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Numero do processo: 10166.900908/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 08 /2 01 1- 47 Fl. 2543DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 915992531 de 01/04/2011 que não homologou o PER/DCOMP nº 07255.88194.290607.1.3.042680. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de estimativa de CSLL, apurado em maio de 2007, no montante de R$ 5.782,88. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, no montante original na data de transmissão de R$ 3.217,36, decorrente de DARF recolhido em 30/09/2002no valor de R$ 35.334,71. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, decidiu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. De acordo com a motivação da decisão, o valor recolhido foi integralmente utilizado para liquidar o débito correspondente. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, no montante de R$ 5.782,88, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega o seguinte: (i) no encerramento do ano a contribuinte apurou resultado inferior ao valor total recolhido por estimativa, e, portanto, haveria um recolhimento a maior de estimativa, passível de ser utilizado em compensação; (ii) houve um erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois a contribuinte fez constar o código de receita 5993, quando deveria ser 2362; e (iii) o único motivo do indeferimento foi o erro material de preenchimento, sendo plenamente retificável. Em sessão de 4 de dezembro de 2015, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1151.572, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INTEGRALMENTE ALOCADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. É possível a utilização pagamento de estimativa como crédito em compensações declaradas em Dcomp desde que: (i) tenha havia pagamento a maior da estimativa, ou seja, o valor recolhido seja superior ao apurado/confessado, e (ii) este excedente não tenha sido utilizado no ajuste anual para compor o saldo negativo do Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 4 3 período. Na espécie, não houve excedente no recolhimento, sendo inexistente o crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A DRJ/REC não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) o crédito pleiteado não existe, pois não houve excedente no recolhimento do DARF apontado no PER/DCOMP, visto que o valor recolhido corresponde exatamente ao montante de estimativa apurado pelo contribuinte; e (ii) não houve o alegado erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito foi informado no código 2362, conforme entende o contribuinte ser o correto. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual reitera suas razões de defesa e apresenta os seguintes pontos complementares: (i) o objeto dos presentes autos decorre de mero erro formal, visto que o direito creditório está devidamente comprovado; e (ii) as autoridades administrativas não aplicaram o princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.813, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10166.900902/2011 70, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.813): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, cumpre consignar que o despacho da DRF (fl. 149) informa a existência de outro processo administrativo fiscal (nº 10166.900837/200887), que trata do mesmo sujeito passivo e direito creditório em litígio nos presentes autos. Em pesquisa, constatei que o processo foi objeto de julgamento pela 1ª Seção de julgamento deste E. CARF, cujo Acórdão de nº 180100.847 foi publicado em 21/03/2012. No referido julgamento, o direito creditório foi reconhecido e determinouse o retorno dos autos à unidade de jurisdição do sujeito passivo, para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, conforme ementa transcrita abaixo: Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 5 4 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.” A decisão foi mantida após interposição de Recurso Especial de Divergência, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, conforme Acórdão nº 9101002.904. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Antes de enfrentar as circunstâncias fáticas dos presentes autos, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte trouxe fortes indícios da existência de saldo negativo de IRPJ. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 6 5 a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduz se, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 7 6 Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado O direito creditório, pleiteado no presente processo, não foi reconhecido pelas doutas autoridades administrativas em razão do DARF indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para o pagamento da estimativa mensal de IRPJ apurada em junho de 2002, e, portanto, não teria ocorrido nenhum pagamento a maior ou indevido. A Recorrente, por sua vez, afirma que no anocalendário de 2002 apurou saldo negativo de IRPJ, e, consequentemente, teria acumulado crédito passível de compensação. O referido saldo negativo pode ser constatado em sua DIPJ/2003. No mais, foi declarado na DIPJ/2003, o recolhimento de IRPJ por estimativa referente a junho de 2002, no montante de R$ 58.570,75. A DRJ, especificamente, não considerou a alegação de apuração de saldo negativo para o anocalendário de 2002 e se limitou a afirmar que o DARF indicado enquanto origem do crédito foi 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 8 7 totalmente utilizado para o pagamento da estimativa de IRPJ apurada para junho de 2002 no montante de R$ 58.570,75 e que, portanto, não haveria pagamento a maior ou indevido. Em contrapartida, a Recorrente apresenta diversos documentos contábeis e fiscais, em sede de Recurso Voluntário, para comprovar a origem de seu direito creditório. Dentre eles, cito: (i) Balancete e Balanço relativos ao período entre 2002 e 2007; (ii) Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) relativo ao período de 2003 a 2007; (iii) Livro Diário relativo ao período de 2002 a 2007; e (iv) Livro Razão relativo ao período de 2003 a 2007. Cumpre consignar que a controvérsia acerca da possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 2002 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2002, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante no ano calendário de 2004 e referente a mesma contribuinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 9 8 Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017) Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 13 a 18 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova e dos documentos apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 10 9 processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Em análise dos autos, fica evidente que as doutas autoridades administrativas e julgadoras proferiram decisão baseadas no fato de que o DARF apontado como origem do direito creditório foi utilizado integralmente para o pagamento de estimativa mensal de IRPJ declarada e não analisaram a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ e suas consequências. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. Tal verificação deve considerar a documentação apresentada nos autos e, se entender necessário, intimar a Recorrente para que apresente esclarecimentos complementares. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 10166.900908/201147 Acórdão n.º 1201002.819 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 2552DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.727645/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS DE IMPORTAÇÃO E FRETE. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO.
A obrigação contratual de importação destes equipamentos, partes e peças necessárias às atividades de operação e manutenção da West Polaris no decorrer da execução do contrato de Afretamento passou a ser de responsabilidade da contribuinte. É incontroverso que a contribuinte, em termos fáticos, suportou os custos de importação; não houve reembolso e, de acordo com seu próprio contrato social e o contrato de prestação de serviços, tais dispêndios são essenciais para o exercício da sua atividade empresarial e, portanto, dedutíveis, nos termos do artigo 299, do RIR/99.
Com relação ao frete há, ainda, cláusula contratual específica no acordo firmado entre ela e a empresa Esso, onde consta que tais custos deverão ser integralmente arcados pela Seadrill.
IRPJ. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. EMBARCAÇÕES. ASPECTO TEMPORAL. FASE PRÉ-CONTRATUAL.
As despesas incorridas com as embarcações West Taurus e West Eminence são, por força operacional e contratual, inequivocamente necessárias e indispensáveis para que a contribuinte realize os serviços para os quais foi contratada pela Petrobras. Se a contribuinte estivesse em período de desenvolvimento, construção e implantação (leia-se na fase pré-operacional) e não em plena operação, sequer conseguiria firmar o contrato em questão. É equivocado vincular o aspecto temporal da dedutibilidade de tais dispêndios ao marco zero da obrigação contratual - as despesas com a preparação e o comissionamento dessas embarcações é condição essencial operacional "pura". Não é porque estamos diante de fase pré-contratual que o dispêndio pode ser classificado como despesa pré-operacional.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso: a) por maioria, em relação às infrações 3 e 4 do auto de infração, vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Allan Marcel Warwar Teixeira; b) por unanimidade, em relação às demais infrações. O julgamento foi transferido para a sessão das 14:00hs por falta de tempo.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ACÓRDÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS DE IMPORTAÇÃO E FRETE. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO. A obrigação contratual de importação destes equipamentos, partes e peças necessárias às atividades de operação e manutenção da West Polaris no decorrer da execução do contrato de Afretamento passou a ser de responsabilidade da contribuinte. É incontroverso que a contribuinte, em termos fáticos, suportou os custos de importação; não houve reembolso e, de acordo com seu próprio contrato social e o contrato de prestação de serviços, tais dispêndios são essenciais para o exercício da sua atividade empresarial e, portanto, dedutíveis, nos termos do artigo 299, do RIR/99. Com relação ao frete há, ainda, cláusula contratual específica no acordo firmado entre ela e a empresa Esso, onde consta que tais custos deverão ser integralmente arcados pela Seadrill. IRPJ. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. EMBARCAÇÕES. ASPECTO TEMPORAL. FASE PRÉCONTRATUAL. As despesas incorridas com as embarcações West Taurus e West Eminence são, por força operacional e contratual, inequivocamente necessárias e indispensáveis para que a contribuinte realize os serviços para os quais foi contratada pela Petrobras. Se a contribuinte estivesse em “período de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 76 45 /2 01 2- 65 Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 3 2 desenvolvimento, construção e implantação” (leiase na fase préoperacional) e não em plena operação, sequer conseguiria firmar o contrato em questão. É equivocado vincular o aspecto temporal da dedutibilidade de tais dispêndios ao marco zero da obrigação contratual as despesas com a preparação e o comissionamento dessas embarcações é condição essencial operacional "pura". Não é porque estamos diante de fase précontratual que o dispêndio pode ser classificado como despesa préoperacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento ao recurso: a) por maioria, em relação às infrações 3 e 4 do auto de infração, vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Allan Marcel Warwar Teixeira; b) por unanimidade, em relação às demais infrações. O julgamento foi transferido para a sessão das 14:00hs por falta de tempo. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ e CSLL, no montante de R$ 9.843.415,96, referente ao ano calendário de 2008, conforme o quadro abaixo: Imposto/ Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional de 75% Multa Isolada TOTAL IRPJ 2.614.931,92 883.062,51 1.961.198,94 1.776.680,98 7.235.874,35 CSLL 941.375,49 317.902,50 706.031,62 642.232,00 2.607.541,61 9.843.415,96 2. As exigências relativas ao PIS/PASEP e a COFINS, decorrentes do mesmo procedimento fiscal, tramitam no processo administrativo nº 12448.727644/201211. Fl. 3937DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 4 3 3. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 10/17), fiscalização constatou infrações à legislação tributária e promoveu a autuação da empresa em relação as seguintes condutas: 3.1. Glosa de custos não necessários referentes aos impostos em importações, contabilizados nas contas 3.1.03.01.14 e 3.1.03.02.27, nos montantes de R$ 433.441,39, em outubro de 2008, de R$ 1.095.688,62, em novembro de 2008, de R$ 1.722.385,67, em dezembro de 2008, conduta essa apenada com multa de ofício no percentual de 75% sobre os tributos lançados; 3.2. Glosa de custos não necessários referentes a serviços prestados, contabilizados nas contas 3.1.03.01.15 e 3.1.03.02.08 CUSTO COM FRETE, nos montantes de R$ 3.156,60, em outubro de 2008, R$ 11.619,99, em novembro de 2008, R$ 27.146,88, em dezembro de 2008, conduta essa apenada com multa de ofício no percentual de 75% sobre os tributos lançados; 3.3. Glosa de custos não necessários referentes a serviços prestados, contabilizados na conta 3.1.03.01.08 SERVIÇOS PRESTADOS NA PLATAFORMA, nos importes de R$ 3.731.060,43, em novembro de 2008, e de R$ 657.505,51, em dezembro de 2008, conduta essa apenada com multa de ofício no percentual de 75% sobre os tributos lançados; 3.4. Glosa de despesas não necessárias referentes a serviços prestados, contabilizadas na conta 3.2.06.09 SERVIÇOS PRESTADOS PESSOA JURÍDICA, nos importes de R$ 248.823,51, em agosto de 2008, R$ 238.311,85, em setembro de 2008, R$ 1.592.541,14, em outubro de 2008, e R$ 698.046,07, em dezembro de 2008, conduta essa apenada com multa de ofício no percentual de 75% sobre os tributos lançados; 3.5. Falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, estimativa mensal, em outubro de 2008, conduta essa apenada com multa e juros isolados. 4. O procedimento fiscal teve como objeto o anocalendário de 2008 e analisou dois contratos, firmados na mesma data (24/06/2008): (i) contrato (nº A2114995) de prestação de serviço de perfuração de poços, entre a contribuinte e a empresa Esso Exploração Santos Brasileira Ltda., utilizando o navio/sonda West Polaris de propriedade da sociedade norueguesa Seadrill Offshore AS (sócia da contribuinte); e (i) contrato (nº A2114989) de afretamento da referida embarcação, entre as empresas Esso e a Seadrill Offshore AS, figurando como parte interveniente a contribuinte. 5. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 2195/2232), o contrato de prestação de serviço foi fonte de receita da contribuinte no ano de 2008, representada por notas fiscais emitidas contra a Esso e contabilizadas pelo valor de R$ 33.176.568,70, na conta 4.1.02.01 REC SERVIÇOS MERCADO INTERNO. 6. Para a fiscalização, a contribuinte teria reconhecido receita sem observar o regime de competência, o que teria acarretado um resultado positivo sujeito ao pagamento do IR e da CSLL por estimativa. Diante da ausência de recolhimento dessas antecipações, foi aplicada multa isolada de 50% sobre as estimativas de IRPJ e CSLL com adição de juros de mora. Fl. 3938DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 5 4 7. Ademais, ao analisar os contratos mencionados anteriormente (item 4), a fiscalização concluiu que os custos com a importação de materiais necessários à operacionalidade da embarcação West Polaris, utilizada para a prestação de serviços de perfuração, foram deduzidos de forma indevida pela contribuinte, pois a obrigação do fornecimento de equipamentos e peças da unidade de perfuração seria, via de regra, da proprietária da embarcação (Seadrill Offshore AS) e, em alguns casos, da contratante (Esso), mas nunca da parte interveniente, ora empresa fiscalizada (Seadrill Serviços de Petróleo Ltda.). 8. Por fim, a fiscalização concluiu que os custos e despesas relacionados às embarcações West Eminence e West Taurus teriam sido apropriados indevidamente, ainda em fase préoperacional das embarcações, pela contribuinte, pois estariam desatrelados de quaisquer receitas de serviços no anocalendário de 2008. 9. Devidamente intimada da autuação (ciência pessoal do Termo de Encerramento de fl. 2265, em 27/06/2012), a Contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento, em 27/07/2012. 10. Em sessão de 13 de dezembro de 2013, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1144.244 (fls. 3783/3801), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO ENTRE SOCIEDADE ESTRANGEIRA E EMPRESA NACIONAL. EMPRESA NACIONAL QUE FIRMA COM O FISCALIZADO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE OPERAÇÃO DA EMBARCAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE BENS SOB RESPONSABILIDADE DA EMPRESA ESTRANGEIRA, VINCULADO AO CONTRATO DE AFRETAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DE TAIS GASTOS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E CSLL POR PARTE DO FISCALIZADO. Se efetivamente a aquisição dos bens fosse de responsabilidade do impugnante, todas as despesas e custos (dos bens e incidentes na importação) deveriam figurar em contas de resultado do fiscalizado. Ocorre que os bens foram importados sem cobertura cambial, uma vez que não haveria pagamento à sociedade estrangeira, tendo o contribuinte impugnante apenas contabilizado os impostos incidentes sobre tais importações. Ademais, como afirmado pela autoridade lançadora, sequer tais bens constaram no ativo imobilizado, muito menos em contas de estoques. Ora, se o contribuinte importa bens (máquinas, equipamentos, acessórios etc.) para fazer frente a um contrato de prestação de serviço, não se compreende como tais bens, pelo seu preço de aquisição, não figurassem na contabilidade do adquirente, nem muito menos fossem ativados em contas do Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 6 5 imobilizado ou de estoque. A mesma estranheza avulta quando se vê que o contribuinte somente contabilizou em conta de despesa os tributos incidentes na importação de tais bens, quando poderia a impugnante ou a sociedade estrangeira solicitar o reembolso de tais despesas ao contratante nacional, e assim não procedeu. Apreendese, de tudo, que os gastos oriundos da importação estão vinculados ao contrato de afretamento de embarcação, não podendo ser despesas dedutíveis em favor do impugnante. DESPESAS A BENEFICIAR EXERCÍCIOS FUTUROS. ATIVO DIFERIDO. O dispêndio a ser diferido deve referirse a projetos cuja operação ainda não tenha iniciado, deve haver razoável segurança da realização de receitas futuras a partir de tal dispêndio e haver uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento e receitas a serem obtidas em períodos subsequentes. Ademais, para a existência de gastos diferidos, não se necessita que a empresa esteja em fase préoperacional, pois o conceito se aplica a empresas implantadas por etapas, bem como em empresas existentes com novos projetos, gastos com pesquisas e desenvolvimento de produtos, tudo sempre a atrair a geração de receitas em exercícios vindouros. ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL NÃO PAGAS. MULTA ISOLADA. HIGIDEZ. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. CORREÇÃO. À luz do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, as estimativas de IRPJ e da CSLL não pagas dentro do período de apuração devem ser apenadas com multa de ofício isolada no percentual de 50% sobre elas. Indo além, o art.61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96 assevera que os débitos para com a União, decorrentes de tributos não pagos nos prazos previstos na legislação específica, sofrerão a incidência de juros de mora. E não se pode negar que a multa de ofício vinculada decorre de tributos não pagos no vencimento legal, sendo débito em face da União e, como tal, deve sofrer a incidência de juros de mora a partir do mês subsequente ao seu vencimento legal. De outro lado, a multa de ofício isolada sofre a incidência de juros de mora na forma do art. 43, § único, da Lei nº 9.430/96. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido”. 11. Cientificada da decisão (AR de 30/06/2014, fl. 3822) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 21/07/2014 (3826/3878), no qual complementou as razões de defesa com os seguintes pontos: (i) a autuação e a decisão recorrida são nulas por afronta ao princípio da busca pela verdade material; (ii) o acórdão da DRJ é nulo por ter obstado o direito de defesa da contribuinte, ao negar a realização de diligência e perícia; (iii) quanto ao reconhecimento das receitas, houve apenas uma postergação dos meses de apropriação das Fl. 3940DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 7 6 receitas, com igual postergação dos tributos eventualmente devidos; (iv) o fato de a embarcação West Polaris, ou dos bens importados necessários à sua operacionalidade, não serem de propriedade da Recorrente, nada importa para se demonstrar a pertinência de a Recorrente ter que incorrer nos custos com a importação de tais equipamentos; e (v) o fato das embarcações West Eminence e West Taurus não estarem operantes em 2008 não significa que os custos incorridos com elas nesse período são indedutíveis. Afirma ainda que a exigência de multa isolada concomitante com a multa de ofício é indevida e que, os juros sobre a multa de ofício são inexigíveis. 12. Por fim requer: (i) o reconhecimento das nulidades apontadas e, consequentemente, que seja exarada nova decisão; (ii) a conversão do julgamento em diligência; (iii) que se afaste a multa isolada aplicada; (iv) que seja reconhecida a impossibilidade de aplicar o juros de mora sobre a multa de ofício; e (v) que sejam afastadas as glosas de despesas. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 13. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 14. Cumpre registrar, para ciência deste colegiado, que o processo administrativo nº 12448.727644/201211, relativo às exigências de PIS e COFINS decorrentes do mesmo procedimento fiscal dos presentes autos, foi julgado pela 3ª Seção deste E. CARF, em 28 de março de 2017 e recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. A perícia é reservada à análise técnica dos fatos, não cabendo realizala quando as informações contidas nos autos são suficientes ao convencimento do julgador, e a solução do litígio dela independe. Ademais, foi realizada diligência em primeira instância para apuração da alegação do pagamento dos tributos em apreço. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O indeferimento do pedido de perícia foi devidamente motivado na decisão da DRJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 8 7 Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL. A receita auferida, base de cálculo do PIS e da Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. A nãocumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço, esteja relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. CUSTEIO POR OUTRA EMPRESA. Com ressalva dos tributos pagos na importação, os créditos, dissociados dos serviços prestados, não são admitidos. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 REGIME DE COMPETÊNCIA. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA NO MÊS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E NÃO NO DA EMISSÃO DO DOCUMENTO FISCAL. A receita auferida, base de cálculo do PIS e da Cofins, é tributada no mês da prestação de serviços, e não no da emissão da nota fiscal ou escrituração fiscal e contábil. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS RECEBIDOS DISSOCIADOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS. INSUMOS NÃO CARACTERIZADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. A nãocumulatividade do PIS e Cofins exige que cada insumo, bem ou serviço, esteja relacionado a algum produto ou serviço final que originou a receita tributada. Fl. 3942DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 9 8 NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS NÃO COMPROVADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. Os gastos que geram créditos do PIS e Cofins precisam ser comprovados documentalmente pelo contribuinte. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPORTAÇÃO DISSOCIADA DOS SERVIÇOS PRESTADOS. CRÉDITOS NÃO ADMITIDOS. CUSTEIO POR OUTRA EMPRESA. Com ressalva dos tributos pagos na importação, os créditos, dissociados dos serviços prestados, não são admitidos. JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo”. 15. Os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitaram as preliminares na Reunião de Julgamento realizada no mês de setembro de 2016. E, por maioria de votos: (i) reconheceram o recolhimento a menor das Contribuições no 4º trimestre de 2008. Por maioria de votos, foram mantidas as glosas parciais referentes aos meses de novembro e dezembro de 2008; (ii) foi dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito de PIS/COFINS na importação de peças máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris após o início das operações; (iii) foi negado provimento ao Recurso em relação à incidência de juros sobre a multa. Questões Preliminares Das Nulidades Alegadas 16. A Recorrente afirma que a decisão recorrida teria se distanciado da busca pela verdade material ao negar o pedido de diligência capaz de demonstrar a improcedência das glosas. Suscita que a autoridade fiscal fundamentou as glosas utilizando única e exclusivamente da leitura dos contratos firmados pela Recorrente e sua cliente, a Esso Exploração Santos Brasileira Ltda., sem produzir qualquer prova e sem trazer evidências sobre a autuação. 17. Aponta como segunda nulidade da decisão recorrida o preterimento de seu direito de defesa. Segundo a Recorrente, o acórdão da DRJ teria refutado os argumentos jurídicos trazidos na impugnação sem a devida fundamentação. 18. Afirma que a decisão recorrida deve ser anulada para que outra seja proferida, com a devida fundamentação, tendo em vista que o acórdão deixou de se pronunciar sobre as relevantes violações aos princípios da prevalência da substância sobre a forma, do formalismo moderado, da verdade material e, principalmente, acerca dos motivos de fato e de direito que o levaram a indeferir todos os pedidos de diligência e quesitos formulados. Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 10 9 19. De fato, ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. 20. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10 e 59, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” “ Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 21. No presente caso, a DRJ se pronunciou sobre o pedido de diligência e perícia da seguinte forma: “Em relação à nulidade aventada no item I da defesa, quando o impugnante alega afronta à verdade material, pois a autoridade lançadora deveria ter realizado diligências e/ou solicitar evidências de modo a aprofundarse na verificação do preenchimento dos requisitos exigidos pela legislação e nunca criar a ficção de que tais custos e despesas não seriam afetos à atividade da impugnante, tratase de defesa que se refere ao próprio mérito da controvérsia, isso quando se consegue apreciar a imputação a partir da mera descrição abstrata das provas e do relatório de encerramento da ação fiscal. Fl. 3944DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 11 10 No caso destes autos, atentese, há largo esteio probatório, com contratos, notas fiscais, contabilidade do fiscalizado, tendo a autoridade fiscal apontado as infrações que entendeu pertinente, ou seja, conseguese, prefacialmente, apreender as imputações das infrações fiscais em desfavor do contribuinte, como se viu no relatório deste voto. Seria uma questão preliminar se a insuficiência probatória fosse evidente, sem qualquer dúvida, o que não pode ser aplicado ao caso destes autos, pois a autoridade fiscal, repisese, colacionou os contratos de afretamento e de prestação de serviço, contabilidade do fiscalizado, notas fiscais, termos de intimação, respostas do fiscalizado, tudo com o intuito de destacar as pretensas infrações. Não sendo evidente a insuficiência probatória, inviável reconhecer a violação à busca da verdade material, como pugnado pelo impugnante”. 22. Da leitura do acórdão da DRJ, evidencio que as alegações apresentadas foram devidamente consideradas. Ademais, não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois a DRJ foi capaz de fundamentar seu entendimento pela não realização de diligência, bem como para glosar as despesas aqui em análise. 23. Vejam que, a ora Recorrente não pode confundir sua discordância e/ou inconformismo advindo da lavratura do auto de infração com o efetivo cerceamento do seu direito de defesa. 24. No curso do presente PAF, não foram criados impedimentos ou limitações ao contraditório efetivo e inexistem obscuridades nos fundamentos de fato e de direito que embasaram o lançamento ou a apuração do crédito tributário. 25. As questões atinentes à valoração da prova por parte da autoridade fiscal, pertencem ao campo de análise de mérito e revisão do lançamento, e não implicam em nulidade, ao teor do artigo 601, Decreto nº 70.235/72. 26. A contribuinte notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta e não teve seu direito de defesa cerceado. Considero que a constituição do crédito tributário foi feita de maneira correta, razão pela qual afasto a caracterização de nulidade. 27. No mais, em linha com o entendimento da r. DRJ, considero que o processo está apto para julgamento e não demanda a realização de diligência. Questões de Mérito I. Custos com Importação e Frete Embarcação West Polaris 28. A autoridade fiscal procedeu à glosa de custos incorridos pela Recorrente com os impostos pagos na importação de equipamentos, partes e peças necessárias à 1 " Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 12 11 manutenção preventiva da embarcação West Polaris, bem como do pagamento do frete para o transporte de tais equipamentos, partes e peças para bordo da embarcação. 29. A autoridade fiscal considerou que os referidos custos estavam vinculados ao contrato de afretamento (nº A2114989) da embarcação West Polaris, firmado entre a empresas Esso e a sociedade Seadrill Offshore AS, figurando a Recorrente como parte interveniente. Segundo o entendimento da fiscalização, a sociedade estrangeira, proprietária da embarcação, seria responsável pelos já citados custos, pois teria que entregar a unidade de perfuração com todos os equipamentos, máquinas, ferramentas, materiais, a fim de que a unidade se mantivesse operacional. 30. Caberia à proprietária da embarcação a manutenção da conformidade estrutural da embarcação e, indo além, as despesas dos tributos aduaneiros seriam reembolsados pela Esso. Tendo isso em vista, a inércia do contribuinte em proceder aos meios para evitar esse custo ou mesmo obter o seu reembolso, não caracterizaria a necessidade dele, ressaltando que o ônus do custo seria da proprietária da sonda (Seadrill Offshore) ou da Esso. 31. Ademais, o contribuinte não teria adquirido nenhum dos bens incorporados à sonda, que não constam em seu ativo imobilizado ou estoque, que vieram sem cobertura cambial, com fretes e seguros pagos. 32. A DRJ proferiu o seguinte entendimento sobre essa parcela da autuação: “Se efetivamente a aquisição dos bens fosse de responsabilidade do impugnante, todas as despesas e custos (dos bens e incidentes na importação deles) deveriam figurar em contas de resultado do fiscalizado. Ocorre que os bens foram importados sem cobertura cambial, uma vez que não haveria pagamento à sociedade estrangeira, tendo o contribuinte impugnante apenas contabilizado os impostos incidentes sobre tais importações. Ademais, como afirmado pela autoridade lançadora, sequer tais bens constaram no ativo imobilizado, muito menos em contas de estoques. Ora, se o contribuinte importa bens (máquinas, equipamentos, acessórios etc.) para fazer frente a um contrato de prestação de serviço, não se compreende como tais bens, pelo seu preço de aquisição, não figurassem na contabilidade do adquirente, nem muito menos fossem ativados em contas do imobilizado ou eventualmente de estoque. A mesma estranheza avulta quando se vê que o contribuinte somente contabilizou em conta de despesa os tributos incidentes na importação de tais bens, quando poderia a impugnante ou a sociedade estrangeira solicitar o reembolso à empresa Esso (item 10.7 de ambos os contratos), não tendo assim procedido. A única explicação para a situação acima é chancelar a imputação feita pela autoridade fiscal, que entendeu que tais bens estavam sendo incorporados à sonda West Polaris, de propriedade da sociedade norueguesa já discriminada. Vejase, no contrato de afretamento (Anexo C – Seção I – Especificações Técnicas fls. 3.024 e seguintes), com o impugnante como interveniente, que sequer há menção a este último no caderno de Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 13 12 responsabilidade, tudo sendo ônus da sociedade estrangeira ou da Esso, ou seja, não parece plausível que o contribuinte pudesse simplesmente lançar como despesas impostos incidentes na importação, quando se vê que era ônus da sociedade estrangeira tais encargos, passíveis, até, de reembolso por parte da Esso. Já quanto à alegação de que diversos itens importados glosados sequer se referiam à sonda afretada, devese observar que os itens glosados estão todos vinculados à operação do naviosonda West Polaris, como se vê nas fls. 2012 a 2018 (R$ 433.441,39 em outubro de 2008; R$ 1.095.688,62 em novembro de 2008) e fls. 2.032 a 2.034 (R$ 1.722.385,67 em dezembro de 2008), valores idênticos aos imputados ao fiscalizado. Assim, neste ponto, sem razão o impugnante. Indo além, devese manter a glosa dos fretes correspondentes aos transportes dos bens importados do porto/aeroporto até a unidade de perfuração, pois tais despesas eram de responsabilidades da proprietária da sonda, na forma da letra “n” da cláusula 21.0 do contrato de afretamento”. 33. A Recorrente, por sua vez, alega que as autoridades administrativas não consideraram várias questões, já levantadas no curso do procedimento fiscal e em sede de Impugnação, acerca da legislação e do modelo de contratação aqui em análise. 34. Novamente, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente descreve o modus operandi das contratações, que foram objeto do presente processo, bem como a legislação pertinente, da seguinte forma: “Por se tratar de serviços offshore, em águas jurisdicionais brasileiras, os serviços prestados pela Recorrente a seus clientes – tal como a Esso são invariavelmente executados a bordo da embarcação de propriedade de terceiros domiciliados no exterior, pertencentes ou não ao grupo econômico da Recorrente. Essas embarcações seriam afretadas diretamente pelas concessionárias, como a Esso, através de contratos de afretamento celebrados com empresas domiciliadas no exterior. Em paralelo, tais concessionárias contratam empresas domiciliadas no País – tal como a Recorrente para a realização dos serviços de perfuração a serem executados de acordo com as premissas e orientações previstas no programa de perfuração definido pela própria concessionária. Dessa maneira, o modelo de contratação adotado pelas concessionárias no País é o de contratação bipartida, que consiste na celebração de dois contratos/negócios jurídicos distintos, com pessoas jurídicas distintas cada qual responsável por acobertar diferentes obrigações, como de rigor. Esse modelo de contratação decorre da própria legislação do REPETRO – Regime Especial de Exportação e de Importação de Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 14 13 bens Destinados às Atividades de Exploração e Produção de Petróleo e Gás , que, não apenas prevê, como estimula, a possibilidade e a legitimidade de as concessionárias contrataram diretamente, no exterior, as embarcações necessárias de exploração e produção de petróleo e gás no País e, em paralelo, contratem a prestação de serviços de perfuração localmente, para que possam usufruir dos benefícios concedidos pelo Regime de Admissão Temporária, ex vi das Instruções Normativas nºs 844/08 e 1.415/2013: (...) Como visto, para usufruírem dos benefícios da importação das embarcações sob Admissão Temporária no REPETRO, as concessionárias, sem cobertura cambial, fazendoo através dos contratos de afretamento”. 35. Segundo a Recorrente, a legislação do REPETRO permite que a empresa contratada pela concessionária para a prestação dos serviços de perfuração, tal como a própria empresa autuada, habilitese ao referido Regime Especial, de modo que também possa promover a importação temporária de máquinas, aparelhos, instrumentos, ferramentas e demais peças destinados a garantir a operacionalidade dos bens admitidos no REPETRO. 36. Para a contribuinte, a decisão recorrida teria se equivocado, eis que, embora as partes, peças, ferramentas e equipamentos destinados à manutenção, reparo, e operação da embarcação no país fossem de propriedade da empresa norueguesa Seadrill Offshore AS, a responsabilidade da importação destes bens (e consequentemente, dos custos inerentes à importação) é atribuída à Recorrente, justamente como condição para os equipamentos serem importados temporariamente sob o Regime de Admissão Temporária. 37. A Recorrente afirma ainda que, a fiscalização promoveu a glosa de itens que nem sequer se relacionam com o afretamento da embarcação celebrado entre a Esso e a Seadrill Offshore AS, mas sim se relacionam ao serviço de perfuração de poços de petróleo e gás, e que, portanto, são intrinsecamente relacionados à atividade da Recorrente. Para materializar tal argumento, apresenta a relação desses bens com a respectiva aplicabilidade (fls. 3854/3858). 38. Sobre os valores pagos a título de frete, a Recorrente destaca o fato de haver cláusula específica no contrato, firmado entre ela e a empresa Esso, atribuindo à Recorrente a obrigação de transporte de equipamentos necessários para o serviço a bordo da embarcação e que tais custos deverão ser integralmente arcados pela Recorrente: “2.6 TRANSPORTE E MANUSEIO DE PEÇAS SOBRESSALENTES E EQUIPAMENTOS DO CONTRATO Às suas próprias expensas, a CONTRATADA transportará qualquer peça sobressalente ou pela de reparo ou outros EQUIPAMENTOS DO CONTRATO necessários para os serviços do contrato até a Base Operacional da CONTRATANTE especificada no Anexo A, com a devida rapidez necessárias dadas as circunstâncias. Compete à CONTRATADA, como parte dos SERVÇOS DO CONTRATO E CONFORME ESTABELECIDO NO Artigo 2.3, assegurar que as peças estejam a bordo para garantir a continuidade das operações. (...) a CONTRATADA adotará a forma mais rápida de transporte para Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 15 14 entregar as peças de reparo necessárias ou outros EQUIPAMENTOS DO CONTRATO. Esses métodos, tais como transporte aéreo, barcos especiais ou helicópteros, utilizados somente para o transporte de peças sobressalentes até a área da sonda serão arcados pela CONTRATADA” 39. A partir de tais circunstâncias fáticas, verifico que as autoridades fiscais não compreenderam a dinâmica operacional e relacional envolvendo a ora Recorrente, a Seadrill Offshore e a Esso. 40. Inicialmente, cumpre consignar que as regras gerais que condicionam a dedutibilidade de determinada despesa estão previstas no artigo 47 da Lei 4.506/642, base legal do artigo 299 do RIR/99. De acordo com esses dispositivos, somente serão dedutíveis as despesas consideradas necessárias, usuais e normais à manutenção da atividade econômica da pessoa jurídica. 41. Com caráter regulamentador, o Parecer Normativo nº 32/81, da Coordenação do Sistema de Tributação (“PN CST 32/81”), esclarece que despesa necessária é aquela essencial às transações exigidas para a exploração das atividades principais ou acessórias da sociedade, que estejam vinculadas à continuidade da fonte produtora dos rendimentos. Por sua vez, despesa normal seria aquela cujo valor se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma costumeira ou ordinária. Por fim, despesa usual seria aquela habitual para o tipo de negócio de que se trata. 42. Não há duvidas de que a legislação combinada com o próprio Parecer Normativo nº 32/81 contemplam as circunstância fáticas aqui em pauta. 43. Em análise do objeto social da ora Recorrente verifico claramente que consta do contrato social as seguintes atividades: "a) serviços de operação de sondas de perfuração de poços de petróleo e gás natural, bem como de outros equipamentos e sistemas submarinos e terrestres relacionados à atividade petrolífera; b) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista, incluindose sociedade em conta de participação; e c) a comercialização, importação e exportação de equipamentos e produtos industrializados relacionados à atividade petrolífera". Logo, não há dúvidas de que tais custos/despesas são inerentes ao exercício da atividade empresarial da contribuinte. 44. No mais, conforme alegado pela Recorrente e confirmado pelas doutas autoridades fiscais, em vista do documentação fiscal e contábil anexa aos autos, não houve reembolso dessas despesas por parte da Seadrill Offshore e, portanto, tenho essa questão como incontroversa. 45. Relativamente às questões contratuais, principal elemento que motivou as autoridades fiscais e julgadoras a manterem a glosa em tela, cumpre trazer algumas ponderações aptas a desconstruir tais premissas. 2 “Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa”. Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 16 15 46. Diferente do que entendeu a decisão recorrida, dentre as disposições contidas no Contrato de Prestação de Serviços celebrado entre a Recorrente e a Esso, cabia a Recorrente, nos termos da Clausula 2.3 da Avença, a realização dos serviços de manutenção e reparo dos equipamentos a bordo da embarcação e da própria embarcação, necessários a execução dos serviços de perfuração. Confirase: "2.3 MANUTENÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DO CONTRATO Compete a CONTRATADA garantir que os EQUIPAMENTOS DO CONTRATO sejam mantidos de forma adequada. A CONTRATADA também será responsável por toda a manutenção, reparos e peças sobressalentes para os EQUIPAMENTOS DO CONTRATO. Às suas próprias expensas, a CONTRATADA gerenciara um sistema para o fornecimento, armazenamento e manutenção de um estoque prontamente disponível de pelas de reparo e manutenção e suprimentos operacionais suficientes para a operação contínua normal dos EQUIPAMENTOS DO CONTRATO durante o Prazo Especificado, de acordo com boas práticas de campos de petróleo." (Contrato de Prestação de Serviços de Perfuração trechos da tradução juramentada)" 47. No mais, o próprio Contrato de Afretamento tem previsão expressa de que a proprietária estrangeira da embarcação poderá contatar serviços de terceiros para administrar e operar a embarcação, tal como segue: "1.1 AFRETAMENTO (..) A Sociedade pode utilizar serviços de terceiros para administrar e operar a Unidade de Perfuração e os equipamentos associados, serviços esses que serão denominados "Serviços de Perfuração, e que não são parte deste Contrato" (Contrato de Afretamento trechos da tradução juramentada)" 48. Mesmo diante de tais esclarecimentos de ordem prática, o r. acórdão recorrido entendeu que tais bens estavam sendo incorporados à sonda West Polaris, de propriedade da sociedade norueguesa e que, por este motivo, "não parece plausível que o contribuinte pudesse simplesmente lançar como despesas impostos incidentes na importação, quando se vê que era ônus da sociedade estrangeira tais encargos". 49. De fato, é incontroverso serem tais partes, peças, ferramentas e equipamentos destinados à manutenção, reparo e operação da embarcação no país, de propriedade da Seadrill AS (condição, como já dito, para serem importados temporariamente sob Regime de Admissão Temporária), mas isso não significa que a obrigação de importação desses bens e os custos inerentes não possam ser atribuídos à Recorrente, tanto pela legislação do REPETRO, quanto pelos contratos de prestação de serviços e de afretamento. Frisese que, no contrato de afretamento a Recorrente figura como interveniente. 50. Diante da subcontratação, após a West Polaris ter sido entregue à Esso, com todos os equipamentos, peças e sobressalentes exigidos pelo contrato de afretamento, a Recorrente, e não a Seadrill AS ou a Esso, passou a ser responsável pelo Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 17 16 fornecimento de quaisquer partes e peças necessárias à manutenção da embarcação e dos serviços de perfuração. 51. Conforme esclarecido pela ora Recorrente, dentre as obrigações mínimas do fretador (proprietário da embarcação) no contexto de um contrato de afretamento a casco nu, esta a de prestar "garantia por vícios ocultos que afetem o casco, as máquinas ou outros equipamentos do navio. Bem assim problemas fortuitos ou decorrentes de desgaste natural, os quais correm por conta do fretador, a quem incumbe proceder os reparos necessários"3. 52. Em se tratando de contrato de afretamento a caso nu, tal manutenção cabe ao Afretador quem recebe a embarcação em afretamento e/ou seus subcontratatos. 53. Esta relatoria, por conseguinte, está convencida de que, independentemente da origem do fornecimento de tais equipamentos, sendo ela à cargo de terceiros ou da Seadrill AS (proprietária da embarcação), a ora Recorrente, em termos fáticos, suportou os custos de importação (questão incontroversa). É certo que, a obrigação contratual de importação destes equipamentos, partes e peças necessárias às atividades de operação e manutenção da West Polaris, no decorrer da execução do contrato de Afretamento, passou a ser de responsabilidade da Recorrente e isso está previsto no contrato. 54. No mais, considero que não há nada de errado no fato de a Recorrente não ter ativado a embarcação importada em sua contabilidade. Em se tratando de embarcação importada a título precário, em regime de admissão temporária, incorreto seria se a contribuinte tivesse a ativado em seus registros, pois não é proprietária da embarcação. 55. Somado a isso, evidencio que a autoridade fiscal glosou itens/custos claramente relacionados aos serviços de perfuração. As doutas autoridades fiscais e julgadoras não se atentaram as provas juntadas aos autos, tampouco as especificidades da operação aqui em análise. 56. Com relação ao frete, em vista do racional aqui apresentado juntamente com o fato de haver cláusula contratual específica no acordo firmado entre ela e a empresa Esso, onde consta que tais custos deverão ser integralmente arcados pela Recorrente, também considero indevida a glosa de despesas respectiva. 57. Esta relatoria não pode permitir que eventuais detalhes formais, constantes de contratos padrão e meras presunções, sejam condição sine qua non para manutenção da glosa de despesas. 58. Na substância, a ora Recorrente é sim responsável por tais custos/despesas; não há dúvidas de que os encargos foram por elas suportados e não houve reembolso; e, de acordo com seu próprio contrato social e o contrato de prestação de serviços, tais dispêndios são essenciais para o exercício da sua atividade empresarial e, portanto, dedutíveis, nos termos do artigo 299, do RIR/99. 3 Em CARBONE, Arthur R. e GALANTE, Luís Felipe. O Afretamento a Casco Nu de Embarcações. In Revista de Direito Privado nº 8. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 15. Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 18 17 59. Por fim, interessante que, a 3ª Seção deste E. CARF, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito de PIS/COFINS na importação de peças máquinas e equipamentos necessários à manutenção e operação da embarcação West Polaris. 60. Diante das circunstâncias fáticas e jurídicas apresentadas, tais glosas devem ser afastadas. II. Despesas e Custos Indedutíveis – embarcações West Eminence e West Taurus 61. Além das glosas tratadas no tópico anterior, a fiscalização autuou a Recorrente no que tange custos e despesas relacionados às embarcações West Eminence e West Taurus. 62. A douta autoridade fiscal fundamentou esse tópico da seguinte forma: “Examinados os documentos de suporte aos lançamentos nas contas 3.1.03.01.08 SERVIÇOS PRESTADOS NA PLATAFORMA e 3.2.06.09 SERV PRESTADOS – P. JURÍDICAS, constatamos a ocorrência de diversas notas fiscais relacionadas às plataformas ainda não operantes WEST TAURUS E WEST EMINECE, nos valores de R$ 4.388.565,94 e R$ 2.777.722,57, respectivamente às contas; Tais plataformas não estavam em operação em 2008, não estando, portanto, a serviço da ESSO; Os valores lançados na conta 3.1.03.01.08 foram considerados pelo Contribuinte como custos e levados integralmente à conta de RESULTADO. Os da conta 3.2.06.09 foram consideradas despesas operacionais e, da mesma forma, integralmente apropriados ao RESULTADO; De toda forma, tais GASTOS, desatrelados de quaisquer receitas de serviços, não podem ser considerados deduções da receita de serviços desvinculada (ESSO), para fins de apuração dos impostos, representando, portanto, mais uma infração”. 63. Em síntese, a autoridade autuante e a DRJ, entenderam que os custos e despesas vinculados às embarcações West Eminence e West Taurus em 2008, estariam desatrelados de quaisquer receitas de serviços, pois tais embarcações não estavam em operação no referido ano. 64. O acórdão recorrido, especificamente, expressa o entendimento de que, se a realização de receitas futuras era certa, com vinculação estrita das despesas glosadas às sondas West Eminence e West Taurus, a contribuinte não poderia ter lançado os gastos preparatórios com as sondas em conta de resultado em 2008, pois eles não geraram quaisquer receitas em 2008, mas somente a partir de 2009. 65. A Recorrente, por sua vez, afirma que tais gastos ocorreram de fato no ano de 2008, razão pela qual não poderiam estar atrelados “a realização de receitas futuras”, a ensejar o lançamento de tais despesas como ativo diferido, como entendeu o acórdão da DRJ. Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 19 18 66. Da leitura da decisão recorrida, evidencio que é incontroverso o fato de tais custos e despesas terem natureza operacional dispêndios incorridos pela Recorrente, no final do exercício de 2008, para o comissionamento e a preparação das embarcações West Eminence e West Tauros. 67. A controvérsia, portanto, está relacionada com o aspecto temporal. A r. DRJ considera que o aproveitamento destes custos e despesas deveria ter sido diferido pela Recorrente, lançandoos em conta de resultado apenas a partir da assinatura do contrato com a Petrobras (a partir do ano de 2009), ocasião em que a operações das duas embarcações tiveram início passaram a gerar receitas. Confirase o seguinte trecho do voto condutor na DRJ: No caso destes autos, ficou absolutamente claro que as despesas glosadas que se referiam aos atos preparatórios nas sondas West Eminence e West Taurus, no último trimestre de 2008, deveriam ter sido ativadas, diferidas, pois não iriam gerar receitas no ano de 2008, mas em exercícios subseqüentes. E disso tinha absoluta ciência o fiscalizado, pois vinha com tratativas com a Petrobrás no curso de 2008 e somente assinou os contratos geradores de receitas em 12/01/2009. As sondas não estavam operacionais em 2008, porém o contribuinte tinha elevado grau de segurança de realização de receitas futuras com elas, pois, caso contrário, não teria as importado, com assunção de expressivos gastos de comissionamento e preparação dos equipamentos em 2008. E tanto assim o é que o próprio impugnante asseverou que em novembro e dezembro de 2008 as negociações para utilização das sondas “já era mais do que certeira, haja vista o avançado estágio das firmes negociações entre a Impugnante e a Petrobrás, tal como fazem prova a correspondência firmada pela Petrobrás em 14/04/2008 – doc. 08)”. Ora, se a realização de receitas futuras era certa, com vinculação estrita das despesas glosadas às sondas West Eminence e West Taurus, jamais o contribuinte poderia ter lançado os gastos preparatórios com as sondas em conta de resultado em 2008, pois eles não geraram quaisquer receitas em 2008, mas somente a partir de 2009, quando, aí, poderseia amortizar as despesas diferidas de 2008. Tratase de típico dispêndio com operação não iniciada, com alto grau de certeza da realização de receitas futuras, com relação direta, identificada e documentada, das despesas às receitas a serem obtidas em períodos subseqüentes, sendo de rigor diferilo, não podendo o contribuinte lançálo em conta de resultado no anocalendário 2008, quando o centro gerador de receita (contrato de prestação de serviço para operação das sondas West Eminence e West Taurus) ainda não estava em operação. 68. Data máxima vênia, considero que tal posicionamento está desconectado da realidade operacional em análise. É no mínimo razoável que, antes da efetiva utilização das embarcações contratadas, tenham lugar atos preparatórios como o comissionamento dos equipamentos de bordo para o início das atividades de perfuração e a realização de testes programados, a fim de verificar se as embarcações estão aptas a operar. Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 20 19 69. No mais, até pela envergadura da atividade, fica difícil, para não dizer impossível, conceber que para tais providências preparatórias a ora Recorrente não teve esses dispêndios em 2008. Nesse sentido, o próprio contrato de serviço firmado com a Petrobras, nos termos da Cláusula 3.9 (“Teste de Equipamento”), traz concretude a real necessidade de preparação prévia das embarcações para os testes programados antes mesmo da assinatura do contrato: “3.9 Teste de Equipamento A CONTRATADA apresentará a unidade à PETROBRAS para ser testada antes do início do PRAZO, sendo este um teste geral das condições operacionais dos equipamentos da UNIDADE, conforme o Anexo VII deste CONTRATO da PETROBRAS. Qualquer deficiência significativa encontrada durante o desempenho dos teste e solução pela CONTRATADA para que sejam obtidas boas condições operacionais serão devidamente anotadas no AO, a ser assinado pelo FISCAL DO CONTRATO da PETROBRAS e pelo representante da CONTRATADA. O PRAZO iniciará imediatamente após serem devidamente comprovadas as boas condições operacionais dos principais sistemas da UNIDADE (...)” 70. Constato que o próprio tópico I do Termo de Constatação enquadra custos com pessoal e com a disponibilização dos equipamentos aos clientes despesas de mobilização como “o primeiro ato da prestação do serviço”. Se a Recorrente tinha que estar em plena atividade no último trimestre de 2008, dada a peculiaridade da própria atividade, os dispêndios decorrentes não podem estar atrelados a realização de receitas futuras. Em outros termos, tais gastos não podem ser enquadrados como despesas préoperacionais e acumulados no ativo diferido até que o contrato seja efetivamente iniciado. 71. Vale citar a definição adotada pelo Manual de Contabilida de da Sociedade por Ações (aplicável às demais sociedades) do FIPECAFI: “Os ativos diferidos caracterizamse por serem ativos que serão amortizados por apropriação às despesas operacionais (ou aos custos), no período de tempo em que estiverem contribuindo para a formação do resultado da empresa. Compreendem despesas incorridas durante o período de desenvolvimento, construção e implantação de projetos, anterior a seu início de operação. (...) 4” (grifos nossos) 72. In casu, considero que a etapa em análise integra a fase operacional propriamente. Vejam que, tais gastos viabilizaram a contratação da Recorrente. Se a contribuinte estivesse em “período de desenvolvimento, construção e implantação” (leiase na fase préoperacional) e não em plena operação, sequer conseguiria firmar o contrato com a Petrobras ser aprovada na fase précontratual de “inspeção” (prova/demonstração efetiva de que tinha condições de atender ao pactuado). 73. Não é porque estamos diante de fase précontratual que o dispêndio pode ser classificado como despesa préoperacional, especialmente diante da peculiaridade do caso concreto. Constato ser equivocado vincular o aspecto temporal da dedutibilidade de tais 4 IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. 7ª Edição. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2008, p. 237. Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 21 20 dispêndios ao marco zero da obrigação contratual as despesas com a preparação e o comissionamento dessas embarcações é condição essencial operacional "pura". 74. Logo, entendo que as despesas incorridas com as embarcações West Taurus e West Eminence são, por força operacional e contratual, inequivocamente necessárias e indispensáveis para que a Recorrente realize os serviços para os quais foi contratada pela Petrobras. Quanto ao aspecto temporal, considero que estas pode ser deduzidas já o último trimestre de 2008. III. Do Reconhecimento das Receitas e da Aplicação da Multa Isolada 75. Conforme relatado, a fiscalização concluiu que a Recorrente teria reconhecido receita sem observar o regime de competência, não observando a origem exata das receitas, no anocalendário de 2008. Tal equívoco teria resultado em apuração do lucro tributável incorreta. 76. A fiscalização fundamentou essa parcela da autuação da seguinte forma: “O Contribuinte optou pela tributação com base no Lucro Real, estando sujeito ao regime de competência, tendo oferecido o seguinte quadro para a apuração do lucro tributável, conforme constante de seus balancetes, do LALUR e da DIPJ: A receita de dezembro está contabilizada envolvendo lançamentos de créditos e débitos com registros dos meses anteriores de outubro e novembro sem impactar as apurações anteriores, a princípio não se justificando; Em se tratando do regime de competência para o reconhecimento das receitas podemos notar que o Contribuinte não observou a origem exata das receitas, haja vista que a constatação da descrição das notas fiscais e das medições dos serviços apresentadas indicam uma distribuição diversa das mesmas: a) em outubro temos receitas de serviços de RS 22.694.975,28, resultado da NFS 001 de R$ 15.982.649.37 (mobilização conforme contrato), com emissão em 21/11 e contabilizada em Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 22 21 novembro, relacionada ao relatório de medição de outubro; da NFS 002 de R$ 6.594.657.01 (medição de 13 de outubro a 31 de outubro) com emissão em 01/12 e contabilizada em dezembro com reversão da provisão contabilizada em outubro; e da NFS 003 de R$ 117.668,90 (medição conforme contrato de 1 a 31 de outubro) com emissão em 01/12 e contabilizada em dezembro com reversão da provisão contabilizada em outubro. Importante salientar que a mobilização é o primeiro ato da prestação do serviço contratado, quer no contrato de afretamento quer no de serviços, representando a colocação de pessoal e da sonda no local da perfuração, se coadunando com a medição apresentada e com respaldo na 1ª NFS emitida, a despeito de não descriminar o período; b) em novembro temos receitas de serviços de R$ 6.090.969,74, resultado das NFS 005 e 006, ambas com descrição dos serviços de 01 a 30 de novembro, relacionadas a relatórios de medições idem, emitidas em 09/01 e 23/01/2009 e contabilizadas em dezembro com valores discretamente diferentes, sendo que a 005 está com histórico de PROVISÃO PROFORMA INVOICE e a 006 faz par com uma reversão de novembro; c) em dezembro temos receitas de R$ 4.390.623,68, resultado das NFS 007 e 008, ambas com descrição dos serviços de 1 a 31 de dezembro, relacionadas a relatórios de medições idem, emitidas em 02/02/2009. contabilizadas em dezembro também com valores discretamente diferentes; O total das receitas dos serviços no ano, assim determinado, se mantém como declarado e escriturado no valor de R$ 33.176.568,70, sendo certo que qualquer ajuste que possa ou deva ser realizado em razão das divergências entre as notas fiscais e seus valores escriturados somente tem lugar em exercício posterior. Assim, o quadro de receitas corrigido, se respeitando o regime de competência, tema seguinte configuração: Nesse sentido, e ainda se considerando uma glosa de custos/despesas no valor acumulado até outubro de R$ 2.516.274,49 (adiante informada), se verifica que em outubro houve na realidade um resultado positivo sujeito ao pagamento do IR e da CSLL pela estimativa, cabendo, pelo seu não recolhimento, a aplicação de multa e juros isolados, de Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 23 22 ofício, representando 50% e 2,12%, respectivamente, dos valores não pagos, sendo essa uma das infrações. 77. Sobre esse tópico, a DRJ afirmou que o procedimento fiscal não implicou em lançamento do tributo em si, pois a infração ocorreu dentro de um mesmo trimestre (4º trimestre de 2008), impactando apenas o eventual não recolhimento de estimativas, com o lançamento de multa isolada. 78. Diferentemente do afirmado pela Recorrente em sede de impugnação, a DRJ concluiu que não há que se falar em ausência de prejuízo ao erário por se tratar de mera postergação dos tributos devidos, pois, eventualmente, postergouse a entrada de dinheiro nos cofres públicos e o dinheiro tem valor no tempo. 79. A Recorrente, por sua vez, alega que a própria autoridade fiscal reconhece que houve apenas postergação dos meses de apropriação das receitas, com igual postergação dos tributos devidos. 80. Afirma ainda que, as estimativas foram recolhidas em sua integralidade, dentro do próprio trimestre em questão e reitera seu argumento no sentido de que não houve prejuízo ao erário, pois o procedimento adotado, ainda que considerado incorreto, poderia, no máximo, ter resultado em postergação de tributo devido (artigo 163, do CTN). 81. De fato, conforme consta do próprio TVF, não se está cobrando tributo em si, mas multa e juros isolados, de ofício, representando 50% e 2,12%, respectivamente, decorrente da manutenção da glosa de custos/despesas no valor acumulado até outubro e do consequente resultado positivo sujeito ao pagamento do IR e da CSLL pela estimativa. 82. Contudo, em vista do delineado no itens anteriores e por considerar que as glosas de despesas não merecem ser mantidas, a exigência em questão resta prejudicada. Logo, não há que se falar na imposição das multas e juros aqui suscitados. Tributação Reflexa: CSLL Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 12448.727645/201265 Acórdão n.º 1201002.888 S1C2T1 Fl. 24 23 83. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Tal medida coaduna com a jurisprudência desse E. CARF. Conclusão 84. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO interposto e, no mérito, DARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 3958DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902608/2015-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 26 08 /2 01 5- 51 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.902608/201551 Acórdão n.º 3301005.884 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02072.945, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.902608/201551 Acórdão n.º 3301005.884 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.902608/201551 Acórdão n.º 3301005.884 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.902608/201551 Acórdão n.º 3301005.884 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.667941/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2002
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 79 41 /2 01 1- 84 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10880.667941/201184 Acórdão n.º 3402006.406 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS cumulativo relativo a recolhimento a maior, que restou indeferido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de inconformidade, julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ nº 14052.643. Intimado desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a necessidade de se reconhecer o crédito decorrente de pagamento indevido valores de COFINS não incluídas no conceito de receita; e (ii) a não incidência de PIS/COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, por não configurarem receita. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.396, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.667929/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.396): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. De pronto, vale consignar que, em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10880.667941/201184 Acórdão n.º 3402006.406 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que o contribuinte alegou que a origem do crédito decorreria de equívoco cometido no pagamento de processo de parcelamento n.º 10880.014298/200110, no qual teria apurado e recolhido a COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, valores que não correspondem à Receita. Contudo, para demonstrar a existência do seu crédito, a Recorrente não acostou ao seu Recurso Voluntário qualquer documento que poderia respaldar o seu crédito. Com efeito, não constam dos autos sequer a cópia do pedido de parcelamento referenciado na defesa, a planilha com a composição das bases de cálculo que respaldariam o valor do crédito ou mesmo quaisquer documentos fiscais ou contábeis suscetíveis à respaldar o crédito pleiteado. E aqui frisese que a Recorrente pretende a restituição integral do valor recolhido na guia DARF sob a alegação de pagamento indevido da COFINS de forma parcial, vez que recolhido com base no conceito de receita inconstitucionalmente alargado. Contudo, não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de comprovar a origem do parcelamento, quais os valores que teriam sido pagos naquele processo que estariam corretos e quais os valores que teriam sido indevidamente recolhidos a maior naquele processo. 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10880.667941/201184 Acórdão n.º 3402006.406 S3C4T2 Fl. 5 4 A impossibilidade de verificação da validade do crédito por ausência de respaldo probatório foi indicada na r. decisão recorrida, sendo que a empresa permaneceu trazendo alegações de mérito gerais e sem substrato probatório em seu Recurso Voluntário: "Mesmo que se concorde com o argumento da recorrente, quanto ao entendimento do STF sobre a ampliação da base de cálculo, a verdade é que qualquer juízo de valor, no caso, dependeria da apresentação de provas. Esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse. No presente, a interessada não apresentou qualquer documentação que lastreasse seu pedido, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º." (efl. 29 grifei) Assim, considerando que não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de evidenciar, nem mesmo de forma indiciária, o direito creditório apontado pelo sujeito, não é possível confirmar a validade das alegações trazidas pela Recorrente. Ainda que se coadune com as alegações de direito genericamente trazidas em sua peça de defesa, a empresa deixou de juntar aos autos elementos de prova da existência do direito. Com isso, face a ausência de provas, deve ser mantida a conclusão alcançada pela decisão de primeira instância no sentido da inexistência de qualquer direito creditório na hipótese. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10880.667941/201184 Acórdão n.º 3402006.406 S3C4T2 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.907145/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.103
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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RELATÓRIO Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP, de crédito de contribuições que teria sido recolhido a maior, com débito(s) da própria interessada. A unidade de jurisdição não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, na qual alega que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 07 14 5/ 20 09 -4 9 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10735.907145/200949 Resolução nº 3302001.103 S3C3T2 Fl. 3 2 Na base de cálculo do valor originalmente apurado estavam incluídos os valores relativos às comissões das vendas diretas realizadas pela Volkswagen do Brasil; Nas vendas diretas feitas pela Volkswagen do Brasil diretamente ao comprador, o Concessionário, no caso a TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S.A., recebe uma comissão por ser intermediário na operação de venda; Tratase de uma "prestação de serviços", na qual é exigida a emissão de Nota Fiscal de Serviços. Tal receita é contabilizada como "receita operacional por venda de serviços". Nesta condição, como a comissão é inferior a 9% (nove por cento), para efeito de PIS e COFINS, a tributação se dá pela alíquota zero; A fundamentação legal é a Lei n° 10.485 de 03.07.2002 (D.O.U.: 04.07.2002); Constatada a diferença na determinação da base de cálculo, foi apresentada DACON retificadora. Cabe ressaltar que não foi possível fazer a retificação da DCTF, porque o programa acusava erro quando era informado um valor diferente de débito para um pagamento a maior. Face ao exposto, a Impugnante apresenta seu pedido para que essa Delegacia de Julgamento reconheça seu direito ao crédito e declare homologada a compensação declarada. A 17ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa é parcialmente transcrita a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual reproduz os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e solicita a possibilidade de juntada de novos documentos no prazo de 60 dias. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. Posteriormente, dentro do prazo requerido, apresentou os documentos: que solicita sejam analisados. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10735.907145/200949 Resolução nº 3302001.103 S3C3T2 Fl. 4 3 É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.089, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903534/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.089): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido do(a) Cofins em ago/05, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório, apenas solicitou o prazo de 60 dias para apresentar os documentos. Dentro dos 60 dias solicitados no recurso voluntário, o recorrente apresentou petição requisitando a análise dos seguintes documentos: termo de abertura e encerramento do livro 00007, folhas 32/134 do balancete analítico do período 09/2005e o comprovante de recolhimento no valor de R$ 9.278,00. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10735.907145/200949 Resolução nº 3302001.103 S3C3T2 Fl. 5 4 todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Acontece que nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, o recorrente apresentou documentos que comprovassem as questões de direito por ele alagadas que embasariam seu indébito tributário. Posteriormente, conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Ocorre que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.907145/200949 Resolução nº 3302001.103 S3C3T2 Fl. 6 5 indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13897.001584/2002-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Súmula STJ nº 494.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
Numero da decisão: 3401-006.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito referente a aquisições de pessoas físicas, em função do REsp nº 993.164/MG.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Súmula STJ nº 494. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
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AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Súmula STJ nº 494. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o crédito referente a aquisições de pessoas físicas, em função do REsp nº 993.164/MG. Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 15 84 /2 00 2- 13 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13897.001584/200213 Acórdão n.º 3401006.140 S3C4T1 Fl. 186 2 (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase o presente processo de declaração de compensação com ressarcimento de crédito presumido de IPI apreciado pela Delegacia da RFB, relativo ao período de apuração de 01/01/2000 a 31/03/2000. O pleito de ressarcimento dos créditos foi formalizado nos processos 13897.00127410371; 13897.00158410213; 13897.001585/0250, 13897.00167210215; 13897.00167310251. Em procedimento de fiscalização foram glosados os créditos presumidos relativos aos pagamentos de energia elétrica e aquisições efetuadas de produtores rurais/pessoa físicas, por entender que não havia previsão legal, fls. 48 e sgs. E por consequência foi deferido parcialmente o pleito de ressarcimento/compensação. Regularmente cientificada a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade, fls. 67 e sgs, que foi julgado pela DRJ Ribeirão Preto SP, acórdão nº 14 13.465, em 25/08/2006, por unanimidade de votos, fls. 98 e sgs.: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes ps aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13897.001584/200213 Acórdão n.º 3401006.140 S3C4T1 Fl. 187 3 integram i cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de , embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Intimada em 14/11/2006, a empresa apresenta Recurso Voluntário em 13/12/2006, nos seguintes termos: 1) legitimidade das aquisições de pessoas físicas, conforme art. 1º da Lei nº 9.363/96 e ilegalidade das INs SRF nº 23/97 e 103/97. Cita jurisprudência do 2ºCC; 2) direito ao crédito relativo à energia elétrica e combustíveis. Deve ser utilizado o RIPI subsidiariamente. Em 12/09/2018 a empresa encaminha pedido de prioridade para distribuição e inclusão em pauta de julgamento por ter decorrido mais de onze anos desde o ingresso do processo no CARF, e agrega esclarecimento sobre a matéria estar pacificada pelo julgamento do Recurso Repetitivo STJ nº 993.164/MG: 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade"da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS O processo foi sorteado a essa Relatora após saída do CARF dos relatores antes designados. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. A demanda cingese a discutir o crédito presumido de IPI relativo às aquisições de pessoas físicas e ao crédito relativo à energia elétrica. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13897.001584/200213 Acórdão n.º 3401006.140 S3C4T1 Fl. 188 4 Quanto a inclusão de aquisições de não contribuintes de PIS e Cofins, como pessoas físicas, no cálculo do crédito presumido do IPI, essa foi reconhecida pelo STJ no REsp nº 993.164/MG, pela sistemática de Recursos Repetitivos. Inclusive, o julgamento do STJ, acima citado, foi precedente para edição da Súmula STJ nº 494, na qual a sua redação não deixa margem a qualquer dúvida: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. E por força do art. 62, § 2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o entendimento do STJ para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido do IPI com relação às pessoas físicas. Quanto ao crédito relativo à energia elétrica, embora conhecido o recurso nesta matéria, há que se negar provimento a ele em face da aplicação da Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. De forma, que nego provimento ao recurso voluntário do contribuinte em relação a esta matéria. Pelo exposto voto por conhecer o recurso voluntário e no mérito dar parcial provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.721321/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão.
Numero da decisão: 2401-006.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 13 21 /2 01 1- 71 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10735.721321/201171 Acórdão n.º 2401006.176 S2C4T1 Fl. 74 2 A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 38/41). Pois bem. Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2009 do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 31/34. Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido Descrição Valores em Reais 1) Total de Rendimentos Tributáveis Declarados 37.636,11 2) Omissão de Rendimentos Apurada 205.000,00 3) Total das Deduções Declaradas 12.875,46 4) Glosa de Deduções Indevidas 0,00 5) Previdência Oficial Sobre Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+45) 229.760,65 7) Imposto apurado após Alterações (Calculado Pela Tabela Progressiva Anual) 56.598,24 8) Contrib. Prev. a Emp. Doméstico Declarado 651,40 9) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 10) Glosa de Dedução de Incentivo 0,00 11) Total de Imposto Pago Declarado 1.743,24 12) Glosa de Imposto Pago 0,00 13) IRRF sobre Infração ou Carne Leão Pago 30.750,00 14) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (789+1011+1213) 23.453,60 15) Imposto a Restituir Declarado 1.151,61 16) Imposto já Restituído 0,00 17) Imposto Suplementar 23.453,60 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 205.000,00, compensado o Imposto de Renda Retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 30.750,00. Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 01, e dos documentos de fls. 07/32, alegando, em síntese, que: (a) Houve erro na classificação dos rendimentos como não tributáveis; (b) Chegou a fazer uma primeira declaração indicando os rendimentos como tributáveis e, depois, fez uma retificadora classificandoos como rendimentos sujeitos a tributação exclusiva/definitiva; (c) Na primeira declaração recolheu a primeira parcela em 30.04.2009, no valor de R$ 2.931,70. (d) Requer, diante do exposto, a desoneração do pagamento de multa, o parcelamento do débito conforme normas da Receita Federal e o abatimento do valor de R$ 2.931,70 do credito tributário apurado. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10735.721321/201171 Acórdão n.º 2401006.176 S2C4T1 Fl. 75 3 Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1663.234 (fls. 38/41), de 18/11/2014, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. São tributáveis os rendimentos pagos ao contribuinte, informados em Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF) pela fonte pagadora, e por ele omitidos na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva. 2. O Impugnante concorda com o lançamento, no entanto, pugna pela desoneração da multa aplicada. 3. Devese destacar que não há previsão legal de relevação da multa de ofício. O percentual de 75% foi aplicado em consonância com o inciso I, do art. 44, da Lei 9.430, de 1996. 4. Ou seja, a multa de ofício com percentual de 75%, aplicada em face de infração às regras instituídas pelo direito fiscal, possui a devida previsão legal e, aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência. 5. Em relação à solicitação de parcelamento do débito conforme normas da Receita Federal e abatimento do valor de R$ 2.931,70 do credito tributário apurado, vale ressaltar que a Delegacia de Julgamento não é competente para deferir pedidos de parcelamento nem se manifestar quanto ao pagamento efetuado. 6. O Contribuinte deve dirigirse a Unidade da SRF com jurisdição sobre o seu domicílio tributário e formalizar a solicitação. Porém, antes deve ler e Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10735.721321/201171 Acórdão n.º 2401006.176 S2C4T1 Fl. 76 4 seguir as orientações do sitio da Receita Federal www.receita.fazenda.gov.br na opção “Serviços” e “Parcelamentos”. 7. Sendo assim, tendo em vista que a notificação de lançamento foi lavrada observando as normas legais pertinentes e que as razões de defesa do Notificado não foram suficientes para elidir o lançamento, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação apresentada. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 46/48), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Recebi o Comunicado n° 926393 e compareci à Agência da Receita Federal do Brasil em Itaguaí, no dia 28/01/2016, dentro do prazo indicado nesse Comunicado, sendo atendido pelo funcionário da Receita Moacir, através do Protocolo PR 8 entre 12:00 e 12:20 horas. b. O Sr. Moacir me informou que eu tinha perdido o prazo para recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por não ter comparecido à uma Unidade da Receita conforme definido na Intimação 0129/2015, ora contestada. c. O Sr. Moacir me entregou uma cópia do AR – Aviso de Recebimento dos Correios, que encaminhou a Intimação em tela, que foi assinado pelo Sr. Adilson Antônio Marçal em 26/08/2015. d. O Sr. Adilson Antônio Marçal é funcionário da Portaria de um Edifício Vizinho, na mesma rua, e onde funciona o Fórum da Comarca de Seropédica. e. Ocorreu uma série de lamentáveis erros, dos quais eu não participei e nem tomei conhecimento até a presente data, que fizeram que a intimação em tela fosse entregue na 2ª Vara do Fórum do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro da Comarca de Seropédica. f. O funcionário que recepcionou esta correspondência no Fórum jamais me fez entrega deste documento. g. Esses fatos podem ser comprovados num documento de protocolo de recepcionamento de correspondências instituído na Portaria do referido Edifício do Fórum, pois os Correios não fazem entrega de correspondências num Edifício a cada uma das Unidades e Salas existentes no Edifício. Foi então criado tal procedimento na dita Portaria para melhor encaminhamento de suas correspondências. h. Restou comprovado que eu não tinha como ter conhecimento da intimação em tela, razão pela qual venho requerer a Devolução do Prazo para contestação do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e para que seja remetido o meu recurso para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10735.721321/201171 Acórdão n.º 2401006.176 S2C4T1 Fl. 77 5 i. Ademais, o rendimento causador da notificação foi por mim lançado na Declaração de Ajuste Anual Completa – Declaração Retificadora N° 1, classificandoo como Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva. Esta Declaração Retificadora N° 1 foi entregue em 22/05/2009. j. Portanto, não houve omissão de rendimento. Houve erro na sua classificação como não tributável. k. Na primeira Declaração feita e entregue tempestivamente declarei este rendimento como tributável e fiz o recolhimento da primeira parcela do imposto apurado, também no prazo, no valor de R$ 2.931,70, em 30/04/2009. Fica demonstrado que em nenhum momento omiti tal rendimento. l. Requer: seja abatido do valor principal da dívida o montante de R$ 2.931,70, já recolhido em 30/04/2009; seja desonerado da multa e que o débito remanescente seja parcelado conforme normas da Receita Federal do Brasil. À fl. 71, consta despacho de encaminhamento, reconhecendo a intempestividade da peça recursal. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. Conforme consta no documento de fl. 44, o contribuinte foi intimado da decisão de 1ª instância que julgou improcedente a impugnação apresentada, no dia 26/08/2015, sendo que o Recurso Voluntário de fls. 46/48, foi protocolizado no dia 05/02/2016, ou seja, flagrantemente intempestivo. Em sua defesa, o recorrente alega que a notificação se deu por via postal, e foi assinada pelo Porteiro do Edifício, sendo que os Correios não fazem entrega de correspondências a cada uma das Unidades e Salas ali existentes, tendo sido criado o procedimento de recepção de correspondências na portaria do referido Edifício com o intuito de aprimorar o encaminhamento das correspondências ali destinadas. Entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente, já que a validade da intimação via postal é matéria pacífica no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sobretudo em razão da “teoria da aparência”, tendo sido sumulada nos seguintes termos: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10735.721321/201171 Acórdão n.º 2401006.176 S2C4T1 Fl. 78 6 Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, constato que a notificação se deu exatamente no endereço informado pelo contribuinte no documento “Solicitação de Retificação de Lançamento” (fls. 04). Ainda que o Porteiro do Edifício não seja o representante legal do destinatário, e sendo a notificação encaminhada ao endereço informado pelo próprio contribuinte, não há como conhecer do Recurso Voluntário, em razão de sua intempestividade. Dessa forma, decido pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de sua intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902392/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 92 /2 01 4- 27 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10580.902392/201427 Acórdão n.º 3401005.826 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10580.902392/201427 Acórdão n.º 3401005.826 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.500. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.902392/201427 Acórdão n.º 3401005.826 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.902392/201427 Acórdão n.º 3401005.826 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.902392/201427 Acórdão n.º 3401005.826 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.902392/201427 Acórdão n.º 3401005.826 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10580.902392/201427 Acórdão n.º 3401005.826 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.902392/201427 Acórdão n.º 3401005.826 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.908079/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.926
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, que foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: (...) APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 07 9/ 20 12 -7 5 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.908079/201275 Resolução nº 3402001.926 S3C4T2 Fl. 3 2 débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, bem como cópias de livros contábeis, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tendo em vista a aludida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, acompanhado de documentos fiscais, oportunidade em que reiterou a alegação de retificação da sua DCTF original e que os documentos acostados com o recurso fariam prova da correição do quantum vindicado a título de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.925, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13896.908078/201221. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.925): "5. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada (fl. 87) pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido supostamente utilizado para saldar outro débito apontado pelo próprio recorrente em DCTF. 6. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita, acostando documentos fiscais com sua manifestação de inconformidade e informando em suas razões que o débito para o qual o crédito foi originalmente utilizado era inexistente. 7. O acórdão recorrido, por seu turno, entendeu que o contribuinte não fez prova suficiente do seu direito, uma vez que a simples retificação da Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.908079/201275 Resolução nº 3402001.926 S3C4T2 Fl. 4 3 DCTF não seria suficiente para atestar seu direito, a qual deveria ser acompanhada dos documentos fiscais aptos a demonstrar a devida apuração do pretenso crédito. 8. Assim, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia de farta documentação fiscal (fls. 126/357) que comprovaria a correição do quantum vindicado a título de crédito. 9. Embora não se olvide do disposto no art. 16, §4o do Decreto n. 70.235/72, também não é demais frisar que no processo administrativo fiscal vige o princípio da verdade material1 que, por sua vez, reforça a existência de outro princípio que ganhou novo fôlego com o advento do CPC/2015: o princípio da primazia da decisão de mérito, que visa prestigiar a decisão que resolva definitivamente a lide posta para julgamento. 10. Assim, no presente caso, parecenos que a simples chancela da tecnicamente adequada decisão da DRJ de Brasília resultaria em um convite para que o contribuinte continuasse discutindo a presente demanda pelos mesmos fundamentos aqui expostos, só que agora em outro palco, i.e., no âmbito do Poder Judiciário. 11. Tal postura, pura e simples, implicaria em uma sobrecarga do já assoberbado Poder Judiciário, bem como da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, além de poder redundar, em ultima ratio, em uma condenação da Fazenda Pública em honorários advocatícios que, diante do CPC/2015, pode ter impacto significativo aos cofres públicos em razão do disposto no art. 85, §3o da novel legislação2. Em suma, tal postura se demonstraria assaz afrontosa a ideia de interesse público primário3, bem como ao princípio da moralidade, que devem nortear a Administração Pública. Ademais, também conflitaria contra os 1 O princípio da verdade material é valor normativo que aqui se convoca não como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico do fato social que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. 2 "Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. (..). § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) saláriosmínimos; II mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) saláriosmínimos até 2.000 (dois mil) saláriosmínimos; III mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) saláriosmínimos até 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos; IV mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos até 100.000 (cem mil) saláriosmínimos; V mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) saláriosmínimos." 3 O qual se configura como interesse de toda uma coletividade e não da Administração Pública enquanto parte (no caso, enquanto parte litigante). Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.908079/201275 Resolução nº 3402001.926 S3C4T2 Fl. 5 4 desígnios da própria existência do processo administrativo, i.e., de promover um controle de legalidade do crédito tributário e evitar, sempre que possível,.a judicialização de demandas. 12. Diante de tais razões, entendo por bem converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 14. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 339DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13688.000809/2009-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho .
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava-lhe provimento. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho .
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que davalhe provimento. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 68 8. 00 08 09 /2 00 9- 48 Fl. 151DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2007, anocalendário de 2006, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 15.819,48. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 28.929,07, especialmente pela falta de comprovação de pagamento solicitada pelas autoridades fiscais. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que a lei não exige comprovar a efetividade do pagamento das despesas médicas mediante cheques, recibos de depósitos, ordem bancária, etc, e não é permitido fazer interpretação extensiva a fim de prejudicar o contribuinte. A lei seria clara ao afirmar que na falta de documentação poderá o contribuinte indicar o cheque nominativo para comprovar o pagamento, o que, no caso, tornouse desnecessário, uma vez que esta impugnante apresentou os recibos comprobatórios referentes a tratamentos médicos de si mesma e de sua mãe (dependente). Alega que não foram considerados os recibos apresentados por esta impugnante. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: => de acordo com o Termo de Intimação — IRPF/2007, à fl. 96, exigiuse da contribuinte a comprovação do efetivo pagamento (cópia de cheque, ordem bancária, recibo de depósito etc) de determinados beneficiários. Em atendimento, informou a contribuinte que "a maioria dos pagamentos realizava em espécie ". => Depreendese, do que fora exaustivamente demonstrando através da citação e transcrição de diversas normais que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. => Dadas as quantias mensais envolvidas, é pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente, como quer fazer crer a requerente. E se o foram, em remota possibilidade, poderia a interessada ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. => Vale registrar, a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2007, à fl. 34, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois, a contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 31.753,39, ou seja, cerca de 64,00% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluída a variação patrimonial, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o anocalendário de 2006. => Finalmente, três aspectos devem ser destacados: (1) por se tratar de pessoa jurídica, o documento comprobatório das despesas realizadas com o Laboratório de Patologia Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13688.000809/200948 Acórdão n.º 2001001.256 S2C0T1 Fl. 3 3 Cl. e Análises Cl. Carlos Chagas deveria ser a nota fiscal de serviços, conforme exigido pela Fiscalização, e sobre esse assunto a notificada não se manifestou; vale ressaltar, somente para argumentar, que o recibo substitui a nota fiscal, quando comprovada a dispensa de sua emissão, o que, na espécie, não ocorreu; (2) sobre a dedução indevida de despesas com vacina e a alteração na dedução das despesas com a Unimed/BH, a impugnante também se manteve silente; (3) tudo isso se constitui, portanto, em matérias incontroversas do lançamento. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte nas alegações ventiladas em sede de impugnação e segue sustentando que não é possível manter a glosa por presunção da autoridade fiscal, eis que os recibos teriam sido devidamente apresentados e estariam claros. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: Fl. 153DF CARF MF 4 (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou recibos com valores que somam uma quantia relevante, o que fez com que a autoridade fiscal, dentro do seu dever legal, solicitasse comprovação de pagamento. Vale dizer, dadas as quantias mensais envolvidas, entendeu a DRJ que seria pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente, como quer fazer crer a requerente. E se o foram, em remota possibilidade, poderia a interessada ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Ou seja, restou claro que a autoridade fiscal ficou com dúvidas acerca da dedutibilidade de tal despesa por motivos claramente exposados. No entanto o contribuinte, ao invés de tentar produzir provas fáticas da existência da despesa, como por exemplo, apresentar extratos bancários que pelo menos demonstrassem saques de quantia semelhantes em datas próximas aos recibos emitidos, simplesmente refutou as dúvidas com meras alegações. Ademais, registrou a decisão a quo, apenas a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2007, à fl. 34, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois, a contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 31.753,39, ou seja, cerca de 64,00% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluída a variação patrimonial, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o ano calendário de 2006. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13688.000809/200948 Acórdão n.º 2001001.256 S2C0T1 Fl. 4 5 A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação clara, objetiva e inequívoca tanto da autoridade fiscal como da DRJ, entendo, que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa de despesas médicas conforme decisão a quo. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 155DF CARF MF 6 Fl. 156DF CARF MF
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