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Numero do processo: 11080.725245/2013-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. ESTANDO DEMONSTRADA A OMISSÃO DE RENDIMENTO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, DEVIDAMENTE CONFIRMADA POR DOCUMENTOS ORIGINÁRIOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO, DEVE SER MANTIDO O LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
RECURSO EM QUE SE NEGA PROVIMENTO.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
Numero da decisão: 2002-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni, Fábia Marcilia Ferreira Campelo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTES DE AÇÃO TRABALHISTA. ESTANDO DEMONSTRADA A OMISSÃO DE RENDIMENTO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, DEVIDAMENTE CONFIRMADA POR DOCUMENTOS ORIGINÁRIOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO, DEVE SER MANTIDO O LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EM QUE SE NEGA PROVIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
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ESTANDO DEMONSTRADA A OMISSÃO DE RENDIMENTO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, DEVIDAMENTE CONFIRMADA POR DOCUMENTOS ORIGINÁRIOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO, DEVE SER MANTIDO O LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EM QUE SE NEGA PROVIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montes Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni, Fábia Marcilia Ferreira Campelo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 52 45 /2 01 3- 40 Fl. 70DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário face a decisão de 1ª instância que negou provimento a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado auto de infração por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, e feita a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Foi reduzida a restituição pleiteada no valor de R$ 33.147,77 para R$ 6.772,71, em face das irregularidades constatadas pela fiscalização na Declaração de ajuste anual do contribuinte já qualificado, exercício 2010, ano calendário 2009. A fiscalização informa nas folhas 12, ter constatado omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 92.228,74. As folhas 13 informa que procedeu a grosa do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.012,16. O contribuinte apresenta recurso voluntário nas folhas 46/53, negando ter havido omissão na declaração de rendimentos relativo aos créditos auferidos no processo trabalhista apontando o valor de R$ 92.228,74; alega também que houve desrespeito aos princípios da legalidade, isonomia e capacidade contributiva e que deveria receber uma restituição no valor de R$ 33.147,77 e não o valor de R$ 8.746,95. Não combate a compensação indevida de imposto retido na fonte. A r. decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento em Porto Alegre (RS), assim julgou: Impugnação Improcedente, Direito Creditório Não Reconhecido. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Em sua impugnação o contribuinte confessa que realizou a declaração de forma diferenciada, e que dividiu seus rendimentos de forma liquida e bruta, em razão desse procedimento, chegou a tomar valores incorretos, senão vejamos: O valor da ação era de R$ 670.809,92: IRRF no valor de R$ 137.583,53 Total de rendimentos recebidos pelo autor R$ 533.226,39 Na apuração de rendimentos isentos de tributação, do total de R$ 670.809,92, foram descontados os rendimentos isentos no valor de R$ 53.189,19, descontandose um do outro, chegamos ao valor de R$ 617.620,73; descontada as deduções com advogado no valor Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11080.725245/201340 Acórdão n.º 2002000.006 S2C0T2 Fl. 3 3 de R$ 124.048,69, chegamos ao valor de R$ 493.572,04, valores esperados na declaração de ajuste anual do IR. Na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, ano calendário 2009, exercício 2010, o contribuinte declara ter recebido o valor de R$ 401.343,30, eis aí a diferença: R$ 493.572,04 R$ 401.343,30 = R$ 92.228,74. Assim fica demonstrada a omissão de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, comprovada com documentos originários da Justiça do Trabalho, devendo ser mantido o crédito tributário. Quanto aos princípios referidos pelo contribuinte, de legalidade, isonomia e capacidade contributiva, correta está a decisão da DRT " O lançamento está em perfeita consonância com os ditames previstos pelos artigos 1º a 3º e parágrafos da Lei 7.713/88, artigos 1º a 3º da Lei 8.134/90, artigo 12, inciso V, da Lei 9.250/95, artigos 1º e 15 da Lei 10.451/2002, artigo 28 da Lei 10.833/2003 e artigo 7º, parágrafos 1º e 2º, 43 e 87, inciso IV, parágrafo 2º do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 sem ferir quaisquer dos princípios aludidos". Quanto a compensação indevida, não há de se falar nada, eis que não foi combatida. CONCLUSÃO Ante o exposto, mantenho a r. decisão de origem por seus próprios e doutos fundamentos. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727314/2009-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz – Redatora designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 14 /2 00 9- 70 Fl. 164DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2102003.020, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 155.282,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 76 e ss., julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 84/108, reiterando os argumentos feitos em sua impugnação. Às fls. 121/125, novamente o Contribuinte acostou aos autos petição informando dos termos da decisão proferida pelo STF quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 684168 (em que houve reconhecimento da existência de repercussão geral da questão constitucional), no sentido de que há ausência de interesse da União em fiscalizar e arrecadar o imposto de renda quando o produto da sua arrecadação pertence ao Estado, nos termos do art. 157, I, da Constituição Federal. Assim, afirmou a RECORRENTE que o entendimento do STF deveria ser aplicado ao caso em questão, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, uma vez que o imposto ora cobrado pertenceria ao Estado da Bahia. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 133/143, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 9202006.400 CSRFT2 Fl. 10 3 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura da Bahia, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730. Às fls. 145/153, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba de abono variável denominado “Valores Indenizatórios de URV”, recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual para fins de incidência de IRPF. De um lado, o acórdão recorrido entendeu que sobre a diferença de remuneração diferenças de URV paga não incide o Imposto de Renda Pessoa Física em razão de uma interpretação extensiva da Lei 9.655/98, que considerou isenta tais verbas pagas aos membros da magistratura federal. De outro os acórdãos paradigmas, consideraram que sobre os abonos variáveis – também diferença de remuneração pagos incide Imposto de Renda Pessoa Física, haja vista a vedação à extensão com base em analogia em sede de incidência tributária. Às fls. 155/157, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à natureza da verba de abono variável recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual. Intimado à fl. 160, o Contribuinte permaneceu inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito Fl. 166DF CARF MF 4 tributário, no valor de R$ 155.282,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba de abono variável denominado “Valores Indenizatórios de URV”, recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual para fins de incidência de IRPF. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 9202006.400 CSRFT2 Fl. 11 5 a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se Fl. 168DF CARF MF 6 seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 9202006.400 CSRFT2 Fl. 12 7 Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Fl. 170DF CARF MF 8 Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. É como voto. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 9202006.400 CSRFT2 Fl. 13 9 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV). Argumenta o Recorrente, em síntese, a incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza remuneratória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, Fl. 172DF CARF MF 10 pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.002921/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/09/2002 a 06/11/2006
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
Aplica-se a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria no caso de classificada incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/09/2002 a 06/11/2006
NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITO PASSIVS REGULARMENTE CIENTIFICADO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração em que, após a conclusão do procedimento fiscal, o autuado foi devidamente cientificado e uma oportunizado o direito de defesa, este foi plena e adequadamente exercido.
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial é produzida com a finalidade de suprir a deficiência de conhecimento técnico especializado da autoridade julgadora.
2. O indeferimento da produção da prova pericial não configura vício de nulidade da decisão, por cerceamento ao direito de defesa, se a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que tal prova era prescindível para a formação de sua convicção sobre os elementos probatórios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/09/2002 a 06/11/2006 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. Aplica-se a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria no caso de classificada incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/09/2002 a 06/11/2006 NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITO PASSIVS REGULARMENTE CIENTIFICADO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração em que, após a conclusão do procedimento fiscal, o autuado foi devidamente cientificado e uma oportunizado o direito de defesa, este foi plena e adequadamente exercido. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial é produzida com a finalidade de suprir a deficiência de conhecimento técnico especializado da autoridade julgadora. 2. O indeferimento da produção da prova pericial não configura vício de nulidade da decisão, por cerceamento ao direito de defesa, se a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que tal prova era prescindível para a formação de sua convicção sobre os elementos probatórios. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/09/2002 a 06/11/2006 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. Aplicase a multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria no caso de classificada incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/09/2002 a 06/11/2006 NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. SUJEITO PASSIVS REGULARMENTE CIENTIFICADO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração em que, após a conclusão do procedimento fiscal, o autuado foi devidamente cientificado e uma oportunizado o direito de defesa, este foi plena e adequadamente exercido. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial é produzida com a finalidade de suprir a deficiência de conhecimento técnico especializado da autoridade julgadora. 2. O indeferimento da produção da prova pericial não configura vício de nulidade da decisão, por cerceamento ao direito de defesa, se a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que tal prova era prescindível para a formação de sua convicção sobre os elementos probatórios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 29 21 /2 00 6- 31 Fl. 278DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado (fls. 01/14) para a exigência do crédito tributário relativo à multa regulamentar e proporcional ao valor aduaneiro, conforme o art 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 27 de agosto de 2001, em virtude da mercadoria JOWATHERM 250.00 ter sido classificada incorretamente pelo contribuinte na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) no código 3506.91.90 em diversas Declarações de Importação, no período de 10/09/2002 a 06/11/2006. Relata a auditoria fiscal que, por ocasião do despacho de importação da DI 02/10129632, foram retiradas amostras do produto, sendo que o Laboratório de Análises da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp FUNCAMP, conforme o laudo n° 0371.05 (fls. 158/159), concluiu tratarse "de Adesivo preparado à base de Poli(Etileno/Propileno/Dieno), Hidrocarboneto Alifático e Composto Aromático, na forma de pedaços irregulares". Assim, entende que o correto enquadramento em termos de item é na codificação 3506.91.10, definido na Tarifa Externa Comum como "Outros Adesivos A base de Borracha", pois é especifica para tais produtos, enquanto que a autuada utilizou a codificação residual 3506.91.90 (Outros). Regularmente cientificada (fl. 171), a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 174/183, nas quais, em síntese: Alega que o auto de infração encontrase eivado de nulidade, haja vista que a perícia foi realizada de forma unilateral, sem o Fl. 279DF CARF MF Processo nº 11050.002921/200631 Acórdão n.º 3302005.208 S3C3T2 Fl. 278 3 seu acompanhamento, fato que não atendeu aos requisitos de legalidade inerentes ao processo administrativo tributário, bem como atenta contra o constitucional direito ao contraditório e A ampla defesa. Argui que o Laudo Técnico não foi juntado ao processo, o que macula o seu direito de defesa. Aduz que a classificação fiscal por ela adotada encontrase correta, pois os produtos importados tratamse de "Outros adesivos à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13", pelo que devem ser classificados na posição residual 3506.91.90, pois não contém borracha em sua formulação, e não na posição 3506.91.10, como pretende a Fiscalização. Informa que o produto contém em sua formulação, poliolefinas (1Buteno, polímero com eteno e 1 propeno), eteno homo polímero, e não contem qualquer espécie de borracha que possa fazer seja classificado na posição 3506.91.10, conforme se verifica do documento anexo. Entende ser indispensável a realização de nova perícia para que seja esclarecida qual é a correta classificação fiscal do produto, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72. Informa o seu assistente técnico e elenca quesitos. Requer seja acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração, ou, na eventualidade de não ser acolhida, requer seja julgado totalmente improcedente o presente Auto de Infração. Por fim, requer sejam as intimações realizadas em nome de seus procuradores no endereço informado. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 245/250), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário integralmente mantido, sob o fundamento de que a mercadoria fora incorretamente classificada na NCM nas respectivas Declarações de Importação (DI). Em 10/7/2012 a recorrente foi cientificado da decisão. Inconformada, em 7/8/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 256/269, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou a nulidade da decisão recorrida, sob argumento de que não fora acolhido o pedido de perícia manejado em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 280DF CARF MF 4 A lide envolve questões preliminares e de mérito. Das questões preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade auto de infração e da decisão recorrida. A recorrente reiterou a alegação suscitada na fase impugnatória de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que não teve a oportunidade de acompanhar e se manifestar sobre procedimento fiscal, o que afrontara requisitos mínimos de legalidade inerentes ao processo administrativo fiscal. A recorrente não distingue as fases do processo administrativo fiscal, que se encontram bem delimitadas no Decreto 70.235/1972, regulamentado pelo Decreto 7.574/2011. Confunde a fase meramente procedimental ou inquisitória, regida essencialmente pelo princípio inquisitivo, com fase defensiva ou litigiosa, regida pelo princípio do direito defesa e do contraditório. O que a recorrente alegou que lhe fora obstado tratase do exercício das prerrogativas asseguradas à autoridades fiscal, pelo art. 142 do CTN, de proceder a verificação da correta apuração do crédito tributário e, se for o caso, lançar a totalidade ou a diferença do crédito tributário apurado, por meio da notificação de lançamento ou do auto de infração, nos termos dos arts. 9º a 11 do Decreto 70.235/1972. Nessa fase, de cunho marcadamente inquisitório, a autoridade fiscal tem amplos poderes de investigação para apuração dos fatos. E para bem desincumbirse desse mister poderá intimar o contribuinte a apresentar esclarecimentos e documentos, bem como realizar as diligências ou perícias que entenda necessárias, para a adequada instrução probatória dos fatos apurados. No caso, para adequada instrução probatória era imprescindível a produção de prova pericial e ela foi produzida em conformidade com o que determina os arts. 509 e 722 do Decreto 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002). E diferentemente do que alegou a recorrente, segundo o Pedido de Exame ao Laboratório Nacional de Análise (fl. 160), por meio do representante legal, a recorrente acompanhou e teve plena ciência da amostra do produto submetida a exame e dos quesitos formulados ao perito e, na oportunidade, poderia ter formulados outros quesitos e não fez. Em seguida, instaurada a fase de defesa ou litigiosa do procedimento, com a apresentação da impugnação, nos termos do art. 14 do 70.235/1972, a recorrente teve assegurado o amplo direito de defesa. Assim, uma vez oportunizado à recorrente e adequadamente exercido o seu direito de defesa, não resta configurado o alegado cerceamento do direito de defesa na fase procedimental, logo, rejeitase a presente preliminar de nulidade. A recorrente alegou nulidade da decisão recorrida, sob o fundamento de que, como não fora apresentada uma razão plausível para o indeferimento da realização do pedido de perícia, foram violados os princípios do contraditório e da ampla defesa. A decisão do órgão julgador de primeiro grau não merece qualquer reparo. Sabese que, no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a decisão quanto ao deferimento ou não de realização de prova pericial constitui uma prerrogativa da autoridade julgadora, portanto, decisão restrita ao âmbito do seu poder discricionário. E a justifica para Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11050.002921/200631 Acórdão n.º 3302005.208 S3C3T2 Fl. 279 5 essa atribuição encontra respaldo na circunstância de ser a autoridade julgadora a destinatária, por excelência, da prova a ser produzida nos autos, com vistas a formação da sua convicção acerca dos fatos controversos. Tanto é assim, que, se não existir pedido de realização de produção ou de produção de prova pericial nos autos, de ofício, a autoridade julgadora poderá determinação a sua produção, se entendêla que ela é imprescindível para formação da sua convicção sobre a matéria probatória. Esse é o entendimento que se extrai da interpretação combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, por estar devidamente fundamentado o indeferimento da realização da produção da prova pericial requerida pela recorrente, rejeitase o pedido de nulidade da decisão recorrido, por cerceamento do direito de defesa da recorrente. Por fim, cabe consignar que, no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a intimação do contribuinte é feita em conformidade com o disposto no art. 23 do Decreto 70.235/1972, no qual não existe previsão para intimação dos patronos do sujeito passivo. Por essa razão, não há como atender a pretensão da recorrente de que a intimação seja feita, exclusivamente, no endereço dos patronos. Das questões de mérito. No mérito, o cerne da controvérsia cingese ao enquadramento do produto descrito nas DI como “ADESIVO A BASE DE POLIOLEFINA EM MEIO NÃO AQUOSO”, denominado comercialmente de “JOWATHERM 250.00”, em nível de item da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Com base nas conclusões exaradas no laudo técnico de fl. 161, a fiscalização concluiu que o correto enquadramento do produto seria no código NCM 3506.91.10, enquanto que para a autuada a correta classificação do produto seria no código NCM 3506.91.90. Na NCM, os referidos códigos pertencem à posição 35.06 e têm a seguinte descrição: 35.06 COLAS E OUTROS ADESIVOS PREPARADOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES; PRODUTOS DE QUALQUER ESPÉCIE UTILIZADOS COMO COLAS OU ADESIVOS, ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO COMO Fl. 282DF CARF MF 6 COLAS OU ADESIVOS, COM PESO LÍQUIDO NÃO SUPERIOR A 1kg [...] 3506.9 Outros 3506.91 Adesivos à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13 ou de borracha 3506.91.10 À base de borracha 3506.91.20 À base de polímeros das posições 39.01 a 39.13, dispersos ou para dispersar em meio aquoso 3506.91.90 Outros [...] (grifos não originais) Os textos dos itens da subposição 3506.91 compreende somente os “adesivos à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13 ou de borracha”. O item 10 compreende os adesivos à base de borracha, enquanto nos itens 20 e 90 estão incluídos os “adesivos à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13”, sendo que no item 20 compreende p “dispersos ou para dispersar em meio aquoso” olímeros “dispersos ou para dispersar em meio aquoso” e no item 90 os outros, ou seja, os não “dispersos ou para dispersar em meio aquoso”. Na resposta ao primeiro quesito formulado pela autoridade fiscal, o Órgão técnico esclareceu que o produto importado pela recorrente era um adesivo à base de borracha. Senão veja a resposta que segue integralmente transcrita: Tratase de Adesivo preparado à base de Poli(Etileno/Propileno/Dieno), Hidrocarboneto Alifático e Composto Aromático, na forma de pedaços irregulares, Outro Adesivo à base de Borracha, Adesivo preparado não especificado nem compreendido em outras posições. (grifos não originais) Embora na resposta tenha sido utilizado termos técnicos para descrever a composição do produto, o autor do laudo esclareceu, em linguagem comum, que o “Adesivo preparado à base de Poli(Etileno/Propileno/Dieno), Hidrocarboneto Alifático e Composto Aromático” significava “Outro Adesivo à base de Borracha”. Além disso, cabe ressaltar que a própria recorrente já classificou o citado produto no código NCM 3506.91.10, conforme esclarecido no excerto extraído da descrição dos fatos do auto infração, que transcrito: Cabe ainda mencionar o fato de que em importação do produto JOWATHERM 250.00, descrito na ocasião como “ADESIVO A BASE DE BORRACHA: JOWATHERM 250.00", Declaração de Importação 04/03464808 (Doc. 004), a Autuada, de maneira espontânea, empregou corretamente a NCM 3506.91.10. Nas Declarações de Importação 04/02755590 e 04/02755663, houve exigência Fiscal para reclassificação do produto na NCM correta (3506.91.10), tendo sido tal exigência cumprida pela Autuada, portanto, a mesma se encontra ciente quanto à correta classificação fiscal. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11050.002921/200631 Acórdão n.º 3302005.208 S3C3T2 Fl. 280 7 No presente recurso, a recorrente alegou que o produto importado era outro adesivo à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13, classificado no código NCM 3506.91.90, conforme consignado no excerto a seguir a transcrito: Esses produtos são Outros adesivos à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13, pelo que devem ser classificados na posição residual n. 3506.91.90, pois não contêm borracha em sua formulação. Ora, se o produto era “Outros adesivos à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13” (não “dispersos ou para dispersar em meio aquoso”), classificado no código NCM 3506.91.90, contraria a resposta dada pelo Órgão técnico ao quesito nº 2 de que o produto não se tratava de adesivo à base de polímeros ou de misturas de polímeros. Assim, além de informar que o adesivo era à base de borracha, o laudo técnico também deixou, expressamente, esclarecido que o produto não era adesivo à base de polímeros ou de mistura de polímeros. Logo, a conclusão óbvia é que o produto importado pela recorrente classificase no código NCM 3506.91.10 e não no código NCM 3506.91.90, reservado aos “Outros adesivos à base de polímeros das posições 39.01 a 39.13” NÃO “dispersos ou para dispersar em meio aquoso”. Como o referido laudo técnico atende os requisitos determinados nos arts. 509 e 722 do Decreto 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002), complementados pelo disposto na Instrução Normativa SRF 157/1998, vigentes na época das importações em referência, em conformidade com o disposto no art. 30 do Decreto 70.235/1972, as informações e conclusões técnicas nele apresentadas serão aqui adotadas como razão decidir. Com efeito, segundo o disposto no art. 5091 do RA/2002, havendo necessidade de quantificação ou identificação de mercadoria importada, a fiscalização aduaneira ou próprio importador solicitará assistência técnica especializada, observado o disposto no art. 722, a seguir transcrito: Art. 722. A assistência técnica para identificação e quantificação de mercadoria importada ou a exportar, bem assim a avaliação de equipamentos de segurança e sistemas informatizados, e a emissão de laudos técnicos sobre o estado e o valor residual de bens, será proporcionada: I pelos laboratórios da Secretaria da Receita Federal; II por órgãos ou entidades da Administração Pública; ou III por entidades privadas e técnicos, especializados, previamente credenciados. § 1o A Secretaria da Receita Federal expedirá ato normativo em que: 1 "Art. 509. Na quantificação ou identificação da mercadoria, a fiscalização aduaneira poderá solicitar assistência técnica, observado o disposto no art. 722 e na legislação específica". Fl. 284DF CARF MF 8 I regulará o processo de credenciamento dos órgãos, das entidades e dos técnicos a que se referem os incisos II e III do caput;e II estabelecerá o responsável, o valor e a forma de retribuição pelos serviços prestados. (...) (grifos não originais) Em conformidade com o disposto no art. 509 do RA/2002, o art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 157, de 1998, determina os procedimentos e as condições para solicitação e deferimento da assistência técnica requerida, nos termos a seguir transcrito: Art. 17. A assistência técnica poderá ser solicitada pelo: I AuditorFiscal do Tesouro Nacional AFTN, no exercício de atividade fiscal; II importador, exportador ou transportador; § 1º Caberá ao titular da unidade local, relativamente às solicitações de assistência técnica: a) decidir quanto à sua oportunidade e conveniência, inclusive nos casos de instrução ou decisão em processo; b) designar a instituição ou o perito encarregado de sua execução. § 2º No caso de comprovação da boa aplicação de mercadoria importada com benefício fiscal, a assistência técnica será determinada pelo titular da unidade que jurisdicionar o local em que a mercadoria se encontre. § 3º Na solicitação de assistência técnica, os quesitos considerados essenciais à identificação da mercadoria deverão ser formulados de maneira clara e concisa. § 4º Não terá prosseguimento a solicitação de assistência técnica que não atender ao disposto no parágrafo precedente. § 5° A assistência técnica poderá ser solicitada, também, nas operações que envolvam a exportação e a importação de pedras preciosas e semipreciosas, metais preciosos, obras derivadas e artefatos de joalheria. (grifos não originais) Em complementação ao disposto no art. 722 do RA/2002, o art. 36 da Instrução Normativa SRF 157/1998, vigente na data da expedição do laudo, estabelecia os seguintes requisitos do Laudo Técnico de identificação de mercadoria, ipsis litteris: Art. 36. Os laudos técnicos emitidos por instituições e peritos credenciados, destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar, deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) I – explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11050.002921/200631 Acórdão n.º 3302005.208 S3C3T2 Fl. 281 9 II – exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente à mensuração de mercadoria a granel; (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) III – indicação das fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial. (Incluído pela IN SRF nº 152, de 08/04/2002) Com base no disposto na legislação transcrita, fica evidente que o referido laudo técnico atende plenamente os requisitos determinado na citada legislação, portanto, deve ser acatado como prova hábil e idônea da identificação do produto importado pela recorrente. Com base nessas considerações, chegase a inexorável conclusão de que o produto importado pela recorrente tratase de “outro adesivo à base de borracha”, classificado no código NCM 3506.91.10, conforme corretamente determinou a auditoria fiscal. E uma vez demonstrado que o produto foi incorretamente classificado na NCM, resta configurada a infração e penalidade previstas no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou [...]. Assim, uma vez classificado incorretamente na NCM o produto importado, a aplicação da referida multa era devida, logo, procedente presente autuação. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por rejeitar as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 286DF CARF MF 10 Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000224/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2007 A 30/09/2007 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 24 /2 00 8- 86 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 16349.000224/200886 Acórdão n.º 3201003.366 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.901, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 16349.000224/200886 Acórdão n.º 3201003.366 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.907149/2011-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que aprecie os documentos apresentados pela recorrente no Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Cleber Magalhães que votaram por negar provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir a Resolução o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Despacho Decisório 015086657 Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 05714.68597.310308.1.1.103706, houve reconhecimento de direito creditório que foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual foi homologado parcialmente a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido Manifestação de Inconformidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 07 14 9/ 20 11 -9 5 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 64 2 A recorrente, em manifestação de inconformidade, solicita a extinção do crédito tributário relativo ao despacho decisório, mediante o deferimento da compensação com débitos de IRPJ. Erro no preenchimento da DCOMP Ao preencher o Per/Dcomp, teria informado que a totalidade de créditos de PIS seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, de fato, tais créditos vincularseiam às receitas de exportação. Aponta a ficha 26B da DACON A justificativa do lapso, segundo o raciocínio apontado, decorreria do fato de ter tomado por base os dados da DACON original, a qual não segregou, ou vinculou, a receita interna e externa, mas teria informado de forma mensal totalizada. Ou seja, por ter consignado que os créditos estavam integralmente vinculados a receitas não tributadas no mercado interno, quando deveria ter segregado entre receitas de mercado interno e externo. Origem do Crédito mercado interno não tributado e receita de exportação Argumenta que a totalidade do crédito de PIS a compensar seria oriunda de aquisicões no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas. Quando, em verdade, apenas parte de aquisições ocorreram no mercado interno com receitas não tributadas. Enquanto parcela diversa referiase a receita de exportação. A Ficha 28B, DACON, apresenta informação do crédito de PIS vinculado a receita não tributada no mercado interno e proveniente de exportação, assegurando a legitimidade do crédito de PIS. DRJ/FOR A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0833.006 4ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 TIPO DE CRÉDITO. DISCRIMINAÇÃO. PER/DCOMP. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação exigem a formulação de pleitos distintos quando da demonstração de créditos de natureza não cumulativa decorrentes de aquisição no mercado interno e de receitas de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em oposição ao Despacho Decisório (fl. 35) que deferiu parcialmente o crédito Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 65 3 demonstrado no PER/DCOMP nº 5714.68597.310308.1.1.103706 e homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 23204.05947.310308.1.3.105345. O primeiro PER/DCOMP acima citado continha o Pedido de Ressarcimento e a demonstração do crédito referente a Pis/Pasep não cumulativa vinculada a receita não tributada no mercado interno, relativamente ao 2º trimestre de 2005, e lastreava as compensações intentadas. O Despacho Decisório não homologou as compensações sob a justificativa de que o crédito apurado foi inferior ao requerido, sendo o valor reconhecido insuficiente para extinguir os débitos declarados. Cientificado da decisão em 17/01/2012 (fl 39), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse, em duas ocasiões, a saber. Primeiramente, no preenchimento do demonstrativo no PER/DCOMP que discrimina o direito creditório, ao indicar que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, de fato, parte do crédito pleiteado decorria de receitas de exportação. Em segundo lugar, alega que cometera o equívoco de preencher o Dacon do período em questão sem segregar os valores de crédito associados a receitas internas daqueles decorrentes de vendas ao mercado externo. Alega, contudo que no Dacon do mês de janeiro de 2006 os créditos pleiteados encontramse devidamente vinculados, de forma segregada, entre receitas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação. Cientificado da decisão em 39 (fl 39), o interessado apresentou em 26/01/2012 a Manifestação de Inconformidade de fls. 2/5 arguindo, em síntese que equivocouse ao preencher o demonstrativo do crédito no primeiro PER/DCOMP entregue, ao indicar apenas o total do crédito no trimestre, quando deveria ter discriminado o direito creditório mês a mês. Ainda, mister se faz compreender as razões do voto, para negativa da manifestação de inconformidade, conforme se transcreve: De plano, cabe esclarecer que o PER/DCOMP não comporta a utilização de créditos de natureza distintas, como quer o defendente. Se o contribuinte possui créditos decorrentes de aquisições no mercado interno e créditos decorrentes de receitas de exportação deve apresentar um pedido para cada tipo de crédito. Na verdade, o defendente busca com sua tese a ampliação do pedido originalmente formulado no PER/DCOMP (que apontou somente crédito oriundo de receitas do mercado interno) visando a inclusão de outros créditos que, segundo ele, decorreriam de receitas de exportação. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 66 4 Destaquese por fim, que o interessado não apresentou, junto com a manifestação de inconformidade, nenhum elemento extraído de seus assentamentos contábeis, visando demonstrar a existência do crédito adicional, no sentido de justificar os alegados erros cometidos no Dacon e no PER/DCOMP. Recurso Voluntário Apresentado a defesa, a recorrente relata que se trata de pedido de crédito de COFINS cujo resultado foi o indeferimento de parte dos valores, ao qual, apresenta sua iresignação. Relatou que o crédito reclamado está alocado no mês de setembro de 2004 e estariam vinculados à receitas não tributadas no mercado interno e a atividade de exportação, mas que, conforme relatou em manifestação de inconformidade, reprisa a narrativa da forma como se deu o erro no preenchimento. Requer a baixa em diligência para averiguação do crédito tomado. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário que pretende demonstrar a ocorrência de erro no preenchimento de valores em DACON. Em síntese, a recorrente aponta crédito decorrentes de venda não tributada no mercado interno e crédito advindo da atividade de exportação, e pretende aproveitar o crédito mediante compensação. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A decisão recorrida, conforme relatado acima, sustentase em dois argumentos centrais. O primeiro, de plano, considero superado, pois este Conselho detém competência para analisar as compensações postas no litígio administrativo. O segundo, merecedor de maior atenção, revelase no tema acerca da possibilidade de busca da verdade material por este Tribunal Administrativo. Meios de Prova do Crédito Tributário A recorrente argumenta que seus créditos são legítimos, não indicando porém, nenhum documento comprobatório de sua narrativa. Ao contrário, limitase a repisar os argumento trazidos em manifestação de inconformidade sustentandoos, basicamente, nas DACONs. Em outros julgados, fui adepto à corrente mais formalista, no que tange à possibilidade da juntada de documentos após o início da fase litigiosa, no processo administrativo federal, aceitandoos, tão somente, sob a tutela dos artigos 14 e 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 67 5 Esta egrégia Primeira Turma Extraordinária, muito embora, vem aplicando entendimento mais favorável ao contribuinte, motivo pelo qual, arredo posição de decisões anteriores para seguir os precedentes, como ressaltado a seguir: Da proposta de diligência Conforme observase do voto condutor do acórdão recorrido, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, o interessado indicou como crédito a compensar, o constante de DARF relativo ao IPI do período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 11.253,67, mas que, entretanto, em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que o valor recolhido, referente ao citado DARF, encontravase inteiramente alocado para a quitação de outros débitos do sujeito passivo e, por conseguinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, notadamente, em razão de o Colegiado a quo concluir que o contribuinte, ao apresentar sua manifestação de inconformidade, não a instruiu com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito creditório pleiteado. O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade afirma que "devido a erro de preenchimento da DCTF (...), onde a empresa informou como débito total o valor de R$ 11.253,67 (...) referende ao Débito de IPI do mês de Abril desse mesmo ano, enquanto o valor apurado foi de R$ 6.027, 56 (...), gerouse um pequeno equívoco na constatação da existência do crédito", e que "constatado o erro de preenchimento em sua DCTF, procedemos a retificação da mesma a qual gerou o recibo de entrega nº 12.67.79.26.7273"; logo, "conforme se pode observar, a inexistência do crédito apontada (...) se deu apenas pelo erro cometido pela empresa no preenchimento de sua DCTF referente ao 1º Semestre de 2005". Não obstante o contribuinte, além de reconhecer o evidenciado equivoco e de ter apresentado juntamente com sua manifestação de inconformidade, a cópia da DCTF retificadora do período de apuração em questão e do PER/DCOMP, verdade é que com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida, o recorrente colaciona as cópias: do livro Registro de Apuração do IPI, Modelo 8, do anocalendário de 2005 (fls. 125 a 151), da PER/DCOMP 09262.56375.310805.1.3.04 5123, transmitida em 31.08.2005, acompanhada dos respectivos DARF e comprovante de recolhimento bancário (fls. 152 a 160), da DCTF/SEMESTRAL 100.0000.2010.2080235820 referente ao 1º Semestre de 2005 Número do Recibo 41.72.69.01.9197, recepcionada e processada em 30.08.2010 (fls. 161 a 276), do Despacho Decisório Nº de Rastreamento 861818943, emitido em 19.04.2010 (fl. 282). Em face do exposto, e do possível erro quando do registro dos fatos contábeis na sua escrituração, com reflexo no preenchimento da DCTF, que, ao menos em tese, deveriam ser sanados de ofício, mediante a confirmação da aludida DCTF, mas que não se observa a manifestação conclusiva da autoridade fiscal competente para se pronunciar sobre referido documento DCTF retificadora e tendo em vista verossimilhança das alegações do contribuinte e em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que, nas circunstâncias observadas nestes autos, devem nortear o processo Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 68 6 administrativo fiscal de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, em consonância, inclusive, com os termos do recente Acórdão 9303005.096, da 3ª Turma da CSRF, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência a fim de que a autoridade preparadora da unidade fiscal de origem analise os O recurso voluntário e, caso entenda necessário, intime o recorrente a comprovar a pertinência e veracidade das alegações mencionadas em suas peças de defesa, de modo a não só confirmar a existência do indébito alegado, mas, sobretudo, para demonstrar o acerto quanto à apresentação da DCTF retificadora Neste sentido, Robson Bayerl, nos autos do processo n.º 13502.900764/201311 assevera: Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. O caso presente, contudo, escapa aos precedentes acima mencionados, por manterse inerte a recorrente no sentido de apresentação das provas a fim de comprovar existência ao seu direito de crédito, por exemplo, das receitas advindas das atividades de exportação. Faço, portanto, análise que nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, resumese a líde no protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 69 7 Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificá la (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 70 8 postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 71 9 homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, os documentos trazidos no Recurso Voluntário, são insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 72 10 fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como no caso, a comprovação de suas vendas para exportação. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 73 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 74 12 desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila VOTO VENCEDOR Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo Em que pesem os elogiáveis argumentos do Voto Vencido, da lavra do I. Conselheiro Relator, Sr. Renato Vieira de Avila, peço licença, primeiro, para, aqui, em nome da eficiência, reproduzir seu Relatório e, segundo, em divergindo do seu entendimento, para, em breves linhas, explicitar as razões às quais considero que justifica a conversão do presente julgamento em diligência. Da justificativa para a proposta de diligência Como relatado, o caso sob exame referese ao inconformismo do contribuinte, em razão da decisão contida em despacho decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição pleiteada com a apresentação do Per/Dcomp, homologando em parte a compensação nele declarada, ao argumento de o crédito apurado ser inferior ao requerido, consequentemente o montante reconhecido pela autoridade fiscal ser insuficiente para extinguir a totalidade do débito declarado pelo interessado. O contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, sustenta que equivocouse quando do preenchimento do demonstrativo anexo ao Per/Dcomp em questão, posto que indicou que o crédito solicitado seria oriundo de aquisições no mercado interno vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno, quando, em verdade, parcela deste crédito decorreria de receitas de exportação; bem assim quando preencheu o respectivo Dacon, pois deixou de segregar os valores dos créditos vinculados às receitas internas daqueles originários das vendas para o mercado externo. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 75 13 Entretanto, o acórdão vergastado manteve o indeferimento do pedido de compensação. Tal indeferimento do pleito está fundamentado em duas premissas. A primeira, porque o colegiado a quo entendeu que o Per/Dcomp não é instrumento adequado para pleitear créditos de natureza distintas. A segunda, porque a decisão recorrida concluiu que o interessado não apresentou prova hábil suficiente para demonstrar a efetiva existência do crédito adicional, a fim de comprovar os alegados erros cometidos quando do preenchimento do Dacon e do Per/Dcomp, como, por exemplo, os demonstrativos contábeis, conferindo liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação. Portanto, em síntese, o fundamento que norteou a conclusão da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, no Dacon retificador. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, reafirma o cometimento dos equívocos apontados já na sua manifestação de inconformidade, qual seja erro no preenchimento dos respectivos Dacon e Per/Dcomp, razão pela qual apresentou o Dacon, referente ao mês de janeiro de 2006, em substituição do Dacon original, referente ao segundo trimestre de 2005, salientando que na "Ficha 28B" consta a informação, de forma segregada, do crédito da contribuições ao PIS vinculado a receita nãotributada no mercado interno e proveniente de exportação e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório é a insuficiência de crédito reconhecido para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Como o acórdão recorrido proferido pela 4ª Turma da DRJ/FOR indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente reapresentou os elementos de prova que entendeu ser suficiente para a comprovar a compensação declarada no Per/Dcomp 23204.05947.310308.1.3.105345 e no Per/Dcomp 05714.68597.310308.1.1.103706. Pois bem, creio que estarmos diante de um fato jurídico cuja aferição é direta e imediata, haja vista o que expressam as Dacon's em apreço referente ao mês de janeiro de 2006 e ao segundo trimestre de 2005, dada a singeleza do pedido aliada à objetividade das informações coligidas aos presentes autos, para, neste sentido, considerar que existe dúvida razoável quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito declarado, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), o que impõe sua efetiva comprovação, mediante o oferecimento da pertinente escrita contábilfiscal do interessado. Deste modo, com vista a propiciar ao recorrente a oportunidade de comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, firmo a necessidade de o presente julgamento ser convertido em diligência. Da conclusão Do exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235 de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem analise as Dacon's referentes ao mês de janeiro de 2006 e ao segundo trimestre de 2005, bem como intime o recorrente para apresentar a respectiva escrita contábilfiscal e os documentos a ela Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.907149/201195 Resolução nº 3001000.040 S3C0T1 Fl. 76 14 inerente e, a critério da fiscalização, outros elementos de prova e/ou esclarecimentos que entenda necessários para comprovar a pertinência das informações contidas na Dacon retificadora. Desta forma, os autos devem retornar para a DRF/CASCAVEL. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal diligenciante deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente no Per/Dcomp 23204.05947.310308.1.3.105345 e no Per/Dcomp 05714.68597.310308.1.1.103706. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para, em assim desejando, manifestarse quanto aos novos elementos carreados aos presentes autos, no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013077/2007-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007
DECISÃO JUDICIAL. DISPOSITIVO. TRÂNSITO EM JULGADO.
Acoisajulgada revela-se na conclusão do raciocínio do magistrado, expressa nodispositivoda sentença. Apenas o dispositivo, ou seja, a conclusão, faz coisa julgada, não a fundamentação da decisão judicial.
TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
A taxa Selic é composta de taxa de juros e correção monetária, não podendo ser cumulada com nenhum outro índice de atualização.
Numero da decisão: 9303-006.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial (i) em relação aos créditos de IPI, apenas sobre as aquisições de matérias-primas isentas e reduzidas à alíquota zero, excluídas as não tributadas; e (ii) em relação à correção monetária dos créditos, conforme decisão judicial transitada em julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 DECISÃO JUDICIAL. DISPOSITIVO. TRÂNSITO EM JULGADO. Acoisajulgada revela-se na conclusão do raciocínio do magistrado, expressa nodispositivoda sentença. Apenas o dispositivo, ou seja, a conclusão, faz coisa julgada, não a fundamentação da decisão judicial. TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. A taxa Selic é composta de taxa de juros e correção monetária, não podendo ser cumulada com nenhum outro índice de atualização.
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CRÉDITO INDEVIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BERNECK S.A. PAINÉIS E SERRADOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 DECISÃO JUDICIAL. DISPOSITIVO. TRÂNSITO EM JULGADO. Acoisajulgada revelase na conclusão do raciocínio do magistrado, expressa nodispositivoda sentença. Apenas o dispositivo, ou seja, a conclusão, faz coisa julgada, não a fundamentação da decisão judicial. TAXA SELIC. CUMULAÇÃO COM CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. A taxa Selic é composta de taxa de juros e correção monetária, não podendo ser cumulada com nenhum outro índice de atualização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial (i) em relação aos créditos de IPI, apenas sobre as aquisições de matériasprimas isentas e reduzidas à alíquota zero, excluídas as não tributadas; e (ii) em relação à correção monetária dos créditos, conforme decisão judicial transitada em julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 30 77 /2 00 7- 91 Fl. 1908DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3302002.041, de 23/04/2013, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINARES DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não devem ser acatadas preliminares de nulidade quando as mesmas não se encontrarem tipificadas, provadas nos autos e não ocorrer indeferimento de pedido efetuado com inobservância da forma prescrita em norma e, a critério do julgador a quo, for prescindível para a solução da lide. AÇÃO JUDICIAL. OBEDIÊNCIA DA DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Predominância da interpretação judicial sobre a administrativa. O julgador administrativo é obrigado a seguir a decisão judicial proferida em processo próprio, ainda que extra petita, posto que, transitada em julgado forma lei entre as partes. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL. No presente caso, em razão de expressa previsão em decisão judicial, afigurase devida a atualização monetária. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n. 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição e compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 IPI. CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Consideramse prescritos os créditos de IPI apurados em relação aos períodos de apuração anteriores a cinco anos da ação judicial proposta com o fim de garantir o direito de sua escrituração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 9303006.518 CSRFT3 Fl. 1.909 3 Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. LIMITES DA COISA JULGADA. Não são passíveis de escrituração os créditos oriundos de insumos não tributados, nos exatos termos da decisão judicial transitada em julgado. CRÉDITOS PERTENCENTES A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS FORA DA CIRCUNSCRIÇÃO DA AUTORIDADE IMPETRADA. APROVEITAMENTO EM ESTABELECIMENTO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. O processo foi movido pelo estabelecimento matriz, que realizava apuração centralizada, inaplicável o raciocínio de segregação trazido pela fiscalização. Inexistência de restrição, na decisão judicial, ao aproveitamento do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Intimada da decisão, a PFN interpôs embargos de declaração, os quais, recebidos como inominados, resultaram na modificação apenas da parte dispositiva do acórdão (no eprocesso, os referidos embargos estão equivocadamente identificados como se tivessem sido apresentados pela contribuinte). Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência em relação às seguintes matérias: (1) reconhecimento judicial dos créditos de IPI sobre todos os insumos utilizados na produção, exceto aqueles considerados como "não tributados"; (2) incidência de juros à taxa Selic sobre o valor do ressarcimento em decorrência da ação judicial impetrada pelo contribuinte; (3) aplicação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ em relação à incidência de taxa Selic nos créditos de IPI e, finalmente, (4) termo inicial emontante sobre o qual cabe a incidência da taxa Selic, em conformidade com o RESP n° 1.035.847/RS. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3301001.667, para a divergência (1); n° 3301001.667 e 20178.405, para a divergência (2); 3301002.166 e 3201001.463, para a divergência (3), e n° 3802002.338 e 3102001.100, para a divergência (4). O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 980/989. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 1742/1762). E também interpôs recurso especial, que restou não conhecido (exame de admissibilidade de fls. 1885/1886). Nele, a contribuinte requereu o reconhecimento ao crédito de IPI sobre insumos "não tributados". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Fl. 1910DF CARF MF 4 Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Antes de registrar as razões do nosso convencimento, cabe esclarecer que os autos versam sobre auto de infração de IPI, acompanhado de juros e multa de ofício, por meio do qual se exige o imposto que deixou de ser recolhido, em virtude de o estabelecimento industrial ter se utilizado de créditos indevidos, em descompasso com o direito a créditos do imposto obtido nos autos do Mandado de Segurança MS n° 98.00209263. Não há, entretanto, identidade de objetos entre a ação mandamental e o lançamento. Este último teve por finalidade exigir valores do imposto que a fiscalização entendeu não estarem em discussão judicial, de modo que não poderiam ser apropriados pela contribuinte. E, como se verá, não se vai adentrar na discussão se caberia ou não o direito levado à apreciação judicial, mas em saber se a decisão judicial que transitou em julgado autorizou ou não os valores creditados pela contribuinte. Primeira divergência (alcance da decisão judicial transitada em julgado: reconhecimento judicial dos créditos de IPI sobre todos os insumos utilizados na produção, exceto aqueles considerados como "não tributados): Alegase que o acórdão recorrido, interpretando a mesma ação judicial proposta pela contribuinte, divergiu, no ponto, do paradigma. De fato. O voto vencedor do acórdão recorrido entendeu que a decisão judicial transitada em julgado reconheceu a legitimidade da apropriação de créditos de IPI sobre todos os insumos utilizados na produção, exceto para os "não tributados". Já o paradigma, com fundamento na mesma ação judicial e, obviamente, envolvendo a mesma contribuinte, entendeu que o direito obtido em sede judicial restringiuse aos créditos apurados apenas nas aquisições de matériasprimas, não quanto aos demais custos incorridos (como, p. ex., os produtos intermediários e o material de embalagem). Configurado o dissenso interpretativo, entendemos assistir razão à Recorrente. É o que passamos a demonstrar. A contribuinte pleiteou, por meio da ação mandamental antes referida, o reconhecimento da "existência de relação jurídica, que assegure à Impetrante o direito de se creditar do IPI, em relação às aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou reduzidas à alíquota zero, empregadas na fabricação de produtos tributados" (fl. 82). Denegado o pleito pelo MM. Juiz da 12ª Vara Federal da Seção Judiciária de Curitiba, o Tribunal Regional da 4ª Região, em sede de apelação, deu provimento ao recurso e concedeu a ordem, "nos termos requeridos" (fl. 84). O aresto restou assim ementado (fl. 86): IPI — CREDITAMENTO — MERCADORIAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Se o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as duas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade, evitando o fenômeno da superposição tributária. Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 9303006.518 CSRFT3 Fl. 1.910 5 Opostos embargos declaratórios pela PFN, o Tribunal negoulhe provimento. E assim foi que, sem a interposição de recursos especial ou extraordinário, a ação transitou em julgado. Consoante Certidão de Objeto e Pé de fl. 525, que atestou o fato, reconheceuse "o direito da impetrante em creditar os valores do Imposto de Produtos industrializados IPI resultante da aquisição de insumos isentos, não:tributados ou com alíquota zero, por entender não constituído o crédito tributário" (negritamos). Estava, então, instaurada a controvérsia: vale o que constou da petição inicial, entendimento defendido pela fiscalização e pela Recorrente (a douta PFN), ou vale o que consta dos fundamentos do julgamento da apelação, considerando, inclusive, o que dispôs a Certidão de Objeto e Pé e a própria ementa da decisão, tal como, ao que parece, foi defendido no voto vencedor do acórdão recorrido? Vale, obviamente, o que consta da parte dispositiva da decisão do Tribunal, porque é esta que transita em julgado. A coisa julgada, como se sabe, revelase na conclusão do raciocínio do magistrado, expressa no dispositivo da sentença. Apenas o dispositivo, ou seja, a conclusão, faz coisa julgada, não a fundamentação do decisum – os motivos de fato e de direito nela referidos (tampouco, até desnecessário registrar, o que está informado na Certidão de Objeto e Pé ou mesmo referido na ementa, mera síntese do julgado), que não é atingida pela coisa julgada material, como, a propósito, está expressamente estatuído no art. 504 do CPC/2015: Art. 504. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença. Esse entendimento é absolutamente pacífico. E o ilustramos com a seguinte ementa de decisão do STJ: PROCESSUAL CIVIL. DISPOSITIVO DE ACÓRDÃO EM CONTRADIÇÃO COM EMENTA. ABRANGÊNCIA DA COISA JULGADA E EFICÁCIA DO TÍTULO EXECUTIVO. PREVALÊNCIA DO DISPOSITIVO. O dispositivo, e não a ementa, tem papel fundamental nas decisões judiciais. Tanto é assim que esta última parte do julgado tornase imutável, sofrendo mais propriamente os efeitos do trânsito em julgado. Por sua importância, o dispositivo deve ser redigido com redobrada atenção e, por isso, presumese que melhor expressa o teor do julgado. A ementa tem, em regra, papel auxiliar e secundário, sendo mero enunciado sintético da tese jurídica desenvolvida na fundamentação do acórdão e da conclusão que constou de seu dispositivo. Diante de incontornável contradição entre o dispositivo e a ementa de acórdão, deve prevalecer o teor de seu dispositivo, pois é este trecho do “decisum” que se encontra encoberto pelo manto da coisa julgada. Recurso Especial provido. (g.n.) Fl. 1912DF CARF MF 6 (STJ REsp: 807675 RJ 2005/02163233, Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 07/10/2008, T3 TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: > DJe 23/10/2008) No caso em tela, não resta a menor dúvida, o Tribunal concedeu a segurança nos termos em que requerida. Noutras palavras, em que pese a confusão que se instaurou, a contribuinte obteve provimento judicial definitivo, assegurandolhe o direito de creditarse apenas e tão somente em relação às aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, de modo que não se pode ampliálo, como se pretende, para alcançar a aquisição de produtos intermediários, material de embalagem ou quaisquer outros produtos que não tenham a natureza de matériaprima. Entendemos, outrossim, com a devida vênia, que o acórdão proferido pelo Tribunal tampouco revelase extra petita, como se propôs no voto vencedor do acórdão recorrido, defeito que se configura quando a providência deferida é estranha não só ao pedido, mas, também, aos fundamentos que o encerram. Se há algum defeito no acórdão transitado em julgado, e tal hipótese aventamos apenas para argumentar, configurarseia ele ultra petita, porque o Tribunal, ao proferir a sua decisão – é o que se defendeu no voto vencedor do acórdão recorrido – teria ido além dos limites objetivos do pedido (deuse mais do que se pediu). Contudo, como vimos, isso não ocorreu, mesmo considerando as impropriedades técnicas que, muito amiúde, aliás, costumamos observar. Por fim, resta ainda destacar uma questão que reputamos de fundamental importância: malgrado perfeitamente demonstrado que a contribuinte pleiteou e obteve o direito a créditos de IPI sobre as aquisições de matériasprimas isentas, não tributadas ou reduzidas à alíquota zero, o voto vencedor, interpretando a decisão judicial definitiva, afastou o creditamento sobre a aquisição de produtos não tributados, de sorte que, considerando que o recurso especial interposto pela contribuinte não foi conhecido (destinavase a reverter, no ponto, o entendimento), não se pode conceder o crédito sobre tais aquisições sob pena de se reformar, para pior, a situação da Recorrente – a Fazenda Pública. Demais divergências (incidência de juros à taxa Selic sobre o valor do ressarcimento em decorrência da ação judicial impetrada pelo contribuinte, aplicação da jurisprudência do STJ em relação à incidência de taxa Selic sobre os créditos de IPI e, finalmente, o termo inicial e ao montante sobre o qual cabe a incidência da taxa Selic): Passamos a apreciálas em conjunto, uma vez que, como se verá, estão umbilicalmente entrelaçadas. Dizse no acórdão recorrido, quanto à correção monetária dos créditos, que, não obstante a contribuinte têla expressamente requerido na petição inicial, as decisões judiciais foram omissas a respeito. Nesse contexto, e conforme excerto abaixo, extraído do voto vencido – mas, nesta parte, vencedor – do acórdão recorrido, admitiuse a correção, pela taxa Selic, dos créditos de IPI pleiteados judicialmente: Em relação aos créditos de IPI, o STJ decidiu, no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, ser cabível a incidência da Selic, conforme ementa abaixo reproduzida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 9303006.518 CSRFT3 Fl. 1.911 7 NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. O Acórdão paradigma de n° 20178.405, todavia, concluiu ser defeso o descumprimento de decisão judicial que determina quais índices de correção monetária devam ser aplicáveis, de forma que não se poderia estabelecer previsão de índices estranhos ao pedido inicial da ação judicial e ao dispositivo do acórdão trânsito em julgado. Noutros termos, entendeuse, a despeito da discussão casuística sobre índices na ação referida no paradigma, valer o que está na decisão judicial que se tornou definitiva e que, portanto, transitou em julgado. Ressaltese, por necessário: a Recorrente suscitou, nos embargos de declaração, que "...sem qualquer fundamentação, o Colegiado a quo se debruçou sobre a análise de matérias estranhas aos limites da lide ditadas pelo Auto de Infração em questão. Isso ocorreu ao tratar da aplicação da correção monetária aos créditos oriundos da decisão judicial." (fl. 889; grifamos). Disse, também, que: "Como visto, o próprio acórdão embargado reconhece que não houve qualquer ato ilegítimo por parte do Fisco, mas sim que o próprio contribuinte contribuiu para o não reconhecimento da atualização do crédito pela Taxa Selic ao ter postulado no Judiciário, sem definir exatamente em que termos consistiria a sua pretensão quanto à “correção monetária” e sem apresentar, no momento processual devido e oportuno na esfera judicial, embargos de declaração que aclarasse os termos do provimento judicial indicando quais seriam os índices da atualização monetária. Se celeuma e lide se estabeleceram em torno do assunto não foi por ato estatal ilegítimo, mas sim por omissão e desídia do próprio contribuinte. O Fisco apenas procurou seguir os exatos e estritos ditames do provimento judicial." (g.n.) E mais uma observação: o voto vencido, porém, nesta parte, como dissemos, vencedor, afirmou que a decisão judicial transitada em julgado foi silente sobre a correção monetária. Entretanto, em flagrante contradição – daí os aclaratórios –, asseverou que não caberia o creditamento sobre os insumos, mas apenas sobre a aquisição de matériasprimas desoneradas, porque o Tribunal Regional da 4ª Região, em sede de apelação, deu provimento ao recurso e concedeu a ordem, "nos termos requeridos". Ora, se o raciocínio vale para o direito ao crédito de IPI vindicado, evidentemente também deve valer para a sua correção monetária, uma vez que o pedido a ela referente expressamente constou da petição inicial da ação mandamental. Por esse motivo, entendemos configurada a divergência também aqui. Afinal, enquanto o acórdão recorrido entendeu aplicar a taxa Selic aos créditos judicialmente reclamados pela contribuinte – mesmo constando do pedido e, pelos motivos expostos, da decisão judicial transitada em julgado que caberia, sim, a correção monetária dos créditos (nada se falou a respeito da taxa Selic!) – o paradigma adotou o entendimento de que vale o que está na decisão judicial transitado em julgado. No mérito, vemos que, se a contribuinte simplesmente requereu, na petição inicial, a correção monetária, nada mais falando a respeito, obviamente deve ser a ela conferido Fl. 1914DF CARF MF 8 o direito à correção de seus créditos, porém não pela taxa Selic, que, como se sabe, constitui a taxa básica de juros da Economia, representando a remuneração das instituições financeiras nas operações com títulos públicos federais. Tanto assim é que o próprio STJ, em jurisprudência consolidada, não admite a cumulação da taxa Selic com quaisquer índices de correção monetária. Exemplificativamente: RECURSO ESPECIAL. FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CUMULAÇÃO COM JUROS MORATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA CONDENAÇÃO.ART. 20, § 3º, DO CPC. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. 1. A teor do disposto no art. 535 do CPC, inexistindo omissão,obscuridade ou contradição a ser sanada no acórdão embargado, devem ser os embargos declaratórios rejeitados. 2. Na repetição de indébito, com o advento da Lei n. 9.250/95, a partir de 1º/1/96, os juros passaram a ser devidos de acordo com a taxa Selic, não mais tendo aplicação o art. 161, § 1º, e art. 167,parágrafo único do CTN.3. A taxa Selic é composta de taxa de juros e correção monetária, não podendo ser cumulada com nenhum outro índice de atualização.4. Consoante reiterada orientação jurisprudencial do STJ, os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são: a) desde o recolhimento indevido, o IPC, de outubroe dezembro/1989 e de março/1990 a janeiro/1991; o INPC, de fevereiro a dezembro/1991; a Ufir, a partir de janeiro/1992 a dezembro/1995; eb) a taxa Selic, exclusivamente, a partir de janeiro/1996. Os índices de janeiro e fevereiro/1989 são, respectivamente, 10,14% e 42,72%.5. O índice a ser utilizado para fins de atualização monetária noperíodo compreendido entre os meses de março/90 e janeiro/91, nahipótese da ocorrência de compensação, é o IPC, que se traduz nosseguintes percentuais: 84,32% (março/90), 44,80% (abril/90), 7,87%(maio/90), 12,92% (julho/90), 12,03% (agosto/90), 14,20%(outubro/90) e 21,87% (fevereiro/91).6. "A ação para a garantia do direito à compensação de tributos,embora tenha carga declaratória, possui natureza predominantemente condenatória, razão pela qual, ainda que vencida a Fazenda Pública,devem ser os honorários fixados com base no valor da condenação, enão da causa" (REsp n. 436.486 PR).7. A falta de cotejo analítico entre os julgados confrontados impossibilita o conhecimento de dissenso pretoriano viabilizador do recurso especial.8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido em parte. (g.n.) (STJ REsp: 724548 SP 2005/00238299, Relator: Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Data de Julgamento: 05/05/2005, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 27/06/2005 p. 346) Para nós, portanto, a despeito de não se ter estabelecido quais índices de correção monetária deverão ser aplicados (e não nos cabe fazêlo aqui!), o acórdão recorrido Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10980.013077/200791 Acórdão n.º 9303006.518 CSRFT3 Fl. 1.912 9 extrapolou o que restou definitivamente decidido pelo Poder Judiciário: sobre os valores a serem ressarcidos incide apenas a correção monetária, não a taxa Selic. E se a taxa Selic não pode ser aplicada, tornase absolutamente desnecessário enfrentar as demais matérias levantadas no recurso especial: aplicação da jurisprudência do STJ em relação à incidência de taxa Selic sobre os créditos de IPI e o termo inicial e o montante sobre o qual cabe a incidência da taxa Selic (o termo inicial da aplicação da correção monetária e seus índices são questões a serem solucionadas na execução do julgado). Ante o exposto, conheço do recurso especial da PFN e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer o direito da contribuinte: a) a créditos de IPI apenas sobre as aquisições de matériasprimas isentas e reduzidas à alíquota zero, excluídas as não tributadas; b) à correção monetária dos créditos (não à aplicação da taxa Selic), conforme decisão judicial transitada em julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1916DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.984898/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.078
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 48 98 /2 00 9- 02 Fl. 146DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.984898/200902 Acórdão n.º 3402005.078 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 148DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.984898/200902 Acórdão n.º 3402005.078 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 150DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.984898/200902 Acórdão n.º 3402005.078 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.732491/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. ERRO NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A deficiente descrição dos fatos no auto de infração, assim como o erro da autoridade lançadora na aplicação da legislação aos fatos tributários efetivamente ocorridos, implicam a decretação da nulidade do lançamento, por vício material.
Numero da decisão: 2401-005.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento para declarar a nulidade do lançamento, por vício material.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEVOLUÇÃO DE CAPITAL EM DINHEIRO Recorrente LIVIA MARIA LAGO DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. ERRO NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A deficiente descrição dos fatos no auto de infração, assim como o erro da autoridade lançadora na aplicação da legislação aos fatos tributários efetivamente ocorridos, implicam a decretação da nulidade do lançamento, por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para declarar a nulidade do lançamento, por vício material. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 24 91 /2 01 1- 92 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10580.732491/201192 Acórdão n.º 2401005.271 S2C4T1 Fl. 116 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), por meio do Acórdão nº 1531.909, de 13/03/2013, cujo dispositivo tratou de considerar parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido neste processo administrativo (fls. 79/82): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 GANHO DE CAPITAL. Constitui ganho de capital o recebimento de valores em espécie a título de devolução de participação societária, quando o montante recebido for superior à participação no patrimônio líquido contabilizado, especialmente quando esta diferença decorrer de ajuste do valor da participação ao valor de mercado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 2. Extraise do Auto de Infração, acostado às fls. 02/16, que o processo administrativo, na origem, é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2007 e 2008, acrescido de juros de mora e multa de ofício proporcional de 75%, relativo à omissão de ganho de capital obtido na alienação de quotas de capital da empresa EMEC Empreendimentos Médicos Cirúrgicos Ltda, conforme respectivo demonstrativo de apuração. Também integram o Auto de Infração, respaldando o lançamento, os documentos de fls. 17/58. 3. A ciência do auto de infração aconteceu no dia 17/11/2011, tendo a contribuinte impugnado, em 12/12/2011, a exigência fiscal (fls. 60 e 62/69). 4. Intimada em 19/03/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 95/96, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 05/04/2013, em que aduz as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 85/94): (i) em preliminar, alega a nulidade do auto de infração, eis que a descrição do fato é diferente daquele efetivamente ocorrido, caracterizando o cerceamento do direito de defesa. Enquanto o auditorfiscal relatou um ganho de capital "obtido na alienação de ações ou quotas", tratase o fato jurídico de dissolução parcial da sociedade, com devolução de capital aos sócios retirantes; e Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10580.732491/201192 Acórdão n.º 2401005.271 S2C4T1 Fl. 117 3 (ii) além disso, a autoridade lançadora equivocouse na identificação do sujeito passivo da relação tributária. No caso dos autos, a condição de sujeito passivo pertence à sociedade que sofreu redução do capital e entregou bens ou direitos em valor superior ao registrado em sua contabilidade, nos termos do art. 22 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 5. Na sequência da instrução processual, o recorrente requereu, mediante petição protocolada em 09/05/2014, a juntada de documento novo aos autos pertinente ao deslinde das questões controvertidas (fls. 100/102). 5.1 Cuidase de decisão de Turma deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 2802002.575, de 16/10/2013, a qual apreciou o Processo nº 10580.732489/201113, relativo à exigência de crédito tributário fundamentado em fato idêntico, com base nos mesmos elementos de prova, e deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para acolher a nulidade do lançamento por vício material (fls. 105/111). É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10580.732491/201192 Acórdão n.º 2401005.271 S2C4T1 Fl. 118 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 7. O agente fiscal descreveu a infração motivadora do lançamento de ofício nos termos abaixo (fls. 5): 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações ou quotas da empresa EMEC Empreendimentos Médicos Cirúrgicos Ltda, conforme demonstrativo da apuração dos ganhos de capital, o qual faz parte integrante deste Auto de Infração. 7.1 Ao elaborar o "Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital", o agente fazendário identificou a pessoa jurídica EMEC Empreendimentos Médicos Cirúrgicos Ltda, ao mesmo tempo, como sendo adquirente e detentora da participação societária alienada (fls. 12/15). 8. Por outro lado, os elementos de prova carreados aos autos pela autoridade fiscal não deixam dúvidas que os fatos dizem respeito à operação de dissolução parcial da sociedade empresarial pela retirada de alguns sócios, com redução proporcional de capital, mediante pagamento em dinheiro (fls. 33/58). 9. A toda a evidência, a devolução de capital social a sócio não pode ser qualificada, sob o aspecto tributário, como equivalente à alienação de quotas da pessoa jurídica a própria pessoa jurídica. 10. Há uma indiscutível falha na descrição dos fatos pela autoridade lançadora, em contrariedade ao inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não condizente com a realidade comprovada no curso do procedimento fiscal. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10580.732491/201192 Acórdão n.º 2401005.271 S2C4T1 Fl. 119 5 11. Nada obstante, a decisão de piso atenuou a deficiência acusatória, sob a justificativa de que, apesar da utilização do termo genérico "alienação", o objeto da autuação foi perfeitamente compreendido pelo impugnante, o qual ofereceu contestação em tempo hábil, com exposição das razões de fato e de direito que entendeu estar amparado, o que afasta qualquer cerceamento do direito de defesa. 11.1 Adicionalmente, o julgador de primeira instância destacou que a fiscalização juntou aos autos um conjunto probatório descritivo da operação de dissolução parcial da sociedade, com devolução de capital social, proporcionando ao autuado a compreensão do contexto do lançamento fiscal. 12. É verdade que em meus votos tenho manifestado que não é qualquer vício que impõe a invalidade do ato administrativo, porquanto a declaração de nulidade pressupõe a comprovação e/ou demonstração do prejuízo efetivo ao sujeito passivo, avaliado o caso concreto. 13. Acontece que o esforço do contribuinte em compreender a acusação fiscal e apresentar contestação compatível com os fatos ocorridos não pode legitimar a tolerância administrativa com trabalhos fiscais contaminados com alto grau de imperfeição na elaboração do lançamento tributário, pela falta de compatibilidade na descrição dos fatos que caracterizam a infração, o que, não resta dúvida, tem o condão de dificultar o exercício do direito de defesa do contribuinte. 14. De mais a mais, constato que o vício no presente lançamento é ainda mais grave, dado o erro do agente lançador na própria interpretação da legislação tributária aplicável aos fatos ocorridos. 15. A devolução de capital aos três sócios que se retiraram da sociedade, Geraldo Gentil Baraúna de Castro, Luiz Eduardo Lago de Castro e Lívia Maria Lago de Castro, proporcionalmente à sua participação na empresa, deuse em dinheiro, correspondendo ao somatório de R$ 2.880.000,00, dividido em parcelas ao longo dos anos de 2007 e 2008 (fls. 55/57). Em contrapartida, com a saída da sociedade houve redução do capital da pessoa jurídica de R$ 2.500.000,00 para R$ 2.139.775,00 (fls. 38/40). 16. Não se trata de aplicação do art. 22 da Lei nº 9.249, de 1995, como defende o recorrente, porquanto não houve devolução de capital em bens e direitos, mas em moeda corrente, com base em perícia contábil e sentença arbitral. 17. Porém, também não é a hipótese, como fez o agente lançador, de simples aplicação do regime de tributação específico reservado ao ganho de capital na alienação de bens e direitos, com incidência mensal do imposto de renda na forma definitiva à alíquota de 15% (quinze por cento). 18. Na dissolução parcial de sociedade, com devolução do capital em dinheiro ao sócio retirante, a tributação da pessoa física observará a natureza jurídica das parcelas recebidas da pessoa jurídica a título de restituição do capital aplicado. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10580.732491/201192 Acórdão n.º 2401005.271 S2C4T1 Fl. 120 6 18.1 Significa dizer que, para fins de avaliação do regime de tributação, caberá verificar inclusive situações de não incidência ou isenção, conforme o tipo de renda. Na hipótese de ausência de previsão de tributação exclusiva ou definitiva da renda, com alíquota específica ou diferenciada, implica considerar a tributação do acréscimo patrimonial na sistemática do regime geral, com incidência da tabela progressiva. 19. A decisão recorrida acabou apenas tangenciando o problema, ao excluir do crédito tributário lançado a parcela correspondente a lucros acumulados, por se tratar de rendimento isento. Todavia, até de maneira contraditória, manteve o restante da autuação, na forma de apuração de ganho de capital auferido pela pessoa física na alienação de bens e direitos. 20. Em resumo, além do auto de infração conter uma deficiente descrição dos fatos, o agente fazendário aplicou a legislação de forma desvirtuada, revelando vício intrínseco, cuja validade do lançamento somente seria possível por meio da edição de novo ato administrativo com conteúdo alterado (motivação). Cuidase, no caso sob exame, de ato inconvalidável, ainda que possível em princípio a sua reedição, desde que não escoado o prazo para o novo lançamento fiscal. 21. Por essa razão, é mister tornar nulo o lançamento fiscal, afastando a exigência fazendária, por vício material. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade do lançamento de ofício, por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012136/2005-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matérias argüidas em sede recursal não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, à exceção de matérias de ordem pública.
MULTA POR ATRASO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA.
É devida a multa por atraso na entrega de DCTF fora do prazo normativamente estabelecido.
Numero da decisão: 1002-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em parte e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas em sede recursal não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, à exceção de matérias de ordem pública. MULTA POR ATRASO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de DCTF fora do prazo normativamente estabelecido.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas em sede recursal não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, à exceção de matérias de ordem pública. MULTA POR ATRASO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de DCTF fora do prazo normativamente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em parte e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatorio e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 21 36 /2 00 5- 27 Fl. 59DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Por economia processual, adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE: Contra o interessado acima identificado, foi lavrado o auto de infração de fl. 3. Ele formaliza exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao primeiro trimestre de 2000. O valor exigido é igual a R$ 200,00. Como enquadramento legal foram citados: § 3° do art. 113 e art. 160 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN); art. 4°, combinado com o art. 2°, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996; art. 2° e 6° da Instrução Normativa SRF n.° 126, de 30 de outubro de 1998, combinado com o item I da Portaria do Ministério da Fazenda n.° 118, de 26 de agosto de 1984; art. 5° do Decretolei n.°2.124, de 13 de junho de 1984; art. 7° da Media Provisória n.° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002. A ciência dos lançamentos se deu em 08/08/2005 (AR, fl. 09). Em 31/08/2005, foi apresentada a impugnação de fls. 1 e 2. Nela, pedese o cancelamento e o perdão da multa, bem como o cancelamento da DCTF. Os argumentos que fundamentam o pedido são os a seguir resumidos: . a DCTF não tinha informações; . a pessoa jurídica inativa esta desobrigada de apresentar DCTF; . tanto a obrigação principal quanto a obrigação acessória estão sujeitas ao princípio da legalidade; . qualquer penalidade pelo descumprimento de obrigações tributárias, sejam principais ou acessórias, só pode ser instituída por lei, e não por Instrução Norrnativa expedida pela SRF, razão pela qual a multa é descabida. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada procedente pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 02141738, que foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 DCTF. MULTA POR ATRASO. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10680.012136/200527 Acórdão n.º 1002000.028 S1C0T2 Fl. 3 3 O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF se sujeita às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentála ou apresentála em atraso. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fundamentado nos argumentos a seguir sintetizados: a) Inobservância do princípio da legalidade na instituição da multa; b) Inobservância dos Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade na aplicação da multa; c) Prescrição do crédito tributário correspondente à multa por atraso na entrega de DCTF. Para corroborar suas alegações, cita artigos da Constituição Federal e do CTN e colaciona textos de diversos doutrinadores. Ao final, requer a desconstituição do auto de infração lavrado face a sua ilegalidade e o reconhecimento da prescrição. E o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Embora tempestivo, conheço do recurso apenas em parte, eis que algumas matérias não atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Foi observado que o Recorrente inovou na sua linha de defesa, ao introduzir os argumentos da "Prescrição" e da "Inobservância dos Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade na aplicação da multa", que não constavam em sua impugnação, não sendo permitido a este colegiado conhecer sobre tais matérias em razão do instituto processual da preclusão, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Assim, considerando que o caso em questão não fere matéria de ordem pública e que os argumentos indicados acima pelo Recorrente são totalmente novos em relação Fl. 61DF CARF MF 4 ao conteúdo de sua impugnação, o recurso voluntário não será conhecido nessa parte, eis que não cabe a esta instância recursal o reexame de matéria fática que não foi julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Com relação à alegação de "Inobservância do princípio da legalidade na instituição da multa" feita pelo Recorrente, aduzo que esta matéria foi alvo de percuciente análise no acórdão exarado pela DRJ/BHE e não merece reparos por parte deste colegiado, motivo pelo qual peço vênia para colacionar trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito do contribuinte, os quais, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e do §3º do art. 57, do RICARF, desde já adoto como razões de decidir (grifos não constam do original): (...) "Quanto ao mérito, o lançamento se mantém, porque a multa foi aplicada como determina a legislação tributária. Ao contrário do alegado, o lançamento se fez dentro da mais estrita legalidade. A obrigação acessória e a punição pelo seu descumprimento decorrem de lei. As instruções normativas expedidas pela administração limitam se a regulamentar os atos legais que regem a matéria. A obrigatoriedade de apresentar a DCTF e a conseqüente penalidade na hipótese de não ser entregue ou entregue fora do prazo está categoricamente estabelecida na legislação tributária. Com efeito, o §3° do artigo 5° do Decretolei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, dispõe: 'Art.5° O ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações Acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal (...) §3° Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2°, 3° e 4° do artigo 11 do Decreto lei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983. ' Notese que o artigo 5° do Decretolei n° 2.124, de 1984, atribuiu ao Ministro da Fazenda a competência para instituir ou extinguir obrigação acessória, atribuição esta delegada ao Secretário da Receita Federal pela Portaria MF n° 118, de 1984. Este, por sua vez, mediante a Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, determinou que se cumprisse a obrigação acessória a que se refere o artigo 5° do Decretolei n° 2.124, de 1984, mediante a entrega do formulário denominado Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Posteriormente, ainda a respeito da obrigação acessória, o art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, assim estabeleceu: 'Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.. ' Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10680.012136/200527 Acórdão n.º 1002000.028 S1C0T2 Fl. 4 5 A Instrução Normativa SRF n.° 255, de 11 de dezembro de 2002, que revogou e substituiu a IN SRF n.° 126, de 1998, manteve a mesma obrigação de apresentar a DCTF, tendo em vista o disposto no art. 5° do Decretolei n° 2.124, de 1984, e no art. 16° da Lei n.° 9.779, de 1999. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF, quando a apresenta em atraso, sujeitase à punição. A multa atualmente imposta foi instituída pelo art. 7° da MP n.° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertido no art. 7° da Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002 que assim dispõe: Art. 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fxados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) 1 de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3 °; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3°; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 39 deste artigo; (Redação dada pela Lei n° 11. 051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) § 1° Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte Fl. 63DF CARF MF 6 ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1° Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, Il e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) § 2° Observado o disposto no § 3° , as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3° A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. § 4° Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. § 5° Na hipótese do § 4°, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10(dez) dias, contados da ciência da intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput,observado o disposto nos §§ 1° a 3° .. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso em parte e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000640/2008-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN.
Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.000640/200840 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.569 – 2ª Turma Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria DECADÊNCIA E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente HACO ETIQUETAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 06 40 /2 00 8- 40 Fl. 1182DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.121.4688, lavrado em 26/02/2008, contra o contribuinte identificado acima, no valor de R$ 677.493,72 (seiscentos e setenta e sete mil, quatrocentos e noventa e três reais e setenta e dois centavos), em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, §5º, da Lei 8.212/91, uma vez que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não houve ocorrência de circunstâncias agravantes e foi constatada a correção da falta relativa a competência 13/2006, pelo que a multa para esta ocorrência foi atenuada em 50% do valor. Conforme consta no Relatório Fiscal, de fls. 92 a 96 e planilhas de fls. 97 a 122, a empresa deixou de informar a totalidade dos valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, sob as seguintes rubricas: a) verba denominada “Indenização” paga ao segurado empregado JORGE LUIZ KOPROWSKI; b) “Indenização Aposentadoria”, rubrica relativa ao pagamento de um salário nominal a funcionários aposentados quando do desligamento; c) verba destinada ao pagamento de gratificação dos funcionários que fazem parte do grupo de bombeiros voluntários da empresa; d) verba denominada “Gratificação” paga em 03/2004, no estabelecimento matriz, em parcela única, na rescisão do segurado empregado ALCIDES SCHWANK; e) verba denominada “Indenização Clausula 29”, relativa a pagamentos no ato da rescisão a segurados empregados com mais de 05, 10 e 15 anos de serviço na empresa, previsto em convenção coletiva; f) verba denominada “Aviso Prévio Idade 45 anos”, a qual consistia em pagamento de um salário nominal aos empregados desligados com idade superior a 45 anos, conforme Convenção Coletiva firmada com o Sindicato de Blumenau, cláusula 09; g) remuneração de contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada, registrada na escrita contábil da empresa, nas contas "5530 SERVIÇO TERCEIROS PF” e "3790 SERVIÇO TERCEIROS PF"; h) custeio, por parte da autuada, de gastos pessoais do sócio administrador, Sr. RICARDO GUEDES LOWNDES e da Sra. CORNÉLIA CONRAD LOWNDES, esta representante legal da empresa Conrad Empreendimentos e Participações S/A, de CNPJ 01.528.583/000190, que por sua vez é sócia majoritária da autuada. Os referidos valores encontramse registrados na escrita contábil, contas 4877 e 3582, ambas de descrição "VIAGENS E ESTADAS” Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 9202006.569 CSRFT2 Fl. 3 3 Com esteio no contrato social e alterações, além de análise da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, constatouse a existência de grupo econômico integrado pela autuada e pelas seguintes empresas: a) CONRAD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, é a sócia controladora, detém 98,01% das cotas da autuada; b) HACO ETIQUETAS DO NORDESTE LTDA., empresa controlada pela autuada, que detém 99% do seu capital social; e c) HACO FIOS LTDA., empresa também controlada pela autuada, que detém 99,32% de seu capital social. Concluiu o Fisco que essas empresas teriam responsabilidade solidárias com a autuada pela quitação do crédito previdenciário constante no AI. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada e suas solidárias, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 16/10/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401002.692 (fls. ), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; II) pelo voto de qualidade, excluir os responsáveis solidários, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Marcelo Freitas de Souza Costa e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluíam; e III) Pelo voto de qualidade, no mérito, relevar a multa na proporção das contribuições que foram declaradas nas GFIP retificadoras juntadas aos autos, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando, também, o valor da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 LANÇAMENTO. GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZADO APENAS COM BASE NA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DAS EMPRESAS ENVOLVIDAS. CRITÉRIO ÚNICO. SOLIDARIEDADE AFASTADA. A solidariedade ao adimplemento das contribuições previdenciárias, com esteio no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, enseja a necessidade do devido apontamento dos elementos que demonstrem, de fato, que as empresas envolvidas ou tidas como componentes do grupo, se caracterizam como uma única empresa, possuindo um centro de comando unificado. Desta feita, não é suficiente para tanto, o simples fato de uma empresa participar do capital social da outra, tratandose o critério de participação societária apenas como um dos elementos caracterizadores do grupo, mas não o determinante. APLICAÇÃO DO §4.º DO ART. 32 DA LEI N.º 8.212/1991. ENQUADRAMENTO NA TABELA LEVANDOSE EM CONTA NÚMERO TOTAL DE SEGURADOS DA EMPRESA. Fl. 1184DF CARF MF 4 Para cálculo do limite da multa, previsto no revogado §4.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, devese tomar como base o número total de segurados a serviço da empresa e não apenas aqueles cuja remuneração deixou de ser declarada na GFIP. FIXAÇÃO DA MULTA. VALORES VIGENTES NA DATA DA AUTUAÇÃO. A penalidade por descumprimento de obrigação acessória deve ser fixada de acordo com o valor vigente na data da lavratura fiscal e não na data da ocorrência do ilícito administrativo. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DO ART. 35A DA LEI N.º 8.212/1991. Nos casos de lançamento de ofício de contribuições sociais aplicase a multa prevista no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991. DECLARAÇÃO PARCIAL DOS FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA NA PROPORÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DECLARADA. Se o contribuinte, até a decisão de primeira instância, declarava parte dos fatos geradores omitidos na GFIP, merecia a relevação da multa na proporção das contribuições declaradas, desde que cumpridos os demais requisitos normativos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 FALHA NA CIENTIFICAÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO PELOS RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. NULIFICAÇÃO DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. A mera remessa de comunicação às empresas arroladas como coobrigadas, Desacompanhada das peças do Auto de Infração, é falha em condição de validade do lançamento, sendo cabível o seu saneamento, sem que disso decorra a nulificação de todo o procedimento fiscal. INOCORRÊNCIA DE PREJUÍZO. DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há de se declarar a nulidade do lançamento, quando o mesmo, revestido das formas legais, não acarreta prejuízo aparente ou implícito para o direito de defesa do sujeito passivo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE APRESENTA FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA E ENFRENTA TODAS AS ALEGAÇÕES DEFENSÓRIAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 9202006.569 CSRFT2 Fl. 4 5 Não há o que falar em nulidade da decisão que enfrenta todos os pontos da impugnação com fundamento nos fatos constantes dos autos e no direito aplicável à espécie. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para Fazenda Nacional em 07/01/2013, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional tomou ciência em 08/02/2013 sem interposição de Recurso Especial. O contribuinte e suas solidárias foram cientificados do Acórdão nº 2401 002.692 em 02/05/2013, sendo que a notificada opôs Embargos de Declaração em 07/05/2013, portanto tempestivamente, alegando omissão do acórdão na decisão ao não se manifestar sobre os argumentos/fundamentos utilizados pelo contribuinte quanto à aplicação das multas previstas nos arts. 32A e 35A da Lei 8212/91. Tais embargos foram rejeitados, conforme Despacho nº 2401031, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, de 01/07/2014 (fls. ). Notificado da decisão de rejeição dos embargos opostos em 21/08/2014, o contribuinte apresentou em 08/09/2014, portanto tempestivamente, Recurso Especial (fls. ). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) nulidade do despacho que julgou os ED; b) decadência; c) multa aplicável pelo descumprimento de obrigação acessória e d) aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, somente em relação aos itens ”b” e “d”, conforme Despacho s/nº, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, de 23/11/2015 (fls. ) e Despacho s/nº, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 02/02/2016 (fls. ), respectivamente Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial. · O recorrente traz como alegações, em relação ao item “b” decadência, que quando se trata de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o Fisco dispõe de cinco anos para promover o lançamento, contados dos respectivos fatos geradores, conforme dispõe o art. 150, §4º, do CTN. · Diz que conforme o paradigma apresentado e diversos outros precedentes do CARF, em se tratando de multa por descumprimento de obrigação acessória ligada a contribuições previdenciárias, deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN, que prevê a contagem do prazo decadencial a partir do próprio fato gerador, e não do primeiro dia do ano seguinte; e portanto, considerando que a notificação de lançamento se deu em 12 de março de 2008, segundo o próprio Fl. 1186DF CARF MF 6 acórdão recorrido, todos os valores anteriores a 12 de março de 2003 foram atingidos pela decadência. · Em relação ao item “d” – aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/ 91, afirma que, nos moldes do art. 106, II, “c”, do CTN é necessário aplicarse a legislação mais benéfica à empresa, que é a do art. 32A da Lei nº 8.212/91, inclusive temse vários precedentes do CARF nesse sentido. · Ressalta que existe outra inconsistência no acórdão recorrido, quando ele mantém a aplicação da multa mínima de R$500,00 por competência, uma vez que a lei prevê que a multa mínima é aplicada para todo o período autuado, e não por competência. Além disso, mesmo partindose do pressuposto de que fosse por competência, como se tratam de duas competências (12/02 e 01/03), o valor da multa deveria ser de R$ 1.000,00 (seguindo o raciocínio do próprio acórdão) e não de R$ 19.558,88. · O processo foi encaminhado para Fazenda Nacional em 08/07/2016, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou em 25/07/2016, portanto tempestivamente, suas contrarrazões. · Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional destaca que não houve pagamento antecipado, mesmo porque se trata de auto de infração (penalidade), cujo lançamento será sempre de ofício, e não por homologação; e por isso, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador, devendo ser aplicada a regra geral do artigo 173, I do CTN. · A Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões em relação ao item “d” aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. É o relatório. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 9202006.569 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 1069. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Cingese a controvérsia na aplicação da decadência quinquenal, bem como nas penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Mais especificamente em relação a decadência o período objeto de discussão envolve as competências 12/2002 a 02/2003, tendo em vista que o período anterior já estaria abrangido pela decadência do art. 173, I do CTN. Da decadência Quanto ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD/AIOP, antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD ou dos AI de obrigações principais (AIOP), constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Fl. 1188DF CARF MF 8 Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 9202006.569 CSRFT2 Fl. 6 9 que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa cumprido obrigação acessória, mais especificamente, " constatouse que o mesmo deixou de incluir em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. A omissão de fatos geradores em ME' constitui infração, conforme legislação citada na capa do presente AI — "Dispositivo legal infringido" . Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Neste ponto, apenas esclareço a inaplicabilidade da súmula 99 do CARF, considerando que a regra ali expressa, visa deixar claro que rubricas pagas pelo empregador na condição de salário indiretos serão apreciadas a luz do art. 150, §4º do CTN, sempre que demonstrado recolhimento antecipado/parcial sobre o mesmo fundamento legal. Entretanto, como já enfatizado, estamos falando de obrigação acessória, dessa forma, não há que se falar de recolhimento antecipado. Por fim, esclareço que a decisão aqui refletida não afronta, de forma alguma, decisão do STF, uma vez que a súmula nº 08 declara a inconstitucionalidade do art. 45 da lei 8212/91, passando a decadência a ser apreciada a luz do disposto no CTN, conforme foi analisado no corpo desse voto. Da mesma forma, afasto o entendimento descrito no acórdão recorrido de que em aplicandose a decadência do principal a luz do art. 150, §4º do CTN, igual destino deve ser dado a obrigação acessória ligada àqueles fatos. Conforme já exaustivamente descrito, uma coisa é a obrigação legal de recolher o tributo, outra diversa, é a obrigação acessória de informar ou apresentar documento próprio, como a exigência prevista no dispositivo objeto da autuação. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 26/2/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/2/2008. Os fatos geradores sob reapreciação envolvem as competência 12/2002 a 01/2003, já que o acórdão recorrido já excluiu até 11/2002 . Dessa forma, a luz do art. 173, I do CTN, não há reparo a ser feito na decisão proferida. Por fim, em se tratando de obrigação acessória, importante apenas identificar a situação da obrigação principal correlata, Processo 13971.000643/200883, posto que o resultado da Obrigação principal deve ser levado em consideração para excluir da multa de GFIP aplicada os fatos geradores excluídos na obrigação principal por improcedência no momento de execução do julgado. Aplicação da multa retroatividade benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Entende Fl. 1190DF CARF MF 10 o recorrente (sujeito passivo), que a regra descrita nos moldes do art. 32_A seria a que melhor se enquadra ao caso concreto, o que venho a discordar. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 9202006.569 CSRFT2 Fl. 7 11 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 1192DF CARF MF 12 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 9202006.569 CSRFT2 Fl. 8 13 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma Fl. 1194DF CARF MF 14 forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 13971.000640/200840 Acórdão n.º 9202006.569 CSRFT2 Fl. 9 15 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista Fl. 1196DF CARF MF 16 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, com destaque para os meses em que a decadência alcançou a obrigação principal, visto que, para esses, a retroatividade será aplicada a luz do art. 32A nos termos destacados no presente voto. Além desse ponto, conforme já descrito anteriormente, em se tratando de obrigação acessória, importante apenas identificar a situação da obrigação principal correlata, Processo 13971.000643/200883, posto que o resultado da Obrigação principal deve ser levado em consideração para excluir da multa de GFIP aplicada os fatos geradores excluídos na obrigação principal por improcedência no momento da execução do julgado. Por fim, quanto a alegação de que a multa foi aplicada indevidamente, entendo que razão não assiste ao recorrente. A obrigatoriedade de entrega da GFIP dáse mensalmente, dessa forma, conforme preceitua o § 3o a multa mínima a ser considerada para apuração da situação mais benéfica será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. o cálculo da multa mínima também deve ser dar por competência. Assim, deve ser mantida a decisão recorrida, por ter adotado a interpretação correta da legislação aplicável, em consonância com o que determina a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, conforme descrito nesse voto. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1197DF CARF MF
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