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Numero do processo: 11686.000082/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 08 2/ 20 08 -1 1 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000082/200811 Resolução nº 3302000.323 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de PIS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/10/2006 a 31/12/2006 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no Mercado Interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 381DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000082/200811 Resolução nº 3302000.323 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação do PIS/Pasep não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de PIS NãoCumulativo Mercado interno, referente ao 4º trimestre de 2006. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000082/200811 Resolução nº 3302000.323 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000082/200811 Resolução nº 3302000.323 S3C3T2 Fl. 6 5 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS.CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3 o da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 384DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000082/200811 Resolução nº 3302000.323 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000082/200811 Resolução nº 3302000.323 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no inciso I, do § 1º, do art. 4º da IN SRF nº 660/2006. Além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Fl. 386DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000082/200811 Resolução nº 3302000.323 S3C3T2 Fl. 9 8 Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins. Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pela IN SRF nº 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000082/200811 Resolução nº 3302000.323 S3C3T2 Fl. 10 9 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 13770.000476/97-31
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1991
Pedido Formalizado: 25/08/97
Ementa.
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). LEI COMPLEMENTAR 118/2005.
Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, inequívoco que o direito do contribuinte pleitear, em 25/08/97, restituição/compensação dos valores recolhidos a título Finsocial no período de setembro de 1989 a janeiro de 1991 não se encontram prescritos.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1991 Pedido Formalizado: 25/08/97 Ementa. FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I DO CTN). LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Esta Corte Administrativa está vinculada às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932. Nesse sentido, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, ou seja, antes do dia 09/06/2005, o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Assim, inequívoco que o direito do contribuinte pleitear, em 25/08/97, restituição/compensação dos valores recolhidos a título Finsocial no período de setembro de 1989 a janeiro de 1991 não se encontram prescritos. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 04 76 /9 7- 31 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13770.000476/9731 Acórdão n.º 9900000.937 CSRFPL Fl. 411 2 Acordam os membros Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face ao acórdão CSRF/0306.108, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, reconheceu como não prescrito o direito do contribuinte pleitear a restituição de valores de Finsocial, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem para exame das demais questões de mérito, por entender que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o da data de publicação da Medida Provisória nº 1.110, de 31/08/95, nos termos do Parecer COSIT nº 58, de 27/10/98. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário com base em acórdão paradigma (Acórdão nº CSRF/0400.810) em que a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear restituição de indébito é de 5 (cinco) anos a contar da data da extinção do crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, iniciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça).” Em despacho de fls. 399/400, o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF deu seguimento ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13770.000476/9731 Acórdão n.º 9900000.937 CSRFPL Fl. 412 3 nos termos do que dispõe o artigo 4º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 446/2009. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Considerando a tempestividade do recurso extraordinário, a divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, proferidos por diferentes Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como o preenchimento dos requisitos de admissibilidade previstos no antigo Regimento Interno, conheço do recurso interposto pelo contribuinte. A controvérsia trazida a esta esfera extraordinária cingese em definir se ocorreu ou não a prescrição do direito do contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de Finsocial, considerandose como termo inicial para a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a data da publicação da Medida Provisória nº 1110/95 ou a data do pagamento dos valores que se pretende restituir. Considerando que, segundo o artigo 62A1 do atual Regimento Interno do CARF (cfr. Portaria MF nº 256/2009), esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, mister se faz que se reproduza integralmente o teor do julgamento do Recurso Extraordinário de nº 566.621, o qual foi realizado na Sessão Plenária de 04/08/2011, no sentido de entender que o prazo para repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05, é de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador, tendo em vista a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto nos artigos 150, § 4º, c/c 156, VII somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, do CTN, de acordo com o entendimento do STJ respaldado no julgamento do recurso especial repetitivo de nº 1.002.932. O acórdão do STF restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13770.000476/9731 Acórdão n.º 9900000.937 CSRFPL Fl. 413 4 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13770.000476/9731 Acórdão n.º 9900000.937 CSRFPL Fl. 414 5 Sendo certo que o contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação no dia 25/08/1997, relativo aos recolhimentos realizados no período de setembro de 1989 a janeiro de 1991, entendo que a prescrição não ocorreu nos presentes autos. Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento. Nanci Gama Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908795/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: Sidney Eduardo Stahl
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 87 95 /2 01 2- 51 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908795/201251 Acórdão n.º 3301002.442 S3C3T1 Fl. 139 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela Recorrente que foi não homologado diante da inexistência de crédito A Recorrente apresentou em face do indeferimento, Manifestação de Inconformidade alegando que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário a Recorrente aponta que possui os créditos pleiteados, que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado e que somente não retificou as declarações de modo que os mesmos devem ser homologados. É o que importa relatar. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908795/201251 Acórdão n.º 3301002.442 S3C3T1 Fl. 140 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No presente caso, apesar da contribuinte reiteradamente se manifestar acerca do seu direito creditório e ter sido avisada pela DRJ de que deveria comproválo, conforme consta reiteradamente no acórdão da Manifestação de Inconformidade, a mesma não apresentou nenhuma prova. Prova conforme o velho e conhecido Aurélio Buarque de Holanda é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer da Contribuinte com relação aos fatos apresentados. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte administrado apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, e que essas provas se revestissem de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908795/201251 Acórdão n.º 3301002.442 S3C3T1 Fl. 141 4 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13709.001547/91-16
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1989
Ementa.
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA, EIS QUE PROLATADA PELA MESMA TURMA JULGADORA.
O acórdão utilizado como paradigma pelo contribuinte foi prolatado pela mesma turma do acórdão recorrido não atendendo portanto o disposto no art. 9º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Extraordinário Não Conhecido
Numero da decisão: 9900-000.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1989 Ementa. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA, EIS QUE PROLATADA PELA MESMA TURMA JULGADORA. O acórdão utilizado como paradigma pelo contribuinte foi prolatado pela mesma turma do acórdão recorrido não atendendo portanto o disposto no art. 9º do Regimento Interno do CARF. Recurso Extraordinário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADA, EIS QUE PROLATADA PELA MESMA TURMA JULGADORA. O acórdão utilizado como paradigma pelo contribuinte foi prolatado pela mesma turma do acórdão recorrido não atendendo portanto o disposto no art. 9º do Regimento Interno do CARF. Recurso Extraordinário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 15 47 /9 1- 16 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13709.001547/9116 Acórdão n.º 9900000.934 CSRFPL Fl. 350 2 Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto contribuinte em face ao acórdão CSRF/0105971, proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que tratou da diferença IPC e OTN em janeiro de 1989 – para efeitos da correção monetária de Balanço das demonstrações financeiras do ano de 1989 – Plano Verão, cuja ementa do acórdão recorrido é a seguinte. “Assunto: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Exercício de 1990. PLANO VERÃO – Diferença IPC e OTN em janeiro de 1989 – Para efeitos da correção monetária de balanço das demonstrações financeiras do ano de 1989, devese considerar o diferencial de índices inflacionários de 42,72%. Recurso especial parcialmente provido.” O contribuinte, inconformado com a referida decisão, que não considerou a índice de correção monetária do mês de fevereiro de 1989 de 10,14%, interpôs o presente recurso extraordinário, suscitando divergência com o Acórdão CSRF/0105.380, de 03/02/2006, que traz como ementa: “PLANO VERÃO DIFERENÇA IPC E OTN EM JANEIRO DE 1989 – Para efeitos da correção monetária de balanço das demonstrações financeiras do ano de 1989, devese considerar o diferencial de índices inflacionários de 42,72% em janeiro e 10,14% em fevereiro de 1989. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.” O recurso foi conhecido conforme despacho às fls. 347/348. Devidamente intimada a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, aduzindo, em preliminar, o não conhecimento do recurso extraordinário. É o relatório. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13709.001547/9116 Acórdão n.º 9900000.934 CSRFPL Fl. 351 3 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Inicialmente, fazse necessária a análise acerca do conhecimento do Recurso Extraordinário interposto pelo contribuinte ora em exame. Nos termos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mormente no art. 9º, somente cabe recurso extraordinário em face de divergência do aresto hostilizado com o entendimento perfilhado por outra Turma ou pelo Pleno da CSRF. Vejase: “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” (..) A decisão paradigma foi prolatada pela mesma Turma que proferiu o acórdão recorrido, conforme demonstrado no relatório. Em face ao exposto, voto por não conhecer o Recurso Extraordinário interposto pelo contribuinte por não preencher os requisitos de admissibilidade, no que diz respeito a não configuração da divergência jurisprudencial, permanecendo a decisão recorrida por seus próprios termos. Nanci Gama Fl. 351DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 37306.000106/2006-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 10/01/1995 a 31/12/2002
RECURSO DE OFÍCIO. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
REVISÃO DO LANÇAMENTO. ART. 149 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO.
A revisão do lançamento de ofício pela autoridade fiscal deve se subsumir às hipóteses do art. 149 do CTN, devendo estar plenamente justificadas as suas razões motivadoras.
ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO. NULIDADE.
A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação dos débitos correspondentes, por vício material.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-004.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento e negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões, entendeu que a fiscalização fundamentou corretamente o procedimento de refiscalização.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 10/01/1995 a 31/12/2002 RECURSO DE OFÍCIO. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. REVISÃO DO LANÇAMENTO. ART. 149 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. A revisão do lançamento de ofício pela autoridade fiscal deve se subsumir às hipóteses do art. 149 do CTN, devendo estar plenamente justificadas as suas razões motivadoras. ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO. NULIDADE. A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação dos débitos correspondentes, por vício material. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 10/01/1995 a 31/12/2002 RECURSO DE OFÍCIO. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. REVISÃO DO LANÇAMENTO. ART. 149 DO CTN. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. A revisão do lançamento de ofício pela autoridade fiscal deve se subsumir às hipóteses do art. 149 do CTN, devendo estar plenamente justificadas as suas razões motivadoras. ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO. NULIDADE. A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação dos débitos correspondentes, por vício material. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 6. 00 01 06 /2 00 6- 82 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por vício material no lançamento e negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões, entendeu que a fiscalização fundamentou corretamente o procedimento de refiscalização. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 854DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 37306.000106/200682 Acórdão n.º 2402004.607 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 27/12/2005 (fl. 126) para exigir a cota patronal, GILRAT e contribuições dos segurados no período de 01/1995 a 12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 122/123), o presente débito foi baseado “na diferença entre os valores declarados na declaração de imposto de renda pessoa jurídica e a remuneração já levantada pelas auditorias anteriores”, sendo decorrente de pagamentos efetuados a segurados empregados e a prolabore pago a diretores. A Recorrente interpôs Impugnação (fls. 129/588) requerendo a total improcedência do lançamento. A Seção do Contencioso Administrativo solicitou ao agente fiscal que elaborasse novo relatório fiscal, haja vista que: (i) o relatório fiscal inicial não informou tratar se o processo de uma Revisão de Lançamento, o que poderia resultar em cerceamento de defesa; e (ii) não consta no relatório fiscal a discriminação clara e precisa dos fatos geradores. O agente fiscal apresentou relatório de revisão de auditoria fiscal (fls. 592/595) pontuando que foi realizado arbitramento e que todos os valores levantados pelas fiscalizações anteriores foram deduzidos. Intimada a apresentar nova defesa, a Recorrente deixou de se manifestar (fl. 602). A Seção do Contencioso Administrativo determinou a realização de diligência (fls. 603/605) para que o fiscal se manifestasse sobre: (i) a existência de guias de recolhimento que não constam no relatório de documentos apresentados; (ii) caso os valores arbitrados com base nas informações da DIPJ correspondessem ao total da empresa (matriz + filiais), que fosse informada se os abatimentos também levaram em conta os recolhimentos efetuados pela matriz e pelas filiais; (iii) algumas NFLD’s lavradas contra a empresa não constam no relatório de apropriação de documentos apresentados; (iv) o abatimento das retenções de 11% realizadas. O agente fiscal informou que (fl. 606): (i) os valores pagos pelas filiais foram considerados; (ii) dentre as NFLD’s mencionadas, apenas duas não foram apropriadas neste processo, devendo o presente débito ser retificado; (iii) não foi possível abater as retenções realizadas, por não ter a empresa apresentado as respectivas notas fiscais. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento determinou que a Recorrente fosse intimada do resultado da diligência (fls. 611/613). A Recorrente se manifestou (fls. 621/629) requerendo total improcedência do lançamento ou, quando menos, a revisão de todos os débitos levantados. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo determinou fosse realizada diligência (fls. 636/643), haja vista que os documentos apresentados durante a Fl. 855DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 fiscalização não foram totalmente considerados pelo agente fiscal, sendo esta análise importante para a observância dos dispositivos legais que versam sobre o arbitramento. A Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (fls. 648/649) informou que a auditoria foi prejudicada pela não apresentação dos Livros Diário e Razão do período de 01/1999 a 12/2002. Intimada, a Recorrente deixou de se manifestar (fl. 652). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (fls. 678/682) determinou a realização de nova diligência, tendo em vista que o agente fiscal ainda não respondeu de forma categórica aos questionamentos propostos, devendo se manifestar sobre as guias de recolhimento com o código 2631, bem como determinou o desmembramento processo, de forma que o período anterior à implantação da GFIP (01/1999) fosse separado do período posterior. A Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (fls. 690/692) retificou o débito após computar as guias de recolhimento com código 2631, bem como informou que não foi possível desmembrar o processo. A Divisão de Fiscalização III sugeriu: (i) a exclusão dos débitos de 01/1995 a 12/1999 por decadência; e (ii) a realização de lançamento complementar, haja vista que o auditor notificante efetuou o enquadramento errôneo ao informar que se tratava de fatos geradores ocorridos em período anterior à implantação da GFIP, irregularidade essa que, quando sanada, importará na alteração de valores da autuação (fls. 694/696). A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I julgou a impugnação parcialmente procedente (fls. 698/724), sob o entendimento, em suma, de que: (i) deve ser aplicada a súmula vinculante nº 8 do STF; e (ii) o procedimento de refiscalização é legal para examinar documentos contábeis não verificados na ação anterior. Houve a interposição de recurso de ofício. A Equipe de Orientação da Recuperação de Créditos informou que os débitos não se encontram disponíveis no sistema SICOB, estando eles na fase “Aguarda Análise para Expedição de D.N.”, devendo o processo retornar à DRJ para providências (fls. 726/727). A d. DRJ (fls. 728/729) se manifestou no sentido de que o débito deverá ser oportunamente retificado de acordo com a planilha exposta no voto, tendo em vista que não foi possível a alimentação do sistema SISCOL. A Equipe de Orientação da Recuperação de Créditos determinou o retorno dos autos à DRJ, tendo em vista a constatação de um erro no quadro demonstrativo do acórdão (fls. 730/731). A d. DRJ lavrou novo acórdão, retificando o anterior, realizando os ajustes propostos e mantendo a interposição do recurso de ofício (fls. 733/766). De acordo com o Termo de Transferência – TETRA (fl. 768), os débitos referentes ao período anterior à implantação da GFIP (01/1995 a 12/1998), que foram extintos pela decadência e objeto de recurso de ofício, foram transferidos para a NFLD nº 37.315.0946, a qual deve permanecer apensa ao presente processo. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 37306.000106/200682 Acórdão n.º 2402004.607 S2C4T2 Fl. 4 5 A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 839/849) alegando que: (i) o lançamento é nulo, por não respeitar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa e contraditório, além de ser totalmente discricionário; (ii) a multa possui caráter confiscatório; (iii) a taxa SELIC é inaplicável ao presente caso; e (iv) os juros são confiscatórios. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que tanto o recurso de ofício como o recurso voluntário atendem a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Recurso Voluntário A Recorrente alega inicialmente que o lançamento é nulo, por não respeitar os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa e contraditório, além de ser totalmente discricionário. Analisando o processo, verificase que as contribuições exigidas tomaram como base as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica da Recorrente, tendo sido supostamente deduzidos os recolhimentos levantados pelas auditorias anteriores. Após, instado a retificar o lançamento, o agente fiscal apresentou relatório de revisão de auditoria fiscal pontuando tratarse o presente caso de uma revisão de lançamento, nos termos do art. 149, incs. I, IV, VI, VII e VIII do art. 149 do CTN. Esclareceuse também que foi realizado arbitramento das contribuições, haja vista que apenas parte da documentação foi apresentada pela Recorrente, que alegou “falta de pessoal” e que parte dos documentos haviam pegado fogo. Como método para o cálculo das contribuições previdenciárias, a fiscalização utilizou os saldos lançados na DIPJ, nas contas de “Custo de Pessoal Aplicado na Produção”, “Ordenados, Salários, Gratif. e Outras Rem. a Empreg.” e “Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Admin.” Como a declaração é anual, os valores foram divididos por doze para se chegar à base de cálculo de cada mês, deduzindose os valores levantados pelas fiscalizações anteriores. Partindo das premissas insertas no lançamento, mencionadas acima, verifica se essencialmente dois problemas. O primeiro deles diz respeito à motivação para a realização de uma revisão de lançamento com base no art. 149 do CTN. Pelo que consta no Relatório Fiscal (complementar), concluise que o agente fiscal não demonstrou o porquê de ter voltado à sede da empresa para refiscalizála. Isto porque, foi mencionado genericamente os “arts. 149, incs. I, IV, VI, VII e VIII do art. 149 do CTN”, os quais não são auto explicativos. Não pode a fiscalização efetuar procedimento de refiscalização como bem entender, sem demonstrar exatamente os motivos e a correspondente base legal. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 37306.000106/200682 Acórdão n.º 2402004.607 S2C4T2 Fl. 5 7 Compulsando os autos, verificase que a DRJ, analisando o caso de forma mais detida, buscou fundamentar a revisão de lançamento no inc. VIII do art. 149 do CTN (fl. 711), segundo o qual o lançamento pode ser revisto “quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior.” Entretanto, não pode a DRJ querer realizar o trabalho do auditor fiscal para justificar o lançamento, pois tal prática, além de desvirtuar o dever funcional de cada um dos agentes, fere os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa. Além disso, ainda que se entendesse pela aplicação do art. 149, inc. VIII do CTN, o fiscal deveria ter demonstrado quais seriam os fatos e por qual razão não foram conhecidos ou provados por ocasião do lançamento anterior, de forma a justificar a sua conduta. Em caso similar, este Conselho assim já decidiu: “LANÇAMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO AS HIPÓTESES DO CTN. CONTRIBUINTE SUBMETIDO A FISCALIZAÇÃO ANTERIOR TOTAL COM ANÁLISE DE CONTABILIDADE. A revisão do lançamento de ofício pela autoridade fiscal deve se subsumir as hipóteses do art. 149 do CTN, devendo estarem plenamente justificadas as suas razões motivadoras. Não cabe a revisão do lançamento de ofício quando esta for efetuada para levar a efeito lançamento de valores de contribuições previdenciárias que deixaram de ser lançadas quando de procedimentos fiscais anteriores nos quais houve análise de contabilidade. Recurso Voluntário Provido.” (CARF, PAF nº 36394.001688/200448, Cons. Rel. Lourenço Ferreira do Prado, Sessão de 15 de agosto de 2013) Assim, entendo que o art. 149 do CTN está sendo aplicado de forma equivocada ao presente caso. O segundo problema diz respeito ao arbitramento realizado. De acordo com a fiscalização, como o contribuinte não entregou parte da documentação solicitada, houve a total desconsideração da contabilidade, o que resultou na apuração de uma base de cálculo ampla, obtida diretamente da DIPJ. Contudo, o agente fiscal em qualquer momento explicou quais foram os documentos solicitados e não entregues, de forma a evidenciar se o lançamento poderia ser efetuado normalmente ao menos em relação a determinado período, ou se realmente seria necessário o arbitramento total. Assim, no caso de arbitramento, não basta registrar no TIAD os documentos solicitados e não entregues. Pelo contrário, devese explicar como esses documentos (ou a falta deles) impediram a fiscalização de lançar as contribuições efetivamente devidas. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 Em outras palavras, os pressupostos de fato para a instauração do arbitramento devem estar devidamente delineados no processo. Por esses motivos, entendo que o lançamento não foi devidamente fundamentado, deixando de apurar corretamente a matéria tributável, em ofensa ao art. 142 do CTN, em patente vício material. Este Conselho, em caso onde os pressupostos de fato levantados pela fiscalização, para fins de arbitramento, são deficientes, já entendeu pela nulidade do processo, senão vejamos: “ARBITRAMENTO. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DOS MOTIVOS DO ARBITRAMENTO QUE CONDUZ À NULIDADE DO LANÇAMENTO. Em conformidade com o §6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A motivação fática para o arbitramento precisa ser claramente apontada para justificar a medida extrema, o que não foi feito no caso presente, ocasionando a anulação do lançamento por vício material. QUALIFICAÇÃO DO VÍCIO DA NULIDADE. VÍCIO MATERIAL QUE SE CARACTERIZA NA AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DE FATO E DE DIREITO DO ATO ADMINISTRATIVO. Quando o ato administrativo do lançamento traz fundamentação legal equivocada (pressuposto de direito) e/ou quando a descrição dos fatos trazida pela fiscalização (pressuposto de fato) é omitida ou deficiente, temos configurado um vício de motivação ou vício material. Lançamento Anulado.” (CARF, PAF nº 16682.720109/201217, Cons. Rel. Mauro José da Silva, Sessão de 12 de agosto de 2014) Não obstante, vale destacar que, ao longo do processo, os julgadores buscaram efetuar os reparos necessários para que o lançamento surtisse efeitos, corrigindo os defeitos existentes já quando do seu nascimento. Entretanto, como mencionado, não cabe à DRJ fundamentar o lançamento. Caso se entenda pela manutenção dos débitos, estarseá convalidando um lançamento que, pela forma precária como foi constituído, está eivado de discricionariedade. Desta forma, entendo que assiste razão à Recorrente quando sustenta que o lançamento fere os princípios da razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa e contraditório, além de ser totalmente discricionário, motivo pelo qual deve ser cancelado. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 37306.000106/200682 Acórdão n.º 2402004.607 S2C4T2 Fl. 6 9 Recurso de ofício O recurso de ofício foi proposto pela decisão de 1ª instância pelo fato de que o montante exonerado do débito é de R$ 1.933.439,03 (fl. 723), ou seja, superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 03/2008. A d. DRJ aplicou a Súmula Vinculante nº 08 do STF para reconhecer a decadência dos débitos relativos ao levantamento “PROLABORE”, nas competências de 05/1996 a 11/1999, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN. Em relação ao levantamento “BC BASE DE CÁLCULO”, foi reconhecida a decadência das competências de 01/1995 a 11/2000, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Além disso, foi determinado o abatimento dos recolhimentos efetuados pela Recorrente sob o código GPS 2631. Considerando a conclusão acima no tocante ao recurso voluntário, de que o débito deve ser baixado, entendo que não há que se fazer qualquer reparo nos débitos já excluídos, razão pelo qual entendo que o recurso de ofício deve ser negado. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO, bem como pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para ANULAR O LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL, a fim de que os débitos ora exigidos sejam cancelados. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 15586.001467/2008-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - NÃO INCIDÊNCIA
A Jurisprudência é pacífica no sentido de definir que o pagamento efetuado "in natura" do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador
.ASSISTÊNCIA MEDICA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR
São tributáveis os benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da lei 8.212/91,
ART. 17 DO DEC. 70.235172 - MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Conforme o preceituado no art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está preclusa.
MULTA DE MORA.
É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente compará-los com os valores obtidos nos termos do novo art. 35-A para então fazer prevalecer o menos gravoso
RETROATIVIDADE BENÍGNA
Tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106,II, c, do Código Tributário Nacional - CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei
PERÍCIA.
Na exegese do art. 18 do Decreto n° 70.235 /72 , é prerrogativa do julgador considerar prescindível ou não o pedido para o deslinde da questão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que sejam afastados os créditos sobre as parcelas do PAT e se aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na forma da redação dada pela Lei nº 11.941/2009, nos termos do art.61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NÃO INCIDÊNCIA A Jurisprudência é pacífica no sentido de definir que o pagamento efetuado "in natura" do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador .ASSISTÊNCIA MEDICA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR São tributáveis os benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da lei 8.212/91, ART. 17 DO DEC. 70.235172 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Conforme o preceituado no art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está preclusa. MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo se as circunstâncias motivarem verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da sobredita lei pela Lei n° 11.941 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso RETROATIVIDADE BENÍGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106,II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN , observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei PERÍCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 14 67 /2 00 8- 76 Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Na exegese do art. 18 do Decreto n° 70.235 /72 , é prerrogativa do julgador considerar prescindível ou não o pedido para o deslinde da questão. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que sejam afastados os créditos sobre as parcelas do PAT e se aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na forma da redação dada pela Lei nº 11.941/2009, nos termos do art.61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa e Carlos Alberto Mees Stringari na questão da alimentação. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ewan Teles Aguiar e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001467/200876 Acórdão n.º 2403002.910 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Li o Relatório a quo, compulsei com os autos, e por corroborar o texto, por economia processual, com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo. Aduz que também foram lançados por aferição indireta pagamentos de salários complementares não registrados na contabilidade, prestação de serviços de frete e prólabore : "Tratase de Auto de Infração (AIOP n° 37.153.0873) na qual são exigidas contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, correspondentes às rubricas empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT). 2Segundo o Relatório Fiscal de fls. 122/181, constituem fatos geradores das contribuições lançadas as parcelas auferidas pelos segurados empregados a título de alimentação sem a empresa estar inscrita no PAT; previdência complementar e assistência médica em desacordo com a legislação e contrato de mútuo feneratício sem onerosidade aos beneficiários. 3. Também foram apuradas diferenças de valores em GFIP, assim como pagamento de salário em folha suplementar não registrada no Diário, sem o respectivo recolhimento e prestação de serviços por contribuinte individual. 4.0 valor do presente lançamento é de R$ 383.193,37, consolidado em 18/09/08. DA IMPUGNAÇÃO .Notificada pessoalmente do lançamento, em 18/09/08, a interessada apresentou impugnação de fls. 704/728, aduzindo as seguintes alegações: DA PRELIMINAR 5. Em sua exordial, a empresa ataca o ato administrativo de constituição do crédito tributário, alegando razões de ordem formal apontando para a eiva de nulidade. 5.1. O Auto não cumpre o requisito da formalidade, pois não é descrita a conduta ilícita em todas suas minúcias. É apontada apenas uma conduta abstrata. 5.2. Foi ferido o Art. 10 do Dec. 70.235/72. Os relatórios e anexos são uma afronta aos princípios formais de preenchimento do Auto. DO MÉRITO Do PAT Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 5.3.As convenções coletivas do SINPRO/ES e do SAAES/ES determinam a concessão de Ticket Alimentação. Remete ao Art. 7°, XXVI, da Constituição da República. 5.4.Tais valores têm caráter indenizatório de ajuda de custo. 5.5.Transcreve arestos jurisprudenciais e postula a anulação do Auto Da Assistência Médica e Previdência Complementar 5.6. A redação dada ao Art. 458 da CLT pela Lei 10.243/01 excluiu do conceito de remuneração tais verbas. 5.7. Não há como estabelecer dois conceitos legais acerca de um mesmo evento jurídico, a remuneração. Ambos os textos normativos (CLT e Lei 8.212/91) tratam do mesmo conceito e, como a Lei 10.243/01 foi editada posteriormente à Lei 8.212/91, derrogou está. Acosta arestos do TST. Da Aferição Indireta 5.8. A aplicação do art. 148 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) é indevida, pois a empresa entregou vários documentos e livros que serviram para a apuração do Crédito Tributário. 5.9. Não há discricionariedade na escolha da base de cálculo. 5.10. Requer perícia. 5.11. É o relatório." DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 10ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1 ( RJ) DRJ/RJO 1, em 11 de fevereiro de 2009, exarou Acórdão de n° 1222.822 , fls.773, negando provimento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. Fls.802, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação É o relatório. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001467/200876 Acórdão n.º 2403002.910 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. De plano, cumpre registrar que juntaramse ao presente, por apensação, os processos abaixo que, na seqüência, serão analisados nesta mesma sessão de julgamento: 15586.001468/200811 15586.001469/200865 15586.001470/200890 15586.001472/200889 PRELIMINAR DE NULIDADE No Recurso de fls. 802 a Recorrente reitera que o auto deva ser anulado alegando que o mesmo não obedece requisitos formais : "Devidamente impugnado o lançamento, onde em preliminar se atacou a nulidade do auto de infração e foi demonstrado que esse não obedece a seus requisitos formais, eis que contrário à forma prescrita na legislação competente "Assim, OBRIGATORIAMENTE, um Auto de Infração deve conter requisitos gerais (agente fiscal capaz, objeto lícito e obediência à forma prescrita em lei), requisitos específicos (qualificação do autuado, localdatahora da lavratura, descrição material do fato, transcrição da disposição legal aplicável ao caso, penalidade aplicável, determinação da exigência, assinatura, cargo, função e matrícula do autuante)." Referindome ao encimado, cabe destacar que o Relatório Fiscal de fls. 122/142 foi extremamente bem elaborado registrando as irregularidades, as fundamentações legais e colacionando elementos probantes cabais ao tempo que fez entrega dos vinculados anexos na forma do documento recebido e assinado pelo contribuinte às fls 01. Tal procedimento, sem dúvida, subsumiu o ato no preceituado no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, permitindo eficaz cumprimento do exercício da ampla defesa e do Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 contraditório, direito do contribuinte. Portanto, não assiste razão ao contribuinte quanto a alegação de nulidade. NEGO PROVIMENTO. DO MÉRITO DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO Matéria guerreada e negada em sede de impugnação, retorna com os mesmos argumentos então alegados. Reitera que o benefício concedido tem previsão em cláusula de Convenção Coletiva de Trabalho equivalendo ao Programa e Alimentação ao Trabalhador (PAT), instituído por Lei e que não se integraria ao salário: "Não incide contribuições previdenciárias sobre o valor pago, ainda que em pecúnia, a título de auxílioalimentação fornecido com a finalidade de subsidiar a refeição do empregado no intervalo da jornada laboral, independentemente de inscrição da empresa ao Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, por possuir natureza indenizatória". Nos itens 2/2 do Relatório Fiscal de fls. 123, a autoridade autuante registrou que as parcelas concedidas foram "in natura", e ainda, que os cartões de crédito utilizados para o pagamento aos segurados foram negociados pelas administradoras de cartões eletrônicos/magnéticos, Banco do Brasil Cartões e Banestik . : "2. Alimentação 2.1. Levantamento de contribuições incidentes sobre parcelas in natura fornecidas pela empresa a seus empregados por meio da contratação de serviços de Alimentação Convênio. 2.2. Na análise da escrituração contábil e das notas fiscais/faturas apresentadas, constatouse a existência de pagamentos a empresas (Banco do Brasil Cartões e Banestik) pelo fornecimento de créditos em cartões concedidos aos segurados, para o pagamento de alimentação." Nos itens 2.6/2/7 registrou que autuara a empresa em razão de a mesma não ter feita a adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT: "2.6. Foi solicitado ao contribuinte, por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, emitido em 09/07/2008, o termo de adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. Este documento não foi apresentado pela empresa, em razão da mesma não estar inscrita. 2.7. Desta forma, os valores despendidos pelo contribuinte a título de AlimentaçãoConvênio, benefícioalimentação concedido aos trabalhadores, foram considerados parcelas integrantes do saláriodecontribuição, uma vez que as parcelas oferecidas in natura aos trabalhadores foram efetuadas sem o amparo da Lei no. 6.321, de14/04/1976. " O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), através da Coordenação do Programa de Alimentação do Trabalhador (COPAT), Site: www.mte.gov.br/pat – Email: pat@mte.gov.br , editou Cartilha com o Aval das autoridades abaixo relacionadas, onde no Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001467/200876 Acórdão n.º 2403002.910 S2C4T3 Fl. 5 7 item 9 do referido documento se descreve o que é uma empresa prestadora de serviços de alimentação coletiva informando que é a empresa que administra documentos de legitimação, sejam impressos ou na forma de cartões eletrônicos/magnéticos, para aquisição de gêneros alimentícios em supermercados (alimentaçãoconvênio) ou para refeições em restaurantes (refeiçãoconvênio): Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho SecretárioExecutivo Marco Antonio de Oliveira Secretária de Inspeção do Trabalho Ruth Beatriz Vasconcelos Vilela Diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho Rinaldo Marinho Costa Lima Coordenadora do Programa de Alimentação do Trabalhador Maria Flor de Lys Sousa Lopes Nos termos do Superior Tribunal de Justiça, a Jurisprudência é pacífica no sentido de definir que o pagamento efetuado "in natura" do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador. Outrossim, na forma do art. 62A do Regimento de ste Conselho , RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, nos vincula. "Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma AgRg no REsp 1426319 / SC 06/05/2014 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. DESNECESSIDADE. SÚMULA 83/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Não incide contribuição previdenciária "em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação" (REsp. 1.196.748/RJ, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 28.9.2010). 2. A Súmula 83/STJ aplicase aos recursos especiais interpostos tanto pela alínea "a" quanto pela alínea "c" do permissivo constitucional. Agravo regimental improvido." Superior Tribunal de Justiça 1ª Turma AgRg no Ag 1392454 / SC 17/11/2011 Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. SALÁRIO IN NATURA. DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o pagamento efetuado in natura do salário alimentação aos empregados não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante estar a empresa inscrita ou não no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Agravo regimental não provido Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Benedito Gonçalves (Presidente) e Teori Albino Zavascki votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. "Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma REsp 674999 / CE 05/05/2005 (..) TRIBUTÁRIO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. REFEIÇÕES REALIZADAS NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA E DESCONTADAS, PARTE, DO SALÁRIO DO EMPREGADO. PAGAMENTO IN NATURA. NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. 1. Recurso Especial interposto contra v. Acórdão que entendeu ser indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela empresa a título de alimentação a seus empregados, quando efetuados descontos nos salários destes, ainda que não esteja devidamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento "in natura" do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. 3. Precedentes das 1ª, 2ª, 3 e 5ª Turmas desta Corte Superior. 4. Recurso improvido." (RESP 320185/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, 1ª Turma, DJ de 03/09/2001) "PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. LEGALIDADE DA COBRANÇA. VINCULAÇÃO AO PAT. MATÉRIA DE Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001467/200876 Acórdão n.º 2403002.910 S2C4T3 Fl. 6 9 PROVA. SÚMULA 07/STJ. 1. Incabível o reexame da prova em sede de recurso especial. 2. Apenas o pagamento 'in natura' do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária. 3. Recurso especial não conhecido." (RESP 180567/CE, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, 2ª Turma, DJ de 23/04/2001) "Lei 6.321/76. Decreto 5/91. Não há pagamento "in natura", de molde a fazer incidir o disposto no artigo 6º do Decreto 5/91, se esse se efetua mediante entrega de tíquetes que propiciam a aquisição de bens." (RESP 112209/RS, Rel. Min. EDUARDO RIBEIRO, 3ª Turma, DJ de 03/05/1999) "Reclamação trabalhista. Horas extras. Valealimentação. Matéria de fato (Súmula nº 07/STJ). Precedente da Corte. 1. Decidindo o Tribunal de origem, no que se refere à contagem das horas extras, com base na prova pericial, a passagem do especial encontra a barreira da Súmula nº 07 da Corte. 2. Como assentado em precedente da Corte, o valealimentação integra o salário, considerando que a legislação aplicável afasta, apenas, a parcela in natura, isto é, quando a própria alimentação é fornecida. 3. Recurso especial conhecido, em parte, mas improvido." (RESP 163962/RS, Rel. Min. CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, 3ª Turma, DJ de 24/05/1999) "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HÁBIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO."(RESP 85306/DF, Rel. Min. JOSE DE JESUS FILHO, 1ª Turma, DJ de 16/12/1996) 9. Recurso Especial improvido. Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Denise Arruda e José Delgado votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão " Não obstante o acima, vinculando a administração , com a redação dada no art 21 da Lei nº 11.033, de 2004, o art 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, passou a vigorar impedindo de a Secretaria da Receita Federal constituir os créditos tributários nas hipóteses abaixo: Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 "Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. (..) § 4° A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) " Relevante ressaltar, ainda, o Ato Declaratório n° 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional onde, nos casos idênticos ao em comento esta desiste de interpor recursos bem como também dos já interpostos Assim DOU PROVIMENTO à alegação do contribuinte para afastar a tributação dos créditos constituídos para esta rubrica. PREVIDÊNCIA PRIVADA E PLANO DE SAÚDE Nos itens 3.5/3.8 do Relatório Fiscal restou claro que a empresa "disponibilzou" o direito de receber os benefícios mas não o fez para todos os segurados. As cláusulas 15 e 16, respectivamente , dos planos de previdência privada e do plano de saúde concedidos pelo contribuinte, impõem restrições que inibem utilização concomitante dos benefícios. A restrição em si caracteriza que os planos não estão exatamente disponíveis na plenitude posto que se optar por um perde o direito ao outro e a legislação define que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa sendo tributáveis os benefícios concedidos em desacordo o art. 28, § 9°, "q", da lei 8.212/91: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ( Redação dada pela Lei n9.528, de 10.12.97) (..) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ( Redação dada pela Lei n9.528, de 10.12.97),(..) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001467/200876 Acórdão n.º 2403002.910 S2C4T3 Fl. 7 11 inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; ( Alínea acrescentada pela Lei n9.528, de 10.12.97) " Relatório Fiscal "3.6. Portanto, quanto aos empregados, ao optarem por um dos dois benefícios, resultou que ficaram descobertos do outro, ficando claro que há uma regra estabelecida para que o empregado usufrua destes benefícios, qual seja, a de que decida não receber o outro. Todavia, ambos os benefícios devem estar disponíveis a todos os trabalhadores, não devendo existir regras ou condições que obstem esse acesso, para que estejam isentos. 3.7. Quanto aos dirigentes da empresa, constatouse que os mesmos não foram contemplados com os benefícios de previdência privada complementar e da assistência médica. Assim, também neste aspecto, a empresa descumpriu os parâmetros legais exigidos para a exclusão, dos valores concedidos aos demais segurados, da base de incidência da contribuição previdenciária. 3.8. Desse modo, a previdência privada e a assistência médica não foram disponibilizadas a todos os segurados da empresa empregados e dirigentes não atendendo, portanto, o pressuposto legal da não incidência tributária, estes valores foram considerados como remuneração para fins de incidência das contribuições prevídenciárias . " Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO DA AFERIÇÃO Foram lançados por aferição indireta pagamentos de salários complementares não registrados na contabilidade, prestação de serviços de frete e prólabore. A recorrente discorda da aferição realizada alegando ter disponibilizado toda a documentação solicitada pela auditoria. Neste quesito não observou que o procedimento ocorreu não por falta de apresentação de documentos, mas pelo contrário justo pela apresentação de recibos que extrapolavam as folhas de pagamento normais, não integrando as mesmas, sendo constatado também que a contabilidade não registrou o pagamento destas remunerações. Desse modo, as bases de cálculo das contribuições previdenciária foram apuradas por meio de aferição indireta em todo o período das ocorrências na forma do registro do item 7 e subitens do Relatório Fiscal abaixo transcrito que , ressaltese , não fora efetivamente contestado pelo contribuinte : 7. Aferição Lançamento arbitrado 7.1. Durante a auditoria, ao serem examinados os documentos relacionados com as contribuições previdencíárias e Contratos de Prestação de Serviços, foram encontrados recibos de pagamento de salário a vários empregados, que extrapolam as folhas de pagamento normais, não integrando as mesmas, sendo constatado também que a contabilidade não registrou o pagamento destas remunerações. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 7.2. Desse modo, as bases de cálculo das contribuições previdenciárias serão apuradas por meio de aferição indireta em todo o período fiscalizado, em razão dos motivos relatados nos itens a seguir, revelando que a documentação examinada (folha de pagamento e contabilidade) não demonstra a remuneração real dos segurados. 7.3. Nas competências outubro, novembro e dezembro de 2003 foram apresentados pela empresa diversos recibos avulsos de pagamentos aos funcionários, anexos, relacionados no anexo IX. Estes empregados integram quase a totalidade dos professores contratados da matriz neste período. 7.4. Confrontados os recibos, que demonstram o pagamento de "salário complementar" (nomenclatura utilizada pela própria empresa em tais documentos), com as remunerações constantes das folhas de pagamento, constatouse que nenhum destes valores foi registrado. Para exemplificar, foram selecionados alguns segurados para estademonstração, conforme quadros abaixo. (..) 7.8. Concernente à Contabilidade da empresa, verificouse que os lançamentos são equivalentes às remunerações constantes das folhas de pagamento, não sendo identificados registros de outros valores pagos aos funcionários a título de salário. Logo, quaisquer pagamentos de salários não incluídos em folha de pagamento também estão fora dos registros contábeis da empresa. Abaixo, quadros com a escrituração das folhas de pagamento de 2003 (outubro a dezembro), cujos lançamentos eram feitos apenas do valor líquido a pagar, demonstrando que não há lançamentos contábeis de salários fora a folha 7.9. Então, os recursos aplicados nos pagamentos de salários sem registro em folha não possuem respá ldo contábil, ou seja, ingressaram de fato no "caixa real" da empresa, sem, contudo, terem sido lançados no "caixa contábil", levando a conclusão de que não apenas as despesas como também as receitas não foram completamente registradas. 7.10. Ao não refletir a situação real dos negócios da empresa, a escrituração contábil i fere, ainda, os princípios e convenções contábeis geralmente aceitos, conforme resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, e, por conseguinte, o disposto no artigo 177 da Lei 6.404, de 15/12/76, determinando que a escrita deve observar os preceitos da legislação comercial e os princípios contábeis geralmente aceitos. (..) 7.19. Desse modo, agindo a empresa no sentido de ocultar a realidade econômica, com dispêndio tributário mais oneroso, as remunerações dos segurados (empregados e contribuintes individuais) serão apuradas por aferição indireta, de modo a se atingir a realidade subjacente, da qual não se tem elemento certo de avaliação, em razão da omissão do sujeito passivo. Tal procedimento visa impedir o conluio entre as partes (empregador e empregado), em desproveito do fisco federal, e Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001467/200876 Acórdão n.º 2403002.910 S2C4T3 Fl. 8 13 encontra respaldo legal no artigo 148 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) : Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória. administrativa ou judicial 7.20. No mesmo sentido, assim dispõe a Lei 8.212/1991, nos parágrafos do artigo 33: Art.33. (..) §1 ° É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. § 2°A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. i § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 7.21. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o egurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as fo. malidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 7.22. Relativo à aferição da base de cálculo dos segurados empregados, usouse como parâmetro os valores constantes dos recibos (anexos) de pagamento do salário complementar, discriminados no anexo IX. Estes recibos, em comparação com a remuneração constante da folha de pagamento destes empregados, demonstram que seus salários reais representavam mais que o dobro de suas remunerações formalmente registradas (em média 131% superior à base de cálculo constante em folha de pagamento" Em razão da evidente procedência do lançamento, NEGO PROVIMENTO DO MÚTUO E DA MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Autuada,também, por prática de contrato de mútuo feneratício sem onerosidade aos beneficiários, em sede de recurso voluntário não guerreou tais lançamentos. Ademais não fez prova contrária à verdade constante nos autos e não acostou quaisquer documentos que servissem de base às suas afirmações. Cumpre ressaltar que , há mandamento expresso no art. 36 da Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório preceituando que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Face ao exposto, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não expressamente impugnada está PRECLUSA. DA PERÍCIA Em sede de impugnação o pedido fora negado em razão de, entre outros motivos, a então impugnante não ter nomeado o perito. No presente, ao indeferir o pleito, me valho da exegese do art. 18 do Decreto n. 70.235 /72 , em razão de considerar o pedido prescindível para o deslinde da questão: Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001467/200876 Acórdão n.º 2403002.910 S2C4T3 Fl. 9 15 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine" Em face do encimando, NEGO PROVIMENTO DA MULTA Relevante destacar que o lançamento constituiu créditos sobre fatos geradores ocorridos no período 01/10/2003 a 31/12/2004 Aduz que no Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls 36, no item, 601 – Acréscimos Legais da Multa, a multa moratória imputada se ateve ao comando previsto nos então vigentes incisos I, II e II do art. 35 da Lei n° 8.212/91: " 601 ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências: 1012003 a 1212003, 01/2004 a 13/2004 Lei n. 8 .212, de 24 .07.91 , art. 35 , I, li, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, 111, "a", "b" e c, parágrafos 6 . e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265 , de 29. 11.99)." DA NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N° 8.212 Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996verbis : “Art.35 . Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996” ( grifos do Relator) Eis que o caput e § 2º da Lei no 9.430/96 determina taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso limitada ao percentual da multa de vinte por cento, verbis: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...) Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Também incluído pela mesma Lei n 11.941, de 2009, o art. 35A apresenta nova determinação na sua implementação uma vez que o art. 44 a que se remete foi introduzido pela Lei n° 11.488, de 2007 , contemporânea e posterior , em parte, aos fatos geradores do presente lançamento. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.( Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ( Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) DA COMPARAÇÃO DOS ARTIGOS Tudo isto exposto, entendo que se deva verificar o resultado da aplicação do revogado art. 35 no qual se baseou o lançamento; o resultado do preceituado na nova redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941 e finalmente comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35A para então fazer prevalecer o menos gravoso na forma da lei. Definido pertinente o recálculo da multa, este se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” DA JURISPRUDÊNCIA NO STJ Alfim, apraz constatar que não estou solitário em tal convencimento na medida em que o entendimento acima desposado encontra amparo na jurisprudência pacífica do STJ cujos precedentes vêm consagrando tal convicção desde alhures , verbis: “PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – ART. 535 DO CPC – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO – EXECUÇÃO FISCAL – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL – AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO – MULTA DO ARTIGO 35, LEI N. 8.212/91 – APLICAÇÃO DE LEI MAIS BENÉFICA – PRECEDENTES. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida. 2. Não configurada a divergência suscitada, pois o recorrente não realizou o necessário cotejo analítico, bem como não apresentou, adequadamente, o dissídio jurisprudencial. 3. A multa do artigo 35 da Lei n. 8.212/91 deve ser aplicada com as alterações impostas pela nova legislação mais benéfica ao contribuinte. Princípio da retroatividade da lei mais benéfica. Precedentes. Agravo regimental parcialmente provido. (AgRg no Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001467/200876 Acórdão n.º 2403002.910 S2C4T3 Fl. 10 17 REsp 576.696/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/10/2009, DJe 21/10/2009)” ( grifos de minha autoria) “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA CDA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. DÉBITOS DA SEGURIDADE SOCIAL CONTRAÍDOS PELA SOCIEDADE. LEI 8.620/93, ART. 13. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPRETAÇÃO. MATÉRIA PACIFICADA NO ÂMBITO DA 1ª SEÇÃO. A ausência de debate, na instância recorrida, da matéria cuja violação se alega atrai a incidência da Súmula 282/STF. 2. A 1ª Seção do STJ, no julgamento do RESP 717.717/SP, Min. José Delgado, sessão de 28.09.2005, consagrou o entendimento de que, mesmo em se tratando de débitos para com a Seguridade Social, a responsabilidade pessoal dos sócios das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, prevista no art. 13 da Lei 8.620/93, só existe quando presentes as condições estabelecidas no art. 135, III do CTN. 3. Aplicase retroativamente a redução da multa moratória estabelecida pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação conferida pela Lei nº 9.528/97, por ser mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN), aos débitos objeto de execução fiscal não definitivamente encerrada, entendendose como tal aquela em que não foram ultimados os atos executivos destinados à satisfação da prestação. Precedentes: REsp 491242/RS, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ de 06.06.2005; EDcl no RESP 332.468/SP, 2ª Turma, Min. Castro Meira, DJ de 21.06.2004. 4. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 698.960/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/05/2006, DJ 18/05/2006, p. 185)” DA PENALIDADE MENOS SEVERA O artigo 106,II,“c”, do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Diante do motivos supra, CABE RECÁLCULO DA MULTA APLICADA. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para no MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que sejam afastados os créditos constituídos sobre as parcelas do PAT e se aplique multa de mora prevista no art. 35 da Lei n 8.212/912 na forma da redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 até a competência 11/2008. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2015 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 03/07/2015 por IVAC IR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/07/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001667/2001-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995
DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFICIO
Decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, a decadência pode ser reconhecida de ofício, independentemente da alegação do interessado.
Numero da decisão: 2101-001.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício à época da formalização.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator Ad Hoc designado.
EDITADO EM: 23/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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RECONHECIMENTO DE OFICIO Decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, a decadência pode ser reconhecida de ofício, independentemente da alegação do interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar de ofício a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício à época da formalização. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator Ad Hoc designado. EDITADO EM: 23/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 16 67 /2 00 1- 18 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Tratase de Recurso Voluntário que se insurge contra decisão da 4a. Turma de Julgamento de DRF de São Paulo II que manteve o Auto de Infração de efls. 04/05, demonstrativos de efls. 06 a 08, relativo ao IRPF do anocalendário de 1995, pela omissão de rendimentos e a glosa do imposto retido na fonte, diante da falta do assunção do ônus pelo contribuinte. Descrição dos fatos à efl. 05, relativa às seguintes infrações: 1. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho com vínculo empregatício, no valor de R$ 3.558,18, conforme confrontação de informações entre a fonte pagadora, a declaração original e a retificadora da contribuinte, tendo sido informado o valor de R$ 12.727,79, sendo o valor correto R$ 16.285,97. 2. Glosa do imposto retido na fonte pleiteado indevidamente, no valor de R$ 8.492,00. Houve pleito, em sua declaração retificadora, da restituição de R$ 10.552,00. De acordo com informação prestada pela fonte pagadora e pela própria autuada, não foi efetuada a retenção relativa à indenização pelo PDV, no valor de R$ 8.492,00. O valor correto do imposto retido na fonte é, portanto, de R$ 2.060,00, valor este informado na declaração de rendimentos original da contribuinte. A decisão recorrida (efls. 78 a 81) manteve a exigência da omissão dos rendimentos pela falta de contestação deste item. Manteve a exigência sobre a compensação indevida do imposto retido na fonte sobre os rendimentos recebidos pela adesão a Plano de Demissão Voluntária, em razão de o pagamento da fonte pagadora ter sido feito sem retenção do imposto de renda na fonte. Nas razões de recurso (efls. 90/91), a recorrente insiste em seu direito de compensar e restituir o imposto de renda retido na fonte pela fonte pagadora, decorrente das verbas trabalhistas do PDV. Em 15 de março de 2011, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por unanimidade de votos, declarar de ofício a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Entretanto, o Conselheiro Relator deixou o Colegiado sem que tivesse formalizado o referido Acórdão. Assim, foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Redator Ad Hoc Heitor de Souza Lima Junior O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser recebido. A Recorrente não alega a decadência, mas esta deve ser reconhecida de oficio por se tratar de norma de ordem pública. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13855.001667/200118 Acórdão n.º 2101001.016 S2C1T1 Fl. 98 3 Pois bem, cuidase da exigência do IRPF, do anocalendário de 1995, objeto de lançamento por homologação, cujo fato gerador se completou e se consumou em 31.12.1995. Houve antecipação do imposto, conforme se verifica através das DIRPFs de efls. 09 a 16. Assim, na forma do art. 150, §4o. da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), o prazo decadencial teve inicio em 01.01.1996 e o fisco tinha até o dia 31.12.2000 para realizar o lançamento. Porém, a notificação do lançamento ocorreu somente em 21.12.2001 (efl. 74), quando já decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento, sendo de se reconhecer de ofício a decadência, para extinguir o mencionado crédito tributário. Caso vencido nesta preliminar, no mérito, pelo que consta dos autos, noto que a Recorrente recebeu rendimento do PDV, sem retenção na fonte. Após a entrega da declaração de rendimentos a fonte pagadora corrigiu seu erro, faz a retenção e pagou o imposto que deixou de ser retido na fonte da autuada. A Recorrente sustenta que foi orientada pela fiscalização a pedir restituição do valor pago pela fonte pagadora, com isso fez a retificação da declaração para compensar e restituir o valor pago pela fonte pagadora. A decisão recorrida, sem contrariedade, consigna que o valor da indenização por adesão ao PDV recebido pela contribuinte não compôs a base de cálculo do imposto apurado na DIRPF/1996. Correta a decisão recorrida a propósito, se não alcançada pela decadência, uma vez que o contribuinte não pode compensar o imposto de renda pago pela fonte pagadora se não sofreu o ônus da retenção e se os rendimentos (da retenção) não integraram a base de cálculo do imposto. No mais, a exigência objeto da autuação decorre da declaração de ajuste inexata do contribuinte e de seu pedido de restituição de imposto indevido. Ante o exposto, reconheço de ofício a decadência para reformar a decisão recorrida, dar provimento ao recurso e cancelar a autuação. É como voto. Redator AdHoc Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000026/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
NORMAS PROCEDIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA.
Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3102-01.284
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 NORMAS PROCEDIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA. Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido.
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CONCOMITÂNCIA. Em consonância com a Súmula 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, em face da concomitância. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes Filho e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 00 26 /2 00 9- 98 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Por bem resumir os autos até a fase respectiva, peço vênia para integrar ao presente ato o relato empreendido pela 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP no julgamento da manifestação de inconformidade de inconformidade do contribuinte epigrafado: Trata o presente de indeferimento de pedido de ressarcimento do crédito presumido, em razão do contribuinte ter exportado produtos classificados na TIPI como NT (nãotributados pelo IPI). A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando que a lei não vedaria tal incentivo no caso de suas exportações, conforme doutrina e julgados que cita, bem como defende o direito de compor o crédito com aquisições de insumos de pessoas não contribuintes do PIS e da COFINS e a correção monetárias dos valores a serem ressarcidos. Encerrou requerendo diligências que possam aferir seu processo produtivo. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, pelos motivos bem retratados na ementa do julgamento, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000026/200998 Acórdão n.º 3102001.284 S3C1T2 Fl. 236 3 INDEFERIMENTO. , Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese; por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado quanto a decisão a quo, o contribuinte manejou competente recurso voluntário, pelo qual basicamente reitera os seus argumentos já expostos por ocasião da sua manifestação de inconformidade, quais sejam: a necessidade da inclusão da receita relacionada à exportação de produtos classificados na TIPI como NT – não tributados – no cálculo do crédito presumido de que trata da Lei n º 9.363/96, ao argumento de que a legislação haveria eleito como destinatário dos créditos o produtor e exportador de mercadorias nacionais, não tendo ela feito qualquer menção a necessidade dessas serem tributadas pelo IPI; a necessidade da inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas igualmente no cálculo do crédito em pauta, sob a alegação de que o regime jurídico do crédito presumido visa desonerar o peso das contribuição ao PIS e da Cofins de toda a cadeia produtiva, em nenhum momento tendo disposto quanto ao ônus imediato sobre o insumo; a correção dos créditos pela taxa Selic. Antes de iniciado o julgamento, por ocasião da sessão, chegou às mãos dos conselheiros, por meio do patrono, Acórdão proferido em sede de Reexame Necessário em Mandado de Segurança impetrado pela empresa (Processo n º 001058190.2008.404.7002/PR), que trataria de matéria idêntica a versada nos autos. Os documentos foram juntados aos autos às fls. 218 a 234. Em face do encerramento do mandato do Conselheiro Relator e da não formalização do acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório, no essencial. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, redator designado. O recurso voluntário atende aos seus pressupostos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta 3a. Seção. Conforme retratado na parte final do relato, o patrono da Recorrente noticiou que o tema que deveria ser debatido no curso dos autos é alvo de debate judicial em sede de Mandado de Segurança, cuja transcrição de parte da ementa do julgamento nos autos do Reexame Necessário n º 001058190.2008.404.70002/PR já é suficiente a elucidar propugnada identidade: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. COFINS. LEI Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 N. 9.363/96. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA JUNTO A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO FINAL NÃO TRIBUTADO. IN/SRF 23/97. PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. ART. 24 DA LEI 11.457/2007. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. ÓBICE DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. FIXAÇÃO DE MULTA. APÓS DESCUMPRIMENTO DA ORDEM JUDICIAL. Nos termos da Súmula CARF n º 1, : “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”. Atento aos termos do Acórdão trazido aos autos pelo patrono da parte antes do início do julgamento, que versa sobre tema idêntico ao que seria tratado no mérito do presente recurso, resta este Colegiado impedido de examinar o tema. Isto posto, não conheço do recurso, em face da concomitância entre esta via administrativa e a judicial. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Redator Designado. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10074.001255/2010-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 28/11/2007 a 03/05/2010
REVISÃO ADUANEIRA. MERCADORIA OBJETO DE CONFERÊNCIA ADUANEIRA.
Não há óbice na legislação de regência para que a autoridade proceda à revisão aduaneira das informações prestadas na declaração de importação, ainda que esta tenha sido objeto de conferência aduaneira por ocasião do desembaraço das mercadorias. O desembaraço aduaneiro não está caracterizado na legislação como procedimento que homologa o lançamento, sendo legítima a atividade de reexame do despacho de importação.
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. CABIMENTO.
A regra geral é que as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento. Há que restar demonstrado, no lançamento, que as mercadorias importadas estavam sujeitas a controle administrativo por ocasião do respectivo despacho. Demonstrado esse fato no curso da fiscalização, cabível a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações.
MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
A multa por erro de classificação fiscal deve ser calculada sobre o valor aduaneiro informado na declaração de importação. Havendo divergência entre esse valor e a base de cálculo utilizada pela fiscalização para a quantificação dessa multa, a parcela excedente deve ser exonerada por violar o conceito de valor aduaneiro.
Numero da decisão: 3201-001.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar as diferenças de base de cálculo conforme planilha constante do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDINO - Relator
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar o acórdão
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Moraes Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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E SERV. LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/11/2007 a 03/05/2010 REVISÃO ADUANEIRA. MERCADORIA OBJETO DE CONFERÊNCIA ADUANEIRA. Não há óbice na legislação de regência para que a autoridade proceda à revisão aduaneira das informações prestadas na declaração de importação, ainda que esta tenha sido objeto de conferência aduaneira por ocasião do desembaraço das mercadorias. O desembaraço aduaneiro não está caracterizado na legislação como procedimento que homologa o lançamento, sendo legítima a atividade de reexame do despacho de importação. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. CABIMENTO. A regra geral é que as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento. Há que restar demonstrado, no lançamento, que as mercadorias importadas estavam sujeitas a controle administrativo por ocasião do respectivo despacho. Demonstrado esse fato no curso da fiscalização, cabível a aplicação da multa por infração ao controle administrativo das importações. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A multa por erro de classificação fiscal deve ser calculada sobre o valor aduaneiro informado na declaração de importação. Havendo divergência entre esse valor e a base de cálculo utilizada pela fiscalização para a quantificação dessa multa, a parcela excedente deve ser exonerada por violar o conceito de valor aduaneiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 12 55 /2 01 0- 60 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 822 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exonerar as diferenças de base de cálculo conforme planilha constante do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente. DANIEL MARIZ GUDINO Relator CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Moraes Pereira, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que o Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. Tratase de recurso voluntário interposto por Wellstream do Brasil Indústria e Serviços Ltda., doravante referida apenas como Recorrente, em razão da decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), que julgou parcialmente procedente a sua impugnação, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0723.896, de 15/04/2011: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/11/2007 a 03/05/2010 REVISÃO ADUANEIRA. MERCADORIA OBJETO DE CONFERÊNCIA ADUANEIRA. Não há óbice na legislação de regência para que a autoridade proceda à revisão aduaneira das informações prestadas na declaração de importação, ainda que esta tenha sido objeto de conferência aduaneira por ocasião do desembaraço das mercadorias. O desembaraço aduaneiro não está caracterizado na legislação como procedimento que homologa o lançamento, sendo legítima a atividade de reexame do despacho de importação. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. A regra geral é que as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento. Há que restar demonstrado, no lançamento, Fl. 822DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 823 3 que as mercadorias importadas estavam sujeitas a controle administrativo por ocasião do respectivo despacho. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como a parcela exonerada pela decisão recorrida foi superior ao valor previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, o presidente do colegiado interpôs o recurso de ofício cabível, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, in verbis: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 25.476.902, 89, referentes a imposto de importação, a imposto sobre produtos industrializados, a contribuição PIS/PASEP – importação, a contribuição COFINS – importação, a juros de mora (calculados até 30/07/2010), a multa proporcional (75%), a multa regulamentar por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do MERCOSUL – NCM (1%), a multa por importação desamparada de guia ou documento equivalente, em razão da reclassificação das mercadorias importadas e, multa por prestar informação inexata – vinculação entre importador e exportador (1%). A interessada por meio das declarações de importação (DI’s) indicadas nas planilhas de folhas 196 a 202 – verso (do Anexo I) submeteu a despacho diversas mercadorias entre as quais: a) Fita filamentosa de alta resistência reforçada 890 Glass, classificando no código NCM 3901.20.19; b) Fita sintética de base poliéster, classificando nos códigos NCM 3901.20.19 e 5906.99.00; c) Lona de plástico 28 FT ou lona Tarpulin 28 FT, classificando no código NCM 6306.19.90; d) Fita de aço – ou Fita em aço inoxidável , classificando no código NCM 7220.20.10 e 7220.90.00. No “Relatório de Fiscalização Anexo ao Auto de Infração” (fls. 142 a 181), a fiscalização informa que no curso do procedimento de revisão aduaneira das declarações de importação a interessada apresentou esclarecimentos e documentos que demonstram que, para as mercadorias acima listadas, ocorreu erro na classificação fiscal por ocasião das declarações de importação: A mercadoria “Fita filamentosa de alta resistência reforçada 890 Glass” se trata de fita autoadesiva, composta de material plástico, reforçada com filamentos de fibra de vidro, fornecida em rolos de 103 mm de largura. Com base nestas informações, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e, nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (e Fl. 823DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 824 4 Regras Gerais Complementares), a fiscalização concluiu que as mercadorias não podem ser classificadas no código da NCM declarado pela interessada, devendo as mesmas serem reclassificadas para o código NCM 3919.92.00; A mercadoria “Fita sintética de base poliéster” se trata de fita composta de material plástico, poliamida (PA11), fornecida em rolos de 103 mm de largura. Com base nestas informações, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e, nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (e Regras Gerais Complementares), a fiscalização concluiu que as mercadorias não podem ser classificadas no código da NCM declarado pela interessada, devendo as mesmas serem reclassificadas para o código NCM 3920.90.90; A mercadoria “Lona de plástico 28 FT” é composta de vinil (cloreto de polivinila – PVC), revestido com material de poliéster, fornecido em carretéis de 28 pés. Com base nestas informações, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e, nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (e Regras Gerais Complementares), a fiscalização concluiu que as mercadorias não podem ser classificadas no código da NCM declarado pela interessada, devendo as mesmas serem reclassificadas para o código NCM 3926.90.90; A mercadoria “Fita em aço” se trata de mercadoria inoxidável austenítico, tratado termicamente, adicionado de ligas, laminadas “a quente” ou “a quente e a frio”. Com base nestas informações, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e, nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (e Regras Gerais Complementares), a fiscalização concluiu que as mercadorias não podem ser classificadas no código da NCM declarado pela interessada, devendo: as mercadorias que sofreram laminação “a quente e a frio” serem reclassificadas para o código NCM 7220.90.00; as mercadorias com espessura inferior ou igual a 1,5 mm serem reclassificadas para o código NCM 7220.12.10; as mercadorias com espessura superior a 1,5 mm, mas inferior ou igual a 3 mm, serem reclassificadas para o código NCM 7220.12.20; Como se pode observar, as mercadorias importadas foram agrupadas pela fiscalização em 04 grupos distintos, cujas regras para classificação fiscal adotada, bem como motivos e citação das respectivas notas explicativas relativas a cada grupo encontramse devidamente apresentados no “Relatório de Fiscalização Anexo ao Auto de Infração” às folhas 142 a 181 dos autos. Tendo em vista diferença de alíquota nos impostos, prevista para os códigos das NCM’s consideradas corretas, e mudança na base de cálculo das contribuições e do IPI, a fiscalização lançou a diferença dos tributos e respectivos consectários, aplicou também multa por considerar a importação desamparada de guia ou documento equivalente. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 825 5 Foi aplicada ainda a multa (1% do valor aduaneiro) por ter sido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do MERCOSUL e a multa (1% do valor aduaneiro) por não ter sido apresentada nas declarações de importação listadas na planilha de folhas 202 do Anexo I, pela interessada, a informação de que existe vínculo entre importador e exportador, dado que a WELLSTREAM INTERNATIONAL LIMITED possui 99,99% das quotas da fiscalizada. Cientificada, a interessada apresentou impugnação de folhas 189 a 225, anexando os documentos de folhas 226 a 382. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, o auto de infração está relacionado à (sic) fatos geradores ocorridos entre 11/2007 e 05/2010, porém, para fins de aplicação da multa por falta de guia (licença de importação) a fiscalização invoca os Comunicados DECEX nº 19/1996 e 01/1997, (sic) Ocorre que o Comunicado DECEX nº 19/1996 foi revogado pelo Comunicado DECEX nº 01/1997 em 23/01/1997, que por sua vez foi revogado pelo Comunicado DECEX nº 12/1997 em 14/05/1997. Tal situação afronta o disposto nos artigos 142 e 144 do CTN e o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Não cabe à interessada “adivinhar” a matéria envolvida na autuação, não se sabe qual o real fundamento da exigência, a interessada não sabe como se defender de alegações baseadas em legislação que não vigia durante o período fiscalizado; Que, o fato é que as mercadorias importadas pela impugnante não demandavam a apresentação de licença de importação. A regra gera (sic) aplicável às importações brasileiras é a da dispensa do licenciamento. As mercadorias importadas não se enquadram entre aquelas sujeitas a licenciamento, conforme lista disponibilizada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC. Ademais, ao caso é aplicável o disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/1997; Que, as divergências na classificação fiscal dos produtos importados não impedem a sua correta identificação, ao revés, a classificação fiscal utilizada pela impugnante constante da sua declaração de importação se comparada com a classificação fiscal indicada pelo Fisco resulta em diferenças técnicas que não frustram a identificação do produto objeto da importação; Que, o lançamento dos autos configura mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco por ocasião dos desembaraços das mercadorias. Se havia erro de classificação fiscal por ocasião do registro das declarações de importação, o Fisco não deveria ter consentido com o desembaraço das mercadorias, não podendo, em momento posterior, adotar entendimento contraditório. O desembaraço aduaneiro constitui a homologação expressa do lançamento efetuado pelo contribuinte. Ocorre violação aos princípios da segurança jurídica e confiança legítima do contribuinte. Traz jurisprudência; Fl. 825DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 826 6 Que, em alguns casos (lista fls. 244 e 245) o montante atribuído pelo AuditorFiscal é divergente daquele estabelecido na legislação; Requer seja reconhecida a nulidade do auto de infração por ausência de fundamento legal e cerceamento de defesa e, no mérito, seja julgada procedente a impugnação. O recurso de ofício restringese à exoneração da multa por falta de licenciamento, pois, segundo decidido, o auto de infração não comprovou que a classificação fiscal aplicada pela fiscalização exigia licenciamento à época dos fatos. Quanto ao recurso voluntário, na parte do lançamento que foi mantida, a Recorrente insurgese pelos mesmos fundamentos já apreciados em sua defesa inaugural. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro. Em 29/01/2013, a composição antiga deste colegiado decidiu converter o julgamento dos recursos em diligência, a fim de confirmar se a classificação fiscal imposta pela fiscalização estava sujeita ao licenciamento à época dos fatos. A resolução dessa diligência recebeu o nº 3201000.354. A referida diligência foi cumprida de forma sucinta, conforme se verifica abaixo: Em atendimento à resolução 3201000.354 da 2a Câmara do CARF, tenho a esclarecer, de acordo com a informação constante da folha 178 do Relatório de Fiscalização presente no conjunto de documentos digitalizados denominados Volume 1 do processo em epígrafe, que os extratos que demonstram que as classificações fiscais objeto da autuação em questão encontravamse, à época das importações, sob tratamento administrativo e, consequentemente, sujeitas a licenciamento de importação, foram acostados às fls.172/174 do Anexo I dos autos, os quais, após a digitalização do processo, encontramse presentes às folhas 65/67 do conjunto de documentos denominado Volume A1V2. Os documentos indicados na resposta à diligência indicavam que as mercadorias importadas estavam sujeitas à licença do DECEX, na condição de órgão anuente. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Os recursos, de ofício e voluntário, atendem aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual devem ser conhecidos. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 827 7 O recurso de ofício foi interposto em razão de a instância a quo ter decidido que a multa por falta de guia de importação não seria cabível na medida em que a fiscalização não comprovou que mercadorias importadas estavam sujeitas a controle administrativo por ocasião do respectivo despacho. Essa questão já foi decidida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive em recente decisão da Câmara Superior, a saber: NORMAS TRIBUTÁRIAS. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. AUSÊNCIA DE PROVA DE QUE A MERCADORIA EFETIVAMENTE IMPORTADA ESTAVA SUBMETIDA A LICENCIAMENTO NÃOAUTOMÁTICO. DESCABIMENTO. A multa prevista no art. 526 II do Regulamento Aduaneiro baixado pelo Decreto 91.030/94 aplicase na hipótese de incorreta ou insuficiente descrição do produto na declaração de importação que impeça a verificação quanto a sua correta classificação fiscal, desde que a mercadoria efetivamente importada esteja submetida ao regime de licenciamento nãoautomático. Não tendo a fiscalização feito a prova dessa circunstância, incabível a manutenção de sua exigência. (Acórdão nº 9303001.908, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, Sessão de 08/03/2012) No caso concreto, o resultado da diligência aponta claramente para a prova feita pela fiscalização no sentido de demonstrar que as mercadorias importadas pela Recorrente, de acordo com a classificação tarifária correta, estavam sujeitas à licenciamento não automático, sendo o DECEX o órgão anuente responsável por esse licenciamento. Com efeito, o recurso de ofício deve ser provido. No tocante ao recurso voluntário, verificase o inconformismo da Recorrente quanto à mudança de critério jurídico adotado pela fiscalização. Isso porque, no seu entendimento, uma vez desembaraçadas as mercadorias importadas, a fiscalização já teria homologado as informações constantes nas respectivas declarações de importação. Além disso, a Recorrente entende que a fiscalização equivocouse ao aplicar a multa por erro de classificação fiscal prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 nas DI’s 10/06195167, 10/05407063, 10/03481169, 10/00911308, 09/04179960, 09/03541178, 09/03417337, 08/17385929, 08/15240494, 08/13830090 e 08/06994724. Sobre o primeiro aspecto, a decisão recorrida não merece reforma. De fato, o procedimento de revisão aduaneira não dá azo à mudança de critério jurídico. Se assim o fosse, o disposto no art. 54 do DecretoLei nº 37, de 1966 seria contraditório ao disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional, e isso não é verdade. Confirase: DecretoLei nº 37, de 1966 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo Fl. 827DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 828 8 importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Código Tributário Nacional Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. O fato de a fiscalização aduaneira jamais ter realizado procedimento de revisão aduaneira nas mercadorias importadas pela Recorrente não quer dizer que, se o fizer em uma determinada declaração de importação e discordar da classificação fiscal adotada pelo importador, estará modificando retroativamente o critério jurídico até então adotado. Convém ressaltar que a conferência aduaneira pode ocorrer de várias formas, conforme o canal de parametrização aplicado às mercadorias importadas: o verde dispensa qualquer conferência documental ou física; o amarelo exige a conferência documental; o vermelho exige a conferência documental e física; e o cinza desencadeia o procedimento especial para a verificação de operações irregulares. Assim, adotar a tese da Recorrente é admitir que a fiscalização aduaneira jamais poderá rever os seus atos, sem modificar o critério jurídico, ainda que tenha sido verde o canal de parametrização da conferência das mercadorias por ela importadas. Por óbvio, essa tese não pode prosperar. Apenas para que não paire dúvida acerca desse ponto, é oportuno transcrever alguns arestos do CARF: REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. (Acórdão nº 3202000.484, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, Sessão de 25/04/2012) ......................................................................................................... ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto Fl. 828DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 829 9 em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. Jose Luiz Novo Rossari, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). (Acórdão nº 3102000.798, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 27/10/2010) Com base nos precedentes transcritos acima, é de se concluir que a decisão recorrida não deve ser reformada nesse particular. No tocante à alegação de erro de cálculo da multa por descumprimento do controle administrativo das importações em determinados casos, assiste razão à Recorrente. O quadro abaixo demonstra claramente que, sem qualquer justificativa, a fiscalização considerou uma base de cálculo maior do que o valor aduaneiro considerado nos contratos de câmbio vinculados às declarações de importação. Confirase Tal conduta diverge do preceito contido no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, razão pela qual a pretensão recursal deve ser acolhida nesse particular. Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando a parcela da multa por erro de Fl. 829DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10074.001255/201060 Acórdão n.º 3201001.922 S3C2T1 Fl. 830 10 classificação fiscal que excede a 1% (um por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas tal informados nas respectivas declarações de importação. Daniel Mariz Gudiño Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização do acórdão Fl. 830DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/08/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/08/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 11042.000133/2004-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Período de apuração: 10/02/2004 a 05/10/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO DO JULGADO.
Constatada omissão, contradição ou obscuridade no julgamento do recurso de ofício, os embargos de declaração devem ser acolhidos para sanar o Acórdão.
Embargos acolhidos para sanar contradição do julgado.
Numero da decisão: 3102-000.877
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara/1ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para rerratificar o acórdão 3102-00010, de 25 de março de 2009. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: BEATRIZ VERISSIMO DE SENA
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