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Numero do processo: 10120.914809/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.080
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 48 09 /2 00 9- 54 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10120.914809/200954 Acórdão n.º 3401004.080 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10120.914809/200954 Acórdão n.º 3401004.080 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.904350/2012-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM.
A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
Numero da decisão: 9101-003.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399-BA.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.904183/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLÍNICA TRAUMATOLOGICA MOINHOS DE VENTO SOCIEDADE SIMPLES LTDA. EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399BA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.904183/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 43 50 /2 01 2- 62 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre o coeficiente para cálculo do lucro presumido no caso de empresa que presta serviços por imagem. A recorrente insurgese contra Acórdão que reconhece que a prestação de serviço médico por imagem estava submetido ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente, relativamente à matéria acima mencionada, da que tem sido dada em outros processos. Sustenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1116399 não menciona os serviços por imagem, equiparandoos a serviços hospitalares. Tal julgado tão somente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei nº 9.429/95. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho fundamentado deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O presente processo trata de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.319, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.904183/200994. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.319): Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 4 3 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 5 4 ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 6 5 julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 7 6 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 8 7 realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. (grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Em seu recurso, a PGFN argumenta que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.116.399 não menciona os serviços de radiologia, equiparandoos a serviços hospitalares; que tal julgado tãosomente discorre acerca da interpretação objetiva da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, deixando claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento. De fato, a referida decisão do STJ não tratou especificamente de serviços de radiologia, mas tudo o que foi dito naquela decisão sobre a questão em torno da tributação dos serviços hospitalares deve ser aplicado para as várias atividades ligadas à promoção da saúde. Com efeito, o STJ, ao proferir a citada decisão na sistemática dos recursos repetitivos, não restringiu sua análise aos serviços médicos laboratoriais (situação específica daquele REsp). Por outro lado, embora a PGFN reconheça que o STJ deixou claro que não se pode exigir internação e assistência médica integral para o enquadramento no coeficiente de 8%, ela acabou buscando fundamento nas antigas instruções normativas da Receita Federal que defendiam justamente essa linha de interpretação. As decisões invocadas pela PGFN, tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto do STJ (2006), realmente trazem um entendimento superado, alterado em 2009 pelo próprio STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme já mencionado. Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARFAnexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 9 8 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem ser adicionadas ao lucro presumido e não se Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 10 9 submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11080.904350/201262 Acórdão n.º 9101003.325 CSRFT1 Fl. 11 10 proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. No presente processo, cabe adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12749.000228/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006
LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência.
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1.
De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir.
JUROS.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF n.º 5.
Numero da decisão: 3201-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral o patrono Dr. Felipe Santos Costa, OAB/RJ 156.380, escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. JUROS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF n.º 5.
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AÇÃO JUDICIAL. A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA N.º 1. De acordo com a Súmula n.º 1 deste Conselho, deve ser reconhecida a concomitância se verificado que o contribuinte ingressou no Poder Judiciário para tratar do mesmo objeto ou causa de pedir. JUROS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF n.º 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso e na parte conhecida negar provimento. Votou pelas conclusões a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Fez sustentação oral o patrono Dr. Felipe Santos Costa, OAB/RJ 156.380, escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 74 9. 00 02 28 /2 00 7- 10 Fl. 4209DF CARF MF 2 PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 4001 em face da decisão de primeira instância da DRJ/SC de fls. 3932 que julgou improcedente a Impugnação de fls 2421 e simultaneamente reconheceu a concomitância. A autoridade de origem lavrou os Autos de Infração de II, IPI, Pis e Cofins Importação das fls. 11 a 1074 e apresentou o Termo de Constatação e Verificação Fiscal em fls. 1226. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação dos fatos, matéria e trâmite dos autos, conforme segue: "Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 01 a 621, por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fls. 01 a 239 ¬ 1 R$ 661.317,48 (seiscentos e sessenta e um mil, trezentos e dezessete 1 reais e quarenta e oito centavos) a título de Imposto de Importação. 2 RS 495.988,11 (quatrocentos e noventa e cinco mil, novecentos e oitenta e oito reais e onze centavos) a título de Multa de Ofício de 75%. › ` fls. 242 a 465 4 R$ 284.628,46 (duzentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e vinte e oito reais e quarenta e seis centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados. 5 R$ 213.471,35 (duzentos e treze mil, quatrocentos e setenta e um reais e trinta e cinco centavos) de Multa de Ofício de 75%. fls. 468 a 544 6 R$ 1.165.504,42 (um milhão, cento e sessenta e cinco mil, quinhentos e quatro reais e quarenta e dois centavos) de Pis/pasep Importação. 7 R$ 874.128,32 (oitocentos e setenta e quatro mil, cento e vinte e oito reais e trinta e dois centavos) de Multa de Ofício de 75%. fls. 545 a 621 8 R$ 5.368.199,07 (cinco milhões, trezentos e sessenta e oito mil, cento e noventa e nove reais e sete centavos) de Cofins Importação. 9 R$ 4.026.149,30 (quatro milhões, vinte e seis mil, cento e quarenta e nove reais e trinta centavos) de Multa de Ofício de 75%. Os juros de mora lançados foram calculados até 31/05/2007. Fl. 4210DF CARF MF Processo nº 12749.000228/200710 Acórdão n.º 3201003.464 S3C2T1 Fl. 4.210 3 A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 11, 243, 469, 546, 622 a 627, em síntese: Que o importador, por meio das DI's relacionadas às fls. 11 a 48 verso, submeteu ao regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão, diversas mercadorias, por meio do ato concessório n° 20020020341, de 11/10/2002, o qual concedeu prazo até 25/06/2006 para o fornecimento dos bens no mercado interno, conforme art. 5° da Lei n° 8.032, de 12/04/1990. Que o contribuinte utilizou os bens importados para a construção do complexo industrial gásquímico planta de etileno, planta de polietileno eplanta de utilidades, adquiridas pela Rio Polímeros S/A, através da notas fiscais 4314, 4315 e 4316, emitidas em 31/03/2006, com aceite em 03/04/2006, inclusive atestado pelo laudo técnico proferido por técnico certificante da DRF/Nova Iguaçu, cumprindose, desta forma, o princípio das vinculação fisica, de acordo com o art. 341 do Decreto n° 4.543, de 2002. Que o presente auto de infiação foi lavrado em função da declaração de nulidade do ato ooncessório supra citado, com efeito retroativo à data de validade inicial, proferida através da Decisão n° 342/Decex2006, de 17/07/2006, processo Decex n° 52500.000415/200640. Que através do processo judicial n° 2007.51.01.0025009, 3° Vara Federal do Rio de Janeiro, foi deferida em 23/02/2007 a antecipação dos efeitos da tutela, suspendendo a eficácia da anulação do AC n° 20020020341, até ulterior deliberação do juízo. Que o crédito tributário foi constituído com exigibilidade suspensa. Cientificada da presente exigência, a autuada apresentou a impugnação de fls. 1733 a 1764, alegando, em síntese: Que a d. fiscalização Federal, em total descumprimento às determinações contidas na decisão judicial, lavrou 04 (quatro) autos de infração ora impugnados, sob a alegação de que o fazia para evitar a decadência. Que não restam dúvidas de que a ação judicial trata de matéria estritamente relacionada à discutida no presente processo, sendo de rigor e até de bom senso o sobrestamento do andamento do presente processo administrativo até o desfecho da ação judicial. Defende às fls. 1739 a 1764 a manutenção do regime aduaneiro especial de drawback de trata o Ato Concessório n° 20020020341. Requer a procedência da impugnação, sendo, em decorrência, determinado o cancelamento dos autos de infração. É o relatório. Passo ao voto." Fl. 4211DF CARF MF 4 A DRJ/SC de fls. 3932 publicou seu acórdão de primeira instância com a seguinte Ementa: "Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 AÇÃO JUDICIAL E CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Como a constituição do crédito tributário é de competência privativa da autoridade administrativa sua discussão em juízo não substituía, à época do fato gerador, O lançamento, que deveria ser efetuado como medida preventiva da decadência. AssuNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/ 1 0/2002 a 10/01/2006 AÇÃO JUDICIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial em que se discute idêntica matéria importa renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido no âmbito do poder judiciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Em sessão transcorrida em 28 de outubro de 2010, a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção decidiu, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 320100.595 de fls. 4098, assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. AÇÃO JUDICIAL. A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. RENÚNCIA À INSTÂNÇIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com objeto idêntico ao discutido no processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas e a desistência do recurso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido." Fl. 4212DF CARF MF Processo nº 12749.000228/200710 Acórdão n.º 3201003.464 S3C2T1 Fl. 4.211 5 Cientificada da referida decisão, o CONSÓRCIO LUMMUS ANDRÔMEDA, tempestivamente, interpôs embargos de declaração em fls. 4108, onde alega nulidade da mesma, tendo em vista que a pauta que deu origem ao julgamento, publicada no Diário Oficial da União de 15/10/2010, não constou como seria de rigor o número do processo, bem como o número do recurso informado na referida publicação não correspondia ao presente caso. Diante de tal conjuntura, a ora Embargante peticionou à então presidente dessa Câmara, expondo a situação acima narrada e requerendo anulação do julgamento, o que foi prontamente deferido, tendo sido publicada nova pauta de julgamento para o dia 18.02.2011, a qual noticiava corretamente a inclusão em pauta do presente processo para o dia 28.02.2011, às 14:00 h. Continua a embargante que ciente da sessão de Julgamento em questão, o patrono compareceu para realizar sustentação oral, ocasião em que foi surpreendido com a notícia de que os julgadores não teriam sido informados da anulação do julgamento anterior pela d. Presidente. Diante do exposto, requereu o provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma em fls. 4133, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. Ao fim, o processo digitalizado foi distribuído e pautado nos termos do regimento interno deste conselho e esta Turma de julgamento decidiu por anular por completo o julgamento anterior, conforme Ementa do Acórdão de fls. 4135, reproduzida a seguir: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/10/2002 a 10/01/2006 OMISSÃO (DO NÚMERO DO PROCESSO) NA PAUTA DE JULGAMENTO IMPLICA ANULAÇÃO DE ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. Acolhemse os embargos de declaração quando caracterizada a aduzida omissão na pauta publicada. Embargos acolhidos." Em fls. 4141 a União manifestou não ter interesse na apresentação de recurso e o contribuinte, em fls. 4187, reiterou seu Recurso Voluntário. Assim, a presente lide administrativa trata de um novo julgamento do Recurso Voluntário. Relatório proferido. Fl. 4213DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Mesmo que o tempestivo Recurso Voluntário contenha matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não é possível conhecêlo em razão de concomitância com processo judicial. Conforme destacado no relatório, o lançamento ocorreu diante de indícios não recolhimento do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados e das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, quando do registro das Declarações de Importação, com exigibilidade suspensa, tendo em vista a antecipação dos efeitos da tutela, suspendendo a eficácia da anulação do Ato Concessório AC n° 20020020341, conforme processo judicial n° 2007.51.01.0025009, 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Em resumo, o contribuinte sustentou em seu Recurso Voluntário que os juros não devem incidir enquanto suspensa a exigibilidade, sustentou a impossibilidade de lavratura de Auto de Infração enquanto suspensa a exigibilidade e argumentou pela não existência da concomitância, uma vez que o objeto não seria o mesmo. Analisadas as peças judiciais (ação anulatória com pedido de antecipação de tutela, decisão da 3.ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, Certidão, processo internos do MDIC e ato concessório) de fls. 3763 em confronto com o lançamento, consubstanciado nos Autos de infração e Relatório Fiscal, é possível concluir que o objeto das medidas judiciais e o objeto da presente lide administrativa fiscal é o mesmo, visto que o inadimplemento do compromisso de exportar em modalidade de Drawback suspensão é a discussão central, que encontrase na Poder Judiciário, conforme exposto no próprio Auto de Infração de II de fls. 2458: Fl. 4214DF CARF MF Processo nº 12749.000228/200710 Acórdão n.º 3201003.464 S3C2T1 Fl. 4.212 7 O presente julgamento pode considerar as sábias palavras da Conselheira relatora Mércia Helena Trajano D'amorim, no Acórdão anulado, tanto porque se aplicam ao caso em concreto uma vez que o acórdão foi anulado somente em razão de cerceamento de defesa que ocorreu em razão da não publicação do número do processo na anterior pauta de julgamento , quanto porque fundamenta uma possível e talvez a única solução. Desse modo, cientes de que a legislação prevê o lançamento de ofício para a prevenção da decadência, conforme positivado no Art. 63 da Lei 9.430/96, utilizo das mesmas palavras e fundamentos expostos pela Conselheira, no Acórdão de fls., conforme parcialmente transcrito a seguir: "Tratase de discussão na esfera judicial, o que, não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. Argumenta a empresa que a autuação deve ser desconstituída, pois representa flagrante desobediência à ordem judicial que restabeleceu, até decisão judicial em contrário, o regime de drawback a' que estava. Ressaltese que o art. 63 da Lei n” 9.430/96 dispõe sobre o lançamento de oficio, destinado à prevenção da decadência, para a constituição de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa em face da 'existência de liminar concedida em mandado de segurança ou outra medida judicial acautelatória, in verbis: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V, do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § I " O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 2”A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a› incidência da multa de mora, desde a concessão da. medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (grifei). Logo, a constituição do crédito tributário, visando prevenir a decadência, não deve ser confundida com algum procedimento fiscal visando efetivar cobrança e/ou a execução de crédito. A autoridade fiscal estava obrigada a efetuar o presente lançamento devido ao fato de a constituição do crédito tributário, além de ser de sua competência privativa, figura atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. l42 do CTN. A exigência fiscal deste processo depende do resultado na esfera judicial, com total conexão de matérias. Fl. 4215DF CARF MF 8 Percebese que a situação fática da autuação tem o mesmo objeto da apreciação do Poder Judiciário. De outra parte, está pacificamente assentado, na esfera administrativa, 0 entendimento de que a opção do contribuinte pela via judicial implica renúncia às instâncias julgadoras da via administrativa ou desistência de eventual recurso interposto, no caso de o objeto da lide ser idêntico em ambas. E que diante do dispositivo constitucional há prevalência da esfera judicial sobre a administrativa. Tal dispositivo encontrase em consonância com o princípio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5°, XXXV da Constituição Federal/88, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infinna a competência administrativa para decidir de modo diverso, uma vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examinálas de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. A respeito, já dispunha a Lei n.º 6.830/1980, em seu art. 38, parágrafo único, que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Cumpre ressaltar que o mesmo tratamento foi adotado pelo Ministro de Estado da Fazenda no art. 26 da Portaria ng 258/2001, ao estabelecer que a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Portanto, a propositura de ação judicial pela recorrente, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, toma ineficaz o processo administrativo. De fato, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da mesma matéria na via administrativa. Do contrário, terseia a absurda hipótese de modificação de decisão judicial transitada em julgado e, portanto, definitiva, pela autoridade administrativa. Assim sendo, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário, jamais pode ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento fere a Constitucional Federal que adota o modelo de jurisdição una, em que são soberanas as decisões judiciais. Dessa forma, tendo a interessada buscado a via judicial para resguardar sua pretensão, renunciando à instância administrativa, nos termos do Ato Declaratório (Normativo) n.° 3/96 do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal." Ficou evidente nos autos que, ao discutir o mesmo objeto e causa de pedir no Poder Judiciário, o contribuinte optou por duas das vias de defesa, o que gerou concomitância, prevista na Súmula n.º 1 deste Conselho: Fl. 4216DF CARF MF Processo nº 12749.000228/200710 Acórdão n.º 3201003.464 S3C2T1 Fl. 4.213 9 "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." A questão do juros, por sua vez, é discussão que está amadurecida neste Conselho, por conta do disposto na Súmula CARF n.º 5, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Durante a sessão surgiu uma discussão a respeito incidência ou não das multas, mas é possível verificar que não há pedido do contribuinte sobre esta matéria exata. Não havendo pedido, a matéria da multa está preclusa. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, em razão da concomitância e na parte conhecida não dar provimento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 4217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725112/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/08/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E REGRAS ESTIPULADAS NO ACORDO. NECESSIDADE. DE OBEDIÊNCIA.
A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho.
Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados.
In casu, o suposto pagamento em desacordo com os preceitos legais que deu margem ao lançamento, restou devidamente comprovado tratar-se de provisão contábil, não sendo cabível a incidência de contribuição previdenciária sobre uma provisão.
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
De conformidade com o artigo 78, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, o contribuinte poderá desistir, total ou parcialmente, das razões inseridas em seu recurso voluntário em qualquer fase processual, importando na renúncia ao pleito sobre o qual se funda a peça recursal, na parte desistida, impondo o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 2401-005.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, exclusivamente quanto ao lançamento da contribuição previdenciária incidente sobre a diferença de R$ 11.565.241,00, a título de Participação nos Lucros e Resultados, e, no mérito, dar-lhe provimento para excluir a tributação sobre a parcela, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/08/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA - PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E REGRAS ESTIPULADAS NO ACORDO. NECESSIDADE. DE OBEDIÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados - PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea j, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, o suposto pagamento em desacordo com os preceitos legais que deu margem ao lançamento, restou devidamente comprovado tratar-se de provisão contábil, não sendo cabível a incidência de contribuição previdenciária sobre uma provisão. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. De conformidade com o artigo 78, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, o contribuinte poderá desistir, total ou parcialmente, das razões inseridas em seu recurso voluntário em qualquer fase processual, importando na renúncia ao pleito sobre o qual se funda a peça recursal, na parte desistida, impondo o seu não conhecimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.725112/201419 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.288 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PDG REALTY S.A. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/08/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA PLR. IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E REGRAS ESTIPULADAS NO ACORDO. NECESSIDADE. DE OBEDIÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, sobretudo por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da habitualidade e contraprestação pelo trabalho. Somente nas hipóteses em que o pagamento da verba intitulada de PLR não observar os requisitos legais insculpidos na legislação específica, notadamente artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, bem como MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, é que incidirão contribuições previdenciárias sobre tais importâncias, em face de sua descaracterização como Participação nos Lucros e Resultados. In casu, o suposto pagamento em desacordo com os preceitos legais que deu margem ao lançamento, restou devidamente comprovado tratarse de provisão contábil, não sendo cabível a incidência de contribuição previdenciária sobre uma provisão. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. De conformidade com o artigo 78, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, o contribuinte poderá desistir, total ou parcialmente, das razões inseridas em seu recurso voluntário em qualquer fase processual, importando na renúncia ao pleito sobre o qual se funda a peça recursal, na parte desistida, impondo o seu não conhecimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 51 12 /2 01 4- 19 Fl. 753DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, exclusivamente quanto ao lançamento da contribuição previdenciária incidente sobre a diferença de R$ 11.565.241,00, a título de Participação nos Lucros e Resultados, e, no mérito, darlhe provimento para excluir a tributação sobre a parcela, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório PDG REALTY S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, Acórdão nº 0131.258/2015, às fls. 424/440, que julgou procedentes os lançamentos fiscais, lavrados em 26/06/2014 (Folhas de Rosto AI's), referentes às contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, mais precisamente os quais valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados, concedidos em desconformidade com a legislação de regência, bem como diferenças do RAT, em relação às competências 01/2010 a 08/2010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 35/46, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) DEBCAD n° 51.064.9513 Contribuições Sociais relativas à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados nas folhas de pagamento de 02/2010, rubrica "0040 Participação nos Lucros e Resultados"; 2) DEBCAD n° 51.064.9521 – Contribuições Sociais destinadas a outras entidades ou fundos – Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados nas folhas de pagamento de 02/2010, rubrica "0040 Participação nos Lucros e Resultados; 3) DEBCAD n° 51.064.9530 Contribuições Sociais relativas à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, a título de Participação nos Resultados, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2011; 4) DEBCAD n° 51.064.9548 – Contribuições Sociais destinadas a outras entidades ou fundos – Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, a título de Participação nos Resultados, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2011; 5) DEBCAD n° 51.064.9556 – Contribuições Sociais destinadas ao financiamento dos benefícios previdenciários concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/RAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, declaradas em GFIP; De conformidade com o Relatório Fiscal, a autoridade lançadora entendeu por bem caracterizar como remuneração os pagamentos realizados aos empregados a título de PLR, diante da inobservância dos pressupostos inscritos na Lei n° 10.101/2000, senão vejamos: a) Dos valores pagos pela contribuinte aos seus segurados em folha de pagamento 02/2010 AIOP'S nºs 51.064.9513 e 51.064.9521 inobservância aos preceitos/critérios estabelecidos no acordo fixado previamente, uma vez que concedeu valores bem acima do acordado; Fl. 755DF CARF MF 4 b) Dos valores pagos a título de PLR declarados na DIPJ 2011 02/2010 AIOP'S nºs 51.064.9530 e 51.064.9548 Em que pese haver registrado em folha de pagamento o pagamento a título de PLR no valor de R$ 21.984.759,00, declarou na DIPJ 2011 Exercício 2010 a quantia de R$ 33.550.000,00, como Participação de Empregados. Instada a apresentar os registros contábeis que lastrearam aludidos lançamentos, a contribuinte não disponibilizou escrituração contábil regular, o que ensejou a constituição do crédito previdenciária com fundamento na aferição indireta inscrita no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, a partir da diferença entre as importâncias retromencionados, resultando na base de cálculo no montante de R$ 11.565.241,00; c) Da diferença de Alíquota do RAT AIOP nº 51.064.9556 A contribuinte informou nas GFIP's, no período de 01/2010 a 08/2010, o CNAE Fiscal nº 6619 3/99 (alíquota RAT de 2%), correspondente à atividade econômica "Outras atividades auxiliares dos serviços financeiros nãoespecificadas anteriormente", enquanto o correto seria o CNAE sob código nº 64.620/00 (alíquota RAT de 3%), pertinente a empresas cuja atividade é "participação em outras sociedades que atuem no setor imobiliário, na qualidade de sócia, acionista ou consorciada, ou por meio de outras modalidades de investimentos", ou melhor: "Holdings de instituições nãofinanceiras", na forma declarada pela própria autuada na DIPJ 2011, o que ensejou o lançamento da diferença de 1% para o RAT; Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 464/504 procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, contrapõese ao presente lançamento, com arrimo no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, por entender que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, mais precisamente PLR, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de salário. Opõese à exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando que as parcelas concedidas aos empregados àquele título não podem ser consideradas remunerações e, por conseguinte, indevida a inclusão no salário de contribuição, face aos preceitos inscritos no artigo 7º, inciso XI, da CF, c/c artigo 22 da Lei nº 8.212/91, os quais excluem tais importâncias da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tratandose de uma verdadeira imunidade objetiva. Corroborando o acima exposto, defende que o legislador, através do artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, afastou a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados, entendimento, esse, reforçado pela Lei nº 10.101/2000, bem como pela jurisprudência de nossos Tribunais, impondo seja decretada a improcedência do feito. Aduz ter cumprido todos os requisitos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000 para o regular pagamento da PLR, não cabendo à autoridade fiscal criar outros pressupostos que não aqueles expressamente previstos na lei supracitada, na linha do que vem decidindo a CSRF. Quanto ao lançamento com base na DIPJ, alega a contribuinte ter atendido o Termo de Intimação, prestando os esclarecimentos cabíveis quanto a diferença entre o valor Fl. 756DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 4 5 pago a título de PLR (2010) e o constante da DIPJ (2011), informando ser a diferença relativa a provisão da PLR a ser paga no anocalendário de 2011. Esclarece terem sidos respondidos todos os Termos de Intimação, justificando os valores constante da DIPJ, inclusive explicitando tratarse de provisão, ou seja, algo ainda não pago, o que rechaça a conclusão fiscal no sentido de enquadrar a conduta da contribuinte como recusa, sonegação ou apresentação deficiente, de maneira a fundamentar o arbitramento/aferição indireta inscrito no § 3°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91. Ressalta que o Registro Contábil apresentado não deve ser considerado irregular, na forma que entendeu o auditor, porquanto houve apenas pendências pontuais, meras formalidades, devido a mudança de sistema digital, não devendo a fiscalização desconsiderar toda escrituração válida e hábil, sobretudo em razão da autuada ter em mãos diversos outros documentos que comprovam de forma indubitável a real remuneração paga a título de PLR em 2010, sendo incabível a aferição indireta. Repisa que a aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, cabível apenas quando a conduta da contribuinte se enquadra em pelo menos uma das hipóteses taxadas em lei, estando o presente caso em dissonância com a legislação de regência, uma vez que a autuada não incorreu em nenhuma das hipóteses legais. Alega ser impossível exigirse tributo em face de descumprimento de obrigação acessória, na forma que procedeu a fiscalização ao fundamentar a autuação em ausência da escrituração contábil regular, ou seja, obrigação acessória, impondo seja decretada a improcedência do feito. A fazer prevalecer seu entendimento, traz à colação tanto jurisprudência administrativa quanto entendimento doutrinário amparando seu pleito, além de elaborar breve esclarecimento sobre o sistema SPED, com o intuito de demonstrar que as pendências apontadas na escrituração contábil são meras formalidades. não cabendo ao auditor lançar tributo por simples erro na contabilidade. Relativamente ao plano de participação nos resultados de 2009, pago em 2010, opõese à exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando que as parcelas concedidas aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados não podem ser consideradas remunerações e, por conseguinte, indevida a inclusão no salário de contribuição, face aos preceitos inscritos no artigo 7º, inciso XI, da CF, c/c artigo 22 da Lei nº 8.212/91, os quais excluem tais importâncias da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tratandose de uma verdadeira imunidade objetiva. Sustenta não haver nenhum impedimento legal que inviabilize o pagamento de PLR acima do limite previsto nas regras do acordo assinado no anocalendário 2009, sobretudo em razão de representar mais benefícios aos funcionários, diante do resultado positivo alcançado acima do esperado pela empresa no ano de 2009, na linha, inclusive, que vem entendendo a jurisprudência deste Colegiado. Defende inexistir qualquer lógica a imposição de limites quantitativos à partilha de lucro com os funcionários, mormente em razão de o legislador constituinte não fazêlo. Fl. 757DF CARF MF 6 Alternativamente, na hipótese de os valores pagos a título de PLR, constantes das folhas de pagamento, não se enquadrarem como tal, requer sejam considerados como ganhos eventuais, nos termos do artigo 28, § 9º, alínea "e", item 7, da Lei nº 8.212/91, afastando de qualquer maneira a incidência das contribuições previdenciárias sob análise. Relativamente, à exigência da diferença do RAT, ressalta a contribuinte que à época dos fatos geradores, sujeitavase ao recolhimento da alíquota de 2%, conforme atividade preponderante da empresa e parâmetros legais. Sustenta que o método de verificação do grau de risco das atividades desenvolvidas pela contribuinte para efeito de reenquadramento do alíquota do RAT, sem que tenha ocorrido nenhuma averiguação da realidade fática e da efetiva atividade preponderante exercida pela recorrente, a partir de produção de prova pericial, não tem o condão de prosperar Vindica, ainda, a exclusão da incidência de juros sobre a multa de ofício, por entender que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Opõese à listagem de nomes de pessoas físicas e jurídicas que guardam alguma relação com a autuada no anexo denominado "Relatório de Vínculos", por absoluta falta de previsão e motivação legal, sendo, igualmente, totalmente inócua tal providência, uma vez que se presta somente a eventual fato futuro, como a própria DRJ admitiu. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Posteriormente à protocolização da peça recursal, a contribuinte apresentou desistência parcial do recurso, em 14/10/2015, manifestando renúncia às razões de defesa vinculadas aos Autos de Infração DEBCAD's nºs 51.064.9513, 51.064.9521 e 51.064.9556, em face da opção pelo Parcelamento contemplado pela Lei nº 12.9965/2014. Após, regular processamento do feito, em 16 de agosto de 2016, foi proposta resolução por este Nobre Conselheiro Relator, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 590/596, in verbis: (...) A corroborar sua tese, a contribuinte, em petição protocolizada em 11/08/2016, apresente mais uma série de documentos, objetivando rechaçar a pretensão fiscal, sobretudo em razão de se encontrar lastreado numa presunção legal arbitramento. Com efeito, em que pese a argumentação encimada ser basicamente a mesma lançada em sede de impugnação, a contribuinte nesta oportunidade traz mais elementos de prova, inclusive pretensa regularização da escrituração contábil digital, os quais, no entendimento da autuada, se prestam a rechaçar totalmente a pretensão fiscal. Ocorre que, parte desses documentos sequer foram objeto de análise pela autoridade lançadora, uma vez que a contribuinte reconhecidamente não havia conseguido regularizar sua escrituração contábil antes do encerramento da ação fiscal. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 5 7 Não podemos perder de vista, igualmente, que o levantamento objeto de discussão nesta oportunidade fora constituído com lastro no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, o qual contempla a aferição indireta/arbitramento na apuração de crédito previdenciária, se caracterizando como uma presunção legal, passível de contestação, mas invertendo o ônus da prova ao contribuinte. Nestes termos, não podemos deixar de lado a documentação acostada aos autos pela contribuinte, relacionada aos Autos de Infração nº 51.064.9530 e 51.064.9548, com o intuito de afastar aludida presunção legal. Entrementes, a análise desses documentos deve passar, inicialmente, ao fiscal autuante, com as seguintes indagações: 1) Os documentos acostados aos autos pela contribuinte, sobretudo em petição protocolizada em 11/08/2016, guardam relação de fato com a exigência fiscal? 2) A escrituração contábil digital e/ou papel formalizada a destempo, relativa ao ano de 2010, se presta a comprovar que a base de cálculo apurada no importe de R$ 11.565.241,00 correspondente a diferença entre o valor de R$ 33.550.000,00 declarado na DIPJ 2011/2010 (Ficha 07A, Linha 66 Participações de Empregados) e o valor de R$ 21.984.759,00 pago aos segurados empregados na folha de pagamento de 02/2010 é referente à provisão contábil, conforme as argumentações da contribuinte repetidas desde a fase investigatória do procedimento fiscal? 3) A contribuinte obteve êxito na regularização da transmissão da escrituração contábil via SPED, fato que, à época da ação fiscal, ensejou a constituição do crédito tributário por arbitramento? Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos encimados, devendo ser oportunizado à contribuinte se manifestar a respeito do resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias, se assim entender por bem. Em resposta a diligência encimada, a autoridade preparadora elaborou informação fiscal e juntada de documentos às efls. 3.189/3.191 e juntada de documentos às e fls. 734/739, o despacho aduz: Em cumprimento aos questionamentos elaborados pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, às folhas 596, em relação ao processo em referência, respondemos o seguinte: Questionamento CARF: “1) Os documentos acostados aos autos pela contribuinte, sobretudo em petição protocolizada em 11/08/2016, guardam relação de fato com a exigência fiscal?” Fl. 759DF CARF MF 8 Resposta: A resposta é afirmativa. A petição protocolizada em 11/08/2016 aborda a essência do fato gerador dos Autos de Infração n° 51.064.9530 e 51.064.9548. Questionamento CARF: “2) A escrituração contábil digital e/ou papel formalizada a destempo, relativa ao ano de 2010, se presta a comprovar que a base de cálculo apurada no importe de R$ 11.565.241,00 correspondente a diferença entre o valor de R$ 33.550.000,00 declarado na DIPJ 2011/2010 (Ficha 07A, Linha 66 Participações de Empregados) e o valor de R$ 21.984.759,00 pago aos segurados empregados na folha de pagamento de 02/2010 é referente à provisão contábil, conforme as argumentações da contribuinte repetidas desde a fase investigatória do procedimento fiscal?” Resposta: A resposta é afirmativa. Auditando a escrituração contábil no SPED, apresentada em 23/06/2016 (após o término do procedimento fiscal, portanto), encontramos os seguintes lançamentos contábeis: (...) Observamos que, por questões de metodologia contábil, a empresa utiliza a conta transitória “9110101001 Zero Balance New GL”, sem qualquer relevância para fins fiscais. Posteriormente, no razão da conta de passivo “2160101998 Participação nos lucros – Empregados/Admin” observamos um saldo final, em 31/12/2010, de R$ 23.968.000,00, levado ao exercício seguinte (2011), caracterizando sua natureza provisional. Portanto, o valor de R$ 11.565.241,00 referese à provisão contábil para o exercício seguinte (2011). Questionamento CARF: “3) A contribuinte obteve êxito na regularização da transmissão da escrituração contábil via SPED, fato que, à época da ação fiscal, ensejou a constituição do crédito tributário por arbitramento?” Resposta: A resposta é afirmativa. Na época do procedimento fiscal, a situação da escrituração contábil no SPED, no período de 05/2010 a 12/2010, era “INDEFERIDO”, o que motivou a lavratura dos Autos de Infração n° 51.064.9530 e 51.064.9548. Fl. 760DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 6 9 Ao recebermos o processo em diligência, a situação já havia passado a ser “RECEBIDO”, devido ao envio de um novo arquivo em 23/06/2016. Por prudência, antes de responder às questões dessa diligência, aguardamos o despacho final em relação a este novo arquivo, que, posteriormente, foi “AUTENTICADO”. Portanto, o contribuinte obteve êxito na regularização de sua escrituração contábil, para o período de 05/2010 a 12/2010, onde estão registrados os lançamentos em questão. O contribuinte foi devidamente cientificado do resultado da diligência, não tendo se manifestado. É o relatório. Fl. 761DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face da contribuinte foram lavrados Autos de Infração em virtude da constatação do descumprimento das obrigações principais abaixo discriminadas, no decorrer do período de 01/2010 a 082010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 35/46, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) Dos valores pagos pela contribuinte aos seus segurados em folha de pagamento 02/2010 inobservância aos preceitos/critérios estabelecidos no acordo fixado previamente, uma vez que concedeu valores bem acima do acordado. Contribuições lançadas nos seguintes Autos de Infração: a) DEBCAD n° 51.064.9513 Contribuições Sociais relativas à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados nas folhas de pagamento de 02/2010, rubrica "0040 Participação nos Lucros e Resultados"; b) DEBCAD n° 51.064.9521 – Contribuições Sociais destinadas a outras entidades ou fundos – Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados nas folhas de pagamento de 02/2010, rubrica "0040 Participação nos Lucros e Resultados; 2) Dos valores pagos a título de PLR declarados na DIPJ 2011 02/2010 Em que pese haver registrado em folha de pagamento o pagamento a título de PLR no valor de R$ 21.984.759,00, declarou na DIPJ 2011 Exercício 2010 a quantia de R$ 33.550.000,00, como Participação de Empregados. Instada a apresentar os registros contábeis que lastrearam aludidos lançamentos, a contribuinte não disponibilizou escrituração contábil regular, o que ensejou a constituição do crédito previdenciária com fundamento na aferição indireta inscrita no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, a partir da diferença entre as importâncias retromencionados, resultando na base de cálculo no montante de R$ 11.565.241,00. Contribuições lançadas nos seguintes Autos de Infração: a) DEBCAD n° 51.064.9530 Contribuições Sociais relativas à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, a título de Participação nos Resultados, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2011; b) DEBCAD n° 51.064.9548 – Contribuições Sociais destinadas a outras entidades ou fundos – Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, a título de Participação nos Resultados, conforme informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2011; Fl. 762DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 7 11 3) Da diferença de Alíquota do RAT A contribuinte informou nas GFIP's, no período de 01/2010 a 08/2010, o CNAE Fiscal nº 66193/99 (alíquota RAT de 2%), correspondente à atividade econômica "Outras atividades auxiliares dos serviços financeiros nãoespecificadas anteriormente", enquanto o correto seria o CNAE sob código nº 64.620/00 (alíquota RAT de 3%), pertinente a empresas cuja atividade é "participação em outras sociedades que atuem no setor imobiliário, na qualidade de sócia, acionista ou consorciada, ou por meio de outras modalidades de investimentos", ou melhor: "Holdings de instituições nãofinanceiras", na forma declarada pela própria autuada na DIPJ 2011, o que ensejou o lançamento da diferença de 1% para o RAT. Contribuição lançada no seguinte Auto de Infração: a) DEBCAD n° 51.064.9556 – Contribuições Sociais destinadas ao financiamento dos benefícios previdenciários concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/RAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados, declaradas em GFIP; Ocorre que, após a interposição do recurso voluntário, a contribuinte apresentou petição, protocolizada em 14/10/2015, manifestando desistência parcial das razões insertas em sua peça recursal relativamente aos Autos de Infração DEBCAD's nºs 51.064.951 3, 51.064.9521 e 51.064.9556, acima explicitados, em face da opção pelo Parcelamento contemplado pela Lei nº 12.9965/2014. Em face de aludido requerimento da recorrente, deixaremos de adentrar à questões meritórias aventadas em sede de recurso voluntário pertinentes aos Autos de Infração retromencionados, tendo em vista o disposto no artigo 78, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, o qual contempla a possibilidade de desistência do recurso, nos seguintes termos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Fl. 763DF CARF MF 12 § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis.” Nesse sentido, impõese não conhecer das razões recursais atinentes aos Autos de Infração DEBCAD's nºs 51.064.9513 e 51.064.9521 (PLR acima do acordado); e 51.064.9556 (Diferença alíquota RAT). Delimitada a controvérsia posta nos autos, passamos a contemplar as alegações recursais, de início, as preliminares argüidas pela contribuinte. DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal, aduzindo para tanto que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados a título de Participação nos Resultados não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de saláriodecontribuição. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade os requisitos dispostos na legislação de regência, concluindo estar fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que regulamenta a verba sub examine, bem como alguns estudos a propósito da matéria, senão vejamos: A Constituição Federal, por meio de seu artigo 7º, inciso XI, instituiu a Participação dos empregados nos Lucros e Resultados da empresa, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, desvinculandoa expressamente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” Por seu turno, a legislação tributária ao regulamentar a matéria, impôs algumas condições para que as importâncias concedidas aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados não integrassem o salário de contribuição, a começar pelo artigo 28, § 9º, alínea “j”, que assim preceitua: “Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: [...] Fl. 764DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 8 13 j – a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica.” (grifos nossos) Em atendimento ao estabelecido na norma encimada, a Medida Provisória nº 794/1994, tratando especificamente da questão, determinou em síntese o seguinte: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva, a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o artigo 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre. [...]” Após reedições a MP retro fora convertida na Lei nº 10.101/2000, trazendo em seu bojo algumas inovações, notadamente quanto a forma/periodicidade do pagamento de tais verbas, senão vejamos: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 765DF CARF MF 14 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade funcional dos trabalhadores. [...] Art.3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. [...] § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. [...]” Em suma, extraise da evolução da legislação específica relativa à participação nos lucros e resultados que existem dois momentos a serem apartados quanto aos requisitos para não incidência das contribuições previdenciárias. Para o período até 29/06/1998, era vedado o pagamento em periodicidade inferior a um semestre. Posteriormente a 30/06/1998, além da exigência acima, passou a ser proibido o pagamento de mais de duas parcelas no mesmo ano civil. No que tange aos demais requisitos, especialmente àqueles inscritos no artigo 2º, as disposições legais continuaram praticamente as mesmas, exigindo regras claras e objetivas relativamente ao método de aferição e concessão da verba em comento. Atualmente, a Lei n° 10.101/2000 se apresenta com algumas alterações introduzidas pela Lei n° 12.832, de 20/07/2013, que deixaremos de contemplar em razão de não fazer qualquer efeito na hipótese dos autos, que trata de fatos geradores pretéritos a aludido Diploma Legal. A teor dos preceitos inscritos na legislação encimada, constatase que a Participação nos Lucros e Resultados, de fato, constitui uma verdadeira imunidade, eis que desvinculada da tributação das contribuições previdenciárias por força da Constituição Federal, em virtude de se caracterizar como verba eventual e incerta. Entrementes, não é a simples denominação atribuída pela empresa à verba concedida aos funcionários, in casu, PLR, que irá lhe conferir a não incidência dos tributos ora exigidos. Em verdade, o que importa é a natureza dos pagamentos efetuados, independentemente da denominação pretendida pela contribuinte. E, para que a verba possua efetivamente a natureza de Participação nos Lucros e Resultados, indispensável se faz a Fl. 766DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 9 15 conjugação dos pressupostos legais inscritos na MP nº 794/1994 e reedições, c/c Lei nº 10.101/2000, dependendo do período fiscalizado. Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais de aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Por outro lado, convém frisar que tratandose de imunidade, os pagamentos a título de PLR não devem observância aos rigores interpretativos insculpidos nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, os quais contemplam as hipóteses de isenção, com necessária interpretação restritiva da norma. Ao contrário, no caso de imunidade, a doutrina e jurisprudência consolidaram entendimento de que a interpretação da norma constitucional poderá ser mais abrangente, de maneira a fazer prevalecer a própria vontade do legislador constitucional ao afastar a tributação de tais verbas, o que não implica dizer que a PLR não deve observância ao regramento específico e que a norma constitucional que a prescreve é de eficácia plena. Na hipótese vertente, passando à análise das razões do lançamento, impõese confrontar os fundamentos de fato e direito que escoram a pretensão fiscal, com as alegações recursais da contribuinte, alegando ter observado todos sos pressupostos legais de referida verba, matéria que passamos a contemplar com mais especificidade, na ordem/forma do Relatório Fiscal. 1) Dos valores pagos pela contribuinte aos seus segurados em folha de pagamento 02/2010 Consoante acima explicitado, não se conhece de aludida matéria, uma vez ter sido objeto de desistência por parte da contribuinte. 2) Dos valores pagos a título de PLR declarados na DIPJ 2011 02/2010 No que tange ao lançamento com base na DIPJ, alega a contribuinte ter atendido o Termo de Intimação, prestando os esclarecimentos cabíveis quanto a diferença entre o valor pago a título de PLR (2010) e o constante da DIPJ (2011), informando ser a diferença relativa a provisão da PLR a ser paga no anocalendário de 2011. Esclarece terem sidos respondidos todos os Termos de Intimação, justificando os valores constante da DIPJ, inclusive explicitando tratarse de provisão, ou seja, algo ainda não pago, o que rechaça a conclusão fiscal no sentido de enquadrar a conduta da contribuinte como recusa, sonegação ou apresentação deficiente, de maneira a fundamentar o arbitramento/aferição indireta inscrito no § 3°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91. Fl. 767DF CARF MF 16 Ressalta que o Registro Contábil apresentado não deve ser considerado irregular, na forma que entendeu o auditor, porquanto houve apenas pendências pontuais, meras formalidades, devido a mudança de sistema digital, não devendo a fiscalização desconsiderar toda escrituração válida e hábil, sobretudo em razão da autuada ter em mãos diversos outros documentos que comprovam de forma indubitável a real remuneração paga a título de PLR em 2010, sendo incabível a aferição indireta. Repisa que a aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, cabível apenas quando a conduta da contribuinte se enquadra em pelo menos uma das hipóteses taxadas em lei, estando o presente caso em dissonância com a legislação de regência, uma vez que a autuada não incorreu em nenhuma das hipóteses legais. Alega ser impossível exigirse tributo em face de descumprimento de obrigação acessória, na forma que procedeu a fiscalização ao fundamentar a autuação em ausência da escrituração contábil regular, ou seja, obrigação acessória, impondo seja decretada a improcedência do feito. A fazer prevalecer seu entendimento, traz à colação tanto jurisprudência administrativa quanto entendimento doutrinário amparando seu pleito, além de elaborar breve esclarecimento sobre o sistema SPED, com o intuito de demonstrar que as pendências apontadas na escrituração contábil são meras formalidades. não cabendo ao auditor lançar tributo por simples erro na contabilidade. Pois bem, cabe inicialmente salientar, como já mencionado no relatório, as alegações da contribuinte levaram a este Colegiado a baixar os autos em diligência para que a autoridade fiscal se manifestase acerca das alegações recursais e documentos apresentados. Dessa diligência, foi juntado a demanda a seguinte informação fiscal: Em cumprimento aos questionamentos elaborados pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, às folhas 596, em relação ao processo em referência, respondemos o seguinte: Questionamento CARF: “1) Os documentos acostados aos autos pela contribuinte, sobretudo em petição protocolizada em 11/08/2016, guardam relação de fato com a exigência fiscal?” Resposta: A resposta é afirmativa. A petição protocolizada em 11/08/2016 aborda a essência do fato gerador dos Autos de Infração n° 51.064.9530 e 51.064.9548. Questionamento CARF: “2) A escrituração contábil digital e/ou papel formalizada a destempo, relativa ao ano de 2010, se presta a comprovar que a base de cálculo apurada no importe de R$ 11.565.241,00 correspondente a diferença entre o valor de R$ 33.550.000,00 declarado na DIPJ 2011/2010 (Ficha 07A, Linha 66 Participações de Empregados) e o valor de R$ 21.984.759,00 pago aos segurados empregados na folha de pagamento de 02/2010 é referente à provisão contábil, conforme as Fl. 768DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 10 17 argumentações da contribuinte repetidas desde a fase investigatória do procedimento fiscal?” Resposta: A resposta é afirmativa. Auditando a escrituração contábil no SPED, apresentada em 23/06/2016 (após o término do procedimento fiscal, portanto), encontramos os seguintes lançamentos contábeis: (...) Observamos que, por questões de metodologia contábil, a empresa utiliza a conta transitória “9110101001 Zero Balance New GL”, sem qualquer relevância para fins fiscais. Posteriormente, no razão da conta de passivo “2160101998 Participação nos lucros – Empregados/Admin” observamos um saldo final, em 31/12/2010, de R$ 23.968.000,00, levado ao exercício seguinte (2011), caracterizando sua natureza provisional. Portanto, o valor de R$ 11.565.241,00 referese à provisão contábil para o exercício seguinte (2011).(g.n.) (...) Observase da resposta encimada, que a autoridade fiscal confirmou as alegações de que o valor de R$ 11.565.241,00 lançado na contabilidade a empresa corresponde a provisão contábil para o exercício seguinte. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito constantes dos Autos de Infração, o inconformismo da recorrente merece prosperar, encontrando guarida na legislação de regência e jurisprudência administrativa, como passaremos a demonstrar. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é obrigação dos contribuintes a manutenção da escrita contábil de forma regular, de modo a fazer prova contra ou a seu favor. Na hipótese de não refletir o movimento real das remunerações dos funcionários da empresa, ou quando o contribuinte deixar de apresentar os documentos solicitados, os quais seriam capazes de demonstrar a perfeita base de cálculo ou comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias, a fiscalização dispõe de instrumentos excepcionais, arbitramento, por exemplo, para lançar os tributos devidos, atividade esta vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade, como se vislumbra no caso sub examine. Dessa forma, in casu, não restou outra alternativa ao fiscal autuante senão promover o lançamento por aferição indireta, agindo da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, mormente com relação ao artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, que assim preceitua: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao Fl. 769DF CARF MF 18 recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Conforme se depreende do dispositivo legal encimado, bem como dos elementos constantes dos autos, de fato, o presente lançamento decorre de presunção. No entanto, tratase de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca. (CTN, art. 204 e parágrafo único). Na hipótese vertente, consoante se infere do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora ao promover o lançamento, imputou devidas as contribuições ora lançadas, apuradas por aferição indireta, com espeque no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por tratarse de presunção juris tantum, albergada por lei, mas passível de comprovação do contrário presumido. A recorrente assim não procedendo com documentos hábeis e idôneos, é de se manter o lançamento na forma da peça vestibular do feito, não havendo que se falar em afronta aos princípios do devido processo legal e da verdade material ou real. Com efeito, a contribuinte sempre defendeu que o valor arbitrado pelo Sr. Fiscal não tratava de pagamento realizado a título de PLR, mas sim de uma provisão contábil para o ano seguinte. Ao perquirirmos a resposta a diligência, restou devidamente demonstrado e confirmado pela autoridade de origem, de que as alegações e documentos apresentados pela contribuinte demonstravam a realidade dos fatos. Neste diapasão, tratando de matéria de fato, a contribuinte ofertou em sua defesa, documentação comprobatória hábil e idônea, dando suporte legal a sua argumentação. Nessa toada, por toda a fundamentação exposto e principalmente quanto a afirmação pela autoridade fiscal das alegações da recorrente, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher e cancelar a exigência das contribuições previdenciárias incidentes sobre o suposto pagamento à título de PLR, declarados na DIPJ 2011 02/2010. DA DIFERENÇA DA ALÍQUOTA DO RAT Igualmente, não há se conhecer das alegações de recurso vinculadas a tal rubrica, eis que objeto de pedido de desistência da contribuinte. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 12448.725112/201419 Acórdão n.º 2401005.288 S2C4T1 Fl. 11 19 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, exclusivamente no que tange aos Autos de Infração DEBCAD's nºs 51.064.9530 e 51.064.9548, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900826/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.241
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 26 /2 01 1- 29 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13227.900826/201129 Acórdão n.º 3301004.241 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.127. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13227.900826/201129 Acórdão n.º 3301004.241 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.900826/201129 Acórdão n.º 3301004.241 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13642.000328/2010-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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NÃO COMPROVAÇÃO. NÃO DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 64 2. 00 03 28 /2 01 0- 01 Fl. 61DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, de fls 04 a 10, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 11.036,85, sendo R$ 5.500,00 de imposto de renda pessoa física –suplementar (código 2904), R$ 4,125,00 de multa de ofício (passível de redução) e R$1.411,85 de juros de mora calculados até outubro/2010. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos, às fls. 6/8: dedução indevida de despesas médicas, no total de R$ 20.000,00, especialmente pela falta de comprovação do efetivo pagamento aos profissionais Ângela Maria Batista (psicóloga, R$ 6.000,00), Dolores de Aguiar Figueiredo (fisioterapeuta, R$ 2.500,00), Flávia Ferreira de Carvalho (dentista, R$ 5.000,00), Daniela Alves Leão (dentista, R$ 5.000,00) e Grace Mara Gonçalves Pires (psicóloga, R$ 1.500,00). O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, argumentando que o valor referese a despesas médicas do próprio contribuinte, da sua companheira e dependente (conforme certidão de casamento e nascimento juntadas). A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Colaciona jurisprudências, e traz argumentos jurídicos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13642.000328/201001 Acórdão n.º 2001000.254 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos desprovidos de formalidades previstas em lei, como, por exemplo, endereço do estabelecimento do prestador, , e em alguns casos, sem ao mínimo informações do beneficiário do serviço médico. Tal fato gerou dúvidas na autoridade fiscal, a qual pediu maiores detalhes da comprovação da despesa, como o pagamento, a qual não foi apresentada pelo Contribuinte, o qual apenas contra argumentou que essa não era uma exigência legal para a dedução. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. A legislação tributária estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificá las, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para este a obrigação de comprovar e justificar as deduções e, não o fazendo, de arcar com as conseqüências legais, Fl. 63DF CARF MF 4 ou seja, as decorrentes do não cabimento dessas deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Na espécie, cabe ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, o que se infere da interpretação do art. 73, § 1º, do RIR/99, cuja base legal é o art. 11, § 4º, do Decretolei nº 5.844, de 1943. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Não basta a disponibilidade de um recibo, sem a vinculação deste ao seu efetivo pagamento. Nesse sentido, o art. 80, §1º, III, do RIR/99, prevê que a dedutibilidade das despesas médicas está condicionada à especificação e comprovação dos pagamentos efetuados. Portanto, revelase equivocado o entendimento de que os recibos são suficientes e hábeis para comprovação dos pagamentos e lisura das deduções pleiteadas. Esta não é a correta interpretação do dispositivo legal acerca do tema. A tônica do dispositivo legal, reiterese, é a especificação e a comprovação dos pagamentos. Tanto que se admite o cheque nominativo compensado como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Dessa forma, compete ao beneficiário das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante do comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, portanto, admitemse como provas de pagamentos os recibos fornecidos, desde que, obviamente, atendam em todos os seus aspectos aos requisitos de formalidade exigidos na legislação que trata da matéria. Cabe aqui ressaltar uma noção básica da teoria da prova no âmbito administrativo. Na busca da verdade material, o julgador forma seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. Na relação processual tributária compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam elidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e esse não a faz porque não pode ou porque não quer é lícito concluir que as operações questionadas não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13642.000328/201001 Acórdão n.º 2001000.254 S2C0T1 Fl. 4 5 Dadas as quantias envolvidas, é pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente. E se o foram, em remota possibilidade, poderia o(a) autuado(a) ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Em face dos valores questionados, estes só poderiam sair de alguma instituição financeira na qual o(a) contribuinte movimentou, por exemplo, os rendimentos que percebeu, no ano calendário fiscalizado, das cinco fontes pagadoras por ele(a) declaradas no citado período. Vale notar, a título argumentativo, que a situação constante da DIRPF/2008, à fl. 20, não se revela factível com o que, de forma mediana, poderia se esperar, pois o contribuinte registrou despesas médicas na monta de R$ 22.699,04, ou seja, cerca de 35% de seus rendimentos líquidos declarados, aí incluída a variação patrimonial, sem se olvidar de outros gastos que certamente ocorreram durante o anocalendário de 2007. Registrese que não se constatam nos autos quaisquer despesas de internação ou de cirurgia de grande porte, por exemplo, o que de fato poderia ocasionar dispêndios de tal magnitude. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal ficou com muitas dúvidas. justificadamente, acerca da existência de tais despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material Fl. 65DF CARF MF 6 apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação muito vasta do lançamento e da decisão da DRJ no sentido de que os documentos estavam desprovidos das formalidades previstas em Lei, geraram dúvidas e, portanto, por si só não foram suficientes, somada a postura do Contribuinte em não apresentar nenhuma comprovação adicional da existência das despesas alegadas, entendo que deve ser mantida a decisão a quo no sentido de manter as glosas outrora efetuadas CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a decisão a quo mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13642.000328/201001 Acórdão n.º 2001000.254 S2C0T1 Fl. 5 7 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923124/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 20/10/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.835
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 20/10/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/10/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 24 /2 01 2- 01 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.923124/201201 Acórdão n.º 3302004.835 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.299. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.923124/201201 Acórdão n.º 3302004.835 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.923124/201201 Acórdão n.º 3302004.835 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.923124/201201 Acórdão n.º 3302004.835 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.923124/201201 Acórdão n.º 3302004.835 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 13842.000592/2008-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. INICIO DE ATIVIDADE. DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A DATA DE ABERTURA NO CNPJ.
Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro do ano seguinte.
Numero da decisão: 1001-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Roberto Adelino da Silva que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. INICIO DE ATIVIDADE. DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A DATA DE ABERTURA NO CNPJ. Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro do ano seguinte.
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INICIO DE ATIVIDADE. DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A DATA DE ABERTURA NO CNPJ. Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro do ano seguinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Roberto Adelino da Silva que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 2. 00 05 92 /2 00 8- 65 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13842.000592/200865 Acórdão n.º 1001000.288 S1C0T1 Fl. 122 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 9ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1435.554, de 13/10/2011 (efls. 99/101), objetivando a reforma do referido julgado. Em 24/11/2006, o ato constitutivo da sociedade (efls. 9/16) foi registrado na JUCESP, conforme informação constante do CNPJ, à efl. 19. Em 30/07/2008, a empresa fez o pedido de Inclusão no Simples Nacional, em papel, com efeitos a partir desta data (efl. 1), com o seguinte argumento: A empresa teve o Contrato Social registrado na JUCESP em 27/11/2006, mas a licença de operação da CETESB, foi concluída somente em 24/07/2008, conforme exigência do Posto Fiscal Estadual para a liberação da Inscrição Estadual, portanto o CNPJ e a Inscrição Estadual foram liberados somente em 27/07/2008, OU SEJA, FORA DO PRAZO PARA A OPÇÃO NO SIMPLES NACIONAL. (grifo não consta do original) Em 19/11/2010, o pedido foi indeferido mediante Despacho Decisório proferido pelo Secat/DRF/Limeira/SP (efls. 40/42), com o fundamento de que "A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ". Em 04/02/2011, a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, com os mesmos argumentos anteriores, conforme transcrição do relatório do aresto de primeira instância, a seguir: O contribuinte aduz em sua manifestação de inconformidade, nas folhas 46 a 51, que: não possuía a autorização da CETESB para iniciar suas atividades, ficando inativa por dois anos; somente conseguiu sua licença junto a essa entidade na data de 24/07/2008; não havia número de CNPJ, inscrição estadual, ou qualquer outro documento que autorizasse sua inscrição no simples; suas atividades somente se iniciaram em 27/07/2008, após a liberação da licença de operação para funcionamento da CETESB; solicitou a sua inclusão no Simples Nacional a apenas três (03) dias após o inicio de suas atividades. A DRJ considerou procedente o indeferimento da opção e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13842.000592/200865 Acórdão n.º 1001000.288 S1C0T1 Fl. 123 3 Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. INICIO DE ATIVIDADE. A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 09/11/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 109, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 30/11/2012, à efls. 111/117, conforme carimbo aposto à efl. 111. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de a solicitação ter sido feita após o prazo legal, na condição de empresa em início de atividade. A base legal do indeferimento foram o § 3º, inciso I, e o § 6º, ambos do art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, que dispõem sobre a opção pelo Simples Nacional, verbis: (grifos não pertencem ao original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (…) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13842.000592/200865 Acórdão n.º 1001000.288 S1C0T1 Fl. 124 4 para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (...) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) Nesse particular, cabe ressaltar que o art. 16, §§ 2o e 3o, da Lei Complementar 123/2006, deferiu ao Comitê Gestor a regulação da forma de opção pelo Simples Nacional, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 2o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3o deste artigo. § 3o A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente apresenta os mesmos argumentos anteriores, ou seja, que sua inscrição no CNPJ somente se deu após a regularização junto a CETESB, em 27/08/2008 e que antes não havia número de CNPJ e inscrição ESTADUAL, ficando inativa neste período, por isto a data do início de suas atividades somente se deu em julho de 2008. Transcreve os artigos 3º e 16, ambos da Lei Complementar nº 123/2006 para se basear o seu direito à opção e discorre a sua tese sobre o nascimento da pessoa jurídica, citando autores. Por fim, alega que fez a opção para o Simples Nacional três dias após o início da atividade e por isto não extrapolou o prazo. Quanto à constituição de uma pessoa jurídica, em que pese todo o discurso apresentado pela recorrente, o seu nascimento se dá com o arquivamento do seu ato constitutivo, conforme disposto no art. 45, do Código Civil, verbis: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13842.000592/200865 Acórdão n.º 1001000.288 S1C0T1 Fl. 125 5 Quanto à transcrição dos artigos 3º e 16, ambos da Lei Complementar nº 123/2006, pela recorrente para, tem se que literalmente o § 6º, do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, define o prazo para a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade, ou seja: 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura CONSTANTE do CNPJ. Cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, não podendo decidir dando à lei interpretação diversa daquela consagrada pela Administração, papel este incumbido aos tribunais competentes. Como se dessume dos ditames legais, ultrapassado o prazo regulamentar restava ao contribuinte optar pelo Simples Nacional a partir do ano posterior (2009), seguindo a regra geral do art. 7°. Por todo o exposto, face ao decurso de prazo de 180 dias após a data de abertura constante do CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.731083/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
Ementa:
IPI. TABELA DE INCIDÊNCIA (TIPI). CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Sendo a TIPI um mero reflexo do SH e da NCM, qualquer discussão sobre classificação de mercadorias para efeito de incidência do IPI deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PERÍCIA. ATIVIDADES DISTINTAS.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
MULTA "REGULAMENTAR" DO IPI. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CONJUNTA.
Ocorrendo a falta de pagamento do IPI e também a ausência de lançamento do tributo, é aplicável a multa de ofício por falta de pagamento, assim como a multa dita "regulamentar", prevista no art. 80 da Lei no 4.502/1964.
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA. CABIMENTO.
É legítima a exigência de juros de mora sobre o valor das multas lançadas.
Numero da decisão: 3401-004.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento no que se refere à classificação das mercadorias e para manter as multas aplicadas; e (b) por maioria de votos, para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 Ementa: IPI. TABELA DE INCIDÊNCIA (TIPI). CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Sendo a TIPI um mero reflexo do SH e da NCM, qualquer discussão sobre classificação de mercadorias para efeito de incidência do IPI deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. PERÍCIA. ATIVIDADES DISTINTAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. MULTA "REGULAMENTAR" DO IPI. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CONJUNTA. Ocorrendo a falta de pagamento do IPI e também a ausência de lançamento do tributo, é aplicável a multa de ofício por falta de pagamento, assim como a multa dita "regulamentar", prevista no art. 80 da Lei no 4.502/1964. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA. CABIMENTO. É legítima a exigência de juros de mora sobre o valor das multas lançadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 10 83 /2 01 3- 31 Fl. 1889DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento no que se refere à classificação das mercadorias e para manter as multas aplicadas; e (b) por maioria de votos, para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração lavrado em 04/12/2013 (fls. 2 a 29)1, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor original de R$ 14.004.413,41, por ter o estabelecimento promovido a saída de produto tributado com falta de recolhimento por erro de classificação fiscal, de janeiro de 2009 a dezembro de 2012. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 30 a 48), narra a fiscalização que: (a) o lançamento foi efetuado diante da constatação de infração quanto à classificação fiscal para os produtos da linha de congeladores (freezers) horizontais tipo arca, cf. planilha I (fl. 45), para os quais a empresa adotava o código NCM 8418.30.00 (congeladores freezers horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros); (b) de 17/04/2009 a 31/10/2009 houve desoneração de IPI (redução de alíquota a 15% para 5%) para os freezers enquadrados no código NCM 8418.30.00, mediante a criação do Ex01 (capacidade não superior a 400 litros); (c) com o fim da exceção, a empresa promoveu brusca mudança na classificação fiscal anteriormente adotada, reenquadrando os produtos no código NCM 8418.50.10 (outros móveis arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporam um equipamento para produção de frio (alíquota de IPI de 0%); (d) a partir de 01/12/2011 o Ex01 do código NCM 8418.30.00 voltou a vigorar, com alíquota de 15%, mas a empresa permaneceu enquadrando seus freezers no código NCM 8418.50.10; (e) intimada a justificar a mudança de classificação, a empresa informou que esta se deveu a análise das especificações técnicas dos produtos e da tabela do IPI, e que a classificação NCM 8418.30.00 seria aplicável a freezers domésticos, enquanto a 8418.50.10, a freezers destinados a refrigeração comercial; (f) após reclassificação de ofício efetuada pelo fisco, a empresa trouxe novos argumentos para os produtos CV470R e CV520R (que seriam refrigeradores de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.890 3 uso comercial e não congeladores, tendo sido estes excluídos do lançamento); EFH250, EFH250S, EFH350, EFH350S, EFH500 e EFH500S (que possuem dupla função, não sendo nenhuma delas essencial, aplicandose a Regra 3c do Sistema Harmonizado SH); e EH200A, ES200A, AF200, SK200, ES270A, AF300, SK300, EH400A, ES400A, AF400, SK400, EH180L, EH180C, EH260L, EH260C, EH370L e EH370C (que são equipamentos para produção de frio, destinados à conservação e exposição, tornando a classificação adotada mais específica); (g) a posição 8418 não é objeto de controvérsia, sendo seus desmembramentos em subposições regidos pela Regra Geral de Interpretação no 6 do SH; (h) em tal posição há subposição (3) com previsão expressa para congeladores (freezers) horizontais tipo arca que não ultrapassem a capacidade de 800 litros, não havendo qualquer respaldo na TIPI ou no SH para a alteração de classificação efetuada pela empresa; (i) de acordo com os próprios guias da empresa, os equipamentos designados pelos códigos EFH250, EFH250S, EFH350, EFH350S, EFH500 e EFH500S possuem função de congelamento, tendo a função principal de freezer, e desde o início da fiscalização, a própria empresa sempre tratou os equipamentos como freezer; (j) conforme notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI, as máquinas que desempenhem diversas funções são classificadas de acordo com a função principal que desempenham, o que é corroborado pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) 2 e 3, do Capítulo 84; e (l) em virtude das regras de classificação (RGI1, RGI6, e das referidas notas), fica descartada a subposição residual adotada pela empresa. Cientificada da autuação em 05/12/2013 (fl. 4), a empresa apresentou Impugnação em 06/01/2014 (fls. 980 a 1032), alegando, em síntese, que: (a) produz freezers horizontais e verticais destinados a refrigeração comercial, destacandose aqueles cuja principal utilização é a conservação e exposição de produtos congelados (EH200A, ES200A, AF200, SK200, ES270A, AF300, SK300, EH400A, ES400A, AF400, SK400, EH180L, EH180C, EH260L, EH260C, EH370L e EH370C) e aqueles que possuem dupla função de conservador e congelador (EFH250, EFH250S, EFH350, EFH350S, EFH500 e EFH500S); (b) os produtos do primeiro grupo: (b1) são arcas com tampas de vidro que têm como função a conservação do produto congelado e sua exposição no ponto de venda, e a decisão por não mais classificálos na NCM 8418.30.00, em 2009, decorreu de análise técnica pela empresa, cf. boletins técnicos expedidos por seu departamento de engenharia (fls. 1053 a 1063), e não de máfé, como faz parecer a fiscalização; (b2) a Regra Geral 3a do SH determina que prevalece a posição mais específica sobre as genéricas; (b3) a função principal dos equipamentos é a conservação e exposição de produtos congelados; (b4) para um produto ser classificado como congelador, há necessidade de homologação do INMETRO, baseada em normas técnicas específicas, e os produtos em discussão são conservadores de produtos congelados, e não congeladores; e (b5) há Solução de Consulta da 6a RF classificando "equipamento expositor refrigerado tipo vitrina expositora refrigerada, para conservação, exposição e resfriamento de laticínios e/ou bebidas" no código 8418.50.90; (c) os produtos do segundo grupo (arcas com tampas de chapa e que não permitem a visualização do alimento no interior do produto): (c1) possuem duas funções distintas e independentes entre si, refrigerar/conservar e congelar, nenhuma delas podendo ser considerada essencial, dependendo a aplicação das funções exclusivamente do destino que será dado pelo cliente, e os principais clientes (Ambev, Itaipava e Schincariol) os usam principalmente para conservação; (c2) para que os auditores reclassifiquem o produto, devem demonstrar fundamentação técnica ou amparo normativo para determinar o que entendem como sendo a função principal do aparelho; (c3) aplicase ao caso a Regra 3c do SH, diante da impossibilidade de determinação da característica essencial; (c4) há Solução de Consulta classificando "congelador "freezer"/refrigerador, vertical, munido de porta única de vidro, com termostato de dupla ação para controle de temperatura de refrigeração ou de congelação, utilizado em supermercados, etc., para exposição de Fl. 1891DF CARF MF 4 mercadorias sorvetes, etc., comercialmente denominado "free shop 738", marca "Prosdócimo" no código 8418.50.9900; (d) foram exigidas a multa de ofício (75%, por falta de pagamento de tributo) e a multa regulamentar do IPI (mais 75%, por falta de lançamento do imposto) sobre o mesmíssimo fato gerador, ocasionando bis in idem, sendo a condutameio exclusivamente oriunda da condutafim, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo impossível a cumulação, como tem decidido o CARF; e (e) há impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e sobre a multa regulamentar, o que acarreta violação ao princípio da legalidade. Demanda ainda a empresa na peça impugnatória a produção de prova pericial (formulando quesitos às fls. 1029/1030) e a juntada posterior de documentos. A decisão de primeira instância, proferida em 24/06/2014 (fls. 1119 a 1137) foi pela improcedência da impugnação, dispondo que a classificação demandada pela empresa ostenta caráter residual, que não pode ser oposta a texto expresso em outra subposição, cabendo destacar, em relação ao segundo grupo, que a possibilidade de regulagem de temperatura não retira do equipamento a qualidade de congelador, nem alça a função de conservação ao protagonismo. Entendeu também o julgador de piso prescindível a perícia demandada, que há submissão da juntada posterior de documentos ao que estabelece o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, que a legislação permite a aplicação conjunta das multas exigidas na autuação, inexistindo bis in idem, e que a cobrança de juros resulta de disposição normativa, não havendo vício na exigência. Após ciência ao acórdão de primeira instância (registrada à fl. 1140) em 13/10/2014, apresentouse o recurso voluntário de fls. 1315 a 1400 (em 20/10/2014), no qual se argumentou que: (a) há necessidade de produção de prova pericial, constituindo seu indeferimento em cerceamento de defesa, incluindo parecer do IBAPE sobre "descrição técnica e classificação tarifária"; (b) congeladores (freezers) não se confundem com conservadores de produtos congelados, e para um produto ser classificado como congelador, é preciso que tenha homologação do INMETRO, baseada em normas técnicas específicas; (c) os expositores horizontais (com descrição EH200A, ES200A, AF200, SK200, EH270A, ES270A, AF300, SK300, EH400A, ES400A, AF400, SK400, EH180L, EH180C, EH260L, EH260C, EH370L e EH370C) são arcas frigoríficas com tampa de vidro que possuem como função primordial a conservação e exposição de produtos no ponto de venda, e são comumente utilizados para armazenar e expor sorvetes, polpas de frutas, carnes, peixes, entre outros, e a empresa classificava tais mercadorias no código NCM 8418.30.00 porque não havia na TIPI instituída pelo Decreto no 4.070/2001 a previsão de "expositores/conservadores", que passou a figurar na TIPI aprovada pelo Decreto no 6.006/2006, ensejando que a empresa, após estudos, e em função dos avanços tecnológicos, passasse, depois de 2009, a classificálos no código NCM 8418.50.10; (d) a RGI no 3a é clara o suficiente para determinar que, havendo uma posição mais específica, ela prevalece sobre a mais genérica, e as notas 3 e 4 da Seção XVI da TIPI deixam evidenciada a necessidade de verificação da função principal da mercadoria (que é a exposição e conservação, e não o congelamento), sendo a classificação correta no código NCM 8418.50.10; (e) em relação aos conservadores dupla função refrigerar/conservar e congelar (com descrição EFH250, EFH250S, EFH350, EFH350S, EFH500 e EFH500S), a utilização da terminologia "freezer" pela empresa não se faz tecnicamente, mas somente para utilizar linguagem mais próxima do usuário, e nenhuma das funções "pode ser considerada como essencial, já que a opção da utilização desta ou daquela função ficará a cargo exclusivo do cliente que o adquirirá", cabendo a utilização da RGI no 3c (utilização da posição situada em último lugar na ordem numérica); e (f) empresas do setor vem enquadrando produtos com denominação similar (e semelhantes especificações técnicas) aos da recorrente no código NCM 8418.50.90. No mais, reiterou as alegações de existência de bis in idem, entre a multa isolada e a multa por falta de pagamento do imposto, e de impossibilidade de incidência de juros de mora sobre tais multas. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.891 5 Em 23/02/2016, o julgamento foi convertido em diligência, pela Resolução no 3401000.915 (fls. 1552 a 1560), vencidos este relator e os Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida. Compunham ainda o colegiado os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Eloy Eros da Silva Nogueira, este encarregado da redação do voto vencedor, no qual figuraram onze quesitos a serem respondidos em laudo, por perito: 1. identificar a destinação concebida e proposta para cada modelo, se de uso doméstico, ou industrial, ou comercial, ou outros (especificar); 2. identificar, para cada modelo, se a função refrigeração é única, ou é combinada a outra função (especificar); informar se há predominância entre elas; 3. idem com relação à função de congelamento; 4. identificar se há modelo que ofereça função de conservação que não inclua as de refrigeração ou de congelamento; 5. identificar os modelos que tenham função de exposição dos produtos e os que não a tenham; 6. identificar os modelos cujas partes componentes (ex.: compressor, condensador e evaporador) formam um conjunto monobloco ou um único corpo; 7. diferentemente do definido no anterior, identificar os modelos que possam ser descritos como armário, móvel, aparelho ou conjunto que incorpore um grupo frigorífico completo ou um evaporador de grupo frigorífico ou um evaporador; 8. se for o caso, e diferentemente dos definidos nas anteriores, identificar os modelos que podem ser descritos como instalações frigoríficas constituídas por elementos não montados em uma base comum nem agrupados num único corpo, porem concebidos para funcionarem juntos; 9. se for o caso, e diferentemente dos definidos nas anteriores, identificar os modelos que possam ser descritos como móvel concebido para receber um equipamento de produção de frio, e concebido como armário frigorífico, ou concebidos como móveis isotérmicos; 10. identificar as características concorrentes a cada modelo (ex.: se dotado de compressor ou outro dispositivo, capacidade, design horizontal ou vertical, tipos de portas, etc); e 11. se possível, reunir essas informações em um quadro que compare os diferentes modelos. A unidade da RFB interpôs, então, embargos de declaração (fls. 1586 e 1587), basicamente buscando aclarar se, com o resultado do julgamento, (1) Desejase que a autoridade executora contrate um perito externo para que esse proceda a perícia; (2) Que se realize, de ofício, a perícia, nos moldes do §1º do art. 18 do Decreto 70.235/72; ou (3) Que, simplesmente, a autoridade executora diligencie para responder as questões levantadas. Fl. 1893DF CARF MF 6 Admitidos os embargos pelo despacho de fls. 1591 a 1595, o processo foi remetido ao redator designado, que elaborou voto acolhido unanimemente pelo colegiado, no Acórdão no 3401003.749, para sanar a obscuridade sobre a designação do perito responsável pela elaboração do laudo técnico, a ser efetuada pela unidade local da RFB, podendo o contribuinte indicar assistente técnico para acompanhar a perícia, e podendo as partes previamente acrescentar os questionamentos que considerem pertinentes. A decisão do CARF foi cientificada à recorrente em 08/06/2017 (fl. 1613), tendo, a unidade local da RFB, efetuado a contratação da empresa “R P MENEZES CONSULTORIA EM ENGENHARIA MECÂNICA LTDA ME” para emissão do laudo (fls. 1617), com nova ciência à recorrente em 21/08/2017 (fl. 1622). Em 30/08/2017 (fls. 1625 a 1628) a recorrente indicou assistentes técnicos e 18 quesitos a serem respondidos pelo perito, que se somaram a outros 8 acrescentados pela fiscalização (fls. 1632/1633). Às fls. 1635 a 1647 consta laudo técnico respondendo aos 8 quesitos elaborados pela fiscalização (fls. a 1640 a 1643), e aos 18 quesitos elaborados pela recorrente (fls. 1643 a 1646), e ciência de seu teor à recorrente em 14/09/2017 (fl. 1726). À fl. 1731, consta expediente do perito, datado de 21/09/2017, solicitando a desconsideração do laudo anterior, por não constar que se tratava de demanda do CARF, e anexando novo laudo (fls. 1737 a 1751), agora também os 11 quesitos formulados pelo CARF (fls. 1748 a 1751). Ciente do novo laudo em 22/09/2017 (fl. 1830), a empresa manifestouse sobre ele no expediente de fls. 1838 a 1849 (em 16/10/2017), entendendo que restou “cabalmente demonstrado, pelas respostas aos quesitos 7 e 17, da Esmaltec, e pela conclusão do Sr. Perito de fls. 1646/1647, que os produtos da Empresa recorrente não atingiram os parâmetros necessários para serem classificados como congeladores e, consequentemente, que as mercadorias objeto da autuação não podem ser classificadas como congeladores (freezers) por não atenderem as exigências técnicas mínimas para serem considerados como tal”. A fiscalização, por sua vez, ciente do resultado do laudo, questionouo (fls. 1877 a 1882), sustentando que a norma técnica que o fundamenta (NBR 12862/93) está cancelada, conforme consulta à ABNT, e a norma ISSO 5155/95 aplicase somente a aparelhos domésticos, e que (a) o perito não acompanhou os ensaios realizados em 2015, anos antes da perícia, mas em época na qual a norma técnica já estava cancelada, (b) o laboratório em que foram realizados os ensaios termodinâmicos não está credenciado para testes de tal natureza, conforme reconhecido pela própria instituição, (c) os ensaios são aplicáveis somente a aparelhos domésticos, tecendo ainda considerações sobre a norma internacional que avalia a capacidade de congelamento, (d) para classificação dos equipamentos no sistema harmonizado devese recorrer às suas características técnicas, estando todas as informações necessárias nos próprios manuais dos aparelhos, que apropriadamente os denominam “freezers”, (e) a própria empresa denomina, nas notas ficais, os produtos como “congeladores/freezers”, e (f) há contradições no laudo técnico (por exemplo, sobre haver ou não a função de congelamento). Em 18/12/2017 o processo retorna a este colegiado, para julgamento, sendo a mim distribuído, em virtude da relatoria originária. É o relatório. Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.892 7 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Como já destacado na conversão anterior em diligência, o recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende os demais requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O presente contencioso tem por cerne a classificação de mercadorias designadas pela empresa como expositores e "freezers" (nas notas fiscais relacionadas às fls. 49 a 769), com descrição EH200A, ES200A, AF200, SK200, EH270A, ES270A, AF300, SK300, EH400A, ES400A, AF400, SK400, EH180L, EH180C, EH260L, EH260C, EH370L e EH370C (modelos com tampas transparentes), e com descrição EFH250, EFH250S, EFH350, EFH350S, EFH500 e EFH500S (com tampa cega/não transparente). Antes de ingressar na análise da classificação de tais mercadorias, alguns esclarecimentos se fazem necessários, tanto no que se refere à classificação de mercadorias e sua utilidade/relevância internacional, quanto no que tange aos aspectos técnicos e jurídicos sobre o tema. Da classificação de mercadorias utilidade e relevância internacional A classificação de mercadorias se presta primordialmente à uniformização internacional. De nada adiantaria, por exemplo, pactuar alíquotas sobre o imposto de importação internacionalmente, se não fosse possível designar sobre quais produtos recai o acordo. A "Babel" de idiomas sempre foi um fator de dificuldade para o controle tributário e aduaneiro, e também para a elaboração de estatísticas de comércio internacional, e é agravada pelas diversas denominações que uma mercadoria pode ter mesmo dentro de um mesmo idioma (v.g., no Brasil, a tangerina, também denominada de mexerica, bergamota ou mimosa, entre outros). Embora tenha havido iniciativas no século XIX, na Europa, de confecção de listas alfabéticas de mercadorias, é em 29/12/1913, em Bruxelas, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, que 29 países chegam à primeira nomenclatura de real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata. Depois de diversas iniciativas, como a Nomenclatura de Genebra, da década de 30 do século passado, e a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, de 1950, com o nome alterado, em 1974, para Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira – NCCA, chegase à Convenção do “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), aprovada em 1983, e que entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 1988.2 2 DALSTON, Cesar Olivier. Classificando Mercadorias: uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p. 182187; BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de Fl. 1895DF CARF MF 8 A Convenção do SH é hoje aplicada em âmbito mundial, não só entre os 153 países signatários, mas em suas relações com terceiros. No Brasil, a referida convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo no 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto no 97.409, de 23/12/1988, com depósito internacional do instrumento de ratificação em 08/11/1988. Desde 1o de janeiro de 1989, a convenção é plenamente aplicável no Brasil, tendo, segundo entendimento dominante em nossa suprema corte, "status" de paridade com a lei ordinária.3 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é uma nomenclatura estruturada sistematicamente buscando assegurar a classificação uniforme de todas as mercadorias (existentes ou que ainda existirão) no comércio internacional, e compreende seis Regras Gerais Interpretativas (RGI), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, e 21 seções, totalizando 96 capítulos, com 1.244 posições, várias destas divididas em subposições de 1 travessão (primeiro nível) ou dois (segundo nível), formando aproximadamente 5.000 grupos de mercadorias, identificados por um código de 6 dígitos, conhecido como Código SH.4 Desde que não contrariem o estabelecido no SH, os países ou blocos regionais podem estabelecer complementos aos seis dígitos internacionalmente acordados, e utilizar a codificação inclusive para temas e tributos internos. A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que serve de base à aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), acrescenta aos seis dígitos formadores do código do Sistema Harmonizado mais dois, um referente ao item (sétimo dígito) e outro ao subitem (oitavo dígito). A inclusão de um par de dígitos efetuada na NCM demandou ainda a edição de Regras Gerais Complementares (RGC) às seis Regras Gerais do SH (para disciplinar a interpretação no que se refere a itens e subitens) e de Notas Complementares.5 E, no Brasil, a NCM serve de base para a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), desde a TIPI de 1996, veiculada pelo Decreto no 2.092, de 10/12/1996. Assim, a TIPI é uma tabela aprovada por decreto do Poder Executivo, e permite saber, a partir de uma classificação numérica de seis dígitos acordada internacionalmente, e complementada por dois dígitos uniformizados no âmbito do MERCOSUL, qual a alíquota aplicável para o IPI. mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14; e TREVISAN, Rosaldo. A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros (coords.). Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 358361. 3 Sobre a estatura de paridade dos tratados internacionais regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro com as leis, vejase a ADIn n. 1.480DF. 4 Além do constante estabelecimento de atualizações na nomenclatura, decorrentes de descobertas e aperfeiçoamentos de novos produtos, há publicações complementares que auxiliam no processo de designação e classificação de mercadorias, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH (expressando o posicionamento oficial do CCAOMA), o índice alfabético do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas, publicado pelo CCAOMA, os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado, criado pela convenção, e os atos normativos emitidos por autoridades nacionais a respeito de classificação de mercadorias. 5 Em 01/01/1995, tendo em vista o Tratado de Assunção, os entendimentos havidos no âmbito do Mercosul, e a publicação do Decreto n. 1.343, de 23/12/1994, a antiga Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), que utilizava dez dígitos (os seis do SH mais dois para itens e dois para subitens), deu lugar à Tarifa Externa Comum (TEC), uniformemente adotada por todos os membros do bloco. Tal evolução serviu de base à substituição, em 01/01/1997, após a publicação do Decreto n. 1.767, de 28/12/1995, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.893 9 Tais esclarecimentos objetivam desfazer eventual equívoco, que parece bastante presente na peça recursal, de que a classificação de mercadorias, para efeito de IPI, seja vinculada a normas técnicas brasileiras, ou à nomenclatura utilizada por órgãos brasileiros. Recordese: a tabela do IPI não pode fugir da classificação adotada internacionalmente, no que se refere aos seis primeiros dígitos. E a nomenclatura técnica nacional só é válida se for conforme aos termos internacionalmente acordados. Ademais, o português não é um idioma autêntico da Convenção do SH. Assim, se o Brasil, por exemplo, pactua internacionalmente as alíquotas máximas (no âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC) ou a alíquota extrabloco (no âmbito do MERCOSUL) do imposto de importação para determinada classificação, tais pactos são aplicáveis ao que se entende internacionalmente abarcado por tal classificação. Sendo a TIPI um mero reflexo do SH e da NCM, qualquer discussão sobre classificação de mercadorias para efeito de incidência do IPI deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Não pode assim, o Brasil (seja por meio do INMETRO ou qualquer outro órgão ou entidade), dar a determinada expressão, utilizada na nomenclatura do SH, significado ou amplitude distinta da ali estabelecida, de modo a tornar não uniforme o termo, internacionalmente. Dispensáveis, assim, os posicionamentos apresentados pela recorrente em relação a normas técnicas nacionais. Caso sejam tais normas harmônicas com as internacionalmente acordadas, por institutos técnicos, servem de complemento ao SH. Caso contrário, são inaplicáveis, podendo inclusive ser interpretadas como tratamento discriminatório no âmbito da OMC. Da classificação de mercadorias aspectos técnicos e jurídicos É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos). Essas duas categorias parecem ser confundidas pela defesa, o que demanda também um esclarecimento adicional. O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função, entre outras, de, a partir da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem. Fl. 1897DF CARF MF 10 Ao demandar, em sede preliminar, no seu recurso voluntário, a realização de perícia, a empresa solicita resposta a vários quesitos (fl. 1324 a 1327) que residem em literatura técnica (que ela própria junta, ou poderia ter juntado, ao processo) e sequer demandam exame das mercadorias. Ademais, os produtos possuem manual e especificações técnicas definidas (a exemplo da constante no guia de fls. 794 a 805). Assim, não se está diante do tipo de produto que demande exame laboratorial ou testes. A capacidade, a faixa de temperaturas, o tipo de motor e as dimensões, inclusive com fotos, são conhecidos. E esses elementos, como se verá adiante, são suficientes para a classificação da mercadoria. Desnecessário, a nosso ver, então, recorrer a laudos técnicos, estejam eles ou não nos autos. Acrescentese que as duas últimas perguntas (24 e 25) da solicitação de perícia do recurso voluntário, são nitidamente dirigidas a um classificador, e não a um perito técnico, o que atesta a confusão aqui apontada. Ausente, a meu ver, assim, a necessidade de perícia, sendo correto o entendimento da DRJ pela sua dispensa, o que não acarreta qualquer prejuízo ou cerceamento de defesa à recorrente. No entanto, entendeu o colegiado, na Resolução no 3401000.915 (fls. 1552 a 1560), vencidos este relator e os Conselheiros Robson José Bayerl e Fenelon Moscoso de Almeida, que seria necessário obter resposta a onze quesitos, aos quais a fiscalização acrescentou oito e a recorrente dezoito, para o deslinde do contencioso. Por mais que, regimentalmente (art. 63, § 5o), tal demanda por conversão em diligência possa ser aqui reapreciada, e mantenhamos o posicionamento pela desnecessidade, tomaremos o resultado da diligência realizada como elemento adicional de formação de convicção no julgamento. Quanto aos onze quesitos formulados pelo voto vencedor do redator designado, no CARF, temos, a partir das respostas, que, efetivamente, pouco acrescentam na busca pela correta classificação a partir das regras do sistema harmonizado. Prestamse tão somente a discutir (ainda que contraditoriamente – vejamse as respostas aos quesitos 2 e 4) se haveria as funções de conservação e congelamento nos aparelhos, à luz de critérios nacionais. Ademais, há contradição ou não compreensão das perguntas, nos quesitos 6 a 9. Idem em relação aos oito quesitos formulados pela fiscalização, que se prestam a tratar de características dos equipamentos que poderiam ser obtidas nos próprios manuais (v.g., todos os equipamentos possuem tampa, não são internamente iluminados, e nenhum possui design modular). Sobre os dezoito quesitos elaborados pela recorrente, percebese, novamente, apego a órgãos e normas nacionais, quando o tema que se está a discutir (classificação e mercadorias) é notoriamente de caráter internacional. Repitase: de nada valeria um acordo internacional para classificar, v.g., congeladores se cada país pudesse estabelecer nacionalmente o que é, v.g., um congelador. Ademais, o resultado do laudo é genérico inconclusivo (vejase, por exemplo, as respostas aos quesitos 1 a 5, 9 e 17), e parte de informações fornecidas pela empresa e laudos de anos anteriores não verificados efetivamente na perícia. Prestase o laudo, conclusivamente, somente a atestar que todos os equipamentos efetivamente possuem capacidade inferior a 800 litros (informação que poderia ser obtida nos manuais respectivos) e são do tipo horizontal – arca, com tampa de abertura Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.894 11 exclusivamente superior (transparente apenas para alguns modelos), conforme respostas aos quesitos 1 e 2 (RFB), e 18 (recorrente). Acrescentese que, por mais que pareça grave que o laudo técnico, assim como o exame que o antecede, utilize norma técnica já cancelada, é preciso salientar que o aqui exposto, em relação ao caráter internacional da classificação de mercadorias, torna secundária a discussão sobre a norma técnica nacional, seja ela qual for. E, por fim, adicionese que o estândar internacional mencionado (ISO) trata de aparelhos refrigeradores domésticos, quando o laudo técnico informa não se possível afirmar que os produtos examinados o são. Da classificação das mercadorias no caso concreto Como a discussão travada no presente processo se refere ao confronto entre a classificação apontada como correta pelo fisco código NCM 8418.30.00, e que era anteriormente utilizada pela empresa, e a classificação que passou a ser adotada pela empresa a partir de 2009 código NCM 8418.50.10, percebese que há acordo em relação à posição 8418. E é pelo texto da posição (e das Notas de Seção e de Capítulo) que se inicia o procedimento de classificação de uma mercadoria, conforme esclarece a própria RGI1: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: (...)" (grifo nosso) E o texto posição 8418 dispõe: "Refrigeradores, congeladores (“freezers”) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15". Identificado o texto da posição, deve ser encontrada a subposição de primeiro nível (quinto dígito), conforme a RGI6 (e regras 2 a 5, se for o caso): "A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, 'mutatis mutandis', pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário." (grifo nosso) Assim, o procedimento segue com a comparação dos textos das subposições de primeiro nível 8418.1 (que não se desmembra em subposições de segundo nível), 8418.2, 8418.3 (que também não é desmembrada), 8418.4 (também sem desmembramento), 8418.5 (desmembrada somente no âmbito regional), 8418.6 e 8418.9. Ao informar que "apenas são comparáveis subposições do mesmo nível", a RGI6 evita que o intérprete desavisado parta para comparações com diferentes níveis de desmembramento (por exemplo, partindo imediatamente para um texto de subposição de segundo nível, antes de analisar qual a subposição de primeiro nível correta). Fl. 1899DF CARF MF 12 Os textos das referidas subposições de primeiro nível (desconsiderando os dígitos "zero" nas subposições não desmembradas, e destacandose o que defendem a fiscalização e a empresa) são os seguintes: Posição 8148: Refrigeradores, congeladores (“freezers”) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15: 8418.1 Combinações de refrigeradores e congeladores (“freezers”), munidos de portas exteriores separadas 8418.2 Refrigeradores do tipo doméstico: 8418.3 Congeladores (“freezers”) horizontais tipo arca, de capacidade não superior a 800 litros Subposição de primeiro nível defendida pela fiscalização. 8418.4 Congeladores (“freezers”) verticais tipo armário, de capacidade não superior a 900 litros 8418.5 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio Subposição de primeiro nível defendida pela empresa. 8418.6 Outros materiais, máquinas e aparelhos, para produção de frio; bombas de calor: 8418.9 Partes: A fiscalização narra que a própria empresa classificava as mercadorias no código NCM 8418.30.00, mas, quando deixou de haver desoneração do IPI em tal código, a partir de outubro de 2009, ela passou a classificar os mesmos produtos no código NCM 8418.50.10. Defende a empresa, em suas peças recursais, que tal alegação do fisco teria o condão de insinuar a máfé do contribuinte, o que jamais existiu, tendo havido somente uma mudança de entendimento depois de estudos técnicos (fls. 848849), que concluíram que os congeladores (freezers) destinavamse a refrigeração comercial (exposição e conservação de produtos), classificandose no código NCM 8418.50.10, e não à refrigeração doméstica (o que ensejaria a classificação no código NCM 8418.30.00). Há aqui duas observações importantes a fazer. A primeira, de que a fiscalização, embora narre (e demonstre) que a empresa apenas alterou a classificação após deixar de haver desoneração para a classificação que adotava, não qualifica ou agrava a multa aplicada, o que deveria, por certo, fazer, se entendesse ter havido dolo, ou que a atitude fosse deliberada. Assim, a própria fiscalização oferece o benefício da dúvida à empresa, narrando que a alteração se deu após o término da desoneração, mas não levando adiante qualquer conclusão de que tal conduta tenha sido intencional / dolosa. Assim, não se toma, neste julgamento, como dolosa a atitude da empresa, oferecendose o mesmo benefício da dúvida. A segunda observação é de que a justificativa da empresa para a reclassificação não encontra qualquer fundamento objetivo na nomenclatura do Sistema Harmonizado. Vejamse os textos dos códigos NCM 8418.30.00 e 8418.50.10 (com grifo em relação aos termos comuns): 84.18 Refrigeradores, congeladores (“freezers”) e outros materiais, máquinas e aparelhos para a produção de frio, com equipamento elétrico ou outro; bombas de calor, exceto as máquinas e aparelhos de arcondicionado da posição 84.15. 8418.30.00 Congeladores (“freezers”) horizontais tipo arca, de capacidade Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.895 13 não superior a 800 litros 8418.50 Outros móveis (arcas, armários, vitrines, balcões e móveis semelhantes) para a conservação e exposição de produtos, que incorporem um equipamento para a produção de frio 8418.50.10 Congeladores (“freezers”) 8418.50.90 Outros Não há qualquer menção, para efeitos de distinção na classificação, a ser o refrigerador comercial ou residencial, em tais códigos. Tal distinção foi efetuada apenas na subposição 8418.2. Está, assim, buscando a empresa criar uma distinção inexistente na nomenclatura. A distinção adotada para classificação é simples: o tipo (horizontal ou vertical) e a capacidade (mais ou menos de 800 litros, e mais ou menos de 900 litros). Nada mais objetivo e claro! Todos os textos contêm o termo "congeladores (freezers)", inclusive o adotado pela empresa (8418.50.10). Assim, isso não pode ser um fator distintivo (em que pese a recorrente gastar substancial parte de sua defesa sustentando que o que denomina comercialmente "freezers", na verdade, não são tecnicamente "freezers" nem congeladores (o que, destaquese, tornaria também inadequada a classificação que ela sustenta estar certa). Parece, aqui, que a empresa, a partir de textos de normas técnicas e de certificação brasileiras, que em nada se referem a classificação de mercadorias, e de perícias que apresenta e que solicita (e obtém), referentes a tecnicidades, buscar apenas contornar a cristalina simplicidade das regras de classificação aplicáveis ao caso, e dos textos da nomenclatura do SH. Em outras palavras, parece descontente com a clareza das regras do SH e dos textos da nomenclatura, tentando encontrar palavras ocultas em tais textos a partir de leituras nacionais de termos, que, em verdade, foram internacionalmente acordados. Voltando à subposição de primeiro nível, é de extrema clareza que as mercadorias são congeladores ("freezers"), ainda que sejam utilizados para conservar e expor produtos. E não é necessário laudo técnico para saber se tais freezers são horizontais ou verticais, ou se são do tipo arca, nem para verificar sua capacidade, em litros. Mas o laudo acabou, como exposto, por confirmar que todos os equipamentos são do tipo horizontal e com capacidade inferior a 800 litros. Sendo os congeladores ("freezers") horizontais do tipo arca, como se atesta nos autos, e com capacidade não superior a 800 litros (o que também não é objeto de controvérsia), a classificação se dá pela RGI1, diante do texto da posição 8418, e pela RGI6, diante do texto da subposição de primeiro nível 8418.3. Não há margem, atendido o atributo congelador ("freezer"), o tipo (arcahorizontal) e a capacidade (não superior a 800 litros), para que o classificador parta para a subposição residual ("outros móveis..."). Parece a empresa ter se preocupado demasiadamente com terminologia de certificação nacional, e com a utilização que terceiros vão dar à mercadoria, revelando desconhecimento sobre as regras de classificação internacionalmente acordadas pelo Brasil. É como se, ao classificar uma máquina que é copiadora, 'fax' e 'scanner', fosse tomado em conta determinado selo de qualidade aplicado no Brasil somente a copiadoras, ou fosse perguntado ao usuário o que ele faria com a máquina depois de comprála. Fl. 1901DF CARF MF 14 Assim, necessário o esclarecimento sobre o procedimento de classificação, passo a passo, e que acabou revelando que o caso concreto de que trata o presente processo é um caso simples de classificação de mercadorias, que não demanda maiores aprofundamentos técnicos, diante do texto claro e objetivo da nomenclatura. E, diante da irrelevância, no caso, de ser a tampa do "freezer" transparente ou não, sequer se fará aqui o desmembramento que tanto o fisco quanto a empresa fizeram dos equipamentos, em duas categorias. Correta, assim, a classificação efetuada pelo fisco (e que era anteriormente utilizada pela empresa): 8418.30.00. Cabem, no entanto, duas observações adicionais, mesmo após se atestar a correta classificação da mercadoria. A primeira é a de que a existência de Soluções de Consulta da RFB em relação a mercadorias que se afirma serem semelhantes não vincula nem afeta a presente apreciação. E a segunda, que é diretamente relacionada à primeira, é a de que cada vez mais, na era em que as Soluções de Consulta sobre classificação de mercadorias poderão vincular empresas diferentes que operam com as mesmas mercadorias (após a Instrução Normativa RFB no 1.464/2014, nas condições ali determinadas), é necessário que sejam uniformizados os entendimentos das diferentes unidades da RFB, para que não ocorra tratamento diferenciado às empresas no que se refere a uma mesmíssima mercadoria (como parece noticiar a recorrente, ao trazer dados de importação de uma concorrente sua). Identificada pelo fisco a correta classificação de uma mercadoria, tal escorreição deve ser exigida de toda e qualquer empresa (em procedimento distinto de fiscalização, a ser oportunamente realizado, dentro das possibilidades e do planejamento fiscal), sob pena de estar a própria fiscalização obstaculizando a livre concorrência. Procedente, assim, a autuação e a exigência, pelo fisco, das diferenças em relação ao IPI, atualizadas, no presente processo. Da relação entre a "multa regulamentar" e a "multa de ofício" Argumenta a recorrente que foram exigidas a multa de ofício (75%, por falta de pagamento de tributo) e a multa regulamentar do IPI ("por descumprimento de obrigação acessória" mais 75%, por falta de lançamento do imposto) sobre o mesmíssimo fato gerador, ocasionando bis in idem, sendo a condutameio exclusivamente oriunda da condutafim, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo impossível a cumulação, como tem decidido o CARF. De início, esclareçase a inadequação das denominações em relação às multas. Por certo, ambas são multas que decorrem de um lançamento de ofício. Assim, em sentido amplo, ambas são "de ofício". E a expressão "multa regulamentar" (ou "isolada"), apesar de ser tradicionalmente empregada neste tribunal e até na legislação, contém flagrante impropriedade, diante da impossibilidade de um regulamento estabelecer multas. Assim, tratemos da multa por falta de pagamento de tributos (tida como "multa de ofício") e da multa por falta de lançamento do imposto na saída do estabelecimento (comumente designada como "multa regulamentar", ou até "isolada"). A primeira deriva da falta de pagamento, conforme planilha de fl. 42, e a segunda, do IPI devido e não destacado, após a apuração das exclusões do crédito tributário informadas à fl. 43. Assim, tais multas podem coexistir, nos casos em que além de não ter sido recolhido o tributo, ele não tenha sido lançado, como se percebe da leitura do art. 80 da Lei no Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.896 15 4.502/1964, endossada pela DRJ, que também recorda que as bases são distintas, em função da tomada de créditos. Portanto, não merece prosperar a argumentação da recorrente, visto que as condutas são nitidamente diversas (falta de lançamento e falta de pagamento) assim como as bases (tomando ou não em conta os créditos). Ademais, inaplicável a disposição do art. 112 do CTN ao caso, por não haver nenhuma das dúvidas destacadas nos incisos do referido artigo. Dos juros de mora sobre "multa regulamentar" e a "multa de ofício" Sustenta a recorrente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre os valores referentes a multa (seja a tratada como “regulamentar”, ou a “de ofício”). Sobre esse tema, sustentei, reiteradamente, neste colegiado, que não havia incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (raciocínio que se aplica ainda à multa tratada como “regulamentar”), em diversos acórdãos, como o de no 3403002.367, do qual se extraio a argumentação a seguir. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) Fl. 1903DF CARF MF 16 As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3o Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.897 17 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob o risco de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Tenho, no entanto, analisado com atenção tanto a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto do Poder Judiciário sobre o tema, não por simples subserviência ou acolhida cega a seus fundamentos, mas para verificar até que ponto é sustentável, jurídica e até logicamente cada um dos posicionamentos. Ciente de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais aprecia a matéria de forma diversa, fui buscar, inicialmente, os fundamentos que levaram à conclusão daquele colegiado, para examinar me demoviam do entendimento que vinha sustentando. Verifiquei, para tanto, de início, acórdão recente da CSRF, que usou como fundamentos os artigos 113, 139 e 161 do CTN, e os artigos 43, 44 e 61 da Lei no 9.430/1996: “Esta matéria não é nova no âmbito deste colegiado e reitero as razões que venho utilizando a tempos nos processos de minha relatoria. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o Fl. 1905DF CARF MF 18 mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, em decisão de 04/12/2012, assim ementada: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Para confirmar este entendimento é relevante apresentar algumas recentes decisões da CSRF, abaixo transcritas: (...)” (sic) (grifos nossos) (Acórdão no 9303005.042, maioria, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, sessão de 12 abr. 2017) Os ingredientes anexados à discussão no referido acórdão apontam para algo importante, a nosso ver, ainda que o argumento seja usado apenas por analogia: o artigo 43 da Lei no 9.430/1996. Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.898 19 Não consideramos em nossa análise inicial o referido artigo 43, por entender que não se aplicava à multa de ofício. Recordese como é desmembrada a Seção V (“Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições”) do Capítulo IV (“Procedimentos de Fiscalização”) da lei: em “Auto de Infração sem Tributos” (art. 43); “Multas de Lançamento de Ofício” (arts. 44 a 46); e “Aplicação de Acréscimos de Procedimento Espontâneo” (art. 47). No art. 43 (geograficamente fora das “Multas de Lançamento de Ofício”) dispõese que: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (grifo nosso) Desse artigo, concluo que a RFB não precisa mais realizar “imputações” de pagamento proporcionais para os pagamentos em atraso, desmembrandoos em principal, multa e juros de mora, pois cada uma dessas quantias pode ser objeto de exigência isolada. Vejase, por exemplo, um pagamento em atraso de R$ 1.000.000,00 (aos quais, v.g., o fisco “imputaria”, à revelia do pagador – que poderia estar a discordar dos acréscimos moratórios –, R$ 200.000,00 a título de multa e R$ 100.000,00, a título de juros de mora, restando R$ 700.000,00 a título de principal). A multa e os juros que deixaram de ser pagos em função do atraso poderiam, após o art. 43, ser exigidos com juros de mora, ainda que a integralidade dos R$ 1.000.000,00 fosse considerada como pagamento do principal. Isso simplificaria a autuação, que não se referiria mais ao principal, mas apenas ao que deixou de ser pago em função do atraso. Tal disposição é absolutamente incompatível com a multa de ofício de que trata o artigo seguinte da lei, e permite tãosomente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, e de juros de mora sobre os próprios juros de mora. No item 23 da Mensagem no 990/96, do Poder Executivo, que acompanha o Projeto de Lei (PL) no 2.448/1996, do qual se origina a da Lei no 9.430/1996, encontramse as razões para a redação do artigo: “23 . O art. 43 possibilita a constituição de crédito tributário relativo apenas aos encargos de multa ou de juros, permitindo sua cobrança administrativa ou judicial e dando materialidade às normas contidas nos artigos subseqüentes (arts. 44 a 46).” (disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra ?codteor=1132081&filename=Dossie+PL+2448/1996) Claro está, aí, que trata o artigo de encargos. Aliás, isso foi bem percebido pelo relator do projeto, na Câmara dos Deputados, Deputado Roberto Brant: Fl. 1907DF CARF MF 20 “8.7. O art. 43 cobre lacuna existente na legislação federal. Prevê a formalização da exigência de crédito tributário, através de auto de infração ou notificação de lançamento, exclusivamente para cobrança de multa e juros de mora, nos casos em que o tributo ou contribuição social sejam pagos após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. No caso será exigida multa de ofício, como consta do artigo seguinte do projeto. A proposta, além de incutir nos contribuintes maior respeito para com as normas tributárias, simplifica procedimentos operacionais da administração fiscal, já que a lacuna existente vem sendo contornada, administrativamente, por um complexo mecanismo de “imputação de pagamentos”. (sic) (idem) Assim, não se tem dúvidas de que está o artigo 43 a tratar de lançamento de ofício de multa de mora e de juros de mora. E isso nos afastava de seu teor, na análise de juros incidentes sobre multa de ofício. Entretanto, reconhecemos que ao se lançar valores correspondentes a multa de mora não paga e a juros de mora não pagos, estáse a exigir tais valores de ofício. E que sobre ditos encargos exigidos de ofício incidem indubitavelmente juros de mora. Não se presta o artigo 43 da Lei no 9.430/1996, assim, a afirmar que incidem juros de mora sobre qualquer exigência de multa de ofício, mas tãosomente daquela referida na lei, decorrente de recolhimento a destempo. Isso poupou um bom trabalho da RFB na complexa tarefa de imputação de pagamentos. Também desse artigo se afastou o recente entendimento da COSIT sobre a matéria (Solução de Consulta no 47, de 4/5/2016, que agregou ainda comando do DecretoLei no 1.736/1979). A análise sobre o que se abrangeria na expressão “crédito tributário”, no CTN (incluindo penalidades), encontra obstáculos lógicos de intelecção em diversos dispositivos do próprio Código (v.g., arts. 97, 161 e 164), como mencionamos em nosso recorrente entendimento: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.899 21 “Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: (...) § 2o Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobrase o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Entretanto, devese ler sistematicamente o CTN, não se entendendo que ao usar a mesma expressão “crédito tributário”, esteja às vezes o legislador a tratar de uma coisa e às vezes de outra. Eis um pressuposto básico da hermenêutica, bem contemplado na lei brasileira que dispõe sobre o processo de elaboração das leis (art. 11 da Lei Complementar no 95/1998): “Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) II para a obtenção de precisão: (...) b) expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico; c) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto;” Cabe ao exegeta corrigir as imperfeições terminológicas da lei, na interpretação dos dispositivos, buscando sua inserção lógica e coerente no sistema normativo. E, com esse escopo, passo aqui a realizar trabalho diametralmente oposto, no mesmo Código Tributário Nacional, buscando artigos nos quais não faça qualquer sentido que a expressão crédito tributário exclua as penalidades, tarefa que é, lamentavelmente (para a precisão do texto), igualmente executada com sucesso. Vejamse, v.g., os artigos 113, 139, 142, 168, 173, 174 e 175: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 1909DF CARF MF 22 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (...) Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. (...) (grifo nosso) O artigo 175 é a demonstração mais clara da utilização imperfeita da expressão “crédito tributário”, que deve ser sanada pelo exegeta. Por certo que se a exclusão do crédito tributário abrange a isenção (de tributos em sentido estrito, sem penalidades) e a anistia (abrangendo obviamente as penalidades), “crédito tributário” não se refere inequivocamente só a tributos. Admitir o contrário teria um efeito devastador sobre as restituições (art. 168), que não incluiriam as penalidades indevidamente pagas. Há que se aparar a imperfeição de redação com a adequação dos conteúdos ao sistema. Não tenho dúvidas de que a restituição do “crédito tributário” se aplica indistintamente a tributos e a penalidades, e que qualquer de tais rubricas, se indevidamente recolhidas, enseja restituição com atualização pela Taxa SELIC. Entender que o tributo indevidamente pago deve ser restituído a tal taxa é absolutamente coerente com exigir dita taxa dos tributos devidos a partir de seu vencimento. Da mesma forma, entender que a multa indevidamente paga deve ser restituída a tal taxa é absoluta e logicamente coerente com exigir dita taxa da multa devida a partir do lançamento. Não se afigura plausível, então, a manutenção do posicionamento que venho externando, no sentido de serem indevidos juros de mora sobre a multa de ofício (por não ser esta “crédito tributário”), ao mesmo passo em que reconheço a atualização nas restituições de multas pagas consideradas indevidas (que também são “crédito tributário”). Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 10380.731083/201331 Acórdão n.º 3401004.454 S3C4T1 Fl. 1.900 23 Forçome, assim, a rever, em nome da lógica, e da própria leitura sistêmica dos dispositivos aqui mencionados, tal posicionamento, entendendo serem devidos juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Alinhome, assim, à jurisprudência majoritária da corte superior deste tribunal administrativo, e ao STJ. Na Primeira Seção do CARF, aliás, a matéria foi apreciada unanimemente, recentemente (v.g., Acórdão no 9101002.501, de 12 dez. 2016). São diversos os acórdãos, nas três Seções de Julgamento deste tribunal administrativo, que, no último ano, entenderam pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (v.g., no 9101002.180, no 9202003.821 e no 9303003.385). E no STJ, assentase que tal posicionamento reflete o entendimento de ambas as turmas que compõem a Primeira Seção da corte (que trata de matéria tributária): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifo nosso) Pelo exposto, passo a entender, em interpretação sistemática dos dispositivos que regem a matéria, que incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Por fim, noticio que já venho externando esse novo entendimento desde o Acórdão no 3401004.011, no qual atuei como redator designado em relação à matéria. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1911DF CARF MF 24 Fl. 1912DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721964/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
IRPF. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Tributa-se o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição.
In casu, a alegação da não transferência dos imóveis para a pessoa jurídica (ausência de fato gerador), deve ser comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-005.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. IRPF. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Tributase o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. In casu, a alegação da não transferência dos imóveis para a pessoa jurídica (ausência de fato gerador), deve ser comprovada por documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 64 /2 01 2- 18 Fl. 278DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Miriam Denise Xavier e Fernanda Melo Leal. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.721964/201218 Acórdão n.º 2401005.258 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório SONIA MARIA GERHEIM VIEIRA, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0370.115/2016, às efls. 247/262, que julgou procedente em parte o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao exercício 2009, conforme peça inaugural do feito, às efls. 131/138, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 09/04/2012 (AR efl. 156), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão/apuração incorreta de ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza adquiridos em reais, conforme relatório fiscal em anexo. Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08.1.04.002011003767, foi realizada uma fiscalização em decorrência dos rendimentos isentos no valor de R$ 10.136.528,78 informados pela contribuinte na Declaração de Ajuste Anual. Verificouse que os rendimentos declarados como isentos estão relacionados em sua maior parte (R$ 10.125.339,53) a reavaliação de imóveis que foram destinados a integralização de Capital Social da empresa Tapera Alta Comércio de Objetos de Arte e Antiguidades S/A. Na Declaração de Ajuste Anual consta a informação de que os imóveis foram adquiridos por inventário de José Augusto Martins Villela Vieira (excônjuge), conforme formal de partilha de 18/04/2007. Analisando a Ata da Assembléia Geral de constituição da Tapera Alta Comércio de Objetos de Arte e Antiguidades S/A, entregue pela contribuinte, a fiscalização constatou que a sociedade empresária foi constituída em 15/08/2008, com capital social subscrito de R$ 11.796.000,00, sendo a fiscalizada a detendora de 98% do capital social, no valor de R$ 11.560.000,00, que foram integralizados na mesma data A fiscalização apurou um acréscimo patrimonial de R$ 279.000,00, relativo ao imóvel Rua Sargento Cunha, nº 340, Bairro Bandeirantes – Juiz de Fora – MG, constante da Declaração de Ajuste Anual (exercício 2006) do contribuinte José Augusto Martins Villela Vieira, pelo valor de R$ 170.015,63 e da Declaração de Ajuste Anual –Intermediária de espólio do exercício 2007 pelo valor de R$ 449.015,63. Fl. 280DF CARF MF 4 A contribuinte em 27/02/2012 apresentou as cópias dos registros das garagens 422, 487, 488 e 489 do Ed. Mister Shopping e a cópia do formal de partilha de José Augusto Martins Villela Vieira (excônjuge). No formal de partilha ficou constatado que os herdeiros Marcos Gerheim Villela Vieira, Adriana Maria Gerheim Villela Vieira Nade, Roberto Gerheim Villela Vieira e Gilca Maria Gerheim Viera, filhos de José Augusto Martins Villela Vieira, manifestaram de forma irrevogável a renúncia aos direitos hereditários dos bens deixados pelo espólio do contribuinte em favor do monte. Na apuração do ganho de capital, a fiscalização considerou as datas e os custos de aquisição dos bens imóveis objeto da integralização de capital na empresa Tapera Alta Comércio de Objetos de Arte e Antiguidades S/A, conforme planilha em anexo. A fiscalização apurou a infração de omissão de ganhos de capital obtidos na integralização de capital na empresa Tapera Alta Comércio de Objetos de Arte e Antiguidades S/A com bens imóveis, no anocalendário de 2008, no montante de R$ 8.959.002,30. Em decorrência disso, foi apurado o imposto devido de R$ 1.343.850,35 (R$ 8.959.002,30 x 15%). A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, exonerando parte do crédito tributário, por entender ter o fiscal considerado erroneamente as datas de aquisição dos bens em questão, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0370.115, às efls. já mencionadas, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra um dos fatos previstos no § 4º do art. 57 do Decreto nº 7.574, de 2011. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. MANUTENÇÃO PARCIAL DA OMISSÃO. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. ACÓRDÃO. CRÉDITO EXONERADO. LIMITE. RECURSO DE OFÍCIO. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10830.721964/201218 Acórdão n.º 2401005.258 S2C4T1 Fl. 4 5 Em razão da parcela eximida ter ultrapassado R$ 1.000.000,00 deve ser o acórdão levado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em grau de recurso de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 270/275, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, preliminarmente alega que com a finalidade de administrar os seus bens imóveis e por questões tributárias, constituiu a Companhia Tapera Alta Comércio de Objetos de Arte e Antiguidades S/A, cujo capital social foi integralizado, quase na totalidade por bens imóveis. Aduz que providenciou o registro da sociedade empresária na Junta Comercial de Minas Gerais (JUCEMG), mas o Cartório de Registro de Imóveis negou a averbação de tal operação, sob o fundamento da necessidade de desmembramento das respectivas unidades imobiliárias. Diante disso, afirma a contribuinte que não houve a transferência dos bens imóveis para a Companhia, tornando nula a sua constituição. Inclusive, acrescenta que os imóveis permanecem em seu nome e que os aluguéis recebidos foram informados na sua Declaração de Ajuste Anual. Esclarece ter os imóveis permanecidos em seu nome e os aluguéis recebidos permaneceram sendo tributados na pessoa física como informado na Declaração de Ajuste Anual, restando provado não ter ocorrido a transferência dos bens para PJ, assim inexistindo fato gerador. Alega que a autoridade ao apurar a base de cálculo do imposto deixou de considerar a sua condição de meeira, considerandoa como herdeira. Desta forma considerou a data de aquisição dos imóveis a abertura da sucessão, neste aspecto devendo ser mantida a decisão de piso. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o cancelamento do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, 14 de março de 2017. Nesse diapasão, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10830.721964/201218 Acórdão n.º 2401005.258 S2C4T1 Fl. 5 7 GANHO DE CAPITAL INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL A contribuinte preliminarmente alega que com a finalidade de administrar os seus bens imóveis e por questões tributárias, constituiu a Companhia Tapera Alta Comércio de Objetos de Arte e Antiguidades S/A, cujo capital social foi integralizado, quase na totalidade por bens imóveis. Aduz que providenciou o registro da sociedade empresária na Junta Comercial de Minas Gerais (JUCEMG), mas o Cartório de Registro de Imóveis negou a averbação de tal operação, sob o fundamento da necessidade de desmembramento das respectivas unidades imobiliárias. Diante disso, afirma a contribuinte que não houve a transferência dos bens imóveis para a Companhia, tornando nula a sua constituição. Inclusive, acrescenta que os imóveis permanecem em seu nome e que os aluguéis recebidos foram informados na sua Declaração de Ajuste Anual. Esclarece ter os imóveis permanecidos em seu nome e os aluguéis recebidos permaneceram sendo tributados na pessoa física como informado na Declaração de Ajuste Anual, restando provado não ter ocorrido a transferência dos bens para PJ, assim inexistindo fato gerador. Pois bem, as alegações suscitadas pela contribuinte não vieram acompanhadas de provas que as subsidiassem. Não restou comprovado nos autos, por ausência de provas documentais, que o Cartório de Registro de Imóveis negou a averbação dos imóveis objetos da integralização de capital da sociedade empresária, bem como que a sua constituição não respeitou os requisitos preliminares estabelecidos na Lei das S/A. O fato de a contribuinte informar na sua Declaração de Ajuste Anual os imóveis objeto da transferência, por si só, não comprovam a inexistência da sociedade empresária. Cumpre esclarecer que alegações desprovidas de documentação hábil e idônea, não tem o condão de modificar a exigência fiscal e não passam de argumentos "vazios". Cabia a contribuinte comprovar o alegado por meio de documentos condizentes, ou seja, deveria juntar a recusa do cartório, entre diversas outras formas que atestassem a inexistência da transferência dos imóveis para a pessoa jurídica, o que não o fez nem durante o procedimento fiscal e nem na fase de recurso. Além disso, impende ressaltar que a ata da assembléia geral de constituição da sociedade anônima Tapera foi registrada na Junta Comercial em 16/09/2008, conforme informado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 141). Cabe registrar que um dos documentos que deve ser apresentado à Junta Comercial para constituição da sociedade empresária é justamente o recibo de depósito bancário da parte do capital realizado em dinheiro. Ora, se a sociedade empresária foi registrada na Junta Comercial em 16/09/2008, subtendese que todos os requisitos foram preenchidos. Nesse diapasão, não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova para sustentar a alegação da não transferência de bens para a sociedade empresária, tais argumentos apresentados não merecem ser acolhidos. Fl. 284DF CARF MF 8 Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE a) NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situarse abaixo do limite de alçada vigente; b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
