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Numero do processo: 11020.720505/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.299
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 05 /2 00 9- 19 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.860 proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 25 de abril de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam, o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente incidiram no processo produtivo darão direito ao creditamento do COFINS pleiteado. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 4 3 O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); (b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a segregação do lançamento de combustível/lubrificante que foi contabilizado no ativo imobilizado da empresa (conta contábil 11701009); (c) despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório; (d) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto às máquinas que comprovadamente tiveram contato direto com o produto e foram essenciais ao processo de produção; (e) despesas com embalagem de transporte (material de transporte), além de homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.294, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.720502/200985, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.294): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos, manutenção de laboratório (bens diversos); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 7 6 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 8 7 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 9 8 efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 10 9 atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos resultaram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.294. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 11 10 legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 12 11 as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 13 12 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos Nessa rubrica, o acórdão recorrido negou o creditamento de vários itens e concedeu o crédito sobre alguns itens com a seguinte justificativa: Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que ele tenha a atividade de produção de queijo e leite, significa concluir o seu uso diretamente em sua fase industrial. Notoriamente a cerca para rebanhos, além de não ser insumo, pois provavelmente deve ser um item do ativo imobilizado, jamais teria alguma utilidade direta na fabricação de queijo e leite. Da mesma forma, há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11020.720505/200919 Acórdão n.º 9303007.299 CSRFT3 Fl. 14 13 do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902223/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO.
Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
Numero da decisão: 1402-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 22 23 /2 00 9- 81 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.902223/200981 Acórdão n.º 1402003.451 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação da compensação", cujas razões de negação se fundam no fato de que o pagamento a título de estimativa mensal somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega que tem direito à restituição/compensação do valor pago a maior, seja qual for a modalidade de pagamento. Aduz ainda que a matéria não pode ser regulada por meio de instrução normativa, e sim por lei. E por fim, afirma a liquidez e certeza de seu crédito. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Do Recurso Voluntário: A recorrente, na sua peça recursal, pede anulação dos valores cobrados no presente processo, pois quitou os débitos em discussão na per/dcomp, através de DARFs especificados como anexo. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.902223/200981 Acórdão n.º 1402003.451 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.441, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10925.902212/2009 00, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.441): "Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Verificase nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal. Destarte, não se conhece do recurso voluntário por perda do objeto. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.001104/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IPI. SUSPENSÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO.
Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando comprovado o cumprimento dos requisitos para a fruição do benefício, nos termos da legislação pertinente e demais disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência imediata do tributo devido na operação.
IPI. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal sujeitará o sujeito passivo à multa de ofício de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado.
Numero da decisão: 3401-005.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte e, na parte conhecida, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IPI. SUSPENSÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO. Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando comprovado o cumprimento dos requisitos para a fruição do benefício, nos termos da legislação pertinente e demais disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência imediata do tributo devido na operação. IPI. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal sujeitará o sujeito passivo à multa de ofício de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte e, na parte conhecida, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 11 04 /2 01 0- 03 Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.459 2 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente ocasionalmente o Conselheiro André Henrique Lemos. Relatório 1. Tratase de auto de infração, lavrado em razão da falta de recolhimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente ao período de apuração compreendido entre 31/07/2007 e 31/12/2008, acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ R$ 1.164.866,29. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 58 a 65, narra a autoridade fiscal que o procedimento constatou que a contribuinte adquiriu insumos de produção de produtos com suspensão do IPI, junto aos fornecedores sem a respectiva "Declaração De Preponderância Da Produção E Do Atendimento Aos Requisitos Estabelecidos" conforme determina o Artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, o que impede a operação com suspensão, conforme dispõe o caput, inciso V e o § 8º do art. 113 do RIPI/2002. 3. A contribuinte, intimada em 13/04/2010, apresentou, em 12/05/2010, a impugnação, situada às fls. 320 a 353, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o auto de infração é nulo em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura, por inocorrência de qualquer ilicitude e por ausência de prorrogação do MPF; (ii) deveria a autoridade fiscal, ao invés de optar pela aplicação de multa administrativa, apenas aplicas advertência, conforme entendimento jurisprudencial e a Súmula 437 do STF; (iii) em razão de equívoco, seis fornecedores não foram relacionados na Declaração prestada em 09/02/2010, mas cada um deles recebeu a “Declaração de Preponderância da Produção e do Atendimento aos Requisitos Estabelecidos”; (iii) todas as notas fiscais emitidas pelos fornecedores que relaciona atenderam aos requisitos do art. 29 da Lei n° 10.637/2002 e, em outros casos, verificado que algumas das notas fiscais não atendiam aos requisitos estabelecidos pela legislação, no prazo legal, procedeu à sua comunicação (sic), razão pela qual está isenta da responsabilidade pelo pagamento do respectivo IPI; (iv) em relação a fornecedores enquadrados no SIMPLES, sustenta que, conforme documentação anexa, embora houvesse inicialmente creditadose indevidamente dos valores de IPI relativos a tais fornecedores, a correspondente irregularidade foi sanada em tempo, ou seja, retificada, seja perante aos próprios fornecedores, como na sua escrita contábil; (v) para aplicação da multa, é necessário que haja um processo administrativo em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa para que depois a multa seja mensurada e aplicada; qualquer auto de infração é o ato inicial do procedimento, que desemboca na notificação para pagamento de multa, que é o ato final. Não se pode inverter as coisas. Como se verifica do auto de infração, o agente da SRF de pronto calculou o valor da multa, o que é inconstitucional; (vi) tratase de pessoa jurídica idôneas e de caráter jurídico ilibado, o que reforça ainda mais a insubsistência do auto de infração e protesta provar o alegado por todos os meios de prova permissíveis em direito, especialmente, a perícia sobre todos os documentos fiscais apresentados, bem como, pela juntada ou apresentação dos seus originais. Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.460 3 4. A autoridade julgadora de primeira instância, diante das informações de fato a respeito dos fornecedores, determinou a realização de duas diligências, em conformidade com o despacho situado às fls. 2.113 a 2.117 e a Resolução situada às fls. 2.133 a 2.139. 5. Em 12/11/2014, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0130.518, situado às fls. 2.365 a 2.385, de relatoria do AuditorFiscal Clecivaldo Araújo da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, , nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008 PAF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são inerentes. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2008 IPI. SUSPENSÃO. CONDIÇÃO NORMATIVA. Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando observadas as disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência do tributo devido na operação. IPI. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do IPI na respectiva nota fiscal sujeitará o sujeito passivo à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.461 4 6. A contribuinte, intimada da decisão em 27/03/2015, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 2.414, interpôs, em 22/04/2005, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 2.415, recurso voluntário, situado às fls. 2.416 a 2.440, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a seguinte ressalva. 8. Em primeiro lugar, quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 9. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 10. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 11. Em segundo lugar, inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, e que exiba os demais requisitos de validade que lhe são Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.462 5 inerentes, não se vislumbrando, no presente caso, nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do diploma de 1972. 12. Assim, conheço do recurso voluntário interposto para negarlhe provimento neste particular. 13. Em terceiro lugar, conforme bem pontuado pela decisão recorrida, somente será permitida a saída de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas regulamentares que delimitam a hipótese, sem o que o imposto torna se imediatamente exigível, como se a suspensão não houvesse. Acresçase que, nos termos do art. 25, VI, do RIPI/2002 (com idêntica previsão constante do art. 25, VI, do RIPI/2010), “são obrigados ao pagamento do imposto como responsáveis (...) os que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a imunidade, isenção ou suspensão do imposto”. Lei nº 10.637/2002 Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. § 2o O disposto no caput e no inciso I do § 1o aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.463 6 (...) § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. 14. A Instrução Normativa SRF nº 296/2003, vigente no período de interesse à autuação, assim delimitava a suspensão ora discutida: Instrução Normativa SRF nº 296/2003 Art. 17. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados). ( Redação dada pela IN SRF 342, de 15/07/2003 ). § 1o Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (Redação dada pela IN SRF nº 429, de 21/06/2004) I às pessoas jurídicas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). 15. Assim, somente podem sair com suspensão do estabelecimento industrial os produtos em questão quando destinados a estabelecimento que se dedicasse, preponderantemente, à elaboração dos produtos acima relacionados, havendo ainda a condição da suspensão à declaração da empresa adquirente, de forma expressa, que atende a todos os requisitos estabelecidos em lei. Sem a declaração de preponderância, o estabelecimento industrial encontrase impedido de fazer uso da suspensão do imposto, que se torna imediatamente exigível, como se a suspensão não houvesse. Ademais, a declaração de preponderância somente se apresentará apta a produzir os efeitos que lhe são inerentes quando livre de vícios. Logo, declarações emitidas com data posterior à saída dos respectivos produtos, v.g., apresentamse evidentemente imprestáveis a albergar a suspensão do imposto devido nas respectivas saídas. Igualmente, pessoas jurídicas optantes do SIMPLES não podem fruir, por explícito impedimento normativo ou fático, da suspensão em tela e, de mesma forma, notas fiscais emitidas sem Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.464 7 qualquer referência à suspensão e ao respectivo dispositivo legal também não se apresentam hábeis a acobertar a saída, com suspensão do imposto, dos respectivos produtos. Por decorrência, saídas exibindo tais características não se encontram amparadas com a suspensão do IPI, motivo pelo qual as mesmas caracterizam fato gerador do imposto, com a imediata exigibilidade da obrigação tributária (posto que inexistente qualquer suspensão da mesma). 16. De fato, o não atendimento às condições estabelecidas pela matriz normativa pertinente conduz o aplicador à substância dos arts. 39 e 41 do RIPI/2002 que estabeleciam textualmente que a inobservância das normas e requisitos estabelecidos para o controle da saída com suspensão tornariam o imposto imediatamente exigível. Uma vez traçado o recorte normativo e as premissas aplicáveis à espécie, passase à apreciação do caso concreto, valendose o presente voto das irreprocháveis considerações da decisão recorrida: (...) ante as alegações constantes da impugnação, foram determinadas duas diligências em sede das quais foi amplamente franqueada ao sujeito passivo a exibição de elementos probatórios de que não existiram as irregularidades apontadas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 58/65. Com efeito, foram múltiplas as oportunidades para que o contribuinte exibisse os documentos aptos a dar suporte a suas alegações de que: a) seus fornecedores haveriam recebido a competente “Declaração de Preponderância da Produção e do Atendimento aos Requisitos Estabelecidos”; b) o fornecedor Plásticos Mueller S/A Ind. Com. recebeu a “Declaração de Preponderância da Produção e do Atendimento aos Requisitos Estabelecidos” e, verificado que algumas das notas fiscais não atendiam aos requisitos estabelecidos pela legislação, procedera à comunicação do fato, razão pela qual estaria isento da responsabilidade pelo pagamento do respectivo IPI (em relação à Metalúrgica Conflex Ind. e Com. Ltda, limita se a afirmar que mesma encontravase inscrita no SIMPLES e que, portanto, não atendia aos requisitos estabelecidos na legislação para a suspensão em tela); e c) quanto a fornecedores enquadrados no SIMPLES, embora houvesse inicialmente creditadose indevidamente dos valores de IPI relativos a tais créditos, a irregularidade haveria sido sanada em tempo. Como resultado de tais diligências, registrou a autoridade fiscal, conforme consta dos Termos de fls. 2121/2123 e 2155/2157, que: a) o sujeito passivo comprovou que os créditos oriundos das notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas optantes do SIMPLES (“infração 3.4 – Fornecedores enquadrados no SIMPLES” do Termo de Constatação Fiscal, fls. 62/63) foram decorrentes de retornos de mercadorias originalmente remetidas pelo sujeito passivo com destaque do imposto, juntando cópias das respectivas notas fiscais. Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.465 8 b) O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda informou não haver recebido a declaração em tela; Indústria Metalúrgica A. Pedro, Chemlub Produtos Químicos e Energyarc Industrial Ltda confirmaram o recebimento da mencionada declaração; ao passo que, embora as pessoas jurídicas Artefatos de Arame Artok Ltda, Euro Style Componentes Automotivos Ltda e Alumaq Locação e Com. Máq. Solda Ltda não tenham respondido à fiscalização, foram reputados como válidos os documentos apresentados pelo sujeito, por se tratar de elementos de prova os quais não tiveram sua idoneidade e autenticidade documentais infirmadas. c) intimado e reintimado a apresentar documentos comprobatórios de que comunicou o fornecedor Plásticos Mueller S/A Ind. Com. acerca das irregularidades constatadas nas notas fiscais objeto de autuação, conforme alegado, o sujeito passivo simplesmente deixou de responder. Desta feita, após as diligências e conforme assinalado pela autoridade fiscal (fl. 2156), foi mantido o valor de R$ 149.019,37, composto por R$ 656,64 relativos às NFs de março/2008 originárias da empresa O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda, CNPJ 76.635.689/000192, por se tratar de saídas “Sem Declaração de Preponderância” e R$150.817,34 relativos ao débitos decorrentes de NFs sem informação dos dispositivos legais para gozo do benefício da suspensão (correspondentes aos fornecedores Plásticos Mueller S/A Ind. Com. e Metalúrgica Conflex Ind. e Com. Ltda), diminuído de R$ 2.454,59, referente a valor não lançado com cobertura de crédito (originalmente já considerado no Auto de Infração). Neste passo, temse que a empresa O.V.D. Importadora e Distribuidora Ltda informou não haver recebido a declaração em questão, sendo que o sujeito passivo mantevese silente em relação a tal fato. Quanto à pessoa jurídica Metalúrgica Conflex Ind. e Com. Ltda, verificase que o próprio impugnante ratificou que a mesma encontravase inscrita no SIMPLES e que, portanto, não atendia aos requisitos estabelecidos na legislação para a suspensão. Encontramonos, pois, diante de matéria incontroversa em relação a tais pessoas jurídicas, ante as notórias irregularidades demonstradas nos autos e as quais resultaram ratificadas pela anuência (tácita ou expressa) manifestada pelo contribuinte. No que diz respeito ao fornecedor Plásticos Mueller S/A Ind. Com., registrese que a autuação relativa ao mesmo referese a notas fiscais emitidas sem qualquer informação acerca dos dispositivos legais para gozo do benefício fiscal, fazendo com que as respectivas saídas não se encontrassem amparadas, pois, pela suspensão do IPI. Ora, ao lado de não haver comprovado que entregou a declaração em tela àquele fornecedor, constata se que o sujeito passivo, embora multiplamente intimado, não comprovou sua alegação de que haveria comunicado ao Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.466 9 fornecedor as irregularidades constatadas nas notas fiscais objeto de autuação. Vejase que a matéria de fato que serve de fundamento a esta parcela da autuação (notas fiscais emitidas sem referência aos dispositivos legais para gozo da suspensão do IPI), torna absolutamente estéril as alegações constantes do documento de fls. 2316/2320 apresentado pelo sujeito passivo, haja vista que mesmo quando se reputasse (de forma incabível) que houve presumidamente a entrega ao fornecedor Plásticos Mueller S/A Ind. Com. da respectiva “declaração de preponderância”, ainda assim não poderiam ser acolhidas como aptas a amparar a pretendida suspensão notas fiscais em cujo corpo não consta qualquer referência aos dispositivos normativos exigidos pela legislação. Em síntese, como o impugnante, ao contrário de suas alegações originalmente formuladas, não logrou demonstrar que comunicou ao fornecedor em tela acerca das irregularidades constantes das notas fiscais objeto de autuação, resulta, de forma necessária e suficiente, que todas as correspondentes saídas não se encontravam amparadas com suspensão do IPI, restando caracterizado, pois, o fato gerador do imposto, que se faz assim exigível do responsável tributário. 17. Observese que, apesar de se equivocar a autoridade julgadora quanto à existência de uma responsabilidade objetiva, bastando a mera leitura atenta do art. 136 do Código Tributário Nacional para afastar tal concepção,1 correta quanto ao fato de que a contribuinte não logrou êxito, mesmo após sucessivas intimações, em demonstrar o cumprimento dos requisitos para a suspensão, motivo pelo qual o seu recurso voluntário não merece provimento também quanto a este particular. 18. Assim, conheço do recurso voluntário interposto para negarlhe provimento neste particular. 19. Em quarto lugar, inexiste previsão normativa para conversão de “multa administrativa” em “advertência”, e tampouco há dúvida quanto aos fatos tributários apurados e perfeitamente demonstrados no presente processo administrativo, devendo ser aplicada, à espécie, a multa de ofício de 75%, nos termos do art. 80, caput, da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. 20. Assim, conheço do recurso voluntário interposto para negarlhe provimento neste particular. 1 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo ; TAKANO, C. A. . Responsabilidade por infrações em matéria tributária: reconsiderações acerca do art. 136 do Código Tributário Nacional. Direito Tributário Atual , v. 29, p. 114132, 2013. Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.467 10 21. Em quinto lugar, igualmente correta a decisão ora objurgada quanto à multa sobre IPI lançado com cobertura de crédito, questão esta já enfrentada diversas vezes por este colegiado, devendo a decisão neste ponto ser igualmente mantida por seus próprios fundamentos: No que diz respeito à multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito, apurada no período de 31/03/2008, no valor de R$ 1.840,94 (conforme indicada no “Demonstrativo de Multa/Imposto sobre Produtos Industrializados Não Lançado com Cobertura de Crédito” às fls. 18/19), registrese que, nos termos imediatamente acima mencionados, a penalidade prevista no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/1964, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, fazse exigível sobre a totalidade do IPI não lançado em nota fiscal, independentemente de o sujeito passivo haver ou não satisfeito os respectivos valores devidos. E em assim sendo, verificase que no caso concreto, no PA 03/2008, houve a cobertura parcial com créditos escriturais de IPI, no valor de R$ 2.454,59, fazendose de fato exigível, nos termos da legislação aplicável, a multa de 75% sobre tal parcela não lançada (porque “abatida” com créditos escriturais do imposto), como apurada pela autoridade fiscal (R$ 2.454,59 x 75% = R$ 1.840,94). 22. Assim, conheço do recurso voluntário interposto para negarlhe provimento neste particular. 23. Em sexto lugar, contra o pedido de perícia e de demais provas, ergue se o óbice dos arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/1972, o que igualmente aponta para a manutenção da decisão recorrida também sob este aspecto, uma vez que a prova pericial ou a realização de novas diligências se fazem descabidas e desnecessárias para a formação do convencimento do aplicador. 24. Assim, conheço do recurso voluntário interposto para negarlhe provimento neste particular. 25. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer em parte e, na parte conhecida, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10865.001104/201003 Acórdão n.º 3401005.365 S3C4T1 Fl. 2.468 11 Fl. 2469DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.720735/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
PETIÇÃO PROTOCOLADA ANTES DA DECISÃO DE PISO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO
Considerando que o Contribuinte apresentou uma petição que foi protocolada antes mesmo da prolação da decisão da DRJ, tal documento não pode ser considerada como Recurso Voluntário.
Decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), considera-se não impugnado e definitiva a decisão de piso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-005.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO Considerando que o Contribuinte apresentou uma petição que foi protocolada antes mesmo da prolação da decisão da DRJ, tal documento não pode ser considerada como Recurso Voluntário. Decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), considerase não impugnado e definitiva a decisão de piso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 07 35 /2 01 2- 36 Fl. 3153DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Suplente convocado. Relatório O presente processos trata de Despacho Decisório (Eletrônico) DDE, proferido pelo Delegado da DRF em São Luís/MA, que reconheceu integralmente o direito de crédito pleiteado pela Recorrente através do PER/DCOMP nº 31173.89412.200608.1.1.01 7864, transmitido em 20/06/2008, no valor de R$ 1.366.199,69, o qual, todavia, foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na homologação parcial da compensação declarada no PER/DCOMP nº 04899.81009.200608.1.3.010763. A Recorrente apresentou tempestivamente a Manifestação de Inconformidade, em que esclarece inicialmente que sua atividade principal consiste na indústria e comércio de bebidas, principalmente refrigerantes e produtos conexos e que procedeu em atraso à apuração de diferenças do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do período de março de 2007, efetivando a sua quitação por meio de DARF e compensação com créditos de IPI, antes de qualquer procedimento da fiscalização e da retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF correspondente ao referido período. Por essa razão, recolheu apenas os juros de mora, não computando em seu cálculo a multa moratória, entendendo tratarse de denúncia espontânea a que alude o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), fato que gerou a diferença apontada no Despacho Decisório, ocasionando a homologação parcial das compensações declaradas. Citou argumentos da doutrina e jurisprudência administrativa do CARF, no sentido de que não caberia a exigência de multa moratória nos casos de denúncia espontânea. No entanto, os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, mantendose o Despacho Decisório, conforme ementa do Acórdão nº 10.42.828, de 14/03/2013, da 3ª Turma da DRJ/POA, abaixo transcrito (fls. 3.101/3.105): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação de débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP deve ser acompanhada dos respectivos juros e multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Fl. 3154DF CARF MF Processo nº 10320.720735/201236 Acórdão n.º 3402005.547 S3C4T2 Fl. 3.154 3 A COMPANHIA MARANHENSE DE REFRIGERANTES, tomou ciência do Acórdão DRJ nº 10.42.828, em 15/04/2013, conforme consta do aviso dos CorreiosAR, de fl. 3.108. Verificase apensado aos autos que a empresa em 05/05/2012 (fl. 3.111), protocolou documento datado de 03 de maio de 2012, de fls. 3.111/3.115, repisando as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade, que desta forma pode ser resumida: recolheu apenas os juros de mora, não computando em seu cálculo a multa moratória, entendendo tratarse de denúncia espontânea a que alude o art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), fato que gerou a diferença apontada no Despacho Decisório (DD), ocasionando a homologação parcial das compensações declaradas. Cita argumentos da doutrina e jurisprudência administrativa do CARF, no sentido de que não caberia a exigência de multa moratória nos casos de denúncia espontânea. Finaliza solicitando a reforma do Despacho Decisório (DD), para que seja integralmente homologada a compensação declarada, bem como a suspensão do procedimento de cobrança do saldo devedor discriminado naquele DD por força da apresentação desta Manifestação de Inconformidade. O processo, então, foi encaminhado ao CARF e distribuído para este Conselheiro proceder a análise do recurso. No entanto, este Colegiado entendeu não ser possível o conhecimento do mérito do processo, uma vez que uma questão prejudicial deveria ser adequadamente respondida, saneandose o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Trata se de questão acerca da tempestividade do Recurso Voluntário, o que demandou que o julgamento fosse convertido em diligência à Unidade Local para apresentação de informações que não restavam claros nos autos, conforme o contido na Resolução nº 3402001.036, de 30/08/2017. A seguir, reproduzse os principais trechos para contextualização dos fatos: "(...) Verificase à fls. 3.108/3.109 dos autos, que consta o comprovante do AR Correios, remetido pela DRF em São Luis (MA), no endereço tributário da Recorrente, referente Intimação do Acórdão DRJ nº 1042.828, PAF nº 10320.720735/201236. Consta que em 15 de abril de 2013, a empresa foi cientificada, conforme assinatura no documento, recebido pela da Sra. Nayra Ferreira Ozorio, CPF nº 040.909.39376 (fl. 3108). O documento foi firmado em 03 de maio de 2012, e com datas de protocolo de 04/05/2012 (fl. 3.110) e que em 05/05/2012 (fl. 3.111), foi protocolado no Sistema de Comunicações do Protocolo Formador de Processos (MF), da DRF em São Luis (MA). No Despacho da DRF/São Luis (MA), restou desta maneira consignado (fl. 3.134): "(...) Tratase de recurso voluntário ao Acórdão nº 1042.828 da 3ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Considerando a tempestividade do recurso, propõese encaminhar o processo ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, nos termos do art. 25, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972" (Grifei). Fl. 3155DF CARF MF 4 No entanto, há que se observar que o referido documento protocolado em 2012 e denominado pela Unidade preparadora como "Recurso Voluntário tempestivo", apresenta as seguintes características: (Grifei) (i) quanto a cronologia dos fatos: o documento (recurso) foi assinado em 03/05/2012 e protocolado em 05/05/2012; o Acórdão DRJ foi prolatado em 14/03/2013 e a ciência da decisão foi dada em 15/04/2013, ou seja, o recurso foi apresentado aproximadamente 1 anos antes da decisão de piso; e (ii) observase na parte introdutória da peça recursal em que a Recorrente alega: "(...) vem a presença de V. Sª., face ao recebimento, em 02 de abril de 2012 (segunda feira), da Comunicação nº 12/2012 (Documento 01), acompanhada de carta de cobrança (Documento 02), expor e requerer o quanto segue". E prossegue aduzindo que "(...) Nesse contexto, independente de qualquer outra questão, a exigibilidade do saldo apontado como "devedor" nos sistemas dessa Receita Federal do Brasil está suspensa, não havendo que se falar na possibilidade de exigência de tal valor até que seja proferida decisão definitiva na esfera administrativa acerca da manifestação de inconformidade apresentada. "(...) Termos em que Pede deferimento. São Luiz, 03 de maio de 2012". Neste diapasão, pela data do "recurso" e seu protocolo, poderiase concluir que este documento anexado pela DRF/São Luís (MA), não se trata do recurso voluntário apresentado pela Recorrente. E mais. Quando se analisa o conteúdo de referido documento, observase que referese a Manifestação de Inconformidade apresentada que, pelos argumentos, foi elaborada quando do recebimento (intimação) do Despacho Decisório Eletrônico, e por obvio antes de ser prolatado o Acórdão da DRJ. Portanto, considerando que a data do protocolo do recurso voluntário interposto é de 05/05/2012 (fl. 3.111), ou seja, antes do julgamento efetuado pela DRJ, cuja ciência se deu em 14/03/2013 fl. 3.108, e considerando o Despacho da DRF/São Luis/MA à fl. 3.134 que considera o Recurso tempestivo, solicito, em face do acima exposto e visando esclarecimento dos fatos, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF/São Luis/MA, tome as seguintes providências: (i) indique conclusivamente a data em que a Contribuinte efetivamente protocolou o seu Recurso Voluntário de fls. 3.111/3.115; (ii) a autoridade fiscal deverá elaborar Relatório conclusivo das averiguações e juntar aos autos, caso haja, os documentos comprobatórios de todos os fatos que forem constatados; e (iii) por fim, a autoridade administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 2011, dando ciência à Contribuinte do termo e dos demais documentos mencionados no Relatório, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação". Após o atendimento da diligência solicitada por este CARF, a DRF em São Luis (MA), elaborou o Relatório Conclusivo de fls. 3.143 a 3.144. A empresa foi cientificada do resultado da diligência, conforme informações de fls. 3.148 e 3.149 e não se manifestou, conforme Despacho da DRF de fl. 3.150: "Contribuinte não se manifestou em relação ao relatório de diligência. Proponho a devolução deste processo ao CARF MF DF para prosseguimento do julgamento". Fl. 3156DF CARF MF Processo nº 10320.720735/201236 Acórdão n.º 3402005.547 S3C4T2 Fl. 3.155 5 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso Não é possível o conhecimento do mérito do presente recurso por este órgão Colegiado. Passo a explicar. Conforme é possível perceber do relato acima, em 15/04/2013, a Recorrente foi regularmente intimada do acórdão da DRJ em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório contestado (fl. 3.108). No entanto, verificase apensado aos autos que, em 05/05/2012 (fl. 3.111), a Recorrente protocolou documento datado de 03 de maio de 2012, de fls. 3.111/3.115, repisando as mesmas razões da Manifestação de Inconformidade, alegando ser essas suas razões de defesa. Conforme Despacho da Unidade preparadora à fl. 3.134, a principio, tratou o referido documento como Recurso Voluntário, encaminhando ao CARF para análise. Pois bem. Para melhor esclarecer os fatos acima descritos, por solicitação deste Colegiado o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 3402 001.036, de 30/08/2017, a fim de que a Fiscalização da DRF/São Luis/MA, indique conclusivamente a data em que a Contribuinte efetivamente protocolou o denominado "Recurso Voluntário" de fls. 3.111/3.115. Posto isto, a Fiscalização, após concluir os trabalhos, elaborou um Parecer Conclusivo de fls. 3.143 a 3.144, ressaltando as seguintes informações: "(...) Verificando os autos processuais, constatamos que foi juntado aos autos Petição apresentada por meio do dossiê nº 10010.001541/051248 classificada como “Recurso Voluntário”. Entretanto, conforme carimbo de recepção do Protocolo da DRFSão Luís, tal petição foi recebida em 03/05/2012, antes mesmo da emissão do acórdão de manifestação de inconformidade da DRJPorto Alegre, em 14/03/2013. Ao que parece, houve uma classificação incorreta da Petição apresentada. Na verdade, tratase de Pedido relacionado à Carta Cobrança s/nº emitida pela Delegacia de São Luís em 26/03/2012. Nesse Pedido, o contribuinte apenas questiona a realização de cobrança de um débito que deveria estar suspenso em virtude de Manifestação de Inconformidade apresentada em 22/02/2012. Não é plausível aceitar tal petição como Recurso Voluntário, já que foi protocolada quase um ano antes da emissão do Acórdão de Julgamento da DRJ. Fl. 3157DF CARF MF 6 Temos as seguintes datas relacionadas ao processo administrativo: 1. Ciência do Despacho Decisório: 23/01/2012 2. Apresentação da Manifestação de Inconformidade: 22/02/2012 3. Emissão de Carta Cobrança: 26/03/2012 4. Apresentação de Petição (classificada como Recurso Voluntário): 03/05/2012 5. Ciência do Acórdão da DRJ: 15/04/2013 Não há nos autos recurso direcionado à Decisão da DRJ. Passamos a responder aos quesitos: (i) Não consta apresentação de Recurso Voluntário. Verificamos que houve apresentação de petição relacionada à Carta Cobrança classificada indevidamente; (...)" (Grifei) Na sequência, a empresa foi cientificada do resultado da diligência (fls. 3.148 e 3.149) e não se manifestou, conforme Despacho da DRF de fl. 3.150. Pois bem. O próprio Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 33, estabelece que o prazo para a propositura de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, considerando que o Contribuinte apresentou uma Petição protocolada antes mesmo da prolação da decisão da DRJ e, como consignado na Informação Fiscal da DRF/São Luis/MA, NÃO é plausível aceitar tal petição como Recurso Voluntário, já que foi protocolada quase um ano antes da emissão do Acórdão de Julgamento da DRJ e que "Na verdade, tratase de Pedido relacionado à Carta Cobrança s/nº emitida pela Delegacia de São Luís em 26/03/2012". Desta forma, no caso sob análise, considerase que a decisão a quo não foi impugnada pela Empresa COMPANHIA MARANHENSE DE REFRIGERANTES e tornase definitiva, conforme define os art. 17 e 42 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo ímpugnante. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...). (Grifei) 2. Dispositivo Fl. 3158DF CARF MF Processo nº 10320.720735/201236 Acórdão n.º 3402005.547 S3C4T2 Fl. 3.156 7 Forte em todo o acima exposto, voto por não conhecer da petição protocolada antes da decisão proferida pela DRJ/POA como Recurso Voluntário e, portanto, considerar definitiva a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 3159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001732/2004-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO- Se no julgado for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma, cabe o acolhimento de embargos de declaração para sanar o vício. DECADÊNCIA- TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN.
Numero da decisão: 1301-001.274
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Embargos de Declaração acolhidos para suprir a omissão, e, no mérito, rerratificar o Acórdão nº 1301-00.244, e rejeitar a decadência suscitada para as contribuições do PIS e da COFINS.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Valmir Sandri
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Se no julgado for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma, cabe o acolhimento de embargos de declaração para sanar o vício. DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Embargos de Declaração acolhidos para suprir a omissão, e, no mérito, rerratificar o Acórdão nº 130100.244, e rejeitar a decadência suscitada para as contribuições do PIS e da COFINS. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 17 32 /2 00 4- 59 Fl. 4473DF CARF MF Excluído Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.11513.DDN0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820.001732/200459 Acórdão n.º 1301001.274 S1C3T1 Fl. 3 2 Relator Participaram do julgamentos os Conselheiros Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Em sessão de 1 de novembro de 2009, os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, analisando recurso voluntário integrante do processo em epígrafe, acordaram em por maioria de votos, manter os efeitos do Ato Declaratório de suspensão da isenção tributária, e, no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRPJ e da CSLL, nos termos do Acórdão 130100.244, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 A 2004 SINDICATOS ISENÇÃO RESTABELECIMENTO 0 fato de a entidade sindical patronal exercer atividade comercial que lhe dá urna receita constante, e esta se destinam exclusivamente e totalmente à sua atividade, não dá azo à. suspensão do benefício fiscal da isenção, porquanto tais atividades por ela exercidas não visam o lucro, mas sim obter rendas que viabilizem as suas atividades institucionais. IRPJ ARBITRAMENTO Não há como prosperar o arbitramento do lucro da entidade sindical patronal, pelo simples fatos das Demonstrações Financeiras apurarem déficit/superávit ao invés de lucro líquido do exercício na forma da legislação fiscal, mormente quando não ficar comprovado nos autos que a escrituração a que estiver obrigado à contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL, PIS E COFINS Tendo em vista a íntima relação de causa e efeito que possuem os lançamentos decorrentes com o lançamento principal, a decisão proferida em relação ao IRPJ deve ser estendida às exigências reflexas. Recurso Voluntário Provido em Parte. A interessada interpôs embargos de declaração, alegando que a decisão embargada foi omissa por não apreciar a preliminar de decadência dos fatos geradores das contribuições ao PIS e a COFINS no período de janeiro a dezembro de 1999, nos termos do § Fl. 4474DF CARF MF Excluído Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.11513.DDN0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820.001732/200459 Acórdão n.º 1301001.274 S1C3T1 Fl. 4 3 4º. do art. 150 do Código Tributário Nacional, que havia sido rejeitada na decisão de primeira instância e que foi objeto do recurso voluntário. O Presidente da 3ª Câmara deu seguimento aos Embargos. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Dispõe o art. 65 do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No presente caso, a Recorrente, no recurso voluntário, questionou a ocorrência da decadência das contribuições para o PIS e para a Cofins relativas ao período de janeiro a dezembro de 1999, invocando o art. 150, § 4º do CTN. Essa matéria, efetivamente, não foi enfrentada no voto condutor, razão pela qual conheço dos embargos para suprir a omissão. As contribuições em questão têm seus fatos geradores mensais e, no caso em julgamento, o lançamento abrange períodos de junho de 1999 a julho de 2004. O art. 62A do Regimento Interno do CSRF dispõe : Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da decadência para os tributos sujeitos a lançamento por homologação foi objeto de apreciação pelo STJ, no sistemática prevista no art. 543B (REsp nº 973.333SC), que considera relevante a circunstância de ter ou não havido pagamento. Conforme item 1 da ementa do referido acórdão “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I Em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); Fl. 4475DF CARF MF Excluído Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.11513.DDN0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820.001732/200459 Acórdão n.º 1301001.274 S1C3T1 Fl. 5 4 II Nas demais situações: II.i Se houve pagamento antecipado: data do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN); II.ii Se não houve pagamento antecipado: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); No caso concreto, para o fato gerador mais antigo, que corresponde ao mês de julho de 1999, o lançamento poderia ser efetuado em agosto de 1999, o termo inicial para a contagem do prazo é 01 janeiro de 2000, e o termo final, 31 de dezembro de 2004. Tendo a ciência dos autos de infração ocorrido em 21 de dezembro de 2004, não se consumou a decadência. Pelas razões expostas, acolho os embargos para suprir a omissão, e rerratificar o Acórdão nº 130100.244, e rejeitar a decadência suscitada para as contribuições do PIS e da COFINS. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de setembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 4476DF CARF MF Excluído Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1018.11513.DDN0. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VALMIR SANDRI em 04/10/2013 17:56:10. Documento autenticado digitalmente por VALMIR SANDRI em 04/10/2013. Documento assinado digitalmente por: VALMAR FONSECA DE MENEZES em 18/11/2013 e VALMIR SANDRI em 04/10/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1018.11513.DDN0 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F51ADEE58389649B0618CDF58A938D5B0F81D5CF Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10820.001732/2004-59. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.720471/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/11/2005
DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/2005 a 30/11/2005 DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 790 1 789 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720471/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.713 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/10/2005 a 30/11/2005 DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. A Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, que para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 71 /2 01 0- 75 Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 791 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 16327.720471/201075, em face do acórdão nº 1641.496, julgado pela 11ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), em sessão realizada em 16 de outubro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “DA AUTUAÇÃO São integrantes do presente processo os seguintes Autos de Infração (AI’s) lavrados, pela fiscalização, contra a empresa retro identificada: • (1) AI DEBCAD n.º 37.320.9126, no montante de R$ 6.563.393,09 (seis milhões, quinhentos e sessenta e três mil e trezentos e noventa e três reais e nove centavos), consolidado em 30/12/2010, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I e II, e parágrafo 1º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 10/2005 a 11/2005; • (2) AI DEBCAD n.º 37.320.9134, no montante de R$ 754.091,97 (setecentos e cinqüenta e quatro mil e noventa e um reais e noventa e sete centavos), consolidado em 30/12/2010, referente a contribuições destinadas a terceiros – Salário Educação e Incra – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 10/2005 a 11/2005. Cabe observar que o presente processo administrativo contém os dois Autos de Infração acima identificados por tratarem de exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo e que foram formalizadas com base nos mesmos elementos de prova. O Relatório Fiscal, de fls. 29 a 35, comum aos dois AI’s, em suma, traz as seguintes informações: • que houve o lançamento de contribuições incidentes sobre ABONO ÚNICO acordado na Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre os Sindicatos representativos dos empregados e empregadores, apuradas no Banco Santander S/A – CNPJ 90.400.888/000142, e nos incorporados Banco Banespa S/A – Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 792 3 CNPJ 61.411.633/000187 e Banco Meridional – CNPJ 33.517.640/000122;. • que as contribuições para a Seguridade Social têm sua base imponível definida na Constituição Federal de 1988, a qual prevê, para as empresas, uma contribuição incidente sobre a folha de salários, nos termos do arts. 195 e 201, parágrafo 11; • que a legislação previdenciária, ao definir a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, nos artigos 22 e 28 da Lei n.º 8.212/91, utilizou, para estabelecer o conceito de salário de contribuição, um critério amplo, classificando como remuneração todos os rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma; • que, quando o legislador entendeu que determinada verba salarial devesse ser excluída do salário de contribuição, ele, expressamente por meio de lei, assim o fez; • que a não incidência de contribuições, por ser exceção, deve ser expressa, nunca presumida, sendo que a exclusão de verbas remuneratórias da base de cálculo, das contribuições ora tratadas, somente pode ser feita por intermédio de lei; • que a isenção se inclui nas modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, a legislação que dispõe o tema deve ser interpretada literalmente, conforme prevê o Código Tributário Nacional, em seu artigo 111, inciso I; • que, em resumo, quaisquer rendimentos pagos, devidos ou creditados aos empregados pelos serviços prestados ao empregador ou ao tomador de serviços ou pelo tempo à disposição destes nos termos da lei, contrato, convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa e que não estejam compreendidos entre as exclusões legais previstas no § 9º do art. 28 da Lei n.° 8.212/91 integram o salário de contribuição para fins de custeio da Seguridade Social, devendo se apenas verificar se os pagamentos efetuados, no caso em questão, estão ou não entre as exclusões legais; • que, a partir da vigência da Medida Provisória (MP) n.° 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, no que tange aos fatos geradores até novembro de 2008, a lavratura em casos de falta de recolhimento e de declaração inexata, caso em tela, deve ser realizada com a penalidade menos severa resultante da comparação entre a aplicação da multa de ofício estabelecida pelo inciso I do art. 44 da Lei n.° 9.430/96 (75%) e a soma da multa de mora prevista pela alínea “a” do inciso II do art. 35 da Lei n.° 8.212/91 (24%) com a multa prevista no inciso IV, §5° do art. 32 do mesmo diploma legal, aplicandose a que for mais benéfica ao sujeito passivo, nos termos do art. 106 do CTN; • que, no presente caso, em todas as competências, a penalidade anterior à publicação da MP n.° 449/2008 mostrouse menos severa que a utilização da multa de lançamento de ofício (75%); Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 793 4 • que os valores ora autuados não foram declarados em GFIP (competências até 11/2008), sendo que, neste MPF, já foi lavrado o Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA n.° 37.174.8879, por esta omissão, no período apurado; • que as alíquotas aplicadas encontramse informadas, por competência, no Discriminativo do Débito – DD; • que o crédito lançado (valor originário, juros, multa e correção monetária, quando houver) encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de Fundamentos Legais do Débito – FLD, bem como nos dispositivos legais citados no relatório. Constam, no presente processo digital, entre outros, os seguintes documentos relativos aos Autos de Infração: capas do Autos; RL – Relatório de Lançamentos; DD – Discriminativo do Débito; FLD – Fundamentos Legais do Débito; IPC – Instruções para o Contribuinte; Mandado de Procedimento Fiscal; Termos de Intimação Fiscal; Relatório de Vínculos; Recibo de Arquivos Entregues ao Contribuinte; e, TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal; além de despacho de esclarecimento com a correlação correta dos DEBCAD’s com os processos administrativos fiscais (PAF’s). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com as autuações, das quais foi cientificada em 31/12/2010 (fls. 09 e 19), a empresa apresentou, em 21/01/2011, a impugnação de fls. 508 a 549, com documentos anexos às fls. 550 a 655 (cópias de Procuração e Substabelecimento, de documentos de identificação das subscritoras da impugnação, de Atas de Reuniões e Assembléias, de comprovantes de pagamento de Guias da Previdência Social, de Guias de Depósitos Judiciais e Extrajudiciais, de documentos relativos a ação judicial – Processo n.º 2006.34.00.0378491 – Justiça Federal – Seção Judiciária de Brasília), fazendo um breve relato dos fatos, e deduzindo, em sua defesa, as alegações a seguir sintetizadas. Dos fatos: Afirma, aqui, a impugnante, que, de acordo com o entendimento da fiscalização, as contribuições a seguir enumeradas – (i) contribuição social devida pela empresa sobre as remunerações pagas aos seus empregados (cota patronal e adicional de 2,5%) (DEBCAD n.° 37.320.9126) ; (ii) contribuição ao RAT (DEBCAD n.° 37.320.9126) ; e (iii) contribuição destinada a terceiros (DEBCAD n.° 37.320.9134) – cumuladas com multa e juros, incidiriam sobre o Abono Único pago em outubro de 2005, pelo Banco Sudameris Brasil S/A, em decorrência da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006. Da decadência: Defende, aqui, a empresa, que o crédito tributário consubstanciado nas autuações fiscais em tela teria sido Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 794 5 totalmente alcançado pela decadência, devendo, assim, ser reconhecida a sua extinção. Entende que a cobrança dos créditos tributários relativos a períodos anteriores a 11/2005 (inclusive) seria ilegal, pois extintos pela decadência, nos termos dos artigos 150, §4° e 156, inciso V do Código Tributário Nacional, levandose em consideração que (i) as contribuições objeto do lançamento fiscal se sujeitam ao chamado lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte a declaração e antecipação do recolhimento, sob condição resolutória da posterior análise pelo Fisco; e, (ii) se referem ao período de outubro de 2005, tendo sido a autuação fiscal lavrada somente em 31/12/2010. Segundo ela, a contagem do prazo decadencial não seria aquela prevista no artigo 173, inciso I do CTN, mas, sim, a prevista no seu artigo 150, § 4º. Destaca que, mesmo que prevalecendo a tese de que somente nos casos em que houve “pagamento antecipado” aplicarseia a norma contida no artigo 150, §4° do CTN, a verdade é que tal expediente estaria caracterizado no presente caso, tratandose de instituição financeira contribuinte habitual das contribuições previdenciárias e sociais em geral, conforme os comprovantes anexos, afirmando, aqui, não ser necessária a demonstração de recolhimentos relativos a cada uma das rubricas adotadas contabilmente por ela, mas sim da existência de recolhimento das contribuições em análise, tão somente. Para ela, ao ser desconsiderada a natureza dos pagamentos realizados a título de Abono Único para configurálo como Salário/Remuneração, a existência de pagamento deveria ser apurada em relação ao recolhimento de qualquer parcela de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração/salários dos trabalhadores, e não sobre cada um dos pagamentos realizados, que jamais foram considerados como tributáveis. E conclui, então, que as autuações fiscais não poderiam prosperar, sob pena de ilegalidade. Da ação judicial, da lavratura dos Autos de Infração e do depósito judicial: Alega, aqui, a impugnante, que os presentes Autos de Infração teriam sido indevidamente lavrados, eis que os créditos tributários em discussão seriam objeto de questionamento judicial por ela, tendo sido integralmente depositados em juízo, fazendo referência ao Processo n.º 2006.34.00.0378491 – 2ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal. Informa que, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, entre os quais estariam incluídas as contribuições sociais, quando o contribuinte, verificando a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e realiza o depósito judicial, ele estaria constituindo o crédito tributário (autolançamento), Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 795 6 nos termos do artigo 150 do CTN, sendo desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte da autoridade fiscal. Transcreve julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que, nas hipóteses de depósito integral em juízo, não haveria a necessidade da lavratura de auto de infração pela autoridade fiscal. Segundo ela, no presente caso, a Autoridade Fiscal teria se equivocado ao lavrar os autos de infração, sendo evidente a desnecessidade e a nulidade do lançamento objeto do presente processo, uma vez que ela já havia efetuado o depósito integral das contribuições exigidas, garantido os débitos em Juízo. E conclui que o lançamento de ofício, realizado pela Autoridade Fiscal, para cobrança de valores que já haviam sido lançados pelo contribuinte, seria um ato administrativo desnecessário e que careceria de motivação, sendo, portanto, nulo, o que requer seja reconhecido, com o conseqüente cancelamento dos autos de infração. Passa a discorrer, em seguida, a empresa, sobre a inexistência de renúncia à esfera administrativa. Afirma que a interpretação dada ao disposto no artigo 38 da Lei n.° 6.830, de 22/09/1980, pelo ADN/COSIT n.° 03/96, no sentido de que a propositura de ação judicial pelo contribuinte, mesmo que anterior à autuação fiscal, implicaria renúncia à esfera administrativa, no seu entender, não seria a mais adequada. Para ela, o legislador, no referido dispositivo legal, teria pretendido considerar apenas as hipóteses de interposição de medida judicial pelo contribuinte após a lavratura do auto de infração, para que ele, ou os seus efeitos, fossem desconsiderados, configurando situação diversa, não prevista em tal dispositivo, os casos em que a lavratura do auto de infração ocorre após o contribuinte ter ajuizado medida judicial para discutir a exigência de um determinado tributo que considera inconstitucional. Entende que seria ilógica a presunção legal de desistência, pelo contribuinte, do processo administrativo, nos casos em que a propositura da medida judicial é anterior ao auto de infração, como é o caso em tela, uma vez que, nessas hipóteses, o contribuinte sequer poderia prever a possibilidade de uma autuação pela Fazenda Pública. Segundo ela, somente nos casos de ingresso em juízo contra o próprio auto de infração, é que haveria renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, não devendo tal entendimento ser aplicado quando o contribuinte, sem ter sido autuado, ingressa com ação judicial para a discussão de um determinado direito, visando ao não recolhimento ou à compensação de tributos, como de forma manifestamente ilegal determinaria o Ato Declaratório COSIT n.° 3/96. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 796 7 Salienta que qualquer interpretação diversa das anteriormente apresentadas estaria ferindo os princípios constitucionais da ampla defesa e do direito de livre petição aos órgãos públicos. Afirma, ainda, que todos os argumentos suscitados em relação ao parágrafo único do artigo 38 da Lei n.° 6.830/80, se aplicariam igualmente ao disposto no parágrafo 2º do artigo 1º do DecretoLei n.° 1.737/79. Relata, também, que, no processo judicial, se discutiria o direito em tese, mesmo porque a declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ilegalidade de norma regulamentar seria apanágio do Poder Judiciário, e que, no processo administrativo, por outro lado, se examinaria a hipótese em concreto, desencadeada pela autuação fiscal, e os seus respectivos montantes, ou seja, o próprio título materializado da obrigação tributária. Informa, ademais, que, no julgamento de uma ação judicial pode ocorrer de o processo ser extinto sem o julgamento do mérito, e que, nesse caso, o contribuinte estaria desprovido de um dever do Estado, que deve ser assegurado a todos: o da ampla defesa. Defende que o Estado teria o dever de analisar e julgar as lides em que os contribuintes estão envolvidos, com independência entre as esferas administrativa e judicial. E, afirmando não ter renunciado expressamente à via administrativa, requer que sejam apreciados todos os itens de sua impugnação relativos ao mérito. Do abono único: Sustenta, aqui, a empresa, a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o abono único, e a sua natureza não salarial. Argumenta que, no caso, não se trataria de abono para pagamento por força do contrato de trabalho ou da prestação de serviços dos empregados integrantes da categoria profissional, mas de vantagem inserida na Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006 e a ela com exclusividade vinculada. Informa que a jurisprudência e a mais abalizada doutrina seriam unânimes em reconhecer a existência de abonos não salariais, exatamente como aquele pago no presente caso, que não possuiria as características mínimas inerentes ao conceito de remuneração. Faz menção aos artigos 195, inciso I, alínea “a”, e 201, parágrafo 11 da Constituição Federal, e ao artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, e alega que qualquer verba somente ensejararia o recolhimento de contribuições previdenciárias se, e somente se, (i) retribuísse (contraprestação) os serviços prestados (retributividade) ou (ii) fosse paga com habitualidade. Com relação à retributividade, afirma que é o princípio pelo qual determinada verba, para ser considerada de natureza Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 797 8 remuneratória, deveria refletir uma contraprestação proporcional ao trabalho executado e à função desempenhada pelo empregado, e, no que diz respeito à habitualidade, faz alusão à motivação e periodicidade de realização do pagamento – para ela, só haveria habitualidade se um determinado pagamento decorresse de um mesmo fato (cíclico) do cotidiano do beneficiário ou acabasse, por outros motivos, por constituir uma expectativa positiva de recebimento por parte do beneficiário. Assim, conclui que se determinado pagamento não está abarcado por características de retributividade e/ou habitualidade, não deveria o respectivo montante compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, porque se configuraria absolutamente alheio à respectiva hipótese de incidência. Observa que, não obstante existam situações em que abono é a denominação atribuída a uma espécie de adiantamento ou compensação salarial concedido pelo empregador ao empregado, também existem situações em que não possuiu qualquer caráter retributivo, não se perfazendo em qualquer contraprestação pelo trabalho, sendo isto exatamente o que aconteceria no caso, relativo ao pagamento de abono único. No que tange ao abono único em apreço, destaca que é pago: (i) uma única vez, na vigência da Convenção Coletiva de Trabalho; (ii) indiscriminadamente a todos os empregados ativos ou afastados de suas funções por motivo de doença, acidente do trabalho e licença maternidade; (iii) independentemente do cargo ou função desempenhada pelo beneficiário dentro da empresa; (iv) sem qualquer relação com o valor da remuneração/salário pago aos empregados em contraprestação ao trabalho por eles realizados (o valor é idêntico para todos); e, portanto, (v) de forma indiscutivelmente desvinculada do salário e de caráter eventual e transitório. E, diante disso, traz as seguintes considerações: a) que o pagamento do abono único no caso em apreço não possuiria qualquer relação com os serviços prestados pelos empregados, porquanto sua causa decorreria de uma situação de fato diversa – a causa jurídica do pagamento do abono único seria, tão somente, o vínculo empregatício mantido entre o empregador e o empregado, e não os serviços prestados por este àquele, não havendo retributividade em tais pagamentos; b) que, confirmando o próprio adjetivo que caracteriza o referido abono (“único”), a Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários 2005/2006 dispõe que “será concedido um abono único na vigência da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006, desvinculado do salário e de caráter excepcional e transitório”, não havendo habitualidade em tais pagamentos. No sentido de corroborar o seu entendimento, colaciona julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acerca do tema, e reitera que, considerandose a ausência de retributividade, bem como Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 798 9 de habitualidade, no pagamento do abono único estabelecido pela Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários 2005/2006, não haveria que se falar na incidência de contribuições previdenciárias sobre tais pagamentos, tratandose de verdadeira hipótese de não incidência. Passa, então, à análise da hipótese descrita no art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7 da Lei n.° 8.212/91, “in verbis”: “Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;”. E afirma que, considerandose que, no presente caso, se estaria diante de um pagamento totalmente desprovido de natureza remuneratória, assim como de habitualidade, o dispositivo acima descrito trataria tão somente de confirmar a hipótese de nãoincidência de contribuições previdenciárias sobre o abono único pago por ela. Segundo ela, o pagamento de abono único, no caso, estaria enquadrado no item 7 da alínea “e”, do § 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, se configurando em um gasto não habitual (é único) e expressamente desvinculado do salário por convenção coletiva. Alega, ainda, que a suposta regra de isenção estabelecida no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, em verdade, teria sido indevidamente utilizada como meio para o irregular exercício da competência tributária residual da União para a instituição de novas hipóteses de incidência – referente a contribuições incidentes sobre verbas não remuneratórias – por via diversa da lei complementar exigida no art. 154, inciso I, da Constituição Federal, sendo evidente a sua inconstitucionalidade. E entende que, diferentemente do que entendeu o Agente Fiscal, o fato de o pagamento do abono único feito por ela não se enquadrar em uma das hipóteses de isenção tributária jamais lhe permitiria automaticamente afirmar que os mesmos estariam sujeitos à tributação pelas contribuições previdenciárias. Para ela, ao fundamentar a autuação fiscal na suposta inadequação do pagamento do abono único às supostas hipóteses de isenção previstas no art. 28 da Lei n.° 8.212/91, o Agente Fiscal teria ofendido o princípio da legalidade, e também desconsiderado o instituto da nãoincidência tributária. Sustenta, também, que haveria ilegalidade na inovação do Decreto n.º 3.048/99, afirmando que os decretos teriam como função precípua regulamentar e dar aplicabilidade às disposições normativas genéricas contidas na legislação, não podendo, portanto, limitar/condicionar o exercício de direitos ou mesmo impor deveres, sendo isto, no entanto, o que teria feito a alínea “j” do inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto n.º 3.048/99, ao altear a disposição contida no art. 28, § 9º, “e”, item 7 da Lei n.º 8.212/91, determinando que a desvinculação de Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 799 10 um ganho eventual ou de um abono dependesse de uma lei assim dispondo expressamente. Ressalta que tal dispositivo teria inovado no mundo jurídico ao trazer uma exigência, um condicionamento, que o item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, não previa. E, em resumo, conclui, então, a empresa, que, (i) seja pela não subsunção do fato à hipótese de incidência tributária da contribuição social, em razão da ausência dos requisitos de retributividade e/ou habitualidade, (ii) seja pelo preenchimento da hipótese de isenção estabelecida no item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, a contribuição social não incidiria sobre o pagamento do abono único estabelecido na Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários 2005/2006. Da contribuição adicional de 2,5%: Relata a impugnante que, no caso em exame, lhe teria sido imposta uma obrigação de contribuir para o custeio da Seguridade Social, através do adicional de 2,5% incidente sobre a folha de salários ou os valores pagos aos seus trabalhadores e prestadores de serviços, tendo havido uma diferenciação estabelecida pelo legislador entre os contribuintes, em virtude da atividade econômica exercida, fixandose uma maior carga tributária para as instituições financeiras ou equiparadas. Segundo ela, à luz do princípio da isonomia, bem como dos princípios informadores do custeio da Seguridade Social, todos estatuídos pela Constituição Federal, não se justificaria que apenas esta categoria de contribuintes (instituições financeiras e equiparadas) estivesse sujeita à incidência da contribuição previdenciária patronal acrescida da contribuição adicional à alíquota de 2,5%, enquanto usufruiria da mesma parcela de atuação do Estado na manutenção da Seguridade Social. Defende que as regras excepcionais aplicáveis somente às instituições financeiras e equiparadas – artigo 3º, parágrafo 2º da Lei n.° 7.787/89 e artigo 22, parágrafo 1º da Lei n.° 8.212/91 – se encontrariam maculadas pelo vício da inconstitucionalidade. Afirma que a constatação da doutrina seria unânime no sentido de que as normas que estabelecem alíquotas maiores para as instituições financeiras estariam discriminando estas sociedades apenas em razão da presunção de que estas desenvolveriam atividade mais “lucrativa” do que as demais, presunção essa que não justificaria a carga tributária mais onerosa. Salienta que as normas atacadas acabaram estabelecendo diferenciação de tratamento para as instituições financeiras e equiparadas baseadas unicamente na atividade por elas desenvolvida, o que não representaria critério juridicamente válido para basear a discriminação e implicaria ofensa ao princípio da isonomia. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 800 11 Para ela, em homenagem ao princípio da retributividade, o correto seria tributar com a mesma alíquota todos os contribuintes – aqueles que possuíssem mais empregados e, portanto, maior folha de pagamento, pagariam mais tributo; mas, ainda que se admitisse a possibilidade de exigência das contribuições sociais em alíquotas diferenciadas, o critério eleito para tal discriminação deveria estar relacionado ao fato jurídico tributário que dá nascimento à obrigação – seria legítima tal cobrança se o legislador tivesse instituído a exigência da contribuição previdenciária patronal em alíquota mais gravosa para os contribuintes que possuíssem maior número de empregados, o que não ocorreu no caso. Entende que nunca poderia ter sido imposta aos contribuintes discriminação em razão da atividade econômica, tal como a que pretendeu o artigo 3º, parágrafo 2º da Lei n.° 7.787/89 e o artigo 22, parágrafo 1º da Lei n.° 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.° 9.876/99, sob pena de desrespeito aos princípios da isonomia, da capacidade contributiva, bem como da retributividade, transcrevendo julgados e mencionando que a mais abalizada doutrina seria unânime em considerar inconstitucional a exigência da contribuição adicional de 2,5%, prevista para as instituições financeiras e equiparadas. Informa, ainda, que, como tentativa de “constitucionalizar” tal exigência, dandolhe amparo na Magna Carta, foi editada a Emenda Constitucional n.° 20/98, que acrescentou, ao artigo 195 da Constituição Federal, o parágrafo 9º, que dispõe: “as contribuições sociais previstas no inciso I deste artigo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica ou da utilização intensiva da mãode obra”. Alega, no entanto, que a Emenda Constitucional n.° 20/98 não teria alcançado o propósito de tornar legítima a exigência da contribuição adicional no período posterior à sua edição, porque, nos termos do artigo 60, parágrafo 4º, inciso IV da Constituição Federal, seria vedado ao poder constituinte derivado propor emenda constitucional tendente a abolir “cláusulas pétreas”, como são os direitos e garantias individuais e, entre eles, o princípio da isonomia previsto no artigo 5º, “caput” da Magna Carta. Ressalta, no caso, que a cobrança da contribuição adicional de 2,5% permanece eivada do vício da inconstitucionalidade, apesar da edição da Emenda Constitucional n.° 20/98, razão pela qual não seria devida por ela, não podendo prosperar a cobrança consubstanciada no auto de infração DEBCAD n.° 37.320.9126. E afirma que não busca, aqui, o reconhecimento da inconstitucionalidade de determinado dispositivo legal, mas, tão somente, o afastamento de sua aplicação ao presente caso, dada sua manifesta inconstitucionalidade. Da multa e dos juros de mora: Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 801 12 Sustenta, aqui, a empresa, que a multa e os juros de mora imputados deveriam ser cancelados, uma vez que os valores supostamente devidos a título de contribuição social tiveram sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, II do CTN, por força do depósito judicial do montante integral supostamente devido, realizado nos autos da Ação Ordinária n.° 2006.34.00.0378491. Para ela, estando o crédito com a exigibilidade suspensa, restaria descaracterizada eventual mora no recolhimento do tributo, não havendo que se falar em descumprimento da obrigação tributária, ou inadimplência, passível de ser apenada pelo Fisco. Por outro lado, entende que não haveria motivo legal que permitisse que a cobrança da multa de mora, caso fosse possível sua cobrança nestes autos, ocorresse na forma prevista no artigo 35 da Lei n.° 8.212/91, não existindo justificativa legal capaz de fundamentar a onerosidade do percentual da multa de mora em razão do simples transcorrer do tempo ou em virtude da prática de determinados atos administrativos. E afirma que a multa de mora eventualmente devida, o que se cogita apenas a título de argumentação, não poderia ser calculada de forma progressiva no tempo ou com base nos atos administrativos acima mencionados, sob pena de ilegalidade. Aponta, ainda, que a cobrança da multa de mora progressiva no tempo (tal como estava prevista no artigo 35 da Lei n.° 8.212/91) teria sido revogada com a edição da Medida Provisória n.° 449, de 03/12/2008, que, por meio do seu artigo 24, teria dado nova redação ao artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, o qual passou a fazer referência ao artigo 61 da Lei n.º 9.430/96, que, em seu parágrafo 2º, limitou o percentual de multa a 20% (vinte por cento). E conclui, então, que a multa de mora exigida no presente caso não poderia ser superior a 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade. A seguir, alega que, ainda que se entenda correta a incidência de multa no presente caso, os juros calculados com base na taxa SELIC não poderiam ser exigidos sobre as multas lançadas, por absoluta ausência de previsão legal. Menciona que o artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remeteria ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabeleceria a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Segundo ela, considerando que (i) multa não é tributo, e que (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa de ofício, que se verificaria no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeitaria o princípio constitucional da Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 802 13 legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido. Para ela, ainda, não seria cabível a alegação de que a cobrança dos juros sobre a multa, no presente caso, estaria amparada pelo artigo 43 da Lei n.° 9.430/96, já que referido dispositivo autorizaria a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. E, ante o exposto, requer o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada nos autos de infração originários do presente processo administrativo. Da multa de ofício na responsabilidade tributária por sucessão: Defende, aqui, a impugnante, a impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão. Destaca, no caso, que não poderia ser mantida a multa de ofício exigida em razão de infrações supostamente cometidas por sua empresa incorporada – Banco Sudameris Brasil S/A. Faz menção ao artigo 132 do Código Tributário Nacional, e alega que o sucessor responderia apenas pelos tributos devidos até a data da sucessão, sendo que, com relação às multas, se deveria averiguar o momento em que tal penalidade teria sido constituída, para então atribuirse ou não a responsabilidade ao incorporador. Sustenta que a multa fiscal somente seria transferida ao sucessor se ela tivesse sido lançada antes do ato sucessório, hipótese em que a multa já integraria o passivo da empresa sucedida. Relata que, no caso em questão, a multa teria sido lançada em 23/12/2010, enquanto que a incorporação do Banco Sudameris pelo Banco ABN Amro Real teria ocorrido em 31/08/2007, tendo sido este, por sua vez, incorporado por ela em 29/08/2008, não havendo que se manter a cobrança da multa punitiva dela, sucessora por incorporação. Informa, ainda, que somente lhe poderiam ter sido imputadas as multas lançadas por meio do presente auto de infração acaso as respectivas infrações tivessem sido cometidas por empresas incorporadas cujos administradores fossem os mesmos que os seus ou, ao menos, que as incorporadas pertencessem ao seu grupo econômico, conforme a Súmula CARF n.° 47, publicada no Diário Oficial da União em 09/12/2010. Afirma, porém, que não é isso o que se verifica no presente caso: o Banco Sudameris Brasil S/A foi incorporado pelo Banco ABN AMRO Real S/A e, posteriormente, este o foi pelo Banco Santander Brasil S/A, todos eles instituições financeiras pertencentes a diferentes grupos econômicos, com administrações completamente distintas e independentes. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 803 14 E conclui que, como a multa em apreço somente foi lançada após os eventos da incorporação, sobre fatos de responsabilidade exclusiva da empresa incorporada, não se poderia admitir a transferência dessas penalidades, também em função do seu caráter personalíssimo, razão pela qual aguarda a exoneração da multa de ofício lançada. Do relatório de vínculos: Discorre, aqui, a empresa, acerca da incorreta identificação dos responsáveis pelo pagamento das contribuições previdenciárias supostamente devidas, alegando que a exigência jamais deveria prosperar em face dos seus representantes legais. Menciona que, conforme “Relatório de Vínculos” anexo ao auto de infração, a fiscalização, arbitrária e ilegalmente, pretenderia imputar responsabilidade solidária aos seus representantes legais, para o pagamento da contribuição social lançada, o que não pode aceitar. Ressalta que não existiriam razões legais para que o lançamento fiscal indicasse como corresponsáveis pelo débito estas pessoas, haja vista não serem elas sujeitos passivos de qualquer obrigação tributária. Segundo ela, as únicas hipóteses em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias (principal ou acessória) estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, hipóteses estas que não ocorreram no caso presente. Afirma, todavia, que, no presente caso, nunca se justificou a inclusão das pessoas elencadas no “Relatório de Vínculos”, mediante a caracterização de uma das hipóteses autorizadoras a tal expediente. Para ela, o que fez a fiscalização foi partir da presunção de que as pessoas arroladas seriam responsáveis pelo pagamento do eventual crédito, esquecendose, porém, que as relações jurídicotributárias não se pautariam por presunções, mas, sim, pela adequação do fato executado à norma legal vigente. E conclui que, não havendo adequação do caso concreto às hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, não há que se falar em responsabilização solidária, sob pena de se descambar às raias da ilegalidade e conseqüente inconstitucionalidade. Aponta, ademais, que ,de acordo com o artigo 13, parágrafo único da Lei n.° 8.620/93, a responsabilidade solidária dos diretores somente se daria quando provado pelo Fisco o inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados no presente caso. Entende, ainda, não ser cabível a alegação de que a relação de corresponsáveis serviria tão somente para o eventual Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 804 15 ajuizamento de execução fiscal para a cobrança judicial dos valores supostamente devidos por ela, porque, independentemente do meio processual utilizado pelo Auditor Fiscal para aduzir sua pretensão creditória, a cobrança de quaisquer valores em face dos seus representantes legais estaria condicionada à ocorrência das hipóteses expressamente previstas na legislação tributária em vigor. Salienta que apenas ela deveria ser imputada a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão, pois somente ela, neste momento processual, seria responsável pelo pagamento de contribuição eventualmente devida, requerendo que os representantes legais fossem expressamente excluídos do pólo passivo da obrigação tributária. Do pedido: Diante de todo o exposto, requer a impugnante: • (i) que seja julgada procedente a sua impugnação, com o cancelamento integral dos autos de infração lavrados, seja pela decadência do direito de lançar o crédito, seja pelo reconhecimento, na espécie, de hipótese de não incidência das contribuições previdenciárias; • (ii) alternativamente, que sejam afastados multa e juros, porque erroneamente calculados, além de aplicados sobre valores cuja exigibilidade se encontra suspensa por depósito judicial e em sua face, ainda que as supostas infrações tenham sido cometidas por sua incorporada; • (iii) independentemente do acolhimento dos pedidos acima, que os seus representantes legais sejam excluídos do pólo passivo da presente autuação. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 714/739, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Decadência Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.720471/201075 Acórdão n.º 2202004.713 S2C2T2 Fl. 805 16 Em relação à decadência, o contribuinte faz referência aos períodos até 11/2005. Isso porque só foi regularmente cientificado do lançamento em 31/12/2010. A DRJ rejeitou a alegação, porque entendeu que o contribuinte não efetuara antecipação do pagamento referente especificamente às contribuições incidentes sobre a rubrica específica, e por isso a contagem do prazo decadencial deslocarseia do § 4º do artigo 150, do CTN, para o artigo 173, I, do CTN. No entanto, a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, estabelece que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifouse) Contandose o prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador, e considerando a antecipação de pagamentos de contribuições, ainda que não especificamente sobre valores pagos a título de "abono único", mas aplicando a inteligência da Súmula acima transcrita, é de ser reconhecida a decadência do lançamento até a competência 11/2005, inclusive. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 806DF CARF MF
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Numero do processo: 13660.000053/2003-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. DESCABIMENTO.
O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos do IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizá-los, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório, já em primeira análise, sido reconhecido, ou, quando indeferido o Pedido de Ressarcimento, não tenha sido revertida a decisão denegatória da Unidade de Origem pelas instâncias administrativas de julgamento, não há que se falar, portanto, em aplicação da Taxa SELIC.
Numero da decisão: 9303-007.019
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Recorrente G, A, PEDRAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. DESCABIMENTO. O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos do IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório, já em primeira análise, sido reconhecido, ou, quando indeferido o Pedido de Ressarcimento, não tenha sido revertida a decisão denegatória da Unidade de Origem pelas instâncias administrativas de julgamento, não há que se falar, portanto, em aplicação da Taxa SELIC. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 00 53 /2 00 3- 50 Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13660.000053/200350 Acórdão n.º 9303007.019 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 29200.009, que negou provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo não reconheceu o direito à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento pleitado. Em Exame de Admissibilidade foi dado seguimento ao Recurso quanto à discussão sobre a atualização pela Taxa SELIC no ressarcimento do créditos do IPI. A PGFN apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.012, de 14/06/2018, proferido no julgamento do processo 13660.000052/200313, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.012): "Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida, qual seja, a atualização pela Taxa SELIC. O tema já foi mais que debatido nesta Turma, girando a discussão, fundamentalmente, sobre a interpretação a ser dada ao decidido pelo STJ em Acórdão submetido ao rito do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 13660.000053/200350 Acórdão n.º 9303007.019 CSRFT3 Fl. 4 3 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) Citese ainda a Súmula nº 411, do mesmo STJ: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. No caso sob análise, ficou configurada a oposição estatal ilegítima?? É indubitável que não. A decisão da DRJ Santa Maria (fls. 171 a 177), julgando a Manifestação de Inconformidade, manteve integralmente o consignado do Despacho Decisório, tendo ocorrido o mesmo para o Recurso Voluntário, que foi negado, como já visto. Assim, não tendo a decisão da Unidade competente para analisar o Pedido de Ressarcimento sido revertida ao longo do trâmite do Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em atualização pela Taxa SELIC, ainda que considerada a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que versa sobre o tema. E (ainda que soe redundante), importante se faz consignar que, no que tange à parcela que foi eventualmente reconhecida logo de início (como ocorreu no caso concreto, já que o deferimento foi parcial, conforme Despacho Decisório às fls. 117 e 118), sobre ela nunca cabe atualização monetária, por ausência de previsão legal, pois claro está que a discussão que foi aqui trazida à tona só se justifica quanto ao suposto direito creditório objeto de decisão denegatória. Por derradeiro, afasto aqui o argumento, que alguns defendem, de que o ressarcimento seria “espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13660.000053/200350 Acórdão n.º 9303007.019 CSRFT3 Fl. 5 4 À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo nem a DRJ, tampouco o CARF, reconheceram qualquer valor adicional ao direito creditório além do já reconhecido no Despacho Decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 743DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.002928/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/01/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA
Não deve ser apreciado o pedido de restituição de créditos do período de março de 1996 a janeiro de 1999, protocolizado em 03/12/09, uma vez que eivado pela decadência.
Numero da decisão: 3301-005.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/01/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA Não deve ser apreciado o pedido de restituição de créditos do período de março de 1996 a janeiro de 1999, protocolizado em 03/12/09, uma vez que eivado pela decadência.
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DECADÊNCIA Não deve ser apreciado o pedido de restituição de créditos do período de março de 1996 a janeiro de 1999, protocolizado em 03/12/09, uma vez que eivado pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 29 28 /2 00 3- 41 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10166.002928/200341 Acórdão n.º 3301005.025 S3C3T1 Fl. 318 2 "Cuidam os autos de Pedido de Restituição, em formulário, apresentado em 13/03/2003, referente a pretenso crédito de pagamentos indevidos de PIS, efetuados no período de março/1996 a janeiro/1999. Em 30/03/2005 (fls. 168/169), requereu a desistência do pedido sem julgamento de mérito, solicitando o arquivamento do processo em seqüência. A RFB, em 17/06/2005, acatou o requerimento da interessada, encaminhando o processo para o arquivo, por perda de objeto do Pedido de Restituição. Mesmo assim, no decorrer dos anos de 2005 e 2006 a contribuinte transmitiu várias Dcomp vinculadas ao presente processo. E, em 07/12/2009, apresentou “Requerimento de Ressarcimento/Indenização” (fls. 171 a 188), solicitando novamente o valor informado no Pedido de Restituição inicial, além de pretensas multas exigidas da União por descumprimento do prazo legal para apreciar o referido Pedido de Restituição. Por fim, irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", por inexistência de crédito, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Os débitos não compensados devem ter sua exigibilidade suspensa enquanto houver pendência de julgamento de recurso administrativo; O STF julgou inconstitucionais os DLs 2.445 e 2.449/88. O Governo editou a MP 1.212/95, convertida na Lei 9.715/98, para exigir o PIS “a partir de outubro/95”, expressão declarada inconstitucional; Com isto, falta eficácia/legitimidade à cobrança de tributo com base em MP alterada/revogada, sendo devida só a partir de fevereiro/1999. Então, de março/96 a janeiro/99 a recorrente recolheu indevidamente contribuição ao PIS, pois houve ofensa aos princípios constitucionais da estrita legalidade e anterioridade da lei; Assim, as matérias revogadas que tratavam as leis anteriores (Leis Complementares 07/70 e 17/73), cuja revogação se deu em razão da nova regulamentação efetuada pela Lei 9.715/98, não se restauram por ter a lei revogadora perdido a eficácia e a respectiva vigência retroativa (efeito da “não represtinação”); Por todo o exposto, requer o reconhecimento do direito à restituição/compensação dos recolhimentos inconstitucionais para ser homologada a restituição do valor do PIS, pago indevidamente no período de apuração março/96 a janeiro/99, na importância pleiteada com as respectivas atualizações e seja dado efeito suspensivo ao presente recurso administrativo." A DRJ em Brasília (DF) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 03049.050, de 31/07/12, foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 Compensação Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo, por outro lado, é dever Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10166.002928/200341 Acórdão n.º 3301005.025 S3C3T1 Fl. 319 3 do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Fundamento de Inconstitucionalidade – Processo Administrativo Fiscal – Vedação Entendimento da SRF Expresso em Atos Normativos É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. O julgador deve observar o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário A manifestação de inconformidade suspende a exigência do crédito tributário, relativamente ao débito objeto da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em 10/03/03, o contribuinte protocolizou Pedido de Restituição (PER fls. 1 a 4)) de supostos pagamentos indevidos de PIS referentes ao período de março de 1996 a janeiro de 1999. Em 30/03/05, desistiu do pleito (fls. 171). Ao longo dos anos de 2005 a 2009 vinculou ao citado PER diversos Pedidos de Compensação. E, em 03/12/2009, novamente requereu o crédito, por meio de "Requerimento de Ressarcimento/Indenização" (fls. 174 a 191). Por meio do Despacho Decisório que se encontra nas fls. 236 a 241, datado de 30/05/2011, a DRF/BSB consignou que o PER apresentado em 10/03/03 não fora apreciado, pois perdera o objeto, com a desistência formal, de 30/03/05. Assim, declarou inexistir crédito a restituir/compensar. Decidiu homologar os DCOMP que haviam sido protocolizadas há mais de cinco anos, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, e não rejeitar os demais. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10166.002928/200341 Acórdão n.º 3301005.025 S3C3T1 Fl. 320 4 E, por fim, dispôs que o "Requerimento de Ressarcimento/Indenização", de 03/12/09, não foi examinado, pois não fora pleiteado por meio do Programa PER/DCOMP e tampouco dos formulários Pedidos de Restituição ou Declaração de Compensação, constantes dos Anexos I e VII da IN RFB n° 900/08. Em suas peças de defesa, o contribuinte requereu que fosse conferido caráter suspensivo à manifestação de inconformidade/recurso voluntário e sustentou a legitimidade dos créditos pleiteados, porém não combateu os motivos pelos quais o crédito não fora reconhecido pelo Fisco. Concluiu, pedindo o reconhecimento o direito creditório e a consequente homologação da totalidade das DCOMP. A DRJ confirmou que estava suspensa a exigibilidade dos créditos tributários liquidados por intermédio das DCOMP, até a conclusão da lide administrativa (art. 66 da IN RFB n° 900/08 c/c inciso III do art. 151 do CTN). Fez breve análise do crédito de PIS, julgandoo, no mérito, inexistente. Ao fim, repisou o argumento da fiscalização de que, em qualquer hipótese, o segundo pedido não poderia ser apreciado, pois não fora formalizado corretamente. Em prestígio ao princípio do Formalismo Moderado, superaria a questão formal da falha na instrumentalização do segundo Pedido de Restituição ("Requerimento de Ressarcimento/Indenização", de 03/12/09). Contudo, também deixarei de apreciar as alegações de mérito, acerca da eventual legitimidade dos créditos de PIS, posto que tal direito já decaíra, à luz do art. 168 do CTN o pleito foi protocolizado em 03/12/09 e dizia respeito a créditos de março de 1996 a janeiro de 1999. Consigno que, por dois motivos, não vejo óbice à não apreciação dos argumentos, por motivo diverso daquele adotado pela fiscalização: i) a fiscalização não adentrou no mérito do pedido, em razão de não ter sido realizado pelos meios próprios; e ii) decadência é notoriamente matéria de ordem pública. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000631/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS INCIDENTE SOBRE, A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. SALARIO DE CONTRIBUIÇAO.
Devida contribuição social destinada aos Terceiros - INCRA, a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, nos termos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 11457/07 e legislação complementar. Entende-se por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei n° 8.212/91).
Incide contribuição previdenciária os valores pagos pela empresa aos seus empregados, relativos à ajuda de custo pagas em desacordo com a alínea g do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9° e 10 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99.
Numero da decisão: 2201-004.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2004 APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS INCIDENTE SOBRE, A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. SALARIO DE CONTRIBUIÇAO. Devida contribuição social destinada aos Terceiros - INCRA, a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, nos termos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 11457/07 e legislação complementar. Entende-se por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei n° 8.212/91). Incide contribuição previdenciária os valores pagos pela empresa aos seus empregados, relativos à ajuda de custo pagas em desacordo com a alínea g do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9° e 10 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AOS TERCEIROS INCIDENTE SOBRE, A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. SALARIO DE CONTRIBUIÇAO. Devida contribuição social destinada aos Terceiros INCRA, a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestem serviços, nos termos dos artigos 2° e 3° da Lei n° 11457/07 e legislação complementar. Entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, I da Lei n° 8.212/91). Incide contribuição previdenciária os valores pagos pela empresa aos seus empregados, relativos à ajuda de custo pagas em desacordo com a alínea “g” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9° e 10 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 31 /2 00 8- 59 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 349 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 188/202 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados. “Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização, AI DEBCAD 37.179.4218, consolidado em 24/11/2008, contra o contribuinte acima identificado, relativo às contribuições sociais devidas e não recolhidas à Seguridade Social, destinadas a Outras Entidades/Terceiros (INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados, no valor consolidado de R$ 1.600,71 (um mil e seiscentos reais e setenta e um centavos) nas competências 01/2004, 07/2004, 09/2004 e 10/2004. 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 67/74 e anexos, temos que: 2.1. Neste AI foram lançadas diferenças referentes às contribuições para Outras Entidades e Fundos INCRA, incidentes sobre rendimentos pagos a segurados empregados a título de Ajuda de Custo sem observância do contido na alínea “g”, § 9°, art. 28 da Lei 8.212/91 e inciso VII do § 9° do art. 214 do Decreto 3.048/99, vigente à época da ocorrência do fato gerador; 2.2. A empresa foi enquadrada no código FPAS 736 (código de Terceiros 0003), que tem alíquota de 2,7%, sendo que 0,2% referemse às contribuições ao INCRA; 2.3. Na análise das Folhas de Pagamento foi detectado a ocorrência de pagamentos a título de Ajuda de Custo e Diferença Ajuda de Custo, sendo solicitado os contratos de trabalho relativos aos empregados beneficiados e esclarecimentos referentes a motivação de tal pagamento, através de TIAD; Fl. 284DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 350 3 2.4. Foi verificado que tal verba não foi paga em decorrência de transferência do empregado para localidade diferente da estipulada em contrato de trabalho e que está se deu no mês da admissão ou no mês imediatamente posterior a admissão, sendo considerada, pela fiscalização remuneração pela assinatura do contrato de trabalho; 2.5. Os segurados empregados que receberam ajuda de custo tendo em vista transferência de local de trabalho, foram excluídos do lançamento; 2.6. Considerando a situação fática a Auditora Fiscal conclui que não ocorreu a contratação para prestação de serviço em determinada localidade com posterior transferência para localidade diversa da contida no contrato de trabalho, motivo pelo qual lançou os valores contidos na presente autuação; DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada a empresa apresentou impugnação de fis.l0l/118 onde alega em síntese: 3.1. Da tempestividade; 3.2. Da inexigibilidade da contribuição ao INCRA: 3.2.1. Da extinção da contribuição ao INCRA pela Lei n° 7.787/89; 3.2.2. Da ausência de previsão da contribuição ao INCRA nas Leis n° 8.212/91 e 8.213/91; 3.2.3. Da impossibilidade de caracterização da contribuição ao INCRA como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3.3. Da Ajuda de Custo, tendo em vista que a base de cálculo das contribuições ao INCRA é vinculada ao conceito de salário de contribuição: 3.3.1. Entende que a ajuda de custo não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias por ser de cunho indenizatório, referente a gastos por mudança de cidade; 3.3.2. Que está enquadrada na hipótese acima mencionada por ter ocorrido mudança de residência com objetivo de permitir ao segurado empregado integrar o quadro de funcionários da impugnante; 3.3.3. Que a ajuda de custo oferecida no início do pacto laboral tem por objetivo tomar mais atrativo o cargo que está sendo oferecido em localidade diversa do domicílio do segurado. Tal benefício tem o intuito de ressarcir o contratado pelas despesas referentes à transferência de domicílio, entendendo que não há necessidade especifica de transferência entre estabelecimentos; Fl. 285DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 351 4 3.3.4. Aponta que o pagamento eventual e a finalidade de indenização com a mudança de domicílio excluem tal verba da base de cálculo das contribuições previdenciárias; 3.3.5. Dispõe sobre a eventualidade do pagamento e para tanto cita o disposto no art. 28, § 9°, V, “j” da Lei 8.212/91, concluindo que qualquer parcela paga de forma eventual não integra o salário de contribuição. Cita; o art 201, § 11 da Constituição Federal para reforçar suas alegações; 3.4 Requer a procedência da presente impugnação com declaração de insubsistência do Auto de Infração.” 2 – A decisão da DRJ julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte fls. 235/262. É o relatório do necessário. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 352 5 Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – Após detida análise dos autos e dos argumentos do recorrente entendo que é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, constituise em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. 6 Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3ºdo Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Fl. 287DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 353 6 7 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. 8 Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida. Voto 5. A impugnação apresentada é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dela conheço. 6. Inicialmente cabe destacar que nos termos do Art. 48 da Lei 11.547/2007, fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos atos normativos e administrativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária, pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos à administração das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 2° e 3° da citada Lei. Do MÉRITO 7. Trata o presente processo, de Auto de Infração da Obrigação Principal referente às contribuições previdenciárias destinadas a Terceiros INCRA, incidentes sobre valores pagos a segurados empregados a título de “ajuda de custo”, constantes de folhas de pagamento apresentadas pela Impugnante, contribuições estas não declaradas em GFIP e que não se enquadram na hipótese prevista na alínea “g”, do § 9 ° do art. 28 da Lei 8212/91 e do inciso VII do § 9 ° do art. 214 do Regulamento da Previdência Social. 8. A empresa insurgese contra a exigibilidade de contribuição ao INCRA, assim como as bases de cálculo consideradas, ou seja, a incidência de contribuição previdenciária sobre remunerações pagas a titulo de “ajuda de custo” a segurados empregados por força de transferência de domicílio, Luna vez que se trata de verba indenizatória e não de verba de natureza remuneratória ou ganho habitual, devendo ser declarada a insubsistência do lançamento. No entanto, não assiste razão à defendente pelas seguintes razões. Das contribuições a Outras Entidades e Fundos INCRA Fl. 288DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 354 7 _ 9. As contribuições destinadas a outras entidades e fundos que possuem as mesma base de cálculo das contribuições previdenciárias é fiscalizada pela Secretaria da Receita Federal nos termos do artigo 3° da Lei 11457/07, que estabelece em seu § 3°: § 3°As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e' privilégios daquelas referidas no art. 2" desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. (grifei) 10. A legislação que dá amparo a cobrança da contribuição ao INCRA encontrase relacionada no Relatório Fundamentos Legais do Débito, e encontramse vigentes, razão pela qual não cabe discutir na esfera administrativa a validade da mesma. ll. Ademais, a cobrança da contribuição ao INCRA já estava pacificada quando ainda era fiscalizada pelo INSS, através do PARECER MPAS/CJ N° 1.113/98, parecer aprovado pelo Ministro da Previdência Social, de cumprimento obrigatório tanto pelo INSS, como posteriormente pela Secretaria da Recita Previdenciária, que veio a arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, por força do artigo 324 do Regulamento de Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/99. 12. Ressaltese que o Parecer MPAS/CJ n° 1.113/98 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado, possui força normativa, vinculando a Secretaria da Receita Federal do Brasil à tese jurídica fixada, conforme disposto no artigo 42 da Lei Complementar n° 73, de 10/02/1993, in verbis: Art. 42. Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de Estado, pelo SecretárioGeral e pelos titulares das demais Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do EstadoMaior das Forças Armadas, obrigam, também, os respectivos órgãos autônomos e entidades vinculadas. 13. Portanto quanto às alegações da empresa referente à contribuição ao INCRA, o Parecer n°. 1.113 acima apontado, entende que todos os empregadores são obrigados a contribuírem para o INCRA, conforme abaixo parcialmente transcrito: PARECER MPAS/CJN° 1.113 INTERESSADO .' Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI. ASSUNTO. Contribuições destinadas ao INCRA e F UNRURAL. Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado, Aprovo.Publiquese. Em 19 de janeiro de 1998. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 355 8 REINHOLD ST EPHANES Ministro da Previdência e Assistência Social Estou de acordo e submeto à elevada consideração de Vossa Excelência o PARECER MPAS/CJ n” 1.113/98, do Dr. MARCELO VIEIRA C1LAGAS, a respeito da obrigatoriedade do SENAI e dos empregadores em geral de contribuírem para o INCRA e para o extinto FUNRURAL. (grifei) Façoo nos termos e para os fins do disposto nos incisos I e II do art. I1 e art. 42 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (grifei) Brasília, 19 de janeiro de 1998. JOSÉ BON1FÁc10 BORGES DE ANDRADA Consultor Jurídico PARECER/JCW" 1113/98 6.) DA c01vsT1TUc10N,‹1L1DADE DA CONTRIBUIÇÃO 22. Ante todo o historiado, observase que as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL sempre estiveram juntas. Contudo, não obstante todo seu companheirismo, releva salientar que o caráter jurídico que possuem são bem distintos, em razão do final a que cada uma se destina. 23. O FUNRURAL, quando de sua existência, era destinado à Previdência Social Rural. Atualmente, o sistema previdenciário está unificado. Já a contribuição para o INCRA não possui natureza previdenciária, posto que seu destino visa a manutenção da Autarquia, e esta, por sua vez, executa uma atividade social, qual seja a reforma agrária. 24. A fim de elucidar o entendimento sobre tal distinção, tomase imperioso apresentar a tese levada pelo Exmo. Sr. Ministro do Supremo Tribunal Federal CARLOS MARIO VELOSO, quando do seu voto, relatado no Recurso Extraordinário n" 138.284 CE, de 01 de julho de 1992, na qual apresenta seu estudo sobre os tributos e suas diversas espécies, senão vejamos: Os tributos, nas suas diversas espécies, compõem o Sistema Constitucional Tributário, que a Constituição inscreve nos seus artigos 145 a 162. Tributo, sabemos, encontra definição no artigo 3" do C.T.1V., definição que se resume, em termos jurídicos, no constituir ele uma obrigação, que a lei impõe às pessoas, de entregar uma certa importância em dinheiro ao Estado. As obrigações são voluntárias ou legais. As primeiras, decorrem da vontade das partes, assim do contrato; as legais resultam da lei, por isso são denominadas obrigações ex lege e podem ser encontradas tanto no direito público quanto no direito privado. A obrigação tributária, obrigação ex lege, a mais importante do direito público, "nasce de um fato qualquer da vida concreta, que antes havia sido qualificado pela lei como apto a determinar o seu nascimento. " (Geraldo Ataliba "Hermenêutica e Sistema Constitucional Tributário”, in 'Diritto e Prática Tributária ", volume I, Padova, Cedem, 1979). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 356 9 As diversas espécies tributárias, determinadas pela hipótese de incidência ou pelo fato gerador da respectiva obrigação (CTN, art. 4°), são as seguintes: a) os impostos (C.F., arts. 145, 1, 153, 154, 155 e 156); b) as taxas (C.F., art. 145, 11),' c) as contribuições, que podem ser assim classificadas: c.1. de melhoria (C.F., art. 145, III), c.2. parafiscais (C.F., art. 149), que são: c.2.1. sociais, C.2.1.1. da seguridade social (C.F., art 195, I, II, III), c.2.1.2 outras da seguridade social (C.F., art. 195, parág. 49, c.2.1.3. sociais gerais (o FGTS, o salárioeducação, C.F., arT. 212, parág. 5 ", contribuições para o SESI, SENAI, SENAC, C.F., art. 240); c.3 especiais: c.3.1. de intervenção no domínio econômico (C.F., art. 149) e c.3.2. corporativas (C.F., art. 149). Constituem, ainda, espécie tributária: d) os empréstimos compulsórios (C.F., art. 148). O citado artigo 149 institui três tipos de contribuições a) contribuições sociais, b) de intervenção, c) corporativas. As primeiras, as contribuições sociais, desdobram‹se, por sua vez, em a. 1) contribuições de seguridade social, a.2) outras de seguridade social e a.3) contribuições sociais gerais. Examinemos mais detidamente essas contribuições As contribuições sociais, falamos, desdobramse em a.1. contribuições de seguridade social: estão disciplinadas no art 195, I, II e III, da Constituição. São as contribuições previdenciárias as contribuições do FINSOCIAL, as da Lei 7.689, o PIS e o PASEP (C.F., art. 239). Não estão sujeitas à anterioridade (art. 149. art. 195, parág. 6'?; a.2. outras de seguridade social (art. 195, parág. 4 '): não estão sujeitas à anterioridade (art. 149, art 195, parág. 6'). A sua instituição, todavia está condicionada à observância da técnica da competência residual da União a começar para a sua instituição pela exigência de lei complementar (art. 195, parág. 4°, art. 154, I) a.3. contribuições sociais gerais (art. 149): FGTS, o salário educação (art. 212, parág. 5°, as contribuições do SENAI, do SESI, do SENAC (art. 240). Sujeitamse ao principio da anterioridade. As contribuições de intervenção no domínio econômico (art. 149), como as contribuições da I.A.A., do 1.B.C., estão sujeitas ao princípio da anterioridade. As corporativas (art. 149), cobradas, por exemplo, pela O.A.B., pelos Conselhos de Fiscalização de profissões liberais e pelos sindicatos (contribuição sindical) estão sujeitas, também, ao principio de anterioridade. (grifei) 25. T ratase, portanto, de espécies do gênero contribuição, e desta forma, entendemos sobre a distinção entre tais contribuições como contribuição social de seguridade social, para aquelas destinadas ao extinto FUNRURAL, atualmente por força do art. 195 da Constituição Federal, e contribuição especial de intervenção do domínio económico para a destinada ao INCRA (CF, art. 149), posto que, em conformidade aos exemplos elencados no último trecho suso transcrito, tal Fl. 291DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 357 10 contribuição encaixase nessa classificação, por também ser uma Autarquia. 14. A legalidade da cobrança das contribuições destinadas ao INCRA encontrase também pacificada no STJ, conforme se comprova nos diversos Acórdãos daquela Corte, que derrubam todas as argumentações ora apresentadas pela Impugnante, conforme segue: AgRg nos EAg 673061 / SCAGRA VO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGENCIA EM AGRA VO2008/00587440 Relator(a)Ministra ELIANA CALMON (1 114) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 24/06/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 03/08/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL – CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA EXIGIBILIDADE EMBARGOS DE DIVERGÊNCIÃ LIMINARMENTE INDEFERJDOS EM RAZÃO DA SÚMULA 168/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do EREsp 7 70.451/SC reviu a jurisprudência sobre a matéria relativa à contribuição destinada ao INCRA. 2. Tipificouse a exação como contribuição especial de intervenção no domínio económico para financiar os programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares, não existindo óbice a que seja cobrada, de empresa urbana, as contribuições destinadas ao INCRA e ao F UNR URAL. 3. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. " Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Benedito Gonçalves votaram com a Sra. Ministra Relatora. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. Processo EAg 798900 / PREMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRA V02007/01 124930 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (I 1 3 0) Órgão Julgador S1 PR1ME1RÃ SEÇÃO Data do Julgamento 13/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 25/05/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E)UGIBILIDADE NATUREZA DE CIDE AJURISPRUDÊNCIA Fl. 292DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 358 11 FIRME NO SENTIDO DO ACÓRDÃO EMBARGADO 1Nc1DÊ1vc1A DA SÚMULA 168 DO STJ. I. A Primeira Seção, em 22.10.2008, apreciando o REsp 97 7. 058/RS em razão do art. 543C do CPC, introduzido pela Lei n. 11.672/08 Lei dos Recursos Repetitivos ratificou o entendimento no sentido de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei n. 7. 787/89, nem pela Lei n” 8.212/91. Isso porque a referida contribuição possui natureza de CIDE contribuição de intervenção no domínio económico destinandose ao custeio dos projetos de reforma agrária e suas atividades complementares, razão pela qual a legislação referente às contribuições para a Seguridade Social não alteraram a parcela destinada ao INCRA. 2. Tendo a jurisprudência desta Corte se firmado no sentido do acórdão embargado, incide na hipótese dos autos o teor do Enunciado 168 da Súmula do STJ. Embargos de divergência improvidos. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça "A Seção, por unanimidade, conheceu dos embargos, mas lhes negou provimento, nos termos do voto do Sr.Ministro Relator. " Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon, Francisco Falcão, Teori Albino Zavascki, Castro Meira e Denise Arruda votaram com o Sr. Ministro Relator. Processo AgRg no REsp 999837 / PIAGRA VO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2007/02496956 Relator(a)Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 12/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 29/05/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL – CONTRIBUIÇÃO PARA 0 INCRA E EUNR URAL LEGALJDADE DA EXAÇÃ0 QUESTÃO DE MÉRITO JÁ DECIDIDA COM BASE NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC DECISÃO PROFERIDA ANTERIORMENTE AO JULGAMENTO DO CASO REPRESENTA TIVO DE CONTROVÉRSIA. I. A contribuição destinada ao INCRA e ao F UIVRURAL pelas empresas urbanas, não foram extintas pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como decidido no REsp 977058/RS, DJe 10/11/2008, pela sistemática do art. 5 43C do CPC. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 359 12 2. Decisão proferida anteriormente ao julgamento do caso representativo de controvérsia. 3. Agravo Regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a).Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com a Sra. Ministra Relatora. JURISPRUDÊNCIA STJ RECURSO REPETITIVO. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL. INCRA. A Seção, ao julgar recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidiu considerar inequívoca a higidez da contribuição adicional de 0,2% destinada ao Incra, uma vez que não foi extinta pelas Leis ns. 7. 787/1989 e 8.213/1991, tal como anteriormente entendia a jurisprudência deste Superior Tribunal, mormente pela aplicação do art. 150, I, da CF/1988 c/c o art. 97 do CTN. REsp 977.058RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22/10/2008. Da ajuda de custo: 15 Inicialmente, devese ressaltar a legislação que rege a matéria: 15.1. As contribuições para a Seguridade Social têm sua base imponível definida na Constituição da República de 1988, prevendo esta, para a empresa, a contribuição incidente sobre folha de salários e demais rendimentos do trabalho, e também a contribuição do trabalhador, nos seguintes termos: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparado na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n” 20, de 1998) a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n” 20, de l998)(grifei) 15.2. Como se vê a Constituição Federal atribuiu à lei ordinária a tarefa de instituir as contribuições previdenciárias, determinar o campo de incidência, estipulando, no entanto, a natureza das Fl. 294DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 360 13 verbas que devem integrar a base de cálculo de tais contribuições. 15.3. O artigo 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, ao conceituar o Salário de Contribuição, sobre o qual incidirá a alíquota para o cálculo da contribuição do empregado para a Previdência Social, delimitou o salário de contribuição do segurado empregado, em atendimento ao comando constitucional assim como o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu artigo 14: Lei 8212/91 “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição; I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n” 9.528, de 10.12.97) (grifei) (.) 5 § 9” Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n” 9. 528, de 10. 12.97).(grifei) RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99 Art.2l4. Entendese por saláriodecontribuição I para 0 empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; §9ºNao integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: V1 I a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da Consolidação das Leis do Trabalho; §l 0. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditados em desacordo com a legislação Fl. 295DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 361 14 pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e” efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. (grifei) 15.4. Por outro lado, vale lembrar que a Constituição Federal determina que, em matéria tributária, as normas isentivas _"ou redutoras da base de cálculo devem ser veiculadas, necessariamente, por Lei específica. Dispõe o art. 150, § 6°, da CF: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, e' vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: § 6” Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2'Ç XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n"3, de 1993) 15.5. Logo, considerando o comando constitucional, não há dúvida de que é taxativo o rol de verbas não integrantes da base de cálculo, previstas no parágrafo 9°, do art. 28, da Lei 8.212/91, não cabendo ao intérprete incluir verbas que nele nao estejam expressamente prescritas. 15.6. Assim, ressalvada a hipótese de lei que atenda ao art. 150, § 6°, da Constituição Federal, concluise que, à exceção das imunidades e das verbas expressamente excluídas pelo parágrafo 9°, do art. 28, da Lei 8.212/91, toda e qualquer verba paga com a finalidade de retribuir o trabalho constitui base de calculo de contribuição previdenciária. 16. Como se pode inferir dos dispositivos legais acima transcritos, o conceito de salário de contribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. 17. Analisando o caso concreto, podese extrair do Relatório Fiscal a seguinte situação fática: 5.1. Na análise das folhas de pagamento do ano de 2004, foi possível detectar a ocorrência de pagamentos sob o título de Ajuda de Custo e Diferença Ajuda de Custo. 5.2. No Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD datado de 26/02/2008 foram solicitados os contratos de trabalho relativos a todos os empregados que receberam esta rubrica, buscando Fl. 296DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 362 15 comprovar a transferência do empregado nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho, e a motivação da empresa para o pagamento de tal verba. 5.3. Pela análise dos contratos de trabalho apresentados e pela própria informação prestada pela empresa verificouse que tal verba não foi paga em decorrência de transferência do empregado para localidade diferente da estipulada, (grifei) 18. Pela transcrição acima seu constata que a rubrica considerada como salário de contribuição de contribuições previdenciárias foi paga em parcela única no primeiro pagamento após a admissão e formalização do contrato de trabalho ou no mês imediatamente posterior. Logo, sem que houvesse qualquer alteração do contrato de trabalho. 19. Importante ressaltar que o Auditor, em seu Relatório, em nenhum momento afirmou que a ajuda de custo somente foi recebida pelos funcionários da Impugnante uma única vez durante todo o pacto laboral, como declarou a Impugnante. O Auditor afirmou que a situação fática que observou foi através da análise das folhas de pagamentos do ano de 2004, até porque, conforme consta do Relatório Fiscal, o período fiscalizado foi de 01/2004 a 12/2004. 20. O § 9°, alínea “g” do alt. 28 da Lei n° 8.212/91, prevê a não incidência de contribuição previdenciária sobre ajuda de custo, exclusivamente, quando há alteração do contrato de trabalho, ao dispor: "Art. 28 (..). § 9" Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10.12.97). (...). g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 4 70 da CLT; (Redação dada pela Le! n° 9.528, de 10/12/97) 21. Desta forma verificase a vinculação do dispositivo legal acima citado com o art. 470 da CLT. A CLT, nos termos do art. 470, que trata das ALTERAÇÕES DO CONTRATO DE TRABALHO (capitulo III, do Título IV), assegura ao trabalhador que as alterações do contrato de trabalho promovidas pelo empregador não lhe causarão prejuízo: “... as despesas resultantes de transferência correrão por conta do empregador”. 22. A remuneração a título de ajuda de custo, conforme caracterizada pela fiscalização no presente processo, não se encontra revestida de caráter indenizatório, sendo tal constatação corroborada pela própria empresa ao alegar: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 363 16 “uma vez que a Impugnante concedeu ajuda de custo para indenizar as despesas incorridas por trabalhadores que mudaram de residência para que pudessem integrar os seus quadros de funcionários. (grtfei) Na sua busca pela formação de uma equipe de alto nível técnico, a impugnante recruta profissionais em diversas regiões do Brasil. Ocorre que, em algumas hipóteses, O profissional ideal para ocupar determinada vaga encontrase domiciliado em cidade diversa daquela onde é oferecido o cargo. (grifei) Assim, para que o cargo seja atrativo para o profissional que a Impugnante pretende contratar, lhe é oferecida, no início do pacto laboral, uma ajuda de custo que tem como único objetivo ressarcilo pelas despesas resultantes da necessária transferência de domicílio.(grifei) 23. Diante do acima exposto, extraise que, no presente processo, as verbas pagas a título de ajuda de custo, nada mais são do que um “plus” salarial oferecido em virtude da necessidade de contratação dos segurados em questão. 24. Depreendese dos argumentos apresentados na impugnação, que os valores objeto da presente autuação foram acordados com empregados oriundos de regiões diversas do local da prestação do serviço. Assim, a rubrica paga a estes empregados, no primeiro mês de prestação de serviço, foi com o intuito de viabilizar a ocorrência da prestação de serviço dos segurados empregados escolhidos. Logo, parcela retributiva do trabalho. O art. 28 da Lei 8212/91, define salário de contribuição como “... a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante 0 mês, destinados a retribuir o trabalho”. Importante observar que tal “plus” correspondeu em um dos casos a mais de 10 (dez) vezes o valor do salário constante do contrato de trabalho. Os valores pagos a título de ajuda de custo e os valores contidos nos contratos de trabalho podem ser verificados na tabela de fls. 90 e contratos de fls. 91/104. 25. Resta claro que a empresa desconsiderou a legislação quanto à necessidade de ocorrência de mudança de local de trabalho, e não mudança de endereço do segurado em função de sua contratação. Em momento algum ocorreu mudança de local de trabalho uma vez que a defendente remunerava o segurado empregado, a título de “ajuda de custo”, por ocasião de sua contratação, ou seja, no momento de sua contratação para trabalhar em local já prédeterminado, não se pressupondo qualquer espécie de alteração de local de trabalho neste momento da relação de trabalho. 26. O art. 28, § 9°, “g” da Lei n.° 8.212/91, é claro ao afirmar que não integra o salário de contribuição apenas a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. Tal disposição se justifica, uma vez que, tal verba tem caráter Fl. 298DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 364 17 indenizatório, que só ocorrerá quando o empregador contratar o empregado para trabalhar num determinado local e, no curso do contrato, transferilo para outro local, hipótese em que terá que ressarcir as despesas decorrentes da modificação do contrato de trabalho, o que não ocorreu no presente caso. 27. Portanto, ao se afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre ajuda de custo, sem que estas parcelas sejam recebidas de acordo com o art. 470 da CLT, ou seja, decorrentes exclusivamente da mudança de local de trabalho, seria admitir uma forma excepcional e não prevista em lei de isentar o contribuinte da exação, o que é repelido pelo nosso ordenamento jurídico tributário, na medida em que tal matéria está adstrita ao campo da reserva legal, sendo que só a Lei, esta entendida em seu sentido estrito, pode sobre ela dispor (art. 150, § 6° da CF, e art. 176 do CTN). 28. A tese defendida pela empresa de eventualidade, com base no artigo 201 da CF e no artigo 28, §9°, alínea “e”, “7” da Lei 8212/91, também não se sustenta, uma vez que a verba concedida a seus empregados, como já foi demonstrado, não foi um valor eventual concedido pela mesma, por mera liberalidade, mas sim, um valor previamente acordado com os empregados que estavam sendo contratados para que estes se sujeitassem a prestar serviços nas localidades também previamente determinadas pela empresa. Logo, valor concedido para remuneração de empregados qualificados para prestar serviços numa localidade específica. 29. A rubrica em análise se encontra revestida das mesmas características da rubrica abono. O artigo 28, §9°, alínea “e”, “7” da Lei 8212/91, só exclui do salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados do salário. Logo abono é parcela integrante do salário de contribuição. 30. Sérgio Pinto Martins, Atlas, 2003, em “Comentários à CLT”, pág.394, ao assim define tal rubrica: Consiste o abono num adiantamento em dinheiro, numa antecipação salarial ou num valor a mais que é concedido ao empregado. A CLT menciona expressamente que os abonos integram o salário. O abono só não integrará o salário quando a lei for expressa em sentido contrária, como em relação ao abono de férias não excedente de 20 dias (art. 144 da CLT) e em certos planos econômicos (art. 9°, § 7", da Lei 8178/91). 31. Amauri Mascaro Nascimento, Atlas, 2001, pág. 357, em “Iniciação ao Direito do Trabalho, dispõe sobre “Abono”: Abono significa adiantamento em dinheiro, antecipação salarial. Situações de momento criam cenas necessidades para as quais são estabelecidas medidas transitórias. (grifei) 32. Já Ronaldo Belmonte, Ltr, 1996, em “Obrigações das Empresas junto à Previdência Social”, pág 64: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 365 18 Os abonos são formas encontradas, tanto pela legislação como pelas convenções coletivas, de se dar um adiantamento salarial aos empregados, sem que com isso alterese o salário fixo ou saláriobase. 33. Por tais conceitos é possível concluir que os abonos de qualquer natureza, concedidos em virtude de lei, dissídio, acordo coletivo ou contrato ou por mera liberalidade, fixos ou variáveis, integram a base de cálculo. Integram também a base de cálculo da contribuição previdenciária, os abonos vinculados a fatores como eficiência, assiduidade, tempo de serviço e outros de natureza compensatória, bem como os valores pagos a título de abonos, de forma espontânea e em caráter transitório. 34. A Lei 8212/91, artigo 28, §9°, alínea “e”, “7”, s__ó estabelece como não integrante do salário de contribuição, os abonos expressamente desvinculados do salário. § 9" Não integram 0 saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n” 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Incluído pela Lei n°9.528, de 10.12.97) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei n"9. 711, de 20.11.98). 41. O artigo 457 da CLT estabelece: Art. 45 7 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço. as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei n” 1.999, de 1.10.1953). § 1" Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei n” 1.999, de 1.10.1953) 35. Portanto, as verbas pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, nos termos do 'parágrafo 10, do artigo 214, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999: Art. 214. §10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditados em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 19740.000631/200859 Acórdão n.º 2201004.675 S2C2T1 Fl. 366 19 36 Desta forma, ao contrário do que entende a impugnante, a fiscalização, ao efetuar, neste AI, o lançamento de contribuições relativas a Terceiros sobre as verbas pagas a segurados empregados, em folhas de pagamentos, sem os devidos recolhimentos em GPS, agiu de acordo com o princípio da legalidade estrita, observou o artigo 28 da Lei n.° 8.212/91 e cumpriu o que determina o artigo 37, “caput” do referido dispositivo legal, não havendo que se falar em sua improcedência, sendo devidas as contribuições sociais destinadas a Terceiros. 37. Isto posto, considerando que o Auto de Infração foi lavrado de acordo com a Legislação relacionada no anexo Fundamento Legais do Débito FLD, razão pela qual REJEITO AS RAZÕES APRESENTADAS NA IMPUGNAÇÃO E MANTENHO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 38. É o meu voto. Conclusão 09 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito, lhe Nego provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910732/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.103
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 32 /2 00 8- 61 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910732/200861 Acórdão n.º 3201004.103 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.880, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910732/200861 Acórdão n.º 3201004.103 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910732/200861 Acórdão n.º 3201004.103 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910732/200861 Acórdão n.º 3201004.103 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910732/200861 Acórdão n.º 3201004.103 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910732/200861 Acórdão n.º 3201004.103 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
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