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Numero do processo: 11176.000117/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 28/02/2003, 01/04/2003 a 31/03/2004, 01/06/2004 a 31/10/2005
DECADÊNCIA - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
No caso de lançamento de ofício, como é o caso de Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN.
APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária
SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de Vale Transporte pagos em pecúnia, conforme Súmula nº 60, de 08/12/2011, da Advocacia Geral da União - AGU
MULTA APLICADA. RETROATIVIDADE
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Numero da decisão: 2301-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em excluir da autuação os valores relativos à ausência de informação sobre vale transporte em pecúnia, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Adriano Gonzáles Silvério Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/1999 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 28/02/2003, 01/04/2003 a 31/03/2004, 01/06/2004 a 31/10/2005 DECADÊNCIA - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso de lançamento de ofício, como é o caso de Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de Vale Transporte pagos em pecúnia, conforme Súmula nº 60, de 08/12/2011, da Advocacia Geral da União - AGU MULTA APLICADA. RETROATIVIDADE Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
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FATOS GERADORES Recorrente VIVO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 28/02/2003, 01/04/2003 a 31/03/2004, 01/06/2004 a 31/10/2005 DECADÊNCIA LANÇAMENTO DE OFÍCIO AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso de lançamento de ofício, como é o caso de Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de Vale Transporte pagos em pecúnia, conforme Súmula nº 60, de 08/12/2011, da Advocacia Geral da União AGU MULTA APLICADA. RETROATIVIDADE Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 01 17 /2 00 7- 82 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em excluir da autuação os valores relativos à ausência de informação sobre vale transporte em pecúnia, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Adriano Gonzáles Silvério – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11176.000117/200782 Acórdão n.º 2301003.613 S2C3T1 Fl. 589 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/12/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 36), a empresa não declarou, em GFIP's das competências de 04/99 a 09/02, 11/02 a 02/03, 04/03 a 03/04, 06/04 a 08/05, e 10/05, as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais autônomos por serviços prestados, lançadas na contabilidade da empresa em várias contas de fornecedores a pagar, bem como outros valores considerados pela fiscalização como sendo remuneração de segurados empregados, ali discriminados, além de valores pagos a título de patrocínio para o Clube Atlético Paranaense. A empresa autuada apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0620007, da 7a Turma da DRJ/CTA, (fls. 513), julgou a impugnação procedente em parte, excluindo, do cálculo da multa, os valores lançados até a competência 11/2000, inclusive, por decadência, e os valores referentes à "taxa negocial", tendo em vista que a NFLD que lançou a contribuição incidente sobre essa rubrica foi julgada improcedente. A autoridade julgadora esclarece, ainda, que apesar de a NFLD que lançou as contribuições sobre “Reembolso de despesas”, entre outras, ter sido julgada procedente em parte, com a exclusão da referida rubrica, o fato não altera o presente AI, visto que a parcela considerada indevida se refere aos valores apurados nas competências de 08/2000 a 11/2000, já excluída do cálculo da multa por decadência . Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls 552), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste no julgamento em conjunto com as NFLDs correspondentes às obrigações principais geradoras das obrigações acessórias ora recorridas. Insurgese contra o entendimento esposado no acórdão recorrido, de que as contribuições lançadas por meio da NFLD 37.046.9690 não foram utilizadas no cálculo da multa aplicada no AI em tela, argumentando a referida Notificação versa sobre supostas diferenças de contribuições, relativa à competência 11/2000. Requer a reforma da decisão em relação à decadência, a fim de que seja reconhecida a decadência das parcelas anteriores à dezembro de 2001, com a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, entendendo que não se apresenta legal e razoável a exigência de documentos referentes ao período temporal intangível à ação fiscal para constituição do crédito tributário através do presente auto de infração. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Conclui que os documento s que digam respeito ao período posterior àquele fulminado pela prescrição ou decadência não necessitam ser apresentados para a fiscalização, conforme art. 195, § único, do CTN Defende a redução da multa aplicada em razão da edição da MP 449/2008, com a aplicação do art. 32A, da Lei 8.212/91, em observância ao disposto no art. 106, do CTN, e insurgese contra o aumento do valor da multa por força da Portaria MPAS 119, de 18/04/2006, ou seja, em data posterior ao TIAD que intimou a apresentação de documentos, entendendo que deveria ser aplicada a penalidade pela não apresentação de documentos estabelecida antes da referida Portaria, ou seja, de R$ 6.361,73, vigente à época do TIAD. Qualifica de abusiva e extorsiva a multa aplicada e finaliza requerendo a reforma da decisão recorrida, com o julgamento de insubsistência do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11176.000117/200782 Acórdão n.º 2301003.613 S2C3T1 Fl. 590 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente requer a reforma da decisão em relação à decadência, a fim de que seja reconhecida a decadência das parcelas anteriores à dezembro de 2001, com a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, entendendo que não se apresenta legal e razoável a exigência de documentos referentes ao período temporal intangível à ação fiscal para constituição do crédito tributário através do presente auto de infração. Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual se a aplica o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 08/12/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu na mesma data. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências até 11/2000, inclusive. Para a competência 12/2000, a GFIP poderia ter sido apresentada em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Dessa forma, mantenho a decisão recorrida em relação à decadência. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Ainda em preliminar, a autuada requer o julgamento conjunto com NFLDs 37.046.9682, 37.046.9704, 37.046.9712, 37.046.9720 e 37.046.9739, que lançaram a contribuição cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI ora discutido. A recorrente alega que inexiste a obrigação principal e que, na sua ausência, não há que se falar em cumprimento de medida acessória. De fato, verificase que as contribuições cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela, foram lançadas por meio das NFLDs citadas. Em cumprimento à diligência determinada por esta Turma de Julgamento, foram apensados, a estes autos, os processos que discutem as referidas NFLDs. Constatase, da análise dos processos juntados, que apenas a NFLD 37.0469704, objeto do processo 11176000111/200713, será julgado em conjunto com o presente AI, pois os demais lançamentos ou já foram julgados, ou foram objetos de parcelamento. Passase, a seguir, à análise de cada lançamento correlato. NFLD 37.046.9720 (Processo 11176000109/200736) Lançamento de contribuições incidentes sobre remuneração de contribuintes individuais. A primeira instância administrativa já excluiu parte da multa relativa a esse lançamento. Em relação à parte remanescente do débito, verificase que a recorrente desistiu do recurso interposto contra a NFLD citada, parcelando a dívida, conforme manifestação de fls 223. Assim, mantémse a multa relativa à contribuição não excluída e não decadente pela regra do 173, I, do CTN, uma vez que a recorrente confessou a dívida, parcelando o débito não decadente. NFLD 37.046.9739 (Processo 11176000110/200761) Tratase de lançamento de contribuições incidentes sobre a rubrica intitulada "taxa negocial", Esse lançamento foi julgado improcedente pela primeira instância administrativa, e já foi devidamente excluído do cálculo da multa ora aplicada, conforme restou claramente consignado no Acórdão recorrido. Portanto, o pedido para que a referida NFLD fosse julgada por este CARF em conjunto com o presente AI restou prejudicado. NFLD 37.046.9704 (Processo 11176000111/200713) Tratase de processo apensado aos presentes autos para o julgamento em conjunto. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11176.000117/200782 Acórdão n.º 2301003.613 S2C3T1 Fl. 591 7 A contribuição lançada por meio da citada NFLD tem como fato gerador o pagamento de remuneração aos empregados por meio de premiações, na forma de produtos ou cartões magnéticos destinados a compras e saques. Da análise do referido processo, esta Relatora entendeu que o lançamento é procedente, devendo ser negado provimento ao recurso, conforme ementa transcrita a seguir: AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira lhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Portanto, concluise que, como os pagamentos feitos pela recorrente a título de premiação possuem natureza remuneratória e, nessa, condição, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, a sua não informação em GFIP constitui infração à legislação, devendo tais valores integrarem o calculo da penalidade aplicada no AI em tela. Portanto, mantêmse no calculo da multa os valores lançados por meio da NFLD 37.046.9704. NFLD 37.046.9682 (Processo 11176000112/200750) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Tratase de contribuição incidente sobre vale transporte pago em pecúnia. A recorrente parcelou o débito, desistindo integralmente do recurso interposto contra o referido lançamento. Porém, em que pese a desistência do recurso nos autos do processo que discutia a referida NFLD, nos termos da manifestação de 25/02/2010 (fls. 98), posteriormente foi editada a SÚMULA nº 60, em 08 /12 /2011, pela Advocacia Geral da União – AGU, que dispõe: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" . Considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que seja objeto de súmula da AGU, entendo que devam ser excluídos, do cálculo da multa, os valores relativos ao pagamento de ValeTransporte em pecúnia. É oportuno observar que a desistência e confissão da dívida se deu apenas nos autos cujo objeto é a obrigação principal, e não no processo que discute a obrigação acessória, como é o caso presente. NFLD 37.046.9712 (Processo 111760001162/200738) Tratase de lançamento de contribuições sobre patrocínio de clube de futebol. O recurso interposto contra o acórdão da DRJ/CTA já foi objeto de julgamento pela 2a Turma, da Terceira Câmara que, por maioria de votos, julgouo procedente em parte, reconhecendo a decadência até 11/2000, conforme acórdão 2301000635, de 22/09/2010, negando provimento às demais alegações da recorrente. Nesse sentido, entendo que devam ser mantidos, na penalidade aplicada, os valores lançados por meio da NFLD 37.046.9712, que não foram alcançados pela decadência do 173, I, do CTN. A recorrente insurgese, ainda, contra o entendimento esposado no acórdão recorrido em relação à NFLD 37.046.9690, alegando que a referida Notificação versa sobre supostas diferenças de contribuições, relativa à competência 11/2000. Porém, como bem observado pela autoridade julgadora de primeira instância, as contribuições lançadas por meio da citada NFLD não integraram o cálculo da penalidade aplicada objeto do AI em tela. Ademais, ainda que tivesse razão a recorrente, observase que a competência 11/2000 foi excluída do débito, por decadência, restando prejudicadas as alegações da autuada em relação a essa NFLD. Assim, por tudo que foi exposto, concluise que houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Fl. 595DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11176.000117/200782 Acórdão n.º 2301003.613 S2C3T1 Fl. 592 9 Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A recorrente insurgese contra o aumento do valor da multa pela Portaria MPAS 119, de 18/04/2006, entendendo que deveria ser aplicada a penalidade pela não apresentação de documentos estabelecida antes da referida Portaria, ou seja, de R$ 6.361,73, vigente à época do TIAD. Entretanto, é objeto do presente processo administrativo fiscal o AI por descumprimento da obrigação acessória de informar, por meio de GFIP, todas os fatos geradores da contribuição previdenciária, e não por não entrega de documentos, conforme entendeu de forma equivocada a recorrernte. E a multa aplicada não foi aquela informada pela recorrente e sim aquela apontada pela fiscalização no Relatório de Aplicação da Multa. A autuada deve demonstrar seu inconformismo quanto à multa corrigida pela citada portaria no processo que discute o AI lavrado por ter a empresa deixado de apresentar os documentos solicitados por meio de TIAD. A recorrente qualifica de abusiva e extorsiva a multa aplicada e finaliza requerendo a reforma da decisão recorrida, com o julgamento de insubsistência do Auto de Infração Entretanto, a fiscalização aplicou a multa em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento, que estabelecia que cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação é considerada uma ocorrência. Dessa forma, a multa imposta encontra amparo nos normativos legais citados nos Relatórios que integram o Auto de Infração, vigentes à época. No entanto, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, e para que se exclua, do cálculo da penalidade aplicada, os valores relativos à contribuição incidente sobre o vale transporte pago em pecúnia, por improcedência. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, Redator Designado Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11176.000117/200782 Acórdão n.º 2301003.613 S2C3T1 Fl. 593 11 Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para aplicar o disposto no artigo 32A, se mais benéfico ao contribuinte. Adriano Gonzáles Silvério Fl. 598DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 27/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 25/01/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001455/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO.
Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal.
CONTESTAÇÃO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-002.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não se conhecer de parte de recurso em face da preclusão. Na parte conhecida negar provimento ao recurso. Vencido conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votou pelo cerceamento do direito de defesa.
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eça, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTESTAÇÃO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito. Recurso Voluntário Negado
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ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. CONTESTAÇÃO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não se conhecer de parte de recurso em face da preclusão. Na parte conhecida negar provimento ao recurso. Vencido conselheiro Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que votou pelo cerceamento do direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 14 55 /2 00 9- 51 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eça, Winderley Morais Pereira, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da primeira instância. "Trata o presente processo de PER/DCOMP (pedido de ressarcimento e declarações de compensação) de créditos de Pis nãocumulativo protocolados pela empresa Unileite Laticínios Ltda, atualmente denominada Avipal S/A Alimentos, tendo em vista incorporação daquela empresa. De acordo com o Relatório denominado Auto de Infração, verificou a fiscalização as seguintes irregularidades: a) crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas de lenha (produto com origem vegetal) com utilização do percentual de 60%; b) crédito integral do frete sobre aquisições de leite de pessoas físicas; c) crédito sobre o valor do frete efetuado entre estabelecimentos da empresa. O direito creditório foi parcialmente reconhecido, sendo homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde alega preliminarmente ausência de motivação do Despacho Decisório, afirmando que esse não conteria as razões que levaram ao indeferimento parcial do direito creditório. Acredita que o crédito pleiteado teria sido devidamente comprovado." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11065.001455/200951 Acórdão n.º 3402002.222 S3C4T2 Fl. 247 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 INDEFERIMENTO. MOTIVAÇÃO. Incabível alegação de ausência de motivação quando o contribuinte foi cientificado de relatório elaborado pela Fiscalização com análise específica dos documentos, dos fatos ocorridos e da legislação aplicável, na mesma data do Despacho Decisório atacado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, alegando que a motivação deve integrar o despacho decisório, para ciência do contribuinte e não constar do relatório fiscal produzido em apartado. Diante destes fatos, pede a reforma da decisão, a fim de que seja dada vista à Recorrente do "relatório fiscal intitulado Auto de Infração", com a consequente reabertura do prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade. Quanto ao mérito, questiona o percentual de 35% adotado para o cálculo do crédito presumido, alegando que o percentual deve ser considerado pela origem do produto fabricado e não a origem dos produtos e insumos adquiridos. Reclama o direito integral ao crédito nas despesas referentes ao frete nas aquisições de leite de pessoas físicas e do frete decorrente do transporte entre o estabelecimento da Recorrente e o estabelecimento da empresa contratada para a realização de parte do processo industrial. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Inicialmente, por tratar de questão preliminar, merece análise a alegação que a motivação para as glosas realizadas no pedido de compensação não constarem do despacho decisório. Entendo não assistir razão a Recorrente. A Receita Federal realizou a auditoria de diversos pedidos de compensação apresentados pela Recorrente, controlados em processos administrativos diversos. O trabalho da auditoria concluiu pela glosa de créditos Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 pleiteados pela Recorrente, sendo as motivações detalhadas no relatório fiscal que consta do presente processo (fls. 72 a 81) e foi dado ciência da sua integralidade no Processo Administrativo Fiscal nº 11065.001456/200903. Diante deste fato, não há como prosperar a alegação de desconhecimento da motivação das glosas realizadas, pois, tomou conhecimento quando da ciência realizada no Processo Administrativo Fiscal nº 11065.001456/200903, tanto assim, que discute naquele processo o mérito das glosas. Firme nestes fatos, entendo, que foi dado conhecimento à Recorrente dos motivos da homologação parcial do pedido de compensação, não existindo nenhum vício no procedimento fiscal adotado, que seguiu plenamente as determinações constates do processo administrativo fiscal. Quanto ao mérito, a Recorrente optou, na manifestação de inconformidade, por alegar que não tinha conhecimento da motivação das glosas, alegando vicio na ciência do despacho decisório e não apresentou nenhum questionamento quanto ao mérito, se limitando a afirmar de forma genérica o direito ao crédito, conforme pode ser visto no trecho abaixo, extraído da Manifestação de Inconformidade (fls. 121 a 125). "3.2 Do mérito Os pedidos de ressarcimento são originários dos créditos não cumulativos de PIS/PASEP foram devidamente acompanhados dos documentos comprobatórios, sendo certo que a Recorrente faz jus a todo saldo pleiteado. Neste sentido, uma vez discutido e reconhecida comprovação dos créditos pleiteados, a compensação ora não homologada terá que ser revista, pois haverá saldo suficiente para sua homologação. Isto posto, em vista da comprovação da Recorrente pleiteia que o crédito não confirmado nos termos do Despacho Decisório seja reconhecido, garantindo saldo para as compensações executadas." O julgamento da primeira instância analisou as alegações quanto a irregularidade do despacho decisório e não se posicionou quanto ao mérito das glosas, visto não constar da manifestação de inconformidade, já que a alegação do direito creditório é genérica. Quando da interposição do recurso voluntário foram trazidas as mesmas alegações de vício na ciência do despacho decisório e diferente do que aconteceu na manifestação de inconformidade, a Recorrente apresenta alegações referentes ao mérito das glosas realizadas pela auditoria da Receita Federal. Conforme dito alhures, o contribuinte não questionou na manifestação de inconformidade às glosas , sendo apresentada uma afirmação genérica do direito creditório. Do recurso consta a alegação, que o questionamento genérico seria suficiente para abrir o contraditório quanto ao mérito das glosas. Entendo, que não assiste razão ao recurso. As alegações genéricas não são suficientes para abrir o contraditório, sendo necessário que o contribuinte conteste de forma expressa os entendimentos adotados pela Fisco. A alegação genérica de improcedência do trabalho fiscal não pode abrir um contraditório infinito. Para fugir desta situação é que o legislador exige para a abertura do contraditório a contestação Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11065.001455/200951 Acórdão n.º 3402002.222 S3C4T2 Fl. 248 5 expressa. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, deixa cristalino este posicionamento. “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer da parte do recurso referente ao mérito das glosas realizadas no trabalho de auditoria e na parte conhecida quanto as alegações de cerceamento do direito de defesa, negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009495/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Não havendo comprovação do imposto retido na fonte ou pago pelo sujeito passivo no curso ano-calendário, torna-se impossível seu aproveitamento na compensação do imposto apurado na declaração de ajuste anual
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
(Assinado digitalmente)
ALICE GRECCHI - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Atílio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Não havendo comprovação do imposto retido na fonte ou pago pelo sujeito passivo no curso ano-calendário, torna-se impossível seu aproveitamento na compensação do imposto apurado na declaração de ajuste anual Recurso Negado
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NÃO COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Não havendo comprovação do imposto retido na fonte ou pago pelo sujeito passivo no curso anocalendário, tornase impossível seu aproveitamento na compensação do imposto apurado na declaração de ajuste anual Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (Assinado digitalmente) ALICE GRECCHI Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Atílio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 94 95 /2 00 8- 71 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Tratase de processo de Autuação contra o contribuinte acima qualificado, conforme Notificação de Lançamento da fl. 04, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2006, anocalendário de 2005, em que o crédito tributário apurado foi de R$ 14.803,21 (quatorze mil, oitocentos e três reais e vinte e um centavos), incluído multa de ofício e juros de mora (fl. 06). O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatado pelo Fisco, Compensação Indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 11.744,19 (onze mil, setecentos e quarenta e quatro reais e dezenove centavos), referente a Fonte Pagadora Montepio dos Funcionários do Município de Porto Alegre, CNPJ nº 92.755.529/000133. À fl. 05 constou os dispositivos legais considerados adequados pela autoridade fiscal para dar amparo ao lançamento. Segundo o Fisco, o contribuinte declarou serviços prestados como autônomo no valor bruto de R$ 47.143,25 (quarenta e sete mil, cento e quarenta e três reais e vinte e cinco centavos), conforme recibo por ele anexado, no entanto, declara IRRF sem comprovação e nem relacionado em DIRF. O Recorrente foi cientificado da Notificação de Lançamento do IRPF em 16/07/2008 (fl. 09). Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação em 06/08/2008 (fls. 01/02) e juntou documentos (fls. 07 e 10/16). Em síntese, alegou que foi descontado da sua verba de representação, conforme Recibo de Pagamento de Autônomo – RPA, a importância de R$ 11.744,79, à título de Imposto de Renda Retido na Fonte. Aduziu que em razão da decretação de insolvência da fonte pagadora Montepio dos Funcionários do Município de Porto Alegre, perdeu o contato com novos administradores e responsáveis pela regularização e entrega dos documentos que confirmam a retenção, e por conseqüência, o recolhimento e repasse dos valores retidos à Receita Federal, através da competente guia DARF. Ratificou que efetivamente teve retido o valor de R$ 11.744,79, que foi indevidamente glosado. Sustentou que o processo de insolvência do Montepio tramita perante a 10ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, RS, e que na eventualidade de algum débito por parte do insolvente, deve haver habilitação como crédito de imposto junto à massa, mas para não prejudicar o contribuinte teve o desconto do imposto. A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte proferiu a seguinte decisão: Foi glosado o imposto de renda na fonte por falta de informação em DIRF pela fonte pagadora e falta de comprovação pelo contribuinte. Do imposto apurado na declaração de rendimentos, poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12, V). No entanto, o recibo de pagamento a autônomo RPA, juntado pelo contribuinte (Fl. 10), não é hábil a comprovar a retenção de imposto de renda na fonte, tendo em vista ser um documento assinado pelo próprio interessado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.009495/200871 Acórdão n.º 2102002.700 S2C1T2 Fl. 106 3 O contribuinte foi cientificado do Acórdão nº 1033.411, da 4ª Turma da DRJ/POA em 14/09/2011 (fl. 37). Sobreveio Recurso Administrativo em 27/09/2011 (fls. 40/43), que, em síntese, reprisou as alegações da impugnação. No mérito, ratificou que fazia parte da Diretoria do Montepio, o qual em janeiro de 2005, teve sua insolvência decretada. Aduziu que antes da decretação de insolvência, o Recorrente recebeu o valor de R$ 47.143,25 (quarenta e sete mil, cento e quarenta e três reais e vinte e cinco centavos), à título de verba de representação, e deste valor bruto, foi retido o valor de R$ 14.253,00 (quatorze mil, duzentos e cinqüenta e três reais) de Imposto de Renda Retido na Fonte e R$ 2.508,72 (dois mil, quinhentos e oito reais e setenta e dois centavos) ao INSS, restando o valor líquido de R$ 32.889,74 (trinta e dois mil, oitocentos e oitenta e nove reais e setenta e quatro centavos). Ainda, aduziu que em razão da insolvência judicial decretada, competia ao administrador da Massa Insolvente entregar a DIRF/2005, o que não ocorreu. Segundo o Recorrente, não ocorrendo a entrega da DIRF, competia a Receita Federal notificar a massa solvente para apresentar a guia de recolhimento, ou fiscalizar os documentos contáveis, a fim de constatar a existência de Créditos Federais, em razão da preferência de credores para quitação de Tributos Federais. Por fim, alegou que há dificuldade de acesso ao administrador da Massa, bem como que os dados fiscais da empresa insolvente são sigilosos, sendo impossível a obtenção das competentes cópias. Sustentou que o RPA acostado na impugnação é documento idôneo e comprova a efetiva retenção do Imposto de Renda, e afirma que é notório que o Montepio reteve e não entregou a DIRF/2005. Requereu o provimento do Recurso, bem como o cancelamento do lançamento fiscal. Juntou documentos (fls. 45/49 e 85/101). É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Dá análise do contexto probatório, é de ser confirmada a decisão de 1ª instância, por seus próprios fundamentos. Vislumbrase que, com a interposição do Recurso não foram acostados nenhum documento além dos que já haviam sido acostados na Impugnação, com o condão de modificar tal decisão. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Verificase que o único documento acostado pelo Recorrente, tanto na Impugnação quanto por ocasião do presente Recurso, no qual noticia a Retenção de Imposto de Renda na Fonte, no valor de R$ 11.744,79, é o Recibo de Pagamento a Autônomo – RPA. Tal documento acostado, é unilateral, pois emitido e assinado pelo próprio beneficiário, não sendo hábil a comprovar a retenção de imposto de renda na fonte. Ademais, nos autos não há Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte, fornecido pela Fonte pagadora em relação ao Montepio dos Funcionários do Município de Porto Alegre, (CNPJ nº 92.755.529/000133), e inclusive não foi entregue a DIRF/2005, na qual deveria constar a respectiva retenção. Portanto, não havendo comprovação do imposto retido na fonte, através de documento hábil, ou pago pelo sujeito passivo no curso anocalendário, tornase impossível seu aproveitamento na compensação do imposto apurado na declaração de ajuste anual. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso, e manter o crédito tributário apurado pelo Fisco. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001809/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CUSTOS E DESPESAS RATEADOS.
FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL INSUFICIENTE. Não prospera a exigência fiscal fundamentada na falta de comprovação de custos e despesas rateados entre empresas do mesmo grupo econômico se o sujeito passivo atende às intimações fiscais e a autoridade fiscal não exige, previamente ao lançamento, os esclarecimentos que reputa necessários para aferir a dedutibilidade dos valores apropriados.
Numero da decisão: 1101-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 CUSTOS E DESPESAS RATEADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL INSUFICIENTE. Não prospera a exigência fiscal fundamentada na falta de comprovação de custos e despesas rateados entre empresas do mesmo grupo econômico se o sujeito passivo atende às intimações fiscais e a autoridade fiscal não exige, previamente ao lançamento, os esclarecimentos que reputa necessários para aferir a dedutibilidade dos valores apropriados.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL INSUFICIENTE. Não prospera a exigência fiscal fundamentada na falta de comprovação de custos e despesas rateados entre empresas do mesmo grupo econômico se o sujeito passivo atende às intimações fiscais e a autoridade fiscal não exige, previamente ao lançamento, os esclarecimentos que reputa necessários para aferir a dedutibilidade dos valores apropriados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 18 09 /2 01 0- 31 Fl. 5383DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 3 2 Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Manoel Mota Fonseca. Fl. 5384DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório TERRITORIAL TRANSPORTES E EMPREENDIMENTOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 29/12/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 13.892.468,73. A autoridade fiscal constatou que a empresa autuada contabilizou como despesas valores provenientes de rateio de remuneração, férias, 13o e outro encargos de empregados do Expresso Santa Luzia Ltda e Expresso Luziense Ltda, e observou que este rateio foi conveniente para o grupo empresarial porque apenas a autuada apresentava lucro no anocalendário 2005. Intimada a comprovar os critérios de rateio, a empresa apresentou planilhas e um denominado Demonstrativo de Rateio. Porém, nesses Demonstrativos constam somente os valores a serem transferidos para a empresa fiscalizada. Não foi demonstrado o critério adotado, acompanhado da documentação que lhe dê suporte. A fiscal autuante aduz ser admissível o rateio de despesas administrativas (contabilidade, jurídico), se demonstrado que os serviços foram executados e que houve a efetividade dos dispêndios. Observa, porém, que neste caso sequer há desembolsos na quitação destes rateios, sendo as despesas contabilizadas em contrapartida a “Títulos a Pagar”, conta esta liquidada em contrapartida a contas de “Adiantamento a Fornecedores” e “Empréstimos”. Frente a tal contexto, a autoridade fiscal promoveu a glosa dos valores rateados por Expresso Santa Luzia e Expresso Luziense, os quais totalizaram R$ 17.927.524,74 no anocalendário 2005. Cientificada do lançamento em 29/12/2010, a contribuinte impugnou a exigência argüindo a nulidade do lançamento porque a Fiscalização dificultou sua defesa ao deixar de devolverlhe o Livro Diário e demais documentos ao final do procedimento fiscal, bem como em razão de irregularidades nas prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. No mérito, aduziu que o rateio de despesas é procedimento legítimo e que apresentou à Fiscalização os critérios de rateio e parâmetros utilizados. Mencionou que as empresas Expresso Santa Luzia Ltda e Expresso Luziense Ltda lhe transfeririam a operação de determinadas linhas de transporte coletivo de passageiros, sendo firmados contratos de rateio anexos, na medida em que a operação das linhas se fez com uso de veículos e empregados das empresas do grupo, conforme contratos de arrendamento anexos. Reportouse a outros documentos e circunstâncias que evidenciariam a necessidade e a efetividade dos dispêndios e esclareceu os procedimentos para pagamento das despesas. Requereu perícia indicando perito e formulando quesitos. O julgamento foi convertido em diligência porque verossímil e crível que a Impugnante tenha efetuado gastos com pessoal na operação dos serviços de transportes prestados em 2005 e que foi exíguo o tempo do procedimento fiscal tanto para análise mais criteriosa do Fisco como para esclarecimentos da Impugnante. Solicitouse análises no intuito Fl. 5385DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 5 4 de apurar, dentre as despesas com pessoal (oriundas do alegado rateio) contabilizadas e glosadas pelo Fisco, se há e em qual medida custo ou despesa própria da Impugnante dedutível na determinação do IRPJ e da CSLL, obedecidas as demais condições de dedutibilidade. No curso da diligência, frente aos esclarecimentos prestados, a autoridade fiscal concluiu a Territorial foi criada somente para burlar a licitação do DERMG e evitar o recolhimento de tributos das outras empresas do grupo em débito com o Fisco Federal, que passaram a recolher o mínimo exigido nos parcelamentos existentes. Constatou que o controle da mãodeobra, especialmente motoristas e cobradores, era efetuada pela chamada Guia de Operação – GO, porém, intimada, a contribuinte, alegando prescrição trabalhista, apresentou tais documentos apenas para os anoscalendário 2006 e 2007, além de fornecer a folha de pagamento e controle de ponto referente aos períodos de 2005 a 2007. Portanto, não apresentou as guias de operação referentes ao ano de 2005. Também não apresentou a relação da utilização da mãodeobra com valores repassados às empresas cedentes. Não houve nenhum esforço para demonstrar claramente a utilização da mãodeobra não pertencentes ao quadro da Territorial. A autoridade fiscal observa que depois de muita insistência e de várias intimações, a empresa apresenta um “Quadro Demonstrativo de Funcionários Necessários na Operação das Linhas de Transportes da Territorial Transp. Empreendimentos Ltda”, embora com alguns equívocos, e posteriormente apresenta os critérios utilizados em sua elaboração. Além disso, prestou informações que evidenciam o fato de as empresas Expresso Santa Luzia e Expresso Luziense permanecerem em atividades, muito embora 86% dos custos administrativos desta última tenham sido rateados em favor da autuada. Não dispondo das Guias de Operação, a autoridade fiscal teve em conta a quantidade de funcionários necessários para exercício das atividades da autuada, indicada no demonstrativo que lhe foi fornecido, e tendo em conta alguns ajustes, identificou os critérios de rateio admissíveis a partir de duas formas de cálculo, e determinou dois limites de dedução das despesas rateadas. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte complementou suas razões de defesa justificando divergências apontadas pela Fiscalização, apresentando planilhas comprobatórias dos rateios promovidos, e observando que a comparação dos valores das despesas incorridas e das receitas auferidas por Expresso Santa Luzia e Expresso Luziense evidencia a desproporção entre estes valores, e a validade do rateio daquelas despesas em favor da autuada. A Turma Julgadora rejeitou a preliminar de nulidade por vício nas prorrogações do MPF, bem como afastou a argüição de cerceamento ao direito de defesa, na medida em que o lançamento foi formalizado com observância de todos os requisitos formais, e a conversão do julgamento em diligência permitiu que a contribuinte apresentasse ou esclarecesse qual foi efetivamente o sistema de controle da sua mãodeobra direta. No mérito, o voto condutor da decisão recorrida aborda a possibilidade de rateio de despesas e a necessidade de sua comprovação, destacando que a contribuinte não disponibilizou ao Fisco os controles que permitiriam determinar quais seriam os valores fiscalmente dedutíveis, e expressa que: Fl. 5386DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 6 5 As diligências efetuadas após a autuação, o foram para garantia do princípio da verdade material, no intuito que a tributação incida com base nos fatos como se apresentam na realidade. O contribuinte somente tem direito à dedução fiscal das despesas com o pessoal que efetivamente trabalhou nas linhas de transportes intermunicipais por ele operadas, em razão de contrato com órgão público. Vale dizer que a mera transferência de custos ou despesas de outras empresas do mesmo grupo não os tornam dedutíveis. No entanto, considerando o fato contundente colocado pela defesa de que “ainda os ônibus não andam sozinhos”, pois necessitam de gente para guialos e mantêlos, como medida de justiça e atendendo ao princípio da verdade material (real), adota se, nesse voto, para determinação do montante da despesa transferida que seria dedutível, o critério utilizado na “INFORMAÇÃO FISCAL”, qual seja, o “da mão deobra necessária para operar as linhas de transporte intermunicipais transferidas à Territorial”, notadamente, arrimado nos Quadros “1, 2 e 7 a 9” (tais quadros e o método utilizado estão devidamente explicitados na informação fiscal e foram devidamente transcritos no relatório do voto). Rejeitou as alegações da interessada de que os cálculos não teriam em conta outros funcionários que não são motoristas e cobradores, na medida em que cabialhe demonstrar estas ocorrências, e ressaltou que o método utilizado foi o mais justo dentro do possível, vez que o próprio contribuinte não cumpriu o seu dever legal de manter em boa ordem e entregar à Fiscalização os apontamentos que evidenciassem toda a mãodeobra. Por tais razões, a glosa foi reduzida a R$ 7.486.830,07, exonerandose a exigência em montante superior ao fixado na Portaria MF nº 3/2008, motivo pelo qual a decisão foi submetida a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 27/05/2013 (fl. 5363/5364), a contribuinte postou recurso voluntário, tempestivamente, em 25/06/2013 (fls. 5365/5377). Preliminarmente reitera a argüição de nulidade do lançamento em virtude de irregularidades nas prorrogações do MPF e na substituição do auditor fiscal supervisor, asseverando que tais alterações não lhe foram cientificadas, causandolhe enorme dúvida acerca da correção da fiscalização. Entende que a falta de ciência daqueles atos acarreta a extinção do MPF em 05/11/2010, ensejando a nulidade do lançamento posteriormente formalizado. Reprisa suas alegações de mérito, acerca da transferência em seu favor de linhas de transporte coletivo de passageiros por Expresso Santa Luzia e Expresso Luziense, com autorização do órgão público responsável, e que neste contexto valeuse do permissivo legal, obedecendo padrões técnicos, para transferir para a Recorrente apenas os custos absolutamente necessários para operar as linhas de ônibus. Aponta erro na decisão recorrida ao afirmar que as folhas de pagamento e GFIP confeccionadas por Expresso Santa Luzia e Expresso Luziense foram escrituradas na recorrente, pois houve apenas rateio de custos e despesas. Opõese à afirmação de que o procedimento foi conveniente para o grupo em razão dos prejuízos verificados em Expresso Santa Luzia e Expresso Luziense, evidenciando a queda do faturamento de Expresso Santa Luzia e Expresso Luziense a partir de junho/2004, e a maior representatividade dos custos/despesas em relação às receitas que nelas passaram a se verificar. Acrescenta que desconsideradas as despesas glosadas, sua lucratividade passaria de a Fl. 5387DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 7 6 39,43%, ou 16,61% considerando o valor mantido na decisão recorrida, percentuais que desrespeitariam a lógica desta atividade. Diz ser absurda a alegação de que não houve critério objetivo no rateio, pois todos os funcionários transferidos para a Recorrente foram identificados e consta nos referidos cartões de ponto que estavam a serviço da Recorrente. Acrescenta que o fisco agiu com preguiça no estudo destes autos, produzindo o lançamento a fórcepes, com vistas a evitar a decadência. Desta forma, somente depois da autuação é que foram feitas diversas diligências para aperfeiçoamento do lançamento. Requer, assim, a reforma da decisão recorrida para anular o lançamento fiscal ou, no mérito, afastar integralmente a exigência fiscal, mantendose a exclusão já promovida pela decisão de 1a instância. Fl. 5388DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O exame dos autos evidencia que o procedimento fiscal para verificação do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário 2005 a 2007 teve início em 03/11/2010, por meio de intimação cientificada pessoalmente à contribuinte, na qual foram exigidos atos societários, arquivos contábeis em meio magnético e a disponibilização dos Livros Diário, Razão e LALUR na sede da empresa (fl. 02). Em 04/11/2010 a contribuinte apresentou os livros e os atos societários exigidos (fls. 03/16) e em 16/11/2010 foi lavrada nova intimação exigindo a apresentação dos critérios para o rateio das despesas de pessoal do grupo econômico contabilizadas na Territorial, juntando a documentação que suportou os lançamentos desses rateios, bem como a informação de quais contas foram utilizadas e o procedimento básico para a contabilização (fl. 17/18). Outra intimação de mesmo teor foi lavrada em 22/11/2010, mas agora especificando o prazo de 5 (cinco) dias úteis para apresentação das informações solicitadas (fls. 19). A contribuinte foi cientificada desta segunda intimação por via postal em 24/11/2010 (fl. 20). Em 06/12/2010 a contribuinte apresenta documentos que divide como referentes às empresas Expresso Santa Luzia e Expresso Luziense e Rodap Operadora de Transportes Ltda, esta última com ocorrências apenas a partir de outubro/2006. Quanto ao primeiro grupo, relacionou à fl. 21: Resumo Folha Pagamento período: Janeiro/2005 a Dezembro/2007 Resumo Provisão Férias/13o salário período: Janeiro/2005 a Dezembro/2007 Planilha de Rateio período: Janeiro/2005 a Dezembro/2007 Cópia de notas fiscais do plano de saúde período: Janeiro/2005 a Dezembro/2007 Cópia de notas fiscais do Vale Alimentação período: Janeiro/2005 a Dezembro/2007 À fl. 22 constam os seguintes esclarecimentos acerca do critério de rateio e da escrituração contábil: Os critérios adotados para o processamento do rateio obedeceu rigorosamente os padrões técnicos e legais, de forma que os custos rateados para a Territorial Transportes e Empreendimentos Ltda, foi absolutamente proporcional as horas trabalhadas, de forma que cada empresa arcou com os custos realmente incorridos em suas operações. Esclarecemos ainda que os lançamentos contábeis foram efetuados em regime de competência, nas contas abaixo relacionadas: Conta Contábil Descrição 3.11.01.01 Custo de Trafego [...] Fl. 5389DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 9 8 3.13.01.01 Custo de Manutenção [...] 3.19.01.01 Despesas Administrativas [...] Os documentos juntados correspondente a demonstrativos de rateio das folhas de pagamento mensais de Expresso Santa Luzia Ltda, acompanhados das correspondentes folhas de pagamento por departamento, planilhas de cálculo de provisão mensal de férias e de 13o salário por departamento, e das notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviço médico e de vale refeição (fls. 23/223). Na seqüência constam documentos semelhantes referentes à Expresso Luziense Ltda (fls. 224/425). Para melhor compreensão, reproduzse o demonstrativo de rateio apresentado para janeiro/2005, relativamente às operações em conjunto com Expresso Santa Luzia Ltda: A autoridade fiscal, então, junta aos autos do LALUR da contribuinte (fls. 426/454), bem como a DIPJ indicando a apuração de IRPJ e CSLL devidos no anocalendário 2005, liquidados mediante antecipações (fls. 455/494), e em 28/12/2010 lavra os autos de Fl. 5390DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 10 9 infração glosando as despesas que reputou não comprovadas no anocalendário 2005, no valor total de R$ 17.927.524,74. A contribuinte é cientificada por via postal em 29/12/2010, e o termo de fl. 494 indica que o encerramento da ação fiscal foi parcial, não registrando a devolução dos livros apresentados pela contribuinte. Como se vê, a contribuinte prestou os esclarecimentos que entendeu solicitados no prazo que lhe foi concedido. Apresentou cerca de 400 folhas de documentos como subsídio das despesas contabilizadas, acompanhados de demonstrativos dos valores rateados. A Fiscalização tem razão quando diz que nos demonstrativos constam somente os valores a serem transferidos para a empresa fiscalizada. De outro lado, porém, a contribuinte argumentara que o rateio foi absolutamente proporcional às horas trabalhadas, de modo que à autoridade fiscal incumbia exigir a apresentação dos documentos que identificassem quais empregados trabalharam para a contribuinte e por quantas horas. Vejase que a autoridade fiscal exigiu a apresentação dos critérios para o rateio das despesas de pessoal do grupo econômico contabilizadas na Territorial, juntando a documentação que suportou os lançamentos desses rateios, bem como a informação de quais contas foram utilizadas e o procedimento básico para a contabilização. Não exigiu, especificamente, os cálculos do rateio e a demonstração de suas variáveis. Para além disso, a própria autoridade fiscal reconhece a possibilidade de rateio das despesas se demonstrados que os serviços foram executados e que houve a efetividade dos dispêndios, mas não intimou a contribuinte a apresentar prova neste sentido. Ainda, conclui que não houve desembolsos na quitação destes rateios apenas porque não houve creditamento de conta Caixa e Bancos, desmerecendo registros em outras contas de passivos e ativos que podem representar a compensação de obrigações recíprocas entre empresas do mesmo grupo. Ao converter o julgamento em diligência, a autoridade julgadora de 1a instância consignou que: Primeiramente, não se pode deixar de evidenciar a necessidade da realização de diligências, até mesmo como forma de sanear um suposto cerceamento de defesa, aventado pela Impugnante. Isso porque, muito embora no curso do procedimento fiscal tenha sido o contribuinte regularmente intimado a esclarecer o critério de rateio adotado e a comprovar a efetividade das despesas glosadas pelo Fisco, verificase exíguo o tempo tanto para que, a contento, fossem prestados os esclarecimentos por parte do contribuinte quanto para que o Fisco efetuasse uma análise mais criteriosa da matéria envolvida no lançamento. Senão vejamos. [...] Por sua vez, tendo ocorrido a lavratura do Auto de Infração em 28/12/2010, o Fisco teve aproximadamente 22 dias para analisar os elementos trazidos aos autos em decorrência da resposta prestada pelo contribuinte. O procedimento fiscal demandaria mais tempo, tendo em vista que a matéria objeto do lançamento envolve critério de rateio de despesas que são necessárias à consecução das fontes de recursos da empresa, o que aumenta o seu grau de complexidade, principalmente, porque, em casos como esse que cuida de determinar custo de mãodeobra direta, fazse necessário um sistema de apontamentos, por meio do qual se verificaria qual foi custo/despesa da mãodeobra que efetivamente Fl. 5391DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 11 10 trabalhou nas linhas de ônibus operadas pelo contribuinte, por período (dia, semana, mês) e por quanto tempo (minutos, horas). [...] Frente aos contratos de rateio apresentados na impugnação, evidenciando que ele se daria por meio de imputação direta, atribuindo a cada participante a despesa com a mão deobra diretamente envolvida na operação das correspondentes linhas de ônibus, a autoridade julgadora de 1a instância vislumbrou evidências de despesas necessárias, e ante a ausência de vedação para rateios desta espécie, converteu o julgamento em diligência para apuração da dedutibilidade dos valores glosados, especialmente porque foi exíguo o tempo do procedimento fiscal tanto para análise mais criteriosa do Fisco como para esclarecimentos da Impugnante. Todavia, a conversão do julgamento em diligência verificase em 31/05/2011, e a conclusão das análises fiscais somente é cientificada à contribuinte em 08/03/2013 (fls. 5281/5296). Daí as alegações da recorrente no sentido de que o lançamento foi assim formalizado para evitar a decadência, e que somente depois da autuação é que foram feitas diversas diligências para aperfeiçoamento do lançamento. De fato, na medida em que a contribuinte apurou IRPJ e CSLL devidos e, segundo informações de sua DIPJ, liquidou estes débitos mediante antecipações verificadas ao longo do anocalendário 2005, sua apuração somente poderia ser questionada enquanto não homologada tacitamente na forma do art. 150, §4o do CTN, ou seja, até 31/12/2000, quando transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL em apuração anual (31/12/2005). É certo que o sujeito passivo está obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, na forma do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 – RIR/99. Todavia, a falta de apresentação das mencionadas Guias de Operação, porque no curso da diligência iniciada após o decurso do prazo decadencial, não autoriza a manutenção, nem mesmo em parte, da exigência fiscal formalizada sem a necessária investigação dos fatos ocorridos ao longo do anocalendário 2005. Na forma do art. 142 do CTN, o lançamento depende da verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, da determinação da matéria tributável, do cálculo do montante do tributo devido e da identificação do sujeito passivo, para aplicação da penalidade cabível. Sua formalização por meio de auto de infração, na forma do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, depende da descrição do fato e da indicação da disposição legal infringida e da penalidade aplicável, somente sendo possível glosar custos ou despesas por falta de comprovação, como fez a Fiscalização, se a contribuinte, regularmente intimada, deixar de apresentar os elementos exigidos. Na medida em que a contribuinte apresentou os elementos que lhe foram exigidos, e a autoridade fiscal não dispôs de tempo para analisálos e formalizar outros questionamentos à interessada, resta concluir que a acusação fiscal não dispõe de suporte material suficiente para sustentála. Evidenciado, assim, o vício material no lançamento em debate, e a impossibilidade de seu saneamento após o transcurso do prazo decadencial, a exigência Fl. 5392DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13609.001809/201031 Acórdão n.º 1101001.027 S1C1T1 Fl. 12 11 mostrase improcedente. Considerando que parte dela já foi cancelada em 1a instância, deve ser declarada a definitividade desta exoneração e excluída a parcela remanescente. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, de modo a extinguir por inteiro o crédito tributário lançado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 5393DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10855.910470/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 10 47 0/ 20 09 -2 2 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Inicialmente a interessada transmitiu em 10/01/2007 o PER/DCOMP eletrônico n° 11502.73684.100107.1.3.044604 (fls. 02/04), visando utilizar direito creditório fundado em pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 3373, onde consta: a) débito compensado IPI – Demais Produtos (exceto ME e EPP) código de receita 512301 Período de apuração: Dez / 2006; vencimento: 15/01/2007 principal: R$ 75.470,85; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 75.470,85. b) crédito utilizado: Valor Original do Crédito Inicial: R$ 106.258,54; Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 82.646,38 Crédito Atualizado: R$ 102.109,60 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 75.470,85; Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 61.085,27 Saldo do Crédito Original: R$ 21.561,11 A DRF Recife emitiu Despacho Decisório (fl. 5), onde não homologou a compensação, com a seguinte fundamentação: “Limite do crédito analisado, orrespondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 82.646,38. A partir das características do DARF discriminados no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 4 3 do contribuinte, não restando crédito dispionível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. .(...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 08/16, acompanhada dos documentos de fls. 17/73, na qual alega. em síntese, que: 1 promoveu a compensação de débito de IPI com crédito de IRPJ pago a maior; 2 a DIPJ/2006 comprova claramente que a Requerente apurou débito de IRPJ no 1º trimestre de 2005 menor que os DARF(s) pagos, o que gerou o crédito daquilo que foi recolhido a maior; 3 a negativa da Receita Federal se baseou em informações incorretas indicadas pela Requerente em DCTF e DIPJ, que foi retificada antes mesmo da emissão do despacho decisório em questão; 4 em 30/06/2006, apresentou DIPJ, informando que no 1º trimestre de 2005, teria apurado um débito de IRPJ no valor de R$ 350.188,38 (código de receita: 3373); 5 procedeu o pagamento desse valor em três quotas; 6 constatou que as suas declarações (DIPJ e DCTF) estariam incorretas, pois o IRPJ devido no 1º trimestre de 2005 seria de R$ 72.106,03; 7 considerando que pagou o valor total de R$ 354.273,91 (soma das três quotas), verificase que o valor pago a maior foi de R$ 282.167,88; 8 a Requerente procedeu a compensação de parte da guia DARF paga em 30/06/2005, que seria correspondente à terceira quota no valor de R$ 119.647,70, o qual é bastante inferior à quantia total que a Requerente pagou indevidamente e que teria como crédito; 9 a Requerente procedeu à retificação da sua DIPJ/2006 de modo a indicar o valor correto do IRPJ no 1º trimestre de 2005 que é de R$ 72.106,03 (fl. 57); 10 para ilustrar a situação, apresenta quadros/demonstrativos (fl. 11); 11 o crédito utilizado na presente declaração de compensação existe e é perfeitamente legítimo; 12 do crédito original de R$ 282.167,88, aproveitou a guia DARF de R$ 119.647,70, da qual compensou efetivamente o valor de R$ 106.258,54, que acrescido de juros SELIC, resultou no valor de R$ 131.374,23, correspondente ao débito de IRPJ que foi compensado; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 5 4 13 o entendimento da Receita Federal de que não haveria crédito decorreu apenas de um erro formal da Requerente que não compromete de forma alguma a existência do crédito, nem a regularidade da compensação efetuada; 14 no processo administrativo tributário impera o princípio da verdade material; 15 cita jurisprudência administrativa; 16 cita o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e o artigo 26 da IN SRF nº 600/2005 para requerer a homologação da compensação efetuada. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e homologação da compensação efetuada, bem como concessão de um prazo razoável para apresentação de mais documentos fiscais e contábeis para ratificar as suas razões. A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Se do confronto entre a DIPJ e a DCTF resultar valores de débitos informados a maior nesta última declaração, a falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, de que o erro de preenchimento se deu em relação à DCTF, impede o reconhecimento de direito creditório em relação aos pagamentos para os quais correspondam débitos regularmente declarados/confessados. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis dc compensação tributária. conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2005 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 6 5 Dessa decisão da qual tomou ciência em 10/09/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/10/2012, onde busca a reforma do acórdão da DRJ. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Por meio do PER/DCOMP n° 11502.73684.100107.1.3.044604, a Recorrente buscou a compensação de débitos de "Impostos sobre Produtos Industrializados IPI", no valor de R$ 8.621,59, com "Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ". A DRF não homologou a compensação por entender que o crédito alegado pela Recorrente já tinha sido integralmente utilizado para a compensação de outros tributos. A Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando a legalidade do crédito tributário. Para isso apresentou um rol de documentos, dentre os quais a DIPJ do anocalendário em questão, os DARF’s recolhidos e as DCTF’s apresentadas. A DRJ posicionouse no sentido de manter a decisão que não homologou a compensação, sob a fundamentação de que a DIPJ não teria, por si só, o condão de comprovar a existência do crédito. Não intimou a contribuinte a apresentar as provas que julgava necessárias a que o crédito fosse comprovado, nem efetuou qualquer diligência nesse sentido. Entendeu ainda que o direito de juntar novas provas estava precluso. Me permito discordar integralmente da decisão da DRJ. Quanto ao momento da apresentação das provas entendo que, seguindo a convicção do julgador que analisará as especificidades e complexidades de cada caso, as provas podem ser juntadas até o momento em que o processo for colocado em pauta, senão vejamos alguns julgados sobre o tema. A esse respeito: “(...) PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. (CARF – Ac. 240100135 – 1ª Turma – 4ª Câmara – 2ª Seção). E também: “QUESTÃO PROCESSUAL MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS PRECLUSÃO PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto nº. 70.235/72, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 8 7 com redação dada pela Lei nº. 9.532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade material. Recurso especial não conhecido. (CSRF – 3ª Turma Ac. Nº 40305210 – Processo 10814.008031/9875). Quanto a compensação também me permito discordar da DRJ. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. É necessário que ela seja cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., para que se busque a verdade material da Recorrente. Isto porque o que interessa é saber se no presente caso houve ou não recolhimento indevido ou a maior. O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados entre a DIPJ e a DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 9 8 de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica. A DIPJ alegada pelo contribuinte como matéria de prova está supostamente com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, entendo que a prova apresentada não é suficiente para a comprovação das alegações feitas. Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Ocorre que essa opção na presente sistemática de compensação não é facultada ao Contribuinte. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP, que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 10 9 apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento mencionou que a Contribuinte limitouse a apresentar um demonstrativo no corpo da impugnação e cópia da DIPJ e do LALUR, e que estes demonstrativos estariam desacompanhados de documentos comprobatórios dos valores ali indicados, pelo que não se poderia desconstituir a confissão do débito em DCTF. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo e em um determinado período de apuração e isto não pode resultar apenas da admissibilidade de um crédito na leitura da DCTF. Pode e deve o contribuinte fundamentar através de outros elementos, como livros Diário e Razão, balancetes do período e outros documentos que achar necessários de forma a dar suporte àquilo que consta declarado na DIPJ, a fim de comprovar seu direito creditório. A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Assim sendo, converto o presente julgamento em diligência ordenando a remessa dos presentes autos à unidade origem, a fim de que aquela unidade: a) intime o contribuinte a trazer aos autos os balancetes do período, memórias de cálculo e demais documentos contábeis ou fiscais que demonstrem a validade do crédito pleiteado, de forma a dar suporte adicional ao constante na DIPJ. b) verificar se o crédito arguido pela Recorrente não foi utilizado para a quitação de débito anterior; c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. A não comprovação suporte implicará no não reconhecimento do seu direito creditório com base no constante em DCTF. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.910470/200922 Resolução nº 1802000.416 S1TE02 Fl. 11 10 Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10875.908102/2009-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 81 02 /2 00 9- 86 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 75): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 82 e ss., alega que a cópia do Darf extraída da página da Receita Federal, por meio de certificação digital, seria prova da existência de crédito disponível para compensação. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10875.908102/200986 Acórdão n.º 3802002.062 S3TE02 Fl. 98 3 Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/03/2012 (fls. 80), interpondo recurso tempestivo em 29/03/2012 (fls. 93). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10875.908102/200986 Acórdão n.º 3802002.062 S3TE02 Fl. 99 5 O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13839.900651/2009-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
Numero da decisão: 3801-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 51 /2 00 9- 37 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900651/200937 Acórdão n.º 3801002.470 S3TE01 Fl. 118 2 Relatório A Contribuinte transmitiu em 13/01/2005 sua DCOMP compensando débito de PIS do período de apuração de dezembro/2004 com vencimento em 14/01/2005, com suposto crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior, referente ao período de apuração de setembro/2000, vencido e arrecadado em 13/10/2000. Uma vez eletronicamente confrontadas as informações, o pleito foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls., sob alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.”. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que seus créditos teriam origem em pagamentos realizados à maior decorrentes do estreitamento da base de cálculo da PIS e da COFINS em vista da possibilidade de exclusão das receitas oriundas da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, uma vez reconhecida a inscontitucionalidade do artigo 14, § 2°, inciso 1º, da Medida Provisória n.º 2.03724, atual Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 em sede de liminar concedida nos autos da ADIN n°. 2.3489, acostando aos autos planilha demonstrativa dos valores pagos. A DRJ de origem julgou improcedente a defesa apresentada, com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PIS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para vendas realizadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Tal isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Não existindo norma de desoneração aplicável, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900651/200937 Acórdão n.º 3801002.470 S3TE01 Fl. 119 3 Irresignada com o indeferimento de seu pleito, apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário, através do qual renova os argumentos utilizados em sede de Manifestação de Inconformidade, com as devidas atualizações legislativas concernentes ao tema e requerendo, por fim, a reforma da decisão recorrida e a homologação da compensação efetuada. É o que importa relatar. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900651/200937 Acórdão n.º 3801002.470 S3TE01 Fl. 120 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O Recurso é tempestivo e comporta os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Já é de conhecimento dessa turma o meu posicionamento acerca da impossibilidade de se tributar as vendas para a Zona Franca de Manaus pelas contribuições para o PIS e a COFINS, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que as equiparou às exportações. Contudo, merece exame preliminar a questão final abordada pelo acórdão recorrido, que diz respeito à comprovação do direito creditório alegado, senão vejamos: Registrese que, ainda que se admitisse a tese da contribuinte, não existem neste processo provas de que as referidas operações foram, de fato, operações destinadas à Zona Franca de Manaus nem comprovação, suportada por documentação contábil fiscal, da inclusão das receitas decorrentes dessas operações na base de cálculo do pagamento formador do apontado indébito. A contribuinte, limitouse a trazer aos autos, às fls. 10, planilha com mera menção de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Cofins e a informar que as notas fiscais de venda para a Zona Franca de Manaus encontramse à inteira disposição da Fiscalização, nada provando. Em que pese o fato deste Conselheiro compactuar com a tese meritória, há que se reconhecer, no entanto, que estamos diante de um pedido de compensação e que caberia ao contribuinte, no mínimo, demonstrar satisfatoriamente a origem de seu crédito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de documentos o valor e a origem do seu crédito. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900651/200937 Acórdão n.º 3801002.470 S3TE01 Fl. 121 5 Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral, a saber: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos tivessem sido carreadas aos autos. No caso em tela, a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possui o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Não sendo apresentadas provas das alegações através de documentação hábil há que se negar o pedido realizado. Ante o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.016144/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 20/03/2003 a 10/07/2003
PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. O pedido de parcelamento do principal e dos juros de mora constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, o que resulta na extinção do litígio no particular, por falta de objeto.
ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART 63. DA LEI 9.430/96. Para prevenção da decadência cabe ao Fisco o lançamento de auto de infração, sem multa de mora, dos créditos escriturados em cumprimento a ordem judicial.
Numero da decisão: 3302-002.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. Vencidos os Conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - RELATOR - Relator.
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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DESISTÊNCIA PARCIAL. O pedido de parcelamento do principal e dos juros de mora constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, o que resulta na extinção do litígio no particular, por falta de objeto. ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART 63. DA LEI 9.430/96. Para prevenção da decadência cabe ao Fisco o lançamento de auto de infração, sem multa de mora, dos créditos escriturados em cumprimento a ordem judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. Vencidos os Conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES RELATOR Relator. EDITADO EM: 23/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 61 44 /2 00 8- 19 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Salvador: Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima qualificado (fls.431/433 e Demonstrativos de fls. 424/430), através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$721.486,38, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando R$1.781.390,62, em razão de ser sido detectado, em procedimento de revisão interna – Malha PJ, nos anos calendários de 2003 e 2004, que a empresa não declarou em DCTF e tampouco recolheu os valores informados nas DIPJ relativos ao IPI, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.438/440. Consta no Termo de Verificação Fiscal que intimada a empresa a comprovar o recolhimento do IPI e entrega de DCTF e DIPJ informando os valores devidos de IPI, a empresa alegou que não apurou saldos devedores do IPI (fls.15/16). Às fls. 35/88 foram anexadas as cópias do Livro Registro de Apuração do IPI, tendo esclarecido às fls.18/19 que os saldos em aberto constantes da DIPJ foram compensados com créditos do próprio IPI, estes que tem origem em entradas isentas, não tributadas ou tributadas à alíquota zero, reconhecidos na Ação Judicial – Ordinária Declaratória, nos autos nº2000.70.00.0148170, que tramitou originariamente perante a 11ª Vara Federal de CuritibaPR (fls.89/97), petições e Recurso no Agravo Regimental interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN (fls. 98/199 e 355/363). Consta no termo de verificação que a fiscalização, analisando os documentos relativos à ação judicial solicitados junto a contribuinte (fls.402/404 e 405), juntados às fls.202/363 e 371/401 (volumes 1 e 2), constatou que a ação judicial não está encerrada, uma vez que o Recurso de Agravo Regimental – Recurso Extraordinário nº382.440, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, encontrase sobrestado, aguardando o julgamento dos Recursos Extraordinários nº350.446, 370.682 e 353.657, (extrato de acompanhamento processual de fls.364/365, sendo que este último, teve decisão desfavorável ao contribuinte, de que “não há qualquer direito a crédito nas aquisições de insumos tributados à alíquota zero ou não tributados”. O lançamento consiste na confrontação entre os saldos devedores do IPI apurados no LRAIPI e os declarados e pagos. Não foram localizados valores de IPI declarados nas DCTF e não constam pagamentos efetuados a título deste imposto Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.016144/200819 Acórdão n.º 3302002.099 S3C3T2 Fl. 524 3 O enquadramento legal inclui infração aos arts: 34, II, 122, 124, 125, III, 127, 130, 199 (alterado pela Lei nº10.833, de 2003), 200, IV, 202, III (alterado pelo art.43 da Lei nº10.833, de 2003), todos do Decreto nº4.544, de 2002 – RIPI/2002. Tendo o contribuinte sido cientificado do lançamento em 19/11/2008, fl.442, apresentou impugnação em 18/12/2008, de fls.447/456, alegando que: • as compensações de créditos de IPI com débitos do próprio IPI da Empresa ora Impugnante foram realizadas legitimamente, ao contrário do que supõe equivocadamente o Auto de Infração ora impugnado; • não possui débitos em aberto nos exercícios de 2003 e 2004, pois os compensou devidamente com créditos do próprio imposto IPI originados por entradas isentas ou com alíquota zero. Tais créditos foram devidamente reconhecidos judicialmente e compensados pela empresa no Livro de Apuração do próprio imposto IPI, atendendo ao decidido em ação judicial declaratória autos n.° 2000.70.00.0148170 (que tramitou originalmente perante a 11ª Vara Federal de Curitiba/PR); • os créditos foram reconhecidos judicialmente (por decisão vigente e eficaz) em respeito ao princípio da nãocumulatividade do imposto, e em vista disso, poderiam ser compensados com débitos do próprio IPI, compensação essa também autorizada judicialmente; • ajuizou Ação Ordinária Declaratória autuada sob n.° 2000.70.00.0148170, cujo inteiro teor já se encontra anexo ao processo administrativo em epígrafe, para requerer ao Judiciário sobretudo o reconhecimento do direito ao crédito de IPI nas entradas isentas e com alíquota zero nos últimos 10 (dez) anos anteriores ao ajuizamento da ação, e além disso, permitir a autocompensação de tais créditos com débitos de IPI na escrita fiscal e outros tributos; • a sentença do Juízo reconheceu o direito de crédito de IPI da Empresa por entradas de insumos isentos, com alíquota zero ou não tributados/imunes, ocorridas em até 10 (dez) anos anteriores à ação (19902000), corrigidos monetariamente, especialmente para compensação dos débitos do mesmo imposto (IPI), mediante registro nos livros de apuração; • a União recorreu da sentença, bem como a interessada, estes recursos foram recebidos em 15/06/2001, pelo Juízo da 11ªVara Federal, que os remeteu para julgamento no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, em Porto Alegre/RS; • em 21.03.2002 a Primeira Turma do TRF da 4ª Região julgou (por unanimidade)parcialmente favorável o recurso de apelação da Empresa Conduspar, acatando o pedido de ajustes na quantificação da correção monetária dos créditos de IPI já reconhecidos em sentença favorável e totalmente improcedente o recurso apresentado pela União Federal, confirmando a sentença na parte em que reconheceu o direito ao crédito Fl. 525DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 presumido de IPI pela entrada de insumos isentos, com alíquota zero e não tributados/imunes à empresa Conduspar; • o acórdão de julgamento do TRF da 4ª Região também permitiu a autocompensação dos créditos de IPI com os débitos do próprio imposto na escrita fiscal da Empresa (livros de apuração do IPI), antes mesmo do trânsito em julgado da ação e que os recursos da União Federal, posteriores a esse julgamento, não possuem efeito suspensivo); • a decisão do Tribunal asseverou que a exigência relativa à "compensação só pode ser realizada após o trânsito em julgado de ação judicial" constante do art. 170A do CTN somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência da Lei Complementar n.° 104, de 10 de Janeiro de 2001 (que introduziu o citado art. 170A no corpo do CTN); • no caso presente sequer haveríamos de debater a eventual aplicação do art. 170A do CTN, tendo em vista que a ação ordinária da Empresa Conduspar se refere ao direito de creditamento e ressarcimento do IPI (créditos nãocumulativos), o que não tem nada a ver com o direito à restituição de indébito, tema ao qual é aplicável o art. 170A do CTN; • o art. 170A do CTN é, sob qualquer ângulo, inaplicável à presente ação judicial, como inclusive reconheceu o TRF da 4ª Região na citada decisão, que se encontra vigente e eficaz. Resta assim protegida a compensação do IPI nos livros fiscais do imposto, feita pela Empresa Conduspar, nas palavras do Desembargador Relator do citado julgamento, ao deixar claro inclusive que o art. 170A, por ter sido criação da LC n.° 104/2001, só poderia atingir créditos surgidos de pagamentos indevidos, e após a vigência da mesma (ou seja, dia 11.01.2001, data da publicação dessa lei complementar); • em virtude da decisão de 2ª instância proferida pelo TRF da 4ª Região de forma favorável para a Empresa Conduspar, a União Federal recorreu por meio de recurso de embargos de declaração, que foram recebidos pelo TRF apenas para efeito de préquestionamento, razão pela qual o acórdão restou imodificado. A Empresa também recorreu para ampliar ainda mais a sentença favorável, mas seu recurso também não alterou o julgamento já favorável no TRF da 4ª Região; • a União Federal, inconformada com as duas decisões (sentença e acórdão) favoráveis à Empresa Conduspar, interpôs em 23.05.2002, recurso extraordinário dirigido ao Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília/DF, para ver reformadas tais decisões. Entretanto, como se vê desse recurso da União ao STF, a Fazenda Federal reconheceu o direito da Empresa Conduspar de se creditar do IPI pela entrada de insumos com isenção. • a União Federal não requereu em seu recurso ao STF a reforma da decisão do TRF da 4ª Região na parte em que reconheceu à Conduspar os créditos de IPI decorrentes da entrada de insumos isentos. Portanto, nessa parte, direito ao crédito de IPI por entradas com isenção, também para compensação na escrita fiscal, inclusive já transitou em julgado Fl. 526DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.016144/200819 Acórdão n.º 3302002.099 S3C3T2 Fl. 525 5 a decisão favorável à empresa contribuinte, em data de 23/05/2002; • os autos foram remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), para final julgamento do recurso extraordinário interposto pela União Federal. • na data de 06/05/2003, o Ministro do STF Carlos Velloso, Relator do recurso extraordinário da União no Supremo Tribunal, proferiu decisão monocrática favorável à Empresa Conduspar (mais uma decisão favorável), também reconhecendo o direito de crédito de IPI pelas entradas de insumos com alíquota zero, além da hipótese de isenção (essa já transitada em julgado), seguindo o precedente julgado pelo Egrégio Tribunal no RE 350.446/PR; • em 03.07.2003 a União Federal protocolou no STF um recurso de "agravo regimental" em face dessa decisão do Ministro Carlos Velloso, porém, tal recurso não possui efeito suspensivo (vide art. 317 do Regimento Interno do STF), ou seja, não obsta que a Empresa Conduspar procure efetivar seu direito de compensação dos créditos de IPI acumulados por entradas com isenção e alíquota zero; • por todas essas razões, deve ser julgado totalmente improcedente o auto de infração ora impugnado, o que desde já se requer; • a execução provisória de sentença nº2003.70.00.0360111, que tramitou paralelamente aos autos nº2000.70.00.0148170, e teve por objeto apenas o ressarcimento do valor das custas processuais mediante a expedição de Requisição de Pequeno Valor e a expedição de Precatório para o pagamento dos honorários de sucumbência em favor dos patronos da Conduspar na ação, não interferindo em nada na presente ação; • não há qualquer ilegalidade nas compensações de créditos de IPI com o próprio IPI nos livros fiscais da empresa nos exercícios de 2003 e 2004, pois tais compensações foram sim amparadas por decisões judiciais plenamente válidas e eficazes. Para tanto, requer que seja a presente impugnação recebida e julgada procedente, para efeito de anular integralmente o auto de infração ora impugnado. Às fls.482/483 consta a petição da interessada, datada de 31/03/2009, requerendo a Desistência Parcial da Impugnação ao auto de infração para cumprir com os requisitos do Parcelamento oferecido pela MP 449/2008, que consiste na desistência do principal e dos juros SELIC cobrados sobre o principal, nos valores identificáveis R$721.486,38 e R$518.789,54, respectivamente, persistindo na impugnação administrativa quanto à multa de ofício de 75%, cuja aplicação continua entendendo indevida, uma vez que nos exercícios de 2003 e 2004 as compensações de créditos de IPI alíquota zero pela empresa estavam protegidas por decisões judiciais válidas e executáveis independentemente do trânsito em julgado da ação Fl. 527DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 ordinária que tramitou no Judiciário, como bem demonstrado na impugnação. Entende a autuada que o fato de a ação ordinária que fundamentava a compensação dos créditos do IPI ter sido recentemente julgada improcedente em instância final não impede que se reconheça que à época em que foram realizadas as compensações, 2003 e 2004, estas estavam protegidas por decisões judiciais, razão pela qual requer o afastamento da cobrança da multa de ofício. O créditos tributários objeto da desistência parcial da impugnação foi objeto de transferência para o processo 10912.000278/200902 (fl.485/486). Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.488. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem julgala improcedente em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/03/2003 a 10/07/2003 PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO. O pedido de parcelamento do principal e dos juros de mora constitui confissão irretratável de dívida e configura a concordância do sujeito passivo com o crédito tributário exigido, o que resulta na extinção do litígio, por falta de objeto. MULTA DE OFÍCIO. AÇÃO ORDINÁRIA. Na constituição de crédito tributário objeto de ação judicial, cuja exigibilidade não houver sido suspensa, destinada a prevenir a decadência, cabe aplicação de multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 528DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.016144/200819 Acórdão n.º 3302002.099 S3C3T2 Fl. 526 7 O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de auto de infração de IPI decorrente da utilização, antes do trânsito em julgado, de créditos decorrentes de ação judicial realcionada a aquisição de insumos isentos, alíquota zero e não tributados. A matéria de fundo relacionada ao efetivo direito aos créditos pleiteados pela Recorrente no processo judicial e o destino definido pelo STF para a matéria já é de conhecimento deste colegiado, e não será aqui analisado posto que houve o parcelmento dos débitos relacionados. Importa saber que o parcelamento noticiado alcançou apenas o principal e juros. Somente em relação a multa de oficio aplicada juntamente com o lançamento efetuado é que resta a discussão a ser analisada. De um lado, o Recorrente alega que a multa lançada seria indevida uma vez que as compensações foram efetuadas com ordem judicial que, inclusive, afastava a aplicação do art. 170 A do CTN. Por outro lado, a decisão recorrida afirma que as compensações não poderiam ter ocorrido antes do trânsito em julgado da ação judicial, bem como “em face de não existir medida liminar ou tutela antecipada que suspenda a exigibilidade dos créditos tributários constituídos de ofício, nos termos do artigo 151 do CTN. Para bem analisar as questão remanescente comvém destacar as decisões judiciais proferidas no âmbito do processo proposto pela Recorrente. A sentença proferida em 04/04/2001 no processo judicial nº 2000.70.00.0148170, assim dispôs: Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE a pretensão da autora, a fim de declarar o seu direito de utilizar os créditos de IPI referentes a produtos isentos, nãotributados e submetidos à alíquota zero para o cálculo do débito de tal imposto. Resguardo todavia, à União, o poderdever de fiscalizar a operação a ser realizada pela autora. Contra esta decisão foram apresentadas apelações de ambas as partes que foram recebidas nos efeitos devolutivo e suspensivo. Em 21/03/2002, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região julgou imporcedente a apelação da União e autorizou a compensação escritural dos créditos de IPI. Merece destaque o seguinte trecho do acórdão: Por sua vez, o art. 66 da Lei n° 8.383/91 autoriza a compensação com prestações subseqüentes ao pagamento indevido. Quando se alude a prestações vincendas, entendase como parcelas posteriores aos créditos do IPI. Ressalto, outrossim, que o "disposto no. 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação Fl. 529DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras de direito intertenporal. Contra a decisão, proferida pelo Regional Federal, foram apresentados embargos que, em relação à União, foram recebidos para fins de prequestionamento. Em seu Recurso Extraordinário, porposto em 23/05/2002, concluiu a União: “em face do exposto, a FAZENDA NACIONAL requer o provimento do presente recurso extraordinário para — restabelecendo o sentido dos arts. 150, § 6.° e 153, § 3.°, inciso II, ambos da Constituição d e 1988 — declarar ser inviável o reconhecimento de créditos na aquisição de insumos nãotributados ou sujeitos à alíquota zero, bem como ser descabida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI” Merece destaque o fato de a PGFN, não ter recorrido em relação aos insumos isentos, tendo, portanto, se conformado com as decisões até então proferidas pelo e. STF. Contra o despacho monocrático do Ministro Carlos Velosso que negou seguinto ao RE foi interposto Agravo Regimental pela União, em 02 de julho de 2003. Somente em 15/04/2007, o RE teve seu curso sobrestado em função da análise dos REs 350.446, 370.632 e 353.657. A Recorrente pretendeu promover a execução provisória de decisão proferida no processo nº 2000.70.00.0148170 em relação aos honorários de sucumbência e custas, porém sua pretensão foi negada pelo poder judiciário. Ressalto que o presente relatório foi efetuado a partir dos documentos acostados aos autos nas fls. à 419. Com base nas decisões citadas anteriormente, a Recorrente regsitrou os créditos que entendia fazer jus e garantidos por decisões judiciais que expressamente autorizavam a registro e compensação dos créditos em sua escrita fiscal, afastando a aplicação do art. 170 A do CTN. Assim, é incontestável que à época dos registros contábeis, havia autorização judicial para a utilização dos créditos em questão, principlamente os relacionados a insumos isentos (decisão com trânsito em julgado material). Neste contexto, o fundamento do auto de infração lavrado contra a Recorrente afronta as decisões judiciais no que garantiram ao Recorrente o registro e aproveitamento dos créditos decorrentes de insumos isentos, não tributados ou alíquota zero. Como visto anteriormente, à época da lavratura do auto de infração, haviam decisões judiciais que permitiam a utilização do crédito, o que, quando muito, permitiriam a Receita Federal o lançamento para previnir a decadência que, contudo, deveriam ser lavrados sem a incidência de multa, no exatos termos do que determina a Lei nº 9.430/96, senão vejamos: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. ( Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 ) Fl. 530DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10980.016144/200819 Acórdão n.º 3302002.099 S3C3T2 Fl. 527 9 Por conta disto, o auto de infração já deveria ter sido lavrado sem a multa de ofício. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para exonerar a multa de oficio lançada contra a Recorrente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 531DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720466/2010-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2004
ALEGAÇÕES. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO.
Os motivos de fato e de direito que embasam a defesa devem ser apresentados com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-004.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 31/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. Os motivos de fato e de direito que embasam a defesa devem ser apresentados com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 04 66 /2 01 0- 57 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 30/06/2004. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado, o contribuinte apresentou, em 18/12/2009, manifestação de inconformidade de fls. 01/04, a seguir resumida. Alega que apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações – PERDCOMP informou equivocadamente os dados constantes no DARF idenfificado no despacho decisório. Ressalta que “tratase então, de apenas proceder à retificação da respectiva compensação, informando o DARF correto que originou o crédito, o que não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior”. Informa o DARF correto: Período de apuração: 30/12/2002 Código da Receita: 8109 Valor total do DARF: R$ 28.200,96 Data de arrecadação: 13/12/2002 Por fim, requer que seja acolhida a Manifestação de Inconformidade. A DRJ em BELO HORIZONTE/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2004 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10680.720466/201057 Acórdão n.º 3803004.667 S3TE03 Fl. 3 3 As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde pela primeira vez assevera que a DCTF retificadora deve ser levada em consideração, o que caracteriza equívoco da decisão de primeiro grau; discorre acerca da compensação administrativa; e requer a reforma do acórdão recorrido, para reconhecimento do crédito apontado e homologação da compensação pleiteada. Os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de sua admissibilidade, merecendo ser apreciado por esta Câmara nesta oportunidade. Tratase, ao meu sentir, de mais um caso de preclusão processual, em que a manifestante inconformada alinhava certos argumentos em primeiro grau, e por ocasião do recurso voluntário apresenta outra sorte de alegações. Notese que na impugnação o único argumento utilizado foi erro material na informação do DARF que conteria pagamento a maior ou indevido; ao passo que em segundo grau o argumento vem a ser o não reconhecimento da DCTF retificadora. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Lides como esta tem sido solucionadas costumeiramente no âmbito deste Colegiado de forma a não se conhecer do apelo, ante a preclusão do direito de defesa. Os motivos de fato e de direito que embasam a defesa devem ser apresentados com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No vinco do exposto, voto pelo DESCONHECIMENTO do recurso voluntário, por inovação dos argumentos de defesa. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10880.721648/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. LIVRO CAIXA.
Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
MULTA AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada de 225% para 75%. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que somente desqualificava a multa de ofício e Alice Grecchi, que também reduzia a multa de ofício incidente sobre a infração de dedução indevida de livro caixa, de 112,5% para 75%.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. LIVRO CAIXA. Tem-se como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 358 1 357 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.721648/201170 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.807 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria IRPF Depósito bancário Recorrente BRUNO OLAVO VIECK COMEGNIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. LIVRO CAIXA. Temse como definitivamente constituído na esfera administrativa, o crédito tributário decorrente de matéria não contestada em sede recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 16 48 /2 01 1- 70 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 359 2 comprovada de 225% para 75%. Vencidos os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, que somente desqualificava a multa de ofício e Alice Grecchi, que também reduzia a multa de ofício incidente sobre a infração de dedução indevida de livro caixa, de 112,5% para 75%. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BRUNO OLAVO VIECK COMEGNIO foi lavrado Auto de Infração, fls. 243/263, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2006 a 2008, exercícios 2007 a 2009, no valor total de R$ 4.450.540,88, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/01/2011. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, foram dedução indevida de despesas de Livro Caixa (multa de ofício no percentual de 112,5%) e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (multa de ofício no percentual de 225%). A multa de ofício foi lavrada na sua forma agravada e qualificada, pelas razões a seguir transcritas do Termo de Verificação Fiscal: A imposição da multa qualificada de 150% é justificada, de forma contundente, pois nos anos de 2006, 2007 e 2008, o contribuinte declarou rendimentos isentos e tributáveis totais, R$ 20.200,00, R$ 33.433,20 e R$ 54.600,00, respectivamente. Contudo, neste mesmo período, restaram como depósitos sem origem comprovada nos anos de 2006, 2007 e 2008, os valores de R$ 1.717.129,52, R$ 1.908.955,62 e R$ 934.204,84, respectivamente. Assim, estas disparidades de valores, em todos os três períodos fiscalizados, corroboram com a convicção de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 360 3 que o contribuinte agiu, reiteradamente, dolosamente, no preenchimento destas declarações, no sentido de retardar ou impedir o conhecimento por parte desta Secretaria, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Assim, demonstrada a intenção do contribuinte em sonegar, cabível a multa qualificada de 150%. Pertinente ainda o agravamento da multa pois, no transcurso da ação fiscal, o comportamento do contribuinte ensejou o enquadramento deste no inc. I, do § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 270/275, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SP2 nº 1751.867, de 22/06/2011, fls. 315/322. Cientificado da referida decisão em 22/07/2011, fls. 326, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 327/351, em 19/08/2011, trazendo as seguintes alegações: que todos os depósitos realizados são efetuados com cheques nominais e por isso desde à época dos depósitos já existia a identificação de quem os emitiu. que até cheques devolvidos foram objeto de somatório para buscar os valores que foram depositados. que as Declarações do Imposto de Renda do contribuinte guardam relação com os saldos realmente verificados em contas bancárias. que a presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador. que no tocante as pessoas físicas, a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é inadequada, posto que entre os depósitos e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica, direta e segura. que a multa imposta de 150%, levando em conta apenas os depósitos bancários, não tem sentido jurídico. que o contribuinte pode demonstrar as origens dos depósitos, porque precisa apenas de tempo para que o Banco forneça as cópias dos cheques depositados. que a movimentação financeira se deu apenas no Banco Bradesco. É o Relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 361 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que no lançamento foram imputadas ao contribuinte duas infrações, a saber: dedução indevida de despesas de Livro Caixa e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ocorre que no recurso, assim como na impugnação, o contribuinte limita suas alegações à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, silenciando quanto à infração de dedução indevida de despesas de Livro Caixa. Nesse sentido, devese observar o disposto no parágrafo único do art. 42 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19721 e, assim, considerar definitiva a decisão de primeira instância, relativamente à infração não contestada. Portanto, temse que a lide instaurada com a apresentação do recurso, que ora se examina, restringese tãosomente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelos arts. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997 e 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Depósitos Bancários Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Ou seja, ficou determinado que se considere como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1 Art. 42. São definitivas as decisões: (...) Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 362 5 Veja que não podem prevalecer as alegações da defesa de que a presunção nunca poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador e que no tocante as pessoas físicas, a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é inadequada, posto que entre os depósitos e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica, direta e segura. Ao assim se manifestar o contribuinte está negando legitimidade ao dispositivo legal, sendo certo que optando por essa linha de argumento, o recorrente subtrai a discussão do âmbito da competência deste Colegiado. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de compatibilidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. É bem possível que as leis padeçam de eventuais vícios, inclusive resultante de atuação dos legisladores com exorbitância de suas atribuições constitucionais. Todavia, deve ficar claro que elaborar juízo de valor acerca dessa matéria e, eventualmente determinar o afastamento de normas legais em decorrência de eivas, é atribuição privativa do Poder Judiciário, que não pode ser usurpada pelos julgadores administrativos. Por essa razão, inconformismos da espécie devem ser desfraldados em face do Poder Judiciário. Nesse sentido, relevante que aqui se traga a Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, cujo teor é o a seguir transcrito: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De conseqüência, a este colegiado compete apenas investigar se o fato concreto se subsume à previsão hipotética da lei, ou seja, se existiram os depósitos bancários, se o contribuinte foi notificado a comprovar a origem dos recursos respectivos e se essa comprovação foi produzida. Neste caso concreto, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado, conforme Termo de Intimação, fls. 233/240, a fazer a comprovação dos créditos efetivados em três contas bancárias: 76.5988 e 11332, mantidas no Banco Bradesco e 66063280, mantida no Citibank S/A. Ocorre que tal Termo de Intimação sequer foi respondido pelo contribuinte, de modo que restou não justificada a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito discriminadas no Termo de Intimação. Temse, portanto, que neste caso, é incontroversa a existência dos recursos bancários, assim como a falta de comprovação, mesmo tendo sido o contribuinte instado a produzila. Nesse ponto, importa dizer que, ao contrário do que afirma a defesa, a movimentação bancária não se restringiu ao Banco Bradesco, posto que conforme extrato bancário, fls. 24/37, também ocorreram depósitos bancários no Citibank, cujas origens não foram demonstradas. Também não pode prosperar a alegação do contribuinte de que todos os depósitos foram realizados em cheques nominais e que por isso estaria identificada a origem dos recursos depositados em suas contas. De pronto, cumpre dizer que nem todos os depósitos que deram causa ao lançamento foram realizados em cheque, depois não consta dos autos a cópia dos cheques depositados nas contas bancárias do contribuinte e mais, a cópia dos Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 363 6 cheques depositados identificaria apenas o emitente do cheque, contudo, tal informação, por si só, não identifica a origem do recurso, conforme determina o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Já a alegação do recorrente de que até cheques devolvidos tenham sido objeto de lançamento carece de comprovação, posto que no recurso não houve a identificação dos possíveis cheques devolvidos levados à tributação. Digase, ainda, que a afirmação de que as Declarações do Imposto de Renda do contribuinte guardam relação com os saldos realmente verificados em contas bancárias em nada socorre o contribuinte, posto que o lançamento, conforme já aqui mencionado, cuida de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e somente a identificação da origem dos créditos havidos nas contas do contribuinte poderiam ensejar o cancelamento do lançamento. Nestes termos, temse que cabendo ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários efetivados em suas contascorrentes e não o tendo feito no curso da ação fiscal e nem nas fases de impugnação e recursal, concluise pela manutenção da infração de omissão de rendimentos, conforme consubstanciada no presente lançamento, não podendo prevalecer a alegação da defesa de que precisa de tempo para obter cópia dos cheques depositados em suas contas, posto que o procedimento fiscal iniciouse em outubro de 2010 e até a presente data, janeiro de 2014, o contribuinte não juntou aos autos a cópia dos cheques, tampouco identificou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Por fim, devese examinar a alegação do recorrente de que a multa imposta, no percentual de 150%, levou em conta apenas os depósitos bancários, não tendo sentido jurídico. Na verdade, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada foi imputada ao contribuinte com multa de ofício agravada e qualificada, no percentual de 225%. De plano, devese aplicar ao caso o disposto na Súmula CARF nº 25, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Vale observar que a autoridade fiscal fundamentou a qualificação da multa de ofício apenas na incompatibilidade verificada entre os rendimentos declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual e sua movimentação financeira. Contudo, tal fato não é suficiente para comprovar que o contribuinte tenha incorrido em uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Logo, não pode prevalecer a qualificação da multa de ofício. Já o agravamento da multa de ofício foi justificado pela autoridade fiscal nos seguintes termos: Pertinente ainda o agravamento da multa pois, no transcurso da ação fiscal, o comportamento do contribuinte ensejou o Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10880.721648/201170 Acórdão n.º 2102002.807 S2C1T2 Fl. 364 7 enquadramento deste no inc. I, do § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, acima transcrito. É bem verdade que o contribuinte, intimado, não atendeu aos Termos de Intimação formulados pela autoridade fiscal, não apresentou os extratos bancários e também não esclareceu a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Ressaltese que a nãoapresentação de documentos que respaldassem suas justificativas para a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias não obsta a atividade fiscal, pelo contrário, a facilita, pois tal conduta tem como conseqüência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, também não pode prevalecer o agravamento da multa de ofício. Nestes termos, devese reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de 225% para 75%. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada para 75%. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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