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Numero do processo: 10865.900380/2009-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/07/1996
VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC.
Constatando-se que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplica-se o art. 76, § 2º, II, do CPC.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1996 a 31/07/1996 VÍCIO NA REPRESENTAÇÃO. FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Constatando-se que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplica-se o art. 76, § 2º, II, do CPC. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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FALTA DO INSTRUMENTO DE PROCURAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. INCAPACIDADE PROCESSUAL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC. Constatandose que o processo não está devidamente instruído com o instrumento de procuração, deve a autoridade intimar o contribuinte a sanar o vício em seu recurso. Não atendida a intimação, resta configurada a incapacidade processual e, portanto, aplicase o art. 76, § 2º, II, do CPC. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 80 /2 00 9- 12 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10865.900380/200912 Acórdão n.º 3002000.154 S3C0T2 Fl. 70 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP retificador 17842.74402.160207.1.7.044032 (fl. 02/06), transmitido em 16/02/2007, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. O PER/DCOMP original foi transmitido em 10/02/2005. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal." Ou seja, baseado nas informações sobre o documento de arrecadação, prestadas pela própria contribuinte em seu pedido de compensação, não foi possível confirmar a existência de tal pagamento, levando ao indeferimento do pleito. Após ser intimada da decisão em 03/03/2009, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 12/17), na qual informou que o Darf não foi localizado, porque o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data de arrecadação. Esclareceu, ainda, que a data de arrecadação é a data de vencimento informada e que estava juntando aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp para análise. Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10865.900380/200912 Acórdão n.º 3002000.154 S3C0T2 Fl. 71 3 Direito Creditório Não Reconhecido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (29/48), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e acrescentando novos argumentos, assim como jurisprudência e doutrina. Em 25/10/13, a contribuinte é intimada (fl. 55), pela Agência da Receita Federal em São João da Boa Vista (ARFJBV), a apresentar os documentos listados em 8 dias: "Original e cópia simples ou cópia autenticada da Carteira de Identidade expedida pela Secretaria de Segurança Pública ou documento equivalente, que permita reconhecer por cotejo a assinatura constante no objeto de defesa, ou seja, Recurso Voluntário, protocolado em 14/10/2013, sob nº Prot. Aux. 1454/13/ARFJBV; • Original e cópia simples ou cópia autenticada do instrumento procuratório, com firma reconhecida, a fim de demonstrar a legitimidade do subscritor do Recurso Voluntário, para atuar em nome da empresa (se for o caso), além dos poderes que lhe foram outorgados, nos termos da lei". Após certificar que não houve o cumprimento da intimação para a comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, a unidade de origem encaminha os autos ao CARF. Porém, em 09/01/14, é recebida resposta à intimação pelos correios, data de postagem 07/01/14. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo, contudo, não preenche todos os requisitos formais de admissibilidade. Por oportuno, transcrevese caput e § 2º do art. 56, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10865.900380/200912 Acórdão n.º 3002000.154 S3C0T2 Fl. 72 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10865.900380/200912 Acórdão n.º 3002000.154 S3C0T2 Fl. 73 5 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifo nosso) Conforme assentado na doutrina e na jurisprudência, o próprio sujeito passivo pode subscrever impugnações e recursos em processos administrativos, ao contrário do que ocorre, em regra, no judicial, entretanto, resolvendo o fazer através de procurador, deverá ser anexado instrumento de procuração ao processo. Além disso, a representação processual no processo administrativo fiscal demanda procuração com poderes específicos, não sendo passível de aceitação aquela emitida com poderes para o foro em geral. A falta de apresentação do instrumento de procuração impede o conhecimento do recurso, pois não havendo a comprovação da regular representação, o signatário do recurso não possuirá, então, capacidade processual. Porém, há entendimento majoritário nesta Corte, do qual compartilho, no sentido da aplicação subsidiária do art. 76 do Código de Processo Civil (CPC) ao processo administrativo, que assim dispõe: Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. § 1o Descumprida a determinação, caso o processo esteja na instância originária: I o processo será extinto, se a providência couber ao autor; II o réu será considerado revel, se a providência lhe couber; III o terceiro será considerado revel ou excluído do processo, dependendo do polo em que se encontre. § 2o Descumprida a determinação em fase recursal perante tribunal de justiça, tribunal regional federal ou tribunal superior, o relator: I não conhecerá do recurso, se a providência couber ao recorrente; II determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência couber ao recorrido. Assim, entendo que, no processo administrativo, tal comando está direcionado para qualquer das instâncias julgadoras, assim como para a unidade preparadora e, portanto, podendo ser satisfeito por qualquer uma delas. No presente caso concreto, a unidade preparadora percebeu a falta de apresentação do devido instrumento de procuração e, em decorrência, intimou a contribuinte a Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10865.900380/200912 Acórdão n.º 3002000.154 S3C0T2 Fl. 74 6 apresentálo. Dessa forma, foi privilegiado o Princípio da Ampla Defesa, pois oportunizada a possibilidade da contribuinte vir a sanar o vício cometido. A recorrente encaminha, dois meses e meio após a intimação, a seguinte resposta: Como se percebe no documento acima, a recorrente informou que estava apresentando os documentos solicitados, isto é, cópia da carteira de identidade do signatário do Recurso Voluntário e cópia do instrumento de procuração, que comprovava a devida representação, e informou, ainda, que tais documentos já haviam sido entregues juntamente com sua Manifestação de Inconformidade. Com efeito, as afirmações da recorrente não procedem. De início, esclareça se que não foi entregue nenhum desses documentos juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada no processo sob análise. Ademais, embora a recorrente tenha informado que estava enviando a procuração, de fato, esta não foi encontrada no interior do envelope postado, conforme se verifica do despacho (fl. 67) da unidade de origem: Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10865.900380/200912 Acórdão n.º 3002000.154 S3C0T2 Fl. 75 7 "Tendo sido apresentada resposta à Intimação 13841/JBV/3582013, com data de postagem em 07/01/2014, esclareço que, embora tenha sido elencado pelo contribuinte o envio do instrumento procuratório, o mesmo não estava dentro do conteúdo do envelope de postagem." (grifo nosso) Assim, em realidade, apenas cópias de dois documentos de identidade, dos signatários do recurso e da resposta à intimação, foram remetidas pela recorrente para serem anexados ao processo. Importante salientar que, além de não serem encaminhados todos os documentos solicitados, a recorrente somente enviou a resposta 74 dias após a ciência da intimação. Desta forma, não há como negar que a recorrente deixou de cumprir a determinação para sanar o vício em seu recurso, embora tenha sido intimada a fazêlo, em conformidade com o art. 76 do CPC. Em decorrência, restou configurada a incapacidade processual, logo, o Recurso Voluntário apresentado não preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, aplicase o disposto no art. 76, § 2º, II, do CPC. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e, por conseguinte, não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917570/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.588
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 70 /2 01 1- 08 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10480.917570/201108 Acórdão n.º 3201003.588 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.479, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10480.917570/201108 Acórdão n.º 3201003.588 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10480.917570/201108 Acórdão n.º 3201003.588 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.720282/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE
Configurado o erro na identificação do sujeito, há que se declarar a nulidade do auto de infração, por vício material.
Numero da decisão: 3301-004.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: 86372807734 - CPF não encontrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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A. EM LIQUIDAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE Configurado o erro na identificação do sujeito, há que se declarar a nulidade do auto de infração, por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 02 82 /2 01 5- 58 Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.081 2 Relatório Adoto o relatório constante da decisão de primeira instância: "1. O presente Processo reúne Autos de Infração da Cofins e da Contribuição para o PIS cumulativas, abrangendo os períodos de janeiro a março de 2012, lavrados na DRF/Recife pela Equipe de Fiscalização de Maiores Contribuintes – EFMAC da 4º Região Fiscal, em razão de insuficiência de recolhimento decorrente da exclusão das bases de cálculo, considerada indevida, de determinadas receitas. Os valores globais, em Reais, são os seguintes: 2. A descrição dos fatos está detalhada no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 024 a 057), no qual se vê que o procedimento fiscal abrangeu todos os períodos de apuração de 2011 e 2012, bem como o IRPJ e a CSLL, o que culminou também na lavratura de Autos de Infração daqueles tributos (por motivos diversos), que são objeto do Processo nº 10480.720281/2015 11, o qual foi apreciado pela 4ª Turma desta mesma DRJ. 3. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF foi, inicialmente, emitido para a empresa AMMC INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. EM LIQUIDAÇÃO (doravante somente qualificada como “AMMC”), CNPJ 10.824.993/000170, antigo BANCO MERCANTIL S.A., sediado em Recife – PE. 3.1. É público e notório que houve a intervenção do BANCO CENTRAL nesta instituição financeira, no âmbito do PROER do Governo Fernando Henrique Cardoso. 3.2. Após longo trâmite, passando pela liquidação extrajudicial, houve a liquidação ordinária do tradicional Banco Comercial, sendo que, em razão da AMMC já se encontrar extinta à época do início da fiscalização (apesar de continuar Ativa no Cadastro CNPJ), foi exarado um novo comando administrativo (já sobre o nome de TDPF) para que fossem direcionados os trabalhos para os responsáveis tributários (já as primeiras intimações tinham sido dirigidas ao Sr. ARMANDO MONTEIRO DE QUEIROZ FILHO, CPF 000.662.90406, liquidante da AMMC). 4. Em síntese, a fiscalizada efetivamente foi a AMMC, mas, como ela já estava extinta, o lançamento foi feito em nome de quem por ela devesse (e pudesse) responder, na forma da lei (sendo determinante, neste aspecto, o disposto no Código Tributário Nacional). Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.082 3 4.1. Nos Autos de Infração PIS/Cofins (bem como nos de IRPJ/CSLL), é caracterizado como “Sujeito Passivo” a AMF EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. (doravante, “AMF”) e como “Demais Sujeitos Passivos” (Responsáveis Tributários Solidários), uma Pessoa Física e três Jurídicas, quais sejam: 1) ARMANDO DE QUEIROZ MONTEIRO FILHO (doravante, “ARMANDO MONTEIRO”), CPF 000.662.90466, na qualidade de representante da AMF e de liquidante e representante da AMMC; 2) TRAPÉZIO S/A (doravante, “TRAPÉZIO”), CNPJ 21.793.096/000162, na qualidade de sócia da AMMC; 3) ALDEIA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (doravante, “ALDEIA”), CNPJ 05.433.929/000128, também na qualidade de sócia da AMMC; 4) MERCANTIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (doravante, “MERCANTIL EMPR”), CNPJ 11.502.978/000178, outra sócia da AMMC. 5. A configuração societária destas empresas, o histórico da liquidação, da distribuição dos ativos financeiros ou não, das razões pelas quais a dissolução foi considerada irregular e foram imputadas as Responsabilidades Tributárias, a apresentação/retificação da DIPJ/2012 – Situação Especial, as retificações das DCTF e a transmissão das DCOMP delas decorrentes, tudo isto está detalhado de forma bastante rica no Relatório de Auditoria Fiscal, do qual trago os aspectos que considero retratam – de forma sintética, mas com a necessária fidelidade – o que interessa à solução da lide aqui posta, que se restringe a PIS/Cofins. 6. Vejamos a seqüência de eventos: 1) Em Assembléia Geral Extraordinária do ainda BANCO MERCANTIL, realizada em 16/02/2012, foi deliberado o seguinte: Aprovação da propositura de pedido ao Banco Central do Brasil para transformação do regime de liquidação extrajudicial para liquidação ordinária; Mudança de denominação da sociedade para AMMC; Mudança do objeto social para a administração de ativos financeiros e imobiliários de sua propriedade e participações em outras sociedades e investimentos; Aprovado o nome do Sr. ARMANDO MONTEIRO para exercer a função de liquidante no regime de liquidação ordinária. 2) O pedido encaminhado ao Banco Central do Brasil foi acatado, em 29/03/2012, tendo cessando o regime de liquidação extrajudicial e passando ao regime de liquidação ordinária. 3) No dia seguinte, em 30/03/2012, em Assembléia Geral presidida pelo liquidante, Sr. ARMANDO MONTEIRO, foi deliberado o encerramento de atividade da Companhia (dissolução). 4 Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.083 4 4) Na mesma data (30/03/2012), foram retificadas todas as DCTF (entregues sob a responsabilidade do liquidante) relativas aos meses de marco de 2007 a janeiro de 2012 (vide relação parcial que extraí do sistema DCTF/Consulta, às fls. 636 a 639), reduzindo drasticamente os valores a pagar da Cofins e da Contribuição para o PIS (vide Quadro Comparativo, às fls. 276, para os meses de janeiro de 2011 a janeiro de 2012), sendo a justificativa a exclusão da base de cálculo das contribuições das receitas registradas nas seguintes contas COSIF: 7.1.5.10 – RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA, 7.1.5.40 – RENDAS DE APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO e 7.1.5.75 – LUCROS COM TÍTULOS DE RENDA FIXA. 4.1.) A empresa então registrou lançamentos contábeis no montante de R$ 44.510.557,99: a débito da conta contábil n° 11884500007 – PIS/COFINS A COMPENSAR e a crédito de conta de Receita, com histórico de "Recuperação Despesas de Contri", e, nesta mesma data, zerou o saldo da conta de Ativo com lançamento a crédito dessa conta e a débito da conta de Passivo n° 249870001005 – PROVISÃO PARA O IRPJ. 5) Em 08/02/2013, foram transmitidas 110 (cento e dez) Declarações de Compensação, elaboradas com a utilização do Sistema PER/DCOMP (Relação às fls. 383 a 387), duas para cada mês em que a DCTF foi retificada, de julho/2007 a janeiro/2012, compensando os supostos créditos decorrentes de Pagamento Indevido ou a Maior PIS/Cofins com débitos do IRPJ. 5.1.) Destas DCOMP, 54 (cinqüenta e quatro), relativas à Cofins apurada nos meses de julho de 2007 a dezembro de 2011, foram não homologadas pela autoridade competente, no montante de R$ 28.713.162,03, conforme Despacho Decisório SEORTDRF/RECIFEPJ, de 27/06/2014, às fls. 311 e 312 (depois veremos como está o desenrolar do Processo Administrativo Fiscal em curso no qual que se discute esta decisão denegatória). 6) Extraí do Sistema SIEF/Portal IRPJ, a relação das DIPJ entregues (fls. 640) e confirmei que, em 29/06/2012, foi apresentada, pela AMMC, a DIPJ/2012 – Situação Especial (Extinção) Original, abrangendo somente o 1º trimestre de 2012, a qual extraí do mesmo Sistema (fls. 641 a 660). 6.1.) Lá se pode verificar que, como relataram os Auditores, foi apurado, no período, um Lucro Líquido (Contábil) de R$ 1.147.697.583,10, restando, após a dedução do Saldo Anterior de Prejuízos Acumulados (em períodos anteriores), R$ 502.800.436,26, que seriam distribuídos aos acionistas, na forma de dividendos. 7) Em 08/02/2013 (mesma data da transmissão das DCOMP) foi transmitida uma DIPJ/2012 – Situação Especial (Extinção) Retificadora (que anexei, às fls. 661 a 680). 7.1) Nela foi calculado, conforme também relatado pelos autuantes, um IRPJ a pagar de R$ 33.382.647,82, que foi todo compensado com supostos créditos PIS/Cofins (o que pude confirmar em consulta ao Sistema SIEF/FISCEL, conforme telas às fls. 681); 7.2) Quanto à CSLL, o valor apurado, de R$ 30.470.893,15, foi “zerado” após a dedução da “Recuperação de Crédito da MP nº 1.807/99, art. 8º”, o que foi considerado, em parte, uma infração, já que o limite para esta dedução seria de 30 % da CSLL apurada (infração esta que não interessa a este Processo, por não ter qualquer relação com PIS/Cofins). Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.084 5 7. Nas DIPJ podese ver que o Representante da Pessoa Jurídica era o Sr. ARMANDO MONTEIRO, e que o Quadro Societário era o seguinte (coloquei logo aí o valor dos dividendos distribuídos – na mesma proporção do Capital Total, conforme Item 32 do Relatório de Auditoria Fiscal, bem como os efetivamente pagos, conforme Item 33 do RAF): 7.1. Não entrarei no porquê da “configuração” dos acionistas minoritários não estar clara, não só pelo fato de não figurarem nas DIPJ, mas, fundamentalmente, por não terem sido responsabilizados. 7.2. No Item 22 do RAF, os Auditores ressaltam que o Sr. ARMANDO MONTEIRO detinha 94,72% do Capital Total e Votante da AMF, e esta, por seu turno, detinha 82,02% do Capital Votante da MERCANTIL EMPR (daí a possível razão de a AMF ter recebido um valor maior em dinheiro, em percentual adicional praticamente equivalente ao da participação da MERCANTIL EMPR). 8. Vêse que o pagamento efetivo dos dividendos devidos pela empresa em extinção foi parcial, restando a pagar R$ 502.800.436,26 – R$ 401.306.878,00 = R$ 101.493.558,26. 8.1. Afirmam os autuantes, no Item 36 do RAF, que “no passivo da empresa AMMC existia um débito tributário (Impostos e Contribuições a Recolher) no montante de R$ 6.781.232,97 não liquidados no momento da dissolução da Companhia, além de outras obrigações no montante de R$ 126.793.112,93 (incluídos, neste valor, os dividendos não pagos – R$ 101.493.558,26, registrados na Conta “Dividendos e Bonificações a Pagar)”. 9. Daqui por diante passarei a transcrever de forma praticamente literal o que dizem os Auditores relativamente à dissolução irregular da sociedade e à responsabilização tributária, para bem caracterizar a interpretação dada pela Fiscalização acerca destes temas sabidamente “sensíveis” (os grifos são originais): “III – Da Irregularidade na Dissolução da Companhia AMMC 37. Conforme ensina a doutrina, no direito empresarial, para ocorrer a dissolução regular de uma sociedade, os administradores devem proceder à liquidação e à partilha dos seus bens. A liquidação visa à realização do ativo e ao pagamento do passivo da sociedade, enquanto a partilha visa à distribuição do patrimônio líquido remanescente aos sócios de forma proporcional à participação de cada um no capital da sociedade. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.085 6 38. O Código Civil (Lei n° 10.406/2002) determina que, para encerrar as suas atividades, a empresa deve ter aprovadas as suas contas e ter encerrada a liquidação do patrimônio ... (acrescentei o art. 1.108) Art. 1.108. Pago o passivo e partilhado o remanescente, convocará o liquidante assembléia dos sócios para a prestação final de contas. Art. 1.109. Aprovadas as contas, encerrase a liquidação, e a sociedade se extingue, ao ser averbada no registro próprio a ata da assembléia. Parágrafo único. O dissidente tem o prazo de trinta dias, a contar da publicação da ata, devidamente averbada, para promover a ação que couber. Art. 1.110. Encerrada a liquidação, o credor não satisfeito só terá direito a exigir dos sócios, individualmente, o pagamento do seu crédito, até o limite da soma por eles recebida em partilha, e a propor contra o liquidante ação de perdas e danos. 40. Também a Lei das S/A (nº 6.404/76) determina ... (acrescentei os arts. 216 e 217) Prestação de Contas Art. 216. Pago o passivo e rateado o ativo remanescente, o liquidante convocará a assembléia geral para a prestação final das contas. § 1º Aprovadas as contas, encerrase a liquidação e a companhia se extingue. § 2º O acionista dissidente terá o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da publicação da ata, para promover a ação que lhe couber. Responsabilidade na Liquidação Art. 217. O liquidante terá as mesmas responsabilidades do administrador, e os deveres e responsabilidades dos administradores, fiscais e acionistas subsistirão até a extinção da companhia. Direito de Credor Não Satisfeito Art. 218. Encerrada a liquidação, o credor não satisfeito só terá direito de exigir dos acionistas, individualmente, o pagamento de seu crédito, até o limite da soma, por eles recebida, e de propor contra o liquidante, se for o caso, ação de perdas e danos. O acionista executado terá direito de haver dos demais a parcela que lhes couber no crédito pago. 41. Ou seja, para haver a dissolução regular há que se ter encerrada a liquidação, com a satisfação dos direitos creditórios de terceiros em face da sociedade, e a promoção da baixa da empresa nos órgãos de registro. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.086 7 42. Na situação de existência de débitos tributários conhecidos ou que deveriam sêlo, à época do encerramento, ou constituídos de ofício, a posteriori, se caracteriza a dissolução irregular da sociedade, por infração às leis fiscal e societária. 43. Nesses casos, o Código Tributário Nacional (CTN), responsabiliza solidariamente os representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos tributos que deixaram de ser pagos, sem benefício de ordem e sem guardar valor com os quinhões recebidos. 44. Assim dizem os artigos 134 e 135 do CTN: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. ... (nos Itens 45 a 51, os Auditores discorrem sobre matéria fática cujo histórico aqui já foi apresentado, envolvendo a retificação das DCTF, as DCOMP e as DIPJ) 52. A dissolução da sociedade, sem observância dos preceitos legais, considerase irregular, pois tal conduta impede ao Fisco de buscar a satisfação do crédito no patrimônio da sociedade. Assim, o liquidante, como responsável pela administração da sociedade, é também responsável pelos créditos tributários não pagos pela pessoa jurídica quando dissolve irregularmente a sociedade. 53. Esclarecemos ainda que, embora tenha apresentado, em 29/06/2012, DIPJ informando o encerramento das atividades, a empresa não encaminhou para a SRF o formulário de baixa do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, permanecendo como empresa Ativa, até a presente data. (este Relator verificou, em consulta ao sistema CNPJ, que a empresa continua ativa no cadastro até os dias atuais, conforme tela às fls. 682) IV – Da Responsabilidade Tributária 54. A Fazenda Pública pode exigir o pagamento do tributo quer do contribuinte quer do responsável, conforme a lei estabelecer a responsabilidade deste ou daquele pelo pagamento do tributo. Daí concluise que o sujeito passivo da obrigação tributária tanto pode ser o contribuinte quanto o responsável, conforme dispõem o caput e o parágrafo único do art. 121 do Código Tributário Nacional. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.087 8 55. As análises do cumprimento das obrigações tributárias referemse a fatos relativos à empresa AMMC, porém, os lançamentos tributários são realizados contra os responsáveis tributários, por força do disposto no art. 1.109 e art. 1.110 do Código Civil, e 218 da Lei das S/A; e art. 134, III, combinado com o art. 135, I e III, ... do CTN. 56. São responsáveis tributários da fiscalizada: a) A pessoa jurídica AMF ... (arts. 1.109 e 1.110 da Lei nº 10.406/2002, art. 218 da Lei nº 6.404/76) b, c, d) As pessoas jurídicas TRAPÉZIO, ALDEIA e MERCANTIL EMPR (cita as mesmas leis) e) A pessoa física do liquidante, ARMANDO MONTEIRO ... (arts. 134 e 135 do CTN) 57. De todo o exposto e arrazoado, as irregularidades fiscais identificadas por esta fiscalização serão tributadas e cobradas nas pessoas dos responsáveis tributários da empresa dissolvida irregularmente, sendo lançados os autos de infração contra a pessoa do sócio majoritário controlador – AMF Empreendimentos e Participações S.A., e tendo como responsáveis tributários solidários as demais pessoas acima identificadas. Infração PIS/Cofins – Exclusões Consideradas Indevidas das Bases de Cálculo de Receitas Financeiras decorrentes da Aplicação de Recursos Próprios 10. A questão da infração tributária propriamente dita só vem a ser tratada, no RAF, no Tópico VI – “Do Resultado da Auditoria do PIS/Cofins”. 11. Vejamos a justificativa que dá o contribuinte, transcrita no Item 126 do RAF, para as discutidas exclusões das bases de cálculo, em resposta (fls. 166 e 167, Item 4) a uma das Intimações Fiscais (fls. 182, Item 4): "No tocante à exclusão, na apuração da base de cálculo do PIS/COFINS, dos valores provenientes de receitas com aplicações financeiras próprias, vimos informar que o procedimento teve como base as rendas auferidas com aplicações de recursos próprios, as quais não foram tributadas porque a Lei n. 9.718/98, com a redação dada pela Lei n. 11.941/09 excepcionou da base tributável aqueles valores que correspondiam a rendas não decorrentes do exercício do próprio objeto social do contribuinte. No caso dos Bancos, se a renda não corresponde à intermediação financeira, o entendimento da RFB e da PGFN foi o de que não cabe a tributação. Isso se aplica a rendas de juros / rendimentos financeiros que podem advir de aplicações de recursos próprios, juros sobre o capital próprio, rendas de depósitos judiciais entre outros." 12. Para bem nos situarmos, desde logo, partindo de uma visão global, no contexto desta discussão de mérito, a única alteração que a Lei nº 11.941/2009 fez na Lei nº 9.718/98 foi a revogação do § 1º do seu art. 3º. 12.1. Esta revogação deuse pelo fato de que o dispositivo foi considerado inconstitucional pelo STF, na mais que conhecida batalha judicial envolvendo o “alargamento” da base de cálculo PIS/Cofins, no regime cumulativo, que o aludido parágrafo intentou fazer. A inconstitucionalidade foi declarada em função da sua vigência ser anterior à da Emenda Constitucional nº 20/98, que alterou a redação do art. 195, I, da Constituição Federal para “receita ou faturamento”, ao invés de somente “faturamento”, este conceituado como vendas de bens e de serviços. 12.2. O que ficou pendente de interpretação foi o alcance desta decisão – especialmente no que se refere às instituições financeiras, que, em princípio, só aceitavam a tributação da cobrança de taxas (por ter indiscutível natureza de Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.088 9 remuneração por prestação de serviços), mas não do “grosso” das suas receitas, que são as decorrentes de intermediação financeira. 12.3. Isto motivou uma consulta feita pela RFB à PGFN por meio da Nota Técnica Cosit nº 21/2006, sendo que a resposta veio através do Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, sob o título “PIS/PASEP e COFINS. Base de Cálculo das contribuições devidas pelas instituições financeiras e seguradoras após o julgamento do RE 357.9509/RS”. Do referido Parecer, os AuditoresFiscais extraíram o seguinte excerto: 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. 13. E, logo pela resposta dada pelo contribuinte (que ainda será trazida à tona novamente, vista, em parte, sob outro ângulo), notase que ele não está a discutir a inclusão das receitas decorrentes de intermediação financeira nas bases de cálculo das contribuições, mas tãosomente daquelas decorrentes da aplicação de recursos próprios. Cingese, então, a isto, a lide. 13.1. Listo aqui novamente, de forma mais detalhada, as contas objeto da autuação [esclarecendo que as instituições financeiras têm que adotar, obrigatoriamente, o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF) estabelecido pelo BANCO CENTRAL]: 7.1.5.10.000 – RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA, na qual devem ser registradas as rendas de títulos de renda fixa, que constituam receita efetiva da instituição, no período. 7.1.5.40.001 – RENDAS DE APLICAÇÕES EM FUNDOS DE INVESTIMENTO, na qual devem ser registradas as rendas de fundos de investimento, que constituam receita efetiva da instituição, no período. 7.1.5.75.007 – LUCROS COM TÍTULOS DE RENDA FIXA, na qual devem ser registrados os lucros apurados na venda definitiva de títulos de renda fixa. 13.2. Para justificar a sua tributação, a Fiscalização utiliza primeiramente o argumento de que, tanto a Lei nº 9.701/98, no seu art. 1º, como a Lei nº 9.718/98, quando faz menção, nos §§ 5º e 6º do art. 3º, às instituições financeiras referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, não as excluem expressamente das bases de cálculo. 13.3. O mesmo se verifica na IN/RFB nº 1.285/2012 e, antes dela, na IN/SRF nº 247/2002 (sendo que é esta última a que nos interessa mais de perto, pois é a que estava vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação, bem como na data da retificação das DCTF). Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.089 10 13.4. Depois, traz a Solução de Consulta nº 108/2010, da Disit/9ª RF (o mesmo vale para a Contribuição para o PIS): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SOCIEDADE CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS. As receitas financeiras auferidas por sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, decorrentes da aplicação de recursos próprios ou de terceiros no mercado financeiro (rendas de aplicações em operações compromissadas, em títulos de renda fixa, em títulos de renda variável, em fundos de investimento, etc.) constituem serviços de natureza financeira, integrando o faturamento (receita bruta) e, conseqüentemente, a base de cálculo da contribuição para a Cofins. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, artigos 2º e 3º; Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773, de 2007; item 5 do Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS, promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30.12.1994; art. 98 do Código Tributário Nacional. 13.5. Procurando fixar o conceito de instituição financeira (no “bojo”, também tratando da aplicação de recursos próprios), colecionam ainda os Auditores o seguinte excerto do Parecer PGFN/CAF/Nº 334/2001: Sustentada pela maioria dos doutrinadores brasileiros e encontrando guarida na maioria das decisões de nossos Tribunais, a melhor interpretação do conceito de instituição financeira é ainda aquela antiga, segundo a qual há necessidade de conjugação dos três pressupostos do caput do art. 17 da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964 – coleta, intermediação e aplicação de recursos próprios e de terceiros para a caracterização da atividade de instituição financeira, atividade privativa das instituições autorizadas a funcionar e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil. 14. Faz então a Fiscalização a reversão das multicitadas exclusões, chegando às diferenças não admitidas, de janeiro de 2011 a março de 2012 (isto porque limitado aos períodos fiscalizados e com particularidades, que ainda serão vistas), conforme planilha às fls. 053 e 054. 15. Mas os Autos de Infração não atingiram somente os meses de janeiro a março de 2012 ?? Se estivéssemos diante de uma situação “normal”, todos os valores relativos a 2011 também seriam passíveis de lançamento de ofício. Mas, rememoremos o seguinte: Sob o regime de liquidação extrajudicial, que se encerrou em 29/03/2012, foram apresentadas DCTF Originais, relativamente aos meses de 01/2011 a 12/2011, tendo sido apurados e pagos os valores PIS/Cofins com a inclusão de tais receitas na base de cálculo; Em 30/03/2012, já sob o regime de liquidação ordinária (sob a responsabilidade do Sr. ARMANDO MONTEIRO), as DCTF de 2011 foram Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.090 11 retificadas, em função de nova apuração PIS/Cofins, aí excluindo das bases de cálculo as receitas de aplicações financeiras próprias; Com a retificação das DCTF, foram “gerados” indébitos, sendo os respectivos valores utilizados em DCOMP de Pagamento Indevido ou a Maior para a compensação do valor devido do IRPJ apurado na DIPJ/2012 – Situação Especial (Extinção). 15.1. Assim, para os períodos de 01/2011 a 12/2011, considerando a existência de pagamentos integrais, o tratamento das diferenças apuradas ficou de ser remetido à análise das DCOMP e das DCTF, em Informação Fiscal dirigida ao SEORT/DRF/Recife. 15.2. Para o período de 01/20121 a 03/2012, para os quais a fiscalizada declarou e pagou valores inferiores aos devidos, foram lavrados Autos de Infração para a constituição dos correspondentes créditos tributários “exceto aqueles valores referentes à conta 2715100015 – LFT, por tratarem de receitas não realizadas (art. 35 da Lei nº 10.637/2002), as quais serão tributadas no momento da sua realização”. 16. Esta ressalva feita pelos Auditores ao final do parágrafo anterior é tratada no Subtópico VI.2 do RAF – “Receitas Diferidas de Períodos Anteriores”, mais especificamente, a adição de receitas realizadas referentes a aplicações em Títulos Públicos Federais – LFT, de que trata o art. 35 da Lei nº 10.637/2002 (os grifos são dos autuantes): Art. 35. A receita decorrente da avaliação de títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de hedge, registrada pelas instituições financeiras e demais entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, instituições autorizadas a operar pela Superintendência de Seguros Privados – Susep e sociedades autorizadas a operar em seguros ou resseguros em decorrência da valoração a preço de mercado no que exceder ao rendimento produzido até a referida data somente será computada na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da contribuição para o PIS/Pasep quando da alienação dos respectivos ativos. ...... § 2º Para fins do disposto neste artigo, considerase alienação qualquer formade transmissão da propriedade, bem como a liquidação, o resgate e a cessão dosreferidos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros derivativos e itens objeto de hedge. _______________________________________ 1 Na realidade, houve também compensações relativas a janeiro de 2012, mas em valores irrisórios, se comparados com os dos meses anteriores. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.091 12 16.1 Este assunto é um tanto complexo e “se mistura” com o IRPJ, mas, evidentemente, não é por conta disto que não me esmerarei no relato no que tange a esta parcela do lançamento. O fato determinante é que, como ainda será visto, em nenhuma das Impugnações é questionado o procedimento da Fiscalização no que se refere a estas receitas, especificamente, a não ser, repisando, de forma genérica, que não poderiam ser incluídas na base de cálculo receitas decorrentes de aplicações de recursos próprios. 16.2. Mas, para que não fique a lacuna, transcrevo como arrematam este Subtópico os Auditores: “151. Na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme detalhado no tópico VI.1, esta Fiscalização admitiu as exclusões efetuadas pelo fiscalizado, relativas às receitas decorrentes de aplicações em títulos públicos federais (LFT) não realizadas. 152. Considerando que o Fiscalizado não incluiu, na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, as receitas de aplicações em títulos públicos federais (LFT), realizadas nos meses de 01/2012 e 03/2012, são constituídos de ofício, por meio de autos de infração, os créditos tributários dessas contribuições indevidamente suprimidos.” 17. Encerrando a descrição dos fatos, observo que tudo o que foi dito no Relatório de Auditoria Fiscal está devidamente comprovado por vasta e farta documentação acostada aos autos pelos Auditores, sendo que as declarações/telas/extratos por mim anexados são meros facilitadores das consultas a certos dados. 18. O autuado e os responsáveis foram regularmente intimados (fls. 414 a 427) e, irresignados, todos eles apresentaram Impugnações – e idênticas, até nos erros (repetições), a não ser a do Sr. ARMANDO MONTEIRO, na parte que versa sobre a responsabilização, já que foi pessoal. 18.1. Para facilitar as consultas ao inteiro teor das mesmas, indico as folhas do Processo onde se encontra cada uma delas: (*) A justificativa dada pela intimada para este diferencial está às fls. 432 e 433. 1) Responsabilização Tributária 18.2. Vejamos o que dizem, literalmente, as pessoas jurídicas a respeito, em suas contestações: “... cabe enfatizar que a mencionada determinação destoa do entendimento extraído dos dispositivos que fundamentam a pretensão do Fisco, que se valeu de interpretação impelida às mencionadas normas, como meio de assegurar o adimplemento dos créditos apurados. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.092 13 Conforme previsto no Código Tributário Nacional ... o sujeito passivo de determinada obrigação tributária é a pessoa relacionada ao fato gerador que culminou com a incidência de certo tributo, devendo, por sua vez, realizar pagamento. Segue o dispositivo em comento: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Ainda que não tenha sido devidamente registrado no relatório, o Auditor Fiscal, através dos enunciados previstos na legislação civil e na Lei das Sociedades por Ações, busca a cobrança dos valores autuados com fulcro nos artigos 134 e 135 do CTN. Tais dispositivos assim prescrevem: "Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do Cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: .......... III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;" "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; .......... III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas privado." Contudo, a referida imputação de responsabilidade, com base na suposta interpretação dos dispositivos acima, não merece prosperar, em razão da ausência de preenchimento dos requisitos previstos nas normas, bem como pela insuficiência de fundamentos que embasariam a participação da Impugnante (Pessoa Jurídica) diante dos fatos apurados durante a fiscalização. Com base na doutrina de Hugo de Brito Machado, compreendese que, no Ordenamento Jurídico brasileiro, mais especificamente, no Direito Tributário, a expressão "responsabilidade" possui dois sentidos: um amplo e outro, estrito. É ver: Em sentido amplo, é a submissão de determinada pessoa, contribuinte ou não, ao direito do fisco de exigir a prestação da obrigação tributária. Essa Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.093 14 responsabilidade vincula qualquer dos sujeitos passivos da relação obrigacional tributária. Em sentido estrito, é a submissão, em virtude de disposição legal expressa, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, ao direito do fisco de exigir a prestação. Por sua vez, ensina Sacha Calmon Navarro Coêlho que a mera carência de recolhimento do tributo (quando comprovado) constitui, é claro, uma ilicitude, porquanto o conceito lato de ilícito é o de descumprimento de qualquer dever jurídico decorrente de lei ou de contrato, entretanto (os grifos são da Impugnante): “Dáse que a infração a que se refere o art. 135 evidentemente não é objetiva, e sim subjetiva, ou seja, dolosa. (...) No art. 135 o dolo é elementar. Nem se olvide que a responsabilidade aqui é pessoal (não, há solidariedade); o dolo, a máfé hão de ser cumpridamente provados.” Baseandose nos referidos posicionamentos de nossa doutrina, denotase que a interpretação das normas tributárias, no que envolve a imputação de responsabilidade pelo pagamento do tributo, fora destoada pelo Auditor Fiscal, em uma tentativa de assegurar o recolhimento do suposto crédito objeto da autuação. Segundo os ensinamentos consagrados em nosso direito pátrio, a responsabilidade pode ser compreendida como um dever de recompor um equilíbrio que foi abalado em razão de uma lesão ao direito relativo a outrem. Para a ocorrência de determinada responsabilidade deverá coexistir um dano, um descumprimento, por certa pessoa, de uma norma ou preceito legal. Assim, não ocorrendo o aludido dano, não há o que restituir e, conseqüentemente, inexistirá a responsabilidade. Pois bem. Conforme restará esclarecido e comprovado no decorrer desta impugnação, a dissolução e liquidação da sociedade AMMC (Contribuinte) foi realizada em plena coerência com os preceitos legais que tratam da matéria. Em verdade, esta foi a argumentação que tentou construir a fiscalização para ser o único fundamento de suporte da atribuição de responsabilidade aos sócios. Ainda que assim não fosse, o que apenas se argumenta, estarseia ausente a possibilidade de cobrança dos valores autuados em face da Impugnante, em razão do relatório encontrarse carente da devida demonstração, com base nos dispositivos supracitados, da ocorrência de qualquer participação dos sócios diante dos fatos supostamente irregulares ocorridos durante a dissolução e liquidação da AMMC. Entendimento contrário violaria os preceitos inerentes à independência entre as pessoas jurídicas, bem como, a plena distinção entre o patrimônio da sociedade e de seus sócios. A generalização da imputação de responsabilidade aos sócios, conforme pretendida pelo Auditor Fiscal, em razão da suposta ausência de recolhimento dos tributos referidos no relatório constante do auto de infração, acarretando, por sua vez, na irregularidade da dissolução da AMMC, não pode, por si só, demonstrar e comprovar a participação bem como a intenção, do sócio. Desta maneira, em razão dos argumentos expostos, resta incabível a responsabilização da Impugnante devido a (i) ausência de irregularidades na dissolução de liquidação da AMMC (ii) resta ausente, nos termos aduzidos no Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.094 15 relatório, a constatação dos requisitos legais necessários a fundamentar o dever do sócio pessoa jurídica pelo cumprimento da obrigação tributária. 18.2.1. Agora vejamos o que traz de diferente o Sr. ARMANDO MONTEIRO em suas contestações acerca da Responsabilização Tributária: “Sem adentrar ao mérito acerca dos supostos valores autuados, não se vislumbra a ocorrência dos requisitos necessários a imputação de responsabilidade tributária ao Liquidante/Administrador. ......... Diante do presente caso, podese observar que não houve qualquer prática de ato com excessos de poderes ou, mais especificamente, de infringência à legislação concernente à dissolução da pessoa jurídica, bem como àquela de cunho tributário. Consoante é de notório conhecimento, a dissolução da pessoa jurídica é o fato pelo qual se manifesta a vontade ou se constata a obrigação de encerrar a existência da sociedade. Por conseguinte, em consonância com o Relatório de Auditoria Fiscal, compreendese a liquidação de uma sociedade como sendo o conjunto de atos preparatórios da extinção voltados a realizar o ativo, pagar o passivo e destinar o saldo que houver (líquido), ao titular ou, mediante partilha, aos componentes da sociedade, na forma da lei, do estatuto ou do contrato social. Com base nessas premissas, bem como as situações descritas no referido relatório, podese observar que as razões utilizadas para presumir a dissolução irregular da sociedade AMMC e, por conseguinte, que ensejam a exigência dos débitos autuados perante o liquidante, não merecem prosperar. Este raciocínio deve ser admitido em razão dos procedimentos adotados na liquidação da sociedade AMMC encontraremse em plena harmonia e coerência com as normas relativas ao âmbito societário e, principalmente, na seara tributária (preceitos supostamente violados pela dissolução irregular da sociedade), aplicáveis ao caso. Desta maneira, sendo legal a dissolução da sociedade, bem como a liquidação (do passivo) e partilha de seu "patrimônio" (ativo remanescente), a responsabilidade ao Administrador, no caso, ao Liquidante, é ilegítima. Segundo disposto no CTN, somente é possível imputação de responsabilidade aos administradores nas hipóteses expressamente previstas no inc III do art. 135 ... Assim, no caso autuado, não se verificam os requisitos autorizadores à aplicação do diploma legal supracitado, uma vez que não se constatou a prática de ato por parte do Impugnante, com excesso de poder ou infração de lei/estatuto, tendo em vista que a dissolução e a liquidação da sociedade decorreu em plena harmonia com os preceitos legais aplicáveis à espécie. Diante deste raciocínio, podese, mais uma vez, com base no entendimento de Hugo de Brito Machado, demonstrar que a inocorrência dos aludidos requisitos, impedem a responsabilidade imputada ao Impugnante (os grifos são do responsabilizado): Constitui elemento essencial para a existência da responsabilidade dos terceiros mencionados no art. 135 a ocorrência de atos praticados com excesso de Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.095 16 poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, sendo evidente a necessidade de prova, em cada caso, dessa ocorrência sem a qual não se pode atribuir a responsabilidade àquelas pessoas. De fato, responsabilizar o administrador de uma entidade sem que este tenha agido com excesso de poder ou cometido infração à lei seria admitir, por exemplo, que a mera falta de recolhimento de tributo ensejasse sua punibilidade, além disso, tal prática desconsidera a necessária distinção entre sociedade (contribuinte) e sócio ou administrador (suposto responsável). Por todo o exposto, em preliminar, deve ser afastada a responsabilidade atribuída ao Impugnante, devido a inobservância, pela autoridade fiscal, dos requisitos legais ensejadores da imputação, sob pena de ofensa ao princípios inerentes ao CTN” 2) Mérito – Exclusão de Receitas Operacionais da Base de Cálculo das Contribuições 18.3. Principiase a discussão de mérito com longa digressão sobre a questão da inconstitucionalidade do “alargamento” da base de cálculo trazida pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.728/98, inclusive fazendo referência ao Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, ou seja, em apertada síntese, é o que já foi dito no Relatório. Vamos ao que interessa mais especificamente ao caso concreto: Da exclusão das receitas de aplicações financeiras próprias (Contas COSIF 7.1.5). “... não existe respaldo para a tributação dos referidos rendimentos. É ver. Como já mencionado, com o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, introduzida pela Lei n° 9.718/98, os rendimentos nominais relativos às aplicações financeiras de renda fixa e fundos de investimento passaram a ser tributados dentre as demais receitas da pessoa jurídica. Esta inclusão, por óbvio, não decorreu de sua classificação como uma receita de venda de mercadorias ou prestação de serviços, mas sim porque, tendo sido estabelecida a inclusão das receitas financeiras na hipótese de incidência, trouxe esses rendimentos, que possuem a mesma natureza. Tanto é assim que a própria Receita Federal do Brasil, em seu "perguntas e respostas" sobre a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), deixa claro que se tratam de receitas financeiras. Vejase: O que se consideram Receitas Financeiras e como devem ser tratadas? Os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte, o prêmio de resgate de títulos ou debêntures e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa, auferidos pelo contribuinte no período de apuração, compõem as receitas financeiras e, assim, deverão ser incluídos no lucro operacional. Quando referidas receitas forem derivadas de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateadas pelos períodos a que competirem. Logo, de acordo com a redação original da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, as receitas decorrentes de Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.096 17 aplicação em operações no mercado financeiro somente passaram a ser tributáveis porque enquadradas dentro do grupo de receitas financeiras. Há muito já foi delimitado, seja pela doutrina, seja pelos tribunais, que somente são passíveis de fatura a venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. Demais operações, como por exemplo, operações de crédito, não devem compor o conceito de faturamento. Assim, a base de cálculo da COFINS e do PIS da AMMC, com o afastamento da aplicação do conceito amplo de faturamento, trazido pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, deveria ser composta por todas as receitas que decorram, exclusivamente, da venda de mercadoria ou da prestação de serviços. Não se trata, aqui, de adentrar na longa discussão do que venha a ser serviço para as instituições financeiras (objeto da AMMC enquanto em liquidação extrajudicial e período no qual tributou as mencionadas receitas financeiras). O que se discute aqui é que os valores excluídos pelo contribuinte não correspondem a resultados de intermediação financeira, mas sim, ganhos financeiros decorrentes de aplicações de recursos próprios, da mesma natureza, por exemplo, das receitas advindas da atualização de depósitos judiciais. Vejase o posicionamento da Receita Federal do Brasil sobre o tema ... (colaciona duas Soluções de Consulta que tratam especificamente de receitas decorrentes da variação monetária de depósitos judiciais ou administrativos) Este é o caso, por exemplo, dos valores contabilizados decorrentes da aplicação em operações no mercado financeiro. Assim, mesmo que se adote o entendimento exposto pela PGFN no mencionado parecer, não se verifica a hipótese de incidência da contribuição ao PIS e à COFINS nestas verbas, posto que não se configuram nem venda de mercadoria, nem prestação de serviço e muito menos de negócios financeiros. Com efeito, no entendimento das autoridades fiscais, a base de cálculo do PIS e da COFINS dos Bancos, com o afastamento do parágrafo 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, deveria ser composta por todas as receitas que "decorrem da atividade fim" da instituição. Ainda que admitida a acepção mais ampla da base de cálculo das contribuições acima referidas, como pretendese na Autuação, deve ser reconhecido que não é possível, com este entendimento, tributar todas as receitas financeiras auferidas pela Instituição Fiscalizada, especialmente aquelas que são receitas financeiras puras que não se relacionam com a captação/intermediação de recursos de terceiros, que é o objeto social das instituições financeiras. Neste ponto, esclareçase que os títulos de renda fixa e fundos de investimentos mantidos pela AMMC representam aplicações financeiras próprias, que geram, por óbvio, receitas financeiras. Tais receitas não são tributadas pelo PIS e pela COFINS, independente do ramo de atividade do contribuinte porque são SIMPLES RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RECURSOS PRÓPRIOS E NÃO DECORREM, EM HIPÓTESE ALGUMA, DE INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA PELA CAPTAÇÃO E EMPRÉSTIMO DE RECURSOS A TERCEIROS. Nesse sentido, observese o posicionamento do CARF, ao analisar o caso de um contribuinte cujo objeto social é a exploração de seguros (equiparado, por força de lei, às instituições financeiras), a qual foi eximida do pagamento da COFINS Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.097 18 sobre as receitas financeiras quando decorrentes de outras atividades, que não a atividade fim. Vejase ... Desta forma, as receitas registradas pela Fiscalizada não devem ser computadas para fins de apuração da contribuição ao PIS e COFINS, por se tratarem de receitas financeiras decorrentes da aplicação em operações no mercado financeiro, que, portanto, não são provenientes do exercício de, sua atividade fim, qual seja, intermediação financeira. Da Falta de adição de receita realizada referente à aplicação em Letras Financeiras do Tesouro (LFT). Finalmente, a Receita Federal do Brasil considerou que a AMMC deixou de incluir, na base de cálculo do PIS e COFINS, as receitas decorrentes de aplicações em Letras Financeiras (LFT), nos meses de sua realização. No caso do presente lançamento, os argumentos já expostos nos tópicos anteriores, para justificar a exclusão dos rendimentos relativos as aplicações financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS, são os mesmos que justificam a não inclusão das receitas de aplicações em Letras Financeiras do Tesouro realizadas: tratamse, também, de receitas financeiras. Portanto, pelos mesmos motivos já expostos na presente Impugnação, deve ser admitida a não inclusão, na base de cálculo das contribuições em discussão, dos valores decorrentes da aplicação em LFT.” Pedidos Finais 1) Seja reconhecida a nulidade do auto de infração, tendo em vista a falta de elementos para atribuir o ônus fiscal da AMMC (Fiscalizada) ao sócio, ora Impugnante, no caso concreto; 2) No mérito, a improcedência/cancelamento do lançamento fiscal consubstanciado no presente Auto de Infração, ante a sua manifesta dissociação da realidade fática e jurídica para com os argumentos apresentados pela fiscalização. 19. O Processo nos foi encaminhado para julgamento pelo órgão preparador (SECAT/DRF/Recife), sem ressalvas, em 12/03/2015, conforme Despacho às fls. 634. É o que importa relatar." A DRJ no Recife (PE) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 11 53.778 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 BANCOS COMERCIAIS. RECEITAS OPERACIONAIS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RECURSOS PRÓPRIOS. VALOR TRIBUTÁVEL. As receitas operacionais, definidas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF do Banco Central do Brasil (Circ 1273) como aquelas que representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.098 19 e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais, são tributáveis, ainda que no regime de apuração cumulativa da contribuição, pois não são afetadas pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pelo já revogado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Dentre estas receitas, estão as das Contas COSIF nº 7.1.5.10.00 0 Rendas de Títulos de Renda Fixa, nº 7.1.5.40.001 Rendas de Aplicações em Fundos de Investimento e nº 7.1.5.75.007 Lucros com Títulos de Renda Fixa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 BANCOS COMERCIAIS. RECEITAS OPERACIONAIS DECORRENTES DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RECURSOS PRÓPRIOS. VALOR TRIBUTÁVEL. As receitas operacionais, definidas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF do Banco Central do Brasil (Circ 1273) como aquelas que representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais, são tributáveis, ainda que no regime de apuração cumulativa da contribuição, pois não são afetadas pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo intentada pelo já revogado § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Dentre estas receitas, estão as das Contas COSIF nº 7.1.5.10.00 0 Rendas de Títulos de Renda Fixa, nº 7.1.5.40.001 Rendas de Aplicações em Fundos de Investimento e nº 7.1.5.75.007 Lucros com Títulos de Renda Fixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 LIQUIDANTE DE PESSOA JURÍDICA. ATOS COMETIDOS COM INFRAÇÃO DE LEI, DOLOSOS OU CULPOSOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. É pessoalmente responsável pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, de forma dolosa ou culposa, que não se restrinja ao mero inadimplemento, o liquidante de pessoa jurídica de direito privado. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS. A constatação da dissolução irregular da Companhia à vista da legislação civil e societária (que exige que seja pago o passivo e partilhado o remanescente), restando débitos a serem quitados na liquidação, ainda que apurados a posteriori, implica a Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.099 20 responsabilização tributária solidária de todos os sócios, ao tempo da dissolução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O sujeito passivo e os responsáveis solidários interpuseram recursos voluntários, em que repetem os argumentos consignados nas impugnações. Conforme acima relatado, como resultado da mesma ação fiscal, foi lavrado auto de infração de CSLL e IRPJ relativo aos anoscalendário de 2011 e 2012, que gerou o PAF n° 10480.720281/201511. Com efeito, as provas e matérias tributáveis são distintas das que instruem o presente: glosa de exclusões de receitas derivadas de recuperações de dívidas e de reduções de juros e multas incidentes sobre débitos com o BACEN; e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acima do limite legal. Desta forma, não são processos vinculados, reflexos (inciso IV do art. 2° do Anexo III da Portaria n° 343/15 RICARF). Não obstante, deve ser considerada por esta turma a decisão proferida por meio do Acórdão CARF n° 1402002.751, em sede do citado PAF n° 10480.720281/201511. Por sete votos a um, o colegiado decidiu anular o lançamento de ofício, por vício material, consistente no cometimento de erro na identificação do sujeito passivo. referido Acórdão foi assim ementado: "ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A correta identificação do sujeito passivo é requisito primordial de validade do lançamento de ofício, como se depreende da redação do art. 142 do CTN. Quando verificado erro na identificação do sujeito passivo das exações tributárias, tal vício configura uma nulidade material, que não pode ser sanada ou convalidada no curso do processo administrativo, devendo a autuação ser anulada por completo. RESPONSABILIDADE. LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE EMPRESARIAL. LIQUIDANTE. DEVERES E PRERROGATIVAS DE ADMINISTRAÇÃO. No período em que a sociedade empresarial encontrase em fase de liquidação, a responsabilidade pela administração e gestão da pessoa jurídica perante terceiros recai sobre a figura do liquidante. Em sociedades de capital, a responsabilização do liquidante por débitos fiscais demanda a demonstração e comprovação das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. Ainda que possível, a responsabilidade dos sócios da empresa sob liquidação depende da demonstração e comprovação de que teriam estes, diretamente, praticado atos ilegais ou com excesso de poderes estatutários. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.100 21 RESPONSABILIDADE. SÓCIOS DE EMPRESA DISSOLVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE PODER DE ADMINISTRAÇÃO E DE PRÁTICAS ILÍCITAS OU CONTRA ESTATUTO SOCIAL. O simples fato de uma determinada pessoa, física ou jurídica, ter sido sócia majoritária de empresa que fora liquidada e dissolvida não é fundamento válido para a sua eleição como sujeito passivo em autuações que visam à cobrança de débitos tributários da companhia extinta. O Código Tributário Nacional não contempla a responsabilização objetiva e automática dos sócios de pessoas jurídicas, mesmo quando diante da acusação de ocorrência de dissolução irregular da empresa. Mesmo após a dissolução, somente podem ser responsabilizados os sócios que possuíam poderes de administração da empresa. É também necessária a imputação de conduta dolosa, com infração à lei ou ao contrato/estatuto social para atribuir responsabilidade aos sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o lançamento por vício material decorrente de erro na identificação do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que votou por manter a exigência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator." Por fim, cumpre informar que: a) As infrações acima descritas foram apuradas para os PA de 01/01/2011 a 31/03/2012. b) O presente processo trata apenas dos PA de 01/01/12 a 31/03/12, onde foram apuradas insuficiências de recolhimento e lavrado o correspondente auto de infração. c) Nos PA de 01/01/2011 a 31/12/11, o contribuinte apurou créditos de PIS e COFINS e os compensou, via apresentação de diversos PER/DCOMP. d) Nas fls. 731 a 735, há a "Representação Fiscal" relativa à análise da legitimidade dos créditos de COFINS dos PA de 01/07/2007 a 31/12/11, que instruiu o PAF n° 10480.725752/201499. Este PAF versa sobre compensações de créditos de COFINS, glosados em razão da identificação das mesmas infrações tratadas no presente processo. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.101 22 Em primeira instância (Acórdão n° 0132.470, fls. 717 a 730), a manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte, decisão que foi mantida pelo CARF, por meio do Acórdão n° 3402004.619, de 26/09/17. e) Nas fls. 736 a 739, consta a "Informação Fiscal" relativa à análise da legitimidade dos créditos de PIS dos PA de 01/07/2007 a 31/12/11, que instruiu o PAF n° 10480.724612/201584. No relatório, foi consignado que tratase de compensações de créditos de PIS, glosados em razão das mesmas infrações tratadas no presente processo e, por conseguinte, no citado no item anterior, e que há dezoito processos de compensação a ele vinculados. Não se encontra nos autos informação acerca da apresentação de manifestação de inconformidade e tampouco de eventual julgamento em primeira instância. Em consulta ao sítio virtual do CARF, não há registro do processo. Importante destacar que nos PAF n° 10480.725752/201499 e 10480.724612/201584 figuram como "interessada" a empresa AMMC Investimentos e Participações S/A (AMMC). Na contenda em discussão, todavia, figura como sujeito passivo a AMF Empreendimentos e Participações S/A (AMF). Consta do "Relatório de Auditoria Fiscal", que o CNPJ da AMMC encontravase ativo, porém, de acordo com a DIPJ de 2012 (2011) e informações apuradas na Junta Comercial do Estado de Pernambuco (JUCEPE), as atividades já haviam sido encerradas. Por este motivo, foi eleito como "responsável tributário" a AMF. É o relatório. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.102 23 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Os recursos voluntários apresentados pelos sujeito passivo e responsáveis solidários preenchem os requisitos legais de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Cuida o presente de auto de infração para cobrança de PIS e COFINS sobre receitas financeiras não computadas nas bases tributáveis dos períodos de apuração (PA) de janeiro, fevereiro e março de 2012. Foi auditada a pessoa jurídica AMMC Investimentos e Participações S/A Em Liquidação (AMMC). Contudo, o ato foi lavrado em desfavor da AMF Empreendimento e Participações S/A (AMF), tendo sido eleitos os seguintes responsáveis solidários: 1) ARMANDO DE QUEIROZ MONTEIRO FILHO (doravante, “ARMANDO MONTEIRO”), CPF 000.662.90466, na qualidade de representante da AMF e de liquidante e representante da AMMC; 2) TRAPÉZIO S/A (doravante, “TRAPÉZIO”), CNPJ 21.793.096/000162, sócia da AMMC; 3) ALDEIA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (doravante, “ALDEIA”), CNPJ 05.433.929/000128, sócia da AMMC; 4) MERCANTIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (doravante, “MERCANTIL EMPR”), CNPJ 11.502.978/000178, sócia da AMMC. PRELIMINAR Erro na identificação do sujeito passivo A ação fiscal abrangeu o período de 01/01/11 a 31/03/11 e teve como escopo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Foi lavrado um auto de infração de CSLL e IRPJ (PAF n° 10480.720281/201511) e outro, de que trata o presente, de PIS e COFINS. Apesar de terem sido produtos do mesmo MPF, as bases tributáveis de CSLL e IRPJ e de PIS e COFINS foram constituídas por elementos contábeis e fiscais absolutamente distintos, a saber: o presente processo, trata da não tributação de receitas financeiras derivadas de aplicações financeiras efetuadas com recursos próprios; e Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.103 24 o outro, cobra CSLL e IRPJ decorrentes de glosa de exclusões de receitas derivadas de recuperações de dívidas e de reduções de juros e multas incidentes sobre débitos com o BACEN e de compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acima do limite legal. Isto posto, entendo não estarmos diante de processos reflexos. Fosse outra minha conclusão, teria de propor à turma que declinássemos de competência para a Primeira Seção de Julgamentos (inciso IV do art. 2° do Anexo III da Portaria n° 343/15 RICARF). Não obstante, a decisão que foi proferida no processo de CSLL e IRPJ, por meio do Acórdão CARF n° 1402002.751 (PAF n° 10480.720281/201511), deverá ser considerada pela turma, para fins de construção de sua conclusão sobre o tema. O respectivo colegiado decidiu anular o lançamento de ofício, por vício material, consistente no cometimento de erro na identificação do sujeito passivo. Apesar de já reproduzido no relatório, mais adiante novamente colacionarei a ementa do acórdão. Inicio o exame, apresentando o relato dos fatos que antecederam a lavratura do auto de infração, descritos no "Relatório Fiscal" (fls. 24 a 31) foram omitidas as referências às folhas em que os documentos se encontram, porém confirmo que foram devidamente carreadas aos autos pelo agente fiscal: "I DOS PROCEDIMENTOS GERAIS 1. A AMMC INVESTIMENTOS E PARTICIPACOES S.A. EM LIQUIDACAO (antigo Banco Mercantil S.A.) tratavase de sociedade anônima de capital fechado, componente do Sistema Financeiro, constituída em 21/09/1966, situada na cidade de Recife PE, tendo como objeto a atividade de Bancos Comerciais. 2. O Banco Central do Brasil – BACEN por meio dos atos do presidente resolveu: a) Decretar em 11/08/1995 a intervenção do Banco Mercantil S.A. (AtoPresi nº 356); b) Decretar em 09/08/1996 a liquidação extrajudicial, tendo em vista a existência de passivo a descoberto e a inviabilidade de normalização dos negócios da empresa, ora sob regime de intervenção (AtoPresi nº 562); c) Decretar em 29/03/2012 cessada a liquidação extrajudicial passando ao regime de liquidação ordinária (AtoPresi nº 1216), em face: • Do pagamento integral dos débitos com o BACEN; • Da alteração da condição patrimonial da massa; • Da demonstração de inexistência de débitos tributários ou não tributários vencidos e exigíveis com a Fazenda Pública Federal; • Da existência de ativos suficientes para responder pelas obrigações da massa. 3. Em 30/06/2014, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 04.0.01.002014000640, com determinação para fiscalização da AMMC INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. EM LIQUIDAÇÃO (“AMMC”), Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.104 25 CNPJ 10.824.993/000170, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), para os fatos geradores compreendidos entre 01/01/2011 a 31/12/2012. 4. No Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), consta que a AMMC encontrase na situação ativa, entretanto, por meio de documentos obtidos na Junta Comercial do Estado de Pernambuco (Jucepe), verificamos que as atividades da empresa foram encerradas. 5. A extinção da sociedade foi informada à Receita Federal mediante a entrega, em 29/06/2012, da DIPJ 2012 situação especial (ND 0001414728), retificada em 08/02/2013, pela declaração de ND 0001556981. 6. Considerando se tratar de sociedade extinta, em 07/07/2014, o senhor ARMANDO DE QUEIROZ MONTEIRO FILHO, CPF 000.662.90406, na qualidade de liquidante da AMMC, tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização, pelo qual foram solicitados os elementos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos. (. . .) II DO ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES DA COMPANHIA 21. No momento de sua extinção, a AMMC possuía o seguinte quadro societário: 22. Importante aqui esclarecer que, o Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho detinha 94,72% do Capital Total e Votante da AMF EMPRENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., e esta, por seu turno, detinha 82,02% do capital votante da empresa Mercantil Empreendimentos e Participações S.A.. (. . .) 25. Na Ata da Assembléia Geral Extraordinária do Banco Mercantil S.A. em liquidação extrajudicial realizada em 16/02/2012, na presença dos acionistas majoritários (AMF Empreendimentos e Participações S.A., Aldeia Empreendimentos e Participações S/A e Mercantil Empreendimentos e Participações S.A.), cujas ações somavam 73,55% do capital social da empresa com direito a voto, representados por Armando de Queiroz Monteiro Filho e Rômulo Dourado de Queiroz Monteiro e do maior dos acionistas minoritários (Trapézio S/A), cujas ações somavam 24,84% do capital social votante, representado por Caetano de Vasconcellos Neto, foi deliberado: i) Aprovação da propositura de pedido ao Banco Central do Brasil para transformação do regime de liquidação extrajudicial para liquidação ordinária; Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.105 26 ii) Mudança de denominação da sociedade para AMMC INVESTIMENTOS E PARTICIPACOES S.A. EM LIQUIDACAO; iii) Mudança do objeto social para a administração de ativos financeiros e imobiliários de sua propriedade e participações em outras sociedades e investimentos; iv) Mudança do endereço para a Rua Agenor Lopes, 277, 7º andar, Edf. Empresarial Iberbrás, Boa Viagem, Recife, PE; v) Aprovado o nome do Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho para exercer a função de liquidante no regime de Liquidação Ordinária. 26. O pedido encaminhado ao Banco Central do Brasil para transformação do regime de liquidação extrajudicial para liquidação ordinária foi acatado por esse, que, por meio do AtoPresi nº 1216 de 29/03/2012, declarou cessado o regime de Liquidação Extrajudicial, passando ao regime de Liquidação Ordinária. 27. Em 30/03/2012, na Assembléia Geral presidida pelo Liquidante Armando de Queiroz Monteiro Filho foi deliberado o encerramento de atividade da Companhia (dissolução). 28. Nessa assembléia, considerando que os demais acionistas da Companhia, ordinários ou preferenciais, não demonstraram interesse em restar com os ativos não financeiros, o valor líquido à disposição dos acionistas foi atribuído ao acionista controlador, AMF EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ nº 40.843.658/000180, na proporção de 75,9741% e ao maior dos acionistas minoritários TRAPÉZIO S.A., CNPJ nº 21.793.096/000162, na proporção de 24,0259%, que em contrapartida assumiram todas as obrigações decorrentes do encerramento da Companhia. 29. Os ativos financeiros foram atribuídos, em dinheiro, aos acionistas, ordinários ou preferenciais; ficando os acionistas AMF EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. (“AMF”) e TRAPÉZIO S.A. (“Trapézio”), encarregados (à época) de efetuar os pagamentos aos demais acionistas, com responsabilidades divididas nas mesmas proporções acima. 30. Ainda nessa assembleia (30/03/2012), foi atribuída responsabilidade para a AMF e Trapézio, também nas proporções de 75,9741% e 24,0259%, de efetuar o pagamento dos valores devidos aos acionistas ausentes e não localizados, na exata proporção de suas participações nos recursos decorrentes do encerramento da Companhia, tão logo esses se apresentassem. 31. No balanço da AMMC, encerrado em 31/03/2012, referente ao período de 01/01/2012 a 31/03/2012, foi apurado um lucro líquido de R$ 1.147.697.583,10. Desse lucro, R$ 644.897.146,84 foi utilizado para absorver o saldo de prejuízos acumulados de exercícios anteriores, sendo a parte restante (R$ 502.800.436,26) distribuída aos acionistas (R$ 401.306.878,00 tendo sido em dinheiro, sacados diretamente da Caixa Econômica Federal conta contábil nº 111230000328). (. . .) 34. No encerramento da Companhia o patrimônio (Ativo e Passivo) foi destinado às empresas AMF e Trapézio, à razão de 75,9741% e 24,0259%, respectivamente, conforme definido na Assembleia Geral de Encerramentos das Atividades. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.106 27 35. À acionista majoritária controladora AMF coube um acervo líquido de R$ 21.498.946,46 e à acionista Trapézio um acervo líquido de R$ 6.798.784,56. 36. Ressaltamos que no passivo da empresa AMMC existia um débito tributário (Impostos e Contribuições a Recolher) no montante de R$ 6.781.232,97 não liquidados no momento da dissolução da Companhia, além de outras obrigações no montante de R$ 126.793.112,93." Nos itens "III e IV" do Relatório Fiscal (fls. 31 a 34), o auditor discorre sobre os motivos que o levaram a atribuir à AMF a condição de sujeito passivo e aos demais anteriormente citados a de responsáveis solidários. Com base nos artigos 1.109 e 1.110 da Lei nº 10.406/02 (Código Civil) e 218 da Lei n° 6.404/76, concluiu que houve "dissolução irregular" da AMMC, uma vez que os débitos tributários lançados pelo auto de infração em comento não foram liquidados, antes da dissolução da empresa, a saber (fl. 32): "42. Na situação de existência de débitos tributários conhecidos ou que deveria sêlo, à época do encerramento, ou constituídos de ofício, a posteriori, se caracteriza a dissolução irregular da sociedade, por infração às leis fiscal e societária. 43. Nesses casos, o Código Tributário Nacional (CTN), responsabiliza solidariamente os representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos tributos que deixaram de ser pagos, sem benefício de ordem e sem guardar valor com os quinhões recebidos. 44. Assim dizem os artigos 134 e 135 do CTN: (. . .) 46. Em 30/03/2012 (já no regime de liquidação ordinária) a fiscalizada apresentou retificação de todas as DCTF (entregues sob a responsabilidade do liquidante extrajudicial) referentes aos períodos de março/2007 a janeiro/2012 reduzindo drasticamente os valores devidos de PIS/COFINS. 47. Em face da retificação das DCTF, o débito de IRPJ foi liquidado via compensação com suposto crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de Pis/Cofins. Para tanto, a empresa registrou em 30/03/2012 lançamentos contábeis no montante de R$ 44.510.557,99: a débito da conta contábil nº 11884500007 – PIS/COFINS A COMPENSAR e a crédito de conta de Receita, com histórico de “Recuperação Despesas de Contri”, e nesta mesma data zerou o saldo da conta de ativo com lançamento a crédito dessa conta e a débito da conta de Passivo – nº 249870001005 PROVISÃO PARA O IRPJ. 48. Esclarecemos que uma parte das declarações de compensação (DCOMP) já foram analisadas pela Receita Federal, cujo resultado foi a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações, no montante de R$ 28.713.162,03, em face de inexistência de crédito. 49. A redução nos valores a pagar do PIS/COFINS, que originaram os supostos créditos, decorre de apresentação de DCTF retificadoras, cujos débitos foram apurados com exclusões, na apuração da base de cálculo dessas contribuições, de receitas registradas nas contas do grupo COSIF de números: 7.1.5.10 – RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA, 7.1.5.40 RENDAS DE APLICAÇÕES EM Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.107 28 FUNDOS DE INVESTIMENTO e 7.1.5.75 LUCROS COM TÍTULOS DE RENDA FIXA. 50. As exclusões dessas receitas são indevidas, conforme relatado no tópico VI deste Relatório. (. . .) 52. A dissolução da sociedade, sem observância dos preceitos legais, considerase irregular, pois tal conduta impede ao Fisco de buscar a satisfação do crédito no patrimônio da sociedade. Assim, o liquidante, como responsável pela administração da sociedade, é também responsável pelos créditos tributários não pagos pela pessoa jurídica quando dissolve irregularmente a sociedade. 53. Esclarecemos ainda que, embora tenha apresentado, em 29/06/2012, DIPJ informando o encerramento das atividades, a empresa não encaminhou para a SRF o formulário de baixa do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ; permanecendo como empresa Ativa, até a presente data." Com a devida vênia, discordo do auditor fiscal. O auto de infração padece de vício material, por erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e deve ser anulado, com base nos artigos 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72. Inicio, reproduzindo os dispositivos legais nos quais se baseou o auditor fiscal para qualificar a AMF como sujeito passivo (fls. 31 a 34 Relatório Fiscal): Código Civil Lei n° 10.406/02 "Art. 1.109. Aprovadas as contas, encerrase a liquidação, e a sociedade se extingue, ao ser averbada no registro próprio a ata da assembléia. Parágrafo único. O dissidente tem o prazo de trinta dias, a contar da publicação da ata, devidamente averbada, para promover a ação que couber. Art. 1.110. Encerrada a liquidação, o credor não satisfeito só terá direito a exigir dos sócios, individualmente, o pagamento do seu crédito, até o limite da soma por eles recebida em partilha, e a propor contra o liquidante ação de perdas e danos." Lei n° 6.404/76 "Direito de Credor NãoSatisfeito Art. 218. Encerrada a liquidação, o credor nãosatisfeito só terá direito de exigir dos acionistas, individualmente, o pagamento de seu crédito, até o limite da soma, por eles recebida, e de propor contra o liquidante, se for o caso, ação de perdas e danos. O acionista executado terá direito de haver dos demais a parcela que lhes couber no crédito pago." Código tributário Nacional CTN Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.108 29 "Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: (. . .) III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." A Assembléia que deliberou pela extinção da AMMC, após a aprovação formal do BACEN, ocorreu em 30/03/12 e o auto de infração foi lavrado quase três anos depois, em 20/01/15. No Relatório Fiscal, não apontaram qualquer prática delitiva cometida pelos administradores ou liquidantes judiciais ou ordinário, motivo pelo qual, inclusive, não qualificaram a multa de ofício, que restou estabelecida em 75%. Desta forma, tratase de divergência em relação à interpretação da legislação fiscal e não de ato doloso, com o intuito de ocultar do Fisco as ocorrências dos fatos geradores das contribuições. Isto posto, por um lado, não se verifica infração às legislações civil e comercial, consistente numa "dissolução irregular de pessoa jurídica". E, por outro, tampouco, infração à lei tributária, por atitude dolosa do contribuinte, que pudesse atrair os artigos 134 e 135 do CTN. Com efeito, não é demais relembrar que não dá azo à aplicação dos citados dispositivos do CTN o simples inadimplemento de obrigação tributária: "Súmula 430 do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." Assim, ainda que admitase como premissa, para fins meramente argumentativos, que assiste razão ao Fisco quanto ao mérito em discussão, não a tem quanto à atribuição das condições de sujeito passivo ao sócio majoritário (AMF) e tampouco de responsáveis solidários aos demais acionistas pessoas jurídicas e à pessoa física do dirigente liquidante ordinário (Sr. Armando de Queiroz Monteiro Filho). Não fossem estes argumentos suficientes, terseia o final que, isoladamente, também seria definitivo e fulminaria o lançamento de ofício: a indicação de sócio pessoa jurídica (AMF) como sujeito passivo em substituição ao contribuinte original. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.109 30 Da leitura dos acima reproduzidos artigos 134 e 135 do CTN, adotados como fundamento pela fiscalização, apurase que o legislador delimitou a responsabilidade a pessoas físicas. O fundamento para a responsabilização de pessoas jurídicas se assenta no inciso I do art. 124 do CTN, como segue: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." Contudo, além de não ter sido adotado como fundamento da autuação, o simples fato de ser a acionista controladora, não é bastante para o redirecionamento da cobrança do crédito tributário para a AMF, com base no art. 124 do CTN. Há que se comprovar que as pessoas jurídicas ocupavam o mesmo polo da relação jurídica que deu ensejo à ocorrência do fato gerador. Sobre o tema, Kiyoshi Harada assim se pronunciou ("IPTU: doutrina e prática, Atlas 2012, p. 117): "Esse interesse comum a que alude o inciso I do art. 124 do CTN não se confunde com o interesse econômico no resultado ou no proveito na situação, que constitui o fato gerador da obrigação principal. Tratase de interesse jurídico no que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa jurídica que realiza conjuntamente com outra, ou com outras pessoas, a situação que constitui fato gerador da obrigação tributária. É o caso, por exemplo, de coproprietários de determinado imovel urbano. Eles são solidariamente responsáveis pelo IPTU. nos precisos termos do art. 124, I, do CTN." Na mesma linha, vale reproduzir o psicionamento de Maria Rita Ferragut ("Grupos Econômico e solidariedade tributária RDDT 229/88, out/2014): "Normalmente, considerase que há interesse comum quando as empresas possuem o mesmo corpo diretivo, ou quando há confusão patrimonial entre duas ou mais empresas ou, ainda, quando ocultam ou simulam negócios jurídicos internos, visando dificultar ou impedir que a execução fiscal proposta me face de uma delas alcance o patrimônio respectivo. Esse entendimento é extremamente abrangente e vago, e não guarda fundamento em qualquer dispositivo legal. Não corresponde ao que a jurisprudência e doutrina entendem sobre o tema. Interesse comum passa a significar controle na condução dos negócios, confusão patrimonial e fraude, o que é um erro...o mero interesse social, moral ou econômico nas consequências advindas da realização do fato gerador não autoriza a aplicação do art. 124, I, do CTN. Deve haver interesse jurídico comum, que surge a partir da existência de direitos e deveres idênticos, entre pessoas situadas no mesmo polo da relação jurídica de direito privado, tomada pelo legislador como suporte factual da Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.110 31 incidência do tributo. Em outras palavras, há interesse jurídico quando as pessoas realizam conjuntamente o fato gerador." Concluo, portanto, à luz dos artigos 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, que o auto de infração é nulo, por conter vício material, consistente no erro na identificação do sujeito passivo. Por fim, cumpre novamente reproduzir a ementa do Acórdão n° CARF n° 1402002.751, no PAF n° 10480.720281/201511, resultado da mesma ação fiscal, porém relativo à CSLL e IRPJ. Foi identificado pela turma, não exatamente pelos mesmos motivos, vício material no auto de infração lavrado contra a AMF: "ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A correta identificação do sujeito passivo é requisito primordial de validade do lançamento de ofício, como se depreende da redação do art. 142 do CTN. Quando verificado erro na identificação do sujeito passivo das exações tributárias, tal vício configura uma nulidade material, que não pode ser sanada ou convalidada no curso do processo administrativo, devendo a autuação ser anulada por completo. RESPONSABILIDADE. LIQUIDAÇÃO DE SOCIEDADE EMPRESARIAL. LIQUIDANTE. DEVERES E PRERROGATIVAS DE ADMINISTRAÇÃO. No período em que a sociedade empresarial encontrase em fase de liquidação, a responsabilidade pela administração e gestão da pessoa jurídica perante terceiros recai sobre a figura do liquidante. Em sociedades de capital, a responsabilização do liquidante por débitos fiscais demanda a demonstração e comprovação das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. Ainda que possível, a responsabilidade dos sócios da empresa sob liquidação depende da demonstração e comprovação de que teriam estes, diretamente, praticado atos ilegais ou com excesso de poderes estatutários. RESPONSABILIDADE. SÓCIOS DE EMPRESA DISSOLVIDA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DE PODER DE ADMINISTRAÇÃO E DE PRÁTICAS ILÍCITAS OU CONTRA ESTATUTO SOCIAL. O simples fato de uma determinada pessoa, física ou jurídica, ter sido sócia majoritária de empresa que fora liquidada e dissolvida não é fundamento válido para a sua eleição como sujeito passivo em autuações que visam à cobrança de débitos tributários da companhia extinta. O Código Tributário Nacional não contempla a responsabilização objetiva e automática dos sócios de pessoas Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10480.720282/201558 Acórdão n.º 3301004.677 S3C3T1 Fl. 1.111 32 jurídicas, mesmo quando diante da acusação de ocorrência de dissolução irregular da empresa. Mesmo após a dissolução, somente podem ser responsabilizados os sócios que possuíam poderes de administração da empresa. É também necessária a imputação de conduta dolosa, com infração à lei ou ao contrato/estatuto social para atribuir responsabilidade aos sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular o lançamento por vício material decorrente de erro na identificação do sujeito passivo. Vencido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, que votou por manter a exigência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator." É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira (assinado digitalmente) Fl. 1111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720596/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. NULIDADE DO AUTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ANÁLISE QUE DESAFIO CONHECIMENTO DO MÉRITO.
Não se verifica cerceamento de defesa quando não há indeferimento de prova que faça diferença em futura decisão baseada justamente em sua falta, tão pouco quando as conformações do auto de infração permitem a elaboração de defesa robusta e abrangendo a questão em sua integralidade. Quanto a analise de nulidade por deficiência na descrição do fato é matéria que desafia conhecimento do mérito e assim deve ser conhecido.
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO PARCIAL DO PAGAMENTO. OBSERVÂNCIA DO ART. 150, § 4º DO CTN. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. SÚMULA CARF Nº 99. OCORRÊNCIA.
Em razão da Súmula Vinculante STF nº 8, as Contribuições Previdenciárias estão sujeitas a regra decadenciais prevista no CTN e havendo recolhimento, ainda que parcial, o termo a quo para contagem do prazo é o previsto no §4º do Art. 150 do CTN, nos termos da Súmula CARF nº 99, situações verificadas no presente caso. Decadência reconhecida.
REPRESENTATIVIDADE DOS SIGNATÁRIOS. PRESIDENTE DO BANCO. DESNECESSÁRIA A PROVA DE PODERES ESPECIFICOS.
Acordo firmado pelos principais administradores da empresa, dotados de poderes gerais de administração. Desnecessária a comprovação especifica de poderes para firmar acordos que integram sua competência estatutária.
PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL.
Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas.
A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados.
PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS.
Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários.
PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Os bônus de contratação (hiring bonus) pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual.
PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Sobre a retribuição pela prestação de serviços, representado pelas opções outorgadas a executivos da pessoa jurídica, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, na data do exercício das opções.
RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. LEGALIDADE NA COBRANÇA DE MULTA DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO.
A responsabilidade solidária definida na Seção II (Responsabilidade dos Sucessores) do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do CTN, por força do disposto no artigo 129, será aplicada aos sucessores frente à totalidade dos créditos decorrentes de obrigações tributárias surgidas até a data em que se deu a sucessão. Sabendo-se que o termo obrigações tributárias é amplo, abrangendo tanto as obrigações principais quanto acessórias (artigo 113), não há que se falar em distinção, para efeitos da responsabilidade dos sucessores, de créditos tributários decorrentes de tributos e de penalidades pecuniárias.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO.
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Procedimento adotado no presente caso.
Numero da decisão: 2402-006.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em votação realizada na sessão 9 de agosto 2017, por maioria de votos, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, por unanimidade de votos, reconhecer a ocorrência de decadência para as competências até maio de 2008, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que acolheram a preliminar cerceamento de defesa. Em votação realizada na sessão de 7 de março de 2018 decidiu-se, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para i) excluir da autuação, em relação a cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos de PLR vinculados às convenções e PPR previstos nos acordos coletivos de trabalho, bem como ao PPR ABN, desde que o total de pagamentos a esse título, independentemente do instrumento que lhes embase, tenham sido efetuado com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre, nos termos do § 2º do art. 3º da Lei n 10.101/2001; ii) que o valor originário da multa por descumprimento da obrigação de informar fatos geradores de contribuições sociais na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP seja recalculado de conformidade com a decisão relativa à obrigação principal; e iii) que, após a retificação do valor originário da multa por deixar de informar fatos geradores de contribuições sociais em GFIP, seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento em maior extensão. Em relação à votação realizada em 7 de agosto de 2017, com base nos disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II RICARF, manteve-se o voto proferido na sessão de 9 de agosto de 2017 pelos Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que participaram daquela votação na condição de suplentes convocados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Fizeram sustentação oral, como representante do contribuinte, o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB nº 234.687/SP; e, como representante da Fazenda Nacional, Dra. Raquel Godoy de M. A. Aguiar.
Julgamento iniciado na sessão de 09 de agosto de 2017 e concluído na sessão do dia 07 de março de 2018.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redador Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição a conselheira Renata Toratti Cassini), Gregorio Rechmann Junior, Mauricio Nogueira Righetti .
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em votação realizada na sessão 9 de agosto 2017, por maioria de votos, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, por unanimidade de votos, reconhecer a ocorrência de decadência para as competências até maio de 2008, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que acolheram a preliminar cerceamento de defesa. Em votação realizada na sessão de 7 de março de 2018 decidiu-se, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para i) excluir da autuação, em relação a cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos de PLR vinculados às convenções e PPR previstos nos acordos coletivos de trabalho, bem como ao PPR ABN, desde que o total de pagamentos a esse título, independentemente do instrumento que lhes embase, tenham sido efetuado com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre, nos termos do § 2º do art. 3º da Lei n 10.101/2001; ii) que o valor originário da multa por descumprimento da obrigação de informar fatos geradores de contribuições sociais na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP seja recalculado de conformidade com a decisão relativa à obrigação principal; e iii) que, após a retificação do valor originário da multa por deixar de informar fatos geradores de contribuições sociais em GFIP, seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento em maior extensão. Em relação à votação realizada em 7 de agosto de 2017, com base nos disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II RICARF, manteve-se o voto proferido na sessão de 9 de agosto de 2017 pelos Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que participaram daquela votação na condição de suplentes convocados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Fizeram sustentação oral, como representante do contribuinte, o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB nº 234.687/SP; e, como representante da Fazenda Nacional, Dra. Raquel Godoy de M. A. Aguiar. Julgamento iniciado na sessão de 09 de agosto de 2017 e concluído na sessão do dia 07 de março de 2018. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Redador Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição a conselheira Renata Toratti Cassini), Gregorio Rechmann Junior, Mauricio Nogueira Righetti .
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. NULIDADE DO AUTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ANÁLISE QUE DESAFIO CONHECIMENTO DO MÉRITO. Não se verifica cerceamento de defesa quando não há indeferimento de prova que faça diferença em futura decisão baseada justamente em sua falta, tão pouco quando as conformações do auto de infração permitem a elaboração de defesa robusta e abrangendo a questão em sua integralidade. Quanto a analise de nulidade por deficiência na descrição do fato é matéria que desafia conhecimento do mérito e assim deve ser conhecido. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO PARCIAL DO PAGAMENTO. OBSERVÂNCIA DO ART. 150, § 4º DO CTN. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. SÚMULA CARF Nº 99. OCORRÊNCIA. Em razão da Súmula Vinculante STF nº 8, as Contribuições Previdenciárias estão sujeitas a regra decadenciais prevista no CTN e havendo recolhimento, ainda que parcial, o termo a quo para contagem do prazo é o previsto no §4º do Art. 150 do CTN, nos termos da Súmula CARF nº 99, situações verificadas no presente caso. Decadência reconhecida. REPRESENTATIVIDADE DOS SIGNATÁRIOS. PRESIDENTE DO BANCO. DESNECESSÁRIA A PROVA DE PODERES ESPECIFICOS. Acordo firmado pelos principais administradores da empresa, dotados de poderes gerais de administração. Desnecessária a comprovação especifica de poderes para firmar acordos que integram sua competência estatutária. PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas. A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados. PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Os bônus de contratação (hiring bonus) pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Sobre a retribuição pela prestação de serviços, representado pelas opções outorgadas a executivos da pessoa jurídica, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, na data do exercício das opções. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. LEGALIDADE NA COBRANÇA DE MULTA DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. A responsabilidade solidária definida na Seção II (Responsabilidade dos Sucessores) do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do CTN, por força do disposto no artigo 129, será aplicada aos sucessores frente à totalidade dos créditos decorrentes de obrigações tributárias surgidas até a data em que se deu a sucessão. Sabendo-se que o termo obrigações tributárias é amplo, abrangendo tanto as obrigações principais quanto acessórias (artigo 113), não há que se falar em distinção, para efeitos da responsabilidade dos sucessores, de créditos tributários decorrentes de tributos e de penalidades pecuniárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO. Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Procedimento adotado no presente caso.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008, 01/11/2008 a 31/12/2008 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. NULIDADE DO AUTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ANÁLISE QUE DESAFIO CONHECIMENTO DO MÉRITO. Não se verifica cerceamento de defesa quando não há indeferimento de prova que faça diferença em futura decisão baseada justamente em sua falta, tão pouco quando as conformações do auto de infração permitem a elaboração de defesa robusta e abrangendo a questão em sua integralidade. Quanto a analise de nulidade por deficiência na descrição do fato é matéria que desafia conhecimento do mérito e assim deve ser conhecido. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO PARCIAL DO PAGAMENTO. OBSERVÂNCIA DO ART. 150, § 4º DO CTN. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. SÚMULA CARF Nº 99. OCORRÊNCIA. Em razão da Súmula Vinculante STF nº 8, as Contribuições Previdenciárias estão sujeitas a regra decadenciais prevista no CTN e havendo recolhimento, ainda que parcial, o termo a quo para contagem do prazo é o previsto no §4º do Art. 150 do CTN, nos termos da Súmula CARF nº 99, situações verificadas no presente caso. Decadência reconhecida. REPRESENTATIVIDADE DOS SIGNATÁRIOS. PRESIDENTE DO BANCO. DESNECESSÁRIA A PROVA DE PODERES ESPECIFICOS. Acordo firmado pelos principais administradores da empresa, dotados de poderes gerais de administração. Desnecessária a comprovação especifica de poderes para firmar acordos que integram sua competência estatutária. PLR. AJUSTE PRÉVIO. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. Os programas de participação nos lucros ou resultados demandam ajuste prévio ao correspondente período de aferição, quando vinculados ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 96 /2 01 3- 48 Fl. 2057DF CARF MF 2 desempenho do empregado ou do setor da pessoa jurídica face a critérios e metas pré estabelecidas. A simples referência em convenção ou acordo coletivo a outros planos, ainda que pretensamente incorporados ao instrumento daqueles resultante, não atesta a existência de negociação coletiva na elaboração desses planos, tampouco supre a exigência legal de efetiva participação da entidade sindical, ou de representante por ela indicado em comissão, na elaboração e fixação de suas regras, e respectivos critérios de avaliação, destinadas aos empregados. PLR. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE CONDUTAS INDIVIDUALIZADAS. Os programas de participação nos lucros ou resultados não se sujeitam necessariamente à condição de ajuste prévio ao período de aferição, nos casos em que não estão vinculados à condutas individualizadas previstas e pré estabelecidas, a serem realizadas por parte dos beneficiários. PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS SUPERIOR À PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatado ter sido pago PLR aos empregados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, em violação ao disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00, incide a contribuição previdenciária sobre a totalidade da verba paga a esse título. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Os bônus de contratação (hiring bonus) pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Sobre a retribuição pela prestação de serviços, representado pelas opções outorgadas a executivos da pessoa jurídica, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, na data do exercício das opções. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. LEGALIDADE NA COBRANÇA DE MULTA DECORRENTE DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DA SUCEDIDA ANTERIOR À SUCESSÃO. A responsabilidade solidária definida na Seção II (Responsabilidade dos Sucessores) do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do CTN, por força do disposto no artigo 129, será aplicada aos sucessores frente à totalidade dos créditos decorrentes de obrigações tributárias surgidas até a data em que se deu a sucessão. Sabendose que o termo obrigações tributárias é amplo, abrangendo tanto as obrigações principais quanto acessórias (artigo 113), não há que se falar em distinção, para efeitos da responsabilidade dos sucessores, de créditos tributários decorrentes de tributos e de penalidades pecuniárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.058 3 incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO. Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Procedimento adotado no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2059DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, em votação realizada na sessão 9 de agosto 2017, por maioria de votos, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, por unanimidade de votos, reconhecer a ocorrência de decadência para as competências até maio de 2008, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que acolheram a preliminar cerceamento de defesa. Em votação realizada na sessão de 7 de março de 2018 decidiuse, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para i) excluir da autuação, em relação a cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos de PLR vinculados às convenções e PPR previstos nos acordos coletivos de trabalho, bem como ao PPR ABN, desde que o total de pagamentos a esse título, independentemente do instrumento que lhes embase, tenham sido efetuado com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre, nos termos do § 2º do art. 3º da Lei n 10.101/2001; ii) que o valor originário da multa por descumprimento da obrigação de informar fatos geradores de contribuições sociais na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP seja recalculado de conformidade com a decisão relativa à obrigação principal; e iii) que, após a retificação do valor originário da multa por deixar de informar fatos geradores de contribuições sociais em GFIP, seja efetuado o cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini que deram provimento em maior extensão. Em relação à votação realizada em 7 de agosto de 2017, com base nos disposto no § 5º do art. 58 do Anexo II RICARF, mantevese o voto proferido na sessão de 9 de agosto de 2017 pelos Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que participaram daquela votação na condição de suplentes convocados. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Fizeram sustentação oral, como representante do contribuinte, o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB nº 234.687/SP; e, como representante da Fazenda Nacional, Dra. Raquel Godoy de M. A. Aguiar. Julgamento iniciado na sessão de 09 de agosto de 2017 e concluído na sessão do dia 07 de março de 2018. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redador Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição a conselheira Renata Toratti Cassini), Gregorio Rechmann Junior, Mauricio Nogueira Righetti . Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.059 5 Relatório Para registro dos fatos e fundamentos corridos ate a decisão a quo, adotaremos o relatório elaborado pela DRJ: DAS AUTUAÇÕES 1. O presente processo administrativo, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, é constituído pelos Autos de Infração (AI´s) a seguir descritos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: • AIOP DEBCAD nº 37.333.6772: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, no montante de R$ 348.515.481,60 (trezentos e quarenta e oito milhões, quinhentos e quinze mil e quatrocentos e oitenta e um reais e sessenta centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 a 12/2008, consolidado em 03/06/2013; • AIOP DEBCAD nº 37.333.6780: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, no montante de R$ 35.811.506,27 (trinta e cinco milhões, oitocentos e onze mil e quinhentos e seis reais e vinte e sete centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 a 12/2008, consolidado em 03/06/2013; • AIOA DEBCAD nº 37.388.8074: Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e ao artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, código de fundamento legal oitocentos e vinte e um reais), consolidado em 03/06/2013. Fl. 2061DF CARF MF 6 2. O Relatório Fiscal de fls. 371 a 408, comum aos três Autos de Infração, informa, em síntese, que: 2.1 O procedimento fiscal teve início em 26/12/2011, sendo relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 08.1.66.002011004618 e às empresas Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142) e Banco ABN Amro Real S.A. (CNPJ 33.066.408/000115). 2.2 Em abril de 2009, ocorreu a incorporação do Banco ABN Amro Real S.A. (CNPJ 33.066.408/000115) pelo Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142), motivo pelo qual a ação fiscal abrange ambas as empresas. 2.3 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações aos segurados empregados a título de “Participação nos Lucros ou Resultados”, pagas em desacordo com a legislação específica, bem como aquelas relativas às rubricas “Hiring Bônus” e “Bonificação Extraordinária I06 Est”, e ainda os valores pagos a segurados contribuintes individuais (diretores), a título de “Bonificação Extraordinária I06 Est”. 2.4 Os itens 4.2 e 4.3 do Relatório Fiscal informam sobre os documentos e elementos examinados e utilizados para a apuração dos valores lançados. Os anexos de fls. 263/287 e 303/319, “CNPJ 90.400 – Demonstrativo Múltiplos Pagamentos de PLR 2008” e “CNPJ 33.066 – Demonstrativo Múltiplos Pagamentos de PLR 2008”, apresentam a relação de pagamentos de PLR por data de pagamento e beneficiário. 2.5 Da Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados 2.5.1 A Fiscalização, após análise das condições em que essa verba foi ajustada e paga, concluiu que esta não corresponde ao que disciplina a Lei n° 10.101/2000, dada a situação discriminada no Relatório Fiscal, destacandose: 2.5.1.1 A Participação nos Lucros ou Resultados do Banco ABN Amro Real S.A. (CNPJ 33.066.408/000115) cujos pagamentos ocorreram durante os exercícios de 2008 e 2009, é regida por diferentes instrumentos, quais sejam: Plano Próprio de Participação nos Resultados – PPR celebrado entre o Grupo ABN Amro e a comissão de representantes dos empregados, em 11/06/2001; Programa Próprio de Gestão 2009/2010; e Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2007, 2008 e 2009. 2.5.1.2 A Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142), cujos pagamentos ocorreram durante os exercícios de 2008 e 2009, é regida pelos seguintes instrumentos: Acordos Coletivos de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados (PPR), celebrados entre a distribuidora, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.060 7 – CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito – CONTEC em 2007, 2008 e 2009; Programa Executivos – PEX em 2007 e 2008 e Programa Próprio de Gestão 2009/2010; e Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2007, 2008 e 2009. 2.5.2 Plano Próprio de Participação nos Resultados – PPR do Grupo ABN AMRO 2.5.2.1. Com relação ao Acordo do Plano de Participação nos Resultados do Grupo ABN AMRO, referente a PLR do Banco ABN Amro Real S.A. (CNPJ 33.066.408/000115), celebrado entre o Grupo ABN Amro e a comissão de representantes dos empregados, em 11 de junho de 2001, constatou a Auditora: 2.5.2.1.1 possui vigência retroativa a 01/01/2001 e prazo de vigência de 24 meses, dispondo o Parágrafo Único da Cláusula Décima, todavia, que enquanto inexistisse novo plano de PPR que substituísse o celebrado em 2001, este último seria contínua e automaticamente prorrogado a cada ano; 2.5.2.1.2 não ficou comprovado o poder de representação dos integrantes da comissão de representantes da empresa na celebração do plano de concessão de PLR assinado em 2001 – o preâmbulo do instrumento de negociação dispõe que a empresa seria representada pelos signatários qualificados ao final do acordo, sendo estes Fabio Colletti Barbosa, Lilian Maria F. Guimarães, Nelson Pasini, Pedro Paulo Longuini e Valério João Mugnol, mas tais representantes legais não são qualificados ao final, encontrandose somente assinaturas ao final do acordo; 2.5.2.1.3 não houve, durante a auditoria, a comprovação cabal de que a negociação teve o acompanhamento de um representante sindical – não obstante haver uma assinatura genérica (sem qualificação) em nome do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, não houve a comprovação do registro e arquivamento do acordo na entidade sindical da categoria; 2.5.2.1.4 não há a presença nem de regras substantivas, nem de regras adjetivas, não são fixadas as metas a serem atingidas para que haja conhecimento prévio por parte dos funcionários do esforço necessário para o recebimento da PLR, não é descrito o processo de avaliação e nem são apresentados os formulários que embasarão tal processo, sendo apenas citada a existência de metas preestabelecidas para cada área, bem como de uma avaliação quantitativa e qualitativa de desempenho dos empregados, sem que nenhum desses dois integre o acordo firmado, e, não é possível identificar o valor que deveria ser pago aos empregados a título de PLR, caso as metas e objetivos fossem atingidos; 2.5.2.1.5 em conseqüência das prorrogações ocorridas, foram realizadas reuniões periódicas para avaliação e discussão das Fl. 2063DF CARF MF 8 adequações necessárias para cada exercício, sendo que tais reuniões, devido a seu caráter deliberatório e poder de mudança do conteúdo do plano original, teriam o caráter de legítimos instrumentos de negociação de PLR; 2.5.2.2 ao analisar as “reuniõesacordo” realizadas para os anosbase de 2007 a 2009, em cujas atas não consta a assinatura dos representantes sindicais, foram observadas: 2.5.2.2.1 a não comprovação dos poderes de representação dos representantes da empresa nessas negociações – não foram apresentadas, durante a auditoria, as procurações dos representantes da empresa signatários das atas das reuniões; 2.5.2.2.2 a sua realização no decorrer do anocalendário a que se referem – as reuniões que avaliam, modificam e ratificam o instrumento original utilizado para o adimplemento do benefício ocorreram sempre após o início de seus anosbase e quase sempre no segundo semestre dos mesmos – de modo que as negociações para esses anos específicos não foram prévias, impossibilitando o conhecimento dos empregados de seu teor anteriormente ao exercício corrente e desvirtuando o mandamento legal específico; 2.5.2.2.3 a ausência de regras subjetivas e adjetivas de participação, ou seja, dentre outros, as metas e os critérios de avaliação do plano de PLR, sendo impossível de se conhecer qual o esforço que será necessário o empregado empreender para receber a verba em questão, bem como a forma como será avaliado para tanto; 2.5.2.2.4 a falta de comprovação da participação do representante sindical, nas reuniões e negociações, bem como do registro e do arquivamento destas no Sindicato; 2.5.3 Programa Próprio de Gestão – PPG 2009/2010, com pagamentos no exercício de 2009 2.5.3.1. Com relação ao Programa Próprio de Gestão – PPG 2009/2010, com pagamentos no exercício de 2009, celebrado entre os Contribuintes e seus empregados, verificouse que: 2.5.3.1.1 não consta qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração no instrumento; 2.5.3.1.2 não foi comprovada a participação de um representante sindical nas negociações, nem que o instrumento esteja devidamente registrado e arquivado na entidade sindical; 2.5.3.1.3 os benefícios não são extensivos a todos os empregados, sendo adstrito a uma parte dos colaboradores da empresa; 2.5.3.1.4 não se pode falar da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas, 2.5.4 Programa Executivos – PEX 2007 e 2008, Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142) 2.5.4.1 Com relação ao Programa Executivos – PEX 2007 e 2008, com pagamentos entre janeiro de 2008 e dezembro de Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.061 9 2009, Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142), foi constatado na auditoria que: 2..5.4.1.1 não consta qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração no instrumento; 2..5.4.1.2 não foi comprovada a participação de um representante sindical nas negociações, nem que o instrumento esteja devidamente registrado e arquivado na entidade sindical; 2..5.4.1.3 não se pode falar da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas, assim como no Programa Próprio de Gestão; 2.5.5 Acordos Coletivos de Trabalho da Participação nos Resultados (PPR) do Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142) 2.5.5.1 Foram analisados os seguintes Acordos Coletivos de Trabalho da Participação nos Resultados (PPR) do Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142), vigentes para os pagamentos realizados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009: Acordos Coletivos 2007, celebrados em 27/12/2007, entre o Grupo Santander S.A, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito – CONTEC, com vigência retroativa a 01/01/2007, por um ano; Acordos Coletivos 2008, celebrados em 02/02/2009 e 30/12/2008, respectivamente, entre o Grupo Santander S.A, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito – CONTEC, com vigência retroativa a 01/01/2008, por um ano; Acordos Coletivos 2009, celebrados em 30/12/2009, entre o Banco Santander S.A, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito – CONTEC, com vigência retroativa a 01/01/2009, por dois anos; 2.5.5.2 as assinaturas dos acordos e o conseqüente conhecimento das regras por parte dos empregados ocorreram muito após o início de vigência dos mesmos, e, dessa forma, não objetivaram incentivar a produtividade; 2.5.5.3 não se encontram, nos acordos, regras claras e objetivas sobre as metas a serem atingidas para o benefício da participação; 2.5.6 Convenções Coletivas de PLR, Acordos Coletivos de PLR e Programa Próprio de PLR Problemas Gerais Fl. 2065DF CARF MF 10 2.5.6.1 apesar de o parágrafo 2° do art. 3º da lei nº 10101/2000 vedar o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, o Contribuinte não seguiu tal determinação, tendo realizado, para o mesmo beneficiário, no mesmo ano civil, pelo menos três pagamentos de PLR, e em alguns casos, pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil, como pode ser observado nos demonstrativos Salário Anual x PLR 2008/2009, realizados por amostragem em ambos os CNPJ; 2.5.6.2. a empresa remunerou parte de seus funcionários em valores altíssimos na forma de PLR, entretanto essa participação não deve substituir ou complementar a remuneração dos empregados, destacando que, quando a suposta PLR paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de parcela salarial; 2.5.7 Sendo a Participação nos Lucros ou Resultados de Empregados um conceito único, e tendo os problemas expostos atingido os diferentes instrumentos de negociação, quais sejam Convenções Coletivas de PLR, Acordos Coletivos de PLR e Programas Próprios de PLR, todos os pagamentos baseados nesses instrumentos encontramse em desacordo com a legislação específica, passando a integrar, portanto, o salário de contribuição, e, assim, foram incluídos no lançamento; 2.6 Das Rubricas “Hiring Bônus” e “Bonificação Extraordinária I06/I06 Est” 2.6.1 No caso em tela foi constatado que o Banco Santander Brasil S.A. efetuou pagamentos a título de: (a) "Hiring Bônus" (código 765) a segurados empregados, durante os exercícios de 2008 e 2009; (b) "Bonificação Extraordinária I06 (código 1150) a segurados empregados, durante o exercício de 2008; e (c) “Bonificação Extraordinária I06 Est" (código 1155) a segurados contribuintes individuais (diretores não empregados), durante o exercício de 2008. 2.6.2. Os valores referentes a essas verbas não foram informados em GFIP e, sobre elas não foram recolhidas as respectivas Contribuições Previdenciárias, descumprindo assim a legislação que rege a matéria, que é a Lei nº 8.212/91, sendo esta a que define o conceito do salário de contribuição, como disposto em seu art. 28, observadas as exceções listadas no rol taxativo do seu parágrafo 9º. 2.6.3 Os montantes pagos constam discriminados por beneficiário nos Extratos de Folha de Pagamento em anexo. 2.7. Das Obrigações Acessórias 2.7.1. Foi lavrado do Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA n° 37.388.8074, por ter o sujeito passivo incorrido na Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.062 11 infração ao art. 32, inciso IV, e parágrafo 5º, da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, combinado com art. 225, IV e parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter deixado de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, os valores relativos às remunerações pagas aos segurados empregados a título de “Hiring Bônus”, “Bonificação Extraordinária I06” e “Participação nos Lucros e Resultados – PLR”, bem como os valores relativos às remuneração paga aos contribuintes individuais a título de “Bonificação Extraordinária Io6 Est”, e ainda os pagamentos às pessoas físicas prestadoras de serviço, sem vínculo empregatício, informadas em DIRF. 2.7.2 Os itens 7.3 a 7.14 descrevem a metodologia e fundamentação legal da multa aplicada. Em relação aos fatos geradores até novembro de 2008, foi feita a comparação das multas a fim de ser aplicada a multa mais benéfica. 2.8. Os documentos comprobatórios do crédito tributário constam arrolados no item 9.4 do Relatório Fiscal. 2.9 A auditoria foi acompanhada por Luciana Pereira, a quem foram prestados todos os esclarecimentos necessários. 3. Integram o presente processo administrativo: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 02); .Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (fl. 03); Termos de Início de Procedimento Fiscal, de Intimação, Procurações e Atas (fls. 04/117); Recibos de entrega de arquivos digitais (fls. 118/132); IPC – Instruções para o Contribuinte (fls. 330/331); Relatório de Vínculos (fls. 332/335); TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 409/410). 4. Além do Relatório Fiscal, integram os Autos de Infração (fls. 336, 354, 370) os seguintes documentos: DD – Discriminativos do Débito (fls. 337/345 e 355/362); RL – Relatórios de Lançamentos (fls. 346/350 e 363/367); FLD – Fundamentos Legais do Débito (fls. 351/353 e 368/369); Planilhas PLR Múltiplos Pagamentos 2008 e 2009 e Planilhas PLRx Salário Anual 2008 e 01 a 04/2009 (fls. 263/323); Planilha “Hiring Bônus” (fls. 324/325); Planilhas Bonificação Extraordinária (fls. 326/328); Planilha Comparativo de Multas (fl. 329). 5. A Fiscalização também fez juntada dos seguintes documentos digitalizados: Acordos Coletivos, Programa Executivos PEX, Programa Próprio Gestão, Acordos Próprios e Atas de reunião, Convenções Coletivas (fls. 133/262); Procuração, Atas e documentos dos patronos (fls. 411/421). DA IMPUGNAÇÃO Fl. 2067DF CARF MF 12 6. Tendo sido cientificada dos Autos de Infração em 07/06/2013, conforme fls. 336, 354 e 370, a Autuada apresentou, tempestivamente, a teor do despacho de fl. 1.465, a impugnação de fls. 443/531, com juntada de documentos: 6.1 às fls. 532 a 1.290 (cópias de documentos de identificação dos subscritores da impugnação, de Procuração e Substabelecimento, de Atas de Reuniões, de Atas de Assembléias Gerais Ordinária e Extraordinária, dos Autos de Infração e anexos, de Acordos Coletivos, do Plano de Participação nos Resultados – PPR – do Grupo ABN AMRO, de Convenções Coletivas de Trabalho sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos, Planilhas de Pagamento de PLR, Guias da Previdência Social – GPS, exemplos de avaliações); 6.2 às fls. 1.294/1.463 (avaliações, planilhas de pagamento de PLR, propostas de contratação de executivos, termos de concessão de prêmios, propostas de plano de previdência, opção de compra de ações); 6.3 às fls. 1.470/1.646 (avaliações de desempenho). 6.4 O Contribuinte destaca a tempestividade da impugnação apresentada, traça um breve relato sobre o resultado da fiscalização, e alega, em síntese, que: Dos Fatos 7. Consoante o Relatório Fiscal, os AI’s em tela tratam de exigência de contribuições previdenciárias, com acréscimo de multa de mora, de ofício e juros, além da exigência da multa por descumprimento de obrigação acessória, sobre pagamentos de participação nos lucros ou resultados, no ano de 2008, efetuados pelo Banco ABN Amro Real S.A. (incorporado em 04/2009) e pela Impugnante, com suposta violação à Lei nº 10101/2000. 7.1 A exigência também recai sobre as verbas pagas a título de “Hiring Bônus” e “Bonificação Extraordinária I06/I06 Est”, por não estarem incluídas no rol de isenção da Lei nº 8212/91. 7.2 Destaca que o Banco ABN figura na autuação enquanto sociedade incorporada pela Impugnante, em abril de 2009, (Doc. 04). Assim, o termo “Impugnante” faz referência a ambas as instituições, seja "Banco Santander" , seja “Banco ANB”, sucedida pela primeira. 7.3 No período autuado, o Banco ABN efetuou pagamentos a título de PLR com base nos seguintes instrumentos: i) Plano Próprio de Participação nos Resultados PPR, celebrado em 11/06/2001 ("PPR ABN") (Doc. 05), vigente no anocalendário 2008 em razão do Parágrafo Primeiro de sua Cláusula Décima, que prevê sua prorrogação indeterminada até sua revogação expressa por outro instrumento, o que não ocorreu em relação ao ano de 2008; e Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.063 13 ii) Convenção Coletiva de Trabalho (“CCT”) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2007 (“CCT 2007”), e CCT sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2008 (“CCT 2008”) (conjuntamente – “CCT 2007/2008”) (Doc. 06). 7.4 Elenca, às fls. 445/446, as razões da Fiscalização. 7.5 O Banco Santander, por sua vez, efetuou pagamentos a título de PLR, no curso do anocalendário 2008, com base nos seguintes instrumentos: i) Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados (PPR), celebrado em 27/12/2007 (“ACT Santander 2007”) e Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados (PPR), celebrados em 30/12/2008 e 02/02/2009 (“ACT Santander 2008”) (Doc. 07) (conjuntamente – “ACTs Santander”), bem como seu anexo denominado Programa Executivos ("PEX"); e ii) CCT 2007/2008. 7.6 Elenca, à fl. 446, as razões da Fiscalização. 7.7 Como será demonstrado, a pretensão fiscal é absolutamente insubsistente e não merece prosperar, tendo em vista: 7.7.1 Preliminarmente i) A nulidade dos AI’s, face à precariedade de sua fundamentação, o que acarreta cerceamento do seu direito de defesa; ii) A extinção, pela decadência, do pretenso crédito tributário em relação ao período de janeiro a novembro de 2007, nos termos do art. 150, §4° do Código Tributário Nacional (CTN), notadamente em vista da existência de antecipação de recolhimentos no período autuado; 7.7.2 Mérito iii) O enquadramento dos pagamentos de PLR autuados nos estritos termos da Lei 10.101/00; iv) O descabimento da imposição de multas relativas aos débitos recaídos sobre os pagamentos de PLR efetuados pelo Banco ABN, tendo em vista que o lançamento foi efetuado após a sua incorporação pelo Banco Santander, sendo certo que a penalidade oponível àquele não poderia ser transferida a este; v) A ausência de contraprestação de serviço e habitualidade com relação aos pagamentos efetuados a título de “Hiring Bônus”; vi) A não incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica “Bonificação Extraordinária I06/I06 Est”, por se tratar de plano de concessão de opção de compra de ações (Sotck Option); Fl. 2069DF CARF MF 14 (vii) A exclusão da penalidade por descumprimento de obrigação acessória ou, ao menos, a sua redução com base nas Portarias MPS vigentes à época dos fatos geradores autuados; e (viii) O descabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Do Direito Preliminarmente Da Nulidade do Lançamento por Precariedade na Descrição dos Fatos Ausência de Vinculação Entre os Pagamentos Autuados e os Respectivos Instrumentos Coletivos 8. Os AI’s em tela deveriam ser declarados nulos, porque lavrados com precariedade e fragilidade. 8.1 Como exposto, no período autuado, o Banco Santander e o Banco ABN efetuaram pagamentos de PLR com base em diferentes instrumentos coletivos, entretanto, o Agente Fiscal limitouse a listar os pagamentos, sem apontar a quais instrumentos estariam vinculados, isto é, com base em qual instrumento teria sido aferido o seu desenquadramento. 8.2 A mera indicação dos pagamentos autuados impede a própria Fiscalização de chegar à sua conclusão de irregularidade da PLR paga, pois sequer se teria cotejado os pagamentos com o seu lastro normativo. 8.3 Não há qualquer informação acerca da rubrica em que se inseririam os pagamentos autuados, ou qualquer outro dado que possibilite a identificação da natureza da verba autuada. 8.4 Com o intuito de evidenciar a precariedade dos AI’s e o prejuízo acarretado à defesa, cita a relação de pagamentos efetuados à Sra. Adelsima Maria de Lima Mora, à fl. 450, e alega que faltam elementos, especialmente acerca da natureza de cada um desses pagamentos, para que se pudesse afirmar que seriam 8 (oito) pagamentos autônomos, o que teria violado a periodicidade máxima prevista na Lei nº 10101/2000. 8.5 Para comprovar equívoco na premissa, bem como ausência de violação ao aspecto da periodicidade dos pagamentos, colaciona planilha demonstrativa da natureza de cada um destes pagamentos (Doc. 08). 8.6 No caso, houve o pagamento de 2 parcelas, pois os pagamentos efetuados até 02/2008 compõem 1 única parcela, Somente a partir de 11/2008 é que iniciou o pagamento de PLR e PPR de 2008, sendo que os pagamentos foram concluídos no 1º semestre de 2009. 8.7 No Relatório Fiscal, no item 5.15, a Fiscalização chega a mencionar que os montantes por rubrica e conta contábil são apontados na Relação de Pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados por Beneficiário, entretanto a mencionada relação não foi anexada. Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.064 15 8.8 Para ela, a evidenciação da natureza de cada pagamento autuado e sua vinculação aos respectivos instrumentos coletivos seria imprescindível. 8.9 Outra evidência desta nulidade se verificaria ao se cogitar a hipótese de improcedência apenas parcial da autuação em tela, com a exclusão de determinados pagamentos e/ou rubricas, determinação esta que enfrentaria empecilho gravoso, senão intransponível, pela falta de individualização destes elementos básicos (natureza/rubrica). 8.10 Ocorreu, no caso, o descumprimento do artigo 142 do CTN, por parte do lançamento tributário. Ressalta que a correta descrição dos fatos, prevista no artigo 10, inciso III do Decreto n.º 70.235/72, é elemento essencial à constituição do crédito tributário e sua ausência torna impossível o conhecimento da acusação e a defesa de forma ampla. 8.11 A nulidade não se resume à ausência da correta descrição dos fatos, contaminando, também, o procedimento de verificação da ocorrência do fato gerador, pressuposto de validade do lançamento tributário, que consiste na necessária dilação probatória, a cargo do Fisco, da subsunção do fato concreto à hipótese de incidência tributária e do descumprimento de obrigação acessória. 8.12 E ressalta que, no caso em tela, não foi perseguida nem comprovada a ocorrência do fato gerador das exigidas contribuições, mormente por conta da equivocada investigação dos pagamentos feitos a título de PLR. 8.13 Conclui que o lançamento é nulo pela ausência de vinculação entre os pagamentos autuados e os planos que os fundamentaram, bem como face à preterição do direito de defesa, conforme dispõe o artigo 59 do Decreto nº 70235/72. Ausência de Comprovação de Existência de Prestação de Serviço. Não Vinculação Entre os Pagamentos Efetuados a Título de “Hiring Bônus” e “Bonificação Extraordinária” ao SaláriodeContribuição 8.14 Transcreve trecho do Relatório Fiscal e argumenta que a Fiscalização presumiu que os valores pagos a título de “Hiring Bônus” e “Bonificação Extraordinária” foram decorrentes de contraprestação de serviços, sem, contudo, comprovar suas alegações. 8.15 O apontamento genérico de que as referidas rubricas não estão inclusas no rol de isenção do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8212/91 não é capaz de sanar o vício de motivação. 8.16 Em nenhuma hipótese a Impugnante incorreu nos fatos geradores apontados, justamente porque não existe a alegada prestação de serviços relacionada aos referidos pagamentos. Transcreve julgado administrativo. Fl. 2071DF CARF MF 16 8.17 Pelo exposto, a falta de descrição dos fatos causou o cerceamento de defesa da Impugnante, o que causa a nulidade dos AI´s, conforme artigo 59 do Decreto nº 70235/72. Da Ilegal Inversão do Ônus da Prova 8.18 Pela nulidade apontada, a Autoridade Fiscal promoveu ilegítima inversão do ônus da prova, impondo à Impugnante o ônus de demonstrar que não se enquadra nas presunções alegadas. 8.19 Informa que o ônus da prova do fato gerador é atribuído ao Fisco. 8.20 Ao apontar genericamente os pagamentos autuados, a Fiscalização obrigou a Defendente a investigar o que está sendo exigido e comprovar que tais verbas não se sujeitam à exação previdenciária. No entanto, todos os detalhes e circunstâncias envolvendo o lançamento deveriam estar evidenciados nos AI’s em tela. Menciona julgado administrativo. 8.21 Incumbindo à Fiscalização o ônus de provar a subsunção dos pagamentos de PLR, “Hiring Bônus” e “Bonificação Extraordinária” à incidência das pretensas contribuições previdenciárias, deveria ter demonstrado quais as verbas autuadas, qual o instrumento que embasou o seu pagamento e o porquê de sua sujeição às exações. 8.22 Conclui que a precariedade com que o lançamento foi efetuado torna nulo o pretenso crédito tributário objeto dos AI’s em tela. Da Decadência Parcial do Lançamento 8.23 Defende que o crédito tributário exigido relativo ao período anterior a maio de 2008 já se encontra extinto pela decadência, tendo em vista o transcurso do prazo previsto no artigo 150, § 4º do CTN. 8.24 As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, como tal, sujeitamse ao prazo decadencial disposto no referido art. 150, § 4°do CTN, sobretudo após a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante n.° 08. 8.25 Transcreve o citado dispositivo legal bem como julgados administrativos. foram juntadas guias de recolhimento do Banco Santander e do Banco ABN, e destaca que não efetuou o recolhimento em relação às verbas autuadas (PLR, “Hiring Bônus” e “Bonificação Extraordinária”) porque está convicta de que sobre elas não há incidência de contribuições previdenciárias (Doc. 09). 8.27 Ressalta, ainda, que ao efetuar o lançamento de contribuições previdenciárias sobre estas verbas, a Fiscalização equiparou as à verba salarial, e assim, os recolhimentos de contribuições previdenciárias efetuados no período autuado servem de prova para aplicação do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. 8.28 Portanto, o crédito até maio de 2008 foi extinto pela decadência, uma vez que a Impugnante foi cientificada dos AI´´s Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.065 17 em tela em 07/06/2013, devendo esta parcela da autuação deve ser cancelada. Subsidiariamente: Da Decadência Parcial Operada na Forma do Artigo 173, Inciso I, do CTN 8.29 Alega que também pelo artigo 173, inciso I, do CTN, operouse a decadência de parcela da autuação. 8.30 Transcreve o dispositivo legal e afirma que o que “poderia ter sido efetuado” é o lançamento do tributo por quem deve realizálo. Assim, em 31/05/2008, o contribuinte já poderia ter efetuado o lançamento dos tributos, declarálos ao Fisco, e pagálos. 8.31 Deste modo, o exercício em que o lançamento de contribuições previdenciárias poderia ter sido efetuado é o próprio exercício de 2009, correspondente ao anocalendário de 2008. 8.32 Transcreve jurisprudência e conclui que no caso das contribuições previdenciárias, o exercício é mensal. 8.33 Portanto, em 07/06/2013, ainda que se aplicando o artigo 173, I, do CTN, operouse a decadência para o período de 01/2008 a 05/2008. Do Mérito 9. Alega que na hipótese de não serem reconhecidas as nulidades e a decadência, o lançamento deve ser revisado, pois, também no mérito, afigurase improcedente, face: (i) ao enquadramento dos pagamentos de PLR objeto da autuação nos ditames da Lei n° 10.101/00; (ii) ausência de contraprestação de serviço e habitualidade com relação aos pagamentos efetuados a título de “Hiring Bônus”; e (iii) a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica “Bonificação Extraordinária I06/I06 Est”, por se tratar de plano de concessão de opção de compra de ações (stock options). Da Improcedência Total da Autuação: Não Incidência de Contribuições Previdenciárias Sobre os Pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados Autuados Do Enquadramento da PLR e PPR Paga Pelo Banco ABN na Lei n° 10.101/00 PPR ABN são inquestionáveis. 9.5 Destaca que todos os representantes eleitos por ela não apenas detinham cargos hierarquicamente iguais ou superiores a gerência, como também eram ligados a áreas dentro da sua estrutura organizacional diretamente relacionadas ao pagamento e cumprimento das obrigações assumidas no ACT ABN, fato este desconsiderado pela Fiscalização, e que infirma a motivação apontada em seu relatório. 9.6 Conclui que resta afastada a alegação do suposto vício de representatividade, e demonstrada a legitimidade do ACT ABN Fl. 2073DF CARF MF 18 nesse aspecto, pelo que deve ser reconhecida a improcedência da autuação em questão. Da Participação da Entidade Sindical na Celebração do ACT ABN 9.7 A alegação fiscal de que não teria ocorrido a efetiva participação da entidade sindical na celebração do ACT ABN, haja vista a ausência de comprovação de registro e arquivo do citado plano no sindicato da categoria, é improcedente, uma vez que o ACT ABN foi devidamente registrado no Sindicato dos Bancários de São Paulo, em 03/09/2001, conforme comprova o carimbo aposto no aludido plano próprio (Doc. 05) 9.8 Inclusive o Sindicato foi convidado para discutir a implantação do ACT ABN (Doc. 11), participando ativamente desta. 9.9 Houve a participação do representante do Sindicato na negociação de seus termos, conforme atestaria sua assinatura nesse acordo, o que foi reconhecido pela Fiscalização, que asseverou: “(...) haver assinatura genérica (...) em nome do Sindicato dos Bancários e Financiados de São Paulo, Osasco e Região (...)”. 9.10 E conclui que resta afastado o suposto vício apontado pelo Fisco, em relação à participação da entidade sindical competente na negociação dos termos do ACT ABN, o que só reforça a necessidade de cancelamento dos AI’s em tela. Da Existência de Regras Claras e Objetivas 9.11 Também é descabida a alegação fiscal de que o ACT ABN não possui regras claras e objetivas de avaliação do desempenho dos empregados e métodos de aferição para o cumprimento do acordado. 9.12 Consta do próprio ACT ABN o rol de requisitos e condições, bem como as metas, cujo cumprimento conferiria o direito ao recebimento de PPR, conforme se infere da Cláusula Quarta (“DO PLANO”) (reproduz). 9.13 Informa também que o Banco ABN produziu e disponibilizou uma cartilha explicativa da metodologia de cálculo do Plano de Participação nos Resultados – 2008. Os critérios, metas e forma de cálculo são cristalinas, bem como realizou diversas apresentações e notícias em comunicação interna para divulgação do conteúdo do ACT ABN (Doc. 12). 9.14 O PPR ABN tem como base três dimensões de resultado: individual; área e; área superior. No caso de Gerentes de Agência, a dimensão "individual" corresponde a 50% da avaliação, ao passo que as dimensões “área” e “área superior” correspondem a 25% cada. Para os demais cargos, avaliamse apenas as dimensões “área” e “área superior”, cada uma correspondendo a 50% da avaliação. Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.066 19 9.15 A nota atribuída a cada dimensão está relacionada ao cumprimento das metas. No caso das metas individuais, estas são definidas entre funcionário e gestor através da ferramenta SMART, no início de cada ano. As metas coletivas, relacionadas às dimensões “área” e “área superior”, constam no “Sistema de resultados On Line – ROL”. 9.16 As notas atribuídas a cada dimensão são utilizadas no enquadramento do empregado em uma “grade”, que corresponde a uma certa quantidade de unidades. Mostra quadro como exemplo do cálculo da PLR, à fl. 469. 9.17 As unidades correspondem a um valor definido em função do lucro líquido do balanço local. O valor da PLR a ser paga será apurado pela multiplicação do total de unidades pelo valor de cada uma delas (traz quadro à fl. 470). 9.18 Além da avaliação como descreveu, o empregado também poderá receber um incremento no pagamento, de acordo com a Margem de Contribuição vinculada ao desempenho da agência/área. Ressalta que a aludida Margem de Contribuição é calculada subtraindose as Despesas Administrativas e Perdas de Crédito da Receita da Agência. 9.19 O Banco ABN também, procedeu à correta aferição do cumprimento de tais requisitos e condições, pelos funcionários, para efetuar o pagamento do PPR, conforme se verifica da análise das avaliações individuais dos funcionários, combinada com a análise dos Anexos do ACT. Os métodos de aferição têm clareza e objetividade. 9.20 A fim de demonstrar a utilização de instrumentos hábeis à correta e efetiva aferição do cumprimento das metas e demais condições, juntou à defesa uma relação contendo amostragem de parte dos funcionários listados na autuação (Doc. 13). 9.21 Apresenta planilha à fl. 471, e conclui que o ACT ABN possui regras claras e objetivas, que se encontram evidenciadas em seus anexos, (Doc. 05 e 13). 9.22 Pelo exposto, uma vez demonstrada a adequação do ACT ABN a todos os requisitos da Lei n° 10.101/00, tendo em vista que foi este o único plano próprio que regeu o pagamento de PPR pelo Banco ABN no período autuado, a autuação deve ser cancelada. Do Descabimento da Equiparação das Reuniões Ocorridas em 2007 e 2008 a um “Novo ACT ABN” 9.23 As reuniões realizadas, em 19/07/2007, 07/08/2007, 21/09/2007, 16/07/2008 e 26/11/2008 (Doc. 14), entre os representantes do Banco ABN e os representantes de seus funcionários ocorreram para discussão da necessidade de eventuais adequações do ACT ABN aos exercícios em questão, não se justificando a alegação de que seriam equiparadas a novos Acordos Coletivos de Trabalho. Fl. 2075DF CARF MF 20 9.24 Em momento algum foi deliberada, nessas reuniões, a revogação do ACT ABN, seja integral ou parcial, pelo que este permaneceu em vigor durante todo o anocalendário de 2008, conforme sua Cláusula Décima, que transcreve. 9.25 As reuniões se prestavam a analisar os pagamentos realizados no exercício passado e debater os pagamentos futuros, mantendo vivas as deliberações entre empregado e empregador, que é a finalidade precípua da Lei n° 10.101/00. Junta cópias das atas das reuniões realizadas (Doc. 14). 9.26 Na reunião de 19/07/2007, a manutenção do ACT ABN foi expressamente aprovada, conforme se infere do excerto de sua ata (transcreve). 9.27 Nas reuniões de 07/08/2007 e 21/09/2007 foi deliberada a manutenção do ACT ABN, nos mesmos moldes dos exercícios anteriores, o mesmo tendo ocorrido nas reuniões de 16/07/2008 e 26/11/2008. 9.28 A alegação no sentido de que as referidas reuniões teriam incorrido nos mesmos vícios de representação do ACT ABN contradiz a fundamentação da Fiscalização na sua tentativa de equiparálas a novos Acordos Coletivos de Trabalho, pois, havendo vício de representação em tais reuniões, elas não poderiam irradiar qualquer efeito jurídico, devendo, portanto, ser reconhecida a nulidade de quaisquer eventuais deliberações tomadas naquelas oportunidades. 9.29 Ao contrário, a realização dessas reuniões só evidencia a sua constante preocupação com a participação de seus empregados na definição do pagamento de participação nos lucros ou resultados. 9.30 Deste modo, não merece prosperar este equivocado fundamento da autuação, devendo haver o cancelamento integral dos AI’s em tela. Do Enquadramento da PLR e PPR Paga Pelo BANCO SANTANDER na Lei n.º 10.101/00 Da Data de Formalização dos ACTs 9.31 Relativamente aos pagamentos de PPR efetuados pelo Banco Santander com base nos ACT’s, a Autoridade Fiscal alega que a data de formalização dos referidos acordos descaracterizaria a natureza de PLR dos respectivos pagamentos, uma vez que denotaria a ausência de negociação, entre ela e seus funcionários, dos termos do ACT. Transcreve trecho do Relatório Fiscal. 9.32 No entendimento do Agente Fiscal, a assinatura dos ACT’s no término dos exercícios aos quais se referiam denotaria a ausência de negociação entre a empresa e os empregados, notadamente pelo fato de que o art. 2º, § 1º, inciso II da Lei n.° 10.101/00 supostamente prescreveria a necessidade de fixação Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.067 21 prévia do programa de metas, resultados e prazos, a fim de legitimar a respectiva PLR. 9.33 Salienta que embora os ACT’s tenham sido assinados no término dos exercícios a que se referiam, as metas para recebimento do PPR já eram de amplo conhecimento dos funcionários do Banco Santander. 9.34 Destaca que os acordos próprios de ACT´s celebrados pelo Banco Santander, no período autuado, continham metas e disposições absolutamente semelhantes àquelas definidas em acordos próprios de anos anteriores. Menciona a cópia do Acordo Coletivo de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados vigente no biênio 2006/2007 (“ACT Santander 2006/2007”) (Doc. 15). 9.35 Da análise dos ACT´s 2006/2007, verificase que as metas estabelecidas eram praticamente idênticas às previstas no PPR (vigente no anocalendário 2008), que tinham por base a colocação do Banco Santander Banespa S/A no “Critério de Satisfação” no “P.I.F. – Painel das Instituições Financeiras (FRACTAL/USP)”, sugerindo a comparação entre as disposições da Cláusula Terceira dos ACT´s 2006/2007 com as Cláusulas Terceiras do ACT Santander 2006 (transcreve as referidas cláusulas). 9.36 Reitera que os ACT’s apenas renovaram as disposições do ACT Santander pelo que não merece prosperar a alegação fiscal de que os funcionários não teriam conhecimento das metas e regras dos aludidos planos próprios. 9.37 Informa que as metas para recebimento do PPR Santander sempre se pautaram no desempenho da instituição como um todo, seja visando ao aumento da satisfação de seus clientes, seja objetivando um aumento do lucro, que seriam pressupostos básicos e essenciais da atividade empresarial, e entende que nenhum funcionário de uma empresa precisaria ser instruído a trabalhar com o objetivo de atender os interesses de seus clientes e aumentar o lucro da companhia, sendo tais objetivos inerentes e intrínsecos à função do empregado. 9.38 Afirma ter sido comprovado que: (i) as metas para recebimento do PPR de exercícios anteriores ao período autuado eram semelhantes àquelas dispostas nos ACT’s; (ii) tais metas não consideram os empregados individualmente, mas o desempenho da empresa como um todo; e (iii) tais metas possuíam como objetivo o aumento do lucro e da satisfação dos clientes. 9.39 Destaca, ainda, que, ao contrário do que teria alegado a fiscalização, o art. 2º, § 1º da Lei n.° 10.101/00 não condicionaria a legitimidade da PLR a um programa de metas, Fl. 2077DF CARF MF 22 resultados e prazos pactuados previamente, isto é, antes do exercício a que se refere a PLR. 9.40 O legislador não impôs ao contribuinte a necessidade de observância dos critérios constantes dos incisos I e II do § 1º do supracitado dispositivo, mas utilizou a expressão “podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições”, o que deixa claro que a adoção de “programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente” nada mais é do que uma sugestão do legislador, mas jamais uma condição à legitimidade da PLR. 9.41 O dispositivo em referência foi interpretado de modo a estabelecer um requisito à legitimidade do programa de PLR que a própria Lei n.° 10.101/00 não prevê. Transcreve julgado administrativo. 9.42 Tendo sido o fundamento da Fiscalização, para descaracterização dos pagamentos de PLR efetuados com base nos ACT’s, uma condição não estabelecida na Lei nº 10101/00, os AI’s em tela devem ser cancelados. Da Existência de Regras Claras e Objetivas 9.43 Não merece subsistir a alegação de ausência de regras claras e objetivas de avaliação do desempenho dos empregados e métodos de aferição para o cumprimento do acordado nos ACT’s. 9.44 Conforme as Cláusulas Terceiras dos ACT’s, existem disposições expressas quantos às metas (pagamento com base no “Programa de Melhoria do Índice de Satisfação dos Clientes”) e métodos de aferição do cumprimento do acordado (quantificada de acordo com a classificação, obtida pelo Banco no “Painel das Instituições Financeiras – FRACTAL/USP”). 9.45 Ao contrário do entendimento da Fiscalização, é nítida a presença de meta e mecanismo de avaliação nos ACT’s firmados pelo Banco Santander. Do Anexo aos ACT´s Santander – PEX 9.46 O PEX é um anexo dos ACT’s, com termos direcionados a segmentos específicos de negócio do Banco Santander, sendo certo que, uma vez demonstrada a legitimidade dos pagamentos efetuados com base nos ACT’s, também está demonstrada a validade dos pagamentos efetuados com base no citado PEX. 9.47 A Fiscalização alegou que o PEX não possui qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração, não sendo possível comprovar sequer que tal acordo teria sido celebrado. 9.48 No entanto, o PEX não é um plano autônomo, mas apenas um anexo dos ACT’s que contem regras direcionadas a determinados segmentos específicos do Banco Santander. Nada mais é que um mero desdobramento dos ACT’s, sendo certo que, estando assinados o ACT Santander 2007 e o ACT Santander 2008, é desnecessário que o PEX, anexo a estes planos, também fosse assinado. Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.068 23 9.49 A corroborar a natureza do PEX, de mero anexo dos ACT’s, e não de um plano autônomo, esse contém previsão expressa determinando o desconto dos valores pagos com base no PEX dos valores a serem pagos com base nos ACT’s (transcreve). 9.50 Menciona, também, que, independentemente do desempenho no PEX, seria assegurado aos empregados o direito ao valor da PLR com base nos ACT’s, o que apenas reforçaria o caráter de mero desdobramento dos acordos próprios de PLR. 9.51 Faz referência, ainda, à disposição do Parágrafo Único da Cláusula Sexta do ACT Santander 2008, que reforça e evidencia a natureza do PEX de mero anexo aos ACT’s (transcreve). 9.52 Verificada a legitimidade dos ACT’s, conseqüentemente será verificada a legitimidade do PEX, uma vez que essas regras específicas são meros desdobramentos dos acordos próprios e não possuem qualquer autonomia. 9.53 Também não merece prosperar a alegação de que o PEX não possui metas ou instrumentos de aferição do cumprimento do acordado. 9.54 Conforme se pode verificar no manual do PEX (Doc. 16), o desempenho dos profissionais será medido de acordo com critérios de metas quantitativas e qualitativas e de competências individuais, sendolhe atribuída nota de 0% a 150% para as metas qualitativas e quantitativas, e nota de 1 a 5 nas competências individuais, sendo que o reconhecimento deverá ser realizado de forma proporcional ao atingimento das metas. 9.55 Cita exemplos de avaliação anexados (Doc. 17) e conclui que deve ser reconhecida a legitimidade do pagamento de PLR efetuado com base no PEX, cancelandose os AI’s em tela. Da Inocorrência dos “Problemas Gerais” Alegados pela Fiscalização Quanto aos Pagamentos Baseados nos Planos Próprios e na CCT 2007/2008 9.56 A Autoridade Fiscal, embora não tenha contestado a validade e os termos da CCT 2007/2008, entendeu que o Banco Santander e o Banco ABN teriam feito pagamentos em desconformidade com a periodicidade estabelecida na Lei n.° 10.101/00, bem como que haveria uma discrepância injustificada entre os valores recebidos por diferentes empregados. 9.57 Embora esta parte da defesa se encontre prejudicada pela ausência de vinculação entre os pagamentos autuados e os respectivos acordos de PLR, a fim de se resguardar dos efeitos da preclusão, fará um esforço para demonstrar a observância à periodicidade estabelecida na Lei n.° 10.101/00, bem como que as discrepâncias apontadas pela fiscalização decorreriam, exclusivamente, do cumprimento do quanto estabelecido nos acordos de PLR. Fl. 2079DF CARF MF 24 Da Observância da Periodicidade Estabelecida na Lei n.° 10.101/00 9.58 Transcreve o artigo 3º da Lei n.º 10.101/00, que dispõe sobre a periodicidade de pagamentos de PLR, e sustenta que a referida norma deve ser interpretada no sentido de não ser possível realizar mais de duas distribuições de lucro com base no mesmo exercício no mesmo ano. 9.59 Entende que nada impediria que os pagamentos de PLR com base em instrumentos distintos fossem efetuados em datas distintas. 9.60 Destaca que o intuito da norma é evitar que o contribuinte, a fim de obter vantagens fiscais ilegítimas, efetuasse pagamento de salário como se fosse PLR, reduzindo sua carga tributária, o que não é o caso. 9.61 Na distribuição de PLR das empresas aos seus funcionários, podem ocorrer eventuais insuficiências de pagamento, bem como a determinação sindical do pagamento de parcela adicional, sendo certo que essa complementação jamais poderia ser considerada como uma “parcela de PLR” para fins de verificação de observância à periodicidade de pagamento estabelecida na Lei n.° 10.101/00. Do contrário, se estaria admitindo que as empresas jamais poderiam sanar eventuais incorreções no pagamento de sua PLR ou cumprir determinação sindical, sob pena de descaracterizar tais verbas e sujeitálas à incidência de contribuições previdenciárias. 9.62 No caso, a Impugnante apurou lucro e efetuou pagamentos com base em instrumentos de formalização de acordos de PLR e PPR, plenamente válidos, não sedo legítima a descaracterização da natureza jurídica dessa verba. 9.63 A ausência de vinculação entre os pagamentos autuados com o seus respectivos instrumentos impossibilita a Defendente de demonstrar que os pagamentos autuados foram feitos em conformidade com a periodicidade imposta na Lei n.° 10.101/00 9.64 No entanto, não houve desrespeito à periodicidade estabelecida na Lei n°. 10.101/00, uma vez que o pagamento, por instrumento, foi efetuado apenas uma vez por semestre civil. 9.65 Como evidência, faz menção à relação de pagamentos efetuados à Sra. Adelsima Maria de Lima Mora, apresentada no Relatório Fiscal, em que o mês de fevereiro de 2008 é indicado 6 vezes, havendo mais dois pagamentos nos meses de agosto e outubro de 2007. 9.66 Com base nestas informações, o Agente Fiscal concluiu, simplesmente, que foram efetuados 8 pagamentos de PLR à Sra. Adelsima Maria de Lima Mora, no ano de 2008, o que violaria a periodicidade máxima prevista na Lei n.° 10.101/00. 9.67 Entretanto, faltam elementos para tal conclusão, especialmente acerca da natureza de cada um desses pagamentos. Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.069 25 9.68 Informa ter colacionado, em sua defesa, planilha contendo amostragem dos pagamentos de PLR e PPR autuados, com a correta vinculação dos pagamentos aos respectivos períodos aquisitivos (anocalendário) e a natureza de cada parcela paga, evidenciando a plena observância da periodicidade prescrita na legislação (Doc. 18). 9.69 No que se refere aos pagamentos feitos à Sra. Adelsima Maria de Lima Mora, afirma que não houve o alegado pagamento de 8 parcelas de PLR/PPR relativos a 2008, mas sim, de 2 parcelas, pois os pagamentos efetuados até 02/2008 compõem uma única parcela. Apenas a partir de 11/2008 a Impugnante iniciou o pagamento ,de PLR e PPR relativos a 2008, sendo certo que tal pagamento foi concluído no 1º semestre de 2009, após apuração definitiva do resultado do exercício. 9.70 Apresenta tabela à fl. 489 e afirma que cada uma das rubricas referese a um instrumento laboral, de modo que devem ser consideradas isoladamente. Portanto, a periodicidade legalmente estabelecida foi observada. 9.71 Assim, é improcedente o entendimento pela violação à periodicidade prevista na Lei n.° 10.101/00, sendo certo que a Autoridade Fiscal concluiu de forma precoce, sem a devida análise da natureza de cada parcela paga, e do período aquisitivo a que se referia, devendo ser afastado tal equívoco. Da Discrepância Entre os Valores Pagos a Diferentes Empregados 9.72 A Fiscalização, ao considerar que o pagamento de PLR e PPR efetuado pelo Banco Santander e pelo Banco ABN, consistiria em substituição da remuneração, em razão da discrepância entre os valores pagos a diferentes empregados, mais uma vez pretendeu constituir um óbice à caracterização da verba não disposto em Lei. 9.73 A Lei n.° 10.101/00 não faz qualquer ressalva de que os pagamentos de PLR, efetuados a diferentes funcionários possuam o mesmo valor, ou representassem o mesmo percentual de seus respectivos salários. Qualquer previsão nesse sentido seria ilógica, uma vez que o pagamento de PLR está sujeito ao cumprimento de metas, que podem ou não ser alcançadas pelos diferentes funcionários. 9.74 Alega que a diferença entre os valores pagos decorre, estritamente, do cumprimento do quanto estabelecido nos acordos. 9.75 Transcreve renomado jurista e conclui que os fundamentos dos AI’s em tela são improcedentes. Da Impossibilidade de Desconsideração Total dos Valores Pagos a Título de PLR Pela Impugnante Fl. 2081DF CARF MF 26 9.76 Defende que a Autoridade Fiscal não poderia simplesmente ter desconsiderado a natureza jurídica da totalidade dos pagamentos efetuados a título de PLR com base na CCT 2007/2008, vigente no período autuado. 9.77 Ressalta que, em momento algum, a validade da CCT 2007/2008 foi questionada pela Autoridade Fiscal. Ou seja, o debate do presente feito se refere somente à periodicidade dos pagamentos. 9.78 Não se pode admitir que nenhuma das verbas pagas caracterizese como PLR, inclusive para fins tributários previdenciários, uma vez que: a) foi apurado lucro no período relacionado; e b) a validade da CCT 2007/2008 não foi contestada pela Fiscalização. 9.79 Caso se entenda que a Impugnante efetuou pagamentos de PLR em periodicidade superior àquela legalmente permitida, devem ser autuados somente os pagamentos supostamente efetuados em desacordo com a Lei n.° 10.101/2000 (i.e. suposta terceira ou quarta parcela), mas, jamais, todos os pagamentos efetuados a título de PLR e PPR no período autuado. 9.80 Também é aplicável ao presente caso o entendimento firmado pelo CARF em duas situações análogas, quais sejam: (i) a “desconsideração total das despesas de uma empresa, nas hipóteses de omissão de receitas”; e, (ii) a “desconsideração integral da contabilidade de uma empresa”, ambas rechaçadas pela jurisprudência administrativa justamente por devassarem o direito dos contribuintes. 9.81 Para fins de contribuições previdenciárias, a desconsideração por completo da distribuição de PLR das empresas deve ser exceção, legitimada apenas quando verificada a total irregularidade do pagamento. Apresenta jurisprudência trabalhista. 9.82 Entende, assim, estar evidenciando a insubsistência fática da autuação relativa à PLR paga com base na CCT 2007/2008, por adotar a equivocada e infundada premissa de que a Impugnante não distribuiu PLR no período, quando está provado que houve pagamentos a este título e em estrita conformidade com os respectivos acordos. 9.83 Conclui que, na hipótese de serem mantidos os lançamentos em tela, deve ser determinada sua revisão, a fim de que, relativamente aos pagamentos efetuados com base na CCT 2007/2008, sejam exigidas as contribuições previdenciárias somente sobre os pagamentos supostamente efetuados em desacordo com a Lei n.° 10.101/2000 e não sobre a totalidade dos pagamentos efetuados por ela a título de PLR. Conclusão: Da Insubsistência da Desqualificação da PPR e PLR Intentada pela D. Autoridade Fiscal à Luz da Jurisprudência do E. CARF e do STJ Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.070 27 9.84 A Autoridade Fiscal se apega a aspectos estritamente formais para tentar desqualificar os pagamentos efetuados a título de PLR. 9.85 E para corroborar o alegado por ela, passa a demonstrar o equívoco do entendimento da Fiscalização, à luz da jurisprudência do CARF e do STJ (itens 225 a 247 da Impugnação). Da Improcedência da Autuação Quanto aos Valores Pagos a Título de “Hiring Bônus”. Ausência de Contraprestação de Serviço e Habitualidade 9.86 Esclarece que o “Hiring Bônus” é um pagamento realizado somente no momento da admissão do funcionário, oferecido como atrativo à contratação de profissionais com perfil altamente especializado. Os documentos anexados comprovam o fato (Doc. 19). 9.87 Portanto, a referida verba não tem o condão de ressarcir o empregado em vista de um serviço prestado, mas sim, de proporcionar um incentivo à contratação de profissionais qualificados, e altamente disputados no mercado de trabalho. 9.88 Também comprovam a ausência de contraprestação de serviço, e a natureza de atrativo comercial, as Cartas Propostas enviadas (transcreve trecho). 9.89 Caso se tratasse de remuneração, a Impugnante estaria remunerando seu novo funcionário num valor consideravelmente alto, por somente algumas horas de trabalho, o que seria ilógico. 9.90 Inclusive, a gratificação pode ser interpretada como uma forma de indenização, pois o recém contratado abriu mão de uma certa segurança que possuía no trabalho anterior. 9.91 Transcreve julgados do CARF, do STJ, do TST, e alega que a referida verba não se subsume ao contido no artigo 22 e 28 da Lei nº 8212/91. 9.92 A referida gratificação não é habitual, e é paga por total e exclusiva liberalidade da empregadora, a fim de incentivar a contratação. Não tem natureza salarial, não devendo ser incluída na base de cálculo das contribuições previdenciárias. 9.93 Assim, a autuação sobre as verbas pagas a título de “Hiring Bônus” deve ser cancelada, bem como a respectiva multa por descumprimento de obrigação acessória. Não Incidência de Contribuições Previdenciárias Sobre a Rubrica “Bonificação Extraordinária I06/I06 Est” – Opção de Compra de Ações (Stock Option) Da Não Configuração da Natureza Salarial do Stock Option Ante a Ausência de Contraprestação de Serviço 9.94 A Impugnante aduz que os valores pagos em relação à rubrica "Bonificação Extraordinária I06/I06 Est", decorrem do Fl. 2083DF CARF MF 28 resgate de ações, adquiridas em decorrência de planos de concessão de opção de compra de ações ("Stock Option"), os quais não se encontram sujeitos à incidência de Contribuições Previdenciárias. 9.95 Discorre sobre a natureza jurídica do “Stock Option”, aduzindo que a participação acionária de empregados está prevista na Lei 6.404/76, art. 168, §3º e, que seu art. 190, faz referência às participações estatutárias de empregados e administradores, dentre outros (transcreve os dispositivos legais). 9.96 Sobre os planos de “Stock Option” , menciona que estes consistem em programas cuja finalidade principal é atrair e reter profissionais de talento. São eficazes porque comprometem o executivo com os resultados da companhia. 9.97 Descreve os critérios: (i) o preço de emissão da ação, (ii) o prazo para obtenção da elegibilidade do exercício das opções (prazo de carência) e, (iii) o prazo máximo para o exercício das opções (termo da opção). 9.98 Informa que o prazo de carência é o período em que o empregado deve permanecer na empresa até que possa exercer a sua opção de compra de ações, caso as ações venham a se valorizar durante este período, pode resultar em considerável vantagem financeira ao empregado. 9.99 Aduz que é o período de carência o que incentiva os empregados, principalmente aqueles ocupantes de altos escalões, a continuar em seus postos de trabalho, abstendose de eventuais ofertas de emprego e/ou oportunidades apresentadas pela concorrência. 9.100 Sobre o preço de emissão da ação, alega ser o valor da ação da empresa no mercado de capitais, à época da assinatura do plano e, que se pode, ainda, definir o preço de emissão através da média do valor das ações nos últimos doze meses, com o intuito de se evitar grandes distorções no que se refere às eventuais perdas ou ganhos quando do exercício do direito de compra e venda das ações. 9.101 Os planos de Stock Option representam a concessão de um direito futuro de compra de ações mediante o pagamento de um preço prefixado, ou seja, o empregado, após um prazo de carência determinado pelo contrato, pode, se quiser, exercer o direito de compra daquelas ações e negociálas posteriormente. 9.102 Como consequência direta das variações do mercado de ações, no momento da negociação, as ações cujo direito de compra foi concedido aos empregados poderão ter um valor de mercado maior, igual ou até mesmo menor que o valor estabelecido na opção, sendo certo que o empregado titular da opção de compra pode auferir, ou não, algum beneficio com a negociação dos referidos títulos. 9.103 No momento da concessão do Stock Option, o empregado não recebe ações de sua empregadora ou de outra empresa do Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.071 29 grupo, mas apenas o direito de comprar tais ações. Em verdade, lhe é concedido apenas uma expectativa de direito, que só vai se materializar em direito subjetivo após o final do prazo de carência fixado pelo plano e, ainda, somente no caso do direito de compra ser exercido. 9.104 Caso o empregado venha a exercer o seu direito de compra de ações, pagará por tal aquisição, sendo que após comprar as ações, o empregado passa a enfrentar os riscos do mercado de capitais. 9.105 No momento do exercício do direito à compra de ações, o valor das ações estiver menor do que o valor da opção combinado previamente, o empregador não subsidiará a diferença. 9.106 Alega que os planos de Stock Option tem por base a Lei das S.A e, não se confundem com o contrato de trabalho, uma vez que representam uma relação meramente mercantil, embora ensejada no curso da relação de emprego. 9.107 Assim, o plano de Stock Option não representa um benefício pago ao empregado pelo trabalho prestado ao empregador, é um contrato de natureza mercantil, por meio do qual o empregado recebe o direito de compra das ações por um preço predeterminado e poderá, sem nenhuma garantia do empregador, auferir lucro com a venda dessas ações no futuro. 9.108 Argumenta que é indiscutível a falta de adequação do referido plano a qualquer benefício de natureza salarial e, portanto, remuneratória, sendo ilegítima qualquer pretensão de incidência de contribuições previdenciárias sobre este direito. 9.109 Alega que se trata de um negócio oneroso ao beneficiário, pois ele deverá despender determinada quantia para proceder à aquisição ou subscrição das ações da companhia a que fizer jus, assim, entende afastar o Stock Option de qualquer tipo de remuneração paga ao empregado por tratarse de uma combinação de cunho eminentemente mercantil e sujeito às disposições da legislação contratual civil. Transcreve jurisprudência dos Tribunais Regionais do Trabalho. Dos Programas de Stock Option da Impugnante 9.110 Apresenta, em síntese, as principais características do Stock Option: (i) a participação no programa é facultativa; (ii) a obtenção de ganhos por meio da adesão ao programa não depende de prestação de serviços; (iii) o ganho auferido no programa decorre de mera expectativa de ganho futuro, baseado na flutuação do valor das ações no mercado de capitais; e (iv) o empregado assume os riscos de desvalorização das ações. 9.111 Transcreve trechos dos Instrumentos Particulares de Opção de Compra de Ações celebrados entre a Impugnante e Fl. 2085DF CARF MF 30 alguns de seus funcionários (Doc. 20), e ressalta que a participação no programa é facultativa, não podendo se confundir com remuneração de prestação de serviço. 9.112 Além do que, não é oferecida nenhuma garantia de rendimento aos funcionários, o auferimento de algum lucro depende, exclusivamente, da flutuação do valor das ações no mercado de capitais. 9.113 Transcreve trechos dos referidos instrumentos, e destaca, ainda, que: 9.113.1 uma das hipóteses de extinção é a hipótese de resultados inferiores a 80%, ou seja, não há dependência com a prestação de serviço por parte do empregado; 9.113.2 caso o empregado tenha seu contrato laboral rescindido sem justa causa, também fará jus à compra das ações, mesmo sem prestar serviços à Impugnante. 9.114 Menciona julgados do CARF e conclui pela improcedência da autuação quanto à rubrica “Bonificação Extraordinária I06/I06 Est” (Stock Option), pois seu objeto não tem natureza salarial e sim mercantil. Subsidiariamente: da Necessária Exclusão das Multas Lançadas Sobre as Verbas de PLR e PPR Pagas Pelo Banco ABN – Lançamento Posterior à Incorporação 10. O lançamento em tela deve ser revisto, tendo em vista a equivocada imposição de multas em face da Impugnante sobre débitos de responsabilidade do Banco ABN e anteriores à sua incorporação. 10.1 Informa que a autuação em tela voltase contra o Banco ABN e o Banco Santander, e que a parcela do débito de responsabilidade do Banco ABN lhe é exigida, enquanto incorporadora daquele, por conta de sucessão tributária. 10.2 Alega que, não obstante seja responsável, por sucessão, quanto à parcela principal dos débitos relativos ao Banco ABN, o mesmo não se aplicaria às penalidades decorrentes, vinculadas às alegadas infrações praticadas pelo Banco ABN, empresa sucedida por incorporação por ela, no anocalendário de 2009, sendo que o lançamento em questão ocorreu posteriormente à referida incorporação, de modo que a Defendente não poderia ser responsabilizada pelo ônus da sanção imposta. 10.3 Ressalta que somente são passíveis de sucessão as obrigações tributárias existentes antes da data do ato de sucessão ou em curso de constituição no mesmo momento, nos termos do artigo 129 do CTN. 10.4 Assim, nos casos em que não tenha ocorrido o recolhimento de imposto, ou seu recolhimento a menor, o lançamento posterior à data do ato de sucessão não ilide a sucessão do tributo, haja vista que a obrigação principal nasceu com a ocorrência do fato gerador, sendo que tal sistemática não Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.072 31 socorre à multa “ex officio”. Destaca que, na hipótese de lançamento posterior ao ato de sucessão, a obrigação não é preexistente, surgindo, tão somente com o ato administrativo de lançamento, não podendo, por tal razão, ser imputada ao sucessor. 10.5 Afirma que a obrigação tributária secundária não nasce no ato da infração, surgindo, tão somente, no momento da imposição administrativa através do ato próprio, qual seja, o lançamento. Cita doutrina e jurisprudência. 10.6 Conclui que, como o ato de incorporação do Banco ABN ocorreu no anocalendário de 2009, e o presente lançamento se deu apenas em 2013, resta evidente a improcedência das multas vinculadas às verbas pagas pelo Banco ABN, devendo, portanto, ser excluídas do lançamento, sob pena de afronta ao disposto no artigo 132 do CTN. Da Necessária Exclusão da Penalidade por Descumprimento de Obrigação Acessória 11. No presente caso, também se impõe multa por suposto descumprimento de obrigação acessória (declaração inexata de GFIP), relativamente a pagamentos efetuados a título de PLR, “Hiring Bônus” e “Bonificação Extraordinária”, no anocalendário de 2008. 11.1 No entanto, inexiste o alegado descumprimento, tendo em vista que os débitos tidos por “não declarados” são indevidos e, por isso, não constaram da GFIP do período. 11.2 A caracterização do descumprimento de obrigação acessória que enseja a aplicação de multa depende da demonstração de que a obrigação principal era reconhecidamente devida, o que não ocorreu no caso em tela. 11.3 Não há descumprimento de obrigação acessória quando o contribuinte somente deixou de declarar em GFIP determinados débitos por entender que os pagamentos correlatos não se sujeitariam à incidência de exações previdenciárias, especialmente se as demais verbas, reconhecidamente sujeitas às contribuições previdenciárias, tenham sido devidamente tributadas e declaradas. 11.4 Assim, caso o contribuinte tenha procedido à efetiva tributação de sua folha salarial, recolhendo as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos reconhecidos como salário, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória consubstanciado na ausência de declaração de débitos que entende serem indevidos. Transcreve julgado administrativo. 11.5 Informa que, no caso, deixou de recolher contribuições previdenciárias sobre verbas reconhecidamente fora do seu campo de incidência. Fl. 2087DF CARF MF 32 11.6 Defende o direito e dever do contribuinte de declarar ao Fisco verbas tributáveis, sendo que eventual discordância fiscal sobre a interpretação do contribuinte pode até ensejar sua cobrança, mas, de nenhuma forma, a exigência de que fosse declarada originalmente, a despeito da não incidência reputada pelo contribuinte. Do Equívoco Quanto ao Valor Base da Multa Imposta 11.7 A multa em questão foi apurada com equívoco em relação ao seu valor base, deflagrando multa excessiva. 11.8 Informa que a Autoridade Fiscal considerou, inadvertidamente, que a Impugnante estaria sujeita ao valor base da multa estipulada na Portaria Interministerial MPS/MF n.° 06/2012, de R$ 1.617,12. 11.9 No entanto, este entendimento está equivocado, uma vez que o valor utilizado como base da multa aplicada, qual seja, R$ 1.617,12, foi fixado por meio da Portaria Interministerial MPS/MF n.° 06/2012, ou seja, norma posterior a todos os supostos fatos geradores relacionados (anocalendário 2008). 11.10 A autoridade, ao se embasar em tal Portaria, infringiu o princípio da irretroatividade das leis, insculpido no artigo 105 do CTN (reproduz). 11.11 Menciona, também, que o art. 106 do CTN veda a retroação da legislação tributária, salvo nas hipóteses expressamente arroladas, as quais não possuem qualquer identidade com o caso vertente. 11.12 Afirma que o CARF já decidiu, reiteradas vezes, no sentido de que o lançamento fiscal deve se reportar à legislação vigente à época dos fatos, em consonância com o disposto no art. 105 do CTN, e que, na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, é necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior (Transcreve julgados). 11.13 Ainda que a multa combatida fosse legítima, é evidente que o valor base adotado pela autoridade está equivocado, devendose, ao menos, adotar o valor constante nas normas vigentes à época dos fatos geradores, quais sejam: Portaria MPS n.°342/2006 e Portaria MPS n°. 142/2007. 11.14 Lembra, ainda, que a atividade de lançamento orientase pelo princípio da legalidade, insculpido no artigo 150, inciso I da Constituição Federal, de modo que a constituição (ou declaração) da obrigação tributária somente pode ser feita em estrita conformidade com o que está disposto em lei, consoante o artigo 142 do CTN. 11.15 Menciona renomados juristas e alega que o lançamento praticado sem o atendimento às normas vigentes à época do fato gerador, na apuração de suposta multa devida, encontrase contaminado por erro de direito, acarretando a nulidade do ato, Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.073 33 e surgindo a necessidade de cancelamento do Auto de Infração, nos termos do artigo 149 do CTN. 11.16 Ressalta, assim, que, quando da lavratura dos AI’s, o Agente Fiscal deveria ter aplicado a norma vigente à época dos fatos geradores, e, conseqüentemente, apurado o valor base da multa de acordo com a Portaria MPS n.° 342/2006 e Portaria MPS n.° 142/2007. Como assim não fez, incorreu em erro de direito, ensejando a nulidade dos AI’s. 11.17 Conclui que, ainda que mantidos os lançamentos relativos às obrigações principais, consubstanciados nos AI’s DEBCAD´s 37.333.6772 e 37.333.6780, deve ser cancelada a exigência contida no AI DEBCAD n.° 37.388.8074. Subsidiariamente: Do Descabimento da Aplicação de Juros de Mora Sobre a Multa de Ofício 12. Na hipótese de não ser cancelada a integralidade do pretenso crédito tributário, bem como a multa de ofício, devese, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a referida multa de ofício. Cita jurisprudência administrativa. 12.1 A exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada carece de base legal, já que o § 3º do artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado (transcreve). 12.2 Destaca que os débitos a que se refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no “caput”, e que aqueles não podem ser confundidos com as multas (penalidade), pois têm causas diversas, conforme dispõe o artigo 3º do CTN. 12.3 Ao utilizar a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, a Lei n.° 9.430/96 somente pode estar se referindo a débitos não lançados, visto que normatiza a incidência, sobre estes, da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se inclui a multa de ofício lançada proporcionalmente. 12.4 Conclui que a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” não contempla a multa de ofício, pois se assim não fosse, não haveria necessidade para a existência do parágrafo único do artigo 43 da Lei n.° 9.430/96, que prevê a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente (reproduz o dispositivo legal). 12.5 A legislação ordinária autoriza, expressamente, a incidência de juros de mora somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada. 12.6 Menciona que, ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113 do CTN (transcreve), verificase que o próprio CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo: Fl. 2089DF CARF MF 34 12.6.1 o artigo 161 do CTN autoriza a incidência de juros sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”; 12.6.2 o artigo 139 do CTN estabelece que “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”, e; 12.6.3 o artigo 113 do CTN dispõe sobre a obrigação tributária. 12.7 Entende que a expressão “penalidade pecuniária” contida no parágrafo 1º do artigo 113 do CTN nada mais é do que a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória, que se converte em obrigação principal, nos termos do parágrafo 3º, não podendo ser interpretada como penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago. 12.8 Caso a multa de ofício estivesse incluída na expressão “crédito”, sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido artigo, de que o crédito deveria ser exigido “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. 12.9 Conclui que o CTN não autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, devendo ser excluída tal cobrança dos AI’s em tela. Do Pedido 13. Diante do exposto, requer que seja determinado o integral cancelamento da exigência consubstanciada nos AI’s em epígrafe, tendo em vista: Preliminarmente i) a nulidade dos AI’s em epígrafe, face à sua precariedade, o que acarreta o cerceamento do seu direito de defesa; ii) a extinção, pela decadência, do crédito tributário referente ao período até maio de 2008, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, notadamente em vista da existência de antecipação de recolhimentos no período autuado; No Mérito iii) o enquadramento dos pagamentos de PLR autuados aos estritos termos da Lei n.° 10.101/00; iv) o descabimento da imposição de multas relativas a débitos do Banco ABN (participação nos lucros ou resultados), tendo em vista que o lançamento foi efetuado após sua incorporação pela autuada; v) a ausência de contraprestação de serviço e habitualidade com relação aos pagamentos a título de “Hiring Bônus”; vi) a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a rubrica "Bonificação Extraordinária 106/106 Est", por se tratar de plano de concessão de opção de compra de ações (Stock Option); Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.074 35 vii) a exclusão da penalidade por descumprimento de obrigação acessória ou, ao menos, a sua redução com base nas Portarias MPS vigentes à época dos fatos geradores autuados; e viii) o descabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. 13.1 Por fim, protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito." Em âmbito recursal, às fls. 1731/1842, se lança contra Acórdão proferido pela d. Delegacia da Receita Federal do Brasil, de fls. 1649/1725, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do ora Recorrente, mantendo, assim, os créditos tributários exigidos. Em sua minuta, reprisa o Recorrente os argumentos manejados em sua Impugnação de fls. 443/531, arrazoando que deve ser cancelado o auto de infração lavrado, em vista de sua nulidade ou, alternativamente, requer a extinção parcial do débito, uma vez que alcançado pela decadência. Argui, em preliminar, que as planilhas não demonstram a origem do objeto da autuação, por isso deveria ser ela cancelada. Diz que “ao contrário do quanto alegado pela D. DRJ/SP1, o lançamento em referência é nulo, face à preterição do direito de defesa (...) conforme dispõe o art. 59 do Decreto 70.235/72” (fls. 1749). Dessa forma, alega que a d. Autoridade Fiscal, não demonstrou estar presente o elemento do fato gerador das Contribuições Previdenciárias, faltando a autuação, assim, requisito essencial. Pondera, em seguida, que o v. Acórdão vergastado apresentaria inexatidão posto que, erroneamente, teria invertido o onus probandi, afastandose assim, do que determinado pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, estando precário o lançamento ora impugnado. Ainda preliminarmente, reitera seus argumentos de fls. 460/465, no tocante à decadência parcial dos débitos perseguidos, com arrimo, respectivamente, nos arts. 150, §4º e 173, I, ambos do Codex Tributário. No mérito, defende o Banco recorrente, repisando os argumentos de fls. 466/474, que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de participações nos lucros e resultados. Quanto à representatividade dos signatários do ACT ABN, acrescenta, às fls. 1762, que: “Deveras todos os representantes eleitos pela Recorrente não apenas detinham cargos hierarquicamente iguais ou superiores a gerência, como também eram ligados a áreas dentro da sua estrutura organizacional diretamente relacionadas ao pagamento e cumprimento das obrigações assumidas no ACT ABN, fato este desconsiderado pela fiscalização e que infirma por completo a motivação apontada em seu relatório. Fl. 2091DF CARF MF 36 A bem da verdade, verificase que tanto a d. Autoridade Fiscal quanto a D. DRJ/SP1 se apegam a aspectos estritamente formais apara tentar desqualificar os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados. ” Assim, requer seja afastada a alegação de vício de representatividade apontado e seja demonstrada a legitimidade do ACT ABN, para que seja reconhecida a improcedência da autuação. Em seguida, no tocante a periodicidade estabelecida na lei 10.101/00, acentua o Recorrente que o e. TRT de São Paulo, ao editar sua Súmula de nº 14, encontrou excelente solução para o deslinde da controvérsia ao delinear que: “Ao analisarem o instituto da participação nos lucros e resultados, concluíram que, independentemente da periodicidade com a qual foi paga tal verba, deve prevalecer a autonomia da vontade privada coletiva, que, naquele caso, seria declarada em Acordo coletivo celebrado entre a empresa e seus funcionários. Se a vontade dos participantes foi a de que a participação nos lucros e resultados deveria ser paga mensalmente, não há motivo para a desqualificação da natureza dessa verba.” Acrescenta: “...in casu, a participação nos lucros e resultados sequer foi paga mensalmente. Como já disse, a D. Autoridade Fiscal alega a inobservância da periodicidade estabelecida na Lei nº 10.101/00, uma vez que não cumpriu com o seu dever fiscalizatório corretamente.” Defende, portanto, que “improcede o entendimento pela violação à periodicidade prevista na Lei nº 10.101/00”, requerendo seja reconhecido tal equívoco na autuação para que seja afastada a irregularidade da verba autuada. Subsidiariamente, reivindica a aplicação da retroatividade da Lei 11.941/09 ao caso em comento, requerendo, a seu turno, a observância do inc. II do art. 106 do CTN. Aponta que teria havido erro na aplicação da retroatividade benigna pela d. Autoridade Fiscal, uma vez que teria ela comparado fatos de natureza distinta (descumprimento de obrigação acessória, descumprimento de obrigação principal e lançamento de ofício) “atribuindolhes consequência única, como se pertencessem à mesma espécie, acabando por não aplicar de forma correta e efetiva a penalidade mais benéfica ao contribuinte no caso concreto” (fls. 1830). Mencionando o Acórdão 230200978, proferido pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção, entende que: “...o confronto entre as penalidades impostas pelo descumprimento de obrigação principal, calculadas segundo a lei vigente á data de ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada nos termos da novel legislação deve ocorrer sem a interferência da multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária. E, tendo em vista que a cominação de multa de ofício somente foi introduzida à disciplina dos tributos ‘previdenciários’ com o advento da Lei nº 11.941/09, não há que se falarem sua aplicação in casu.” Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.075 37 Posteriormente, e ainda subsidiariamente, pleiteia a não aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, reiterando os termos do que apresentado às fls. 526/529. Assim, requer seja o recurso conhecido e provido para que seja integralmente canceladas as exigências que consolidam os Autos de Infração em testilha. As contrarrazões da Fazenda Nacional, às fls. 1.978/2.037, são no sentido de prestigiar o Acórdão a quo. Em sua peça, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional aponta que o lançamento não apresentaria qualquer vício capaz de ensejar sua nulidade, uma vez que a autoridade lançadora teria identificado corretamente o fato gerador da obrigação ora perseguido. Em seguida, afiança que os pagamentos efetuados foram feito em "desatendimento aos ditames da Lei 10.101/2000" e, portanto, estaria eivado de vícios, suficientemente comprovados, de modo a ensejar o presente lançamento. Quanto à falta de regras claras e objetivas dos planos apresentados, advoga no sentido de que as diversas falhas no Plano de Participação nos Resultados o comprometem como instrumento legítimo de negociam, posto que "maculam a necessidade de existência de regras claras e objetivas quanto aos direito substantivos de participação" (palavra por palavra, fls. 1.995). É o relatório. Fl. 2093DF CARF MF 38 Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal em conformidade com o disposto no Decreto nº 70.235/72, voto por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. Preliminares O Recorrente inicia seus argumentos de resistência a perfectibilização do lançamento e busca de reforma da decisão recorrida opondo razões preliminares. Alega serem os autos de infração construídos a partir de dados inconsistentes, não tendo realizado vinculação aos acordos coletivos existentes, o que implica em cerceamento de defesa. Para tanto, ingressa no conjunto probatório indicando exemplos de operações não vinculadas. Além disso, argui parcial decadência do lançamento, relativo ao período anterior a maio de 2008. 2.1. Ausência de Vinculação entre os pagamentos autuados e os respectivos instrumentos coletivos. A bem da verdade, a análise requerida pelo recorrente redunda em incursão no mérito da demanda. Dizer que existe nulidade por ausência de vinculação do lançamento a acordos coletivos e outros elementos alegados pelo Recorrente é o mesmo que julgar procedente o pedido sem analisar o mérito. Ora, os pontos indicados pelo Recorrente como prejudicais ao mérito, se repetem, quando adentramos na análise meritória. Outrossim, um dos pontos centrais desta lide consiste, justamente, na avaliação dos acordos coletivos citados pelo Recorrente, o que demanda dilação probatória, tanto é que o próprio Recorrente apoia sua tese em elementos documentais que também são objeto da análise de mérito. 2.2. Cerceamento de Defesa Quanto ao cerceamento de defesa, a partir da leitura da impugnação e recurso voluntário, fica patente o excelente e profundo trabalho realizado pelo Recorrente, não denotando qualquer dificuldade no exércicio da ampla defesa e do contraditório. Quanto aos elementos estruturais dos autos de infração, não vislubramos qualquer precariedade na descrição dos fatos que possa ser verificada de plano, estando bem completos nesse sentido, tão pouco vislumbramos outros elementos aptos a gerar sua declaração de nulidade de modo preliminar. Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.076 39 2.3. Inversão do Ônus Probandi Alega, ainda em preliminar recursal, reprisando os termos de sua Impugnação, que houve inversão do ônus da prova, eis que o lançamento estaria sendo baseado em presunções “simples” ou “em arbítrio do Auditor Fiscal”. Aduz que a d. Fiscalização apontou genericamente os pagamentos autuados, sem investigar os acontecimentos. A DRJ afastou a ocorrência da inversão ao asserto de que é cabível na espécie, o que reza o art. 333, inc. II, do Código Buzaid, em que competiria ao réu o ônus de provar suas alegações. Tais preliminares, por se confundir com o mérito, com ele serão analisadas. 2.4. Decadência 2.4.1. Decadência Parcial – Art. 173, inc. I do CTN Aduz o recorrente ter havido decadência quanto aos períodos anteriores a maio de 2008, uma vez que a empresa recorrente teria sido intimada da autuação apenas em 07/06/2013, configurada, assim, a decadência na forma do art. 150, §4º do CTN. Assim, alega que a d. Fiscalização perdeu o prazo para o exercício de seu direito de lançar, uma vez que ultrapassado o período de 5 anos para a constituição do crédito tributário, alinhado ao entendimento da Suprema Corte manifestado por meio da Súmula Vinculante nº 8. Em defesa de sua tese, colaciona diversos julgados deste e. Conselho bem como o entendimento do Supremo Tribunal Federa. Demonstra que juntou diversas guias de recolhimento de Contribuições Previdenciárias (Doc. 9 da Impugnação), o que caracterizaria recolhimento antecipado dos valores desse período. A d. DRJ afastou a decadência sob o argumento de que os pagamentos das GPS juntadas pela impugnante não caracterizariam pagamento antecipado, uma vez que, como declarado no RF, tais valores não integrariam a base de cálculo dos recolhimentos efetuados pela empresa. De tal modo, entendeu a Delegacia de Julgamento, por aplicar o que reza o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, fazendo constar que não haveria qualquer competência fulminada pela decadência, uma vez que a competência mais antiga seria a de 01/2008. Em seu recurso, como já anteriormente esposado, o Banco reprisa os argumentos lançados às fls. 460/463. Subsidiariamente, requer o autor, às fls. 1.758/1.760, reprisando os exatos termos do que lançado às fls. 463/465, propugna pela extinção parcial dos débitos, uma vez que o lançamento seria “parcialmente extemporâneo". Aduz que, caso não se entenda pelo acolhimeto da preliminar anteriormente manejada, ainda assim, sob inteligência do art. 173, I do Código Tributário, estaria operada a Fl. 2095DF CARF MF 40 decadência parcial do direito de lançar as Contribuições pretensamente apuradas em 01/2008 a 05/2008. A DRJ, ao lançar seu mister, entendeu pelo afastamento de tal alegação – que se refere ao AIOA DEBCAD 37.388.8074 – posto que seria inadequada a aplicação do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN ao caso. As Contrarrazões da Fazenda Nacional coaduna a tese da DRJ. A 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp nº 973.733/SC. Julgado em 12/8/2009, em sede de recurso repetitivo (art. 543C do Código de Processo Civil), o respectivo acórdão traz a seguinte ementa, parcialmente transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. .INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) Segundo as palavras extraídas do voto do relator, Ministro Luiz Fux: Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos meus e do original) O STJ, desse modo, se posicionou no sentido de que a atividade objeto de homologação pela autoridade administrativa, nos termos do art. 150 e §§ do Código Tributário Nacional (CTN), tem por objeto o pagamento antecipado do tributo, ainda que em montante menor que o devido, e não outro eventual proceder do contribuinte correlacionado com a apuração do fato gerador. Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.077 41 Com relação a Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal esta passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008 para os demais órgãos do Poder Judiciário, bem como para a administração pública, direta e indireta, e pelos demais entes federativos, isso inclui o presente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos termos do Art. 62, §1º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal;" Assim, apesar do Senado Federal ainda não ter expedido Resolução suspendendo os efeitos dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, tão pouco ter sido editada Medida Provisória alterando os prazos de dez para cinco anos do referido texto, este colegiado estaria autorizado a adotar posicionamento compatível com os termos da referida Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. "SÚMULA VINCULANTE 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Isto posto, a nova conformação jurídica sobre decadência de contribuições previdenciárias, atrai obrigações com tal natureza a uma subsunção a regra geral de decadencial prevista no CTN, fixando o prazo para realização de um lançamento eficaz em 5 anos. O termo inicial de contagem do prazo no presente processo seria aquele disposto na Súmula CARF nº 99, vez que o relatório fiscal indica que houve algum recolhimento no período ainda que não relacionado ao mesmo fato gerador. "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." Fl. 2097DF CARF MF 42 Assim, ao presente caso, considerando que não se trata de ausência total de recolhimento conforme comprovado pelo Recorrente, para análise da decadência se aplicaria a regra contida no Art. 150, §4º do CTN. Em outros termos, no caso concreto, temse lançamento de contribuições previdenciárias e FNDE que não incluíram os valores pagos a titulo de PLR, portanto, existindo pagamento antecipado o que importa na aplicação do art. 150, § 4º do CTN, em consonância com o entendimento judicial vinculante supra referido. A notificação de lançamento ocorreu no mes 06/2013, portanto, os fatos geradores ocorridos a competência até de maio de 2008 restariam fulminados pela decadência, portanto, voto por dar provimento a preliminar neste ponto. 3. Mérito 3.1. Base normativa atinente a Participação nos Lucros e Resultados. A participação nos lucros e resultados é direito social do trabalho previsto constitucionalmente no inciso XI do Art. 7º da CFRB/88: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;" Quanto a desvinculação da remuneração atribuída constitucionalmente à PLR, a alínea J, do §9º, do Art. 28 da Lei nº 8.212/91 assim dispõe: "Art. 28. (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;" Atualmente, consta da Lei 10.101/00 a indicação dos requisitos e condições para caracterização de pagamentos como sendo decorrência de participação nos lucros ou resultados e, por conseqüência, sua classificação como fato econômico não alcançado pela incidência de contribuições previdenciárias. A conseqüência do pagamento de tais valores em desacordo com a legislação de referencia está prevista no §10º do Art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS) Decreto n.º 3.048/99: "Art. 214. (...) (...) §10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.078 43 sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis." Da revisão dos dispositivos citados, resta clara a relevância do atendimento integral ao que dispõe a legislação, no caso a Lei nº 10.101/00, para que os pagamentos realizados a titulo de PLR assim sejam reconhecidos, sendo esta a contenda que se passa a analisar no caso concreto. 3.1.1. Do Relatório Fiscal e da Decisão Recorrida – Dos Fatos Tributáveis O Relatório Fiscal, de fls. 371/408, em apertada síntese, registra como fatos geradores do lançamento: Pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados referentes aos meses de janeiro a setembro de 2008 e novembro a dezembro de 2008, bem como de janeiro a dezembro de 2009; Pagamento de “Hiring Bônus” (código 765) nos períodos de janeiro a abril de 2008, junho e julho de 2008, setembro de 2008 e novembro e dezembro de 2008; Pagamento de “Bonificação Extraordinária I06/I06 Est” (códigos 1150 e 1155), nos períodos de janeiro a maio de 2008 e julho e agosto de 2008. Dessa forma, foram lavrados os Autos de Infração assim descritos: AIOP DEBCAD nº 37.333.6772: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, no montante de R$ 348.515.481,60 (trezentos e quarenta e oito milhões, quinhentos e quinze mil e quatrocentos e oitenta e um reais e sessenta centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 a 12/2008, consolidado em 03/06/2013; AIOP DEBCAD nº 37.333.6780: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação e INCRA), incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, no montante de R$ 35.811.506,27 (trinta e cinco milhões, oitocentos e onze mil e quinhentos e seis reais e vinte e sete centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2008 a 09/2008 e 11/2008 a 12/2008, consolidado em 03/06/2013; AIOA DEBCAD nº 37.388.8074: Fl. 2099DF CARF MF 44 Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e ao artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, código de fundamento legal 68, no montante de R$ 772.821,00 (setecentos e setenta e dois mil e oitocentos e vinte e um reais), consolidado em 03/06/2013. 3.2. Considerações gerais sobre os Planos de Participação nos Lucros e Resultados pagos aos empregados e diretores dos Bancos ABN Amro Real S.A. e Santander Brasil S.A. A fiscalização entendeu haver vícios nos instrumentos jurídicos de instituição dos Planos de PLR dos Bancos ABN Amro Real S.A. e Santander Brasil S.A. Dentre os vícios relatados durante a Auditoria constam ilegitimidade dos representantes da empresa, falta de participação de representante do sindicato, falta de registro do ato junto ao sindicato, falta de clareza na definição de metas entre outras que serão objeto de análise ao longo deste voto. 3.2.1. Plano Próprio de Participação nos resultados – PPR 3.2.1.1. Do Pagamento de PLR Realizado e Da Representatividade dos Signatários Nos itens 5.20 e 5.21 do Relatório Fiscal (fl. 377), é dada como um dos vícios de validade do Acordo de pagamento da PLR por suposta ausência de poderes dos signatários integrantes da comissão de representantes da empresa para firmálo. Eram signatários, à epoca, Fábio Colleti Barbosa, Lilian Maria F. Guimarães, Nalson Pasini, Pedro Paulo Longuini e Valério João Mugnol: "O preâmbulo do instrumento de negociação dispõe que a empresa será representada pelos signatários qualificados ao final do acordo, sendo estes Fabio Colleti Barbosa, Lílian Maria F. Guimarães, Nelson Pasini, Pedro Paulo Longuini e Valério João Mugnol. Entrementes, tais representantes legais não são qualificados ao final, encontrandose somente assinaturas ao final do acordo. Durante a auditoria não houve comprovação com qualquer documentação do poder de representação de tais pessoas na assinatura de um acordo para pagamento de PLR. Desta forma, vemos que não ficou comprovado o poder de representação dos integrantes da comissão de representantes da empresa na celebração do plano de concessão de PLR assinado em 2001." A decisão recorrida seguiu na mesma linha do entendimento adotado pela fiscalização, votando por conformar a existência de vício de representação no que se refere ao PPR ABN. O Recorrente reprisa os argumentos da impugnação, ressaltando que a comissão de representantes da empresa teria sido composta por pessoas com plenos poderes de representação para firmar o mencionado PPR do Grupo ABN AMRO. Cita como prova as Atas de Reunião do Conselho de Administração, do Banco ABN AMRO REAL S.A., realizada em 31/03/2000, tendo como objeto a eleição da Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.079 45 diretoria, com mandato até a Assembléia Geral Ordinária de 2003. Na referida ata, verificase claramente que Fábio Colletti Barbosa era Diretor Presidente, Nelson Pasini e Pedro Paulo Longuini Diretores Executivos à época dos fatos. A decisão recorrida fundamenta seu posicionamento no fato de não constar dos autos qualquer documento formalizando a indicação dos representantes da empresa, bem como não constar da ata de eleição de diretoria os nomes de Lílian Maria F. Guimarães e Valério João Mugnol, integrantes na comissão pela empresa. Neste ponto, não comungamos do mesmo entendimento adotado na decisão recorrida. Não há como sustentar tese de ausência de representatividade quando o principal decisor da empresa, em conjunto com os dois outros diretores, na forma disposta no Estatuto Social, firmam o acordo. A nosso ver, estes são legítimos e suficientes para validar o ato. O fato de dois outros membros estarem citados no acordo, não altera tal condição. Ainda, não há como impor requisitos de validade para além daquilo que consta em Lei. É preciso observar que o Art. 2º da Lei 10.101/00 tem previsão de dois procedimentos para efetivação dos Planos de PLR. O que estamos analisando neste momento, referente ao caso concreto, foi constituído com base no inciso I do referido artigo. Tratase de procedimento integralmente regido pela Lei nº 10.101/00, sendo uma alternativa menos burocrática e ritualística, marcada pela informalidade, havendo apenas que se atender a requisitos mínimos como a formação de comissão paritária, com participação de representante do sindicato da categoria profissional e arquivamento do ato junto ao sindicato. Não cabe ao fisco impor requisitos que a lei não atribuiu, a fase prévia à formalização do Acordo não está regrada, não se exige por parte da empresa que adote prática de comunicação formal, deliberação ritualística quanto à indicação dos nomes que a representarão. Assim, dado o exposto, voto por reconhecer a adequada representatividade da empresa no que concerne à formalização do instrumento em questão. 3.2.1.2. Da Participação da Entidade Sindical O RF, no ponto 5.25 e seguintes, atenta que não houve participação de entidade sindical nas fases pré e pós dos acordos e planos relativos à PLR. Confirase: "5.25 No caso em apreço, não obstante haver uma assinatura genérica (sem qualificação) em nome do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, não houve, durante a ação fiscal, a comprovação do registro e arquivamento do acordo na entidade sindical da categoria. 5.26 Logo, não houve durante a auditoria a comprovação cabal de que a negociação teve o acompanhamento de um representante sindical, ainda mais devido ao fato do acordo não estar devidamente registrado e arquivado no sindicato, o que lhe retira a possibilidade de adequação à legislação específica." Fl. 2101DF CARF MF 46 A decisão em testilha ratificou o entendimento esposado no Relatório, quanto à ausência de participação da entidade, uma vez que não teria sido o Banco exitoso em trazer aos autos qualquer documento que formalizando a indicação Sindical. O banco recorrente demonstra, às fls. 1.765, da mesma forma como lançado em sua Impugnação, que o PPR ABN teria sido devidamente registrado no Sindicado dos Bancários de São Paulo, conforme o carimbo no plano. Assim, alinhado ao que já havia sustentado na impugnação, ressalta que apesar assinatura ser genérica, o PPR ABN foi registrado no Sindicato dos Bancários de São Paulo, em 03/09/2001, conforme comprova o carimbo aposto no aludido plano próprio, que, segundo ela, faz prova do depósito do PPR ABN junto àquele Sindicato. Defende que houve a participação do representante do Sindicato na negociação de seus termos, conforme atesta sua assinatura nesse acordo. Verificase que no referido documento, de fato, há uma assinatura sobre o nome do sindicato, porém, sem qualquer qualificação ou identificação daquele que assina. Ao mesmo tempo constam de todas as folhas carimbo indicado o depósito do ajuste nos arquivos da entidade sindical referida. É preciso observar que impera em nosso ordenamento jurídico o princípio da boa fé objetiva. Conforme leciona Sílvio de Salvo Venosa, o Código Civil em vigor trata do tema de maneira expressa nos artigos 113, 187 e 422. O artigo 113 impõe, frente aos negócios jurídicos, a adoção de postura interpretativa condizente com o citado princípio: “os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé e os usos do lugar de sua celebração”. O Art. 187, exige daquele que é titular de um direito, que tenha limites atribuídos pela boa fé: “também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes.” Por fim, o artigo 422 exige que “os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boafé.” Como se pode perceber, a boa fé é mais que uma recomendação, é condição inicial de qualquer avaliação jurídica em nosso ordenamento. Voltando ao caso, ao afirmar que não haveria participação do sindicato no referido acordo, a conclusão lógica a que se chega é que estaria o fiscal inferido a ocorrência de uma fraude, pois, se consta do documento o nome do sindicato e a uma assinatura, em prestígio a boa fé, não haveria como se chegar a tal conclusão. Nesse sentido, caberia ao Agente Fiscal provar a ocorrência de fraude. Bastaria uma simples comunicação direcionada ao sindicato com pedidos de informações a respeito da referida assinatura para confirmar ou infirmar sua autenticidade. Outrossim, apesar da falta de clareza quanto a identificação do representante do sindicato, o documento foi arquivado na entidade, o que reforça a veracidade da assinatura aposta em representação do mesmo. Ante ao exposto, reconheço a participação do sindicato no referido processo negocial coletivo, estando atendido tal requisito legal de validade do PPR. Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.080 47 3.2.1.3. Das Regras Clareza e Objetividade. Quanto a esse ponto o Relatório Fiscal assenta: que não há presença nem de regras substantivas, nem de regras adjetivas; não são fixadas as metas a serem atingidas para que haja conhecimento prévio por parte dos funcionários do esforço necessário para o recebimento da PLR; não é descrito o processo de avaliação e nem são apresentados os formulários que embasarão tal processo, sendo apenas citada a existência de metas pré estabelecidas para esta área, bem como de uma avaliação quantitativa e qualitativa de desempenho dos empregados, sem que nenhum desses dois integre o acordo firmado; e, que não é possível identificar o valor que deveria ser pago aos empregados a título de PLR, caso as metas e objetivos fossem atingidos. Tal posicionamento foi acompanhado pela DRJ em sua decisão. Registra o Recorrente, às fls. 1.768, que, além de uma cartilha explicativa e várias comunicações internas (a partir de fls. 901), também disponibilizou ferramenta SMART e Sistemas de resultados. Justamente tais documentos revelam que existe clareza e objetividade quanto a "fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". Tais anexos, conforme consta do próprio acordo, integram o documento base e, portanto, não poderia o fiscal deixar de juntálos aos autos. É, justamente, nestes documentos que estão contidos os detalhamentos da forma de avaliação quantitativa e qualitativa individual, por área e por área superior, unidades de pontuação e avaliadores conforme área, os formulários e meios pelos quais os empregados podem tomar conhecimento da situação individual e coletiva para recebimento da PLR, meios de acesso as informações e glossário de termos aplicáveis. O Recorrente foi além, disponibilizou aos empregados ferramentas digitais e online que permitem tanto a realização das avaliações quanto a aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo. Constam ainda dos autos, cópia de uma série de formulários que demonstram ter o Recorrente não apenas regras claras e objetivas de avaliação como efetivamente as aplica, mede e registra, possuindo amplo controle de desempenho individual e coletivo, não havendo qualquer base para negar tal realidade no que se refere ao PPR ABN. O agente fiscal não se preocupou em verificar se o estabelecido nos acordos estava efetivamente sendo atendido. Se a avaliação era aplicada e como o era. Se assim tivesse procedido, teria percebido que qualquer funcionário tem plena possibilidade de tomar conhecimento de seus direitos substantivos de participação e das regras adjetivas. Vale reprisar o que dispõe a Lei 10.101/00: Fl. 2103DF CARF MF 48 "Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente." A Lei não apresenta um rol numerus clausus de critérios de avaliação e nem poderia, pois cada empresa tem sua realidade, sazonalidade, produtividade e cultura. No caso do Recorrente, há ainda uma diversidade de áreas com lógicas operacionais das mais variadas. Portanto, não se poderia esperar de um negócios deste porte, critérios únicos e metas estáticas estéticas. O que se espera é que as regras sejam claras e objetivas e que os direitos sejam postos de modo que se permita amplo conhecimento e capacidade de medição pelas partes, o que está presente no referido acordo. Quanto as resultados, no caso das agências, o acordo e seus anexos indicam que o resultado individual corresponde a 50% e os resultados da área e área superior 25% cada. Para os demais cargos, apenas os de área e área superior são considerados. O processo de definição de metas segue um sistema de gestão internacionalmente reconhecido, o método SMART. No que tange a metas, essa metodologia tem sido aplicada e indicada como uma das mais simples ferramenta para criar metas, pois é uma espécie de check list, por meio do qual é possível verificar se cada uma das metas tem uma das seguintes premissas atendidas: A meta é especifica? O S corresponde a specific ou específica. Quer dizer que sua meta obrigatoriamente tem que ter especificidade naquilo que se quer atingir, com números e dados. No presente caso, se tomarmos como exemplo os documentos de fls. 919, por exemplo, podemos verificar que, no exercício de 2007, a Gerência de Marketing de Relacionamento, possuía metas como aumentar em 10% a base de correntistas na época composta de 3.380,00 mil, dos quais 520,4 mil eram preferenciais, 504,3 mil Exclusivos, 984,7 mil clássicos e 1.370,7 mil massivos. Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.081 49 Ao nosso ver, são metas bem específicas, sendo inquestionável tal ponto, até porque, o Recorrente apresenta vários exemplos como esses. As metas devem ser mensuráveis, o M vem de measurable ou mensurável. Isso quer dizer que, para toda meta escrita, é preciso determinar o indicador pelo qual iremos verificar sua evolução todos os meses e também a fonte oficial de medição deste indicador, o que se pode obter pelo sistema disponibilizado pelo banco a seus funcionários, conforme consta dos documentos anexados a impugnação. Os indicadores são bem objetivos conforme demonstrado no exemplo anterior. A meta precisa ser atingível, o A corresponde a achievable ou attainable. Ainda no exemplo em questão, um aumento de 10% na carteira de um banco que estava passando por um processo de incorporação parece algo bem razoável. A meta ainda precisa ser relevante para a empresa, o R vem de relevant. Mais uma vez, uma aumento da carteira de clientes é o que de mais relevante se pode ter para uma instituição financeira. O T vem de time e indica que estas metas precisam ter prazo definido, o que está posto também no mesmo formulários e nas cartilhas, sendo de 12 meses ou semestrais conforme a área. Assim, considerando que estamos diante de uma empresa de grande porte, nos pareceria até temerária a adoção de metodologias de gestão de metas e pessoas que não estivessem de acordo com as boas práticas internacionais e a metodologia SMART é uma forma simples e acessível de gerenciar metas e pessoas que já foi bastante testado em estudos de liderança e gestão. Por todo o exposto, não há como comungar com as visões fiscais sobre este ponto, tão pouco com o exposto na decisão recorrida, assim sendo, voto por reconhecer a existência de regras claras e objetivas de avaliação, préestabelecidas e realizadas forma democrática, eis que os funcionários têm ampla participação em sua definição seja para área ou para as metas individuais, conforme restou comprovado pelos documentos anexados na impugnação. 3.3. Da Participação nos Lucros ou Resultados pelo Banco Santander 3.3.1. Da Formalização dos ACT’s O Relatório Fiscal, fazendo referências aos documentos comprobatórios anexados pela Fiscalização às fls. 133 a 176 contendo os acordos relativos aos exercícios de 2007, 2008, e 2009, indica que tais acordos foram assinados apenas em 27/12/2007, 02/02/2009 e 30/12/2008, e 30/12/2009, respectivamente, não sendo, por consequência, prévios, não servindo como incentivo à produtividade, nos termos do artigo 1º da Lei 10.101/01, uma vez que as regras aí estabelecidas não eram de conhecimento dos empregados previamente. Sustenta o Agente fiscal que até as datas de assinatura dos referidos acordos, os empregados não tinham conhecimento do que deveriam realizar para fazer jus ao recebimento da PLR, não sendo possível saber se haveria a manutenção das condições estabelecidas em acordos anteriores. Fl. 2105DF CARF MF 50 Em conseqüência deste fato, sustenta, os referidos acordos não foram prévios, ou seja, não foram elaborados antes do início dos períodos a que se referiam os lucros ou resultados, tendo sido assinados apenas no 4º trimestre dos respectivos anos, ou até no ano seguinte, contrariando o artigo 2º, “caput” e parágrafo 1º, inciso II da Lei n.º 10.101/00, que estabelecem a necessidade de negociação prévia entre empresa e empregados. A DRJ emitiu decisão alinhada ao entendimento fiscal, não dando provimento à impugnação. O Recorrente alega que os empregados tiveram prévio conhecimento das condições para o recebimento da PLR decorrente dos Acordos Coletivos de Trabalho do Programa de Participação nos Resultados (PPR), para os exercícios de 2008 e 2009, por se tratar apenas de renovação das disposições definidas em acordos próprios de anos anteriores. Analisando os documentos, em que pese faltarem algumas informações como Ata de Assembleia Geral autorizando a celebração do ACT, Ata de Assembleia especialmente convocada para aprovação do referido plano, prova de arquivamento do ato no MTE entre outros elementos essenciais a existência do ACT, considerando que o Agente Fiscal nada falou a respeito destes documentos, estamos assumindo que tais estão em ordem, passando a analisar o termo pelo que consta nos autos. A contenda gira em torno do momento da celebração e da anterioridade das regras. Analisando os instrumentos, verificamos que, apesar de sua celebração, de fato ter ocorrido no 3º trimestre, ocorreu apenas a renovação dos termos posto. Assim, não há que se falar em falta de prévio conhecimento quanto as regras estabelecidas, eis que estas não tiveram qualquer mudança. A questão da prorrogação de vigência de Acordos Coletivos de Trabalho já foi sumulada pelo TST, indicando que, enquanto não houver alteração de seus termos, esta permanece válida para todos os fins de direito, é o que se denomina princípio da ultratividade. "Súmula nº 277 do TST CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. EFICÁCIA. ULTRATIVIDADE As cláusulas normativas dos acordos coletivos ou convenções coletivas integram os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser modificados ou suprimidas mediante negociação coletiva de trabalho." Não tem o Recorrente direito de, em razão do vencimento da vigência do ACT, deixar de pagar a PLR. Para isto, deve haver uma revogação expressa do acordado. E isto não aconteceu no presente caso, ao contrário disso, as normas foram renovadas sob os mesmos termos. A PLR integra os contratos individuais de trabalho dos empregados do Recorrente, constam, inclusive, como atrativos para novos talentos e retenção dos que já integram o quadro, conforme de deduz dos documentos anexos a impugnação. A Constituição concede relevante prestígio e reconhecimento aos instrumentos coletivos (art. 7º XXVI) e, a doutrina majoritária mostrase convergente quanto a o entendimento de que o acordo e a convenção coletiva de trabalho, revestemse de natureza jurídica híbrida ou dualista, como tal possuem características de contrato porque decorrem da vontade de categorias econômicas e profissionais as quais assumem obrigações recíprocas Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.082 51 (cláusulas obrigacionais) e, também, como ato normativo, já que tem o condão de criar normas e condições que regerão as relações individuais e coletivas de trabalho no âmbito de representação sindical das categorias profissionais e econômicas envolvidas. Sendo norma, não havendo revogação expressa, os funcionários, ainda que não ocorra a renovação dos termos coletivos relativas a PLR, têm conhecimento das normas coletivas vigentes, eis que, como demonstra o Recorrente, se repetiram por anos a fio, portanto, não havendo que se falar em ausência de prévio conhecimento quanto aquilo que consta em instrumento normativo que por anos repete os mesmos termos. Com isso ponderado, não merece prosperar a tese fiscal, razão pela qual, neste ponto voto por dar provimento ao Recurso. 3.3.2 Da Existência de Regras Claras e Objetivas Neste ponto, o relatório fiscal destaca as mesmas questões que tratadas no item 4.3.1.3. deste voto. Apesar de estarmos tratando de empresas diferentes e até mesmo procedimentos de pactuação dos Planos de PLR, diversos, quanto ao conteudo, seguem o mesmo padrão, com pequenas variações que não alteram sua estrutura, até mesmo porque, as empresas já operavam com certo alinhamento institucional neste período. E quanto ao caso, mais uma vez reprisamos nosso entendimento, sob os mesmos argumentos ja abordados no item anterior. Para nos as regras são claras, objetivas se sua aplicação está perfeitamente demonstrada nos autos. Desse modo, também quanto a este item, voto por dar provimento ao recurso. 3.4. Dos Planos Específicos – PEX e PPG. A fiscalização questiona a validade do “Programa Executivos” (PEX) e do Programa Próprio de Gestão (PPG), dada a ausência de assinaturas, qualificação ou data de celebração, não sendo possível comprovar sua celebração. Registra que não há provas da participação de um representante do sindicato na fase de tratativas, não tendo regras claras e objetivas quanto a definição de metas e critérios de avaliação. De inicio é preciso registrar que o “Programa Executivos” (PEX) e o "Programa Próprio de Gestão (PPG), são mencionado no Parágrafo Único da Cláusula Sexta do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Programa da Participação nos Resultados (PPR) referente ao exercício de 2007, firmado em 27/12/2007, e no Parágrafo Único da Cláusula Sexta dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) do Programa da Participação nos Resultados (PPR) referentes ao exercício de 2008, firmados em 30/12/2008 e 02/02/2009 e também no ACT do Biênio 2009/2010. "CLÁUSULA SEXTA: PROGRAMAS ESPECÍFICOS MANTIDOS PELOS ACORDANTES (...) PARÁGRAFO ÚNICO As participações nos lucros ou resultados dos trabalhadores ocupantes dos cargos executivos, como tais compreendidos os administradores e os demais cargos diretivos, de gerência e de supervisão ou assessores, integram o Fl. 2107DF CARF MF 52 presente acordo e obedecerão às regras e valores fixados pela diretoria com base no respectivo cargo ou função, no PEX, Programa Executivos. CLÁUSULA SEXTA: PROGRAMAS ESPECÍFICOS MANTIDOS PELOS ACORDANTES (...) PARÁGRAFO ÚNICO Integra, também, o presente Acordo Coletivo de Trabalho, o PPG – Programa Próprio Gestão, destinado às áreas institucionais..." Em realidade, tal programa representa um anexo aos referidos termos e, como tal, certamente não necessitaria de qualificação, data de celebração, prova de participação do sindicato, pois tais questões são inerentes ao documento principal. Outrossim, os Acordos Coletivos de Trabalho tem por características a publicidade e se havia dúvidas quanto a sua estruturação deveria o Agente Fiscal ter diligenciado junto ao MTE para obtenção de informações quanto a composição e validade do documento. A busca de informações em registros públicos é dever da Administração como um todo e isso inclui a Administração Tributária. Tais pressupostos de atuação sempre estiveram presentes em nosso ordenamento jurídico, porém de modo esparso, tendo tornadose uma diretriz consolidada no ano de 2017 com base no Decreto nº 9.094/17, que em seu Art. 1º dispõe: "Art. 1º Os órgãos e as entidades do Poder Executivo federal observarão as seguintes diretrizes nas relações entre si e com os usuários dos serviços públicos: I presunção de boafé; II compartilhamento de informações, nos termos da lei; III atuação integrada e sistêmica na expedição de atestados, certidões e documentos comprobatórios de regularidade; IV racionalização de métodos e procedimentos de controle; V eliminação de formalidades e exigências cujo custo econômico ou social seja superior ao risco envolvido; VI aplicação de soluções tecnológicas que visem a simplificar processos e procedimentos de atendimento aos usuários dos serviços públicos e a propiciar melhores condições para o compartilhamento das informações; VII utilização de linguagem clara, que evite o uso de siglas, jargões e estrangeirismos; e VIII articulação com os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e os outros Poderes para a integração, racionalização, disponibilização e simplificação de serviços públicos. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.083 53 Parágrafo único. Usuários dos serviços públicos são as pessoas físicas e jurídicas, de direito público ou privado, diretamente atendidas por serviço público." De certo, não estamos defendendo a imposição do decreto ao presente caso, em que pese, na visão deste Relator, tais indicações apenas consolidarem aquilo que já constava de nosso ordenamento jurídico em uma serie de leis esparsas. Tomando em específico o princípio da boa fé objetiva, que rege o Direito Brasileiro de modo mais explícito desde 2002, uma vez que o Recorrente apresentou documento em que há clara remissão ao PPG e PEX como partes integrantes para desqualificação dos mesmos, deveria o Agente Fiscal ter diligenciado junto ao MTE ou Sindicatos para obtenção de prova de que tais documentos não integravam o Acordo Coletivo ou não condiziam com aquilo que foi celebrado. As informações quanto aos acordos coletivos de trabalho são públicas e estão em arquivos federais, conforme dispõe a CLT, bastaria remeter uma simples comunicação ao Ministério do Trabalho e Emprego ou a qualquer das entidades sindicais solicitando informações detalhadas quanto a celebração de tais acordos para provar de validade ou invalidade dos referidos documentos. Mas, preferiu o fiscal desqualificar aquilo que foi apresentado pelo contribuinte com base em inferências que vão contra a boa fé objetiva. Por todo exposto, voto no sentido considerar válidos o PEX e PPG na condição de partes integrantes do ACT Santander. 3.5. Dos Problemas Gerais Quanto aos Pagamentos Baseados nos Planos Próprios e na CCT 2008/2009. 3.5.1. Da questão da observância da periodicidade estabelecida na Lei n.° 10.101/00 O relatório fiscal a partir do item 5.89, relata a existência de uma série de pagamentos em periodicidade inferior a definida no Art. 3º da Lei nº 10.101/00. Segundo os levantamentos realizados por amostragem, ocorrem, pelo menos 03 pagamentos a cada exercício, tanto no Banco Real quanto no Santander (item 5.91 do RF, fls. 398). O recorrente alega ter que teria cumprido com os requisitos da Lei n.° 10.101/00 referentes à periodicidade dos pagamentos de PLR, citando inclusive alguns segurados como prova de que não haveria pagamentos superiores a 2 parcelas. Aduz que os pagamentos efetuados até 02/2009 compõem uma única parcela, calculada de acordo com a CCT 2008 e ACT 2008, sendo que as rubricas autuadas neste período devem ser aglutinadas e por consequência, só havendo um pagamento de PLR e PPR no 1º semestre de 2009, por exemplo. Sustenta que a interpretação da norma em questão não deve ser literal, mas teleológica, buscandose a sua finalidade. Sustenta ainda que os pagamentos em questão são ajustes de parcelas a menor pagas ou de pagamentos adicionais definidos em acordo, mas não representam parcelas extraordinárias, novas parcelas, no computo global são os exatos valores a que seus funcionários teriam direito, mas que por questões de caixa ou outras foram pagas em mais parcelas. Fl. 2109DF CARF MF 54 Indica o fato de realizar apenas duas avaliações anuais para dar base ao calculo da PLR sendo esta uma prova de que não há pagamentos em desacordo com a legislação, mas apenas ajustes, correções nos referentes a fluxos de pagamentos. Quanto a tema, registramos nosso entendimento de que a lei definiu a necessidade de apuração semestral dos resultados e um máximo de 2 pagamentos a cada exercício. Tal definição pretendeu desvincular, de forma inequívoca, a PLR da renda do empregado, evitar que tal beneficio venha a ser tratado como algo complementar ao salário e ganhe características de habitualidade. Lei 10.101/00: "Art.3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) (Produção de efeito) §3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4º A periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. (...) Quanto a possibilidade de efetuar ajustes de pagamentos realizados a menor, seja por ato de revisão ou determinação sindical, tal questão é plenamente possível, mas, necessita de prova quanto a ser, de fato, essa a presente situação, o que não vemos presente no caso. Outrossim, mesmo nesses casos, o ideal é aguardar o segundo momento legalmente previsto para o pagamento de PLR e efetuar os ajustes. Realizar ajustes fora destes períodos, impõe a necessidade de uma conduta diligente e orientada a plena evidenciação de tratase de complementação paga em razão de erro e não de um novo pagamento, o que já seria uma atuação excepcionalíssima. Por outro lado, já é posicionamento assentado na jurisprudência do CARF a impossibilidade de desqualificação da totalidade dos pagamentos, sendo desqualificáveis apenas aqueles realizados em periodicidade acrônica. Nesse sentido: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.084 55 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00.REQUISITOS.CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. PLR. PERIODICIDADE. PAGAMENTOS EM DUAS PARCELAS NO MESMO SEMESTRE. DESRESPEITO AO LIMITE ANUAL. IMPOSSIBILIDADE. A redação do § 2.° do art. 3.° da Lei n.° 10.101/2000 vigente na data dos fatos geradores vedava o pagamento da PLR em duas vezes no mesmo semestre. PLR. ACORDO FIRMADO NA MATRIZ. EXTENSÃO PARA EMPREGADOS QUE PRESTAM SERVIÇO FORA DA ÁREA DE ABRANGÊNCIA DO SINDICATO. POSSIBILIDADE. Não altera a natureza da PLR o fato de haver extensão de acordos firmados com o sindicato da base territorial da matriz para empregados que prestam serviços em localidades diversas. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. Até o advento da Lei nº 12.513/11, os valores pagos a título de auxílio educação não integram o salário de contribuição posto que não integrantes da remuneração do segurado empregado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96." Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. PERIODICIDADE SEMESTRAL. É vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. O pagamento fora dos limites temporais dá natureza de complementação salarial à totalidade da verba paga a título de participação nos lucros ou resultados. No caso, restou comprovado descumprimento do critério da periodicidade para alguns dos empregados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, cabível a aplicação retroativa do art. Fl. 2111DF CARF MF 56 35A da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que se trata, neste dispositivo, de penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Por todo exposto, neste ponto, voto por dar parcial provimento ao recurso. 3.5.2. Da Questão da Discrepância Entre os Valores Pagos a Diferentes Empregados A partir do 5.94 o I. Agente Fiscal inicia uma avaliação quanto a questão da existência de discrepância de valores pagos a diferentes empregados. Indica que o pagamento da PLR em alguns casos chega a exceder o valor do salário anual de alguns empregados, e registra o fato de ser constatada uma grande diferença entre os valores recebidos a título de PLR, tal como foi informado no Relatório Fiscal, apenas com o intuito de evidenciar a questão da substituição da remuneração e do não atendimento ao objetivo de incentivo à produtividade, previsto na Lei n.º 10.101/2000. Sustenta que: "5.95 No caso dos acordos ora questionados foram apontados, por amostragem, nos dois CNPJ, nos demonstrativos Salário Anual x PLR 2008/2009, dados através dos quais é possível notar a existência de diferentes “castas” de empregados no que tange ao recebimento da PLR devido a uma grande diferença de valores recebidos. (...) 5.100 Observase que a empresa remunerou parte de seus funcionários em valores altíssimos na forma de PLR, apesar de já termos visto que essa participação não deve substituir ou complementar a remuneração dos empregados. 5.101 ... quando a suposta Participação nos Lucros ou Resultados paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de parcela salarial.5.102. ... Um pagamento dispare como esse pode ter por fim de integração entre o capital e o trabalho e incentivo à produtividade? .... (...)" A DRJ em sua decisão adotou a tese fiscal entendendo que o lançamento, neste ponto não merece reforma. O recorrente alega que a Lei 10.101/00 não estabelece qualquer obrigatoriedade de pagamentos idênticos aos funcionários, o que seria até ilógico já que o cálculo é balizado por metas que podem ou não ser alcançadas por determinado funcionário e que as diferenças de valores pagos a titulo de PLR decorre do atendimento ao que foi acordado entre as partes. Quanto ao valor ser superior ao salário cita Sergio Pinto Partins, que faz uma digressão quanto a adequação de tal proceder e seu alinhamento às práticas mundiais em um mundo globalizado. Avaliando a questão, de fato não há qualquer norma legal que fundamente a tese fiscal quanto a ilicitude de atribuição de pagamentos de PLR e PPR em valores deferentes para o conjunto de empregados. Ao contrário, a intenção da lei é premiar a produtividade, logo, aquele que não produz ou que tem uma atividade de menor relevância para a empresa, Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.085 57 naturalmente, receberá menos participação do que outros que produzem e possuem atividade estratégica para o negócio. Os pagamentos estão alinhados ao que foi acordado e as diferenças se dão por metas e resultados atingidos em super áreas, áreas e individualmente sendo o resultado de cada setor atribuído de acordo com sua ordem de grandeza e seguindo a lógica da Lei. É natural que alguns setores tenham resultados extremamente superiores a outros. Lembrando que não estamos falando de um único negócio, mas, em ambas as empresas, os planos fazem referência a um leque de operações com resultados dos mais variados, agências, ações, previdência, financiamentos, seguros etc. Quanto ao valor ser superior ao salário, mais uma vez, equivocamse o I. Agente Fiscal e a DRJ, pois a lei nada estabeleceu quanto a este ponto. E, em realidade, se consideraremos os valores envolvidos, seriam os salários que ingressariam em uma condição de complementaridade. A Lei nº 10.101/00 não pode ser interpretada da forma que pretende o I. Agente Fiscal ou estaríamos limitando as possibilidade de acesso dos empregados ao resultados. Estes, na visão do Fisco, teriam por limite o salário dos empregados, o que é um inadequado dadas as finalidades de distribuição de renda e de incentivo a produtividade que permeiam esta lei. Observese, nesse ponto, o que já decidido por este e. Conselho: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/201 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE PLANOS DIFERENCIADOS ENTRE OS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. A discrepância de valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados, em função do cargo do trabalhador e da área que atua é motivo insuficiente para desqualificar a natureza dos pagamentos realizados. Segundo a lei de regência, não há óbice que se estabeleçam metas e critérios diferenciados segundo a faixa salarial do empregado, considerando o cargo ocupado ou a função desempenhada pelo trabalhador, valorizandose, desse modo, o papel do colaborador na empresa. (...) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS EM VALORES DESPROPORCIONAIS ENTRE OS EMPREGADOS DA EMPRESA. PAGAMENTO EM MONTANTE SUPERIOR AO SALÁRIO ANUAL. A Lei nº 10.101, de 2000, não contemplou a necessidade de pagamentos equânimes entre todos os funcionários da empresa, para fins de gozo do benefício fiscal, tampouco determinou um valor máximo a ser pago a título de Participação nos Lucros ou Resultados. O pagamento da participação em valor superior ao salário anual do trabalhador só ganha relevância, para fins tributários, na hipótese de demonstração pela fiscalização da sua utilização como substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado, ou quando em Fl. 2113DF CARF MF 58 desacordo com as próprias regras estabelecidas pelo Programa de Participação nos Lucros ou Resultados.(...)"(Acórdão nº 2401004.797, Processo nº 16327.721316/201319) Ante ao exposto, entendo que a tese fiscal carece de fundamentação legal, decorrendo de uma construção hermenêutica que contraria o espírito e finalidades dos institutos da PLR e PPR. Assim, voto por dar provimento ao recurso neste ponto. 6. Pagamentos a título de "Hiring Bonus" No item 6 do Relatório Fiscal o I. Agente apresenta manifestação quanto a natureza jurídica do "Hiring Bonus" como espécie remuneratória integrante do conceito de salariodecontribuição. Segundo sua tese, o §9º do Art. 28 da Lei 8.212/91 não trata de bonificações e pagamentos em ações. Segue indicando o método de interpretação adequado ao caso (CTN Art. 175, I e II). Quanto às questões de fato, limitase a informar que foram pagos pelo Santander, a titulo de "(a) 'hiring bonus' (código 765) a segurados empregados, durante os exercicios de 2008 e 2009. (b) 'Bonificação Extraordinária 166' (código 1150) a segurados empregados, durante o exercicio de 2008, e (c) 'Bonificação Extraordinária 106 Est' (código 1155) a segurados contribuintes individuais (diretores não empregados), dirante o exercício de 2008." Tendo em conta o fato de que "os valores referentes a essas verbas não foram informados na GFIP e sobre elas não foram recolhidas as respectivas Contribuições Previdenciárias, caracterizandose assim o descumprimento da legislação vigente". Com fundamento em sua contrução teórica, efetuou lançamento tomando tais verbas como abrangidas pelo conceito de saláriodecontribuição. A DRJ adotou o entendimento fiscal em sua decisão. Inicialmente, cabe um sumaríssimo esclarecimento quanto à finalidade de tal verba. Originária dos mercados de trabalho dos Estado Unidos e Canadá, o "Hiring Bonus" ou "bônus de contratação" consiste no pagamento de determinada verba, acordado entre a empresa e determinado profissional, visando sua efetiva contratação. O pagamento deve acontecer antes do início da prestação de serviços sendo utilizado como instrumento para atração e retenção de profissionais altamente qualificados através da cobertura de eventuais vantagens do antigo emprego. Quando realizado de modo adequado, dada a sua excepcionalidade (não habilitalidade) e desvinculação relativa a salário, tal verba não seria alcançada pela incidência de obrigações trabalhistas e previdenciárias, nos termos do §9º do artigo 28 da lei 8.212/91 e a alínea j, §9º, inciso IV do Artigo 214 do Decreto 3.048/99 que elencam, de forma expressa, todas as verbas que estão excluídas da base de cálculo da incidência da contribuição previdenciária, havendo previsão de não incidência quanto ao pagamento de gratificação eventual. O ponto de lide, no presente caso, não está posto em relação a questões fáticas referentes ao pagamento do bônus de contratação. A lide consiste em discussão quanto a natureza juridica do referido bônus, se saláriodecontribuição ou não. A Lei nº 8.212/91 exclui, expressamente, do âmbito do conceito de salariode contribuição: Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.086 59 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Com efeito, regra geral, os pagamentos a título de bônus de contratação e extraordinários estão descritos no dispositivo em questão. Entretanto, é necessário, ante ao caso concreto, verificar o atendimento a requisitos como pagamento desnviculado do salário, sem habitualidade, não condicionado a metas ou prazo mínimo de permanência. Tais situações, se verificadas no caso concreto, acabam por vincular o pagamento ao trabalho, indiretamente ao salário e, por consequência, caracterizando a renda como saláriodecontribuição. Com efeito, o I. Agente Fiscal, no presente ponto, deixou de abordar as questões fáticas necessárias a sustentação de sua tese, limitadose aos aspectos conceituais e à indicação da ocorrência dos pagamentos, tão pouco, na fase de auditoria, juntou qualquer documento que permitisse aduzir que os pagmentos em questão estariam vinculados ao salário e ao trabalho, portanto desqualificando a sua condição de abono eventual. A DRJ, extrapolou suas competências tentanto emendar os fundamentos do lançamento, pois trata da questão de eventuais falhas no proceder dos pagamentos, verificadas a partir de documentos juntados pelo Recorrente. Entretanto, este não foi o fundamento fiscal para o lançamento. O Agente Fiscal não tomou eventuais vinculações a salário, metas ou prazos de permanência como fundamento para o lançamento, apenas entendeu que os pagamentos de abonos extraordinários, quaisquer que sejam, de modo amplo e irrestrito, integram o conceito de salário de contribuição. Decidir com base em fundamento diverso daquele exposto no Relatório Fiscal seria equivalente a refazer o lançamento, o que não é competencia dos orgãos de julgamento. O pagamento de "hiring bonus" e bonus extraordinário por si só não são passíveis de enquadramento no conceito de saláriodecontribuição, salvo se pagos de modo vinculado ao salário, com recorrência, condicionado a metas ou prazo mínimo de permanência, situações que nem mesmo foram mencionadas no Relátorio Fiscal. A natureza jurídica de tal bônus ainda não está consolidada em âmbito jurisprudencial, entretato, sua natureza indenizatória, no Carf, vem sendo objeto de algumas decisões recentes e nesse sentido citamos: ACÓRDÃO 2301003.392, CARF 2ª. Seção, Data Fl. 2115DF CARF MF 60 de publicação: 07/07/2014, ACÓRDÃO 2403002.938, CARF 2ª. Seção 4ª CAMARA / 3ª TURMA ORDINARIA, Data de publicação: 06/04/2015 e ACÓRDÃO 2301004.364, CARF 2ª. Seção 3ª CAMARA / 1ª TURMA ORDINARIA, Data de publicação: 14/04/2015. Por todo exposto, nos limites que fundamentariam o lançamento, não há como comungar da tese fiscal, razão pela qual dou provimento a recurso. 3.7. Rubrica Bonificação Extraordinária 106/106 Est – Stock Option Em seu apelo, reprisa o recorrente os argumentos lançados em sua peça de defesa, no que concerne à natureza do pagamento de Stock Option. Aduz não ter natureza salarial, “uma vez que os valores seriam decorrentes do resgate de ações, adquiridas em decorrência de planos de concessão de opção de compra de ações” (fls. 506 e reprisado ás fls. 1.807). Dessa forma, aponta, em apertada síntese, que “(i) a participação no programa é facultativa; (ii) a obtenção de ganhos prêmio da adesão ao programa não depende de prestação de serviços; (iii) o ganho auferido no programa decorre de mera expectativa de ganho futuro, baseado na flutuação do valor das ações no mercado de capitais; e (iv) o empregado assume os riscos de desvalorização das ações." Portanto, acena que a autuação merece ser cancelada, uma vez que a Bonificação em comento não se reveste de caráter salarial, ficando fora do alcance das Contribuições Previdenciárias. Prepondera que os ganhos são eventuais, já que não há garantias sobre se qualquer vantagem será auferida. A d. DRJ, no entanto, entendeu estarem presentes os preceitos (i) prestação de serviços; e (ii) remuneração, configurando, dessa forma, a incidência das Contribuições Previdenciárias, conforme ditado nos incisos, I e III da Lei nº 8.212/91. Uma vez que, em seu entendimento, tal bonificação acentuase a caráter salarial, devendo integrar o salário de contribuição (base de cálculo) da Contribuição. A d. PGFN, às fls. 2007 a 2012, coaduna o entendimento lançado pela DRJ. Para apreensão da noção conceitual deste instituto transcreveremos a manifestação da CVM Comissão de Valores Mobiliários formalizada através do Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007. Brasília, 14 fev. 2007, item 25.3: "Na configuração mais comum, a opção de ações dá ao empregado o direito de comprar um certo número de ações da companhia a um preço fixo por um certo número de anos. O preço pelo qual a opção é concedida é usualmente o preço de mercado na data em que as opções são concedidas. A lógica deste benefício é a expectativa que o preço das ações subirá e os empregados poderão comprála pelo exercício (compra) a um preço mais baixo que foi referenciado no momento da concessão e vendêlo pelo preço corrente do mercado, por exemplo." O conceito transcrito revela alguns elementos essenciais a descaracterização dos planos de Opção de Ações como uma espécie de remuneração, pois, representa uma operação de mercado sujeita a risco. Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.087 61 Recentemente este tema foi votado neste turma e uma vez que o voto do relator do Acórdão nº 2402005.823 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , até o momento, reflita a posição deste Conselheiro, vamos transcrever parte dos fundamentos do referido julgado: "Planos Stock Options De se ressaltar que, nos últimos anos, este Conselho vem tratando com certa frequência da tributação de planos stock options existindo diversos julgados acerca do tema, inclusive relacionados à própria recorrente, sobretudo com relação à incidência de contribuições previdenciárias e quanto à obrigatoriedade de retenção e recolhimento de IRFonte. Trecho do trabalho da professora Adriana Calvo, traz importantes esclarecimentos que permitem compreender melhor essa modalidade de benefício: 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema de remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa: “a outorga a um indivíduo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não Fl. 2117DF CARF MF 62 pode dispor imediatamente do valor potencial dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganha ganha” no ambiente de trabalho. Vale a pena ressaltar que o termo “remuneração” utilizado pela área de recursos humanos compreende todos os ganhos oferecidos aos empregados, contudo, na área jurídica trabalhista o seu sentido é muito diferente, podendo implicar em contingência trabalhista normalmente inesperada para a empresa. 2. O plano de opção de compra de ações Em primeiro lugar, é importante compreender o sistema de opção de compra de ações para se discutir a natureza jurídica deste instituto. O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. A opção pode ser comprada ou vendida (“call option ou put option”), ou pode ser outorgada por um indivíduo pela empresa (“employee stock option”) ou pode decorrer de um contrato de natureza mercantil (“call option or put option”). Há ainda diversos tipos de plano de opção de compra de ações originários do sistema americano, tais como: plano de ações fantasmas (“phantom stocks”), o plano de ações por desempenho (“performance stock”) e o fundo de ações (“equity pool”). O plano de ações fantasma é adotado por sociedades anônimas de capital fechado que não oferecem ações em bolsa ou por aquelas que não tem interesse em oferecer ações em bolsa. Neste sistema, é criada uma unidade de valor, corrigida por diferentes indicadores de crescimento da empresa. No plano de ações por desempenho (“performance stock”), a empresa oferece um lote de ações ligado a uma meta num certo período. Neste sistema, quando os objetivos corporativos são alcançados dentro do prazo fixado, os empregados recebem em dinheiro o equivalente ao número de ações. O fundo de ações (“equity pool”) é um fundo de cotas, sendo que os empregados são alocados com um número determinado de cotas que valorizam conforme o desempenho da empresa. Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.088 63 Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício preço pelo qual o empregado de carência regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor do mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. No ato da assinatura do plano de “stock option”, o empregado não possui automaticamente o direito de comprar ações da sua empregadora ou da controladora da sua empregadora. Na verdade, o empregado possui somente uma mera expectativa de direito, que só poderá se materializar em direito subjetivo após o final do prazo de carência fixado pelo plano. O plano de "stock option" nada mais representa que a concessão futura do direito de opção de compra de ações a determinados sujeitos de direito (empregados da companhia ou de suas subsidiárias), que adquirem o direito de exercer a compra de ações, mediante o pagamento de um preço prefixado. O ordenamento jurídico pátrio admite a possibilidade de outorga de opção de compra de ações a administradores, empregados e prestadores de serviços por meio do § 3º do art. 168 da Lei nº 6.404/1976 – Lei das S.A: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. [...] Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. O dispositivo em referência prevê os seguintes requisitos para implementação de citados planos: a) existência de capital autorizado; Fl. 2119DF CARF MF 64 b) a previsão expressa, nos estatutos da empresa, da possibilidade de concessão da opção de compra de ações a empregados; e c) que o plano de oferta de opção de compra de ações seja devidamente aprovado pela assembléia geral da sociedade. tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo Extraise das considerações contidas no texto acima transcrito e do art. 168 da Lei das S.A. que as Stock Options (opções de ações), espécies do gênero Stock Plans (plano de ações), tratam se de concessões feitas pelas sociedades anônimas de capital aberto aos seus empregados, administradores ou prestadores de serviços, de oportunidades para exercer o direito de comprar e vender suas ações ou ações de empresas do mesmo grupo econômico, dentro do limite do capital autorizado. Referido direito é consubstanciado por ‘Plano de Opções de Ações’, devidamente autorizado pela Assembléia Geral da Companhia, do qual consta, em regra, a carência que deverá ser respeitada para o exercício do direito de comprar as ações (vesting), o valor de emissão das ações para compra (valuation) e o prazo máximo em que poderá ser realizado o exercício (expiration). Em outros termos, stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (administrador, empregado ou prestador de serviço), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço prefixado, concedida pela empresa aos seus colaboradores, garantindolhes a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica valorização das ações no mercado), não tendo, em sua concepção original, caráter salarial. Tratase de incentivo ao trabalhador após um período pré determinado ao longo do curso da prestação de serviços desde que respeitada a natureza do plano. Desse modo, entendo que não se pode partir da premissa de que todo ou qualquer plano stock options tem natureza salarial. No mesmo sentido, também não há como afirmar que ao se atribuir a nomenclatura “stock options” a determinada vantagem oferecida a colaboradores de uma companhia se está diante de plano de caráter meramente mercantil. O simples fato de uma empresa ofertar aos seus trabalhadores um plano de outorga de opção pela compra de ações de forma onerosa não pode ser fundamentação isolada para determinar lhe natureza remuneratória. Dessa forma, mesmo que um contrato de concessão de opção por ações possa ter decorrido da prestação de serviços, tratase, em sua origem conceitual, em regra, de típico contrato mercantil, notadamente quando envolva riscos desde a sua concepção, submetendo o trabalhador à volatilidade inerente ao mercado. Por outro lado, o estudo apresentado até aqui teve por escopo a discussão de aspectos doutrinários dos stock options plan. Contudo, a análise acerca da natureza dos planos de opção oferecidos pela recorrente, se mercantil ou remuneratório, deve levar em conta não somente, e de forma genérica, aspectos Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.089 65 conceituais, mas especialmente, se o pagamento feito pela recorrente encontrase em perfeita consonância com a concepção original descrita acima, o que afastaria, conforme argumentado no recurso voluntário, sua natureza remuneratória." Postos os aspectos conceituais e a posição que vem prevalecendo nesta turma até o momento, percebese que as questão probatória é essencial a verificação de um eventual desvio de finalidade quanto a Planos de SOP (Stock Option). No presente caso, o relatório fiscal, parte fundamental da estrutura probatória, no item 06 é extremamente superficial na descrição dos fatos que fundamentam a classificação dos pagamentos realizados a título de SOP sejam desclassificados como operação de mercado e tidos por remuneração. Dos itens 6.1 a 6.13 apenas se limita a uma exposição teoria a respeito do conceito de remuneração e do âmbito de incidência das contribuições previdenciárias, sendo seus únicos fundamentos a tese de que qualquer pagamento realizado em razão do trabalho, seja salário ou não, é remuneração e por conseqüência base de calculo da contribuição ora combatida. Relativamente ao caso concreto, dedicou apenas os itens 6.14 e 6.15 limitandose a informar que fora realizados pagamentos a titulo de H. Bônus e SOP, não tendo o Recorrente declarado tais valores em GFIP e tão pouco recolhido os tributos supostamente incidentes. Não houve qualquer abordagem dos instrumentos de instituição, dos termos em que as opções foram concedidas tão pouco a demonstração de ausência de assunção de risco no caso concreto, não restando provado que o presente plano de SOP desviouse de sua finalidade perdendo o caráter de operação de mercado. O Decreto nº 70.235/72 é claro ao determinar que os lançamento devem conter a descrição do fato, o que não é o caso aqui, eis que não se trata de mera identificação de um fato incontroverso tido por tributável, mas sim da desqualificação de uma operação de mercado para tratála como sendo uma remuneração paga como contraprestação laboral. De modo que não restaram devidamente demonstradas as razões fáticas que levaram ao presente lançamento, mas apenas uma aposição de normas legais sobre remuneração e base de calculo da contribuição previdenciária e a mera constatação de que houveram pagamentos a titulo de SOP não declarados em GFIP. O Relatório Fiscal compõe o lançamento, é elemento de prova essencial a verificação do fato e uma vez não demonstrado o fato que geraria a desqualificação dos valores pagos em razão da SOP, haveria nulidade material do presente lançamento. O Recorrente, ao contrário, demonstrou que o Planos de S.OP. objeto da contenda representam, de fato, uma operação de mercado acessada em razão de uma relação de trabalho, porem não integralmente vinculada a esta relação. O risco está claramente demonstrado nos referidos termos, conforme item 1 que trata do objeto e 10.6 que versa exatamente sobre a extinção dos acordos de opção em caso de obtenção de resultados abaixo do ajustado. Fl. 2121DF CARF MF 66 Por fim, o item 10.2 do instrumento de instituição da Stock Option deixa claro que, apesar do acesso demandar a preexistência de uma relação de trabalho, não está vinculado a tal, eis que o direito e as condições relativas a opção perduram mesmo em caso de rompimento do contrato de trabalho por culpa do empregador. Ainda que sejam argumentos relativamente frágeis, o auto de infração foi ainda mais falho e deficiente ao não tratar da desqualificação dos instrumento, pois, citar lei e afirmar que houve pagamento, não equivale a retratar o fato e demonstrar eventual desvirtuamento dos Planos de Stock Option. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso neste ponto. 3.8. Das penalidades. 3.8.1. Das Multas sobre os débitos relacionados ao BANCO ABN – Lançamento posterior à incorporação. No presente ponto a lide está centrada na discussão de limitação de responsabilidade da sociedade incorporadora frente as infrações cometidas pela incorporada, tendo em vista que o lançamento foi posterior a incorporação. Para o Recorrente, sua responsabilidade está limitada aos débitos do ABN Amro Real no que concerne as obrigações principais, não tendo qualquer responsabilidade quanto as infrações praticadas pela pessoa jurídica sucedida por incorporação em 2009, eis que o lançamento ocorreu somente em 2013. Quanto a este tema, o recurso não merece acolhimento. As normas jurídicas que tratam da sucessão, para fins tributários, são clara ao indicar que o sucessor passa a ser responsável pelas obrigações tributárias e não somente pelos tributos. Em que pese já ter sido ponto abordado na decisão recorrida, vale reprisar as disposições do CTN a esse respeito: "TÍTULO II Obrigação Tributária CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária [...] Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.090 67 SEÇÃO II Responsabilidade dos Sucessores Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. [...] Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas." Quanto a este ponto foi acertada a decisão da DRJ pois "a responsabilidade solidária definida na Seção II (Responsabilidade dos Sucessores) do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do CTN, por força do disposto no art. 129, é aplicada aos sucessores frente à totalidade dos créditos decorrentes de obrigações tributárias surgidas até a data em que se deu a sucessão" Desse modo, irrelevante o fato do lançamento ter ocorrido posteriormente a incorporação, já que na incorporação a incorporadora recebe a universalidade dos direitos e obrigações da empresa incorporada, e isto inclui as obrigações tributárias, principais e acessórias ainda que não lançadas. Nesse sentido é bem esclarecedor o julgado apresentado pela DRJ para fundamentar sua decisão: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. Fl. 2123DF CARF MF 68 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (RESP – Recurso Especial 959389; Superior Tribunal de Justiça; Segunda Turma; Relator Castro Meira; DJE de 21/05/2009)" Assim, não há como acolher tese recursal quanto a ausência de responsabilidade sobre as infrações tributárias atribuídas por sucessão, sendo mantidas, exclusivamente sobre os pontos em que o Recorrente venha a ser vencido, as multas vinculadas às verbas pagas pelo Banco ABN. 3.8.2. Necessidade de exclusão das penalidades por descumprimento de obrigação acessória. Sustenta o recorrente que a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicada por deixar de declarar em GFIP os valores tidos pelo fisco como remuneratórios e pagos pelo Recorrente a titulo de Hiring Bonus e Bonificação Extraordinária seria equivocado, em principio pela inexistência de descumprimento, eis que tais pagamentos não constam no rol de valores sujeitos a tal declaração. Guardando coerência com o decidido nos itens anteriores, não havendo fato gerador devidamente apurado, não há como aplicar tal penalidade. No mesmo sentido do posicionamento ora manifestado referenciamos o Acórdão 920201989 da CSRF deste CARF. Mantendose, contudo, o lançamento no todo ou em parte, por decisão deste Colegiado ao final deste julgamento, voto no sentido de que o valor da multa por descumprimento da obrigação de informar fatos geradores das contribuições na GFIP seja recalculado de conformidade com a decisão relativa às obrigações principais, ou seja, realizandose o recálculo ponderando as eventuais exclusões ou ajustes no lançamento dessas obrigações, resultantes da decisão. 3.8.3. Do equivoco quanto ao valorbase da multa imposta, descabimento de juros sobre multa de oficio e retroatividade benigna. Em atenção ao principio da eventualidade, restando vencido quanto ao posicionamento exarado no que se refere as obrigações principais, cabe analisar as alegações relativa a equivoco quanto ao valorbase da multa imposta, descabimento de juros sobre multa de oficio e retroatividade benigna. O recorrente sustenta haver equivoco quanto a ao valorbase da multa aplicada [Item II 2.8 do Recurso], isso porque "a D. Autoridade Fiscal considerou, inadvertidamente, que a Recorrente estaria sujeita ao valorbase da multa estipulada na Portaria Interministerial MPS/MF nº 06/12, de R$ 1.617,12.", portanto, tomando por base norma posterior a todos os supostos fatos geradores relacionados ao anocalendário 2008, atentando contra o principio da irretroatividade previsto no Art. 106 do CTN. Segundo sustenta, o valor a ser aplicado seria o previsto na Portaria MPS nº 342/2006 e Portaria MPS nº 142/2007. Quanto a retroatividade benigna da Lei nº 11.941/09, sustenta o Recorrente que a D. Autoridade Fiscal procedeu à comparação das penalidades que seriam aplicáveis segundo as sistemáticas legais em vigor antes e após a Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, entendendo que aplicar tais normas atenderia ao retroatividade benigna previsto no Art. 106, II, do CTN. Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.091 69 E por fim sustenta a impossibilidade de aplicação de juros sobre multa de oficio alegando que a mesma carece de base legal, já que o §3º do artigo 61 da Lei nº 9.4360/96, é claro ao restringir a incidência dos juros sobre o valor do principal lançado. Quanto a tais fatos, importa salientar de inicio, que o valor básico da multa por deixar a empresa de informar fatos geradores em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, o qual foi levado à comparação para a aplicação da penalidade mais benéfica, tomou por base o art. 32 da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência da Infração, o qual dispõe: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009 [...] §8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (Grifouse) Da análise das disposição encimadas verificase que o §8º da Lei nº 8.212/1991 era quem estabelecia que o valor mínimo utilizado como base para o cálculo da multa por não informação de fatos geradores em GFIP seria aquele “vigente na data da lavratura do autodeinfração”. Fl. 2125DF CARF MF 70 A respeito do “valor mínimo” suscitado nos §§ 4º e 8º do referido art. 32, o art. 92 da Lei nº 8.212/1991 esclarece: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (Grifouse) Nos termos do art. 102 da Lei de Custeio Previdenciário temse que: Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Grifouse) Assim, o reajustamento dos valores expressos em moeda corrente na Lei de Custeio Previdenciário deve considerar o índice estabelecido na Lei nº 8.213/1991, conforme previsão contida em seu art. 41A. Vejamos: Art. 41A. O valor dos benefícios em manutenção será reajustado, anualmente, na mesma data do reajuste do salário mínimo, pro rata, de acordo com suas respectivas datas de início ou do último reajustamento, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC, apurado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE. (Grifouse) Importa esclarecer que obrigação de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP foi regulamentada pelo IV do art. 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, sendo que a infração decorrente do descumprimento de tal obrigação encontra disciplina, dentre outros, nos incisos I e II do art. 284 do RPS. Já a multa aplicável é calculada a partir do valor mínimo previsto no art. 283 do mesmo Regulamento. De outra parte, para dar efetividade ao art. 41A da Lei nº 8.213/1991, são editadas anualmente portarias por parte dos órgãos responsáveis pela arrecadação de contribuições previdenciárias e pagamento dos benefícios respectivos, informando os valores atualizados com base no índice previsto em lei. Em relação ao ano de 2013, quando ocorreu o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação aqui referida, vigorava a Portaria Interministerial MPS / MF nº 15/2013, que em relação ao valor mínimo aplicável ao cálculo da multa, evidenciou o que segue: Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2013: [...] IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.717,38 (um mil setecentos e dezessete reais e trinta e oito centavos) a R$ 171.736,10 (cento e setenta e um mil setecentos e trinta e seis reais e dez centavos); (Grifouse) Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.092 71 Recorrendose ao item 7.3 do Relatório Fiscal (fl. 405) constatase o que o cálculo da multa foi efetuado de conformidade com o inciso IV do art. 8º da Portaria Interministerial MPS/MF nº 15/2013. Confirase: 7.3 No período de autuação pelo descumprimento das obrigações acessórias ora descritas, o número total de segurados da empresa enquadrouse na faixa “acima de 5000” segurados. Sendo assim, os limites mensais, previstos no § 5º, do art. 32, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997 e no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, arts. 284, inc. II e 373 foram de R$ 85.869,00, correspondente a “50 x o valor mínimo (R$ 1.717,38)”. Tais limites foram calculados conforme determina a Portaria Interministerial MPS/MF nº 15, de 10 de janeiro de 2013. (Grifouse) Convém repisar que a sistemática adotada para a determinação do valor da multa atendeu rigorosamente ao disposto no § 8º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Afastar a incidência de tal dispositivo ao caso concreto equivaleria reconhecer sua inconstitucionalidade o que é vedado aos julgadores administrativos a teor do art. 26 do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. A matéria em questão foi inclusive objeto da Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por este Órgão de Julgamento, e cuja transcrição se faz mister: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em vista disso, não vendo como acolher os argumentos recursais sobre tal temática. Quanto a incidência de juros sobre multa, tratase de temática recorrente nesta turma sobre a qual o entendimento contrario a pretensão do Recorrente, salvo por conta de eventuais divergências de novos componentes, nos parece consolidado. Nosso entendimento neste ponto esta lastrado em posicionamentos jurisprudenciais recorrentes e manifestações doutrinárias que, majoritariamente, convergem no sentido da legalidade de tal proceder. Leandro Paulsen, rematando, citando posicionamento de Bruno Fajerstajn, assim se manifesta: "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Fl. 2127DF CARF MF 72 Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades." [Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.0271.028] A jurisprudência do STJ segue consolidada quanto a possibilidade de incidência de juros sobre multa, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REsp n. 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DESEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifei) 2. Agravo regimental não provido. Vejamos o REsp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário Nacional CTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos" Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.093 73 Em conclusão, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida, portanto, não há como dar provimento a pretensão recursal também neste ponto. Por derradeiro, quanto a alegação de aplicabilidade das questões afetas ao cálculo da multa mais benéfica, em decorrência da superveniência da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2008 e da aplicação da alínea “c” do art. 106 do CTN, tal ponto deve ser investigado no presente caso. Quanto a sistemática de calculo da multa da multa mais benéfica para casos semelhantes, têm sido aplicados no CARF e administrativamente os critérios da Portaria Conjunta PGFN / RFB nº 14 de 04 de Dezembro de 2009, que dispõe sobre a aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 em casos semelhantes ao ora julgado. "A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL e o SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso das atribuições que lhes conferem o art. 72 do Regimento Interno da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pela Portaria MF nº 257 de 23 de junho de 2009, e o inciso III do art. 261 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 4 de março de 2009, e tendo em vista o disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e nos arts. 26 e 57 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, resolvem: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). §1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de Fl. 2129DF CARF MF 74 ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009." Nesse sentido vem trilhando recentes decisões da CSRF, que vem uniformizando seu entendimento quanto à matéria. À guisa de exemplo, cito os recentes Acórdãos nº 9202003.997 (j. 11/05/2016) e 9202005.373 (j. 26/04/2017). Segundo tais decisões, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, havendo lançamento conjunto de obrigação principal e acessória, devem ser somadas a multa Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.094 75 relativa à obrigação principal (art. 35, inciso II da Lei nº 8.212/91) com a multa por descumprimento da obrigação acessória conexa (art. 32, inciso IV, §§ 4º, 5º ou 6º da Lei nº 8.212/91), conforme previstas antes da vigência da MP nº 449/08, sendo o resultado comparado com a multa regrada no art. 44 da Lei nº 9.430/96, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, de acordo com o disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (correspondente ao percentual de 75%). Na espécie, temse que, consoante Relatório Fiscal às fls. 404/406, foi esse, precisamente, o procedimento da fiscalização, que apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa mais benéfica ao contribuinte. Restando vencido quanto ao posicionamento manifestado sobre as obrigações principais, voto por negar provimento ao recurso neste ponto, salientando apenas que nesse caso, após a retificação da multa por deixar de informar fatos geradores de contribuições sociais em GFIP, deve ser efetuado o recálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, com base na Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. 3.9. Da exclusão das pessoas fisicas listadas no relatório de vínculos. Súmula CARF nº 88. Neste ponto, de modo subsidiário, o Recorrente requrer o afastamento das pessoas físicas listadas no Relatório de Vínculo anexo aos Autos de Infração conforme Súmula CARF nº 88. O lançamento, em momento algum tenta construir qualquer tese relacionada a responsabilidade das pessoas físicas listadas no Relatório de Vínculo. A atribuição de responsabilidade pessoal dos administradores e sócios consiste em situação jurídica decorrente da prática de atos que constituam excesso de poder, infração à lei ou a instrumentos societários, podendo os administradores da pessoa jurídica recorrente figurar no pólo passivo apenas em casos excepcionais, conforme disposto no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. [...] VII os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicos direito privado." (g.n.) Nos parece que o inconformismo do Recorrente quanto a tal questão, advém do malogrado nome adotado pelo Relatório de Fls. 5/6 CORESP Relação de Co Responsáveis. Apesar de adotar denominação fora de qualquer critério técnico, o CORESP não se presta a definir responsabilidade pessoal dos administradores, mas apenas indicar os representantes legais da pessoa jurídica. Fl. 2131DF CARF MF 76 A Instrução Normativa SRP n° 20, de 11.01.2007, alterou a denominação do referido relatório para "Relatório de Representantes Legais", adequandoo definitivamente à sua verdadeira natureza e encerrando qualquer controvérsia sobre o tema. Tal tema, como sustentado pelo Recorrente, foi objeto da Súmula CARF nº 88 e, no caso concreto, não vislumbramos qualquer nuance que imponha a não aplicação da referida súmula. "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." Isto posto, no presente caso não há qualquer hipótese de atribuição de responsabilidade aos administradores e sócios, mas apenas a identificação daqueles que, no momento da autuação, eram representantes legais da Recorrente. Assim sendo, nego provimento ao recurso neste ponto. Conclusão Por todo exposto voto por conhecer do Recurso, acolhendo parcialmente as preliminares, apenas quanto ao reconhecimento da decadência do direito de lançar créditos relacionados a fatos geradores ocorrido até maio de 2008 inclusive e, no mérito, voto por dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.095 77 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Da participação nos lucros ou resultados. Não obstante os argumentos do D. Relator, não partilho de seu entendimento no sentido de que os Programas Específicos Programas SIM e respectivo SuperRanking, e PEX integrem, de fato, os acordos coletivos firmados entre o recorrente e os sindicatos dos trabalhadores envolvidos (fls. 143 e ss, para o anocalendário 2008), possuindo os pagamentos com base neles realizados caráter de PLR. Notese que todas as cláusulas dos acordos, à exceção da sexta tomandose como exemplo o acordo coletivo do exercício 2008 regram os termos do PPR (Programa da Participação nos Resultados), não havendo outro dispositivo acerca dos programas próprios, salvo breve referência na cláusula quinta, que trata das compensações entre os planos, e a sétima, que refere que os valores a esses pertinentes serão pago na mesma data de parcela dos valores relativos à convenção coletiva. Tal cláusula sexta possui, como já mencionado pelo relator e pelo recorrente, disposição ratificandoos genericamente, "com as metas, indicadores, formas de aquisição e prazo de vigência que constaram nos respectivos instrumentos, nominados PROGRAMAS SIM e respectivo Super Ranking, os quais integram o presente acordo". De modo similar, o parágrafo único diz que os PLR dos ocupantes de cargos executivos, integram o acordo, e obedecerão "às regras e valores fixados pela diretoria com base no respectivo cargo ou função, no PEX Programa Executivo". Sem embargo, o fato é que os contornos concretos desses programas ficaram relegados a serem estipuladas pelos funcionários e suas respectivas chefias/gestores, sem traço de participação de entidade sindical, tratandose à toda vista de planos apartados dos acordos coletivos. Não há prova alguma nos autos de que sequer suas linhas gerais tenham sido discutidas no âmbito dos acordos, o que abriria a possibilidade de suas minúcias serem relegadas a outros documentos. Ora, há que se reconhecer que acordos coletivos não são instrumento sequer viável para o detalhamento dessas metas em instituições de grande porte. Justamente para essas situações, a Lei nº 10.101/00 prevê no inciso I do seu art. 2º que elas possam ser acordadas via comissão paritária, integrada por representante sindical, o que tornaria perfeitamente possível utilizar esse meio para resguardar os interesses dos trabalhadores em casos do gênero, proteção essa inafastável por expressa disposição do indigitado diploma legal. O fato de os acordos do Santander incorporarem posteriormente, via cláusula genérica, os mencionados programas de PLR não supre a necessária, posto que legalmente Fl. 2133DF CARF MF 78 estipulada, participação do representante e/ou entidade sindical quando das negociações e formalização desses programas. Isso, sem falar da participação dos próprios trabalhadores nas negociações, da qual tampouco há sinal, pois não há quaisquer evidências, diversamente do que aconteceu com os PPR do ABN Amro, de que tenha havido reuniões de comissões, ou discussões dos termos constantes nos programas específicos em comento, bem como análise das demandas sindicais. A par disso, não houve arquivamento desses programas nas entidades sindicais, tampouco constam assinaturas dos empregados e as datas em que firmados os correspondentes instrumentos, evidenciando sua precariedade como prova das relações e condições a que se referem, e uma proximidade com instrumentos meramente formais utilizados pela instituição para estipular os critérios e regras unilateralmente. De fato, a mera remissão nos acordos coletivos à ratificação e/ou integração dos programas específicos não supre tais carências. Reiterese que inexistem provas nos autos de que as regras substantivas e adjetivas desses planos/programas tenham sido, em algum momento, concertadas entre as partes, mediante o necessário debate e efetiva negociação, integrando o capital e o trabalho, como requer a Lei nº 10.101/00. Tal situação revela terem sido eles elaborados de forma unilateral pela administração da recorrente, tratandose, na realidade, de programas autônomos de premiação, com ínsita natureza remuneratória, os quais se procura abrigar, de maneira um tanto forçada, sob o manto de participação em lucros ou resultados nos termos da precitada lei, almejando as decorrentes benesses tributárias. Sob essas razões, concluise não terem sido os programas próprios em destaque objeto de negociação coletiva entre as partes, muito menos com participação sindical, a despeito da cláusula formal que a eles alude, no acordo coletivo, motivo pelo qual constituemse em instrumentos apartados e autônomos, no que tange as regras neles contidas, relativamente aos acordos. Também no que toca à questão da anterioridade dos planos, dissinto, ainda que em menor grau, do voto do Relator. Lembrese, de início, que a Lei nº 10.101/00 referese à participação nos lucros ou resultados como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Forçoso reconhecer que, não sendo possível estabelecer uma correspondência direta entre a atividade do trabalhador e a percepção de lucros da pessoa jurídica, os valores pagos a título de PLR, quando não prescrevem uma individualização da conduta para os beneficiários, aproximamse do conceito de gratificações, definidas por Maurício Godinho Delgado1 como "parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador (gratificações convencionais) ou por norma jurídica (gratificações normativas)". Já os montantes pagos a título de participação nos resultados guardam proximidade com pagamentos efetuados como prêmios, definidos pelo precitado doutrinador como "as parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de 1 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 5ª Ed. São Paulo: LTr, 2006, p. 738. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.096 79 um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa" 2 (sublinhei). Sob esse prisma, vêse que os pagamentos de PLR apresentam importantes pontos de semelhança com as gratificações ou prêmios, a depender dos critérios acordados. O maior diferencial é que estão abrigados sob a proteção da Lei nº 10.101/00, face ao cumprimento dos requisitos nela estipulados. Tendo em vista tais constatações, deve ser notado que o alcance de metas por parte do trabalhador, de modo a que perfaça real incentivo à produtividade dentro de um plano de resultados, tem como pressuposto a realização de uma conduta consciente e deliberada com vistas à consecução de resultados previamente avençados, independentemente do instrumento utilizado. Acerca do tema, tenho como muito bem postas, em linhas amplas, as considerações vertidas pelo Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, ao relatar o Acórdão nº 2402005.392 (j. 13/07/2016): Observese que, a depender do marco que se adote como obrigatório para a formalização dos acordos, podese apequenar ou dar um relevo desproporcional a cada um dos aspectos acima mencionados. Caso se adote o entendimento daqueles que defendem que o fechamento das negociações possa ser feito até momentos antes do pagamento da parcela, prejudicase a integração capital trabalho e se compromete o desejado aumento da produtividade, posto que durante o período aquisitivo os trabalhadores não seriam estimulados a incrementála por não terem conhecimento das metas a serem ultrapassadas ou requisitos a serem cumpridos para a obtenção do tão almejado prêmio. Por outro lado, o patrão, muitas das vezes pressionado pelos trabalhadores para concessão de ganhos salariais, poderia ser tentado a instituir, durante o período aquisitivo da PLR, metas irreais de modo que o seu pagamento fosse efetuado como forma de atendimento às reivindicações salariais dos empregados e não como resultado de um processo negociado para melhorar o desempenho empresarial. Esse procedimento desnatura a essência do instituto e se revela danoso ao substituir salário por prêmio, prejudicando os trabalhadores no cômputo das suas verbas trabalhistas (férias, décimo terceiros, FGTS, etc), além de claramente desfalcar os cofres da Seguridade Social, com a exclusão das parcelas da base de cálculo das contribuições. É prática que abre margem para manobras que apenas beneficiariam o mau contribuinte. Certamente muitos se levantarão contra esse raciocínio, argumentando que não há na norma um prazo estipulado para formalização do acordo e que a adoção da exigência de que a assinatura do acordo seja prévia ao período aquisitivo decorreria de mero subjetivismo do intérprete, que acarretaria em prejuízo principalmente para os trabalhadores, que deixariam de receber essa benesse de cunho constitucional. Não vejo por essa lente, na verdade estamos diante de uma lacuna legal, a qual deve ser integrada, no meu entendimento, mediante a interpretação sistemática que leve ao menor prejuízo à relação capital trabalho, aos trabalhadores, ao empregador e à Fazenda Pública. Vejase que a inexistência de metas prévias equivale a ausência dos parâmetros que nortearão a aferição do direito ao benefício 2 Idem, ibidem, p. 747. Fl. 2135DF CARF MF 80 trabalhista, os quais são claramente exigidos no § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. É curioso que, mesmo os que defendem que o acordo pode ser formalizado após o encerramento do período aquisitivo do direito, acabam por firmar como data limite o pagamento da verba, o que de certa forma coloca um requisito que não consta da norma, posto que, conforme ponderei acima, a norma é omissa quanto a esse aspecto. Assim, também nesse caso o intérprete acaba por fixar um marco que, no entender daqueles que defendem essa tese, vem a se configurar em um subjetivismo. Tal fato revela uma grande contradição para essa solução exegética. Muito mais problemática para mim, no entanto, é a fixação de um momento dentro do período aquisitivo que seria aceitável para delimitar a data limite para formalização do acordo. Nesse caso, aí se sim, com o perdão dos que defendem esse raciocínio, entrase no total subjetivismo, posto que o critério passa a ser unicamente a cabeça do aplicador da lei. Eu posso achar que três meses é um prazo razoável para fechar a negociação, outros ao revés, atendose as peculiaridades do caso concreto, tomarão seis meses como período razoável e alguns poderão entender que, para situações limite, um ano ainda é pouco. Temendo ser um pouco repetitivo, volto a enfatizar que a apreciação dessa questão não deve apenas se ater ao direito imediato do empregado de receber a PLR, mas também ao seu direito de não ter verbas salariais transmudadas em participação nos lucros, bem como o direito do fisco de evitar que as práticas nocivas ao erário e, por fim, o direito da sociedade brasileira de obter melhorias nas relações entre capital e trabalho, com consequente aumento geral da produtividade. Ouso ainda discordar daqueles que têm defendido a tese de que se já era do conhecimento dos trabalhadores os termos a serem apostos no acordo, deve ser dado um tratamento diferenciado a essa situação. Esse entendimento não se coaduna com a norma de regência, por um simples motivo: a lei privilegia a negociação coletiva, seja com ente sindical ou em comissão específica. Nestas negociações, acredito que deva ser assim, são colocadas as propostas das partes e estas buscam chegar a um acordo, que, via de regra, resulta em um meio termo entre as proposições colocadas na mesa. Todavia, nada impede que até a formalização do ajuste uma das partes resolva retirar sua proposta e as negociações retroajam. Assim, pelo fato de não haver previsão legal para que as cláusulas costumeiramente acordadas em processos anteriores venham a ser incorporadas ao novo acordo, não há espaço interpretativo para que se flexibilize a necessidade de acordo prévio em razão do suposto conhecimento dos empregados acerca das regras a serem inseridas nos acordos para pagamento da PLR. Raciocínio similar vem sendo acolhido, registrese, nos recentes julgamentos da CSRF sobre o assunto, dentre os quais cito, ilustrativamente, o Acórdão nº 9202004.308 (j. 21/7/2016). Então, nos casos em que o cumprimento dos objetivos negociado envolvem a realização de determinada conduta por parte dos beneficiários, ainda que dimensionadas por setor/área da companhia, não vejo reparos a fazer nessas bem colocadas razões. Não acompanho esse entendimento, contudo, no tocante aos planos de PLR nos quais os pagamentos acordados estão desvinculados de um comportamento volitivo comprometido com o alcance de determinados objetivos. Por exemplo, quando se estabelece que os empregados de uma empresa perceberão dado PLR se aquela atingir determinados índices de lucratividade. Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.097 81 Vejase que não há como estabelecer um liame minimamente concreto entre a prestação de serviço realizada pelo trabalhador e a lucratividade alcançada pela pessoa jurídica, tanto mais quando se trata de uma instituição financeira com milhares de funcionários. Recordese, caso necessário, que o lucro, seja econômico ou contábil, é um conceito dimensionado com base em uma multiplicidade de variáveis, tais como receitas, despesas, custos, ativo, passivo, obrigações diversas, dependendo fortemente de fatores totalmente fora do controle da empresa, e às vezes até mesmo do mercado no qual ela opera (por exemplo, políticas governamentais macroeconômicas, etc.) Nessas situações, então, prepondera no PLR o aspecto de instrumento de integração capital e trabalho, visto que do empenho de ambos são colhidos os lucros auferidos no período, sendo apenas indiretamente contemplada a função de incentivo à produtividade. Já no PLR cujas metas estão atreladas ao desempenho individual de uma maneira mais direta e concreta, como o alcance de incremento no índice de vendas por setor, por exemplo, a faceta predominante é a de incentivo à produtividade, sendo a integração capital e trabalho naturalmente reflexa com o ulterior aumento nos lucros e/ou resultados a serem distribuídos, decorrente desses aumentos de produtividade tomados em seu conjunto. Planos com essas características requerem assim que suas regras e condições sejam claramente delineadas antes do período de aferição, para que atenda aos preceitos de incentivar a produtividade, e indiretamente, estimular a integração capitaltrabalho. Diversamente, nos planos em que o PLR é mensurado com base em critérios em grande medida independentes da uma prédeterminada atuação dos trabalhadores, ou seja, revestindose de feição mais propriamente corporativa, deve ser relativizada a exigência mais acima frisada. Vale dizer que nesses casos, em geral, são conduzidas negociações ao nível de convenção ou acordo coletiva, muitas vezes adentrando no anocalendário de sua vigência, tendo em vista a amplitude dos agentes envolvidos e potenciais beneficiários. Em outras palavras, não assoma como requisito imprescindível que os termos negociados sejam estabelecidos previamente ao período de aferição. Não por acaso, a própria Lei nº 10.101/00, quando se refere objetivamente à necessidade de ajuste prévio, o faz com referência aos programas de metas, resultados e prazos especificados no inciso II do artigo, de maneira apartada, assim, da menção aos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, referidos no seu inciso I, verbis: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (...) §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, Fl. 2137DF CARF MF 82 período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) (grifei) Na espécie, constatase que não havendo sido comprovado que os Programas Específicos Programas SIM e respectivo SuperRanking foram firmados, bem como suas regras e condições delineadas, antes do início do período a que se referem, desatendem eles os preceitos da Lei nº 10.101/00, motivo o qual, por si só, é suficiente para caracterizar os pagamentos neles baseados como sendo de caráter remuneratório. De sua parte, as convenções coletivas estabeleciam o pagamento de PLR aos funcionários com esteio nos lucros dos períodos, sendo que, na sua ausência, nada seria pago sob aquele título. Também os PPRS (Programa de Participação nos Resultados Santander) previstos nos acordos coletivos eram baseados no atingimento de fatores relacionados ao lucro, o chamado ROE (relação entre lucro líquido e patrimônio líquido). Tendo em vista as razões mais acima expendidas, tenho que os valores de PLR pagos com base nas Convenções Coletivas, e nos PPRS atrelados aos Acordos Coletivos, não podem ser tidos por remuneratórios somente com amparo no critério "ausência de acordo prévio", ou seja, por terem sido celebrados os correspondentes instrumentos no curso do ano calendário a que eles se referem. Distintamente, os PEX e Programas SIM/Super Ranking, além das questões já levantadas acerca da negociação e participação sindical, carecem de qualquer assinatura vinculada a data aposta nos respectivos instrumentos para fins de se aferir sua anterioridade frente aos períodos a que se referem, sendo, também sob esse prisma, incompatíveis com as disposições legais de regência de PLR. A respeito do tópico periodicidade dos pagamentos, há que se ressaltar que, na aferição do cumprimentos das regras de periodicidade, devem ser examinados todos os pagamentos efetuados a título de PLR, como bem firmado no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00. E, ainda que concorde com as conclusões do relator no sentido de que houve, em diversas situações, pagamento de PLR em desconformidade com o citado dispositivo, peço vênia para discordar parcialmente, para entender que o critério legal, claro e objetivo, contido na lei é que, sendo verificado terem sido efetuados mais de dois pagamentos de PLR em dado ano civil, ou com periodicidade inferior a um semestre, como no caso em apreço, não há falar em aplicação da norma em tela, com relação ao empregado beneficiado. Como bem observado no seguinte trecho de recente decisão da CSRF, Acórdão nº 9202004.342 (j. 24/8/2016): (...) não estamos tratando de limite de verba não tributada, mas sim de condição para fixação de sua natureza. Ora, o pagamento em menor periodicidade do que aquela definida em lei, tem o condão de dar natureza de complementação salarial à verba pretensamente paga a título de PLR. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.098 83 Em consonância com essa correta compreensão, deve ser excluída da autuação, para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos vinculados às convenções e acordos coletivos de trabalho, efetuados a título de PLR, desde que o total de pagamentos a esse título, independentemente do instrumento que lhes embase, tenham sido efetuados em até duas vezes ao ano e com periodicidade superior a um semestre. Relembrese, para que não restem dúvidas, que este encaminhamento tem por base a não consideração dos planos/programas próprios, tais como PEX e Programas Sim/Super Ranking, como integrantes dos acordos e/ou convenções coletivas. No mais, saliento que acompanho o relator no que concerne ao tema existência de regras claras e objetivas, e, ainda que por razões somente em parte convergentes, no atinente à inexistência de substituição de salário. Do hiring bonus Ao contrário do que concluiu o D. relator, não me parece que a fiscalização tenha deixado de abordar as questões fáticas necessárias a sustentação de sua tese respeito do tema, pois circunstanciou adequadamente ter encontrados nas folhas de pagamento e na contabilidade as rubricas nº 7645 e 767, atinentes ao hiring bonus, indo além, inclusive, ao analisar os contratos a elas vinculados. E, a respeito do tema, esta Turma já se pronunciou no Acórdão nº 2402 005.392 (j. 13/07/2016), do qual extraio o seguinte excerto, por comungar com o entendimento ali exarado, e por bem se aplicar ao caso examinado: Na minha visão, para esse caso específico o bônus de contratação assemelha se a um adiantamento de remuneração, o qual vai se incorporando ao salário do segurado ao longo do seu tempo de prestação de serviço. Analisemos o que dispõe o inciso I do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991, que trata da base de cálculo da contribuição incidente sobre a remuneração do empregado: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) De se concluir que esse tipo de pagamento, independente da nomenclatura utilizada, subsumese ao conceito de saláriodecontribuição acima reproduzido, posto que é um rendimento pago como forma de atrair o empregado e que, malgrado seja disponibilizada ao beneficiário em parcela única, há a necessidade da prestação de serviço para que o valor incorporese totalmente ao seu patrimônio, posto que, caso não cumpra o prazo de permanência mínima na empresa estabelecido contratualmente, terá que devolver total ou parcialmente o valor transferido. Fl. 2139DF CARF MF 84 Não há dúvida de que a configuração fática revela não uma verba de natureza indenizatória, mas um pagamento que é efetuado como antecipação salarial pelo tempo que o segurado deve permanecer vinculado à empresa, o que revela sua feição nitidamente remuneratória. Ora, o fato de ficar claro no acordo do pagamento do hiring bonus que tais valores são um adiantamento pelo período futuro em que o empregado deverá ficar vinculado à empresa, já demonstra forte indício de que existe uma vinculação do seu pagamento à contraprestação pelo serviço. No presente caso vêse sem dúvida uma remuneração antecipada. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu art. 457, prescreve que compõe o salário toda contraprestação pelo trabalho do empregado. Tal premissa nos leva a indagar a que título o bônus de contratação é pago. A contratante paga um bônus de contratação (no caso denominado hiring bônus) para atrair e manter por um período em seus quadros um profissional reconhecidamente competente no seu ramo. Pretende dispor do trabalho do profissional por um tempo e comprometese a pagar uma quantia adicional em relação ao salário contratado. Portanto, de um lado temos a empresa oferecendo uma quantia ao trabalhador e de outro temos o empregado que deverá ficar vinculado à nova contratante por um período. Dessa configuração emerge a natureza contraprestacional do bônus. Esse entendimento tem sido também adotado nas cortes trabalhistas, onde se entende que os pagamentos em questão se assemelham as luvas do atleta profissional, que não têm natureza de indenização, mas de pagamento vinculado à performance do trabalhador no cumprimento do seu contrato de trabalho. Vale a pena trazer à colação as seguintes decisões do TST: "INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO LUVAS .NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso da Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista conhecido e provido, no particular. (TSTRR5674138.2003.5.04.0028, 4ª Turma, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, DEJT 01.4.2011)" " RECURSO DE REVISTA. INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE LUVAS. NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso do Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista não conhecido. (RR 15260058.2009.5.15.0095, 4ª Turma, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, DJ de 19.04.2013)" " RECURSO DE REVISTA. DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO PAGO NO MOMENTO DA CONTRATAÇÃO. "LUVAS". NATUREZA JURÍDICA. O valor pago a título de empréstimo, formalizado por meio de contrato de mútuo, com a finalidade de tornar mais atrativa a contratação de empregado bancário, equipara se às luvas pagas aos atletas profissionais, razão por que tem nítida natureza salarial e, não obstante o pagamento ter ocorrido uma única vez, a parcela deve integrar a remuneração da autora para todos os efeitos. Recurso de revista conhecido e provido (PROCESSO Nº TSTRR1336 98.2012.5.03.0005, 6ª Turma, Relator Ministro Aloysio Correia da Veiga, DJ de 16.04.2014)" Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.099 85 Também não deve ser aceita a afirmação de que os ganhos seriam eventuais e, por esse motivo, excluídos do saláriodecontribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9.º, alínea "e", item 7, da Lei n.º 8.212/1991. A eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no dispositivo citado, significa que as vantagens para o segurado decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, digam respeito à ocorrência de caso fortuito. Como se pode ver da pesquisa efetuada no Dicionário Michaelis: Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. Não encontro qualquer traço de eventualidade no pagamento de bônus de contratação , haja vista que estes decorrem de contrato firmado entre empresa e empregado para manutenção do trabalhador a serviço do empregador por um tempo previamente ajustado. Acrescentese que o fato de haver previsão contratual de devolução dos valores em caso de pedido de demissão ou dispensa por justa causa, antes do prazo estabelecido no momento da avença (ver Doc. 19 da impugnação, fls. 1355 e ss), além de se tratar de acerto privado que não influencia a incidência de contribuições previdenciárias, desvela, de modo claro, a inexistência do caráter indenizatório defendido pelo contribuinte. Também deve ser afastada a associação entre os valores em discussão e espécie sui generis de indenização restituível, pois o que se constata é que a percepção dessas quantias tem como pressuposto necessário a realização da prestação de serviço durante determinado período, possuindo daí nítida natureza retributiva. Importa registrar que a Lei de Custeio exigiu o requisito de habitualidade somente para as utilidades. E, de sua parte, a obrigatoriedade de prestação de serviços por determinado período de tempo, sob pena de devolução do montante em questão, aponta para a ausência de caráter gracioso ou eventual do pagamento, e para a existência de uma gratificação ajustada antecipadamente, vinculada à prestação de serviço a ser efetuada. Ou seja, ao invés de receber mês a mês tal valor, o beneficiário recebe previamente a remuneração estabelecida, de acordo com as expectativas incorporadas no texto da proposta de contratação. Reiterese que, quanto a pretensa eventualidade a atrair a incidência do disposto no item 7 da alínea 'e' do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não verifica ela na espécie, pois como bem frisado pela decisão de piso, há conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição estabelecida para o seu recebimento, a prestação de serviços para o empregador durante dado período. A jurisprudência recente do CARF vem caminhando nessa senda, como atestam os Acórdãos nº 2401003.708 (j. 07/10/2014), nº 2402005.274 (j. 11/05/2016) e nº 2202003.438 (j. 14/06/2016). Cumpre destacar, ao final, recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema Acórdão nº 9202005.156, j. 25/01/2017 no qual o voto vencedor aborda com lucidez o conceito de ganho eventual: Entendo que somente os pagamentos que não guardam relação com o contrato de trabalho podem ser tidos por ganhos eventuais desvinculados, devendo decorrer de condições específicas de um trabalhador, como por exemplo destinação de Fl. 2141DF CARF MF 86 valores em eventos de doença e outros sinistros fortuitos, sem relação direta ou indireta pela prestação de serviços. Não há dúvida de que o pagamento de bônus de contratação Hiring bônus, ou mesmo, gratificação em razão da admissão do empregado (utilizados por algumas empresas) tem relação direta com o vínculo contratual estabelecido entre as partes, e o seu principal objetivo é atrair profissionais para o quadro funcional da empresa, representando, a bem da verdade, um pagamento antecipado pela futura prestação de serviço do trabalhador. Nesses termos, peço vênia para divergir do D. Relator e encaminhar voto no sentido de negar provimento ao recurso no particular. Do plano de stock options Cabe explicar inicialmente, que o mercado de opções, em sua gênese, tratase de mercado de derivativos voltado à gestão de risco, sendo as opções direitos de compra (ou de venda), a um preço pré determinado, de um ativoobjeto em uma data específica ou até uma certa data. As opções negociadas em um mercado com liquidez são padronizadas pela instituição que o gerencia, e, assim sendo, os agentes econômicos podem, ao comprar determinadas opções na bolsa, buscar proteção contra as oscilações de preço de mercado, caso possuam ações da empresa; poderão simplesmente especular, ao adquirir opções de compra que não precifiquem, a seu ver, adequadamente as possibilidades de incremento no valor da empresa; ou ainda, montar estratégias de renda fixa mediante o uso simultâneo de opções de compra e de venda do ativo (box de opções). Tudo isso é viabilizado pela negociação em um mercado de livre acesso, que possibilita a adequada mensuração do preço do ativo que é a opção, preço esse chamado "prêmio", o qual por sua vez requer dos operadores a consideração de elementos tais como a volatilidade do ativoobjeto, a taxa de juros do mercado, tempo entre a negociação e o vencimento da opção, assim como, por óbvio, a diferença entre o preço do ativo em questão e o preço de exercício (conhecido como strike). Para tal feito, são utilizados sofisticados modelos matemáticos, sendo os mais conhecidos dentre eles os modelos denominados "Black and Scholes" e binomial. Já as denominadas employee stock options, ora abordadas, possuem natureza bastante diversa. Surgiram no estrangeiro, como parte do pacote de benefícios e vantagens oferecidas a administradores e empregados, visando a sua retenção nos quadros da empresa, em especial nas de pequeno e médio porte, que, descapitalizadas, necessitavam de trabalhadores qualificados para a consecução de seus objetivos; com o tempo, se espraiaram sendo utilizadas por diferentes tipos de empresas, integrando com frequência o pacote remuneratório ofertado pelas grandes companhias, especialmente as americanas e inglesas. À evidência, a concessão de um direito de aquisição de uma participação no capital de uma empresa com potencial de crescimento, com a consequente perspectiva de valorização dessa participação ação revelase bastante atrativa, representando a outorga desse direito opção uma efetiva vantagem econômica para o beneficiário, frente ao terceiro que não possui vínculos com a companhia. Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.100 87 Por sua vez as empresas, mesmo tendo em vista a possível diluição do valor de suas ações com o efetivo exercício das opções, com a outorga destas fazem convergir os objetivos dos investidores com o de empregados e administradores. No que tange ao direito positivo pátrio, as opções do gênero têm sua previsão no § 3º do art. 168 da Lei das S.A.: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. (...) § 3º O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite de capital autorizado, e de acordo com plano aprovado pela assembléiageral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou a sociedade sob seu controle. Evidentemente, tal dispositivo não traz referência sobre o caráter remuneratório de tais opções, muito menos sobre a incidência de contribuições previdenciárias, por ser matéria estranha à lei que o veicula. A Comissão de Valores Mobiliários, ao tratar da matéria na qualidade de regulador dos mercados mobiliários, denotou que3: A companhia aberta empregadora pode adotar vários tipos de planos para remunerar executivos e funcionários pela outorga de opções de compra de ações emitidas pela companhia. Nos planos de outorga de ações convencionais, por exemplo, a companhia empregadora outorga opções para compra de um número fixo de ações da companhia, a um preço estabelecido, durante um período específico, em troca de serviços correntes ou futuros dos executivos e funcionários. Este tipo de remuneração é usual no mercado americano e, em menor escala, nos mercados da comunidade européia, como forma de alinhar os objetivos dos investidores ao objetivo dos administradores e empregados. (grifei) Nesse diapasão, e tendo em vista o projeto de convergência das normas contábeis brasileiras às internacionais, no caso o IFRS 2 Sharebased Payment, que trata das transações com pagamento baseado em ações e derivativos conexos, a Deliberação CVM nº 562/08 mais uma vez destacou, ao aprovar o Pronunciamento Técnico CPC 10, o entendimento daquele órgão acerca do caráter remuneratório das employee stock options: Deliberação CVM nº 562, de 17 de dezembro de 2008 A PRESIDENTE DA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM torna público que o Colegiado, (...) DELIBEROU: I – aprovar e tornar obrigatório, para as companhias abertas, o Pronunciamento Técnico CPC 10, anexo à presente Deliberação, que trata de Pagamento Baseado em Ações, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC; (...) 3 CVM. Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007. Brasíulia, 14/02/2007, item 25.3. Fl. 2143DF CARF MF 88 12. Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos (...) Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais (...) (grifei) O disposto no item 12 do mencionado Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, segue na mesma linha: 12. Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos. Normalmente não é possível mensurar de forma direta cada componente específico do pacote de remuneração dos empregados, bem como não é possível mensurar o valor justo do pacote como umtodo. Portanto, é necessário mensurar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados. Além disso, ações e opções de ações são concedidas como parte de um acordo de pagamento de bônus ao invés de o serem como parte da remuneração básica dos empregados, ou seja, tratase de incentivo para permanecerem empregados na entidade ou de recompensa por seus esforços na melhoria do desempenho da entidade. Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais. Em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurálos deforma indireta, ou seja, deve tomar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados como o valor justo dos serviços recebidos. (grifei) O entendimento das normas contábeis e societárias acerca da natureza remuneratória dos planos do gênero é sumarizado pela doutrina de Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins, à fl. 539 do Manual de Contabilidade Societária FIPECAFI (São Paulo, Editora Atlas, 2010): Algumas empresas optam por remunerar seus empregados (executivos, administradores ou outros colaboradores) por meio de pacotes que incluem ações e opções de ações. A idéia subjacente à remuneração com base em ações é fazer com que os funcionários sejam incentivados a atingir determinadas metas e, assim, se tornem, também, donos da entidade ou tenham a oportunidade de ganhar pela diferença entre o valor de mercado das ações que subscrevem e o valor da subscrição. Esse tipo de remuneração visa incentivar os empregados ao comprometimento com a maximização do valor da empresa, alinhando seus interesses com aos dos acionistas. Isso é necessário, pois de acordo com a Teoria da Agência, os empregados (agentes) e os acionistas (principais) possuem objetivos que, por muitas vezes, podem ser conflitantes. Nesse cenário, os planos de ações e de opções de ações constituem uma característica comum da remuneração de diretores, executivos e outros empregados. (grifei) Nessa linha, concluise que os planos de opções disponibilizados por empresas aos seus empregados e colaboradores, possuem, de uma maneira geral, ínsito caráter remuneratório e não de "operação mercantil" como alegado na peça recursal, tratandose na verdade de retribuição disponibilizada, interna corporis, em razão de vínculo de prestação de serviços contratualmente estabelecido. Registrese que eventuais decisões exaradas pelo poder judicante com entendimento em sentido diverso do ora encaminhado não vinculam este Colegiado ainda que possam auxiliar na formação do convencimento dos julgadores salvo se atinentes à lide Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.101 89 versada nos autos, quando deverão ser simplesmente cumpridas pela administração, ou quando presentes as hipóteses previstas no art. 62 do RICARF, do que não se trata no caso. Noutro giro, há que se considerar que a seguridade social deve ser financiada, a teor dos incisos I e II do art. 195, e § 11 do art. 201 da CF, c/c o disposto nos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, por contribuições sociais incidentes sobre os pagamentos efetuados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, sendo necessária norma expressa, forte nos arts. 111 e 176 do CTN, para que determinada retribuição pelo trabalho não componha a base de cálculo daquelas contribuições. Vale lembrar que a redação vigente à época dos fatos do art. 457 da CLT, explicitava, ainda, que as gratificações ajustadas estavam incluídas no conceito juslaboral de remuneração. Impende assim, e a par das considerações doutrinárias e disposições legais acima expostas, passar ao caso em apreço para verificar as características particulares do plano de opção de ações em foco, com vistas a averiguar as alegações do autuado no sentido de que não possuiria tal plano caráter remuneratório, ao contrário do que sói prevalecer. De pronto, devese notar que ser a adesão ao plano uma faculdade do beneficiário em nada afeta a vantagem eventualmente auferida, decorrente do vínculo com a empresa. Uma vez aceita a outorga de opções, ocorre para aquele a incorporação de uma perspectiva de posterior aquisição de vantagem patrimonial, a qual, contudo, ainda não se reveste de condições que permitam a sua adequada mensuração, tampouco está dotada de livre disponibilidade, o que ocorrerá em momento posterior, como será visto oportunamente. E o empregado com contrato laboral rescindido sem justa causa permanece com direito à compra das ações, pois diversamente do que argui o recorrente, tal direito reflete a prestação de serviços já realizada em favor da contratante, não a realizar, diferentemente do mais acima abordado hiring bonus. Já a retributividade exsurge clara, pois para fazerem os participantes jus à possibilidade de exercer às opções outorgadas deveriam manter o vínculo de prestação de serviços com a empresa concedente daqueles títulos, durante um certo período, o que é consubstanciado nas cláusulas fidelizatórias atinentes ao prazo de exercício (período de carência, ver, por exemplo, contrato de fls. 1401 e ss). De sua parte, a existência de pessoalidade no plano é inequívoca, dado que apenas os prestadores de serviço à companhia, no caso seus diretores estatutários, são destinatários da outorga das opções intransferíveis. Nessa sequência de ponderações, importa lembrar que, em se falando de remuneração variável, existe sempre o risco de que as condições combinadas para a percepção dos rendimentos não se verifiquem, ao final do período acertado para sua implementação. Por exemplo, é perfeitamente possível que prêmios ou bônus não sejam pagos, em razão de o empregado/diretor não ter conseguido atingir as metas fixadas para que fizesse jus aos valores correspondentes. Inclusive, tal feito pode ter assim se sucedido em virtude de motivos externos ao próprio desempenho daquele, como dificuldades da empresa, problemas regulatórios, no mercado de atuação, etc. A despeito disso, o fato é que, quando recebido o prêmio, a este é reconhecido, por força das normas de regência, pacífica doutrina e jurisprudência, o caráter remuneratório. Fl. 2145DF CARF MF 90 A percepção ou não de montantes associados à forma de remuneração variável não tem correlação alguma, portanto, com o reconhecimento ou não de sua natureza remuneratória; pelo contrário, apenas reforça a apreensão de sua variabilidade intrínseca, em contraposição às parcelas fixas, de feição salarial. Com efeito, os planos de stock options são espécie do gênero remuneração variável, e não obstante se incorporem na expectativa dos beneficiários os ganhos deles decorrentes, estes não são em absoluto assegurados, embora possam, dependendo das condições implementadas no programa, notadamente o preço de exercício fixado, ter os riscos associados consideravelmente diminuídos. Calha assinalar que, estando associada a percepção do rendimento ao exercício da opção, se tal feito não ocorre em razão de o beneficiário não considerar os preços vigentes da ação atrativos, ou ainda por problemas intrínsecos à empresa, seja no processamento da notificação pleiteando o exercício, seja de mercado, simplesmente não ocorre o fato gerador das contribuições. Porém, ocorrendo o exercício, verificase sua hipótese de incidência em concreto. E o que acontece depois disso é irrelevante para fins tributários. O detentor das ações frutos da conversão pode permanecer com elas, sem as vender, porém sobre aquele ganho inicial remuneratório (diferença preço de mercado x preço de exercício) já houve a incidência das contribuições; a partir daí, considerando a decisão de investimento de alienar as essas ações a terceiros, poderá incidir imposto de renda, se apurado ganho de capital. São contudo, situações distintas material e temporalmente, e que não se confundem com a percepção de remuneração, como parece entender o recorrente. Como remate desse tópico, vale observar que não comungo de certas percepções do relator quanto ao auto de infração no pertinente e respectivo contencioso estabelecido. Os valores associados ao plano de opções foram pagos sob rubricas bonificações extraordinárias e, verificados que tais montantes apreendidos como remuneratórios não foram informados em GFIP tampouco recolhidas as contribuições devidas, de rigor o lançamento efetuado. Notese que o contribuinte foi em sucessivas oportunidades intimado para "apresentar eventuais Planos de Stock Options com pagamentos/resgates entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009" (fls. 4/42), porém quedou silente, vindo a aludir terem aqueles valores correspondência com planos de opções tão somente em sede de impugnação (fls. 506 e ss). De todo modo, não houve enquadramento legal equivocado, pois tratase, conforme decidido pelo Colegiado, de verba de caráter remuneratório que integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, a teor do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Noutro giro, salientese que a discussão foi submetida a duplo grau de instância recursal, não tendo sido comprovado qualquer prejuízo ao contribuinte em decorrência de sua própria inércia no curso do procedimento fiscal, pois pôde exercer sua ampla defesa com plenitude nas vias recursais. Não há reparos a realizar no lançamento, portanto, no tocante a esses levantamentos de "Bonificação Extraordinária". Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da autuação, em relação a cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos de Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 16327.720596/201348 Acórdão n.º 2402006.048 S2C4T2 Fl. 2.102 91 PLR vinculados às convenções e PPR previstos nos acordos coletivos de trabalho, bem como ao PPR ABN, desde que o total de pagamentos a esse título, independentemente do instrumento que lhes embase, tenham sido efetuados com periodicidade de até duas vezes ao ano e superior a um semestre, nos termos do § 2º do art. 3º da Lei n 10.101/2001. E, no que se refere à matéria preliminar e às multas lançadas, acompanho o encaminhamento do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000473/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não há previsão legal para o sobrestamento pretendido. A decisão recorrida enfrentou todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa.
INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente, cuja origem não seja comprovada, presumem-se receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. MULTA. REDUÇÃO DA MULTA.
O agente fiscal não justifica o porque no presente caso se enquadraria como crime, o que entendo imprescindível para qualificação de multa que exige a efetiva comprovação do dolo específico do contribuinte. Aplicação da Súmula CARF 25.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Correta a aplicação da taxa SELIC para a cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3o da Lei nº 9.430/1996.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para tão somente, reduzir a multa qualificada
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não há previsão legal para o sobrestamento pretendido. A decisão recorrida enfrentou todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa. INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente, cuja origem não seja comprovada, presumem-se receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. MULTA. REDUÇÃO DA MULTA. O agente fiscal não justifica o porque no presente caso se enquadraria como crime, o que entendo imprescindível para qualificação de multa que exige a efetiva comprovação do dolo específico do contribuinte. Aplicação da Súmula CARF 25. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Correta a aplicação da taxa SELIC para a cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3o da Lei nº 9.430/1996. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
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NÃO OCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Não há previsão legal para o sobrestamento pretendido. A decisão recorrida enfrentou todos os fundamentos trazidos pelo contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa. INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente, cuja origem não seja comprovada, presumemse receitas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 73 /2 01 1- 04 Fl. 823DF CARF MF 2 omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. MULTA. REDUÇÃO DA MULTA. O agente fiscal não justifica o porque no presente caso se enquadraria como crime, o que entendo imprescindível para qualificação de multa que exige a efetiva comprovação do dolo específico do contribuinte. Aplicação da Súmula CARF 25. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Correta a aplicação da taxa SELIC para a cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3o da Lei nº 9.430/1996. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para tão somente, reduzir a multa qualificada (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 19515.000473/201104 Acórdão n.º 1401002.510 S1C4T1 Fl. 824 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP), que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, para manter o crédito tributário exigido. Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal – “TVCF” às fls. 312/320, “tratase de crédito lançado contra o Contribuinte acima identificado (optante pelo SIMPLES – Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições), em relação à competência de janeiro/2006, vez que em decorrência do procedimento fiscal realizado foi constatada omissão de registro de receitas, referente a valores identificados créditos e depósitos bancários em contas correntes da Fiscalizada, não declarados nem contabilizados, o que resultou na lavratura dos Autos de Infração incluídos no presente processo (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais – multa e juros). O montante do crédito tributário em epígrafe perfez o montante de R$ 389.978,03 (trezentos e oitenta e nove mil novecentos e setenta e oito reais e três centavos). As exigências tributárias referemse às supostas infrações a legislação tributária – “DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO” atinentes aos anoscalendário de apuração de 2006, Às fls. 424 dos autos consta a REPRESENTAÇÃO FISCAL – “Exclusão do Simples”. Ciente da autuação, o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 28/02/2011 (fls.426/475), trazendo as seguintes razões: 1. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO: Narra os acontecimentos e termos do procedimento fiscal desenvolvido, afirma que as movimentações bancárias se referiam as refeições fornecidas a seus clientes e pagas por meio de tickets. 2. Ademais, informa que não apresentou relação de beneficiários dos recursos sacados de suas contas correntes, conforme solicitado, pois que a própria Defendente era quem sacava tais valores para a compra dos tickets. 3. Ainda, sustenta que seu comércio apresentava lucro extremamente diminuto, vez que suportava custos elevados com fornecedores e, desta forma, sua movimentação financeira, ainda que elevada, não Fl. 825DF CARF MF 4 pode ser considerada como base de cálculo para qualquer tributo federal. 4. Articula que a Insurgente foi vítima de contumazes e reiterados roubos a seu estabelecimento comercial, situação que conduziu, invariavelmente, ao extravio de papéis de toda sorte, entre os quais, alguns daqueles que seriam aptos a prestar os devidos esclarecimentos. Em resumo e reforço, assevera que origem das movimentações financeiras nas reclamadas contas bancárias decorreu da prática de compra de tíquetes de alimentação e de refeição dos trabalhadores que a procuravam, mediante deságio do valor total. 5. Demais do exposto, exemplifica a “operação de desconto” que efetuava quando da “compra” dos tíquetes (vale refeição/alimentação), para ratificar que os valores movimentados em suas contascorrente não compõe o seu faturamento, senão no quanto referente ao “deságio” (equivalente a 1% do valor total) cobrado na referida “operação”. 6. Em complemento, entende por inadmissível a exigência de conhecimento técnicotributário de pessoas acostumadas à informalidade inerente à cultura de seus pares, quando mesmo aqueles com conhecimento na área jurídica ou contábil enfrentam dificuldades face a complexa legislação tributária pátria.Erige o argumento de que os valores creditados em suas contascorrente não se enquadram no conceito de receita, trazendo como suporte opiniões doutrinárias e, em conclusão, assevera que receita é somente aquele ingresso que se incorpora ao patrimônio do contribuinte. Colaciona julgado administrativo. Neste ponto, conclui, amparado na doutrina, que o caso é verdadeiramente de não incidência vez que o fato jurígeno efetivamente ocorrido escapa, por completo, àquele previsto na legislação e na própria Constituição. Colaciona julgados administrativos. 7. Aborda a questão da presunção, mormente quanto à previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, após discorrer longamente sobre o tema, expressa o entendimento de que a presunção jamais poderá ser resultado da iniciativa criativa e original do legislador, devendo esta apoiarse na repetida e comprovada correlação natural de dois fatos considerados, o conhecido e o desconhecido. Afirma, ainda, que tal previsão colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais por inexistência de liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. 8. Conclui asseverando que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura, pois nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. Colaciona julgados administrativos atinentes ao IRPF. 9. Do exposto, conclui que nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. Colaciona doutrina e afirma que a presunção legal estribada em depósitos Fl. 826DF CARF MF Processo nº 19515.000473/201104 Acórdão n.º 1401002.510 S1C4T1 Fl. 825 5 bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada em experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; o encargo probatório é totalmente transferido para o contribuinte, com manifesta impossibilidade de produção de provas. 10. A Insurgente articula pela abusividade das multas de ofício impostas e, ainda, característica de confisco, vez que entende não ter havido qualquer irregularidade ou infração praticada pela Impugnante que ensejasse tal imposição. Colaciona doutrina e jurisprudência. 11. Do que expõem, entende que resta claro ser descabidas, devendo ser totalmente canceladas as multas de ofício de 75% e 150% sobre o valor do tributo supostamente devido, por configurar situação abusiva e confiscatória, em total descompasso com o disposto no art. 5º , inciso XXII, e art 150, IV, ambos da Constituição Federal de 1988. 12. No tocante aos juros moratórios, por falta de previsão legal expressa, contesta a respectiva incidência sobre a multa de ofício, com fundamento no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Colaciona jurisprudência. 13. Alega, ademais, que em virtude de o CTN prever a incidência de juros no percentual de 1%, resta desconforme o ordenamento a cobrança de juros com base na taxa SELIC. Escorase em jurisprudência colacionada. 14. Por fim, em razão da inconstitucionalidade da Taxa SELIC, conforme discorre em sua peça vestibular de Defesa, entende deva ser cancelado o combatido Auto de Infração. 15. Pelo exposto, requer que seja acolhida e provida a Impugnação apresentada a fim de que seja julgada improcedente a lavratura dos presentes Autos de Infração, com o consequente cancelamento do débito em epígrafe e arquivamento do processo administrativo correspondente. 16. Em arremate, requer que as publicações e intimações referentes ao presente feito sejam encaminhadas exclusivamente em nome e endereço dos patronos que nomeia. Às fls. 605 dos autos Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES de nº 80/2011 – Exclusão do Simples. Conforme despacho de fls. 357, não foi apresentada impugnação em relação ao ADE nº 80/2011. Às fls. 608/615 – Petição do Contribuinte – requerendo a juntada de NOVOS DOCUMENTOS (SOLICITAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL PF). Fl. 827DF CARF MF 6 Às fls. 638/639 – Petição do Contribuinte requerendo a JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS (INQUÉRITO POLICIAL – POLÍCIA CIVIL). O Acórdão ora Recorrido (1645.005 13ª Turma da DRJ/SP1) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo havido, por parte do contribuinte, conhecimento e ciência de todos os requisitos que compuseram a autuação; contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e correto enquadramento legal, sanadas as irregularidades, dada ciência e oportunizada a manifestação do autuado, ou seja, atendida integralmente a legislação de regência, não se verifica cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 19515.000473/201104 Acórdão n.º 1401002.510 S1C4T1 Fl. 826 7 Correta a aplicação da taxa SELIC para a cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3o da Lei nº 9.430/1996. A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Isto porque, segundo entendimento da Turma, “os créditos tributários em debate tiveram por fatos geradores a aferição de receitas não declaradas/justificadas, resultantes do cotejo das informações constantes do Livro Caixa nº 06, nº 205611 (JUCESP) e os montantes mensais de movimentação financeira (créditos/depósitos) das contas correntes da Auditada mantidas junto à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil e ao Bradesco, consoante se depreende da planilha acostada às fls. 79/111, combinada com as informações constantes do Termo de Verificação e Constatação Fiscal – SIMPLES”. Informa ainda, “que ao compulsar os autos não se encontra informação conclusiva acerca da atuação dos procuradores da Autuada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) Desta forma, o pleito da Autuada no sentido da atribuição pessoal e exclusiva da responsabilidade tributária aos procuradores não pode ser acatado. Pelo exposto, é de se concluir que faltou nos autos a demonstração da prática de ato irregular por parte dos Srs. Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante, no exercício do mandato ou no desrespeito à lei ou ao contrato social, para se cogitar acerca da colmatação dos fatos ao previsto na invocada norma em apreço, sem o que não devem aqueles serem entendidos como responsáveis tributários pelos discutidos créditos, nem mesmo de forma solidária”. (...) “Tendo em vista que não há nos autos menção ou comprovação da prática de infração tributária no exercício do mandato que foi conferido aos Srs. Gervásio Cavalcante de Macedo e Cláudia Cristina Coelho Cavalcante, não há de cogitar da adequação da pretendida solidariedade com o previsto em tal preceito”. Ademais, “a Autoridade Lançadora esclarece que o procedimento fiscal do qual resultou o AI em tela foi encerrado parcialmente, contemplando, apenas, a competência de janeiro/2006”. Por fim, ao Impugnar os créditos tributários decorrentes da presunção legal plasmada no art. 42 da Lei nº 9.430/96 sem comprovar as alegações aludidas em sua exordial, a Insurgente desatendeu norma cogente, vez que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, especialmente em seu inciso III e § 4º, determina que a Impugnação será apresentada com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamente precluindo o direito de apresentar as provas que possuir em outro momento, excetuadas as previsões legais expressamente ressalvadas. Demais do exposto, quanto à realização de perícias aventada pela Defendente, tendo em vista que o art. 18 do citado Decreto nº 70.235/72 faculta à Autoridade Julgadora a determinação de realização de perícia ou de diligência de ofício ou a pedido do Impugnante, bem como sua recusa, quando entendêla prescindível ou impraticável e não foi atendido o quanto previsto no art. 16, IV do indigitado normativo, tendo por base as Fl. 829DF CARF MF 8 articulações encadeadas no transcorrer do presente Voto, em acréscimo ao quanto já tratado sobre a inexistência de provas ou indícios da verdade alegada pela Insurgente”. No tocante ao inquérito policial solicitado junto à Delegacia de Polícia Civil do 14º Distrito de São Paulo, informa os julgadores que “nenhuma notícia ou desfecho constou do processo. Contudo, ressaltese, o desenrolar ou destino do referido inquérito, sem que haja o carreamento de provas cabais para o processo administrativo, não tem/teria o condão de afetar a decisão sobre o tema ora analisado”. Afirma os julgadores, que “a caracterização da ocorrência do fato gerador em discussão não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerado isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido – ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o valor creditado em conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados”. Às fls. 675 – Petição do Contribuinte requerendo juntada de certidão do Escrivão de Polícia do 14º Distrito Policial. Às fls. 678 – Petição do Contribuinte requerendo a juntada de cópia integral do inquérito policial de nº 148/2013. Ciente da decisão do Acórdão em 15/07/2014 (fls. 795), o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 15/08/2014 (fls. 797/820), alegando as seguintes razões: 1. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS PROCURADORES: Diz que a conduta praticada pelo procurador Gervásio e pela sra. Cláudia teve como finalidade deixar de recolher tributos sobre a sua atividade (compra e venda de tickets). 2. DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS REALIZADOS NAS CONTAS DA RECORRENTE: Afirma que nunca realizou a pratica a compra e venda de tickets de refeição, sendo certo que essa era atividade realizada pelo seu procurador sem a autorização ou conhecimento, que por sua vez utilizava indevidamente as contas correntes da Recorrente para movimentar o seu negócio. 3. DA NULIDADE DA DECISÃO: Afirmou que não tem como carrear para o presente processo administrativo as provas a respeito dos fatos narrados no pedido de abertura de inquérito, ficando evidente a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, seja pelo fato de não ter levado em consideração os documentos juntados as autos, seja por deixar de considerar fatos relevantes noticiados pela recorrente após a apresentação da impugnação, os quais ainda estão sendo investigados. 4. DA RESPONSABILIDADE DO PROCURADOR: Afirma que impõemse a sua responsabilização pessoal e exclusiva dos procuradores o Sr. Gervásio Macedo e a Sra. Cláudia Cristina pelo Fl. 830DF CARF MF Processo nº 19515.000473/201104 Acórdão n.º 1401002.510 S1C4T1 Fl. 827 9 crédito tributário exigido nos autos de infração, conforme o art. 135, II do CTN pela conduta única e exclusivamente do não pagamento dos tributos que são devidos sobre a sua atividade por eles exercidas compra e venda de tickets. 5. DO SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ART. 62A DO RICARF. Afirma que “o lançamento tributário em discussão é eivado de nulidade e deve ser cancelado, pois o ordenamento jurídico não admite a apuração de crédito tributário a partir de extratos bancários obtidos mediante quebra de sigilo bancário diretamente pela Autoridade Fiscal sem o devido amparo judicial”. 6. DA ILEGALIDADE DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA: Diz que “a caracterização da ocorrência do fato gerador não se deu pela mera constatação de um crédito bancário, mas sim pela falta de esclarecimentos acerca da origem dos numerários creditados”. 7. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO REPRESENTAM RECEITA TRIBUTÁVEL: Afirma que “a “recorrente” comprava "tickets" de seus clientes com pequeno deságio e depois repassava tais "tickets" para as competentes empresas operadoras, as quais realizam os depósitos nas contascorrentes da impugnante, descontadas todas as taxas e despesas de praxe. Desse modo, os créditos efetuados em sua conta não representam lucro e conseqüentemente, não podem ser considerados como receita para fins de tributação"”. 8. DO USO INDEVIDO DA PRESUNÇÃO PARA O LANÇAMENTO REALIZADO: Diz “que tendo em vista que os depósitos bancários que deram origem à autuação representavam movimento de atividade de compra e venda de tickets exercida pelo procurador Gervásio, resta claro que a recorrente ou os sócios jamais se beneficiariam dos respectivos valores”. 9. DA MULTA ABUSIVA IMPOSTA À EMPRESA CONTRIBUINTE: Afirma que “resta claro que deve ser cancelada as multas de oficio de 75% e 150% sobre o valor do tributo supostamente devido, por configurar situação confiscatória”. DA INAPLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO: Diz que deve ser cancelado a aplicação de juris de mora sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal expressa”. 10. DA ILEGALIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC COMO JUROS MORATÓRIOS EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA OFENSA AO PRINCIPIO DA ESTRITA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA: Afirma que "de acordo com o ordenamento jurídico, a composição e a forma de cálculo da taxa Selic deveria estar prevista em lei e não apenas em resoluções e circulares do Banco Central". Fl. 831DF CARF MF 10 11. Requereu a conversão do julgamento em diligência, "de modo a provar os fatos que estão sendo apurados no inquérito policial que se encontra em andamento". 12. Requereu a procedência do Recurso Voluntário interposto e a nulidade da sentença recorrida. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Como já acima exposto, da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, constituise de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o Fl. 832DF CARF MF Processo nº 19515.000473/201104 Acórdão n.º 1401002.510 S1C4T1 Fl. 828 11 voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida. O Recorrente defende ser nula a decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, seja pelo fato de não ter levado em consideração os documentos juntados as autos, seja por deixar de considerar fatos relevantes noticiados pela recorrente após a apresentação da impugnação, os quais ainda estão sendo investigados. Ora, não assiste razão ao recorrente. A decisão recorrida analisou detalhadamente os "fatos novos" trazidos pela Recorrente, fundamentando o motivo da sua decisão. Em verdade, o fato de os argumentos e documentos apresentados não serem suficientes, de acordo com a decisão recorrida, para tornar insubsistente o lançamento, não inquina de nulidade a decisão. Não houve omissão na apreciação, mas simples não acatamento do alegado. Senão vejamos como se manifestou a DRJ: 8.9.6. Ainda, é de observar que o apontado inquérito policial (Polícia Federal) desejado pela Autuada, consoante Ofício nº 3.044/2012 – COR/SR/DPF/SP, fls. 337, não foi, sequer, instaurado. 8.9.7. No tocante ao inquérito policial solicitado junto à Delegacia de Polícia Civil do 14º Distrito de São Paulo, nenhuma notícia ou desfecho constou do processo. Contudo, ressaltese, o desenrolar ou destino do referido inquérito, sem que haja o carreamento de provas cabais para o processo administrativo, não tem/teria o condão de afetar a decisão sobre o tema ora analisado. Ademais, como bem asseverado pela decisão recorrida, a obrigação tributária decorre do seu respectivo fato gerador, e deve ser interpretada objetivamente. O eventual prosseguimento ou conclusão do inquérito policial não terá conseqüências para o crédito tributário, mas sim para posterior ação de reparação de danos das supostas vítimas. Fl. 833DF CARF MF 12 Outrossim, da narração dos fatos pelo próprio contribuinte, bem como dos documentos acostados, é de se perceber que todos os fundamentos e acusações da referida queixa crime se fundam em suposto golpe sofrido pelos sócios da contribuinte. Entretanto, o que se verifica dos autos é que os sócios outorgaram a procuração livremente, foram beneficiados com suposto "empréstimo" para reformas, tinham poderes para movimentar a conta do Banco do Brasil, que não é a única conta objeto de omissão. Assim, absolutamente frágeis os argumentos defensivos. Face ao exposto, não acolho a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Quanto ao pedido de nulidade/sobrestamento também não assiste razão ao recorrente. Não subsiste hipótese legal para se sobrestar o julgamento. No que se refere à arguição de responsabilidade pessoal dos procuradores, igualmente não assiste razão ao Recorrente. Primeiro porque a procuração outorgada para os mesmos era tão somente para movimentação da conta no Banco do Brasil, e as demais contas do recorrente também foram objeto de fiscalização e omissão. Outrossim, em sendo verdadeiros os fundamentos do Recorrente, ele teria sido, no mínimo, imprudente ao conferir a respectiva procuração, e arcou com o risco dos seus atos em troca de facilidades como um suposto empréstimo (que sequer foi comprovado), e benefícios econômicos e financeiros com a suposta operação de compra e venda de tickets. Todos os atos praticados o foram feitos com participação direta ou indireta da Recorrente, não havendo como sustentar a sua tese defensiva de atribuição de responsabilidade exclusiva e pessoal aos referidos procuradores. Além disso, ressaltese, ao conferir a procuração a Recorrente não perdeu os poderes de movimentação bancária junto à citada conta no Banco do Brasil, não havendo provas concretas de quem efetivamente a movimentou. Apesar disso, essas provas também não interfeririam, a meu ver, na manutenção do presente lançamento. Ademais, é no mínimo estranho que a Recorrente queira, agora, atribuir toda a responsabilidade aos referidos procuradores e, quando do processo de fiscalização, em resposta ao Termo de Intimação n. 12, tenha faltado com a verdade ao afirmar que jamais teria outorgado procuração aos Srs. Gervário e Cláudia. Outrossim, ressaltese mais uma vez, a contabilidade da empresa foi feita pela própria Recorrente, e o presente lançamento abarca a omissão da declaração de receita em outras instituições financeiras. Outrossim, se não bastasse isso tudo, instado a apresentar provas de suas alegações, seja no curso do procedimento de fiscalização, seja na sua defesa no curso desse processo administrativo fiscal, o Recorrente apenas reitera argumentos, e diz não ter documentos ou provas por terem sido furtadas nos constantes assaltos ao seu estabelecimento. Tratase portanto o Recorrente de uma vítima que não sabia de nada, que atribui toda a responsabilidade a seus procuradores, os quais receberam o instrumento procuratório livremente e movimentaram mais de R$ 18 milhões de reais em contas de sua titularidade, sem que ele soubesse de nada! Não há como acolher as alegações do Recorrente. Fl. 834DF CARF MF Processo nº 19515.000473/201104 Acórdão n.º 1401002.510 S1C4T1 Fl. 829 13 No que se refere à origem dos depósitos bancários serem fruto de suposta comercialização de tickets, em que a recorrente ficaria com aproximadamente 1% da renda também não merece ser acolhida. Primeiro não há a comprovação do fato. A Recorrente alega que os documentos teriam sido roubados. Segundo, como ela mesma confessa, o objeto comercial da empresa não seria compra e venda de tickets, mas sim comercialização de gêneros alimentícios. Terceiro, o que se tem é um grande volume de recebimento de operações realizadas com tickets, operações absolutamente convergentes com o seu ramo de atividade. Ou seja, o cliente adquire produtos em seu estabelecimento e paga mediante ticket. Essa é a presunção lógica da operação, jamais a fantasiosa tese sustentada pela Recorrente, a qual o faz sem qualquer prova concreta. Outrossim, a omissão das receitas não se deu apenas quanto ao recebimento em tickets ou com a movimentação na conta do Banco do Brasil, mas também foram omitidos recebimentos de vendas com cartões de crédito e débito, bem como movimentações em outras 2 contas de sua titularidade. apenas nas contas do Bradesco e da Caixa Econômica foram identificadas omissões que superam R$ 500.000,00. O optante do SIMPLES tem um tratamento quanto à escrituração fiscal diferenciado, bem como a tributação como regra decorre de um percentual sobre o faturamento. Desta feita, não há sentido em se questionar os custos da atividade, créditos, efetivo acréscimo patrimonial, etc, quando tais elementos são estranhos à forma de tributação escolhida pelo Recorrente. Desta feita, tendo o autuante identificado claramente a receita omitida, não há o que se falar em necessidade de arbitramento tendo em vista que a forma de tributação escolhida pela Recorrente decorre da aplicação de um percentual legal à referida receita. Em que pese não tenha havido quebra de sigilo, vez que os extratos bancários foram fornecidos pela própria Recorrente, mesmo que tivesse ocorrido não haveria qualquer ilegalidade em razão de previsão legal e do entendimento manifestado pelo STF. De posse dos extratos bancários foi lavrado Termo de Intimação solicitando que o contribuinte informasse/comprovasse a origem dos créditos (depósitos) efetuados em contas corrente de sua titularidade. O contribuinte se omitiu perante a fiscalização. Outrossim, mesmo que assim não fosse, em que pese este Relator não concorde com o seu resultado, o STF no julgamento da ADI 2390 em 18.02.2016 entendeu ser constitucional a lei que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Ademais, diante da ausência de documentos hábeis, face o descumprimento das intimações realizadas, a solicitação de movimentação bancária do contribuinte foi meio absolutamente adequado e que se demonstrou eficaz. Fl. 835DF CARF MF 14 Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, conforme dispositivo legal já transcrito. Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o Fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do principio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção iuris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. O que não o fez de forma adequada. No mais, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento. Ressaltese, ainda, que durante o período fiscalizado o contribuinte declarou receitas de aproximadamente R$ 10.000,00 mensais, quando de fato movimentou receitas que superam R$ 18.000,00, sem qualquer justificativa ou comprovação em contrário. Quanto à inaplicabilidade de juros sobre a multa, é pacífico neste Conselho o entendimento de que, de acordo com art. 161 do CTN, sobre o crédito tributário incidem juros de mora. Como a multa de ofício integra o crédito tributário, também sobre ela devem incidir juros de mora. Igualmente é pacífico que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere à confiscatoriedade da penalidade aplicável, ressalto que as multas aplicáveis são as legalmente previstas, e não compete a este CARF apreciar alegações quanto à inconstitucionalidade de norma em razão do que dispõe a Súmula CARF n. 2. Entretanto, requer de forma subsidiária a redução da multa qualificada. Neste ponto cumpre ressaltar que o agente fiscal dividiu o lançamento em 2 grupos de receitas: E segregando as omissões em 2 grupos bem definidos, aplicou a penalidade qualificada de 150% para o primeiro grupo e a penalidade de 75% para o segundo. E neste particular está a minha única discordância com o procedimento adotado pelo agente autuante. Isto porque, no primeiro grupo encontramse receitas recebidas de clientes e fornecedores e, de fato, nos termos do que dispõe a Súmula 25 do CARF, a presunção de omissão de receitas não importa de ofício na qualificação da multa. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 19515.000473/201104 Acórdão n.º 1401002.510 S1C4T1 Fl. 830 15 Por sua vez, o segundo grupo de receitas foi identificada em conta corrente à margem da contabilidade da Recorrente, razão pela qual, no meu entender, era este grupo que deveria ter a penalidade qualificada. O TVF não justifica adequadamente o motivo pelo qual majorou a penalidade do primeiro grupo, simplesmente presumindo a omissão como sonegação, indo de encontro com o previsto na Súmula CARF n. 25. Assim, face ao exposto, voto por acolher o recurso do contribuinte neste particular para o fim de reduzir a multa aplicada de 150% para 75%. Desta feita, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, tão somente, para reduzir a multa qualificada. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 837DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11850.000113/2008-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/09/2008
MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como a de prestar informações sobre veículo ou carga transportada.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-006.495
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11850.000113/200886 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.495 – 3ª Turma Sessão de 14 de março de 2018 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Recorrente LUFTHANSA CARGO A G Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/09/2008 MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO E/OU ERRO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO OU CARGA NELE TRANSPORTADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. O benefício da denúncia espontânea não se aplica ao descumprimento de obrigações acessórias, como a de prestar informações sobre veículo ou carga transportada. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 01 13 /2 00 8- 86 Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11850.000113/200886 Acórdão n.º 9303006.495 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802000.816, de 22/11/2011, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/09/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela IN SRF nº 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Intimada da decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais foram parcialmente acolhidos, mas sem efeitos infringentes. Também apresentou recurso especial alegando a necessidade da exclusão da penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea, bem como a violação ao princípio da verdade material. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3101000.997 e 3402002.224 (primeiro tema) e 302 39.947 e 30334.671 (segundo tema). O recurso foi admitido mediante despacho do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.482, de 14/03/2018, proferido no julgamento do processo 11850.000098/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.482): Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11850.000113/200886 Acórdão n.º 9303006.495 CSRFT3 Fl. 4 3 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Com relação à primeira matéria – a denúncia espontânea em penalidades por descumprimento de obrigações acessórias –, entendeu o acórdão recorrido que, para tais infrações, descaberia a sua aplicação, entendimento divergente dos paradigmas, que sustentaram que, no âmbito da legislação aduaneira, o instituto da denúncia espontânea aplica se para a exclusão de penalidade de natureza tributária ou administrativa. No mérito, entendemos não assistir razão à Recorrente. O fundamento em que se escora a alegação da denúncia espontânea é, como se sabe, o art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Medida Provisória nº 497, de 2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350, de 2010, que passou a prever que a denúncia espontânea excluiria a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, de modo que, no caso tratado nos autos, a penalidade seria inexigível. Confira se: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (g.n.) Todavia, é entendimento consolidado que os efeitos da denúncia espontânea não se estendem às penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias autônomas. Portanto, o dispositivo acima só alcançaria as obrigações tributária principal e administrativa, motivo por que, a propósito, editado o Verbete de jurisprudência CARF nº 49, segundo o qual “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração.” O Poder Judiciário nunca discrepou desse entendimento. Para ilustrar: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1.A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas.Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (STJ, Segunda Turma, RESP nº 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010). No caso em análise, ademais, a penalidade aplicada não tem, a nosso juízo, natureza “aduaneira”, como entendem alguns, no sentido de constituirse uma outra modalidade, diversa das tributárias ou administrativas. O que se quer dizer com isso é que a penalidade aplicada pela legislação aduaneira, seja ela qual for, apresentase, conforme o caso, com a natureza tributária ou a administrativa. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11850.000113/200886 Acórdão n.º 9303006.495 CSRFT3 Fl. 5 4 Assim, a multa por falta de licenciamento não automático, quando o produto importado o requer, é administrativa, porque não tem por objeto prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), senão que ao controle administrativo das importações. Diversa, contudo, é a penalidade aplicada nos autos, pois a finalidade de sua instituição é a de permitir o controle das operações de comércio exterior pelo Fisco, não pelos órgãos intervenientes, como o caso antes referido. O interesse, desnecessário até enfatizar, é da arrecadação e da fiscalização tributária. É cediço, aliás, que as normais gerais em Direito Tributário são matéria reservada alei complementar (como as que estabelecem os contornos da denúncia espontânea), tanto que o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante nº 8, pacificou o entendimento de que são inconstitucionais o parágrafo único do art. 5º do DecretoLei nº 1.569/1977e os arts. 45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. A matéria, como se sabe, já foi apreciada nesta mesma Turma, em decisão que restou assim ementada: PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão nº 9303003.648, de 26/04/2016). Com relação à segunda matéria, ela está umbilicalmente imbricada com a primeira. Os seguintes parágrafos dos embargos interpostos pela Recorrente bem o comprovam: Ora, a referência ao princípio da verdade material teve o claro desiderato de reconhecer o fato de que foi a Recorrente que procurou corrigir o seu erro. Entretanto, ainda que assim tenha ocorrido, esse fato, pela razões antes expostas, não tem o menor relevo para os fins de reconhecimento da denúncia espontânea, simplesmente porque, como visto, ela não alcança as obrigações tributárias acessórias. Ante o exposto, conheço do recurso especial, e, no mérito, negolhe provimento." Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11850.000113/200886 Acórdão n.º 9303006.495 CSRFT3 Fl. 6 5 Deixouse de transcrever a declaração de voto da Conselheira Tatiana Midori Migiyama por representar entendimento que restou vencido, não se aplicando à solução do litígio neste processo. A íntegra da mencionada declaração encontrase no acórdão 9303 006.482 (paradigma). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.004007/2010-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/07/2008
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 40 07 /2 01 0- 18 Fl. 68DF CARF MF 2 Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga (bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de conseqüência, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o artigo 37 do Decreto Lei 37/66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. O artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baldeação. Prazos dado às prestações de informações Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10711.004007/201018 Acórdão n.º 3001000.343 S3C0T1 Fl. 81 3 São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a conseqüente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A chegada da embarcação MSC Tamara no Brasil, porto de Suape, ocorreu dia 23/09/2008, tendo atracado as 19hrs30, conforme informações constante no extrato de manifesto e detalhes de escala. A data e hora da atracação, servem como limites para que a Fl. 70DF CARF MF 4 agência de navegação presta as informações sobre a carga. A agencia MSC Mediterranean Shipping, informou sobre o manifesto e efetuou sua vinculação às escalas de forma tempestiva. Por sua vez, a empresa Craft Multimodal, na qualidade de agente de cargas, promoveu a desconsolidação e introduzindo as informações de forma tempestiva. Nova desconsolidação, com envio de informações também de forma tempestiva, ocorreu pela empresa Hafen. Consta como consignatária, a empresa Braservice, como desconsolidadora. Esta última, constituiu como sua representante a empresa Rioport Assessoria Aduaneira, também cadastrada como desconsolidadora. A embarcação prosseguiu viagem, tendo atracado no Rio de Janeiro dia 29/09/2008, figurando como transportador representante o agente de carga Rioport, tendo havido a desconsolidação da carga somente no dia 29/09/08 as 17hrs12min29. Impugnação Tratase do combate ao auto de infração, cuja lavratura do auto de infração deuse em 11/05/2010, por ter prestado informações sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN 800 e 899/08 e com aplicação de multa por infração ao artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66, com novel redação estabelecida pela Lei 10.833 03.Aponta que em 11 de maio de 2010 foi lavrado auto de infração impondo multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, com fundamento no artigo 107, IV, alínea e, do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03, cujo descritivo aponta a não prestação de informações sobre carga transportada, nos prazos estabelecidos pela Receita Federal. A empresa Braservice Assessoria em Comércio Exterior Ltda., constituiu junto ao Departamento do Fundo de Marinha Mercante DEFMM, como sua representante a ora impugnante. A embarcação MSC TAMARA atracou dia 29/09/2008 às 18 hrs., conforme escala 08000211740 fls. 28, argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12, em fls. 29 e 30 argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12. No mérito, argumenta que não haveria como imputar a multa aplicada haja vista estar a legislação em referência sob vacatio legislação, em razão da nova redação do artigo 22 da IN 800/07, dada pela IN 899 de dezembro de 2008 Repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação". Alternativamente, argumenta pela não obrigatoriedade da prestação de informações. DRJ/FLN O presente processo foi dispensado de ementa, sendo mister a transcrição de seu relatório, para o fiel entendimento do cerne discutidos nestes autos. O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10711.004007/201018 Acórdão n.º 3001000.343 S3C0T1 Fl. 82 5 Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da desconsolidação de CE (MHBL) n.º 130805182616644 intempestivamente. Junta às fls. 16/32 cópia das telas de informações das escalas e conhecimentos eletrônicos. Nos termos, então, da IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas às cargas transportadas é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação alegando que as informações foram prestadas tempestivamente às 17:12 horas do dia 29/09/2008, já que a atracação se deu às 18:00 horas do mesmo dia, segundo relato no auto de infração. Ainda assim alega também que a IN SRF n.º 800/2007 somente estipulou prazo para a prestação das informações a partir de 01/04/2009 (art. 50) com vistas à adequação dos procedimentos por parte dos usuários e como o fato alegado de informação intempestiva se deu antes daquela data é improcedente o lançamento da multa por violação ao princípio Constitucional de Reserva Legal. Examinando o que consta no processo, foi constatada divergência nas datas de atracação que constam na autuação e n os documentos que acompanham o auto de infração (Detalhes da Escala, às fls. 30). Por esta razão foi diligenciado à unidade preparadora para que saneasse tal erro material (fls. 49/50). A ALF/Porto do Rio de Janeiro procedeu, então, a retificação da data de atracação para o dia 28/09/2008, conforme dados da escala, emitindo auto de infração complementar do qual foi novamente cientificada a autuada. A interessada apresentou aditamento à impugnação às fls. 61/63 reiterando os argumentos já apresentados e contestando a alteração procedida pela fiscalização na autuação. Alega que tal erro material caracteriza vício intransponível, cabendo a nulidade do auto de infração para atender aos princípios da legalidade e ampla defesa. Ao longo do voto, o colegiado julgador de primeiro piso esclarece os fundamentos do voto: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, tendo em vista que a interessada prestou informações acerca da desconsolidação da carga na data/hora de 29/09/2008, às 118:00 h, de forma intempestiva, já Fl. 72DF CARF MF 6 que a atracação da embarcação se deu no dia 29/09/2008, às 17:12 h. Quanto ao mérito, o argumento trazido pela interessada para contestar a autuação é de que o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. Todavia está equivocada a impugnante em sua análise. Isto porque o indigitado art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, em vigor a partir de 31/03/2008, possuía, originalmente a seguinte redação: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. (grifei) Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente ressaltou o argumento de que o prazo seria obrigatório apenas a partir de 01 de abril de 2009 ,conforme artigo 50 da IN 800/07 e 899/08 No mérito, repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação", mencionando o artigo 22 prazos de antecedência, com sua referência legal. Destaca do voto condutor do acórdão recorrido, o argumento de que mesmo estando suspensa a obrigatoriedade, não exime o contribuinte de prestar as a informações, contrapondo que as informações foram, efetivamente, prestadas Do texto destacado do referido acórdão de piso, evidencia o início do termo dos prazos em 01 de abril de 2009 Ainda, menciona o artigo 76, I, h da Lei 10.833/03, a qual, em eu entendimento, impõe a sanção de advertência, no atraso por mais de 03 vezes Na seqüência, conclui que a aplicação da multa conforme efetivada, não é contemplada pelo regulamento aduaneiro, não havendo, portanto, fundamento legal para sua imposição, ocasionando ofensa ao princípio constitucional da reserva legal, em nome da preservação da segurança jurídica. Pela efetividade do princípio da Razoabilidade, menciona doutrina e precedentes do STJ quanto à inexigibilidade de multa administrativa em procedimento de Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10711.004007/201018 Acórdão n.º 3001000.343 S3C0T1 Fl. 83 7 vistoria e revisão aduaneira ante a inexistência de prejuízo ao fisco e a boa fé do sujeito passivo. Neste sentido, indica a inocorrência de dano ao erário É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Mérito Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 74DF CARF MF 8 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10711.004007/201018 Acórdão n.º 3001000.343 S3C0T1 Fl. 84 9 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da Fl. 76DF CARF MF 10 IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10711.004007/201018 Acórdão n.º 3001000.343 S3C0T1 Fl. 85 11 no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, fazendo se valer o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Fl. 78DF CARF MF 12 Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, acompanhado que foi pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual "houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009". Preâmbulo 2 Ainda, antes de adentrarse à questão jurídica que motivou a presente divergência de entendimento, destacase, por oportuno, que o caso sob exame processo 10711.002995/201061 (Acórdão 3001000.341), afora os dados concernentes ao nome da embarcação, a da data e hora de atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, o número do conhecimento eletrônico e a data e hora que o recorrente registrou a desconsolidação da carga, é congêrene àqueles tratado nos processos 10711.003775/201054 (Acórdão 3001000.342), 10711.004007/201018 (Acórdão 3001000.343), 10711.006048/201049 (Acórdão 3001000.344), 10711.008214/200916 (Acórdão 3001 000.345), 10711.008215/200952 (Acórdão 3001000.346), 10711.721400/201151 (Acórdão 3001000.347) e 10711.724279/201119 (Acórdão 3001000.348), tanto que igualmente são idênticos os argumentos de direito trazidos nos respectivos recursos voluntários. Desta feita, revela destacar também que a decisão encartada neste Voto Vencedor seguirá a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, o aqui decidido será adotado em todos os demais processos deste contribuinte, conforme destacados no parágrafo anterior, vez que tratamse, como já delineado, de processos paradigmas, o que importará na transcrição, como solução da controvérsia o entendimento que prevaleceu na decisão vencedora tratada nos autos deste processo (Acórdão 3001000.341). Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. O recorrente está certo quando defende que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que alguns os fatos datam de período posterior 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da referida norma regulamentar, com redação dada pela IN RFB 899 de 2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10711.004007/201018 Acórdão n.º 3001000.343 S3C0T1 Fl. 86 13 informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Fl. 80DF CARF MF 14 Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10711.004007/201018 Acórdão n.º 3001000.343 S3C0T1 Fl. 87 15 Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão. Portanto, proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 82DF CARF MF 16 Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10921.000144/2010-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 12/01/2006 a 06/07/2009
INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por deixar o transportador internacional de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DA LIDE. FUNDAMENTOS RETIRADOS DA DECISÃO POR EMBARGOS NÃO COMPÕEM A DECISÃO.
Os motivos ou razões de decidir equivocadamente constantes de decisão embargada, e que foram retirados da decisão, por acórdão integrativo em embargos não fazem parte da decisão.
Numero da decisão: 9303-006.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 12/01/2006 a 06/07/2009 INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por deixar o transportador internacional de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DA LIDE. FUNDAMENTOS RETIRADOS DA DECISÃO POR EMBARGOS NÃO COMPÕEM A DECISÃO. Os motivos ou razões de decidir equivocadamente constantes de decisão embargada, e que foram retirados da decisão, por acórdão integrativo em embargos não fazem parte da decisão.
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REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por deixar o transportador internacional de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DA LIDE. FUNDAMENTOS RETIRADOS DA DECISÃO POR EMBARGOS NÃO COMPÕEM A DECISÃO. Os motivos ou razões de decidir equivocadamente constantes de decisão embargada, e que foram retirados da decisão, por acórdão integrativo em embargos não fazem parte da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 01 44 /2 01 0- 16 Fl. 224DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado (efls. 03 a 28) para constituição de crédito tributário referente a multa regulamentar por descumprimento da obrigação acessória de prestar informações sobre a carga transportada dentro do prazo determinado à época (até sete dias da data do embarque); duzentas e vinte infrações conforme relação às efls. 24 a 28. A autuação resultou em um total de 220 multas no montante de R$ 1.100.111,00, cientificada ao contribuinte em 14/04/2010 (efl. 33). Irresignada, em 03/05/2010, a contribuinte apresentou impugnação, às efls. 25 a 59. A 2ª Turma da DRJ/FNS, apreciou a impugnação em 07/10/2011, e no acórdão nº 07 26.258, às efls. 74 a 79, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 92 a 110, em 24/11/2011. Em breve resumo argumenta que: a) há nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, pois a fiscalização não se referiu à pessoa do transportador, apenas à autuada que é mero agente marítimo do transportador; b) ausente a falta de pagamentos de tributos e tendo a própria recorrente providenciado a realização dos lançamentos das informações, anteriormente a qualquer ação fiscal, estaria configurada a denúncia espontânea que excluiria a responsabilidade pela infração; c) sendo as infrações de igual conformação e dentro de um mesmo período, haveria infração continuada e para esta a sanção deveria ser única, prejudicado o lançamento nesse ponto ao efetivar múltiplas sanções. A 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 14/10/2014, dandolhe provimento no acórdão de nº 3302002.732, às efls. 133 a 143, o qual teve as seguintes ementas: ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10921.000144/201016 Acórdão n.º 9303006.795 CSRFT3 Fl. 225 3 Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do Decreto Lei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes. O voto do relator ad hoc, apesar de afastar o argumento a) quanto à ilegitimidade passiva, afastando a nulidade arguida, acatou os outros dois argumentos para dar provimento ao recurso voluntário. Quanto ao argumento em b), afirmou que após a inclusão do § 2º, artigo 102 do DecretoLei nº 37/66, pela Lei nº 12.350/10 não restam mais dúvidas quanto a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea em relação às penalidades administrativas. Caso vencido o argumento b), com eventual manutenção da multa, o argumento c), deveria ser acatado, pois o relator entendeu haver infração de caráter continuado, e com base em doutrina e jurisprudência, tal tipo de infração resultaria em imposição singular da multa a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo. Embargos da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão em 20/05/2015 (efl. 145), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração ao acórdão em 22/05/2015, às efls. 146 e 147. Naquela peça, apontava a existência de contradição, pois apesar de excluir a penalidade em razão da aplicação de efeitos da denuncia espontânea, teria a Turma embargada adentrado a questão de forma de cobrança da multa, ao examinara a matéria relativa à aplicação de multa singular em face de que seriam as infrações de natureza continuada. Por essa razão, argui que seja tal matéria afastada do voto do relator, caso contrário estaria a Turma defendendo redução da penalidade por interpretação extensiva de instituto de direito penal e criando hipótese de redução de penalidade sem previsão legal, até mesmo afastando a aplicação do inc. VI do art. 97 do CTN. O Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento no despacho de efls. 149 e 150, em 11/06/2015, admitiu os embargos e retificou o acórdão nº 3302002.732, por entender ter havido erro material do relator ad hoc, Walber José Fl. 226DF CARF MF 4 da Silva, ao não excluir a matéria citada do voto minutado pelo Conselheiro relator Gileno Gurjão Barreto, que não fora objeto de deliberação por parte do Colegiado. Com a referida retificação, a matéria que constava no voto com o título "Da aplicação da multa singular infrações de natureza continuada.", tratando do argumento c) do recurso voluntário, teve seu texto excluído do voto condutor do acórdão, resultando no acórdão de efls. 151 a 157, ainda com o nº 3302002.732. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3302002.731 retificado em 15/06/2015 (efl. 160), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 18/06/2015, às efls. 161 a 171. A Fazenda indica existência de divergência apenas em relação ao instituto da denúncia espontânea e com relação essa matéria o Procurador apresentou como paradigmas da divergência os acórdãos nº 3802000.570 e nº 3202000.589. Os paradigmas afastaram a denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350 de 2010. Ambos afastam a denúncia espontânea, pois seria caso de descumprimento de obrigação acessória autônoma, de caráter formal, que se configuram pelo simples descumprimento do estabelecido na legislação de regência O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 19/01/2016, no despacho de efls. 173 a 175, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento quanto ao instituto da denúncia espontânea. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada (efl. 178) do acórdão nº 3302002.732, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade do recurso especial da Procuradoria, em 16/02/2016 (efl. 181), tendo apresentado contrarrazões em 02/03/2016, às efls. 183 a 206. Em resumo argumenta: I) haver prejudicial para o recebimento do recurso especial da Procuradora ao não atacar um dos fundamentos do acórdão, quanto à matéria "Da aplicação da multa singular infrações de natureza continuada."; II) o recurso não deveria ser recebido também por não haver demonstrativo analítico da similitude fática entre as situações postas nos paradigmas e no acórdão a quo; III) apesar de fora do prazo, a empresa diligenciara para apresentação das informações de embarque previamente à ação fiscal, com isso, sem dúvida houve espontaneidade em relação aos fatos declarados e assim ela se albergaria tanto no art. 138 do CTN quanto no§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966. É o relatório. Voto Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10921.000144/201016 Acórdão n.º 9303006.795 CSRFT3 Fl. 226 5 Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. A contribuinte argumenta que não se deva conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda por duas razões, (I) falta de recurso quanto a um dos fundamentos do acórdão e (II) inexistência de cotejo analítico demonstrando a similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Quanto à razão (I) para não conhecimento do recurso especial da Procuradora, a contribuinte, aparentemente, não observou a existência de embargos da Fazenda que levaram à retificação do acórdão na qual foi suprimida a fundamentação contra a qual ela alega não haver recurso. Dessa forma, caberia ao sujeito passivo oferecer seus próprios embargos se entendia que o acórdão apresentava alguma omissão ou contradição em relação aos fundamentos, que não devessem ser corrigidos pela sua supressão, conforme realizado pela Turma quando enfrentou os embargos da Fazenda. Todavia, quando manejou suas contrarrazões (02/03/2016), já havia precluido seu direito à interposição de embargos de declaração, cujo prazo regimental é de cinco dias da ciência do acórdão (16/02/2016). Em suma, o acórdão recorrido não mais contém a matéria que a contribuinte aborda em contrarrazões. No tocante à segunda razão (II) para o não recebimento do recurso especial de divergência da Fazenda, melhor sorte não assiste à contribuinte. Tanto as ementas quanto os excertos dos votos dos paradigmas transcritos no recurso demonstram claramente a existência de divergência. Além disso, o cotejo analítico me parece claramente expresso na seguinte passagem da peça da Procuradora, à efl. 167: Portanto, evidenciada está a divergência jurisprudencial. Enquanto o acórdão recorrido julgou improcedente o auto de infração relativo à multa prevista no DL nº 37/66, art. 107, IV, “e”, o paradigma manteve a autuação, afastando o instituto da denúncia espontânea. Destaquese que, analisando a mesma norma jurídica (art. 107, IV, “e” do Decretolei 37/66), os Colegiados chegaram a conclusões divergentes acerca da ocorrência ou não de denúncia espontânea. Registrese que em todos os casos a situação fática examinada era a mesma: o sujeito passivo descumpriu o prazo estabelecido pela Receita Federal para prestar informação sobre a carga transportada. Diante desse contexto fático, e tendo em conta o disposto no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010, o Colegiado a quo entendeu aplicarse o instituto da denúncia espontânea, razão pela qual cancelou o lançamento efetuado para exigir a multa administrativa decorrente do descumprimento de obrigação aduaneira. Diversamente, as Turmas prolatoras dos acórdãos paradigmas concluíram não haver que se falar em denúncia espontânea em casos, como o dos autos, em que o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação no prazo estabelecido. Isso porque, tendo sido definido na legislação o prazo para o cumprimento da obrigação, no momento em que o contribuinte presta a Fl. 228DF CARF MF 6 informação extemporaneamente, já não mais existe a figura da espontaneidade. Registrese, ainda, que nos acórdãos paradigmas afastouse, de forma expressa, a aplicabilidade do art. 102, § 2º do DecretoLei nº 37/1966. Vêse, pois, que enquanto o Colegiado recorrido defende aplicarse à hipótese o instituto da denúncia espontânea, a Segunda Turma Especial, bem como a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara, ambas da Terceira Seção do CARF, definiram ser incabível falarse em denúncia espontânea quando a legislação fiscal estabelece, como elemento do tipo, prazo para cumprimento da obrigação. (Negritei.) Pelo exposto, entendo que estão presentes todos os requisitos para que seja conhecido o recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e a matéria recorrida se restringe à aplicação do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória. Enfrentado o conhecimento do recurso e esclarecidos os limites da lide, passo à análise de mérito. Com a devida vênia da Turma que prolatou o acórdão recorrido, penso que ao caso não se aplica tal instituto. Assim entendo, ver impossibilidade lógica em ser espontâneo para recuperação do tempo. O art. 138, invocado com fator que afasta o fato gerador da penalidade, não tem esse condão. O referido artigo teve sua origem remota no anteprojeto do CTN1, de autoria do Prof. Rubens Gomes de Souza, no art. 289, que constava do Capítulo III Da punibilidade, com a seguinte dicção: Art. 289. Excluem a punibilidade: I. A denúncia espontânea da infração pelo respectivo autor ou seu representante, antes de qualquer ação fiscal, acompanhada do pagamento, no próprio ato, do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa competente, se o montante do tributo devido depender de apuração; (...) § 2.°. As causas de exclusão da punibilidade previstas neste artigo não se aplicam: I. Às infrações de dispositivos da legislação tributária referentes a obrigações tributárias acessórias; (...) Quando levado ao Congresso, já como projeto de lei, em 1954, essa redação foi alterada conforme se observava então no art. 1742, do Capítulo II, que tratava da responsabilidade por infrações, então com a redação: 1 http://www2.senado.gov.br/bdsf/handle/id/511517 000064039.pdf, pág. 339 e 340. 2 http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/511517, 000064039.pdf, pág. 70 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10921.000144/201016 Acórdão n.º 9303006.795 CSRFT3 Fl. 227 7 Art. 174. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo devido dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada depois do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Assim se manifestou Rubens Gomes de Souza, autor do anteprojeto e participante da Comissão Especial de elaboração do projeto, a respeito desse artigo: Por último, o art. 174 abre ainda exceção ao princípio da objetividade, admitindo a exclusão da responsabilidade penal nos casos de denúncia espontânea da infração e sua concomitante reparação. 3 Após sua tramitação no Poder Legislativo, obtevese a norma do art. 138, conforme invocado no acórdão a quo, dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fica evidenciado que desde sua origem, o atual artigo 138 do CTN visou à exclusão de punição, mas atrelando esta exclusão à reparação da falta originalmente praticada, sem o que as normas tributárias não seriam cogentes; sendo o sistema tributário não impositivo, careceria de lógica o sistema. Como criar uma obrigação, ainda que acessória, e inexistir qualquer sanção por descumprimento, simplesmente pela denunciação do descumprimento? O fato gerador da infração está disposto na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003, com a seguinte dicção: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no 3 http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/511517, 000064039.pdf, pág. 245 Fl. 230DF CARF MF 8 prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e... (Negritei.) O fato gerador da penalidade em comento é deixar de prestar informação na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Existindo o atraso, não há como reparar a falta, pois, no estágio atual, não é possível fazer o tempo retroagir e recuperar o prazo perdido; teríamos uma impossibilidade que se desconsiderada significaria fazer ruir o sistema cogente da tributação. Não se pode olvidar que o sistema de tributação aduaneiro não envolve apenas questões financeiras ou de arrecadação, mas inúmeras exigências visando à defesa do Estado Nacional, tais como controles sanitários, econômicos, segurança pública, etc. É evidente que o descumprimento de normas que venham a impor tais exigências nem sempre podem ser reparadas pela simples denúncia. Assim, desfazer ou desonerarse do atraso informando sua existência só levaria a incentivar o atraso, fazendo com que a norma do CTN em vez de prestigiar o cumprimento da legislação tributária, no cotidiano, tivesse efeito contrário. Se a fiscalização não estiver permanentemente a postos para verificar os prazos, os contribuintes que não os cumpram podem se desonerar da obrigação que a lei lhes impõe (prestar informação em até sete dias do embarque) sem atender a própria norma e sem qualquer reparação. Aliás, esse entendimento não é estranho a esta Turma, que na sessão de 26/04/2016, no acórdão de nº 9303003.676, em voto do Ilustre exPresidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, trouxe a fundamentação adicional que abaixo reproduzo: Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10921.000144/201016 Acórdão n.º 9303006.795 CSRFT3 Fl. 228 9 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3. Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”, que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...) Fl. 232DF CARF MF 10 A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi “deixar claro” que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10921.000144/201016 Acórdão n.º 9303006.795 CSRFT3 Fl. 229 11 operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem Fl. 234DF CARF MF 12 como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988.3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: 'O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10921.000144/201016 Acórdão n.º 9303006.795 CSRFT3 Fl. 230 13 condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez.' Fl. 236DF CARF MF 14 Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributária. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10921.000144/201016 Acórdão n.º 9303006.795 CSRFT3 Fl. 231 15 infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...]Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte Fl. 238DF CARF MF 16 dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Dessarte, também pelos fundamentos desse ilustrado voto confirmo minha razão de decidir pelo provimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional para darlhe provimento, afastando o instituto da denúncia espontânea ao caso e restabelecendo o crédito tributário referente às penalidades mantidas pela decisão de primeira instância, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das questões subsidiárias postas no Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916327/2011-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.452
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 27 /2 01 1- 21 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 9303006.452 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.950, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2001 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 9303006.452 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 9303006.452 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916327/201121 Acórdão n.º 9303006.452 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 13002.000833/2008-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/11/1999
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deve-se manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido.
Numero da decisão: 9303-006.762
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1999 a 30/11/1999 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, devese manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 08 33 /2 00 8- 68 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13002.000833/200868 Acórdão n.º 9303006.762 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 380200.324 da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que negou provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo julgou prescrito o direito do contribuinte à restituição pleiteada, considerando o prazo quinquenal contado a partir da data do pagamento indevido. No caso, o pedido foi apresentado pelo contribuinte em 14/05/2008, amparado em pagamentos efetuados entre 15/06/1999 e 15/12/1999. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, argumentando, em síntese, que: · o acórdão recorrido afirma que o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é a data do pagamento (aplicou o prazo de 5 anos); · há entendimento pacífico do STJ que considera que quando não houver homologação expressa, o direito à compensação ou restituição dos valores pagos indevidamente extinguese após o decurso do prazo de 5 anos, a partir da ocorrência do fato gerador, cujo termo final consubstanciase no prazo para homologação tácita do crédito pelo fisco. E somente após o decurso desse prazo, contase mais 5 anos para preclusão do direito de o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação do indébito. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que argumentou terse operado a decadência, uma vez transcorridos mais de 5 anos entre a data do recolhimento e a da apresentação do pedido de restituição/compensação. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13002.000833/200868 Acórdão n.º 9303006.762 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.758, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 13002.000094/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.758): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13002.000833/200868 Acórdão n.º 9303006.762 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13002.000833/200868 Acórdão n.º 9303006.762 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13002.000833/200868 Acórdão n.º 9303006.762 CSRFT3 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de foi protocolado em 15.1.08 relativo a créditos oriundos de recolhimentos a maior de Cofins efetuados em 9.4.99. Sendo o pedido posterior a 9.6.05, devese manter a aplicação do prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Sendo assim, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o pedido de restituição foi protocolado em 14/05/2008, amparado em créditos oriundos de recolhimentos a maior efetuados entre 15/06/1999 e 15/12/1999. Portanto, sendo o pedido posterior a 09/06/2005, aplicável o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 250DF CARF MF
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