAO DE SERVIÇOS), mas operações que permitiram a um diretor da QUALIX depositar cheques nas contas das sociedades representadas por ele e, em contrapartida, haver emissão de documentos que simulam prestações de serviços por parte de sociedades cujos sócios são pessoas humildes, algumas do relacionamento do Sr. Rubmaier. Estes indivíduos, como provado, desconhecem as operações ou que fazem parte de sociedade empresária. As sociedades apresentam estruturas absolutamente incompatíveis com os faturamentos e movimentações financeiras milionárias identificadas. As notas fiscais que a QUALIX, em sua impugnação, apresenta como sendo oriundas de serviços prestados pelas sete sociedades empresárias tratamse na verdade de tentativa de redução da base de cálculo de imposto de renda, cuja participação envolve, como já comprovado, o Sr. Rubmaier e um diretor não identificado da QUALIX, interessada do processo em epígrafe. Por haver entendimento de ocorrência de ilícitos penais e tributários tanto contra a Receita Federal do Brasil quanto contra a Secretaria de Estado de Fazenda do Distrito Federal foram elaboradas duas representações fiscais, MPF (14041.000506/200993) e ofício ao MPDFT haja vista a competência se estabelecer tanto em ratione loci quanto ratione materiae.” Notese, ad argumentandum, que a fragilidade documental até poderia ser relevada se, de algum outro modo, a sociedade postulante demonstrasse a efetividade tanto dos préstimos contratados quanto dos pagamentos aduzidamente feitos em favor dos prestadores. Fl. 18746DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 18 33 Contudo, o modus operandi descrito pela autuada, relativo à realização de pagamentos em numerário, ademais de inverossímil, impede tal sorte de dilação probatória. O caso concreto se amolda a vários precedentes deste colegiado. Citemos, para exemplificação, as seguintes ementas de julgamento: “GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Comprovado que os documentos que lastrearam os custos eram inidôneos, impressos com base em AIDF inexistente, emitidos por empresa inexistente de fato; que os alegados pagamentos foram feitos em dinheiro; e, ainda, à míngua de qualquer comprovação da efetiva prestação dos serviços, devem ser mantidas as exigências.” (Ac. nº 1301 00.227, de 05.11.2009) (g.n.) “GLOSA DE CUSTOS. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Tendo em vista que o conjunto de provas trazidas aos autos aponta que são inidôneos, os documentos que lastrearam os custos, a dedutibilidade dos mesmos somente seria possível se o sujeito passivo comprovasse a efetiva aquisição dos materiais e o efeito pagamento. Não tendo ocorrido essa comprovação, cabível a glosa efetuada.” (Ac. nº 140200.581, de 27.05.2011) (g.n.) “GLOSA DE CUSTOS /DESPESAS OPERACIONAIS DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. VALOR PROBANTE Procedente a glosa de custos ou despesas operacionais acobertadas com documentos fiscais inidôneos, corroborada pela ausência de comprovação da efetividade do pagamento e do recebimento das mercadorias constatado, ainda, o retorno de numerário de empresa inexistente de fato para sócio da empresa que utilizou documentos fiscais da primeira, fatos ensejadores do evidente intuito de fraude a justificar o agravamento da multa de oficio.” (Ac. nº 120200.069, de 15.05.2009) (g.n.) À guisa, pois, de conclusão, podemos asseverar que, sendo inidôneas as notas fiscais juntadas, face à robusta demonstração da inveracidade das operações e das sociedades emissoras, afigurandose inócuos os demais elementos documentais entranhados e inexistindo qualquer prova de pagamento efetivo, em razão da alegação de realização dos adimplementos em numerário, não há como não ratificar as glosas de custos concretizadas, de forma a se manter os respectivos lançamentos de IRPJ e de CSLL. Fl. 18747DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 34 (ii) Da exigência de IRRF à alíquota de 35% De outra banda, o suporte fático até agora escorçado conveio, também, para que o Fisco intentasse cominar, às cifras glosadas, o tratamento legislativo dado aos “pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados”, sujeitados à incidência de IRRF calculado à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), forte no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Neste ponto, entretanto, discordo da exegese fazendária. Ao revés, coaduno com o entendimento de que a glosa de custos, para a recomposição do lucro líquido e o consequente lançamento de IRPJ e de CSLL, não pode conviver com a aplicação do IRRF questionado, em virtude de sua natureza. Expliquese. O artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 coexistia, em suas origens, com o abaixo copiado artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, dotado da redação dada pela Lei nº 9.065/1995: “Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Fl. 18748DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 19 35 § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.” Como é de sabença dos operadores do direito, a melhor hermenêutica determina que, dentre as possíveis leituras do texto normativo, prevalece aquela que afasta antinomias, incompatibilidades, ambiguidades ou expressões inúteis. Nessa toada, a interpretação que melhor apreende a significação dos dois artigos de lei supracitados é aquela que vê, para cada um, âmbitos próprios de aplicação, de maneira a se fazer arredar qualquer adução de sobreposição ou de contrariedade recíproca. O artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, em primeiro lugar, determinava, especificamente, a incidência de IRRF, à alíquota menor de 25% (vinte e cinco por cento), às diferenças de apuração do resultado tributável operadas sob qualquer forma de “redução indevida do lucro líquido”, presumidas juris et de jure como distribuídas aos sócios ou acionistas, salvo se as deduções indevidas, por sua formatação, não autorizassem a “presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios”. O artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, por sua vez, ao prescrever cominação de IRRF, à alíquota majorada de 35% (trinta e cinco por cento), aos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, tinha lugar se as transferências de pecúnia em questão não se materializassem via “redução indevida do lucro líquido”, nos termos acima explicados – exceto, aqui, se a dedução ou a exclusão engendrada se enquadrasse, pontualmente, na hipótese extrusiva do § 2º do referido artigo 44. Ulteriormente, com o advento do artigo 36, inciso IV, da Lei nº 9.249/1996, o artigo 44 da Lei nº 8.541/1992 acabou revogado. Aquele diploma trouxe, então, em substituição, a regra esculpida em seu artigo 24, assim originalmente conformado: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a Fl. 18749DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 36 que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (...)” Temos, pois, hodiernamente, em atenção ao histórico desenvolvimento da matéria e à composição redacional das normas vigentes, 02 (dois) regimes distintos de tributação, a saber: i. nos casos em que houver omissão de receita, inclusive mediante contabilização de deduções ou exclusões indevidas junto ao lucro líquido, caberá a exigência do IRPJ, da CSLL, da PIS e da COFINS pertinentes, amparada nas respectivas bases de cálculo recompostas, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base correspondente à omissão (artigo 24 da Lei nº 9.249/1996); ou ii. nas situações em que houver pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, desde que não deduzidos ou excluídos do lucro líquido, sob qualquer título, terá espaço a cobrança definitiva de IRRF, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) (artigo 61da Lei nº 8.981/1995). Pertinentes, em tal diapasão, são os dizeres do i. conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, relator de Recurso Especial fazendário dirimido pelo acórdão nº 920200.686/10: “Quanto à proposta levantada pela Conselheira Suzi Offmann e acolhida pelo Colegiado de que no caso concreto sequer há necessidade de ingressar nas questões relacionadas à existência ou não do empréstimo, posto que o art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995 está reservado àquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real sem desfazer minha conclusão acerca da matéria, passo ao exame da questão posta. Fl. 18750DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 20 37 Não se pode considerar o artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1995, como sendo algo isolado dentro do sistema tributário brasileiro, cuja tributação das pessoas jurídicas, em relação ao imposto de renda, obedece a três espécies ou regras: a) pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real; b) pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido; c) pessoas jurídicas tributadas com base no "SIMPLES". Vamos nos ater às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, cujas despesas necessárias à obtenção da receita são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ. Assim, quando se glosa determinada despesa aumentase o lucro e, conseqüentemente, sobre este lucro majorado há incidência de IRPJ. Desta forma, em sendo glosada determinada despesa não se pode exigir imposto de renda pessoa jurídica em face do lucro majorado e, ao mesmo tempo, tributar o pagamento de tal ‘despesa’ com base no artigo 61 da Lei n° 8.981, de 1961. Nestes casos, tributase única e exclusivamente o IRPJ incidente sobre o lucro decorrente da receita glosada. (...) ‘Em conclusão, a imposição da multa isolada de 35% só é adequada para sancionar condutas que impeçam a identificação da causa ou do beneficiário de pagamento, praticadas por pessoas jurídicas não submetidas à tributação pelo lucro real. Desse ensaio, dentre outras verdades, podemos extrair que é absolutamente vedada ao fisco a possibilidade de escolha, ou seja, se cabível a tributação pelo por redução do lucro líquido, não pode a autoridade lançadora simplesmente abandonar essa tributação para eleger a mais gravosa contida no art. 61 em comento e, muito menos e pelos mesmos motivos, lançar as duas exações. Isto porque e, por óbvio, a Lei n. 8.981/95 não revogou as normas que regem a tributação pelo lucro real.’ ISSO POSTO, voto rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso.” Fl. 18751DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 38 Nesse cenário, o recurso ao artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 teria cabimento em hipóteses bem delineadas. Valhamonos, a respeito, das lições enunciadas pelo i. conselheiro Remis Almeida Estol, reproduzidas pela i. conselheira Ivete Moneiro Pessoa no bojo do acórdão CSRF nº 0401.094: “Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro liquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real. Continuando e apenas para registro, seria o caso de investigar, então, quais seriam as hipóteses contempladas pela tributação de Fonte, com base de cálculo reajustada, nos exatos termos do art. 61 da Lei n. 8.981/95 que, a meu juízo em análise breve e preliminar, seriam as seguintes: I. Qualquer pagamento (a sócio, sem causa e/ou a beneficiário não identificado), quando a Pessoa Jurídica estiver em fase pré operacional, isto pela impossibilidade de tributação do IRPJ. 2. Pagamentos a sócio sem causa, pagamentos a beneficiários outros não identificados e/ou sem causa que não caracterizem custo ou despesa, tais como aqueles representativos de aquisição de algum ativo (ex. compra de veículo), sempre ausente a hipótese de redução do lucro liquido, que é própria da tributação pelo lucro real. 3. Qualquer pagamento nos casos em que a tributação eleita pela Pessoa Jurídica tenha como base o Lucro Presumido, Arbitrado ou Simples, com a ressalva de que, neste último tópico, me reservo o direito de aprofundar e rever a matéria. (...)” Voto, posto isso, por afastar as cobranças oficiosas de IRRF, na integralidade. (iii) Da qualificação da multa de ofício Explanamos, com suficiência, os plúrimos e robustos indícios que nos levam a crer pela inexistência dos prestadores de serviços apontados pela autuada, de um lado, e pelo artificialismo das notas fiscais e dos demais documentos entranhados em sede de impugnação, Fl. 18752DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 21 39 de outro. Tão evidente é a situação fática que, de certa forma, possível se faz até conjeturar a existência de uma rede ilícita rascunhada em torno da figura do Sr. Rubmaier Ferreira de Carvalho, orientada a possibilitar a ocultação da origem e da destinação de recursos. A despeito disso, não acreditamos que haja condições de mantermos a multa qualificada imposta, mensurada segundo o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). O contribuinte não entregou, durante os labores de fiscalização, quaisquer documentos que pudessem elucidar a legitimidade dos custos deduzidos. Se tivesse adotado medida tal, caberia ao Fisco defenestrar, antes da autuação, a idoneidade dos elementos suscitados, sob pena de não se aperfeiçoar a possibilidade de lavratura do auto de infração. Tendo em vista, porém, que dita instrução só foi concretizada, pela QUALIX, em sede de impugnação, reabriuse à Fazenda, já na fase contenciosa, a possibilidade de aprimorar a acusação, debelandose, no âmbito de diligência fiscal, os dados novos trazidos aos autos. Assim se deu porque, desde o início, o ônus de basilar os custos glosados era do sujeito passivo; logo, como este só buscou se desincumbir de seu dever em momento posterior, o Fisco pôde expandir os lindes da informação processual. Sucede que, embora os resultados da posterior dilação pudessem servir a corroborar os lançamentos do IRPJ e da CSLL, não serviriam eles a comprovar eventual situação ensejadora da qualificação da multa de ofício, acaso esta ainda não estivesse satisfatoriamente demonstrada. A obrigação de demonstrar a circunstância exasperante era, desde sempre, do Fisco – e ela deveria ter sido observada durante os atos preparatórios do procedimento lançador. Impendia ao i. agente autuante, nessa toada, ter trazido a lume, antes da formalização das peças acusatórias, toda a comprovação essencial à subsunção do caso concreto aos tipos penais dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. A qualificação da penalidade oficiosa, em função de sua natureza extravagante, demanda substrato probatório sedimentado, de incumbência da Fazenda, sem o qual ela não tem guarida. A ausência de comprovação cabal, ao tempo da autuação, de circunstâncias denotativas de sonegação, de fraude ou de conluio fere de morte a exasperação da multa impingida; este vício, por sua natureza, não pode ser sanado a posteriori, em sede de julgamento da impugnação, sob o risco de se admitir insidioso cenário de aprimoramento da acusação na instância julgadora primordial. Os pretextos para a qualificação, pertinentes ou não, são, por isso, aqueles suscitados durante a fase inquisitória do lançamento. É com base neles, e só neles, que deve se analisar o cabimento ou o descabimento da multa reforçada. Importa ressaltar que, antes de realizados os labores dilatórios que desembocaram na formulação da Informação Fiscal de fls. 9096/9109, todas as conclusões fiscais subjacentes às autuações estavam declinadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 421/426. Da perscrutação deste último relatório, contudo, não se pode extrair qualquer excerto que tenha cuidado, peculiarmente, das razões para a duplicação da sanção de ofício embutida. Podese imaginar, somente, que a qualificação tenha sido fruto do fato de o sujeito passivo não ter apresentado qualquer esclarecimento útil – situação que, a nosso ver, é patentemente insuficiente para o fim pretendido. Fl. 18753DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 40 Logo, pareceme essencial a redução das multas de ofício impostas, até o percentual de 75% (setenta e cinco por cento). (iv) Da concomitância das multas de ofício, banda uma, e das multas isoladas decorrentes do não recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL, banda outra Por fim, cuidaremos da parcela de lançamentos exonerada em primeira instância, objeto de Recurso de Ofício, respeitante às multas isoladas aplicadas, ao contribuinte, em decorrência do não recolhimento suficiente das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Como é de conhecimento de todos os que operam na esfera fiscal, os recolhimentos mensais estimados configuram mero adiantamento de numerário aos cofres públicos, com vistas à consecução do desiderato governamental de manutenção da homogeneidade da arrecadação, dentro do mesmo anocalendário. Os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, anualmente apurados, são, nesse cenário, reputados complexivos, eis se aperfeiçoarem fictamente em um único átimo, identificado ao último dia do exercício fiscal. No momento em que se esgota o período de apuração anual, temse, pois, o efetivo deslinde das bases de cálculo pertinentes, com o desvelo do montante de exação a ser recolhido. Em tal ocasião, deixam os recolhimentos antecipados de ter qualquer função, salvo no que se refere ao cotejamento de eventuais cifras a serem pagas (saldo positivo) ou a serem restituídas ou compensadas (saldo negativo). Noutras palavras, tão logo findo o exercício, há apenas de se aventar a cobrança do tributo complexivamente computado, deixando de ser importante eventual inadimplemento dos pagamentos mensais estimados. Ora, se não pode ser cobrado qualquer valor estimado, é evidente que não se faz possível, da mesma maneira, imputar sanções pecuniárias derivadas do não pagamento tempestivo. Seria ilógico punir o sujeito passivo, por força da falta de antecipação de tributo, depois de já se ter certeza da inexistência de exação complexiva a ser quitada. A multa isolada ora lançada, pois, é incabível. O entendimento ora exposto vigora, a pleno vapor, no seio deste colegiado, consoante se pode depreender das elucidativas ementas adiante transcritas: “MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS – A multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430/96 não tem lugar quando aplicada após o encerramento do exercício, sendo apurado prejuízo ou base de cálculo negativa. Outrossim, descabe a concomitância da referida multa com a proporcional ao imposto devido, tendo ambas as multas se baseado nos mesmos fatos, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração.” (Ac. 1º CC – 10709.191/07) Fl. 18754DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 22 41 “IRPJ – MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS PREJUÍZO FISCAL Após o encerramento do ano calendário, a base de cálculo para efeitos de aplicação da multa isolada tem como limite o saldo do tributo a pagar na declaração de ajuste, não sendo cabível, portanto, a sua imposição na inexistência de base tributável.” (Ac. 1º CC – 104 23.583/08) Imperioso, pois, o cancelamento das penas isoladas lançadas. A nosso ver, bem andou, quanto a essa temática, a delegacia recorrida. Isto posto: i. CONHEÇO do Recurso de Ofício e a ele NEGO PROVIMENTO; e ii. CONHEÇO do Recurso Voluntário e a ele DOU PARCIAL PROVIMENTO, a fim de: a. Exonerar, in totum, os lançamentos respeitantes ao IRRF; b. Reduzir as multas de ofício aplicadas, até o percentual de 75% (setenta e cinco por cento); e c. Preservar os demais valores lançados. Sala das Sessões, em 06 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 18755DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 42 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente voto expressa os fundamentos para manutenção das exigências de IRRF, uma vez que restou vencido o I. Relator em sua proposta de exoneração de tais créditos tributários. Argumentou o I. Relator que os lançamentos de IRPJ e CSLL aqui veiculados não poderiam coexistir com o lançamento de IRRF em razão dos mesmos pagamentos glosados na apuração daqueles tributos, reportandose a julgados deste Conselho que somente admitem a exigência de IRRF desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro liquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real, em razão de disposição legal específica aplicável nesta segunda hipótese, veiculada no art. 44 da Lei nº 8.541/92. Isto porque, como demonstrado no voto do I. Relator, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 determinava a exigência de IRRF à alíquota de 25% nos casos de redução indevida do lucro líquido, presumindo de forma absoluta que esta diferença fora automaticamente recebida pelos sócios. Todavia, a dúvida acerca da aplicabilidade do art. 61 da Lei nº 8.981/95 somente existiria, na forma exposta, enquanto vigente o art. 44 da Lei nº 8.541/92, revogado pela Lei nº 9.249/95. A partir daí (como é o caso destes autos), ausente a presunção legal de distribuição daqueles valores aos sócios, nenhum impedimento existiria para a caracterização da hipótese fixada no art. 61 da Lei nº 8.981/95, que na verdade parte do fato provado de entrega de recursos a um terceiro não identificado, ou por razões não demonstradas, e erige a presunção, apenas, de que tais rendimentos seriam passíveis de tributação na pessoa do beneficiário. No presente caso, portanto, há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ exigido da autuada na condição de contribuinte que auferiu lucro, mas o declarou em montante menor que o devido, em razão da dedução de despesas que não foram regularmente provadas. Em outras palavras, a incidência do IRPJ decorrente de uma despesa que não reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela em rendimento da própria da pessoa jurídica, a dispensar a incidência que poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de cálculo do IRPJ resta majorada e, por consequência, há renda tributável no seu sentido próprio, qual seja, resultado líquido de acréscimos e decréscimos patrimoniais num mesmo período de apuração. Mas este resultado líquido não se confunde com o conceito de rendimento, acréscimo individualmente auferido, no caso, por outro sujeito passivo, em razão de uma operação específica, que poderia sujeitar se a tributação isolada, a qual é presumida pela lei em razão da omissão de informações por parte da fonte pagadora. Fl. 18756DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 23 43 Considerando que, nos termos do voto do I. Relator, os beneficiários e a causa dos pagamentos subsistiram incomprovados, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRRF. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O I. Relator afastou a qualificação da penalidade por entender que cabia à Fiscalização demonstrar a circunstância exasperante, trazendo a lume, antes da formalização das peças acusatórias, toda a comprovação essencial à subsunção do caso concerto aos tipos penais dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. De fato, a acusação fiscal é deficiente. Vêse no Termo de Verificação Fiscal de fls. 422/426 que, depois do extenso relato dos saques bancários realizados pela contribuinte entre 14/12/2004 e 08/03/2006, a autoridade lançadora demonstra que tais valores foram contabilizados como despesas, e afirma que a contribuinte não esclareceu a real necessidade destes custos, deixando de apresentar documentação que lhes desse suporte, motivação suficiente para ensejar a glosa destes valores no âmbito da apuração do IRPJ e da CSLL, bem como para caracterizar a presunção legal de incidência do IRRF. Todavia, a qualificação da penalidade resumese à seguinte frase: A multa de ofício será de 150%, com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430_96. Na descrição dos fatos nos Autos de Infração nada é acrescido, apenas fazendose constar nos Demonstrativos de Multa e Juros de Mora que o enquadramento legal da penalidade seria o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Elementos juntados aos autos permitem inferir que a autoridade lançadora tinha a convicção de que os fatos apurados ensejariam a qualificação da penalidade. Isto porque, depois de sucessivos óbices opostos pela fiscalizada ao atendimento de intimações para prestar esclarecimentos acerca dos referidos saques bancários, a autoridade fiscal formulou Solicitação de Emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF), na qual reportouse a divergências identificadas em saques que teriam sido feitos pela contribuinte, e requereu: Diante das divergências acima expostas, proponho, s.m.j., seja notificado o banco BRB, através de RMF, com fundamento no inciso X, “in fine”, do art. 3o, combinado com o parágrafo 4o do art. 4o do Decreto nº 3.724/2001 para esclarecimento das divergências e prosseguimento do trabalho fiscal com isenção de dúvidas. Fazse mister observar que, embora não esteja programada no RPF a operação MFI, existe ofício do Ministério Público Federal, relacionado no RPF, cujo atendimento justifica o pedido de RMF. Fl. 18757DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 44 Possivelmente a representação feita pelo Ministério Público Federal, não localizada nos autos, apontava indícios que influenciaram a constatação fiscal de acerca do cabimento da qualificação da penalidade. Além disso, depois de a contribuinte finalmente ter apresentado demonstrativos identificando o histórico dos pagamentos contabilizados, lavrandose outras duas intimações para apresentação dos documentos comprobatórios destas operações (fls. 318/415), a autoridade lançadora questionou em termo específico (fls. 416): 1) Esclarecer o motivo pelo qual, no Livro Diário Geral, os históricos dos lançamentos referentes aos cheques relacionados no Termo de Intimação de 27/03/2008 mencionam "MEGA Constr", "NTP Constr", "Com. Star" e "D & M Coml", " Serv. de Y Caminhões", "Serv. em Frota de Caminhões", "Loc. de Equip.", "Loc. de Equip. p/ Terraplanagem", "Serviços mecânicos, eletr., pintura", "Serv. Prest. TerceirosCaminhões", "Serv. Mecânica" e números de notas fiscais; 2) Indicar a operação ou a causa que deu origem aos pagamentos, através dos cheques nominais relacionados no mesmo Termo de Intimação Fiscal, às empresas Comercial Star Ltda., D & M Comercial Ltda., NTP Construção, Comércio e Representações Ltda. e Mega Construções e Terraplanagem Ltda.: [...] 3) Esclarecer quem é Rubmaier Ferreira de Carvalho e qual a relação dele com a fiscalizada. A resposta da contribuinte novamente foi protelatória: Não temos como nos posicionar a respeito, uma vez que pelo fato de não estarmos localizando os documentos a que se referem estes lançamentos não temos condições de opinar a respeito. Quanto ao último questionamento disse: A cerca do conteúdo acima descrito, esta pessoa jurídica desconhece a pessoa citada no item 3 da Intimação Fiscal, ou seja o Sr. Rubmaier Ferreira de Caravalho, pois o mesmo jamais trabalhou para esta empresa e não existe qualquer vínculo desta empresa com referido Senhor (fls. 419/420). Estas, portanto, são as influências que conduziram a autoridade lançadora a qualificar a penalidade, que por deficiência formal não foram arroladas no Termo de Verificação Fiscal. E, embora elas devessem, de fato, ter integrado a acusação para permitir a defesa da contribuinte, não se pode olvidar que, após a desídia da contribuinte durante o procedimento fiscal, os documentos que teriam embasado os registros questionados pela Fiscalização vieram aos autos com a impugnação, e assim permitiram que as investigações, antes obstaculizadas, fossem realizadas em diligência, resultando na caracterização da inidoneidade dos elementos apresentados como prova dos pagamentos e despesas contabilizadas, materializada na Informação Fiscal de fls. 9096/9109, detalhadamente abordada no relatório acima. Em 04/02/2010 a contribuinte foi cientificada para manifestarse em 10 (dez) dias acerca destas apurações, providência suficiente para estacar, naquele momento, o prazo decadencial ainda em curso para acréscimo das motivações que sustentam a qualificação da penalidade. Não se olvida que o correto, em tais circunstâncias, seria a concessão do prazo de 30 (trinta) dias para a produção de defesa, mas a insuficiência do prazo desconstitui o ato administrativo, podendo caracterizar, no máximo, cerceamento ao direito de defesa, a ensejar as providências necessárias para restabelecerse este direito ao contribuinte (anulação da decisão recorrida e reabertura do prazo para complementação da impugnação). Por estas razões, discordo do I. Relator que afasta integralmente a qualificação da penalidade e restrinjo esta providência aos fatos geradores já alcançados pela Fl. 18758DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001879/200809 Acórdão n.º 1101000.825 S1C1T1 Fl. 24 45 decadência em 04/02/2010. Considerando que o prazo previsto no art. 150 do CTN é inaplicável ante a ressalva contida em seu §4o, a multa qualificada aplicada sobre as exigências de IRPJ e CSLL seriam mantidas integralmente, posto que o período de apuração mais remoto (anocalendário 2004) somente se sujeitaria a lançamento em 2005, deflagrandose o prazo decadencial em 01/01/2006, o qual expiraria em 31/12/2010, na forma do art. 173 do CTN. Já as exigências de IRRF, cujo fato gerador é diário, e o lançamento pode ser promovido no próprio exercício, restariam alcançadas pela decadência as operações ocorridas em 2004, cujo prazo decadencial teria iniciado em 01/01/2005 e expirado em 31/12/2009. Estas as razões, portanto, para divergir do I. Relator quanto a exoneração integral da qualificação da penalidade no presente caso. EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira Fl. 18759DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10830.008633/2007-21
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a).
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do (a) relator(a). (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 86 33 /2 00 7- 21 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de processo de formalizado em virtude da lavratura da Notificação de Lançamento de fls.03 a 06, que alterou o valor do imposto de renda a restituiu informado na Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 2005, anocalendário 2004, de R$ 10.183,22 para R$ 9.368,31. Tal procedimento adveio da constatação de omissão de rendimentos do Trabalho com ou sem vínculo empregatício e de glosa dos valores pleiteados a titulo de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência, e de despesas com instrução, motivada pela constatação de que “os recibos apresentados estão em desacordo com a legislação tributária”. Na impugnação apresentada, fls.01, o impugnante alegou em síntese que a dedução com dependente é um direito adquirido pelo contribuinte e sua comprovação é realizada através da certidão de nascimento, fls. 02. Examinando a impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) considerou procedente em parte o lançamento, para excluir a glosa da dedução com dependente, sob a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 MATÉRIA INCONTROVERSA. DESPESA COM INSTRUÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Consideramse não impugnadas as matérias não contestadas pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a elas correspondentes, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto n.° 70.235/1972, com as modificações introduzidas pela Lei n.° 9.532/1997. GLOSA DE DEDUÇÃO. DEPENDENTES. Restabelecese a dedução pleiteada com dependente que tenha sido devidamente comprovada. Lançamento Procedente em Parte Por meio das solicitações emitidas pela autoridade preparadora, fls. 89 e 95, o contribuinte foi cientificado do reconhecimento do direito creditório tendo sido dele solicitado a apresentação de informações acerca de sua conta corrente bancária e da respectiva ordem bancária. Cientificado de tais solicitações, em 20/11/2009 e 04/02/2010, fls. 92 e 96, respectivamente, o interessado apresentou a comprovação do número da conta corrente bancária, fls. 91, bem como apresentou requerimento protocolizado pela autoridade preparadora em 09/02/2010, fls. 101, mediante o qual solicitou prorrogação de prazo de 30 (trinta) dias “para providenciar os documentos solicitados através do processo em referência”. Em petição protocolizada em 15/10/2010, o interessado voltou a manifestar nos autos, desta vez alegando que: não se conformando com o despacho decisório em referência, vêm apresentar o presente recurso voluntário; que a glosa do valor de R$ 1.910,00, referese a despesa com instrução de seu filho, conforme declaração firmada pela instituição de jardim de infância. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.008633/200721 Acórdão n.º 2802002.477 S2TE02 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator De acordo com o art. 5º c/c o art. 33 do Decreto n° 70.325, de 1972, que regula o processo administrativo no âmbito federal, o prazo de 30 (trinta) dias para a interposição de Recurso Voluntário é contínuo, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o do vencimento. Os prazos se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Conforme relatado, as solicitações emitidas pela autoridade administrativa, fls. 89 e 95, não intimou o contribuinte expressamente a respeito do prazo previsto para apresentação de recurso voluntário, mesmo porque fazem referência a encaminhamento de despacho decisório que reconheceu direito creditório. Nesse contexto, importa considerar como data de ciência ao interessado do Acórdão nº 1733.793 – 8ª Turma da DRJ/SPO II, a data de 09/02/2010, fls. 101, época em que se percebe a sua manifestação nos autos relacionada à decisão proferida nesse julgamento, em consonância com as regras regulamentares e jurisprudência pacífica neste Colegiado. Diante disso, o inicio da contagem do prazo ocorreu dia 10/02/2010 esgotandose, por conseguinte, em 11/03/2010, o prazo de 30 (trinta) dias previsto para ingresso do Recurso Voluntário, na forma do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. Ocorre que, consoante protocolo aposto na folha de rosto do Recurso Voluntário, sua apresentação se deu somente em 15/10/2010, sete meses após expirado o prazo para tanto. Intempestivo, pois, o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Seguindo o procedimento do Decreto n° 70.325/72, bem como a jurisprudência deste Conselho, o recurso intempestivo não deverá ser objeto de conhecimento. Voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13984.900084/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO DE DEVOLUÇÃO DE VENDA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por absoluta falta de previsão legal, não são passíveis de ressarcimento os créditos básicos de IPI escriturados em razão de devolução de vendas de produtos tributados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por absoluta falta de previsão legal, não são passíveis de ressarcimento os créditos básicos de IPI escriturados em razão de devolução de vendas de produtos tributados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Paulo Guilherme Deroulede. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 00 84 /2 00 6- 01 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13984.900084/200601 Acórdão n.º 3302002.246 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A empresa MADE MÓVEIS ORLANDO LTDA ingressou com o pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI, relativo ao 4º trimestre de 2002. A DRF de origem deferiu parcialmente o pedido porque entendeu não há previsão legal para efetuar o ressarcimento de “outros créditos” de IPI., conforme Despacho Decisório Eletrônico de fls. 05. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido nos seguintes termos: a) A empresa efetuou duas vendas no 2º decêndio de dezembro de 2002, através das Notas Fiscais n° 001683 e 001684, vendas estas informadas no CFOP 5.11 (Venda de Produção do estabelecimento), gerando um débito no Livro Registro de Apuração de IPI, o qual foi deduzido de saldo credor anterior; b) No 3º decêndio de dezembro, houve a devolução de tais vendas (NF's 1159 e 1160), gerando desta forma o crédito de IPI, que deveria ter sido lançado no Livro Registro de Entradas com o CFOP 1.31 (Devolução de venda de produção do estabelecimento), porém, foi equivocadamente lançada no CFOP 1.99 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), desta forma, não gerando crédito passível de ressarcimento no Livro Registro de IPI sobre as devoluções de vendas; c) O motivo da glosa foi a não consideração dos créditos da devolução da venda, devido ao engano ocorrido no lançamento. Assim, requereu a contribuinte a reforma da decisão, para o efeito de reconhecer seu direito ao crédito e a homologação das compensações. A 8a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1435.755, de 08/11/2011, cuja ementa abaixo se transcreve: PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. RESSARCIMENTO NÃO ADMITIDO PARA OS CRÉDITOS CONCERNENTES A DEVOLUÇÕES DE VENDAS. AUSÊNCIA DE EMPREGO DE INSUMOS NO PROCESSO INDUSTRIAL. São insuscetíveis de ressarcimento, ou seja, não ressarcíveis, os créditos do imposto destacado em notas fiscais com CFOP correspondente a devoluções de vendas, vale dizer, uma situação que não implica o emprego de insumos na industrialização. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13984.900084/200601 Acórdão n.º 3302002.246 S3C3T2 Fl. 4 3 A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 28/11/2011, conforme AR de fl. 56, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 16/12/2011, com o recurso voluntário de fls. 58/62, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescenta que a decisão recorrida está equivocada porque existe previsão legal para o ressarcimento do crédito pleiteado, citando o art. 4º da Lei nº 9.363/96, e o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não proíbe a prática da Recorrente. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico de IPI (art. 11 da Lei nº 9.779/99), relativo ao 4º trimestre de 2002, deferido parcialmente porque a DRF entendeu que “outros créditos” do imposto não são passíveis de ressarcimento. Na Manifestação de Inconformidade da empresa Recorrente esclarece que, na verdade, o crédito em referência são de mercadorias devolvidas informada erroneamente como sendo de outras entradas. A decisão recorrida indeferiu o pleito da Recorrente porque os créditos de IPI relativos a devolução de venda também não são passíveis de ressarcimento. No seu Recurso Voluntário a empresa renova os argumentos da Manifestação de Inconformidade e acrescenta que a decisão recorrida incorreu em erro porque há autorização legal para o ressarcimento pleiteado (art. 4º da Lei 9.363/96) e o art. 11 da Lei nº 9.779/99 não proíbe o ressarcimento pleiteado. Sem razão a Recorrente. De plano, há que se afastar o art. 4º da Lei nº 9.363/96, que trata de crédito presumido na exportação e seu ressarcimento. Aqui tratase de crédito básico cujo ressarcimento foi autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99, abaixo reproduzido. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13984.900084/200601 Acórdão n.º 3302002.246 S3C3T2 Fl. 5 4 IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. (vide IN 33/99) Como bem disse a decisão recorrida, o saldo credor do IPI que a lei autoriza o seu ressarcimento é única e exclusivamente o “decorrente de aquisição” de MP, PI e ME aplicado na industrialização. No caso em tela, o saldo credor, cujo ressarcimento foi indeferido, decorreu da escrituração de créditos na devolução de vendas. Crédito de devolução de vendas não é crédito de aquisição de insumos a que se refere a Lei nº 9.779/99 e, portanto, não há autorização para o seu ressarcimento. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 16327.001371/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.300
Decisão:
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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Elias Sampaio Freire – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 37 1/ 20 10 -4 6 Fl. 617DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001371/201046 Resolução nº 2401000.300 S2C4T1 Fl. 608 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pelo BANCO VOLKSWAGEN SA, irresignado com o acórdão por meio do qual fora mantida a integralidade do AI n. 37.234.025 3, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais por intermédio de cartão premiação Consta do relatório fiscal que, BANCO VOLKSWAGEN S/A, inscrito no CNPJ sob o n° 59.109.165/000149 é sucessor por incorporação da empresa VOLKSWAGEN LEASING, inscrita no CNPJ sob o n° 49.324.619/000140. A documentação referente a essa sucessão segue em anexo. Portanto, as intimações e os Autos de Infração foram lavrados na pessoa do incorporador, ou seja, no BANCO VOLKSWAGEN S/A. Os levantamentos utilizados para fatos geradores do BANCO VOLKSWAGEN foram: B, BI e B2 e os levantamentos utilizados para fatos geradores da VOLKSWAGEN LEASING foram: L e LI. O fiscal autuante esclarece que a recorrente utilizou os serviços da empresa DPTO PROMOÇÕES S/C LTDA para criar campanhas de vendas e premiar (remunerar) funcionários da rede de concessionárias vinculadas á marca VOLKSWAGEN, os quais eram premiados ao vender carros, apresentando e vendendo ao comprador do veículo algum produto financeiro dos contribuintes ora fiscalizados. Todo o custo da operação foi suportado pela recorrente. O lançamento compreende o período de 01/2005 a 10/2008, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 29/10/2010 (fls. 01). Diante dos argumentos de impugnação apresentados, especialmente com relação ao fato da empresa DPTO PROMOÇÕES ter efetuado o pagamento das contribuições lançadas, às fls. 341, a DRJ determinou a realização de diligência para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: 4.1. As remunerações declaradas nas GFIP da empresa DPTO Produções Ltda correspondem a valores pagos a título de premiação por meio de cartão, decorrente da prestação de serviços para com a autuada? 4.2. Em caso positivo, todos os valores pagos a título de premiação por meio de cartão aos segurados relacionados nas planilhas apresentadas pela autuada (fls. 76), que serviram de base de cálculo para as contribuições incluídas nas autuações n" 37.234.0253, 37.234.0261, foram declarados nas GFIP da empresa prestadora de serviços DPTO Produções Ltda, considerandose todo o período autuado (01/2005 a 12/2008)? 4.3. Em sendo a declaração retromencionada parcial, solicitase a elaboração de discriminativo detalhado (meio papel ou arquivo digital) informando quais segurados e remunerações integrantes das planilhas de fls. 76 foram declarados cm GFIP pela empresa DPTO Produções Ltda. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001371/201046 Resolução nº 2401000.300 S2C4T1 Fl. 609 3 4.4. Considerando que o Relatório Fiscal (fls. 95/102) aponta para a conclusão de que os contribuintes individuais que receberam premiações por meio de cartão teriam seus vínculos estabelecidos diretamente com a autuada (Banco Volkswagen S/A e a sucedida Volkswagen Leasing), solicitase que a Autoridade Fiscal, frente às análises e esclarecimentos apresentados em resposta aos questionamentos anteriores, esclareça, conclusiva e justificadamente, se o vínculo dos contribuintes individuais que receberam as citadas premiações é com a autuada. 4.5. Havendo, em consequência, qualquer alteração no valor das contribuições previdenciárias incluídas na presente notificação, deverá a referida Autoridade demonstrar, justificadamente, tal alteração. Sobreveio resposta às fls. 376, da qual o contribuinte fora devidamente cientificado. Em seu recurso sustenta a decadência de parte do lançamento, com fundamento no art. 150, 4o do CTN. Afirma, por conseguinte, que os valores pagos aos contribuintes individuais através dos cartões CASH PLUS da empresa DPTO não podem ser considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois classificamse como prêmios esporádicos não vinculados a uma contraprestação em prol do recorrente, pois para o seu pagamento depende de fatores econômicos do mercado de venda de automóveis e caminhões. Defende que não havia habitualidade nos pagamentos e que o CASH PLUS era um prêmio excepcional, desvinculado do pagamento dos salários e trabalho. Sustenta que a autuação foi levada a efeito com erro na eleição do sujeito passivo, pois, deveria ter sido efetuada em face da empresa DPTO, contratada para executar políticas de marketing de incentivo, sendo esta a responsável pelos pagamentos efetuados, e não a recorrente. Relata que não se trata de um caso no qual se pretende transferir a sujeição passiva relativamente à contribuição a outra pessoa jurídica por meio de contrato, mas apenas demonstrar que no presente caso, de fato demonstrar que quem era a responsável por recolher os tributos incidentes sobre os pagamentos efetuados, conforme prevê o contrato firmado entre as partes era a DPTO, empresa que decidia inclusive sobre qual o montante do premio a ser pago. Defende que o fato da DPTO receber recursos da recorrente, os as quais são consumidos no exercício de sua atividade (campanha de marketing), englobando inclusive os pagamentos aos vendedores, não significa que tais pagamentos estejam sendo efetuados pela recorrente. Argumenta que a obrigação tributária está extinta pelo pagamento, tendo em vista que conforme contrato firmado entre as partes, a DPTO, ao efetuar os creditamentos de valores aos contribuintes no cartão CASH PLUS também levou a efeito o pagamento das contribuições previdenciárias devidas sobre referidos pagamentos. Que a prova da correlação entre os pagamentos efetuados e os beneficiários dos valores creditados em cartão se faz através do confronto do relatório de pagamentos do programa de incentivo do banco Volks Fl. 619DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001371/201046 Resolução nº 2401000.300 S2C4T1 Fl. 610 4 com as GFIP´s apresentadas pela DPTO. Que o próprio relatório fiscal complementar reconheceu a identidade entre os pagamentos e os beneficiários do serviços. Que a DRJ ilegalmente afastou todo o conjunto probatório constante dos autos, quando deveria reconhecer o aproveitamento dos pagamentos efetuados pela DPTO em favor da recorrente. Ainda quanto ao pagamento, sustenta que o art. 124 do CTN permite o reconhecimento do pagamento efetuado pela DPTO em favor da recorrente, sobretudo diante do princípio da busca da verdade material. Por fim sustenta a ilegalidade da cobrança da alíquota de 2,5% prevista no art. 22, parágrafo primeiro da Lei 8.212/91, em virtude de sua sistemática não encontrar amparo no texto constitucional, bem como ser necessária a correção da aplicação da multa aplciada no patamar de 75%, quando, em verdade, deveria ter sido aplicado ao caso a multa de 24%, diante da impossibilidade da comparação da multa mais benéfica de 24% acrescida da multa pelo descumprimento da obrigação acessória com a multa de 75%. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o necessário relatório. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001371/201046 Resolução nº 2401000.300 S2C4T1 Fl. 611 5 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Antes mesmo de adentrar ao julgamento das matérias objeto do presente recurso, tenho que o julgamento da demanda mereça prévio esclarecimento em seu conjunto fático. Conforme previu o contrato entabulado entre as partes (fls. 239), no presente caso, a empresa DPTO responsabilizouse pelo pagamento das contribuições sociais em decorrência dos valores creditados no cartão premiação em favor dos contribuintes individuais vinculados a recorrente. Confirase: CLÁUSULA SEGUNDA – Obrigações da Contratada 2.1. [...] h) Responsabilizarse pelo pagamento de todos os tributos e outros encargos, incluindo previdenciários, que incidam ou venham a incidir, direta ou indiretamente, sobre os créditos disponibilizados aos BENEFICIÁRIOS; Diante de tal ponto, e mesmo da análise da documentação juntada em sede de impugnação a DRJ achou por bem determinar o julgamento em diligência ao ter constatado o seguinte: 3.2. Em análise preliminar, por amostragem, aos documentos apresentados pela Impugnante, em especial a mídia digital (CD de fls. 331) contendo planilhas nominais dos contribuintes individuais que receberam valores por intermédio do cartão "Cash Plus" e as GFIP da empresa prestadora dos serviços DPTO Produções Ltda (competências 11/2005, 05/2006, 07/2007 e 01/2008), e seu confronto com as planilhas anexas ao Relatório Fiscal (CD fls. 76), foi possível averiguar o seguinte: 3.2.1. A maior parte dos segurados relacionados na planilha anexada pela Autoridade Fiscal (fls. 76) encontrase declarada nas GFIP da empresa contratada DPTO Produções Ltda. 3.2.2. Parte significativa desses segurados encontram relacionados nos dois documentos, com remuneração idêntica. 3.2.3. Os documentos apresentados, confirmados pelos registros constantes dos sistemas informatizados da RFB (sistema ÁGUIA), sugerem que a empresa DPTO Produções Ltda efetuou o recolhimento integral das contribuições previdenciárias devidas declaradas em GFIP no período da presente autuação. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001371/201046 Resolução nº 2401000.300 S2C4T1 Fl. 612 6 Em resposta aos questionamentos da DRJ, o fiscal autuante assim apontou (fls.380) : [...] Apesar da inequívoca relação direta e pessoal da autuada com a situação que constitui o fato gerador, e do artigo 123 do CTN deixar clara a impossibilidade de mudança do sujeito passivo por convenções particulares, o contribuinte pleiteia na impugnação o cancelamento da autuação baseado no contrato firmado com a DPTO em que a responsabilidade pelos tributos seria da mesma, e, portanto, como os tributos estariam todos recolhidos, haveria no máximo uma falha formal. 19 Em relação ao Bis in Idem alegado na impugnação, a lei 8.212 no seu artigo 89 (vide item 11 deste relatório) garante o direito de restituição ou compensação no caso de recolhimento indevido ou a maior 20 Portanto, por todo o exposto entendo que o Banco Volkswagen é o sujeito passivo. 2 1 Ainda assim, caso entenda ser necessária a diligência junto à DPTO, proponho que os PAFs discriminados no item 1 deste relatório, após retorno a 13a Turma da DRJ/SP1, sejam encaminhado à delegacia de jurisdição do contribuinte a ser diligenciado. E ciente de referida resposta a DRJ levou a efeito o julgamento entendendo por manter as conclusões da fiscalização, dandose por satisfeita, portanto, com o resultado da diligência realizada. Em que pesem os argumentos adotados no julgamento de primeira instância, os quais poderão até mesmo ser futuramente confirmados por este Eg. Conselho, tenho que o presente caso mereça que a diligência sugerida pela DRJ seja renovada, tendo em vista que o fiscal autuante, a margem de responder os questionamentos formulados, apontou seu entendimento acerca da sujeição passiva no presente caso. Atento ao que consta dos autos, especialmente as alegações da própria fiscalização no sentido da grande possibilidade de que os pagamentos efetuados pela DPTO, de fato, sejam relativos ao creditamento de valores por intermédio de cartão premiação em face dos segurados vinculados à recorrente, entendo que a diligência anteriormente requerida fazse necessária para que esta Turma melhor se posicione sobre o assunto no julgamento do recurso voluntário, até porque, a meu ver, os elementos constantes nos autos, até o presente momento, não são suficientemente capazes de traduzir ao presente julgamento a certeza acerca de um fato que ainda é controverso, ou seja, se existe ou não a efetiva correlação entre o pagamento das contribuições e os pagamentos efetuados via cartão premiação. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que baixem os autos a origem e sejam respondidos os seguintes questionamentos, que peço vênia aos colegas da DRJ para transcrever na presente oportunidade, são eles: Fl. 622DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16327.001371/201046 Resolução nº 2401000.300 S2C4T1 Fl. 613 7 4.1. As remunerações declaradas nas GFIP da empresa DPTO Produções Ltda correspondem a valores pagos a título de premiação por meio de cartão, decorrente da prestação de serviços para com a autuada? 4.2. Em caso positivo, todos os valores pagos a título de premiação por meio de cartão aos segurados relacionados nas planilhas apresentadas pela autuada (fls. 76), que serviram de base de cálculo para as contribuições incluídas nas autuações n" 37.234.0253, 37.234.0261, foram declarados nas GFIP da empresa prestadora de serviços DPTO Produções Ltda, considerandose todo o período autuado (01/2005 a 12/2008)? 4.3. Em sendo a declaração retromencionada parcial, solicitase a elaboração de discriminativo detalhado (meio papel ou arquivo digital) informando quais segurados e remunerações integrantes das planilhas de fls. 76 foram declarados cm GFIP pela empresa DPTO Produções Ltda. 4.4. Considerando que o Relatório Fiscal (fls. 95/102) aponta para a conclusão de que os contribuintes individuais que receberam premiações por meio de cartão teriam seus vínculos estabelecidos diretamente com a autuada (Banco Volkswagen S/A e a sucedida Volkswagen Leasing), solicitase que a Autoridade Fiscal, frente às análises e esclarecimentos apresentados em resposta aos questionamentos anteriores, esclareça, conclusiva e justificadamente, se o vínculo dos contribuintes individuais que receberam as citadas premiações é com a autuada. 4.5. Havendo, em consequência, qualquer alteração no valor das contribuições previdenciárias incluídas na presente notificação, deverá a referida Autoridade demonstrar, justificadamente, tal alteração. Após que seja o contribuinte cientificado a manifestarse sobre o resultado da diligência, com o posterior envio dos autos a este Eg. Conselho para julgamento do recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 623DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 19515.001882/2006-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO.
Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, § 4°, do CTN.
CERCEAMENTO DE DEFESA.
Descabe a alegação de cerceamento de defesa quando são concedidas ao contribuinte todas as oportunidades de defesa previstas na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Presume-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Não existe quebra de sigilo quando os extratos bancários são fornecidos pelo próprio contribuinte em atendimento à intimação da autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1201-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Oficio e ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, § 4°, do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. Descabe a alegação de cerceamento de defesa quando são concedidas ao contribuinte todas as oportunidades de defesa previstas na legislação que rege o processo administrativo fiscal. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Presumese omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Não existe quebra de sigilo quando os extratos bancários são fornecidos pelo próprio contribuinte em atendimento à intimação da autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Oficio e ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 82 /2 00 6- 52 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 2 JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, André Almeida Blanco (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 155/189) lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ Simples, CSLL Simples, PIS Simples, COFINS Simples e INSS Simples, devido em razão da apuração das seguintes irregularidades: (i) Omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados) e (ii) Insuficiência de recolhimentos. Do termo de verificação fiscal consta que a fiscalização constatou, a partir de análise dos extratos bancários disponibilizados pelo contribuinte, que a movimentação financeira da contacorrente mantida junto ao Banco Sudameris não correspondia aos valores declarados (ano calendário 2001) pelo contribuinte, pois os valores creditados em conta eram superiores àqueles oferecidos à tributação. E, nesse contexto, intimado, o contribuinte não comprovou a origem desses recursos, razão pela qual foi lavrado o auto de infração. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 188/192 alegando, em síntese, que: (i) parte da movimentação financeira da conta corrente fiscalizada era referente a negócios jurídicos realizados pela empresa CIAL — Comércio e Indústria Ltda; (ii) o Fisco não poderia ter autuado o Impugnante por omissão de receitas, pois estas foram devidamente declaradas; (iii) a multa e os impostos devem ser relevados, nos moldes do art. 539 do Decreto n° 91.030, de 1985 e (iv) os impostos e índices de correção utilizados não são exigíveis, uma vez que estão lastreados em suposições inócuas. Por fim, pugnou pelo cancelamento do auto. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo manteve parte do lançamento, pois reconheceu a decadência de parte dos lançamentos dos tributos, isto porque verificou a existência de pagamentos antecipados e aplicou a regra do artigo 150, §4º do CTN. Assim, considerando que a fiscalização se deu em relação aos meses de janeiro a dezembro de 2001 e que o contribuinte foi cientificado da autuação em 21/09/2006, houve reconhecimento da decadência do direito do Fisco de lançar os tributos cujos fatos geradores ocorreram antes de 28/09/2001. O acórdão proferido foi assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO. JUNTADA POSTERIOR. CONDIÇÕES EXCEPCIONAIS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas nas alíneas "a" a "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, a ser demonstrada pelo autuado. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 19515.001882/200652 Acórdão n.º 1201000.806 S1C2T1 Fl. 274 3 LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade SocialINSS, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO FATO GERADOR. EXERCÍCIO SEGUINTE. Para fins de cômputo do prazo decadencial qüinqüenal, não tendo havido qualquer pagamento, contase o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, I do CTN, ou, se houve pagamento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do Codex. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. TRIBUTOS INTERNOS. RELEVAÇÃO. PENALIDADE ADUANEIRA. INAPLICABILIDADE. As hipóteses de relevação de penalidades aplicáveis no âmbito das atividades fiscais aduaneiras e da tributação sobre operações sobre o comércio exterior não são aplicáveis aos lançamentos de tributos internos. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos tributários vencidos e não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizase omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Diante do valor exonerado em razão do reconhecimento da decadência, superior a 1 milhão de reais, houve apresentação de Recurso de Ofício. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 4 Além disso, inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 257) reafirmando os termos da impugnação apresentada e acrescentando que (i) houve cerceamento de defesa, pois não teve tempo hábil de anexar toda a documentação comprobatória de sua movimentação financeira, (ii) a base de cálculo que serviu para a lavratura do auto de infração se deu somente com fundamento em créditos em conta corrente o que não caracteriza acréscimo patrimonial ou faturamento e (iii) o auto de infração é nulo, pois fundamentado em prova ilícita, decorrente de quebra de sigilo bancário. Por fim, concluiu que comprovada a origem dos recurso, o lançamento deve ser cancelado. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Tratase de Recurso de Ofício (fls. 246) em razão do valor exonerado com o reconhecimento da decadência e Recurso Voluntário (fls.257). Os Recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. O Auto de Infração foi lavrado devido à apuração, no período de janeiro a dezembro de 2001, das seguintes infrações: (i) omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados) e (ii) insuficiência de recolhimento. O contribuinte foi cientificado da autuação em 28/09/2006. Em relação à decadência, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o entendimento de que havendo pagamento, ainda que parcial, estará ele sujeito à homologação e, por isso, deve ser aplicado para o lançamento o prazo previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN (de cinco anos a contar do fato gerador). Em consonância com a jurisprudência mencionada, para a definição do termo inicial do prazo de decadência há de se considerar o cumprimento do sujeito passivo do dever de se antecipar à autuação da autoridade fiscal, através do pagamento, para a constituição do crédito tributário. Foi o que ocorreu no presente caso, pois no próprio auto de infração estão discriminados os valores recolhidos no período. Assim, existindo pagamento, deve ser aplicado o artigo 150, §4°, do CTN. Vale transcrever o que dispõe o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade, administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 19515.001882/200652 Acórdão n.º 1201000.806 S1C2T1 Fl. 275 5 §4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Portanto, no caso em debate, o início da contagem do prazo decadencial se dá a partir da ocorrência do fato gerador, que é mensal. Assim, tendo em vista que os fatos geradores ocorreram entre janeiro e dezembro de 2001 e a ciência do contribuinte se deu em 28/09/2006, operouse a decadência para lançamento dos tributos cujos fatos geradores ocorreram antes de 28/09/2001. Nesse contexto, nego provimento ao Recurso de ofício. Em relação ao Recurso Voluntário, cumpre a análise preliminar da alegação relativa ao cerceamento de defesa. Não assiste razão ao Recorrente, pois foram devidamente concedidos os prazos estabelecidos na legislação que rege o processo administrativo. Assim, teve a oportunidade de defenderse da autuação e produzir prova de suas alegações tanto em sede de manifestação de inconformidade como em sede de Recurso Voluntário. Além disso, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi devidamente intimado a apresentar esclarecimentos relativos à origem dos recursos financeiros que transitaram em suas contas bancárias, entretanto não o fez. Assim, não merece prosperar a alegação de cerceamento de defesa. Quanto as alegações de que (i) a base de cálculo que serviu para a lavratura do auto de infração se deu somente com fundamento em créditos em conta corrente o que não caracteriza acréscimo patrimonial ou faturamento, bem como que (ii) a movimentação financeira é decorrente de operações realizadas pela empresa Cial – Comércio e Indústria de Alumínio Ltda, estas também não procedem, senão vejamos. O auto de infração teve como fundamento o art. 42, caput, da Lei 9430/96, que dispõe: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Diante da expressa disposição legal, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não consegue comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ 6 Assim, passa a ser do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Não foi o que ocorreu no presente caso. A verificação fiscal teve início porque do exame dos extratos bancários apresentados pelo contribuinte constatouse a existência de valores creditados em montantes superiores àqueles oferecidos à tributação à título de receita na declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 2001. Devidamente intimado a apresentar esclarecimentos relativos à origem dos recursos financeiros que transitaram em contas bancárias de sua titularidade, o contribuinte requereu prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de documentos, entretanto não o fez. Em sede de impugnação, bem como no Recurso Voluntário, o contribuinte afirmou que no ano de 2000 vendeu uma fazenda e que o valor recebido foi emprestado para a empresa Cial – Comércio e Indústria de alumínio. Afirmou, ainda, que por razão estratégica passou a gerir os negócios da referida empresa, razão pela qual grande parte da movimentação em suas contas correntes decorria de transações da empresa Cial, entretanto, não acostou aos autos qualquer documento comprobatório de suas alegações. Portanto, da análise dos autos temse que o contribuinte não trouxe documentação hábil e idônea a desconstituir a presunção tomada a partir das movimentações com valores superiores aos declarados pela empresa. Assim, as alegações do contribuinte não devem prevalecer, pois a lei admite a presunção de omissão de receita, cabendo ao contribuinte comprovar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, o que não ocorreu no caso dos autos, devendo, portanto, ser mantida a imputação de omissão de receitas caracterizada por movimentação bancária não justificada. Por fim, quanto a alegação de violação de sigilo bancário, sem adentrarmos na ilegalidade ou não da medida, esta não foi caracterizada no presente caso, pois os extratos bancários foram apresentados pelo contribuinte em razão de intimação fiscal. Nesse ponto cumpre transcrever trecho do termo de verificação fiscal que dispõe: “No exercício das funções do cargo de Auditores Fiscais da Receita Federal, no decurso da auditoria do Imposto de Renda determinado pelo MPF nº 08190002005000168, examinamos os extratos bancários disponibilizados pelo contribuinte (...)” Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: “INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em quebra de sigilo quando os extratos bancários são fornecidos pelo próprio contribuinte, em atendimento à intimação da autoridade administrativa nesse sentido.” (19647.002931/200831. Acórdão 180300.771 – 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento). Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ Processo nº 19515.001882/200652 Acórdão n.º 1201000.806 S1C2T1 Fl. 276 7 Por todo o exposto voto no sentido de NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por FRANCISCO DE SALES RI BEIRO DE QUEIROZ
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Numero do processo: 11060.002302/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Não cabem embargos de declaração para discutir a possibilidade de julgamento do recurso, quando realizado nos moldes do previsto na Portaria 01, de 03 de janeiro de 2012 desta Corte, bem como para rediscutir o mérito da decisão.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Numero da decisão: 3201-001.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 23/07/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Carlos Alberto Nascimento, Daniel Mariz Gudiño e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
EDITADO EM: 23/07/2013
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Interessado COOPERATIVA DE CRÉDITO DE LIVRE ADMISSÃO DE ASSOCIADOS DO VALE DO JAGUARI SICREDI VALE DO JAGUARI ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Não cabem embargos de declaração para discutir a possibilidade de julgamento do recurso, quando realizado nos moldes do previsto na Portaria 01, de 03 de janeiro de 2012 desta Corte, bem como para rediscutir o mérito da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 23/07/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Carlos Alberto Nascimento, Daniel Mariz Gudiño e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 02 /2 00 6- 28 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 2 EDITADO EM: 23/07/2013 Relatório Como se verifica do presente caso, julgouse a tributação, pelo PIS e COFINS, dos chamados atos cooperados. Por unanimidade de votos, foi dado provimento à demanda, conforme ementa de fls. Irresginada, embarga a União, alegando que a tributação é devida, bem como da impossibilidade de julgamento do feito em face de repercussão geral. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como podemos observar do recurso interposto pela embargante, esta busca em sede de embargos de declaração, afastar contradição, sob argumento de que a tese é objeto de repercussão geral, bem como busca rediscutir o mérito. Quanto à repercussão geral, não há qualquer empecilho no julgamento desta demanda, já que, caso a embargante não tenha conhecimento, foi editada a Portaria 01, de 03 de janeiro de 2012, a qual expressamente permite o debate e julgamento do tema neste momento. Para facilitar, inclusive, a transcrevo integralmente: PORTARIA CARF N° 001, DE 03 DE JANEIRO DE 2012 Determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § lo do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF. 0PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO FISCAL (CARF), no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto nos arts. 20, Inciso IV do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, e alterações posteriores, e a necessidade de uniformização do procedimento de sobrestamento de julgamento de recursos, previsto no § Io do art. 62A do Anexo II do RICARF, incluído pela Portaria MF n° 69, de 32 de dezembro de 2009, RESOLVE: Fl. 417DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11060.002302/200628 Acórdão n.º 3201001.339 S3C2T1 Fl. 128 3 Art. 1o. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF lenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. Io. § Io. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: 1 o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17. caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ Io e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. Art. 3o. Proferida decisão definitiva pelo Supremo Tribunal Federal STF, nos termos do caput do art. Io, as Secretarias de Câmara deverão realizar a movimentação dos processos que se Fl. 418DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES 4 encontrem na atividade SOBRESTADO para os respectivos conselheiros relatores na atividade RELATAR. §1°. Compete ao Conselheiro relator do processo sobrestado, também, informar à Secretaria de Câmara a alteração de situação de que trata o caput, nos processos de sua relatoria. §2°. Será realizado novo sorteio na hipótese de o relator não mais integrar o colegiado. Art. 4o. Todos os recursos que nesta data estiverem na situação SOBRESTADO, cujas matérias recursais estavam pendentes de apreciação não se subsumirem às regras dispostas nesta portaria, deverão ser imediatamente movimentados aos respectivos conselheiros relatores na atividade RELATAR e incluídos nas próximas pautas de julgamento dos respectivos colegiados. Art. 5o. Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação. OTACILIO DANTAS CARTAXO Quanto ao debate do mérito, este não se mostra cabível em sede de embargos de declaração, conforme jurisprudência unanime em todas as esferas, judiciais e administrativas. Diante do exposto, conheço dos embargos de declaração interpostos e os rejeito, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 27 de junho de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 419DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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