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Numero do processo: 13116.901604/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.953
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3201­002.953  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de junho de 2017  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/10/2006  PROUNI.  ISENÇÃO FISCAL.  INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO  DE ADESÃO. ALCANCE.  A  isenção  prevista  no  art.  8º  da  Lei  nº  11.096/2005  é  comprovada  com  o  Termo  de  Adesão  da  instituição  ao  ProUni  ­  Programa  Universidade  para  Todos.  Quanto  às  contribuições,  alcança  tão  somente  o  PIS  e  a  COFINS  sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.  COMPENSAÇÃO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO.  ÔNUS  DA  PROVA. INSUFICIÊNCIA.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  contra  a  Fazenda Nacional  exige  a  averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior  de  tributo,  fazendo­se necessário verificar  a  exatidão das  informações  a  ele  referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus  de provar seu direito líquido e certo.  Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Winderley  Morais  Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Orlando  Rutigliani  Berri  (Suplente  convocado),  Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 04 /2 01 2- 61 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 3          2 Relatório  UNIÃO  BRASILIENSE  DE  EDUCAÇÃO  E  CULTURA  transmitiu  PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS.  A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o  Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado  para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não  restando crédito disponível para a  restituição pleiteada.  Em Manifestação  de  Inconformidade,  o  declarante  informou  que  o  direito  creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao  Programa  Universidade  para  Todos  ­  ProUni,  nos  termos  da  Solução  de  Consulta  nº  86  –  SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à  isenção durante o  período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004).  Nos  termos  do Acórdão  nº  14­053.585,  a Manifestação  de  Inconformidade  foi  julgada  improcedente,  tendo  a  DRJ  fundamentado  sua  decisão  no  fato  de  inexistir  comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por  não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei  nº 11.096/2005.  Em  seu  recurso  voluntário,  a  Recorrente  repisa  suas  razões  de  defesa,  destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o  direito  à  isenção,  o  que,  segundo  ela,  tornava  "legalmente  desnecessária"  a  exigência  de  comprovação de sua adesão ao programa.  Argumenta,  ainda,  que,  nos  casos  da  espécie,  é  "faticamente  impossível"  a  apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico.  Na  sequência,  sustenta  a  absoluta  desnecessidade  dos  elementos  de  prova  exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se  tratar  de  questão  aperfeiçoada  e  superada  ante  a  homologação  da  base  de  cálculo  da  contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o  valor declarado encontrava­se exato e perfeito.  Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de  diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério  da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no  período sob comento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 4          3 O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­002.885, de  28/06/2017,  proferido  no  julgamento  do  processo  nº  13116.900001/2014­12,  paradigma  ao  qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­002.885):  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido.  O  dispositivo  legal  que  trata  da  isenção  de  impostos  e  contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º  da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei):  Art.  8o A  instituição que aderir  ao ProUni  ficará  isenta  dos  seguintes  impostos  e  contribuições no  período  de  vigência  do  termo de  adesão:  (Vide Lei nº 11.128, de 2005)  (...)  III  ­ Contribuição  Social  para  Financiamento  da  Seguridade  Social,  instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e  IV  ­  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social,  instituída  pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970.  § 1° A  isenção de que  trata o caput deste artigo recairá sobre o  lucro  nas hipóteses dos  incisos  I e  II do caput deste artigo, e sobre a receita  auferida,  nas  hipóteses  dos  incisos  III  e  IV  do  caput  deste  artigo,  decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente  de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica.  §  2°  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Ministério  da  Fazenda  disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias.  § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da  ocupação  efetiva  das  bolsas  devidas.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.431,  de  2011).  A  Lei  foi  regulamentada  pelo  Decreto  nº  5.493,  de  18/07/2005,  com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei):  Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a  Lei  no  11.096,  de  13  de  janeiro  de  2005,  destina­se  à  concessão  de  bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por  cento  ou  de  vinte  e  cinco  por  cento,  para  estudantes  de  cursos  de  graduação  ou  seqüenciais  de  formação  específica,  em  instituições  privadas  de  ensino  superior,  com  ou  sem  fins  lucrativos,  que  tenham  aderido  ao PROUNI nos  termos  da  legislação aplicável  e do  disposto  neste Decreto.  Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de  gozo de benefícios  fiscais,  cursos que exijam  formação prévia em nível  superior como requisito para a matrícula.  Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de  Educação Superior do Ministério da Educação.  Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 5          4 §  1o  A  instituição  de  ensino  superior  interessada  em  aderir  ao  PROUNI  firmará,  em ato de  sua mantenedora,  termo de adesão  junto  ao Ministério da Educação.  (...)  Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas  no  termo de adesão,  será  instaurado procedimento administrativo para  aferir  a  responsabilidade  da  instituição  de  ensino  superior  envolvida,  aplicando­se, se for o caso, as penalidades previstas.  (...)  A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no §  2º  do  art.  8º  acima,  editou  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  456/2004,  posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no  que se aplica ao caso (grifei):  Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou  sem  fins  lucrativos  não  beneficente,  que  aderir  ao  Programa  Universidade para Todos  (ProUni)  nos  termos  dos  arts.  5º  da Medida  Provisória  nº  213,  de  2004,  ficará  isenta,  no  período  de  vigência  do  termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto:  I ­ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins);  II ­ Contribuição para o PIS/Pasep;  (...)  § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos  incisos  III  e  IV,  e  sobre  o  valor  da  receita  auferida  na  hipótese  dos  incisos  I  e  II,  decorrentes  da  realização  de  atividades  de  ensino  superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de  formação específica.  § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a  instituição de  ensino  deverá  apurar  o  lucro  da  exploração  referente  às  atividades  sobre  as  quais  recaia  a  isenção,  observado  o  disposto  no  art.  2º  e  na  legislação do imposto de renda.  (...)  Art.  3º  Para  usufruir  da  isenção,  a  instituição  de  ensino  deverá  demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos  que compõem as  receitas,  custos,  despesas  e  resultados  do período de  apuração,  referentes  às  atividades  sobre  as  quais  recaia  a  isenção  segregados das demais atividades.  (...)  O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in  verbis (grifei):  Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou  sem  fins  lucrativos não  beneficente,  poderá aderir ao Prouni mediante  assinatura de termo de adesão, cumprindo­lhe (...)  §  1o  O  termo  de  adesão  terá  prazo  de  vigência  de  10  (dez)  anos,  contado  da  data  de  sua  assinatura,  renovável  por  iguais  períodos  e  observado o disposto nesta Lei.  Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 6          5 (...)  Art.  7o As  obrigações  a  serem  cumpridas  pela  instituição  de  ensino  superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão  constar as seguintes cláusulas necessárias:   (...)  Art.  9o  O  descumprimento  das  obrigações  assumidas  no  termo  de  adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades:  (...)  Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério  da  Educação,  nos  termos  do  art.  5o  desta  Lei,  será  instruído  com  a  estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois)  subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art.  9o  desta  Lei,  bem  como  o  demonstrativo  da  compensação  da  referida  renúncia,  do  crescimento  da  arrecadação  de  impostos  e  contribuições  federais  no  mesmo  segmento  econômico  ou  da  prévia  redução  de  despesas de caráter continuado  A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer  documento  que  comprove  sua  regular  adesão  ao  Prouni  sob  o  fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei  nº  11.096/2005  em  seu  art.  11,  §  1º,  remete  a  competência  para  tais  verificações e exigências ao Ministério da Educação.  Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima.   O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem  requisitos  de  participação  no  referido  Programa.  Os  diversos  dispositivos  transcritos  (Lei,  Decreto  e  Instrução  Normativa)  apontam  para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não  somente  a  adesão  da  instituição  de  ensino,  mas  o  controle  de  sua  permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e,  principalmente  ao  que  interessa  ao  presente  litígio,  a  isenção  de  contribuições.  Dessa  forma,  a  exibição  do  documento  "Termo  de  Adesão"  é  essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o  PIS/Pasep e Cofins  Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda  que eletrônico, prevê o ato de  sua assinatura, para que se dê a devida  validade e autenticidade.  Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que  demonstra  não  estar  nos  sistemas  internos  (informatizados)  da  Secretaria  da  Receita  Federal;  e,  se  de  fato  materializado  apenas  em  formato eletrônico  em razão de  sua essencialidade, é de  se presumir a  possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos,  com chave de segurança para confirmação da autenticidade.   Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de  outra  ordem,  e  firmado  entre  partes  ­  Ministério  da  Educação  e  instituição de ensino privada ­ há de ser mantido pela parte interessada  para o gozo dos benefícios previstos no Termo.  Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 7          6 Nada  obstante,  o  que  a  recorrente  argumenta  para  a  não  apresentação  do  Termo  de  adesão  ao  Prouni  outros  recorrentes  em  situação  idêntica  não  se  escusaram do  cumprimento  de  singelo mister.  Veja­se  exemplo  de  julgado  proferidos  neste  Conselho  em  que  se  demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e  mantença no Programa (grifei):   Autoridade  Julgadora  de  1ª  Instância  bem  observou  ainda  que  o  contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao  Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido  por ser de extrema valia:  "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos  autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo  de Adesão  (fls.  3.119  a 3.273).  (Acórdão  nº 3402­001.704, processo nº  19515.000260/2008­79,  relatoria  do  cons.  João  Carlos  Cassuli  Junior,  sessão de 22/03/2012)  Não  se  pode  concluir  de outra  forma,  senão  a  que  a  recorrente  não  se  dignou  a  comprovar  a  existência  e  aposição  de  assinatura  no  Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu.  Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao  recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes  ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu.  Antes,  porém,  analisa­se  as  demais  teses  suscitadas  no  recurso  voluntário que visam seu provimento  Sustenta  ainda  a  desnecessidade  de  apresentação  das  folhas  de  salário  e  respectivamente  contabilidade  pois  entende  que  no  despacho  decisório  há  o  reconhecimento  expresso  de  que  a  base  de  cálculo  encontra­se "exata e perfeita", além de "devidamente homologada".  Quanto  à  exigência  de  apresentação  de  documentos  fiscais  e  contábeis,  assentou  o  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  que  deveria  também ter  juntado a  folha de salários, a  fim de demonstrar a base de  cálculo  do  PIS,  e  os  livros  fiscais  que  demonstrassem  os  lançamentos  relativos a ela.  Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que  a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a  parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86  – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de  junho de 2009 proferiu entendimento cuja  interpretação errônea da contribuinte  ­  adiante  será enfrentado  ­  lhe é  favorável quanto à isenção do PIS­folha de salários.  Ad argumentandum  tantum,  justamente  firmada no entendimento  favorável  que  extraiu  do  ato  expedido  pela  autoridade,  a  recorrente  pleiteia a restituição do PIS­folha de salários, código de receita "8301".  Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de  fazer  prova  documental  de  seu  pretenso  direito,  qual  seja,  a  apresentação  dos  documentos  e  livros  atinentes  à  rubrica  "salários"  para  que  se  comprove  qual  sua  dimensão  (quantificação)  na  base  de  cálculo.  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 8          7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção  está  superado  pela  conclusão  da  indigitada  Solução  de  Consulta,  que  entende ter­lhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários.  Mais uma vez, sem razão a contribuinte.   A  Solução  de  Consulta  expressamente  consignou  que  a  isenção  alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS­ folha  de  salários.  Diga­se  que  na  elaboração  da  peça  a  consulente,  ora  recorrente,  apenas  informou  ter  realizada  a  adesão  ao  Prouni,  sem  qualquer  comprovação  naquele  autos  de  consulta,  e  apresenta  seu  entendimento de que a isenção alcançaria o PIS ­ folha de salários, para  ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento.  Eis a carta­consulta:      Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade  que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da  incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando  assente a  tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e  incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.158­35/2001.  Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a  receita  auferida  pela  instituição  de  educação  que  aderir  e  assim  se  mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e  2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º  caput  e  parágrafo  único  da  IN  SRF  nº  456/2004,  para  em  seguida  enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que:  "  5.  Ante  os  dispositivos  acima  expostos,  verifica­se  que  a  instituição  privada  de  ensino  superior,  com  fins  lucrativos  ou  sem  fins  lucrativos  não  beneficente,  que  aderir  ao  Programa  Universidade  para  Todos  (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004,  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 9          8 ficará  isenta,  no  período  de  vigência  do  termo  de  adesão,  da  Contribuição para o PIS."  Conclui a solução da consulta com o enunciado:  Conclusão  6.    Em face do exposto, conclui­se que a instituição privada  de  ensino  superior  com  fins  lucrativos  ou  sem  fins  lucrativos  não  beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni)  nos  termos  dos  arts.  5º  da Medida  Provisória  nº  213,  de  2004,  ficará  isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para  o PIS.  Completa­se os  fatos com a apresentação da ementa da Solução  de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA.  A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins  lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para  Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de  2004,  ficará  isenta,  no  período  de  vigência  do  termo  de  adesão,  da  Contribuição para o PIS.  Dispositivos  Legais:  art.13  da  Medida  Provisória  n°  2.158­35/2001;  art.8°  da  Lei  n°  11.096/2005;  arts.  1º  e  3o  da  Instrução Normativa  nü  456/2004.  Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação  de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades  aderentes ao Prouni estaria isenta.   A  uma,  os  dispositivos  legais  da  ementa  da  solução de  consulta  informam  a  legislação  aplicada,  primeiro,  a  que  dispõe  acerca  do  Pis  folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS  alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade  trouxe  a  legislação  que  faz  distinção  entre  PIS­folha  de  salário­  tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas ­ isentos nos termos e  requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de  salários" não tem o condão de fazê­lo incluir na isenção pelo motivo a  seguir;  a  quatro,  nos  termos  do  art.  111  caput  e  inciso  II  do  CTN,  "interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha  sobre  outorga  de  isenção";  a  cinco,  não  caberia  a  autoridade  fiscal  ou  administrativa contrariar preceito legal.  Por  fim,  sacramentando  o  entendimento  do  não  alcance  da  isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da  Receita  Federal  editou  a  Solução  de Divergência Cosit  nº  1,  de  2015,  publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa:  SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   EMENTA:  INSTITUIÇÕES  DE  ENSINO  SUPERIOR.  PROUNI.  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 10          9 DE  SALÁRIOS.  A  isenção  de  que  trata  o  art.  8º  da  Lei  nº  11.096,  de  2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a  folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni.   DISPOSITIVOS  LEGAIS:  Lei  nº  9.532,  de  1997,  art.  12;  Decreto  nº  4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; Decreto­Lei  nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394,  de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.158­35, de 2001.  O último argumento da recorrente refere­se à eventual realização  de  diligência,  oficiando­se  ao  Ministério  da  Educação  acerca  da  sua  manutenção  no  Prouni,  acaso  não  seja  superada  os  fundamentos  ante  aduzidos  que  entende  suficiente  ao  direito  à  restituição  pleiteada  decorrente do pagamento indevido da Contribuição.  Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado  neste  voto  os  fundamentos  antecedentes  são  suficientes  para  negar  provimento  ao  recurso.  Não  há  dúvidas  intransponíveis  nos  autos  que  necessitam de serem completadas para decidir o litígio.  Nos  processos,  como  o  presente,  que  tratam  de  solicitação  de  restituição  e  compensação,  a  comprovação  do  direito  aos  créditos  incumbe  ao  postulante.  É  seu  dever  carrear  aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes,  em  especial  quando  necessário  à  fruição  de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido  feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular  e temporal no Programa, cabível seria a diligência.  Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério  da  Educação  para  apresentação  do  Termo  de  Adesão,  documento  primário  e  essencial  ao  compromisso  assumido  e  firmado  pela  instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que  não se dignou a apresentar aos autos.  Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o  Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e  não  permaneceu  silente  quanto  às  exigências.  Em  todas  as  peças  recursais  ­  impugnação  e  recurso  voluntário  ­  sustentou  a  desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a  solução de  consulta  reconheceram expressamente  seu direito à  isenção  do PIS  relativo  ao Programa,  sem colacionar  qualquer  documento  seu  aos autos.  A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada  pelo  direito  pátrio  de  que a  prova compete  à  pessoa  que  alega  o  fato,  conforme  se  depreende  do  abaixo  transcrito  artigo  16,  caput,  III,  do  Decreto  n°  70.235,  de  1972  (PAF),  que  regulamenta  o  processo  administrativo  fiscal no  âmbito  federal,  e  do  artigo 373,  do Código  de  Processo Civil,verbis:  Decreto n° 70.235, de 1972:  Art. 16. A impugnação mencionará:  III os motivos de  fato e de direito  em que se  fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir.  Lei nº 13.105/2015 ­ CPC  Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901604/2012­61  Acórdão n.º 3201­002.953  S3­C2T1  Fl. 11          10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe:  I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II  —  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo do direito do autor."  Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra  a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributo,  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações  a  ele  referentes,  confrontando­as  com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se  conhecer  qual  seria  o  tributo  devido  e  compará­lo  ao  pagamento  efetuado.  As Declarações  (DCTF, DCOMP  e DACON,  PER/DCOMP),  os  documentos  fiscais  e  contábeis  e  aqueles  pertinentes  a  benefícios  tributários,  celebrados  com  órgãos  públicos,  são  produzidos  e  celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte  que,  havendo  inconsistências  ou  omissões,  impõe  a  obrigação  da  recorrente  em  comprovar  os  fatos  mediante  a  escrituração  contábil  e  fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos  líquidos  e  certos  comprovados  inequivocamente  pelo  contribuinte  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  preceituado  no  artigo  170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN).  Conclusão  Por  todo o  exposto a  recorrente não  se desincumbiu do ônus de  provar  o  alegado  direito  líquido  e  certo,  decorrente  de  suposto  pagamento a maior ou indevido de PIS.  Assim,  não  encontro  razão  para  modificar  a  decisão  a  quo  e  VOTO  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                            Fl. 89DF CARF MF

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Numero do processo: 12466.722065/2013-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 10/06/2013 DESISTÊNCIA INTEGRAL DE IMPUGNAÇÕES E RECURSOS. ART. 78, §1º, §3º e §5º, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343/2015). A desistência integral apresentada pela Recorrente implica em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. Recurso Voluntário da Log Trading & Supply Chain Ltda. não conhecido. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO E CONVERSÃO EM MULTA. ORIGEM DOS RECURSOS APLICADOS NA IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não apresentada documentação capaz de comprovar a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior tem-se por configurada a interposição fraudulenta de terceiros. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não-localização ou consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a conversão da pena em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. Recurso Voluntário da Responsável Solidária Felix Materiais de Construção Ltda. negado.
Numero da decisão: 3301-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário de Log Trading & Supply Chain Ltda. e negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Felix Materiais de Construção Ltda., nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Larissa Nunes Girard, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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3301­003.934  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de julho de 2017  Matéria  Imposto sobre a Importação ­ II  Recorrente  Log Trading & Supply Chain Ltda.­ME  Recorrida  Fazenda Nacional     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 10/06/2013  DESISTÊNCIA  INTEGRAL  DE  IMPUGNAÇÕES  E  RECURSOS.  ART.  78,  §1º,  §3º  e  §5º,  do  RICARF/2015  (Portaria  MF  nº  343/2015).  A  desistência  integral  apresentada  pela  Recorrente  implica  em  renúncia  ao  direito sobre o qual se funda a ação proposta.   Recurso Voluntário da Log Trading & Supply Chain Ltda. não conhecido.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA.  PENA  DE  PERDIMENTO  E  CONVERSÃO  EM  MULTA.  ORIGEM  DOS  RECURSOS  APLICADOS  NA  IMPORTAÇÃO.  NÃO  COMPROVAÇÃO.  Não  apresentada  documentação capaz de  comprovar  a origem e disponibilidade dos  recursos  utilizados  nas  operações  de  comércio  exterior  tem­se  por  configurada  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros.  Na  impossibilidade  de  apreensão  da  mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não­localização ou  consumo ou transferência a terceiros, aplica­se a conversão da pena em multa  equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  INTERESSE  COMUM.  Cabe  a  atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum  na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos  termos do art. 124, inciso I do CTN.   Recurso Voluntário da Responsável Solidária Felix Materiais de Construção  Ltda. negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer o  recurso voluntário de Log Trading & Supply Chain Ltda. e negar provimento  ao  recurso voluntário da responsável solidária Felix Materiais de Construção Ltda., nos termos do  relatório e do voto que integram o presente julgado.  José Henrique Mauri ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 20 65 /2 01 3- 44 Fl. 2409DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.410          2 Semíramis de Oliveira Duro ­ Relatora.  Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique  Mauri  (Presidente),  Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Valcir  Gassen,  Liziane  Angelotti  Meira,  Larissa  Nunes  Girard,  Antonio  Carlos  da  Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.    Relatório  Trata­se de lançamento tributário, no valor de R$ 2.393.632,94, decorrente da  conversão da pena de perdimento em multa  equivalente  ao valor aduaneiro das mercadorias,  pela  impossibilidade de sua apreensão, nos  termos do  inciso  IV e V, §2º e §3º do art. 23 do  Decreto­Lei nº 1.455/76, com as alterações da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 12.350/2010, e art.  81, III da Lei nº 10.833/2003.    A fiscalização aponta a ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros e  uso de documento falso no despacho aduaneiro de importação.    No  período  de  01/12/2010  a  19/07/2011,  as  DI  autuadas  foram  registradas  pela  importadora  Log  Trading  &  Supply  Chain,  figurando  a  Felix Materiais  de  Construção  como encomendante.    Sabe­se  que,  no  encerramento  do  procedimento  especial  de  controle  aduaneiro aplicado à DI nº 10/0436924­9, desenvolvido na Seção de Procedimentos Especiais  (SAPEA) da Alfândega do Porto de Vitória, foram constatados indícios de incompatibilidade  entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira  da empresa Felix Materiais de Construção Ltda, o que motivou a avaliação da possibilidade de  aplicação do procedimento especial previsto na IN SRF nº 228/2002, conforme previsto no art.  8º  da  IN  RFB  nº  1.169/2011.  Isso  porque,  segundo  a  apuração,  a  Felix  figurou  como  encomendante em importações, no período de 2009 até 2011, no valor de R$ 7.116.256,94.    Relata  a  fiscalização  que  não  foi  comprovada  a  origem  lícita  dos  recursos  necessários à  importação das mercadorias objeto das DI  autuadas no presente processo, nem  por parte da Log Trading & Supply Chain, tampouco pela Felix Materiais de Construção.    O Auto  de  Infração  objeto  deste  processo  foi  lavrado  contra  a  importadora  formal  das  mercadorias,  a  Log  Trading  &  Supply  Chain,  contra  a  Felix  Materiais  de  Construção  apontada  como  responsável  solidária,  por  haver  concorrido  para  a  prática  infracional ou dela  ter  se beneficiado. E  ainda,  foi  autuada  a Lecca Comercial,  empresa que  repassou  recursos  financeiros  utilizados  para  custear  importações,  para  os  quais  nem  a  Log  Trading,  nem  a  Lecca  comprovaram  origem  lícita.  Aponta  a  fiscalização  que  não  há  documentação  idônea de  efetiva  transferência ou disponibilidade de  tais  recursos  financeiros  empregados nas importações.     Por  conseguinte,  a  fiscalização  concluiu  que  os  recursos  financeiros  que  custearam as  importações não se originaram de nenhuma das  três empresas. Foi comprovado  que  a  Felix  não  tem  patrimônio  suficiente  para  suportar  as  operações  aduaneiras,  tendo  Fl. 2410DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.411          3 ocultado  o  terceiro  real  financiador  dos  recursos.  Nesse  sentido,  ficaram  evidenciadas  a  simulação  e  a  falsidade  nas  DI  apresentadas  à  RFB  pela  Log  Trading,  como  se  fossem  operações “por encomenda” da Felix.    Ressalte­se  que,  embora  a  empresa  Lecca  tenha  sido  regularmente  cientificada da autuação, deixou transcorrer in albis o prazo legal sem apresentar impugnação,  tendo­se lavrado o correspondente Termo de Revelia de fls. 2.183, o que, nos termos dos art.  15, 16, §4º, e 21 do Decreto nº 70.238/72 caracteriza a preclusão do seu direito de manifestação  nestes autos. Não houve a interposição de recurso voluntário.    A Fiscalização descreve os procedimentos junto à empresa Felix Materiais de  Construção, passando pela ausência de  cooperação e  fornecimento de documentação  fiscal  e  contábil idônea, até ao final concluir pela incapacidade econômica e financeira da Felix:     Após a instauração do procedimento especial previsto na IN RFB 228/2002,  intimamos  e  re­intimamos  a  FELIX  a  comprovar  integralização  do  capital  social  (TERMO FELIX 2012 00060 001, Quesito 07) e a prestar esclarecimentos sobre o  financiamento  de  suas  atividades  comerciais  e  administrativas  (TERMO FELIX  2012  00060  001,  Quesito  30).  Apenas  na  resposta  apresentada  em  06/08/2012  (RESPOSTA  FELIX  06  08  2012),  a  FELIX  informou  que  não  apresentaria  os  documentos  referentes  a  esses  quesitos,  assim  como  não  apresentaria  os  documentos referentes aos Quesitos 08, 09, 17 e 18.  O procedimento especial previsto na IN RFB 228/2002, nos  termos do § 2º  do art. 1º, visa a  identificar e coibir a ação  fraudulenta de  interpostas pessoas em  operações de comércio exterior, como meio de dificultar a verificação da origem  dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor.  Assim,  torna­se  essencial  examinar  a  escrituração  contábil  da  fiscalizada,  principalmente os  lançamentos nas contas de disponibilidades, para  identificar  as origens e as aplicações dos recursos empregados em suas atividades.  A  FELIX  está  obrigada  a  manter  escrituração  contábil,  conforme  as  exigências  da  legislação  comercial  e  fiscal,  e  deve  apresentá­la  à  fiscalização  aduaneira quando exigido, bem como outros documentos, conforme os dispositivos  legais abaixo: (...)  No  plano  de  contas  da  empresa,  as  contas  agrupadas  no  disponível  representam dinheiro em caixa ou em banco, bem como valores equivalentes, como  cheques  em  mãos  ou  em  trânsito.  Portanto,  as  entradas  e  saídas  de  recursos  financeiros devem ser obrigatoriamente  escrituradas nas  contas do disponível. Na  averiguação  da  disponibilidade  de  recursos  para  realizar  operações,  não  basta  considerar  apenas  as  entradas  no  disponível  da  empresa.  É  fundamental  também  levar em conta as saídas, caso contrário, não será possível identificar se a empresa  possuía à disposição saldo suficiente para arcar com suas operações.  No período de 2011, a FELIX escriturou as contas do disponível, entretanto,  a atuação da empresa nesse período  foi  irregular,  conforme demonstraremos a  seguir.  Por  óbvio,  apenas  a  escrituração  contábil  é  insuficiente  para  comprovar  a  origem e a aplicação dos recursos. Para que a escrituração esteja de acordo com as  leis  comerciais  e  fiscais  ela  deve,  dentre  outros  requisitos,  ser  baseada  em  documentos hábeis, ou seja, documentos idôneos, coincidentes em datas e valores,  que  devem  ser  mantidos  em  boa  guarda  e  ordem,  e  apresentados  à  fiscalização  quando demandado.  Fl. 2411DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.412          4 Assim, para que a escrituração contábil seja capaz de fazer prova a favor do  contribuinte,  ela  deve  ser  mantida  com  observância  das  disposições  legais  e  ser  respaldada  por  documentos  hábeis,  conforme  determina  o  já  citado  Art.  923  do  Regulamento do Imposto de Renda. E para que os documentos sejam considerados  hábeis,  devem  ser  idôneos  e  coincidentes  em  datas  e  valores  com  o  lançamento  escriturado,  bem  como  devem  comprovar  a  origem  lícita,  a  disponibilidade  e  a  efetiva transferência dos recursos.   Nesse  sentido,  no  período  de  2011,  foram  identificadas  diversas  inconsistências na contabilidade da FELIX, visto que para os lançamentos em que  foi  exigida  comprovação  documental,  a  FELIX  sequer  apresentou  resposta  às  intimações, conforme veremos a seguir.  Cientificamos  a FELIX,  em 11/07/2012,  do TERMO DE  INTIMAÇÃO Nº  2012­00060­014  (TERMO  FELIX  2012  00060  014),  onde  a  intimamos  a  apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, documentação hábil e  idônea, coincidente  em datas e valores, que suportou uma série de lançamentos contábeis, relacionados  nos 2  (dois) anexos do  referido  termo. Também  intimamos a FELIX a apresentar  documentos  que  comprovem  a  origem  lícita,  a  efetiva  transferência  e  a  disponibilidade dos recursos.  No  ANEXO  I  do  TERMO  DE  INTIMAÇÃO  Nº  2012­00060­014,  solicitamos  a  comprovação  documental  para  os  lançamentos  listados  abaixo:  (...)  Esses lançamentos representam entradas de recursos no disponível, através da conta  caixa ou banco, e  foram escriturados com históricos genéricos,  fazendo menção a  “recebimento”,  “depósito”,  etc,  sem  representar  a  essência  econômica  do  fato  contábil registrado, e sem fazer qualquer referência ao documento probante (Nº da  Nota Fiscal, Nº da Duplicata, etc...). Grande parte deles sequer referencia quem deu  origem aos recursos. Essa prática está em desacordo com as normas brasileiras de  contabilidades,  conforme  prescreve  a  RESOLUÇÃO  CFC  N.º  1.330/11,  nestes  termos: (...)  Já  no  ANEXO  II  do  TERMO  DE  INTIMAÇÃO  Nº  2012­00060­014,  solicitamos  a  comprovação  documental  para  os  lançamentos  listados  abaixo:  (...)  Esses  lançamentos  representam  saídas  da  conta  banco  para  suprimento  da  conta  caixa. Primeiramente, cabe observar que os lançamentos listados acima são bastante  incomuns.  São  valores  altos  e  quebrados,  na  ordem  de  centavos,  sendo  que  normalmente  as  empresas  suprem  o  caixa  em  valores  menores  e  redondos,  para  despesas  mais  corriqueiras,  geralmente  de  baixo  valor.  Os  altos  montantes  transacionados  e  os  valores  quebrados  sugerem  pagamentos  de  despesas  mais  relevantes, que normalmente são realizadas diretamente através da conta bancos.  Importante ressaltar que a não comprovação da disponibilidade dos recursos  empregados  nas  operações  também  importa  na  presunção  legal  de  interposição  fraudulenta, nos termos do Art. 11, inciso II, da IN SRF 228/2002, logo, também há  inversão do ônus da prova para a disponibilidade de recursos.  Assim, a FELIX está obrigada a comprovar mediante documentos hábeis os  lançamentos  do  ANEXO  II  do  TERMO  DE  INTIMAÇÃO  Nº  2012­00060­014,  inclusive  informamos  na OBS 4 do quesito  1 que  “No  caso  de  transferências  da  conta banco para o caixa (fundo de caixa), apresentar documentos que comprovem  a  transferência,  como  Extratos  Bancários,  Comprovantes  de  Saque,  Cheques  Microfilmados e outros”.  O prazo  para  atender  à  intimação  expirou  em 31/07/2012,  e  a FELIX não  apresentou  resposta.  Cientificamos  a  FELIX  em  17/08/2012  do  TERMO  DE  REINTIMAÇÃO Nº 2012­00060­015 (TERMO FELIX 2012 00060 015), onde a  Fl. 2412DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.413          5 re­intimamos  a  apresentar,  no  prazo  de  7  (sete)  dias,  os  documentos  solicitados.  Decorrido o prazo, a FELIX não apresentou resposta ao termo de re­intimação,  nem prestou qualquer esclarecimento.  Na resposta apresentada em 12/09/2012 (RESPOSTA FELIX 12 09 2012), a  FELIX  informou  que  “...  a  partir  da  escrituração  contábil  refeita,  será  possível  identificar os lançamentos relativos às contas solicitadas no Termo de intimação nº.  2012­00060­015”. Entretanto, conforme relatado no Tópico 3, solicitamos à FELIX  que  refizesse  apenas  a  contabilidade  de 2008  a  2010,  sendo que o TERMO DE  RE­INTIMAÇÃO  Nº  2012­00060­015  solicitou  esclarecimentos  sobre  lançamentos  de  2011,  período  para  o  qual  não  solicitamos  nova  escrituração.  Assim, o atendimento dessa intimação independe da contabilidade de 2008 a 2010.  Após obtenção de informações sobre movimentações financeiras diretamente  com as instituições financeiras, conforme será relatado no Tópico 7, identificamos  que os lançamentos do ANEXO II do TERMO DE INTIMAÇÃO Nº 2012­00060­ 014,  foram  cheques  emitidos  pela  FELIX  para  pagamentos  de  duplicatas,  que  a  FELIX  optou  por  registrar  como  se  houvessem  transitado  pelo  caixa,  numa  sistemática  que  aumenta  de  forma  desnecessária  e  ilógica  a  quantidade  de  lançamentos a serem registrados.  A  técnica  adotada  para  a  comprovação  da  origem  lícita,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  utilizados  no  comércio  exterior  é  a  do  “Fluxo  Financeiro”,  que  reflete  as  disponibilidades  da  empresa  para  operar  no  comércio  exterior e  é um  resultado da  inserção  tanto de  capital  próprio  como de  capital  de  terceiros.  Nessa  metodologia,  a  fiscalização  verifica  se  as  entradas  de  recursos  financeiros na empresa foram devidamente comprovadas, excluindo os lançamentos  não­comprovados.  Assim,  os  lançamentos  do  ANEXO  I  do  TERMO  DE  INTIMAÇÃO  Nº  2012­00060­014  devem  ser  excluídos  do  fluxo  financeiro  da  empresa,  por  não  terem  sido  comprovados  pela  FELIX  mediante  documentos  hábeis,  que  não  apresentou  resposta  ao TERMO DE  INTIMAÇÃO Nº  2012­00060­014  e nem ao  TERMO  DE  REINTIMAÇÃO Nº  2012­00060­015.  Totalizamos  os  lançamentos  contábeis mês a mês, conforme tabela abaixo: (...)  Os  valores  consolidados  mensalmente  na  tabela  acima  (os  SUB­TOTAIS)  representam os valores a serem excluídos do saldo disponível da empresa, e foram  transportados para a coluna AJUSTES do fluxo financeiro abaixo. Com efeito, tais  valores  não  comprovados  foram,  obviamente,  excluídos  na  planilha  “Fluxo  Financeiro”,  constatando­se,  então,  uma  indisponibilidade  financeira para  que  a  empresa operasse no comércio exterior.      Fl. 2413DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.414          6 No  Fluxo  Financeiro  são  totalizados,  na  coluna  “SALDO  ANTES  DO  AJUSTE”,  os  saldos  das  contas  do  disponível  da  empresa,  no  caso  da  FELIX,  a  conta  Caixa  e  Bancos.  Após  o  ajuste  dos  saldos,  excluindo  os  lançamentos  não  comprovados, é obtido o “SALDO REAL”, a verdadeira disponibilidade financeira  da  empresa para  atuar no  comércio  exterior. Por  fim,  fica evidente que a FELIX  não  comprovou  a  origem  lícita,  a  efetiva  transferência  e  disponibilidade  de  recursos  próprios  para  absolutamente  nada,  muito  menos  para  operar  no  comércio exterior no período de 2011 nos volumes transacionados.  Deve­se  ressaltar  que  nem  toda  a  entrada  de  recursos  nas  “contas”  que  representam  disponibilidade  financeira  deve  ser  interpretada  como  origem  de  recursos. Faz­se  necessário  que  esta  origem  seja  lícita,  ou  seja,  deve  estar  de  acordo  com  o  ordenamento  jurídico  nacional,  possuindo  a  devida  comprovação contábil e motivação lógica.  Diante  do  exposto,  constatamos  que  a  FELIX  não  comprovou  a  origem  lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados em  suas atividades de comércio exterior para todo o período fiscalizado.  DA  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA (RMF)  Conforme demonstrado no Tópico 3, a FELIX não atendeu ou não atendeu  satisfatoriamente  vários  quesitos  do  TERMO  DE  INÍCIO  DE  FISCALIZAÇÃO  2012­00060­001,  dentre  eles  o  Quesito  17,  que  solicitou  a  entrega  dos  extratos  mensais das movimentações bancárias da empresa.  A ciência do Termo de Início de Fiscalização ocorreu em 07/03/2012 e, após  re­intimação,  apenas  na  resposta  apresentada  em  06/08/2012,  5  (cinco)  meses  depois,  a  FELIX  informou  que  não  apresentaria  os  extratos.  A  FELIX  não  escriturou  a movimentação  bancária  efetivamente  ocorrida  no  período  de  2008  a  2010,  e,  regularmente  intimada,  não  refez  a  escrituração  contábil  no  prazo  solicitado, apenas tentou protelar o procedimento fiscal.  Quanto  ao  período  de  2011,  conforme  abordado  no  Tópico  6,  a  FELIX,  regularmente intimada e  re­intimada através do TERMO DE INTIMAÇÃO 2012­ 00060­014 e do TERMO DE RE­INTIMAÇÃO 2012­00060­015, não comprovou a  origem  lícita,  a efetiva  transferência  e a disponibilidade dos  recursos  empregados  em sua atividade.  Quanto  ao  período  de  2012,  a  FELIX  alegou  que  não  houve  movimento,  portanto não apresentou a escrituração do período. Entretanto, a empresa continuou  estabelecida  em  imóvel  alugado e contou com prestação de  serviços de  contador,  bem como alegou contar com funcionário próprio, pelo menos em parte do período.  Portanto,  houve  alguma  movimentação,  e  a  escrituração  não  deixou  de  ser  obrigatória,  conforme  exige  a  legislação  comercial  e  fiscal,  bem  como  sua  apresentação ao fisco.  Portanto,  tornou­se  impossível  à  fiscalização  conhecer  a  efetiva  movimentação  financeira  da  FELIX,  informação  essencial  para  levar  a  efeito  o  procedimento especial em curso, que visa “identificar e coibir a ação fraudulenta de  interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a  verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à  legislação em vigor”, conforme o § 1º, do art. 1º da IN SRF 228/2002. No mesmo  sentido, conforme o preâmbulo da IN SRF 228/2002, o procedimento especial é de  “verificação  da  origem  dos  recursos  aplicados  em  operações  de  comércio  exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas”.  Fl. 2414DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.415          7 Os  extratos  bancários  são  peças  de  alta  relevância para  as  investigações  de  interposição  fraudulenta,  já  que  servem  de  elemento  probante  e  identificador  do  remetente dos recursos destinados às operações de comércio exterior.  Assim,  seus  exames  são  indispensáveis  para  análise  fiscal.  Tal  situação  tornou imprescindível a obtenção das informações bancárias, para a verificação da  origem,  disponibilidade  e  efetiva  transferência  dos  recursos  empregados  nas  operações de comércio exterior.  Portanto,  foi  necessário  efetuar  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação Financeira ­ RMF às instituições financeiras, nos termos do inciso  I do artigo 33 da Lei n° 9.430/06 e do art. 2°, §5° e art 3º,  inciso VII do Decreto  3.724/01, abaixo transcritos:(...)  Foram emitidas a RMF Nº 0727600­2012­00005 (RMF 0727600 2012 00005  ITAU),  para  o  BANCO  ITAÚ  S/A,  e  a  RMF  Nº  0727600­2012­00004  (RMF  0727600 2012 00004 UNIBANCO), para o UNIBANCO – UNIÃO DE BANCOS  BRASILEIROS  S/A.  O  BANCO  ITAÚ  foi  cientificado  da  requisição  em  04/09/2012,  enquanto  o  UNIBANCO  foi  cientificado  em  15/09/2012,  ambos  por  via postal. As instituições financeiras apresentaram gradativamente as informações  e  documentos  bancários  solicitadas  (RESPOSTAS RMF  ITAU  e RESPOSTAS  RMF UNIBANCO), (...)    Segundo a fiscalização, os elementos abaixo demonstram a não comprovação  da  origem  dos  recursos  aplicados  nas  operações  de  importação  pela  Log  Trading &  Supply  Chain:    Conforme  descrevemos  no  Tópico  4,  intimamos  e  re­intimamos  a  LOG  TRADING  a  apresentar  documentos  e  esclarecimentos,  sendo  que  a  empresa  solicitou  prorrogações  de  prazo. A  documentação  e  esclarecimentos  apresentados  pela  LOG  TRADING  em  resposta  a  alguns  dos  quesitos  do  TERMO  DE  INTIMAÇÃO  FISCAL  Nº  2012­00062­002,  do  TERMO  DE  RE­INTIMAÇÃO  FISCAL Nº 2012­00061­005, do TERMO DE RE­INTIMAÇÃO FISCAL Nº 2012­ 00061­008  e  do  TERMO  DE  INTIMAÇÃO  FISCAL  Nº  2012­00061­012  e  os  comentários da fiscalização serão resumidos a seguir.  No Quesito  2 do TERMO DE  INTIMAÇÃO FISCAL Nº  2012­00062­002  (TERMO LOG TRADING 2012 00061 002), intimamos, em 06/03/2012, a LOG  TRADING a “Descrever de forma detalhada como ocorreram as negociações com  os  exportadores  estrangeiros,  informando  como  foi  sua  participação  e  a  participação de terceiros envolvidos, inclusive dos adquirentes/encomendantes das  mercadorias,  identificando  as  pessoas  físicas  responsáveis  pelas  negociações  (Nome,  Cargo  e  Nº  de  CPF),  apresentando  também  toda  a  correspondência  comercial,  incluídos  os  documentos  de  negociação  e  cotação  de  preços,  os  instrumentos  de  contrato  comercial  e  financeiro,  nos  termos  do Art.  18  e  §  1  do  Decreto  Nº  6.759/2009  (Regulamento  Aduaneiro).  Indicar  na  resposta  a  qual  operação de importação cada documento se refere, através do Nº da DI”.  Após  re­intimação,  em  27/04/2012,  através  do Quesito  2  do  TERMO DE  REINTIMAÇÃO FISCAL Nº 2012­00061­005  (TERMO LOG TRADING 2012  00061 005), somente na resposta de 18/05/2012 (RESPOTA LOG TRADING 18  05 2012), a LOG TRADING apresentou os seguintes esclarecimentos:  “Em resposta aos itens 2 e 6, a empresa esclarece que as negociações com os  fornecedores  estrangeiros eram  realizadas por um representante da Log Trading a  partir  de  uma  solicitação  de  compra  (encomenda)  da  Felix.  Essa  solicitação  de  Fl. 2415DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.416          8 compra  era  informal  e  a  Felix  já  indicava  o  fornecedor  e  os  valores  que  deveriam ser praticados.  “Na sequência, a Log repassava para o fornecedor indicado pela Felix todas  as informações relativas à importação e a emissão dos documentos dos embarques  para conferência.  “A  Log  não  tinha  o  costume  de  colocar  um  pedido  de  compra  formal  (purchase order) e a comunicação geralmente era realizada via telefone (skype) e/ou  e­mail.  A  responsável  da  Log  pela  conta  da  Felix  era  a  funcionária  do  setor  operacional Ana Carolina Carvalho (CPF n°. 116.515.467­62).  “Conforme solicitado, apresenta em anexo diversos e­mails que demonstram  o contato direto da empresa com os fornecedores estrangeiros, que se restringia à  questões  operacionais,  tal  como  solicitações  de  documentos  relativos  aos  embarques  das  mercadorias,  uma  vez  que  a  negociação  sobre  o  preço  já  era  realizada pela Felix.  “Assim,  a  Log  não  tem  como  indicar  todas  as  DIs  a  que  se  referem  as  correspondências comerciais, pois não tinha por procedimento arquivar todos os  e­mails  trocados  com  os  fornecedores  estrangeiros.  Além  disso,  parte  da  comunicação  era  realizada  via  telefone  ou  skype,  por  isso  não  tem  o  registro  de  cada  e­mail  relativo  a  cada  uma  das  operações,  como  solicita  a  fiscalização.”  (grifamos)  Comentários:  a  LOG  TRADING  informou  que  sua  participação  nas  operações se restringia às questões operacionais, como a solicitação de documentos  relativos  aos  embarques  das  mercadorias,  e  que  a  “solicitação  de  compra  era  informal”. Informou também que toda a negociação comercial teria sido realizada  anteriormente  pela  FELIX.  Assim,  a  relação  entre  a  LOG  TRADING  e  os  exportadores  estrangeiros  foi  um  contrato  de  compra  e  venda  apenas  no  aspecto  formal. Na prática, a operação foi uma mera prestação de serviço logístico e de  despacho aduaneiro.  Entretanto,  alguém  teve  que  realizar  a  negociação  das  mercadorias,  que  obviamente  não  foi  a  FELIX,  pois,  conforme  já  demonstrado  no  Tópico  3,  é  empresa  totalmente  desprovida  de  capacidade  operacional,  sem  funcionários,  capacidade  logística  ou  de  comercialização.  Na  resposta  apresentada  em  06/08/2012  (RESPOSTA  FELIX  06  08  2012),  a  FELIX  informou  “...  a maior  parte dos contatos  realizados pela  empresa com os  fornecedores estrangeiros era  informal, alguns por e­mails, e se restringia a negociação sobre preço e forma de  pagamento. A partir da negociação, a Felix indicava o fornecedor para as tradings,  com as respectivas mercadorias a serem importadas e os valores”.  A  FELIX  não  apresentou  qualquer  expediente  comercial  que  comprovasse  sua  efetiva  participação  nas  negociações,  inclusive  os  e­mails  citados.  Como  interveniente no comércio exterior, está obrigada a manter em boa guarda e ordem  esses  documentos  e  apresentá­los  à  fiscalização  aduaneira  quando  exigidos,  conforme  determina  o  Decreto  Nº  6.759/2009  (Regulamento  Aduaneiro),  nestes  termos: (...)  Portanto, resta claro que houve interposição fraudulenta nas operações de  importação, pois as negociações foram realizadas por pessoas que se mantiveram  ocultas  nas  operações,  que  de  fato  entraram  em  contato  e  negociaram  com  os  fornecedores  estrangeiros,  aparecendo  nas  correspondências  e  expedientes  comerciais.  Obviamente,  esses  documentos  não  foram  apresentados  para  não  revelar o verdadeiro responsável pelas operações.  Fl. 2416DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.417          9 No Quesito 3 do TERMO DE  INTIMAÇÃO FISCAL Nº 2012­00062­002,  intimamos,  em  06/03/2012,  a  LOG TRADING  a “Apresentar  cópia  integral  dos  contratos de câmbio, acompanhados dos respectivos comprovantes de liquidação,  indicando o respectivo Nº da DI”.  Na  resposta de 26/03/2012  (RESPOSTA LOG TRADING 26 03 2012),  a  LOG TRADING apresentou cópias dos dossiês completos dos 24 (vinte e quatro)  processos  de  importação  referente  às  DI  sob  exame  (DI  1021442773  a  1101499305, DI  1101499933  a  1104611874, DI  110525307  a  1108480731  e DI  110769140 a 1113315719). Esses processos foram identificados com nomenclatura  própria da LOG TRADING, por exemplo, processo “Felix 03”, “Felix 09A”, “Felix  05”, etc.  Cada  processo  corresponde  a  uma  DI,  e  neles  foram  anexadas  cópias  das  respectiva  DI,  Planilhas  de  Formação  de  Preço,  Notas  Fiscais  de  Entrada,  Notas  Fiscais de Saída, Contratos de Câmbio, e outros documentos.   Listamos  na  tabela  abaixo  os  Contratos  de  Câmbio  apresentados,  relacionando­os com as respectivas DI para as quais foram efetuados pagamentos,  geralmente pagamentos parciais, inclusive para mais de uma DI:  (...)  Tabela  1  –  contratos  de  câmbio  fechados  pela  LOG  TRADING  para  as  importações por encomenda da FELIX  No Quesito 7 do TERMO DE  INTIMAÇÃO FISCAL Nº 2012­00062­002,  intimamos,  em  06/03/2012,  a  LOG  TRADING  a  “Informar  data,  valor  e  identificação do remetente dos recursos recebidos a título de pagamento das Notas  Fiscais  de  Saída  solicitadas  no  item 4. Apresentar  documentos  hábeis  e  idôneos,  coincidentes em datas e valores, comprobatórios da efetiva transferência e origem  dos  recursos,  tais  como  cheques  microfilmados,  depósitos  identificados  ou  não,  transferências bancárias (TED, DOC, etc...), extratos bancários, boletos, borderôs  de cobrança bancária e outros”.  Após re­intimação, através do Quesito 3 do TERMO DE RE­INTIMAÇÃO  FISCAL  Nº  2012­00061­005,  somente  na  resposta  de  18/05/2012,  a  LOG  TRADING apresentou os seguintes esclarecimentos:  “Com relação ao item 3, importante esclarecer que a Log sempre utilizava­ se  de  uma  Factoring,  a  empresa  Lecca  Comercial  Ltda.  para  captação  e  levantamento  de  recursos  a  fim  de  suportar  suas  operações  comerciais,  especialmente  a  aquisição  das  mercadorias  no  exterior  e  as  despesas  de  nacionalização.  “Seguem  os  dados  da  factoring:  Lecca  Comercial  Ltda.,  CNPJ  n°.  08.997.092/0001­38, com sede na Rua do Carmo, n°. 8, 6º andar, Centro, Rio de  Janeiro, RJ.  “Os serviços prestados pela Lecca consistiam na administração do fluxo de  caixa e dos recebíveis da Log Trading. A Lecca emprestava recursos para a Log  Trading utilizar em suas operações de  importação, que por sua vez encaminhava  para a Lecca os recebíveis da Felix para sua administração e cobrança, sendo que  era  a  Lecca  que  emitia  os  boletos  das  duplicatas  descontadas  e  enviava  para  a  Felix, que fazia o pagamento.  “Assim, a Log não recebia diretamente da Felix o pagamento das duplicatas,  pois elas já foram descontadas e o pagamento da Felix caía na conta da Lecca que  abatia os valores recebidos pela Felix no conta corrente relativo aos empréstimos  realizados para a Log Trading. “Dessa forma, concluindo o atendimento ao item 3,  a Log Trading encaminha em anexo uma lista dos recebimentos da empresa pela  Fl. 2417DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.418          10 Lecca, com a identificação de cada nota fiscal, sua data de emissão e o respectivo  valor.  “Apresenta os extratos bancários de sua conta corrente em que constam as  transferências  realizadas  pela  Lecca.  Conforme  informado,  o  pagamento  das  duplicatas  não  era  recebido  na  Log,  portanto  nos  extratos  da  empresa  somente  constam recebimentos da Lecca.” (grifamos)  Listamos  na  tabela  abaixo  as  transferências  realizadas  pela  LECCA para  a  LOG TRADING, constantes dos extratos bancários (LOG TRADING EMAILS E  EXTRATOS) apresentados pela LOG TRADING: (...)  Tabela 2 ­ Transferências realizadas pela LECCA para a LOG TRADING.  Conforme os  esclarecimentos  prestados,  para  levantar  de  recursos  a  fim  de  suportar suas operações comerciais, a LOG TRADING sempre utilizava a empresa  de Factoring LECCA, que prestava serviços de administração do fluxo de caixa e  dos  recebíveis da LOG TRADING. Assim,  a LOG TRADING não  teria  recebido  nenhum  pagamento  diretamente  da  FELIX.  A  FELIX  efetuava  o  pagamento  das  duplicatas descontadas diretamente para a LECCA.  Entretanto,  a  LOG TRADING  estava  intimada  a  identificar  os  pagamentos  das Notas Fiscais de Saída referentes às operações de importação por encomenda da  FELIX. Na resposta, não esclareceu para quais operações comerciais teria recebido  as transferências apresentadas na Tabela 2, se foram todas exclusivamente para as  importações  por  encomenda  da  FELIX  ou  se  havia  outras  operações  comerciais  envolvidas.  A  LOG  TRADING  também  apresentou  uma  planilha,  reproduzida  abaixo,  onde informou estar apresentando “lista dos recebimentos da empresa pela Lecca,  com a identificação de cada nota fiscal, sua data de emissão e o respectivo valor”:  (...)  Tabela  3  ­  lista  de  recebimentos  apresentada  pela  LOG  TRADING  Entretanto,  esta  listagem  nada  esclareceu.  Não  ficou  claro  quem  recebeu  os  recursos, se a LOG TRADING ou a LECCA, e não havia nenhuma compatibilidade  de datas e valores com os extratos apresentados.  Importante ainda destacar na  sua  resposta a LOG TRADING informou que  tomava  os  recursos  emprestados  da  LECCA.  Entretanto,  empresas  de  fomento  mercantil,  usualmente  conhecidas  como  Factoring,  não  têm  autorização  para  emprestar  recursos  financeiros,  atividade  típica  de  instituição  financeira  com  a  devida  autorização  governamental.  A  atividade  de  fomento  mercantil  foi  pela  primeira vez mencionada na legislação tributária na Lei n° 8.981/95, art. 28, § 1°,  alínea c­4, nestes termos:  Art. 28. ...  c.4)  prestação  cumulativa  e  contínua  de  serviços  de  assessoria  creditícia,  mercadológica,  gestão  de  crédito,  seleção  e  riscos,  administração  de  contas  a  pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis  a prazo ou de prestação de  serviços  (factoring).  (Revogado pela Lei nº 9.249, de  1995)  A  Resolução  2.144,  de  22/2/1995,  do  Banco  Central  do  Brasil,  esclarece  sobre  operações  de  "factoring"  e  operações  privativas  de  instituições  financeiras,  nestes termos:  Resolução 2.144, de 22/2/1995 (Banco Central do Brasil)  Art.  1º  Esclarecer  que  qualquer  operação  praticada  "por  empresa  de  fomento  mercantil  ("factoring")  que  não  se  ajuste  ao"  "disposto  no  art.  28,  parágrafo  1º,  alínea  ""c.4"",  da  Lei  nº  8.981,  de"  20.01.95,  e  que  caracterize  Fl. 2418DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.419          11 operação privativa de instituição financeira, nos termos do art 17, da Lei nº 4.595,  de 31.12.64, constitui  ilícito administrativo (Lei nº 4.595, de 31.12.64) e criminal  (Lei nº 7.492, de 16.06.86).   Lei Nº 4.595/1964  Art. 17. Consideram­se instituições financeiras, para os efeitos da legislação  em vigor,  as  pessoas  jurídicas  públicas  ou  privadas,  que  tenham como atividade  principal  ou  acessória  a  coleta,  intermediação  ou  aplicação  de  recursos  financeiros  próprios  ou  de  terceiros,  em  moeda  nacional  ou  estrangeira,  e  a  custódia de valor de propriedade de terceiros.  Diante dessas inconsistências, intimamos a LOG TRADING, em 31/05/2012,  através do TERMO DE RE­INTIMAÇÃO FISCAL Nº 2012­00061­008 (TERMO  LOG TRADING  2012  00061  008),  a  apresentar  documentos  e  esclarecimentos,  conforme descrito a seguir.  No Quesito 2 do TERMO D E RE­INTIMAÇÃO FISCAL Nº 2012­00061­ 008,  intimamos  a  LOG  TRADING  do  seguinte:  “Na  resposta  apresentada  em  18/05/2012  ao  TERMO  DE  RE­INTIMAÇÃO  2012­00061­005,  o  contribuinte  apresentou  uma  lista  intitulada  “Identificação  dos  recebimentos  –  Log  Trading”  (cópia anexa ao presente termo). Uma das colunas da lista está intitulada “Data de  emissão”.   CONSTATAMOS,  no  exame  dos  DANFE  apresentados  em  resposta  anterior, que as datas presentes na coluna apontada diferem das datas de emissão  constante dos documentos fiscais. Deve, portanto, o contribuinte, esclarecer qual o  conteúdo  da  coluna  “Data  de  emissão”,  informando  também  em  que  data  os  valores  pagos  pela  FELIX  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO  foram  efetivamente  recebidos pela empresa de Factoring LECCA COMERCIAL;”.  Sobre  esse  quesito,  na  resposta  de  21/06/2012  (RESPOSTA  LOG  TRADING  21  06  2012),  a  LOG  TRADING  apresentou  os  seguintes  esclarecimentos:  “Sobre o item 2, trata­se de um erro de digitação na elaboração da planilha  pela empresa. Na verdade, a coluna data de emissão informa a data de pagamento  das duplicatas pela Felix realizados para a Lecca. Portanto, essa coluna refere­se  justamente as datas dos recebimentos pela Lecca dos valores pagos pela Felix.”  ...  “Apresenta  também  a  planilha  com  a  correção  do  campo  para  "data  de  recebimento" e a indicação do número do processo e a referência da DI, conforme  solicitado no item 4.”  No Quesito  3 do TERMO DE RE­INTIMAÇÃO FISCAL Nº  2012­00061­ 008,  intimamos  a  LOG  TRADING  do  seguinte:  “Na  resposta  apresentada  em  18/05/2012  ao  TERMO  DE  RE­INTIMAÇÃO  2012­00061­005,  o  contribuinte  apresentou  extratos  bancários  apontando  lançamentos  referentes  a  recebimentos  da  LECCA  COMERCIAL.  Deve,  portanto,  o  contribuinte,  informar  se  tais  lançamentos  se  referem  exclusivamente  a  recebíveis  da  FELIX  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO.  Caso  contrário,  deve  o  contribuinte  relacionar  os  valores  referentes  aos  recebíveis  da  FELIX  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO.  Informar  também  a  qual  operação  de  importação  por  encomenda  os  valores  se  referem,  indicando o Nº da DI;”.  No Quesito  4 do TERMO DE RE­INTIMAÇÃO FISCAL Nº  2012­00061­ 008,  intimamos  a  LOG  TRADING  do  seguinte:  “Informar  quais  foram  os  recebíveis  (Duplicatas,  Cheques  Pré­Datados,  Notas  Promissórias,  etc...)  da  FELIX  MATERIAIS  DE  CONSTRUÇÃO  transferidos  para  a  LECCA  Fl. 2419DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.420          12 COMERCIAL,  apresentando  cópia  frente  e  verso  dos  documentos.  Informar  também  para  qual  operação  de  importação  por  encomenda  os  documentos  se  referem, através do Nº da DI;”.  Sobre  esses  dois  quesitos,  na  resposta  de  21/06/2012,  a  LOG  TRADING  apresentou os seguintes esclarecimentos:  “Com relação ao item 3, a Log confirma que os lançamentos relativos aos  recebimentos  da  Lecca  referem­se  exclusivamente  a  recebíveis  da  Felix.  Sobre  isso,  importante  esclarecer  que  não  havia  necessariamente  um  recebimento  da  Lecca  com  uma  venda  realizada  pela  Log  para  a  Felix,  pois  a  Log  levantava  recursos com a Lecca na medida em que necessitava daqueles recursos para fechar  o câmbio, pagar os tributos e as despesas com a nacionalização das mercadorias.  “Muitas  vezes,  um  valor  levantado  junto  à  Lecca  era  utilizado  para  pagamento  de  vários  contratos  de  câmbio,  de  forma  que  não  há  como  agrupar  cada operação de encomenda com os valores recebidos pela Lecca, pois não havia  essa correlação exata.  “Dessa forma, a Log não possui em seu controle financeiro essa correlação  de recebimento por DI  justamente porque não necessitava de  fazer esse controle,  pois  o  levantamento  de  recurso  era  feito  globalmente  e  sua  utilização  era  de  acordo  com  a  necessidade  da  Log  de  fluxo  de  caixa,  não  havendo  um  controle  relativo a cada importação realizada.  “Por fim, com relação ao item 4, importante esclarecer novamente que a Log  levantou recursos junto a Lecca com base nas informações de venda futura e nas  obrigações  assumidas  pela  Felix  junto  à  Log  de  compra  das  mercadorias  encomendadas  do  exterior.  Após  a  confirmação  da  encomenda  junto  a  Felix,  a  Lecca liberava os recursos para Log Trading, tendo como garantia o recebimento  das  duplicatas  a  serem  emitidas  contra  a  Felix.  “Assim,  a  operação  realizada  junto à Lecca é muito semelhante a um desconto de títulos (operação amplamente  conhecida  no  mercado),  com  a  diferença  de  que  os  títulos  em  garantia  eram  emitidos pela Lecca com base nas encomendas realizadas pela Felix. Em anexo,  seguem  cópia  de  todas  as  duplicatas  com  a  referência  por  processo  e  por  DI,  constantes  da  nova  planilha  apresentada  pela  empresa.  Apresenta  também  a  planilha com a correção do campo para "data de  recebimento" e a  indicação do  número do processo e a referência da DI, conforme solicitado no item 4.”  Inicialmente, importante destacar a primeira contradição nos esclarecimentos  da LOG TRADING. Na resposta anterior, havia alegado que “sempre utilizava­se  de uma Factoring, a empresa Lecca Comercial Ltda. para captação e levantamento  de  recursos  a  fim  de  suportar  suas  operações  comerciais,  especialmente  a  aquisição das mercadorias no exterior e as despesas de nacionalização”, e que “Os  serviços prestados pela Lecca consistiam na administração do fluxo de caixa e dos  recebíveis da Log Trading”.  Portanto,  tentou  aparentar  anteriormente  que  a  obtenção  de  recursos  com a  LECCA era uma constante em suas operações, referentes aos recebíveis de vários  clientes.  Já  na  resposta  acima,  informou  que  “os  lançamentos  relativos  aos  recebimentos  da  Lecca  referem­se  exclusivamente  a  recebíveis  da  Felix”,  o  que  indica que a relação com a LECCA foi estabelecida exclusivamente para realizar as  operações por encomenda da FELIX.  A LOG TRADING também informou que os  recursos eram obtidos  junto à  LECCA de maneira global, sem estar vinculados a uma venda específica. Ora, essa  situação é totalmente incompatível com a atividade de fomento mercantil, que  Fl. 2420DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.421          13 consiste  basicamente  na  compra  de  Títulos  de  Crédito,  que  obviamente  já  têm  vínculo com uma compra específica.  No momento que recebeu as primeiras transferências da LECCA (Tabela 2),  a  LOG  TRADING  ainda  não  havia  firmado  os  contratos  de  câmbio  antecipado  (Tabela  1),  as  mercadorias  não  haviam  embarcado  e,  obviamente,  não  estavam  desembaraçadas,  sequer haviam entrado no patrimônio da LOG TRADING,  logo,  ainda não havia venda para a FELIX, as notas fiscais não estavam emitidas, e nem  havia valor exato para as mercadorias. Portanto, não havia nenhum título de crédito  que pudesse ser endossado à LECCA para que ela o administrasse, pois no caso da  compra e venda, o título de crédito é a duplicata mercantil, conforme determina a  Lei nº 5.474/68, nestes termos: (...)  Atualmente,  é  comum  a  utilização  da  “nota  fiscal­fatura”,  em  que  o  documento  fiscal  também  serve  como  fatura  mercantil,  entretanto  o  Título  de  Crédito a ser extraído ainda é a Duplicata Mercantil.  No  mesmo  sentido,  na  resposta  ao  Quesito  4,  que  solicitou  informar  e  apresentar  cópias  dos  títulos  de  crédito  (Duplicatas,  Cheques  Pré­Datados, Notas  Promissórias, etc...) transferidos para a LECCA, a LOG TRADING confirmou que  não  havia  nenhum  título  de  crédito  negociável,  mas  que “...levantou  recursos  junto  a  Lecca  com  base  nas  informações  de  venda  futura  e  nas  obrigações  assumidas  pela Felix  junto  à  Log  de  compra  das mercadorias  encomendadas  do  exterior...”.  Portanto,  havia  obrigações  assumidas  pela  FELIX  perante  a  LOG  TRANDING,  mas  nenhum  Título  de  Crédito.  Também  informou  que  “Após  a  confirmação da encomenda junto a Felix, a Lecca liberava os recursos para Log  Trading, tendo como garantia o recebimento das duplicatas a serem emitidas  contra  a  Felix”.  Portanto,  a  operação  seria  um  empréstimo,  operação  proibida  para empresa de Factoring, com a promessa de dação de Títulos de Crédito como  pagamento.  Também  informou  que  “...  a  operação  realizada  junto  à  Lecca  é  muito  semelhante  a  um  desconto  de  títulos  (operação  amplamente  conhecida  no  mercado),  com  a  diferença  de  que  os  títulos  em  garantia  eram  emitidos  pela  Lecca com base nas encomendas realizadas pela Felix”. Admitiu, portanto, que  de fato não foi uma operação de desconto de títulos, nem de venda de títulos, e que,  numa situação absurda, a própria Factoring emitia os títulos em garantia para si  mesma.  Diante das novas inconsistências,  intimamos novamente a LOG TRADING,  em  29/06/2012,  através  do  TERMO DE  INTIMAÇÃO FISCAL Nº  2012­00061­ 012  (TERMO  LOG  TRADING  2012  00061  012),  a  apresentar  documento  e  esclarecimentos, conforme descrito a seguir.  A  LOG  TRADING  foi  intimada,  através  do  TERMO  DE  RE­INTIMAÇÃO  FISCAL Nº 2012­00061­008, Quesito 4,  a  informar quais  foram os  recebíveis da  FELIX  transferidos  para  a  LECCA  COMERCIAL,  apresentando  cópia  frente  e  verso  dos  documentos,  e  a  informar  para  qual  operação  de  importação  por  encomenda  os  documentos  se  referem,  através  do  Nº  da  DI.  Em  resposta,  o  contribuinte apresentou os seguintes esclarecimentos:  “Por fim, com relação ao item 4, importante esclarecer novamente que a Log  levantou recursos junto a Lecca com base nas informações de venda futura e nas  obrigações  assumidas  pela  Felix  junto  à  Log  de  compra  das  mercadorias  encomendadas  do  exterior.  Após  a  confirmação  da  encomenda  junto  a  Felix,  a  Lecca liberava os recursos para Log Trading, tendo como garantia o recebimento  das duplicatas a serem emitidas contra a Felix.  Fl. 2421DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.422          14 “Assim,  a  operação  realizada  junto  à  Lecca  é  muito  semelhante  a  um  desconto de títulos (operação amplamente conhecida no mercado), com a diferença  de que os títulos em garantia eram emitidos pela Lecca com base nas encomendas  realizadas  pela  Felix.  Em  anexo,  seguem  cópia  de  todas  as  duplicatas  com  a  referência  por  processo  e  por DI,  constantes  da  nova  planilha  apresentada  pela  empresa. Apresenta  também a  planilha  com a  correção  do  campo para  "data  de  recebimento" e a indicação do número do processo e a referência da DI, conforme  solicitado no item 4.”  Sendo  assim,  os  recursos  foram  recebidos  pela  LOG  TRADING  antes  da  realização das operações de importação e, conseqüentemente, antes da emissão das  Notas Fiscais de Saída  e de qualquer duplicata,  portanto,  os boletos  apresentados  pelo contribuinte não são hábeis para respaldar a escrituração dos recebimentos de  recursos  provenientes  da  LECCA  COMERCIAL,  nos  termos  do  Art.  923  do  Decreto 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda).  Diante do exposto, deve a LOG TRADING apresentar, no prazo estipulado, o  que segue:  1. O  contrato  firmado  com  a  LECCA COMERCIAL,  vigentes  ou  não,  bem  como  todas  as  alterações  ou  qualquer  acessório,  que  respaldaram  as  operações  realizadas e deram origem às  transferências de  recursos da LECCA para a LOG  TRADING,  constantes  dos  extratos  bancários  apresentados  na  resposta  de  18/05/2012 ao TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL Nº 2012­00061­005;  2. Os documentos que lastrearam a escrituração contábil das transferências  da  LECCA  para  a  LOG  TRADING  citados  no  item  anterior.  Os  documentos  deverão ser idôneos e deverá haver coincidência em datas e valores;  Na resposta de 11/07/2012  (RESPOSTA LOG TRADING 11 07 2012),  a  LOG  TRADING  apresentou  o  contrato  firmado  com  a  empresa  de  factoring  LECCA e os seguintes esclarecimentos:  “Além  disso,  esclarece  que  os  documentos  que  lastrearam  a  escrituração  contábil  das  transferências  feitas  pela  Lecca  para  Log  Trading  são  os  boletos/duplicatas já apresentados pela empresa.  “Tais  boletos,  juntamente  com  os  extratos  bancários  que  comprovam  o  recebimento  dos  valores  pela  Log  Trading  da  Lecca,  são  os  documentos  hábeis  possuídos  pela  Log  para  respaldar  a  regular  escrituração  dos  recebimentos  de  recursos pela Lecca, nos termos do artigo 923 do Decreto 3000/99.  “Conforme  já  esclarecido,  a  operação  realizada  junto  à  Lecca  era  basicamente a de desconto de títulos, com a diferença de que os títulos em garantia  eram emitidos pela Lecca com base nas encomendas realizadas pela Felix, ou seja,  com base nas informações de venda futura e nas obrigações assumidas pela Felix  junto à Log de compra das mercadorias encomendadas do exterior.  “Diferentemente  do  que  afirma  a  fiscalização,  a  Log  entende  que  não  há  absolutamente  NADA  de  errado  nesta  operação,  de  receber  recursos  de  uma  factoring antes da emissão da Nota Fiscal para o seu cliente, no caso a Felix. Não  poderia ser diferente, pois o objetivo de levantar recursos em uma factoring ou em  qualquer outra  instituição  financeira é  justamente para permitir a realização das  operações de importação sem depender do capital do cliente/encomendante.”  Portanto, limitou­se a repisar as informações prestadas anteriormente.  Vejamos  abaixo  algumas  cláusulas  do  contrato  apresentado  pela  LOG  TRADING que delimitam qual seria o objeto da avença:  CLÁUSULA 1: DO OBJETO  Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.423          15 1.1  A  CONTRATADA  prestará  à  CONTRATANTE  serviços  de  administração  de  recebíveis.  1.2 A CONTRATANTE enviará para a CONTRATADA os títulos de créditos  que  representem  os  recebíveis  que  ela  deseja  colocar  sob  a  administração  da  CONTRATADA.  Analisando  essas  cláusulas,  fica  evidente  que  o  “CONTRATO  DE  PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO DE FLUXO DE CAIXA”  firmado  entre  a  LOG  TRADING  e  a  LECCA,  não  é  documento  hábil  para  comprovar  a  origem  dos  recursos  transferidos  pela  LECCA  para  a  LOG  TRADING.  Conforme  já  foi  visto  exaustivamente  no  Tópico  6,  para  ser  considerado hábil a comprovar a origem dos recursos, o documento deve ser idôneo  e coincidente em datas e valores.  Documento idôneo é aquele capaz, adequado, próprio para comprovar o fato  a que se propõe. Para ser considerado idôneo, o documento deve representar o fato  contábil  a ser escriturado,  logo, deve haver  correspondência  lógica do documento  com a natureza econômica do fato contábil sob análise. Obviamente, o documento  deve  estar  de  acordo  com  o  ordenamento  jurídico  nacional,  deve  ser  lícito,  e  coincidente em datas e valores.  As operações que seriam respaldadas pelo contrato entre LOG TRADING e  LECCA são bem diferentes do que ocorreu de  fato, portanto  tal contrato não é  capaz  de  comprovar  as  operações.  No  mesmo  sentido,  os  lançamentos  em  extratos  bancários  retratam  apenas  a  movimentação  dos  recursos,  ainda  são  necessários  documentos  idôneos,  coincidente  em  datas  e  valores,  que  respaldem  aqueles  recebimentos  específicos.  A  LOG  TRADING  não  apresentou  nenhum  documento nesse sentido, pois o contrato de Factoring sequer mencionava datas e  valores.  Os  boletos  apresentados  (RESPOSTA  LOG TRADING  21  06  2012)  por  óbvio  não  poderiam  respaldar  as  movimentações  financeiras  da  LECCA  para  a  LOG  TRADING,  pois  foram  emitidos  pela  LECCA  em  face  da  FELIX  em  data  posterior e com valores diferentes. A LOG TRADING já havia  informado que os  recursos eram obtidos de forma global, e foi incapaz de vincular os recebimentos a  uma  venda  específica  para  a  FELIX,  logo,  não  apresentou  documentos  que  respaldassem a escrituração das movimentações financeiras da LECCA para a  LOG TRADING.  No mesmo sentido, o “CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE  ADMINISTRAÇÃO DE FLUXO DE CAIXA” apresentado pela LOG TRADING é  desprovido  de  garantias,  uma  das  exigências  do  art.  6º,  III,  C,  da  IN  SRF  Nº  228/2002: (...)  Assim,  esse  contrato,  de prestação de  serviços,  não  é capaz de  justificar  a  origem de recursos como procedentes de financiamento obtidos sem a prestação de  qualquer garantia real.  E  há  outras  provas  que  comprovam  a  simulação  de  empréstimos  com  a  Factoring  LECCA.  Na  resposta  apresentada  em  26/03/2012,  a  LOG  TRADING  apresentou  planilhas  de  formação  de  preço  das  Notas  Fiscais  de  Saída  (DI  1021442773  a  1101499305,  DI  1101499933  a  1104611874,  DI  110525307  a  1108480731  e  DI  110769140  a  1113315719)  referentes  às  importações  por  encomenda da FELIX.  Para  cada  Declaração  de  Importação,  a  LOG  TRADING  apresentou  duas  planilhas, identificadas pelos pré­fixos “DD” ou “Faturamento”. Por exemplo, para  Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.424          16 a DI  Nº  1021442773,  processo  de  importação  “Felix  03”,  foram  apresentadas  as  planilhas “DD – Felix 03” e “Faturamento – Felix 03”.  Nas  planilhas  “DD”  constam  informações  sobre  a  data  e  o  valor  do  fechamento do câmbio, o valor da diferença cambial, gastos com despachante (Ad.  Tropical)  e  o  valor  real  da  operação.  Nas  planilhas  “Faturamento”  não  constam essas informações. Portanto, as planilhas “Faturamento” são as previsões,  os orçamentos, feitos pela importadora LOG TRADING dos custos de importação  por  encomenda,  enquanto  as  planilhas  “DD”  evidenciam  os  custos  depois  de  concluídas as operações, o valor que a FELIX de fato deverá pagar.  Nas  planilhas  constam o  valor  total  da Nota  Fiscal  de Saída  (“TOTAL NF  SAIDA LOG”)  e  o  valor  do CUSTO FINANCEIRO,  que  inclui  um  desconto  de  20%  referente  ao  ICMS  a  recolher  (“REPASSE  FUNDAP”).  Em  operações  FUNDAP, haja vista o incentivo financeiro obtido, é comum o importador fornecer  um desconto sobre o valor do ICMS a recolher no intuito de atrair clientes. No caso  da relação da LOG TRADING com a FELIX, o desconto oferecido foi de 20% do  ICMS a recolher.  Usando  como  exemplo  a  planilha  “DD  –  Felix  03”,  referente  à  DI  1021442773  (DI  1021442773  a  1101499305),  o  ICMS  sobre  a  venda  (“ICMS  Venda”) foi de R$ 12.647,27. O “REPASSE FUNDAP” (20%) foi de R$ 2.529,45.  Assim, o valor do “CUSTO FINANCEIRO” será R$ 12.647,27 ­ R$ 2.529,45 – R$  812,97 (diferença cambial) = R$ 108.424,21. Esse é o valor que a encomendante  FELIX de fato teria que pagar a LOG TRADING.  Listamos  na Tabela  4  abaixo  os  valores  das  Notas  Fiscais  de  Saída  e  do  Custo  Financeiro  para  cada  uma  das  DI  registradas  pela  LOG  TRADING  sob  encomenda da FELIX: (...)  Tabela 4 – Valores das notas fiscais e dos custos financeiros das importações  registradas  pela  LOG  TRADING  sob  encomenda  da  FELIX.  Subtraindo  o  valor  total  das Notas  Fiscais  de  Saída  (R$  4.215.856,22)  na Tabela  4  acima,  do  valor  total  das  transferências  efetuadas  da  LECCA  para  a  LOG  TRADING  (R$  4.142.832,23)  constantes  na  Tabela  2,  obtemos  a  diferença  de  R$  73.023,99.  Portanto, o lucro obtido pela LECCA teria sido apenas de 1,73%.  O primeiro repasse da LECCA para a LOG TRADING ocorreu em outubro  de  2010,  e  o  último  pagamento  da  FELIX  para  a  LECCA ocorreu  em  agosto  de  2011,  portanto,  é  óbvio  que  o  resultado  é  insuficiente  até  apara  cobrir  a  inflação.  E  é  fato  notório  que  as  empresas  de Factoring  costumam  cobrar  taxas  superiores  as  taxas das  instituições  financeiras,  pois  enfrentam maiores  riscos  em  suas operações.  Observe­se que ainda seria necessário considerar os custos administrativos e  financeiros dos serviços prestados pela LECCA. Ora, aceitar a peculiar forma de  financiamento da LOG TRADING seria acreditar num ato comercial gratuito  da LECCA!  Noutro giro, subtraindo o valor total dos custos financeiros (R$ 4.128.235,76)  da Tabela 4 acima, do valor total das transferências efetuadas pela LECCA para a  LOG TRADING (R$ 4.142.832,23) constantes na Tabela 2, obtemos a diferença  irrisória de R$ 14.596,47, apenas 0,35% do valor total que a LOG TRADING  efetivamente devia  receber da FELIX, ou  seja,  a  soma dos  campos  “CUSTO  FINANCEIRO” de todas as planilhas de formação de preço.  Portanto,  resta  claro  que  os  valores  transferidos  da  LECCA  para  a  LOG  TRADING não  foram referentes a desconto de  títulos, não  foram empréstimos, e  não foram referentes à prestação de serviços de administração de fluxo de caixa.  Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.425          17 Foi  tudo  uma  simulação  para  ocultar  a  forma  como  os  recursos  empregados  nas  importações  foram  de  fato  obtidos,  o  que  obviamente  revelaria quem é o verdadeiro responsável pela operação.  No  intuito  de  aplicar  à  LOG  TRADING  a  mesma  metodologia  do  fluxo  financeiro exaustivamente tratada no Tópico 6, obtivemos no SPED a Escrituração  Contábil Digital (ECD) da LOG TRADING (TERMOS DE REQUISIÇÃO ECD  LOG  TRADING)  nos  anos  de  2010  e  2011,  e  listamos  abaixo  os  lançamentos  referentes à escrituração contábil das movimentações financeiras da LECCA para a  LOG  TRADING  constantes  na  Tabela  2,  totalizando  os  valores  mensalmente  (SUB­TOTAIS): (...)  Diante  de  todo  o  exposto,  esses  lançamentos,  contabilizados  como  empréstimos,  devem  ser  excluídos  do  fluxo  financeiro  da  empresa,  pois  correspondem às movimentações financeiras da Tabela 3,  todas não comprovadas  pela LOG TRADING.  Os  valores  consolidados  mensalmente  dos  lançamentos  acima  (os  SUB­ TOTAIS)  representam  os  valores  a  serem  excluídos  do  saldo  disponível  da  empresa,  e  foram  transportados  para  a  coluna  “AJUSTE”  do  fluxo  financeiro  abaixo. Com efeito, tais valores não comprovados foram, obviamente, excluídos na  planilha  “Fluxo  Financeiro”,  constatando­se,  então,  uma  indisponibilidade  financeira  para  a  empresa  operaR  no  comércio  exterior  nos  montantes  transacionados.        No  Fluxo  Financeiro,  são  totalizados,  na  coluna  “SALDO  ANTES  DO  AJUSTE”,  os  saldos  existentes  nas  contas  do  disponível  da  empresa,  no  caso  da  LOG TRADING, a conta Caixa e Bancos. Após o ajuste dos saldos, excluindo os  lançamentos  não  comprovados,  é  obtido  o  “SALDO  REAL”,  a  verdadeira  disponibilidade financeira da empresa para atuar no comércio exterior. Por fim, fica  evidente  que  a  LOG  TRADING  não  comprovou  a  origem  lícita,  a  efetiva  transferência e disponibilidade de recursos próprios para absolutamente nada,  muito  menos  para  operar  no  comércio  exterior  no  período  de  2011  nos  volumes transacionados.  Deve­se  ressaltar  que  nem  toda  a  entrada  de  recursos  nas  “contas”  que  representam  disponibilidade  financeira  deve  ser  interpretada  como  origem  de  recursos. Faz­se  necessário  que  esta  origem  seja  lícita,  ou  seja,  deve  estar  de  acordo  com  o  ordenamento  jurídico  nacional,  possuindo  a  devida  comprovação contábil e motivação lógica.  Diante  do  exposto,  constatamos  que  a  LOG  TRADING  também  não  comprovou  a  origem  lícita,  a  disponibilidade  e  a  efetiva  transferência  dos  Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.426          18 recursos  empregados  em  suas  atividades  de  comércio  exterior  para  todo  o  período fiscalizado.  Assim,  restou  caracterizada,  nas  operações  de  importação  registradas  pela  LOG  TRADING  onde  a  FELIX  figurou  como  encomendante,  a  infração  de  interposição  fraudulenta,  considerada dano ao Erário,  conforme presunção  legal  prevista no §2º do Art. 23 do Decreto­Lei Nº 1.455/1976, nestes termos: (...)  Para  a  fiscalização,  restou  claro:  “Como  não  comprovaram  a  origem  dos  recursos  necessários  à  importação  das  mercadorias  objeto  das  Declarações  de  Importações autuadas neste Auto de Infração, por óbvio, elas não foram adquiridas  nem  pela  LOG  TRADING  e  nem  pela  FELIX.  Nesse  sentido,  a  simulação  e  a  falsidade ficaram evidenciadas nas declarações de importações apresentadas à RFB  pela  LOG  TRADING,  declaradas  operações  “por  encomenda”  da  FELIX.  Dessa  forma,  diante  das  irregularidades  apontadas  no  presente Relatório,  configura­se  a  falsidade ideológica nas Declarações de Importação, Faturas e Conhecimentos  de Transporte nas operações  registradas de  forma simulada e para ocultação dos  verdadeiros responsáveis pelas operações.”     As  razões  da  impugnação  apresentada  pela  Felix  Materiais  de  Construção  foram as seguintes:    Da nulidade do AI  No  caso  presente,  embora  a  fiscalização  tenha  realizado  pormenorizada  descrição  dos  fatos,  não  logrou  êxito  em  justificar  as  razões  que  corroborem  a  inclusão  da  ora  Impugnante  como  sujeito  passivo  solidário.  Para  fundamentar  a  cobrança foram apresentadas meras presunções e, em inúmeras ocasiões, fatos que  não correspondiam à época do fato gerador.  Na  descrição  dos  fatos  e  no  enquadramento  legal  apresentado  não  há  justificação  que  permita  subsunção  dos  fatos  supostamente  irregulares  apurados  para a aplicação dessa penalidade tão severa e prejudicial à impugnante. Cita­se em  apoio  jurisprudência  recente  do  CARF  acerca  do  vício  insanável  do  lançamento  quando  este  padeça  da  falta  de  subsunção  do  motivo  de  fato  ao  motivo  legal  invocado. No mesmo sentido a Lei 9.784/99.  Da abusividade da multa aplicada  Não bastasse a preliminar arguida para afastar o equívoco perpetrado, não se  pode dar guarida à multa aplicada em valor exorbitante, com caráter confiscatório,  sendo evidente  a  falta de  razoabilidade  e proporcionalidade da multa  lavrada,  em  contradição com a CF, art.150,  IV, bem como com o Decreto 70.235/72 e com a  Lei  9.784/99,  não  podendo  a  Administração  Publica  deixar  de  obedecer  aos  princípios constitucionais especificados.     Já as razões da impugnação da Log Trading consubstanciam­se:    No presente caso, a impugnante não concorreu para a prática ou se beneficiou  do  ilícito,  tendo  em  vista  que:  (i)  recolheu  todos  os  tributos  aduaneiros;  (ii)  revendeu as mercadorias para a FELIX; (iii) recolheu o IPI sobre o preço de venda  das mercadorias, que é superior ao da importação;  (iii) não participou e não  tinha  interesse/conhecimento do modo e para quem a FELIX revendia as mercadorias. E  por essas razões não deve ser responsabilizada por eventuais infrações de terceiros.  Na  acusação,  o  fundamento  da  responsabilidade  da  impugnante  decorre  exclusivamente  da  não  comprovação  da  origem,  da  transferência  e  da  Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.427          19 disponibilidade dos recursos empregados nas operações de  importações  realizadas  por  encomenda  da  FELIX.  Igualmente,  será  demonstrado  que  tal  acusação  é  improcedente  O auto de infração tem uma fundamentação fática CONTRADITÓRIA. De  um lado, a ora impugnante é acusada de não comprovar a origem, a disponibilidade  e  a  transferência  dos  recursos  empregados  nas  operações  de  importações  por  encomenda para FELIX devido ao fluxo financeiro deficitário (fls. 48 e seguintes).  Por  outro  lado,  a  fiscalização  reconhece  a  origem,  a  disponibilidade  e  a  transferência dos recursos utilizados nas operações de importação da impugnante a  ponto  de  incluir  a  LECCA  COMERCIAL  LTDA.  como  responsável  pela  infração, em razão de ser a provedora desses recursos:  “No mesmo  sentido,  a LECCA COMERCIAL LTDA, CNPJ nº  08.412.209/0001­ 74,  também  concorreu  para  a  prática  da  infração  e  dela  se  beneficiou,  pois  seus  representantes  legais  assinaram  o  “CONTRATO  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  DE  ADMINISTRAÇÃO  DE  FLUXO  DE  CAIXA”  com  a  LOG  TRADING  e  repassaram  os  recursos  para  os  quais  a  LOG  TRADING  não  comprovou  a  origem  lícita,  a  efetiva  transferência  e  a  disponibilidade  dos  recursos.  Portanto,  na  presente  fiscalização  a  LECCA COMERCIAL LTDA também é apontada como responsável solidária.”  A  fiscalização  afirma  que  no  caso  a  LECCA  teria  se  beneficiado  ao  REPASSAR RECURSOS para a ora impugnante. Ora, reconhecer o repasse de  recursos conjugado com o benefício direto com essas operações é o mesmo que  dizer que os recursos recebidos pela impugnante foram utilizados nas operações de  importações por encomenda da FELIX. A conclusão lógica da inclusão da LECCA  é  apenas  uma:  a  origem,  a  disponibilidade  e  a  transferência  de  recursos  empregados  nas  operações  de  importações  ESTÃO  EFETIVAMENTE  COMPROVADAS!  De  fato,  a  prova  da  origem  dos  recursos  empregados  nas  operações  de  importações decorre da apresentação do contrato com a LECCA (“CONTRATO  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  DE  ADMINISTRAÇÃO  DE  FLUXO  DE  CAIXA” – fls. 1.789 e ss.) juntamente com a apresentação de extratos bancários do  período que realizou as operações de importações para a FELIX (fls. 1.681 – 1.  705).  A  fiscalização  ignora  solenemente  esses  extratos,  mas  não  há  fundamentos jurídico para afastar essa prova apresentada.  Quando  as  empresas  não  apresentam  os  extratos  bancários  no  curso  de  procedimento especial de fiscalização, utiliza­se esse  fato para  fundamentar a não  comprovação da procedência dos recursos. Por outro lado, quando os extratos são  apresentados,  como  no  presente  caso,  a  fiscalização  simplesmente  ignora  as  provas que militam em favor do contribuinte.  Outra  situação  que  revela  o  apego  da  fiscalização  a  detalhes  ínfimos  é  a  afirmação  de  que  o  contrato  com  a  LECCA  não  tem  garantias,  o  que  violaria  o  artigo  6º,  III,  alínea  “c”  da  IN SRF  n.  228/2002  (fl.  60): “No mesmo  sentido,  o  ‘CONTRATO  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  DE  ADMINISTRAÇÃO  DE  FLUXO  DE  CAIXA’  apresentado  pela  LOG  TRADING  é  desprovido  de  garantias, uma das exigências do art. 6º,  III, C, da IN SRF Nº 228/2002:”  (fls.  60).  Em primeiro lugar “identificação precisa dos participantes” quer dizer que  cada  participante  deve  ser  plenamente  identificável  com,  por  exemplo,  prenome,  patronímico,  número  do  CPF,  número  do  RG,  endereço  completo  e  outras  informações essenciais.  Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.428          20 Em segundo lugar, as garantias expressas no contrato com a LECCA são  pessoais, conforme cláusula sétima do contrato,  já que os sócios da impugnante  são devedores  solidários das dívidas, o que  inclui TODO O PATRIMÔNIO DOS  FIADORES,  sendo  uma  garantia  com  vasta  abrangência  sobre  o  patrimônio  dos  garantidores:  Antes  de  qualquer  coisa,  a  impugnante  deixou  claro  que  os  boletos  são  referentes  a  duplicatas  mercantis  e  que  as  duplicatas  eram  emitidas  pela  impugnante.  É  importante  enfatizar  que  essa  informação  foi  fornecida  por  no  mínimo  duas vezes no curso do procedimento especial de fiscalização. Essa informação foi  fornecida em 18­05­2012,  através da  resposta  ao  termo de  reintimação  fiscal  (fls.  1.460­1.462):  “Os serviços prestados pela Lecca consistiam na administração do fluxo de  caixa e dos  recebíveis da Log Trading. A Lecca emprestava recursos para a Log  trading  utilizar  em  suas  operações  de  importação,  que por  sua  vez  encaminhava  para a Lecca os recebíveis da Felix para sua administração e cobrança, sendo que  era  a  Lecca  que  emitia  os  boletos  das  duplicatas  descontadas  e  enviava  para  a  Felix, que fazia o pagamento”.   Como a LECCA tinha conhecimento da  finalidade dos empréstimos,  isto é,  conhecia  a  operação  de  importação  e  a  encomendante  FELIX,  sabia  que  a maior  parte  das mercadorias  eram  pisos  de  porcelanato,  e  praticamente  não  havia  risco  financeiro na operação.  Caso  a  FELIX  desistisse  da  compra,  por  exemplo,  teria  sido  muito  fácil  vender essas mercadorias (verdadeiras commodities) no mercado, que estava muito  aquecido.  Nos próprios boletos consta: quem vai receber os valores (cedente: LECCA  COMERCIAL  LTDA);  a  espécie  do  título  a  que  o  boleto  está  vinculado  (Espécie  Doc.DM  = Duplicata Mercantil);  quem  emitiu  o  título  e  o  respectivo  avalista  (Sacador/Avalista:  LOG  TRADING  E  SUPPLY  CHAIN  LTDA  =  impugnante);  respectivo  valor  e  data  de  vencimento.  Ademais,  mesmo  que  a  duplicata  estivesse  expressa  em  uma  cártula,  seria  e  é  plenamente  legal  emitir  boleto bancário para  facilitar  sua cobrança,  pois o boleto bancário  é uma guia de  compensação bancária, podendo ou não ter algum título vinculado.  Por  fim,  a  impugnante  apresentou  seus  extratos  bancários do período  que  fez as operações de importações de encomenda para a FELIX (fls. 1.681 – 1. 705),  que é de outubro de 2010 até agosto de 2011. Esta é uma comprovação clara da  origem, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos financeiros.  De  fato,  a  fiscalização  deliberadamente  ignora  os  extratos,  mas  não  há  fundamentos jurídicos para afastar essa prova.  Da origem lícita dos recursos mediante o Contrato com a LECCA.  Neste  ponto  a  fiscalização  acusa  ser  nulo  o  Contrato  com  a  LECCA.  A  verdade é que a origem, a disponibilidade e  a efetiva  transferência  recursos estão  devidamente  comprovadas  conforme  documentos  e  informações  fornecidas  ainda  no curso do procedimento especial de fiscalização (extratos bancários, contrato com  a LECCA, lançamentos contábeis, boletos bancários, etc.).  Sobre a origem ilícita dos recursos, é importante enfatizar o CONTEXTO  histórico e normativo que foi  introduzido a  IN SRF 228/02 (art. 4º,  inciso  II). De  fato,  o  termo  ilícito  se refere à  situação de  reinserção de dinheiro produto de  crime  antecedente  no  sistema  econômico,  que  é  o  crime  de  “lavagem”  de  dinheiro. A definição do delito de interposição fraudulenta, no dizer do legislador,  Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.429          21 corresponde a aquele em que alguém se presta a intermediar negócio com recursos  ou coisas que sabe ser produto de crime antecedente.   Incompetência  da  Fiscalização Aduaneira  para  declarar  a  nulidade  de  negócios envolvendo operações financeiras.  Fluxo Financeiro incorreto.  II.12.1.  A  fiscalização  tenta  demonstrar  uma  suposta  ausência  de  R$  3.881.340,86 no fluxo financeiro da impugnante a partir da planilha de fl. 65. Essa  planilha  é  uma  tentativa  de  prever  o  que  teria  acontecido  SE  a  impugnante  não  tivesse  recebido  os  recursos  da  LECCA.  Essa  “reconstrução  dos  passados  possíveis” deve levar em conta as alternativas da impugnante caso não houvesse  recebido esses recursos.  Ao final, requer: (a) seja o auto de infração julgado totalmente insubsistente.  Por  eventualidade:  (b)  seja  integralmente  excluída  a  responsabilidade  da  impugnante;  (c)  seja  reduzida  a  multa  para  o  valor  aduaneiro  das  mercadorias  importadas  nos meses  de maio  a  setembro  de  2011  e  sujeitas  ao  IPI;  ou  (d)  seja  reduzida a multa para o valor aduaneiro das mercadorias sujeitas ao IPI.      A  6ª  Turma  de  Julgamento  da DRJ/REC,  no  acórdão  nº  11­47.521,  julgou  improcedentes as impugnações. A decisão foi assim ementada:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 10/06/2013  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA  NA  IMPORTAÇÃO.  INFRAÇÃO  SUJEITA  A  PENA  DE  PERDIMENTO.  MULTA  EQUIVALENTE  AO  VALOR  ADUANEIRO  DAS  MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  Ainda que houvesse interesse legítimo de faturamento, a empresa  importadora  fundapeana  se  prestou  a  participar  de  esquema  irregular contra o controle aduaneiro, atuando como importador  por  suposta  encomenda  de  empresa  que  no  caso  atuou  como  mera fachada e cedeu o nome para ocultar o real adquirente das  mercadorias  importadas  mediante  interposição  fraudulenta  de  pessoas,  havendo  evidências  suficientes  de  participação  da  importadora no esquema  irregular de  importações. Trata­se de  infração  passível  de  pena  de  perdimento  das  mercadorias.  Na  impossibilidade  de  sua  apreensão  porque  não  localizadas,  a  pena  de  perdimento  foi  legalmente  convertida  em  multa  equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. A importadora  é  sujeito  passivo  legítimo,  responsável  solidariamente  pela  infração,  juntamente  com  o  suposto  encomendante  e  com  a  factoring  que  se  prestou  ao  papel  de  simular  empréstimos  à  importadora,  todos  devidamente  arrolados  no  pólo  passivo  da  relação  jurídica  sancionatória.  Também  seria  de  se  responsabilizar  os  reais  adquirentes  das  mercadorias  importadas,  reais  supridores  dos  recursos  utilizados  para  custear as operações de importação focadas, mas por enquanto  ainda permanecem ocultos.   Impugnação Improcedente.  Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.430          22 Crédito Tributário Mantido.    Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  as  duas  empresas  repisaram  os  exatos  termos de suas impugnações.    Em  petição  datada  de  20  de  junho  de  2016  (e­fl.  2.382)  a  autuada/importadora  Log Trading & Supply Chain  Ltda. manifestou  expressa  desistência  do  recurso voluntário interposto.    É o relatório.    Voto             Conselheira Semíramis de Oliveira Duro  Recurso Voluntário da Log Trading & Supply Chain  Conforme  relatado,  a  empresa  manifestou  desistência  de  seu  Recurso  Voluntário, na e­fl. 2.382.  O art. 78 do RICARF (2015) prescreve que, em qualquer fase processual, a  Recorrente poderá desistir do recurso pendente de julgamento, por meio de manifestação nos  autos. Segundo o paragrafo 3º do mesmo dispositivo, está configurada renúncia ao direito sobre  o  qual  se  funda  o  recurso  interposto  pelo  sujeito  passivo,  inclusive  na  hipótese  de  já  ter  ocorrido decisão favorável:    PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015.  Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso em tramitação.  § 1º A desistência  será manifestada em petição ou a  termo nos  autos do processo.  §  2º  O  pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas  modalidades,  ou  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso.  § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará configurada renúncia ao direito  sobre o qual se  funda o  recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de  já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.  § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo  tempo,  decisão  favorável  a  ele,  total  ou  parcial,  com  recurso  pendente  de  julgamento,  os  autos  deverão  ser  encaminhados  à  Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.431          23 unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso,  retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais.  § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja  decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os  autos  deverão  ser  encaminhados  à  unidade  de  origem  para  procedimentos de cobrança, tornando­se insubsistentes todas as  decisões que lhe forem favoráveis.    Diante disso, o presente recurso voluntário não deve ser conhecido, já que a  desistência integral implica em renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta.   Recurso Voluntário da Felix Materiais de Construção  O  recurso  interposto  pela  responsável  solidária  deve  ser  conhecido,  por  preencher os requisitos legais.   Os pedidos do recurso são:  Diante  disso,  pede  a  Recorrente  que  este  Egrégio  Tribunal  reforme  a  decisão  de  primeira  instância  para  reconhecer  a  nulidade  do  auto  de  infração,  tendo  em  vista  a  falta  de  motivação.  Pelo  amor  ao  debate,  caso  assim  não  se  entenda,  solicita  a  Recorrente a redução da multa aplicada pelo d. Fiscal Autuante,  haja vista os argumentos acima desenvolvidos.  Logo, observa­se que a empresa não contestou o mérito da autuação, ou seja,  não  afrontou  as  questões  relativas  às  operações  de  importação.  Os  dois  únicos  argumentos  serão tratados a seguir.  a) Nulidade do auto de infração   Aduz a Recorrente que não há na descrição dos fatos e enquadramento legal  justificação  concreta  para  a  aplicação  da  pena  de  perdimento,  que  permita  a  subsunção  dos  fatos supostamente irregulares apurados pela fiscalização à norma sancionadora.   Continua,  afirmando  que  sem  muito  esforço,  nota­se  que  a  autuação  ora  combatida não  trouxe fundamentos  jurídicos  suficientes para garantir  a motivação necessária  do  auto  de  infração. Muito  ao  contrário,  a multa  e  os  critérios  de  incidência  utilizados  pela  fiscalização não foram suficientemente claros e trazem prejuízos manifestos.   Entendo que não há razão nesses argumentos.  Consta  no  auto  de  infração  a  descrição  minuciosa  dos  fatos  e  das  provas  colacionadas aos autos. Há diversos elementos de prova  juntados aos autos quanto ao modus  operandi das empresas no esquema das importações.  A motivação está clara: foram constados indícios de incompatibilidade entre  os  volumes  transacionados  no  comércio  exterior  e  a  capacidade  econômica  e  financeira  da  empresa Felix.  Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.432          24 Como  já mencionado,  no  período  de  2009  até  2011,  a  FELIX  atuou  como  encomendante predeterminada  em  importações  cujos  valores  foram de R$ 7.116.256,94.  Por  isso, a empresa foi intimada várias vezes a apresentar documentos hábeis para comprovação de  recursos financeiros aportados na empresa.    O  relato da  fiscalização  quanto  à não  comprovação da origem dos  recursos  pela  Felix  (não  dispunha  de  condição  financeira  que  pudesse  garantir  a  compra  das  mercadorias após a nacionalização pela importadora contratada Log Trading) está sedimentado  nos elementos que constam nestes autos.    A disposição legal do § 2º do art. 23 do Decreto­Lei nº 1.455/1976 prevê que  a  ausência  de  comprovação  da  origem,  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados nas operações de comércio exterior enseja o perdimento ou multa substitutiva.    Trata­se  de  presunção  legal,  que  pode  ser  afastada  sempre  que  a  empresa  autuada  comprovar  a  origem,  a  disponibilidade  e  transferência  dos  recursos  empregados  na  operação  de  comércio  exterior.  Então,  na  interposição  presumida  as  operações  de  comércio  exterior não são realizadas pela própria empresa, mas por outrem.    Por  consequência,  aplica­se  o  perdimento  e  a  declaração  de  inaptidão  da  empresa, com base no art. 81, § 1º da Lei nº 9.430/1996.    Havendo presunção legal, cabe à autoridade administrativa apresentar provas  do fato que enseja a aplicação dessa presunção, como ensina Fabiana Del Padre Tomé1:    Qualquer que seja a modalidade de presunção, é imprescindível  a prova dos indícios para, a partir deles, demonstrar a existência  de causalidade com o  fato que se pretende dar por ocorrido. A  diferença  reside  na  circunstância  de  que,  tratando­se  da  chamada presunção legal, a relação causal entre fato presuntivo  e fato presumido dá­se no âmbito pré­legislativo. Identificando o  aplicador  do  direito,  no  caso  concreto,  a  situação  prevista  na  hipótese da regra de presunção, há de concluir pela ocorrência  do fato prescrito no consequente normativo: o fato presumido. A  demonstração do fato presuntivo é condição inarredável para a  constituição do fato presumido.  Assim,  os  elementos  que  constam  dos  autos  são  suficientes  para  apontar  a  não demonstração da origem dos recursos empregados pela Felix nas operações de importação  como encomendante. Por outro lado, a empresa não logrou êxito em desqualificar o trabalho da  fiscalização, diante de:  · Ausência  de  escrituração  contábil  e  fiscal  regular,  bem  como  de  documentos idôneos;   · Ausência de escrituração da movimentação financeira das suas contas  bancárias para os períodos 2008, 2009 e 2010, embora em suas contas  bancárias foram movimentados vultuosos valores;                                                              1 A Prova no Direito Tributário. 4ª ed. São Paulo: Noeses, 2016, p. 299­300.  Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.433          25 · Não tinha sede real. Não apresentou contas de  telefone,  IPTU pagos  ou alvará de funcionamento;  · Não provou integralização de capital social. Recusou­se a apresentar;  · Não detinha quaisquer documentos da negociação com  fornecedores  estrangeiros;  · Não  apresentou  contrato  com  a  Log  Trading  que  respaldasse  operações de armazenamento e movimentação de mercadorias, e nem  apresentou  notas  fiscais  que  comprovassem  a  efetiva  prestação  do  serviço;  · Não apresentou documentação comprobatória dos valores transferidos  pela empresa aos sócios, a qualquer título;  · Não  prestou  nenhuma  informação  sobre  sua  movimentação  financeira, alegando lhe ser garantido o sigilo;  · Não  apresentou  contratos  de  compra  e  venda,  ou  outros,  celebrados  entre  ela  e  as  empresas  nacionais  adquirentes  de  mercadorias  de  procedência estrangeira. Apresentou contrato com a Log Trading, mas  não tinha quaisquer outros contratos;  · Informou  que:  “a maior  parte  dos  contatos  realizados  pela  empresa  com os fornecedores estrangeiros era informal, alguns por e­mails, e  se restringia a negociação sobre preço e forma de pagamento. A partir  da negociação, a Felix indicava o fornecedor para as tradings, com as  respectivas mercadorias a serem importadas e os valores”;  · O  fluxo  financeiro  reconstituído  pela  fiscalização  teve  saldo  real  negativo.    Por conseguinte, por ser o encomendante pré­determinado nas importações, a  fiscalização constituiu a responsabilidade solidária, com base no art. 124, I do CTN e art. 106,  IV do Decreto­Lei nº 37/66.    O interesse comum resta demonstrado, não apenas pelo interesse econômico  aproveitado  na  situação  que  constituiu  o  fato  jurídico­tributário  em  comento  neste  processo,  mas  também  pela  atuação  em  conjunto  na  organização  dos  esquemas  de  ocultação  na  importação. Nesse sentido, Maria Rita Ferragut ensina:    O  artigo  124,  I  e  II,  do  CTN,  adota  dois  critérios  para  estabelecer  o  vínculo  de  solidariedade  passiva  entre  os  devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato  jurídico  tributário; e  (ii) designação expressa em lei.  Iniciemos  com  o  interesse  comum.  Muito  embora  o  direito  positivo  não  tenha  elucidado  o  conteúdo  semântico  desse  critério,  entendemos  como  sendo  a  ausência  de  interesses  jurídicos  opostos  na  situação  que  constitua  o  fato  jurídico  tributário,  Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.434          26 somada  ao  proveito  conjunto  dessa  situação.  (Maria  Rita  Ferragut, Reponsabilidade Tributaria e o Código Civil de 2002.  3ª ed. São Paulo: Noeses, 2013, p. 80).   E o julgado:  INFRAÇÕES.  RESPONSABILIDADE.  SOLIDARIEDADE.  INTERESSE  COMUM.  SIMULAÇÃO.  São  solidariamente  obrigadas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  que  tenham  interesse  comum na  situação que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal. O  interesse  comum nos  fatos  jurídicos  praticados  de  forma  simulada  deve  levar  em  consideração  os  efeitos  que  a  simulação  provoca  na  aparência  e  na  conformação  desses.  Acórdão 3102­002.327, de 13/11/2014.  Em  suma,  devem  ser  indeferidas  as  alegações  de  nulidade  do  auto  de  infração.  b) Confiscatoriedade da multa aplicada  A Recorrente alega que a pena imposta ofende o princípio do não­confisco:  Desse  modo,  depreende­se  que,  em  que  pesem  as  afirmações  contidas no Auto de Infração, a penalidade ora aplicada não tem  a mínima  condição  de  prosperar,  uma  vez  que  não  é  razoável  que  a  Administração,  sob  pretexto  de  coibir  práticas  supostamente  irregulares,  retire  ou  mesmo  aniquile  parte  do  patrimônio  do  administrado,  imputando­lhe  multa  que,  em  muitos casos, pode inviabilizar a continuidade de suas atividades  empresariais.   Todos  os  traços  da  multa  aplicada  estão  previstos  em  lei,  atendendo  ao  princípio da legalidade, nos termos dos art. 5º, II e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN.   De  acordo  com  o  parágrafo  único  do  art.  142  do  CTN,  a  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional. Dessa forma, se constatada a hipótese legal da aplicação da pena de perdimento, a  autoridade fiscal não só está autorizada como, por dever funcional, está obrigada a proceder ao  lançamento de ofício.  De toda sorte, a caracterização da multa com efeito confiscatório implica em  análise  de  constitucionalidade,  o  que  encontra  óbice  na  Súmula  CARF  nº  02,  dispõe  que  o  CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Assim, deve ser afastado também esse pleito da Recorrente.     Conclusão    Por todo o exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário de Log Trading  & Supply Chain Ltda. e negar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária Felix  Materiais de Construção Ltda.    Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 12466.722065/2013­44  Acórdão n.º 3301­003.934  S3­C3T1  Fl. 2.435          27 Sala de Sessões, em 25 de julho de 2017  Semíramis de Oliveira Duro – Relatora                                Fl. 2435DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.722003/2013-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na reunião realizada em fevereiro de 2017, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento fará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB nº 206.899 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Trata-se da análise de Recursos de Ofício e Voluntário, que teve como origem auto de infração, que a partir do Termo de Verificação Fiscal, que embasou o referido auto, extrai-se, fls. 679/683: 4 - Com base nos documentos fornecidos pelo sujeito passivo na data de 07/06/2013 em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal N° 01 cientificado ao contribuinte em 26/03/2013, constatamos que a empresa exclui da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores por ela considerados como adiantamentos por parte de seus clientes, justificando que apenas os repassa para os efetivos prestadores e que emite nota de débito ao cliente final com o demonstrativo dos pagamentos e o valor de seu serviço de intermediação. Esta fiscalização entende que os recebimentos, tratados acima, não se caracterizam como meros repasses, pois transitaram pelas contas bancárias do intermediário, e não se caracterizam como depósitos, porque o sujeito passivo não é uma instituição financeira e que nas operações nas quais atue como intermediária, distribuindo ou comercializando produtos ou serviços por permissão ou concessão de terceiros, juntamente com outros serviços por ela própria prestados, a quantia total que receber dos adquirentes dos respectivos produtos ou serviços, apropriada em suas contas do Ativo Circulante (e.g.: Caixa ou Bancos Conta Movimento), constitui sua receita, devendo integrar a base de cálculo da contribuição por ela devida, como reconhecido na sua Demonstração de Resultados nas contas: (...) Lavramos o competente Auto de Infração, processo n°. 19515.722.003/2013-59, referente à Incidência Não-Cumulativa Padrão, Omissão de Receita Sujeita à Contribuição para o PIS/PASEP e Omissão de Receita Sujeita à COFINS em consonância com os dispositivos legais mencionados no Auto de Infração e neste Termo de Verificação / Relatório Fiscal, aplicando-se as alíquotas determinadas para base de cálculo demonstrada abaixo: (...) Do relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 19662/19670, retiram-se trechos que demonstram a argumentação, apresentada pela Recorrente, em sua impugnação: No mérito, argumenta que: o entendimento da DEFIS/SPO, parte de uma premissa equivocada, pois, independentemente do procedimento contábil adotado pela Impugnante, o fato é que os valores exigidos nos autos de infração ora impugnados não integram a receita bruta da Impugnante sujeita à incidência do PIS e da COFINS, motivo pelo qual não há sequer que se falar, propriamente, em exclusão, uma vez que esse valor não compõe receita bruta e não precisa dela ser excluído. Assim, pouco a importa a existência ou não de base legal para a exclusão de receitas de terceiros da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois, a todo rigor, não se trata de exclusão, mas, sim, de não inclusão (...) Para a adequada compreensão da natureza jurídica dos ingressos financeiros que transitam pela escrituração contábil da Impugnante, é absolutamente necessário que os fatos relacionados à atividade econômica sejam devidamente considerados, motivo pelo qual se passa a relatá-los, nos limites necessários para a presente defesa. Pois bem. Atividade desenvolvida pela Impugnante está inserida no contexto do transporte internacional de cargas, embora com transporte não se confunda, como será demonstrado na presente defesa. (...) A Impugnante atua justamente no sentido de simplificar toda essa complexidade, ou seja, ela atua junto a seus clientes com o objetivo de facilitar o transporte realizado por terceiros, tornando-o mais prático, ágil e econômico para seus clientes. Nesse contexto, a Impugnante tem por objeto social a prestação de serviços de logística relacionados ao transporte de carga. No desenvolvimento de sua atividade econômica, a Impugnante desempenha, dentre outras possíveis atividades previstas em seu contrato social, essencialmente as seguintes funções: Em suma, as atividades desenvolvidas pela Impugnante no exercício de sua atividade empresarial podem ser divididas em quatro subáreas principais: 1) serviços de logística. 2) intermediação de contratação de transportes. 3) agenciamento de cargas. 4) despacho aduaneiro. (...) A partir da breve descrição acima, é possível concluir que a atividade econômica desenvolvida pela Impugnante é complexa, na medida em que envolve o exercício conjunto de diversas operações relacionadas ao transporte de mercadorias, todas elas com intuito de viabilizar o transporte, sem, contudo, confundir-se com o transporte. Portanto, não há qualquer dúvida de que a Impugnante não desempenha o serviço de transporte, mas apenas atividades correlatas, nas áreas de agenciamento e logística. O serviço de transporte de carga é efetivamente prestado por empresas especializadas, ficando a Impugnante responsável exclusivamente pela logística, intermediação, agenciamento e despacho aduaneiro. (...) Assim, a contraprestação de sua atividade corresponde exclusivamente à comissão de intermediação recebida, ainda que, por questões operacionais, a Impugnante figure como responsável pelo recebimento do valor total, para posterior repasse aos terceiros que efetivamente prestam os serviços de transporte e armazenagem. (...) Neste ponto, cabe esclarecer, também, que o cômputo das receitas de terceiros no faturamento da Impugnante, para posterior repasse aos terceiros envolvidos, é medida que atende a uma necessidade do mercado, facilitando o relacionamento entre as partes, uma vez que a estratégia definida para o transporte da mercadoria desde a origem até o seu destino pode envolver inúmeras etapas, consistentes na articulação de vários meios de transporte. Observe-se que, como já exposto, a atividade do operador logístico se desenvolve por conta das dificuldades que envolvem o transporte de mercadorias. Assim, é certo que o cliente não tem interesse em realizar um pagamento para cada empresa envolvida no transporte ou armazenagem, preferindo centralizar as operações na empresa responsável pela atividade de logística, como é o caso da Impugnante. Um exemplo concreto facilitará a compreensão. Como não desempenha serviço de transporte, mas apenas atividades correlatas, nas áreas de agenciamento e logística, a Impugnante emite ao seu cliente uma nota de débito, na qual discrimina tanto os valores recebidos por conta e ordem de terceiros (as empresas que prestam os serviços de transporte), quanto os valores correspondentes às suas receitas próprias, provenientes dos serviços de agenciamento e logística. Diante do cenário acima, é possível perceber que o cerne da divergência entre a receita bruta informada na DACON e a receita bruta registrada na escrituração contábil decorre justamente do ingresso financeiro de valores com naturezas jurídicas distintas: (i) remuneração recebida pela Impugnante pelos serviços de intermediação e logística; (ii) ingressos financeiros relativos serviços de transportes prestados por terceiros, na operação intermediada pela Impugnante; e (iii) tributos e outras tarifas aduaneiras devidos pelos clientes da Impugnante, cujos valores são repassados pelos clientes para a Impugnante para que ela proceda ao seu pagamento junto às autoridades arrecadadoras. (...) Os elementos que comprovam a efetiva transferência dos recursos financeiros para os terceiros, seus legítimos titulares, são os seguintes: (i) Recibos de prestações de serviços; (ii) Notas fiscais de prestações de serviços emitidas por agentes marítimos, companhias aéreas, armazéns, transportadores; terminais portuários e aeroportuários, dentre outros prestadores de serviços; e (iii) Faturas comerciais referentes a fretes internacionais emitidas por pessoas jurídicas estabelecidas no exterior. Além dos documentos citados acima, os lançamentos contábeis efetuados pela Impugnante, bem como os contratos de câmbio e os extratos bancários comprovam cabalmente o efetivo repasse dos recursos para os terceiros. (...) Ora, por meio da aplicação dessa definição aos ingressos financeiros que ocorrem nas contas bancárias da Impugnante, percebe-se que somente é possível atribuir a natureza de receita à remuneração relativa à prestação dos serviços de logística, porque somente esta se integra ao patrimônio da Impugnante sem reserva, condição ou compromisso no passivo, acrescendo-o como elemento novo e positivo, que passa a lhe pertencer com sentido de permanência, remunerando-a por benefício efetivamente resultante de suas atividades em proveito da cliente, de cujo patrimônio ela provém. (...) A Impugnante demonstrou, à exaustão, que os valores recebidos por conta e ordem de terceiros, no contexto de sua atividade, de fato não integra a base de cálculo das contribuições em questão. Isto vale para a totalidade dos montantes exigidos pela fiscalização no caso dos autos. Ocorre que, em relação aos tributos e tarifas aduaneiras que a Impugnante recolhe em nome de seus clientes, a ausência de natureza jurídica de receita é ainda mais evidente. Mesmo se a Impugnante fosse efetiva transportadora de cargas e subcontratasse outras transportadoras para a prestação desse serviço, o que não ocorre no presente caso, ainda assim, de forma alguma haveria que se cogitar de tais valores serem consideradas receitas dela. (...) Assim, os ingressos registrados na conta contábil 3050002, no valor total de R$ 114.160.106,87, têm natureza jurídica de mera devolução ou adiantamento (conforme o caso) de tributos que foram recolhidos por conta e ordem de terceiros. (...) Subsidiariamente, caso sejam mantidos os autos de infração de PIS e COFINS ora combatidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Impugnante ressalta que a fiscalização deve descontar, a título de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos, os valares (sic) pagos às empresas transportadoras, dado seu enquadramento no conceito de "serviços utilizados como insumos na prestação de serviços" (artigo 3º, inciso II, das Leis n°. 10637, de 30/12/2002, e 10833, de 29/12/2003). (...) Subsidiariamente, caso sejam mantidos - total ou parcialmente - os autos de infração de PIS e COFINS ora combatidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Impugnante ressalta que deve ser prontamente afastada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, diante da ausência de previsão legal expressa. O relatório da DRJ/Riberão Preto ainda retrata que o feito foi convertido em diligência, fls. 19670: Examinados os autos nesta instância administrativa, foi o julgamento transformado em diligência por meio da Resolução nº 2.902, de 16 de maio de 2014, a qual solicitou à autoridade jurisdicionante que intimasse a contribuinte a apresentar os contratos firmados com seus clientes mais significativos, além de determinar a existência e montante de eventuais créditos da não cumulatividade. Há, posteriormente, o relatório, resultado da diligência fiscal, fls. 19491/19495, com a modificação do lançamento em relação aos créditos, referentes a insumos, cuja ciência houve por parte da contribuinte e, mais uma vez, retira-se do relatório da DRJ/Ribeirão Preto a informação sobre a manifestação da Recorrente, após o resultado da diligência, fls. 19670/19673: Notificada do resultado da diligência, tendo em vista o novo contexto fático em que se encontra o presente processo, a requerente pede vénia (sic) para tecer considerações complementares, as quais sintetizam as razões pelas quais os autos de infração sub judice devem ser cancelados. Vejamos. Como se sabe, a requerente vem sustentando que, em razão de sua particular atividade - agente de cargas -, recebe recursos em seu caixa que não correspondem à remuneração pelos serviços por ela prestados, figurando tais valores como receitas de terceiros, as quais não podem estar sujeitas à incidência das contribuições ao PIS e COFINS. (...) Não há controvérsia em relação a tais fundamentos, eis que a distinção entre o "agente de carga" e o "serviço de transporte de carga" foi objeto de manifestação da Coordenação Geral de Tributação (COSIT), por ocasião da Solução de Consulta n° 257, de 26/09/2014, a qual, embora emitida a propósito do SISCOSERV, identificou com precisão as características de cada uma das atividades desenvolvidas no âmbito do comércio internacional e respectivos sujeitos, sendo por isso inteiramente aplicável ao presente caso. (...) Enquanto o consolidador e o transportador são efetivos prestadores de serviço de transporte, devendo emitir o referido conhecimento, o agente é mero representante, agindo em nome do remetente ou destinatário dos bens ou do consolidador ou ainda do transportador efetivo, sem, contudo, emitir conhecimento de transporte. (...) 3.2.2. Isenção / Imunidade sobre as receitas de exportação Não bastasse a isenção sobre receitas de transporte internacional de cargas, também não se deve olvidar que uma considerável parcela dos valores exigidos da requerente, ainda que fossem receitas próprias dela, não seriam tributadas, porque decorrem de exportações de serviços, conforme dispõem os arts. 5º, inciso II, e 6º, inciso II, das Leis nº. 10637/02 e nº. 10833/03. (...) 3.2.3. Os tributos pagos em nome dos clientes da requerente Vale consignar que parte dos valores objeto da exigência fiscal sub judice corresponde ao reembolso de despesas referentes aos tributos incidentes na importação de mercadorias, os quais foram pagos pela requerente em nome de seus clientes. (...) 3.2.4.Créditos no regime não cumulativo Após analisar os documentos apresentados no curso da diligência, a d. autoridade fiscal responsável confirmou a existência e a magnitude dos créditos pleiteados, reduzindo consideravelmente a exigência fiscal. Incontroverso, portanto, o direito ao creditamento, eis que reconhecido pela própria autoridade autuante. Sobreveio, então, a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, cuja ementa é colacionada abaixo, com decisão parcialmente procedente à contribuinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. SERVIÇOS. Aferido, a partir dos contratos firmados pela contribuinte com seus clientes, que houve prestação de serviços de transporte, a remuneração correspondente integra a base tributável pelas contribuições. Nessas condições, não prevalece a tese de meros repasses a terceiros, mas configura-se auferimento de receitas próprias. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CÔMPUTO. Os créditos da sistemática não cumulativa, apurados em procedimento de diligência, devem ser levados em conta na determinação do crédito tributário exigível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. SERVIÇOS. Aferido, a partir dos contratos firmados pela contribuinte com seus clientes, que houve prestação de serviços de transporte, a remuneração correspondente integra a base tributável pelas contribuições. Nessas condições, não prevalece a tese de meros repasses a terceiros, mas configura-se auferimento de receitas próprias. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CÔMPUTO. Os créditos da sistemática não cumulativa, apurados em procedimento de diligência, devem ser levados em conta na determinação do crédito tributário exigível. Irresignada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 19748/19855, onde repisou a argumentação da impugnação e da manifestação após a diligência. Há recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A Procuraria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, fls. 26902/26925. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora 1. Dos requisitos de admissibilidade A ciência do acórdão, para interposição do recurso voluntário, ocorreu em 13 de agosto de 2015, fls. 19735, e a solicitação de juntada do recurso foi em 29 de setembro de 2015, fls. 19747, mas a auditora concedeu efeitos retroativos ao referido recurso. Trata-se, portanto, de recurso tempestivo e que merece ser analisado por este colegiado. 2. Recurso Voluntário 2.1. Da preliminar 2.1.1. Nulidade da decisão recorrida A Recorrente pleiteia pela nulidade da decisão recorrido e argumenta, in verbis, fls. 19755: (...) a decisão ora atacada ignorou praticamente a íntegra da documentação colacionada, e, consequentemente, da argumentação articulada, para, baseada em trechos isolados de documentos juntados aos autos, interpretados fora de seu contexto, decidir pela improcedência da maior parte da impugnação ofertada pela ora recorrente. Continua em sua linha de raciocínio, fundamentando que houve desrespeito aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Ademais, argumenta que não houve análise das provas, configurando cerceamento do direito de defesa, e realiza uma planilha, fls. 19755/19759, demonstrando os pontos que a DRJ/Ribeirão Preto não analisou ou analisou indevidamente e conclui que a decisão de primeira instância possui vício de cognição superficial. Suscita que a DRJ/Ribeirão Preto selecionou trechos dos contratos com a Embraer e a Avon para demonstrar que sua atividade é de transporte e não de agenciamento de carga e despachante aduaneiro, contrapõe tais fatos, fundamentando em cláusulas contratuais. Afirma que recebe valores que não constituem receitas de sua atividade própria. Continua, em longa argumentação, a mostrar incoerências na decisão da DRJ/Ribeirão Preto e faz prova de que sua atividade é agenciamento de carga e não prestação de serviço de transporte, mas a mera contratação deste. Há contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 26905, que demonstra o antigo entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o julgador não é obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pelo recorrente, posteriormente, colaciona precedentes deste Egrégio Tribunal Administrativo. A Procuradoria da Fazenda alega que a decisão da DRJ/Ribeirão Preto não é nula, demonstrando o cuidado do julgador em converter o feito em diligência para averiguar a real natureza dos serviços prestados pela Recorrente e, mais adiante, a Fazenda Nacional colaciona trechos da decisão para demonstrar que a decisão de primeira instância não é nula. Por fim, alega que a própria Recorrente entra em contradição em seu recurso voluntário, fls. 19766, quando expõe e solicita pela improcedência da preliminar de nulidade. Trecho do Recurso Voluntário, fls. 19766, que a Procuradoria da Fazenda alega contradição: Os contratos são instrumentos formais firmados com o objetivo de definir obrigações das partes, mas eles não atestam exatamente as atividades executadas no seu bojo, eis que é inegável que a prática das partes se sobrepõe aos termos formais das cláusulas contratuais. Assim, para verificar a real atividade prestada pela recorrente, a decisão deveria checar os fatos que efetivamente permearam a relação contratual e não apenas cláusulas aleatórias dos instrumentos, as quais, ressalte-se, foram interpretadas de forma isolada e literal, sem levar em consideração o resultado da interpretação harmônica do contato como um todo, ou mesmo as atividades que realmente foram desenvolvidas. Pela análise dos autos, percebe-se, realmente, um cuidado pelo julgador de primeira instância, que por meio da resolução nº 2.902, de 16 de maio de 2014, converteu o feito em diligência com o objetivo de possuir um melhor material probatório para formar a sua convicção, fls. 19429/19430, vide trechos da referida resolução: Vê-se que a discussão é similar à que se desenvolve no presente caso e que existe a hipótese de que a controvérsia seja solucionada no sentido de que o faturamento da autuada não compreenda todo o fluxo financeiro que transitou por suas contas bancárias mas tão só aquele que remunera os serviços que prestou. Não obstante, tal desfecho depende da demonstração cabal de que parte dos recursos financeiros representem efetivamente faturamento de terceiros contratados em nome dos clientes. Porém, a documentação juntada aos autos não permite que se firme a convicção seja da tese fiscal, seja da tese da defesa. Na busca da efetiva composição da base de cálculo da autuada, falta à documentação juntada aos autos a demonstração da relação existente entre a autuada e as empresas a quem prestava e/ou de quem tomava serviços. Mais especificamente, indaga-se se os serviços de terceiros estariam englobados nos serviços vendidos aos seus clientes ou se seriam, como alega a defesa, simples repasses em função de relações contratadas entre seus clientes e os terceiros, atuando a impugnante como simples intermediária. Os documentos trazidos aos autos, seja pela fiscalização ou pela contribuinte, não permitem estabelecer com grau apreciável de certeza a natureza das relações comerciais envolvidas na composição da base de cálculo. E o aprofundamento da investigação nesta instância administrativa requer o exame dos contratos que formalizam a relação entre a autuada e as empresas para as quais comercializa seus serviços, contratos esses que não estão nos autos. Sendo assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade jurisdicionante intime a contribuinte a: a) apresentar os contratos relativos às operações cujos documentos foram juntados à impugnação; b) apresentar os contratos relativos aos serviços prestados aos seus cinco clientes mais significativos em volume financeiro; c) apresentar amostra representativa dos documentos fiscais que retratam o faturamento auferido pela contribuinte a partir de suas atividades (especialmente, as notas fiscais emitidas). A contribuinte reivindica, ainda, aproveitamento dos créditos próprios do regime de apuração não cumulativo, item cujo cômputo não aparece explicitado pela autoridade fiscal. Em razão disso e no interesse da determinação do montante devido em função do regime de apuração a que se submete a autuada, requer-se que a autoridade: a) manifeste-se acerca da existência e magnitude dos créditos pretendidos a partir do demonstrativo juntado às fls. 783/784, intimando, se entender necessário, o contribuinte para apresentação de comprovantes. Ao fim, elabore relatório circunstanciado sobre os resultados da diligência e seus efeitos sobre o crédito lançado. Além do preciosismo do julgador, diferentemente, do alegado no recurso voluntário, na própria resolução, o julgador traz a informação sobre a existência de um laudo de um parecer independente que embasa os fundamentos da Recorrente, fls. 19429: Para subsidiar sua argumentação, a contribuinte traz aos autos parecer de auditoria independente com descrição e análise de suas atividades econômicas, além de documentação correspondente a algumas de suas operações. Por meio da análise do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, percebe-se que não há nulidade quanto à análise das provas, sendo que há manifestação expressa da linha hermenêutica, adotada pelo julgador, para considerar a atividade da Recorrente como logística, mas também cumulada com a prestação de serviço de transporte de mercadorias, fls. 19673 e seguintes: Inobstante, a dinâmica empresarial permite que valores possam transitar pela contabilidade ou pelos registros bancários da empresa sem que representem faturamento tributável pelas contribuições. Faturamento, no que interessa ao presente voto, é retribuição por bens comercializados ou serviços prestados. Não correspondendo a qualquer dessas operações, são valores que não compõem a base de cálculo das contribuições sociais. No caso, a solução da controvérsia passa, necessariamente, por definir que serviços foram contratados pelos clientes da autuada, para, em contrapartida, definir quais são suas receitas e, consequentemente, a base de cálculo das contribuições. Para isso, os contratos e documentos representativos das operações realizadas pela contribuinte são os elementos essenciais de prova e, por isso, foram pedidos na diligência solicitada à autoridade jurisdicionante. (...) Inicialmente, o Contrato Social da contribuinte abre a possibilidade de que sejam exploradas tanto as atividades de agenciamento e logística quanto as atividades de transportes rodoviários nacional e internacional, conforme reza a alínea “w” do seu objeto social. E o que se vê dos contratos juntados aos autos é que a autuada prestava aos seus clientes tanto os serviços de logística e gerenciamento de documentos em operações de comércio exterior quanto os serviços de transporte de cargas em si. (...) Portanto, a contribuinte não mantinha contratos apenas de prestação de serviços na área de logística e gestão de documentos, mas, também, foi contratada para a prestação do próprio serviço de transporte. Por sinal, como visto, a exploração de tal atividade obedece a um dos itens de seu objeto social. Importa notar que não se está aqui a negar a exploração da atividade de agenciamento de cargas. Mas, pelos próprios documentos trazidos pela contribuinte, ficou evidenciada a prestação de outros tipos de serviços. E para fundamentar a decisão que a Recorrente prestava também os serviços de transporte, negado por ela, o julgador de primeira instância utiliza as cláusulas contratuais de alguns dos contratos analisados, fls. 19675, uma vez que os contratos, anexados, são de várias naturezas, pela análise dos autos, percebe-se que alguns prevêem apenas o serviço de despachante aduaneiro, como o contrato firmado com a Azaléia, outros prevêem o serviço de logística cumulado com prestação de serviço de transporte, como o da Avon, outros que prevêem serviço de logística, despachante aduaneiro, agenciamento de carga e transporte, como o da Embraer. O julgador de primeira instância quis, ao considerar também a atividade de prestação de serviço de transporte, realizada pela Recorrente, exemplificar com algumas cláusulas contratuais. O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as provas colacionadas aos autos, em razão do volume do próprio processo, não há factibilidade em analisar todas as provas existentes de um processo como o presente, para tal finalidade, o julgador de primeira instância submeteu o processo para diligência. O Superior Tribunal de Justiça inclusive já se posicionou quanto aos argumentos apresentados pelas partes, tendo como paradigma o Novo Código de Processo Civil, vide precedente: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (STJ; 1ª Seção; EDcl no MS 21.315-DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 08.06.2016) Por tal motivação, nega-se a preliminar suscitada de nulidade do acórdão por falta de fundamentação, pois ela inexiste, já que o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto está devidamente fundamentado. 3.2. Do mérito 3.2.1. Atividades da Recorrente A Recorrente entende que é necessária a descrição de suas atividades e diz em síntese, fls. 19779, que: existe basicamente para intermediar a relação de seus clientes com terceiros, de forma a facilitar o exercício da atividade de comércio internacional, atuando na prestação de serviços conexos à importação e exportação de mercadorias. Assim, a recorrente atua como (i) despachante aduaneiro de forma a realizar, em nome de deus clientes, os trâmites necessários para a importação de mercadorias no território nacional e (ii) agente de cargas nas áreas de transporte aéreo e marítimo, visando facilitar o acesso de seus clientes aos prestadores de serviço de transporte, com o intuito de operacionalizar a exportação e importação de mercadorias. As duas atividades podem ser realizadas de forma conjunta para o mesmo cliente ou individualmente, a depender da relação contratual e do desejo do cliente em cada operação. Ademais, afirma que não é transportadora e que, em nenhuma de suas atividades, atua como transportadora. Resume suas atividades em: (i) desembaraço aduaneiro; (ii) agente de cargas no transporte aéreo; e (iii) agente de cargas no transporte marítimo, o que será explicado em tópicos distintos. a) Despachante aduaneiro A primeira atividade exercida pela Recorrente envolve o despacho aduaneiro de mercadorias por conta e ordem de seus clientes, o que envolve desde a descrição exata da mercadoria e a indicação de sua classificação fiscal nos documentos fiscais, até o recolhimento dos tributos aduaneiros em nome dos importadores ou exportadores. Ela afirma que no desenvolvimento das atividades de despachante aduaneiro, ela atua em nome de seus clientes, representando-os perante as autoridades aduaneiras e perante as demais pessoas que atuam nos processos de importação e exportação. Tais atividades pressupõem, por sua natureza, o pagamento, pela recorrente, de custos e despesas que são dos clientes dela, mas que transitam pelo patrimônio da recorrente justamente por conta dessa atividade. A Recorrente alega que a decisão novamente negligenciou a documentação juntada pela recorrente quando afirmou que na atividade de desembaraço aduaneiro “não se verifica a hipótese de contratação de terceiros”, o que resta claro na operação em comento, e nas demais operações de desembaraço aduaneiro analisadas pela PwC, nas quais é evidente a existência de despesas suportadas pela recorrente em nome de seus clientes. b) Agente de cargas no transporte aéreo A Recorrente afirma que é agente de cargas, mas não é transportadora de cargas, demonstra tal fato por meio de ato da Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC - , que publica os atos por meio dos quais concede autorização para as pessoas jurídicas operarem no transporte aéreo. Ela explica que o agenciamento de cargas é atividade típica, regulada pelo Decreto-lei n. 37, de 18.11.1966, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com força de lei, que envolve justamente a intermediação na contratação de transportes, bem como as atividades de consolidação e desconsolidação de cargas, além de outros serviços conexos. A Recorrente afirma, segunda sua interpretação, que é impossível uma mesma pessoa jurídica cumular as funções de agente de cargas e transportador sob uma ótica regulatória. c) Agente de cargas no transporte marítimo A Recorrente afirma que as considerações quanto ao transporte aéreo devem ser utilizadas no que concerne ao transporte marítimo e demonstra ato da Agência Nacional de Transportes Aquaviários - ANTAQ - que não possui autorização para operar transporte marítimo. Continua em longa argumentação na tentativa de demonstrar que sua atividade econômica é ser agente de carga e não prestar o serviço de transporte, propriamente dito, mas apenas intermediar a sua contratação. Por fim, a Recorrente enfatiza que não presta serviço de transporte e tenta, mais uma descrever, o modus operandi das suas atividades, transcrevendo a solução de Consulta nº 257, de 26 de setembro de 2014. Alega também que a ciência contábil e o direito positivo pertencem a esferas distintas e independentes, de modo que um mesmo dado fático pode ser conhecido diversamente por um e por outro, uma vez que o processo de conhecimento pauta-se por pressupostos distintos em cada uma das esferas. Em suma, o direito positivo e a ciência contábil possuem formas autônomas de processar os dados fáticos captados na realidade social. A Fazenda Nacional em suas contrarrazões, seguindo a mesma linha de raciocínio da fiscalização e do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, afirma que os valores, que transitaram pelas contas da Recorrente, correspondem ao seu faturamento, e, portanto, devem ter a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Ademais, reafirma que a Recorrente presta serviço de transporte. 3.2.2. Da necessidade de conversão em diligência Por meio da análise dos contratos, apresentados quando da conversão do feito em diligência pela autoridade julgadora de primeira instância, percebe-se que a grande maioria deles envolve tão somente a atividade de despachante aduaneiro ou agenciamento de cargas, vide um pequeno resumo dos contratos apresentados: 1. Contrato Embraer Objeto do contrato: CLÁUSULA SEGUNDA - OBJETO 2.1 A Contratada realizará para a Embraer serviços de logística internacional de forma a suportar as exportações das Mercadorias da Embraer do Brasil até o país onde se encontra o Destinatário Final das Mercadorias ("Serviços"). Os Serviços ora Contratados estão detalhadamente descritos no Anexo I ao presente Contrato. 2.1.1 As principais atividades logísticas compreendidas nos Serviços a serem realizadas pela Contratada, conforme detalhado no Anexo I, são: (i) controle e administração de toda documentação necessária para os processos de exportação; (ii) agenciamento das Mercadorias; (iii) transporte doméstico das Mercadorias no Brasil; (iv) desembaraço aduaneiro das Mercadorias para exportação; (v) transporte internacional das Mercadorias; (vi) desembaraço aduaneiro das Mercadorias no destino de entrega; (vii) transporte doméstico das Mercadorias no destino de entrega; e (viii) desenvolvimento e/ou customização de um sistema para suportar toda a operação logística descrita nos itens acima. CLÁUSULA TERCEIRA - PREÇO E PAGAMENTO 3.2. Em tal preço estão compreendidos todos os tributos incidentes ou que venham a incidir sobre as atividades, receitas e quaisquer eventos direta ou indiretamente decorrentes deste Contrato, bem como, quaisquer despesas da Contratada, relacionadas à execução do objeto deste Contrato. 2. Contrato Avon Objeto do contrato: CLÁUSULA SEGUNDA - OBJETO O objetivo do Presente Contrato é a prestação do serviço de logística internacional (daqui a diante denominado simplesmente "OS SERVIÇOS") para mercadorias e documentos indicados pela AVON, a serem executados pela KUEHNE+NAGEL; desde que sejam de lícito comércio e que não sejam considerados suspensos ou controlados, observadas as especificidades do transporte aéreo internacional.. Esses serviços consistem, de maneira enunciativa e de nenhuma forma taxativa, em: Recolher a mercadoria a transportar; Gestão dos serviços de Alfandega em portos de origem, trânsito e destino; Transporte; Consolidação e Desconsolidação; Entrega da dita mercadoria / documentos. 3. Contrato Azaléia Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 4. Contrato Blue Anchor Line Objeto do contrato: A Recorrente contratou a empresa Blue Anchor Line para que esta realize o serviço de transporte. 5. Contrato Furukawa Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 6. Contrato CJD do Brasil Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 7. Contrato Lojas Renner Objeto do contrato: Cláusula 01a: Constitui objeto do presente contrato, pelo qual fica a parte CONTRATADA obrigada, a prestação de serviços de contratação de transporte internacional de mercadoria objeto de importação/exportação por via aérea, marítima e/ou terrestre, diretos e/ou consolidados, incluindo o licenciamento de documentos e todas as providências aduaneiras, conforme cada caso, na modalidade "porta a porta" (door to door). Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro 8. Contrato Milenia Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 9. Contrato Pride Objeto do contrato: 1. Objeto 1.1 É objeto deste instrumento a prestação, pela Contratada, de serviços de desembaraço aduaneiro e de transporte nacional, realizando os serviços de coordenação de processos, despachos e desembaraços aduaneiros e coordenação de embarques nacionais, em conformidade com a legislação em vigor no País, doravante designados simplesmente Serviços. 10. Contrato Roberto Bosch Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro 11. Contrato Sadia Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro 12. Contrato Usiminas Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 13. Contrato Tramontina Objeto do contrato: 2. ESCOPO GEOGRÁFICO E OBJETO O presente Contrato tem como objeto a prestação de serviços de agenciamento de transporte marítimo de cargas pela Contratada, cobrindo o transporte de carga dos pontos ou portos de origem até o os pontos ou portos de destino estabelecidos no Anexo I do presente instrumento Com exceção dos contratos apresentados pela Recorrente com a Embraer, Avon e Pride, dos quais se pode concluir que há prestação de serviço de transporte, os demais se apresentam como contratos de prestação de serviço aduaneiro ou de agenciamento de cargas. O resultado da diligência, fls. 19491/19495, não trouxe um resultado conclusivo acerca de tais tipos de contrato e se o faturamento da Recorrente compreendeu todo o fluxo financeiro, que transitou por suas contas bancárias, ou se trata em parte do fluxo financeiro de suas contratantes, receita que pertenceriam, por exemplo, à empresa que, efetivamente, realizou o serviço de transporte. A fiscalização seja no Termo de Verificação Fiscal, bem como no resultado da diligência, não realizou uma segregação das receitas por atividade - despachante aduaneiro, agenciamento de carga, prestação de serviço - , o que acaba trazendo dificuldades na apreciação das alegações da Recorrente e da Fazenda Pública. Em razão do volume probatório, bem como do laudo anexado, elaborado pela PwC, converto, novamente, o feito em diligência, com a finalidade de assegurar o respeito ao princípio da verdade material, a fim de que a fiscalização segregue as receitas da Recorrente por tipo de atividade - despachante aduaneiro, agente de cargas, prestação de serviços de transporte - e: 1. Que seja separada a partir da contabilidade da Recorrente as seguintes operações: 1.1. Atividade de despachante aduaneiro: Quais são os custos e despesas - inclusive tributos reembolsados - que são dos clientes da Recorrente, ou seja, mas que transitaram pelo patrimônio da recorrente justamente por conta dessa atividade e aquilo que é referente à remuneração dos serviços de despachante; Quais são os custos e despesas, que foram pagos pela Recorrente, mas que foram reembolsados pelos seus clientes, decorrentes dos contratos da atividade de despachante aduaneiro; 1.2. Agente de cargas 1.2.1. Aspecto geral Que sejam identificados os valores recebidos pela Recorrente e repassados, por conta e ordem dos clientes, às empresas que efetivamente prestaram os serviços de transporte e as demais despesas pagas, por conta e ordem dos clientes, com recursos recebidos pela recorrente, como despesas de armazenagem, demurrage e outras comissões de terceiros. 1.2.2. Agentes de cargas de transporte aéreo: Nos contratos de agente de cargas de transporte aéreo, sem a prestação do serviço de transporte, que seja identificado quais os valores que transitaram pelo patrimônio da Recorrente, mas que são referentes ao pagamento de serviço de transporte aéreo, que não foi prestado por ela; 1.2.3. Agente de cargas de transporte marítimo: Nos contratos de agente de cargas de transporte marítimo, sem a prestação do serviço de transporte, que seja identificado quais os valores que transitaram pelo patrimônio da Recorrente, mas que são referentes ao pagamento de serviço de transporte marítimo, que não foi prestado por ela; 2. Caso a fiscalização conclua que não há dentro da contabilidade da Recorrente, valores que sejam de terceiros, sendo todos os valores, próprios da Recorrente, que seja verificado quanto às supostas receitas de exportação, alegadas pela Recorrente em seu recurso voluntário, se eles efetivamente existiram. Portanto, em caso de não haver receitas de terceiros, que seja identificado se existem na contabilidade da Recorrente, receitas advindas da exportação e que foram comprovadas por meio de ingresso de divisas. 3. Por fim, solicita-se a verificação das tabelas postas no Recurso Voluntário, fls. 19844/19847. 4. Caso a fiscalização, entenda que para a realização da diligência é necessária a intimação da Recorrente para apresentar dados necessários, que assim o faça; 5. Que os fundamentos da diligência, apresentados na brilhante declaração de voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, sejam apreciados e que a diligência, por ele proposta, seja realizada em conjunto com a diligência aqui proposta; 6. Que a contribuinte seja cientificada dessa decisão e do relatório final do resultado da diligência e possa, em cada caso, apresentar sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Ao final, seja o processo encaminhado à consideração do CARF. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na reunião realizada em fevereiro de 2017, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento fará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB nº 206.899 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Trata-se da análise de Recursos de Ofício e Voluntário, que teve como origem auto de infração, que a partir do Termo de Verificação Fiscal, que embasou o referido auto, extrai-se, fls. 679/683: 4 - Com base nos documentos fornecidos pelo sujeito passivo na data de 07/06/2013 em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal N° 01 cientificado ao contribuinte em 26/03/2013, constatamos que a empresa exclui da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores por ela considerados como adiantamentos por parte de seus clientes, justificando que apenas os repassa para os efetivos prestadores e que emite nota de débito ao cliente final com o demonstrativo dos pagamentos e o valor de seu serviço de intermediação. Esta fiscalização entende que os recebimentos, tratados acima, não se caracterizam como meros repasses, pois transitaram pelas contas bancárias do intermediário, e não se caracterizam como depósitos, porque o sujeito passivo não é uma instituição financeira e que nas operações nas quais atue como intermediária, distribuindo ou comercializando produtos ou serviços por permissão ou concessão de terceiros, juntamente com outros serviços por ela própria prestados, a quantia total que receber dos adquirentes dos respectivos produtos ou serviços, apropriada em suas contas do Ativo Circulante (e.g.: Caixa ou Bancos Conta Movimento), constitui sua receita, devendo integrar a base de cálculo da contribuição por ela devida, como reconhecido na sua Demonstração de Resultados nas contas: (...) Lavramos o competente Auto de Infração, processo n°. 19515.722.003/2013-59, referente à Incidência Não-Cumulativa Padrão, Omissão de Receita Sujeita à Contribuição para o PIS/PASEP e Omissão de Receita Sujeita à COFINS em consonância com os dispositivos legais mencionados no Auto de Infração e neste Termo de Verificação / Relatório Fiscal, aplicando-se as alíquotas determinadas para base de cálculo demonstrada abaixo: (...) Do relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 19662/19670, retiram-se trechos que demonstram a argumentação, apresentada pela Recorrente, em sua impugnação: No mérito, argumenta que: o entendimento da DEFIS/SPO, parte de uma premissa equivocada, pois, independentemente do procedimento contábil adotado pela Impugnante, o fato é que os valores exigidos nos autos de infração ora impugnados não integram a receita bruta da Impugnante sujeita à incidência do PIS e da COFINS, motivo pelo qual não há sequer que se falar, propriamente, em exclusão, uma vez que esse valor não compõe receita bruta e não precisa dela ser excluído. Assim, pouco a importa a existência ou não de base legal para a exclusão de receitas de terceiros da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois, a todo rigor, não se trata de exclusão, mas, sim, de não inclusão (...) Para a adequada compreensão da natureza jurídica dos ingressos financeiros que transitam pela escrituração contábil da Impugnante, é absolutamente necessário que os fatos relacionados à atividade econômica sejam devidamente considerados, motivo pelo qual se passa a relatá-los, nos limites necessários para a presente defesa. Pois bem. Atividade desenvolvida pela Impugnante está inserida no contexto do transporte internacional de cargas, embora com transporte não se confunda, como será demonstrado na presente defesa. (...) A Impugnante atua justamente no sentido de simplificar toda essa complexidade, ou seja, ela atua junto a seus clientes com o objetivo de facilitar o transporte realizado por terceiros, tornando-o mais prático, ágil e econômico para seus clientes. Nesse contexto, a Impugnante tem por objeto social a prestação de serviços de logística relacionados ao transporte de carga. No desenvolvimento de sua atividade econômica, a Impugnante desempenha, dentre outras possíveis atividades previstas em seu contrato social, essencialmente as seguintes funções: Em suma, as atividades desenvolvidas pela Impugnante no exercício de sua atividade empresarial podem ser divididas em quatro subáreas principais: 1) serviços de logística. 2) intermediação de contratação de transportes. 3) agenciamento de cargas. 4) despacho aduaneiro. (...) A partir da breve descrição acima, é possível concluir que a atividade econômica desenvolvida pela Impugnante é complexa, na medida em que envolve o exercício conjunto de diversas operações relacionadas ao transporte de mercadorias, todas elas com intuito de viabilizar o transporte, sem, contudo, confundir-se com o transporte. Portanto, não há qualquer dúvida de que a Impugnante não desempenha o serviço de transporte, mas apenas atividades correlatas, nas áreas de agenciamento e logística. O serviço de transporte de carga é efetivamente prestado por empresas especializadas, ficando a Impugnante responsável exclusivamente pela logística, intermediação, agenciamento e despacho aduaneiro. (...) Assim, a contraprestação de sua atividade corresponde exclusivamente à comissão de intermediação recebida, ainda que, por questões operacionais, a Impugnante figure como responsável pelo recebimento do valor total, para posterior repasse aos terceiros que efetivamente prestam os serviços de transporte e armazenagem. (...) Neste ponto, cabe esclarecer, também, que o cômputo das receitas de terceiros no faturamento da Impugnante, para posterior repasse aos terceiros envolvidos, é medida que atende a uma necessidade do mercado, facilitando o relacionamento entre as partes, uma vez que a estratégia definida para o transporte da mercadoria desde a origem até o seu destino pode envolver inúmeras etapas, consistentes na articulação de vários meios de transporte. Observe-se que, como já exposto, a atividade do operador logístico se desenvolve por conta das dificuldades que envolvem o transporte de mercadorias. Assim, é certo que o cliente não tem interesse em realizar um pagamento para cada empresa envolvida no transporte ou armazenagem, preferindo centralizar as operações na empresa responsável pela atividade de logística, como é o caso da Impugnante. Um exemplo concreto facilitará a compreensão. Como não desempenha serviço de transporte, mas apenas atividades correlatas, nas áreas de agenciamento e logística, a Impugnante emite ao seu cliente uma nota de débito, na qual discrimina tanto os valores recebidos por conta e ordem de terceiros (as empresas que prestam os serviços de transporte), quanto os valores correspondentes às suas receitas próprias, provenientes dos serviços de agenciamento e logística. Diante do cenário acima, é possível perceber que o cerne da divergência entre a receita bruta informada na DACON e a receita bruta registrada na escrituração contábil decorre justamente do ingresso financeiro de valores com naturezas jurídicas distintas: (i) remuneração recebida pela Impugnante pelos serviços de intermediação e logística; (ii) ingressos financeiros relativos serviços de transportes prestados por terceiros, na operação intermediada pela Impugnante; e (iii) tributos e outras tarifas aduaneiras devidos pelos clientes da Impugnante, cujos valores são repassados pelos clientes para a Impugnante para que ela proceda ao seu pagamento junto às autoridades arrecadadoras. (...) Os elementos que comprovam a efetiva transferência dos recursos financeiros para os terceiros, seus legítimos titulares, são os seguintes: (i) Recibos de prestações de serviços; (ii) Notas fiscais de prestações de serviços emitidas por agentes marítimos, companhias aéreas, armazéns, transportadores; terminais portuários e aeroportuários, dentre outros prestadores de serviços; e (iii) Faturas comerciais referentes a fretes internacionais emitidas por pessoas jurídicas estabelecidas no exterior. Além dos documentos citados acima, os lançamentos contábeis efetuados pela Impugnante, bem como os contratos de câmbio e os extratos bancários comprovam cabalmente o efetivo repasse dos recursos para os terceiros. (...) Ora, por meio da aplicação dessa definição aos ingressos financeiros que ocorrem nas contas bancárias da Impugnante, percebe-se que somente é possível atribuir a natureza de receita à remuneração relativa à prestação dos serviços de logística, porque somente esta se integra ao patrimônio da Impugnante sem reserva, condição ou compromisso no passivo, acrescendo-o como elemento novo e positivo, que passa a lhe pertencer com sentido de permanência, remunerando-a por benefício efetivamente resultante de suas atividades em proveito da cliente, de cujo patrimônio ela provém. (...) A Impugnante demonstrou, à exaustão, que os valores recebidos por conta e ordem de terceiros, no contexto de sua atividade, de fato não integra a base de cálculo das contribuições em questão. Isto vale para a totalidade dos montantes exigidos pela fiscalização no caso dos autos. Ocorre que, em relação aos tributos e tarifas aduaneiras que a Impugnante recolhe em nome de seus clientes, a ausência de natureza jurídica de receita é ainda mais evidente. Mesmo se a Impugnante fosse efetiva transportadora de cargas e subcontratasse outras transportadoras para a prestação desse serviço, o que não ocorre no presente caso, ainda assim, de forma alguma haveria que se cogitar de tais valores serem consideradas receitas dela. (...) Assim, os ingressos registrados na conta contábil 3050002, no valor total de R$ 114.160.106,87, têm natureza jurídica de mera devolução ou adiantamento (conforme o caso) de tributos que foram recolhidos por conta e ordem de terceiros. (...) Subsidiariamente, caso sejam mantidos os autos de infração de PIS e COFINS ora combatidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Impugnante ressalta que a fiscalização deve descontar, a título de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos, os valares (sic) pagos às empresas transportadoras, dado seu enquadramento no conceito de "serviços utilizados como insumos na prestação de serviços" (artigo 3º, inciso II, das Leis n°. 10637, de 30/12/2002, e 10833, de 29/12/2003). (...) Subsidiariamente, caso sejam mantidos - total ou parcialmente - os autos de infração de PIS e COFINS ora combatidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Impugnante ressalta que deve ser prontamente afastada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, diante da ausência de previsão legal expressa. O relatório da DRJ/Riberão Preto ainda retrata que o feito foi convertido em diligência, fls. 19670: Examinados os autos nesta instância administrativa, foi o julgamento transformado em diligência por meio da Resolução nº 2.902, de 16 de maio de 2014, a qual solicitou à autoridade jurisdicionante que intimasse a contribuinte a apresentar os contratos firmados com seus clientes mais significativos, além de determinar a existência e montante de eventuais créditos da não cumulatividade. Há, posteriormente, o relatório, resultado da diligência fiscal, fls. 19491/19495, com a modificação do lançamento em relação aos créditos, referentes a insumos, cuja ciência houve por parte da contribuinte e, mais uma vez, retira-se do relatório da DRJ/Ribeirão Preto a informação sobre a manifestação da Recorrente, após o resultado da diligência, fls. 19670/19673: Notificada do resultado da diligência, tendo em vista o novo contexto fático em que se encontra o presente processo, a requerente pede vénia (sic) para tecer considerações complementares, as quais sintetizam as razões pelas quais os autos de infração sub judice devem ser cancelados. Vejamos. Como se sabe, a requerente vem sustentando que, em razão de sua particular atividade - agente de cargas -, recebe recursos em seu caixa que não correspondem à remuneração pelos serviços por ela prestados, figurando tais valores como receitas de terceiros, as quais não podem estar sujeitas à incidência das contribuições ao PIS e COFINS. (...) Não há controvérsia em relação a tais fundamentos, eis que a distinção entre o "agente de carga" e o "serviço de transporte de carga" foi objeto de manifestação da Coordenação Geral de Tributação (COSIT), por ocasião da Solução de Consulta n° 257, de 26/09/2014, a qual, embora emitida a propósito do SISCOSERV, identificou com precisão as características de cada uma das atividades desenvolvidas no âmbito do comércio internacional e respectivos sujeitos, sendo por isso inteiramente aplicável ao presente caso. (...) Enquanto o consolidador e o transportador são efetivos prestadores de serviço de transporte, devendo emitir o referido conhecimento, o agente é mero representante, agindo em nome do remetente ou destinatário dos bens ou do consolidador ou ainda do transportador efetivo, sem, contudo, emitir conhecimento de transporte. (...) 3.2.2. Isenção / Imunidade sobre as receitas de exportação Não bastasse a isenção sobre receitas de transporte internacional de cargas, também não se deve olvidar que uma considerável parcela dos valores exigidos da requerente, ainda que fossem receitas próprias dela, não seriam tributadas, porque decorrem de exportações de serviços, conforme dispõem os arts. 5º, inciso II, e 6º, inciso II, das Leis nº. 10637/02 e nº. 10833/03. (...) 3.2.3. Os tributos pagos em nome dos clientes da requerente Vale consignar que parte dos valores objeto da exigência fiscal sub judice corresponde ao reembolso de despesas referentes aos tributos incidentes na importação de mercadorias, os quais foram pagos pela requerente em nome de seus clientes. (...) 3.2.4.Créditos no regime não cumulativo Após analisar os documentos apresentados no curso da diligência, a d. autoridade fiscal responsável confirmou a existência e a magnitude dos créditos pleiteados, reduzindo consideravelmente a exigência fiscal. Incontroverso, portanto, o direito ao creditamento, eis que reconhecido pela própria autoridade autuante. Sobreveio, então, a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, cuja ementa é colacionada abaixo, com decisão parcialmente procedente à contribuinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. SERVIÇOS. Aferido, a partir dos contratos firmados pela contribuinte com seus clientes, que houve prestação de serviços de transporte, a remuneração correspondente integra a base tributável pelas contribuições. Nessas condições, não prevalece a tese de meros repasses a terceiros, mas configura-se auferimento de receitas próprias. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CÔMPUTO. Os créditos da sistemática não cumulativa, apurados em procedimento de diligência, devem ser levados em conta na determinação do crédito tributário exigível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. SERVIÇOS. Aferido, a partir dos contratos firmados pela contribuinte com seus clientes, que houve prestação de serviços de transporte, a remuneração correspondente integra a base tributável pelas contribuições. Nessas condições, não prevalece a tese de meros repasses a terceiros, mas configura-se auferimento de receitas próprias. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CÔMPUTO. Os créditos da sistemática não cumulativa, apurados em procedimento de diligência, devem ser levados em conta na determinação do crédito tributário exigível. Irresignada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 19748/19855, onde repisou a argumentação da impugnação e da manifestação após a diligência. Há recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A Procuraria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, fls. 26902/26925. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora 1. Dos requisitos de admissibilidade A ciência do acórdão, para interposição do recurso voluntário, ocorreu em 13 de agosto de 2015, fls. 19735, e a solicitação de juntada do recurso foi em 29 de setembro de 2015, fls. 19747, mas a auditora concedeu efeitos retroativos ao referido recurso. Trata-se, portanto, de recurso tempestivo e que merece ser analisado por este colegiado. 2. Recurso Voluntário 2.1. Da preliminar 2.1.1. Nulidade da decisão recorrida A Recorrente pleiteia pela nulidade da decisão recorrido e argumenta, in verbis, fls. 19755: (...) a decisão ora atacada ignorou praticamente a íntegra da documentação colacionada, e, consequentemente, da argumentação articulada, para, baseada em trechos isolados de documentos juntados aos autos, interpretados fora de seu contexto, decidir pela improcedência da maior parte da impugnação ofertada pela ora recorrente. Continua em sua linha de raciocínio, fundamentando que houve desrespeito aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Ademais, argumenta que não houve análise das provas, configurando cerceamento do direito de defesa, e realiza uma planilha, fls. 19755/19759, demonstrando os pontos que a DRJ/Ribeirão Preto não analisou ou analisou indevidamente e conclui que a decisão de primeira instância possui vício de cognição superficial. Suscita que a DRJ/Ribeirão Preto selecionou trechos dos contratos com a Embraer e a Avon para demonstrar que sua atividade é de transporte e não de agenciamento de carga e despachante aduaneiro, contrapõe tais fatos, fundamentando em cláusulas contratuais. Afirma que recebe valores que não constituem receitas de sua atividade própria. Continua, em longa argumentação, a mostrar incoerências na decisão da DRJ/Ribeirão Preto e faz prova de que sua atividade é agenciamento de carga e não prestação de serviço de transporte, mas a mera contratação deste. Há contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 26905, que demonstra o antigo entendimento do Superior Tribunal de Justiça de que o julgador não é obrigado a rebater, um a um, os argumentos apresentados pelo recorrente, posteriormente, colaciona precedentes deste Egrégio Tribunal Administrativo. A Procuradoria da Fazenda alega que a decisão da DRJ/Ribeirão Preto não é nula, demonstrando o cuidado do julgador em converter o feito em diligência para averiguar a real natureza dos serviços prestados pela Recorrente e, mais adiante, a Fazenda Nacional colaciona trechos da decisão para demonstrar que a decisão de primeira instância não é nula. Por fim, alega que a própria Recorrente entra em contradição em seu recurso voluntário, fls. 19766, quando expõe e solicita pela improcedência da preliminar de nulidade. Trecho do Recurso Voluntário, fls. 19766, que a Procuradoria da Fazenda alega contradição: Os contratos são instrumentos formais firmados com o objetivo de definir obrigações das partes, mas eles não atestam exatamente as atividades executadas no seu bojo, eis que é inegável que a prática das partes se sobrepõe aos termos formais das cláusulas contratuais. Assim, para verificar a real atividade prestada pela recorrente, a decisão deveria checar os fatos que efetivamente permearam a relação contratual e não apenas cláusulas aleatórias dos instrumentos, as quais, ressalte-se, foram interpretadas de forma isolada e literal, sem levar em consideração o resultado da interpretação harmônica do contato como um todo, ou mesmo as atividades que realmente foram desenvolvidas. Pela análise dos autos, percebe-se, realmente, um cuidado pelo julgador de primeira instância, que por meio da resolução nº 2.902, de 16 de maio de 2014, converteu o feito em diligência com o objetivo de possuir um melhor material probatório para formar a sua convicção, fls. 19429/19430, vide trechos da referida resolução: Vê-se que a discussão é similar à que se desenvolve no presente caso e que existe a hipótese de que a controvérsia seja solucionada no sentido de que o faturamento da autuada não compreenda todo o fluxo financeiro que transitou por suas contas bancárias mas tão só aquele que remunera os serviços que prestou. Não obstante, tal desfecho depende da demonstração cabal de que parte dos recursos financeiros representem efetivamente faturamento de terceiros contratados em nome dos clientes. Porém, a documentação juntada aos autos não permite que se firme a convicção seja da tese fiscal, seja da tese da defesa. Na busca da efetiva composição da base de cálculo da autuada, falta à documentação juntada aos autos a demonstração da relação existente entre a autuada e as empresas a quem prestava e/ou de quem tomava serviços. Mais especificamente, indaga-se se os serviços de terceiros estariam englobados nos serviços vendidos aos seus clientes ou se seriam, como alega a defesa, simples repasses em função de relações contratadas entre seus clientes e os terceiros, atuando a impugnante como simples intermediária. Os documentos trazidos aos autos, seja pela fiscalização ou pela contribuinte, não permitem estabelecer com grau apreciável de certeza a natureza das relações comerciais envolvidas na composição da base de cálculo. E o aprofundamento da investigação nesta instância administrativa requer o exame dos contratos que formalizam a relação entre a autuada e as empresas para as quais comercializa seus serviços, contratos esses que não estão nos autos. Sendo assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade jurisdicionante intime a contribuinte a: a) apresentar os contratos relativos às operações cujos documentos foram juntados à impugnação; b) apresentar os contratos relativos aos serviços prestados aos seus cinco clientes mais significativos em volume financeiro; c) apresentar amostra representativa dos documentos fiscais que retratam o faturamento auferido pela contribuinte a partir de suas atividades (especialmente, as notas fiscais emitidas). A contribuinte reivindica, ainda, aproveitamento dos créditos próprios do regime de apuração não cumulativo, item cujo cômputo não aparece explicitado pela autoridade fiscal. Em razão disso e no interesse da determinação do montante devido em função do regime de apuração a que se submete a autuada, requer-se que a autoridade: a) manifeste-se acerca da existência e magnitude dos créditos pretendidos a partir do demonstrativo juntado às fls. 783/784, intimando, se entender necessário, o contribuinte para apresentação de comprovantes. Ao fim, elabore relatório circunstanciado sobre os resultados da diligência e seus efeitos sobre o crédito lançado. Além do preciosismo do julgador, diferentemente, do alegado no recurso voluntário, na própria resolução, o julgador traz a informação sobre a existência de um laudo de um parecer independente que embasa os fundamentos da Recorrente, fls. 19429: Para subsidiar sua argumentação, a contribuinte traz aos autos parecer de auditoria independente com descrição e análise de suas atividades econômicas, além de documentação correspondente a algumas de suas operações. Por meio da análise do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, percebe-se que não há nulidade quanto à análise das provas, sendo que há manifestação expressa da linha hermenêutica, adotada pelo julgador, para considerar a atividade da Recorrente como logística, mas também cumulada com a prestação de serviço de transporte de mercadorias, fls. 19673 e seguintes: Inobstante, a dinâmica empresarial permite que valores possam transitar pela contabilidade ou pelos registros bancários da empresa sem que representem faturamento tributável pelas contribuições. Faturamento, no que interessa ao presente voto, é retribuição por bens comercializados ou serviços prestados. Não correspondendo a qualquer dessas operações, são valores que não compõem a base de cálculo das contribuições sociais. No caso, a solução da controvérsia passa, necessariamente, por definir que serviços foram contratados pelos clientes da autuada, para, em contrapartida, definir quais são suas receitas e, consequentemente, a base de cálculo das contribuições. Para isso, os contratos e documentos representativos das operações realizadas pela contribuinte são os elementos essenciais de prova e, por isso, foram pedidos na diligência solicitada à autoridade jurisdicionante. (...) Inicialmente, o Contrato Social da contribuinte abre a possibilidade de que sejam exploradas tanto as atividades de agenciamento e logística quanto as atividades de transportes rodoviários nacional e internacional, conforme reza a alínea “w” do seu objeto social. E o que se vê dos contratos juntados aos autos é que a autuada prestava aos seus clientes tanto os serviços de logística e gerenciamento de documentos em operações de comércio exterior quanto os serviços de transporte de cargas em si. (...) Portanto, a contribuinte não mantinha contratos apenas de prestação de serviços na área de logística e gestão de documentos, mas, também, foi contratada para a prestação do próprio serviço de transporte. Por sinal, como visto, a exploração de tal atividade obedece a um dos itens de seu objeto social. Importa notar que não se está aqui a negar a exploração da atividade de agenciamento de cargas. Mas, pelos próprios documentos trazidos pela contribuinte, ficou evidenciada a prestação de outros tipos de serviços. E para fundamentar a decisão que a Recorrente prestava também os serviços de transporte, negado por ela, o julgador de primeira instância utiliza as cláusulas contratuais de alguns dos contratos analisados, fls. 19675, uma vez que os contratos, anexados, são de várias naturezas, pela análise dos autos, percebe-se que alguns prevêem apenas o serviço de despachante aduaneiro, como o contrato firmado com a Azaléia, outros prevêem o serviço de logística cumulado com prestação de serviço de transporte, como o da Avon, outros que prevêem serviço de logística, despachante aduaneiro, agenciamento de carga e transporte, como o da Embraer. O julgador de primeira instância quis, ao considerar também a atividade de prestação de serviço de transporte, realizada pela Recorrente, exemplificar com algumas cláusulas contratuais. O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todas as provas colacionadas aos autos, em razão do volume do próprio processo, não há factibilidade em analisar todas as provas existentes de um processo como o presente, para tal finalidade, o julgador de primeira instância submeteu o processo para diligência. O Superior Tribunal de Justiça inclusive já se posicionou quanto aos argumentos apresentados pelas partes, tendo como paradigma o Novo Código de Processo Civil, vide precedente: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (STJ; 1ª Seção; EDcl no MS 21.315-DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 08.06.2016) Por tal motivação, nega-se a preliminar suscitada de nulidade do acórdão por falta de fundamentação, pois ela inexiste, já que o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto está devidamente fundamentado. 3.2. Do mérito 3.2.1. Atividades da Recorrente A Recorrente entende que é necessária a descrição de suas atividades e diz em síntese, fls. 19779, que: existe basicamente para intermediar a relação de seus clientes com terceiros, de forma a facilitar o exercício da atividade de comércio internacional, atuando na prestação de serviços conexos à importação e exportação de mercadorias. Assim, a recorrente atua como (i) despachante aduaneiro de forma a realizar, em nome de deus clientes, os trâmites necessários para a importação de mercadorias no território nacional e (ii) agente de cargas nas áreas de transporte aéreo e marítimo, visando facilitar o acesso de seus clientes aos prestadores de serviço de transporte, com o intuito de operacionalizar a exportação e importação de mercadorias. As duas atividades podem ser realizadas de forma conjunta para o mesmo cliente ou individualmente, a depender da relação contratual e do desejo do cliente em cada operação. Ademais, afirma que não é transportadora e que, em nenhuma de suas atividades, atua como transportadora. Resume suas atividades em: (i) desembaraço aduaneiro; (ii) agente de cargas no transporte aéreo; e (iii) agente de cargas no transporte marítimo, o que será explicado em tópicos distintos. a) Despachante aduaneiro A primeira atividade exercida pela Recorrente envolve o despacho aduaneiro de mercadorias por conta e ordem de seus clientes, o que envolve desde a descrição exata da mercadoria e a indicação de sua classificação fiscal nos documentos fiscais, até o recolhimento dos tributos aduaneiros em nome dos importadores ou exportadores. Ela afirma que no desenvolvimento das atividades de despachante aduaneiro, ela atua em nome de seus clientes, representando-os perante as autoridades aduaneiras e perante as demais pessoas que atuam nos processos de importação e exportação. Tais atividades pressupõem, por sua natureza, o pagamento, pela recorrente, de custos e despesas que são dos clientes dela, mas que transitam pelo patrimônio da recorrente justamente por conta dessa atividade. A Recorrente alega que a decisão novamente negligenciou a documentação juntada pela recorrente quando afirmou que na atividade de desembaraço aduaneiro “não se verifica a hipótese de contratação de terceiros”, o que resta claro na operação em comento, e nas demais operações de desembaraço aduaneiro analisadas pela PwC, nas quais é evidente a existência de despesas suportadas pela recorrente em nome de seus clientes. b) Agente de cargas no transporte aéreo A Recorrente afirma que é agente de cargas, mas não é transportadora de cargas, demonstra tal fato por meio de ato da Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC - , que publica os atos por meio dos quais concede autorização para as pessoas jurídicas operarem no transporte aéreo. Ela explica que o agenciamento de cargas é atividade típica, regulada pelo Decreto-lei n. 37, de 18.11.1966, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com força de lei, que envolve justamente a intermediação na contratação de transportes, bem como as atividades de consolidação e desconsolidação de cargas, além de outros serviços conexos. A Recorrente afirma, segunda sua interpretação, que é impossível uma mesma pessoa jurídica cumular as funções de agente de cargas e transportador sob uma ótica regulatória. c) Agente de cargas no transporte marítimo A Recorrente afirma que as considerações quanto ao transporte aéreo devem ser utilizadas no que concerne ao transporte marítimo e demonstra ato da Agência Nacional de Transportes Aquaviários - ANTAQ - que não possui autorização para operar transporte marítimo. Continua em longa argumentação na tentativa de demonstrar que sua atividade econômica é ser agente de carga e não prestar o serviço de transporte, propriamente dito, mas apenas intermediar a sua contratação. Por fim, a Recorrente enfatiza que não presta serviço de transporte e tenta, mais uma descrever, o modus operandi das suas atividades, transcrevendo a solução de Consulta nº 257, de 26 de setembro de 2014. Alega também que a ciência contábil e o direito positivo pertencem a esferas distintas e independentes, de modo que um mesmo dado fático pode ser conhecido diversamente por um e por outro, uma vez que o processo de conhecimento pauta-se por pressupostos distintos em cada uma das esferas. Em suma, o direito positivo e a ciência contábil possuem formas autônomas de processar os dados fáticos captados na realidade social. A Fazenda Nacional em suas contrarrazões, seguindo a mesma linha de raciocínio da fiscalização e do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, afirma que os valores, que transitaram pelas contas da Recorrente, correspondem ao seu faturamento, e, portanto, devem ter a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Ademais, reafirma que a Recorrente presta serviço de transporte. 3.2.2. Da necessidade de conversão em diligência Por meio da análise dos contratos, apresentados quando da conversão do feito em diligência pela autoridade julgadora de primeira instância, percebe-se que a grande maioria deles envolve tão somente a atividade de despachante aduaneiro ou agenciamento de cargas, vide um pequeno resumo dos contratos apresentados: 1. Contrato Embraer Objeto do contrato: CLÁUSULA SEGUNDA - OBJETO 2.1 A Contratada realizará para a Embraer serviços de logística internacional de forma a suportar as exportações das Mercadorias da Embraer do Brasil até o país onde se encontra o Destinatário Final das Mercadorias ("Serviços"). Os Serviços ora Contratados estão detalhadamente descritos no Anexo I ao presente Contrato. 2.1.1 As principais atividades logísticas compreendidas nos Serviços a serem realizadas pela Contratada, conforme detalhado no Anexo I, são: (i) controle e administração de toda documentação necessária para os processos de exportação; (ii) agenciamento das Mercadorias; (iii) transporte doméstico das Mercadorias no Brasil; (iv) desembaraço aduaneiro das Mercadorias para exportação; (v) transporte internacional das Mercadorias; (vi) desembaraço aduaneiro das Mercadorias no destino de entrega; (vii) transporte doméstico das Mercadorias no destino de entrega; e (viii) desenvolvimento e/ou customização de um sistema para suportar toda a operação logística descrita nos itens acima. CLÁUSULA TERCEIRA - PREÇO E PAGAMENTO 3.2. Em tal preço estão compreendidos todos os tributos incidentes ou que venham a incidir sobre as atividades, receitas e quaisquer eventos direta ou indiretamente decorrentes deste Contrato, bem como, quaisquer despesas da Contratada, relacionadas à execução do objeto deste Contrato. 2. Contrato Avon Objeto do contrato: CLÁUSULA SEGUNDA - OBJETO O objetivo do Presente Contrato é a prestação do serviço de logística internacional (daqui a diante denominado simplesmente "OS SERVIÇOS") para mercadorias e documentos indicados pela AVON, a serem executados pela KUEHNE+NAGEL; desde que sejam de lícito comércio e que não sejam considerados suspensos ou controlados, observadas as especificidades do transporte aéreo internacional.. Esses serviços consistem, de maneira enunciativa e de nenhuma forma taxativa, em: Recolher a mercadoria a transportar; Gestão dos serviços de Alfandega em portos de origem, trânsito e destino; Transporte; Consolidação e Desconsolidação; Entrega da dita mercadoria / documentos. 3. Contrato Azaléia Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 4. Contrato Blue Anchor Line Objeto do contrato: A Recorrente contratou a empresa Blue Anchor Line para que esta realize o serviço de transporte. 5. Contrato Furukawa Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 6. Contrato CJD do Brasil Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 7. Contrato Lojas Renner Objeto do contrato: Cláusula 01a: Constitui objeto do presente contrato, pelo qual fica a parte CONTRATADA obrigada, a prestação de serviços de contratação de transporte internacional de mercadoria objeto de importação/exportação por via aérea, marítima e/ou terrestre, diretos e/ou consolidados, incluindo o licenciamento de documentos e todas as providências aduaneiras, conforme cada caso, na modalidade "porta a porta" (door to door). Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro 8. Contrato Milenia Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 9. Contrato Pride Objeto do contrato: 1. Objeto 1.1 É objeto deste instrumento a prestação, pela Contratada, de serviços de desembaraço aduaneiro e de transporte nacional, realizando os serviços de coordenação de processos, despachos e desembaraços aduaneiros e coordenação de embarques nacionais, em conformidade com a legislação em vigor no País, doravante designados simplesmente Serviços. 10. Contrato Roberto Bosch Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro 11. Contrato Sadia Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro 12. Contrato Usiminas Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro 13. Contrato Tramontina Objeto do contrato: 2. ESCOPO GEOGRÁFICO E OBJETO O presente Contrato tem como objeto a prestação de serviços de agenciamento de transporte marítimo de cargas pela Contratada, cobrindo o transporte de carga dos pontos ou portos de origem até o os pontos ou portos de destino estabelecidos no Anexo I do presente instrumento Com exceção dos contratos apresentados pela Recorrente com a Embraer, Avon e Pride, dos quais se pode concluir que há prestação de serviço de transporte, os demais se apresentam como contratos de prestação de serviço aduaneiro ou de agenciamento de cargas. O resultado da diligência, fls. 19491/19495, não trouxe um resultado conclusivo acerca de tais tipos de contrato e se o faturamento da Recorrente compreendeu todo o fluxo financeiro, que transitou por suas contas bancárias, ou se trata em parte do fluxo financeiro de suas contratantes, receita que pertenceriam, por exemplo, à empresa que, efetivamente, realizou o serviço de transporte. A fiscalização seja no Termo de Verificação Fiscal, bem como no resultado da diligência, não realizou uma segregação das receitas por atividade - despachante aduaneiro, agenciamento de carga, prestação de serviço - , o que acaba trazendo dificuldades na apreciação das alegações da Recorrente e da Fazenda Pública. Em razão do volume probatório, bem como do laudo anexado, elaborado pela PwC, converto, novamente, o feito em diligência, com a finalidade de assegurar o respeito ao princípio da verdade material, a fim de que a fiscalização segregue as receitas da Recorrente por tipo de atividade - despachante aduaneiro, agente de cargas, prestação de serviços de transporte - e: 1. Que seja separada a partir da contabilidade da Recorrente as seguintes operações: 1.1. Atividade de despachante aduaneiro: Quais são os custos e despesas - inclusive tributos reembolsados - que são dos clientes da Recorrente, ou seja, mas que transitaram pelo patrimônio da recorrente justamente por conta dessa atividade e aquilo que é referente à remuneração dos serviços de despachante; Quais são os custos e despesas, que foram pagos pela Recorrente, mas que foram reembolsados pelos seus clientes, decorrentes dos contratos da atividade de despachante aduaneiro; 1.2. Agente de cargas 1.2.1. Aspecto geral Que sejam identificados os valores recebidos pela Recorrente e repassados, por conta e ordem dos clientes, às empresas que efetivamente prestaram os serviços de transporte e as demais despesas pagas, por conta e ordem dos clientes, com recursos recebidos pela recorrente, como despesas de armazenagem, demurrage e outras comissões de terceiros. 1.2.2. Agentes de cargas de transporte aéreo: Nos contratos de agente de cargas de transporte aéreo, sem a prestação do serviço de transporte, que seja identificado quais os valores que transitaram pelo patrimônio da Recorrente, mas que são referentes ao pagamento de serviço de transporte aéreo, que não foi prestado por ela; 1.2.3. Agente de cargas de transporte marítimo: Nos contratos de agente de cargas de transporte marítimo, sem a prestação do serviço de transporte, que seja identificado quais os valores que transitaram pelo patrimônio da Recorrente, mas que são referentes ao pagamento de serviço de transporte marítimo, que não foi prestado por ela; 2. Caso a fiscalização conclua que não há dentro da contabilidade da Recorrente, valores que sejam de terceiros, sendo todos os valores, próprios da Recorrente, que seja verificado quanto às supostas receitas de exportação, alegadas pela Recorrente em seu recurso voluntário, se eles efetivamente existiram. Portanto, em caso de não haver receitas de terceiros, que seja identificado se existem na contabilidade da Recorrente, receitas advindas da exportação e que foram comprovadas por meio de ingresso de divisas. 3. Por fim, solicita-se a verificação das tabelas postas no Recurso Voluntário, fls. 19844/19847. 4. Caso a fiscalização, entenda que para a realização da diligência é necessária a intimação da Recorrente para apresentar dados necessários, que assim o faça; 5. Que os fundamentos da diligência, apresentados na brilhante declaração de voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, sejam apreciados e que a diligência, por ele proposta, seja realizada em conjunto com a diligência aqui proposta; 6. Que a contribuinte seja cientificada dessa decisão e do relatório final do resultado da diligência e possa, em cada caso, apresentar sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Ao final, seja o processo encaminhado à consideração do CARF. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza

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3302­000.577  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  30 de março de 2017  Assunto  AUTO DE INFRAÇÃO ­ PIS/COFINS  Recorrente  KUEHNE+NAGEL SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Na  reunião  realizada  em  fevereiro  de  2017,  por  unanimidade  de  votos,  foi  rejeitada a preliminar de nulidade da decisão recorrida.  Por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência.   O Conselheiro José Fernandes do Nascimento fará declaração de voto.  Fez sustentação oral o Dr. Bruno Fajersztajn, OAB nº 206.899  (assinatura digital)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente   (assinatura digital)  Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza ­Relatora   Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros:  Ricardo  Paulo  Rosa,  José  Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa  Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza  e Walker Araujo.           RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 00 3/ 20 13 -5 9 Fl. 26963DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se da análise de Recursos de Ofício e Voluntário, que teve como origem  auto de  infração, que  a partir  do Termo de Verificação Fiscal,  que embasou o  referido  auto,  extrai­se, fls. 679/6831:  4 ­ Com base nos documentos fornecidos pelo sujeito passivo na data  de 07/06/2013 em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação  Fiscal N° 01 cientificado ao contribuinte em 26/03/2013, constatamos  que  a  empresa  exclui  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  os  valores  por  ela  considerados  como  adiantamentos  por  parte  de  seus  clientes,  justificando  que  apenas  os  repassa  para  os  efetivos  prestadores  e  que  emite  nota  de  débito  ao  cliente  final  com  o  demonstrativo  dos  pagamentos  e  o  valor  de  seu  serviço  de  intermediação.  Esta fiscalização entende que os recebimentos, tratados acima, não se  caracterizam  como  meros  repasses,  pois  transitaram  pelas  contas  bancárias  do  intermediário,  e  não  se  caracterizam  como  depósitos,  porque  o  sujeito  passivo  não  é  uma  instituição  financeira  e  que  nas  operações  nas  quais  atue  como  intermediária,  distribuindo  ou  comercializando produtos ou serviços por permissão ou concessão de  terceiros, juntamente com outros serviços por ela própria prestados, a  quantia total que receber dos adquirentes dos respectivos produtos ou  serviços,  apropriada em suas contas do Ativo Circulante  (e.g.: Caixa  ou Bancos Conta Movimento), constitui sua receita, devendo integrar a  base de cálculo da contribuição por ela devida, como reconhecido na  sua Demonstração de Resultados nas contas:  (...)  Lavramos  o  competente  Auto  de  Infração,  processo  n°.  19515.722.003/2013­59,  referente  à  Incidência  Não­Cumulativa  Padrão, Omissão de Receita Sujeita à Contribuição para o PIS/PASEP  e  Omissão  de  Receita  Sujeita  à  COFINS  em  consonância  com  os  dispositivos legais mencionados no Auto de Infração e neste Termo de  Verificação / Relatório Fiscal, aplicando­se as alíquotas determinadas  para base de cálculo demonstrada abaixo:  (...)  Do  relatório  da  DRJ/Ribeirão  Preto,  fls.  19662/19670,  retiram­se  trechos  que  demonstram a argumentação, apresentada pela Recorrente, em sua impugnação:  No mérito, argumenta que:  o  entendimento  da  DEFIS/SPO,  parte  de  uma  premissa  equivocada,  pois,  independentemente  do  procedimento  contábil  adotado  pela  Impugnante, o fato é que os valores exigidos nos autos de infração ora  impugnados  não  integram  a  receita  bruta  da  Impugnante  sujeita  à  incidência do PIS e da COFINS, motivo pelo qual não há sequer que se  falar, propriamente, em exclusão, uma vez que esse valor não compõe  receita bruta e não precisa dela ser excluído.                                                              1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao e­processo.  Fl. 26964DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 4          3 Assim,  pouco  a  importa  a  existência  ou  não  de  base  legal  para  a  exclusão  de  receitas  de  terceiros  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS, pois, a todo rigor, não se trata de exclusão, mas, sim, de não  inclusão (...)  Para  a  adequada  compreensão  da  natureza  jurídica  dos  ingressos  financeiros que transitam pela escrituração contábil da Impugnante, é  absolutamente  necessário  que  os  fatos  relacionados  à  atividade  econômica sejam devidamente considerados, motivo pelo qual se passa  a relatá­los, nos limites necessários para a presente defesa.  Pois  bem.  Atividade  desenvolvida  pela  Impugnante  está  inserida  no  contexto do transporte internacional de cargas, embora com transporte  não se confunda, como será demonstrado na presente defesa.  (...)  A  Impugnante  atua  justamente  no  sentido  de  simplificar  toda  essa  complexidade, ou seja, ela atua junto a seus clientes com o objetivo de  facilitar o transporte realizado por terceiros, tornando­o mais prático,  ágil e econômico para seus clientes.  Nesse  contexto,  a  Impugnante  tem  por  objeto  social  a  prestação  de  serviços  de  logística  relacionados  ao  transporte  de  carga.  No  desenvolvimento  de  sua  atividade  econômica,  a  Impugnante  desempenha,  dentre  outras  possíveis  atividades  previstas  em  seu  contrato social, essencialmente as seguintes funções:  Em suma, as atividades desenvolvidas pela Impugnante no exercício de  sua  atividade  empresarial  podem  ser  divididas  em  quatro  subáreas  principais:  1) serviços de logística.  2) intermediação de contratação de transportes.  3) agenciamento de cargas.  4) despacho aduaneiro.  (...)  A partir da breve descrição acima, é possível concluir que a atividade  econômica  desenvolvida  pela  Impugnante  é  complexa,  na medida  em  que  envolve  o  exercício  conjunto  de  diversas  operações  relacionadas  ao  transporte  de  mercadorias,  todas  elas  com  intuito  de  viabilizar  o  transporte, sem, contudo, confundir­se com o transporte.  Portanto,  não  há  qualquer  dúvida  de  que  a  Impugnante  não  desempenha o serviço de transporte, mas apenas atividades correlatas,  nas  áreas  de  agenciamento  e  logística.  O  serviço  de  transporte  de  carga é efetivamente prestado por empresas especializadas, ficando a  Impugnante  responsável  exclusivamente  pela  logística,  intermediação, agenciamento e despacho aduaneiro.  (...)  Fl. 26965DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 5          4 Assim, a contraprestação de sua atividade corresponde exclusivamente  à  comissão  de  intermediação  recebida,  ainda  que,  por  questões  operacionais, a Impugnante figure como responsável pelo recebimento  do  valor  total,  para  posterior  repasse  aos  terceiros  que  efetivamente  prestam os serviços de transporte e armazenagem.  (...)  Neste ponto, cabe esclarecer,  também, que o cômputo das receitas de  terceiros  no  faturamento  da  Impugnante,  para  posterior  repasse  aos  terceiros  envolvidos,  é  medida  que  atende  a  uma  necessidade  do  mercado, facilitando o relacionamento entre as partes, uma vez que a  estratégia definida para o transporte da mercadoria desde a origem até  o  seu  destino  pode  envolver  inúmeras  etapas,  consistentes  na  articulação de vários meios de transporte.  Observe­se que, como já exposto, a atividade do operador logístico se  desenvolve  por  conta  das  dificuldades  que  envolvem  o  transporte  de  mercadorias. Assim, é certo que o cliente não tem interesse em realizar  um  pagamento  para  cada  empresa  envolvida  no  transporte  ou  armazenagem,  preferindo  centralizar  as  operações  na  empresa  responsável pela atividade de logística, como é o caso da Impugnante.  Um  exemplo  concreto  facilitará  a  compreensão.  Como  não  desempenha  serviço  de  transporte, mas  apenas  atividades  correlatas,  nas  áreas  de  agenciamento  e  logística,  a  Impugnante  emite  ao  seu  cliente  uma  nota  de  débito,  na  qual  discrimina  tanto  os  valores  recebidos por conta e ordem de terceiros (as empresas que prestam os  serviços  de  transporte),  quanto  os  valores  correspondentes  às  suas  receitas  próprias,  provenientes  dos  serviços  de  agenciamento  e  logística.  Diante  do  cenário  acima,  é  possível  perceber  que  o  cerne  da  divergência  entre  a  receita  bruta  informada  na  DACON  e  a  receita  bruta  registrada  na  escrituração  contábil  decorre  justamente  do  ingresso financeiro de valores com naturezas jurídicas distintas:  (i)  remuneração  recebida  pela  Impugnante  pelos  serviços  de  intermediação e logística;  (ii)  ingressos  financeiros  relativos  serviços  de  transportes  prestados  por  terceiros,  na  operação  intermediada  pela  Impugnante;  e  (iii)  tributos  e  outras  tarifas  aduaneiras  devidos  pelos  clientes  da  Impugnante,  cujos  valores  são  repassados  pelos  clientes  para  a  Impugnante  para  que  ela  proceda  ao  seu  pagamento  junto  às  autoridades arrecadadoras.  (...)  Os  elementos  que  comprovam  a  efetiva  transferência  dos  recursos  financeiros para os terceiros, seus legítimos titulares, são os seguintes:  (i) Recibos de prestações de serviços;  (ii)  Notas  fiscais  de  prestações  de  serviços  emitidas  por  agentes  marítimos,  companhias  aéreas,  armazéns,  transportadores;  terminais  portuários  e  aeroportuários,  dentre  outros  prestadores  de  serviços;  e  Fl. 26966DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 6          5 (iii) Faturas comerciais referentes a fretes internacionais emitidas por  pessoas jurídicas estabelecidas no exterior.  Além  dos  documentos  citados  acima,  os  lançamentos  contábeis  efetuados  pela  Impugnante,  bem  como  os  contratos  de  câmbio  e  os  extratos  bancários  comprovam  cabalmente  o  efetivo  repasse  dos  recursos para os terceiros.  (...)  Ora, por meio da aplicação dessa definição aos ingressos  financeiros  que  ocorrem  nas  contas  bancárias  da  Impugnante,  percebe­se  que  somente  é  possível  atribuir  a  natureza  de  receita  à  remuneração  relativa à prestação dos serviços de logística, porque somente esta se  integra  ao  patrimônio  da  Impugnante  sem  reserva,  condição  ou  compromisso no passivo, acrescendo­o como elemento novo e positivo,  que passa a lhe pertencer com sentido de permanência, remunerando­a  por benefício efetivamente resultante de suas atividades em proveito da  cliente, de cujo patrimônio ela provém.  (...)  A  Impugnante  demonstrou,  à  exaustão,  que  os  valores  recebidos  por  conta e ordem de  terceiros, no contexto de sua atividade, de fato não  integra a base de cálculo das contribuições em questão.  Isto vale para a totalidade dos montantes exigidos pela fiscalização no  caso dos autos.  Ocorre  que,  em  relação  aos  tributos  e  tarifas  aduaneiras  que  a  Impugnante recolhe em nome de seus clientes, a ausência de natureza  jurídica de receita é ainda mais evidente. Mesmo se a Impugnante fosse  efetiva  transportadora  de  cargas  e  subcontratasse  outras  transportadoras para a prestação desse  serviço, o que não ocorre no  presente caso, ainda assim, de forma alguma haveria que se cogitar de  tais valores serem consideradas receitas dela.  (...)  Assim,  os  ingressos  registrados  na  conta  contábil  3050002,  no  valor  total de R$ 114.160.106,87,  têm natureza jurídica de mera devolução  ou  adiantamento  (conforme o  caso)  de  tributos  que  foram  recolhidos  por conta e ordem de terceiros.  (...)  Subsidiariamente, caso sejam mantidos os autos de  infração de PIS e  COFINS  ora  combatidos,  o  que  se  admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  a  Impugnante  ressalta  que  a  fiscalização  deve  descontar,  a  título de  créditos de PIS  e COFINS não­cumulativos,  os  valares  (sic)  pagos  às  empresas  transportadoras,  dado  seu  enquadramento  no  conceito  de  "serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços"  (artigo  3º,  inciso  II,  das  Leis  n°.  10637,  de  30/12/2002, e 10833, de 29/12/2003).  (...)  Fl. 26967DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 7          6 Subsidiariamente,  caso  sejam  mantidos  ­  total  ou  parcialmente  ­  os  autos de  infração de PIS e COFINS ora combatidos, o que se admite  apenas para fins de argumentação, a Impugnante ressalta que deve ser  prontamente afastada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de  ofício, diante da ausência de previsão legal expressa.  O  relatório  da DRJ/Riberão  Preto  ainda  retrata  que  o  feito  foi  convertido  em  diligência, fls. 19670:  Examinados os autos nesta  instância administrativa,  foi  o  julgamento  transformado em diligência por meio da Resolução nº 2.902, de 16 de  maio  de  2014,  a  qual  solicitou  à  autoridade  jurisdicionante  que  intimasse a contribuinte a apresentar os contratos  firmados com seus  clientes mais significativos, além de determinar a existência e montante  de eventuais créditos da não cumulatividade.  Há, posteriormente, o relatório, resultado da diligência fiscal, fls. 19491/19495,  com a modificação do lançamento em relação aos créditos, referentes a insumos, cuja ciência  houve por parte da contribuinte e, mais uma vez, retira­se do relatório da DRJ/Ribeirão Preto a  informação  sobre  a  manifestação  da  Recorrente,  após  o  resultado  da  diligência,  fls.  19670/19673:  Notificada do resultado da diligência,  tendo em vista o novo contexto  fático em que se encontra o presente processo, a requerente pede vénia  (sic) para tecer considerações complementares, as quais sintetizam as  razões  pelas  quais  os  autos  de  infração  sub  judice  devem  ser  cancelados. Vejamos.  Como  se  sabe,  a  requerente  vem  sustentando  que,  em  razão  de  sua  particular atividade ­ agente de cargas ­, recebe recursos em seu caixa  que  não  correspondem  à  remuneração  pelos  serviços  por  ela  prestados,  figurando  tais valores como receitas de  terceiros, as quais  não  podem  estar  sujeitas  à  incidência  das  contribuições  ao  PIS  e  COFINS. (...)  Não há controvérsia em relação a tais fundamentos, eis que a distinção  entre  o  "agente  de  carga"  e  o  "serviço  de  transporte  de  carga"  foi  objeto de manifestação da Coordenação Geral de Tributação (COSIT),  por  ocasião  da  Solução  de  Consulta  n°  257,  de  26/09/2014,  a  qual,  embora emitida a propósito do SISCOSERV, identificou com precisão  as características de cada uma das atividades desenvolvidas no âmbito  do  comércio  internacional  e  respectivos  sujeitos,  sendo  por  isso  inteiramente aplicável ao presente caso.  (...)  Enquanto o consolidador e o transportador são efetivos prestadores de  serviço  de  transporte,  devendo  emitir  o  referido  conhecimento,  o  agente  é  mero  representante,  agindo  em  nome  do  remetente  ou  destinatário  dos  bens  ou  do  consolidador  ou  ainda  do  transportador  efetivo, sem, contudo, emitir conhecimento de transporte.  (...)  Fl. 26968DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 8          7 3.2.2.  Isenção  /  Imunidade  sobre  as  receitas  de  exportação  Não  bastasse  a  isenção  sobre  receitas  de  transporte  internacional  de  cargas, também não se deve olvidar que uma considerável parcela dos  valores  exigidos  da  requerente,  ainda  que  fossem  receitas  próprias  dela,  não  seriam  tributadas,  porque  decorrem  de  exportações  de  serviços, conforme dispõem os arts. 5º, inciso II, e 6º, inciso II, das Leis  nº. 10637/02 e nº. 10833/03.  (...)  3.2.3.  Os  tributos  pagos  em  nome  dos  clientes  da  requerente  Vale  consignar que parte dos valores objeto da exigência  fiscal  sub  judice  corresponde  ao  reembolso  de  despesas  referentes  aos  tributos  incidentes  na  importação de mercadorias,  os  quais  foram pagos  pela  requerente em nome de seus clientes.  (...)  3.2.4.Créditos no regime não cumulativo Após analisar os documentos  apresentados no curso da diligência, a d. autoridade fiscal responsável  confirmou  a  existência  e  a  magnitude  dos  créditos  pleiteados,  reduzindo  consideravelmente  a  exigência  fiscal.  Incontroverso,  portanto, o direito ao creditamento, eis que reconhecido pela própria  autoridade autuante.  Sobreveio, então, a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, cuja ementa é colacionada  abaixo, com decisão parcialmente procedente à contribuinte:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Ano­calendário:  2009  BASE  DE  CÁLCULO. RECEITAS. SERVIÇOS.  Aferido,  a  partir  dos  contratos  firmados  pela  contribuinte  com  seus  clientes, que houve prestação de serviços de transporte, a remuneração  correspondente  integra  a  base  tributável  pelas  contribuições.  Nessas  condições,  não  prevalece  a  tese  de  meros  repasses  a  terceiros,  mas  configura­se auferimento de receitas próprias.  APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CÔMPUTO.  Os créditos da sistemática não cumulativa, apurados em procedimento  de diligência, devem ser levados em conta na determinação do crédito  tributário exigível.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP  Ano­calendário:  2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. SERVIÇOS.  Aferido,  a  partir  dos  contratos  firmados  pela  contribuinte  com  seus  clientes, que houve prestação de serviços de transporte, a remuneração  correspondente  integra  a  base  tributável  pelas  contribuições.  Nessas  condições,  não  prevalece  a  tese  de  meros  repasses  a  terceiros,  mas  configura­se auferimento de receitas próprias.  APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CÔMPUTO.  Fl. 26969DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 9          8 Os créditos da sistemática não cumulativa, apurados em procedimento  de diligência, devem ser levados em conta na determinação do crédito  tributário exigível.  Irresignada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 19748/19855, onde  repisou a argumentação da impugnação e da manifestação após a diligência.  Há  recurso  de  ofício,  de  acordo  com  o  art.  34  do Decreto  nº  70.235,  de  6  de  março  de  1972,  e  alterações  introduzidas  pela  Lei  nº  9.532,  de  10  de  dezembro  de1997,  e  Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário.  A  Procuraria  Geral  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  voluntário, fls. 26902/26925.  É o relatório.  Voto   Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora   1. Dos requisitos de admissibilidade   A ciência do  acórdão, para  interposição do  recurso voluntário, ocorreu em 13  de agosto de 2015, fls. 19735, e a solicitação de juntada do recurso foi em 29 de setembro de  2015,  fls.  19747,  mas  a  auditora  concedeu  efeitos  retroativos  ao  referido  recurso.  Trata­se,  portanto, de recurso tempestivo e que merece ser analisado por este colegiado.  2. Recurso Voluntário   2.1. Da preliminar   2.1.1. Nulidade da decisão recorrida   A Recorrente pleiteia pela nulidade da decisão recorrido e argumenta, in verbis,  fls. 19755:  (...)  a  decisão  ora  atacada  ignorou  praticamente  a  íntegra  da  documentação  colacionada,  e,  consequentemente,  da  argumentação  articulada, para, baseada em trechos isolados de documentos juntados  aos  autos,  interpretados  fora  de  seu  contexto,  decidir  pela  improcedência  da  maior  parte  da  impugnação  ofertada  pela  ora  recorrente.  Continua em sua linha de raciocínio, fundamentando que houve desrespeito aos  princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Ademais, argumenta que não  houve  análise  das  provas,  configurando  cerceamento  do  direito  de  defesa,  e  realiza  uma  planilha, fls. 19755/19759, demonstrando os pontos que a DRJ/Ribeirão Preto não analisou ou  analisou indevidamente e conclui que a decisão de primeira instância possui vício de cognição  superficial.  Suscita  que  a  DRJ/Ribeirão  Preto  selecionou  trechos  dos  contratos  com  a  Embraer e a Avon para demonstrar que sua atividade é de transporte e não de agenciamento  de  carga  e  despachante  aduaneiro,  contrapõe  tais  fatos,  fundamentando  em  cláusulas  Fl. 26970DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 10          9 contratuais. Afirma que  recebe valores que não  constituem  receitas de  sua  atividade própria.  Continua, em longa argumentação, a mostrar incoerências na decisão da DRJ/Ribeirão Preto e  faz  prova  de  que  sua  atividade  é  agenciamento  de  carga  e  não  prestação  de  serviço  de  transporte, mas a mera contratação deste.  Há  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  fls.  26905,  que  demonstra  o  antigo  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  de  que  o  julgador  não  é  obrigado  a  rebater,  um  a  um,  os  argumentos  apresentados  pelo  recorrente,  posteriormente,  colaciona precedentes deste Egrégio Tribunal Administrativo.  A  Procuradoria  da  Fazenda  alega  que  a  decisão  da DRJ/Ribeirão  Preto  não  é  nula, demonstrando o cuidado do julgador em converter o feito em diligência para averiguar a  real  natureza  dos  serviços  prestados  pela  Recorrente  e,  mais  adiante,  a  Fazenda  Nacional  colaciona trechos da decisão para demonstrar que a decisão de primeira instância não é nula.  Por  fim, alega que a própria Recorrente entra em contradição em seu  recurso voluntário,  fls.  19766, quando expõe e solicita pela improcedência da preliminar de nulidade.  Trecho do Recurso Voluntário, fls. 19766, que a Procuradoria da Fazenda alega  contradição:  Os  contratos  são  instrumentos  formais  firmados  com  o  objetivo  de  definir  obrigações  das  partes,  mas  eles  não  atestam  exatamente  as  atividades executadas no seu bojo, eis que é inegável que a prática das  partes  se  sobrepõe  aos  termos  formais  das  cláusulas  contratuais.  Assim,  para  verificar  a  real  atividade  prestada  pela  recorrente,  a  decisão deveria checar os fatos que efetivamente permearam a relação  contratual  e  não  apenas  cláusulas  aleatórias  dos  instrumentos,  as  quais, ressalte­se,  foram interpretadas de  forma isolada e literal,  sem  levar  em  consideração  o  resultado  da  interpretação  harmônica  do  contato  como um  todo,  ou mesmo as  atividades  que  realmente  foram  desenvolvidas.  Pela  análise  dos  autos,  percebe­se,  realmente,  um  cuidado  pelo  julgador  de  primeira  instância, que por meio da  resolução nº 2.902, de 16 de maio de 2014, converteu o  feito em diligência com o objetivo de possuir um melhor material probatório para formar a sua  convicção, fls. 19429/19430, vide trechos da referida resolução:  Vê­se que a discussão é similar à que se desenvolve no presente caso e  que existe a hipótese de que a controvérsia seja solucionada no sentido  de  que  o  faturamento  da  autuada  não  compreenda  todo  o  fluxo  financeiro que transitou por suas contas bancárias mas tão só aquele  que remunera os serviços que prestou.  Não  obstante,  tal  desfecho  depende  da  demonstração  cabal  de  que  parte  dos  recursos  financeiros  representem  efetivamente  faturamento  de terceiros contratados em nome dos clientes. Porém, a documentação  juntada  aos autos  não  permite  que  se  firme a  convicção  seja  da  tese  fiscal, seja da tese da defesa.  Na busca da efetiva composição da base de cálculo da autuada, falta à  documentação juntada aos autos a demonstração da relação existente  entre a autuada e as empresas a quem prestava e/ou de quem tomava  serviços. Mais  especificamente,  indaga­se  se  os  serviços  de  terceiros  Fl. 26971DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 11          10 estariam  englobados  nos  serviços  vendidos  aos  seus  clientes  ou  se  seriam, como alega a defesa, simples repasses em função de relações  contratadas  entre  seus  clientes  e  os  terceiros,  atuando  a  impugnante  como simples intermediária.  Os  documentos  trazidos  aos  autos,  seja  pela  fiscalização  ou  pela  contribuinte, não permitem estabelecer com grau apreciável de certeza  a natureza das relações comerciais envolvidas na composição da base  de  cálculo.  E  o  aprofundamento  da  investigação  nesta  instância  administrativa requer o exame dos contratos que formalizam a relação  entre  a  autuada  e  as  empresas  para  as  quais  comercializa  seus  serviços, contratos esses que não estão nos autos.  Sendo  assim,  voto  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência para que a autoridade jurisdicionante intime a contribuinte  a:  a)  apresentar  os  contratos  relativos  às  operações  cujos  documentos  foram juntados à impugnação;  b)  apresentar  os  contratos  relativos  aos  serviços  prestados  aos  seus  cinco clientes mais significativos em volume financeiro;  c)  apresentar  amostra  representativa  dos  documentos  fiscais  que  retratam  o  faturamento  auferido  pela  contribuinte  a  partir  de  suas  atividades (especialmente, as notas fiscais emitidas).  A contribuinte reivindica, ainda, aproveitamento dos créditos próprios  do regime de apuração não cumulativo, item cujo cômputo não aparece  explicitado  pela  autoridade  fiscal.  Em  razão  disso  e  no  interesse  da  determinação do montante devido em função do regime de apuração a  que se submete a autuada, requer­se que a autoridade:  a)  manifeste­se  acerca  da  existência  e  magnitude  dos  créditos  pretendidos  a  partir  do  demonstrativo  juntado  às  fls.  783/784,  intimando, se entender necessário, o contribuinte para apresentação de  comprovantes.  Ao  fim,  elabore  relatório  circunstanciado  sobre  os  resultados  da  diligência e seus efeitos sobre o crédito lançado.  Além  do  preciosismo  do  julgador,  diferentemente,  do  alegado  no  recurso  voluntário, na própria resolução, o julgador traz a informação sobre a existência de um laudo  de um parecer independente que embasa os fundamentos da Recorrente, fls. 19429:  Para  subsidiar  sua  argumentação,  a  contribuinte  traz  aos  autos  parecer  de  auditoria  independente  com  descrição  e  análise  de  suas  atividades  econômicas,  além  de  documentação  correspondente  a  algumas de suas operações.  Por meio da análise do acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, percebe­se que não há  nulidade  quanto  à  análise  das  provas,  sendo  que  há  manifestação  expressa  da  linha  hermenêutica, adotada pelo julgador, para considerar a atividade da Recorrente como logística,  mas também cumulada com a prestação de serviço de transporte de mercadorias, fls. 19673 e  seguintes:  Fl. 26972DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 12          11 Inobstante,  a  dinâmica  empresarial  permite  que  valores  possam  transitar  pela  contabilidade  ou  pelos  registros  bancários  da  empresa  sem  que  representem  faturamento  tributável  pelas  contribuições.  Faturamento, no que interessa ao presente voto, é retribuição por bens  comercializados  ou  serviços  prestados.  Não  correspondendo  a  qualquer  dessas  operações,  são  valores  que  não  compõem  a  base  de  cálculo das contribuições sociais.  No caso, a solução da controvérsia passa, necessariamente, por definir  que  serviços  foram  contratados  pelos  clientes  da  autuada,  para,  em  contrapartida,  definir  quais  são  suas  receitas  e,  consequentemente,  a  base  de  cálculo  das  contribuições.  Para  isso,  os  contratos  e  documentos representativos das operações realizadas pela contribuinte  são  os  elementos  essenciais  de  prova  e,  por  isso,  foram  pedidos  na  diligência solicitada à autoridade jurisdicionante.  (...)  Inicialmente, o Contrato Social da contribuinte abre a possibilidade de  que sejam exploradas tanto as atividades de agenciamento e logística  quanto  as  atividades  de  transportes  rodoviários  nacional  e  internacional, conforme reza a alínea “w” do seu objeto social.  E  o  que  se  vê  dos  contratos  juntados  aos  autos  é  que  a  autuada  prestava  aos  seus  clientes  tanto  os  serviços  de  logística  e  gerenciamento  de  documentos  em  operações  de  comércio  exterior  quanto os serviços de transporte de cargas em si.  (...)  Portanto, a contribuinte não mantinha contratos apenas de prestação  de serviços na área de logística e gestão de documentos, mas, também,  foi contratada para a prestação do próprio serviço de transporte. Por  sinal, como visto, a exploração de tal atividade obedece a um dos itens  de seu objeto social.  Importa notar que não se está aqui a negar a exploração da atividade  de agenciamento de cargas. Mas, pelos próprios documentos  trazidos  pela  contribuinte,  ficou  evidenciada  a  prestação  de  outros  tipos  de  serviços.  E para fundamentar a decisão que a Recorrente prestava também os serviços de  transporte, negado por ela, o julgador de primeira instância utiliza as cláusulas contratuais de  alguns dos contratos analisados, fls. 19675, uma vez que os contratos, anexados, são de várias  naturezas,  pela  análise  dos  autos,  percebe­se  que  alguns  prevêem  apenas  o  serviço  de  despachante aduaneiro, como o contrato firmado com a Azaléia, outros prevêem o serviço de  logística  cumulado  com  prestação  de  serviço  de  transporte,  como  o  da  Avon,  outros  que  prevêem  serviço  de  logística,  despachante  aduaneiro,  agenciamento  de  carga  e  transporte,  como o da Embraer. O julgador de primeira instância quis, ao considerar também a atividade  de  prestação  de  serviço  de  transporte,  realizada  pela  Recorrente,  exemplificar  com  algumas  cláusulas contratuais.  O  julgador não é obrigado a manifestar­se  sobre  todas  as provas  colacionadas  aos autos, em razão do volume do próprio processo, não há factibilidade em analisar todas as  Fl. 26973DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 13          12 provas existentes de um processo como o presente, para tal finalidade, o julgador de primeira  instância submeteu o processo para diligência.   O Superior Tribunal de Justiça inclusive já se posicionou quanto aos argumentos  apresentados  pelas  partes,  tendo  como  paradigma  o  Novo  Código  de  Processo  Civil,  vide  precedente:  "O  julgador  não  está  obrigado  a  responder  a  todas  as  questões  suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente  para  proferir  a  decisão.  A  prescrição  trazida  pelo  art.  489  do  CPC/2015  veio  confirmar  a  jurisprudência  já  sedimentada  pelo  Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas  enfrentar  as  questões  capazes  de  infirmar  a  conclusão  adotada  na  decisão recorrida."  (STJ;  1ª  Seção;  EDcl  no  MS  21.315­DF,  Rel.  Min.  Diva  Malerbi  (Desembargadora  convocada  do  TRF  da  3ª  Região),  julgado  em  08.06.2016)  Por  tal motivação,  nega­se  a  preliminar  suscitada  de  nulidade  do  acórdão  por  falta  de  fundamentação,  pois  ela  inexiste,  já  que  o  acórdão  da  DRJ/Ribeirão  Preto  está  devidamente fundamentado.  3.2. Do mérito   3.2.1. Atividades da Recorrente   A Recorrente entende que é necessária a descrição de suas atividades e diz em  síntese, fls. 19779, que:  existe  basicamente  para  intermediar  a  relação  de  seus  clientes  com  terceiros,  de  forma  a  facilitar  o  exercício  da  atividade  de  comércio  internacional, atuando na prestação de serviços conexos à importação  e  exportação  de  mercadorias.  Assim,  a  recorrente  atua  como  (i)  despachante aduaneiro de forma a realizar, em nome de deus clientes,  os trâmites necessários para a importação de mercadorias no território  nacional  e  (ii)  agente  de  cargas  nas  áreas  de  transporte  aéreo  e  marítimo, visando facilitar o acesso de seus clientes aos prestadores de  serviço de transporte, com o intuito de operacionalizar a exportação e  importação de mercadorias. As duas atividades podem ser  realizadas  de  forma  conjunta  para  o  mesmo  cliente  ou  individualmente,  a  depender  da  relação  contratual  e  do  desejo  do  cliente  em  cada  operação.  Ademais,  afirma  que  não  é  transportadora  e  que,  em  nenhuma  de  suas  atividades, atua como transportadora. Resume suas atividades em: (i) desembaraço aduaneiro;  (ii) agente de cargas no transporte aéreo; e (iii) agente de cargas no transporte marítimo, o que  será explicado em tópicos distintos.  a) Despachante aduaneiro   A primeira atividade exercida pela Recorrente envolve o despacho aduaneiro de  mercadorias  por  conta  e  ordem  de  seus  clientes,  o  que  envolve  desde  a  descrição  exata  da  Fl. 26974DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 14          13 mercadoria e a indicação de sua classificação fiscal nos documentos fiscais, até o recolhimento  dos tributos aduaneiros em nome dos importadores ou exportadores.  Ela afirma que no desenvolvimento das atividades de despachante aduaneiro, ela  atua em nome de seus clientes, representando­os perante as autoridades aduaneiras e perante as  demais  pessoas  que  atuam  nos  processos  de  importação  e  exportação.  Tais  atividades  pressupõem, por sua natureza, o pagamento, pela recorrente, de custos e despesas que são dos  clientes  dela,  mas  que  transitam  pelo  patrimônio  da  recorrente  justamente  por  conta  dessa  atividade.  A  Recorrente  alega  que  a  decisão  novamente  negligenciou  a  documentação  juntada  pela  recorrente  quando  afirmou  que  na  atividade  de  desembaraço  aduaneiro  “não  se  verifica a hipótese de contratação de terceiros”, o que resta claro na operação em comento, e  nas demais operações de desembaraço aduaneiro analisadas pela PwC, nas quais é evidente a  existência de despesas suportadas pela recorrente em nome de seus clientes.  b) Agente de cargas no transporte aéreo  A Recorrente afirma que é agente de cargas, mas não é transportadora de cargas,  demonstra  tal  fato  por meio  de  ato  da Agência Nacional  de Aviação Civil  ­ ANAC  ­  ,  que  publica os atos por meio dos quais concede autorização para as pessoas jurídicas operarem no  transporte aéreo.  Ela  explica  que  o  agenciamento  de  cargas  é  atividade  típica,  regulada  pelo  Decreto­lei n. 37, de 18.11.1966, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com força de  lei,  que  envolve  justamente  a  intermediação  na  contratação  de  transportes,  bem  como  as  atividades de consolidação e desconsolidação de cargas, além de outros serviços conexos.  A Recorrente afirma, segunda sua  interpretação, que é  impossível uma mesma  pessoa  jurídica  cumular  as  funções  de  agente  de  cargas  e  transportador  sob  uma  ótica  regulatória.  c) Agente de cargas no transporte marítimo  A Recorrente afirma que as considerações quanto ao transporte aéreo devem ser  utilizadas  no  que  concerne  ao  transporte marítimo  e  demonstra  ato  da Agência Nacional  de  Transportes  Aquaviários  ­  ANTAQ  ­  que  não  possui  autorização  para  operar  transporte  marítimo.  Continua em longa argumentação na tentativa de demonstrar que sua atividade  econômica é ser agente de carga e não prestar o serviço de transporte, propriamente dito, mas  apenas intermediar a sua contratação.  Por fim, a Recorrente enfatiza que não presta serviço de transporte e tenta, mais  uma descrever, o modus operandi das suas atividades, transcrevendo a solução de Consulta nº  257, de 26 de setembro de 2014.  Alega  também que  a  ciência  contábil  e  o  direito  positivo  pertencem  a  esferas  distintas  e  independentes,  de  modo  que  um  mesmo  dado  fático  pode  ser  conhecido  diversamente  por  um  e  por  outro,  uma  vez  que  o  processo  de  conhecimento  pauta­se  por  Fl. 26975DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 15          14 pressupostos  distintos  em  cada  uma  das  esferas.  Em  suma,  o  direito  positivo  e  a  ciência  contábil possuem formas autônomas de processar os dados fáticos captados na realidade social.  A  Fazenda  Nacional  em  suas  contrarrazões,  seguindo  a  mesma  linha  de  raciocínio  da  fiscalização  e  do  acórdão  da  DRJ/Ribeirão  Preto,  afirma  que  os  valores,  que  transitaram pelas contas da Recorrente, correspondem ao seu faturamento, e, portanto, devem  ter  a  incidência  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  COFINS.  Ademais,  reafirma  que  a  Recorrente presta serviço de transporte.  3.2.2. Da necessidade de conversão em diligência   Por meio da análise dos contratos,  apresentados quando da conversão do  feito  em diligência pela autoridade julgadora de primeira instância, percebe­se que a grande maioria  deles envolve  tão  somente a atividade de despachante aduaneiro ou agenciamento de cargas,  vide um pequeno resumo dos contratos apresentados:  1. Contrato Embraer Objeto do contrato:  CLÁUSULA SEGUNDA ­ OBJETO 2.1 A Contratada realizará para  a Embraer serviços de  logística  internacional de forma a suportar as  exportações das Mercadorias da Embraer do Brasil até o país onde se  encontra  o  Destinatário  Final  das  Mercadorias  ("Serviços").  Os  Serviços  ora Contratados  estão  detalhadamente  descritos  no Anexo  I  ao presente Contrato.  2.1.1 As principais atividades logísticas compreendidas nos Serviços a  serem  realizadas  pela  Contratada,  conforme  detalhado  no  Anexo  I,  são:  (i)  controle  e  administração  de  toda  documentação  necessária  para os processos de exportação; (ii) agenciamento das Mercadorias;  (iii)  transporte  doméstico  das  Mercadorias  no  Brasil;  (iv)  desembaraço  aduaneiro  das  Mercadorias  para  exportação;  (v)  transporte internacional das Mercadorias; (vi) desembaraço aduaneiro  das Mercadorias no destino de entrega; (vii) transporte doméstico das  Mercadorias  no  destino  de  entrega;  e  (viii)  desenvolvimento  e/ou  customização de  um  sistema para  suportar  toda  a operação  logística  descrita nos itens acima.  CLÁUSULA  TERCEIRA  ­  PREÇO  E  PAGAMENTO  3.2.  Em  tal  preço estão compreendidos todos os tributos incidentes ou que venham  a  incidir  sobre  as  atividades,  receitas  e  quaisquer  eventos  direta  ou  indiretamente  decorrentes  deste  Contrato,  bem  como,  quaisquer  despesas  da  Contratada,  relacionadas  à  execução  do  objeto  deste  Contrato.  2. Contrato Avon Objeto do contrato:  CLÁUSULA SEGUNDA ­ OBJETO O objetivo do Presente Contrato  é  a  prestação  do  serviço  de  logística  internacional  (daqui  a  diante  denominado  simplesmente  "OS  SERVIÇOS")  para  mercadorias  e  documentos  indicados  pela  AVON,  a  serem  executados  pela  KUEHNE+NAGEL;  desde  que  sejam  de  lícito  comércio  e  que  não  sejam  considerados  suspensos  ou  controlados,  observadas  as  especificidades do transporte aéreo internacional..  Fl. 26976DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 16          15 Esses serviços consistem, de maneira enunciativa e de nenhuma forma  taxativa,  em:  Recolher  a  mercadoria  a  transportar;  Gestão  dos  serviços  de  Alfandega  em  portos  de  origem,  trânsito  e  destino;  Transporte;  Consolidação  e  Desconsolidação;  Entrega  da  dita  mercadoria / documentos.  3. Contrato Azaléia   Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro  4. Contrato Blue Anchor Line   Objeto  do  contrato:  A Recorrente  contratou  a  empresa Blue Anchor  Line para que esta realize o serviço de transporte.  5. Contrato Furukawa   Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro   6. Contrato CJD do Brasil   Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro   7. Contrato Lojas Renner   Objeto do contrato:  Cláusula  01a: Constitui  objeto  do  presente  contrato,  pelo  qual  fica  a  parte CONTRATADA obrigada, a prestação de serviços de contratação  de  transporte  internacional  de  mercadoria  objeto  de  importação/exportação por via aérea, marítima e/ou  terrestre, diretos  e/ou consolidados, incluindo o licenciamento de documentos e todas as  providências aduaneiras, conforme cada caso, na modalidade "porta a  porta" (door to door).  Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro   8. Contrato Milenia   Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro   9. Contrato Pride  Objeto do contrato:  1. Objeto 1.1 É objeto deste instrumento a prestação, pela Contratada,  de  serviços  de  desembaraço  aduaneiro  e  de  transporte  nacional,  realizando  os  serviços  de  coordenação  de  processos,  despachos  e  desembaraços aduaneiros e coordenação de embarques nacionais, em  conformidade  com  a  legislação  em  vigor  no  País,  doravante  designados simplesmente Serviços.  10. Contrato Roberto Bosch   Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro   11. Contrato Sadia   Objeto do contrato: agenciamento de carga e despachante aduaneiro   Fl. 26977DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 17          16 12. Contrato Usiminas   Objeto do contrato: serviço de despachante aduaneiro   13. Contrato Tramontina  Objeto do contrato:  2.  ESCOPO  GEOGRÁFICO  E  OBJETO  O  presente  Contrato  tem  como  objeto  a  prestação  de  serviços  de  agenciamento  de  transporte  marítimo de  cargas  pela Contratada,  cobrindo  o  transporte  de  carga  dos pontos ou portos de origem até o os pontos ou portos de destino  estabelecidos no Anexo  I do presente  instrumento Com exceção dos  contratos apresentados pela Recorrente com a Embraer, Avon e  Pride, dos quais se pode concluir que há prestação de serviço de  transporte,  os  demais  se  apresentam  como  contratos  de  prestação de serviço aduaneiro ou de agenciamento de cargas.   O resultado da diligência, fls. 19491/19495, não trouxe um resultado conclusivo  acerca de  tais  tipos de contrato  e  se o  faturamento da Recorrente  compreendeu  todo o  fluxo  financeiro, que transitou por suas contas bancárias, ou se trata em parte do fluxo financeiro de  suas contratantes, receita que pertenceriam, por exemplo, à empresa que, efetivamente, realizou  o serviço de transporte.   A fiscalização seja no Termo de Verificação Fiscal, bem como no resultado da  diligência,  não  realizou  uma  segregação  das  receitas  por  atividade  ­  despachante  aduaneiro,  agenciamento  de  carga,  prestação  de  serviço  ­  ,  o  que  acaba  trazendo  dificuldades  na  apreciação das alegações da Recorrente e da Fazenda Pública.  Em  razão do volume probatório,  bem como do  laudo anexado,  elaborado pela  PwC, converto, novamente, o feito em diligência, com a finalidade de assegurar o respeito ao  princípio da verdade material, a  fim de que a fiscalização segregue as  receitas da Recorrente  por  tipo  de  atividade  ­  despachante  aduaneiro,  agente  de  cargas,  prestação  de  serviços  de  transporte ­ e:  1.  Que  seja  separada  a  partir  da  contabilidade  da  Recorrente  as  seguintes  operações:   1.1. Atividade de despachante aduaneiro:  Quais são os custos e despesas ­  inclusive tributos reembolsados ­ que são dos  clientes da Recorrente, ou seja, mas que transitaram pelo patrimônio da recorrente justamente  por conta dessa atividade e aquilo que é referente à remuneração dos serviços de despachante;   Quais  são  os  custos  e  despesas,  que  foram  pagos  pela  Recorrente,  mas  que  foram reembolsados pelos seus clientes, decorrentes dos contratos da atividade de despachante  aduaneiro;  1.2. Agente de cargas   1.2.1. Aspecto geral  Fl. 26978DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 18          17 Que sejam identificados os valores recebidos pela Recorrente e repassados, por  conta e ordem dos clientes, às empresas que efetivamente prestaram os serviços de transporte e  as  demais  despesas  pagas,  por  conta  e  ordem  dos  clientes,  com  recursos  recebidos  pela  recorrente, como despesas de armazenagem, demurrage e outras comissões de terceiros.  1.2.2. Agentes de cargas de transporte aéreo:  Nos  contratos  de  agente  de  cargas  de  transporte  aéreo,  sem  a  prestação  do  serviço de transporte, que seja identificado quais os valores que transitaram pelo patrimônio da  Recorrente, mas que são referentes ao pagamento de serviço de transporte aéreo, que não foi  prestado por ela;  1.2.3. Agente de cargas de transporte marítimo:  Nos contratos de agente de cargas de  transporte marítimo,  sem a prestação do  serviço de transporte, que seja identificado quais os valores que transitaram pelo patrimônio da  Recorrente, mas que são referentes ao pagamento de serviço de transporte marítimo, que não  foi prestado por ela;  2. Caso a fiscalização conclua que não há dentro da contabilidade da Recorrente,  valores  que  sejam  de  terceiros,  sendo  todos  os  valores,  próprios  da  Recorrente,  que  seja  verificado quanto às supostas receitas de exportação, alegadas pela Recorrente em seu recurso  voluntário, se eles efetivamente existiram. Portanto, em caso de não haver receitas de terceiros,  que  seja  identificado  se  existem  na  contabilidade  da  Recorrente,  receitas  advindas  da  exportação e que foram comprovadas por meio de ingresso de divisas.  3.  Por  fim,  solicita­se  a  verificação  das  tabelas  postas  no Recurso Voluntário,  fls. 19844/19847.  4. Caso a fiscalização, entenda que para a realização da diligência é necessária a  intimação da Recorrente para apresentar dados necessários, que assim o faça;  5. Que os fundamentos da diligência, apresentados na brilhante declaração  de  voto  do  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  sejam  apreciados  e  que  a  diligência, por ele proposta, seja realizada em conjunto com a diligência aqui proposta;  6.  Que  a  contribuinte  seja  cientificada  dessa  decisão  e  do  relatório  final  do  resultado  da  diligência  e  possa,  em  cada  caso,  apresentar  sua manifestação,  no  prazo  de  30  (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011.  Ao final, seja o processo encaminhado à consideração do CARF.  Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza  Declaração de Voto  Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Declarante.  Inicialmente,  cabe  asseverar  a  plena  concordância  com  as  razões  de  decidir  apresentadas  pela  i.  Relatora  em  relação  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  recorrida.  Em  Fl. 26979DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 19          18 relação ao mérito, este Conselheiro, com a devida vênia, diverge da i. Relatora, pelas razões a  seguir aduzidas.  Antes  de  analisar  os  pontos  da  controvérsia,  revela­se  de  todo  oportuno  apresentar alguns esclarecimentos relevantes sobre o procedimento fiscal em questão, que, de  acordo com Termo de Verificação Fiscal de fls. 679/683, apurou a autoridade fiscal, com base  no  Demonstração  de  Resultado  do  Exercício  (DRE)  do  ano  2009,  que  a  recorrente  havia  auferido  faturamento  total  ou  receita  bruta  total  de  R$  697.588.887,00,  correspondente  ao  somatório dos seguintes tipos de receita/faturamento:  Código  Cód. Estrut.  Conta  Total  3011004  3.01.01.01.01  FATURAMENTO DE FRETE  341.516.655,08  3011012  3.01.01.01.02  FATURAMENTO DE SERVIÇOS E COMISSÕES  26.551.299,32  3011020  3.01.01.01.03  FATURAMENTO DE COMISSÕES E IATA  7.788.414,06  3011038  3.01.01.01.04  FATURAMENTO DE DEMURRAGE  16.537.596,92  3011050  3.01.01.01.06  FATURAMENTO DE FRETE RODOVIÁRIO  38.654.416,15  3011060  3.01.01.01.07  FATURAMENTO DE ARMAZENAGEM E DOCUMENTOS  84.976.423,95  3050002  3.01.01.01.09  FATURAMENTO DE IMPOSTOS  114.160.106,87  3121001  3.01.01.01.10  FATURAMENTO DE CLEARING  70.024.765,55  3221009  3.01.01.01.11  FATURAMENTO DIFERIDO  ­2.620.787,55  Porém, segundo do Dacon do referido ano, a recorrente ofereceu a tributação da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins  apenas  o  valor  de  R$  73.921.929,00,  conforme  planilhas de  fls.  682/683,  sob  argumento de que os valores das demais  receitas não  estavam  sujeitos a  tributação, porque representavam adiantamentos por parte de seus clientes, o quais  eram, em seguida, repassados para os efetivos prestadores dos serviços; a prestação contas aos  clientes finais era feita por meio da emissão de nota de débito, acompanhada de demonstrativo  dos pagamentos e o valor de serviço de intermediação por ela prestado.  Com base no art. 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, concluiu a fiscalização  que  inexistia previsão  legal para a exclusão da base de cálculo das citadas contribuições dos  demais valores recebidos a título de faturamento ou receita bruta e repassados a terceiros pela  recorrente.  Nesse  sentido,  cabe  trazer  a  lume  os  esclarecimentos  da  autoridade  fiscal  que  seguem transcritos:  [...]  para  que  se  verifique  o  fato  gerador  das  contribuições  sociais,  basta  que  ocorra  o  faturamento  ou  receita  bruta. Ocorre  que,  seja  a  que  título for, a Contribuinte  recebeu os valores, que resultaram dos  depósitos  em  suas  contas  bancárias  pelas  empresas  tomadoras  dos  serviços  de  transporte  internacional  de  carga  a  elas  oferecidos  por  meio  do  exercício  da  atividade  de  agenciamento  marítimo  da  Contribuinte. Em verdade, ficou a cargo da Contribuinte a viabilização  da atividade  contratada por  essas  empresas no País,  razão pela qual  recebeu contrapartidas financeiras, que se caracterizaram por receitas  próprias.  Com  base  nesse  nessas  informações,  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  fora  indevida a exclusão dos demais valores, auferidos a título de faturamento, da base de cálculo  das referidas contribuições.  Assim,  se  a  própria  recorrente  registrou  na  contabilidade  e  declarou  na  DRE  como  sendo  faturamento  os  valores  tributados  pela  fiscalização,  em  face  da  distribuição  do  ônus da prova, cabia a recorrente comprovar que tais valores não eram faturamento ou receita  bruta da recorrente, mas receita bruta ou faturamento de terceiros, conforme alegado nas suas  peças defensivas.  Fl. 26980DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 20          19 A propósito, no recurso em apreço, a recorrente apresentou diversos argumentos  e elementos probatórios, com a finalidade de demonstrar a tal alegação, que serão analisados a  seguir.  Além disso, a recorrente esclareceu que atuava na prestação de serviços conexos  à  importação  e  exportação  de  mercadorias,  especificamente,  prestando  de  serviços  de  despachante aduaneiro e de agente de cargas aérea e marítima, mas não era transportadora e,  em nenhuma de suas atividades, atuara como transportadora.  De  fato,  nas  presentes  autuações  não  consta  qualquer  informação  de  que  a  recorrente  exercia  a  atividade  econômica  de  transportadora  de  cargas.  O  que  a  fiscalização  asseverou  foi  que  a  recorrente  atuava  na  prestação  serviços  de  transporte  interno  e  internacional de cargas, por intermédio de transportadoras contratadas e, em decorrência dessa  atividade, fora remunerado pelos clientes tomadores dos referidos serviços de transporte.  Aliás,  há  no  contrato  social  da  recorrente  (fl.  19)  expressa  menção  de  que  a  recorrente  prestará  de  serviços  de  transporte  multimodal  de  cargas,  em  nível  nacional  e  internacional, nos termos das alíneas da cláusula que segue transcrita:  II. – Do Objeto Social  Cláusula 3ª – A sociedade tem por objeto:  [...]  b) a prestação de  serviços de  logística  e distribuição de mercadorias  por conta de terceiros;  c) a exploração de transportes internacionais;  [...]  v)  a  exploração  do  ramo  de  despachos  aduaneiros  na  importação,  exportação e cabotagem;  w) a exploração das atividades de transportes rodoviários nacional e  internacional; e  x) a  realização das atividades de operador de  transporte multimodal  de cargas, de acordo com a Lei nº 9.611, de 1998, regulamentada pelo  Decreto nº 3411/2000.  [...].(grifos não originais)  Segundo o disposto nas alíneas em destaque, além da (i) prestação dos serviços  de logística e distribuição de mercadorias e de despacho aduaneiro na importação, exportação e  cabotagem,  o  objeto  social,  de  modo  expresso,  prevê  ainda  (ii)  a  prestação  de  transporte  multimodal de cargas nacional e internacional.  Nos  presentes  autos,  há  elementos  que  demonstram que  os  primeiros  serviços  foram prestados diretamente pela recorrente, sem a contração ou a intermediação de terceiros,  enquanto que a prestação dos serviços de transporte multimodal (aéreo, marítimo e rodoviário),  em nível nacional e internacional, foram prestados por transportador por ela contratado.  Fl. 26981DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 21          20 Dada  essa  particularidade  dos  diferentes  tipos  de  faturamento,  os  motivos  da  tributação, assim como as razões de defesa apresentadas pela  recorrente, foram distintos para  os valores do faturamento proveniente da prestação dos serviços de despacho de aduaneiro e de  transporte, a seguir analisados separadamente.  1 Da tributação da receita de prestação de serviços de transporte.  Em  relação  ao  faturamento  decorrente  da prestação  dos  serviços  de  transporte  aéreo  e marítimo,  a  recorrente  alegou  que  não  possuía  “autorização  para  realizar  transporte  marítimo, nem no Brasil, nem em outro país. Portanto, não é transportadora marítima”.  Esse  argumento  não  tem  relevância,  porque  não  foi,  na  condição  de  transportadora, que a recorrente prestou o serviço de transporte aéreo e marítimo prestado aos  seus clientes.  Com efeito,  de  acordo com os  trechos  extraídos  do Termo Verificação Fiscal,  anteriormente  transcritos,  a  prestação  dos  referidos  serviços  de  transporte  foi  feita  pela  recorrente na condição de prestadora e  tomadora de serviço de transporte, situação em que o  prestador  assume  a  obrigação  de  transportar  a  carga, mas  por  não  ser  operadora  de  veículo  habilitado ao transporte pelos órgãos competentes, necessariamente, ela subcontrata operadora  de veículo habilitada para que faça o transporte da carga.  Também não procede a alegação da recorrente de que, no âmbito das operações  transporte das cargas dos seus clientes, atuara como agente de carga no transporte marítimo e  aéreo, atividade que não se confundia com aquela exercida pelo próprio transportador de carga.  De  fato,  as  atividades  do  transportador  e  do  agente  de  carga  são  distintas  e  complementares. O primeiro é a pessoa que, mediante retribuição, obriga­se a  transportar, de  um  lugar  para  o  outro,  pessoas  ou  coisas  (Código Civil,  art.  730). No  transporte  de  cargas,  quem assume a obrigação de transportá­las deve emitir o conhecimento de carga, nos termos  do  art.  744  do  Código  Civil.  A  existência  do  conhecimento  faz  presumir  a  conclusão  do  contrato de transporte e a formalização da obrigação de entregar o bem ao destinatário indicado  pelo remetente (tomador do serviço). No âmbito do referido contrato, é algo estranho a relação  entre remetente e destinatário da carga, que podem ser, inclusive, a mesma pessoa.  Já o segundo (o agente de carga) é a pessoa que atua em nome do tomador ou do  prestador de serviço de transporte, prestando­lhes serviços auxiliares conexos em seu próprio  nome,  que  facilitam  a  cada  interveniente  cumprir  suas  obrigações  relativas  ao  contrato  de  transporte. As atividades auxiliares do agente de carga encontram­se estabelecidas no art. 37, §  1º, do Decreto­Lei 37/1966, a seguir transcrito:  Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal,  na  forma  e  no  prazo  por  ela  estabelecidos,  as  informações  sobre  as  cargas  transportadas,  bem  como  sobre  a  chegada  de  veículo  procedente do exterior ou a ele destinado.  (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003)  § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em  nome  do  importador  ou  do  exportador,  contrate  o  transporte  de  mercadoria,  consolide  ou  desconsolide  cargas  e  preste  serviços  conexos,  e  o  operador  portuário,  também  devem  prestar  as  Fl. 26982DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 22          21 informações  sobre  as  operações  que  executem  e  respectivas  cargas.  (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)  [...] (grifos não originais)  E no que  tange, especificamente, ao  transporte marítimo,  também considera­se  agente  de  carga,  segundo  o  art.  3º  da  IN  RFB  800/2007,  o  representante,  no  Brasil,  do  consolidador  estrangeiro,  sendo  esta  relação  de  representação  indicada  pela  carta  de  apontamento, conforme dispõe o art. 21, III, 7, da Norma Complementar 1/2008, aprovada pela  Portaria do Ministério dos Transportes 72/2008, (que disciplina o uso do sistema Mercante).  Com  base  nas  referidas  normas,  pode­se  afirmar  que  o  agente  de  carga  tem  como função principal a atividade de representação do importador, exportador, transportador e  consolidador de cargas. Entretanto, não há qualquer óbice para que o agente de carga também  preste,  a  seus  representados  ou  não,  serviços  auxiliares  administrativos  e  operacionais  anteriores ou posteriores à operação de transporte, incluindo os atos materiais necessários para  consolidação e desconsolidação, como, por exemplo, a prestação de informações sobre a carga  nos sistemas de controle  informatizado da RFB (Siscomex­Carga ou Mantra). Portanto, além  da  função  de  representante,  o  agente  pode  ainda  prestar  serviços  auxiliares  que  facilitem  o  transportador ou prestador­tomador do serviço de transporte a cumprir obrigações relativas ao  contrato de transporte.  Em  suma,  o  agente  de  carga,  na  condição  de  representante  do  importador,  do  exportador,  do  transportador  ou  consolidador  limita­se  a  prestar  serviços  em  nome  dos  representados  (contratação  do  transporte,  consolidação  ou  desconsolidação  de  cargas,  por  exemplo). Logo, no exercício da função de representante, o agente não pode ser considerado,  em hipótese  alguma,  tomador ou prestador de  serviço de  transporte. Entretanto, no exercício  dessa  função  ele  poderá,  em  nome  próprio,  tomar  ou  prestar  alguns  serviços  auxiliares  anteriores  ou  posteriores  à  operação  de  transporte,  hipótese  em  que  assume  a  condição  de  prestador ou tomador apenas dos mencionados serviços auxiliares.  No  caso  em  tela,  diferentemente  do  alegado  pela  recorrente,  os  contratos  celebrados  entre  a  recorrente  e  suas  principais  clientes,  bem  como  as  várias  propostas  comerciais  de  prestação  de  serviços  de  transporte,  contidos  nos  arquivos  integrantes  do CD  vinculado ao Termo de Anexação de Arquivo Não paginável de  fl. 19487  (documentos 01 a  19), demonstram que a  recorrente, de fato, atuara como prestadora e  tomadora de  serviço de  transporte  de  carga,  haja  vista  que  não  consta  dos  citados  contratos/propostas  nenhum  intermediário.  A título de exemplo, cabe destacar as cláusulas contratuais a seguir transcritas,  extraídas  do  contrato  firmado  entre  a  recorrente  e  a  cliente  contratante  Embraer  (Documento_07 do CD):  Cláusula Segunda – Objeto  2.1  A  Contratada  realizará  para  a  Embraer  serviços  de  logística  internacional de forma a suportar as exportações das Mercadorias da  Embraer do Brasil até o país onde se encontra o Destinatário Final  das  Mercadorias  (‘Serviços’).  Os  Serviços  ora  contratados  estão  detalhadamente descritos no Anexo I ao presente contrato.  Fl. 26983DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 23          22 2.1.1 As principais atividades logísticas compreendidas nos Serviços a  serem  realizadas  pela  Contratada,  conforme  detalhado  no  Anexo  I,  são:  (i)  controle  e  administração  de  todas  documentação  necessária  para os processos de exportação; (ii) agenciamento das Mercadorias;  (iii)  transporte  doméstico  das  Mercadorias  no  Brasil;  (iv)  desembaraço  aduaneiro  das  Mercadorias  para  exportação;  (v)  transporte  internacional  das  Mercadorias;  (vi)  desembaraço  aduaneiro  das  Mercadorias  no  destino  de  entrega;  (vii)  transporte  doméstico  das  Mercadorias  no  destino  de  entrega;  e  (viii)  desenvolvimento e/ou customização de um sistema para suportar toda a  operação logística descrita nos itens acima.  [...]  Cláusula Terceira – Preço e Pagamento  3.1  Pelo  efetivo  fornecimento  dos  Serviços,  a  Embraer  pagará  à  Contratada os valores descritos no Anexo II, a serem pagos na forma  descrita no Anexo II, desde que atendidas as condições determinadas  na Cláusula Quarta abaixo.  [...]  3.3 Em tal preço estão compreendidos todos os  tributos incidentes ou  que venham a incidir sobre as atividades, receitas e quaisquer eventos  direta  ou  indiretamente  decorrentes  deste  Contrato,  bem  como,  quaisquer despesas da Contratada, relacionadas à execução do objeto  deste Contrato. (grifos não originais)  No  mesmo  sentido,  dispõem  as  cláusulas  contratuais  a  seguir  transcritas,  extraídas do  contrato  firmado entre  a  recorrente  e  a  cliente  contratante Avon  Industrial Ltda  (Documento_08 do CD):  Cláusula Segunda – Objeto  O objetivo do Presente Contrato é a prestação do serviço de logística  internacional  (daqui  a  diante  denominado  simplesmente  “Os  Serviços”)  para  mercadorias  e  documentos  indicados  pela  Aon,  a  serem  executados  pela  Kuehne+Nagel;  desde  que  sejam  de  lícito  comércio  e  que  não  sejam  considerados  suspensos  ou  controlados,  observadas as especificidades do transporte aéreo internacional.  Esses serviços consistem, de maneira enunciativa e de nenhuma forma  taxativa  em:  Recolher  a  mercadoria  a  transportar;  Gestão  dos  serviços  de  Alfândega  em  portos  de  origem,  trânsito  e  destino;  Transporte;  Consolidação  e  Desconsolidação;  Entrega  da  dita  mercadoria / recolhimentos.  [...]  Cláusula Terceira – Preço: Fixação e Reajustes  Pela  prestação  dos  serviços  objeto  do  presente  contrato,  a  Avon  deverá pagar à Kuehne+Nagel, os valores dos serviços  indicados no  Anexo 2 – ‘Bid Matrix Cost’, que uma vez assinado pelas partes, fica  fazendo parte integrante do deste contrato.  Fl. 26984DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 24          23 [...]  Cláusula Quarta – Forma de Pagamento  A  Avon  pagará  as  faturas  que  a  Kuehne+Nagel  apresente  em  seu  endereço  na  avenida  Interlagos,  4.300,  Jurubatuba,  São  Paulo,  SP,  num prazo de 21 dias corridos e contados da data da apresentação. O  pagamento  será  efetuado  via  transferência  bancária  no  Banco  do  Brasil.  Agência  3064­3,  conta  corrente  691700­3,  com  a  respectiva  identificação do pagamento pela Avon para a Kuehne+Nagel.  (grifos  não originais)  Em ambos os contratos, consta que o objeto do contrato consiste na prestação de  serviços  de  logística  internacional,  incluindo  a  prestação  do  serviço  de  transporte  nacional  e  internacional (serviço de transporte porta­a­porta), em que a contratante do serviço é a cliente e  a contrata e prestadora do serviço a própria recorrente.  Também merece destaque, as propostas comerciais de prestação de serviços de  transporte marítimo  com  saída  do  Porto  de  Santos  (Documento_03  do CD)  e de  transporte  marítimo  de  40  contêineres  (Documento_04  do CD).  Em  ambas  as  propostas  comerciais  a  contratante  é  a  cliente  e  contratada  a  recorrente.  Logo,  nos  referidos  contratos,  não  consta  nenhum intermediário, o que leva a conclusão de que a recorrente assumiu em nome próprio a  total responsabilidade pela prestação dos serviços de transporte.  No caso em tela, em vez de agente de carga, de fato, no âmbito da operação de  transporte,  a  atividade  exercida  pela  recorrente  amolda­se perfeitamente  às  características  da  atividade de prestação de serviço de transporte multimodal nacional e internacional, que  pode  ser  exercida  de  forma  direta,  pelo  próprio  prestador  (transportador),  caso  seja  transportador habilitado perante os órgãos competentes, ou de forma  indireta, por  intermédio  de  transportadores  habilitados  contratados  pelo  prestador  do  serviço  (prestador/tomador),  conforme dispõe o art. 5º, caput, da Lei 9.611/1998, a seguir transcrito:  Art.  5º  O  Operador  de  Transporte  Multimodal  é  a  pessoa  jurídica  contratada  como  principal  para  a  realização  do  Transporte  Multimodal de Cargas da origem até o destino, por meios próprios ou  por intermédio de terceiros.  [...] (grifos não originais)  Dessa  forma,  fica  cabalmente  demonstrado,  que  a  recorrente,  em  vez  de  atividade de  agente de carga,  efetivamente,  ela  exerceu atividade de operadora de  transporte  multimodal  de  carga  nacional  e  internacional,  conforme  previsto  no  objeto  do  seu  contrato  social. Assim, agira e atuara por conta própria e não como representante dos seus clientes no  âmbito das operações de transporte objeto das presentes autuações.  Enfim,  cabe  ainda mencionar  que,  os  dados  apresentados  no Laudo  elaborado  pela PwC,  relativo  a operação de  importação marítima  realizada em nome da  cliente Robert  Bosch Ltda. (documento 51 anexo), com base em nota de débito, conhecimento de transporte,  tela de sistema interno, invoice emitida pela recorrente, extratos bancários, registros no Diário  etc.,  apenas  comprova  como  ocorreu  o  fluxo  do  dinheiro  decorrentes  das  operações  de  pagamentos e recebimentos dentro da empresa, mas não servem de prova de que os serviços de  transporte foram prestados na condição de agente de carga.  Fl. 26985DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 25          24 Com  base  nessas  considerações  e  tendo  em  conta  o  teor  dos  referidos  documentos colacionados aos autos, fica cabalmente demonstrado que a recorrente não atuara  como agente de carga nas referidas operações de transporte. Por conseguinte, os valores por ela  auferidos  como  prestadora  dos  correspondentes  serviços  de  transporte,  inequivocamente,  devem ser computados na base de cálculo das referidas contribuições, por serem considerados  faturamento ou receita bruta dela própria e não haver qualquer previsão de legal de exclusão da  referida base de cálculo.  De  outra  parte,  os  valores  dos  serviços  de  transporte  por  ela  tomados  devem  integrar  a  base  de  cálculo  dos  créditos  das  ditas  contribuições,  na  condição  de  insumos  aplicados na prestação de  serviços de  atividade própria,  conforme,  acertadamente, decidira o  Colegiado de Julgador de primeiro grau.  Portanto, em relação a esse ponto, não merece reparo a decisão recorrida.  2 Da tributação da receita de prestação de serviços de despacho aduaneiro.  Em  relação  ao  exercício  da  atividade  de  despachante  aduaneiro,  a  recorrente  alegou  que  atuara  em  nome  seus  clientes  (os  importadores  ou  exportadores)  e,  no  curso  da  execução  dessa  atividade,  realizara  pagamentos  de  custos  e  despesas  em  nome  deles,  cujos  valores  apenas  transitaram  pelo  patrimônio  da  recorrente  sem  se  constituírem  receitas  suas.  Dentre  os  pagamentos  realizados  em  nome  dos  clientes  e  depois  reembolsados,  a  recorrente  deu  destaque  aos  pagamentos  de  imposto  de  importação,  imposto  sobre  produtos  industrializados,  ICMS,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins­importação.  Todos  tributos  devidos  pelo  importador  das mercadorias.  Também havia  situações  em  que  o  numerário  era  adiantado  pelo  cliente,  para  serem  utilizados  na  quitação  de  despesas  diversas,  incluindo  as  tributárias.  Ainda segundo a recorrente, no curso das atividades de despachante aduaneiro,  também fizera pagamento de outras despesas aduaneiras,  tais como o adicional ao Frete para  Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), o adicional de Tarifa Aeroportuária (ATAERO),  os valores pagos ao Sindicato dos Despachantes Aduaneiros, as despesas com demurrage, entre  outros,  podendo ainda  contratar  armazéns  em nome do cliente  e até mesmo o  transporte das  mercadorias do porto até o destino final, ou do exportador até o porto.  Enfim, no entendimento da recorrente, os valores  relativos a adiantamentos ou  reembolsos  de  todas  as  despesas/custos  mencionados  não  poderiam  ser  entendidos  como  receitas próprias da recorrente. Em relação a essa atividade, a receita auferida corresponde aos  honorários cobrados pela atividade de despacho aduaneiro, os quais foram objeto de nota fiscal  emitida pela recorrente. Dessa forma, apenas tais valores podiam ser objeto de tributação pelas  contribuições.  Nos  termos  do  art.  809  do Decreto  6.759/2009,  denominado  de Regulamento  Aduaneiro de 2009  (RA/2009), de  fato, o despachante aduaneiro atua como representante do  importador,  exportador  ou  outro  interessado  nas  operações  de  comércio  exterior  perante  as  autoridades aduaneiras. No exercício dessa  função, em nome do  representado, o despachante  aduaneiro pode realizar as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro explicitadas no art.  808 do RA/2009, a seguir transcrito:  Art.  808.  São  atividades  relacionadas  ao  despacho  aduaneiro  de  mercadorias,  inclusive  bagagem  de  viajante,  na  importação,  na  Fl. 26986DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 26          25 exportação  ou  na  internação,  transportadas  por  qualquer  via,  as  referentes a:  I  ­  preparação,  entrada  e  acompanhamento  da  tramitação  e  apresentação de documentos relativos ao despacho aduaneiro;  II  ­  subscrição  de  documentos  relativos  ao  despacho  aduaneiro,  inclusive termos de responsabilidade;  III ­ ciência e recebimento de intimações, de notificações, de autos de  infração,  de  despachos,  de  decisões  e  de  outros  atos  e  termos  processuais relacionados com o procedimento de despacho aduaneiro;  IV  ­  acompanhamento  da  verificação  da  mercadoria  na  conferência  aduaneira, inclusive da retirada de amostras para assistência técnica e  perícia;  V ­ recebimento de mercadorias desembaraçadas;  [...]  Na  prática,  dentre  outros,  os  serviços  prestados  pelo  despachante  aduaneiro  consistem  no  (i)  acompanhamento  da  fiscalização  e  liberação  de  cargas  nas  alfandegas,  (ii)  preenchimento  e  encaminhamento  de  formulários  e  guias  exigidos  pelas  autoridades  fiscais,  (iii) classificação das mercadorias nos códigos tarifários pertinentes, (iv) cálculo e pagamento  dos tributos devidos na operação, por conta dos importadores e exportadores, (v) remoção das  cargas do porto/aeroporto para os armazéns de seus proprietários e (vi) o embarque das cargas  de exportação etc.  De todo modo, não resta qualquer dúvida que a atividade típica do despachante  aduaneiro,  desenvolvida  pela  recorrente,  induvidosamente,  caracteriza­se  como  atividade  de  representação.  No  exercício  dessa  atividade,  ela  atua  como  intermediária  entre  o  cliente/representado  (importador,  exportador ou outro  interessado nas operações de comércio  exterior)  e  as  autoridades  aduaneiras  encarregadas  de  realizar  os  correspondentes  procedimentos de despacho aduaneiro.  Assim, tem­se que a controvérsia remanescente cinge­se à definição da natureza  dos  valores  recebidos  pela  recorrente  dos  clientes/representados,  em  especial,  os  recursos  financeiros  recebidos  sob  a  forma  de  adiantamentos  ou  reembolsos  de  despesas  do  cliente/representado.  Nesse sentido, previamente à análise da controvérsia, revela­se de todo oportuno  apresentar  breve  digressão  acerca  da  definição  de  receita,  que,  sabidamente,  não  conta  da  legislação tributária.  De  fato,  trata­se  de  conceito  de  índole  eminentemente  contábil,  utilizado  pela  legislação  tributária.  Assim,  certamente,  a  definição  que  melhor  representa  o  conceito  de  receita,  inequivocamente,  é  aquele  veiculado  pelas  normas  contábeis  editadas  pelo Conselho  Federal de Contabilidade (CFC), de obediência obrigatórias por todo o profissional que atua na  área contábil. E no âmbito das referidas normas, a definição de receita encontra­se estabelecida  Fl. 26987DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 27          26 no item 7 da Resolução CFC 1.412/20122, que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”,  com os seguintes dizeres:  Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período  observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam  no  aumento  do  seu  patrimônio  líquido,  exceto  os  aumentos  de  patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários.  No “Apêndice A – Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade,  NBC TG 473, de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita  passou ter a seguinte redação:  Aumento  nos  benefícios  econômicos  durante  o  período  contábil,  originado  no  curso  das  atividades  usuais  da  entidade,  na  forma  de  fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que  resultam  em  aumento  no  patrimônio  líquido,  e  que  não  sejam  provenientes de aportes dos participantes do patrimônio.  Com  mais  detalhes,  a  referida  definição  também  encontra­se  estabelecida  na  Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e  Divulgação  de  Relatório  Contábil­Financeiro  (NBC  TG  ESTRUTURA  CONCEITUAL),  aprovada pela Resolução CFC 1.374/20114, a seguir reproduzido:  70. Receitas e despesas são definidas como segue:  (a)  Receitas  são  aumentos  nos  benefícios  econômicos  durante  o  período contábil sob a  forma de entrada de  recursos ou aumento de  ativos  ou  diminuição  de  passivos,  que  resultem  em  aumento  do  patrimônio  líquido  e  que  não  sejam  provenientes  de  aporte  dos  proprietários  da  entidade;  e  (b)  Despesas  são  decréscimos  nos  benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída  de  recursos  ou  redução  de  ativos  ou  incremento  em  passivos,  que  resultem  em  decréscimo  do  patrimônio  líquido  e  que  não  sejam  provenientes de distribuição aos proprietários da entidade.  71.  As  definições  de  receitas  e  despesas  identificam os  seus  aspectos  essenciais,  mas  não  especificam  os  critérios  que  precisam  ser  satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado.  Os  critérios  para  o  reconhecimento  das  receitas  e  despesas  são  comentados nos itens 82 a 98.  72. As receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do  resultado  de  diferentes  maneiras,  de  modo  que  prestem  informações  relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum  distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades  usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte de  uma  receita  é  relevante  na  avaliação  da  capacidade  que  a  entidade  tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo,  receitas  oriundas  de  atividades  eventuais  como  a  venda  de  um  investimento  de  longo prazo  normalmente  não  se  repetem numa base  regular.  Nessa  distinção,  deve­se  levar  em  conta  a  natureza  da                                                              2 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1412.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017.  3 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG47.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017.  4 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1374.pdf> Acesso em 21 mar. 2017.  Fl. 26988DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 28          27 entidade  e  suas  operações.  Itens  que  resultam  das  atividades  ordinárias de uma entidade podem ser incomuns em outras entidades.  73.  A  distinção  entre  itens  de  receitas  e  de  despesas  e  a  sua  combinação  de  diferentes  maneiras  também  permitem  demonstrar  várias  formas  de  medir  o  desempenho  da  entidade,  com  maior  ou  menor  abrangência  de  itens.  Por  exemplo,  a  demonstração  do  resultado  pode  apresentar  a  margem  bruta,  o  lucro  ou  prejuízo  das  atividades ordinárias antes dos tributos sobre o resultado, o lucro ou o  prejuízo das atividades ordinárias depois desses  tributos e o lucro ou  prejuízo líquido.  Receitas  74.  A  definição  de  receita  abrange  tanto  receitas  propriamente  ditas  como  ganhos.  A  receita  surge  no  curso  das  atividades  ordinárias  de  uma  entidade  e  é  designada  por  uma  variedade de nomes,  tais como vendas, honorários,  juros, dividendos,  royalties e aluguéis.  75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de  receita e podem ou não  surgir no  curso das atividades ordinárias da  entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e,  como  tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são  considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual.  76. Ganhos  incluem,  por  exemplo,  aqueles  que  resultam da  venda de  ativos não­correntes. A definição de receita também inclui ganhos não  realizados;  por  exemplo,  os  que  resultam  da  reavaliação  de  títulos  negociáveis e os que resultam de aumentos no valor de ativos a longo  prazo.  Quando  esses  ganhos  são  reconhecidos  na  demonstração  do  resultado,  eles  são  usualmente  apresentados  separadamente,  porque  sua  divulgação  é  útil  para  fins  de  tomada  de  decisões  econômicas.  Esses  ganhos  são,  na  maioria  das  vezes,  mostrados  líquidos  das  respectivas despesas.  77.  Vários  tipos  de  ativos  podem  ser  recebidos  ou  aumentados  por  meio  da  receita;  exemplos  incluem  caixa,  contas  a  receber,  mercadorias e  serviços  recebidos em  troca de mercadorias e serviços  fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos.  Por  exemplo,  a  entidade  pode  fornecer mercadorias  e  serviços  a  um  credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo.  [...] (grifos não originais)  Com  base  nos  excertos  transcritos,  pode­se  afirmar  que  as  receitas  se  caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i)  aumento de ativos com a entrada de  recursos, ou  (ii) diminuição de passivos  sem a saída de  recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam  provenientes  de  recursos  aportados  pelos  proprietários  da  entidade.  O  conceito  amplo  (lato  sensu)  de  receita  compreende  o  conceito  estrito  (stricto  sensu)  de  receita  ou  receita  propriamente  dita  e  os  ganhos.  As  receitas  propriamente  dita  incluiem  os  benefícios  econômicos  provenientes  da  atividade  ordinária,  enquanto  que  ganhos  compreendem  os  benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não.  No mesmo sentido a abalizada doutrina de Solon Sehn, para quem:  Fl. 26989DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 29          28 [...]  O  dispositivo  [art.  1º,  §  1º,  da  Lei  10.833/2003]  deve  ser  interpretado  conforme  a  Constituição,  de  modo  que  por  receita  se  entendam apenas os ingressos de soma em dinheiro ou qualquer outro  bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato,  fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio  líquido  da  pessoa  jurídica  que  a  aufere,  sem  reservas,  condicionamentos ou correspondências no passivo.  Daí resulta que não podem ser incluídos na base de cálculo da Cofins,  os  ingressos que não se enquadram no conceito de receita,  como as  simples  entradas  de  caixa,  os  reembolsos,  as  cauções,  depósitos,  os  empréstimos contraídos ou amortizações dos concedidos, enfim,  todas  as  demais  somas  escrituradas  sob  reserva  de  serem  restituídas  ou  pagas a terceiro por qualquer razão de direito e as indenizações (por  dano emergente) 5. (os últimos destaque não constam dos originais).  Assim  como  o  referido  autor,  este  Relator  também  entende  que  os  meros  ingressos  de  caixa  ou  quaisquer  outros  tipos  de  ingresso,  que  não  representem  “alteração  positiva  do  patrimônio  líquido  da  pessoa  jurídica”,  inequivocamente,  não  se  enquadra  no  conceito  de  receita  ou  de  receita  bruta,  logo,  não  integram  a  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições.  Dessa  forma,  se  no  âmbito  dos  procedimentos  de  despacho  aduaneiro,  a  recorrente  recebeu  recursos  financeiros  dos  representados  a  título  de  adiantamento  para  pagamento  futuro,  ou  reembolso  de  pagamento  já  realizado,  ambos  relativos  a  despesas  do  representado  e  pagas  em  seu  nome,  inequivocamente,  tais  recebimentos  não  se  configuram  como receita da prestação do serviço de despacho aduaneiro, mas mero ingresso destinado (i)  ao  pagamento  de  futura  obrigação  (passivo),  ou  (ii)  ao  recebimento  de  um  direito  (ativo),  portanto,  sem  qualquer  alteração  no  patrimônio  líquido  da  recorrente.  Nesses  casos,  os  lançamentos  contábeis  tem  natureza  meramente  permutativa,  ou  seja,  apenas  alteram  a  qualidade  dos  elementos  ativos/passivos  sem  qualquer  reflexo  no  patrimônio  líquido  da  entidade.  Com  efeito,  na  escrituração  contábil  da  recorrente,  tais  recebimentos  darão  ensejo  ao  aumento  da  conta  do  disponível  do  ativo  circulante  (lançamento  a  débito)  e,  em  contrapartida, conforme o caso, (i) uma diminuição da conta do ativo circulante representativa  do  adiantamento  feito  ao  cliente/representado  (lançamento  a  crédito),  ou  (ii)  um aumento da  conta  do  passivo,  representativa  da  despesa  a  ser  paga,  futuramente,  em  nome  do  cliente/representado.  De  outro  modo,  se  tais  valores  foram  contabilizados  como  despesa  da  recorrente,  por  certo,  os  reembolsos  e  adiantamentos  representam  recuperação  de  despesa  e  como tal deverá ser considerado receita da recorrente.  Ainda  em  relação  a  referida  atividade,  normalmente,  a  receita  da  recorrente  consiste nos valores recebidos dos clientes/representados a título de honorários cobrados como  remuneração  pelos  serviços  de  despacho  aduaneiro  efetivamente  prestados  no  curso  do  procedimento,  os  quais  deverão  estar  amparados  por  nota  fiscal  de  serviços  emitida  pela  recorrente em nome dos clientes/representados.                                                              5 SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não Cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p.  230.  Fl. 26990DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 30          29 Dessa  forma,  chega­se  a  conclusão,  que,  em  tese,  assiste  razão  à  recorrente  quanto  a  pretensão  de  excluir  da  base  de  cálculo  das  referidas  contribuições  os  recursos  financeiros  recebidos  como  aditamento  para  pagamento  ou  reembolso  dos  pagamentos  já  realizados, ambos relativos a despesas dos clientes/representados da recorrente.  Entretanto, como não há, nos autos, a confirmação desses ingressos a título de  adiantamento e reembolso e tendo vista a grande quantidade de documentos, que impossibilita  a  análise  deste  Conselheiro,  por  falta  de  ferramenta  computacional  adequada,  este  Relator  propõe  que  o  julgamento  seja  convertido  em  diligência,  para  que  a  recorrente  demonstre  e  comprove,  com documentação hábil  e  idônea,  e  a  autoridade  fiscal  confirme, os valores dos  mencionados  ingressos,  realizados  a  título  de  adiantamento  ou  reembolso  das  despesas  dos  clientes/representados  pagas  pela  recorrente  em  nome  dos  clientes/representados,  tais  como  tributos,  valores  pagos  ao  Sindicato  dos  Despachantes  Aduaneiros,  as  despesas  com  demurrage, gastos com armazenagem etc., conforme alegado pela recorrente.  3. Dos pedidos alternativos.  Em relação aos pedidos alternativos, assim se manifestou a recorrente:  Em  que  pese  a  recorrente  tenha  demonstrado  a  natureza  de  sua  atividade  como agente  de  cargas  ­  a  qual  não  se  confunde  com a  de  transporte  ­,  a  decisão  ora  combatida  entendeu  que  a  recorrente  também  presta  serviços  de  transporte.  Nesse  contexto,  afirma  que  a  totalidade  dos  ingressos  financeiros  que  transitaram  em  seu  caixa  configura  receita  da  sua  atividade,  e,  consequentemente,  trata­se  de  grandeza  tributável  pela  contribuição  ao  PIS  e  pela  COFINS,  nos  moldes do que entendeu a fiscalização.  Como  demonstrado  acima,  a  linha  de  raciocínio  adotada  pela  DRJ/RPO  é manifestamente  improcedente,  uma  vez  que  a  recorrente  não  pode  atuar  como  agente  de  cargas  e,  simultaneamente,  como  transportador  de  carga  na mesma  operação,  como  quer  fazer  crer  a  decisão recorrida.  A  regulamentação  do  setor  prevê  expressamente  que  o  agente  de  cargas contrata o transporte de mercadoria em nome do importador ou  do exportador. Contudo, caso ainda assim se entenda que a recorrente  desenvolveu a atividade de transporte internacional de carga, o que se  admite  apenas  para  fins  de  argumentação,  o  lançamento  tampouco  pode prevalecer, como será demonstrado a seguir.  Em suma, nos pedidos alternativos a recorrente, pediu que fosse considerada a  isenção  das  receitas  de prestação  de  transporte  internacional  de  carga  e  a  isenção/imunidade  das receitas de exportação de serviços.  3.1 Da isenção das receitas de transporte internacional  Segundo a recorrente, na absurda hipótese de se entender, indevidamente, que a  recorrente  desenvolvera  a  atividade  de  transporte  internacional  de  carga  seria  forçoso  reconhecer  que  as  receitas  dessa  atividade  enquadrar­se­iam  na  hipótese  de  isenção  das  referidas  contribuições,  prevista  no  art.  14, V,  §  1º,  da Medida  Provisória  2.158­35/2001,  a  seguir transcrito:  Fl. 26991DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 31          30 Art.  14.  Em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  (...)  V ­ do transporte internacional de cargas ou passageiros (...)  §  1º  São  isentas  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  as  receitas  referidas nos incisos I a IX do caput.  Previamente,  cabe  esclarecer  que  a  referida  isenção  não  foi  abordada  pela  autoridade  fiscal  no  Termo  de  Verificação  Fiscal.  O  assunto  foi  suscitado,  em  caráter  alternativo,  na  peça  impugnatória  e  analisado  no  voto  condutor  do  julgado  recorrido,  que,  manifestou o entendimento, acatado pelo Colegiado, no sentido de que a referida isenção não  se  aplicava  ao  presente  caso,  com  base  nos  seguintes  argumentos:  a)  não  se  tratava  de  transporte internacional de cargas, porque o serviço da recorrente fora prestado no Brasil; e b)  não  restara  comprovado,  pela  recorrente,  a  prestação  de  serviço  de  transporte  internacional,  hábil a autorizar o reconhecimento da referida isenção.  Em relação a falta de comprovação, assiste  razão ao nobre Relator, porque, de  fato, não há comprovação e/ou demonstração nos autos de que todos os serviços de transporte  de carga prestados pela recorrente foram provenientes do transporte de carga internacional, que  segundo  o  art.  1,  item  2,  do  Decreto  5.910/2006,  que  promulgou  a  Convenção  para  a  Unificação  de  Certas  Regras  Relativas  ao  Transporte  Aéreo  Internacional  (Convenção  de  Varsóvia,  para  unificação  de  regras  relativas  ao  transporte  aéreo  internacional),  configura­se  quando o ponto de partida e ponto de destino encontram­se localizados em países diferentes, ou  mesmo quando os pontos de origem e destino estejam no mesmo país, mas haja escala em país  diferente.  E  nos  presentes  autos,  foram  apresentado,  a  título  ilustrativo,  apenas  alguns  poucos  conhecimento de  transporte  internacional,  que  comprovam apenas uma pequeníssima  parte da volumosa quantidade de serviços de transporte prestados pela recorrente no período da  autuação. Ademais, nos autos, há contratos de prestação de serviço de transporte interno para  alguns clientes, o que leva a inferência de que nem todos os serviços de  transporte prestados  pela recorrente foram em nível internacional.  De outra parte, não procede o argumento do nobre Relator de que não se tratava  de  transporte  internacional  de  carga,  porque,  embora  eventualmente  contratados  por  pessoas  jurídicas estrangeiras ou eventualmente  tomadoras de serviços  internacionais de  transporte, o  serviço fora prestado no Brasil, porque, no entendimento deste Relator, a referida norma isenta  das citadas contribuições todas as receitas do transporte internacional de cargas e passageiros,  independentemente de quem as presta. Em outros termos, trata­se de regra de isenção que não  se dirige especificamente a determinadas pessoas, mas a determinada e específica  receita, ou  seja,  a  receita  decorrente  do  transporte  internacional  de  cargas  e  passageiros  auferida  por  qualquer  pessoa  jurídica  localizado  ou  sediada  no  País,  obviamente,  desde  que  seja  a  prestadora  do  referido  serviço,  o  que  restou  demonstrado  anteriormente,  no  caso  em  apreço,  que a recorrente atende essa condição.  Dessa forma, por ser prestadora de serviço de transporte de carga internacional,  especificamente, em relação as receitas auferidas da prestação desse tipo de serviço, nos termos  do art. 14, V, § 1º, da Medida Provisória 2.158­35/2001, inequivocamente, a recorrente faz jus  a mencionada isenção.  Fl. 26992DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 32          31 Entretanto,  a  recorrente  não  faz  jus  ao  direito  de  deduzir  os  créditos  das  referidas  contribuições  vinculados  aos  serviços  transporte  internacional  subcontrados  perante  as pessoas jurídicas sediadas ou não no Brasil, por força do disposto no art. 3º, § 2º, II, e § 3º, I,  das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir transcritos:  Art. 3º [...]  §  2º  Não  dará  direito  a  crédito  o  valor:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)   [...]  II  ­  da  aquisição  de  bens  ou  serviços  não  sujeitos  ao  pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos  à  alíquota  0  (zero),  isentos  ou  não  alcançados  pela  contribuição.  (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  § 3º O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I  ­  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País;  [...].  Com base nessas considerações e tendo em conta que não há comprovação e/ou  demonstração  nos  autos  de  que  todos  os  serviços  de  transporte  de  carga  prestados  pela  recorrente foram provenientes do transporte de carga internacional, propõe­se a conversão do  julgamento em diligência, para que a recorrente seja intimada a demonstrar e comprovar, com  documentação  hábil  e  idônea,  a  totalidade  das  receitas  provenientes  do  transporte  de  carga  internacional, devendo a autoridade fiscal emitir parecer conclusivo a respeito.  3.2 Da isenção/imunidade das receitas de exportação de serviços.  Ainda em caráter supletivo, a recorrente alegou que, na hipótese de se entender  que  as  receitas  objeto  de  tributação  foram  de  fato  auferidas  pela  recorrente,  deviam  ser  canceladas  as  exigências  correspondentes  às  receitas  de  exportações  de  serviços,  tendo  em  vista disposições dos art. 5º, II, da Lei 10637/2002 e 6º, II, da Lei 10833/2003.  De acordo com o voto condutor do julgado recorrido, o Colegiado de primeiro  grau rejeitou a pretensão da recorrente, sob o argumento de ela carecia de comprovação, pois, a  recorrente não demonstrara quais os serviços e correspondentes receitas de exportação estariam  abrangidos  pela  imunidade  ou  isenção,  bem  como  não  demonstrou  o  efetivo  ingresso  de  divisas,  conforme exigia o art. 5º,  II, da Lei 10.637/2002 e art. 6º,  II, da Lei 10.833/2003,  a  seguir transcritos:  Lei 10.637/2002  Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas  decorrentes das operações de:  [...]  Fl. 26993DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 33          32 II  ­  prestação de  serviços para pessoa  física ou  jurídica  residente ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  Lei 10.833/2003  Art.  6º  A  COFINS  não  incidirá  sobre  as  receitas  decorrentes  das  operações de:  [...]  II ­ pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei  nº 10.865, de 2004)  Em relação a exigência do efetivo ingresso de divisas, a  recorrente alegou que  “a União  Federal  não  poderia,  por meio  de  lei  ordinária,  restringir  o  alcance  da  imunidade  consagrada  na  Constituição  Federal,  por  meio  da  exigência  de  comprovação  do  efetivo  ingresso de dívidas no território nacional.”  Em  relação  a  esse  ponto,  observa­se  que  não  há,  nos  autos,  a  efetiva  comprovação da totalidade das receitas de exportação auferidas pela recorrente e tampouco de  que  elas  atendem  os  requisitos  do  art.  5º,  II,  da  Lei  10.637/2002  e  art.  6º,  II,  da  Lei  10.833/2003,  ou  seja,  que  se  trata  de  “prestação  de  serviços  para  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas”.  Dadas essas circunstâncias, propõe­se a conversão do julgamento em diligência,  para  que  a  recorrente  seja  intimada  a  demonstrar  e  comprovar,  com  documentação  hábil  e  idônea, a  totalidade das  receitas exportação de serviços e que elas atendem os  requisitos dos  referidos preceitos legais, devendo a autoridade fiscal confirmar e emitir parecer conclusivo a  respeito.  4. Da Conclusão  Por  todo o  exposto,  vota­se pelo  conversão do  julgamento  em diligência,  para  que  a  autoridade  fiscal  da  unidade  da Receita  Federal  de  origem,  para que  a  recorrente  seja  intimada a demonstrar e comprovar, com documentação hábil e idônea:   a) os valores dos ingressos, realizados a título de adiantamento ou reembolso das  despesas dos clientes/representados pagas pela recorrente em nome dos clientes/representados,  tais como tributos, valores pagos ao Sindicato dos Despachantes Aduaneiros, as despesas com  demurrage,  gastos  com  armazenagem  etc.,  conforme  critério  contábil  estabelecido  no  correspondente item; e  b) a totalidade das receitas provenientes da prestação dos serviços de transporte  de carga internacional; e  c)  a  totalidade  das  receitas  exportação  de  serviços,  bem  como  que  atende  os  requisitos do art. 5º, II, da Lei 10.637/2002 e art. 6º, II, da Lei 10.833/2003  Em  seguida,  a  autoridade  fiscal  deverá  confirmar  as  informações  prestadas,  assim como emitir parecer conclusivo sobre os demonstrativos e documentos comprobatórios  apresentados pela recorrente. Desse parecer deverá ser cientificada recorrente, para, se desejar,  manifeste­se a respeito  Fl. 26994DF CARF MF Processo nº 19515.722003/2013­59  Resolução nº  3302­000.577  S3­C3T2  Fl. 34          33 Após as  referidas providências, os  autos devem retornar a este Conselho, para  prosseguimento do julgamento.  (assinado digitalmente)  José Fernandes do Nascimento  Fl. 26995DF CARF MF

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Numero do processo: 15983.000980/2008-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PARADIGMA ANACRÔNICO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR. INADMISSIBILIDADE. O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF não se estabelece em relação a acórdão paradigma exarado à luz de arcabouço normativo diverso daquele que orientou o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-005.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA

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9202­005.557  –  2ª Turma   Sessão de  27 de junho de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  EMPREITEIRA IRMÃOS ANDRADE DA BAIXADA SANTISTA LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  PARADIGMA  ANACRÔNICO.  ALTERAÇÃO  LEGISLATIVA  POSTERIOR.  INADMISSIBILIDADE.  O dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial de  divergência de que trata o art. 67 do Anexo II do RICARF não se estabelece  em  relação  a  acórdão  paradigma  exarado  à  luz  de  arcabouço  normativo  diverso daquele que orientou o acórdão recorrido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial.   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Maria Helena Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  E  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,  Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 09 80 /2 00 8- 67 Fl. 514DF CARF MF     2   Relatório  A  Fazenda  Nacional,  inconformada  com  o  decidido  no  Acórdão  nº  240202.487, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de  Julgamento do  CARF em 09/02/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais.  Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido:  “SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO – IN NATURA  – NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA   Não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  os  valores  de  alimentação  fornecidos  in  natura,  conforme  entendimento  contido  no  Ato  Declaratório  nº  03/2011  da  Procuradoria Geral da Fazenda  Nacional – PGFN  VALE  TRANSPORTE  EM  DINHEIRO  –  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA – NÃO INCIDÊNCIA   Não  há  incidência  de  contribuição  previdenciária  sobre  o  vale  transporte  pago  em  pecúnia,  considerando  o  caráter  indenizatório da verba Recurso Voluntário Provido em Parte."  Trata­se  de  lançamento  de  contribuições  destinadas  a  terceiros  (Salário  Educação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA).  Segundo o Relatório Fiscal (fls. 31/39), os fatos geradores das contribuições  lançadas são os valores fornecidos a título de cesta básica sem que a autuada tenha convênio  com o PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador.   Também foram apuradas diferenças obtidas pelo confronto entre a Folha de  Pagamento e os valores declarados na GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à  Previdência  Social.  Tais  valores  foram  declarados  em GFIP  após  o  início  do  procedimento  fiscal o que levou à redução da multa aplicada.  A  autuada  também  forneceu  vale  transporte  em  dinheiro,  valores  estes  que  foram considerados base de cálculo de contribuição previdenciária.   A  autuada  teve  ciência  do  lançamento  em  30/09/2008  e  apresentou  defesa  (fls. 59/67) onde alega que o Poder Judiciário já decide de forma pacífica no sentido de que a  entrega de cesta básica in natura, independentemente do cadastro no Programa de Alimentação  do  Trabalhador  ­  PAT,  não  constitui  natureza  salarial,  não  sofrendo  a  incidência  da  contribuição previdenciária.  Tece  considerações  a  respeito  do  fornecimento  de  transporte  em  dinheiro  para concluir que não incidiria contribuição previdenciária sobre tais valores.  Entende que deve ser desconsiderada a penalidade pela não  informação em  GFIP  –  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  dos  valores  fornecidos a título de cesta básica in natura e vale transporte em dinheiro.  Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15983.000980/2008­67  Acórdão n.º 9202­005.557  CSRF­T2  Fl. 515          3 Pelo Acórdão nº 1729.583 (fls. 201/208) a 9ª Turma da DRJ/São Paulo (SP)  julgou o lançamento procedente.  Contra  tal  decisão,  a  autuada  apresentou  recurso  tempestivo  (fls.  211/219)  onde  alega  que  o  acórdão  que  não  deferiu  o  pedido  de  produção  de  provas  por  parte  da  Recorrente deverá ser declarado nulo, baixando­se os autos para que se permita a produção de  provas oral e documental, evitando­se macular a Constituição Federal vigente.  O Recurso da Fazenda Nacional  foi  admitido a  fim de que esta CSRF para  determinar  que  não  incide  contribuição  previdenciária  sobre  o  auxílio  alimentação  pago  em  pecúnia aos empregados segurados ainda que a empresa não esteja inscrita no PAT.  O contribuinte, cientificado, pugna pela manutenção do acórdão a quo.    Voto             Conselheira Patrícia da Silva ­ Relatora  O Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda Nacional  é  tempestivo,  porém  não pode ser admitido pelas razões a seguir expostas.  A Fazenda Nacional, com o objetivo de comprovar o dissídio jurisprudencial  cita  os  acórdãos  206­01.462  (processo  julgado  na  sessão  do  dia  09/10/2008)  e  206­06.313  (processo julgado na sessão do dia 04/09/2009), porém, os julgamentos dos acórdãos utilizados  como paradigmas ocorreram antes do Ato Declaratório nº 03/2011 da PGFN, que apresenta a  seguinte redação:  A PROCURADORA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso  da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso  II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º  do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2117  /2011,  desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  24.11.2011,  DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem  como a desistência dos  já  interpostos,  desde que  inexista outro  fundamento relevante:  "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o  pagamento  in  natura  do  auxílio­alimentação não há  incidência  de contribuição previdenciária".  Diante  do  exposto  voto  no  sentido  de  não  conhecer  do  Recurso  Especial  interposto pela Fazenda Nacional,  pois  anacrônicos,  ou  seja,  há  alterações na orientação não  restou comprovado o dissídio jurisprudencial necessário à admissibilidade do recurso especial  de divergência de que  trata o art. 67 do Anexo  II do RICARF em que não se estabelece em  relação  a  acórdão  paradigma  exarado  à  luz  de  arcabouço  normativo  diverso  daquele  que  orientou o acórdão recorrido.  Fl. 516DF CARF MF     4 (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva                                  Fl. 517DF CARF MF

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6984806 #
Numero do processo: 13830.903122/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.397
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1 1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13830.903122/2012­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­004.397  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de setembro de 2017  Matéria  Normas Gerais de Direito Tributário  Recorrente  QUEIJARIA BUFALO D'OESTE LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/05/2010  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INDÉBITO.  PERD/COMP.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO  CONTRIBUINTE.  INSUFICIÊNCIA.   As  alegações  constantes  da  manifestação  de  inconformidade  devem  ser  acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do  crédito pleiteado.  Não  tendo  sido  apresentada  qualquer  documentação  apta  a  embasar  a  existência  e  suficiência  crédito  alegado  pela  Recorrente,  não  é  possível  o  reconhecimento  do  direito  apto  a  acarretar  em  qualquer  imprecisão  do  trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.   Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Jorge  Olmiro  Lock  Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Pedro  Sousa  Bispo  e  Carlos  Augusto Daniel Neto.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 22 /2 01 2- 71 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903122/2012­71  Acórdão n.º 3402­004.397  S3­C4T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de  recurso  voluntário  interposto  em  face  da  decisão  proferida pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  (“DRJ”)  de  Belo  Horizonte,  que  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de  restituição de créditos de PIS.   O  despacho  decisório  indeferiu  o  pedido  de  restituição  por  inexistência  do  crédito  pleiteado  face  a  vinculação  do DARF  nele  informado  com  a  quitação  de  débitos  do  contribuinte.  Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que:  (...)  a  empresa  tem seus  produtos  tributados  à  alíquota  zero  de  PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº  10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o  contribuinte  a  solicitar  o  ressarcimento  ou  restituição  dos  valores  que  resultarem  em  crédito  acumulado  ou  recolhimento  que se revelou indevido ou a maior.  Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou  que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas  à  alíquota  zero,  tendo  efetuado  os  pedidos  de  restituição,  via  PER/DCOMP.  Diante  disso,  foram  retificados  os  Dacon,  revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda  que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também  as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo.  Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição  indeferido  sem  que  se  analise  o  crédito  que  lhe  deu  origem,  demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de  dados  da  Receita  Federal.  Também  é  necessário  que  se  verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas.  Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate.  Ao final, requer:  1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade;  2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da  DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de  identificar o crédito objeto deste processo;  3.  seja  reformado  o  Despacho  Decisório,  para  o  fim  de  reconhecer  integralmente  o  crédito  objeto  do  PER/DCOMP  nº  19327.90131.170910.1.2.04­3613,  que  tem  origem  em  pagamento  indevido  ou  a  maior  demonstrado  em  Dacon  e  DCTF;  4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic,  nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995;  Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903122/2012­71  Acórdão n.º 3402­004.397  S3­C4T2  Fl. 4          3 5.  que  seja  determinado  o  depósito  do  valor  solicitado  e  atualizado em conta corrente especificada.  Sobreveio então o Acórdão 02­060.659, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando  provimento  à  manifestação  de  inconformidade  da  Contribuinte,  devido  a  ausência  de  comprovação do pagamento indevido ou a maior.  Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no  qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3402­004.394, de  26  de  setembro  de  2017,  proferido  no  julgamento  do  processo  13830.903129/2012­92,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402­004.394):    "Como  se  depreende  do  relato  acima,  a  lide  resume­se  à  comprovação  da  existência  e  suficiência  do  crédito  objeto  da  compensação.     Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional),  em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por  recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e  estabelece  os  casos  que  configuram  tal  recolhimento  ou  pagamento,  como  a  Recorrente  afirma  possuir,  nos  seguintes  termos:   Art. 165. O sujeito passivo  tem direito,  independentemente  de prévio protesto,  à  restituição  total  ou parcial  do  tributo,  seja qual for a modalidade do seu pagamento,  ressalvado o  disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos   I  ­ Cobrança ou pagamento espontâneo de  tributo  indevido  ou  maior  que  o  devido  em  face  da  legislação  tributária  aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato  gerador efetivamente ocorrido;   II ­ erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da  alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao pagamento;   III  ­  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903122/2012­71  Acórdão n.º 3402­004.397  S3­C4T2  Fl. 5          4   Por  sua  vez,  o  instituto  da  compensação  de  créditos  tributários  está  previsto  no  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional (CTN):   Art.  170. A  lei  pode, nas condições  e  sob  as garantias que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos,  do sujeito passivo contra  a Fazenda pública.  (...)     Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996,  a  compensação  passou  a  ser  tratada  especificamente  em  seu  artigo  74,  tendo  a  citada  Lei  disciplinado  a  compensação  de  débitos  tributários  com  créditos  do  sujeito  passivo  decorrentes  de  restituição  ou  ressarcimento  de  tributos  ou  contribuições,  âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF).    Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art.  49  da  Lei  nº  10.637/02)  1  determina  que  a  compensação  será  efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração  na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e  aos  respectivos  débitos  compensados  (PER/DCOMP),  como  pretende a Recorrente in casu.     Nesse  sentido,  a  Recorrente  processou  pedido  de  compensação,  afirmando  possuir  créditos  relativos  à  COFINS,  decorrente  de  pagamentos  indevidos  (receita  da  venda  de  seus  produtos,  queijos,  que  é  reduzida  a  zero  pela  legislação  da  Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF  discriminado  no  PER/DCOMP,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não  restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a  compensação não foi homologada.     Muito  embora  a  falta  de  prova  sobre  a  existência  e  suficiência  do  crédito  tenha  sido  o  motivo  tanto  da  não  homologação da compensação por despacho decisório, como da  negativa  de  provimento  à  manifestação  de  inconformidade,  a  Recorrente  permanece  sem  se  desincumbir  do  seu  ônus  probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que  demonstraria seu direito ao crédito.    Ocorre  que  o  Dacon  constitui  demonstrativo  por  meio  do  qual a empresa apura as contribuições devidas.    Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições  Sociais  (DACON),  instituído  pela  Instrução  Normativa  SRF  nº  387,  de  20  de  janeiro  de  2004,  é  uma  declaração  acessória  obrigatória  em  que  as  pessoas  jurídicas  informavam  a Receita  Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da                                                              1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004.  Atualmente,  os  procedimentos  respectivos  encontram­se  regidos  pela  IN  RFB  nº  1.300/2012  e  alterações  posteriores  Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903122/2012­71  Acórdão n.º 3402­004.397  S3­C4T2  Fl. 6          5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação  do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos  autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da  empresa,  basicamente  notas  fiscais  os  livros  fiscais  onde  estão  registradas  as  referidas  notas,  além  da  própria  DCTF.  Assim,  são  esses  últimos  documentos  que  possuem  aptidão  para  comprovar o crédito.    Ademais,  a  Instrução Normativa n.  1.015, de 05 de março  de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que  Art.  10. A  alteração  das  informações  prestadas  em Dacon,  nas  hipóteses  em  que  admitida,  será  efetuada  mediante  apresentação  de  demonstrativo  retificador,  elaborado  com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  o  demonstrativo retificado.  §  1º  O  Dacon  retificador  terá  a  mesma  natureza  do  demonstrativo  originariamente  apresentado,  substituindo­o  integralmente,  e  servirá  para  declarar  novos  débitos,  aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou  efetivar  alteração  nos  créditos  e  retenções  na  fonte  informados.  § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por  objeto:  I  ­  reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep  e  da Cofins:  a)  cujos  saldos  a  pagar  já  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  para  inscrição  em Dívida Ativa da União  (DAU), nos  casos  em  que importe alteração desses saldos;  b)  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna,  relativos  às  informações  indevidas  ou  não  comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham  sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização; e  II  ­  alterar  débitos  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada de início de procedimento fiscal.  (...)  §  5º  A  pessoa  jurídica  que  entregar  Dacon  retificador,  alterando  valores  que  tenham  sido  informados  na  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora.    Conforme  mencionado  anteriormente,  a  Contribuinte  não  apresentou  nenhum  documento  que  comprovasse  o  crédito  alegado.   Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903122/2012­71  Acórdão n.º 3402­004.397  S3­C4T2  Fl. 7          6   Ressalto  que  com  relação  à  alegação  em manifestação  de  inconformidade  que  haveria  DCTF  retificadora,  a  decisão  recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento  foram  aqueles  utilizados  pela  Fiscalização  para  a  análise  do  PER/DCOMP,  bem  como  que,  com  o  exame  do  DACON  retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão.  Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ:  Quanto  à  alegada  retificação  da  DCTF,  registre­se  que  o  documento retificador constante dos sistemas mantidos pela  Receita  Federal,  entregue  em  28/09/2012  (conf.  recibo  de  entrega),  revela  a  existência  do  débito  no  valor  que  foi  considerado  no Despacho Decisório  e  indicado  no  quadro  “UTILIZAÇÃO DOS  PAGAMENTOS  ENCONTRADOS  PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP.  (...)  Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos  o  Despacho  Decisório  contestado,  que  evidencia  que  o  crédito  postulado  pelo  contribuinte  foi  utilizado  conforme  especificado no demonstrativo de utilização do pagamento,  não restando crédito passível de restituição.    Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação  do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte  da  Administração,  visto  que  restou  impossibilitada  a  comprovação  de  certeza  e  liquidez  do  crédito  solicitado,  conforme preceitua o artigo 170 do CTN.     Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o  artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do  Código  de  Processo  Civil,  abaixo  transcritos,  que  caberia  à  Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus  de demonstrar o direito que pleiteia:   Art. 36 da Lei nº 9.784/99.   Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a  instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.   Art. 373 do Código de Processo Civil.   O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;    Peço  vênia  para  destacar  as  palavras  do  Conselheiro  relator  Antonio  Carlos  Atulim,  plenamente  aplicáveis  ao  caso  sub judice:  “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do  processo  administrativo  deve  ser  efetuada  levando­se  em  conta a  iniciativa do processo. Em processos de repetição  de  indébito  ou  de  ressarcimento,  onde  a  iniciativa  do  pedido  cabe  ao  contribuinte,  é  óbvio  que  o  ônus  de  Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903122/2012­71  Acórdão n.º 3402­004.397  S3­C4T2  Fl. 8          7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe  ao  contribuinte.  Já  nos  processos  que  versam  sobre  a  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários  (autos  de  infração),  tratando­se de processos de  iniciativa do  fisco, o  ônus  da  prova  dos  fatos  jurígenos  da  pretensão  fazendária  cabe  à  fiscalização  (art.  142  do  CTN  e  art.  9º  do  PAF).  Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ,  pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando.  Se  a  fiscalização  não  provar  os  fatos  alegados,  a  consequência  jurídica  disso  será  a  improcedência  do  lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não  a sua nulidade.     A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se  depreende das ementas abaixo colacionadas:  Ementa(s)   Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006  CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM  DECLARAÇÃO.  A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório  que  não  homologa  a  compensação e  a DACON não  têm o  condão  de  provar  suposto  erro  de  fato  que  aponta  para  a  inexistência  do  débito  declarado.  O  contribuinte  possui  o  ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação  de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação  idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803­ 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado)  Ementa(s)   NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Ano­ calendário:  2009  PIS/COFINS.  DCOMP.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  DCTF  NÃO  RETIFICADA  POR  DECURSO  DE  PRAZO  (5  ANOS).  PER/DCOMP  NÃO  HOMOLOGADO.  INADMISSIBILIDADE  DA  COMPENSAÇÃO  EM  VISTA  DA  NÃO  DEMONSTRAÇÃO  DA  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO ADUZIDO.  A  compensação,  hipótese  expressa  de  extinção  do  crédito  tributário  (art.  156  do  CTN),  só  poderá  ser  autorizada  se  os  créditos  do  contribuinte  em  relação  à  Fazenda  Pública,  vencidos  ou  vincendos,  se  revestirem  dos  atributos  de  liquidez  e  certeza,  a  teor  do  disposto  no  caput  do  artigo  170  do  CTN.  A  interessada  somente  poderá  reduzir  débito  declarado  em  DCTF  se  apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no  seu  preenchimento.  A  não  comprovação  da  certeza  e  da  liquidez  do  crédito  alegado  impossibilita  a  extinção  de  débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.  PIS/COFINS.  DCOMP.  DACON  RETIFICADOR  Embora o DACON seja uma fonte válida de informações  Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903122/2012­71  Acórdão n.º 3402­004.397  S3­C4T2  Fl. 9          8 para  o  Fisco,  tomado  isoladamente,  ele  não  é  prova  suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor  inicialmente  declarado  em DCTF  (Acórdão  3802­003.316,  Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra)  Ementa(s)   Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Data do fato gerador: 31/01/2005  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF  RETIFICADORA.  A  informação  dos  valores devidos  a  título  de PIS  prestada  na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o  crédito  tributário  constitui­se  pela  DCTF.  No  caso  de  divergência  entre  os  valores  declarados  em  DCTF  e  DACON, prevalece o montante constituído em DCTF.  A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição  do  crédito  tributário,  por  consequência  lógica,  que  o  indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado  pelo confronto com os valores constituídos  em DCTF e os  valores  recolhidos. A desconstituição da confissão depende  de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade  diversa  da  declara.  RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO  (Acórdão  3101­001.259,  Conselheiro Relator  Luis Roberto  Domingo).    Dessarte,  não  tendo  sido  em momento  algum  comprovada  pela  Recorrente  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  pleiteado,  de  acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há  reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido.    Quanto  a  correção  monetária  do  crédito,  hodiernamente  não  restam  mais  dúvidas  sobre  a  necessidade  de  correção  monetária  do  indébito,  desde  a  data  em  que  o  pagamento  foi  feito  ao  Estado.  É  o  que  consta  tanto  da  jurisprudência  do  Supremo,  da  Súmula  nº  46  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos,  quanto  da  Súmula  n.  162  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  vazada nos  seguinte dizeres: “na  repetição de  indébito  tributário,  a  correção monetária  incide  a  partir  do  pagamento  indevido.”     Inclusive,  merece  destaque  o  Parecer  AGU/MF­01/96  da  Advocacia­Geral  da  União,  publicado  no  Diário  Oficial  de  18.01.96, que claramente  sintetizou  as  soluções  adotadas  pelos  legítimos  intérpretes  da  lei,  além  de  enfatizar  o  papel  da  correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2                                                              2  Mesmo  na  inexistência  de  expressa  previsão  legal,  é  devida  correção  monetária  de  repetição  de  quantia  indevidamente  recolhida  ou  cobrada  a  título  de  tributo.  A  restituição  tardia  e  sem  atualização  é  restituição  incompleta  e  representa  enriquecimento  ilícito  do  Fisco.  Correção  monetária  não  constitui  um  plus  a  exigir  expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se  recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no  seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores  Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903122/2012­71  Acórdão n.º 3402­004.397  S3­C4T2  Fl. 10          9   Ademais,  fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de  1991 (artigo 66, § 3º)  trouxe a disciplina de forma expressa ao  âmbito  tributário,  especificamente  sobre  a  restituição  e  compensação  de  tributos  federais.  Desde  então,  diferentes  índices  foram  usados  para  fins  de  atualização  monetária  dos  indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada  atualmente.    Contudo,  como  destacado  alhures,  não  houve  a  comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo  que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária  do mesmo.   Dispositivo    Por  essas  razões,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso Voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire                                                                                                                                                                                           à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a  correção  na  hipótese  em  exame.  A  jurisprudência  unânime  dos  Tribunais  reconhece,  nesse  caso,  o  direito  a ̀ atualização  do valor  reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas,  tão­somente aplica  o direito vigente. Se  tem  reconhecido esse direito é porque ele existe.                             Fl. 63DF CARF MF

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Numero do processo: 10665.900855/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.887
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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3301­003.887  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de junho de 2017  Matéria  COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS.  Recorrente  DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 31/07/2008  RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.  É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo  de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse  prazo legal considera­se intempestivo o recurso.  Recurso Voluntário não conhecido.      Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente e Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto  Chagas,  José  Henrique Mauri, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira,  Liziane Angelotti  Meira,  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis  de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Relatório  Trata­se  de Recurso Voluntário  interposto  pelo Contribuinte  contra  decisão  consubstanciada  no  Acórdão  nº  02­045.462,  que  julgou,  por  unanimidade  de  votos,  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pelo  Contribuinte,  para  não  reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio.  O Despacho Decisório  proferido  pela  unidade  de  origem  não  homologou  a  compensação  declarada  em  PER/DCOMP  pela  contribuinte  acima  qualificada,  sob  o     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 08 55 /2 01 2- 14 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10665.900855/2012­14  Acórdão n.º 3301­003.887  S3­C3T1  Fl. 3          2 fundamento  de  que,  a  partir  das  características  do  DARF  descrito  no  PerDcomp,  foram  localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PerDcomp.  Inconformada  com  a  não  homologação  de  sua  compensação,  interpôs  a  contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão  recorrida, alegando, em síntese, o seguinte:  ­ verifica­se pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não­ cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se  apurou no Dacon retificador o valor do débito não­cumulativo devido seria inferior  ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp;   ­  deve  ser  esclarecido  que,  na  época  própria,  o  contribuinte  realizou  a  devida  retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação  que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação  foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório;  ­ contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode  conduzir a que seja violado o princípio constitucional da não­cumulatividade, ainda  que  posteriormente  demonstrada,  de  forma  cabal  e  inequívoca,  a  existência  do  crédito que se pretende compensar;  ­ Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim  de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo.  Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão.   É o relatório.      Voto             Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3301­003.883, de  29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/2012­36, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­003.883):  "O  Recurso  Voluntário,  de  22  de  agosto  de  2013,  interposto  pelo  Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 02­45.458, de  Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10665.900855/2012­14  Acórdão n.º 3301­003.887  S3­C3T1  Fl. 4          3 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de  admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido.  O  prazo  para  que  seja  interposto  o  Recurso  Voluntário  contra  as  decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil  de Julgamento  é de 30  dias a partir da ciência da referida decisão.   Observa­se no presente processo que a Decisão recorrida  foi proferida  em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte  tomou ciência da decisão recorrida  em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de  Documento (fls. 95):  TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO   O Contribuinte  tomou conhecimento do  teor dos documentos  relacionados  abaixo,  na  data  09/07/2013  8:14h,  pela  abertura  dos  arquivos  correspondentes  no  link  Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e­CAC)  através da opção Consulta Comunicados/Intimações.   Acórdão de Manifestação de Inconformidade   Contribuinte:  21.759.758/0001­88  DISTRIBUIDORA  AMARAL  LTDA  (ou  seu  Representante Legal)   DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013   Já às  fls. 96 apura­se no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que  essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013:  TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO   Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso  de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa  Postal, Modulo e­CAC do Site da Receita Federal.   Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por  decurso de prazo: 19/07/2013   Acórdão de Manifestação de Inconformidade   DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013   Constata­se assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida  em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de  Documento  e  pelo  Termo de Ciência  por Decurso  de Prazo  que  essa  ciência  ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final  para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22  de agosto de 2013.  Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário  do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe  Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107):  Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10665.900855/2012­14  Acórdão n.º 3301­003.887  S3­C3T1  Fl. 5          4   Portanto,  de  acordo  com  a  legislação  vigente  e  os  autos  do  processo,  voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo."  Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso  voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso  de  prazo,  também  ocorreu  em  19/07/2013.  Comprovado  está  que  também  nestes  autos  o  recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário,  por ser intempestivo.    assinado digitalmente  Luiz Augusto do Couto Chagas                             Fl. 129DF CARF MF

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6890724 #
Numero do processo: 13116.900416/2013-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2008 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.891
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13116.900416/2013­05  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­002.891  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de junho de 2017  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/01/2008  PROUNI.  ISENÇÃO FISCAL.  INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO  DE ADESÃO. ALCANCE.  A  isenção  prevista  no  art.  8º  da  Lei  nº  11.096/2005  é  comprovada  com  o  Termo  de  Adesão  da  instituição  ao  ProUni  ­  Programa  Universidade  para  Todos.  Quanto  às  contribuições,  alcança  tão  somente  o  PIS  e  a  COFINS  sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.  COMPENSAÇÃO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA  DO  CRÉDITO.  ÔNUS  DA  PROVA. INSUFICIÊNCIA.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  contra  a  Fazenda Nacional  exige  a  averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior  de  tributo,  fazendo­se necessário verificar  a  exatidão das  informações  a  ele  referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus  de provar seu direito líquido e certo.  Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Winderley  Morais  Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira,  Pedro  Rinaldi  de  Oliveira  Lima,  Orlando  Rutigliani  Berri  (Suplente  convocado),  Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 04 16 /2 01 3- 05 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 3          2 Relatório  UNIÃO  BRASILIENSE  DE  EDUCAÇÃO  E  CULTURA  transmitiu  PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS.  A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o  Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado  para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não  restando crédito disponível para a  restituição pleiteada.  Em Manifestação  de  Inconformidade,  o  declarante  informou  que  o  direito  creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao  Programa  Universidade  para  Todos  ­  ProUni,  nos  termos  da  Solução  de  Consulta  nº  86  –  SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à  isenção durante o  período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004).  Nos  termos  do Acórdão  nº  14­053.532,  a Manifestação  de  Inconformidade  foi  julgada  improcedente,  tendo  a  DRJ  fundamentado  sua  decisão  no  fato  de  inexistir  comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por  não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei  nº 11.096/2005.  Em  seu  recurso  voluntário,  a  Recorrente  repisa  suas  razões  de  defesa,  destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o  direito  à  isenção,  o  que,  segundo  ela,  tornava  "legalmente  desnecessária"  a  exigência  de  comprovação de sua adesão ao programa.  Argumenta,  ainda,  que,  nos  casos  da  espécie,  é  "faticamente  impossível"  a  apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico.  Na  sequência,  sustenta  a  absoluta  desnecessidade  dos  elementos  de  prova  exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se  tratar  de  questão  aperfeiçoada  e  superada  ante  a  homologação  da  base  de  cálculo  da  contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o  valor declarado encontrava­se exato e perfeito.  Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de  diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério  da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no  período sob comento.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 4          3 O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3201­002.885, de  28/06/2017,  proferido  no  julgamento  do  processo  nº  13116.900001/2014­12,  paradigma  ao  qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201­002.885):  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido.  O  dispositivo  legal  que  trata  da  isenção  de  impostos  e  contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º  da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei):  Art.  8o A  instituição que aderir  ao ProUni  ficará  isenta  dos  seguintes  impostos  e  contribuições no  período  de  vigência  do  termo de  adesão:  (Vide Lei nº 11.128, de 2005)  (...)  III  ­ Contribuição  Social  para  Financiamento  da  Seguridade  Social,  instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e  IV  ­  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social,  instituída  pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970.  § 1° A  isenção de que  trata o caput deste artigo recairá sobre o  lucro  nas hipóteses dos  incisos  I e  II do caput deste artigo, e sobre a receita  auferida,  nas  hipóteses  dos  incisos  III  e  IV  do  caput  deste  artigo,  decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente  de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica.  §  2°  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Ministério  da  Fazenda  disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias.  § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da  ocupação  efetiva  das  bolsas  devidas.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.431,  de  2011).  A  Lei  foi  regulamentada  pelo  Decreto  nº  5.493,  de  18/07/2005,  com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei):  Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a  Lei  no  11.096,  de  13  de  janeiro  de  2005,  destina­se  à  concessão  de  bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por  cento  ou  de  vinte  e  cinco  por  cento,  para  estudantes  de  cursos  de  graduação  ou  seqüenciais  de  formação  específica,  em  instituições  privadas  de  ensino  superior,  com  ou  sem  fins  lucrativos,  que  tenham  aderido  ao PROUNI nos  termos  da  legislação aplicável  e do  disposto  neste Decreto.  Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de  gozo de benefícios  fiscais,  cursos que exijam  formação prévia em nível  superior como requisito para a matrícula.  Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de  Educação Superior do Ministério da Educação.  Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 5          4 §  1o  A  instituição  de  ensino  superior  interessada  em  aderir  ao  PROUNI  firmará,  em ato de  sua mantenedora,  termo de adesão  junto  ao Ministério da Educação.  (...)  Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas  no  termo de adesão,  será  instaurado procedimento administrativo para  aferir  a  responsabilidade  da  instituição  de  ensino  superior  envolvida,  aplicando­se, se for o caso, as penalidades previstas.  (...)  A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no §  2º  do  art.  8º  acima,  editou  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  456/2004,  posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no  que se aplica ao caso (grifei):  Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou  sem  fins  lucrativos  não  beneficente,  que  aderir  ao  Programa  Universidade para Todos  (ProUni)  nos  termos  dos  arts.  5º  da Medida  Provisória  nº  213,  de  2004,  ficará  isenta,  no  período  de  vigência  do  termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto:  I ­ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins);  II ­ Contribuição para o PIS/Pasep;  (...)  § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos  incisos  III  e  IV,  e  sobre  o  valor  da  receita  auferida  na  hipótese  dos  incisos  I  e  II,  decorrentes  da  realização  de  atividades  de  ensino  superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de  formação específica.  § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a  instituição de  ensino  deverá  apurar  o  lucro  da  exploração  referente  às  atividades  sobre  as  quais  recaia  a  isenção,  observado  o  disposto  no  art.  2º  e  na  legislação do imposto de renda.  (...)  Art.  3º  Para  usufruir  da  isenção,  a  instituição  de  ensino  deverá  demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos  que compõem as  receitas,  custos,  despesas  e  resultados  do período de  apuração,  referentes  às  atividades  sobre  as  quais  recaia  a  isenção  segregados das demais atividades.  (...)  O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in  verbis (grifei):  Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou  sem  fins  lucrativos não  beneficente,  poderá aderir ao Prouni mediante  assinatura de termo de adesão, cumprindo­lhe (...)  §  1o  O  termo  de  adesão  terá  prazo  de  vigência  de  10  (dez)  anos,  contado  da  data  de  sua  assinatura,  renovável  por  iguais  períodos  e  observado o disposto nesta Lei.  Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 6          5 (...)  Art.  7o As  obrigações  a  serem  cumpridas  pela  instituição  de  ensino  superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão  constar as seguintes cláusulas necessárias:   (...)  Art.  9o  O  descumprimento  das  obrigações  assumidas  no  termo  de  adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades:  (...)  Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério  da  Educação,  nos  termos  do  art.  5o  desta  Lei,  será  instruído  com  a  estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois)  subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art.  9o  desta  Lei,  bem  como  o  demonstrativo  da  compensação  da  referida  renúncia,  do  crescimento  da  arrecadação  de  impostos  e  contribuições  federais  no  mesmo  segmento  econômico  ou  da  prévia  redução  de  despesas de caráter continuado  A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer  documento  que  comprove  sua  regular  adesão  ao  Prouni  sob  o  fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei  nº  11.096/2005  em  seu  art.  11,  §  1º,  remete  a  competência  para  tais  verificações e exigências ao Ministério da Educação.  Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima.   O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem  requisitos  de  participação  no  referido  Programa.  Os  diversos  dispositivos  transcritos  (Lei,  Decreto  e  Instrução  Normativa)  apontam  para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não  somente  a  adesão  da  instituição  de  ensino,  mas  o  controle  de  sua  permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e,  principalmente  ao  que  interessa  ao  presente  litígio,  a  isenção  de  contribuições.  Dessa  forma,  a  exibição  do  documento  "Termo  de  Adesão"  é  essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o  PIS/Pasep e Cofins  Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda  que eletrônico, prevê o ato de  sua assinatura, para que se dê a devida  validade e autenticidade.  Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que  demonstra  não  estar  nos  sistemas  internos  (informatizados)  da  Secretaria  da  Receita  Federal;  e,  se  de  fato  materializado  apenas  em  formato eletrônico  em razão de  sua essencialidade, é de  se presumir a  possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos,  com chave de segurança para confirmação da autenticidade.   Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de  outra  ordem,  e  firmado  entre  partes  ­  Ministério  da  Educação  e  instituição de ensino privada ­ há de ser mantido pela parte interessada  para o gozo dos benefícios previstos no Termo.  Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 7          6 Nada  obstante,  o  que  a  recorrente  argumenta  para  a  não  apresentação  do  Termo  de  adesão  ao  Prouni  outros  recorrentes  em  situação  idêntica  não  se  escusaram do  cumprimento  de  singelo mister.  Veja­se  exemplo  de  julgado  proferidos  neste  Conselho  em  que  se  demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e  mantença no Programa (grifei):   Autoridade  Julgadora  de  1ª  Instância  bem  observou  ainda  que  o  contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao  Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido  por ser de extrema valia:  "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos  autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo  de Adesão  (fls.  3.119  a 3.273).  (Acórdão  nº 3402­001.704, processo nº  19515.000260/2008­79,  relatoria  do  cons.  João  Carlos  Cassuli  Junior,  sessão de 22/03/2012)  Não  se  pode  concluir  de outra  forma,  senão  a  que  a  recorrente  não  se  dignou  a  comprovar  a  existência  e  aposição  de  assinatura  no  Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu.  Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao  recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes  ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu.  Antes,  porém,  analisa­se  as  demais  teses  suscitadas  no  recurso  voluntário que visam seu provimento  Sustenta  ainda  a  desnecessidade  de  apresentação  das  folhas  de  salário  e  respectivamente  contabilidade  pois  entende  que  no  despacho  decisório  há  o  reconhecimento  expresso  de  que  a  base  de  cálculo  encontra­se "exata e perfeita", além de "devidamente homologada".  Quanto  à  exigência  de  apresentação  de  documentos  fiscais  e  contábeis,  assentou  o  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  que  deveria  também ter  juntado a  folha de salários, a  fim de demonstrar a base de  cálculo  do  PIS,  e  os  livros  fiscais  que  demonstrassem  os  lançamentos  relativos a ela.  Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que  a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a  parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86  – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de  junho de 2009 proferiu entendimento cuja  interpretação errônea da contribuinte  ­  adiante  será enfrentado  ­  lhe é  favorável quanto à isenção do PIS­folha de salários.  Ad argumentandum  tantum,  justamente  firmada no entendimento  favorável  que  extraiu  do  ato  expedido  pela  autoridade,  a  recorrente  pleiteia a restituição do PIS­folha de salários, código de receita "8301".  Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de  fazer  prova  documental  de  seu  pretenso  direito,  qual  seja,  a  apresentação  dos  documentos  e  livros  atinentes  à  rubrica  "salários"  para  que  se  comprove  qual  sua  dimensão  (quantificação)  na  base  de  cálculo.  Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 8          7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção  está  superado  pela  conclusão  da  indigitada  Solução  de  Consulta,  que  entende ter­lhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários.  Mais uma vez, sem razão a contribuinte.   A  Solução  de  Consulta  expressamente  consignou  que  a  isenção  alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS­ folha  de  salários.  Diga­se  que  na  elaboração  da  peça  a  consulente,  ora  recorrente,  apenas  informou  ter  realizada  a  adesão  ao  Prouni,  sem  qualquer  comprovação  naquele  autos  de  consulta,  e  apresenta  seu  entendimento de que a isenção alcançaria o PIS ­ folha de salários, para  ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento.  Eis a carta­consulta:      Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade  que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da  incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando  assente a  tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e  incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.158­35/2001.  Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a  receita  auferida  pela  instituição  de  educação  que  aderir  e  assim  se  mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e  2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º  caput  e  parágrafo  único  da  IN  SRF  nº  456/2004,  para  em  seguida  enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que:  "  5.  Ante  os  dispositivos  acima  expostos,  verifica­se  que  a  instituição  privada  de  ensino  superior,  com  fins  lucrativos  ou  sem  fins  lucrativos  não  beneficente,  que  aderir  ao  Programa  Universidade  para  Todos  (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004,  Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 9          8 ficará  isenta,  no  período  de  vigência  do  termo  de  adesão,  da  Contribuição para o PIS."  Conclui a solução da consulta com o enunciado:  Conclusão  6.    Em face do exposto, conclui­se que a instituição privada  de  ensino  superior  com  fins  lucrativos  ou  sem  fins  lucrativos  não  beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni)  nos  termos  dos  arts.  5º  da Medida  Provisória  nº  213,  de  2004,  ficará  isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para  o PIS.  Completa­se os  fatos com a apresentação da ementa da Solução  de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep   Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA.  A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins  lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para  Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de  2004,  ficará  isenta,  no  período  de  vigência  do  termo  de  adesão,  da  Contribuição para o PIS.  Dispositivos  Legais:  art.13  da  Medida  Provisória  n°  2.158­35/2001;  art.8°  da  Lei  n°  11.096/2005;  arts.  1º  e  3o  da  Instrução Normativa  nü  456/2004.  Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação  de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades  aderentes ao Prouni estaria isenta.   A  uma,  os  dispositivos  legais  da  ementa  da  solução de  consulta  informam  a  legislação  aplicada,  primeiro,  a  que  dispõe  acerca  do  Pis  folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS  alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade  trouxe  a  legislação  que  faz  distinção  entre  PIS­folha  de  salário­  tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas ­ isentos nos termos e  requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de  salários" não tem o condão de fazê­lo incluir na isenção pelo motivo a  seguir;  a  quatro,  nos  termos  do  art.  111  caput  e  inciso  II  do  CTN,  "interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha  sobre  outorga  de  isenção";  a  cinco,  não  caberia  a  autoridade  fiscal  ou  administrativa contrariar preceito legal.  Por  fim,  sacramentando  o  entendimento  do  não  alcance  da  isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da  Receita  Federal  editou  a  Solução  de Divergência Cosit  nº  1,  de  2015,  publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa:  SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015.   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   EMENTA:  INSTITUIÇÕES  DE  ENSINO  SUPERIOR.  PROUNI.  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA  Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 10          9 DE  SALÁRIOS.  A  isenção  de  que  trata  o  art.  8º  da  Lei  nº  11.096,  de  2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a  folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni.   DISPOSITIVOS  LEGAIS:  Lei  nº  9.532,  de  1997,  art.  12;  Decreto  nº  4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; Decreto­Lei  nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394,  de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.158­35, de 2001.  O último argumento da recorrente refere­se à eventual realização  de  diligência,  oficiando­se  ao  Ministério  da  Educação  acerca  da  sua  manutenção  no  Prouni,  acaso  não  seja  superada  os  fundamentos  ante  aduzidos  que  entende  suficiente  ao  direito  à  restituição  pleiteada  decorrente do pagamento indevido da Contribuição.  Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado  neste  voto  os  fundamentos  antecedentes  são  suficientes  para  negar  provimento  ao  recurso.  Não  há  dúvidas  intransponíveis  nos  autos  que  necessitam de serem completadas para decidir o litígio.  Nos  processos,  como  o  presente,  que  tratam  de  solicitação  de  restituição  e  compensação,  a  comprovação  do  direito  aos  créditos  incumbe  ao  postulante.  É  seu  dever  carrear  aos  autos  os  elementos  probatórios  correspondentes,  em  especial  quando  necessário  à  fruição  de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido  feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular  e temporal no Programa, cabível seria a diligência.  Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério  da  Educação  para  apresentação  do  Termo  de  Adesão,  documento  primário  e  essencial  ao  compromisso  assumido  e  firmado  pela  instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que  não se dignou a apresentar aos autos.  Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o  Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e  não  permaneceu  silente  quanto  às  exigências.  Em  todas  as  peças  recursais  ­  impugnação  e  recurso  voluntário  ­  sustentou  a  desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a  solução de  consulta  reconheceram expressamente  seu direito à  isenção  do PIS  relativo  ao Programa,  sem colacionar  qualquer  documento  seu  aos autos.  A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada  pelo  direito  pátrio  de  que a  prova compete  à  pessoa  que  alega  o  fato,  conforme  se  depreende  do  abaixo  transcrito  artigo  16,  caput,  III,  do  Decreto  n°  70.235,  de  1972  (PAF),  que  regulamenta  o  processo  administrativo  fiscal no  âmbito  federal,  e  do  artigo 373,  do Código  de  Processo Civil,verbis:  Decreto n° 70.235, de 1972:  Art. 16. A impugnação mencionará:  III os motivos de  fato e de direito  em que se  fundamenta, os pontos de  discordância e as razões e provas que possuir.  Lei nº 13.105/2015 ­ CPC  Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.900416/2013­05  Acórdão n.º 3201­002.891  S3­C2T1  Fl. 11          10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe:  I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  II  —  ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo do direito do autor."  Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra  a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  tributo,  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações  a  ele  referentes,  confrontando­as  com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se  conhecer  qual  seria  o  tributo  devido  e  compará­lo  ao  pagamento  efetuado.  As Declarações  (DCTF, DCOMP  e DACON,  PER/DCOMP),  os  documentos  fiscais  e  contábeis  e  aqueles  pertinentes  a  benefícios  tributários,  celebrados  com  órgãos  públicos,  são  produzidos  e  celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte  que,  havendo  inconsistências  ou  omissões,  impõe  a  obrigação  da  recorrente  em  comprovar  os  fatos  mediante  a  escrituração  contábil  e  fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos  líquidos  e  certos  comprovados  inequivocamente  pelo  contribuinte  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  preceituado  no  artigo  170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN).  Conclusão  Por  todo o  exposto a  recorrente não  se desincumbiu do ônus de  provar  o  alegado  direito  líquido  e  certo,  decorrente  de  suposto  pagamento a maior ou indevido de PIS.  Assim,  não  encontro  razão  para  modificar  a  decisão  a  quo  e  VOTO  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira                            Fl. 55DF CARF MF

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Numero do processo: 10530.904860/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.975
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3201­000.975  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de junho de 2017  Assunto  RESTITUIÇÃO  Recorrente  RODOBENS CAMINHÕES BAHIA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira ­ Presidente e Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Winderley  Morais  Pereira,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Paulo  Roberto Duarte Moreira,  Tatiana  Josefovicz  Belisario,  Leonardo  Vinicius  Toledo  de  Andrade,  Orlando  Rutigliani  Berri  (Suplente  convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado  em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou  improcedente a Manifestação de  Inconformidade  manejada  para  se  requerer  a  reforma  do  despacho  decisório  exarado  pela  repartição de origem.  De  acordo  com  o  despacho  decisório,  o  crédito  informado  na  Declaração  de  Compensação  já  se  encontrava  integralmente  alocado  a  outro  débito  do  sujeito  passivo,  decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição.  Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento  do  direito  à  restituição  da  contribuição  recolhida  sobre  receitas  estranhas  ao  conceito  de  faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  julgamento  submetido  à  sistemática  da  repercussão geral, cujo  teor deve ser  reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por  força do  disposto no art. 62­A do Regimento Interno do CARF.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 86 0/ 20 11 -4 1 Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10530.904860/2011­41  Resolução nº  3201­000.975  S3­C2T1  Fl. 3          2 A  decisão  da  DRJ  Belo  Horizonte/MG,  denegatória  do  direito  pleiteado,  fundamentou­se na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de  apresentação da prova do indébito.  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância,  o  contribuinte  interpôs Recurso  Voluntário,  reiterando  a  existência  do  crédito  tributário  postulado  e  requerendo  seu  integral  deferimento, tendo­se em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da  investigação  dos  fatos  por  parte  da  Fiscalização,  em  face  do  conjunto  probatório  por  ele  produzido.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº 3201­000.905,  de  29/06/2017,  proferido  no  julgamento  do  processo  10530.904837/2011­56,  paradigma  ao  qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela  decisão (Resolução nº 3201­000.905):  A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo  Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a  seguir transcrita:  "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  Inconstitucionalidade.  Precedentes  do Plenário  (RE nº  346.084/PR, Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.9.2006;  REs  nos  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  MARCO  AURÉLIO,  DJ  de  15.8.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do  PIS  e  da  COFINS  prevista  no  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98."  (RE  585235  QO­RG,  Relator(a):  Min.  CEZAR  PELUSO,  julgado  em  10/09/2008,  REPERCUSSÃO GERAL  ­ MÉRITO DJe­227 DIVULG  27­ 11­2008  PUBLIC  28­11­2008  EMENT  VOL­02343­10  PP­02009  RTJ  VOL­00208­02 PP­00871 )  Tem­se, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado  inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.  Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede  de  repercussão  geral  é  de  aplicação  obrigatória  por  parte  deste Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  conforme  se  depreende  da  redação do art. do RICARF:  "Art. 62. Fica vedado aos membros das  turmas de  julgamento do CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo:   Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10530.904860/2011­41  Resolução nº  3201­000.975  S3­C2T1  Fl. 4          3 (...)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  (...)  b)  Decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  o  u  do  Superior  Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts.  543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei  n  º  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152,  de 2016)"  A  jurisprudência  deste  colegiado  administrativo  é  pacífica  em  relação ao tema. Vejamos:  "Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  Período  de  apuração:  01/09/2001  a  30/09/2001  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/1998.  INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  APLICAÇÃO  DO  ART.  62  DO  REGIMENTO  INTERNO  DO  CARF.  OBRIGATORIEDADE  DE  REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.  O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo  STF  no  julgamento  do  RE  nº  346.084/PR  e  no  RE  nº  585.235/RG,  este  último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim,  deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o  que  implica  a  obrigatoriedade  do  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  do  referido  dispositivo  legal."  (Processo  11516.002621/2007­19;  Acórdão  3401­003.239;  Conselheiro  LEONARDO  OGASSAWARA  DE  ARAUJO  BRANCO,  Sessão  de  26/09/2016)  Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto  a  decisão proferida  em  sede  de manifestação  de  inconformidade  informam  não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório.  A  decisão,  portanto,  foi  no  sentido de  que  inexiste crédito apto a  lastrear o pedido da recorrente.  No  entanto,  entendo  como  razoável  as  alegações  produzidas  pela  recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que  procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos  créditos alegados.  A  recorrente  além  das  DCTF's  apresentou  planilha  de  cálculo,  balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e,  por fim, juntamente com o seu recurso anexa o Livro­Razão.  Neste  contexto,  a  teor  do  que  preconiza  o  art.  373  do  diploma  processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório,  sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa­fé.  Saliento o  fato de assistir razão à recorrente quando alega que a  falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é  indevido,  sob  pena  de  ofensa  aos  princípios  da  legalidade  e  da  verdade  material.  Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10530.904860/2011­41  Resolução nº  3201­000.975  S3­C2T1  Fl. 5          4 Neste sentido já decidiu o CARF:  "Assunto:  Normas  de  Administração  Tributária  Ano­calendário:  2002  CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Os  processos  referem­se  a  períodos  diferentes,  o  que  ocasiona  fatos  jurídicos  tributários  diferentes,  com a  consequente diferenciação no que  concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão.  FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.  Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre,  por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida  formalidade  não se faz necessária.  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins Ano­calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º,  §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO.  Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998,  tal  fato  já  foi  decidido  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  regime  de  repercussão  geral,  RE  585235 QO­RG."  (Processo  10280.905801/2011­ 89; Acórdão 3302­003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE  ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque)  Recentemente,  em  questão  similar,  em  processo  relatado  pela  Conselheira  Tatiana  Josefovicz  Belisário  (10830.917695/2011­11  ­  Resolução 3201­000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em  converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito:  "Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos,  acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade de  votos,  em converter  o  julgamento  em  diligência, nos termos do voto da Relatora."  Do voto da relatora destaco:  "Na hipótese dos autos, observa­se que não houve inércia do contribuinte  na  apresentação de documentos. O que  se  verifica  é que os  documentos  inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se  mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a  revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em  sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos.  Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório  eletrônico,  ou  seja,  a  primeira  oportunidade  concedida  ao  contribuinte  para  a  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  seu  direito  foi,  exatamente,  no  momento  da  apresentação  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade. E,  foi apenas em sede de acórdão, que  tais documentos  foram tidos por insuficientes.  Sabe­se quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em  regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação  de  documentos  e  esclarecimentos,  por  meio  dos  Termos  de  Intimação  emitidos durante o procedimento. Assim,  limitar, na autuação eletrônica,  a  oportunidade  de  apresentação  de  documentos  à  manifestação  de  inconformidade,  aplicando  a  preclusão  relativamente  ao  Recurso  Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos  princípios da ampla defesa e do devido processo legal."  Ademais,  em  casos  análogos  envolvendo  a  recorrente,  este  conselho  administrativo  nos  processos  10530.902899/2011­23  e  Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10530.904860/2011­41  Resolução nº  3201­000.975  S3­C2T1  Fl. 6          5 10530.902898/2011­89  decidiu  por  converter  o  julgamento  em  diligência  através das Resoluções 3801­000.816 e 3801­000.815.  Assim,  entendo  que  há  dúvida  razoável  no  presente  processo  acerca  da  liquidez,  certeza  e  exigibilidade  do  direito  creditório,  o  que  justifica  a  conversão  do  feito  em  diligência,  não  sendo  prudente  julgar  o  recurso  em  prejuízo  da  recorrente,  sem  que  as  questões  aventadas  sejam  dirimidas.  Diante  do  exposto,  voto  pela  conversão  do  julgamento  em  diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado,  de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de  transmissão  dos  PER/DCOMPs  dos  processos,  bem  como  a  existência  do  crédito  postulado  a  partir  de  toda  a  documentação  apresentada  pelo  contribuinte  e  outras  diligências  que  possam  ser  realizadas  a  critério  da  autoridade competente, com a elaboração do devido relatório.  Deve, ainda, a autoridade administrativa  informar se há o direito  creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção  do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo  contribuinte.  Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos  procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo  prazo  de  30  (trinta)  dias,  prorrogável  por  igual  período,  para  que  se  manifeste  nos  autos  e  apresente  documentos  adicionais,  caso  entenda  necessário,  para, na  sequência,  retornarem os autos a  este  colegiado para  prosseguimento do julgamento.  Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pelo  contribuinte  no  processo  paradigma, como prova do direito creditório,  também foram juntados  em cópias nestes autos  (planilha,  balancete  e/ou  razão). Dessa  forma,  os  elementos  que  justificaram  a  conversão  do  julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento  em  diligência,  para  que  a  Autoridade  Preparadora  certifique  a  efetiva  existência  do  crédito  postulado,  a  partir  dos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  e  por  meio  de  outras  diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes  na data de transmissão do PER/DCOMP, consignando­os em relatório pormenorizado.  Após a realização da diligência, conceda­se vista ao contribuinte pelo prazo de  30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões.  Após, retornem­se os autos para julgamento.  (assinado digitalmente)  Winderley Morais Pereira    Fl. 1049DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.720383/2011-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizado o interesse recursal, aqui abrangida a utilidade do recurso para fins do pedido deduzido. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação à retroatividade benigna, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA

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   Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9202­005.573  –  2ª Turma   Sessão de  28 de junho de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrentes  BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  PRESSUPOSTOS  DE  ADMISSIBILIDADE.  CONHECIMENTO.   Não  se  conhece  de  Recurso  Especial  de  Divergência,  quando  não  resta  caracterizado o interesse recursal, aqui abrangida a utilidade do recurso para  fins do pedido deduzido.   APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008,  CONVERTIDA  NA  LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.  Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  que  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo  de  conduta.  O  cálculo  da  penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº  14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do  Recurso Especial do Contribuinte, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula  Fernandes,  que  conheceram  do  recurso.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro  Heitor de Souza Lima Júnior. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do  Recurso Especial  da Fazenda Nacional,  apenas  em  relação à  retroatividade benigna,  vencidas  as  conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva  e Rita Eliza Reis da     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 83 /2 01 1- 54 Fl. 1474DF CARF MF   2 Costa  Bacchieri,  que  conheceram  integralmente  do  recurso.  No mérito,  na  parte  conhecida,  por  unanimidade de votos, acordam em dar­lhe provimento.   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva ­ Relatora  (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior ­ Redator designado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  E  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,  Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).    Relatório  Cuida­se  de Recurso  Especial  do  Procurador  e  do  Contribuinte  interpostos  em face do Acórdão nº 2301­003.733, que restou assim ementado:  Assunto:  Contribuições  Sociais  Previdenciárias  Período  de  apuração:  01/02/2006 a 31/12/2006   DECADÊNCIA.  INCONSTITUCIONALIDADE  DOS  ARTIGOS  45  E  46  DA  LEI  8.212/91.  PRAZOS  DECADENCIAIS  DO  CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.  De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF os artigos 45  e  46  da  Lei  nº  8.212/1991  são  inconstitucionais,  devendo  prevalecer, no que tange à decadência as disposições do Código  Tributário Nacional.  Incidência do artigo 150, § 4º do CTN pois se verificou durante o  procedimento  fiscalizatório  os  pagamentos  efetuados,  considerando, assim, a totalidade da folha de salários do sujeito  passivo, efetuando­se o lançamento das diferenças encontradas,  qual seja, a parte relativa à participação nos lucros e resultados.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  NECESSIDADE  DE  REGRAS  CLARAS  E  OBJETIVAS  INSERTAS NO ACORDO.   O  Acordo  deve  conter  as  regras  claras  e  objetivas,  ou  seja,  regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se  refiram ao mundo dos objetos.  Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 16327.720383/2011­54  Acórdão n.º 9202­005.573  CSRF­T2  Fl. 1.475          3 PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  ESCOLHA  DE  UM  DOS  PROCEDIMENTOS  DO  ART.  2º  DA  LEI  10.101/2000.  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação entre a empresa e seus empregados, mediante de um  dos  procedimentos  previstos  no  art.  2º  da  Lei  10.101/2000.  A  legislação,  portanto,  não  prevê  a  aplicação  conjunta  dos  procedimentos.  DATAS DAS REUNIÕES PARA FIXAÇÃO DE METAS.  No  caso  dos  autos  as  reuniões  para  a  fixação  das  metas  realizadas em 02 de agosto de 2005 e 07 de julho de 2006 não se  constituíram  em  novos  planos  de  PLR,  sendo  mantido  aquele  originalmente  fixado  entre  empregador  e  empregados,  com  a  participação do sindicato, em 2001.  PLR. PAGAMENTO DE VALORES SEM CUMPRIMENTO DE  METAS.  A  legislação  impõe  alguns  requisitos  basilares  para  que  os  valores  pagos  a  título  de  participação  nos  lucros  não  sejam  tributados por meio das contribuições previdenciárias.   Segundo  o  programa  PLR  fixado  com  os  empregados  a  meta  principal  a  ser  alcançada  seria  a  melhoria  de  satisfação  do  cliente,  medida  segundo  um  ranking  divulgado  pela  Universidade de São Paulo, desde que a empresa ficasse entre as  cinco  primeiras,  fato  que  não  aconteceu.  O  pagamento  de  valores  previstos  em  Acordo,  desvinculados  das  metas  estabelecidas não traduz, em pagamento de PLR abrangida pela  Lei nº 10.101/00.  LANÇAMENTOS  REFERENTES  FATOS  GERADORES  ANTERIORES  A  MP  449.  MULTA  MAIS  BENÉFICA.  APLICAÇÃO  DA  ALÍNEA  “C”,  DO  INCISO  II,  DO  ARTIGO  106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ  11/2008.  A mudança  no  regime  jurídico  das multas  no  procedimento  de  ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio  da MP  449  enseja  a  aplicação  da  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo 106 do CTN.  No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao  percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.  APLICAÇÃO  DA  MULTA  DE  75%  COMO  MULTA  MAIS  BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR  A  MULTA  DE  MORA  E  MULTA  POR  INFRAÇÕES  RELACIONADAS À GFIP.  Em relação aos  fatos geradores até 11/2008, nas  competências  nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no  art.  44  da  Lei  9.430/96  por  concluir  se  tratar  da  multa  mais  benéfica  quando  comparada  aplicação  conjunta  da  multa  de  Fl. 1476DF CARF MF   4 mora  e  da multa  por  infrações  relacionadas  a GFIP,  deve  ser  mantida  a  penalidade  equivalente  à  soma  de:  multa  de  mora  limitada  a  20%  e  multa  mais  benéfica  quando  comparada  a  multa do art. 32 com a multa do art. 32ª da Lei 8.212/91.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Na origem, trata­se de Autos de Infração por descumprimento de obrigações  principais  que  têm  por  objeto  contribuições  previdenciárias  destinadas:  ­  ao  custeio  da  Seguridade Social, cota patronal – DEBCAD 37.314.749­0; ­ ao financiamento dos benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente dos  riscos  ambientais do trabalho – GILRAT, DEBCAD 37.314.749­0; ­ a terceiros – Salário Educação e  Incra – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados – DEBCAD 37.314.750­   No  relatório  fiscal,  fls.  343,  ficou  consignado que o  contribuinte deixou de  cumprir os seguintes aspectos da Lei nº 10.101/2000: i) o acordo de PLR relativo ao exercício  de 2006 foi assinado após  transcorrido ¾ do período aquisitivo, em outubro/2006, o que não  oportunizou aos empregados o conhecimento prévio das condições impostas no acordo; ii) as  metas propostas no acordo não foram alcançadas, mas mesmo assim o benefício foi pago; iii) o  plano que abrange os executivos não adotou regras claras e objetivas para o cumprimento das  metas;  iv)  utilização  de  dois  métodos  para  o  pagamento  de  PLR  –  Convenção  Coletiva  e  Acordo entre empresa e empregados.  Diante da ausência de observância das  regulamentações  legais e contratuais  do programa, a fiscalização entendeu que os valores foram pagos em caráter de gratificação, e  não  em  participação  nos  lucros  e  resultados,  razão  pela  qual  o  contribuinte  deveria  ter  recolhido  a  devida  contribuição  social  previdenciária.  Não  o  fazendo,  o  Fisco  procedeu  ao  lançamento  dos  créditos  e  das  respectivas  multas,  nos  moldes  da  legislação  anterior  à  publicação  da  MP  nº  449/2008,  por  ser  a  penalidade  menos  severa  do  que  a  multa  de  lançamento de ofício (75%).  Contra a decisão da DRJ que não acolheu a impugnação do contribuinte, foi  interposto Recurso Voluntário, tendo os membros do colegiado acordado o seguinte:  Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso,  para  excluir  do  lançamento  as  contribuições  apuradas  até  a  competência 02/2006, anteriores a 03/2006, nos termos do voto  do  Relator;  b)  em  dar  provimento  ao  recurso,  na  questão  das  datas de  reunião de  fixação de metas;  c) em negar provimento  ao  recurso,  para  manter  no  lançamento  os  pagamentos  de  valores previstos na Cláusula Terceira do Acordo firmado com a  CONTEC;  d)  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  retificar a multa.    Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na  questão da PLR, devido à ausência de regras claras e objetivas;  b) em negar provimento ao recurso, na questão da existência de  mais  de  um  acordo;  c)  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a  penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art.  44,  da  Lei  9.430/96,  por  concluir  se  tratar  da  multa  mais  benéfica  quando  comparada  aplicação  conjunta  da  multa  de  mora  e  da  multa  por  infrações  relacionadas  à  GFIP  deve  ser  mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora  limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a  multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91; d) em  Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 16327.720383/2011­54  Acórdão n.º 9202­005.573  CSRF­T2  Fl. 1.476          5 negar  provimento  ao  Recurso  nas  rubricas  indenização  e  indenização  especial;  III)  Por  unanimidade  de  votos:  a)  em  manter a multa na sucessora; b) em dar provimento parcial ao  Recurso,  no mérito,  para,  nas  competências  que  a  fiscalização  aplicou  somente  a  penalidade  prevista  na  redação,  vigente  até  11/2008,  do  Art.  35  da  Lei  8.212/1999,  esta  deve  ser  mantida,  mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se  mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao Recurso  nas demais alegações da Recorrente.  A  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial  apontando  as  seguintes  divergências: 1ª)  Inobservância de acordo prévio ao exercício – o acórdão  recorrido sustenta  que a Lei nº 10.101/2000 não estipula data limite para assinatura dos acordos de PLR, enquanto  que o acórdão paradigma (2401­000.545) estabelece que o acordo deve ser sempre prévio ao  exercício; 2ª) Retroatividade benigna da multa.  Ao  final,  requereu  a  reforma  do  acórdão  para  que  seja  reestabelecido  o  crédito tributário em sua integralidade e, em relação à multa, que prevaleça a forma de cálculo  em conformidade com a IN­SRF nº 1.027/2010.  O Contribuinte apresentou contrarrazões  sustentando que a  formalização do  instrumento  no  curso  do  exercício  a  que  se  refere  não  caracteriza  violação  à  Lei  nº  10.101/2000,  pois  o  art.  2º,  §  1º  não  condiciona  a  legitimidade  da  PLR  a  um  programa  de  metas,  resultados  e  prazos  previamente  pactuados  e  que  os  empregados  tinham  prévio  conhecimento das regras, pois o PPR de 2006 era essencialmente idêntico ao de 2005.  Argumentou, ainda, que a forma de cálculo da multa estipulada pela Fazenda  Nacional  viola  o  ordenamento  jurídico,  pois  o  cotejo  é  realizado  entre  multas  de  natureza  totalmente distintas.  Por sua vez, o Contribuinte interpôs Recurso Especial impugnando a decisão  no  tocante  ao  entendimento  de  utilização  de  critérios  objetivos  e  claros  nos  instrumentos  de  formalização de acordo de PLR. Ao final, requereu a reforma do julgado para que os Autos de  Infração sejam julgados totalmente improcedentes.  A Fazenda Nacional após resolução cientificada do Recurso do Contribuinte,  apresentou  contrarrazões  onde  pugna  que  tendo  em  vista  o  art.  111  do CTN  e  a  necessária  interpretação literal da lei, não deve ser conhecido o recurso do contribuinte.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheira Patrícia da Silva ­ Relatora  Recurso Especial do Procurador  O  Recurso  é  tempestivo,  entretanto  quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, é preciso ponderar que:  Fl. 1478DF CARF MF   6   Quanto a inobservância de acordo prévio ao exercício – o acórdão recorrido  sustenta que a Lei nº 10.101/2000 não estipula data limite para assinatura dos acordos de PLR,  enquanto que o acórdão paradigma  (2401­000.545) estabelece que o  acordo deve ser  sempre  prévio ao exercício;   Não  deve  ser  conhecido  pois  limita­se  à  mera  trasncrição  de  ementa  de  trechos  dos  votos  vencedores  dos  acórdãos  paradigmas,  Acórdão  CSRF  9109­00631  ­  06/07/2010:  "...Ora,  no  presente  caso,  é  patente  a  ausência  de  qualquer  esforço  de  demonstração  dos  pontos  em  que  se  chocam  o  acórdão  recorrido  e  o  acórdão  paradigma.  A D.  Procuradoria  apenas  transcreveu,  no  ponto,  a  ementa  da  decisão  que  julgou  caracterizadora  da  divergência.  Não  a  analisou,  de  qualquer  forma, em comparação com a decisão recorrida. Pelo que não se  pode conhecer do seu mérito."  Ademais, a Fazenda Nacional indica paradigma que discute a higidez da PLR  paga com base em programa de metas, nos termos do art. 2º, §1º,ii da lei 10.101/00, enquanto  que o caso trata de PLR paga com base em índice de qualidade, nos termos do art. 2º, §1º, i,  da lei 10.101/00 (pagamento com base no “programa de melhoria do índice de satisfação dos  clientes”).   Veja que, Autoridade Fiscal, DRJ e Turma Ordinária do CARF reconhecem  que  o  plano  vigente  é  idêntico  ao  plano  anterior,  sendo  inconteste  a  negociação,  o  que  foi  fundamento autônomo ao provimento do recurso voluntário enquanto que o acórdão paradigma  NÃO  TRATA  DA  EXISTÊNCIA  DE  PLANO  ANTERIOR,  LIMITA­SE  À  DATA  DE  ASSINATURA.  In casu, é hígido na matéria de data de assinatura, dado que  (i)  suas  regras  eram de pleno conhecimento de todos os beneficiários, seja porque eram as mesmas vigentes  desde períodos anteriores, seja porque participaram da sua ampla negociação, e (ii) foi firmado  anteriormente ao pagamento da PLR.  Por  fim,  não  resta  INTERESSE RECURSAL  da  Fazenda Nacional,  pois  o  ppr continuaria hígido na matéria de data de assinatura, dado que:  (i)suas regras eram de pleno conhecimento de todos os beneficiários,  (ii)suas regras eram as mesmas vigentes desde períodos anteriores,  (iii)suas regras resultam de ampla negociação.   Desta  forma,  voto  pelo  não  conhecimento  do Recurso Especial  da Fazenda  Nacional,  quanto  a  primeira  matéria,  conhecendo,  tão­somente  o  Recurso,  quanto  à  retroatividade benigna, que passo a analisar:     Retroatividade benigna da multa  Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 16327.720383/2011­54  Acórdão n.º 9202­005.573  CSRF­T2  Fl. 1.477          7 Neste caso a controvérsia é relativa às penalidades aplicadas às contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  nº  449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do  CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De  inicio,  cumpre  registrar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  de  forma  unânime  pacificou  o  entendimento  de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade da  retroatividade benigna, não basta  a verificação da denominação atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta  do  Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão  de 23 de junho de 2016),  cuja  ementa  transcreve­se:  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ MULTA ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA.  A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  mesmo que referente a  fatos geradores anteriores a publicação  da referida lei, é de ofício.   AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  Fl. 1480DF CARF MF   8 acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à  Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava, para  a  situação em que ocorresse  (a)  recolhimento  insuficiente do  tributo  e  (b)  falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício,  acrescido  das multas  previstas  nos  arts.  35,  II,  e  32,  §  5o,  ambos  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz  remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar  (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  e (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação  da  retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores  no  sistema  de  cobrança,  a  fim  de  que,  em  cada  competência,  o  valor  da multa  aplicada  no  AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.   Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão,  a  penalidade  anterior  à  vigência  da MP  449,  de  2008,  ultrapassar  a multa  do  art.  35­A da Lei  n°  8.212/91,  correspondente  aos  75%  previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal ­ deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época os dispositivos  legais aplicáveis  eram multa  ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo  da  fase  processual  do  débito)  e  art.  32  (100%  da  contribuição  devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o  Auto de infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 16327.720383/2011­54  Acórdão n.º 9202­005.573  CSRF­T2  Fl. 1.478          9 “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Fl. 1482DF CARF MF   10 Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  · Norma anterior,  pela  soma da multa aplicada nos moldes do  art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   · Norma atual,  pela aplicação da multa de  setenta e  cinco por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 16327.720383/2011­54  Acórdão n.º 9202­005.573  CSRF­T2  Fl. 1.479          11 75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os  fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade  responsável pela execução do acórdão, quando do  trânsito em julgado administrativo, deverá  observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à aplicação  do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em  face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  Fl. 1484DF CARF MF   12 § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento.  Art.  3º A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma  do art.  35­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os débitos pagos,  os parcelados,  os não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação  da Medida Provisória  nº  449,  de  3  de  dezembro  de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­ A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada  limitar­se­á  àquela  prevista  Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 16327.720383/2011­54  Acórdão n.º 9202­005.573  CSRF­T2  Fl. 1.480          13 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009.  Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da  Fazenda Nacional.  Do Recurso Especial do Contribuinte  Dos  critérios  objetivos  e  claros  nos  instrumentos  de  formalização  de  acordo de PLR.  O  Recurso  Especial  do  Contribuinte  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos legais de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço.      Fl. 1486DF CARF MF   14     Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 16327.720383/2011­54  Acórdão n.º 9202­005.573  CSRF­T2  Fl. 1.481          15     Sendo assim, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte.  (assinado digitalmente)  Patrícia da Silva     Fl. 1488DF CARF MF   16 Voto Vencedor  Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado  Inicialmente, em que pese concordar com a tese de conhecimento parcial do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  esposada  pela  relatora  (não  o  conhecendo  quanto  à  matéria  de  PLR),  ressalvo  que  o  faço  por  não  conseguir  depreender,  a  partir  da  leitura  do  Acórdão  paradigma,  no.  2401­00.545,  se  viria  a  se  manter  ou  não,  ali,  a  condição  de  necessidade de  formalização prévia  (ou  seja,  de  existência  formal do  acordo previamente  ao  início do exercício), a partir da situação fática sob análise, qual seja, hipótese dos autos onde o  programa de Participação de Lucros e Resultados do ano de 2006, repetiu condições/regras  vigentes em diversos programas anteriores.   Verifico  que  se  ancora  a  decisão  paradigmática  na  necessidade  de  conhecimento prévio dos empregados acerca de tais regras e condições, sendo que, da leitura  do  caso  paradigma,  verifico  que  inexiste  qualquer  menção,  naquele  feito,  a  esta  eventual  repetição de condições/regras dos planos, repetição esta que entendo como capaz de alterar o  convencimento  de  julgadores  acerca  da  existência  ou  não  de  conhecimento  prévio  pelos  beneficiários  da  PLR.  Como  consequência,  não  se  pode  afirmar  como  se  posicionaria  o  Colegiado paradigmático no caso dos autos, onde existe tal repetição (diferença fática, a meu  ver, essencial).   Ou  seja,  uma  vez  transmudada  a  situação  fática  dos  autos  ao  Colegiado  paradigmático,  não  é  possível  se  depreender  se  o  Colegiado  paradigmático  atingiria  ou  não  decisão diversa, impedindo­se, assim, que fique caracterizada a divergência interpretativa, daí  meu  alinhamento  ao  voto  condutor  quanto  ao  conhecimento  parcial  do Recurso  da  Fazenda  Nacional, exclusivamente quanto à retroatividade benigna.  Feita tal digressão esclarecedora, atenho­me agora à parte que me incumbe na  qualidade de Redator do voto vencedor, qual seja, o não­conhecimento do Recurso Especial do  Contribuinte.   A  propósito,  faço  notar  que,  de  forma  que  o  Recurso  Especial  do  Contribuinte  se  tornasse  aproveitável  quanto  a  seu  pedido  de  improcedência  dos  Autos  de  Infração em questão, deveria ser  revertida, além da conclusão atingida pelo Colegiado a quo  quanto  à  matéria  de  inexistência  de  regras  claras  e  objetivas,  também  a  conclusão  daquele  Colegiado  quanto  à  impossibilidade  de  existência  de  mais  de  um  acordo,  também  caracterizadora, segundo o referido Colegiado a quo, de violação ao disposto na Lei no. 10.101,  de 2000, expressis verbis (Acórdão Recorrido em sua fl. 29, voto vencedor):  "(...) Quanto à escolha do plano de PLR a adotar, entendemos,  em  harmonia  com  a  fiscalização,  que  a  Lei  10.101/2000  não  permitiu  que  a  empresa  escolha  tanto  o  plano  definido  pela  comissão  escolhida  pelas  partes  como  o  plano  definido  no  acordo coletivo, pois o texto legal fala em um dos procedimentos  e não em ambos.  (...)"  Todavia, uma vez tendo sido negada, em sede de exame de admissibilidade, a  reapreciação deste Colegiado no que tange a esta caracterizada violação pela existência de mais  Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16327.720383/2011­54  Acórdão n.º 9202­005.573  CSRF­T2  Fl. 1.482          17 de um acordo, e, consequentemente, também quanto à não incidência arguída no mesmo pleito,  impossível, a esta altura, que se declare a improcedência dos AIs sob análise (objeto do pedido  recursal).  Caracterizada,  assim,  diante  deste  cenário,  a  perda  de  objeto  do  pleito,  restando  inócuo,  para  fins  do  pedido  deduzido  pelo  recorrente,  que  se  aprecie  singularmente  a  única  matéria de seu Recurso admitida (inexistência de regras claras e objetivas).  Destarte, diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial do  Contribuinte.   É como voto  (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior                  Fl. 1490DF CARF MF

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Numero do processo: 15889.000118/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2005 a 31/01/2007 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não garantem crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan - Presidente Robson José Bayerl - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2005 a 31/01/2007 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não garantem crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral. Recurso voluntário negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan - Presidente Robson José Bayerl - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.

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3401­003.850  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2017  Matéria  IPI  Recorrente  CERVEJARIA BELCO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/03/2005 a 31/01/2007  IPI.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  AQUISIÇÃO  DE  MATÉRIA­PRIMA,  PRODUTO  INTERMEDIÁRIO  E  EMBALAGENS  ISENTOS,  NÃO  TRIBUTADOS  OU  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO.  DIREITO  DE  CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.  A  sistemática  de  apuração  não  cumulativa  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados ­ IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a  exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o  valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica,  de forma tal que as aquisições de matérias­primas, produtos intermediários e  materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero)  não  garantem  crédito  de  IPI,  como  decidido  pelo  STF  no RE  398.365/RS,  julgado sob o rito da repercussão geral.  Recurso voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário apresentado.    Rosaldo Trevisan ­ Presidente    Robson José Bayerl ­ Relator       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 18 /2 00 9- 11Fl. 715DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Rosaldo  Trevisan,  Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Tiago  Guerra  Machado  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo Branco.  Relatório  Cuida­se,  na  espécie,  de  auto  de  infração  para  exigência  de  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  –  IPI,  período março/2005 a  janeiro/2007, decorrente de glosa por  apropriação  de  créditos  fictos  (aquisição  de MP,  PI  e ME  isentos,  com  alíquota  zero  e  não  tributados).  Em  impugnação  o  contribuinte  discorreu  sobre  o  princípio  da  não  cumualtividade,  concluindo  que  faz  jus  ao  creditamento  e  questionou,  ainda,  a  constitucionalidade da cobrança dos juros de mora à taxa SELIC.  A DRJ Ribeirão Preto/SP  julgou  improcedente o recurso, em decisão assim  ementada:  “CRÉDITOS  DO  IPI.  INSUMOS  ISENTOS,  NÃO  TRIBUTADOS  OU  TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.  É  inadmissível,  por  total  ausência  de  previsão  legal,  a  apropriação,  na  escrita  fiscal do  sujeito passivo, de créditos do  imposto alusivos a  insumos  isentos,  não  tributados  ou  sujeitos  à  alíquota  zero,  uma  vez  que  inexiste  montante do imposto cobrado na operação anterior.  INCONSTITUCIONALIDADE.  A  autoridade  administrativa  é  incompetente  para  declarar  a  inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  É jurídica a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic.”  O  recurso  voluntário  repete  os  argumentos  da  impugnação,  defendendo  o  direito ao crédito e referenciando o julgamento do RE 212.484­2/RS.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele conheço.  O debate circunscreve­se à possibilidade de aproveitamento e manutenção de  créditos pela aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem  isentos,  não  tributados  ou  sujeitos  à  alíquota  zero,  para  abatimento  do  imposto  devido  por  saídas  tributadas,  em  homenagem  ao  princípio  da  não  cumulatividade,  como  pretende  e  defende a recorrente.  Fl. 716DF CARF MF Processo nº 15889.000118/2009­11  Acórdão n.º 3401­003.850  S3­C4T1  Fl. 11          3 Conforme art. 153, § 3º da CF/88, as balizas que dão o contorno principal do  Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI são as seguintes:  “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:   I ­ importação de produtos estrangeiros;   II ­ exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;   III ­ renda e proventos de qualquer natureza;   IV ­ produtos industrializados;   V ­ operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores  mobiliários;   VI ­ propriedade territorial rural;    VII ­ grandes fortunas, nos termos de lei complementar.   § 1º  ­ É  facultado ao Poder Executivo,  atendidas as condições e os  limites  estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II,  IV e V.   (...)   § 3º ­ O imposto previsto no inciso IV:   I ­ será seletivo, em função da essencialidade do produto;   II  ­  será  não­cumulativo,  compensando­se  o  que  for  devido  em  cada  operação com o montante cobrado nas anteriores;   III ­ não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior.   IV  ­  terá  reduzido  seu  impacto  sobre  a  aquisição  de  bens  de  capital  pelo  contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº  42, de 19.12.2003)” (destaquei)  Como se observa do preceptivo em destaque, a apuração não cumulativa do  IPI, que ora interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido  pela  saída  do  produto  tributado,  de modo  que  é  pressuposto,  a meu  sentir,  inarredável,  que  tenha havido pagamento (rectius cobrança) de imposto na etapa imediatamente anterior e não  mera incidência tributária, como sustenta o recorrente.  Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional:  “Art.  49.  O  imposto  é  não­cumulativo,  dispondo  a  lei  de  forma  que  o  montante  devido  resulte  da  diferença  a  maior,  em  determinado  período,  entre  o  imposto  referente  aos  produtos  saídos  do  estabelecimento  e o pago  relativamente  aos produtos nele entrados.   Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do  contribuinte transfere­se para o período ou períodos seguintes.”   A própria norma legal  impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64,  por  via  oblíqua,  sinaliza  nessa  direção,  quando  determina  que  seja  estornado  o  crédito  do  Fl. 717DF CARF MF     4 imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou  sujeitos à alíquota zero, nestes termos:  “Art. 25. A importância a recolher será o montante do  imposto relativo aos  produtos  saídos  do  estabelecimento,  em  cada  mês,  diminuído  do  montante  do  imposto  relativo  aos  produtos  nele  entrados,  no  mesmo  período,  obedecidas  as  especificações  e  normas  que  o  regulamento  estabelecer.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei nº 1.136, de 1970)   §  1º  O  direito  de  dedução  só  é  aplicável  aos  casos  em  que  os  produtos  entrados  se  destinem  à  comercialização,  industrialização  ou  acondicionamento  e  desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo  industrial  sejam  tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo Decreto­Lei nº 1.136,  de 1970)   § 2º (Revogado pelo Decreto­Lei nº 2.433, de 1988)   §  3º.  O  Regulamento  disporá  sobre  a  anulação  do  crédito  ou  o  restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que  os  produtos  adquiridos  saiam  do  estabelecimento  com  isenção  do  tributo  ou  os  resultantes  da  industrialização  estejam  sujeitos  à  alíquota  zero,  não  estejam  tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no  mercado  interno  equiparada  a  exportação,  ressalvados  os  casos  expressamente  contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)”   Com efeito, se se deveria estornar o crédito efetivo pela aquisição tributada  de matéria­prima, produto intermediário e material embalagem aplicados na industrialização de  produtos que não sofriam a incidência do tributo, lato senso, com mais razão ainda na hipótese  em que a própria aquisição do insumo já ocorresse de forma desonerada do imposto.  Para evitar uma má  interpretação da asserção, registro ser do conhecimento  que  a  disposição  em  epígrafe  se  encontra,  hodiernamente,  mitigada  pelo  art.  11  da  Lei  nº  9.779/99, que permite  a manutenção do crédito nos  casos de produtos saídos com  isenção e  alíquota zero, todavia, tal dispositivo não se amolda ao caso sob análise.  Em  síntese,  ratifico  meu  entendimento  de  ser  condição  sine  qua  non  para  aproveitamento  dos  créditos  de  IPI,  pela  sistemática  de  apuração  não  cumulativa,  a  efetiva  cobrança  do  imposto na  aquisição,  aqui  entendida na  acepção de  exigir,  fazer  com que  seja  pago,  e  não  simplesmente  que  incida  a  norma  tributária,  de modo que  a  isenção,  ainda que  entendida como dispensa legal de pagamento devido, a não tributação ou a sujeição à alíquota  zero, não garantem direito de crédito pela sistemática não cumulativa de apuração do IPI.  Em  contraponto  à  posição  jurisprudencial  do  STF  colacionada  pela  ora  recorrente, consubstanciada no RE 212.484­2/RS, verifico que atualmente a questão passou por  uma verdadeira “mutação interpretativa”, como se depreende dos seguintes acórdãos:  “EMENTA:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  IPI.  CRÉDITO.  OPERAÇÕES COM ENERGIA ELÉTRICA.  I  ­  Na  sistemática  que  rege  o  princípio  constitucional  da  não  cumulatividade,  a  operação desonerada  de  IPI  impede  o  reconhecimento  do imposto pago na operação anterior e não gera crédito para a seguinte,  raciocínio que deve ser aplicado de forma indistinta aos casos de alíquota  zero, isenção, não incidência e de imunidade.  Fl. 718DF CARF MF Processo nº 15889.000118/2009­11  Acórdão n.º 3401­003.850  S3­C4T1  Fl. 12          5 II ­ Inexiste direito constitucional ao crédito de IPI decorrente da aquisição  de  energia  elétrica  empregada  no  processo  de  fabricação  de  produtos  industrializados que são onerados pelo imposto em suas saídas.  III  ­  Agravo  regimental  improvido.”  (RE  561676  AgR/SC.  01/06/2010)  (destaquei e sublinhei).    “TRIBUTÁRIO.  IPI.  INSUMOS  ISENTOS,  NÃO­TRIBUTADOS  OU  SUJEITOS  À  ALÍQUOTA  ZERO.  INEXISTÊNCIA  DE  DIREITO  AOS  CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO  PLENÁRIO.  1.  A  decisão  recorrida  está  em  consonância  com  a  jurisprudência  do  Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que  não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições  insumos isentos, não­tributados ou sujeitos à alíquota zero.  2.  Agravo  regimental  improvido.”  (RE  566.551  AgR/RS  –  06/04/2010)  (destaquei e sublinhei)    “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  CONVERSÃO  EM  AGRAVO  REGIMENTAL. IPI. AQUISIÇÕES ISENTAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO  AOS  CRÉDITOS.  DECISÃO  COM  FUNDAMENTO  EM  PRECEDENTES  DO PLENÁRIO. TRÂNSITO EM JULGADO. DESNECESSIDADE.  1.  Embargos  de  declaração  recebidos  como  agravo  regimental,  consoante  iterativa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.  2.  A  decisão  recorrida  está  em  consonância  com  a  jurisprudência  do  Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que  não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições  isentas, cujo entendimento afastou tese adotada no RE 212.484/RS).  3. Desnecessidade do trânsito em julgado dos precedentes em que se apoiou  a decisão agravada.  4.  Agravo  regimental  improvido.”  (RE  488.357  ED/PR  –  18/08/2009).  (destaquei e sublinhei)    “EMENTA: Agravo regimental  em recurso extraordinário. 2.  Insumos.  IPI.  Alíquota  zero,  isenção  ou  não­tributação.  Crédito  na  operação  posterior.  Impossibilidade.  Ausência  de  violação  ao  art.  153,  §  3º,  II,  da  CF/88.  Precedentes. 3. Limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade.  Inaplicabilidade.  4.  Agravo  regimental  a  que  se  nega  provimento.”  (RE  444267 AgR/RS – 18/12/2007).   Por pertinente e para melhor esclarecer o alcance do julgado, colho excerto  do voto condutor do eminente Min. Ricardo Lewandowski no RE 561.676 AgR/SC julgado em  01/06/2010, verbis:  Fl. 719DF CARF MF     6 “A  decisão  agravada  foi  proferida  em  harmonia  com  o  atual  entendimento desta Corte no sentido de que, na sistemática que  rege  o  princípio  constitucional  da  não  cumulatividade,  a  operação  desonerada  de  IPI  impede  o  reconhecimento  do  imposto  pago  na  operação  anterior  e  não  gera  crédito  para  a  seguinte,  raciocínio  que  deve  ser  aplicado  de  forma  indistinta  aos  casos  de  alíquota  zero,  isenção,  não  incidência  e  de  imunidade.  Decorre daí a lógica de que só se compensa crédito de operação  anterior  quando  e  na  medida  do  que  for  devido  na  próxima  operação  e  só  se  atribui  crédito  para  uma  operação  seguinte  quando e à medida do que for pago na anterior.” (destaquei)  Na mesma linha de raciocínio o voto da Min. Ellen Gracie nos Embargos de  Declaração no RE 488.357­1/PR, proferido em 18/08/20091:  “A  decisão  proferida  pelo  meu  antecessor,  Ministro  Gilmar  Mendes,  deve  ser  mantida,  porque  está  em  harmonia  com  a  orientação  firmada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  precedentes  citados  (RE  370.682/SG,  rel.  para  o  acórdão Min.  Gilmar Mendes, Plenário, Dje 19.12.2007; e RE 353.657/RS, rel.  Min. Marco Aurélio, Plenário, Dje 7.3.2008), no sentido de que  não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às  aquisições isentas.  (...)  Este  Supremo  Tribunal  também  concluiu  que  a  partir  do  julgamento  dos  recursos  acima  citados,  que  serviram  de  fundamento para a decisão agravada, não mais subsiste a tese  adotada no RE 212.484/RS, Plenário, rel. Min. Nelson Jobim,  DJ  27.11.1998,  sustentada,  no  presente  recurso,  pelo  ora  recorrente.” (destaquei)  Em  recentíssima  manifestação,  a  Corte  Suprema  decidiu,  em  sede  de  repercussão geral, no RE 398.365/RS, que a sistemática não cumulativa insculpida no art. 153  da CF/88 não garante direito de crédito pelas aquisições  isentas, não  tributadas ou sujeitas à  alíquota zero, verbis:  “Recurso  extraordinário.  Repercussão  geral.  2.  Tributário.  Aquisição  de  insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento  de  IPI.  Impossibilidade.  4.  Os  princípios  da  não  cumulatividade  e  da  seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não  asseguram  direito  de  crédito  presumido  de  IPI  para  o  contribuinte  adquirente  de  insumos  não  tributados  ou  sujeitos  à  alíquota  zero.  Precedentes.  5.  Recurso  não  provido.  Reafirmação  de  jurisprudência.”  (destacado)  Por  conveniente,  acentuo  que  as  decisões  do  Supremo  Tribunal  Federal  e  Superior Tribunal de Justiça, julgadas sob o rito da repercussão geral e do recurso repetitivo,                                                              1  De  acordo  com  o  relatório  deste  recurso  extraordinário,  tratava­se  de  embargos  de  declaração  onde  alegava  o  embargante  que  os  julgados  tidos  como  paradigma  (RE  370.682/SC  e  RE  353.657/RS)  “se  concentraram  nos  casos  de  aquisições  com  não  tributação  e  reduzidas  à  alíquota  zero,  tendo  sido  mantido  o  direito  relativo  às  aquisições  isentas  (sic)”  e  que  a  decisão  recorrida  não  teria  feito  a  diferenciação  necessária  dos  institutos,  argumentando ainda que o direito a  tal creditamento estaria amparado no leading case RE 212.484/RS e que  tais  decisões não alcançariam os casos de isenção.  Fl. 720DF CARF MF Processo nº 15889.000118/2009­11  Acórdão n.º 3401­003.850  S3­C4T1  Fl. 13          7 respectivamente, são de obrigatória reprodução neste sodalício administrativo, ex vi do art. 62,  § 2º do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF 343/2015.  Outrossim, a controvérsia atinente à pretensa inconstitucionalidade de normas  tributárias,  em  âmbito  administrativo,  esbarra  na  vedação  do  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/72, sintetizada na Súmula CARF nº 2, consoante o qual o CARF não é competente para  se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso.    Robson José Bayerl                              Fl. 721DF CARF MF

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