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Numero do processo: 13643.000755/2008-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. COMPROVANTES TRAZIDOS COM O RECURSO. FORMALISMO MODERADO.
Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, conhece-se de documentos trazidos aos autos em fase recursal, até então não constantes dos autos.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. GLOSA MANTIDA EM PARTE.
Tendo sido parcialmente comprovadas integralmente as despesas de instrução e parcialmente as despesas médicas, mantém-se a glosa quanto às deduções não comprovadas.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas, no montante de R$15.650,00 (quinze mil, seiscentos e cinqüenta reais), e de despesas com instrução do dependente Douglas Amin Chigane, até o limite legal individual de R$1.998,00, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 23/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. COMPROVANTES TRAZIDOS COM O RECURSO. FORMALISMO MODERADO. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, conhece-se de documentos trazidos aos autos em fase recursal, até então não constantes dos autos. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. GLOSA MANTIDA EM PARTE. Tendo sido parcialmente comprovadas integralmente as despesas de instrução e parcialmente as despesas médicas, mantém-se a glosa quanto às deduções não comprovadas. Recurso provido em parte.
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COMPROVANTES TRAZIDOS COM O RECURSO. FORMALISMO MODERADO. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, conhecese de documentos trazidos aos autos em fase recursal, até então não constantes dos autos. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS E DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. GLOSA MANTIDA EM PARTE. Tendo sido parcialmente comprovadas integralmente as despesas de instrução e parcialmente as despesas médicas, mantémse a glosa quanto às deduções não comprovadas. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas, no montante de R$15.650,00 (quinze mil, seiscentos e cinqüenta reais), e de despesas com instrução do dependente Douglas Amin Chigane, até o limite legal individual de R$1.998,00, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 3. 00 07 55 /2 00 8- 56 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 23/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.02 e ss.), referente ao exercício 2004, anocalendário de 2003, em razão de supostas deduções indevidas de despesas médicas, de instrução e de dependentes, sempre por falta de comprovação. Impugnou o lançamento (fls. 1), apresentando com a impugnação documentos de fls.628, alegando não ter recebido intimação para apresentação de tais documentos antes da autuação. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/JFA, em sessão realizada no dia 04/02/2011, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, aos seguintes fundamentos: que, quanto à alegação de não recebimento de intimação antes da autuação, não apenas tratase de formalidade dispensável, em cuja falta, é o contraditório exercido por ocasião da impugnação e do recurso voluntário, como ainda foi a notificação enviada para o domicílio fiscal do contribuinte, o mesmo endereço para o qual posteriormente enviouse o auto de infração, este, sim, recebido pelo contribuinte, pois o impugnou; que a primeira notificação, em fase de fiscalização, foi devolvida, após as três tentativas de entrega pelos correios, tendo então se dado a notificação por edital, nos termos do Decreto n.70.235/72; que restou comprovada a relação de dependência dos dependentes informados na DIRPF, restabelecendose a glosa respectiva; que as despesas de instrução foram parcialmente comprovadas pelo contribuinte, permanecendo a glosa de suposta despesa correspondente à educação do dependente Douglas Amir Chigane, pois o recibo de fl.23 não contém identificação da instituição emitente, nem da pessoa que o subscreve, restabelecendose as demais glosas de tal espécie de despesa até o limite legal individual, relativo à outra filha e dependente do contribuinte; que, quanto às despesas médicas, especifica a DRJ a fls. 46 as razões de acolher ou não comprovantes de despesas médicas apresentados, à luz do RIR/99, restabelecendose parcialmente as glosas respectivas. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 13643.000755/200856 Acórdão n.º 2802002.275 S2TE02 Fl. 103 3 Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 6061 (numeração CARF, pois ausente a numeração original), o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 62, atacando a decisão exarada pela DRJ, trazendo documentos até então não constantes dos autos com vistas a suprir as deficiências daqueles anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, a glosa de deduções com despesas médicas e de instrução ainda subsistentes. Invoco o princípio do formalismo moderado para conhecer dos documentos trazidos pelo contribuinte em sede recursal (fls.75 e ss.), na esteira da jurisprudência reiterada desta Turma e passo a examinálos. Tenho como supridas a falta de endereço profissional de Fabrício Ignacchiti Ribeiro e a informação relativa ao beneficiário dos serviços, o filho e dependente do contribuinte, pela declaração de fl.85. Também supridas as mesmas falhas em relação aos comprovantes de pagamento à psicóloga Adriana Lobardi de Lucca, pela declaração de fl.81, tendo o tratamento por beneficiário o próprio contribuinte. O mesmo ocorre em relação aos pagamentos a Henri Iasbik, pois a declaração de fl.75, é coincidentes, em parte, com o valor deduzido no anocalendário em comento. Suprindo apenas a falta de indicação dos beneficiários dos serviços fisioterápicos, o próprio contribuinte e sua filha e dependente, acolho a declaração de fl.95, expedida por Viviane Contin Moreira, não havendo outra deficiência apontada pela DRJ nos respectivos comprovantes. Por sua vez, supre a falta de indicação de endereço profissional, a declaração de fl.77, firmada por Tovar Nogueira Fonseca. Também as omissões de indicação de registro profissional e beneficiários dos serviços, estão supridas pela declaração de fl.92, prestada por Cibele Soares de Assis. De resto são coincidentes, nas declarações que ora se acolhem, valores e datas de pagamento com aquelas indicadas nos respectivos recibos. Por fim, quanto à despesa de instrução, as omissões apontadas no recibo de fl.23, relativos a mensalidades de ensino fundamental em benefício do estudante e filho do contribuinte, Douglas Amin Chigane, está suprida dela declaração de fl.91, emitida pelo estabelecimento de ensino e firmada por sua tesoureira. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Desta forma, sou pelo provimento parcial do recurso, no sentido de restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas pelo auto de infração, no montante de R$15.650,00, e despesas com instrução do dependente Douglas Amin Chigane, até o limite legal individual de R$ 1.998,00, mantendose quanto ao mais o lançamento, naquilo em que não tenha sido desconstituído pela d.DRJ, tudo nos termos dos comprovantes de fls.1415; 17; 1928; 77; 81; 85; 91; 92 e 95. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000087/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 08 7/ 20 08 -3 5 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000087/200835 Resolução nº 3302000.327 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de COFINS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/01/2006 a 31/03/2006 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no mercado interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 373DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000087/200835 Resolução nº 3302000.327 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação da Cofins não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para a Cofins devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de COFINS NãoCumulativo Receita no mercado interno, referente ao 1º trimestre de 2006. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000087/200835 Resolução nº 3302000.327 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000087/200835 Resolução nº 3302000.327 S3C3T2 Fl. 6 5 Ementa: NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL Fl. 376DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000087/200835 Resolução nº 3302000.327 S3C3T2 Fl. 7 6 III DO DIREITO III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000087/200835 Resolução nº 3302000.327 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, no período de 04/04/2006 (data da publicação da IN SRF 636/2006) a 24/07/2006 (dia anterior à publicação da IN SRF nº 660/2006), a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no § 3º, do art. 2º da IN SRF nº 636/2006. A partir do dia 25/07/2006, além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora Fl. 378DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000087/200835 Resolução nº 3302000.327 S3C3T2 Fl. 9 8 deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A (para as vendas realizadas a partir 05/04/2006) e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins (para as vendas realizadas a partir 25/07/2006). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000087/200835 Resolução nº 3302000.327 S3C3T2 Fl. 10 9 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
score : 1.0
Numero do processo: 13884.003309/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
2000, 2001
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF
INSTAURADO COM BASE EM INFORMAÇÕES DA CPMF.
RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001.
Para a infração relativa ao ano-calendário
de 2000, embora a fiscalização
tenha intimado a empresa a apresentar os extratos bancários e a comprovar a
origem dos recursos, o sujeito passivo, durante a ação fiscal retificou a DIPJ
desse ano e incluiu como rendimentos tributáveis os valores dos depósitos
bancários, o que significa, que o lançamento foi efetuado com base nos
registros contábeis e fiscais da própria contribuinte, e consequentemente, a
discussão sobre a retroatividade da Lei 10.174/2001, não tem vínculo com
essa parte do lançamento.
Para a infração relativa ao ano-calendário
de 2001, embora haja depósitos
com origem não comprovada de 01 a 09 de janeiro de 2001, que antecederam
a publicação da Lei 10.174/2001, que se deu em 10.01.2001, por terem os
fatos geradores ocorrido após a vigência da lei, a discussão sobre a
retroatividade da lei, não diz respeito ao presente litígio.
PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA
INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Rejeita-se
a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, pois o
colegiado de primeira instância, assim como este, não têm competência para
analisar a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa matéria está sumulada
no CARF, pela súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar
sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
Não se aprecia as matérias que não foram expressamente contestadas na
impugnação, por preclusão.
LANÇAMENTO. LUCRO REAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE
ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATRIBUIÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO
FINANCEIRA A ATIVIDADES DE FACTORING DE OUTRA
EMPRESA. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito
ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos
quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante
documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, nos termos do art. 42 da
Lei 9.430/96. Por tratar-se
de uma presunção legal, o ônus da prova é do
sujeito passivo.
Para que se considerasse que a movimentação financeira pertencia a outra
empresa, seria necessária a apresentação de provas, tais como, os contratos de
faturização, notas fiscais e outros documentos que permitissem constatar a
vinculação entre os depósitos e as operações alegadas.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA.
O valor da expressiva diferença de receita não contabilizada, é fator decisivo
para a manutenção da multa qualificada, pois, a recorrente não trouxe aos
autos, qualquer argumento que explicasse as razões de ter escriturado e
declarado na sua DIPJ original, menos de 4% das receitas, quando
posteriormente, sob procedimento de ofício, reconheceu inclusive mediante a
retificação de DIPJ, que as receitas eram de valor superior a de R$ 2 milhões
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA.
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de
estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com
multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base
de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento
concomitante de ambas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF.
Nos termos da Súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, são
devidos os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados
pela Receita Federal, no período de inadimplência, à taxa Selic.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Estende-se
o decidido em relação ao tributo principal, às exigência da CSLL,
contribuição para o PIS e COFINS tendo em vista que os fatos são os
mesmos e existe uma estreita relação entre causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as
preliminares, e no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir
do lançamento as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, nos termos do
relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros João
Otávio Oppermann Thomé e Plínio Rodrigues Lima que não as excluíam.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF INSTAURADO COM BASE EM INFORMAÇÕES DA CPMF. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001. Para a infração relativa ao ano-calendário de 2000, embora a fiscalização tenha intimado a empresa a apresentar os extratos bancários e a comprovar a origem dos recursos, o sujeito passivo, durante a ação fiscal retificou a DIPJ desse ano e incluiu como rendimentos tributáveis os valores dos depósitos bancários, o que significa, que o lançamento foi efetuado com base nos registros contábeis e fiscais da própria contribuinte, e consequentemente, a discussão sobre a retroatividade da Lei 10.174/2001, não tem vínculo com essa parte do lançamento. Para a infração relativa ao ano-calendário de 2001, embora haja depósitos com origem não comprovada de 01 a 09 de janeiro de 2001, que antecederam a publicação da Lei 10.174/2001, que se deu em 10.01.2001, por terem os fatos geradores ocorrido após a vigência da lei, a discussão sobre a retroatividade da lei, não diz respeito ao presente litígio. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, pois o colegiado de primeira instância, assim como este, não têm competência para analisar a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa matéria está sumulada no CARF, pela súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Não se aprecia as matérias que não foram expressamente contestadas na impugnação, por preclusão. LANÇAMENTO. LUCRO REAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATRIBUIÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A ATIVIDADES DE FACTORING DE OUTRA EMPRESA. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Por tratar-se de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo. Para que se considerasse que a movimentação financeira pertencia a outra empresa, seria necessária a apresentação de provas, tais como, os contratos de faturização, notas fiscais e outros documentos que permitissem constatar a vinculação entre os depósitos e as operações alegadas. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. O valor da expressiva diferença de receita não contabilizada, é fator decisivo para a manutenção da multa qualificada, pois, a recorrente não trouxe aos autos, qualquer argumento que explicasse as razões de ter escriturado e declarado na sua DIPJ original, menos de 4% das receitas, quando posteriormente, sob procedimento de ofício, reconheceu inclusive mediante a retificação de DIPJ, que as receitas eram de valor superior a de R$ 2 milhões LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, são devidos os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal, no período de inadimplência, à taxa Selic. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Estende-se o decidido em relação ao tributo principal, às exigência da CSLL, contribuição para o PIS e COFINS tendo em vista que os fatos são os mesmos e existe uma estreita relação entre causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF INSTAURADO COM BASE EM INFORMAÇÕES DA CPMF. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001. Para a infração relativa ao anocalendário de 2000, embora a fiscalização tenha intimado a empresa a apresentar os extratos bancários e a comprovar a origem dos recursos, o sujeito passivo, durante a ação fiscal retificou a DIPJ desse ano e incluiu como rendimentos tributáveis os valores dos depósitos bancários, o que significa, que o lançamento foi efetuado com base nos registros contábeis e fiscais da própria contribuinte, e consequentemente, a discussão sobre a retroatividade da Lei 10.174/2001, não tem vínculo com essa parte do lançamento. Para a infração relativa ao anocalendário de 2001, embora haja depósitos com origem não comprovada de 01 a 09 de janeiro de 2001, que antecederam a publicação da Lei 10.174/2001, que se deu em 10.01.2001, por terem os fatos geradores ocorrido após a vigência da lei, a discussão sobre a retroatividade da lei, não diz respeito ao presente litígio. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Rejeitase a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau, pois o colegiado de primeira instância, assim como este, não têm competência para analisar a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa matéria está sumulada no CARF, pela súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 2 2 Não se aprecia as matérias que não foram expressamente contestadas na impugnação, por preclusão. LANÇAMENTO. LUCRO REAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATRIBUIÇÃO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A ATIVIDADES DE FACTORING DE OUTRA EMPRESA. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Por tratarse de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo. Para que se considerasse que a movimentação financeira pertencia a outra empresa, seria necessária a apresentação de provas, tais como, os contratos de faturização, notas fiscais e outros documentos que permitissem constatar a vinculação entre os depósitos e as operações alegadas. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. O valor da expressiva diferença de receita não contabilizada, é fator decisivo para a manutenção da multa qualificada, pois, a recorrente não trouxe aos autos, qualquer argumento que explicasse as razões de ter escriturado e declarado na sua DIPJ original, menos de 4% das receitas, quando posteriormente, sob procedimento de ofício, reconheceu inclusive mediante a retificação de DIPJ, que as receitas eram de valor superior a de R$ 2 milhões LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 4 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, são devidos os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal, no período de inadimplência, à taxa Selic. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Estendese o decidido em relação ao tributo principal, às exigência da CSLL, contribuição para o PIS e COFINS tendo em vista que os fatos são os mesmos e existe uma estreita relação entre causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares, e no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e Plínio Rodrigues Lima que não as excluíam. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antônio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 4 4 Relatório I – DA AUTUAÇÃO Tratase de lançamento do IRPJ e contribuição para o PIS, COFINS e CSLL em razão das seguintes infrações: a) Omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados – anocalendário de 2001 – valor tributável: R$ 12.686.228,83 – regime de apuração do Lucro Real – aplicada multa de ofício de 75%. Ao ser intimada a apresentar os extratos bancários da referida conta, informou em 17.05.2005, que, no ano de 2001, houve uma apreensão pela Polícia Federal, no escritório do sócio Sr. José Percy Ribeiro da Costa, de diversos documentos, entre eles os solicitados, sendo que no ano de 2003, novamente a DPF efetuou novas apreensões nas empresas da contribuinte, sem que tivesse sido elaborado, por parte do órgão da Polícia Federal, um termo descritivo da apreensão. Afirma que apesar dessa situação excepcional, vem restaurando toda a documentação possível, a fim de atender à fiscalização. Pede para que a autoridade fiscal diligencie junto à Polícia Federal, para a busca da verdade real e que, os advogados tributaristas, por diversas vezes, tentaram tomar conhecimento dos documentos apreendidos, sem êxito. A empresa apresentou laudo pericial onde consta que a movimentação financeira que lhe pertence, foi reconhecida pela empresa Cinelândia Telefones Ltda, em sua contabilidade, e que os impostos estavam sendo pagos no âmbito do PAES. Da análise do Laudo, a fiscalização entendeu que não existiam documentos materiais para análise destes depósitos, e sim que ocorreu a mera utilização de taxas de faturização de operações contabilizadas por uma empresa, em depósitos de origem não comprovada da outra. Intimou a contribuinte, a apresentar contratos de faturização, notas fiscais de faturização e demais documentos que pudessem ter vínculos em valores e datas com os depósitos em conta corrente da empresa, entretanto, a contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento. Destacou a fiscalização que a alegação de que a apreensão da Polícia Federal estaria dificultando a entrega de documentos é inconsistente, pois ocorreu a apresentação do laudo pericial, donde se conclui que o material estava disponível para análise. Afirmou que a tática empregada pela defesa, de forma sistemática, em relação a todas as fiscalizações encerradas ou em curso em face de José Percy Ribeiro da Costa e outros (vários familiares e empresas em que o mesmo detém participação societária) então requisitados pelo Juízo da 1a. Vara Federal de S.J.Campos (inquérito policial nº 1999.61.03.002078), tem sido no sentido de apresentação de laudos da espécie. Ressaltou que operações de faturização não constam do objeto social da empresa Paraibuna Veículos Ltda, tendo como atividade fim o comércio e intermediação de veículos. b) Omissão de receitas – anocalendário de 2000 Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 5 5 A receita bruta declarada na DIPJ original apresentava o valor de R$ 67.700,00. A movimentação financeira nesse ano foi de R$ 2.080.423,82. A escrituração contábil e fiscal foi refeita no curso da atividade fiscal, apresentando a receita bruta de R$ 2.148.123,82. Em 14.06.2005, a contribuinte sob intimação, e não gozando de espontaneidade, apresentou DIPJ retificadora (fls. 282 a 298), incluindo como rendimentos tributáveis os valores depositados no Banco BCN, conta corrente 501.3514. Assim foi tributado o valor de R$ 2.080.423,82 com base no regime de apuração do Lucro Real. Foi aplicada a multa de 150%, por se enquadrar em crime contra a ordem tributária de que trata a lei 8.137/90 c) Multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada, no valor de R$ 37.465,63, em 31.12.2000; e multa isolada por falta de recolhimento de CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada no valor de R$ 22.479,38, de 31.12.2000 (processo nº 13884.003308/200573 anexado). II – DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Consta na decisão de primeiro grau que a contribuinte busca afastar a autuação atribuindo a movimentação financeira em contas de sua titularidade à empresa “Cinelândia”. Entretanto, sob a alegação de que este teve sua documentação apreendida pela Polícia Federal, não apresentou prova documental alguma de que os depósitos pertenciam a tal empresa. Acrescenta que reportase apenas ao Laudo Pericial Contábil de 30.10.2003, referente ao ano de 2001 (fls. 379/383 e anexo de fls. 384/407), sendo que Laudo semelhante, datado de 16.05.2005 e referente a períodos de 1997 a 2002, já havia sido apresentado no curso da fiscalização e não fora considerado suficiente para justificar sua movimentação financeira. Ressalta que para que os laudos pudessem ser acatados como prova da coincidência entre os depósitos questionados e as operações de outra empresa, deveriam ser acompanhados de correspondente documentação (por exemplo, contratos de faturização, notas fiscais e outros documentos que permitissem constatar a vinculação entre os depósitos e as operações alegadas). Entretanto, apesar de reiteradamente intimada, nada nesse sentido foi apresentado à fiscalização e nem por ocasião da impugnação. Acrescenta que a alegação de que a documentação solicitada teria sido apreendida pela Polícia Federal não é capaz de afastar a autuação, porque foram apresentados os Laudos e para sua elaboração deveria haver documentação disponível, que, no entanto, foi omitida da fiscalização. Ademais, a impugnante não apresentou documento algum relativo a eventual solicitação feita, formalmente, à Polícia Federal, requerendo cópia dos documentos relativos à contabilidade da empresa Cinelândia Telefones Ltda, que teriam sido apreendidos e que segundo a impugnante, podem fazer prova de suas alegações. Também não foi apresentado qualquer documento emitido por tais órgãos, Polícia Federal e Justiça Federal, contendo recusa formal de fornecimento à impugnante das referidas cópias. Confirma a insubsistência de seus argumentos para justificar a ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, o fato de que, por intermédio de seu advogado, poderia ter acesso aos documentos apreendidos e que supostamente fariam prova a seu favor, obtendo as cópias que julgasse necessárias. Conclui que não restou configurada a impossibilidade de obtenção dos documentos que comprovassem a alegada origem dos depósitos, não sendo o caso da aplicação da Lei 9.784/99. Também não justifica o pedido de perícia, pois não há que se cogitar de sua realização para suprimento de provas que caberia à impugnante trazer aos autos, ou pelo Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 6 6 menos, demonstrar a efetiva impossibilidade na sua obtenção, o que, como se viu, não restou comprovado, com a documentação apresentada. Acrescenta que ainda que desacompanhadas das competentes provas documentais, as alegações no sentido de atribuir a movimentação financeira à empresa Cinelândia Telefones, a qual teria parcelado os tributos aí decorrentes, restringemse ao ano calendário de 2001. Já para o ano de 2000 nada esclarece a interessada acerca da origem dos depósitos em sua conta bancária. Rejeitou os demais argumentos da contribuinte. III – DO RECURSO VOLUNTÁRIO A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 26.01.2006 e o recurso foi apresentado em 24.02.2006. Alega a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, por ausência de análise da inconstitucionalidade da multa aplicada; da incompetência da autoridade lançadora para os lançamentos do PIS, COFINS e CSLL, por falta de MPF Complementar, e que o MPFC acostado às fls. 423, relativo a exigência da CSLL foi elaborado após a entrega da DIPJ 2001 retificadora, razão pela qual não haveria sustentação legal para desconsiderar a espontaneidade neste particular; a nulidade do lançamento por instauração do MPF com base em informações da CPMF anteriores à lei 10.174/2001. Também alega a configuração de cerceamento do direito de defesa, por ofensa ao princípio da verdade material e da legalidade. Aduz que os depósitos bancários efetuados na conta bancária estão estreitamente vinculados às atividades da empresa Cinelândia Telefones Ltda, da qual o Sr. José Percy Ribeiro da Costa também é sócio majoritário e administrador. Os documentos referentes àquelas atividades, capazes de demonstrar a origem dos depósitos bancários e conseqüentemente obstar a procedência do lançamento, estão em posse de órgão da Administração Pública, sendo inacessíveis à recorrente. Ressalta que, apesar da recorrente ter fornecido, mais de uma vez (por ex. às fls. 51), a informação supra, a autoridade fazendária mantevese inerte, em completo desdém ao princípio da legalidade, direito de defesa e ao princípio da verdade material e, em procedimento de ofício deveria o agente fiscal, com base no art. 37 da Lei 9.784/99, obter da Polícia Federal tais documentos que foram apreendidos. Cita o acórdão 20308376 do 2ºCC, e conclui pela nulidade do lançamento, com fundamento no art. 53 da Lei 9.784/99. Apesar disso, o órgão julgador não acolheu o pleito porque não teria restado configurada a impossibilidade de obtenção dos documentos que comprovassem a alegada origem dos depósitos, não sendo o caso de aplicação do art. 37 da Lei 9.784/99 (fls. 587). Afirma que nos termos da lei indicada, não se exige que os documentos estejam indisponíveis ao interessado. Basta a dicção legal, que o interessado declare a existência de documentos relevantes em poder de órgão da administração pública. Conclui que teve seu direito de defesa cerceado porque os documentos hábeis a demonstrar as origens dos depósitos bancários se encontram em poder de órgão público, estando, para ela, inacessíveis, restando nulo o auto de infração com base no art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Acrescenta que atualmente os documentos úteis ao deslinde do litígio estão em poder do Núcleo de Criminalística, órgão da Administração Pública Federal (Ministério da Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 7 7 Justiça), para fins de empreender perícias, conforme resposta ao ofício ora juntada (doc. 7) e o original encontrase às fls. 243 do PAJ 13884.003893/200510. Subsidiariamente ao pedido de nulidade, pede a realização de diligência junto àquele órgão pericial, objetivando a extração de cópias dos documentos e cópia magnética de documentos eletrônicos apreendidos em posse do órgão de perícia que evidenciam a origem dos depósitos. Pede que referida diligência seja acompanhada pela recorrente, por meio de seus procuradores constituídos e terá por objetivo responder o seguinte quesito: “Os documentos apreendidos pela Polícia Federal mantêm correspondência com os depósitos efetuados nas contas bancárias movimentadas pelo sr. José Perci Ribeiro da Costa (administrador da empresa Cinelândia Telefones Ltda)?”. Adicionalmente, requer alternativamente, o sobrestamento do feito, tendo em vista que apesar de o ônus de solicitar o acesso a esses documentos recair sobre a fiscalização, a recorrente protocolou requerimento perante o juízo da ª Vara Criminal da Justiça Federal em S.Paulo, solicitando vistas dos documentos (doc. 8). Em relação ao mérito, afirma que inexiste fraude e que o lançamento da multa qualificada é descabido; que também são descabidos os lançamentos da CSLL, PIS e COFINS, dada a espontaneidade da retificação da DIPJ, a inviabilidade de aplicação da multa de ofício em relação a tributos espontaneamente declarados, a inaplicabilidade da multa isolada que incidiu por ausência de pagamento das estimativas mensais; da ilegitimidade do lançamento com base apenas em depósitos bancários; do liame existente entre os depósitos bancários e os valores reconhecidos pela contabilidade da empresa Cinelândia Telefones; discorda dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic; requer o cancelamento das exigências e posterior juntada de novos documentos, face ao princípio da verdade material. IV DO ADITAMENTO AO RECURSO Apresentou requerimento em 30.08.2006, para informar e comprovar mediante juntada de documentação, a existência de FATOS NOVOS e requer o seguinte: • Reafirma que os depósitos bancários efetuados na conta bancária estão vinculados às atividades da empresa Cinelândia Telefones Ltda, da qual o Sr. José Percy Ribeiro da Costa também é sócio majoritário e administrador, mas que os documentos que comprovam a vinculação entre a empresa Cinelândia e os depósitos bancários, e via de conseqüência, a origem daqueles, estão, atualmente em poder da Administração Pública Federal (doc. 7 do recurso; docs. 1 e 2); • Em razão dessa situação fática, consta do recurso voluntário apresentado três pedidos (i) nulidade do auto de infração porque inobservado o preceito do art. 37 da Lei 9.784/99 (ii) conversão do julgamento em diligência, tendo em vista que tais documentos são imprescindíveis para o deslinde do litígio (iii) sobrestamento do feito até que o recorrente obtenha acesso à documentação, de forma a comprovar a origem dos créditos bancários; • Dada a importância dos documentos aludidos, está atualmente, diligenciando junto ao Poder Judiciário e Polícia Federal com o objetivo de obter as provas. A esse respeito há requerimento dirigido à 6a. Vara da Justiça Federal para obtenção de acesso aos documentos apreendidos (doc. 8 do recurso), decisão daquele juízo deferindo o quanto pleiteado (doc. 3) e há novo requerimento, ainda dirigido àquele juízo, visando ofício à Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 8 8 Administração para que localize/identifique o destino da documentação, na medida em que a diligência promovida pela recorrente restou infrutífera (doc. 4); • Informa que em outro recurso do qual o sr. José Percy é interessado, a Sexta Câmara do 1º CC, decidiu por unanimidade de votos, a conversão do julgamento em diligência, reconhecendo, portanto, a imprescindibilidade da documentação, que está atualmente, apreendida pela Polícia Federal (doc. 5); • Assim, tendo em vista que até o presente momento não houve obtenção de vistas dos documentos apreendidos (fato novo), reitera os três pedidos outrora citados; (sobrestamento/diligência/nulidade do lançamento) • Em razão de a autuação contemplar também a exigência da multa isolada por ausência de pagamento de estimativas mensais de que trata o art. 2º da Lei 9.430/96 e que o percentual de 75%, previsto no art. 44 da mesma Lei, foi reduzido pela MP nº 303/06, requer a aplicação desta última, nos termos do art. 106, II, “c” do CTN. O doc. 1 do aditamento ao recurso é uma cópia do mandado de busca e apreensão junto à empresa Cinelândia Telefones Ltda, datado de 01.08.2001, relativo ao inquérito policial nº 1999.61.03.0020678; o doc. 2 é uma cópia de auto de apresentação e apreensão em que foram apreendidas mercadorias de procedência estrangeira na empresa Cinelândia Factoring de 02.08.2001. O doc. 7 do recurso mencionado é uma cópia de Informação nº477/05 do Núcleo de Criminalística do SETEC/SR/DPF/SP, datada de 28.07.2005, cuja cópia está incompleta, que parece tratar de informação sobre perícia de informática, ainda não iniciada. A contribuinte apresenta cópia de despacho do Juiz Federal, em que determina que se oficie à Delegacia da Receita Federal em S.José dos Campos, que fosse encaminhada cópia de informação. Nessa informação consta que os defensores que atuam em defesa da ré Maria Daniela Conta Carrilho, sempre tiveram acesso irrestrito àquela ação e que somente em 16.12.2005 foi protocolado por sua defesa pedido de vista e extração de cópias para instrução ao procedimento fiscal nº 0812000/00323/04. Consta ainda que em contato com o Delegado da Polícia Federal, informou que se encontravam naquela Delegacia os materiais apreendidos e referentes ao resultado da busca e apreensão realizada em março de 2004 e determinada na ação principal nº 1999.61.03.0020678, donde aquele feito foi desmembrado. Informou ainda que se encontravam naquela Secretaria da 6a. Vara, 22 volumes de apensos referentes à ação penal mencionada. O Juiz deferiu o requerido pela defesa da ré e a intimou a no prazo de 5 dias, a contar de sua intimação, comparecesse à DPF a fim de que indicasse quais documentos pretendia ter acesso e eventual extração de cópias, bem como, em igual prazo, fornecesse os meios necessários para se procedesse a cópia dos dados constantes nos HD originais. Deferiu o acesso aos 22 volumes apensos da ação penal mencionada, pelo prazo de 5 dias. Despacho de 19.01.2006. Também foi juntado cópia de ofício dirigido ao Juiz Federal da 6a. Vara Criminal, protocolado em 04.05.2006, relativo ao processo 2004.61.03.0023732, em que Maria Daniela da Costa Carrilho (e outros), informa que foi intimada da decisão, via imprensa oficial em 17.04.2006, e que seus advogados tributaristas, compareceram no prazo na DPF de S.José dos Campos, ocasião em que obtiveram a informação de que os documentos objeto do auto de apreensão anexo estavam na DPF em São Paulo, e não souberam informar em que departamento ou órgão estariam tais documentos. Requereu ao Juízo que oficiasse a Polícia Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 9 9 Federal, para informar precisamente, a localização dos documentos e bens apreendidos. Requereu a concessão aos requerentes, para compulsar e extrair cópias dos documentos e obtenção de cópia magnética de documentos eletrônicos apreendidos. V – DA RESOLUÇÃO 10700.686, de 07.11.2007 Na sessão de 07.11.2007, o julgamento do recurso foi convertida em diligência para que a autoridade fiscal intimasse a recorrente a comprovar que os documentos apreendidos pela Polícia Federal dizem respeito a este litígio, bem como, para apresentar a documentação que a recorrente afirma comprovar a vinculação entre os depósitos bancários a que se refere a autuação, com a empresa Cinelândia Telefones Ltda. VI – DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA Conforme Termo de Constatação Fiscal o resultado da diligência, após diversas intimações expedidas ao sujeito passivo, bem como, após correspondências dirigidas à Delegacia de Polícia Federal de São José dos Campos e para a 6ª Vara Criminal em São Paulo é a seguinte: a) da análise dos Livros Caixa, Razão e Diário do anocalendário de 2001, da empresa Cinelândia Telefones Ltda, constatouse que a receita operacional bruta dessa empresa escriturada nos livros contábeis foi de R$ 170.097,89, composta por: (i) receita na compra de direitos creditórios (R$ 120.418,82), e receita de faturização (R$ 49.679,07). Verificouse que essa receita é incompatível com a movimentação financeira mantida em conta corrente da Paraibuna Veículos Ltda; b) Sobre a intimação para que informasse se havia requerido junto à Secretaria da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo para ter acesso aos 22 volumes lá acautelados, e que em caso afirmativo, apresentasse comprovação da solicitação de que no processo somente estava demonstrado o requerimento junto à Polícia Federal: A recorrente requereu a juntada de duas petições (fls. 1023/1028) com o objetivo de comprovar que havia pleiteado tanto perante a Delegacia de Polícia Federal, como nos autos das ações judiciais, nºs. 1999.61.03.0020678 e 2004.61.03.0023732, o acesso a toda a documentação apreendida. Concluiu a autoridade fiscal que a contribuinte não comprovou que buscou consultar os 22 apensos da ação penal 1999.61.03.0020678, acautelados na Secretaria da 6ª Vara Federal Criminal em São Paulo, aos quais foi deferido o acesso pelo prazo de 5 dias pelo Juiz Federal substituto (fl. 763); c) a respeito da informação em relação a haver ocorrido a restituição dos documentos apreendidos da empresa Cinelândia Telefones Ltda, que estariam na posse da Polícia Federal: A contribuinte informou que não, e que após a negativa em receber equipamentos eletrônicos apreendidos por julgar que os mesmos encontravamse avariados, a contribuinte apresentou petição à justiça (fls. 798/799), mas até aquele momento, não havia ocorrido a manifestação por parte do juízo da 6ª Vara da Justiça Federal Criminal em São Paulo, ou ainda, da Delegacia de Polícia Federal de S.José dos Campos, no sentido de permitir que a requerida retirasse de forma inequívoca a documentação apreendida. Conforme resposta da Delegacia de Polícia Federal, ofício de fls. 1033, foi informado que não havia sido protocolizada nenhuma requisição para acesso aos documentos apreendidos, e que, os materiais objeto das apreensões realizadas, com base n os IPLs nºs. 190036/2001 e 190131/2004 foram encaminhados ao Juízo da 6ª Vara Criminal Federal em 17.08.2010 (fls. 1061/1062), materiais estes que não eram compostos apenas de hardwares e demais mídias eletrônicas, tendo em seu Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 10 10 bojo diversos documentos em papel, que parece não terem sido requisitados pelo contribuinte, conforme os seguintes itens: 9 sacos plásticos transparentes contendo em seu interior documentos diversos e 2 sacos plásticos transparentes contendo em seu interior documentos diversos. d) Sobre a informação se a empresa Paraibuna Veículos Ltda havia solicitado o acesso aos documentos apreendidos, que em tese, comprovariam a origem dos depósitos efetuados em conta corrente de sua titularidade, já que somente constava no processo o requerimento efetuado por “Maria Daniela da Costa Carrilho”, e a mesma não fazia parte da administração da referida empresa: A recorrente negou tal situação dando como justificativa evitar tumulto processual (fl. 814), ou seja, nenhum representante legal da Paraibuna Veículos Ltda solicitou o acesso à documentação apreendida como forma de comprovar a origem dos depósitos efetuados em conta corrente de sua titularidade. e) Sobre comprovar que os documentos apreendidos diziam respeito ao litígio e que eram imprescindíveis à comprovação da origem dos depósitos ocorridos na conta do Banco BCN de titularidade da empresa Paraibuna: A recorrente respondeu não ser possível comprovar que a documentação apreendida diz respeito ao litígio, exatamente pelo fato da mesma estar apreendida ratificando e reafirmando que as apreensões se deram de forma geral, sem exceção. f) sobre identificar em qual item dos mandados de apreensão estavam incluídos os documentos que possibilitariam o deslinde da situação, já que os mandados não faziam menção a apreensão de livros contábeis e ou fiscais, contratos de faturização, notas fiscais de faturização ou quaisquer outros documentos que teriam relação direta com a comprovação da origem dos depósitos: a recorrente informou que os documentos que possibilitavam a comprovação encontravamse nos hardwares apreendidos (fl. 1016) e que estão avariados, segundo sua análise. g) a recorrente foi intimada a informar quais eram os contratos de faturização utilizados pelo perito para elaboração do laudo pericial: respondeu que para elaboração dos laudos de fls. 75/80 e 380/407, o perito baseouse nas movimentações financeiras da empresa Cinelândia Telefones Ltda, ainda que em contas de terceiros. h) a recorrente foi intimada a informar, no caso de serem (os contratos de faturização) os que deram origem à movimentação financeira na contacorrente 501.3514, do BCN, no anocalendário de 2001, deveriam ser apresentados: A recorrente respondeu que não se referem aos contratos de faturização que, em tese, deram origem à movimentação financeira. i) Caso contrário, a recorrente deveria informar, com que base considerouse que a movimentação financeira no BCN foi decorrente de operações de faturização: A recorrente nada respondeu. A autoridade fiscal concluiu o seguinte: a) em informação expedida pela Sexta Vara Federal Criminal (fls. 761/763) foi dada ciência ao contribuinte que além dos materiais apreendidos em posse da Polícia Federal em S.José dos Campos, existiam outros acautelados na Secretaria da Sexta Vara, deferindo o acesso a eles, no prazo de 5 dias, entretanto, o contribuinte não comprovou na documentação acostada aos autos, que em algum momento, solicitou acesso a esta Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 11 11 documentação, se a retirou, ou por qual motivo não o fez, ficando demonstrado que foi dada oportunidade para que efetuasse essa retirada; b) a alegação de que os equipamentos eletrônicos em posse da Polícia Federal estavam avariados e com impossibilidade de uso tem um ponto duvidoso, já que no prosseguimento dessa informação, a contribuinte fez a seguinte citação: “...uma vez que os documentos – consubstanciados basicamente em equipamentos eletrônicos – estavam avariados, não possuindo a Delegacia, meios para que o representante legal pudesse testálos” (fl. 815). Entendeu a autoridade fiscal que fica realçada a possibilidade do dano nos equipamentos ser apenas físico, e não das informações, o que representaria uma recusa do contribuinte em se obter provas por ele procuradas; c) em resposta a ofício, a Delegacia de Polícia Federal em S.José dos Campos informou que os materiais objeto das apreensões realizadas, com base nos IPLs 190036/2011 e 190131/2004, foram encaminhados ao Juízo da 6ª Vara Federal Criminal em 17.08.2010, fls. 1061/1062), materiais estes que não eram compostos somente de hardwares e demais mídias eletrônicas, tendo em seu bojo diversos documentos em papel, verificandose que a contribuinte Maria Daniela recusouse a receber os equipamentos eletrônicos, no entanto, não ficou comprovada a tentativa de retirada do restante da documentação apreendida, tais como contratos de faturização, notas fiscais, recibos de pagamento, restando nítido que os documentos ficaram à disposição da recorrente. d) a recorrente alega a impossibilidade de comprovação da origem dos depósitos efetuados em contacorrente de titularidade da empresa Paraibuna Veículos Ltda, fornecendo como justificativa, a avaria em tese, existente nas mídias eletrônicas, entretanto, a comprovação efetiva se daria com a apresentação de documentos físicos, tais como, notas fiscais de faturização, contratos de faturização e outros, que o contribuinte alega terem sido apreendidos, mas se demonstrou incapaz de indicar em quais itens dos diversos temos de apreensão eles estariam relacionados, se limitando a informar que os elementos necessários para o deslinde da situação, estavam em mídias eletrônicas. Ressalta a fiscalização que além do controle eletrônico mantido (por exemplo: planilhas, relação de clientes, etc) a prova do alegado se dá por documentação em papel, a qual teria sido supostamente apreendida, mas em nenhum momento houve prova de tentativa de sua retirada perante a Polícia ou a Justiça Federal. e) que nenhum representante legal da empresa Paraibuna Veículos Ltda, solicitou acesso à documentação apreendida, justificando o procedimento como forma de evitar tumulto processual; assim, a recorrente não buscou acesso à documentação apreendida f) ainda na fase do procedimento fiscal apresentou laudo de perícia contábil, fls. 74/80, de 16.05.2005, portanto, em data posterior às apreensões efetuadas, no qual foram relacionados os seguintes “documentos apresentados para verificação”: Extratos das contas correntes, Contratos de faturização para verificação das taxas apuradas no período de levantamento e cópias das notas fiscais de faturização para levantamento das taxas cobradas no período. Em fase de impugnação, a contribuinte apresentou laudo de perícia contábil datado de 30.03.2003, o qual utilizou para sua elaboração, os mesmos documentos do laudo apresentado na fase preparatória. Tais laudos tinham como objetivo a necessidade de posicionamento quanto ao montante real de impostos e contribuições que deixaram de ser recolhidos, devido à omissão de receita de faturização, que passou pelas contas correntes da Paraibuna Veículos Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 12 12 Ltda no ano de 2001, bem como, definir a melhor forma de regularizar a mesma na contabilidade da empresa Cinelândia Telefones Ltda. g) Em resposta à intimação fiscal, já em fase de diligência, a recorrente esclareceu que: (i) para elaboração dos laudos de perícia contábil, o perito baseouse, fundamentalmente, nas movimentações financeiras da empresa Cinelândia Telefones Ltda, ainda que em contas de terceiros, (ii) os contratos de faturização apresentados para análise não se referiam aos valores movimentados na conta corrente nº 5013514, do Banco BCN do ano calendário de 2001. h) No entanto, no próprio laudo, o período cita que entre os documentos apresentados para verificação encontravamse contratos de faturização efetivamente contabilizados, o que leva a crer que o perito se refere a contratos já escriturados na contabilidade da empresa Cinelândia Telefones Ltda, no anocalendário de 2001, e portanto, já consideradas na apuração do resultado do exercício do ano. De uma forma ou de outra, tendo como referência a movimentação financeira da conta corrente do BCN de titularidade da empresa Paraibuna ou os contratos de faturização escriturados na empresa Cinelândia, para a elaboração do laudo, não foi analisado o essencial: os contratos de faturização e as respectivas notas fiscais, que em tese, estariam relacionados com os depósitos em conta corrente da empresa Paraibuna. Por isso, seria inviável a aceitação dos laudos técnicos como comprovação da origem dos depósitos, já que não foi fornecido ou utilizado qualquer documento que fornecesse sustentação a esta afirmação. i) quanto aos ofícios enviados para a Polícia Federal e Justiça Federal, com o objetivo de se obter esclarecimentos adicionais: (i) a resposta encaminhada pela Polícia Federal trouxe algumas novas informações no processo, especialmente, quanto ao encaminhamento de materiais apreendidos, mostrando que a contribuinte compareceu àquele órgão em atendimento a intimação, mas não protocolizou pedido para acesso ao material apreendido, (ii) a Justiça não respondeu ao ofício que lhe foi encaminhado, entretanto, com base nas informações apresentadas pelo contribuinte podese chegar a conclusões relevantes, sendo dispensada a resposta formal da justiça VII – DA MANIFESTAÇÃO DA RECORRENTE A recorrente ratifica o outrora já exposto, no que tange à impossibilidade da requerida em reaver informações contidas em computadores apreendidos pela Delegacia de Polícia Federal de São José dos Campos, entre os anos de 2001 a 2004, tornando, inviável a demonstração cabal de que os depósitos bancários que embasaram o auto de infração, se refere em verdade, a rendimentos da empresa Cinelândia Telefones Ltda, oriundos do desenvolvimento de atividades de factoring da empresa. A seguir aborda pontualmente as conclusões da autoridade fiscal, itens 25 a 33 do Termo de Constatação Fiscal: a) Em relação ao item 25, nos últimos 6 anos, a requerida pleiteou incessantemente, tanto perante a Delegacia de Polícia Federal quanto nos autos das ações judiciais criminais nºs. 1999.61.03.0020678 e 2004.61.03.0023732, sem sucesso, o acesso à toda a documentação hábil à demonstração de seu direito apreendida pela Polícia Federal, imprescindível para o deslinde da lide, conforme petições acostadas, doc.1. b) que apesar das inúmeras tentativas em reaver os computadores da empresa Cinelândia Telefones Ltda, os quais continham informações que comprovam a origem dos depósitos efetuados em conta corrente bancária da empresa Paraibuna Veículos Ltda, objeto de Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 13 13 autuação, tal material nunca foi disponibilizado durante o transcurso da ação fiscal, restando à disposição da requerida apenas documentos, em sua maioria impressos, apreendidos de forma ampla e sem critério, que em nada se prestavam a demonstrar a origem das movimentações em conta bancária da requerida objeto de investigação. c) que quando teve acesso à documentação apreendida pela DPF acautelada junto à Secretaria da 6ª Vara Criminal, a documentação necessária para comprovação de seu direito estava contida em hardware de computadores, cujas informações referiamse às movimentações das operações de factoring desenvolvidas pela empresa Cinelândia Telefones Ltda, sendo que a este último material, a requerida, não obstante inúmeras tentativas não obteve acesso. d) que a documentação impressa não se demonstrava imprescindível à averiguação das alegações da requerida e não mantinha pertinência com as autuações sofridas, sendo que a própria DPF as devolveu à Vara Criminal, sendo que tais documentos não contribuíram para a elaboração do laudo pericial, haja vista que a apreensão dos documentos foi realizada de forma geral, envolvendo todos os documentos sem exceção, das empresas Paraibuna Veículos Ltda, Percy Agro Pecuária Ltda e Cinelândia Telefones Ltda, todas administradas pelo sócio administrador, Sr. José Percy, além de todos os documentos relativos às contas correntes em nome do Sr. José Percy Ribeiro da Costa e parentes. e) entende estar claro, ser irrelevante a questão da requerida não ter acesso aos documentos impressos, pois eles não eram úteis à elaboração de sua defesa, visto que não demonstravam as operações de factoring que deram origem aos depósitos bancários objeto da autuação. f) sobre o item 26, em que se sugere que a requerida teria se recusado a obter provas que estariam à sua disposição, pois não teria se prestado a extrair informações de equipamentos inegavelmente avariados, cuja constatação de comprometimento dos aparelhos fora ratificada pela própria Polícia Federal, ressalta que por diversas vezes compareceu à DPF e insistiu na obtenção dos aparelhos apreendidos, recebendo sempre negativas de toda a natureza; e considerando a falta de êxito na obtenção das informações e que a requerida não vislumbra meio viável de extrair as informações contidas em aparelhos que se encontram em estado deplorável, e considerando que o Juízo do processo criminal mantevese silente em relação a esta questão, resta à autoridade fazendária, nos limites de seu poder fiscalizatório, que exija da DPF o fornecimento das informações contidas nos equipamentos apreendidos e avariados durante o período em que ficaram apreendidos; e destaca que o dever de fornecer informações eventualmente recuperáveis nos aparelhos é do órgão que os avariou. g) sobre o item 27, alega que conforme o exposto em relação ao item 25, os documentos impressos não eram hábeis a demonstrar a origem dos depósitos; h) sobre o item 28, destaca que o efetivo controle consubstanciado em memórias das operações de factoring praticadas pela empresa Cinelândia Telefones encontrase registrado nos computadores da empresa, assim, a documentação física em nada ou muito pouco contribui para a demonstração do direito da requerida. i) que a solicitação feita pela sra. Maria Daniela da Costa Carrilho que é coré no processo criminal de nº 1999.61.03.002067, e portanto legitimada para obtenção de provas para sua defesa, não retira a independência e autonomia dos processos administrativos fiscais decorrentes, afinal, a obtenção das provas pretendidas aproveitaria a cada um dos processos Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 14 14 administrativos individualmente, não sendo plausível ou justificável entulhar a DPF com solicitações idênticas referentes a cada um dos processos administrativos. j) em relação aos itens 30 a 32, se referem a laudo pericial, pela qual a contabilidade da empresa Cinelândia Telefones Ltda, reconheceu os valores depositados em contas bancárias objeto de autuações e as ofereceu à tributação por meio do PAES; e no que tange às considerações expostas nos itens 31 e 32, que na elaboração do laudo foram utilizados contratos de faturização efetivamente contabilizados, para verificação das taxas de faturização apurados no período do levantamento, ou seja, tais contratos tinham como função, apenas fornecer a média da taxa de faturização praticada em cada período sob análise. k) salienta que um dos pontos da análise do laudo é justamente “da definição das taxas de faturização”, pois, uma vez que os documentos da empresa Cinelândia Telefones estavam apreendidos, o perito teve de se fiar na média das taxas de faturização praticadas pela empresa em determinado período específico, para então poder determinar o faturamento da empresa, e consequentemente, apurar, o imposto e as contribuições devidos. l) entende ser óbvio que nenhum dos contratos de faturização disponibilizados ao perito se referir à conta corrente 5016514, do Banco BCN não implica na invalidade do laudo; afinal, uma vez obtida a média das taxas com base em diversos contratos de faturização, a perícia considerou cada depósito realizado nas contas correntes autuadas (incluindose a conta bancária ora referida), como pagamento de empréstimo e sobre cada valor depositado aplicou o percentual da média apurada, sendo que os resultados encontrados foram considerados como receita. m) que os valores objeto do presente lançamento já foram reconhecidos na contabilidade da empresa Cinelândia e oferecidos à tributação, por meio do parcelamento de que trata a lei 10.684/03, e que vem sendo adimplido regularmente, e que a manutenção do presente lançamento implica em duplicidade de cobrança. n) que em relação à afirmação do item 33 de que a recorrente teria economizado esforços à obtenção de provas, da simples leitura da certidão de comparecimento acostada, doc. 3, referente à intimação LRE 19051/08, constatase que não havia necessidade de protocolização de pedido, uma vez que a entrega do material apreendido à requerida havia sido determinada pela própria 6ª Vara Criminal de São Paulo, e que ademais, a certidão demonstra que a DPF não tinha ciência de quais documentos deveriam ser entregues, razão pela qual acordou com a representante legal que solicitaria informações ao juízo da 6ª Vara Criminal, e posteriormente reintimaria, o sr. José Percy Ribeiro da Costa, para novamente retirar a documentação, no entanto, quando instada a comparecer para a retirada do material apreendido deparouse com os equipamentos completamente avariados, conforme se comprova na certidão antes mencionada. o) que em relação ao item 33, em que pese a autoridade fiscal considerar irrelevante a falta de resposta do Juiz da 6ª Vara Criminal, a verdade é que a situação até o momento não foi desenrolada, pois a requerida não somente não conseguiu efetivar a retirada da documentação apreendida relativa à empresa Cinelândia, que comprova a origem dos depósitos efetuados em conta bancária da empresa Paraibuna, como está, na prática, impedida de fazêlo, posto que os equipamentos estão avariados; p) que apesar da impossibilidade de obtenção da prova, já foram proferidas decisões parcial ou integralmente favoráveis aos contribuintes em seis processos análogos: Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 15 15 13884.004171/200311, 13884.004578/200330, 13884.003881/200404, 13884.003882/2004 41, nos quais também se alega que toda a movimentação financeira na conta corrente dos réus, é em verdade responsabilidade da empresa Cinelândia, reforçando a tese da requerida no presente caso; pede que os entendimentos exarados nesses processos sejam adotados nos demais processos, uma vez que se está a tratar de depósitos decorrentes de atividades cursadas pela empresa Cinelândia Telefones Ltda, oportunamente oferecidos à tributação por conta do PAES, devidamente adimplido pelo contribuinte. VIII – JUNTADA AOS AUTOS DE OFÍCIO DO JUIZ DA 6ª VARA CRIMINAL FEDERAL Foi juntado aos autos, o ofício 552/2011, de 24 de maio de 2011, do Juiz da 6ª Vara Criminal Federal, no qual esclarece que os réus e seus defensores tiveram, como têm, acesso aos documentos constantes dos volumes e apensos referentes à ação penal nº 1999.61.03.0020678, instaurada em face de José Percy Ribeiro e Outros, documentos esses que ainda se encontram na Secretaria daquele Juízo, onde tramita a ação penal. Para comprovar a alegação, enviou cópia da petição de fls. 3006/3008, da decisão de fls. 3054/3055, da certidão de fls. 3056, e da certidão de publicação de fls. 3063, todas relativas aos autos da ação penal nº 1999.61.03.0020678. Ressaltou nesse ofício, que futuras informações devem ter por referência a ação penal mencionada, e não a ação penal nº 2004.61.03.0023732, uma vez que os documentos e informações de interesse da Receita Federal encontramse naquela ação penal. É o relatório. Voto Conselheira Relator Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento relativo a exigências do IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS, em razão das seguintes infrações: a) anocalendário de 2000: omissão de receitas caracterizada pela diferença entre valores declarados e escriturados – multa de 150% b) anocalendário de 2001: omissão de receitas caracterizada pela falta de comprovação de depósitos bancários mantidos em conta corrente no Banco BCN – multa de 75% c) Multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ incidente sobre a base de cálculo estimada, no valor de R$ 37.465,63, em 31.12.2000; e multa isolada por falta de recolhimento de CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada no valor de R$ 22.479,38, de 31.12.2000 (processo nº 13884.003308/200573 anexado). Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 16 16 A contribuinte discorre sobre várias matérias que não foram discutidas na impugnação. São elas: a) nulidade do lançamento por instauração do MPF com base em informações da CPMF anteriores à lei 10.174/2001. b) incompetência da autoridade fiscal para os lançamentos da contribuição para o PIS, COFINS e CSLL, por falta de MPFComplementar. c) alega a recorrente que o MPFC acostado às fls. 423, relativo a exigência da CSLL foi elaborado após a entrega da DIPJ 2001 retificadora, razão pela qual não haveria sustentação legal para desconsiderar a espontaneidade neste particular. Em relação à preliminar relativa à nulidade do lançamento por instauração do MPF com base em informações da CPMF anteriores à lei 10.174/2001, esta lei é datada de 09.01.2001 e foi publicada no DOU de 10.01.2001. Aprecio essa preliminar por considerála matéria de ordem pública. No que se refere a infração relativa ao anocalendário de 2000, a fiscalização chegou a intimar a empresa a apresentar os extratos bancários e a comprovar a origem dos recursos, entretanto, a recorrente, durante a ação fiscal, retificou a DIPJ desse ano e incluiu como rendimentos tributáveis os valores dos depósitos bancários. Portanto, o lançamento do anocalendário de 2000, relativo à infração de omissão de receitas, foi efetuado com base nos registros contábeis e fiscais da própria recorrente, ou seja, a discussão sobre a retroatividade da Lei 10.174/2001 não tem vínculo com essa infração. Em relação ao anocalendário de 2001, embora haja depósitos com origem não comprovada de 01 a 09 de janeiro de 2001, que antecederam a publicação da Lei 10.174/2001, por terem os fatos geradores ocorrido após a vigência da lei, a discussão não diz respeito ao presente litígio. As demais preliminares acima citadas deixo de apreciálas, por preclusão, por não terem sido expressamente contestadas na impugnação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Há ainda outras preliminares a serem apreciadas: a) nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, por ausência de análise da inconstitucionalidade da multa aplicada. b) configuração de cerceamento do direito de defesa, por ofensa ao princípio da verdade material e da legalidade. Em relação à preliminar de que trata o item “a”, a Turma Julgadora, assim como, este colegiado, não têm competência para analisar a inconstitucionalidade de lei tributária. No CARF há inclusive a súmula nº 2, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2: Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 17 17 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, essa preliminar deve ser rejeitada. Quanto à preliminar de que trata o item “b” a apreciarei como matéria de mérito, quando tratar do lançamento relativo ao anocalendário de 2002. No tocante à infração de omissão de receitas relativa ao anocalendário de 2000, conforme já relatado, a omissão foi apurada com base na diferença entre a receita escriturada nos livros contábeis, refeita durante a fiscalização, e a receita informada em DIPJ. Sob ação fiscal a contribuinte apresentou DIPJ retificadora. Sobre essa infração a contribuinte não se insurgiu, quanto ao mérito. Apenas alega a espontaneidade, em relação aos lançamentos da CSLL, contribuição para o PIS e COFINS e se insurgiu contra a multa de ofício que incidiu em relação a esses tributos por entender que por não haver MPFComplementar quando da entrega da DIPJ retificadora, estava na condição de espontaneidade. Deixo de apreciar essa matéria, por preclusão em razão de não ter sido expressamente contestada na impugnação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Do exposto, deve ser mantida a exigência do IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS e respectiva multa de ofício do anocalendário de 2000. Em relação à infração de omissão de receitas configurada pela falta de comprovação de depósitos bancários, do anocalendário de 2001, a recorrente em seu recurso afirma que os depósitos bancários efetuados na sua conta bancária estão vinculados às atividades da empresa Cinelândia Telefones Ltda, da qual o Sr. José Perci Ribeiro da Costa também é sócio majoritário e administrador, mas que os documentos que comprovam a vinculação entre a empresa Cinelândia e os depósitos bancários, e via de conseqüência, a origem daqueles, estavam em poder da Administração Pública Federal. Tais depósitos bancários seriam de titularidade da empresa Cinelândia Telefones Ltda que teria oferecido a respectiva receita à tributação. A recorrente conclui que teve seu direito de defesa cerceado porque os documentos hábeis a demonstrar as origens dos depósitos bancários se encontrariam em poder de órgão público, estando, para ela, inacessíveis, restando nulo o auto de infração com base no art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Na sessão de 07.11.2007, o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal intimasse a recorrente a comprovar que os documentos apreendidos pela Polícia Federal dizem respeito a este litígio, e a apresentar a documentação que comprovaria a vinculação entre os depósitos bancários a que se refere a autuação, com a empresa Cinelândia Telefones Ltda. Nessa Resolução ficou claro que os documentos trazidos aos autos pela recorrente não comprovavam que os documentos apreendidos pela Polícia Federal se referiam a este litígio. Concluiu a autoridade fiscal que realizou a diligência (entre diversas conclusões), que a recorrente com o argumento de que os equipamentos de informática colocados à sua disposição estavam avariados, não se interessou em obter as informações contidas nesses hardwares, bem como, haviam sido apreendidos também documentos em papel Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 18 18 que embora disponibilizados, não foram acessados pela recorrente, o que demonstraria a falta de interesse em obter de fato essa documentação que, em tese, provaria a relação da movimentação financeira mantida na conta corrente da empresa Paraibuna Veículos Ltda, com as atividades da empresa Cinelândia Telefones Ltda. A empresa por sua vez, manifestouse no sentido de que o conteúdo das mídias eletrônicas é que teria a prova dessa vinculação e que por estarem os equipamentos avariados ficou impossibilitada de obter as provas, bem como, que a documentação em papel disponibilizada não lhe era útil para a obtenção das provas. Após lavrado o Termo de Constatação Fiscal e após apresentada a manifestação da recorrente, foi juntado aos autos, cópia da resposta a ofício (expedido pela fiscalização da Unidade de origem), do Juiz da 6ª Vara Federal Criminal (ofício 552/2011, de 24.05.2011) que noticia o seguinte: a) esclarece que os réus e seus defensores tiveram, como têm, acesso aos documentos constantes dos volumes e apensos referentes à ação penal nº 1999.61.03.0020678, instaurada em face de José Percy Ribeiro e Outros, documentos esses que ainda se encontravam na Secretaria daquele Juízo, onde tramita a ação penal. b) como comprovação enviou cópia da petição de fls. 3006/3008, da decisão de fls. 3054/3055, da certidão de fls. 3056, e da certidão de publicação de fls. 3063, todas relativas aos autos da ação penal nº 1999.61.03.0020678. Entre os documentos encaminhados, consta cópia de ofício, dirigido ao Juiz Federal da 6ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de São Paulo, doc. de fls. 1098/1100, expedido pelo Sr. José Percy Ribeiro da Costa e outros, relativo ao processo 1999.61.03.0020678, em que noticia que continuavam sem acesso aos documentos e bens apreendidos, porque os documentos não teriam sido localizados na Delegacia de Polícia Federal de São José dos Campos e que estariam em São Paulo, razão pela qual, reiteraram a extração de cópias reprográficas dos documentos, e se fosse o caso, obtenção de cópia magnética de documentos eletrônicos apreendidos. Às fls. 1101 consta informação da Técnica Judiciária, de 13.02.2007, de que em vistas das informações contidas nessa petição, consultou os autos e verificou que: a) Os documentos apreendidos naqueles autos foram autuados, formandose 7 apensos, com 98 volumes e encaminhados à DPF de S.José dos Campos para realização de perícia, no entanto, 22 desses volumes foram devolvidos ao Juízo e encontravamse acautelados em Secretaria, enquanto que os demais permaneciam no Núcleo de Criminalística daquela Delegacia, pois ainda não havia sido elaborado o laudo pericial; b) que os equipamentos de informática já haviam sido devidamente periciados, conforme laudos juntados às fls. 2969/2983. O Juiz determinou a restituição dos materiais apreendidos nesses autos, que foram objeto de laudos periciais juntados às folhas 2969/2983, aos seus proprietários e determinou que se oficiasse à DPF em São José dos Campos solicitando que se procedesse a devolução dos mesmos aos respectivos proprietários. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 19 19 Também deferiu em parte, o requerido pela defesa dos réus às fls. 3006/3047, permitindo a eles o acesso e a extração de cópias reprográficas dos documentos constantes naqueles autos e seus apensos, inclusive daqueles que se encontravam acautelados no Núcleo de Criminalística do DPF em São José dos Campos para realização de perícia, ficando o pedido prejudicado em relação aos equipamentos de informática, diante da restituição determinada. Constatei ainda, que há uma certidão, fls. 1103 deste processo, que as advogadas Clarissa de Faro e Renata de Pádua, compareceram em Secretaria e extraíram cópias das fls. 2934/2997 e 3000/3055 dos autos. Conforme se constata da resposta do Juiz, acima referida, não houve óbice ao acesso à documentação apreendida, chegando mesmo a ser elaborado o laudo de fls. 2969/2983 dos autos da ação penal, relativo às informações constantes nos equipamentos de informática, que inclusive foi obtido pelas advogadas mencionadas. Não se tem notícia se essas advogadas representavam a empresa autuada, entretanto, mesmo que não representassem, se elas tiveram acesso a essa documentação, a recorrente também poderia ter acesso, caso realmente desejasse. O que se verifica, na verdade, é que a recorrente ao dizer que os documentos físicos que lhe foram disponibilizados não lhe seriam úteis como prova da vinculação, de que os depósitos embora movimentados pela conta corrente da recorrente, pertenciam à empresa Cinelândia Telefones Ltda, e ao alegar que somente as mídias eletrônicas continham as informações que necessitava como prova, e ainda, ao dizer que os equipamentos haviam sido avariados, sem verificar se realmente a avaria alcançou as mídias eletrônicas, esse conjunto de fatos, nos leva à conclusão, que de fato, a empresa não tem interesse na documentação apreendida, porque os documentos e informações contidas nos autos da ação penal não provam que a conta bancária de titularidade da recorrente foi movimentada pela empresa Cinelândia Telefones Ltda. Em nenhum momento, a recorrente provou que os documentos apreendidos pela Polícia Federal se referiam a este litígio. Ademais, pelo fato do laudo relativo ao conteúdo dos equipamentos de informática ter sido elaborado, com acesso de seu inteiro teor às advogadas mencionadas, o que implica, que ainda que mesmo na hipótese delas não serem as advogadas da autuada, significa que eram informações disponíveis à recorrente, também nos levam à mesma conclusão. Interessa à recorrente, o reconhecimento de que a conta era movimentada pela empresa Cinelândia Telefones, em razão da atividade de factoring, o que implicaria na apuração de tributos de valor muito menor. Mas, para que se considere que de fato essa movimentação financeira pertencia a essa empresa, seria necessária a apresentação de provas, tais como, os contratos de faturização, notas fiscais e outros documentos que permitissem constatar a vinculação entre os depósitos e as operações alegadas. Entretanto, essa prova, a recorrente não apresentou, e sua alegação de que ficou impossibilitada porque os documentos foram apreendidos, não se sustenta, conforme acima abordado. Em relação à alegação de que se mantida a autuação implicaria em duplicidade, uma vez que a empresa Cinelândia Telefones teria aderido ao PAES e incluído os tributos apurados conforme o laudo, não tem o condão de tornar insubsistente o presente lançamento, e nem que esses valores devam ser deduzidos deste lançamento, uma vez que não se pode aproveitar o recolhimento de uma empresa a favor de outra. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 20 20 Ademais, conforme alegado pela recorrente, a empresa Cinelândia Telefones teria assumido a movimentação bancária de várias pessoas físicas/jurídicas, e mantido o presente lançamento, aquela empresa supostamente teria efetuado recolhimentos indevidos, e eventual pedido de repetição de indébito deve ser formulado por aquela empresa, em procedimento específico, não podendo ser objeto de discussão nestes autos. Quanto ao argumento de ilegitimidade do lançamento por ter sido baseado em depósitos bancários, o que se aplica somente ao lançamento relativo ao anocalendário de 2001, devese ter como norte, que o lançamento foi fundamentado no art. 42 da lei 9.430/96. Esse dispositivo legal dispõe o seguinte: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Portanto, tratase de uma presunção legal, em que o ônus da prova é do sujeito passivo, e a recorrente não logrou comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente; apenas tentou atribuir essa movimentação financeira a outra empresa, mas, também não trouxe elementos de prova que lhe favorecesse, pois o laudo apresentado não prova que a movimentação financeira pertence à empresa Cinelândia Telefones, porque não foram apresentados os documentos que relacionam os depósitos às atividades da referida empresa. Sendo o ônus da prova do sujeito passivo, a sua alegação de que a autoridade fiscal é que deveria solicitar os elementos de prova à Polícia Federal não se sustenta, até mesmo porque nem mesmo a prova de que os documentos apreendidos pela Polícia Federal têm vínculo com o presente litígio foi feita. Assim, constatase que não ocorreu a alegada ofensa aos princípios da verdade material e da legalidade. Em relação a seu pedido de aplicação do decidido em outros processos administrativos que teriam relação com o presente litígio, devese ressaltar que os mesmos referemse a sujeitos passivos diferentes (pessoas físicas e Cinelândia Telefones), cuja decisão somente alcança os respectivos litígios. Consequentemente, deve ser mantido o lançamento relativo ao ano calendário de 2001. Em relação à multa qualificada, a Turma Julgadora assim se manifestou: Quanto aos questionamentos acerca da multa de ofício, cumpre observar que o percentual de 150%, ao qual se opõe a impugnante, foi aplicado em relação ao anocalendário de 2000 para o qual a fiscalização descreve ter constatado diferença entre o valor da receita informado na DIPJ (R$ 67.700,00) em comparação com o valor da movimentação financeira (R$ 2.080.423,82) e com a escrita contábilfiscal (R$ 2.148.123,82) a Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 21 21 qual fora refeita no curso da ação fiscal para se adequar à movimentação financeira (ocorrência não contestada pela defesa). Diante do montante omitido e admitido pela contribuinte ao refazer sua escrituração, quando sob fiscalização, para contemplar a movimentação financeira que se encontrava à margem de sua declaração e escrituração originais, não há como afastar a aplicação da multa fundamentada no art. 44, II, da Lei 9.430/96, que assim dispõe: (...) Os dispositivos da Lei 4.502/64 a que se reporta o inciso II prevêem: (...) Diante das disposições supra, temse que no âmbito civil tributário, ao qual se restringe esse julgamento, o enquadramento legal e os fatos descritos que redundaram na aplicação da multa de ofício são hábeis a justificála. Cabe apenas consignar que, quanto à eventual existência de crime tributário, a questão envolve razões que fogem à possibilidade de apreciação no processo administrativofiscal, o qual não se constitui espaço próprio para a formulação de juízo criminal Concordo com as razões da Turma Julgadora. O valor da expressiva diferença de receita não contabilizada é fator decisivo para a manutenção da multa qualificada, pois, a recorrente não trouxe aos autos, qualquer argumento que explicasse as razões de ter escriturado, originalmente, receitas de apenas R$ 67.700,00, tendo inclusive apresentado DIPJ com esse valor de receita, quando posteriormente, sob procedimento de ofício, reconheceu que as receitas eram de mais de R$ 2 milhões e retificou a DIPJ. O valor contabilizado originalmente, corresponde a menos de 4% do valor reconhecido, sob procedimento fiscal, como receita. Consequentemente, a qualificação da multa que foi aplicada somente ao lançamento do anocalendário de 2000, deve ser mantida. Quanto à exigência dos juros de mora calculados com base na taxa selic, aplicase a súmula nº 4 do CARF, que a seguir a transcrevo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, devem ser mantidos os juros de mora calculados com base na taxa selic. Quanto à exigência das multas isoladas do IRPJ e da CSLL, constatase que as mesmas devem ser exoneradas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, sendo descabido o lançamento concomitante de ambas. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 22 22 Inicialmente, transcrevo o art. 44 da Lei nº 9.430/96, que trata da penalidade aplicada na situação de falta ou insuficiência de pagamento de tributo, entre outras situações: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (...) O art. 2º mencionado trata do pagamento do IRPJ da pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real determinado sobre base de cálculo estimada. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 (acima transcrito), ao especificar as multas aplicáveis nos casos de lançamento de ofício, prevê, a cobrança da referida multa, isoladamente, no caso em que o contribuinte deixe de efetuar os recolhimentos por estimativa, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido no anocalendário correspondente. No caso destes autos, constatase que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. Da jurisprudência, pode ser citado o Acórdão CSRF/0104.987, de 15.06.2004: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13884.003309/200518 Acórdão n.º 110200.748 S1C1T2 Fl. 23 23 Estendese o decidido em relação ao tributo principal, às exigência da CSLL, contribuição para o PIS e COFINS tendo em vista que os fatos são os mesmos e existe uma estreita relação entre causa e efeito que os vincula. Do exposto, oriento meu voto para rejeitar as preliminares, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Relatora Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11020.915468/2009-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO.
Inexistindo crédito líquido e certo, inexiste o direito à compensação.
Numero da decisão: 3403-002.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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score : 1.0
Numero do processo: 11065.100540/2009-09
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS.
Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da não-cumulatividade.
Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar.
Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter vantagem tributária indevida.
Abuso do direito caracterizado, o que legitima a desconsideração dos negócios jurídicos celebrados entre as empresas envolvidas, posto que a conduta se subsume à norma antielisão objeto do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia bem como para não acolher as razões de nulidade formalizados pela recorrente, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS. Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da não-cumulatividade. Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter vantagem tributária indevida. Abuso do direito caracterizado, o que legitima a desconsideração dos negócios jurídicos celebrados entre as empresas envolvidas, posto que a conduta se subsume à norma antielisão objeto do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR EMPRESAS VINCULADAS À CONTRATANTE COM O OBJETIVO DE GERAR CRÉDITOS SEGUNDO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. ABUSO DO DIREITO CARACTERIZADO. DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS CELEBRADOS ENTRE TOMADORA DOS SERVIÇOS E CONTRATADAS. Realidade em que empresa do ramo de calçados contratou três empresas para a prestação de serviços de industrialização por encomenda, cujas despesas foram utilizadas para fins de creditamento do PIS/PASEP segundo o regime da nãocumulatividade. Contudo, foi comprovado nos autos que: a) a contratante transferiu significativos montantes financeiros para o pagamento de despesas operacionais das contratadas; b) uma das contratadas mantinha identidade de endereço com a tomadora dos serviços (recorrente); c) os serviços prestados pelas empresas contratadas eram quase que exclusivamente destinados à reclamante; d) houve transferência de empregados da interessada para as empresas contratadas quando da constituição destas; e) contratante e contratadas operavam no mesmo ramo de negócio; f) sócios das empresas envolvidas apresentavam ligação familiar. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas contratadas, posto que não norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia bem como para não acolher as razões de nulidade formalizados pela recorrente, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausente momentaneamente o conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 149/152), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório argüido pela mesma, relativamente à Contribuição para o PIS/PASEP. Conforme relatório objeto da decisão recorrida, foram constatadas irregularidades na apuração de créditos relativos aos serviços prestados para a recorrente pelas empresas Calçados Ronessa Ltda, Calçados Rafelly Ltda e Calçados Ronelly Ltda. Averiguou se que tais empresas seriam, na verdade, mera extensão, apêndice ou desdobramento das atividades produtivas da empresa Rojana Calçados Ltda, com total dependência econômico financeira e que, portanto, todas constituiriam uma só empresa. Conforme relato da instância recorrida, a fiscalização, para chegar a tais conclusões, se embasou nas seguintes questões: a) Há grau de parentesco entre os sócios de todas as empresas; b) As empresas envolvidas têm o mesmo objeto social – fabricação de calçados de couro; c) 100% dos clientes e do faturamento das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly têm relação direta com o grupo (Rojana representa de 92,562 a 99,9999% e o restante é representado por Ronessa e/ou Rafelly e/ou Ronelly); d) As empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly receberam vultosos aportes financeiros advindos da empresa Rojana, efetuados na forma de depósitos, adiantamentos e transferências entre contas. Operações imprescindíveis e utilizadas integralmente para cobrir seus gastos operacionais (custos com pessoal, despesas bancárias e diversas, cheques e aluguéis à própria Rojana); Fl. 204DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100540/200909 Acórdão n.º 3802001.556 S3TE02 Fl. 204 3 e) A contabilidade e as notas fiscais das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly evidenciam que a empresa Rojana é praticamente o único cliente daquelas, inclusive com a emissão de notas fiscais seqüenciais entre as empresas; f) Ocorreu uma migração de diversos funcionários da empresa Rojana para a recém constituída Rafelly, além do fato de ambas possuírem o mesmo endereço. Ainda nos termos do relatório da decisão vergastada: A auditoria fiscal concluiu, então, que restou evidenciado que o contribuinte na verdade “transformou” sua folha de salários em serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. As prestações de serviços efetuadas por estas empresas, na verdade, simulavam terceirização de mãodeobra. A abertura das empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly, todas optantes pelo SIMPLES, com a efetiva transferência de empregados do interessado para aquelas, visou apenas a redução da carga tributária previdenciária e também o creditamento das contribuições PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade, relativamente aos pretensos serviços de industrialização por encomenda. Desta forma, o contribuinte não pode se creditar das contribuições em relação aos serviços de mãodeobra em face de expressa vedação legal, conforme dispõe os Arts. 3º, § 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O contribuinte, inconformado com o indeferimento, apresentou tempestivamente sua manifestação onde alega que, além das empresas relacionadas no lançamento, diversas outras prestam serviços a ele, o que facilmente pode ser constatado na sua contabilidade. Acrescenta que as empresas prestadoras de serviços possuem seus próprios sócios que, apesar de terem ligação de parentesco com um dos sócios da empresa Rojana, não estão a ela subordinados. Diz que estas empresas estavam devidamente regulares perante os órgãos públicos, tinham autonomia, remuneravam seus sócios e seus empregados regulamente cadastrados, além de recolher seus impostos e contribuições previdenciárias. Comenta que desde o início da fabricação de calçados na região, há mais de cinqüenta anos, existem empresas prestadoras de serviços. Diz, ainda, que não há qualquer vedação legal para que uma empresa tenha contrato com outra de modo que seu faturamento mensal fique desta dependente. Alega, preliminarmente, a nulidade do procedimento fiscal que estaria motivado por mera presunção, o que ofenderia o princípio da segurança jurídica. Ainda em preliminar, alega novamente a nulidade em face de suposta ilegitimidade passiva da empresa Rojana. Entende que no pólo passivo deveriam figurar as empresas prestadoras de serviços, que recolhiam seus tributos pelo SIMPLES, pois considera que não teve benefício algum com a redução da carga tributária daquelas empresas. O manifestante contesta as afirmações do auditor fiscal, com o argumento de que se tratariam de mera e inverídica presunção, não fundamentadas em qualquer elemento de prova. Explica que os pagamentos que efetuou às empresas prestadoras decorrem de notas fiscais de serviços ou de antecipações de receitas devidamente documentadas através de contratos de mútuo, contratos de antecipação de pagamentos e outros. Acrescenta que o auditor fiscal poderia ter analisado a contabilidade das Fl. 205DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 empresas prestadoras de serviços onde constataria que elas também realizaram serviços para diversas outras empresas. O interessado entende que o procedimento fiscal precisaria ser complementado, mediante diligências fiscais e através da realização de perícia contábil, onde poderá ficar melhor esclarecida a questão dos adiantamentos que realizou às empresas prestadoras de serviços. Para tanto, indica o seu assistente técnico e os quesitos a serem respondidos. Ao final, o sujeito passivo requer a insubsistência e total improcedência da ação fiscal, com o seu cancelamento e a legitimação de seus créditos complementares de PIS e COFINS, renovando também seus pedidos pela realização de diligências e perícia contábil, bem como a produção de prova documental. Para fins de informação, foram também lançados contra a contribuinte Autos de Infrações relativos a tributos/contribuições previdenciárias que motivaram o encaminhamento de Representação Fiscal para Fins Penais junto à autoridade competente. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 Ementa: CRÉDITOS. MÃO DE OBRA. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor de mãodeobra paga a pessoas físicas, nos termos da legislação que rege a contribuição. A constatação de negócios simulados, enseja o indeferimento do pedido tendo como base a situação de fato, cabendo a desconsideração dos atos jurídicos simulados envolvendo pessoas jurídicas que apenas aparentemente figuravam como prestadoras de serviços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 06/07/2011 (fls. 154), a interessada, em 02/08/2011 (fls. 159), apresentou o recurso voluntário de fls. 159/184, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, destacando ainda: a) o cerceamento ao seu direito de defesa, dado que a instância recorrida indeferiu pedido de produção pericial que seria imprescindível para o julgamento da causa, violando, assim, os princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal; b) que a primeira instância não demonstrou a existência de negócio jurídico destinado a dissimular a ocorrência de fato gerador de tributo, como disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, incluído pela Lei Complementar no 104, de 2001; assim, o julgamento de primeiro grau, bem como o lançamento, teriam se fundado em presunções, sendo a citada decisão, portanto, nula; c) que as prestadoras de serviços CALÇADOS RAFELLY, CALÇADOS RONELLY e CALÇADOS RONESSA foram constituídas de forma regular, Fl. 206DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100540/200909 Acórdão n.º 3802001.556 S3TE02 Fl. 205 5 tendo seus próprios sócios e administradores, respondendo os mesmos pelas obrigações fiscais e tributárias originárias de suas atividades econômicas; portando, tais empresas são totalmente diversas da empresa tomadora dos serviços – a recorrente – que, assim, figura indevidamente no pólo passivo da lide, eis que o auto de infração deveria ter sido lavrado em relação às empresas prestadoras dos serviços; Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento, no mérito, do direito creditório reclamado pela interessada. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A legislação pertinente ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (respectivamente, Leis nos 10.637, de 30/12/2002 e 10.833, de 29/12/2003), autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das citadas leis ordinárias. Relevante para o caso em tela o disposto no inciso II do dispositivo retromencionado, que autoriza o desconto de créditos relativos a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Portanto, em tese, os serviços prestados à recorrente enquadramse na hipótese normativa que autoriza sua utilização (como insumos) na base de cálculo dos créditos do PIS e COFINS a serem descontados no regime da nãocumulatividade. Contudo, conforme relatado, a fiscalização desconsiderou os créditos das contribuições calculados a partir desses montantes sob o argumento de que a autuada “transformou” sua folha de salários em serviços de industrialização por encomenda prestados por outras empresas, no caso, as empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. Estas, segundo a fiscalização, receberam vultosos aportes financeiros advindos da reclamante (para fins de pagamento de despesas operacionais – funcionários, aluguéis, despesas bancárias, etc.). Ademais, a recorrente (Rojana) seria quase que exclusivamente o único cliente das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly. Dentre outras questões abordadas pela autoridade lançadora, foi mencionado também que a empresa Rafelly estaria estabelecida no mesmo endereço da autuada (Rojana). O CTN, em seu artigo 116, dispõe o seguinte: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) (grifo nosso) Interessa para a lide, especialmente, o disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, acima reproduzido. Neste âmbito de discussão, a possibilidade legal para a desconsideração de atos ou negócios jurídicos pela autoridade administrativa está restrita às hipóteses em que for caracterizada a “[...] finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária [...]”. Necessário, pois, examinar sistematicamente a aplicabilidade da regra em tela, inclusive considerando a parte final do preceito aludido, que remete sua aplicação à observação de “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. Tal questão será abordada adiante. Agora, analisemos a conduta proibida pela lei tributária complementar, que tem como núcleo o verbo “dissimular”. Segundo Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, “dissimular”, quando usado como verbo transitivo direto – como empregado no texto normativo (“dissimilar a ocorrência do fato gerador do tributo”, “dissimular a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária”) –, significa (1) “ocultar ou encobrir com astúcia; disfarçar; (2) não dar a perceber; calar; (3) fingir; simular; (4) atenuar o efeito de; tornar pouco sensível ou notável”. As condutas coibidas pela lei enquadramse em hipóteses que a doutrina denomina de abuso do direito, cuja reprimenda legal deixa transparecer inegável limitação ao princípio da autonomia da vontade, como, aliás, ressalta Douglas Yamashita1 no início de suas considerações sobre o estudo do abuso do direito no Código Civil de 2002, e seus reflexos em matéria tributária: Ao reputar ilícito o exercício de um direito por seu titular, sempre que tal exercício exceda manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, o art. 187 do CC/20022 não faz outra coisa senão traduzir em nível infraconstitucional limites constitucionais à autonomia da vontade, consubstanciada essencialmente na liberdade de iniciativa garantida pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 1o, IV, e 170. Assevera, portanto, que o contexto do abuso do direito e do artigo 187 do Código Civil de 2002 é o contexto constitucional, ressaltando, ainda, que o princípio do Estado Democrático de Direito (caput do artigo 1o da Constituição Federal3) se alicerça em bases formais (a segurança jurídica – princípio da legalidade, da proteção ao ato jurídico perfeito, do 1 YAMASHITA, Douglas. Elisão e evasão de tributos. Limites à luz do abuso do direito e da fraude à lei. São Paulo: Lex Editora, 2005, p. 87. 2 Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. 3 Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100540/200909 Acórdão n.º 3802001.556 S3TE02 Fl. 206 7 direito adquirido, da coisa julgada, etc.) e materiais (voltados à realização da justiça – art. 3o, I, da CF/88 –, a um Estado de Direito e de Justiça Social – Miguel Reale –, a um Estado Social – Tércio Sampaio Ferraz Jr.). Todos são valores que, muito embora positividados na Constituição Federal, estão em constante tensão, “de modo que um plus na realização de um valor significa um minus na realização de outro ou outros valores”4. É nesse contexto – de reprovação do abuso do direito (o qual, longe de se restringir ao Direito Civil, alcança todos os ramos do direito5) – que precisa ser analisado o alcance da norma antielisão, cujo exame requer obrigatória aplicação do princípio da proporcionalidade, afastandose assim concepções absolutistas ou a ilimitabilidade do exercício da liberdade de contratar, juízo que se amolda perfeitamente à seguinte lição de Pontes de Miranda: O estudo do abuso do direito é a pesquisa dos encontros dos ferimentos, que os direitos se fazem. Se puderem ser exercidos sem outros limites que os da lei escrita, com indiferença, se não desprezo, da missão social das relações jurídicas, os absolutistas teriam razão. Mas a despeito da intransigência deles, fruto da crença a que se aludiu, a vida sempre obrigou a que os direitos se adaptassem entre si, no plano do exercício. Conceptualmente, os seus limites, os seus contornos, são os que a lei dá, como quem põe objetos na mesma maleta, ou no mesmo saco. Na realidade, quer dizer – quando se lançam na vida, quando se exercitam – têm de coexistir, têm de conformarse uns com os outros6. Na mesma toada, e especialmente quanto à possibilidade legal de desconsideração de atos ou negócios jurídicos pela autoridade tributária com base no parágrafo único do artigo 116 do CTN, destaca Luciano Amaro que não merecem prosperar as críticas daqueles que defendem que referido preceito teria dado à autoridade administrativa o poder de criar tributo sem lei. Neste comenos, ressalta, textualmente: [...] O questionado parágrafo não revoga o princípio da reserva legal, não autoriza a tributação por analogia, não introduz a consideração econômica no lugar da consideração jurídica. Em suma, não inova no capítulo da interpretação da lei tributária. O que se permite à autoridade fiscal nada mais é do que, ao identificar a desconformidade entre os atos ou negócios efetivamente praticados (situação jurídica real) e os atos ou negócios retratados formalmente (situação jurídica aparente), desconsiderar a aparência em prol da realidade. [...] Noutras palavras, nada mais fez o legislador do que explicitar o poder da autoridade fiscal de identificar situações em que, para fugir do pagamento do tributo, o indivíduo apela para a 4 Cf. YAMASHITA, ob. cit., p. 8890. 5 PACHECO, José da Silva. Considerações preliminares à guisa de atualização. In: BATISTA MARTINS, Pedro. Abuso do direito e o ato ilícito, 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. XV, apud YAMASHITA, ob. cit., p. 95. 6 PONTES DE MIRANDA, Francisco. Tratado de direito privado. Rio de Janeiro: Borsoi, 1972, t. LIII, p.67 e ss., apud YAMASHITA, ob. cit., p. 92. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 simulação de uma situação jurídica (não tributável ou com tributação menos onerosa), ocultando (dissimulando) a verdadeira situação jurídica (tributável ou com tributação mais onerosa)7. Releva mencionar a existência de respeitáveis entendimentos doutrinários contrários à possibilidade de “aplicação analógica em caso de abuso do direito”, como denomina Alberto Xavier, o qual entende que as cláusulas gerais antielisivas são uma “tentativa de tributação analógica de fatos extratípicos”8. Preferimos nos filiar à primeira corrente, por entendermos que a mesma está em sintonia com o princípio constitucional do Estado Democrático de Direito, o qual, como ressaltado, procura conciliar o direito considerando o conjunto de seus aspectos formal e material. Além disso, a norma antielisiva em destaque está prevista em lei complementar, portanto, de observação compulsória por parte do julgador administrativo, que não poderia afastála, por exemplo, sob argumento de inconstitucionalidade, questão, vale lembrar, sumulada por este Conselho (Súmula no 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Mas ainda no campo teórico da possibilidade legal de sanção ao abuso do direito no âmbito tributário, ou, em outras palavras, na arena de aplicação efetiva do disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN9, cumpre destacar que referido dispositivo faz remissão a “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, fato que poderia levar a juízo pela impossibilidade de sua autoaplicabilidade, dado que até hoje norma ordinária nesse sentido não foi editada10. Todavia, não obstante a inexistência de norma ordinária específica que trate da matéria, temse admitido a desconsideração de atos ou negócios jurídicos diante das hipóteses contempladas pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN. Nessa toada, defende Douglas Yamashita11 que a ressalva legal “referese clara e exclusivamente a ‘procedimentos’ de desconsideração, e se o conceito de dissimulação é de direito material e não procedimental, logo, sua definição conjuga os conceitos de abuso do direito (arts. 50 e 187 do CC/2002) e de fraude à lei (art. 166, VI, do CC/2002) independentemente da lei ordinária”. Quanto aos critérios utilizados para a caracterização do abuso do direito, a doutrina se refere a três correntes principais: teoria subjetiva, teoria objetiva e teoria subjetivo objetiva. Em apertada síntese, segundo o a teoria subjetiva, o abuso nasce quando o ato é praticado sem interesse próprio e com o único objetivo de prejudicar outrem. Pela teoria objetiva, ato abusivo é o ato anormal, porque contrário à finalidade do direito; [...] um ato economicamente prejudicial e reprovado pela consciência pública. Seria ainda, o ato em contrariedade às regras sociais [...] em desconformidade ao interesse ou valor ambiental cultural vigente. Ou, de forma mais abrangente, em conformidade com o critério do motivo legítimo: o ato será normal ou abusivo, segundo se explique, ou não, por motivo legítimo, que 7 AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva. 2009. 15. ed. p. 237238. 8 XAVIER, Alberto. Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva. São Paulo: Dialética. 2001. p. 45. 9 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifo nosso) 10 Tais procedimentos chegaram a ser objeto dos artigos 15 a 19 da Medida Provisória no 66, de 2002. Contudo, foram suprimidos no processo de conversão à Lei no 10.637/2002. 11 idem, p. 149. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100540/200909 Acórdão n.º 3802001.556 S3TE02 Fl. 207 9 passa, pois, a constituir a pedra angular da teoria objetiva da finalidade social do direito12. Por fim, prega a teoria subjetivoobjetiva que ato abusivo seria aquele em que estariam presentes a intenção de se prejudicar a terceiro (aspecto subjetivo) e a não funcionalidade, ou anormalidade, do ato (aspecto objetivo)13. Ao examinar o 187 do Código Civil de 2002 à luz da teoria do abuso do direito, YAMASHITA ressalta o seguinte: Hoje, a concepção mais moderna do abuso do direito baseia se, sim, em critérios estritamente jurídicos: os princípios positivados. Os princípios servem, de um lado, como fundamentos de justificação das regras e, de outro, como normas de regulação de aplicação das regras existentes ao caso concreto. [...] Nesse sentido o abuso do direito consiste em uma conduta ilícita atípica, pois esta perde sua permissão normativa prima facie, em virtude de sua contrariedade a princípios jurídicos, especialmente aqueles de nível constitucional14. (grifo nosso) Especialmente no âmbito tributário, e notadamente em relação ao disposto no parágrafo único do artigo 116 do CTN, há que se admitir que referido preceito não se restringe unicamente a uma norma antisimulação, como entende parte da doutrina (para estes, a aplicação como norma antielisão fere o princípio da legalidade estrita), mas opera efetivamente como norma antielisão contra abuso do direito ou contra a fraude à lei. Nesse sentido, novamente, Douglas Yamashita15: A segunda corrente defende, com base na interpretação do verbo dissimular constante do parágrafo em questão, que esse parágrafo consiste em uma norma não apenas antisimulação, mas também antielisão, ou seja, de combate ao abuso do direito e à fraude à lei, sendo constitucional a norma antielisão. Para essa corrente, os atos ou negócios com finalidade dissimuladora da ocorrência do fato gerador do tributo ou da natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária poderiam ser também atos não simulados, uma vez que efetivamente declarados como desejados e executados. Tais atos ou negócios seriam aqueles que utilizam a fraude à lei ou o abuso do direito para disfarçar "licitamente", perante o Fisco, fatos tributáveis. [...] (gridouse) Ainda segundo Yamashita (ob. cit., p. 146), a dissimulação de que trata o parágrafo único do artigo 116 do CTN ocorre não apenas quando um fato jurídico falso dissimula um fato verdadeiro, mas também quando “um fato jurídico verdadeiro VI dissimule, isto é, atenue o efeito de outro fato jurídico verdadeiro V2 e, portanto, sem simulação. Se aquele fato jurídico verdadeiro VI é ato abusivo e dissimula o efeito do segundo fato jurídico verdadeiro V2, então VI constitui um ‘abuso dissimulatório’”. 12 “Um direito subjetivo não é um poder do indivíduo, mas uma função social. Assim, abusivo é o ato antifuncional, contrário ao fim social ou econômico do direito”. (SPOTA, Alberto G. Tratado de derecho civil. Buenos Aires: RubinzalCulzoni Editores, 1995, v. 2., 1.1, p. 10, apud LUNA, Everardo da Cunha. Abuso de direito. Rio de Janeiro: Forense, 1959, p. 92 e ss., apud Yamashita, ob. cit., p. 104). 13 Conf. YAMASHITA, ob. cit., p. 100104. 14 Idem, p. 119120. 15 Ob. cit., p. 144. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 O caso em exame envolve, exatamente, suposto abuso de personalidade jurídica de empresas que, segundo a autoridade fiscal, teriam sido criadas com o intuito exclusivo de gerar vantagem tributária imprópria em favor da recorrente, no caso em análise, na forma de direito creditório indevido para as contribuições PIS e COFINS. Tal forma de abuso, em tese, muito embora seja de natureza civil (art. 50, c/c art. 187 do Código Civil), possui reflexos tributários, sendo, pois, admitida a material desconsideração da personalidade jurídica, ou melhor, dos negócios jurídicos celebrados entre as envolvidas, para fins de lançamento tributário16. Essa questão merece seja utilizado, como adequado critério de exame da ocorrência de suposto abuso do direito de personalidade jurídica, se, no ato, ficou evidenciado eventual aspecto objetivo de anormalidade (se é injustificada a criação das empresas; se fere viés finalístico à operacionalização das mesmas – propósito econômico; se não houve recursos dos sócios para sua constituição; se a empresa não tem empregados, etc.) daí se extraindo ou deduzindo o intuito (aspecto subjetivo) de “dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária”, como consta do parágrafo único do artigo 116 do CTN, portanto, em prejuízo do Erário. Enfim, envolve a análise do caso concreto frente às provas que instruem os autos para se examinar se o caso é mesmo de desconsideração do suposto ato abusivo. Em estudo da aduzida caracterização de abuso do direito exercido por parte da empresa recorrente, considero como de menor importância algumas questões trazidas pela fiscalização, como o grau de parentesco entre os sócios da reclamante e as empresas contratadas, ou ainda, a identidade de objeto social. Contudo, tais fatos tem força probatória subsidiária para, ao lado das questões que julgo como mais importantes, revelarem a efetiva prática da conduta vedada pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN. São elas: a) as empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly receberam vultosos aportes financeiros advindos da reclamante para fins de pagamento de despesas operacionais – funcionários, aluguéis, despesas bancárias, etc.; b) a empresa Rojana (recorrente – tomadora dos serviços) é quase que exclusivo cliente das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly; c) a empresa Rafelly é estabelecida no mesmo endereço da autuada (Rojana); d) a transferência dos empregados da interessada quando da constituição das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly. Tais fatos, no seu aspecto objetivo, revelam mácula finalística quando da constituição das empresas Ronessa, Ronelly e Rafelly, posto que a constituição dessas pessoas jurídicas não foi norteada por aspectos de natureza empresarial/econômica, corroborando para tanto as graves evidências que demonstram a inexistência de sua independência gerencial e financeira. Daí se deduz o claro viés subjetivo de que a estrutura foi criada com o intuito exclusivo de se obter crédito tributário indevido. Os fatos acima referenciados, em que se baseiam o presente juízo em favor da caracterização de abuso do direito exercido por parte da empresa recorrente, não chegam a 16 “Ora, se o abuso de personalidade jurídica, como espécie de abuso do direito, é um ilícito civil (art. 187 do CC/2002) e se todo ato ilícito, ainda que meramente civil, é caso de evasão tributária, então se pode concluir que a desconsideração da personalidade jurídica é perfeitamente cabível em matéria tributária. (YAMASHITA, ob. cit., p. 157) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100540/200909 Acórdão n.º 3802001.556 S3TE02 Fl. 208 11 ser maculados pelos argumentos da interessada. Com efeito, a aduzida realização de negócios com outras empresas, a alegada diversidade entre os sócios de cada pessoa jurídica, a regularidade formal trabalhista, o recolhimento dos tributos, nenhum desses argumentos é suficiente para afastar o conjunto probatório trazido pela fiscalização, suficientes para alicerçar a procedência do entendimento oficial. Subsidiariamente, e também em resposta ao argumento da suplicante em prol da nulidade do lançamento em vista de o mesmo haver sido baseado em suposta presunção, destaquese que o direito brasileiro admite sim a utilização de presunções para combater ilícitos tributários. Nesse sentido, a lição de Maria Rita Ferragut17: [...] não há como ignorar que, se a segurança jurídica não admitisse as presunções, acabaria dificultando a proteção do direito daqueles que os detêm, mas que são prejudicados pela fraude, dolo, simulação. Dentre esses encontrase, sem dúvida alguma, o Fisco. Assim, o motivo para a criação das presunções foi sanar a dificuldade de se provar certos fatos mediante prova direta, fatos esses que deveriam ser necessariamente conhecidos, a fim de possibilitar a preservação da estabilidade social mediante uma maior eficácia do direito. As presunções suprem deficiências probatórias, disciplinam o procedimento de construção de fatos jurídicos, “alargam o campo cognoscitivo do homem”18, e aumentam a possibilidade de maior realização da ordem jurídica, ao permitir que alguns fatos sejam conhecidos por meio da relação jurídica de implicação existente entre indícios e o fato indiciado. No Direito Tributário, assumem significativa importância, tendo em vista que os fatos juridicamente relevantes são muitas vezes ocultados por meio de fraudes à lei fiscal, ficando o processo de positivação do direito obstado de ocorrer. Em tais casos, a presunção tem natureza essencialmente procedimental, destinada a auxiliar o aplicador do direito na subsunção da situação fática à norma. Portanto, não cria, altera ou revoga direitos, conclusão que se extrai, mais uma vez, das considerações de Maria Rita Ferragut sobre o tema: A previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu19. [...] 17 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 146147. 18 Cf. Jimir Doniak Jr, citado por FERRAGUT, ob. cit., p. 146. 19 Op. cit., p. 168. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 [...] Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se é assim, não se trata de alegar que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, mas de se reconhecer que o conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base em fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido20. (grifos nossos) A norma aduaneira, inclusive, admite textualmente a presunção de interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior diante da “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados” (vide artigo 23, inciso V e §§ 2°, do Decretolei n° 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/200221) (destaque nosso). Os argumentos até aqui desenvolvidos também deixam claro que a empresa que procurou se beneficiar indevidamente do direito creditório das contribuições sociais PIS e COFINS foi a própria Rojana Calçados, a qual buscava a extinção de débitos próprios, por compensação, com os supostos créditos das contribuições. Assim, é ela mesma quem deve figurar no pólo passivo, o que afasta também o argumento de nulidade por aduzida ilegitimidade passiva da reclamante. Também não merece prosperar a argüida nulidade do julgamento de primeira instância por suposto cerceamento do direito de defesa da interessada, cerceamento o qual teria sido caracterizado na recusa do pedido de perícia destinada a esclarecer, dentre outras, a questão dos adiantamentos que o contribuinte teria realizado às empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly. Segundo o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93, o julgador tem a prerrogativa de determinar de ofício perícias ou diligências quando considerálas necessárias para a instrução do processo e, conseqüentemente, para a solução do litígio, sendo facultado ainda ao mesmo o indeferimento daquelas que “[...] considerar prescindíveis ou impraticáveis [...]”. Portanto, tanto a perícia como a diligência, por representarem instrumentos capazes de propiciar melhor convencimento ao julgador, poderão ser justificadamente negadas por este, não representando, pois, direito subjetivo do impugnante. Ademais, de acordo com os artigos 15, caput, e 16, § 4º, do PAF, as provas do sujeito passivo deverão ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos “a” a “c” do mencionado § 4º, através de petição devidamente fundamentada (§ 5º do mesmo artigo), condições as quais não foram evidenciadas no caso presente. 20 Op. cit., p. 170. 21 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] (grifo nosso) Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11065.100540/200909 Acórdão n.º 3802001.556 S3TE02 Fl. 209 13 A primeira instância recursal indeferiu o pedido de perícia baseada na fundamentada suficiência probatória dos autos para a formação da convicção pelo julgador. A suplicante alega a necessidade de perícia para comprovar a razão dos adiantamentos realizados às empresas Ronessa, Rafelly e Ronelly, o que poderia ter feito através da apresentação de documentos que só ela pode dispor. Ora, a interposição de recurso voluntário sem a apresentação de nenhuma documentação nova voltada a alicerçar os argumentos da reclamante revela que andou bem a DRJ quando negou o pedido de produção pericial. E pelos mesmos fundamentos, nego o pedido de perícia reapresentado na presente instância recursal. Afastase, pois, aqui também, o argumento em prol da nulidade por aduzido cerceamento ao direito de defesa da interessada. Examinadas as questões de natureza preliminar e as nulidades aduzidas pela reclamante – deixadas para o final em vista de sua ligação com as questões principais tratadas – e considerando que, no mérito, não assiste razão à recorrente, há que se concluir pela improcedência dos argumentos apresentados pela interessada, devendo, portanto, ser mantido o entendimento da autoridade administrativa no sentido de glosar os créditos argüidos pelo sujeito passivo. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para indeferir o pedido de perícia formalizado pela recorrente, bem como para não acolher as razões de nulidade aduzidas pela interessada, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 26 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 19515.004656/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
Com a ciência do lançamento em 23.10.2009, as competências 06 a 12/2004 não se encontram em período decadente.
LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada, além da necessária presença do representante sindical dos trabalhadores.
Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.268
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ou nos autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Com a ciência do lançamento em 23.10.2009, as competências 06 a 12/2004 não se encontram em período decadente. LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada, além da necessária presença do representante sindical dos trabalhadores. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitamse às contribuições devidas à seguridade social. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 56 /2 00 9- 76 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos referentes a participação nos resultados, considerados como salário de contribuição. O r. acórdão – fls 229 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência parcial do lançamento referente a competência junho de 2004. · Regularidade do PLR paga aos empregados · A norma constitucional que estabeleceu a natureza jurídica da PLR é auto aplicável. · Pleno atendimento aos ditames da lei 10.101/00. · A Recorrente, em 06 de novembro de 1995, ou seja, na vigência da Medida Provisória n.° 794/1994, criou a sua Comissão de Empregados, para auxiliar e discutir na elaboração do Plano de Participações nos Resultados da Empresa ("PPRE"), já juntado aos presentes autos por ocasião da apresentação de Impugnação. Referido Plano, após seguidas reuniões entre a Recorrente e a Comissão de Empregados, foi aprovado, sem ressalvas por qualquer das partes, e deixou fixadas as diretrizes objetivas a serem seguidas na regulamentação da PLR, inclusive critério de resultados para legitimar a sua distribuição. · Não se alegue, como pretende o fiscal autuante e a entidade julgadora de primeira instância, que a Comissão dos Empregados não preenche os requisitos legais, especificamente pelo fato de que, quando da sua constituição, em 06 de novembro de 1995, estavam presentes representantes escolhidos pelos empregados, que, inclusive, assinaram a ata respectiva. O acordo resultante da Assembléia foi levado ao Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessoramento Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis no Estado de São Paulo, conforme chancela de protocolo dali constante. · Na decisão recorrida é assinalado que a PLR deve ser desclassificada como tal, em razão da ausência da anuência do sindicato. Ocorre que jamais este fato pode ser capaz de desnaturar a qualidade da parcela Fl. 334DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 5 4 paga, tendo em vista a plena bilateral idade com que o acordo foi firmado entre a Recorrente e seus empregados. · Como exaustivamente demonstrado por ocasião da apresentação de Impugnação ao Auto de Infração, o representante do sindicato, na comissão, funciona tão' somente como assistente, e não como negociador, ou seja, cabe somente à Recorrente e aos seus empregados a função de negociação. Negociadores, aqui, são os representantes dos empregados e empregadores, estes assistidos pelo representante do Sindicato, o qual pode intervir, provendo os elementos necessários a favorecer as pretensões obreiras na negociação. · Outro ponto destacado na decisão recorrida como não cumprido pela Recorrente quando da criação do PLR, seria o tempestivo arquivamento do Acordo no sindicato. Primeiramente, cumpre consignar que a Lei n.° 10.101/2000 em momento algum trata de prazo para arquivamento do PPRE no Sindicato. Logo, a recusa do Sindicato quanto ao registro extrapolou os comandos legais, pelo que não pode, de forma alguma, ser usado como requisito capaz de afastar o caráter não salarial das parcelas pagas a título da PLR. · Outra questão assinalada na decisão recorrida como não cumprida pela Recorrente quando da criação do PLR, seria a ausência, à época do pagamento da PLR, de "Acordo Coletivo de Trabalho" vigente, o que não corresponde à realidade. Devese esclarecer, a priori, que a PLR não foi acordada mediante acordo coletivo, mas sim por um regulamento específico, facultado pela Lei n. 10.101/00. · Quanto aos critérios de avaliação, também criticados na decisão recorrida, vale reiterar que a lei não determina quais as formas deverão ser adotadas, deixando a cargo das partes envolvidas decidirem. · O Plano de Participação nos Resultados da Egon Zehnder International Ltda., elaborado em comum acordo entre os seus empregados e a direção da empresa, consignou, clara e objetivamente, todas as regras referentes à fixação dos direitos substantivos de participação, as regras adjetivas à fruição no respectivo programa, os mecanismos de aferição do atendimento das metas traçadas, a periodicidade para a distribuição e o período de vigência do acordo. · Cabe registrar, ainda, que seqüencialmente à edição do PPRE original, foram elaborados, em comum acordo entre os empregados e a Recorrente, dois aditivos contratuais, um em 25 de julho de 1996 e o outro em 31 de julho de 1997, os quais, todavia, não tiveram o condão de alterar as características e a substância, e muito menos a forma do aludido programa. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 6 5 · Uma vez celebrado determinado ato ou contrato segundo as leis que lhes são próprias, estes se tornam perfeitos e absolutamente aptos a irradiarem todos os efeitos de Direito. Nem lei, e muito menos um ato administrativo, como aquele que deu origem ao Auto de Infração em referência, têm poder e competência para ignorar a existência de um negócio jurídico validamente constituído, a menos que demonstre e realmente comprove ter esse negócio sido celebrado de forma irregular, com dolo, fraude ou simulação. · Requer seja dado provimento ao presente recurso, para cancelar integralmente o lançamento tributário consubstanciado no auto de infração em questão ou, quando menos, reconhecer a decadência da exigência relativa à competência junho/2004, de forma a cancelar parcialmente o crédito tributário exigido. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4 e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Trasncrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria nas hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 337DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 8 7 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. (...) 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Do relatório DAD – Discriminativo Analítico do Débito, constatase a não ocorrência de pagamentos referentes as rubricas sub examine, justificando a aplicabilidade do art. 173. Como a presente notificação se refere às competências 06/2004 a 12/2004, tendo sido dado ciência ao contribuinte em 23/10/2009, aplicandose o art. 173 do CTN não há Fl. 338DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 9 8 que se falar em período decadencial, uma vez que teríamos que considerar decadentes somente competências anteriores a 11/2003, que não constam do presente auto. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS O ponto central a ser dirimido é se o acerto apresentado pela empresa, firmado pelos empregados e diretoria, se amolda no que preconizado pela lei 10.101/00. A citada veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI, referente à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. Complementando, a lei 8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição. Lei 8.212/91: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; O art. 2º da lei 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, assim traz: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 10 9 § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) O arcabouço normativo citado traz as linhas gerais que devem ser obedecidas pelas empresas quando da implementação de participações nos resultados ou lucros. Não cabe, na esfera administrativa, avaliar eventual inconstitucionalidade das leis em vigor. É o que também expressamente determina o art. 62 do regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ad argumentandum tantum, o STJ já abordou a matéria sob o prisma suscitado, restando consignado que há necessidade de lei formal a fim de efetivar a norma constitucional concernente a distribuição de lucros e resultados. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DA EMPRESA. INADMISSIBILIDADE. I O artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, instituiu como direito do trabalhador a participação nos lucros da empresa, desvinculada de sua remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A legislação aludida apenas poderá regulamentar a forma como será a participação nos lucros, não podendo, contudo, vincular tais valores à remuneração, sob pena de modificar o entendimento expresso no dispositivo legal constitucional. II A norma encimada é de eficácia plena na parte em que desvincula a verba de participação nos lucros da empresa da remuneração, vedando a cobrança da contribuição social sobre tais valores. No que concerne à forma de participação nos lucros e na gestão da empresa tal norma constitucional é de eficácia contida, pois dependia de lei para sua implementação. III Nesse panorama, mesmo antes do advento da Medida Provisória nº 794/94, já era vedada a exigibilidade da contribuição social incidente sobre valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados. Precedentes: REsp nº 283.512/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 31/03/2003, p. 190 e REsp nº 381.834/RS, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, DJ de 08/04/2002, p. 153. IV Recurso especial a que se nega provimento Resta assim demonstrado que a norma constitucional insculpida no art. 7°, inciso XI, é norma de eficácia contida, sendo válida sua implementação pela lei 10.101/00. Foram acostados, entre outros, os seguintes documentos: 01. Carta do Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio e em Empresas de Assessor amento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo, comunicando à empresa Egon Zehnder a inviabilidade de arquivamento extemporâneo do Acordo de PLR (31/01/2003). Fl. 340DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 11 10 02. Ata de instituição da Comissão de Empregados (06/11/1995). 03. Acordo de Participação nos Resultados (13/11/1995). 04. Primeiro Aditivo ao Acordo de Participação nos Resultados (25/07/1996) 05. Segundo Aditivo ao Acordo de Participação nos Resultados (31/07/1997). 06. Terceiro Aditivo ao Acordo de Participação nos Resultados (27/12/2001). 07. Ata de Assembléia de Empregados de 23/06/2004. 08. Ata de Reunião de Empregados de 06/12/2004. 09. Ata de Assembléia de Empregados de 13/12/2004. 10. Demonstrativo de distribuição do PLR em 06/2004. 11. Demonstrativo de distribuição do PLR em 12/2004. Do que trazido aos autos, constatamse várias irregularidades que demonstram que a recorrente não obedeceu às regras delineadas, senão vejamos. Da obrigatória participação do representante sindical A lei 10.101/00, em seu art. 2º, seja no inciso I ou II, determina expressamente a participação dos empregados e seu sindicato no ajuste das regras, seja através de convenções coletivas ou individualmente, por empresa. No acordo firmado, e respectivos aditivos, não há participação de representante do sindicato dos trabalhadores, em direta afronta ao que previsto no art. 2º da lei 10.101/00. Da ausência de normas objetivas de desempenho e documentos de aferição. Definição de percentual distribuído pela direção da empresa, somente Da ata acostada às fls 71 – reunião de 23.06.2004, temos a ausência de normas objetivas de aferição ou fixação de metas, sendo determinado, unilateralmente pela Diretoria, representada pelo diretor João Batista Aquino, um valor de 26% (vinte e seis por cento) dos contratos faturados para a distribuição aos funcionários, informando ainda que seriam “... distribuídos os resultados para os integrantes para a equipe de suporte da empresa, e o saldo para os consultores. Seguiuse assim o que previsto no Plano de Participação assinado em 1994 – fls 59, que transcrevo: Determinação de um montante para a distribuição de resultados comum aos Empregados da Empresa. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 12 11 O sistema baseado na participação dos Consultores e da Equipe de Suporte da Empresa nos resultados da Egon Zehnder terá como parâmetros para os cálculos das respectivas participações a serem distribuídas: i) a somatória dos valores dos contratos faturados pela empresa no decorrer de um semestre (faturamento da empresa); ii) a adoção de percentual máximo a ser aplicado sobre o valor apurado no primeiro item, que determinará o montante máximo a ser rateado entre os Consultores e a Equipe de Suporte da Empresa. iii) o percentual acima previsto será definido pela direção da empresa, respeitando as reservas legais e de reinvestimento. O valor limite apurado na forma acima será denominado Valor Total Para DistribuiçãoVTPD. Acerca da avaliação, informa que “...cada integrante terá acesso, para consulta, a documentação que a avaliação que determinou sua participação no resultado obtido, documento em posse da controladoria da Egon Zehnder International LTDA Qual a sistemática objetiva de determinação de metas utilizada que desaguou nos pagamentos efetuados? Qual patamar deveria ser atingido para que os empregados fizessem jus a PLR? Como foram feitas as aferições individuais necessárias? Perguntas para as quais não encontramos respostas. A legislação confere ampla autonomia negocial quando da implementação de PLR, mas há que existir parâmetros, seja quais forem, e sempre explanados de forma clara e objetiva, o que não ocorre in casu. O Min Luiz Fux, relator do REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010), transcreve excerto do acórdão hostilizado que resume o que se espera quando da formalização de planos de participação. "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados No RESP º 856.160 PR (2006/01182238) da Ministra Eliana Calmon traz elucidativa manifestação sobre o tema. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais Fl. 342DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 13 12 pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido. Vejamos seu voto. O cerne da controvérsia discutida nos autos reside em se definir se o pagamento realizado pela empresa, a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as normas da MP 794/94, convertida na Lei 10.101/00, tem como consequência a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores. (...) Com efeito, a isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora, no caso a MP 794/94 e a Lei 10.101/00, por força da expressa previsão do art. 7º, XI, da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: (...) Também a Lei 8.212/91 possui idêntica previsão no art. 28, § 9º, "j", condicionando a fruição do benefício fiscal em questão à observância da legislação específica. Confirase(...) À luz da previsão legal acima, portanto, não se sustenta o argumento de que não existe lei determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei específica, pois, em tal situação, elas perdem essa característica e são tratadas como remuneração, assim entendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, ou seja, a regra é a tributação, afastada apenas se cumpridas as exigências da lei isentiva. Em outras palavras, para o gozo do benefício fiscal pretendido pela recorrente, tornase indispensável a observância da disciplina da lei específica acerca da forma que deve ser creditada a participação nos lucros, como bem decidiu o Tribunal de origem. (...) Diante disso, tenho por devida a contribuição previdenciária se o creditamento da participação dos lucros ou resultados não observou as disposições legais específicas, como estabelece o art. 28, § 9º, "j", da Lei Fl. 343DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 14 13 8.212/91, e conforme bem decidiu o acórdão recorrido que, por isso mesmo, não merece quaisquer reparos Vale relembrar o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais de nº 920200.503, de relatoria do Conselheiro Elias Sampaio, que aponta importantes considerações, que transcrevo. O artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal, ao desvincular a participação nos lucros da remuneração, estabeleceu a exigência de lei que disciplinasse a forma desta participação. Assim, as parcelas relativas à participação nos lucros posteriores à edição da Medida Provisória n° 794/94 devem observar os requisitos por ela impostos. Sobretudo porque o art. 28, inciso I, § 9°, da Lei n° 8.212, condiciona a exclusão de tais valores do saláriodecontribuição à observância da legislação de regência.(...) A objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: há uma integração entre o capital e o trabalho, pela recompensa com a participação nos lucros ou resultados por parte do trabalhador e a empresa ganha em aumento da produtividade. (...) Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação especifica deve,cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; Fl. 344DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 15 14 f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. (...) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, ni verbis: Resta patente que as regras devem ser claras e objetivas, devendo também constar elementos efetivos de aferição que comprovem o alcance ou não do que proposto e nada disso consta do PLR acostado, nem regras claras, tampouco critérios objetivos de aferição. Vejamos jurisprudência deste Conselho. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DE EMPREGADOS NOS LUCROS (PLR). DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos valores pagos à título de Programa de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), depende da adoção de regras claras e objetivas, consignadas em acordo/convenção coletiva do sindicato da categoria ou acordo particular adotado através de prévia negociação com comissão de trabalhadores, contando com a participação do respectivo sindicato da categoria. (...) Processo n° 13808.000154/200228. Acórdão n' 180300.467. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Sessão de 08 de julho de 2010. Da falta de depósito do acordo no respectivo sindicato O §2º do art. 2º da lei 10.101/00 determina que o acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. O relatório fiscal informa que o pedido de arquivamento do aditivo ao contrato firmado em 1994 foi indeferido pelo próprio sindicado, “...devido à extemporaneidade do depósito, cinco anos e meio após sua celebração, conforme comunicação feita pelo Sindicato à empresa fiscalizada” – fls 54. Ainda: O Artigo 614, caput, da CLT, estabelece que o depósito dos Acordos Coletivos nos órgãos do Ministério do Trabalho deve ser feito em até oito dias após sua assinatura. Por conseguinte, o depósito no Sindicato deve ser feito antes desses oito dias para que o mesmo, por sua vez, possa fazêlo nos órgãos do Ministério do Trabalho. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 16 15 Embora o caput faculte que esse depósito seja feito alternativamente em separado pela empresa, o § 2 o do mesmo Artigo prescreve que uma cópia dos Acordos deverá ser afixada pelo Sindicato na sua sede e na empresa acordante dentro de cinco dias contados da data do depósito nos órgãos do Ministério do Trabalho. Ainda que se argumente que tais prazos são deduzidos e não expressamente estabelecidos em lei, o princípio da razoabilidade interdita que se possa considerar cinco anos e meio como aceitável, uma vez que o próprio Acordo não pode ter prazo de vigência superior a dois anos, conforme o § 3 o do mesmo Artigo: (...) §3º Não será permitido estipular duração de Convenção ou Acordo superior a 2 (dois) anos (Redação dada pelo DecretoLei n.° 229, de 280267, DOU 280267)." Finalmente, vejamos o disposto no art. 28,I da lei 8.212/91, que versa sobre o conceito de salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Percebese a abrangência do conceito, traduzindo a preocupação do legislador com a amplitude da base de cálculo de importante receita previdenciária. Mesmo que tais verbas remuneratórias não sejam pagas mês a mês, estão abarcadas pela norma, uma vez que esta alcança todo e qualquer rendimento pago, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço, nos exatos termos da Constituição e da Lei 8.212/91, posto que atreladas ao efetivo exercício da atividade laboral, comprovando sua natureza salarial, inclusive na linha dos precedentes jurisprudenciais já transcritos REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010) e RESP º 856.160 PR (2006/01182238) e ainda em recente decisão também da Corte Superior: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. OMISSÃO QUANTO À LEI DE REGÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS.NECESSIDADE. (...) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 17 16 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas.(...) REsp 1264410 / PR. Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS. DJe 11/05/2012 Tudo de acordo com o parágrafo 10 do artigo 214 do Decreto 3.048/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Por certo que a mera celebração de acordo entre empregados e empregador não é suficiente a validar a participação nos lucros como parcela não incidente de contribuição previdenciária. A lei 10.101/00 elenca os elementos necessários para que a regular celebração da PLR. A inobservância do que prevê a lei no tocante a distribuição de lucros ou resultados afasta tais verbas da regra excepcional prevista na lei 8.212/91, art. 28, §9º, "j", devendo ser consideradas como fato gerador de contribuição previdenciária. É o que se extrai do próprio texto legal. Em razão das inúmeras irregularidades citadas, onde se demonstrou que não foram obedecidos os critérios determinados pelo art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c a lei 10.101/00, seja pelas regras obscuras de avaliação de desempenho e produtividade, seja pelo alijamento dos sindicatos da elaboração e manutenção do plano, seja pela unilateral imposição de valores a serem distribuídos, além da ausência de depósito dos acordos firmados no respectivo sindicato, tenho que as importâncias distribuídas se enquadram no conceito de salário de contribuição, sujeitos assim à contribuição previdenciária. CONCLUSÃO Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.004656/200976 Acórdão n.º 2803002.268 S2TE03 Fl. 18 17 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 13971.001434/2003-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Quando comprovado que o contribuinte conhecia perfeitamente as razões de fato e de direito que levaram à sua exclusão do SIMPLES, não há se falar em nulidade a viciar o procedimento fiscal em decorrência de imperfeições no Ato Declaratório que a formalizou.
SIMPLES - INCLUSÃO RETROATIVA ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO.
A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, § 1º (incisos I e XVI), que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação.
Numero da decisão: 9101-001.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Quando comprovado que o contribuinte conhecia perfeitamente as razões de fato e de direito que levaram à sua exclusão do SIMPLES, não há se falar em nulidade a viciar o procedimento fiscal em decorrência de imperfeições no Ato Declaratório que a formalizou. SIMPLES - INCLUSÃO RETROATIVA ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO. A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, § 1º (incisos I e XVI), que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação.
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Interessado Faz\enda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Quando comprovado que o contribuinte conhecia perfeitamente as razões de fato e de direito que levaram à sua exclusão do SIMPLES, não há se falar em nulidade a viciar o procedimento fiscal em decorrência de imperfeições no Ato Declaratório que a formalizou. SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO. A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, § 1º (incisos I e XVI), que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 34 /2 00 3- 42 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.001434/200342 Acórdão n.º 9101001.627 CSRFT1 Fl. 3 2 Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Em sessão plenária de 2 de setembro de 2010, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, mediante Acórdão 140100338, por unanimidade de votos negou provimento ao recurso do contribuinte em face da decisão que indeferira sua manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, nos termos da ementa a seguir: CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. Conforme dispõe o item XIII do artigo 90 da Lei n° 9.317/96, não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de professor ou assemelhados. LEI COMPLEMENTAR N° 123/2006. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. 0 direito à opção pelo SIMPLES com fundamento na Lei Complementar n° 123/2006 somente pode ser exercido a partir de sua vigência, vez que seus dispositivos não têm o condão de afastar restrição contemplada no regime jurídico da Lei n° 9.317/96. Tal situação não se enquadra em qualquer das hipóteses do art.106 do Código Tributário Nacional, ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Quando comprovado que o contribuinte conhecia perfeitamente as razões de fato e de direito que levaram à sua exclusão do SIMPLES, não há se falar em nulidade a viciar o procedimento fiscal em decorrência de imperfeições no Ato Declaratório que a formalizou. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.001434/200342 Acórdão n.º 9101001.627 CSRFT1 Fl. 4 3 Inconformada, o contribuinte ingressou com recurso especial, aduzindo haver interpretações divergentes conferidas à lei tributária por outros colegiados, relativamente às matérias “nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples” e “retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006”. Quanto à suposta nulidade do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES, indica como paradigmas os Acórdãos 30132.606 e 30131.295, assim ementados: SIMPLES EXCLUSÃO INDEVIDA. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO GENÉRICO. NULIDADE INSANÁVEL POR CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. POSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO REGIME DO SIMPLES. De fato, não sendo capitulado no Ato Declaratório de Exclusão, taxativamente, a atividade vedada ao optante pelo regime tributário simplificado, restam violados os princípios da legalidade, da ampla defesa e da motivação prévia ao ato administrativo, nos termos do artigo 50 e parágrafo primeiro, da Lei de Processo Administrativo Tributário N° 9784/99. PROCESSO ANULADO AB INITIO. (3°CC, 1ª Câmara, Acórdão n° 30132.606, de 22/03/06). SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. MOTIVAÇÃO INVÁLIDA NULIDADE. O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES, por se tratar de um ato vinculado, está sujeito observância estrita do critério da legalidade, impondo o estabelecimento de nexo entre o motivo do ato e a norma jurídica, sob pena de sua nulidade. Embargos providos para rerratificar o acórdão embargado no sentido de anular o processo ab initio, em razão de irregularidade do ato declaratório. (3°CC, 1ª Câmara, Acórdão n° 30131.295, Embargos de declaração) Quanto a retroatividade da Lei Complementar 103/2006, indica o paradigma 30134.261: SIMPLES. EXCLUSÃO. DESCABIMENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei revogadora ao autorizar a realização de atividade vedada de conformidade com a lei expressamente revogada, possibilita égide do comando legal anterior. Aplicação da retroatividade benigna. (Inteligência dos incisos XX e XXI, do §1°, art. 17, da LC n° 123/06, c/c o art. 106 do CTN). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (3°CC, 1° Câmara, Acórdão n°30134.261, de 30/01/08). A Presidente da 4ª Câmara admitiu o recurso, por atendidos os requisitos legais e regimentais. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.001434/200342 Acórdão n.º 9101001.627 CSRFT1 Fl. 5 4 O recurso preenche os requisitos que autorizam seu conhecimento, razão pela qual o faço. O recorrente postula reforma do julgado alegando dissídio jurisprudencial em relação a duas matérias: nulidade do Ato Declaratório e aplicação retroativa a Lei Complementar nº 123/2006. O interessado, conforme previsto no seu contrato social, atua no ramo de prestação de serviços de ensino de idiomas e comércio de material didático, e foi excluída do SIMPLES pelo ADE nº 25, por exercer atividade vedada. A exclusão deuse a partir de representação fiscal do auditor da Previdência Social (fl. 2), que menciona que a “a empresa presta serviços profissionais de professor previsto no Capítulo V, inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317”. Na instância ordinária o interessado postulou a nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 25, que a excluiu do SIMPLES, sob alegação de “falta de motivação do ato da exclusão”, nos seguintes termos: 3. O ADE n° 25/2003, excluiu a Contribuinte e outras 3 (três) empresas do Simples Federal nos seguintes termos: "Art. 1° Excluir, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, as pessoas jurídicas abaixo relacionadas, por exercício de atividade vedada na legislação do SIMPLES (art. 9°, incisos IV, XII alínea "f", XIII, da Lei 9.317/96 e art. 20, incisos IV, XI alínea "e", XII, da IN SRF 250/02)”. (...) 5. A nulidade do ADE é flagrante, na medida em que exclui 4 empresas diversas do SIMPLES, colaciona 3 enquadramentos legais distintos (incisos IV, XII, alínea "f" e XIII, do artigo 9°, da Lei 9.317/96), sem especificar qual a atividade prestada por cada empresa, relacionandoa ao dispositivo legal infringido individualmente.” Cinco são os requisitos de validade a que se submete o ato administrativo: competência, objeto, motivo, finalidade e forma. Conforme se dessume do contido no item 5 de sua peça recursal, acima transcrito, ao mencionar que o ato padece de “falta de motivação”, pretende o Recorrente imputarlhe vício de forma, representado por cerceamento do direito de defesa. De fato, discorrendo sobre pressupostos do ato administrativo, Maria Sílvia Zanella di Pietro, diz que “o motivo precede à prática do ato, ele é alguma coisa que acontece antes da prática do ato e que vai levar à administração a praticar o ato” e que “a forma pode ser entendida como formalidade que cerca a prática do ato: aquilo que vem antes, aquilo que Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.001434/200342 Acórdão n.º 9101001.627 CSRFT1 Fl. 6 5 vem depois, a publicação, a motivação, o direito de defesa; abrange as formalidades essenciais à validade do ato” 1. O ato expressa o motivo que levou à exclusão (exercício de atividade vedada), indicando os dispositivos infringidos. A nulidade do ato decorreria da falta de especificação da atividade prestada pela empresa com a indicação do dispositivo infringido diretamente a ela relacionado. Contudo, embora efetivamente o ato declaratório apresente as deficiências apontadas pela empresa, não se materializou o alegado cerceamento de defesa. Isto porque, cientificada do Ato Declaratório da Exclusão, a interessada apresentou defesa administrativa (fls. 30 e seguintes) à DRF em Blumenau da qual consta que: · É pessoa jurídica que explora a atividade de comercialização de livros didáticos e prestação de serviços de ensino de idiomas. (fl. 30); · O inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/97 é inconstitucional por atentar contra o princípio da isonomia. (fl. 31); · A impugnante exerce mais de uma atividade, sendo certo que, na esteira do melhor entendimento jurisprudencial, deve ser considerada como empresa do comércio de material didático que é, possibilitandose a continuidade de sua inclusão no Simples. (fl. 32); · A atividade de escolas de idiomas não se confunde e nem pode se assemelhar às mencionadas no art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317/96, pelo fato de que as escolas de idiomas não prestam serviço de professor, mas sim, de ensino. (fl. 35). Portanto, o Recorrente teve total conhecimento da acusação e dela se defendeu eficientemente. A forma do ato administrativo não resultou em prejuízo para a defesa do interessado. Nesse passo, não merece reforma o Acórdão recorrido quando assentou que, verbis: Logo, com a manifestação de inconformidade o recorrente já demonstrou que conhecia perfeitamente as razões que levaram a exclusão do regime simplificado, não havendo se falar em cerceamento do direito de defesa. 0 Ato Declaratório, mesmo não tendo sido tecnicamente bem elaborado, cumpriu sua finalidade. A segunda matéria objeto do recurso é quanto à irretroatividade da Lei Complementar nº 123, de 2006. No seu recurso voluntário, alegou a empresa que: 1 Pressupostos do Ato Administrativo – Vícios, Anulação, Revogação e Convalidação em face das leis de Processo Administrativo.Palestra proferida no I Seminário de Direito Administrativo – TCMSP “Processo Administrativo” de 29 de setembro a 30 de outubro de 2003 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 13971.001434/200342 Acórdão n.º 9101001.627 CSRFT1 Fl. 7 6 “a alteração no regime simplificado, promovida pela LC 123/06, publicada em 15/12/2006, ocorrida no curso da discussão administrativa do ato de exclusão do SIMPLES, pode ser aqui suscitada e utilizada para manter a Recorrente no SIMPLES. 0 fundamento legal que possibilitou a exclusão e a autuação foi modificado, passando a autorizar o ingresso e permanência de escolas de idiomas no SIMPLES, como é o caso da Contribuinte”. Essa matéria já foi repetida vezes apreciadas por esta Primeira Turma da CSRF, tendo sido objeto dos acórdãos 910100.979, 910100.980, 910101.046, 910101.047, 910101.081, 910101.000, 910101.001, 910101.021, 910101.103, 910101.147, 9101 01.152, 910101.219, 910101.295 e 910101.376. Portanto, restou pacificado nesta Câmara Superior o entendimento de que a Lei Complementar nº 123 não retroage por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses excepcionais de retroatividade previstas no artigo 106 do CTN. Primeiro porque não se constitui em lei interpretativa; segundo porque não pertence, a matéria, à seara das infrações tributárias. Isto posto, entendo que não merece qualquer reparo o acórdão recorrido, razão porque, NEGOLHE provimento. Sala das Sessões, em 17 de abril de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009187/97-94
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 25/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 10 1 9 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.009187/9794 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.708 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria Repetição de indébito Prescrição Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIA METALÚRGICA ARITA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 91 87 /9 7- 94 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 23/12/1997, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 03/92. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.009187/9794 Acórdão n.º 9900000.708 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Fl. 218DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 219DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.009187/9794 Acórdão n.º 9900000.708 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 220DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 221DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.009187/9794 Acórdão n.º 9900000.708 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.009187/9794 Acórdão n.º 9900000.708 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 23/12/1997, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 09/89 e 03/92. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 35504.000864/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÃO SAT. DIFERENÇAS. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.492
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISsw r..... tv -,,:italtkí 7 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, ..: 41n., s.f. Processo n° 35504.000864/2006-39 Recurso n° 147.085 Voluntário Acórdão n° 2301-00.492 — 3a Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria Decadência Recorrente PARATI S/A Recorrida DRP/FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÃO SAT. DIFERENÇAS. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. il rÍ"'--- \ 1 , . Processo n°35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 147 ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por un. imidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nL , ii e do voto do relator. \ 11 It'PA í JULIO t .1 IEIRA GOMES Preside \ e ,..— 10I \,41 ,.......4..... DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator , 2 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 148 Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 3 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 149 Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa PARATI S/A contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos empregados e pagamentos efetuados a contribuintes individuais, sem vinculo empregaticio. 2. O julgado restou assim ementado: "CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SELIC. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC. Não cabe ao INSS apreciar inconstitucionalidade de dispositivo de lei, competência esta, reservada ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE." 3. Não conformadas com a decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: a) decadência qüinqüenal em relação ao débito levantado; h) a aplicação da taxa Selic é ilegal porque está em desacordo com as regras do art. 161, §1°, do Código Tributário Nacional e é inconstitucional porque viola o disposto no art. 192, §3°, da Constituição Federal. 4. As contra-razões do fisco batalham pela manutenção da decisão recorrida. E o relatório. 4 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 150 Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Acolho o recurso, uma vez que é tempestivo a atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Sobre a decadência, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: "Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art..? do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, ss' 4", 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, 111, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 1111r n 5 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 151 3. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. •• • Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ,f 1' O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão." 4. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. 5. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual rega de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplica ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se no Discriminativo Analítico de Débito e no documento de fl. 32 que a recorrente efetuou parcialmente o pagamento de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Então, deve-se prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4° do CTN. 6. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 19/05/2006, referente às contribuições do período de 01/06/1996 a 31/12/1998, fica alcançado pela decadência qüinqüenal o lançamento fiscal em sua totalidade. 6 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 152 7. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso interposto. CONCLUSÃO 8. Assim, voto por dar PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator • 7
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000429/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA SUBMETIDA À REPERCUSSÃO GERAL NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. PORTARIA Nº 01/2012. LIMITES.
A aplicação do disposto no art. 62-A, §1º, do RI-CARF, foi regulamentada pela Portaria CARF n° 01, deste Conselho, determinando que O procedimento de sobrestamento (...) será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal - STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Assim, havendo norma regimental interna expressa, bem como, não tendo sido determinado, pelo STF, o sobrestamento da tramitação de todos os feitos sobre a matéria objeto do processo, deve ser procedido ao julgamento. No caso concreto o sujeito passivo possui decisão judicial em processo individual específico, com decisão desfavorável objeto de recursos sem efeitos suspensivos, reforçando a possibilidade de julgamento.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. Decadência suscitada de ofício e acolhida parcialmente.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto-Lei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, apontamento e determinação da matéria tributável, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável, o seu direito de defesa.
AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ISENÇÃO DA COFINS. REVOGAÇÃO PELO ART. 15, DA MP 2.158-35/2001. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL MOVIDA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 01.
Havendo processo individual movido pelo sujeito passivo, no qual demanda exatamente o reconhecimento do direito à isenção tributária sobre receitas que vieram a ser colhidas pelo lançamento tributário hostilizado, deve ser aplicado o disposto na Súmula CARF nº 01, que importa no não conhecimento do recurso pela existência de ação judicial que trata de mesmo assunto, ocorrendo, desta forma, a renúncia da via administrativa.
Recurso Parcialmente Provido.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3402-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer da matéria levada à apreciação do poder judiciário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer a decadência dos períodos de julho e agosto de 2005.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA SUBMETIDA À REPERCUSSÃO GERAL NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. PORTARIA Nº 01/2012. LIMITES. A aplicação do disposto no art. 62-A, §1º, do RI-CARF, foi regulamentada pela Portaria CARF n° 01, deste Conselho, determinando que O procedimento de sobrestamento (...) será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal - STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Assim, havendo norma regimental interna expressa, bem como, não tendo sido determinado, pelo STF, o sobrestamento da tramitação de todos os feitos sobre a matéria objeto do processo, deve ser procedido ao julgamento. No caso concreto o sujeito passivo possui decisão judicial em processo individual específico, com decisão desfavorável objeto de recursos sem efeitos suspensivos, reforçando a possibilidade de julgamento. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. Decadência suscitada de ofício e acolhida parcialmente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto-Lei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, apontamento e determinação da matéria tributável, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável, o seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ISENÇÃO DA COFINS. REVOGAÇÃO PELO ART. 15, DA MP 2.158-35/2001. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL MOVIDA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 01. Havendo processo individual movido pelo sujeito passivo, no qual demanda exatamente o reconhecimento do direito à isenção tributária sobre receitas que vieram a ser colhidas pelo lançamento tributário hostilizado, deve ser aplicado o disposto na Súmula CARF nº 01, que importa no não conhecimento do recurso pela existência de ação judicial que trata de mesmo assunto, ocorrendo, desta forma, a renúncia da via administrativa. Recurso Parcialmente Provido. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer da matéria levada à apreciação do poder judiciário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer a decadência dos períodos de julho e agosto de 2005. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA SUBMETIDA À REPERCUSSÃO GERAL NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. PORTARIA Nº 01/2012. LIMITES. A aplicação do disposto no art. 62A, §1º, do RICARF, foi regulamentada pela Portaria CARF n° 01, deste Conselho, determinando que “O procedimento de sobrestamento (...) será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. Assim, havendo norma regimental interna expressa, bem como, não tendo sido determinado, pelo STF, o sobrestamento da tramitação de todos os feitos sobre a matéria objeto do processo, deve ser procedido ao julgamento. No caso concreto o sujeito passivo possui decisão judicial em processo individual específico, com decisão desfavorável objeto de recursos sem efeitos suspensivos, reforçando a possibilidade de julgamento. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 29 /2 01 0- 13 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 nos termos do art. 62A, do RICARF. Decadência suscitada de ofício e acolhida parcialmente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do DecretoLei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, apontamento e determinação da matéria tributável, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável, o seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ISENÇÃO DA COFINS. REVOGAÇÃO PELO ART. 15, DA MP 2.15835/2001. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL MOVIDA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 01. Havendo processo individual movido pelo sujeito passivo, no qual demanda exatamente o reconhecimento do direito à isenção tributária sobre receitas que vieram a ser colhidas pelo lançamento tributário hostilizado, deve ser aplicado o disposto na Súmula CARF nº 01, que importa no não conhecimento do recurso pela existência de ação judicial que trata de mesmo assunto, ocorrendo, desta forma, a renúncia da via administrativa. Recurso Parcialmente Provido. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer da matéria levada à apreciação do poder judiciário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer a decadência dos períodos de julho e agosto de 2005. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 802 3 Relatório Versam os autos de Auto de Infração, mediante o qual se exige do contribuinte o valor de R$ 12.742.222,35 (Doze milhões, setecentos e quarenta e dois mil, duzentos e vinte e dois reais e trinta e cinco centavos), relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no período de Julho de 2005 à Junho de 2010. Segundo a autoridade fiscal, o lançamento se deu pelos seguintes motivos: a) A ação fiscal teve origem através de MPF – Diligência, com a finalidade de averiguar a necessidade de constituição de créditos tributários que não houvessem sido recolhidos/declarados em função de medida judicial, no qual o sujeito passivo é autor e discute a inexistência de relação jurídica de COFINS sobre os seus atos cooperativos próprios, nos termos do art. 6º, inciso I, da Lei Complementar n° 70/91; b) Após solicitar estatuto social/atas, certidão de objeto e pé atualizada relativa ao processo judicial, livros Diário e Razão e balancetes mensais bem como resumir o acompanhamento processual, como narrado pela DRJ, a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu que: “a intermediação de serviços prestados por cooperados a terceiros não se insere no conceito legal de atos cooperativos próprios, sendo portanto exigível a COFINS sobre a receita ou faturamento do contribuinte”; c) Comunicado da decisão do TRF através de AR, e indagado sobre a existência de outra demanda judicial que discutisse a matéria em questão (inexigibilidade de COFINS), o contribuinte esclareceu que a última decisão seria a proferida pelo TRF, mas que existe sim uma ação movida pelos sindicatos do qual o GUARUCOOP era filiada, visando o mesmo afastamento de COFINS tramitando no TRF da 3ª Região; d) Após referida resposta apresentada pelo contribuinte, foi lançado o tributo, juros e multa de ofício sobre o período de julho/2005 a junho/2010, com base na receita bruta declarada em DIPJ e/ou contabilizada, excluídos aqueles valores correspondentes aos "atos cooperativos próprios" definidos na LC n° 70/91 e especificados no Acórdão proferido pela 3ª Turma do TRF da 3ª Região. DA IMPUGNAÇÃO Divergindo da exigência e tomando ciência do Auto de Infração em 20/09/2010, o contribuinte apresentou impugnação em 19/10/2010, contrapondose aos lançamentos, argumentando, em síntese que: a) A autoridade fiscal não identificou no lançamento quais seriam os atos nãocooperativos e os atos cooperativos (que não sofrem a incidência da COFINS); Fl. 803DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 b) A cooperativa auxilia motoristas cooperados (constantes no quadro social) na organização e estruturação de suas atividades. Transcreve o art. 79 da Lei n° 5.764/71, que dispõe sobre o que são os atos cooperativos e finaliza alegando que recolheu COFINS quando auxiliou taxistas não cooperados, pois este ato seria não cooperativo, implicando operação de mercado e gerando faturamento. Ou seja, defende o sujeito passivo que incide COFINS somente nesta situação; c) Quanto aos valores recolhidos, alega o sujeito passivo que sua função seria a de prestar serviços a seus associados realizando o ato cooperativo, sendo exceção os atos não cooperativos (sobre estes recolhida a COFINS) contestando falha na descrição dos fatos imponíveis por parte do órgão administrativo; d) Alude o fato do agente fiscal não ter explanado quais os atos cooperativos foram excluídos da base de cálculo da COFINS, violando assim o princípio da ampla defesa, o da necessária motivação dos atos administrativos e o da segurança jurídica; e) Finaliza acrescentando que as cooperativas não auferem receita ou faturamento, sendo incabível a incidência da COFINS, não podendo lei infraconstitucional ampliar os conceitos de direito privado utilizados pela Constituição para definir competências tributárias. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, proferiu o Acórdão de nº. 0531.632, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 [sic] COOPERATIVA. ISENÇÃO. ATO COOPERATIVO. A partir de 1°.07.1999, por força da MP 1.8586/99, inexiste a isenção inicialmente estabelecida em prol dos atos cooperativos, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas. Verificado que o auto de infração obedeceu aos parâmetros para a incidência do tributo fixados em decisão judicial, mantémse o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Preliminarmente, discorre sobre a Lei Complementar n° 70/91, em art. 6°, I, que isentava do tributo as sociedades cooperativas, mais que veio a ser revogado pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, com efeitos a partir dos fatos geradores de outubro de 1999. Sendo assim, a partir de outubro de 1999 as sociedades cooperativas passaram a se submeter à incidência da COFINS nos mesmos moldes das pessoas jurídicas em geral, de modo que passaram a pagar a COFINS com base nas receitas provenientes de operações com associados, superandose a questão de atos cooperados e não cooperados alegados pelo sujeito passivo. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 803 5 Cita a MP n° 2.15835, de 2001, em seu art. 15, que estabelece as exclusões da base de cálculo da COFINS ressalvando a superação da questão de atos cooperados e não cooperados ao passo que conforme Lei nº 9.718/98, a tributação de COFINS é o faturamento da sociedade. Afirma que apenas os valores correspondentes aos ingressos com a taxa de manutenção paga pelos cooperados (ato cooperativo próprio, de acordo com o teor da mencionada decisão judicial), foram excluídos do montante tributável e especificados pela autoridade fiscal. Diante do exposto, afirma que não há nada que anule o procedimento fiscal, sob todos os pontos de vista: respeito à decisão judicial e direito de defesa do contribuinte. Manteve, então, o lançamento julgando improcedente a impugnação. DO RECURSO Ciente em 03/01/2011 e não concordando com a decisão proferida pela 3a Turma de Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, o contribuinte interpôs, em 01/02/2011, seu Recurso Voluntário dirigido a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, o sujeito passivo alega, em uma apertada síntese que: a) É essencial a distinção entre ato cooperativo e ato não cooperativo para se obter a legalidade da autuação do fato gerador da COFINS; b) Existe um vício formal no auto de infração ao violar o Art. 142 do CTN e o direito de defesa do contribuinte, e ainda, que o Auto de Infração não respeitou o artigo 2° da Lei n° 9.784/99, por não possuir motivação, segurança jurídica, nem propiciar a ampla defesa, devendo haver nulidade de lançamento em função desses argumentos; c) Cita o acórdão 137.728 proferido na Ação Declaratória n° 2004.61.19.0006347, ressalvando que o sujeito passivo não deve recolher a COFINS pertinente aos atos cooperativos próprios (realizados entre cooperativa e cooperados e entre cooperativas), dentro do seu objetivo social e sem inserção de qualquer terceiro. Após denominar seu objetivo social, explana que a cooperativa somente auxilia o motorista na organização e estruturação de suas atividades, pois o serviço é prestado pela pessoa física. Sendo assim, afirma realizar o ato cooperativo conforme ditames do artigo 79, da Lei n° 5.764/71; d) Protesta que somente incide COFINS nos casos em que o contribuinte realiza ato não cooperativo ao prestar serviços a terceiros não cooperados, e que esta é uma exceção, daí os ditos valores insignificantes alegados pela autoridade fiscal, que, conforme Recurso Voluntário, não se preocupou em atestar a origem de tais valores; Fl. 805DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 e) Repisa a imprecisão no Termo de Verificação e Constatação ao alegar serem indefinidos quais os atos cooperativos excluídos da base de cálculo pelo Auditor Fiscal; f) Há decisão da Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes dando provimento a um Recurso Voluntário de uma Cooperativa do Rio de Janeiro sobre o mesmo caso. Cita também Ato Declaratório da SRF a seu favor; g) O Auto de Infração não respeitou o artigo 2° da Lei n° 9.784/99, por não possuir motivação, segurança jurídica, nem propiciar a ampla defesa; h) Explica detalhadamente o Sistema Cooperativista e o que são atos cooperativos (definido no artigo 79 da Lei n° 5.764/71) ao refutar os argumentos utilizados pelo Julgador de Primeira Instância, utilizandose de doutrina e jurisprudência; i) Afirma que existe o desvirtuamento do conceito de receita/faturamento, quando da cobrança de COFINS de sociedade Cooperativa, infringindo art. 110 do CTN; j) Não há que se falar então em juros e multas exigidas diante dos argumentos acima expostos; k) Por fim, solicita que todas as correspondências sejam encaminhadas à Alvaro Trevisioli, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Secção São Paulo, sob o n° 108.491, com escritório na Avenida Paulista n° 352, conjunto 55, Bairro Bela Vista, na Capital do Estado de São Paulo, Cep: 01310905. Após todo o exposto, solicita o cancelamento integral do auto de infração uma vez que não houve a ocorrência do fato gerador necessário para a constituição do crédito tributário. O contribuinte veio ainda aos autos, por petição protocolizada em 31 de Março de 2011, que a incidência de COFINS sobre atos cooperativos encontrase sob apreciação do Poder Judiciário em caráter de Recurso Representativo de Controvérsia no Superior Tribunal de Justiça (REsp n° 1.141.667) e Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE n° 598.085), diante desta situação, requer o sobrestamento do julgamento do presente Recurso Voluntário, nos termos do artigo 62A, § 2°, do Regimento Interno do CARF, até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 04 (quatro) Volume, numerados até a folha 655 (seiscentos e cinquenta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 804 7 Voto Conselheiro Relator, João Carlos Cassuli Junior. O recurso atende aos pressupostos de desenvolvimento válido e regular, foi apresentado tempestivamente, razão pela qual dele tomo conhecimento. Versam os autos de lançamento objeto de Auto de Infração, através do qual se constituiu crédito tributário relativo à COFINS, dos períodos de julho/2005 a junho/2010, ao fundamento de falta de pagamento da referida contribuição, pelo fato de que as receitas auferidas pelo contribuinte, que é constituído sob a forma de Cooperativa de Serviços, não estariam inseridas no campo de isenção ante a revogação do art. 6º, inciso I, da Lei Complementar n° 70/91, pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. A ação fiscal teve início em Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência – MPFD, emitido para acompanhamento de decisão judicial proferida nos autos da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária com Pedido de Antecipação de Tutela n. 2004.61.19.000634, movida pela Cooperativa Mista de Trabalho dos Motoristas Autônomos de Taxis do Município de Guarulhos – GUARUCOOP, ora Recorrente, através do qual pretendeu o reconhecimento do direito a não submeterse ao recolhimento da COFINS ante a ilegalidade da revogação da isenção acima citada, promovida pela MP n° 2.15835/01. Houve pedido expresso de sobrestamento do julgamento da causa, devendo ser preliminarmente apreciado nesse recurso. 1.Pedido de Sobrestamento. Matéria com Repercussão Geral. Limites: Antes de adentrar nas questões suscitadas no recurso voluntário interposto, devese apreciar o pedido de sobrestamento do julgamento do recurso, requerida pela Recorrente. Para tanto, devese registrar que não se desconhece que tramita perante o Supremo Tribunal Federal o Recurso Extraordinário n° 598.085, no qual houve reconhecimento de Repercussão Geral, e, ainda, perante o Superior Tribunal de Justiça do Recurso Especial n° 1.141.667/RS, que foi submetido ao rito de julgamento dos processos representativos de controvérsia (art. 543C, do CPC), cujos julgamentos poderão, certamente, produzir efeitos sobre a matéria objeto deste processo administrativo fiscal, já que trata da isenção do PIS e da COFINS sobre as receitas auferidas por Cooperativas provenientes de Atos Cooperados. No entanto, considerandose que no caso em concreto, há decisão judicial proferida em processo no qual figurou como parte a própria Recorrente, a esta desfavorável e sem efeito suspensivo (como se tratará no mérito), e, ainda, que nos autos dos referidos Recursos Extraordinário e Especial citados como de Repercussão Geral e Representativo de Controvérsia, respectivamente, não há decisão com efeitos erga omnes determinando o Fl. 807DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 sobrestamento da tramitação de todos os processos relativos à matéria, entendo que o processo deve ser submetido a julgamento. E isto porque, a aplicação do disposto no art. 62A, §1º, do RICARF, foi regulamentada pela Portaria CARF n° 01, deste Conselho, sendo que pelo teor do parágrafo único do seu art. 1º, “O procedimento de sobrestamento ... será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para caso”. Assim, havendo norma regimental interna expressa, bem como, não tendo sido determinado, pelo STF, a tramitação de todos os feitos sobre a matéria objeto deste processo, e, finalmente, pelo fato da Recorrente ser parte em processo individual que julgou a matéria em debate no STF, que transitou em julgado, entendo que deva ser indeferido o pleito deduzido pela recorrente em petição apartada, dando prosseguimento ao julgamento do Recurso. 2. Prejudicial de mérito: Decadência parcial do lançamento. Dando início ao julgamento propriamente dito, entendo que, independentemente do desfecho que os autos vierem a ter, a matéria relativa a decadência, que pode ser conhecida de ofício, produz efeitos sobre o lançamento como um todo, devendo, consequentemente, se analisada antes de se debater as demais questões contidas nos autos, especialmente no caso de lançamento veiculado em Auto de Infração. Em assim sendo, verificase nos autos que o lançamento tem como objeto a exigência da COFINS relativa aos fatos geradores relativos aos períodos compreendidos entre julho/2005 e junho/2010, sendo o contribuinte cientificado do lançamento em 20/09/2010. Além disso, conforme se observa, houve antecipação parcial de tributos nos períodos de apuração de julho a agosto de 2005 (vide fls. 361, dos autos). Temse pacificado que o prazo decadencial é de 05 (cinco) anos para que a Fazenda Pública constitua o crédito tributário pelo lançamento. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo decadencial, existem duas regras para o caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo a primeira delas para os casos em que tenha havido antecipação, ainda que parcial, do pagamento de tributo lançado, hipótese em que a contagem do prazo se inicia na data do fato gerador, e a segunda regra, que aplicase para os casos em que não tenham havido antecipação parcial do pagamento de tributo, hipótese em que a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Esta é a orientação que se colhe da jurisprudência em vigor emanada do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento pelo rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), no sentido de que o prazo de 05 (cinco) anos começa a fluir do fato gerador, quando há antecipação de recolhimento, e do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado (entendido como ano seguinte ao da ocorrência do fato gerador), no caso de falta de antecipação parcial de pagamento. Cumprindo disposto no art. 62A, do Regimento interno do CARF, transcrevese a Ementa da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça: Fl. 808DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 805 9 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativode o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra de decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito tributário” 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, do Codex tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro” 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).4. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) obrigaçao ex lege de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias não Fl. 809DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne os fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 19991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 5. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC 2007/01769940. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 12/08/2009) Além disso, quanto ao entendimento de quando se inicia o prazo, nos casos em que se aplique o art. 173, I, do CTN, igualmente cumpre transcrever o julgado do STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITOTRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: ‘Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.’ 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória Fl. 810DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 806 11 do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que ‘o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, ‘Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro’, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, ‘Direito Tributário Brasileiro’, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 811DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 12 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido.” (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG ‘2010/01395597’. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 09/11/2010). Aplicando referidos entendimentos (de observância obrigatória pelo CARF), ao caso em concreto, no qual houve antecipação parcial do pagamento dos tributos relativos aos fatos geradores ocorridos em 31.07 e 31.08.2005, temse que a contagem do prazo decadencial se inicia nas referidas datas em que perfectibilizados os fatos geradores mensais, de modo que o lançamento quanto a tais períodos poderiam ter sido efetuados até 31.07 e 31.08.2010, respectivamente. Considerando que a ciência do contribuinte quanto ao lançamento se deu em 20.09.2010, tenho que tais períodos se encontram fulminados pela decadência. Assim sendo, suscito de ofício e aplico as regras quanto à decadência para decretar a extinção do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, cancelando parcialmente a exigência quanto aos períodos de apuração compreendidos entre 01.07 a 31.08.2005. 3. Preliminar de Nulidade do Lançamento por vício no Auto de Infração: falta de indicação, no Termo de Verificação Fiscal, de quais seriam os Atos Cooperativos e os Não Cooperativos: Afirma a Recorrente que o lançamento seria nulo ante ao fato de que, no Termo de Verificação Fiscal, ou então, nos documentos que compõem o lançamento, não teria a Autoridade autuante especificado quais seriam as receitas que decorreriam de atos cooperados próprios, bem assim, quais decorreriam de atos não cooperados, e, ainda, quais as receitas seriam excluídas da base de cálculo da contribuição. Destes vícios, sobreviria, nos dizeres da Recorrente, a nulidade por violação à ampla defesa, que ficou prejudicada ante a falta de apontamento de tais elementos do lançamento fiscal. Adentrando na análise dos fatos articulados pela Recorrente, constatase, pela leitura do “Termo de Verificação e Constatação”, o seguinte excerto: “Desta forma, considerando o acima exposto, mais especificamente os termos do Acórdão 1137728, e considerando também que, relativamente ao período em questão (07/2005 a 06/2010) os valores correspondentes à COFINS recolhidos e/ou declarados em DCTF são insignificantes mediante a contribuição devida sobre as receitas do contribuinte, é necessário que se efetue o lançamento de oficio a fim de se constituir o crédito tributário relativo à COFINS no período de julho/2005 a junho/2010 (regime cumulativo), com base na receita bruta declarada em DIPJ e/ou contabilizada, excluídos aqueles valores correspondentes aos ‘atos cooperativos próprios’ definidos na LC n° 70/91 e especificados no Acórdão 1137728, conforme demonstrado na planilha denominada ‘Demonstrativo das Receitas a Tributar Base de Cálculo da COFINS’, anexa a este Termo. Da contribuição apurada serão deduzidos os valores declarados e/ou recolhidos pelo Fl. 812DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 807 13 contribuinte, conforme discriminado no item ‘C DA BASE DE CALCULO’ a seguir.” Cotejando as afirmações acima, com o documento citado (‘Demonstrativo das Receitas a Tributar Base de Cálculo da COFINS’), com aquelas constantes do item C – DA BASE DE CÁLCULO”, ambos constantes do Termo acima citado, se constata que os valores apontados como sendo as bases de cálculo objeto da tributação, são o resultado das somas das colunas descritas como sendo “NF”, “REPASSE COML”, “SOLICITAÇÕES”, “BOLT AVUL”, RCT N OP” e “OUT RCT OPERC”. Para bem apreciar a preliminar suscitada, procedi, por amostragem, essas somatórias, sem encontrar exclusões da base de cálculo, a título do que viessem a ser receitas provenientes de “Atos Cooperativos próprios”, como determinara a decisão judicial. Todas as receitas objeto de tributação, são simplesmente todas as receitas apresentadas pela Recorrente à Fiscalização. Os abatimentos identificados no Quadro denominado de “COFINS DECLARADA/RECOLHIDA – A DEDUZIR”, constante do Termo de Verificação e Constatação, correspondem a valores declarados em DIPJ ou DCTF pela Recorrente, e/ou por ela efetivamente pagos. Não se identificou exclusões da base de cálculo, nem a Recorrente trouxe provas de que tais rubricas efetivamente existiram, para contrapor aos termos que foram elaborados pela Fiscalização. Além disso, analisando o art. 15 da MP n. 2.15835/2001, verificase que não haveriam receitas a serem excluídas, dada a particularidade de que a Recorrente é uma Cooperativa de Serviço, e, consequentemente, em pouco (ou quase nada), lhe favorece as revisões de exclusões da base de cálculo. Vejamos: “Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 14 § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas.” Penso que agiu com acerto a DRJ, na decisão ora recorrida, que sobre essa mesma argumentação assim se posicionou: “Voltandose à autuação, verificase que o autuante, nos quadros de fls. 152/157 demonstrou a origem dos ingressos de recursos na cooperativa. No quadro em destaque abaixo de cada planilha, o auditor cuidou de cada item responsável pela entrada de numerário na sociedade: Notas Fiscais (corridas realizadas através de contratos com empresas), Taxa de Manutenção (valor cobrado dos cooperados para rateio das despesas), Repasse Coml (corridas pagas com cartão de crédito), Solicitações (corridas captadas pela central telefônica), Boletos Avulsos (corridas realizadas por particulares), além de outras receitas não operacionais. Por sua vez, os valores levados para a formação da base de cálculo da Cofins são aqueles expostos na tabela de fls. 359/360. Notese que apenas os valores correspondentes aos ingressos com a taxa de manutenção paga pelos cooperados (ato cooperativo próprio, de acordo com o teor da mencionada decisão judicial) foram excluídos do montante tributável.” Analisando os documentos acostados pela Recorrente em sua impugnação e também no recurso, assim como, verificando o arcabouço probatório que dos autos constam, levantados especialmente por ocasião do procedimento de fiscalização, verificase que não estão destacados nos registros apresentados pela Recorrente, receitas que se enquadrassem no conceito de Atos Cooperativos próprios. E, disto decorre que efetivamente o fato de não ter o autuante feito referidas exclusões, é porque efetivamente não ocorreram no caso em concreto. Em se tratando de matéria relativa à nulidade em sede de processo administrativo tributário, é consabido que estas devem ser analisadas dentro dos ditames abaixo: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 808 15 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” “Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Cotejando os dispositivos acima, com os procedimentos de fiscalização, assim como, verificado que a recorrente demonstrou plenos conhecimentos da matéria objeto do lançamento fiscal, exercendo seu direito de defesa com amplitude e conhecimento detalhado da matéria, verificase que teve, sim, resguardado seu direito de defesa, não estando presentes os requisitos que permitiriam concluir pela nulidade do lançamento. Verificouse ainda que a base de cálculo utilizada pela Fiscalização partiu das informações elaboradas e apresentadas pelo próprio sujeito passivo, que tinha, portanto, pleno conhecimento de seu conteúdo, exercitando habilmente sua defesa, também com relação à matéria quantitativa. Sendo assim, por ter o agente fiscal atendido aos princípios da legalidade, discricionariedade e motivação, e por ter a Recorrente exercitado plena e amplamente seu direito de defesa, entendo não ter havido afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, deve ser rejeitada a alegação de vício insanável no ato do lançamento fiscal. Nesse contexto, no caso em análise, a parte não aponta um caso em concreto, ainda que por amostragem, limitandose a afirmar a falta desta segregação por parte da autoridade autuante. À míngua de prova desta inconsistência, que deveria já ter sido articulada na impugnação, mas que, todavia, poderia ao menos ter sido veiculada no Recurso Voluntário, em contraposição aos fundamentos constantes da DRJ (que seriam aceitáveis pelo Princípio da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário), forçoso concluir pela inexistência da nulidade apontada. Consequentemente, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. 4. Mérito: efeitos da decisão judicial proferida no processo judicial em que figurou a Recorrente como parte. Adentrando no julgamento de mérito do recurso, entendo que o cerne da contenda se focaliza em se perquirir sobre os efeitos da decisão judicial sobre o objeto da demanda, a qual resumese na existência (ou não) do direito ao gozo da isenção da COFINS sobre as receitas da recorrente, provenientes da intermediação de serviços de transporte de passageiros pelos taxistas cooperados a terceiros, e cujas receitas são recebidas pela Fl. 815DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 16 Cooperativa, que retém uma taxa de administração, repassando o valor excedente aos cooperados. Nesta atividade, é também necessário verificar o teor, o estágio processual e a extensão dos efeitos da decisão judicial sobre esse feito. Assim sendo, conforme se colhe dos autos, há decisão judicial na Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária com Pedido de Antecipação de Tutela n. 2004.61.19.000634, através do qual, após sentença que lhe fora favorável, ascendeu ao tribunal, que não concedeu ao contribuinte o reconhecimento da ilegalidade ou inconstitucionalidade da revogação da isenção da COFINS. Do teor da decisão, expressa no Acórdão proferido pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos autos da Apelação Cível n. 2004.61.19.0006347, Relator Des. Federal Leonel Ferreira, interposta pela Fazenda Nacional em face a sentença procedente, até então vigente, colhemse os seguintes trechos: “A exigibilidade da tributação não pode, portanto, ser afastada, como pretendido na ação, relativamente às sociedades cooperativas, quaisquer que sejam, sem respaldo em legislação especifica, que lhes outorgue tratamento diferenciado, ou de maneira a ampliar os limites próprios do regime fiscal positivamente instituído. Apenas se excepcionam, entretanto, neste contexto, os atos cooperativos próprios, que não correspondem, em sua pratica, ao conceito de faturamento, e sobre os quais não existe incidência destas contribuições. São aqueles descritos no artigo 79 da lei 5.764171, entendidos como os realizados entre cooperativa e cooperados e entre cooperativas, dentro do seu objetivo social, e sem inserção de qualquer terceiro. Todavia, além dos aspectos gerais da controvérsia, como supracitado, cabe uma referência à circunstância específica do caso, relacionada à natureza das atividades desenvolvidas pela autora que, como cooperativa de trabalho e não de produção, pretende excluir a tributação social sobre a intermediação de serviços prestados por cooperados a terceiros, porém fora do que qualificado, propriamente, como atos cooperativos pelo artigo 79 da Lei n° 5.764/71, segundo o qual somente os são ‘os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados para a consecução dos objetivos sociais’. Por isso mesmo, em via de conseqüência, os atos com terceiros ficam sujeitos a tributação, como revelam os artigos 86, 87 e 111 da Lei do Cooperativismo. (...) Não se pode aceitar, desta forma, qualquer raciocínio que tenda a ampliar o que se entende por ato cooperativo próprio para se abranger atos nos quais a cooperativa trata com outrem como mandatária dos cooperados e que implique em afastar as entradas de numerário em cooperativas sob o argumento de que representam rendimentos dos cooperados, e não da cooperativa, já que isto, além de tudo, representaria negar a figura da cooperativa como ente com individualidade jurídica” (transcrição de parte do v. Acórdão, constante das fls. 220 e 221). Fl. 816DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 809 17 Consequentemente, a decisão judicial reconheceu que há o direito de excluir da base de cálculo da COFINS apenas as receitas provenientes dos atos cooperativos próprios, entendidos como aqueles praticados entre a cooperativa e os cooperados, esses sim reconhecidos como Atos Cooperados típicos. Quanto às receitas provenientes do recebimento de valores pelos serviços prestados pelos cooperados a terceiros, cujos numerários ingressam no caixa da Cooperativa para posterior repasse para os cooperados, a decisão judicial foi expressa em afastar do conceito de ato cooperado, e, consequentemente, não permitiu nem que houvesse o gozo de isenção e nem que se pudesse excluir referidos valores da base de cálculo da contribuição em tela. A decisão ainda deixa clara a diferença entre cooperativas de produção e cooperativas de trabalho, para fins de exclusão de valores da base de cálculo, e, ainda, no tange ao tratamento tributário do ato cooperativo, sendo expressa em dizer não haver ilegalidade nas distinções de regimes entre categorias diferentes de cooperativa. Esses são os dizeres da decisão judicial, textualmente, e da qual não cabe a este Relator emitir qualquer juízo de valor. Assim sendo, em que pese meu posicionamento particular sobre a contenda, o qual, ademais, sequer poderia sobreporse à Lei antes que o STF viesse a declarar, eventualmente, haver inconstitucionalidade da revogação da isenção, no caso em particular, há outro princípio que deve ser observado, qual seja: respeito a decisão judicial (coisa julgada). Assim sendo, havendo uma decisão judicial, ainda que não esteja transitada em julgado, mas que seus efeitos estejam vinculando as partes, proferida em processo individual movido pela própria Recorrente, no qual demandou exatamente o reconhecimento do direito à isenção tributária sobre receitas que vieram a ser colhidas pelo lançamento tributário hostilizado, e que, consequentemente, vem a ser novamente debatido nesse processo administrativo, não há como deixar de aplicar esta decisão judicial, pois que toda a Administração Pública está a ela submissa. Não tem o CARF e nem qualquer órgão do Poder Executivo, competência para reformar ou para rescindir qualquer decisão judicial. Essa atividade cabe ao próprio Poder Judiciário, dentro dos limites permitidos pela Constituição e pela Lei Processual. Consultando o andamento processual da Ação n° 2004.61.19.000634, assim como, pela Certidão colacionada nos autos (fls. 102), constatase que houve interposição de Recurso Especial que, depois de inadmitido na origem, ascendeu ao STJ e atualmente encontrase concluso no Gabinete do Ministro Relator Cesar Asfor Rocha, na 2ª Turma, sob o n° 1.115.570, desde o dia 10/09/2010 (consulta no sítio do STJ, em 19.06.2012). Igualmente sabese que o Recurso Extraordinário interposto pela ora Recorrente, foi admitido na origem, e será apreciado pelo STF, depois que o Recurso Especial houver sido julgado pelo STJ (e desde que não se torne prejudicado). Desse modo, não se desconhece que a demanda ainda poderá vir a ser revista pelas Cortes Superiores, no âmbito do Poder Judiciário. Além disso, é sabido que a Autoridade Administrativa está compelida a praticar o ato de lançamento, para evitar e prevenir a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Deste modo, no momento da lavratura do Auto de Infração e até este momento, não havia e não há nada que impedisse ou impeça a constituição do crédito tributário. Além disso, é munus do agente público proceder ao lançamento (art. 142, do CTN). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 18 Não se conhece de nenhuma medida que suspenda ou sobreste o julgamento deste processo administrativo fiscal, especialmente pela interpretação que a Portaria CARF n° 01/2012 deu ao art. 62A, do RICARF, como explanado alhures. E, finalmente, como se verificou acima, embora pendam de apreciação os Recursos Constitucionais (Recurso Especial n° 1.115.570 e Recurso Extraordinário – já admitido na origem), é certo que os mesmos não possuem efeito suspensivo da decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, como expressamente prescreve o art. 542, do Código de processo Civil: “Art. 542. Recebida a petição pela secretaria do tribunal, será intimado o recorrido, abrindoselhe vista, para apresentar contrarazões. (Redação dada pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001) (...) § 2o Os recursos extraordinário e especial serão recebidos no efeito devolutivo. (Incluído pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994) (grifei) Consequentemente, até que (ou sem que) haja decisão judicial reformando o v. Acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, na Apelação Cível n. 2004.61.19.0006347, a decisão que está em vigor é aquela que não reconhece à Recorrente o direito em não submeter à tributação da contribuição da COFINS, as receitas provenientes da intermediação de serviços praticados pelos Cooperados a terceiros, na qual a Cooperativa figura como mandatária daqueles. Frisese que a ação judicial acima referenciada ainda não atingiu o trânsito em julgado, pendendo ainda de análise de recursos interposto perante os Tribunais Superiores. Finalmente, há notícia de que igualmente existe outra ação judicial (processo n° 2003.61.00.0183339), promovida pelo Sindicooperativas – Sindicato das Cooperativas do Estado de São Paulo, entidade do qual a Recorrente seria filiada, e que igualmente penderia de decisão final. Neste particular, entendo que a existência de uma ação individual, promovida pela própria Recorrente, afasta os efeitos da ação promovida pela Entidade de Classe, pois que aquela visa atingir toda a categoria, de forma geral. De igual maneira, se a entidade filiada viesse a sofrer derrota em processo promovido por entidade sindical, nada lhe obstaria de ingressar com ação individual, em seu próprio nome, podendo alcançar uma decisão favorável, dada às peculiaridades do caso em concreto. Daí porque entendo que havendo ação individual, esta deve se sobrepor à ação movida pela entidade sindical da qual a Recorrente fizer parte. E esta situação aplicase com ainda mais razão, ante ao fato de que a Ação Declaratória e correspondente Apelação Cível n° 2004.61.19.0006347, ainda pendem de decisão dos Recursos Especial e Extraordinário, antes que atinja o trânsito em julgado, devendo a discussão sobre a exigibilidade ou não do crédito tributário, sob o aspecto da constitucionalidade, ser travada no âmbito do Poder Judiciário. Analisando as matérias tratadas em ambos os âmbitos (administrativo e judicial), percebese que tem os mesmos objetos, tratando acerca das mesmas matérias. Desta forma, destacase a ocorrência de concomitância entre este Processo Administrativo e o Processo Judicial acima citado, fazendo com que seja necessária a aplicação da Súmula CARF nº 01, que diz o seguinte: Fl. 818DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 810 19 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante a tais fundamentos, no mérito, voto no sentido de não conhecer do recurso apresentado, já que a opção da Recorrente pela via judicial para a discussão da matéria, ainda que anterior ao processo administrativo, importa na renúncia da via administrativa, o que inviabiliza a análise da matéria por este Conselho. 5. Dispositivo: Ante o exposto, voto no sentido de suscitar de ofício e declarar a decadência parcial do lançamento, extinguindo o crédito tributário dos meses de julho e agosto de 2005, rejeitar as preliminares arguidas, e, finalmente, no mérito, negar conhecimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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