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Numero do processo: 10830.006024/2003-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO DE DCTF. DCTF COMPLEMENTAR.
Cancela-se o lançamento de ofício calcado em revisão interna de DCTF, quando constatado que houve declaração em duplicidade de débitos por parte do contribuinte, em virtude de erro no preenchimento das DCTF complementares.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e julgar prejudicado o exame do recurso de ofício. Sustentou pela recorrente o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP nº 210.198.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO DE DCTF. DCTF COMPLEMENTAR. Cancela-se o lançamento de ofício calcado em revisão interna de DCTF, quando constatado que houve declaração em duplicidade de débitos por parte do contribuinte, em virtude de erro no preenchimento das DCTF complementares. Recurso voluntário provido.
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REVISÃO DE DCTF. DCTF COMPLEMENTAR. Cancelase o lançamento de ofício calcado em revisão interna de DCTF, quando constatado que houve declaração em duplicidade de débitos por parte do contribuinte, em virtude de erro no preenchimento das DCTF complementares. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e julgar prejudicado o exame do recurso de ofício. Sustentou pela recorrente o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP nº 210.198. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 60 24 /2 00 3- 12 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração eletrônico notificado ao contribuinte em 07/07/2003, lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF durante a qual se constatou que os débitos de IPI declarados nas DCTF dos 2º, 3º e 4º Trimestres de 1998 estavam em aberto. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou a nulidade do lançamento, a impossibilidade de débitos declarados ao fisco serem exigidos por meio de lançamento de ofício e que todos os valores reclamados estão recolhidos, conforme DARFs anexados. Após a impugnação a autoridade administrativa juntou extratos da declaração de IRPJ, relativa ao anocalendário de 1998 (fls. 53 a 67); extrato das DCTF originais e complementares relativas aos 2º, 3º e 4º Trimestres de 1998 (fls. 68 a 79) e telas do SIEF confirmando os pagamentos efetuados pelo contribuinte (fls. 80 a 96). Informou a autoridade administrativa que os pagamentos efetuados se referem aos débitos declarados nas DCTF originais e que os débitos em aberto, que foram lançados de ofício, se referem àqueles consignados nas DCTF complementares (fl. 100). Por meio do Acórdão nº 27.274, de 22 de janeiro de 2010, a 4ª Turma da DRJRibeirão Preto, julgou a impugnação parcialmente procedente e excluiu a multa de ofício com base no princípio da retroatividade benígna aplicado ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Foram afastadas as preliminares de nulidade e no mérito, foi mantido o lançamento quanto ao principal, pois a turma de julgamento considerou que os valores declarados nas DCTF complementares são adicionados aos valores das declarações originais e os DARF apresentados não foram suficientes para cobrir o débito complementar. Houve recurso de ofício em relação à parcela da multa de ofício que foi exonerada. Regularmente notificado daquela decisão em 16/04/2010, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/05/2010, no qual reiterou as alegações de nulidade do lançamento, o não cabimento de lançamento de ofício em relação a débitos já declarados ao fisco, e a ocorrência de erro de fato no preenchimento das DCTF complementares. Segundo o contribuinte, o erro estaria caracterizado pelo fato de serem idênticos os valores de IPI declarados nas DCTF originais e nas complementares. O contribuinte errou ao preencher a declaração complementar, dandolhe tratamento como se retificadora fosse. Alegou que não é crível que em todos os períodos de apuração o contribuinte tenha apurado débito complementar em valor exatamente igual àqueles previamente declarados. Alegou que a confissão em DCTF não constitui verdade absoluta e se ainda pairar alguma dúvida sobre a declaração em duplicidade dos valores do IPI, requereu que esta turma determine diligência a fim de que, com base no art. 37 da Lei nº 9.784/99, sejam verificados os valores informados nas DIPJ da recorrente em confronto com aqueles informados nas DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.006024/200312 Acórdão n.º 3403002.514 S3C4T3 Fl. 4 3 Com base no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72, deixo de analisar as preliminares de nulidade e passo diretamente ao exame do mérito. Controvertese exclusivamente sobre matéria de fato. A questão a ser desvendada pelo colegiado é se o contribuinte declarou ou não em duplicidade os valores devidos a título de IPI nos 2º, 3º e 4º Trimestres de 1998. O contribuinte requereu diligência a fim de que fossem confrontados os valores do IPI declarados nas DCTF com aqueles declarados na DIPJ relativa ao ano calendário de 1998. A diligência é desnecessária, pois a autoridade administrativa já providenciou a instrução do feito com a juntada das telas do sistema consulta IRPJ às fls. 53 a 67. A comparação dos conteúdos das DCTF originais, das DCTF complementares e da DIPJ de 1998 comprovam o erro alegado pelo contribuinte. Vejamos. O lançamento de ofício está calcado nas seguintes DCTF complementares: a) 2º Trimestre – DCTF nº 0000.100.1999.88000339 (fls. 70/71); b) 3º Trimestre – DCTF nº 0000.100.1999.18003595 (fls. 74/75); e c) 4º Trimestre – DCTF nº 0000.100.1999.18003592 (fls. 78/79). Cotejandose o conteúdo da DCTF complementar do 2º Trimestre (fls. 70/71) com a originalmente apresentada pelo contribuinte (fls. 68/69) percebese nitidamente que a intenção do contribuinte foi a de alterar dados relativos ao IRRF. Foram incluídos débitos de IRRF – código 05611 relativos à 3ª e à 5ª semana de abril (R$ 6.156,39 e 10.506,63, respectivamente), que não haviam sido declarados na original. Ainda em relação ao IRRF código 05611, o contribuinte alterou o valor relativo à 4ª semana de maio e incluiu o débito relativo à 3ª semana de maio. Foi alterado o valor relativo à 1ª semana de junho. E também houve acréscimos em relação ao IRRF código 17081 anteriormente declarado. Entretanto, em relação ao IPI código 10971 os valores constantes da DCTF original coincidem até nos centavos com aqueles consignados na DCTF complementar. Relativamente ao 3º Trimestre, cotejandose o conteúdo da DCTF complementar (fls. 74/75) com a DCTF original (fls. 72/73), verificase de plano a inclusão de vários débitos de CSL e de IRPJ, que não constaram da DCTF original. Verificase, ainda, a inclusão de débitos de IRRF código 05611, como o da 1ª semana de julho (R$ 7.880,56), que não constou na original e também a complementação dos valores da 2ª, 4ª e 5ª semana de julho, entre outros ajustes. Entretanto, em relação ao IPI código 10971, verificase mais uma vez que os valores constantes da declaração original e da complementar coincidem até nos centavos. E finalmente, quanto ao 4º Trimestre, o exame do conteúdo da declaração original (fls. 76/77) com a complementar (fls. 78/79), revela a inclusão de vários débitos de IRRF que não constaram da original e a complementação de outros valores previamente declarados pelo contribuinte. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Em relação ao IPI código 10971, a constatação é a mesma dos trimestres anteriores: os valores constantes nas duas declarações são idênticos. Por outro lado, o exame dos extratos do sistema consulta IRPJ revela que foram consignados na DIPJ os mesmos valores de débitos de IPI indicados em cada uma das DCTF, fato que confirma que o contribuinte não pretendeu complementar os valores relativos ao IPI. Assim, a cronologia das declarações revela a seguinte situação: a) o contribuinte declarou os saldos devedores de IPI na DCTF original; b) em 1999 percebeu a necessidade de complementar a declaração de valores relativos ao IRPJ, CSL E IRRF, tendo apresentado a DCTF complementar; e c) em 08/10/1999 (fl. 53) apresentou sua DIPJ do ano calendário de 1998, consignando os mesmos valores de IPI declarados na DCTF original. Os fatos acima constatados revelam que a intenção do contribuinte foi mesmo a de complementar valores e de incluir débitos de IRPJ, IRRF e CSL não incluídos na DCTF original, mas o contribuinte acabou preenchendo as DCTF complementares como se fossem DCTF retificadoras, repetindo nas complementares valores que já haviam sido corretamente declarados nas originais. No caso concreto, todos os valores de IPI, foram declarados nas declarações originais e repetidos nas complementares. O contribuinte pagou o valor correspondente ao declarado na original, mas o sistema da Receita Federal “entendeu” que ainda restaram débitos em aberto, porque o valor da declaração complementar é adicionado ao valor da original. Entretanto, o erro de preenchimento das DCTF é evidente, pois além do contribuinte não ter alterado nenhum valor relativo ao IPI, não é possível que em relação a todos os períodos de apuração abarcados pelo auto de infração, o contribuinte tenha apurado um débito complementar em valor idêntico ao declarado no documento original. Tanto isso não é possível, que os extratos do sistema consulta IRPJ comprovam que era devido apenas o IPI que foi declarado no documento original, cujo crédito tributário foi extinto pelos pagamentos efetuados pelo contribuinte e reconhecidos pela autoridade administrativa. Tendo em vista que os documentos anexados aos autos comprovam que houve declaração em duplicidade dos valores do IPI nos 2º, 3º e 4º Trimestres de 1998, é estreme de dúvida que o auto de infração deve ser cancelado. Se o auto de infração deve ser cancelado em virtude da inexistência do débito relativo ao tributo, resta prejudicada a análise do recurso de ofício relativo à exoneração da multa de ofício, pois o assessório segue o destino do principal. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e considerar prejudicado o recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.006024/200312 Acórdão n.º 3403002.514 S3C4T3 Fl. 5 5 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/10/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726616/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE.
Os Embargos de Declaração tem finalidade própria e cabimento específico (artigo 65 do RICARF). Não é recurso apto a viabilizar a demonstração do inconformismo da parte sucumbente ou obter efeito infringente ao julgado, apenas admitido em caráter excepcional.
O descontentamento da embargante acerca dos fundamentos adotados na decisão, sem a indicação objetiva acerca da omissão (quais seriam os pontos sobre os quais a decisão deveria se manifestar e não o fez) ou o ponto em que há a alegada contradição (incongruência entre fundamentos e a decisão) torna os embargos inadmissíveis.
OMISSÃO. JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DO DECIDIDO EM REPETITIVO.
À época do julgamento, o STJ não havia se pronunciado sobre a natureza jurídica dos juros moratórios em sede de recurso repetitivo, de sorte a impossibilitar a aplicação imediata e de ofício do disposto no artigo 62-A do RICARF.
OMISSÃO. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
É de ser suprida a omissão apontada quanto a alegação de omissão sobre erro na base de cálculo do lançamento impugnado, corretamente realizada pela autoridade autuante.
Embargos acolhidos em parte
Numero da decisão: 2802-002.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 15/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. Os Embargos de Declaração tem finalidade própria e cabimento específico (artigo 65 do RICARF). Não é recurso apto a viabilizar a demonstração do inconformismo da parte sucumbente ou obter efeito infringente ao julgado, apenas admitido em caráter excepcional. O descontentamento da embargante acerca dos fundamentos adotados na decisão, sem a indicação objetiva acerca da omissão (quais seriam os pontos sobre os quais a decisão deveria se manifestar e não o fez) ou o ponto em que há a alegada contradição (incongruência entre fundamentos e a decisão) torna os embargos inadmissíveis. OMISSÃO. JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DO DECIDIDO EM REPETITIVO. À época do julgamento, o STJ não havia se pronunciado sobre a natureza jurídica dos juros moratórios em sede de recurso repetitivo, de sorte a impossibilitar a aplicação imediata e de ofício do disposto no artigo 62-A do RICARF. OMISSÃO. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. É de ser suprida a omissão apontada quanto a alegação de omissão sobre erro na base de cálculo do lançamento impugnado, corretamente realizada pela autoridade autuante. Embargos acolhidos em parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 15/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2155; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 276 1 275 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726616/200921 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2802002.488 – 2ª Turma Especial Sessão de 17 de setembro de 2013 Matéria IRPF Embargante JACIARA BORGES RAMOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO COM EFEITOS INFRINGENTES. EXCEPCIONALIDADE. Os Embargos de Declaração tem finalidade própria e cabimento específico (artigo 65 do RICARF). Não é recurso apto a viabilizar a demonstração do inconformismo da parte sucumbente ou obter efeito infringente ao julgado, apenas admitido em caráter excepcional. O descontentamento da embargante acerca dos fundamentos adotados na decisão, sem a indicação objetiva acerca da omissão (quais seriam os pontos sobre os quais a decisão deveria se manifestar e não o fez) ou o ponto em que há a alegada contradição (incongruência entre fundamentos e a decisão) torna os embargos inadmissíveis. OMISSÃO. JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DO DECIDIDO EM REPETITIVO. À época do julgamento, o STJ não havia se pronunciado sobre a natureza jurídica dos juros moratórios em sede de recurso repetitivo, de sorte a impossibilitar a aplicação imediata e de ofício do disposto no artigo 62A do RICARF. OMISSÃO. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. É de ser suprida a omissão apontada quanto a alegação de omissão sobre erro na base de cálculo do lançamento impugnado, corretamente realizada pela autoridade autuante. Embargos acolhidos em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 16 /2 00 9- 21 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER EM PARTE os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 15/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte diante de suposta omissão e contradição em acórdão julgado por esta C. 2ª Turma Especial, cuja matéria de fundo versa sobre a suposta natureza indenizatória de verbas salariais recebidas pelos magistrados da Bahia, em virtude de decisão judicial, assim reconhecida por lei estadual, bem como quanto à suposta omissão sobre a inadequação da apuração da base de cálculo A contradição argüida se funda no não acolhimento do pleito quanto à natureza indenizatória das verbas recebidas, por se tratar de lei estadual válida, vigente e eficaz; necessária aplicação do artigo 62A do RICARF para fins de aplicação do decidido em sede de repetitivo pelo STJ (REsp n. 1.227.133/RS); “desconsideração” da natureza indenizatória da URV, e; contradição do decidido com acórdão de outra Turma deste Conselho. Alega, ainda, omissão quanto as alegações feitas em Voluntário sobre o erro apuração da base de cálculo. Por fim, requer sejam apreciadas as questões postas e dado efeito modificativo (infringente) aos embargos opostos. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Passo à análise quanto ao pleito de contradição decorrente de suposta afirmação feita em acórdão de Voluntário, no sentido de que a qualificação dada aos rendimentos pela Lei n. 8.730/2003, como indenizatórios, implicaria em reconhecimento da isenção destes frente à tributação do IRPF. No entendimento da Embargante, há contradição em reconhecer a isenção dos rendimentos recebidos e afastar a sua observância sob ofensa à universalidade. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10580.726616/200921 Acórdão n.º 2802002.488 S2TE02 Fl. 277 3 Afasto de pronto a alegada contradição. O acórdão embargado não reconhece a isenção ou afasta a aplicação de lei estadual sob a mácula de inconstitucionalidade, até porque ausente essa qualificação pela lei baiana. O que se reconhece é a possibilidade, com fulcro no princípio da universalidade, previsto no CTN e na CF/88, de requalificação da natureza dos rendimentos recebidos, apesar de a LC n. 8.730/03 lhe dar natureza de verba indenizatória. Nada há de contraditório ao rejeitar o pleito referente ao não reconhecimento da natureza indenizatória a verbas que receberam tal qualificação por lei estadual (Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003), e fundamentar essa conclusão no princípio da universalidade a que se refere o § 1º do artigo 43 do CTN e inciso I do §2º do artigo 153 da CF/88. Ao contrário do afirmado pela Embargante, o acórdão embargado não reconheceu a existência de legislação prevendo a isenção e afastou sua aplicação com base no princípio da universalidade. Houve, sim, o reconhecimento que a qualificação de verbas indenizatórias (e não isencionais!) dada pelo art. 5º da Lei Estadual da Bahia n.º 8.730/2003, a ser utilizado como fundamento para excluir os rendimentos recebidos (principais e acessórios) da tributação pelo imposto de renda pessoa física, ofende a universalidade a que se refere o § 1o do artigo 43 do CTN e inciso I do 2 do artigo 153 da CF/88. Portanto, ausente contradição a ser sanada pela estreita via dos embargos. Do mesmo modo, não procedem as alegações a respeito da necessária observância do artigo 62A do RICARF, para fins de aplicação do decidido em sede de repetitivo pelo STJ, quanto à intributabilidadde dos juros moratórios. À época do julgamento, realizado em 23 de agosto de 2011, o STJ ainda não havia julgado o REsp n. 1.227.133/RS, cujo acórdão somente foi disponibilizado no DOE, em 18/10/2011. Logo, não há nenhuma omissão a ser sanada quanto à necessária aplicação do supostamente decidido em sede de recurso repetitivo, ainda não julgado pelo STJ quando da realização da sessão de julgamento por esta C. 2ª Turma Especial. Na mesma toada, a estreita via dos embargos não se presta para demonstrar o inconformismo quanto à “desconsideração” da natureza indenizatória da URV pelo julgado embargado, bem como não é a via adequada para demonstrar suposta divergência entre o decidido por esta Turma e acórdão de outra Turma deste Conselho (Nesse sentido: 2ª Turma do STJ, EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp 176058/SP). Com efeito, os embargos de declaração tem finalidade própria e cabimento específico, qual seja, sanar omissões, contradições e obscuridades do julgado (artigo 65 do RICARF). Não é recurso apto a viabilizar a demonstração do inconformismo da parte sucumbente com vistas a dar a correta aplicação da lei tributária em novo julgamento. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 No caso dos autos é evidente que o Embargante apresenta seus argumentos no intuito de demonstrar o inconformismo com a decisão proferida e obter excepcional efeito infringente ao julgado. Entretanto, o mero descontentamento do Embargante acerca dos fundamentos adotados na decisão, sem a indicação objetiva acerca da omissão (quais seriam os pontos sobre os quais a decisão deveria se manifestar e não o fez) ou o ponto no qual há a alegada contradição (incongruência entre fundamentos e decisão) torna os presentes embargos, inadmissíveis . Melhor sorte assiste a Embargante quanto à suposta omissão sobre a inadequada apuração da base de cálculo, a merecer a devida apreciação por este Colegiado. No acórdão embargado, não há apreciação expressa quanto ao suposto erro na base de cálculo apontado, segundo o Embargante, a ser realizada mês a mês, por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente. Logo, é de ser suprida a omissão apontada, para constar, no acórdão embargado, o seguinte trecho, assim redigido pela DRJ quanto à correta apuração da base de cálculo, abaixo transcrito: Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. Por essas razões, suprida a omissão apontada quanto ao suposto erro na base de cálculo decorrente de recebimento de rendimentos acumulados, e rejeitadas as alegações quanto às demais omissões e contradições apontadas, é de se acolher em parte os presentes Embargos. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 174DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
score : 1.0
Numero do processo: 12196.000387/2009-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RECIBOS. INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. POSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada, José Valdemir da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 19 6. 00 03 87 /2 00 9- 80 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12196.000387/200980 Acórdão n.º 2801003.367 S2TE01 Fl. 111 2 Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4a Turma da DRJ/CGE (Fls. 64), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: A Notificação de Lançamento de fls. 02/06, exige do contribuinte, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário consolidado em 01/2009. no valor de R$ 9.227,26 (nove mil, duzentos e vinte e sete reais e vinte e seis centavos). O lançamento originouse da dedução indevida de despesas médicas, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e dedução indevida de dependente. Na impugnação oferecida, às fl. 01, o autuado alegou, em síntese, que: • As despesas médicas estão comprovadas pelos recibos entregues a este órgão; • Requer a revisão do lançamento Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Considerase nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda. DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO. Para que o pagamento de despesa medica seja considerado como dedutível da renda tributável anual, ele deve ser especificado e comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos, na forma prevista em lei, a juízo da autoridade lançadora. Cientificado em 12/07/2011 (Fls. 75), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/08/2011 (fls. 92 a 94), argumentando em síntese: (...) Para comprovar que os serviços foram efetivamente prestados, anexo a esta defesa novamente os recibos das Despesas glosadas, juntamente com relatórios e diagnósticos elaborados pelos referidos profissionais, a saber: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12196.000387/200980 Acórdão n.º 2801003.367 S2TE01 Fl. 112 3 • Recibo de R$ 2.500,00 referente serviços prestados por Jose Luiz F dos Santos, juntamente com a descrição dos serviços prestados e devidamente assinado pelo profissional. O referido tratamento não é coberto e nem reembolsado pelo plano de saúde do contribuinte. • Recibo de R$ 1.920,00 referente serviços prestados por Ana Kelly Martirizes, juntamente com a avaliação e Relatório de Finalização de Tratamento Fonoaudiológico. Documentos estes devidamente assinados pelo profissional. • Recibo de R$ 2.100,00 referente serviços prestados por Eliza Almeida Trindade, juntamente com a declaração e diagnósticos dos serviços prestados pela referida profissional. • Recibos nos valores de R$ 1.000,00; R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00, com serviços prestados por Nádia Cação Pinto Bueno, juntamente com documento que comprova as datas dos tratamentos e como foram pagos à totalidade dos serviços. O referido tratamento não é coberto e nem reembolsado pelo plano de saúde do contribuinte. • Quanto à forma de pagamento não há o que se comprovar visto que os mesmos sempre foram efetuados em dinheiro em função de os valores não serem expressivos. Como podemos observar nos relatórios emitidos pelos profissionais os serviços nunca foram prestados de uma única vez, ou seja, sempre houveram várias seções de tratamentos. O que houve de fato é que os recibos foram emitidos pelos profissionais pelo valor total dos serviços e não necessariamente de acordo com os pagamentos. Desta forma fica comprovado que os serviços foram efetivamente prestados, não havendo nenhuma dúvida quanto à lisura dos fatos. NOTA: O valor de R$ 1.500,00, declarado como serviço prestado por Ana Kelly Martinez é indevido, sendo neste caso reconhecido pelo contribuinte à glosa do mesmo. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como se observa, o que resta em litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta na insuficiência dos recibos, sem vinculação do Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12196.000387/200980 Acórdão n.º 2801003.367 S2TE01 Fl. 113 4 pagamento como forma de comprovação do pagamento, exigindo que, quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento, essas condições devam ser comprovadas por outros meios, cumulativamente com o fato de o contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento de despesas médicas com diversos profissionais, apesar de ter sido regularmente intimado. Por sua vez, o contribuinte afirma que a apresentação dos recibos e declarações é suficiente para o afastamento das glosas. Em casos desta natureza, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento e nela vejo apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente. De fato, há nos autos a evidência de que o contribuinte, apesar de possuir plano de saúde da CASSI, realizou despesas médicas correspondentes a mais de vinte por cento dos seus rendimentos. Neste ponto, tratou a DRJ de alertar o contribuinte, ao assim se manifestar: O impugnante não se desincumbiu do ônus probatório constatado pela Autoridade Lançadora, não trouxe aos autos documentos idôneos para comprovarem os efetivos desembolsos para os prestadores de serviços, como também os endereços destes. Outrossim, o impugnante tem o plano de saúde CASSI e este pelas informações no seu portal da internet dá ampla cobertura para os seus associados, por meio de seus prestadores credenciados e mediante reembolso das despesas médicas, como se constatam nas dúvidas freqüentes copiadas no seu sítio na internet perguntas e respostas, in verbis: Como é efetuado o ressarcimento pela Livreescolha? A CASSI ressarci as despesas efetuadas pelo associado ou seu dependente até o limite do valor constante na Tabela Geral de Auxílios para cada serviço utilizado, limitado ao valor do Recibo ou Nota Fiscal. A CASSI reembolsa atendimento realizado por profissionais não credenciados? A CASSI efetua o reembolso das despesas, até o valor constante em sua Tabela Geral de Auxílios (TGA), para cada serviço utilizado, desde que os serviços tenham sido realizados em região sem prestadores de serviços próprios da CASSI ou por ela Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 12196.000387/200980 Acórdão n.º 2801003.367 S2TE01 Fl. 114 5 credenciados, ou nos casos de urgência ou emergência devidamente comprovados por meio de relatório médico. De modo que seria necessária, também, a declaração do plano de saúde CASSI de que os gastos realizados pelo impugnante não foram cobertos e nem reembolsados, porquanto pela razoabilidade lógica de quem paga um seguro de saúde presumese que usufrui deste e não arca com mais gastos com a mesma finalidade.(pág. 69 dos autos) Logo, entendo que há nos autos elementos que permitam a fiscalização afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte para fazer jus às deduções pleiteadas e exigir a comprovação dos efetivos pagamentos. Portanto, como não constam nos autos provas dos efetivos pagamentos, tais como cheques ou extratos bancários, as glosas devem ser mantidas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 01/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10120.721361/2011-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração Anual Simplificada Nacional (DASN) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) ao mês-calendário ou fração incidentes sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 38, inciso I, e § 3º da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006).
Caracterizado o atraso na entrega da Declaração Anual Simplificada Nacional (DASN), há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Portanto, verificado na notificação de lançamento que a DASN, tinha como prazo final para a entrega o dia 15/04/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 17/03/2011, resta cabível a multa por atraso de 12 meses na entrega.
Numero da decisão: 1802-001.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro: Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração Anual Simplificada Nacional (DASN) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) ao mês-calendário ou fração incidentes sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 38, inciso I, e § 3º da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006). Caracterizado o atraso na entrega da Declaração Anual Simplificada Nacional (DASN), há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Portanto, verificado na notificação de lançamento que a DASN, tinha como prazo final para a entrega o dia 15/04/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 17/03/2011, resta cabível a multa por atraso de 12 meses na entrega.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração Anual Simplificada Nacional (DASN) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) ao mêscalendário ou fração incidentes sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 38, inciso I, e § 3º da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006). Caracterizado o atraso na entrega da Declaração Anual Simplificada Nacional (DASN), há de se exigir a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Portanto, verificado na notificação de lançamento que a DASN, tinha como prazo final para a entrega o dia 15/04/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 17/03/2011, resta cabível a multa por atraso de 12 meses na entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 13 61 /2 01 1- 41 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro: Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.28) que a seguir transcrevo: Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado o lançamento de multa por atraso na entrega da DASN referente ao anocalendário de 2009, fls. 06, na qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 200,00. Cientificada em 01/04/2011 (fls. 19), a contribuinte apresentou impugnação em 08/04/2011 (fls. 02/03) alegando que: a) solicitou o ingresso no Simples Nacional em janeiro de 2009, pois atendia todas as condições exigidas por lei e não haver vedação alguma ao seu ingresso no regime; b) apesar disso, o deferimento do seu pedido somente ocorreu em 04/06/2010, conforme consulta feita; c) recolheu as guias do Simples Nacional, entretanto, ficou impedida de entregar a DASN, uma vez que o sistema de recebimento da RFB não aceitava a transmissão e recebimento da mesma. Finalizou requerendo o cancelamento do lançamento. Às fls. 24/26 juntouse cópia do extrato “Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional”. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Campo Grande/MS) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0430.905, de 28 de fevereiro de 2013 (fls.27/29). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.27): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DASN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da Declaração Anual do Simples Nacional quando se comprova que ela foi entregue intempestivamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.721361/201141 Acórdão n.º 1802001.891 S1TE02 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Goiânia/GO, por entender ter havido erro material na elaboração do Acórdão nº 0430.905, de 28 de fevereiro de 2013 (fls. 27/29) quanto ao valor da multa, retornou os autos à Delegacia de Julgamento que proferiu o mencionado acórdão. Eis o teor do despacho da DRF de Goiânia: ... Conforme se observa nos autos, a Notificação de Lançamento da Multa por Atraso na Entrega da Declaração Anual do Simples Nacional, relativa ao exercício de 2010, anocalendário de 2009, apura crédito tributário no valor de R$ 14.519,49 (fls.6). O Acórdão nº 0430.9052ª Turma da DRJ/CGE, proferido às fls. 27/29, referese ao valor lançado como sendo R$ 200,00. ... A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Campo Grande/MS), por unanimidade de votos, reconheceu a existência de inexatidão material no Acórdão nº 0430.905, de 28 de fevereiro de 2013. E, em seguida, proferiu o Acórdão nº 04 31.099, de 12/03/2013 para corrigir a inexatidão material e julgar improcedente a impugnação, cuja ementa e síntese do voto condutor do acórdão, a seguir transcrevo: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO. INEXATIDÃO.RETIFICAÇÃO. As inexatidões materiais constatadas em Acórdão são retificadas mediante a prolação de um novo, corrigindo as inexatidões. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DASN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. É cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da Declaração Anual do Simples Nacional quando se comprova que ela foi entregue intempestivamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto ... O Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, determina que: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Art.67. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante a prolação de um novo acórdão. Examinados os autos e os cotejando com o contido no Acórdão nº 04 30.905, é de se admitir que existe equívoco no que diz respeito ao valor do crédito tributário em litígio. O valor da multa por atraso na entrega da declaração constante de notificação é de R$ 14.519,49, e não R$ 200,00, como constou do Acórdão embargado. Assim, o valor correto da multa por atraso é de R$ 14.519,49. Desta forma, existente o equívoco formal apontado e corrigido acima, é o presente para retificálo e para ratificar os demais itens do acórdão embargado. A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 15/03/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR, e, inconformada, protocolizou o recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 26/03/2013. Na peça recursal, a Recorrente apresenta, no essencial, os mesmos argumentos expendidos na impugnação acima relatados, portanto, desnecessário repetilos. Ao final requer seja dado provimento ao recurso interposto para, reformando o acórdão proferido, seja declarada a insubsistência do lançamento tributário efetuado, isentando a contribuinte da obrigação pecuniária em foco. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese à multa por atraso na entrega da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN) da pessoa jurídica, relativa ao ano calendário de 2009, de que trata a notificação de lançamento, na qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 29.038,98, com redução de 50%, ou seja, R$ 14.519,49, em virtude de entrega espontânea da declaração. Consta da mencionada notificação de lançamento que a DASN em comento, tinha como prazo final para a entrega o dia 15/04/2010 e somente fora entregue à Receita Federal em 17/03/2011, portanto, aplicada a multa por atraso de 12 meses na entrega. A Recorrente argúi que: a) solicitou o ingresso no Simples Nacional em janeiro de 2009, pois atendia todas as condições exigidas por lei e não haver vedação alguma ao seu ingresso no regime; Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.721361/201141 Acórdão n.º 1802001.891 S1TE02 Fl. 4 5 b) apesar disso, o deferimento do seu pedido somente ocorreu em 04/06/2010, conforme consulta feita; c) recolheu as guias do Simples Nacional, entretanto, ficou impedida de entregar a DASN, uma vez que o sistema de recebimento da RFB não aceitava a transmissão e recebimento da mesma. Analisando o extrato “Detalhamento das Solicitações de Opção pelo Simples Nacional” constante dos presentes autos, verificase a seguinte observação: 1) Solicitação de opção processada posteriormente através do aplicativo de liberação de pendências. Data do deferimento: 04/06/2010; 2) Solicitações deferidas imediatamente (sem problemas cadastrais e fiscais). Data do deferimento: 06/01/2010 Embora a Recorrente no prazo previsto para a entrega tempestiva da DASN (15/04/2010) estivesse discutindo administrativamente o direito de ingressar no Simples Nacional, nada lhe impedia que tivesse tomado às providências necessárias para regularizar a sua situação perante o órgão administrativo, ou seja, mediante petição (processo administrativo) apresentasse a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN) por meio de formulário impresso ou gravado em mídia eletrônica. Desse modo teria se resguardado e evitado a exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, haja vista que a contribuinte apresentou a mencionada DASN relativa ao ano calendário de 2009, em 17/03/2011, após o prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal, em 15/04/2010. Não há registro de qualquer declaração entregue pela contribuinte em 2010, sob qualquer regime de tributação. A multa aplicada pelo atraso na entrega da DASN, baseiase na legislação que rege a matéria, discriminada na notificação de lançamento, (Arts.25, caput, e 38, inciso I, e § 3º da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, com a redação dada pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 128, de 19/12/2008; Resolução nº 10, de 28/06/2007, do Comitê Gestor do Simples Nacional, artigos 4º, § 1º e 14 § 5º) que assim dispõe: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006 (...) Art. 25. A microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional deverá apresentar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais, que deverá ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, observados prazo e modelo aprovados pelo CGSN e observado o disposto no § 15A do art. 18. § 1oA declaração de que trata o caput deste artigo constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 § 2o A situação de inatividade deverá ser informada na declaração de que trata o caput deste artigo, na forma regulamentada pelo Comitê Gestor. § 3o Para efeito do disposto no § 2o deste artigo, considerase em situação de inatividade a microempresa ou a empresa de pequeno porte que não apresente mutação patrimonial e atividade operacional durante todo o anocalendário. ... Art. 38. O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar, no prazo fixado, ou que a apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela autoridade fiscal, na forma definida pelo Comitê Gestor, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante dos tributos e contribuições informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; II de R$ 100,00 (cem reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de R$ 200,00 (duzentos reais). § 4o Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pelo Comitê Gestor. § 5o Na hipótese do § 4o deste artigo, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10 (dez) dias, contados da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput deste artigo, observado o disposto nos §§ 1o a 3o deste artigo. § 6o A multa mínima de que trata o § 3o deste artigo a ser aplicada ao Microempreendedor Individual na vigência da Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10120.721361/201141 Acórdão n.º 1802001.891 S1TE02 Fl. 5 7 opção de que trata o art. 18A desta Lei Complementar será de R$ 50,00 (cinqüenta reais). Resolução nº 10, de 28/06/2007, do Comitê Gestor do Simples Nacional ... Art. 4º A ME e a EPP optantes do Simples Nacional apresentarão, anualmente, declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais que será entregue à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da internet, até o último dia do mês de março do anocalendário subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições previstos no Simples Nacional. ................................................................................................ Com efeito, a Declaração Anual Simplificada relativa ao ano calendário de 2009, entregue em 17/03/2011, fora extemporânea, o que não exime a pessoa jurídica da exigência da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, ou seja, a multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada no valor de R$ 29.038,98, com redução de 50%, em virtude de entrega espontânea da declaração, ou seja, R$ 14.519,49. O atraso na entrega da DASN revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento (não pagamento de tributo) ao teor do artigo 113 do Código Tributário Nacional. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Como se vê, a lei transcrita acima é clara ao prescrever que a entrega da DASN fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, “ainda que integralmente pago”, por mês calendário ou fração. Estando o crédito tributário legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. Consta expressamente no dispositivo legal, acima transcrito, que deve ser exigida a multa no caso de falta de entrega desta Declaração ou “ entrega após o prazo”. A multa por atraso na entrega foi reduzida em cinqüenta por cento em virtude da entrega espontânea da declaração. Os artigos 25 e 38 da Lei Complementar n° 123, de 2006, não deixam margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DASN se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos informados na declaração , ainda que integralmente pago. Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Dessa forma, não havendo lei para a dispensa da penalidade, estando a interessada obrigada à apresentação da DASN, e, sendo inconteste que, apresentou a declaração com atraso, é de ser mantida a exigência da multa em comento. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11610.016580/2002-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.557
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração com a atribuição de efeitos modificativos no sentido de converter o julgamento em diligência.
O Conselheiro Jose Luiz Feistauer de Oliveira votou pelas conclusões.
Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que acolhia os Embargos de Declaração com efeitos modificativos para dar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração com a atribuição de efeitos modificativos no sentido de converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Jose Luiz Feistauer de Oliveira votou pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que acolhia os Embargos de Declaração com efeitos modificativos para dar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 6.796 1 6.795 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.016580/200265 Recurso nº Embargos Resolução nº 3801000.557 – 1ª Turma Especial Data 23 de outubro de 2013 Assunto EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado RR INDUSTRIA E COMÉRCIO E ETIQUETAS LTDA Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração com a atribuição de efeitos modificativos no sentido de converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Jose Luiz Feistauer de Oliveira votou pelas conclusões. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que acolhia os Embargos de Declaração com efeitos modificativos para dar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl(Relator) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 16 58 0/ 20 02 -6 5 Fl. 6796DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.016580/200265 Resolução nº 3801000.557 S3TE01 Fl. 6.797 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração promovidos pela Fazenda Nacional em decorrência do acórdão de fls. 6.378 e seguintes. Aponta como fundamento aos embargos o seguinte excerto: Esse Colegiado, por meio do acórdão nº 3801001.618 (fls. 6779/6789), deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (fls. 233/234) por considerar ter ocorrido cerceamento do direito de defesa do contribuinte. As razões adotadas pela Turma podem se extraídas do seguinte trecho do voto condutor do acórdão, que ora se transcreve (fls. 6784/6785): Na realidade a decisão da DRF se sustentou em premissa errônea. Alegou que houve inércia da contribuinte. Fato esse inexistiu. Ficou evidenciado que a recorrente apresentou pedido de prorrogação no prazo e o indeferimento e nãohomologação se deram motivados pela inação da contribuinte, ou seja, a decisão se fundamentou em premissa falsa. No mais a autoridade não examinou documento que deveria examinar, protocolizado antes do julgamento, o pedido de prorrogação, que não pode ser tacitamente negado. Tenho que o despacho decisório é nulo. As provas contradizem a fundamentação do despacho decisório, isso é incontestável e, nesse sentido, a decisão cerceou o direito a defesa da Recorrente que nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972, implica em nulidade do despacho (...). A partir do citado excerto do voto, extraise que o Colegiado resolveu cancelar o lançamento com base em dois fundamentos, os quais podem ser assim sintetizados: 1) o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para apresentação de documentos dentro do prazo concedido pela autoridade fiscal, não havendo que se falar, pois, em inércia do interessado; 2) a DRF não examinou o pedido de prorrogação protocolizado pelo contribuinte antes da prolação do despacho decisório. Ocorre que não há prova nos autos de que tenha havido pedido de prorrogação por parte do contribuinte. Com efeito, à fl. 256, o contribuinte menciona que está anexando “Requerimento de dilação do prazo – DOC. 2” aos autos, mas tal documento não se encontra efetivamente juntado aos autos. Isto posto, concluise que o interessado não apresentou requerimento de dilação de prazo, restando caracterizada, pois, sua inércia. Nesse contexto, percebese que não há qualquer falha na fundamentação empregada pela autoridade fiscal, eis que de fato o contribuinte Fl. 6797DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.016580/200265 Resolução nº 3801000.557 S3TE01 Fl. 6.798 3 quedouse inerte, não havendo que se falar, portanto, em falsidade da premissa utilizada pela DRF. A partir de todo o exposto, podese concluir que esse Eg. Colegiado partiu de premissa fática equivocada, não estando presentes no processo as circunstâncias tidas como cerceadoras de defesa, eis que o exame detido dos autos demonstra que o contribuinte não apresentou pedido de prorrogação, o que caracteriza a sua inércia. Assim sendo, e considerando que a afirmação constante no voto condutor do acórdão sobre a apresentação do pedido de prorrogação de prazo está em contradição com as provas constantes nos autos, fazse mister que se manifeste. Requer, assim, o provimento dos embargos para que seja afastada a nulidade apontada. É o Relatório. Fl. 6798DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.016580/200265 Resolução nº 3801000.557 S3TE01 Fl. 6.799 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme consta dos embargos o provimento parcial ao Recurso Voluntário se deu com base na alegação da Contribuinte que havia pedido em tempo prorrogação de prazo, informação essa referendada pelo acórdão de fls. 619 e seguintes. De fato, compulsando os autos, não se encontra juntado ao mesmo o pedido de prorrogação, tendo a Embargante razão quanto a isso. Inocorre, portanto, a nulidade apontada no acórdão e quanto a isso dou efeitos modificativos à referida decisão. Entretanto, é preciso se ater ao disposto no artigo 14 do Decreto n.º 70.235/1972, cumulado com o § 11º do artigo 74 da Lei n.º 9.430/1996 que informa que o processo administrativo fiscal se instaura quando da impugnação da exigência ou apresentação da manifestação de inconformidade. Apesar da apresentação intempestiva dos documentos, a Recorrente apresentou os com a Manifestação de Inconformidade e contrariamente ao entendimento apontado pela DRJ tenho que não há como negar o seu exame sob o fundamento que não apresentada a documentação na fase preliminar não pode ser examinada posteriormente isso porque a fase litigiosa somente se instaurou naquele momento. Assim se manifestou o acórdão da DRJ (fls. 620 v.): (...) Em segundo lugar, devese observar que a impugnação/manifestação administrativa caracterizase como "recurso do tipo revisão" (recurso eliminatório) e tem por objeto exclusivo a apreciação do ato recorrido, limitandose a autoridade julgadora a averiguar a correção ou incorreção da constituição do crédito tributário/lançamento ou da decisão impugnada. Nesse passo, a autoridade julgadora se limita a praticar um ato secundário, pelo qual elimina ou mantém (total ou parcialmente) o ato primário impugnado, no caso, a decisão administrativa. Difere, portanto, do reexame, típico do poder judiciário, que tem finalidade de reapreciação da questão decidida pelo órgão a quo, julgando o órgão ad quem diretamente sobre a melhor solução ao caso concreto (substituição do ato impugnado por outro ato, decidido em novos termos). Entendo que, por força do princípio da verdade material, não se pode negar o direito à verificação da correção do direito em exame. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei Fl. 6799DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.016580/200265 Resolução nº 3801000.557 S3TE01 Fl. 6.800 5 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 291, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 392. Além da verdade material, a aceitação da posterior juntada de documentação adicional, relacionada à matéria discutida em processo administrativo, baseiase no princípio da ampla defesa e no permissivo contido no art. 38 da Lei n.º 9.784/1999. Neste sentido é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica do teor do Acórdão n.º 40304382 do Processo 102830054749633, julgado em 16/05/2005, in verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RERRATIFICAÇÃO DO ACÓRDÃO PRELIMINAR JUNTADA DE DOCUMENTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO ADMISSIBILIDADE PREVALÊNCIA DOS PRINCÍPIOS DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL E DA OFICIALIDADE SOBRE O RIGOR FORMAL. O objetivo do processo administrativo fiscal é a constatação da ocorrência (ou não) do fato gerador da obrigação tributária. Tendo a Administração ciência de que o ato administrativo de lançamento não seguiu os ditames da legalidade, ainda que através de documento juntado tardiamente, deve o Fisco, de ofício, rever o ato. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES ART. 526, II, DO REGULAMENTO ADUANEIRO. (...) Retificase o acórdão para incluir a análise da matéria preliminar suscitada pela Fazenda Nacional em seu recurso especial, ratificandose os demais termos da decisão. Embargos acolhidos. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 2 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 6800DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11610.016580/200265 Resolução nº 3801000.557 S3TE01 Fl. 6.801 6 fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 3. Nesse sentido, voto por julgar procedente os presentes Embargos de Declaração para alterar o fundamento da decisão, retirando a declaração de nulidade do despacho decisório e determinar a conversão do presente processo em diligência para que o processo retorne para a Delegacia de Origem para que examine os documentos acostados aos autos e se posicione quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União, realizando, ainda, as diligências e os pedidos complementares que entender necessários para correta apuração dos créditos. Sidney Eduardo Stahl, Relator 3 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 6801DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720517/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.111
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para verificação da existência de pagamento antecipado relativo ao fato gerador em discussão. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que reconhecia a decadência do crédito tributário. Redatora designada a Conselheira Celia Maria de Souza Murphy.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
(assinado digitalmente)
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para verificação da existência de pagamento antecipado relativo ao fato gerador em discussão. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que reconhecia a decadência do crédito tributário. Redatora designada a Conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
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RESOLVEM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para verificação da existência de pagamento antecipado relativo ao fato gerador em discussão. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que reconhecia a decadência do crédito tributário. Redatora designada a Conselheira Celia Maria de Souza Murphy. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Redatora designada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .7 20 51 7/ 20 09 -7 3 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720517/200973 Resolução nº 2101000.111 S2C1T1 Fl. 71 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 59/65) interposto em 21 de novembro de 2011 contra o acórdão de fls. 50/55, do qual o Recorrente teve ciência em 20 de outubro de 2011 (fl. 58), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 01/04, lavrada em 06 de julho de 2009, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR. Exercício: 2004 DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, proprietário do imóvel à época do fato gerador do imposto, em razão da falta de comprovação da alienação do imóvel nos moldes da legislação pertinente, não havendo que se falar, portanto, em subrogação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA – VTN ARBITRADO. Considerase não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 50). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 59/65, pedindo a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720517/200973 Resolução nº 2101000.111 S2C1T1 Fl. 72 3 Em relação à decadência, vinha me manifestando no sentido de que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sempre seria aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do CTN, independentemente da existência ou não de princípio de pagamento, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Homologase, na verdade, a atividade do contribuinte. Todavia, cumpre registrar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia acerca do prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário, assim se manifestou: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720517/200973 Resolução nº 2101000.111 S2C1T1 Fl. 73 4 contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ, Primeira Seção, REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). (Grifouse). Como é cediço, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros desse Conselho Administrativo no julgamento dos respectivos recursos. Vejase: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Assim, muito embora já tenha me manifestado em diversas oportunidades, anteriormente ao julgamento do Recurso Especial n.º 973.733, acerca da aplicabilidade do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional àqueles casos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente de haver início de pagamento, tratandose, o caso concreto, da exata hipótese apreciada sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, passo a adotar, nos termos do aludido art. 62A do Anexo II do RICARF, o entendimento daquela Corte infraconstitucional. À luz de referido entendimento, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação no qual houve o princípio de pagamento do ITR, verificase que o prazo de lançamento é o de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Sendo assim, tratandose de lançamento que abrangeu o fato gerador correspondente ao exercício de 2004, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 01/01/2009. Tendo sido a notificação de lançamento lavrada em 06/07/2009, devese reconhecer a ocorrência da decadência, considerandose que, no caso específico, o notificação do contribuinte sobre a lavratura da notificação foi efetuada após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos de que trata o §4º. do artigo 150 do CTN. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720517/200973 Resolução nº 2101000.111 S2C1T1 Fl. 74 5 Cumpre observar ainda que, no presente caso, houve antecipação de pagamento, conforme demonstrativo de apuração de fl. 03. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para declarar, de ofício, a decadência. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto vencedor Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, Relator Em que pese aos fundamentos declinados pelo Ilustre Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, peço vênia para divergir do seu entendimento, pelas razões a seguir deduzidas. O lançamento perpetrado nos autos do presente processo, veiculado pela Notificação de Lançamento às fls. 1 a 4, teve origem na suposta falta de comprovação, pelo contribuinte, do Valor da Terra Nua declarado para o exercício 2004. A Notificação de Lançamento foi lavrada em 6.7.2009, e dela deuse ciência à parte interessada em 17.7.2009 (vide SUCOP – Consulta Postagem às fls. 6). Tendo em vista que o lançamento aperfeiçoouse mais de cinco anos depois da data da ocorrência do “fato gerador” do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, impende trazer à baila o tema da decadência. A esse respeito, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, em 12.8.2009, no julgamento do Recurso Especial REsp n.º 973.733/SC, emitido na sistemática prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil – CPC, firmou o entendimento que, nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do imposto, desde que não tenha havido dolo, fraude ou simulação, deve ser adotada a regra do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional CTN. A norma do artigo 173 do mesmo diploma é aplicável nos demais casos. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 256, de 22 de junho de 2009, no artigo 62A de seu Anexo II, acrescentado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010, determina que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática estabelecida nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos administrativos. Desse modo, os fatos de (i) o tributo ser sujeito ao lançamento por homologação; (ii) ter havido pagamento antecipado; e (iii) ter sido comprovada a ocorrência de Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Processo nº 10218.720517/200973 Resolução nº 2101000.111 S2C1T1 Fl. 75 6 dolo, fraude ou simulação, são fundamentais para a determinação da forma pela qual devese contar o prazo de decadência do “direito” da Fazenda Pública de promover o lançamento do tributo. Na hipótese sob análise, que trata de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do caput do artigo 10 da Lei n.º 9.393, de 1996, não se cogita a existência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, existem indícios de que pode ter havido pagamento antecipado. É que foi declarado na DITR (DIAC/DIAT) correspondente ao exercício 2004, imposto devido no valor de R$ 300,00 (fls. 3). Todavia, não consta, nos autos, comprovação do pagamento antecipado correspondente. Tendo em conta que o “fato gerador” do ITR ocorre em 1.º de janeiro de cada ano, nos termos do artigo 1.º da Lei n.º 9.393, de 1996, tratandose do exercício de 2004, no caso de ter havido pagamento antecipado, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 1.º de janeiro de 2009, cinco anos, a contar da ocorrência do fato jurídico tributário, conforme previsto no artigo 150, § 4.º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei n.º 5.172, de 1966). Já na hipótese de o pagamento antecipado não ficar comprovado, o início da contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, a teor do artigo 173, I, do CTN, o que implica permitir à Fazenda Pública promover o lançamento até 31 de dezembro de 2009, eis que a decadência se daria a partir de 1º de janeiro de 2010. Tendo em vista que o lançamento se aperfeiçoou em 17.7.2009, com a notificação à parte interessada, é necessário que se confirme a efetiva existência do pagamento declarado, para que torne possível a correta contagem do prazo, a fim de que se constate se, no caso, configurouse ou não a decadência do “direito” da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário objeto deste processo. Sendo assim, não é possível emitir qualquer posicionamento sobre o lançamento constante dos autos, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, com a finalidade de comprovar o efetivo recolhimento do valor de R$ 300,00 declarado, correspondente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do exercício 2004. Finda a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, e de tudo deve se dar ciência ao contribuinte, para, querendo, manifestarse no prazo de 30 dias. Feito isso, os autos devem retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/12/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Numero do processo: 10707.000940/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
MULTA QUALIFICADA.
A multa de ofício deve ser qualificada quando presentes a ocorrência de fraude ou dolo. Realização de pagamentos a empresa sabidamente inexistente, por serviços cuja comprovação não foi apresentada em sem prova de pagamento enseja a qualificação da multa pela redução indevida do tributo devido.
DECADÊNCIA
Constata a existência de fraude ou dolo, aplica-se o prazo decadencial constante do art. 173, inciso I do CTN, em detrimento do disposto no art. 150, parágrafo 4º do mesmo Diploma Legal.
Numero da decisão: 1401-000.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos:
Por maioria de votos, afastara a decadência, vencido o Conselheiro Relator que acolhia parcialmente a decadência pelo art. 150, § 4º do CTN;
Por maioria de votos, dar provimento parcial para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) com relação ao IRRF, vencidos os Conselheiros Relator, que também desqualificava a multa de ofício com relação à infração do IRPJ e CSLL, e Antonio Bezerra Neto, que mantinha integralmente a aplicação da multa qualificada.
Por unanimidade de votos, negou-se provimento em relação às demais matérias (glosa de despesas e IRRF).
Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Maurício Pereira Faro Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto e Mauricio Pereira Faro, ausente momentaneamente o conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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A multa de ofício deve ser qualificada quando presentes a ocorrência de fraude ou dolo. Realização de pagamentos a empresa sabidamente inexistente, por serviços cuja comprovação não foi apresentada em sem prova de pagamento enseja a qualificação da multa pela redução indevida do tributo devido. DECADÊNCIA Constata a existência de fraude ou dolo, aplicase o prazo decadencial constante do art. 173, inciso I do CTN, em detrimento do disposto no art. 150, parágrafo 4º do mesmo Diploma Legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, afastara a decadência, vencido o Conselheiro Relator que acolhia parcialmente a decadência pelo art. 150, § 4º do CTN; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) com relação ao IRRF, vencidos os Conselheiros Relator, que também desqualificava a multa de ofício com relação à infração do IRPJ e CSLL, e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 09 40 /2 00 9- 41 Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 3 2 Antonio Bezerra Neto, que mantinha integralmente a aplicação da multa qualificada. III) Por unanimidade de votos, negouse provimento em relação às demais matérias (glosa de despesas e IRRF). Designado o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro – Relator (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto e Mauricio Pereira Faro, ausente momentaneamente o conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo dos Autos de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa jurídica — IRPJ; Imposto de Renda na Fonte IRRF e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, lavrados pela Divisão de Fiscalização da Superintendência da 7a Regido Fiscal, nos quais são exigidos da Recorrente os valores a seguir, acrescidos de multa de oficio de 150% e de juros de mora, relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 a 2007. • IRPJ (fls. 3/18), de R$ 1.261.749,99 • CSLL (fls.19/29), de R$ 454.229,99. • IRRF (fls 30/41), de R$ 2.717.615,31 De acordo com a descrição dos fatos nos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal (fls. 43 a 57) os lançamentos se deram por não ter havido comprovação de que em relação ao dispêndio levado a resultado a titulo de despesas operacionais, correspondeu efetivamente a um serviço prestado pela empresa Resultante LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 02.530.396/000104 Os valores efetivamente pagos A. empresa Resultante Ltda foram adicionados ao Lucro Real para a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Como as operações foram consideradas inexistentes os pagamentos, por conseqüência, foram considerados sem causa sujeitandose a retenção na fonte com a incidência de 35% conforme previsto no artigo 674 do RIR/99. Os pagamentos foram considerados rendimentos líquidos e reajustados para o cálculo da incidência do IRRF. Estes valores foram apurados a partir das Notas Fiscais de Serviços emitidas pela empresa Resultante Ltda. A multa aplicada sobre todos os valores foi de 150 % tendo por base o artigo 44, inciso II, da Lei 9430/1996 para os fatos geradores ocorridos até 21/01/2007. Para os fatos geradores ocorridos após 15/06/2007 o enquadramento legal foi o artigo 44, inciso I e § 1°, da Lei no 9430/1996 Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 5 4 com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488 de 15.06.2007. Passo a relatar os procedimentos da fiscalização que culminaram nos autos de infração que tiveram por base os valores acima demonstrados, conforme descrição contida Termo de Verificação Fiscal As fls 13/57. 1 Apuração da Inexistência de Fato da empresa Resultante LTDA No curso da fiscalização nas operações da empresa Mobilita Comércio Indústria e Participações Ltda foi constatado que no rol de prestadores de serviços Aquela empresa encontravase a Resultante Ltda, cujo domicilio eleito situavase no Estado de São Paulo, no município de Poá, distante do Rio de Janeiro cerca de 450 Km. A empresa Resultante Ltda, conforme dados disponíveis nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, também teria prestado serviços ao Supermercado Zona Sul S/A. A ação fiscal pautouse em dois pólos: comprovar a existência de fato da empresa Resultante Ltda e a efetividade dos seus serviços As empresas Mobilitá Comércio Indústria e Representações Ltda e Supermercados Zona Sul S/A. 0 grupo fiscal diligenciou no domicilio tributário eleito pela prestadora de serviços Resultante Ltda, no município de Poá/SP para verificar a real existência da empresa, examinar livros contábeis e fiscais, e colher demais elementos que pudessem convencer da licitude dos negócios praticados entre o Supermercado Zona Sul S/A, a Mobilitá Comércio Indústria e Representações Ltda e a Resultante LTDA. Na diligência a fiscalização apurou o seguinte conforme documentos anexados as folhas 04 a 66 do anexo I: a) no local onde se esperava que funcionasse a empresa Resultante Ltda havia apenas um galpão abandonado, não se prestando A. condução de nenhuma atividade empresarial no estado em que se encontrava; b) que a constatação supra foi corroborada por declaração firmada em 07/07/2009 pelo Diretor do Departamento de Fiscalização da Secretária Municipal de Fazenda de Poá (fls. 59) e fotografias (fls. 50 a 57). c) restou demonstrado que, desde o ano de 1999, o galpão situado no local fornecido as Administrações Tributárias Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 6 5 Federal e Municipal, como domicilio tributário pela empresar RESULTANTE LTDA, já se encontrava em total abandono e, além disso, o local não é nem foi dividido em blocos e respectivas salas, como consta do endereço de cadastro da diligenciada, conforme documentos anexados as folhas 62 e 63 do Anexo I. A fiscalização diante da situação fática que demonstrava a impossibilidade de aquele galpão servir para qualquer atividade empresarial, aprofundou as investigações, apurando a existência de uma Lei municipal de Poá n° 2.614/1997, cujo objetivo era o de angariar empresas, fomentar a atividade econômica local e aumentar a arrecadação. Esta lei instituiu a alíquota de 0,25% sobre o preço dos serviços prestados pelas empresas sediadas no município de Poá. Todavia a fiscalização em face de outras provas que indicariam a intenção dolosa de subtrair tributos e permitir que pessoas físicas recebessem valores a titulo de lucros distribuídos sem a incidência de qualquer tributação descartou que o motivo de a empresa RESULTANTE LTDA ter se instalado naquele município fosse a baixa alíquota de ISS. Continuando a fiscalização, após intimação feita ao contador, verificouse em documentos, livros diário e razão que não havia qualquer dispêndio a titulo de despesas operacionais, como passagens, viagens, gastos com material de escritório, gastos com material de consumo, limpeza, pagamentos de empregados com ou sem vinculo empregatício, ou, ainda, contratação de outras empresas que pudessem ter realizado os supostos serviços (fls 159 a 199 do Anexo I). Foi constatado que nos ativos da empresa existia apenas um veiculo antigo de valor insignificante, inexistindo bens suscetíveis de indicar, ou mesmo presumir, a possibilidade da realização dos serviços que supostamente teriam sido tomados pelo Supermercado Zona Sul S/A (fls 167 Anexo I). Com base nestes fatos a fiscalização concluiu que estava exaustivamente demonstrada a inexistência de fato da empresa Resultante Ltda e de que os serviços não foram prestados. 2 — Apuração quanto aos serviços tomados pelo Supermercado Zona Sul S/A A empresa autuada foi cientificada conforme documento de fls 63 a apresentar o seguinte: Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 7 6 a) originais das notas fiscais (Ps Vias) emitidas pela empresa Resultante Ltda no período compreendido entre janeiro de 2004 a dezembro de 2008; b) originais dos contratos de prestação de serviços firmados com a empresa c) folhas dos livros comerciais onde constem os lançamentos contábeis dos comprovação dos pagamentos efetuados; e) original dos contratos de prestação de serviços firmados com a empresa Mobilitá Comércio Industria e Representações Ltda nos anoscalendário de 2004 a 2008; O originais das notas fiscais (las Vias) emitidas pela empresa nos anoscalendário de 2004 a 2008; g) originais das notas fiscais (T's Vias) emitidas pelo Supermercado Zona Sul S/A à Mobilitá Comércio Industria e Representações Ltda nos anoscalendário de 2004 a 2008; h) folhas dos livros comerciais onde constem os lançamentos contábeis envolvendo as transações entre Supermercado Zona Sul S/A e Mobilitá Comércio Industria e Representações Ltda . Em resposta foram trazidos A. colação os documentos de fls 63 a 184. A fiscalização entendendo que a descrição dos serviços contida nas Notas Fiscais e nos contratos era vaga, encaminhou Termo de Intimação Fiscal requisitando a apresentação de documentação hábil e idônea que comprovasse a efetividade dos serviços prestados conforme documentos de folhas 495 do volume 3. Em resposta (fls 496/497) o contribuinte informou a) que os serviços prestados foram de assessoria, suporte técnico em layout das lojas, comunicação visual, sugestões e indicações na aquisição de equipamentos e mobiliários das lojas, precificação e cartazeamento; b) que a assessoria em relação ao layout seriam sugestões de alterações no local, das áreas de prévenda, pósvenda promocionais e novidades (novos produtos), visando a distribuição homogênea dos espaços. Um consultor da Resultante Ltda comparecia as lojas do Supermercado Zona Sul S/A para orientar as novas propostas de utilização dos espaços; Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 8 7 c) que a assessoria em relação ao mobiliário e equipamentos das lojas consistiu na análise e aprovação, quando necessária a modificação, dos equipamentos mantidos pelo Supermercado Zona Sul S/A adequandoos A. nova filosofia fé conceito das lojas; d) que a assessoria em relação à precificação e cartazeamento deuse após verificação nos locais do material até então utilizado (tipo de papel,letras, diagramação, grafismo, etc.), sendo sugeridas modificações quando necessárias; e) que a efetividade dos serviços prestados aconteceu nas modificações e reestruturações de todos os estabelecimentos já existentes e nos novos, quando inaugurados, durante a vigência do contrato com a Resultante Ltda. Considerada uma resposta evasiva e inespecífica, a fiscalização enviou novo Termo de Intimação Fiscal (fls. 498 do volume 3), em que requisitou: a) a qualificação completa dos consultores da Resultante Ltda; b) o n° dos telefones da Resultante Ltda , que eram usados para efetivar comunicação entre as duas empresas no período mencionado; c) os outros meios utilizados para ambas as empresas interagirem. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal a resposta apresentada é a de "que não se recordam" (fls. 50) Após tais procedimentos a fiscalização concluiu que: a) tais respostas evidenciaram que a empresa Supermercado Zona Sul S/A, com 47 filiais no município do Rio de Janeiro, administrada por pessoas de reconhecida capacidade técnicooperacional não consegue indicar, de maneira cabível, quem, como, onde e quando um suposto prestador de serviço teria realizado tal prestação; b) tais serviços não foram esporádicos, mas foram realizados por quatro anos consecutivos e, conforme declarado pela autuada, não se tratavam de serviços comuns mas, sim, importantes para a empresa dada sua natureza, pois eram assessorias, consultorias, pesquisas e estudos não se concebendo que "não se recorde das pessoas que teriam realizado os supostos serviços tão importantes"; Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 9 8 c) nenhum elemento foi apresentado à fiscalização como prova da efetiva prestação dos serviços, firmando, assim a convicção de que tais serviços não foram prestados, tipificandose como despesas não ocorridas e passíveis de adição na determinação do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, além da incidência de imposto de renda na fonte caracterizada como pagamento a beneficiário sem causa; d) Supermercado Zona Sul S/A à Mobilitá Comércio Industria e Representações Ltda em outras palavras os serviços não foram prestados porque a suposta prestadora não possui sede, não contratou empregados, não efetivou qualquer despesa operacional na suposta prestação de serviço e o Supermercado Zona Sul S/A também não conseguiu comprovar a efetividade dos serviços prestados. 3 — Das Interligações entre as empresas Resultante Ltda e Supermercado Zona Sul S/A Foi apurado que na composição societária da empresa RESULTANTE LTDA fazem parte os Srs ATTÍLIO MILONI e LUIGI FERNANDO MILONE, os quais são também administradores da empresa Mobilitá Comércio Industria e Representações Ltda , com a qual o SUPERMERCADO ZONA SUL S/A realizou várias transações comerciais de compra e venda de mercadorias conforme documentos anexados As fls. 309/399 e apresentados pela fiscalizada em resposta A Intimação. Foi apurado também que um dos sócio /diretores do SUPERMERCADO ZONA SUL S/A, Sr PIETRANGELO LETA é casado com MARIANA AFONSO MILONE, filha de LUIGI FERNANDO MILONE o que demonstraria de modo inequívoco a ligação entre a direção das duas empresas envolvidas na "trama", não podendo a empresa autuada alegar desconhecer todo o "processo delituoso" em face deste "elo de parentesco por afinidade" entre administradores de uma e de outra empresa. 4— Da Finalidade da Simulação da Prestação de Serviços. A fiscalização afirma (fls 52) que o objetivo dos envolvidos no procedimento "delituoso e fraudulento" era apropriar os valores pactuados como despesa, reduzindo, significativamente, as bases de cálculo do Lucro real e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido em se tratando do SUPERMERCADO ZONA SUL S/A A empresa RESULTANTE LTDA, embora mantivesse escrita contábil, distribuiu aos seus sócios significativos valores a titulo de lucro distribuído, sem a incidência de tributação, como Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 10 9 prevê a legislação de regência, valendose, entretanto, de "todo o processo simulatório". Das Infrações A fiscalização diante do conjunto de elementos probatórios entendeu que: a) o SUPERMERCADO ZONA SUL S/A, na pessoa de seus sócios tinha conhecimento de que a empresa RESULTANTE LTDA era inexistente de fato e utilizada unicamente para dar cunho de legalidade aos ilícitos praticados. b) a empresa RESULTANTE LTDA era inexistente de fato, e, portanto, os supostos serviços não foram efetivamente prestados, bem como os documentos emitidos por si são tidos como inidôneos sendo as respectivas despesas por eles representadas não passíveis de compor o lucro real e a base da cálculo da CSLL pelo suposto tomador dos serviços, SUPERMERCADO ZONA SUL S/A; c) o procedimento da fiscalizada enseja a formalização de auto de infração exigindo os tributos dolosamente subtraídos e formalização de Representação Fiscal para fins Penais, com a aplicação da penalidade qualificada, disposta no parágrafo 1° , do artigo 44, da Lei n° 9430/1996, no percentual de 150%. d) os pagamentos efetuados pela autuada são também considerados sem causa na forma disposta no artigo 304 c/c o parágrafo primeiro do artigo 674 do RIR/99, devendo sofrer o reajuste disposto no artigo 20 da IN SRF 15/2001. Na seqüência foi lavrado o Auto de infração de fls. 02/57 do qual a contribuinte tomou ciência em 11/11/2009 (fls 4; 20; 31; 41 e 57). Irresignada, a contribuinte apresentou sua impugnação de fls. 510 a 518 em 09/12/2009, na pessoa de seu procurador, acompanhada de documentação de fls.519 a 561 contendo as seguintes alegações, em síntese: a) não foram observados critérios hígidos e congruentes pelo Fisco no exame tido como pagamento sem causa, pois no inicio do Termo de Verificação Fiscal é mencionado que não houve a contrapartida de um serviço efetivamente recebido, mormente pela prestadora de serviço ser uma empresa inexistente de fato, sem sede, e sem que tenha contratado empregados por vinculo direto ou terceirizados, sendo que a Defendente apresentou durante toda a fiscalização farta documentação comprobatória dos serviços então prestados sempre que solicitada; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 11 10 b) também esclareceu acerca dos serviços prestados informando que os mesmos se tratavam de assessoramento e suporte técnico em "layout" de suas lojas, de comunicação visual, de sugestões e indicações na aquisição de equipamentos e mobiliários para as suas lojas e indicações na aquisição de mobiliário e equipamentos, bem como precificação e cartazeamento; c) a assessoria em relação ao "layout" de suas lojas consistia em sugestões de alterações no local, das áreas de prévenda, pósvenda, promocionais e novidades (novos produtos), buscando a distribuição homogênea e melhor aproveitamento dos espaços das lojas; d) relativamente ao mobiliário e aos equipamentos das lojas o serviço consistia em uma análise e aprovação, quando necessário algum tipo de modificação, dos equipamentos mantidos pela Defendente, adequandoos A. nova filosofia de conceito de suas lojas; e) em relação à precificação e cartazeamento, o assessoramento deuse após verificação nas lojas, tendo casos em que se manteve o material até então utilizado e outros em que foram sugeridas modificações, tendo sido esclarecido que a efetividade dos serviços prestados aconteceu nas modificações e reestruturações de todos os estabelecimentos já existentes, bem como nos novos, se inaugurados na vigência do contrato com a empresa em questão; O no curso da fiscalização foram fornecidos documentos extraídos de seus livros Diário e Razão indicando os lançamentos contábeis dos serviços prestados pela RESULTANTE LTDA correspondentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2008, bem como o registro contábil de todos os pagamentos efetuados; g) finalmente, apresentou todas as notasfiscais (originais) relativas aos serviços prestados pela empresa RESULTANTE LTDA e originais dos contratos de prestação de serviço; h) em face de todo o exposto resta clara a nulidade da autuação, devendo a mesma ser cancelada por ausência de base fática ou jurídica. Finaliza requerendo que, se o entendimento não for pela nulidade, que o julgamento seja convertido em diligencia pericial a fim de esclarecer os pontos controversos e reforçar a conclusão pela nulidade. Indica um perito e apresenta quesitos as fls. 517. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 12 11 Em 04/03/2010 a contribuinte apresentou um aditamento A. impugnação, anexando documentos (fls 865/883). Nesse aditamento alega que: a) a suplicante . desejosa de criar novos serviços e incrementar os já existentes, definiu com a empresa RESULTANTE LTDA que o tipo de consultoria seria o de passar conhecimento, orientação e "coaching" diretamente para a presidência do Grupo Zona Sul; b) a empresa RESULTANTE LTDA entrou como uma conselheira de inovações tendo sido definidos dois tipos de projetos, sempre alinhados com a diretriz de pesquisa do que é "desabastecido", definindo tamanho de mercado e viabilidade econômica, pensando nas necessidades de comunicação, operação, logística e resultado mensuráveis através de indicadores prédefinidos e que alimentassem também um processo de recompensa. Assim as duas linhas projetadas foram: b I) os de trabalho de pesquisa de mercado com o objetivo de garantir empoderamento e foco em pesquisar e implantar inovações para categorias/produtos e/ou serviços coerentes com a estratégia da empresa; b2) os de novos negócios, envolvendo projetos completos de pesquisa e implantação para novos negócios, como toda a área de consumo local, pizzaria, spagheteria, padaria sucos, café da manhã, sanduíches, etc. c) como exemplo, na loja Zona Sul situada na rua Carlos Góis, n° 344, Leblon, nesta cidade, as prateleiras foram redimensionadas para expor mais produtos. Formam redimensionados, também, os espaços dos balcões de frios e frutas e legumes com o objetivo de criarmos uma nova categoria na loja que até aquele momento não existia. Tal categoria chamada de "consumo local" contempla: pizzaria, sanduíches, sucos frescos e café da manhã e possui como principal função a geração de fluxo de clientes e percepção de imagem de vanguarda com relação aos formadores de opinião, ou seja, dos clientes que moram no entorno da loja (conceito de vizinhança). d) igualmente na loja Zona Sul na rua Francisco Sá, n° 35, Copacabana, RJ, o aproveitamento do espaço foi o escopo principal do trabalho da consultoria prestada pela RESULTANTE LTDA, tendo sido acolhida a proposta de alinhamento dos "check outs" e "check outs" duplos para melhorar o escoamento das filiais, além de serem criadas três novas categorias até então inexistente: peixaria, pizzaria e café da manhã. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 13 12 e) como fruto da assessoria prestada pela RESULTANTE LTDA o fabrico de pão fresco foi trazido para dentro do saldo da loja, implementando assim, o conceito de "pão fresco a todo instante". Igualmente foi implementado o conceito inovador de planejamento de categorias como a de Limpeza (anexos fls 870 e fs), na qual os produtos são melhor alocados nas prateleiras para a conveniência como o que o cliente busca encontrar. Finaliza o aditamento requerendo que o mesmo seja plenamente utilizado, juntamente com o conteúdo da impugnação, nos autos de infração reflexos a fim de se auferir decisões coerentes. Distribuído o processo para este relator, foi verificado que não se encontrava nos autos a resposta à intimação de fls 498, na qual, conforme Termo de Verificação Fiscal a contribuinte teria informado que não se recordava da qualificação completa dos consultores; dos números de telefones da RESULTANTE LTDA, usados para efetivar a comunicação entre as duas empresas e demais meios de comunicação utilizados para ambas empresas interagirem. Assim foi determinada diligência (fls 899) para que: a) fosse trazida aos autos a resposta A intimação de fls. 498/499; b) na impossibilidade de atendimento 6. diligência supra. A autuada fosse reintimada a informar o solicitado nos itens 1 a 3 daquela intimação. Em cumprimento A diligencia a fiscalização juntou a resposta As fls. 901/902,. A referida resposta menciona que os contatos feitos com a empresa RESULTANTE LTDA eram todos na pessoa do sr. Luigi Fernando Milone. Este, por sua vez, designava aqueles que prestaram a assessoria e suporte técnico para o layout das lojas, comunicação visual, sugestões e indicações na aquisição de equipamentos e mobiliários das lojas , precificação e cartazeamento. Também informa na resposta que, como todos os contatos eram feitos única e exclusivamente com o Sr. Luigi Milone não dispunha dos números pelos quais os mesmo eram feitos. Na seqüência do atendimento As diligências a fiscalização intimou o contribuinte a se manifestar, conforme Termo de Constatação e de Intimação de fls 904/905 a: Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 14 13 a) reratificar os termos da resposta A intimação formalizada pela fiscalização (fls 498/499) que, por lapso, não fora acostada aos autos; b) manifestarse, se assim desejasse, sobre o teor da resposta A intimação retro, no prazo de trinta dias a contar da ciência sob pena de preclusão A contribuinte, na pessoa do seu Diretor Presidente, Sr. Fortunato Leta respondeu A intimação encontrandose a mesma As fls. 912/914 acompanhada da documentação de fls 915 al 070 Nessa resposta menciona que: a) não pode reratificar todos os termos da resposta A intimação formalizada pela fiscalização em 18/08/2009 constante das fls.498/499, pois, conforme já informado, os contatos com a empresa RESULTANTE LTDA eram feitos através do Sr. Luigi Fernando Milone, proprietário da mesma. Mas, como a resposta foi elaborada pelo escritório de advocacia contratado pelo SUPERMERCADO ZONA SUL S/A, o mesmo não possuía os telefones de contato; b) o período de 2003 a 2007 foi de grande salto nas vendas e de abertura de novas filiais, conforme comprovam os alvarás juntados (fls 922; 925;927;929; 932; 934; 937); c) no período mencionado acima as vendas cresceram 40% (R$ 220 milhões). Anexa As fls 939 a 941 Demonstrações financeiras dos anos de 2004 a 2007 publicados no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro d) assim, buscamos assessoria de quem, Aquela época, mais aparecia no mercado do Rio de Janeiro como sendo uma expertise no varejo, a empresa CASA & VIDEO. e) esta empresa representava, A época, a mais atraente e bem preparada no segmento varejo, sendo um caso de sucesso comprovado de "mercado", por sua forma agressiva de marketing e pelas inovações que introduziu em suas lojas, tanto com relação ao itens comercializados como na forma de venda dos mesmos; f) talvez para leigos passem despercebidas algumas inovações que aquela empresa adotou na forma de venda, como exemplo: fila única nos caixas (copiada, depois, pelas Lojas Americanas e outras), venda de muitos itens em um mesmo local, de proporções pequenas, quando comparado com a concorrência, folhetos agressivos encartados nos jornais de maior circulação no Estado, Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 15 14 venda de uma grande quantidade de utilidades para o lar, onde se podia encontrar de tudo, etc; g) dessa forma procuramos um dos sócios da CASA & Vídeo, o Sr. Luigi Milone para nos prestar um serviço de assessoria, sendo neste momento que soubemos de sua empresa RESULTANTE LTDA, especializada para este tipo de assessoramento; h) o Sr. Luigi, através da RESULTANTE LTDA, nos assessorou nos seguintes serviços comprovados através do ANEXO I (fls 915 a 975): hl) abertura, reforma e ampliação de 07 lojas (Barra da Tijuca, Jardim Botânico, Copacabana, Ipanema, Urca, Flamengo e Laranjeiras) h2) Introdução de novos serviços nas mesmas. i) a assessoria por ser estratégica e de inteligência se dava através da pessoa do Sr Luigi Milone, na sede da empresa CASA & VIDEO, na Rua Riachuelo, 243 — Centro — Rio de Janeiro e nossas reuniões eram sempre agendadas através das secretárias, pelo lado do ZONA SUL, Sra. Maria Lurinda, e pelo lado do Sr. Luigi, Sras. Miriam e Maria telefones (21) 25081996 e (21) 25081810 j) no período de contratação da consultoria, vários trabalhos foram desenvolvidos para sustentar as diretrizes que eram definidas em nossas reuniões, sempre com as presenças de Luigi (RESULTANTE LTDA), Fortunato e Jaime Xavier (ZONA SUL) k) contratamos uma empresa de pesquisa de mercado (GERP) para identificar as devidas oportunidades das mudanças propostas; 1) das reuniões surgiu, também, a idéia de criar a la pizzaria do Zona Sul grande sucesso de mercado; m) no final de 1996 lançamos no mercado o cartão de fidelidade do SUPERMERCADO ZONA SUL S/A cujo objetivo era o de conhecer o perfil de compra de nossos clientes através de sua identificação junto aos caixas com a utilização de um cartão com seus dados, ou da utilização do CPF; n) com o conhecimento do perfil de consumo dos clientes, pudemos ajustar cada loja, de cada bairro, aos nossos clientes mais assíduos, através da escolha dos produtos mais procurados e das suas disposições nas prateleiras e geladeiras, layout das lojas disposição dos caixas, etc; Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 16 15 o) com mais de 200 000 pessoas com cadastro ativo nas lojas buscam uma forma de incluir no cartão mais um beneficio, que era o crédito; p) quando iniciamos as pesquisas com as empresas que administram este meio de pagamento, principalmente bancos, nos defrontamos com um novo desafio: como negociar com eles, pois não tínhamos experiência necessária para tocar um negócio de tal envergadura; q) procuramos a empresa mais elogiada no ramo novamente, a CASA & VIDEO, e, através da empresa RESULTANTE LTDA contratamos o já citado sócio Sr. Luigi Milone para nos assessorar nas negociações, conforme documentos juntados no anexo II (fl. 976 a 1070); r) as discussões realizadas e os trabalhos executados (e mail, plantas, layouts, planogramas, etc) estão anexados a esta resposta para demonstrar que, realmente, nos foram prestados os serviços contratados A. RESULTANTE LTDA, conforme contratos juntado; s) As notas fiscais já foram entregues anteriormente; t) é de suma importância ressaltar que na época dos contratos e, até hoje, a empresa RESULTANTE LTDA encontravase e encontrase, com o cadastro do CNPJ e inscrição estadual ativos; u) o fato de a sede da empresa localizarse em São Paulo não era impeditivo para a assinatura de contrato, nem para a prestação dos serviços que desejávamos além de não nos caber questionar a respeito, uma vez que a empresa estava, como ainda está com seu cadastro em perfeita ordem. Analisando a questão entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente o auto de infração, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. A ocorrência do dolo, fraude ou simulação posterga, no lançamento por homologação, o termo inicial do prazo em que se extingue o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário para o primeiro dia do exercício seguinte. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado o intuito de fraudar ou sonegar pelo conjunto fático caracterizador dessa prática nos procedimentos adotados pela contribuinte, aplicase a multa qualificada de 150%. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 17 16 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, quando não houve cerceamento do direito de defesa e quando todas as formalidades essenciais e formais foram observadas. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários e adequados a solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. INDEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS Sem a comprovação da efetiva prestação dos serviços, a dedução das despesas a eles referentes deve ser glosada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO REFLEXO. Dada a estreita relação de causa e efeito entre o auto de infração referente ao IRPJ e o da CSLL, aplicase a este a sorte daquele. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2004, 2005, 2006, 2007. PAGAMENTOS SEM CAUSA FALTA DE COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Incide o IRRF quando inexistir a comprovação da operação ou da causa dos pagamentos efetuados a terceiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, interpôs o contribuinte o recurso voluntário ora analisado reiterando os argumentos expostos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mauricio Pereira Faro, relator: Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 18 17 A autuação, sob debate, referese a IRPJ, CSLL e IRRF, relativos aos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, decorrente da verificação de infração à legislação tributária cometida pela Recorrente, descrita sinteticamente pela Fiscalização, nos seguintes termos (fls. 5,21 e32). Esses dispêndios relacionamse com serviços contratados junto Resultante Ltda. Nos autos, foram localizados os seguintes instrumentos particulares que se referem as despesas/pagamentos. Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria e Assessoria na Intermediação com Adm. de Cartões de Crédito (fls. 171/173 e 1068/1070) Este contrato foi firmado em 14/10/2007, quando a Resultante Ltda obrigou se a entregar, findo o prazo estabelecido, o resultado do projeto. Pela contraprestação dos serviços aqui contratados, a Recorrente acertou a importância de R$ 600.000,00 paga em 4 parcelas, a primeira, de R$ 200.000,00 (nota fiscal n° 159, fl. 103), em 30/09/2007, e as demais, no valor de R$ 133.333,33, com vencimentos em 30/10/2007, 30/11/2007 e 30/12/2007 (notas fiscais n°s 160, 161 e 162, fls. 105, 107 e 109), sendo que a última seria adimplida mediante efetiva aceitação dos serviços e com o "De Acordo" da Recorrente. 2 Contrato de Prestação de Serviços (fls. 916/918) Este contrato foi firmado em 01/07/2004, tendo, como objeto, a "pesquisa e prospecção de mercado, visando à capacitação de dados para desenvolver um Layout de lojas" e o "planejamento na área de marketing da CONTRATANTE destinado a atender as demandas geradas pelo novo Layout". Pela contraprestação dos serviços aqui contratados, a Recorrente acertou a importância de R$ 740.000,00 paga, a primeira, de R$ 200.000,00 (nota fiscal n° 111, fl. 117), na data de assinatura do contrato, e as demais, no valor de R$ 90.000,00 (notas fiscais n's 114, 117, 120, 122 e 126, fls. 84, 86, 89, 91 e 113), com vencimentos em 30/07/2004, 30/08/2004, 30/09/2004, 30/10/2004, 30/11/2004 e a última em 30/12/2004, quando seriam entregues os serviços contratados. 3 Cartaproposta (fls. 175/177 e 919/921) A Fiscalização (fls. 175/177) e a Recorrente (fls. 919/921) também juntaram aos autos carta datada de 06/03/2006 apresentando uma proposta para entrega de "Projeto para Layout" em que a Recorrente e a Resultante Ltda ajustam a contratação de serviços no total de R$ 2.507.000,00 para serem pagos em 5 parcelas de R$ 501.400,00 com vencimentos a partir de março de 2006 (notas fiscais n's 150, 152, 154, 156 e 158, fls. 93, 95, 97, 99 e 101). O trabalho a ser desenvolvido dividiase, conforme a cartaproposta (fls. 175/177), em: 3.1 LAYOUT Seriam desenvolvidos três modelos de layout (Grande, Média e Pequena) a ser escolhido pela Recorrente e, uma vez definido e aprovado, seria gerada uma planta baixa de cada modelo de loja. 3.2 EQUIPAMENTOS E MOBILIÁRIO Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 19 18 Seriam avaliados todos os equipamentos de suporte e exposição da loja e, em seguida, gerado relatório com observações para manutenção daqueles que estivessem atendendo As necessidades das lojas e sugestões para equipamentos fabricados em linha ou especiais adequados ao conceito desse novo layout. "Uma vez definido e aprovados pelo cliente todos os equipamentos e mobiliários sell gerado tópico do book com as especificações dos equipamentos de linha e seus respectivos cortes e o desenho técnico de todos os mobiliários especiais desenhados pela Design Resultante" (fl. 175). 3.3 COMPLEMENTO (PRECIFICACÃO E CARTAZEAMENTO) Seria feita uma avaliação da família de precificadores e cartazes de preço e seus suportes. Após o estudo, seriam definidos os formatos dos cartazes (tipo de papel, tipologia da letra, diagramação padrão, grafismo, dentre outros), os suportes — em função dos equipamentos de exposição e layout. 3.4 ACOMPANHAMENTO Seria colocado A disposição suporte técnico em todas as etapas do trabalho. Ao fim, seria gerado, como produto final do que fora aprovado, um book total com cópia em CD dos seguintes tópicos: 1. Comunicação Visual, 2. Layout, 3. Equipamentos e Mobiliário, e 4. Precificação e Cartazeamento. 4 DA INDEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS Como fartamente demonstrado pela Fiscalização, a empresa Resultante (supostamente contratada pela Recorrente), de fato, não opera no endereço informado ao CNPJ. À época, tal situação não configurava, por si só, hipótese de inaptidão, o que presumiria, salvo prova em contrário, a inidoneidade dos documentos por ela emitidos, segundo o art. 48, da IN RFB n° 748/2007. No entanto, a partir da edição da Lei n° 11.941/2009 (art. 81, § 5°, da Lei no 9.430/96, com redação dada pelo art. 30, da Lei n° 11.941/2009), a nãolocalização da pessoa jurídica no endereço informado no CNPJ (situação vivenciada no caso) passou a indicar, por força da legislação, essa inidoneidade (art. 39, II, 41, II e 45, da IN RFB n° 1.005/2010). Portanto, mesmo que a lei vigente ao tempo dos fatos narrados nos autos deste processo não previsse, por presunção relativa, a ineficácia dos comprovantes emitidos por pessoa jurídica não localizada, o fato de hoje haver tal previsão é indicio que, somado a outros, pode formar uma base precisa, grave e convergente a levar à conclusão de que, na realidade (verdade jurídica), não houve a efetiva prestação do serviço alegado. Outro indicio é a descrição pouco detalhada encontrada nas notas fiscais emitidas pela Resultante (fls. 80/119) aliada a respostas vagas e imprecisas fornecidas pela Recorrente. Quando instada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços realizada pela Resultante Ltda (fl. 495), a Recorrente não apresentou qualquer documento, apenas descreveu como se dava a assessoria em relação ao layout das lojas com a informação de que um consultor comparecia diretamente nas lojas e fornecia as orientações necessárias (fls. 496/497). Contudo, ao ser intimada a informar a qualificação dos consultores (fl. 498), limitouse a explicar que os contatos eram feitos na pessoa do Sr. Luigi Fernando Milone (sócio da Resultante Ltda) que designava quem prestaria a assessoria e o suporte técnico, sem indicar a pessoa que efetivamente compareceu As lojas da Recorrente. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 20 19 Além disso, não constam na Contabilidade da Resultante, como informa a Fiscalização, quaisquer dispêndios a titulo de despesas operacionais (passagem e material de escritório, por exemplo) ou referentes a pagamentos a empregados ou prestadores de serviço, o que denota falta de capacidade operacional da referida empresa. Chama também a atenção, pelo volume dos valores envolvidos, a ausência de uma planilha de custos que demonstrasse como a Resultante chegou às importâncias cobradas que serviria ainda de ponto de partida para tomada de decisão da Recorrente ao fechar o negócio. Não obstante o vulto dos negócios realizados entre a Recorrente e a Resultante e a natureza dos serviços contratados, não verifiquei materialização física da assessoria prestada através de um relatório, parecer, laudo ou documento equivalente. Normalmente, esse tipo de serviço, principalmente quando alcança cifras da ordem de centenas de milhares de reais, acarreta a exigência, por parte da Contratante, inclusive para o pagamento dos honorários acordados, da confecção de documento que formalize a entrega dos serviços e sirva de fonte de consulta posterior. De igual modo, não encontrei nos autos contratos ou acordos que explicassem a totalidade dos pagamentos realizados A. Resultante e os instrumentos firmados, quando existentes, previam a confecção de documentos expressos, tais como, relatório, manual, book, projeto, dentre outras provas documentais, necessários, em regra, para o pagamento final das importâncias acordadas. Não é demais reforçar que a comprovação da efetividade da prestação do serviço, por documentação hábil e idônea, é requisito genérico para que se permita a dedução da despesa, segundo o art. 304, do RIR/99. Em relação aos demais pagamentos, os contratos apresentados (todos) exigiam a confecção de documentos que não foram trazidos aos autos e que se consistiriam, em principio, nas provas da efetiva prestação dos serviços contratados. Vejamos. Contrato de Prestação de Serviços de fls. 916/918 Notas Fiscais 111, 114, 117, 120, 122 e 126 (Total R$ 740.000,00) "Consultoria para Store Planning Pesquisas e Estudos" Neste contrato, ficara acordado que, na ocasião do pagamento da última parcela, os serviços contratados seriam entregues, o que significa dizer que a sexta parcela a ser paga em dezembro de 2004 estaria condicionada ao término dos trabalhos de "pesquisa e prospecção de mercado, visando à capacitação de dados para desenvolver um Layout de lojas" e de "planejamento na Área de marketing da CONTRATANTE destinado a atender as demandas geradas pelo novo Layout", que só teriam razão de ser com a apresentação formal do resultado da "pesquisa" e do "planejamento", nos moldes, por exemplo, em que a GERP (outra empresa contratada pela Recorrente) demonstrou seu trabalho (fls. 970/975 e 1056/1067). 2 Cartaproposta de fls. 175/177 Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 21 20 Notas Fiscais 150, 152, 154, 156 e 158 (Total R$ R$ 2.507.000,00) "Assessoria e Implantação de Lay Out para filiais" Os serviços contratados, conforme ajustado na própria carta, previam a confecção de diversos documentos: a) três modelos de layout (Grande, Média e Pequena); b) relatório com observações para manutenção dos móveis que estivessem atendendo As necessidades das lojas e sugestões para equipamentos fabricados em linha ou especiais; c) manual das peps aprovadas (suportes, bases, molduras, família de cartazes, stoppers, caderno de títulos); e d) book total com cópia em CD dos seguintes tópicos: 1. Comunicação Visual, 2. Layout, 3. Equipamentos e Mobiliário, e 4. Precificação Cartazeamento. 3 Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria e Assessoria na Intermediação com Adm. de Cartões de Crédito de fls. 171/173 Notas Fiscais 159 a 162 (Total R$ 600.000,00) "Consultoria e assessoria em negociação com administração de cartão de crédito" Pela contraprestação dos serviços contratados, a Recorrente acertou pagar, em quatro parcelas, a importância de R$ 600.000,00, de forma que a última seria repassada A Resultante mediante efetiva aceitação dos serviços e com o "De Acordo" da Recorrente no resultado do projeto. Não obstante, a Recorrente restringiuse a fornecer explicações genéricas sobre os serviços contratados, apresentando diversos projetos (fls. 871/883 e 923/969) e propostas financeiras (fls. 977/1055), os quais não se permite afirmar tenham sido gerados pela Resultante Ltda. A mera aposição de rubrica semelhante A de Luigi Milone indicando sua concordância ou sua ciência não são suficientes para comprovar efetiva prestação dos serviços e a dedutibilidade das despesas em questão. DO IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA E, como corolário, não logrado êxito em comprovar a operação ou a causa do pagamento a terceiros, impõese, também, por força do art. 674, § 1°, do RIR/99, a incidência do IRRF, substituindose o real beneficiário pela fonte que realizou os pagamentos. Tal dispositivo legal (art. 61, da Lei n° 8.981/95) define hipótese de incidência de imposto de renda exclusivo na fonte (6 dizer, a fonte pagadora é obrigada a recolher o imposto de renda no lugar do beneficiário do pagamento) sempre que, existente pagamento, reste indefinição quanto ao sujeito ou ao objeto deste pagamento. Dessa forma, a não identificação do beneficiário ou a Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 22 21 não comprovação da operação que dera causa ao pagamento enseja o recolhimento do IR sem que se possa deduzilo posteriormente, eis que exclusivo na fonte. No caso, a demonstração de que houve pagamento é patente, quer seja pelos registros de TED juntados aos autos (fls. 80, 82, 85, 87, 90, 92, 94, 96, 98, 100, 102, 104, 106 e 108) ou por se tratar de fato que não sofreu qualquer contestação por parte da Recorrente. Além disso, não resta dúvida (como já demonstrado anteriormente) que a operação que motivou o pagamento não foi comprovada. DA MULTA QUALIFICADA Para a Fiscalização aplicar a multa qualificada, há que restar provado, ao menos, a existência da sonegação ou da fraude tal qual descritas nos dispositivos legais acima reproduzidos. Tanto a fraude quanto a sonegação correspondem, segundo os art. 71 e 72, da Lei n° 4.502/64, a atos comissivos ou omissivos que visem impedir ou retardar a constituição do crédito tributário ou a sua satisfação. Depreendese, ainda, da leitura dos dispositivos acima transcritos que, para aplicar a multa qualificada, é necessário observar a existência do elemento subjetivo — dolo — para caracterizar o intuito (dolo direto), ou o risco assumido (dolo indireto), de fraudar ou de sonegar. Sustenta a decisão recorrida que, no caso em tela, resta justificada a aplicação da multa no percentual de 150% pela ocorrência dos ilícitos previstos na Lei n° 4.502/64, conclusão a que se chegou em razão dos fatos e situações que teriam sido colhidos dos autos do presente processo e que demonstram clara intenção em reduzir, indevidamente, o montante de tributos a recolher, haja vista que, de forma reiterada e agindo com habitualidade, durante os anos de 2004 a 2007, a Recorrente realizou pagamentos a Resultante Ltda e deduziu despesas de seu lucro real, sem lograr êxito em comprovar a efetiva prestação de nenhum dos serviços supostamente contratados. Todavia, nesse aspecto, entendo que merece reforma a decisão recorrida. Isso porque, para que ocorra a fraude definida pelo artigo 72 da Lei n.º 4.502/64 como “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento” é necessário demonstrar não que o contribuinte teve a intenção de pagar menos imposto, mas que ele teve a intenção de empregar meios ilícitos, “fraudulentos”, para obter a economia fiscal desejada. É o que se depreende, inclusive, da leitura de dispositivos da Lei n.º 8.137/90, que define os crimes contra a ordem tributária, nos seguintes termos: “Artigo 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (...) II FRAUDAR a fiscalização tributária, INSERINDO ELEMENTOS INEXATOS, OU OMITINDO OPERAÇÃO DE Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 23 22 QUALQUER NATUREZA, EM DOCUMENTO OU LIVRO EXIGIDO PELA LEI FISCAL; (...).” “Artigo 2° Constitui crime da mesma natureza: I FAZER DECLARAÇÃO FALSA OU OMITIR DECLARAÇÃO SOBRE RENDAS, BENS OU FATOS, OU EMPREGAR OUTRA FRAUDE, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; (...)” (não destacados no original). Como se percebe pela simples leitura do inciso II do artigo 1º da Lei n.º 8.137/90, fraudar a fiscalização tributária significa inserir elementos inexatos ou omitir operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal. Da mesma forma, o inciso I do artigo 2º desta lei deixa bem claro que o núcleo do tipo correspondente à fraude fiscal é a falsidade. Ora, se a fraude pressupõe a apresentação pelo sujeito passivo de elementos falsos ou a omissão de ato sobre o qual a administração tributária deveria ter ciência, é certo que a autoridade autuante, para impor a multa qualificada, deve apontar com toda a precisão os elementos que demonstrem a fraude. Nesse sentido, é pacífica a Jurisprudência administrativa, que reserva a aplicação da multa qualificada de apenas para casos em que haja a tentativa de enganar, esconder, iludir, como, por exemplo: emissão de “notas calçadas” (Ac. 1052.984); conta bancária fictícia (Ac. 10312.178); escrituração pública por valor menor do efetivamente praticado (Ac. 1063.408/91); apresentação de documentos falsos (Ac. 10318.019); falsidade ideológica (Ac. CSRF/010.351); utilização de notas emitidas por empresa inexistente (Ac. 107233); reiterado oferecimento à tributação de parcela ínfima dos rendimentos (Ac. 101 94.111); subfaturamento (Ac. 1076.041); efetuação de aplicação financeira em nome de pessoa interposta, praticando omissão de receitas (Ac. 10807539); operações de compra e venda de títulos inexistentes para comprovação de origem de depósitos bancários (Ac. 103 22457); uso reiterado de documentos falsos referentes à empresa inexistente (Ac. 10704255); saída de recursos da empresa para terceiros distintos daqueles indicados na escrituração (Ac. 10515267). Ante todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário apenas para cancelar a multa qualificada, mantendo o restante da autuação. Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 24 23 Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, redator designado: Pedindo vênia ao douto Conselheiro Relator, apresento as razões de voto vencedor relativos a dois pontos em que a posição de S.As. restou vencido, quais seja, manutenção da qualificação da multa de ofício do IRPJ e da CSLL e o afastamento da decadência postulada pela Recorrente. Os fatos que levaram à qualificação da multa de ofício são os seguintes: “Todo o procedimento delituoso, demonstrado ao longo deste Termo de Verificação Fiscal, visou, dolosamente, suprimir tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, valendo de ação fraudulenta, com a simulação de negócios jurídicos prestação de serviços com aparência de legalidade, mas que ocultavam a verdadeira intenção dos agentes, no caso em tela, os diretores das empresas Resultante Ltda. e Supermercado Zona Sul S/A, que, agindo em conluio, perpetraram a trama. Essas evidências implicam a aplicação da penalidade qualificada, disposta do parágrafo 1 2 , do artigo 44, da Lei 9.430/96, no percentual de 150%.” (fls. 56) Com relação à qualificação da multa, temse que, a princípio, a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não próativa. Situação diversa é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que portase ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96, com o disposto nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei nº 11.488/2007. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 25 24 Dispõe, o art. 44 da lei nº 9.430/96, o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da “falta de declaração ou declaração inexata” constante do inciso I do art. 44 da lei nº 9.430/96, com a “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente”, o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei nº 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante “ação ou omissão dolosa”, que deve ser especificamente provada na investigação Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10707.000940/200941 Acórdão n.º 1401000.698 S1C4T1 Fl. 26 25 administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste Conselho, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). No caso dos autos, identificamos que a Recorrente utilizouse de mecanismos sabidamente fraudulentos, mediante a escrituração de despesas fictícias em favor de empresa inexistente, sem comprovação de efetivo pagamento ou prestação de serviço, com o objetivo de reduzir tributos, o que impõe a qualificação da multa de ofício. Como decorrência da manutenção da multa qualificada, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial do lançamento, o prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN, em detrimento do prazo constante do art. 150, parágrafo 4º do mesmo Diploma. Diante do exposto, declaro o voto vencedor da Turma Julgadora que manteve a qualificação da multa no que toca ao IRPJ e à CSLL, com o correspondente afastamento do reconhecimento da decadência. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MAURICI O PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10580.726620/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância quando essa atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235/1972.
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 11/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância quando essa atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235/1972. NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 66 20 /2 00 9- 99 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. EDITADO EM: 11/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 140.595,41, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726620/200999 Acórdão n.º 2201001.767 S2C2T1 Fl. 3 3 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento Fl. 235DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726620/200999 Acórdão n.º 2201001.767 S2C2T1 Fl. 4 5 q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 23/09/2010 (AR de efl. 132), Alba Helena Pimentel do Lago interpôs, em 06/10/2010, o Recurso Voluntário de efls. 133/219, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi julgado em 14/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 232). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Preliminares Nulidade Decisão Recorrida Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 No que concerne à alegação de nulidade da decisão recorrida, verifico, pois, que não assiste razão à defesa. Analisando detidamente o Acórdão da Delegacia de Julgamento, constatase que, ao contrário do afirmado, a decisão singular apreciou, ainda que de forma sucinta, a matéria em litígio. No que toca à alegada legitimidade ativa, a decisão recorrida concluiu que é da competência exclusiva da União exigir o imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF). Sobre a suposta quebra na capacidade contributiva, entendeu o julgador a quo que a tributação independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente. Ressaltese que o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas na peça recursal, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235/1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Afastase, portanto, a preliminar. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede a alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste determina expressamente a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos recebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Quebra do Princípio Constitucional da Capacidade Contributiva e Outros Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726620/200999 Acórdão n.º 2201001.767 S2C2T1 Fl. 5 7 No que tange à alegação de quebra do princípio constitucional da capacidade contributiva e outros, cumpre destacar que os referidos princípios dirigemse ao legislador, que deve observálos quando da elaboração das leis tributárias. Os Órgãos da Administração não podem deixar de aplicar as leis aprovadas pelo Congresso Nacional e sancionadas pelo Presidente da República, ao qual estão vinculados pelo poder hierárquico. Essa tarefa é reservada pela Constituição Federal ao poder Judiciário. Transcrevese, outrossim, a Súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Corroborando, o Jurista Hugo de Brito Machado na obra “O Devido Processo Legal Administrativo e Tributário e o Mandado de Segurança”, publicado no volume Processo Administrativo Fiscal, coordenado por Valdir de Oliveira Rocha – Ed. Dialética – 1995, esclarece: Se um órgão do Contencioso Administrativo Fiscal pudesse examinar a argüição de inconstitucionalidade de uma lei tributária, disso poderia resultar a prevalência de decisões divergentes sobre um mesmo dispositivo de uma lei, sem qualquer possibilidade de uniformização. Acolhida a argüição de inconstitucionalidade, a Fazenda não pode ir ao judiciário contra a decisão de um órgão que integra a própria administração. O contribuinte por seu turno, não terá interesse processual, nem fato para fazêlo. A decisão tornarseá assim definitiva, ainda que o mesmo dispositivo tenha sido ou venha a ser considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que é, em nosso ordenamento jurídico, o responsável maior pelo deslinde de todas as questões de constitucionalidade, vale dizer, o 'guardião da Constituição'. Assim, diferentemente do que alega a defesa, a autoridade fiscal não deseja receber tributo superior ao efetivamente devido, mas, simplesmente, aplicar a lei. Em suma, todos os dispositivos fiscais foram aplicados em estrita obediência às atividades específicas da administração tributária. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere dos autos, efls. 12/21, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Mérito No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, nesse sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Nesse caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (inciso II do art. 111 do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a verba como rendimentos isentos e não tributáveis e, ao apresentar sua Declaração de Ajuste, o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.726620/200999 Acórdão n.º 2201001.767 S2C2T1 Fl. 6 9 Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, esse erro não foi provocado pelo contribuinte. Desse modo, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Nessas condições penso que não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc (Despacho de efl. 232) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.726620/200999 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.767. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 35301.014145/2006-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 24/08/2006
DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 25/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 7 1 6 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35301.014145/200681 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.946 – 2ª Turma Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MI MONTREAL INFORMÁTICA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 24/08/2006 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 41 45 /2 00 6- 81 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 25/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 205 00.842, proferido pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 03 de julho de 2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, anulou o auto de infração/lançamento. Segue abaixo a sua ementa: “DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito à eleição do domicílio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicílio eleito. Processo Anulado.” Segundo a Fazenda Nacional, o aresto recorrido merece ser reformado por ter contrariado a prova dos autos e a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2º do CTN; arts. 9, §2º, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto 70.235/72, e, ainda, arts. 2º, IX e 22, da Lei n.º 9.784/99. Na parte em que entende ter havido violação à prova dos autos, observa que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do lançamento sob a argumentação de que a decisão final do Tribunal Regional Federal determina a anulação dos atos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35301.014145/200681 Acórdão n.º 9202002.946 CSRFT2 Fl. 8 3 Diz que o equívoco do julgado recorrido foi reputar que a decisão final do TRF da 2 Região, proferida em 15 de agosto de 2007, de natureza eminente declaratória, poderia anular atos então praticados validamente. Argumenta que, como o pedido formulado na ação judicial foi exclusivamente declaratório, dele não se pode extrair nenhuma consequência de invalidação, já que os provimentos declaratórios apenas ocasionam a certificação. Quanto à violação aos art. 127, §2º do CTN e art. 9, §2º do PAF, considera que os elementos constantes do caderno processual evidenciam que existiram motivos suficientes e legítimos para a recusa do domicílio fiscal da contribuinte. Sustenta que, à luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da NFLD, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Registra que o Superior Tribunal de Justiça, recentemente, se posicionou no sentido que a recusa do domicílio ou lavratura de auto de infração por autoridade diversa do domicilio tributário eleito não constitui hipótese para declarar a nulidade do lançamento. Sobre a violação dos arts. 11,59 c/c 60,61, do Decreto n.s 70.235/72, considera que, ainda que se possa cogitar de eventual vício na autuação, esse não se mostra apto a determinar a nulidade do auto de infração. Entende que a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Frisa que todos os elementos essenciais à notificação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Ressalta que o contribuinte demonstrou ter pleno conhecimento da origem da autuação, tanto que rebate de forma bem minuciosa os fatos considerados pela fiscalização como violadores da norma legal. Observa que a jurisprudência do CARF tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, como ocorre no caso presente, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos da Informação de fls. 505/511, foi negado seguimento ao pedido em análise. A PGFN apresentou agravo às fls. 515/521. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Nos termos do Despacho n.º 2401138/2009, foi acolhido o pedido de reexame do recurso em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Preliminarmente afirma que, nos termos do art. 67, §2° do Anexo II do Regimento, o recurso da Fazenda deve ser inadmitido, uma vez que o acórdão recorrido, proferido pela C. Quinta Câmara, apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instância, bem como todo do procedimento fiscal. Em seguida frisa que, em que pese a tentativa insistente do Recorrente em afirmar que a sede da Recorrida é no Centro do Rio onde funciona uma de suas mais antigas filiais, o próprio Contrato Social devidamente registrado atesta sua sede em Rio das Flores, Volta Redonda, sendo lá seu domicílio fiscal. Destaca que o CARF chancelou, em seus vários julgamentos, que a aferição indireta, instrumento do qual se valeu a Recorrente no caso, só tem sede e razão de existir se houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o que, decididamente, não ocorreu, pois a Recorrida disponibilizou, sim, todos os dados necessários em seu domicílio fiscal em Rio das Flores, insistindo a Fiscalização em identificálos na filial do Rio de Janeiro. Diz que toda a temática envolvendo o efetivo domicílio da empresa foi levada ao crivo do Poder Judiciário nos autos da ação ordinária n.º 2003.51.01.0224300, declarandose a sede como domicílio fiscal por decisão judicial já transitada em julgado, sendo na oportunidade a Fiscalização devidamente informada pela empresa do seu domicílio. Afirma que não há como a Recorrente atacar os fundamentos adotados pelo acórdão em relação à aplicação do art. 127, §2º do CTN, porque a decisão judicial colegiada já dispôs definitivamente sobre a matéria. Aponta que o erro no procedimento não se deu simplesmente porque a autoridade não era competente, mas porque a dita autoridade (in)competente se dirigiu a outro endereço que não o do domicílio fiscal da empresa. Argumenta que o aresto do E. STJ citado pela Recorrente em suas razões recursais (RESP 893616) não se aplica ao presente caso. Naquele julgamento, a empresa interessada pretendia anular o procedimento fiscal por ter tramitado processo perante a autoridade incompetente. No presente caso, por outro lado, a Recorrida não foi fiscalizada em seu domicílio fiscal, por isso a fiscalização não encontrou a documentação que sempre lhe esteve à disposição, e por isso procedeu irregularmente à aferição indireta. Entende que a nulidade arguida e reconhecida no julgamento da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes está embasada exatamente no texto legal, ou seja, não houve qualquer infração aos dispositivos legais suscitados pela Fazenda, sendo o prejuízo arcado somente pela Recorrida que se submeteu a flagrante cerceamento de defesa. Frisa que a Fiscalização tinha conhecimento do domicílio da empresa, assim como do fato de que todos os documentos estavam em sua sede em Rio das Flores. Ao final, requer o não provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Eis o breve relatório. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35301.014145/200681 Acórdão n.º 9202002.946 CSRFT2 Fl. 9 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Salientese que, não obstante o aludido recurso nãó encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 7o e do art. 9o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à Io de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7 o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. O recurso é tempestivo e examinandose o recurso especial apresentado verificase que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.0224300 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2a Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Tratase de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL INORMÁTICA LTDA em ataque à sentença proferida pelo MM. Juízo da 19* Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: "MJ. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial, ajuíza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 Rio da Flores RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicílio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Fl. 645DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Nacional, e está ele submetido à fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizála na sua filial, situada na Rua São José, n" 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindolhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Daí o pedido. (...) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicílio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO ALTERAÇÃO DE SEDE DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO ART. 127, §2°, DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que, a princípio, a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, temse como domicílio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercido da faculdade de eleição do seu domicílio tributário. O § 2o do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude dc mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III— Recurso provido." Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicílio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera adrriinistrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilibrio social na medida em que os contendores obtêm a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de Fl. 646DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35301.014145/200681 Acórdão n.º 9202002.946 CSRFT2 Fl. 10 7 atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado darlhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÂJUO CUSTEIO NFLD DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicílio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicílio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderálo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação física não é suficiente para desconsiderar domicílio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado " (Acórdão CARF n° 240101.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Memteiro e Silva Vieira) Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 647DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10945.900855/2012-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 55 /2 01 2- 78 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900855/201278 Acórdão n.º 3801002.632 S3TE01 Fl. 66 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900855/201278 Acórdão n.º 3801002.632 S3TE01 Fl. 67 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 31620.50335.091007.1.2.040068 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 10.449,13, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 10.449,13, recolhido em 31/01/2006. Em 01/08/2012 (Rastreamento nº 029227540) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de agosto03, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 03/09/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900855/201278 Acórdão n.º 3801002.632 S3TE01 Fl. 68 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900855/201278 Acórdão n.º 3801002.632 S3TE01 Fl. 69 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, entendo que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900855/201278 Acórdão n.º 3801002.632 S3TE01 Fl. 70 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 70DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10945.900855/201278 Acórdão n.º 3801002.632 S3TE01 Fl. 71 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 71DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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