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Numero do processo: 16327.001863/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1401-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização da Resolução
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Mauricio Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização da resolução.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire Da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização da Resolução Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Mauricio Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização da resolução. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire Da Silva (Presidente à Época do Julgamento).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização da Resolução Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 04.09.2015. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Mauricio Pereira Faro não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização da resolução. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire Da Silva (Presidente à Época do Julgamento). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 86 3/ 20 05 -7 4 Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.225 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pelo Contribuinte por bem resumir a questão, adoto o relatório da decisão a quo: Das considerações iniciais Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 349 a 357, em fiscalização empreendida junto A contribuinte acima identificada, acerca da observância da legislação sobre preços de transferência, no que diz respeito As importações efetuadas durante o anocalendário de 2000, constatouse o seguinte: Em 29/08/2005 solicitouse à contribuinte o detalhamento dos cálculos realizados para a obtenção dos preços praticados, preços parâmetro, assim como das quantidades ajustadas espontaneamente pela empresa, conforme metodologia por ela adotada, por código de item e de acordo com a planilha "Importações do ano fiscalizado". Em 19/09/2005 (fl. 195) a contribuinte apresentou os demonstrativos de cálculos, constando da resposta A intimação considerações sobre o valor identificado como crédito sobre importação (apresentado nos demonstrativos de cálculos de preços parâmetro e preços praticados). Segundo a empresa, tratase de Nota de Crédito enviada pela matriz, gerando crédito sobre importação, aumentando os valores dos preços parâmetro, quando o correto seria demonstrar a diminuição do valor lançado em estoque dos itens importados, conformando uma redução do preço praticado. Posto isso, tais créditos foram desconsiderados pela fiscalização. A metodologia PRL20 (Preço de Revenda menos Lucro de 20%), utilizada pela empresa para itens importados e destinados A revenda, foi também adotada pela fiscalização para tais itens, mas os cálculos (quantidades, preços parâmetro e preços praticados) foram refeitos, de conforme INs SRF nos 38/97 e 113/2000. Quanto ao método PIC (Preços Independentes Comparados), demonstrado pela empresa em resposta A intimação, não houve comprovação efetiva de onde foram obtidas as referências de preços, tais como importações de produtos semelhantes por outras empresas (importações de não vinculadas e de Paises sem tributação favorecida), importações do mesmo produto de empresa sem vínculos ao contribuinte e que não pertenciam a países de tributação favorecida, etc. Posto isso, a metodologia PIC foi também adotada pela fiscalização para itens que entraram em processos produtivos (insumos), mas os cálculos foram refeitos, com base em notas de compras no mercado nacional de não vinculadas (para os mesmos itens) e/ou através de importações de empresas não vinculadas e não pertencentes a países de tributação favorecida. Itens que foram destinados 5 revenda e destinados também como insumos em fabricação foram calculados pela fiscalização pelos Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.226 3 métodos PRL (ponderado PRL20 e PRL60, quando possível o cálculo por essas 2 metodologias) e pelo método PIC interno (quando possível esse cálculo). Como preços parâmetro e preços praticados considerados para esses itens de dupla finalidade foram adotados os que resultaram em menor ajuste para a contribuinte. Para o cálculo do preço praticado e do preço parâmetro observouse o disposto no artigo 18 da Lei n° 9.430/96 (para o preço praticado, em especial o § 6°) Como a contribuinte não efetuou ajuste relativo ao período sob análise, mas informou que foi utilizado o método PRL, esse foi o método utilizado pela fiscalização para a definição do preço parâmetro dos diversos itens referentes ao anocalendário de 2000. Do método PRL A fiscalização trabalhou com o custo de importação CIF, ou seja, os valores do frete e do seguro, suportados pelo importador, foram incluídos no cálculo. O preço praticado por item, conforme disposto nas planilhas de cálculo, deve ser apurado por meio da divisão do valor total (CIF + imposto de importação + estoque inicial, em reais) pela quantidade (estoque inicial + importações), de acordo com o disposto nos §§ 2° e 3° do artigo 12 da IN SRF n° 38/97. O preço parâmetro unitário por item diretamente revendido (PRL20) é obtido mediante a seguinte fórmula: Preço parâmetro = [(0,8 * valor bruto de vendas descontos incondicionais) tributos incidentes sobre vendas] / [quantidade vendida]. Os preços parâmetro calculados com base nessa metodologia encontramse em anexo. Para o cálculo do PRL60, efetuado conforme previsto no artigo 12, §§ 10 e 11, da IN SRF n° 113/2000, foram utilizadas as relações de insumos importados, ordens de produção e estruturas de produção. Os preçosparâmetro calculados com base nessa metodologia encontram se em anexo. Itens que se destinam tanto para revenda quanto para insumo em produção têm seus preços parâmetro ponderados entre PRL20 e PRL60, em função das quantidades utilizadas em cada método. Os preços parâmetro calculados para a metodologia PRL (ponderado entre PRL20 e PRL60), considerados definitivos, encontramse em anexo. Do método PIC interno PIC referese a Preços Independentes Comparados (artigo 6° da IN SRF n° 38/97) e interno referese, neste relatório, a comparações com itens da contribuinte importados de não vinculadas a ela (nem de países com tributação favorecida) ou comprados no mercado nacional de empresas não vinculadas. Os preços praticados a serem comparados com os preços parâmetro pelo metodologia PRL, são valores FOB, sem a ponderação com os estoques iniciais. Os preços calculados com base nessa metodologia encontramse em anexo. Do método do menor ajuste A partir dos preços parâmetro e preços praticados das metodologias PIC interno e PRL ponderado passouse a Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.227 4 adotar o conjunto (preços parâmetro, preços praticados) que resultasse em menor ajuste para a contribuinte, para cada item importado passível de ajuste. Os preços parâmetro e preços praticados adotados com base nessa metodologia encontramse em anexo. Do cálculo das quantidades ajustadas As quantidades ajustadas pela fiscalização levaram em consideração os estoques iniciais disponíveis, compras nacionais, fabricações internas e importações de não vinculadas antes da alocação da primeira unidade importada de vinculada (e/ou de pais de tributação favorecida) para ajuste. As quantidades passíveis de ajuste encontramse demonstradas em anexo. Do ajuste total Os ajustes totais levaram em consideração as quantidades ajustadas, os preços parâmetro e os preços praticados (método do menor ajuste) calculados pela fiscalização, e também os ajustes espontâneos feitos pela contribuinte. Tais ajustes, relativos ao anocalendário de 2000, encontramse demonstrado em anexo (fls. 411 a 414). Dos lançamentos Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2000: crédito tributário de R$ 2.691.248,22 em IRPJ e 968.849,32 de CSLL, perfazendo um total de R$ 3.660.097,54. Da Impugnação Cientificada dos lançamentos em 18/11/2005 (fls. 415 e 419), a Dow Brasil (CNPJ n° 60.435.351/000157), sucessora por incorporação da contribuinte Union Carbide Química Ltda.(CNPJ no 67.632.430/000105), por meio de sua advogada, regularmente constituída (fl. 258), apresentou, em 20/12/2005, a impugnação de fls. 433 a 441, alegando, em síntese, o seguinte: Da síntese da autuação Da leitura do Termo de Verificação e Constatação Fiscal podese depreender que os pontos controvertidos estão relacionados com os seguintes tópicos: a) Método PRL20, não admitindo a opção da contribuinte pelo custo FOB na importação, pretendendo atribuir efeito retroativo à IN SRF n° 32/2001, alcançando fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2000; b) Margem de divergência de 5%, não admitindo tal situação em relação à comprovação do preço ajustado a ser utilizado como parâmetro; c) Carta de crédito enviada pela matriz, sendo desconsiderada em razão da sua metodologia de aplicabilidade aos produtos importados. Do método PRL Quanto aos preços praticados relativos ao PRL20, a fiscalização questiona o procedimento adotado pela contribuinte, alegando que a mesma deveria incluir em seus cálculos os gastos com frete, seguro e tributos não recuperáveis, fundamentando tal entendimento no § 6° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, normatizado pelo § 4° do artigo 4° da IN SRF no 32/2001. Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.228 5 A referida IN SRF n° 32/2001 extrapola as disposições legais, regulando o que a lei não previu, sendo, portanto ilegal. Destaquese que a norma em vigor em 31/12/2000 era a IN SRF n° 38/97, que continha determinação bem diferente da IN SRF n° 32/2001, e dava pleno suporte normativo para sustentar o procedimento adotado pela contribuinte. O § 40 do artigo 4° IN SRF n° 38/97 é claro no sentido de permitir ao contribuinte a opção de computar ou não os valores de transporte e seguro na determinação do custo de bens adquiridos no exterior. A contribuinte exerceu, então, a opção de não incluir tais gastos no custo de bens adquiridos no exterior, agindo em conformidade com o entendimento manifestado pela Secretaria da Receita Federal. Dessa forma, ainda que se admita a procedência da autuação, deverão ser afastados a multa e os juros de mora, por força do disposto no artigo 100 do CTN. Da margem de divergência A fiscalização não considerou a margem de divergência em relação ao valor total de ajuste, sendo que nas operações com vinculadas é considerada satisfatória a comprovação do preço ajustado a ser utilizado como parâmetro em até 5% daquele constante dos documentos de importação, nos termos do artigo 36 da IN SRF n° 38/97. Assegurado à contribuinte o limite de 5% para efeito de divergência entre o preço praticado e o preçoparâmetro, certamente acarretará redução nos valores indicados no Auto de Infração, conforme demonstrativo em anexo. Da carta de crédito carta de crédito desconsiderada pela fiscalização foi enviada pela matriz da contribuinte e gerou créditos sobre as importações, com o conseqüente ingresso das divisas no patrimônio da empresa, constituindo, portanto, verdadeira correção para menos do valor dos produtos importados. Esse efeito é semelhante ao que ocorreria se o exportador tivesse substituído a fatura comercial antes do desembaraço da mercadoria, o que não ocorreu por falta de tempo hábil. Não obstante esse aspecto, a referida correção do valor para menos ocorreu posteriormente ao desembaraço, todavia não somente de forma escritural, mas também em forma de retorno ao Pais das divisas anteriormente remetidas para a liquidação da importação. Esse fato não pode ser ignorado, sendo que documentalmente a operação foi contabilizada por valores que foram posteriormente retificados para menos. No presente caso, a formalidade apenas dos documentos de importação não consegue demonstrar a retificação do preço efetivada pela nota de crédito, mas nem por isso o abatimento deixou de ocorrer, conforme se comprova pelo Livro Razão anexo (doc. 5). Conforme se verifica da análise da nota de crédito (doc. 6), esta é devidamente válida, referenciando, inclusive, as categorias dos produtos oriundos do Auto de Infração em referência. Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.229 6 Das demais alegações Por fim, resta mencionar que o produto P015953B099303 foi considerado pela fiscalização com quantidade incorreta. Esse produto foi importado à quantidade total de 2.291.666,000 kg, ao invés do montante de 2.291,666 kg, indevidamente informado nos arquivos magnéticos pela contribuinte. Conforme demonstrativo de todas as importações relacionadas ao produto em questão (doc. 7) e, por amostragem, os respectivos documentos de importação (doc. 8), tratase, simplesmente, de erro da quantidade informada anteriormente pela contribuinte. Da conclusão e do pedido Para demonstrar o alegado, a impugnante apresenta a planilha em anexo (doc.9), evidenciando a metodologia de cálculo utilizada quanto aos produtos importados em questão, especificando, inclusive, todos os pontos controvertidos, quais sejam: preço praticado FOB, preçoparâmetro com margem de 5% e nota de crédito. A recorrente acredita ter demonstrado os equívocos do Auto de Infração. Entretanto, por se tratarem os pontos controvertidos em sua maioria de matéria de prova, protesta pela apresentação posterior de documentos e até pelo deferimento de diligência ou perícia, considerando que os equívocos ora constatados certamente reduziriam a autuação a zero, mas essa comprovação dependeria de uma verificação completa e detalhada de todos os números citados na pega acusatória, o que é impossível no prazo exíguo de 30 dias para impugnação. Em face de tais argumentos, por unanimidade de votos, os membros da 4ª Turma de Julgamento julgaram procedente o lançamento em parte, nos termos do voto condutor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2000 MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MARGEM DE DIVERGÊNCIA. CALCULO DO AJUSTE. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço parâmetro, divirja, em até 5% daquele constante dos documentos de importação. A margem de divergência se presta apenas para se aferir a necessidade de ajuste, mas não deve ser considerada na apuração desse ajuste, calculado como sendo a diferença entre o preço praticado e o preço parâmetro. CARTA DE CRÉDITO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Eventuais cartas de crédito podem ser consideradas como redução do custo de determinado produto, para a comparação com o respectivo Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.230 7 preço parâmetro, apenas se se referirem, especificamente, a esse produto e a uma determinada operação de importação. ERRO DE QUANTIDADE. EXONERAÇÃO PARCIAL. Constatado erro na quantidade considerada pela fiscalização para determinado produto, exonerase parcialmente a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. Os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL decorrem dos mesmos fatos e elementos de prova. Desse modo, a decisão relativa ao IRPJ se estende, mutatis mutandis, à CSLL. Lançamento Procedente em Parte Em face do referido acórdão de Primeira Instância a UNION CARBIDE QUÍMICA LTDA. (incorporada por DOWBRASIL, CNPJ n° 60.435.351/000157) interpôs Recurso Voluntário. É o Relatório. Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.231 8 VOTO Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Conforme exposto no relatório, o presente caso versa sobre autuação de IRPJ e CSLL, tendo em visto que a Recorrente teria supostamente utilizado as regras de preços de transferência de maneira equivocada, no que tange a inclusão dos custos de fretes, seguros e tributos não recuperáveis para fins de ajuste, a utilização de margem equivocada vez que incluiu a divergência de 5%, e a desconsideração da carta de crédito. DO MÉTODO PRL20 No caso, a fiscalização utilizou a metodologia PRL20 para itens importados por pessoas não vinculadas e destinados a revenda pela Recorrente, sendo que a fiscalização incluiu, no cálculo dos preços praticados, os gastos com fretes, seguros, e tributos não recuperáveis, cujo ônus tenha sido do importador. Antes de analisar o caso vejamos o conteúdo do artigo 18 da Lei 9430, de 1996 e da IN 38, de 1997, com vigência á época dos fatos: Art. 18 Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.232 9 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; e d) da margem de lucro de: 1 sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2 vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses." (NR) Ill Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no pais onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido pais na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. §1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. §2º Para efeito do disposto no inciso I, somente serão consideradas as operações de compra e venda praticadas entre compradores e vendedores não vinculados. §3º Para efeito do disposto no inciso II, somente serão considerados os preços praticados pela empresa com compradores não vinculados. §4º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, observado o disposto no parágrafo subseqüente. §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6° Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. (...)" Instrução Normativa 38/97: Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços, ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do parágrafo 10 , independente de prévia comunicação a Secretaria da Receita Federal. [...] Parágrafo 40 Na determinação do custo de bens adquiridos no exterior, poderão, também, ser computados os valores do transporte e Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.233 10 seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e dos tributos não recuperáveis, devidos na importação". Isto posto, a interpretação que vem sendo dada pela fiscalização a estas normas é de que como o contribuinte considera, na formação do preço de revenda, todos os seus custos, inclusive os de frete e seguro, por ela assumidos, e os tributos incidentes na importação, o preço–parâmetro, formado a partir do preço de revenda, também tem nele embutido os citados custos, ou seja, trataria no caso de preço CIF e não do preço FOB. Essa teoria da fiscalização concluiria que para que não ocorresse distorções na comparação do preçoparâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter em sua composição, tais custos. Para melhor elucidar a questão vemos que a fiscalização baseiase em três premissas, quais sejam: Inicialmente, partese da premissa de que todo o contribuinte inclui no seu preço de venda todos os custos incorridos, aí incluídas as despesas com frete, seguro, e tributos aduaneiros. Em seguida, que o preço parâmetro pelo método PRL, tal como previsto na legislação em vigor, não prevê a exclusão do preço de revenda daqueles custos incorridos com frete, seguros e tributos aduaneiros. Concluise então que para que não ocorra distorções na comparação do preço parâmetro com o preço praticado pela contribuinte, também o preço praticado deverá ter, em sua composição, tais valores. Diversamente do que estabelece a legislação de diversos outros países, a legislação brasileira não busca a apuração em cada caso concreto do que seria um preço “at arm’s length”, mas ao revés optou por estabelecer métodos objetivos para apuração do preço parâmetro, inclusive com margens de lucro préestabelecidas. A interpretação de que o parágrafo 6º do artigo 18 da Lei 9430, de 1996 estabeleceria que as despesas com frete, seguro e tributos aduaneiros deveriam ser adicionados ao preço praticado para efeito de comparação com o preço parâmetro não decorre absolutamente da lei, e a justificativa invocada para tal interpretação não se sustenta. A legislação relativa a preços de transferência tem por objetivo declarado evitar que um determinado contribuinte deduza como custos pela aquisição de um bem importado de uma empresa ligada valor superior ao que pagaria se não existisse esse vínculo, mascarando uma transferência de lucros para a empresa ligada. Deste modo, estabelece a legislação diversos métodos para apuração do preço parâmetro, ou seja, do preço que no caso de importações será considerado o limite máximo de custo dedutível, que será comparado com o preço pago pelo contribuinte brasileiro e pessoa jurídica ligada no exterior (ou preço praticado). A caput do artigo 18 estabelece uma limitação à dedutibilidade das despesas “constante do documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada”. Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.234 11 Já o parágrafo 6º, em perfeita harmonia com o caput, estabelece que “integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação”. Ou seja, a legislação discrimina os itens que deveriam integrar o custo para efeito de dedutibilidade, e não para efeito do cálculo do preço praticado. A Recorrente apresentou carta de crédito com o fito de serem consideradas como redução de custos de determinado produto, para a comparação com o respectivo preço parâmetro. Ocorre que entenderam os julgadores da DRJ que as cartas de crédito somente poderiam ser admitidas se referissem especificadamente a cada produto e uma determinada operação de importação. Conforme consta na documentação apresentada pela Recorrente, esta colacionou cópia do Livro Razão, por meio do qual procura demonstrar a operação com a carta de crédito. Nesse caso, os livros contábeis demonstram os respectivos ajustes nos estoques, e que as divisas retornaram ao Brasil. A Recorrente ainda juntou novamente, em sede de recurso voluntário, as planilhas relacionando o desconto da carta de crédito aos produtos, motivo pelo qual tenta através de documentação fiscal comprovar suas alegações. Em resumo, da leitura do Termo de Verificação e Constatação Fiscal podese depreender que os pontos controvertidos estão relacionados com os seguintes tópicos: a) Método PRL20, não admitindo a opção da contribuinte pelo custo FOB na importação, pretendendo atribuir efeito retroativo à IN SRF n° 32, de 2001, alcançando fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2000; b) Margem de divergência de 5%, não admitindo tal situação em relação à comprovação do preço ajustado a ser utilizado como parâmetro; e c) Carta de crédito enviada pela matriz, sendo desconsiderada em razão da sua metodologia de aplicabilidade aos produtos importados. Tendo em vista as peculiaridades dos presentes autos, bem como do início de prova produzido pela Recorrente, em sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência mediante identificação por meio da análise das DIS, extraídas do SISCOMEX, durante o período discutido se as importações foram contratadas pelo preço FOB ou preço CIF. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar e identificar por meio da análise das DIS, extraídas do SISCOMEX, durante o período discutido se as importações foram contratadas pelo preço FOB ou preço CIF. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 16327.001863/200574 Resolução nº 1401000.283 S1C4T1 Fl. 1.235 12 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1 . (assinado digitalmente) André Mendes de Moura 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 09/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 13864.000441/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
FALTA DE ESCRITUAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL - FALHA NA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. ANO-CALENDARIO 2004.
Em relação ao ano-calendário de 2004, restando apurada a não-apresentação dos livros, documentos fiscais impossibilita ao Fisco a determinação do lucro real, impondo o afastamento da exigência formalizada sob tal sistemática.
LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. ANO- CALENDARIO 2005.
Não tendo sido apresentada escrituração contábil e fiscal, a adoção da sistemática do lucro presumido em nada prejudica o contribuinte, uma vez que para tal hipótese, a lei é cristalina ao prever a obrigatoriedade de adoção do lucro arbitrado, que nada mais é que o lucro presumido agravado.
LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. ANO-CALENDÁRIO 2006.
Não tendo sido apresentada escrituração contábil e fiscal, a adoção da sistemática do lucro presumido em nada prejudica o contribuinte, uma vez que para tal hipótese, a lei é cristalina ao prever a obrigatoriedade de adoção do lucro arbitrado, que nada mais é que o lucro presumido agravado.
Ainda que não fosse caracterizada pela fiscalização a imprestabilidade da escrituração apresentada, mostra-se correta a adoção, na autuação, da sistemática do lucro presumido, em observância à opção do próprio Contribuinte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei N° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações.
TRANSFERÊNCIAS ENTRE COMNTAS DE MESMA TITULARIDADE
A simples alegação de ocorrência de transferências entre contas da mesma titularidade, sem demonstração e comprovação das saídas e ingressos respectivos, com identidade de datas, valores e forma da operação, por si só, não é suficiente para elidir o lançamento tributário.
TRANSFERÊNCIAS ENTRE EMPRESAS DE MESMO GRUPO.
A mera alegação de transferência de recursos entre empresas do mesmo grupo, e entre contas da empresa e de sócio, ainda que verificada a correspondência de ingressos e saídas em mesma data e de iguais valores, não é hábil, por si só, a afastar a presunção de omissão de receitas se não apresentadas provas documentais da origem dos recursos que demonstrem a natureza das operações ou que estas já foram oferecidos â tributação.
ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Demonstrada pela fiscalização a composição e os critérios para apuração dos valores lançados, para afastar qualquer parcela da exigência caberia ao contribuinte identificar expressamente o crédito questionado e apresentar a correspondente documentação comprobatória da origem da operação ou do oferecimento anterior à tributação.
MULTA DE OFÍCIO.
Evidenciada pela fiscalização a conduta reiterada e continua de omissão de receita, resta evidenciadas as circunstâncias que denotam intuito de fraude, devendo ser mantida a multa no percentual aplicado de 150%.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de lançamentos decorrentes, embasados nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de IRPJ, aplica-se, ás exigências reflexas, igual orientação decisória adotada para a exigência principal.
PIS. COFINS. AC 2004.
Não prosperam as exigências da contribuição ao PIS e da COFINS se foram exigidas pelo regime não-cumulativo para ano-calendário sujeito a sistemática do arbitramento.
Numero da decisão: 1201-001.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de ofício e AFASTARAM as preliminares suscitadas e, por maioria de votos, NEGARAM provimento ao recurso de voluntário, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Júnior, que lhe davam PARCIAL provimento apenas para excluir a qualificação da multa de ofício.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 29/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 FALTA DE ESCRITUAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL - FALHA NA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. ANO-CALENDARIO 2004. Em relação ao ano-calendário de 2004, restando apurada a não-apresentação dos livros, documentos fiscais impossibilita ao Fisco a determinação do lucro real, impondo o afastamento da exigência formalizada sob tal sistemática. LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. ANO- CALENDARIO 2005. Não tendo sido apresentada escrituração contábil e fiscal, a adoção da sistemática do lucro presumido em nada prejudica o contribuinte, uma vez que para tal hipótese, a lei é cristalina ao prever a obrigatoriedade de adoção do lucro arbitrado, que nada mais é que o lucro presumido agravado. LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. ANO-CALENDÁRIO 2006. Não tendo sido apresentada escrituração contábil e fiscal, a adoção da sistemática do lucro presumido em nada prejudica o contribuinte, uma vez que para tal hipótese, a lei é cristalina ao prever a obrigatoriedade de adoção do lucro arbitrado, que nada mais é que o lucro presumido agravado. Ainda que não fosse caracterizada pela fiscalização a imprestabilidade da escrituração apresentada, mostra-se correta a adoção, na autuação, da sistemática do lucro presumido, em observância à opção do próprio Contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei N° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações. TRANSFERÊNCIAS ENTRE COMNTAS DE MESMA TITULARIDADE A simples alegação de ocorrência de transferências entre contas da mesma titularidade, sem demonstração e comprovação das saídas e ingressos respectivos, com identidade de datas, valores e forma da operação, por si só, não é suficiente para elidir o lançamento tributário. TRANSFERÊNCIAS ENTRE EMPRESAS DE MESMO GRUPO. A mera alegação de transferência de recursos entre empresas do mesmo grupo, e entre contas da empresa e de sócio, ainda que verificada a correspondência de ingressos e saídas em mesma data e de iguais valores, não é hábil, por si só, a afastar a presunção de omissão de receitas se não apresentadas provas documentais da origem dos recursos que demonstrem a natureza das operações ou que estas já foram oferecidos â tributação. ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Demonstrada pela fiscalização a composição e os critérios para apuração dos valores lançados, para afastar qualquer parcela da exigência caberia ao contribuinte identificar expressamente o crédito questionado e apresentar a correspondente documentação comprobatória da origem da operação ou do oferecimento anterior à tributação. MULTA DE OFÍCIO. Evidenciada pela fiscalização a conduta reiterada e continua de omissão de receita, resta evidenciadas as circunstâncias que denotam intuito de fraude, devendo ser mantida a multa no percentual aplicado de 150%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de lançamentos decorrentes, embasados nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de IRPJ, aplica-se, ás exigências reflexas, igual orientação decisória adotada para a exigência principal. PIS. COFINS. AC 2004. Não prosperam as exigências da contribuição ao PIS e da COFINS se foram exigidas pelo regime não-cumulativo para ano-calendário sujeito a sistemática do arbitramento.
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LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. ANOCALENDARIO 2004. Em relação ao anocalendário de 2004, restando apurada a nãoapresentação dos livros, documentos fiscais impossibilita ao Fisco a determinação do lucro real, impondo o afastamento da exigência formalizada sob tal sistemática. LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. ANO CALENDARIO 2005. Não tendo sido apresentada escrituração contábil e fiscal, a adoção da sistemática do lucro presumido em nada prejudica o contribuinte, uma vez que para tal hipótese, a lei é cristalina ao prever a obrigatoriedade de adoção do lucro arbitrado, que nada mais é que o lucro presumido agravado. LANÇAMENTO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO PRESUMIDO. ANO CALENDÁRIO 2006. Não tendo sido apresentada escrituração contábil e fiscal, a adoção da sistemática do lucro presumido em nada prejudica o contribuinte, uma vez que para tal hipótese, a lei é cristalina ao prever a obrigatoriedade de adoção do lucro arbitrado, que nada mais é que o lucro presumido agravado. Ainda que não fosse caracterizada pela fiscalização a imprestabilidade da escrituração apresentada, mostrase correta a adoção, na autuação, da sistemática do lucro presumido, em observância à opção do próprio Contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei N° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 41 /2 00 9- 30 Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 2 quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações. TRANSFERÊNCIAS ENTRE COMNTAS DE MESMA TITULARIDADE A simples alegação de ocorrência de transferências entre contas da mesma titularidade, sem demonstração e comprovação das saídas e ingressos respectivos, com identidade de datas, valores e forma da operação, por si só, não é suficiente para elidir o lançamento tributário. TRANSFERÊNCIAS ENTRE EMPRESAS DE MESMO GRUPO. A mera alegação de transferência de recursos entre empresas do mesmo grupo, e entre contas da empresa e de sócio, ainda que verificada a correspondência de ingressos e saídas em mesma data e de iguais valores, não é hábil, por si só, a afastar a presunção de omissão de receitas se não apresentadas provas documentais da origem dos recursos que demonstrem a natureza das operações ou que estas já foram oferecidos â tributação. ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Demonstrada pela fiscalização a composição e os critérios para apuração dos valores lançados, para afastar qualquer parcela da exigência caberia ao contribuinte identificar expressamente o crédito questionado e apresentar a correspondente documentação comprobatória da origem da operação ou do oferecimento anterior à tributação. MULTA DE OFÍCIO. Evidenciada pela fiscalização a conduta reiterada e continua de omissão de receita, resta evidenciadas as circunstâncias que denotam intuito de fraude, devendo ser mantida a multa no percentual aplicado de 150%. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de lançamentos decorrentes, embasados nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de IRPJ, aplicase, ás exigências reflexas, igual orientação decisória adotada para a exigência principal. PIS. COFINS. AC 2004. Não prosperam as exigências da contribuição ao PIS e da COFINS se foram exigidas pelo regime nãocumulativo para anocalendário sujeito a sistemática do arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGARAM provimento ao recurso de ofício e AFASTARAM as preliminares suscitadas e, por maioria de votos, NEGARAM provimento ao recurso de voluntário, vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Júnior, que lhe davam PARCIAL provimento apenas para excluir a qualificação da multa de ofício. Fl. 3128DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13864.000441/200930 Acórdão n.º 1201001.168 S1C2T1 Fl. 3 3 (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Presidente. (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 29/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado Relatório Tratase de autos de infração lavrados contra a Recorrente em 27/10/2009, relativa ao IRPJ, PIS, COFINS e CSLL dos anos de 2004, 2005 e 2006, em decorrência de trabalho realizado em cumprimento ao mandado de procedimento fiscal nº 2008.002171. No lançamento fiscal, foi utilizada a sistemática do Lucro Real para o ano de 2004 e a sistemática do Lucro Presumido para os anos de 2005 e 2006,. A contribuinte foi cientificada em 04/12/2009 (AR de fl. 1.961), do lançamento no montante de R$ 167.624.265,56, com juros de mora cálculos até 30/09/2009 e multa de ofício aplicada no percentual de 150% (exceto para a infração 003 — Falta de Recolhimento/declaração do Imposto de Renda — Insuficiência de Recolhimento ou Declaração, para a qual foi aplicada multa no percentual de 75%), devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ (fls. 1.912/1.915).: “001 — OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS Omissão de Receita caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos oriundos de transferências bancárias, de empréstimos entre pessoas jurídicas e física interligadas e de créditos de terceiros, conforme o Termo de Verificação e constatação fiscal (11s. 1904/1908). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 31/03/2004 R$ 1.148.085,77 150,00 Fl. 3129DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 4 30/06/2004 R$ 11.971.498,77 150,00 30/09/2004 R$ 1.419.044,64 150,00 31/12/2004 R$ 6.784.265,96 150,00 Enquadramento Legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283 e 288, do RIR/99. 002 — OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. ). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 31/03/2004 R$ 8.386.792,53 150,00 30/06/2004 R$ 9.711.405,00 150,00 30/09/2004 R$ 4.209.730,95 150,00 31/12/2004 R$ 13.457.549,51 150,00 Enquadramento Legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287, e 288, do RIR/99. 003 — FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 30/06/4004 R$ 50.834,08 R$ 31/12/2004 R$ 45.752,93 Enquadramento Legal: Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. 004 — OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE — A PARTIR DO AC 93 Fato Gerador Valor tributável ou imposto multa 31/03/2005 R$ 8.206.847,45 150,00 30/06/2005 R$ 17.977.695,21 150,00 30/09/2005 R$ 3.391.436,00 150,00 31/12/2005 R$ 10.599.094,12 150,00 31/03/2006 R$ 5.330.800,00 150,00 30/06/2006 R$ 12.578.793,27 150,00 30/09/2006 R$ 5.829.100,00 150,00 Fl. 3130DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13864.000441/200930 Acórdão n.º 1201001.168 S1C2T1 Fl. 4 5 31/12/2006 R$ 5.395.129,00 150,00 Enquadramento Legal: Art. 528 do RIR/99. 005 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores referentes a depósitos/créditos bancários, realizados junto a instituições 1 financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, '1' conforme o ermo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 1904/1909). Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 31/03/2005 R$ 34.208.200,66R$ 150,00 30/06/2005 R$ 49.592.988,77R$ 150,00 30/09/2005 R$ 34.023.433,74R$ 150,00 31/12/2005 R$ 9.906.188,43R$ 150,00 31/03/2006 R$ 1.623.715,92R$ 150,00 30/06/2006 R$ 2.009.219,20R$ 150,00 30/09/2006 R$2.543.437,31R$ 150,00 31/12/2006 R$ 3.131.843,69R$ 150,00 Conforme TVF de fls. 1904/1909, a fiscalização e conseqüente autuação, ocorreram conforme abaixo descrito. A fiscalização iniciada em 29/02/2008, solicitou a apresentação de Estatuto Social da empresa, os livros contábeis (caixa, Razão e Diário) com as escriturações dos anos calendários de 2004, 2005 e 2006 e os extratos bancários com as movimentações ocorridas nos mesmos anos (fls. 124 e 164 a 168). A contribuinte apresentou parte da documentação em 24/03/08 e solicitou dilação de prazo de 60 dias para que pudesse apresentar o restante. Em seguida em 16/05/2008, os extratos bancários dos Bancos Bradesco, Cruzeiro do Sul, Rural, Prosper e BIC com as movimentações ocorridas em 2004 a 2006 foram apresentadas e a fiscalização deu início à análise da documentação. A fiscalização relacionou os extratos bancários apresentados em depósitos/créditos ocorridos no período objeto da fiscalização e intimou a contribuinte à apresentar justificativa com documentação hábil e idônea seus esclarecimentos. A apresentação de documentação parcial para a justificativa dos extratos bancários foi juntada em 12.11.2008. Neste documento a contribuinte explica que a origem dos valores são provenientes de operações na bolsa, comprovando com documentação e os demais relativos à empréstimos de empresas do mesmo sócio e do próprio acionista Cingular, Fl. 3131DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 6 Stockolos e Lucio B. Funaro – e de transferências bancárias da mesma titularidade. Para este último, não houve comprovação com documentação hábil e idôneo. Seguindo o atendimento ao termo de fiscalização, em 08/12/2008, houve justificativa e apresentação parcial da origem dos créditos bancários. Esta justificativa está às fls. 1040/1042, e estão descritas da seguinte forma: “a) Relação de cheques de terceiros devolvidos pelo Bradesco, pelo Cruzeiro do Sul e pelo Prosper (1.043/1.501), cujos valores foram confirmados nos respectivos extratos bancários justificativas aceitas pela fiscalização. b) Demonstrativo de Devoluções de Recursos (fls. 1.504/1.517) — a fiscalizada simplesmente justificou que os valores já foram devolvidos aos credores, o que não comprova a origem dos valores. A origem deve ser comprovada mediante documentos hábeis e idôneos, isto é, através, de documentos firmados entre as partes, nos quais, citem as finalidades destes valores, as formas remunertórias e as condições de devolução e justificativas não aceitas pela fiscalização.” No dia 09/01/2009, a contribuinte apresentou parcialmente as justificativas atinentes às origens dos créditos bancários (fls. 1.518/1.519). Apresentou: “a) Relação de cheques de terceiros devolvidos pelo Banco Rural (fls. 1.531/1.545) cujos valores foram confirmados nos respectivos extratos bancários > justificativas aceitas pela fiscalização. b) Demonstrativo de Devoluções de Recursos (fls. 1.522/1.530) — a fiscalizada simplesmente justificou que os valores já foram devolvidos aos credores, o que não comprova a origem dos valores. A origem deve ser comprovada mediante documentos hábeis e idôneos, isto é, através de documentos firmados entre as partes, nos quais citem as finalidade destes valores, as formas remuneratórias e as condições de devolução destes >justificativas não aceitas pela fiscalização. c) Demonstrativo de empréstimos (da Cingular, da Stockolos e do Lúcio Bolonha Funaro), das transferências bancárias da mesma titularidade e das operações em Bolsa (fls. 1.520/1.521). Empréstimos — a fiscalizada somente apresentou os documentos bancários, nos quais constam as transferências de valores das empresas (Cingular e Stockolos) à Royster. Assim, não houve comprovação através de documentos hábeis e idôneos > justificativas não aceitas pela fiscalização; Transferências bancárias — operações não comprovadas documentalmente >justificativas não aceitas pela fiscalização; Operações em Bolsa > comprovadas documentalmente > justificativas aceitas pela fiscalização.” Como não houve esclarecimentos conclusivos sobre a origem destes documentos por parte da contribuinte com relação aos empréstimos concedidos pelas empresas do mesmo sócio e os concedidos pelo próprio acionista, qual seja o montante de R$ 31.024.818,55 e dos créditos oriundos de terceiros, que somam o montante de R$ 51.402.519,00, uma vez mais, a fiscalização solicitou a apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovassem a efetividade destas operações. Neste sentido a fiscalização pediu Fl. 3132DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13864.000441/200930 Acórdão n.º 1201001.168 S1C2T1 Fl. 5 7 os contratos firmados entre as partes, através do Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 12.03.2009 (fls. 1.659/1.668), cuja ciência ocorreu em 18.03.2009 (1.669). Em resposta, no dia 27/03/2009, a contribuinte justificou que os referidos empréstimos concedidos à Royster pela empresa CINGULAR, estão sendo objeto de fiscalização pela Receita Federal e que a STOCKOLOS já havia sido autuada (fls. 1.670). Foi solicitada diligência nas empresas Cingular e Stockolos com MPF especifico, para que fosse examinado os registros destes empréstimos nos livros contábeis destas empresas, nos anos calendário de 2004 a 2006, bem como, os respectivos contratos firmados entre as partes (fls. 1.770/1.774 e 1.787/1.792). No que se refere aos créditos recebidos de terceiros, foi alegado que estes valores são concernentes à própria atividade econômica e financeira destas empresas. Em 20.04.2009, as empresas que receberam as diligências antes mencionadas, requereram prorrogações de prazo por mais 30 (trinta) dias para atendimento destas intimações fiscais (fls. 1.775 e 1.793). A fiscalização se manifestou no sentido de haver indícios de protelação para atendimento da intimação fiscal pelas referidas empresas, tendo em vista que estes documentos contábeis já deveriam estar disponíveis para a fiscalização já que havia decorrido mais de 25 dias da intimação inicial. Desta forma, as referidas prorrogações solicitadas pelas empresas foram desconsideradas e foi concedido excepcionalmente um prazo de 5 (cinco) dias, conforme consta no Termo de Constatação Fiscal, lavrados em 04.05.2009, cujas ciências ocorrem em 08 e 11.05.2009 respectivamente (fls. 1.776/1.777 e 1.794/1.795). No dia 15.05.2009, prazo estipulado, as empresas atenderam às intimações fiscais. No entanto, os livros contábeis com os registros dos referidos empréstimos e os documentos hábeis e idôneos que comprovasse a efetividade destas operações não foram apresentados. As empresas anexaram extratos bancários (fls. 1.805/1.852 – Cingular e 1.780/1.786 da Stockolos). Em tais documentos constam, em síntese, apenas as transferências de numerários que ocorreram para a Royster. As alegações foram: “a) os empréstimos referemse às transferências efetuadas à Royster para atendimento de compromissos inadiáveis por ela assumidas e que estes recursos serão devolvidos posteriormente de acordo com as disponibilidades financeira da tomadora; b) os valores já foram objeto de verificação fiscal, através de MPF especifico em cada uma das empresas, na qual tem sido objeto de solicitação de exclusão do levantamento fiscal os apontados a esse título, uma vez que não se tratam de "Receitas Auferidas" e sim de simples transferências para atendimento de necessidades imediatas; c) em virtude do indeferimento da prorrogação de prazo foram juntados os extratos bancários das empresas (da Cingular e da Stockolos) para comprovar que os valores não se tratam de "Depósitos em C/C" a pedido da empresa e sim recursos disponíveis que foram transferidos para atendimento das necessidades já amplamente afirmado e todos efetuados através de remessas apontadas nos extratos. Fl. 3133DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 8 d) Nas datas que ocorreram transferências bancárias à Royster Serviços S/A., sempre houve disponibilidade de recursos para tais operações.” Após a fiscalização conceder todas as oportunidades descritas à contribuinte para prestar esclarecimentos no curso do termos do procedimento fiscal e esta não ter conseguido comprovar a origem dos créditos bancários oriundos de transferências bancárias (no valor de R$ 8.204.452,64), dos empréstimos das empresas do mesmo Grupo e os do próprio acionista (no valor de R$ 31.024.818,55) e dos créditos de terceiros (no valor de R$ 51.402.519,00), em 16.06.2009, foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal concedendo o prazo de 3 (três) dias para que a contribuinte se manifestasse sobre os valores apurados pela fiscalização, alertando que na ausência de justificativa convincente, os valores apresentados seriam lançados para constituição de crédito tributário (fls. 1.851/1.863), cuja ciência ocorreu em 22.06.2009 (fls. 1.864). A contribuinte respondeu em 29.06.2009, com as seguintes alegações (fls. 1.865): “a) Transferências Bancárias — que necessita de informações especificas do contador, que ainda busca os documentos e dados informativos que serão informados oportunamente; b) Empréstimos concedidos pelas empresas à Royster — que reitera a informando já prestada, isto é, que a Cingular está sendo objeto de fiscalização e a Stockolos já foi autuada através de Proc. no 13864.000129/200946, portanto, os valores serão lançados em duplicidade; c) Créditos de Terceiros — que todas informações já foram protocolizadas anteriormente na fiscalização.” Como a contribuinte novamente não comprovou por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos valores questionados pela fiscalização, concluiuse resumidamente que: os anoscalendário de 2004 a 2006 foram comprovados pela contribuinte somente os valores oriundos das operações realizadas em Bolsa, devoluções de cheques e os faturamentos auferidos pela empresa. Outros valores como os empréstimos de empresas do mesmo Grupo e do próprio acionista, as transferências bancárias e os créditos de terceiros não foram devidamente comprovados. As planilhas de apuração demonstradas às fls. 1.894/ 1896, dos créditos bancários apurados pela fiscalização, foram deduzidos os valores identificados e comprovados e também os identificados e não comprovados, que foram lançados como omissão de receitas. Os créditos considerados sem origens, foram lançados como depósitos bancários não comprovados para constituição de crédito tributário a favor da União. Foram constatados que valores de IRPJ apurados pela contribuinte, através de DIPJ/2005, relativo ao anocalendário de 2004, não foram declarados nas respectivas DCTFs destes períodos. Entretanto, constatou se que, algumas parcelas destes valores foram pagas, conforme a tela do SINAL acostadas às fls. 1.885/1.888, sendo neste caso, considerados os lançados somente dos valores não declarados e nem recolhidos, que somam o montante de R$ 96.587,01 (fls. 1.890), para constituição de crédito tributário. De acordo com a tela juntada da RFB, a contribuinte optou pelos regimes tributários do Lucro Real para o anocalendário de 2004 e Lucro Presumido para o anos calendários de 2005 e 2006. Fl. 3134DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13864.000441/200930 Acórdão n.º 1201001.168 S1C2T1 Fl. 6 9 No relatório apresentado pelo auditor fiscal, foram também feitas as seguintes observações: “Trata de pessoas físicas e jurídicas supostamente envolvidas na "Operação Satiagraha" deflagrada pela Policia Federal, em 08.07.2008, na qual investiga suposta organização criminosa composta por dois grupos, sendo um deles, em tese, pelo empresário Dantas (Grupo 1) e o outro pelo empresário Nahas (Grupo 2). O Grupo 2 atuava fraudando o mercado de capitais ao receber informações privilegiadas, aplicando em nome de terceiros, e voltando também suas atividades para negócios em transações paralelas no mercado de moedas estrangeiras. Diversas empresas foram criadas como "fachadas", em que os alvos principais (Dantas — Grupo 1 e Nahas — Grupo 2) não figuram no quadro societário, mas parentes e pessoas de sua confiança (doleiros, operadores e intermediários), que estão sob investigação da Policia Federal, para apuração de suposta prática de delitos contra o Sistema Financeiro Nacional, contra o mercado de capitais, de "lavagem" de valores, tráfico de influência e crime contra administração pública, sempre com o objetivo de ludibriar as autoridades públicas competentes para a fiscalização e apuração. Na Decisão do Juiz Federal da Sexta Vara Federal Criminal Especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e em lavagem de Valores, Fausto Martins de Santis, datada de 04 de julho de 2008, o Juiz aduz que a Policia Federal no curso da investigação, conforme os atos do Proc. no 2008.61.81.0089361, argumentou haver provas de crimes de formação de quadrilha, evasão de divisas, "lavagem" de dinheiro e de sonegação fiscal por partes de dois grupos distintos (Grupo 1 e 2), mas interligados para cometimento de crimes. 20. Após a análise dos documentos apresentados pela fiscalizada e das pesquisas nos controles da RFB, foram os seguintes resultados constatados: • O acionista principal da fiscalizada, Lúcio Bolonha Funaro, que atua como um dos doleiros do Grupo 2, possui associação com 9 empresas, todas voltadas para atividades financeiras, com situação cadastral Ativa regular; • A fiscalizada participou do esquema fraudulento de títulos públicos, conforme o procedimento fiscal efetuado pela SRRF07/Difis — Rio de Janeiro (fls. 1.901/1.903), na EURO Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A — CNPJ 05.006.016/000125, localizada em Rio de Janeiro, que intermediava negócios advindos da empresa UP2 Assessoria e Serviços Ltda. — CNPJ 04.926.252/0001 05 (empresa declarada INAPTA desde 7/2004 — omissa não localizada). • A EURO DTVM — auferia lucros em transações suspeitas com títulos públicos de renda fixa — comprando títulos públicos por valores de mercado e revendendo a valores acima do mercado para instituições públicas e fundo de pensão, no período de janeiro/04 a julho/05, obteve vultoso lucro de R$ 160 milhões, que conforme o contrato firmado entre as partes (EURO e UP2), por acordo mútuo foram rateados entre os beneficiários indicados sem transitar pela UP2, sendo que nesta distribuição coube a fiscalizada o valor de R$ 1.964.776,00, cujos depósitos foram identificados através de documentos bancários (fls. 1.891/1.893), de acordo com a Representação Fiscal elaborada pelos AFRFB responsáveis pela referida ação fiscal e • A fiscalizada operava na captação de recursos junto aos investidores para aplicação no mercado de capitais (Bolsa de valores, títulos públicos, etc.), cujos valores eram Fl. 3135DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 10 devolvidos posteriormente aos investidores. Dos créditos/depósitos bancários movimentados pela fiscalizada, nos anoscalendário de 2004 a 2006, no montante de R$ 380 milhões, foram identificados e comprovados — R$ 116 milhões (30,50%), identificados e não comprovados — R$ 100 milhões (26,35%) e não identificados e nem comprovados — R$ 164 milhões (43,15%). 21. Diante das informações obtidas de que o responsável pela empresa e a própria empresa estão envolvidas na organização criminosa e pelo fato da mesma não conseguir comprovar efetivamente a origem dos R$ 264 milhões (cerca de 70%) do total recebidos, através de documentos hábeis e idôneos, em tese, pode se concluir que provavelmente se tratam de recursos originários de práticas ilícitas descritas acima. Ante o exposto, ficou evidente o intuito de fraude da fiscalizada, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30.11.1964, e Por isso, a multa de oficio passou a ser de 150%, conforme art. 44, § 10, inciso I da Lei nº 9.430/96, atualizada pela Lei n° 11.488, de 15 06.2007. Impugnação No dia 30/12/2009, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1965/1992) com os seguintes argumentos: o Fisco presumiu a existência de fraude, invertendo o ônus da prova, mas cabe à fiscalização a prova da existência da fraude e do dolo; a constatação de expressiva movimentação financeira, por si só, não caracteriza a conduta dolosa do contribuinte, e também não justifica a majoração da multa de oficio; a Impugnante não fez ou faz parte de processo crime, nem o seu sócio, de qualquer ação judicial que seja, na esfera judicial cível ou criminal, com decisão transitada em julgado, sendo a autuação tendenciosa; a fiscalização deixou de analisar com imparcialidade devida os esclarecimentos prestados tomando por premissas: o suposto envolvimento da fiscalizada na "Operação Satiagraha", que atuava fraudando o mercado de capitais; e a participação da fiscalizada em esquema fraudulento de títulos públicos através da corretora EURO e UP2, mas I o Fisco não conseguiu comprovar a participação da Impugnante em quaisquer destes ilícitos; a autoridade fiscal se refere ao sócio da empresa Impugnante Sr. Lucio Bolonha Funaro, de maneira ofensiva caluniosa, difamatória como "doleiro" pessoa envolvida no esquema de mercado de capitais na Operação Satiagraha e participante de esquema fraudulento através de corretora EURO e UP2, mas não procedem acusações bem como não cabe ao Auditor da Receita Federal diante de meras conjeturas e suposições extraídas exclusivamente de sua cabeça tratar o contribuinte de maneira ofensiva; trata se de INFRAÇÕES IMPOSSÍVEIS, pois não há qualquer acusação contra a Royster, empresa Impugnante, sendo que jamais esteve envolvida em nenhum destes crimes que estão sendo investigados. pode ter ocorrido erro na forma de apuração do cálculo do tributo, já pago parcialmente, mas que jamais poderia justificar a qualifica cão da multa por fraude. Fl. 3136DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13864.000441/200930 Acórdão n.º 1201001.168 S1C2T1 Fl. 7 11 para que a multa de lançamento de oficio se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude; não há nada contra a Impugnante nenhuma prova documental, que tenha e comprove a fraude ou ilícito tributário alegado pelo Fiscal, portanto, descabe a multa de oficio qualificada.” Acrescentou ainda decisões do CARF à Impugnação, e fez menção à Súmula 14 do 1° Conselho de Contribuintes para justificar que a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude. Alegou ainda decadência para os fatos geradores ocorridos em 2004, destacando que houve pagamento de tributos, no mérito, diz ser inválido o feito fiscal, asseverando, inicialmente, que a fiscalização teria incorrido em erro material e contábil, porquanto teria tributado valores brutos acumulados das aplicações e não apenas os rendimentos líquidos auferidos sobre a variação percentual de rendimentos comprovados, sendo dela, fiscalização, o ônus de provar o percentual de ganho diferente daquele declarado ao Fisco. Com relação as transferências alegou terem sido decorrentes de operações de bolsas, efetuadas com a Laeta S/A. Distribuidora de Títulos e outras corretoras, entre elas e a Novinvest, sendo que nem toda a movimentação financeira corresponde a valores levantados de propriedade da contribuinte cabendo indagar as demais Corretoras a confirmação dos valores efetivamente creditados como rendimentos líquidos. Isso porque somente o fisco pode requerer esse tipo de informação. Por fim, referese ao princípio da verdade material, da boa –fé no sentido de ter respondido todas as intimações pedidas pela fiscalização e seus esforços para a apresentação de documentos. Em 21/01/2009, protocolizou na DRJ/Campinas os documentos que constam às fls. 2960/2964 denominado Razões Aditivas à Impugnação. Decisão da DRJ/CPS A 4ª Turma da DRJ/CPS, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para cancelar as exigências relativas ao ano–calendário de 2004 e mantendo a autuação nos anos de 2005 e 2006, bem como com relação à CSLL, PIS e COFINS, por se tratar de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejam o lançamento do Imposto de renda. A DRJ analisou as questões preliminares apresentadas pela contribuinte, bem como afastou a decadência. No mérito, em seus argumentos, a decisão da DRJ alegou, em síntese que, a contribuinte não apresentou de forma devida o cumprimento do Termo que está na origem deste processo e referiuse a falta de apresentação de livros e documentos hábeis e idôneos para a comprovações das solicitações pedidas ao longo do procedimento. O cancelamento da autuação em relação ao ano de 2004 deuse em razão da sistemática de apuração pelo lucro real, que pela ausência de apresentação de livros e documentos fiscais, impossibilitou a fiscalização de apurar os valores. Fl. 3137DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 12 No tangente ao ano de 2005, foi mantida a autuação, pois, embora não tenha sido suprida a falta de documentação, a adoção da sistemática do lucro presumido não prejudicou o contribuinte. Em 2006, a DRJ manteve a autuação, pois, não tendo a fiscalização considerado imprestável a escrituração apresentada pelo Contribuinte e demonstrada a adoção da sistemática do lucro presumido por esta, resta acertada a autuação pelo mesmo regime. No que se refere aos depósitos bancários, a decisão entendeu que, a contribuinte não demonstrou a sua origem, e nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, com a autorização da presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprovou com a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessa operações. O mesmo ocorreu em relação às alegadas transferências entre contas de mesma titularidade, que sem apresentação de demonstração dos ingresso e saídas, com identidade de datas, valores e forma da operação, em contas de mesma titularidade a contribuinte também não é capaz de justificar a origem dos recursos. Houve ainda a alegação de transferência de recursos entre empresas de composição societária semelhante e entre contas da empresa e de sócio. Embora a fiscalização tenha verificado a correspondência de ingressos e saídas em mesma data e de iguais valores, considerou que esta demonstração não foi suficiente para afastar a omissão de receitas, tendo em vista que não foram apresentadas provas documentares complementares que opusessem tais fatos. Por fim a DRJ manteve a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, uma vez que identificada a reiterada prática da contribuinte tendente a omitir a ocorrência de fato gerador do tributo. O racional aplicado ao IRPJ foi mantido de forma reflexa ao PIS, COFINS e CSLL. Recurso Voluntário O contribuinte interpôs recurso voluntário alegando preliminarmente que a fiscalização deveria manter o mesmo entendimento aplicado ao no de 2004 para os anos de 2005 e 2006, tendo em vista a natureza da sua atividade. Com relação mérito, evocou o (i) princípio da vinculatividade dos atos da administração tributária, (ii) da omissão das informações prestadas decorrente da movimentação bancária, (iii) princípio da boa fé, (iv) dos erros materiais e contábeis cometidos pelo fisco, (v) da comprovação de quitação de tributos nos anos de 2005 a 2006 e por fim, das penalidades aplicadas e a tributação reflexa de PIS, CSLL, COFINS e respectivos acréscimos legais. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator Fl. 3138DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13864.000441/200930 Acórdão n.º 1201001.168 S1C2T1 Fl. 8 13 O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Preliminar Primeiramente, será analisada a questão preliminar apresentada pela Recorrente. Em síntese, alega que a decisão que amparou o auto de infração deixou de apreciar ponto importante, qual seja, o objeto social da empresa. Segundo relata, tratase de empresa prestadora de serviço que atua na atividade de cobrança, agenciamento de negócios e consultoria em finanças e participações em outras sociedades, simples e empresariais. Assim argumenta que da própria atividade desenvolvida pela empresa, já é possível inferir que nem todos os valores movimentados pela Recorrente têm natureza de receita, vez que, boa parte, não lhe pertence. Neste ponto, entendo que a mera alegação apresentada desacompanhada de demonstrativos e documentos, por si só, não é suficiente para convencer a fiscalização ou os órgãos de julgamento, de que os valores transitados em suas contas bancárias, não são receita. Não há previsão legal de que determinadas atividades estão, em razão de sua natureza, desobrigadas ou isentas de apresentar ao fisco a justificativa da movimentação bancárias do período fiscalizado, sob pena de autuação por presunção de omissão de receita baseada em depósitos não identificados. De fato, faz sentido a alegação da Recorrente, contudo, a inclusão de determinada atividade no objeto social da empresa, em hipótese alguma, confere ao Contribuinte, carta branca para deixar de justificar movimentação bancária em valores discrepantes de sua escrituração contábil e fiscal. Alega ainda a Recorrente que para o ano de 2004, a fiscalização apurou os valores com base no lucro real, desconsiderando assim, os custos e despesas e considerando os valores brutos acumulados das aplicações e não rendimentos líquidos. Desta forma, segundo a Recorrente, tendo a DRJ afastado a incidência dos tributos para o ano de 2004, deveria ter sido aplicado o mesmo racional para os anos posteriores, o que não ocorreu, tendo em vista que a fiscalização para os anos de 2005 e 2006 apurou os tributos devidos com base no lucro presumido. Não concordo. Não há qualquer razoabilidade nas alegações da Recorrente. Isso porque, como é cediço, a apuração pelo lucro real ou pelo lucro presumido assume particularidades distintas. O regime do lucro real, sistemática esta aplicada para o ano de 2004, determina que o tributo seja apurado com base na contabilidade real, ou seja, será o resultado da diferença entre a receita bruta e as despesas operacionais. Para tanto, deve ser analisado o rígido critério contábil e fiscal de escrita, o que significa dizer que o contribuinte deve apresentar arquivos, livros e documentação comprobatória de todas as receitas e despesas. Já o regime do lucro presumido, revela a presunção legal de que o lucro será aquele estabelecido pela recorrente com base na aplicação de determinado percentual de presunção sobre a receita bruta e outras receitas sujeitas à tributação. Fl. 3139DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 14 Desta forma, os pontos apresentados pela Recorrente não devem prosperar, uma vez que, a natureza de sua atividade, ressalvados casos específicos que não é o caso da Recorrente, a opção de sistemática de apuração de lucro pelo real ou pelo presumido, não afasta a manutenção do auto para os anos de 2005 e 2006. Com efeito, a coerência da DRJ em entender pelo afastamento da exigência ano de 2004 está baseado na impossibilidade de validar a base de cálculo apresentada pela fiscalização. No entanto, esta realidade se dá não pela natureza de sua atividade, mas sim pela falta de apresentação de documentação idônea, escrituração contábil e fiscal e cumprimento de obrigações acessórias capazes de revelar a legitimidade do valor por ela apurado. Vale ressaltar que este é o principal ponto que deve ser analisado no presente caso, qual seja, a fiscalização comprova ao longo do termo de intimação que houve falta de apresentação de livros e documentos fiscais, imprestabilidade da escrituração e omissão de receita. Neste contexto, fica afastada a preliminar suscitada e vinculada ao objeto social da Recorrente, uma vez que, o critério para afastamento da exigência relativa ao ano de 2004 utilizado pela DRJ, foi peculiar daquele ano e da forma e regras de apuração pelo lucro real, não devendo contaminar a sua análise e decisão para com os demais anos – 2005 e 2006. Mérito Quanto ao mérito, passo a analisar os argumentos da Recorrente. Vinculatividade da administração tributária O primeiro é o que denominou de princípio da vinculatividade que rege os atos da administração tributária. Neste ponto, argumenta que, os termos dos artigos 529 e 530 são taxativos e que a fiscalização deveria utilizar do arbitramento como forma de apuração do lucro. Os referidos artigos revelam: “CAPÍTULO HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO Art.529.A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Io contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Fl. 3140DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13864.000441/200930 Acórdão n.º 1201001.168 S1C2T1 Fl. 9 15 b)determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. A fiscalização procedeu (indevidamente) à apuração do lucro real no ano de 2004, em razão disso, e no mesmo sentido, a decisão da DRJ assim descreve: “De fato, a apuração do resultado pela sistemática do Lucro Real , adotada na autuação para o calendário de 2004, em muito difere das outras duas sistemáticas previstas em lei: lucro presumido e lucro arbitrado.” Ou seja, a fiscalização não está vinculada aplicar o mesmo racional para duas situações que são efetivamente distintas, desta forma, o ano de 2004 não pode ser comparado ao ano de 2005 e, consequentemente, não poderá ser dado a este último, o mesmo desfecho. Presunção de omissão de receita baseada em depósitos bancários não identificados Outro ponto debatido pela Recorrente, e este é o núcleo da presente discussão, relacionase à presumida omissão de rendimentos. Neste ponto, o questionamento apresentado decorre das informações relacionadas à movimentação bancária da Recorrente. A Recorrente foi intimada, mais de uma vez, a prestar informações, bem como esclarecimentos à fiscalização sobre a origem dos créditos bancários e empréstimos. Entretanto, deixou de apresentar as informações e documentação suficiente e necessária para esclarecer a natureza de sua movimentação bancária. Ademais, é nítido em seus argumentos que não mantinha qualquer arquivamento de documentação, tampouco cumpria suas obrigações acessórias como contribuinte. Desta forma, a fiscalização constatou tais informações, levantou toda a movimentação bancária do período e comparou com a parca documentação apresentada pela Recorrente, juntada aos autos. Não obstante, traz a Recorrente a alegação do princípio da boafé pois houve a apresentação de documentos, honestidade e lealdade. Fl. 3141DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 16 O princípio da boafé que rege nosso ordenamento jurídico deve permear a atividade do contribuinte e do Fisco como meio de garantir a integridade das informações, bem como a legitimidade da apuração dos tributos. Sendo assim, cabe ao contribuinte cumprir suas obrigações fiscais e ao fisco fiscalizálo de modo legitimo e legal. No termo de intimação que está na origem deste recurso, há comprovada falta de apresentação de documentos por parte da contribuinte bem como de esclarecimentos. A decisão ora recorrida descreve: “Com efeito, não foi comprovada apenas a omissão de receitas, a partir da falta de comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa, foi comprovada também a prestação de falsa informações ao Fisco Federal sobre as receitas efetivamente percebidas.” (fls. 3203) Resta claro que não é suficiente apenas a intenção de honestidade e lealdade do contribuinte. Em determinadas circunstâncias, como a aqui tratada, qual seja, a comprovação da origem de movimentação bancária, cabe ao Contribuinte, além de alegar, também evidenciar e comprovar suas alegações, de forma a demonstrar cabalmente a origem de sua movimentação bancária de forma suficiente a evitar o lançamento por presunção. Cabe aqui, comentar outro ponto levantado pela Recorrente, relacionado ao cometimento de eventuais erros materiais e contábeis pelo fisco. Neste ponto o que se apresenta é o questionamento acerca da forma que a fiscalização utilizouse dos documentos e informações disponíveis. Os citados erros materiais e contábeis que a fiscalização teria cometido segundo a Recorrente, não tem fundamentação. Primeiramente, como já exposto anteriormente, na ocasião do curso do termo de fiscalização, a Recorrente não apresentou os documentos que foram solicitados pela fiscalização. A falta destes documentos e de apresentação de provas hábeis e idôneas, ainda que tenha havido intimação para tanto, obrigou a fiscalização adotar a informação disponível (extratos bancários) e efetuar o lançamento com base em presunção. Notase que, a pretensão de demonstrar e comprovar as provas suficientes e eficazes para esgotar as diversidades apresentadas são do interessado, no caso a Recorrente, que deveria ter apresentado sua contabilidade e os registros regularmente escriturados que servissem de base para a origem da discussão. Aplicação da multa qualificada de 150% A Recorrente combate a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I da Lei 9.430/96, vez que entende que, no caso em tela, inexiste evidência de que agiu com dolo, requisito este inafastável para a aplicação da multa qualificada. Tenho uma visão diferente a este respeito. Certamente, a omissão de receita, identificada através de depósitos bancários não comprovados, por si só, não configura situação suficiente para a aplicação da multa qualificada. Mas não é este o caso. O que analisamos nesses autos, é a conduta reiterada e contínua da Recorrente, praticada por diversos anos, consistente na movimentação de montante absurdamente superior ao declarado e escriturado em seus livros contábeis e fiscais, Fl. 3142DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 13864.000441/200930 Acórdão n.º 1201001.168 S1C2T1 Fl. 10 17 desacompanhados de documentação suficiente que comprovasse que os valores movimentados não configuram receita. Ora, se a prática perpetrada por diversos anos pela Recorrente, somente identificada través de fiscalização e que teve como resultado, o pagamento de tributos substancialmente menores que o devido, não é evidência de dolo do contribuinte, o que seria? Neste ponto da discussão, cabe trazer importante julgado deste Conselho que ratifica meu entendimento acima esposado (processo n. 10680.013909/200673 da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes – Redator Conselheiro Leonardo de Andrade Couto): Ementa: MULTA QUALIFICADA — PRESUNÇÃO — presunção não é aspecto que, por si só, impeça à autoridade constituir a multa qualificada, em especial, quando não for o único elemento formador da convicção de ter o infrator agido ou se omitido intencionalmente. Vários fatos apontam para a circunstância de o sujeito passivo ter ocultado dolosamente a ocorrência da hipótese de incidência em valores superiores aos declarados. Se, por um lado, a presunção serviu para o propósito de quantificar tal omissão, por outro, não foi o único expediente probatório empregado pela autoridade para caracterizar a omissão em termos qualitativos, principalmente, no que se refere ao seu aspecto volitivo. Recurso de Ofício Foi apresentado Recurso de Ofício em razão da decisão de primeira instância ter cancelado parte do débito fiscal, face o entendimento de que, na ausência de apresentação de escrituração contábil e fiscal por parte do contribuinte, não caberia e não poderia a fiscalização, efetuar o lançamento tributário com utilização da sistemática do Lucro Real, uma vez que no caso em questão, deveria ter sido utilizado o lucro arbitrado. Não merece reparo a decisão da DRJ. Isso porque, o Imposto de Renda calculado com base no lucro arbitrado, constitui forma simplificada de apuração da base de cálculo do imposto e deve ser aplicada quando a Fiscalização apura o não cumprimento às disposições vigentes relacionadas à manutenção da escrituração fiscal, e outras obrigações acessórias, necessárias para a apuração do lucro real. O arbitramento do lucro atende de fato, verdadeira necessidade, pois, evita situações intransponíveis para a fiscalização, tais como o oferecimento à tributação, pelo contribuinte, de lucro real impossível de se apurar na escrituração, ou que desmereça fé, do ponto de vista legal. Ressaltese que o arbitramento do lucro é, em verdade, uma necessidade. Evita problemas insolúveis para a fiscalização, tais como o oferecimento à tributação, pelo contribuinte, de lucro real impossível de se apurar na escrituração, ou que desmereça fé, do ponto de vista legal. E, justamente para tornar legítima a tributação, com a estrita observância da capacidade contributiva, é que a fiscalização está obrigada a arbitrar o lucro quando da ocorrência dos fatos descritos em lei. Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O 18 Assim, na situação similar ao presente caso, em que se apresenta contínua incapacidade do contribuinte em atender às reiteradas intimações da fiscalização para a apresentação de livros ou documentos de escrituração, resultarão em obrigatório e irreversível arbitramento do lucro. Em suma, o arbitramento do lucro é de obrigatório uso pelo agente fiscal nas hipóteses previstas em lei, pois, visa à tributação da verdadeira manifestação da capacidade contributiva, em situações em que a real lucratividade é difícil de ser apurada. Desta sorte, não merece qualquer reparo a decisão da DRJ que cancelou a parcela do débito cobrado no ano de 2004, por utilização indevida da sistemática do lucro real. CSLL – PISCOFINS Por fim, no que se refere aos valores exigidos de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL e das Contribuições para o Programa de Integração Social — PIS e para o Financiamento e Seguridade Social — Cofins atinente aos anoscalendário de 2005 e 2006, estas são de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda. Assim, tendo em vista que a decisão de mérito manteve a autuação do IRPJ, mantemse as demais. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para AFASTAR as preliminares suscitadas e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, bem como, CONHEÇO do Recurso de Ofício para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 30/06 /2015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
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Numero do processo: 10830.010853/2007-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas caracteriza a conduta dolosa, justificando a penalidade agravada.
MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza-se a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondo-se a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Recurso a que se dá provimento.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Pelo voto de qualidade, conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Ricardo da Silva, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. 2) No mérito, também pelo voto de qualidade, dar provimento, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias (Relatora), Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada de omissão de receitas caracteriza a conduta dolosa, justificando a penalidade agravada. MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Recurso a que se dá provimento. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Pelo voto de qualidade, conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Ricardo da Silva, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. 2) No mérito, também pelo voto de qualidade, dar provimento, vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias (Relatora), Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 08 53 /2 00 7- 15 Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Junior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 1301000.829, proferido em sessão de 14 de março de 2012, pela 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Ficais. O Auto de Infração (fls. 04/37) foi lavrado para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em decorrência da constatação de suposta omissão de receitas oriundas de depósitos bancários de origem não comprovada e reportase aos anoscalendários de 2002 e 2003. Ainda, houve a aplicação de multa qualificada, uma vez que a Fiscalização considerou que houve evidente intuito de fraude por parte do contribuinte em retardar o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador dos tributos. Conforme relatório do acórdão recorrido, a Fiscalização foi motivada pelos seguintes fatos: (i) Constatação de que a empresa fora constituída no ano de 2000 com o mesmo quadro societário, a mesma atividade econômica e mesmo domicílio da empresa PACKTEC INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS PLÁSTICOS LTDA. (ii) Falta de pagamentos de IPI. (iii) Não apresentação do livro registro de apuração do IPI. (iv) Divergência de valores informados a título de estoque de matérias primas na DIPJ 2002 (estoque final zero) e DIPJ 2003 (estoque inicial R$ 1.122.135,50). Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 4 3 Irresignado, o contribuinte apresentou tempestiva Impugnação (fls. 529/552) na qual aduziu, em síntese: (i) Nulidade do procedimento, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal continha autorização apenas para fiscalização do IRPJ e IPI do ano de 2002 e descumprimento das condições necessárias para requisição das informações de movimentação financeira. (ii) Nulidade em razão do descumprimento do artigo 142 do Código Tributário Nacional, porquanto a Fiscalização desconsiderou as informações contidas nas DIPJs para a comprovação da origem dos depósitos, realizando o lançamento sobre a totalidade dos depósitos. (iii) Aduziu o não cabimento da penalidade qualificada por presunção de fraude e de omissão de receitas. (iv) Não havia necessidade de se proceder ao arbitramento, uma vez que a própria fiscalização obteve informações quanto aos depósitos bancários nas DIPJs. (v) Decadência quanto aos fatos geradores ocorridos em 2002. Sobreveio o acórdão de n° 1419.625, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (fls. 755/782) que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. Apurandose infração em relação a tributo contido no MPFF, que também configure, com base nos mesmos elementos de prova, infração a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. NULIDADE. Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento no Decreto n° 3.724, de 2001, que autoriza a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, bem como na Portaria SRF n° 180, de 1 de fevereiro de 2001, não há que se falar em nulidade do feito. PRELIMINARES. MATÉRIA DE MÉRITO. Rejeitamse questões postas como preliminares que, na verdade, atacam o mérito do lançamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CSLL PIS. COFINS. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 5 4 Lavrado o auto principal (IRPJ), devem também ser lavrados os autos reflexos, nos termos do art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249195, devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem, observadas as especificidades de cada um. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. PEDIDO DE PERÍCIA NEGADO. Incabível a perícia quanto à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos, da verificação de exigências legais ou de detalhes que não sejam a ela importantes. SUSTENTAÇÃO ORAL. 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a sustentação oral no julgamento de 1ª instância, devendo este pedido ser veiculado em eventual recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 PRAZO DECADENCIAL. FRAUDE. Improcede a alegação de decadência quando o lançamento foi realizado no prazo prescrito no art. 173, inc. I, do CTN, norma aplicável em caso de configuração de conduta fraudulenta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 FALTA DE ESCRITURAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS. A nãoapresentação ou o extravio dos livros fiscais obrigatórios, em especial o Livro Caixa na apuração pelo Lucro Presumido, impõe a necessidade do arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO. As circunstâncias específicas do caso, ao permitirem identificar o evidente intuito de fraude, justificam a aplicação da multa qualificada. Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 6 5 Não se conformando com a decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 786/823), no qual reiterou as razões de sua impugnação. Às fls. 832, consta expressa renúncia do contribuinte ao recurso, exceto quanto à qualificação da multa e à decadência para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2002. Sobreveio o acórdão de n° 1301000.829, da 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Ficais, que, ao examinar as duas questões que não foram objeto de renúncia pelo contribuinte, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, para reduzir a multa de lançamento de ofício de 150% para o percentual de 75% e, como conseqüência, reconhecer a decadência para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2002. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA –PESSOA JURÍDICA IRPJ Anos calendários: 2002 e 2003 MULTA QUALIFICADA – SÚMULA CARF n. 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PRAZO DECADENCIAL – Afastada a hipótese legal prevista ao final do § 4º do art. 150 do CTN, e tendo ocorrido declaração/pagamento dos tributos exigidos no anocalendário objeto dos lançamentos, a contagem do prazo decadencial contarseá da data do fato gerador da obrigação tributária, consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 973.733/SC). A Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 256/2009, apresentou Recurso Especial (fls.858/863) aduzindo interpretação divergente da Lei Tributária quanto à qualificação da penalidade. Apresentou como paradigmas os acórdãos de n° 10195.282, da Primeira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que em caso análogo manteve a qualificação da penalidade por omissão reiterada de rendimentos e o acórdão de n° 9101.001.002, da 1ª Turma da CSRF, que entendeu configurar dolo a conduta reiterada do contribuinte de omitir receitas. Em exame de admissibilidade às fls. 1782/1786 foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 1833/1853. É o relatório. Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que a Conselheira Karem Jureidini Dias, relatora do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pela relatora original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em janeiro de 2014, passo a formalizar o voto: O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 1782/1786. A despeito de o recurso ter sido objeto de exame de admissibilidade, entendo que algumas considerações quanto ao seu conhecimento merecem ser realizadas. O Recurso merece reexame de admissibilidade porque, conforme se observa da ementa do v. acórdão recorrido, a decisão embasouse em entendimento sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no enunciado n° 25, in verbis: Súmula CARF n. 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.4.502/64. Sendo assim, como fundamentou a decisão em entendimento sumulado, sequer deve ser conhecido, posto que é o que estabelece o artigo 18, inciso XXI, do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: (...) XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso; (grifos nossos). Acrescento que, no meu entender, simplesmente mencionar a súmula não seria suficiente para impossibilitar o recurso, devendose averiguar se o caso subsumese à súmula. A questão que importa é que respectiva súmula foi aplicada em razão de exame de provas a que procedeu Câmara a quo. Referida análise de provas não foi objeto de Embargos ou prequestionamento pela D. Fazenda Nacional. Ora, se não há prequestionamento da matéria e prova conclusiva pela aplicação da Súmula, seja por meio de embargos ou no Recurso Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 8 7 Especial manejado pela d. Fazenda Nacional, não há como se conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, porque precluída a matéria fática acerca da inexistência de dolo. Por tais razões, entendo que não merece ser conhecido o recurso da d. Fazenda Nacional. Contudo, se vencida quanto a esta preliminar, passo à análise meritória, iniciando com breves considerações acerca da sanção tributária. Delimitando a lide, a questão versa sobre a qualificação da penalidade, nos termos do artigo 44, inciso II da Lei 9.430/96, em razão de conduta reiterada de omissão de receitas e, como consequência, a determinação do dies a quo do prazo decadencial pela regra do artigo 150, § 4° ou se pela regra do artigo 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. O vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe1. Assim, a sanção corresponde à conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual é a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verificase no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vínculo (in casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcularse o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatória, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas2 classificaas como repressivas ou repressivocompensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigálo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passase ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de ofício de natureza tributária, mais especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em decorrência, principalmente, do nãopagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. Em lançamentos de ofício poderão ser encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penaltributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. 2 Curso de direito tributário, ob cit., p.259. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 9 8 (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cofres públicos). Será de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada às infrações decorrentes de atos dolosos, visando a fraude ou a sonegação fiscal. Para o evento do não pagamento, nos lançamentos de ofício, verificamos a imposição de multa de ofício, espécie de sanção pecuniária. As multas de ofício são penalidades pecuniárias repressivocompensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de ofício constituemse em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. O percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compensatória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de ofício será agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Ou seja, importante observar que a menção aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos casos em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzilo. Afirmase que a autoridade administrativa precisa averiguar se efetivamente existiu dolo para que então possa imputar a multa qualificada, com base no próprio Código Penal Brasileiro, o qual assevera no parágrafo único do artigo 18 que: “Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.” Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de ofício sem qualificação, não impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo pagamento do imposto é objetiva. O elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, que se ousa descrever de natureza “penal tributária”, tem característica repressiva e punitiva devido à grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 10 9 Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. O conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido3. Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplicase o elemento subjetivo (tratase de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplicase o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penaistributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referemse ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Nesse ponto, para a falta de pagamento do imposto aplicase a responsabilidade objetiva, prevista no artigo 136 do Código Tributário Nacional: “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Já a aplicação da “multa qualificada” pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza “penal tributária”, além da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Sobre este aspecto, nunca é demais lembrar que a mera falta de pagamento de tributo não é crime, tampouco ato doloso. Arrematando a questão, o saudoso Ministro Aliomar Baleeiro4 também pugna pela responsabilidade pessoal do agente por infrações decorrentes de dolo específico, firmando o seguinte entendimento: “RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE. Em princípio, a responsabilidade tributária por infrações da legislação fiscal cabe ao contribuinte ou ao coresponsável, como tais definidos no CTN Mas este, como vimos, em certos casos taxativos, também a estende a terceiros os arts. 134 e 135). Em certos casos especiais, a responsabilidade será de quem cometeu a infração o agente sem que nela se envolva o contribuinte ou sujeito passivo da obrigação tributária. Isso acontece, em princípio, quando o ato do agente também se dirige contra o representado ou quando se reveste de dolo específico. O CTN distingue três hipóteses. A primeira é a de a falta constituir ao mesmo tempo um crime ou contravenção penal. Mas, nesse caso, também, responde o contribuinte fiscalmente, se o agente estava no exercício regular de administração, mandato, função, emprego ou no cumprimento de ordem expressa de quem podia expedila. No terceiro caso, há diferentes hipóteses de o agente ter praticado atos contra os seus representados, mandantes, preponentes, patrões, etc. seria 3 Curso de direito tributário, ob. cit., p.2O2. 4 Arquivo Judiciário 71/10, Revista Forense 115/143, in Trabalhos da Comissão Especial do CódigoTributário Nacional, Ministério da Fazenda, 1954. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 11 10 demais punilos quando já são vítimas e culpa não revelaram nas faltas dos prepostos. Mas entendase: a responsabilidade é exclusiva do agente quanto aos efeitos das infrações (multa, inclusive moratória, se se apossou dos fundos do mandante ou patrão e correção monetária,). Mas se o sujeito passivo continua responsável pelo imposto devido por atividade, ato ou coisa que fez surgir a obrigação tributária.” Concluise, assim, que a qualificação pressupõe a existência de fraude ou sonegação. Portanto, sempre que houver qualificação, esta deve ser motivada em separado, já que não se confunde com o próprio motivo do lançamento, sendo certo que a motivação pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. Voltando ao presente caso, o v. acórdão recorrido, por unanimidade de votos, afastou a qualificação da multa, em observância à Súmula CARF n° 25. Conforme esclarecido no voto do acórdão recorrido: “(...) o motivo declinado pela Fiscalização para qualificar a multa, foi o fato de a contribuinte ter declarado em DCTFs, valores incompatíveis com a sua movimentação financeira nos anoscalendários de 2002 e 2003. Por seu turno, a omissão de receitas não foi apurada com base na circularização de informações/documentos das empresas que adquiriram mercadorias da ora recorrente (prova direta), mas sim, exclusivamente com base na movimentação financeira da contribuinte, presunção legal capitulada no artigo 42 da Lei 9.430/96), ou seja, a despeito de haver prova direta da efetiva omissão de receitas, conforme demonstrativo ‘Vendas DIPJ Terceiros’, a receita bruta apurada pela fiscalização para proceder ao lançamento dos tributos, se deu com base nos depósitos/créditos bancários de origem não comprovada.” Por tais razões, prevaleceu o entendimento de que seria aplicável a Súmula CARF n° 25, a qual dispõe: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Verificase, portanto, que a qualificação da penalidade no caso vertente se deu em razão da utilização de presunção de omissão de receitas, pelo que presumiuse a intenção dolosa, já que outros dados não foram alegados pela fiscalização. A presunção em si e per si não comporta a acusação de dolo para imputação de multa qualificada. Ainda, conforme pretende a Fazenda Nacional, com base no acórdão de n° 9101001.002 citado como paradigma, a mera conduta reiterada do contribuinte de omitir receitas já comprovaria de forma inequívoca o seu intuito doloso. Ocorre que, neste caso, como bem salientado pelo r. acórdão recorrido, a despeito de a fiscalização carrear aos autos novos elementos, tais como informações de empresas que adquiriram mercadorias da contribuinte, a acusação de dolo se deu pelo fato de a fiscalização entender que a Recorrente agiu de forma dolosa em esconder da administração tributária parte substancial de suas receitas em dois anos calendário. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 12 11 Ainda, como também asseverou o r. acórdão recorrido, a omissão de receitas não foi apurada com base na circularização de informações/documentos das empresas que adquiriram mercadorias da ora Recorrente, mas sim, exclusivamente, com base na movimentação financeira da contribuinte (presunção legal capitulada no art. 42 da Lei 9.430/96). Se é de presunção que se trata, não há que se falar em multa qualificada. A reincidência de presunção da mesma forma não autoriza per si a qualificação da penalidade. Sendo assim, entendo que a reincidência per si na hipótese de mera presunção não é suficiente para caracterizar o dolo, partindo a Fiscalização de premissa equivocada ao realizar o lançamento em comento, penalizando o contribuinte com a multa qualificada. Consequentemente, afastada a qualificação da penalidade e comprovado nos autos que o contribuinte apresentou as DCTFs de 2002 e 2003, declarando parte dos tributos efetivamente devidos, (fls. 488/495), correto o reconhecimento da decadência para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2002, uma vez que o contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 17 de dezembro de 2007. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da d. Fazenda Nacional e, se vencida quanto ao conhecimento, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado Com as devidas vênias, ouso discordar da relatora, pelas razões que, a seguir exponho. DO CONHECIMENTO DO RECURSO: Quanto ao conhecimento do recurso, adoto como razões de decidir as mesmas constantes do despacho de admissilbilidade, nos aitos à fl. XX, o qual transcrevo, no que interessa, in verbis: “Cientificada em 05/07/2012 (fl. 855), a recorrente interpôs recurso especial em 06/07/2012 (fls. 858/863) alegando divergência jurisprudencial em relação ao entendimento do acórdão recorrido de que não fico caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, razão pela qual afastou a multa de ofício qualificada. A recorrente argumenta em síntese que, em caso análogo ao presente, existe entendimento jurisprudencial no sentido de manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, considerando caracterizado o evidente intuito de fraude em caso similar de omissão reiterada de rendimentos. Indica como paradigmas hábeis para sustentar a divergência o Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 13 12 Acórdão nº 10195.282, da Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, proferido em 11/12/2005, e o Acórdão nº 9101001.002, da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido em 24/05/2011. (...) O presente recurso especial atende aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Assim, passo a apreciação da admissibilidade da divergência. Para melhor compreensão da matéria, transcrevo abaixo as ementas dos acórdãos apresentados como paradigmas, na parte que interessa ao presente exame: Acórdão nº 10195.282 MULTA QUALIFICADA A prática reiterada de omissão de receitas caracteriza a conduta dolosa, justificando a penalidade agravada. Acórdão nº 9101001.002 MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. De outra parte, a ementa do acórdão recorrido foi vazada nos seguintes termos, na parte que interessa ao exame deste recurso: MULTA QUALIFICADA – SÚMULA CARF n. 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Examinando os acórdãos paradigmas verificase que os mesmos trazem o entendimento de que a prática reiterada na omissão de receitas caracteriza o intuito doloso e justifica a aplicação da multa qualificada. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao dispor que o dolo não restaria comprovado na hipótese examinada. Para melhor caracterização do entendimento exarado, transcrevo abaixo trechos do voto condutor do acórdão no qual o relator examinou a matéria: O Relator da decisão de primeira instância, após extensa consideração quanto aos conceitos de dolo e sonegação, assentou: No caso presente, a própria autuante, com o devido zelo, preocupouse em justificar a qualificação da penalidade em razão das circunstância especificas do caso, quais sejam: a) a grande divergência entre os valores de receitas declaradas em suas DIPJs e a movimentação financeira de origem não comprovada, assim como a própria significância dos valores transitados nas suas contas bancárias; b) a reiteração da conduta, constatada durante os anos de 2002 e 2003. (grifo nosso) Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 14 13 E ainda cabe acrescentar a ocorrência de outras circunstâncias que comprovam a conduta dolosa do sujeito passivo: a) a falta de escrituração contábil dos valores depositados nas contas bancárias, mantidas, portanto, à margem da contabilidade, o que igualmente embaraça a ação fiscal; b) coincidência das empresas PACKDUQUE e PACKTEC, instaladas no mesmo endereço, com a mesma atividade e o mesmo quadro societário, conforme apontada pela Representação Fiscal da ALF Viracopos, ambas atuando da mesma forma, em relação aos depósitos bancários. Este quadro, portanto, toma absolutamente implausível a idéia de que se estaria diante de uma conduta involuntária, de um fato isolado, de um mero erro material. Não é razoável imaginar que uma pessoa jurídica, que opere sem intuito de se furtar às suas obrigações tributárias, não possa justificar a maior parte dos ingressos significativos encontrados em suas contascorrentes bancária ou tenha se equivocado em não declarar receitas da atividade auferidas ao longo de três períodos de apuração seguidos. Por sua vez, a Recorrente alega que a DRJ aperfeiçoou o lançamento ao apontar, além das circunstâncias indicadas pela autoridade fiscal, mais duas que justificariam a conduta dolosa do lançamento. Diz carecer competência à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para suprir ausência de fundamento do ato administrativo de lançamento tributário, devendo estar adstrita exclusivamente ao julgamento da legalidade do indigitado ato. De fato, a despeito de a fiscalização carrear aos autos outros elementos que comprovaram a omissão de receitas pela Recorrente, tais como, informações de empresas que efetivamente adquiriram mercadorias da contribuinte em valores substanciais aqueles por ela declarados, a qualificação, como visto acima, se deu pelo fato de a fiscalização entender que a Recorrente agiu de forma dolosa em esconder da administração tributária, parte substancial de suas receitas em dois anoscalendário. Ou seja, o motivo declinado pela fiscalização para qualificar a multa, foi o fato de a contribuinte ter declarado em DCTFs, valores incompatíveis com a sua movimentação financeira nos anoscalendários (sic) de 2002 e 2003. Por seu turno, a omissão de receitas não foi apurada com base na circularização de informações/documentos das empresas que adquiriram mercadorias da ora Recorrente (prova direta), mas sim, exclusivamente com base na movimentação financeira da contribuinte (presunção legal capitulada no art. 42 da Lei 9.430/96), ou seja, a despeito de haver prova direta da efetiva omissão de receitas, conforme demonstrativo “Vendas DIPJ Terceiros”, a receita bruta apurada pela fiscalização para proceder ao lançamento dos tributos, se deu com base nos depósitos/créditos bancários de origem não comprovada. Logo, entendo plenamente aplicável a Súmula CARF n. 25, que prescreve: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64.” Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 15 14 Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. (...)” Diante de tais razões, muito bem fundamentadas, conheço do recurso. DO MÉRITO DO RECURSO: "Conforme consta do despacho acima transcrito, a divergência a ser superada por esta Câmara diz respeito, de forma concisa e objetiva, ao seguinte: “Examinando os acórdãos paradigmas verificase que os mesmos trazem o entendimento de que a prática reiterada na omissão de receitas caracteriza o intuito doloso e justifica a aplicação da multa qualificada. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao dispor que o dolo não restaria comprovado na hipótese examinada..” Bem resumiu, o despacho decisório, a divergência posta, e esta Câmara, após exaustivos debates, decidiu por acompanhar o entendimento do acórdão paradigma, cujo voto condutor, do eminente conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, transcrevo, a seguir, in verbis: “A questão a ser solucionada versa sobre a possibilidade de aplicação da multa qualificada (150%) sobre a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização, tendo em vista que o contribuinte apresentou declarações de rendimentos (DIPJ) e dos tributos devidos (DCTF) relativos aos anoscalendário de 2000 e 2001 com valores zerados, embora tenha apurado lucros em sua contabilidade. O acórdão recorrido adota o posicionamento, no ponto recorrido, de que a apresentação da declaração inexata não é suficiente, por si só, para a aplicação da multa qualificada, estando assim ementado: MULTA QUALIFICADA. A prestação de declaração inexata, por si só, não autoriza a aplicação da multa qualificada. A recorrente argumenta que a decisão que reduziu a penalidade contraria a prova dos autos, que evidenciariam o comportamento doloso do contribuinte com vistas a evitar o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores pela autoridade fazendária. Tratase,portanto, de reexaminar se os elementos contidos no processo administrativo fiscal são ou não suficientes para a aplicação da penalidade qualificada. Passo, então, a examinar os argumentos da recorrida e os elementos do processo. (...) Ora, se a fiscalizada estava ciente de que devia tributos relativos aos anos de 2000 e 2001, conforme espelhava sua escrituração contábil e fiscal, porque não efetuou as retificações devidas antes do início do procedimento fiscal? A conclusão óbvia é que Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 16 15 não tinha de fato a intenção de retificar os dados, somente vindo a fazêlo ante a ação da fiscalização. Resta evidente a intenção deliberada de omitir as rendas e tributos devidos no período citado, como vistas a retardar o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência dos respectivos fatos geradores. (…) Outro argumento da recorrente é o de que a conduta do contribuinte não se constituiu um fato isolado, que pudesse ser caracterizado como erro eventual ou involuntário, mas um série repetida de omissões das suas receitas e tributos devidos ao Fisco nos anos de 2000 e 2001. Com efeito, o que se verifica nas declarações originais apresentadas pela autuada é a sucessiva omissão das bases de cálculos e tributos devidos durante pelo menos dois anos consecutivos, o que não pode ser atribuído a mero erro ou falta de organização do responsável pela contabilidade, como chegou a alegar a fiscalizada em seu recurso voluntário. A própria fiscalizada admite que teve conhecimento dos dados tributáveis no transcorrer do ano de 2003, ou seja, bem antes do início da ação fiscal. (…) A Lei nº 9.430/1996, no inciso II do seu art. 44, prevê a aplicação da multa qualificada nas situações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4. 502/1964. O art. 71 da Lei nº 4.502/1964, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. (grifei) Pelas circunstâncias descritas e demais elementos constantes do presente processo, conforme acima examinado, entendo que as infrações ocorridas nos anos de 2000 e 2001, e de que resultaram na lavratura do auto de infração, se amoldam perfeitamente à hipótese descrita no art. 71 da lei nº 4.502/1964; ou seja, que estão presentes os elementos objetivo (omissão dos rendimentos e tributos) e subjetivo (dolo), caracterizadores .do tipo penal previsto na lei . (...)” Acrescentese às razões acima, o que dispõe o Termo de Verificação Fiscal, à fl. 38, sobre a conduta da recorrente, especificamente, no nosso caso. Transcrevo, a seguir, em excertos: “(...) 1) Tratase de ação fiscal originada de Representação Fiscal da ALF/VIRACOPOS, cópia anexada ao presente Termo (Documento 1), protocotizJacla através do processo no. 10831.008508/200388, motivada pelos seguintes fatos: A A empresa Packduque Indústria de Plásticos LTDA CNPJ 04.214.651/000135, foi constinlida em 14102/2000 com o Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 17 16 mesmo quadro societário, com a mesma atividade econômica e domiciliada no mesmo endereço onde funcionava a empresa Packtec Indústria e Comércio de Produtos Plásticos LTDA CNP' 56.121.106/000106. B Questionada sobre a ausência do recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, a empresa alegou que o serviço de industrialização foi efetuado por terceiros, além de ter havido compra de mercadorias com crédito e pouca venda no ano de 2002. Não foi apresentado o Livro Registro de Apuração do IPI e não foram encontrados pagamentos de IPI no Sistema SINAL08. C Existem divergências entre os valores declarados na DIPJ a título de estoque de matéria prima. Na DIPJ/2002 consta R$ 0,00 e na DIPJ/2003 está declarado R$ 1.122.135,50 como estoque de matéria prima do ano imediatamente anterior. (…) DOS FATOS/INDÍCIOS 6) Nos anoscalendário de 2002 e 2003, foram apuradas movimentações financeiras presumidas, com base na CPMF, expressivamente incompatíveis com as receitas declaradas nas DIPJ 2003 e 2004, conforme a seguir demonstrado: Ano 2002 Movimentação Financeira total por Instituição Financeiraem Reais CNPJ Instituição Financeira Valor da Movimentação (R$) 33.700.394/000140 UMBANCO 1.206.789,28 58.160.789/000128 Banco SAFRA 5/A 28.273.952,59 60.701.190/000104 Banco ITAU 5/A 5.573.129,39 60.746.948/000112 Banco BRADESCO S/A 12.141.360,02 60.889.128/000180 Banco SOF1SA 5/A 10.762718,41 TOTAL (I) 57.957.949,69 Receita Declarada DIPJ (2) 12.169.043,68 Diferença Apurada (2) 45.788.906,01 Ano 2003 Movimentação Financeira total por Instituição Financeira em Reais CNPJ Instituição Financeira Valor da Movimentação (R$) 07.450.604/000189 Banco Indl e Comi S/A 1.011.100,28 33300.394/000140 UNIBANCO S/A 5.246.434.27 58.160.789/000128 Banco SAFRA S/A 37.313.478,91 60.701.190/000104 Banco ITAU 5/A 6.177.288,12 60.746.948/000112 Banco BRADESCO S/A 59.487.225,46 60.889.128/000180 Banco SOFISA 9.752.002,61 TOTAL (1) 118.987.529,65 Receita Declarada DIPI (2) 18.344.955,00 Diferença Apurada (1) (2) 100.642.574,65 7) Além dos indicios de sonegação citados acima, de forma concorrente, a Receita Federal, através de consulta as DIPJ de terceiros, obteve informações sobre valores de vendas para diversos clientes da empresa fiscalizada, o que corrobora para a convicção de que a movimentação Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 18 17 financeira é de fato relativa a receitas de vendas de comercialização dos produtos produzidos pela fiscalizada, as quais foram deixadas, em grande parte, à margem do conhecimento do fisco federaL Os clientes que declararam ter comprado produtos da empresa fiscalizada constam do Demonstrativo "Vendas DIPJ Terceiros", que totaliza R$ 20.867.245,94, no ano de 2002, e R$ 43.284.282,25, no ano de 2003, anexado ao presente Termo de Verificação (Documento 2). (…) 15) Conforme já exposto, o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação comprobatória da origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos e/ou créditos nas contas bancárias, bem como os livros DIÁRIO/RAZÃO/CAIXA/LIVROS AUXILIARES com a escrituração das referidas movimentações Financeiras. Foram apresentados apenas os Livros de Registros de Entradas e Saídas do ano de 2002 e planilha referente à movimentação bancária do ano de 2002, a qual confirma que os valores constantes do Quadro 1 acima são decorrentes da venda de mercadorias. 16) Embora tenham sido apresentados, em relação ao ano de 2002, os Livros de Registros de Entradas e Saídas e as Notas Fiscais de Saída, não foram apresentados documentos que justificassem a movimentação financeira da fiscalizada, que excede os valores constantes das DIPI entregues a SRF, tanto em relação ao ano de 2002 quanto em relação ao ano de 2003. Assim, as receitas brutas foram apuradas com base nos DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, nos termos do art. 42 da lei 9.430196. 17) DO ARBITRAMENTO DO LUCRO: Tendo em vista a inviabilidade do acesso desta auditoria aos livros fiscais e contábeis efou Livro Caixa da fiscalizada, visando a aferição da exatidão das bases de cálculo do Lucro Presumido em relação aos anoscalendário de 2002 e 2003, não restou alternativa a esta fiscalização senão a de recorrer ao recurso extremo do ARBITRAMENTO DE OFICIO DO LUCRO, mediante a aplicação de coeficiente de 9,6% sobre RECEITA DE VENDAS APURADAS COM BASE NOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. 18) Ressaltase ainda que, como foram apresentadas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF dos anos de 2002 e 2003, conforme pesquisa anexada ao presente Termo de Verificação, os valores constantes das mesmas serão considerados no presente lançamento de oficio. (...)” Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10830.010853/200715 Acórdão n.º 9101001.856 CSRFT1 Fl. 19 18 Diante de todo o exposto, e considerando todos os elementos factuais trazidos à análise, entendo que não se tratou, in casu, de uma mera presunção de omissão de receitas. Não se tratou, incasu, de uma mera presunção de omissão de receitas, por si só, como pretende a recorrente. Ao contrário, a descrição dos fatos feita pela autoridade fiscal – ensejando o arbitramento dos lucros por falta de documentação fiscal e contábil – por si só, justifica a qualificação da multa. Dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. È como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 12/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTON I, Assinado digitalmente em 11/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15521.000335/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE ENFRENTAMENTO DO ITEM 10 DO TVF. OUTRAS DESPESAS.
As descrições trazidas no item 10 do Termo de Verificação Fiscal e impugnadas pela contribuinte devem ser analisadas pela Delegacia de Julgamento, pois se tratam de item da autuação fiscal.
Nulidade reconhecida por falta de enfrentamento da matéria impugnada que compõe como item o lançamento fiscal. Cerceamento do direito de defesa reconhecido.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-001.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instancia, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE ENFRENTAMENTO DO ITEM 10 DO TVF. OUTRAS DESPESAS. As descrições trazidas no item 10 do Termo de Verificação Fiscal e impugnadas pela contribuinte devem ser analisadas pela Delegacia de Julgamento, pois se tratam de item da autuação fiscal. Nulidade reconhecida por falta de enfrentamento da matéria impugnada que compõe como item o lançamento fiscal. Cerceamento do direito de defesa reconhecido. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instancia, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 03 35 /2 00 8- 81 Fl. 9625DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de autos de infração lavrados pela DRF, exigindo da interessada o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa do IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), e a multa isolada pelo não recolhimento da estimativa da CSLL, respectivamente, nos valores de R$7.912.886,19, R$2.822.868,49, R$2.865.919,02 e R$1.471.792,91, acrescidos em cada um dos tributos, de multa de oficio de 75%, e juros de mora calculados até 28.11.2008. A descrição dos fatos aponta três infrações: Infração 001. Omissão de receitas de exportação; Infração 002. Glosa de custos; Infração 003. Falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL. O Termo de Verificação Fiscal, fls.1.598/1.644, informa: na prestação de serviços com a PETROBRÁS foram firmados dois contratos distintos, um com a controladora localizada nas Ilhas Virgens Britânicas, PRIDE INTERNATIONAL LTD, específico para o afretamento de embarcações, e outro com a controlada, (a Interessada), que alcança efetivamente a prestação dos serviços; o valor do primeiro contrato, (afretamento de embarcações), corresponde a em torno de 90% do total do valor contratado; conforme contrato, cabe à empresa localizada no exterior, proprietária da plataforma, manter tanto a plataforma quanto os seus pertences arcando com os custos dali advindos; a Interessada tinha a obrigação de prestar os serviços —é perfuração, avaliação, complementação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás na plataforma fretada, responsabilizandose com os padrões internacionais de segurança e despesas de pessoal; no caso de fornecimento de materiais e contratação de serviços de terceiros, deveria haver prévia aprovação da PETROBRÁS, que, então, iria reembolsála; o que efetivamente ocorreu, foi que a Interessada arcava com todos os custos e despesas, incluindo os de responsabilidade contratual da empresa estrangeira, intrínsecos às plataformas; para adimplir estes gastos, a controladora PRIDE INTERNATIONAL LTD. enviava mensalmente valores elevados a título de empréstimos; Fl. 9626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 3 3 este artifício permitiu o envio pela PETROBRÁS de altas somas à controladora, (PRIDE INTERNATIONAL LTD), já que dessa maneira foi possível enquadrar quase que a totalidade do valor (soma dos valores dos contratos com a empresa estrangeira e com a controlada) sob o alcance da alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações, conforme Lei n° 9.481 de 1997, artigo 1º., inciso I, (fls.1.599); a empresa do grupo PRIDE, responsável pela plataformas operadas no Brasil, é a PRIDE FORAMER SAS, situada em Velizy/França; a partir de setembro de 2002 foi elaborado um contrato de prestação de serviço entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, (Anexo 1, fls.1.498/1.569); o objetivo de tal contrato foi o de respaldar a Interessada a arcar com todos os gastos necessários para manter as plataformas da PRIDE FORAMER, assim, o dinheiro passou a entrar no Brasil como receita de exportação; às fls.1.600/1.602, constam registros das intimações realizadas e os documentos que foram solicitados, dentre eles, relatórios mensais que . deveriam segregar os custos e despesas referentes ao mencionado contrato de prestação de serviços com a PRIDE FORAMER, demonstrando o valor dos honorários mensais cobrados; às fls.1602, consta que o contrato previa que cabia à Interessada todos os atos, obrigações e funções necessárias para a logística das operações das embarcações, sendo que a PRIDE FORAMER outorgou todos os poderes necessários à Interessada para a efetivação de quaisquer pagamentos de despesas em seu nome, (PRIDE FORAMER); o contrato previa que os honorários corresponderiam ao somatório dos custos diretos com 30% de margem, despesas com sub contratação de terceiros, despesas e gastos de capital, e outras despesas necessárias; concluiu a Fiscalização que o referido contrato foi elaborado com a finalidade e amparar os gastos que a Interessada já estava efetuando e cuja obrigatoriedade contratual, conforme os contratos de afretamento entre a PRIDE FORAMER e a PETROBRÁS era da empresa estrangeira; às fls.1.603, consta que a Interessada respondeu que era impossível segregar os custos e despesas incorridos em nome da PRIDE FORAMER e os relacionados aos serviços prestados à PETROBRÁS; a Fiscalização com base nos contratos elaborados entre a Interessada, a PRIDE FORAMER e a PETROBRÁS, concluiu da possibilidade de haver a segregação de pelo menos, alguns daqueles gastos; Fl. 9627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 às fls.1604, item 8, consta que da análise da conta 311000.01 Salário de expatriados, verificouse que os débitos ali contabilizados em 31/01/2002, referentes ao INSS de janeiro das quatro plataformas e o débito contabilizado em 28/02/2002 referente à parte do INSS de fevereiro, os quais totalizaram R$ 427.750,48, foram transferidos para a conta INSS Previdência Social 312000.01; com base nestas constatações a Interessada foi intimada a apresentar manifestações acerca das constatações acima descritas, (detalhadas nos itens 1 a 7 de fls.1.603/1.604); também foi intimada a apresentar documentação comprobatória dos lançamentos discriminados no item 8, acima mencionado, bem como todos os comprovantes de despesas de INSS referente aos Expatriados, que tenham sido lançados nesta conta, durante o anocalendário 2002, agrupandoos mensalmente e demonstrando seus lançamentos no Razão; da mesma forma, a Interessada foi intimada a informar sobre a possibilidade de segregar os custos e despesas referente aos serviços prestados à PETROBRAS dos gastos efetuados em nome da PRIDE FORAMER, em conformidade com o contrato firmado com esta última; às fls.1.605/1.608, consta que a Interessada respondeu que as obrigações comuns foram por ela assumidas, sendo que o método utilizado não causou prejuízo ao Fisco; a Fiscalização intimou a Interessada a apresentar as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas às fls.1.617, conforme termo de intimação de fls.528/533; com base nas cláusulas do contrato de prestação de serviços assinado em setembro de 2002, entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, descritas às fls.1.625/1.638, a Fiscalização concluiu que a Interessada arcou com custos e despesas sem possuir receita correspondente, sendo que tais custos foram incorridos no interesse da PRIDE FORAMER SAS; desta forma, considerouse como omissão de receita de exportação, as diferenças apuradas entre os valores reais a serem faturados, baseados em custos incorridos no interesse da empresa estrangeira, (PRIDE FORAMER SAS), em comparação com os valores efetivamente apurados em sua contabilidade a título de receita de exportação, (Infração 001); as diferenças ocorreram porque a Interessada não considerou todos os custos ocorridos no interesse da PRIDE FORAMER SAS como receita de exportação, mas, sim, como sendo reembolso; às fls.933 e 1.624, consta que a Interessada solicitou à Fiscalização que os saldos credores de IRPJ e CSLL não fossem utilizados para dedução de tributos em possível lançamento de oficio, uma vez que os referidos saldos já foram utilizados em DCOMPs; Fl. 9628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 4 5 às fls.1.628, consta que a Interessada contabilizou gastos a serem reembolsados na conta 316103.07 "Custos de Drydock Transferidos"; as diferenças entre os valores dos custos referentes aos serviços prestados pela Interessada no interesse da PRIDE FORAMER SAS e os reconhecidos como receita de exportação, estão demonstrados às fls.1.640/1.641 e Anexos A e B de fls.1.645/1.655; registrou a Fiscalização que, pelo fato de os gastos realizados em determinado mês terem as respectivas notas fiscais emitidas apenas no mês seguinte, a diferença apurada no mês de dezembro de 2002, foi lançada no mês de janeiro de 2003; como as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas às fls.1.617, não foram apresentadas, operouse a glosa conforme fls.1.642/1.643, (Infração 002); também foram lançadas multas em decorrência do não recolhimento do IRPJ e CSLL calculados com base no balanço de suspensão/redução recalculados, conforme demonstrado no Anexo C, (Infração 003). Os formulários FAPLI, FACS e demonstrativos de compensação de bases negativas e de prejuízos fiscais estão às fls.1.425/1.433. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: firmou com a PETROBRÁS contratos de prestação de serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás; a PRIDE FORAMER SAS firmou com a PETROBRÁS contratos de afretamento de plataformas, (embarcações), para que fossem utilizadas nos serviços acima mencionados; em meados 2002, celebrou com a PRIDE FORAMER SAS, um contrato de prestação de serviços para que ela possa prestar a esta serviços de apoio logístico necessários para que as plataformas possam desempenhar seu papel no afretamento os contratos de afretamento, de perfuração e este de prestação de serviços de apoio logístico não se confundem; as empresas atuaram dentro dos limite dos seus respectivos contratos; os preços praticados em todos os contratos foi o de mercado; a PETROBRÁS participou e assinou os contratos, concordando com tudo que foi praticado; não houve conluio com a PETROBRÁS conforme sugerido pela Fiscalização às fls.1.708; Fl. 9629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 o Decreto n°.2.745, de 1998, a Lei do Petróleo e os Regulamentos de Procedimento Licitatório com base em regulamentos e decretos é que impõem a celebração de dois contratos distintos: um com a empresa estrangeira cujo objeto é o afretamento da embarcação, (em que o pagamento representa 85 % a 90% do valor total do contrato) e outro com a empresa brasileira cujo objeto é a prestação de serviços, (em que o pagamento representa 15% ou 10% do valor total do contrato); é equivocada a exigência que os dois contratos firmados pela PETROBRÁS deveriam ser um só; as diversas situações verificadas neste tipo de atividade justificam a segregação adotada: há um negócio essencialmente local, que é a prestação de serviços de perfuração, e um negócio essencialmente internacional, que é o afretamento das plataformas; é equivocado o entendimento que arca com os custos de ambos os contratos; conforme demonstrado às fls.1.713, e DIPJs, auferiu nos períodos lucro operacional, tendo havido prejuízo fiscal apenas por razões extra operacionais, quais sejam, variações cambiais decorrentes da flutuação da taxa de conversão da moeda nacional em dólar norte americano; portanto, o lançamento deve ser anulado por vício de motivo, conforme doutrina de fls.1.714/1.715, e Lei n°.9.784, de 1999; a Fiscalização não provou que houve omissão de receita, portanto, ocorreu erro no enquadramento legal, uma vez que os dispositivos ali mencionados referemse a situações em que restou comprovada a omissão de receita; ocorreu inadequação do enquadramento legal uma vez que a Fiscalização utilizou normas de preços de transferência, tendo sido também violado o artigo 19, da Lei n°.9.430, de 1996, devendo o lançamento por mais esta razão ser anulado; aliese a isto o fato de a Fiscalização não ter mencionado o enquadramento legal das alíquotas, e de ter citado, em relação à CSLL, dispositivo já revogado; houve a segregação na contabilidade dos pagamentos recebidos da PRIDE FORAMER pelos serviços prestados por ela (Interessada), tendo sido os mesmos reconhecidos como receitas; os pagamentos recebidos da PRIDE FORAMER que se destinaram a lhe ressarcir das despesas pagas em nome da PRIDE FORAMER, não constituem receita, pois, foram meros reembolsos; as cláusulas 1.01 e 1.02 do seu contrato de prestação de serviços com a PRIDE FORAMER SAS, transcritos às fls.1.733, confirmam que os pagamentos efetuados a título de reembolso destinaramse a lhe ressarcir das despesas pagas em nome daquela empresa estrangeira; Fl. 9630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 5 7 a cláusula 1.03, transcrita às fls.1.737, do mesmo contrato, deixa claro que atuou na condição de mera mandatária da PRIDE FORAMER SAS, os artigos 653 e 676, do Código Civil deixa claro que os pagamentos referemse a reembolso do mandante ao mandatário; ocorreram erros na apuração do crédito em decorrência de falhas na análise de cada uma das rubricas de gastos: salários, encargos sociais, materiais, utilidades, uniformes, impostos, taxas, transportes de equipamentos e pessoas, despesas operacionais com veículos, aluguéis, seguros, gastos com expatriados; • tais falhas decorreram do fato de ter se utilizado valores referentes a reembolso no cálculo das rubricas de gastos, bem como, de ter se utilizado o método de amostragem no lançamento de tributo; ao interpretar de forma abusiva o contrato de prestação de serviços, classificou como componente do preço valores referentes a reembolso; a cláusula 2.02.c do contrato ao fixar que as despesas e gastos de capital relacionados às plataformas da PRIDE FORAMER SAS devem ser cobradas desta, mas sem a margem de 30%, também deixa claro que se trata de reembolso, já que a margem somente se aplica à alínea "a" da mesma cláusula; a amostragem, por sua vez, restringese à demonstração da ocorrência das infrações, e seu uso indevido levou a que o lançamento tenha sido feito com base em mera presunção; ela e a PRIDE FORAMER SAS adotaram o critério simples e objetivo de utilizar a receita obtida com o contrato de perfuração com a PETROBRÁS como a base para o rateio dos custos após a retirada dos valores que se referiram a reembolso; a Fiscalização, lado outro, pretendeu sustentar que seria necessário um cálculo detalhado, linha a linha, e pretendeu realizar tal cálculo; contudo, deixou de efetuar rateios para valores que demandariam tal providência, sendo que, para os poucos casos em que se propôs a ratear, aplicou critérios insustentáveis; quanto as despesas referentes a salários, ordenados, encargos sociais, e outros benefícios, além de a amostragem ter se referido a alguns meses, selecionou aleatoriamente, sem nenhum critério objetivo, os cargos cujos salários foram utilizados para fins de rateio dos custos; às fls.1.792, apresenta planilha em que consta os cálculos por ela realizados e os feitos pela Fiscalização; Fl. 9631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 a glosa de custos decorrente da intimação reportada pela Fiscalização no termo de verificação fiscal às fls.1.617, e reproduzida na sua impugnação às fls.1.793, foi indevida, pois, o simples fato de não ter apresentado algumas notas fiscais não seria suficiente para a glosa; tais despesas podem ser provadas por outros meios de provas além de notas fiscais, conforme jurisprudência transcrita às fls.1.794/1.795; contudo, a Fiscalização limitouse a requerer somente a apresentação de notas fiscais, houvesse intimado a apresentar outros documentos a conclusão teria sido diferente; assim, às fls.1.798, produz quadro vinculando cada uma das contas de despesas/custos glosadas com os documentos de f1s.2.030/2.082, que apresenta; no que se refere a concomitância de multas isoladas e multa proporcional, não cabe a cumulação de penalidades para o mesmo fato, caracterizando "bis in idem" de natureza de confisco, conforme doutrina e jurisprudência de fls.1.799/1.808; às fls.1.801, produziu demonstrativo mostrando a coincidência das bases de cálculo sobre as quais incidiram as duas multas; com base na CF de 1`8 e artigo 161, do CTN, não cabe a incidência de juros moratórios sobre as penalidades pecuniárias, por, dentre outras razões ser matéria de lei complementar, conforme doutrina e jurisprudência transcrita às fls.1.809/1.817; não cabe a aplicação da Selic; finalizou requerendo a produção de prova pericial e diligência, indicando o perito às fls.1.822 e quesitos no Anexo F; às fls.1.823/1.824, consta a relação de documentos ora juntados aos autos. Às fls.4.348, consta petição na qual requer a juntada de versão traduzida e juramentada dos documentos em língua estrangeira acostados anteriormente. Os documentos com tradução juramentada estão às fls.4.352/4.970. A DRJ entendeu por dar provimento parcial à impugnação apresentada, conforme integra dos votos abaixo transcritos: Voto Vencido A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, portanto, dela tomo conhecimento. 1. Da perícia. O objetivo da perícia e da diligência é o de formar a convicção do julgador no âmbito do processo. Não cabe perícia para suprir Fl. 9632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 6 9 falhas ou incorreções tanto da autuação fiscal quanto da defesa do contribuinte. Portanto, o indeferimento de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa. Conforme será demonstrado já constam nos autos todos os elementos que permitem a resposta aos quesitos apresentados pela Interessada no Anexo F, bem como, dados suficientes para concluir sobre todos os documentos acostados aos autos. Rejeito o pedido de perícia. 2. Do enquadramento legal. Em qualquer ramo do direito, e, qualquer que seja a espécie de acusação, a defesa é sempre dirigida aos fatos que embasaram a acusação. Sobreleva que a descrição dos fatos deve ser clara o suficiente para que o acusado exerça da melhor maneira o direito de defesa. A importância da descrição dos fatos, motivação, devese à circunstância de que é por meio dela que a autoridade fiscal demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. Por meio da descrição dos fatos é que fica estabelecida a conexão entre todos os meios de prova coletados e/ou produzidos (documentos fiscais, relatórios, termos de intimação e declaração, demonstrativos e demais papéis de trabalho) e explicitada a linha de encadeamento lógico destes elementos, com vistas à demonstração da plausibilidade legal da autuação. Portanto, o fato de a Fiscalização não ter mencionado o enquadramento legal ou ter mencionado dispositivo inaplicável ao caso, (ou até mesmo revogado), não é razão para a anulação do lançamento ou do auto de infração, notadamente, quando se verifica que a Interessada defendeuse detalhadamente de todas as questões de mérito. Além disto, a descrição dos fatos contida no termo de verificação em nenhum momento tratou de preços de transferência. O que nele consta é que, no cálculo da omissão de receita, a Fiscalização considerou, como critério de rateio, os custos incorridos no interesse da empresa estrangeira, (PRIDE FORAMER SAS). 2. Da Infração 001. Da omissão de receitas. 2.1 Introdução. Inicialmente, cabe registrar que, da análise da legislação mencionada pela Interessada, dos editais e contratos juntados aos autos e mesmo dos trechos transcritos na impugnação, não há como se concluir que havia a imposição de haver dois contratos com empresas distintas, uma estrangeira e outra brasileira, ligadas ao mesmo grupo. Fl. 9633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 O que consta dos documentos é que deveria haver a segregação dos serviços, de tal modo que houvesse um controle do percentual de incidência em função do valor dos tipos de serviços. Não consta nos autos determinação no sentido de que, necessariamente, os serviços fossem divididos entre duas empresas ligadas, uma domiciliada no exterior e outra no Brasil. Poderia mesmo, uma única empresa ter efetuado todos os serviços, desde que discriminasse cada um deles, de modo a direcionar e a controlar, separadamente, o respectivo percentual de incidência. Assim, ao realizarem dois contratos distintos, pactuando que a empresa do mesmo grupo domiciliada no exterior prestaria o serviço de afretamento e a Interessada os demais serviços, não estavam em nenhum momento seguindo exigência estabelecida pela PETROBRÁS ou por lei. Não havia impedimento jurídico para que uma empresa local prestasse serviço de afretamento de plataformas. Apesar de constar nos autos menção de que teria havido um artifício com o objetivo de permitir evasão fiscal, o lançamento não foi feito com base em conluio ou mesmo simulação. Se assim fosse, a multa aplicada teria sido a agravada conforme embasam os artigos 44, parágrafo 1%, da Lei n°. 9.430 de 1996; 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502 de 1964; e 149, inciso, VII, do CTN. 2.2 Dos contratos A PETROBRÁS firmou dois contratos distintos: um com a empresa ligada à Interessada e domiciliada no exterior, (a PRIDE FORAMER SAS), específico para o afretamento de embarcações, conforme consta no Anexo I, fls.03/73, 166/298, 383/618, 806/1.040 e 1.042/1.272; e outro com a Interessada, que alcançava os serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás na plataforma) fretada, aspectos ligados à segurança e despesas de pessoal, conforme Anexo I, fls.75/164, 300/381, 620/710, 712/804 e 1274/1403. O valor do contrato de afretamento de embarcações, correspondia a, em torno de 90% do total do valor contratado. Nos contratos de afretamento, Anexo 1, fls.03/73, 383/618, 806/1.040 e 1.044/1.272, nas cláusulas terceira, referentes às obrigações da contratada, consta que, dentre outras obrigações, a PRIDE FORAMER deveria manter a plataforma, seus pertences, bem como os acessórios e elementos de substituição em perfeitas condições de funcionamento, arcando com todos os custos de reposição de equipamentos, materiais e acessórios, além dos gastos com reparos e manutenção dos bens de sua propriedade, a fim de garantir a operação da plataforma na costa brasileira. Nestes contratos também consta que a FORAMER deveria manter, às suas custas, além da Unidade, toda a tripulação adequada e suficiente à sua operação, arcando com todas as Fl. 9634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 7 11 obrigações trabalhistas, gastos com movimentação da tripulação e que deveria manter uma identificação especial para essa tripulação de modo a distinguiIa do pessoal da PETROBRÁS e de outras empresas que, eventualmente, atuassem em outros serviços ligados ao objeto do contrato. Do exame das cláusulas contratuais, os custos e despesas referentes às obrigações acima mencionadas deveriam ser imputados à PRIDE FORAMER, uma vez que o cumprimento das referidas obrigações era de seu interesse e responsabilidade. Por sua vez, os contratos firmados entre a PETROBRÁS e a Interessada na condição de cessionária de contrato firmado anteriormente com outras empresas, estão no Anexo I, notadamente, às fls.153/164, 362/381, 620/710, 712/804 e 1274/1403. Tais contratos tratavam dos serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou "workover" de poços de petróleo e/ou gás na plataforma fretada, segurança e despesas do pessoal da Interessada. Portanto, havia uma nítida diferença no que tange às obrigações da Interessada e da empresa estrangeira PRIDE FORAMER, e, por conseguinte, a possibilidade de segregação dos custos e despesas de cada uma delas, também se revelava nítido. A partir de setembro de 2002 foi elaborado um contrato de prestação de serviço entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, (Anexo 1, Volume 8, fls.1.498/1.569). Do exame das cláusulas de tal contrato, verificase que o objeto do mesmo foi a Interessada prestar a PRIDE FORAMER serviços de apoio logístico necessários para que as plataformas pudessem desempenhar seu papel no afretamento, em outras palavras, praticar todos os atos necessários para o cumprimento das obrigações que a PRIDE FORAMER havia assumido junto à PETROBRÁS em decorrência dos contratos acima explicitados. Na cláusula 2, consta que a PRIDE FORAMER passou a pagar honorários à Interessada em decorrência da terceirização acima mencionada. Tal cláusula sofreu alteração para englobar custos de matérias primas; encargos trabalhistas, dentre outros itens, conforme consta às fls.1.510 e seguintes do referido Volume 8, do Anexo 1. Às fls.1.514/1.515, 1.521/1.528 e 1.558/1.561, do citado Anexo 1, Volume 8, consta também que as partes acertaram que a PRIDE FORAMER pagaria honorários à Interessada para cobrir custos diretos e indiretos, bem como despesas, todos estes ligados à consecução dos serviços, conforme detalhado às fls.1.559, do mesmo volume e transcritos no termo de verificação fiscal às fls.1.626 e seguintes. Por outro lado, as partes também acertaram que, durante a execução do contrato, a PRIDE FORAMER indicaria à Fl. 9635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 12 Interessada os gastos e aquisições não incluídos nos honorários, que corresponderiam a pagamentos relacionados às plataformas incorridos pela Interessada em nome da PRIDE FORAMER, os quais seriam reembolsados por esta. 2.3. Dos fatos Intimada a se pronunciar sobre os contratos, a Interessada informou que reconheceu como receita, os pagamentos, (honorários), recebidos da PRIDE FORAMER pelos serviços por ela, (Interessada), prestados, e que segregou tais pagamentos dos demais recebidos a título de reembolso, os quais destinaram se a lhe ressarcir das despesas pagas em nome da PRIDE FORAMER. Afirmou que a sua contabilidade demonstra que houve tal segregação. Acrescentou a Interessada que, excetuando os valores que, por previsão contratual, tinham a natureza de reembolso, ela e a PRIDE FORAMER SAS adotaram o critério objetivo e simples de utilizar a receita obtida com o contrato de perfuração com a PETROBRÁS como a base para o rateio dos custos. 2.4 Dos reembolsos Alegou a Interessada que as cláusulas 1.01 e 1.02 do seu contrato de prestação de serviços com a PRIDE FORAMER SAS, confirmam que os pagamentos foram efetuados a título de reembolso, pois, destinaramse a lhe ressarcir das despesas pagas em nome daquela empresa estrangeira, sendo que, a cláusula 1.03, do mesmo contrato, deixa claro que atuou na condição de mera mandatária da PRIDE FORAMER SAS. Do exame da cláusula 1.01 do referido contrato, (Anexo I, Volume VIII, fls.1.500), constatase que o seu objeto foi o de a Interessada prestar a PRIDE FORAMER SAS, serviços de apoio logístico necessários para que as plataformas pudessem desempenhar seu papel no afretamento, em outras palavras, praticar todos os atos necessários para o cumprimento das obrigações que a PRIDE FORAMER havia assumido junto à PETROBRÁS em decorrência dos contratos com ela firmados. A cláusula 1.02 previa que qualquer pagamento de despesas feito pela Interessada em nome da PRIDE FORAMER, no âmbito do referido contrato, seria reembolsado pela PRIDE FORAMER em conformidade com as previsões contidas na cláusula A cláusula 2 previa que em conformidade com os serviços a serem prestados pela Interessada, a PRIDE FORAMER concordaria em pagar honorários profissionais correspondentes ao somatório dos valores referentes a: custos diretos (custos de matérias primas, suprimentos, encargos trabalhistas, gastos com reparos e manutenção, desembolsos de aluguel, transporte, seguro, combustíveis e lubrificantes), sobre os quais recairia um percentual de margem correspondente a 30%; despesas com sub contratação de terceiros para desempenhar os serviços contratados; Fl. 9636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 8 13 despesas e gastos de capital relacionadas às plataformas da PRIDE FORAMER; outras despesas necessárias à consecução dos serviços. O que se conclui da interpretação conjunta das cláusulas 1.02 e 2, acima transcritas, é que todos os gastos que representassem custos diretos ou despesas mencionadas na cláusula 2, caracterizariam honorários profissionais. A letra "d" do item 2.02 da cláusula 2 do contrato, f1s.1.501, do Anexo 1, acima transcrita, deixa claro que quaisquer despesas necessárias à consecução dos serviços contratados seriam suscetíveis de incorrer em honorários. Portanto, independente de haver cláusula contratual prevendo que determinadas despesas ou gastos deveriam ser cobrados com ou sem a margem de 30%, o fato é que as regras acima expostas deixam claro que todas elas comporiam os honorários profissionais. Deflui do exposto, que a cláusula 1.03, do mesmo contrato, referese tão somente a situações ligadas a gastos extraordinários que não estejam incluídos na esfera de custos e despesas assinalados na cláusula 2, acima analisada. Da mesma forma, o alcance da regra prevista na cláusula 2.06 do mesmo contrato, fls.1.502, do Anexo 1, que versa sobre autorização para a Interessada subcontratar determinada parte dos serviços para terceiros, propiciando que a tomadora dos serviços, (PRIDE FORAMER SAS), se responsabilizasse pelos honorários do subcontratado, isto é, os pagamentos feitos pela Interessada viessem a se caracterizar como reembolso a ser praticado pela PRIDE FORAMER, deve ser analisado em consonância com o contrato firmado por estas empresas com a PETROBRÁS. No contrato firmado entre a Interessada e a PETROBRÁS, as cláusulas de responsabilidade referentes à contratação de serviços de terceiros impunham que, no caso de subcontratação, os respectivos gastos deveriam ser prévia e expressamente, aprovados pela PETROBRÁS, e, esta sim, é que iria reembolsar a Interessada. Portanto, no caso de contratação de terceiros, os respectivos gastos assumidos pela Interessada, não poderiam, por ela, ser considerados como despesas, nem como reembolso feito pela PRIDE FORAMER SAS, uma vez que seriam reembolsados pela própria PETROBRÁS. Tais gastos praticados no interesse da PRIDE FORAMER SAS caracterizamse como suas despesas, e, por força da cláusula 2 do contrato firmado entre ela (PRIDE FORAMER SAS), e a Interessada, seriam suscetíveis de honorários profissionais a serem pagos à Interessada pela PRIDE FORAMER SAS. Fl. 9637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 14 Além disto, tratandose de gastos que posteriormente serão reembolsados, a legislação contábil e fiscal exigem que tais gastos não transitem no resultado da empresa, e sim sejam classificados no Ativo Circulante Outros Créditos, em contas de reembolso. Atentese que reembolso de gastos não se confunde com recuperação de custos, quando neste caso sim, o custo é reconhecido, e a sua posterior recuperação também deve ser reconhecida como receita, conforme artigo 44, incisos III e IV, da Lei n°. 4.506, de 1964. Às fls.512, 520, 1.623 e 1.628, consta que, em 2003, a Interessada contabilizou gastos a serem reembolsados na conta 316103.07 "Custos de Drydock Transferidos". Às fls.918/921, 1.624 e 1.638, consta que a Interessada informou que, em 2004, os reembolsos foram lançados na conta de ativo 132000.22 — Obras em Andamento, que era utilizada para a contabilização de todos os trabalhos em andamento, projetos, compra de veículos, dentre outros. Acrescentando que tal conta era transitória e que os valores de reembolso eram nela debitados para depois serem transferidos para a conta Contas a Receber Intercompany. As notas fiscais referentes a estes lançamentos, bem como, as informações constantes às fls.935/968, sintetizadas no demonstrativo de fls.1.639/1.640, comprovam que os gastos referiramse a custos de matérias primas, suprimentos, gastos com reparos e manutenção, em suma, custos diretos. Desta forma, do exame do termo de verificação fiscal, fls.1.630/1.641, planilhas de fls.1.645/1.655, constatase que os valores que foram fonte de autuação referiramse todos eles a custos de matérias primas, suprimentos, encargos trabalhistas, gastos com reparos e manutenção, desembolsos de aluguel, transporte, seguro, combustíveis, lubrificantes, despesas com sub contratação de terceiros para desempenhar os serviços contratados, despesas e gastos de capital relacionadas às plataformas da PRIDE FORAMER SAS, enfim, todos os tipos de despesas necessárias à consecução dos serviços. Portanto, nos termos do contrato de prestação de serviço firmado entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, (Anexo 1, fls.1.498/1.569), a autuação não abrangeu gastos que realmente seriam suscetíveis de reembolso. Revelouse correta a afirmação da Fiscalização no sentido de que a Interessada arcou com custos e despesas sem possuir receita correspondente, uma vez que tais custos foram incorridos no interesse da PRIDE FORAMER SAS. 2.5 Da apuração da omissão de receita Com fundamento no artigo 187, parágrafo 1°., da Lei das SA em vigor na época dos fatos, que determina que, na apuração do resultado do exercício, serão computados os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes às receitas e rendimentos auferidos, a Fiscalização considerou Fl. 9638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 9 15 como omissão de receita as diferenças apuradas entre os valores dos custos incorridos no interesse da PRIDE FORAMER SAS, em comparação com os valores apurados em sua contabilidade a título de receita, conforme demonstrado às fls.1.640/1.641 e Anexos A e B de fls.1.645/1.655. Tendo por base que a cláusula 2 do contrato de prestação de serviços com a PRIDE FORAMER SAS, previa que os honorários corresponderiam ao somatório de despesas e de custos diretos, sobre os quais recairia um percentual de margem de lucro correspondente a 30% (depois, 20%), a Fiscalização, com base nas cláusulas dos contratos firmados com a PETROBRÁS referentes às obrigações da Interessada e da PRIDE FORAMER SAS, segregou todas as despesas e custos diretos registrados no Livro Razão da Interessada. Os custos e despesas diretos referiamse a: salários, ordenados, encargos sociais, outros beneficio, materiais, utilidades, combustíveis, lubrificantes, transporte de pessoas, de equipamentos, veículos, aluguéis, seguros, impostos, taxas, reparos, manutenção, serviços de terceiros, hotelaria, comunicação e gastos com expatriados. Portanto, por força dos contratos acima citados, a base para o rateio dos custos e despesas acima mencionados não poderia ser a receita obtida com o contrato de perfuração com a PETROBRÁS, como quer a Interessada. Alegou a Interessada que ocorreram erros no lançamento em decorrência de falhas na análise de cada uma das rubricas de gastos. Acrescentou que tais falhas decorreram do fato de a Fiscalização ter utilizado método de amostragem na apuração do crédito, uma vez que esta restringese à demonstração da ocorrência das infrações. Registrese desde já que a Interessada afirmou durante o procedimento fiscal, (fls.1.603), que não segregou os custos e despesas incorridos em favor da PRIDE FORAMER dos referentes aos serviços prestados à PETROBRÁS. O contribuinte deve manter a escrituração em boa ordem e em consonância com os fatos contábeis decorrentes de obrigações e direitos previstos em contratos firmados anteriormente. Caso negativo, cabe ao fisco segregar os custos e despesas que não foram corretamente separados, restando correto verificar a natureza dos custos e despesas diretos com base nas cláusulas contratuais apurando os valores nos livros contábeis. Em decorrência das alegações, passase à análise da apuração da omissão de receita com base nas rubricas de gastos mencionadas nos autos. 2.5.1 Salários, ordenados, encargos sociais e outros benefícios Do exame do termo de verificação às fls.1.630, e do Anexo A, fls.1.646/1.647, que reflete a própria contabilidade da Fl. 9639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 16 Interessada, constatase que a Fiscalização, com o objetivo de segregar os custos e despesas incorridos em favor da PRIDE FORAMER dos referentes à prestação de serviços de perfuração, dever jurídico este que já deveria ter sido realizado pela Interessada na sua contabilidade, selecionou os meses de fevereiro, março, setembro, outubro e novembro de 2003, para que fosse analisada as folhas de pagamento de todas as plataformas envolvidas. Com base nos dados constantes na folha de pagamento analítica da Interessada, Anexo II, volumes 1 a VI, onde constam claramente os cargos e funções de cada um dos funcionários, a Fiscalização segregou os cargos relacionados ao contrato de afretamento, e, em seguida, após somar os proventos relacionados a estes cargos, rateou com base nos proventos totais de todos os funcionários de todas as plataformas em todos os meses. Tal amostragem está em consonância com as técnicas de auditoria a ela pertinente. Em 2004, a amostragem ocorreu também para outros meses, a saber: abril, agosto, setembro, outubro e dezembro. É assente na jurisprudência que não existe qualquer ilegalidade ou cerceamento de defesa, quando, no procedimento de fiscalização, é utilizado o critério de amostragem com a finalidade de apurar e apontar ao sujeito passivo os elementos que, efetivamente, serviram de suporte ao lançamento fiscal. A Interessada na sua impugnação não comprovou que a seleção dos meses realizada pela Fiscalização lhe trouxe prejuízos na apuração dos créditos. Os demonstrativos por ela apresentados não foram embasados com documentos hábeis, sendo que na sua apuração, insistiu em desconsiderar valores de custos e despesas com a alegação, já rechaçada neste julgamento, que os mesmos referiramse a meros reembolsos. Da mesma forma, a alegação de que deveria ter sido levado em consideração as práticas de navegação e da indústria de petróleo para a designação das funções dos cargos, apresentadas às fls.1.758 e seguintes, não deve prosperar uma vez que não foi acompanhado de documento oficial produzido por terceiro ou órgão oficial, (no caso, a própria PETROBRÁS), que explicitasse as funções inerentes aos cargos ali mencionados. Tal alegação atua em desfavor da presunção dé boafé da Interessada, uma vez que, às fls.420 dos autos, constatase que a Fiscalização, durante o procedimento fiscal, intimou a Interessada a disponibilizar um funcionário do seu departamento de pessoal para prestar esclarecimentos e informações sobre quais eram os funcionários vinculados aos contratos de afretamento constantes nas folhas de pagamento. Após isto, a Interessada foi intimada a informar quais eram os funcionários vinculados aos contratos de afretamento constantes nas folhas de pagamento. Fl. 9640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 10 17 As respostas dadas pela Interessada às fls.505/507 e 537/539 limitaramse a informar genericamente como se dividiam os profissionais embarcados nas plataformas. Desta forma, os cálculos de rateio realizados pela Fiscalização foram feitos com base na folha de pagamento analítica da Interessada, Anexo II, volumes 1 a VI, (fls.25, 184 e outras), onde constam claramente os cargos e funções de cada um dos funcionários. Portanto, em relação a estas rubricas atuou corretamente a Fiscalização. 2.5.2. Combustíveis e lubrificantes A cláusula 4.6.3 do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a PRIDE FORAMER SAS, (Anexo I, fls.15, 178, 397 e 820), e a cláusula 3.23 do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a Interessada, (Anexo I, fls.83, 308, 630 e 722), impunham que tais despesas eram obrigação de ambas as empresas. Portanto, como a Interessada não cumpriu o dever jurídico de segregar estas despesas, haveria de se determinar um critério para rateálas. É assente na jurisprudência administrativa que, em não havendo a correta contabilização das despesas, não cabe ao fisco o ônus de refazer a escrituração para segregar as despesas, sendo correto ratear os custos e despesas com base em cláusulas contratuais firmadas anteriormente pelas partes envolvidas. Portanto, atuou corretamente a Fiscalização quando rateou as despesas em epígrafe com base nos percentuais de receitas previstas nos contratos firmados com a PETROBRÁS. 2.5.3. Transportes, despesas com veículos, aluguéis, seguros A Interessada considerou tais despesas como reembolsáveis. Contudo, conforme já analisado neste julgamento, a letra "d" do item 2.02 da cláusula 2 do contrato, fls.1.501, do Anexo 1, deixa claro que quaisquer despesas necessárias à consecução dos serviços contratados seriam suscetíveis de incorrer em honorários. Tais valores foram contabilizados na conta 316103.07 "Custos de Drydock Transferidos". Portanto, não foi o caso de haver rateio, pois, os mesmos referiramse na integralidade à PRIDE FORAMER SAS. 2.5.4. Reparos e manutenção Tais serviços de reparo e manutenção referemse às próprias plataformas, que, além de serem de propriedade da PRIDE FORAMER SAS, por força do contrato firmado entre esta empresa e a PETROBRÁS, são de sua responsabilidade a manutenção das plataformas. Fl. 9641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 18 Além do que a cláusula 2 do contrato firmado entre a Interessada e a PRIDE FORAMER SAS, deixa claro que esta concordaria em pagar honorários profissionais correspondentes aos valores referentes a reparos e manutenção das plataformas majorados em função da margem de lucro de 30%, e 20% a partir de julho de 2004. O que se verifica, mais uma vez, é que a Fiscalização tão somente aplicou a mencionada cláusula 2, fazendo incidir a tributação sobre os valores correspondentes aos custos de reparos e manutenção, os quais a Interessada, em sua grande parte, considerou como gastos reembolsáveis, por meio da "Custos de Drydock Transferidos". 2.5.5. Serviços de terceiros. Conforme já analisado neste julgamento, no caso de contratação de terceiros, os respectivos gastos assumidos pela Interessada não poderiam, por ela, ser considerados como despesas, nem como reembolso feito pela PRIDE FORAMER SAS, uma vez que seriam reembolsados pela própria PETROBRÁS. Tais gastos referentes a serviços praticados no interesse da PRIDE FORAMER SAS devem compor a base de rendimentos da Interessada. 2.5.6. Hotelaria e comunicação. Da mesma forma, a Fiscalização aplicou a cláusula 2, fazendo incidir a tributação sobre os respectivos valores. 2.5.7. Expatriados. Tais valores referemse a gastos com funcionários da PRIDE FORAMER SAS que vem ao Brasil prestar serviços por um período de tempo e posteriormente retornam ao país de origem. Portanto, tais despesas são de responsabilidade da FORAMER. Por fim, há de se registrar que a planilha apresentada pela Interessada às fls.1.792, não considerou valores que entendeu como suscetíveis de reembolso, fato este já desconstituído neste julgamento. Voto pela manutenção desta autuação. 3. Da Infração 002. Da glosa de custos. Relatou a Fiscalização que intimou a Interessada a apresentar as notas fiscais referentes às despesas/custos listadas no termo de intimação de fls.529/530 e no termo de constatação às fls.1.617, glosadas conforme fls.1.642/1.643. A Interessada às fls.1.798, produziu quadro vinculando cada uma das contas de despesas/custos glosadas com os documentos de fls.2.030/2.082. Tendo como referência o demonstrativo de fls.1.642/1.643, produzido pela Fiscalização, e o termo de intimação de fls.529/530, do exame dos documentos de fls.2.030/2.082, constatase que todas as despesas foram comprovadas, exceto as abaixo assinaladas: Fl. 9642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 11 19 Data Valor Fornecedor 14/02/2003 200.000,00 TECMARC COM. SERV. LTDA 25/04/2003 13.191,80 REFRIGERAÇÃO TERRA E MAR LTDA 05/04/2003 97.747,95 VARCO DRILLING EQUIPMENT DO BRASIL 26/05/2004 11.025,00 MEERMAGEM IMPORT E EXPORT TOTAL 442.888,05 Registrese que constam às fls.2.030/2.082, notas fiscais dos fornecedores acima mencionados, porém, de períodos diversos daqueles referenciados no demonstrativo de fls.1.642/1.643, que apontou as glosas. Voto pela manutenção parcial desta infração. 4. Da Infração 003. Das multas isoladas. A Constituição Federal e a legislação tributária infraconstitucional não vedaram a aplicação concomitante de penalidades. Pelo contrário, o artigo 74, da Lei n°.4.502, de 30 1164, estabelece, expressamente, que "apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, (..) ". É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, o artigo 44 da Lei n°.9.430, de 1996, ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição (definitivos) demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e não são excludentes. Fundamenta esta afirmação a análise do aspecto temporal, uma vez que os momentos ou etapas da violação da ordem tributária foram diferentes: ausência de recolhimento no decorrer do ano, (mensal) e apuração dos tributos na DIPJ, (final do ano), havendo, pois, a ocorrência de dois fatos autônomos e separados no tempo. Tratase de dois contextos fáticos distintos. No primeiro, o agente quis praticar e praticou a conduta de não recolher o IRPJ e a CSLL mensal; depois, resolveu consumar e consumou a omissão de receita no final do ano, que se revelou a afetação jurídica mais gravosa. Portanto, não há que se importar do direito penal institutos que tratam de conflito aparente de leis que penalizem condutas. Em consonância com o acima exposto, a Instrução Normativa SRF n°. 093, de 24 de Dezembro de 1997, no seu artigo 16, determinou: Fl. 9643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 20 "Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de oficio abrangerá: o I a multa de oficio sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. " Desta forma, cabe a concomitância da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas com o lançamento do IRPJ devido e multa proporcional, o que, no presente caso, só ocorreu no ano de 2004. S. Dos juros moratórios. Da taxa Selic Inicialmente, cabe registrar que a incidência de juros moratórios ocorreu tão somente sobre os tributos autuados, não incidiu sobre as penalidades, multas lançadas. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal vem entendendo que não há nenhuma ilegalidade ou inconstitucionalidade na utilização da taxa SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora calculados com base na taxa Selic, nos termos do artigo 5°, parágrafo 3°, da Lei 9.430 de 1996, pois, até a presente data não houve decisão judicial apta a vincular a Administração Tributária, em sentido contrário, não representando, portanto, ofensa ao disposto no parágrafo 1%, do artigo 161, do CTN. Portanto, a lei em consonância com o Código Tributário Nacional e com a Constituição Federal definiu que os juros serão calculados pela taxa SELIC, e a Lei n°. 4.595 de 31 de dezembro de 1964, (Lei do Sistema Financeiro Nacional), que dentre outras disposições, definiu as atribuições do Banco Central, respalda o fato de este órgão ser o responsável pela fixação do valor corrente da taxa SELIC. Uma vez constatado que foi aplicada corretamente a legislação que rege a matéria, não cabe aos órgãos da Administração Tributária deixar de aplicar a dita legislação e muito menos declarar a sua inconstitucionalidade. 6. Da CSLL No julgamento do IRPJ, foi reconhecida a procedência parcial. Procede, portanto, parcialmente, a autuação da CSLL em virtude da relação de causa e efeito que os une. Conclusão Do exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL À IMPUGNAÇÃO da Interessada, para cobrar o crédito abaixo demonstrado, com os acréscimos moratórios quando do efetivo pagamento. Foram produzidas alterações nos Sistemas da SRFB Fl. 9644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 12 21 em conformidade com os novos formulários FAPLI e FACS acostados aos autos. IRPJ Valor Total: R$ 7.550.785,78 e Multa de 75%. ano de 2003. fls.1.585: valor infração: 69.657.874,80 — (1.360.081,21200.000,00 13.191,8097.747,95)= 68.608.733,34; Compensação relativa ao período próprio = 68.608.733,34 57.874.200,94= R$ 10.734.532,40 a Compensação relativa a períodos anteriores = 10.734.532,40 (30% x 10.734.532,40)=.R$ 7.514.172,68 valor tributável: 7.514.172,68 Base de Cálculo do IRPJ = R$ 7.514.172,68 IRPJ =7.514.172,68x 15% = R$ 1.127.125,90 Adicional de IRPJ =(7.514.172,68240.000,00) x 10% = R$ 727.417,26 IRPJ devido = 1.127.125,90+ 727.417,26= R$ 1.854.543,96 ano de 2004, fls.1.586: valor infração: 36.054.567,37 — (725.030,78 —11.025,00) =35.340.561,59; Compensação relativa ao período próprio = 35.340.561,59 6.162.800,56= R$ 29.177.761,03 Compensação relativa a períodos anteriores = 29.177.761,03 6.296.793,72 = 22.880.967,31 valor tributável: 22.880.967,31 IRPJ =22.880.967,31 x 15% = R$ 3.432.145,09 Adicional de IRPJ =(22.880.967,31 240.000,00) x 10% = R$ 2.264.096,73 IRPJ devido em 2004 = 3.432.145,09+ 2.264.096,73 = R$ 5.696.241,82 MULTA ISOLADA (IRPT): R$2.800.902,86. maio de 2004, fls.1.656 e 1.588: omissão de receita e glosa de custo: 14.701.437,53= (14.952.473,29 — (262.060,76 11.025,00) lucro real antes da compensação de períodos anteriores 14.701.437,53 —897.391,60 = 13.804.045,93 lucro real apurado após a compensação : Fl. 9645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 22 13.804.045,93 (30% x 13.804.045,93)= 9.662.832,15 IRPJ devido em maio: 9.662.832,15 x 15%= R$ 1.449.424,80 Adicional : (9.662.832,15 — 240.000,00) x 10% = 942.283,21 IRPJ total= 1.449.424,80+942.283,21= 2.391.708,03 Diferença de IRPJ: 2.391.708,03 1.944.218,21= 447.489,82 multa isolada em maio:. 447.489,82 x 50% = R$ 223.744,91 CSLL Valor Total :R$ 2.984.114,83 e Multa de 75%. ano de 2003, fls.1.595: valor infração: 69.657.874,80 — (1.360.081,21200.000,00 13.191,80 97.747,95)= 68.608.733,34; Compensação relativa ao período próprio = 68.608.733,34 57.874.200,94= R$ 10.734.532,40 Compensação relativa a períodos anteriores = 10.734.532,40 (30% x 10.734.532,40)= R$ 7.514.172,68 valor tributável: 7.514.172,68 CSLL =7.514.172,68 x 9% = R$ 676.275,54 11 ano de 2004, fls.1.596: valor infração: 36.054.567,37 — (725.030,78 — 11.025,00) =35.340.561,59; Compensação relativa ao período próprio = 35.340.561,59 6.162.800,56= R$ 29.177.761,03 Compensação relativa a períodos anteriores = 29.177.761,03 — 6.296.793,73= R$ 22.880.967,30 valor tributável: 22.880.967,30 CSLL =22.880.967,30 x 9% = R$ 2.059.287,06 MULTA ISOLADA (CSLL): R$1.460.496,30. maio de 2004, fls.1.656 e 1.588: omissão de receita e glosa de custo: omissão de receita e glosa de custo: 14.701.437,53= (14.952.473,29 — (262.060,76 11.025,00)) lucro real antes da compensação de períodos anteriores 14.701.437,53 —897.391,60 = 13.804.045,93 lucro real apurado após a compensação: 13.804.045,93 (30% x 13.804.045,93)= 9.662.832,15 CSLL devida em maio: 1.242.364,12 Fl. 9646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 13 23 diferença apurada :1.242.364,12 —1.012.226,51= 230.137,62; multa isolada em maio:. 230.137,62 x 50% = R$ 115.068,81 Voto Vencedor Da Infração 002. Da glosa de custos Quanto a infração n° 002, que versa sobre glosa de custos, na parte relativa ao ano de 2003, discordo do relator somente quanto a parte relativa ao fornecedor METALCALD COM E SERVIÇOS LTDA no valor de R$ 16.830,00, datada de 27/02/2003 A prova apresentada na fl. 2062. Tal prova é apenas uma tela de computador produzida pela própria interessada, portanto, sem valor legal. Quanto aos demais itens da autuação, concordo com o relator. Conclusão. Face o exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL À IMPUGNAÇÃO da Interessada, para cobrar o crédito abaixo demonstrado juntamente como multa de 75% e os acréscimos moratórios quando do efetivo pagamento. Foram produzidas alterações nos Sistemas da SRFB em conformidade com os novos formulários FAPLI e FACS acostados aos autos. IRPJ ano de 2003, fls.1.585: Total do valor tributável ( autuação)= R$ 69.657.874,80 Valor tributável Ia infração (autuação) = R$ 68.297.793,59 Valor tributável 2a infração (autuação) = R$ 1.360.081,21 Valor tributável 2' infração (mantido) _ o 200.000,00+13.191,80+97.747,95+16.830,00= 327.769,75 Total do_ valor tributável (mantido)= 68.297.793,59+327.769,75= R$ 68.625.563,34 Prejuízo do período= R$ 57.874.200,94 Compensação relativa ao período próprio = 68.625.563,34 57.874.200,94= R$ 10.751.362,40 Compensação relativa a períodos anteriores = 10.751.362,40 (30% x 10.751.362,40)= R$ 7.525.953,68 Base de Cálculo do IRPJ = R$ 7.525.953,68 IRPJ =7.525.953,68x 15% = R$ 1.128.893,05 Adicional de IRPJ =(7.525.953,68 240.000,00) x 10% = R$ 728.595,37 Fl. 9647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 24 Total de IRPJ devido =1.128.893,05+ 728.595,37= R$1.857.488,42 CSLL ano de 2003. fls.1.595: Total do valor tributável ( autuação)= R$ 69.657.874,80 Valor tributável Ia infração (autuação) = R$ 68.297.793,59 Valor tributável 2' infração (autuação) = R$ 1.360.081,21 Total do valor tributável ( autuação)= R$ 69.657.874,80 Valor tributável Ia infração (autuação) = R$ 68.297.793,59 Valor tributável 2" infração (autuação) = R$ 1.360.081,21 Valor tributável 2a infração (mantido) _ 200.000,00+13.191,80+97.747,95+16.830,00= 327.769,75 Total do valor tributável (mantido)= 68.297.793,59+327.769,75= R$ 68.625.563,34 Prejuízo do período= R$ 57.874.200,94 Compensação relativa ao período próprio = 68.625.563,34 57.874.200,94= R$ 10.751.362,40 Compensação relativa a períodos anteriores = 10.751.362,40 (30% x 10.751.362,40)= R$ 7.525.953,68 Base de Cálculo da CSLL = R$ 7.525.953,68 CSLL=7.525.953,68x 9% = R$ 677.335,83 CSLL devida = R$ 677.335,83 Valor total de IRPJ devido —anos de 2003 e 2004 IRPJ = 1.857.488,42+ 5.696.241,82 = R$ 7.553.730,24 Valor total de CSLL —anos de 2003 e 2004 CSLL= 677.335,83+ 2.059.287,06= R$ 2.736.622,89 A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 10/08/2000. Inconformada com a decisão parcial, interpôs Recurso Voluntário em 3/09/2000, alegando em síntese que: a) A nulidade do acórdão a quo, por cerceamento do direito de defesa (ausência de apreciação de diversos itens/infrações constantes do Termo de Verificação Fiscal, dos respectivos argumentos de defesa e das provas documentais apresentadas); b) A nulidade do auto de infração em função da atipicidade da conduta atribuída à impugnante (omissão de receita) e também pela ausência de diploma legal que a fundamente; c) A licitude dos procedimentos adotados, dada a existência de uma motivação operacional a justificar a segregação dos contratos de afretamento e perfuração; Fl. 9648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 14 25 d) A licitude do contrato de prestação de serviços celebrado entre com a Pride Foramer SAS; e) Que os gastos que eram incorridos pela recorrente em nome da Pride Foramer SAS, na qualidade de sua mandatária, eram objeto de reembolso, o que afasta o reconhecimento de qualquer receita; f) A impossibilidade de se utilizar o método da amostragem para quantificar o tributo decorrente da infração porventura detectada; g) A existência de erros na apuração do crédito tributário; h) A ilegalidade da cumulação de multa de ofício e isolada (estimativas) sobre a mesma base; i) A impossibilidade de incidência da Taxa Selic sobre as penalidades pecuniárias. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, sustentando a acusação fiscal. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Cumpreno, inicialmente, analisar as preliminares trazidas pela Recorrente. Quanto à primeira nulidade, qual seja a do Auto de Infração por falta de tipicidade, cumpre destacar que essa questão se confunde com o mérito. Diante disso, deixo de apreciála nesse momento, pois a subsunção do fato à norma, no meu modo de ver, gera a improcedência do lançamento, e não a sua nulidade. Já a segunda nulidade, qual seja, a da decisão da DRJ, entendo que assiste razão a Recorrente apenas quanto ao item 10 do TVF. A contribuinte alega em seu petitório que não foram analisadas as contas contábeis levantadas pela fiscalização, relativas a “outros custos diretos, segurança, impostos e taxas, e outras despesas.” Outros custos diretos, segundo o relatório fiscal, referese à combustíveis e lubrificantes: 4. Outros Custos Diretos Fl. 9649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 26 Este grupo referese às despesas com Combustíveis e Lubrificantes. Verificamos a conta 316010.01 — Combustível de Mastreação e constatamos, através do Termo n° 419/2008 os seguintes fatos relacionados à mesma: Com relação ao ano de 2003: 1°) Que foram lançadas despesas, no dia 30/04/2003, nos valores de R$ 155.584,00, R$ 166.400,00 e R$ 2.410.960,00, cuja contrapartida foi lançada na conta 112100.01 — Contas a Receber PETROBRÁS. No mesmo dia o lançamento de R$ 166.400,00 foi revertido e no mês de junho o lançamento de R$ 2.410.960,00 também foi revertido, ficando apenas o saldo de R$ 155.584,00 ao final do mês de junho de 2003. 2°) A empresa informou ao fisco que no período de Docagem (parada da plataforma para algum tipo de reforma) o combustível consumido será cobrado pela PETROBRÁS, apresentando cópia da cláusula de um Contrato, que não estava vigência na época da ocorrência dos fatos geradores, sendo assim, fomos analisar os Contratos de Prestação de Serviço e de Afretamento celebrados com a PETROBRÁS durante o período fiscalizado e constatamos que tal despesa de combustível durante o período de Docagem, consta nos dois Contratos, ou seja, é obrigação tanto da PRIDE FORAMER (Cláusula 4.6.3), como da PRIDE DO BRASIL (Cláusula 3.23). Sendo assiras, levando se em consideração o Contrato celebrado entre PRIDE DO BRASIL e PRIDE FORAMER SAS, onde está previsto que a empresa brasileira deve arcar com os gastos necessários ao bom funcionamento e cumprimento dos seus Contratos aqui no Brasil, concluímos que essas despesas de elevado vulto devem ser cobradas, sim, da empresa estrangeira, que, afinal de contas, recebe da PETROBRÁS cerca de 90% (noventa por cento) do total dos valores envolvidos, somando os Contratos de Afretamento e de Prestação do Serviço. 3°) No dia 31/07/2003 foi feito outro lançamento a crédito da conta Combustíveis de Mastreação,' no valor de R$ 238.426,70, de forma que a conta ficou coras saldo credor. A empresa não localizou documentos que justificassem tais lançamentos. Conclusão para o ano de 2003, com relação às despesas escrituradas na conta 316010.01 — Combustível de Mastreação: Os valores de R$ 155.584,00, R$ 166.400,00 e R$ 2.410.960,00, lançados em 30/04/2003 devem compor o Relatório de apuração da Receita de Exportação e, conseqüentemente, serem cobrados da empresa estrangeira. Mas, tendo em vista que tais despesas não influenciaram o Resultado do Exercício da empresa fiscalizada, pois foram excluídas do mesmo, através de lançamentos a crédito da conta, o fisco só vai considerar no relatório o valor referente à margem de lucro de 30 %, pois esse seria o único efeito para fins de apuração do Lucro Real da empresa. Ou seja, ao invés do fisco aumentar o Prejuízo Fiscal apurado no ano de 2003 no valor total de R$ 2.732.944,00 (somatório das despesas acima), e posteriormente acrescentar esse valor total no Relatório para fins de Cálculo da Receita de Exportação, vamos considerar apenas a Margem de Lucro sobre Fl. 9650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 15 27 esta quantia, que perfaz R$ 819.883,20, pois desta forma o efeito tributário devido estará garantido. Com relação ao ano de 2004: Constatamos lançamento a crédito da conta, no dia 31/07/2004, no valor de R$ .46.159.965,36, cuja contrapartida foi lançada na conta 113000.31 — Reembolsáveis Diversos. Em resposta a empresa informou e comprovou que tal despesa foi reembolsada pela empresa ENCANBRASIL LTDA, CNPJ 04.028.583/000110. Na respectiva nota consta que se refere à reembolso referente a consumo de óleo diesel e água industrial nos períodos de abril a junho de 2004, mas constatamos que as despesas referentes a esses gastos não foram lançadas nem na conta 316010.01 — Combustível de Mastreação, nem na conta 315000.03 — Água Industrial e além do mais não se referem ao Contrato celebrado com a PRIDE FORAMER, portanto não consideramos tal lançamento na elaboração do relatório. Com relação à conta 316010.02 — Combustíveis e Lubrificantes, efetuamos os ajustes considerando apenas as despesas efetivamente incorridas no período fiscalizado, desconsiderando as provisões de gastos. Quanto à conta contábil outros custos diretos, o acórdão da DRJ apresenta tópico específico sobre o assunto, quando analisa despesas com combustíveis e lubrificantes. 2.5.2. Combustíveis e lubrificantes. A cláusula 4.6.3 do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a PRIDE FORAMER SAS, (Anexo I, fls.15, 178, 397 e 820), e a cláusula 3.23 do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a Interessada, (Anexo I, fls.83, 308, 630 e 722), impunham que tais despesas eram obrigação de ambas as empresas. Portanto, como a Interessada não cumpriu o dever jurídico de segregar estas despesas, haveria de se determinar um critério para rateálas. É assente na jurisprudência administrativa que, em não havendo a correta contabilização das despesas, não cabe ao fisco o ônus de refazer a escrituração para segregar as despesas, sendo correto ratear os custos e despesas com base em cláusulas contratuais firmadas anteriormente pelas partes envolvidas. Portanto, atuou corretamente a Fiscalização quando rateou as despesas em epígrafe com base nos percentuais de receitas previstas nos contratos firmados com a PETROBRÁS (fl. 4.988). Quanto a esse item, não assiste razão a Recorrente, visto que a DRJ enfrentou a questão, não existindo nulidade no acórdão. Fl. 9651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 28 Quanto ao item “segurança”, correspondente ao item 7 do TVF, a fiscalização entendeu o seguinte: O único lançamento ajustado foi em janeiro de 2003, onde a empresa havia considerado o valor de R$ 4.573.387,38 como exclusão no Relatório e o fisco desconsiderou lançamento por se tratar de lançamento efetuado na conta Custos de Drydock Transferido. Vide item 4.3 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 991/2007 e item 2.1 do Termo 234/2008. A contribuinte apresentou a seguinte manifestação sobre esse item: (b) A fiscalização menciona, em inúmeras passagens, a conta de "Custos de Drydock Transferidos". Esta conta, como a própria Auditora Fiscal registra, foi utilizada para receber lançamentos de valores que foram classificados inicialmente no resultado da empresa, mas que posteriormente foram identificados como reembolsos, e por isso reclassificados no ativo 37. Conforme se narra no próprio TVF, a fiscalização realiza todos os ajustes — ou seja, desconsidera que tais gastos foram "ativados" — e inclui estes valores nas contas de despesas das quais parte para realizar seu cálculo, que são aquelas que constam das planilhas que compõem o Anexo A e o Anexo B do TVF. O TVF, nessa linha, contém a explicação de que "desconsideraremos essa exclusão na reformulação do Relatório, que será efetuada pelo fisco" (fl. 20 do TVF). Assim como no item anterior, a Impugnante partirá, para suas análise e demonstrações, nesta Impugnação, dos mesmos números de que partiu o Fisco (Anexos A e B do TVF), e explicando as diferenças apuradas em função dos critérios que entende mais corretos. Essas considerações preambulares objetivam apenas a demonstração de que a base para todo o cálculo do preço dos Serviços, conforme o entendimento do Fisco (Anexos A e B do TVF) foi a própria contabilidade da Impugnante, com os dois ajustes mencionados acima que são, na verdade, ajustes de critérios que não desconsideram os registros contábeis da Impugnante, mas antes o contrário. E, nessa linha, a Impugnante afirma que, para seus cálculos e demonstração de critérios, contidos nesta Impugnação, partirá dos valores apurados pelo próprio Fisco, e aplicará sobre eles seus critérios, explicando as diferenças que obviamente surgirão. Apenas assim — com o mesmo ponto de partida — será possível a comparação dos critérios adotados pelo Fisco e aqueles que a Impugnante entende mais corretos, e dos efeitos de cada um. Nesse passo, não assiste razão à Recorrente quanto à nulidade da decisão da DRJ, pois no acórdão constou a análise sobre a referida matéria impugnada: 2.5.3. Transportes, despesas com veículos, aluguéis, seguros A Interessada considerou tais despesas como reembolsáveis. Contudo, conforme já analisado neste julgamento, a letra "d" do item 2.02 da cláusula 2 do contrato, fls.1.501, do Anexo 1, deixa claro que quaisquer despesas necessárias à consecução dos serviços contratados seriam suscetíveis de incorrer em honorários. Fl. 9652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 16 29 Tais valores foram contabilizados na conta 316103.07 "Custos de Drydock Transferidos". Portanto, não foi o caso de haver rateio, pois, os mesmos referiramse na integralidade à PRIDE FORAMER SAS. Já quanto ao item 10 do TVF, “outras despesas”, a fiscalização entendeu da seguinte forma: 10. Outras Despesas Neste grupo consta, dentre outras, a conta 318000.30 — Alocação de Custo Base, que serve para alocar alguns custos da Base (situada em Macaé) aos custos relacionados aos serviços prestados nas plataformas. O efeito no Resultado do Exercício da empresa decorrente destas alocações é nulo, conforme saldo devedor da conta acima descrita e saldo credor da conta 324005.26. A contribuinte apresentou os seguintes argumentos quanto ao item 10 em sua defesa: Ademais, a fiscalização, ao argumento de que estava realizando o correto rateio dos gastos entre a Impugnante e a Pride Foramer (pág. 6 do TVF), partiu dos balancetes ajustados (Anexos A e B do TVF — vide explicação alguns parágrafos acima) que registra a totalidade dos gasto'; versão da planilha de cálculo do preço do serviço, realizando uma "alocação", linha a linha. A bem da verdade, essa "alocação" foi realizada de forma totalmente absurda, pois 100% dos gastos (isso mesmo: a totalidade dos gastos, todos eles) com "Materiais e Utilidades" (linha 3 das Planilhas "Anexo A" — 2003 e "Anexo B" — 2004 do TVF), "Outros custos diretos" (linha 4), "Transporte" (linha 5), "Aluguéis" (linha 6), e "Seguro" (linha 8), foram considerados como de responsabilidade da Pride Foramer. Basta comparar as planilhas "de rosto" dos Anexos A e B, as quais utilizam os números dos balancetes que lhes são respectivamente subseqüentes, para perceber isso. Repitase: não houve qualquer rateio para todas essas rubricas. Na lógica da fiscalização, portanto, nem um centavo dos gastos com material de escritório (subconta de "Materiais e Utilidades % por exemplo, deveria ser considerado como gasto da Impugnante. Digase o óbvio, porque o absurdo desse raciocínio merece registro: todas as folhas de papel gastas pela Impugnante seriam custo de uma empresa localizada na França. Outro exemplo: todos os custos de transporte, até mesmo aqueles que dizem respeito às pessoas que trabalham nas atividades de perfuração, seriam, na lógica torta do Fisco, considerados como de responsabilidade da empresa que é contratada para o afretamento. Fl. 9653DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 30 A DRJ não analisou objetivamente a questão, impugnada pela ora Recorrente. Nestes termos, entendo que não há nulidade da decisão nesse caso. Quanto aos impostos e taxas, a fiscalização entendeu o seguinte: 9. Impostos e Taxas Neste item do relatório desconsideramos os valores escriturados nas contas relacionadas ao PIS e à COFINS, pois não há incidência desses tributos sobre as Receitas de Exportação. A contribuinte se insurgiu contra esse item em sua impugnação, alegando o seguinte: 14.4 Impostos e Taxas (item 9 do TVF) Alegações e Cálculos do Fisco Ao analisar a planilha de cálculo do "Service Agreement" elaborada pela Auditora Fiscal (anexos A e B do Termo de Verificação Fiscal), verificase que foram consideradas nos cálculos todas as despesas tributárias incorridas no período de 2003 e 2004, registradas nos respectivos balancetes utilizados pelo fisco (também incluídos nos referidos anexos), à exceção daquelas referentes ao PIS e COFINS, sob o argumento de que tais contribuições não incidem sobre as receitas provenientes dos pela Impugnante à Pride Foramer. Especificamente no que se refere à conta de número 317000.07, onde são registradas as despesas com o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza — ISS, observase que foram incluídos no cálculo dos honorários tanto os valores de ISS incidente sobre as receitas de serviços prestados à Pride Foramer como também — de forma absurda — os valores referentes aos serviços de perfuração prestados pela Impugnante aos seus clientes no Brasil. A DRJ não enfrentou essa matéria em sua decisão, incorrendo em falta de motivação e nulidade, existindo verdadeiro cerceamento do direito de defesa. Nestes termos, entendo pela nulidade do acórdão da DRJ, devendo os autos serem remetidos à primeira instância para novo julgamento. Destacase nesse novo julgado a necessidade de se analisar ainda na recomposição do lucro a exclusão do prejuízo fiscal, considerando que a receita não foi faturada e não houve pagamento pelo contribuinte. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, DOULHE parcial provimento, para anular a decisão da DRJ, por falta de enfrentamento de item indispensável à lide. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 9654DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15521.000335/200881 Acórdão n.º 1201001.096 S1C2T1 Fl. 17 31 Fl. 9655DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 10715.005712/2010-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR.
RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA
A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CABIMENTO.
O registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex, realizado em momento em que não esteja em curso o despacho aduaneiro e antes da formalização de procedimento fiscal tendente a apurar a infração, configura denúncia espontânea e exclui a aplicação da multa pecuniária pela não observância do prazo para o registro.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CABIMENTO. O registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex, realizado em momento em que não esteja em curso o despacho aduaneiro e antes da formalização de procedimento fiscal tendente a apurar a infração, configura denúncia espontânea e exclui a aplicação da multa pecuniária pela não observância do prazo para o registro. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CABIMENTO. O registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex, realizado em momento em que não esteja em curso o despacho aduaneiro e antes da formalização de procedimento fiscal tendente a apurar a infração, configura denúncia espontânea e exclui a aplicação da multa pecuniária pela não observância do prazo para o registro. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 57 12 /2 01 0- 01 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação da Lei n.° 10.833/2003, no valor de R$15.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.° 28/1994, alterada peia IN SRF n.° 510/2005. Consta no Auto de Infração, às fls. 10, uma relação com as informações acerca dos embarques e datas dos registros dos respectivos dados, bem como das DDE's e número dos vôos. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 16/37, alegando, em síntese, o que segue: 1) Preliminarmente alega erro na identificação do sujeito passivo, já que a empresa autuada incorporou a empresa Gol Transportes Aéreos S/A em data posterior às infrações praticadas por aquela empresa. As operações ocorreram em fevereiro de 2008, período em que as duas companhias em questão, a empresa GOL Transportes Aéreos S/A. e a VRG LINHAS AÉREAS S/A, atuavam separadamente no mercado de transporte aéreo brasileiro. Somente em setembro de 2008 fora aquela empresa incorporada pela empresa VRG LINHAS AÉREAS S/A, ora Impugnante, conforme, inclusive, consta do próprio cartão do CNPJ da empresa incorporada. Em outras palavras, pretende a fiscalização penalizar, neste momento, a ora Impugnante por uma eventual infração cometida pela empresa incorporada quando a mesma teve mais de 08 meses antes da incorporação para autuar a própria GOL Transportes Aéreos S/A. No presente caso a pessoa jurídica que cometeu a infração foi a empresa GOL TRANSPORTES AÉREOS S/A, extinta por incorporação em setembro de 2008. Portanto, a Impugnante, na qualidade de incorporadora, não poderia ser responsabilizada pela infração, pois é principio pátrio que somente o próprio agente pode ser responsabilizado pela infração, ou seja, não há no direito brasileiro sucessão de penalidade. De acordo com o artigo 132 do CTN, a legislação pátria impõe ao sucessor por incorporação a responsabilidade apenas e tão somente por eventuais tributos devidos, excluindose, as multas decorrentes, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Assim, a multa aplicada após a incorporação não pode ser exigida do Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 5 4 sucessor. Cita também o art. 137, do CTN sobre a responsabilidade do agente, colacionando alguns Acórdãos do CARF e STF. Portanto o presente auto foi lavrado em face de sujeito passivo ilegítimo, o que contamina de nulidade a presente autuação. 2) Protesta pela observância ao princípio da legalidade e da tipicidade. As informações acerca da forma e do prazo são essenciais para a definição da infração tributária imputada à impugnante, compondo, portanto, o tipo penal tributário, razão pela qual as mesmas somente poderiam estar veiculadas em lei, em sentido estrito, e nunca através de mera Instrução Normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal. 3) Alega que ocorreu a denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 102, do DecretoLei n.° 37/66 e 138 do Código Tributário Nacional, tendo procedido aos registros de embarque antes da aplicação da autuação. 4) Argumenta que a caso tal obrigação não seja observada, isto é, caso o sujeito passivo deixe de prestar as informações competentes acerca das operações de transporte de cargas internacionais por ele executadas, estaria o infrator sujeito a aplicação de uma única penalidade no estrito e expresso montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).. 5) Ainda que assim não fosse, melhor sorte não teria a exação em comento. Isso porque, os fatos, tais como relatados no presente auto de infração dariam ensejo a plicação de outra penalidade, especificamente a descrita no inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n° 37/1966, mais especificamente na alínea "c" do referido instrumento normativo por se consubstanciar em um efetivo caso de embaraço à fiscalização. 6) Solicita, ao final, caso não seja acolhida a impugnação, o encaminhamento do presente processo ao Secretário da Receita Federal do Brasil para apreciação do presente pedido de relevação da pena, o qual encontra amparo no artigo 736, do Regulamento Aduaneiro/2009, já que no caso em comento não houve qualquer dano ao Erário, bem como por restar patente a ausência de dolo por parte do contribuinte. 7) Posteriormente a interessada aditou a impugnação para requerer o cancelamento do Auto de Infração, tendo em vista que a conduta autuada deixou de ser definida como infração, nos termos da IN RFB n.° 1.096/2010, que ampliou o prazo para prestação de informações de 02 para 07 dias, por aplicação do art. 106, II, "a", do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, sendo o acórdão recorrido dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004: Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 6 5 espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente, quanto alegação de ilegitimidade passiva da recorrente, vejamos. A recorrente requer a nulidade do auto de infração tendo em vista o erro na identificação do sujeito passivo, já que a infração foi praticada pela empresa Gol Transportes Aéreos em data anterior à incorporação daquela pela autuada. Desta forma o lançamento teria sido efetuado contra pessoa jurídica que não praticou a infração. Pelo que consta nos autos, a empresa Gol Transportes Aéreos S.A. foi baixada em 30/09/2008 tendo em vista a sua incorporação pela autuada VRG Linhas Aéreas S.A, sendo lavrado o presente auto de infração, cuja ciência ocorreu em 22/09/2010. O art. 132 do CTN assim dispõe: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Apesar da referência a tributos no referido artigo, o que, a princípio, impede a aplicação às multas, a jurisprudência entende que a responsabilidade alcançaria inclusive as multas, seja ela de caráter moratório ou punitivo, conforme ementas abaixo: “RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR... I – ‘Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo; é ela imposição decorrente do não pagamento do tributo na época do vencimento’ (REsp nº 592.007/RS, Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 22/03/2004).” (STJ, 1ª T., REsp 554.377/SC, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, out/05) No caso sob exame, a obrigação tributária, caracterizada pelo dever de prestar a informação à administração aduaneira na forma e no prazo estabelecidos, já existia anteriormente ao evento sucessório e foi transmitida à sucessora no momento da incorporação, Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 8 7 não importando a data do lançamento, conforme decidiu o STJ no REsp 959.3897, assim ementado: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. [...] MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO. ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. [...] 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos.( STJ, 2ª Turma, REsp 959.389/RS, Rel. Min. Castro Meira, 07/05/2009. DJ 21/05/2009)(grifado) Assim, entendo ser o sucessor plenamente responsável pelas multas da sucedida, devendo ser afastada a preliminar argüida de ilegitimidade passiva. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 9 8 Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 10 9 A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 11 10 Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 12 11 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto ao pedido de relevação de penalidade, que na verdade é dirigido ao Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil, é defeso a este Colegiado para apreciálo por absoluta falta de previsão legal para tanto, cuja competência é tão somente para dizer da subsistência, ou não, do lançamento, tendo como conseqüência a devolução dos autos à Receita Federal do Brasil, órgão diverso deste Tribunal e também integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, então competente para apreciar qualquer pedido de relevação de pena, por meio de seus próprios canais de apreciação, e não por provocação deste Conselho Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Transcrevo novamente, com grifos meus, o art. 102, do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966, alterado pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 20/12//2010: “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.”(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010.) A norma é clara ao excluir as penalidades tributárias ou administrativas nos casos em que ocorrer a denúncia espontânea. É clara também ao não considerar espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, ou após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Se a norma diz quais denúncias devem ser consideradas espontâneas e quais sanções devem ser excluídas pela denúncia espontânea, não cabe ao intérprete aumentar ou restringir estes alcances, o do conceito de “denúncia espontânea” e o das sanções a serem excluídas. Ressalvese que os membro do CARF devem observar o seu Regimento Interno, que determina a observância das Súmulas editadas pelo pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo a Súmula CARF nº 49, aprovada em sessão de 29/11/2010, uma delas. Porém, esta súmula deve ser afastada nos casos em que se aplica a Lei nº 12.350, de 20/12/2010, pois, esta, além de tratar especificamente de infrações aduaneiras, é posterior à apreciação da súmula. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 14 13 Para melhor elucidar o conteúdo da norma em apreço, vejamse trechos da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 497, de 27/7/2010 (EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT, de 23/7/2010), que se converteu na Lei nº 12.350, de 2010: “40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. 41. No que diz respeito ao mérito da inclusão da alteração na proposta de incentivo à exportação, cabe destacar que a indefinição jurídica relacionada à matéria tem sido, conforme relatado por diversas entidades representativas de importadores e exportadores brasileiros, o principal óbice à participação de grandes empresas ao programa de Despacho Aduaneiro Expresso Linha Azul e, como consequência, ao regime aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, em função da exigência de ingresso naquele programa como requisito de habilitação a esse regime aduaneiro. 42. Destaquese que o RECOF já é um dos principais regimes de industrialização voltada à exportação do País. No ano de 2008, antes da crise econômica global, as empresas beneficiárias do RECOF exportaram o valor de aproximadamente 13 bilhões de dólares dos Estados Unidos da América. Em 2009, mesmo com a crise mundial, as exportações do RECOF representaram aproximadamente 8 bilhões de dólares. 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 15 14 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. Com a alteração no art. 102, do DecretoLei nº 37, de 1966, visouse ao esclarecimento de que a denúncia espontânea alcançaria todas as penalidades pecuniárias, inclusive as vinculadas ao descumprimento de obrigações acessórias. Tal alcance estava de acordo com o interesse da Administração Tributário Aduaneira no desenvolvimento da chamada “Linha Azul” e do Recof, que esbarrava em dificuldades pela aplicação do art. 711 do Regulamento Aduaneiro então vigente. A ampliação do campo de aplicação da denúncia espontânea não poderia restringirse apenas às empresas que pleiteavam o enquadramento nos procedimentos de Linha Azul e no regime de Recof, sob pena de afronta, em especial, ao princípio da isonomia. Assim, impõese a conclusão de que, uma vez caracterizada a denúncia espontânea, esta se aplica em todas as infrações regidas pelo DecretoLei nº 37, de 1966, em que a sanção aplicada é pecuniária. Excetuamse, portanto, os casos em que a sanção é o perdimento e aqueles em que o próprio DecretoLei considera como não caracterizadores da espontaneidade, tais como as denúncias apresentadas no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, ou após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. No presente caso, entendo caracterizada a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade aplicada, pois: a contribuinte procedeu ao registro das informações em momento em que não estava em curso o despacho aduaneiro e antes da formalização de qualquer procedimento fiscal tendente a apurar a infração; a sanção imputada é pecuniária; a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005712/201001 Acórdão n.º 3801005.247 S3TE01 Fl. 16 15 infração não se enquadra em nenhuma outra norma excludente da caracterização da denúncia espontânea de observância obrigatória pelos membros do CARF, observandose que a Lei nº 12.350, de 2010, é posterior à edição da Súmula CARF nº 49, logo, prevalece sobre esta. Por estas razões, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10735.002286/2004-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 18 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3101-000.084
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Numero do processo: 10882.002502/2006-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
PROVA LÍCITA. DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA À FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL.
A documentação encaminhada ao Fisco com respaldo em decisão judicial constitui prova licita utilizada para fins de instrução de processo administrativo tributário. Não cabe à autoridade julgadora administrativa acolher questionamento sobre a legalidade do repasse de documentação e informações com amparo em autorização judicial.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PROVA INDICIÁRIA.
Compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. A prova indiciária, para referendar a identificação do sujeito passivo, deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, de modo que, examinados em conjunto, levem ao convencimento do julgador.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. IRRF.
Tratando-se de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal IRPJ, aplica-se àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1102-000.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROVA LÍCITA. DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA À FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL. A documentação encaminhada ao Fisco com respaldo em decisão judicial constitui prova licita utilizada para fins de instrução de processo administrativo tributário. Não cabe à autoridade julgadora administrativa acolher questionamento sobre a legalidade do repasse de documentação e informações com amparo em autorização judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. PROVA INDICIÁRIA. Compete privativamente à autoridade administrativa identificar o sujeito passivo da obrigação tributária. A prova indiciária, para referendar a identificação do sujeito passivo, deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, de modo que, examinados em conjunto, levem ao convencimento do julgador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. IRRF. Tratandose de lançamentos decorrentes ou reflexos efetuados em razão dos mesmos fatos que deram origem ao lançamento principal IRPJ, aplicase àqueles a mesma decisão adotada quanto à exigência deste, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10882.002502/200644 Acórdão n.º 110200.571 S1C1T2 Fl. 1.395 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, João Carlos de Lima Júnior, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, às fls. 69 a 88, os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, e do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 1.704.320,70, aí já incluídos os juros de mora apurados até a data da lavratura e a multa de ofício de 75%. O procedimento fiscal teve o escopo exclusivo de verificar a regularidade e tributação da operação de remessa de recursos ao exterior, ocorrida em 28.10.2002, objeto da Representação Fiscal nº 1.509/05, na qual o contribuinte figura como ordenante. Regularmente intimada a respeito da operação (fls. 14), respondeu o contribuinte (fls. 15) que em nenhum momento transferira recursos para o exterior por meio de contas tituladas por residentes ou domiciliados no exterior durante o ano de 2002. Posteriormente intimada (fls. 16) a comprovar a origem dos recursos enviados ao exterior através da subconta Le Mans Corporation, nº 310079, administrada pela Beacon Hill Service Corporation e apresentar cópias das folhas do Livro Diário onde a operação, devidamente identificada, se encontraria escriturada, reiterou o contribuinte (fls. 17) o seguinte, verbis: “...desconhecemos e não existe nenhum lançamento contábil com referência ao solicitado por Vossa Senhoria.” Por não ter o contribuinte comprovado a origem dos recursos envolvidos na transferência efetuada em 28.10.2002, no valor de US$ 200.000,00, considerou a autoridade fiscal ocorrida hipótese de omissão de receita, em vista da falta de escrituração de pagamentos efetuados, nos termos do artigo 281 do RIR/99, o que deu ensejo à lavratura dos autos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS ora em litígio, além do auto de infração de IRRF, em vista da ocorrência de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10882.002502/200644 Acórdão n.º 110200.571 S1C1T2 Fl. 1.396 3 O contribuinte apresentou impugnação, fls. 96 a 107, alegando, em síntese, o seguinte: Reportase à exigência fiscal como resultante de meras suposições do Fisco, que alega a ocorrência de omissão de receita, detectada em pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade, sem qualquer embasamento probatório da efetiva transferência de divisas para o exterior através das contas administradas pelos Banco Chase de Nova York e BHSC, em que a contribuinte seria a mandatária. Acrescenta que inexiste a possibilidade da aplicação da multa de ofício quando não existe nos autos prova cabal do fato apontado, não passando a Representação que dera início ao procedimento fiscal de meras planilhas, tiradas de local incerto e não sabido, onde o contribuinte jamais tivera acesso. Reproduz trecho atribuído ao Conselho de Contribuintes que, em análise de remessa ao exterior, também integrante da Representação 5555/04 da Equipe Especial de Fiscalização, acata o recurso voluntário apresentado por outra empresa autuada, por ausência de provas da efetividade de sua participação na transação, com fundamento no art. 112, inciso III, do CTN, o qual admite, em caso de dúvida quanto à autoria, uma interpretação mais favorável de dispositivo legal que define infrações. Aduz ainda que, para ser válida, a autuação fiscal deve apresentarse devidamente descrita e fundamentada, com provas da investigação procedida, e rigorosa observância da lei, sob pena de nulidade. Que não pode haver discricionariedade por parte do agente autuante, e que as presunções da Fiscalização não podem adquirir a forma de verdade inatacável. Que o auto de infração carece da necessária liquidez e certeza dos valores apontados, vez que a acusação fiscal, embasada em falsas premissas, não foi devidamente comprovada. Afirma que a multa aplicada é inconstitucional, dado o seu efeito confiscatório, e que, ainda que venha a ser mantida a autuação, deve ser relevada a multa tendo em conta que a infração não foi praticada com dolo, fraude ou simulação, e não implicou em falta de pagamento de imposto. Concluindo, requer seja declarada a nulidade ou a improcedência do auto de infração, bem como seja cancelada a multa de ofício imposta onde o débito foi declarado. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP admitiu o inconformismo, rejeitou a nulidade argüida e, no mérito, manteve integralmente o lançamento fiscal. O Acórdão 1424.345, fls. 120 a 126, está assim ementado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2002 PROVA. MÍDIAS ELETRÔNICAS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS NO EXTERIOR. CRITÉRIOS DE IDENTIFICAÇÃO DOS ORDENANTES. Válidas as informações veiculadas em relatório da Receita Federal, elaborado a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado e Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10882.002502/200644 Acórdão n.º 110200.571 S1C1T2 Fl. 1.397 4 cuja regularidade foi atestada por Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística INC. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no Art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento em questão. Assunto: Imposto Sobre A Renda De Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÕES LEGAIS. Caracterizase omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, que regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ficando o Fisco legalmente autorizado a proceder ao lançamento de ofício dos tributos devidos sobre os recursos mantidos à margem da escrituração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 31/12/2002 IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2002 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. RELEVAÇÃO. IMPEDIMENTO. A multa é inerente ao lançamento de ofício e independe da intenção do agente, vez que a responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva. Não há previsão legal de relevação pela autoridade julgadora de multa de ofício aplicada pela fiscalização. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.” Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10882.002502/200644 Acórdão n.º 110200.571 S1C1T2 Fl. 1.398 5 Cientificada desta decisão em 21.10.2010, conforme AR de fls. 133, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19.11.2010, no qual torna a demandar a nulidade e improcedência dos lançamentos efetuados, acrescendo aos seus argumentos considerações sobre a necessidade prévia de legalização dos documentos emitidos em países estrangeiros nas Repartições Consulares do Ministério das Relações Exteriores, bem como de sua tradução para a língua portuguesa por Tradutor Juramentado, para que possam adquirir validade no território brasileiro, requisitos estes que não foram observados no caso concreto, o que torna os documentos inidôneos para os fins propostos. Protesta ainda contra a utilização da taxa Selic como juros de mora, que acusa de ilegal e inconstitucional, e contra a cobrança do encargo legal de 20%, que padece dos mesmos vícios. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Quanto à preliminar de nulidade do lançamento por estar baseado em prova ilícita ou inidônea, cumpre observar que, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 – PAF, que rege o processo administrativo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nenhuma destas circunstâncias ocorreu no caso concreto. Assim, alegações atinentes a matéria de prova devem ser enfrentadas como matéria de mérito, o que pode levar à insubsistência parcial, ou até, em certos casos, total, do crédito lançado, mas não importam a sua nulidade. A autuação fiscal, no tocante aos depósitos bancários não contabilizados, foi feita no decorrer dos trabalhos vinculados à operação denominada “Beacon Hill”, ou “Farol da Colina”, em livre (e equivocada) tradução. Em breve histórico, temse que, em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, foi constatado que a empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION BHSC era uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro. No curso do inquérito instaurado para apurar crime contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de CuritibaPR, a quebra de sigilo bancário no exterior da empresa BHSC, sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, a qual atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas em agência do JP Morgan Chase Bank. O Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR encarregou a autoridade policial presidente do inquérito de obter a documentação pertinente. Esta, por sua vez, oficiou à Promotoria do Distrito de Nova Iorque (District Attorney’s of the County of New York), sobre Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10882.002502/200644 Acórdão n.º 110200.571 S1C1T2 Fl. 1.399 6 o afastamento do sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos EUA, solicitando fosse disponibilizada para análise a documentação existente naquele Órgão do Condado de Nova Iorque/EUA, relativa à empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION e suas respectivas subcontas. As mídias eletrônicas e documentos contendo os dados financeiros relativos à BEACON HILL foram disponibilizada para análise e cópia por das autoridades brasileiras após decisão judicial proferida pela Juíza Renee White da Suprema Corte norte americana (Order To Disclose, de 29/08/2003. Ofício da Promotoria do Distrito de Nova Iorque, de 09/09/2003, confirma a legalidade e a validade da evidência verificada e copiada pela CPI e Polícia Federal. Estas informações e documentos foram trazidos para o País pela autoridade policial, e, em 20/04/2004, conforme decisão do Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, foi deferido o acesso à Receita Federal, Bacen e Coaf, a todos os documentos e arquivos eletrônicos obtidos pela autoridade policial relativamente a Beacon Hill. Os documentos acima citados encontramse anexos às fls. 20 a 63 dos autos. Diante do breve relato acima exposto, restam absolutamente sem fundamento as alegações da recorrente quanto a uma suposta ilicitude ou inidoneidade das provas coletadas. A “quebra do sigilo bancário”, ao que se vê, foi aprovada tanto pela autoridade judiciária norte americana quanto pela autoridade judiciária brasileira. Ademais, a legalidade e a validade das evidências coletadas foram expressamente atestadas pela autoridade que detinha a sua guarda. No que importa à sua utilização pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, esta foi expressamente autorizada pelo Juízo da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Nestes termos, entendo que sequer compete à autoridade julgadora administrativa questionar a legalidade de um repasse de documentação, quando este foi efetuado com amparo em autorização judicial. No mesmo sentido, cito o seguinte precedente: “PROVA ILÍCITA. DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA À FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL. A documentação encaminhada ao Fisco com respaldo de decisão judicial constitui prova licita utilizada para fins de instrução de processo administrativo tributário. Não cabe à autoridade julgadora administrativa acolher questionamento sobre a legalidade do repasse de documentação e informações com amparo em autorização judicial.” (Acórdão 101 96.662, sessão de 17 de abril de 2008, relator Cons. Aloysio José Percínio da Silva) As mídias eletrônicas foram periciadas por Peritos Federais Criminais, que elaboraram Laudos Periciais, individualizados por contas ou subcontas, visando a identificar os titulares, procuradores e responsáveis pela movimentação financeira. Nestes laudos, os principais campos existentes nas planilhas dos arquivos eletrônicos examinados foram descritos pelos peritos. Foi a partir da referência ao nome da recorrente no campo ORDER CUSTOMER (que identificaria o cliente que determinou a ordem de pagamento), que a Equipe Especial de Fiscalização, criada pela Portaria SRF n° 463/2004, identificoua como a remetente de recursos movimentados por meio da conta denominada “LE MANS”. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10882.002502/200644 Acórdão n.º 110200.571 S1C1T2 Fl. 1.400 7 Entretanto, ainda que não haja dúvida de que os dados constantes das mídias eletrônicas se referem a operações de fato ocorridas — neste aspecto, o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1412/04, do Instituto Nacional de Criminalística, atesta que, segundo informações do próprio JP Morgan Chase Bank, os dados contidos nos arquivos objetos de exame representam transações efetivamente realizadas em suas respectivas contas — não se pode dizer o mesmo acerca da titularidade das contas utilizadas nas referidas transações. De fato, nos autos constam meros indícios de que a recorrente possa ser a empresa responsável por essas remessas. O documento de fls. 22 a 23, que são planilhas elaboradas pela Equipe Especial de Fiscalização que analisou as mídias eletrônicas, não contém nenhum outro elemento que faça qualquer conexão entre as referidas remessas e a recorrente, que não a simples menção ao seu nome empresarial. Não há nenhum contrato, procuração, cartão de assinatura, ou qualquer outro documento que contenha alguma assinatura da recorrente, ou qualquer outro elemento que permita demonstrar que ela movimentasse estes recursos, ou autorizasse que fossem os mesmos movimentados por sua ordem, ou seja, nenhuma prova há de que ela de fato detinha a propriedade dos referidos recursos. Nenhuma ligação foi apontada entre a recorrente e a BHSC ou qualquer dos seus sócios ou administradores da conta LE MANS por meio da qual circularam os valores em questão. Ou seja, há indícios de que a contribuinte possa ser a empresa responsável por essas remessas, entretanto, a evidência que se infere a partir de um indicio deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indício é apenas o ponto inicial para o prosseguimento e aprofundamento das investigações. Com base tão somente na menção ao nome da recorrente na mídia eletrônica, desacompanhado de qualquer outro indício ou elemento de prova, podese no máximo chegar a um juízo de probabilidade de que ela efetivamente seja a responsável pelas remessas efetuadas. E para que se pudesse aceitar a imputação de tal responsabilidade apenas com base em indícios, seria necessário um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, que fossem capazes de fundamentar o convencimento do julgador, mormente em casos como o corrente, em que a recorrente desde o início alegou completo desconhecimento dos fatos. Neste sentido, cito os seguintes precedentes administrativos: PIS. PRESUNÇÃO. PROVA INDICIARIA. A “presunção” consiste nas conseqüências que a lei tira de um fato conhecido para provar um fato oculto. A prova indiciária, admitida pelo Direito, apóiase em um conjunto de indícios veementes, graves, precisos e convergentes, capazes de demonstrar a ocorrência da infração e fundamentar o convencimento do julgador. (Acórdão n° 20309180, sessão de 11.09.2003, relatora Cons. Luciana Pato Peçanha Martins) LANÇAMENTO – ILEGITIMIDADE PASSIVA – PROVA INDICIARIA. A prova indiciária para referendar a identificação do sujeito passivo deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Recurso provido. (Acórdão n° 10708.592, sessão de 25.05.2006, relatora Cons. Albertina Silva Santos de Lima) Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10882.002502/200644 Acórdão n.º 110200.571 S1C1T2 Fl. 1.401 8 O art. 112 do CTN determina que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Concluo, portanto, que não há prova nos autos que confirme ser a autuada de fato o sujeito passivo que efetuou as operações de remessas de divisas ao exterior, pelo que não pode subsistir a autuação fiscal. Deixo de apreciar os demais argumentos da recorrente por não serem necessários para a solução da lide. Quanto às exigências de PIS, Cofins, CSLL, e IRRF, aplicase a elas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 27/ 10/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10830.726821/2013-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. DECLARAÇÃO ABAIXO DO VALOR DA RECEITA EM PERÍODOS SEGUIDOS. FRAUDE.
A conduta consistente em reduzir sistematicamente, sem amparo legal, a base de cálculo da contribuição, por meio da apresentação de declarações à RFB com valores zerados, demonstra a intenção deliberada de diminuir o montante do tributo devido, caracterizando evidente intuito de fraude, adequando-se ao tipo objetivo descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64, e sujeitando o infrator a multa de oficio qualificada, no percentual de 150% do valor da contribuição lançada de oficio, nos termos da legislação tributária especifica.
Numero da decisão: 3201-001.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CONDUTA REITERADA. DECLARAÇÃO ABAIXO DO VALOR DA RECEITA EM PERÍODOS SEGUIDOS. FRAUDE. A conduta consistente em reduzir sistematicamente, sem amparo legal, a base de cálculo da contribuição, por meio da apresentação de declarações à RFB com valores zerados, demonstra a intenção deliberada de diminuir o montante do tributo devido, caracterizando evidente intuito de fraude, adequandose ao tipo objetivo descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64, e sujeitando o infrator a multa de oficio qualificada, no percentual de 150% do valor da contribuição lançada de oficio, nos termos da legislação tributária especifica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 68 21 /2 01 3- 83 Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.144 2 Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O contribuinte em epígrafe foi alvo de fiscalização que teve seu início em 15/03/2013. Dessa fiscalização foram lavrados Autos de Infração lançados contra o fiscalizado referente às contribuições de PIS e de COFINS do período de janeiro de 2009 a dezembro de 2011 (fls. 962 a 1.005) 1. O crédito tributário total lançado com multa e juros correspondeu a R$ 4.872.912,42 (R$ 4.002.613,32 a título de COFINS e R$ 870.299,10 a título de PIS). A multa aplicada foi agravada para 150%, o que originou, inclusive, representação fiscal para fins penais apensada a esses autos (processo nº 10830.726889/201362). A fiscalização no curso da ação fiscal intimou o contribuinte a apresentar documentação contábil e fiscal, a saber: Livro Diário; Livro Razão, cópia do Contrato Social consolidado e alterações; procuração dos representantes legais; entre outros. Em 21/08/2013, o contribuinte entregou 3 CDs contendo os dados da sua Escrituração Contábil Digital (ECD) correspondente aos anos de 2009, 2010 e 2011. Foram juntados aos autos: extratos do sistema de Consulta de Pagamentos (fls. 42 a 43); cópias dos DACONs (fls. 44 a 630) e cópias das DCTFs (fls. 631 a 920). Com base nesses documentos e nas informações prestadas pelo contribuinte foi elaborado o Quadro Demonstrativo das fls. 921 a 922, onde constam os valores de receita apurados na contabilidade, os declarados em DACON e em DCTF, e as verificações dos respectivos pagamentos. Observase que o valor do DACON ativo correspondia aos valores declarados na DCTF original, tendo o contribuinte posteriormente apresentado retificadoras zeradas para todas as DCTFs do período fiscalizado. Diante dessa grave constatação o contribuinte foi intimado a esclarecer as diferenças entre os valores contabilizados, declarados e retificados. Em 03/10/2013, a empresa CALMITEC veio a prestar esses esclarecimentos às fls. 930 a 945 sob forma de impugnação, quando não havia ainda sido formalizado nenhum Auto de Infração (ver fl. 931), na qual se diz surpreendida com a solicitação de informações, entendendo que essas já constariam nos relatórios fiscais (fl. 932). Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.145 3 A fiscalização fez então contato com o Técnico Contábil da empresa para orientálo da oportunidade que estava sendo dada para esclarecimentos à CALMITEC, visto que nessa primeira intimação nenhuma manifestação sobre as diferenças havia sido respondida pelo contribuinte: “... o contribuinte não se manifesta a respeito do que foi solicitado no “Termo de Constatação”, ou seja, não apresenta esclarecimento sobre a diferença entre os valores originas e retificados do PIS e da COFINS, assim como não apresenta planilha com os valores devidos ...” (fl. 992) (gn) Posteriormente, em 14/10/2013, encaminhou o contribuinte planilhas de cálculo referentes ao PIS e à Cofins dos anos calendário de 2009 a 2011. Observase que haveria contribuições a recolher para todas as competências. (fls. 946 a 961). Com base em tal documentação juntada aos autos, concluiu a fiscalização que foram cometidas irregularidades pela empresa CALMITEC na apuração das contribuições para os anos calendário 2009, 2010 e 2011. Portanto, foram verificadas divergências entre os valores constantes no DACON/DCTF original e os valores das DCTFs retificadoras zeradas. Ademais não foram localizados pagamentos dessas contribuições para os anos de 2009, 2010 e 2011 (com raras exceções), os quais, frisese, não se encontravam passíveis de nenhum procedimento automático de cobrança, diante das retificadoras zeradas apresentadas pelo contribuinte. A ciência do Auto de Infração foi dada ao contribuinte em 19/11/2013 (fls. 964 e 978). A impugnação foi apresentada em 13/12/2013, às fls. 1.010 a 1.047, onde em síntese o contribuinte faz as seguintes alegações: a) Dos Fatos: QUE a fiscalização alega que o contribuinte retificou os dados para burlar o Fisco, ao que argumenta que se quisesse fraudar teria alterado a sua contabilidade por inteiro, e não somente as DCTFs. Diz que a alteração das DCTFs para zeradas se deu por erro humano, entendendo não estar caracterizado o dolo em momento algum. QUE para que se caracterizar o dolo deve haver um prejuízo ao erário, e não a possibilidade de prejuízo. QUE a abordagem sobre o dolo deve somente ocorrer desde que haja a obtenção positiva do resultado pretendido. b) Da Multa Qualificada Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.146 4 QUE a aplicação da multa majorada de 150% pela omissão de receita só pode ser considerada quando ocorrer fraude inequivocamente provada. Diz que entregou todos os documentos exigidos durante à fiscalização. c) Do Dolo/Fraude QUE o objeto central do significado de dolo está vinculado ao conceito de máfé, discorrendo o impugnante na seqüência sobre o dolo no direito penal, civil e administrativo, e citando vários autores. QUE se faz necessária uma parametricidade do conceito de dolo nos direito civil, penal e administrativo, comentando em seguida sobre os requisitos essenciais do dolo no direito administrativo e comentando que as infrações administrativas se baseiam na consumação de um resultado. Afirma que não se pode responder pela possibilidade de prejuízo, porque para o direito administrativo isto é juridicamente irrelevante. QUE o dolo no direito administrativo obedece ao princípio da tipicidade, ou seja, não existe hipótese legal de sanção administrativa, sem prévia previsão de sua ilegalidade. d) Da Tipicidade QUE o exame da aplicação da sanção deve percorrer, além da avaliação da ilegalidade, a avaliação subjetiva, ou seja, o atuar do agente público, de modo a apurar o elemento volitivo que impulsionou o ato. e) Da Legalidade QUE a noção de ilegalidade e a noção de intenção de desobedecer a lei, embora sejam faces da mesma moeda, não se confundem. f) Da Boafé no direito administrativo QUE a violação à moralidade e à boafé representa indicativo claro da presença do elemento subjetivo de desvio: dolo. g) Da Prova do dolo. Elementos incidentes para a avaliação probatória e determinação do dolo. QUE para gerar efeitos jurídicos o dolo, além de ser realizado como manifestação de vontade, está ligado ao resultado produzido, porque o que interessa ao direito administrativo é a lesividade causada e a sua proporção. Quem agiria por máfé certamente tomaria o cuidado de evitar que permanecessem evidências graves de sua conduta. Faz outras colocações sobre irrazoabilidade da medida, prova material de que o agente obteve vantagem e inexistência de causa justificável para a realização do ato ilícito. h) Do princípio do nãoconfisco no Direito Tributário Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.147 5 QUE a doutrina pátria afirma que confiscatório é o tributo que excede a capacidade contributiva, sem aquela, no entanto, fornecer critérios objetivos para sua verificação. i) Do conceito e da natureza jurídica QUE ao se observar o fato gerador de uma obrigação e comparar com as hipóteses autorizadas pela Constituição Federal para a instituição de tributos, é que se poderá definir se aquela obrigação tem caráter tributário ou não. j) Do histórico dos tributos no direito comparado e no direito brasileiro São citados diversos autores relativos ao histórico dos tributos no direito comparado e no Brasil. l) Do conceito de confisco e seus aspectos nas constituições anteriores e na CF de 1988 QUE o inciso IV, do art. 150, da Constituição Federal não proíbe o confisco em si, mas sim o “efeito do confisco”. QUE os artigos 145 a 156 da Constituição Federal devem ser rigorosamente observados pela União ao exercer a sua competência tributária. m) Do princípio de nãoconfisco e direito de propriedade QUE o confisco é proibido no direito brasileiro e que a capacidade contributiva deriva do princípio da igualdade. O confisco está diretamente ligado ao direito de propriedade, tendo uma amplitude maior por estar positivado. n) Do princípio do nãoconfisco e da capacidade contributiva QUE o efeito de confisco pode estar aquém ou além da capacidade contributiva. o) Do princípio do não confisco e princípio da isonomia QUE o sentimento de penalização experimentado pelo contribuinte, quando defrontado com um tributo com efeito confiscatório, deriva em grande parte da noção de igualdade. p) Da vedação ao efeito de confisco por tributo individualmente ou pelo conjunto do sistema tributário brasileiro QUE existe a possibilidade não só de o tributo ser confiscatório, mas sim de todo o sistema tributário ser confiscatório, pois o efeito do confisco estaria ligado ao sistema tributário na sua totalidade. POR FIM, apresenta diversos requerimentos e coloca as seguintes considerações: i) seja anulada a cobrança dos valores supostamente devidos; ii) a falta de comprovação material do ilícito fiscal constante no Auto de Infração; iii) a imprevalência do crédito tributário pretendido, por inocorrente e incomprovada Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.148 6 a ilicitude indicada na autuação sob hostilidade; iv) a comprovada condição de ilegitimidade da autuação; v) a indevida instauração da ação fiscal, já que inexistente a obrigação principal, o apenamento não tem qualquer valor; vi) seja desconsiderada a multa majorada pela falta de elementos que caracterizem a fraude. Conclui que deve ser tornado nulo ou insubsistente os Autos de Infração, tornandose sem efeito as contribuições exigidas, bem assim como a multa pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco. Requer, outrossim, a realização de diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões suscitadas, inclusive com a realização de perícias, para a qual protesta pela indicação do seu perito assistente, formulação de quesitos, e suplementação de provas, ou até mesmo o julgador, diante das circunstâncias, de ofício, determine diligência ou perícia, que por ventura julgar necessária, inclusive bancárias para que reste comprovado a ausência de fundamentação legal. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2009 A 31/12/2011 DOLO. CONFIGURAÇÃO DE CONDUTA. A omissão expressiva, reiterada e sistemática de receitas, mediante o artifício de retificar declarações (DCTFs) como zeradas de períodos de apuração dos quais o contribuinte tinha plena consciência de existir a contribuição devida, revela conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência dos fatos geradores. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A motivação da qualificação se fundamenta em grave irregularidade cometida pelo contribuinte, que sabedor da existência de contribuição devida, apresentou retificadoras de DCTFs zeradas, reiteradamente, visto que é essa correta declaração constituinte de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada em função da infração cometida, sendo que o seu percentual decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação do confisco. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.149 7 PERÍCIA, DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia/diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o constatado pela DRF jurisdicionante está baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ou seja, em sua própria contabilidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 DOLO. CONFIGURAÇÃO DE CONDUTA. A omissão expressiva, reiterada e sistemática de receitas, mediante o artifício de retificar declarações (DCTFs) como zeradas de períodos de apuração dos quais o contribuinte tinha plena consciência de existir a contribuição devida, revela conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência dos fatos geradores. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A motivação da qualificação se fundamenta em grave irregularidade cometida pelo contribuinte, que sabedor da existência de contribuição devida, apresentou retificadoras de DCTFs zeradas, reiteradamente, visto que é essa correta declaração constituinte de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada em função da infração cometida, sendo que o seu percentual decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação do confisco. PERÍCIA, DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de perícia/diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio. Ainda mais quando o constatado pela DRF jurisdicionante está baseado em documentação apresentada pelo próprio contribuinte, ou seja, em sua própria contabilidade. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Voto Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.150 8 Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração lavrado em face da contribuinte supracitada, referente a Contribuição par o PIS/Pasep e a Cofins apuradas no regime não cumulativo, apenada com multa qualificada de 150% devido a constatação de fraude, decorrente da apresentação de DCTF retificadoras sem apurar valor devido, por três anoscalendário consecutivos. A recorrente não diverge em relação ao valor do tributo exigido na autuação. Contesta, contudo, a exigência da multa qualificada, entendendo não ter agido com dolo, bem como encontrarse protegida pelo princípio do não confisco. Delimitada a lide, esclarecese que a previsão legal para a aplicação da multa de ofício de 150% sobre o tributo devido é encontrada no art. 44, inciso I, §1º da Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso) Em relação as condutas que levam a qualificação da multa, a leitura da norma em comento é clara ao duplicar o valor da multa para 150% sobre o valor devido quando constatado evidente intuito de fraude, conceito estabelecido pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, que assim dispõe dispõem: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedirou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.151 9 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Em análise ao caso concreto, verificase que a recorrente, entre 01/01/2009 e 31/12/2011, apresentou regularmente ao Fisco seus Dacon e DCTF, sendo informados neste documentos os valores devidos a título de PIS e de Cofins, em conformidade com os seus livros contábeis. A recorrente, posteriormente, retificou todas as suas DCTF referentes a este período, informando, nestes documentos, a inexistência de débitos em relação a estas contribuições. As DCTF retificadoras apresentavam como valor devido zero. Os Dacons, contudo, não foram modificados. A recorrente, como já informado, não contesta a existência dos débitos, justificando as retificações procedidas como um mero erro de procedimento. Pois bem, em sendo este os fatos em julgamento, entendo que a multa foi corretamente aplicada, tendo em vista a reiteração na conduta da fiscalizada, ao sistematicamente omitir receitas do fisco federal. A prática reiterada da recorrente de retificar suas DCTF irregularmente para zerar os tributos devidos, associada aos valores vultuosos, leva a inevitável conclusão de que a conduta adotada pela recorrente corresponde a fraude prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502/64. Esclarecese que, para o aperfeiçoamento deste tipo penal, mostrase necessária a presença de dolo, ou seja, da intenção do agente na consumação do resultado proibido pela lei, qual seja a redução, a supressão ou o diferimento do tributo devido. No presente processo, restou comprovado que a recorrente, ao informar a inexistência de débitos de PIS e de Cofins, agiu de forma a modificar as características essenciais do fato gerador da Contribuição, reduzindo artificialmente o valor do tributo devido. Desta feita, a conduta da recorrente corresponde à conduta comissiva típica do dispositivo supracitado. Com base neste entendimento, concluise que a apresentação de DCTF com valores zerados, por parte do sujeito passivo, de forma a reduzir intencionalmente o montante do tributo devido, ajustase ao tipo objetivo descrito no art. 72 da Lei nº 4.502/64, pela modificação de uma característica essencial da obrigação tributária Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.152 10 Neste mesmo sentido, seguem ementas de acórdão proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Multa Qualificada. Redução sistemática da base de cálculo da contribuição. Configuração de fraude. A conduta consistente em reduzir sistematicamente, sem amparo legal, a base de cálculo da contribuição, com a intenção deliberada de diminuir o montante do tributo devido, caracteriza evidente intuito de fraude, por se adequar ao tipo objetivo descrito no art. 72 da Lei n° 4.502/64, e sujeita o infrator multa de oficio qualificada, no percentual de 150% do valor da contribuição lançada de oficio, nos termos da legislação tributária especifica. (Ac. 930301.132, sessão de 27/11/2010, redator designado Gilson Macedo Rosenburg Filho) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. ARTS. 71 A 73 DA LEI Nº 4.502/64. A multa de oficio de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, notadamente em que se constata a conduta reiterada. (Ac 9303 01/496, sessão de 31/05/2011, relator Rodrigo Cardozo Mirando) MULTA QUALIFICADA A apresentação ao fisco federal, durante anos consecutivos, de declarações que informam ausência de receitas, quando os livros fiscais estaduais e a escrituração do sujeito passivo demonstram que ele auferia receitas e conhecia seu valor, revelam intenção de ocultar ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador, implicando qualificação da multa de oficio. (Ac. 9101001.24, sessão de 25/04/2012, relator Valmir Sandri) A recorrente sustenta ainda o cancelamento da exigência da multa de ofício baseada no princípio constitucional de vedação ao confisco. Esclarecese, inicialmente, que ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Entre as limitações encontrase a impossibilidade de negar validade a lei em decorrência de sua inconstitucionalidade. Tal entendimento, inclusive, encontrase previsto na Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os julgadores deste Conselho, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10830.726821/201383 Acórdão n.º 3201001.919 S3C2T1 Fl. 1.153 11 Desta forma, estando a contestada multa prevista em lei tributária, a mesma deve ser aplicada quando incorridas as hipótese previstas para a sua exigência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 17/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 13866.000310/2002-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
Ementa:
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI não especificamente contestada pela peticionaria é reputada como incontroversa.
VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
Diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, conclui-se que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2o, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decreto-lei n° 1.248, de 1972.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. não abrangendo os gastos gerais de produção.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS
Deve-se permitir o cômputo dos custos com estes insumos, tendo em vista que a Lei no 9.363/96 não vedou o direito ao crédito do contribuinte quando suas compras são realizadas por meio de cooperativas ou de pessoas físicas. O direito ao crédito rege-se pelo princípio da legalidade de tal modo que as Instruções Normativas no 23/97 e 103/97 restringiram indevidamente o direito a tomada de tais créditos, quando da aquisição de insumos de cooperativas e pessoas físicas. RESP 993164, Min. Luiz Fux.
Numero da decisão: 3401-002.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento parcial nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que negava provimento também quanto á receita de exportação. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões e apresentará declaração de voto.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 28/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente) Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Crédito presumido. Recorrente NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI não especificamente contestada pela peticionaria é reputada como incontroversa. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2o, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. não abrangendo os gastos gerais de produção. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS Devese permitir o cômputo dos custos com estes insumos, tendo em vista que a Lei no 9.363/96 não vedou o direito ao crédito do contribuinte quando suas compras são realizadas por meio de cooperativas ou de pessoas físicas. O direito ao crédito rege se pelo princípio da legalidade de tal modo que as Instruções Normativas no 23/97 e 103/97 restringiram indevidamente o direito a tomada de tais créditos, quando da aquisição de insumos de cooperativas e pessoas físicas. RESP 993164, Min. Luiz Fux. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 03 10 /2 00 2- 66 Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento parcial nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl, que negava provimento também quanto á receita de exportação. O Conselheiro Júlio César Alves Ramos votou pelas conclusões e apresentará declaração de voto. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 28/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente) Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos estabelecidos pelo art. 1º e ss da Lei n. 9.363, de 1996, e pedidos de compensação apensadas para aproveitar esse crédito. A autoridade da jurisdição deferiu parte do crédito solicitado pela contribuinte e homologou as compensações até o limite desse valor reconhecido. O despacho decisório incorporou as informações fiscais confirmando as seguintes glosas à pretensão da contribuinte, em resumo: i. Exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inciso I, art. 2o do DecretoLei n° 1.248/72 (tradingcompany), num total de R$ 2.057.997,28; ii. Mudança no critério de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados e não vendidos : desconsideração do método adotado pela contribuinte "ATR"; iii. Utilização de insumos não admitidos pela legislação do IPI (cal virgem; condicionador de lama; fosfato, hipoclorito de sódio, optisperse, sal grosso e oxialqulatos em águas), no total de R$ 397.275,46. iv. Glosa das aquisições de insumo (canadeaçúcar) de pessoa física, por não ser contribuinte do Pis e da Cofins; v. Glosa de insumos utilizados no cultivo da lavoura de canadeaçúcar de propriedade da contribuinte. A contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade por meio da qual apresentou as razões por que seus pedidos devem ser integralmente atendidos: • defendeu, segundo resumo de lavra do relator do colegiado de 1º piso que aproveito por sua objetividade, "a inclusão, no cálculo da receita de exportação, das exportações realizadas por empresas comerciais exportadoras, mesmo que não estejam formalizadas como uma trading company, por considerar que se encontra atendido o fim específico de Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13866.000310/200266 Acórdão n.º 3401002.984 S3C4T1 Fl. 3 3 exportação. Acrescentou que a exclusão desses valores afrontaria os princípios da legalidade e da isonomia." • "O parágrafo único do artigo 1o da lei n° 9.363/96, ao estabelecer o crédito presumido para as vendas realizadas para empresas comerciais exportadoras, o fez de forma ampla e irrestrita, abrangendo todas as empresas que tenham por objeto social a comercialização e exportação de produtos, ainda que não atendam aos requisitos exigidos pelo Decretolei n° 1.248/72. em nenhum momento o texto legal determina ou condiciona que a exportação somente gerará o benefício quando a empresa comercial exportadora, adquirente dessas mercadorias, for constituída conforme os requisitos previstos no artigo 2o do Decretolei n° 1.248/72"; • "Todos os insumos (que sofreram glosa), apesar de não integrarem o produto final, são integralmente consumidos durante o processo de produção do açúcar e do álcool, sendo, portanto, produtos intermediários essenciais para a fabricação das mercadorias. Negar o direito pleiteado pela empresa é negar vigência ao artigo 2o da Lei n° 9.363/96, que admite ser a base de cálculo do benefício o total das aquisições"; • "A Lei n° 9.363/96 não restringiu o benefício aos insumos adquiridos de pessoas jurídicas, não cabendo o intérprete fazêlo. A base de cálculo do crédito presumido é o valor total das aquisições. A verdadeira intenção do legislador foi desonerar a cadeia produtiva dos produtos exportados". • "A exclusão dos insumos utilizados no cultivo da canadeaçúcar destinados à fabricação de álcool é indevida, pois a apuração do crédito presumido é o resultado do percentual da receita de exportação sobre o valor total dos insumos adquiridos. justamente para quantificar o custo dos insumos aplicados no montante exportado. Assim, se um insumo é utilizado tanto para produtos exportados como para os vendidos no mercado interno, a própria fórmula de cálculo do benefício trata de conceder o crédito para àqueles insumos que foram utilizados na industrialização dos produtos exportados. Aceitar o procedimento fiscal implicaria em reduzir ainda mais a base de cálculo do crédito presumido, mitigando o benefício fiscal em exame, visto que a própria fórmula do benefício automaticamente já exclui essa parcela;" Os julgadores a quo analisaram a manifestação de inconformidade e demais documentos e atos que instruem o processo e teceram as seguintes considerações: o deuse a preclusão, por falta de contestação expressa por parte da contribuinte, da mudança, definida pela autoridade fiscal, no critério de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados e não vendidos. o declararamse impedidos de apreciar os argumentos de inconstitucionalidade; o que são admitidas, no cálculo do crédito presumido, as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2o, e não apenas as vendas a empresas Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei n° 1.248, de 1972; desde que estas vendas tenham o fim específico de exportação; o mantiveram a glosa relativa às exportações feitas através de exportadoras que não são trading por falta de comprovação "Com relação ao assunto devese lembrar que a parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. No caso em concreto, o administrado deve carrear aos autos as provas que dão lastro ao direito creditório reclamado. (....) o pedido administrativo deve ser instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente, ou seja, a empresa deve provar o que alegou em sua impugnação: que as vendas para as empresas comerciais exportadoras cumpriram o fim específico de exportação. .. Tal circunstância não restou comprovada, não há qualquer indicação de que os produtos vendidos à empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente" o mantiveram a glosa em relação aos insumos aplicados na fabricação do açúcar A exclusão dos valores atinentes às aquisições dos insumos cal virgem; fosfato, hipoclorito de sódio, optisperse, sal grosso está em conformidade com o entendimento da SRF e a legislação do IPI. A relação de insumos da defesa deixa claro que, embora tais produtos não sejam bens do ativo e tenham sido consumidos ou gastos para que se dê o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação, no produto industrializado, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. o mantiveram a glosa relativa às aquisições de pessoas físicas por que "O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2o da Lei n" 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS". e também por que "as contribuições sociais PIS/Pasep/Cofins incidem quando da venda ou faturamento dos produtos, ou seja, se o ato legal em comento se reporta às contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições, obviamente se aplica aos insumos que, adquiridos de terceiros, a elas estivessem sujeitos. Ora, não são contribuintes do PIS/Pasep ou da Cofíns as pessoas físicas. Não havendo incidência sobre as aquisições, não há o que ressarcir ao adquirente. Seguindo o mesmo raciocínio, também as aquisições de própria produção não são oneradas pelas indigitadas contribuições, não podendo ser incluídas no cálculo do benefício. o mantiveram a glosa em relação aos insumos aplicáveis à produção, tais produtos (cálcio, fertilizantes, herbicidas, inseticidas, adubos, entre outros) por que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e/ou material de embalagem. e também por que "os custos aplicados na lavoura da canadeaçúcar não são insumos da produção do açúcar e do álcool. Não se inserem no processo produtivo da empresa industrial e não podem ser considerados na apuração do crédito presumido, pois são aplicados em fase anterior a da industrialização. O insumo, no caso em análise, é a canadeaçúcar, mesmo que adquirida da própria empresa". o com relação á alegação da contribuinte de que foi indevida a exclusão dos insumos utilizados no cultivo da cana de açúcar destinados à fabricação de alcool os julgadores a quo não analisaram os correspondentes argumentos da contribuinte por consideraram que lhes falta de aplicabilidade ao caso Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13866.000310/200266 Acórdão n.º 3401002.984 S3C4T1 Fl. 4 5 concreto pois o Fisco não procedeu à glosa de insumos utilizados na industrialização de produtos não exportados (cana de açúcar utilizada na produção de álcool). O Acórdão n.º 1418.037, de 20/12/2007, proferido pela Respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Assunto: imposto sobe Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão "empresa comercial exportadora" em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2o, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. não abrangendo os gastos gerais de produção. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DA PRÓPRIA EMPRESA. As aquisições de insumos de pessoas físicas, cooperativas e da própria empresa, não contribuintes do PIS e da Cofins, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Solicitação Indeferida A contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio do qual repisou as razões e argumentos por que roga pela reforma do acórdão recorrido, pelo reconhecimento integral dos créditos pleiteados e pelo reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos crédito tributário relacionado à compensação do direito em discussão nesta lide. Cita jurisprudência a partir de decisões proferidas nos Tribunais Superiores. A recorrente, ademais, põe em relevo, muito embora não conteste, que "a mudança no critério [ATR, adotado pela contribuinte] de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados e não vendidos pelo controle de estoques da Recorrente [adotado pela autoridade fiscal], realmente não foi impugnada, pois. conforme será Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 demonstrado adiante, a adoção deste critério não implica em nenhum prejuízo para Recorrente". (...) " mister afastar um erro de premissa sobre o qual se pautou a decisão ora recorrida, qual seja. o de que a matéria não impugnada: a mudança no critério de rateio das matérias primas utilizadas nos estoques de produtos acabados e não vendidos e nos produtos em produção seria um dos motivos ceies quais o crédito da ora Recorrente teria sido glosado." (...) "a modificação do critério de rateio impingida pela autoridade fiscalizadora, qual seja. o de que a mudança do critério de rateio não implica qualquer glosa do crédito pleiteado." (...) "Da mesma forma, como já reiteradamente ressaltado, desconsiderandose o ATR [ Açúcar Total Recuperável] e considerandose o Controle de Estoque no critério de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados e não vendidos, como determinado pela Fiscalização, chegase a valor até mesmo superior ao apurado em ATR (valores que a fiscalização apuraria se não tivesse desconsiderado grande parte de insumos aplicados na produção do açúcar e do álcool)". É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preambularmente, entendo que razão assiste aos julgadores da DRJ e à contribuinte que concluíram se tratar de matéria incontroversa a mudança de critério na determinação das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos. A autoridade fiscal decidiu, para os fins da autuação em discussão, que o controle de estoque da contribuinte ofereceria os parâmetros para o cálculo do rateio dos insumos, ao invés do critério de ATR (Açúcar Total Recuperável) adotado pela contribuinte em seus cálculos. Mérito São os seguintes os pontos que demandam apreciam nessa lide: (a) exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inciso I, art. 2o do DecretoLei n° 1.248/72 (tradingcompany); (b) utilização de insumos (cal virgem; condicionador de lama; fosfato, hipoclorito de sódio, optisperse e sal grosso) não admitidos por não atender a legislação do IPI, segundo a autoridade fiscal. ( c) glosa das aquisições de insumo (canadeaçúcar) de pessoa física, por não ser contribuinte do Pis e da Cofins; (d) glosa de insumos utilizados no cultivo da lavoura de canadeaçúcar de propriedade da contribuinte por não atender a legislação do IPI, segundo a autoridade fiscal. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13866.000310/200266 Acórdão n.º 3401002.984 S3C4T1 Fl. 5 7 Sobre as exportações feitas através de empresas exportadoras que não são trading estrito senso: A autoridade fiscal, para fins de cálculo do crédito presumido em questão, excluiu os valores das exportações indiretas realizadas por intermédio de empresas comerciais exportadoras que não se enquadraram nos requisitos do art. 2º do Decretolei n. 1.248, de 1972. Em seu entendimento, o benefício previsto no art. 1º da Lei n. 9.363/1996 somente pode ser usufruído na exportação indireta se a comercial exportadora atende esse Decretolei, consoante a interpretação restritiva imposta pelo CTN para o reconhecimento de benefício fiscal. Assim estabelece o art. 1o da Lei n° 9.363/96: Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior, (destacado na transcrição) A contribuinte contraditou esse entendimento e propôs que essa restrição não tem suporte na Lei. Os julgadores de primeiro piso esposam o mesmo entendimento. Para eles, o direito ao benefício dado pelo parágrafo único do art. 1º da Lei n. 9.363/1996 não estabeleceu o requisito proposto pela autoridade fiscal. Com relação a este aspecto, tenho a convicção que a razão não assiste à autoridade fiscal. O direito ao crédito presumido nas exportações indiretas não se circunscreve apenas às vendas a empresas favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei n° 1.248, de 1972, mas abrange as exportações indiretas realizadas através das vendas a empresas comerciais exportadoras. Esta interpretação está consoante com o que a própria Secretaria da Receita Federal expõe a respeito da matéria, como se pode constatar, por exemplo, em diversos atos e meios de comunicação orientativa ( "Perguntas e Respostas sobre Crédito Presumido do IPI"; Nota MF/SRF/Cosit/Cotip/Dipex n° 312/1998; Parecer CST/Sipe n° 1.213/1984; PN CST nü 878, de 1971; Instrução Normativa SRF n.º 11, de 15/03/1982 (item 1); Parecer Normativo CST n° 42, de 1975). Além dessa definição de quem pode ser a comercial exportadora , o entendimento da RFB é que o exportador tem direito ao benefício no caso da venda feita à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, nos termos da Lei n° 9.532, de 1997, art. 39, § 2o.,. Lei n. 9.532/1997: Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifos nossos) Entretanto, apesar de não adotarem o entendimento restritivo da autoridade fiscal, os julgadores de primeiro piso mantiveram a respectiva glosa por que a contribuinte não comprovou "que os produtos vendidos às empresas comerciais exportadoras foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente". (grifos no original) Para eles, a contribuinte deixou de produzir as provas necessárias do fato constitutivo do direito alegado, à luz do que orienta o art. 333 do CPC que dita que cabe ao autor da petição o ônus de provar seu direito. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. A recorrente contradiz dizendo que as empresas comerciais exportadoras apresentaram documentos comprobatória das exportações realizadas; e que a recorrente não é responsável pela comprovação que as vendas cumpriram o fim específico da exportação. E que essa responsabilidade é da comercial exportadora. E que a recorrente não pode ser responsabilizada pela eventual falha dessas empresas de comprovarem as exportações. Com relação à decisão dos julgadores a quo de manterem a debatida glosa, pareceme que ela não pode ser sustentada e deve ser revertida. Explico. A autoridade fiscal motivou a exclusão da receita das vendas às comerciais exportadoras por que essas empresas não se enquadravam na definição estabelecida pelo art. 2º do Decretolei n. 1.248/1972. A autoridade fiscal intimou essas empresas a comprovarem seu enquadramento no artigo 2º desse Decretolei (Intimações às fls. 192 a 229). A sua conclusão de glosar as receitas dessas vendas teve como motivo o fato dessas empresas não comprovarem serem comerciais exportadoras no sentido do DL 1.248/1972. Em nenhum momento a autoridade fiscal solicitou que fosse demonstrado o cumprimento do requisito de que as vendas tivessem seguido o procedimento de serem feitas com o fim específico da exportação. Esse requisito não só não foi ponderado na fiscalização e na análise do pedido da contribuinte, como não foi ele motivo para o seu indeferimento por parte da autoridade fiscal da jurisdição. Ora, se o motivo da glosa em tela foi exclusivamente o entendimento que o crédito presumido previsto pelo art. 1º da Lei n. 9.363/1996 só poderia ser usufruído nas exportações indiretas através das empresas comerciais exportadoras definidas pelo DL 1.248/1976, e se esse motivo foi considerado improcedente pelos julgadores de primeiro piso, e o for, também, por este colegiado, fica claro que não há como manter a dita glosa. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13866.000310/200266 Acórdão n.º 3401002.984 S3C4T1 Fl. 6 9 A meu ver, manter a glosa no argumento que a contribuinte não teria comprovado o fim específico de exportação é adicionar um motivo que não constava do atacado despacho decisório, e que somente veio a compor a lide após a decisão do colegiado de 1º piso. Faço notar que em nenhuma etapa da trajetória deste processo, foi requerido à contribuinte comprovar o fim específico da exportação, nem na fiscalização, nem na análise da autoridade de jurisdição, nem em diligência requerida pela DRJ. A autoridade fiscal não questionou que as exportações haviam sido efetivadas. Ao contrário, as exportações foram consideradas fatos. A exigência de que as vendas tenham seguido a providência de se darem com o fim específico de exportação, a meu sentir, perde seu objeto quando os produtos assim vendidos são comprovadamente exportados pela comercial exportadora. Afinal, todo esse aparato normativo da legislação aqui em discussão segue o princípio constitucional que determina a desoneração das exportações. Comprovada a exportação, deve se assegurar a efetividade desse principio constitucional a cada caso concreto. Portanto, proponho a este colegiado dar provimento ao recurso voluntário neste aspecto. Com relação à utilização de insumos (cal virgem; condicionador de lama; fosfato, hipoclorito de sódio, optisperse e sal grosso): Para a autoridade fiscal de jurisdição e para os julgadores a quo, nem todos os insumos consumidos ou utilizados na produção são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Para tanto, é necessário que se consumam por decorrência de um contato físico, que , em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, esses insumos sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Contrariando as alegações da contribuinte, para a autoridade fiscal de jurisdição e para os julgadores a quo, os insumos cal virgem; condicionador de lama; fosfato, hipoclorito de sódio, optisperse e sal grosso, não têm uma relação direta sobre o produto em fabricação, mas, apenas, um contato indireto (através da água). Assim, eles os consideraram definitivamente excluídos. De fato, é a legislação do IPI que oferece as fontes para os conceitos chave para a disciplina e aplicação do crédito presumido estatuído pela Lei n. 9.363/1996. (parágrafo único do art. 3º da Lei n. 9.363/1996) O entendimento atualmente consolidado neste Tribunal esposa o critério de que deve haver o contato direto da matéria prima ou do produto intermediário com o produto em fabricação para que faça jus ao crédito presumido. Assim podemos ver esse entendimento compondo a Súmula CARF 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Sublinho minha interpretação que a exigência posta pela Lei não restringe que esse requisito seja cumprido no contato direto somente com o produto final, mas também com o produto em fabricação. Dentre os insumos glosados, pareceme claro que o cal, sendo aplicado para lavar a cana nas meses alimentadoras, tem contato direto com o produto em fabricação. Sendo assim, divirjo da autoridade fiscal e do acórdão recorrido nesse particular, para propor a reforma da glosa do insumo CAL. Há precedente nesta Corte com o mesmo tipo de insumo. Quanto aos outros insumos (hipoclorito de sódio, optisperse e fosfato, sal grosso, condicionador de lama) glosados, a recorrente não logrou demonstrar sua integração e contato direto com o produto em fabricação, razão por que entendo que devem ser mantidas as glosas. Com relação às aquisições de pessoas físicas e de cooperativas: Este Tribunal já possui entendimento no sentido de permitir o cômputo dos custos com insumos adquiridos dessa forma, tendo em vista que a Lei n.º 9.363/96 não vedou o direito ao crédito do contribuinte quando suas compras são realizadas de cooperativas ou de pessoas físicas. As Instruções Normativas n.º 23/97 e 103/97 restringiram indevidamente o direito a tomada de tais créditos, quando da aquisição de insumos de cooperativas e pessoas físicas, porque as normas complementares não podem restringir direito sem suporte legal (art. 100 do CTN). Tratase de matéria julgada pelo regime de Recurso Repetitivo do STJ, no RESP 993164, de relatoria do Ministro Luiz Fux. Por força regimental, somos obrigados a trazer ao voto o entendimento pacificador, resultante de decisão em sede de recurso representativo de controvérsia no Superior Tribunal de Justiça. A decisão do STJ assim definiu a matéria: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. RESP 993164, Min. Luiz Fux Desta forma, não temos alternativa, deve ser aceita a inclusão dos valores dos insumos adquiridos por não contribuintes do PIS e da Cofins no cálculo do crédito presumido do IPI. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13866.000310/200266 Acórdão n.º 3401002.984 S3C4T1 Fl. 7 11 Proponho dar provimento ao recurso neste item. Com relação à glosa de insumos utilizados no cultivo da lavoura de canadeaçúcar de propriedade da contribuinte Para a autoridade fiscal e para os julgadores de 1º piso, não podem ser aceitos para calcular o crédito presumido os custos da aquisição de insumo (calcário, fertilizantes, herbicidas, inseticidas, etc) utilizados no cultivo da lavoura de cana de açúcar de propriedade da contribuinte. Justificam eles: o cultivo da lavoura de cana de açúcar não se constitui em processo de industrialização, nos termos dados pela legislação do IPI; esses insumos não foram consumidos em contato direto com o produto no processo de fabricação, mas, sim, em uma etapa anterior a esse processo; e parte significativa desses insumos provêm de cooperativas que não são contribuintes dessas contribuições. Alega a recorrente que esses insumos são consumidos integralmente no processo de produção e que eles são indispensáveis a esse processo e aos produtos obtidos através dele. Eles são, de fato, produtos intermediários. A recorrente ilustra sua argumentação, referindose, claramente, ao preparo, manutenção e cultivo da lavoura de cana de açúcar. Entendo que o cultivo da lavoura de cana de açúcar é um processo de produção, mas, para os termos da apuração do crédito presumido de IPI, os custos base da apuração desse crédito devem se vincular diretamente ao processo de produção do tipo industrialização. A lavoura da cana de açúcar, não é um processo de industrialização. Em minha visão, o processo de industrialização da cana de açúcar pode ter como termo inicial a cana de açúcar matéria prima, ou seja, aquela que assim se constitui por seu colhimento; mas não antes disso, enquanto ela está sendo cuidada enquanto lavoura. Os custos glosados, s.m.j., se referem todos à fase anterior à colheita, ou seja, pertencem ao cultivo da cana de açúcar como lavoura. Portanto não podem ser considerados como custos da industrialização propriamente dita. As glosas me parecem corretas. Proponho não dar provimento ao recurso neste item. Com relação aos insumos utilizados na lavoura de cana de açúcar destinada à produção de alcool: A autoridade fiscal considerou indevida a apuração de crédito presumido com base nas aquisições de insumos utilizados na lavoura de cana de açúcar, como explicado no item anterior. A autoridade fiscal acrescenta: Todavia, não obstante não ter direito a este crédito, neste trimestre somente foram exportados açúcares, desta forma, não deveriam gerar créditos (ainda que fosse devido na aquisição de insumos aplicados na lavoura de cana) os insumos contidos na cana utilizada na fabricação de alcool. [apresenta dados quantitativos] Com efeito, está sendo utilizado o critério de rateio da cana de açúcar utilizada na produção do açúcar e do alcool efetuado pelo próprio contribuinte. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 A contribuinte alega que essa glosa é indevida por que: (1º) houve exportação de alcool no trimestre; (2º) não há proibição na Lei para se aproveitar os custos de insumos dos produtos fabricados e vendidos no mercado interno (cita decisões judiciais e administrativas); (3º) o artigo 2º da Lei n. 9.363, de 1996, deve ser lido restritivamente, ou seja, não deve se acrescentar proibição onde ela não existe, assim, quando ele fala em "valor total das aquisições de MP, PI e ME" ela abrange os custos dos bens exportados e também dos bens vendidos no mercado interno. Os julgadores de 1º piso mantiveram a glosa por entendêla incluída na glosa anterior. A contribuinte, em seu recurso, retoma as razões já expostas para pedir reforma dessa glosa. Os custos glosados se referem aos insumos aplicados no cultivo da lavoura de cana de açúcar, pela razão que eles não podem ser aceitos por não corresponderem ao processo de industrialização do alcool, mas, sim, a uma atividade agrícola. A recorrente se equivoca quando sugere que esses insumos não poderiam ser glosados pelo fato do alcool ser destinado ao mercado interno. A razão para a glosa é pertencerem eles à lavoura, atividade que não é de industrialização. A meu ver, correta foi a glosa e deve ela ser mantida. Não importa se o alcool obtido com a cana de açúcar foi ou não exportada ou destinada ao mercado interno; o que importa no caso é que esses custos não foram aceitos por que a legislação somente autoriza alguns tipos de custos industriais. Os custos glosados não são industriais. Sendo assim, não procedem os argumentos da recorrente. Proponho não dar provimento ao recurso neste item. Com relação ao pedido de suspensão de exigibilidade: A contribuinte requer seja reconhecida a suspensão do débito de IRPJ referente ao período de apuração de julho de 2002, cujo pedido de compensação fora atrelado ao pedido de ressarcimento em comento, tendo em consideração o presente recurso voluntário, consoante o que prescreve o § 11 do artigo 74 da Lei n. 9.430, de 1996. Em meu entendimento, o débito em questão está com a exigibilidade suspensa enquanto este pedido de ressarcimento, vinculados que estão entre si pelo pedido de compensação, não logra obter decisão definitiva. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Declaração de Voto CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13866.000310/200266 Acórdão n.º 3401002.984 S3C4T1 Fl. 8 13 Julguei conveniente explicitar as razões que me levaram neste caso concreto a votar favoravelmente ao contribuinte no tocante às "vendas com fim específico de exportação". É que tenho o mesmo entendimento esposado pelos julgadores de piso e pelo Conselheiro Robson, único vencido quanto a essa matéria, no sentido de que somente cumprem se caracterizam como "com o fim específico de exportação" aquelas remessas que se dão nos exatos termos do art. 2º do Decretolei 1.248, que vale a penas repisar: Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento Ou seja, o problemas estava no art. 1º e não no 2º. Sabese que o dispositivo acima foi reproduzido quase integralmente no art. 39 da Lei 9.532, embora, a meu sentir, de forma menos clara. De todo modo, seja por um ou por outro dispositivo, o fato é que somente podem ser equiparadas à exportação direta aquelas remessas que sejam feitas diretamente para embarque de exportação ou para depósito alfandegado. Quando as remessas se dão para outro local, e ainda que a empresa remetente possa comprovar que quantidade igual de mesma mercadoria veio posteriormente a se exportada, a remessa original não goza de benefício fiscal. Assim, tenho repetidamente votado pela manutenção de glosas efetuadas sob esse argumento. Ocorre que, neste caso específico, a autoridade fiscal não afirmou que as vendas não tenham atendido aos requisitos do parágrafo segundo do art. 39 da Lei 9.532 ou do art. 1º do Declei 1.248. Diferentemente, o óbice oposto foi a forma de constituição das empresas, que não atenderia aos requisitos do art. 2º desse último. Ademais, como bem aponta o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira e também em franca divergência com outros casos em que é apenas a empresa quem afirma e reafirma a ocorrência das exportações no que é a todo momento contestada pela autoridade fiscal aqui é a própria autoridade fiscal quem afirma que as exportações ocorreram. Foi somente a instância de piso que tentou recolocar a questão em seu adequada moldura, ao cobrar a remessa nos moldes preconizados no dispositivo. Mas o fez indicando como sendo do sujeito passivo o ônus da prova que deveria, portanto, ter sido produzida no momento de apresentação de sua manifestação de inconformidade sendo que o Fl. 653DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 despacho decisório, seguindo a proposta da autoridade que realizou as verificações in loco, nada indicara nesse sentido. Nesses termos, não divirjo do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira quando afirma que a manutenção das glosas não pode simplesmente passar a encontrar fundamento em outro impeditivo sem que ao menos seja dada ao sujeito passivo a oportunidade de produzir a prova contrária. E isso ainda que reconheça, como o faz o Conselheiro Robson José Bayerl, que o ônus da prova nesses casos de pleito de ressarcimento é, originalmente, do sujeito passivo, dado que é ele quem está postulando um direito. Mas vejo da descrição feita pelo n. relator que o interessado a produziu na medida do quanto lhe fora requerido até o momento da manifestação de inconformidade. Com efeito, não há nos autos prova de que as mercadorias não seguiram para recinto alfandegado ou diretamente para embarque (nem de que seguiram). Cabia, por isso, a meu ver, à instância de piso, requerer a complementação dessa prova faltante e não, comodamente, negar o pleito do contribuinte. Com essas considerações, acompanhei o n. relator, embora não acate sua conclusão no sentido de que a "comprovação" da posterior exportação baste para deferir os benefícios previstos seja no Decretolei 1.248, seja na Lei 9.532, art. 39. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 654DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10140.720065/2006-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
Incabível a lavratura de Auto de Infração em nome do de cujus, tendo o óbito ocorrido muito antes do fato gerador e constatando-se que a comunicação acerca da figura do Inventariante foi levada a cabo ainda no curso da ação fiscal, quando do primeiro atendimento a intimação.
Recurso especial conhecido em parte e negado
Numero da decisão: 9202-003.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Barreto, que davam provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka para redação do voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Redatora-Designada AD HOC para formalização do voto vencedor.
EDITADO EM: 17/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recurso especial conhecido em parte e negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Suplente Convocada) e Carlos Alberto Barreto, que davam provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo e Gustavo Lian Haddad. Designado o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka para redação do voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 65 /2 00 6- 28 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720065/200628 Acórdão n.º 9202003.594 CSRFT2 Fl. 185 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – RedatoraDesignada AD HOC para formalização do voto vencedor. EDITADO EM: 17/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), abrangendo alteração do valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte em sua DITR/2003. Realizouse a alteração através de arbitramento, utilizandose o VTN/ha. obtido a partir do sistema SIPT, uma vez que restou não comprovado pelo contribuinte o respectivo VTN/ha constante de sua declaração (vide efl.4). Insurgindose contra o lançamento, protocolizou o contribuinte impugnação de efls. 72 a 81, com o Acórdão de 1a. instância de lavra da DRJ/CGE (efls. 109 a 120) tendo afastado todas as preliminares levantadas pelo contribuinte para, no mérito, julgar totalmente procedente o lançamento. Protocolizou o contribuinte, então, Recurso Voluntário insurgindose contra a decisão de 1a. instância (efls. 127 a 137). Analisando o mencionado Recurso Voluntário, a 2ª Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) exarou o Acórdão nº 280201.159 (efls. 141 a 145), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR EXERCÍCIO: 2003 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720065/200628 Acórdão n.º 9202003.594 CSRFT2 Fl. 186 3 Considerando que o fato gerador do ITR lançado ocorreu após a morte do autuado, o lançamento deveria ser efetuado em nome do espólio, verdadeiro contribuinte do tributo. Recurso Voluntário Provido Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (efls. 150 a 157), onde defendeu a existência de divergência jurisprudencial em relação à decisão emanada em 26 de julho de 2006 pela 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes (Acórdão 10615.703), assim ementada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. Para a sua validade, é primordial que o ato de intimação seja capaz de dar total conhecimento ao sujeito passivo do resultado do procedimento fiscal, sendo eficaz no seu objetivo da mais larga defesa do sujeito passivo. A identificação concreta do prejuízo causado à defesa do sujeito passivo seria, por si só, suficiente para a invalidação da intimação, o que não ocorre na espécie, vez que exsurgem dos autos evidências que demarcam não ter ocorrido qualquer dano ao recorrente. NOTIFICAÇÃO EM NOME DO "DE CUJUS" SEM A IDENTIFICAÇÃO DE ESPÓLIO. Os atos processuais têm caráter instrumental, e, se a finalidade da lei for alcançada, embora mediante forma imperfeita, há de se ter a forma ou o ato como válidos. Se a notificação for feita em nome do "de cujus", sem o acréscimo da palavra "espólio" após o nome próprio do falecido, mas o representante legal impugnar o lançamento em nome do espólio e todos os demais atos forem praticados em nome ou contra o espólio, a finalidade da lei foi alcançada, mesmo que a forma adotada no lançamento não tenha sido perfeita (Precedente da CSRF). IRPF. ESPÓLIO. MULTA DE OFÍCIO Não responde o sucessor pela multa de natureza fiscal que deva ser aplicada em razão de infração cometida pelo "de cujus". Inteligência do artigo 133 do CTN. (Precedentes da CSRF). Recurso parcialmente provido. Aduz a Fazenda Nacional (FN) em seu pleito recursal que, quanto a esta seara, o AcórdãoParadigma considerou válida a notificação feita em nome de pessoa falecida, eis que, após tal fato, o espólio, na pessoa de seu inventariante impugnou o lançamento, tendo, portanto, sido alcançada a finalidade da lei. Observa a FN que o mesmo ocorre no presente processo, eis que a notificação foi feita em nome da pessoa falecida, mas o inventariante impugnou o auto de infração e, como dito pelo próprio Relator do processo, respondeu a todas as intimações feitas pela Fiscalização. Entende que não obstante o erro quanto ao sujeito passivo, não há que se cancelar o auto de infração, por não haver prejuízo, até porque houve a oportunidade de impugnação. Colaciona doutrina sustentando tal posicionamento. Subsidiariamente, segue a FN, é de se alegar, caso o entendimento da Turma seja de persistência de vício no auto de infração, que seja analisada a divergência entre o Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720065/200628 Acórdão n.º 9202003.594 CSRFT2 Fl. 187 4 recorrido e os AcórdãosParadigmas oriundos das 1ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuinte (Acórdão nº 30133.686) e pela 3ª Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 30330.909) que entenderam que o erro de identificação do sujeito passivo não é causa de cancelamento do auto de infração (posicionamento adotado pelo recorrido), mas sim motivo para anulálo por vício formal, na forma das seguintes ementas: Acórdão nº 30133.686 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo, por vício formal, de lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO Acórdão nº 30330.909 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. VÍCIO FORMAL ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. Constatado vício formal, por erro na identificação do sujeito passivo, deve ser declarada, de ofício, a nulidade do auto de infração, por não observância do disposto no art. 142 do CTN. RECURSO DE OFÍCIO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Quanto a esta outra matéria, traz à colação o art. 10 do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, defendendo que as matérias ali elencadas, dentre elas a qualificação do autuado, possuem natureza formal, determinando como o ato administrativo, o lançamento, deve exteriorizarse, tendo por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório. Entende que não há de se admitir tal vício de erro de identificação do sujeito passivo como de natureza material, pois, se assim fosse, estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu, o que, contudo, não é a situação retratada nos autos, pois a infração tributária resta devidamente evidenciada no Relatório Fiscal do Auto de Infração, que também se fez acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados, o que não foi negado pelo autoridade julgadora. Novamente colaciona doutrina e, agora, jurisprudência oriunda deste Conselho suportando sua argumentação. O recurso foi regularmente admitido quanto a ambas as matérias, na forma de efls. 166 a 168. Regularmente intimado, o contribuinte oferece contrarrazões de efls. 172 a 180, onde defende que a identificação do autuado é requisito essencial para a validade do auto e condição para a formação e desenvolvimento da relação processual, sendo que a ciência do auto de infração e de qualquer nova ação dos autuantes é obrigatória, sob pena de se ver caracterizado cerceamento de direito de defesa. Destaca a necessária obediência aos princípios da legalidade, ampla defesa, verdade real e informalismo. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720065/200628 Acórdão n.º 9202003.594 CSRFT2 Fl. 188 5 Quanto à natureza de vício formal relacionada ao erro de identificação do sujeito passivo, propugna que agiu corretamente o Acórdão recorrido, dado que uma vez declarada a nulidade do auto de infração é de se cancelálo. Defende que seja negado provimento ao recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, porém há uma questão referente a sua admissibilidade que necessita de análise. De pronto, cabe colocar que alguns dos acórdãos apresentados a título de paradigma são do mesmo colegiado e, portanto, não se prestam para comprovação de divergência. No acórdão recorrido, se enfrenta situação em que o fato gerador ocorreu em 2003, após a morte do de cujus, ocorrida em 1996, conforme se depreende do exerto do voto da Conselheira Relatora, a seguir reproduzido: Consta dos autos às fls. 71, a Certidão de Óbito em que consta o registro do falecimento de “José Cândido de Paula” ocorrida em 21 de fevereiro de 1.996, aos setenta e um anos de idade. Somente em 15 de janeiro de 2002, foi deferido ao Sr. José Henrique Coelho de Paula, pelo Exmo. Juiz de Direito da Comarca de Campo Grande, o compromisso de atuar como inventariante (fl. 72) Já, no acórdão paradigma, o fato gerador ocorreu antes da morte do de cujus, conforme se depreende da leitura do voto do Conselheiro Relator, nos termos a seguir reproduzidos: Conforme atestado de óbito de fls. 02, o Sr. Walter Orlando D'Oliveira Porto faleceu em 27/03/2000, após a ocorrência do fato gerador do IRPF do exercício 1998, anocalendário 1997. Ora, não havendo semelhança fática entre as situações tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma, fica prejudicada a verificação de divergência quanto ao critério jurídico a elas aplicável. Portanto, não conheço do recurso quanto a este ponto. Já quanto ao pedido de consideração do vício como formal, os acórdãos apontados como paradigma tratam genericamente quaisquer vícios na identificação do sujeito passivo com formal. Portanto, aqui fica verificada a divergência e, assim, conheço do recurso nesta parte. A discussão trata do posicionamento a ser adotado na hipótese em que, ocorrido o falecimento de determinado contribuinte previamente à ocorrência do fato gerador (no caso, o óbito do Sr. José Cândido de Paula ocorreu em 1996, conforme Certidão de efl. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720065/200628 Acórdão n.º 9202003.594 CSRFT2 Fl. 189 6 84), a autoridade tributária constitui o crédito não em nome do espólio, mas sim em nome do de cujus (conforme Notificação de efls. 02 a 05). Da análise dos elementos carreados aos autos verifico que, desde o início da ação fiscal, esteve sempre clara a condição de falecimento do intimado, tendo sido a referida condição sempre informada em sede de resposta à intimação (vide efls. 09 a 69). Entendo assistir razão à recorrente no que diz respeito a se tratar, na hipótese, de ocorrência de vício formal e não de cancelamento do auto consoante decidiu o vergastado, cabível assim, em meu entendimento, o refazimento do mesmo, no prazo determinado pelo art. 173, inciso II da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966. Alinhome aqui aos que entendem só se estar diante de vício material no caso de eventual desalinho do fato jurídicotributário ao critério pessoal estabelecido pela regra matriz de incidência, o que não vislumbro ter ocorrido na situação sob análise, tratandose, na hipótese, de erro de fato no lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso especial da Fazenda Nacional para, na parte conhecida, darlhe provimento, reformandose o Acórdão recorrido, de forma a que se declare a nulidade do lançamento por vício formal, permitido seu refazimento no prazo decadencial estabelecido pelo art. 173, II do CTN. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720065/200628 Acórdão n.º 9202003.594 CSRFT2 Fl. 190 7 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, RedatoraDesignada Ad Hoc Primeiramente, esclareçase que esta Conselheira foi designada para redigir o voto vencedor, tendo em vista que o RedatorDesignado, Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, deixou o Colegiado sem que fosse formalizado o respectivo acórdão. Assim, registrese de plano que esta Conselheira não compartilha da tese que orientou o voto vencedor, no sentido de que, de forma genérica, seria nulo por vício material o lançamento efetuado em face do espólio, porém em nome do de cujus. Cabe aqui ressalvar o posicionamento desta Conselheira, acompanhado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, no sentido de que, neste caso específico, em que o fato gerador ocorreu após o falecimento do de cujus, e tal situação foi claramente exposta ainda por ocasião da ação fiscal, quando do primeiro atendimento a intimação pelo Inventariante (fls. 08 a 15), constatase efetivamente a existência de vício material. Com efeito, a autuação deveria ter sido efetuada em nome do espólio, que é inclusive o sujeito passivo direto da obrigação tributária, e não apenas o responsável por eventual falta cometida pelo de cujus. A situação foi assim resumida, no acórdão recorrido: “Consta dos autos às fls. 71, a Certidão de Óbito em que consta o registro do falecimento de ‘José Cândido de Paula’ ocorrida em 21 de fevereiro de 1.996, aos setenta e um anos de idade. Somente em 15 de janeiro de 2002, foi deferido ao Sr. José Henrique Coelho de Paula, pelo Exmo. Juiz de Direito da Comarca de Campo Grande , o compromisso de atuar como inventariante (fl. 72) A resposta ao Termo de Intimação foi realizada em nome do Espólio do de cujus por seu inventariante, em 28/04/2006, conforme documentação de fls. 08/13, Ora, desse simples resumo, verificase que a infração lançada, não pode ser atribuída ao de cujus, uma vez que falecido, em 1.996, antes da ocorrência do fato gerador, não era mais o proprietário do imóvel; tampouco o espólio deve ser apenas o responsável pelo crédito tributário, conforme artigo 5° da Lei n° 9393/96, mas sim, o próprio sujeito passivo da relação jurídica tributária, como dispõe o artigo 4° dessa mesma lei (...)” Destarte, no caso dos autos, inexistiu qualquer óbice ou justificativa para que o lançamento, derivado de ação fiscal levada a cabo em 2006, não fosse formalizado em face do legítimo sujeito passivo, que era o espólio, tendo o fato gerador ocorrido em 2003 e o falecimento do de cujus em 1996. Entretanto, a tese majoritário, no presente julgamento, foi no sentido de que, genericamente, é nulo por vício material o lançamento formalizado em face do de cujus, quando deveria ser em nome do espólio. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10140.720065/200628 Acórdão n.º 9202003.594 CSRFT2 Fl. 191 8 Diante do exposto, compartilho do posicionamento do Ilustre Relator no que tange ao conhecimento em parte do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo RedatoraDesignada Ad Hoc Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/07/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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