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Numero do processo: 19991.000154/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
RECURSO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO DISSOCIADA DOS FATOS. NULIDADE.
É nula a decisão de primeiro grau administrativo que não examina os fatos efetivamente narrados no despacho decisório e manifestação de inconformidade, limitando-se a fazer simples remissão e reprodução de voto proferido em processo que julgou situações distintas, ainda que do mesmo contribuinte, por incidir na hipótese as disposições do art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72, caracterizando preterição do direito de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3401-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo desde a decisão da Delegacia de Julgamento, inclusive. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 RECURSO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO DISSOCIADA DOS FATOS. NULIDADE. É nula a decisão de primeiro grau administrativo que não examina os fatos efetivamente narrados no despacho decisório e manifestação de inconformidade, limitandose a fazer simples remissão e reprodução de voto proferido em processo que julgou situações distintas, ainda que do mesmo contribuinte, por incidir na hipótese as disposições do art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72, caracterizando preterição do direito de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para anular o processo desde a decisão da Delegacia de Julgamento, inclusive. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 01 54 /2 00 9- 51Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Cuidase, na espécie, de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 1º trimestre/2008, formalizado através do PERDCOMP 17367.45431.311008.1.1.099885. Apensado ao processo em epígrafe encontrase o PA 19991.000145/200960. Às fls. 422/426 foi juntado Termo de Constatação Fiscal lavrado pela SAFIS/DRF Poços de Caldas/MG, que objetivou o exame dos pedidos de ressarcimento do 1º trimestre/2003 ao 4º trimestre/2005, relativos ao PIS/Pasep não cumulativo, e o 1º trimestre/2004 ao 4º trimestre/2005, relativo à Cofins não cumulativa, onde foi relatada uma série de inconsistências concernente à comprovação dos pagamentos realizados junto aos fornecedores envolvidos, que, em sua maioria, ou estavam inativos, ou nada declaravam à RFB. Às fls. 427/435 consta termo assemelhado confeccionado pela SARAC/DRF Poços de Caldas/MG, visando analisar os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos referente ao período abrangido pelo 2º trimestre/2006 ao 2º trimestre/2008. Segundo o relato, a situação dos novos fornecedores não se altera em relação àqueles verificados anteriormente, ora não são localizados no endereço fornecido, ora se declaram como inativos ou, ainda, indicam que não houve movimentação no período, apresentando declarações “zeradas”. Aduz, também, que, em relação às aquisições de pessoa físicas e cooperativas, após historiar a legislação de regência, que o contribuinte não se qualifica como agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, pois a produção é realizada em estabelecimentos de terceiros, de modo que não faz jus a crédito algum. Em manifestação de inconformidade o contribuinte alegou que a “inidoneidade” das aquisições estaria pendente de julgamento no PA 13656.000021/200666, motivo pelo qual o presente processo deveria ser sobrestado, nos termos do art. 265, IV, “a” do CPC; que a fiscalização tentou imputar uma responsabilidade que é da Administração Tributária, pelo fato de seus fornecedores não cumprirem suas obrigações tributárias acessórias; que é adquirente de boafé, pois recebeu as mercadorias e por elas pagou; que não tem obrigação de verificar se seus fornecedores cumprem suas obrigações legais; que o art. 74, § 3º da Lei nº 9.430/96 não se aplica ao caso sub examine; que faz jus ao crédito presumido pelas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, uma vez que não há vedação legal à realização das atividades de produção por intermédio de terceiros; e, que as aquisições de cooperativas, à luz de soluções de consulta da própria RFB, que transcreve, garantem o direito de crédito e o seu ressarcimento. A DRJ Juiz de Fora/MG afastou a possibilidade de sobrestamento, por ausência de previsão no processo administrativo fiscal, e, no mérito, fazendo remissão ao voto proferido no PA 13656.000021/200666, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000154/200951 Acórdão n.º 3401002.428 S3C4T1 Fl. 11 3 O recurso voluntário repete, com alguma variação, as razões expendidas na manifestação de inconformidade. Em 17/07/2012, através da Resolução 3401000.534, esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara/3ª SEJUL, rechaçou, preliminarmente, a vinculação destes autos ao PA 13656.000021/200666, ao argumento que os fatos jurídicos tributários não seriam os mesmos; postergou a manifestação acerca das aquisições de pessoas físicas e cooperativas para o retorno dos autos; e, quanto às aquisições de pessoas jurídicas com problemas junto à RFB, converteu o julgamento em diligência para que fossem coligidos os despachos finais dos processos de inaptidão de CNPJ e verificação da comprovação de pagamento das aquisições realizadas com estas mesmas pessoas jurídicas. A DRF Poços de Caldas/MG realizou a diligência determinada encaminhando os documentos solicitados e aferindo, individualizadamente, a alegada comprovação de pagamento, cujas conclusões constam de demonstrativo e termo pormenorizados. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte apontou inconsistências nas glosas efetuadas, uma vez que houve glosa de aquisições realizadas antes da declaração de inaptidão das pessoas jurídicas arroladas, afirmando que os documentos são idôneos e os pagamentos pela aquisição dos produtos foram comprovados; que não é admissível a declaração de inidoneidade de documentos fiscais com efeito retroativo; que, na condição de adquirente de boafé, não pode ser responsabilizado pelas infrações cometidas por seus fornecedores; que faria jus ao crédito presumido da agroindústria. Aproveitando o ensejo, elaborou planilha com a vinculação dos pagamentos e as aquisições objetivando demonstrar a comprovação da operação e juntou mais documentos para formação do acervo probatório. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O juízo de admissibilidade do recurso voluntário foi realizado por ocasião da conversão do julgamento em diligência. Com a aposentadoria do relator original, foramme distribuídos por sorteio estes autos, como determina o regimento interno deste Conselho Administrativo. Após uma análise abrangente da situação, concluí que houve um equívoco na premissa adotada pela decisão de primeiro grau administrativo que acabou por contaminar o julgamento como um todo, como passarei a expor. O colegiado a quo, talvez induzido pela referência feita, na peça recursal inaugural, à idoneidade das aquisições verificadas no PA 13656.000021/200666, inferiu que havia uma imbricação entre ambos e que se cuidariam dos mesmos fatos, simples extensão um do doutro, o que motivou a reprodução do voto proferido naquela assentada, que, por pertinência e conveniência, passo a transcrever trecho que interessa ao deslinde da questão: Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 “Da análise dos documentos acostados aos autos verificase que a empresa usou artifícios que lhe permitisse usufruir de crédito básico (que é apurado aplicandose a alíquota da contribuição sobre o valor da aquisição, sem nenhuma redução), quando a operação efetuada, na verdade gerava apenas o crédito presumido (a ser apurado na forma definida na legislação acima relacionada). Essa certeza se dá pelos seguintes fatos, narrados no Termo de Constatação Fiscal: 1) Nas diligências efetuadas nos estabelecimentos das empresas fornecedoras de café à manifestante, selecionadas por amostragem, verificouse que, quando encontrados, suas instalações não eram compatíveis com o volume das operações que elas supostamente efetuavam; 2) A empresa IZONEL DA SILVA CNPJ N° 04.461.584/000153, apresentou declaração de inatividade no período, e a J. BRAGA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA CNPJ N° 24.041.592/000158, não recolheu um centavo sequer dos valores de tributos declarados no período, sendo que todos eles foram inscritos em Dívida Ativa da União; 3) Registrese que as empresas acima são responsáveis por mais de 83% do fornecimento da mercadoria adquirida pela requerente no período, e ainda que seus responsáveis, como se vê no resultado das diligências, são pessoas humildes que residem em imóveis não condizentes com o volume de vendas supostamente efetuadas por elas e em suas declarações de renda, apresentam valores abaixo do limite de tributação ou não declaram. 4) As demais empresas diligenciadas, apresentam situações semelhante às duas citadas; 5) As informações prestadas pela ITAPORANGA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA., quanto ao pagamento das mercadorias adquiridas no período, apresentam uma série de inconsistência, a saber: 5.1) As declarações das empresas fornecedoras das mercadorias não coincidem com as da compradora, tanto em questão de valor, quanto à data e forma do pagamento; 5.2) Diversos pagamentos foram efetuados em data anterior à emissão da nota fiscal respectiva (têm se caso de até 07 meses de diferença entre o pagamento e a emissão da nota fiscal, e também de pagamento efetuado em um ano e a nota emitida em outro); 5.3) Os pagamentos eram efetuados com a emissão de um número grande de cheques para cada nota fiscal (por exemplo, para a nota n° 001243, foram 97 cheques, e temos ainda casos de emissão de cerca de 60 cheques para quitação de cada nota fiscal). 5.4) Importante registrar que esses inúmeros cheques eram nominais a produtores rurais (pessoas físicas) e não em às empresas supostamente vendedoras, como seria o correto se a venda tivesse sido efetuada por elas. Ainda que a manifestante afirme que “as operações de compra de café pautamse pela informalidade que a própria atividade lhe impõe”, não é concebível que tal informalidade produza fatos como o pagamento em datas muito anteriores ao recebimento dos produtos e principalmente, o pagamento efetuado diretamente ao produtor rural e não à empresa vendedora, como constatado pela autoridade fiscal. Pelos fatos narrados, verificase que a empresa ITAPORANGA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA., adquiria o café diretamente de produtores Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19991.000154/200951 Acórdão n.º 3401002.428 S3C4T1 Fl. 12 5 rurais (pessoas físicas) e efetuava o pagamento a eles, sendo que essas operações eram acobertadas com emissão de nota fiscal de empresas que não possuem estrutura para movimentar o volume de mercadorias comerciadas, e não cumprem suas obrigações tributárias.” Ou seja, foi esta a motivação, baseada na situação fática encontrada em aludido processo, que balizou a decisão ora reclamada. No entanto, compulsando os autos verifiquei que os períodos de apuração são distintos; os fornecedores arrolados neste processo não constavam daquele, assim como, os fornecedores daqueloutro processo, como as pessoas jurídicas IZONEL DA SILVA e J. BRAGA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA., não constam deste, de modo que a situação dos fornecedores do presente processo não foi examinada; no PA 13656.000021/200666 os pagamentos pelas aquisições eram realizados por meio de cheques nominais aos produtores rurais pessoas físicas, enquanto neste feito os pretensos pagamentos são formalizados por transferência interbancária (TED), diretamente nas contas das pessoas jurídicas fornecedoras. Este quadro revela, então, fatos distintos que merecem análise e julgamento distintos. Esta peculiaridade não passou despercebida na formulação da Resolução nº 3401000.534, como se observa da seguinte passagem: “Primeiramente, de se esclarecer , aliás, conforme já dito acima, que estes dois processos tratam tão somente de pedidos de ressarcimento de Cofins e de PIS/Pasep sob o regime da não cumulatividade, não estando a eles atrelado qualquer pedido ou declaração de compensação, até porque referidos créditos [relacionados às operações com o mercado externo] só podem ser utilizados para deduzir o valor devido no mês a título das referidas contribuições e/ou serem ressarcidos. Assim, nenhuma dependência haveria entre estes dois processos e o invocado processo de nº 13656.000021/200666. Aliás, de pesquisa que efetuei junto ao sistema eletrônico de controle de processos do CARF, o eprocesso, verifiquei tratarse o de nº 13656.000021/200666 também de pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, porém, relativos aos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, de sorte que, repito, relação alguma possui com os dois processos objeto deste julgamento. Tampouco o julgamento em definitivo da matéria lá tratada no referido processo nº 13656.000021/200666 versando sobre as alegadas inidoneidades dos fornecedores de café à interessada poderia trazer qualquer contribuição ao presente caso ora em discussão, haja vista que os períodos e as circunstâncias são completamente distintos, não podendo ser aceito o argumento do Fisco de que os mesmos eventos ocorridos no passado tenham se repetido no presente caso; ao menos, sem a demonstração cabal de que isso realmente tenha ocorrido. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Pelo exposto, ou seja, pela inexistência de qualquer relação entre os presentes processos e o de nº 13656.000021/200666, afasto o pedido de sobrestamento do presente julgamento.” Destarte, como já dito, os fornecedores tratados neste processo não são os mesmos, assim como, que não é o mesmo o modus operandi de pagamento. Em suma, os processos são bastante distintos e independentes entre si. Como não bastasse, o acórdão vergastado se omitiu quanto ao direito de crédito pela aquisição de cooperativas, defendido pela recorrente. Desta forma, ao julgar da maneira como fez, reproduzindo voto que analisou fatos diversos, a bem da verdade, a turma julgadora acabou por decidir algo diferente do que consubstanciado nestes autos, onde a fundamentação do voto condutor é, a meu sentir, bastante dissociada dos fatos submetidos a exame, em clara preterição do direito de defesa, uma vez que, qualquer decisão pronunciada pelo colegiado ad quem diversa do provimento integral, acarretará a supressão de instância. Diante desta constatação, aplicável as disposições do art. 59, I do Decreto nº 70.235/72, consoante o qual são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Com estas considerações, voto por anular a decisão de primeira instância administrativa, determinando que outra seja proferida. Robson José Bayerl Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 04/11/2013 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 16/11/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006970/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
MULTA REGULAMENTAR ADMINISTRATIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Confirmado que as informações de obrigação do operador no comércio exterior, apesar de intempestivas, foram realizados em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplica-se o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A alteração do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II , alínea c do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de Votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira Redator Designado.
EDITADO EM: 17/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Confirmado que as informações de obrigação do operador no comércio exterior, apesar de intempestivas, foram realizados em momento anterior a qualquer procedimento de fiscalização. Aplicase o benefício da denúncia espontânea previsto no art. 102 do DecretoLei nº 37/66 à multa administrativa, prevista no art. 69, §1° da Lei n° 10.833/2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II , alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de Votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 69 70 /2 00 7- 83 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira – Redator Designado. EDITADO EM: 17/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 19/09/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em face dos fatos a seguir descritos: • A empresa autuada procedeu ao registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil RFB para o despacho aduaneiro vinculado à Declaração de Exportação DDE No. 2031082631/4, cujo embarque se deu em 22/12/2003; • O registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX pela empresa autuada ocorreu em 26/07/2004, conforme extrato juntado ao processo; • Face o descumprimento do artigo 37 da Instrução Normativa SRF No. 28, de 27/04/1994, que determina o prazo do registro de dados de embarque em 07 dias, incorreu na infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei 37/66; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 04/10/2007, (fls. 73verso), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 16/10/2007, de fls. 74 e 75, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Através do Processo Administrativo No. 11128.005833/200489, a empresa foi autuada com multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por ter deixado de prestar informações referente à mesma DDE; • Tal processo já foi julgado pela 1ª Turma da DRJ/SPOII, em 02/08/2007, sendo declarado improcedente o lançamento e, por conseguinte, tendo exonerado o crédito tributário, uma vez que a obrigação foi cumprida a destempo. • Assim não procedeu a alegação de que a obrigação não tenha sido descumprida; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 3 3 Pugna o cancelamento da autuação fiscal. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 26/07/2004 A empresa autuada procedeu ao registro de dados de embarque no sistema SISCOMEX fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil RFB, face a determinação do artigo 37 da Instrução Normativa SRF No. 28, de 27/04/1994. A fiscalização entendeu estar tipificada a infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto Lei 37/66. Não se trata de “bis in iden”. A penalidade é aplicável. Considerouse como embaraço à atividade de fiscalização aduaneira o fato de o transportador não promover o registro de dados do embarque, no prazo estabelecido. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O Auto de Infração veicula multa de R$ 5.000,00 pelo registro intempestivo dos dados de embarque em transporte internacional de cargas. A empresa já havia sido autuada pela mesma ocorrência. O Auto de Infração correspondente foi julgado improcedente em primeira instância em face da equivocada capitulação da infração como embaraço à fiscalização, em lugar da correta capitulação: deixar de prestar informações dentro dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal. A Recorrente protesta contra esse fato. Contudo, não vejo o que possa favorecêla. Se dentro do prazo decadencial do direito de impor penalidade, nada impede que novo auto de infração seja lançado. A multa aplicada está prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/2003. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. O prazo foi definido no artigo 37 da IN SRF 28/94, alterado pelo artigo 1º da IN SRF 510/2005. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. Conforme descrição dos fatos do Auto de Infração, a informação foi prestada antes de qualquer procedimento fiscal, ainda que de forma extemporânea. O Decreto 37/66 foi recentemente alterado pela Lei 12.350/10. O parágrafo 2º do artigo 102, que anteriormente restringia a exclusão da responsabilidade, no caso de denúncia espontânea, às penalidades de natureza tributária, passou a ter a seguinte redação. Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. O novo comando legal é oposto à regra até então vigente, que restringia os efeitos da ação espontânea às penalidades de natureza tributária. A modificação introduzida também tratou de excepcionar as penas que pretendia não fossem alcançadas pela espontaneidade: aquelas aplicáveis quando a mercadoria está sujeita á pena de perdimento. Diante destas disposições, parece natural a interpretação de que também as ocorrências infracionais sob exame, praticadas nas condições em que o foram, estariam contempladas pelo excludente da responsabilidade, mas não acho que seja o caso. Assim penso, porque há muito fixei meu entendimento sobre o assunto, tendo em conta certos pressupostos extraídos da observação lógica do alcance do instituto da espontaneidade e não da definição acerca da natureza da penalidade aplicada. Se formal, tributária, administrativa, regulamentar etc. Exemplo disso é a linha de pensamento que adotava ainda em julgados antigos, quando o então Terceiro Conselho de Contribuintes detinha competência para julgar processos de exigência de multa por atraso na entrega da DCTF, conforme a seguir reproduzido. Também não socorre ao contribuinte o excludente da denúncia espontânea. Afora as considerações de cunho jurídico que, com muita freqüência, tem recebido toda a atenção dos tribunais administrativos, não vejo como a ação do contribuinte antes do procedimento fiscal possa corrigir uma ocorrência infracional tipificada Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 4 5 como atraso. A espontaneidade não tem o condão de desfazer a inobservância do prazo. Se a infração é por entregar um documento fora do prazo, uma vez que a data determina na legislação não foi observada, a apresentação espontânea do documento não pode mais desconstituir o fato. A ação não altera o quadro. O atraso persiste e para ele há previsão legal de multa. Entregar o documento espontaneamente, mas, ainda assim, em atraso é exatamente fazêlo a destempo, como fez o contribuinte, cometendo assim a infração. Com efeito, o núcleo da infração definida como prestação informações fora do prazo é em todo coincidente com a ação espontânea, se não vejamos. Do teor do conteúdo normativo presente no artigo 138 do Código Tributário Nacional extraise instantaneamente dois elementos essenciais aos efeitos da ação espontânea do sujeito passivo: a ocorrência de infração à legislação tributária e a ação preventiva, antes do conhecimento do Fisco. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Sem que tenha ocorrido a infração, não há que se falar em responsabilidade do sujeito passivo. A conduta proativa, por sua vez, constitui o remédio capaz de excluir a responsabilidade decorrente da infração. A infração, com muita frequência, está associada ao elemento temporal de uma determinada obrigação. A ideia de um momento predeterminado para o adimplemento de um compromisso é inerente a boa parte das condutas sancionadas. A obrigação, seja de recolher tributos ou de prestar informações, somente se aperfeiçoa quando expirado o prazo definido em lei para que o sujeito passivo tome a providência. De sua negligência decorre a infração, do tipo definido em texto normativo próprio. Constituída a violação da norma tributária pela inobservância do prazo de adimplemento da obrigação de fazer, a infração definida em lei estará destinada a coibir, em regra geral, duas diferentes condutas. A primeira delas referese à omissão ou erro do sujeito passivo em relação à obrigação que a norma lhe impunha, enquanto a segunda está associada apenas à inobservância do prazo estipulado na legislação tributária. A primeira das condutas sancionadas pode ser definida como pertencente a um grupo identificado pelas infrações por “deixar de fazer/fazer errado”, já a segunda, diferentemente, classificase no grupo de infrações por fazer fora do prazo. Como dito, a ação espontânea, embora proativa, motivada pela preocupação que faz o contribuinte anteciparse ao procedimento fiscal, é também extemporânea, pois a infração, o mais das vezes, só existe porque o prazo de adimplemento expirou. É deste quadro que exsurge atributo próprio do instituo da espontaneidade presente em qualquer cenário que contenha os elementos acima descritos. A ação espontânea do contribuinte, relacionese ela à obrigação principal ou acessória, é somente capaz de excluir Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 a responsabilidade pela infração que estiver relacionada à conduta classificada como omissão ou erro (deixar de fazer), nunca na conduta agir fora do prazo. Explico. Suponhamos que a data de vencimento de uma determinada obrigação tributária seja no dia 10 de um mês qualquer (ela pode estar relacionada ao dever de efetuar o recolhimento ou lançamento dos tributos/contribuições ou de prestar declaração exigida pelo Fisco). Somente algum tempo depois, no dia 20 do mesmo mês, o contribuinte paga ou lança os tributos devidos ou presta a declaração exigida. Mais tarde, no dia 30, o Fisco requer a comprovação do recolhimento ou lançamento dos tributos ou apresentação da declaração a que o contribuinte estava obrigado. Ao expirar o prazo de adimplemento do compromisso, no dia 10, uma vez que haja previsão legal, o contribuinte automaticamente incorre na infração por omissão ou erro, que poder é ser por falta de pagamento, falta de declaração, declaração inexata, falta de lançamento, lançamento a menor, ou outra do gênero. Essa infração perdura até o momento em que o contribuinte toma a providência que havia negligenciado, no dia 20, pagando, declarando, lançando ou retificando espontaneamente a prestação defeituosa. O instituto da espontaneidade é o que afasta a possibilidade de que o Fisco autue o contribuinte pela infração por omissão ou erro, que subsistiu no período que vai do dia 10 ao dia 20, mas que foi regularizada antes do início do procedimento fiscal. Até o dia 20, quando o contribuinte adota espontaneamente a providência de regularizar a sua situação, excluindo a responsabilidade pela infração de omissão ou erro, sequer haveria razão para que se falasse em infração por fazer fora do prazo. A única infração punível até a data na qual o contribuinte satisfaz espontaneamente a obrigação é por omitirse ou equivocarse na prestação. De fato, é justamente a medida acautelatória adotada que faz surgir, também acaso prevista em lei, a infração da segunda espécie, por fazer fora do prazo. O mais elementar exemplo prático da construção teórica acima desenvolvida encontrase nas infrações decorrentes da falta/atraso no pagamento/declaração/compensação dos tributos/contribuições. As penalidades correspondentes a essas infrações foram graduadas de acordo com a conduta observada. Se a Fiscalização Federal, no início do procedimento, constata que os tributos/contribuições não foram pagos/declarados/lançados, a infração apenada será por falta de pagamento, falta de declaração, falta de lançamento etc, passível de multa no percentual de 75% do valor devido. Se a constatação é a de que os tributos/contribuições foram pagos/declarados/lançados espontaneamente, mas fora do prazo, é afastada a infração maior, pelo não pagamento/declaração/lançamento, sobrevindo pena menor, não punitiva (remuneratóriocompensatória), de até 20%. Na linha do tempo antes formulada, a infração apenada com a multa de 75%, por omissão, perdurou desde o dia 10 até o dia 20. Como o Fisco apenas agiu no dia 30, essa infração já estava excluída pelo instituto da espontaneidade. Contudo, ao identificar o pagamento em atraso, será exigida do contribuinte a multa de até 20% pela infração decorrente do pagamento em atraso efetivado apenas no dia 20. Observese. O pagamento espontâneo realizado no dia 20 é justamente o fato gerador da infração por fazer fora do prazo. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 5 7 Assim sendo, como falarse, então, em exclusão de responsabilidade por infração nascida do próprio ato? E mais, como conceber a ideia de que o pagamento venha excluir uma infração que ainda não existe? Impossível. É verdade que nem todos os eventos irão alinharse tão perfeitamente ao esquema acima desenhado. Algumas infrações tipificam conduta que não pode ser determinada como pertencente a um ou a outro grupo, mas aos dois. É o caso da infração sub examine. Deixar de prestar informação (...) na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal enquadrase tanto como infração por omissão (deixar de prestar), quanto como infração por inobservância do prazo (deixar de prestar no prazo). Fosse a infração por “prestar fora do prazo” e teria enquadramento preciso no segundo grupo. Estivesse definida como “não prestar a informação”, no primeiro. A infração por deixar de fazer no prazo, ao contrário do exemplo proposto, nasce com o transcurso do prazo para adimplemento da obrigação. Não se percebe, assim, completamente reproduzida a situação na qual a infração decorre precisa e indistintamente da ação espontânea, conforme é o caso da infração por fazer em atraso. Inobstante, não me parece que esse fato possa alterar os efeitos decorrentes da prestação espontânea. Ainda que ausente um dos elementos que lhe destituem a função excludente, permanece o outro, qual seja, a exata coincidência entre a ação espontânea e a conduta sancionada, ou, pelo menos, uma das condutas sancionadas na norma. Deixar de fazer no prazo e fazer fora do prazo são diferentes apenas em relação ao momento a partir do qual a infração se encontra materializada (uma a partir do vencimento, outra a partir da ação). Contudo, uma vez que o contribuinte age, identificam conduta idêntica (não fazer no prazo, igual a fazer fora dele) e constituída pela ação espontânea. Ademais, a meu sentir, o que há de mais importante em infrações desta natureza é a presença expressa do elemento temporal. Quando o legislador pretende punir o atraso, não a omissão, pode se referir ao fato sem se atentar a todas essas particularidades. Referese assim, indistintamente à infração por prestar fora do prazo, não prestar no prazo, atraso na entrega etc. O que pretende coibir, contudo, não me parece que seja outra coisa, se não o atraso. Nesta linha de raciocínio foi editada a Súmula 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A seguir transcrevo a ementa de alguns dos Acórdãos que deram respaldo à Súmula. 10709.410 Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratar Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 se de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. 10709330 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, não alcança as infrações decorrentes do nãocumprimento de obrigações acessórias autônomas. Cabível a multa por atraso na entrega da entrega da declaração de rendimentos, mesmo que espontaneamente apresentada. 10516.676 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EX: 1999 a 2003 IRPJ MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO A partir de primeiro de janeiro de 1995, a apresentação da declaração de rendimentos, fora do prazo fixado sujeitará a pessoa jurídica à multa pelo atraso. (Art. 88 Lei nº 8.981/95 c/c art. 27 Lei nº 9.532/97, Art. 7º da LEI nº 10.426/2002). Inaplicável a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. 10809029 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN Cabível a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos devida pela sua apresentação fora do prazo estabelecido, ainda que a contribuinte a faça espontaneamente. Inaplicável a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. 10809029 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA ALCANCE DO ARTIGO 138 DO CTN Cabível a exigência da multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos devida pela sua apresentação fora do prazo estabelecido, ainda que a contribuinte a faça espontaneamente. Inaplicável a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN em relação ao descumprimento de obrigações acessórias com prazo fixado em lei. Vêse que as decisões não estão fundamentadas na natureza da infração ou na precisa tipificação da pena. Multa por atraso na entrega, entendeuse, não pode ser excluída pela ação espontânea. Ainda mais, o tipo legal da infração prevista no artigo 7º da Lei 10.426/02, citado em uma das ementas acima, é em idêntica ao da infração cometida pela Recorrente. Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifos meus) Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 6 9 I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) De se acrescentar que, com base nesses mesmos pressupostos, não vejo razões para entender que a modificação introduzida no parágrafo 2º do artigo 102 do Decreto lei 37/66 tenha trazido tão grande inovação ao mundo jurídico. Ao referir que a denúncia espontânea seja acompanhada do pagamento se for o caso, o artigo 138 do Código já previa a possibilidade de que outras infrações, não relacionadas à inadimplência da obrigação de pagar, fossem excluídas pela ação espontânea. Não me parece que as infrações administrativas estivessem privadas do instituto da espontaneidade. A modificação introduzida pela Lei nº 12.350, de 2010 não inaugura novo tratamento, apenas ratifica a regra insculpida na orientação de base. Sobre o assunto, pela excelência na abordagem empregada, transcrevo excertos do Voto proferido pelo i. Colega, Conselheiro José Fernandes do Nascimento, nos autos do processo 11128.002765/200749, Acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decreto lei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. (...) Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 7 11 Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória1 (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. Para encerrar, não será demais acrescentar questão de natureza principiológica, relacionada à motivação pela qual o legislador previu a exclusão da responsabilidade pela infração nos casos de ação espontânea do contribuinte. 1 A origem dessa discussão está na jurisprudência do C. STF (RE nº 79.625/SP) que tratou da natureza jurídica da multa moratória (se punitiva ou ressarcitória), quando julgou questões acerca da aplicação do art. 184 do CTN, que trata dos privilégios do crédito fiscal, no âmbito do processo de falência. Segundo o referido julgado, entendeu a Corte Suprema que a dita multa tinha natureza punitiva. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 12 Como é de amplo conhecimento, o instituto da espontaneidade destinase a incentivar o sujeito passivo a regularizar sua situação tributária por iniciativa própria, sem a necessidade de que o Fisco empregue qualquer esforço neste desiderato. Em tais condições, se vê afastada a infração que, como se disse, perdurou por certo tempo, mas que, regularizada, nenhum prejuízo acarretou aos cofres públicos. Terminam as duas partes, sujeito passivo e Administração, favorecidos pela medida, um dispensado da alocação de recursos adicionais na promoção da arrecadação, outro exonerado da multa decorrente da prática da infração. No caso concreto estes elementos não estão presentes. Aqui, a prestação de informações fora do prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, boa parte das vezes, pode representar uma ação destituída de qualquer utilidade. Apenas para citar um exemplo, dentre os tantos prazos definidos pelas normas internas do Fisco, há os que exigem que a informação seja prestada antes da chegada ou atração do veículo transportador ao seu local de destino. Nestas situações, a prestação em data posterior termina por constituir em procedimento absolutamente inócuo e sem sentido. Ou seja, enquanto a ação espontânea contemplada na norma tributária destinase à regularização da situação do contribuinte inadimplente, à luz de princípios razoáveis, alicerçados no favorecimento de todas as partes envolvidas, o beneficio que decorreria da espontaneidade nas circunstâncias aqui descritas terminaria, em lugar disso, por prestigiar a desorganização do sistema. VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 29 de novembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator Designado. Em que pese o respeitável voto do e. relator, divirjo do entendimento quanto a não aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas em discussão no presente processo. Entendo plenamente aplicável a denúncia espontânea às multas administrativas nos termos do art. 102 do Decretolei nº 37/66, alterado pela MP º 497/2010. A informação intempestiva das informações referentes às operações de comércio exterior e em momento anterior a atuação da fiscalização aduaneira é fato incontroverso no processo e portanto, a análise do recurso encontrase unicamente na possibilidade da utilização da denúncia espontânea para estas penalidades administrativas. Neste ponto é relevante, destacar que não há reparo a fazer na decisão da autoridade a quo, considerando a legislação vigente à época daquele julgamento. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 8 13 Entretanto, legislação superveniente alterou o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea. A alteração foi promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010. A nova redação do art. 102 esta transcrita abaixo. "Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." A legislação tributária de forma precípua, trata da vigência das leis sempre com visão de aplicação futura, ou seja, a eficácia da lei se faz sentir a partir da sua existência no mundo jurídico. Entretanto, em algumas situações quis o legislador criar exceções a regra geral, atribuindo a legislação tributária, o que se convencionou chamar de retroatividade benigna. As exceções estão previstas no artigo 106 do CTN. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática” No caso em tela, apesar do fato gerador da multa, ter ocorrido em data anterior à edição da Lei nº 12.350/10, obedecendo à alínea “c”, do inciso II, do art. 106 do Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 14 CTN, entendo que a nova sistemática que ampliou a aplicação da denúncia espontânea também para as penalidades administrativas, sem dúvida criou uma situação mais benéfica ao Recorrente, permitindo que à penalidade administrativa seja alcançada pelo instituto da denúncia espontânea. Quanto a classificação da multa em comento nos autos como multa administrativa, não vejo como mudar tal disposição. As multas tributárias tem o condão de punir o descumprimento do sujeito passivo da legislação tributária e podem ser classificadas em dois grupos: àquelas referentes a falta de recolhimento de tributos e àquelas referentes à falta de cumprimento de obrigação acessória. As primeiras são multas tipicamente tributárias, as segundas são multas administrativas. O legislador ao promover a alteração no art. 102 do DecretoLei nº 37/66, deixou clara a sua posição quanto a matéria ao incluir dentre as penalidades possíveis de aplicar a denúncia espontânea as tributárias e administrativas, excluíndo àquelas aplicadas nas hipóteses de pena de perdimento. Entendo, que tal posicionamento, deixa evidente a condição das multas aplicadas por duscumprimento de obrigação acessórias serem multas administrativas. A matéria também foi objeto de julgamento na Primeira Turma da Primeira Câmara desta Terceira Seção que por unanimidade, decidiu aplicar a denúncia espontânea em multa por descumprimento no prazo para informação de registro de embarque no Siscomex. O referido Acórdão de nº 3101.000.997, de relatoria do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, foi assim ementado: “Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 25/10/2006 Ementa: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO..” Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso voluntário, aplicando a retroatividade benigna para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. Brasília, 29 de novembro de 2012. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.006970/200783 Acórdão n.º 3102001.684 S3C1T2 Fl. 9 15 Winderley Morais Pereira Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/12/2013 p or WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11060.002209/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DE PROVAS E DE ALEGAÇÕES.
O acórdão deve referir-se, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio.
BOLSA DE ESTUDO. TRIBUTAÇÃO.
Incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa de estudo para pesquisa, realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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APRECIAÇÃO DE PROVAS E DE ALEGAÇÕES. O acórdão deve referirse, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio. BOLSA DE ESTUDO. TRIBUTAÇÃO. Incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa de estudo para pesquisa, realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 09 /2 00 9- 66 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 404 2 EDITADO EM: 21/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra NIRVAN HOFSTADLER PEIXOTO foi lavrado Auto de Infração, fls. 100/107, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2004 a 2007, exercícios 2005 a 2008, no valor total de R$ 26.334,29, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2009. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Relatório de Fiscalização, fls. 109/114, encontrase assim descrita: O sujeito passivo classificou indevidamente,como isentos/não tributáveis, na Declaração de Ajuste Anual, os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de serviços prestados à FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA E CIÊNCIA (FATEC). A natureza jurídica dos rendimentos recebidos não se enquadra na hipótese.do art. 26 da Lei. n°9.250, de 26 de dezembro de 1995. Não se tratam, portanto, de rendimentos isentos/não tributáveis, mas de rendimentos tributáveis, conforme melhor demonstrado no Relatório de Fiscalização, que é parte integrante do presente lAuto de Infração. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 117/140, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/POA nº 1029.370, de 25/01/2011, fls. 263/274. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 29/03/2011, fls. 278, o contribuinte apresentou, em 12/04/2011, recurso voluntário, fls. 279/290, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que a decisão recorrida não analisou a vasta documentação acostada pelo contribuinte nos autos, eis que nada mencionou sobre a especificidade dos projetos em que atuou, da forma como se deu sua atuação nos referidos projetos, etc. Os julgadores simplesmente optaram por não analisar nenhuma das provas carreadas pelo contribuinte. que suas atividades preenchem plenamente os requisitos estabelecidos pela legislação. O recorrente recebeu bolsas, doações, isentas de tributação pelo imposto de renda. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 405 3 que o recorrente atuou em projetos de pesquisa. Em nenhum dos projetos a Fatec ficou com o monopólio dos resultados da sua pesquisa. Tais também não foram privilégio da UFSM ou de qualquer outra empresa ou entidade. Os resultados das pesquisas foram publicados em centenas de artigos e periódicos de âmbito nacional e internacional. Ou seja, o conhecimento desenvolvido pelo autor se tornou público. Ninguém obteve lucro com essa pesquisa (a não ser a humanidade como um todo, haja vista o conhecimento obtido). que o Poder Judiciário vem decidindo no sentido de reconhecer a isenção de bolsas de estudo doadas pela Fatec. É o Relatório. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 406 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte afirma em sua peça recursal que a decisão recorrida não analisou a vasta documentação acostada aos autos. Nesse sentido, importa dizer que a decisão recorrida encontrase devidamente fundamentada, sendo certo que a motivação para a manutenção do lançamento está fartamente demonstrada nos autos, conforme se infere do trecho a seguir transcrito: Conforme consta do Relatório da Fiscalização contido no auto de infração às fls. 109 a 114, os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo e pesquisa da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, considerados pelo contribuinte como isentos e não tributáveis, foram objetos de lançamento, por entender que tais bolsas não satisfazem os critérios previstos para usufruir o benefício de isenção previsto em lei. Diante da minuciosa descrição dos fatos feita pela fiscalização e da farta documentação constante dos autos, constatase que os valores percebidos pelo impugnante foram em virtude de prestação de serviços à Fundação. No caso, verificase que há prestação de serviço da FATEC para a UFSM, sendo que a fundação contrata servidores pertencentes aos quadros da própria universidade para comporem a equipe técnica que atuará na execução do projeto, mediante o pagamento de bolsas. Assim, a FATEC efetua os pagamentos aos servidores participantes como remuneração pelos serviços prestados nos diversos projetos. Destarte, as atividades desenvolvidas pelos bolsistas representam uma vantagem para o doador ou contraprestação de serviços, ainda que de forma indireta, descaracterizando a isenção nos termos do inciso VII do art. 39 do RIR/99, pretendida pelo impugnante. Digase, ainda, que o acórdão, resultante da apreciação da impugnação, deve referirse, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio. Logo, não assiste razão ao recorrente quando afirma que a decisão recorrida deixou de apreciar os documentos juntados aos autos. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 407 5 No mérito, o contribuinte afirma que os valores recebidos da Fatec caracterizamse como bolsas de estudo (doações) e que se enquadram nas condições de rendimentos isentos e não tributáveis. De pronto, devese ter em mente que, no que se refere à bolsa de estudo, a regra geral é a tributação, como se depreende pela leitura do art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), abaixo transcrito: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769, de 1998, arts. 1ºe 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; A isenção se restringe à hipótese descrita no artigo 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, matriz legal do artigo 39, inciso VII do citado RIR/1999: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Do dispositivo acima transcrito resta claro que somente são isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo que se caracterize como doação, ou seja, quando recebidos exclusivamente para proceder a estudo e pesquisa e o resultado dessas atividades não represente vantagem para o doador e não caracterize contraprestação de serviço. No presente caso, a autoridade fiscal demonstrou no Relatório de Fiscalização, fls. 109/114, que é parte integrante do Auto de Infração, que os rendimentos recebidos pelo contribuinte da Fatec não preenchem os requisitos estabelecidos no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995. Por pertinente, transcrevese a seguir trecho do Relatório de Fiscalização: Nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física referentes aos anosbase 2004, 2005, 2006 e 2007, o contribuinte fez constar rendimentos isentos recebidos da FATEC, conforme já discriminado. Tais rendimentos; conforme também já mencionado,se referem aos Projetos 95914 e 95920, ambos de interesse do DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO DO RIO GRANDE DO SUL – Detran/RS. Em 2007 foi deflagrada a "Operação Rodin", visando aferir possíveis irregularidades envolvendo o Detran/RS e diversas pessoas físicas e jurídicas, dentre elas, a Fatec. A Justiça Federal não só autorizou a comunicação de dados à Secretaria Fl. 407DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 408 6 da Receita Federal do Brasil; obtidos no curso do inquérito e objeto do processo 2007.71.02.0078728, como também disponibilizou cópia em versão digital dos autos (fls. 44 e 45). Juntamos ao procedimento fiscal em curso, para fins de instrução, cópia das peças que passamos a mencionar. Em 1º de julho de 2003, foi firmado o Contrato n°.34/2003 (fls. 46 a 49) entre o Detran/RS (Contratante) e a Fatec (Contratada), válido por 180 (cento e oitenta) dias, tendo como objeto “a prestação de serviços técnicos especializados, objetivando o estabelecimento de procedimentos, execução e condições concernentes ao Exame de Habilitação para condução de veículos automotores no Estado do Rio Grande do Sul” (sic) Dentre as várias obrigações da Contratada, constam: revisar os itens relativos à Legislação de Trânsito; elaborar e incluir mensalmente 10 novos itens no Banco de Itens; desenvolver e manter software para a geração aleatória dos exames; confeccionar o exame teórico e aplicar o exame prático; e manter todas as condições de habilitação e qualificação exigidas. No contrato em questão há previsão, ainda, de que a Fatec contrate professores especializados nas matérias que compõem os exames (fl. 47) e realize auditorias periódicas, visando à identificação e saneamento de eventuais irregularidades nos processos e procedimentos de exame de habilitação, bem como o constante aprimoramento e modernização das normas que constituem o objeto contratual (grifos nossos), conforme consta à fl. 48, verso. Pela prestação dos serviços contratados, foram estipulados os valores a serem pagos à contratada (fl. 48, verso). (...) Em documentos apresentados pela Fatec à AuditoresFiscais lotados nesta Delegacia, que foram em parte descaracterizados, a bem do sigilo fiscal, fica demonstrada a utilização de valores pagos pelo Detran/RS à Fatec na remuneração dos "bolsistas" (fls. 65 a 70). A título exemplificativo, percebese, nas planilhas apresentadas pela Fatec, que: em 06. de abril de 2004, houve emissão de fatura pela Fatec em função dos serviços prestados ao Detran/RS, sendo que em 19 de abril de 2004 foram repassadas à UFSM as quantias de R$ 6.500,00 e de ;R$ 12.368,00. A UFSM, em 23 de abril de 2004, devolve a segunda parcela à Fatec (R$ 12:368,00), para que esta efetue pagamento mensal aos bolsistas, cujo valor é o mesmo estabelecido no Contrato 232/2003. Em 29 de abril de 2004, o contribuinte ora fiscalizado recebe a1 bolsa referente ao mês de Fl. 408DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 409 7 março daquele ano (fl. 89), no valor de R$ 1.000,00 (um mil reais). Em resumo, a Fatec contratou serviços da UFSM, mais especificamente a Coperves, para atender a obrigações perante o Detran/RS, utilizando recursos, provenientes dos serviços prestados, ao Detran/RS nos pagamentos à UFSM. Por sua vez, a UFSM contratou a própria Fatec para que esta executasse projetos supostamente institucionais; visando atender a demandas da mesma Fatec e do Detran/RS. Os valores contratados se referem às “bolsas de pesquisa” e ao ressarcimento à UFSM, pelo uso de sua infraestrutura; o que quer que isso signifique. Notase, claramente, que os projetos em tese elaborados na UFSM vão ao encontro das obrigações decorrentes dos contratos firmados: entre a Fatec e o Detran/RS. Ou seja, surgem projetos supostamente "institucionais" da UFSM, quando, na verdade, tal artifício serviu para acobertar a natureza dos serviços prestados pelos "bolsistas", servidores públicos dentre eles o contribuinte ora fiscalizado, no interesse da Fatec e do Detran/RS. Do acima transcrito, resta evidenciado que os valores recebidos pelo contribuinte não se enquadram nas condições de isenção previstas no art. 26 da Lei nº 9.250, de 1995, posto que os trabalhos realizados foram no interesse do Detran/RS, que em última análise arcou com os pagamentos recebidos pelo contribuinte da Fatec. Digase, ainda, que tal entendimento está em linha com a jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que em seus julgados vem decidindo que incide imposto de renda sobre valores recebidos a título de bolsa para pesquisa realizada no interesse de empresas privadas ou entes públicos, os quais aproveitam os resultados correspondentes. Citese as decisões proferidas nos processo 500369306.2011.404.7102, de 19/03/2013, 500370435.2011.404.7102, de 26/02/2013 e 500160932.2011.404.7102, de 19/09/2012, trazendose a ementa da decisão do último processo citado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA.BOLSA DE ESTUDO OU PESQUISA. NÃO ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS NECESSÁRIOS À CONCESSÃO DE ISENÇÃO. INCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. Para que seja concedida a isenção do imposto de renda pretendida, é necessário que sejam cumpridos os requisitos previstos na legislação de regência, acima transcrita, ou seja, que o pagamento a bolsa objetive estudos ou pesquisas, cujo resultado da atividade não represente vantagens ao doador, de forma a poder caracterizálas como doação. 2. Logo, por óbvio, se a bolsa for concedida com o único objetivo de remunerar a prestação de serviço realizada pelo bolsista, não há como isentálo do pagamento do imposto de renda. 3. Resta claro que os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM relativamente à prestação de serviços pela FATEC às Fl. 409DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11060.002209/200966 Acórdão n.º 2102002.739 S2C1T2 Fl. 410 8 pessoas jurídicas ou entes públicos interessados apresentam nos itens denominados "Plano de Aplicação de Recursos" a previsão de remuneração quanto à taxa de administração da FATEC. 4. Há retorno econômico tanto para a UFSM quanto para a FATEC, visto que ambas entidades são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos. 5. As atividades desenvolvidas pelos participantes dos projetos relacionadas aos programas não são eminentemente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visam a consecução de resultados econômicos em favor dos doadores, mediante aprimoramentos técnico de procedimentos realizados pelos mesmos em suas áreas de interesse e/ou atuação, o que é obtido a partir da prestação de assessoria administrativa/contábil. 6. Ainda que o alcance de tais resultados possa ocorrer em função de realização prévia de estudos, bem assim da aplicação de conhecimento científico consolidado, o escopo primordial das atividades é indisfarçavelmente a contraprestação de serviços aos doadores. 7. Em face da inversão da decisão, condenase a autora ao pagamento de custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados em 10% sobre o valor da causa, ex vi do art. 20, §§ 3º e 4º do CPC. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 410DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13819.000591/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme determina o artigo 62 do RICARF. Aplicação da Sumula CARF nº 2.
RESTITUIÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO.
O ICMS integra a base de cálculo da Cofins e do PIS, não havendo falar em direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3101-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 30/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme determina o artigo 62 do RICARF. Aplicação da Sumula CARF nº 2. RESTITUIÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Cofins e do PIS, não havendo falar em direito creditório. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. EDITADO EM: 30/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.000591/200727 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3101001.550 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria Restituição Recorrente VOLKSWAGEM DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme determina o artigo 62 do RICARF. Aplicação da Sumula CARF nº 2. RESTITUIÇÃO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Cofins e do PIS, não havendo falar em direito creditório. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 30/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 05 91 /2 00 7- 27 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição formulado em papel em 04/06/2007, referente a suposto crédito de PIS do período de apuração maio/2002, decorrente de compensação, em seu entendimento, realizada a maior, com crédito vinculado ao processo n° 13819.001364/200212 anteriormente formulado. O referido pedido foi apreciado e indeferido pela unidade de origem, por entender não prevalecer a tese de que o ICMS não integraria o faturamento da empresa para fins de incidência da PIS. Cientificada da decisão, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, onde alega a ilegitimidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS. A 3ª Turma da DRJ em Campinas, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde reproduz o alegado na manifestação de inconformidade. A unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente relativamente ao mês de maio de 2002, em razão da inclusão alegada como indevida, na base de cálculo dessa contribuição, de valores atinentes ao ICMS, que não configurariam, segundo seu entendimento, receita do vendedor. O r. acórdão não reconheceu do pedido por entender que o ICMS integra o faturamento da empresa para fins de incidência da PIS. Com relação ao mérito, o direito creditório reclamado pela Recorrente relativo à alegada ilegitimidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS, não pode ser reconhecido por esse órgão julgador. Argumentos de inconstitucionalidade de leis, como no caso em questão referente à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, transborda a competência desta Turma de Julgamento. A aplicação da lei ou decreto, no julgamento do processo administrativo fiscal é mandamento, mesmo sob o fundamento de inconstitucionalidade, Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 13819.000591/200727 Acórdão n.º 3101001.550 S3C1T1 Fl. 4 3 conforme expressamente determina o artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Ademais, a Súmula CARF nº 2, dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária” O ICMS integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins, conforme previsto na Lei nº 9.718/1998, em vigor à época dos fatos. A previsão legal de exclusão da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições contempla o ICMS apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (art.3º, § 2°, I, da Lei nº 9.718/1998). Assim sendo, a alegação da recorrente de que o valor do ICMS não integra o conceito de faturamento para fins de inclusão na base de cálculo do PIS e da Cofins não tem respaldo na legislação, não existindo nenhuma determinação legal que autorize tal exclusão. Correto está o acórdão recorrido quando seu relator afirma que o ICMS, por ser um imposto indireto e com mecanismo de cálculo por dentro, contemplando o seu próprio montante em sua base de cálculo, agregase ao preço do produto, integrando também o faturamento. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Sala das sessões, em 27 de novembro de 2013. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902063/2011-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 20 63 /2 01 1- 61 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 191 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 192 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: 1. Tratase de Declaração de Compensação (nº 07628.27201.140607.1.7.047575), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 13/06/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido da Contribuição para o PIS cumulativa (Código 8109), apresentando o DARF as seguintes características: Apuração Vencimento Arrecadação Principal Multa Juros Total 31/10/2002 14/11/2002 14/11/2002 6.049,23 6.049,23 1.1. Na DCOMP teria sido utilizada uma parcela daquele suposto crédito, no valor original de R$ 2.369,62, que, com a Selic acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito, também da Contribuição para o PIS, Código 8109, relativo a maio de 2007, no valor de R$ 2.812,03, com vencimento em 20/06/2007, mais acréscimos legais. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações – SCC, culminando com a emissão, em 01/04/2011, do Despacho Decisório eletrônico Nº de Rastreamento 916012071, devidamente chancelado pela autoridade administrativa competente – no caso, o titular da DRF/Recife –, do qual a interessada foi cientificada, por via postal, em 19/04/2011. 2.1. O DARF informado na DCOMP foi encontrado nos Sistemas Informatizados da RFB, mas já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Diante da inexistência do crédito, a compensação não foi homologada, resolvendose integralmente a extinção do débito, que passou a ser exigível, com os acréscimos legais devidos, calculados desde o vencimento. 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 17/05/2011, Manifestação de Inconformidade, onde diz que, pelo que se depreende do teor do Despacho Decisório, “Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs ..., o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e sustenta que “exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 193 4 3.1. Em seguida transcreve os dispositivos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que regula as compensações dos tributos administrados pela RFB, enfatizando que a compensação com valores pagos indevidamente ou a maior não se enquadra em nenhuma das vedações legais. 3.2. Sintetiza os ponto de discordância da seguinte forma (in verbis): a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e do respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias. 3.3. Ao final, “demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRESSUPOSTOS. O direito à restituição decorre do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido (art. 165, I, do CTN), do qual se origina a obrigação tributária, inalterável até a extinção do crédito tributário dela decorrente (art. 113, § 1º, 139 e 140, do CTN). COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 194 5 Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a”, “b” e “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas da existência do direito creditório, a cargo de quem o alega (art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art 333, I, do CPC), devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ADMISSÃO. UNIDADE DE ORIGEM. Cabe à Unidade de Origem decidir sobre a admissibilidade de retificação da DCTF ou de qualquer outra declaração, falecendo competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para apreciar pedidos desta natureza. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 195 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi não homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório não existiria, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 196 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 197 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.902063/201161 Acórdão n.º 3801002.243 S3TE01 Fl. 198 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 13708.001427/2005-22
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1o e 2o do Regimento do CARF. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Pachoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Márcio Henrique Sales Parada.
Relatório
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1o e 2o do Regimento do CARF. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Pachoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado conta decisão proferida pela 3a Turma DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida. Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração do anocalendário de 2000 às fls. 05 a 12, tendo sido apurada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 08 .0 01 42 7/ 20 05 -2 2 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13708.001427/200522 Resolução nº 2801000.262 S2TE01 Fl. 115 2 omissão de rendimentos recebidos da CEF sendo R$ 51.853,45 com base nos contracheques e R$ 78.796,49 da ação trabalhista. O lançamento apurou um crédito tributário total de R$ 32.323,59 A contribuinte contesta o lançamento por meio da impugnação de fls. 01 a 04, alegando, em síntese, que: A CEF ao emitir as declarações teria se equivocado nos valores, como apontado à fl. 02; Assim, procedeu no levantamento dos contracheques e alvará judicial para confecção da declaração retificadora, em anexo, resultando no rendimento de normal da CEF no valor de R$ 54.942,60 e mais aquele relativo à ação trabalhista no valor de R$ 20.023,96; fl. 03, lista os documentos anexados ao processo e pede que seja aceita a retificadora, nos termos do art. 832 do RIR/99; A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 29/31, que restou assim ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Deve ser mantido o lançamento que se baseou em informações contidas na própria ação trabalhista do contribuinte. SOLICITAÇÃO DE RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Após a ciência do auto de infração o contribuinte não pode retificar a declaração de ajuste anual com o objetivo de incluir valores de rendimentos omitidos e nem tampouco novos valores de dedução, em respeito ao que dispõe o art. 832, do RIR/99 e nos termos do art. 145, do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão da primeira instância, a contribuinte, em 24.05.2011 fls ( 90 ), apresentou o recurso em 20.06.2011 fls ( 93/101.). Em sua defesa, argumentou em síntese, o seguinte: ● Em 1988, propôs a demanda trabalhista em face da Caixa Econômica Federal. ● Que a sentença do referido processo foi prolatada em 17.04.1989 pelo uizo da 18a Vara Federal, sendo expedidos os correspondentes Alvará de Levantamento no curso do ano de 2000. ● Que a recorrente recebeu o alvará em 21.02.2000, tombado por – 0183966 – Alvará de Levantamento n. 010/2000 e já trazia o valor do imposto de renda devido na operação, transcreveu o teor do Alvará. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13708.001427/200522 Resolução nº 2801000.262 S2TE01 Fl. 116 3 ● Que a recorrente equivocadamente recolheu o valor de R$ 5.146,59 em DARF em duplicidade de pagamento. ● Alega que o informe de rendimentos apresentado pela CEF estava repleto de erros. ● Aduz que retificou sua declaração de ajuste, tendo por base os valores constantes dos seus contracheques e do Alvará destacado. ● Que os Auditores da Delegacia de Julgamento entenderam intempestiva a retificação da DIPF/2001. ● Finalizando, alega que sobre o tema igualdade, vale destacar que daqueles 12 autores do processo trabalhista apenas três, entre eles a recorrente, foram alvo de autuações do fiscal federal. Os outros 9, apesar de adotaram idênticos procedimentos em sua declarações de ajuste, sequer passaram por ações fiscais, menos, ainda tiveram que chegar a esse Colendo Conselho para fazer vale uma decisão judicial. ● No Mérito – pede o arquivamento do presente auto de infração bem como a restituição do valor de R$ 5.055,59, atualizado de acordo com a Lei. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese no lançamento de omissão de rendimentos tributáveis da fonte pagadora Caixa Econômica Federal no valor de R$ 51.853,45, tendo como base os contracheques junto aos autos pela contribuinte de ( fls 18/28 ), bem como Ação trabalhista ( planilha de ( fls. 57 ), também da Caixa Econômica Federal no valor de R$ 78.796,49. Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13708.001427/200522 Resolução nº 2801000.262 S2TE01 Fl. 117 4 imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei n.º 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que, recentemente, foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex oficio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13708.001427/200522 Resolução nº 2801000.262 S2TE01 Fl. 118 5 Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720207/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/09/2011
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
Não se conhece o recurso apresentado, quando a interessada tenha ingressado em juízo, antes ou após a autuação, com ação judicial discutindo a matéria que tem o mesmo objeto do processo administrativo.
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA AÇÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO.
O disposto no art. 89, parágrafo 10 da Lei nº 8.212/91, que trata da qualificação da multa nos casos de falsidade na declaração, não se aplica a compensações efetuadas com créditos objeto de discussão judicial, especialmente se o direito creditório que se busca ver reconhecido vem sendo respaldado pelos tribunais superiores. O fato de a compensação ter ocorrido antes do transito em julgado da ação ajuizada para reconhecimento do direito à compensação do crédito pretendido não configura falsidade de declaração ou fraude passível de aplicação da penalidade aqui tratada.
Afastada a multa do § 10 do art. 89, da Lei n. 8.212/1991, por não estar caracterizada a conduta que impõe a sua incidência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar improcedente o AI DEBCAD nº 51.016.933-3.
Elias Sampaio Freire Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2010 a 30/09/2011 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se conhece o recurso apresentado, quando a interessada tenha ingressado em juízo, antes ou após a autuação, com ação judicial discutindo a matéria que tem o mesmo objeto do processo administrativo. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA AÇÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. O disposto no art. 89, parágrafo 10 da Lei nº 8.212/91, que trata da qualificação da multa nos casos de falsidade na declaração, não se aplica a compensações efetuadas com créditos objeto de discussão judicial, especialmente se o direito creditório que se busca ver reconhecido vem sendo respaldado pelos tribunais superiores. O fato de a compensação ter ocorrido antes do transito em julgado da ação ajuizada para reconhecimento do direito à compensação do crédito pretendido não configura falsidade de declaração ou fraude passível de aplicação da penalidade aqui tratada. Afastada a multa do § 10 do art. 89, da Lei n. 8.212/1991, por não estar caracterizada a conduta que impõe a sua incidência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar improcedente o AI DEBCAD nº 51.016.933-3. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Não se conhece o recurso apresentado, quando a interessada tenha ingressado em juízo, antes ou após a autuação, com ação judicial discutindo a matéria que tem o mesmo objeto do processo administrativo. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA AÇÃO JUDICIAL. ART. 170A DO CTN. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. O disposto no art. 89, parágrafo 10 da Lei nº 8.212/91, que trata da qualificação da multa nos casos de falsidade na declaração, não se aplica a compensações efetuadas com créditos objeto de discussão judicial, especialmente se o direito creditório que se busca ver reconhecido vem sendo respaldado pelos tribunais superiores. O fato de a compensação ter ocorrido antes do transito em julgado da ação ajuizada para reconhecimento do direito à compensação do crédito pretendido não configura falsidade de declaração ou fraude passível de aplicação da penalidade aqui tratada. Afastada a multa do § 10 do art. 89, da Lei n. 8.212/1991, por não estar caracterizada a conduta que impõe a sua incidência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 02 07 /2 01 2- 46 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar improcedente o AI DEBCAD nº 51.016.9333. Elias Sampaio Freire – Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 396 3 Relatório Como se verifica do Termo de Constatação Fiscal (fls. 211228), o processo administrativo n. 16004.720207/201246 tem origem em dois DEBCAD, lavrados contra o Município de Elisiário – Prefeitura Municipal, conforme a seguir: · AIOP/DEBCAD nº 51.016.9325: tem por objeto a exigência de obrigação principal, em razão da glosa de compensações efetuadas no período de junho/2010 a setembro/2011, com créditos oriundos de pagamento de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias e horas extras, pagamentos estes que o Autuado entende serem indevidos com base na jurisprudência dos Tribunais Superiores; · AIOP/DEBCAD nº 51.016.9333: tem por objeto a exigência de multa isolada, em razão de ter o Autuado inserido em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, informação de compensação a que sabidamente não teria direito – informação falsa, o que configura conduta ilegal tipificada no art. 72 da Lei n. 4.502/1964, ensejando a aplicação da multa estabelecida no § 10 do art. 89, da lei n. 8.212/1991, c/c art. 46, da IN/RFB 900/2008, de 150% sobre o valor da compensação indevida. Segundo o relato fiscal, a ação buscou verificar a regularidade das compensações promovidas pelo contribuinte em suas declarações nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, tendo este sido formalmente notificado a apresentar os elementos justificadores e os demonstrativos das compensações efetuadas bem como da apuração dos créditos compensados e certidão de objeto com as eventuais ações judiciais que as justificassem. Através da análise da documentação apresentada, concluiu a fiscalização que os créditos utilizados nas compensações não se originam de atos normativos declarados inconstitucionais, tampouco existe pronunciamento judicial favorável ao sujeito passivo que justificasse a compensação. O auditor fiscal autuante afirma que as compensações levadas a efeito dizem respeito às verbas/rubricas contábeis vertidas sobre o terço constitucional de férias e sobre horas extras, todas com caráter de contraprestação salarial e integrantes do saláriode contribuição dos segurados obrigatórios da Previdência Social, conforme dispositivos legais que transcreve. Ademais, afirma que o contribuinte não apresentou livros, documentos, medidas judiciais ou qualquer outra documentação hábil e idônea que corroborasse as compensações efetuadas, de maneira que promoveu as suas glosas nas competências em que foram formuladas e nos valores que especifica (a partir de junho de 2010 até setembro de 2011, em competências não contínuas). Acrescenta que o ente público não deteve sentença transitada em julgado em seu favor, tampouco esteve amparado a qualquer tempo por medida liminar que o autorizasse a Fl. 397DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 efetuar as citadas compensações e que, ainda que obtivesse autorização judicial, tal procedimento compensatório somente seria possível após o trânsito em julgado e com prévia habilitação do crédito, consoante preceituam disposições legais e normativas. Assim sendo, tais compensações reduziram, deliberadamente, o valor devido e o recolhimento das contribuições para a Seguridade Social, fato que configura a conduta ilegal de fraude, tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/64, ensejando a aplicação da multa preconizada no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, no importe de 150% sobre o valor da compensação indevida. Os dispositivos que lastreiam a aplicação da multa seguem abaixo reproduzidos para melhor análise: Lei 8.212/91 Art. 89. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 4502/64 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O Auditor emite Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente, em relatório à parte, com o fito de comunicar a possível ocorrência de ilícito penal de natureza tributária. Cientificado do auto de infração em 26.04.2012 (fl. 231), o contribuinte apresentou impugnações (fls. 235–273 e fls. 275316) em 17.05.2012, nas quais contesta os lançamentos fiscais com base nos seguintes argumentos: Impugnação ao AI/DEBCAD nº 51.016.9325(fls. 235273): · Afirma que o Supremo Tribunal Federal, a partir do RE nº 345.458/RS e iterativos julgamentos fixou o entendimento de que é ilegítima a incidência de contribuição previdenciária sobre adicionais de férias, horas extras e demais adicionais eventuais, por se tratarem de verbas indenizatórias/compensatórias, sendo que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor é que sofreriam a incidência da dita contribuição, conforme preceitua o art. 201, § 11 da CF/88. Da mesma forma, o Superior Tribunal de Justiça reviu sua posição para entender que não incide a contribuição previdenciária patronal sobre o terço constitucional de férias. Já o TRF da 3ª Região/São Paulo, ao julgar os MS nº 2009.61.14.0016860 e 2008.61.00.0289700 concedeu parcial provimento à apelação para Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 397 5 suspender a exigibilidade das contribuições sobre o terço constitucional de férias. Assim, por se tratar de matéria pacificada e com jurisprudência uniformizada no âmbito dos Tribunais Superiores, a autuação deve ser declarada nula ou inexistente; · Defende a regularidade da compensação, visto a impetração do Mandado de Segurança Preventivo n. 0000512811.2011.403.6106, junto à 1ª Vara da Justiça Federal de São José do Rio Preto. Impugnação ao AI/DEBCAD nº 51.016.9333(fls. 275316): · Repisa os argumentos da primeira impugnação no tocante à natureza indenizatória do terço constitucional de férias e horas extras; · Defende que a Súmula 460 do STJ, segunda a qual “é incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte” e o art. 170A do CTN, que obsta a compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial, não obstam o ajuizamento de mandado de segurança para que o Fisco respeite o direito do contribuinte de obter a restituição, mediante compensação, de tributo já declarado inconstitucional ou ilegal pelo STF ou pelo STJ, em decisões com efeitos erga omnes ou até mesmo gerais, tais como as proferidas em recursos submetidos à sistemática de repercussão geral ou de recursos repetitivos, que devem ser observados por todos os órgãos dos Poder Judiciário. Afirma que entendimento diverso permitiria que o Fisco se locupletasse às custas dos contribuintes, impedindo que eles obtenham de forma célere a restituição de tributos ilegítimos, já rechaçados definitivamente pelos Tribunais Superiores. O que, em seu entender, seria um estímulo à procrastinação de ações que sequer deveriam existir. · Conclui afirmando que jamais prestou informação falsa ou efetuou compensação de crédito inexistente, e pugna pela nulidade dos autos de infração. A 7 ª turma da DRJ/POR, através do Acórdão 1438.528 (fls. 321336), julgou a impugnação totalmente improcedente, em decisão assim ementada: PREVIDENCIÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação, na legislação tributária e previdenciária, é procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo pode se ressarcir de valores recolhidos indevidamente deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social, reservandose ao sujeito ativo o direito de conferir e homologar ou glosar e lançar os valores indevidamente compensados. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos) e daqueles oriundos de verbas que se constituem, perante a legislação, basesdecálculo de contribuições previdenciárias; mormente quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 se operou o transito em julgado. Também corresponde à hipótese de compensação indevida aquelas formuladas em desacordo com as normas que disciplinam a matéria, vale dizer, aquelas que não foram precedidas de habilitação (quando oriundas de decisões judiciais) e retificação das declarações que motivaram os recolhimentos incorretos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. As hipóteses de nãoincidência ao salário de contribuição são aquelas arroladas em relação exaustiva no § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91, observadas as vigências da redação original e alterações posteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida e uma vez presente o elemento de falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Impugnação improcedente. Crédito Mantido. No entender do órgão julgador de primeira instância, as compensações realizadas encontram óbice nos arts. 170 e 170A do CTN, posto que não há, in casu, crédito líquido e certo, bem como porque estas foram realizadas antes do trânsito em julgado da respectiva demanda judicial. Aduz, ademais, a decisão de primeira instância, que não foram preenchidas as condições para o exercício do direito à compensação, a saber: 1) a declaração da compensação em GFIP; 2) a retificação da declaração que fundamentou o recolhimento indevido; 3) a habilitação prévia do crédito pelo sujeito passivo quando oriundo de decisões judiciais transitadas em julgado, dentre outros requisitos norteadores dispostos nas legislações de regência. Além disto, a decisão de primeira instância firma que as compensações são ilegais posto que as decisões judiciais mencionadas pelo ora Recorrente tratam da Previdência de Servidores Públicos, ao passo que nos autos se encontram constituídas contribuições devidas aos segurados vinculados ao Regime Geral da Previdência Social. Assim, ainda que algumas decisões judiciais de primeira instância tenham agasalhado a tese do ora Recorrente, estas operam efeitos apenas entre as partes envolvidas. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 398 7 No que tange à exigência de multa isolada, a DRJ entendeu que o conceito de fraude disposto no art. 72 da Lei n. 4.502/1964 não se resume tãosomente em evitar a ocorrência do fato gerador que conduz ao nascimento da obrigação tributária, o que não estaria caracterizado, já que a obrigação nasce com o fato gerador, mas comporta também a conduta tendente a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir seu pagamento. Partindo desta premissa, e levando em conta que o ora Recorrente declarou créditos i) inexistentes de fato – posto que os recolhimentos pertinentes encontram respaldo legal e normativo – e ii) não passíveis de compensação, dada a vedação legal de fazêlo antes do trânsito em julgado de sentença declaratória que os reconheça, que o contribuinte sequer detém, concluiu, a DRJ de origem, que o contribuinte passou para a Administração Tributária a falsa idéia de que estava adimplente com suas obrigações atuais e passadas, evitando o seu pagamento, caracterizandose, assim, o evidente intuito de fraude. Por esta razão, manteve também o lançamento consubstanciado no DEBCAD n. 51.016.9333. Cientificado da decisão em 28.02.2012, o ente público apresentou recurso voluntário (fls. 346 – 388) em 23.10.2012, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. AIOP/DEBCAD nº 51.016.9325: Glosa das compensações com créditos de contribuições previdenciárias pagas sobre Adicional de Férias (ou terço constitucional de férias) e Horasextras O Recorrente defende que as compensações efetuadas tem esteio na jurisprudência dos Tribunais Superiores. De fato, a jurisprudência dos Tribunais Judiciais já sedimentou o entendimento acerca da impossibilidade de cobrança das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, ante à sua natureza indenizatória. É reiterada a jurisprudência sobre o tema. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em recente julgado, também adotou este entendimento, validando compensações realizadas por contribuinte, como se infere da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. VALORES PAGOS SOBRE AS VERBAS TITULADAS DE TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS E DOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR AUXÍLIO DOENÇA OU ACIDENTE DO TRABALHO. AUXÍLIOCRECHE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SÚMULA Nº 310/STJ. PARECER PGFN Nº 2.118/2011. DIREITO DE CRÉDITO. VERBAS QUE NÃO OSTENTAM O CARÁTER REMUNERATÓRIO. POSSIBILIDADE. Não devem ser glosadas as compensações efetuadas com valores de contribuições devidas pela recorrente, quando se pleiteia o seu abatimento com valores pagos indevidamente ou a maior. No caso, devem ser considerados como direito de crédito à Recorrente os pagamentos de contribuições a maior incidentes sobre o terço/adicional constitucional de férias e os quinze primeiros dias de afastamento do trabalho em decorrência de auxíliodoença e acidente do trabalho, bem como os pagamentos referentes ao auxíliocreche. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). (...) (CARF. Acórdão 2402003.564 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária. Sessão de 15 de maio de 2013) Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 399 9 Quanto à incidência das contribuições previdenciária sobre as horas extras, a jurisprudência judicial ainda não se consolidou sobre o tema, de modo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não reconhece as compensações realizadas pelos contribuintes com créditos desta natureza. Apesar do entendimento pacífico dos Tribunais Superiores e do precedente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais quanto à validade de compensações com créditos de contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias, a glosa perpetrada pela Fiscalização merece prosperar, tanto quanto às compensações com estes créditos, como em relação àquelas realizadas com créditos de contribuições previdenciárias sobre horas extras. Isto porque o Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 0005128 11.2011.403.6106, que tem por objetivo o reconhecimento de inexistência de relação jurídica que o obrigue ao pagamento da contribuição previdenciária sobre horas extras e terço constitucional de férias (entre outras verbas), como se verifica da certidão acostada à fl. 19 dos autos e, concomitantemente, pleiteia a compensação dos créditos cujo reconhecimento está sob o crivo do Poder Judiciário. Tendo em vista que a matéria objeto do presente recurso voluntário encontra se em discussão no âmbito do Poder Judiciário, operouse a renúncia do contribuinte à sua apreciação pelo órgão julgador administrativo, conforme entendimento pacífico desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001, 2002, 2003 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO – IMPOSSIBILIDADE Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. (CARF. Acórdão nº 1803000.661 – 1ª Seção de Julgamento/3ª Turma Especial – Sessão de 10 de Novembro de 2010) Ademais, as compensações realizadas encontram óbice no art. 170A do CTN, que veda a realização da compensação antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (grifos nossos) Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 Diante de tudo que já foi destacado, voto por não reconhecer o direito à compensação das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias e sobre horasextras e, desta forma, manter a glosa perpetrada pelo DEBCAD n. 51.016.9325. AIOP/DEBCAD nº 51.016.9333 Multa isolada por falsidade da declaração prestada em GFIP No auto de infração destacado, a autoridade fiscal lança contra o Recorrente multa isolada de 150%, com fulcro na Lei nº 8.212/91, art. 89, § 10º, por afirmar que este apresentou declaração falsa ao promover compensação de crédito inexistente, estando configurada a conduta fraudulenta prevista no art. 72 da Lei n. 4.502/1964: Lei 8.212/91 Art. 89. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 4502/64 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso, entendo não estar caracterizada a materialidade da norma que impõe a aplicação da multa de 150% lançada contra o Recorrente. Para o cabimento da imposição da regra sancionatória imputada à Recorrente, seria necessário que a autoridade fiscal demonstrasse, de forma cabal, o evidente intuito do contribuinte em agir de forma fraudulenta. A aplicação da multa em debate é uma medida excepcional, que deve ser aplicada apenas nos casos em que se constate sonegação, fraude, devendo tal circunstância estar devidamente justificada e comprovada nos autos, como já tem entendido esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ESTRIBADA EM UMA PRESUNÇÃO LEGAL. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, em sua redação original, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 16004.720207/201246 Acórdão n.º 2401003.214 S2C4T1 Fl. 400 11 comprovação do evidente intuito de fraude. Nessa linha, incabível o exasperamento da multa de oficio quando a omissão de rendimentos está estribada em mera presunção legal, sem qualquer conduta adicional que qualifique a presunção. Recurso provido. (grifos meus) (Processo nº 18471.000150/200806, Acórdão nº 2102002.480 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 12 de março de 2013) (grifos nossos). Quando a fiscalização não logra comprovar todos os elementos para a aplicação da multa, o contribuinte não pode ser apenado, vez que em caso de dúvidas sobre a conduta fraudulenta, interpretase a norma da maneira mais favorável ao acusado. Tal entendimento encontra respaldo no Código Tributário Nacional, conforme disposto no art. 112, a seguir transcrito: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. No caso em análise, entendo que não houve intuito de fraude por parte do Recorrente, já que não houve compensação de crédito inexistente, mas sim de créditos que vem sendo reconhecidos no Poder Judiciário e que, possivelmente a Recorrente verá o seu direito reconhecido no futuro. A utilização de tais créditos antes do trânsito em julgado, de fato, ofende a legislação em vigor (art. 170A do CTN), mas não merece a aplicação de multa qualificada. A falsidade de declaração deve ser configurada quando não exista qualquer fundamento ao pleito do contribuinte, o que não é o caso dos autos. Veja o entendimento deste CARF sobre o tema: MULTA. ART. 89. LEI 8.212/91. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO APRESENTADA PELO SUJEITO PASSIVO. O dispositivo do art. 89, parágrafo dez da Lei nº 8.212/91 que trata de falsidade na declaração deve ser analisado atentamente, não podendo se estender ao mero erro procedimental. A falsidade deve se dar quanto à materialidade do crédito a ser compensado. (CARF, 2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO, proc. 10660.720348/201249, 2403001.8074ª Câmara/3ª Turma Ordinária) Desta forma, voto pela improcedência da multa lançada no DEBCAD nº 51.016.9333 por não restar caracterizado o fato que enseja a sua aplicação. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para julgar: ü PROCEDENTE o DEBCAD nº 51.016.9325 ü IMPROCEDENTE o DEBCAD nº 51.016.9333 É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 08/11 /2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 13851.002002/2002-34
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 101-02.426
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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Recorrida : 3° Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto-SP Sessão de : 16 de junho de 2004 RESOLUÇÃO N°. :101-02.426 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Royal Citrus SÃ. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE ci“ - SANDRA MAIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 1 5 JUL 214 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, VALMIR SANDRII, CAIO MARCOS CÂNDIDO, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. yr, Processo n° 13851.002002/2002-34 2 Resolução n° 101-02.426 Recurso n°. : 137.626 Recorrente : Royal Citrus S.A.. RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário contra decisão da 33 Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, SP. Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo o relatório que compõe a Decisão Recorrida : Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada omissão de receitas, no ano-calendário de 1998, caracterizada por manutenção no passivo de obrigação incom provada. 2. O crédito tributário lançado totalizou R$ 16.351.703,89, conforme demonstrativo consolidado de fl. 1. Foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 — imposto sobre a renda de pessoa Jurídica (IRPJ) — fls. 416. Imposto: R$ 3.957.588,95 Juros de mora: R$ 2.661.082,81 Multa Proporcional: R$ 4.452.287,57 Total: R$ 11.070.959,33 4.680,77 Ufir Enquadramento legal do imposto: Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR/1994), arts. 195, II, 197 e parágrafo único, 226 e 228; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24; Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 40 e 44, § 2°. 2 — Contribuição para o programa de integração social (PIS) — fls. 22124. Contribuição: R$ 161.967,05 Juros de mora: R$ 108.906,64 Multa Proporcional: R$ 182.212,93 Total: R$ 453.086,62 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) n° 7, de 7 de setembro de 1970, art. 3°, 'b"; LC n° 17, de 12 de dezembro de 1973, art. 1 0 , parágrafo único; Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n° 142, de 15 de julho de 1982, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea 'b", itens I e II; Lei n°9.249, de 1995, art. 24, § 2°; Lei n°9.715, de 25 de novembro de 1998, arts.2°, 1, 3 0, 80. e 9° . 3 — Contribuição para o financiamento da seguridade social (Cotins) — fis.27/28. Contribuição: R$ 498.360,16 Juros de mora: R$ 335.097,37 Multa Proporcional: R$ 560.655,18 Total: R$ 1.394.112,71 Enquadramento legal da contribuição: LC n° 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 1 0e 2°; Lei n°9.249, de 1995, art. 24, § 2°. 4 — Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) — fls. 31133. Contribuição: R$ 1.227.405,89 Juros de mora: R$ 825.307,72 Multa Proporcional: R$ 1.380.831,62 á. Processo n° 13851.002002/2002-34 3 Resolução n° 101-02.426 Total: R$ 3.433.545,23 Enquadramento legal da contribuição: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2°e §§; Lei n° 9.249, de 1995, arts. 19 e 24; Lei n°9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 1° ; e Lei n° 9.430, de 1996, art. 28. 3. O enquadramento legal da multa e dos juros de mora encontra-se às fls. 21, 26, 30 e 36. 4. Notificada do lançamento em 05/12/2002, conforme aviso de recebimento de fl.232, a interessada, representada pelos advogados Eduardo Secchi Munhoz e Renata Borges La Guardia (procuração de fls. 255/256), ingressou, em 06/01/2003, com a impugnação de fis.243/254, alegando, em suma: • Não haveria indícios que permitissem 'presumir' que os débitos objetos de lançamento teriam sido quitados; • Estaria claro que as dívidas não foram quitadas porque a empresa não dispunha de recursos; • Parte dos passivos considerados fictícios representaria despesas e dívidas incorridas no início da década de noventa, ou seja, existiriam há mais de uma década; • Sempre teria destinado a maior parte de sua produção ao mercado externo, caso em que todas saídas estariam sujeitas a fiscalização por parte da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), não podendo prevalecer a presunção de omissão de receitas porque não haveria possibilidade de realizar vendas de suco de laranja para o mercado externo sem a adoção de todas as formalidades aduaneiras; • Não estaria obrigada ao arquivamento dos documentos referentes aos passivos sob análise tendo em vista a ocorrência do prazo decadencial de cinco anos, por determinação do Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, § 40; • Pretende acostar aos autos documentos hábeis a evidenciar o total descabimento do auto de infração e imposição de multa, nos termos do Decreto n°70.235, de 6 de março de 1972, art. 17, § 40; • O presente procedimento contradiria autuações fiscais anteriores, lavradas pelo mesmo auditor fiscal, que exigiram PIS e Cofins relativos a variações cambiais ativas decorrentes da manutenção de ativos e passivos em dólar de 1997 a 2000 (processos n0 13851.001680/2002-80 e 13851.001681/2002-24); • Com relação ao agravamento da multa, a autoridade tributária não teria se lembrado que suas atividades se encontravam paralisadas desde 1997, não existindo representantes legais da empresa residindo na região; • Teria franqueado amplo acesso do autuante a seus arquivos, apresentando todos os documentos e livros fiscais à medida que solicitados, sendo que alguns não foram apresentados no prazo assinalado nos termos de intimação, mas dias mais tarde, o que seria natural, dada a dificuldade de reunir determinados documentos em seus arquivos; • Embora em alguns casos não tivesse conseguido cumprir os prazos determinados, solicitando prazos adicionais, nenhum prejuízo teria acarretado à fiscalização, que obtivera todos os documentos requeridos; • A autuação fiscal teria sido lavrada integralmente com respaldo em documentos fornecidos pela própria impugnante, descabendo o agravamento nesse caso, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 5. Protestando pela juntada posterior de documentos, requereu a anulação dos autos de infração e que todas as intimações sejam encaminhadas aos patronos subscritores da impugnação. A 2° Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto — SP, mediante o Acórdão DRJ/RPO N° 3492, de 26 de março de 2003, acordou, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento. gri Processo n° 13851.002002/2002-34 4 Resolução n° 101-02.426 Esse acórdão foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - 1FtPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada faz presumir a ocorrência de omissão de receitas. Assunto : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: MULTA AGRAVADA. NÃO-ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. A falta de atendimento no prazo às intimações durante a ação fiscal ensejam a aplicação de multa agravada. Lançamento Procedente Ciente da decisão em 27/09/2003, a contribuinte apresentou recurso em 28/08/2003. Quanto ao arrolamento de bens, deixou de apresentá-lo por ter sido efetuado o arrolamento de oficio. É o relatório. Processo n° 13851.002002/2002-34 5 Resolução n° 101-02.426 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O recurso é tempestivo e existe arrolamento de bens, feito de oficio . Assim, fica suprida a condição de seguimento. Dele conheço. A Recorrente é acusada de omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação incomprovada. Com o recurso a Recorrente, para elidir a acusação, juntou uma grande quantidade de documentos (mais de 2.500). Uma vez que se trata de documentos novos, deve o julgamento ser convertido em diligência a fim de que a fiscalização se manifeste quanto aos documentos apresentados, indicando se os mesmos se prestam para a comprovação, e em que medida, das obrigações mantidas no passivo e contestadas na ação fiscal. Deve o diligenciante elaborar relatório esclarecedor, dando dele ciência ao autuado. Sala das Sessões (DF), em 16 de junho de 2004 SANDRA MARIA FARONI Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.001011/2003-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração:01/10/2002 a 31/12/2002
INSUMO. ALÍQUOTA. PERCENTUAL SUPERIOR À DO PRODUTO ACABADO. SALDO CREDOR ACUMULADO. OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 9.779/99. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O direito ao ressarcimento ou compensação do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI acumulado em decorrência da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produto acabado tributado em alíquota inferior à incidente sobre o insumo, somente poderá ser exercido em operações posteriores à entrada em vigor da Lei nº 9.779/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 10/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração:01/10/2002 a 31/12/2002 INSUMO. ALÍQUOTA. PERCENTUAL SUPERIOR À DO PRODUTO ACABADO. SALDO CREDOR ACUMULADO. OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 9.779/99. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao ressarcimento ou compensação do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI acumulado em decorrência da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produto acabado tributado em alíquota inferior à incidente sobre o insumo, somente poderá ser exercido em operações posteriores à entrada em vigor da Lei nº 9.779/99. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 10/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
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ALÍQUOTA. PERCENTUAL SUPERIOR À DO PRODUTO ACABADO. SALDO CREDOR ACUMULADO. OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 9.779/99. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao ressarcimento ou compensação do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI acumulado em decorrência da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produto acabado tributado em alíquota inferior à incidente sobre o insumo, somente poderá ser exercido em operações posteriores à entrada em vigor da Lei nº 9.779/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do Relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 10/12/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 10 11 /2 00 3- 25 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A empresa interessada requereu, em 29/01/2003, ressarcimento de créditos provenientes do artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e artigo 1°, inciso II da Lei n° 8.402/92, nos valores respectivos de R$ 3.777.635,02 e R$ 165.951,13, totalizando o valor de R$ 3.943.586,15, conforme fls.04 dos autos, relativos a créditos de sua filial, CNPJ n° 76.500.180/001023, do 4° trimestre de 2002. Posteriormente, em 31/01/2008, conforme fls 183, solicitou retificação de fls. 04, alicerçando seu pedido de ressarcimento, nos mesmos valores, integralmente, no artigo 11 da Lei 9779/99. O contribuinte apresentou em 20/02/2003, a Declaração de Compensação, em papel, dando início à compensação de seu crédito escritural com os débitos do IRPJ e CSSL, códigos 2089 e 2372, relativos ao período de apuração de 2002, com vencimentos em 31/01/2003, no valor de R$ 669.039,58 e R$ 426.994,31, fls. 127. Em 09/06/2003, apresentou a Dcomp n° 32195.25031.090603.1.3.017507, apontando para compensação os débitos da COFINS, código 2172, dos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2003, nos valores, respectivamente, de R$ 161.671,08, R$ 150.724,92 e PIS Faturamento, código 8109, referente a março de 2003, no valor de R$ 11.737,73. Requer, ainda, compensação dos débitos do IRRF, código 5706, relativos ao período de apuração da 1ª semana de janeiro de 2003, nos valores de R$ 1.125.000,00, R$ 825.000,00 e R$ 573.418,27, fls. 145/146. Em 29/09/2003, apresentou a Dcomp n° 16159.28110.290903.1.7.019092, retificando a Dcomp retromencionada, apontando para compensação os mesmos débitos anteriormente apontados, com exceção de um dos IRRF devido, código 706, relativo a 1ª semana de 2003, com vencimento em , que do valor de R$ 1.125.000,00, passou a considerar o valor de R$ 1.050.000,00., fls. Em 28/11/2003, apresentou Dcomp n° 01529.52452.281103.1.3.015254, apontando para compensação os débitos do IRPJ, código 0220, do 1° trimestres de 2003, no valor de R$ 23.373,32, débitos da CSSL, código 6012, dos 1° e 2° trimestres de 2003, nos valores de 11.543,01 e R$ 14.144,24 e débito do PIS, código 6912, referente ao período de apuração de maio de 2003, no valor de R$ 3.236,48, considerando os acréscimos legais. Em 25/03/2004, a interessada apresentou a Dcomp n° 28700.41840.250304.1.3.014980, apontando para compensação, os débitos do PIS e da COFINS, códigos 6912 e 2172, referentes ao período de apuração de janeiro de 2004, nos valores, respectivos de R$ 18.182,74 e R$ 162,64, débito do IRRF, código 1708, relativo ao período de apuração da 3ª semana de outubro de 2003, no valor de R$ 18,90, e débito do IRRF, código 8045, relativo ao período de apuração da 1ª semana de abril de 2003, no valor de R$ 4.338,67, considerando os acréscimos legais. A SEORT da DRF/Curitiba intimou o contribuinte, em 10/01/2006 e 19/12/2007, a apresentar os elementos comprobatórios de seu direito creditório do 4° trimestre de 2002 e outros relacionados a outros processos. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.001011/200325 Acórdão n.º 3102002.078 S3C1T2 Fl. 3 3 Após a análise devida, a SEORT/DRF/Curitiba, em seu despacho decisório, reconheceu, parcialmente, o direito creditório da interessada, fls. 206, glosando o valor de R$ 2.099.684,73, por falta de previsão legal que conceda benefício fiscal relativo à diferença de alíquotas entre as matérias primas entradas no estabelecimento do industrializador e aquela prevista para os produtos saídos, bem como, por ter sido objeto de pedidos de ressarcimentos já indeferidos em decisões anteriores e, homologou, parcialmente, as compensações efetuadas, conforme DCOMP´s apresentadas, até o valor do débito deferido, restando, do encontro de contas, débitos a pagar, em valores originais, conforme discriminados às fls. 214. A interessada tomou ciência do despacho decisório em 29/02/2008, conforme fls. 223 e, irresignada apresentou a presente manifestação de inconformidade, fls. 260, com os seguintes argumentos de defesa, em síntese. a) “que tendo em vista posição dos Tribunais Superiores de que o direito a esse crédito existe mesmo antes da Lei n° 9779/99” b) “que tem direito ao creditamento do imposto em virtude do Princípio da Nãocumulatividade”. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração:01/10/2002 a 31/12/2002 DIREITO A CRÉDITO FICTO. INSUMOS NÃO ONERADOS IMPOSSIBILIDADE. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a diferença de alíquotas de matérias primas e produtos resultantes, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Considera que em nenhum momento a Lei 9.779/99 fez ressalvas de que o procedimento de restituição ou compensação dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI acumulado seria possível somente para os “créditos acumulados até 31/12/1998 [...]”. Que a Instrução Normativa nº 33/99 é ilegal e inconstitucional. Que a falta de apreciação das argüições aduzidas na impugnação ao lançamento caracterizou preterição ao direito de defesa. Adiante, expõe que o princípio da nãocumulatividade do Imposto remete ao direito de ressarcimento ou compensação com os créditos acumulados em razão da diferença de alíquotas entre os insumos (12%) e o produto acabado (4%). “Se a alíquota de aquisição (dos insumos) é maior que a alíquota de venda (do produto acabado), é evidente que a empresa acumulará créditos até o infinito, e jamais deles poderá se aproveitar”. Que apenas para o ICMS o legislador constituinte previu a negativa ao crédito nos casos de não incidência do produto final. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 E acrescenta, Com o devido respeito, não há que se alegar que o artigo 11 da Lei 9.779/99 e a Instrução Normativa 33/99 conferiram uma espécie de benefício aos contribuintes. Não há ato de bondade alguma. Tratase da mera efetivação do princípio da não cumulatividade já há muito previsto no Texto Constitucional. (grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Discutese exclusivamente a possibilidade de aproveitamento, em data anterior à Lei 9.779/99, do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados acumulado em decorrência da diferença a maior da alíquota incidente sobre o insumo adquirido em relação ao produto acabado. De início, que se diga que não identifiquei a alegada preterição ao direito de defesa por ausência de manifestação a respeito das argüições da defesa. Nas palavras da Recorrente, tal teria ocorrido principalmente no que tange as normas constitucionais. Quanto a isso, necessário rememorar que os Tribunais Administrativos, sejam eles de primeira ou de segunda instância, não detém competência para examinar a constitucionalidade de norma legal vigente. Outrossim, a decisão de piso pareceu me bastante extensiva na abordagem de todas as questões suscitadas na Manifestação de Inconformidade. Nos autos, noticiase a ocorrência de aquisição de insumos tributados em percentuais mais elevados do que o produto acabado. Em certos casos, informa a Fiscalização Federal no Despacho Decisório, que esses insumos são aplicados na fabricação de produtos tributados à alíquota zero. Quanto a eles, aplicável a Súmula CARF nº 16 e o Recurso Extraordinário nº 562980, a seguir transcritos. RE 562980 IPI CREDITAMENTO ISENÇÃO OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 9.779/99. A ficção jurídica prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu. Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Por outro lado, melhor sorte não socorre à Recorrente em relação aos insumos tributados em alíquota superior a zero, mas inferior à incidente sobre o produto acabado. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.001011/200325 Acórdão n.º 3102002.078 S3C1T2 Fl. 4 5 Embora a súmula CARF nº 16 e o Recurso Extraordinário nº 562980 alberguem exclusivamente as operações isentas ou sujeitas á alíquota zero, o fato é que a permissão para utilização do saldo do Imposto sobre Produtos Industrializados acumulado em outras finalidades, que não o abatimento com o próprio Imposto devido, foi instituída pela Lei 9.779/99. Comprova tal assertiva o texto do caput do artigo 11, referindo claramente a permissão de uso do saldo credor acumulado em decorrência da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos, inclusive isentos ou tributados à alíquota zero. Depreendese que a acumulação de que trata pode acontecer por qualquer outro motivo, inclusive pela diferença a menor da alíquota do produto acabado em relação ao insumo nele empregado, como aconteceu em algumas situações do caso concreto. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Pelas razões expostas, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 23 de outubro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 366DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11080.723116/2011-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 31 16 /2 01 1- 55 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043. 339, julgado na sessão de 11 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre(DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.723116/201155 em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. 4 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: 6 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 7 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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